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Numero do processo: 13864.720159/2014-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. INADMISSIBILIDADE.
Não se admite recurso especial quando a recorrente não lograr demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária suscitada.
Numero da decisão: 9101-002.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luís Flávio Neto) e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Luís Flávio Neto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. INADMISSIBILIDADE. Não se admite recurso especial quando a recorrente não lograr demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luís Flávio Neto) e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Luís Flávio Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 59 /2 01 4- 30 Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 9101002.964 CSRFT1 Fl. 3.088 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls 3.008 e ss., contra o acórdão nº 1402002.336, de 05 de outubro de 2016 (e fls. 2.966 e ss.), que, no mérito e por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário. O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 3.025 e ss. Na matéria objeto da presente discussão, o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO DEDUTIBILIDADE. A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, absorver o patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, conforme artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532, de 1997. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação ao acórdão nº 1102001.104 a seguir, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado de bens do ativo ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por meio de um laudo, contudo, a referida demonstração deve ser contemporânea aos fatos, e estar lastreada em elementos de prova coerentes e adequados, que permitam corroborar a justificativa do fundamento que foi indicado para se pagar o sobrepreço. As alegações de mérito da Recorrente, são, em síntese, as seguintes: a) que a Contribuinte desde o período de Fiscalização até o presente momento, não foi capaz de trazer aos autos documentos suficientes que demonstre o Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 9101002.964 CSRFT1 Fl. 3.089 3 fundamento econômico do ágio na rentabilidade futura da empresa adquirida, não havendo laudo econômico que demonstre o fundamento econômico da “mais valia” paga, porquanto o laudo foi elaborado em momento posterior a alienação das quotas. Acrescenta que o laudo trazido pela Contribuinte não foi elaborado à época em que o ágio foi pago, não podendo ser aceito para a finalidade por ele pretendida pelo contribuinte, devendose considerar que o ágio foi pago com base em quaisquer outras razões econômicas, mas não na rentabilidade futura; b) que o art. 386 do RIR/1999, em especial o seu inciso III, dispõe que, uma vez uma empresa controladora tendo absorvido o patrimônio de uma controlada, a qual tenha adquirido a participação societária com ágio, essa “mais valia” poderá ter a sua amortização deduzida na apuração do lucro real se o seu fundamento econômico tiver sido a rentabilidade futura da participação societária adquirida. Se o ágio tiver sido pago com base em outras razões econômicas (valor de mercado dos bens do ativo, fundo de comércio, intangíveis, etc), ele terá um tratamento tributário distinto, e sem a dedução fiscal de sua amortização. Aduz, também, que por fundamento, razão ou justificativa econômica devese entender o elemento volitivo que faz uma empresa adquirir a participação societária de outra. O fundamento econômico, assim, não seria um simples documento, mas sim a vontade real que fez parte do negócio firmado; c) que o art. 385 do RIR/1999 estabelece que o lançamento contábil do ágio deve indicar a razão econômica que levou o seu pagamento, a qual, por seu turno, deve estar demonstrada em um documento arquivado na contabilidade da empresa. Em face do texto do art. 385, temse, então, a necessidade da vontade econômica que levou ao pagamento de um ágio ser comprovado em um documento elaborado antes do seu efetivo desembolso; d) assim, não há como imaginar que o documento que ateste a razão econômica de um ágio seja elaborado após o seu efetivo pagamento. Caso o referido documento seja produzido após o pagamento da “mais valia”, com certeza, o registro contábil do ágio, que ocorre quando do seu efetivo pagamento, não terá qualquer fundamento a que se referir, haja vista que não haverá qualquer informação a ser arquivada na contabilidade que demonstre a sua existência; e) que, além do que prevê a norma, a anterioridade do laudo econômico ao pagamento do ágio também decorre de uma questão de ordem lógica. Sendo o ágio fruto de uma negociação, onde uma parte adquire de outra um bem (participação societária), a ordem necessária dos fatos é que a parte adquirente estude o seu interesse no bem antes do negócio ser fechado. Imaginar o contrário, seria admitir que a parte adquiriu o bem e depois analisou se tinha interesse na compra já realizada. O ato existiria antes da vontade. Acrescenta que admitir que, na realização de um negócio, a efetiva circulação de riquezas entre as partes possa anteceder a razão econômica que levou ao estabelecimento do valor que seria recebido/pago, significa afastar, em última análise, a regra fundamental da Economia da oferta e da demanda; f) que pensar que o laudo econômico possa ser elaborado após o pagamento do ágio, além de ser um disparate hermenêutico, implicaria a permissão de inimagináveis situações fraudulentas. A fraude se mostra possível em face do poder de manipulação que os contribuintes terão sobre as informações que servem para comprovar a materialidade dos fatos; g) que compulsando os documentos trazidos pela Contribuinte, observase que, em que pese a PARKER HANNIFIN tenha negociado as ações da DETROIT e ATENAS, com o pagamento de ágio, nos dias 01/12/2008 e 04/10/2001, o laudo trazido para justificar o fundamento econômico desse o montante foi elaborado somente em 30/09/2009 e 14/03/2006, respectivamente, ou seja, após o efetivo pagamento do ágio. Assevera que essa Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 9101002.964 CSRFT1 Fl. 3.090 4 intempestividade afeta de maneira irrefutável o alegado fundamento econômico da “mais valia” paga, uma vez que a elaboração de um laudo no presente não é hábil a atestar o elemento volitivo das partes em um negócio que se realizou no passado. E faz os seguintes questionamentos: "Como pode um ágio ter como fundamento uma rentabilidade futura apurada posteriormente ao seu pagamento? Quer dizer, então, que a PARKER HANNIFIN negociou as ações da ATENAS em 04/10/2001, e somente em 14/03/2006 foi apurar o motivo pela qual pagou o preço?"; h) que não há como admitir que seja dado ao contribuinte tamanho poder de manipulação sobre os fatos tributáveis. Aduz que como regramatriz de julgamento eleita pelo CARF, a verdade material deve sempre ser buscada, sendo que no presente caso, a verdade material só pode ser averiguada pelos documentos produzidos à época do pagamento do ágio. Aceitar documentos elaborados em data posterior significa: tornar letra morta o disposto no artigo 385 do RIR/1999; i) conclui que o ágio pago pela PARKER HANNIFIN não foi pautado na rentabilidade futura da DETROIT e ATENAS, asseverando que, se assim tivesse sido, o contribuinte não teria qualquer problema em trazer aos autos o documento que pautou (e, portanto, antecedeu) a sua decisão de pagar o ágio; j) aduz, por fim, que evidente o intuito doloso da Contribuinte em fraudar a Fazenda Nacional na medida em que a Contribuinte lançou mão de laudo assinado após o efetivo pagamento do ágio que procura atestar. Ao trazer esse laudo, a Contribuinte procura forçar o Fisco a incorrer em erro. E conclui que "em razão da indevida amortização do ágio referente à participação societária nas empresas DETROIT e ATENAS, em razão da fraude praticada, deve ser aplicada a multa qualificada". Ao final pede a Recorrente que o presente recurso seja conhecido e provido, para "reformar o acórdão recorrido, sendo restabelecida a glosa da amortização do ágio relativo às participações societárias indicadas". A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 3.046 e ss.). Preliminarmente protesta pela inadmissibilidade do recurso fazendário por "ausência de divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma", trazendo as razões a seguir sintetizadas: a) assevera que os julgados "são absolutamente convergentes, tendo sido apoiadas exatamente no mesmo entendimento da legislação tributária". Aduz que tanto no acórdão recorrido quanto no paradigma as autoridades julgadoras apresentaram conclusões idênticas, que podem ser assim sintetizadas: (i) a legislação tributária não exige a apresentação de laudo para comprovação da expectativa de rentabilidade futura, podendo ser apresentados outros documentos que evidenciem tal expectativa; e (ii) os demais documentos que comprovem a expectativa de rentabilidade futura devem ser contemporâneos à data da aquisição da participação societária com ágio. Acrescenta que a simples leitura da ementa do acórdão paradigma é suficiente para confirmar o acima exposto, comparando seu teor com trechos do acórdão recorrido; b) argumenta que a única diferença existente entre os referidos casos é de natureza fática: no acórdão recorrido houve a apresentação de documentos contemporâneos à aquisição para demonstrar a expectativa de rentabilidade futura e, por tal razão, o ágio foi Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 9101002.964 CSRFT1 Fl. 3.091 5 validado; por outro lado, no acórdão paradigma, tais documentos não foram apresentados e, por consequência, o ágio não foi validado. Compara trechos dos dois julgados; c) conclui estar claro que nos dois acórdãos os laudos apresentados pelos contribuintes foram rejeitados, referindo que enquanto no acórdão recorrido foram aceitos os demais documentos apresentados, que comprovam a expectativa de rentabilidade fatura, no acórdão paradigma a solução dada ao caso foi diversa exclusivamente porque a própria Recorrente afirmou que não dispunha de outros documentos para comprovar a expectativa de rentabilidade fatura. Ainda que superada a inexistência de divergência, argumenta pelo não conhecimento do recurso fazendário por "impossibilidade de reexame de matéria fálico probatória", trazendo os argumentos a seguir resumidos: a) assevera que para que a questão da tempestividade do laudo pudesse ser avaliada seria necessário reanalisar, os referidos laudos, bem como todos os demais documentos apresentados pela Recorrida, o que consubstanciaria reexame de matéria fática e probatória, a qual é incompatível com a presente fase processual. Acrescenta que, como ressaltado no próprio acórdão recorrido, foram apresentadas centenas de documentos pela Recorrida para demonstrar a expectativa de rentabilidade futura; b) afirma ser unânime a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de não ser mais possível tal verificação em sede de recurso especial, trazendo à colação os acórdãos nºs 9202004.287, 9202003.989 e 9101002.328, todos de 2016; Como outra razão pela qual o recurso não pode ser conhecido aponta a "ausência de confronto analítico entre os acórdãos paradigmas e a decisão recorrida", alegando que a simples leitura do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é suficiente para demonstrar que o requisito do art. 67, § 6°, do Anexo II do RICARF não foi observado. Afirma que a Fazenda se limitou a transcrever a ementa do acórdão recorrido e a ementa e um trecho do voto do acórdão paradigma e afirmou que a divergência de entendimento estaria demonstrada. Traz julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais em que não se conheceu o recurso especial por falta de demonstração analítica da divergência. Quanto ao mérito do recurso fazendário, a Contribuinte traz as razões a seguir sintetizadas: a) principia afirmando que despropositada a alegação de fraude apresentada pela Fazenda Nacional em razão da apresentação de laudos de avaliação econômicofinanceira supostamente extemporâneos, uma vez que sequer as autoridades fiscais apresentaram tal alegação na autuação ora combatida. As autoridades fiscais somente apontaram que as condições, tendo sido aplicada multa regular de oficio (75%). Acrescenta que acredita que tal afirmação sequer se destina ao presente caso, uma vez está totalmente desvinculada do contexto do recurso e da autuação ora sob análise; b) aduz que "(i) a legislação tributária não exige a apresentação de um laudo para fundamentar a rentabilidade futura, podendo ser apresentado qualquer documento que a demonstre e (ii) a Recorrida apresentou extenso material preparado internamente no período que antecedeu a compra da Detroit e da Atenas e, portanto, que fundamentou o ágio"; Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 9101002.964 CSRFT1 Fl. 3.092 6 c) afirma que simples leitura dos arts. 385 e 386 é suficiente para concluir que, ao contrário que sustenta a Recorrente, não há qualquer dispositivo na legislação tributária que condicione a demonstração da expectativa de rentabilidade futura à apresentação de um laudo. Com efeito, se a legislação exige apenas uma "demonstração" da expectativa de rentabilidade futura, sem impor maiores requisitos ou formalidades, não podem as autoridades fiscais e a Fazenda Nacional exigirem condições diversas. d) afirma que o entendimento em questão é unânime na doutrina, trazendo as lições trazidas por Ricardo Mariz de Oliveira e Luís Eduardo Schoueri, e que a doutrina é acompanhada pela jurisprudência do CARF, fazendo referência ao próprio paradigma trazido pela Fazenda, bem como a outros julgados; e) refere que apenas com a edição da Lei n.° 12.973/2014 passou a existir dispositivo legal exigindo a apresentação, específica, de laudo de avaliação da empresa (art. 20), ressaltando que o dispositivo legal em comento somente é aplicável para as aquisições realizadas a partir de 2014 e, portanto, obviamente não alcança as operações ora sob exame; f) assinala que no presente caso a apresentação de laudo não se faz necessária porque, como bem reconhecido no acórdão recorrido, a Recorrida apresentou extensa documentação comprobatória dos estudos econômicos e financeiros realizados para avaliar a aquisição da Detroit e da Atenas. Aduz que "conforme se verifica às fls. 2538/2551 e 2659/2693 (doc. 02 da impugnação) destes autos, em 15 de agosto de 2008 a Recorrida preparou apresentação que contém uma síntese da avaliação da empresa Detroit", sendo que "referida apresentação foi elaborada com base em análises financeiras e de mercado realizadas pela Recorrida e submetida à sua matriz, sediada nos Estados Unidos da América, para que esta analisasse e, caso estivesse de acordo, aprovasse a aquisição da Detroit". E acrescenta que a aludida apresentação contemplou as seguintes informações: "(i) aspectos gerais da Detroit (i.e. data de fundação, número de funcionários, linha de produtos); (iz) motivação para aquisição; (iii) volume de vendas, percentual de margem bruta, retorno sobre as vendas, número de dias necessários para venda do inventário, número de dias necessários para recebimento do pagamento após a venda e a taxa composta de crescimento anual; (iv) projeção de crescimento anual de vendas, de crescimento da margem bruta, de despesas administrativas, gerais e de vendas, de lucro antes de juros e impostos, de retorno em ativos líquidos e retorno em capital investido; (v) a previsão do fluxo de caixa descontado para o período e o valor a ser pago para a aquisição; (vi) conclusões da due diligence e considerações adicionais"; g) ressalta que o preço de compra da Detroit foi definido com base na metodologia do fluxo de caixa descontado devidamente suportada por planilha elaborada pela Recorrida para lastrear a recomendação de aquisição da empresa Detroit, sendo que a análise da planilha em questão permite verificar que, com base na expectativa de rentabilidade futura, o valor de mercado da Detroit seria de R$ 79.807.301,56. Assim, considerando que o valor efetivamente pago pela Recorrida para aquisição da referida empresa foi de R$ 67.000.000,00, fica absolutamente claro que o ágio correspondente à diferença entre o preço e o valor patrimonial da empresa corresponde a expectativa de rentabilidade futura. h) afirma que a mesma conclusão é verificada em relação à aquisição da Atenas, para a qual Recorrida também preparou apresentação contendo um resumo da avaliação da Atenas, que foi submetida à sua matriz para aprovação. Em tal apresentação foram contempladas as seguintes informações: "(i) preço de aquisição (valor de mercado, valor a ser Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 9101002.964 CSRFT1 Fl. 3.093 7 pago, múltiplo de EBTIDA3); (ii) sumário da avaliação; (iii) projeção de retorno sobre os ativos líquidos; (iv) histórico da empresa; (v) motivos para aquisição da empresa e (vi) projeção de aumento de vendas". Considerando que o valor de mercado da Atenas apurado seria de R$ 6.881.400,00 e que o valor pago para aquisição foi de R$ 5.256.744,27, fica claro que o ágio correspondente à diferença entre o preço e o valor patrimonial da empresa corresponde à expectativa de rentabilidade futura; i) acrescenta que, a despeito de a existência dos estudos internos mencionados acima ser absolutamente suficiente para se comprovar o fundamento econômico do ágio, conservadoramente, a Recorrida ainda entendeu por oportuno solicitar à BDO Consultores Ltda. e à Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda., empresas notoriamente especializadas na avaliação de empresas, a elaboração e formalização de relatório de avaliação econômicofinanceira das empresas adquiridas. E que os laudos de avaliação econômico financeira foram solicitados apenas para confirmar os estudos e análises realizados anteriormente pela própria Recorrida e, assim, dar maior segurança sobre as conclusões econômicas e financeiras que basearam as aquisições. Embora nessa análise as empresas independentes tenham apontado valores de mercado 10% e 20% inferiores àqueles projetados internamente (respectivamente para a Detroit e para a Atenas), tal fato não teve impacto na determinação do fundamento econômico do ágio, pois o preço pago na aquisição das empresas foi inferior ao valor de mercado indicado nos laudos; j) conclui, então, que "(i) os ágios registrados com base em expectativa de rentabilidade futura estão devidamente suportados pelos estudos realizados internamente pela Recorrida, bem como que (ii) os laudos de avaliaçãoeconômica preparados pela BDO Consultores Ltda. e pela Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda. apenas confirmaram a avaliação realizada pela Recorrida", o que corresponde à conclusão a que chegou o acórdão recorrido; k) reitera que, embora seja notório, a Recorrida não desembolsaria qualquer valor, principalmente o vultoso montante de R$ 72.256.744,27, sem realizar uma avaliação prévia das referidas empresas e, consequentemente, sem precisar qual seria o correto valor de mercado destas, acrescentando que o simples fato de a Recorrida ter decidido adquirir tais empresas pelo preço acordado com os vendedores já é suficiente para concluir — ou ao menos supor — que havia expectativa de rentabilidade futura; l) observa, por fim, que as autoridades fiscais e a Fazenda Nacional não apresentaram qualquer argumento técnico que pudesse invalidar os estudos apresentados pela Recorrida e, principalmente, a expectativa de rentabilidade futura projetada nos referidos estudos, assinalando que, como se verifica da autuação, o único questionamento técnico das autoridades fiscais em relação aos laudos recaiu sobre o valor considerado a título "Outras Obrigações", do Exigível a Longo Prazo para a determinação do valor da Detroit. Ao final, a Contribuinte requer, preliminarmente, que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional não seja conhecido, em razão (i) da ausência de divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, (ii) da impossibilidade de reexame de matéria fática probatória e (iii) da ausência de confronto analítico entre os acórdãos paradigmas e a decisão recorrida. Caso superadas tais razões, requer seja julgado improcedente o recurso especial, mantendose integralmente o acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 9101002.964 CSRFT1 Fl. 3.094 8 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Tanto o recurso da Fazenda Nacional quanto as contrarrazões da Recorrida são tempestivos. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade são enfrentados a seguir, haja vista as preliminares trazida pela Contribuinte em contrarrazões. Preliminar de inadmissibilidade por ausência e não demonstração da divergência Como se viu, a Recorrida alega que o recurso fazendário não pode ser admitido, uma vez que não há divergência entre os acórdão recorrido e paradigma e que a divergência não foi demonstrada analiticamente. Confrontandose os acórdãos recorrido e paradigma se verifica que assiste razão à Recorrida quando afirma que há não entre eles o dissídio jurisprudencial suscitado pela Fazenda Nacional. Ao demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária, a Fazenda afirma que "o entendimento vergastado no acórdão recorrido diverge do posicionamento firmado no Acórdão paradigma nº 1102001.104, quando admite, para comprovar ágio com fundamento econômico em rentabilidade futura, laudo elaborado posteriormente ao efetivo pagamento do ágio". Ocorre, no entanto, que não se vê no acórdão recorrido afirmação no sentido de admitir que o ágio com fundamentado em rentabilidade futura possa ser comprovado unicamente mediante laudo elaborado posteriormente ao efetivo pagamento do ágio. É que no caso presente há, como salienta a Recorrida e como é reconhecido no acórdão recorrido, diversos documentos antecedentes à consumação das aquisições e que visaram projetar cálculos apontando perspectivas de obtenção de resultados futuros. Confirase do acórdão recorrido: E aí cabe a pergunta central destes autos: seriam os documentos de fls. 2538/2574, 2659/2713, 2714/2775, 2776/2836, 2837/2862 suficientes para se entender como atendidos os preceitos do § 3º, do artigo 20, do DL nº 1.598/1977, ou os “laudos” (que, na visão fiscal, são extemporâneos), seriam obrigatórios para que a dedutibilidade das despesas geradas pela amortização do ágio se confirmasse? Diversamente do pensamento da Autoridade Fiscal e da decisão recorrida e, em comunhão com as posições jurisprudencial e doutrinária, antes reproduzidas, penso que sim, os documentos (ou demonstrativos) juntados se prestam ao atendimento do citado dispositivo legal. É vero que os laudos foram elaborados após os eventos, em um caso, 10 meses depois, e, no outro, mais de quatro anos. Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 9101002.964 CSRFT1 Fl. 3.095 9 Porém, também é inegável até pela omissão da Lei , que demonstrativos ou demonstrações, arquivadas ou exibidas ao Fisco, DESDE QUE CONTEMPORÂNEAS AOS FATOS, prestamse a suprir a exigência. Concretamente, há troca de informações entre a adquirente (recorrente) e sua matriz norteamericana expondo, detalhadamente, as mais diversas nuances envolvendo as duas empresas que a recorrente tinha interesse em adquirir a participação societária, contendo histórico, evolução patrimonial, participação no mercado, capacidade produtiva, prestígio da marca, saúde financeira, passivo sob controle e, até minúcias como as que se vêem às fls. 2557: (...) Ou às fls. 2561: (...) E fls. 2843/2844/2845: (...) Assim, impende ver se tais documentos internos (“demonstrações”, no dizer do art. 385, § 3º, do RIR/1999), seriam “contemporâneos” aos eventos ou, a exemplo dos “laudos” que as sucederam, teriam sido elaboras a destempo. Dentro do princípio da boa fé que deve nortear as relações Fisco e contribuinte, é lícito presumir que tais documentos sejam efetivamente contemporâneos aos fatos, como se vê, por exemplo, às fls. 2659 e 2694, para o caso da Detroit. Já para o caso da aquisição da Atenas, cujo laudo foi elaborado quase cinco anos depois da operação, o documento de fls. 2608/2616 demonstra o efetivo interesse da recorrente na compra da participação societária da referida empresa ainda em 2001, inclusive com vários cálculos e projeções que antecederam à operação. Neste ponto, impende salientar que o documento interno de fls. 2608/2616 data de 28/08/2001 e antecede a operação de transferência do controle acionário, ocorrida em 04/10/2001. Confirase: (...) Por tudo isso, penso devam ser aceitos referidas demonstrações como antecedentes à consumação das aquisições e que visaram projetar cálculos apontando perspectivas de obtenção de resultados futuros. O mesmo não ocorre no caso do acórdão paradigma, no qual, para usar as palavras ali estampadas, "a própria recorrente reconhece não possuir qualquer documento contemporâneo às aquisições para respaldar a demonstração da rentabilidade futura, atinente a cada uma das parcelas de participação societária adquiridas". Confirase do acórdão 1102 001104: No caso, a própria recorrente reconhece não possuir qualquer documento contemporâneo às aquisições para respaldar a Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 9101002.964 CSRFT1 Fl. 3.096 10 demonstração da rentabilidade futura, atinente a cada uma das parcelas de participação societária adquiridas. Isto está estampado no próprio laudo produzido somente em 09/05/2006 para, nos termos referidos pela própria recorrente, “ratificar o fundamento do ágio com base na previsão de rentabilidade futura”, às fls. 52, sic: “3.4. Considerando que todo o ágio ocorreu em período anterior a 1999 e que a documentação contábil auxiliar de suporte não foi localizada;” Assim, o que a recorrente almeja é de fato suprir a ausência de qualquer documentação de suporte relativa à comprovação do fundamento do ágio, a qual deveria ter em seu poder, por um laudo elaborado cerca de 23 anos após a aquisição mais antiga (1983) e 7 anos após a mais recente (1999). Isto não pode ser aceito. O próprio laudo é categórico ao afirmar que está trilhando o caminho diametralmente inverso àquele prescrito por lei: em lugar de trabalhar com a projeção de resultados futuros, aptos a respaldar o fundamento econômico do pagamento do ágio, preocupase com a análise de resultados passados, tentando ver se foi efetivamente auferida rentabilidade compatível com o ágio escriturado (fls. 52): (...) Não reconheço, assim, a divergência de interpretação da legislação tributária suscitada entre os acórdão recorrido e paradigma. Em decorrência, deixo de analisar a outra preliminar de não conhecimento do recurso aduzida pela recorrida no sentido de que a divergência fora analiticamente demonstrada na peça da Recorrente. Acolho, portanto, a preliminar de inadmissibilidade apresentada pela Recorrida e não conheço do recurso da Fazenda Nacional. Conclusão Em face do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso interposto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 3096DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907333/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 73 33 /2 00 9- 12 Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13896.907333/200912 Acórdão n.º 1402002.586 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13896.907333/200912 Acórdão n.º 1402002.586 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13896.907333/200912 Acórdão n.º 1402002.586 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13896.907333/200912 Acórdão n.º 1402002.586 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13896.907333/200912 Acórdão n.º 1402002.586 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 339DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910863/2009-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/02/2003
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.866
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/02/2003 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 63 /2 00 9- 03 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11065.910863/200903 Acórdão n.º 9303004.866 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.161, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/02/2003 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/02/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11065.910863/200903 Acórdão n.º 9303004.866 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11065.910863/200903 Acórdão n.º 9303004.866 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11065.910863/200903 Acórdão n.º 9303004.866 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725856/2009-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IR - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL - A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL - NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO - ERRO ESCUSÁVEL - Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA - Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminares rejeitadas.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-001.200
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável, nos termos do
voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael Pandolfo e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL - A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL - NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO - ERRO ESCUSÁVEL - Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA - Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminares rejeitadas. Recurso provido em parte.
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ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Preliminares rejeitadas. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael Pandolfo e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Margareth Valentini, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 239DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725856/200916 Acórdão n.º 220201.200 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, ALINE DANIELLE BARAUNA MILCENT RAMOS DE ARAUJO, foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 67.107,44, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. A contribuinte foi cientificada do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, os seguinte pontos extraídos do relatório da autoridade recorrida: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; Fl. 240DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006 d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto,não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o Fl. 241DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725856/200916 Acórdão n.º 220201.200 S2C2T2 Fl. 3 5 impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; Fl. 242DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 A DRJSalvador ao apreciar as razões da contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, a contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação, enfatizando os seguintes pontos: Da Preliminar da ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do Imposto de Renda incidente na Fonte que não foi objeto de retenção pelo Estado Membro. Da Preliminar de quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, a ilegalidade e torpeza; No mérito, reitera a natureza indenizatória das diferenças de URV, que devem implicar na não incidência de Imposto de Renda; Da quebra do princípio constitucional da isonomia, frente a entendimento aplicado para membros do ministério público federal; Da Lei 10474/2002 e da Lei 10.477/2002 do Abono Variável Provisório. Da isenção pela Resolução do STF e a Lei Estadual no exercício da Competência Residual. Das alíquotas incorretas usadas pela Autoridade Fiscal Da desconsideração pela autoridade fiscal das deduções cabíveis, no cálculo do suposto imposto; Da exclusão de parcelas isentas e de tributação exclusiva – Dos valores relativos a 13º. Salário e férias indenizadas. Da responsabilidade tributária da fonte pagadora de boa fé do contribuinte; Da exclusão da multa de ofício e do juros de mora constantes do auto de infração; É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725856/200916 Acórdão n.º 220201.200 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso é tempestivo e preenche o seu pressuposto de admissibilidade. Dele, então, tomo conhecimento. O lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que toca a preliminar de ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção. Urge registrar que a repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Em suma, o fato de o produto da arrecadação ficar para o Estado não altera a competência tributária definida na Constituição, que é da União, conforme de definido no art. 153, III. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, pela quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, , acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Fl. 244DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). No relativo a Lei n° 10.477, de 2002, cabe observar, que a mesma restringe se ao abono variável aplicável aos membros do Poder Judiciário Federal. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 529, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Tal entendimento é expressamente corroborado pelo Parecer PGFN/CAT n° 2.158, de 2005, e pela Solução de Consulta n° 47, da Superintendência da 7" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, estendendose os efeitos da Resolução STF n° 245, de 2002, tão somente ao Ministério Público Federal e à Magistratura Federal. Não se pode olvidar também que é defeso ao aplicador do Direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Este Conselho já pacificou esse entendimento, conforme verificase da Súmula a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco Fl. 245DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725856/200916 Acórdão n.º 220201.200 S2C2T2 Fl. 5 9 adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto não pode se deixar de reconhecer que o recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido este conselho já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação Fl. 246DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Urge registrar que o STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, restando pacificado no CARF que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). No tocante a aplicação do tratamento prescrito na Instrução Normativa RFB No. 1.127/2011 relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Urge registrar que a norma citada disciplina a apuração e tributação dos rendimentos recebidos a partir de 28 de julho de 2010, não se aplicando portanto ao caso concreto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 247DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 16327.901188/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 20/03/2006
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NECESSIDADE DE PROVA.
Não estando demonstrada a existência de erro no preenchimento da DCTF, deve-se manter o despacho decisório que não homologou a compensação.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes.
Numero da decisão: 2402-005.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NECESSIDADE DE PROVA. Não estando demonstrada a existência de erro no preenchimento da DCTF, devese manter o despacho decisório que não homologou a compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à confirmação da existência e suficiência do crédito nela utilizado, observadas as demais disposições normativas pertinentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 11 88 /2 00 9- 17 Fl. 82DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 16327.901188/200917 Acórdão n.º 2402005.850 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 51/68) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPO (fls. 23/26), que considerou improcedente manifestação de inconformidade do contribuinte (fls. 2/3) em face de Despacho Decisório (fl. 4) que não homologou compensação informada na Declaração de Compensação – DCOMP nº 08085.39647.280406.1.3.046055 (fls. 6/10). De acordo com o Despacho Decisório que denegou a compensação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 2.423.878,79. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...) mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP Nº Pagamento Valor original total Processo (PR) PerDcomp (PD) Débito (DB) Valor original utilizado 2425998111 2.423.878,79 Db:cód 0481 PA 20/03/2006 2.423.878,79 Valor total 2.423.878,79 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2/3), alegando, em síntese, que: a) em decorrência de recálculo da base do IRRF, fato gerador março de 2006 (20° dia de março de 2006), foi recolhido a maior o valor de R$ 149.957,10, porém, como não houve a retificação da DCTF, não foi reconhecido o crédito informado na PER/DCOMP; b) considerandose a DCTF retificadora, verificase a existência de créditos para liquidar débitos com IRPJ e CSLL dos mês de março de 2006, códigos 2319 e 2469. Apresenta quadro com valores relacionados às DCTF original e retificadora: DCTF ORIGINAL Código 0481 DCTF RETIFICADORA Código 0481 Mês Valor Débito Apurado Mês Valor Débito Apurado 20º Dia Mar/2006 R$ 2.423.878,79 20° Dia Mar/2006 R$ 2.273.921,69 Requerer que seja i) retificada a DCTF de oficio, de modo que conste o valor explicitado no quadro acima; e ii) reconhecida o direito do crédito, haja vista a compensação procedida por meio de PER/DCOMP com crédito suficiente para suportála. Fl. 84DF CARF MF 4 A DRJ/SPO considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pelas razões a seguir descritas: a) o manifestante afirma que não foi apresentada uma DCTF retificadora com o valor supostamente correto e requer a retificação de ofício desta declaração com o valor informado; b) os valores declarados em DCTF, a teor do que dispõe o art. 5º, § 1º, do Decretolei nº 2.124/84, constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito; c) o interessado apresentou para o período de março/2006, uma DCTF original e uma DCTF retificadora. Em ambas as DCTF, o valor declarado de IRRF, código 0481, foi o mesmo: R$2.423.878,79 (fls. 2022); d) o impugnante não apresentou a escrituração contábil ou qualquer documento hábil que comprove o efetivo erro na base de cálculo do IRRF, código 0481, do período de apuração de 20/03/2006 e, por consequência, no imposto declarado; e) permanece válida a DCTF retificadora transmitida, em 31/08/2006. Observandose, ainda, que não há previsão legal para retificação de ofício da DCTF transmitida pelo contribuinte; f) mesmo que uma DCTF retificadora fosse transmitida posteriormente à ciência do despacho decisório, esta não produziria efeitos, a teor do disposto no art. 12, § 2º, inciso III, da IN RFB nº 583/2005, vigente à época dos fatos; g) somente a apresentação da escrituração e documentação válida seria capaz de alterar o débito declarado pelo contribuinte; h) a empresa deve instruir sua defesa com os elementos de prova que fundamentem suas alegações, conforme previsto nos artigos 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal; i) o entendimento expresso é assente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (reproduz Acórdãos nº 3803006.314 e 3802003.891) no sentido de que: 1) a apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida; 2) compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre; 3) a compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN; 4) uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento; 5) a não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação Fl. 85DF CARF MF Processo nº 16327.901188/200917 Acórdão n.º 2402005.850 S2C4T2 Fl. 4 5 Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 51/68), alegando o que segue: a) a confissão do débito em DCTF, não equivale à renúncia ao direito, sendo permitido, a qualquer momento, ao sujeito passivo retomar o questionamento do direito subjacente à dívida; b) não se pode cogitar de que o pagamento confessado em DCTF equivale à renúncia do direito à restituição de tributo indevido, a teor do art. 165 do CTN que expressamente prevê restituição de tributo espontaneamente pago (como se fosse devido), independente de protesto, já que a dívida tributária surge ex lege, jamais se originando em razão de qualquer manifestação/declaração que a exteriorize como devida, acaso efetivamente não seja; c) não tem procedência a negativa ao direito creditório e à homologação da compensação na espécie, a pretexto da confissão do IRRF em DCTF (sem retificação tempestiva do débito), declarado com erro de fato, tendo em vista o efeito meramente declaratório dessa (DCTF), pois, a DCTF não inflige efeito constitutivo ao crédito tributário; d) o indébito tributário objeto do DARF de IRRF de R$ 2.423.878,79, equivale ao mesmo valor (R$ 2.423.878,79) (valor original), conforme direito creditório de IRRF declarado em PER/DCOMP inicial nº 08085.39647.280406.1.3.046055; e) o PER/DCOMP Inicial acusa “Valor Original do Crédito Inicial” equivalente ao total do DARF de R$ 2.423.878,79 de IRRF de Juros e Comissões em Geral, relativo a fato gerador de 20.03.2006, todavia, somente foi utilizado parte desse direito creditório para compensar débitos de IRPJ e de CSLL, ESTIMATIVA MENSAL, no montante de R$ 149.957,10, tal como informado no campo “Total dos débitos desta DCOMP”, restando o saldo de R$ 2.275.406,41, (campo “Saldo do Crédito Original R$ 2.275.406,41”), que foi compensados em outras DCOMP (PER/DCOMP nº 40922.28553.150506.1.3.047300 e PER/DCOMP nº 35687.01200.310506.1.3.042386); f) cita doutrina para defender que, no âmbito do Direito Tributário, em ocorrendo erro de pagamento, a repetição do indébito independe da apresentação de provas, “bastando indicar que a mesma foi paga de modo espontâneo por erro de fato no recolhimento de DARF”; g) ao contrário do acórdão a quo, a exigência de que o contribuinte apresente, por exemplo, a escrituração contábil ou qualquer documento hábil que comprove o efetivo erro na base de cálculo do IRRF, código 0481, do período de apuração 20.03.2006, e, por consequência, no imposto declarado para estar autorizado a restituir/compensar o excesso do imposto recolhido em DARF, não pode embasar interpretação que pretenda preterir ou excluir pesquisa de todos os meios de prova admitidos em direito, e que possibilitem documentar o direito creditório legítimo da recorrente, já que tal limitação conduziria ao enriquecimento sem causa da Administração Fazendária, o que não se harmoniza com os princípios da legalidade, da moralidade administrativa e da verdade material; h) o ônus de provar o direito creditório arguido, não exclui o dever jurídico da Administração Fazendária de analisar/pesquisar e diligenciar a busca dos Fl. 86DF CARF MF 6 fatos e dados registrados em documentos existentes na própria Administração Tributária, ou ainda, visando confirmação externa da verdade material; i) mesmo quando atua no exercício de sua função julgadora, não pode a Administração se furtar a seus deveres de ofício, especialmente o de diligenciar a pesquisa e certificação dos registros contábeis dos contribuintes, comparativamente aos dados passíveis de consulta em suas bases, tais como DCTF transmitidas à Receita Federal do Brasil com débitos de responsabilidade de fontes pagadoras, vinculados à pagamentos/creditamentos etc, à beneficiários de rendimentos residentes ou domiciliados no exterior. Cita jurisprudência do CARF que julga respaldar sua assertiva; j) roga pela conversão do julgamento em diligência para que seja averiguado se a defesa que se apresenta efetivamente representa informações da escrituração fiscal da interessada, senão para que a contribuinte seja instada a comprovar, através de seus assentamentos contábeis, conforme o caso, o exato registro da sua despesa com Juros e Comissões em Geral, a despeito da DCTF que não foi retificada, para confirmar o erro de preenchimento da DCTF quanto ao valor da obrigação tributária de IRRF, para o fato gerador 20.03.2006, relativamente ao código de receita 0481. Repete argumentos de mesma natureza e cita os princípios da ampla defesa e do contraditório; k) objetivando evidenciar ter ocorrido, de fato, um erro de preenchimento na DCTF em destaque e evidenciar (a teor do art. 170 do CTN) os atributos de existência, certeza e liquidez do indébito tributário de IRRF pretendido a restituir/compensar, mediante assunção do ônus probante que lhe incumbe, teria anexando prova inequívoca do erro de fato cometido em sua DCTF, consubstanciada em registros contábeis que demonstram o aproveitamento de direito creditório oriundo de “Pagamento a Maior ou Indevido”, utilizado para compensar débito de IRPJ e de CSLL, ESTIMATIVA MENSAL; l) com base na movimentação contábil constante do documento de fl. 78, verificarse a comprovação contundente de que o recolhimento abrangendo o débito de IRRF Juros e Comissões em Geral, fato gerador 20.03.2006, implica em indébito tributário, a compensar débitos de estimativas de IRPJ/CSLL, tal como ocorridas no caso concreto deste contencioso administrativo, relativamente à movimentação contábil de conta de IRRF, “tudo convergindo à Verdade Material que deve se sobrepor, a quaisquer declarações da recorrente veiculando erros de fatos, pois tais informações são meramente declaratórias, mas jamais constitutivas de legítimo direito creditório, aqui comprovados através de assentamentos contábeis da fonte pagadora”. m) aduz que, uma vez juntados os assentamentos contábeis, evidenciando um erro de preenchimento em DCTF quanto a suposto débito de IRRF passível de investigação apenas no âmbito do lançamento por homologação, não se pode negar a existência, certeza e liquidez do indébito tributário oriundo de recolhimento IRRF, após comprovada sua compensação parcial com estimativas de IRPJ/CSLL, nos exatos montantes extintos sob condição resolutória na PER/DCOMP; n) destaca que o art. 332 e seguintes do Código de Processo Civil CPC (Lei 5.869/73) enumera como meios de prova, o Fl. 87DF CARF MF Processo nº 16327.901188/200917 Acórdão n.º 2402005.850 S2C4T2 Fl. 5 7 depoimento pessoal, a confissão, os documentos públicos e particulares, a prova testemunhal, as perícias e a inspeção judicial, e, além destas, também se pode lançar mão de outros meios de prova, desde que moralmente legítimos, respeitandose os direitos e garantias individuais e que Dessa forma, a administração fazendária, no exercício de sua função julgadora, não pode prescindir do desvelo esperado à análise da prova trazida aos autos, conforme aqui se controverte. n) faz referência ao art. 165 do CTN; p) argumenta que compensação de dívidas tributárias com direito de crédito resultante de recolhimento indevido de tributo logra efeitos de restituição, nos termos em que disciplinada por lei cuja validade encontre fundamento no art. 170 do CTN q) faz referência ao art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e ao art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 900/2005, que respaldariam seu direito; r) infere que o débito de IRRF tem fato gerador definido, base de cálculo e prazo de vencimento, estabelecidos pela legislação, podendo ser lançado de ofício no âmbito do lançamento por homologação, se for o caso, de forma que o pagamento que contiver indícios comprovados de equivaler a direito creditório, tem natureza de pagamento indevido ou a maior, passível de imediata restituição/compensação; Por fim, requer: a) a reforma da decisão recorrida, para que seja dado provimento ao recurso voluntário e, reconhecida a existência do direito creditório; ou b) seja convertido o julgamento em diligência, para requerer que a unidade de origem designe agente para (i) verificar a documentação coligida visando comprovar o indébito e a efetiva obrigação tributária (in)existente do IRRF de Juros e Comissões em Geral, relativa ao fato gerador de 20.03.2006, comparativamente às informações e registros da escrituração contábil e fiscal da interessada; e, (ii) elaborar relatório conclusivo cientificado à Recorrente, com prazo para o regular contraditório e posterior retorno ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende às demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Realização de Diligência Com relação ao pedido de conversão do julgamento em diligência, requer o contribuinte que seja averiguado se a defesa apresentada, efetivamente, refletiria as informações de sua escrituração fiscal ou, ao revés disso, que seja ele (o recorrente) instado a comprovar, através de seus assentamentos contábeis, o exato registro de sua despesa com Juros e Comissões em Geral, a despeito da DCTF que não foi retificada, para confirmar o erro de preenchimento de referida declaração e a inocorrência dos fatos geradores, cujos valores decorrentes são objeto da DCOMP. Requer ainda seja verificada a documentação coligida visando comprovar o indébito e a inexistência de obrigação tributária e o consequente direito creditório. A teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide. Inicialmente, importa ressaltar que, de acordo com inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, incumbe ao sujeito passivo a indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta seu recurso, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, não cabendo à autoridade julgadora, como parece querer fazer crê o recorrente, substituilo na busca de elementos de prova aptos a comprovar os argumentos trazidos na peça recursal sob o pretexto de que isso representaria a consubstanciação do princípio da verdade material. Além disso, sobre o dever da Administração Tributária de buscar fatos e dados registrados em documentos existentes em seus sistemas, impende esclarecer que a não homologação da compensação informada em DCOMP se deu justamente porque as informação contidas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil davam conta de que inexistiam créditos para o pagamento dos débitos indicados na declaração e isso ficou claramente evidenciado no Despacho Decisório que denegou o pleito creditório. Especificamente com relação ao pedido de diligência, notase que as questões suscitadas no recurso voluntário têm relação com matéria de prova e, dessa forma, considero absolutamente desnecessária a realização de diligência para esclarecer questões que poderiam ter sido facilmente elucidadas, bastando para tanto que o recorrente indicasse as supostas inconsistências contidas no Despacho Decisório que não homologou a compensação pretendida Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.901188/200917 Acórdão n.º 2402005.850 S2C4T2 Fl. 6 9 e apresentasse os elementos probatórios que pudessem dar suporte às suas afirmações, o que não foi feito adequadamente por ocasião da Manifestação de Inconformidade ou do recurso voluntário. Desta feita, por entender imprescindível e impraticável a realização de diligência voltada exclusivamente para o levantamento de provas que deveriam ser carreadas aos autos pelo recorrente, nos termos do inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, indefiro pedido. Mérito A respeito das afirmações do recorrente de que confissão do débito em DCTF, não equivale a renúncia ao direito à repetição de indébito tributário e que a não homologação de compensação não pode ter como pretexto a inocorrência de retificação da referida Declaração, convém ressaltar que a decisão recorrida não se ateve a esses aspectos para considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Não há no aresto vergastado qualquer menção à hipótese de que a inserção de informações em DCTF equivalha à renúncia de quaisquer direitos legal ou constitucionalmente estabelecidos, tampouco de que a não retificação dessa declaração pelo contribuinte, de per si, tenha o condão de obstaculizar o direito creditório. Consoante consta da decisão recorrida: O impugnante não apresentou a escrituração contábil ou qualquer documento hábil que comprove o efetivo erro na base de cálculo do IRRF, código 0481, do período de apuração de 20/03/2006 e, por consequência, no imposto declarado. Destarte, permanece válida a DCTF retificadora transmitida, em 31/08/2006. Observandose, ainda, que não há previsão legal para retificação de ofício da DCTF transmitida pelo contribuinte. Vejase que o trecho do decisum atacado, diferentemente do que infere o reclamante, é bastante elucidativo quanto a impossibilidade de se desconsiderar as informações contidas na DCTF diante da não apresentação de escrituração contábil e outros documentos hábeis a comprovar o reclamado erro de fato na base cálculo do IRRF declarado. Sem embargo, o contribuinte rebate as asserções da DRJ/SPO, com base em fragmento descontextualizado de obra doutrinária, sob o argumento de que, o pleito de devolução do indébito tributário dispensaria a apresentação de provas, “bastando indicar que a mesma (obrigação tributária) foi paga de modo espontâneo por erro de fato no recolhimento de DARF”, ou seja, na própria peça recursal admitise que não se apresentaram provas para respaldar as alegações levantadas. Por certo, não há qualquer fundamento nessa tese de que a repetição de indébito tributário prescinda de apresentação de provas incontestes que possam fundamentar os fatos alegados. Assim, no que respeita às questões de mérito, não colhe melhor sorte o recorrente em suas pretensões. Como bem pontuou a autoridade recorrida, o contribuinte não Fl. 90DF CARF MF 10 juntou aos autos cópias da escrita contábil e fiscal da empresa, de forma a demonstrar o erro no preenchimento da DCTF e o consequente recolhimento indevido. Conquanto alegue o contribuinte que carreou aos autos documentação demonstrando o erro de preenchimento na DCTF, temse que o único resquício de prova apresentado, já agora no recurso voluntário, foi o “documento” de fl. 78. Referido “documento”, que diz se tratar de “prova inequívoca do erro de fato cometido em sua DCTF, consubstanciada em registros contábeis que demonstram o aproveitamento de direito creditório oriundo de ‘Pagamento a Maior ou Indevido’, utilizado para compensar débito de IRPJ e de CSLL, ESTIMATIVA MENSAL, não é hábil a demonstrar a ocorrência de erro de fato. Referenciado “documento” tratase de uma única folha, sem qualquer tipo de registro que possa evidenciar que as informações ali inseridas integram a contabilidade da recorrente. E mais, embora revele a existência de recolhimento relativos ao mês de março de 2006 em valor equivalente ao da DCOMP que aqui se debate, R$ 149.957,10 (R$ 103.420,25 + R$ 46.536,85), os apontamentos contidos em tal “documento” não têm qualquer aptidão para comprovar o erro de fato arguido ao longo de todo o recurso voluntário. É certo que o processo administrativo é orientado pelo princípio do informalismo (ou formalismo moderado), contudo, não é crível que alguém possa imaginar que esse princípio (do informalismo) seja capaz de nos levar ao extremo de aceitar que documentos como o de fl. 78 possam fazer prova de ocorrência de erro que tendente a afastar as informações contidas em uma declaração que, conforme bem ressaltou a decisão atacada, constitui confissão de dívida nos termos do § 1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/1984. De mais a mais, fato de o processo administrativo fiscal ser informado pelo princípio da verdade material não significa dizer que resta afastada a necessidade de que o contribuinte faça prova de suas alegações, tampouco que o dever do ônus probandi seja do fisco. O reconhecimento de equívoco no preenchimento da DCTF somente se mostra admissível mediante comprovação do erro em que se funde, cabendo, repitase, ao recorrente fazer prova de suas alegações. Ausente a comprovação do alegado erro de fato, e não comprovada a certeza e liquidez do crédito, inaplicáveis todas normas relativas a compensação suscitadas no recurso voluntário, com base nas quais o recorrente busca se socorrer. Nesse sentido, assente o entendimento no âmbito deste Conselho, consoante se verifica da ementa do Acórdão nº 2201 002.397: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. PROVA. Não estando demonstrada a existência de erro no preenchimento da DCTF, devese manter o despacho decisório que não homologou a compensação. Quanto às decisões administrativas suscitadas, essas foram proferidas em contextos fáticos próprios e, por suas especificidades, também não acodem o recorrente. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.901188/200917 Acórdão n.º 2402005.850 S2C4T2 Fl. 7 11 Conclusão Isso posto, tendo em vista que os documentos carreados não foram suficientes para demonstrar o erro no preenchimento da DCTF, voto por CONHECER do recurso para indeferir o pedido de diligência e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11007.720628/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/03/2013
AUTO DE INFRAÇÃO. CONFORMIDADE. LEI. VALIDADE.
É legítimo o auto de infração lavrado em conformidade com o art. 142 do CTN e com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, sem que tenham ocorrido as situações de nulidades especificadas no art. 59 desse Decreto.
INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. DIREITO DE PROPRIEDADE. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. A eventual verificação da existência de confisco ou de lesão ao direito de propriedade seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da incidência do tributo e da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo.
ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA.
Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-004.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/03/2013 AUTO DE INFRAÇÃO. CONFORMIDADE. LEI. VALIDADE. É legítimo o auto de infração lavrado em conformidade com o art. 142 do CTN e com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, sem que tenham ocorrido as situações de nulidades especificadas no art. 59 desse Decreto. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. DIREITO DE PROPRIEDADE. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. A eventual verificação da existência de confisco ou de lesão ao direito de propriedade seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da incidência do tributo e da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida. Recurso Voluntário negado
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CONFORMIDADE. LEI. VALIDADE. É legítimo o auto de infração lavrado em conformidade com o art. 142 do CTN e com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, sem que tenham ocorrido as situações de nulidades especificadas no art. 59 desse Decreto. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. DIREITO DE PROPRIEDADE. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. A eventual verificação da existência de confisco ou de lesão ao direito de propriedade seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da incidência do tributo e da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 00 7. 72 06 28 /2 01 3- 12 Fl. 171DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Florianópolis que julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/03/2013 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. MULTAS. Constatado que a mercadoria se classifica em código da Nomenclatura Comum do Mercosul diverso do código declarado na Declaração de Importação devese proceder à reclassificação fiscal, sendo exigíveis as diferenças de tributos, acompanhadas das multas previstas. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. As solicitações de diligência ou perícia que sejam consideradas prescindíveis pela autoridade julgadora ou que não observem os requisitos legais devem ser justificadamente indeferidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre autos de infração lavrados para exigência de Imposto sobre a Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/Pasepimportação, multa de ofício e multa administrativa por classificação incorreta de mercadoria, no valor total de R$20.891,60, em face de reclassificação fiscal de mercadorias importadas. Consta que a contribuinte registrou em 06/03/2013 a Declaração de Importação (DI) nº 13/04340890, para amparar a importação de mercadorias descritas como “kits de monitoramento de sinais de vídeo, composto por DVR e câmeras”, classificandoas sob o código NCM 9030.89.90 ("Outros instrumentos e apar. p/medida/controle eletr. et"). Submetida a verificação documental e física, entendeu a fiscalização que "capítulo em questão compreende um conjunto de instrumentos e aparelhos muito diversos, mas que, em geral, se caracterizam essencialmente pelo seu acabamento e grande precisão, motivo pelo qual a maior parte deles são utilizados especialmente em domínios puramente científicos (pesquisas de laboratório, análises, astronomia, etc.), em aplicações técnicas ou industriais muito específicas (medidas ou controles, observações, etc.) ou para fins médicos: “9030 – OSCILOSCÓPIOS, ANALISADORES DE ESPECTRO E OUTROS INSTRUMENTOS E APARELHOS PARA MEDIDA OU CONTROLE DE GRANDEZAS ELÉTRICAS; INSTRUMENTOS E APARELHOS PARA MEDIDA OU DETECÇÃO DE RADIAÇÕES ALFA, BETA, GAMA, X, CÓSMICAS OU OUTRAS RADIAÇÕES IONIZANTES.” Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11007.720628/201312 Acórdão n.º 3402004.266 S3C4T2 Fl. 156 3 Concluiu a fiscalização que as mercadorias são classificadas nos códigos próprios de cada aparelho pois, ao contrário do que a interessada queria fazer crer, não se tratava de um “kit” na acepção da RGI/SH 3b, conforme se depreende da Nota 4 da Seção XVI do Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias e da NESH correspondente, pois não possui monitor ou computador para acompanhamento das imagens, não preenchendo o requisito de ser apto à satisfação de uma necessidade específica ou ao exercício de uma atividade determinada. Assim, os aparelhos DVR foram reclassificados para o código NCM 8521.90.90; e as câmeras para o código NCM 8525.80.19. A fiscalização elaborou intimação à contribuinte, explicando o motivo da desqualificação da NCM utilizada na DI. Em resposta, a contribuinte manifestouse pela discordância da aplicação de penalidades por erro de classificação, solicitando nova classificação fiscal para o produto (ainda na forma de kit), sob o código NCM 8521.90.10, portanto, distinto tanto daquele utilizado originalmente no registro da DI quanto daquela definida pela fiscalização da Receita Federal. Entendeu a fiscalização que a nova classificação sugerida também não poderia prosperar vez que "a subposição 8521.90.10 referese a gravadores/reprodutores e editores de imagem e som. O equipamento DVR, por sua própria natureza, não se presta à edição de som e imagem. O que, especialmente para este tipo de aplicação, não poderia ser diferente, uma vez que a gravação deve assegurar a autenticidade das informações". Inconformada a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: (...) Demonstra sua boafé e a dificuldade de classificar as mercadorias importadas, o fato de, antecipadamente à importação, ter solicitado orientação verbal à fiscalização que, por sua vez, informou que a correta classificação fiscal das mercadorias a serem importadas seria no código NCM 9030.89.90 As fiscalizações aduaneiras de diferentes locais classificam mercadorias semelhantes em códigos NCM diversos, fato que prejudica as práticas comerciais em geral. A discordância entre a impugnante e a fiscalização está em se determinar se os equipamentos importados são um conjunto que forma um kit ou não. São infundadas as conclusões da fiscalização de que os equipamentos “não preenchem o requisito de ser apto à satisfação de uma necessidade específica ou ao exercício de uma atividade determinada” ou que “os artigos DVR + Câmeras se prestam apenas para captar imagens. Para possibilitar vigilância em tempo real, fazse necessário visualizar as imagens em um monitor ou computador que, no caso, não acompanha o conjunto.” “3. O importador corretamente classificou seu produto na NCM 9030.89.90 por tratarse de equipamento para monitoração de sinais de vídeo e por formar um conjunto único. Não necessita de nenhum equipamento a mais, além dos que constam nas embalagens, para atender as necessidades dos consumidores. Tais equipamentos são instalados usandose unicamente os Fl. 173DF CARF MF 4 acessórios inclusos que possibilitam gerar as imagens que serão captadas à distância, por diferentes mídias. Equivocase a fiscalização ao entender que não "satisfaz uma necessidade específica ou uma atividade determinada" ou uma "unidade funcional". O que serão então os Sistemas de Videovigilância constituído pela combinação de um número variável de câmeras, conectados por meio de cabos coaxiais que atendem uma necessidade específica? Acertadamente a Resolução Camex nº 61/2012 classifica esses equipamentos na NCM 9030.89.90 idêntica a utilizada pelo importador e no se art. 14 estabelece um “ex” tarifário para esses produtos.” Requer a insubsistência do auto de infração ou, sem caso contrário, seja solicitado laudo técnico dos equipamentos para esclarecer se os objetos da lide formam ou não uma unidade funcional que atenda a necessidades específicas e portanto podendo ser caracterizado como kit. (...) Consta ainda na decisão recorrida que a "interessada interpôs ação judicial com o fim de liberação das mercadorias importadas, sem, contudo, discutir o mérito do litígio administrativo". A Delegacia de Julgamento não acatou as alegações da impugnante, decidindo, sinteticamente, no sentido de que: As NESH da Regra 3b esclarece que podem ser consideradas “obras constituídas pela reunião de artigos diferentes” as mercadorias cujos elementos sejam separáveis, “contanto que estes elementos estejam adaptados uns aos outros e sejam complementares uns dos outros e que a reunião constitua um todo que não possa ser normalmente vendido em elementos separados.” (Item IX). No presente caso, tratamse de equipamentos DVR e câmeras que serão conectadas aos aparelhos DVR. Assim, ainda que pudessem ser considerados complementares um do outro, os equipamentos não cumprem ao requisito de não poderem ser vendidos em elementos separados, pois é notório o conhecimento de que tanto os aparelhos DVR quanto as câmeras podem ser vendidos separadamente uns dos outros. De outro lado, o item X das NESH da Regra 3b estabelece as condições para que a mercadoria seja considerada como “apresentada em sortidos acondicionados para venda a retalho” que são, em síntese: ser composta por ao menos dois artigos diferentes que, a princípio, seriam classificados em posições diferentes; ser composta de produtos ou artigos apresentados em conjunto para a satisfação de uma necessidade específica ou exercício de uma atividade determinada; e ser acondicionada de maneira a poder ser vendida diretamente ao consumidor sem novo acondicionamento. Desses três requisitos, as mercadorias em análise cumprem, em princípio, o primeiro e o terceiro, ou seja, são compostas por dois artigos classificáveis em posições diferentes e estão acondicionadas de forma a permitir sua venda diretamente ao consumidor sem novo acondicionamento. A controvérsia surge ao se analisar o requisito de as mercadorias serem “compostas de produtos apresentados em conjunto para a satisfação de uma necessidade específica ou exercício de uma atividade determinada”. A Nota 4 da Seção XVI do Sistema Harmonizado dirimiu explicitamente essa dúvida ao esclarecer em sua Nota Explicativa que os sistemas de videovigilância não atendem às condições estabelecidas para terem seus componentes classificados em conjunto, pois não possuem função bem determinada. Concluise, assim, que o aludido “kit” para videovigilância deve ter seus componentes classificados separadamente, seguindo seu regime próprio de classificação fiscal. Esse foi o procedimento adotado pela fiscalização que reclassificou as mercadorias para o código NCM 8521.90.90 (Aparelhos DVR) e para o código NCM 8525.80.19 (Câmeras de vídeo). Para os efeitos que a impugnante pretende há que se proceder a consulta formal, nos termos como previsto no Decreto nº 70.235/1972, artigos 46 a 58, o que não é o caso dos autos. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11007.720628/201312 Acórdão n.º 3402004.266 S3C4T2 Fl. 157 5 A contribuinte recebeu mensagem com a decisão acima, por meio de sua Caixa Postal, na data de 20/04/2015, sendo considerada sua ciência o 15º (décimo quinto) dia a partir dessa data. Em 22/05/2015, a contribuinte apresentou recurso voluntário, mediante o qual alega, em síntese: A Administração deve rever o ato exarado, declarandoo nulo para os devidos efeitos legais, por ausência de requisito imprescindível à materialidade do documento. Um ato administrativo praticado em desconformidade com as prescrições em seu procedimento formativo deve ser decretado nulo, afastandose seus efeitos principais e secundários. Na medida em que prospere a infundada exigência do Fisco Federal estará havendo uma afronta direta aos princípio constitucionais do não confisco e do direito de propriedade. Alegouse no auto de infração que não se trata de kits, mas aparelhos aptos ao uso. Esse entendimento não pode prosperar tendo em vista que as câmeras de videomonitoramento dependem de um computador, CPU, para sua utilização. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Alega a recorrente que o auto de infração seria nulo, citando doutrina e jurisprudência sobre a nulidade do ato administrativo, mas sem especificar em que aspecto haveria o vício de legalidade suscitado. Não é demais lembrar que incumbe à impugnante/recorrente delimitar os pontos de discordância e dos seus correspondentes fundamentos de fato e de direito, respaldados em eventuais provas, se for o caso, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Ademais, ao que se observa no presente processo, o auto de infração foi lavrado legitimamente em conformidade com o art. 142 do CTN e com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não tendo se caracterizado também qualquer situação especificada no art. 59 desse Decreto que desse ensejo a sua declaração de nulidade: Art. 142. [CTN] Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 175DF CARF MF 6 Art. 10. [PAF]O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. [PAF]São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Quanto à alegação de que a exigência fiscal seria confiscatória ou lesaria o direito de propriedade e, portanto, inconstitucional, dela não se pode tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco ou lesão ao direito de propriedade seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que a prevê a incidência dos tributos e da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. No âmbito do processo administrativo fiscal, por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011, é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. O entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula no 2 do Carf, aprovada pelo Pleno e pelas Turmas da CSRF, nas sessões realizadas em 8 de dezembro de 2009 e 29 de novembro de 2010, divulgada pela Portaria Carf no 52, de 2010: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACÓRDÃOS PARADIGMAS Acórdão nº 10194.876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 20177691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005 No que concerne ao mérito, a própria contribuinte, embora proponha outro código NCM para o produto diverso do utilizado na autuação, concordou, no curso do Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11007.720628/201312 Acórdão n.º 3402004.266 S3C4T2 Fl. 158 7 procedimento fiscal, de que a classificação fiscal adotada por ela na Declaração de Importação não seria a adequada. No mais, somente alegou a recorrente que as câmeras de videomonitoramento dependem de um computador para sua utilização, esse fato em nada auxilia a recorrente, pelo contrário, contribui para a reclassificação fiscal efetuada pela fiscalização. O fato de a fiscalização ter classificado os equipamentos separadamente, e não como um conjunto, não quer dizer que estariam prontos para uso individualmente na função desejada pela contribuinte. Conforme bem explicado pela fiscalização, a Regra Geral de Interpretação para o Sistema Harmonizado 3b é aplicável nas seguintes situações: produto misturado (mistura); obra composta de matérias diferentes; obra composta pela reunião de artigos diferentes; ou mercadorias apresentadas em sortidos acondicionadas para venda a retalho. No presente caso, a mercadoria não corresponde a uma obra composta da reunião de artigos diferentes, mas a um conjunto de produtos diferentes (DVR+Câmeras), que para a aplicação da RGI/SH 3b requereria o preenchimento de todas as condições de um “sortido acondicionado para venda a retalho”, nos termos do Sistema Harmonizado (SH), quais sejam, a) apresentese com, pelo menos, dois artigos diferentes que, à primeira vista, seriam suscetíveis de se incluírem em posições diferentes; b) apresentese acondicionado para ser vendido diretamente aos consumidores (sem novo acondicionamento); e c) apto, tal como o conjunto se apresenta, à satisfazer uma necessidade específica ou o exercício de uma atividade determinada. No entanto, o conjunto de equipamentos importados pela recorrente, constituído de aparelho DVR e câmeras, utilizado para videovigilância, não satisfaz às condições estabelecidas pela Nota 4 da Seção XVI do Sistema Harmonizado, estando explicitamente excluído da possibilidade de serem os diferentes aparelhos classificados na mesma posição, pois não estão aptos a desempenharem uma função bem determinada, exigida pela referida Nota de Seção e sua Nota Explicativa: Nota 4 da Seção XVI do SH: 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. Nota Explicativa da Nota 4 da Seção XVI: Constituem, por exemplo, unidades funcionais deste gênero, na acepção desta Nota: (...) Deve notarse que os elementos constitutivos que não satisfaçam às condições estabelecidas na Nota 4 da Seção XVI seguem o seu próprio regime. Tal é, por exemplo, o caso dos sistemas de videovigilância em circuito fechado, constituídos pela combinação de um número variável de câmeras de televisão e de monitores de vídeo conectados por meio de cabos coaxiais com um controlador de sistema, comutadores, quadros audiorreceptores e, eventualmente, máquinas automáticas para Fl. 177DF CARF MF 8 processamento de dados (para salvaguardar os dados) e/ou aparelhos de videocassete (para gravar imagens). Conforme apurado pela fiscalização, e não contestado pela recorrente, os equipamentos (DVR+Câmeras) não preenchem o requisito de serem aptos à satisfação de uma necessidade específica ou ao exercício de uma atividade determinada, vez que necessitam ainda de um monitor ou computador para receber as imagens e, portanto, devem ser classificados separadamente, e não como um conjunto. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901119/2013-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 11 19 /2 01 3- 01 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901119/201301 Acórdão n.º 1302002.273 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901119/201301 Acórdão n.º 1302002.273 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901119/201301 Acórdão n.º 1302002.273 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721914/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
Numero da decisão: 2301-004.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente.
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
EDITADO EM: 13/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo - Presidente. Alexandre Evaristo Pinto - Relator. EDITADO EM: 13/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo Presidente. Alexandre Evaristo Pinto Relator. EDITADO EM: 13/04/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 19 14 /2 01 4- 01 Fl. 176DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1535.992, de 17/07/2014, (fls. 157 a 159). O contribuinte supraidentificado foi notificado de que o seu Imposto a Restituir na Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2010, anocalendário 2009 informado de R$ 26.134,57 seria reduzido para R$ 9.536,04 decorrente da omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista no valor de R$ R$ 62.310,64. O contribuinte apresentou a impugnação (fls 7 a 9), na qual alega, em síntese, que: (i) a fonte pagadora (Telefonica Brasil S.A., CNPJ n° 2.558.157/000162) informou Dirf com erro, já que sobre os valores de rendimentos tributáveis (R$ 112.378,21) e imposto retido na fonte (R$ 29.707,46) estão submetidos a tributação exclusiva na fonte; (ii) a fonte deixou de informar o valor pago acumuladamente, o n° de meses correspondente e o mês em que foram recebidos os rendimentos, no ano de 2009; (iii) deve ser aplicada ao caso a Instrução Normativa RFB n° 1.127/2011, bem como precedentes julgados pelo STJ. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda incidirá no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, abatidos os valores das despesas com a ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido arcadas pelo contribuinte sem indenização. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário reiterando as alegações anteriormente feitas na impugnação e suscitando a preliminar de que não foi levado em consideração pela DRJ o princípio da legalidade, o princípio da segurança jurídica e a retroatividade da lei mais benigna, prevista no artigo 106, II do CTN. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.721914/201401 Acórdão n.º 2301004.963 S2C3T1 Fl. 177 3 É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminar Da Nulidade do Acórdão do DRJ Em primeiro lugar, cumpre salientar que as hipóteses de nulidade de decisões administrativas estão previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir transcrito. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso em tela, o Acórdão do DRJ foi proferido pela autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa, de forma que não há que se falar em nulidade do Acórdão. Nesse sentido, afasto a preliminar de nulidade do Acórdão do DRJ suscitada pelo recorrente. Rendimentos Recebidos Acumuladamente Aplicação do Cálculo do Artigo 12A da Lei nº 7.713/1988 Com relação à questão sobre a potencial ilegalidade da tributação integral dos valores de rendimentos recebidos de forma acumulada quando do efetivo recebimento, cumpre destacar que no anocalendário de recebimento de rendimentos pelo recorrente, vigia o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que possuía a seguinte redação: Fl. 178DF CARF MF 4 Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Todavia, a Lei 12.350, de 2010 introduziu o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, que definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) Não há dúvida sobre a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713/88 para os exercícios posteriores a 2010, no entanto, poderia haver dúvida sobre a aplicação do referido artigo para os exercícios anteriores a 2010, tal qual o caso em tela em que os rendimentos foram recebidos em 2009. Ocorre que a questão da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente de períodos até o anocalendário 2009 foi recentemente objeto do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vale destacar que decidiu o STJ no REsp n1.118.429 sob rito do artigo 543C do CPC que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.118.429 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10830.721914/201401 Acórdão n.º 2301004.963 S2C3T1 Fl. 178 5 Também é importante destacar que o STF no RE 614.406 sob rito do artigo 543B do CPC que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos: RE 614.406 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Ademais, conforme o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STF e STJ deverão ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, voto no sentido de que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.728760/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 78. ANISTIA DADA PELA LEI 13.097/2015, ART 49.
A multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL 78, no período objeto anterior à publicação da Lei 13.097/2015, com fundamento no previsto no art. 32-A, Lei n. 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Cecília Dutra Pillar, que não conheceram do recurso por concomitância com ação judicial. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Cecília Dutra Pillar, que negaram provimento ao recurso. A Conselheira Cecília Dutra Pillar informou que apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 78. ANISTIA DADA PELA LEI 13.097/2015, ART 49. A multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL 78, no período objeto anterior à publicação da Lei 13.097/2015, com fundamento no previsto no art. 32A, Lei n. 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Cecília Dutra Pillar, que não conheceram do recurso por concomitância com ação judicial. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Cecília Dutra Pillar, que negaram provimento ao recurso. A Conselheira Cecília Dutra Pillar informou que apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 87 60 /2 01 1- 10 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 11080.728760/201110 Acórdão n.º 2202003.777 S2C2T2 Fl. 339 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Conforme está descrito no Auto de Infração de fls. 02 deste processo e no Relatório Fiscal de fl. 43 e seguintes, do processo nº 11080.728759/201195, o lançamento fiscal em debate trata de: 1 DEBCAD 51.010.5165, CFL 78 Da infração: A empresa apresentou, após 04/12/2008, declarações em GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com informações omissas/incorretas, nas competências 01/2008 a 09/2008 e 11/2008 não informou as contribuições patronais devidas por informar indevidamente código de FPAS 639 como filantrópica, sem possuir isenção junto à Receita Federal do Brasil não informou os pagamentos à Cooperativa de Trabalho, bem como alíquotas de SAT e código de Outras Entidades. A multa por omissão de fatos geradores na GFIP vigente atualmente é calculada conforme o disposto no art. 32A da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Medida Provisória nº. 449, de 2008, convertida na Lei nº. 11.941/09. Esclareceu o Auditor Fiscal que (fl. 50): O cálculo desta multa considera campos da GFIP com informações omissas/incorretas. A multa corresponde ao valor de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de até dez informações omitidas na GFIP entregue, com valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais), por competência. 11.2.4 Considerando o cálculo demonstrado na Planilha anexa da Multa Calculada pela Lei 8212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, resultante da conversão da Medida Provisória 449/08 – AI CFL 78, em anexo, aplicamos a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). O contribuinte apresentou Impugnação, que foi tratada pela DRJ em Porto Alegre/RS (fl. 113 e seguintes), decidindose pela sua improcedência. Em suma, entendeu aquele julgador que: 1 O contribuinte que não goza de isenção está obrigado a cumprir com todas as obrigações principais e acessórias previstas na legislação tributária para as empresas em geral. O cerne da questão posta pela impugnante é estabelecer se a ASCAR está albergada pela imunidade tributária prevista no art. 195, parágrafo 7º da CF e se tal imunidade abrange as contribuições previdenciárias patronais objeto do lançamento fiscal. 2 Alegação de cerceamento de defesa é improcedente pois a impugnante tem conhecimento dos motivos pelos quais não faz jus à isenção das contribuições ditas patronais, destinadas à seguridade social e a terceiros, perfeitamente exigíveis da autuada, conquanto no período objeto do lançamento fiscal a entidade não se encontrava em gozo de isenção. Neste auto de infração, lavrado pelo descumprimento da obrigação acessória de Fl. 339DF CARF MF Processo nº 11080.728760/201110 Acórdão n.º 2202003.777 S2C2T2 Fl. 340 3 prestar informações corretas em GFIP não há como acolher a alegação de ilegitimidade da autuação pois, conforme já explicitado anteriormente, a impugnante não comprova preencher os requisitos exigidos no art. 55 da Lei nº 8.212/1991 para ter direito à isenção/imunidade, resultando incorretas suas declarações em GFIP como uma entidade isenta. Cientificado dessa decisão em 19 de junho de 2012, conforme Aviso de Recebimento na fl. 122, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 17 de julho de 2012, conforme despacho na folha 168. Em sede de recurso, argumenta, em síntese, que: a) a decisão recorrida esquivouse de enfrentar a questão relativa à nulidade da autuação decorrente de insuficiência/falta de descrição sumária dos fatos, no Auto de Infração. Ocorreu violação ao artigo 10, III e IV do Decreto 70.235, de 1972. b) menciona que a questão do seu direito a imunidade/isenção é objeto de discussão judicial. O julgamento foi convertido em diligência duas vezes, pelo CARF. Na primeira, Resolução nº 2403000.206, de 17 de outubro de 2013, foi determinado, em suma, o seguinte: Temse que de um lado a Recorrente questiona, desde a Impugnação, o fato de que o lançamento fiscal não contém qualquer fundamentação legal para descaracterizar o seu direito à isenção das contribuições sociais previdenciárias. Enquanto que, de outro lado, a decisão de primeira instância traz várias e novos aspectos com fundamentação legal, não presentes no Relatório Fiscal, a justificar o lançamento fiscal efetuado. (...) ... surge a prejudicial de se determinar qual foi a fundamentação legal utilizada pela Auditoria Fiscal para que esta considerasse que a Recorrente não teria direito à isenção de contribuições sociais previdenciárias. Foi então elaborada a informação fiscal de fls. 189, que trouxe as seguintes informações: existe um Ato Cancelatório de Isenção de contribuições previdenciárias, emitido em 1992. Desde então, a recorrente deixara de gozar o benefício da isenção, com base no artigo 55 e inciso IV da Lei nº 8.212/1991. O procedimento fiscal não analisou os requisitos formais do descumprimento do dispositivo legal que regula o direito de isenção, mas apenas procedeu à constituição do crédito tributário, em face de constatação de declaração com enquadramento indevido na condição de isento. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e apresentou manifestação nas fls. 195 e ss. Decidiuse então por uma segunda diligência, na Resolução nº 2403000.308, de 11 de março de 2015 (fl. 310), a fim de determinar: a) se o objeto da Ação Popular no.505695304.2011.404.7100/ RS, em trâmite no TRF4 e com andamento processual de admissibilidade de Recurso Especial da AGU, indica que há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11080.728760/201110 Acórdão n.º 2202003.777 S2C2T2 Fl. 341 4 modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativofiscal. b) O trânsito em julgado da Ação Popular no.505695304.2011.404.7100/ RS, com a conseqüente decisão final na esfera judicial; c) Se, com o trânsito em julgado da Ação Popular no.505695304.2011.404.7100/ RS, caso favorável ao contribuinte, há a perda de objeto do presente processo administrativofiscal; A Unidade da RFB respondeu com as informações de fls. 331 e ss., dizendo que: O objeto da Ação Popular nº 505695304.2011.404.7100/RS é o cancelamento da perda da isenção (imunidade) e do Certificado de Entidade de Assistência Social – CEBAS. Nas folhas 16 a 19, da inicial, são referidas a Ação Ordinária nº. 98.00.041028 (apelação nº 2003.04.01.0258608) e a Ação Ordinária 2006.34.00.0069032, perante a Seção Judiciária do Distrito Federal. Em relação à Ação nº 2003.04.01.0258608, que se encontra no TRF4 Região na presente data, o objeto da Ação é anular os autos de lançamento que sofreu por parte da Fiscalização do INSS em 1992, em razão da inobservância do devido processo legal no cancelamento da sua imunidade.(...) Não transitou em julgado, pois pende de julgamento o RESP 1522805/RS, junto ao STJ. Na presente data, encontrase concluso ao Min. Humberto Martins. (iii) No caso de provimento integral, com restabelecimento da imunidade da entidade, creio que os presentes lançamentos seriam nulos. (destaquei) Assim, os autos retornaram ao CARF e foram distribuídos a novo relator, considerando o término do mandato do relator anterior. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (formato .pdf) Aqui tratase apenas da multa por descumprimento de obrigação acessória, o chamado CFL 78, por ter o contribuinte prestado, segundo a acusação fiscal, informações incorretas em GFIP. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11080.728760/201110 Acórdão n.º 2202003.777 S2C2T2 Fl. 342 5 Apesar de também, tanto no recurso, mas principalmente na manifestação efetuada após a realização da primeira diligência relatada, ter levantado a questão da discussão judicial a respeito de seu direito à isenção/imunidade, o contribuinte, na peça recursal, baseia se, eminentemente, em nulidade do Auto de Infração por falta de indicação expressa das razões que levaram a autoridade fiscal a desconsiderar sua declaração como isento. Após a primeira diligência, aqui relatada, o contribuinte foi intimado do Relatório Fiscal, abrindose prazo para sua manifestação. Ali, referese a "ilícitos praticados pela milícia fiscal contra a Recorrente"; descreve que a questão sobre seu direito à imunidade fora levada à apreciação pelo Poder Judiciário e que então estariam a União e o MPF fazendo lhe vítima de "atos ilícitos" . Repisa que o lançamento não fora motivado e que, após a realização da diligência, veio aos autos a informação de que o mesmo se escudava em Ato Cancelatório de Isenção datado de 1992, que também fora alvo de discussão judicial. A própria DRF, apesar de dizer que as ações judiciais "não tem o mesmo objeto", referese às "partes" e não objeto, reconhece que "No caso de provimento integral, com restabelecimento da imunidade da entidade, creio que os presentes lançamentos seriam nulos", na parte final da Informação de fls. 331 e ss. Ou seja, o provimento judicial é prejudicial à análise destes lançamentos. Citese a Sumula CARF Nº 1 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(sublinhei) Assim, este Auto de Infração é acessório. Se reconhecido que o contribuinte de fato é entidade beneficente de assistência social sem fins lucrativos e isenta/imune de contribuições sociais, ele não subsiste. Mas além disso, há ainda outro argumento, de nulidade, que foi declinado pelo contribuinte. Tal argumento, entretanto, fica prejudicado em razão da decisão a ser tomada, considerando o § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, uma vez que adotase o seguinte entendimento, proferido no Acórdão 2301004.708, Sessão de 14/06/2016: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CFL 78 ANISTIA DADA PELA LEI 13.097/2015 ART 49 DA LEI 13.097/2015 INCIDÊNCIA A multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, CFL 78, período objeto anterior à publicação da Lei 13.097/2015, com fundamento na aplicação da multa prevista no art. 32A, Lei n. 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, publicada no D.O.U. de 20.01.2015.(destaquei) AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11080.728760/201110 Acórdão n.º 2202003.777 S2C2T2 Fl. 343 6 INFORMAÇÃO INCORRETA QUANTO AO CÓDIGO DE RECOLHIMENTO EM GFIP. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIFICADA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SEGUE A SORTE DA PRINCIPAL Sendo declarada a nulidade do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir a mesma sorte o Auto de Infração da Obrigação Acessória. Desta forma, em se tratando o presente lançamento de obrigação acessória conexa com os autos de infração de obrigação principal, outra conclusão não pode ser adotada, senão pela necessidade de que também seja julgado improcedente o lançamento da multa nos autos do presente processo, pelo fato da relação de acessoriedade deste lançamento. Recurso Provido Sendo assim, mesmo havendo a discussão judicial, apresentase decisão porque, independentemente daquele resultado, observarseá a questão da anistia, acima destacada. CONCLUSÃO Dessa feita, VOTO por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Declaração de Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar. Em que pese o entendimento da maioria dos Conselheiros desta Turma, no sentido de que a multa do presente crédito tributário se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei 13.097/2015, venho declarar meu voto pois sou do entendimento de que a anistia (remissão) prevista na Lei nº 13.097/2015 somente se aplica às autuações por falta de apresentação de GFIP ou apresentação fora do prazo legal, não se aplicando às autuações por apresentação de GFIP com informações omissas/incorretas. Estamos tratando aqui de auto de infração lavrado em 29/09/2011 e referente à infração de apresentação de GFIPs com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. GFIPs relativas às competências 01/2008 a 09/2008 e 11/2008, transmitidas após 04/12/2008, cuja obrigação da apresentação das GFIPs, está capitulada no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela MP 449/2008, que veio a ser convertida na Lei nº 11.941/2009 e dispõe: Fl. 343DF CARF MF Processo nº 11080.728760/201110 Acórdão n.º 2202003.777 S2C2T2 Fl. 344 7 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; A penalidade por omissão de fatos geradores na GFIP é calculada conforme o disposto no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, observados os limites do § 3º do mesmo artigo. Para melhor compreensão, cabe reproduzir referido artigo: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 344DF CARF MF Processo nº 11080.728760/201110 Acórdão n.º 2202003.777 S2C2T2 Fl. 345 8 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem grifos no original) Com a inclusão do art. 32A à Lei nº 8.212/1991, as penalidades por infrações em GFIP se distinguem em dois tipos de infração, quais sejam: a) apresentação de GFIP com informação incorretas ou omissas (cuja penalidade está disposta no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009) ou, b) não apresentação de GFIP ou GFIP entregue após o prazo (com penalidade prevista no inciso II do citado art. 32A). Assim, a partir da vigência do art. 32A supra transcrito, a conduta de entrega intempestiva de GFIP que antes não era penalizada, passou a ser e desde dezembro de 2013 a Secretaria da Receita Federal do Brasil começou a gerar multas automáticas para os contribuintes que cometeram a infração no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2013. Em virtude de inconsistências nos sistemas informatizados da RFB, que por um dado período não acusavam o recebimento de GFIPs tempestivamente entregues pelos contribuintes, estes foram orientados a enviar novamente a GFIP, no caso após o prazo, o que acarretou a leitura por parte dos sistemas da instituição, de que a entrega havia sido efetivada em atraso. Diante desta situação houve forte mobilização da sociedade, em especial da classe contábil por meio das confederações e sindicatos junto aos Poderes Executivo e Legislativo, buscando a mitigação dessa penalização, considerada abusiva e infundada. A resposta a tal mobilização se deu com o advento da Lei nº 13.097, de 19/01/2015, DOU de 20/01/2015, que previu na Seção XIV: Seção XIV Da Apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP Art. 48. O disposto no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11080.728760/201110 Acórdão n.º 2202003.777 S2C2T2 Fl. 346 9 apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Art. 50. O disposto nos arts. 48 e 49 não implica restituição ou compensação de quantias pagas. (sem grifos no original) Da leitura desta seção, vislumbrase que o legislador previu: (I) a extinção de multas aplicadas quanto à entrega fora de prazo da GFIP, no período de 27/05/2009 a 31/12/2013, sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (II) a anistia das multas lançadas até então, desde que a GFIP tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para sua entrega. Em síntese, nos casos em que houve entrega extemporânea da GFIP sem movimentação quanto a fatos ocorridos entre 27/05/2009 a 31/12/2013, houve a extinção da penalidade, o que significa dizer que as multas lançadas devem ser automaticamente canceladas. Já nos casos de lançamentos ocorridos até 20/01/2015 envolvendo a situação de entrega extemporânea de GFIP com movimentação, aplicase a anistia, o que também há de ser reconhecido de ofício nos processos em curso. Tenho, pois, que a anistia veiculada pela Lei nº 13.097/2015 se deveu à alteração introduzida pela Lei nº 11.941/2009 ao ordenamento jurídico (art. 32A acrescentado à Lei nº 8.212/1991) que passou a penalizar a entrega de GFIP fora do prazo, infração até então não penalizada. A aplicação extensiva desta anistia às demais infrações cometidas quanto ao preenchimento de GFIPs, transmitidas dentro dos prazos legais mas com informações omitidas e/ou incorretas não está em consonância com o art. 111 do CTN. Por todo o exposto, meu voto é pelo não conhecimento do recurso voluntário por concomitância com ação judicial e, uma vez conhecido pela maioria desta Turma, voto por negar provimento ao recurso, por entender que a anistia veiculada pela Lei nº 13.097/2015 não se aplica à infração tratada neste processo. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Fl. 346DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.905556/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.778
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 56 /2 01 2- 40 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13888.905556/201240 Acórdão n.º 3201002.778 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.295, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13888.905556/201240 Acórdão n.º 3201002.778 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13888.905556/201240 Acórdão n.º 3201002.778 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13888.905556/201240 Acórdão n.º 3201002.778 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13888.905556/201240 Acórdão n.º 3201002.778 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13888.905556/201240 Acórdão n.º 3201002.778 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13888.905556/201240 Acórdão n.º 3201002.778 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13888.905556/201240 Acórdão n.º 3201002.778 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
