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Numero do processo: 16327.915395/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Acórdão nº 3302-01.406 sessão de 26/01/2012.
Numero da decisão: 3302-001.502
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Acórdão nº 330201.406 sessão de 26/01/2012. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 24/06/2008 (fls. 16), no qual é pretendida a compensação de IOF no valor de R$48.100,14, com vencimento em 25/06/2008, cujo crédito teria se originado de recolhimento indevido de CPMF. Através do Despacho Decisório Eletrônico de fls. 14, a DRF de origem denegou a compensação pleiteada, considerando que o alegado direito creditório já fora utilizado para a quitação de débito da requerente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A manifestação de inconformidade apresentada pelo interessado (fls. 01/07) foi considerada improcedente pela Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP, através do Acórdão nº 0532.461, sessão de 07/02/2011 (fls. 33/35, assim ementado: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2005 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. DIREITO DE CRÉDITO. REGIME DE RETENÇÃO. ÔNUS FINANCEIRO. COMPROVAÇÃO. Tratandose de crédito envolvendo tributo retido pela instituição financeira na qualidade de responsável, cabe a esta a comprovação de que alegado pagamento a maior foi por ela suportado. Cientificado dessa decisão em 18 de março de 2011 (AR. de fls. 39), no dia 19 de abril seguinte o interessado apresentou recurso voluntário a este Conselho, no qual foram trazidos os argumentos de defesa a seguir sintetizados: que o tributo não compensado não lhe poderia ser exigido em face de o direito creditório terse originado de recolhimento indevido de CPMF que equivocadamente fora retida e posteriormente estornada sendo, assim, legítimo o direito ao crédito e a conseqüente homologação da compensação declarada; que a decisão recorrida não reconhecera o direito creditório sob o fundamento de que o argüido pagamento indevido ou a maior não fora devidamente Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.915395/200941 Acórdão n.º 330201.502 S3C3T2 Fl. 2 3 comprovado, sendo que os documentos então acostados à manifestação de inconformidade comprovariam, de forma inequívoca, o seu direito creditório; que, conforme amplamente exposto na defesa apresentada, o Recorrente recolheu CPMF, indevidamente, no mês setembro de 2005, tendo em vista que, nos termos do artigo 8º, da Lei nº 9.311, de 24.10.1996, os lançamentos em conta corrente de depósito das sociedades de investimento e dos fundos de investimento são tributados à alíquota zero, passando à transcrição do referido dispositivo; que os extratos das contas demonstram o estorno dos valores retidos indevidamente, evidenciando que o Recorrente suportou o ônus do pagamento da CPMF indevidamente retida, sendo incontroversa a conclusão de ter sido o Recorrente o responsável pelo pagamento da CPMF; que no processo administrativo, diferentemente do que ocorre no processo judicial, prevalece o princípio da verdade material em detrimento da verdade formal, cumprindo à autoridade administrativa, para a solução do litígio, promover a incessante busca do que realmente traduz a verdade dos fatos, fazendo citações doutrinárias para corroborar seus argumentos. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Relator. O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Extraise do relatório que o pleito do recorrente é no sentido de serlhe reconhecido direito creditório que teria se originado de recolhimento da Contribuição CPMF que fora retida indevidamente sobre movimentação financeira de sociedades de investimento e de fundos de investimento que, nos termos do artigo 8º da Lei nº 9.311, de 24/10/1996, seriam tributadas à alíquota zero. O Despacho Decisório Eletrônico, emitido em 07/10/2009 (fls. 14), considerou não mais existente o direito creditório, porquanto o mesmo já teria sido utilizado para a compensação de débitos do requerente. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a decisão recorrida, além de considerar que o direito creditório não fora devidamente comprovado quanto à sua real existência, trouxe mais um fator que também impediria a homologação pretendida, qual seja, o fato de a CPMF ser um tributo cujo ônus recai sobre o titular da movimentação financeira, sendo a instituição que a retém apenas responsável pela sua cobrança e recolhimento, cabendo a esta a comprovação de que o pagamento a maior ou indevido fora por ela suportado. Conclui o órgão de julgamento administrativo de primeiro grau que, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Consta às fls. 23/24 dos autos que em 27/07/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data anterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$77.642.290,28, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$77.497.579,70 e mais R$144.710,58 com suspensão. Sendo assim, convém verificar se, de fato, a mencionada retificação merece ser validada, até porque na manifestação de inconformidade é asseverado que a não homologação teria ocorrido pela entrega da DCTF original sem a contemplação do valor desse crédito, o que é indispensável para o cruzamento de informações nos sistemas da RFB, acrescentando que, no entanto, mencionada DCTF original foi retificada em 27/07/09, apresentando o crédito controvertido. Assevera ainda na manifestação de inconformidade (fls. 04) que, consoante se observa dos documentos anexos, em setembro de 2005 a empresa apresentou sua Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, apurando para extinção por pagamento o valor da CPMF (5869) no montante de R$77.497.579,70, tendo sido efetuado o recolhimento mediante guias DARF’s (anexas), no valor total de R$77.551.057,22, ou seja, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie, conforme abaixo relacionado: (...), e, mais adiante, que seria esse recolhimento a maior, no valor de R$53.447,52, a origem do crédito em questão: Resumindo o que foi acima exposto, temos que: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.915395/200941 Acórdão n.º 330201.502 S3C3T2 Fl. 3 5 Com relação ao Despacho Decisório – fls. 14: Características do DARF: Valor total – R$77.550.516,22, que teria sido totalmente utilizado para o pagamento de outros débitos. Com relação à DCTF retificadora – fls. 23/24: Débitos do período: R$77.642290,28 Créditos: Pagamento através de DARF R$77.497.579,70 Suspensão R$144.710,58. Aduz a recorrente que esse pagamento a ser feito através de DARF, no valor de R$77.497.579,70, fora efetuado pelo valor de R$77.551.057,22, mediante guias DARF’s (anexas), sendo essa diferença, no valor de R$53.447,52 o valor do crédito pleiteado. Sem embargo, consta da DCTF retificadora que o pagamento com DARF seria no valor de R$77.497.579,70, enquanto que o Comprovante de Arrecadação de fls. 21, extraído dos sistemas de controle da RFB em 22/10/2009, confirma o recolhimento do valor de R$77.550.516,32, valor esse considerado integralmente utilizado no Despacho Decisório Eletrônico. Vêse, pois, que o recolhimento via DARF superou em R$52.936,62 o que foi consignado na DCTF retificadora, fato que acredito deva ser avaliado, pois, se procedentes os valores retificados, restaria caracterizado o direito creditório que poderia não ter sido captado pelos sistemas eletrônicos da RFB quando da emissão do Despacho Decisório Eletrônico. A esse propósito, peço vênia para transcrever o voto condutor do Acórdão nº 330201.406, julgado na sessão desta Turma realizada em 26/01/2012, da qual participei como membro do Colegiado, sendo relator do i. Conselheiro José Antonio Francisco, que com muita precisão soube equacionar o caso e delinear a solução mais adequada, a cujos fundamentos me filio e adoto como razões de decidir, conforme segue: (...). O acórdão de primeira instância indeferiu o pedido, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF, seria necessária a comprovação da liquidez e certeza dos indébitos, o que a Interessada não teria efetuado. Ocorre que a retificação de DCTF tem efeitos desconsiderados pelo acórdão de primeira instância. É certo que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um processo tributário de análise de mérito por parte da autoridade fiscal, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Atualmente, entretanto, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da IN RFB no 1.110, de 2010). De acordo com a IN citada acima, que é a mais recente, somente não seriam admitidas para reduzir o tributo declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Obviamente, não foi o que ocorreu nos presentes autos, uma vez que o procedimento eletrônico referiuse à declaração de compensação e não à DCTF. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Para que não houvesse tal situação, a Receita Federal teria que prever que o despacho de não homologação da declaração de compensação, baseado na inexistência de saldo de crédito pela sua alocação a débito declarado em DCTF, fosse causa de não admissão da DCTF. Como não é, a DCTF retificadora apresentada alterou a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, de que inexistiria indébito pela ausência de saldo de crédito. Diante do quadro acima exposto, concluise que, primeiramente, as compensações foram não homologadas corretamente, de acordo com os fatos existentes à época do despacho decisório. O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus de prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito da Interessada pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. (...). A respeito do segundo ponto levantado na decisão recorrida, sobre a quem coubera o ônus pelo alegado pagamento indevido, a recorrente aduz que esses valores retidos Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.915395/200941 Acórdão n.º 330201.502 S3C3T2 Fl. 4 7 indevidamente teriam sido estornados e que assumira todo o encargo financeiro ocasionado pelo equívoco cometido, ressaltando que os extratos das contas demonstram o estorno dos valores. Dessa forma, até por uma questão de economia processual, fazse necessário que a autoridade de fiscalização verifique também se a documentação apresentada é suficiente para comprovar se, de fato, o ônus financeiro pelo alegado pagamento indevido recaíra sobre o interessado. Nessa ordem de juízos, adotando os fundamentos do voto condutor do Acórdão nº 330201.406, acima transcrito, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito do interessado pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 73DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 22/07/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 35013.000138/2003-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2000
Ementa: AFERIÇÃO INDIRETA AFERIÇÃO INDIRETA. EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL.
RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL
A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a
aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerando-se o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual.
AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE.
A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática.
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
É nulo o lançamento que apresenta vício quanto aos próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada.
Numero da decisão: 2301-003.007
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcelo Oliveira e Mauro José Silva acompanharam a votação por suas conclusões. Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Sustentação oral: Luiz Fillipi Figueiredo. OAB: 31.024/SP
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2000 Ementa: AFERIÇÃO INDIRETA AFERIÇÃO INDIRETA. EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerando-se o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento que apresenta vício quanto aos próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada.
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EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerandose o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento que apresenta vício quanto aos próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário Fl. 533DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Marcelo Oliveira e Mauro José Silva acompanharam a votação por suas conclusões. Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Sustentação oral: Luiz Fillipi Figueiredo. OAB: 31.024/SP Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Leonardo Henrique Pires Lopes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 534DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 507 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal (fls. 68), o crédito constante do lançamento foi obtido com base no valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, por aferição indireta, de acordo com os percentuais mínimos estabelecidos no item VII, 51, da OS 209/99, c/c artigos 53, 54 e 55, da IN 18/2000. A autoridade notificante informa que a empresa paga horas extras a seus empregados “por fora” da folha de pagamento, e não registra tais pagamentos em sua contabilidade, deixando de lançar, por tanto, em títulos próprios de sua contabilidade, o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, infringindo, dessa forma, o art. 32, II, da Lei 8.212/91 e o art. 225, II, parágrafo 13, do Decreto 3.048/99. A notificada apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, nos termos do Despacho de fls. 217, resultando na emissão do Relatório Fiscal Complementar de fls. 297, por meio do qual a autoridade fiscal discute cada argumento trazido na impugnação, e conclui por acatar parte das razões trazidas pela notificada e por retificar o débito. Por meio DecisãoNotificação nº 04401.4/820/2002 o INSS julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização e a recorrente, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls.354), alegando, em síntese, o que se segue. Insurgese contra o procedimento de aferição indireta adotado na apuração do débito, alegando que a fiscalização preferiu desconsiderar todos os livros e documentos disponibilizados e simplesmente somar todas as notas fiscais de serviço, abatendo as guias pagas, tendo sido apenas este o trabalho da fiscalização, que culminou na lavratura de 13 notificações, em diversos Estados da Federação. Questiona que fato tão grave teria acontecido para que as autoridades autuantes desprezassem a contabilidade da notificada e preferissem o extremo caminho do arbitramento e aponta como motivo para tanto o ofício remetido pelo Ministério Público do Trabalho do Paraná, de onde os autuantes retiraram alguns fatos que foram decisivos para que ao final optassem pelo arbitramento, quais sejam, a existência de recibos paralelos do pagamento de horas extras e cartões de ponto sem o registro das horas extras realizadas. Estranha o fato de que tenha sido apenas essa motivação, envolvendo apenas o período de 04/1999 e 01/2000, que levou a fiscalização a optar por um arbitramento de todos os empregados da notificada, incluindo mais outros 05 municípios, e abrangendo um período muito superior ao das apontadas irregularidades, ao invés de simplesmente cobrar da notificada as eventuais contribuições que não teriam sido pagas. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Entende que notificação não pode subsistir, visto que é totalmente ilegal e injusta, entestando inclusive com a orientação solidificada do próprio INSS, conforme se verifica da IN no 70/2002, art. 58, § 2°, refletida em reiteradas decisões de primeira e segunda instâncias, sem falar da copiosa jurisprudência dos Tribunais a respeito do Tema. Transcreve afirmação feita pelos agentes autuantes nos autos do AI 35.159.1087, no sentido de que a autuada recolheu e declarou em GFIP, antes do início da ação fiscal em curso, os valores referentes às horas extras pagas e informa que junta aos autos, para que se possa avaliar a injustiça do arbitramento, cópias de várias inspeções do Ministério do Trabalho em seu estabelecimento matriz, em Salvador, onde nenhuma irregularidade foi encontrada. Registra que o próprio Procurador do Trabalho, que liderou a inspeção de Curitiba, informou que o procedimento investigatório limitase àquela filial, o que torna flagrante o excesso cometido pelos autuantes, que resolveram estender as conclusões da fiscalização em Curitiba para os outros estabelecimentos, mesmo sabendo que em nenhum deles foi constatada qualquer irregularidade. Sustenta que não ocorrera nenhuma das hipóteses que autorizam o arbitramento, contidas no art. 148 do CTN e que, de acordo com a ON 02/95, que uniformizou o conteúdo do Relatório Fiscal integrante das NFLD, em seu item 4.4.8, quando se refere à aferição indireta (arbitramento), determina que o FCP "deverá apresentar, de forma pormenorizada, a justificativa da aferição, com caracterização da ausência dos elementos solicitados, da insuficiência ou da não aceitação dos apresentados". Ressalta que, no caso sob exame, não houve "ausência dos elementos solicitados" ou mesmo "insuficiência" ou "não aceitação dos apresentados", pois tudo foi apresentado à fiscalização do INSS e, mesmo as apontadas irregularidades encontradas pela inspeção da Procuradoria do Trabalho, no Paraná, já estavam regularizadas quando da fiscalização do INSS. Aponta alguns equívocos materiais que, segundo entende, foram cometidos na apuração do débito, discordando da forma utilizada para a aferição, argumentando que a IN 18/2000 citada no relatório fiscal é aplicável exclusivamente para obra de construção civil, o que não é o caso dos serviços prestados pela recorrente, que é uma "fornecedora de serviços de implantação, instalação, montagem e reparos no sistema de telecomunicações”, conforme comprova o próprio CNPJ da notificada, que faz constar o código da atividade econômica principal como sendo o de n° 64.203/06, correspondente a "Serviço de Manutenção de Redes de Telecomunicações”. Assevera que houve inúmeros equívocos nos lançamentos das NFLDs, com valores equivocados das notas fiscais e guias de recolhimentos, e a notificada, para comprovar, elencou, um a um, os apontados equívocos do lançamento, separandoos por NFLD, sendo que neste ponto teve a sua defesa acolhida pela instancia anterior, que reduziu o débito em algumas das NFLDs, mantendo, no entanto, o vergonhoso arbitramento, injustificadamente. Reitera que não se justificaria a adoção do temerário arbitramento, que é uma medida extrema, a ser utilizada em último caso, quando forem "omissos ou não mereçam fé as declarações ou esclarecimentos prestados, ou os documentos expendidos pelo sujeito passivo" , nos exatos termos do art. 148 do CTN. Colaciona alguns julgados administrativos e judiciais sobre o tema, afirmando ser importante essa avaliação pois, se a notificada não obtiver êxito na instância Fl. 536DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 508 5 administrativa, recorrerá ao judiciário, onde é certa sua vitória, o que acarretará a condenação do INSS a pagar os honorários de sucumbência, sendo que os julgadores deverão levar em conta este fato, uma vez que poderão serem responsabilizados no futuro. Cita a IN 70/2002 que, em seu art. 58, § 2o, dispõe que "somente será aferida indiretamente a base de cálculo de contribuição referente ao período no qual ocorreu qualquer das hipóteses previstas nos incisos I a II e IV", sendo, portanto, ilegal a ampliação do tempo, como acabou ocorrendo. Finaliza requerendo que seja acolhida a irresignação, para afastar o ilegal, injusto e temerário arbitramento, por violar os mais básicos direitos da defendente. O INSS, por do ContraRazões de fls. 372, manteve a decisão recorrida e a 2a CAJ do CRPS, por meio do Acórdão 398 (fls. 387), decidiu, por unanimidade, anular a decisão de primeira instância, para que fosse dada ciência, ao contribuinte, do resultado da diligência realizada após a impugnação. Devidamente cientificada do Acórdão do CRPS e do pronunciamento da fiscalização, a recorrente se manifestou às fls. 397 e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio DecisãoNotificação nº 04401.4/820/2002 (fls. 414), julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD procedente em parte, mantendo a retificação feita anteriormente. Inconformada com a nova decisão, a notificada apresentou recurso (fls.430), repetindo basicamente as alegações já trazidas em suas manifestações anteriores. Em relação às alegações trazidas pela autoridade julgadora de primeira instância, anota que, no caso dos autos, ao contrário do alegado, não houve, "em tese", sonegação de contribuição previdenciária., uma vez que, como foi consignado pelos próprios autuantes, a recorrente, antes do inicio da ação fiscal, declarou em GFIP os valores referentes às horas extras pagas, recolhendo em GPS os valores devidos à Previdência Social. Observa que o eventual equívoco cometido pela recorrente não ensejou prejuízo ao erário, na medida em que o tributo devido foi declarado, confessado e recolhido, com a devida atualização monetária, antes mesmo do início da ação fiscal. Argumenta que os princípios da contabilidade citados na decisão recorrida, previstos na Resolução CFC n° 750/93, não são suficientes para fundamentar a medida extrema do arbitramento, pois, de uma leitura atenta dos artigos 6°, 7° e 9° da predita Resolução, que correspondem aos princípios da oportunidade, do lançamento pelo valor original e da competência, respectivamente, permite concluir que eles sequer tratam da matéria específica em discussão nos autos, exatamente porque, sendo gerais e abstratos, servem para conduzir e orientar o profissional da contabilidade. Qualifica de falsa e contraditória à própria normatização do INSS a premissa do julgador monocrático de que a contabilidade é uma entidade integral, não sendo possível uma limitação temporal ou especial da desconsideração da escrita contábil, uma vez que a IN 70/02 do próprio INSS estabelece que somente será aferida a base de cálculo de contribuição referente ao período no qual ocorreu qualquer das hipóteses previstas nos incisos I, II e IV. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Sobre a alegação de que tal normativo é inaplicável ao caso, argumenta que o art. 106, do CTN, permite a retroatividade benigna quando se trata de uma norma meramente interpretativa, e insiste na ilegalidade do arbitramento e, após reiterar alegações trazidas nas manifestações anteriores, finaliza solicitando que seja acolhido o recurso e afastada a notificação formalizada. Em prosseguimento, a SRP negou seguimento ao recurso por ausência do depósito recursal e lavrou o competente Termo de Trânsito em Julgado, tendo sido o processo encaminhado à Procuradoria e o crédito inscrito. Por meio do despacho de fls 501, a ProcuradoriaGeral Federal determinou o cancelamento da inscrição dos créditos e o retorno da NFLD à fase administrativa, tendo sido o processo encaminhado ao CARF para análise do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 509 7 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, verificase que a recorrente tenta demonstrar que o procedimento de aferição indireta realizado pela fiscalização é descabido, e que a notificação é ilegal e injusta, não podendo subsistir. Porém, a fiscalização constatou que a empresa remunerava segurados empregados com o pagamento de horas extras e não registrava, em sua contabilidade, tais pagamentos. Portanto, foi constatado, do exame da Escrituração Contábil da empresa, que a notificada não registrou o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço e da receita, nos Livros Contábeis de 1999 e 2000, ensejando, dessa forma, o arbitramento do débito, com base nas notas fiscais de serviço, e a aferição indireta em conformidade com o artigo 33, §§ 3o , 4o, e 6o, da Lei 8.212/91. A notificada alega que recolheu e declarou em GFIP, antes do início da ação fiscal em curso, os valores referentes às horas extras pagas e informa que junta aos autos, para que se possa avaliar a injustiça do arbitramento, cópias de várias inspeções do Ministério do Trabalho em seu estabelecimento matriz, em Salvador, onde nenhuma irregularidade foi encontrada. Ocorre que o débito não foi arbitrado pelo fato de a empresa não ter pago ou informado as contribuições devidas incidentes sobre as horas extras em GFIP, mas sim por não terem esses pagamentos sido registrados nos Livros Contábeis da recorrente, o que prova que a contabilidade não espelha a realidade econômicofinanceira ou o valor real da mão de obra a serviço da notificada. A recorrente estranha o fato de que, apesar de as irregularidades constatadas envolverem apenas o período de 04/1999 e 01/2000 e apenas a filial de Curitiba, a fiscalização optou por um arbitramento de todos os empregados da notificada, incluindo mais outros 05 municípios, e abrangendo um período muito superior ao das apontadas irregularidades, ao invés de simplesmente cobrar da notificada as eventuais contribuições que não teriam sido pagas. Todavia, conforme esclarecido na decisão recorrida, a contabilidade da empresa é centralizada, não estando segregada por CNPJ, e a existência de pagamentos de remuneração realizados nos exercícios fiscais de 1999 e 2000 e não contabilizados nos Livros Diários dos respectivos exercícios demonstra a necessidade de utilização do lançamento arbitrado para aqueles períodos, nos termos do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 A recorrente sustenta que não ocorrera nenhuma das hipóteses que autorizam o arbitramento, contidas no art. 148 do CTN e que não foi observado o disposto na ON 02/95, que determina que o FCP "deverá apresentar, de forma pormenorizada, a justificativa da aferição, com caracterização da ausência dos elementos solicitados, da insuficiência ou da não aceitação dos apresentados", ressaltando que, no caso sob exame, não houve "ausência dos elementos solicitados" ou mesmo "insuficiência" ou "não aceitação dos apresentados", pois tudo foi apresentado à fiscalização do INSS e, mesmo as apontadas irregularidades encontradas pela inspeção da Procuradoria do Trabalho, no Paraná, já estavam regularizadas quando da fiscalização do INSS. Contudo, no caso das contribuições previdenciárias, a base de cálculo é a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, ou seja, é o valor da mão de obra. O art. 148, do CTN, tantas vezes utilizados na argumentação da recorrente, estabelece que “Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tem em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” No caso dos autos, o fato de a empresa não declarar, em sua contabilidade, todo o valor da mão de obra utilizada na prestação dos serviços, demonstra que não merecem fé os seus Livros contábeis, que são documentos expedidos pelo sujeito passivo, no exercício em que tais omissões ocorreram. E o AFPS, cuja atividade é vinculada aos ditames legais, ao constatar que a contabilidade da recorrente não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, agiu em conformidade com os ditames legais e apurou corretamente o débito por aferição indireta, mediante a aplicação dos percentuais previstos na legislação, sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços. Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, observase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. As OSs 203/99 e 209/99, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, e a IN 18/2000, vigente à época da lavratura da NFLD, determinavam os percentuais a serem utilizados no caso da aferição indireta do valor da mão de obra utilizada na prestação de serviços. A OS 209/99, citada no Relatório Fiscal estabelecia que: Fl. 540DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 510 9 VII – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS 51. Quando a fiscalização verificar, no exame da escrituração contábil e de outros elementos, que a contratada não registra o movimento real da mãodeobra utilizada ou do faturamento, a remuneração dos segurados será apurada utilizandose como base o percentual mínimo de 40% sobre o valor bruto do serviço da nota fiscal, fatura ou recibo, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Assim, ao apresentar documentos que não registram o movimento real de remuneração, a recorrente não deu outra alternativa à auditoria fiscal a não ser arbitrar o débito, conforme determina o § 3º, art. 33, da Lei 8.212/91, aplicando os percentuais previstos na legislação vigente à época. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, o agente fiscal, ao constatar tal situação, agiu corretamente arbitrando o débito e lavrando a presente NFLD, em estrita observância aos ditames legais. Ademais, segundo nos ensina Hely Lopes Meirelles: “Na Administração Pública, não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular, significa ‘pode fazer assim’; para o administrador público significa ‘deve fazer assim’.” (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991. 16ª ed. Atual. Pela Constituição de 1988, 2ª tiragem, p. 78). Assim, o Fiscal notificante aferiu o débito, consoante normativos legais vigentes à época do lançamento. Quanto ao argumento de que deveria ser aplicado o critério estabelecido pela IN 70/2002, ou seja, em normativo posterior à ocorrência do fato gerador, e que o art. 106, do CTN, permite a retroatividade benigna quando se trata de uma norma meramente interpretativa, cumpre observar que as Instruções Normativas não é uma lei. A expressão "legislação tributária", segundo art. 96 do CTN, compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. O CTN dispõe sobre a aplicação da legislação tributária no art. 105: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do art. 116. E, conforme art. 106, é a lei que se aplica a ato ou fato pretérito, e não a legislação. No CTN, o legislador utiliza, em várias oportunidades, a expressão legislação tributária. Porém, no que tange à retroatividade expressa no art. 106, o legislador expressamente utilizou a palavra lei. Segundo lição de Hugo de Brito Machado: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 “No Código Tributário Nacional, a palavra lei é utilizada em seu sentido restrito, significando regra jurídica de caráter geral e abstrato, emanada do Poder ao qual a Constituição atribuiu competência legislativa, com observância das regras constitucionais pertinentes à elaboração das leis. Só é lei, portanto, no sentido em que a palavra é empregada no Código Tributário Nacional, a norma jurídica elaborada pelo Poder competente para legislar, nos termos da Constituição, observado o processo nela estabelecido” (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário – Ed. Malheiros – São Paulo – 19ª Edição – 2001 – pág. 6566) Portanto, entendo que não cabe retroação da IN, como quer a Notificada. Em relação ao entendimento de que o eventual equívoco cometido pela recorrente não ensejou prejuízo ao erário, na medida em que o tributo devido foi declarado, confessado e recolhido, com a devida atualização monetária, antes mesmo do início da ação fiscal, mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário, e é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta. VOTO por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Leonardo Henrique Pires Lopes, Redator Designado Do caráter abusivo do procedimento de aferição indireta realizado pelo Fisco O lançamento referese à cobrança de contribuições previdenciárias relativas ao período de 03/99 a 10/2000, tendo a base de cálculo adotada na presente notificação sido apurada mediante o procedimento de aferição indireta, consoante determinação do art. 33, §6º da Lei 8.212/91, que dispõe: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão Fl. 542DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 511 11 apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Da análise do dispositivo legal em destaque, é possível inferirse que, constatando a fiscalização que a escrituração contábil da empresa não registra a real movimentação da remuneração dos segurados a seu serviço, bem como de seu faturamento e lucro, devem tais valores ser calculados via aferição indireta. No caso concreto, tal premissa se concretiza quando da verificação do fato de que a Recorrente, segundo o Relatório Fiscal, repassou uma série de valores a título de horas extras em recibos de pagamento paralelos aos oficiais, o que levou o Fisco a desconsiderar os livros contábeis em razão destes não registrarem, de forma devida, a real atividade financeira da empresa. Vêse, portanto, que a contabilidade da empresa foi considerada, para fins de fiscalização, deficiente, o que, para o Fisco, significa que os documentos apresentados não preenchiam as formalidades legais ou ainda que continham informações incompatíveis com a realidade fática. Diante disso, tornase necessária, para fins de esboço estimativo do quadro de movimentação financeira da empresa fiscalizada, a desconsideração de todo seu registro contábil, o que, naturalmente, acarreta em um pesado ônus para o Fisco, vez que cabe a este, por meio de critérios expressamente previstos na legislação, demonstrar que os documentos contábeis apresentados não correspondem à realidade fática e estimar, com base num código de “deverser”, o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Assim, uma vez justificado o procedimento de aferição indireta, fazse um cálculo arbitrado, a partir das disposições expressas constantes em dispositivos legais específicos, com base na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, de forma que, em razão da expressa vinculação do procedimento ao legalmente previsto, não há razões para se afirmar que a aferição indireta é ato sujeito ao belprazer da Fiscalização visando ao prejuízo do contribuinte. Ora, o processo de arbitramento, apesar da semelhança vocabular, não é arbitrário, uma vez que busca, em estreita vinculação ao Princípio da Legalidade, alcançar o real valor devido pelo sujeito passivo, o qual, tendo praticado o fato gerador que dá causa à obrigação tributária, tem o dever legal de adimplila, podendo o Fisco, portanto, na hipótese de eventual inadimplemento, se valer de todos os meios legais para ter satisfeito seu crédito, dentre os quais se destaca a aferição indireta. Destarte, como os documentos contábeis apresentados pela Recorrente não eram um retrato fiel da sua efetiva movimentação financeira, justificada, em parte, foi a utilização do referido procedimento para apurar o real valor por ela devido à Fiscalização. Todavia, como as irregularidades pelo Fisco levantadas eram restritas a filiam de CuritibaPR, não há qualquer razão para se desconsiderar a contabilidade de todo grupo empresarial, razão pela qual, neste ponto, foi de extrema abusividade o lançamento realizados. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 Ora, sabese que a escrituração contábil é obrigatória para todas as empresas, sejam matriz ou filial. Assim, devese manter um sistema de escrituração uniforme dos atos e fatos administrativos ocorridos na sociedade empresarial, através de processo manual, mecanizado ou eletrônico conforme a Resolução 563, de 28/10/83 do Conselho Federal de Contabilidade. No entanto, não é exigido que a contabilidade seja feita, unicamente, de forma centralizada, uma vez que pode cada estabelecimento, filial, sucursal ou agência ter seus próprios livros de escrituração comercial , procedendo à apuração contábil e às demonstrações financeiras independentemente dos registros confeccionados pela matriz. Dessa forma cada filial tem contabilidade completa com a escrituração dos livros Diária e Razão, e a matriz se utiliza de contas como participações em filiais ou Contas Correntes matriz/ filial entre as unidades. Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos, entendimento este, inclusive, já pacificado pela jurisprudência pátria, conforme se depreende das ementas dos julgados abaixo colacionados: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA ILEGITIMIDADE DA FILIAL DA EMPRESA PARA IMPETRAR MANDADO DE SEGURANÇA COM O FIM DE DISCUTIR A EXIGIBILIDADE DO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES AO SAT RECURSO IMPROVIDO SENTENÇA MANTIDA. 1. As filiais de empresa possuem personalidade jurídica própria, para fins tributários, podendo intentar as demandas de seu interesse, ainda que a sua pretensão confundase com a da matriz. Precedente do Egrégio STJ. 2. No caso, considerando que a matriz efetua o pagamento de tributos devidos por suas filiais localizadas no Estado de São Paulo, centralizando a contabilidade da empresa como um todo, só ela pode vir a juízo discutir a exigibilidade de tais recolhimentos. 3. Recurso improvido. Sentença mantida. (TRF 3, AMS 21792, Rel.: DESEMBARGADORA FEDERAL RAMZA TARTUCE, Órgão Julgador: QUINTA TURMA, Julgado em: 15/05/2006, DJe: 09/08/2006) “TRIBUTÁRIO – FORO COMPETENTE – FILIAIS – UNIÃO NO PÓLO PASSIVO. 1. As filiais de empresas possuem personalidade jurídica própria, para fins tributários, razão porque devem intentar, nos respectivos Estados de domicílio, as demandas de seus interesses, mesmo que haja identidade de pretensão jurídica. 2. O fato da União figurar no pólo passivo, permite tãosomente deslocar a competência do domicílio da empresa para o Distrito Federal (CF, art. 109, § 2º). 3. Agravo regimental improvido.” (AGRMC 003293 / SP, 1ª Turma, Relator Ministro José Delgado, DJ 26/03/2001, pág. 368) Assim, como a Recorrente organiza sua contabilidade de forma descentralizada, não haveria razão, em decorrência da autonomia contábil das empresas filiais, a desconsideração total dos livros comerciais de todo o grupo empresarial para a realização do procedimento de aferição indireta em virtude das irregularidades encontradas apenas na filial localizada em CuritibaPR. Além do mais, conforme se depreende do documento anexo às folhas 155, o próprio procurador do Trabalho responsável pela inspeção em Curitiba remeteu correspondência ao Sr. Chefe da Divisão de Arrecadação do INSS em Salvador, informando que a aferição indireta realizada era restringiase a referida filial, o que apenas colabora para atestar ainda mais o caráter abusivo do lançamento realizado. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 512 13 Por fim, cabe destacar que, embora o presente lançamento trate, dentre outras, de contribuições relativas aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, o qual, anteriormente, era determinado considerandose todo o grupo empresarial, o entendimento mais recente acerca do tema firmouse no sentido de que de que o enquadramento do SAT é realizado de forma individual, considerandose cada CNPJ das empresas submetidas à fiscalização. É tão pacífico o referido entendimento, que o Superior Tribunal de Justiça STJ já editou súmula acerca do tema: Alíquota de Contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. STJ Súmula nº 351 11/06/2008 DJe 19/06/2008 Para tornar ainda mais o referido preceito, colacionase, abaixo, recente precedente judicial acerca do tema: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO PELAS EMPRESAS MATRIZES E SUAS RESPECTIVAS FILIAIS, OBJETIVANDO APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AO RAT CALCULADA SEGUNDO O GRAU DE RISCO EXISTENTE EM CADA UM DOS ESTABELECIMENTOS INDIVIDUALIZADOS POR CNPJ PRÓPRIO. SENTENÇA CONCESSIVA. DECADÊNCIA PARCIAL DO DIREITO DE COMPENSAÇÃO. SENTENÇA MANTIDA EM PARTE. 1. Embora o egrégio Superior Tribunal de Justiça tenha fixado o entendimento de que a vetusta tese do "cinco mais cinco" anos deveria ser aplicada aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005 (REsp 1.002.932/SP), o colendo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 566.621/RS, em repercussão geral, afastou parcialmente esta jurisprudência do STJ, entendendo ser válida a aplicação do novo prazo de 5 anos às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, a partir de 9.6.2005. Assim, considerando que o mandado de segurança foi impetrado em 8 de junho de 2010, não há que se falar na possibilidade de compensação dos valores indevidamente recolhidos nos últimos 10 anos anteriores à impetração. 2. A exigibilidade do SAT, atualmente denominada contribuição para os riscos ambientais do trabalho RAT não tem mais discussão válida no âmbito da existência de base legal para cobrança, existindo até súmula de Corte Superior que abona a exação, verbis: "A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro."(Súmula 351, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/06/2008, DJe 19/06/2008). 3. Na presente impetração há prova nos autos de que as autoras têm mais de um registro em CNPJ (antigo CGC), distinguindose a empresa matriz de suas respectivas filiais, e que cada um dos seus pontos de atividades empresariais tem a autonomia fiscal exigida na súmula. Com essa prova, não há como não abrigar o intento postulado na ação: aferição do grau de risco em cada estabelecimento da empresa, distintamente conforme a natureza da atividade desempenhada. 4. Reconhecida a tributação diferenciada, têm as impetrantes direito a recuperar, por meio de compensação, aquilo que foi pago a maior. 5. Os valores recuperáveis serão exclusivamente corrigidos pela taxa SELIC Fl. 545DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 sem acumulação com qualquer outro índice, restando indevida a incidência de qualquer suposto expurgo inflacionário, porquanto isso não aconteceu durante o período de pagamento ora recuperado. 6. A compensação só será possível após o trânsito em julgado (artigo 170/A do Código Tributário Nacional, acrescido pela Lei Complementar n° 104 de 10/01/2001, anterior ao ajuizamento do mandado de segurança) porque a discussão sobre as contribuições permanece. 7. No caso dos autos o encontro de contas poderá se dar com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal (artigo 74, Lei n° 9.430/96, com redação da Lei n° 10.630/2002), ainda mais que com o advento da Lei n° 11.457 de 16/03/2007, arts. 2° e 3°, a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais e das contribuições devidas a "terceiros" passaram a ser encargos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (superReceita), passando a constituir dívida ativa da União (artigo 16). 8. Apelo das impetrantes a que se dá parcial provimento, apelação da União Federal (Fazenda Nacional) e remessa oficial improvidos. (TRF 3, AMS 332212, Rel.: DESEMBARGADOR FEDERAL JOHONSOM DI SALVO, Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA, Julgado em: 08/11/2011, Dje: 18/11/2011) Por fim, para não deixar qualquer dúvida acerca da matéria, o Ato Declaratório nº 11/2011, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, publicado no Diário Oficial da União em 15/12/2011, consolidouse, na esfera fiscal, o já pacífico entendimento de que nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, a verificação deve ser feito de forma individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, sendo, desnecessárias, portanto, maiores digressões a respeito. Destarte, diante do quadro fático e jurídico acima construído, deve ser mantido o lançamento pelo Fisco realizado apenas sobre a filial localizada em CuritibaPR, uma vez que as irregularidades decorrentes dos recibos paralelos referentes aos valores repassados a título de horasextras restringemse àquela empresa, sendo indevida, portanto, a desconsideração contábil e a aferição indireta da movimentação financeira de todo grupo empresarial da Recorrente. Da anulação do lançamento Embora reconhecido o fato de que o lançamento pelo Fisco realizado deveria ser restrito à empresa filial, cabe, aqui destacar o fato de aquele ato administrativo encontrase contaminado por incontestáveis vícios, relativo aos requisitos necessários à metodologia do lançamento aplicado, à configuração do descumprimento da obrigação, no caso principal, e à quantificação do montante devido pela empresa. Em outras palavras, referese ao próprio conteúdo do lançamento. No caso do presente processo, constatase o vício nuclear que contamina o lançamento pelo Fisco realizado quando se considera o fato de que, mesmo tendo a Recorrente realizado os pagamentos dos valores a título de horas extras em recibos paralelos aos oficiais, poderia perfeitamente o Fisco, ao analisar os referidos documentos, constituir o crédito tributário a partir dos valores descriminados naqueles recibos, o que tornaria absolutamente desnecessária a desconsideração da contabilidade da quer apenas da empresa Filial, quer de todo grupo empresarial. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35013.000138/200303 Acórdão n.º 2301003.007 S2C3T1 Fl. 513 15 Assim, são condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada, a qual, neste caso, será esboçada por meio de aferição indireta com base em dispositivos legais que mais se adequem ao quadro fiscal e contábil analisado. Todavia, não é esta a situação do presente processo, uma vez que, conforme já afirmado, mesmo não sendo oficiais, os recibos paralelos referentes aos valores repassados a título de horas extras poderiam ter sido utilizados para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido pela Recorrente, uma vez que registram, de alguma forma, a movimentação financeira da empresa autuada. Diante dos referidos pressupostos, foi totalmente equivocada a metodologia pelo Fisco aplicada no processo de constituição do crédito tributário nestes autos discutido, em razão de não ser a aferição o critério mais adequado para a apuração do valor devido pela Recorrente, além de ser o mais distante da realidade fática, o que enseja a anulação do lançamento realizado em virtude do grave vício nele verificado. Diante do exposto, conheço do Recurso para DARLHE TOTAL PROVIMENTO, no sentido de desconstituir o lançamento pelo Fisco realizado em razão do erro no procedimento de aferição indireta e do grave vício nele verificado. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 19515.003626/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em face do princípio da retroatividade benigna, deve ser reduzida a
penalidade que, posteriormente à sua imposição e antes da decisão
administrativa, acabou atenuada pela legislação tributária.
Numero da decisão: 1202-000.854
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do princípio da retroatividade benigna, deve ser reduzida a penalidade que, posteriormente à sua imposição e antes da decisão administrativa, acabou atenuada pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno, Viviane Vidal Wagner e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003626/200519 Acórdão n.º 1202000.854 S1C2T2 Fl. 817 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela turma julgadora de primeira instância ao julgar procedente o lançamento, cuja descrição adoto e transcrevo o relatório do acórdão recorrido: DA AUTUAÇÃO Em procedimento fiscal de verificações obrigatórias, realizado na empresa em epígrafe, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 223/227 e 473/477), constatouse que, no período de 2001 a 2003, os débitos apurados pelo contribuinte não foram recolhidos em sua integralidade e nem informados nas respectivas Declarações de Débitos e Créditos de Tributos e Contribuições Federais (DCTF). Além disso, no período de 03/2000 a 12/2004, não houve pagamento de estimativa mensal, tendo sido feita a opção pelo lucro real anual, sem levantamento de balanço ou balancete de suspensão, ficando o contribuinte sujeito à multa isolada (arts. 220 a 230 do RIR/99). 2.O referido Termo de Verificação Fiscal informa ainda, essencialmente, que: 2.1.Em 18/03/2005 (fls. 08), o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativos, entre outros, de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). 2.2.Em 23/06/2005 (fls. 17), o contribuinte foi intimado a apresentar as DCTF dos quatro trimestres de 2001 a 2003. No entanto, não as apresentou, permanecendo não lançados os impostos e contribuições apurados na escrituração contábil e fiscal. 3.Em decorrência da falta descrita, foram lavrados em 27/12/2005, e cientificados ao sujeito passivo em 04/01/2006 (fls. 247 e 497), os seguintes autos de infração: 3.1.Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 241/245): Crédito tributário no valor total de R$ 3.495.729,57 (três milhões, quatrocentos e noventa e cinco mil, setecentos e vinte e nove reais e cinquenta e sete centavos), incluídos tributo, multas e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 242 e 245. 3.2.Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 491/495): Crédito tributário no valor total de R$ 1.954.784,91 (um milhão, novecentos e cinquenta e quatro mil, setecentos e oitenta e quatro reais e noventa e um centavos), incluídos tributo, multas e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 492 e 495. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003626/200519 Acórdão n.º 1202000.854 S1C2T2 Fl. 818 3 O contribuinte impugnou o lançamento e a 6ª Turma da DRJ/São Paulo I julgou o lançamento parcialmente procedente, editando a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A legislação tributária não exige que a formalização do lançamento seja efetuada no domicílio do contribuinte. AUDITOR FISCAL. CONTABILIDADE. EXAME. VALIDADE. Dentre as atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB, especificadas na legislação federal, incluise o exame de livros e documentos contábeis, atividade que não se confunde com o exercício da profissão de contador. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IRPJ/CSLL. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL são tributos, em regra, sujeitos a lançamento por homologação (art. 150 do CTN). Contudo, não havendo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. Todavia, constatandose que, entre a data mais antiga dos fatos geradores dos tributos lançados e a data da ciência dos autos de infração, transcorreram menos de 5 (anos), não há que cogitar sobre a decadência destes tributos. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. O direito de lançar o crédito tributário decorrente de multa aplicada isoladamente decai em 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído nos termos do art. 173, I do CTN. Se, entre a data de início para contagem do prazo decadencial e a data da ciência ao contribuinte do respectivo lançamento fiscal, transcorreram mais de 5 (cinco) anos, deve ser reconhecida a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o respectivo crédito tributário, que, no presente caso, ocorreu para o período de março a outubro de 2000. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. MULTA DE OFÍCIO. O percentual da multa de ofício é de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003626/200519 Acórdão n.º 1202000.854 S1C2T2 Fl. 819 4 ESTIMATIVAS MENSAIS. NÃO RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. Tendo sido verificada, em ação fiscal efetuada após o encerramento do períodobase, a falta de recolhimento de estimativas mensais, deve ser exigida a multa isolada incidente sobre os valores não recolhidos. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do princípio da retroatividade benigna, deve ser reduzida a penalidade que, posteriormente à sua imposição e antes da decisão administrativa, acabou atenuada pela legislação tributária. PROTESTO POR PERÍCIA. Indeferese o pedido pela realização de perícia quando a mesma se revela prescindível. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma legal regularmente editada. Em razão do montante exonerado, foi apresentado recurso de ofício. Cientificado dessa decisão em 22/06/2009 (AR de fl.793, verso), o contribuinte não apresentou recurso voluntário e a parcela do crédito mantida foi transferida para o processo nº 16151.000338/200914, conforme despacho de fl.815. É o relatório. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003626/200519 Acórdão n.º 1202000.854 S1C2T2 Fl. 820 5 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso de ofício foi apresentado de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e consoante a Portaria MF nº 3 de 03/01/2008, devendo ser conhecido. Foram duas as razões da turma recorrida para a redução do crédito tributário, a serem a seguir analisadas. Da decadência O nobre julgador a quo reconheceu a decadência das multas referentes ao período de março a outubro de 2000, “tendo em vista que os autos de infração foram lavrados em 27/12/2005 (fls. 241 e 491), no entanto, cientificados ao sujeito passivo somente em 04/01/2006 (fls. 247 e 497)”, considerando os referidos créditos tributários extintos nos termos do art. 156, V do CTN. De fato, verificase a decadência parcial do lançamento, vez que a regra do art. 173 do CTN, aplicável ao caso de multas isoladas, determina o início da contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia haver lançamento. Se a estimativa referente ao mês de outubro de 2000 poderia ser paga até o último dia útil do mês de novembro de 2000, então, o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa já poderia ter sido realizado no mês de dezembro de 2000. Logo, a contagem do prazo decadencial, no caso de multas referentes a períodos de apuração até outubro de 2000, iniciase no dia 1º de janeiro de 2001 e se encerra no dia 31/12/2005. Como a ciência do lançamento se deu apenas no dia 04/01/2006, é imperioso o reconhecimento da decadência do direito de constituir o crédito tributário. Da redução da multa isolada – retroatividade benigna Neste segundo tema, inicialmente, cumpre delimitar a matéria em julgamento. Sobre a parte da multa isolada mantida pela decisão recorrida não houve recurso voluntário. Em razão disso, o crédito tributário definitivamente constituído, referente a parcela da multa isolada lançada (calculada no percentual de 50%), foi objeto de cobrança e não faz parte do presente julgamento. Assim, cabe a este colegiado analisar tãosomente a redução do montante da multa isolada pela aplicação de alíquota menor do que a utilizada quando do lançamento, objeto do recurso de ofício. A multa isolada lançada – e impugnada – fundamentouse no disposto no art. 44, I, §1º, IV da Lei nº 9.430/96 e decorreu do não recolhimento das estimativas mensais previstas no art. 2º da referida lei: Fl. 820DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003626/200519 Acórdão n.º 1202000.854 S1C2T2 Fl. 821 6 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Posteriormente, com a edição da Medida Provisória nº 351 de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488 de 15/06/2007, o referido art. 44 foi alterado, e a multa isolada passou a ser capitulada em seu inciso II, nos seguintes termos: Art. 44. (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) (g.n.) Como se vê, houve evidente redução do percentual da multa devida, em benefício do sujeito passivo, o que, em se tratando de norma tributária, atrai a incidência do art. 106, III, “c” do CTN, que dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.003626/200519 Acórdão n.º 1202000.854 S1C2T2 Fl. 822 7 Diante disso, é indubitável que se impõe ao presente caso a aplicação retroativa da legislação posterior que reduziu o percentual da multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinqüenta por cento) incidente sobre o valor do tributo não recolhido por estimativa, referente aos períodos objeto de lançamento (03/2000 a 12/2004). Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 822DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000671/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004.
PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. VALOR FIXO PAGO DESVINCULADO DO ATINGIMENTO DE METAS OU RESULTADOS. IRREGULARIDADE. INCLUSÃO NO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O Programa de Participação nos Lucros e Resultados PLR
tem como finalidade integrar os empregados nos resultados positivos da empresa e incentivá-los a buscar o melhor desempenho, sendo a previsão de metas ou alcance de lucro ou resultados, individuais ou coletivos, requisitos
necessários à regularidade do PLR.
A previsão de pagamento de um valor fixo desvinculado do atingimento de
qualquer meta ou resultado configurase
como remuneração para efeito de
incidência da contribuição previdenciária, por não se coadunar com o
propósito constitucional do instituto.
AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS EMPREGADOS. REEMBOLSO DE
DESPESAS COM FACULDADE. POSSIBILIDADE.
O art. 28, §9º, “t” da Lei nº 8.212/1991 prevê a exclusão do salário de
contribuição dos valores pagos aos empregados para custeio de despesas com
educação básica e superior, incluindo neste cursos de graduação ou de
especialização.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento
da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a
multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei
11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais
benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A
da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a
multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza.
Numero da decisão: 2301-002.859
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da não integração ao Salário de Contribuição dos valores referentes ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, na questão da não integração ao Salário de Contribuição dos valores referentes ao pagamento do auxílio educação, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em anular o lançamento por vício formal; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. VALOR FIXO PAGO DESVINCULADO DO ATINGIMENTO DE METAS OU RESULTADOS. IRREGULARIDADE. INCLUSÃO NO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O Programa de Participação nos Lucros e Resultados PLR tem como finalidade integrar os empregados nos resultados positivos da empresa e incentivá-los a buscar o melhor desempenho, sendo a previsão de metas ou alcance de lucro ou resultados, individuais ou coletivos, requisitos necessários à regularidade do PLR. A previsão de pagamento de um valor fixo desvinculado do atingimento de qualquer meta ou resultado configurase como remuneração para efeito de incidência da contribuição previdenciária, por não se coadunar com o propósito constitucional do instituto. AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS EMPREGADOS. REEMBOLSO DE DESPESAS COM FACULDADE. POSSIBILIDADE. O art. 28, §9º, “t” da Lei nº 8.212/1991 prevê a exclusão do salário de contribuição dos valores pagos aos empregados para custeio de despesas com educação básica e superior, incluindo neste cursos de graduação ou de especialização. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
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PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. VALOR FIXO PAGO DESVINCULADO DO ATINGIMENTO DE METAS OU RESULTADOS. IRREGULARIDADE. INCLUSÃO NO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O Programa de Participação nos Lucros e Resultados PLR tem como finalidade integrar os empregados nos resultados positivos da empresa e incentiválos a buscar o melhor desempenho, sendo a previsão de metas ou alcance de lucro ou resultados, individuais ou coletivos, requisitos necessários à regularidade do PLR. A previsão de pagamento de um valor fixo desvinculado do atingimento de qualquer meta ou resultado configurase como remuneração para efeito de incidência da contribuição previdenciária, por não se coadunar com o propósito constitucional do instituto. AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS EMPREGADOS. REEMBOLSO DE DESPESAS COM FACULDADE. POSSIBILIDADE. O art. 28, §9º, “t” da Lei nº 8.212/1991 prevê a exclusão do salário de contribuição dos valores pagos aos empregados para custeio de despesas com educação básica e superior, incluindo neste cursos de graduação ou de especialização. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº Fl. 460DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 2 2 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da não integração ao Salário de Contribuição dos valores referentes ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, na questão da não integração ao Salário de Contribuição dos valores referentes ao pagamento do auxílio educação, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em anular o lançamento por vício formal; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face da AZUL COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS, por ter, esta empresa, deixado de recolher a contribuição previdenciária destinada a TerceirosINCRA incidente sobre os valores pagos a segurados a título de Participação nos Lucros e Resultados (empregados), Reembolso Faculdade (empregados), Previdência Privada (empregados e diretores) e Prêmios (empregados e diretores), conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 115/133. Apresentada impugnação às fls. 139/270, foi mantido o lançamento fiscal Fl. 461DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 3 3 pela decisão ora recorrida (fls. 273/285), cuja ementa assim dispôs: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. Salário de Contribuição Incidência. Integra o salário de contribuição do segurado empregado o pagamento da participação nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a lei específica. Integra o salário de contribuição o valor relativo a curso superior, graduação e pósgraduação, de que tratam os art.43 a 57 da Lei nº 9.394, de 1996. Integra o salário de contribuição do segurado empregado o pagamento de plano de previdência complementar não disponível a todos os empregados e diretores da empresa. Os prêmios terão natureza salarial e integrarão o saláriodecontribuição, desde que remunerem um trabalho executado e sejam pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada individual ou coletivamente. Ganhos Eventuais. As importâncias recebidas a título de ganhos eventuais não integram o salário de contribuição somente quando expressamente desvinculados do salário por força de lei. Arguição de Inconstitucionalidade. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. Lançamento procedente. Irresignada, interpôs o contribuinte Recurso Voluntário (fls. 292/336) contra a decisão acima transcrita. Em seguida, apresentou petição às fls. 340/349, requerendo desistência parcial do recurso, mantendoo apenas no tocante às verbas pagas a título de PLR e Reembolso Faculdade, de modo que suas razões recursais podem ser resumidas às seguintes: 1) A previsão de pagamento de uma parcela fixa não contraria a legislação sobre o PLR, não tendo sido apurado pela fiscalização se a empresa auferiu lucro ou não para tal pagamento; 2) O requisito legal de que o PLR tem que ser precedido por negociação coletiva de trabalho entre empresa e empregados teria sido satisfeita pela Convenção Coletiva de Trabalho; 3) O art. 7º, XI da Constituição Federal é autoaplicável; 4) Os valores recebidos a título de PLR o foram eventualmente, recaindo na hipótese do art. 28, §9º, alínea “e”, item 7 da Lei nº 8.212/1991; 5) O reembolso dos valores pagos aos empregados referentes aos cursos de graduação e MBA enquadrase na hipótese contida no art. 28, §9, “t” da Lei nº 8.212/1991, abrangendo, também, educação superior. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 4 4 Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Do Mérito Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR Em seu Recurso, a Recorrente pleiteia o reconhecimento da regularidade do seu Programa de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR, cujos pagamentos foram considerados como verbas remuneratórias tributáveis pela contribuição previdenciária. Narra o Relatório Fiscal que os pagamentos efetuados àquele título fundamentaramse na Convenção Coletiva de Trabalho específica sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização em 2003. Segundo previsto na Cláusula 2ª da Convenção, no encerramento do exercício, em 31/12/2003, todos os empregados em efetivo exercício receberiam, uma única vez, no prazo de pagamento da remuneração de janeiro/2004, a importância fixa de R$ 950,00. Já a Cláusula 3ª da referida Convenção previa que, apresentando a empresa lucro líquido ou resultados nos balanços de 31/12/2003 e tivessem disponibilidade financeira, efetuariam até 31/07/2004 o pagamento, de uma única vez, da importância equivalente a 40% do salário base previsto na Convenção Coletiva, acrescidos do valor fixo de R$ 286,00 aos empregados admitidos até 31/12/2002 e em efetivo exercício em 31/12/2003, limitada a soma a R$ 3.480,00. Afirma o AFRFB que não havia qualquer critério para pagamento do montante fixo de R$ 950,00, previstos na Cláusula 2ª da Convenção Coletiva independentemente de qualquer lucro ou resultado. Entendeu, portanto, que somente a segunda parcela paga até 31/07/2004 é que teria observado o disposto na Lei nº 10.101/2000, o que não teria ocorrido com a primeira Fl. 463DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 5 5 parcela de R$ 950,00, paga juntamente com a remuneração de janeiro/2004. Para se aferir a tributação das verbas pagas a título de Participação nos Lucros ou Resultados da Empresa, devese ter em mente o instituto previsto pela Constituição Federal, no seu art. 7º, XI, que previu como direito do trabalhador a “participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei”. Sendo norma constitucional de eficácia limitada, foi necessária a edição da Lei nº 10.101/2000 para disciplinar o PLR. Ocorre que referida Lei não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do Programa, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitando se, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. O que se observa é que a Lei previu apenas os seguintes requisitos: Negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; Regras claras e objetivas; mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; previsão da periodicidade da distribuição, do período de vigência e dos prazos. Assim, a partir do escopo constitucional e das normas legais atinentes ao tema, verificase se o PLR corresponde à parcela não fixa da remuneração do trabalhador que guarda uma relação direta com o desempenho da empresa. Não deve, portanto, ser confundida com aumentos reais de salários que são incorporados devidamente à remuneração, mesmo quando baseados na produtividade ou qualquer outro indicador de eficiência. Tão pouco se trata de um simples abono sem nenhuma ligação com o resultado do empreendimento. O PLR é, simultaneamente, uma parcela variável da remuneração do trabalhador e um prêmio pelos resultados econômicos – financeiros ou físico – operacionais alcançados. Tal programa permite que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, estabelecidas por meio de critérios claros e objetivos, sem, contudo, empregarlhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor. Tratase, portanto, da interligação de vários indicadores que, a partir de uma análise conjunta, irão definir o valor final a ser pago àqueles que dele participam. Estes indicadores são, entre outros, o comportamento do lucro, a rentabilidade e a evolução do desempenho dos empregados. O PLR é, portanto, um tipo de remuneração flexível, pois é influenciado pelos resultados da produtividade, pela performance da empresa com relação a seu lucro. Por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes de todos os interessados na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 6 6 Todos esses requisitos, na verdade, buscam garantir que o PLR tenha a participação das duas categorias (empregados e empregadores) tanto no momento de sua elaboração quanto de sua execução, podendo ser acompanhado por todos os envolvidos quanto ao cumprimento e ao alcance de metas. No caso dos autos, os valores autuados referemse à parcela fixa, prevista no valor de R$ 950,00 paga a todos os empregados da empresa, tendo como único critério estar o empregado em efetivo exercício em 31/12/2003. Ora, esse valor fixo foi previsto independentemente do alcance de qualquer meta individual ou coletiva. Ainda que seja possível a previsão de pagamento de PLR sem que haja lucro, com vinculação apenas em resultados determinados, deveriam estes ter sido dispostos no PLR como critério para pagamento do valor fixo de R$ 950,00, o que não ocorreu no caso. Não existe vinculação com qualquer meta, lucro ou resultado, o que impede o reconhecimento de que aquela verba teria feição de participação nos lucros e resultados da empresa. Já expressei, por vezes, entendimento de que seria possível a fixação de pagamento mínimo em caso de atingimento de meta pessoal, ainda que a geral da empresa não fosse alcançada, pois isto serviria como incentivo ao empregado a buscar os melhores resultados para a empresa, sem desconsiderar os esforços empreendidos. Contudo, no caso em comento, não existe qualquer meta objetiva ou incentivo aos empregados, já que estes receberiam independentemente de qualquer esforço adicional. Não cabe, portanto, a alegação da Recorrente de que a fiscalização deveria verificar se efetivamente não ocorreu lucro na empresa, pois a fiscalização não afirmou que a verba não poderia ser enquadrada como PLR porque não teria se verificado o resultado positivo, mas sim porque o pagamento se daria independentemente de qualquer resultado. O erro ocorreu na própria norma que o fundamentou (Cláusula 2ª da Convenção), e não no momento da aferição dos critérios para pagamento, o que torna irrelevante a verificação dos fatos que o circundam. Do Reembolsofaculdade Ao contrário do que afirmado pela fiscalização, a exclusão do salário de contribuição dos valores pagos aos empregados a título de auxílio educação compõe toda a educação, inclusive superior, pois se refere a curso de capacitação e qualificação profissional, previsto no art. 28, §9º, “t” da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores em comento: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...). t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e Fl. 465DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 7 7 qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Além de estar previsto em norma expressa do texto legal, o intuito do legislador, de incentivar o custeio e investimento na capacitação da mãodeobra, é também alcançado através do pagamento de cursos de especialização ou de graduação em nível superior. Este é o entendimento deste CARF, que já foi firmado no julgamento do Recurso Voluntário, cuja decisão transcrevese abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 (...). BOLSA DE ESTUDO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL. EXCLUSÃO DE VALORES. Serão excluídos da base de cálculo da contribuição social previdenciária os valores pagos pelos empregadores a título de educação, estando incluídos cursos de graduação, pós graduação, de línguas estrangeiras, tendo em vista que esses estão destinados à capacitação profissional do trabalhador, não retribuindo os serviços prestados por esses. FPAS. REENQUADRAMENTO. Caso seja feito enquadramento incorreto na Tabela de Códigos FPAS, prevista no Anexo III, da IN SRP nº 03/2005, a RFB, por meio de sua fiscalização, fará a revisão do enquadramento efetuado pelo sujeito passivo, observadas as atividades por ele exercidas. Recurso Voluntário Provido. (Recurso Voluntário 898318, processo 10166.721622/200982, Quarta Câmara, Segunda Seção de Julgamento, acórdão 2403000.611). É bem verdade que a legislação exige que o benefício seja extensivo a todos os empregados da empresa. Contudo, não se tem notícia nos autos, até porque não apontado pela fiscalização, de que apenas parcela dos empregados e diretores tenha acesso. Deste modo, sendo omisso o relatório fiscal sobre este ponto, presumese que o contribuinte teria cumprido dita exigência, pois do contrário deveria ter havido a indicação expressa pelo AFRFB. Assim, neste ponto, deve ser reformada a decisão recorrida. Da multa aplicada Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal Fl. 466DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 8 8 de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos Fl. 467DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 9 9 nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 10 10 Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S Processo nº 19740.000671/200809 Acórdão n.º 2301 002.859 S2C3T1 Fl. 11 11 A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que sejam excluídas do lançamento as parcelas referentes aos valores pagos aos empregados a título de reembolso faculdade, bem como para que seja aplicada a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de junho de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 470DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPE S
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Numero do processo: 11516.000785/2009-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 00 78 5/ 20 09 -7 3 Fl. 658DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento – PER de créditos da contribuição ao PIS de incidência nãocumulativa apurados no mercado interno no segundo trimestre do anocalendário 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis – DRF/FNS proferiu Despacho Decisório no qual indeferiu o Pedido de Ressarcimento, em vista de que, apesar de reiteradamente intimada, a contribuinte não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF nº 86/2011 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001 passíveis de aproveitamento. Fundamenta a autoridade fiscal que as inconsistências nos arquivos digitais e nos arquivos do SINCO Notas Fiscais, principalmente em relação aos créditos e débitos relativos aos itens das notas fiscais, não permitiram a corroboração dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON, tornando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente. Inconformada com o indeferimento do pedido, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade na qual alega que: conforme despacho decisório houve somente alguns arquivos digitais apresentados com supostas inconsistências; em atenção às diversas intimações, apresentou inúmeras vezes os arquivos digitais requisitados, elaborados de acordo com os parâmetros estipulados pelo ADE Cofins nº 15/2001 e seus anexos; os arquivos digitais apresentados foram devidamente validados mediante Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA, bem como passados pelo SINCO, não contendo nenhuma ressalva ou problema; os arquivos digitais abriram de forma integral e sem apresentar nenhuma falha ou inconsistência nos computadores da empresa, indicando alguma incompatibilidade com os equipamentos utilizados pelo agente fiscalizador; apresentou todas as informações requisitadas, estando os arquivos devidamente validados e respeitando os parâmetros do ADE nº 15/01, assim, caberia à autoridade fiscal procurar verificar se seus equipamentos se encontram atualizados e compatíveis, ou ainda, requisitar os arquivos digitais em outros formatos, ou mesmo a apresentação dos documentos físicos para verificação do crédito; Fl. 659DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 4 3 o ADE nº 15/01 e a Instrução Normativa nº 86/01 não informam qual a extensão do arquivo a ser apresentado ou mesmo a versão do programa; a falta de indicação da classificação das mercadorias em alguns arquivos digitais não poderia representar óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, uma vez que o direito de crédito está constitucional e legalmente assegurado, não podendo ser negado quando configuradas as hipóteses previstas na legislação e muito menos ser preterido em função de supostas inconsistências na visualização de arquivos digitais validamente apresentados; por força do princípio da verdade material, se os créditos existem, a autoridade fiscal não pode se furtar em reconhecêlos, uma vez que os documentos apresentados comprovam de forma cabal a existência dos créditos requeridos. E conclui: Lembrese: todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos pela empresa estavam à disposição do agente fiscalizador. Problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais apresentados pela empresa e os equipamentos da fiscalização não poderiam servir de óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, especialmente porque a cooperativa dispõe de todos os documentos físicos (livros devidamente escriturados, notas fiscais, entre outros) para a verificação dos créditos. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário com as seguintes alegações: a decisão de primeira instância possui grave contradição em suas próprias conclusões; a recorrente apresentou vários arquivos magnéticos em resposta às intimações efetuadas; Fl. 660DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 5 4 apenas alguns desses arquivos apresentaram pequenas inconsistências, em grande parte geradas por conflito entre os formatos dos arquivos; se apenas parte dos arquivos não pode ser verificada por apresentar inconsistências (geradas apenas por erros de leitura dos arquivos), seria indispensável a realização de diligência para verificar tais informações; somente em questões pontuais a fiscalização ficou em dúvida; é desproporcional e desarrazoado indeferir a totalidade do crédito quando apenas uma pequena parte suscitou dúvidas à fiscalização; a escrita fiscal da recorrente está e sempre esteve inteiramente à disposição da fiscalização, e possui todas as informações necessárias a comprovação do crédito requerido; quanto à suposta impossibilidade de análise dos arquivos magnéticos, por estes estarem supostamente em desacordo com a legislação, a decisão de primeira instância deixou de levar em consideração os ditames do próprio art. 65 da IN SRF 900/08; cumpriu rigorosamente o requisito formal estabelecido no art. 65 da IN SRF 900/08, uma vez que todos os arquivos digitais apresentados forma validados através do SVA, e demonstram de forma clara e precisa a origem do crédito requerido; o direito a crédito dos contribuintes, especificamente no caso dos tributos nãocumulativos, é garantido constitucionalmente e legalmente; junta ao presente recurso dois DVDS que contém todas as informações necessárias para a verificação do crédito, nas extensões específicas requeridas pela fiscalização; o indeferimento do Pedido de Restituição não é cabível quando o motivo é a não apresentação de documentos requeridos, ensejando apenas o arquivamento do pedido nos termos do art. 40 da Lei 9.784/99 e no art. 103 do Decreto 7.574/11; o arquivamento do Pedido de Ressarcimento até o cumprimento das exigências fiscais é medida que se impõe a Administração, por força de Lei. Colaciona jurisprudência administrativa. Por fim, requereu que o recurso fosse conhecido e provido para: a) reconhecer o crédito pleiteado no presente pedido de ressarcimento; b) seja determinada a realização de diligência para verificar a existência do crédito. Em complemento as razões do recurso voluntário, a recorrente apresentou petição com os seguintes argumentos: Fl. 661DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 6 5 os prazos constantes das intimações fiscais para a apresentação dos documentos não permitiram à empresa a conversão de todos os arquivos digitais que comprovam os créditos para o formato exigido pelo agente fiscalizador; a COREC determinou que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012; sendo norma procedimental que beneficia a empresa, deve ser aplicada retroativamente em respeito ao art. 106, II, “b” do CTN; consequentemente, os documentos magnéticos para a comprovação dos créditos poderiam ser apresentados em até 110 dias. Por último, requereu que fosse aplicado o ADE 3/2012 ao presente processo. É o relatório. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 7 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Tenhase presente que após a Emenda Constitucional 42/2003 a não cumulatividade das contribuições PIS e Cofins foi assegurada constitucionalmente. As Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com as alterações posteriores, disciplinam o regime da nãocumulatividade das contribuições PIS e Cofins, respectivamente. Para o exercício da nãocumulatividade das contribuições essas leis asseguram ao sujeito passivo o direito de descontar créditos sobre custos e despesas enumerados nos respectivos atos legais citados. A Instrução Normativa RFB nº 900, de30 de dezembro de 2008, estabelecia: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (...) (grifouse) Posto, em tese, o direito do contribuinte, passase ao exame da situação fática probatória. Do exame dos autos administrativos, constatase que por diversas vezes a recorrente foi intimada a comprovar o seu direito creditório. Em atendimento às diversas Fl. 663DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 8 7 intimações apresentou uma série de arquivos magnéticos, conforme recibo de entrega de arquivos digitais. Por seu turno, a autoridade fiscal ao examinar os arquivos digitais identificou uma série de inconsistência e/ou formato incompatíveis com o ADE COFIS 15/2001. É fato que a recorrente sempre atendeu as intimações da autoridade fiscal, ainda que de forma deficiente, situação admitida em seu recurso voluntário. O indeferimento do pedido de ressarcimento com a justificativa de inconsistências nos arquivos digitais apresenta se desproporcional ao direito da contribuinte. Convém ressaltar que eventuais erros na apresentação dos arquivos digitais não são elementos suficientes para afastar o direito de ressarcimento/compensação previsto na lei de regência, pois o Estado não deve se enriquecer ilicitamente. A questão relevante é que a recorrente de forma sistemática procurou comprovar o seu direito creditório, inclusive a fiscalização admitiu que parte dos arquivos digitais estavam corretos. Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto da informação fiscal: “Na ocasião foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal, Solicitação de Documentos (fls. 305/306), tendo o interessado disponibilizado a maior parte dos documentos solicitados. (grifouse) Além do mais, apresentou novos arquivos digitais supostamente sem inconsistências, conforme consta em seu recurso voluntário. De sorte que não se compartilha com a tese de indeferimento do ressarcimento por eventuais inconsistências nos arquivos magnéticos, mormente quando ficou comprovado que a recorrente reiteradamente procurou solucionálas. Quanto ao argumento de que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012, não assiste razão à recorrente. Este ato Declaratório foi emitido para o atendimento de uma situação específica, qual seja, o atendimento de intimações eletrônicas. Assim, este dispositivo legal não produz quaisquer efeitos em relação às intimações das autoridades fiscais, não eletrônicas. Ademais, não se trata de norma procedimental, pois alcança um universo específico de contribuintes, logo não se aplica o princípio da retroatividade benigna disposto no art. 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional. Destarte, na solução deste litígio adotase como prazo para a apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por parte da recorrente o disposto no art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001 (DOU de 23/10/2001, pág. 18), in verbis: Art. 2o As pessoas jurídicas especificadas no art. 1o, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras.(grifouse) Fl. 664DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000785/200973 Resolução nº 3801000.415 S3TE01 Fl. 9 8 Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente, visto que esse litígio administrativo tem como objeto principal o ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar os créditos da contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) receba os arquivos apresentados no recurso voluntário, efetue sua autenticação e validação nos sistemas da RFB; b) caso constate inconsistências nos arquivos magnéticos, intime o contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias a solucionálas; c) a partir dos arquivos magnéticos e com base na escrituração fiscal e contábil, não havendo inconsistências impeditivas, apure eventual valor passível de ressarcimento com base na legislação de regência; d) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 665DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12897.000181/2010-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
GFIP. AUTUAÇÃO POR COMPETÊNCIA
A lei estabelece a obrigatoriedade da entrega mensal da declaração. A cada declaração não entregue ou entregue com omissões corresponde uma multa.
Numero da decisão: 2403-001.802
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. GFIP. AUTUAÇÃO POR COMPETÊNCIA A lei estabelece a obrigatoriedade da entrega mensal da declaração. A cada declaração não entregue ou entregue com omissões corresponde uma multa. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 81 /2 01 0- 96 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12897.000181/201096 Acórdão n.º 2403001.802 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, Acórdão 1240.316 da 10ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.254.0449 CFL 68) lavrado em 09/06/2010 contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 155.186,90. 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa (fls. 32/44): 2.1. Do confronto entre os valores informados em GFIP e os constantes em folha de pagamento, rescisões de contrato de trabalho e recibos de férias corroborados com a contabilidade da empresa, foram verificadas omissões de fatos geradores nas GFIPs do período de 01/2006 a 12/2006, referentes aos segurados empregados e contribuintes individuais, discriminados em planilhas, Anexos I a IV (fls. 104/454 do Auto de Infração de Obrigação Principal n° 37.254.0414); 2.2. Face ao reenvio dos documentos declaratórios, a partir da versão 8.0, não foi observado pela impugnante a correta sistemática de retificação de dados prevista no Manual GFIP/SEFIP, pelo que a omissão em relação aos segurados empregados foi parcial. 2.3. Tal conduta constituiu infração ao artigo 32, inciso IV e § 5°, da Lei n° 8.212/1991 combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999; 2.4. A multa aplicada foi apurada, em cada competência, respeitandose o disposto nos artigos 32, § 5°, da Lei n° 8.212/1991, c/c 284, II e 373, do RPS, demonstrandose ainda por meio de comparativos a multa mais benéfica — Anexos IV e VII, fls. 163 e 165, do Auto de Infração de Obrigação Principal n° 37.254.0414. 3. Segundo ainda o citado relatório restou configurada a circunstância agravante da penalidade, prevista no artigo 290, V, do RPS, porém a ocorrência de agravantes, na presente autuação, não produz efeitos no valor da multa. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Apresentou toda documentação requerida. · O Auto de Infração foi entregue sem a planilha demonstrativa dos cálculos e valores. Cerceamento de defesa. · Pela análise do Relatório Fiscal, o suposto descumprimento da obrigação acessória teria se dado não pela ausência de informação pela contribuinte, mas sim por mero erro sistêmico de retificação. · A infração descrita na autuação é sucessiva (01/2006 a 13/2006), tratase de infração continuada e devese aplicar a pena de uma só infração. · O suposto não recebimento da GFIP 13/2006 não pode ter outra razão senão erro sistêmico da Previdência, haja vista que a mesma foi regularmente apresentada. É o relatório Fl. 137DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12897.000181/201096 Acórdão n.º 2403001.802 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A autuação decorreu de a empresa ter omitido fatos geradores nas GFIP. No lançamento consta a descrição sumária da infração, dispositivo legal infringido, dispositivo legal da multa aplicada, dispositivos legais da gradação da multa aplicada, o valor da multa e relação dos relatórios integrantes da autuação. DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lel n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, parágrafo 5., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso II (com a redação dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03) e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. VALOR DA MULTA: R$ 155.186,90 CENTO E CINQÜENTA E CINCO MIL E CENTO E OITENTA E SEIS REAIS E NOVENTA CENTAVOS.***** RELATÓRIOS INTEGRANTES DESTA AUTUAÇÃO: IPC instruções para o Contribuinte Fl. 138DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 VINCULOS Relatório de Vínculos REFISC Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa O Relatório Fiscal destaca que, em relação aos segurados empregados, o erro cometido pela empresa quando da retificação das declarações. Pela nova sistemática declaração retificadora substitui integralmente a declaração anterior. 8. DOS FATOS Dos segurados empregados A partir da análise das Folhas de Pagamento, das Rescisões de Contrato de Trabalho e dos Recibos de Férias corroboradas com a contabilidade apurouse as verbas remuneratórias dos segurados empregados que foram consideradas pelo sujeito passivo como base de calculo para fins de previdência, ou seja, sobre as quais incidem as contribuições sociais para fins de custeio da Seguridade Social. Vale acrescentar que nem todas as remunerações presentes em Folhas de Pagamento foram declaradas em GFIP, de acordo com as telas do nosso sistema que se encontram no Anexo XVI. Deve ser registrado que em relação aos segurados empregados esta omissão de forma parcial, decorreu do fato de a empresa ter reenviado estes documentos declaratórios em versão a partir da 8.0, e não atentou para a correta sistemática de retificação de dados prevista no Manual GFIP/SEFIP, segundo a qual, os dados da nova GFIP/SEFIP substituirão as informações contidas no seu cadastro independentemente do código de recolhimento e do FPAS. No Anexo I consta as remunerações dos segurados empregados que foram omitidas em GFIP e no Anexo III as contribuições que foram descontadas, porém não declaradas em GFIP. Dos contribuintes individuais Ao analisarmos o Livro Diário nº 45 e 46, observou a existência de pagamentos feitos a pessos físicas sem vínculos empregatícios nas contas 4113050300 (OUTROS) e 4113061300 Anexo XIV. Desta forma foram solicitados os Recibos de Pagamento a Autônomos (RPA's) por intermédio dos TIF's emitidos em 02/02/2010, 19/02/2010 e 23/03/2010, os quais foram apresentados em época própria e que se encontram no Anexo XV. A partir de 04/2003, de acordo com o art. 4, caput, c/c com o art. 15, caput, ambos da Lei 10.666/03, transcritos a seguir, o sujeito passivo passou a ter a obrigatoriedade de arrecadar as contribuições dos contribuintes individuais e descontálas das suas respectivas remunerações, limitados ao limite máximo do salário de contribuição, repassando estes valores à previdência Fl. 139DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12897.000181/201096 Acórdão n.º 2403001.802 S2C4T3 Fl. 5 7 social. A alíquota de contribuição a ser descontada pela empresa da remuneração paga a estes segurados (§ de onze por cento, conforme disposto no §26 do art. 216 do Decreto 3.048/99. Ao verificarmos os lançamentos contábeis juntamente com os respectivos RPA's constatouse que o sujeito passivo realizou o desconto dos 11% das remunerações pagas somente a ROBERTO BRANDÃO DO AMARAL e a IVANOR IRINEU FERRONATTO. Sendo assim, foi solicitada a comprovação da retenção dos 11% em relação aos demais contribuintes individuais, por intermédio do TIF emitido em 23/03/2010. Diante da inércia do contribuinte concluímos pelo não desconto dos 11% das remunerações pagas aos demais contribuintes individuais. Tal descumprimento de obrigação acessória ensejou na lavratura do Al 37.275.4341. Deve ser mencionado que somente o contador ROBERTO BRANDÃO DO AMARAL foi declarado em GFIP nas competências 01/2006 a 03/2006. O Anexo II apresenta as remunerações dos contribuintes individuais que foram omitidas em GFIP e o Anexo IV os respectivos descontos dos 11%. Quanto à alegação que houve cerceamento de defesa por o Auto de Infração ter sido entregue sem a planilha demonstrativa dos cálculos e valores, entendo que tal alegação não procede. Além da apresentação do dispositivo legal da multa aplicada, dispositivos legais da gradação da multa aplicada e do o valor da multa, já citados acima, consta do lançamento, no Relatório Fiscal da Infração, descrição do cálculo da multa, conforme abaixo: DO CALCULO DA MULTA De acordo com o §52 do Art. 32 da lei 8.212/91, a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator a pena administrativa correspondente à multa de 100 % (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitadas aos valores previstos no § 42 do referido Art. 32. — Limite estabelecido pelo §42 do Art. 32 da lei 8.212/91. Consoante o §4º do Art. 32 da lei 8.212/91,0 valor mínimo da multa seria de R$ 1.410,79 (um mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos), valor este já atualizado pela Portaria MPS/MF N12 350, de 30 de dezembro de 2009 DOU de 31/12/2009, artigo 8, V). De acordo com as informações prestadas pelo contribuinte nas folhas de pagamento e na escrituração contábil, o número de segurados a serviço, nas competências 01/2006 a 12/2006, foi Fl. 140DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 superior a 101 e inferior a 500, o que implica, na determinação do valor da multa, a aplicação de um multiplicador da ordem de 10 vezes o valor mínimo, no período consignado, de forma que o limite superior da multa, nessas competências será de R$ 14.107,90. Deve ser registrado que para este calculo levase em consideração todos os segurados, ou seja, tanto empregados quanto contribuintes individuais que prestaram serviços. — Do cálculo das contribuições sociais não declaradas em GFIP. Os valores não declarados em GFIP foram apurados a partir das folhas de pagamento e da escrituração contábil do contribuinte confrontandoos com as GFIP's entregues. 0 Anexo V e VI apresenta os valores totais das remunerações pagas por competências que não foram declaradas na GFIP, além das contribuições dos segurados que foram ou deveriam ter sido descontadas em época própria. — Memória de calculo da multa aplicável. 0 Anexo VII apresenta o montante total das contribuições sociais que não foram informadas em GFIP (CONTRIBUIÇÃO TOTAL), apuradas na forma acima delineada, nas respectivas competências (COMPETÊNCIA); o limite imposto pelo Art. 32 § 4 2 da lei 8.212/91 (MULTA LIMITE); bem como o valor efetivo da multa pecuniária aplicada em cada competência (MULTA APLICADA). Nesse contexto, o valor da multa aplicada alcança o montante total de R$ 155.186,90 (canto e cinqüenta e cinco mil cento e oitenta e seis reais e noventa centavos), não esquecendo de lembrar que para a competência 07/2006 foi aplicada a multa de ofício de 75% e não o Al CFL 68. CÁLCULO DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12897.000181/201096 Acórdão n.º 2403001.802 S2C4T3 Fl. 6 9 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. GFIP COMPETÊNCIA 13/2006 As alegações relativas à competência 13/2006 não serão apreciadas tendo em vista que a falta da entrega é objeto do Processo 12897.000182/201031. INFRAÇÃO CONTINUADA A Recorrente defende a tese que a infração descrita na autuação é sucessiva (01/2006 a 13/2006), que tratase de infração continuada e que devese aplicar a pena de uma só infração. Não concordo com a tese apresentada. A obrigação estabelecida em lei (Lei 8.212/91) é de informar mensalmente, isto é, a cada competência uma declaração. A multa estabelecida no parágrafo 4º do artigo 32 se refere à declaração mensal, isto é, para cada declaração com omissão de fatos geradores, uma multa. Art. 32. A empresa é também obrigada a: . IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS.(Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo:(Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Entendo correta a aplicação de multa por competência. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12897.000181/201096 Acórdão n.º 2403001.802 S2C4T3 Fl. 7 11 CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e que prevaleça a mais benéfica à contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10730.720163/2010-00
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
AÇÃO JUDICIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO SUSPENSIVO. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO.
O prazo para os contribuintes recolherem o tributo objeto de ação judicial desfavorável é de trinta dias e começa a fluir a partir da decisão final proferida na ação, ainda que em virtude da interposição de embargos de declaração recepcionados pelo tribunal com os efeitos suspensivos.
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IRRF. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Comprovado nos autos que a recorrente faz jus ao valor do IRRF recolhido a destempo, computa-se o valor original, sem os juros moratórios, no saldo negativo de IRPJ relativo ao período de apuração.
Numero da decisão: 1801-001.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 AÇÃO JUDICIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO SUSPENSIVO. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO. O prazo para os contribuintes recolherem o tributo objeto de ação judicial desfavorável é de trinta dias e começa a fluir a partir da decisão final proferida na ação, ainda que em virtude da interposição de embargos de declaração recepcionados pelo tribunal com os efeitos suspensivos. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IRRF. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Comprovado nos autos que a recorrente faz jus ao valor do IRRF recolhido a destempo, computa-se o valor original, sem os juros moratórios, no saldo negativo de IRPJ relativo ao período de apuração.
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO SUSPENSIVO. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO. O prazo para os contribuintes recolherem o tributo objeto de ação judicial desfavorável é de trinta dias e começa a fluir a partir da decisão final proferida na ação, ainda que em virtude da interposição de embargos de declaração recepcionados pelo tribunal com os efeitos suspensivos. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. IRRF. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Comprovado nos autos que a recorrente faz jus ao valor do IRRF recolhido a destempo, computase o valor original, sem os juros moratórios, no saldo negativo de IRPJ relativo ao período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 01 63 /2 01 0- 00 Fl. 596DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1236.240/11 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, fls. 520 a 523, que julgou procedente em parte o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como homologar, em parte, a pertinente compensação deste crédito com débito tributário, formalizado no Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) de fls. 01 a 06. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Versa este processo sobre DCOMP. Através do Despacho Decisório Parecer Seort/DRF/Niterói n° 3.210/2010 (fls. 470/474), foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$1.013.886,13, advindo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004, acrescido de juros Selic a partir de maio de 2006, e, em consequência, foi homologada parcialmente a compensação efetuada por meio da DCOMP 35333.55931.020606.1.3.040886 e determinada a imediata cobrança do débito indevidamente compensado relacionado. No Parecer Seort, temse, em síntese, que: · o interessado estava obrigado a recolher o IRRF em função da decisão judicial de fls. 105/114, publicada em 06/09/2005, que deu provimento ao recurso da União, não havendo, por conseguinte, pagamento indevido; · para se beneficiar da exclusão da multa de mora (§ 2o, do art. 63, da Lei n° 9.430/1996), o pagamento deveria ter sido efetuado até 07/10/2005, conforme manifestação da PSFN/NIT; · de acordo como Parecer Normativo SRF n° 1, de 24/09/2002, tratandose de rendimento sujeito a antecipação, considerase vencido o imposto na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado (31/12/2004); · "em 04 de abril de 2006, data do recolhimento de fl. 60, para quitar o IRRF, código 5273, no valor originário de R$ 1.179.337,52, o contribuinte deveria ter recolhido um valor consolidado de R$1.681.263,57, incluída a multa de mora efetivamente devida no valor de R$235.867,50, e os juros de mora de R$266.058,55"; · como não houve a inclusão da multa, cabe imputação proporcional do pagamento (como demonstra); · o valor recolhido a título de IRRF compõe o saldo negativo do ano calendário de 2004, posto que os esclarecimentos e documentos anexados "comprovam que os rendimentos auferidos nas operações de swap foram devidamente contabilizados e submetidos à tributação na DIPJ"; · "como regra geral, o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ está disponível a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente", entretanto, como o pagamento ocorreu somente em 04/04/2006, a regra geral não pode ser aplicada; Fl. 597DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.720163/201000 Acórdão n.º 1801001.290 S1TE01 Fl. 3 3 · no caso, o crédito estará disponível a partir do evento em que seu direito se constituiu, ou seja, a partir do mês subsequente ao do pagamento (maio de 2006). O interessado, cientificado em 25/10/2010 (fl. 476), apresentou, em 24/11/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 479/502. Nesta peça, alega, em síntese, que: · no dia 04/04/2006, no prazo de 30 dias contados da publicação do acórdão que negou provimento aos seus embargos de declaração, recolheu o imposto de renda não retido pela fonte pagadora por força de liminar e sentença judicial, no total de R$1.445.396,06, como atesta o darf acostado à fl. 60; · encerrado o ano calendário de 2004, materializado estava o fato gerador do IRPJ, donde, a partir de então, nunca poderia ser exigido o IRRF; · quando percebeu que o aludido recolhimento foi indevido, apresentou DCOMP; · a Receita Federal, escorada na opinião da PSFN/NIT, concluiu que era devida a multa de mora e efetuou imputação proporcional do darf pago; · não cabe a exigência de multa de mora, por terem os embargos de declaração sido recebidos no duplo efeito, conforme jurisprudência; · como o IRRF não foi retido pela fonte pagadora, não há como compor o saldo negativo; · jamais alegou que os rendimentos auferidos em operações de swap não deviam ser computados no lucro real e não os excluiu da determinação deste, conforme reconhecido de modo inconteste no Despacho Decisório; · em março de 2006, não devia imposto de renda algum, de modo que o recolhimento configurou pagamento indevido; · ainda que se tratasse de pagamento devido, cujo valor deveria integrar o saldo negativo, o crédito passível de compensação corresponderia ao valor do principal do imposto recolhido, acrescido de juros SELIC a partir de janeiro de 2005, nos termos do inciso IV, do § 1o, do art. 72, da IN RFB n° 900/2008. É o relatório. Como visto no Relatório, através do Despacho Decisório Parecer Seort/DRF/Niterói n° 3.210/2010 (fls. 470/474), foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$1.013.886,13. O crédito alegado tem origem no darf (fl. 60) recolhido em 04/04/2006, no valor total de R$1.445.396,06. O recolhimento foi devido, uma vez que a decisão no mandado de segurança impetrado pelo interessado lhe foi desfavorável. Assim, não cabe restituição do valor total do darf (IRRF, multa e juros) apenas o valor do principal (IRRF) pode vir a ser restituído, posto que pode compor o saldo negativo do IRPJ (ainda que o Fl. 598DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 recolhimento tenha sido efetuado pelo próprio interessado, em decorrência de responsabilidade tributária em face de não retenção pela fonte pagadora por força de decisão judicial), desde que comprovada a tributação dos rendimentos (fato inconteste). O Seort apontou que, para se beneficiar da exclusão da multa de mora (§ 2o, do art. 63, da Lei n° 9.430/1996), o pagamento deveria ter sido efetuado até 07/10/2005, conforme manifestação da Procuradoria Secional da Fazenda Nacional em Niterói. A Procuradoria da Fazenda Nacional, na forma de seu Regimento Interno, tem por finalidade, entre outras, fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos, a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação (salvo seja houver orientação normativa do AdvogadoGeral da União); entre as suas áreas de atuação, encontrase o desempenho das atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda e entidades a este vinculadas. Assim, o entendimento da PSFN/NIT deve ser acatado, prevalecendo a imputação efetuada pelo Seort. A jurisprudência não tem força vinculante. No entanto, assiste razão ao interessado quando alega que, tratandose de pagamento devido, cujo valor deveria integrar o saldo negativo, o crédito passível de compensação corresponderia ao valor do principal do imposto recolhido, acrescido de juros SELIC a partir de janeiro de 2005, nos termos do inciso IV, do § Io, do art. 72, da IN RFB n° 900/2008. O fato de o pagamento ter ocorrido somente em 04/04/2006 não faz com que não se aplique a regra relativa a crédito de saldo negativo de IRPJ. Não pode se entender que o pagamento é devido e se aplicar a regra de pagamento indevido, como pretende o Seort. Pelo fato de o pagamento somente ter ocorrido em 04/04/2006, houve o recolhimento de juros de mora no valor R$266.058,54 (valor que coincide com o apontado pelo Seort como devido). O Despacho Decisório Parecer Conclusivo deve, então, ser reformado, mantendo se o direito creditório reconhecido pela DRF no valor de R$1.013.886,13, advindo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004, que, no entanto, deverá ser acrescido de juros Selic a partir de janeiro de 2005.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 08/04/11fls 525; Recurso – 09/05/11 fls. 526) o Recurso de fls. 525 a 551, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: a) a multa de mora não é devida em razão dos efeitos suspensivo e devolutivo que os embargos de declaração interpostos pela recorrente no litígio judicial com a Administração Tributária foram expressamente recebidos pelo Tribunal Regional Federal (TRF); a data a ser considerada para a eventual exigência da multa moratória é trinta dias após a data da publicação do Acórdão que denegou provimento aos embargos, ou seja, 06/03/2006 mais trinta dias; o recolhimento do IRRF – swap ocorreu em 04/04/2006, portanto dentro do trintídio afastada a multa moratória; b) esclarece que o presente litígio não versa sobre exigência de IRPJ sobre os rendimentos auferidos que ensejaram o IRRF, uma vez que todos os rendimentos respectivos foram devidamente contabilizados e oferecidos à tributação ao final do período; c) aduz que pela excepcionalidade da conduta ora observada (recolhimento de IRRF pela própria recorrente) e por causa das travas do sistema em aceitar que este valor (IRRF devido pela própria recorrente) seja computado no saldo negativo de IRPJ, o Parecer Fl. 599DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.720163/201000 Acórdão n.º 1801001.290 S1TE01 Fl. 4 5 Normativo Cosit (PN Cosit) invocado no acórdão recorrido não pode ser aplicado. A letra “a” do item 19 do PN Cosit nº 01/2002 referese a recolhimento de IRPJ e não a IRRF. Conclui que o recolhimento por sua parte do IRRF não era sequer devido, sendo incabível a exigência da multa moratória. Cita jurisprudência que entende lhe socorrer. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Luís Felipe Krieger M. Bueno, OAB/RJ nº 117.908. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso, por tempestivo. O cerne do litígio está em decidir se o recolhimento efetuado pela recorrente de IRRF – swap, objeto de litígio judicial já transitado em julgado, deve ou não ser acrescido da multa moratória, que a autoridade tributária impôs ao deferir parcialmente o pedido de restituição/compensação efetuado pela recorrente. Aproveita ainda a recorrente e requer que os juros sejam considerados a partir dos pagamentos realizados. A recorrente traz várias argumentações para convencer da inadmissibilidade da exigência, focando principalmente na data em que a demanda judicial se deu por encerrada definitivamente, após os embargos de declaração por ela interpostos não serem admitidos no Tribunal em questão. Em contra posição, a Administração Tributária defende o cabimento da aplicação da multa moratória por defender que a recorrente ultrapassou o prazo de trinta dias para recolher o principal e juros, contado o prazo após o acórdão desfavorável a sua causa ter sido proferido anteriormente aos embargos interpostos. Para o fisco a data a ser considerada é 07/10/2005, visto a publicação ter ocorrido em 06/09/05, enquanto a recorrente requer a data da publicação do último acórdão judicial, em 06/03/06, para ser considerada como termo a quo. O recolhimento do tributo realizouse em 04/04/06. A demanda, pois, remete aos efeitos dos embargos de declaração e seu alcance, reiterando a recorrente que o Tribunal recebeuos nos efeitos devolutivos e suspensivos e, por conseguinte, sendo a data da publicação deste último recurso processual o termo a quo para a contagem do trintídio. Dispõe o parágrafo 2º do artigo 63 da Lei nº 9.430/96: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) [...] Fl. 600DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. O Parecer Normativo SRF nº 01, de 24 de setembro de 2002, ao cuidar da matéria, prescreve: 19.1. A multa de mora fica interrompida desde a concessão da medida judicial até o trigésimo dia de sua cassação, nos termos do § 2º do art. 63 Lei nº 9.430, de 1996: [...] 19.2. No caso de pagamento após o prazo referido no subitem anterior, a contagem da multa de mora será reiniciada a partir do trigésimo primeiro dia, considerando, inclusive e se for o caso, o período entre o vencimento originário da obrigação e a data de concessão da medida judicial. As normas são claras quanto ao prazo, mas a questão ora proposta foge à mera leitura destas, pois o que devese investigar é se os embargos de declaração propostos pela recorrente na demanda judicial impediram, como prefere a melhor doutrina processual civil, que a sentença proferida na Apelação proposta pela Fazenda Nacional, cuja sentença foi lhe favorável, produzisse qualquer efeito. A matéria é instigante e objeto de diversas discussões doutrinárias em virtude do silêncio do CPC sobre os efeitos dos embargos declaratórios.. A orientação pesquisada é que os embargos de declaração por não terem o condão de modificar o resultado da decisão de mérito, em regra, devem seguir os efeitos do recurso que sucedem. A regra comporta exceções, todavia, pois há obscuridades, contradições ou omissões que impedem o cumprimento da decisão prolatada, o que não se verifica no caso. Os magistrados também tem liberdade para deferir ou não pedido das partes para que a este recurso seja atribuído o efeito suspensivo. No ensino da processualista Teresa Arruda Alvim Wambler1, que adoto: Por tudo o quanto se disse, parece que o efeito suspensivo dos embargos de declaração devem decorrer de uma única circunstância que é o pedido expresso formulado pela parte fundada na impossibilidade real de que a decisão seja cumprida ou na probabilidade de integral alteração da decisão em virtude do acolhimento dos embargos. Não se deve entender, em nosso sentir, que a interposição dos embargos de declaração, por si só, geraria a cessação dos efeitos da decisão. Na verdade, a interposição dos embargos não altera a situação criada pelo recurso principal, que é cabível no caso concreto. No caso de se tratar de decisão agravável, que, portanto, produz efeitos imediatos, em face da perspectiva, por exemplo, de não poder cumprir a decisão impugnada, deve o próprio embargante formular pedido de que ao seu recurso seja atribuído efeito suspensivo. E, por certo – até mesmo para que haja utilidade no pedido de suspensão dos efeitos formulado – deferido o pedido, os efeitos deste deferimento reportarseão ao momento da interposição dos embargos de declaração. 1 WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Os embargos de declaração têm mesmo efeito suspensivo? Panóptica, Vitória, ano 1. n. 7, mar. – abr., 2007, p. 7083. Disponível em: <http://www.panoptica.org>. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.720163/201000 Acórdão n.º 1801001.290 S1TE01 Fl. 5 7 A razão em virtude da qual nos parece que se deve entender que de regra os embargos de declaração não têm efeito suspensivo está ligada à urgência que, de regra, as decisões submetidas a recurso sem efeito suspensivo supõem. Ou seja, por detrás das sentenças que estão sujeitas a apelação sem efeito suspensivo e das liminares, que são, por assim dizer, as interlocutórias mais relevantes, há urgência. [...] Nada obsta, no sistema, que com a interposição dos embargos de declaração realmente fiquem suspensos os efeitos da decisão. Nada impede, tampouco, que a decisão produza de imediato seus efeitos. [...] Flávio Cheim Jorge, em excelente obra2 sublinha que, embora os embargos de declaração devam ser considerados um recurso, já que como tais foram incluídos no rol do art. 496 do Código de Processo Civil que permitem o reexame da matéria impugnada pelo Poder Judiciário, são remédio voluntário, impedem a coisa julgada etc, devem também ser vistos como um recurso peculiar, já que não visam a anular ou reformar a decisão recorrida. [...] Diz com acerto que, por isso, não se deve simplesmente afirmar que os embargos têm, ou que não têm, efeito suspensivo. Os embargos de declaração são interponíveis de todos os tipos de pronunciamentos judiciais, portanto, de pronunciamentos que ensejam também a interposição de outro recurso. Por isso é que se deve levar em conta, segundo citado autor, o recurso cabível (próprio) contra a decisão que se quer impugnar, num primeiro momento, por meio dos embargos de declaração. Assim, os embargos de declaração não teriam o condão de alterar a situação criada pelo recurso próprio: se se trata de hipótese em que os efeitos da decisão não se estão produzindo, porque esta está sujeita a recurso COM efeito suspensivo, estes não se produzirão; se já há efeitos no mundo empírico porque se trata,v.g., de uma liminar (impugnável por agravo) não é a interposição dos embargos de declaração que fará com que estes cessem. Concordamos integralmente com o autor, mas pensamos, também, que mesmo nos casos em que a decisão normalmente produziria efeitos, NADA OBSTA que a parte PLEITEIE O EFEITO SUSPENSIVO, nos casos antes mencionados e nos demais, que venham a ocorrer no plano empírico, já que a riqueza do mundo real suplanta infinitamente a imaginação do legislador e da doutrina. (grifos pertencem ao original) Em face à doutrina esposada, verificase nos autos, às fls. 137 a 146, que a recorrente nos embargos de declaração opostos contra a ação de Mandado de Segurança (AMS) nº 2000.02.01.0237170 requereu, de fato, o efeito suspensivo para os embargos: Tratase de embargos de declaração opostos por Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro CERJ, às fls. 312/326, contra a decisão de fls. 296/303 que deu provimento ao recurso para denegar a segurança Sustenta a embargante, em seu recurso, que a decisão embargada é obscura, contraditória e omissa em relação à afronta a dispositivos legais e 2 Teoria Geral dos Recursos Cíveis, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2003, item 11.6.2.4,p. 295 e ss. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 constitucionais., Requer, também, o recebimento dos embargos no efeito suspensivo, a manifestação expressa quanto ao início da contagem do prazo previsto no § 2o, do artigo 63 da lei 9,430/96 e a expedição de ofício à Delegacia da Secretaria da Receita Federal de Niterói, determinando a suspensão da prática de qualquer ato de cobrança dos créditos objeto deste Mandado de Segurança, até decisão final dos embargos de declaração opostos,” (grifos não pertencem ao original) Depreendese da ementa do acórdão, que o efeito suspensivo foi concedido pelo Tribunal, embora os embargos de declaração não tenham sido providos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. .OPERAÇÕES DE SWAP PARA FINS DE HEDGE. TRIBUTAÇÃO; CONSTITUCIONALIDADE. PREQUESTIO NAMENTO. RECURSO ESPECIAL E RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LEI 9.430/96, ARTIGO 63 § 2o. INÍCIO DO PRAZO. RECURSO RECEBIDO NO DUPLO EFEITO. EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO Â RECEITA FEDERAL. NÃO CABI MENTO. 1. A questão acerca do momento em que começará a fluir o prazo previsto no § 2° do artigo 63 da Lei 9.430/96, bem como a expedição de ofício à Receita Federal, não são objetos do processo, razão pela qual não serão analisados nos embargos opostos. 2. O acórdão enfrentou a questão referente à tributação nas operações de swap para fins de hedge de forma clara, inexistindo obscuridade. 3. Para fins de prequestionamento, basta que a questão tenha sido debatida e enfrentada no corpo do acórdão, sendo desnecessária a indicação de dispositivo legal ou constitucional. 4. Embargos de declaração conhecidos e improvidos. (grifos não pertencem ao original) A recorrente comprova às fls. 143 que a publicação do retro citado acórdão ocorreu em 06 de março de 2006. No que respeita aos juros, cabe esclarecer que na Per/Dcomp preenchida pela própria recorrente, fls. 01 a 06, assim foi pleiteado o crédito ora em discussão: 1.179.337,52 – principal – IRRF 266.058,35 – juros 1.445.396,06 – Total Vencimento e período de apuração : 31/12/2004 Estes valores e dados foram os que efetivamente constaram no DARF objeto do pedido de restituição – fls. 60. Esclareço que o valor recolhido a título de IRRF referese a vários períodos semanais à medida que os rendimentos respectivos foram sendo contabilizados pela recorrente – fls. 469 a 471 e o cálculo dos juros, considerando o período de apuração de 31/12/2004 foram calculados separadamente, perfazendo o valor de R$ 266.058,35. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.720163/201000 Acórdão n.º 1801001.290 S1TE01 Fl. 6 9 Os juros SELIC solicitados em razão da emissão da Per/Dcomp foi calculado pela recorrente em 2,28%. A data de vencimento do IRRF recolhido pela recorrente, 31/12/2004, foi fixada pela alínea ‘a’ do item 19 do PN SRF nº 01/02. No despacho denegatório do pedido integral da recorrente, a autoridade a quo concordou com o valor requerido pela recorrente a título dos juros. Às fls. 473 a autoridade esclarece: “[...] Face ao exposto, em 04 de abril de 2006, data do recolhimento de fl. 60, para quitar o IRRF, código 5273, no valor originário de R$ 1.179.337,52, o contribuinte deveria ter recolhido um valor consolidado de R$ 1.681.263,57, incluída a multa de mora efetivamente devida no valor de R$ 235.867,50, e os juros de mora de R$ 266.058,55. Efetuada a necessária imputação proporcional, verificase que o contribuinte por intermédio do pagamento de fl. 60, amortizou apenas R$ 1.013.886,13 dos valores do IRRF, código 5273, devidos como antecipação do IRPJ relativo ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, conforme comprovam o demonstrativo de fls. 440/444 e a planilha a seguir exposta: [...]” Da referida imputação, a autoridade a quo concluiu que: “É importante esclarecer que somente configura antecipação do IRPJ devido ao final do anocalendário o valor originário (principal) efetivamente recolhido a título de IRRF (código 5273). Isto porque não cabe a repetição dos acréscimos legais (multa de mora e juros de mora) devidamente previstos no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, que permanecem exigíveis como reparação pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária.” Pelo ora exposto depreendese claramente que a redução do indébito tributário requerido originalmente pela requerente ocorreu em razão da imputação dos valores pagos (juros e principal) até solver o valor que aquela autoridade entendeu que era devida em decorrência da exigência da multa de mora que neste decisório foi exonerada consoante discorrido no tópico acima. A turma de primeira instância de julgamento esclareceu no votocondutor, a respeito dos juros: “No entanto, assiste razão ao interessado quando alega que, tratandose de pagamento devido, cujo valor deveria integrar o saldo negativo, o crédito passível de compensação corresponderia ao principal do imposto recolhido, acrescido de juros SELIC a partir de janeiro de 2005, nos termos do inciso IV, do § art. 72, da IN RFB nº 900/2008. O fato de o pagamento somente ter ocorrido em 04/04/2006 não faz com que não se aplique a regra relativa a crédito de saldo negativo de IRPJ. [...] Fl. 604DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 O Despacho Decisório – Parecer Conclusivo deve, então, ser reformado, mantendo se o direito creditório reconhecido pela DRF no valor de R$ 1.013.886,13, advindo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, que, no entanto, deverá ser acrescido de juros Selic a partir de janeiro de 2005.” Concluindo, a recorrente não pode após apresentar a Per/Dcomp modificar o pedido quanto ao valor dos juros ou a data de vencimento do IRRF. E a tese esposada no acórdão de primeira instância é correta. A data a ser considerada é efetivamente a data de 31/12/2004, e não a data de cada recolhimento efetuado, pois tanto os rendimentos quanto os impostos retidos vão para o ajuste e compõem o saldo a ser apurado de IRPJ ao final do período, no caso anual. Em vista dos fatos expostos, acolho o pedido da recorrente em exonerála da multa de mora pois o tributo foi recolhido aos cofres públicos em 04/ de abril de 2006, respeitado o prazo legal determinado na legislação tributária. Voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 605DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10830.006009/2005-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE
A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a
lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação
cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro,
"Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. IMPERIOSA NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS TITULARES DA CONTA DE DEPÓSITO. INVIABILIDADE DE IMPOR O ÔNUS DOS ESCLARECIMENTOS DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS A INVENTARIANTES, HERDEIROS OU SUCESSORES.
É firme a jurisprudência administrativa que não acata a imputação da presunção de omissão de depósitos bancários de origem não comprovada quando não há a intimação ao efetivo titular da conta de depósito, como exigido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois parece claro que o ônus do esclarecimento da origem dos depósitos bancários não pode ser imputado a terceiros, mesmo no caso de herdeiros ou sucessores, já que é uma prova sequer trivial a ser feita pelo próprio titular, que não tem, como regra, escrituração comercial.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-002.225
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. 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INVIABILIDADE DE IMPOR O ÔNUS DOS ESCLARECIMENTOS DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS A INVENTARIANTES, HERDEIROS OU SUCESSORES. É firme a jurisprudência administrativa que não acata a imputação da presunção de omissão de depósitos bancários de origem não comprovada quando não há a intimação ao efetivo titular da conta de depósito, como exigido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois parece claro que o ônus do esclarecimento da origem dos depósitos bancários não pode ser imputado a terceiros, mesmo no caso de herdeiros ou sucessores, já que é uma prova sequer trivial a ser feita pelo próprio titular, que não tem, como regra, escrituração comercial. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 28/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte PIERRE JOSEF PFULG (RESPONSÁVEL/HERDEIRO), CPF/MF nº 024.368.77882, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 01/12/2005, auto de infração (fls. 2 e seguintes), com ciência postal em 09/12/2005 (fl. 70), com ação fiscal iniciada em 20/09/2005. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.006009/200528 Acórdão n.º 2102002.225 S2C1T2 Fl. 2 3 IMPOSTO R$ 24.273,99 MULTA DE OFÍCIO R$ 2.427,39 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos recebidos do exterior por seu genitor em 20/06/2000, Sr. Josef Pfulg, falecido em 21/01/2001 (fl. 30), em decorrência do encerramento do inventário do de cujus e de o autuado figurar como herdeiro necessário. Igual imputação foi feita à irmã do autuado, que figurou como inventariante do espólio. Compulsando os autos, vêse que a imputação acima decorreu de uma transação financeira ocorrida no exterior, através da instituição bancária MTB Hudson Bank, com valor debitado nesta instituição e creditado em prol do Sr. Josef Pfulg no Banque Cantonale Zougoise Zug Switzerland, no montante de USD 103.100,00. A descrição dessa transação se encontra no resumo de fl. 22. Indo mais além, apesar da descrição da infração como omissão de rendimentos recebidos do exterior, vêse que a autoridade fiscal se socorreu da presunção de omissão de rendimentos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 (fls. 4 e 12). A filha inventariante foi intimada a comprovar a origem do depósito bancário (fl. 28), quando asseverou que não tinha conhecimento de qualquer remessa de divisas efetuada por seu falecido pai, ou por conta dele, como, igualmente, ignorava a existência de conta bancária no exterior em nome dele (fl. 39). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O julgamento foi convertido em diligência, para juntada da documentação judicial que permitiu o fisco assenhorearse das informações bancárias do contribuinte, dentro da notória operação Banestado/Bacon Hill, o que foi feito pela fiscalização, com abertura de prazo para razões adicionais em prol do autuado. Notificado o contribuinte do teor da documentação acima, aduziu os seguintes argumentos (fls. 131 e 132), verbis: (...) Os documentos em questão dão conta de investigação referente a remessas de dinheiro ao exterior através de contas CC5. Mostram a dificuldade na identificação das pessoas que fizeram as remessas ilegais, aprofundandose as pesquisas em instituições financeiras no exterior. Verificouse que as remessas provinham de contas de "doleiros", tendo os recursos circulado por várias instituições financeiras, nacionais e estrangeiras. Buscouse o destino do numerário, identificandose, entre outros, um depósito de US$ 103.100,00 em conta de Josef Pfulg, no Banque Cantonale Zougoise, na Suíça. Esse depósito foi feito pelo MTB Hudson Bank 2000, originandose de uma instituição denominada Kundo S.A., das Ilhas Virgens. Desta forma, continua válida a questão preliminar da defesa, relativa à falta de certeza na identificação do sujeito passivo tributário, ou seja, não há comprovação de que a remessa de Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 recursos do Brasil para o exterior tenha se originado do pai do requerente, como também não há qualquer confirmação de que o beneficiário do depósito, Josef Pfulg, seja o genitor do requerente. O nome Josef Pfulg não é incomum na Suíça, de sorte que, à falta de qualquer outro elemento que estabeleça a identidade do citado beneficiário, não há como afirmar que aquele seja o mesmo Josef Pfulg, pai do requerente, ou que seja um homônimo daquele. Conforme já alegado, nem o requerente, nem sua irmã, Dora Josephine Pfulg, tinham conhecimento dos fatos imputados a Josef Pfulg, que faleceu em 21 de janeiro de 2001. Os documentos juntados não contêm elementos que confirmem, validamente, que Josef Pfulg, titular de uma conta bancária na Suíça, é o mesmo Josef Pfulg, pai do impugnante. Constatase que a autoridade fazendária, ao encontrar depósito no exterior em conta de Josef Pfulg, limitouse a pesquisar a existência de alguém com o mesmo nome no Brasil, e concluiu ser este o beneficiário da remessa ilegal de dinheiro. Data venha, é mera suposição! Insistese, portanto, na matéria preliminar da impugnação, referente à ausência de comprovação de que o pai do impugnante seja o destinatário da transferência do valor tributável como rendimento não declarado. Não pode haver cobrança de tributo, sem a certeza do sujeito passivo da obrigação. No mais, reiterase, no mérito, a defesa apresentada. (...) (grifos do original) A 8ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1734.954, de 14 de setembro de 2009 (fls. 135 e seguintes). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 10/11/2009. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 04/12/2009. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. preliminarmente, é nítida a falta de certeza na identificação do sujeito passivo da autuação, pois não há comprovação de que o pai do autuado tenha expatriado os recursos ou mesmo que o beneficiário do depósito, Sr. Josef Pfulg, seja o genitor do apelante, tudo a implicar na ilegitimidade passiva do autuado; II. considerando a data da operação e a da ciência do lançamento, forçoso reconhecer que a decadência extinguiu o crédito tributário lançado; III. apesar de o pai do recorrente ser cidadão suíço, não auferiu lá rendimentos passíveis de tributação no Brasil, sendo certo que os Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.006009/200528 Acórdão n.º 2102002.225 S2C1T2 Fl. 3 5 depósitos bancários, em si mesmos, não podem ser considerados rendimentos, inclusive porque não ocorreu qualquer acréscimo patrimonial ou sinais exteriores de riqueza. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 10/11/2009, terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 04/12/2009, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 10/12/2009, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, apesar de constar no corpo do auto de infração uma omissão de rendimentos recebidos de fonte do exterior (fl. 4), parece claro que ao contribuinte foi imputada uma presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, como se vê da base legal constante no auto de infração (fl. 4), da descrição da infração constante no Termo de Verificação Fiscal (fl. 12) e da intimação à inventariante para comprovar a origem do depósito sob pena de incidência da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 (fl. 28). Indo mais além, vêse que a imputação da presunção de omissão caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada decorreu da movimentação bancária pretensamente ocorrida em banco suíço, em nome do Sr. Josef Pfulg, que viria a ser o falecido pai do fiscalizado. A prova de tal movimentação se encontra unicamente no documento de fl. 22, gerado pela Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF n° 463/04, a partir de mídias disponibilizadas por autoridades norteamericanas e franqueadas ao Fisco pela Justiça Federal. Agora se passa a apreciar as defesas trazidas pelo recorrente. Inicialmente, a preliminar de ilegitimidade passiva trazida pelo recorrente, ao argumento de que as provas dos autos não comprovariam que seu genitor tivesse feito a operação tributada, não será aqui apreciada como preliminar, pois se trata de matéria de mérito, como se demonstra a seguir. Em princípio, a fiscalização poderia ter imputado a movimentação financeira alienígena ao falecido pai do fiscalizado, pois nas mídias vinda do exterior consta um nome igual ao do de cujus, incomum no Brasil, havendo apenas um na base CPF. Demonstrado tal vínculo, como feito no Termo de Encerramento da Ação Fiscal destes autos, temse superada a preliminar de ilegitimidade passiva, passando a ser questão de mérito se tal movimentação poderia funcionar como rendimento omitido à luz do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Mutatis mutandis, é a aplicação da teoria da asserção ao processo administrativo fiscal, quando a legitimidade passiva do fiscalizado deve ser analisada a partir da viabilidade da imputação feita pela autoridade lançadora ao fiscalizado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal. Superado esse ponto, a pertinência da utilização da movimentação financeira no lançamento, a partir do Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 revolvimento probatório e de provas novas trazidas na impugnação e no recurso voluntário pelas instâncias julgadoras, é questão de mérito e deve ser decidida como tal. Passando pelo ponto acima, a primeira defesa trazida no recurso voluntário está voltada ao reconhecimento da decadência, o que poderia, em princípio, fulminar o crédito tributário lançado. Considerando que se trata de presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, vêse que o fato gerador se aperfeiçoa no último dia do anocalendário, como se vê pela inteligência da Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. E assim sendo, para o caso destes autos, a omissão decorrente do depósito bancário ocorrido em 20/06/2000 aperfeiçoouse em 31/12/2000, implicando que o prazo qüinqüenal decadencial encerrou em 31/12/2005 (pela regra do art. 150, §4º, do CTN) ou 31/12/2006 (pela regra do art. 173, I, do CTN). Ora, como o contribuinte foi cientificado do lançamento em 09/12/2005 (fl. 70), ainda não tinha fluído o prazo decadencial, contado por quaisquer das regras citadas. Assim, rejeitase o pedido decadencial acima. Agora se passa ao mérito, no qual se vê que assiste melhor sorte ao recorrente, por diversos motivos. Antes de tudo, no caso de pessoa física, é firme a jurisprudência administrativa que não acata a imputação da presunção de omissão de depósitos bancários de origem não comprovada quando não há a intimação ao efetivo titular da conta de depósito, como exigido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 (Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações), pois parece claro que o ônus do esclarecimento da origem dos depósitos bancários não pode ser imputado a terceiros, mesmo no caso de herdeiros ou sucessores, já que é uma prova sequer trivial a ser feita pelo próprio titular, que não tem, como regra, escrituração comercial. Como exemplo do entendimento acima, vejase o Acórdão nº 920202.046, da 2ª Turma da CSRF, de 21 de março de 2012, relator o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, que restou assim ementado: IRPF PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA TITULAR DAS CONTAS BANCÁRIAS FALECIDO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL LANÇAMENTO LAVRADO CONTRA O ESPÓLIO IMPOSSIBILIDADE. O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Contudo, para a formação desta presunção de omissão de rendimentos, devem estar presentes todos os elementos previstos Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.006009/200528 Acórdão n.º 2102002.225 S2C1T2 Fl. 4 7 no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, inclusive a intimação do titular ou dos titulares (e não do espólio ou do responsável) das contas bancárias, a quem cabe, com exclusividade, o ônus probandi. No caso, em razão do falecimento do titular das contas bancárias em momento anterior ao início da ação fiscal, não pode prosperar o lançamento efetuado contra o espólio com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado. Além do óbice acima, vêse que a prova que imputa a movimentação financeira ao pai do fiscalizado (fl. 22) é extremamente frágil, a uma porque não se comprovou que o falecido efetivamente tivesse uma conta bancária na Suíça, pois não vieram aos autos cartões de autógrafos ou ficha de abertura da conta corrente, a vincular de forma iniludível o Sr. Josef Pfulg, pai do fiscalizado, à movimentação financeira em debate; a duas porque não foram acostados aos autos os extratos da conta bancária, na qual ficasse demonstrada a movimentação financeira, havendo nos autos apenas uma mídia impressa (fl. 18), produzida pela autoridade fiscal, sem haver demonstração documental da origem da mídia; a três porque o nome do falecido pode ser incomum no Brasil, porém pode ser comum na Suíça, como dito pelo recorrente. Assim, mostrase absolutamente inviável manter a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, quando se tem fundada dúvida se efetivamente o pai do recorrente mantinha uma conta bancária alhures. Ante tudo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 11128.000941/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2003
CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA. IMPORTAÇÃO AO DESAMPARO DE LICENÇA. INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O simples fato de a mercadoria mal enquadrada na Nomenclatura Comum do Mercosul não estar correta e suficientemente descrita não constitui razão suficiente para que a importação seja considerada sem licenciamento de importação ou documento equivalente e aplicada a multa de trinta por cento do valor da mercadoria.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. EXIGÊNCIA.
Exige-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3102-001.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 21/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Mussi.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Relator. EDITADO EM: 21/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Mussi.
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ERRO DE CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA. IMPORTAÇÃO AO DESAMPARO DE LICENÇA. INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O simples fato de a mercadoria mal enquadrada na Nomenclatura Comum do Mercosul não estar correta e suficientemente descrita não constitui razão suficiente para que a importação seja considerada sem licenciamento de importação ou documento equivalente e aplicada a multa de trinta por cento do valor da mercadoria. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. EXIGÊNCIA. Exigese a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 09 41 /2 00 7- 16 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 EDITADO EM: 21/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe, para exigência da multa do controle administrativo das importações e da multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$37.240,09. A contribuinte processou a Declaração de Importação nº 03/00862282, registrada em 31/01/2003, fls.11/15, submetendo a despacho a mercadoria descrita como ‘R5000UIIIPPigmento PretoNome Comercial: Raven 5000 Ultra III Powder – Aplicação na indústria química automotiva’ classificandoa na NCM/TEC 3204.17.00. Durante o despacho aduaneiro foi requisitada amostra do produto e levado para exame no Laboratório de Análises da Alfândega do Porto de Santos/SP (Pedido de Exame ‘LAB 307/03GCOF’ fl.17. O Laudo 0716.01, de 16/04/2003. fl. 19, concluiu tratarse de: “Negro de Carbono (Negro de Fumo). Não se trata de Pigmento ou Preparação à base de Negro de Fumo. Tratase de Negro de Carbono (Negro de Fumo), um outro Negro de Carbono, um Elemento Químico. Tratase de Elemento Químico.” Diante dessas informações técnicas, a fiscalização deslocou a classificação da mercadoria para o código NCM/TEC 2803.00.19. Considerando que todo registro de declaração de importação junto ao Siscomex está vinculado à concessão de uma Licença de Importação (L.I.), automática ou não automática, e, estando a mercadoria importada ao desamparo de uma L.I., foi aplicada a multa do controle administrativo das importações conforme disposto no art. 169, inciso I, alínea ‘b’, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação doa rt. 2º da Lei nº 6.562, de 1978, regulamentado pelo art.633, inciso II, alínea ‘a’, e § 2º, do Decreto nº 4.543, de 2002 – Regulamento Aduaneiro, visto a mercadoria encontrarse ao desamparo de licença de importação. Por outro lado, pela declaração incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, foi aplicada, também, a multa do art.84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001 A contribuinte foi notificada e cientificada, fl.27v., em 13/03/2007, apresentando sua Impugnação em 09/04/2007, fls.30/42, onde alega: segundo a nova classificação adotada pela fiscalização, a impugnante recolheu tributo a maior (antes, II=15,5% e, agora, 9,5%), denotando que não houve interesse de burlar a fiscalização, nem gerou prejuízos aos cofres públicos; Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000941/200716 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 3 3 deve ser atendido o princípio da proporcionalidade e razoabilidade ; traz ao seu amparo o Ato Declaratório Interpretativo nº 13, de 2002, que trata de situação em que é dispensada a aplicação da multa do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; a imputação não guarda consonância com o tipo penal do art. 633, II, do RA, desatendendo o disposto no art 97, inciso V, do CTN; em nenhum momento houve descrição insuficiente da mercadoria, tendo inclusive informado o nome comercial e a devida finalidade/função. Traz à colação jurisprudência judicial e administrativa para amparar o entendimento de que é incabível tal pretensão relativamente a multa do controle administrativo da importação, postulando pelo afastamento das penalidades. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2003 MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. MULTA REGULAMENTAR. Multa do Controle Administrativo das Importações Pelas normas administrativas, então vigentes, que regiam as importações brasileiras, todas as mercadorias estavam sujeitas a Licença de Importação. A importação de mercadoria sujeita a licenciamento automático, essa Licença de Importação se materializa no momento da formulação da Declaração de Importação. Caracterizada que a mercadoria se encontrava ao desamparo de LI, quando a descrição da mercadoria não retrata exatamente aquela que foi efetivamente importada, ensejando a necessidade de novo licenciamento que, cabível a aplicação da penalidade prevista no art. 169, inciso I, alínea’b’ do Decretolei nº 37/66, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562/78, regulamentado 633, inciso II, alínea ‘a’, e § 2º, do Decreto nº 4.543, de 2002 Regulamento Aduaneiro, (vigente à época). Multa por Classificação Incorreta. Cabível a multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória 2.158 35/2001 se o importador não logrou classificar corretamente a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Não há discussão acerca da correta classificação fiscal das mercadorias. A Recorrente apenas contesta a exigência da multa por classificação incorreta e, sobretudo, por importação ao desamparo de guia de importação ou documento equivalente. No que diz respeito à segunda, necessário aprofundar o estudo para adequada tomada de decisão. O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97 exclui da hipótese de ocorrência da infração por importar mercadoria sem guia de importação ou documento equivalente o erro de classificação fiscal de mercadoria que estiver corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, definindo, com isso, situação na qual considerase que a infração não ocorreu. Isso significa que o ADN Cosit nº 12/97 determina que não constitui infração o erro de classificação tarifária se presentes as circunstâncias nele especificadas. Contudo, o Ato não determina que, não se encontrando presentes tais circunstâncias, o erro de classificação tarifário importará em que se considere ocorrida a infração. O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.(grifei) Ou seja, em obediência à norma, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tanto em atividade de execução quanto de julgamento, deverá considerar que não ocorreu a infração por importação sem licenciamento sempre que constatar que a mercadoria estava correta e suficientemente descrita, mas não que, contrariu sensu, tenha ocorrido a infração sempre que a mercadoria tiver sido descrita de forma deficiente, seja pela falta de elementos importantes à sua identificação ou de informações necessárias ao correto enquadramento tarifário. Tratase de interpretação obtida da simples leitura do enunciado da norma, que determina que não constitui infração, em nenhum momento referindose às situações que constituam infração; contudo, esse entendimento é corroborado pelas disposições subsequentes, que especificam a necessidade de que a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não, admitindo, assim, que o erro possa não exigir novo licenciamento. Como consequência, uma vez que constatado o erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000941/200716 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 4 5 Para tanto, é preciso debruçarse um pouco mais no estudo do assunto licenciamento de importações. O controle administrativo das importações a que se refere o caput do artigo 633 do Regulamento Aduaneiro, diz respeito ao controle que a administração exerce por ocasião da concessão da licença de importação e que se consolida no despacho aduaneiro e/ou na revisão aduaneira, quando os dados contidos na licença de importação serão cotejados com os demais documentos de instrução do despacho e com a própria mercadoria. Disso se extrai que o controle administrativo das importações é exercido em dois momentos distintos, (i) quando o Poder Público concede autorização para o particular importar mercadoria do exterior, nos prazos, condições e especificações estabelecidas na licença de importação e (ii) quando o Poder Público examina se as mercadorias importadas e demais documentos apresentados estão de acordo com os dados contidos na licença de importação. A atividade de controle exercida em cada uma dessas duas etapas é de competência de órgãos distintos dentro da administração pública federal, respectivamente, a Secretaria do Comércio Exterior SECEX e a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. As divergências entre as informações contidas na licença de importação e as obtidas no despacho aduaneiro ou na revisão aduaneira, a partir do exame da mercadoria e demais documentos, é que ensejarão consideraremse as importações como tendo sido realizada sem licença de importação, tendo em vista a desconsideração da licença apresentada. A Portaria Secex nº 21/96 trazia algumas considerações relevantes no que diz respeito ao tipo de informações contidas em uma licença de importação, esclarecendo que tais informações caracterizavam a operação de importação e definiam o seu enquadramento. Os parágrafos 1º e 2º do artigo 7º da Portaria determinavam: “§ 1º As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12 de dezembro de 1996. § 2º As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento.” Desde a Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 2.003; que revogou a Portaria Secex nº 21/96, as normas regulamentares deixaram de fazer menção expressa aos quatro elementos que, nos termos da Portaria Secex nº 21/96 caracterizam a operação de importação e definiam o seu enquadramento – as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal. Embora isso, é de se notar que, mesmo não mencionando os elementos que caracterizam e enquadram a operação de importação, o artigo 10 da Portaria Secex nº 17/03 confirmou que nas importações sujeitas a licenciamento o importador deveria prestar as informações contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, remissão idêntica a que fazia a Portaria Secex nº 21/96, ao referirse às informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal, que, como se disse, caracterizavam e enquadravam a operação. Essa referência foi mantida nas Portarias Secex 14/04, 35/06 36/07 e 25/08. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict n.o 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. Na prática, a edição da Portaria Secex nº 17/03 não provocou qualquer mudança no que diz respeito às informações que deverão ser prestadas pelo importador para a obtenção da licença de importação, devendose considerar que tais informações continuam sendo aquelas das quais o órgão licenciador lança mão no processo de análise do pedido de licenciamento. O Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291/96 contém, portanto, todas as informações que devem ser prestadas pelo importador nas importações sujeitas a licenciamento, sendo essas as informações que poderão ser analisadas pela administração, com vistas à concessão do licenciamento pleiteado. São elas: Importador, País de procedência, URF de despacho, URF de entrada no País, Exportador, Fabricante ou produtor, Classificação fiscal da mercadoria na NCM, Classificação da mercadoria na NALADI/SH ou NALADI/NCCA, Quantidade na medida estatística, Peso líquido em Kg, INCOTERM, Número "commoditie", Moeda na condição de venda, Valor total da operação na moeda negociada, Destaque NCM, Processo anuente, Indicativos da condição da mercadoria, Descrição detalhada da mercadoria, Especificação, Unidade comercializada, Quantidade na unidade comercializada, Valor unitário da mercadoria na condição de venda, Acordo tarifário, Regime de tributação para o Imposto de Importação, Fundamentação legal, Ato Concessório Drawback, Natureza cambial, Cobertura cambial, Modalidade de pagamento, Instituição financiadora, Código, Denominação, Motivo da importação sem cobertura cambial, Quantidade de dias para limite de pagamento, Substituição de LI, Informações complementares. A relação contida no Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291/96 não deixa margem de dúvidas quanto ao alcance das informações exigidas pela Administração com vistas à analise e o deferimento da licença de importação. Tratase de uma relação exaustiva, abrangendo dados relacionados à mercadoria, seu enquadramento fiscal, à transação comercial, o pagamento etc. No processo de análise e deferimento da licença de importação, toda essa gama de informações especificada no Anexo II da Portaria 291/96 é do interesse da Administração e deve ser prestadas de forma correta, retratando precisamente a operação que se deseja licenciar, de tal sorte que todos os elementos relevantes para cada operação específica possam ser avaliados e a licença concedida ou indeferida, tendo em vista a adequação do pedido à política de controle das operações de importação vigente à época em que o licenciamento está sendo examinado. Os artigos 14 e 15 da Portaria Secex nº 17/03, abaixo transcritos, especificam qual procedimento será observado pela DECEX (Departamento de Operações de Comércio Exterior) no caso de serem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença. Art. 14. Quando forem verificados erros e/ou omissões no preenchimento do pedido de licença ou mesmo a inobservância dos procedimentos administrativos previstos para a operação ou para o produto, o Decex registrará, no próprio pedido, advertência ao importador, solicitando a correção de dados. § 1o... § 2.°... Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000941/200716 Acórdão n.º 3102001.692 S3C1T2 Fl. 5 7 Art. 15. Não será autorizado licenciamento quando verificados erros significativos em relação à documentação que ampara a importação ou indícios de fraude ou patente negligência. (grifei) Parágrafo Único. Em qualquer caso, serão fornecidas informações relativas aos motivos do indeferimento do pedido, assegurado o recurso por parte do importador, na forma da lei. Independentemente do tipo de operação para a qual se pretende obter a licença ou do tipo de mercadoria importada, em três hipóteses não será autorizado o licenciamento pleiteado pelo importador: erros significativos, indícios de fraude e patente negligência. Por outro lado, uma vez concedida a licença, ela poderá ser retificada antes ou depois do desembaraço das mercadorias, sendo preservada a validade do licenciamento original, desde que a alteração não descaracteriza a operação original. Art. 20. A empresa poderá solicitar a alteração do licenciamento, até o desembaraço da mercadoria, em qualquer modalidade, mediante a substituição, no Siscomex, da licença anteriormente deferida. § 1o A substituição estará sujeita a novo exame pelo(s) órgão(s) anuente(s), mantida a validade do licenciamento original. § 2o Não serão autorizadas substituições que descaracterizem a operação originalmente licenciada. Art. 21. O licenciamento poderá ser retificado após o desembaraço da mercadoria, mediante solicitação ao órgão anuente, o que será objeto de manifestação fornecida em documento específico. De todo o exposto, concluo que será preciso decidir se o erro cometido pelo importador ao indicar a classificação incorreta da mercadoria descaracterizou ou não a operação originalmente licenciada, exigindo, por conseguinte, novo licenciamento. Não há como escapar de uma análise de mérito, caso a caso, buscando identificar se o erro teve esse efeito. Será necessário, inclusive, investigar se para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita e decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. A leitura que se tem dos fatos relatados leva à conclusão de que esse aspecto se quer foi investigado. Segunda consta, as duas classificações estavam igualmente sujeitas a LI automático. A Recorrente não tem a mesma sorte em relação à multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/01. Uma vez que não se discute a classificação no mérito, deve se admitir o erro na classificação escolhida pelo administrado, do que decore, em prestígio à responsabilidade objetiva consagrada na legislação tributária, a exigência da multa. VOTO POR DAR PARCIAL provimento, para afastar a multa do controle administrativo das importações pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 Sala de Sessões, 28 de novembro de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13971.901604/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO NO CURSO DE PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível substituir o crédito originalmente compensado em declaração de compensação por outro de natureza distinta no curso do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.703
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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RETIFICAÇÃO NO CURSO DE PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível substituir o crédito originalmente compensado em declaração de compensação por outro de natureza distinta no curso do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901604/201010 Acórdão n.º 330201.703 S3C3T2 Fl. 62 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 49 a 58) apresentado em 20 de setembro de 2011 contra o Acórdão no 0725.297, de 15 de julho de 2011, da 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 31 e 32), cientificado em 22 de agosto de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins dos períodos de novembro de 2004, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO CRÉDITO. LIMITE A análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na DCOMP, não sendo permitido a autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi apresentado em 31 de maio de 2006 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fl. 26. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito próprio com crédito decorrente de valor que teria sido indevidamente recolhido via Darf. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC manifestouse pela não homologação da compensação declarada com base na constatação de que o Darf discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Inconformada com a nãohomologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que, por engano, no preenchimento do programa PER/DCOMP informou que o crédito seria oriundo de pagamento efetuado via Darf quando na realidade este decorreria de saldo remanescente de compensação. Defende que não pode ser penalizada por erro facilmente apurado nos arquivos da RFB, pugna pelo reconhecimento do crédito, anulação do Despacho Decisório ou revisão da decisão. No recurso, a Interessada alegou que a Primeira Instância teria ignorado o fato de ter ocorrido de erro de fato, uma vez que a DCTF retificadora teria sido processada posteriormente e que teria ocorrido a homologação tácita das compensações constantes da declaração de compensação que originaria o indébito. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901604/201010 Acórdão n.º 330201.703 S3C3T2 Fl. 63 3 Citou ementas de acórdãos do Carf e da CSRF que trataram de erros materiais e do princípio da verdade material, alegando que o Darf informado originalmente de fato não existiria, mas que retificou a DCTF em 12 de abril de 2006, que foi “acatada e processada pela RFB” e, assim, estaria homologada. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Primeiramente, devese esclarecer que de compensação a maior ou indevida não resulta indébito. Conforme definido pelo art. 165 do Código Tributário Nacional, o direito à restituição referese à extinção do crédito tributário por pagamento, conforme art. 162. Como o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, somente permite a compensação de indébitos que possam ser restituídos ou ressarcidos ao contribuinte, não há previsão legal para a compensação de indébito decorrente de compensação efetuada a maior ou indevidamente, ainda que homologada tacitamente. No caso de erro na compensação, a única solução jurídica é seu desfazimento por cancelamento ou retificação, o que acarretaria eventual liberação do pagamento utilizado indevidamente na compensação do débito inexistente. Então, o indébito referirseia ao valor liberado decorrente do cancelamento ou retificação (do débito para menor) da primeira declaração de compensação, mas não seria representado pelo saldo compensado a maior da própria declaração e, sim, pelo saldo liberado do indébito original. No caso dos autos, portanto, não se trata de “erro de fato”, uma vez que a pretensão da Interessada simplesmente não tem suporte legal. Como a própria Interessada informou, a referida declaração de compensação já teria sido homologada e, portanto, todo o crédito contido nela estaria compensado com outro débito, sendo que a retificação da declaração da DCTF não resulta, como já argumentado, a criação de um indébito relativo à própria declaração de compensação. Reafirmese que, nesse caso, seria preciso retificar também a DCOMP, liberando o indébito original, que passaria a ser compensável e não o valor compensado a maior na própria DCOMP. Conforme esclarecido e analisado pela Primeira Instância, a declaração de compensação apresentada originalmente foi efetuada com um indébito inexistente, fato reconhecido pela própria Interessada. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901604/201010 Acórdão n.º 330201.703 S3C3T2 Fl. 64 4 Somente por esse fato é que a declaração pôde ser transmitida, uma vez que, se houvesse apresentado a declaração com as informações que alega ter pretendido, depois de indeferida, fazer dela constar, não seria sequer possível transmitila sem introduzir dados incorretos. Portanto, adotando os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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