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Numero do processo: 10907.001328/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/06/2008
Multa pela Prestação de Informações em Desacordo com a Legislação. Agente Marítimo. Responsabilidade.
Agente Marítimo que, em nome próprio, presta informações relativas ao embarque da mercadoria em desacordo com o estabelecido na legislação de regência, responde pela multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória.
Denúncia Espontânea. Obrigações Acessórias. Descabimento
As penalidades decorrentes do descumprimento de obrigação acessória não se beneficiam da excludente de responsabilidade fixada no art. 138 do CTN.
Cobrança de Multa Isolada. Legalidade
A incidência de multa isolada, escora Insurge-se ainda a recorrente contra a aplicabilidade, em abstrato, das multas que formam a exigência fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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AGENTE MARÍTIMO. RESPONSABILIDADE. Agente Marítimo que, em nome próprio, presta informações relativas ao embarque da mercadoria em desacordo com o estabelecido na legislação de regência, responde pela multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCABIMENTO As penalidades decorrentes do descumprimento de obrigação acessória não se beneficiam da excludente de responsabilidade fixada no art. 138 do CTN. COBRANÇA DE MULTA ISOLADA. LEGALIDADE A incidência de multa isolada, escora Insurgese ainda a recorrente contra a aplicabilidade, em abstrato, das multas que formam a exigência fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama, que davam provimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 13 28 /2 00 8- 59 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.001328/200859 Acórdão n.º 3102002.072 S3C1T2 Fl. 114 2 Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: O presente Auto de Infração referese à multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$5.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º 899/2008. Segundo relato da fiscalização, a autuada prestou informações acerca da vinculação do Manifesto Eletrônico n.º 1608500680158 à escala n.º 08000008457 intempestivamente. Nos termos, então, da IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º 899/2008, arts. 22 e 50, respeitadas as vigências das referidas normas, o prazo limite para prestação de informações relativas às cargas transportadas é a data da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Por não ter sido cumprido referido prazo pela autuada, foi lançada a multa por prestação de informação a destempo estatuída no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003. Intimada da autuação, a interessada apresentou impugnação de fls. 54/56, alegando que a IN SRF n.º 800/2007 somente estipulou prazo para a prestação das informações a partir de 01/04/2009 (art. 50) com vistas à adequação dos procedimentos por parte dos usuários. Também alega a ocorrência da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN e 102 do DecretoLei n.º 37/66. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa e arguir a) ilegitimidade passiva; b) atipicidade da conduta; e c) falta de elemento essencial para constituição de obrigação acessória. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.001328/200859 Acórdão n.º 3102002.072 S3C1T2 Fl. 115 3 Tomo conhecimento do presente recurso, que preenche os requisitos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Analiso separadamente cada um dos fundamentos acerca dos quais cabe a este Colegiado se manifestar. 1 Legitimidade Passiva do Agente Marítimo O primeiro elemento relevante para aferição da responsabilidade, a meu ver, é extraído do extrato colacionado à fl.111. Da sua análise é possível verificar que o CNPJ e o nome da recorrente encontramse consignados no campo “Transportador”, bem assim que a mesma foi a responsável pela inclusão dos dados de embarque da mercadoria naquele sistema. Tais dados autorizam que se chegue a duas conclusões: perante o fisco, a recorrente não atuou como mero preposto do transportador, mas como o transportador propriamente dito, e que esta mesma pessoa jurídica foi efetivamente quem perpetrou a conduta de prestar informações em desacordo com o que preceitua a legislação de regência. A junção desses elementos, a meu ver, determina a aplicação do art. 95, I do Decretolei nº 37, de 1966, que fixa: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Por outro lado, ainda que não se considere que a recorrente assumiu o lugar do próprio transportador, certamente haveria responsabilidade solidária em razão da coautoria da conduta de prestar informações em dissonância com as exigências fixadas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nesse ponto, cabe registrar a opinião deste relator no sentido de que a ausência de menção expressa à figura do agente marítimo nos incisos II a VI desse mesmo art.952 não conduz à impossibilidade de impor a tal agente a coresponsabilidade pela infração. Com efeito, como é possível perceber, tal e qual se verifica no art. 124 do Código Tributário Nacional3, o legislador estabeleceu duas modalidades de solidariedade, a factual e a decorrente da fixação legal. 1 Fl. 12, se considerada a numeração digital. 2 II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) 3 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.001328/200859 Acórdão n.º 3102002.072 S3C1T2 Fl. 116 4 Nesse aspecto, afirma Maria Rita Ferragut4: O art. 124, I e II do CTN, adota dois critérios para estabelecer o vínculo de solidariedade passiva entre os devedores: (i) interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário e (ii) designação expressa em lei. (...) Qual a diferença, então, entre os incisos I e II do artigo 124? Entendemos que, no inciso II, as pessoas solidariamente obrigadas não têm interesse comum no fato jurídico tributário, já que, se tivessem, enquadrarseiam na hipótese contemplada no inciso I. Trazendo tal debate doutrinário para o presente litígio, o que se verifica é, feitas as devidas adaptações, o mesmo fenômeno: a imposição de penalidade com fundamento no inciso I do art. 95. De fato, os incisos II a VI tratam da responsabilidade de terceiros que, independentemente da coautoria ou participação, responderão pela infração enquanto que o inciso I trata das hipóteses em que a coresponsabilidade é fruto da coautoria ou participação. Observese, por outro lado, o que diz o art. 136 do CTN (os destaques não constam do original): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Acerca dessa modalidade de responsabilidade solidária, lembro a lição de Luciano Amaro5, que, analisando o art. 136 do CTN, esclarece: “Responsabilidade aí nada tem a ver com a sujeição passiva indireta; é responsabilidade noutra acepção, qual seja, a sujeição de alguém às conseqüências dos seus atos. Se cometi uma infração, ‘respondo’ por ela. Ora, nesse sentido, a responsabilidade tanto se aplica ao sujeito passivo indireto (responsável), como ao contribuinte (sujeito passivo direto), como, ainda, a outras pessoas que não são contribuintes, não são responsáveis, mas eventualmente descumprem algum dever acessório (obrigação acessória ou obrigação formal). Se o indivíduo descumpre uma obrigação formal, embora não deva nada de tributo, sofre as conseqüências do seu ato, ou seja, ‘responde’ pelo seu ato.” Ou seja, o artigo 136 codificado, apesar de não cindir as duas modalidades de agente, tal e qual o art. 124 do mesmo código estabeleceu a responsabilidade por infração factual. Ou seja, que decorre da ação ou omissão do responsável pela sua perpetração. 4 Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002.São Paulo. Noeses, 2005, p. 69. 5 Infrações Tributárias, apud Paulsen, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre. 2007. Livraria do Advogado. 9ª ed. p. 925 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.001328/200859 Acórdão n.º 3102002.072 S3C1T2 Fl. 117 5 Finalmente, descabe falar em violação à Súmula nº 192 do TFR, na medida em que, como é cediço a responsabilidade tributária do agente resta perfeitamente delineada no parágrafo único do art. 32 do Decretolei nº 37, de 1966, cuja redação atual, fornecida pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, é a seguinte: Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; 2 Tipicidade da Conduta Na linha do que foi exposto no item precedente, também não vejo como acatar a alegação de atipicidade da conduta. Eis a sua capitulação: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Como já antecipado, a recorrente atuou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil na condição de responsável pela prestação de informações a cargo do transportadora e, no exercício desse mister, deixou de prestar informações no prazo regulamentar. Tal conduta, com a devida licença, subsumese perfeitamente ao artigo que instituiu a penalidade litigiosa. 3Denúncia Espontânea Noutro giro, após nova leitura dos argumentos pró e contra, passei a entender que o instituto da denúncia espontânea é inaplicável à penalidade em discussão. Os motivos que me levaram a tal conclusão foram expostos no voto condutor do Acórdão 3102001.800, de lavra do Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, que, aliás, traz à colação o voto de outro Conselheiro que retornou definitivamente a este Colegiado, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Transcrevo trecho do voto condutor do aresto: A infração por deixar de fazer no prazo, ao contrário do exemplo proposto, nasce com o transcurso do prazo para adimplemento da obrigação. Não se percebe, assim, completamente reproduzida a situação na qual a infração decorre precisa e indistintamente da ação espontânea, conforme é o caso da Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.001328/200859 Acórdão n.º 3102002.072 S3C1T2 Fl. 118 6 infração por fazer em atraso. Inobstante, não me parece que esse fato possa alterar os efeitos decorrentes da prestação espontânea. Ainda que ausente um dos elementos que lhe destituem a função excludente, permanece o outro, qual seja, a exata coincidência entre a ação espontânea e a conduta sancionada, ou, pelo menos, uma das condutas sancionadas na norma. Deixar de fazer no prazo e fazer fora do prazo são diferentes apenas em relação ao momento a partir do qual a infração se encontra materializada (uma a partir do vencimento, outra a partir da ação). Contudo, uma vez que o contribuinte age, identificam conduta idêntica (não fazer no prazo, igual a fazer fora dele) e constituída pela ação espontânea. Ademais, a meu sentir, o que há de mais importante em infrações desta natureza é a presença expressa do elemento temporal. Quando o legislador pretende punir o atraso, não a omissão, pode se referir ao fato sem se atentar a todas essas particularidades. Referese assim, indistintamente à infração por prestar fora do prazo, não prestar no prazo, atraso na entrega etc. O que pretende coibir, contudo, não me parece que seja outra coisa, se não o atraso. Nesta linha de raciocínio foi editada a Súmula 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A seguir transcrevo a ementa de alguns dos Acórdãos que deram respaldo à Súmula. 10709.410 Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. 10709330 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, não alcança as infrações decorrentes do nãocumprimento de obrigações acessórias autônomas. Cabível Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.001328/200859 Acórdão n.º 3102002.072 S3C1T2 Fl. 119 7 a multa por atraso na entrega da entrega da declaração de rendimentos, mesmo que espontaneamente apresentada. 10516.676 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EX: 1999 a 2003 IRPJ MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO A partir de primeiro de janeiro de 1995, a apresentação da declaração de rendimentos, fora do prazo fixado sujeitará a pessoa jurídica à multa pelo atraso. (Art. 88 Lei nº 8.981/95 c/c art. 27 Lei nº 9.532/97, Art. 7º da LEI nº 10.426/2002). Inaplicável a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. 10809029 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – DENÚNCIA ESPONTÂNEA ALCANCE DO ARTIGO 138 DO CTN Cabível a exigência da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos devida pela sua apresentação fora do prazo estabelecido, ainda que a contribuinte a faça espontaneamente. Inaplicável a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN em relação ao descumprimento de obrigações acessórias com prazo fixado em lei. 10809029 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – DENÚNCIA ESPONTÂNEA ALCANCE DO ARTIGO 138 DO CTN Cabível a exigência da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos devida pela sua apresentação fora do prazo estabelecido, ainda que a contribuinte a faça espontaneamente. Inaplicável a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN em relação ao descumprimento de obrigações acessórias com prazo fixado em lei. Vêse que as decisões não estão fundamentadas na natureza da infração ou na precisa tipificação da pena. Multa por atraso na entrega, entendeuse, não pode ser excluída pela ação espontânea. Ainda mais, o tipo legal da infração prevista no artigo 7º da Lei 10.426/02, citado em uma das ementas acima, é em idêntica ao da infração cometida pela Recorrente. Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.001328/200859 Acórdão n.º 3102002.072 S3C1T2 Fl. 120 8 no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifos meus) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) De se acrescentar que, com base nesses mesmos pressupostos, não vejo razões para entender que a modificação introduzida no parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66 tenha trazido tão grande inovação ao mundo jurídico. Ao referir que a denúncia espontânea seja acompanhada do pagamento se for o caso, o artigo 138 do Código já previa a possibilidade de que outras infrações, não relacionadas à inadimplência da obrigação de pagar, fossem excluídas pela ação espontânea. Não me parece que as infrações administrativas estivessem privadas do instituto da espontaneidade. A modificação introduzida pela Lei nº 12.350, de 2010 não inaugura novo tratamento, apenas ratifica a regra insculpida na orientação de base. Sobre o assunto, pela excelência na abordagem empregada, transcrevo excertos do Voto proferido pelo i. Colega, Conselheiro José Fernandes do Nascimento, nos autos do processo 11128.002765/200749, Acórdão 380200.568, datado de 05 de julho de 2011. Do instituto da denúncia espontânea no âmbito da legislação aduaneira: condição necessária. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.001328/200859 Acórdão n.º 3102002.072 S3C1T2 Fl. 121 9 É de fácil ilação que o objetivo da norma em destaque é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações relativas ao descumprimento das obrigações de natureza tributária e administrativa. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Nesse sentido, resta evidente que é condição necessária para a aplicação do instituto da denúncia espontânea que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, em outros termos, é elemento essencial da presente excludente de responsabilidade que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, com base no teor do art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações, está claro que as impossibilidades de aplicação do referido instituto podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. São dessa última modalidade todas as infrações que têm, no núcleo do tipo, o atraso no cumprimento da conduta imposta como sendo o elemento determinante da materialização da infração. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados do embarque da carga transportado em veículo de transporte internacional de carga. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar a informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação da informação intempestivamente materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.001328/200859 Acórdão n.º 3102002.072 S3C1T2 Fl. 122 10 prestação da informação fora do prazo estabelecido, porém antes do início do procedimento fiscal, realizando o cumprimento da obrigação, mediante a denúncia espontânea, com exclusão da responsabilidade pela infração. (...) Logo, no caso em destaque, se o registro da informação a destempo materializou a infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, não pode ser considerada, simultaneamente, como uma conduta realizadora da denunciação espontânea da mesma infração. De fato, se a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque materializa a conduta típica da infração sancionada com a penalidade pecuniária objeto da presente autuação, em consequência, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que a conduta que materializasse a infração fosse, ao mesmo tempo, a conduta que concretizasse a denúncia espontânea da mesma infração. No caso em apreço, se admitida pretensão da Recorrente, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da mencionada infração nunca resultaria na cobrança da referida multa, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, simultaneamente, a conduta que representativa da denúncia espontânea. Em consequência, tornarseia impossível a imposição da multa sancionadora da dita conduta, ou seja, existiria a infração, mas a multa fixada para sancionála não poderia ser cobrada por força da exclusão da responsabilidade do infrator. Tal hipótese, a meu ver, representaria um contra senso do ponto de vista jurídico, retirando da prática da dita infração qualquer efeito punitivo. Nesse sentido, porém com base em fundamentos distintos, tem trilhado a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido.(STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.001328/200859 Acórdão n.º 3102002.072 S3C1T2 Fl. 123 11 Os fundamentos da decisão apresentados pela E. Corte, foram basicamente os seguintes: (i) a inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária; e (ii) o descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com a devida vênia, tais argumentos não representam o melhor fundamento para a conclusão esposada pela E. Corte no referido julgado. No meu entendimento, para fim de definição dos efeitos do instituto da denúncia espontânea, é irrelevante a questão atinente à natureza intrínseca da multa tributária ou administrativa, isto é, se punitiva (ou sancionatória) ou indenizatória (ou ressarcitória), uma vez que toda penalidade pecuniária tem, necessariamente, natureza punitiva, pois decorre sempre da prática de um ato ilícito, consistente no descumprimento de um dever legal, enquanto que a indenização tem como pressuposto um dano causado ao patrimônio alheio, com ou sem culpa do agente. Essa questão, no meu entendimento, é irrelevante para definição do significado e alcance jurídicos da excludente da responsabilidade por denunciação espontânea em análise, seja no âmbito das penalidades tributárias ou administrativas. É consabido que todo ato ilícito previsto na legislação tributária e aduaneira configura, respectivamente, infração de natureza tributária ou aduaneira, independentemente dela decorrer do descumprimento de um dever de caráter formal (obrigação acessória) ou material (obrigação principal). Ademais, toda obrigação acessória tem vínculo indireto com o fato gerador da obrigação principal, instrumentalizandoo e, dessa forma, servindo de suporte para as atividades de controle da arrecadação e fiscalização dos tributos, conforme delineado no § 2º do art. 113 do CTN. Para encerrar, não será demais acrescentar questão de natureza principiológica, relacionada à motivação pela qual o legislador previu a exclusão da responsabilidade pela infração nos casos de ação espontânea do contribuinte. Como é de amplo conhecimento, o instituto da espontaneidade destinase a incentivar o sujeito passivo a regularizar sua situação tributária por iniciativa própria, sem a necessidade de que o Fisco empregue qualquer esforço neste desiderato. Em tais condições, se vê afastada a infração que, como se disse, perdurou por certo tempo, mas que, regularizada, nenhum prejuízo acarretou aos cofres públicos. Terminam as duas partes, sujeito passivo e Administração, favorecidos pela medida, um dispensado da alocação de recursos adicionais na promoção da arrecadação, outro exonerado da multa decorrente da prática da infração. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.001328/200859 Acórdão n.º 3102002.072 S3C1T2 Fl. 124 12 Com efeito, tomando emprestadas as ponderações acima transcritas, passei a concluir que o pressuposto para que o sujeito passivo aproveite a exclusão de penalidade prevista no art. 1386 do CTN é muito semelhante ao benefício fixado no art. 15 do Código Penal7: em ambos, a ação do infrator há que ser eficaz. A meu ver, essa é a única dicção possível para a expressão “se for o caso”, gizada no art. 138. Tratandose de falta de pagamento, o “arrependimento” só é eficaz se o agente recolhe o tributo que deixou de ser recolhido acrescido de juros, ou seja, se adota providência capaz de reparar o prejuízo. Noutro giro, caso se esteja diante de outra obrigação, de fazer ou não fazer, cabe ao intérprete averiguar, caso a caso, de acordo com o bem jurídico tutelado, se a ação do infrator é capaz de reparar o prejuízo. Caso não se demonstre apto, imagino, não há espaço para afastar a penalidade. Tratase de medida ineficaz. 4 Aplicabilidade da Multa Independentemente do Prejuízo Tributário Imediato Insurgese ainda a recorrente contra a aplicabilidade, em abstrato, da multa. Essencialmente, sustenta que o descumprimento do prazo não representaria qualquer prejuízo à arrecadação ou fiscalização dos tributos. Peço licença mais uma vez para discordar das considerações da Recorrente. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. O “interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”, a meu ver não assume a conotação defendida pela recorrente. Tal interesse não é fixado em razão das conseqüências pelo descumprimento, mas pelo bem jurídico tutelado por tais obrigações. Ou seja, é fato incontroverso que a ausência de informações acerca da carga transportada fragiliza o controle aduaneiro que, dentre outros objetivos, zela pelos interesses da Fazenda Nacional. Com relação a esse aspecto, cabe relembrar o que diz o art. 237 da Constituição Federal de 1988: 6 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 7 Desistência voluntária e arrependimento eficaz Art. 15 O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10907.001328/200859 Acórdão n.º 3102002.072 S3C1T2 Fl. 125 13 Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. 5 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 9/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10166.720205/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS MEDIANTE ESCRITURA PÚBLICA DE CESSÃO DE DIREITOS. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO COM EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DA. CESSÃO. OBRIGATORIEDADE DE CUMPRIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Uma vez que a recorrente levou a efeito compensação tributária de débitos próprios com créditos reconhecidos em favor de terceiros por decisão judicial transitada em julgado, nela havendo expresso comando judicial autorizando a negociação dos créditos em decorrência da parte que apurou os créditos ter comprovado não poder aproveitá-los, em benefício próprio, há que ser privilegiado e respeitado o comando da sentença.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e Ronaldo de Lima Macedo que negavam provimento.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS MEDIANTE ESCRITURA PÚBLICA DE CESSÃO DE DIREITOS. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO COM EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DA. CESSÃO. OBRIGATORIEDADE DE CUMPRIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Uma vez que a recorrente levou a efeito compensação tributária de débitos próprios com créditos reconhecidos em favor de terceiros por decisão judicial transitada em julgado, nela havendo expresso comando judicial autorizando a negociação dos créditos em decorrência da parte que apurou os créditos ter comprovado não poder aproveitá-los, em benefício próprio, há que ser privilegiado e respeitado o comando da sentença. Recurso Voluntário Provido.
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COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS MEDIANTE ESCRITURA PÚBLICA DE CESSÃO DE DIREITOS. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO COM EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DA. CESSÃO. OBRIGATORIEDADE DE CUMPRIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Uma vez que a recorrente levou a efeito compensação tributária de débitos próprios com créditos reconhecidos em favor de terceiros por decisão judicial transitada em julgado, nela havendo expresso comando judicial autorizando a negociação dos créditos em decorrência da parte que apurou os créditos ter comprovado não poder aproveitálos, em benefício próprio, há que ser privilegiado e respeitado o comando da sentença. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e Ronaldo de Lima Macedo que negavam provimento. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 02 05 /2 01 2- 18 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720205/201218 Acórdão n.º 2402004.091 S2C4T2 Fl. 286 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA, em face do acórdão que manteve a integralidade do seguinte Auto de Infração AI 37.115.4430, lavrado para a cobrança de contribuições sociais decorrente da glosa de compensações efetuadas. Para uma melhor elucidação da compensação glosada pela fiscalização nos autos do presente processo, transcrevo o seguinte trecho do relatório fiscal: Nos autos do processo n° 94.00493690, com trânsito em julgado em 01/04/2002, tendo como parte autora a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA, CNPJ 42.361.972/000151, foi reconhecida a inexigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre o pagamento pela referida empresa a segurados avulsos e contribuintes individuais e o conseqüente direito de compensabilidade dos créditos da autora correspondentes aos recolhimentos efetuados a título dos tributos em comento. Além disso, foi reconhecido o direito da empresa em tela de livremente negociar seus direitos creditícios, dentro dos ditames dos artigos 286 a 298 do Código Civil em vigor. Segundo consta na documentação apresentada à fiscalização (escrituras públicas de direitos creditórios datadas de 02/02/2006 e 03/03/2008), a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA cedeu os direitos creditórios em questão à empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. CNPJ 07.665.976/000122, sendo os mesmos créditos posteriormente cedidos por esta última ao CEUB. Tais direitos creditórios referemse ao indébito de guias de recolhimento da previdência social relacionadas nas referidas escrituras. O CEUB então passou a compensar seus débitos previdenciários nas GFIPs de competências 02/2008 a 04/2008; 07/2008; 09/2008 a 02/2009, utilizando os mencionados créditos. A decisão judicial autorizou que a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA pudesse apenas negociar seus direitos creditícios, dentro dos ditames dos artigos 286 a 298 do Código Civil, não abarcando em nenhum momento a hipótese de uma eventual cessionária utilizar os referidos créditos para compensar com os débitos tributários desta última. Logo, diante de tais fatos, a fiscalização previdenciária achou por bem glosar as compensações efetuadas pelo ora recorrente, pois o seu crédito fora adquirido, via cessão, da empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS Fl. 292DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 LTDA. CNPJ, por entender que a legislação que rege a os pedidos de compensação expressamente proíbe a compensação de débitos próprios com débitos de terceiros. As glosas se referiam ao período de 02/2008 a 04/2008; 07/2008 e 09/2008 a 13/2008, tendo sido o contribuinte cientificado do Auto de Infração em 15/03/2012 (fls. 138). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta, em síntese, após fazer relato dos fatos ocorridos: 1. que o pedido de compensação não esbarra no art. 170A do Código Tributário Nacional, pois o crédito utilizado é decorrente de sentença judicial transitada em julgado; 2. que fora expressamente reconhecido pelo Poder Judiciário que a empresa SERVPORT poderia negociar livremente a cessão dos créditos que lhe foram reconhecidos nos autos do processo n. 3. alega que a fiscalização e o v. acórdão, erroneamente, deram interpretação diversa ao artigo 74, da Lei n.° 9.430/96, introduzida pela Lei n.° 11.051/04, uma vez que assevera que será considerada como "não declarada" a compensação nas hipóteses em que o crédito utilizado pelo contribuinte seja "de terceiros" (art. 74, § 12, II, "a", da Lei n.° 9.430/96). 4. entende que o cessionário tornase o legítimo titular do crédito cedido a partir do momento da notificação do devedor, não podendo a administração pública interpretar de forma diversa, chamando de "crédito de terceiros” o que, em realidade é de legítima titularidade do cessionário, no caso, o direito creditório judicial transitado em julgado; 5. que após ter sido reconhecido o direito da autora da ação (SERVPORT MARÍTIMA) de livremente negociar os direitos creditórios expressos no acórdão de fls 4815, dentro dos ditames dos arts. 286 e 298 do Código Civil de 2002, ficaram homologadas as cessões de crédito trazidas aos autos, dispensandolhe de fazêlo em relação aqueles remanescentes; 6. que a cessão de direitos creditórios, se efetuada após o trânsito em julgado da decisão judicial e com a aquiescência do Juízo no qual fora reconhecido o direito creditório, como é a hipótese dos autos, nem mesmo o devedor cedido, no caso, o INSS, pode oporse a ela. 7. entende que uma vez cedido o crédito, o cessionário PASSA A SER PROPRIETÁRIO DO CRÉDITO, podendo dispor, vender, ceder novamente, da maneira que julgar pertinente, concluindo que o instituto da cessão de Fl. 293DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720205/201218 Acórdão n.º 2402004.091 S2C4T2 Fl. 287 5 crédito, além de não necessitar da autorização judicial para ter validade jurídica e gerar sua eficácia própria, é perfeitamente aceitável no âmbito do Direito Tributário, uma vez que não existe previsão proibitiva à cessão de crédito judicial transitado em julgado para fins de que esta possa ser oposto à Fazenda Nacional, gerando seus efeitos próprios, quer administrativa ou judicialmente. 8. afirma que, se restar devidamente comprovado que o cessionário é o legítimo titular do direito creditório que lhe foi cedido por ato entre vivos, após dado ciência ao devedor cedido, não haverá que se falar na aplicação da malsinada vedação da lei n.° 9.430/96 (art. 74, § 12, II, "a", com redação acrescentada pela Lei n.° 11.051/04), como é o caso presente. 9. sustenta que a multa aplicada é confiscatória; 10. que a multa moratória, na sua qualidade de acessório ao principal, deve ser excluída, na medida em que é ilegal a glosa efetuada 11. que não fora comprovado dolo ou fraude capazes de sustentar a lavratura de representação fiscal para fins penais. 12. por fim, a ilegalidade da SELIC. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO O presente recurso versa sobre a possibilidade ou não de se reconhecer o direito da contribuinte em compensar contribuições previdenciárias por si devidas com crédito adquirido da empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA, mediante escritura pública de cessão de direitos creditório juntada aos autos. A operação da cessão de créditos deuse da seguinte forma: (i) O detentor originário dos créditos, a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA, impetrou ação ordinária cumulada com pedido de repetição do indébito n. 94.00493690, na qual obteve a declaração de inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos efetuados a administradores, avulsos e autônomos, com base no art. 3o, inciso I, da Lei 7.787/89 com trânsito em julgado em seu favor. (ii) Em decorrência do reconhecimento dos créditos a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA, mediante escritura pública, cedeu seus direitos creditórios a empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA; (iii) A empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA cedeu os créditos a ora recorrente, também via cessão de créditos, mediante escritura pública; (iv) Todas as cessões de crédito foram objeto de habilitação no processo judicial n. 94.00493690. E toda a cessão de créditos, ao que também se depreende do relatório fiscal, se deu em decorrência de ordem judicial expressa no sentido de que a empresa que sagrouse vencedora na demanda, a SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA, “poderia livremente negociar seus créditos”. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720205/201218 Acórdão n.º 2402004.091 S2C4T2 Fl. 288 7 E o fundamento utilizado para que fossem levadas a efeito as glosas foi o fato de que não havia autorização expressa para que a empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA pudesse efetuar a cessão dos créditos à ora recorrente. Vale conferir o trecho do relatório que bem pontua a questão: A decisão judicial autorizou que a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA pudesse apenas negociar seus direitos creditícios, dentro dos ditames dos artigos 286 a 298 do Código Civil, não abarcando em nenhum momento a hipótese de uma eventual cessionária utilizar os referidos créditos para compensar com os débitos tributários desta última. No caso em tela não foi o CEUB que apurou os créditos resultantes de pagamentos julgados indevidos por decisão judicial definitiva, e sim a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA não podendo destarte a empresa fiscalizada efetuar a compensação relativa utilizandose dos créditos apurados por pessoas jurídicas diversa em razão de expressa vedação legal. Assim, fora considerado que a recorrente pretendeu compensar débitos próprios com créditos de terceiros, o que possui expressa vedação diante do comando legal do art. 74, § 12o, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.430/96, a seguir: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [...] 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Pois bem, diante das premissas acima expostas, entendo que o presente caso não é justa e simplesmente um caso no qual a recorrente pretendeu compensar um crédito adquirido de terceiros via cessão, como ocorre em outra variedade de casos já analisados por esta Eg. Turma. Se trata de caso que possui nuance específica. E tal nuance, se justifica, exatamente pelo fato de que, relativamente ao pedido de compensação dos créditos que foram reconhecidos como indébito tributário nos autos da ação ordinária n. 94.00493690 existia uma ordem judicial expressa que autorizava livremente a sua negociação com terceiros. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Desta feita, entendo que aqui não deverá esta Turma analisar o caso única e exclusivamente sob a ótica da possibilidade de compensação ou não de créditos próprios com créditos de terceiros, mas avaliar, num primeiro momento, por se tratar de ponto nuclear da demanda, qual o efetivo alcance da ordem judicial emanada pelo Poder Judiciário e se diante de sua análise, poderseà considerar a cessão de créditos da empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA à recorrente como por ela abarcada e, conseqüentemente, válida. Digo isso até considerando que o próprio auditor fiscal, ao avaliar a cadeia de cessões, em momento algum chegou a questionar a validade da primeira cessão, ou seja, a da empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA para a empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. A meu ver, a considerou válida, também para fins tributários, pois se do contrário fosse, certamente descaracterizaria toda a cadeia de cessões desde o seu nascedouro. Fato é que, a ordem judicial de cumprimento de sentença transitada em julgado deve obrigatoriamente ser acatada pela Receita Federal do Brasil, vejo eu, sem qualquer questionamento, nos exatos termos e condições em que proferida, pois descabe ao órgão administrativo qualquer juízo de valor sobre aquilo o que determinado pelo Poder Judiciário, sob pena, inclusive, de responsabilidade penal e administrativa. Ou seja, diante do comando da ordem judicial, deverá a autoridade administrativa competente dar o devido cumprimento àquilo o que fora determinado pelo Poder Judiciário. E no presente caso, a ordem judicial que busca a recorrente demonstrar que justifica a cessão de créditos mediante a qual levou a efeito o seu pedido de compensação, assim tem seu teor (fls. 65): “Às fls. 4.962/4.992 vem aos autos documentos públicos de cessão dos direitos creditórios decorrentes da presente demanda, com o fim de que o juízo seja cientificado da avenca realizada pelo autor com terceiros particulares. O INSS alega não ser obrigado a reconhecer os acordos realizados entre particulares, razão porque requer o desentranhamento dos documentos, por entender possuírem o defeito de tumultuar o andamento processual. [...] Manifestação do INSS às fls. 4.976/4.983, reiterando alegação, anterior, ao fundamento de falta de amparo legal para tolerância administrativa ao procedimento particular. Em adendo, comprova o conhecimento, por parte da autoridade administrativa, de sua iniciativa. Às fls. 5.100/5.116, traz documento comprobatório da impossibilidade de compensação com seus próprios débitos tributários, em função de seu movimento econômico nos últimos dois anos. É o relatório. Decido. [...] Mesmo que a norma, do recentíssimo diploma de 2002, já tenha sido revogada pelo art. 1° da Lei n° 10.677, de 22 de maio de Fl. 297DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720205/201218 Acórdão n.º 2402004.091 S2C4T2 Fl. 289 9 2003, a inexistência de dispositivo que restaure a vigência da anterior disciplina juridicotributária nos termos do art. 2°, §§ 1 ° e 3D, da Lei de Introdução ao Código Civil, pelo chamado princípio da vedação à repristinação tácita faz concluirse pela ausência de regulamentação especifica do direito à compensação no que tange aos indébitos de natureza fiscal, especialmente o fim da autorização legal à normatização administrativa das condições e garantias à compensação, consoante a delegação prevista no art. 170 do C.T.N. Resta portanto, apenas a autorização legal genérica ao exercício do referido direito conferida pelos demais subsistentes artigos do Capítulo VII do Titulo 111 do Livro de Direito das Obrigações do Novo Código Civil, sem quaisquer restrições. Portanto, se agora não há nem como a autarquia ré querer impor restrições infralegais à compensação efetuada pelo particular, como outrora autorizado legalmente, quanto mais tentar. sob o pálio de principio público inaplicável à espécie, obstar a iniciativa do particular diante da inequívoca inexistência de proibição, em lei ou ato administrativo, à cessão de créditos assim declarados em provimento judicial definitivo de mérito. Isso porque se constata, a olhos vistos, que nem a derrogada Instrução Normativa INSS/DC n° 67/2002. nem a hoje plenamente vigente n. 100/2003, proíbem, expressa ou tacitamente, o procedimento intentado pela autora. Na atual INSS/DC n° 100, de 18 de dezembro de 2.003, diploma normativo que se propõe a regulamentar exaustivamente os procedimentos administrativos tributários sob a responsabilidade do INSS, consolidando 0~ congêneres arte.íoi es, â 'compensação é tratada nos arts. 201 a 205, sendo que as restrições ao s.eu uso são unicamente aquelas expressas nos arts. 202 e 203 que, como afirmado, calamse quanto à possibilidade de circulação dos créditos lá previstos. Retornando à disciplina do Direito Privado, única aplicável à espécie ainda mais dado o silêncio da normativa administrativa, vêse que o requisito de eficácia da cessão de crédito em relação ao autor é meramente a sua notificação (art. 29) do Novo Código Civil, ou 1069 do CC de 1916) A observância a tal requisito é caudalosamente comprovada nos autos pela juntada de extratos de consulta ao sistema de acompanhamento de processos administrativos no INSS, nos quais se atesta terem sido diretamente protocolados, e aceitos, autos administrativos comunicando, mediante regular acompanhamento da documentação correspondente, a transferência dos direitos creditícios a terceiros (p. ex., a fls. 5097/5098).. Adentrando em outros fundamentos utilizados pela autarquia em pretenso supedâneo a sua intenção obstativa não há como se entender o art. 123 do CTN no sentido trazido a fls. 4977. Trata se de norma referente ao pagamento do tributo típica do Direito Fl. 298DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Tributário. Não se aplica à repetição do indébito tributário, também instituto típico da disciplina fiscal. igualmente previsto no CTN. sem possuir, norma análoga. Muito menos á alienação de crédito oriundo de sentença judicial, matéria distante da principiologia tributária, como já visto. Da mesma forma, não há como se aplicar à espécie o § 4° do art. 66 da Lei 8.383/91, uma vez que a compensação lá disciplinada é aquela de cunho administrativo, aqui substituída por determinação judicial específica. Se ela não se pronunciou quanto à transferência a terceiro.~,. sua integração ao ordenamento jurídico nesse aspecto não se pode dar mediante a análise de instituto jurídico diferenciado, ainda que se entenda em vigor o mencionado parágrafo. [...] Concluindose pela inexistência de óbice à intenção do particular, a autorização para a homologação de seus negócios jurídicos,' já realizados, ou a se realizarem, advém também da própria necessidade de assegurar eficácia ao provimento judicial em seu.favor. As GPS de fls.. 5101/5114 demonstram a impossibilidade de se proceder à compensação como deferido no voto condutor, por não haver créditos tributários vincendos em montante que garanta o cumprimento do direito do particular. [...] De todo o exposto, DECLARO O DIREITO DE SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS; F MARITIMOS LTDA. a livremente negociar os direitos creditícios expressos no acórdão de fls. 4.815, dentro dos ditames dos arts. 286 e 298 do Código Civil de 2002, homologando as cessões de crédito trazidas aos autos, dispensandolhe, de fazêlo em relação àqueles remanescentes, cabendo à autoridade administrativa conferir a regularidade dos cálculos do principal e acréscimos moratórios, assim como a existência e liquidez dos créditos tributários vincendos empregados na compensação, assim considerados aqueles cuja data de vencimento seja posterior à de prolação do referido acórdão, não havendo que se respeitarem os direitos de terceiros sub judice mencionados na fundamentação. Dêse ciência ao INSS.” Referida decisão, proferida já após o trânsito em julgado da sentença na qual restou reconhecido o indébito, sobreveio diante dos pedidos de habilitação das cessões de crédito reconhecido em favor da SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS em favor de terceiros cessionários. Cabe ressaltar, que da fundamentação retro, bem como de sua parte dispositiva, verificase que a autarquia previdenciárias, no caso o INSS, teve plena participação nos autos, inclusive contrapondose à possibilidade de cessão dos créditos par fins de compensação relativamente a débitos de contribuições previdenciárias. A autarquia alegava que as cessões não poderiam produzir efeitos em relação a si. E tal fato se confirma na medida em que o Poder Judiciário ao analisar a possibilidade de cessão, fez alusão, como razões de decidir, não só ao art. 170 do CTN, mas também às disposições das IN/INSS 67/2002 e Fl. 299DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720205/201218 Acórdão n.º 2402004.091 S2C4T2 Fl. 290 11 100/2003, além daquilo o que previsto sobre o assunto no art. 66 da Lei 8.383/91, concluindo que tais dispositivos não previam qualquer óbice ao procedimento adotado pela recorrente, no caso da cessão de seus créditos. Apenas para frisar, no que se refere ao art. 66 da Lei 8.383/91, depreendese da decisão que este restou afastado, tendo em vista que fora reconhecido, na oportunidade que o direito à compensação administrativo fora substituído por determinação judicial específica. Pois bem, a meu ver, a decisão não deixa dúvidas acerca de que a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS poderia levar a efeito livremente a cessão de seus créditos a terceiros, sobretudo relativamente às cessões que estavam juntadas nos autos do processo n. 94.00493690, sobre a qual a decisão expressamente se manifestou. Não obstante, também restou consignado na parte dispositiva, a meu entender, que outras cessões efetuadas, sequer necessitaram de homologação judicial, mas que também estariam autorizadas. Vejamos, mais uma vez o que restou consignado neste sentido: [...] DECLARO O DIREITO DE SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS; F MARITIMOS LTDA. a livremente negociar os direitos creditícios expressos no acórdão de fls. 4.815, dentro dos ditames dos arts. 286 e 298 do Código Civil de 2002, homologando as cessões de crédito trazidas aos autos, dispensandolhe, de fazêlo em relação àqueles remanescentes, cabendo à autoridade administrativa conferir a regularidade dos cálculos do principal e acréscimos moratórios Da análise de referido dispositivo, não vejo como deixar de considerar que ele expressamente se manifestou sobre a possibilidade de cessão dos créditos em relação às escrituras juntadas em referida ação e, ainda, relativamente às cessões do crédito remanescente no processo. De tal sorte, ainda considerando o teor de referida decisão, que digase de passagem, foi o que norteou as conclusões do auditor fiscal para levar a efeito o lançamento ora sob análise, dela verifico que o INSS participou de todo o processo de habilitação das cessões do crédito nos autos do processo judicial, tendo apresentado suas considerações de modo a demonstrar que tal documento não poderia ser oposto em seu desfavor, não sendo obrigado a aceitar as compensações que viessem a se originar de referidas cessões. Todavia, como se verifica da decisão, ressaltese, já proferida em sede de cumprimento de sentença, de modo a nortear a execução do julgado, neste quesito o INSS restou vencido. Vale ressaltar que restou vencido em decisão na qual se admitiu a validade da cessão considerado, ainda, que a legislação tributária, à época, não trazia qualquer óbice a compensação de créditos cedidos entre pessoas físicas ou jurídicas. A decisão manifestouse ainda, sobre o artigo 66 da Lei 8.383/91, a seguir: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período Fl. 300DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) E sobre referido artigo disse que o mesmo, ao fazer alusão sobre a competência da Receita Federal e INSS para regulação de normas dirigidas a regular o direito de compensação, não deveria ser considerado, pois a sua aplicabilidade ficaria substituída pela compensação deferida nos limites e condições determinadas pelo Poder Judiciário, que, por fim, reconheceu que os créditos poderiam ser negociados livremente. Ou seja, se num processo judicial no qual se requereu a habilitação de escrituras de cessão, para fins de compensações tributárias, restou autorizado, após a análise das alegações de todas as partes envolvidas, a livre cessão dos direitos creditórios, não vejo como entender que havia qualquer limitação a negociação de tais valores, até porque a parte dispositiva é bastante clara no sentido de que as próximas cessões sequer haviam que ser homologadas. Além disso, foi deferido o direito dos créditos serem cedidos livremente, vocábulo este cujo significado é definido pelo dicionário da língua portuguesa Priberam como: 1. De modo livre. 2. Sem restrições ou limitações. Logo, a meu ver, não poderiam ser impostas quaisquer limitações à cessão dos créditos, mais ainda, em razão de que o instituto da cessão de créditos é plenamente válido, legal e expressamente regulado pelo Código Civil Brasileiro em seus arts. 286 e seguintes, a seguir: Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boafé, se não constar do instrumento da obrigação. Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangemse todos os seus acessórios. O que depreendo da parte dispositiva do julgado é que se reconheceu a possibilidade de negociação dos créditos em si pela SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA, não havendo qualquer proibição para que viessem a Fl. 301DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720205/201218 Acórdão n.º 2402004.091 S2C4T2 Fl. 291 13 ser novamente negociados por seus cessionários. Fato é que também não havia qualquer permissão para que os créditos viessem a ser negociados, mas, como já dito, tal conduta é plenamente possível diante do instituto da cessão de créditos prevista no Código Civil, acima transcrito. Além do mais, restou expresso que a negociação era livre. Em sendo livre, não vejo como transpor óbice ao seu cumprimento, mas tão somente em atender aquilo o que restou decidido pelo Poder Judiciário. Por conseguinte, a justificativa adotada pela fiscalização no presente processo como justificadora das glosas efetuadas não se sustenta, haja vista ter havido autorização judicial expressa permitindo a negociação dos créditos tributários na praça por parte da SERVPORT, livremente, não havendo, pois, que se falar, que diante do fato da ordem judicial não consignar que os cessionários poderiam levar a efeito novas cessões e negociações, estas estariam proibidas, sob pena de mitigação ao instituto da cessão de créditos previsto no Código Civil Brasileiro. Assim, se a recorrente adquiriu os referidos créditos da empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA, cessionária da SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA, tal fato não poderia ter sido adotado pela fiscalização para denegar o pedido de compensação requerido pela ora recorrente, que valeuse, a meu ver, daquilo o que bem ou mal fora autorizado pelo Poder Judiciário. Por outro lado, o que deveria ter sido realizado pela fiscalização e que não é objeto de discussão nos autos do presente processo, logo, não reconhecido em favor da recorrente, é qual seria o efetivo montante do crédito apurado e decorrente em seu favor da ação judicial n. 94.00493690, tãosomente, de modo a dar o devido cumprimento aquilo o que decidido pelo Poder Judiciário. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para julgar improcedente o lançamento. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 302DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15983.000572/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001
CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO.
O valor total do lançamento engloba o valor principal e os demais valores decorrentes, inclusive o valor da multa de mora e o valor dos juros.
RECURSO DE OFÍCIO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. COMPROVAÇÃO.
Quando de lançamentos associados à tributação incidente sobre cessão de mão de obra, esta deve ser comprovada pelo fisco. Ausentes os requisitos legalmente estabelecidos para configuração da cessão de mão de obra, descabida a autuação.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-004.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso de ofício, vencidos o relator e os conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que dele não conheciam. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Apresentará voto vencedor o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Ronaldo de Lima Macedo Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO. O valor total do lançamento engloba o valor principal e os demais valores decorrentes, inclusive o valor da multa de mora e o valor dos juros. RECURSO DE OFÍCIO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. COMPROVAÇÃO. Quando de lançamentos associados à tributação incidente sobre cessão de mão de obra, esta deve ser comprovada pelo fisco. Ausentes os requisitos legalmente estabelecidos para configuração da cessão de mão de obra, descabida a autuação. Recurso de Ofício Negado.
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO Recorrente COMPANHIA SIDERURGICA PAULISTA COSIPA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO. O valor total do lançamento engloba o valor principal e os demais valores decorrentes, inclusive o valor da multa de mora e o valor dos juros. RECURSO DE OFÍCIO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. COMPROVAÇÃO. Quando de lançamentos associados à tributação incidente sobre cessão de mão de obra, esta deve ser comprovada pelo fisco. Ausentes os requisitos legalmente estabelecidos para configuração da cessão de mão de obra, descabida a autuação. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 05 72 /2 00 7- 24 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer do recurso de ofício, vencidos o relator e os conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que dele não conheciam. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Apresentará voto vencedor o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões – Relator Ronaldo de Lima Macedo –Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000572/200724 Acórdão n.º 2402004.074 S2C4T2 Fl. 4.007 3 Relatório Tratase de crédito de contribuição previdenciária referente à ausência de retenção e recolhimento de 11% (onze por cento) sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra no período de 02/1999 a 12/2001. Nos termos do relatório fiscal de fls. 17/22, os serviços apurados correspondem à remoção de óleo leve brutoBTX, enquadrada nas hipóteses de retenção dos incisos XV e XVII do § 2° do art. 219 do RPS. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 36/42. Às fls. 223 foi proferido despacho sugerindo o encaminhamento à Procuradoria para levantamento da situação processual do mandado de segurança mencionado pela Recorrente. Às fls. 228/236 a diligência foi cumprida com a juntada de extratos do processo e sugestão de sobrestamento do feito. Às fls. 241 foi proferido novo despacho apontando que a fiscalização não demonstrou que os serviços foram prestados mediante cessão de mão de obra e solicitando nova diligência para que a fiscalização prestasse esclarecimentos. A diligência foi cumprida às fls. 255/256 com a informação da fiscalização de que a cessão de mão de obra fora verificada porquanto os funcionários da contratada foram alocados nas dependências da contratante. Às fls. 268/275 a Recorrente se manifestou em face da informação fiscal e, às fls. 316/321 a impugnação fora julgada procedente sob o fundamento, em síntese, de que o contrato analisado possui objetivos múltiplos e, se o objetivo era demonstrar que parte dele envolvia a manutenção e instalação de máquinas e equipamentos com cessão de mão de obra, a fiscalização não identificou com clareza e precisão a existência do fato gerador. Foi interposto recurso de ofício (fls. 324) em razão da exoneração do crédito ter ultrapasso o limite imposto no art. 34, I, do Decreto n° 70.235/72. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Vencido Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Da Preliminar Verificase que, em razão de não superar o valor de alçada previsto na Portaria MF nº 03/2008, o recurso de ofício não atende aos requisitos de admissibilidade, eis que os juros não devem compor tal valor de alçada. No Mérito Das obrigação de retenção por tomadora de serviços mediante cessão de mão de obra A cessão de mão de obra está prevista na Lei n° 8.212/91 através do artigo 31, §§ 1°, 2° e 3° e no Regulamento da Previdência Social no artigo 219, §§ 1° a 4° e 7°: Lei n° 8.212/91: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5° do art. 33 desta Lei. § 1° O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2° Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3° Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000572/200724 Acórdão n.º 2402004.074 S2C4T2 Fl. 4.008 5 Decreto n° 3048/99: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. Da análise do relatório fiscal de fls. 17/22 verificase que a Fiscalização lavrou o auto de infração com base exclusivamente no objeto do contrato de prestação de serviços, sem análise quanto ao cumprimento dos critérios previstos em lei para configuração da cessão de mão de obra. Neste sentido, não obstante o objeto do contrato apontado estivesse contido no rol das atividades que seriam de sofrer a retenção dos valores em apreço, o lançamento não se fez acompanhar de elementos probantes de que os empregados das contratadas estiveram efetivamente à disposição do contratante, o que caracterizaria de modo inequívoco a cessão de mão de obra. Nos termos dos dispositivos que tratam da matéria, para que se configure a cessão de mão de obra, independentemente da natureza do serviço, necessário que o pessoal utilizado (segurados empregados das contratadas) fique à disposição exclusiva do tomador sendo este último quem determina o que, como e quando fazer, gerenciando de forma efetiva a realização do serviço. A cessão de mão de obra, portanto, não pode ser presumida. Há que restar materialmente comprovada. No caso dos autos, a Fiscalização entendeu que pela descrição das atividades a serem exercidas, estarseia diante de inequívoca circunstância de cessão de mão de obra. Todavia, a previsão dos referidos serviços dentre as atividades submetidas à regra de tributação (se assim estivesse, o que não parece ser o caso) por si só não demonstra a obrigação da Recorrente em reter os 11%, vez que não comprovado pela Fiscalização que a mão de obra esteve à disposição da empresa tomadora em caráter de subordinação. Destarte, não demonstrado o cumprimento dos critérios que configurariam a cessão de mão de obra, quais sejam: i) colocação do empregado da contratada à disposição do contratante, ii) em suas dependências ou de terceiros; iii) realização de serviços contínuos relacionados ou não com a atividadefim da empresa, não há que se falar em obrigação tributária por parte da Recorrente. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso de ofício e a ele nego provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000572/200724 Acórdão n.º 2402004.074 S2C4T2 Fl. 4.009 7 Voto Vencedor Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Redator Designado Analisando o voto proferido pelo i. Conselheiro Relator, especificamente no que tange à preliminar de conhecimento, entendo que os valores decorrentes dos juros integram o valor de alçada consignado na Portaria MF nº 03/2008, pelas razões que passo a expor. DA PRELIMINAR: O processamento de recurso de ofício está condicionado ao requisito consubstanciado no fato do valor exonerado ser superior à alçada prevista em ato do Ministro da Fazenda. O limite foi estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008, publicada em 7 de janeiro de 2008, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). A existência de um limite no valor a ser exonerado é uma imposição do conhecimento do recurso de ofício que não pode ser ignorado. Quando o contribuinte não paga as obrigações tributárias no tempo certo, ocorre uma penalidade decorrente deste fato (inadimplemento da obrigação), qual seja, a multa de mora e os juros. Ives Gandra Martins, em relação às sanções tributárias, afirma, de uma forma mais completa, que existem sanções ressarcitórias, punitivas, desincentivadoras, implícitas e corretivas. As sanções ressarcitórias têm como intuito permitir a reposição do valor do tributo recolhido a destempo, ou seja, ressarcir o valor devido; as sanções punitivas têm a função de punir, sancionar; as sanções desincentivadoras, por sua vez, pretendem atingir a falta de recolhimento oriunda de dolo do sujeito passivo exteriorizado pela sonegação, conluio ou fraude, ou mais precisamente, tem como finalidade desencentivar a falta ou o atraso de pagamento devido pelo contribuinte. No presente caso, os juros lançados têm como finalidade recompor o valor da contribuição previdenciária recolhida fora do prazo legal, configurandose como uma multa ressarcitória, devendo compor o valor exonerado pela decisão de primeira instância, eis que o valor total do lançamento engloba o valor principal e os demais valores decorrentes, inclusive o valor da multa de mora e o valor dos juros, a teor do inciso I do art. 34 do Decreto 70.235/1972. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Decreto 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Logo, tratase de lançamento superior ao valor da alçada, razão pela qual o recurso de oficio deve ser conhecido. Quanto aos demais pontos abordados pelo ilustre Relator, no que não colidem com a motivação supramencionada, aliome às suas razões de decidir. Ante todo o exposto, CONHEÇO do recurso e NEGO PROVIMENTO. É como voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 35358.000502/2007-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/09/2005
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurelio Pereira Valadão Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior Relator
EDITADO EM: 26/05//2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurelio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/09/2005 RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso especial não conhecido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/09/2005 RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO INTRÍNSECO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Para conhecimento do Recurso Especial interposto sob o fundamento de existência de divergência jurisprudencial, deverá o interessado demonstrar fazer constar do recurso interpretação divergente da que lhe dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 35 8. 00 05 02 /2 00 7- 50 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurelio Pereira Valadão – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior – Relator EDITADO EM: 26/05//2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurelio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O contribuinte inconformado com o decidido no Acórdão n° 230201.079, proferido pela 2a Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 12/05/2011 (fls. 305/308), interpôs recurso especial à. Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 315/324, com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Registrese que o decisum deu provimento parcial ao recurso dispondo que a recorrente não se enquadra como agroindústria, pois a produção rural não seria sua, mas sim do parceiro com quem mantém contrato de parceria (fls. 305 e 307/308), conforme se verifica abaixo: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/09/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. Conforme previsto no art. 22A da Lei n 8.212, a agroindústria é o produtor rural que industrializa produção própria. Não se pode confundir a indústria que passa a produzir sua matéria prima; com o produtor rural que passa a industrializar sua produção. Somente este último está amparado pelo artigo 22A. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35358.000502/200750 Acórdão n.º 9202003.091 CSRFT2 Fl. 7 3 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Acórdão nº 230201.079 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2011. Assevera o recorrente que o aresto merece reforma, visto que, segundo seu entendimento, diverge do paradigma – Acórdão n. 2301001.658 , pois este decisum entendeu que o contribuinte ao utilizarse de produção própria em seu processo industrial cumpre os requisitos indispensáveis para caracterização do enquadramento agroindustrial, não havendo exigência de que a produção rural deva ser a atividade preponderante da pessoa jurídica (fls. 317/324): Acórdão n. 2301001.658 Recorrente: Móveis Rueckl Ltda. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 Ementa: NULIDADE – ENTREGA DE DOCUMENTOS EM VIA DIGITAL Não há que se falar em nulidade do lançamento quando o contribuinte restou cientificado de documentos levantados pela fiscalização ainda que em meio digital, haja vista expressa disposição legal sobre o tema. AGROINDÚSTRIA – ENQUADRAMENTO O produtor rural pessoa jurídica que industrializa produção própria e adquirida de terceiros, ainda que a primeira seja inferior à segunda, enquadrase no conceito legal de agroindústria. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção deu seguimento ao Recurso Especial, por entender demonstrada a divergência [fls. 512/513]. Intimado para se manifestar, a PGFN apresentou Contrarrazões (fls.340 e ss) que, em síntese, alega: [...] Na hipótese "sub judice", no entanto, observase que a empresa percorreu o caminho inverso do pretendido com a criação das contribuições substitutivas para as agroindústrias. 0 que claramente se afigura é uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial que, com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada A agroindústria, procura realizar alguma atividade rural a fim de enquadrarse na hipótese legal. A lei,muito embora não proiba esta prática, não pode ser utilizada para viabilizar a evasão fiscal e sangrar os cofres públicos. 16. No caso dos autos, o objetivo principal da impugnante, e que consta de seu contrato social (fls. 220/226), e a industrialização e comercialização de móveis de madeira. Atividade esta que já era exercida antes do advento da Lei 10.256/2001 em detrimento de alguma atividade rural. 17. Em que pese a contribuinte efetuar reflorestamento e tal atividade demonstrar a existência de produção própria, no período posterior a 10/2005, esta é insignificante. Ou seja, Fl. 398DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 embora passasse a exercer alguma atividade rural, esta não é preponderante. 18. A atividade preponderante da impugnante é a fabricação de móveis em madeira, que além de empregar os insumos que provêm da atividade de reflorestamento, seja própria ou de terceiros, agrega ainda outros materiais (colas, metais, vidros, tintas, etc.) e envolve um complexo processo de industrialização de matériaprima beneficiada ou transformada, típico da atividade moveleira. Assim sendo, não pode ser considerada como empresa agroindustrial. É o relatório Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator De acordo com o art. 67, anexo II, do Regimento Interno, é requisito para a admissibilidade do recurso especial a demonstração de divergência, que consiste em julgado proferido por outra câmara dos conselhos de contribuintes, que não tenha sido reformado pela Câmara Superior. Antes de proceder ao exame dos paradigmas, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, com similitude fática, verificase a adoção de soluções diversas. Destarte, é de fundamental importância a análise das situações constantes dos julgados recorridos e paradigma, com o escopo de aferir acerca da sua eventual identidade. É sabido que para a caracterização do dissídio jurisprudencial, nos termos dos artigos 541, parágrafo único, do Código de Processo Civil e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ e consolidado pelo RICSRF, fazse necessária a demonstração da similitude de panorama de fato e da divergência na interpretação do direito entre os acórdãos confrontados. Em resumo, verificase que: (i) Acórdão recorrido: deu provimento parcial ao recurso dispondo que a recorrente não se enquadra como agroindústria, pois a produção rural não seria sua – não há produção própria , mas sim do parceiro com quem mantém contrato de parceria (fls. 305 e 307/308); (ii) Acórdãos paradigmas: decisum entendeu que o contribuinte ao utilizarse de produção própria em seu processo industrial cumpre os requisitos indispensáveis para caracterização do enquadramento agroindustrial, não havendo exigência de que a produção rural deva ser a atividade preponderante da pessoa jurídica (fls. 317/324). É sabido que o art. 67, do RICARF aprovado pela Portaria MF n. 256/2009 assevera que caberá o Recurso Especial quando: Fl. 399DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35358.000502/200750 Acórdão n.º 9202003.091 CSRFT2 Fl. 8 5 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Demais disso, com a devida vênia do eminente Conselheiro que proferiu o despacho positivo de admissibilidade do recurso, não há que se falar em divergência entre os acórdãos confrontados no presente caso. Ora, é fato incontroverso no presente processo que a Recorrente não industrializou produção própria no período de 01/03/1999 a 30/09/2005. Para que fique caracterizada a divergência, é imprescindível que haja identidade entre os fatos e conclusões divergentes sobre a interpretação da mesma norma. Nesse sentido, confirase o pronunciamento do Plenário do STF: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA ARESTO PARADIGMA ESPECIFICIDADE. Os embargos de divergência não prescindem, da especificidade do aresto paradigma sempre revelada pela adoção de tese diversa, em que pese à identidade dos fatos e das normas observados. (RE 202063 embargosAgR, Relator(a): MM. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 25/03/1999, DJ 2105 1999 PP00005 EMENT VOL0195104PP00759) (grifouse) Portanto, como os acórdãos paradigmas julgaram fatos diversos àquele tratado no decisum recorrido, não se identifica a divergência de teses. DISPOSITIVO Dito isso, NÃO CONHEÇO DO RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 400DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904419/2012-37
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904419/201237 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.769 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 19 /2 01 2- 37 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904419/201237 Acórdão n.º 3803004.769 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904419/201237 Acórdão n.º 3803004.769 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904419/201237 Acórdão n.º 3803004.769 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 11309.000971/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO.
O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo a esse direito ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide, não representando cerceamento ao direito de defesa do administrado a negativa de requerimento neste sentido, desde que motivada pelo órgão julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
As diárias para viagem, quando excedem a cinqüenta por cento da remuneração mensal do segurado empregado, integram o salário de contribuição pelo seu valor total.
Numero da decisão: 2401-003.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 05/2000; II) afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; III) indeferir o pedido de perícia; e IV) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído o levantamento "FP2 ¿ Manutenção de Veículos".
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo a esse direito ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide, não representando cerceamento ao direito de defesa do administrado a negativa de requerimento neste sentido, desde que motivada pelo órgão julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte. As diárias para viagem, quando excedem a cinqüenta por cento da remuneração mensal do segurado empregado, integram o salário de contribuição pelo seu valor total.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 05/2000; II) afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; III) indeferir o pedido de perícia; e IV) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído o levantamento "FP2 ¿ Manutenção de Veículos". Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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EXIGÊNCIA PARA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTES DE DESPESAS. Para que se afaste a incidência de contribuições previdenciárias de verbas pagas supostamente a título de ressarcimento de despesas, a empresa necessariamente deve apresentar os comprovantes das despesas efetuadas pelos empregados. UTILIZAÇÃO DE VEÍCULO PRÓPRIO. RESSARCIMENTO MEDIANTE O PAGAMENTO DE VALOR PROPORCIONAL AOS QUILÔMETROS RODADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO DE QUE OS VALORES PAGOS ESTÃO ACIMA DOS GASTOS INCORRIDOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não sofrem incidência de contribuições os pagamentos destinados a ressarcir os empregados pelas despesas realizadas com veículo próprio para execução dos serviços, ainda que sejam calculados em razão dos quilômetros rodados, a menos que o fisco demonstre que os valores pagos são desproporcionais aos gastos efetuados, devendose, neste caso, tributar o excesso. DIÁRIAS DE VIAGEM EXCEDENTES DE 50% DA REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. As diárias para viagem, quando excedem a cinqüenta por cento da remuneração mensal do segurado empregado, integram o salário de contribuição pelo seu valor total. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 30 9. 00 09 71 /2 00 8- 77 Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 PRAZO DECADENCIAL. CONCLUSÃO ACERCA DE ANTECIPAÇÃO DE RECOLHIMENTO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Quando se conclui, com esteio nos elementos constantes dos autos,que houve antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo a esse direito ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide, não representando cerceamento ao direito de defesa do administrado a negativa de requerimento neste sentido, desde que motivada pelo órgão julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 05/2000; II) afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; III) indeferir o pedido de perícia; e IV) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído o levantamento "FP2 ¿ Manutenção de Veículos". Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 2401003.515 S2C4T1 Fl. 2.027 3 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Por força de sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n. 1915 05.2013.4.01.3803 (1.ª Vara Federal em Uberlândia), em 21/10/2013, o processo retorna ao CARF para emissão de novo acórdão. Na referida ação judicial, o sujeito passivo postulou a nulidade de todos os atos processuais realizados após a decisão da DRF Uberlândia que determinou o seguimento do recurso administrativo, que anteriormente havia sido declarado deserto pela ausência do depósito prévio no valor de 30% da exigência fiscal. O fundamento da decisão proferida no bojo do referido MS residiu na falta de intimação ao sujeito passivo do despacho que admitiu o seguimento do recurso. Passo, então, a relatar o andamento processual do feito administrativo consubstanciado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n. 35.278.8798. Nos termos do relatório fiscal, fl. 146 e segs., os fatos geradores foram as quantias pagas aos segurados empregados a título de “Ajuda de Custo”, “Manutenção de Veículos” e “Diárias em valor excedente a 50% da remuneração”. Afirma o fisco que a verba "Ajuda de Custo", constante da folha de pagamento da empresa, era paga mensalmente, aos segurados empregados, que atuavam nas funções de cobradores, gerentes de vendas, motoristas entregadores, etc, não sendo incluída na base de cálculo das contribuições pelo sujeito passivo. Assevera também que a rubrica "Manutenção de Veículos", não considerada no saláriodecontribuição, constava da folha de pagamento da empresa e era paga sem comprovação de despesas, aos gerentes regionais de venda, assistente comercial, cobradores e gerentes de área. O fisco aduz que a verba "Diária de Viagens", constante da folha de pagamento da empresa, era paga a diversos empregados, na função de gerentes regionais de vendas, motoristas entregadores, cobradores, assistente comercial, etc, sem a observância do limite de 50% da remuneração dos mesmos, não sendo também incluída pela notificada no salário de contribuição. Afirmase que as rubricas em questão não foram declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, o que ensejou o AI n° 35.778.9415. Para apuração dos fatos geradores foram examinadas as folhas de pagamento e os Livros Diário/Razão, do período de 01/1995 a 12/2004. A empresa ofereceu impugnação, fls. 753 e segs. Nas suas alegações, pede a nulificação do lançamento, posto que os fatos que ensejaram o mesmo não foram suficientemente esclarecidos pela auditoria. Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 2401003.515 S2C4T1 Fl. 2.028 5 No mais, buscando demonstrar a improcedência da NFLD, apresenta argumentos que descaracterizariam a natureza salarial das verbas sobre as quais incidiram as contribuições lançadas. O processo foi baixado em diligência, tendo o fisco mantido o entendimento quanto à procedência do crédito, todavia, retificando valores que motivaram incorreção no cálculo da contribuição dos segurados. Instada a se pronunciar sobre o resultado da diligência, a empresa mantevese silente. Foi, então, exarada a decisão de primeira instância, 1.385 e segs., declarando o crédito parcialmente procedente. Foram excluídas as parcelas equivocadamente lançadas, em atendimento ao sugerido na informação fiscal emitida na diligência. Na decisão da SRP, afastouse a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, foram afastadas as alegações de improcedência da NFLD. Indeferiuse também o pedido de realização de perícia técnica. Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 1.403 e segs., no qual, após exposição dos fatos, em apertada síntese, alegou que: a) jamais pagou a verba “Ajuda de Custo” aos seus gerentes de vendas, fato que demonstra que está lhe sendo imputada conduta que jamais realizou; b) os requisitos de motivação do ato administrativo são precários, posto que os fatos geradores do lançamento não estão clara e objetivamente narrados e indicados pelo fisco; c) diante da falta de clareza e precisão do fisco na narrativa dos motivos do ato administrativo, o que acarretou em cerceamento ao seu direito de defesa, o lançamento merece anulação; d) a devolução dos autos para o fisco, em sede de diligência, por duas vezes denota que foram cometidos equívocos na lavratura; e) as inúmeras modificações promovidas no lançamento levam à conclusão de que o mesmo foi refeito, situação que deveria ensejar a lavratura de nova NFLD, que poderia redundar em alteração na contagem da prescrição (sic!); f) o indeferimento do pedido para a realização de prova pericial é causa de nulidade da decisão recorrida, posto que claramente houve cerceamento ao seu direito de defesa; g) se o fisco tivesse se preocupado em pesquisar a natureza jurídica da verba “Ajuda de Custo”, concluiria que a sua tributação é indevida; h) a verba “Ajuda de Custo” tem caráter indenizatório, posto que paga aos motoristas para fazer frente às despesas de viagem, cujos valores eram variáveis e somente ocorriam em caso de pernoite; Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 i) também não foram observadas na decisão atacada as diversas reclamatórias trabalhistas movidas pelos seus motoristas, em que se julgou procedente o argumento dos mesmos de que a “Ajuda de Custo” era insuficiente para cobrir os gastos; j) tanto os contratos de trabalho como as convenções coletivas de trabalho, das quais a empresa foi parte, prevêem o pagamento de reembolso de despesas com veículos e com atividades de carga e descarga; k) os documentos que comprovam as despesas relativas à rubrica “Manutenção de Veículos” foram apresentados, todavia, a fiscalização, imotivadamente, os desconsiderou; l) o ressarcimento de despesas por uso de veículo próprio pelos empregados do setor de vendas é previsto no próprio contrato de trabalho, configurando uma das obrigações atribuídas ao empregador; m) é impossível ao empregado comprovar todas as despesas decorrentes da utilização de veículo próprio, citese o exemplo de desgaste de componentes do automóvel e sua depreciação; n) a mensuração dos quilômetros rodados pelos empregados em veículo próprio, critério para pagamento da verba “Manutenção de Veículos”, não é aleatória, mas efetuada com base em mapas de viagem, os quais foram apresentados na impugnação; o) colaciona jurisprudência para demonstrar o acerto de sua tese quanto a não incidência de contribuições sobre os pagamentos para ressarcir os quilômetros rodados; p) os pagamentos de “Diárias” são determinados por acordo coletivo e o excesso detectado pelo fisco foi decorrente de mero erro de registro cometido pela empresa; q) apresenta o Precedente Administrativo n.º 50 do Diretor do Departamento de Fiscalização do Trabalho, no qual é firmado o entendimento de que, mesmo que as diárias ultrapassem o patamar de 50% da remuneração, o empregador pode afastar a natureza salarial das mesmas, comprovando que o empregado presta contas de suas despesas; r) o caráter vinculante do citado precedente leva à conclusão de que o simples fato do valor das diárias ultrapassar o equivalente a 50% do valor dos salários dos empregados não constitui motivo suficiente para a caracterização dessa verba como salário; s) considerandose que o fisco não ofertou ao sujeito passivo a oportunidade de comprovar a prestação de contas das viagens feitas pelos seus empregados, resta claro que o lançamento foi efetuado ao arrepio do citado Parecer; t) as Convenções Coletivas de Trabalho, que obrigam a impugnante, prevêem o pagamento de diárias, que são controladas por recibo específico, em que são registrados os dados das viagens. Ao final, requereu: a) a declaração de nulidade da NFLD, em razão do prejuízo ao seu direito de defesa ocasionado pela falta de motivação e pela inadequada tributação das diárias; b) seja deferido o pedido para a realização de prova pericial; Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 2401003.515 S2C4T1 Fl. 2.029 7 c) caso assim não se entenda, que seja cancelado o lançamento, posto que é improcedente. É o relatório. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Por aplicação do art. 173, I, do CTN, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberlândia declarou decadentes as competências de 04/1995 a 11/1999, conforme o Termo de Análise de Decadência/Prescrição – Súmula Vinculante n.º 08 – STF, fls. 1537 e segs. Todavia, devo, de ofício, verificar o acerto desse procedimento. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 2401003.515 S2C4T1 Fl. 2.030 9 O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que, embora não haja relatórios discriminando as guias de recolhimento apresentadas ou o abatimento de créditos do contribuinte no Discriminativo Analítico do Débito, os autos levamme a concluir que havia guias de recolhimento para o período, uma vez que o Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, fl. 144, traz a informação de que foram analisadas guias de recolhimento durante a auditoria. De se concluir que as guias não foram apropriados em razão do fisco ter lançado na apuração apenas as parcelas não reconhecidas pela empresa como integrantes do saláriodecontribuição. Assim, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência, mesmo verificando que o sujeito passivo não reconheceu a incidência de contribuições sobre as bases de cálculo apuradas. Essa questão, inclusive, já se encontra sumulada no âmbito do CARF, como se vê: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. O entendimento apresentado conduz à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências até 05/2000, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 17/06/2005. Nulidade do lançamento Suscitou o sujeito passivo preliminar de nulidade da NFLD decorrente da suposta falta de clareza e precisão no relatório de trabalho do fisco. Asseverou que a Autoridade Fiscal não se desvencilhou do ônus de provar a ocorrência do fato gerador, por esse motivo o lançamento estaria irremediavelmente marcado com a pecha da nulidade. No entender da recorrente, a nulidade seria também uma decorrência da falta de motivação do ato administrativo de lançamento. Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados a título de “Ajuda de Custo”, “Manutenção de Veículos” e “Diárias que excederam 50% da remuneração”. Na seqüência, indica expressamente as evidências fáticas e jurídicas que culminaram com a conclusão acerca da incidência de contribuições sobre os citados pagamentos. Nas palavras da Autoridade Fiscal, a comprovação do pagamento das referidas parcelas foi obtida com esteio na documentação fornecida pela notificada no decorrer da auditoria, mormente as folhas de pagamento e os registros contábeis. Nesse sentido, vejo que a NFLD e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. As bases de cálculo também se encontram bem apresentadas, tanto nos anexos colacionados (planilhas), quanto no Relatório de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analítico o Débito – DAD. O relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário, além de que no próprio corpo do relatório fiscal houve menção aos dispositivos que levaram a auditoria a concluir pela concretização da hipótese de incidência tributária. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito no lançamento, não especifica qual o ponto que, por não ter a clareza e precisão suficientes, veio a acarretar prejuízo ao seu direito de defesa. O fato do órgão a quo haver determinado a retificação do crédito, com esteio em informação prestada em sede de diligência fiscal não é motivo para que se declare a nulidade do crédito, pelo contrário, a retificação realizada é mais uma garantia de que o julgamento administrativo expurgou do lançamento valores indevidos, realizando o controle de legalidade do ato administrativo, que é o seu principal mister. A revisão de lançamento é prevista no CTN, art. 145, o qual elenca, dentre as hipóteses que autorizam esse procedimento, a provocação do sujeito passivo. Eis o dispositivo: Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 2401003.515 S2C4T1 Fl. 2.031 11 Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Assim, tendose em conta que a lei prevê que é possível a revisão do lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo, mediante provocação deste, não há o que se falar em nulidade do crédito constituído, em razão de se ter retificado os valores originariamente lançados. Em outro quadrante, há de se convir que os termos da defesa não deixam dúvida que o contribuinte compreendeu perfeitamente os motivos do lançamento e sua quantificação, não me parecendo razoável acolher a nulidade suscitada sem que se evidencie o mínimo prejuízo ao administrado. Bom que se diga que as questões que envolvem análise do acerto do fisco em tributar as parcelas citadas, bem como o sopesamento das provas apresentadas no bojo deste processo, serão alvo da nossa apreciação mais adiante, quando estivermos a tratar do mérito da causa. Assim, não enxergo motivo para que se anule a NFLD sob julgamento, posto que os requisitos formais e a motivação apresentadas foram suficientes para que o sujeito passivo exercesse o seu direito de defesa com amplitude. Fatos geradores Passemos agora a investigar a ocorrência do fato gerador para cada uma das parcelas que foram objeto do presente lançamento. a) Ajuda de Custo Nos termos do relato do fisco: “3.1 A rubrica "Ajuda de Custo", constante da folha de pagamento da empresa, paga mensalmente, aos segurados empregados, na função de cobradores, gerentes de vendas, motoristas entregadores, etc, mas não incluída no saláriode contribuição, paga no período de 07/97 a 12/2004, em desacordo com o § 9 o , "g", art. 28, da Lei 8.212/91, que transcrevemos a seguir: Esclarecemos que o período de 01/99 a 12/2004 não foi declarado em GFIP;” Verificase, das palavras acima, que a Auditoria verificou na folha de pagamento a referida verba e, por entender que a mesma não se enquadraria na isenção referida na alínea “g” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, incluiua na base de cálculo do lançamento. Foi acostada planilha demonstrativa dos valores pagos a esse título por competência (anexo I). Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Alega a empresa que a verba “Ajuda de Custo” era uma obrigação prevista em contrato individual do trabalho e também em convenções coletivas, pelos quais o empregador deveria ressarcir os motoristas pelas despesas de viagem relacionadas à manutenção dos veículos e cargas e descargas de mercadorias. Foram acostados contratos individuais de trabalho e convenções coletivas. No julgamento de primeira instância, entendeuse que a falta de comprovação das despesas afastaria o caráter indenizatório da verba, devendo incidir contribuição sobre a mesma. Alegouse ainda que não há previsão na legislação previdenciária no sentido de excluir esse tipo de Ajuda de Custo do saláriodecontribuição. Vejo que não há divergência de entendimento quanto à natureza da verba denominada pela empresa de “Ajuda de Custo”. Certamente a mesma não se confunde com aquela tratada na alínea “g” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, posto que essa diz respeito ao pagamento para fazer frente a despesas de mudança de local de trabalho do empregado. É fato também que, ao definir o saláriodecontribuição, os incisos do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 não mencionam especificamente em nenhuma das suas hipóteses a exclusão da base de cálculo das contribuições de parcela destinada a ressarcir o empregado com despesas efetuadas com a realização do trabalho. Todavia, o “caput” do dispositivo nos mostra o caminho para solução da contenda. Vejamos a literalidade da texto legal: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) A luz da norma transcrita, qualquer pagamento, independente da denominação ou forma de pagamento, desde que destinado a retribuir o trabalho, sofre a incidência das contribuições. Dito de outra forma, as parcelas que representem contraprestação pelo trabalho, também chamadas verbas salariais, são passíveis, via de regra, de tributação para a Seguridade Social. Portanto, caso a empresa pague determinado valor para a realização do trabalho, certamente este custo não deve ser suportado pelo empregado, assumindo essa verba natureza de indenização, devendo, portanto, ficar livre da incidência previdenciária, até porque não se incorpora à remuneração dos segurado. No entanto, a regra é que para demonstrar que o pagamento é indenizatório, devese comprovar que a realização do gasto se deu para que o trabalho fosse executado. Essa Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 2401003.515 S2C4T1 Fl. 2.032 13 prova é de fácil obtenção mediante comprovantes da despesa efetuada. Essa sistemática de comprovação de despesas é de simples implementação pelas empresas, posto que mesmo que o prestador do serviço ou fornecedor da mercadoria não forneça o documento comprobatório, devese instituir um recibo para essas situações. Digo mais, a empresa, ao não comprovar a realização do gasto com serviços prestados por pessoas físicas, tais como “borracheiros”, mecânicos, “chapas”, etc, incorre em sonegação da contribuição devida correspondentes aos pagamentos por esses serviços, consoante previsto no art. 22, II, da Lei n.º 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...) Não se justifica, portanto, a alegação de que haveria impossibilidade operacional de comprovar essas despesas. Da documentação colacionada, percebese que a empresa pagava habitualmente a referida verba, até porque as sua principal atividade é a distribuição de produtos, sendo as viagens uma decorrência normal do ramo empresarial em que empresa atua. Por certo, justificase que a empresa arque com as despesas de manutenção dos veículos e com os custos de carga e descarga de mercadorias. Tendo os empregados efetuados gastos com esses itens, natural que a empresa os ressarcisse. Quanto a isso o órgão recorrido não se contrapõe. A justificativa que apresenta para tributação da verba é a falta de comprovação das despesas. No entender do julgador monocrático, havendo pagamento habitual de uma determinada rubrica, a sua natureza indenizatória somente poderia ser aceita caso se comprovasse a origem das despesas. Os documentos juntados dão conta de que a empresa pagava a “Ajuda de Custo” em valor fixo por cada viagem e não solicitava do empregado a comprovação da despesa. Afirma a recorrente que tal procedimento era respaldado em convenção coletiva de trabalho. Devo transcrever o que essas convenções previam acerca da comprovação dos gastos. A título exemplificativo, trago à colação cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho Cargas Secas e Cargas Líquida, período de vigência de 01/05/2004 a 30/04/2005 (fls. 878 e segs): SÉTIMA Despesas com veículos Correrão por conta das Empresas, todos os gastos efetuados pelos motoristas, com o veiculo durante a viagem, referentes a conserto de pneus,molas, multas, por irregularidade do veiculo ou nos seus documentos, e outras despesas pertinentes ao mesmo desde que não sejam causados por culpa, negligencia, imperícia e imprudência do motorista condutor do veículo avariado, fato este devidamente comprovado. Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 (...) DÉCIMA SEGUNDA Carga e Descarga As empresas se obrigam a fornecer, por sua conta, aos motoristas, ajudantes/carregadores para carga e descarga onde as mesmas não tiverem estes empregados. Os mesmos serão ajustadas pelos motoristas que, por sua vez, serão reembolsados pela Empresa, desde que seus veículos não sejam equipados com instrumentos próprios de descarga ou outros métodos que dispensem a presença de ajudantes. Verificase que as despesas com veículos deveriam, nos termos do disposto acima, serem comprovadas pelos motoristas. Os sindicatos signatários da convenção, como se vê, tiveram a preocupação de exigir dos empregados a comprovação dos gastos com os veículos, de modo que se evitassem reembolsos de despesas não incorridas. Para as despesas de “carga e descarga”, razoável se supor que o mesmo procedimento devesse ser adotado, embora a convenção coletiva explicitamente não o exija. Não há de se aceitar que inexista qualquer comprovação das despesas com os “chapas”. Chancelar esse procedimento seria escancarar as portas para que as empresas passassem a pagar remuneração disfarçada a título de “Ajuda de Custo”, “reembolso viagem” ou outra intitulação que se quisesse dar à parcela. Isso exposto, manifesto o entendimento de que as contribuições apuradas sobre a verba “Ajuda de Custo” devem ser consideradas procedentes. b) Manutenção de Veículos Sobre essa verba, o fisco assim se pronunciou: “3.2 A rubrica "Manutenção de Veículos", também constante da folha de pagamento da empresa, paga sem comprovação de despesas, aos gerentes regionais de venda, assistente comercial, cobradores e gerente de área, no período de 11/99 a 12/2004, caracterizado como salário utilidade, mas não incluída no salário de contribuição, conforme prevê o § 9 o , "g", art. 28, da Lei 8.212/91;” Assevera a empresa que se trata de mero reembolso pela utilização do veículo a serviço da empresa pelo pessoal de vendas, o qual se encontra previsto no próprio contrato de trabalho, assinado na admissão do empregado, e contempla manutenção, desgaste, abastecimento do veículo, seguro obrigatório, IPVA e seguro total. Vejamos o que diz a Lei n.º 8.212/1991 especificamente sobre essa rubrica: art. 28. Entendese por salário de contribuição: (...) § 9 o Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 2401003.515 S2C4T1 Fl. 2.033 15 (...) O fisco desconsiderou o alegado caráter indenizatório da verba sob a justificativa de que não foram apresentados os comprovantes das despesas. A recorrente afirmou que os pagamentos eram efetuados mediante comprovação dos quilômetros rodados, os quais eram registrados em mapas de viagem. Apresenta documentos e jurisprudência cujo entendimento firmado afasta o caráter salarial desse tipo de pagamento. Uma primeira questão a ser encarada é que há a comprovação nos autos de que empregados do setor de vendas utilizavam os seus veículos para realizar viagens a serviço da empresa. Dúvida não há que esses valores teriam que ser ressarcidos aos segurados, que não devem suportar gastos efetuados para execução do serviço. A empresa adotou a sistemática de ressarcir tais despesas mediante a fixação de um valor para cada quilometro comprovadamente rodado em deslocamentos realizados pelos empregados em veículo próprio para execução de tarefas relacionadas ao trabalho. No meu entender, esses valores não trazem ao empregado qualquer vantagem financeira, não representado acréscimo patrimonial, uma vez que os mesmos são aplicados no abastecimento e manutenção dos automóveis. Imaginemos que se a empresa optasse por adquirir frota de automóveis, disponibilizando os veículos para o pessoal do setor de vendas. Certamente esse benefício não haveria de sofrer a incidência de contribuições, assim, havendo a comprovação dos quilômetros rodados em veículo do empregado, o que era feito mediante a apresentação dos relatórios de viagem, não faz sentido que essa verba tornese integrante do saláriodecontribuição, dado o seu caráter eminentemente indenizatório. Caso o fisco tivesse demonstrado que o valor pago por quilômetro rodado era desproporcional aos custos incorridos, caberia a tributação sobre o excesso, todavia, não houve por parte da fiscalização a preocupação de fazer esse comparativo, que poderia justificar a procedência do lançamento. Nesse sentido, acompanho o entendimento expresso na decisão judicial colacionada pela recorrente, a qual não custa transcrever: "TRIBUTÁRIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. DESPESAS DE QUILOMETRAGEM. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A utilização de veículo do próprio empregado é um benefício em favor da empresa, por sujeitar seu patrimônio aos riscos e depreciações, custos esses que bem podem ser dimensionados com a comparação de valores locatícios de veículos em empresas especializadas, tudo a indicar inexistir excesso de valores indenizados. 2. O ressarcimento das despesas realizadas a título de quilometragem, prestadas por empregados que fazem uso de seus veículos particulares, não tem natureza salarial, não integrando, assim, o saláriodecontribuição para fins de pagamento da previdência social. Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 RESP 395431/SC Relator Min. José Delgado. Primeira Turma DJ 25.03.2002" Concluo, assim, que devem ser expurgadas da base de cálculo as parcelas lançadas sobre a denominação “Manutenção de Veículos”. c) Diárias O fisco justificou a inclusão das diárias de viagem no saláriodecontribuição no fato das mesmas terem suplantando o percentual de 50% da remuneração. A fundamentação legal para essa apuração foi a alínea “a” do § 8.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 28 (...) § 8º Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total: a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal; (...) A empresa, baseada em Precedente Administrativo expedido pelo Departamento de Fiscalização do Ministério do Trabalho, afirma que somente seria afastada a natureza salarial das diárias excedentes a 50% do valor da remuneração se a empresa conseguisse comprovar que os empregados prestavam contas das despesas realizadas. Assevera ainda que as diárias eram pagas em conformidade com convenções coletivas de trabalho, assim, também por esse motivo não poderiam sofrer a incidência de contribuições. Não devo acatar a tese da recorrente. O Parecer Administrativo mencionado não tem força vinculante para o órgão fiscalizador das contribuições previdenciárias. Ainda mais quando se observa que toda a legislação previdenciária que rege a matéria não traz qualquer previsão no sentido de se considerar a prestação de contas das despesas para afastar a incidência tributária sobre as diárias que excedam a 50% da remuneração dos empregados. Devo salientar ainda que, malgrado a empresa invoque o citado Parecer, não trouxe aos autos a comprovação de que os empregados prestavam contas das diárias recebidas. Como bem asseverou o julgador monocrático, o fato da disponibilização das diárias estar prevista em norma coletiva de trabalho não altera sua natureza frente às normas tributárias. É certo que as Convenções Coletivas de Trabalho são de observância obrigatória para as partes, todavia, não estão acima da legislação de custeio da Seguridade Social. Em razão do princípio da estrita legalidade tributária, nosso ordenamento não admite que acordos entre patrões e empregados venham afastar a incidência tributária sobre determinado fato gerador. Portanto, considero procedentes as contribuições incidentes sobre as diárias que excederam a 50% da remuneração dos empregados. Pedido de Perícia Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de novas provas, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 2401003.515 S2C4T1 Fl. 2.034 17 qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem que se tenha as informações necessárias a boa compreensão do lançamento, sendo despicienda a realização de perícia nesse caso específico. Conclusão Voto por indeferir o pedido de perícia, por afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, por reconhecer a decadência até a competência 05/2000 e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído o levantamento “FP2 —Manutenção de Veículos”. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 14485.003282/2007-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/05/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS.
A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.427
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) não conhecer do Recurso na matéria objeto de ação judicial, conforme Súmula nº 1 do CARF; (ii) dar provimento parcial ao recurso, para em Preliminar, se reconhecer a decadência até a competência 11/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (iii). No mérito, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/05/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2435; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 197 1 196 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.003282/200791 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.427 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente ASSOC PRINCESA ISABEL DE EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/05/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 32 82 /2 00 7- 91 Fl. 2400DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003282/200791 Acórdão n.º 2403002.427 S2C4T3 Fl. 198 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) não conhecer do Recurso na matéria objeto de ação judicial, conforme Súmula nº 1 do CARF; (ii) dar provimento parcial ao recurso, para em Preliminar, se reconhecer a decadência até a competência 11/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (iii). No mérito, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pelo Recorrente – ASSOCIAÇÃO PRINCESA ISABEL DE EDUCAÇÃO E CULTURA contra Acórdão nº 1616.956 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 37.105.1258, com valor inicial de R$ 121.368.336,05. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 288, a autuação referese ao crédito relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, em razão do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 21.404100212005 de 15/06/2005, correspondentes a parte da empresa, do financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalho — SAT (01/1997 a 06/1997) e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (07/1997 a 05/2007) e das destinadas aos terceiros INCRA, FNDE, SEBRAE, SESC incidentes sobre remunerações pagas ou creditada a segurados empregados, e contribuições devidas referente a remuneração paga a contribuinte individual a seu serviço somente parte da empresa. Foram utilizados os seguintes papéis de trabalho, segundo o Relatório Fiscal: Para melhor compreensão dos valores apurados das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a qualquer título a segurados empregados e contribuintes individuais apurados nesta notificação fiscal, foram utilizados os papeis de trabalho conforme abaixo: "FAG" Remuneração de segurados empregados constante no resumo das folhas de pagamento, GRPS e sistema informatizado da Previdência Social período anterior a implantação da GFIP. ( estabelecimento centralizador— 0001 ); "FP1" Remuneração de segurados empregados e contribuinte individual constante no resumo das folhas de pagamento e sistema informatizado da Previdência Social — valores declarados em GFIP ( estabelecimento centralizador — 0001); "FP2" Remuneração de segurados empregados constante no resumo das folhas de. pagamento e sistema informatizado da Previdência Social — valores declarados em GFIP estabelecimento — 0002); "FP3n Remuneração de segurados empregados constante no resumo das folhas de pagamento e sistema informatizado da Previdência Social — valores declarados em GFIP estabelecimento — 0003); "FP4" Remuneração de segurados empregados . constante no resumo das folhas de pagamento e sistema informatizado da Previdência Social — valores declarados em GFIP estabelecimento — 0004); Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003282/200791 Acórdão n.º 2403002.427 S2C4T3 Fl. 199 5 O Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 1152, informa acerca do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/002/2005 emitido em 15/06/2005, com efeitos retroativos a 01/01/1997: 2. A Notificada teve a isenção das contribuições previdenciárias cancelada por meio do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/002/2005 emitido em 15/06/2005, com efeitos retroativos a 01/01/1997, em virtude do descumprimento dos requisitos previstos no art. 55, incisos III e IV, da Lei 8.212/91, conforme especificado na Decisão Notificação de Cancelamento de Isenção n° 21.004/8002/2005. Observase dos autos que o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/002/2005 foi formalizado no Processo Administrativo nº 35464.001240/200571, sendo que a decisão final administrativa ocorreu com a decisão da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS no Acórdão n° 353/2007, prolatado em 28/02/2007, que negou provimento ao recurso interposto pela entidade, conforme se depreende da decisão de primeira instância, às fls. 1.157: 4.10. Entretanto, todos estas questões alegadas pela Impugnante já foram devidamente analisadas nos autos do processo referente à Informação Fiscal n° 35464.001240/200571, de 17/12/2004. Conforme foi informado no Relatório Fiscal e pode ser constatado nos documentos juntados aos autos pela própria Impugnante às fls. 389/411, referida Informação Fiscal foi julgada procedente por meio da Decisão Notificação n° 21.004/8002/2005, emitida em 20/05/2005, que cancelou a isenção concedida à Associação Princesa Isabel de Educação e Cultura — APIEC, ora Impugnante, a partir de 01/01/97, em virtude do descumprimento pela mesma dos requisitos previstos nos incisos III e IV, do art. 55 da Lei 8.212/91, ou seja: a entidade não promoveu assistência social beneficente, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes e ofereceu a seus diretores vantagens e benefícios. Em virtude da referida decisão foi emitido o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/002/2005 (fls. 389), cancelando a isenção concedida à entidade, a partir de 01 de janeiro de 1997. 4.11. Deve ser salientado que a referida Decisão Notificação e o Ato Cancelatório foram mantidos pela 4a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, no Acórdão n° 353/2007, prolatado em 28/02/2007, que negou provimento ao recurso interposto pela entidade O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 80, é de 01/1997 a 05/2007. O Relatório de Documentos Apresentados RDA, às fls. 179 a 186, apresenta recolhimentos feitos pelo sujeito passivo de 01/1997 a 05/2005. O contribuinte teve ciência da NFLD em 22.12.2007, conforme fls. 01. Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, na qual alega em síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Da Decadência 2. 1. que a competência para dispor regras concernentes à decadência em matéria tributária é determinada pela Constituição da República, em seu art. 146, inciso III, alínea b, que reserva, exclusivamente, à Lei complementar a disposição de tal instituto material; 2.2. que o Código tributário Nacional — CTN, instituído pela Lei n° 5.172/66, recepcionado pela CF/88 como lei complementar, dispõe sobre os prazos decadenciais e prescricionais em matéria tributária, tornando impossibilitada a aplicabilidade do prazo decenal previsto no art. 45, da Lei 8.212/91, conforme tenta imputar a fiscalização, haja vista a sua condição de norma hierarquicamente inferior; 2.3.que, tendo em vista que as contribuições previdenciárias são tributos sujeitos a lançamento por homologação estão sujeitos ao prazo decadencial de cinco anos previsto no art.150, § 4% do CTN; 2.4. que a aplicabilidade das diretrizes estabelecidas pelo art. 150, § 4% do CTN, em detrimento às disposições do art. 45, da Lei 8.212/91, já foi diversas vezes decidida pelo STJ, inclusive pelo seu Pleno, nos autos da Argüição de Inconstitucionalidade no Recurso especial n° 616.348MG. 2.5. que resta evidenciado que, em virtude do prazo qüinqüenal da decadência, previsto no CTN, está impossibilitada a cobrança do crédito referente ao período anterior a dezembro de 2002, imputado pela RFB no presente lançamento; Do Mérito 2.6. que não pode ser considerada sujeito passivo das obrigações tributárias imputadas pelo presente lançamento, haja vista que é uma entidade de assistência social com direito adquirido à imunidade das contribuições sociais nos termos da Lei 3.577/59, ressalvado pelo § 1% do art. 55, da Lei 8.212/91; 2.7. que a ação fiscal que culminou na lavratura da presente NFLD é totalmente insubsistente posto que foi embasada na existência de Ato Cancelatório de Isenção flagrantemente arbitrário e nulo, tendo em vista que a APIEC é uma entidade beneficente de assistência social detentora de direito incontroverso à imunidade, cumpridora de todos os requisitos legais, com direito adquirido à renovação e manutenção do CEAS por prazo indeterminado e, ainda, por integrar o Programa Universidade Para Todos (PROUNI); 2.8. que é uma associação civil sem fins lucrativos, de caráter beneficente e filantrópico, que presta atividades nos campos educativo, técnico e cultural, promovendo diversos projetos sociais. por meio da concessão de bolsas de estudo, clínica odontológica, psicológica, fisioterápica etc, a pessoas de baixa renda; Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003282/200791 Acórdão n.º 2403002.427 S2C4T3 Fl. 200 7 2.9. que é portadora de vários títulos reconhecedores da sua inequívoca natureza assistencial que refletem o cumprimento de seus objetivos institucionais, dentre eles o Certificado de Entidade de Assistência Social (CEAS), Declaração de Utilidade Pública Federal, Estadual e Municipal etc; 2.10. que para a obtenção e manutenção de tais títulos concedidos pelos entes competentes em matéria assistencial, faz se necessário que a entidade beneficiada comprove, de forma tempestiva e regular, o atendimento de diversas exigências que são meras repetições das exigidas para o reconhecimento do direito à imunidade tributária; 2.11. que vem obtendo a concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS desde 11/08/76, renovado desde então pelo CNAS, que é o órgão competente para certificar as entidades que efetivamente prestam e promovem assistência • social, conforme dispõe o art. 18 da LOAS, o que ratifica a nulidade do ato administrativo que deu causa ao lançamento em questão ante à flagrante violação de competência da fiscalização do então INSS para descaracterizar a natureza assistencial da APIEQ 2.12. que além do direito adquirido à renovação do CEAS, a APIEC tem direito à mantença do referido certificado e à isenção das contribuições sociais cobradas na presente NFLD pela adesão ao PROUNI, nos termos do art. 11, § 2% da Lei n° 11.096, de 13/01/2005; 2.13. que não merece guarida as equivocadas assertivas do então INSS e atual RFB, uma vez que, de fato, promove assistência social e cumpre todas as exigências elencadas no art. 55, da Lei 8.212/91, possuindo de forma incontroversa o direito de usufruir da imunidade assegurada pelo art. 195, § 7°, da CF; 2.14. que o Ato Cancelatório de Isenção que possibilitou a constituição da NFLD em questão também é nulo em virtude de ter sido emitido com base no suposto descumprimento do inciso III, do art. 55, da Lei 8.212/91, cuja eficácia e aplicação estão suspensas por força da concessão de liminar do STF na ADILA n° 2.028; 2.15. que não efetua qualquer tipo de remuneração, vantagem ou retribuição a qualquer dirigente e que todas as remunerações tidas, de forma infundada, como irregulares pelo então INSS, já foram rechaçadas pelos esclarecimentos prestados e comprovados à fiscalização na fase de defesa administrativa à época da lavratura da Informação Fiscal e do fadado Ato Cancelatório de Isenção; 2.16. que deve ser enfatizada a impossibilidade de retroatividade do cancelamento da isenção, pois sendo expedido o Ato Cancelatório de Isenção em 15/06/2005, não há parâmetros a possibilitar que sejam efetivados lançamentos condizentes a período anterior a tal expedição, qual seja, de 01/97 a 06/05; conforme dispõe a Portaria n° 3.015, de 15/02/1996, do então MPAS; Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 2.17. que outro ponto de suma importância que merece destaque referese ao direito adquirido de que goza a APIEC de usufruir a imunidade das contribuições sociais, nos termos do que já previa a Lei 3.577, de 04/07/59, ressalvado pelo Decretolei n° 1.572, de 01/09/77, bem como pelo parágrafo 1% do art. 55, da Lei 8.212/91; 2.18. que a entidade deteve o reconhecimento do seu direito adquirido à imunidade nos termos da Lei 3.577/59 e, conseqüentemente, à renovação e manutenção do CEAS por prazo indeterminado também por decisão emanada do STJ, que poderá ser confirmada em sede de recurso pelo STF, que possui entendimentos voltados ao reconhecimento do referido direito. 3. Pelo exposto, a Impugnante solicitou: a) que seja acolhida a preliminar de decadência qüinqüenal do direito de cobrar os créditos anteriores ao período de 12/02; b) que, no mérito, pelas razões de fato e de direito expostas, seja acolhida a impugnação para tornar insubsistente o crédito tributário lançado. Ainda, em sede de Impugnação, às fls. 317, o sujeito passivo informa que ajuizou na 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, Ação Anulatória de Ato Administrativo com Pedido de Tutela Antecipada, sob número 2007.34.00.0160025 com vistas à declaração de nulidade do Ato Cancelatório n.° 21.404/002/2005: Tendo em vista tais atitudes arbitrárias e infundadas, em total desrespeito as comprovações efetuadas no decorrer de todo processo fiscalizatório, a ora impugnante ajuizou perante a ? Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, a competente Ação Anulatória de Ato Administrativo com Pedido de Tutela Antecipada, sob número 2007.34.00.0160025 cic..6) com vistas a suspender dos efeitos do ato administrativo Ato Cancelatório n.° 21.404/002/2005, uma vez que desprovido de análise fática e jurídica aplicada ao presente caso; Todavia, o MM. Juízo da lá Vara Federal, em análise primária da questão, indeferiu o pleito liminar por entender que seria necessária exaustiva produção probatória, o que por conseqüência possibilitou a efetivação de ação fiscal que culminou no lançamento da presente NFLD, . que é totalmente insubsistente posto que fora embasada exatamente na existência do Ato Cancelatório flagrantemente arbitrário e nulo como se verá adiante. Em consulta ao site da Justiça Federal na 1 ª Região, em 20.01.2014, (http://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?trf1_captcha_id=67349c7a9d5f7 4b847a1110def4b5e25&trf1_captcha=dg37&enviar=Pesquisar&proc=200734000160025&sec ao=DF), verificase que em 10.07.2013 foi interposto Recurso de Apelação pela ASSOCIAÇÃO PRINCESA ISABEL DE EDUCAÇÃO E CULTURA: Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003282/200791 Acórdão n.º 2403002.427 S2C4T3 Fl. 201 9 A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação,, nos termos do Acórdão nº 1616.956 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/05/2007 Processo origem: NFLD DEBACD 37.105.1258 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 1..DECADÊNCIA O prazo de decadência para a constituição do crédito previdenciário é de 10 (dez) anos, conforme dispõe o art. 45 da Lei 8.212/91. 2. DIREITO ADQUIRIDO. Conforme o Parecer/CJ n° 2.901/2002, aprovado pelo Sr. Ministro da Previdência e Assistência Social, às entidades isentas pela Lei n° 3.577, de 1959, que continuaram a usufruir o benefício após o DecretoLei n° 1.575, de 1977, apenas têm o direito de não precisarem requerer novamente a isenção ao INSS, devendo, contudo, adequaremse a todos os requisitos da nova legislação (Lei 8.212/91), ficando sujeita a fiscalização posterior. Não há direito adquirido à "isenção' ou ao CEBAS. 3. ISENÇÃO Somente ficam isentas das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei 8.212/91 as entidades beneficentes de assistência social que cumpram, cumulativamente, os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/91. 4. COMPETÊNCIA Cabe ao Fisco verificar se os requisitos para a isenção continuam sendo cumpridos, conforme dispõe o § 7° do art. 206, do Regulamento da Previdência Social. Ao CNAS compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto n° 2.536, de 6 de abril de 1998, para obtenção ou manutenção do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. 5. LANÇAMENTO Com o trânsito em julgado da decisão que determinou o cancelamento da isenção, cabe a emissão de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, no caso de não recolhimento das contribuições devidas. Lançamento Procedente Acordam os membros da 14a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese o interessado para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme previsto pelo art. 126 da Lei 8.213/91 com as alterações posteriores, Lei n o 9.528/97 e Medida Provisória n o 413/2008 combinado com a Lei 11.457/07. Sala de Sessões em 23 de abril de 2008. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese que: (i) DA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL REFERENTE AOS FATOS GERADORES OCORRIDOS ATÉ DEZEMBRO DE 2002. Fl. 2409DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003282/200791 Acórdão n.º 2403002.427 S2C4T3 Fl. 202 11 (ii) DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM VOGA FACE À EXPEDIÇÃO ARBITRÁRIA DO ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS HISTÓRICO (iii) DA NATUREZA JURÍDICA DA RECORRENTE (iv) DO HISTÓRICO DO CEAS Certificado Entidade de Assistência Social DA RECORRENTE (v) DA MANTENÇA DO CEAS DA APIEC PELA ADESÃO AO PROUNI: NULIDADE DO ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO E DO LANÇAMENTO FISCAL EM APREÇO FRENTE À NORMA INSTITUIDORA DO PROUNI (vi) DO CEAS COMO PROVA INCONTROVERSA DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ARTIGO 55 DA LEI N.2 8.2129 DE 1991 PARA O GOZO DA IMUNIDADE ÀS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (vii) DO IRREFUTÁVEL CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS QUESTIONADOS NO ATO CANCELATÓRIO QUE EMBASOU A PRESENTE NFLD: (viii) DO INCONTESTE CUMPRIMENTO DO INCISO III DO ARTIGO 55 DA LEI N.°' 8.2129 DE 1991 PROMOÇÃO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL (ix) DA SUSPENSÃO DA EFICÁCIA DO INCISO III, E PARÁGRAFOS 3 °, 4 ° E 5 ° DA LEI N. ° 8.2129 DE 24 DE JULHO, DE 1991 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF) (...) por força da concessão de liminar pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Direta de Inconstitucionalidade n.° 2.028 — Distrito Federal, (x) DA AUSÊNCIA DE REMUNERAÇÃO DOS DIRIGENTES DA RECORRENTE Fl. 2410DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 (xi) DA IRRETROATIVIDADE DO CANCELAMENTO DAS ISENÇÕES — APLICAÇÃO DE EFEITOS EX NUNC AO ATO CANCELATÓRIO (xii) DA DEMONSTRAÇÃO DO RECONHECIMENTO PASSADO ACERCA DO DIREITO ADQUIRIDO DA RECORRENTE PARA O GOZO DA IMUNIDADE ÀS CONTRIBUIÇÕES Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 2411DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003282/200791 Acórdão n.º 2403002.427 S2C4T3 Fl. 203 13 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 166. Avaliados os pressupostos, passo para as Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. (A) Da renúncia às instâncias administrativas. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pelo Recorrente – ASSOCIAÇÃO PRINCESA ISABEL DE EDUCAÇÃO E CULTURA contra Acórdão nº 1616.956 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 37.105.1258, com valor inicial de R$ 121.368.336,05. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 288, a autuação referese ao crédito relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, em razão do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 21.404100212005 de 15/06/2005, correspondentes a parte da empresa, do financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalho — SAT (01/1997 a 06/1997) e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (07/1997 a 05/2007) e das destinadas aos terceiros INCRA, FNDE, SEBRAE, SESC incidentes sobre remunerações pagas ou creditada a segurados empregados, e contribuições devidas referente a remuneração paga a contribuinte individual a seu serviço somente parte da empresa. O Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 1152, informa acerca do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/002/2005 emitido em 15/06/2005, com efeitos retroativos a 01/01/1997: 2. A Notificada teve a isenção das contribuições previdenciárias cancelada por meio do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/002/2005 emitido em 15/06/2005, com efeitos retroativos a 01/01/1997, em virtude do descumprimento dos requisitos previstos no art. 55, incisos III e IV, da Lei 8.212/91, conforme especificado na Decisão Notificação de Cancelamento de Isenção n° 21.004/8002/2005. Fl. 2412DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Observase dos autos que o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/002/2005 foi formalizado no Processo Administrativo nº 35464.001240/200571, sendo que a decisão final administrativa ocorreu com a decisão da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS no Acórdão n° 353/2007, prolatado em 28/02/2007, que negou provimento ao recurso interposto pela entidade, conforme se depreende da decisão de primeira instância, às fls. 1.157. Ainda, em sede de Impugnação, às fls. 317, o sujeito passivo informa que ajuizou na 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, Ação Anulatória de Ato Administrativo com Pedido de Tutela Antecipada, sob número 2007.34.00.0160025 com vistas à declaração de nulidade do Ato Cancelatório n.° 21.404/002/2005: Tendo em vista tais atitudes arbitrárias e infundadas, em total desrespeito as comprovações efetuadas no decorrer de todo processo fiscalizatório, a ora impugnante ajuizou perante a ? Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, a competente Ação Anulatória de Ato Administrativo com Pedido de Tutela Antecipada, sob número 2007.34.00.0160025 cic..6) com vistas a suspender dos efeitos do ato administrativo Ato Cancelatório n.° 21.404/002/2005, uma vez que desprovido de análise fática e jurídica aplicada ao presente caso; Todavia, o MM. Juízo da lá Vara Federal, em análise primária da questão, indeferiu o pleito liminar por entender que seria necessária exaustiva produção probatória, o que por conseqüência possibilitou a efetivação de ação fiscal que culminou no lançamento da presente NFLD, . que é totalmente insubsistente posto que fora embasada exatamente na existência do Ato Cancelatório flagrantemente arbitrário e nulo como se verá adiante. Ora, em relação à matéria objeto do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/002/2005, exsurge a aplicação da Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em função do ajuizamento na 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, Ação Anulatória de Ato Administrativo com Pedido de Tutela Antecipada, sob número 2007.34.00.0160025 com vistas à declaração de nulidade do Ato Cancelatório n.° 21.404/002/2005: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. De forma que, nos termos da Súmula nº 1 do CARF, será cabível apenas a apreciação, por esta Colenda Turma de Julgamento, de matéria distinta da constante do processo judicial. (i) DA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL REFERENTE AOS FATOS GERADORES OCORRIDOS ATÉ DEZEMBRO DE 2002. Analisemos. Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003282/200791 Acórdão n.º 2403002.427 S2C4T3 Fl. 204 15 O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003282/200791 Acórdão n.º 2403002.427 S2C4T3 Fl. 205 17 haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese dos autos, o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 179 a 186, apresenta recolhimentos feitos pelo contribuinte, em todas as competências de 01/1997 a 05/2007, o que, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Temos que a ciência da NFLD ocorreu em 27.12.2007 e as competências objeto do lançamento são 01/1997 a 05/2007. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 11/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. (B) DA INCONSTITUCIONALIDADE Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011: Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Parágrafo único.O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, § 6o, incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25): Ique já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou IIque fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003282/200791 Acórdão n.º 2403002.427 S2C4T3 Fl. 206 19 (C) DA IMUNIDADE Em que pese a argumentação do Recorrente, em relação ao art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988 – CRFB/1988, observemos que o Supremo Tribunal Federal – STF na ADI 2.028 – 5 (vide também a ADI 2.0366, no mesmo sentido) assentou jurisprudência no sentido de que não há inconstitucionalidade no disciplinamento da imunidade prevista no art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, por lei ordinária. Neste sentido, pela clareza de suas lições, confirase o entendimento exarado no voto proferido pelo Ministro José Carlos Moreira Alves: Ou seja, o art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, remete a Lei ordinária, quanto à isenção das contribuições previdenciárias: "Art. 195 (..) § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." (gn) Por outro lado, lembremos que é vedado ao Conselheiro do CARF afastar a aplicação de lei ou ato normativo por inconstitucionalidade, nos termos da Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009: Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Então, colacionando a decisão liminar julgada pelo Pleno do STF na ADI 2.028 – 5, na relatoria do eminente Min. Moreira Alves, de modo a implicar na restauração da redação original do art. 55, Lei 8.212/1991: Decisão : O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1º, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5º, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99. O citado dispositivo, art. 195, § 7º, CRFB/1988, remete à lei ordinária a incumbência da definição das exigências a serem atendidas pelas entidades beneficentes para gozarem de isenção das contribuições previdenciárias, exigências estas insculpidas no art. 55 da Lei n° 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I — seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal,. II — seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III —promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV — não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97). § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Da leitura do regramento legal acima, concluise que a entidade beneficente, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, todos os requisitos dos incisos I a V do art. 55 da Lei Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003282/200791 Acórdão n.º 2403002.427 S2C4T3 Fl. 207 21 n° 8.212/1991. A forma de apresentação do requerimento está disciplinada no art. 208 do Decreto n°3.048/1999, com a redação à época dos fatos: Art.208. A pessoa jurídica de direito privado deve requerer o reconhecimento da isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, em formulário próprio, juntando os seguintes documentos: I decretos declaratórios de entidade de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) III estatuto da entidade com a respectiva certidão de registro em cartório ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas; IV ata de eleição ou nomeação da diretoria em exercício, registrada em cartório ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas; V comprovante de entrega da declaração de imunidade do imposto de renda de pessoa jurídica, fornecido pelo setor competente do Ministério da Fazenda; VI relação nominal de todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, identificados pelos respectivos números de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ou matrícula no Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social; e VII resumo de informações de assistência social, em formulário próprio. §1º O Instituto Nacional do Seguro Social decidirá sobre o pedido no prazo de trinta dias contados da data do protocolo. §2º Deferido o pedido, o Instituto Nacional do Seguro Social expedirá Ato Declaratório e comunicará à pessoa jurídica requerente a decisão sobre o pedido de reconhecimento do direito à isenção, que gerará efeito a partir da data do seu protocolo. §3ºA existência de débito em nome da requerente constitui impedimento ao deferimento do pedido até que seja regularizada a situação da entidade requerente, hipótese em que a decisão concessória da isenção produzirá efeitos a partir do 1º dia do mês em que for comprovada a regularização da situação. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4º No caso de não ser proferida a decisão de que trata o §1º, o interessado poderá reclamar à autoridade superior, que apreciará o pedido da concessão da isenção requerida e promoverá a apuração de eventual responsabilidade do servidor omisso, se for o caso. Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 §5º Indeferido o pedido de isenção, cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidirá por uma de suas Câmaras de Julgamento. §6º Os documentos referidos nos incisos I a V poderão ser apresentados por cópia, conferida e autenticada pelo servidor encarregado da instrução, à vista dos respectivos originais. Feito o requerimento, o órgão competente decidirá em 30 (trinta) dias sobre o pedido e, em caso de deferimento, emitirá Ato Declaratório, com efeitos a partir da data do seu protocolo. A titulo de esclarecimento o órgão competente era até 27/10/2004 o Instituto Nacional do Seguro Social INSS; de 28/10/2004 a 14108/2005 e 19/11/2005 a 01/05/2007 a Secretaria da Receita Previdenciária SRP, criada pela MP 222 de 04/10/2004, convertida na Lei 11.098/2005; de 15/08/2005 a 18/11/2005 e a partir de 02/05/2007 a Receita Federal do Brasil RFB, por força da MP n°258, de 21/07/2005 e da Lei n° 11.457/2007, respectivamente. (ii) DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM VOGA FACE À EXPEDIÇÃO ARBITRÁRIA DO ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS HISTÓRICO (iii) DA NATUREZA JURÍDICA DA RECORRENTE (iv) DO HISTÓRICO DO CEAS Certificado Entidade de Assistência Social DA RECORRENTE (v) DA MANTENÇA DO CEAS DA APIEC PELA ADESÃO AO PROUNI: NULIDADE DO ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO E DO LANÇAMENTO FISCAL EM APREÇO FRENTE À NORMA INSTITUIDORA DO PROUNI (vi) DO CEAS COMO PROVA INCONTROVERSA DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ARTIGO 55 DA LEI N.2 8.2129 DE 1991 PARA O GOZO DA IMUNIDADE ÀS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (vii) DO IRREFUTÁVEL CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS QUESTIONADOS NO ATO CANCELATÓRIO QUE EMBASOU A PRESENTE NFLD: (viii) DO INCONTESTE CUMPRIMENTO DO INCISO III DO ARTIGO 55 DA LEI N.°' 8.2129 DE 1991 PROMOÇÃO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL (ix) DA SUSPENSÃO DA EFICÁCIA DO INCISO III, E PARÁGRAFOS 3 °, 4 ° E 5 ° DA LEI N. ° 8.2129 DE 24 DE JULHO, DE 1991 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF) (...) por força da concessão de liminar pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Direta de Inconstitucionalidade n.° 2.028 — Distrito Federal, Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003282/200791 Acórdão n.º 2403002.427 S2C4T3 Fl. 208 23 (x) DA AUSÊNCIA DE REMUNERAÇÃO DOS DIRIGENTES DA RECORRENTE (xi) DA IRRETROATIVIDADE DO CANCELAMENTO DAS ISENÇÕES — APLICAÇÃO DE EFEITOS EX NUNC AO ATO CANCELATÓRIO (xii) DA DEMONSTRAÇÃO DO RECONHECIMENTO PASSADO ACERCA DO DIREITO ADQUIRIDO DA RECORRENTE PARA O GOZO DA IMUNIDADE ÀS CONTRIBUIÇÕES Analisemos conjuntamente os itens (ii) a (xii). De plano, a linha de argumentação da Recorrente está centrada na demonstração de que teria direito à isenção de contribuições previdenciárias de modo que o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/002/2005 não poderia prosperar pois colide com os fatos e argumentos apresentados, tanto em sede de Impugnação quanto reiterados em sede de Recurso Voluntário. Não obstante a linha de argumentação exposta pela Recorrente, temos que, conforme o debatido no tópico (A) acima, em relação à matéria objeto do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/002/2005, exsurge a aplicação da Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em função do ajuizamento na 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, Ação Anulatória de Ato Administrativo com Pedido de Tutela Antecipada, sob número 2007.34.00.0160025 com vistas à declaração de nulidade do Ato Cancelatório n.° 21.404/002/2005. Ademais, na instância administrativa, o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/002/2005 foi formalizado no Processo Administrativo nº 35464.001240/200571, sendo que a decisão final administrativa ocorreu com a decisão da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS no Acórdão n° 353/2007, prolatado em 28/02/2007, que negou provimento ao recurso interposto pela entidade. Portanto, em relação às matérias anteriormente discutidas no Processo Administrativo nº 35464.001240/200571, que em decisão final em instância administrativa manteve o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/002/2005, este presente Processo Administrativo nº 14485.003282/200791, nesta etapa de Recurso Voluntário, não pode se instrumentalizar em instância especial para reformar a decisão da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS no Acórdão n° 353/2007, prolatado em 28/02/2007. Certamente o presente Processo Administrativo nº 14485.003282/200791 não é o meio adequado para se reformar a decisão prolatada no Processo Administrativo nº 35464.001240/200571, que em decisão final em instância administrativa manteve o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/002/2005. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente., Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003282/200791 Acórdão n.º 2403002.427 S2C4T3 Fl. 209 25 CONCLUSÃO Voto no sentido de: (i) não conhecer do Recurso na matéria objeto de ação judicial, conforme Súmula nº 1 do CARF. Na parte conhecida do Recurso: (ii), dar provimento parcial ao recurso, para em Preliminar, se reconhecer a decadência até a competência 11/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; e (iii) No mérito, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/07/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15504.726890/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2008, 2009
Ementa:
IRRF. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO.
A fonte pagadora de rendimentos, embora não se revestindo na condição de contribuinte por não exercer relação pessoal e direta com o fato gerador, por imposição legal, desempenha o papel de sujeito passivo indireto como responsável, e como tal, não pode fugir da sua obrigação que se traduz na responsabilidade tributária que a lei lhe atribuiu e, por isso, submete-se ao encargo do pagamento do imposto retido dos valores pagos ou creditados aos beneficiários desses rendimentos.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-002.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao recurso. A Conselheira Nathalia Mesquita Ceia fará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. João Francisco Bianco, OAB/SP 53.002 e pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2008, 2009 Ementa: IRRF. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. A fonte pagadora de rendimentos, embora não se revestindo na condição de contribuinte por não exercer relação pessoal e direta com o fato gerador, por imposição legal, desempenha o papel de sujeito passivo indireto como responsável, e como tal, não pode fugir da sua obrigação que se traduz na responsabilidade tributária que a lei lhe atribuiu e, por isso, submete-se ao encargo do pagamento do imposto retido dos valores pagos ou creditados aos beneficiários desses rendimentos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. A fonte pagadora de rendimentos, embora não se revestindo na condição de contribuinte por não exercer relação pessoal e direta com o fato gerador, por imposição legal, desempenha o papel de sujeito passivo indireto como responsável, e como tal, não pode fugir da sua obrigação que se traduz na responsabilidade tributária que a lei lhe atribuiu e, por isso, submetese ao encargo do pagamento do imposto retido dos valores pagos ou creditados aos beneficiários desses rendimentos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao recurso. A Conselheira Nathalia Mesquita Ceia fará declaração de voto. Fez sustentação oral pelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 68 90 /2 01 2- 21 Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Contribuinte o Dr. João Francisco Bianco, OAB/SP 53.002 e pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anoscalendário 2007 e 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 03/07, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 134.458.258,87, calculados até 24/02/2006. A fiscalização apurou retenção e recolhimento a menor do IRRF incidente sobre ganho de capital de domiciliado no exterior, em 20/07/2007, 01/08/2007 e 05/11/2008. Transcrevese parte do Termo de Verificação Fiscal (fls. 10/38): A Namisa (Nacional Minérios S/A) faz parte do Grupo Econômico da Companhia Siderúrgica Nacional CSN. Foi constituída em novembro de 2006, com 99.97% do capital pertencente à CSN.... Do ponto de vista formal, temos a seguinte situação quanto à aquisição, pela fiscalizada, do controle acionário da CFM: Em 20/07/2007 é celebrado o "Contrato de Compra e Venda de Ações" entre a NAMISA, como compradora, e tendo como vendedores todos os seguintes acionistas; LOGAN LAKE S.A (80%). Financeira Sidelur S.A (11%). e Rodrigo Octávio Maia Damásio (9%). Como IntervenientesAnuentes ainda temos a própria CFM e a empresa Cayman Mineração do Brasil Ltda. O preço total acordado (cláusula 2.2) foi não superior a US$440.000.000,00 (quatrocentos e quarenta milhões de dólares norteamericanos). Nos termos da legislação daquela época (art. 26 da Lei n° 10.833/03 c/c art 18 da Lei n° 9.249/95 e IN SRF n° 407/04), a Namisa procedeu, em relação ao valor acordado, a retenção do Imposto de Renda na Fonte sobre os ganhos de capital dos domiciliados no exterior. Assim, utilizandose da alíquota de 15% (quinze por cento), houve a retenção sobre os valores pagos à Financeira Sidelur e à Logan Lake, todas domiciliadas no Uruguai. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 3 3 Ou seja, do ponto de vista formal, não havia maiores questionamentos a essa operação empresarial. Porém, durante o procedimento fiscal, um fato chamou bastante a atenção. Era sobre a acionista majoritária da CFM, a empresa uruguaia LOGAN LAKE S.A., com 80% de participação. Fazendose as pesquisas habituais nos sistemas informatizados da RFB, constatouse que a Logan era uma empresa recémcriada (03/2007) e que havia adquirido a participação societária na CFM pouco tempo antes da venda para a Namisa. Mais precisamente em 07/05/2007 houve a transferência de 12.800.000 ações ordinárias (correspondente a 80% do capital da CFM) para a Logan. A empresa vendedora foi a LANTON FINANCIAL CORPORATION Lanton, sociedade domiciliada nas Ilhas Virgens Britânicas. A Lanton participava do capital social da CFM desde 1998. É de se estranhar que uma empresa recém criada no Uruguai (Logan em março de 2007) adquira a participação da Lanton (com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas) na CFM por US$5.696.807,93 (RDEIED n° IA059279 Sisbacen) e apenas 02 meses depois desta aquisição, a Logan a revenda por US352.000.000,00 (80% de US440.000.000,00) ou, aproximadamente, R$655.000.000,00 (seiscentos e cinqüenta e cinco milhões de reais) ! ! ... A participação da Lanton, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, na CFM vigorou desde 1998 até 07/05/2007. Transferida esta participação por pouco mais de US$5,5 milhões para uma empresa recém criada (03/2007) e domiciliada no Uruguai, esta nova empresa (Logan) a revende dois meses depois para a subsidiária da CSN por U$355 milhões. Apesar de possuir 80% de participação na CFM, toda a diretoria da CFM permanece, mesmo após haver a transferência desta participação para a Logan. Não há qualquer alteração no corpo executivo. A alteração para um domicilio no Uruguai é mera fachada dos negócios. O país foi utilizado somente para haver um recolhimento menor do IRRF sobre o ganho de capital na operação de compra e venda. Os valores pagos pela Namisa nem passaram pelo país. Conforme Contratos de Câmbio apresentados, os valores foram diretamente transferidos para uma conta no Banco UBS agência de Zurique/Suiça Por tudo apurado, é possível concluir que a transferência das cotas da Lanton para a Logan teve como único propósito a redução da carga tributária da operação. Os beneficiados da operação, como visto, foram a CFM e a Namisa. Beneficiados que tinham interesse e participaram ativamente para que ocorresse a redução indevida do imposto de renda na fonte sobre o ganho de capital de empresa domiciliada no exterior. O único propósito para a transferência apenas formal das cotas Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 foi a utilização da menor alíquota na retenção do imposto, caracterizando assim o planejamento tributário abusivo. De todo o exposto até aqui, da documentação apresentada das pesquisas efetuadas, é possível concluir sobre como ocorreu todo o planejamento tributário efetuado na operação de aquisição pela Namisa do total controle acionário da CFM. Planejamento este que favoreceu diretamente a Logan e, indiretamente, tanto a CFM quanto a própria Namisa... Cientificado do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: A autuação fiscal não pode prevalecer, uma vez que a impugnante não é responsável pelo recolhimento de qualquer diferença a título de IRRF, não podendo em hipótese alguma, ser apenada por eventual planejamento tributário conduzido por terceiros. A acusação fiscal se lastreia nas seguintes suposições: a operação revela planejamento tributário abusivo; embora os atos praticados sejam formalmente válidos, os indícios colhidos durante a fiscalização, junto à impugnante, à KPMG, à Deloitte e à Goldman Sachs revelam que a Logan foi usada como uma ponte, uma empresa veículo somente para recolher menos o IR sobre o ganho de capital; a vantagem tributária direta da Logan implica, com sua aquisição vantagem indireta da adquirente; principalmente na definição dos valores do negócio celebrado. Menor imposto de renda na fonte significaria um menor valor bruto a pagar pelo mesmo bem; e a venda de participação societária de Lanton para Logan foi artificial, o que é revelado pelo fato de terem sido pagos simbólicos US$ 5.696.807,93, quando em 20.7.2007 a mesma CFM foi vendida por US$ 440.000.000,00, como também pela circunstância de que a Logan não fez nenhuma alteração na diretoria da CFM, além de possuir o mesmo endereço da Sidelur. Apoiado nessas suposições, o agente fiscal acabou por desprezar a venda da participação societária da Lanton à Logan, reputando que a impugnante, um terceiro que não possui qualquer vinculação com a aludida venda, seria responsável pela retenção e recolhimento do IRRF à alíquota de 25%, e não de 15%. (...) O art. 26 da Lei nº 10.833 deu ensejo ao recolhimento, pela impugnante, do IRRF à alíquota de 15%, por ocasião da aquisição de ações da CFM. Nos termos da Exposição de Motivos da Medida Provisória 135, de 2003, convertida na Lei nº 10833, o citado dispositivo legal tem por objetivo reduzir a possibilidade de não pagamento pelo contribuinte não residente do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital apurados na alienação de seus bens localizados no Brasil, pois atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo, o que dificulta a fiscalização do cumprimento da obrigação tributária, sobretudo pela nãoresidência do contribuinte em território brasileiro. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 4 5 (...) O contribuinte, nos termos do art. 121, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), é aquele que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, condição que, no presente caso, seria cabível ao beneficiário do rendimento (no caso, a Logan), àquele que auferiu renda na forma do art. 43 do CTN e nos termos dos art. 145, parágrafo 1º e 153, inciso III, da Constituição Federal. Entretanto, o sujeito passivo da obrigação tributária também poderá ser o responsável, na forma do art. 121, inciso II, do CTN, quando, sem revestir da condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (...) No que tange especificamente à não responsabilização da fonte, faz todo sentido que a orientação do fisco seja essa, já que: o dever de recolhimento do tributo, imposto ao responsável tributário, deve ser verificado no momento da operação objeto da incidência fiscal; neste instante, deve ser aferido o preenchimento das condições materiais que dão azo à responsabilidade tributária; assim, o que importa, para efeito de IRRF, é o momento da transferência de recursos da fonte para o beneficiário, sendo irrelevantes os atos anteriores ou posteriores a esse evento; após pago ou creditado o rendimento, a fonte pagadora já não tem mais relação com o fato gerador, exigida pelo art. 128 do CTN, porque já não está na posse dos recursos devidos ao beneficiário, de modo que não pode, após este momento, providenciar a retenção ou se ressarcir de maneira ágil e eficaz. Como a fonte não tem deveres fiscalizatórios, nem possui meios que lhe possibilitem vigiar o beneficiário do rendimento, cumprelhe apenas adimplir a obrigação tributária. Logo, a fiscalização das operações anteriores ou posteriores à ocorrência do fato gerador, praticadas pelo contribuinte, não compete à fonte pagadora. Entendimento oposto, além de ilegal, ante o exposto no art. 142, constituiria obrigação desarrazoada e de cumprimento impossível. (...) No caso vertente o dever de colaboração da impugnante tinha de ser exercido, como de fato foi, nos exatos termos descritos em lei, e à luz das condições materiais existentes no momento da ocorrência do fato gerador, independentemente de qualquer investigação dos atos praticados pelos acionistas vendedores da CFM, anteriormente à ocorrência do fato gerador, já que isso seria inviável, demasiadamente oneroso e desarrazoado. Não cabia à impugnante fiscalizar e fazer juízo de valor sobre quem eram os anteriores acionistas da CFM, quais negócios Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 jurídicos foram celebrados com vistas à transferência anterior de ações e em quais circunstâncias isso se deu, ou por qual montante essa transferência ocorreu. (...) A venda da participação acionária à Logan foi estruturada pelos acionistas que controlavam a CFM e não teve nenhuma vinculação com a impugnante nem com o grupo a que pertencia, que são diversos, como reconhecido pela própria fiscalização. Se era desejo dos então acionistas da CFM pagar menos imposto, a impugnante não teve nenhuma ingerência nesse ato, até porque não foi ela quem arcou com ônus do IRRF. Conforme cláusula do contrato de compra e venda, os vendedores da CFM domiciliados no exterior receberam o preço líquido do IRRF. (...) Não obstante os vendedores tenham arcado com o IRRF, sobre o qual a impugnante não teve nenhuma ingerência nem ônus, o agente fiscal, na tentativa de dar sustentação ao seu raciocínio, supôs que, como as negociações para a aquisição da CFM tiveram início antes da assinatura do contrato, a impugnante estaria a par da intenção dos acionistas da CFM de economizar tributos mediante a modificação da sede de um dos vendedores. Para chegar a essa constatação, o agente fiscal lastreiase em documentos colhidos da KPMG, da Goldman Sachs e da Deloitte, que revelam que, antes de julho de 2007 já havia tratativas acerca da operação. É evidente que as tratativas não se iniciaram um mês antes da celebração da avença, já que isso é incomum em qualquer negócio dessa natureza. Contudo, é inverídica a suposição de que a impugnante estaria ciente dos interesses dos vendedores em economizar tributos. Primeiro, porque nenhuma negociação foi conduzida com a Lanton. O interesse da impugnante era adquirir a totalidade das ações da CFM, independentemente da localização ou da identidade de seus acionistas. Daí que todas as tratativas deramse com o Rodrigo Octávio Maia Damásio, diretorpresidente da CFM e um dos acionistas vendedores, e não com os demais acionistas. Isso é corroborado pelo fato de que todas as notificações ou comunicações relativas ao contrato de compra e venda serem dirigidas a ele, conforme sua a cláusula 11.2 (a). Em segundo lugar, independentemente do conhecimento ou não da aludida intenção, tal fato, por si só, é irrelevante para o deslinde da controvérsia, uma vez que o maior ou o menor IRRF incidente sobre o ganho de capital em nada alterou o valor devido pelo impugnante na aquisição das ações da CFM, já que esse imposto era ônus dos vendedores. (...) O preço foi ajustado em decorrência da perspectiva de rentabilidade da CFM, tendo em vista as minas por ela exploradas, os contratos de arrendamento por ela firmados, o potencial de otimização, em termos logísticos, que o negócio poderia gerar as atividades já desenvolvidas pela CSN, entre Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 5 7 outros fatores destacados no contrato de compra e venda das ações e em trabalhos preparatórios da aquisição. Esses trabalhos foram trazidos aos autos pela fiscalização, mas incorretamente qualificados ou mal interpretados. (...) O artigo 26 da Lei nº 10.833 deve ser interpretado à luz do artigo 128 do CTN. Toda lei que atribui responsabilidade deve respeitar os parâmetros mínimos impostos nesse último artigo, notadamente porque o CTN faz as vezes da lei complementar a que se refere o artigo 146, inciso III, “b”, do texto constitucional. Nos termos do artigo 128, fazse mister que a pessoa eleita como responsável tenha vinculação com o fato gerador. Esse vínculo deve ser tal que lhe possibilite cumprir a obrigação imposta pela lei, sem que seu patrimônio pessoal responda pelo tributo alheio. Em abono do argumento, citamse passagens doutrinárias. (...) A impugnante não contesta a validade da norma que lhe impõe o dever de proceder ao recolhimento do IRRF. Sua responsabilidade, porém, deve necessariamente ser aferida no momento da ocorrência do fato gerador, isto é, por ocasião das remessas ao exterior, oportunidade em que a Logan, e não a Lanton, se apresentava como a vendedora da participação societária, como comprovam o contrato de compra e venda de ações e o registro no Banco Central. Uma vez que ela cumpriu à risca o disposto no artigo 26 da Lei nº 10.833, nenhuma diferença de IRRF lhe pode ser exigida. O ressarcimento exigido pelo artigo 128 deve ser ágil, eficaz, imediato e expedito, tudo o que no presente caso não se fará, visto que a impugnante desconhece o atual paradeiro da Logan e a empresa não se situa no território nacional, além de ser alheia ao grupo empresarial da impugnante, conforme reconhecido pela fiscalização. (...) Quando ocorreu o fato gerador do IRRF, um dos titulares e vendedores das ações da CFM era a Logan, conforme davam conta o contrato de compra e venda de ações, o livro de transferência de ações da CFM e o registro no Banco Central. Era obrigação dos vendedores, fixada em cláusula do contrato de compra e venda, munir a impugnante de certos documentos, entre eles os registros no Banco Central, os quais evidenciavam quem eram os investidores estrangeiros da CFM. A impugnante contratou a aquisição de ações com a Logan, além de ter recebido informações oficiais, do órgão a quem compete o registro de investimentos externos diretos, de que aquela companhia era, de fato, uma das acionistas da CFM. Essas Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 informações coincidem com, e ratificam, o teor dos assentamentos constantes do livro de transferência de ações da CFM, os quais eram necessários para que se operasse, de maneira válida e eficaz, a venda das ações, na forma do artigo 31 da Lei nº 6.404, de 1976. Modesto Carvalhosa ensina que a transferência de ações somente se opera pelo termo lavrado no livro competente da companhia, assinado pelo vendedor e pelo comprador ou por seu representante legal e devidamente datado. Essas considerações são importantes, porque revelam que a impugnante não poderia ter agido de outro modo, senão ter retido e recolhido o IRRF à alíquota de 15%. Ocorre que era a Logan, e não a Lanton, a acionista da CFM, conforme atestado pelos documentos já referidos. (...) É o registro de capital estrangeiro que confere autenticidade, veracidade e legitimidade ao detentor e ao valor do investimento, porque: efetuado pelo único órgão governamental competente; a partir da identificação da pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior, titular do investimento no país, e também do montante da moeda estrangeira efetivamente ingressada no país. Por isso, o registro constitui meio de prova especial, nos termos do artigo 212 do Código Civil de 2002 e do artigo 136 do Código Civil de 1916. Daí os respectivos efeitos cambiais e tributários, tratados na Lei nº 4.131 e na Lei nº 10.833, já referidas. O dever imposto pelo artigo 26 da Lei nº 10.833, de 2003, à fonte pagadora deve ser exercido à luz das informações oficiais constantes dos registros de investimento efetuados no Banco Central, seja quanto a valor, seja quanto à identificação do beneficiário. A fonte não pode, em hipótese alguma, ser responsabilizada ou ser obrigada a fiscalizar atos praticados pelo beneficiário do rendimento anteriormente à ocorrência do fato gerador. Daí que a aferição da responsabilidade da impugnante fica fatalmente limitada às informações prestadas pelas partes e pelo órgão competente, ou seja, o Banco Central. (...) A fiscalização disse que a Logan seria uma empresa veículo, de passagem, porque recémcriada (03/2007) e que havia adquirido a participação societária pouco tempo antes da venda para a Namisa. No entanto, a premissa da fiscalização quanto ao momento de constituição da Logan é equivocada. Conforme revelam os documentos trazidos aos autos (doc. 9), a Logan foi constituída em outubro de 2006, e a sua constituição foi publicada no Diário Oficial uruguaio em dezembro do mesmo ano. Logo, se havia intenção de venda, à Logan, da participação acionária detida pela Lanton na CFM, a intenção foi Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 6 9 manifestada anteriormente ao início das tratativas que culminaram na aquisição, pela impugnante, das ações da CFM. É que as tratativas só ocorreram em 2007, quando a Logan já havia sido constituída. Como constatado pela própria fiscalização, as tratativas foram conduzidas em 2007, tanto que, de acordo com a página 18 do termo de verificação fiscal, a CSN/Namisa, em março de 200, já tinha plena ciência de que iria adquirir a CFM quando solicitou à KPMG a auditoria completa na CFM. Mais uma vez vêse que a impugnante não teve nenhuma ingerência na venda à Logan das ações detidas pela Lanton. Logo, se existiu abusou ou irregularidade de qualquer espécie, a impugnante é alheia a essas circunstâncias, e não pode desprezar os efeitos jurídicos que advieram da transferência de titularidade das ações da CFM em momento anterior à celebração do contrato de compra e venda. (...) Tanto quanto os contribuintes se sujeitam “ex lege” às obrigações tributárias, o fisco e as relações jurídicas não pairam acima da lei, de modo que um ato lícito e eficaz no plano do direito privado é também eficaz para produzir efeitos fiscais. Se as mutações patrimoniais promovidas em virtude da licitude e eficácia dos atos ou negócios jurídicos perante o direito privado conduzirem as partes a uma situação necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador, consoante os artigos 109, 114, 116, inciso II, e 117, do CTN, haverá obrigação tributária exatamente como estiver legalmente definida na respectiva norma de incidência. (...) A fiscalização não alega que a venda à Logan das ações da CFM detidas pela Lanton teria esbarrado nesta ou naquela patologia, limitandose a dizer que houve planejamento tributário abusivo. Todavia, não há nenhum traço de abuso de direito nem de simulação no caso presente. Não há abuso de direito porque não há prova nem indício de que a aquisição das ações da CFM pela impugnante, ou de sua anterior venda à Logan, tenham excedido os limites impostos a essas operações pelo fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes, como requer o artigo 187 do Código Civil, visto que as vendas foram realizadas a contento e regularmente, mediante o pagamento do respectivo preço, cumprindo esses negócios sua causa, sua função prática. A fiscalização não chega a dizer que houve simulação, mas convém afastar a hipótese de tal vício. A doutrina conceitua a simulação como desconformidade entre a intenção subjetiva das partes e o ato praticado exteriormente. No caso presente essa Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 desconformidade não se apresenta, nem por indícios, uma vez que: as pessoas envolvidas fizeram o que queriam fazer e o que não era proibido fazer; elas se submeteram à disciplina jurídica dos atos que praticaram; os efeitos dos atos praticados foram mantidos sem alteração e sem desfazimento, ou retorno à situação anterior, o que teria ocorrido caso a Lanton voltasse a ser titular das ações da CFM, ou na eventualidade de os pagamentos serem feitos a ela, e não à Logan; houve publicidade das ocorrências, tanto que o livro de transferência de ações da CFM atestou a venda das ações à Logan, o que também foi confirmado pelos registros do Banco Central. Pelo exposto, é requerido o acolhimento da impugnação para que seja julgado improcedente o auto de infração. Na hipótese de se entender pela manutenção do crédito tributário, deve ser afastada a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, pois a lei somente prescreve a aplicação desse encargo sobre as multas isoladas. O artigo 61 e seu parágrafo 3º da Lei nº 9.430, de 1996, somente autoriza a incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Já os seus §§ 1º e 2º tratam do cálculo das multas sem prescrever a incidência de juros sobre elas. Em decorrência do artigo 3º do CTN, as multas não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição, o que é indisputado na doutrina e jurisprudência. Logo, não cabe a aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, que não previu a incidência de juros sobre as multas. (...) A 3ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: IRRF INCIDENTE SOBRE GANHO DE CAPITAL AUFERIDO POR RESIDENTE NO EXTERIOR RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE ALÍQUOTA CABÍVEL SE O DOMICÍLIO DO ALIENANTE FOR PAÍS OU DEPENDÊNCIA COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA O adquirente ou seu procurador fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. Se o beneficiário for residente ou domiciliado em país ou dependência que não tribute a renda ou que a tribute a alíquota máxima inferior a vinte por cento, o ganho de capital sujeitarse á à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 25%. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 21/02/2013 (fl. 1039), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 07/03/2013 (fls. 1040 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, quais sejam: ausência de responsabilidade pelo recolhimento de eventual diferença de IRRF decorrente da operação Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 7 11 realizada entre a LANTON e a LOGAN; ausência de ingerência sobre o referido negócio; assunção do ônus do IRRF pela beneficiária do rendimento; o artigo 26 da Lei nº 10.833 deve ser interpretado à luz do artigo 128 do CTN; os registros do Banco Central atestam a correção do recolhimento realizado; a LOGAN não foi constituída em 03/2007, mas sim em 10/2006; as informações prestadas pela Delloite são desinfluentes; e, ausência de qualquer patologia no negócio jurídico praticado pelo exacionista majoritário da CFM. Em seguida (fls. 1122 e seguintes), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas contra razões ao Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese, que foi correto o entendimento da Fiscalização, quando considerou a autuada responsável pela diferença de IRRF a recolher. Eis um trecho do entendimento esposado na referida peça: Uma vez tendo sido demonstrado que a NAMISA sabia da operação e que ela foi beneficiada pela redução da tributação, o dever dessa empresa brasileira de reter e recolher o IRRF em face da verdadeira operação realizada não pode ser afastada. Assevera ainda a Fazenda Nacional que a autuada se valeu de uma operação artificial, com fito de retirar o seu domicílio de um “paraíso fiscal” e, assim, reduzir a alíquota de IRRF: Tal como fora ressaltado pelo lançamento, e ratificado pela decisão de primeira instância, o interesse da NAMISA na operação artificial realizada entre a LANTON e a LOGAN resta evidente quando se percebe que a redução da carga tributária incidente sobre o ganho a ser enviado ao exterior inevitavelmente reduziria também o preço total do investimento a ser pago pelo adquirente. Por fim, alega que precluiu a discussão sobre a legalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício, todavia, para fins de debate, considera legítima a exigência, consoante as disposições legais citadas. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Cuidam os autos de retenção e recolhimento a menor do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), incidente sobre ganho de capital auferido por residente no exterior, relativo tanto ao anocalendário de 2007 quanto ao de 2008. Como visto do relatório, a autoridade fiscal constatou, ao longo da negociação do controle acionário da Companhia de Fomento Mineral (CFM) com a fiscalizada, que a LANTON Financial Corporation, acionista majoritária da CFM, transferiu seu domicílio Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 12 das Ilhas Virgens Britânicas (país com tributação favorecida) para o Uruguai. De acordo com a fiscalização, a mudança de domicilio teve como único e exclusivo objetivo reduzir a alíquota de IRRF aplicável, ou seja, em vez de recolher 25% de IRRF sobre o ganho (art. 47 da Lei nº 10.833/2003), acabou aplicando uma alíquota de 15% (art. 27 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001). Assim, a autuada, na qualidade de responsável tributária por substituição, reteve IRRF a menor em face do ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior. Em sua peça recursal alega a contribuinte, em linhas gerais, que a fiscalização errou ao lhe atribuir responsabilidade pelo recolhimento de eventual diferença do IRRF, pois, agiu de boafé e na certeza da correção de seus atos. Sustenta ainda que não tinha o dever de fiscalizar os atos praticados por terceiros, anteriormente à ocorrência do fato gerador, restringindose seu dever ao recolhimento do IRRF incidente sobre o ganho de capital do não residente, no exato instante em que foram verificadas as remessas ao exterior. Por fim, assevera que não se beneficiou direta ou indiretamente de nenhum ato praticado por terceiros, alheios a seu grupo empresarial. Pois bem, a situação que se enfrenta nestes autos é a de alienação do controle acionário de empresa localizada no Brasil (Companhia de Fomento Mineral CFM), por alienante residente no exterior (LOGAN Lake S.A), para adquirente residente no Brasil (NAMISA Nacional Minérios S/A). A autoridade lançadora indicou o adquirente como sujeito passivo, na condição de responsável, pelo fato de o alienante ser residente no exterior. Além do mais, considerou que o alienante, por ser residente ou domiciliado de fato em paraíso fiscal, se sujeitou à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 25%. Delineada a controvérsia, cumpre enfrentar, de antemão, a alegação da recorrente de que não poderia ser responsabilizada por eventual diferença do IRRF. De início, cumpre trazer novamente a lume a legislação que serviu de base para a autuação, o art. 682 e art.685, ambos do RIR/1999: RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR Seção Contribuintes Art. 682. Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com o disposto neste Capítulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: I pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "a"); II pelos residentes no País que estiverem ausentes no exterior por mais de doze meses, salvo os mencionados no art. 17 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "b"); III pela pessoa física proveniente do exterior, com visto temporário, nos termos do § 1º do art. 19 DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "c", e Lei nº 9.718, de 1998, art. 12); IV pelos contribuintes que continuarem a perceber rendimentos produzidos no País, a partir da data em que for requerida a certidão, no caso previsto no art. 879 (Lei nº 3.470, de 1958, art. 17, § 3º). ... Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 8 13 Rendimentos, Ganhos de Capital e Demais Proventos Subseção Incidência Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº 3.470, de 1958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º): I à alíquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação específica neste Capítulo, inclusive: a) os ganhos de capital relativos a investimentos em moeda estrangeira; b) os ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos; c) as pensões alimentícias e os pecúlios; d) os prêmios conquistados em concursos ou competições; II à alíquota de vinte e cinco por cento: a) os rendimentos do trabalho, com ou sem vínculo empregatício, e os da prestação de serviços; b) ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VIII, IX, X e XI do art. 691, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento, a que se refere o art. 245. § 1º Prevalecerá a alíquota incidente sobre rendimentos e ganhos de capital auferidos pelos residentes ou domiciliados no País, quando superior a quinze por cento (DecretoLei nº 2.308, de 1986, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 18). § 2º No caso do inciso II, a retenção na fonte sobre o ganho de capital deve ser efetuada no momento da alienação do bem ou direito, sendo responsável o adquirente ou o procurador, se este não der conhecimento, ao adquirente, de que o alienante é residente ou domiciliado no exterior. § 3º O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País (Lei nº 9.249, de 1995, art. l8). Por sua vez, o art. 26 da Lei nº 10.833/2003 dispõe: Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliado no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 14 retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. (grifei) Do exposto, verificase que há previsão legal específica, com responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento do imposto na fonte, no caso de ganho de capital de não residentes. O contribuinte, portanto, é sujeito passivo por substituição e possui responsabilidade e sujeição passiva de dívida própria, todavia, por fato gerador de terceiro. O adquirente substitui integralmente o beneficiário na sujeição passiva e como substituto passa a responder objetivamente pelo recolhimento do tributo, tal como seria o contribuinte. Nesse mesmo sentido é a lição de Luciano Amaro (in “Direito Tributário Brasileiro”, Ed. Saraiva, São Paulo, 1997, p. 417): Enfim, subjaz à responsabilidade tributária a noção de culpa, pelo menos stricto sensu, pois, ainda que o indivíduo não atue com consciência e vontade do resultado, este pode decorrer da falta de diligência (portanto, de negligência) sua ou de seus prepostos, no trato de seus negócios (pondose, aí, portanto, também a culpa in eligendo ou in vigilando). Sendo, na prática, de difícil comprovação o dolo do indivíduo (salvo em situações em que vestígios materiais sejam evidentes), o que preceitua o Código Tributário Nacional é que a responsabilidade por infração tributária não requer a prova, pelo Fisco, de que o indivíduo agiu com conhecimento de que sua ação ou omissão era contrária à lei, e de que ele quis descumprir a lei. (grifei) Nesse passo, vale aqui citar a ementa do Acórdão da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, REsp 309913/SC, de 02/05/2002: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA AUSÊNCIA DE RETENÇÃO NA FONTE SUBSTITUIÇÃO LEGAL TRIBUTÁRIA FONTE PAGADORA. A obrigação tributária nasce, por efeito da incidência da norma jurídica, originária e diretamente, contra o contribuinte ou contra o substituto legal tributário; a sujeição passiva é de um ou de outro, e, quando escolhido o substituto legal tributário, só ele, ninguém mais, está obrigado a pagar o tributo. O substituto tributário do imposto de renda de pessoa física responde pelo pagamento do tributo, caso não tenha feito a retenção na fonte e o recolhimento devido. Recurso especial de Antônio Boabaid provido e recurso da Fazenda Nacional que se julgou prejudicado. (grifei) O CARF também se manifestou no sentido de que a fonte pagadora que deixar de proceder à retenção assume o ônus do imposto, consoante se extrai do Acórdão nº 220100.552, de 11 de março de 2010, cuja ementa trancrevese: IRRF. RENDIMENTOS CREDITADOS A BENEFICIÁRIO RESIDENTE NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte os valores creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 9 15 exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. A fonte pagadora que deixar de proceder à retenção assume o ônus do imposto. (grifei) Assim, em que pese alegue a recorrente que o art. 26 da Lei nº 10833/2003 deve, necessariamente, ser interpretado à luz do art. 128 do CTN, cumpre assinalar que a própria exposição de motivos da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, deixa claro que sua edição tem por objetivo reduzir a possibilidade de não pagamento pelo contribuinte nãoresidente do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, apurados na alienação de seus bens localizados no Brasil, sobretudo pela não residência do contribuinte em território nacional. É o que se extrai da leitura do seguinte trecho: 21. O artigo 24 tem por objetivo reduzir a possibilidade de não pagamento pelo contribuinte nãoresidente do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital apurados na alienação de seus bens localizados no Brasil, pois atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo o que dificulta a fiscalização do cumprimento da obrigação tributária, sobretudo pela nãoresidência do contribuinte em território nacional. Pelo que se vê, o objetivo da lei é atribuir ao adquirente, residente no território nacional, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital, independentemente de eventual direito de regresso e/ou do comprometimento de seu patrimônio pessoal. Isso posto, verificase que são inócuas as alegações da contribuinte no que se refere à sua pretensa falta de responsabilidade pelos atos praticados nas etapas antecedentes à aquisição da Companhia de Fomento Mineral – CFM. No que tange à operação que resultou no pagamento a menor do IRRF, cumpre, de pronto, transcrever parte do Termo de Verificação Fiscal (fls. 10/38): Pelo exposto e pela documentação reunida, é possível concluir sobre como ocorreu todo o planejamento tributário efetuado na operação de aquisição pela Namisa do total controle acionário da CFM. Neste tipo de planejamento, usualmente, não há um documento demonstrando qualquer fraude. Os documentos são corretamente formalizados e atendem, na parte formal, aos requisitos legais. Algumas vezes há a simulação, que vem a ser a “aparência de um negócio jurídico contrário à realidade, destinado a provocar uma ilusão no público, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que se aparenta”. E o interesse maior neste caso aqui tratado foi transferir o domicilio tributário de uma sociedade domiciliada nas Ilhas Virgens Britânicas (Lanton) para o Uruguai (Logan) com o objetivo de recolher a menor o Imposto de Renda na Fonte sobre o ganho de capital advindo de uma operação de venda que já estava em negociação. (...) Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 16 Não havendo a prova direta, buscase colher e demonstrar as denominadas provas indiretas. Pois, o que deve prevalecer é a natureza sobre a forma e, para isso, usase o conjunto das provas e indícios a fim de se buscar a verdade material dos fatos. A participação da Lanton, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, na CFM vigorou desde 1998 até 07/05/2007. Transferida esta participação por pouco mais de US$5,5 milhões para uma empresa recém criada (03/2007) e domiciliada no Uruguai, esta nova empresa (Logan) a revende dois meses depois para a subsidiária da CSN por U$355 milhões. Saliente se que a Logan fora constituída em Março de 2007. Uma questão fundamental para a escolha do Uruguai é devido à Ilhas Virgens Britânicas ser um pais com tributação favorecida paraíso fiscal enquanto o Uruguai, apesar de ter sigilo fiscal absoluto, não constava do rol de países com tributação favorecida. Apesar de possuir 80% de participação na CFM, toda a diretoria da CFM permanece, mesmo após haver a transferência desta participação para a Logan. Não há qualquer alteração no corpo executivo. Outra clara demonstração que Lanton e Logan eram a "mesma" empresa e tinham os mesmos donos. Não ocorreria isso se a transação ocorresse entre partes não relacionadas. Além disso, tanto a outra sócia, Financeira Sidelur, como a Logan Lake possuíam o mesmo endereço no Uruguai, Calle Juncal, n° 1327/2201, Montevidéu, e tinham os mesmos representantes e responsáveis legais no Brasil. Isto demonstra que todas fazem parte do mesmo grupo. Ainda, a antiga sócia Lanton tinha como sede o paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas e vendeu sua participação social no capital social da CFM para a Logan do Uruguai que, por "coincidência", tinha o mesmo endereço da Sidelur, ou seja, tratase de evidente planejamento tributário dias antes da operação de compra e venda da CFM pela Namisa. (...) Já a alteração para um domicilio no Uruguai é mera fachada dos negócios. O país foi utilizado somente para haver um recolhimento menor do IRRF sobre o ganho de capital na operação de compra e venda. Os valores pagos pela Namisa nem passaram pelo país. Conforme Contratos de Câmbio apresentados, os valores foram diretamente transferidos para uma conta no Banco UBS agência de Zurique/Suiça. (...) A CSN/NAMISA, em março de 2007, já tinha plena ciência de que iria adquirir a CFM quando solicitou à KPMG a auditoria completa na CFM. Já ciente desse fato, a CSN/NAMISA com a anuência e concordância da própria CFM, através de seus acionistas Rodrigo Octávio Maia Damásio, Financeira Sidelur S.A. e Lanton Financial, dispara todos os procedimentos necessários para que a operação resultasse em um ganho de capital tributado à alíquota de 15%, ao invés de 25%. Dentre esses procedimentos encadeados citamos: Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 10 17 a) Criação já em março de 2007 da Logan Lake S.A., sociedade constituída de acordo com as Leis do Uruguai, com sede no mesmo local onde encontravase o outro sócio da CFM, Financeira Sidelur S.A, qual seja, Calle Juncal, n° 1327/2201, Montevidéu, como forma de criar o instrumento que seria utilizado para supostamente amparar a tributação do ganho de capital em 15%, haja vista que o Uruguai não encontravase no rol dos países considerados como tendo tributação favorecida. b) Transferência, em 07 de maio de 2007, de 80% das ações da CFM pertencentes à Lanton Financial Corporation (empresa sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas) para a Logan Lake (Uruguai) por simbólicos US$5.696.807,93. Simbólicos porque já havia Laudo de Avaliação da CFM apontando valores bem superiores a esse. Além disso, sabemos que em 20/07/2007 a mesma CFM foi vendida por U$440.000.000,00! Como se não bastasse, apesar do acionista majoritário (Lanton Financial Corporation) ter vendido todas as suas ações da CFM para um acionista "diferente", Logan Lake, nada, absolutamente nada, se alterou na CFM em relação aos cargos da alta administração da empresa. Esse fato seria semelhante a comprar uma empresa e nem se importar em ter qualquer tipo de controle sob a mesma deixando tudo exatamente como estava antes, ou seja, uma situação totalmente infactível e que. só demonstra a artificialidade desta operação de venda de ações da CFM feita entre os acionistas Lanton Financial Corporation e Logan Lake. c) Subseqüente venda total, em 20/07/2007, das ações de todos os acionistas da CFM para a NAMISA pela vultosa quantia de U$440.000.000,00! d) Preparado o terreno, uma vez que 80% das ações agora eram detidas por acionista domiciliado no Uruguai, o ganho de capital estaria "passível" de ser tributado à alíquota de 15%, não fosse o descortinamento realizado por esta fiscalização do teatro engendrado pelos participes Por tudo apurado até aqui, é possível concluir que a transferência das cotas da Lanton para a Logan teve como único propósito a redução da carga tributária da operação. Os beneficiados da operação, como visto, foram a CFM e a Namisa. Beneficiados que tinham interesse e participaram ativamente para que ocorresse a redução indevida do imposto de renda na fonte sobre o ganho de capital de empresa domiciliada no exterior. O único propósito para a transferência apenas formal das cotas foi a utilização da menor alíquota na retenção do imposto, caracterizando assim o planejamento tributário abusivo. (...) Do exposto, penso que restou configura a responsabilidade da autuada pela redução da alíquota de IRRF decorrente da Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 18 negociação realizada entre as empresas estrangeiras LANTON e a LOGAN. Em verdade, instada pela fiscalização a comprovar o origem das negociações, tais como Carta de Intenções e/ou Memorandos de Entendimentos, declarou a CSN que a intenção ocorreu de forma pessoal e via contato telefônico, portanto, os únicos documentos apresentados pela empresa foi o contrato de compra e venda e Ata da Reunião Extraordinária do Conselho de Administração da Companhia Siderúrgica Nacional, realizada em 18/07/2007. Por Todo o exposto, verificase que a autuada possuía conhecimento total da operação, sendo, inclusive, beneficiada e, desta feita, deveria reter e recolher o IRRF em face da verdadeira operação realizada. (grifei) Do exposto, verificase que a autoridade fiscal coligiu um conjunto de elementos que atestam que a autuada (grupo CSN) sabia que a alíquota aplicável à compra da CFM era de 25%, no entanto, insiste a recorrente na tese de que não tinha conhecimento e tampouco participou da operação que culminou no recolhimento a menor do IRRF. Todavia, sobejam provas da participação da contribuinte e da CSN no início de toda a operação, muito antes da data da assinatura do contrato (20/07/2007). Vejamse: i Contratação da consultoria Goldman Sachs em 15/07/2007, sendo que o estudo de compra da CFM foi apresentado três dias depois, em 18/07/2007, e a assinatura do contrato se deu apenas dois dias após esta última data, ou seja, 20/07/2007. ii – A CSN remeteu, em 03 de julho de 2007, à Goldman Sachs planilha denominada “avaliação CFM v3”, contendo quadros e tabelas informativas sobre a CFM, com prospectivas de produção e rentabilidade (fl. 184), bem como o preço exato de aquisição da CFM “acquisition disbursement”, ou seja, US$ 440.000.000,00 (fl. 185). iii Planilha datada de 30/03/2007, enviada pela CSN à Goldman Sachs acompanhado do anexo “PV2006 2010 Estimado CFM”, informando sobre minas de propriedade da CFM (fl. 195). iv Estudos e planilhas, datados de maio de 2007, contendo arquivo intitulado “Valuation”, informando o valor de compra de US$ 440.000.000,00, ou seja, o mesmo preço de aquisição da CFM que viria a ser firmado em 20/07/2007. v – Contratação da empresa Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes para efetuar revisão das demonstrações financeiras da CFM levantadas no encerramento do anocalendário 2006, conforme proposta enviada em março de 2007 (fl. 337). A esse respeito, cumpre reproduzir trecho em que a questão é analisada pelo relator do julgamento singular: Desnecessário recordar aqui que os fatos e as circunstâncias observadas revelavam claramente que a mudança de titularidade das ações da Lontan fora apenas aparente. Logo, na determinação da base de cálculo do IRRF, era essa realidade concreta que devia ter sido levada em conta pelo sujeito passivo responsável pela retenção e recolhimento do tributo, sobretudo porque ele se encontrava em situação que lhe permitia ter plena ciência da manobra perpetrada pelos alienantes com o objetivo de reduzir indevidamente a incidência tributária. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 11 19 (...) Em verdade, outros documentos fornecidos pela Goldman Sachs revelam que as partes já haviam chegado a um acordo sobre o preço da compra e venda muito antes da data em que aquela mensagem eletrônica havia sido enviada. A fls. 195 encontrase outra mensagem eletrônica, datada de 10 de julho de 2007, na qual um funcionário da CSN envia a outro da Goldman Sachs mais informações, atendendo a solicitação deste. As informações encontramse num arquivo anexo, também no formato de planilha de cálculo, e que se intitula “PV2006 2010 Estimado CFM”. À cópia dessa mensagem a Goldman Sachs acrescentou seqüencialmente, na documentação entregue à fiscalização, três planilhas, o que faz supor que integram ou constituem o arquivo anexo. Elas contêm dados sobre minas de propriedade da CFM. Duas dessas planilhas trazem, em inglês, a data de 30 março de 2007. Inferese, daí, que pelo menos desde então a CSN já tivesse acesso privilegiado a dados da CFM. Isso significa também que pelo menos desde março de 2007 já estavam adiantadas as negociações para a sua aquisição, pois não se concebe que a CFM, uma empresa independente e até concorrente da CSN e de suas subsidiárias, franqueasse a essa acesso a informações estratégicas. (...) Em resumo, há provas sólidas nos autos que demonstram que a transferência de 80% das ações da CFM, do seu antigo proprietário, Lontan, para a uruguaia Logan ocorreu apenas de forma aparente. Consistiu numa operação sem fins econômicos, mas montada apenas para tentar reduzir a carga tributária incidente sobre o ganho de capital que resultaria da venda efetiva da CFM para o grupo CSN. Essa manobra foi levada a cabo quando já estavam adiantadas e praticamente concluídas as negociações entre o grupo CSN e os proprietários da CFM, de sorte que não era possível que os seus futuros adquirentes a ignorassem. Além disso, é inegável que eventual redução na tributação do ganho de capital favoreceria a ambas as partes, pois quanto menor a carga tributária sobre o ganho de capital, mais dispostos ficariam os vendedores a aceitar um preço menor para sua participação. Logo, ao remeter para o exterior o pagamento pela aquisição da CFM, cabia a autuada calcular e reter o IRRF e posteriormente o recolher, levando em conta a realidade dos fatos, e não a aparência deles conforme consubstanciada em atos meramente formais. Daí se segue que devem ser mantidas integralmente as exigências fiscais e rejeitadas as alegações contrárias da impugnante. (grifei) Da mesma forma que a autoridade recorrida, penso que a contratação da Goldman Sachs, apenas três dias antes da aquisição, bem como o laudo de avaliação emitido, foi totalmente irrelevante para a operação, pois muito antes da contratação da Goldman Sachs a autuada já sabia quanto a CFM valia e quanto estava disposto a pagar por suas ações. Com efeito, os trabalhos de auditoria pela KPMG e da Deloitte na CFM demonstram que o grupo Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 20 CSN já estava em tratativas com os antigos proprietários da CFM, muito antes da efetivação do negócio, pelo menos desde essa data, 30/03/2007, pois investimento dessa ordem não nasce do dia para noite, como bem ponderou a contribuinte em sua peça recursal: “Nenhuma operação desse porte, como acertadamente constatou a fiscalização, tem início um mês antes da celebração do contrato, sem mínima investigação acerca dos ativos, dos passivos e do potencial de geração de riqueza da empresa alienada.” Instada a se pronunciar sobre a origem das negociações das ações da CFM, se possuíam Carta de Intenções e/ou Memorandos de Entendimentos (documentos típicos dessa espécie de operação societária), respondeu a CSN que “ressalta que apesar de ser uma prática comum de mercado, tais documentos não foram elaborados por parte da CSN, a intenção ocorreu de forma pessoal e via contato telefônico”. Ora, não é possível supor que a intenção de compra de uma empresa no valor de US$ 440.000.000,00 ocorra apenas de forma pessoal e via contato telefônico. Pelo que se observa da resposta, é inevitável a conclusão de que as transações anteriores já faziam parte de toda uma articulação, com a participação da CSN, no sentido único de esquivarse do pagamento do imposto de renda devido. Não se pode perder de vista que nesse tipo de operação o que se consegue é uma série de documentos exteriorizadores de eventos e fatos que, juntos, permitem formar o objeto da prova e a convicção de que determinado fato tributável ocorreu. Com efeito, o intento almejado pelos contribuintes não pode ser enquadrado como consequência de um ato jurídico considerado legítimo, pois o seu âmago encontrase eivado de vício. Em uma análise simplista verificase o que procedimento foi aparentemente lícito, contudo, os agentes envolvidos alteraram deliberadamente a situação de fato em que se encontra, para fugir à incidência de uma tributação mais onerosa. O professor Marco Aurélio Greco explica que ausente a motivação negocial nas operações perpetradas, é forçoso concluir que as transações anteriores já faziam parte de toda uma articulação, cujo único objetivo é esquivarse parcialmente do pagamento do imposto. Às etapas antecedentes, bem como às operações estruturadas em sequência, o doutrinador denominou de step transactions1: Sob esta denominação estão as step transactions, vale dizer, aquelas seqüências de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subseqüente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso: Neste caso, cada etapa só tem sentido se existira que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. (...) Diante de uma situação complexa, é essencial considerar a figura como um todo, examinando ao mesmo tempo os vários aspectos que a cercam, pois o conhecimento e o enquadramento de determinada realidade será a resultante das diversas circunstâncias reunidas no caso concreto. (...) 1 Planejamento Tributário, São Paulo, Dialética, 2004, p.345/346. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 12 21 Vale dizer, ao invés de analisar cada fotografia (etapa) é importante analisar o filme (conjunto delas). Mais do que um evento (etapa), é importante interpretar a estória (conjunto). (...) Na medida em que o conjunto de operações corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um único fim, a verificação das alterações relevantes deve ser feita não apenas considerando os momentos anterior posterior a cada etapa mas, principalmente, os momentos anterior e posterior do conjunto de etapas. Em verdade, a uruguaia LOGAN atuou apenas como empresa veículo para a concretização do objetivo final, qual seja, redução da alíquota de 25% para 15%, pois não houve mudança alguma de comando na CFM, apesar da pretensa troca do acionista controlador. Além do mais, tanto a outra sócia, Financeira SIDELUR, como a LOGAN possuíam o mesmo endereço no Uruguai, Calle Juncal, n° 1327/2201, Montevidéu, e tinham os mesmos representantes e responsáveis legais no Brasil. O curto intervalo de tempo entre as operações deixa claro que os atos praticados não tiveram fins econômicos, mas foram montadas apenas para reduzir a carga tributária incidente sobre o ganho de capital que resultaria da venda efetiva da CFM para o grupo CSN. Ademais, o dinheiro para pagamento da compra foi remetido para uma instituição bancária localizada na Suíça, e não no Uruguai, suposta sede da empresa, o que só vem a corroborar que o negócio celebrado entre a contribuinte e a uruguaia LOGAN tinha como pano de fundo apenas a diminuição do imposto de renda a ser pago. Ressaltese que apesar dos documentos acostados aos autos pela recorrente dar conta de que a LOGAN foi constituída em 4 de outubro de 2006, todavia, em consulta ao banco de dados eletrônico mantido pela Receita Federal, a abertura da LOGAN se deu em 30/03/2007. Além do mais, o capital social registrado da LOGAN foi de apenas US$ 39.000,00 em outubro de 2006, contudo, em maio de 2007, adquiriu 80% de participação acionária de uma grande mineradora estrangeira por US$ 5.696.807,93. Ainda, em relação à participação da autuada na redução indevida da alíquota, verificase que o contrato de compra e venda prevê a alíquota do IRRF de 15% em uma subcláusula que determina o preço a ser pago. Portanto, diferentemente do que alega a recorrente, de que não se beneficiou direta ou indiretamente do ato praticado, verificase que a redução da carga tributária, reduziu também o preço total do investimento a ser pago pelo adquirente. Ressaltese que os contratos de câmbios suscitados pela suplicante como prova de licitude da operação, a meu ver, contém apenas informações declaradas pelos responsáveis, que precisam legalmente de registro da operação no Banco Central para controle monetário, e nada mais que isso. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 22 Portanto, analisando as informações e/ou provas constantes dos autos, entendo que a autoridade lançadora logrou demonstrar que a recorrente participou da operação, cujo único objetivo foi a redução indevida do imposto de renda retido na fonte sobre ganho de capital. Assim, como a autuada é responsável pela retenção e recolhimento a menor do IRRF, por imposição legal, é de se manter a exigência em exame. Por fim, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois, tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário, sendo, portanto, aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Esse é o entendimento que prevalece na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), consoante a ementa destacada: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806. Recurso especial negado. (Acórdão nº 920201.991, Processo nº 16327.002244/9933) Ressaltese que em recente decisão, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG). Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Declaração de Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. Em face do pedido de vista do processo em epígrafe, tive a oportunidade de me debruçar detidamente sobre os fatos e, portanto, tomo a liberdade de apresentar a presente Declaração de Voto, com vistas a esclarecer as razões pela qual entendo que acolhe razão à Recorrente. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.726890/201221 Acórdão n.º 2201002.367 S2‐C2T1 Fl. 13 23 Não vou me ater aos fatos, pois os mesmos já foram relatados com maestria pelo nobre Conselheiro Relator. Desta feita, adentro às razões que me levaram a entender pelo provimento do pleito da Recorrente. A cláusula tributária utilizada no contrato, firmado entre as partes, que rege a aquisição do ativo dispõe que o Imposto de Renda na Fonte (IRF) devido sobre o pagamento do valor da compra aos vendedores nãoresidentes já se encontra incluído no preço. Ou seja, independente de qual seja o valor do imposto, o preço contratual permanecerá inalterado, a compradora (Recorrente) desembolsará o mesmo valor, independente da alíquota do IRF ser 15% ou 25%. Importante destacar que do ponto de vista contratual há 02 (duas) formas de se prever o ônus do IRF, especialmente em operações que envolvam parte nãoresidente, a saber: (i) Cláusula Bruta: por essa estipulação, o valor do IRF é incluído no preço estipulado no contrato, ou seja, o preço ofertado pelo vendedor, contratualmente, já considera o valor do tributo. O valor cobrado pelo vendedor estrangeiro já inclui o tributo. Assim, o vendedor efetua previamente o cálculo do impacto desse tributo no seu preço e oferta valor tal, que após a incidência do IRF (retenção e recolhimento) pela fonte pagadora (Recorrente), o vendedor estrangeiro recebe o valor líquido pretendido. (ii) Cláusula Líquida: por essa estipulação, o valor do IRF não é considerado contratualmente no preço. Ou melhor, o vendedor estrangeiro apresenta no contrato o valor que pretende receber líquido do referido tributo, cabendo à parte compradora (fonte pagadora – Recorrente) efetuar o cálculo e recolhimento do mesmo. Verificase que no caso em questão a opção das partes foi pela utilização da “cláusula bruta”, pela qual o valor desembolsado pela Recorrente não se alteraria em face da alíquota de IRF. Assim, tendo em vista que o preço acertado não se alteraria em face da imposição de uma alíquota de IRF de 15% ou 25%, entendo que não há interesse de agir da Recorrente na alteração do domicílio das vendedoras nãoresidentes. Reforçando. O valor a ser pago pela Recorrente se mantém o mesmo em ambas as situações, quer o nãoresidente esteja domiciliado no Uruguai, quer o nãoresidente esteja domiciliado em “paraíso fiscal”. A diferença entre as duas hipóteses se encontra no valor a ser recebido pelo nãoresidente. Enquanto domiciliado no Uruguai, o valor a ser recebido é o preço descontado o IRF à alíquota de 15%. Por outro lado, quando domiciliado em “paraíso fiscal”, o valor a ser recebido seria menor, pois o desconto do IRF do preço seria de 25%. Portanto, resta claro que o interesse em alterar o domicílio fiscal para pagar menos tributo no Brasil é do vendedor nãoresidente e não da Recorrente. Em não havendo prova da participação da Recorrente na alteração do domicílio dos vendedores nãoresidentes, não cabe imputação de tributo à Recorrente, pois essa não concorre no mesmo interesse do nãoresidente. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 24 Parafraseando o destaque feito pelo nobre Conselheiro Gustavo Haddad durante o julgamento, para fins de autuação fiscal, não basta que haja a ciência do fato, é necessário que haja interesse no fato. Logo, mesmo que a Recorrente tivesse conhecimento da transferência de domicílio das partes vendedoras, a mesma não apresenta interesse na alteração de alíquota de Imposto de Renda na Fonte (IRF). Isso porque, conforme já pontuado anteriormente, a cláusula acordada no negócio em questão é a denominada “cláusula bruta”, pela qual o ônus do IRF cabe à parte nãoresidente (contribuinte). Ademais, entendo que nos autos não há material que comprove a participação da Recorrente na alteração de domicílio dos vendedores nãoresidentes com vistas a reduzir pagamento de tributo no Brasil. A autoridade tributária traz indícios e suposições da participação da Recorrente, porém não há prova contundente ou ao menos que ponha em dúvida a alegação da Recorrente. Importante destacar que a Recorrente se valeu das informações constantes no módulo RDEIED (Registro Declaratório Eletrônico – Investimento Externo Direto) do sistema SISBACEN do Banco Central do Brasil para aferir qual a jurisdição de domicílio dos vendedores nãoresidentes. O referido sistema tem como objetivo armazenar as informações dos investidores nãoresidentes. Há prova nos autos, que quando da remessa, constava no referido registro o país de domicílio como sendo Uruguai, não havendo menção a outra jurisdição. Neste sentido, entendo que a Recorrente agiu de forma acertada, ao efetuar a retenção e recolhimento do imposto com base nas informações apresentadas no módulo RDE IED do Banco Central do Brasil, por entender que as informações contidas no referido sistema são fidedignas à realidade dos fatos. Desta feita, por todo o exposto e não obstante a decisão do Colegiado, meu entendimento é que o Recurso Voluntário deve ser provido por faltar interesse de agir à Recorrente. Ou seja, como a cláusula contratual adotada pelas partes no negócio em tela foi a denominada “cláusula bruta”, a carga tributária incidente na operação (devida pelo não residente), não impacta o preço final acordado entre as partes e pago pela Recorrente. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Relatora. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assi nado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10909.720242/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES.
A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins.
CRÉDITO. INSUMOS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE
A sistemática da não cumulatividade admite o creditamento do PIS e da COFINS sobre os fretes de transporte de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa
CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. FUNÇÃO DO PRODUTO
Admitem-se os créditos presumidos calculados sobre a aquisição de insumos a serem utilizados no processo produtivo da agroindústria em função do produto a ser produzido, e não do insumo adquirido.
CRÉDITO. INSUMOS. FRETES CONTRATADOS DE PESSOAS FÍSICAS
A legislação de regência do PIS e da COFINS inadmite a tomada de créditos sobre os fretes contratados diretamente de pessoas físicas.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.471
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de utilização da alíquota de 60% no cálculo do crédito presumido; (ii) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito sobre despesas de fretes nas operações com CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó (CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152) e Walber José da Silva (CFOP 5152). Negado provimento quanto às demais matérias, nos seguintes termos: (iii) por unanimidade de votos, quando ao crédito sobre fretes cujas notas não foram registradas no Livro de Saída e quanto à inclusão do valor dos fretes pagos à pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido; (iv) por maioria de votos, quando ao crédito sobre fretes nas operações com CFOP 7949, 5151, 6151, 5905, 6905, 5503. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator) e Alexandre Gomes, que davam provimento. (v) Pelo voto de qualidade, quanto ao crédito sobre bens para revenda e insumos adquiridos com alíquota zero. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Gileno Gurjão Barreto
Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Redator designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. CRÉDITO. INSUMOS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE A sistemática da não cumulatividade admite o creditamento do PIS e da COFINS sobre os fretes de transporte de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. FUNÇÃO DO PRODUTO Admitem-se os créditos presumidos calculados sobre a aquisição de insumos a serem utilizados no processo produtivo da agroindústria em função do produto a ser produzido, e não do insumo adquirido. CRÉDITO. INSUMOS. FRETES CONTRATADOS DE PESSOAS FÍSICAS A legislação de regência do PIS e da COFINS inadmite a tomada de créditos sobre os fretes contratados diretamente de pessoas físicas. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Direito Creditório Reconhecido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de utilização da alíquota de 60% no cálculo do crédito presumido; (ii) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito sobre despesas de fretes nas operações com CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó (CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152) e Walber José da Silva (CFOP 5152). Negado provimento quanto às demais matérias, nos seguintes termos: (iii) por unanimidade de votos, quando ao crédito sobre fretes cujas notas não foram registradas no Livro de Saída e quanto à inclusão do valor dos fretes pagos à pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido; (iv) por maioria de votos, quando ao crédito sobre fretes nas operações com CFOP 7949, 5151, 6151, 5905, 6905, 5503. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator) e Alexandre Gomes, que davam provimento. (v) Pelo voto de qualidade, quanto ao crédito sobre bens para revenda e insumos adquiridos com alíquota zero. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. A aquisição de insumos tributados à alíquota zero não gera direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. CRÉDITO. INSUMOS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE A sistemática da não cumulatividade admite o creditamento do PIS e da COFINS sobre os fretes de transporte de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa CRÉDITOS PRESUMIDOS DA AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. FUNÇÃO DO PRODUTO Admitemse os créditos presumidos calculados sobre a aquisição de insumos a serem utilizados no processo produtivo da agroindústria em função do produto a ser produzido, e não do insumo adquirido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 02 42 /2 00 9- 90 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 371 2 CRÉDITO. INSUMOS. FRETES CONTRATADOS DE PESSOAS FÍSICAS A legislação de regência do PIS e da COFINS inadmite a tomada de créditos sobre os fretes contratados diretamente de pessoas físicas. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito de utilização da alíquota de 60% no cálculo do crédito presumido; (ii) por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito sobre despesas de fretes nas operações com CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Maria da Conceição Arnaldo Jacó (CFOP 5501, 5923, 5451 e 5152) e Walber José da Silva (CFOP 5152). Negado provimento quanto às demais matérias, nos seguintes termos: (iii) por unanimidade de votos, quando ao crédito sobre fretes cujas notas não foram registradas no Livro de Saída e quanto à inclusão do valor dos fretes pagos à pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido; (iv) por maioria de votos, quando ao crédito sobre fretes nas operações com CFOP 7949, 5151, 6151, 5905, 6905, 5503. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator) e Alexandre Gomes, que davam provimento. (v) Pelo voto de qualidade, quanto ao crédito sobre bens para revenda e insumos adquiridos com alíquota zero. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Fl. 383DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 372 3 Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento PER n° 26491.03022.071008.1.1.098861, às folhas 02 a 04 dos autos de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativaexportação, referente ao 1o. trimestre de 2007, no valor de R$ 2.477.285,21. Do Parecer Fiscal Em seu Termo de Verificação Fiscal, a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal (DRF) em Itajaí/SC, ao relatar sobre o método de verificação fiscal, registra que os valores informados pela interessada no Dacon nem sempre correspondem àqueles presentes na memória de cálculo apresentada em atendimento à intimação à Receita Federal para fins de demonstração da composição da base de cálculo do direito de crédito e que foram, então considerados como pleiteados os valores presentes nesta e não os declarados no Dacon. Relata a Autoridade Fiscal que do confronto entre a memória de cálculo apresentada pela contribuinte e a legislação aplicável à matéria resultaram as glosas que seguem: a) Bens Adquiridos para Revenda linha 01 do Dacon: do montante informado a esse título foram excluídos os valores de aquisição de produtos classificados no capítulo 29, no código 3002.30 e na posição 38.08, todos da TIPI, por se tratarem de produtos sujeitos à alíquota zero, de acordo com o art. I o do decreto n° 5.821/2006 e com o art. Io da Lei n° 10.925/2004; b) Bens Utilizados como Insumos linha 02: do montante informado a esse título foram excluídos os valores de aquisição de bens utilizados como insumos, cujas receitas de vendas estão sujeitas a alíquota zero, conforme: art. 28, III, da Lei n°l0.865/2004; art.1º , incisos I. II. IV. VII, IX, XI e XII, da Lei n° 10.925/2004; c) Despesas de Armazenagem de Mercadoria c Frete na Operação de Venda linha 07: foram excluídos: os fretes relativos a CTRC não vinculados a uma operação de venda: os fretes relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas não se encontram no Livro Registro de Saídas do período; os fretes relativos a CTRC cujas notas fiscais vinculadas encontramse no Livro Registro de Saídas do período mas não se referem a uma operação de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros ou a uma operação de venda de produção do estabelecimento. d) Créditos da Atividade de Transporte de Carga linha 18: sobre os valores informados a esse título, informa a autoridade fiscal que a interessada não presta serviços de transporte rodoviário de carga e que os códigos Cnae relativos a esse tipo de serviço, atribuídos a algumas de suas filiais, têm servido apenas para a emissão de conhecimentos de carga cujo tomador do serviço é a própria empresa, tendo sido. então, excluídos os valores informados destes serviços, por não gerarem créditos nos termos previstos nos §§ 19 e 20 do art. 3 o da Lei n° 10.833/2003. na redação da Lein° 11.051/2004. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 373 4 e) Crédito Presumido Atividades Agroindustriais linha 25: dos valores informados a esse título: foram excluídos os valores relativos a aquisições de bens para revenda, adquiridos de pessoas físicas, em razão de este tipo de aquisição, a teor da legislação pertinente, não gerar direito à crédito presumido; foram ajustadas as alíquotas aplicadas à aquisições de insumos de pessoas físicas: 4,56% (60% dc 7,6%) para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16. e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, e de 2,66% (35% de 7,6%) para os demais produtos; Além das glosas acima, no tópico intitulado como Rateio das Exportações considerando que a interessada utiliza o método de rateio proporcional, a Autoridade Fiscal ajustou a proporção entre a receita de exportação, vinculada às aquisições de bens e serviços que geram direito ao crédito, e a receita bruta total de vendas de bens e serviços, a ser aplicada sobre os valores dos custos, despesas e encargos comuns, incorridos no mês. Ressalta, que neste ajuste os valores das receitas adotados foram os informados pela contribuinte no Dacon e em resposta a intimação fiscal. Ao final, informa a Autoridade Fiscal que a soma. por mês de apuração, dos valores indicados à linha 06 da ficha 25B do Dacon (Total da Cofins apurada no mês) foi extraída da memória de cálculo fornecida pela interessada e não se constituiu em objeto de procedimento de fiscalização, o qual ainda poderá ser realizado, respeitado o prazo decadencial. Com base no Termo Fiscal da Sessão de Fiscalizaçâo/DRF/ITJ e no Parecer/Sarac/DRF/ITJ n° 221/2010, a DRF/ltajaí/SC decidiu por meio do Despacho Decisório à folha 215 deferir parcialmente o Pedido de Ressarcimento de que trata o presente processo (PER n° 26491.03022.071008.1.1.098861, acostado às folhas 02 a 04 dos autos) reconhecendoo direito creditório, passível de ressarcimento, no valor de R$ 1.644.519,44. Da Manifestação de Inconformidade Em sua Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório a interessa contesta o parecer fiscal nos termos que seguem. Inicialmente a interessada contesta a glosa dos valores das aquisições dos bens para revenda e de insumos adquiridos a alíquota zero alegando que, ''a despeito de terem [as aquisições] sido realizadas mediante alíquota zero de Cofins"', os tais produtos "foram previamente sujeitos a incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação.". Nesse sentido aduz que ''mesmo quando o contribuinte adquira insumos tributados com alíquota zero, paga. embutido no preço, o tributo (PIS/COFINS) indiretamente e em outros insumos ou produtos, [...], adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo". A corroborar sua tese traz excertos de uma decisão do STJ e de outras do Conselho de Contribuintes. Conclui, então, que as aquisições de produtos tributados pela presente contribuição a alíquota zero. não se tratam "de operações não sujeitas ao pagamento das contribuições, e por isto não incide o óbice previsto no artigo 3o , parágrafo 2° da Lei 10.833/03". E acrescenta que a própria legislação, no caso a Lei n° 11.033/04, em seu artigo 17. autoriza a manutenção dos créditos em situações corno a presente. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 374 5 Em relação às glosas dos valores referentes a fretes nas operações de venda, alega, preliminarmente, que não tem condições de contestálas pois não teria como identificar quais são os CTRC que não foram aceitos pela fiscalização, eis que não há uma) listagem destes n o Despacho Decisório. Reclama, então, que teve seu direito à ampla defesa cerceando e pugna pela nulidade da decisão na parte em que trata desta glosa. Adicionalmente, argumenta que os CTRC não vinculados a qualquer nota fiscal se referem, na verdade, a aquisições de aves vivas, consideradas como insumos em seu processo produtivo. Já em relação às despesas de fretes entre estabelecimentos da própria empresa, defende que "com base na lei e nas soluções de consulta da Receita Federal, conterem direito a créditos de COFINS". entre outros: (...) c) transferência de produto acabado entre o estabelecimento produtor e o estabelecimento distribuidor da mesma pessoa jurídica; d) serviços de transporte (adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País) de insumos, de um estabelecimento a outro da mesma pessoa jurídica, sendo esse deslocamento necessário à inserção desse insumo no processo produtivo desenvolvido no estabelecimento de destino. e) transporte de um estabelecimento a outro da mesma pessoa jurídica, de insumos adquiridos de terceiros, quando o ônus for suportado pelo adquirente. E conclui que comprovado o direito ao crédito referente a despesas de "serviços de transporte relativos a transferências essenciais ao processo produtivo" as glosas dos valores correspondentes não devem ser mantidas, "eis que tratam de créditos a título de frete apropriados nos exatos termos das leis que regulamentam esta questão". A contribuinte defende, ainda, ter direito a crédito em relação aos pagamentos efetuados na subcontratação de serviços de transporte de carga, por força do disposto nos §§ 19 e 20 do art. 3o da Lei n° 10.833/2003, considerando ser uma de suas atividades empresariais, conforme os documentos societários acostados aos autos. Salienta que é prestadora de serviço de transporte de carga, e que o fato de as operações que geraram o crédito terem sido prestadas em benefício próprio não afasta o direito ao crédito previsto em lei, pelo que alega que a Autoridade Fiscal agiu fora dos limites da legalidade. No que concerne ao crédito presumido decorrente de sua atividade agroindustrial, a interessada insurgese contra a alíquota de 2,66% (35% de 7,6%), utilizada pela Autoridade Fiscal nos cálculos do crédito presumido. Defende considerando que o critério eleito pelo legislador para determinar o cálculo do benefício do crédito presumido não é o insumo e sim o produto produzido pela empresa, observada a respectiva classificação nos Capítulos 2 e 16 da TIPI, bem como nos códigos 15.01 da NCM calculou corretamente o crédito presumido da Cofíns à alíquota de 4,56% (60% de 7.6%), tendo cm vista que os produtos produzidos pela mesma encontramse classificados nos códigos constantes do inciso I do §3º, art. 8º do mencionado diploma legal. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 375 6 Por fim, a contribuinte insurgese contra o "rateio das exportações" argumentando que "como as glosas efetuadas pela fiscalização, acima expostas, não devem ser mantidas, por consequência, o crédito o crédito utilizado para fins de rateio das exportações deve corresponder àquele pleiteado pela Manifestante, e não àquele constantes das fls. 1820 Diante de todo o exposto, requer o acolhimento de sua Manifestação de Inconformidade para que reste deferido seu pleito. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão supra, em 08.10.2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 03.11.2011. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Considerações Iniciais Os questionamentos da Recorrente dizem respeito à possibilidade de aproveitamento de créditos referentes às contribuições para o PIS/COFINS, no regime de não cumulatividade, de que tratam as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, relativamente ao 3º trimestre de 2006. A Lei nº 10.637, de 2002, instituiu a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para o PIS/PASEP, em seu art. 3º, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004. No mesmo sentido, a Lei nº 10.833/03 dispôs acerca da não cumulatividade da COFINS em seu art. 3º, com a redação também dada pela Lei nº 10.865, de 2004, que assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 387DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 376 7 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) (...) Assim, da leitura dos dispositivos acima transcritos, depreendese que a pessoa jurídica sujeita à incidência nãocumulativa de PIS/PASEP e COFINS pode, com as restrições previstas, em especial nos §§ 2º e 3º, descontar créditos relativos ao valor dos serviços por ela contratados, utilizados como insumo na sua prestação de serviços. Com vistas a disciplinar a aplicação dos dispositivos dessas leis, a Instrução Normativa SRF nº 404/2004, em seu art. 8º, estabeleceu, para a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, o conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática não cumulativa, nos seguintes termos: Fl. 388DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 377 8 Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º , a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput , entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Referidos dispositivos referemse a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produtos destinados a vendas. Dentro desse conceito é que se tentam enquadrar os mais variados custos e despesas incorridos pela empresa produtora para o fim de creditamento das contribuições não cumulativas. Entretanto, é preciso ter em conta que, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito. A condição prescrita na Lei é de que o bem ou serviço seja insumo, mas não qualquer insumo, uma vez que o dispositivo especifica que deva ser utilizado na prestação de serviços ou na produção e fabricação de produtos. Portanto, embora insumo seja genericamente qualquer elemento necessário para produzir mercadorias ou serviços, a lei exige que, para gerar crédito, ele seja utilizado na produção ou fabricação. Ademais os, ditos, insumos devem fazer parte do processo produtivo, ou seja, precisam ser utilizados na elaboração do produto final. No âmbito dessa E. Corte o entendimento não está pacificado, sendo compartilhado por 3 (três) correntes: (i) o conceito de insumos estaria diretamente atrelado a legislação do IPI, ou àquilo que está expresso nas Leis que regem o PIS e a COFINS; ii) que os elementos classificados como insumos estariam atrelados à Legislação que rege o IRPJ, e; iii) a classificação de bens e serviços como insumos, para fins de creditamento de PIS e COFINS deve seguir critérios próprios, devendo cada caso ser analisado isoladamente, dentro de suas próprias características. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 378 9 Alinhome a terceira corrente. Entendo, em consonância com a jurisprudência, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. A hipótese de incidência dessas contribuições adota o faturamento mensal, assim entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil o que significa que os tributos não têm sua materialidade restrita apenas aos bens produzidos, mas sim à aferição de receitas, cuja amplitude torna inviável a sua vinculação ao valor exato da tributação incidente em cada etapa anterior do ciclo produtivo. Da mesma forma, para fins de creditamento do PIS e da Cofins, admitese que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, quanto à abrangência dada pela legislação de regência ao admitir que serviços sejam considerados como insumos de produção ou fabricação, com o qual corrobora a doutrina, a exemplo de Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003, grifo nosso). Seguindo o que escrevera o doutrinador, as leis mencionadas preveem expressamente que o serviço pode ser utilizado como insumo na produção ou fabricação e que um serviço (atividade + utilidade) pode ser insumo da produção ou da fabricação de um bem. Será efetivamente insumo esse serviço sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Vale dizer, quando atividade ou utilidade contribuírem para o processo ou o produto existirem ou terem certas características. Portanto, o conceito de insumo adotado pelas Leis é amplo a ponto de abranger até mesmo as utilidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que relevantes para o processo ou para o produto. Terem as leis de regência admitido créditos relativos a "serviços utilizados como insumos" demonstra o conceito de "utilização como insumo" no âmbito da nãocumulatividade de PIS/COFINS não tem por critério referencial o objeto físico, pois um sem número de serviços não interfere direta nem fisicamente com o produto final; limitase a assegurar que o processo exista ou se desenvolva com as qualidades pertinentes. Seguindo a linha de raciocínio de Marco Aurélio Greco, este introduz na sequência os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 379 10 Uma vez que processo de construção de um produto requer um conjunto de eventos a ele relativos, o processo formativo da receita ou do faturamento requer o cômputo de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção, mais uma vez mais amplo que o previsto na legislação do IPI. Considerando todas essas peculiaridades da nova sistemática de não cumulatividade instituída pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, as referidas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04 não poderiam simplesmente reproduzir o conceito de insumo para fins de IPI restringindo, por conseguinte, os bens/produtos cujos valores poderiam ser creditados para fins de dedução das contribuições para o PIS e Cofins nãocumulativos, sob pena de distorcer o alcance que as referidas leis conferiram a esse termo, obstaculizando a operacionalização da sistemática nãocumulativa para essas contribuições. Explico: As Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 majoraram as alíquotas das contribuições do PIS e da Cofins de 0,65% para 1,65 e de 3% para 7,6%, respectivamente. E, em contrapartida, criaram um sistema legal de abatimento de créditos apropriados em razão das despesas e aquisições de bens e serviços relacionados no art. 3º de ambas as leis. Da própria exposição de Motivos da Medida Provisória n. 66, de 29 de agosto de 2002, constou explicitamente que "constitui premissa básica do modelo à manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/PASEP". Assim, a restrição pretendida pelas Instruções Normativas para o conceito de insumos aos elementos consumidos no processo operacional, além de ir de encontro à própria essência do princípio da nãocumulatividade, acaba por gerar a ampliação da carga tributária das contribuições em comento. Dessa forma, é inexorável a conclusão de que os referidos atos normativos fazendários, ao validarem o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos com acepção restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, acabaram por extrapolar os termos do ordenamento jurídico hierarquicamente superior, in casu, as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois vão de encontro à finalidade da sistemática de nãocumulatividade da Contribuição para o PIS e da Cofins. Reconhecida a ilegalidade das Instruções Normativas 247/02 e 404/04, por adotarem definição de insumos semelhante à da legislação do IPI, impede definir agora qual seria a exegese para o termo mais condizente com a sistemática da nãocumulatividade das contribuições em apreço. Da mesma forma, entendo incabível a utilização da legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 380 11 Primeiramente, porque se assim o quisesse o legislador, teria sido mais simples aumentar diretamente a alíquota do IRPJ ou da própria CSLL (considerando a sua desvinculação constitucional) e permitir aos contribuintes a dedução das despesas operacionais. Por essa linha de raciocínio, em contraponto, o conceito de insumo poderia se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterizasse como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. Seria dizer que "bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços", na acepção da lei, referirseia a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Houve precedente nesse sentido nesse mesmo CARF, no Recurso n. 369.519, Processo n. 11020.001952/200622, 2ª Câmara, Sessão de 08.12.2010. Valhome desse julgado, mas para concluir de forma distinta, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento – exemplo – Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa (o que abrange a administração). Porém, por princípio, todos os custos (não todas as despesas) da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, poderiam ser passíveis de crédito. Dito isso, permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a intepretação da legislação ao ponto de tornala inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 381 12 Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. Como havia dito no primeiro parágrafo, a exclusão do "Custo das mercadorias ou serviços" e das "Despesas Operacionais" da base de cálculo das contribuições ao PISPasep e Cofins, caso considerados insumos, resultaria em que seria tributado apenas o Lucro Operacional da empresa + as Receitas não Operacionais (receitas não relacionadas diretamente com o objetivo social da empresa), como dito, o que resultaria na subversão da norma jurídica ao aproximála por interpretação às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Sendo assim, podese afirmar que a definição de “insumos” para efeito do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 PIS e mesmo artigo da Lei n. 10.833/2003 COFINS exige que: i) O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); ii) A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e iii) Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Se a prestação do serviço ou produção depende da própria aquisição do bem ou serviço e do seu emprego, direta ou indiretamente, na prestação do serviço ou na produção, estaremos diante da essencialidade desse bem ou serviço, necessária à sua classificação como insumo. Não apenas em relação exclusiva ao produto e sua composição, mas essencialidade em relação ao próprio processo produtivo. A título de exemplo, os combustíveis utilizados na maquinaria não são essenciais à composição do produto, mas são essenciais ao processo produtivo, pois sem eles as máquinas param. Do mesmo modo, a manutenção da maquinaria pertencente à linha de produção. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 382 13 Outrossim, não basta que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial e que haja prova disso. Como corolário, possível verificarse se a sua subtração resulte na impossibilidade dessa prestação do serviço ou da produção, isto é, prejudique a atividade da empresa, ou resulte em perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante, nos dizeres de Marco Aurélio Greco. Essa interpretação, senhores conselheiros, com a devida vênia, é a que adequase à intenção do legislador, à norma em vigor, ao direito do contribuinte e à manutenção dos níveis de arrecadação pela União. É a interpretação que coadunase com as modernas técnicas de produção, neutra do ponto de vista filosófico, por não resultar em incentivos negativos aos investimentos em modernização e em inovação de processos e produtos. Pois bem, feitas essas considerações, passo a analisar, especificamente, o processo em epígrafe. Subiram para apreciação as seguintes glosas, mantidas pelo Acórdão recorrido: 1) Aquisição de bens não sujeitos ao pagamento do PIS na etapa anterior; 2) Despesas com Frete na Operação de Venda, subdividindose em 2.1) Fretes relativos ao CTRC cujas notas vinculadas não constam do LRS; 2.2) Fretes que não se referem à operação de venda; 3) Créditos presumidos das atividades agroindustriais, que subdividese em 3.1) Bens adquiridos para revenda; 3.2) aquisições de pessoas físicas; 4) Serviços de transporte de carga prestados por pessoa física. 1) Aquisição de bens não sujeitos ao pagamento do PIS Nos termos do § 2º do artigo 3º da Lei 10.637/02 temos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) O referido dispositivo legal estabelece que os contribuintes sujeitos ao pagamento do PIS e da COFINS com base nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, poderão deduzir, nas situações jurídicas que preconiza, os montantes pagos a título de PIS e de COFINS. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 383 14 A lei pode autorizar exclusões e vedar deduções de determinados valores para fins de apuração da base de cálculo do tributo, encontrandose elencadas no artigo 1º, § 3º, da Lei n.º 10.637/02, e no artigo 1º,§ 3º, da Lei n.º 10.833/03, as exclusões autorizadas. Por seu turno, estabelecem os artigos 3ºs, de ambas as Leis, as deduções permitidas, bem como as vedações quanto ao aproveitamento de determinados créditos para essa finalidade. Ademais, é necessário buscar o alcance da disposição prevista no inciso II do §2º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e duas são as conclusões extraídas: (i) não dá direito ao crédito a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento do PIS e da COFINS; (ii) quando os bens ou serviços adquiridos forem isentos, a sua aquisição não dará direito a crédito quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. As Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 têm natureza específica no tocante às regras de não cumulatividade do PIS e da COFINS, e, por força do princípio da especialidade, a regra especial prevalece sobre a regra geral. Ao justificar os motivos que levaram à glosa de créditos de COFINS referentes a bens adquiridos para revenda e bens utilizados como insumos, alegou o fisco que as aquisições de produtos classificados no código 3002.30 e na posição 38.08, da T I P I , referemse a produtos sujeitos a alíquota zero, que devem ser, portanto, excluídas do cômputo de créditos. Tais insumos seriam, por exemplo, a batatinha inglesa, tomate em cubos, cenoura em cubos, champignon fatiado, etc. Claramente tratamse de matériasprimas utilizadas na fabricação de condimentos e rações destinados a todos os alimentos, ou seja, carnes de aves e suínos, industrializados pela Recorrente. O fundamento para a glosa em questão recairia no artigo 3o, parágrafo 2 o da Lei 10.833/03, com a redação dada pelas Leis n° 10.685/04 e 10.925/04: "§ 22 Não dará direito a crédito o valor: I I da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." Entendo correto o argumento de que a aquisição dos produtos acima gera sim o direito ao creditamento glosado, na medida em que, a despeito de terem sido realizadas mediante alíquota zero de COFINS , é fato incontestável que foram previamente sujeitos a incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 384 15 Nesse sentido, faz jus ao creditamento mesmo que o contribuinte adquira insumos tributados com alíquota zero, eis que paga, ainda que embutido no preço, o t r i b u to ( P I S / C O F I N S ) indiretamente em outros insumos ou produtos, a exemplo de adubos, fertilizantes, ferramentas, maquinários, dentre outros, adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo. Por isso existe o legislador trouxe o art. 17 à Lei no. 10.033. Importante mencionar dois julgados nesse sentido: Primeiro, a decisão proferida pela Ministra Eliana Calmon, da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, que ao julgar caso referente aos créditos relativos ao Crédito Presumido de IPI, regulado pela Lei 9363/96, bem reconhece o direito atinente a aquisições em que o tributo ( P IS e C O F I N S ) tenha incidência em cascata: "( ... ) Muito ponderei sobre o tema, especialmente diante de algumas reflexões trazidas nos memoriais, dentre as quais destaco: 1) a COFIN S e o PIS oneram em cascata o produto rural , por isso , estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador mesmo não havendo incidência na sua última aquisição: 2) o Decreto 2.367/98 regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; 3) a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2) sem condicionantes. Depois de todas essas avaliações, concluí da seguinte maneira: 1o) o produtorexportador adquire como insumo, por exemplo, tecidos, linhas, agulha, botões, etc, e em todas essas aquisições é ele contribuinte de fato da PIS/COFINS, paga pelo vendedor que, no preço, já embutiu a PIS/COFINS paga pelos seus insumos. Na hipótese, a lei permite o ressarcimento sobre o preço final da aquisição, o que leva a também deduzir as antecedentes incidências da PIS/COFINS; 2o) mesmo quando o produtorexportador adquire matériaprima ou insumo agrícola diretamente do produtor rural pessoa física, embutido no preço dessas mercadorias o tributo PIS/COFINS indiretamente em outros insumos ou produtos, tais como ferramentas, maquinários. adubos, etc , adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo. Pareceme, portanto, que razão assiste aos que entendem ter a instrução normativa aqui questionada extrapolado o conteúdo da lei." (RESP 586392 DJ 06.12.2004, pág. 259) O mesmo entendimento foi adotado pelo CARF: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE I P I . AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. (...) Fl. 396DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 385 16 Mesmo as aquisições de insumos de não c o n t r i b u i n t e s das contribuições em causa (P I S / P A S E P e C O F I N S ) dão d i r e i to ao crédito presumido, considerandose quef em etapas anteriores, tais contribuições oneraram, em cascata, o custo do produto a ser e x p o r t a d o e t êm sua incidência embutida nas operações anteriores. (Recurso n° 129856 Terceira Câmara Processo n° 13527.000092/200120 Sessão De 10/08/2005 Entendo pois que há o direito à manutenção integral dos créditos apropriados pela Recorrente como custo incorrido por serem claramente insumos, no conceito amplo que lhe conferiu o legislador Ainda há outro argumento trazido à baila pelo contribuinte que entendo reforçar o raciocínio: essas operações não se tratam de operações não sujeitas ao pagamento das contribuições, elas são sim sujeitas ao seu pagamento, mas à alíquota zero, e por isto não incide o óbice previsto no artigo 3°. parágrafo 2° da Lei 10.637/02. com a redação dada pelas Leis n° 10.684/03 e 10.865/04, tal como acima transcrito. Por isso, caso nossos pares entendam que a contribuinte não faz jus aos créditos integrais decorrentes das aquisições mediante aplicação de alíquota zero, automaticamente teremos que reconhecer o cabimento do direito ao crédito presumido previsto no artigo 8° da Lei n°. 10.925/2004. Referido dispositivo, prevê que a pessoa jurídica poderá deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o. das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Os produtos acima relacionados tratamse de insumos adquiridos pela Recorrente, na qualidade de produtora de mercadorias de origem animal destinados à alimentação humana, os quais foram utilizados na fabricação de produtos por ela fabricados e destinados à venda. Nesse tópico, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Finalmente, Caso haja distinção de alguma espécie por parte dos nobres pares, consigno que esses mesmos argumentos e razões de decidir são válidos para as glosas da rubrica de "Bens adquiridos para Revenda", ou seja, relativas aos produtos classificados no código 3002.30 e na posição 38.08, da T I P I, para os quais também entendo plenamente cabível o direito ao crédito. 2) Despesas com frete nas operações de venda 2.1) Fretes relativos ao CTRC cujas notas vinculadas não constam do LRS; No que tange à glosa de créditos referente às despesas com frete nas operações de venda, muito embora entenda perfeitamente cabível o direito ao creditamento, compulsando os autos, verifico que há carência de material probatório, em que pese as Fl. 397DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 386 17 alegações da recorrente sejam no sentido de que tal prova seria impossível em virtude das próprias características do transporte de aves vivas. Perfilome do entendimento sufragado pelos i. julgadores de primeira instância onde restou decidido que: “Assim, dos conhecimentos de transporte relacionados pela contribuinte, a Autoridade Fiscal não acolheu aqueles aos quais não há qualquer nota fiscal vinculada. Neste caso, agiu corretamente a Autoridade Fiscal, haja vista nos casos em que não há no CTRC a informação precisa da nota fiscal do material transportado resta prejudicada a confirmação de trataremse de fretes na venda de um produto da empresa, requisito essencial para que a despesa de frete gere o crédito pretendido. (...) Em assim não tendo agido a contribuinte, a teor do que está firmado no item 1 deste voto, deixou de cumprir o ônus que a lei lhe impõe de comprovar os créditos pleiteados não havendo, portanto, como reconhecêlos.” Assim, por não ter havido a comprovação, por parte da Recorrente da efetiva ocorrência das operações de venda vinculadas aos referidos CTRC, entendo não assistirlhe razão quanto a esse tópico. 2.2) Fretes que não se referem à operação de venda Existência de direito ao credito relativo aos fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa A fiscalização negou o direito ao crédito decorrente dos fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. Do exame atento do art. 3° caput e parágrafo 1º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, verificase que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente aos custos, encargos e despesas suportados pela empresa no decorrer de suas atividades. Para essas contribuições, o Poder Executivo, ao editar as MPs 66/02 e 135/03, optou, conforme exposição de motivos da lei, pelo chamado “Método Indireto Substantivo”, como forma de garantir apenas neutralidade parcial do impacto tributário sobre os agentes da cadeia de valor. Ou seja, na sistemática do PIS e da COFINS não cumulativa o direito ao crédito não leva em consideração o valor das contribuições pagas nas etapas anteriores, mas Fl. 398DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 387 18 sim certas bases de créditos e débitos (valor dos bens e serviços) desde que sujeitos a tributação nesta etapa anterior. Neste contexto, por todo exposto entendo que assiste razão a recorrente, que pode creditarse de frete realizado pela empresa, uma vez que se tratam de despesas operacionais indispensáveis e essenciais ao funcionamento da Recorrente, sem os quais a atividade industrial da empresa fica evidentemente prejudicada. Assim entende a RFB: SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 9 de 30 de maio de 2006 ASSUNTO: 15 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: COFINS NÃO CUMULATIVA CRÉDITO FRETE. Geram direito ao crédito da Cofins, os pagamentos, a pessoas jurídicas domiciliadas no país, pelo serviço de transporte de bens de um estabelecimento a outro da mesma pessoa jurídica, na qualidade de insumos para obtenção de um , produto cuja industrialização será concluída no estabelecimento de destino, desde que esse deslocamento se revele necessário no processo produtivo, integrando o custo de produção, e de sde que o produto acabado seja destinado à venda. Também geram direito ao crédito mencionado os pagamentos a pessoa jurídicas domiciliadas no país pelo serviço de transporte de insumos adquiridos de terceiros, quando o ônus for suportado pelo adquirente e o produto acabado for destinado à venda. Ainda: 7a REGIÃO F I S C AL SOLUÇÃO DE CONSULTA N°. 275 de 02 de julho de 2004 EMENTA: Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, COFINS NÃO CUMULATIVA CRÉDITO. TRANSPORTE DE INSUMOS E PRODUTOS. Os valores referentes aos fretes contratados para transporte de insumos, aplicados na fabricação de produtos, desde que prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, por serem considerados insumos nos termos do art. 66, I , " b " , da IN SRF n° 247, de 2002, podem compor o somatório dos créditos a serem descontados da COFINS. Os valores referentes ao frete na operação de venda de produtos, desde que suportados pelo vendedor, podem compor o somatório dos créditos a serem Fl. 399DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 388 19 descontados da COFINS, a partir de 01 de fevereiro de 2004. As despesas de comissões de vendas, pagas a pessoa jurídica domiciliada no país não geram direito a crédito da COFINS por falta de amparo legal A recorrente inclusive demonstra os CFOP´s cujos créditos foram glosados. Referiramse a 5151 Transferência de Produção do Estabelecimento 5451 Remessa de Animal ou de Insumo para Estabelecimento Produtor 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros 5503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação 5905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 5923 Remessa de mercadoria por conta e o r d em de terceiros, em venda à ordem ou em operações com armazém geral ou depósito fechado. 6151 Transferência de produção do estabelecimento 6905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 7949 Outra Saída de Mercadoria ou Prestação d e Serviço Não Especificada Claramente, todas as operações ou são relativas a insumos, ou referese ao envio de produtos acabados para seus armazéns ou até mesmo para exportação. 3) Créditos presumidos das atividades agroindustriais, A título de esclarecimento, não foram glosados os créditos presumidos de mercadorias adquiridas de pessoas jurídicas, foram readequadas as alíquotas aplicáveis na presunção, tal como será doravante exposto. 3.1) Bens adquiridos para revenda Inicialmente, foram glosados bens adquiridos para revenda, que foram incluídos nas bases dos créditos erroneamente, mas que não foram contestados. Logo, não há lide nesse sentido no presente processo. 3.2) aquisições de pessoas físicas Fl. 400DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 389 20 Conforme o entendimento da fiscalização, para a apuração do crédito presumido referente às aquisições de pessoas físicas, a Recorrente deveria aplicar as alíquotas previstas nos incisos I e II do §3° do artigo 8 o da Lei n° 10.925/04 de acordo com cada insumo adquirido. Desta forma, de acordo com tal entendimento, a fiscalização apurou que a contribuinte Recorrente teria utilizado, equivocadamente, a alíquota de 4,56%, quando na verdade, sobre as aquisições de alguns insumos, deveria ter aplicado a alíquota de 2,66%. Nesse caso, tratase de interpretação da Lei. De acordo com a Lei n° 10.925, de 23 de j u l h o de 2004, acima transcrita, foi autorizado às pessoas jurídicas que comercializam mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas em determinados códigos NCM especificados na T I P I , a apuração de crédito presumido das contribuições ao PIS/PASEP e à C O F I N S sobre os insumos adquiridos de pessoa física e pessoa jurídica que exerça a atividade agropecuária e de cooperativa de produção agropecuária. Discorremos sobre essa matéria por ocasião da apreciação de outros casos, no qual restei vencido. Por outro lado, importante ressaltar que esse dilema fora resolvido posteriormente pelo legislador, que encerrou a controvérsia. De qualquer sorte, entendo que ao dispor sobre o direito ao crédito presumido o legislador considerou toda a cadeia de custos dos fabricantes de produtos de origem animal e vegetal , tendo chegado a conclusão de que a primeira é mais onerada pelo PIS / COFINS do que a segunda, haja vista a pecuária incorrer em gastos de produção muito mais vultosos do que o segmento puramente agrícola, justificando assim um maior percentual de crédito presumido. Por outro lado, segregar o direito ao crédito presumido de acordo o tipo de insumo seria infringir o comando normativo do caput do art. 8o da Lei n° 10.925/2004, que qualificou o direito a crédito pela condição do adquirente e não pelas características do seu fornecedor. Prova disso são as classificações fiscais citadas no inciso I do §3°: "60% (sessenta por cento) (...), para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas oupreparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; Como se pode perceber pelas classificações fiscais citadas, o referido dispositivo está fazendo alusão aos produtos comercializados pela agroindústria, uma v e z que as classificações fiscais sublinhadas referemse a uma parcela dos produtos finais deste segmento e não as matériasprimas advindas de seus fornecedores (ex: animais vivos ) . Vejamos alguns exemplos das classificações citadas no inciso: 02.02 Carnes de animais da espécie bovina, congeladas. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 390 21 02.03 Carnes de animais da espécie suína, frescas, refrigeradas ou congeladas 02.06 Miudezas comestíveis de animais das espécies bovina, suína, ovina, caprina, cavalar, asinina e muar, frescas, refrigeradas ou congeladas 02.07 Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05. 1501.00.00 Gorduras de porco (incluída a banha) e gorduras de aves, exceto as das posições 02.09 ou 15.03. 1506.00.00 Outras gorduras e óleos animais, e respectivas frações, mesmo refinados, mas não quimicamente modificados. 15.16 Gorduras e óleos animais ou vegetais, e respectivas frações, parcial ou totalmente hidrogenados, interesterificados, reesterificados ou elaidinizados, mesmo refinados, mas não preparados de outro modo. No referido dispositivo não se citam os animais vivos da posição 1 da TIPI, mas apenas os subprodutos de sua matança. Ora, se a realmente a intenção do legislador fosse conceder o direito ao crédito presumido com base nas entradas, ela deveria citar os animais vivos (NCM's 1.02: bovinos, 1.03: suínos e 1.06: aves) no inciso I do §3° do art . 8o, principal insumo de parte significativa da agroindústria de alimentos de origem animal, como geradores do direito a crédito presumido. Isso nos leva a concluir que o percentual determinase de acordo com as saídas e não com as entradas. Nesta ordem de considerações entendo que no caso de empresas que fabriquem produtos de origem animal o direito a crédito é de 60% independente do tipo de insumo, animal ou vegetal, adquirido pelo agroindustrial. Finalmente, gostaria também de mencionar recente voto do I. Conselheiro Rosaldo Trevisan, no Acórdão no. 340200.476: 5.14. Crédito presumido de atividade agroindustrial Em relação ao crédito presumido de atividade agroindustrial, informa o fisco que houve aplicação incorreta da alíquota de 60% (o correto seria 35%) a diversas aquisições de produtos classificados em códigos da NCM não contemplados no comando legal (art. 8o da Lei no 10.925/2004), inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo (como animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, lenha, retentores e laudos técnicos), e inclusão de insumos sujeitos a alíquota zero (pintos de 1 dia / ovo fértil). A recorrente alega que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido, e que os bens são de fato utilizados no processo produtivo (animais reprodutores e de lactação, para preparar outros animais para abate; lenha para fornos destinados a produzir copa, salame, etc; retentores como partes e peças de máquinas usadas na produção; e laudos técnicos para manutenção da qualidade e higiene na linha de produção). Fl. 402DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 391 22 O art. 8o da Lei no 10.925/2004 dispõe que as pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias (que arrola no caput do artigo), destinadas à alimentação humana ou animal, podem deduzir das contribuições (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins),devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (insumos), adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, residente ou domiciliada no País. No § 3o do referido art. 8o, estabelecese que o montante do crédito presumido será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a: (a) 60% da prevista na legislação das contribuições, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (b) de35% da prevista na legislação das contribuições, para os demais produtos.Na letra da lei: (...) Vêse,pelas glosas, que o fisco aplicou as alíquotas conforme os insumos adquiridos. Contudo, a recorrente alega que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido. Assim, devese iniciar a análise da questão pela alíquota aplicável.A literalidade da lei realmente abre possibilidade às duas linhas de entendimento, pelo que deve se buscar qual é a interpretação que se coaduna ao sistema,mantendoo lógico, coerente e harmônico.Tal tarefa foi recentemente empreendida nesta turma, que unanimemente chegou à conclusão que: “O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo”. (Acórdão no 3403002.281,Rel Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de25.jun.2013) (grifo nosso) É conveniente transcrever parte do raciocínio empreendido, para que reste nítida a coerência argumentativa da linha adotada: “Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e5o de seus respectivos artigos 3os. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – Fl. 403DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 392 23 fertilizantes,defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até anti isonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que,simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. Entraram na lista de produtos favorecidos com esta última medida adubos e fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes e mudas destinadas ao plantio, corretivo de solo de origem mineral, inoculantes agrícolas etc. (artigo 1o). Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicalo depois de reduzida azero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no.10.925/04: decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que,se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matérias primas,bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subsequentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito Fl. 404DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 393 24 presumido,por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário,estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.’ Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e,como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes,conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza.” Assim, entendese aqui também cabível a concessão do crédito presumido mediante a aplicação das alíquotas de 60% ou 35% em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. Restaria ainda analisar as questões referentes à inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo (animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, lenha, retentores e laudos técnicos), e à inclusão de insumos sujeitos a alíquota zero(pintos de 1 dia). Contudo, parte do contencioso foi solucionada com a decisão de piso: “Quanto às aquisições de pintos de 1 dia, como já visto, o art. 8o da Lei no 10.925/04, estabelece que poderão apurar crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as pessoas jurídicas sujeitas à incidência não cumulativa dessas contribuições que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, nele especificadas, destinadas à alimentação humana ou animal, calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo na produção dessas mercadorias, adquiridos de pessoas físicas ou das pessoas jurídicas listadas no seu § 1o.A concessão do crédito presumido, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, é conjugada com a obrigatória suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas vendas de insumos feitas por essas pessoas jurídicas, consoante determinação do art. 9o da Lei no 10.925, de2004. (...) Por fim, quanto à lenha utilizada em fornos e câmaras para produção de diversos produtos, tendo em vista a utilização destes bens como combustível, constatase que lenha corresponde ao conceito de insumos e concede direito ao crédito presumido Fl. 405DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 394 25 quando adquirida de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas incluídas no § 1o do artigo 8o da Lei no 10.925/2004. Desta forma, concedese o crédito presumido em relação às aquisições de lenha e pintos de 1 dia, ao percentual de 35%incidente sobre a alíquota das contribuições, explicitados na planilha anexada a este acórdão, (...)” (grifo nosso) Assim, resta apenas acrescer ao já decidido pela DRJ nossas considerações sobre a alíquota aplicável em relação ao crédito presumido. Na parte que ainda resta contenciosa animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, retentores e laudos técnicos,há que se destacar que os dois últimos não são produtos agropecuários, aptos a gerar o creditamento. Os três primeiros, por sua vez, passaram a ensejar o creditamento apenas em 2009, como também destacou o julgador a quo: “Quanto à glosa de créditos em relação a animais reprodutores,animais para lactação e animais para recria, esclarecese que apenas após a publicação da Lei no 12.058/09, eficaz a partir de1o de novembro de 2009, foi concedido o direito a crédito presumido em relação a aquisições de animais vivos da espécie bovina. Ressaltase que não é permitido o crédito presumido em relação a animais reprodutores, animais para lactação e animais para recria de outras espécies devido a estes bens encontraremse incluídos no ativo imobilizado e, portanto, não corresponderem ao conceito de insumos.Tendo em vista que o presente lançamento referese ao 1o trimestre de 2007, mostrase correta a glosa.” (grifo nosso) Concluise, então, neste tópico, pela improcedência das glosas no que se refere às alíquotas adotadas, inclusive em relação aos créditos presumidos só assegurados na decisão de piso, e pela manutenção das glosas referentes a animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, retentores e laudos técnicos.” Isso posto, entendo procedente os argumentos da recorrente, e voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário também nesse tópico. 4) Fretes de Pessoa Física No que se refere às glosas de créditos com fretes adquiridos de pessoas físicas, importante algumas considerações. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos deve ser interpretada de forma sistemática, e de fato, o legislador busca eliminar a incidência em cascata das contribuições na cadeia produtiva. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 395 26 Tanto o é que regra geral é a de que aquisições de pessoas físicas não são admitidas para crédito, em diversos momentos. A exemplo, despesas de aluguéis pagos a pessoa físicas, mãodeobra, etc. Havendo possibilidade de restrição legal dos créditos, e sendo regra geral a inadimissibilidade de créditos sobre aquisições de pessoas físicas (não que não possa haver créditos sobre elas, caso concreto da presunção analisada anteriormente, claramente trazida à baila para moldar a Lei à realidade da cadeia específica do agronegócio) Como dito, os arts. 3o, IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, expressamente estabelecem que o creditamento é em relação a “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa” (grifo nosso), Concluindo, muito embora creia firmemente que fretes são insumos, seja na venda, seja durante a produção, no caso de fretes contratados a pessoa física entendo que a lei inadmite tal creditamento. Conclusão Por todo exposto, conheço do recurso e julgo parcialmente procedente É como voto. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto às seguintes matérias: 1. Direito ao creditamento sobre as aquisições de bens para revenda e insumos não sujeitos ao pagamento do PIS; 2. Direito ao creditamento sobre despesas de fretes em operações não comprovadas como de venda; Direito ao creditamento sobre as aquisições de bens para revenda e insumos não sujeitos ao pagamento da contribuição A autoridade fiscal glosou os créditos tomados sobre a aquisição de bens para revenda classificados no capítulo 29, no código 3002.30 e na posição 38.08, cuja redução à alíquota zero está prevista na Lei nº 10.925, de 2004 e no Decreto nº 5.821, de 2006. Do mesmo modo, glosou os créditos tomados sobre as aquisições de insumos, reduzidos à alíquota zero pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 28, inciso III, pela Lei nº 10.925, de 2004, incisos I, II, IV, VII, IX, XI, XII. Lei 10.856, de 2004, art. 28: Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 396 27 Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) ... III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI; Lei nº 10.925, de 2004: Art. 1o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; II defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matériasprimas; IV corretivo de solo de origem mineral classificado no Capítulo 25 da TIPI; ... VII produtos classificados no Código 3002.30 da TIPI; e IX farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho, classificados, respectivamente, nos códigos 1102.20, 1103.13 e 1104.19, todos da TIPI; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) ... XI leite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, e leite em pó, integral ou desnatado, destinados ao consumo humano; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) XII queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Decreto nº 5.821, de 2006: Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; O fundamento da glosa foi de que tais bens, por não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições, não podem gerar créditos. O conselheiro relator entendeu pela possibilidade de creditamento, afastando a restrição imposta no §2º, inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, Fl. 408DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 397 28 sob dois fundamentos: ter havido incidência deste tributo nas etapas anteriores da circulação e entender que sujeição à alíquota zero implica, sim, em pagamento, mas à alíquota zero. Penso, entretanto, de modo diverso. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei, obedecidas as restrições legais, dentre elas a impossibilidade de creditamento em relação a bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, conforme dispositivos legais abaixo transcritos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. A clareza do dispositivo não deixa margem a dúvidas: o que se exige é que a aquisição seja sujeita ao pagamento e não sujeita à incidência tributária. A tributação sob alíquota zero, embora inserta no campo da incidência tributária, não possui qualquer conteúdo econômico positivo. Por outro lado, as aquisições à alíquota zero não transferem carga tributária, uma vez que além de não haver débito na saída, o crédito embutido na etapa anterior é ressarcível pelo vendedor (artigo 17 da Lei nº 11.033, de 20041 combinado com artigo 16 da Lei nº 11.116, de ,20052), não havendo transferência de carga tributária no preço. O que ocorre, de fato, é a aquisição desonerada de carga tributária. A questão foi enfrentada no julgamento do RE 353.6575 – PR, ao tratar do creditamento de IPI sobre as aquisições sujeitas à alíquota zero. No item 6 do voto, a Ministra Ellen Gracie assim explicitou: 1 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 2 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 398 29 6. Desejo frisar a importância da ausência de tributação em momento anterior à etapa zero ou nãotributada. Isso porque, a maneira pela qual os contribuintes ingressam e juízo e pleiteiam o creditamento faz parecer que qualquer entrada de matéria prima haverá de gerar crédito, a ser compensado com o montante do tributo devido na saída do produto industrializado. Não é essa, todavia, a sistemática da nãocumulatividade, que objetiva tãosomente evitar a incidência tributária sobre uma base já onerada pelo mesmo tributo. Se, no entanto, a etapa zero ou N/T não está precedida de tributação positiva, a base de cálculo já está desonerada, sem que faça necessário – ou mesmo pertinente – qualquer mecanismo compensatório. Como frisado no voto da Ministra Ellen Gracie, a inexistência de transferência de carga tributária para a etapa seguinte constitui um dos fundamentos para o impedimento de creditamento à alíquota zero, restrição imposta que não desnatura o princípio da nãocumulatividade. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso quanto à possibilidade de creditamento de PIS/Pasep ou Cofins, sobre as aquisições de bens para revenda e insumos tributados à alíquota zero, porquanto delas não resulta qualquer pagamento. Direito ao creditamento sobre despesas de fretes em operações não comprovadas como de venda A autoridade fiscal glosou despesas de fretes tomados pela recorrente sob o argumento de se tratarem de fretes sobre operações de venda (art. 3º3, inciso IX da Lei nº 10.833, de 2003). Segundo a autoridade fiscal, tais fretes se referiam a transferências entre estabelecimentos da própria recorrente, mas que não integravam uma operação de venda, pois não havia uma nota fiscal de venda emitida previamente à operação. A recorrente contestou especificamente os Códigos Fiscais de Operações e Prestações – CFOP – abaixo relacionados: 5151 Transferência de Produção do Estabelecimento 5451 Remessa de Animal ou de Insumo para Estabelecimento Produtor 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros 5503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação 5905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 5923 Remessa de mercadoria por conta e o r d em de terceiros, em venda à ordem ou em operações com armazém geral ou depósito fechado. 6151 Transferência de produção do estabelecimento 3 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 399 30 6905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral 7949 Outra Saída de Mercadoria ou Prestação d e Serviço Não Especificada Pontuese que as glosas referentes aos demais CFOPs não foram contestadas e consideramse incontroversas. A recorrente, em síntese, alegou que os fretes glosados estavam vinculados a operações de venda ou ao processo produtivo. Por sua vez, o relator entendeu que assistiria direito à recorrente, em razão de que tais fretes se referiam a despesas operacionais indispensáveis e essenciais à atividade industrial da recorrente. Com respeito aos argumentos do relator, divirjo, em parte, de seu entendimento, pois relativamente aos CFOPs 5151, 5503, 5905, 6151, 6905 e 7949, entendo que não cabe razão à recorrente. Embora me alinho em termos gerais com o conceito de insumo esposado pelo relator, reputo que os fretes para serem classificados como insumos devem estar inseridos no custo de produção ou no custo dos serviços prestados, ou seja, serem aplicados ou consumidos no processo produtivo, sendo, portanto, essenciais e inerentes a este processo. Tenho, portanto, que para classificar como insumo, o serviço de frete deve possuir a natureza de custo e não de despesas operacionais, as quais excluo do conceito de insumo, não em razão de sua indispensabilidade à atividade econômica, mas em razão de ser uma despesa incorrida posteriormente ao processo produtivo. Já em relação aos fretes em operações de venda, acompanho a premissa da autoridade fiscal de que esta operação de venda deve ocorrer previamente à realização da despesa. A recorrente afirmou na peça recursal que os fretes vinculados às notas fiscais de CFOPs 5151 e 6151 se referiam às transferências de produtos industrializados dos estabelecimentos fabris para os centros de distribuição. Em relação aos CFOPs 5905 e 6905, afirmou apenas tratarem de mercadorias enviadas para depósito fechado ou armazém geral. Portanto, por se tratarem de despesas operacionais, como bem salientado pelo relator, relativas a transferências de produtos acabados, ou seja, despesa incorrida após o processo produtivo, não devem gerar créditos das contribuições por falta de previsão legal, isto é, não podem ser considerados insumos, nem fretes em operações de venda. Já os fretes vinculados às notas fiscais de CFOP 5503 tratam de devolução de mercadoria, não se referindo, pois à venda de produto/mercadoria, nem a serviço aplicado ou consumido no processo produtivo. Por fim, os fretes vinculados ao CFOP 7949 referemse a despesas operacionais que a recorrente afirmou serem decorrentes de remessa para formação de lote de exportação. Entretanto, este CFOP é um código residual destinado às saídas não especificadas nos demais códigos. A operação descrita pela recorrente, aparentemente, deveria ser registrada nos códigos 5504, 5505, 6504 ou 65054 que tratam das remessas para formação de lote de 4 5.504 Remessa de mercadoria para formação de lote de exportação, de produto industrializado ou produzido pelo próprio estabelecimento 5.505 Remessa de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, para formação de lote de exportação. 6.504 Remessa de mercadoria para formação de lote de exportação, de produto industrializado ou produzido pelo próprio estabelecimento Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 400 31 exportação. A escrituração em um código genérico e residual não é suficiente para confirmar a natureza da operação, devendo a recorrente ter trazido aos autos as provas necessárias para caracterizar a operação como de exportação ou de remessa com o fim específico de exportação. Destarte, voto para negar provimento ao recurso voluntário quanto ao direito ao desconto de créditos da contribuição sobre as despesas de fretes vinculados aos CFOPs 5151, 5503, 5905, 6151, 6905 e 7949. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 6.505 Remessa de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, para formação de lote de exportação. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.720242/200990 Acórdão n.º 3302002.471 S3C3T2 Fl. 401 32 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 03/04 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10580.727630/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita, sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em curso. Aplicação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001.
DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO.
Constatada divergência entre a receita bruta declarada na DSP/SIMPLES divergente com valores inferiores aos registrados no no Livro Caixa enseja o lançamento de ofício sobre a diferença apurada.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI.
Sendo a pessoa jurídica optante do Simples e contribuinte do IPI é cabível o acréscimo de 0,5% (meio por cento) incidente sobre a receita bruta auferida, a título do referido imposto.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LIMITE DE RECEITA BRUTA.
A pessoa jurídica que no ano-calendário de 2006 ultrapassar o limite legal de receita bruta deve ser excluída obrigatoriamente do Simples Federal a partir do ano-calendário de 2007.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 1101-001.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, 1) REJEITAR a preliminar de de nulidade do lançamento; 2) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas e à exclusão do SIMPLES daí decorrente; e 3) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência de IPI.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso, Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, José Sérgio Gomes, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Ausente justificada do Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita, sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em curso. Aplicação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Constatada divergência entre a receita bruta declarada na DSP/SIMPLES divergente com valores inferiores aos registrados no no Livro Caixa enseja o lançamento de ofício sobre a diferença apurada. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Sendo a pessoa jurídica optante do Simples e contribuinte do IPI é cabível o acréscimo de 0,5% (meio por cento) incidente sobre a receita bruta auferida, a título do referido imposto. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LIMITE DE RECEITA BRUTA. A pessoa jurídica que no ano-calendário de 2006 ultrapassar o limite legal de receita bruta deve ser excluída obrigatoriamente do Simples Federal a partir do ano-calendário de 2007. Recurso Improvido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2438; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 523 1 522 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.727630/201085 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1101001.137 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2014 Matéria SIMPLES Recorrente ORK COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita, sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em curso. Aplicação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Constatada divergência entre a receita bruta declarada na DSP/SIMPLES divergente com valores inferiores aos registrados no no Livro Caixa enseja o lançamento de ofício sobre a diferença apurada. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Sendo a pessoa jurídica optante do Simples e contribuinte do IPI é cabível o acréscimo de 0,5% (meio por cento) incidente sobre a receita bruta auferida, a título do referido imposto. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LIMITE DE RECEITA BRUTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 76 30 /2 01 0- 85 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 524 2 A pessoa jurídica que no anocalendário de 2006 ultrapassar o limite legal de receita bruta deve ser excluída obrigatoriamente do Simples Federal a partir do anocalendário de 2007. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, 1) REJEITAR a preliminar de de nulidade do lançamento; 2) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas e à exclusão do SIMPLES daí decorrente; e 3) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência de IPI. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente (assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso, Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, José Sérgio Gomes, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Ausente justificada do Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Relatório Em razão de bem descrever os fatos envolvidos no presente processo, adoto o relatório da Resolução nº 110100.085, de fls. 515/522, que determinou o sobrestamento do processo, em razão de referirse à quebra de sigilo bancário, com as inclusões a seguir descritas: Versam estes autos sobre Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão proferido pela DRJ em Salvador que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido e a exclusão do contribuinte do SIMPLES a partir de 01/01/2007, conforme sintetiza a ementa do Acórdão recorrido, da DRJ em Salvador (BA), que encontrase assim redigida: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 525 3 A pessoa jurídica que declara na DSPJ/Simples do período fiscalizado receita bruta em valores inferiores ao escriturado no Livro Caixa sujeitase ao lançamento de ofício sobre as diferenças apuradas. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. A existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento de ofício por omissão de receitas. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Sendo a pessoa jurídica optante do Simples e contribuinte do IPI é cabível o acréscimo de 0,5% (meio por cento) incidente sobre a receita bruta auferida, a título do referido imposto. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LIMITE DE RECEITA BRUTA. A pessoa jurídica que no anocalendário de 2006 ultrapassar o limite legal de receita bruta deve ser excluída obrigatoriamente do Simples Federal a partir do ano calendário de 2007. NULIDADE PROCESSUAL. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade quando o auto de infração se encontra revestido das formalidades legais e foi garantido o direito de defesa na impugnação. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Segundo o Termo de Verificação Fiscal (proc. fls. 90 a 93), iniciado o procedimento fiscal em 11/03/2010 (proc. fls. 123 e 124), o contribuinte foi intimado a apresentar os livros contábeis e fiscais, bem como os extratos bancários de todas as contas correntes, de investimentos e de aplicações financeiras, mantidas no Brasil e no exterior. Após alguns pedidos de prazo e reintimações, o interessado apresentou os livros de entradas e saídas de mercadorias, livro de apuração do ICMS, Livro Caixa, contrato social e alterações, bem como cópias dos DARFs de pagamento do SIMPLES. No entanto, o contribuinte deixou de apresentar os extratos bancários. Foi então concedido novo prazo para apresentação dos extratos. Em resposta datada de 04/05/2010 (proc. fl. 162), o sócio Rodney da Silva Borba afirmou que assumiu a empresa em janeiro de 2008 e que desconhecia quaisquer irregularidades anteriores à sua gestão. Afirmou que durante todo o período de fiscalização Fl. 525DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 526 4 tentou localizar os exsócios, mas não obteve sucesso. Concluiu que ante a tais dificuldades não obteve os extratos requeridos. Destarte, a Autoridade Fiscalizadora, com base nos arts. 33 da Lei nº 9.430/96 e 3º do Decreto nº 3.724/01, expediu Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) aos Bancos Bradesco S/A e Itaú S/A. O agente fazendário asseverou que de posse dos extratos bancários intimou o contribuinte a justificar e comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos dos valores creditados em suas contas correntes. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, em 03/08/2010, o sócio administrador, Sr. Rodney da Silva Borba, informou mais uma vez que assumiu a empresa em janeiro de 2008 e desconhecia qualquer irregularidade existente anterior à sua gestão, afirmou que não conseguiu localizar os sócios anteriores, motivo pelo qual não obteve os documentos necessários para justificar a origem dos recursos dos valores creditados nas contas bancárias no anocalendário de 2006. A autoridade fazendária constatou que a empresa declarou receita bruta em valores significativamente inferiores aos valores de receitas escrituradas no Livro Caixa. Desta forma, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ – SIMPLES (proc. fls. 22 a 27), PIS – SIMPLES (proc. fls. 33 a 38), CSLL – SIMPLES (proc. fls. 44 a 49), COFINS – SIMPLES (proc. fls. 55 a 60), IPI – SIMPLES (proc. fls. 66 a 71) e INSS – SIMPLES (proc. fls. 77 a 82). Os Autos de Infração descrevem as seguintes infrações: depósitos bancários não escriturados – origem não comprovada; diferença de base de cálculo – receita escriturada e não declarada, e insuficiência de recolhimento. Em 17/08/2010, foi expedido o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR/SEFIS nº 10/2010 que declarou a exclusão do contribuinte Ork Comercial Ltda., por superação do limite legal da receita bruta impedindo a permanência no SIMPLES (arts. 9º, 12, 13 e 14 da Lei nº 9.317/96). Foi fixado o primeiro dia do exercício seguinte como termo inicial dos efeitos da exclusão de acordo com os art. 15 e 16 da Lei nº 9.317/96. O contribuinte apresentou Impugnação em 15/09/2010 (proc. fls. 386 a 396). De início o contribuinte alegou que não se verificou qualquer das hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº 9.430/06 que versa sobre o “regime especial para cumprimento de obrigações”. Ademais, entendeu que a alegação do agente fiscal de que houve ausência de justificativa para a não apresentação das informações bancárias é inverídica, pois o sócio majoritário, Sr. Rodney da Silva Borba, por diversas vezes manifestou a impossibilidade de ter acesso aos extratos bancários concernentes a gestão anterior a sua, tendo ainda comentado a dificuldade de localizar os antigos sócios da empresa. Destarte, o interessado ressaltou que em momento algum se verificou a recusa em atender às exigências requeridas, sendo sempre justificado o motivo para a não apresentação de determinados documentos. O Impugnante ainda alegou que, no caso em análise, não se constatou a presença dos requisitos autorizadores para a quebra do sigilo bancário e fiscal, portanto, nítida a ofensa ao direito constitucional de proteção à intimidade e à vida privada. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 527 5 Neste sentido, tendo em vista os argumentos supramencionados, o interessado afirmou que a ação fiscal padece de vício de nulidade. Relativo à base de cálculo, o contribuinte entendeu que a fiscalização se afastou do previsto na legislação tributária tendo em vista que utilizou como base de cálculo para o Auto de Infração informações que à época da ação fiscal não diziam respeito ao negócio comercial, ao invés do apurado com base nos livros e documentos fiscais. Alertou que os dados repassados ao Fisco pelas instituições financeiras são meramente quantitativos, sendo necessário um aprofundamento nas investigações da autoridade fiscalizadora, para fins de demonstração inequívoca de omissão de registro de receitas. Referente à apuração do IPI, o Impugnante manifestouse contrário à apuração da base de cálculo sob o argumento de que não é contribuinte deste tributo. Relatou que o ramo de atividade exercido pela empresa é a fabricação (confecção) de roupas profissionais, exceto sob medida. Segundo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.637/98, não se considera industrialização a “confecção de vestuário, por encomenda direta do consumidor ou usuário, em oficina ou na residência do confeccionador”. Desta forma, o Impugnante entendeu que o Auto de Infração é ineficaz para estabelecer o crédito tributário, devendo ser anulado. Ainda em suas razões, o contribuinte alegou que nosso direito pátrio é norteado pelos princípios constitucionais da presunção de inocência e vedação da utilização de provas adquiridas de forma ilícita. Portanto, concluiu que o processo administrativo em análise, deve ser declarado nulo por violação a tais princípios, quer seja pela ausência de prova inequívoca da ocorrência de omissão de receitas, quer pela não autorização à autoridade fiscalizadora de acesso às informações bancárias sigilosas. Por fim, relativo à exclusão do SIMPLES Nacional, o Impugnante ressaltou que em 01/07/2007 entrou em vigor a Lei Complementar nº 123/2006 e que as empresas tiveram que optar pela adesão. O contribuinte requereu a anulação do Auto de Infração, a convocação da auditora fiscal a refazer seus procedimentos e apurar os verdadeiros valores devidos de acordo com a legislação em vigor, bem como a revogação do ato de exclusão do SIMPLES. Em 25/11/2011, a 4ª Turma da DRJ em Salvador exarou Acórdão que manteve o crédito tributário exigido e a exclusão do SIMPLES, esta com efeitos a partir de 01/01/2007 (proc. fls. 471 a 481). De início a Turma se manifestou por afastar as preliminares de nulidade apontadas pela Impugnante. Entendeu o Colegiado que não se verificou qualquer das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, ou seja, os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente e nos termos da legislação aplicável, bem como, não se vislumbrou cerceamento do direito de defesa visto que o interessado foi intimado de todos os atos do processo e assegurado o seu direito de resposta aos fatos apurados pelo Fisco. Ainda no que concerne às alegações de nulidade, o órgão julgador asseverou que, no tocante à presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, também não há que Fl. 527DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 528 6 se falar em nulidade, pois o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários, bem como comprovar a origem dos recursos depositados em conta corrente da Impugnante, o que, no entanto, não o fez. No mérito, a Turma entendeu insubsistente o argumento levantado pela Impugnante de que não houve motivação para que a autoridade fazendária determinasse a quebra dos sigilos fiscais e bancários da empresa, pois a atual direção assumiu as atividades da empresa em 2008 e durante o período de fiscalização não logrou êxito em contatar os exsócios para obter destes os extratos bancários. O Colegiado asseverou que, de acordo com o art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ademais, toda a movimentação financeira, inclusive bancária, da empresa inscrita no SIMPLES deve ser escriturada no Livro Caixa (art. 7º da Lei nº 9.317/96). A Turma ainda ressaltou que da análise do Livro Caixa se constatou que o Contribuinte não escriturava a sua movimentação bancária, a despeito do previsto na legislação tributária. Intimado a apresentar os extratos bancários, mesmo após a concessão de diversos prazos, estes não foram entregues. Desta feita, O órgão julgador assegurou que de conformidade com o previsto no Decreto nº 3.724/01 que regulamentou a Lei Complementar nº 105/01, é possível a requisição, acesso e uso de extratos bancários pela Secretaria da Receita Federal, vez que constatada a omissão de receitas e a negativa da responsabilidade pela movimentação financeira da empresa. O órgão fazendário ainda ressaltou que havia procedimento fiscal instaurado, e a requisição dos extratos bancário, por meio de RMF, foi precedida de intimação à Impugnante para apresentação de informações sobre o movimento de suas contas correntes no anocalendário de 2006. Ainda no que concerne aos depósitos bancários de origem não comprovada, a DRJ em Salvador asseverou que competia à Impugnante apresentar os elementos de prova que pudessem contradizer os lançamentos litigados, posto que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispõe sobre uma presunção legal relativa. No entanto, isto não foi feito. Referente à imputação de diferença de base de cálculo motivada por receita declarada e não escriturada, o contribuinte entendeu que a Fiscalização se afastou do previsto na legislação pátria, pois considerou como base de cálculo para o Auto de Infração informações que à época da ação fiscal não diziam respeito ao negócio comercial, ao invés do apurado com base nos livros e documentos fiscais. A Turma afirmou que a escrita fiscal do Impugnante não foi afastada. O lançamento por “diferença de base de cálculo” se deu com base na diferença entre a receita escriturada no Livro Caixa e receita declarada na DSPJ – SIMPLES. Após diversas intimações o contribuinte não apresentou nenhuma prova concreta capaz de elidir tal lançamento. No que concerne ao lançamento do IPI, o Impugnante discordou do acréscimo de 0,5% ao percentual incidente sobre a base de cálculo do SIMPLES sob o argumento de que não é contribuinte deste tributo, pois atua no ramo de atividade de fabricação Fl. 528DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 529 7 de roupas profissionais, exceto sob medida, e o art. 5º do Decreto nº 2.637/98 dispões que não caracteriza industrialização a “confecção de vestuário, por encomenda direta do consumidor ou usuário, em oficina ou na residência do confeccionador”. Com fundamento nos art. 4º e 5º do RIPI/202 (Decreto nº 4.544/2002) que versam sobre industrialização e não industrialização, o Órgão Julgador esclareceu que nos casos de não industrialização é condição obrigatória que o produto seja vendido diretamente ao consumidor ou usuário final, não podendo, consequentemente, ser negociado com estabelecimento comercial revendedor. No caso em análise, em momento algum o contribuinte apresentou prova concreta de que se enquadre nos requisitos que caracterizam a não industrialização. Ademais, a Turma enfatizou que não é crível que uma oficina, de acordo com a definição legal, movimente receita bruta no montante tão elevado de R$ 9.509.141,38, conforme apurado pelo Fisco. Portanto, a DRJ afastou as alegações de erro na definição da base de cálculo e de exclusão da parcela de 0,5% correspondente ao IPI. Por fim, no que toca à exclusão do SIMPLES por percepção de receita bruta acima do limite legal, o contribuinte se manifestou nos autos do proc. nº 10580.727632/201074, apensado a estes autos, no sentido de que o desenquadramento do sistema deveria ser anulado, devido a inconsistências dos Autos de Infração analisados neste processo. A Turma entendeu que como os Autos de Infração foram julgados procedentes, a exclusão de ofício deve ter mesma sorte, pois constatado que a empresa auferiu receita bruta no montante de R$9.974.267,94, o que é acima do limite legal de R$2.400.000,00, vigente no anocalendário em questão. A Impugnante ainda suscitou a vigência da Lei Complementar nº 123/06, em julho de 2007, para afastar os efeitos da exclusão. No entanto, de acordo com o previsto no art. 3º deste diploma legal, a empresa de pequeno porte que exceder o limite de receita bruta de R$ 2.400.000,00, ficará excluída do SIMPLES a partir do anocalendário subsequente. Destarte, o órgão julgador entendeu correta a exclusão da Impugnante do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2007, posto que ultrapassado o limite legal de receita bruta no anocalendário de 2006. Intimada, em 19/12/2011, do conteúdo da decisão exarada pela DRJ em Salvador, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 16/01/2012 (proc. fls. 488 a 505). Mais uma vez o Postulante alegou que não se verificou nenhum dos requisitos autorizadores para determinar o regime especial, e requereu a nulidade do Auto de Infração sob os argumentos de que o caso concreto não se subsume a hipótese de regime especial prevista no art. 33 da Lei nº 9.430/96, bem como pelo fato de que a autoridade fiscalizadora deixou de observar o procedimento especial previsto no § 1º do art. 33 do mesmo diploma normativo. Também levantou novamente o argumento de que não existem elementos que demonstrem que os valores registrados na conta se referiam às atividades mercantis da empresa. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 530 8 Quanto à base de cálculo do IPI, o Recorrente mais uma vez afirmou que não é contribuinte deste tributo, pois não exerce atividade de industrialização. Ressaltou ainda que, diferentemente do disposto no Acórdão vergastado, competia à autoridade fiscalizadora adotar as diligências de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão, de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias, a teor do art. 29 da Lei nº 9.784/99. Ademais, o contribuinte afirmou que sua atividade se enquadra na Seção XI da Tabela de Incidência do IPI (itens 61 e 62) que determina a aplicação de alíquota zero, aprovada pelo Decreto nº 4.542/02, vigente à época do fato gerador. Por fim, no tocante à exclusão do SIMPLES, o Requerente se valeu do mesmo argumento já esposado quando da Impugnação, qual seja, os efeitos da exclusão só se verificam em 01/01/2007, e, no entanto, em julho de 2007, com a entrada em vigor da LC nº 123/06, os contribuintes tiveram que optar pela adesão ao SIMPLES. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais pertinentes, devendo o mesmo ser conhecido. Exigência estribada em extratos bancários (Lei nº 10.174/2001) Nos autos constam omissão de receita decorrente de depósitos bancários com origem não comprovada bem como sobre receitas escrituradas e não declaradas. Em relação às apuradas através do cotejo dos depósitos bancários, a Recorrente não contesta, em nenhum momento, que o total dos depósitos bancários não se referem às receitas da atividade, apenas diz que no período de apuração não fazia parte da sociedade, e que não apresentou os extratos bancários solicitados por entender que essa exigência contrariaria o princípio fundamental do sigilo bancário, assegurado pela Constituição Federal, art. 5º, com a conjugação dos incisos X, XI, XII e XIV). Entretanto de acordo com art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito junto a instituição financeira, quando o contribuinte devidamente intimado, não lograr comprovar a origem da movimentação bancária, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 531 9 Reservo meu entendimento pessoal sobre a inconstitucionalidade da utilização de informações bancárias para a constituição de crédito tributário, por entender que o sigilo bancário constitui direito fundamental, o qual certamente será confirmado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. Entretanto, no âmbito deste colendo CARF, e mormente deste colegiado, esse assunto tem sido reiteradamente debatido, sendo que a tese majoritária tem sido desfavorável aos contribuintes. Com efeito, a despeito de ainda não haver decisão definitiva pelo STF, com repercussão geral, o assunto também foi objeto de julgamento definitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos a que se refere o art. 543C do CPC, o que, igualmente, determina a reprodução da decisão nos julgamentos deste colendo CARF. Nesse sentido peço vênia para transcrever o Boletim Informativo nº 0417 Período: 23 a 27 de novembro de 2009, da Primeira Seção do STJ, informando que o assunto foi julgado em sede de recurso repetitivo, inclusive no que se refere à possibilidade de aplicação retroativa dos efeitos da Lei Complementar nº 105/2001, in verbis: RECURSO REPETITIVO. SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO. No recurso representativo de controvérsia (art. 543C do CPC e Res. n. 8/2008STJ), a Seção reiterou que a quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei n. 8.021/1990 e pela LC n. 105/2001, normas procedimentais de aplicação imediata. Com efeito, o art. 145, § 1º, da CF/1988 faculta à administração tributária, nos termos da lei, criar instrumentos ou mecanismos que lhe possibilitem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente para conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva. Destarte, o sigilo bancário não tem caráter absoluto, cedendo ao princípio da moralidade, aplicável, de forma absoluta, às relações de direito público e privado e, ainda, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias denotam ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Em que pese o direito adquirido de obstar a fiscalização tributária, ele não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. No caso, a autoridade fiscal pretende utilizar dados da CPMF para apuração do imposto de renda (1998), tendo instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. Precedentes citados: EREsp 806.753RS, DJe 1º/9/2008; EREsp 726.778PR, DJ 5/3/2007; EREsp 608.053RS, DJ 4/9/2006; AgRg nos EREsp 863.702RN, DJe 27/5/2009; AgRg no Ag 1.087.650SP, DJe 31/8/2009; AgRg no REsp 1.078.878SP, DJe 6/8/2009; AgRg no REsp 1.084.194SP, DJe 26/2/2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223RS, DJe 24/11/2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637MG, DJe 21/5/2008, e AgRg nos EDcl no REsp 970.580RN, DJe 29/9/2008. REsp 1.134.665SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/11/2009 Transcrevo, abaixo, a ementa do recurso representativo da controvérsia: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 532 10 APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringirseiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). Fl. 532DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 533 11 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel.Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por Fl. 533DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 534 12 outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1134665/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Logo, enquanto o STF não julgar o mérito do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, nenhum recurso subirá à Egrégia Corte, e consequentemente a questão constitucional envolvida no REsp 1134665/SP (discutida no RE correspondente) ficará sobrestada no STJ, vigorando assim o efeito repetitivo atribuído ao mesmo. Assim sendo, em razão do disposto no art. 62A do RICARF, e considerando que o STJ ao julgar o REsp 1134665/SP, submeteu o v. Acórdão ao regime do art. 543C do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, deve ser reputada plenamente válida a utilização de dados bancários para a apuração da omissão de receita. No âmbito deste colendo CARF, foi aprovada a Súmula nº 35, referindose à utilização de depósitos bancários para a apuração de omissão de receita (ainda que se refiram, respectivamente à possibilidade de aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula Vinculante aprovada pela Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010). Desta forma deve ser mantida a higidez do lançamento mesmo tendo sito utilizada a movimentação bancária do contribuinte para no cotejo da documentação apresentada. EXIGÊNCIA LASTREADA EM OMISSÃO DE RECEITAS Deve ser destacado que no caso concreto a exigência não se deu exclusivamente com base em extratos bancários, tendo sido feita a comparação entre os depósitos bancários e a receita bruta declarada, que foi em valores significativamente inferiores Fl. 534DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 535 13 aos valores de receitas escrituradas no Livro Caixa. Desta forma, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ – SIMPLES (proc. fls. 22 a 27), PIS – SIMPLES (proc. fls. 33 a 38), CSLL – SIMPLES (proc. fls. 44 a 49), COFINS – SIMPLES (proc. fls. 55 a 60), IPI – SIMPLES (proc. fls. 66 a 71) e INSS – SIMPLES (proc. fls. 77 a 82), e na sequência, a exclusão da empresa do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2007, posto que ultrapassado o limite legal de receita bruta no anocalendário de 2006. EXCLUSÃO DO SIMPLES Considerando que a Recorrente não logrou comprovar a origem quer seja daquelas escrituradas e não declaradas, quer seja dos depósitos bancários, deve ser reputada correta a conduta da Autoridade Fiscal em adicionálos à receita bruta da Recorrente sujeitandoa aos percentuais normais aplicáveis às empresas de pequeno porte, nos termos do art. 23, §2º, da Lei nº 9.317, de 1996 (art. 202, do RIR/99), no anocalendário de 2006 (anterior a exclusão do SIMPLES), ensejando, inclusive a exclusão da Recorrente do SIMPLES a partir de 01/01/2007 (anocalendário seguinte à constatação do excesso), conforme reiterada jurisprudência deste colendo CARF: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 30/04/1998 a 31/12/1999 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA E VALOR BRUTO SUPERIOR AO PERMITIDO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 9º, INCISO I, DA LEI 9317/96. IMPOSSIBILIDADE DE PERMANÊNCIA NO REGIME SIMPLIFICADO. Demonstrado por julgamento de processo administrativo que o contribuinte omitiu receitas, está comprovado que o Recorrente incorreu numa das causas excludentes do REGIME SIMPLES, no caso que a sua receita superou o limite permitido para a permanência no citado regime. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão nº 30133664 do Processo 10140003461200344, julgado na sessão de 27/02/2007). No mesmo sentido: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES EXERCÍCIO: 2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme art. 173, I, do CTN. SIMPLES EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO EXCLUSÃO EFEITOS. Na hipótese de exclusão do SIMPLES por embaraço à fiscalização (art. 14, II, da Lei nº 9.317/1996), os efeitos da Fl. 535DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 536 14 exclusão se darão a partir, inclusive, do mês de ocorrência daquele fato. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Quando restar evidenciado que as receitas escrituradas pelo contribuinte integram o montante total dos depósitos bancários, cabível a exclusão daquela parcela. DEPÓSITOS BANCÁRIOS JUSTIFICATIVAS COM VALORES DO MÊS ANTERIOR As origens dos valores depositados em contascorrentes bancárias devem ser comprovadas por documentação hábil e idônea, inclusive nos casos de alegados saques feitos em um mês e depositados em meses seguintes. SIMPLES INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Para os optantes pelo SIMPLES, os percentuais aplicáveis sobre a receita bruta são aqueles que constam da Lei nº 9.317/1996 e legislação superveniente. MULTA QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Acórdão nº 10516705 do Processo 10650001148200664, julgado na sessão de 17/10/2007) E ainda: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2000 Ementa: SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Inaplicáveis legislação e jurisprudência anteriores à Lei nº 9.430/1996. SIMPLES FALTA DE COMUNICAÇÃO DE EXCESSO DE RECEITA MULTA REGULAMENTAR A falta de comunicação, quando obrigatória, do excesso de receita bruta, excesso esse que acarretaria a exclusão obrigatória do SIMPLES, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na legislação de regência. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE OFENSA AO PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Acórdão nº 10517052 do Processo 10140002623200327 Data 29/05/2008) Fl. 536DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 537 15 ACRÉSCIMO DE 0,5% RELATIVO AO IPI Por fim, em relação ao IPI, a Recorrente insiste que sua atividade se enquadra na Seção XI da Tabela de Incidência do IPI (itens 61 e 62) que determina a aplicação de alíquota zero, aprovada pelo Decreto nº 4.542/02, vigente à época do fato gerador. Consta das sucessivas alterações contratuais da Recorrente, que a mesma exercia, à época dos fatos, as atividades de “fabricação de acessórios do vestuário (CNAE FISCAL 18.210/00), fabricação de artefatos de couro (CNAEFISCAL 19.291/00), escritório de contato para empresas (CNAEFISCAL 74.993/99), e serviços de confecção e colocação de revestimentos em couro (CANEFISCAL 74.993/99). Nesse sentido sustentou em sua impugnação e reiterado no recurso, discordando contra o acréscimo de 0,5% ao percentual incidente sobre a base de cálculo do SIMPLES sob o argumento de que não é contribuinte deste tributo, pois atua no ramo de atividade de fabricação de roupas profissionais, exceto sob medida, e o art. 5º do Decreto nº 2.637/98 dispões que não caracteriza industrialização a “confecção de vestuário, por encomenda direta do consumidor ou usuário, em oficina ou na residência do confeccionador”. O Órgão Julgador, porém, considerou, com fundamento nos art. 4º e 5º do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002) que versam sobre industrialização e não industrialização, o que nos casos de não industrialização é condição obrigatória que o produto seja vendido diretamente ao consumidor ao usuário final, não podendo, consequentemente, ser negociado com estabelecimento comercial revendedor. Ademais disto, em relação às empresas optantes pelo SIMPLES, sujeitas à alíquota zero para o IPI, a jurisprudência deste Colendo CARF teve ocasião de decidir que essa situação não afasta a incidência do adicional de 0,5% destinada ao IPI, conforme permite concluir a ementa do acórdão nº 30133.549, in verbis: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999 Ementa: SIMPLES ALÍQUOTA ZERO A pessoa jurídica que se dedica à industrialização de roupas, incluindose calçados, é contribuinte do IPI, a despeito de a respectiva alíquota incidente ser zero. As empresas nesta situação e optantes pelo Simples devem efetuar o recolhimento simplificado, acrescido do adicional de 0,5% de que trata o par. 2 do art. 5 da Lei 9317 1996, e art. 3, 8 e 22; RIPI/82. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão nº 30133549 do Processo 130560007099961, Data 23/01/2007, Rel. Conselheira Susy Gomes Hofmann) Em razão da pertinência com o processo sob análise transcrevo a seguir os seguintes fundamentos do r. acórdão: No entanto, como bem asseverou a fiscalização, esta operação realizada pelo contribuinte consiste em industrialização em que, de um jeito ou de outro, transforma produtos, dando causa à incidência de IPI nos limites do regime simplificado. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 538 16 [...] E mais, o RIPI, aprovado pelo Decreto n 2367, de 25.06.1998, aplicado após 1998, veio reforçar o entendimento preconizado pela legislação anteriormente vigente, da seguinte forma: "Art. Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para o consumo, tal como: II— A que importe em modificar, aperfeiçoar, ou de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto." A operação praticada pelo contribuinte de industrializar calçados em couro por encomenda de terceiros, sem dúvida, é industrialização, e ainda que operando com alíquota zero, deve incidir IPI, pois responde como sujeito passivo na relação jurídica tributária, com adicional de alíquota no importe de 0,5%. Outrossim, de modo contrário ao concluído pelo contribuinte, temse que a Questão n 119, antiga Questão n 50 disponibilizada no site da SRF, em sua íntegra, pesa em desfavor de seu pleito, em especial, a parte final que ressalta a aplicação da legislação simplificada: "119) A receita bruta proveniente da venda de produtos não tributáveis, isentos ou cuja alíquota foi reduzida a zero, sujeitar seá à incidência do percentual adicional de 0,5%? O contribuinte que vende apenas produtos não tributáveis (NT), não estará sujeito ao acréscimo de 0,5% pelo fato de não ser contribuinte do IN. Portanto, a totalidade da receita bruta auferida estará fora do campo de incidência do imposto. De outra parte, com relação aos produtos isentos e com alíquota reduzida a zero, caberá o acréscimo de 0,5% por se tratar de contribuinte do IN. Assim, se além de produtos N'T. o contribuinte também produz produtos isentos ou com alíquotas reduzidas a zero ou positiva, estará sujeita ao acréscimo de 0,5% sobre todo o faturamento. caso faca opção pelo Simples." Concluise que o contribuinte por ser integrante do regime Simplificado é sujeito passivo da relação tributária de IPI, notadamente, por expressa disposição específica e legal, nos termos do parágrafo 2, do artigo 5, da Lei 93171996. Neste sentido, temse a Decisão 138, de 04.07.1998, da Divisão de Tributação da 7 Região Fiscal — DO 08.09.1997: "DECISÃO — SIMPLES — ALÍQUOTA ZERO — A pessoa jurídica que se dedica à industrialização de roupas é contribuinte do IPI, a despeito de a respectiva alíquota incidente ser zero. As empresas nesta situação e optantes pelo Simples devem efetuar o recolhimento simplificado, acrescido do Fl. 538DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10580.727630/201085 Acórdão n.º 1101001.137 S1C1T1 Fl. 539 17 adicional de 0,5% de que trata o par. 2 do art. 5 da Lei 9317 1996, art. 4 e 5; RIPI/82, art. 3 e 22.” Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 5 de junho de 2014 (assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Fl. 539DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/08/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O
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