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Numero do processo: 10073.720423/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PRELIMINAR. NULIDADE. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. FATOS GERADORES DISTINTOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Inocorre duplicidade de lançamentos, quando os fatos geradores são distintos.
AUDITORIA FISCAL. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE.
O Fisco pode verificar fatos, operações e documentos passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, referentes a períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja, na apuração de lucro líquido ou real e compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de períodos não atingidos pela decadência. Os ajustes decorrentes desse procedimento somente podem implicar em alterações nos resultados tributáveis de períodos não decaídos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
LUCRO REAL ANUAL. IRPJ. PREJUÍZO FISCAL SALDOS ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Submetem-se à tributação os valores dos prejuízos fiscais, indevidamente compensados, se os documentos constantes dos autos demonstram que a pessoa jurídica não detém os saldos acumulados registrados nos livros LALUR.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
LUCRO REAL ANUAL. CSLL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDOS ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Submetem-se à tributação os valores das bases de cálculo negativas, indevidamente compensados, se os documentos constantes dos autos demonstram que a pessoa jurídica não detém os saldos acumulados registrados nos livros LALUR.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora.
Numero da decisão: 1402-003.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a alegação de decadência e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Relator e os Conselheiros Caio César Nader Quintella e Leonardo Luis Pagano Gonçalves que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor de mérito, o Conselheiro Evandro Correa Dias.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias- Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PRELIMINAR. NULIDADE. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. FATOS GERADORES DISTINTOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Inocorre duplicidade de lançamentos, quando os fatos geradores são distintos. AUDITORIA FISCAL. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. O Fisco pode verificar fatos, operações e documentos passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, referentes a períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja, na apuração de lucro líquido ou real e compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de períodos não atingidos pela decadência. Os ajustes decorrentes desse procedimento somente podem implicar em alterações nos resultados tributáveis de períodos não decaídos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 LUCRO REAL ANUAL. IRPJ. PREJUÍZO FISCAL SALDOS ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Submetem-se à tributação os valores dos prejuízos fiscais, indevidamente compensados, se os documentos constantes dos autos demonstram que a pessoa jurídica não detém os saldos acumulados registrados nos livros LALUR. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 LUCRO REAL ANUAL. CSLL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDOS ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Submetem-se à tributação os valores das bases de cálculo negativas, indevidamente compensados, se os documentos constantes dos autos demonstram que a pessoa jurídica não detém os saldos acumulados registrados nos livros LALUR. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora.
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NULIDADE. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. FATOS GERADORES DISTINTOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Inocorre duplicidade de lançamentos, quando os fatos geradores são distintos. AUDITORIA FISCAL. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. O Fisco pode verificar fatos, operações e documentos passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, referentes a períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja, na apuração de lucro líquido ou real e compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de períodos não atingidos pela decadência. Os ajustes decorrentes desse procedimento somente podem implicar em alterações nos resultados tributáveis de períodos não decaídos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LUCRO REAL ANUAL. IRPJ. PREJUÍZO FISCAL SALDOS ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Submetemse à tributação os valores dos prejuízos fiscais, indevidamente compensados, se os documentos constantes dos autos demonstram que a pessoa jurídica não detém os saldos acumulados registrados nos livros LALUR. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 23 /2 01 1- 19 Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 672 2 LUCRO REAL ANUAL. CSLL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDOS ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Submetemse à tributação os valores das bases de cálculo negativas, indevidamente compensados, se os documentos constantes dos autos demonstram que a pessoa jurídica não detém os saldos acumulados registrados nos livros LALUR. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a alegação de decadência e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Relator e os Conselheiros Caio César Nader Quintella e Leonardo Luis Pagano Gonçalves que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor de mérito, o Conselheiro Evandro Correa Dias. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 673 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente ao ano calendário de 2006, dos quais o interessado foi cientificado em 19/04/2011 (fl. 392). Sobre os valores lançados incidiu multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e demais encargos de juros moratórios. Dado preciso relatório realizado pela DRJ transcrevoo em sua íntegra complementandoo ao final no que necessário: Os autos de infração lavrados constam às fls. 375/391. As infrações apuradas foram as seguintes: IRPJ Compensação indevida de prejuízo fiscal efetuada no exercício 2007 – anocalendário 2006, em função de insuficiência de saldo de prejuízo acumulado. CSLL Compensação indevida de base negativa de CSLL efetuada no exercício 2007 – anocalendário 2006, em função de insuficiência de saldo de base negativa. Consta do Termo de Constatação Fiscal, às fls. 372/374, o que segue: COMPENSAÇÃO EM EXCESSO DE PREJUÍZO FISCAL E DA BASE DE CALCULO NEGATIVA DA CSLL: Segundo a fiscalização, o contribuinte efetuou compensação de prejuízo fiscal na DIPJ do exercício 2007, referente ao anocalendário 2006, lançando valores excedentes ao saldo de prejuízo fiscal existente em 01/01/2006 (R$542.057,31) e ao saldo de base de cálculo negativa da CSLL (R$ 0,00), conforme demonstrado abaixo e nos formulários "Inconsistências do Contribuinte Compensação de Prejuízos e Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais", e Demonstrativo de Compensação de BC Negativa", gerados pelo sistema SAPLI Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL, da Secretaria da Receita Federal do Brasil: a Saldo de prejuízo fiscal em 01/01/2006: R$ 542.057,31 b Limite para compensação de prejuízo: R$ 542.057,31 c Compensação de prejuízo efetuada em 2006: R$ 3.498.143,06 d Excesso de compensação R$ 2.956.085,75 e Saldo de BC negativa da CSLL de períodos anteriores, em 01/01/2006: R$ 0,00 f Limite para compensação de BC negativa: R$ 0,00 g Compensação de BC negativa efetuada em 2006: R$ 1.508.915,64 h Excesso de compensação de BC negativa: R$ 1.508.915,64 Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 674 4 EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE Intimado, o contribuinte, em 13/10/2010, apresentou documentos contendo as suas justificativas para a regularidade de compensações de prejuízos e de base de cálculo negativa da CSLL referentes ao anocalendário 2006: Quanto às inconsistências de R$ 3.498.143,06 no prejuízo fiscal, e R$ 1.508.915,64 na base de cálculo negativa da CSLL, do anocalendário 2006, alega que compensou integralmente nas DIPJ 2001 e 2002, sem a limitação de 30%, os saldos existentes, tendo sido autuada em maio de 2006, sendo que teria recolhido as diferenças de imposto e contribuição resultantes ora apontadas, retornando os valores originais compensados a maior naparte B do LALUR, compensandoos em 2006; CONSTATAÇÃO DAS DIFERENÇAS OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO A fiscalização, tendo em vista que o SAPLI faz o acompanhamento ano a ano dos saldos de prejuízos e da base de cálculo negativa da CSLL, através dos valores declarados pelo contribuinte nas suas declarações de Imposto de Renda DIPJ, constatou como corretos os valores acima citados (letras d e h), relativos ao excesso de compensação de prejuízo no anocalendário 2006, e da base de cálculo negativa da CSLL, por insuficiência de saldos de prejuízos e de BC negativa. Sendo assim, foram lavrados autos de infração de IRPJ e de CSLL, em razão de compensação indevida de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, efetuada no exercício 2007 – anocalendário 2006, por insuficiência de saldo de prejuízo acumulado e de base negativa de CSLL. Inconformado, o interessado apresentou, em 19/05/2011, impugnação de fls. 395/414, requerendo o provimento da impugnação e o cancelamento do lançamento, alegando, em síntese, o seguinte: Preliminarmente . que se verifica a nulidade do auto de infração, na medida em que está embasado em critério imprestável para a apuração do saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, ora compensado, já que o Agente Fiscal não atentou para o fato de que os valores do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL, ora em discussão, são o mesmos que os glosados no procedimento administrativo n° 19515.001075/200630 (Doc. 02), que culminou com a lavratura de auto de infração, sendo que os respectivos valores lá exigidos foram devidamente recolhidos aos cofres da União, em 29.06.2006 (Doc. 03), e portanto, encontramse extintos, nos termos do art. 156, I, do CTN. . que no procedimento administrativo n° 19515.001075/200630 fora autuada em razão de ter compensado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, apurados em 2000 e 2001, acima do limite dos 30% (trinta por cento) previstos pela legislação aplicável. . que o valor apurado pela Autoridade Fiscal à época da fiscalização como excedente é exatamente o mesmo valor declarado no presente caso. . que o ordenamento pátrio não admite a prevalência de dois lançamentos que pretendem cobrar o mesmo tributo sobre o mesmo fato gerador. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 675 5 . que a Autoridade Fiscal deveria ter recomposto todo o saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL apurado, procedimento este que certamente culminaria com o reconhecimento de que o montante ora autuado corresponde ao saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL compensado acima do limite de 30% no anocalendário de 2001. . que, caso prevaleça o entendimento de que o presente auto de infração é válido, o que se verificou foi mera postergação de tributo, a exigir a aplicação da norma constante dos §§ 4º e 6º do artigo 6º do Decretolei 1.598/77, segundo interpretação oficial constante do Parecer Normativo COSIT 02/96; que, se não houvesse reduzido a base de cálculo do IRPJ e da CSLL devida em 2001, com o aproveitamento de prejuízo fiscal e bases negativas da CSLL, poderia perfeitamente fazêlo nos anos seguintes, na medida em que o lucro tributável nos anos posteriores foi positivo, tendo recolhido IRPJ e CSLL. . que este entendimento está sedimentado no âmbito da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com a edição da Súmula n° 36: “A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado por sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela pagaposteriormente.” No mérito . que o tributo já extinto por força da ocorrência da decadência, nos termos dos artigos 156, V, do Código Tributário Nacional. . que a decadência aqui referida não se relaciona diretamente ao direito de o Fisco exigir valores atinentes ao anocalendário de 2006, mas sim, à possibilidade de se questionar o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL apurado no anocalendário de 2001. . que, no caso vertente, muito embora o Fisco pretenda fixar tão somente o anocalendário de 2006 como objeto do auto de infração, o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL, cuja desconsideração deu origem à glosa das compensações, tiveram origem em anos anteriores (mais precisamente em 2001), produzindo, por óbvio, efeitos sobre períodos de apuração subsequentes. . que não se pode admitir que o auto de infração, cientificado em 19.04.2011 (mais de dez anos após a ocorrência dos supostos fatos geradores), verse sobre a revisão de fatos que integraram o lançamento por homologação do IRPJ e da CSLL de anos anteriores a 2006, pois, naquela data, tais fatos tornaramse imutáveis, sofrendo os efeitos da cristalização decorrente da decadência. . que a impossibilidade de revisão de fatos cobertos pela decadência, e que já poderiam ter sido questionados pelo Fisco em datas anteriores, mediante lançamento de ofício, é questão que vem se tornando cada vez mais firme na jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; cita ementas de acórdãos do CARF. . que as compensações de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL foram efetuadas corretamente. . que, ao final do anocalendário de 2000, apurou prejuízo fiscal, no valor de R$ 15.191.648,37, e base de cálculo negativa de CSLL, no valor de R$ Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 676 6 17.143.850,18, conforme atesta o LALUR n° 11 (Doc. 04). Tais valores são oriundos dos saldos dos anos de 1996, 1997 e 1998 (prejuízo fiscal) e 1999 (base de cálculo negativa de CSLL). . que, diante da apuração desses valores, compensou, em 2001, a totalidade dos referidos montantes, isto é, acima do limite dos 30%, previsto pelos artigos 15 e 16, da Lei n° 9.065/95, à época amparada por medida judicial que assim lhe permitia. . que, em maio de 2006, sofreu fiscalização, tendo sido lavrado auto de infração (Processo n° 19515.001075/200630), por meio do qual a Autoridade Fiscal procedeu à glosa dos valores compensados acima do limite dos 30%. . que, posteriormente, a diferença dos 70% (resultante da compensação a maior) foram contabilizadas na parte B do LALUR, somente no ano calendário de 2006 (Doc. 05), acarretando à Impugnante um crédito no valor de R$ 3.498.143,06 (prejuízo fiscal) e R$ 1.508.915,62 (base de cálculo negativa de CSLL); que exatamente por esse motivo que a Impugnante, no anocalendário de 2006, efetuou a compensação do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, ora glosada pela Autoridade Fiscal. . que devese observar, desde logo, que por um lapso, deixou de retificar suas DIPJs e LALUR, desde 2001, quando foi autuada pela compensação a maior do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL. Ademais, o valor remanescente do saldo de 2001 não foi utilizado nos anos seguintes, sendo compensado somente no anocalendário de 2006. . que traz à baila tabela que demonstra os valores dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acumulados desde 2001 (fls. 408/409). . que verificase, facilmente, que possui, no anocalendário de 2006, prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL no montante de R$ 3.498.143,06, e R$ 1.508.915,64, ora compensado e glosado pela Autoridade Fiscal. . que o lançamento deve ser prontamente cancelado, tendo em vista que o descasamento de informações entre o sistema da Receita Federal (SAPLI) e a apuração contábil e fiscal da Impugnante foi devidamente sanado. . que devese excluir a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, conforme recente julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF. . que a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada carece de base legal, já que o § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/96, é claro ao restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado. . que o § único do artigo 43, da Lei n° 9.430/96, prevê a incidência de juros de mora somente sobre as multas e os juros cobrados isoladamente, e não sobre a multa de ofício. . que, ao analisar conjuntamente os artigos 161, 139 e 113, do CTN, verifica se que o próprio CTN não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo. A DRJ entendeu pela insubsistência dos argumentos expendidos em sede de impugnação restando assim ementado o julgado: Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 677 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PRELIMINAR. NULIDADE. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. FATOS GERADORES DISTINTOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Inocorre duplicidade de lançamentos, quando os fatos geradores são distintos. AUDITORIA FISCAL. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. O Fisco pode verificar fatos, operações e documentos passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, referentes a períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja, na apuração de lucro líquido ou real e compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de períodos não atingidos pela decadência. Os ajustes decorrentes desse procedimento somente podem implicar em alterações nos resultados tributáveis de períodos não decaídos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LUCRO REAL ANUAL. IRPJ. PREJUÍZO FISCAL SALDOS ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Submetemse à tributação os valores dos prejuízos fiscais, indevidamente compensados, se os documentos constantes dos autos demonstram que a pessoa jurídica não detém os saldos acumulados registrados nos livros LALUR. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 LUCRO REAL ANUAL. CSLL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDOS ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Submetemse à tributação os valores das bases de cálculo negativas, indevidamente compensados, se os documentos constantes dos autos demonstram que a pessoa jurídica não detém os saldos acumulados registrados nos livros LALUR. JUROS DE MORA JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. Irresignada com a decisão a contribuinte interpõe o presente RV suscitando em suma a nulidade do lançamento, a ocorrência de decadência, a glosa indevida da compensação ante a ilegitimidade da "trava dos 30" e a impossibilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 678 8 Voto Vencido Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. Preliminar de nulidade do lançamento: Sustenta o recorrente a nulidade do lançamento por eventual bis in idem ante ao processado em sede dos autos n. 19515.001075/200630, que culminou com a lavratura de auto de infração, sendo que os respectivos valores lá exigidos foram devidamente recolhidos, e portanto, encontram se extintos, nos termos do art. 156, I, do CTN. Não prosperam os argumentos expendidos pela recorrente na medida em que os fatos geradores são diversos, logo, não há que cogitarse de bis in idem ao que adoto como razões de decidir aquelas lançadas pela DRJ para afastar a preliminar: No que tange a alegação de que os valores do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL, ora em discussão, seriam os mesmos que os glosados no procedimento administrativo n° 19515.001075/200630, a meu juízo, não se sustenta. Ao contrário do que alega o interessado, os excedentes autuados no presente processo e no processo n° 19515.001075/200630 são distintos, a saber: Presente processo: Excesso de prejuízo fiscal: R$ 2.956.085,75 Excesso de base negativa de CSLL: R$ 1.508.915,64 Processo nº 19515.001075/200630: Excesso de prejuízo fiscal: R$ 3.498.143,06 Excesso de base negativa de CSLL: R$ 1.483.693,48 Ademais, em que pese o interessado ter razão quando afirma que o ordenamento pátrio não admite dois lançamentos sobre o mesmo fato gerador, basta cotejar o processo de n° 19515.001075/200630 com o presente processo, para constatar que os fatos geradores são distintos. Este trata de fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006, enquanto aquele de fatos geradores ocorridos em 2001. Inocorre duplicidade de lançamentos, quando os fatos geradores são distintos. Diante do exposto, não vislumbro nulidade qualquer no ato de lançamento ao que passo análise argumento da decadência. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 679 9 2. Decadência: Antes de adentrar ao mérito sustenta o recorrente que, muito embora o Fisco pretenda fixar tão somente o anocalendário de 2006 como objeto do auto de infração, o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL, cuja desconsideração deu origem à glosa das compensações, tiveram origem em anos anteriores (mais precisamente em 2001), produzindo efeitos sobre períodos de apuração subseqüentes. Outro sorte não encontra o recorrente na medida em que incorrente a decadência conforme as substanciosas razões de decidir lançadas pela DRJ: De fato, o prazo decadencial de cinco anos para a constituição de ofício do crédito tributário iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme disposto no art. 173, I, do CTN, exceto para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, cuja norma de contagem do prazo decadencial é deslocada da regra geral para a regra especial prevista no art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal, ou seja, de cinco anos contados a ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação ou ausência de pagamento. Contudo, os contribuintes estão sujeitos à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos, como é o caso dos autos. Embora os prejuízos fiscais e as bases negativas de CSLL, como alega o interessado, possam ter origem em 2001, ou mesmo em anos anteriores, cabe destacar que os efeitos tributários contestados pela autoridade fiscal repercutiram em exercício futuro (época da efetiva compensação dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSLL), qual seja, no anocalendário de 2006, não decaído. Acrescentese que é dever do interessado manter e exibir os documentos que apoiam os registros contábeis e fiscais, ainda que tenha como origem um fato anterior ocorrido em período de apuração fiscal já decaído, haja vista a pessoa jurídica dever conservar os documentos de sua escrituração relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, enquanto não ocorrido a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios, consoante determina o artigo 37 da Lei nº 9.430, de 1996 (base legal do artigo 264, § 3º, do RIR de 1999), in verbis: “Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 680 10 Portanto, é possível ao Fisco, em 19/04/2011 (data da ciência do auto de infração) questionar prejuízo fiscal e base negativa de CSLL indevidamente compensados no anocalendário 2006, ainda que tais prejuízos e bases negativas se refiram a períodos anteriores, uma vez que sobre o período autuado (anocalendário de 2006) não havia incorrido decadência. Neste sentido, reproduzse ementa do Egrégio Conselho de Contribuintes: DECADÊNCIA ALTERAÇÃO NOS PREJUÍZOS FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA. A autoridade administrativa procederá às alterações que julgar cabíveis em prejuízos fiscais apurados pela pessoa jurídica relativamente a período já alcançado pela decadência. Nesse caso, é vedada apenas a constituição de crédito tributário concernente a tal período. 1º Conselho de Contribuintes / 8a. Câmara / ACÓRDÃO 10809.625 em 29.05.2008. Publicado no DOU em: 07.11.2008. Dessa forma, improcede a alegação de decadência. 3. Do mérito: 3.1 Glosa compensação prejuízo fiscal sem a "trava de 30%": A matéria de mérito do presente RV é recorrente perante esta turma filiando me a entendimento vencido capitaneado pelo Conselheiro vicepresidente Caio Quintella que peço vênia aos colegas para transcrever suas razões de decidir já conhecidas por todos. No presente RV sustenta a contribuinte recorrente a indevida glosa da compensação pelo limite de 30% do lucro líquido ajustado na compensação de prejuízos no cálculo do IRPJ. A aplicabilidade da limitação de 30% do lucro apurado no período para o aproveitamento dos prejuízos percebidos pelo contribuinte (trava de 30%) é matéria há muito debatida neste E. CARF. Ainda que a jurisprudência deste C. Conselho, inicialmente, tenha apontado de forma predominante pelo afastamento de tal trava, desde de 2009, após o julgamento do RE nº 344.994/PR, instaurouse profunda divergência sobre tema com variações sazonais quanto à tese prevalecente , ainda existindo até hoje posicionamentos discrepantes sobre o tema. Acrescentese que, certo e reconhecido que o RE nº 344.994/PR apenas analisou e chancelou a constitucionalidade da denominada trava de 30% apenas pelo seu aspecto e dinâmica temporal (abortando temas como anterioridade, irretroatividade e direito adquirido), a matéria, hoje, é amplamente debatida no RE nº 591.340RG, potencialmente abrangendo o tema específico agora sob julgamento, restando afetado pela sistemática da repercussão geral e pendente de julgamento até hoje. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 681 11 Feitos tais comentários, devese considerar também, a título informativo, que, ainda que sem efeito jurisdicional, há sólidos argumentos pela (i)legitimidade da "trava dos 30": No que toca à limitação interperiódica percentual prevista nas Leis nº 8.981/95 e nº 9.065/95, esta visa diluir no tempo os efeitos das reduções de lucro tributável em decorrência de prejuízos fiscais anteriores. Ocorre que com a extinção da sociedade incorporada, a imposição da limitação consistente na chamada “trava” dos 30%, implicaria na extinção do direito ao aproveitamento dos prejuízos acumulados. Posto que, tal limitação tem como pressuposto a continuidade das atividades do contribuinte, de maneira a permitir a gradual compensação. Verificase que o verdadeiro objetivo da limitação é a manutenção do fluxo arrecadatório e nunca o fenecimento do direito do contribuinte deduzir o prejuízo de exercícios anteriores com os lucros futuros, o que a trava visa é que isto ocorra de forma paulatina. Vale ressaltar que a legislação tributária veda o aproveitamento do saldo de prejuízo fiscal da incorporada pela incorporadora, o que não é o caso em análise. Neste diapasão, segue o entendimento já consolidado deste Colegiado segundo o qual não se aplica à empresa extinta por incorporação o limite 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. Neste sentido: COMPENSAÇÃO. PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. INCORPORAÇÁO E CISÃO À empresa extinta por cisão e incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido para fins de compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa acumulados. (CARF, 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, acórdão 1201.00.108, julgado em 18/06/2009) IRPJ CSLL COMPESAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODO ANTERIORES. CISÃO. INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO. Constitui pressuposto da aplicação da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas à continuidade das atividades do contribuinte e a paulatina apropriação dos prejuízos. Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a conseqüente extinção da personalidade jurídica da sucedida, não se faz possível a aplicação do limitador, dês que tal determinaria o fenecimento do direito do contribuinte. Precedentes deste Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 682 12 Conselho. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Sétima Câmara, acórdão 10709.447, julgado em 13/08/2008) A vedação à compensação integral dos prejuízos fiscais está intimamente ligada à continuidade das atividades do contribuinte de modo a permitir a paulatina compensação. No entanto, nos casos de extinção da pessoa jurídica não deve perdurar a “trava” dos 30%. Além disso, há vedação expressa (Decretolei 2341/87, art. 32 e 33) ao aproveitamento do saldo de prejuízo fiscal da empresa incorporada pela incorporadora. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para cancelar o Auto de Infração. Assim como acima defendido, em diversas outras oportunidades, esta mesma Turma há muito debateu sobre o assunto posicionandome favoravelmente à tese pugnada pelo contribuinte, o que também permite uma abordagem mais sumarizada da questão. Independentemente de haver entendimento de que a compensação de prejuízos tenha natureza de benesse fiscal, a verificação de incidência e a aplicação das normas referentes a tal dinâmica devem se pautar em observação sistemática e racional das demais normas do sistema que informam e constroem a tributação pelo IRPJ e pela CSLL, seus regimes de apuração, restando inafastavelmente submetida ao conteúdo do art. 43 do CTN. Nesse sentido, a apuração pelo lucro real (e da própria base de cálculo da CSLL), ainda que dentro dos atuais regimes de apuração do lucro tributável das pessoas jurídicas seja aquele que talvez permita uma maior aproximação do lucro efetivamente percebido pelo contribuinte, é totalmente permeada por ficções, presunções, convenções e abstrações jurídicas, as quais permitem seu manejo prático e eficiente pelo Estado. A sazonalidade da incidência de tais tributos, adotando um período igual ou inferior ao anual para seu ciclo fenomenológico, é uma dessas construções ficcionais. Sobre isso, com muita clareza e técnica, é o comentário do Professor Luís Eduardo Schoueri1 Fica claro aqui que o lucro real, apesar da denominação que recebeu, nada mais é do que uma realidade construída, artificiosa, sobre a qual recai a tributação. A própria periodização do imposto de renda é construção artificial, na medida em que não é possível conhecer a efetiva capacidade contributiva de uma pessoa jurídica antes que esta encerre suas atividades. No entanto, a estipulação de um período para a apuração do imposto de renda é medida indispensável diante das necessidades financeiras do Estado e da supremacia do interesse público. Afinal, fosse o Estado esperar que todas as pessoas jurídicas encerassem suas atividades (e todas as pessoas físicas falecessem, no caso do imposto de renda das pessoas físicas) para então exercer seu poder tributante, certamente os cofres públicosnão teriam recursos para fazer frente a todas as 1 Controvérsias JurídicoContábeis (Aproximações e Distanciamentos). São Paulo : Dialética, 2010. p. 259. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 683 13 despesas estatas, ainda mais se considerar a importância arrecadatória do imposto de renda. Considerando tal lição, é evidente que o prejuízo verificado pelas pessoas jurídicas é elemento diretamente relacionado ao conceito de renda, principalmente diante da necessidade de compensálo em períodos posteriores para revelar a real capacidade contributiva do contribuinte (corretamente fracionandose o vencimento das obrigações tributárias em períodos cíclicos e sucessivos). E foi exatamente dentro de tal sistemática de periodização em que foi inserida a regra contida nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, que estabelece a referida limitação do aproveitamento do prejuízo em cada período. No entender deste Conselheiro, não se está diante de regulamentação de concessão de benefício, ou de norma atinente à materialidade da tributação da renda, mas sim de mero diferimento do aproveitamento do prejuízo efetivamente verificado e plenamente compensável, como medida de garantir ao Erário federal valores mínimos de arrecadação dos tributos em cada período apresentando, inclusive, uma relação muito maior da sua razão de existir com o Direito Financeiro do que com o Direito Tributário. Comprovando a natureza de simples diferimento de tal método controle fiscal, confirase trecho da Exposição de Motivos da MP nº 998/05, convertida na Lei nº 9.065/95: Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória n° 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje vacacio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo (destacamos). Historicamente, a limitação do aproveitamento do prejuízo sempre foi temporal, que quando muito impunha ao contribuinte prazo para compensação a partir da sua formação, mas permitindo um abatimento integral da monta alcançada. A limitação quantitativa é inovação do Legislador de 1995, que visando preservar a capacidade contributiva e o devido alcance da incidência dos tributos coincidiu com a retirada da referida limitação cronológica. Assim, essa nova dinâmica de compensação de prejuízos acumulados instaurada em 1995 pressupõe a continuidade das operações do contribuinte, de forma que não haja supressão da parcela do prejuízo compensável. De fato, tal método apresentase lógico e juridicamente adequado dentro da possibilidade de sempre (vez que afastada a limitação temporal) se realocar em períodos posteriores a parcela do prejuízo não abatida naquele momento presente. Claramente, dentro dessa lógica e considerando a expressa afirmação na Exposição de Motivos de que não deveria tal controle quantitativo do aproveitamento do Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 684 14 prejuízo implicar em supressão do direito ao integral abatimento, a limitação da trava de 30% corporificada nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. Subsidiariamente, porventura vencido passo a enfrentar a questão da aplicação de juros de mora na multa de ofício. 3.2 Aplicação de juros de mora multa de ofício: O presente tema da incidência de juros sobre a multa de ofício, que não deveria prosperar por falta de previsão legal não é novo no CARF. Ocorre que uma análise mais sistemática do CTN, percebese que os juros são devidos sobre o valor da multa, uma vez que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa. Como dispõe o art. 161 do CTN: Art. 161. O credito não integralmente pago no vencimento e acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados a taxa de um por cento ao mês. O art. 113, § 1o do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal e o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto é que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de credito tributário esta esculpido no art. 139 do CTN, nos seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o credito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa devem incidir juros, como determina o § 1o do art. 161 do Código Tributário Nacional. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas os juros sobre a multa de ofício imposta para negar provimento ao recurso voluntário neste aspecto. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 685 15 4. Conclusão: Pelo exposto, deve ser provido o Recurso Voluntário do Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão da DRJ recorrido para cancelar o lançamento de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 686 16 Voto Vencedor Evandro Correa Dias Redator Designado O i. relator, no seu voto, por entender que a pessoa jurídica pode compensar o prejuízo fiscal acumulado sem observância da "trava" de 30%, conclui no sentido de ar provimento ao recurso voluntário. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite. Entretanto, verificase que o presente auto de infração tratase de compensação de prejuízos inexistentes, e não de excesso em relação ao limite legal de 30%, referido nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, a fiscalização comparou os saldos acumulados de prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL em 01/01/2006 constantes do sistema SAPLI da Secretaria da Receita Federal do Brasil com os montantes declarados na DIPJ/2007 – anocalendário de 2006, e constatou que o interessado compensou montantes de prejuízos fiscais e de bases negativa de CSLL em valores superiores ao que dispunha, conforme reprodução a seguir. A fiscalização, cotejando os prejuízos fiscais compensados informados na DIPJ/2007 – anocalendário 2006 (R$ 3.498.143,06), com o saldo de prejuízos fiscais acumulados no sistema Sapli (R$ 542.057,31), constatou excesso de compensação (R$ 2.956.085,75), tendo lavrado auto de infração. A Recorrente alega que os valores do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL ora em discussão são os mesmos que os glosados do procedimento administrativo nº 19515.001075/200630, que culminou com a lavratura de Auto de Infração contra a pessoa jurídica, sendo que os valores lá exigidos foram devidamente recolhidos aos cofres da união. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 687 17 Verificase que esse argumento já foi afastado, preliminarmente, no voto do relator. Em resumo, a Recorrente alega que possui, no anocalendário de 2006, prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL no montante de R$ 3.498.143,06 e R$ 1.508.915,64. A Recorrente transcreve tabela, já relacionada no teor da Impugnação, trazendo os valores alegados dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL acumulados desde 2001. A Recorrente afirma que deixou de retificar suas DIPJs e LALUR desde 2001, quando foi autuada pela compensação a maior do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL. Ademais, o valor remanescente do saldo de 2001 não foi utilizado nos anos seguintes, sendo compensado somente no anocalendário seguinte. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 688 18 Verificase que a Recorrente repisou os argumentos trazidos em sua impugnação. Esses já foram analisados na decisão a quo, que constatou divergências entre as informações constantes do LALUR e as referidas tabelas, além do fato de alguns prejuízos fiscais informados na tabela carecerem de comprovação. Transcrevese a seguir algumas das divergências relatadas: De acordo com o LALUR do anocalendário de 2000 Parte A (fl. 476), o interessado apurou o lucro real de R$ 26.860.790,71. Informou que compensou o prejuízo fiscal do anocalendário de 1994, no montante de R$ 17.461.693,93 (100% do lucro real, portanto, fora do limite legal), o prejuízo fiscal do anocalendário de 1995, no montante de R$ 2.020.212,53 (apesar de constar informado o limite de 30%, vêse, pela parte B do LALUR (fl. 478), que todo o prejuízo fiscal do anocalendário de 1995 foi compensado 100% do lucro real, ou seja, fora do limite legal) e o prejuízo fiscal do ano calendário de 1996, no montante de R$ 799.516,50 (30% do lucro real dentro do limite legal). O total de prejuízo fiscal compensado, segundo o LALUR, foi de R$ 20.281.422,06. No entanto, na tabela elaborada, o interessado informou um prejuízo fiscal compensado de R$ 8.058.237,21 (Lucro real de R$ 26.860.790,71 x 30%), em estrita observância ao limite de 30% do lucro real apurado. Ou seja, pela tabela, os excessos de prejuízo fiscal, referentes aos anoscalendário de 1994 e 1995, teriam sido incorporados ao saldo acumulado do prejuízo fiscal de 2000. Contudo, não há provas nos autos que tais excessos de compensação de prejuízos efetuados no anocalendário de 2000, referentes a prejuízos ocorridos nos anoscalendário de 1994 e 1995, tenham sido glosados pela fiscalização, única justificativa para que tais prejuízos voltassem a compor o saldo para compensações em períodos subseqüentes. Do LALUR Parte B (fl. 478) extraise a informação de "Compensação total" dos prejuízos fiscais dos anoscalendário de 1994 e 1995, com o lucro real do anocalendário de 2000. Não houve qualquer retificação do LALUR que pudesse denotar alguma alteração no prejuízo compensado. De acordo com o LALUR do anocalendário de 2000 Parte A (fl. 477), o interessado apurou o lucro ajustado antes da compensação de R$ 26.053.945,76. Informou que compensou base negativa de CSLL até 12/94, no montante de R$ 9.061.379,82 (100% do lucro ajustado, portanto, fora do limite legal) e a base negativa de CSLL anterior (a partir de 1995), no montante de R$ 5.097.769,78 (30% do lucro ajustado dentro do limite legal). O total de base negativa de CSLL compensada, segundo o LALUR, foi de R$ 14.159.149,60. No entanto, na tabela elaborada, o interessado informou uma base negativa de CSLL compensada de R$ 7.816.183,73 (Lucro real de R$ 26.053.945,76 x 30%), em estrita observância ao limite de 30% do lucro ajustado apurado. Ou seja, pela tabela, o excesso de base negativa de CSLL até 12/94 teria sido incorporado ao saldo acumulado de 2000. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 689 19 Contudo, não há provas nos autos que tal excesso de compensação de base negativa de CSLL efetuada no anocalendário de 2000, referente a base negativa de CSLL ocorrida até 12/1994, tenha sido glosado pela fiscalização, única justificativa para que tal base negativa voltasse a compor o saldo para compensações em períodos subseqüentes. Do LALUR Parte B (fl. 481) extraise a informação de "Compensação total" da base de cálculo negativa de CSLL até 12/94, com o lucro ajustado do anocalendário de 2000. Não houve qualquer retificação do LALUR que pudesse denotar alguma alteração da base negativa compensada. Ressaltase o fato incontroverso da recorrente não ter atualizado o LALUR com os devidos ajustes e retificações decorrentes de todos os eventos supervenientes que possam dar causa a alterações nos prejuízos fiscais controlados, inclusive, decorrentes de mutações provocadas por autuações fiscais. O que vai de encontro ao previsto nos Artigos 260 e 262 do RIR/99: Art. 260. A pessoa jurídica, além dos livros de contabilidade previstos em leis e regulamentos, deverá possuir os seguintes livros (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 48, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, arts. 8º e 27): [...] III de Apuração do Lucro Real LALUR; [...] Art. 262. No LALUR, a pessoa jurídica deverá (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 8º, inciso I): I lançar os ajustes do lucro líquido do período de apuração; II transcrever a demonstração do lucro real; III manter os registros de controle de prejuízos fiscais a compensar em períodos de apuração subseqüentes, do lucro inflacionário a realizar, da depreciação acelerada incentivada, da exaustão mineral, com base na receita bruta, bem como dos demais valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos de apuração futuros e não constem da escrituração comercial; (grifo nosso) IV manter os registros de controle dos valores excedentes a serem utilizados no cálculo das deduções nos períodos de apuração subseqüentes, dos dispêndios com programa de alimentação ao trabalhador, vale transporte e outros previstos neste Decreto. Para que fizesse prova a favor do interessado o LALUR deveria estar atualizado e com todos os ajustes e retificações que devem influenciar a determinação do lucro real. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10073.720423/201119 Acórdão n.º 1402003.350 S1C4T2 Fl. 690 20 Os argumentos e documentos trazidos pela Recorrente não trouxeram fatos novos que comprovassem a procedência dos créditos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL alegadas no recurso. Notase divergências na elaboração da tabela pelo interessado e falta de comprovação do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL. Por esses motivos devem ser mantidos os lançamentos realizados. Do exposto, voto por, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, o que já foi acatado pelo colegiado, nos termos supracitados. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 691DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962069/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2000
LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA.
Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2000 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 20 69 /2 00 8- 80 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.962069/200880 Acórdão n.º 1201002.423 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado que, à época do fato, a legislação permitia a restituição do pagamento de estimativa feito indevidamente ou a maior que o devido. A restrição só ocorreu posteriormente, por legislação superveniente ao fato. Desse modo, independentemente da data da apresentação da Dcomp, é aplicável a legislação vigente à época do pagamento de estimativa efetuado indevidamente ou a maior. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.418, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.968411/2009 36, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.418): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.962069/200880 Acórdão n.º 1201002.423 S1C2T1 Fl. 4 3 Mérito. Como visto, no Despacho Decisório o crédito não foi reconhecido em face de utilização total do pagamento para a amortização de débitos da interessada. Manejada a manifestação de inconformidade, o fundamento nela exposto, consentâneo com a motivação do Despacho Decisório, não foi analisado na decisão de primeira instância, que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação em face de que, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. A Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 5 de dezembro de 2011, assim dispõe: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. A Dcomp foi apresentada anteriormente à edição da IN RFB nº 900, de 2008. Contudo, o Despacho Decisório só foi emitido após 1º de janeiro de 2009 e, por óbvio, também a decisão recorrida. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.962069/200880 Acórdão n.º 1201002.423 S1C2T1 Fl. 5 4 Vêse, portanto, que o fundamento da decisão de primeira instância não só não poderia ser mais utilizado, como também não foi analisado o fundamento inicial (Despacho Decisório). Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, com o retorno dos autos à DRJ de origem." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.967188/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO.
Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer um saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006, da ordem de R$ 188.114,64.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO. Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.967188/200943 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.771 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IRPJ PER/DCOMP Recorrente COMPANHIA PEBB DE PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO. Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer um saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006, da ordem de R$ 188.114,64. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 71 88 /2 00 9- 43 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15374.967188/200943 Acórdão n.º 1401002.771 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão proferido pela DRJ/RJ1 em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: 1. No dia 21.01.2009, a interessada transmitiu para a Receita Federal do Brasil (RFB) o PER/DCOMP 21259.14896.210109.1.3.048769 [...], no qual informou possuir crédito original de R$ 89.305,33 na data da transmissão, oriundo de pagamento indevido de tributo ou em valor maior que o devido, do qual utilizou o valor original de R$ 88.937,12 na compensação de débitos fiscais próprios. 2. Não se homologou a compensação declarada porque, segundo o despacho decisório proferido eletronicamente pela extinta DERAT/RJ [...], constatouse que o crédito alegado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da interessada. 3. Fundamentouse a decisão nos seguintes dispositivos: artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional (CTN); e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. 4. Cientificada do despacho decisório em 20.10.2009 [...], a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade com ele no dia dezenove seguinte [...]. Preliminarmente, arguiu a sua nulidade sob a alegação de que lhe falta motivação, sem a qual fere o princípio constitucional do direito ao contraditório e à ampla defesa. 5. Sobre o mérito, alegou, em síntese: 5.1. que cometeu um erro material ao informar no PER/DCOMP que o seu crédito provinha de pagamento indevido de tributo ou em valor maior que o devido, pois, em verdade, ele se originou de saldo negativo de imposto de renda; 5.2. que, com efeito, por ter apurado prejuízo fiscal no ano calendário de 2006, conforme denota a sua DIPJ 2007, os recolhimentos efetuados ao longo daquele ano por conta das estimativas do imposto resultaram num saldo negativo de R$ 200.060,00; 5.3. que, por lapso, informou no PER/DCOMP que o crédito utilizado na compensação declarada dimanava (sic) do pagamento da estimativa de janeiro de 2006, no valor de R$ 89.305,33, efetuado no mês seguinte; Fl. 143DF CARF MF Processo nº 15374.967188/200943 Acórdão n.º 1401002.771 S1C4T1 Fl. 4 3 5.4. que mero erro material no preenchimento do PER/DCOMP não pode servir de fundamento para a negativa da homologação da compensação quando demonstrada a existência do crédito tributário, uma vez que deve prevalecer sempre a verdade material; e 5.5. que esse é o entendimento pacífico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme demonstram as ementas de acórdãos transcritas na manifestação de inconformidade. É o relatório VOTO Acolho a manifestação de inconformidade, por ser tempestiva e reunir os demais requisitos de admissibilidade. Descarto a preliminar levantada por reputála completamente infundada. A motivação do despacho decisório está estampada no seu quadro 3. Naquele quadro, consta que o crédito informado pela interessada no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de seus débitos, estes declarados, por certo, em sua DCTF. Ao reconhecer, na manifestação, que cometeu erro grosseiro, digase a bem da verdade na informação da origem do crédito utilizado na compensação, ela deixou claro que entendeu perfeitamente a motivação da decisão da autoridade administrativa, razão pela qual é inegável que tal decisão não se encontra eivada do vício argüido. Não houve, portanto, cerceamento algum do direito de defesa. Ultrapassada a preliminar, passo a decidir. A despeito de eu comungar no entendimento de que erros materiais são sanáveis, não posso deixar de admitir que alguns deles são tamanhos, que não podem ser superados, na fase contenciosa do processo, sem prejudicar consideravelmente os controles operacionais da RFB. O caso em foco é bastante ilustrativo do que acabo de dizer. Afinal, não bastasse o crédito da interessada advir do saldo negativo do imposto de renda e não do recolhimento indevido de tributo, conforme ela indicou, o pagamento que teria originado o crédito utilizado na compensação nem mesmo indevido foi; com ele, ela apenas liquidou um débito de estimativa de imposto de renda apurado em perfeita harmonia é de se supor com a legislação de regência da matéria, razão pela qual não lhe restou crédito algum. Diante disso, devese refrear o ânimo de, em homenagem ao principio_ da verdade material, fazer tábula rasa do disposto no art. 77 da lnstrução Normativa do SRF n° 900, de 2008, segundo o qual o pedido de restituição e a declaração de compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, observado o disposto nos artigos 78 e Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15374.967188/200943 Acórdão n.º 1401002.771 S1C4T1 Fl. 5 4 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Portanto, acolher a alegação apresentada significaria, em última análise, admitir a retificação intempestiva do PER/DCOMP. Para sorte da interessada, ainda lhe resta tempo para solicitar a restituição do seu verdadeiro crédito o saldo negativo do imposto de renda e utilizáIo na compensação de débitos fiscais próprios, na medida em que não se trata do mesmo crédito postulado no presente PER/DCOMP. Em face do exposto, reputo infundada a manifestação de inconformidade apresentada e, portanto, também não homologo a compensação declarada. Cientificada da decisão do referido acórdão, o Contribuinte interpõe Recurso Voluntário onde, após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, reitera seus argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, acrescentado que não formulou pedido intempestivo de retificação de Perd/Dcomp, sendo inaplicável ao caso os citados dispositivos da IN 900/2008, na decisão recorrida. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 15374.967188/200943 Acórdão n.º 1401002.771 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.770, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.967189/2009 98, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.770): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito no Perd/Dcomp um valor pago a título de estimativa mensal de IRPJ de 2006 e posteriormente, por ocasião do indeferimento de seu pleito, reconheceu que a natureza do crédito que deveria/queria informar seria, na realidade, de saldo negativo de IRPJ, apurado no ano de 2006. A Recorrente, após cientificada do Despacho Decisório, apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde reconheceu o equívoco no preenchimento do Perd/Dcomp, afirmando que detinha saldo negativo de IRPJ suficiente para a compensação pleiteada, apresentando planilha com os valores que alega ter recolhido a título de estimativas mensais de IRPJ, apresentando também DCTF e DARF do valor recolhido e DIPJ do anocalendário de 2006. A Decisão de piso não homologou a compensação pleiteada porque tratou a situação da seguinte maneira: Diante disso, devese refrear o ânimo de, em homenagem ao principio_ da verdade material, fazer tábula rasa do disposto no art. 77 da lnstrução Normativa do SRF n° 900, de 2008, segundo o qual o pedido de restituição e a declaração de compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, observado o disposto nos artigos 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Portanto, acolher a alegação apresentada significaria, em última análise, admitir a retificação intempestiva do PER/DCOMP. Ora, tal dispositivo normativo não impede e nem proíbe, absolutamente, que, constatado erros pontuais no preenchimento Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15374.967188/200943 Acórdão n.º 1401002.771 S1C4T1 Fl. 7 6 de um Per/Dcomp, e perfeitamente identificáveis, sejam sanáveis por parte da Unidade de Origem. Quer se dizer com isto que a fundamentação da decisão recorrida não se mostra adequada, sendo inaplicável à situação em debate. Como lembra a Recorrente, "...não formulou qualquer pedido intempestivo de retificação do PER/DCOMP..." Consta nos autos uma DCTF Mensal, de março/2006, Totalização dos Tributos e Contribuições Apurados no Mês, onde consta débitos apurados de IRPJ da ordem de R$ 188.114,64, uma DCTF mensal de março/2006 Débito Apurado e Créditos Vinculados de R$ 58.851,62 e DARF deste valor. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 15374.967188/200943 Acórdão n.º 1401002.771 S1C4T1 Fl. 8 7 Não nos olvidemos, também, de que na decisão recorrida não se encontra qualquer restrição quanto ao saldo negativo de IRPJ, mas, pelo contrário, conforme se depreende do voto do Relator da decisão da DRJ, que assim se posicionou : Para sorte da interessada, ainda lhe resta tempo para solicitar a restituição do seu verdadeiro crédito o saldo negativo do imposto de renda e utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios, na medida em que não se trata do mesmo crédito postulado no presente PER/DCOMP. Eu não diria que a Recorrente teria sorte neste caso, até porque já se passaram mais de cinco anos da apuração do saldo negativo de IRPJ de 2006, uma vez que, inexplicavelmente, após a ciência da decisão recorrida que se deu em 2011 o processo ficou sem qualquer movimentação por mais de oito anos (!), o que viria a prejudicar, de fato, a Recorrente se tivesse que transmitir uma nova DCOMP. De forma que, sob qualquer ângulo que se vê, a decisão recorrida tratou de forma equivocada o mérito da questão, sendo forçoso reconhecer o saldo negativo de IRPJ de 2006, limitado, entretanto, à importância declarada em DCTF, a título de IRPJ, na importância de R$ 188.114,64. Portanto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, reconhecendo um saldo negativo de IRPJ de 2006 da ordem de R$ 188.114,64. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo um saldo negativo de IRPJ para o ano calendário de 2006 da ordem de R$ 188.114,64. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720216/2016-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa.
Relatório.
Adota-se o relatório do Acórdão nº 02-73.199 - 3ª Turma da DRJ/BHE (fls. 1.027 a 1.041), com a complementação necessária em seguida:
Em 06/12/2016, foram lavrados os dois autos de infração objeto deste processo, nos quais se formaliza a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 71.131.774,99, assim discriminado:
Auto de infração de IRPJ fls. 728/734
Segundo consta do auto de infração de IRPJ, foi apurada a infração a seguir descrita:
GANHOS E PERDAS DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE INFRAÇÃO: ALIENAÇÃO OU BAIXA DE INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO VALOR DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
???Falta de contabilização de ganho de capital apurado na alienação de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido, gerando, em consequência, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme relatório fiscal.
???Fato gerador: 31/12/2011.
???Valor Apurado: R$ 92.957.923,69.
???Multa: 75%.
???Enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 418 e 426 do RIR/99.
Auto de infração (reflexo) de CSLL fls. 735/740
O lançamento de CSLL decorre dos mesmos fatos que caracterizaram a infração descrita no auto de infração de IRPJ.
Termo de verificação fiscal
Do termo lavrado pela autoridade lançadora a fls. 746/765, destacam-se as seguintes informações:
???O procedimento fiscal abrangeu verificações quanto à apuração de ganho de capital quando de negociação ocorrida no ano calendário de 2011, época em que o contribuinte alienou sua participação no investimento na empresa Jantus SL.
???A Jantus era sediada em Madrid/Espanha e sua única atividade era ser sócia de duas empresas sediadas no Brasil, a saber: SIIF Énergies do Brasil Ltda. e SIIF Desenvolvimento de Projetos de Energia Eólica Ltda., empresas, aliás, que eram, em verdade, os alvos de negociação com a CPFL Comercialização do Brasil S/A.
???A Citipar nasceu da cisão ocorrida em 26/11/10, aprovada em ata de alteração do contrato social da empresa Citicorp Mercantil Participações e Investimentos Ltda., com a finalidade geral de agrupamento de investimentos.
???O valor do investimento na Jantus foi integralmente passado, via cisão, da Citicorp para a Citipar, pelo valor de subscrição e aquisições efetuadas.
???A Citicorp investiu R$ 91.531.461,82 na Jantus, e este valor permaneceu na conta de investimentos dentro da contabilidade da Citipar até dezembro de 2011, quando vendeu a participação e recebeu da CPFL o valor de R$ 92.957.923,69, apurando naquele ano calendário um ganho de capital de R$ 1.426.461,87.
???A Citipar tratava contabilmente o investimento na Jantus pelo custo de aquisição.
???Mas ficou demonstrado nos autos que a Citipar estava obrigada à adoção do método da equivalência patrimonial para avaliação dos seus investimentos naquela sociedade.
???O patrimônio líquido da Jantus já era negativo em R$ 89.992.203,00 no balanço que serviu de base para a negociação de compra e venda, extraído com dois meses de antecedência da celebração do contrato de compra e venda com a CPFL.
???Com relação à participação na Jantus, a Citipar detinha à época da negociação 19,824%, e a Citicorp North América, INC detinha cerca de 8,910%; portanto, o grupo Citi detinha cerca de 28,734%. Estando, ambas, sob o mesmo domínio societário, o procedimento a ser executado era o de equivalência patrimonial, dada a condição de influência direta e indireta na Jantus.
???O valor do investimento contra o patrimônio líquido da fiscalizada apontava um percentual superior a 18%, portanto maior que 15%, indicando à época um investimento relevante, conforme Lei nº 6.404/76, sem as alterações consignadas em 2008, concluindo-se, adicionalmente, pela prática do método da equivalência patrimonial.
???Concluiu-se que a Citipar deveria, obrigatoriamente, registrar o investimento na Jantus pelo método da equivalência patrimonial, resultando no saldo zerado da conta de investimento no momento da alienação de sua participação. Por via reflexa, o valor do ganho de capital apurado seria o próprio valor recebido na venda das suas ações da Jantus, no montante de R$ 92.957.923,69.
Ciência do lançamento
Em 08/12/2016, por via postal, a contribuinte foi cientificada do auto de infração, conforme aviso de recebimento a fls. 767.
Impugnação
Em 06/01/2017, conforme termo de solicitação de juntada a fls. 772, foi apresentada a impugnação a fls. 773/805, cujo teor pode ser assim resumido:
???O lançamento é nulo por erro na eleição do fato gerador e da base de cálculo, bem como por erro na aplicação do método da equivalência patrimonial.
???O suposto ganho de capital foi apurado com suporte em balanço patrimonial levantado 80 dias antes do evento de alienação da Jantus, contrariando o quanto disposto no art. 427 do RIR/99 e art. 248, I, da LSA, no sentido de que o método da equivalência patrimonial no caso de liquidação do investimento deve ter como referência o balanço da investida na mesma data ou até 30 dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia.
???A Citipar efetivamente detinha participação de 19,82% do capital da Jantus, sendo possível, portanto, se valer do método do custo de aquisição para avaliação do investimento na Jantus, inclusive para fins de apuração do ganho de capital tributável, sendo irrelevante para este fim a participação de entidade estrangeira associada ao Grupo Citi no capital da Jantus.
???Mesmo na hipótese de apuração do ganho de capital pela avaliação da Jantus segundo o método da equivalência patrimonial, ao contrário do quanto exposto pelo autuante, à época da venda o patrimônio da companhia era positivo, não apresentando passivo a descoberto, conforme balanço auditado pela Ernst & Young Terco Auditores Independentes levantado à época da operação.
???O lançamento foi fundado nas demonstrações financeiras consolidadas da Jantus, quando deveria ter considerado apenas o seu balanço individual, contrariando todo o sistema de tributação nacional, que não admite, seja qual for a finalidade, a eleição de balanços consolidados para a apuração de tributos.
???Na estimativa dos supostos tributos devidos, o autuante não descontou o valor dos rendimentos já tributados pela impugnante no valor de R$ 1.426.461,87.
???Requer a impugnante que seja reconhecida a total improcedência do lançamento, para: a) reconhecer preliminarmente o vício material não sanável incorrido pelas autoridades fiscais na determinação da base de cálculo dos tributos; e b) reconhecer a inexistência de eventual ganho de capital não apurado pela impugnante quando da alienação da Jantus.
???Protesta a impugnante por todos os meios de prova e requer que se converta o julgamento em diligência, caso se acredite oportuno, para confrontar os documentos anexados por cópia com os originais ou esclarecer quaisquer razões de fato pertinentes.
No recurso voluntário são reiteradas as razões de impugnação, havendo ainda argumentação relativa à alegada inovação pela DRJ/BHE nos seguintes termos:
"Como visto, a DRJ/BHE acolheu a fundamentação apresentada pela Recorrente, no sentido de que o balanço empregado pela dd. autuação supera a defasagem temporal autorizada pela legislação (fls. 1034), o que implicaria na nulidade do lançamento. No entanto, em resposta a alegação do referido vício, a decisão de primeira instância constrói, em prejuízo do contribuinte, nova linha argumentativa que não consta na acusação, transcendendo os limites do processo administrativo em clara inovação fática do lançamento."
[...]
No caso concreto, a DRJ de forma inovadora busca afastar o argumento de que a companhia teria um patrimônio líquido positivo à época da sua alienação com fundamento nas demonstrações financeiras da Jantus em 31/12/2011 (fls. 971/1020), anexadas aos autos pela Recorrente.
[...]
É o relatório.
Voto.
Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator.
Admissibilidade.
Os recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos previstos na legislação, dele devendo-se conhecer.
Razões do Recurso Voluntário.
A recorrente apresenta diversos questionamentos com os quais pretende sejam os lançamentos declarados improcedentes.
Dentre tais questionamentos, a maior extensão do recurso é dedicada a sustentar a nulidade do lançamento por "erro na eleição do fato gerador e da base de cálculo".
Tal sustentação está baseada em vários argumentos trazidos no recurso voluntário, dentre os quais são destacados:
- no TVF, há a declaração de que a alienação do investimento na Jantus ocorreu em novembro de 2011, quando na realidade foi em dezembro de 2011, mais precisamente no dia 19 desse mês;
- a DRJ/BHE reconheceu esse equívoco, mas considerou que o mês de dezembro foi o indicado nos autos de infração como o da data de ocorrência do fato gerador, o que não caracteriza o erro na eleição da data da ocorrência deste;
- se reconhecida a data de 19 de dezembro de 2011 como a do negócio, não poderia a fiscalização adotar o balanço da Jantus do mês de setembro, em face do disposto nos artigos 248, inciso I, da LSA, e 427 do RIR/99, mas o da data do evento ou um com defasagem máxima de trinta dias;
- "o balanço que mais reflete a situação patrimonial da Jantus é o da data da baixa de investimento: 19/12/2011";
- "entre setembro de 2011 e a data da venda ocorreram eventos que contribuiriam para a melhora da posição patrimonial da Jantus", v.g., a capitalização de empréstimos;
- "ocorrida em 15 de dezembro de 2011, a capitalização da Jantus pelos seus credores foi responsável pela redução substancial de seus passivos e aumento do capital ...";
- "o balanço da Jantus na data da venda era positivo. Pode-se verificar pelas demonstrações financeiras da Jantus no encerramento do exercício (dezembro de 2011), auditadas pela Ernst & Young e levantadas em decorrência do evento alienação ...".
No voto condutor da decisão de primeira instância (DRJ/BHE), assim se expressou o i. relator (fls. 1.034 a 1.036):
Com efeito, o período transcorrido entre a data do balanço consolidado utilizado pelo autuante (em que se apurou passivo a descoberto no valor de R$ 89.902.203,00) e a data de alienação da participação societária, conforme confirmam os elementos constantes dos autos, supera, sim, a defasagem máxima permitida pela legislação de regência.
Note-se, porém, que também foram juntadas aos autos as demonstrações financeiras consolidadas da Jantus em 31/12/2011 (fls. 971/1020), as quais, segunda afirma a própria impugnante, foram levantadas especialmente por ocasião da alienação ocorrida em 19 de dezembro.
Em 31/12/2011, de acordo com o balanço patrimonial a fls. 976, o valor total do patrimônio líquido seria de R$ 292.854.000,00, conforme evidencia a imagem abaixo reproduzida:
[omissis]
E, das notas explicativas às referidas demonstrações (em milhares de reais), extrai-se, por relevante, o seguinte excerto (fls. 1011):
Como parte do processo de venda da Companhia, em 15 de dezembro de 2011, os antigos quotistas aprovaram aumento de capital no montante de EUR 74.969 mil, equivalentes a R$ 181.838, com a emissão de 72.001 quotas, totalmente subscritas e integralizadas através da conversão dos saldos de mútuos existentes entre as partes (Vide Nota 14). A integralização das quotas foi efetuada considerando um prêmio de subscrição de EUR 74.897 mil equivalentes a R$ 181.664, registrado como reserva de capital e R$ 174 lançado como capital social.
Adicionalmente, em 19 de dezembro de 2011, como parte do processo de mudança do controle acionário e conforme mencionado na Nota 1 a), a CPFL Energias Renováveis S.A. (único quotista da Companhia) efetuou aumento de capital através da emissão de 141.192 quotas, totalmente subscritas e integralizadas no montante de EUR 145.560 mil equivalentes a R$ 354.439. Essa integralização foi efetuada considerando um prêmio na subscrição das quotas no montante de EUR 145.418 mil, equivalentes a R$ 354.094, registrado como reserva de capital e a diferença R$ 344 lançada na conta de capital social.
Como se vê, em 19/12/2011, imediatamente após a mudança do controle acionário, houve um aumento de capital que resultou em um acréscimo do patrimônio líquido no valor de R$ 354.439.000,00.
Assim sendo, impõe-se subtrair essa parcela, de R$ 354.439.000,00, do total do patrimônio líquido em 31/12/2011, de R$ 292.854.000,00, obtendo-se, como resultado, um passivo a descoberto, em 19/12/2011, de R$ 61.585.000,00.
Em suma, o referido balanço, levantado no mesmo mês da alienação, não somente elimina eventuais incertezas decorrentes da defasagem temporal do balanço anterior, mas também termina por confirmar a tese fiscal de que seria realmente negativo o patrimônio líquido da Jantus em 19/12/2011, data da alienação, de modo que não cabe nenhum reparo nos cálculos elaborados pelo autuante para fins de apuração do ganho de capital.
No recurso voluntário, são aduzidas as seguintes considerações em objeção ao quanto exposto no referido voto (fls. 1.263 e 1.264):
Inicialmente é preciso esclarecer que o aumento de capital de RS 354 milhões não ocorreu após a mudança de controle, mas no mesmo dia da venda (19/12/2011), confundindo-se com a própria alienação, na medida em que compôs o custo de aquisição do investimento incorrido pelos compradores. Tal informação pode ser extraída da nota 1 (b) das demonstrações financeiras da Jantus (fls. 982):
1. Informações Gerais (...)
b) Mudança de controle acionário Em 19 de dezembro de 2011 a CPFL Energias Renováveis S.A. publicou fato relevante ao mercado referente à aquisição da totalidade das quotas da Companhia adquirindo, portanto, indiretamente, a totalidade das quotas da Energies do Brasil Ltda. e da SIIF Desenvolvimento de Projeto de Energia Eólica Ltda., num total de 4 parques eólicos em operação no Estado do Ceará, com capacidade instalada de 210 MW, além de um portfólio de 412 MW em projetos certificados e elegíveis para participação nos próximos leilões de energia e 320 MW em projetos não-certificados.
O preço de aquisição das quotas, após os ajustes previstos no Contrato de Compra e Venda, foi de RS 1.498,7 milhões, desembolsados da seguinte forma: (i) RS 468,9 milhões pagos à vista pela CPFL Energias Renováveis aos antigos acionistas da Companhia, (ii) o equivalente em Euros à R$ 354,4 milhões como aumento de capital da Companhia, cujos recursos necessariamente deverão ser utilizados para quitação de obrigações perante terceiros; e (iii) a assunção de dívida líquida do grupo no valor de R$ 675,4 milhões, (grifos nossos)
Vale ressaltar que os fatos extemporaneamente narrados pela DRJ são suportados pela nota "15.1 Capital Social" das demonstrações financeiras da Jantus. Mesmo no trecho colacionado pelo r. Acórdão não há qualquer menção no sentido de que o aumento de capital teria ocorrido após a alienação, sendo oportuna a reprodução do excerto do documento (fls. 1.011):
[...]
Portanto, a desconsideração desse aumento de capital na definição do patrimônio contábil da Jantus equivale a uma falsa recomposição da base de cálculo dos tributos. Não há fato que autorize as autoridades fiscais a considerar não ocorrido o aumento de capital.
[...]
Na verdade, a argumentação trazida pela DRJ é inteiramente fática, surgindo agora com alegação sobre a situação patrimonial em 19/12/2011 nunca antes afirmada ou infirmada pela fiscalização, em que pese toda essa documentação estivesse inteiramente disponível à fiscalização no período da auditoria.
Como bem observou a própria recorrente, existe uma questão de cunho eminentemente fático a ser elucidada, qual seja, a situação patrimonial da Jantus anterior à sua alienação. Mais especificamente, entre o dia 19 de dezembro de 2011 e os trinta dias anteriores.
Pelo que foi visto, os autuantes utilizaram para a determinação do ganho de capital na alienação da participação na Jantus pela recorrente um balanço levantado mais de oitenta dias antes desse evento (alienação). Na decisão de piso, utiliza-se o balanço levantado em 31 de dezembro de 2011 para, de forma retroativa, determinar-se o patrimônio líquido em data anterior. Alega, ainda, a recorrente que esse balanço (31/12/2011) foi levantado em decorrência do evento alienação, conforme excerto do recurso voluntário abaixo transcrito (fl. 1.258):
A prova cabal do equívoco incorrido pelas dd. autoridades fazendárias é que, efetivamente, o balanço da Jantus na data da venda era positivo. Pode se verificar pelas demonstrações financeiras da Jantus no encerramento do exercício (dezembro de 2011), auditadas pela Ernst & Young e levantadas em decorrência do evento de alienação, mostram que a companhia possuía um patrimônio positivo em centenas de milhares de Reais (fls. 971 a 1020), muito longe do suposto passivo a descoberto suscitado pela fiscalização.
Outra argumentação da recorrente é de que o aumento de capital promovido pela adquirente (CPFL) confunde-se com a própria alienação (fl. 1.263):
Inicialmente é preciso esclarecer que o aumento de capital de RS 354 milhões não ocorreu após a mudança de controle, mas no mesmo dia da venda (19/12/2011), confundindo-se com a própria alienação, na medida em que compôs o custo de aquisição do investimento incorrido pelos compradores. Tal informação pode ser extraída da nota 1 (b) das demonstrações financeiras da Jantus (fls. 982):
Aduziu também a recorrente que, em 16 de dezembro de 2011, ela e os demais acionistas vendedores da Jantus fizeram expedir notificação à adquirente de que a data da venda seria o dia 19 de dezembro desse mesmo ano. Nessa mesma notificação (fls. 837 a 892), ficou determinado que a transação seria orientada pelo balanço contábil da Jantus a ser levantado na data-base de 31 de dezembro de 2011. Em que pese a argumentação da recorrente, com a devida vênia, o balanço levantado em 31 de dezembro de 2011 não pode ser tomado para o fim pretendido, qual seja, indicação do valor do patrimônio líquido da Jantus na data da alienação. E, como visto acima, não serviria a princípio, para que este fosse estipulado conforme efetuado no voto condutor da decisão de piso.
Também, a princípio, o aumento de capital da Jantus ocorrido em 19 de dezembro de 2011 não pode ser confundido com a própria alienação, haja vista ter sido levado a efeito pela CPFL (adquirente), único quotista da adquirida (como registrado nas notas explicativas das demonstrações financeiras) e ter ocorrido após essa aquisição, embora no mesmo dia, segundo o informado nas notas explicativas.
Vale ressaltar, a título de informação, que na decisão de piso ficou assim evidenciado (fl. 1.036):
E, ao revés do que defende a impugnante, não há nenhum desacerto em se levar em consideração a soma das participações na coligada das duas sociedades integrantes de mesmo grupo econômico, haja vista que, como é cediço, a essência dos fatos deve sempre prevalecer sobre a forma, mormente quando se sabe que, nem mesmo por ocasião de sua aquisição (quando era de 37,19% o percentual de participação), o investimento chegou a ser avaliado, como deveria, pelo valor de patrimônio líquido, cabendo ainda ressaltar que a última redução da participação da Citipar na Jantus, de 31,60% para 19,82%, somente veio a ocorrer em 15/12/2011 (fls. 662/665), ou seja, apenas quatro dias antes da efetivação da venda.
Conclusão.
Assim, considerando-se os argumentos de que "entre setembro de 2011 e a data da venda ocorreram eventos que contribuiriam para a melhora da posição patrimonial da Jantus"; que, "ocorrida em 15 de dezembro de 2011, a capitalização da Jantus pelos seus credores foi responsável pela redução substancial de seus passivos e aumento do capital" e, ainda, o artigo 248 da LSAs, em especial o seu § 2°, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a recorrente seja intimada a apresentar balanço da Jantus (empresa cuja participação foi alienada), tendo como base algum dos trinta dias anteriores ao da alienação.
Apresentado tal balanço, deverá ser designado Auditor-Fiscal da unidade da RFB da circunscrição da contribuinte para proceder ao cálculo tendo em vista a determinação do ganho de capital, da mesma forma como ocorreu nos autos de infração, levando-se em conta o valor do patrimônio líquido registrado. A contribuinte poderá ser intimada a apresentar escrituração e documentos contábeis.
A conclusão quanto a essa análise deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência à contribuinte para que, querendo, manifeste-se no prazo de trinta dias.
Após, o processo deverá retornar ao CARF.
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório. Adota-se o relatório do Acórdão nº 02-73.199 - 3ª Turma da DRJ/BHE (fls. 1.027 a 1.041), com a complementação necessária em seguida: Em 06/12/2016, foram lavrados os dois autos de infração objeto deste processo, nos quais se formaliza a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 71.131.774,99, assim discriminado: Auto de infração de IRPJ fls. 728/734 Segundo consta do auto de infração de IRPJ, foi apurada a infração a seguir descrita: GANHOS E PERDAS DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE INFRAÇÃO: ALIENAÇÃO OU BAIXA DE INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO VALOR DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO ???Falta de contabilização de ganho de capital apurado na alienação de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido, gerando, em consequência, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme relatório fiscal. ???Fato gerador: 31/12/2011. ???Valor Apurado: R$ 92.957.923,69. ???Multa: 75%. ???Enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 418 e 426 do RIR/99. Auto de infração (reflexo) de CSLL fls. 735/740 O lançamento de CSLL decorre dos mesmos fatos que caracterizaram a infração descrita no auto de infração de IRPJ. Termo de verificação fiscal Do termo lavrado pela autoridade lançadora a fls. 746/765, destacam-se as seguintes informações: ???O procedimento fiscal abrangeu verificações quanto à apuração de ganho de capital quando de negociação ocorrida no ano calendário de 2011, época em que o contribuinte alienou sua participação no investimento na empresa Jantus SL. ???A Jantus era sediada em Madrid/Espanha e sua única atividade era ser sócia de duas empresas sediadas no Brasil, a saber: SIIF Énergies do Brasil Ltda. e SIIF Desenvolvimento de Projetos de Energia Eólica Ltda., empresas, aliás, que eram, em verdade, os alvos de negociação com a CPFL Comercialização do Brasil S/A. ???A Citipar nasceu da cisão ocorrida em 26/11/10, aprovada em ata de alteração do contrato social da empresa Citicorp Mercantil Participações e Investimentos Ltda., com a finalidade geral de agrupamento de investimentos. ???O valor do investimento na Jantus foi integralmente passado, via cisão, da Citicorp para a Citipar, pelo valor de subscrição e aquisições efetuadas. ???A Citicorp investiu R$ 91.531.461,82 na Jantus, e este valor permaneceu na conta de investimentos dentro da contabilidade da Citipar até dezembro de 2011, quando vendeu a participação e recebeu da CPFL o valor de R$ 92.957.923,69, apurando naquele ano calendário um ganho de capital de R$ 1.426.461,87. ???A Citipar tratava contabilmente o investimento na Jantus pelo custo de aquisição. ???Mas ficou demonstrado nos autos que a Citipar estava obrigada à adoção do método da equivalência patrimonial para avaliação dos seus investimentos naquela sociedade. ???O patrimônio líquido da Jantus já era negativo em R$ 89.992.203,00 no balanço que serviu de base para a negociação de compra e venda, extraído com dois meses de antecedência da celebração do contrato de compra e venda com a CPFL. ???Com relação à participação na Jantus, a Citipar detinha à época da negociação 19,824%, e a Citicorp North América, INC detinha cerca de 8,910%; portanto, o grupo Citi detinha cerca de 28,734%. Estando, ambas, sob o mesmo domínio societário, o procedimento a ser executado era o de equivalência patrimonial, dada a condição de influência direta e indireta na Jantus. ???O valor do investimento contra o patrimônio líquido da fiscalizada apontava um percentual superior a 18%, portanto maior que 15%, indicando à época um investimento relevante, conforme Lei nº 6.404/76, sem as alterações consignadas em 2008, concluindo-se, adicionalmente, pela prática do método da equivalência patrimonial. ???Concluiu-se que a Citipar deveria, obrigatoriamente, registrar o investimento na Jantus pelo método da equivalência patrimonial, resultando no saldo zerado da conta de investimento no momento da alienação de sua participação. Por via reflexa, o valor do ganho de capital apurado seria o próprio valor recebido na venda das suas ações da Jantus, no montante de R$ 92.957.923,69. Ciência do lançamento Em 08/12/2016, por via postal, a contribuinte foi cientificada do auto de infração, conforme aviso de recebimento a fls. 767. Impugnação Em 06/01/2017, conforme termo de solicitação de juntada a fls. 772, foi apresentada a impugnação a fls. 773/805, cujo teor pode ser assim resumido: ???O lançamento é nulo por erro na eleição do fato gerador e da base de cálculo, bem como por erro na aplicação do método da equivalência patrimonial. ???O suposto ganho de capital foi apurado com suporte em balanço patrimonial levantado 80 dias antes do evento de alienação da Jantus, contrariando o quanto disposto no art. 427 do RIR/99 e art. 248, I, da LSA, no sentido de que o método da equivalência patrimonial no caso de liquidação do investimento deve ter como referência o balanço da investida na mesma data ou até 30 dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia. ???A Citipar efetivamente detinha participação de 19,82% do capital da Jantus, sendo possível, portanto, se valer do método do custo de aquisição para avaliação do investimento na Jantus, inclusive para fins de apuração do ganho de capital tributável, sendo irrelevante para este fim a participação de entidade estrangeira associada ao Grupo Citi no capital da Jantus. ???Mesmo na hipótese de apuração do ganho de capital pela avaliação da Jantus segundo o método da equivalência patrimonial, ao contrário do quanto exposto pelo autuante, à época da venda o patrimônio da companhia era positivo, não apresentando passivo a descoberto, conforme balanço auditado pela Ernst & Young Terco Auditores Independentes levantado à época da operação. ???O lançamento foi fundado nas demonstrações financeiras consolidadas da Jantus, quando deveria ter considerado apenas o seu balanço individual, contrariando todo o sistema de tributação nacional, que não admite, seja qual for a finalidade, a eleição de balanços consolidados para a apuração de tributos. ???Na estimativa dos supostos tributos devidos, o autuante não descontou o valor dos rendimentos já tributados pela impugnante no valor de R$ 1.426.461,87. ???Requer a impugnante que seja reconhecida a total improcedência do lançamento, para: a) reconhecer preliminarmente o vício material não sanável incorrido pelas autoridades fiscais na determinação da base de cálculo dos tributos; e b) reconhecer a inexistência de eventual ganho de capital não apurado pela impugnante quando da alienação da Jantus. ???Protesta a impugnante por todos os meios de prova e requer que se converta o julgamento em diligência, caso se acredite oportuno, para confrontar os documentos anexados por cópia com os originais ou esclarecer quaisquer razões de fato pertinentes. No recurso voluntário são reiteradas as razões de impugnação, havendo ainda argumentação relativa à alegada inovação pela DRJ/BHE nos seguintes termos: "Como visto, a DRJ/BHE acolheu a fundamentação apresentada pela Recorrente, no sentido de que o balanço empregado pela dd. autuação supera a defasagem temporal autorizada pela legislação (fls. 1034), o que implicaria na nulidade do lançamento. No entanto, em resposta a alegação do referido vício, a decisão de primeira instância constrói, em prejuízo do contribuinte, nova linha argumentativa que não consta na acusação, transcendendo os limites do processo administrativo em clara inovação fática do lançamento." [...] No caso concreto, a DRJ de forma inovadora busca afastar o argumento de que a companhia teria um patrimônio líquido positivo à época da sua alienação com fundamento nas demonstrações financeiras da Jantus em 31/12/2011 (fls. 971/1020), anexadas aos autos pela Recorrente. [...] É o relatório. Voto. Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Os recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos previstos na legislação, dele devendo-se conhecer. Razões do Recurso Voluntário. A recorrente apresenta diversos questionamentos com os quais pretende sejam os lançamentos declarados improcedentes. Dentre tais questionamentos, a maior extensão do recurso é dedicada a sustentar a nulidade do lançamento por "erro na eleição do fato gerador e da base de cálculo". Tal sustentação está baseada em vários argumentos trazidos no recurso voluntário, dentre os quais são destacados: - no TVF, há a declaração de que a alienação do investimento na Jantus ocorreu em novembro de 2011, quando na realidade foi em dezembro de 2011, mais precisamente no dia 19 desse mês; - a DRJ/BHE reconheceu esse equívoco, mas considerou que o mês de dezembro foi o indicado nos autos de infração como o da data de ocorrência do fato gerador, o que não caracteriza o erro na eleição da data da ocorrência deste; - se reconhecida a data de 19 de dezembro de 2011 como a do negócio, não poderia a fiscalização adotar o balanço da Jantus do mês de setembro, em face do disposto nos artigos 248, inciso I, da LSA, e 427 do RIR/99, mas o da data do evento ou um com defasagem máxima de trinta dias; - "o balanço que mais reflete a situação patrimonial da Jantus é o da data da baixa de investimento: 19/12/2011"; - "entre setembro de 2011 e a data da venda ocorreram eventos que contribuiriam para a melhora da posição patrimonial da Jantus", v.g., a capitalização de empréstimos; - "ocorrida em 15 de dezembro de 2011, a capitalização da Jantus pelos seus credores foi responsável pela redução substancial de seus passivos e aumento do capital ..."; - "o balanço da Jantus na data da venda era positivo. Pode-se verificar pelas demonstrações financeiras da Jantus no encerramento do exercício (dezembro de 2011), auditadas pela Ernst & Young e levantadas em decorrência do evento alienação ...". No voto condutor da decisão de primeira instância (DRJ/BHE), assim se expressou o i. relator (fls. 1.034 a 1.036): Com efeito, o período transcorrido entre a data do balanço consolidado utilizado pelo autuante (em que se apurou passivo a descoberto no valor de R$ 89.902.203,00) e a data de alienação da participação societária, conforme confirmam os elementos constantes dos autos, supera, sim, a defasagem máxima permitida pela legislação de regência. Note-se, porém, que também foram juntadas aos autos as demonstrações financeiras consolidadas da Jantus em 31/12/2011 (fls. 971/1020), as quais, segunda afirma a própria impugnante, foram levantadas especialmente por ocasião da alienação ocorrida em 19 de dezembro. Em 31/12/2011, de acordo com o balanço patrimonial a fls. 976, o valor total do patrimônio líquido seria de R$ 292.854.000,00, conforme evidencia a imagem abaixo reproduzida: [omissis] E, das notas explicativas às referidas demonstrações (em milhares de reais), extrai-se, por relevante, o seguinte excerto (fls. 1011): Como parte do processo de venda da Companhia, em 15 de dezembro de 2011, os antigos quotistas aprovaram aumento de capital no montante de EUR 74.969 mil, equivalentes a R$ 181.838, com a emissão de 72.001 quotas, totalmente subscritas e integralizadas através da conversão dos saldos de mútuos existentes entre as partes (Vide Nota 14). A integralização das quotas foi efetuada considerando um prêmio de subscrição de EUR 74.897 mil equivalentes a R$ 181.664, registrado como reserva de capital e R$ 174 lançado como capital social. Adicionalmente, em 19 de dezembro de 2011, como parte do processo de mudança do controle acionário e conforme mencionado na Nota 1 a), a CPFL Energias Renováveis S.A. (único quotista da Companhia) efetuou aumento de capital através da emissão de 141.192 quotas, totalmente subscritas e integralizadas no montante de EUR 145.560 mil equivalentes a R$ 354.439. Essa integralização foi efetuada considerando um prêmio na subscrição das quotas no montante de EUR 145.418 mil, equivalentes a R$ 354.094, registrado como reserva de capital e a diferença R$ 344 lançada na conta de capital social. Como se vê, em 19/12/2011, imediatamente após a mudança do controle acionário, houve um aumento de capital que resultou em um acréscimo do patrimônio líquido no valor de R$ 354.439.000,00. Assim sendo, impõe-se subtrair essa parcela, de R$ 354.439.000,00, do total do patrimônio líquido em 31/12/2011, de R$ 292.854.000,00, obtendo-se, como resultado, um passivo a descoberto, em 19/12/2011, de R$ 61.585.000,00. Em suma, o referido balanço, levantado no mesmo mês da alienação, não somente elimina eventuais incertezas decorrentes da defasagem temporal do balanço anterior, mas também termina por confirmar a tese fiscal de que seria realmente negativo o patrimônio líquido da Jantus em 19/12/2011, data da alienação, de modo que não cabe nenhum reparo nos cálculos elaborados pelo autuante para fins de apuração do ganho de capital. No recurso voluntário, são aduzidas as seguintes considerações em objeção ao quanto exposto no referido voto (fls. 1.263 e 1.264): Inicialmente é preciso esclarecer que o aumento de capital de RS 354 milhões não ocorreu após a mudança de controle, mas no mesmo dia da venda (19/12/2011), confundindo-se com a própria alienação, na medida em que compôs o custo de aquisição do investimento incorrido pelos compradores. Tal informação pode ser extraída da nota 1 (b) das demonstrações financeiras da Jantus (fls. 982): 1. Informações Gerais (...) b) Mudança de controle acionário Em 19 de dezembro de 2011 a CPFL Energias Renováveis S.A. publicou fato relevante ao mercado referente à aquisição da totalidade das quotas da Companhia adquirindo, portanto, indiretamente, a totalidade das quotas da Energies do Brasil Ltda. e da SIIF Desenvolvimento de Projeto de Energia Eólica Ltda., num total de 4 parques eólicos em operação no Estado do Ceará, com capacidade instalada de 210 MW, além de um portfólio de 412 MW em projetos certificados e elegíveis para participação nos próximos leilões de energia e 320 MW em projetos não-certificados. O preço de aquisição das quotas, após os ajustes previstos no Contrato de Compra e Venda, foi de RS 1.498,7 milhões, desembolsados da seguinte forma: (i) RS 468,9 milhões pagos à vista pela CPFL Energias Renováveis aos antigos acionistas da Companhia, (ii) o equivalente em Euros à R$ 354,4 milhões como aumento de capital da Companhia, cujos recursos necessariamente deverão ser utilizados para quitação de obrigações perante terceiros; e (iii) a assunção de dívida líquida do grupo no valor de R$ 675,4 milhões, (grifos nossos) Vale ressaltar que os fatos extemporaneamente narrados pela DRJ são suportados pela nota "15.1 Capital Social" das demonstrações financeiras da Jantus. Mesmo no trecho colacionado pelo r. Acórdão não há qualquer menção no sentido de que o aumento de capital teria ocorrido após a alienação, sendo oportuna a reprodução do excerto do documento (fls. 1.011): [...] Portanto, a desconsideração desse aumento de capital na definição do patrimônio contábil da Jantus equivale a uma falsa recomposição da base de cálculo dos tributos. Não há fato que autorize as autoridades fiscais a considerar não ocorrido o aumento de capital. [...] Na verdade, a argumentação trazida pela DRJ é inteiramente fática, surgindo agora com alegação sobre a situação patrimonial em 19/12/2011 nunca antes afirmada ou infirmada pela fiscalização, em que pese toda essa documentação estivesse inteiramente disponível à fiscalização no período da auditoria. Como bem observou a própria recorrente, existe uma questão de cunho eminentemente fático a ser elucidada, qual seja, a situação patrimonial da Jantus anterior à sua alienação. Mais especificamente, entre o dia 19 de dezembro de 2011 e os trinta dias anteriores. Pelo que foi visto, os autuantes utilizaram para a determinação do ganho de capital na alienação da participação na Jantus pela recorrente um balanço levantado mais de oitenta dias antes desse evento (alienação). Na decisão de piso, utiliza-se o balanço levantado em 31 de dezembro de 2011 para, de forma retroativa, determinar-se o patrimônio líquido em data anterior. Alega, ainda, a recorrente que esse balanço (31/12/2011) foi levantado em decorrência do evento alienação, conforme excerto do recurso voluntário abaixo transcrito (fl. 1.258): A prova cabal do equívoco incorrido pelas dd. autoridades fazendárias é que, efetivamente, o balanço da Jantus na data da venda era positivo. Pode se verificar pelas demonstrações financeiras da Jantus no encerramento do exercício (dezembro de 2011), auditadas pela Ernst & Young e levantadas em decorrência do evento de alienação, mostram que a companhia possuía um patrimônio positivo em centenas de milhares de Reais (fls. 971 a 1020), muito longe do suposto passivo a descoberto suscitado pela fiscalização. Outra argumentação da recorrente é de que o aumento de capital promovido pela adquirente (CPFL) confunde-se com a própria alienação (fl. 1.263): Inicialmente é preciso esclarecer que o aumento de capital de RS 354 milhões não ocorreu após a mudança de controle, mas no mesmo dia da venda (19/12/2011), confundindo-se com a própria alienação, na medida em que compôs o custo de aquisição do investimento incorrido pelos compradores. Tal informação pode ser extraída da nota 1 (b) das demonstrações financeiras da Jantus (fls. 982): Aduziu também a recorrente que, em 16 de dezembro de 2011, ela e os demais acionistas vendedores da Jantus fizeram expedir notificação à adquirente de que a data da venda seria o dia 19 de dezembro desse mesmo ano. Nessa mesma notificação (fls. 837 a 892), ficou determinado que a transação seria orientada pelo balanço contábil da Jantus a ser levantado na data-base de 31 de dezembro de 2011. Em que pese a argumentação da recorrente, com a devida vênia, o balanço levantado em 31 de dezembro de 2011 não pode ser tomado para o fim pretendido, qual seja, indicação do valor do patrimônio líquido da Jantus na data da alienação. E, como visto acima, não serviria a princípio, para que este fosse estipulado conforme efetuado no voto condutor da decisão de piso. Também, a princípio, o aumento de capital da Jantus ocorrido em 19 de dezembro de 2011 não pode ser confundido com a própria alienação, haja vista ter sido levado a efeito pela CPFL (adquirente), único quotista da adquirida (como registrado nas notas explicativas das demonstrações financeiras) e ter ocorrido após essa aquisição, embora no mesmo dia, segundo o informado nas notas explicativas. Vale ressaltar, a título de informação, que na decisão de piso ficou assim evidenciado (fl. 1.036): E, ao revés do que defende a impugnante, não há nenhum desacerto em se levar em consideração a soma das participações na coligada das duas sociedades integrantes de mesmo grupo econômico, haja vista que, como é cediço, a essência dos fatos deve sempre prevalecer sobre a forma, mormente quando se sabe que, nem mesmo por ocasião de sua aquisição (quando era de 37,19% o percentual de participação), o investimento chegou a ser avaliado, como deveria, pelo valor de patrimônio líquido, cabendo ainda ressaltar que a última redução da participação da Citipar na Jantus, de 31,60% para 19,82%, somente veio a ocorrer em 15/12/2011 (fls. 662/665), ou seja, apenas quatro dias antes da efetivação da venda. Conclusão. Assim, considerando-se os argumentos de que "entre setembro de 2011 e a data da venda ocorreram eventos que contribuiriam para a melhora da posição patrimonial da Jantus"; que, "ocorrida em 15 de dezembro de 2011, a capitalização da Jantus pelos seus credores foi responsável pela redução substancial de seus passivos e aumento do capital" e, ainda, o artigo 248 da LSAs, em especial o seu § 2°, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a recorrente seja intimada a apresentar balanço da Jantus (empresa cuja participação foi alienada), tendo como base algum dos trinta dias anteriores ao da alienação. Apresentado tal balanço, deverá ser designado Auditor-Fiscal da unidade da RFB da circunscrição da contribuinte para proceder ao cálculo tendo em vista a determinação do ganho de capital, da mesma forma como ocorreu nos autos de infração, levando-se em conta o valor do patrimônio líquido registrado. A contribuinte poderá ser intimada a apresentar escrituração e documentos contábeis. A conclusão quanto a essa análise deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência à contribuinte para que, querendo, manifeste-se no prazo de trinta dias. Após, o processo deverá retornar ao CARF. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 21 6/ 20 16 -4 5 Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 16561.720216/201645 Resolução nº 1201000.603 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório. Adotase o relatório do Acórdão nº 0273.199 3ª Turma da DRJ/BHE (fls. 1.027 a 1.041), com a complementação necessária em seguida: Em 06/12/2016, foram lavrados os dois autos de infração objeto deste processo, nos quais se formaliza a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 71.131.774,99, assim discriminado: Auto de infração de IRPJ – fls. 728/734 Segundo consta do auto de infração de IRPJ, foi apurada a infração a seguir descrita: GANHOS E PERDAS DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE INFRAÇÃO: ALIENAÇÃO OU BAIXA DE INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO VALOR DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO · Falta de contabilização de ganho de capital apurado na alienação de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido, gerando, em consequência, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme relatório fiscal. · Fato gerador: 31/12/2011. · Valor Apurado: R$ 92.957.923,69. · Multa: 75%. · Enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 418 e 426 do RIR/99. Auto de infração (reflexo) de CSLL – fls. 735/740 O lançamento de CSLL decorre dos mesmos fatos que caracterizaram a infração descrita no auto de infração de IRPJ. Termo de verificação fiscal Do termo lavrado pela autoridade lançadora a fls. 746/765, destacamse as seguintes informações: · O procedimento fiscal abrangeu verificações quanto à apuração de ganho de capital quando de negociação ocorrida no ano calendário de 2011, época em que o contribuinte alienou sua participação no investimento na empresa Jantus SL. · A Jantus era sediada em Madrid/Espanha e sua única atividade era ser sócia de duas empresas sediadas no Brasil, a saber: SIIF Énergies do Brasil Ltda. e SIIF Desenvolvimento de Projetos de Energia Eólica Ltda., empresas, aliás, que eram, em verdade, os alvos de negociação com a CPFL Comercialização do Brasil S/A. Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 16561.720216/201645 Resolução nº 1201000.603 S1C2T1 Fl. 4 3 · A Citipar nasceu da cisão ocorrida em 26/11/10, aprovada em ata de alteração do contrato social da empresa Citicorp Mercantil Participações e Investimentos Ltda., com a finalidade geral de agrupamento de investimentos. · O valor do investimento na Jantus foi integralmente passado, via cisão, da Citicorp para a Citipar, pelo valor de subscrição e aquisições efetuadas. · A Citicorp investiu R$ 91.531.461,82 na Jantus, e este valor permaneceu na conta de investimentos dentro da contabilidade da Citipar até dezembro de 2011, quando vendeu a participação e recebeu da CPFL o valor de R$ 92.957.923,69, apurando naquele ano calendário um ganho de capital de R$ 1.426.461,87. · A Citipar tratava contabilmente o investimento na Jantus pelo custo de aquisição. · Mas ficou demonstrado nos autos que a Citipar estava obrigada à adoção do método da equivalência patrimonial para avaliação dos seus investimentos naquela sociedade. · O patrimônio líquido da Jantus já era negativo em R$ 89.992.203,00 no balanço que serviu de base para a negociação de compra e venda, extraído com dois meses de antecedência da celebração do contrato de compra e venda com a CPFL. · Com relação à participação na Jantus, a Citipar detinha à época da negociação 19,824%, e a Citicorp North América, INC detinha cerca de 8,910%; portanto, o grupo Citi detinha cerca de 28,734%. Estando, ambas, sob o mesmo domínio societário, o procedimento a ser executado era o de equivalência patrimonial, dada a condição de influência direta e indireta na Jantus. · O valor do investimento contra o patrimônio líquido da fiscalizada apontava um percentual superior a 18%, portanto maior que 15%, indicando à época um investimento relevante, conforme Lei nº 6.404/76, sem as alterações consignadas em 2008, concluindose, adicionalmente, pela prática do método da equivalência patrimonial. · Concluiuse que a Citipar deveria, obrigatoriamente, registrar o investimento na Jantus pelo método da equivalência patrimonial, resultando no saldo zerado da conta de investimento no momento da alienação de sua participação. Por via reflexa, o valor do ganho de capital apurado seria o próprio valor recebido na venda das suas ações da Jantus, no montante de R$ 92.957.923,69. Ciência do lançamento Em 08/12/2016, por via postal, a contribuinte foi cientificada do auto de infração, conforme aviso de recebimento a fls. 767. Impugnação Em 06/01/2017, conforme termo de solicitação de juntada a fls. 772, foi apresentada a impugnação a fls. 773/805, cujo teor pode ser assim resumido: · O lançamento é nulo por erro na eleição do fato gerador e da base de cálculo, bem como por erro na aplicação do método da equivalência patrimonial. · O suposto ganho de capital foi apurado com suporte em balanço patrimonial levantado 80 dias antes do evento de alienação da Jantus, contrariando o quanto disposto no art. 427 do RIR/99 e art. 248, I, da LSA, no sentido de que o método da Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 16561.720216/201645 Resolução nº 1201000.603 S1C2T1 Fl. 5 4 equivalência patrimonial no caso de liquidação do investimento deve ter como referência o balanço da investida na mesma data ou até 30 dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia. · A Citipar efetivamente detinha participação de 19,82% do capital da Jantus, sendo possível, portanto, se valer do método do custo de aquisição para avaliação do investimento na Jantus, inclusive para fins de apuração do ganho de capital tributável, sendo irrelevante para este fim a participação de entidade estrangeira associada ao Grupo Citi no capital da Jantus. · Mesmo na hipótese de apuração do ganho de capital pela avaliação da Jantus segundo o método da equivalência patrimonial, ao contrário do quanto exposto pelo autuante, à época da venda o patrimônio da companhia era positivo, não apresentando passivo a descoberto, conforme balanço auditado pela Ernst & Young Terco Auditores Independentes levantado à época da operação. · O lançamento foi fundado nas demonstrações financeiras consolidadas da Jantus, quando deveria ter considerado apenas o seu balanço individual, contrariando todo o sistema de tributação nacional, que não admite, seja qual for a finalidade, a eleição de balanços consolidados para a apuração de tributos. · Na estimativa dos supostos tributos devidos, o autuante não descontou o valor dos rendimentos já tributados pela impugnante no valor de R$ 1.426.461,87. · Requer a impugnante que seja reconhecida a total improcedência do lançamento, para: a) reconhecer preliminarmente o vício material não sanável incorrido pelas autoridades fiscais na determinação da base de cálculo dos tributos; e b) reconhecer a inexistência de eventual ganho de capital não apurado pela impugnante quando da alienação da Jantus. · Protesta a impugnante por todos os meios de prova e requer que se converta o julgamento em diligência, caso se acredite oportuno, para confrontar os documentos anexados por cópia com os originais ou esclarecer quaisquer razões de fato pertinentes. No recurso voluntário são reiteradas as razões de impugnação, havendo ainda argumentação relativa à alegada inovação pela DRJ/BHE nos seguintes termos: "Como visto, a DRJ/BHE acolheu a fundamentação apresentada pela Recorrente, no sentido de que o balanço empregado pela dd. autuação supera a defasagem temporal autorizada pela legislação (fls. 1034), o que implicaria na nulidade do lançamento. No entanto, em resposta a alegação do referido vício, a decisão de primeira instância constrói, em prejuízo do contribuinte, nova linha argumentativa que não consta na acusação, transcendendo os limites do processo administrativo em clara inovação fática do lançamento." [...] No caso concreto, a DRJ de forma inovadora busca afastar o argumento de que a companhia teria um patrimônio líquido positivo à época da sua alienação com fundamento nas demonstrações financeiras da Jantus em 31/12/2011 (fls. 971/1020), anexadas aos autos pela Recorrente. [...] É o relatório. Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 16561.720216/201645 Resolução nº 1201000.603 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto. Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Os recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos previstos na legislação, dele devendose conhecer. Razões do Recurso Voluntário. A recorrente apresenta diversos questionamentos com os quais pretende sejam os lançamentos declarados improcedentes. Dentre tais questionamentos, a maior extensão do recurso é dedicada a sustentar a nulidade do lançamento por "erro na eleição do fato gerador e da base de cálculo". Tal sustentação está baseada em vários argumentos trazidos no recurso voluntário, dentre os quais são destacados: no TVF, há a declaração de que a alienação do investimento na Jantus ocorreu em novembro de 2011, quando na realidade foi em dezembro de 2011, mais precisamente no dia 19 desse mês; a DRJ/BHE reconheceu esse equívoco, mas considerou que o mês de dezembro foi o indicado nos autos de infração como o da data de ocorrência do fato gerador, o que não caracteriza o erro na eleição da data da ocorrência deste; se reconhecida a data de 19 de dezembro de 2011 como a do negócio, não poderia a fiscalização adotar o balanço da Jantus do mês de setembro, em face do disposto nos artigos 248, inciso I, da LSA, e 427 do RIR/99, mas o da data do evento ou um com defasagem máxima de trinta dias; "o balanço que mais reflete a situação patrimonial da Jantus é o da data da baixa de investimento: 19/12/2011"; "entre setembro de 2011 e a data da venda ocorreram eventos que contribuiriam para a melhora da posição patrimonial da Jantus", v.g., a capitalização de empréstimos; "ocorrida em 15 de dezembro de 2011, a capitalização da Jantus pelos seus credores foi responsável pela redução substancial de seus passivos e aumento do capital ..."; "o balanço da Jantus na data da venda era positivo. Podese verificar pelas demonstrações financeiras da Jantus no encerramento do exercício (dezembro de 2011), auditadas pela Ernst & Young e levantadas em decorrência do evento alienação ...". No voto condutor da decisão de primeira instância (DRJ/BHE), assim se expressou o i. relator (fls. 1.034 a 1.036): Com efeito, o período transcorrido entre a data do balanço consolidado utilizado pelo autuante (em que se apurou passivo a descoberto no valor de R$ 89.902.203,00) e Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 16561.720216/201645 Resolução nº 1201000.603 S1C2T1 Fl. 7 6 a data de alienação da participação societária, conforme confirmam os elementos constantes dos autos, supera, sim, a defasagem máxima permitida pela legislação de regência. Notese, porém, que também foram juntadas aos autos as demonstrações financeiras consolidadas da Jantus em 31/12/2011 (fls. 971/1020), as quais, segunda afirma a própria impugnante, foram “levantadas especialmente por ocasião da alienação ocorrida em 19 de dezembro”. Em 31/12/2011, de acordo com o balanço patrimonial a fls. 976, o valor total do patrimônio líquido seria de R$ 292.854.000,00, conforme evidencia a imagem abaixo reproduzida: [omissis] E, das notas explicativas às referidas demonstrações (em milhares de reais), extraise, por relevante, o seguinte excerto (fls. 1011): Como parte do processo de venda da Companhia, em 15 de dezembro de 2011, os antigos quotistas aprovaram aumento de capital no montante de EUR 74.969 mil, equivalentes a R$ 181.838, com a emissão de 72.001 quotas, totalmente subscritas e integralizadas através da conversão dos saldos de mútuos existentes entre as partes (Vide Nota 14). A integralização das quotas foi efetuada considerando um prêmio de subscrição de EUR 74.897 mil equivalentes a R$ 181.664, registrado como reserva de capital e R$ 174 lançado como capital social. Adicionalmente, em 19 de dezembro de 2011, como parte do processo de mudança do controle acionário e conforme mencionado na Nota 1 a), a CPFL Energias Renováveis S.A. (único quotista da Companhia) efetuou aumento de capital através da emissão de 141.192 quotas, totalmente subscritas e integralizadas no montante de EUR 145.560 mil equivalentes a R$ 354.439. Essa integralização foi efetuada considerando um prêmio na subscrição das quotas no montante de EUR 145.418 mil, equivalentes a R$ 354.094, registrado como reserva de capital e a diferença R$ 344 lançada na conta de capital social. Como se vê, em 19/12/2011, imediatamente após a mudança do controle acionário, houve um aumento de capital que resultou em um acréscimo do patrimônio líquido no valor de R$ 354.439.000,00. Assim sendo, impõese subtrair essa parcela, de R$ 354.439.000,00, do total do patrimônio líquido em 31/12/2011, de R$ 292.854.000,00, obtendose, como resultado, um passivo a descoberto, em 19/12/2011, de R$ 61.585.000,00. Em suma, o referido balanço, levantado no mesmo mês da alienação, não somente elimina eventuais incertezas decorrentes da defasagem temporal do balanço anterior, mas também termina por confirmar a tese fiscal de que seria realmente negativo o patrimônio líquido da Jantus em 19/12/2011, data da alienação, de modo que não cabe nenhum reparo nos cálculos elaborados pelo autuante para fins de apuração do ganho de capital. No recurso voluntário, são aduzidas as seguintes considerações em objeção ao quanto exposto no referido voto (fls. 1.263 e 1.264): Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 16561.720216/201645 Resolução nº 1201000.603 S1C2T1 Fl. 8 7 Inicialmente é preciso esclarecer que o aumento de capital de RS 354 milhões não ocorreu após a mudança de controle, mas no mesmo dia da venda (19/12/2011), confundindose com a própria alienação, na medida em que compôs o custo de aquisição do investimento incorrido pelos compradores. Tal informação pode ser extraída da nota 1 (b) das demonstrações financeiras da Jantus (fls. 982): 1. Informações Gerais (...) b) Mudança de controle acionário Em 19 de dezembro de 2011 a CPFL Energias Renováveis S.A. publicou fato relevante ao mercado referente à aquisição da totalidade das quotas da Companhia adquirindo, portanto, indiretamente, a totalidade das quotas da Energies do Brasil Ltda. e da SIIF Desenvolvimento de Projeto de Energia Eólica Ltda., num total de 4 parques eólicos em operação no Estado do Ceará, com capacidade instalada de 210 MW, além de um portfólio de 412 MW em projetos certificados e elegíveis para participação nos próximos leilões de energia e 320 MW em projetos nãocertificados. O preço de aquisição das quotas, após os ajustes previstos no Contrato de Compra e Venda, foi de RS 1.498,7 milhões, desembolsados da seguinte forma: (i) RS 468,9 milhões pagos à vista pela CPFL Energias Renováveis aos antigos acionistas da Companhia, (ii) o equivalente em Euros à R$ 354,4 milhões como aumento de capital da Companhia, cujos recursos necessariamente deverão ser utilizados para quitação de obrigações perante terceiros; e (iii) a assunção de dívida líquida do grupo no valor de R$ 675,4 milhões, (grifos nossos) Vale ressaltar que os fatos extemporaneamente narrados pela DRJ são suportados pela nota "15.1 Capital Social" das demonstrações financeiras da Jantus. Mesmo no trecho colacionado pelo r. Acórdão não há qualquer menção no sentido de que o aumento de capital teria ocorrido após a alienação, sendo oportuna a reprodução do excerto do documento (fls. 1.011): [...] Portanto, a desconsideração desse aumento de capital na definição do patrimônio contábil da Jantus equivale a uma falsa recomposição da base de cálculo dos tributos. Não há fato que autorize as autoridades fiscais a considerar não ocorrido o aumento de capital. [...] Na verdade, a argumentação trazida pela DRJ é inteiramente fática, surgindo agora com alegação sobre a situação patrimonial em 19/12/2011 nunca antes afirmada ou infirmada pela fiscalização, em que pese toda essa documentação estivesse inteiramente disponível à fiscalização no período da auditoria. Como bem observou a própria recorrente, existe uma questão de cunho eminentemente fático a ser elucidada, qual seja, a situação patrimonial da Jantus anterior à sua alienação. Mais especificamente, entre o dia 19 de dezembro de 2011 e os trinta dias anteriores. Pelo que foi visto, os autuantes utilizaram para a determinação do ganho de capital na alienação da participação na Jantus pela recorrente um balanço levantado mais de oitenta dias antes desse evento (alienação). Na decisão de piso, utilizase o balanço levantado em 31 de dezembro de 2011 para, de forma retroativa, determinarse o patrimônio líquido em Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 16561.720216/201645 Resolução nº 1201000.603 S1C2T1 Fl. 9 8 data anterior. Alega, ainda, a recorrente que esse balanço (31/12/2011) foi levantado em decorrência do evento alienação, conforme excerto do recurso voluntário abaixo transcrito (fl. 1.258): A prova cabal do equívoco incorrido pelas dd. autoridades fazendárias é que, efetivamente, o balanço da Jantus na data da venda era positivo. Pode se verificar pelas demonstrações financeiras da Jantus no encerramento do exercício (dezembro de 2011), auditadas pela Ernst & Young e levantadas em decorrência do evento de alienação, mostram que a companhia possuía um patrimônio positivo em centenas de milhares de Reais (fls. 971 a 1020), muito longe do suposto passivo a descoberto suscitado pela fiscalização. Outra argumentação da recorrente é de que o aumento de capital promovido pela adquirente (CPFL) confundese com a própria alienação (fl. 1.263): Inicialmente é preciso esclarecer que o aumento de capital de RS 354 milhões não ocorreu após a mudança de controle, mas no mesmo dia da venda (19/12/2011), confundindose com a própria alienação, na medida em que compôs o custo de aquisição do investimento incorrido pelos compradores. Tal informação pode ser extraída da nota 1 (b) das demonstrações financeiras da Jantus (fls. 982): Aduziu também a recorrente que, em 16 de dezembro de 2011, ela e os demais acionistas vendedores da Jantus fizeram expedir notificação à adquirente de que a data da venda seria o dia 19 de dezembro desse mesmo ano. Nessa mesma notificação (fls. 837 a 892), ficou determinado que a transação seria orientada pelo balanço contábil da Jantus a ser levantado na database de 31 de dezembro de 2011. Em que pese a argumentação da recorrente, com a devida vênia, o balanço levantado em 31 de dezembro de 2011 não pode ser tomado para o fim pretendido, qual seja, indicação do valor do patrimônio líquido da Jantus na data da alienação. E, como visto acima, não serviria a princípio, para que este fosse estipulado conforme efetuado no voto condutor da decisão de piso. Também, a princípio, o aumento de capital da Jantus ocorrido em 19 de dezembro de 2011 não pode ser confundido com a própria alienação, haja vista ter sido levado a efeito pela CPFL (adquirente), único quotista da adquirida (como registrado nas notas explicativas das demonstrações financeiras) e ter ocorrido após essa aquisição, embora no mesmo dia, segundo o informado nas notas explicativas. Vale ressaltar, a título de informação, que na decisão de piso ficou assim evidenciado (fl. 1.036): E, ao revés do que defende a impugnante, não há nenhum desacerto em se levar em consideração a soma das participações na coligada das duas sociedades integrantes de mesmo grupo econômico, haja vista que, como é cediço, a essência dos fatos deve sempre prevalecer sobre a forma, mormente quando se sabe que, nem mesmo por ocasião de sua aquisição (quando era de 37,19% o percentual de participação), o investimento chegou a ser avaliado, como deveria, pelo valor de patrimônio líquido, cabendo ainda ressaltar que a última redução da participação da Citipar na Jantus, de 31,60% para 19,82%, somente veio a ocorrer em 15/12/2011 (fls. 662/665), ou seja, apenas quatro dias antes da efetivação da venda. Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 16561.720216/201645 Resolução nº 1201000.603 S1C2T1 Fl. 10 9 Conclusão. Assim, considerandose os argumentos de que "entre setembro de 2011 e a data da venda ocorreram eventos que contribuiriam para a melhora da posição patrimonial da Jantus"; que, "ocorrida em 15 de dezembro de 2011, a capitalização da Jantus pelos seus credores foi responsável pela redução substancial de seus passivos e aumento do capital" e, ainda, o artigo 248 da LSAs, em especial o seu § 2°, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a recorrente seja intimada a apresentar balanço da Jantus (empresa cuja participação foi alienada), tendo como base algum dos trinta dias anteriores ao da alienação. Apresentado tal balanço, deverá ser designado AuditorFiscal da unidade da RFB da circunscrição da contribuinte para proceder ao cálculo tendo em vista a determinação do ganho de capital, da mesma forma como ocorreu nos autos de infração, levandose em conta o valor do patrimônio líquido registrado. A contribuinte poderá ser intimada a apresentar escrituração e documentos contábeis. A conclusão quanto a essa análise deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência à contribuinte para que, querendo, manifestese no prazo de trinta dias. Após, o processo deverá retornar ao CARF. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Declaração de Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Na sessão de julgamento do recurso voluntário interposto nos autos do presente processo, solicitei declaração de voto no tocante à tese que fui vencido, qual seja, a de que o Auto de Infração é nulo por vício material, fato este que, com a devida vênia, acaba tornando a diligência desnecessária e inefizaz. O TVF indica claramente que se valeu das demonstrações consolidadas procedimento este que também foi impugnado pela Recorrente, mas que deixo de apreciar por ora com data base de 30/09/2011, mesmo ciente de que a alienação das ações ocorreu em dezembro de 20111 (cf. item "c" da página 4 do TVF) e que havia balanço consolidado datado de 31/12/2011. 1 Mais precisamente em 19/12/2011. Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 16561.720216/201645 Resolução nº 1201000.603 S1C2T1 Fl. 11 10 A partir desse critério jurídico, a autoridade fiscal responsável pelo lançamento desconsiderou o cálculo do ganho de capital apurado pela Recorrente com base no custo de aquisição, sustentando a aplicação do MEP com respaldo nas demonstrações financeiras consolidadas do grupo econômico da Jantus levantados em 30/09/2011, ou seja, há mais de 60 (sessenta) dias considerados da operação (19/12/2011 baixa) ou das demonstrações financeiras consolidadas em 31/12/2011 (fls. 974/1.020). Ocorre, entretanto, que a dataparâmetro considerada no Auto de Infração não respeita nem a norma societária (artigo 248, I, da Leis das Sociedades Anônimas) e muito menos a fnorma iscal (art. 27 da Lei 7.799/89), dispositivos que prescrevem, respectivamente: Artigo 248 [...]I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia. Artigo 27 A baixa de investimento relevante e influente em sociedade coligada ou controlada deve ser precedida da correção monetária e avaliação pelo valor de patrimônio líquido, com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada, levantado na data da alienação ou liquidação ou até trinta dias, no máximo, antes dessa data. Da análise desses dispositivos legais, notase um grave erro quanto à data de referência da demonstração financeira que norteou os Autos de Infração, afinal o intervalo usado na sua comparação supera os prazos previstos na lei. É curioso notar, nesse contexto, que a própria decisão de piso reconhece a não observância do prazo legal (fls. 1.034). Nas suas palavras: Com efeito, o período transcorrido entre a data do balanço consolidado utilizado pelo autuante (em que se apurou passivo a descoberto no valor de R$ 89.902.203,00) e a data de alienação da participação societária, conforme confirmam os elementos constantes Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 16561.720216/201645 Resolução nº 1201000.603 S1C2T1 Fl. 12 11 dos autos, supera, sim, a defasagem máxima permitida pela legislação de regência. Mas a DRJ opta por validar o lançamento mediante nova motivação, mais precisamente com fundamento no balanço consolidado em 31/12/2011 (de fls. 971/1020), o qual, repitase, é diferente do que se valeu a autoridade autuante (30/09/2011), concluindo que: Em suma, o referido balanço, levantado no mesmo mês da alienação, não somente elimina eventuais incertezas decorrentes da defasagem temporal do balanço anterior, mas também termina por confirmar a tese fiscal de que seria realmente negativo o patrimônio líquido da Jantus em 19/12/2011, data da alienação, de modo que não cabe nenhum reparo nos cálculos elaborados pelo autuante para fins de apuração do ganho de capital. Ora, da mesma forma que as regras do processo administrativo fiscal, sob o risco de preclusão, não admitem que uma impugnação seja feita sem a indicação das razões de fato e de direito, devendo as provas serem apresentadas na defesa, também o ordenamento jurídico não admite que um lançamento tributário seja feito sem a adequada motivação e valoração jurídica na peça acusatória. Nesse sentido é o comando legal veiculado no artigo 142 do CTN: “Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Os requisitos do lançamento, como se sabe, podem ser divididos em dois grupos: (i) os requisitos fundamentais ou estruturais, e (ii) os requisitos complementares ou formais. Como destaca Manoel Antonio Gadelha Dias2, expresidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda: 2 O vício formal no lançamento tributário. in Direito Tributário e processo administrativo aplicados. TÔRRES, Heleno Taveira, QUEIROZ, Mary Elbe, FEITOSA, Raymundo Juliano (Coords.). São Paulo: Quartier Latin, 2005. pp. 345346 Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 16561.720216/201645 Resolução nº 1201000.603 S1C2T1 Fl. 13 12 “À luz do Código Tributário Nacional, fonte de direito material nacional, e do Decreto nº 70.235/1972, fonte de direito formal de âmbito restrito à União, entendemos que os requisitos do lançamento podem ser divididos em dois grandes grupos: 1º) o dos requisitos fundamentais ou estruturais; e 2º) o dos requisitos complementares ou formais. Se o defeito no lançamento disser respeito a requisito fundamental, estaremos diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindoo de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e dizem respeito à própria conceituação do lançamento insculpida no art. 142 do CTN, qual seja a valoração jurídica do fato jurídico tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo. [...]Já se o vício estiver presente no que denominamos de requisitos complementares do lançamento, ou seja, naqueles que devem compor a linguagem para a comunicação jurídica, consistente na notificação ao sujeito passivo, estaremos falando de vício formal. Os requisitos complementares ou formais são aqueles exigidos por lei para o momento da edição do ato, por isso são denominados requisitos extrínsecos ao lançamento. Nesses termos, quando o lançamento apresentar falhas em seus requisitos fundamentais ou estruturais (vícios de conteúdo), tais como a ausência de motivação adequada, erro na determinação da base tributável ou adoção de critério jurídico que agride disposição legal, estaremos diante de vícios insanáveis que extinguem o feito e não admitem correções. Esse, aliás, é o entendimento que prevalece no CARF, conforme atestam as ementas dos seguintes julgados: PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se o lançamento contiver vício instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação. (Acórdão nº 2301004.930. Data de decisão: 09/05/2017). NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 16561.720216/201645 Resolução nº 1201000.603 S1C2T1 Fl. 14 13 instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal.” (Acórdão nº 9101 002.146, Sessão de 07/12/2015, Relator Rafael Vidal de Araújo). E nem se diga que a DRJ poderia legitimar o lançamento com base em outro balanço consolidado, ainda que considerado este como o correto e usado pelas partes, uma vez que tal medida, além de cercear o direito de defesa, caracteriza verdadeira inovação na motivação da autuação e do julgamento, na linha do precedente desta C. Câmara: INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras. (Acórdão nº 1201001.557. Sessão de 14/02/2017) Ademais, descabe à decisão de primeira instância criar as supostas razões fáticas ou de direito para tentar convalidar um lançamento nulo desde sua origem. O julgador deve julgar, e não autuar... Nessa situação particular, a decisão prolatada em primeira instância constatou o erro de critério jurídico empregado pela fiscalização ao eleger balanço de referência que extrapola o lapso legal temporal, mas, a bem da verdade, ao invés de declarar a nulidade material, optou por indevidamente inovar a lide em total desrespeito às normas do processo administrativo fiscal. Feitas essas considerações, entendo que o lançamento é nulo, razão pela qual o recurso voluntário deve ser considerado procedente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1343DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.727402/2014-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS ACUMULADOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO.
Os rendimentos acumulados recebidos acumuladamente no ano-calendário 2010 estão enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, prevista no artigo 12-A da Lei nº 7.713, de 1988.
DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PAGOS.
No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas.
Numero da decisão: 2002-000.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RENDIMENTOS ACUMULADOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos acumulados recebidos acumuladamente no ano-calendário 2010 estão enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, prevista no artigo 12-A da Lei nº 7.713, de 1988. DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PAGOS. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas.
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RENDIMENTOS ACUMULADOS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Recorrente EGON FREDERICO STEYER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS ACUMULADOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos acumulados recebidos acumuladamente no anocalendário 2010 estão enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, prevista no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 1988. DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PAGOS. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 74 02 /2 01 4- 32 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 159 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 9/12), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou a alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$3.757,46 para saldo de imposto a pagar de R$4.885,73. A notificação consigna a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$20.400,00, com IRRF correspondente de R$724,27. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 24/7/2014, a NL foi objeto de impugnação, em 7/8/2014, à fl. 2/21 dos autos, na qual o contribuinte afirmou que os rendimentos tidos por omitidos não teriam sido recebidos em 2010, mas em fevereiro de 2011, e teriam sido informados na Declaração de 2012, já deduzidos os honorários advocatícios. Antes do julgamento, a autoridade lançadora examinou a possibilidade de revisão de ofício do lançamento (art. 6°A da IN RFB n° 958/2009, com a redação dada pelo art. 1º da IN RFB n° 1061 /2010), tendo concluído, à vista de documentação comprobatória juntada pelo contribuinte à impugnação, pela manutenção do lançamento, como consignado no Termo Circunstanciado/Despacho Decisório de fls. 35/36. Cientificado dessa decisão em 25/11/2014 (fl.40), o sujeito passivo, em 18/12/2014, solicitou prorrogação de prazo para juntada de provas (fl.42), uma vez que solicitara o desarquivamento do processo judicial (fl.43). Em 20/1/2015 (fl.50), o contribuinte solicitou nova prorrogação de prazo, apontando que em função do recesso do judiciário não conseguiu o desarquivamento do processo. Em 20/2/2015, os autos foram encaminhados para a primeira instância de julgamento. A impugnação foi apreciada na 18ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 57/61): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL. É de se manter a omissão quando o contribuinte deixa de informar rendimentos declarados em DIRF pela fonte pagadora. Somente é passível de dedução as despesas com o advogado patrono da ação trabalhista, quando pagas pelo contribuinte, vinculadas aos rendimentos tributáveis recebidos e restando Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 160 3 devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PREVIDÊNCIA OFICIAL. Cabe incluir o valor descontado de Previdência Oficial relativo aos rendimentos incluídos pelo Lançamento de Ofício. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. O colegiado de primeira instância alterou o imposto suplementar de R$4.885,73 para R$4.591,96, em decorrência da inclusão no cálculo do imposto da previdência oficial no valor de R$1.068,23, vinculada aos rendimentos tidos por omitidos. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 27/4/2015 (fl. 65), o contribuinte, em 25/5/2015 (fl. 67), apresentou recurso voluntário, às fls. 67/149, no qual alega, em apertado resumo, que: o valor tido por omitido teria sido recebido nos autos da ação judicial nº 001/1.06.02109047, ajuizada por ele em face do Estado do Rio Grande do Sul. seria indevida a tributação dos rendimentos acumulados recebidos pelo regime de caixa, como levou a efeito a autuação. Reproduz o artigo 12A da Lei nº 7.713, de 1988, e dispositivos da IN RFB n º 1.127, de 2011. Ressalta que a decisão de piso teria reconhecido esse fato, mas apontando que as provas não teriam sido juntadas. em observância aos princípios da verdade material e da legalidade, os documentos juntados ao seu recurso devem ser apreciados. na ação judicial proposta, teria obtido provimento parcial, para ver reconhecido seu direito a aumentos salariais desde os cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação. Assim, o valor recebido estaria vinculado ao período de 17/10/2001 a 20/06/2007, como comprovariam os documentos juntados ao seu recurso, o que corresponderia a 69 meses. Reproduz orientação da RFB acerca da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamante e aponta a juntada de simulação de declaração, que demonstraria que não há tributo a recolher. teria direito a deduzir os honorários advocatícios pagos ao seu procurados na ação judicial em comento, a teor do artigo 56 do RIR/99. Cita orientação da RFB acerca do tema e indica a juntada de documento comprobatório do pagamento. o fato de o recibo de pagamento dos honorários estar datado de 2011 não impediria a dedução de tal verba, visto que o valor foi efetivamente descontado do rendimento acumulado recebido. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 161 4 Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.152). Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Tratase de autuação consignando a omissão de rendimentos pelo sujeito passivo. Em sua impugnação, ele alegara que se tratava de rendimentos recebidos acumuladamente e que o montante apontado não teria sido recebido em 2010, mas em 2011. Além disso, apontara o pagamento de honorários advocatícios para recebimento do valor. Tanto a autoridade revisora quanto o colegiado de primeira instância afastaram tal alegação, apontando documentos que evidenciariam o pagamento do valor em 2010. Em seu recurso, o sujeito passivo requer a aplicação a esses rendimentos da tributação veiculada no artigo 12A da Lei nº7.713, de 1988. Acerca dessas questões, a decisão recorrida consigna: ... É importante salientar, que a apresentação dos recibos da Pufal & Advogados Associados datados de 24 de fevereiro de 2011 não é documentação hábil e idônea uma vez que a análise se refere ao ano calendário de 2010. ... Repise se que a legislação que rege a matéria determina que a retenção do imposto de renda de fonte ocorre no momento em que os rendimentos recebidos se tornem disponíveis para o beneficiário, e assim sendo cumpre a conclusão de que o contribuinte recebeu os rendimentos provenientes da ação judicial no ano calendário em análise conforme aponta a DIRF de fl. 55 e a requisição do precatório de fl. 8. No que tange a consideração das despesas dedutíveis com advogado, bem assim o cômputo do número de meses correspondentes à ação ordinária adequado ao preenchimento da Ficha dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – Tributação exclusiva de Fonte RRA, caberia ao contribuinte Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 162 5 trazer à colação documentação pertinente ao ano calendário sob análise. Nesse sentido, o artigo 73, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) atendendo ao disposto no art. 8º, incido II, “a” da Lei 9.250, de 1995, assim dispõe: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Acerca da apreciação dos documentos acostados ao recurso, entendo que devem ser aceitos e examinados. Vejase que o sujeito passivo se manifestou às fls. 42/45 e novamente à fl.50, solicitando a prorrogação do prazo para juntada de documentos e demonstrando que aguardava o desarquivamento do processo judicial. As alíneas "a" e "c", do § 4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72, prevêem que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação, por motivo de força maior, ou a nova prova se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Entendo que os documentos apresentados pela parte na fase recursal encaixamse nessas hipóteses. O contribuinte demonstrara que, na fase impugnatória, já peticionara no sentido de desarquivamento dos autos judiciais, mas não obtivera o retorno a tempo de instruir sua defesa. Adicionese que os documentos juntados destinamse a contrapor razões trazidas aos autos pela DRJ que, para indeferir o pleito do contribuinte, utilizou, entre outros fundamentos, a falta de comprovação do número de meses associado aos rendimentos objeto da autuação. Diante disso, a nova documentação será analisada. Documentos apresentados em fase recursal: petição inicial da Ação Ordinária nº001/1.06.02109047, ajuizada pelo contribuinte em outubro de 2006 em face do Estado do Rio Grande do Sul, pleiteando a implantação de reajustes aos seus vencimentos mensais, desde a data em que deveriam ter sido aplicados (fls. 89/107). sentença proferida nos autos da ação mencionada (fls. 108/111) e seu trânsito em julgado em 21/6/2007 (fl.114). registros de sua folha de pagamento (fls.116/122). petição ao juízo em julho de 2008, informando, além de outras questões, que a fonte pagadora implantara os reajustes na forma da decisão, mas não efetuara o pagamentos das diferenças das competências anteriores a julho de 2007 (fls.124/128). pronunciamento da fonte pagadora (fls. 130/131). ofícios do juízo dando notícia do valor a ser pago, para emissão da Requisição de Pagamento de Pequeno Valor RPV (fls.133/134) e o RPV emitido em julho de 2010 (fl.135). Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 163 6 depósito efetuado pela reclamada em novembro de 2010 (fl.137), acompanhado dos cálculos pertinentes (fl.138). comprovante de expedição de alvará em dezembro de 2010 (fl.139). prestação de contas do patrono da ação, em 23/2/2011 (fl. 149). Da leitura das peças indicadas, resta demonstrado que o rendimento recebido se trata de rendimento acumulado auferido pelo contribuinte em decorrência de ação judicial citada. Acrescentese ainda DIRF da fonte pagadora à fl. 55, que indica que se trata de rendimento decorrente de decisão da Justiça do Trabalho. Vêse ainda que o valor recebido pelo sujeito passivo está associado ao período de 30/10/2001 a 30/6/2007, correspondendo a 69 competências (fls. 127/128 e 131). Dessa feita, cabe aplicar a esses rendimentos o regime de tributação exclusiva na fonte, previsto no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 1988: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) Quanto ao pagamento de honorários, não pode prosperar o entendimento manifestado na decisão de piso, de que o recibo emitido em 2011 não poderia ser deduzido dos rendimentos recebidos no ano de 2010. A possibilidade de dedução dos honorários advocatícios dos rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte em conseqüência da ação judicial, quando devidamente comprovados documentalmente, está prevista no parágrafo único do artigo 56, do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999) e também no §2º do artigo 12A: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Art.12A.... ... § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 164 7 pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Vejase que os dispositivos não estabelecem o momento do pagamento do honorário dedutível. Falase em despesas necessárias para o recebimento do rendimento, sendo cediço que, em geral, acertase parte dos honorários no momento do ajuizamento da ação e outra parte por ocasião da decisão final. Só seria dedutível aquele pago no anocalendário do recebimento do rendimento? Não me parece que seja esse o entendimento da norma, bastando a comprovação da vinculação entre o rendimento e o honorário pago, ou seja, que aquele honorário foi pago para receber aquele rendimento. Nesse sentido, a RFB orienta no Manual de Perguntas e Respostas do Exercício 2011, ora em análise, em seu item 415: HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PAGOS EM OUTROS EXERCÍCIOS 415 Em qual anocalendário são deduzidos, na Declaração de Ajuste Anual, os honorários advocatícios pagos em ano calendário posterior ou anterior àquele em que os rendimentos decorrentes de decisão judicial foram recebidos? Os honorários advocatícios devem ser deduzidos no ano calendário em que os rendimentos decorrentes de decisão judicial foram recebidos, e informados na ficha de Doações e Pagamentos Efetuados da Declaração de Ajuste Anual nos anos calendário em que tais honorários forem pagos. No caso, entendo que a prestação de contas de fl. 6, o recibo de fl.7 a petição inicial indicando o patrono da ação (fl.90), que vem a ser o emitente da prestação de contas, e o RPV (fl.135) se revelam hábeis a comprovar que os honorários em questão, no montante de R$4.080,00, estão associados aos rendimentos acumulados recebidos e objeto da autuação, sendo de se reconhecer ao contribuinte o direito a sua dedução. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento, para determinar o recálculo do imposto devido aplicando aos rendimentos tidos por omitidos o regime de tributação previsto no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 1988, considerando que estão associados a 69 (sessenta e nove) competências e deduzindo dos rendimentos os honorários advocatícios pagos, no montante de R$4.080,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11080.727402/201432 Acórdão n.º 2002000.336 S2C0T2 Fl. 165 8 Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.721918/2015-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010, 2011
OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
É lícito à autoridade fiscal examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis.
PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
MULTA QUALIFICADA
Não tipificada e comprovada, pelo autuante, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, há de se reduzir a multa de ofício qualificada de 150% para a multa de ofício regular de 75%.
LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP e ISS
O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.
Numero da decisão: 1201-002.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011 OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito à autoridade fiscal examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. MULTA QUALIFICADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 19 18 /2 01 5- 61 Fl. 769DF CARF MF 2 Não tipificada e comprovada, pelo autuante, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, há de se reduzir a multa de ofício qualificada de 150% para a multa de ofício regular de 75%. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS CSLL, PIS, Cofins, CPP e ISS O decidido em relação ao IRPJ aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida (efls.665/685) que transcrevo a seguir: O litígio decorre de impugnação apresentada pelo sujeito passivo de que trata o presente processo contra a lavratura do Auto de Infração e Notificação Fiscal do Simples Nacional, fls. 03/174, no valor total de R$ 412.163,75, incluindo multa e juros de mora. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05, foi a apurada a infração descrita a seguir. 01 – Omissão de Receitas – Depósitos ou Investimentos em Instituições Financeiras com Origem não comprovada O Termo de Verificação Fiscal, fls. 180/188, descreve a infração nos seguintes termos (grifos acrescidos): No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, com base na legislação do SIMPLES NACIONAL, alterada pela Lei Complementar n° 139, de 10 de novembro de 2011, DOU de 11.11.2011, em relação ao sujeito passivo acima identificado, com base no art. 33 da Lei Complementar n° 123/2006, bem como (de forma subsidiária) nos arts. 835, 841, 844, 904, 905, 911, 918, 927 e 928 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), Resolução CGSN N° 94, de 29 de novembro de 2011, e atendendo às Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 3 3 determinações contidas no Mandado de Distribuição de Procedimento Fiscal, então Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização MPF, acima especificado, para procedimentos de auditoria fiscal, CONSTATAMOS receitas mensais omitidas oriundas de créditos não comprovados, relativos aos anos calendário 2010 a 2012, conforme os fatos descritos a seguir e corroborados pelos documentos integrantes deste processo. Primeiramente cabe destacar que a descrição dos fatos no presente termo e em toda documentação apresentada durante os procedimentos fiscais, bem como as planilhas demonstrativas de apuração dos tributos devidos reportamse aos anoscalendário 2010 a 2012. Entretanto para atender o disposto na legislação de apuração do crédito tributário, o auto de infração e processo desta ação fiscal acima referida reportamse somente às informações prestadas na Declaração Anual do Simples Nacional DASN dos anoscalendário de 2010 e 2011. Sendo que o auto de infração e o processo referentes às informações prestadas nos Programas Geradores dos Documentos de Arrecadação do Simples Nacional – Declaratório PGDASD dos meses do anocalendário de 2012 estão consolidados sob a ação fiscal n° 01706106000000000010578201504 a qual é parte também deste procedimento fiscal. A emissão de ações fiscais, autos e processos distintos, um até anocalendário 2011 (DASN) e outro a partir de 2012 (PGDAS D), oriundos de um mesmo procedimento fiscal teve por objetivo atender a regulamentação do manual do SIMPLES NACIONAL ocorrida somente a partir de agosto de 2015 devido às restrições na emissão de autos incluindo esses períodos até esta data. Ressalto que o trabalho objeto desta fiscalização foi oriundo da seleção dos contribuintes investigados na denominada "Operação Metástase" deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal do Brasil, junto a empresas e pessoas físicas investigadas por vários crimes (em tese) cometidos em prestações de serviços junto a prefeituras de nossa região, tendo sido, inclusive, aberto por decisão judicial o sigilo fiscal e bancário, que resultou na prisão, busca e apreensão em diversas residências, empresas e prefeituras, entre outros locais, culminando em vários processos de investigação por envolvimento em práticas delituosas, inclusive crime de sonegação fiscal. 1. No trabalho em questão, após análise de movimentação financeira expressiva da empresa e muito divergente dos valores das receitas informadas pela mesma nas declarações do Simples Nacional, aprofundamos nos serviços prestados e identificamos em todos os períodos fiscalizados vários créditos que a fiscalizada intimada a esclarecer a origem com documentos hábeis e idôneos, sendo que a maior parte nenhum esclarecimento e comprovação foi apresentada. Essa atitude e forma praticada pela fiscalizada caracteriza a intenção clara de não informar, não apurar e não pagar valores Fl. 771DF CARF MF 4 devidos aos Cofres Públicos. Cabe ressaltar que no caso em questão não se trata de uma simples omissão ou esquecimento em um mês ou outro, mas uma forma sistemática e reiterada em todos os anos de 2010, 2011 e 2012 fiscalizados. (...) Através do termo de intimação e reintimação fiscal, ciência em 03/10/2014, a empresa foi novamente intimada a apresentar os extratos de todas as contas bancárias dos períodos e ainda reintimada a apresentar o Livro Caixa dos mesmos períodos em meio magnético conforme solicitação no termo anterior. Em 13/10/2014 a interessada protocolou pedido de prorrogação de mais 10 (dez) dias e entrega de CD contendo os Livros Caixa dos períodos. Em 22/10/2014 solicitou que lhe fosse concedida nova dilação do prazo por mais 90 (noventa) dias. Por meio do Termo de Constatação de 29/10/2014, levamos ao conhecimento da fiscalizada, pessoalmente, que o prazo que as instituições bancárias necessitam para entrega dos extratos bancários aos seus clientes é no máximo 10 (dez) dias e que referidos extratos já compõem a documentação de sua escrituração contábil e fiscal. Ainda levamos ao conhecimento da mesma: (...) Em 19/12/2014 foi requerida anuência para a emissão da Requisição sobre Movimentação Financeira RMF aos bancos que a empresa possuía movimentação bancária, uma vez que o mesmo não apresentou os extratos bancários solicitados pela fiscalização, acrescentando ainda o fato de existir autorização judicial permitindo acesso à Receita Federal do Brasil dos dados de suas contas bancárias, conforme destaque na própria solicitação. Apresentados os arquivos magnéticos dos extratos bancários pelas instituições financeiras, trabalhamos, basicamente, o confronto dos créditos bancários e escrituração dos livros e documentos. (...) A planilha um demonstra os valores mensais extraídos do cotejamento dos créditos bancários e receitas de serviços prestados informadas nas DASN e DEFISC. A coluna 2 discrimina as receitas escrituradas e informadas nas declarações do SIMPLES NACIONAL. A coluna 3 informa a somatória dos créditos transportados da planilha 3, oriundos dos registros da movimentação bancária que a mesma não esclareceu e não comprovou a origem dos recursos com documentação hábil e idônea, considerando as respostas e esclarecimentos apresentados durante os trabalhos, especialmente, a resposta datada de 05/05/2015 e suas planilhas. A planilha 3 discrimina ainda todos os créditos trabalhados em conformidade com as respostas apresentadas pela interessada. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 4 5 (...) Conforme já exposto o art. 34, da Lei Complementar n° 123/2006, prescreve que aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. Como a empresa é optante pelo Simples Nacional, as omissões de receitas de créditos bancários, intimados individualizadamente e não comprovados, devem ser tributados pela sistemática do artigo 42 da Lei 9.430/96. (...) Em relação aos valores discriminados na planilha 2 oriundos dos créditos intimados e não comprovados a origem dos recursos, a grande maioria nenhum esclarecimento e/ou documento foi apresentado, conforme se verifica nas próprias planilhas apresentadas em 31/03/2015 e 05/05/2015 e transposta para a planilha 3 dos créditos trabalhados. Em alguns créditos a empresa apresentou algumas alegações, mas nenhum documento foi apresentado conforme indicados na própria planilha 3. Já parte dos créditos oriundos de recebimento de receitas por serviços prestados, declarada, escriturada e devidamente indicados e esclarecidos os respectivos créditos nas planilhas respostas foram considerados e comprovados e excluídos, conforme indicados “Comprovados ou Não Comprovados” em coluna da mesma planilha 3 dos créditos trabalhados. Portanto a coluna 3 da planilha 1 discrimina mensalmente os créditos de origem não comprovada, oriundos da planilha 2 que discrimina, individualizadamente, os créditos que a interessada não apresentou comprovação da origem dos recursos. As diferenças mensais serão transferidas para o auto de infração do Simples Nacional e a devida apuração dos valores devidos com multa lançada e acréscimos legais conforme disposto na legislação em destaque no próprio auto de infração. (...) V Da multa de ofício qualificada Ressalto mais uma vez que o trabalho objeto desta fiscalização foi oriundo da seleção dos contribuintes investigados na denominada “Operação Metástase” deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal do Brasil, junto a empresas e pessoas físicas investigadas por vários crimes (em tese) cometidos em prestações de serviços junto a prefeituras de nossa região, tendo sido, inclusive, aberto por decisão judicial o sigilo fiscal e bancário e que resultou na prisão, busca e apreensão em diversas residências, empresas e prefeituras, entre outros locais, culminando em vários processos de investigação Fl. 773DF CARF MF 6 por envolvimento em práticas delituosas, inclusive crime de sonegação fiscal. (...) Conforme já exposto o art. 34, da Lei Complementar nº 123/2006, prescreve que aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. Como a empresa é optante pelo Simples Nacional, as omissões de receitas de créditos bancários, intimados individualizadamente e não comprovados, devem ser tributados pela sistemática do artigo 42 da Lei 9.430/96. (...) No procedimento em questão, após análise de movimentação financeira expressiva da empresa e muito divergente dos valores das receitas informadas pela mesma nas declarações do Simples Nacional, aprofundamos nos serviços prestados e identificamos em todos períodos fiscalizados vários créditos que a fiscalizada intimada a esclarecer a origem com documentos hábeis e idôneos, a maior parte nenhum esclarecimento e comprovação foi apresentada. Do total dos serviços prestados nos períodos da fiscalização foi apurada receita total no valor de R$ 6.069.382,30, sendo o total de R$ 1.824.149,72 de omissão de receitas oriundos de créditos de origem não comprovada e no mesmo período informou nas declarações do Simples Nacional R$ 4.245.232,62, conforme discriminado na própria planilha 1. Essa atitude e forma praticada pela fiscalizada caracteriza a intenção clara de não informar, não apurar e não pagar valores devidos aos Cofres Públicos. Cabe ressaltar que no caso em questão não se trata de uma simples omissão ou esquecimento em um mês ou outro, mas uma forma sistemática e reiterada em todos os anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, fiscalizados. Os valores decorrentes das omissões mensais e diferenças das bases de cálculo ou diferenças de alíquotas aplicarseão as multas lançadas conforme a RESOLUÇÃO CGSN Nº 94, DE 29 DE NOVEMBRO DE 2011, que dispõe sobre o Simples Nacional, na Subseção V – Das Infrações e Penalidades, menciona nos arts. 86 e 87 o seguinte: (...) Conforme já exposto o art. 34, da Lei Complementar nº 123/2006, prescreve que aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. Como a empresa é optante pelo Simples Nacional, as omissões de receitas de créditos bancários, intimados individualizadamente e não comprovados, devem ser tributados pela sistemática do artigo 42 da Lei 9.430/96. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 5 7 (...) Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 06/11/2015, a pessoa jurídica autuada apresentou impugnação em 07/12/2015, fls. 540/566, contrapondose ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. a) preliminarmente, na forma do art. 16, inciso IV do Decreto n.° 70.235/72, sejam os autos baixados em diligência para que a Delegacia da Receita Federal de origem, apresente na íntegra a suposta decisão mencionada no Termo de Verificação Fiscal e Termo de Intimação Fiscal 3 de 12.03.2015. O que se requer justificase pelas razões expostas no item 3.1 e 3.2, uma vez que a referida decisão não foi juntada aos autos, com a ciência inequívoca da empresa Recorrente, de modo a comprovar que de fato restou autorizado judicialmente o acesso à sua movimentação financeira e bancária e, com isso proceder a presente autuação fiscal. b) declarar a nulidade da autuação fiscal, uma vez que: b.l) não foi assegurado à Recorrente o acesso a decisão judicial que deferiu o afastamento do sigilo fiscal e bancário, ainda que pela sua transcrição na íntegra na intimação e termo de verificação fiscal, de modo a assegurar um mínimo de certeza de a referida decisão de fato foi proferida contra si e com isso poder exercer o seu legítimo direito de defesa e do contraditório, e com isso poder analisar se não se tratou de um ato nulo, violando com isso os princípios da ampla defesa, contraditórios e devido processo legal. b.2) ademais disso, a suposta decisão não conferiu a Fiscalização Tributária autorização judicial para apurar a existência de suposto crédito tributário a ser constituído pelo lançamento de ofício, sendo manifesta a violação ao art. 330 do Código Penal e aos incisos X, XII, LIV e LV do art. 5o. e no inciso IV do § 4o do art. 60, ambos da CF/88. b.3) por fim, constituindo o direito ao sigilo bancário é uma garantia constitucional que não pode sofrer restrições por ato exclusivo da Administração Tributária, sendo necessário a autorização judicial para a quebra do sigilo bancário, o que, no entanto, não foi observado no caso, resta evidente a violação aos incisos X, XII, LIV e LV do art. 5o, inciso IV, do § 4o, do art. 60, ambos da CF/88 sendo inconstitucional o art. 6o da Lei Complementar n.° 105/2001 e ao art. Io da Lei n.° 10.174/2001, que assim conferiram poderes à administração tributária federal para o acesso indiscriminado à movimentação financeira e bancária dos contribuintes. c) reconhecer a ilegalidade da autuação com base em depósitos bancários, consoante permite o art. 42 da Lei n.° 9.430/96, haja vista que estes não revelam a existência de renda tributável para fins do que enuncia o art. 43 c/c art. 110 do Código Tributário Nacional. Fl. 775DF CARF MF 8 Ademais, o art. 42, da Lei n.° 9.430/96, é incompatível com o art. 146, inciso III, alínea b da CF/88, para quem o fato gerador de determinado tributo somente pode ser definido por meio de lei complementar, no caso o CTN. d) reconhecer que não se fazem presentes os pressupostos previstos no art. 86 c 87, inciso II da Resolução CGSN n.° 94, de 29.11.2011, para a aplicação de multa no percentual de 150% da exação fiscal, consoante demonstrado no item 3.3 da presente impugnação, além de estar em total afronta aos princípios do não confisco, da proporcionalidade e do direito de propriedade, violados no caso dos autos. d) (sic) por fim, e considerando o disposto no art. 543B do CPC c/c com os §§ 1ºo e 2o do art. 62 do Regimento Interno do CARF, requer o sobrestamento do presente processo até ulterior decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal nos autos dos Recursos Extraordinários n.° 601.314/RG e 736.090/SC, de modo a evitar decisões conflitantes contraditórias, já que tais recursos aguardam pronunciamento do referido Tribunal em questões semelhantes a tratadas nos presente autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE (3ª Turma da DRJ/FOR) julgou improcedente a Impugnação em decisão proferida no Acórdão nº 0836.915, de 18 de agosto de 2016, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito à autoridade fiscal examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS, DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 6 9 Anocalendário: 2010, 2011 MULTA CONFISCATÓRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. 1. A vedação constitucional é para a utilização de tributo com efeito confiscatórios e não da multa, que tem natureza sancionatória. 2. As multas de ofício pecuniárias vinculadas aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil têm sede em lei ordinária federal, sendo de aplicação obrigatória por parte da autoridade lançadora e observância pelas autoridades julgadoras que compõem o contencioso administrativo. A empresa tomou ciência da referida decisão, conforme o Aviso de Recebimento, efls.731, em 08/09/2016, e, interpôs Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), efls.734/764, em 06/10/2016, conforme carimbo de postagem pelos Correios em 06/06/2016 e recepcionado pela DRF/Varginha/MG, conforme envelope com carimbo datado de 10/10/2016 (efl.764 juntado ao Recurso Voluntário. A Recorrente no Recurso Voluntário repisa, no essencial, os mesmos argumentos despendidos na impugnação, no que diz respeito aos seguintes tópicos: A) DA AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS VÁLIDOS PARA A OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DA RECORRENTE. B) DA IMPOSSIBILIDADE DE SE CARACTERIZAR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMO RENDA TRIBUTÁRIO PARA FINS DO ART. 43 DO CTN. C) DA AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS PARA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA NO PERCENTUAL DE 150% DA EXAÇÃO. DOS PEDIDOS preliminarmente, seja determinado o sobrestamento do presente processo até ulterior decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal nos autos dos Recursos Extraordinários n.° 736.090/SC que, como visto, aguarda pronunciamento do referido Tribunal em questão semelhante a tratada nos presentes autos. a nulidade da presente autuação fiscal, uma vez que ausente os pressupostos válidos para a obtenção dos dados bancários que embasaram a exação, pois, na espécie dos autos, ante aos fundamentos acima declinados, restou evidente que não havia qualquer "procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis " . a ilegalidade da autuação com base em depósitos bancários, consoante permite o art. 42 da Lei n.° 9.430/96, haja vista que estes não revelam a existência de renda tributável para fins do que enuncia o art. 43 c/c art. 110 do Código Tributário Nacional e art. 146, inciso III, alínea b da CF/88. reconhecer que não se fazem presentes os pressupostos previstos no art. 86 e 87, inciso II da Resolução CGSN n.° 94, de 29.11.2011 e art. Fl. 777DF CARF MF 10 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/64, para a aplicação de multa no percentual de 150% da exação fiscal. Além disso, a penalidade aplicada não atende aos princípios do não confisco, da proporcionalidade e do direito de propriedade, todos violados no caso dos autos. Com efeito, a multa deve ser excluída ou, então, reduzida para o percentual de 20% (vinte por cento) da exação, na forma do art. 61 da Lei n.° 9.430/96. Finalmente requer provimento ao recurso voluntário. É o relatório Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário é tempestivo, de acordo com o Ato Declaratório Normativo (SRF) n° 19, de 26/05/1997, e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Os argumentos da defesa serão analisados na mesma ordem dos tópicos acima apresentados. A) DA AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS VÁLIDOS PARA A OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DA RECORRENTE. Apesar da extensa fundamentação descrita no acórdão recorrido para demonstrar que se torna despiciendo para o deslinde da questão a análise do inteiro teor da decisão judicial mencionada pelo autuante, haja vista que, independentemente de sua existência, a obtenção da movimentação bancária da autuada foi em consonância com a legislação vigente, a Recorrente insiste em sede de recurso voluntário nos mesmos argumentos despendidos na impugnação no sentido de que não tendo sido a contribuinte investigada na denominada "Operação Metástase" deflagrada pela Polícia Federal junto as empresas e pessoas físicas investigadas por vários crimes (em tese) cometidos em prestações de serviços junto a Prefeituras da região, nunca existiu qualquer decisão judicial que desse amparo a obtenção das informações na forma sustentada pela fiscalização. Argúi a Recorrente que, "Na espécie dos autos, se de fato havia a suposta "autorização judicial" para o acesso aos dados bancários da Recorrente, porque então, a referida decisão não veio acompanhada do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal que o fundamenta." Diz que somente com o amplo acesso ao conteúdo de uma decisão judicial que supostamente tenha autorizado a quebra do sigilo fiscal e bancário é que irá permitir ao contribuinte ter ciência de que a suposta decisão tenha sido proferida contra si. E mais importante, poder exercer o seu legítimo direito de defesa e do contraditório, e com isso poder analisar se não se tratou de um ato nulo. Conclui que, a circunstância de a Fiscalização Tributária estar investida da autorização judicial para o acesso a informações fiscais e bancárias e repassálas à Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 7 11 Autoridade Policial, não permite agir além do que restou autorizado pelo Poder Judiciário na decisão ora citada. E, ainda que a Recorrente estivesse listada na decisão citada pela Fiscalização, o que não se pode afirmar, como visto acima, constatase que não há legalidade ou licitude no ato praticado, eis que o acesso a sua movimentação financeira se deu por motivos diversos do ora pretendido na suposta decisão judicial. Sobre a obtenção das informações bancárias da empresa, desde o decorrer da ação fiscal a contribuinte vem questionando a existência de decisão judicial que autorize o procedimento fiscal, como bem se verifica em excertos da decisão recorrida, fls. 675, que se transcreve a seguir: Nesse sentido, observase que no Termo de Intimação Fiscal nº 03, datado 10/03/2015, fls. 392/393, o contribuinte alegou, fls. 406, que “a decisão que deferiu o afastamento do sigilo fiscal e bancário não conferiu a esta douta Delegacia da Receita Federal do Brasil autorização judicial para apurar a existência de suposto crédito tributário, a ser constituído pelo lançamento de ofício”. “O que ficou assentado, com clareza hialina, que não deixa espaço para dúvidas ou questionamentos, é o afastamento do sigilo bancário e fiscal especificamente para à apuração de infrações penais, sendo certo ainda, que após isso, a Receita Federal do Brasil deveria tão somente repassar/fornecer tais informações à Autoridade Policial, e nada mais”. O autuante faz referência no Termo de Verificação Fiscal e no Termo de Intimação nº 3, fls. 392/393, ao Mandado da 1a Vara Criminal, da Infância e Juventude e Cartas Precatórias da Comarca de Três Corações/MG a MM, em que a Juíza de Direito Aila Figueiredo, em decisão de 27 de junho de 2012 assim pronunciou: (...)Isto posto, AUTORIZO: A) o afastamento do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas abaixo listadas, a fim de que a Receita Federal do Brasil, por meio do sistema próprio, tenha acesso e repasse à autoridade Policial os dados e movimentações bancárias dos investigados, em todas as contas correntes, contaspoupança, aplicações financeiras mantidas por eles, bem como eventuais operações realizadas no exterior e valores movimentados entre as contas dos investigados, referente ao período de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012; B) o afastamento do sigilo fiscal das pessoas físicas e jurídicas abaixo listadas a fim de que a Receita Federal do Brasil tenha acesso e forneça à Autoridade Policial cópias das declarações do imposto de renda relativas aos anos calendários 2.009 a 2.012." Essa decisão da 1a Vara Criminal, da Infância e Juventude e Cartas Precatórias da Comarca de Três Corações/MG é o documento que a defesa alega não ter tido conhecimento em sua íntegra, e solicita a juntada aos autos, sob pena de nulidade do procedimento fiscal. Sobre a desnecessidade da cópia da predita decisão judicial para a obtenção da movimentação bancária tratada no presente processo, o acórdão recorrido, traz em seu bojo Fl. 779DF CARF MF 12 os fundamentos com os quais concordo, pelo que transcrevo seus termos (fls.676/677) conforme faculta o art.50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, e, os adoto como razão de decidir: De acordo com a fiscalização, a razão da requisição da emissão da RMF decorreu do fato de o contribuinte, embora por diversas vezes intimado durante o procedimento fiscal para apresentar os extratos de suas contas bancárias, não atendeu a contento. Nesse sentido, destacase o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal, fls. 181/182: Através do termo de intimação e reintimação fiscal, ciência em 03/10/2014, a empresa foi novamente intimada a apresentar os extratos de todas as contas bancárias dos períodos e ainda reintimada a apresentar o Livro Caixa dos mesmos períodos em meio magnético conforme solicitação no termo anterior. Em 13/10/2014 a interessada protocolou pedido de prorrogação de mais 10 (dez) dias e entrega de CD contendo os Livros Caixa dos períodos. Em 22/10/2014 solicitou que lhe fosse concedida nova dilação do prazo por mais 90 (noventa) dias. Por meio do Termo de Constatação de 29/10/2014, levamos ao conhecimento da fiscalizada, pessoalmente, que o prazo que as instituições bancárias necessitam para entrega dos extratos bancários aos seus clientes é no máximo 10 (dez) dias e que referidos extratos já compõem a documentação de sua escrituração contábil e fiscal. Ainda levamos ao conhecimento da mesma: (...)Porém em 14/11/2014 veio mais uma vez solicitar mais 60 (sessenta) dias para a entrega dos extratos bancários entre outras alegações. Em 19/12/2014 foi requerida anuência para a emissão da Requisição sobre Movimentação Financeira RMF aos bancos que a empresa possuía movimentação bancária, uma vez que o mesmo não apresentou os extratos bancários solicitados pela fiscalização, acrescentando ainda o fato de existir autorização judicial permitindo acesso à Receita Federal do Brasil dos dados de suas contas bancárias, conforme destaque na própria solicitação. Apresentados os arquivos magnéticos dos extratos bancários pelas instituições financeiras, trabalhamos, basicamente, o confronto dos créditos bancários e escrituração dos livros e documentos. Conforme documentos acostados aos autos às fls. 281/288, a obtenção das movimentações bancárias do contribuinte foi por intermédio da emissão de “Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF”, nos temos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001. Consta nas RMF anexadas ao processo o seguinte: “Esta RMF é indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3.724, de 2001”. Citese, exemplificativamente, nesse sentido, a RMF dirigida ao Banco do Brasil S/A, fls. 281. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 8 13 Com efeito, apesar de o autuante ter feito referência também à decisão da 1a Vara Criminal, da Infância e Juventude e Cartas Precatórias da Comarca de Três Corações/MG, as informações bancárias foram obtidas com base nos poderes conferidos pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724/2001, em decorrência do procedimento adotado pela empresa, em não fornecer os dados solicitados pela fiscalização. Desta forma, tornase despiciendo para o deslinde da questão a análise do inteiro teor da decisão judicial mencionada pelo autuante, haja vista que, independentemente de sua existência, a obtenção da movimentação bancária da autuada foi em consonância com a legislação vigente. (GRIFEI) A argumentação da Recorrente de que não há legalidade ou licitude no ato praticado, eis que o acesso a sua movimentação financeira se deu por motivos diversos do ora pretendido na suposta decisão judicial, não tem fundamento legal haja vista que, de acordo com o artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, em vigor, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, desde que iniciado o procedimento fiscal, como é o caso dos presentes autos. A obtenção de provas pelo Fisco junto à instituição financeira não constitui violação às garantias individuais asseguradas na Constituição Federal, nem quebra de sigilo, nem ilicitude, porquanto é um procedimento fiscal com amparo legal. Ademais a norma contida na Lei Complementar 105/01, permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de credito tributário, e, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não cabe o controle de constitucionalidade das leis, conforme, inclusive, dispõe a Súmula nº 02, verbis: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ressaltese que, o conhecimento que se tem sobre o RE 389.808/Paraná julgado pelo Supremo Tribunal Federal, é que, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, e que, a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. A conclusão que se impõe é que, é licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, Fl. 781DF CARF MF 14 independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001. É o caso. Não havendo a pessoa jurídica apresentado a documentação solicitada pela autoridade fiscal, não restara outra alternativa a não ser a Requisição da Movimentação Financeira às instituições bancárias. Portanto, razão não há para realização de diligência,e, mantida a decisão recorrida quanto a esse tópico em comento. B) DA IMPOSSIBILIDADE DE SE CARACTERIZAR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMO RENDA TRIBUTÁRIO PARA FINS DO ART. 43 DO CTN. A infração objeto do presente litígio corresponde à omissão de receitas caracterizada pela falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores creditados em conta corrente bancária em nome da autuada, conforme presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. No essencial, a Recorrente alega que a Fiscalização Tributária não provou que a autuada auferiu rendas, pois há apenas a presunção de que teria havido omissão de receita. Portanto, insuficiente para amparar o lançamento do imposto de renda, pois não configura o fato gerador desse imposto. Também pela dicção do art. 110, do CTN, a presunção contida no art. 42, da Lei n° 9.430/96 não pode alterar o conceito de renda ou de provento para neles incluir depósitos bancários. E que, erradamente o Fisco transferiu à contribuinte o encargo de apresentar eventuais provas. Diz que, no processo administrativo fiscal prevalece o princípio da verdade material ou real e não o princípio da verdade presumida. Por isso, incumbe à Autoridade Fiscal o dever de investigar, efetuar diligências, a fim de ser alcançada a verdade real. Por oportuno, convém registrar que a jurisprudência citada pela Requerente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta julgadora. Entendo que os argumentos trazidos pela defendente não devem prevalecer sobre a presunção de omissão de receita a partir dos depósitos bancários. Consta do Termo de Verificação Fiscal, pág.3, efls.180/189, que: por meio do termo de intimação fiscal 3, em 12/03/2015, a empresa foi intimada para, no prazo de 20(vinte) dias, Comprovar, individualmente, mediante documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos creditados nas contas bancárias (discriminados na Planilha dos Créditos a Comprovar com Documentos as Origens Anexo de 10 folhas) das instituições financeiras: Banco Bradesco S/A Contas:17965 e 3472, Banco do Brasil S/A Conta: 13.344 e CCR PEQ EMPR MICROEMPR (SICOOB) Conta: 100.5715; e que, no item III.1 Da planilha 1 demonstrativa dos créditos não comprovados e receitas mensais apuradas nos anoscalendário 2010 a 2012, a "coluna 3 informa a somatória dos créditos transportados da planilha 3, oriundos dos registros da movimentação bancária que a mesma não esclareceu e não comprovou a origem dos recursos com documentação hábil e idônea, considerando as respostas e esclarecimentos apresentados durante os trabalhos, especialmente, a resposta datada de 05/05/2015 e suas planilhas." Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 9 15 Como bem lembrado na decisão recorrida, a Lei 9.430/96 (art.42 e §§) operou uma significativa mudança no tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda. Inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas, sob pena de se sujeitar a autuação por acréscimo patrimonial a descoberto. É indispensável que, o contribuinte esclareça e comprove a origem dos recursos com documentação hábil e idônea. Sobre a matéria, a Lei 9.430/96 (art.42 e §§) assim disciplina o tratamento tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; ... Como se vê, caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. O dispositivo legal, inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas. A presunção criada a favor do fisco não afasta a tese de que, em princípio, depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos. Faz mister, porém, os esclarecimentos devidos com provas por parte do contribuinte e, na espécie, o Recorrente desperdiçou a oportunidade a ele concedida para tanto (termo de intimação fiscal 3, em 12/03/2015). Fl. 783DF CARF MF 16 Tratase, portanto, de presunção legal, onde a lei determina que, ocorrida a situação fática (créditos em conta de depósito sem comprovação de origem), podese presumir, até prova em contrário (esta a cargo do contribuinte), a ocorrência do fato a ser provado (omissão de receita). É preciso salientar que a Lei nº 9.430/96, ao contrário do procedimento aventado pela interessada/Recorrente, permite à autoridade fiscal perquirir junto ao contribuinte qual a origem daqueles depósitos ou investimentos existentes em suas contas bancárias sendo que a ausência da comprovação de sua origem faz presumir tratarse de omissão de receitas próprias da atividade da pessoa jurídica. As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica não oferecida à tributação. Ressaltese, de plano, que aqui não cabe a alegada necessidade de comprovação de renda por parte do Fisco, em face do artigo 43 e 142 do CTN. Os enunciados das súmulas abaixo são esclarecedores, portanto desnecessária outra explicação sobre o assunto, vejamos: Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada Súmula CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. Assim, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos utilizados em relação aos valores creditados nas contas bancárias discriminadas no Termo de Verificação Fiscal e, na ausência de tal comprovação foram os mesmos valores tributados como receita omitida, em consonância com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A Recorrente aduz também que não há como prevalecer o entendimento manifestado no v. acórdão recorrido, com o provimento do presente recurso voluntário para se reconhecer a ilegalidade e a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n.° 9.430/96. Sobre a manifestação da ilegalidade ou inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n.° 9.430/96, não cabe a esse órgão do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 desse E.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Enfim, considerando serem insuficientes os argumentos da Recorrente para afastar com segurança a autuação, haja vista que o contribuinte não apresentou documentos, no caso, da origem dos recursos, oportunizado, mais uma vez, ao contribuinte trazer aos autos a prova a ele incumbida por força do art.42 e §§ da predita Lei nº 9.430/96, não cabe a autoridade julgadora, por presunção, suprir o dever do contribuinte. Não tendo a autuada Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 10 17 comprovado a origem dos recursos utilizados nos depósitos, é de se manter a autuação ao concluir que os depósitos tiveram origem em recursos mantidos à margem da escrituração, portanto, considerados como omissão de receitas, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso voluntário, mantendo incólume os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP e ISS. DA AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS PARA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA NO PERCENTUAL DE 150% DA EXAÇÃO. A multa qualificada de 150% foi aplicada com fundamento no art. 44, inciso II, da Lei 9.430, de 1996, que reza que: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. A aplicação da multa qualificada, prevista no inciso II, pressupõe que seja comprovado o evidente intuito de fraude. A fraude, num sentido mais abrangente, consiste em uma ação ou omissão promovida com máfé, tendente a ocultar uma verdade ou a fugir de um dever. No caso da multa qualificada, o dispositivo legal acima (inciso II) faz menção aos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, a segui transcritos, definindo três situações distintas: sonegação, fraude e conluio: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 785DF CARF MF 18 Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. Nas três situações, há que ser caracterizado o dolo. Por sua vez, o conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do Decreto –lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. No que tange à aplicação da multa qualificada sobre os depósitos bancários de origem não comprovada, consta no Termo de Verificação Fiscal, item "IV Da multa de ofício qualificada" o seguinte: Ressalto mais uma vez que o trabalho objeto desta fiscalização foi oriundo da seleção dos contribuintes investigados na denominada “Operação Metástase” deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal do Brasil, junto a empresas e pessoas físicas investigadas por vários crimes (em tese) cometidos em prestações de serviços junto a prefeituras de nossa região, tendo sido, inclusive, aberto por decisão judicial o sigilo fiscal e bancário e que resultou na prisão, busca e apreensão em diversas residências, empresas e prefeituras, entre outros locais, culminando em vários processos de investigação por envolvimento em práticas delituosas, inclusive crime de sonegação fiscal. No procedimento em questão, após análise de movimentação financeira expressiva da empresa e muito divergente dos valores das receitas informadas pela mesma nas declarações do Simples Nacional, aprofundamos nos serviços prestados e identificamos em todos períodos fiscalizados vários créditos que a fiscalizada intimada a esclarecer a origem com documentos hábeis e idôneos, a maior parte nenhum esclarecimento e comprovação foi apresentada. Do total dos serviços prestados nos períodos da fiscalização foi apurada receita total no valor de R$ 6.069.382,30, sendo o total de R$ 1.824.149,72 de omissão de receitas oriundos de créditos de origem não comprovada e no mesmo período informou nas declarações do Simples Nacional R$ 4.245.232,62, conforme discriminado na própria planilha 1. Essa atitude e forma praticada pela fiscalizada caracteriza a intenção clara de não informar, não apurar e não pagar valores devidos aos Cofres Públicos. Cabe ressaltar que no caso em questão não se trata de uma simples omissão ou esquecimento em um mês ou outro, mas uma forma sistemática e reiterada em todos os anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, fiscalizados. ... GRIFEI O autuante apenas ressalta que "o trabalho objeto desta fiscalização foi oriundo da seleção dos contribuintes investigados na denominada “Operação Metástase” deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal do Brasil, junto a Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10660.721918/201561 Acórdão n.º 1201002.343 S1C2T1 Fl. 11 19 empresas e pessoas físicas investigadas por vários crimes (em tese) cometidos em prestações de serviços junto a prefeituras de nossa região...culminando em vários processos de investigação por envolvimento em práticas delituosas, inclusive crime de sonegação fiscal, mas não especifica se a prática da conduta da contribuinte, restou tipificada no art. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4502/64 a ensejar a situação de fraude, sonegação ou conluio. O autuante descreve, no Termo de Verificação Fiscal, fatos que dão fundamento ao lançamento de ofício, e que a tributação se deu por presunção legal de omissão de receitas, em virtude de receitas apuradas pelo Fisco decorrentes dos depósitos bancários de origem não comprovada em nome da pessoa jurídica. Verificase que, no caso concreto dos presentes autos, a infração baseouse no fato de ter a autoridade lançadora verificado a omissão de rendimentos, por presunção legal, provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada. Vêse que a justificativa para a aplicação da multa qualificada foi em razão do contribuinte ter omitido informações relativas aos períodos de 2010 e 2011, porém não ficou claramente caracterizada a ocorrência da fraude ou simulação por parte do contribuinte. Ressaltase que a omissão de rendimentos resultante de omissão de informações, por si só, não dá causa à qualificação da multa de ofício. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir fraude ou simulação. Fazse necessária a tipificação pela autoridade administrativa da conduta do contribuinte se caracterizada a ocorrência de fraude ou simulação com sua própria definição legal. Ou seja, o autuante não descreveu os elementos qualificadores da conduta tipificada nos artisgos 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64, não diz qual a conduta do contribuinte (fraude, sonegação ou conluio) se tipificada no artigo 71, 72 ou 73. A esse propósito, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já consolidou seu entendimento, verbis: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Dessa forma, não tipificada e comprovada, pelo autuante, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, há de se reduzir a multa de ofício qualificada de 150% para a multa de ofício regular de 75%. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS CSLL, PIS e Cofins PIS, Cofins, CPP e ISS O decidido em relação ao IRPJ aplicase às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de voluntário para desqualificar a multa de ofício reduzindoa de 150% para a multa de ofício regular de 75%. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 787DF CARF MF 20 Fl. 788DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.721163/2010-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAC¸A~O. DENU´NCIA ESPONTA^NEA. COMPENSAC¸A~O.
A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário.
Numero da decisão: 9101-003.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Nelso Kichel (suplente convocado) e Rafael Vidal de Arau´jo, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Lui´s Fla´vio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Fla´vio Franco Corre^a.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Nelso Kichel (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 11 63 /2 01 0- 36 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10380.721163/201036 Acórdão n.º 9101003.689 CSRFT1 Fl. 247 2 convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em que figura como interessado M DIAS BRANCO S.A. INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS (doravante “contribuinte” ou “recorrido”). O recurso especial versa sobre a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, por meio de compensação tributária. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA. O objetivo do artigo 138 do CTN é estimular o contribuinte infrator a colocarse em situaca̧õ de regularidade, resgatando as pendências deixadas e ainda desconhecidas por parte do Fisco, com o que recebe o que lhe deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Não há diferença entre regularizar débito mediante pagamento ou compensação. Sob os aspectos jurídicos os dois institutos aqui referidos tem̂ por finalidade a satisfaçaõ e quitação de obrigação pendente. A PFN, então, interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação quanto à possibilidade de configuração de denúncia espontânea por meio de compesanção tributária (efls. 187 e seg.), o qual foi admitido por despacho (efls. 198 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, em que, embora não se oponha ao conhecimento do recurso especial, requer lhe seja negado provimento (efls. 208 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. O presente caso exige que se compreenda a hipótese de incidência do art. 138 do CTN, especialmente quanto à exigência de extinção do crédito tributário por meio de “pagamento” ou de “compensação”. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10380.721163/201036 Acórdão n.º 9101003.689 CSRFT1 Fl. 248 3 O art. 138 do CTN possui a seguinte redação: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontan̂ea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infracã̧o. O núcleo da presente discussão consiste em saber se o termo “pagamento”, adotado pelo art. 138 do CTN (acima sublinhado), tem o sentido restritíssimo de “quitação em dinheiro” ou se contempla acepcã̧o mais ampla de adimplemento, abarcando, no caso, a compensação tributária. De início, é necessário observar que o legislador nem sempre utiliza o vocábulo “pagamento” no sentido de quitação em dinheiro, valendose deste em sua acepção mais ampla de adimplemento. É o que se verifica em variados exemplos colhidos tanto de leis ordinárias como de leis complementares, conforme se passa a analisar antes de adentrar ao mérito em si do art. 138 do CTN. Primeiramente, notese a redação do art. 150 do CTN: Art. 150. O lanca̧mento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Notese que o CTN utilizou a dicçaõ “antecipar o pagamento” no sentido de antecipar o adimplemento sem prévio exame da autoridade administrativa. Não há dúvidas que o contribuinte, mediante declaracã̧o e compensacã̧o regularmente levadas a termo, irá consumar o típico “lançamento por homologação” tutelado pelo art. 150 do CTN. Nesse sentido, merecem destaque os seguintes julgados, proferidos pela Primeira e Segunda Turma do STJ, que consideram indiferente o adimplemento darse mediante pagamento em dinheiro ou compensação tributária para a incidência do art. 150 do CTN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ART. 74 DA LEI 9.430/96. MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS: LEI 10.637/02 E LEI 10.833/03. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NOV/1998. INDEFERIMENTO ADMINISTRATIVO DA COMPENSAÇÃO. MAI/05. TRANSCURSO DE PRAZO SUPERIOR AO QUINQUÊNIO LEGAL. ART. 150, §4o, DO CTN. HOMOLOGAÇAÕ TÁCITA. PAGAMENTO ANTECIPADO. 1. No caso concreto, o crédito tributário foi constituído na data do protocolo do pedido de compensaca̧õ (10/11/1998), por força do §4o do art. 74 da Lei n. 9.430/96. Logo, como até maio de 2005, a Administração não havia se manifestado sobre o referido pleito, ocorreu a homologação tácita prevista no §4o do art. 150 do CTN. 2. Recurso especial provido. (STJ, REsp 1320994/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/10/2014, DJe 22/10/2014) Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10380.721163/201036 Acórdão n.º 9101003.689 CSRFT1 Fl. 249 4 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. CREDITAMENTO INDEVIDO. PAGAMENTO PARCIAL. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. ART. 150, § 4o, DO CTN. 1. O prazo decadencial para o lanca̧mento suplementar de tributo sujeito a homologação recolhido a menor em face de creditamento indevido é de cinco anos contados do fato gerador, conforme a regra prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Precedentes: AgRg nos EREsp 1.199.262/MG, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seçaõ, DJe 07/11/2011; AgRg no REsp 1.238.000/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, SEGUNDA TURMA, DJe 29/06/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1318020/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/08/2013, DJe 27/08/2013) Prosseguindo a análise ora empreendida, verificase que o mesmo se verifica, por exemplo, em relação ao art. 9o, § 2º, da Lei n. 9.532/97. Esse enunciado prescritivo estabelece, em seu caput, que, “à opção da pessoa jurídica, o saldo do lucro inflacionário acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, poderá ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento”. Para que essa opção fosse exercida, o legislador requereu a sua manifestação mediante o adimplemento do tributo correspondente, em quota única. Não há sinais de que o legislador procurou se referir a quitação em dinheiro, mas sim às hipóteses que legitimamente conduzam ao adimplemento da obrigaçaõ, como é o caso da compensação. Esse foi precisamente o entendimento adotado por esta 1ª Turma da CSRF, em julgamento recente sobre o tema: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2004 SALDO ACUMULADO DE LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INTEGRAL EM COTA ÚNICA. COMPENSAÇÃO. À opção da pessoa jurídica, o saldo do lucro inflacionário acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, poderia ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento (Lei n. 9.532/1997, art. 9º). Exercício da opção mediante o adimplemento do valor correspondente. A regular compensação, assim como a regular quitação em dinheiro, era meio hábil para o exercício da opção. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF n. 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização. (CSRF, 9101002.352, 14/06/2016) Adentrando no mérito do presente recurso, verificase que, tal como se dá com os outros dispositivos citados, incluindo o art. 150 do CTN, embora o art. 138 do CTN, textualmente adote o termo “pagamento”, não procura restringir o instituto da denúncia espontânea às hipóteses de quitação em dinheiro, requerendo o adimplemento em sentido amplo, o que inclui a compensação tributária. A Nota Técnica n. 1 COSIT, de 18.01.2012, posteriormente cancelada pela Nota Técnica no 1 COSIT, de 12.06.2012, chegou a reconhecer de ofício, com o propósito de Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10380.721163/201036 Acórdão n.º 9101003.689 CSRFT1 Fl. 250 5 colocar fim aos litígios sobre a matéria, o sentido amplo de “pagamento”, para abrager hipóteses de adimplemento como a “compensacã̧o”, in verbis: “18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontan̂ea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensacã̧o se equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como consequen̂cia, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. 18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, ao dar nova redaçaõ ao art. 6° da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento dado ao pagamento para efeito de redução das multas de lançamento de ofício. 18.2 Essa equiparaca̧õ do pagamento e compensação na denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista como método de integraçaõ da legislação pelo art. 108, I, do CTN. 18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras h e i do item 3 desta Nota Técnica: a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar concomitantes, aplicasse o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN” O entendimento esposado pela Nota Técnica n. 1 COSIT, de 18.01.2012 não merece reparo. Vale observar que a compensação efetuada pelo contribuinte possui efeito de pagamento, sob condição resolutória. Significa dizer que, se porventura a compensação não vier a ser homologada, perderá a eficácia a denúncia espontânea, com a exigência do débito tributário com a multa. Não obstante tratarse de matéria controversa, seja neste Conselho ou no e. STJ, é importante observar as decisões deste Tribunal que se alinham ao entendimento que acolho no presente voto. A Primeira e a Segunda Turma do STJ apresentam precedentes em que aplicam a norma do art. 138 do CTN de forma que o termo “pagamento” assuma a acepção de “adimplemento”. Conforme a interpretação levada a termo nos julgados a seguir, há denúncia espontânea mediante o adimplemento integral do débito tributário antes da ação fiscal, independentemente deste se dar mediante pagamento em dinheiro ou compensação: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PRESENÇA DE OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇAÕ ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO. TRIBUTO PAGO SEM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO ANTERIOR E ANTES DA ENTREGA DA DCTF REFERENTE AO IMPOSTO DEVIDO. 1. A decisão embargada afastou o instituto da denúncia espontânea, contudo se omitiu para o fato de que a hipótese dos autos, tratada pelas instan̂cias ordinárias, referese a tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo os ora embargantes recolhido o imposto no prazo, antes de qualquer procedimento fiscalizatório administrativo. 2. Verificase estar caracterizada a denúncia espontânea, pois não houve constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10380.721163/201036 Acórdão n.º 9101003.689 CSRFT1 Fl. 251 6 compensação de tributos. Ademais, a compensacã̧o efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar algum erro na operação de compensação. Nesse sentido, o seguinte precedente: AgRg no REsp 1.136.372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, DJe 18/5/2010. 3. Ademais, inexistindo prévia declaração tributária e havendo o pagamento do tributo antes de qualquer procedimento administrativo, cabível a exclusão das multas moratórias e punitivas. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (STJ, EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 11/09/2015) AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇAÕ. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido. (STJ, AgRg no REsp 1136372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/05/2010, DJe 18/05/2010, O mesmo entendimento tem sido adotado por este Tribunal administrativo, como se observa desta recente decisão da 1ª Turma Ordinaŕia da 4ª Câmara da 3a Seçaõ: CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF . Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, Crédito tributário antes não declarado à administraçaõ tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretaçaõ do Superior Tribunal de Justica̧ em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF. (Acórdão 3401002.706, Sessão de 21/08/2014) Nesse cenário, a norma do art. 138 do CTN não se aplica apenas às hipóteses de pagamento em dinheiro: a norma de denúncia espontânea incide igualmente em face de outras hipóteses em que haja equivalente adimplemento, como é o caso da regular compensação tributária. Não se trata de interpretaçaõ ampliativa ou restrintiva, mas de reconhecimento do âmbito de incidência prescrito pelo legislador. Não há que se falar, por conseguinte, de ofensa ao art. 111 do CTN. Por todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10380.721163/201036 Acórdão n.º 9101003.689 CSRFT1 Fl. 252 7 Luís Flávio Neto Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.900382/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte correspondem aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; (ii) confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte correspondem aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; (ii) confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte correspondem aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; (ii) confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/POA, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .9 00 38 2/ 20 08 -4 1 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11060.900382/200841 Resolução nº 3401001.416 S3C4T1 Fl. 3 2 Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 05290.34146.050204.1.3.049997 a compensação de débito de IRPJ (cód.2089) do período de apuração 4º Trim./2003 no valor de R$ 456,14 acrescido de multa R$ 7,53 e juros R$ 4,56 totalizando R$ 468,23 com crédito de PIS/PASEP (cód.8109) por recolhimento a maior que o devido no valor de R$ 417,50 do período de apuração 05/2003, data de arrecadação 13/06/2003, no valor de R$ 688,88. Do Despacho Decisório A DRF de Santa Maria/RS em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 24/04/2008, rastreamento nº 757800387 (efls.7), pela não homologação da compensação pretendida, em face da inexistência do crédito, pois o valor do DARF foi integralmente utilizado para quitação do PIS declarado para o período de apuração 05/2003. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.11), contendo apenas, em seu texto, o seguinte: “... demonstrar através de documentos e planilhas em anexo, como foram realizadas as compensações via per/dcomp, feita a verificação, entendemos que houve erro no preenchimento da ficha DÉBITO CSLL. Por outro lado, a referida empresa encontrase em situação regular perante a este órgão conforme se comprova na solicitação de pesquisa em anexo, com exceção de uma da parcela de n.2 do parcelamento n. 13047.000.287/200768, que segundo informações junto a Agência em Cachoeira do Sul, foi motivado pelo intervalo entre a formalização do parcelamento e do envio para a instituição financeira para débito em conta e outro pequeno valor de R$ 96,99. Ambos serão liquidados em breve”. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/POA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2003 DCTF. PREENCHIMENTO EQUIVOCADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. No final do voto o julgador faz menção à DIPJ da Contribuinte, que essa tem caráter meramente informativo e não se configura confissão de dívida, valendose para esse fim a DCTF, instituída pela IN SRF nº 129 de 1986. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.40) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, argumentando: (i) que efetuou pagamentos de valores a maior que o devido de Contribuição para o PIS/PASEP; (ii) que a empresa apurou o PIS/PASEP utilizando a alíquota Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11060.900382/200841 Resolução nº 3401001.416 S3C4T1 Fl. 4 3 de 1,65% e não a alíquota correta para aquele período de 0,65% e seu regime de tributação era o Lucro Presumido; (iii) faz juntada a título de prova cópia do Livro Diário, Razão, planilha demonstrativa dos créditos apurados correspondentes as diferenças entre alíquotas e cópia dos DARFs pagos; Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A questão central desses autos está voltada para a ausência de DCTF retificadora, de forma a evidenciar o crédito que a contribuinte alega ter, pelo recolhimento de valores de PIS/PASEP a maior que o devido, valendose de alíquota não apropriada para o regime de tributação adotado no ano de 2003. Sobre esse fato é esclarecedora a planilha produzida às fls.91: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11060.900382/200841 Resolução nº 3401001.416 S3C4T1 Fl. 5 4 Por outro lado foi juntado no processo cópia dos livros, Diário e Razão, com o intuito de provar a procedência do crédito declarado, através de seus registros contábeis. O acórdão recorrido faz referência a DIPJ que tem caráter meramente informativo e não para confissão de dívida, mas por ser de caráter informativo serve para confrontar dados com as demais declarações (DACON/DCTF). Quanto a citação de jurisprudência de negativa do indébito por falta de prova, não podendo a União ser condenada à restituição dos valores postulados, sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa, contrário senso, havendo o pagamento de tributo em valor a maior que o devido, a sua negativa traria enriquecimento sem causa ao erário. Por ser singelos os argumentos da contribuinte ao se manifestar nos autos, não lhe retira o direito de uma melhor apuração dos fatos diante das provas documentais carreadas ao processo, bem como de outras acessíveis ao fisco a esclarecer de forma convincente sobre a realidade dos créditos pleiteados. Quanto a forma de analisar os pedidos do contribuinte em Declaração de Compensação, reproduzo parte com destaque dos fundamentos do acórdão nº 9303005.095, de 16/05/2017, proferido em Recurso Especial pela 3ª Turma da CSRF: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11060.900382/200841 Resolução nº 3401001.416 S3C4T1 Fl. 6 5 1 confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte corresponde aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; 2 confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; 3 após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. Esgotado o prazo para manifestação, seja providenciado o retorno dos autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008386/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL COM IMÓVEL.
Configura alienação, para efeito de apuração do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, a transferência de imóvel de pessoa física a pessoa jurídica, a título de integralização de capital. Considera-se data de alienação do imóvel, em regra, aquela consignada no contrato social ou alteração contratual que estipular a formação ou aumento do capital com o imóvel.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL COM IMÓVEL. Configura alienação, para efeito de apuração do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, a transferência de imóvel de pessoa física a pessoa jurídica, a título de integralização de capital. Considera-se data de alienação do imóvel, em regra, aquela consignada no contrato social ou alteração contratual que estipular a formação ou aumento do capital com o imóvel. Recurso Voluntário Negado
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ALIENAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL COM IMÓVEL. Configura alienação, para efeito de apuração do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, a transferência de imóvel de pessoa física a pessoa jurídica, a título de integralização de capital. Considerase data de alienação do imóvel, em regra, aquela consignada no contrato social ou alteração contratual que estipular a formação ou aumento do capital com o imóvel. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 83 86 /2 00 9- 25 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.008386/200925 Acórdão n.º 2202004.742 S2C2T2 Fl. 191 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.008386/200925, em face do acórdão nº 1652.790, julgado pela 15ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo1 (DRJ/SP1), em sessão realizada em 19 de novembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 04/05 e 08/09, acompanhado dos demonstrativos de fls. 06/07 e termo de verificação de fls. 11 a 23, relativo ao imposto de renda sobre ganhos de capital na alienação de bens e direitos apurado no mês de junho de 2006, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 37.519,42, composto de: Conforme descrição dos fatos de fls. 08/09, a exigência decorreu da seguinte infração à legislação tributária: ganhos de capital na alienação de bens e direitos falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital – falta de recolhimento do imposto sobre ganhos de capital. Fatos geradores e valores tributáveis a fl. 08. Consta do citado Termo de Verificação Fiscal de fls. 12 a 23 que: a fiscalizada em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF, exercício 2007, anocalendário 2006, declarou o imóvel localizado à Rua Major Sólon no 168, Campinas/SP, e alienado / transferido a titulo de integralização de capital pelo valor de R$ 100.000,00, como adquirido pelo valor de R$ 12.500,00; a fiscalizada em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física – DIRPF, exercício 2007, ano calendário 2006, declarou o imóvel localizado à Rua Major Sólon n.º 172, Campinas/SP, e alienado / transferido a titulo de integralização de capital pelo valor de R$ 100.000,00, como adquirido pelo valor de R$ 12.500,00; a fiscalizada em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF, exercício 2007, anocalendário 2006, declarou o imóvel localizado à Avenida Anchieta no 675, Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.008386/200925 Acórdão n.º 2202004.742 S2C2T2 Fl. 192 3 Campinas/SP, e alienado / transferido a titulo de integralização de capital pelo valor de R$ 200.000,00, como adquirido pelo valor de R$ 50.000,00; a fiscalizada, conforme consta em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF, exercício 2007, anocalendário 2006, declarou a posse de 50% dos imóveis constantes dos itens 14, 15 e 16; conforme é observado, os referidos imóveis foram alienados / transferidos para a empresa JUQUEY PARTICIPAÇÕES LTDA, CNN no 08.091.679/000183, a titulo de integralização de capital , sendo que as pessoas físicas, conforme dispõe a legislação em vigor, arts.23 e 35 da Lei no 9.249/95, poderão a esse titulo, transferir para as pessoas jurídicas, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens, ou pelo valor de mercado, sendo que se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital; não houve nenhum recolhimento de imposto incidente sobre o ganho de capital por parte da fiscalizada a titulo de apuração de ganho de capital para a alienação/transferência dos imóveis retrocitados. Cientificada do lançamento em 13/07/2009 (AR a fl. 62), a autuada apresentou, em 11/08/2009 (vide fl. 65), a impugnação de fls. 64 a 65, por intermédio de procurador (procuração a fl. 80), acompanhada dos documentos de fls. 66 a 76, alegando que: para integralização do capital na JUQUEY PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n.º 08.091.679/000183 foram conferidos bens imóveis de propriedade dos sócios subscritores das quotas sociais, havendo somente transferência de propriedade das pessoas físicas para a pessoa jurídica, constituída pelas mesmas pessoas físicas, não ocorrendo na realidade alienação de tais bens, mas somente a conferência para integralização do capital social de empresa que administrará os mesmos bens imóveis; quando da elaboração do contrato social os valores considerados para integralização o foram transcritos de forma incorreta, ou seja, muito acima dos valores constantes na DIRPF da contribuinte e também acima dos valores venais existentes nos cadastros da Prefeitura Municipal de Campinas, quais sejam: a) Prédio residencial à Rua Major Sólon, n.º 172 Centro Campinas SP: > valor declarado na DIRPF R$ 12.500,00; > valor venal na PMC R$ 11.816,14 (50% 2006) ; Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.008386/200925 Acórdão n.º 2202004.742 S2C2T2 Fl. 193 4 > valor considerado para integralização do capital social: R$50.000,00. > VALOR CORRRETO PARA INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL: R$12.500,00; o contrato social foi retificado perante a JUCESP conforme alteração de 21/07/2009 passando o valor deste imóvel para integralização do capital social a ser de R$12.500,00; b) Prédio residencial a Rua Major Sólon, n°. 168 Centro Campinas SP: > valor declarado na DIRPF R$ 12.500,00; > valor venal na PMC R$ 11.720,56 (50% 2006); > valor considerado para integralização do capital social: R$50.000,00. > VALOR CORRETO PARA INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL: R$12.500,00 o contrato social foi retificado perante a JUCESP conforme alteração de 21/07/2009 passando o valor deste imóvel para integralização do capital social a ser de R$12.500,00; c) Prédio residencial Av. Anchieta, n°. 675 Centro Campinas SP: > valor declarado na DIRPF R$ 50.000,00; > valor venal na PMC R$ 181.106,45 (50% 2006) ; > valor considerado para integralização do capital social: R$100.000,00. > VALOR CORRETO PARA INTEGRALIZAÇÂO DO CAPITAL SOCIAL: R$ 50.000,00 o contrato social foi retificado perante a JUCESP conforme alteração de 21/07/2009 passando o valor deste imóvel para integralização do capital social a ser de R$ 50.000,00; justifica se plenamente a retificação dos valores tendo em vista que não houve alienação dos imóveis mas somente incorporação dos mesmos ao capital social da empresa constituída para administrálos e cujos sócios são os mesmos proprietários dos bens imóveis, não ocorrendo, portanto, nenhum ganho de capital.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim o crédito tributário lançado na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 108/120, reiterando, as alegações expostas em impugnação. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.008386/200925 Acórdão n.º 2202004.742 S2C2T2 Fl. 194 5 É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tratam os presentes autos sobre omissão de ganhos de capital obtidos na integralização de bens e direitos. Primeiramente, há que se deixar assente que a transferência de bens e direitos por pessoa física a pessoa jurídica, a título de integralização de capital, sujeitase à incidência do imposto de renda na forma de ganho de capital, consoante disposições do art. 3º, §§ 2º e 3º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, do art. 23 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, do art. 132 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), do art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, e do Parecer Normativo CST nº 18, de 22 de maio de 1981. No presente caso, há que se observar a disposição do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (…) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (…) (Grifouse) Ocorre que, pela norma legal supracitada, praticado o ato de ofício, no caso consubstanciado pelo Termo de Início de Fiscalização datado de 23/06/2009, (fls. 23/24), recebido em 25/06/2009 (fl. 25), houve exclusão de espontaneidade do sujeito passivo e, independente de intimação, dos demais envolvidos na infração verificada. Destacase que em 13/06/2006 ocorreu a integralização do capital social da pessoa jurídica Juquey Participações Ltda., conforme Instrumento Particular de Contrato Social de fls. 28 a 37, registrado na Jucesp em 22/06/2006, por meio dos seguintes bens, conforme consta do parágrafo 2º da cláusula 4ª do citado contrato. Tais operações foram devidamente registradas na DOI – Declaração sobre Operações Imobiliárias, conforme documentos de fls. 56, 58 e 60 e na declaração de ajuste anual do IRPF do anocalendário 2006, exercício 2007 (fls. 92 a 97). Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.008386/200925 Acórdão n.º 2202004.742 S2C2T2 Fl. 195 6 Do exposto, temse que a posterior alteração do Instrumento Particular de Contrato Social, formalizada em 21/07/2009 (fls. 69 a 79), reduzindo o valor do contrato social integralizado, sem identificação de registro na JUCESP, ocorreu somente após a ciência da lavratura do termo de início de fiscalização, ocorrida em 25/06/2009 (fl. 25) e, inclusive, após a ciência do auto de infração (ocorrida em 13/07/2009). Portanto, não surte os efeitos desejados para invalidação do lançamento ora guerreado. Salientase, por fim, conforme adequadamente referido no voto de primeira instância, que os valores venais dos imóveis não servem de base de cálculo para apuração do ganho de capital, visto que este se reporta aos valores pelos quais os bens foram efetivamente alienados/transferidos, enquanto que o valor venal diz respeito a um valor estimado pelo Poder Público e não ao valor de mercado, pelo qual os bens imóveis são efetivamente alienados/transferidos. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13014.720466/2016-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Somente podem ser deduzidos os pagamentos a título de despesas médicas, efetuados pelo contribuinte, relativos a seu próprio tratamento ou de seus dependentes.
Numero da decisão: 2001-000.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente podem ser deduzidos os pagamentos a título de despesas médicas, efetuados pelo contribuinte, relativos a seu próprio tratamento ou de seus dependentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 4. 72 04 66 /2 01 6- 93 Fl. 135DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014, anocalendário de 2013. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo a título de pensão alimentícia judicial/por escritura pública, no valor de R$ 23.952,18 e despesas médicas no valor de R$ 7.000,00. Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal, alegando, em síntese, que tanto a comprovação da obrigação alimentar por decisão judicial/escritura pública, como os comprovantes de pagamentos encontramse nos autos. Traz argumentos para sustentar a dedução de despesas médicas. Cita jurisprudência e doutrina para corroborar os seus argumentos. A DRJ Curitiba, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas deduções. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação e traz argumentos claros para sustentar o seu pleito. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de falta de comprovação de obrigação de pagar pensão alimentícia relativo ao exercício de 2015. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13014.720466/201693 Acórdão n.º 2001000.640 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese a dedução das despesas com pensão alimentícia a dois filhos do contribuinte. Em relação ao pagamento da pensão da Alice Marques, afirma a DRJ que não foi trazido aos autos nenhuma comprovação de que tal obrigação ainda persista. Nada mais foi anexado no sentido de comprovar a ausência de outros processos ou eventuais recursos que alterem ou extingam as condições constantes dos documentos apresentados. Seria possível e desejável a obtenção de Certidão de Objeto e Pé da ação alimentar, ou mesmo de certidão negativa da existência de outros processos extinguindo a obrigação. Ademais, conforme mencionado pela autoridade fiscal não há comprovação do efetivo desembolso dos valores informados pelo contribuinte em sua DAA a este título. O contribuinte não logrou, portanto, apresentar comprovantes do efetivo pagamento dos valores pleiteados como dedutíveis a título de pensão alimentícia. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, juntou o contribuinte todos os documentos necessários para comprovar a existência da obrigação ainda no ano de 2014, bem como a fática existência dos pagamentos. Em relação à alimentanda Eliane Rosalva Matos Marques, salienta a DRJ que ficou evidenciado o efetivo pagamento, haja vista a menção dos descontos em seu benefício nos Comprovantes de Rendimentos de fls 18/19. Entretanto, da mesma forma que no Fl. 137DF CARF MF 4 caso anterior, com base na documentação apresentada não é possível verificar/comprovar a manutenção ou mesmo a existência da obrigação de prestar alimentos. Mais uma vez, no caso desta alimentanda, também, restou comprovado em sede de Recurso Voluntário a obrigação judicial em pagar a mencionada pensão , bem como o efetivo desembolso. Neste diapasão, verificando a boa fé, o respaldo em decisão judicial e os argumentos trazidos pelo contribuinte, além das efetivas provas de comprovação do pagamento dos valores a título de pensão, entendo serem dedutíveis as despesas de pensão alimentícia incorridas pelo contribuinte. Mérito Despesas médicas Conforme verificouse nos autos do processo, o lançamento, no que diz respeito às despesas médicas, decorreu de glosa daquelas declaradas pelo contribuinte a este título, no valor total de R$ 7.000,00. A glosa ocorreu, tendo em vista que, após a apresentação da documentação solicitada quando da Intimação, a autoridade tributária considerou que a despesa com tratamento fisioterápico não teria sido devidamente comprovada. Em sua impugnação, o contribuinte alega que tais despesas teriam sido em função de tratamento domiliciar de fisioterapia, em um total de 100 sessões, realizadas durante o ano de 2013, no valor de R$ 70,00 cada. O recibo apresentado à fl. 22 seria a comprovação do pagamento por ele efetuado a este título. Em sede de Recurso Voluntário, junta também declaração emitida pelo profissional prestador dos serviços médicos, corroborando todos os pagamentos, o tratamento fisioterápico e contém todas as demais informações exigidas por lei tais como beneficiário, valor, credenciamento profissional do médico, endereço do médico e CPF. Sendo assim, entendo ter sido devidamente comprovada as despesas médicas em questão. Portanto, considero dedutíveis também tais despesas. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acolher a dedução com as despesas de pensão alimentícia e as despesas médicas em análise. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13014.720466/201693 Acórdão n.º 2001000.640 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 139DF CARF MF
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