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Numero do processo: 13839.000238/2004-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997 a 2003 IRPJ.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINAL. Nos termos do art. 150 do CTN, é de 5 anos o prazo para homologação do auto-lançamento. Tendo o contribuinte apresentado espontaneamente e tempestivamente a DIPJ e DCTF, bem como realizado os respectivos recolhimentos, incabível após esse prazo de 5 anos, a retificação do auto-lançamento, mediante apresentação declarações retificadoras, visando aflorar “pagamentos indevidos”, passíveis de compensação/restituição. O prazo decadencial de 5 anos opera-se tanto para o Fisco quanto para o contribuinte. IRPJ - LUCRO PRESUMIDO - SERVIÇOS DE ANÁLISES CLÍNICAS – Conforme decido pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, às empresas que realização exames de análises clínicas aplica-se o percentual de 8% sobre as receitas para apuração do lucro presumido para fins do IRPJ (RESP 1116399). Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.798
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: 1) não acolher o pleito quanto aos períodos de apuração até dezembro/1998, haja vista o decurso do prazo para retificar as declarações de IRPJ daqueles anos-calendário; 2) reconhecer o direito creditório sobre o valor total de R$ 227.679,40 (original), relativo aos recolhimentos a maior (com base no percentual de 8%) dos meses de janeiro de 1999 a dezembro de 2002.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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Recorrida 2A TURMA DRJ EM CAMPINAS SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 a 2003 IRPJ.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINAL. Nos termos do art. 150 do CTN, é de 5 anos o prazo para homologação do autolançamento. Tendo o contribuinte apresentado espontaneamente e tempestivamente a DIPJ e DCTF, bem como realizado os respectivos recolhimentos, incabível após esse prazo de 5 anos, a retificação do autolançamento, mediante apresentação declarações retificadoras, visando aflorar “pagamentos indevidos”, passíveis de compensação/restituição. O prazo decadencial de 5 anos operase tanto para o Fisco quanto para o contribuinte. IRPJ LUCRO PRESUMIDO SERVIÇOS DE ANÁLISES CLÍNICAS – Conforme decido pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, às empresas que realização exames de análises clínicas aplicase o percentual de 8% sobre as receitas para apuração do lucro presumido para fins do IRPJ (RESP 1116399). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: 1) não acolher o pleito quanto aos períodos de apuração até dezembro/1998, haja vista o decurso do prazo para retificar as declarações de IRPJ daqueles anoscalendário; 2) reconhecer o direito creditório sobre o valor total de R$ 227.679,40 (original), relativo aos recolhimentos a maior (com base no percentual de 8%) dos meses de janeiro de 1999 a dezembro de 2002. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Fl. 822DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13839.000238/200466 Acórdão n.º 140200.798 S1C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório INSTITUTO DE DIAGNÓSTICO CARDIOVASCULAR S/C LTDA, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que indeferiu seu pleito. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de pedido de restituição efetuado em 11/02/2004, no valor atualizado de R$ 544.770,58, referente a pagamentos a título de IRPJ, efetuados entre abril/1997 a janeiro/2003, nos quais a contribuinte apresentou declaração de rendimentos na forma do Lucro Presumido e aplicou o percentual de 32% sobre a receita bruta para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda. Entende a interessada, que nos termos do art. 15, § 1º, inciso III, letra “a”, da Lei nº 9.249/95, os serviços profissionais por ela prestados são equiparados a serviços hospitalares. Em razão disso, pleiteia a aplicação do percentual de 8% para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda na forma do Lucro Presumido, e a restituição do que pagou a maior pela alíquota de 32%. A contribuinte apresentou 38 Declarações de Compensação por via eletrônica, conforme fls. 390/658, nas quais informa o presente processo como origem do crédito. A DRF em Jundiaí/SP, em decisão de fls. 681/690, datada de 09/01/2007, indeferiu o pedido de restituição dos pagamentos efetuados anteriormente a 11/02/1999 por entender estarem decaídos e com relação aos demais pagamentos por entender que a atividade da contribuinte não se confunde com prestação de serviços hospitalares, assim definidos no art. 23 de IN SRF nº 306/2003; e não homologou as compensações pleiteadas. Inconformada com a decisão de indeferimento do pedido de restituição e de não homologação das compensações pleiteadas, da qual tomou ciência por via postal em 18/01/2007, AR de fl. 692, a contribuinte, por meio de seu bastante procurador, procuração de fl. 709, postou por SEDEX, em 13/02/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 693/708, acompanhada dos documentos de fls. 709/715, na qual oferece as seguintes razões de fato e de direito: que a recorrente é sociedade civil de prestação de serviços de atividade regulamentada, tendo como objetivo social a prestação de serviços médicos, tratamento e diagnóstico cardiovascular, encontrando respaldo jurídico para que seja equiparada àquelas que prestam serviços hospitalares, desde que realizem atividades destinadas a pacientes internos e externos, com o intuito de recuperar o estado de saúde do paciente, não se considerando a qualificação ou composição do prestador de serviço; que a Lei Complementar nº 118/2005 é totalmente ilegal ao estabelecer alteração no prazo de repetição de indébito nos tributos sujeitos a lançamento por homologação à medida que vai de encontro ao que o CTN estabelece como causa da Fl. 823DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13839.000238/200466 Acórdão n.º 140200.798 S1C4T2 Fl. 3 3 extinção do tributo e também à própria definição de lançamento tributário, que é atividade privativa da administração fazendária; que o STJ, ao julgar a constitucionalidade da LC nº 118/2005, decidiu pela irretroatividade do novo entendimento imposto pelo legislativo; entende que lhe assiste direito à restituição do IRPJ recolhido nos últimos 10 anos, face ao lançamento por homologação (5 anos para lançar + 5 anos para cobrar); no mérito, entende que o conceito de serviço hospitalar deve ser traçado com base na natureza do serviço desenvolvido pelo estabelecimento, e não na figura do prestador do serviço; a abrangência da expressão serviço hospitalar está na atividade do prestador e não na pessoa do prestador, nem nas suas dependências, ou instalações, devendo apenas estar ligada às atividades à atenção e à assistência à saúde; que o conceito de serviço hospitalar deve ser exatamente o mesmo fixado pela disciplina jurídica correspondente – o direito médicosanitário. Entendimento diferente, afronta o art. 109 do Código Tributário Nacional, pelo qual a legislação tributária poderá apenas alterar os efeitos tributários, e não o conceito; que a legislação tributária nunca especificou exatamente a abrangência do conceito de serviço hospitalar. Esta lacuna era preenchida livremente pela Receita Federal, sem qualquer amparo nas legislações médicosanitárias, até o advento da IN/SRF nº 306/03 e do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18/03, que assumiram o entendimento adotado pela legislação médicosanitária; apenas, que é ilegal o requisito trazido pelo inciso I, do artigo 2º, do ADI SRF nº 18/03, na medida em que cria uma exigência não prevista na legislação sanitária, quando descarta a presença de um serviço hospitalar quando o serviço for prestado exclusivamente pelos sócios; que a IN SRF nº 480/04, revogou a IN SRF nº 306/03, e em seu art. 27 estabeleceu que somente serão considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos hospitalares, elencando os requisitos para assim serem classificados; que a IN SRF nº 480/04 modificou o conceito de serviços hospitalares, o que não pode ser aceito, pois esta alteração foi introduzida no sistema por um veículo inadequado, afrontando o direito líquido e certo das empresas que já foram consideradas prestadoras de serviços hospitalares, sob pena de afronta diretamente à Magna Carta; que o CTN, em seu art. 110 enfatiza que a lei tributária não poderá alterar a definição, o conceito e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente pela Constituição para definir competências tributárias; que a IN SRF nº 480/04 legislou de forma ilegal em seu art. 27, fora de sua competência, não podendo determinar o conceito de hospital e equiparados, motivo pelo qual a guarida para a solução da norma ilegítima é encontrada no sistema normativo, na disposição adequada e legal, publicada pelo órgão competente para tanto, continuando a prevalecer o disposto pelo Ministério da Saúde, ou seja, a Portaria GM nº 1.884, de 11/11/94, Parte II, Capítulo 2; que a IN SRF nº 539/05 vigente, considera serviços hospitalares os diretamente ligados à assistência e atenção à saúde, consoante o estabelecido pelo Ministério da Saúde, subitem 2.1 da Parte II, Capítulo 2, desde que sejam exercidos os serviços médicos conforme os incisos I e II do art. 27 da IN SRF nº 480/04; Fl. 824DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13839.000238/200466 Acórdão n.º 140200.798 S1C4T2 Fl. 4 4 pleiteia a correção do indébito tributário pela taxa SELIC; por fim alega que, restando legítimo o direito da recorrente de apropriar e aproveitar o crédito decorrente do pagamento indevido sob o título de IRPJ equiparado a serviços hospitalares, a compensação com outros tributos e contribuições federais, sob administração da Receita Federal, é seu direito inarredável. A decisão recorrida está assim ementada: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. ART. 168 DO CTN. Nos termos do art. 168 do CTN o direito de pleitear a restituição de pagamento indevido ou maior que o devido de tributo, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE / LEGALIDADE DE LEI. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade ou legalidade das leis exorbitam a competência das autoridades administrativas, às quais cumpre aplicar as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. CONFIGURAÇÃO. O percentual de 8% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido somente se aplica nos casos de prestação de serviços médicos, quando cumpridos os requisitos estipulados no art. 27 da IN SRF nº 480/2004, com a redação alterada pela IN SRF nº 539/2005. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Na sessão de 24/02/2011 o presente processo foi convertido em diligencia por esta Turma, mediante Resolução 140200.039, nos termos do voto condutor a seguir transcrito: Conforme relatado, o contribuinte apresentou pedido de reconhecimento de direito creditório, em 11/02/2004, pleiteando créditos sobre recolhimento do IRPJ na sistemática do lucro presumido, nos anoscalendário de 1997 a 1999, nos quais adotou o percentual de 32% (prestação de serviços gerais), todavia, alega que o correto seria de 8% (serviços hospitalares). A DRJ e a DRF analisaram apenas questões de direito e não verificaram se realmente o contribuinte efetuou recolhimentos a maior. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem, partindo da premissa que a base de cálculo dos laboratórios de análises clínicas e das clínicas diagnósticos por imagens, em relação às receitas destas atividades, quanto ao IRPJ é de 8% (oito por cento) da receita bruta, apure mediante verificações nos registros contábeis e fiscais do contribuinte, o valor do IRPJ que seria devido em todos os períodos de apuração de que tratam este processo, confronte com os recolhimentos e aponte os eventuais recolhimentos a maior (valores originais). Fl. 825DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13839.000238/200466 Acórdão n.º 140200.798 S1C4T2 Fl. 5 5 Ao final, lavrar termo consubstanciado e dar ciência ao contribuinte para que se manifeste no prazo de 30 dias, caso deseje. Registrese, por fim, que a questão do decurso de prazo para pleitear a restituição de alguns desses períodos ainda será objeto de julgamento no retorno dos autos à este Conselho. A diligencia foi realizada, sendo que os resultados estão consubstanciados no Relatorio Fiscal de fls. 804 e 805, cuja conclusão e’ a seguinte: O contribuinte foi cientificado da diligencia em 04/05/2011 (fl. 806verso), concordando com os valores apurados (fl. 807). Ato continuo o processo retornou ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 826DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13839.000238/200466 Acórdão n.º 140200.798 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, o contribuinte apresentou pedido de reconhecimento de direito creditório, em 11/02/2004, pleiteando créditos sobre recolhimento do IRPJ na sistemática do lucro presumido, nos anoscalendário de 1997 a 1999, nos quais adotou o percentual de 32% (prestação de serviços gerais), odavia, alega que o correto seria de 8% (serviços hospitalares). De inicio confirmo a decisão de primeira instância quanto ao decurso de prazo para pleitear a restituição até o período de apuração encerrado em dezembro de 1998, Verificase de plano, que a retificação da DIPJ/2002, anocalendário de 2001, pretendida pela contribuinte em 19/05/2008, após tomar ciência do despacho decisório, não pode mesmo ser acolhida, mas por outros fundamentos. Nos termos do art. 150 do CTN, é de 5 anos o prazo para homologação do autolançamento. Tendo o contribuinte apresentado espontaneamente e tempestivamente a DIPJ e DCTF, bem como realizado os respectivos recolhimentos, incabível após esse prazo de 5 anos, a retificação do autolançamento, mediante apresentação declarações retificadoras, visando aflorar “pagamentos indevidos”, passíveis de compensação/restituição. O prazo decadencial de 5 anos operase tanto para o Fisco quanto para o contribuinte. Não se trata aqui de contagem do prazo para repetição de indébito do IR Fonte ou estimativas mensais, seja 5 anos contados do pagamento, ou 5 anos da homologação (que ocorre 5 anos após o pagamento). A restituição ou reconhecimento do direito creditório se dá em relação ao saldo negativo de recolhimentos, vinculado ao Imposto de Renda devido no ajuste anual. Portanto, passados 5 anos da apuração original, decaí o direito do contribuinte retificála da mesma forma de o direito do Fisco exigir eventual diferença a menor. Repito: o prazo é o mesmo para ambos, nos termos dos artigos 149, 150 e 173 do Código Tributário Nacional. Esse tem sido o entendimento manifestado neste colegiado, a exemplo do Acórdão 140200.706 de 5/08/2011 cuja ementa elucida: IRPJ.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ORIGINAL. Nos termos do art. 150 do CTN, é de 5 anos o prazo para homologação do autolançamento. Tendo o contribuinte apresentado espontaneamente e tempestivamente a DIPJ e DCTF, bem como realizado os respectivos recolhimentos, incabível após esse prazo de 5 anos, a retificação do autolançamento, mediante apresentação declarações retificadoras, visando aflorar “pagamentos indevidos”, passíveis de compensação/restituição. O prazo decadencial de 5 anos operase tanto para o Fisco quanto para o contribuinte. Fl. 827DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13839.000238/200466 Acórdão n.º 140200.798 S1C4T2 Fl. 7 7 No presente caso, a contribuinte teve oportunidades para apresentar as declarações retificadoras dentro do prazo hábil e legal para que a Autoridade Tributária pudesse realizar os procedimentos de sua alçada, mas não aproveitou. Sirvome das lições da conselheira Sandra Maria Faroni no acórdão nº. 101 96889, proferido em 15/08/2008, cujos fundamentos transcrevo a seguir. “[...] Como se vê, como regra geral, em casos de pagamento indevido ou a maior, o direito de pleitear a restituição se extingue com o prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito. Em se tratando de tributos sujeitos à modalidade de lançamento por homologação, o pagamento efetuado pelo sujeito passivo extingue o crédito sob condição resolutória o que significa dizer que, feito o pagamento, os efeitos da extinção do crédito se operam desde logo, estando sujeitos a serem resolvidos se não homologado o procedimento do contribuinte, expressa ou tacitamente. Não se desconhecem as manifestações do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo de cinco anos contados é a data em que se considera homologado o lançamento (tese dos “cinco mais cinco” defendida pela Recorrente). Essa tese, todavia, peca pela falha de dar à condição resolutória efeitos de condição suspensiva, elevando o prazo para até 10 anos. A correta interpretação para a contagem do prazo para pleitear a restituição, a meu ver, é aquela que vem sendo dada pelo Conselho de Contribuintes, traduzida na ementa do Acórdão nº 10805.791, de 13 de julho de 1999: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO – CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA – INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. Assim, em situações normais, ocorrendo a homologação tácita, o termo inicial para o prazo de cinco anos para pleitear a restituição é a data do pagamento. Nas demais situações, tal como sintetizado na ementa do Acórdão CSRF/0104.577, de 10 de junho de 2003, será: (a) a data da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; (b) a data da publicação Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; (c) a data da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Fl. 828DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13839.000238/200466 Acórdão n.º 140200.798 S1C4T2 Fl. 8 8 No presente caso, uma vez não alegado que o indébito se exteriorizou no contexto de situação conflituosa, o termo inicial para a contagem é a data em que se efetivou o pagamento.” No que tange aos demais períodos de apuração, cujos recolhimentos não foram atingidos pela decadência, necessário analisar o mérito. Afirma a contribuinte que o “conceito de serviços hospitalares está ligado a finalidade para os quais são prestados (proteção da saúde) e não ao local onde são prestados ou por quem são prestados”. Aduz ainda, “que tal interpretação se dá em razão do caráter finalístico da Lei 9.249/94, que, busca concretizar o objetivo constitucional do s artigos mencionados.” De plano, esclareço que a adoção do lucro presumido é uma opção única e exclusiva do contribuinte: uma liberalidade, desde que preenchidos certos requisitos. O enquadramento das atividades hospitalares no percentual de 8% para o lucro presumido, defina em lei, nada tem a ver com a “finalidade dos serviços prestados” e sim com a natureza desses, conhecendose a percentual dos custos em relação a receita. Daí, por exemplo o percentual de 1,6% na revenda de combustíveis. No presente caso a aplicação dos preceitos da Instrução Normativa SRF 480 de 1995 não merece qualquer reparo, conforme bem fundamentado na decisão recorrida: “Verificase que para fins tributários, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das seguintes atribuições: (1) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospital dia; (2) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde; (3) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação; (4) atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia; e em qualquer das 4 hipóteses, desde que a estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde atenda ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n° 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n° 189, de 18 de julho de 2003, comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); ou os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", prestados por empresário ou sociedade empresária. O art. 982 do atual Código Civil determina que a sociedade empresária está sujeita à inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis (art. 967 do Código Civil). Não é o caso das registradas em cartório, que são sociedades simples. O regime jurídico do empresário, de acordo com o novo Código Civil, é o regime jurídico do comerciante. E o que diz o art. 2.037, do novo Código Civil: Fl. 829DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13839.000238/200466 Acórdão n.º 140200.798 S1C4T2 Fl. 9 9 "Art. 2.037. Salvo disposição em contrário, aplicamse aos empresários e sociedades empresárias as disposições de lei não revogadas por este Código, referentes a comerciantes, ou a sociedades comerciais, bem como a atividades mercantis." Disso decorre que empresários e sociedades empresárias estão sujeitas ao regime jurídico mercantil. Elas devem ser inscritas na Junta Comercial e estão sujeitas à falência. Embora esses sejam conceitos introduzidos recentemente no ordenamento jurídico, concluise que o que vale para sociedade comercial, vale para sociedade empresária; o que vale para sociedade civil, vale para sociedade simples. Conseqüentemente, não se considerava atividade hospitalar, para fins tributários, a desenvolvida pelas anteriormente denominadas sociedades civis de prestação de serviços de profissão regulamentada, cujos serviços eram prestados pelos sócios legalmente habilitados mesmo com o concurso de auxiliares e colaboradores. No caso presente, o contrato social da interessada, conforme alteração acostada às fls. 586/591 registrado no Cartório do 2o Oficial de Registro Civil de Pessoas Jurídicas da Comarca de Jundiaí, sob o n° 84.541, em 28/11/2003. A alteração do contrato social informa na cláusula terceira, parágrafo único que, para efeitos de adequação à Lei n° 10.406/2002 (Novo Código Civil), a contribuinte passa a constituir Sociedade Simples por cotas de Responsabilidade Limitada. Originalmente, a contribuinte foi constituída nos moldes da então denominada sociedade civil para prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada. Não obstante, a contribuinte não pode ser considerada sociedade empresária. Além disso, não consta nos autos de que a estrutura física do estabelecimento da contribuinte atenda ao disposto no item 3, da Parte II, da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 21 de fevereiro de 2002,comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Portanto, às atividades desempenhadas pela recorrente, quais sejam, a prestação de serviços de laboratório de análises clínicas e posto de coleta de sangue, aplicase a alíquota de 32% sobre a receita bruta auferida, para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda com apuração pelo Lucro Presumido, por não restar configurado que a recorrente enquadrase como estabelecimento hospitalar.” A contribuinte presta exclusivamente serviços latoratoriais de análises clínicas, complementar às atividades hospitalares. Portanto o percentual do lucro presumido é mesmo de 32%. Nesse sentido vem decidindo este Conselho, a exemplo do acórdão 108 09332, de 24/05/2007, da relotoria do ilustre conselheiro Nelson Losso Filho, cuja ementa abaixo transcrevo: IRPJ – LUCRO PRESUMIDO – SERVIÇOS DE ANÁLISES CLÍNICAS – A prestação de serviços de análises clínicas não se confunde com a prestação de serviços hospitalares. Havendo a opção pelo Lucro Presumido, este será apurado pelo coeficiente de 32%, aplicável à prestação de serviços em geral (Lei nº 9.249/95, art. 15, § 1º, inc. III). Cabe citar também o acordão 10195853 de 8/11/2006, cujo relator foi o conselheiro Mario Junqueira Franco Junior: Fl. 830DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13839.000238/200466 Acórdão n.º 140200.798 S1C4T2 Fl. 10 10 LUCRO PRESUMIDO – CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS – Para que reste configurada a prestação de serviços hospitalares, com aplicação do percentual de presunção de lucratividade de 8%, necessário existir infraestrutura física condizente com custos relevantes de equipamentos e mãodeobra especializada, bem como a prestação de serviços médicos, de enfermagem e hotelaria hospitalar. Todavia, o egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ, em sede de recurso repetitivo, decidiu que cabe o percentual de 8% para apuração do lucro presumido dos laboratórios de análises clinicas (RESP 1116399, vide https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/ita.asp?registro=200900064810&dt_publicacao=29/09/2 010). Esse entendimento deve ser aplicado no CARF, na forma do art. 62A do Regimento Interno em vigor. Assim, cumpre reconhecer o direito creditório na forma apurada na diligencia fiscal a partir do anocalendário de 1999, conforme quadro abaixo. 1o. trimestre/1999 8.219,79 2o. trimestre/1999 20.249,76 3o. trimestre/1999 27.956,68 4o. trimestre/1999 22.307,20 1o. trimestre/2000 14.415,93 2o. trimestre/2000 17.261,16 3o. trimestre/2000 11.689,63 4o. trimestre/2000 11.207,49 1o. trimestre/2001 16.930,47 2o. trimestre/2001 5.818,65 3o. trimestre/2001 7.253,26 4o. trimestre/2001 2.594,87 1o. trimestre/2002 10.221,24 2o. trimestre/2002 12.105,53 3o. trimestre/2002 18.716,82 4o. trimestre/2002 20.730,92 TOTAL 227.679,40 Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para: 1) não acolher o pleito quanto aos períodos de apuração até dezembro/1998, haja vista o decurso do prazo para retificar as declarações de IRPJ daqueles anoscalendário; 2) reconhecer o direito creditório sobre o valor total de R$ 227.679,40 (original), relativo aos recolhimentos a maior dos períodos de apuração dos anos de (com base no percentual de 8%) dos meses de janeiro de 1999 a dezembro de 2002. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 831DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13894.001030/2010-48
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA POR ATRASO. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE. INCIDÊNCIA.
É devida a multa no caso de entrega extemporânea da declaração simplificada de inatividade.
Numero da decisão: 1002-000.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
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APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE. INCIDÊNCIA. É devida a multa no caso de entrega extemporânea da declaração simplificada de inatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 00 10 30 /2 01 0- 48 Fl. 40DF CARF MF 2 Relatório Por economia processual, adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO na descrição dos fatos ocorridos até este momento do contencioso administrativo fiscal: Versa o presente processo sobre notificação de lançamento (fls. 6), mediante a qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ), relativa ao anocalendário de 2009, no valor de R$ 200,00. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls.2/5) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que, por ocasião do vencimento do prazo de entrega da DSPJ, ainda não estava cadastrada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), portanto estava impedida de entregála. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário contendo, em síntese, as seguintes alegações (in verbis): A nobre relatora declarou a improcedência da impugnação por unanimidade de votos, alegação que vê o contribuinte como duvidosa tendo em vista que uma das julgadoras que deveria ter participado da mesa se encontrava ausente (mesmo que justificadamente), portanto entende o contribuinte que não caberia à improcedência por unanimidade, talvez se, se referise a relatora; improcedêncla. por unanimidade dos julgadores presentes. (...) Como pode uma pessoa jurídica dar início a suas atividades antes de obter todas as licenças obrigatórias, ou seja; CNPJ, INSCRIÇÃO ESTADUAL e CADASTRO DE CONTRIBUINTES NO MUNICÍPIO? Respondo eu, como óbvio que é e com todo meu respeito a todos, é claro que uma empresa que só tem seu instrumento de constituição registrado não pode ser considerada ainda uma pessoa jurídica completa e, portanto não pode exercer suas atividades sem o CNPJ, INSCRÇÃO ESTADUAL e CADASTRO DE CONTRIBUINTES NO MUNICÍPIO. Como podemos observar ao nos deparar com os programas disponibilizados para download, não há a possibilidade de se elaborar e/ou transmitir uma declaração de imposto de renda em quaisquer modalidades que sejam ou até mesmo qualquer obrigação acessória para a RECEITA FEDERAL E RECEITA FEDERAL DO BRASIL, sem que o contribuinte tenha o respectivo CNPJ, e Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13894.001030/201048 Acórdão n.º 1002000.030 S1C0T2 Fl. 3 3 se assim o é como poderia esse contribuinte tanto ter iniciado suas atividades como atender a entrega da Declaração em questão neste processo aqui mencionado? (...) Em vista disso, solicita a revisão e possível reversão da decisão de primeiro grau. É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Em sede de preliminar, o Recorrente faz referência à uma possível irregularidade relacionada ao quorum de votação do acórdão de impugnação exarado pela DRJ/RPO. O diploma normativo que regula o julgamento de primeira instância no âmbito do contencioso administrativo fiscal é a Portaria do MF nº 58, de 17 de março de 2006, que no seu artigo 13 estabelece o quorum mínimo necessário para que as deliberações do colegiado ocorram: Art. 13. Somente pode haver deliberação quando presente a maioria dos membros da turma, sendo essa tomada por maioria simples, cabendo ao presidente, além do voto ordinário, o de qualidade. Considerando que o Acórdão da DRJ/RPO (efls. 29) teve a participação de 3 (três) dos 4 (quatro) membros do colegiado, nele não se vislumbra qualquer mácula, eis que foi proferido de acordo com o quorum regimental mínimo exigido. Assim, descabe a interpretação dada pelo Recorrente no sentido de que não houve unanimidade na votação do acórdão em razão de um julgador encontrarse ausente, eis que o artigo 13 da Portaria MF nº 58/2006 não determina que o julgamento só possa ser realizado ante a presença de todos os membros do colegiado, devendo aquela qualidade (unanimidade) ser aferida apenas em relação ao voto dos julgadores presentes no momento da votação. Com relação à matéria de mérito o Recorrente não contesta a multa decorrente do atraso na entrega da declaração, mas apenas apresenta motivos genéricos e de caráter pessoal, com o intuito de justificálo. É consabido que o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva, ou seja, quedase alheio à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais, eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional: Fl. 42DF CARF MF 4 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ademais, como bem colocado na decisão exarada pela instância a quo, a obrigatoriedade de as pessoas jurídicas inscreveremse no CNPJ antes de iniciarem suas atividades decorre de expressa previsão no artigo 10 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.005, de 8 de fevereiro de 2010. Assim, considerando que o Recorrente descumpriu obrigação acessória normativamente prevista e que não consta nos autos qualquer prova de que este descumprimento teve origem em ação ou omissão da Receita Federal do Brasil, concluíse pela legitimidade da exigência da multa em questão. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator Fl. 43DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.013713/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE.
A prescrição intercorrente, que se verifica no curso do processo, não se aplica ao contencioso administrativo fiscal, por força do princípio da oficialidade, que determina o impulso do rito processual independente da iniciativa ou atuação dos interessados. Inteligência da Súmula CARF nº 11.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.013713/200872 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.309 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente AES SUL DISTRIBUIDORA GAÚCHA DE ENERGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE. A prescrição intercorrente, que se verifica no curso do processo, não se aplica ao contencioso administrativo fiscal, por força do princípio da oficialidade, que determina o impulso do rito processual independente da iniciativa ou atuação dos interessados. Inteligência da Súmula CARF nº 11. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 37 13 /2 00 8- 72Fl. 372DF CARF MF 2 Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de homologação parcial de compensação, relativo ao PER/DCOMP 30827.69360.121104.1.3.048690. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou equívoco na indicação da data de vencimento do débito informado no PER/DCOMP, o que ocasionou o cálculo errôneo dos valores exigidos. A DRJ Juiz de Fora/MG acolheu a manifestação de inconformidade e expôs os cálculos corretos da cobrança. O recurso voluntário alegou prescrição intercorrente, pelo transcurso de aproximadamente 08 (oito) anos entre a interposição da peça inaugural e a decisão de primeiro grau, e, subsidiariamente, apontou o erro na emissão dos documentos de arrecadação, pois não contemplou os acertos promovidos pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Tocante à preliminar invocada, temse que a prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal, por força do princípio da oficialidade, onde o impulso do procedimento contencioso se desenvolve independentemente da atuação dos interessados, competindo a sua responsabilidade ao EstadoAdministração. Este entendimento encontrase plasmado na súmula CARF nº 11: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Quanto ao erro na emissão dos documentos de arrecadação, que acompanharam a decisão de piso, a despeito da procedência da reclamação, é praxe administrativa a implementação das decisões administrativas somente após o encerramento do processo administrativo fiscal, o que, antes de configurar qualquer desobediência às decisões prolatadas, reflete a opção por um modus operandi próprio, de maneira que não cabe altercação específica a seu respeito, devendo o acerto ser realizado pela unidade de jurisdição, mediante simples petição/reclamação do interessado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.013713/200872 Acórdão n.º 3401004.309 S3C4T1 Fl. 11 3 Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954385/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/06/2000
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.151
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/06/2000 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/06/2000 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 43 85 /2 00 8- 88 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.954385/200888 Acórdão n.º 3401004.151 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Tratase de declaração de compensação apresentada em meio eletrônico, que restou não homologada face a inexistência de crédito, conforme despacho decisório que integra os autos ora em apreço. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, na qual alegou, em síntese, que: (i) o DARF indicado na DCOMP pela Manifestante como sendo a fonte de seu crédito foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil; (ii) foi identificada também a existência de um pagamento vinculado ao referido DARF; (iii) o crédito utilizado na DCOMP efetivamente existe, tendo sido o Despacho Decisório proferido unicamente em razão de um simples equívoco cometido pela contribuinte, o de se esquecer de retificar a respectiva DCTF no momento em que foi constatado que o pagamento da contribuição havia sido feito a maior; (iv) no caso de não ser acatada a defesa apresentada, prevalecerá o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional em prejuízo de direito liquido e certo da manifestante. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) prolatou o Acórdão DRJ nº 1630.763, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade manejada, de forma a não reconhecer o direito creditório pleiteado. Regularmente notificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.146, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.954389/200866, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Na apreciação de tal processo, o relator (Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) propôs conversão em diligência, rechaçada por todos os demais conselheiros que compõem o colegiado, sendo designado para redigir o voto vencedor em relação à matéria o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Vencida a proposta de Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.954385/200888 Acórdão n.º 3401004.151 S3C4T1 Fl. 4 3 diligência, o colegiado, no mérito, foi unânime na negativa de provimento ao recurso voluntário. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.146): "Com as devidas vênias ao entendimento do i. Conselheiro Relator, apresento nas linhas a seguir os motivos pelos quais divergi da proposta de conversão do julgamento em diligência, votando pela apreciação da Recurso Voluntário. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.954385/200888 Acórdão n.º 3401004.151 S3C4T1 Fl. 5 4 destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. Como se verifica pela análise do despacho decisório e da decisão recorrida, o motivo para a não homologação da declaração de compensação foi o equívoco cometido pela Recorrente, de não ter retificado a DCTF referente ao alegado pagamento a maior, qual seja referente ao PIS de Setembro de 2000. Diante disso, as autoridades fiscais constataram uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de PIS naquele período de apuração, não sendo possível a identificação pela Administração Tributária de qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação. Segundo a Recorrente, “foi constatado que o pagamento de PIS realizado em 13/10/2000 havia sido feito a maior, para assim reduzir o valor do débito de PIS relativo ao mês de outubro/2000 de R$ 539.691,85 para R$ 529.519,48, medida essa necessária para evidenciar o direito creditório na importância de R$ 10.172,37”. (fls. 42) Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.954385/200888 Acórdão n.º 3401004.151 S3C4T1 Fl. 6 5 porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente. Ante o exposto, apresento divergência em relação ao Relator, por entender que não é hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte do Recorrente, motivo pelo qual voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo a decisão recorrida e o despacho decisório que não reconheceu a homologação da compensação declarada pela Recorrente. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908087/2009-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE.
Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário podem, excepcionalmente, ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material.
Numero da decisão: 3001-000.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora e demais documentos probatórios juntados em fase recursal, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário podem, excepcionalmente, ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora e demais documentos probatórios juntados em fase recursal, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.908087/200972 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.273 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 13 de março de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente BAR E WISKERIA BRASÍLIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário podem, excepcionalmente, ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora e demais documentos probatórios juntados em fase recursal, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 87 /2 00 9- 72 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10166.908087/200972 Acórdão n.º 3001000.273 S3C0T1 Fl. 3 2 Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP a compensação de débito de COFINS (cód.2172) do período de apuração 09/2006 com crédito do mesmo tributo, por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 08/2004, arrecadado na data de 15/09/2004. Do Despacho Decisório A DRF de Brasília em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.3), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito declarado para a competência 08/2004. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), justificando o ocorrido da seguinte forma: 1. que parte de sua receita, no período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, estaria sujeita a alíquota zero de incidência do PIS e da COFINS, correspondente a produtos tributados no sistema monofásico, em face de grande volume de suas vendas serem Chopp, cervejas e refrigerantes; 2. por ter ocorrido a tributação normal de seu faturamento no período acima mencionado, efetuou o recolhimento de PIS e COFINS em valores maior que o devido; 3. constatado o erro na apuração dos impostos fez a retificação da DIPJ e passou a realizar as compensações a partir de março/2006 através de PER/DCOMP; 4. ao tomar conhecimento do Despacho Decisório procurou o Plantão Fiscal da Receita Federal e foi orientado a apresentar DCTF retificadora, para demonstrar o correspondente crédito passível de compensação; 5. ao final pede deferimento da compensação praticada; Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/BSB, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10166.908087/200972 Acórdão n.º 3001000.273 S3C0T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAISDCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 31) contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido, repisa os fatos e apela para busca da verdade material no processo administrativo; menciona outros julgados do CARF condescendentes a juntada de novos documentos probatórios com o recurso voluntário; que em face de ter havido o pagamento a maior que o devido, como bem demonstra as planilhas anexadas, tem o direito de realizar compensações do tributo e espera a compensação do crédito informado em PER/DCOMP. Do julgamento do Recurso Voluntário A 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, no acórdão de nº 3803003.486, sessão de 25/09/2012, negou provimento por unanimidade de votos, ratificando a decisão de piso. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10166.908087/200972 Acórdão n.º 3001000.273 S3C0T1 Fl. 5 4 Do Recurso Especial Cientificado da decisão de Segundo Grau a interessada tempestivamente ingressou com Recurso Especial. Primeiramente expôs os pressupostos de admissibilidade e com base no formalismo moderado (Lei nº 9.784/99), também, no princípio da razoabilidade que se aplicado com cautela, equilíbrio, moderação e harmonia, bem pode conduzir aos efeitos desejados. Esclarece ainda, “que a juntada de novos documentos no Recurso Voluntário tem respaldo sim no processo administrativo fiscal, no princípio da legalidade e o da verdade material que orienta e autoriza a Administração Pública a aceitar e buscar as provas que venham a demonstrar, a posteriori, a existência de vícios que tornem ilegal o ato administrativo. Os processos administrativos de que resultem sanções ao contribuinte poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício”. Adota como paradigma decisões da 2ª Seção de Julgamento do CARF que demonstram divergência de entendimento, com relação a possibilidade de juntada de novos documentos com o recurso voluntário, onde se destaca o seguinte trecho: “Não sendo suficientes os documentos juntados com a impugnação, mas vindo o contribuinte a trazêlos na fase recursal, é de se acatar a prova apresentada, em homenagem ao princípio da instrumentalidade do processo e da busca da verdade material que orienta o processo administrativo tributário”. Em suas razões finais pede para declarar nulo o Acórdão da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por ofensa aos princípios da busca da verdade material e do formalismo moderado. Do exame de Admissibilidade do Recurso Especial Presentes os pressupostos de admissibilidade o Recurso Especial foi admitido, pois “a matéria foi prequestionada no acórdão recorrido, os paradigmas apresentados foram proferidos por colegiados distintos do da decisão recorrida e não sofreram reforma, restou demonstrada a divergência alegada e não foi constatado que as teses paradigmas tenham sido superadas pela CSRF”. Com base no fundamento do RICARF o exame de admissibilidade foi submetido ao Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, que aprovou e encaminhou à Câmara Superior de Recursos Fiscais (3ª Turma) para prosseguimento. Da ciência do Despacho pela PFN Cientificada a PFN, a mesma apresentou contra razões ao recurso especial, requerendo que seja negado provimento, uma vez que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório a seu encargo, é imperiosa a manutenção do acórdão recorrido. Da decisão do Recurso Especial Levado a julgamento o presente Recurso Especial pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na data de 16/05/2017, Acórdão nº 9303005.093, por unanimidade de votos, dele tomou conhecimento e no mérito deulhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise do mérito do recurso voluntário, afastando a preclusão das provas. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10166.908087/200972 Acórdão n.º 3001000.273 S3C0T1 Fl. 6 5 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Com base nas decisões acima apresentadas, incorridas no presente processo, ficou superada a preclusão de provas no processo administrativo tributário na forma como conduzido pela recorrente em seu recurso voluntário. Da mesma forma é de se reconhecer como válida a DCTF retificadora para fins de análise e posterior homologação dos créditos pretendidos. Portanto, em cumprimento ao dispositivo de sentença prolatada pela CSRF, procedese a análise de mérito do recurso voluntário, que restou prejudicada na decisão contida no acórdão proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Em primeiro plano surgiu a apresentação de DCTF retificadora que tratou de acertar os corretos valores devidos de PIS e COFINS para o período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006. Por ter sido apresentada, a DCTF retificadora, em data posterior a emissão do Despacho Decisório, a DRJ/BSB – 4ª Turma sustentou que essa simples entrega, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior; que incumbe ao sujeito passivo fazer a demonstração das provas que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Esse fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10166.908087/200972 Acórdão n.º 3001000.273 S3C0T1 Fl. 7 6 prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis e fiscais, DIPJ, que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. A premissa menor que compõe a ementa do acórdão do Recurso Especial, tratado nesse processo, resume com precisão a questão que envolve a apresentação de prova no processo administrativo tributário, “verbis”: Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10166.908087/200972 Acórdão n.º 3001000.273 S3C0T1 Fl. 8 7 quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentadas ao contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Merece ser reproduzido aqui, por oportuno, parte em destaque dos fundamentos do acórdão do Recurso Especial que determinou a análise de mérito nos presentes autos: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. O fato material que resultou em revisão de base de cálculo do PIS/COFINS, diz respeito a não exclusão do total de suas vendas mensais realizadas no período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, dos valores correspondentes às saídas de produtos enquadrados no regime MONOFÁSICO de tributação, instituído pela Lei 10.147/2000. Tal regime consiste em mecanismo semelhante à substituição tributária, pois atribui a um determinado contribuinte a responsabilidade pelo tributo devido em toda cadeia produtiva ou de distribuição subsequente. O art. 2º da Lei 10.147/2000 define que: “São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador”. Com respaldo nessa previsão legal a recorrente sustentou em sua manifestação de inconformidade, que realizou grande volume de vendas de Chopp, cervejas e refrigerantes, sujeitos ao regime monofásico e que efetivamente foram tributados pelo regime normal de incidência do PIS/COFINS. A revisão de cálculo dessas contribuições é que Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10166.908087/200972 Acórdão n.º 3001000.273 S3C0T1 Fl. 9 8 redundou em saldo credor pelo pagamento a maior que o devido e objeto dos pedidos de compensação via PER/DCOMP. As DCTFs retificadoras nada mais representam, conforme os argumentos de defesa, do que o repasse ao fisco dos corretos valores devidos de PIS e COFINS do período antes mencionado. Caso a unidade julgadora de primeiro grau tivesse remetido os autos a unidade de origem para que promovesse a análise das DCTFs retificadoras, talvez o deslinde do litígio tivesse outro rumo. As razões recursais reforçam essa tese com a juntada de provas que evidenciam as operações com produtos enquadrados no regime monofásico, planilhas e livros fiscais, plenamente vinculados ao objeto da recorrente. Não reconhecer a análise de mérito de todas as operações realizadas pelo sujeito passivo para o período que deu causa ao levantamento do crédito pleiteado, é incorrer em cerceamento do amplo direito de defesa, desrespeito ao princípio da verdade material e o da moralidade que rege os atos da Administração Pública, em não impedir exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.000525/2010-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, examinando-se o paradigma não analisado, com posterior retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. Votou pelas conclusões a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, examinandose o paradigma não analisado, com posterior retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. Votou pelas conclusões a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .0 00 52 5/ 20 10 -1 5 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13864.000525/201015 Resolução nº 9202000.177 CSRFT2 Fl. 439 2 PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 13864.000512/201038 37.291.7162 (AI 34) Obrig. Acessória Liquidado 13864.000509/201014 37.311.3722 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial 13864.000513/201082 37.311.3730 (Emp.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000511/201093 37.311.3749 (AI 69) Obrig. Acessória Agravo 13864.000510/201049 37.311.3757 (AI 38) Obrig. Acessória Liquidado 13864.000508/201070 37.311.3765 (AI 22) Obrig. Acessória Recurso Especial 13864.000534/201006 37.311.3773 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000525/201015 37.311.3781 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000536/201097 37.311.3790 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000519/201050 37.311.3803 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000522/201073 37.311.3811 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000520/201084 37.311.3820 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000518/201013 37.311.3838 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000517/201061 37.316.8195 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000528/201041 37.316.8209 (Emp. e SAT) Obrig. Principal REsp do Cont. não admitido 13864.000527/201004 37.316.8217 (Seg.) Obrig. Principal Liquidado 13864.000526/201051 37.316.8225 (Terceiros) Obrig. Principal Liquidado 13864.000523/201018 37.316.8233 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000521/201029 37.316.8241 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000524/201062 37.316.8250 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000516/201016 37.316.8268 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000515/201071 37.316.8276 (Seg.) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000514/201027 37.316.8284 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 13864.000535/201042 37.318.2872 (Emp.) Obrig. Principal Recurso Especial Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13864.000525/201015 Resolução nº 9202000.177 CSRFT2 Fl. 440 3 O presente processo trata do Debcad 37.311.3781, referente às Contribuições Sociais incidentes sobre as remunerações de empregados a serviço da autuada, destinadas a Terceiros, relativas ao período de 01/2007 a 04/2007. Nos termos do Relatório Fiscal, a Contribuinte informou código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social 566, quando o correto seria 515. Em conseqüência, informou código de Terceiros 0099, quando o correto seria 0115, deixando de recolher valores a título de Contribuições Previdenciárias destinadas ao SENAC e SEBRAE. Em sessão plenária de 17/04/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301003.471 (efls. 273 a 279), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/04/2007 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO GERADOR. É nulo o auto de infração carente de comprovação, pelo Fisco, da ocorrência do fato gerador, por incorrer em vício material." A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal." O processo foi encaminhado à PGFN em 22/08/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 787 do processo 13864.000534/201006) e, em 23/09/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 280 a 291 (Despacho de Encaminhamento de efls. 836 do processo principal). O apelo está fundamentado no arts. 67 e 68, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visava rediscutir os seguintes pontos: inexistência de nulidade no lançamento; se nulidade houve, tratase de vício formal e não material. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, unicamente em relação à questão da natureza do vício, conforme Despacho de Admissibilidade de 16/09/2015 (efls. 328 a 332), que foi mantido pelo Despacho de Reexame de efls. 333/334. Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional alega: ao qualificar o lançamento como o “procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente”, o CTN exigiu que o lançamento, formalizado por meio de Auto de Infração, NFLD, dentre outros, exponha o fato Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13864.000525/201015 Resolução nº 9202000.177 CSRFT2 Fl. 441 4 gerador da obrigação correspondente, i. e., as circunstâncias fáticas que, subsumidas à legislação tributária, têm o condão de fazer surgir uma obrigação de pagar tributo ou penalidade pecuniária; não se pode negar, contudo, a distinção entre o fato que levou ao lançamento e a descrição desse mesmo fato pelo agente do Fisco; o primeiro, o fato em si, materialmente considerado, é o motivo do lançamento, é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato; é, pois, a situação do mundo empírico que deve ser tomada em conta para a prática do ato; o segundo, a descrição do motivo pelo agente, é o relato, em documento próprio, dos motivos que culminaram na autuação, e a essa descrição a doutrina chama de motivação (cita doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello, bem como jurisprudência do CARF); vêse, assim, que motivo e motivação, a despeito de estarem intimamente ligados, têm natureza diametralmente opostas: um (o motivo) tem natureza material, enquanto o outro (motivação) natureza formal; nesse passo, em se verificando que o motivo alegado não existe, ou que, à luz da legislação, não gera os efeitos pretendidos, terseá vício de ordem material; por outro lado, em se constatando deficiência na descrição dos fatos pelo fiscal, de modo a prejudicar a defesa do contribuinte ou a dificultar a adequada compreensão do ocorrido, terseá vício de ordem formal; verificase, pois, que o problema apontado pelos julgadores para anular o auto de infração por suposto vício material diz respeito à suposta falta de elementos para enquadrar a atividade exercida pela contribuinte no código FPAS 515; em que pese se entenda desnecessária tal informação, em razão da presunção de veracidade dos atos públicos, resta claro que a apontada deficiência pode ser facilmente sanada com a baixa dos autos em diligência para esclarecimentos da fiscalização e coleta de documentos; o vício, portanto, se existente, diz respeito apenas à formalização do lançamento, plenamente passível de correção; evidente, pois, que o Colegiado a quo considerou deficitária a motivação do auto de infração, razão pela qual decidiu pela anulação do lançamento; à luz de todo o exposto, se o vício é relacionado à motivação, falase em vício formal, razão pela qual, se houver de ser declarada nulidade no caso in foco, isso deve ocorrer em face de vício formal, e não por vício material, resguardandose, assim, o teor do art. 173, II, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja reconhecida a nulidade por vício formal. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 29/02/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 13864.000525/201015 Resolução nº 9202000.177 CSRFT2 Fl. 442 5 346), a Contribuinte, em 15/03/2016, ofereceu as Contrarrazões de efls. 347 a 366 (protocolo de efls. 347), contendo os seguintes argumentos: Da negativa de seguimento do Recurso Especial por falta de comprovação de requisito de admissibilidade quanto ao acórdão paradigma n° 20309.332, a Contribuinte, ao analisar seu inteiro teor, constatou que as informações nele presentes são insuficientes para identificar a situação fática discutida, dificultando, assim, a verificação da similitude entre o vício constatado no acórdão recorrido e no paradigma; ainda assim, a Contribuinte tentou identificar a suposta similitude da situação fática alegada pela recorrente e verificou que, no acórdão paradigma, não se discute a ausência de demonstração da ocorrência do fato gerador, como no presente caso, mas a ausência da indicação da norma a que está submetida a entidade sem fins lucrativos, quando da suspensão do benefício, para que dela seja exigido crédito tributário a título de Cofins; portanto a falta de vinculação da descrição dos fatos com a norma jurídica (ausência de tipificação do lançamento), verificada no Acórdão n° 20309.332, não guarda semelhança com a ausência de comprovação do fato gerador das contribuições destinadas a terceiros, como ocorreu no presente caso, e, por isso, não se pode considerar que o entendimento pela nulidade do lançamento, por vício formal, seria aplicável, indistintamente, a qualquer um dos dois casos; sendo assim, se o que se busca por meio do recurso em questão é definir, diante de dois entendimentos opostos sobre a mesma situação, qual é o "melhor" ou o "mais correto" a ser adotado, não pode ser admitido o apelo fazendário, justamente porque não há que se falar em entendimentos opostos, quando se compara casos distintos; nesse passo, embora o recurso especial interposto tenha sido admitido, é de rigor que seja revista a presença do requisito de admissibilidade, no que tange à necessária constatação de que o acórdão recorrido tenha dado interpretação à lei tributária diversa daquela dada por outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF, já que manifestamente ausente. Do Mérito a princípio, mister esclarecer que, no caso em tela, a recorrente pretende que a desconsideração, pela Autoridade Autuante, do enquadramento feito pela Contribuinte no código FPAS 566, com o novo enquadramento no Código FPAS 515, sem qualquer justificativa ou embasamento na legislação vigente à época, seja considerado mero vício formal do lançamento, passível de ser sanado; ora, limitouse a Autoridade Administrativa a enquadrar a Contribuinte no Código FPAS 515, que traz listadas inúmeras atividades econômicas, sem indicar em qual daquelas atividades enquadrarseia a Contribuinte; bem verdade que tal tarefa seria impossível, já que inexiste qualquer similitude ou aproximação entre a atividade de teleatendimento e qualquer daquelas listas sob esse código; Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13864.000525/201015 Resolução nº 9202000.177 CSRFT2 Fl. 443 6 aliás, a própria Autoridade Administrativa reconhece isso, ao afirmar que a Contribuinte deveria enquadrarse no código em cujo ramo estaria inserida a atividade por ela desenvolvida, qual seja, de Call Center e outras direcionadas ao auxílio no ramo empresarial em cobrança de seus créditos, propaganda e outros serviços, atividade essa não descrita no Código FPAS 515; nesse ponto, o Código Tributário Nacional é peremptório ao prescrever que a Administração Fiscal deve comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo objeto de um lançamento fiscal, nos termos do que determina o artigo 142, do CTN; destarte, compete à Fiscalização efetuar o lançamento, e para tanto deve, obrigatoriamente, verificar e demonstrar a efetiva ocorrência da hipótese de incidência, inclusive com a descrição do fato que a realizaria e a apresentação de todos os elementos de prova para sua demonstração; a simples exigência fiscal, destituída desses elementos obrigatórios, leva à nulidade do lançamento pela ocorrência de vício material, o qual cerceia o direito de defesa do Contribuinte; assim, quando a descrição do fato não é capaz de identificar sua ocorrência, se está diante da falta de algum elemento material necessário para gerar a obrigação tributária e, portanto, o crédito dele decorrente é duvidoso, e isso é o que caracteriza a ocorrência de vício material (cita jurisprudência do CARF); portanto, é notório que, nos presentes autos, se está diante de vício material, haja vista que a Fiscalização sequer se deu ao trabalho de tentar enquadrar a atividade desenvolvida pela Contribuinte em alguma das atividades elencadas sob o Código 515 na Tabela de Códigos FPAS vigente no ano de 2007, não comprovando, assim, a ocorrência do fato gerador; e isso sequer poderia ser diferente, uma vez que a atividade de call center (ou teleatendimento) desenvolvida pela Contribuinte, repitase, jamais poderia ser enquadrada sob o referido Código FPAS 515, vigente para o exercício de 2007, que abarcava as seguintes atividades, dentre outras: Comércio Atacadista, Comércio Varejista, Agente Autônomo de Comércio, Comércio Armazenador, Comércio Transportador, Revendedor, Retalhista de Óleo Diesel, Óleo Combustível e Querosene, Empresa e Serviços de Processamento de Dados, Consórcio, AutoEscola, Partido Político, etc. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13864.000525/201015 Resolução nº 9202000.177 CSRFT2 Fl. 444 7 O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O apelo visa rediscutir a natureza do vício de nulidade do lançamento. Tratase de Auto de Infração Debcad 37.311.3781, referente às Contribuições Sociais incidentes sobre as remunerações de empregados a serviço da autuada, destinadas a Terceiros, relativas ao período de 01/2007 a 04/2007. Nos termos do Relatório Fiscal, a Contribuinte informou código FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social 566, quando o correto seria 515. Em conseqüência, informou código de Terceiros 0099, quando o correto seria 0115, deixando de recolher valores a título de Contribuições Previdenciárias destinadas ao SENAC e SEBRAE. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte alega inexistência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. A matéria que teve seguimento à Instância Especial diz respeito à natureza do vício, se formal ou material, sendo que a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nºs 20309.332 e 20601.026. Conforme o Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial de fls. 845 a 849, o seguimento do apelo se deu mediante a análise apenas do primeiro deles. Confirase: "Neste caso, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e no primeiro paradigma (nº 20309.332), motivo pelo qual entendo que está configurada a divergência jurisprudencial apontada pela Fazenda Nacional. De fato, em ambas as situações verificase que houve insuficiência na descrição dos fatos, ocasionando incerteza quanto à sua ocorrência. Contudo, no acórdão recorrido decidiuse pela nulidade por vício material, enquanto no acórdão paradigma concluiuse pela nulidade por vício formal. Diante do exposto, com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, quanto à matéria: (b) nulidade por vício formal X nulidade por vício material." (destaques no original) No caso do acórdão recorrido, conforme o voto condutor, a Fiscalização teria atribuído à Contribuinte, cujo ramo de atividade é de teleatendimento, o código FPAS 515 para os períodos de 2007, aplicando a IN RFP nº 785, que somente entrou em vigor em janeiro de 2008. O código adotado pela empresa em 2007 foi o 566. Confirase: "Afirma a Recorrente que, em 2007, período de apuração do presente auto, o enquadramento no código FPAS era efetuado pela própria empresa, a qual, por sua vez,considerando a atividade exercida, escolheu o código 566. Aduz ainda que, apenas com versão da Tabela de Códigos FPAS trazida pela IN RFP nº 785/2007, houve alteração significativa na forma de enquadramento das empresas nos respectivos Códigos FPAS e, a partir de 02 de janeiro de 2008, a atividade de teleatendimento passou a ser expressamente listada na tabela de Códigos FPAS, seguindo o código 515. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13864.000525/201015 Resolução nº 9202000.177 CSRFT2 Fl. 445 8 Ocorre que, à época, o enquadramento no FPAS era de fato designado à responsabilidade da empresa. Contudo, a Recorrente optou pelo código 566, código este que a excluía da obrigação de recolher determinadas contribuições, a exemplo das destinadas ao SENAC e SEBRAE. Ora, o FPAS tem como finalidade precípua a de indicar as obrigações tributárias das empresas, de modo que a informação ao Fisco do número correspondente já indica as diversas obrigações principais e acessórias a que a empresa está submetida, permitindo, inclusive, apurar o valor da contribuição devida. Ainda que coubesse à empresa escolher o FPAS, evidentemente que esse número não poderia ser aleatório, pois a empresa teria a seu favor um 'cheque em branco' para se submeter ao regime jurídico que bem entendesse. Nesse caso de inexistência de previsão expressa da atividade da empresa no rol dos FPAS, caberia a esta identificar aquele em que seu regime jurídico se enquadraria, o que, segundo o Fisco, foi feito pela empresa de forma equivocada, levandoa a ser autuada. Ocorre que, conforme se observa do procedimento fiscal, em momento algum se verifica a fundamentação da autoridade fiscal para o enquadramento da atividade da Recorrente no código 515, ao invés do código 566 adotado pela empresa." Quanto ao único paradigma analisado para a matéria em tela Acórdão nº 203 09.332 a Fazenda Nacional levou a cabo o seguinte cotejo: Acórdão recorrido “No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material (..)”(destaques da Recorrente) Paradigma Acórdão nº 20309.332 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMUNIDADE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento de vício insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio." (destaques da Recorrente) Fl. 445DF CARF MF Processo nº 13864.000525/201015 Resolução nº 9202000.177 CSRFT2 Fl. 446 9 O cotejo dos trechos acima não permite que se conheça os vícios que estão sendo cotejados, o que é de fundamental importância, quando se está tratando exatamente da natureza desses defeitos. Resta então perquirir, mediante a análise do inteiro teor do paradigma, se a situação nele tratada confirmaria ou inviabilizaria a possibilidade de comparação com o acórdão recorrido. Confirase: "Por se tratar de matéria envolvendo a imunidade da COFINS, há de se observar a independência deste processo em relação ao Processo de n° 13133.000025/9962 (Imposto de Renda e CSLL), o qual foi julgado em Sessão de 11 de junho de 2003, por meio do Acórdão n° 107 07.197, de forma a dar provimento ao recurso voluntário para anular o Ato Declaratório n° 15, de 27 de março de 2002, que suspendera a imunidade. Reitero que a independência deste se justifica porque os tributos são essencialmente diferentes em sua materialidade e em seus pressupostos legais. Compulsando os autos, verifico que a fundamentação no artigo 32 da Lei n° 9.430/96 não diz respeito à COFINS, objeto do presente processo administrativo, ainda que a suspensão da imunidade, operada por ato administrativo, possa servir como subsidio para aplicabilidade do direito. (...) Em se tratando da COFINS, há de se observar que o comando legal inserido está originariamente no artigo 195, § 7°, da Constituição Federal. Em decorrência, reitero que o lançamento é um ato declaratório da obrigação tributária, devendose reportar à legislação específica do tributo em análise. Pela independência da COFINS, os atos praticados, ou faltas cometidas, devem, obrigatoriamente, ser descritos no auto específico da contribuição e regidos pela lei do tempo em que foram praticados. Estas considerações preliminares são importantes, sobretudo no tocante à prova, pois "a prova" regida pelo direito substantivo há de se ater aos fatos trazidos no processo e com estes ter dependência. Não há como tratar a COFINS como decorrente do IR porque assim não o quis o legislador. (...) Em verdade, o agente fiscal pode e deve efetuar o ato administrativo do lançamento de acordo com as razões de seu livre convencimento, todavia, deve explicitar as razões que o levaram a adotar este ou aquele procedimento, de maneira que seu procedimento não se configure em arbítrio; logo, imprescindível, indicar, na descrição dos fatos, os motivos que lhe formaram o convencimento, sem se reportar a outro procedimento fiscal como prova única de suas argumentações. Ressaltese que essa exigência tem implicação substancial e não meramente formal. No mais, em se tratando de pessoa jurídica de fins não lucrativos, não basta, portanto, a autoridade julgadora dizer que houve falta de pagamento e reportarse a artigos genéricos da lei, como se fosse uma pessoa jurídica comum, eis que necessário, sob pena de nulidade, a exteriorização da base fundamental do procedimento." Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13864.000525/201015 Resolução nº 9202000.177 CSRFT2 Fl. 447 10 Destarte, constatase que o vício ocorrido, no caso do paradigma, foi a consideração, por parte da Fiscalização, de que um processo de exigência de Cofins seria decorrente de um outro processo de IRPJ, sem colacionarse os fundamentos e provas específicos do caso concreto (Cofins) mas sim adotandose os elementos do outro processo (IRPJ). Quanto ao acórdão recorrido, reiterase que o vício consistiria na ausência de fundamentação, na autuação, para a atribuição de código de FPAS que somente teria sido especificado pela Administração Tributária após a ocorrência do fato gerador. Ressaltese que esse ponto restou incontroverso, já que não se verificou a oposição de Embargos de Declaração por parte da Fazenda Nacional. Assim, os vícios relatados não possuem a necessária similitude, a ponto de estabelecerse divergência jurisprudencial, exatamente no que tange à natureza do defeito se formal ou material. Com efeito, não há como discutirse a natureza do vício, quando os defeitos em confronto não demonstram similaridade. Destarte, esse primeiro paradigma não se presta a demonstrar a alegada divergência. Ocorre que, relativamente à matéria que teve seguimento se nulidade houve, tratase de vício formal e não material esse julgado foi o único a ser analisado no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, sendo que também foi indicado como paradigma para essa matéria o Acórdão nº 20601.026. Diante do exposto, tendo em vista que o primeiro paradigma não pode ser considerado apto a demonstrar a alegada divergência, voto pela conversão do julgamento em diligência à Câmara recorrida, para complementação da análise de admissibilidade do Recurso Especial, examinandose o paradigma não analisado, com posterior retorno dos autos a esta Relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 447DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.688795/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.214
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente de análise de PER/DCOMP não homologada pela unidade local da RFB face a inexistência do direito creditório pleiteado. O Despacho Decisório consignou que os pagamentos informados como suposta origem do PER/DCOMP encontravamse integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde defende a existência de seu direito creditório, alegando que o mesmo pode ser confirmado em vista de suas declarações retificadoras (DIPJ e DCTF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 88 79 5/ 20 09 -1 4 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.688795/200914 Resolução nº 3402001.214 S3C4T2 Fl. 163 2 A decisão da DRJ julgou improcedente a aludida manifestação, o que motivou a recorrente a interpor, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em manifestação de inconformidade, bem como apresentou novos documentos fiscais no sentido de comprovar a existência do crédito vindicado. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.213, de 30 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.688794/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.213: 4. Em suma, a presente discussão gravita em torno de um único ponto: existir ou não prova suficiente do crédito do contribuinte. 5. Segundo o despacho decisório que denegou a compensação almejada, os créditos apontados pelo contribuinte já teriam sido consumidos para a quitação de outros débitos apontados em DCTF. 6. Por sua vez, em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte aventou que o comprovante de pagamento de fl. 21, aliado com a DIPJ e a DCTF (ambas retificadoras) acostadas, respectivamente, as fls. 22/56 e 57/123, atestariam a validade material do aludido crédito. 7. Não obstante, o acórdão recorrido pautou o indeferimento da compensação vindicada nos seguintes termos: (...). 8.2. O sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do crédito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal, como documental. A apresentação de DCTF retificadora, por suposto erro de preenchimento na anterior, não é suficiente, neste momento do rito processual, para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.688795/200914 Resolução nº 3402001.214 S3C4T2 Fl. 164 3 lhe dão sustentação. Transcrevese, a seguir, o art. 170 do CTN, onde está estipulado que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos: (...). 8. Ao interpor seu recurso e em resposta ao fundamento da DRJ, o contribuinte trouxe aos autos cópias dos seus livros razão (fls. 152/157) e diário (fls. 158/161) que, prima facie, comprovariam a existência do crédito aqui debatido. 9. Diante deste cenário fáticojurídico e, ainda, levando em consideração o princípio da verdade material1 que conforma o processo administrativo tributário, é salutar que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. 10. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda 1 Neste momento convém aqui abrir um parêntese para afirmar que quando se apregoa o sobredito princípio da verdade material não se faz no sentido de equiparar este importante valor normativo a uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em processos administrativos fiscais. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.688795/200914 Resolução nº 3402001.214 S3C4T2 Fl. 165 4 (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluídas estas providências, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720512/2015-38
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PAGAMENTO OU CRÉDITO. PL DE ANOS-CALENDÁRIO ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. VIOLAÇÃO.
Os juros sobre o capital próprio, calculados sobre o patrimônio líquido de anos-calendário anteriores ao pagamento ou crédito dessa remuneração, constituem violação ao regime de competência.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
Numero da decisão: 9101-003.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PAGAMENTO OU CRÉDITO. PL DE ANOS-CALENDÁRIO ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. VIOLAÇÃO. Os juros sobre o capital próprio, calculados sobre o patrimônio líquido de anos-calendário anteriores ao pagamento ou crédito dessa remuneração, constituem violação ao regime de competência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
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PAGAMENTO OU CRÉDITO. PL DE ANOSCALENDÁRIO ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. VIOLAÇÃO. Os juros sobre o capital próprio, calculados sobre o patrimônio líquido de anoscalendário anteriores ao pagamento ou crédito dessa remuneração, constituem violação ao regime de competência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 12 /2 01 5- 38 Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 569 2 Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial em face do acórdão nº 1402002.363, interposto por JS ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS S/A, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. EXERCÍCIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE A faculdade para pagamento ou crédito de JCP deve ser exercida no ano calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes restrita aos juros relativos ao ano da referida apuração, sem incluir encargos de períodos anteriores por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que no plano da contabilidade fiscal caracterizase como regime de competência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.“ De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido: a) A contabilização no períodobase de incidência é condição de dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio; b) a apropriação tardia prova a distribuição de lucros acumulados e não de juros sobre o capital próprio. Sendo, portanto, uma faculdade criada pela lei, o fato de não ser exercida, ao final do período de apuração, significa que a sociedade designou integralmente o lucro apurado como remuneração deste capital, Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 570 3 estipulando dividendos a pagar ou mantendo este valor em conta de reservas de lucros ou lucros acumulados para posterior distribuição; c) a constituição da obrigação de pagar juros sobre o capital próprio é possível enquanto a sociedade tem o direito de destacar do resultado do exercício a parcela que corresponderia à remuneração do capital próprio, em razão dos juros incorridos no período de tempo em que apurado aquele resultado. Depois de tributados os lucros, e destinados, integralmente, ao patrimônio líquido da entidade, a opção não pode mais ser exercida; d) de acordo com o artigo 177 da Lei nº 6.404/1976, o registro das mutações patrimoniais pelo regime de competência constitui regra geral a ser observada na interpretação e aplicação das demais normas contábeis e fiscais, relativas às pessoas jurídicas em geral e, em especial, àquelas constituídas sob a forma de sociedade. Uma vez que o art. 9º da Lei nº 9.249/95 é silente sobre qual o regime de apropriação da despesa com JCP deverá ser adotado, é de se concluir, necessariamente, que deverá ser empregado o regime de competência, pois, se a lei desejasse excepcionálo, deveria estabelecer, expressamente, a apropriação pelo regime de caixa; e) do ponto de vista tributário, a situação apresentase como se o sócio tivesse "emprestado'' dinheiro à sociedade e recebesse juros desta, recebendo tal circunstância, em razão do princípio da igualdade, igual tratamento ao que é dado às pessoas jurídicas que se valem de financiamento de terceiros; f) em outras palavras, tratase de despesa pelo uso do dinheiro investido na pessoa jurídica. E, segundo o regime da competência, as despesas pelo uso do dinheiro devem ser apropriadas ao longo dos períodos em que for utilizado esse dinheiro. Ciência da decisão recorrida no dia 15/05/2017, à efl. 409. Oposição de Embargos de Declaração às efls. 412/417, porém rejeitados, às efl. 423/424. Ciência da rejeição dos Embargos de Declaração no dia 31/07/2017, à efl. 430. Recurso Especial do contribuinte interposto no dia 14/08/2017, às efl. 432/433. Nessa oportunidade, aduziu o seguinte: A) quanto aos juros sobre o capital próprio (JCP): 1) o acórdão nº 1301001.891 reconheceu a dedutibilidade dos JCP calculados sobre o patrimônio líquido de período anterior, em divergência com o acórdão recorrido; 2) o acórdão recorrido manifesta que a lei não permite que os JCP incidam sobre o PL de períodos anteriores. Já a decisão Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 571 4 paradigmática acima afirma claramente que não há nenhuma restrição legal ao pagamento ou crédito de JCP aos acionistas referentes aos anoscalendário anteriores; 3) também o acórdão paradigma nº 1801001.128 reconheceu a possibilidade de a pessoa jurídica deduzir JCP calculados sobre as contas de PL de períodos de apuração anteriores; 4) a lei não estabeleceu prazo para o pagamento ou crédito dos JCP; 5) se dúvida houvesse a respeito do direito da possibilidade de se deduzir os JCP pagos acumuladamente/retroativamente, deverse ia aplicar o art. 112 do CTN; 6) equivocase a Fiscalização ao entender que a IN SRF nº 11/1996, teria extrapolado sua competência, acabando por inovála, em flagrante desrespeito ao princípio da estrita legalidade; 7) conforme dispõe o Parecer Normativo CST nº 58/1977, contemporâneo à Lei nº 6.404/1976 e ao Decretolei nº 1.598/1977, e que até hoje informa o conceito, o regime de competência “costuma ser definido, em linhas gerais, como aquele em que as receitas ou despesas são computadas em função do momento em que nasce o direito ao rendimento ou a obrigação de pagar a despesa”; 8) nesse sentido, a despesa com o pagamento dos JCP somente é incorrida pela sociedade quando houver deliberação dos sócios e/ou acionistas e, ainda, sob a condição de haver efetivo pagamento ou crédito dos juros, que, no caso concreto, ocorreu em 2010 e 2011, quando a recorrente deduziu os valores referentes aos JCP; 9) como o pagamento dos JCP é uma faculdade da sociedade, só existe a obrigação incorrida com a efetiva deliberação e pagamento ou crédito dos JCP; 10) o que a recorrente pleiteia é a correta aplicação do artigo 9º da Lei nº 9.249/1995, que não estabeleceu qualquer limite temporal para o pagamento de JCP calculados em determinado período, podendo ser pagos em períodos subsequentes, quando passariam a ser dedutíveis para fins do IRPJ e da CSLL, como aconteceu no caso concreto; 11) a exigência do artigo 29 da IN SRF nº 11/1996 milita exatamente a favor do entendimento da recorrente, ou seja, o JCP será dedutível no período em que este for deliberado e pago ou creditado aos acionistas, em respeito, justamente, ao princípio da competência; Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 572 5 12) na remota hipótese de se entender que os pagamentos realizados pela recorrente desobedeceram ao regime de competência, ainda assim não prosperam os lançamentos, pois, a teor do artigo 273 do RIR/1999, somente constitui fundamento para o lançamento de imposto ou diferença de imposto (atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar), se da inobservância do regime de competência resultar postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido, ou redução indevida do lucro real em qualquer períodobase; 13) entretanto, o pagamento retroativo de JCP não se enquadra nessa hipótese, justamente porque há a antecipação – e não postergação – do imposto devido, na medida em que a pessoa jurídica opta por deduzir em exercícios subsequentes despesas financeiras que já poderiam ter sido reduzidas do lucro tributável em anos calendário anteriores, caso tivesse optado pela deliberação do pagamento do JCP naquela época; 14) por isso, caso se entenda que a despesa não é referente ao ano calendário da deliberação do pagamento dos JCP (2010 e 2011), mas que eram referentes a cada anocalendário aos quais foram atribuídos os JCP (2008 a 2011), forçoso concluir que ocorreu mera postergação de despesas, sem qualquer prejuízo para o Fisco; 15) admitindose, apenas para argumentar, que, de fato, houvesse ocorrido, no caso, a infração de que é acusada a recorrente, cumpre salientar que ainda assim não poderia prosperar o lançamento nos moldes gravados pela autoridade autuante; 16) nos termos do que sustentou a referida autoridade no Termo de Verificação Fiscal, a não contabilização da despesa de JCP nos períodos 2008 e 2009, e sua “postergação” para períodos subsequentes, trouxeram prejuízo ao Erário, tornandose necessário apurar sua repercussão tributária. Assim, procedendo aos ajustes que entendeu necessários, a autoridade autuante apurou, ano a ano, o IRPJ e a CSLL devidos, conforme tabelas e cálculos às fls. 145/147 dos autos; 17) ocorre que, conforme cálculos da própria autoridade, a alocação da despesa de JCP no valor de R$ 116.522.437,40, no ano calendário 2008, e no valor de R$ 39.327.142,25, no ano calendário 2009, gerou saldo de prejuízo fiscal e bases de cálculos negativas de CSLL que não foram aproveitados pela Recorrente (a saber: prejuízo fiscal de R$ 113.574.969,04, no anocalendário de 2008, e de R$ 119.864.314,77 no anocalendário de 2009; base de cálculo negativa de CSLL de R$ 113.574.969,04, no ano calendário de 2008, e de R$ 119.864.314,77, no anocalendário de AC 2009); Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 573 6 18) ora, os prejuízos fiscais e as bases negativas, quando existentes, podem e devem ser compensados não somente por opção do contribuinte quando da entrega da declaração de rendimentos, mas sempre que for possível nos casos de lançamento de ofício; exatamente por isso, em seus cálculos, a autoridade autuante já compensou parte do saldo de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa apurada nos anoscalendário de 2010 e 2011 (nos valores de R$ 94.469.314,71 e R$ 5.561.255,80 para IRPJ e de R$ 94.435.298,60 e R$ 5.819.291,06 para CSLL); 19) porém, o direito a compensação/restituição dos valores restantes deve ser garantido à recorrente, para aproveitamento nos anos calendário seguintes (períodos não abrangidos pela autuação); 20) além disso, consoante cálculos da autoridade autuante, os recolhimentos de IRPJ e de CSLL efetuados pela recorrente, no Ajuste Anual do anocalendário de 2008, mostraramse indevidos (a saber: R$ 710.739,98 pagos a título de IRPJ e R$ 264.506,39 pagos a título de CSLL). Logo, não obstante a matéria tributável porventura detectada pela autoridade autuante, é imprescindível que se promova de ofício a compensação dos valores indevidamente recolhidos; 21) vale lembrar que, os valores pagos a maior não poderão ser objeto de pedido de restituição/compensação por meio de PER/DCOMP, posto que passados mais de 5 (cinco) anos da sua apuração. Assim, caso não se promova a absorção desse crédito na composição do valor exigível da autuação, a recorrente não terá outros meios de reaver os valores indevidamente pagos, configurando enriquecimento ilícito por parte do Erário; 22) pelo exposto, na remota hipótese de serem julgados procedentes os autos de infração combatidos, deve ser garantido à recorrente o direito à compensação/restituição: (i) dos recolhimentos indevidamente realizados no anocalendário 2008; (ii) e dos saldos de prejuízo fiscal e bases de cálculo negativa de CSLL apurados nos anoscalendário de 2008 e 2009, conforme valores apontados pelos cálculos da própria autoridade autuante, às fls. 145/147 do TVF; 23) ademais, se não há previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito, no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP, pois a renúncia, no Direito Privado, deve ser interpretada de forma restrita, é desarrazoado afirmar que o silêncio do acionista deve ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários; 24) não há qualquer dispositivo da lei comercial que obrigue a sociedade a deliberar sobre os JCP no encerramento do ano calendário. Essa obrigação só existe, por força do artigo 132 da Lei nº. 6.404/1976, para o lucro líquido e para os dividendos. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 574 7 Entretanto, como se sabe, os JCP não se equiparam a dividendos e, ainda que se equiparassem, a Lei nº 6.404/76 estabelece expressamente que os lucros que deixarem de ser distribuídos (por inviabilidade momentânea do seu desembolso) poderão ser distribuídos de forma extemporânea, por meio de deliberação posterior; 25) nesse diapasão, também importa dizer que § 7º do artigo 9º da Lei nº 9.249/1995 permite que os JCP sejam imputados ao valor dos dividendos obrigatórios de que trata o artigo 202 da Lei nº 6.404/76; por outro lado, o artigo 202, § § 4º e 5º, autoriza a Assembléia Geral a postergar o pagamento dos dividendos quando os órgãos da administração lhe informarem ser ele incompatível com a situação financeira da companhia, desde que registrados como reserva especial, situação em que os dividendos postergados deverão ser pagos assim que a situação financeira da companhia permitir, se os lucros não forem absorvidos por prejuízos em exercícios subseqüentes; 26) assim, dúvidas não remanescem quanto ao fato de que os acionistas presentes em assembléia podem, a qualquer momento, deliberar sobre os JCP, ainda que para períodos pretéritos, desde que observados os requisitos e limites de dedução impostos pela legislação; 27) a deliberação em período posterior não significa retificação ou modificação das deliberações das assembléias antigas, que continuam válidas e vigentes. Ocorre apenas que, em período posterior, foi deliberado algo que não foi objeto das assembléias anteriores; 28) por fim, vale lembrar, ainda, que os lucros, assim como os JCP, constituem uma remuneração dos acionistas em razão dos investimentos realizados na sociedade e devem levar em consideração o exercício social da empresa, que pode não coincidir com o exercício fiscal. B) Quanto aos juros sobre a multa de ofício: 1) não há no ordenamento jurídico nada que justifique a incidência de juros sobre a multa de ofício; 2) o entendimento que se extrai do acórdão recorrido é no sentido de que a intenção do legislador ordinário foi a de excluir a incidência do juros de mora apenas e tão somente em relação à multa de mora, de modo que a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora; 3) em posição diametralmente oposta àquela adotada pelo acórdão recorrido, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 575 8 proferiu o acórdão paradigma n° 910100.722, reconhecendo a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; 4) não bastasse o paradigma acima apontado, também é relevante mencionar o acórdão paradigma nº 3402004.138, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, no qual se estabeleceu a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; 5) pela simples leitura do texto do artigo 61 e §§ da Lei nº 9.430/1996, resta claro que, ao utilizar a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” o legislador somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes da multa de mora; 6) outrossim, o artigo 43 da Lei nº 9.430/1996 vem reforçar o entendimento de que o artigo 61 da Lei nº 9.430/9196 prevê a cobrança de juros unicamente sobre o valor dos tributos e contribuições; 7) se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 incluísse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 acima reproduzido, uma vez que a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do artigo 61; 8) o artigo 61 do CTN distingue as penalidade do crédito tributário, para fins de aplicação dos juros. Portanto, caso a intenção do legislador fosse de que as penalidades estivessem abarcadas pela expressão "crédito", no inicio do dispositivo, não teria dado destaque e tratamento diferenciado para "penalidades" ao final no artigo; 9) logo, a multa, que é uma penalidade (sanção), não pode se confundir com tributo, não sendo cabível a sua atualização monetária pela aplicação de juros moratórios; 10) desse modo, deve ser excluída a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente processo, tendo em vista os argumentos expostos. Por derradeiro, tendo em conta os acórdãos paradigmas citados, requerse o conhecimento do presente Recurso Especial e que, ao final, se lhe dê o devido provimento, reformandose a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, a fim de que sejam cancelados os autos de infração objeto do presente processo. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 576 9 Ciência da PGFN no dia 04/10/2017, à efl. 566. Nessa data, apresentou contrarrazões, com as seguintes alegações: A) Quando aos juros sobre o capital próprio: 1) os resultados, repassados aos sócios sob a forma jurídica de pagamento de juros, tornamse passíveis de dedução, como despesa financeira, da base de cálculo do imposto sobre a renda, resultando em benefício fiscal para pessoa jurídica que opta por pagálos; 2) o artigo 9º da Lei nº 9.249/1995 traz a forma de cálculo destes juros: TJLP pro rata sobre as contas do Patrimônio Líquido; 3) o parágrafo primeiro do artigo 9º, da Lei nº 9.249/1995, por sua vez, estabelece limites que condicionam o pagamento dos JCP. Determina quais os montantes podem ser destinados ao seu pagamento: (a) a 50% (cinquenta por cento) do resultado do exercício ou (b) 50% (cinquenta por cento) dos lucros acumulados ou reserva de lucros; 4) assim, após a determinação do valor pagável a título de JCP, apurado por meio da incidência da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido, sobre este valor incide o parágrafo primeiro como uma trava, correspondente a 50% (cinquenta por cento) dos resultados atuais ou dos resultados passados, desde que devidamente contabilizados nas contas próprias; 5) diante deste arcabouço normativo, o contribuinte defende que pode calcular o valor apto à distribuição como JCP de um dado exercício financeiro, em conformidade com os limites condicionantes previstos no parágrafo primeiro do artigo 9º da Lei nº 9.249/1995, mas não precisa pagar, escriturar ou deliberar sobre as obrigações de pagamento relativas aos JCP no exercício correspondente; 6) segundo aduz, uma vez calculados os valores suscetíveis de distribuição dedutível de JCP em um exercício financeiro, é possível guardar um crédito distribuível/dedutível a título de JCP e utilizálo, posteriormente, em outro exercício financeiro, cujos resultados serão utilizados para o pagamento do JCP; 7) em síntese, o contribuinte defende que: (i) não precisa deliberar a distribuição dos JCP de um exercício financeiro para obter direito a distribuílo (ii) e o JCP pode ser distribuído e, portanto, deduzido, em exercício diverso daquele em função do qual foi calculado; 8) essa interpretação resulta em que, num exercício financeiro, seja possível pagar retroativamente JCP referentes a exercício findo, calculados segundos as contas do PL daquele exercício encerrado (artigo 9º da Lei nº 9.249/1995) e considerando as limitações de resultados deste mesmo exercício encerrado (artigo 9º, parágrafo primeiro, da Lei nº 9.249/1995); 9) essas limitações, ademais, não se comunicam com as limitações do exercício atual. Assim, poderseia pagar o JCP referente a 50% Fl. 576DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 577 10 (cinquenta por cento) do resultado deste anocalendário, mais os montantes de JCP calculados sobre os resultados de exercícios anteriores, independentemente do quanto tais pagamentos representem em relação aos resultados do exercício financeiro sobre o qual se delibera; 10) a pretensão da recorrente não merece acolhida, por absoluta carência de amparo legal. O sujeito passivo escora seu pedido em interpretação do artigo 9º da Lei nº 9.249/95, caput e parágrafo primeiro, que dissente das regras básicas da hermenêutica jurídica; 11) o texto do caput do artigo 9º traz norma que estatui hipótese de dedução de resultado de exercício financeiro. A norma é: o resultado do exercício pode ser deduzido pelo pagamento do JCP; 12) já o parágrafo primeiro do referido artigo restringese a veicular regra limitadora da distribuição de JCP. A regra correspondente é: os JCP podem ser distribuídos até o montante de 50% (cinquenta por cento) do resultado do exercício atual ou 50% (cinquenta por cento) dos lucros acumulados e reservas de lucros; 13) dessas premissas decorre ser imprescindível que haja resultado a ser reduzido por meio do pagamento de JCP, para que se aplique a limitação prevista no parágrafo primeiro. A questão é lógica: na ausência de pagamento de JCP não se pode, por ausência de substrato, fazer incidir a regra limitadora do pagamento de JCP; 14) por consequente, também não há que se falar em dedutibilidade de despesas, sem que haja deliberação pelo pagamento de JCP. Admitir a exegese defendida pelo contribuinte importaria admitir a existência de direito à dedução sem o correspondente resultado a ser reduzido; 15) os juros sobre capital próprio constituem forma privilegiada de remuneração dos sócios com o objetivo de estimular o reinvestimento nas atividades produtivas e, portanto, os limites legais a sua utilização devem ser aplicados sobre os resultados efetivamente destinados ao pagamento de JCP; 16) com efeito, se os limites legais para cálculo de JCP são aplicados sobre resultados diferentes daqueles a serem utilizados para o efetivo pagamento de JCP, significa que aqueles resultados que serviram como parâmetro de cálculo tiveram destinação diversa do pagamento de JCP e, portanto, não se prestaram a “provocar um incremento das aplicações produtivas das empresas brasileiras, capacitandoas a elevar o nível de investimento, sem endividamento, com evidentes vantagens no que se refere à geração de empregos e ao crescimento sustentando da economia”. Assim, deixaria de ser atendido o objetivo da norma em comento; 17) a interpretação propugnada pelo contribuinte, todavia, defende que o parágrafo primeiro do artigo 9º da Lei nº 9.249/95 incida de forma autônoma para permitir creditamento retroativo: quer aplicar, em tese, os limites previstos no parágrafo primeiro considerando os resultados dos Fl. 577DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 578 11 exercícios anteriores e deles extrair créditos a serem deduzidos do resultado presente; 18) a equivocada interpretação parece partir de confusão entre expectativa de direito e direito adquirido. O caput do artigo 9 da Lei nº 9.249/1995 estabelece a condição para gozo do benefício: existência de resultados. Estabelece, em seguida, a fórmula de cálculo: incidência da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido. O efetivo gozo do benefício, consistente na dedução de despesas financeiras do resultado do exercício, depende do efetivo pagamento do JCP; 19) ao reunir as condições necessárias, mas não suficientes, para deduzir o JCP, o contribuinte passou a deter expectativa de direito. O direito à dedução somente surgiria com a distribuição do JCP levada a cabo. Ao deixar de deliberar o pagamento, o sujeito passivo permitiu que o direito precluísse, inexistindo, ao contrário do que busca defender, direito a crédito a ser usado em período futuro; 20) para afastar a eficácia da previsão legal, bastaria retroagir no tempo perquirindo acerca de exercícios financeiros anteriores, para deles extrair direito a créditos de JCP dedutíveis, que podem ser acrescidos aos limites máximos de distribuição de JCP, inflando, assim, o limite máximo de pagamento e dedução de JCP; 21) essa interpretação permitiria, inclusive, que a soma dos valores dedutíveis de anos anteriores resultasse na destinação da totalidade do resultado do exercício para pagamento de Juros sobre Capital Próprio; 22) notese, ainda, que, em virtude da ausência de qualquer prazo preclusivo para o exercício do suposto direito, seria possível retroagir indefinidamente para calcular JCP sobre todo e qualquer resultado já encerrado desde a instituição dos JCP; 23) no presente caso, a despeito da autorização legal acompanhada dos procedimentos próprios para utilizar lucros de exercício pretéritos para o pagamento de JCP, o sujeito passivo ignorou o regime jurídico legal, utilizou os lucros do exercícios em discussão segundo critérios diversos, e, ulteriormente, ao arrepio de qualquer previsão normativa, buscou fazer uso de um suposto crédito de dedutibilidade para furtarse ao cumprimento da limitação imposta pelo artigo 9º, §1º, da da Lei nº 9.249/1995; 24) acrescentese, no caso, a visível afronta ao Princípio da Competência e à regra trazida pelo artigo 187 da Lei nº 6.404/1976, na pretensão de correlacionar despesas e receitas de exercícios financeiros diversos; 25) a exigência de correlação entre despesas e receitas, que é inerente ao Princípio da Competência, é reforçada pela peculiar natureza dos JCP, que recebem tratamento jurídico de despesa, mas pressupõem a existência de lucros, ou seja, o pagamento de JCP somente pode ser deliberado se houver lucro disponível para fazer frente à despesa; Fl. 578DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 579 12 26) o sujeito passivo mistura exercícios financeiros conforme lhe é mais conveniente. Soma os limites de dedução sem acumular os resultados a serem usados como base para o pagamento. O efeito prático obtido com esta confusão é ignorar a limitação imposta ao pagamento de JCP no exercício de 2008 sob o argumento de que tais JCP são créditos decorrentes anos anteriores. C) Quanto aos juros sobre a multa de ofício: 1) a partir de uma interpretação supostamente literal, os que advogam essa tese defendem que apenas o valor de tributos e contribuições submeterseia aos juros moratórios. Assim, a multa de ofício, por não decorrer de tributo ou contribuição, mas sim do descumprimento de dever legal de declarálo ou pagálo, não sofreria a incidência de juros de mora; 2) ora, dizer que “os débitos decorrentes de tributos e contribuições”, ou seja, “débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições”, se sujeitam a juros de mora não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora”; 3) é preciso ser dito, que as multas encerram em si duas finalidades precípuas: uma finalidade punitiva, em razão da prática de uma conduta reprovada pelo ordenamento jurídico, e uma finalidade educativa, na medida em que o contribuinte transgressor, bem como os demais contribuintes, serão compelidos a não repetir tal conduta juridicamente indesejada; 4) considerando que o processo administrativo tributário se desenvolva e chegue ao seu final em aproximadamente 4 anos, e, com todo o otimismo, admitindo que uma posterior fase judicial seja concluída em 3 anos, a multa de ofício lançada teria algum impacto punitivo ou educativo após 7 anos de corrosão pela inflação? Decerto que não! 5) com o lançamento de ofício, a multa de ofício correspondente passa a integrar o total, composto de tributo e multa, devido pelo contribuinte; 6) se o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação principal e esta, por sua vez, é composta tanto pelo tributo quanto pela penalidade pecuniária (leiase: multa de ofício), não é defensável um tratamento diferenciado para tais valores. Após o lançamento, tributo e multa se convolam em crédito tributário, e é sobre essa quantia que os juros deverão incidir; 7) uma simples análise sistemática dos artigos 113, 139 e 161 do CTN revela que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros; Fl. 579DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 580 13 8) a Primeira e a Segunda Turma do STJ já decidiram manter os juros sobre a multa de ofício (vide REsp nº 1146859/SC e REsp nº 1129990/PR); 9) no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a jurisprudência preponderante sobre o tema não é diferente. Há diversos julgados do CARF reconhecendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício; Por derradeiro, espera a União (Fazenda Nacional) seja negado provimento ao recurso especial, com a consequente manutenção do entendimento previsto no acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente Recurso Especial, foram atendidos os requisitos de recorribilidade. Em primeiro plano, a recorrente sustenta a legalidade da dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio, calculados sobre o patrimônio líquido de anoscalendário anteriores. Como é cediço, a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio é regida pelo artigo 9º e §§ da Lei nº 9.249/1995, com a seguinte redação, ao tempo das infrações apontadas no auto de infração: “Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; Fl. 580DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 581 14 § 4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido.” Para a devida compreensão dos fatos, revelase necessário transcrever o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal, à efl. 141/147: “[...] Em 17/06/2014 e 09/09/2014, o contribuinte apresentou planilhas de memória de cálculos dos JCP períodos de 2008 a 2011, os quais foram calculados tendo como base o Patrimônio Líquido sobre os quais foram aplicados a TJLP dos períodos correspondentes, também encaminhou um resumo dos valores anuais apurados e os pagamentos realizados, conforme quadro abaixo: (grifei) [...] No sentido de esclarecer sobre o estoque de JCP, sua influência na apuração do Lucro Real e da CSLL de períodos posteriores e sobre informações aos sócios sobre a existência da JCP de períodos posteriores, o contribuinte foi intimado em 13/11/2014, como segue abaixo: (grifei) 4. Conforme planilha anexa a carta resposta de 17/06/2014, denominada "Pagamento de Juros sobre o capital próprio", consta um saldo em estoque de juros sobre capital próprio a pagar em 31/12/2008 no valor de R$ 116.522.437,40 e em 31/12/2009 um valor de R$ 155.849.579,65. Considerando que estes valores tiveram influencia na apuração do Lucro Real e da BC da CSLL, em períodos posteriores, apresentar documentação contábil ou fiscal onde estes valores foram controlados desde 31/12/2008 ate seu aproveitamento. Também, apresentar relatório da diretoria relativo aos anos calendários de 2008 e 2009, comunicando aos sócios a existência de saldo de juros sobre o capital próprio a pagar em períodos subseqüentes. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 582 15 Em 01/12/2014, em atenção a intimação de 13/11/2014, o contribuinte apresenta o que segue: 4.A JS Adm .esclarece que os controles de JCP’s são efetuados de maneira extra contábil através das planilhas que foram encaminhadas à fiscalização anteriormente. Informa ainda que não houve influência na apuração do Lucro Real e na Base de Cálculo da CSLL nos anos em que os estoques foram calculados, uma vez que a contabilização das provisões e pagamentos ocorreram no momento da distribuição aos sócios, conforme razões apresentados à fiscalização na carta resposta de 09/09/2014, ocorrendo neste momento à tributação do IRPJ e da CSLL. Em relação ao saldo de juros sobre o capital próprio a pagar, esclarece que não há comunicado e que o assunto é tratado em Atas de Reunião da Diretoria. (grifei) Observase da resposta do contribuinte que o controle de estoque de JCP de períodos anteriores foram realizados extra contabilmente. Portanto, não foram apropriados nos registros contábeis nos períodos a que pertenciam, sendo somente submetidos à tributação no momento do pagamento/crédito, ou seja, o contribuinte utilizou o regime de caixa e não o de competência conforme determina a legislação em vigor. Também, não havia comunicação aos acionistas sobre o fato de haver estoque de juros a pagar de períodos anteriores. (grifei) Dessa forma, o contribuinte considerou as despesas relativas ao ano calendário de 2008 e 2009 em anos calendários posteriores à sua conveniência, não observando o regime de competência. Para tanto fez um controle das despesas de JCP de 2008 e 2009 à margem da contabilidade. Como prova estão os registros contábeis da empresa, onde verificase que não houve provisionamento dos valores apurados dos JCP (R$116.522.437,40) , no ano calendário de 2008 e JCP (R$39.327.142,25), no anocalendário de 2009. (grifei) Também, referidos valores não foram lançados na demonstração do resultado das respectivas DIPJs. (grifei) Notase, ainda, nas Notas Explicativas da Administração às Demonstrações Financeiras, constantes das Demonstrações Contábeis apresentadas dos períodos de 2008 a 2011, especificamente no item 3” Principais Práticas Contábeis”, que o contribuinte adota para apuração de resultado o regime de competência. Fato esse não comprovado na apuração dos Juros sobre Capital Próprio, nos períodos de 2010 e 2011, como relatado abaixo: (grifei) AnoCalendário de 2010 Os pagamentos dos JCP realizados nos ano calendário de 2010 foram deliberados em Atas, sendo que em 25/08/2014, o contribuinte encaminhou “Ata de Reunião da Diretoria realizada em 30/07/2010 e 24/12/2010, onde consta a ordem do dia, cujo texto transcrevemos abaixo: (grifei) “Deliberar sobre a constituição aos acionistas, a partir desta data, de juros como remuneração do capital próprio, com base na Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP, consoante dispõe o artigo 9º da Lei n.9.249, de 26 de dezembro de 1995, no montante de R$.95.300.000,00 (noventa e cinco milhões e trezentos mil reais), valor este relativo ao exercício de 2010, a ser imputado ao valor do dividendo mínimo de que trata o artigo 19 do Estatuto Social, para pagamento de forma proporcional ao número de ações representativas do capital social”. (grifos no original) Fl. 582DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 583 16 “Deliberar sobre o pagamento aos acionistas, a partir desta data, de juros como remuneração do capital próprio, com base na Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP, consoante dispõe o artigo 9º da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, no montante de R$. 15.512.075,18 (quinze milhões, quinhentos e doze mil, setenta e cinco reais e dezoito centavos), valor este relativo ao exercício de 2010, para pagamento de forma proporcional ao número de ações representativas do capital social.”(grifos no original) Portanto, foi deliberado em Atas o pagamento de JCP no montante de R$ 110.812.075,18, para o período de 2010. Este valor foi devidamente contabilizado na conta 8.1.9.99.00.40 –Desp.Remuneração Capital TJLP, conforme lançamento extraído do Razão encaminhados pelo contribuinte em 09/09/2014.Abaixo reproduzimos a movimentação dessa conta: (grifei) Os valores debitados na conta 8.1.9.99.00.40 – Desp.Remuneração Capital TJLP, tiveram como contrapartida as contas no Passivo representativas das obrigações da empresa para seus acionistas, como segue: Em 25/08/2014, o contribuinte apresentou cópia do DARF (código 5706) no valor de R$ 14.295.000,00 ( correspondente 15% da BC de R$ 95.300.000,00), recolhido em 04/08/2010, cópia do DARF (5706), no valor de R$ 2.326.811,27 (correspondente a 15% da BC de R$.15.512.075,18), recolhido em 30/12/2010. (grifei) Ressaltase, que com base na evolução patrimonial e na variação da TJLP, durante o ano calendário de 2010, o contribuinte somente poderia considerar como dedutível o montante apurado de R$ 16.576.254,17, constante das planilhas enviadas em 17/06/2014, 09/09/2014 e 11/11/2014. Porém efetuou pagamento/credito aos seus acionistas no montante de R$ 110.812.075,18, superior ao valor apurado, sendo que para tal utilizouse de estoques de JCP apurados em períodos anteriores. (grifei) Ano Calendário de 2011 O pagamento dos JCP realizado no ano calendário de 2011, foi deliberado em Ata de Reunião da Diretoria de 27 de dezembro de 2011, encaminhada pelo contribuinte em 25/08/2014, onde consta a ordem do dia , cujo texto transcrevemos abaixo: (grifei) Fl. 583DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 584 17 Ordem do Dia “Deliberar sobre pagamento de juros sobre o capital próprio.” “ Deliberação Aprovada por Maioria dos Votos: Após exame e discussão da matéria constante da Ordem do Dia, foi aprovado por unanimidade de votos dos membros presente, o pagamento na forma do artigo 9º da Lei nº 9.249/95 e legislação sucedânea, de juros sobre o capital próprio, com base na Taxa de Juros a Longo Prazo –TJLP, para pagamento a partir desta data, no valor total de R$.26.000.000,00(vinte e seis milhões de reais), sendo: (i) R$.17.813.712,00 (dezessete milhões, oitocentos e treze mil e setecentos e doze reais) relativos ao exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2006; e (ii) R$.8.186.289,00 (oito milhões, cento e oitenta e seis mil e duzentos e oitenta e nove reais), relativos ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2011.”(grifei) Portanto, foi deliberado em Atas o pagamento de JCP no montante de R$. 26.000.000,00, para o período de 2011. Este valor foi devidamente contabilizado na conta 8.1.9.99.00.40 – Desp.Remuneração Capital TJLP, conforme lançamento extraído do Razão encaminhados pelo contribuinte em 09/09/2014. Abaixo reproduzimos a movimentação dessa conta: (grifei) Os valores debitados na conta 8.1.9.99.00.40 –Desp.Remuneração Capital TJLP, tiveram como contrapartida as contas no Passivo representativas das obrigações da empresa para seus acionistas, como segue: Em 25/08/2014, o contribuinte apresentou cópia do DARF (código 5706) no valor de R$.4.050.000,00, recolhido em 04/01/2012.Como o valor devido de IRF s/JCP foi no montante de R$.3.900.000,00, o contribuinte foi questionado sobre Fl. 584DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 585 18 este fato. Em sua carta resposta de 08/12/2014, informou tratase de pagamento a maior por engano e que a diferença foi objeto de compensação registrada no Per/Comp nº 41136.59440.311013.1.3.043642 e de acerto da DCTF correspondente. (grifei) Ressaltase, que com base na evolução patrimonial e na variação da TJLP, durante o ano calendário de 2011, o contribuinte somente poderia considerar como dedutível o montante apurado de R$ 10.327.470,95, constante das planilhas enviadas em 11/11/2014. Porém efetuou pagamento/credito aos seus acionistas no montante de R$. 26.000.000,00, superior ao valor apurado, sendo que para tal utilizouse de estoques de JCP apurados em períodos anteriores. (grifei) A seguir segue a repercussão tributária pela não observância do regime de competência na apuração do IRPJ e da CSLL. A não contabilização da despesa de JCP nos períodos incorridos (2008 e 2009 –Quadro abaixo), e sua postergação para períodos subsequentes (inobservância do regime de competência), culminaram com prejuízo ao Erário. O contribuinte a seu critério e conveniência, administrou estas despesas à margem da contabilidade, e somente as registrou, contabilmente, como despesa dedutível no ano calendário de 2010 e 2011. (grifei) Quadro (corrigido conforme carta de 11/11/2014, em função da taxa de juros TJLP) Tal fato trouxe consequências na apuração do IRPJ em períodos de apuração subsequentes. Conforme registrado nas DIPJs entregues pelo contribuinte à SRFB, obtemos os seguintes valores de despesa com JCP, base de calculo do IRPJ e do imposto devido. OBS: Observese, mais uma vez, que o contribuinte não lançou despesas de JCP em 2008 e 2009 como rege a legislação, e fez um controle à margem da contabilidade. (grifei) Fl. 585DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 586 19 Procedendo os ajustes necessários no quadro anterior, ou seja, alocando a despesa ao período correspondente, regime de competência, verificamos o seguinte: Verificase, portanto, que o procedimento adotado pelo contribuinte, não tem respaldo legal, pois não foi obedecido o principio da competência no reconhecimento da despesa. E também, este fato contábil não foi contabilizado e foi controlado a margem da contabilidade, e resultou como conseqüência prejuízo ao Erário, pois ao invés de recolher R$.58.303.166,14 (R$55.083.100,25 AC 2010 + R$3.220.065,89 AC2011) o contribuinte recolheu tão somente R$ 39.069.204,87.. Ou seja, houve um prejuízo de R$. 19.233.961,27 no recolhimento do IRPJ aos cofres públicos. (grifei) Tal fato, também trouxe consequências na apuração da CSLL. Conforme registrado nas DIPJs entregues pelo contribuinte à SRFB, obtemos os seguintes Fl. 586DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 587 20 valores de despesa com JCP, base de calculo da CSLL e a contribuição devida: (grifei) Procedendo os ajustes necessários no quadro anterior, ou seja, alocando a despesa ao período correspondente, regime de competência, verificamos o seguinte: Fl. 587DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 588 21 Verificase, portanto, que o procedimento adotado pelo contribuinte, não tem respaldo legal, pois não foi obedecido o principio da competência no reconhecimento da despesa. E também, este fato contábil não foi contabilizado e foi controlado à margem da contabilidade, e resultou como conseqüência prejuízo ao Erário, pois ao invés de recolher de CSLL, nos AC 2010 e AC2011, o valor correto de R$.21.053.463,83 (R$19.831.412,70 AC 2010 + R$1.222.051,12 AC2011) o contribuinte recolheu tão somente R$. 14.129.237,77. Ou seja, houve um prejuízo de R$. 6.924.226,06 no recolhimento da CSLL aos cofres públicos, nos AC 2010 e AC 2011. (grifei) Assim postos os fatos, cabe acrescentar as seguintes observações a respeito dos juros sobre o capital próprio: 1) a remuneração dos juros sobre capital próprio é uma faculdade que os sócios podem exercer, desde que exista deliberação nesse sentido, aprovada em assembleia de acionistas ou reunião de quotistas. Portanto, não há que se falar na dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio se não houver deliberação dos próprios sócios ou acionistas a respeito do pagamento ou crédito dessa remuneração; 2) a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio está sujeita a regras que estabelecem limites quantitativos. Uma dessas regras se refere ao limite de dedutibilidade que é função da taxa de juros fixada no caput do artigo 9º da Lei nº 9.249/1995. A outra regra estipula o limite de dedutibilidade que é função dos lucros acumulados e da reserva de lucros, conforme o § 1º do artigo 9º da Lei nº 9.249/1995; 3) os juros sobre o capital próprio também estão sujeitos a regras jurídicas que estatuíram a observância ao regime de competência. Com efeito, os artigo 177 e 187 da Lei nº 6.404/1976 preceituam a observância ao regime de competência, assim como os §§ 4º a 7º do artigo 6º do Decretolei nº 1.598/1977. O artigo 9º da Lei nº 9.249/1995 não instituiu regra de exceção ao regime de competência, quanto à dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio; 4) o período de competência dos juros sobre o capital próprio é aquele em que ocorreu a deliberação dos sócios para pagamento ou crédito dessa remuneração, afinal a sociedade não está obrigada a reconhecer esse encargo antes da aprovação dos sócios ou acionistas. Estes também não têm o direito de exigila sem a prévia edição do ato jurídico que corporifica a decisão que aprova o pagamento ou crédito dos juros sobre o capital próprio; 5) se não houve deliberação a favor do pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio, não há como se exigir tal remuneração. Nessas circunstâncias, inferese que os sócios ou acionistas deliberaram no sentido de não se efetuar o crédito ou o pagamento, em reverência à própria autonomia; 6) se sócios ou acionistas podiam estabelecer o pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio e renunciaram o direito de deliberar nesse sentido, as demonstrações financeiras são aprovadas sem a dedução dessa remuneração. Não aprovando o pagamento ou crédito dos juros sobre o capital próprio, a sociedade deixou de reservar qualquer montante do resultado do exercício para pagamento ou crédito dessa remuneração; Fl. 588DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 589 22 7) a recorrida efetuou o pagamento, em 2010 e 2011, de juros sobre o capital próprio calculados sobre o patrimônio líquido dos anoscalendário de 2008 e 2009. Essa conduta implica violação ao regime de competência, por deduzir do resultado tributável dos anoscalendário de 2010 e 2011 encargos com juros incidentes sobre o patrimônio líquido dos anoscalendário de 2008 e 2009; 8) anotese, ainda, que os sócios ou acionistas não aprovaram a remuneração a título de juros sobre o capital, no encerramento dos anoscalendário de 2008 e 2009. Sabendose que os juros sobre o capital próprio são remunerações incidentes sobre o patrimônio líquido de determinado anocalendário, não podem ser deduzidas do resultado do tributável de outros períodos de apuração. Isso porque a apuração do IRPJ e da CSLL é atrelada ao princípio da competência que está implícito no § 1º do artigo 187 da Lei nº 6.404/1976, segundo a qual as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente de sua realização em moeda, devem ser computados no resultado do exercício juntamente com os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes da essas receitas e rendimentos; 9) também a disciplina do § 4º do artigo 6º do Decretolei nº 1.598/1977 traduz a relevância do princípio da competência, ao determinar a alocação de valores que reduzem o resultado tributável ao períodobase a que competir; 10) na linha do que se defende neste voto, citese o acórdão 9101002.180, sessão de 19/01/2016, relator Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1 O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2 As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3 A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, 4 Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um Fl. 589DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 590 23 exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente.” Ressalta a recorrente que, caso não se entenda que a despesa não é referente ao anocalendário da deliberação do pagamento dos juros sobre o capital próprio (2010 e 2011), seria forçoso concluir que ocorreu mera postergação de despesa, sem qualquer prejuízo para o Fisco. Essa conclusão, todavia, não se sustenta. As planilhas às efls. 145/147 demonstram que houve redução do lucro real e da base de cálculo da CSLL dos anos calendário de 2010 e 2011. Por conseguinte, o lançamento está em sintonia com o disposto no artigo 273, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – RIR/1999, verbis: “Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração.” Em outro momento, a recorrente suplica o direito à compensação/restituição dos valores pagos a título de IRPJ (R$ 710.739,98) e de CSLL (R$ 264.506,39), apurados no Ajuste do anocalendário de 2008. De fato, as planilhas às efls. 145/1147 revelam que a recorrente apurou IRPJ e CSLL a pagar, no Ajuste do anocalendário de 2008, nos montantes de R$ 710.739,98 e R$ 264.506,39, respectivamente. Todavia, não houve lançamento desses tributos relativamente ao anocalendário de 2008. Por isso, a Fiscalização não podia compensar tais pagamentos com os valores lançados nos autos de infração, que retratam situações de fato referentes aos anoscalendário de 2010 e 2011. Ademais, o presente recurso não é a via própria para postular a restituição/compensação de pagamentos efetuados a maior, mormente quando referentes a períodos de apuração distintos daqueles que foram abarcados pelo lançamento de ofício. A recorrente também pleiteia a compensação dos saldos de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL dos anoscalendário de 2008 e 2009, calculados pelo autuante às efls.145/147. Contudo, as planilhas às efls. 145/147 registram a compensação efetuada de ofício, com o limite de 30% fixado pelos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995 . Reparese: a) IRPJ/2010 : Lucro real ajustado antes compensação de prejuízo: 314.897.715,71 Fl. 590DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 591 24 () Compensação de prejuízos anteriores: (94.469.314,71) – limitado a 30% Linha 88 da ficha 09 A – Lucro Real: 220.428.401,00 b) IRPJ 2011: Lucro real ajustado antes compensação de prejuízo: 18.537.519,34 () Compensação de prejuízos anteriores: (5.561.255,80) – limitado a 30% Linha 88 da ficha 09 A – Lucro Real: 12.976.263,54 c) CSLL 2010: Linha 65 BC antes da compensação de prejuízos anteriores: 314.897.715,71 () linha 66 – BC negativa da CSLL períodos anteriores: (94.469.314,71) – limitado a 30% Linha 61 – BC da CSLL: 220.428.401,00 d) CSLL 2011: Linha 65 BC antes da compensação de prejuízos anteriores: 18.537.519,34 () linha 66 – BC negativa da CSLL períodos anteriores: (5.561.255,80 – limitado a 30% Linha 61 – BC da CSLL: 12.976.263,54 Em face do exposto, devese negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte, quanto à dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. No passo seguinte, os juros sobre a multa de ofício. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 592 25 De início, devese aludir à previsão legal que veda a incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de Fl. 592DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 593 26 seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o Resp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a Fl. 593DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 594 27 sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) Fl. 594DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 595 28 O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, manifesto que as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Alfim, saliento que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito Fl. 595DF CARF MF Processo nº 16327.720512/201538 Acórdão n.º 9101003.429 CSRFT1 Fl. 596 29 tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, processo nº 16327.002231/200285, Relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, processo nº 16327.002243/9971, Relator Conselheiro Valmir Sandri, Redatora Designada Conselheira. Viviane Vidal Wagner) À luz dos argumentos expostos, negase provimento ao pleito referente ao reconhecimento da ilegalidade da incidência dos juros de mora calculado com base na taxa SELIC sobre a multa aplicada. Finalizando, considerando todos os elementos trazidos à apreciação da presente instância, propõese conhecer do Recurso Especial do contribuinte para negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 596DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690950/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe.
PROVAS. PRECLUSÃO.
Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite-se a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente COMPANHIA DO METROPOLITANO DE SAO PAULO METRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. PROVAS. PRECLUSÃO. Diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admitese a juntada posterior de documentos nos termos da letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 09 50 /2 00 9- 54 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.690950/200954 Acórdão n.º 3302005.040 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de PIS/PASEP não cumulativo. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico emitido pela unidade de origem, a compensação declarada não foi homologada, tendo em vista a inexistência do crédito. Ciente desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade alegando em síntese: Apurou e recolheu PIS/PASEP não cumulativo incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas; Desta forma, faz jus ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias; Retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo de PIS/PASEP não cumulativo; Requer a homologação da compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 1632.924. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade e apresenta diversos documentos com vistas a comprovar o direito pleiteado. Ao final requer que não sendo possível a análise da documentação apresentada, que seja a mesma remetida à instância de origem, para que sobre ela se pronuncie a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.037, de Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.690950/200954 Acórdão n.º 3302005.040 S3C3T2 Fl. 4 3 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690947/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.037): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preclusão probatória Argui o recorrente que apurou e recolheu o PIS/PASEP nãocumulativo de 10/2004 incluindo na base de cálculo do tributo, de forma indevida, montante referente a juros e variações monetárias ativas, fazendo jus, portanto ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo calculado sobre os juros e as variações monetárias. Ressalta ainda em favor de sua tese que retificou o DACON c a DCTF, para fins de informar a correta base de cálculo do PIS/PASEP não cumulativo. Ocorre que ao apresentar a Manifestação de Inconformidade, momento processual que instaura a lide administrativa, não comprovou perante o órgão a quo com documentos hábeis e idôneos o recebimento dos referidos juros e variações monetárias ativas e, tampouco que os mesmos compuseram a base de cálculo do tributo, ensejando, por conseguinte pagamento a maior. Quando da apresentação do recurso voluntário acosta documentos não apresentados quando da manifestação de inconformidade. Nesse sentido cabem os seguintes esclarecimentos. A juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.690950/200954 Acórdão n.º 3302005.040 S3C3T2 Fl. 5 4 recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito)(grifei). Por oportuno registrese que o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, prescreve em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observase que a norma acima destacada é clara ao estabelecer o momento processual a serem carreadas as provas aos autos, pelo contribuinte, a fim de subsidiar o julgador com os elementos probatórios que possibilitem a livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme é assegurado pelo 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. No presente caso, como já demonstrado, o contribuinte deixou de apresentar quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, documento comprobatório quanto aos créditos pleiteados. Quanto ao ato de provar pondera 2Fabiana: Mediante a atividade probatória compõese a prova, entendida como fato jurídico em sentido amplo, que é o relato em linguagem competente de evento supostamente acontecido no passado, para que, mediante a decisão do julgador, constituase o fato jurídico em sentido estrito, desencadeando os correspondentes efeitos. (...) Iso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.(grifei). Nesse mister, os documentos apresentados somente em sede recursal, visando comprovar os aludidos créditos não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, visto que sequer demonstra o recorrente estar abrigado em uma das hipóteses excepcionais disciplinadas nas alíneas de "a" a "c" do artigo 16, acima já reproduzidos. Na linha acima expendida revelase incabível devolver os autos à instância a quo para a análise dos documentos apresentados, já que deixaram de ser oportunamente apresentados à referida instância. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Tomé, Fabiana Del Padre, A prova no Direito Tributário, São Paulo:Noeses, 2005, págs:177/178. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.690950/200954 Acórdão n.º 3302005.040 S3C3T2 Fl. 6 5 Tendo em vista que em votação, a maioria dos conselheiros acolheu apenas a conclusão desta relatora, seguem abaixo reproduzidos, conforme determina o artigo 63, § 8º do Anexo II do RICARF, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Por entender aplicável ao presente caso a norma prevista na letra "c", do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72 que, diante de fatos e razões novas trazidas aos autos, admite a juntada posterior de documentos, os demais Conselheiros decidiram afastar a preclusão aplicada pela i. Relatora. Isto porque, diferentemente do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação por inexistência do crédito, a matéria concernente a comprovação da origem dos créditos apurados pela Recorrente somente foi trazida aos autos quando do proferimento da decisão combatida, oportunizando, assim, a Recorrente contrapor os fatos novos com a juntada de documentos que entendese necessário para tanto. Por este motivo, restou decidido pelos demais Conselheiros afastar a preclusão e admitir a análise dos documentos juntados pela Recorrente em seu recurso voluntário. Pois bem. Em sede recursal a Recorrente trouxe as seguintes alegações de mérito: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo Capital indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente sob o argumento de que competia a ela apresentar documentos contábeis e fiscais que comprovassem o recolhimento a maior do tributo cuja homologação de compensação for requerida mas esta não os apresentou. (...) Nestas condições, em que a exigência do crédito tributário deve se pautar pelo princípio da verdade material, com base no mesmo princípio dever apurado o crédito reclamado pela Recorrente, razão pela qual a ela deve ser reconhecido o direito de trazer aos autos do presente processo, mesmo em sede de Recurso Voluntário, os documentos fiscais e contábeis que demonstram a sua existência, para seja homologada a compensação por ela realizada. Juntamente com suas razões recursais a Recorrente carreou aos autos os seguintes documentos para comprovar seu pretenso direito: (i) PER/DCOMP; (ii) Comprovantes de arrecadação; e (iii) planilhas e livros diário geral. Entretanto, constatase que no recurso interposto pela Recorrente não há uma linha argumentativa demonstrando a composição/origem do crédito perseguido pelo contribuinte, limitando, suas alegações, apenas em relação ao direito de juntar documentos em sede recursal. Ora, caberia a Recorrente explicitar, ainda que de forma concisa, a composição/origem do crédito e, apontar quais documentos dão suporte às suas alegações, nada neste sentido foi realizado pela Recorrente. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.690950/200954 Acórdão n.º 3302005.040 S3C3T2 Fl. 7 6 Ressaltase que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC3). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do débito é medida que se impõe. Deste modo, tornase imprestável os documentos juntados pela Recorrente para o fim de comprovar o direito ao crédito, motivo pelo qual os demais Conselheiros acompanharam a i. ilustre Relatora pelas conclusões. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.723477/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/10/2004, 01/05/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins apurada no regime não cumulativo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2004, 01/05/2006 a 31/05/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo do PIS apurada no regime não cumulativo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-004.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Henrique Mauri, que negava provimento.
José Henrique Mauri - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/10/2004, 01/05/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo da Cofins apurada no regime não cumulativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2004, 01/05/2006 a 31/05/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal não integra a base de cálculo do PIS apurada no regime não cumulativo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Henrique Mauri, que negava provimento. José Henrique Mauri Presidente. Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 34 77 /2 01 0- 11 Fl. 583DF CARF MF Processo nº 11080.723477/201011 Acórdão n.º 3301004.394 S3C3T1 Fl. 584 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 545 a 558) interposto pelo Contribuinte, em 30 de setembro de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1046.161 (fls. 529 a 537), de 5 de setembro de 2013, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 460 a 478). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão (fls. 530 e 531): A contribuinte supracitada solicitou restituição de Cofins dos meses de apuração de setembro e outubro de 2004 e de maio e junho de 2006, e de PIS dos meses de agosto a novembro de 2004 e de maio de 2006, para fins de recebimento em espécie, conforme Dcomps de fls.04/33. A DRF de origem apreciou o pleito da contribuinte, indeferindoo parcialmente, conforme Despacho Decisório Nº 2.105/2010, de fls.201, parcialmente retificado pelo Despacho de fl.486. Neste, fundamentado na Informação Fiscal, de fls.186/193, foi negado parcialmente o pleito de restituição/compensação devido à não inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins dos valores relativos à título de crédito presumido de ICMS, oriundo de incentivo fiscal previsto no art. 32, incisos LXIX (redação dada pelo Decreto Estadual Nº 42.563/2003 e alterações posteriores) do Regulamento do ICMS do estado do Rio Grande do Sul (Decreto Estadual No 37.699/1997), o qual não estaria incluído nas hipóteses enumeradas no §3º incisos I a VI do art. 10 da Lei 10.833/2003. Irresignada, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, de fls.460/478. Nesta, inicia fazendo um resumo do pedido e da decisão da DRF, para depois fazer suas alegações. Pertinente ao crédito presumido de ICMS, afirma que somente constitui receita, e portanto base de cálculo das contribuições para o PIS/Cofins, o ingresso de novos valores ao patrimônio da empresa. Como os créditos presumidos de ICMS nada mais são do que um benefício fiscalescritural (relacionado à redução de custos na industrialização da farinha de trigo para que a Empresa obtenha maior competitividade em relação aos produtos derivados do trigo), não configuram receita auferida pela empresa a ensejar capacidade contributiva, sendo equivocado o procedimento da sua inclusão como receita para o cálculo das contribuições. Aduz como suporte à sua tese, doutrina e precedentes do CARF (relativo à Lei 9.718/98), do TRF da 4ª Região e do STJ . Fl. 584DF CARF MF Processo nº 11080.723477/201011 Acórdão n.º 3301004.394 S3C3T1 Fl. 585 3 Segundo a contribuinte, admitir que os créditos presumidos de ICMS como receita bruta, para fins de incidência da contribuição, seria aceitar a intervenção federal em matéria privativa dos Estados, pois o benefício do ICMS teria sua eficácia limitada pela União, conforme Jurisprudência do TRF da 4ª Região. Por fim, argumenta ainda que a RFB incorre em “bis in idem”, uma vez que a impugnante já é obrigada a recolher o PIS e a Cofins sobre o valor do ICMS destacado nas operações de vendas de mercadorias, sendo que, mantido o entendimento da Fiscalização, teria que adicionar o crédito presumido do ICMS na base de cálculo destas contribuições federais. Transcreve Acórdão do TRF da 4ª Região relativo a caso análogo e que seria aplicável a sua tese. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1046.161, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/10/2004, 01/05/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. O crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não existe previsão legal para a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 30/11/2004, 01/05/2006 a 31/05/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. O crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não existe previsão legal para a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do tributo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Observase que o Contribuinte, por meio do Recurso Voluntário apresentado, visa a reforma da decisão consubstanciada no ora analisado Acórdão para que se afaste a Fl. 585DF CARF MF Processo nº 11080.723477/201011 Acórdão n.º 3301004.394 S3C3T1 Fl. 586 4 incidência de PIS e Cofins dos créditos presumidos de ICMS, reconhecendo o direito integral do Contribuinte sobre à restituição dos valores recolhidos a maior destes tributos. Nesse sentido, cito trecho do referido Recurso em que o Contribuinte explicita as razões de reforma do Acórdão ora recorrido (fl.558): Ocorre que tal decisão não encontra guarida na legislação atinente ao caso em comento, tampouco está em concordância com a jurisprudência, seja do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, seja dos Tribunais Regionais Federais, seja do Superior Tribunal de justiça, conforme restou devidamente comprovado por meio de todo o aqui exposto. Assim, cotejando os documentos apresentados pela recorrente ao longo do processo administrativo com a legislação aplicável à espécie e o entendimento dos respeitáveis Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Tribunal Regional Federal da 4ª Região e Superior Tribunal de justiça, chancelando o direito ora pleiteado, não merece prosperar o entendimento exarado na decisão da Segunda Turma da DRJ/POA. Já o entendimento trazido pelo voto no referido Acórdão é no sentido de que o crédito presumido de ICMS deve integrar a base de cálculo do PIS e Cofins, uma vez que se trata de uma receita que não tem previsão legal de exclusão ou mesmo isenção, conforme se verifica neste seguinte trecho do voto (fls. 531 e 532): O crédito presumido de ICMS enquadrase no conceito de receita – outras receitas operacionais, conforme previsto no art. 392, inciso I do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR) e deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins. Não há dúvida de que a autora obtém vantagens financeiras com o crédito presumido do ICMS, qual seja, a dispensa do pagamento do imposto estadual nas saídas tributadas, podendo assim dispor dos recursos próprios (não despendidos) como capital de giro ou mesmo na aplicação em investimentos. Outrossim, considerando que tal crédito é presumido, inferese que o mesmo constitui receita nova, ou melhor “receita decorrente de benefício fiscal”, concedido pela Fazenda Estadual, no caso de ser compensado com o ICMS devido. Portanto, em síntese, tratase de receita auferida pelas empresas independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Do ponto de vista jurídico, podemos dizer que o crédito presumido não significa devolução de algo indevido, eis que nada foi pago pela autora de forma indevida, mas sim estímulo de ordem financeira a prestigiar o setor contemplado. O crédito presumido não deixa, pois, de ser espécie de subvenção governamental para este setor, uma subvenção de custeio, já que, por ela, recuperamse custos, conforme previsto no art. 392, inciso I do Regulamento do Imposto de Renda: Subvenções e Recuperações de Custo Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I – as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); Fl. 586DF CARF MF Processo nº 11080.723477/201011 Acórdão n.º 3301004.394 S3C3T1 Fl. 587 5 Esse dispositivo é claro no sentido de que o crédito presumido do ICMS é receita e, portanto, entra no cômputo do Lucro como rendimento das pessoas jurídicas. Subvenção, sob o ângulo da legislação do imposto renda das pessoas jurídicas, é um auxílio que não importa em qualquer exigibilidade para o seu recebedor, ou seja, o patrimônio da empresa beneficiária é enriquecido com recursos vindos de fora sem que isto importe na assunção de uma dívida ou obrigação. As subvenções, quando feitas pelo Poder Público, podem se traduzir através de redução, isenção ou dedução de impostos, como no caso presente. As subvenções têm natureza de receitas e são, de ordinário, tributáveis, tanto que foram classificadas pela legislação do Imposto de Renda como "Outros Resultados Operacionais", na modalidade subvenção correntes para custeio ou operação (art. 335 do RIR, de 1994 ou art. 392 do RIR, de 1999). E como o próprio nome diz, subvenção são créditos, concedidos por lei, cujo objetivo é beneficiar determinado setor da economia, caracterizandose assim como benefício fiscal. No caso em comento, como o crédito presumido é compensado com o ICMS devido pela Impugnante fica evidenciada a sua natureza de “receita decorrente de benefício fiscal”, desonerando o valor devido do imposto estadual. Juridicamente, podese afirmar que o crédito presumido do ICMS não significa devolução de um pagamento indevido, posto que nada foi recolhido indevidamente pela impugnante, mas implica, isto sim, um estímulo financeiro para prestigiar o setor contemplado. E esta forma de renúncia fiscal caracteriza uma subvenção de custeio. O incentivo relativo ao crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto Estadual, constitui, para os fins da legislação tributária federal, subvenção corrente para custeio ou operação, devendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, visto tratarse de receita para a qual não há expressa previsão legal de exclusão ou isenção. (grifouse). Em que pese o entendimento da DRJ/POA, acredito que se encontra consolidada a jurisprudência no sentido de o crédito presumido de ICMS não integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins por se tratar apenas de mera recuperação de custos. Nesse sentido, considero relevante citar na íntegra o voto vencedor do il. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, consubstanciado no Acórdão nº 9303005.783 da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, proferido em 20 de setembro de 2017 no processo nº 13401.000483/200675, que bem elucida a questão e que serve de razões para decidir: Está mais do que pacificada na jurisprudência a tese de que o crédito presumido de ICMS concedido pelos Estados às pessoas jurídicas que neles se instalem ou aumentem a produção já instalada não integra a base de cálculo do PIS/Cofins não cumulativos, por constituirse, segundo este entendimento, apenas mera recuperação de custos. Exemplificativamente, confiramse as seguintes ementas de decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ, a quem cabe, como se sabe, a tarefa de uniformizar a interpretação de lei federal: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO À CLÁUSULA DA Fl. 587DF CARF MF Processo nº 11080.723477/201011 Acórdão n.º 3301004.394 S3C3T1 Fl. 588 6 RESERVA DE PLENÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno interposto em 20/04/2016, contra decisão publicada em 29/03/2016. II. Na esteira do entendimento firmado no STJ, "o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS" (STJ, AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/04/2015). No mesmo sentido: STJ, AgRg no REsp 1.402.204/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 02/06/2015. III. Consoante a jurisprudência desta Corte, "a questão referente à ofensa ao princípio da reserva de plenário (art. 97 da CF) não deve ser confundida com a interpretação de normas legais embasada na jurisprudência deste Tribunal" (STJ, AgRg no REsp 1.330.888/AM, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 21/02/2014). IV. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 843051 / SP, Rel. Min. Assussete Magalhães, DJe 02/06/2016). PROCESSUAL REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA DO STJ ACERCA DA MATÉRIA. SÚMULA 83/STJ. 1. Não se conhece do Recurso Especial em relação à ofensa ao art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão impugnado. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento do STJ de que os créditos presumidos de ICMS, por se tratarem de mero ressarcimento, não representam ingresso de valores nos caixas da empresa e, portanto, não são tributáveis. Incidência da Súmula 83/STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1573339 / SC, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 24/05/2016). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCLUSÃO. INCENTIVO FISCAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA DE RECEITA OU FATURAMENTO. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte os valores provenientes do crédito presumido do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no AREsp 626.124/PB, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe Fl. 588DF CARF MF Processo nº 11080.723477/201011 Acórdão n.º 3301004.394 S3C3T1 Fl. 589 7 6/4/2015; AgRg no REsp 1.494.388/ES, Rel. Ministra Marga Tessler (Juíza Federal convocada do TRF 4a Região), Primeira Turma, DJe 24/3/2015; AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 19/12/2014; AgRg no REsp 1.329.781/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 3/12/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1247255 / RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 26/11/2015). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. LEIS 10.637/02 E 10.833/03: O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS CONFIGURA INCENTIVO VOLTADO À REDUÇÃO DE CUSTOS, COM VISTAS A PROPORCIONAR MAIOR COMPETITIVIDADE NO MERCADO PARA AS EMPRESAS DE UM DETERMINADO ESTADOMEMBRO, NÃO ASSUMINDO NATUREZA DE RECEITA OU FATURAMENTO, PELO QUE NÃO COMPÕE A BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ENTENDIMENTO APLICÁVEL AO IRPJ E À CSLL. PRECEDENTE: AGRG NO RESP. 1.227.519/RS, REL. MIN. BENEDITO GONÇALVES, DJE 7.4.2015. AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça assentou o entendimento de que o crédito presumido de ICMS configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado estadomembro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo por que não compõe a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. 2. A Primeira Turma desta Corte assentou o entendimento de que o crédito presumido de ICMS não se inclui na base de cálculo do IRPJ e da CSLL; Não há dúvida alguma que a aplicação desse sistema de incentivo aos exportadores amplia os lucros das empresas exportadoras. Se não ampliasse, não haveria interesse nem em conceder, nem em utilizar. O interesse é que move ambas as partes, o Fisco e o contribuinte; neste caso, o Fisco tem o interesse de dinamizar as exportações, por isso concede o benefício, e os exportadores têm o interesse de auferir maiores lucros na atividade exportadora, por isso correm reivindicam o benefício. Isso é absolutamente básico e dispensável de qualquer demonstração. 3. Nesse sentido, deve o legislador haver ponderado que, no propósito de menor tributação, a satisfação do interesse público primário representado pelo desenvolvimento econômico, pela geração de emprego e de renda, pelo aumento de capacidade produtiva, etc. preponderaria sobre a pretensão fiscal irrestrita, exemplo clássico de interesse público secundário. 4. Agravo Regimental da Fazenda Nacional desprovido. (AgRg no REsp 1461415 / SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 26/10/2015). PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. Recurso especial em que se discute a inclusão do crédito presumido de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculo de: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para Fl. 589DF CARF MF Processo nº 11080.723477/201011 Acórdão n.º 3301004.394 S3C3T1 Fl. 590 8 Programa de Integração Social (PIS) e Constribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). 2. "O crédito presumido de ICMS configura "benefício fiscal" que ao ser lançado na escrita contábil da empresa promove, indiretamente, a majoração de seu lucro e impacta, consequentemente, na base de cálculo do IRPJ e da CSLL". Nesse sentido: AgRg nos EDcl no REsp 1.458.772/RS, Rel Ministro HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJe 13/10/2014; AgRg no REsp 1.461.032/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 27/11/2014; AgRg nos EDcl no REsp 1.465.870/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 31/3/2015. 3. "Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas mera recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, NÃO integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS". Nesse sentido: AgRg no REsp 1422739/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 18/02/2014; AgRg no REsp 1.463.364/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, julgado em 24/3/2015, DJe 30/3/2015. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1402204 / SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 02/06/2015). O fundamento de tais decisões judiciais reside no disposto na alínea “b” do inciso V do § 3º do art. 1º das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, 29 de dezembro de 2003, que assim determinam: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: (...) b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (g.n.) Esse entendimento também foi compartilhado pelo ProcuradorGeral da República, como se vê do parecer que exarou nos autos do Recurso Extraordinário – RE nº 835818/PR, no qual reconhecida a repercussão geral da matéria levada à apreciação do Supremo Tribunal Federal: Fl. 590DF CARF MF Processo nº 11080.723477/201011 Acórdão n.º 3301004.394 S3C3T1 Fl. 591 9 PARECER No 117184/2016 – ASJCIV/SAJ/PGR Recurso Extraordinário 835818 – PR Relator: Ministro Marco Aurélio Recorrente: União Recorrida: O.V.D. Importadora e Distribuidora Ltda. DIREITO CONSTITUCIONAL E DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 843. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA, DA ISONOMIA E DA PROPORCIONALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS. DESPROVIMENTO. 1 – Proposta de Tese de Repercussão Geral (Tema 843): Devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores correspondentes a créditos presumidos de ICMS decorrentes de incentivos fiscais concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, sob pena de ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da proporcionalidade. 2 – Parecer pelo não provimento do recurso extraordinário. Brasília (DF), 30 de maio de 2016. Rodrigo Janot Monteiro de Barros ProcuradorGeral da República Portanto, na esteira de remansosa jurisprudência do STJ, o crédito presumido de ICMS conferido pelos estados não integra a base de cálculo do PIS/Cofins, razão pela qual DOU PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. Com isso, me filio a posição adotada no voto supracitado, uma vez que considero que os créditos presumidos de ICMS concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal às pessoas jurídicas não integram a base de cálculo de PIS e Cofins nãocumulativo. Reforço a posição com a decisão proferida por maioria de votos no Acórdão 3301004.055, de 27 de setembro de 2017, de relatoria do il. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, que ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCIDÊNCIA DE PIS Tratase de incentivo fiscal, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS. Portanto, não é receita e não deve ser incluído nas bases de cálculo do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. INCIDÊNCIA DE COFINS Tratase de incentivo fiscal, cujo objetivo é o de reduzir a despesa com ICMS. Portanto, não é receita e não deve ser incluído nas bases de cálculo do COFINS. Neste mesmo sentido temse a decisão proferida em 07 de dezembro de 2017 pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1606998/SC de relatoria da il. Ministra Regina Helena Costa: Ementa Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11080.723477/201011 Acórdão n.º 3301004.394 S3C3T1 Fl. 592 10 TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO. PIS. COFINS. IRPJ. CSLL. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS. ART. 85, § 11, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. NÃO CABIMENTO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II O crédito presumido de ICMS, concedidos pelos EstadosMembros, configura incentivo voltado à redução de custos, não assumindo natureza de receita ou faturamento, motivo pelo qual não compõe a base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS. III Revelase incabível a inclusão do crédito presumido de ICMS na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IV Tratandose de recurso especial sujeito ao Código de Processo Civil de 1973, impossibilitada a majoração de honorários nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015. V A Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VI Agravo Interno improvido. (grifouse). Portanto, tendo em vista a legislação aplicável ao caso e a jurisprudência mais recente sobre o tema, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Valcir Gassen Relator Fl. 592DF CARF MF
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