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7471253 #
Numero do processo: 10073.720423/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PRELIMINAR. NULIDADE. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. FATOS GERADORES DISTINTOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Inocorre duplicidade de lançamentos, quando os fatos geradores são distintos. AUDITORIA FISCAL. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. O Fisco pode verificar fatos, operações e documentos passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, referentes a períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja, na apuração de lucro líquido ou real e compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de períodos não atingidos pela decadência. Os ajustes decorrentes desse procedimento somente podem implicar em alterações nos resultados tributáveis de períodos não decaídos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 LUCRO REAL ANUAL. IRPJ. PREJUÍZO FISCAL SALDOS ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Submetem-se à tributação os valores dos prejuízos fiscais, indevidamente compensados, se os documentos constantes dos autos demonstram que a pessoa jurídica não detém os saldos acumulados registrados nos livros LALUR. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 LUCRO REAL ANUAL. CSLL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDOS ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES. INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Submetem-se à tributação os valores das bases de cálculo negativas, indevidamente compensados, se os documentos constantes dos autos demonstram que a pessoa jurídica não detém os saldos acumulados registrados nos livros LALUR. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora.
Numero da decisão: 1402-003.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a alegação de decadência e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Relator e os Conselheiros Caio César Nader Quintella e Leonardo Luis Pagano Gonçalves que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor de mérito, o Conselheiro Evandro Correa Dias. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias- Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA

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1402­003.350  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de agosto de 2018  Matéria  APROVEITAMENTO DE PREJUÍZO  Recorrente  VOTORANTIM SIDERURGIA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006  PRELIMINAR.  NULIDADE.  DUPLICIDADE  DE  LANÇAMENTOS.  FATOS GERADORES DISTINTOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO.  Inocorre duplicidade de lançamentos, quando os fatos geradores são distintos.  AUDITORIA  FISCAL.  VERIFICAÇÃO  DE  FATOS,  OPERAÇÕES,  REGISTROS  E  ELEMENTOS  PATRIMONIAIS  COM  REPERCUSSÃO  TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE.  O Fisco pode verificar  fatos, operações e documentos passíveis de registros  contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, referentes a períodos de  apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no  futuro,  qual  seja,  na  apuração  de  lucro  líquido  ou  real  e  compensações  de  prejuízos fiscais e bases negativas de períodos não atingidos pela decadência.  Os  ajustes  decorrentes  desse  procedimento  somente  podem  implicar  em  alterações nos resultados tributáveis de períodos não decaídos.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006  LUCRO  REAL  ANUAL.  IRPJ.  PREJUÍZO  FISCAL  SALDOS  ACUMULADOS  DE  PERÍODOS  ANTERIORES.  INEXISTÊNCIA.  COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  Submetem­se  à  tributação  os  valores  dos  prejuízos  fiscais,  indevidamente  compensados,  se  os  documentos  constantes  dos  autos  demonstram  que  a  pessoa  jurídica  não  detém  os  saldos  acumulados  registrados  nos  livros  LALUR.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2006     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 23 /2 01 1- 19 Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 672          2 LUCRO  REAL  ANUAL.  CSLL.  BASE  DE  CÁLCULO  NEGATIVA.  SALDOS  ACUMULADOS  DE  PERÍODOS  ANTERIORES.  INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  Submetem­se  à  tributação  os  valores  das  bases  de  cálculo  negativas,  indevidamente  compensados,  se  os  documentos  constantes  dos  autos  demonstram  que  a  pessoa  jurídica  não  detém  os  saldos  acumulados  registrados nos livros LALUR.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO  A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à  incidência dos juros de mora.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  alegação  de  decadência  e,  no  mérito,  por  voto  de  qualidade,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  vencidos  o  Relator  e  os  Conselheiros  Caio  César  Nader  Quintella  e  Leonardo  Luis  Pagano Gonçalves que  davam provimento. Designado para  redigir  o  voto  vencedor de mérito,  o  Conselheiro Evandro Correa Dias.    (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente Substituto    (assinado digitalmente)  Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira ­ Relator      (assinado digitalmente)  Evandro Correa Dias­ Redator designado    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges,  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Sergio  Abelson  (Suplente  Convocado),  Leonardo  Luis  Pagano  Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros  (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).  Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 673          3 Relatório     Trata o presente processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  e  de  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  referente  ao  ano­ calendário de 2006, dos quais o interessado foi cientificado em 19/04/2011 (fl. 392). Sobre os  valores lançados incidiu multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e demais encargos  de juros moratórios.  Dado  preciso  relatório  realizado  pela  DRJ  transcrevo­o  em  sua  íntegra  complementando­o ao final no que necessário:   Os  autos  de  infração  lavrados  constam  às  fls.  375/391.  As  infrações  apuradas foram as seguintes:  IRPJ Compensação indevida de prejuízo fiscal efetuada no exercício 2007 –  ano­calendário  2006,  em  função  de  insuficiência  de  saldo  de  prejuízo  acumulado.  CSLL  Compensação  indevida  de  base  negativa  de  CSLL  efetuada  no  exercício 2007 – ano­calendário 2006, em função de  insuficiência de  saldo  de base negativa.       Consta do Termo de Constatação Fiscal, às fls. 372/374, o que segue:    COMPENSAÇÃO  EM  EXCESSO  DE  PREJUÍZO  FISCAL  E  DA  BASE  DE  CALCULO  NEGATIVA DA CSLL:     Segundo  a  fiscalização,  o  contribuinte  efetuou  compensação  de  prejuízo  fiscal  na  DIPJ  do  exercício  2007,  referente  ao  ano­calendário  2006,  lançando  valores  excedentes ao saldo de prejuízo fiscal existente em 01/01/2006 (R$542.057,31) e ao saldo de  base de cálculo negativa da CSLL (R$ 0,00), conforme demonstrado abaixo e nos formulários  "Inconsistências  do  Contribuinte  ­  Compensação  de  Prejuízos  e  Demonstrativo  da  Compensação  de  Prejuízos  Fiscais",  e  Demonstrativo  de  Compensação  de  BC  Negativa",  gerados pelo sistema SAPLI ­ Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e  Base de Cálculo Negativa da CSLL, da Secretaria da Receita Federal do Brasil:    a ­ Saldo de prejuízo fiscal em 01/01/2006: R$ 542.057,31  b ­ Limite para compensação de prejuízo: R$ 542.057,31  c ­ Compensação de prejuízo efetuada em 2006: R$ 3.498.143,06  d ­ Excesso de compensação R$ 2.956.085,75  e  ­ Saldo de BC negativa da CSLL de períodos anteriores,  em 01/01/2006:  R$ 0,00  f ­ Limite para compensação de BC negativa: R$ 0,00  g ­ Compensação de BC negativa efetuada em 2006: R$ 1.508.915,64  h ­ Excesso de compensação de BC negativa: R$ 1.508.915,64          Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 674          4   EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE       Intimado,  o  contribuinte,  em  13/10/2010,  apresentou  documentos  contendo as suas justificativas para a regularidade de compensações de prejuízos e de base de  cálculo negativa da CSLL referentes ao ano­calendário 2006:  ­ Quanto às inconsistências de R$ 3.498.143,06 no prejuízo fiscal, e R$ 1.508.915,64 na base  de  cálculo  negativa  da CSLL,  do  ano­calendário  2006,  alega  que  compensou  integralmente  nas DIPJ 2001 e 2002, sem a limitação de 30%, os saldos existentes, tendo sido autuada em  maio de 2006, sendo que teria recolhido as diferenças de imposto e contribuição resultantes  ora apontadas, retornando os valores originais compensados a maior naparte B do LALUR,  compensando­os em 2006;    CONSTATAÇÃO DAS DIFERENÇAS OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO     A  fiscalização,  tendo  em  vista  que  o  SAPLI  faz  o  acompanhamento  ano  a  ano  dos  saldos  de  prejuízos  e  da  base  de  cálculo  negativa  da  CSLL,  através  dos  valores  declarados  pelo  contribuinte  nas  suas  declarações  de  Imposto  de  Renda  ­  DIPJ,  constatou  como corretos os valores acima citados (letras d e h), relativos ao excesso de compensação de  prejuízo no ano­calendário 2006, e da base de cálculo negativa da CSLL, por insuficiência de  saldos de prejuízos e de BC negativa.      Sendo assim, foram lavrados autos de infração de IRPJ e de CSLL, em razão  de compensação indevida de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, efetuada no exercício  2007  –  ano­calendário  2006,  por  insuficiência  de  saldo  de  prejuízo  acumulado  e  de  base  negativa de CSLL.  Inconformado, o interessado apresentou, em 19/05/2011, impugnação de fls.  395/414, requerendo o provimento da impugnação e o cancelamento do lançamento, alegando,  em síntese, o seguinte:    Preliminarmente  .  que  se  verifica  a  nulidade  do  auto  de  infração,  na  medida  em  que  está  embasado  em  critério  imprestável  para  a  apuração  do  saldo  de  prejuízo  fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, ora compensado, já que o Agente  Fiscal não atentou para o fato de que os valores do prejuízo fiscal e da base  negativa  de  CSLL,  ora  em  discussão,  são  o  mesmos  que  os  glosados  no  procedimento  administrativo  n°  19515.001075/2006­30  (Doc.  02),  que  culminou  com  a  lavratura  de  auto  de  infração,  sendo  que  os  respectivos  valores  lá  exigidos  foram devidamente  recolhidos aos  cofres da União,  em  29.06.2006 (Doc. 03), e portanto, encontram­se extintos, nos termos do art.  156, I, do CTN.  .  que  no  procedimento  administrativo  n°  19515.001075/2006­30  fora  autuada  em  razão  de  ter  compensado  prejuízo  fiscal  e  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL,  apurados  em  2000  e  2001,  acima  do  limite  dos  30%  (trinta por cento) previstos pela legislação aplicável.  . que o valor apurado pela Autoridade Fiscal à época da fiscalização como  excedente é exatamente o mesmo valor declarado no presente caso.  .  que  o  ordenamento  pátrio  não  admite  a  prevalência  de  dois  lançamentos  que pretendem cobrar o mesmo tributo sobre o mesmo fato gerador.  Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 675          5 .  que  a Autoridade Fiscal  deveria  ter  recomposto  todo  o  saldo  de  prejuízo  fiscal  e base de  cálculo  negativa de CSLL apurado, procedimento  este que  certamente culminaria com o reconhecimento de que o montante ora autuado  corresponde ao saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL  compensado acima do limite de 30% no ano­calendário de 2001.  .  que,  caso prevaleça o  entendimento de que o presente auto de  infração é  válido,  o  que  se  verificou  foi  mera  postergação  de  tributo,  a  exigir  a  aplicação  da  norma  constante  dos  §§  4º  e  6º  do  artigo  6º  do  Decreto­lei  1.598/77,  segundo  interpretação  oficial  constante  do  Parecer  Normativo  COSIT 02/96; que, se não houvesse reduzido a base de cálculo do IRPJ e da  CSLL  devida  em  2001,  com  o  aproveitamento  de  prejuízo  fiscal  e  bases  negativas  da  CSLL,  poderia  perfeitamente  fazê­lo  nos  anos  seguintes,  na  medida  em  que  o  lucro  tributável  nos  anos  posteriores  foi  positivo,  tendo  recolhido IRPJ e CSLL.  .  que  este  entendimento  está  sedimentado  no  âmbito  da  jurisprudência  do  Conselho  Administrativo  de Recursos  Fiscais,  com  a  edição  da  Súmula  n°  36: “A inobservância do limite  legal de trinta por cento para compensação  de  prejuízos  fiscais  ou  bases  negativas  da  CSLL,  quando  comprovado  por  sujeito  passivo  que  o  tributo  que  deixou  de  ser  pago  em  razão  dessas  compensações  o  foi  em  período  posterior,  caracteriza  postergação  do  pagamento  do  IRPJ ou  da CSLL,  o  que  implica  em  excluir  da  exigência  a  parcela pagaposteriormente.”  No mérito  . que o tributo já extinto por força da ocorrência da decadência, nos termos  dos artigos 156, V, do Código Tributário Nacional.  . que a decadência aqui referida não se relaciona diretamente ao direito de o  Fisco  exigir  valores  atinentes  ao  ano­calendário  de  2006,  mas  sim,  à  possibilidade de se questionar o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de  CSLL apurado no ano­calendário de 2001.  . que, no caso vertente, muito embora o Fisco pretenda fixar tão somente o  ano­calendário de 2006 como objeto do auto de infração, o prejuízo fiscal e  a  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL,  cuja  desconsideração  deu  origem  à  glosa  das  compensações,  tiveram  origem  em  anos  anteriores  (mais  precisamente  em  2001),  produzindo,  por  óbvio,  efeitos  sobre  períodos  de  apuração subsequentes.  . que não se pode admitir que o auto de infração, cientificado em 19.04.2011  (mais  de  dez  anos  após  a  ocorrência  dos  supostos  fatos  geradores),  verse  sobre a revisão de fatos que integraram o lançamento por homologação do  IRPJ  e  da CSLL  de  anos  anteriores  a  2006,  pois,  naquela  data,  tais  fatos  tornaram­se  imutáveis,  sofrendo  os  efeitos  da  cristalização  decorrente  da  decadência.  . que a impossibilidade de revisão de fatos cobertos pela decadência, e que já  poderiam  ter  sido  questionados  pelo  Fisco  em  datas  anteriores,  mediante  lançamento de ofício, é questão que vem se tornando cada vez mais firme na  jurisprudência  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais;  cita  ementas de acórdãos do CARF.  . que as compensações de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL  foram efetuadas corretamente.  . que, ao final do ano­calendário de 2000, apurou prejuízo fiscal, no valor de  R$  15.191.648,37,  e  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL,  no  valor  de  R$  Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 676          6 17.143.850,18, conforme atesta o LALUR n° 11 (Doc. 04). Tais valores são  oriundos dos saldos dos anos de 1996, 1997 e 1998 (prejuízo fiscal) e 1999  (base de cálculo negativa de CSLL).  . que, diante da apuração desses valores, compensou, em 2001, a totalidade  dos  referidos  montantes,  isto  é,  acima  do  limite  dos  30%,  previsto  pelos  artigos 15 e 16, da Lei n° 9.065/95, à época amparada por medida judicial  que assim lhe permitia.  .  que,  em  maio  de  2006,  sofreu  fiscalização,  tendo  sido  lavrado  auto  de  infração  (Processo  n°  19515.001075/2006­30),  por  meio  do  qual  a  Autoridade  Fiscal  procedeu  à  glosa  dos  valores  compensados  acima  do  limite dos 30%.  .  que,  posteriormente,  a  diferença  dos  70%  (resultante  da  compensação  a  maior)  foram  contabilizadas  na  parte  B  do  LALUR,  somente  no  ano­ calendário  de  2006  (Doc.  05),  acarretando  à  Impugnante  um  crédito  no  valor de R$ 3.498.143,06 (prejuízo fiscal) e R$  1.508.915,62 (base de cálculo negativa de CSLL); que exatamente por esse  motivo que a  Impugnante, no ano­calendário de 2006, efetuou a compensação do prejuízo  fiscal e base de  cálculo negativa de CSLL, ora glosada pela Autoridade Fiscal.  . que deve­se observar, desde logo, que por um lapso, deixou de retificar suas  DIPJs e LALUR, desde 2001, quando foi autuada pela compensação a maior  do  prejuízo  fiscal  e  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL.  Ademais,  o  valor  remanescente do saldo de 2001 não  foi utilizado nos anos  seguintes,  sendo  compensado somente no ano­calendário de 2006.  .  que  traz  à  baila  tabela  que  demonstra  os  valores  dos  prejuízos  fiscais  e  bases negativas de CSLL acumulados desde 2001 (fls. 408/409).  . que verifica­se, facilmente, que possui, no ano­calendário de 2006, prejuízo  fiscal e base de cálculo negativa de CSLL no montante de R$ 3.498.143,06, e  R$ 1.508.915,64, ora compensado e glosado pela Autoridade Fiscal.  .  que  o  lançamento  deve  ser  prontamente  cancelado,  tendo  em  vista  que  o  descasamento de informações entre o sistema da Receita Federal (SAPLI) e a  apuração contábil e fiscal da Impugnante foi devidamente sanado.  . que deve­se excluir a cobrança de  juros de mora sobre a multa de ofício,  conforme recente julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais ­ CARF.  . que a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada carece  de  base  legal,  já  que  o  §  3°  do  artigo  61  da  Lei  n°  9.430/96,  é  claro  ao  restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado.  . que o § único do artigo 43, da Lei n° 9.430/96, prevê a incidência de juros  de mora  somente  sobre as multas  e os  juros  cobrados  isoladamente,  e não  sobre a multa de ofício.  . que, ao analisar conjuntamente os artigos 161, 139 e 113, do CTN, verifica­ se  que  o  próprio CTN  não  autoriza  a  cobrança  de  juros  de mora  sobre  a  multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo.    A DRJ entendeu pela insubsistência dos argumentos expendidos em sede de  impugnação restando assim ementado o julgado:    Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 677          7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006  PRELIMINAR. NULIDADE. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS.  FATOS GERADORES DISTINTOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO.  Inocorre duplicidade de lançamentos, quando os fatos geradores são  distintos.  AUDITORIA FISCAL. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES,  REGISTROS  E  ELEMENTOS  PATRIMONIAIS  COM  REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE.  O Fisco pode verificar fatos, operações e documentos passíveis de  registros  contábeis  e  fiscais,  devidamente  escriturados  ou  não,  referentes a períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de  comprovada  repercussão  no  futuro,  qual  seja,  na  apuração  de  lucro  líquido ou real e compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de  períodos  não  atingidos  pela  decadência.  Os  ajustes  decorrentes  desse  procedimento  somente  podem  implicar  em  alterações  nos  resultados  tributáveis de períodos não decaídos.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006  LUCRO REAL ANUAL. IRPJ. PREJUÍZO FISCAL SALDOS  ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES. INEXISTÊNCIA.  COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  Submetem­se  à  tributação  os  valores  dos  prejuízos  fiscais,  indevidamente  compensados,  se  os  documentos  constantes  dos  autos  demonstram  que  a  pessoa  jurídica  não  detém  os  saldos  acumulados  registrados nos livros LALUR.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2006  LUCRO REAL ANUAL. CSLL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA.  SALDOS ACUMULADOS DE PERÍODOS ANTERIORES.  INEXISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  Submetem­se à tributação os valores das bases de cálculo negativas,  indevidamente compensados, se os documentos constantes dos autos  demonstram que a pessoa jurídica não detém os saldos acumulados  registrados nos livros LALUR.  JUROS DE MORA  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO  A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência  dos juros de mora.  Irresignada com a decisão a contribuinte  interpõe o presente RV suscitando  em  suma  a  nulidade  do  lançamento,  a  ocorrência  de  decadência,  a  glosa  indevida  da  compensação  ante  a  ilegitimidade  da  "trava  dos  30"  e  a  impossibilidade  dos  juros  de mora  sobre a multa de ofício.    É o relatório.    Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 678          8 Voto Vencido  Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira ­ Relator    1. Preliminar de nulidade do lançamento:     Sustenta o recorrente a nulidade do lançamento por eventual bis in idem ante  ao processado em sede dos autos n. 19515.001075/2006­30, que culminou com a lavratura de  auto de infração, sendo que os respectivos valores lá exigidos foram devidamente recolhidos, e  portanto, encontram­ se extintos, nos termos do art. 156, I, do CTN.  Não prosperam os argumentos expendidos pela recorrente na medida em que  os fatos geradores são diversos, logo, não há que cogitar­se de bis in idem ao que adoto como  razões de decidir aquelas lançadas pela DRJ para afastar a preliminar:     No que tange a alegação de que os valores do prejuízo fiscal e da base  negativa  de  CSLL,  ora  em  discussão,  seriam  os  mesmos  que  os  glosados no procedimento administrativo n° 19515.001075/2006­30, a  meu juízo, não se sustenta. Ao contrário do que alega o interessado, os  excedentes  autuados  no  presente  processo  e  no  processo  n°  19515.001075/2006­30 são distintos, a saber:    Presente processo:  ­ Excesso de prejuízo fiscal: R$ 2.956.085,75  ­ Excesso de base negativa de CSLL: R$ 1.508.915,64    Processo nº 19515.001075/2006­30:  ­ Excesso de prejuízo fiscal: R$ 3.498.143,06  ­ Excesso de base negativa de CSLL: R$ 1.483.693,48    Ademais,  em  que  pese  o  interessado  ter  razão  quando  afirma  que  o  ordenamento pátrio não  admite dois  lançamentos  sobre o mesmo  fato  gerador,  basta  cotejar o  processo de n° 19515.001075/2006­30 com o  presente processo, para  constatar que os  fatos  geradores  são distintos.  Este  trata  de  fatos  geradores  ocorridos  no  ano­calendário  de  2006,  enquanto  aquele  de  fatos  geradores  ocorridos  em  2001.  Inocorre  duplicidade de lançamentos, quando os fatos geradores são distintos.     Diante do exposto, não vislumbro nulidade qualquer no ato de lançamento ao  que passo análise argumento da decadência.            Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 679          9 2. Decadência:     Antes de adentrar ao mérito sustenta o recorrente que, muito embora o Fisco  pretenda  fixar  tão  somente  o  ano­calendário  de  2006  como  objeto  do  auto  de  infração,  o  prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL, cuja desconsideração deu origem à glosa  das  compensações,  tiveram  origem  em  anos  anteriores  (mais  precisamente  em  2001),  produzindo efeitos sobre períodos de apuração subseqüentes.  Outro  sorte  não  encontra  o  recorrente  na  medida  em  que  incorrente  a  decadência conforme as substanciosas razões de decidir lançadas pela DRJ:     De  fato, o prazo decadencial de cinco anos para a constituição de ofício do crédito  tributário inicia­se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  conforme  disposto  no  art.  173,  I,  do  CTN,  exceto para os  tributos sujeitos ao  lançamento por homologação, cuja  norma de  contagem do  prazo  decadencial  é  deslocada da  regra  geral  para  a  regra  especial  prevista  no  art.  150,  §  4º,  do  mesmo  diploma  legal,  ou  seja,  de  cinco  anos  contados  a  ocorrência  do  fato  gerador,  salvo  se  comprovada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação  ou  ausência de pagamento.     Contudo,  os  contribuintes  estão  sujeitos  à  fiscalização  de  fatos  ocorridos  há  mais  de  cinco  anos,  ainda  que  não  seja  mais  possível  efetuar  exigência  tributária,  em  face  da  decadência,  quando  houver  repercussão  de  seus  efeitos  em exercícios  futuros ainda não decaídos,  como é o caso dos autos.     Embora os prejuízos fiscais e as bases negativas de CSLL, como alega  o  interessado,  possam  ter  origem  em  2001,  ou  mesmo  em  anos  anteriores,  cabe  destacar  que  os  efeitos  tributários  contestados  pela  autoridade  fiscal  repercutiram  em  exercício  futuro  (época  da  efetiva  compensação dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSLL), qual  seja, no ano­calendário de 2006, não decaído.      Acrescente­se  que  é  dever  do  interessado  manter  e  exibir  os  documentos  que  apoiam  os  registros  contábeis  e  fiscais,  ainda  que  tenha como origem um fato anterior ocorrido em período de apuração  fiscal  já  decaído,  haja  vista  a  pessoa  jurídica  dever  conservar  os  documentos  de  sua  escrituração  relativos  a  fatos  que  repercutam  em  lançamentos contábeis  de exercícios futuros, enquanto não ocorrido a decadência do direito de  a  Fazenda  Pública  constituir  os  créditos  tributários  relativos  a  esses  exercícios, consoante determina o artigo 37 da  Lei nº 9.430, de 1996 (base legal do artigo 264, § 3º, do RIR de 1999),  in verbis:  “Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos  a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros,  serão conservados até  que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os  créditos tributários  relativos a esses exercícios.”  Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 680          10    Portanto, é possível ao Fisco, em 19/04/2011 (data da ciência do auto  de  infração)  questionar  prejuízo  fiscal  e  base  negativa  de  CSLL  indevidamente  compensados  no  ano­calendário  2006,  ainda  que  tais  prejuízos  e  bases  negativas  se  refiram a  períodos  anteriores,  uma  vez  que  sobre  o  período  autuado  (ano­calendário  de  2006)  não  havia  incorrido decadência.       Neste sentido, reproduz­se ementa do Egrégio Conselho de Contribuintes:    DECADÊNCIA  ­  ALTERAÇÃO  NOS  PREJUÍZOS  FISCAIS  DA  PESSOA  JURÍDICA.  ­  A  autoridade  administrativa  procederá  às  alterações  que  julgar  cabíveis  em  prejuízos  fiscais  apurados  pela  pessoa jurídica relativamente a período já alcançado pela decadência.  Nesse  caso,  é  vedada  apenas  a  constituição  de  crédito  tributário  concernente a tal período. 1º Conselho de Contribuintes / 8a. Câmara /  ACÓRDÃO 108­09.625 em 29.05.2008.  Publicado no DOU em: 07.11.2008.       Dessa forma, improcede a alegação de decadência.    3. Do mérito:  3.1 Glosa compensação prejuízo fiscal sem a "trava de 30%":  A matéria de mérito do presente RV é recorrente perante esta turma filiando­ me a entendimento vencido capitaneado pelo Conselheiro vice­presidente Caio Quintella que  peço vênia aos colegas para transcrever suas razões de decidir já conhecidas por todos.  No  presente  RV  sustenta  a  contribuinte  recorrente  a  indevida  glosa  da  compensação  pelo  limite de  30% do  lucro  líquido  ajustado  na  compensação  de  prejuízos  no  cálculo do IRPJ.  A  aplicabilidade  da  limitação  de  30%  do  lucro  apurado  no  período  para  o  aproveitamento dos prejuízos percebidos pelo contribuinte (trava de 30%) é matéria há muito  debatida neste E. CARF.  Ainda que a  jurisprudência deste C. Conselho,  inicialmente,  tenha apontado  de forma predominante pelo afastamento de tal trava, desde de 2009, após o julgamento do RE  nº 344.994/PR, instaurou­se profunda divergência sobre tema ­ com variações sazonais quanto  à tese prevalecente ­, ainda existindo até hoje posicionamentos discrepantes sobre o tema.  Acrescente­se  que,  certo  e  reconhecido  que  o  RE  nº  344.994/PR  apenas  analisou  e  chancelou  a  constitucionalidade  da  denominada  trava  de  30%  apenas  pelo  seu  aspecto  e  dinâmica  temporal  (abortando  temas  como  anterioridade,  irretroatividade  e  direito  adquirido),  a  matéria,  hoje,  é  amplamente  debatida  no  RE  nº  591.340­RG,  potencialmente  abrangendo  o  tema  específico  agora  sob  julgamento,  restando  afetado  pela  sistemática  da  repercussão geral e pendente de julgamento até hoje.     Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 681          11 Feitos tais comentários, deve­se considerar também, a título informativo, que,  ainda  que  sem  efeito  jurisdicional,  há  sólidos  argumentos  pela  (i)legitimidade  da  "trava  dos  30":  No que  toca  à  limitação  interperiódica  percentual  prevista  nas  Leis  nº  8.981/95  e  nº  9.065/95,  esta  visa  diluir  no  tempo  os  efeitos  das  reduções  de  lucro  tributável  em  decorrência  de  prejuízos fiscais anteriores.  Ocorre  que  com  a  extinção  da  sociedade  incorporada,  a  imposição  da  limitação  consistente  na  chamada  “trava”  dos  30%,  implicaria  na  extinção  do  direito  ao  aproveitamento  dos  prejuízos  acumulados.  Posto  que,  tal  limitação  tem  como  pressuposto  a  continuidade  das  atividades  do  contribuinte,  de  maneira a permitir a gradual compensação.  Verifica­se  que  o  verdadeiro  objetivo  da  limitação  é  a  manutenção  do  fluxo  arrecadatório  e  nunca  o  fenecimento  do  direito  do  contribuinte  deduzir  o  prejuízo  de  exercícios  anteriores  com os  lucros  futuros,  o  que a  trava  visa  é  que  isto  ocorra de forma paulatina.  Vale ressaltar que a legislação tributária veda o aproveitamento  do saldo de prejuízo fiscal da incorporada pela incorporadora, o  que não é o caso em análise.  Neste  diapasão,  segue  o  entendimento  já  consolidado  deste  Colegiado segundo o qual não  se aplica à empresa extinta por  incorporação o limite 30% do lucro líquido na compensação do  prejuízo fiscal.  Neste sentido:  COMPENSAÇÃO.  PREJUÍZO  FISCAL.  BASE  DE  CÁLCULO  NEGATIVA. INCORPORAÇÁO E CISÃO  À empresa extinta por cisão e incorporação não se aplica o limite  de  30% do  lucro  líquido  para  fins  de  compensação  do  prejuízo  fiscal  e  da  base  de  cálculo  negativa  acumulados.  (CARF,  2ª  Câmara, 1ª Turma Ordinária, acórdão 1201.00.108, julgado em  18/06/2009)  IRPJ CSLL COMPESAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAIS E BASES  DE  CÁLCULO  NEGATIVAS  APURADAS  EM  PERÍODO  ANTERIORES. CISÃO. INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO.  Constitui  pressuposto  da  aplicação  da  limitação  à  compensação  de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas à continuidade  das  atividades  do  contribuinte  e  a  paulatina  apropriação  dos  prejuízos.  Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a conseqüente  extinção  da  personalidade  jurídica  da  sucedida,  não  se  faz  possível  a  aplicação  do  limitador,  dês  que  tal  determinaria  o  fenecimento  do  direito  do  contribuinte.  Precedentes  deste  Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 682          12 Conselho. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Sétima Câmara,  acórdão 10709.447, julgado em 13/08/2008)  A  vedação  à  compensação  integral  dos  prejuízos  fiscais  está  intimamente  ligada  à  continuidade  das  atividades  do  contribuinte  de modo  a  permitir  a  paulatina  compensação.  No  entanto,  nos  casos  de  extinção  da  pessoa  jurídica  não  deve  perdurar a “trava” dos 30%. Além disso, há vedação expressa  (Decreto­lei 2341/87, art. 32 e 33) ao aproveitamento do saldo  de prejuízo fiscal da empresa incorporada pela incorporadora.  Ante  o  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso,  para  cancelar o Auto de Infração.  Assim como acima defendido, em diversas outras oportunidades, esta mesma  Turma há muito debateu sobre o assunto posicionando­me favoravelmente à tese pugnada pelo  contribuinte, o que também permite uma abordagem mais sumarizada da questão.  Independentemente  de  haver  entendimento  de  que  a  compensação  de  prejuízos tenha natureza de benesse fiscal, a verificação de incidência e a aplicação das normas  referentes  a  tal  dinâmica  devem  se  pautar  em  observação  sistemática  e  racional  das  demais  normas  do  sistema  que  informam  e  constroem  a  tributação  pelo  IRPJ  e  pela  CSLL,  seus  regimes de apuração, restando inafastavelmente submetida ao conteúdo do art. 43 do CTN.  Nesse  sentido,  a  apuração  pelo  lucro  real  (e  da  própria  base  de  cálculo  da  CSLL),  ainda  que  dentro  dos  atuais  regimes  de  apuração  do  lucro  tributável  das  pessoas  jurídicas  seja  aquele  que  talvez  permita  uma  maior  aproximação  do  lucro  efetivamente  percebido  pelo  contribuinte,  é  totalmente  permeada  por  ficções,  presunções,  convenções  e  abstrações jurídicas, as quais permitem seu manejo prático e eficiente pelo Estado.  A sazonalidade da incidência de tais tributos, adotando um período igual ou  inferior  ao  anual  para  seu  ciclo  fenomenológico,  é uma dessas  construções  ficcionais.  Sobre  isso, com muita clareza e técnica, é o comentário do Professor Luís Eduardo Schoueri1  Fica  claro  aqui  que  o  lucro  real,  apesar  da  denominação  que  recebeu,  nada  mais  é  do  que  uma  realidade  construída,  artificiosa, sobre a qual recai a tributação.  A  própria  periodização  do  imposto  de  renda  é  construção  artificial,  na medida  em  que  não  é  possível  conhecer  a  efetiva  capacidade  contributiva  de  uma pessoa  jurídica  antes  que  esta  encerre suas atividades. No entanto, a estipulação de um período  para  a  apuração  do  imposto  de  renda  é  medida  indispensável  diante das necessidades  financeiras do Estado e da supremacia  do interesse público.  Afinal,  fosse  o  Estado  esperar  que  todas  as  pessoas  jurídicas  encerassem  suas  atividades  (e  todas  as  pessoas  físicas  falecessem,  no  caso  do  imposto  de  renda  das  pessoas  físicas)  para  então  exercer  seu  poder  tributante,  certamente  os  cofres  públicosnão  teriam  recursos  para  fazer  frente  a  todas  as                                                              1 Controvérsias Jurídico­Contábeis (Aproximações e Distanciamentos). São Paulo : Dialética, 2010. p. 259.  Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 683          13 despesas  estatas,  ainda  mais  se  considerar  a  importância  arrecadatória do imposto de renda.  Considerando  tal  lição,  é  evidente  que  o  prejuízo  verificado  pelas  pessoas  jurídicas  é  elemento diretamente  relacionado  ao  conceito de  renda,  principalmente diante da  necessidade  de  compensá­lo  em  períodos  posteriores  para  revelar  a  real  capacidade  contributiva  do  contribuinte  (corretamente  fracionando­se  o  vencimento  das  obrigações  tributárias em períodos cíclicos e sucessivos).  E  foi  exatamente  dentro  de  tal  sistemática  de  periodização  em  que  foi  inserida a regra contida nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, que estabelece a referida limitação  do aproveitamento do prejuízo em cada período.  No  entender  deste  Conselheiro,  não  se  está  diante  de  regulamentação  de  concessão de benefício, ou de norma atinente à materialidade da tributação da renda, mas sim  de  mero  diferimento  do  aproveitamento  do  prejuízo  efetivamente  verificado  e  plenamente  compensável, como medida de garantir ao Erário federal valores mínimos de arrecadação dos  tributos em cada período ­ apresentando,  inclusive, uma relação muito maior da sua razão de  existir com o Direito Financeiro do que com o Direito Tributário.  Comprovando  a  natureza  de  simples  diferimento  de  tal  método  controle  fiscal,  confira­se  trecho  da  Exposição  de  Motivos  da  MP  nº  998/05,  convertida  na  Lei  nº  9.065/95:  Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para  restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com  as  limitações  impostas  pela  Medida  Provisória  n°  812/94  (Lei  8.981/95).  Ocorre hoje vacacio legis em relação à matéria. A limitação  de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem  retirar  do  contribuinte  o  direito  de  compensar,  até  integralmente,  num mesmo  ano,  se  essa  compensação  não  ultrapassar o valor do resultado positivo (destacamos).  Historicamente,  a  limitação  do  aproveitamento  do  prejuízo  sempre  foi  temporal, que quando muito impunha ao contribuinte prazo para compensação a partir da sua  formação,  mas  permitindo  um  abatimento  integral  da  monta  alcançada.  A  limitação  quantitativa  é  inovação  do  Legislador  de  1995,  que  ­  visando  preservar  a  capacidade  contributiva e o devido alcance da incidência dos tributos ­ coincidiu com a retirada da referida  limitação cronológica.  Assim,  essa  nova  dinâmica  de  compensação  de  prejuízos  acumulados  instaurada em 1995 pressupõe a continuidade das operações do contribuinte, de forma que não  haja supressão da parcela do prejuízo compensável. De fato, tal método apresenta­se lógico e  juridicamente  adequado  dentro  da  possibilidade  de  sempre  (vez  que  afastada  a  limitação  temporal)  se  realocar  em  períodos  posteriores  a  parcela  do  prejuízo  não  abatida  naquele  momento presente.  Claramente,  dentro  dessa  lógica  e  considerando  a  expressa  afirmação  na  Exposição  de  Motivos  de  que  não  deveria  tal  controle  quantitativo  do  aproveitamento  do  Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 684          14 prejuízo implicar em supressão do direito ao integral abatimento, a limitação da trava de 30%  corporificada nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95.  Subsidiariamente,  porventura  vencido  passo  a  enfrentar  a  questão  da  aplicação de juros de mora na multa de ofício.  3.2 Aplicação de juros de mora multa de ofício:  O  presente  tema  da  incidência  de  juros  sobre  a  multa  de  ofício,  que  não  deveria prosperar por falta de previsão legal não é novo no CARF.  Ocorre  que  uma  análise mais  sistemática  do CTN,  percebe­se  que  os  juros  são devidos  sobre o valor da multa, uma vez que o crédito  tributário  engloba  tanto o  tributo  quanto a multa.  Como dispõe o art. 161 do CTN:  Art. 161. O credito não integralmente pago no vencimento  e  acrescido  de  juros  de  mora,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição  das  penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas  de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.  §  1o  Se  a  lei  não  dispuser  de  modo  diverso,  os  juros  de  mora são calculados a taxa de um por cento ao mês.  O art. 113, § 1o do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o  pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo  Código  Tributário  Nacional  para  distinguir  obrigação  acessória  de  obrigação  principal  e  o  conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a  obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro.  Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal,  visto é que incontestável o seu conteúdo pecuniário.  O  conceito  de  credito  tributário  esta  esculpido  no  art.  139  do  CTN,  nos  seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza  desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a  outra conclusão senão a de que o credito tributário engloba o tributo e a multa.  Logo,  tanto  sobre  o  tributo  (principal)  quanto  sobre  a multa  devem  incidir  juros, como determina o § 1o do art. 161 do Código Tributário Nacional.  Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas os juros sobre a multa  de ofício imposta para negar provimento ao recurso voluntário neste aspecto.  Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 685          15   4. Conclusão:  Pelo exposto, deve ser provido o Recurso Voluntário do Contribuinte.  Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário,  reformando­se o v. Acórdão da DRJ recorrido para cancelar o lançamento de ofício.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira  Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 686          16 Voto Vencedor  Evandro Correa Dias ­ Redator Designado  O i. relator, no seu voto, por entender que a pessoa jurídica pode compensar o  prejuízo  fiscal  acumulado  sem  observância  da  "trava"  de  30%,  conclui  no  sentido  de  ar  provimento ao recurso voluntário. Contudo, no entender do colegiado discorda­se do i. relator,  decidindo­se, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário.  A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de  cálculo  posteriormente  apuradas,  observado  o  limite máximo,  para  a  compensação,  de  trinta  por  cento  do  lucro  líquido  ajustado  (base  positiva).  Não  há  previsão  legal  que  permita  a  compensação de base negativa acima deste  limite. Entretanto, verifica­se que o presente auto  de infração trata­se de compensação de prejuízos inexistentes, e não de excesso em relação  ao limite legal de 30%, referido nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995.  De acordo com o Termo de Constatação Fiscal,  a  fiscalização comparou os  saldos acumulados de prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL em 01/01/2006 constantes do  sistema  SAPLI  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  com  os  montantes  declarados  na  DIPJ/2007 – ano­calendário de 2006, e constatou que o interessado compensou montantes de  prejuízos  fiscais  e  de  bases  negativa  de  CSLL  em  valores  superiores  ao  que  dispunha,  conforme reprodução a seguir.      A  fiscalização,  cotejando  os  prejuízos  fiscais  compensados  informados  na  DIPJ/2007  –  ano­calendário  2006  (R$  3.498.143,06),  com  o  saldo  de  prejuízos  fiscais  acumulados  no  sistema  Sapli  (R$  542.057,31),  constatou  excesso  de  compensação  (R$  2.956.085,75), tendo lavrado auto de infração.  A Recorrente alega que  os valores do prejuízo  fiscal  e da base negativa  de  CSLL  ora  em  discussão  são  os mesmos  que  os  glosados  do  procedimento  administrativo  nº  19515.001075/2006­30,  que  culminou  com  a  lavratura  de  Auto  de  Infração  contra  a  pessoa  jurídica, sendo que os valores lá exigidos foram devidamente recolhidos aos cofres da união.   Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 687          17   Verifica­se que esse argumento já foi afastado, preliminarmente, no voto do  relator.  Em  resumo,  a  Recorrente  alega  que  possui,  no  ano­calendário  de  2006,  prejuízo  fiscal  e  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL  no montante  de  R$  3.498.143,06  e  R$  1.508.915,64.  A  Recorrente  transcreve  tabela,  já  relacionada  no  teor  da  Impugnação,  trazendo  os  valores  alegados  dos  prejuízos  fiscais  e  base  de  cálculo  negativa  de  CSLL  acumulados desde 2001.        A  Recorrente  afirma  que  deixou  de  retificar  suas  DIPJs  e  LALUR  desde  2001,  quando  foi  autuada  pela  compensação  a  maior  do  prejuízo  fiscal  e  base  de  cálculo  negativa de CSLL. Ademais, o valor remanescente do saldo de 2001 não foi utilizado nos anos  seguintes, sendo compensado somente no ano­calendário seguinte.  Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 688          18 Verifica­se  que  a  Recorrente  repisou  os  argumentos  trazidos  em  sua  impugnação. Esses já foram analisados na decisão a quo, que constatou divergências entre as  informações  constantes  do  LALUR  e  as  referidas  tabelas,  além  do  fato  de  alguns  prejuízos  fiscais  informados na  tabela carecerem de  comprovação. Transcreve­se a  seguir algumas das  divergências relatadas:  De acordo com o LALUR do ano­calendário de 2000  ­ Parte A (fl. 476), o  interessado  apurou  o  lucro  real  de  R$  26.860.790,71.  Informou  que  compensou o prejuízo fiscal do ano­calendário de 1994, no montante de R$  17.461.693,93 (100% do lucro real, portanto, fora do limite legal), o prejuízo  fiscal do ano­calendário de 1995, no montante de R$ 2.020.212,53  (apesar  de  constar  informado  o  limite  de  30%,  vê­se,  pela  parte  B  do  LALUR  (fl.  478), que todo o prejuízo fiscal do ano­calendário de 1995 foi compensado ­  100% do lucro real, ou seja, fora do limite legal) e o prejuízo fiscal do ano­ calendário  de  1996,  no  montante  de  R$  799.516,50  (30%  do  lucro  real  ­  dentro  do  limite  legal).  O  total  de  prejuízo  fiscal  compensado,  segundo  o  LALUR, foi de R$ 20.281.422,06.  No entanto, na tabela elaborada, o  interessado  informou um prejuízo  fiscal  compensado  de R$  8.058.237,21  (Lucro  real  de R$  26.860.790,71  x  30%),  em estrita observância ao limite de 30% do lucro real apurado. Ou seja, pela  tabela, os excessos de prejuízo fiscal, referentes aos anos­calendário de 1994  e 1995,  teriam sido  incorporados ao saldo acumulado do prejuízo  fiscal de  2000.  Contudo,  não  há  provas  nos  autos  que  tais  excessos  de  compensação  de  prejuízos  efetuados  no  ano­calendário  de  2000,  referentes  a  prejuízos  ocorridos  nos  anos­calendário  de  1994  e  1995,  tenham sido  glosados  pela  fiscalização, única justificativa para que tais prejuízos voltassem a compor o  saldo para  compensações  em períodos  subseqüentes. Do LALUR  ­ Parte B  (fl. 478) extrai­se a informação de "Compensação total" dos prejuízos fiscais  dos anos­calendário de 1994 e 1995, com o lucro real do ano­calendário de  2000.  Não  houve  qualquer  retificação  do  LALUR  que  pudesse  denotar  alguma alteração no prejuízo compensado.  De acordo com o LALUR do ano­calendário de 2000  ­ Parte A (fl. 477), o  interessado  apurou  o  lucro  ajustado  antes  da  compensação  de  R$  26.053.945,76.  Informou que compensou base negativa de CSLL até 12/94,  no montante de R$ 9.061.379,82 (100% do lucro ajustado, portanto, fora do  limite  legal)  e  a  base  negativa  de  CSLL  anterior  (a  partir  de  1995),  no  montante  de  R$  5.097.769,78  (30%  do  lucro  ajustado  ­  dentro  do  limite  legal). O total de base negativa de CSLL compensada, segundo o LALUR, foi  de R$ 14.159.149,60.  No entanto, na tabela elaborada, o interessado informou uma base negativa  de CSLL compensada de R$ 7.816.183,73 (Lucro real de R$ 26.053.945,76 x  30%), em estrita observância ao  limite de 30% do  lucro ajustado apurado.  Ou seja, pela tabela, o excesso de base negativa de CSLL até 12/94 teria sido  incorporado ao saldo acumulado de 2000.  Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 689          19 Contudo, não há provas nos autos que tal excesso de compensação de base  negativa  de  CSLL  efetuada  no  ano­calendário  de  2000,  referente  a  base  negativa  de  CSLL  ocorrida  até  12/1994,  tenha  sido  glosado  pela  fiscalização, única justificativa para que tal base negativa voltasse a compor  o saldo para compensações em períodos subseqüentes. Do LALUR ­ Parte B  (fl. 481) extrai­se a informação de "Compensação total" da base de cálculo  negativa  de  CSLL  até  12/94,  com  o  lucro  ajustado  do  ano­calendário  de  2000.  Não  houve  qualquer  retificação  do  LALUR  que  pudesse  denotar  alguma alteração da base negativa compensada.  Ressalta­se o  fato  incontroverso da  recorrente não  ter atualizado o LALUR  com  os  devidos  ajustes  e  retificações  decorrentes  de  todos  os  eventos  supervenientes  que  possam  dar  causa  a  alterações  nos  prejuízos  fiscais  controlados,  inclusive,  decorrentes  de  mutações provocadas por autuações fiscais. O que vai de encontro ao previsto nos Artigos 260  e 262 do RIR/99:  Art.  260.  A  pessoa  jurídica,  além  dos  livros  de  contabilidade  previstos  em  leis e regulamentos, deverá possuir os seguintes livros (Lei nº 154, de 1947,  art. 2º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 48, e Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, arts.  8º e 27):  [...]  III ­ de Apuração do Lucro Real ­ LALUR;  [...]  Art.  262.  No  LALUR,  a  pessoa  jurídica  deverá  (Decreto­Lei  nº  1.598,  de  1977, art. 8º, inciso I):  I ­ lançar os ajustes do lucro líquido do período de apuração;  II ­ transcrever a demonstração do lucro real;  III  ­ manter  os  registros  de  controle  de  prejuízos  fiscais  a  compensar  em  períodos  de  apuração  subseqüentes,  do  lucro  inflacionário  a  realizar,  da  depreciação  acelerada  incentivada,  da  exaustão  mineral,  com  base  na  receita  bruta,  bem  como  dos  demais  valores  que  devam  influenciar  a  determinação do lucro real de períodos de apuração futuros e não constem  da escrituração comercial; (grifo nosso)  IV  ­  manter  os  registros  de  controle  dos  valores  excedentes  a  serem  utilizados no cálculo das deduções nos períodos de apuração subseqüentes,  dos  dispêndios  com  programa  de  alimentação  ao  trabalhador,  vale­ transporte e outros previstos neste Decreto.  Para  que  fizesse  prova  a  favor  do  interessado  o  LALUR  deveria  estar  atualizado e com todos os ajustes e retificações que devem influenciar a determinação do lucro  real.    Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10073.720423/2011­19  Acórdão n.º 1402­003.350  S1­C4T2  Fl. 690          20 Os  argumentos  e  documentos  trazidos  pela Recorrente  não  trouxeram  fatos  novos  que  comprovassem  a  procedência  dos  créditos  de  prejuízo  fiscal  e  base  negativa  de  CSLL  alegadas  no  recurso. Nota­se  divergências  na  elaboração  da  tabela  pelo  interessado  e  falta de comprovação do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL. Por esses motivos devem  ser mantidos os lançamentos realizados.  Do exposto, voto por, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, o  que já foi acatado pelo colegiado, nos termos supracitados.    (assinado digitalmente)  Evandro Correa Dias                                Fl. 691DF CARF MF

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7440928 #
Numero do processo: 10880.962069/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2000 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1283; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.962069/2008­80  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  1201­002.423  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de agosto de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  DESIM ­ DESENVOLVIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 30/09/2000  LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA.  Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e  que  não  analisou  o  fundamento  do  Despacho  Decisório  objeto  da  manifestação de inconformidade.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  anular  a  decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.   (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente e Relatora     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa  (Presidente),  Eva  Maria  Los,  Luis  Fabiano  Alves  Penteado,  José  Carlos  de  Assis  Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de  Aguiar e Gisele Barra Bossa.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 20 69 /2 00 8- 80 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.962069/2008­80  Acórdão n.º 1201­002.423  S1­C2T1  Fl. 3          2     Relatório  Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  cujo  crédito  é  decorrente de pagamento a maior que o devido.  Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não  foi  homologada  em  face  de  o  pagamento  informado  estar  integralmente  utilizado  para  a  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  do  débito informado no PER/DCOMP.  Protocolada  a  Manifestação  de  Inconformidade,  foi  julgada  improcedente,  pelo fundamento de que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o  devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução  do  IRPJ  apurado ao  final daquele período de  apuração, ou para  compor o  saldo negativo de  IRPJ.  Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado que, à época do fato, a  legislação permitia a  restituição do pagamento de estimativa  feito  indevidamente ou  a maior  que o devido. A restrição só ocorreu posteriormente, por legislação superveniente ao fato.  Desse  modo,  independentemente  da  data  da  apresentação  da  Dcomp,  é  aplicável a legislação vigente à época do pagamento de estimativa efetuado indevidamente ou a  maior.  É o relatório.    Voto             Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1201­002.418,  de  17/08/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10880.968411/2009­ 36, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201­002.418):  "Admissibilidade.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos de admissibilidade, dele devendo­se conhecer.  Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.962069/2008­80  Acórdão n.º 1201­002.423  S1­C2T1  Fl. 4          3 Mérito.  Como  visto,  no  Despacho  Decisório  o  crédito  não  foi  reconhecido  em  face  de  utilização  total  do  pagamento  para  a  amortização de débitos da interessada.  Manejada  a  manifestação  de  inconformidade,  o  fundamento  nela  exposto,  consentâneo  com  a  motivação  do  Despacho Decisório,  não  foi  analisado  na  decisão  de  primeira  instância,  que  não  reconheceu  o  crédito  e  não  homologou  a  compensação  em  face  de  que,  na  hipótese  de  ter  sido  efetuado  pagamento  indevido  ou maior  que  o  devido  de  IRPJ  calculado  por  estimativa,  esse  valor  somente  poderia  ser  utilizado  na  dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração,  ou para compor o saldo negativo de IRPJ.  A  Solução  de  Consulta  Interna  nº  19  ­  Cosit,  de  5  de  dezembro de 2011, assim dispõe:  ESTIMATIVAS.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.   O  art.  11  da  IN  RFB  nº  900,  de  2008,  que  admite  a  restituição ou a compensação de valor pago a maior ou  indevidamente  de  estimativa,  é  preceito  de  caráter  interpretativo  das  normas  materiais  que  definem  a  formação do  indébito na apuração anual do  Imposto de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  ou  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido,  aplicando­se,  portanto,  aos  PER/DCOMP  originais  transmitidos  anteriormente  a  1º  de  janeiro  de  2009  e  que  estejam  pendentes  de  decisão  administrativa.   Caracteriza­se  como  indébito  de  estimativa  inclusive  o  pagamento  a  maior  ou  indevido  efetuado  a  este  título  após o  encerramento do período de apuração,  seja pela  quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do  prazo de vencimento,  seja pelo pagamento em atraso da  estimativa  devida  referente  a  qualquer  mês  do  período,  realizado  em ano  posterior  ao  do  período  da  estimativa  apurada,  mesmo  na  hipótese  de  a  restituição  ter  sido  solicitada ou  a  compensação declarada na  vigência das  IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005.   A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900,  de  2008,  aplica­se  inclusive  aos  PER/DCOMP  retificadores  apresentados  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  2009,  relativos  a  PER/DCOMP  originais  transmitidos  durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004,  e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem  pendentes de decisão administrativa.   A Dcomp  foi  apresentada anteriormente  à  edição da  IN  RFB  nº  900,  de  2008.  Contudo,  o  Despacho  Decisório  só  foi  emitido  após  1º  de  janeiro  de  2009  e,  por  óbvio,  também  a  decisão recorrida.  Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.962069/2008­80  Acórdão n.º 1201­002.423  S1­C2T1  Fl. 5          4 Vê­se, portanto, que o fundamento da decisão de primeira  instância  não  só  não  poderia  ser mais  utilizado, como  também  não foi analisado o fundamento inicial (Despacho Decisório).  Conclusão.  Em  face  do  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  voluntário  para  anular  a  decisão  de  primeira  instância,  com o  retorno dos autos à DRJ de origem."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por anular a  decisão de primeira instância, nos termos do voto acima transcrito.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa                                Fl. 69DF CARF MF

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7438706 #
Numero do processo: 15374.967188/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO. Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer um saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006, da ordem de R$ 188.114,64. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO. Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer um saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006, da ordem de R$ 188.114,64. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 2          1 1  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15374.967188/2009­43  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  1401­002.771  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de julho de 2018  Matéria  IRPJ ­ PER/DCOMP  Recorrente  COMPANHIA PEBB DE PARTICIPAÇÕES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2006  SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO.  Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem  que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer um saldo negativo de IRPJ do ano  calendário de 2006, da ordem de R$ 188.114,64.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves  (Presidente),  Livia  de  Carli  Germano  (Vice­Presidente),  Luiz  Rodrigo  de  Oliveira  Barbosa,  Abel  Nunes  de  Oliveira  Neto,  Cláudio  de  Andrade  Camerano  (Relator),  Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 71 88 /2 00 9- 43 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15374.967188/2009­43  Acórdão n.º 1401­002.771  S1­C4T1  Fl. 3          2     Relatório  Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão proferido pela  DRJ/RJ1  em  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela  Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório.  A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida:  1.  No  dia  21.01.2009,  a  interessada  transmitiu  para  a  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  o  PER/DCOMP  21259.14896.210109.1.3.04­8769 [...], no qual informou possuir  crédito  original  de  R$  89.305,33  na  data  da  transmissão,  oriundo de pagamento indevido de tributo ou em valor maior que  o  devido,  do  qual  utilizou o  valor  original  de R$ 88.937,12  na  compensação de débitos fiscais próprios.  2. Não se homologou a compensação declarada porque, segundo  o  despacho  decisório  proferido  eletronicamente  pela  extinta  DERAT/RJ [...], constatou­se que o crédito alegado já havia sido  integralmente utilizado na quitação de débitos da interessada.  3. Fundamentou­se a decisão nos seguintes dispositivos: artigos  165 e 170 do Código Tributário Nacional (CTN); e art. 74 da Lei  n° 9.430, de 1996.  4.  Cientificada  do  despacho  decisório  em  20.10.2009  [...],  a  interessada apresentou sua manifestação de inconformidade com  ele no dia dezenove seguinte [...]. Preliminarmente, arguiu a sua  nulidade sob a alegação de que lhe falta motivação, sem a qual  fere  o  princípio  constitucional  do  direito  ao  contraditório  e  à  ampla defesa.  5. Sobre o mérito, alegou, em síntese:  5.1. que cometeu um erro material ao informar no PER/DCOMP  que o seu crédito provinha de pagamento indevido de tributo ou  em valor maior que o devido, pois, em verdade, ele se originou  de saldo negativo de imposto de renda;  5.2.  que,  com  efeito,  por  ter  apurado  prejuízo  fiscal  no  ano­ calendário  de  2006,  conforme  denota  a  sua  DIPJ  2007,  os  recolhimentos  efetuados  ao  longo  daquele  ano  por  conta  das  estimativas  do  imposto  resultaram  num  saldo  negativo  de  R$  200.060,00;  5.3.  que,  por  lapso,  informou  no  PER/DCOMP  que  o  crédito  utilizado  na  compensação  declarada  dimanava  (sic)  do  pagamento  da  estimativa  de  janeiro  de  2006,  no  valor  de  R$  89.305,33, efetuado no mês seguinte;  Fl. 143DF CARF MF Processo nº 15374.967188/2009­43  Acórdão n.º 1401­002.771  S1­C4T1  Fl. 4          3 5.4. que mero erro material no preenchimento do PER/DCOMP  não pode servir de fundamento para a negativa da homologação  da  compensação  quando  demonstrada  a  existência  do  crédito  tributário,  uma  vez  que  deve  prevalecer  sempre  a  verdade  material; e  5.5.  que  esse  é  o  entendimento  pacífico  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  conforme  demonstram  as  ementas  de  acórdãos  transcritas  na  manifestação  de  inconformidade.  É o relatório  VOTO  Acolho a manifestação de inconformidade, por ser tempestiva e  reunir os demais requisitos de admissibilidade.  Descarto  a  preliminar  levantada  por  reputá­la  completamente  infundada.  A motivação  do  despacho  decisório  está  estampada  no  seu  quadro  3.  Naquele  quadro,  consta  que  o  crédito  informado  pela  interessada  no  PER/DCOMP  foi  integralmente  utilizado  para  quitação  de  seus  débitos,  estes  declarados,  por  certo,  em  sua  DCTF.  Ao  reconhecer,  na  manifestação,  que  cometeu  erro  ­  grosseiro,  diga­se  a  bem  da  verdade  ­  na  informação da origem do crédito utilizado na compensação, ela  deixou claro que entendeu perfeitamente a motivação da decisão  da autoridade administrativa, razão pela qual é inegável que tal  decisão  não  se  encontra  eivada  do  vício  argüido.  Não  houve,  portanto, cerceamento algum do direito de defesa.  Ultrapassada a preliminar, passo a decidir.  A  despeito  de  eu  comungar  no  entendimento  de  que  erros  materiais são sanáveis, não posso deixar de admitir que alguns  deles  são  tamanhos,  que  não  podem  ser  superados,  na  fase  contenciosa  do  processo,  sem  prejudicar  consideravelmente  os  controles operacionais da RFB.  O  caso  em  foco  é  bastante  ilustrativo  do  que  acabo  de  dizer.  Afinal,  não  bastasse  o  crédito  da  interessada  advir  do  saldo  negativo do imposto de renda e não do recolhimento indevido de  tributo, conforme ela indicou, o pagamento que teria originado o  crédito utilizado na compensação nem mesmo indevido foi; com  ele,  ela apenas  liquidou um débito de estimativa de  imposto de  renda  apurado  em  perfeita  harmonia  ­  é  de  se  supor  ­  com  a  legislação  de  regência  da  matéria,  razão  pela  qual  não  lhe  restou crédito algum.  Diante  disso,  deve­se  refrear  o  ânimo  de,  em  homenagem  ao  principio_ da verdade material, fazer tábula rasa do disposto no  art. 77 da lnstrução Normativa do SRF n° 900, de 2008, segundo  o qual o pedido de  restituição e a declaração de  compensação  somente  poderão  ser  retificados  pelo  sujeito  passivo  caso  se  encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio  do documento retificador, observado o disposto nos artigos 78 e  Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15374.967188/2009­43  Acórdão n.º 1401­002.771  S1­C4T1  Fl. 5          4 79  no  que  se  refere  à  Declaração  de  Compensação.  Portanto,  acolher a alegação apresentada significaria, em última análise,  admitir a retificação intempestiva do PER/DCOMP.  Para sorte da interessada, ainda lhe resta tempo para solicitar a  restituição  do  seu  verdadeiro  crédito  ­  o  saldo  negativo  do  imposto de renda ­ e utilizá­Io na compensação de débitos fiscais  próprios,  na  medida  em  que  não  se  trata  do  mesmo  crédito  postulado no presente PER/DCOMP.  Em  face  do  exposto,  reputo  infundada  a  manifestação  de  inconformidade apresentada e, portanto, também não homologo  a compensação declarada.  Cientificada da decisão do referido acórdão, o Contribuinte interpõe Recurso  Voluntário  onde,  após  um  breve  relato  do  indeferimento  ao  seu  direito  alegado,  reitera  seus  argumentos  expendidos  na manifestação  de  inconformidade,  acrescentado  que  não  formulou  pedido  intempestivo  de  retificação  de  Perd/Dcomp,  sendo  inaplicável  ao  caso  os  citados  dispositivos da IN 900/2008, na decisão recorrida.  É o relatório.    Fl. 145DF CARF MF Processo nº 15374.967188/2009­43  Acórdão n.º 1401­002.771  S1­C4T1  Fl. 6          5     Voto             Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1401­002.770,  de  26/07/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  15374.967189/2009­ 98, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401­002.770):  Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso  Voluntário apresentado, dele conheço.  Conforme  relatoriado,  a  Recorrente  informou  como  crédito  no  Perd/Dcomp  um  valor  pago  a  título  de  estimativa  mensal  de  IRPJ  de  2006  e  posteriormente,  por  ocasião  do  indeferimento  de  seu  pleito,  reconheceu  que  a  natureza  do  crédito que deveria/queria informar seria, na realidade, de saldo  negativo de IRPJ, apurado no ano de 2006.  A Recorrente,  após  cientificada  do Despacho Decisório,  apresentou  sua  Manifestação  de  Inconformidade  onde  reconheceu  o  equívoco  no  preenchimento  do  Perd/Dcomp,  afirmando que detinha saldo negativo de IRPJ suficiente para a  compensação  pleiteada,  apresentando  planilha  com  os  valores  que alega ter recolhido a título de estimativas mensais de IRPJ,  apresentando também DCTF e DARF do valor recolhido e DIPJ  do ano­calendário de 2006.  A  Decisão  de  piso  não  homologou  a  compensação  pleiteada porque tratou a situação da seguinte maneira:  Diante disso, deve­se refrear o ânimo de, em homenagem  ao  principio_  da  verdade material,  fazer  tábula  rasa  do  disposto no art. 77 da lnstrução Normativa do SRF n° 900,  de  2008,  segundo  o  qual  o  pedido  de  restituição  e  a  declaração  de  compensação  somente  poderão  ser  retificados  pelo  sujeito  passivo  caso  se  encontrem  pendentes  de  decisão  administrativa  à  data  do  envio  do  documento  retificador,  observado  o  disposto  nos  artigos  78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação.  Portanto, acolher a alegação apresentada significaria, em  última  análise,  admitir  a  retificação  intempestiva  do  PER/DCOMP.  Ora, tal dispositivo normativo não impede e nem proíbe,  absolutamente, que, constatado erros pontuais no preenchimento  Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15374.967188/2009­43  Acórdão n.º 1401­002.771  S1­C4T1  Fl. 7          6 de um Per/Dcomp, e perfeitamente identificáveis, sejam sanáveis  por parte da Unidade de Origem.  Quer se dizer com isto que a fundamentação da decisão  recorrida não se mostra adequada, sendo inaplicável à situação  em  debate.  Como  lembra  a  Recorrente,  "...não  formulou  qualquer pedido intempestivo de retificação do PER/DCOMP..."  Consta  nos  autos  uma  DCTF  Mensal,  de  março/2006,  Totalização  dos  Tributos  e  Contribuições  Apurados  no  Mês,  onde  consta  débitos  apurados  de  IRPJ  da  ordem  de  R$  188.114,64, uma DCTF mensal de março/2006 Débito Apurado  e Créditos Vinculados de R$ 58.851,62 e DARF deste valor.    Fl. 147DF CARF MF Processo nº 15374.967188/2009­43  Acórdão n.º 1401­002.771  S1­C4T1  Fl. 8          7 Não nos olvidemos, também, de que na decisão recorrida  não se encontra qualquer restrição quanto ao saldo negativo de  IRPJ,  mas,  pelo  contrário,  conforme  se  depreende  do  voto  do  Relator da decisão da DRJ, que assim se posicionou :  Para  sorte  da  interessada,  ainda  lhe  resta  tempo  para  solicitar a restituição do seu verdadeiro crédito ­ o saldo  negativo  do  imposto  de  renda  ­  e  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  fiscais  próprios,  na medida  em  que não se trata do mesmo crédito postulado no presente  PER/DCOMP.  Eu não diria que a Recorrente teria sorte neste caso, até  porque já se passaram mais de cinco anos da apuração do saldo  negativo  de  IRPJ  de  2006,  uma  vez  que,  inexplicavelmente,  após  a  ciência  da  decisão  recorrida  que  se  deu  em  2011  o  processo  ficou  sem  qualquer  movimentação  por  mais  de  oito  anos (!), o que viria a prejudicar, de fato, a Recorrente se tivesse  que transmitir uma nova DCOMP.  De forma que, sob qualquer ângulo que se vê, a decisão  recorrida tratou de forma equivocada o mérito da questão, sendo  forçoso reconhecer o saldo negativo de IRPJ de 2006, limitado,  entretanto, à importância declarada em DCTF, a título de IRPJ,  na importância de R$ 188.114,64.  Portanto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário,  reconhecendo um saldo negativo de IRPJ de 2006 da ordem de  R$ 188.114,64.   É como voto.   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  voto  por  dar  provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo um saldo negativo de IRPJ para o ano­ calendário de 2006 da ordem de R$ 188.114,64.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves                                Fl. 148DF CARF MF

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7441322 #
Numero do processo: 16561.720216/2016-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório. Adota-se o relatório do Acórdão nº 02-73.199 - 3ª Turma da DRJ/BHE (fls. 1.027 a 1.041), com a complementação necessária em seguida: Em 06/12/2016, foram lavrados os dois autos de infração objeto deste processo, nos quais se formaliza a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 71.131.774,99, assim discriminado: Auto de infração de IRPJ – fls. 728/734 Segundo consta do auto de infração de IRPJ, foi apurada a infração a seguir descrita: GANHOS E PERDAS DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE INFRAÇÃO: ALIENAÇÃO OU BAIXA DE INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO VALOR DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO ???Falta de contabilização de ganho de capital apurado na alienação de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido, gerando, em consequência, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme relatório fiscal. ???Fato gerador: 31/12/2011. ???Valor Apurado: R$ 92.957.923,69. ???Multa: 75%. ???Enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 418 e 426 do RIR/99. Auto de infração (reflexo) de CSLL – fls. 735/740 O lançamento de CSLL decorre dos mesmos fatos que caracterizaram a infração descrita no auto de infração de IRPJ. Termo de verificação fiscal Do termo lavrado pela autoridade lançadora a fls. 746/765, destacam-se as seguintes informações: ???O procedimento fiscal abrangeu verificações quanto à apuração de ganho de capital quando de negociação ocorrida no ano calendário de 2011, época em que o contribuinte alienou sua participação no investimento na empresa Jantus SL. ???A Jantus era sediada em Madrid/Espanha e sua única atividade era ser sócia de duas empresas sediadas no Brasil, a saber: SIIF Énergies do Brasil Ltda. e SIIF Desenvolvimento de Projetos de Energia Eólica Ltda., empresas, aliás, que eram, em verdade, os alvos de negociação com a CPFL Comercialização do Brasil S/A. ???A Citipar nasceu da cisão ocorrida em 26/11/10, aprovada em ata de alteração do contrato social da empresa Citicorp Mercantil Participações e Investimentos Ltda., com a finalidade geral de agrupamento de investimentos. ???O valor do investimento na Jantus foi integralmente passado, via cisão, da Citicorp para a Citipar, pelo valor de subscrição e aquisições efetuadas. ???A Citicorp investiu R$ 91.531.461,82 na Jantus, e este valor permaneceu na conta de investimentos dentro da contabilidade da Citipar até dezembro de 2011, quando vendeu a participação e recebeu da CPFL o valor de R$ 92.957.923,69, apurando naquele ano calendário um ganho de capital de R$ 1.426.461,87. ???A Citipar tratava contabilmente o investimento na Jantus pelo custo de aquisição. ???Mas ficou demonstrado nos autos que a Citipar estava obrigada à adoção do método da equivalência patrimonial para avaliação dos seus investimentos naquela sociedade. ???O patrimônio líquido da Jantus já era negativo em R$ 89.992.203,00 no balanço que serviu de base para a negociação de compra e venda, extraído com dois meses de antecedência da celebração do contrato de compra e venda com a CPFL. ???Com relação à participação na Jantus, a Citipar detinha à época da negociação 19,824%, e a Citicorp North América, INC detinha cerca de 8,910%; portanto, o grupo Citi detinha cerca de 28,734%. Estando, ambas, sob o mesmo domínio societário, o procedimento a ser executado era o de equivalência patrimonial, dada a condição de influência direta e indireta na Jantus. ???O valor do investimento contra o patrimônio líquido da fiscalizada apontava um percentual superior a 18%, portanto maior que 15%, indicando à época um investimento relevante, conforme Lei nº 6.404/76, sem as alterações consignadas em 2008, concluindo-se, adicionalmente, pela prática do método da equivalência patrimonial. ???Concluiu-se que a Citipar deveria, obrigatoriamente, registrar o investimento na Jantus pelo método da equivalência patrimonial, resultando no saldo zerado da conta de investimento no momento da alienação de sua participação. Por via reflexa, o valor do ganho de capital apurado seria o próprio valor recebido na venda das suas ações da Jantus, no montante de R$ 92.957.923,69. Ciência do lançamento Em 08/12/2016, por via postal, a contribuinte foi cientificada do auto de infração, conforme aviso de recebimento a fls. 767. Impugnação Em 06/01/2017, conforme termo de solicitação de juntada a fls. 772, foi apresentada a impugnação a fls. 773/805, cujo teor pode ser assim resumido: ???O lançamento é nulo por erro na eleição do fato gerador e da base de cálculo, bem como por erro na aplicação do método da equivalência patrimonial. ???O suposto ganho de capital foi apurado com suporte em balanço patrimonial levantado 80 dias antes do evento de alienação da Jantus, contrariando o quanto disposto no art. 427 do RIR/99 e art. 248, I, da LSA, no sentido de que o método da equivalência patrimonial no caso de liquidação do investimento deve ter como referência o balanço da investida na mesma data ou até 30 dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia. ???A Citipar efetivamente detinha participação de 19,82% do capital da Jantus, sendo possível, portanto, se valer do método do custo de aquisição para avaliação do investimento na Jantus, inclusive para fins de apuração do ganho de capital tributável, sendo irrelevante para este fim a participação de entidade estrangeira associada ao Grupo Citi no capital da Jantus. ???Mesmo na hipótese de apuração do ganho de capital pela avaliação da Jantus segundo o método da equivalência patrimonial, ao contrário do quanto exposto pelo autuante, à época da venda o patrimônio da companhia era positivo, não apresentando passivo a descoberto, conforme balanço auditado pela Ernst & Young Terco Auditores Independentes levantado à época da operação. ???O lançamento foi fundado nas demonstrações financeiras consolidadas da Jantus, quando deveria ter considerado apenas o seu balanço individual, contrariando todo o sistema de tributação nacional, que não admite, seja qual for a finalidade, a eleição de balanços consolidados para a apuração de tributos. ???Na estimativa dos supostos tributos devidos, o autuante não descontou o valor dos rendimentos já tributados pela impugnante no valor de R$ 1.426.461,87. ???Requer a impugnante que seja reconhecida a total improcedência do lançamento, para: a) reconhecer preliminarmente o vício material não sanável incorrido pelas autoridades fiscais na determinação da base de cálculo dos tributos; e b) reconhecer a inexistência de eventual ganho de capital não apurado pela impugnante quando da alienação da Jantus. ???Protesta a impugnante por todos os meios de prova e requer que se converta o julgamento em diligência, caso se acredite oportuno, para confrontar os documentos anexados por cópia com os originais ou esclarecer quaisquer razões de fato pertinentes. No recurso voluntário são reiteradas as razões de impugnação, havendo ainda argumentação relativa à alegada inovação pela DRJ/BHE nos seguintes termos: "Como visto, a DRJ/BHE acolheu a fundamentação apresentada pela Recorrente, no sentido de que o balanço empregado pela dd. autuação supera a defasagem temporal autorizada pela legislação (fls. 1034), o que implicaria na nulidade do lançamento. No entanto, em resposta a alegação do referido vício, a decisão de primeira instância constrói, em prejuízo do contribuinte, nova linha argumentativa que não consta na acusação, transcendendo os limites do processo administrativo em clara inovação fática do lançamento." [...] No caso concreto, a DRJ de forma inovadora busca afastar o argumento de que a companhia teria um patrimônio líquido positivo à época da sua alienação com fundamento nas demonstrações financeiras da Jantus em 31/12/2011 (fls. 971/1020), anexadas aos autos pela Recorrente. [...] É o relatório. Voto. Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Os recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos previstos na legislação, dele devendo-se conhecer. Razões do Recurso Voluntário. A recorrente apresenta diversos questionamentos com os quais pretende sejam os lançamentos declarados improcedentes. Dentre tais questionamentos, a maior extensão do recurso é dedicada a sustentar a nulidade do lançamento por "erro na eleição do fato gerador e da base de cálculo". Tal sustentação está baseada em vários argumentos trazidos no recurso voluntário, dentre os quais são destacados: - no TVF, há a declaração de que a alienação do investimento na Jantus ocorreu em novembro de 2011, quando na realidade foi em dezembro de 2011, mais precisamente no dia 19 desse mês; - a DRJ/BHE reconheceu esse equívoco, mas considerou que o mês de dezembro foi o indicado nos autos de infração como o da data de ocorrência do fato gerador, o que não caracteriza o erro na eleição da data da ocorrência deste; - se reconhecida a data de 19 de dezembro de 2011 como a do negócio, não poderia a fiscalização adotar o balanço da Jantus do mês de setembro, em face do disposto nos artigos 248, inciso I, da LSA, e 427 do RIR/99, mas o da data do evento ou um com defasagem máxima de trinta dias; - "o balanço que mais reflete a situação patrimonial da Jantus é o da data da baixa de investimento: 19/12/2011"; - "entre setembro de 2011 e a data da venda ocorreram eventos que contribuiriam para a melhora da posição patrimonial da Jantus", v.g., a capitalização de empréstimos; - "ocorrida em 15 de dezembro de 2011, a capitalização da Jantus pelos seus credores foi responsável pela redução substancial de seus passivos e aumento do capital ..."; - "o balanço da Jantus na data da venda era positivo. Pode-se verificar pelas demonstrações financeiras da Jantus no encerramento do exercício (dezembro de 2011), auditadas pela Ernst & Young e levantadas em decorrência do evento alienação ...". No voto condutor da decisão de primeira instância (DRJ/BHE), assim se expressou o i. relator (fls. 1.034 a 1.036): Com efeito, o período transcorrido entre a data do balanço consolidado utilizado pelo autuante (em que se apurou passivo a descoberto no valor de R$ 89.902.203,00) e a data de alienação da participação societária, conforme confirmam os elementos constantes dos autos, supera, sim, a defasagem máxima permitida pela legislação de regência. Note-se, porém, que também foram juntadas aos autos as demonstrações financeiras consolidadas da Jantus em 31/12/2011 (fls. 971/1020), as quais, segunda afirma a própria impugnante, foram “levantadas especialmente por ocasião da alienação ocorrida em 19 de dezembro”. Em 31/12/2011, de acordo com o balanço patrimonial a fls. 976, o valor total do patrimônio líquido seria de R$ 292.854.000,00, conforme evidencia a imagem abaixo reproduzida: [omissis] E, das notas explicativas às referidas demonstrações (em milhares de reais), extrai-se, por relevante, o seguinte excerto (fls. 1011): Como parte do processo de venda da Companhia, em 15 de dezembro de 2011, os antigos quotistas aprovaram aumento de capital no montante de EUR 74.969 mil, equivalentes a R$ 181.838, com a emissão de 72.001 quotas, totalmente subscritas e integralizadas através da conversão dos saldos de mútuos existentes entre as partes (Vide Nota 14). A integralização das quotas foi efetuada considerando um prêmio de subscrição de EUR 74.897 mil equivalentes a R$ 181.664, registrado como reserva de capital e R$ 174 lançado como capital social. Adicionalmente, em 19 de dezembro de 2011, como parte do processo de mudança do controle acionário e conforme mencionado na Nota 1 a), a CPFL Energias Renováveis S.A. (único quotista da Companhia) efetuou aumento de capital através da emissão de 141.192 quotas, totalmente subscritas e integralizadas no montante de EUR 145.560 mil equivalentes a R$ 354.439. Essa integralização foi efetuada considerando um prêmio na subscrição das quotas no montante de EUR 145.418 mil, equivalentes a R$ 354.094, registrado como reserva de capital e a diferença R$ 344 lançada na conta de capital social. Como se vê, em 19/12/2011, imediatamente após a mudança do controle acionário, houve um aumento de capital que resultou em um acréscimo do patrimônio líquido no valor de R$ 354.439.000,00. Assim sendo, impõe-se subtrair essa parcela, de R$ 354.439.000,00, do total do patrimônio líquido em 31/12/2011, de R$ 292.854.000,00, obtendo-se, como resultado, um passivo a descoberto, em 19/12/2011, de R$ 61.585.000,00. Em suma, o referido balanço, levantado no mesmo mês da alienação, não somente elimina eventuais incertezas decorrentes da defasagem temporal do balanço anterior, mas também termina por confirmar a tese fiscal de que seria realmente negativo o patrimônio líquido da Jantus em 19/12/2011, data da alienação, de modo que não cabe nenhum reparo nos cálculos elaborados pelo autuante para fins de apuração do ganho de capital. No recurso voluntário, são aduzidas as seguintes considerações em objeção ao quanto exposto no referido voto (fls. 1.263 e 1.264): Inicialmente é preciso esclarecer que o aumento de capital de RS 354 milhões não ocorreu após a mudança de controle, mas no mesmo dia da venda (19/12/2011), confundindo-se com a própria alienação, na medida em que compôs o custo de aquisição do investimento incorrido pelos compradores. Tal informação pode ser extraída da nota 1 (b) das demonstrações financeiras da Jantus (fls. 982): 1. Informações Gerais (...) b) Mudança de controle acionário Em 19 de dezembro de 2011 a CPFL Energias Renováveis S.A. publicou fato relevante ao mercado referente à aquisição da totalidade das quotas da Companhia adquirindo, portanto, indiretamente, a totalidade das quotas da Energies do Brasil Ltda. e da SIIF Desenvolvimento de Projeto de Energia Eólica Ltda., num total de 4 parques eólicos em operação no Estado do Ceará, com capacidade instalada de 210 MW, além de um portfólio de 412 MW em projetos certificados e elegíveis para participação nos próximos leilões de energia e 320 MW em projetos não-certificados. O preço de aquisição das quotas, após os ajustes previstos no Contrato de Compra e Venda, foi de RS 1.498,7 milhões, desembolsados da seguinte forma: (i) RS 468,9 milhões pagos à vista pela CPFL Energias Renováveis aos antigos acionistas da Companhia, (ii) o equivalente em Euros à R$ 354,4 milhões como aumento de capital da Companhia, cujos recursos necessariamente deverão ser utilizados para quitação de obrigações perante terceiros; e (iii) a assunção de dívida líquida do grupo no valor de R$ 675,4 milhões, (grifos nossos) Vale ressaltar que os fatos extemporaneamente narrados pela DRJ são suportados pela nota "15.1 Capital Social" das demonstrações financeiras da Jantus. Mesmo no trecho colacionado pelo r. Acórdão não há qualquer menção no sentido de que o aumento de capital teria ocorrido após a alienação, sendo oportuna a reprodução do excerto do documento (fls. 1.011): [...] Portanto, a desconsideração desse aumento de capital na definição do patrimônio contábil da Jantus equivale a uma falsa recomposição da base de cálculo dos tributos. Não há fato que autorize as autoridades fiscais a considerar não ocorrido o aumento de capital. [...] Na verdade, a argumentação trazida pela DRJ é inteiramente fática, surgindo agora com alegação sobre a situação patrimonial em 19/12/2011 nunca antes afirmada ou infirmada pela fiscalização, em que pese toda essa documentação estivesse inteiramente disponível à fiscalização no período da auditoria. Como bem observou a própria recorrente, existe uma questão de cunho eminentemente fático a ser elucidada, qual seja, a situação patrimonial da Jantus anterior à sua alienação. Mais especificamente, entre o dia 19 de dezembro de 2011 e os trinta dias anteriores. Pelo que foi visto, os autuantes utilizaram para a determinação do ganho de capital na alienação da participação na Jantus pela recorrente um balanço levantado mais de oitenta dias antes desse evento (alienação). Na decisão de piso, utiliza-se o balanço levantado em 31 de dezembro de 2011 para, de forma retroativa, determinar-se o patrimônio líquido em data anterior. Alega, ainda, a recorrente que esse balanço (31/12/2011) foi levantado em decorrência do evento alienação, conforme excerto do recurso voluntário abaixo transcrito (fl. 1.258): A prova cabal do equívoco incorrido pelas dd. autoridades fazendárias é que, efetivamente, o balanço da Jantus na data da venda era positivo. Pode se verificar pelas demonstrações financeiras da Jantus no encerramento do exercício (dezembro de 2011), auditadas pela Ernst & Young e levantadas em decorrência do evento de alienação, mostram que a companhia possuía um patrimônio positivo em centenas de milhares de Reais (fls. 971 a 1020), muito longe do suposto passivo a descoberto suscitado pela fiscalização. Outra argumentação da recorrente é de que o aumento de capital promovido pela adquirente (CPFL) confunde-se com a própria alienação (fl. 1.263): Inicialmente é preciso esclarecer que o aumento de capital de RS 354 milhões não ocorreu após a mudança de controle, mas no mesmo dia da venda (19/12/2011), confundindo-se com a própria alienação, na medida em que compôs o custo de aquisição do investimento incorrido pelos compradores. Tal informação pode ser extraída da nota 1 (b) das demonstrações financeiras da Jantus (fls. 982): Aduziu também a recorrente que, em 16 de dezembro de 2011, ela e os demais acionistas vendedores da Jantus fizeram expedir notificação à adquirente de que a data da venda seria o dia 19 de dezembro desse mesmo ano. Nessa mesma notificação (fls. 837 a 892), ficou determinado que a transação seria orientada pelo balanço contábil da Jantus a ser levantado na data-base de 31 de dezembro de 2011. Em que pese a argumentação da recorrente, com a devida vênia, o balanço levantado em 31 de dezembro de 2011 não pode ser tomado para o fim pretendido, qual seja, indicação do valor do patrimônio líquido da Jantus na data da alienação. E, como visto acima, não serviria a princípio, para que este fosse estipulado conforme efetuado no voto condutor da decisão de piso. Também, a princípio, o aumento de capital da Jantus ocorrido em 19 de dezembro de 2011 não pode ser confundido com a própria alienação, haja vista ter sido levado a efeito pela CPFL (adquirente), único quotista da adquirida (como registrado nas notas explicativas das demonstrações financeiras) e ter ocorrido após essa aquisição, embora no mesmo dia, segundo o informado nas notas explicativas. Vale ressaltar, a título de informação, que na decisão de piso ficou assim evidenciado (fl. 1.036): E, ao revés do que defende a impugnante, não há nenhum desacerto em se levar em consideração a soma das participações na coligada das duas sociedades integrantes de mesmo grupo econômico, haja vista que, como é cediço, a essência dos fatos deve sempre prevalecer sobre a forma, mormente quando se sabe que, nem mesmo por ocasião de sua aquisição (quando era de 37,19% o percentual de participação), o investimento chegou a ser avaliado, como deveria, pelo valor de patrimônio líquido, cabendo ainda ressaltar que a última redução da participação da Citipar na Jantus, de 31,60% para 19,82%, somente veio a ocorrer em 15/12/2011 (fls. 662/665), ou seja, apenas quatro dias antes da efetivação da venda. Conclusão. Assim, considerando-se os argumentos de que "entre setembro de 2011 e a data da venda ocorreram eventos que contribuiriam para a melhora da posição patrimonial da Jantus"; que, "ocorrida em 15 de dezembro de 2011, a capitalização da Jantus pelos seus credores foi responsável pela redução substancial de seus passivos e aumento do capital" e, ainda, o artigo 248 da LSAs, em especial o seu § 2°, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a recorrente seja intimada a apresentar balanço da Jantus (empresa cuja participação foi alienada), tendo como base algum dos trinta dias anteriores ao da alienação. Apresentado tal balanço, deverá ser designado Auditor-Fiscal da unidade da RFB da circunscrição da contribuinte para proceder ao cálculo tendo em vista a determinação do ganho de capital, da mesma forma como ocorreu nos autos de infração, levando-se em conta o valor do patrimônio líquido registrado. A contribuinte poderá ser intimada a apresentar escrituração e documentos contábeis. A conclusão quanto a essa análise deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência à contribuinte para que, querendo, manifeste-se no prazo de trinta dias. Após, o processo deverá retornar ao CARF. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa que davam provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório. Adota-se o relatório do Acórdão nº 02-73.199 - 3ª Turma da DRJ/BHE (fls. 1.027 a 1.041), com a complementação necessária em seguida: Em 06/12/2016, foram lavrados os dois autos de infração objeto deste processo, nos quais se formaliza a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 71.131.774,99, assim discriminado: Auto de infração de IRPJ – fls. 728/734 Segundo consta do auto de infração de IRPJ, foi apurada a infração a seguir descrita: GANHOS E PERDAS DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE INFRAÇÃO: ALIENAÇÃO OU BAIXA DE INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO VALOR DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO ???Falta de contabilização de ganho de capital apurado na alienação de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido, gerando, em consequência, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme relatório fiscal. ???Fato gerador: 31/12/2011. ???Valor Apurado: R$ 92.957.923,69. ???Multa: 75%. ???Enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 418 e 426 do RIR/99. Auto de infração (reflexo) de CSLL – fls. 735/740 O lançamento de CSLL decorre dos mesmos fatos que caracterizaram a infração descrita no auto de infração de IRPJ. Termo de verificação fiscal Do termo lavrado pela autoridade lançadora a fls. 746/765, destacam-se as seguintes informações: ???O procedimento fiscal abrangeu verificações quanto à apuração de ganho de capital quando de negociação ocorrida no ano calendário de 2011, época em que o contribuinte alienou sua participação no investimento na empresa Jantus SL. ???A Jantus era sediada em Madrid/Espanha e sua única atividade era ser sócia de duas empresas sediadas no Brasil, a saber: SIIF Énergies do Brasil Ltda. e SIIF Desenvolvimento de Projetos de Energia Eólica Ltda., empresas, aliás, que eram, em verdade, os alvos de negociação com a CPFL Comercialização do Brasil S/A. ???A Citipar nasceu da cisão ocorrida em 26/11/10, aprovada em ata de alteração do contrato social da empresa Citicorp Mercantil Participações e Investimentos Ltda., com a finalidade geral de agrupamento de investimentos. ???O valor do investimento na Jantus foi integralmente passado, via cisão, da Citicorp para a Citipar, pelo valor de subscrição e aquisições efetuadas. ???A Citicorp investiu R$ 91.531.461,82 na Jantus, e este valor permaneceu na conta de investimentos dentro da contabilidade da Citipar até dezembro de 2011, quando vendeu a participação e recebeu da CPFL o valor de R$ 92.957.923,69, apurando naquele ano calendário um ganho de capital de R$ 1.426.461,87. ???A Citipar tratava contabilmente o investimento na Jantus pelo custo de aquisição. ???Mas ficou demonstrado nos autos que a Citipar estava obrigada à adoção do método da equivalência patrimonial para avaliação dos seus investimentos naquela sociedade. ???O patrimônio líquido da Jantus já era negativo em R$ 89.992.203,00 no balanço que serviu de base para a negociação de compra e venda, extraído com dois meses de antecedência da celebração do contrato de compra e venda com a CPFL. ???Com relação à participação na Jantus, a Citipar detinha à época da negociação 19,824%, e a Citicorp North América, INC detinha cerca de 8,910%; portanto, o grupo Citi detinha cerca de 28,734%. Estando, ambas, sob o mesmo domínio societário, o procedimento a ser executado era o de equivalência patrimonial, dada a condição de influência direta e indireta na Jantus. ???O valor do investimento contra o patrimônio líquido da fiscalizada apontava um percentual superior a 18%, portanto maior que 15%, indicando à época um investimento relevante, conforme Lei nº 6.404/76, sem as alterações consignadas em 2008, concluindo-se, adicionalmente, pela prática do método da equivalência patrimonial. ???Concluiu-se que a Citipar deveria, obrigatoriamente, registrar o investimento na Jantus pelo método da equivalência patrimonial, resultando no saldo zerado da conta de investimento no momento da alienação de sua participação. Por via reflexa, o valor do ganho de capital apurado seria o próprio valor recebido na venda das suas ações da Jantus, no montante de R$ 92.957.923,69. Ciência do lançamento Em 08/12/2016, por via postal, a contribuinte foi cientificada do auto de infração, conforme aviso de recebimento a fls. 767. Impugnação Em 06/01/2017, conforme termo de solicitação de juntada a fls. 772, foi apresentada a impugnação a fls. 773/805, cujo teor pode ser assim resumido: ???O lançamento é nulo por erro na eleição do fato gerador e da base de cálculo, bem como por erro na aplicação do método da equivalência patrimonial. ???O suposto ganho de capital foi apurado com suporte em balanço patrimonial levantado 80 dias antes do evento de alienação da Jantus, contrariando o quanto disposto no art. 427 do RIR/99 e art. 248, I, da LSA, no sentido de que o método da equivalência patrimonial no caso de liquidação do investimento deve ter como referência o balanço da investida na mesma data ou até 30 dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia. ???A Citipar efetivamente detinha participação de 19,82% do capital da Jantus, sendo possível, portanto, se valer do método do custo de aquisição para avaliação do investimento na Jantus, inclusive para fins de apuração do ganho de capital tributável, sendo irrelevante para este fim a participação de entidade estrangeira associada ao Grupo Citi no capital da Jantus. ???Mesmo na hipótese de apuração do ganho de capital pela avaliação da Jantus segundo o método da equivalência patrimonial, ao contrário do quanto exposto pelo autuante, à época da venda o patrimônio da companhia era positivo, não apresentando passivo a descoberto, conforme balanço auditado pela Ernst & Young Terco Auditores Independentes levantado à época da operação. ???O lançamento foi fundado nas demonstrações financeiras consolidadas da Jantus, quando deveria ter considerado apenas o seu balanço individual, contrariando todo o sistema de tributação nacional, que não admite, seja qual for a finalidade, a eleição de balanços consolidados para a apuração de tributos. ???Na estimativa dos supostos tributos devidos, o autuante não descontou o valor dos rendimentos já tributados pela impugnante no valor de R$ 1.426.461,87. ???Requer a impugnante que seja reconhecida a total improcedência do lançamento, para: a) reconhecer preliminarmente o vício material não sanável incorrido pelas autoridades fiscais na determinação da base de cálculo dos tributos; e b) reconhecer a inexistência de eventual ganho de capital não apurado pela impugnante quando da alienação da Jantus. ???Protesta a impugnante por todos os meios de prova e requer que se converta o julgamento em diligência, caso se acredite oportuno, para confrontar os documentos anexados por cópia com os originais ou esclarecer quaisquer razões de fato pertinentes. No recurso voluntário são reiteradas as razões de impugnação, havendo ainda argumentação relativa à alegada inovação pela DRJ/BHE nos seguintes termos: "Como visto, a DRJ/BHE acolheu a fundamentação apresentada pela Recorrente, no sentido de que o balanço empregado pela dd. autuação supera a defasagem temporal autorizada pela legislação (fls. 1034), o que implicaria na nulidade do lançamento. No entanto, em resposta a alegação do referido vício, a decisão de primeira instância constrói, em prejuízo do contribuinte, nova linha argumentativa que não consta na acusação, transcendendo os limites do processo administrativo em clara inovação fática do lançamento." [...] No caso concreto, a DRJ de forma inovadora busca afastar o argumento de que a companhia teria um patrimônio líquido positivo à época da sua alienação com fundamento nas demonstrações financeiras da Jantus em 31/12/2011 (fls. 971/1020), anexadas aos autos pela Recorrente. [...] É o relatório. Voto. Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Os recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos previstos na legislação, dele devendo-se conhecer. Razões do Recurso Voluntário. A recorrente apresenta diversos questionamentos com os quais pretende sejam os lançamentos declarados improcedentes. Dentre tais questionamentos, a maior extensão do recurso é dedicada a sustentar a nulidade do lançamento por "erro na eleição do fato gerador e da base de cálculo". Tal sustentação está baseada em vários argumentos trazidos no recurso voluntário, dentre os quais são destacados: - no TVF, há a declaração de que a alienação do investimento na Jantus ocorreu em novembro de 2011, quando na realidade foi em dezembro de 2011, mais precisamente no dia 19 desse mês; - a DRJ/BHE reconheceu esse equívoco, mas considerou que o mês de dezembro foi o indicado nos autos de infração como o da data de ocorrência do fato gerador, o que não caracteriza o erro na eleição da data da ocorrência deste; - se reconhecida a data de 19 de dezembro de 2011 como a do negócio, não poderia a fiscalização adotar o balanço da Jantus do mês de setembro, em face do disposto nos artigos 248, inciso I, da LSA, e 427 do RIR/99, mas o da data do evento ou um com defasagem máxima de trinta dias; - "o balanço que mais reflete a situação patrimonial da Jantus é o da data da baixa de investimento: 19/12/2011"; - "entre setembro de 2011 e a data da venda ocorreram eventos que contribuiriam para a melhora da posição patrimonial da Jantus", v.g., a capitalização de empréstimos; - "ocorrida em 15 de dezembro de 2011, a capitalização da Jantus pelos seus credores foi responsável pela redução substancial de seus passivos e aumento do capital ..."; - "o balanço da Jantus na data da venda era positivo. Pode-se verificar pelas demonstrações financeiras da Jantus no encerramento do exercício (dezembro de 2011), auditadas pela Ernst & Young e levantadas em decorrência do evento alienação ...". No voto condutor da decisão de primeira instância (DRJ/BHE), assim se expressou o i. relator (fls. 1.034 a 1.036): Com efeito, o período transcorrido entre a data do balanço consolidado utilizado pelo autuante (em que se apurou passivo a descoberto no valor de R$ 89.902.203,00) e a data de alienação da participação societária, conforme confirmam os elementos constantes dos autos, supera, sim, a defasagem máxima permitida pela legislação de regência. Note-se, porém, que também foram juntadas aos autos as demonstrações financeiras consolidadas da Jantus em 31/12/2011 (fls. 971/1020), as quais, segunda afirma a própria impugnante, foram “levantadas especialmente por ocasião da alienação ocorrida em 19 de dezembro”. Em 31/12/2011, de acordo com o balanço patrimonial a fls. 976, o valor total do patrimônio líquido seria de R$ 292.854.000,00, conforme evidencia a imagem abaixo reproduzida: [omissis] E, das notas explicativas às referidas demonstrações (em milhares de reais), extrai-se, por relevante, o seguinte excerto (fls. 1011): Como parte do processo de venda da Companhia, em 15 de dezembro de 2011, os antigos quotistas aprovaram aumento de capital no montante de EUR 74.969 mil, equivalentes a R$ 181.838, com a emissão de 72.001 quotas, totalmente subscritas e integralizadas através da conversão dos saldos de mútuos existentes entre as partes (Vide Nota 14). A integralização das quotas foi efetuada considerando um prêmio de subscrição de EUR 74.897 mil equivalentes a R$ 181.664, registrado como reserva de capital e R$ 174 lançado como capital social. Adicionalmente, em 19 de dezembro de 2011, como parte do processo de mudança do controle acionário e conforme mencionado na Nota 1 a), a CPFL Energias Renováveis S.A. (único quotista da Companhia) efetuou aumento de capital através da emissão de 141.192 quotas, totalmente subscritas e integralizadas no montante de EUR 145.560 mil equivalentes a R$ 354.439. Essa integralização foi efetuada considerando um prêmio na subscrição das quotas no montante de EUR 145.418 mil, equivalentes a R$ 354.094, registrado como reserva de capital e a diferença R$ 344 lançada na conta de capital social. Como se vê, em 19/12/2011, imediatamente após a mudança do controle acionário, houve um aumento de capital que resultou em um acréscimo do patrimônio líquido no valor de R$ 354.439.000,00. Assim sendo, impõe-se subtrair essa parcela, de R$ 354.439.000,00, do total do patrimônio líquido em 31/12/2011, de R$ 292.854.000,00, obtendo-se, como resultado, um passivo a descoberto, em 19/12/2011, de R$ 61.585.000,00. Em suma, o referido balanço, levantado no mesmo mês da alienação, não somente elimina eventuais incertezas decorrentes da defasagem temporal do balanço anterior, mas também termina por confirmar a tese fiscal de que seria realmente negativo o patrimônio líquido da Jantus em 19/12/2011, data da alienação, de modo que não cabe nenhum reparo nos cálculos elaborados pelo autuante para fins de apuração do ganho de capital. No recurso voluntário, são aduzidas as seguintes considerações em objeção ao quanto exposto no referido voto (fls. 1.263 e 1.264): Inicialmente é preciso esclarecer que o aumento de capital de RS 354 milhões não ocorreu após a mudança de controle, mas no mesmo dia da venda (19/12/2011), confundindo-se com a própria alienação, na medida em que compôs o custo de aquisição do investimento incorrido pelos compradores. Tal informação pode ser extraída da nota 1 (b) das demonstrações financeiras da Jantus (fls. 982): 1. Informações Gerais (...) b) Mudança de controle acionário Em 19 de dezembro de 2011 a CPFL Energias Renováveis S.A. publicou fato relevante ao mercado referente à aquisição da totalidade das quotas da Companhia adquirindo, portanto, indiretamente, a totalidade das quotas da Energies do Brasil Ltda. e da SIIF Desenvolvimento de Projeto de Energia Eólica Ltda., num total de 4 parques eólicos em operação no Estado do Ceará, com capacidade instalada de 210 MW, além de um portfólio de 412 MW em projetos certificados e elegíveis para participação nos próximos leilões de energia e 320 MW em projetos não-certificados. O preço de aquisição das quotas, após os ajustes previstos no Contrato de Compra e Venda, foi de RS 1.498,7 milhões, desembolsados da seguinte forma: (i) RS 468,9 milhões pagos à vista pela CPFL Energias Renováveis aos antigos acionistas da Companhia, (ii) o equivalente em Euros à R$ 354,4 milhões como aumento de capital da Companhia, cujos recursos necessariamente deverão ser utilizados para quitação de obrigações perante terceiros; e (iii) a assunção de dívida líquida do grupo no valor de R$ 675,4 milhões, (grifos nossos) Vale ressaltar que os fatos extemporaneamente narrados pela DRJ são suportados pela nota "15.1 Capital Social" das demonstrações financeiras da Jantus. Mesmo no trecho colacionado pelo r. Acórdão não há qualquer menção no sentido de que o aumento de capital teria ocorrido após a alienação, sendo oportuna a reprodução do excerto do documento (fls. 1.011): [...] Portanto, a desconsideração desse aumento de capital na definição do patrimônio contábil da Jantus equivale a uma falsa recomposição da base de cálculo dos tributos. Não há fato que autorize as autoridades fiscais a considerar não ocorrido o aumento de capital. [...] Na verdade, a argumentação trazida pela DRJ é inteiramente fática, surgindo agora com alegação sobre a situação patrimonial em 19/12/2011 nunca antes afirmada ou infirmada pela fiscalização, em que pese toda essa documentação estivesse inteiramente disponível à fiscalização no período da auditoria. Como bem observou a própria recorrente, existe uma questão de cunho eminentemente fático a ser elucidada, qual seja, a situação patrimonial da Jantus anterior à sua alienação. Mais especificamente, entre o dia 19 de dezembro de 2011 e os trinta dias anteriores. Pelo que foi visto, os autuantes utilizaram para a determinação do ganho de capital na alienação da participação na Jantus pela recorrente um balanço levantado mais de oitenta dias antes desse evento (alienação). Na decisão de piso, utiliza-se o balanço levantado em 31 de dezembro de 2011 para, de forma retroativa, determinar-se o patrimônio líquido em data anterior. Alega, ainda, a recorrente que esse balanço (31/12/2011) foi levantado em decorrência do evento alienação, conforme excerto do recurso voluntário abaixo transcrito (fl. 1.258): A prova cabal do equívoco incorrido pelas dd. autoridades fazendárias é que, efetivamente, o balanço da Jantus na data da venda era positivo. Pode se verificar pelas demonstrações financeiras da Jantus no encerramento do exercício (dezembro de 2011), auditadas pela Ernst & Young e levantadas em decorrência do evento de alienação, mostram que a companhia possuía um patrimônio positivo em centenas de milhares de Reais (fls. 971 a 1020), muito longe do suposto passivo a descoberto suscitado pela fiscalização. Outra argumentação da recorrente é de que o aumento de capital promovido pela adquirente (CPFL) confunde-se com a própria alienação (fl. 1.263): Inicialmente é preciso esclarecer que o aumento de capital de RS 354 milhões não ocorreu após a mudança de controle, mas no mesmo dia da venda (19/12/2011), confundindo-se com a própria alienação, na medida em que compôs o custo de aquisição do investimento incorrido pelos compradores. Tal informação pode ser extraída da nota 1 (b) das demonstrações financeiras da Jantus (fls. 982): Aduziu também a recorrente que, em 16 de dezembro de 2011, ela e os demais acionistas vendedores da Jantus fizeram expedir notificação à adquirente de que a data da venda seria o dia 19 de dezembro desse mesmo ano. Nessa mesma notificação (fls. 837 a 892), ficou determinado que a transação seria orientada pelo balanço contábil da Jantus a ser levantado na data-base de 31 de dezembro de 2011. Em que pese a argumentação da recorrente, com a devida vênia, o balanço levantado em 31 de dezembro de 2011 não pode ser tomado para o fim pretendido, qual seja, indicação do valor do patrimônio líquido da Jantus na data da alienação. E, como visto acima, não serviria a princípio, para que este fosse estipulado conforme efetuado no voto condutor da decisão de piso. Também, a princípio, o aumento de capital da Jantus ocorrido em 19 de dezembro de 2011 não pode ser confundido com a própria alienação, haja vista ter sido levado a efeito pela CPFL (adquirente), único quotista da adquirida (como registrado nas notas explicativas das demonstrações financeiras) e ter ocorrido após essa aquisição, embora no mesmo dia, segundo o informado nas notas explicativas. Vale ressaltar, a título de informação, que na decisão de piso ficou assim evidenciado (fl. 1.036): E, ao revés do que defende a impugnante, não há nenhum desacerto em se levar em consideração a soma das participações na coligada das duas sociedades integrantes de mesmo grupo econômico, haja vista que, como é cediço, a essência dos fatos deve sempre prevalecer sobre a forma, mormente quando se sabe que, nem mesmo por ocasião de sua aquisição (quando era de 37,19% o percentual de participação), o investimento chegou a ser avaliado, como deveria, pelo valor de patrimônio líquido, cabendo ainda ressaltar que a última redução da participação da Citipar na Jantus, de 31,60% para 19,82%, somente veio a ocorrer em 15/12/2011 (fls. 662/665), ou seja, apenas quatro dias antes da efetivação da venda. Conclusão. Assim, considerando-se os argumentos de que "entre setembro de 2011 e a data da venda ocorreram eventos que contribuiriam para a melhora da posição patrimonial da Jantus"; que, "ocorrida em 15 de dezembro de 2011, a capitalização da Jantus pelos seus credores foi responsável pela redução substancial de seus passivos e aumento do capital" e, ainda, o artigo 248 da LSAs, em especial o seu § 2°, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a recorrente seja intimada a apresentar balanço da Jantus (empresa cuja participação foi alienada), tendo como base algum dos trinta dias anteriores ao da alienação. Apresentado tal balanço, deverá ser designado Auditor-Fiscal da unidade da RFB da circunscrição da contribuinte para proceder ao cálculo tendo em vista a determinação do ganho de capital, da mesma forma como ocorreu nos autos de infração, levando-se em conta o valor do patrimônio líquido registrado. A contribuinte poderá ser intimada a apresentar escrituração e documentos contábeis. A conclusão quanto a essa análise deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência à contribuinte para que, querendo, manifeste-se no prazo de trinta dias. Após, o processo deverá retornar ao CARF. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar

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1201­000.603  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  17 de agosto de 2018  Assunto  AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  CITI PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  voto  de  qualidade,  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  voto  do  relator.  Vencidos  os  conselheiros  Luis  Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra  Bossa  que  davam  provimento  ao  recurso  voluntário.  O  conselheiro  Luis  Henrique  Marotti  Toselli apresentará declaração de voto.    (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Paulo Cezar Fernandes de Aguiar ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Eva  Maria  Los,  Luis  Fabiano  Alves  Penteado,  José  Carlos  de  Assis  Guimarães,  Luis  Henrique  Marotti  Toselli,  Rafael  Gasparello  Lima,  Paulo  Cezar  Fernandes  de  Aguiar,  Gisele  Barra  Bossa  e  Ester  Marques Lins de Sousa.               RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 21 6/ 20 16 -4 5 Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 16561.720216/2016­45  Resolução nº  1201­000.603  S1­C2T1  Fl. 3          2 Relatório.  Adota­se  o  relatório  do  Acórdão  nº  02­73.199  ­  3ª  Turma  da  DRJ/BHE  (fls.  1.027 a 1.041), com a complementação necessária em seguida:  Em 06/12/2016, foram lavrados os dois autos de infração objeto deste processo,  nos  quais  se  formaliza  a  exigência  de  crédito  tributário  no  valor  total  de  R$  71.131.774,99, assim discriminado:     Auto de infração de IRPJ – fls. 728/734  Segundo  consta  do  auto  de  infração  de  IRPJ,  foi  apurada  a  infração  a  seguir  descrita:  GANHOS  E  PERDAS  DE  CAPITAL  APURADOS  INCORRETAMENTE  INFRAÇÃO: ALIENAÇÃO OU BAIXA DE INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO  VALOR DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO   · Falta  de  contabilização  de  ganho  de  capital  apurado  na  alienação  de  investimento  avaliado  pelo  valor  de  patrimônio  líquido,  gerando,  em  consequência,  redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme relatório fiscal.  · Fato gerador: 31/12/2011.  · Valor Apurado: R$ 92.957.923,69.  · Multa: 75%.  · Enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II,  251, 418 e 426 do RIR/99.  Auto de infração (reflexo) de CSLL – fls. 735/740  O lançamento de CSLL decorre dos mesmos fatos que caracterizaram a infração  descrita no auto de infração de IRPJ.  Termo de verificação fiscal   Do  termo  lavrado  pela  autoridade  lançadora  a  fls.  746/765,  destacam­se  as  seguintes informações:  · O procedimento  fiscal  abrangeu  verificações  quanto  à  apuração  de  ganho de  capital  quando  de  negociação  ocorrida  no  ano  calendário  de  2011,  época  em  que  o  contribuinte alienou sua participação no investimento na empresa Jantus SL.  · A Jantus era sediada em Madrid/Espanha e sua única atividade era ser sócia de  duas  empresas  sediadas  no  Brasil,  a  saber:  SIIF  Énergies  do  Brasil  Ltda.  e  SIIF  Desenvolvimento de Projetos de Energia Eólica Ltda.,  empresas,  aliás,  que  eram,  em  verdade, os alvos de negociação com a CPFL Comercialização do Brasil S/A.  Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 16561.720216/2016­45  Resolução nº  1201­000.603  S1­C2T1  Fl. 4          3 · A Citipar nasceu da cisão ocorrida em 26/11/10, aprovada em ata de alteração  do contrato social da empresa Citicorp Mercantil Participações e  Investimentos Ltda.,  com a finalidade geral de agrupamento de investimentos.  · O  valor  do  investimento  na  Jantus  foi  integralmente  passado,  via  cisão,  da  Citicorp para a Citipar, pelo valor de subscrição e aquisições efetuadas.  · A Citicorp  investiu R$ 91.531.461,82  na  Jantus,  e  este  valor  permaneceu na  conta  de  investimentos  dentro  da  contabilidade  da  Citipar  até  dezembro  de  2011,  quando  vendeu  a  participação  e  recebeu  da  CPFL  o  valor  de  R$  92.957.923,69,  apurando naquele ano calendário um ganho de capital de R$ 1.426.461,87.  · A  Citipar  tratava  contabilmente  o  investimento  na  Jantus  pelo  custo  de  aquisição.  · Mas  ficou demonstrado nos  autos que  a Citipar  estava obrigada  à  adoção do  método  da  equivalência  patrimonial  para  avaliação  dos  seus  investimentos  naquela  sociedade.  · O  patrimônio  líquido  da  Jantus  já  era  negativo  em  R$  89.992.203,00  no  balanço que  serviu de base para  a negociação de  compra  e  venda,  extraído  com dois  meses de antecedência da celebração do contrato de compra e venda com a CPFL.  · Com relação à participação na Jantus, a Citipar detinha à época da negociação  19,824%, e a Citicorp North América, INC detinha cerca de 8,910%; portanto, o grupo  Citi  detinha  cerca  de  28,734%.  Estando,  ambas,  sob  o  mesmo  domínio  societário,  o  procedimento  a  ser  executado  era  o  de  equivalência  patrimonial,  dada  a  condição  de  influência direta e indireta na Jantus.  · O valor  do  investimento  contra  o  patrimônio  líquido  da  fiscalizada  apontava  um  percentual  superior  a  18%,  portanto  maior  que  15%,  indicando  à  época  um  investimento  relevante,  conforme Lei  nº  6.404/76,  sem  as  alterações  consignadas  em  2008,  concluindo­se,  adicionalmente,  pela  prática  do  método  da  equivalência  patrimonial.  · Concluiu­se que  a Citipar deveria,  obrigatoriamente,  registrar o  investimento  na Jantus pelo método da equivalência patrimonial, resultando no saldo zerado da conta  de investimento no momento da alienação de sua participação. Por via reflexa, o valor  do ganho de capital apurado seria o próprio valor recebido na venda das suas ações da  Jantus, no montante de R$ 92.957.923,69.  Ciência do lançamento   Em 08/12/2016, por via postal, a contribuinte foi cientificada do auto de infração,  conforme aviso de recebimento a fls. 767.  Impugnação   Em  06/01/2017,  conforme  termo  de  solicitação  de  juntada  a  fls.  772,  foi  apresentada a impugnação a fls. 773/805, cujo teor pode ser assim resumido:  · O lançamento é nulo por erro na eleição do fato gerador e da base de cálculo,  bem como por erro na aplicação do método da equivalência patrimonial.  · O suposto ganho de capital  foi apurado com suporte em balanço patrimonial  levantado  80  dias  antes  do  evento  de  alienação  da  Jantus,  contrariando  o  quanto  disposto no art. 427 do RIR/99 e art. 248, I, da LSA, no sentido de que o método da  Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 16561.720216/2016­45  Resolução nº  1201­000.603  S1­C2T1  Fl. 5          4 equivalência  patrimonial  no  caso  de  liquidação  do  investimento  deve  ter  como  referência o balanço da investida na mesma data ou até 30 dias, no máximo, antes da  data do balanço da companhia.  · A Citipar  efetivamente  detinha  participação  de  19,82% do  capital  da  Jantus,  sendo possível, portanto,  se valer do método do custo de aquisição para avaliação do  investimento na Jantus, inclusive para fins de apuração do ganho de capital tributável,  sendo  irrelevante  para  este  fim  a  participação  de  entidade  estrangeira  associada  ao  Grupo Citi no capital da Jantus.  · Mesmo na hipótese de apuração do ganho de capital pela avaliação da Jantus  segundo  o método  da  equivalência  patrimonial,  ao  contrário  do  quanto  exposto  pelo  autuante, à época da venda o patrimônio da companhia era positivo, não apresentando  passivo a descoberto, conforme balanço auditado pela Ernst & Young Terco Auditores  Independentes levantado à época da operação.  · O  lançamento  foi  fundado  nas  demonstrações  financeiras  consolidadas  da  Jantus,  quando deveria  ter  considerado  apenas  o  seu  balanço  individual,  contrariando  todo  o  sistema  de  tributação  nacional,  que  não  admite,  seja  qual  for  a  finalidade,  a  eleição de balanços consolidados para a apuração de tributos.  · Na estimativa dos supostos tributos devidos, o autuante não descontou o valor  dos rendimentos já tributados pela impugnante no valor de R$ 1.426.461,87.  · Requer  a  impugnante  que  seja  reconhecida  a  total  improcedência  do  lançamento, para: a) reconhecer preliminarmente o vício material não sanável incorrido  pelas  autoridades  fiscais  na  determinação  da  base  de  cálculo  dos  tributos;  e  b)  reconhecer  a  inexistência  de  eventual  ganho  de  capital  não  apurado  pela  impugnante  quando da alienação da Jantus.  · Protesta a impugnante por todos os meios de prova e requer que se converta o  julgamento  em  diligência,  caso  se  acredite  oportuno,  para  confrontar  os  documentos  anexados por cópia com os originais ou esclarecer quaisquer razões de fato pertinentes.  No  recurso  voluntário  são  reiteradas  as  razões  de  impugnação,  havendo  ainda  argumentação relativa à alegada inovação pela DRJ/BHE nos seguintes termos:  "Como visto, a DRJ/BHE acolheu a fundamentação apresentada pela Recorrente,  no sentido de que o balanço empregado pela dd. autuação supera a defasagem temporal  autorizada pela legislação (fls. 1034), o que implicaria na nulidade do lançamento. No  entanto,  em  resposta  a  alegação  do  referido  vício,  a  decisão  de  primeira  instância  constrói,  em  prejuízo  do  contribuinte,  nova  linha  argumentativa  que  não  consta  na  acusação, transcendendo os limites do processo administrativo em clara inovação fática  do lançamento."  [...]  No caso concreto, a DRJ de forma inovadora busca afastar o argumento de que a  companhia  teria  um  patrimônio  líquido  positivo  à  época  da  sua  alienação  com  fundamento  nas  demonstrações  financeiras  da  Jantus  em  31/12/2011  (fls.  971/1020),  anexadas aos autos pela Recorrente.   [...]  É o relatório.  Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 16561.720216/2016­45  Resolução nº  1201­000.603  S1­C2T1  Fl. 6          5 Voto.  Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator.  Admissibilidade.  Os recurso voluntário é  tempestivo e atende aos demais pressupostos previstos  na legislação, dele devendo­se conhecer.  Razões do Recurso Voluntário.  A recorrente apresenta diversos questionamentos com os quais pretende sejam  os lançamentos declarados improcedentes.  Dentre tais questionamentos, a maior extensão do recurso é dedicada a sustentar  a nulidade do lançamento por "erro na eleição do fato gerador e da base de cálculo".  Tal  sustentação  está  baseada  em  vários  argumentos  trazidos  no  recurso  voluntário, dentre os quais são destacados:  ­ no TVF, há a declaração de que a alienação do investimento na Jantus ocorreu  em novembro de 2011, quando na realidade foi em dezembro de 2011, mais precisamente no  dia 19 desse mês;  ­  a  DRJ/BHE  reconheceu  esse  equívoco,  mas  considerou  que  o  mês  de  dezembro foi o indicado nos autos de infração como o da data de ocorrência do fato gerador, o  que não caracteriza o erro na eleição da data da ocorrência deste;  ­  se  reconhecida  a  data  de  19  de  dezembro  de  2011  como  a  do  negócio,  não  poderia a fiscalização adotar o balanço da Jantus do mês de setembro, em face do disposto nos  artigos 248, inciso I, da LSA, e 427 do RIR/99, mas o da data do evento ou um com defasagem  máxima de trinta dias;  ­  "o  balanço  que mais  reflete  a  situação  patrimonial  da  Jantus  é  o  da  data  da  baixa de investimento: 19/12/2011";  ­  "entre  setembro  de  2011  e  a  data  da  venda  ocorreram  eventos  que  contribuiriam  para  a  melhora  da  posição  patrimonial  da  Jantus",  v.g.,  a  capitalização  de  empréstimos;  ­  "ocorrida  em  15  de  dezembro  de  2011,  a  capitalização  da  Jantus  pelos  seus  credores foi responsável pela redução substancial de seus passivos e aumento do capital ...";  ­  "o  balanço  da  Jantus  na  data  da  venda  era  positivo.  Pode­se  verificar  pelas  demonstrações  financeiras  da  Jantus  no  encerramento  do  exercício  (dezembro  de  2011),  auditadas pela Ernst & Young e levantadas em decorrência do evento alienação ...".  No  voto  condutor  da  decisão  de  primeira  instância  (DRJ/BHE),  assim  se  expressou o i. relator (fls. 1.034 a 1.036):  Com efeito, o período transcorrido entre a data do balanço consolidado utilizado  pelo autuante (em que se apurou passivo a descoberto no valor de R$ 89.902.203,00) e  Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 16561.720216/2016­45  Resolução nº  1201­000.603  S1­C2T1  Fl. 7          6 a  data  de  alienação  da  participação  societária,  conforme  confirmam  os  elementos  constantes  dos  autos,  supera,  sim,  a  defasagem máxima  permitida  pela  legislação  de  regência.  Note­se,  porém,  que  também  foram  juntadas  aos  autos  as  demonstrações  financeiras  consolidadas  da  Jantus  em  31/12/2011  (fls.  971/1020),  as  quais,  segunda  afirma a própria impugnante, foram “levantadas especialmente por ocasião da alienação  ocorrida em 19 de dezembro”.  Em 31/12/2011, de acordo com o balanço patrimonial a fls. 976, o valor total do  patrimônio  líquido seria de R$ 292.854.000,00, conforme evidencia a  imagem abaixo  reproduzida:  [omissis]  E,  das  notas  explicativas  às  referidas  demonstrações  (em  milhares  de  reais),  extrai­se, por relevante, o seguinte excerto (fls. 1011):  Como parte do processo de venda da Companhia, em 15 de dezembro  de  2011,  os  antigos  quotistas  aprovaram  aumento  de  capital  no  montante  de  EUR  74.969  mil,  equivalentes  a  R$  181.838,  com  a  emissão  de  72.001  quotas,  totalmente  subscritas  e  integralizadas  através da  conversão dos  saldos de mútuos  existentes  entre as partes  (Vide Nota 14). A integralização das quotas foi efetuada considerando  um  prêmio  de  subscrição  de  EUR  74.897  mil  equivalentes  a  R$  181.664,  registrado  como  reserva  de  capital  e R$  174  lançado  como  capital social.  Adicionalmente, em 19 de dezembro de 2011, como parte do processo  de mudança do controle acionário e conforme mencionado na Nota 1  a), a CPFL Energias Renováveis S.A.  (único quotista da Companhia)  efetuou  aumento  de  capital  através  da  emissão  de  141.192  quotas,  totalmente subscritas e integralizadas no montante de EUR 145.560 mil  equivalentes  a  R$  354.439.  Essa  integralização  foi  efetuada  considerando  um  prêmio  na  subscrição  das  quotas  no  montante  de  EUR 145.418 mil, equivalentes a R$ 354.094, registrado como reserva  de capital e a diferença R$ 344 lançada na conta de capital social.  Como  se  vê,  em  19/12/2011,  imediatamente  após  a  mudança  do  controle  acionário, houve um aumento de capital que resultou em um acréscimo do patrimônio  líquido no valor de R$ 354.439.000,00.  Assim sendo, impõe­se subtrair essa parcela, de R$ 354.439.000,00, do total do  patrimônio líquido em 31/12/2011, de R$ 292.854.000,00, obtendo­se, como resultado,  um passivo a descoberto, em 19/12/2011, de R$ 61.585.000,00.  Em  suma,  o  referido  balanço,  levantado  no  mesmo  mês  da  alienação,  não  somente  elimina  eventuais  incertezas  decorrentes  da  defasagem  temporal  do  balanço  anterior,  mas  também  termina  por  confirmar  a  tese  fiscal  de  que  seria  realmente  negativo o patrimônio líquido da Jantus em 19/12/2011, data da alienação, de modo que  não cabe nenhum reparo nos cálculos elaborados pelo autuante para fins de apuração do  ganho de capital.  No recurso voluntário,  são aduzidas as  seguintes  considerações em objeção ao  quanto exposto no referido voto (fls. 1.263 e 1.264):  Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 16561.720216/2016­45  Resolução nº  1201­000.603  S1­C2T1  Fl. 8          7 Inicialmente  é  preciso  esclarecer  que  o  aumento  de  capital  de RS 354 milhões  não  ocorreu  após  a mudança  de  controle, mas  no mesmo dia  da  venda  (19/12/2011),  confundindo­se  com  a  própria  alienação,  na  medida  em  que  compôs  o  custo  de  aquisição  do  investimento  incorrido  pelos  compradores.  Tal  informação  pode  ser  extraída da nota 1 (b) das demonstrações financeiras da Jantus (fls. 982):  1. Informações Gerais (...)  b) Mudança de controle acionário Em 19 de dezembro de 2011 a CPFL  Energias Renováveis S.A. publicou fato relevante ao mercado referente  à  aquisição  da  totalidade  das  quotas  da  Companhia  adquirindo,  portanto, indiretamente, a totalidade das quotas da Energies do Brasil  Ltda. e da SIIF Desenvolvimento de Projeto de Energia Eólica Ltda.,  num total de 4 parques eólicos em operação no Estado do Ceará, com  capacidade instalada de 210 MW, além de um portfólio de 412 MW em  projetos certificados e elegíveis para participação nos próximos leilões  de energia e 320 MW em projetos não­certificados.  O preço de aquisição das quotas, após os ajustes previstos no Contrato  de  Compra  e  Venda,  foi  de  RS  1.498,7  milhões,  desembolsados  da  seguinte  forma:  (i)  RS  468,9  milhões  pagos  à  vista  pela  CPFL  Energias  Renováveis  aos  antigos  acionistas  da  Companhia,  (ii)  o  equivalente  em Euros à R$ 354,4 milhões  como aumento de  capital  da Companhia, cujos recursos necessariamente deverão ser utilizados  para  quitação  de  obrigações  perante  terceiros;  e  (iii)  a  assunção  de  dívida líquida do grupo no valor de R$ 675,4 milhões, (grifos nossos)  Vale ressaltar que os fatos extemporaneamente narrados pela DRJ são suportados  pela  nota  "15.1 Capital  Social"  das  demonstrações  financeiras  da  Jantus. Mesmo  no  trecho  colacionado  pelo  r.  Acórdão  não  há  qualquer  menção  no  sentido  de  que  o  aumento  de  capital  teria  ocorrido  após  a  alienação,  sendo  oportuna  a  reprodução  do  excerto do documento (fls. 1.011):  [...]  Portanto, a desconsideração desse aumento de capital na definição do patrimônio  contábil da Jantus equivale a uma falsa recomposição da base de cálculo dos tributos.  Não há fato que autorize as autoridades fiscais a considerar não ocorrido o aumento de  capital.  [...]  Na  verdade,  a  argumentação  trazida  pela  DRJ  é  inteiramente  fática,  surgindo  agora com alegação sobre a situação patrimonial em 19/12/2011 nunca antes afirmada  ou  infirmada  pela  fiscalização,  em  que  pese  toda  essa  documentação  estivesse  inteiramente disponível à fiscalização no período da auditoria.  Como  bem  observou  a  própria  recorrente,  existe  uma  questão  de  cunho  eminentemente fático a ser elucidada, qual seja, a situação patrimonial da Jantus anterior à sua  alienação. Mais especificamente, entre o dia 19 de dezembro de 2011 e os trinta dias anteriores.  Pelo  que  foi  visto,  os  autuantes  utilizaram  para  a  determinação  do  ganho  de  capital  na alienação da  participação na  Jantus pela  recorrente um balanço  levantado mais  de  oitenta dias antes desse evento (alienação). Na decisão de piso, utiliza­se o balanço levantado  em 31 de dezembro de 2011 para, de forma retroativa, determinar­se o patrimônio líquido em  Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 16561.720216/2016­45  Resolução nº  1201­000.603  S1­C2T1  Fl. 9          8 data  anterior.  Alega,  ainda,  a  recorrente  que  esse  balanço  (31/12/2011)  foi  levantado  em  decorrência do evento alienação, conforme excerto do recurso voluntário abaixo transcrito (fl.  1.258):  A  prova  cabal  do  equívoco  incorrido  pelas  dd.  autoridades  fazendárias  é  que,  efetivamente, o balanço da Jantus na data da venda era positivo. Pode se verificar pelas  demonstrações financeiras da Jantus no encerramento do exercício (dezembro de 2011),  auditadas  pela  Ernst  &  Young  e  levantadas  em  decorrência  do  evento  de  alienação,  mostram que a companhia possuía um patrimônio positivo em centenas de milhares de  Reais  (fls.  971  a  1020), muito  longe  do  suposto  passivo  a  descoberto  suscitado  pela  fiscalização.  Outra argumentação da recorrente é de que o aumento de capital promovido pela  adquirente (CPFL) confunde­se com a própria alienação (fl. 1.263):  Inicialmente  é  preciso  esclarecer  que  o  aumento  de  capital  de RS 354 milhões  não  ocorreu  após  a mudança  de  controle, mas  no mesmo dia  da  venda  (19/12/2011),  confundindo­se  com  a  própria  alienação,  na  medida  em  que  compôs  o  custo  de  aquisição  do  investimento  incorrido  pelos  compradores.  Tal  informação  pode  ser  extraída da nota 1 (b) das demonstrações financeiras da Jantus (fls. 982):  Aduziu também a recorrente que, em 16 de dezembro de 2011, ela e os demais  acionistas  vendedores  da  Jantus  fizeram  expedir  notificação  à  adquirente  de  que  a  data  da  venda seria o dia 19 de dezembro desse mesmo ano. Nessa mesma notificação (fls. 837 a 892),  ficou  determinado  que  a  transação  seria  orientada  pelo  balanço  contábil  da  Jantus  a  ser  levantado  na  data­base  de  31  de  dezembro  de  2011.  Em  que  pese  a  argumentação  da  recorrente, com a devida vênia, o balanço levantado em 31 de dezembro de 2011 não pode ser  tomado para o fim pretendido, qual seja, indicação do valor do patrimônio líquido da Jantus na  data da alienação. E, como visto acima, não serviria a princípio, para que este fosse estipulado  conforme efetuado no voto condutor da decisão de piso.  Também,  a  princípio,  o  aumento  de  capital  da  Jantus  ocorrido  em  19  de  dezembro de 2011 não pode ser confundido com a própria alienação, haja vista ter sido levado  a  efeito  pela  CPFL  (adquirente),  único  quotista  da  adquirida  (como  registrado  nas  notas  explicativas  das  demonstrações  financeiras)  e  ter  ocorrido  após  essa  aquisição,  embora  no  mesmo dia, segundo o informado nas notas explicativas.  Vale  ressaltar,  a  título  de  informação,  que  na  decisão  de  piso  ficou  assim  evidenciado (fl. 1.036):  E, ao revés do que defende a impugnante, não há nenhum desacerto em se levar  em consideração a soma das participações na coligada das duas sociedades integrantes  de mesmo grupo econômico, haja vista que, como é cediço, a essência dos fatos deve  sempre  prevalecer  sobre  a  forma,  mormente  quando  se  sabe  que,  nem  mesmo  por  ocasião  de  sua  aquisição  (quando  era  de  37,19%  o  percentual  de  participação),  o  investimento  chegou  a  ser  avaliado,  como  deveria,  pelo  valor  de  patrimônio  líquido,  cabendo ainda ressaltar que a última  redução da participação da Citipar na Jantus, de  31,60% para  19,82%,  somente  veio  a  ocorrer  em  15/12/2011  (fls.  662/665),  ou  seja,  apenas quatro dias antes da efetivação da venda.      Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 16561.720216/2016­45  Resolução nº  1201­000.603  S1­C2T1  Fl. 10          9 Conclusão.  Assim, considerando­se os argumentos de que "entre setembro de 2011 e a data  da  venda  ocorreram  eventos  que  contribuiriam  para  a  melhora  da  posição  patrimonial  da  Jantus";  que,  "ocorrida  em  15  de  dezembro  de  2011,  a  capitalização  da  Jantus  pelos  seus  credores  foi  responsável  pela  redução  substancial  de  seus  passivos  e  aumento  do  capital"  e,  ainda,  o  artigo  248  da  LSAs,  em  especial  o  seu  §  2°,  voto  pela  conversão  do  presente  julgamento em diligência, para que a  recorrente  seja  intimada a apresentar balanço da Jantus  (empresa cuja participação foi alienada), tendo como base algum dos trinta dias anteriores ao  da alienação.  Apresentado  tal  balanço,  deverá  ser  designado  Auditor­Fiscal  da  unidade  da  RFB da circunscrição da contribuinte para proceder ao cálculo tendo em vista a determinação  do ganho de capital, da mesma forma como ocorreu nos autos de infração, levando­se em conta  o  valor  do  patrimônio  líquido  registrado.  A  contribuinte  poderá  ser  intimada  a  apresentar  escrituração e documentos contábeis.  A conclusão quanto a essa análise deverá constar de relatório circunstanciado do  qual se dará ciência à contribuinte para que, querendo, manifeste­se no prazo de trinta dias.  Após, o processo deverá retornar ao CARF.  (assinado digitalmente)  Paulo Cezar Fernandes de Aguiar    Declaração de Voto    Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli    Na sessão de julgamento do recurso voluntário interposto nos autos do presente  processo, solicitei declaração de voto no tocante à tese que fui vencido, qual seja, a de que o  Auto de Infração é nulo por vício material, fato este que, com a devida vênia, acaba tornando a  diligência desnecessária e inefizaz.  O  TVF  indica  claramente  que  se  valeu  das  demonstrações  consolidadas  ­  procedimento este que também foi impugnado pela Recorrente, mas que deixo de apreciar por  ora ­ com data base de 30/09/2011, mesmo ciente de que a alienação das ações ocorreu em  dezembro de 20111 (cf. item "c" da página 4 do TVF) e que havia balanço consolidado datado  de 31/12/2011.                                                              1 Mais precisamente em 19/12/2011.  Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 16561.720216/2016­45  Resolução nº  1201­000.603  S1­C2T1  Fl. 11          10      A partir desse critério jurídico, a autoridade fiscal responsável pelo lançamento  desconsiderou  o  cálculo  do  ganho de  capital  apurado  pela Recorrente  com base  no  custo  de  aquisição,  sustentando  a  aplicação  do  MEP  com  respaldo  nas  demonstrações  financeiras  consolidadas do grupo econômico da Jantus levantados em 30/09/2011, ou seja, há mais de 60  (sessenta)  dias  considerados  da  operação  (19/12/2011  ­  baixa)  ou  das  demonstrações  financeiras consolidadas em 31/12/2011 (fls. 974/1.020).  Ocorre,  entretanto,  que  a data­parâmetro  considerada no Auto de  Infração não  respeita  nem  a  norma  societária  (artigo  248,  I,  da  Leis  das  Sociedades  Anônimas)  e muito  menos a fnorma iscal (art. 27 da Lei 7.799/89), dispositivos que prescrevem, respectivamente:    Artigo 248  ­  [...]I  ­  o  valor do patrimônio  líquido da coligada ou da  controlada  será  determinado  com  base  em  balanço  patrimonial  ou  balancete de verificação levantado, com observância das normas desta  Lei, na mesma data,  ou até  60  (sessenta)  dias,  no máximo,  antes  da  data do balanço da companhia.  Artigo 27 ­A baixa de investimento relevante e influente em sociedade  coligada  ou  controlada  deve  ser  precedida  da  correção monetária  e  avaliação  pelo  valor  de  patrimônio  líquido,  com  base  em  balanço  patrimonial  ou  balancete  de  verificação  da  coligada  ou  controlada,  levantado na data da alienação ou  liquidação ou até  trinta dias, no  máximo, antes dessa data.     Da  análise  desses  dispositivos  legais,  nota­se  um  grave  erro  quanto  à  data  de  referência  da  demonstração  financeira  que  norteou  os  Autos  de  Infração,  afinal  o  intervalo  usado na sua comparação supera os prazos previstos na lei.  É curioso notar, nesse contexto, que a própria decisão de piso reconhece a não  observância do prazo legal (fls. 1.034). Nas suas palavras:    Com  efeito,  o  período  transcorrido  entre  a  data  do  balanço  consolidado  utilizado  pelo  autuante  (em  que  se  apurou  passivo  a  descoberto  no  valor  de  R$  89.902.203,00)  e  a  data  de  alienação  da  participação  societária,  conforme confirmam os  elementos  constantes  Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 16561.720216/2016­45  Resolução nº  1201­000.603  S1­C2T1  Fl. 12          11 dos autos, supera, sim, a defasagem máxima permitida pela legislação  de regência.  Mas  a  DRJ  opta  por  validar  o  lançamento  mediante  nova  motivação,  mais  precisamente  com  fundamento  no  balanço  consolidado  em  31/12/2011  (de  fls.  971/1020),  o  qual, repita­se, é diferente do que se valeu a autoridade autuante (30/09/2011), concluindo que:    Em suma, o referido balanço,  levantado no mesmo mês da alienação,  não  somente  elimina  eventuais  incertezas  decorrentes  da  defasagem  temporal  do  balanço  anterior,  mas  também  termina  por  confirmar  a  tese  fiscal  de  que  seria  realmente  negativo  o  patrimônio  líquido  da  Jantus  em  19/12/2011,  data  da  alienação,  de  modo  que  não  cabe  nenhum  reparo  nos  cálculos  elaborados  pelo  autuante  para  fins  de  apuração do ganho de capital.    Ora,  da  mesma  forma  que  as  regras  do  processo  administrativo  fiscal,  sob  o  risco de preclusão, não admitem que uma impugnação seja feita sem a indicação das razões de  fato  e  de  direito,  devendo  as  provas  serem  apresentadas  na  defesa,  também  o  ordenamento  jurídico  não  admite  que  um  lançamento  tributário  seja  feito  sem  a  adequada  motivação  e  valoração jurídica na peça acusatória.  Nesse sentido é o comando legal veiculado no artigo 142 do CTN:    “Artigo  142  ­  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento administrativo  tendente a verificar a ocorrência do fato  gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável,  calcular o montante do  tributo devido,  identificar o  sujeito passivo e,  sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”.    Os  requisitos  do  lançamento,  como  se  sabe,  podem  ser  divididos  em  dois  grupos:  (i) os  requisitos  fundamentais  ou  estruturais,  e  (ii) os  requisitos  complementares  ou  formais.   Como  destaca  Manoel  Antonio  Gadelha  Dias2,  ex­presidente  da  Câmara  Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda:                                                                 2 O vício  formal no  lançamento  tributário.  in Direito Tributário  e processo  administrativo  aplicados. TÔRRES,  Heleno  Taveira,  QUEIROZ,  Mary  Elbe,  FEITOSA,  Raymundo  Juliano  (Coords.).  São  Paulo:  Quartier  Latin,  2005. pp. 345­346  Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 16561.720216/2016­45  Resolução nº  1201­000.603  S1­C2T1  Fl. 13          12 “À  luz  do  Código  Tributário  Nacional,  fonte  de  direito  material  nacional,  e  do  Decreto  nº  70.235/1972,  fonte  de  direito  formal  de  âmbito restrito à União, entendemos que os requisitos do  lançamento  podem  ser  divididos  em  dois  grandes  grupos:  1º)  o  dos  requisitos  fundamentais ou estruturais; e 2º) o dos requisitos complementares ou  formais.  Se  o  defeito  no  lançamento  disser  respeito  a  requisito  fundamental,  estaremos diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o  lançamento,  ferindo­o  de  morte,  pois  impede  a  concretização  da  formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o  sujeito  passivo.  Os  requisitos  fundamentais  são  aqueles  intrínsecos  ao  lançamento  e  dizem  respeito  à  própria  conceituação  do  lançamento  insculpida  no  art.  142  do  CTN,  qual  seja  a  valoração  jurídica  do  fato  jurídico  tributário  pela  autoridade  competente,  mediante  a  verificação  da  ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria  tributável,  o  cálculo  do  tributo  e  a  identificação  do  sujeito  passivo.  [...]Já  se  o  vício  estiver  presente  no  que  denominamos  de  requisitos  complementares do lançamento, ou seja, naqueles que devem compor a  linguagem para a comunicação jurídica, consistente na notificação ao  sujeito passivo, estaremos falando de vício formal.  Os requisitos complementares ou formais são aqueles exigidos por lei  para o momento da edição do ato, por isso são denominados requisitos  extrínsecos ao lançamento.    Nesses  termos,  quando  o  lançamento  apresentar  falhas  em  seus  requisitos  fundamentais ou estruturais (vícios de conteúdo), tais como a ausência de motivação adequada,  erro na determinação da base  tributável ou  adoção de  critério  jurídico que  agride disposição  legal, estaremos diante de vícios insanáveis que extinguem o feito e não admitem correções.  Esse,  aliás,  é  o  entendimento  que  prevalece  no  CARF,  conforme  atestam  as  ementas dos seguintes julgados:    PREVIDENCIÁRIO.  VERDADE  MATERIAL.  LANÇAMENTO.  NULIDADE.  VÍCIO  MATERIAL.  É  um  princípio  específico  do  processo  administrativo.  A  nulidade  será  declarada  pela  autoridade  competente  para  praticar  o  ato  ou  julgar  a  sua  legitimidade.  Se  o  lançamento  contiver  vício  instalado  na  produção,  em  sua  dinâmica,  com  defeito  na  composição, mediante  explícita  presunção  e  ausência  de  provas,  ônus  do  sujeito  ativo,  ensejará  a  nulidade  dado  que  maculado  de  vício  material  comprometedor  do  crédito  e  da  sua  motivação. (Acórdão nº 2301­004.930. Data de decisão: 09/05/2017).    NULIDADE  DE  LANÇAMENTO.  VÍCIO  MATERIAL.  VÍCIO  FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO  FORMAL.  Vício  formal  é  aquele  verificado  de  plano  no  próprio  Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 16561.720216/2016­45  Resolução nº  1201­000.603  S1­C2T1  Fl. 14          13 instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à  realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de  lançamento.  Espécie  de  vício  que  não  diz  respeito  aos  elementos  constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base  de cálculo, ao sujeito passivo, etc.  A  indicação  defeituosa  ou  insuficiente  da  infração  cometida,  da  data  em  que  ela  ocorreu,  do  montante  correspondente  à  infração  (base  imponível);  e  dos  documentos  caracterizadores  da  infração  cometida  (materialidade),  não  configura  vício  formal.”  (Acórdão  nº  9101­ 002.146, Sessão de 07/12/2015, Relator Rafael Vidal de Araújo).    E  nem  se diga que  a DRJ poderia  legitimar o  lançamento  com base  em outro  balanço consolidado, ainda que considerado este como o correto e usado pelas partes, uma vez  que  tal  medida,  além  de  cercear  o  direito  de  defesa,  caracteriza  verdadeira  inovação  na  motivação da autuação e do julgamento, na linha do precedente desta C. Câmara:     INOVAÇÃO  NOS  CRITÉRIOS  JURÍDICOS  DO  LANÇAMENTO  PELAS  AUTORIDADES  JULGADORAS.  IMPOSSIBILIDADE.  Às  autoridades  julgadoras  de  primeira  instância  não  compete  o  aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos  para  a  manutenção  do  lançamento,  em  conteúdo  diverso  daquele  inicialmente  utilizado,  importa  em  efetiva  nulidade  da  atuação  das  autoridades  julgadoras.  (Acórdão  nº  1201­001.557.  Sessão  de  14/02/2017)    Ademais, descabe à decisão de primeira instância criar as supostas razões fáticas  ou de direito para  tentar  convalidar um  lançamento nulo desde  sua origem. O  julgador deve  julgar, e não autuar...  Nessa situação particular, a decisão prolatada em primeira instância constatou o  erro  de  critério  jurídico  empregado  pela  fiscalização  ao  eleger  balanço  de  referência  que  extrapola  o  lapso  legal  temporal,  mas,  a  bem  da  verdade,  ao  invés  de  declarar  a  nulidade  material,  optou  por  indevidamente  inovar  a  lide  em  total  desrespeito  às  normas  do  processo  administrativo fiscal.  Feitas essas considerações, entendo que o lançamento é nulo, razão pela qual o  recurso voluntário deve ser considerado procedente.  (assinado digitalmente)  Luis Henrique Marotti Toselli  Fl. 1343DF CARF MF

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Numero do processo: 11080.727402/2014-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RENDIMENTOS ACUMULADOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos acumulados recebidos acumuladamente no ano-calendário 2010 estão enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, prevista no artigo 12-A da Lei nº 7.713, de 1988. DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PAGOS. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas.
Numero da decisão: 2002-000.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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2002­000.336  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  25 de setembro de 2018  Matéria  IRPF. RENDIMENTOS ACUMULADOS. HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS.  Recorrente  EGON FREDERICO STEYER  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2010  RENDIMENTOS  ACUMULADOS  DECORRENTES  DE  AÇÃO  JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO.  Os  rendimentos  acumulados  recebidos  acumuladamente  no  ano­calendário  2010 estão enquadrados na sistemática de  tributação exclusiva na fonte,  em  separado dos demais rendimentos recebidos no mês, prevista no artigo 12­A  da Lei nº 7.713, de 1988.  DEDUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS PAGOS.  No  caso  de  rendimentos  recebidos  em  razão  de  ação  judicial,  poderão  ser  deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao  recebimento desses rendimentos, que tenham sido suportadas pelo reclamante  e estejam devidamente comprovadas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Presidente  e  Relatora  Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e  Virgílio Cansino Gil.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 74 02 /2 01 4- 32 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11080.727402/2014­32  Acórdão n.º 2002­000.336  S2­C0T2  Fl. 159          2 Relatório  Notificação de lançamento  Trata  o  presente  processo  de  notificação  de  lançamento  –  NL  (fls.  9/12),  relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração  de ajuste anual do contribuinte acima  identificado,  relativa ao exercício de 2011. A autuação  implicou  a  alteração  do  resultado  apurado  de  saldo  de  imposto  a  pagar  declarado  de  R$3.757,46 para saldo de imposto a pagar de R$4.885,73.  A  notificação  consigna  a  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica, no valor de R$20.400,00, com IRRF correspondente de R$724,27.  Impugnação  Cientificada ao contribuinte em 24/7/2014, a NL foi objeto de  impugnação,  em 7/8/2014, à fl. 2/21 dos autos, na qual o contribuinte afirmou que os rendimentos tidos por  omitidos  não  teriam  sido  recebidos  em  2010,  mas  em  fevereiro  de  2011,  e  teriam  sido  informados na Declaração de 2012, já deduzidos os honorários advocatícios.  Antes  do  julgamento,  a  autoridade  lançadora  examinou  a  possibilidade  de  revisão de ofício do lançamento (art. 6°­A da IN RFB n° 958/2009, com a redação dada pelo  art.  1º  da  IN RFB n° 1061  /2010),  tendo concluído,  à vista de documentação  comprobatória  juntada pelo contribuinte à impugnação, pela manutenção do lançamento, como consignado no  Termo Circunstanciado/Despacho Decisório de fls. 35/36.  Cientificado  dessa  decisão  em  25/11/2014  (fl.40),  o  sujeito  passivo,  em  18/12/2014,  solicitou  prorrogação  de  prazo  para  juntada  de  provas  (fl.42),  uma  vez  que  solicitara o desarquivamento do processo judicial (fl.43). Em 20/1/2015 (fl.50), o contribuinte  solicitou nova prorrogação de prazo,  apontando que em  função do  recesso do  judiciário não  conseguiu o desarquivamento do processo.  Em  20/2/2015,  os  autos  foram  encaminhados  para  a  primeira  instância  de  julgamento.  A  impugnação  foi  apreciada  na  18ª  Turma  da  DRJ/RJO  que,  por  unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 57/61):  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Ano­calendário: 2010  OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL.  É  de  se  manter  a  omissão  quando  o  contribuinte  deixa  de  informar rendimentos declarados em DIRF pela fonte pagadora.  Somente  é  passível  de  dedução  as  despesas  com  o  advogado  patrono  da  ação  trabalhista,  quando  pagas  pelo  contribuinte,  vinculadas  aos  rendimentos  tributáveis  recebidos  e  restando  Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11080.727402/2014­32  Acórdão n.º 2002­000.336  S2­C0T2  Fl. 160          3 devidamente  comprovadas  por  meio  de  documentação  hábil  e  idônea.  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  PREVIDÊNCIA OFICIAL.  Cabe incluir o valor descontado de Previdência Oficial relativo  aos rendimentos incluídos pelo Lançamento de Ofício.  IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS.  Cabe  ao  contribuinte  no  momento  da  impugnação  trazer  ao  julgado  todos  os  dados  e  documentos  que  entende  comprovadores dos fatos que alega.  O  colegiado  de  primeira  instância  alterou  o  imposto  suplementar  de  R$4.885,73 para R$4.591,96, em decorrência da inclusão no cálculo do imposto da previdência  oficial no valor de R$1.068,23, vinculada aos rendimentos tidos por omitidos.  Recurso voluntário  Ciente do acórdão de impugnação em 27/4/2015 (fl. 65), o contribuinte, em  25/5/2015  (fl.  67),  apresentou  recurso  voluntário,  às  fls.  67/149,  no  qual  alega,  em  apertado  resumo, que:  ­  o  valor  tido  por  omitido  teria  sido  recebido  nos  autos  da  ação  judicial  nº  001/1.06.0210904­7, ajuizada por ele em face do Estado do Rio Grande do Sul.  ­  seria  indevida  a  tributação  dos  rendimentos  acumulados  recebidos  pelo  regime de caixa, como levou a efeito a autuação. Reproduz o artigo 12­A da Lei nº 7.713, de  1988,  e  dispositivos  da  IN  RFB  n  º  1.127,  de  2011.  Ressalta  que  a  decisão  de  piso  teria  reconhecido esse fato, mas apontando que as provas não teriam sido juntadas.  ­  em  observância  aos  princípios  da  verdade  material  e  da  legalidade,  os  documentos juntados ao seu recurso devem ser apreciados.  ­  na  ação  judicial  proposta,  teria  obtido  provimento  parcial,  para  ver  reconhecido seu direito a aumentos salariais desde os cinco anos anteriores ao ajuizamento da  ação. Assim, o valor recebido estaria vinculado ao período de 17/10/2001 a 20/06/2007, como  comprovariam  os  documentos  juntados  ao  seu  recurso,  o  que  corresponderia  a  69  meses.  Reproduz orientação da RFB acerca da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamante  e aponta a juntada de simulação de declaração, que demonstraria que não há tributo a recolher.  ­  teria direito a deduzir os honorários advocatícios pagos ao seu procurados  na ação judicial em comento, a teor do artigo 56 do RIR/99. Cita orientação da RFB acerca do  tema e indica a juntada de documento comprobatório do pagamento.  ­ o  fato de o recibo de pagamento dos honorários estar datado de 2011 não  impediria a dedução de tal verba, visto que o valor foi efetivamente descontado do rendimento  acumulado recebido.  Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11080.727402/2014­32  Acórdão n.º 2002­000.336  S2­C0T2  Fl. 161          4 Processo  distribuído  para  julgamento  em  Turma  Extraordinária,  tendo  sido  observadas as disposições do artigo 23­B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de  2015, e suas alterações (fl.152).  Voto             Conselheira  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Relatora  Admissibilidade  O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele  tomo conhecimento.  Mérito  Trata­se  de  autuação  consignando  a  omissão  de  rendimentos  pelo  sujeito  passivo.  Em  sua  impugnação,  ele  alegara  que  se  tratava  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente e que o montante apontado não teria sido recebido em 2010, mas em 2011.  Além disso, apontara o pagamento de honorários advocatícios para recebimento do valor.  Tanto  a  autoridade  revisora  quanto  o  colegiado  de  primeira  instância  afastaram  tal  alegação,  apontando  documentos  que  evidenciariam  o  pagamento  do  valor  em  2010.  Em seu recurso, o sujeito passivo requer a aplicação a esses rendimentos da  tributação veiculada no artigo 12­A da Lei nº7.713, de 1988.   Acerca dessas questões, a decisão recorrida consigna:  ...  É importante salientar, que a apresentação dos recibos da Pufal  &  Advogados  Associados  datados  de  24  de  fevereiro  de  2011  não é documentação hábil  e  idônea uma vez que a análise  se  refere ao ano calendário de 2010.  ...  Repise­ se que a legislação que rege a matéria determina que a  retenção do  imposto  de  renda  de  fonte  ocorre  no momento  em  que  os  rendimentos  recebidos  se  tornem  disponíveis  para  o  beneficiário,  e  assim  sendo  cumpre  a  conclusão  de  que  o  contribuinte  recebeu  os  rendimentos  provenientes  da  ação  judicial no ano calendário em análise conforme aponta a DIRF  de fl. 55 e a requisição do precatório de fl. 8.  No  que  tange  a  consideração  das  despesas  dedutíveis  com  advogado,  bem  assim  o  cômputo  do  número  de  meses  correspondentes à ação ordinária adequado ao preenchimento  da  Ficha  dos  Rendimentos  Recebidos  Acumuladamente  –  Tributação exclusiva de Fonte ­ RRA, caberia ao contribuinte  Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11080.727402/2014­32  Acórdão n.º 2002­000.336  S2­C0T2  Fl. 162          5 trazer  à  colação  documentação  pertinente  ao  ano  calendário  sob análise.  Nesse sentido, o artigo 73, do Regulamento do Imposto de Renda  (RIR/99) atendendo ao disposto no art. 8º, incido II, “a” da Lei  9.250, de 1995, assim dispõe:  “Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora  (Decreto­Lei  nº  5.844, de 1943, art. 11, §3º).  Acerca  da  apreciação  dos  documentos  acostados  ao  recurso,  entendo  que  devem ser aceitos  e examinados. Veja­se que o  sujeito passivo se manifestou às  fls. 42/45 e  novamente  à  fl.50,  solicitando  a  prorrogação  do  prazo  para  juntada  de  documentos  e  demonstrando que aguardava o desarquivamento do processo judicial.  As alíneas  "a"  e  "c", do § 4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72, prevêem  que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante  fazê­lo  em outro momento  processual,  a menos  que  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua apresentação, por motivo de força maior, ou a nova prova se destine a contrapor fatos ou  razões posteriormente trazidas aos autos. Entendo que os documentos apresentados pela parte  na  fase  recursal  encaixam­se  nessas  hipóteses.  O  contribuinte  demonstrara  que,  na  fase  impugnatória,  já  peticionara  no  sentido  de  desarquivamento  dos  autos  judiciais,  mas  não  obtivera  o  retorno  a  tempo  de  instruir  sua  defesa.  Adicione­se  que  os  documentos  juntados  destinam­se  a  contrapor  razões  trazidas  aos  autos  pela  DRJ  que,  para  indeferir  o  pleito  do  contribuinte, utilizou, entre outros fundamentos, a falta de comprovação do número de meses  associado  aos  rendimentos  objeto  da  autuação.  Diante  disso,  a  nova  documentação  será  analisada.  Documentos apresentados em fase recursal:  ­  petição  inicial  da  Ação  Ordinária  nº001/1.06.0210904­7,  ajuizada  pelo  contribuinte  em  outubro  de  2006  em  face  do  Estado  do  Rio  Grande  do  Sul,  pleiteando  a  implantação de reajustes aos seus vencimentos mensais, desde a data em que deveriam ter sido  aplicados (fls. 89/107).  ­  sentença  proferida  nos  autos  da  ação  mencionada  (fls.  108/111)  e  seu  trânsito em julgado em 21/6/2007 (fl.114).  ­ registros de sua folha de pagamento (fls.116/122).  ­  petição  ao  juízo  em  julho  de  2008,  informando,  além de  outras  questões,  que  a  fonte  pagadora  implantara  os  reajustes  na  forma  da  decisão,  mas  não  efetuara  o  pagamentos das diferenças das competências anteriores a julho de 2007 (fls.124/128).  ­ pronunciamento da fonte pagadora (fls. 130/131).  ­  ofícios  do  juízo  dando  notícia  do  valor  a  ser  pago,  para  emissão  da  Requisição de Pagamento de Pequeno Valor ­ RPV (fls.133/134) e o RPV emitido em julho de  2010 (fl.135).  Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11080.727402/2014­32  Acórdão n.º 2002­000.336  S2­C0T2  Fl. 163          6 ­  depósito  efetuado  pela  reclamada  em  novembro  de  2010  (fl.137),  acompanhado dos cálculos pertinentes (fl.138).  ­ comprovante de expedição de alvará em dezembro de 2010 (fl.139).  ­ prestação de contas do patrono da ação, em 23/2/2011 (fl. 149).  Da leitura das peças indicadas, resta demonstrado que o rendimento recebido  se  trata de  rendimento acumulado auferido pelo contribuinte em decorrência de ação  judicial  citada.  Acrescente­se  ainda  DIRF  da  fonte  pagadora  à  fl.  55,  que  indica  que  se  trata  de  rendimento  decorrente  de  decisão  da  Justiça  do  Trabalho. Vê­se  ainda  que  o  valor  recebido  pelo sujeito passivo está associado ao período de 30/10/2001 a 30/6/2007, correspondendo a 69  competências (fls. 127/128 e 131).  Dessa feita, cabe aplicar a esses rendimentos o regime de tributação exclusiva  na fonte, previsto no artigo 12­A da Lei nº 7.713, de 1988:  Art.  12­A.  Os  rendimentos  recebidos  acumuladamente  e  submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na  tabela  progressiva,  quando  correspondentes  a  anos­calendário  anteriores  ao  do  recebimento,  serão  tributados  exclusivamente  na  fonte,  no  mês  do  recebimento  ou  crédito,  em  separado  dos  demais  rendimentos  recebidos no mês.  (Redação dada pela Lei  nº 13.149, de 2015)   Quanto  ao  pagamento  de  honorários,  não  pode  prosperar  o  entendimento  manifestado na decisão de piso, de que o recibo emitido em 2011 não poderia ser deduzido dos  rendimentos recebidos no ano de 2010.  A  possibilidade  de  dedução  dos  honorários  advocatícios  dos  rendimentos  tributáveis recebidos pelo contribuinte em conseqüência da ação judicial, quando devidamente  comprovados documentalmente, está prevista no parágrafo único do artigo 56, do Decreto nº  3.000/1999 (RIR/1999) e também no §2º do artigo 12­A:  Art.  56. No  caso  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  o  imposto  incidirá  no  mês  do  recebimento,  sobre  o  total  dos  rendimentos,  inclusive  juros  e  atualização  monetária  (Lei  nº  7.713, de 1988, art. 12).  Parágrafo  único.  Para  os  efeitos  deste  artigo,  poderá  ser  deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao  recebimento  dos  rendimentos,  inclusive  com  advogados,  se  tiverem  sido  pagas  pelo  contribuinte,  sem  indenização  (Lei  nº  7.713, de 1988, art. 12).  ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­  Art.12­A....  ...  §  2o  Poderão  ser  excluídas  as  despesas,  relativas  ao montante  dos  rendimentos  tributáveis,  com  ação  judicial  necessárias  ao  seu recebimento,  inclusive de advogados, se  tiverem sido pagas  Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11080.727402/2014­32  Acórdão n.º 2002­000.336  S2­C0T2  Fl. 164          7 pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350,  de 2010)  Veja­se  que  os  dispositivos  não  estabelecem  o momento  do  pagamento  do  honorário dedutível. Fala­se em despesas necessárias para o recebimento do rendimento, sendo  cediço  que,  em  geral,  acerta­se  parte  dos  honorários  no momento  do  ajuizamento  da  ação  e  outra parte por ocasião da decisão final. Só seria dedutível aquele pago no ano­calendário do  recebimento do rendimento? Não me parece que seja esse o entendimento da norma, bastando  a  comprovação  da  vinculação  entre  o  rendimento  e  o  honorário  pago,  ou  seja,  que  aquele  honorário foi pago para receber aquele rendimento.  Nesse  sentido,  a  RFB  orienta  no  Manual  de  Perguntas  e  Respostas  do  Exercício 2011, ora em análise, em seu item 415:  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS  PAGOS  EM  OUTROS  EXERCÍCIOS  415 ­ Em qual ano­calendário são deduzidos, na Declaração de  Ajuste  Anual,  os  honorários  advocatícios  pagos  em  ano­ calendário posterior ou anterior àquele em que os  rendimentos  decorrentes de decisão judicial foram recebidos?  Os  honorários  advocatícios  devem  ser  deduzidos  no  ano­ calendário  em  que  os  rendimentos  decorrentes  de  decisão  judicial  foram  recebidos,  e  informados  na  ficha  de  Doações  e  Pagamentos Efetuados da Declaração de Ajuste Anual nos anos­ calendário em que tais honorários forem pagos.  No caso, entendo que a prestação de contas de fl. 6, o recibo de fl.7 a petição  inicial indicando o patrono da ação (fl.90), que vem a ser o emitente da prestação de contas, e o  RPV  (fl.135)  se  revelam hábeis  a  comprovar que os honorários  em questão,  no montante de  R$4.080,00,  estão  associados  aos  rendimentos  acumulados  recebidos  e  objeto  da  autuação,  sendo de se reconhecer ao contribuinte o direito a sua dedução.  Conclusão  Pelo  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso,  para,  no  mérito,  dar­lhe  provimento,  para  determinar  o  recálculo  do  imposto  devido  aplicando  aos  rendimentos  tidos  por  omitidos  o  regime  de  tributação  previsto  no  artigo  12­A  da  Lei  nº  7.713,  de  1988,  considerando  que  estão  associados  a  69  (sessenta  e  nove)  competências  e  deduzindo  dos  rendimentos os honorários advocatícios pagos, no montante de R$4.080,00.  (assinado digitalmente)  Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez                          Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11080.727402/2014­32  Acórdão n.º 2002­000.336  S2­C0T2  Fl. 165          8   Fl. 165DF CARF MF

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7419635 #
Numero do processo: 10660.721918/2015-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010, 2011 OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito à autoridade fiscal examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título. MULTA QUALIFICADA Não tipificada e comprovada, pelo autuante, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, há de se reduzir a multa de ofício qualificada de 150% para a multa de ofício regular de 75%. LANÇAMENTO REFLEXO. OMISSÃO DE RECEITAS - CSLL, PIS, Cofins, CPP e ISS O decidido em relação ao IRPJ aplica-se às exigências reflexas em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.
Numero da decisão: 1201-002.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2037; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10660.721918/2015­61  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1201­002.343  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de agosto de 2018  Matéria  Simples Nacional ­ OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrente   CONSTERRA LOCAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA. ­ EPP             Recorrida  FAZENDA NACIONAL              ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2010, 2011  OBTENÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  A  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.   É  lícito  à  autoridade  fiscal  examinar  informações  relativas  ao  contribuinte,  constantes de documentos,  livros e  registros de  instituições  financeiras e de  entidades  a  elas  equiparadas,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos,  poupança  e  aplicações  financeiras,  independentemente  de  autorização  judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames  forem considerados indispensáveis.   PRESUNÇÃO  LEGAL  ­  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.   Caracterizam­se  como omissão  de  receita  ou  de  rendimento,  por  presunção  legal  ­  juris  tantum  ­  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas operações.  ÔNUS DA  PROVA.  Cabe  ao  contribuinte  desfazer  a  presunção  legal  com  documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos  em  suas  contas  correntes  de  modo  a  garantir  que  os  créditos/depósitos  bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela  mencionada  presunção,  a  sua  existência  (créditos/depósitos  bancários),  desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão  de receitas, justificando­se sua tributação a esse título.  MULTA QUALIFICADA     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 19 18 /2 01 5- 61 Fl. 769DF CARF MF     2 Não tipificada e comprovada, pelo autuante, a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação,  há  de  se  reduzir  a  multa  de  ofício  qualificada  de  150%  para  a  multa de ofício regular de 75%.  LANÇAMENTO  REFLEXO.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­  CSLL,  PIS,  Cofins, CPP e ISS  O decidido em relação ao IRPJ aplica­se às exigências reflexas em virtude da  relação de causa e efeitos entre eles existentes.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.    (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente e Relatora.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente  convocado  em  substituição  ao  conselheiro  Luis  Fabiano  Alves  Penteado),  Paulo  Cezar  Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello  Lima. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.  Relatório  Por  economia  processual  e  bem  descrever  os  fatos  adoto  o  Relatório  da  decisão recorrida (e­fls.665/685) que transcrevo a seguir:  O  litígio  decorre  de  impugnação  apresentada  pelo  sujeito  passivo de que  trata o presente processo contra a  lavratura do  Auto de Infração e Notificação Fiscal do Simples Nacional,  fls.  03/174, no valor total de R$ 412.163,75, incluindo multa e juros  de mora.  De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal,  fls. 05, foi a apurada a infração descrita a seguir.   01  –  Omissão  de  Receitas  –  Depósitos  ou  Investimentos  em  Instituições Financeiras com Origem não comprovada   O Termo de Verificação Fiscal, fls. 180/188, descreve a infração  nos seguintes termos (grifos acrescidos):  No  exercício  das  funções de Auditor­Fiscal da Receita Federal  do  Brasil,  com  base  na  legislação  do  SIMPLES  NACIONAL,  alterada pela Lei Complementar n° 139, de 10 de novembro de  2011, DOU de 11.11.2011, em relação ao sujeito passivo acima  identificado,  com  base  no  art.  33  da  Lei  Complementar  n°  123/2006, bem como  (de  forma subsidiária) nos arts. 835, 841,  844, 904, 905, 911, 918, 927 e 928 do Decreto nº 3.000, de 26 de  março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), Resolução  CGSN  N°  94,  de  29  de  novembro  de  2011,  e  atendendo  às  Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10660.721918/2015­61  Acórdão n.º 1201­002.343  S1­C2T1  Fl. 3          3 determinações  contidas  no  Mandado  de  Distribuição  de  Procedimento  Fiscal,  então  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  Fiscalização ­ MPF, acima especificado, para procedimentos de  auditoria  fiscal,  CONSTATAMOS  receitas  mensais  omitidas  oriundas  de  créditos  não  comprovados,  relativos  aos  anos­ calendário 2010 a 2012, conforme os fatos descritos a seguir e  corroborados pelos documentos integrantes deste processo.   Primeiramente  cabe  destacar  que  a  descrição  dos  fatos  no  presente termo e em toda documentação apresentada durante os  procedimentos fiscais, bem como as planilhas demonstrativas de  apuração dos tributos devidos reportam­se aos anos­calendário  2010 a 2012. Entretanto para atender o disposto na  legislação  de apuração do crédito tributário, o auto de infração e processo  desta  ação  fiscal  acima  referida  reportam­se  somente  às  informações  prestadas  na  Declaração  Anual  do  Simples  Nacional  ­  DASN  dos  anos­calendário  de  2010  e  2011.  Sendo  que  o  auto  de  infração  e  o  processo  referentes  às  informações  prestadas  nos  Programas  Geradores  dos  Documentos  de  Arrecadação  do  Simples  Nacional  –  Declaratório  ­  PGDAS­D  dos meses do ano­calendário de 2012 estão consolidados sob a  ação fiscal n° 01706106000000000010578201504 a qual é parte  também deste procedimento fiscal.   A  emissão  de  ações  fiscais,  autos  e processos  distintos,  um até  ano­calendário 2011 (DASN) e outro a partir de 2012 (PGDAS­ D), oriundos de um mesmo procedimento fiscal teve por objetivo  atender a regulamentação do manual do SIMPLES NACIONAL  ocorrida somente a partir de agosto de 2015 devido às restrições  na emissão de autos incluindo esses períodos até esta data.  Ressalto que o trabalho objeto desta fiscalização foi oriundo da  seleção  dos  contribuintes  investigados  na  denominada  "Operação  Metástase"  deflagrada  pela  Polícia  Federal,  Ministério Público e Receita Federal do Brasil, junto a empresas  e  pessoas  físicas  investigadas  por  vários  crimes  (em  tese)  cometidos em prestações de serviços junto a prefeituras de nossa  região, tendo sido, inclusive, aberto por decisão judicial o sigilo  fiscal e bancário, que resultou na prisão, busca e apreensão em  diversas residências, empresas e prefeituras, entre outros locais,  culminando  em  vários  processos  de  investigação  por  envolvimento  em  práticas  delituosas,  inclusive  crime  de  sonegação fiscal.   1.  No  trabalho  em  questão,  após  análise  de  movimentação  financeira expressiva da empresa e muito divergente dos valores  das receitas informadas pela mesma nas declarações do Simples  Nacional, aprofundamos nos  serviços prestados e  identificamos  em  todos  os  períodos  fiscalizados  vários  créditos  que  a  fiscalizada  intimada  a  esclarecer  a  origem  com  documentos  hábeis  e  idôneos,  sendo  que  a  maior  parte  nenhum  esclarecimento e comprovação foi apresentada.   Essa  atitude  e  forma  praticada  pela  fiscalizada  caracteriza  a  intenção clara de não informar, não apurar e não pagar valores  Fl. 771DF CARF MF     4 devidos  aos  Cofres  Públicos.  Cabe  ressaltar  que  no  caso  em  questão  não  se  trata  de  uma  simples  omissão  ou  esquecimento  em um mês ou outro, mas uma forma sistemática e reiterada em  todos os anos de 2010, 2011 e 2012 fiscalizados.  (...)   Através do  termo de  intimação e  reintimação  fiscal, ciência em  03/10/2014, a empresa  foi  novamente  intimada a apresentar os  extratos  de  todas  as  contas  bancárias  dos  períodos  e  ainda  reintimada a apresentar o Livro Caixa dos mesmos períodos em  meio magnético conforme solicitação no termo anterior.   Em 13/10/2014 a interessada protocolou pedido de prorrogação  de mais 10 (dez) dias e entrega de CD contendo os Livros Caixa  dos  períodos. Em 22/10/2014  solicitou  que  lhe  fosse  concedida  nova dilação do prazo por mais 90 (noventa) dias.   Por meio do Termo de Constatação de 29/10/2014,  levamos ao  conhecimento da  fiscalizada, pessoalmente,  que o prazo que as  instituições  bancárias  necessitam  para  entrega  dos  extratos  bancários  aos  seus  clientes  é  no  máximo  10  (dez)  dias  e  que  referidos  extratos  já  compõem  a  documentação  de  sua  escrituração  contábil  e  fiscal.  Ainda  levamos  ao  conhecimento  da mesma:   (...)  Em  19/12/2014  foi  requerida  anuência  para  a  emissão  da  Requisição sobre Movimentação Financeira ­ RMF aos bancos  que a empresa possuía movimentação bancária, uma vez que o  mesmo  não  apresentou  os  extratos  bancários  solicitados  pela  fiscalização, acrescentando ainda o  fato de existir autorização  judicial  permitindo  acesso  à  Receita  Federal  do  Brasil  dos  dados de suas contas bancárias, conforme destaque na própria  solicitação.   Apresentados  os  arquivos  magnéticos  dos  extratos  bancários  pelas  instituições  financeiras,  trabalhamos,  basicamente,  o  confronto  dos  créditos  bancários  e  escrituração  dos  livros  e  documentos.   (...)  A  planilha  um  demonstra  os  valores  mensais  extraídos  do  cotejamento  dos  créditos  bancários  e  receitas  de  serviços  prestados  informadas  nas  DASN  e  DEFISC.  A  coluna  2  discrimina  as  receitas  escrituradas  e  informadas  nas  declarações  do  SIMPLES  NACIONAL.  A  coluna  3  informa  a  somatória  dos  créditos  transportados  da  planilha  3,  oriundos  dos  registros  da  movimentação  bancária  que  a  mesma  não  esclareceu  e  não  comprovou  a  origem  dos  recursos  com  documentação  hábil  e  idônea,  considerando  as  respostas  e  esclarecimentos  apresentados  durante  os  trabalhos,  especialmente,  a  resposta  datada  de  05/05/2015  e  suas  planilhas.  A  planilha  3  discrimina  ainda  todos  os  créditos  trabalhados  em  conformidade  com  as  respostas  apresentadas  pela interessada.   Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10660.721918/2015­61  Acórdão n.º 1201­002.343  S1­C2T1  Fl. 4          5 (...)  Conforme  já  exposto  o  art.  34,  da  Lei  Complementar  n°  123/2006,  prescreve  que  aplicam­se  à  microempresa  e  à  empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas  as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de  regência  dos  impostos  e  contribuições  incluídos  no  Simples  Nacional. Como a empresa é optante pelo Simples Nacional, as  omissões  de  receitas  de  créditos  bancários,  intimados  individualizadamente e não comprovados, devem ser tributados  pela sistemática do artigo 42 da Lei 9.430/96.   (...)  Em relação aos  valores discriminados na planilha 2 oriundos  dos  créditos  intimados  e  não  comprovados  a  origem  dos  recursos,  a  grande  maioria  nenhum  esclarecimento  e/ou  documento  foi  apresentado,  conforme  se verifica nas próprias  planilhas  apresentadas  em  31/03/2015  e  05/05/2015  e  transposta  para  a  planilha  3  dos  créditos  trabalhados.  Em  alguns créditos a empresa apresentou algumas alegações, mas  nenhum  documento  foi  apresentado  conforme  indicados  na  própria planilha 3.  Já  parte  dos  créditos  oriundos  de  recebimento  de  receitas  por  serviços  prestados,  declarada,  escriturada  e  devidamente  indicados  e  esclarecidos  os  respectivos  créditos  nas  planilhas  respostas  foram  considerados  e  comprovados  e  excluídos,  conforme  indicados  “Comprovados  ou  Não  Comprovados”  em  coluna da mesma planilha 3 dos créditos trabalhados.   Portanto a coluna 3 da planilha 1 discrimina mensalmente os  créditos de origem não comprovada, oriundos da planilha 2 que  discrimina, individualizadamente, os créditos que a interessada  não apresentou comprovação da origem dos recursos.   As diferenças mensais serão transferidas para o auto de infração  do  Simples  Nacional  e  a  devida  apuração  dos  valores  devidos  com  multa  lançada  e  acréscimos  legais  conforme  disposto  na  legislação em destaque no próprio auto de infração.   (...)  V ­ Da multa de ofício qualificada   Ressalto mais uma vez que o  trabalho objeto desta  fiscalização  foi  oriundo  da  seleção  dos  contribuintes  investigados  na  denominada  “Operação  Metástase”  deflagrada  pela  Polícia  Federal, Ministério Público e Receita Federal do Brasil, junto a  empresas  e  pessoas  físicas  investigadas  por  vários  crimes  (em  tese) cometidos em prestações de serviços junto a prefeituras de  nossa região, tendo sido, inclusive, aberto por decisão judicial o  sigilo  fiscal  e  bancário  e  que  resultou  na  prisão,  busca  e  apreensão em diversas residências, empresas e prefeituras, entre  outros  locais,  culminando  em  vários  processos  de  investigação  Fl. 773DF CARF MF     6 por  envolvimento  em  práticas  delituosas,  inclusive  crime  de  sonegação fiscal.   (...)  Conforme  já  exposto  o  art.  34,  da  Lei  Complementar  nº  123/2006,  prescreve  que  aplicam­se  à  microempresa  e  à  empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas  as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de  regência  dos  impostos  e  contribuições  incluídos  no  Simples  Nacional. Como a empresa é optante pelo Simples Nacional, as  omissões  de  receitas  de  créditos  bancários,  intimados  individualizadamente  e não comprovados,  devem ser  tributados  pela sistemática do artigo 42 da Lei 9.430/96.   (...)  No  procedimento  em  questão,  após  análise  de  movimentação  financeira expressiva da empresa e muito divergente dos valores  das receitas informadas pela mesma nas declarações do Simples  Nacional, aprofundamos nos  serviços prestados e  identificamos  em todos períodos fiscalizados vários créditos que a fiscalizada  intimada  a  esclarecer  a  origem  com  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  maior  parte  nenhum  esclarecimento  e  comprovação  foi apresentada.   Do total dos serviços prestados nos períodos da fiscalização foi  apurada receita total no valor de R$ 6.069.382,30, sendo o total  de R$ 1.824.149,72 de omissão de receitas oriundos de créditos  de  origem  não  comprovada  e  no mesmo  período  informou  nas  declarações  do  Simples  Nacional  R$  4.245.232,62,  conforme  discriminado na própria planilha 1.   Essa  atitude  e  forma  praticada  pela  fiscalizada  caracteriza  a  intenção clara de não informar, não apurar e não pagar valores  devidos  aos  Cofres  Públicos.  Cabe  ressaltar  que  no  caso  em  questão  não  se  trata  de  uma  simples  omissão  ou  esquecimento  em um mês ou outro, mas uma forma sistemática e reiterada em  todos os anos­calendário de 2010, 2011 e 2012, fiscalizados.   Os  valores  decorrentes  das  omissões  mensais  e  diferenças  das  bases  de  cálculo  ou  diferenças  de  alíquotas  aplicar­se­ão  as  multas lançadas conforme a RESOLUÇÃO CGSN Nº 94, DE 29  DE  NOVEMBRO  DE  2011,  que  dispõe  sobre  o  Simples  Nacional,  na  Subseção  V  –  Das  Infrações  e  Penalidades,  menciona nos arts. 86 e 87 o seguinte:  (...)  Conforme  já  exposto  o  art.  34,  da  Lei  Complementar  nº  123/2006,  prescreve  que  aplicam­se  à  microempresa  e  à  empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas  as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de  regência  dos  impostos  e  contribuições  incluídos  no  Simples  Nacional. Como a empresa é optante pelo Simples Nacional, as  omissões  de  receitas  de  créditos  bancários,  intimados  individualizadamente  e não comprovados,  devem ser  tributados  pela sistemática do artigo 42 da Lei 9.430/96.   Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10660.721918/2015­61  Acórdão n.º 1201­002.343  S1­C2T1  Fl. 5          7 (...)  Inconformado  com  a  exigência,  da  qual  tomou  ciência  em  06/11/2015, a pessoa jurídica autuada apresentou impugnação  em  07/12/2015,  fls.  540/566,  contrapondo­se  ao  lançamento  com base nos argumentos a seguir sintetizados.   a) preliminarmente, na forma do art. 16, inciso IV do Decreto n.°  70.235/72,  sejam  os  autos  baixados  em  diligência  para  que  a  Delegacia da Receita Federal de origem, apresente na íntegra a  suposta  decisão mencionada  no  Termo  de Verificação  Fiscal  e  Termo de Intimação Fiscal 3 de 12.03.2015.   O que se requer justifica­se pelas razões expostas no item 3.1 e  3.2,  uma vez  que  a  referida  decisão  não  foi  juntada aos  autos,  com  a  ciência  inequívoca  da  empresa  Recorrente,  de  modo  a  comprovar que de fato restou autorizado judicialmente o acesso  à sua movimentação financeira e bancária e, com isso proceder  a presente autuação fiscal.   b) declarar a nulidade da autuação fiscal, uma vez que:   b.l) não foi assegurado à Recorrente o acesso a decisão judicial  que deferiu o afastamento do sigilo fiscal e bancário, ainda que  pela  sua  transcrição  na  íntegra  na  intimação  e  termo  de  verificação fiscal, de modo a assegurar um mínimo de certeza de  a  referida  decisão  de  fato  foi  proferida  contra  si  e  com  isso  poder exercer o seu legítimo direito de defesa e do contraditório,  e  com  isso  poder  analisar  se  não  se  tratou  de  um  ato  nulo,  violando com isso os princípios da ampla defesa, contraditórios  e devido processo legal.   b.2)  ademais  disso,  a  suposta  decisão  não  conferiu  a  Fiscalização  Tributária  autorização  judicial  para  apurar  a  existência  de  suposto  crédito  tributário  a  ser  constituído  pelo  lançamento de ofício, sendo manifesta a violação ao art. 330 do  Código  Penal  e  aos  incisos  X,  XII,  LIV  e  LV  do  art.  5o.  e  no  inciso IV do § 4o do art. 60, ambos da CF/88.   b.3)  por  fim,  constituindo  o  direito  ao  sigilo  bancário  é  uma  garantia  constitucional  que  não  pode  sofrer  restrições  por  ato  exclusivo  da  Administração  Tributária,  sendo  necessário  a  autorização judicial para a quebra do sigilo bancário, o que, no  entanto, não foi observado no caso, resta evidente a violação aos  incisos X, XII, LIV e LV do art. 5o, inciso IV, do § 4o, do art. 60,  ambos  da  CF/88  sendo  inconstitucional  o  art.  6o  da  Lei  Complementar n.° 105/2001 e ao art. Io da Lei n.° 10.174/2001,  que assim conferiram poderes à administração tributária federal  para  o  acesso  indiscriminado  à  movimentação  financeira  e  bancária dos contribuintes.   c) reconhecer a ilegalidade da autuação com base em depósitos  bancários, consoante permite o art. 42 da Lei n.° 9.430/96, haja  vista  que  estes  não  revelam  a  existência  de  renda  tributável  para  fins  do  que  enuncia  o  art.  43  c/c  art.  110  do  Código  Tributário Nacional.   Fl. 775DF CARF MF     8 Ademais, o art. 42, da Lei n.° 9.430/96, é incompatível com o art.  146, inciso III, alínea b da CF/88, para quem o fato gerador de  determinado  tributo  somente  pode  ser  definido  por meio  de  lei  complementar, no caso o CTN.   d)  reconhecer  que  não  se  fazem  presentes  os  pressupostos  previstos no art. 86 c 87, inciso II da Resolução CGSN n.° 94, de  29.11.2011, para a aplicação de multa no percentual de 150%  da exação fiscal, consoante demonstrado no item 3.3 da presente  impugnação,  além  de  estar  em  total  afronta  aos  princípios  do  não confisco, da proporcionalidade e do direito de propriedade,  violados no caso dos autos.   d) (sic) por fim, e considerando o disposto no art. 543­B do CPC  c/c com os §§ 1ºo e 2o do art. 62 do Regimento Interno do CARF,  requer o sobrestamento do presente processo até ulterior decisão  do  Egrégio  Supremo  Tribunal  Federal  nos  autos  dos  Recursos  Extraordinários n.° 601.314/RG e 736.090/SC, de modo a evitar  decisões  conflitantes  contraditórias,  já  que  tais  recursos  aguardam  pronunciamento  do  referido  Tribunal  em  questões  semelhantes a tratadas nos presente autos.  A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE (3ª Turma da  DRJ/FOR) julgou improcedente a Impugnação em decisão proferida no Acórdão nº 08­36.915,  de 18 de agosto de 2016, assim ementado:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2010, 2011   OBTENÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  A  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA.  DESNECESSIDADE  DE  AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.   É lícito à autoridade fiscal examinar informações relativas ao  contribuinte,  constantes de documentos,  livros  e  registros de  instituições  financeiras  e  de  entidades  a  elas  equiparadas,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos,  poupança  e  aplicações  financeiras,  independentemente  de  autorização  judicial,  quando  houver  procedimento  de  fiscalização  em  curso e tais exames forem considerados indispensáveis.   ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL   Ano­calendário: 2010, 2011   OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS,  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.   Caracterizam­se  como  omissão  de  rendimentos  os  valores  creditados  em conta de depósito ou de  investimento mantida  junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados nessas operações.   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10660.721918/2015­61  Acórdão n.º 1201­002.343  S1­C2T1  Fl. 6          9 Ano­calendário: 2010, 2011   MULTA CONFISCATÓRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.   1. A vedação constitucional é para a utilização de tributo com  efeito  confiscatórios  e  não  da  multa,  que  tem  natureza  sancionatória.   2.  As  multas  de  ofício  pecuniárias  vinculadas  aos  tributos  administrados pela Receita Federal do Brasil têm sede em lei  ordinária  federal,  sendo  de  aplicação  obrigatória  por  parte  da  autoridade  lançadora  e  observância  pelas  autoridades  julgadoras que compõem o contencioso administrativo.   A  empresa  tomou  ciência  da  referida  decisão,  conforme  o  Aviso  de  Recebimento,  e­fls.731,  em  08/09/2016,  e,  interpôs  Recurso  Voluntário  ao  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), e­fls.734/764, em 06/10/2016, conforme carimbo  de postagem pelos Correios em 06/06/2016 e recepcionado pela DRF/Varginha/MG, conforme  envelope com carimbo datado de 10/10/2016 (e­fl.764 juntado ao Recurso Voluntário.  A  Recorrente  no  Recurso  Voluntário  repisa,  no  essencial,  os  mesmos  argumentos despendidos na impugnação, no que diz respeito aos seguintes tópicos:  A) DA AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS VÁLIDOS PARA A  OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DA RECORRENTE.  B)  DA  IMPOSSIBILIDADE  DE  SE  CARACTERIZAR  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS COMO RENDA TRIBUTÁRIO PARA FINS DO ART. 43 DO CTN.  C)  DA  AUSÊNCIA  DE  PRESSUPOSTOS  LEGAIS  PARA  A  QUALIFICAÇÃO DA MULTA NO PERCENTUAL DE 150% DA EXAÇÃO.  DOS PEDIDOS  ­  preliminarmente,  seja  determinado  o  sobrestamento  do  presente  processo  até  ulterior  decisão  do  Egrégio  Supremo  Tribunal  Federal  nos  autos  dos  Recursos  Extraordinários  n.°  736.090/SC  que,  como  visto,  aguarda  pronunciamento  do  referido  Tribunal  em  questão  semelhante a tratada nos presentes autos.   ­  a  nulidade  da  presente  autuação  fiscal,  uma  vez  que  ausente  os  pressupostos  válidos  para  a  obtenção  dos  dados  bancários  que  embasaram a exação, pois, na espécie dos autos, ante aos fundamentos  acima  declinados,  restou  evidente  que  não  havia  qualquer  "procedimento  de  fiscalização  em  curso  e  tais  exames  forem  considerados indispensáveis " .   ­  a  ilegalidade  da  autuação  com  base  em  depósitos  bancários,  consoante  permite  o  art.  42  da Lei  n.°  9.430/96,  haja  vista  que  estes  não revelam a existência de renda tributável para fins do que enuncia o  art. 43 c/c art. 110 do Código Tributário Nacional e art. 146, inciso III,  alínea b da CF/88.  ­ reconhecer que não se  fazem presentes os pressupostos previstos no  art. 86 e 87, inciso II da Resolução CGSN n.° 94, de 29.11.2011 e art.  Fl. 777DF CARF MF     10 71,  72  e  73  da  Lei  n.°  4.502/64,  para  a  aplicação  de  multa  no  percentual de 150% da exação fiscal.  Além  disso,  a  penalidade  aplicada  não  atende  aos  princípios  do  não  confisco,  da  proporcionalidade  e  do  direito  de  propriedade,  todos  violados no caso dos autos.  Com  efeito,  a  multa  deve  ser  excluída  ou,  então,  reduzida  para  o  percentual de 20% (vinte por cento) da exação, na forma do art. 61 da  Lei n.° 9.430/96.  Finalmente requer provimento ao recurso voluntário.  É o relatório    Voto             Conselheira Ester Marques Lins de Sousa ­ Relatora  O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  de  acordo  com  o  Ato  Declaratório  Normativo (SRF) n° 19, de 26/05/1997, e preenche os requisitos de admissibilidade previstos  no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço.  Os  argumentos  da  defesa  serão  analisados  na  mesma  ordem  dos  tópicos  acima apresentados.  A) DA AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS VÁLIDOS PARA A  OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DA RECORRENTE.  Apesar  da  extensa  fundamentação  descrita  no  acórdão  recorrido  para  demonstrar  que  se  torna  despiciendo  para  o  deslinde  da  questão  a  análise  do  inteiro  teor  da  decisão  judicial  mencionada  pelo  autuante,  haja  vista  que,  independentemente  de  sua  existência,  a  obtenção  da  movimentação  bancária  da  autuada  foi  em  consonância  com  a  legislação vigente, a Recorrente insiste em sede de recurso voluntário nos mesmos argumentos  despendidos  na  impugnação  no  sentido  de  que  não  tendo  sido  a  contribuinte  investigada  na  denominada "Operação Metástase" deflagrada pela Polícia Federal junto as empresas e pessoas  físicas  investigadas por vários crimes  (em  tese)  cometidos em prestações de serviços  junto a  Prefeituras da região, nunca existiu qualquer decisão judicial que desse amparo a obtenção das  informações na forma sustentada pela fiscalização.  Argúi  a Recorrente  que,  "Na  espécie  dos  autos,  se  de  fato  havia  a  suposta  "autorização  judicial"  para  o  acesso  aos  dados  bancários  da  Recorrente,  porque  então,  a  referida decisão não veio acompanhada do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal  que o fundamenta."  Diz que somente com o amplo acesso ao conteúdo de uma decisão judicial  que supostamente tenha autorizado a quebra do sigilo fiscal e bancário é que irá permitir ao  contribuinte  ter  ciência  de  que  a  suposta  decisão  tenha  sido  proferida  contra  si.  E  mais  importante, poder exercer o seu legítimo direito de defesa e do contraditório, e com isso poder  analisar se não se tratou de um ato nulo.   Conclui que, a circunstância de a Fiscalização Tributária estar investida da  autorização  judicial  para  o  acesso  a  informações  fiscais  e  bancárias  e  repassá­las  à  Fl. 778DF CARF MF Processo nº 10660.721918/2015­61  Acórdão n.º 1201­002.343  S1­C2T1  Fl. 7          11 Autoridade Policial, não permite agir além do que restou autorizado pelo Poder Judiciário na  decisão  ora  citada.  E,  ainda  que  a  Recorrente  estivesse  listada  na  decisão  citada  pela  Fiscalização, o que não se pode afirmar, como visto acima, constata­se que não há legalidade  ou  licitude  no  ato  praticado,  eis  que  o  acesso  a  sua  movimentação  financeira  se  deu  por  motivos diversos do ora pretendido na suposta decisão judicial.  Sobre a obtenção das informações bancárias da empresa, desde o decorrer da  ação  fiscal  a  contribuinte  vem  questionando  a  existência  de  decisão  judicial  que  autorize  o  procedimento fiscal, como bem se verifica em excertos da decisão  recorrida,  fls. 675, que se  transcreve a seguir:  Nesse sentido, observa­se que no Termo de Intimação Fiscal nº  03,  datado  10/03/2015,  fls.  392/393,  o  contribuinte  alegou,  fls.  406, que “a decisão que deferiu o afastamento do sigilo fiscal e  bancário  não  conferiu  a  esta  douta  Delegacia  da  Receita  Federal do Brasil autorização judicial para apurar a existência  de suposto crédito tributário, a ser constituído pelo lançamento  de ofício”. “O que ficou assentado, com clareza hialina, que não  deixa espaço para dúvidas ou questionamentos, é o afastamento  do  sigilo bancário  e  fiscal  especificamente para à apuração de  infrações  penais,  sendo  certo  ainda,  que  após  isso,  a  Receita  Federal  do  Brasil  deveria  tão  somente  repassar/fornecer  tais  informações à Autoridade Policial, e nada mais”.   O autuante  faz referência no Termo de Verificação Fiscal e no  Termo de Intimação nº 3, fls. 392/393, ao Mandado da 1a Vara  Criminal,  da  Infância  e  Juventude  e  Cartas  Precatórias  da  Comarca  de  Três  Corações/MG  a  MM,  em  que  a  Juíza  de  Direito  Aila  Figueiredo,  em  decisão  de  27  de  junho  de  2012  assim pronunciou:   (...)Isto posto, AUTORIZO: A) o afastamento do sigilo bancário  das  pessoas  físicas  e  jurídicas  abaixo  listadas,  a  fim  de  que  a  Receita Federal  do Brasil,  por meio  do  sistema  próprio,  tenha  acesso  e  repasse  à  autoridade  Policial  os  dados  e  movimentações bancárias dos investigados, em todas as contas­ correntes, contas­poupança, aplicações financeiras mantidas por  eles,  bem  como  eventuais  operações  realizadas  no  exterior  e  valores movimentados entre as contas dos investigados, referente  ao período de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012;  B) o afastamento do sigilo  fiscal das pessoas físicas e  jurídicas  abaixo  listadas a  fim de que a Receita Federal do Brasil  tenha  acesso  e  forneça  à Autoridade Policial  cópias  das  declarações  do  imposto  de  renda  relativas  aos  anos  calendários  2.009  a  2.012."   Essa  decisão  da  1a  Vara  Criminal,  da  Infância  e  Juventude  e  Cartas  Precatórias  da  Comarca  de  Três  Corações/MG  é  o  documento que a defesa alega não ter tido conhecimento em sua  íntegra, e solicita a juntada aos autos, sob pena de nulidade do  procedimento fiscal.   Sobre a desnecessidade da cópia da predita decisão judicial para a obtenção  da movimentação bancária tratada no presente processo, o acórdão recorrido, traz em seu bojo  Fl. 779DF CARF MF     12 os  fundamentos  com  os  quais  concordo,  pelo  que  transcrevo  seus  termos  (fls.676/677)  conforme faculta o art.50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, e, os adoto como razão de decidir:  De acordo com a fiscalização, a razão da requisição da emissão  da RMF decorreu do fato de o contribuinte, embora por diversas  vezes intimado durante o procedimento fiscal para apresentar os  extratos de suas contas bancárias, não atendeu a contento. Nesse  sentido,  destaca­se  o  seguinte  trecho  do  Termo  de  Verificação  Fiscal, fls. 181/182:  Através do  termo de  intimação e  reintimação  fiscal, ciência em  03/10/2014, a empresa  foi  novamente  intimada a apresentar os  extratos  de  todas  as  contas  bancárias  dos  períodos  e  ainda  reintimada a apresentar o Livro Caixa dos mesmos períodos em  meio magnético conforme solicitação no termo anterior.   Em 13/10/2014 a interessada protocolou pedido de prorrogação  de mais 10 (dez) dias e entrega de CD contendo os Livros Caixa  dos  períodos. Em 22/10/2014  solicitou  que  lhe  fosse  concedida  nova dilação do prazo por mais 90 (noventa) dias.   Por meio do Termo de Constatação de 29/10/2014,  levamos ao  conhecimento da  fiscalizada, pessoalmente,  que o prazo que as  instituições  bancárias  necessitam  para  entrega  dos  extratos  bancários  aos  seus  clientes  é  no  máximo  10  (dez)  dias  e  que  referidos  extratos  já  compõem  a  documentação  de  sua  escrituração  contábil  e  fiscal.  Ainda  levamos  ao  conhecimento  da mesma:   (...)Porém  em  14/11/2014  veio  mais  uma  vez  solicitar  mais  60  (sessenta)  dias  para  a  entrega  dos  extratos  bancários  entre  outras alegações.   Em  19/12/2014  foi  requerida  anuência  para  a  emissão  da  Requisição  sobre Movimentação Financeira  ­ RMF aos bancos  que a empresa possuía movimentação bancária, uma vez que o  mesmo  não  apresentou  os  extratos  bancários  solicitados  pela  fiscalização,  acrescentando  ainda  o  fato  de  existir  autorização  judicial permitindo acesso à Receita Federal do Brasil dos dados  de  suas  contas  bancárias,  conforme  destaque  na  própria  solicitação.   Apresentados  os  arquivos  magnéticos  dos  extratos  bancários  pelas  instituições  financeiras,  trabalhamos,  basicamente,  o  confronto  dos  créditos  bancários  e  escrituração  dos  livros  e  documentos.  Conforme  documentos  acostados  aos  autos  às  fls.  281/288,  a  obtenção  das movimentações  bancárias  do  contribuinte  foi  por  intermédio  da  emissão  de  “Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação Financeira – RMF”, nos temos do art. 6º da Lei  Complementar  nº  105/2001,  regulamentada  pelo  Decreto  nº  3.724/2001.   Consta nas RMF anexadas ao processo o seguinte: “Esta RMF é  indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em  curso, nos termos do art. 4º, § 6º, do Decreto nº 3.724, de 2001”.  Cite­se, exemplificativamente, nesse sentido, a RMF dirigida ao  Banco do Brasil S/A, fls. 281.  Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10660.721918/2015­61  Acórdão n.º 1201­002.343  S1­C2T1  Fl. 8          13 Com efeito, apesar de o autuante  ter  feito referência  também à  decisão da 1a Vara Criminal, da Infância e Juventude e Cartas  Precatórias da Comarca de Três Corações/MG, as informações  bancárias foram obtidas com base nos poderes conferidos pelo  art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, regulamentado pelo  Decreto  nº  3.724/2001,  em  decorrência  do  procedimento  adotado  pela  empresa,  em  não  fornecer  os  dados  solicitados  pela fiscalização.   Desta forma, torna­se despiciendo para o deslinde da questão a  análise  do  inteiro  teor  da  decisão  judicial  mencionada  pelo  autuante, haja vista que, independentemente de sua existência,  a  obtenção  da  movimentação  bancária  da  autuada  foi  em  consonância com a legislação vigente.  (GRIFEI)  A argumentação da Recorrente de que não há  legalidade ou  licitude no ato  praticado, eis que o acesso a sua movimentação financeira se deu por motivos diversos do ora  pretendido  na  suposta  decisão  judicial,  não  tem  fundamento  legal  haja  vista  que,  de  acordo  com  o  artigo  8º  da  Lei  nº  8.021,  de  1990,  em  vigor,  a  autoridade  fiscal  poderá  solicitar  informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive  extratos  de  contas  bancárias,  desde  que  iniciado  o  procedimento  fiscal,  como  é  o  caso  dos  presentes autos.  A obtenção de provas pelo Fisco  junto à  instituição financeira não constitui  violação  às  garantias  individuais  asseguradas na Constituição Federal,  nem quebra de  sigilo,  nem ilicitude, porquanto é um procedimento fiscal com amparo legal.  Ademais a norma contida na Lei Complementar 105/01, permite a utilização  de  informações bancárias para  fins de  apuração  e  constituição de  credito  tributário,  e,  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF)  não  cabe  o  controle  de  constitucionalidade das leis, conforme, inclusive, dispõe a Súmula nº 02, verbis:  Súmula  CARF  Nº  2  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Ressalte­se  que,  o  conhecimento  que  se  tem  sobre  o  RE  389.808/Paraná  julgado pelo Supremo Tribunal Federal, é que, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF)  concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam  dispositivos  da  Lei  Complementar  (LC)  105/2001,  que  permitem  à  Receita  Federal  receber  dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização  judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta  em  quebra  de  sigilo  bancário, mas  sim  em  transferência  de  sigilo  da  órbita  bancária  para  a  fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, e que, a  transferência de informações é  feita dos bancos  ao Fisco, que  tem o dever de preservar o  sigilo dos  dados,  portanto não há  ofensa à Constituição Federal.  A  conclusão  que  se  impõe  é  que,  é  licito  ao  Fisco  examinar  informações  relativas  ao  contribuinte  constantes  de  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras,  inclusive  contas  de  depósitos  e  de  aplicações  financeiras,  quando  houver  procedimento  de  fiscalização  em  curso  e  tais  exames  forem  considerados  indispensáveis,  Fl. 781DF CARF MF     14 independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105  de 2001. É o caso.  Não  havendo  a  pessoa  jurídica  apresentado  a  documentação  solicitada  pela  autoridade  fiscal,  não  restara  outra  alternativa  a  não  ser  a  Requisição  da  Movimentação  Financeira  às  instituições  bancárias.  Portanto,  razão  não  há  para  realização  de  diligência,e,  mantida a decisão recorrida quanto a esse tópico em comento.  B)  DA  IMPOSSIBILIDADE  DE  SE  CARACTERIZAR  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS COMO RENDA TRIBUTÁRIO PARA FINS DO ART. 43 DO CTN.  A  infração  objeto  do  presente  litígio  corresponde  à  omissão  de  receitas  caracterizada pela falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos  valores creditados em conta corrente bancária em nome da autuada, conforme presunção legal  prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96.  No  essencial,  a  Recorrente  alega  que  a  Fiscalização  Tributária  não  provou  que  a  autuada  auferiu  rendas,  pois  há  apenas  a  presunção  de  que  teria  havido  omissão  de  receita.  Portanto,  insuficiente  para  amparar  o  lançamento  do  imposto  de  renda,  pois  não  configura o fato gerador desse imposto. Também pela dicção do art. 110, do CTN, a presunção  contida no art. 42, da Lei n° 9.430/96 não pode alterar o conceito de renda ou de provento para  neles  incluir  depósitos  bancários.  E  que,  erradamente  o  Fisco  transferiu  à  contribuinte  o  encargo de apresentar eventuais provas. Diz que, no processo administrativo fiscal prevalece o  princípio  da  verdade  material  ou  real  e  não  o  princípio  da  verdade  presumida.  Por  isso,  incumbe à Autoridade Fiscal o dever de investigar, efetuar diligências, a fim de ser alcançada a  verdade real.  Por oportuno, convém registrar que a  jurisprudência citada pela Requerente  em  sua  defesa  serve  apenas  como  forma  de  ilustrar  e  reforçar  sua  argumentação,  não  vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa.   Da  mesma  forma,  se  utilizadas  neste  voto,  as  citações  e  transcrições  jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta julgadora.  Entendo que os  argumentos  trazidos pela defendente não devem prevalecer  sobre a presunção de omissão de receita a partir dos depósitos bancários.  Consta do Termo de Verificação Fiscal, pág.3, e­fls.180/189, que:  ­  por meio  do  termo  de  intimação  fiscal  3,  em  12/03/2015,  a  empresa  foi  intimada  para,  no  prazo  de  20(vinte)  dias,  Comprovar,  individualmente,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  coincidentes  em  datas  e  valores,  a  origem  dos  recursos  creditados nas contas bancárias  (discriminados na Planilha dos Créditos a Comprovar  com  Documentos  as Origens  ­ Anexo  de 10  folhas)  das  instituições  financeiras: Banco Bradesco  S/A  ­  Contas:17965  e  3472,  Banco  do  Brasil  S/A  ­  Conta:  13.344  e  CCR  PEQ  EMPR  MICROEMPR (SICOOB) ­ Conta: 100.571­5;  ­  e  que,  no  item  III.1  ­  Da  planilha  1  demonstrativa  dos  créditos  não  comprovados  e  receitas mensais  apuradas  nos  anos­calendário  2010  a  2012,  a  "coluna  3  informa  a  somatória  dos  créditos  transportados  da  planilha  3,  oriundos  dos  registros  da  movimentação bancária que a mesma não esclareceu e não comprovou a origem dos recursos  com documentação hábil e idônea, considerando as respostas e esclarecimentos apresentados  durante os trabalhos, especialmente, a resposta datada de 05/05/2015 e suas planilhas."  Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10660.721918/2015­61  Acórdão n.º 1201­002.343  S1­C2T1  Fl. 9          15 Como  bem  lembrado  na  decisão  recorrida,  a  Lei  9.430/96  (art.42  e  §§)  operou uma significativa mudança no tratamento tributário conferido à movimentação bancária  dos contribuintes de imposto de renda. Inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o  ônus  de  provar  que  valores  creditados  não  se  referem  a  receitas  omitidas,  sob  pena  de  se  sujeitar a autuação por acréscimo patrimonial a descoberto. É indispensável que, o contribuinte  esclareça e comprove a origem dos recursos com documentação hábil e idônea.   Sobre  a matéria,  a Lei  9.430/96  (art.42  e  §§)  assim  disciplina  o  tratamento  tributário conferido à movimentação bancária dos contribuintes de imposto de renda:  "Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.   §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.   § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.   § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:   I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;   ...  Como se vê, caracterizam­se como omissão de receita ou de rendimento, por  presunção legal ­ juris tantum ­ os valores creditados em conta de depósito ou de investimento  mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica,  regularmente  intimado, não  comprove, mediante documentação hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  Cabe  ao  contribuinte  desfazer  a  presunção  legal  com  documentação própria e  individualizada que justifique os  ingressos ocorridos em suas contas  correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador  do  tributo  devido,  haja  vista  que  pela  mencionada  presunção,  a  sua  existência  (créditos/depósitos  bancários),  desacompanhada  da  prova  da  operação  que  lhe  deu  origem,  espelha omissão de receitas, justificando­se sua tributação a esse título.  O  dispositivo  legal,  inverteu  o  ônus  da  prova  ao  atribuir  ao  contribuinte  o  ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas. A presunção criada a  favor do fisco não afasta a tese de que, em princípio, depósitos bancários não representam, por  si  só,  disponibilidade  econômica  de  rendimentos.  Faz  mister,  porém,  os  esclarecimentos  devidos  com  provas  por  parte  do  contribuinte  e,  na  espécie,  o  Recorrente  desperdiçou  a  oportunidade a ele concedida para tanto (termo de intimação fiscal 3, em 12/03/2015).   Fl. 783DF CARF MF     16 Trata­se,  portanto,  de presunção  legal,  onde  a  lei  determina que, ocorrida  a  situação fática (créditos em conta de depósito sem comprovação de origem), pode­se presumir,  até  prova  em  contrário  (esta  a  cargo  do  contribuinte),  a  ocorrência  do  fato  a  ser  provado  (omissão de receita).   É  preciso  salientar  que  a  Lei  nº  9.430/96,  ao  contrário  do  procedimento  aventado  pela  interessada/Recorrente,  permite  à  autoridade  fiscal  perquirir  junto  ao  contribuinte  qual  a  origem  daqueles  depósitos  ou  investimentos  existentes  em  suas  contas  bancárias  sendo  que  a  ausência  da  comprovação  de  sua  origem  faz  presumir  tratar­se  de  omissão de receitas próprias da atividade da pessoa jurídica.   As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída  pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não  comprovada,  são  considerados,  por  presunção,  como  receita  bruta  da  pessoa  jurídica  não  oferecida à tributação.  Ressalte­se,  de  plano,  que  aqui  não  cabe  a  alegada  necessidade  de  comprovação de renda por parte do Fisco, em face do artigo 43 e 142 do CTN. Os enunciados  das  súmulas  abaixo  são  esclarecedores,  portanto  desnecessária  outra  explicação  sobre  o  assunto, vejamos:  Súmula CARF Nº 26   A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa  o Fisco  de  comprovar  o  consumo da  renda  representada pelos  depósitos bancários sem origem comprovada  Súmula CARF Nº 30  Na  tributação  da  omissão  de  rendimentos  ou  receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada os depósitos de um mês não servem para comprovar  a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes.  Assim, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos utilizados  em relação aos valores creditados nas contas bancárias discriminadas no Termo de Verificação  Fiscal  e,  na  ausência  de  tal  comprovação  foram  os mesmos  valores  tributados  como  receita  omitida, em consonância com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96.  A  Recorrente  aduz  também  que  não  há  como  prevalecer  o  entendimento  manifestado no v. acórdão recorrido, com o provimento do presente recurso voluntário para se  reconhecer a ilegalidade e a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n.° 9.430/96.  Sobre  a manifestação  da  ilegalidade  ou  inconstitucionalidade  do  art.  42  da  Lei n.° 9.430/96, não cabe a esse órgão do Poder Executivo deixar de aplicá­la, encontrando  óbice, inclusive na Súmula nº 2 desse E.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF,  verbis:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária   Enfim,  considerando  serem  insuficientes  os  argumentos  da Recorrente  para  afastar com segurança a autuação, haja vista que o contribuinte não apresentou documentos, no  caso, da origem dos recursos, oportunizado, mais uma vez, ao contribuinte trazer aos autos a  prova  a  ele  incumbida  por  força  do  art.42  e  §§  da  predita  Lei  nº  9.430/96,  não  cabe  a  autoridade  julgadora,  por  presunção,  suprir  o  dever  do  contribuinte.  Não  tendo  a  autuada  Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10660.721918/2015­61  Acórdão n.º 1201­002.343  S1­C2T1  Fl. 10          17 comprovado  a  origem  dos  recursos  utilizados  nos  depósitos,  é  de  se  manter  a  autuação  ao  concluir  que  os  depósitos  tiveram  origem  em  recursos  mantidos  à  margem  da  escrituração,  portanto, considerados como omissão de receitas, razão pela qual deve ser negado provimento  ao  recurso  voluntário,  mantendo  incólume  os  lançamentos  relativos  ao  IRPJ,  CSLL,  PIS,  Cofins, CPP e ISS.   DA  AUSÊNCIA  DE  PRESSUPOSTOS  LEGAIS  PARA  A  QUALIFICAÇÃO DA MULTA NO PERCENTUAL DE 150% DA EXAÇÃO.  A multa qualificada de 150% foi aplicada com fundamento no art. 44, inciso  II, da Lei 9.430, de 1996, que reza que:  Art.44.Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  I­de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;  II­cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente  intuito de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.  (...)   Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa  de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. A aplicação da multa qualificada,  prevista no inciso II, pressupõe que seja comprovado o evidente intuito de fraude.  A  fraude,  num  sentido mais  abrangente,  consiste  em uma  ação  ou  omissão  promovida  com má­fé,  tendente  a  ocultar  uma verdade  ou  a  fugir de  um dever. No  caso  da  multa qualificada, o dispositivo legal acima (inciso II) faz menção aos arts. 71, 72 e 73 da Lei  n.º 4.502, de 1964, a segui  transcritos, definindo  três situações distintas: sonegação,  fraude e  conluio:  Art. 71 – Sonegação é  toda ação ou omissão dolosa tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  –  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente.  Art.  72  –  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante  do  imposto  devido,  ou  a  evitar  ou  diferir  o  seu  pagamento.  Fl. 785DF CARF MF     18 Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no  artigo 71 e 72.  Nas três situações, há que ser caracterizado o dolo. Por sua vez, o conceito de  dolo encontra­se no inciso I do art. 18 do Decreto –lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 ­  Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o  risco de produzi­lo.  No que tange à aplicação da multa qualificada sobre os depósitos bancários  de origem não comprovada, consta no Termo de Verificação Fiscal,  item "IV ­ Da multa de  ofício qualificada" o seguinte:  Ressalto mais uma vez que o  trabalho objeto desta  fiscalização  foi  oriundo  da  seleção  dos  contribuintes  investigados  na  denominada  “Operação  Metástase”  deflagrada  pela  Polícia  Federal, Ministério Público e Receita Federal do Brasil, junto a  empresas  e  pessoas  físicas  investigadas  por  vários  crimes  (em  tese) cometidos em prestações de serviços junto a prefeituras de  nossa região, tendo sido, inclusive, aberto por decisão judicial o  sigilo  fiscal  e  bancário  e  que  resultou  na  prisão,  busca  e  apreensão em diversas residências, empresas e prefeituras, entre  outros  locais,  culminando  em  vários  processos  de  investigação  por  envolvimento  em  práticas  delituosas,  inclusive  crime  de  sonegação fiscal.  No  procedimento  em  questão,  após  análise  de  movimentação  financeira expressiva da empresa e muito divergente dos valores  das receitas informadas pela mesma nas declarações do Simples  Nacional, aprofundamos nos serviços prestados e identificamos  em todos períodos fiscalizados vários créditos que a fiscalizada  intimada  a  esclarecer  a  origem  com  documentos  hábeis  e  idôneos, a maior parte nenhum esclarecimento e comprovação  foi apresentada.  Do total dos serviços prestados nos períodos da fiscalização foi  apurada receita total no valor de R$ 6.069.382,30, sendo o total  de R$ 1.824.149,72 de omissão de receitas oriundos de créditos  de origem não comprovada e no mesmo período informou nas  declarações  do  Simples  Nacional  R$  4.245.232,62,  conforme  discriminado na própria planilha 1.  Essa  atitude  e  forma  praticada  pela  fiscalizada  caracteriza  a  intenção  clara  de  não  informar,  não  apurar  e  não  pagar  valores devidos aos Cofres Públicos. Cabe ressaltar que no caso  em  questão  não  se  trata  de  uma  simples  omissão  ou  esquecimento em um mês ou outro, mas uma forma sistemática  e reiterada em todos os anos­calendário de 2010, 2011 e 2012,  fiscalizados.  ...  GRIFEI  O  autuante  apenas  ressalta  que  "o  trabalho  objeto  desta  fiscalização  foi  oriundo  da  seleção  dos  contribuintes  investigados  na  denominada  “Operação  Metástase”  deflagrada  pela  Polícia  Federal,  Ministério  Público  e  Receita  Federal  do  Brasil,  junto  a  Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10660.721918/2015­61  Acórdão n.º 1201­002.343  S1­C2T1  Fl. 11          19 empresas e pessoas físicas investigadas por vários crimes (em tese) cometidos em prestações  de  serviços  junto  a  prefeituras  de  nossa  região...culminando  em  vários  processos  de  investigação  por  envolvimento  em  práticas  delituosas,  inclusive  crime  de  sonegação  fiscal,  mas não especifica se a prática da conduta da contribuinte, restou tipificada no art. 71, 72 ou 73  da Lei nº 4502/64 a ensejar a situação de fraude, sonegação ou conluio.  O  autuante  descreve,  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  fatos  que  dão  fundamento ao lançamento de ofício, e que a tributação se deu por presunção legal de omissão  de receitas, em virtude de receitas apuradas pelo Fisco decorrentes dos depósitos bancários de  origem não comprovada em nome da pessoa jurídica.  Verifica­se que, no  caso  concreto dos  presentes  autos,  a  infração baseou­se  no fato de ter a autoridade lançadora verificado a omissão de rendimentos, por presunção legal,  provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada. Vê­se que a justificativa para  a aplicação da multa qualificada foi em razão do contribuinte ter omitido informações relativas  aos períodos de 2010 e 2011, porém não ficou claramente caracterizada a ocorrência da fraude  ou simulação por parte do contribuinte.  Ressalta­se  que  a  omissão  de  rendimentos  resultante  de  omissão  de  informações, por si só, não dá causa à qualificação da multa de ofício. A infração a dispositivo  de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir fraude ou  simulação.  Faz­se  necessária  a  tipificação  pela  autoridade  administrativa  da  conduta  do  contribuinte  se caracterizada  a ocorrência de  fraude ou  simulação  com sua própria definição  legal. Ou seja, o autuante não descreveu os elementos qualificadores da conduta tipificada nos  artisgos  71,  72  ou  73  da  Lei  4.502/64,  não  diz  qual  a  conduta  do  contribuinte  (fraude,  sonegação ou conluio) se tipificada no artigo 71, 72 ou 73.  A  esse  propósito,  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  já  consolidou seu entendimento, verbis:  Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito de fraude do sujeito passivo.  Dessa  forma,  não  tipificada  e  comprovada,  pelo  autuante,  a  ocorrência  de  dolo, fraude ou simulação, há de se reduzir a multa de ofício qualificada de 150% para a multa  de ofício regular de 75%.  LANÇAMENTO  REFLEXO.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  ­  CSLL,  PIS  e  Cofins PIS, Cofins, CPP e ISS ­ O decidido em relação ao IRPJ aplica­se às exigências reflexas  em virtude da relação de causa e efeitos entre eles existentes.  Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de  voluntário  para  desqualificar  a multa  de  ofício  reduzindo­a  de  150% para  a multa  de  ofício  regular de 75%.      (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa  Fl. 787DF CARF MF     20                               Fl. 788DF CARF MF

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Numero do processo: 10380.721163/2010-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAC¸A~O. DENU´NCIA ESPONTA^NEA. COMPENSAC¸A~O. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário.
Numero da decisão: 9101-003.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Nelso Kichel (suplente convocado) e Rafael Vidal de Arau´jo, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Lui´s Fla´vio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Fla´vio Franco Corre^a.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO

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9101­003.689  –  1ª Turma   Sessão de  07 de agosto de 2018  Matéria  Denúncia espontânea  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  M DIAS BRANCO S.A. INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS     ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006  COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO.  A  regular  compensação  realizada  pelo  contribuinte  é  meio  hábil  para  a  caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja  eficácia normativa não se  restringe ao adimplemento em dinheiro do débito  tributário.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar­lhe provimento, vencidos os  conselheiros  Viviane  Vidal  Wagner,  Nelso  Kichel  (suplente  convocado)  e  Rafael  Vidal  de  Araújo, que lhe deram provimento.    (assinado digitalmente)  Rafael Vidal de Araújo ­ Presidente em exercício.    (assinado digitalmente)  Luís Flávio Neto ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  André  Mendes  de  Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 11 63 /2 01 0- 36 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10380.721163/2010­36  Acórdão n.º 9101­003.689  CSRF­T1  Fl. 247          2 convocado),  Gerson  Macedo  Guerra,  Demetrius  Nichele  Macei,  Rafael  Vidal  de  Araújo  (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa.     Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  interposto  pela  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  em  que  figura  como  interessado  M  DIAS  BRANCO  S.A.  INDUSTRIA  E  COMERCIO DE ALIMENTOS (doravante “contribuinte” ou “recorrido”).    O recurso especial versa sobre a caracterização de denúncia espontânea, nos  termos do art. 138 do CTN, por meio de compensação tributária.    A decisão recorrida restou assim ementada:    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Ano­calendário: 2006   CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO.  NATUREZA  JURÍDICA.  O  objetivo  do  artigo  138  do  CTN  é  estimular  o  contribuinte  infrator  a  colocarse  em  situaca̧õ  de  regularidade,  resgatando  as  pendências  deixadas  e  ainda  desconhecidas  por  parte  do  Fisco,  com  o  que  recebe o que lhe deveria  ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a  iniciativa  do  contribuinte,  talvez  jamais  ocorresse.  Não  há  diferença  entre  regularizar  débito mediante pagamento ou compensação. Sob os aspectos jurídicos os dois  institutos aqui referidos tem̂ por finalidade a satisfaçaõ e quitação de obrigação  pendente.     A  PFN,  então,  interpôs  recurso  especial,  arguindo  divergência  de  interpretação  quanto  à  possibilidade  de  configuração  de  denúncia  espontânea  por  meio  de  compesanção tributária (e­fls. 187 e seg.), o qual foi admitido por despacho (e­fls. 198 e seg.).   O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, em que, embora  não se oponha ao conhecimento do recurso especial, requer lhe seja negado provimento (e­fls.  208 e seg.).  Conclui­se, com isso, o relatório.    Voto             Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator.  Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento  dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual  não merece reparo, adotando­se neste voto os seus fundamentos.  O presente caso exige que se compreenda a hipótese de incidência do art. 138  do  CTN,  especialmente  quanto  à  exigência  de  extinção  do  crédito  tributário  por  meio  de  “pagamento” ou de “compensação”.   Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10380.721163/2010­36  Acórdão n.º 9101­003.689  CSRF­T1  Fl. 248          3 O art. 138 do CTN possui a seguinte redação:   Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontan̂ea da infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do pagamento  do  tributo  devido  e dos  juros de  mora, ou do depósito da  importância arbitrada pela autoridade administrativa,  quando o montante do tributo dependa de apuração.   Parágrafo  único. Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados com a infracã̧o.    O núcleo da presente discussão consiste em saber  se o  termo “pagamento”,  adotado pelo art. 138 do CTN (acima sublinhado), tem o sentido restritíssimo de “quitação em  dinheiro”  ou  se  contempla  acepcã̧o  mais  ampla  de  adimplemento,  abarcando,  no  caso,  a  compensação tributária.   De  início,  é  necessário  observar  que  o  legislador  nem  sempre  utiliza  o  vocábulo “pagamento” no sentido de quitação em dinheiro, valendo­se deste em sua acepção  mais ampla de adimplemento. É o que se verifica em variados exemplos colhidos tanto de leis  ordinárias  como  de  leis  complementares,  conforme  se  passa  a  analisar  antes  de  adentrar  ao  mérito em si do art. 138 do CTN.  Primeiramente, note­se a redação do art. 150 do CTN:   Art. 150. O lanca̧mento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida  autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado,  expressamente a homologa.   Note­se que o CTN utilizou a dicçaõ “antecipar o pagamento” no sentido de  antecipar  o  adimplemento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa.  Não  há  dúvidas  que  o  contribuinte,  mediante  declaracã̧o  e  compensacã̧o  regularmente  levadas  a  termo,  irá  consumar o típico “lançamento por homologação” tutelado pelo art. 150 do CTN.   Nesse  sentido,  merecem  destaque  os  seguintes  julgados,  proferidos  pela  Primeira  e  Segunda  Turma  do  STJ,  que  consideram  indiferente  o  adimplemento  dar­se  mediante pagamento em dinheiro ou compensação tributária para a incidência do art. 150 do  CTN:   PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  ART.  74  DA  LEI  9.430/96.  MODIFICAÇÕES  LEGISLATIVAS:  LEI  10.637/02  E  LEI  10.833/03.  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  NOV/1998.  INDEFERIMENTO  ADMINISTRATIVO  DA  COMPENSAÇÃO.  MAI/05.  TRANSCURSO  DE  PRAZO SUPERIOR AO QUINQUÊNIO LEGAL. ART. 150, §4o, DO CTN.  HOMOLOGAÇAÕ TÁCITA. PAGAMENTO ANTECIPADO.   1. No caso concreto, o crédito tributário foi constituído na data do protocolo do   pedido de compensaca̧õ (10/11/1998), por força do §4o do art. 74 da Lei n.  9.430/96.  Logo,  como  até  maio  de  2005,  a  Administração  não  havia  se  manifestado sobre o  referido pleito, ocorreu a homologação  tácita prevista no  §4o  do  art.  150  do  CTN.  2. Recurso especial provido.   (STJ,  REsp  1320994/RS,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/10/2014, DJe 22/10/2014)   Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10380.721163/2010­36  Acórdão n.º 9101­003.689  CSRF­T1  Fl. 249          4     TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  ICMS.  LANÇAMENTO  SUPLEMENTAR.  CREDITAMENTO  INDEVIDO.  PAGAMENTO  PARCIAL.  DECADÊNCIA.  TERMO  INICIAL.  FATO  GERADOR.  ART.  150,  §  4o,  DO  CTN.  1.  O  prazo  decadencial  para  o  lanca̧mento  suplementar  de  tributo  sujeito  a  homologação  recolhido  a menor  em  face  de  creditamento  indevido  é  de  cinco  anos  contados  do  fato  gerador,  conforme a  regra prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Precedentes: AgRg nos  EREsp 1.199.262/MG, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seçaõ, DJe  07/11/2011;  AgRg  no  REsp  1.238.000/MG,  Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  SEGUNDA  TURMA,  DJe  29/06/2012.  2.  Agravo  regimental  não  provido.  (AgRg  no  REsp  1318020/RS,  Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  15/08/2013,  DJe  27/08/2013)   Prosseguindo a análise ora empreendida, verifica­se que o mesmo se verifica,  por  exemplo,  em  relação  ao  art.  9o,  §  2º,  da  Lei  n.  9.532/97.  Esse  enunciado  prescritivo  estabelece,  em  seu  caput,  que,  “à  opção  da  pessoa  jurídica,  o  saldo  do  lucro  inflacionário  acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, poderá  ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento”. Para que essa  opção  fosse  exercida, o  legislador  requereu a  sua manifestação mediante o adimplemento do  tributo correspondente, em quota única. Não há sinais de que o legislador procurou se referir a  quitação em dinheiro, mas sim às hipóteses que legitimamente conduzam ao adimplemento da  obrigaçaõ, como é o caso da compensação.   Esse foi precisamente o entendimento adotado por esta 1ª Turma da CSRF,  em julgamento recente sobre o tema:  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Ano­calendário: 2003, 2004  SALDO  ACUMULADO  DE  LUCRO  INFLACIONÁRIO.  REALIZAÇÃO  INTEGRAL EM COTA ÚNICA. COMPENSAÇÃO.  À opção da pessoa jurídica, o saldo do lucro inflacionário acumulado, existente  no  último  dia  útil  dos meses  de  novembro  e  dezembro  de  1997,  poderia  ser  considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento (Lei  n. 9.532/1997, art. 9º). Exercício da opção mediante o adimplemento do valor  correspondente.  A  regular  compensação,  assim  como  a  regular  quitação  em  dinheiro, era meio hábil para o exercício da opção.  DECADÊNCIA. SÚMULA CARF n. 10  O  prazo  decadencial  para  constituição  do  crédito  tributário  relativo  ao  lucro  inflacionário  diferido  é  contado  do  período  de  apuração  de  sua  efetiva  realização.  (CSRF, 9101­002.352, 14/06/2016)  Adentrando  no mérito  do  presente  recurso,  verifica­se  que,  tal  como  se  dá  com os outros dispositivos citados,  incluindo o art. 150 do CTN, embora o art. 138 do CTN,  textualmente  adote  o  termo  “pagamento”,  não  procura  restringir  o  instituto  da  denúncia  espontânea  às  hipóteses  de  quitação  em  dinheiro,  requerendo  o  adimplemento  em  sentido  amplo, o que inclui a compensação tributária.   A Nota Técnica n.  1 COSIT, de 18.01.2012, posteriormente cancelada pela  Nota Técnica no 1 COSIT, de 12.06.2012, chegou a reconhecer de ofício, com o propósito de  Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10380.721163/2010­36  Acórdão n.º 9101­003.689  CSRF­T1  Fl. 250          5 colocar  fim  aos  litígios  sobre  a  matéria,  o  sentido  amplo  de  “pagamento”,  para  abrager  hipóteses de adimplemento como a “compensacã̧o”, in verbis:    “18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontan̂ea na compensação de  tributos,  não  se  pode  perder  de  vista  que  pagamento  e  compensacã̧o  se  equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são  exatamente  os  mesmos:  a  extinção  do  crédito  tributário.  Como  consequen̂cia,  a  compensação  também é  instrumento  apto  a  configurar  a  denúncia espontânea.   18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, ao  dar nova redaçaõ ao art. 6° da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à  compensação  o mesmo  tratamento dado ao pagamento para efeito de  redução  das multas de lançamento de ofício.   18.2 Essa  equiparaca̧õ  do  pagamento  e  compensação  na  denúncia  espontânea  resulta  da  aplicação  da  analogia,  prevista  como  método  de  integraçaõ  da  legislação pelo art. 108, I, do CTN.  18.3 Dessa  forma,  respondendo  às  indagações  formuladas  nas  letras  h  e  i  do  item 3 desta Nota Técnica:   a)  se  o  contribuinte  não  declara  o  débito  na  DCTF,  porém  efetua  a  compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar  concomitantes, aplicasse o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste  caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN”     O entendimento esposado pela Nota Técnica n. 1 COSIT, de 18.01.2012 não  merece reparo.  Vale observar que a compensação efetuada pelo contribuinte possui efeito de  pagamento,  sob  condição  resolutória.  Significa  dizer  que,  se  porventura  a  compensação  não  vier  a  ser homologada, perderá a  eficácia a denúncia  espontânea,  com a  exigência do débito  tributário com a multa.   Não obstante  tratar­se de matéria controversa,  seja neste Conselho ou no e.  STJ,  é  importante  observar  as  decisões  deste  Tribunal  que  se  alinham  ao  entendimento  que  acolho no presente voto. A Primeira e a Segunda Turma do STJ apresentam precedentes em  que aplicam a norma do art. 138 do CTN de forma que o termo “pagamento” assuma a acepção  de  “adimplemento”.  Conforme  a  interpretação  levada  a  termo  nos  julgados  a  seguir,  há  denúncia  espontânea  mediante  o  adimplemento  integral  do  débito  tributário  antes  da  ação  fiscal, independentemente deste se dar mediante pagamento em dinheiro ou compensação:   PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  PRESENÇA  DE  OMISSÃO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇAÕ  ACOLHIDOS  COM  EFEITOS  INFRINGENTES.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  RECONHECIMENTO.  TRIBUTO  PAGO  SEM  PROCEDIMENTO  ADMINISTRATIVO  ANTERIOR  E  ANTES  DA  ENTREGA  DA  DCTF  REFERENTE AO IMPOSTO DEVIDO.  1. A decisão embargada afastou o instituto da denúncia espontânea, contudo se  omitiu  para  o  fato  de  que  a  hipótese  dos  autos,  tratada  pelas  instan̂cias  ordinárias, refere­se a  tributo sujeito a  lançamento por homologação,  tendo os  ora embargantes recolhido o imposto no prazo, antes de qualquer procedimento  fiscalizatório administrativo.   2. Verifica­se  estar  caracterizada  a  denúncia  espontânea,  pois  não  houve  constituição  do  crédito  tributário,  seja  mediante  declaração  do  contribuinte,  seja  mediante  procedimento  fiscalizatório  do  Fisco,  anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que,  in casu, se deu com a  Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10380.721163/2010­36  Acórdão n.º 9101­003.689  CSRF­T1  Fl. 251          6 compensação de  tributos. Ademais,  a  compensacã̧o  efetuada possui  efeito  de  pagamento  sob  condição  resolutória,  ou  seja,  a  denúncia  espontânea  será  válida  e  eficaz,  salvo  se  o  Fisco,  em  procedimento  homologatório,  verificar algum erro na operação de compensação. Nesse sentido, o seguinte  precedente:  AgRg  no  REsp  1.136.372/RS,  Rel.  Ministro  HAMILTON  CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, DJe 18/5/2010.   3. Ademais, inexistindo prévia declaração tributária e havendo o pagamento do  tributo antes de qualquer procedimento administrativo, cabível a exclusão das  multas moratórias e punitivas.  4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos.   (STJ,  EDcl  no  AgRg  no  REsp  1375380/SP,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 11/09/2015)  AGRAVO  REGIMENTAL  EM  RECURSO  ESPECIAL.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇAÕ. VIOLAÇÃO DO  ARTIGO  557  DO  CÓDIGO  DE  PROCESSO  CIVIL.  INOCORRÊNCIA.  EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE.  IMPROVIMENTO.   1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em  óbice  para  que  o  relator  julgue  o  recurso  especial  com  fundamento  no  artigo  557 do Código de Processo Civil.  2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do  tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante  declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer  procedimento  fiscal,  as  multas  moratórias  ou  punitivas  devem  ser  excluídas.   3. Agravo regimental improvido.  (STJ,  AgRg  no  REsp  1136372/RS,  Rel.  Ministro  HAMILTON  CARVALHIDO,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  04/05/2010,  DJe  18/05/2010,   O mesmo  entendimento  tem  sido  adotado  por  este Tribunal  administrativo,  como se observa desta recente decisão da 1ª Turma Ordinaŕia da 4ª Câmara da 3a Seçaõ:   CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO  HOMOLOGADA.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA  CARACTERIZADA.  EXCLUSÃO  DA  MULTA  DE  MORA.  STJ.  RECURSO  REPETITIVO.  REPRODUÇÃO  NO  CARF  .  Extinto,  por  meio  de  Declaração  de  Compensação  homologada,  Crédito  tributário  antes  não  declarado  à  administraçaõ  tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no  art.  138  do  Código  Tributário  Nacional,  com  exclusão  da  multa  de  mora  segundo  interpretaçaõ  do  Superior  Tribunal  de  Justica̧  em  julgamento  de  recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF.   (Acórdão 3401002.706, Sessão de 21/08/2014)   Nesse cenário, a norma do art. 138 do CTN não se aplica apenas às hipóteses  de  pagamento  em  dinheiro:  a  norma  de  denúncia  espontânea  incide  igualmente  em  face  de  outras  hipóteses  em  que  haja  equivalente  adimplemento,  como  é  o  caso  da  regular  compensação  tributária.  Não  se  trata  de  interpretaçaõ  ampliativa  ou  restrintiva,  mas  de  reconhecimento  do  âmbito  de  incidência  prescrito  pelo  legislador.  Não  há  que  se  falar,  por  conseguinte, de ofensa ao art. 111 do CTN.   Por todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso  especial.  (assinado digitalmente)  Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10380.721163/2010­36  Acórdão n.º 9101­003.689  CSRF­T1  Fl. 252          7 Luís Flávio Neto                                  Fl. 252DF CARF MF

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Numero do processo: 11060.900382/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte correspondem aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; (ii) confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO

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3401­001.416  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  25 de julho de 2018  Assunto  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ­ PIS/PASEP  Recorrente  VIANNA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  unidade  preparadora:  (i)  confirme  se  os  valores  de  faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos  registros contábeis do contribuinte correspondem aos valores declarados ao fisco em DACON  e  DIPJ;  (ii)  confronte  os  débitos  referentes  à  contribuição  apurados  com  a  base  de  cálculo  conferida  no  item  "i"  e  sob  a  alíquota  aplicável  ao  regime  tributário  da  recorrente,  com  os  pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; e (iii) após o confronto  do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore  relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a  recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste­se no prazo de 30 dias.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Cássio Schappo ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes,  Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara  de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).   Relatório  Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela  2ª Turma da DRJ/POA, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a  Manifestação de Inconformidade.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .9 00 38 2/ 20 08 -4 1 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11060.900382/2008­41  Resolução nº  3401­001.416  S3­C4T1  Fl. 3            2 Dos Fatos  O Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 05290.34146.050204.1.3.04­9997  a  compensação de débito de IRPJ (cód.2089) do período de apuração 4º Trim./2003 no valor de  R$ 456,14 acrescido de multa R$ 7,53 e juros R$ 4,56 totalizando R$ 468,23 com crédito de  PIS/PASEP  (cód.8109)  por  recolhimento  a  maior  que  o  devido  no  valor  de  R$  417,50  do  período de apuração 05/2003, data de arrecadação 13/06/2003, no valor de R$ 688,88.  Do Despacho Decisório  A  DRF  de  Santa  Maria/RS  em  apreciação  ao  pleito  da  contribuinte  proferiu  Despacho  Decisório  com  data  de  emissão  24/04/2008,  rastreamento  nº  757800387  (e­fls.7),  pela não homologação da compensação pretendida, em face da inexistência do crédito, pois o  valor do DARF foi  integralmente utilizado para quitação do PIS declarado para o período de  apuração 05/2003.   Da Manifestação de Inconformidade  Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de  Inconformidade (e­fls.11), contendo apenas, em seu texto, o seguinte: “... demonstrar através de  documentos  e  planilhas  em  anexo,  como  foram  realizadas  as  compensações  via  per/dcomp,  feita  a  verificação, entendemos que houve erro no preenchimento da ficha DÉBITO CSLL. Por outro lado, a  referida  empresa  encontra­se  em  situação  regular  perante  a  este  órgão  conforme  se  comprova  na  solicitação  de  pesquisa  em  anexo,  com  exceção  de  uma  da  parcela  de  n.2  do  parcelamento  n.  13047.000.287/2007­68, que segundo informações junto a Agência em Cachoeira do Sul, foi motivado  pelo  intervalo  entre  a  formalização  do  parcelamento  e  do  envio  para  a  instituição  financeira  para  débito em conta e outro pequeno valor de R$ 96,99. Ambos serão liquidados em breve”.  Do Julgamento de Primeiro Grau  Encaminhado  os  autos  à  2ª  Turma  da  DRJ/POA,  esta  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  cujos  fundamentos  encontram­se  sintetizados  na  ementa  assim elabora:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Data do fato gerador: 31/05/2003   DCTF. PREENCHIMENTO EQUIVOCADO. PAGAMENTO INDEVIDO  OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DO ERRO.   A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos  de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de  compensação.  No final do voto o  julgador  faz menção à DIPJ da Contribuinte, que essa  tem  caráter meramente informativo e não se configura confissão de dívida, valendo­se para esse fim  a DCTF, instituída pela IN SRF nº 129 de 1986.  Do Recurso Voluntário  O sujeito passivo  ingressou  tempestivamente com  recurso voluntário  (e­fls.40)  contra  a  decisão  de  primeiro  grau,  pedindo  sua  reforma  e  homologação  da  compensação  procedida,  argumentando:  (i)  que  efetuou  pagamentos  de  valores  a  maior  que  o  devido  de  Contribuição para o PIS/PASEP; (ii) que a empresa apurou o PIS/PASEP utilizando a alíquota  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11060.900382/2008­41  Resolução nº  3401­001.416  S3­C4T1  Fl. 4            3 de 1,65% e não a alíquota correta para aquele período de 0,65% e seu regime de tributação era  o Lucro Presumido;  (iii)  faz  juntada a  título de prova cópia do Livro Diário, Razão, planilha  demonstrativa dos créditos apurados correspondentes as diferenças entre alíquotas e cópia dos  DARFs pagos;   Dando­se  prosseguimento  ao  feito  o  presente  processo  foi  objeto  de  sorteio  e  distribuição à minha relatoria.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Relator Cássio Schappo  O  recurso  voluntário  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade,  portanto,  dele  tomo conhecimento.  O  direito  a  compensação  como  forma  de  extinção  de  crédito  tributário  tem  amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que:  Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito,  inclusive o reconhecido  por  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  relativo  a  tributo  administrado  pela  RFB,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as  contribuições  previdenciárias,  cujo  procedimento  está  previsto  nos  arts.  44 a 48,  e as  contribuições  recolhidas para outras entidades ou  fundos.  A  questão  central  desses  autos  está  voltada  para  a  ausência  de  DCTF  retificadora, de forma a evidenciar o crédito que a contribuinte alega ter, pelo recolhimento de  valores  de  PIS/PASEP  a maior  que  o  devido,  valendo­se  de  alíquota  não  apropriada  para  o  regime  de  tributação  adotado  no  ano  de  2003.  Sobre  esse  fato  é  esclarecedora  a  planilha  produzida às fls.91:     Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11060.900382/2008­41  Resolução nº  3401­001.416  S3­C4T1  Fl. 5            4 Por outro lado foi juntado no processo cópia dos livros, Diário e Razão, com o  intuito de provar a procedência do crédito declarado, através de seus registros contábeis.  O  acórdão  recorrido  faz  referência  a  DIPJ  que  tem  caráter  meramente  informativo  e  não  para  confissão  de  dívida,  mas  por  ser  de  caráter  informativo  serve  para  confrontar  dados  com  as  demais  declarações  (DACON/DCTF).  Quanto  a  citação  de  jurisprudência de negativa do indébito por falta de prova, não podendo a União ser condenada à  restituição dos valores postulados,  sob pena de  infração  ao princípio do  enriquecimento  sem  causa, contrário senso, havendo o pagamento de tributo em valor a maior que o devido, a sua  negativa traria enriquecimento sem causa ao erário.  Por ser singelos os argumentos da contribuinte ao se manifestar nos autos, não  lhe retira o direito de uma melhor apuração dos fatos diante das provas documentais carreadas  ao processo, bem como de outras acessíveis ao fisco a esclarecer de forma convincente sobre a  realidade dos créditos pleiteados.  Quanto  a  forma  de  analisar  os  pedidos  do  contribuinte  em  Declaração  de  Compensação, reproduzo parte com destaque dos fundamentos do acórdão nº 9303­005.095, de  16/05/2017, proferido em Recurso Especial pela 3ª Turma da CSRF:  A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual  resulta o despacho decisório, bem poderia conformar­se ao mesmo  modelo  do procedimento de determinação  e  exigência de  crédito  tributário,  caso  fosse  precedido  de Termo  de Verificação  Fiscal,  em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros  em  que  incorrera  o  contribuinte  e  a  forma  e  providências  necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal.  É  evidente  que  o  despacho  decisório  eletrônico  não  cumpre  esse  desiderato,  sendo  sintética  a  formatação da decisão  e  o  teor  da  sua  intimação  para  a  apresentação de  defesa,  não  fornece  ao  contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valer­se,  e exigíveis pela Administração, para subsidiá­la.  Somente  na  decisão  de  primeira  instância  é  que  o  julgador  levanta  a  exigência  das  provas,  por  vezes  apenas  de  forma  genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido,  que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal.  Desse modo,  o  art.  16,  §  4º,  do Decreto  nº  70.235/72  deve  ser  interpretado  com  parcimônia  para  este  modelo  de  rito  processual  administrativo,  sobretudo  quando  o  conteúdo  da  sua  letra  “c”  permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco  de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irreleva­se o  princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade,  que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já  quitado ou não repetir o indébito.   A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do  contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a  busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal.  Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento  em  diligência  para  a  repartição  de  origem  de  modo  que  seja  informado  e  providenciado  o  seguinte:  Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11060.900382/2008­41  Resolução nº  3401­001.416  S3­C4T1  Fl. 6            5 1  ­  confirme  se os  valores  de  faturamento,  tidos  como base  de  cálculo  para  a  contribuição  no  período  analisado,  contidos  nos  registros  contábeis  do  contribuinte  corresponde aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ;  2  ­  confronte  os  débitos  referentes  à  contribuição  apurados  com  a  base  de  cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com  os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período;  3  ­  após  o  confronto  do  item  "ii",  identifique  a  efetiva  existência  de  créditos  pleiteados  na  PER/DCOMP  e  elabore  relatório  circunstanciado  e  conclusivo  a  respeito  dos  procedimentos  realizados,  cientificando  a  recorrente  para  que  esta,  se  assim  lhe  convier,  manifeste­se no prazo de 30 dias.  Esgotado o prazo para manifestação,  seja providenciado o  retorno dos  autos  a  este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento.  (assinado digitalmente)  Cássio Schappo  Fl. 112DF CARF MF

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Numero do processo: 10830.008386/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL COM IMÓVEL. Configura alienação, para efeito de apuração do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, a transferência de imóvel de pessoa física a pessoa jurídica, a título de integralização de capital. Considera-se data de alienação do imóvel, em regra, aquela consignada no contrato social ou alteração contratual que estipular a formação ou aumento do capital com o imóvel. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO

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2202­004.742  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de agosto de 2018  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  JULIANA PECINI VALVERDE RODRIGUES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2006  GANHO  DE  CAPITAL.  ALIENAÇÃO.  INTEGRALIZAÇÃO  DE  CAPITAL COM IMÓVEL.  Configura alienação, para efeito de apuração do  imposto de renda  incidente  sobre  os  ganhos  de  capital,  a  transferência  de  imóvel  de  pessoa  física  a  pessoa  jurídica,  a  título  de  integralização  de  capital.  Considera­se  data  de  alienação  do  imóvel,  em  regra,  aquela  consignada  no  contrato  social  ou  alteração  contratual  que  estipular  a  formação  ou  aumento  do  capital  com  o  imóvel.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva  Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente  convocada),  Júnia  Roberta  Gouveia  Sampaio,  Dilson  Jatahy  Fonseca Neto  e  Ronnie  Soares  Anderson.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 83 86 /2 00 9- 25 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.008386/2009­25  Acórdão n.º 2202­004.742  S2­C2T2  Fl. 191          2 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  nos  autos  do  processo  nº  10830.008386/2009­25,  em  face  do  acórdão  nº  16­52.790,  julgado  pela  15ª  Turma  da  Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo1 (DRJ/SP1), em sessão realizada em  19  de  novembro  de  2013,  no  qual  os  membros  daquele  colegiado  entenderam  por  julgar  improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os  relatou:  “Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado o auto de  infração de fls. 04/05 e 08/09, acompanhado dos demonstrativos  de  fls. 06/07 e  termo de verificação de  fls. 11 a 23, relativo ao  imposto de renda sobre ganhos de capital na alienação de bens e  direitos apurado no mês de junho de 2006, por meio do qual foi  apurado  crédito  tributário  no  montante  de  R$  37.519,42,  composto de:    Conforme descrição dos fatos de fls. 08/09, a exigência decorreu  da seguinte infração à legislação tributária:  ­  ganhos  de  capital  na  alienação  de  bens  e  direitos  falta  de  recolhimento  do  imposto  sobre  ganhos  de  capital  –  falta  de  recolhimento  do  imposto  sobre  ganhos  de  capital.  Fatos  geradores e valores tributáveis a fl. 08.  Consta  do  citado  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.  12  a  23  que:  ­ a fiscalizada em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de  Renda da Pessoa Física DIRPF, exercício 2007, ano­calendário  2006, declarou o imóvel  localizado à Rua Major Sólon no 168,  Campinas/SP, e alienado / transferido a titulo de integralização  de  capital  pelo  valor  de  R$  100.000,00,  como  adquirido  pelo  valor de R$ 12.500,00;  ­ a fiscalizada em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de  Renda  da  Pessoa  Física  –  DIRPF,  exercício  2007,  ano­ calendário  2006,  declarou  o  imóvel  localizado  à  Rua  Major  Sólon n.º 172, Campinas/SP, e alienado / transferido a titulo de  integralização  de  capital  pelo  valor  de  R$  100.000,00,  como  adquirido pelo valor de R$ 12.500,00;  ­ a fiscalizada em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de  Renda da Pessoa Física DIRPF, exercício 2007, ano­calendário  2006, declarou o imóvel  localizado à Avenida Anchieta no 675,  Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.008386/2009­25  Acórdão n.º 2202­004.742  S2­C2T2  Fl. 192          3 Campinas/SP, e alienado / transferido a titulo de integralização  de  capital  pelo  valor  de  R$  200.000,00,  como  adquirido  pelo  valor de R$ 50.000,00;  ­  a  fiscalizada,  conforme  consta  em  sua Declaração  de  Ajuste  Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF, exercício  2007,  ano­calendário  2006,  declarou  a  posse  de  50%  dos  imóveis constantes dos itens 14, 15 e 16;  ­  conforme é observado, os referidos  imóveis  foram alienados  /  transferidos para a empresa JUQUEY PARTICIPAÇÕES LTDA,  CNN no 08.091.679/000183, a titulo de integralização de capital  , sendo que as pessoas físicas, conforme dispõe a legislação em  vigor,  arts.23  e  35  da  Lei  no  9.249/95,  poderão  a  esse  titulo,  transferir  para  as  pessoas  jurídicas,  bens  e  direitos  pelo  valor  constante  da  respectiva  declaração  de  bens,  ou  pelo  valor  de  mercado,  sendo  que  se  a  transferência  não  se  fizer  pelo  valor  constante  da  declaração  de  bens,  a  diferença  a  maior  será  tributável como ganho de capital;  ­ não houve nenhum recolhimento de imposto incidente sobre o  ganho de capital por parte da fiscalizada a titulo de apuração de  ganho  de  capital  para  a  alienação/transferência  dos  imóveis  retrocitados.  Cientificada  do  lançamento  em  13/07/2009  (AR  a  fl.  62),  a  autuada apresentou, em 11/08/2009 (vide  fl. 65), a  impugnação  de fls. 64 a 65, por intermédio de procurador (procuração a  fl.  80),  acompanhada  dos  documentos  de  fls.  66  a  76,  alegando  que:  ­ para integralização do capital na JUQUEY PARTICIPAÇÕES  LTDA,  CNPJ  n.º  08.091.679/000183  foram  conferidos  bens  imóveis  de  propriedade  dos  sócios  subscritores  das  quotas  sociais,  havendo  somente  transferência  de  propriedade  das  pessoas físicas para a pessoa jurídica, constituída pelas mesmas  pessoas  físicas,  não  ocorrendo  na  realidade  alienação  de  tais  bens, mas somente a conferência para integralização do capital  social de empresa que administrará os mesmos bens imóveis;  ­  quando  da  elaboração  do  contrato  social  os  valores  considerados  para  integralização o  foram  transcritos  de  forma  incorreta, ou seja, muito acima dos valores constantes na DIRPF  da  contribuinte  e  também  acima  dos  valores  venais  existentes  nos  cadastros  da  Prefeitura  Municipal  de  Campinas,  quais  sejam:  a)  Prédio  residencial  à  Rua  Major  Sólon,  n.º  172  Centro  Campinas­ SP:  > valor declarado na DIRPF R$ 12.500,00;  > valor venal na PMC R$  11.816,14 (50% 2006) ;  Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.008386/2009­25  Acórdão n.º 2202­004.742  S2­C2T2  Fl. 193          4 >  valor  considerado  para  integralização  do  capital  social:  R$50.000,00.  >  VALOR  CORRRETO  PARA  INTEGRALIZAÇÃO  DO  CAPITAL SOCIAL: R$12.500,00;  ­  o  contrato  social  foi  retificado  perante  a  JUCESP  conforme  alteração  de  21/07/2009  passando  o  valor  deste  imóvel  para  integralização do capital social a ser de R$12.500,00;  b)  Prédio  residencial  a  Rua  Major  Sólon,  n°.  168  Centro  Campinas­ SP:  > valor declarado na DIRPF R$ 12.500,00;  > valor venal na PMC R$ 11.720,56 (50% 2006);  >  valor  considerado  para  integralização  do  capital  social:  R$50.000,00.  > VALOR CORRETO PARA INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL  SOCIAL: R$12.500,00  ­o  contrato  social  foi  retificado  perante  a  JUCESP  conforme  alteração  de  21/07/2009  passando  o  valor  deste  imóvel  para  integralização do capital social a ser de R$12.500,00;  c) Prédio residencial Av.  Anchieta, n°. 675­ Centro ­ Campinas ­ SP:  > valor declarado na DIRPF R$ 50.000,00;  > valor venal na PMC R$ 181.106,45 (50% 2006) ;  >  valor  considerado  para  integralização  do  capital  social:  R$100.000,00.  > VALOR CORRETO PARA INTEGRALIZAÇÂO DO CAPITAL  SOCIAL: R$ 50.000,00  ­  o  contrato  social  foi  retificado  perante  a  JUCESP  conforme  alteração  de  21/07/2009  passando  o  valor  deste  imóvel  para  integralização do capital social a ser de R$ 50.000,00;  ­ justifica­ se plenamente a retificação dos valores tendo em vista  que não houve alienação dos imóveis mas somente incorporação  dos  mesmos  ao  capital  social  da  empresa  constituída  para  administrá­los  e  cujos  sócios  são  os  mesmos  proprietários  dos  bens  imóveis,  não  ocorrendo,  portanto,  nenhum  ganho  de  capital.”  A DRJ de origem entendeu pela  improcedência da  impugnação apresentada  pelo  contribuinte,  mantendo­se,  assim  o  crédito  tributário  lançado  na  integralidade.  O  contribuinte,  inconformado com o resultado do  julgamento, apresentou recurso voluntário, às  fls. 108/120, reiterando, as alegações expostas em impugnação.  Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.008386/2009­25  Acórdão n.º 2202­004.742  S2­C2T2  Fl. 194          5 É o relatório.  Voto             Conselheiro Martin da Silva Gesto ­ Relator  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.   Tratam  os  presentes  autos  sobre  omissão  de  ganhos  de  capital  obtidos  na  integralização de bens e direitos. Primeiramente, há que se deixar assente que a transferência  de  bens  e  direitos  por  pessoa  física  a  pessoa  jurídica,  a  título  de  integralização  de  capital,  sujeita­se  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  forma  de  ganho  de  capital,  consoante  disposições do art. 3º, §§ 2º e 3º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, do art. 23 da Lei  nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, do art. 132 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999  (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), do art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 84,  de 11 de outubro de 2001, e do Parecer Normativo CST nº 18, de 22 de maio de 1981.  No presente  caso, há que  se observar  a disposição do  art.  7º  do Decreto nº  70.235, de 1972:  Art. 7º O procedimento fiscal tem início com:  I­  o  primeiro  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  cientificando  o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária ou seu preposto;  (…)  § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito  passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de  intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.  (…)  (Grifou­se)  Ocorre que, pela norma legal supracitada, praticado o ato de ofício, no caso  consubstanciado  pelo  Termo  de  Início  de  Fiscalização  datado  de  23/06/2009,  (fls.  23/24),  recebido  em  25/06/2009  (fl.  25),  houve  exclusão  de  espontaneidade  do  sujeito  passivo  e,  independente de intimação, dos demais envolvidos na infração verificada.  Destaca­se que  em 13/06/2006 ocorreu a  integralização do capital  social da  pessoa jurídica Juquey Participações Ltda., conforme Instrumento Particular de Contrato Social  de  fls. 28 a 37,  registrado na Jucesp em 22/06/2006, por meio dos  seguintes bens, conforme  consta do parágrafo 2º da cláusula 4ª do citado contrato.  Tais  operações  foram  devidamente  registradas  na  DOI  –  Declaração  sobre  Operações  Imobiliárias,  conforme  documentos  de  fls.  56,  58  e  60  e  na  declaração  de  ajuste  anual do IRPF do ano­calendário 2006, exercício 2007 (fls. 92 a 97).  Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.008386/2009­25  Acórdão n.º 2202­004.742  S2­C2T2  Fl. 195          6 Do  exposto,  tem­se  que  a  posterior  alteração  do  Instrumento  Particular  de  Contrato Social, formalizada em 21/07/2009 (fls. 69 a 79), reduzindo o valor do contrato social  integralizado,  sem  identificação  de  registro  na  JUCESP,  ocorreu  somente  após  a  ciência  da  lavratura do termo de início de fiscalização, ocorrida em 25/06/2009 (fl. 25) e, inclusive, após a  ciência do auto de infração (ocorrida em 13/07/2009).  Portanto, não surte os efeitos desejados para  invalidação do  lançamento ora  guerreado.  Salienta­se, por  fim, conforme adequadamente  referido no voto de primeira  instância, que os valores venais dos imóveis não servem de base de cálculo para apuração do  ganho de capital, visto que este se reporta aos valores pelos quais os bens foram efetivamente  alienados/transferidos, enquanto que o valor venal diz respeito a um valor estimado pelo Poder  Público  e  não  ao  valor  de  mercado,  pelo  qual  os  bens  imóveis  são  efetivamente  alienados/transferidos.  Conclusão.  Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator                            Fl. 195DF CARF MF

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Numero do processo: 13014.720466/2016-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente podem ser deduzidos os pagamentos a título de despesas médicas, efetuados pelo contribuinte, relativos a seu próprio tratamento ou de seus dependentes.
Numero da decisão: 2001-000.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL

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2001­000.640  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  28 de agosto de 2018  Matéria  IRPF: PENSÃO ALIMENTICIA  Recorrente  SERGIO DIAS MARQUES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2014  PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.  Da  legislação  de  regência,  extrai­se  que  são  requisitos  para  a  dedução  da  despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos  valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que  a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e  d)  que  seu  pagamento  esteja  de  acordo  com  o  estabelecido  em  decisão  judicial  ou  acordo  homologado  judicialmente  ou,  ainda,  a  partir  do  ano­ calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o  art. 1.124­A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.  DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.  Somente podem ser deduzidos os pagamentos a  título de despesas médicas,  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos  a  seu  próprio  tratamento  ou  de  seus  dependentes.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao Recurso Voluntário.   (assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Fernanda Melo Leal ­ Relatora.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 4. 72 04 66 /2 01 6- 93 Fl. 135DF CARF MF     2 Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Fernanda Melo  Leal,  Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.   Relatório  Trata­se  de  Notificação  de  Lançamento  relativa  a  Imposto  de Renda  Pessoa  Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão  de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014, ano­calendário de 2013.    De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi  apurada  a  glosa  sobre  as  deduções  indevidamente  realizadas  pelo  sujeito  passivo  a  título  de  pensão alimentícia judicial/por escritura pública, no valor de R$ 23.952,18 e despesas médicas  no valor de R$ 7.000,00.    Regularmente  cientificado  da  Notificação,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  administrativa  ao  lançamento  fiscal,  alegando,  em  síntese,  que  tanto  a  comprovação  da  obrigação  alimentar  por  decisão  judicial/escritura  pública,  como  os  comprovantes  de  pagamentos  encontram­se  nos  autos.  Traz  argumentos  para  sustentar  a  dedução  de  despesas  médicas.  Cita  jurisprudência  e  doutrina  para  corroborar  os  seus  argumentos.     A  DRJ  Curitiba,  na  análise  da  peça  impugnatória,  manifestou  seu  entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas deduções.    Em  sede  de  Recurso  Voluntário,  repisa  o  contribuinte  as  mesmas  razões  aventadas na Impugnação e traz argumentos claros para sustentar o seu pleito.    É o relatório.    Voto             Conselheira Fernanda Melo Leal ­ Relatora.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade.  Portanto, merece ser conhecido.    Mérito ­ Pensão alimentícia   O presente  lançamento  decorre  de  glosa  efetuada  pela  autoridade  tributária  em  função  de  falta  de  comprovação  de  obrigação  de  pagar  pensão  alimentícia  relativo  ao  exercício de 2015.   Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à  pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995:  Art. 8º A base de cálculo do  imposto devido no ano­calendário  será a diferença entre as somas:   Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13014.720466/2016­93  Acórdão n.º 2001­000.640  S2­C0T1  Fl. 3          3 I ­ de todos os rendimentos percebidos durante o ano­calendário,  exceto  os  isentos,  os  não­tributáveis,  os  tributáveis  exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva;   II ­ das deduções relativas:   (...)  f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face  das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de  decisão  judicial ou acordo homologado  judicialmente,  inclusive  a prestação de alimentos provisionais;  Ressalte­se que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995,  passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação  esta  que,  nos  termos  do  art.  21  desta  Lei,  entrou  em  vigor  na  data  da  publicação  da  Lei  nº  11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação:   f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face  das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de  decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais,  de  acordo  homologado  judicialmente,  ou  deescritura  pública  a  que se refere o art. 1.124­A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de  1973  ­  Código  de  Processo  Civil;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.727, de 2008)  Conforme  verifica­se  da  legislação  acima  transcrita,  são  requisitos  para  a  dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha  a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de  Família;  e  que  seu  pagamento  esteja  de  acordo  com  o  estabelecido  em  decisão  judicial  ou  acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano­calendário 2007, em conformidade  com a escritura pública a que se refere o art. 1.124­A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.    No  caso  em  comento  discute­se  a  dedução  das  despesas  com  pensão  alimentícia  a  dois  filhos  do  contribuinte.  Em  relação  ao  pagamento  da  pensão  da  Alice  Marques,  afirma  a  DRJ  que  não  foi  trazido  aos  autos  nenhuma  comprovação  de  que  tal  obrigação ainda persista. Nada mais foi anexado no sentido de comprovar a ausência de outros  processos  ou  eventuais  recursos  que  alterem  ou  extingam  as  condições  constantes  dos  documentos apresentados. Seria possível e desejável a obtenção de Certidão de Objeto e Pé da  ação alimentar, ou mesmo de certidão negativa da existência de outros processos extinguindo a  obrigação.  Ademais,  conforme  mencionado  pela  autoridade  fiscal  não  há  comprovação  do  efetivo  desembolso  dos  valores  informados  pelo  contribuinte  em  sua  DAA  a  este  título.  O  contribuinte não logrou, portanto, apresentar comprovantes do efetivo pagamento dos valores  pleiteados como dedutíveis a título de pensão alimentícia.  Ocorre que,  em sede de Recurso Voluntário,  juntou o contribuinte  todos os  documentos necessários para comprovar a existência da obrigação ainda no ano de 2014, bem  como a fática existência dos pagamentos.   Em relação à alimentanda Eliane Rosalva Matos Marques, salienta a DRJ  que  ficou  evidenciado  o  efetivo  pagamento,  haja  vista  a  menção  dos  descontos  em  seu  benefício nos Comprovantes de Rendimentos de fls 18/19. Entretanto, da mesma forma que no  Fl. 137DF CARF MF     4 caso  anterior,  com  base  na  documentação  apresentada  não  é  possível  verificar/comprovar  a  manutenção ou mesmo a existência da obrigação de prestar alimentos.  Mais uma vez,  no  caso  desta  alimentanda,  também,  restou  comprovado  em  sede de Recurso Voluntário a obrigação judicial em pagar a mencionada pensão , bem como o  efetivo desembolso.  Neste  diapasão,  verificando  a  boa  fé,  o  respaldo  em  decisão  judicial  e  os  argumentos trazidos pelo contribuinte, além das efetivas provas de comprovação do pagamento  dos  valores  a  título  de  pensão,  entendo  serem  dedutíveis  as  despesas  de  pensão  alimentícia  incorridas pelo contribuinte.    Mérito ­ Despesas médicas  Conforme  verificou­se  nos  autos  do  processo,  o  lançamento,  no  que  diz  respeito  às despesas médicas,  decorreu de glosa daquelas declaradas pelo  contribuinte a  este  título, no valor total de R$ 7.000,00. A glosa ocorreu, tendo em vista que, após a apresentação  da  documentação  solicitada  quando  da  Intimação,  a  autoridade  tributária  considerou  que  a  despesa com tratamento fisioterápico não teria sido devidamente comprovada.   Em sua  impugnação, o  contribuinte  alega que  tais despesas  teriam sido  em  função de tratamento domiliciar de fisioterapia, em um total de 100 sessões, realizadas durante  o ano de 2013, no valor de R$ 70,00 cada. O recibo apresentado à fl. 22 seria a comprovação  do pagamento por ele efetuado a este título.  Em  sede  de  Recurso  Voluntário,  junta  também  declaração  emitida  pelo  profissional prestador dos serviços médicos, corroborando todos os pagamentos, o tratamento  fisioterápico  e  contém  todas  as  demais  informações  exigidas  por  lei  tais  como  beneficiário,  valor, credenciamento profissional do médico, endereço do médico e CPF.  Sendo assim, entendo ter sido devidamente comprovada as despesas médicas  em questão. Portanto, considero dedutíveis também tais despesas.    CONCLUSÃO:  Diante  tudo  o  quanto  exposto,  voto  no  sentido  de, CONHECER  e DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário,  para  acolher  a  dedução  com  as  despesas  de  pensão  alimentícia e as despesas médicas em análise.   (assinado digitalmente)  Fernanda Melo Leal.                             Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13014.720466/2016­93  Acórdão n.º 2001­000.640  S2­C0T1  Fl. 4          5     Fl. 139DF CARF MF

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