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Numero do processo: 10675.901955/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO.
Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
Numero da decisão: 1201-002.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1587; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.901955/201419 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.751 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente MARCIO MARIA MACEDO ADVOGADOS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2011 DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 19 55 /2 01 4- 19 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10675.901955/201419 Acórdão n.º 1201002.751 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório MARCIO MARIA MACEDO ADVOGADOS ME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1278.034, pela DRJ Rio de Janeiro, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório no valor de R$ 111,60 a título de pagamento indevido ou a maior. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2011 Ementa: RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. Descabe a restituição de pagamento supostamente indevido quando o sujeito passivo não logra demonstrar a irregularidade do recolhimento. Cientificado dessa última decisão em 06/08/2015, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, em 03/09/2015, por meio do qual tece as seguintes considerações: No presente caso, a recorrente demonstrou que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG, inscrita no CNPJ n° 17.194.853/0001 04, emitindo nota fiscal (doc. 1); Que ao realizar o pagamento referente a nota emitida, a fonte pagadora, promoveu a retenção dos impostos devidos, conforme comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de impostos devidamente identificados em anexo (doc. 2); Ocorre, que a recorrente, equivocadamente, também recolheu tal imposto do referido período, ocasionando com isso, pagamento em duplicidade do mesmo imposto, conforme comprovante de recolhimento/pagamento em anexo (doc. 3). Vale ressaltar, que o valor do tributo recolhido referente a nota fiscal emitida pela recorrente acima citada, está embutido no DARF devidamente pago em anexo (doc. 3). Conforme os fatos relatados e documentos acostados, a recorrente produziu provas que comprovam o pagamento realizado em duplicidade de imposto. Em razão disso, deve ser o referido valor ser restituído ou compensado com imposto vincendo, conforme determinação legal. Com isso, requereu a reforma de decisão recorrida, para que seja deferida a restituição declarada. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10675.901955/201419 Acórdão n.º 1201002.751 S1C2T1 Fl. 4 3 Na primeira vez em que foi apreciado o recurso voluntário, o julgamento foi convertido em diligência, para que a RFB adotasse as seguintes medidas: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). A diligência requerida foi cumprida e reduzida a termo por meio de relatório. É o relatório Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1201002.734, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/2014 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.734): O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O recorrente afirma que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG que, ao realizar o pagamento do serviço, promoveu a retenção do IRRF. Afirma, ainda, que realizou o pagamento do IRPJ do correspondente período, em que "está embutido" o tributo referente ao supracitado serviço, o que caracterizaria a duplicidade de pagamento. A decisão recorrida entendeu que não havia pagamento em duplicidade em razão do fato de o contribuinte ter recolhido IRPJ pelo lucro presumido, apurado conforme sua própria declaração. Na primeira vez em que o colegiado se reuniu para decidir o feito, o processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1201000.457. A diligência foi cumprida e reduzida a termo por meio da informação fiscal de fls. 78, em que a autoridade fiscal manifestouse no sentido de que o contribuinte cometeu um erro formal e que há pagamento a maior de tributo, nos seguintes termos: Concluindo, constatase que estamos diante de um erro formal caracterizado pela ausência de informação quanto à dedução do valor do IRRF, o que prejudicou a Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10675.901955/201419 Acórdão n.º 1201002.751 S1C2T1 Fl. 5 4 correta apuração do valor do imposto de renda a pagar, o que poderia ter sido solucionado com a retificação da DIPJ e da DCTF, o que não ocorreu. Todavia, adotandose o princípio da verdade material em detrimento do aspecto meramente formal entendo que assiste razão à interessada quanto à existência de fato do direito creditório, uma vez comprovado a ocorrência de erro de fato e que realmente o pagamento foi feito a maior, no valor pleiteado de R$ 199,39, por falta de dedução do IRRF. Assim entendo que a contribuinte faz jus à restituição do imposto de renda pessoa jurídica, pleiteado no PER nº 06655.10092.131213.1.2.049517, em analise no presente processo. Acato a conclusão da autoridade fiscal e reconheço o direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.724804/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 22/03/2012
SUBFATURAMENTO.
Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõe-se o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias.
VALORAÇÃO ADUANEIRA.
Comprovada a fraude nas importações e não sendo possível a obtenção do valor real da transação, correta a aplicação do art. 88 da MP nº 2.158-35 para arbitrar o valor tributável com base em mercadorias idênticas, provenientes do mesmo exportador em operações regulares praticadas pela própria Recorrente.
MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO. PREÇO. DECLARAÇÃO ERRÔNEA.
A multa do controle administrativo das importações, por conta do subfaturamento, correspondente a cem por cento da diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado ou arbitrado.
SUBFATURAMENTO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MENOR. COMPROVAÇÃO DA FRAUDE. MULTA PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A utilização de artifício fraudulento objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo dos tributos incidentes na importação configura evidente intuito de fraude, impondo-se a aplicação da multa proporcional qualificada, correspondente a 150% dos valores não recolhidos.
Numero da decisão: 3201-005.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 22/03/2012 SUBFATURAMENTO. Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõe-se o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. VALORAÇÃO ADUANEIRA. Comprovada a fraude nas importações e não sendo possível a obtenção do valor real da transação, correta a aplicação do art. 88 da MP nº 2.158-35 para arbitrar o valor tributável com base em mercadorias idênticas, provenientes do mesmo exportador em operações regulares praticadas pela própria Recorrente. MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO. PREÇO. DECLARAÇÃO ERRÔNEA. A multa do controle administrativo das importações, por conta do subfaturamento, correspondente a cem por cento da diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado ou arbitrado. SUBFATURAMENTO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MENOR. COMPROVAÇÃO DA FRAUDE. MULTA PROPORCIONAL QUALIFICADA. A utilização de artifício fraudulento objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo dos tributos incidentes na importação configura evidente intuito de fraude, impondo-se a aplicação da multa proporcional qualificada, correspondente a 150% dos valores não recolhidos.
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Constatada a ocorrência de subfaturamento nas importações, impõese o lançamento das diferenças de tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da declaração a menor do valor aduaneiro das mercadorias. VALORAÇÃO ADUANEIRA. Comprovada a fraude nas importações e não sendo possível a obtenção do valor real da transação, correta a aplicação do art. 88 da MP nº 2.15835 para arbitrar o valor tributável com base em mercadorias idênticas, provenientes do mesmo exportador em operações regulares praticadas pela própria Recorrente. MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO. PREÇO. DECLARAÇÃO ERRÔNEA. A multa do controle administrativo das importações, por conta do subfaturamento, correspondente a cem por cento da diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado ou arbitrado. SUBFATURAMENTO. RECOLHIMENTO DE TRIBUTO A MENOR. COMPROVAÇÃO DA FRAUDE. MULTA PROPORCIONAL QUALIFICADA. A utilização de artifício fraudulento objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo dos tributos incidentes na importação configura evidente intuito de fraude, impondose a aplicação da multa proporcional qualificada, correspondente a 150% dos valores não recolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 48 04 /2 01 2- 87 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 238 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Impugnação, o qual está consignado nos seguintes termos: "Tratase de três Autos de Infração relativos à DI 12/05337972, de 22/03/2012 a seguir: 1. AI com crédito tributário no valor total de R$ 50.116,71, correspondente à diferença do Imposto de Importação, acrescido de juros de mora e multa de ofício duplicada (150%) com base no art. 44, inc. I e parágrafo 1º da Lei 9.430/96, bem como da multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado pela fiscalização, com fundamento no art. 88 da Medida Provisória 2.158/2001; 2. AI com crédito no valor total de R$ 9.037,00 correspondente a Cofins Importação, juros de mora e multa duplicada, e 3 AI com crédito valor total de R$ 1.961,99 correspondente ao PISImportação, juros de mora e multa duplicada. A estrutura da Descrição dos Fatos apresentase na forma abaixo e dele transcrevo os seguintes trechos mais relevantes para esclarecimento da autuação: DO DESPACHO DE IMPORTAÇÃO A importadora WASHBURN DO BRASIL IMP. EXP. DE INSTRUMENTOS MUSICAIS LTDA, CNPJ 01.168.096/000164, doravante denominada WASHBURN, registrou, em 22/03/2012, a declaração de importação nº 12/05337972 (fls. 24/29), amparada pelo conhecimento de transporte nº NSZX11111816 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 239 3 (fl. 30) e fatura comercial nº FS111123A (fl. 31) emitida pelo exportador chinês Fusion Musical Instruments Manufacturing CO LTD. A declaração de importação é composta de duas adições: Adição 01 – Violões eletroacústicos, modelos diversos, fl. 27; Adição 02 – Starpex, acessório de vídeo game, fl. 28. Os valores unitários dos violões foram declarados de acordo com a fatura comercial acima descrita, totalizando um montante, em relação à adição 01, de US$ 10.578,70. Conforme demonstrado no curso deste auto, restou provado que os valores unitários não correspondiam à realidade, sendo os mesmos arbitrados, conforme documentos obtidos pela fiscalização em ação de busca e apreensão judicial executada sobre a empresa pela Receita Federal do Brasil. DA FISCALIZAÇÃO Em ato de fiscalização sobre a autuada pela Receita Federal do Brasil na Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília, nos termos da Instrução Normativa 228/2002, foram apreendidos diversos documentos fiscais e comerciais. Tal ato de fiscalização foi encerrado em 2012, tendo sido lavrado Auto de Infração nº 0117600/00077/11, formalizado mediante o processo administrativo nº 10111.720204/201217, cuja ciência do autuado fora realizada em 14/03/2012, fl. 33. Entre os documentos apreendidos, verificase a commercial invoice nº FS110217A, datada de 17/02/2011, fl. 34, e nº FS110318A, datada de 18/03/2011, fl. 35, amparando carga de violões eletroacústicos exportados pela empresa chinesa Fusion Musical Instruments Manufacturing CO LTD. Os modelos dos violões são idênticos aos declarados na importação sob fiscalização pela DI 12/05337972. Os documentos apreendidos compõem um rol de centenas de documentos que comprovaram, entre outros, que os valores declarados pela Washburn à fiscalização, para efeitos de tributação, eram inferiores aos verdadeiramente negociados com o exportador e base de cálculo dos tributos aduaneiros. Tratase de ato doloso utilizado para diminuição dos valores reais das mercadorias importadas, com o propósito de reduzir, indevidamente, o montante de tributos devidos. Desse modo, tomandose por base as faturas comerciais às fls. 34/35, amparando mercadorias idênticas às sob fiscalização pela DI 12/05337972, inclusive quanto ao exportador, foi determinado o recolhimento das diferenças de tributos e multas cabíveis, conforme exigência aposta no Siscomex. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 240 4 O importador, inconformado, protocolou requerimento em 25/06/2012, solicitando lavratura do competente auto de infração, fl. 36. Diante da inconformidade do importador, a fiscalização lavrou este auto de infração para cobrança dos tributos e multas cabíveis, com base nos seguintes valores unitários arbitrados para a adição 01 da DI em referência: [...] A fiscalização ainda lavrou Auto de Infração Complementar visando a seguinte correção: ONDE SE LÊ: MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO (PASSÍVEL DE REDUÇÃO) LEIASE: MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO 2. Impugnação da WASHBURN DO BRASIL Cientificada no próprio Auto de Infração em 31/07/2012, fl. 75, a empresa apresentou impugnação, também assinada pelo despachante aduaneiro, em 08/08/2012 (fls. 81 93 e seus anexo), de onde transcrevo as seguintes questões e argumentos mais relevantes: [...]III) PROCESSO DEPENDENTE DE OUTRO Como demonstrado a presente autuação teve como base o Auto de Infração lavrado no processo n° 10111.720.204/201217, conforme consta do Despacho de Importação elaborado pela fiscalização ora autuante. O referido processo aguarda julgamento pela DRJ de Brasília em razão de impugnação apresentada pelo contribuinte (doc.1). Dessa forma, aquele processo é prejudicial a este, isto porque, se aquele lançamento fiscal se tornar insubsistente em razão da defesa apresentada pelo contribuinte, o Auto de Infração ora impugnando também deverá ser anulado. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 241 5 Assim, o presente processo deve ser sobrestado até o julgamento final daquele outro uma vez que esse é dependente daquele, visando, evitar decisões conflitantes. Caso isso não ocorra, poderá haver julgamento divergente, o que será caso de nulidade de pleno direito, em razão do evidente cerceio de defesa, na forma do art. 59, I e II, do Decreto nº 70.235/72. Requer assim, desde já, o sobrestamento deste processo até o julgamento final daquele em que houve a prova emprestada e que foi o fundamento para a presente autuação. IV) MÉRITO a) Falta de Prova Não existe prova nestes autos de que os valores arbitrados pelo Fisco correspondem ao valor das mercadorias objeto da Dl ora autuada. [...] b) A prova emprestada de outro Processo A fatura (invoice) a que se refere a presente autuação decorreu de uma outra fiscalização realizada na zona secundária, no estabelecimento da empresa, onde foram apreendidos alguns documentos. Aquela fiscalização, ao analisar alguns poucos documentos, constituídos de invoice entendeu que havia suposta divergência de preço nas mercadorias importadas, acusando a empresa de subfaturamento na comparação desse documento com as Dl's do desembaraço. [...] Assim, não é correto a fiscalização ter se utilizado apenas da invoice proforma para a autuação e lançamento fiscal, mas deveria, se fosse o caso, ter o devido aprofundamento nos seus exames e lançado mão de outras provas no sentido de corroborar a tese fiscal do subfaturamento. c) Os Descontos no Preço da Invoice Proforma [...] Assim, o preço real não é aquele das invoices proforma mas o valor que o negócio foi fechado e que constou das Dl's, das faturas comerciais e das notas fiscais de entrada. Dessa forma, não poderia a fiscalização ter se utilizado desse documento como base para o arbitramento, uma vez que o mesmo não tem valor jurídico ou comercial. A fiscalização deveria ter carreado outro tipo de prova para os autos, se fosse o caso, para eventualmente confirmar o referido Subfaturamento. V) A MULTA Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 242 6 A presente autuação além da multa de ofício de 150% ainda aplica uma multa formal de R$ 34.473,79, no percentual de 100%. Dessa forma, as multas atingiram o percentual de 250%, de forma cumulada. A cumulação de multas no mesmo procedimento é um bis in iden que não tem sustentação legal. Por sua vez, a multa aplicada é incabível no presente caso, uma vez que não foi provada nestes autos a divergência de preço em relação a essa importação específica. A fiscalização está se baseando em outra fiscalização e, para o presente, realizou um arbitramento de preço. No arbitramento por critérios escolhidos pela fiscalização não cabe a aplicação da multa formal, por controle administrativo. Tampouco é o caso de multa agravada de 150% na forma aplicada, por falta de amparo legal, uma vez que não ficou comprovada, especificamente para a presente importação a existência de fraude ou qualquer outro ato doloso. Tratase de mera divergência entre os valores declarados e aquele que entendeu por arbitrar a fiscalização. VI) A EXCESSIVIDADE DO VALOR DA MULTA Os Tribunais do país têm decidido que a multa em valor exorbitante é incompatível com os postulados do Direito Pátrio. No caso, a aplicação de multas cumuladas que atingem à 250%, é muito superior ao valor do bem, o que configura um confisco vedado pelo Direito Brasileiro, na forma do art. 150, IV, da CF.88. [...] A multa de ofício de 250% é inaplicável à hipótese do presente procedimento fiscal, merecendo a sua nulidade, pois tem efeito confiscatório. VII) INEXISTÊNCIA DE DOLO O arbitramento realizado pelo Fisco na forma do art. 86 do Decreto nº 6.759/2009 não constitui em fraude, ou sonegação. A aplicação de método substitutivo, baseado em valores não específico dessa operação, mas em outros elementos constante de outros processos e em outras circunstâncias, não caracterizam fraude, dolo ou sonegação de forma a agravar ou penalizar o contribuinte. Ademais, a fraude, o dolo e a sonegação devem ser demonstrados e comprovados pelo Fisco. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 243 7 No caso, não houve a comprovação pelo Fisco da fraude, como exigência a legislação fiscal vigente. Ademais, o arbitramento do preço e a multa foram aplicados baseandose em presunção, o que é vedado na espécie. No caso, com base em outro processo administrativo ainda não julgado e, portanto, com efeitos suspensivos na forma do art. 151 do CTN, foi utilizada da informação daquele processo para presumir que a operação desta autuação estaria subavaliada. Portanto, não comprovada a divergência com documentos da operação específica ora autuada, a conclusão fiscal se realizou por presunção. Assim, é nula na forma do Regulamento Aduaneiro e da jurisprudência administrativa a aplicação de arbitramento ou pena por presunção. VIII) TRIBUTOS RECOLHIDOS NA OPERAÇÃO A operação objeto desta atuação já havia sido tributada pela fiscalização na zona primária, conforme se observa pelo lançamento de diferença no Auto de Infração, com o abatimento do recolhido nessa mesma operação. [...] IX) IMPUGNAÇÃO DOS DADOS E ELEMENTOS AUTUADOS A contribuinte impugna integralmente os valores utilizados no lançamento fiscal, bem como os demonstrativos e relatórios anexos, os documentos e o arbitramento, porque não foram realizados de acordo com a realidade factual ou de conformidade com a legislação fiscal vigente. O procedimento fiscal e o lançamento merecem ser declarados integralmente nulos, por não representarem fatos que devam submeterse à multa aplicada e tipificada neste processo. X) DO PEDIDO Protestase, desde já, pelo aditamento à presente e pela juntada de outros elementos, esclarecimentos ou documentos adicionais para o deslinde da questão, em homenagem ao amplo direito de defesa e do contraditório. ANTE O EXPOSTO, é a presente IMPUGNAÇÃO para que essa respeitável Autoridade julgue improcedente a ação fiscal e o seu conseqüente lançamento, anulando in totum o crédito tributário, bem como os efeitos dele decorrentes, por ser esta a mais lídima JUSTIÇA! Requer ainda nos termos da Portaria 389 de 13 de outubro de 1976 o deferimento do depósito em dinheiro, e desembaraço da mercadoria. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 244 8 3. Desembaraço da mercadoria Foi deferido pela autoridade local o pedido acima, feito na própria impugnação, para desembaraço e entrega da mercadoria mediante garantia com depósito em dinheiro (fls. 96 111). 4. Decisão Judicial O presente processo foi objeto do Acórdão 0830.758, de 21 de agosto de 2014, fls. 133142, no qual esta Turma não conheceu da impugnação devido a ausência de provas da representação processual do signatário. Agora ele retorna para cumprimento da decisão judicial transcrita na fl. 164 com o seguinte teor: "Ante o exposto, DEFIRO o pedido de tutela antecipada, para determinar à ré que conheça da impugnação apresentada pela autora (subscrita por seu despachante, Sr. Antônio Ney Simões) no PAF n° 10711.724804/201287, enviandoa para julgamento pelo órgão administrativo competente, e suspenda a exigibilidade do respectivo débito tributário até o julgamento final na esfera administrativa, nos termos do art. 151, inc. III, do CTN, ou ulterior deliberação judicial”. A Impugnação foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do Fato gerador: 22/03/2012 SUBFATURAMENTO. ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVADA E MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DA IMPORTAÇÃO. A declaração de valores inferiores aos reais, lastreada em faturas ideologicamente falsas, caracteriza a prática do subfaturamento e permite o arbitramento do valor aduaneiro. Cabível na espécie a aplicação da multa de ofício agravada, de 150% dos tributos não recolhidos, além da multa administrativa relativa ao controle da importação de 100% sobre a diferença de valor aduaneiro. PIS E COFINS NA IMPORTAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições para o PIS e COFINS devidos na importação, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 245 9 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA EMPRESTADA. INEXISTÊNCIA. Quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, estes poderão constar em único processo com diversos Autos de Infração ou reproduzidos em processos diversos, sem que esta conveniência fiscal configure prova emprestada. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. OPORTUNIDADE. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente, ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) a mera diferença entre operações envolvendo mercadorias da mesma natureza não é prova absoluta da infração; (ii) os produtos importados usufruíram de descontos de até 50% quando da internação dos produtos no Brasil; (iii) tais descontos se dão em razão do volume importado; (iv) além dos produtos com marca "WASHBURN" importa também os produtos da marca "CONDOR"; (v) em razão da expertise de um dos sócios na elaboração e comercialização de instrumentos musicais e a sua reputação, os descontos concedidos pelos fornecedores são maiores; (vi) a autoridade fiscal desconsiderou o primeiro método de valoração aduaneira (valor da transação) e promoveu o arbitramento do valor dos bens com base no art. 88, inc. I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001; Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 246 10 (vii) foi desrespeitada a aplicação do AVAGATT que é disciplinada pelos arts. 76 a 83 do Decreto nº 4.543/02 e pela Instrução Normativa SRF nº 327/03; (viii) a suposta prática de subfaturamento quanto à própria fraude não podem se amparar em suposições, mas ancorarse em dados palpáveis da ocorrência de preço declarado inferior ao realmente praticado em uma operação usual e da atuação dolosa do importador; (ix) cita jurisprudência do CARF que , no seu entendimento, ampara sua posição; (x) não estão preenchidos os requisitos necessários para aplicação da multa qualificada de 150%, pois não há comprovação de dolo; (xi) o AFRB autuante afirma que o suposto elemento subjetivo residiria na diferença de valores entre a fatura apreendida na empresa durante ação fiscal e aqueles declarados na DI nº 12/05337972, sendo que a única correlação entre as faturas e a DI é a identidade dos modelos das mercadorias importadas nos documentos; (xii) o dolo não se presume e deve ser provado; e (xiii) cita decisões administrativas que vão ao encontro de sua tese de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Com relação ao procedimento adotado pela Fiscalização para considerar os valores declarados na DI nº 12/05337972 como subfaturados entendo que foi correto. De modo diverso ao alegado, a Fiscalização utilizou invoices definitivas como paradigmas, portanto, não há que se falar em suposições como alegado na peça recursal. Aliás a própria decisão recorrida esclarece esta questão. Vejamos: "Com base na afirmação inverídica de que a fiscalização teria se utilizou apenas de invoice proforma para concluir pelo subfaturamento, a impugnante explica como ocorre uma negociação iniciada com um preço na fatura proforma e concluída com preço diferenciado na fatura comercial (geralmente com desconto), sendo esta última o único documento a ter valor comercial e jurídico. Embora correta essa argumentação teórica, verificase no caso sob exame que a fiscalização, para encontrar o preço paradigma do arbitramento, utilizouse de commercial invoices (definitivas) e não de faturas proforma, tal como indicado no quadro abaixo. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 247 11 Todas as três commercial invoices informam ser de emissão da empresa chinesa Fusion Musical Instrument Manufacturing CO, LTD para a autuada. Com estes elementos a fiscalização montou a seguinte tabela: Como se observa, o valor unitário de cada produto foi arbitrado com base no menor valor do violão com modelo idêntico encontrados nas duas DI paradigmas suficientes para se identificar o subfaturamento e aplicar o primeiro critério de arbitramento do preço, em atendimento ao dispositivo abaixo: MP 2.158/2001 Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar;........... Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Em virtude da situação acima demonstrada, a ação dolosa confundese com a própria utilização, no despacho aduaneiro, Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 248 12 da fatura comercial que se mostrou ideologicamente falsa e redutora dos tributos e contribuições. O Fisco, no caso concreto, tomou como paradigmas mercadorias idênticas e importadas pela própria Recorrente. Os preços constantes das invoices paradigmas para as mesmas mercadorias são significativamente superiores. Vejamos, as invoices paradigmas: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 249 13 Exemplificativamente, temos para o produto violão "SD10CENT", que a Recorrente na DI 12/05337972 procedeu a importação de referida mercadoria ao valor unitário de US$ 13,60, sendo que nas invoices paradigmas, o mesmo violão foi importado por US$ 38,03 e US$ 38,85. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 250 14 A diferença de valores é patente. Ademais, o argumento de que obteve desconto significativo em razão da quantidade de produtos importados também não procede. Para o mesmo modelo de violão mencionado, na DI objeto do presente processo foram importadas 223 peças, por sua vez, nas invoices paradigmas constam 370 e 300 unidades, ou seja, para tal instrumento musical as importações adotadas pela Fiscalização como paradigmas o foram em volume até maior e com preços superiores, o que derrui tal argumento. Caberia a Recorrente ao menos motivar suas alegações de defesa, de modo a darlhes consistência e coerência. Não logrou êxito a Recorrente em desconstituir as alegações e provas produzidas pela Fiscalização, pois sequer apresentou algum documento hábil para derruir a autuação. Se a Recorrente entende que a verdade material não está contida nos elementos apresentados pela Fiscalização, deveria trazer ao processo dados probantes do contrário, pois é um direito seu apresentar as provas que julgar necessárias para demonstrar e reforçar seus argumentos. Com relação ao fato de a Fiscalização não ter utilizado o 1º método de valoração aduaneira, melhor sorte não socorre a Recorrente. É possível em casos como o presente que a Fiscalização adote outro método subsequente legalmente previsto. Este é o entendimento do CARF, conforme precedente a seguir transcrito: "Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 21/11/2002 VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO NO PREÇO. REJEIÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO. APLICAÇÃO DO 6º MÉTODO. FLEXIBILIDADE DO 2º MÉTODO. POSSIBILIDADE. Caracterizada o subfaturamento do preço declarado e diante da impossibilidade de utilização do valor de transação (1º método) e dos métodos substitutivos precedentes (2º ao 5º métodos), é legítima a adoção do 6º método de valoração, mediante a flexibilização dos critérios de valoração do 2º método, podendo ser utilizado como paradigma o preço de produto idêntico ao importado, desde que disponível na base de dados da Administração aduaneira do País. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10909.003271/2002 17; Acórdão nº 3102000.804; Relatora Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena; sessão de 27/10/2010) Há razoabilidade suficiente para acatar o método utilizado pela Fiscalização ao adotar como paradigma importações efetivadas pela própria Recorrente e de idênticos produtos. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 251 15 O CARF assim se posiciona sobre o subfaturamento nas importações: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 23/07/2008 a 22/08/2008 (...) VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCARACTERIZAÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO. FRAUDE. ARBITRAMENTO. TRIBUTOS. MULTAS. Nos casos de fraude, sonegação e conluio, quando o preço real praticado não puder ser identificado, a fiscalização deverá arbitrar o preço da mercadoria importada, seguindo os critérios apontados nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01. MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO. PREÇO. DECLARAÇÃO ERRÔNEA. A multa do controle administrativo das importações, por conta do subfaturamento, correspondente a cem por cento da diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado ou arbitrado. DIFERENÇA DE TRIBUTOS. DISCREPÂNCIA DE VALORES. Provada a discrepância dos valores declarados, tornase cabível a exigência das diferenças de Imposto de Importação, IPI Vinculado à Importação, do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, calculadas com base no preço arbitrado, além dos juros de mora (art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/1996). TRIBUTOS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Em caso de infração praticada mediante fraude, aplicamse as multas qualificadas por insuficiência de recolhimento, no percentual de 150% sobre as diferenças de tributos, sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. Recurso a que se nega provimento." (Processo nº 10909.720994/201175; Acórdão nº 3201002.605; Relatora Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim; sessão de 28/03/2017) Neste sentido entendo que restou caracterizado o subfaturamento com os elementos colacionados aos autos, razão pela qual é correta a medida fiscal que impõe multa administrativa relativa ao controle da importação de 100% sobre a diferença de valor aduaneiro. Com relação a multa agravada de 150%, entendo, também, que não assiste razão aos argumentos da Recorrente. Deve ser destacado, mais uma vez, que a Recorrente já havia praticado operações de importação dos mesmos equipamentos e adquiridos do mesmo exportador em Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 252 16 valores consideravelmente superiores aos do presente processo, portanto, tinha pleno conhecimento das possíveis consequências desta prática de declarar valores a menor. Tratase, então, de ato praticado com dolo e utilizado para diminuição dos valores reais das mercadorias importadas, com o propósito de reduzir, indevidamente, o montante dos tributos devidos. Conforme consignado na decisão recorrida, em virtude da situação demonstrada, a ação dolosa confundese com a própria utilização, no despacho aduaneiro, da fatura comercial que se mostrou ideologicamente falsa e redutora dos tributos e contribuições. A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 150 % o legalmente previsto para a situação descrita no presente processo. A jurisprudência do CARF é neste sentido: "Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 01/09/2004 a 31/07/2008 (...) VALORAÇÃO ADUANEIRA. Cabe à defesa o ônus de impugnar especificamente as matérias e de indicar as provas que dão lastro às suas alegações. Não tendo o contribuinte especificado no que consiste a ilegalidade cometida pela fiscalização na valoração aduaneira, mantémse os valores apurados pelo fisco. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR DO IMPOSTO. A fraude e a sonegação engendradas, que culminaram em importações declaradas por valores inferiores aos praticados, rendem ensejo ao lançamento de ofício dos tributos não recolhidos com a multa de ofício agravada no percentual de 150%. (...)" (Processo nº 10494.000374/200911; Acórdão n° 3403002.864; Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim; sessão de 26/03/2014) "Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO É legal a imposição de multa de oficio, com agravamento de (150%) aplicada sobre os tributos exigidos (II, IPI, PIS e Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 253 17 COFINS) com as multas administrativas relativas ao subfaturamento. O artigo 44 da lei n.º 9.430/96, alterada pelas leis n.ºs 10.892, de 2004, Redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007, dispõe que será aplicada multa de ofício qualificada independentemente de outras penalidades administrativas cabíveis. O artigo 88 da MP n.º 2158, em sua redação dispõe que a multa do subfaturamento é aplicada sem prejuízo da multa de ofício. A penalidade aplicada multa pelo subfaturamento pune o ato de subfaturar, diferente da existência de fraude sonegação ou conluio. A multa do artigo 88 da MP n.º 2158, não difere em nada na multa prevista no artigo 169 do Decreto Lei n.º 37/66.(...) " (Processo nº 10314.012101/200647; Acórdão nº 9303007.689; Relatora Conselheira Érika Costa Camargos Autran; sessão de 21/11/2018) "Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 22/04/2004 a 05/12/2005 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO É legal a imposição de multa de oficio, com agravamento de (150%) aplicada sobre os tributos exigidos (II, IPI, PIS e COFINS) com as multas administrativas relativas ao subfaturamento. O artigo 44 da lei nº 9.430/96, alterada pelas leis nºs 10.892, de 2004, Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, dispõe que será aplicada multa de ofício qualificada independentemente de outras penalidades administrativas cabíveis. O artigo 88 da MP 2158, em sua redação dispõe que a multa do subfaturamento é aplicada sem prejuízo da multa de ofício A penalidade aplicada multa pelo subfaturamento pune o ato de subfaturar, diferente da existência de fraude sonegação ou conluio. A multa do artigo 88 da MP 2158, não difere em nada na multa prevista no artigo 169 do Decreto Lei nº 37/66." (Processo nº 11128.002813/200880; Acórdão nº 9303004.429; Relator Conselheiro Demes Brito; sessão de 06/12/2016) Diante do exposto, considerando que há nos autos documentação capaz de demonstrar (i) a ocorrência de infração dolosa; (ii) a inadequação do preço declarado com outras práticas comerciais praticadas pela Recorrente com as mesmas mercadorias e exportador Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10711.724804/201287 Acórdão n.º 3201005.284 S3C2T1 Fl. 254 18 e (iii) nexo de causalidade entre a ação e o efeito decorrente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.010645/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-003.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 06 45 /2 00 5- 15 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10680.010645/200515 Acórdão n.º 1302003.516 S1C3T2 Fl. 72 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em relação ao Acórdão nº 0212.893, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 31 a 37), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DCTF. MULTA POR ATRASO. O contribuinte que está obrigado a entregar DCTF sujeitase às penalidades previstas na legislação vigente, quando deixar de apresentála ou apresentála em atraso." O presente processo decorre de auto de infração relativo a multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao quarto trimestres do anocalendário de 2004 (fl. 19). O sujeito passivo, por meio do documento de fl. 3, solicitou o cancelamento da referida penalidade, sob a alegação de que a entrega em atraso se deu em decorrência da indisponibilidade do meio de entrega, desde 25 de janeiro de 2005, conforme comprovaria atos administrativos da própria Administração Tributária. Argumenta, ainda, que o ato que permitiu a entrega da declaração em questão até 18 de fevereiro de 2005 foi publicado, apenas, em 08 de abril de 2005, o que impedia o contribuinte de ter conhecimento prévio desta possibilidade. Por fim, invoca a aplicação do instituto da denúncia espontânea, uma vez que a declaração foi apresentada espontaneamente. A decisão de primeira instância considerou que os atos administrativos invocados pelo sujeito passivo não provariam a impossibilidade de transmissão da DCTF, desde 25 de janeiro de 2005, sendo que o problema reconhecido se limita ao dia 15 de fevereiro de 2005, pelo que as DCTF apresentadas até o dia 18 de fevereiro de 2005 foram consideradas tempestivas. Deste modo, tendo em vista que a DCTF de que tratam os autos foi apresentadas após 18 de fevereiro de 2005, é correta a aplicação da penalidade pelo atraso, conforme prevista na legislação, que não é afastada pela alegação de falta de intenção de lesar o Fisco. Concluiu, ainda, que a denúncia espontânea não se aplica às obrigações acessórias, de modo que manteve a multa imposta. Após a ciência, o sujeito passivo principal apresentou o Recurso Voluntário de fl. 44, no qual alega que as pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10680.010645/200515 Acórdão n.º 1302003.516 S1C3T2 Fl. 73 3 não estão obrigados à entrega de DCTF. Assim, considerando que teve deferida opção retroativa pelo Simples, seria indevida a multa que lhe foi imposta. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 25 de maio de 2007 (fl. 43), tendo apresentado Recurso Voluntário em 12 de junho de 2007 dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado pelo responsável legal da Recorrente. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso VI, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ocorre que o cotejo entre a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo (fl. 3) e o recurso ora tratado permite a constatação de que a matéria contida neste último apelo não foi trazida naquela primeira peça. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. É patente que a matéria trazida no recurso de fl. 44 não se encaixa nas exceções acima tratadas, de modo que se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do Recorrente em trazêla aos autos neste momento, quando deveria ter sido alegada na manifestação de inconformidade. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10680.010645/200515 Acórdão n.º 1302003.516 S1C3T2 Fl. 74 4 Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente se limitou, em sua Manifestação de Inconformidade, a alegar a ocorrência de baixa, como motivo para estar desobrigado da apresentação das DCTF, não pode, em sede de Recurso ao CARF, inovar completamente o seu argumento de defesa, para trazer matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso, qual seja a sua suposta opção pelo Simples. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo. Apenas para citar algumas mais recentes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade.Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10680.010645/200515 Acórdão n.º 1302003.516 S1C3T2 Fl. 75 5 "ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão." (Acórdão nº 3401004.146 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303005.208 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017, Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello) Isto posto, voto pelo não conhecimento do recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006890/2009-36
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ANOCALENDÁRIO 2008 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, consoante a Súmula CARF nº 49. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 0819.190, da 3a Turma da DRJ/FOR, que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 68 90 /2 00 9- 36 Fl. 31DF CARF MF 2 Auto de Infração que exigiu o crédito tributário, relativamente a multa pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Resumo, a seguir o relatório: Cuidam os presentes autos de Impugnação manejada pela interessada contra a Notificação de Lançamento de fls. 02, mediante a qual lhe foi cobrada multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa ao segundo semestre de 2008. Segundo o documento de fls. 02, a interessada entregou em 30/04/2009 a DCTF do segundo semestre de 2008, cujo prazo de entrega se exaurira em 07/04/2008. Em sua defesa, alega a interessada que: "Tendo em vista que por motivos superiores ou seja, pane no computador de nossa empresa, não foi possível cumprir o prazo legal para entrega da DCTF s6 podendo fazer a entrega em 30/04/2009, tal qual o espanto a notificação de lançamento de multa por este pequeno atrazo (sic) que ocorreu não por vontade própria mas por força maior." [...] nós fizemos a entrega por livre e espontânea vontade não fomos intimados ou notificados para a referida entrega". "Diz o Código Tributário Nacional: 'Ao procurar o órgão competente para sanar quaisquer irregularidades e cumprir formalidade legal antes de qualquer notificação ou solicitação, fica o contribuinte isento de que seja aplicada multa ou outras penalidades pelo referido cumprimento". [...] a Receita Federal descumpriu tacitamente o preceito legal do CTN acima citado, portanto solicitamos que seja tornado sem efeito a cobrança de multa [...].". A recorrente foi cientificada da decisão em 20/12/2010 (fl 19) e apresentou o seu recurso voluntário em 18/012011 (fl 18). Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário tempestivo, e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega: 1 Ao fazer o julgamento do recurso imposto junto ao Delegado da Receita Federal de Julgamento, e a 3° turma da DRJ/FOR não atendeu ao que diz o art. 138 do CTN que em seu teor diz: : "Ao procurar o órgão competente para sanar quaisquer irregularidade e cumprir formalidade legal antes de qualquer notificação ou solicitação, fica o contribuinte isento de que seja aplicada multa ou outras penalidades pelo referido cumprimento. Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10380.006890/200936 Acórdão n.º 1001001.151 S1C0T1 Fl. 3 3 2 Nós cumprimos nossa obrigação legal mesmo sem que tivéssemos sidos notificados, e a Receita Federal do Brasil, descumpriu tacitamente o preceito legal do CTN acima citado, pois no momento da entrega (14.04.2009) foi que a receita por meio eletrônico enviou a mensagem com notificação, pois apesar dela haver marcado a data de entrega dia 07.04.2009 nos dias seguintes a data não fomos notificados, após a entrega foi que a receita federal tomou tal atitude, solicitamos que seja tornado sem efeito a cobrança de multa pelo cumprimento desta obrigação pois será um ato de JUS TIC A. Em relação ao argumento apresentado no Recurso Voluntário, a DRJ proferiu o seu voto da seguinte forma: Com o objetivo de eximirse da penalidade, a impugnante invoca o artigo 138 do Código Tributário Nacional, que diz in verbis: ... Entendo que o instituto jurídicotributário da Denúncia Espontânea; insculpido no dispositivo legal acima transcrito, não se aplica, a infrações puramente formais, isto é, aquelas consistentes em descumprimento ou cumprimento a destempo de obrigações tributárias acessórias, que é a matéria versada nos presentes autos. De acordo com o parágrafo 2° do. artigo 113 do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos: ... A apresentação da declaração e uma obrigação acessória cujo cumprimento deve se dar no prazo fixado por lei. Assim, excluir a responsabilidade pela apresentação espontânea da declaração equivale a admitir que esta se faça a qualquer tempo, desde que espontaneamente, o que desconstituiria a obrigatoriedade de fazêlo dentro do prazo legalmente estabelecido no interesse da arrecadação e da fiscalização do tributo. Por outro lado, a inobservância de uma obrigação acessória convertea em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária, conforme estatuído no artigo 113, § 3°, do CTN, abaixo transcrito: ... Nesse caso, a multa exigida constitui uma obrigação principal, com características que impedem a aplicação do disposto no art. 138 do CTN. Inobstante a argumentação até aqui expendida, resta claro, como demonstrado alhures, que havia legislação vigente e eficaz sancionando a conduta da interessada, não competindo a este julgador afastar sua aplicação. A autoridade fiscal (lançadora e julgadora) não se pode furtar ao cumprimento das determinações da legislação tributária, pois sua atividade é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional (art. 3° e parágrafo único do art. 142 do CTN). Por sua vez o artigo 141 do mesmo CTN determina: Fl. 33DF CARF MF 4 "O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, Assim, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitarse em aplicar a lei regularmente inserida no mundo jurídico, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Nesse sentido, observese o que dispõe o artigo 26A do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Na mesma linha opera o disposto no artigo 7° da Portaria MF n° 58, de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento: Art. 7° 0 julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n°8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Em síntese, tratandose de processo administrativo fiscal, basta, para a formação do convencimento da autoridade julgadora, norma jurídica vigente e apta a incidir; se é válida ou não, já se cuida de questionamento a ser apreciado pelo Poder Judiciário, e, mesmo assim, para que a tutela beneficie o contribuinte, (1) deve ele ser parte interessada na contenda judicial, ou, se não, (2) deve referida tutela emanar, em última análise, do STF. Como antes já se demonstrou, a instituição da obrigação acessória de entrega da DCTF, bem como a cominação de multa pelo seu descumprimento ou cumprimento a destempo, estão amparadas, no que se refere ao anocalendário. 2008, respectivamente, no DecretoLei n°2.124, de 13 de junho de 1984 (reiterado pela Lei n°9.779, de 19 de janeiro de 1999), e na Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, ambos vigentes e eficazes ao tempo da autuação ora debatida. Ante a argumentação acima exposta, não pode prosperar o pedido de cancelamento da Notificação de Lançamento de fls. 02 com fundamento na aplicação do instituto jurídicotributário da Denúncia Espontânea de Infrações, consagrado no artigo 138 do CTN. Cita doutrina e jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Adicionalmente ao correto arrazoado, apresentado no acórdão da DRJ, acrescento que a alegação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, em casos de penalidade por atraso na entrega de declaração, já foi objeto de súmula por este CARF a n°49, como versa: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10380.006890/200936 Acórdão n.º 1001001.151 S1C0T1 Fl. 4 5 Assim, não assiste razão a recorrente e, portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário e mantenho o crédito tributário apurado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 35DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.903173/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2004
RECURSO NÃO CONHECIDO. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE.
Não há interesse de agir contra decisão que assegura o direito creditório pleiteado no processo administrativo. A compensação de ofício é direito assegurado ao Fisco, cabendo ao contribuinte discutir a existência do débito em processo próprio.
Numero da decisão: 1401-003.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por falta de interesse de agir.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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FALTA DE INTERESSE DE AGIR. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. Não há interesse de agir contra decisão que assegura o direito creditório pleiteado no processo administrativo. A compensação de ofício é direito assegurado ao Fisco, cabendo ao contribuinte discutir a existência do débito em processo próprio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por falta de interesse de agir. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (VicePresidente), Abel Nunes de Oliveira Neto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 31 73 /2 00 8- 28 Fl. 140DF CARF MF 2 Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acordão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, tendo em vista a não homologação PER/DCOMP nº 31593.98193.310804,1.3.043205, transmitido com o objetivo de compensar débito(s) próprio(s) com crédito de IRPJ no valor original na data de transmissão de R$ 18.981,69, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/08/2004. De acordo com o Despacho Decisório não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA: CARACTERÍSTICAS DO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP Cientificado em 20/08/2008, o contribuinte apresentou manifestação de Inconformidade (fls. 02/05), alegando em síntese que: 1. “se constata a origem do crédito pretendido que poderá ser confirmado através dos recolhimentos realizados onde os respectivos comprovantes de recolhimentos dos períodos de apuração de Janeiro a Dezembro de 2003 (Doc.5) estão anexos ao processo”. 2. “a não localização do DARF se deve à digitação incorreta da data de arrecadação”. O Acórdão (1660.501 5ª Turma da DRJ/SPO) ora requerido apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/08/2004 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10830.903173/200828 Acórdão n.º 1401003.408 S1C4T1 Fl. 141 3 ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP Verificado que houve erro material no preenchimento do PER/DCOMP, há de se proceder à análise da compensação, computandose os dados considerados corretos, de acordo com as provas dos autos. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Manifestação de Inconformidade Procedente Direito Creditório Reconhecido. Inconformado com a decisão da DRJ, o interessado interpõe Recurso Voluntário (fls. 99), trazendo as seguintes razões: 1. Diz que “quando do preenchimento da mencionada PER/DCOMP foi digitado de forma incorreta a data de arrecadação como 31/08/2004, o que não refletia a realidade, como já demonstrado e provado neste processo”; 2. Que “o débito para ser gerado está condicionado apuração de crédito não existente, o que está claro que não ocorreu no caso da Recorrente. Portanto, sua mantença não poderá prosperar, sendo sua cobrança indevida. 3. E que se houve a PROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, bem como que há crédito disponível, extinguiuse a com causa para a existência do débito”. 4. Requereu “o recebido e provido o presente recurso voluntário, aplicandose corretamente a decisão do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP, de modo a anular o débito gerado no processo nº 10830.903.635/2008 15, bem como cancelada sua cobrança e restituir o valor compensado naquele na importância de R$ 15.565,55, e ainda a restituir o valor de R$ 443,14 (Quatrocentos e quarenta e três reais e quatorze centavos) decorrente do processo n° 10830.903.173/200828 (PER/DCOMP 31593.98193.310804.1.3.043205)”. É o relatório do essencial. Fl. 142DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Como se verifica do relatório, a manifestação de inconformidade da contribuinte foi acolhida, tendo sido reconhecida a existência do direito creditório pleiteado. Desta feita, não há vislumbro interesse de agir no Recurso Voluntário manejado pela contribuinte. De fato, o direito creditório foi reconhecido, entretanto, o Fisco procedeu à compensação de ofício com débito exigível lançado contra o contribuinte no PAF 10830903.365/2008. E contra esse débito é que o contribuinte aparentemente se insurge. Da análise da peça recursal não há como se ter certeza se o contribuinte não compreendeu o reconhecimento do seu direito creditório, ou se efetivamente se insurge contra débito constituído em outro processo administrativo fiscal. De toda feita, em qualquer das hipóteses, não mais há lide ou interesse de recorrer da contribuinte, na medida em que seu direito creditório foi assegurado. A existência ou não do referido débito deve ser questionada no processo administrativo fiscal correspondente. A compensação é uma das formas de extinção do crédito tributário prevista no artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional, cuja origem é de direito privado. Sua ocorrência se dá quando duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor de obrigações, uma com a outra, operando?se a extinção das quantias até onde essas se compensarem. O Código Tributário acolheu o instituto, com algumas particularidades, dispondo, em seu art. 170, que: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Assim, é conferida à lei ordinária a possibilidade de autorizar a compensação de créditos tributários líquidos e certos, vincendos ou vencidos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. O exercício desse direito foi autorizado inicialmente pelo art. 66 da lei 8.383, de 1991 e, desde então, o legislador cuidou de editar várias leis que tratassem ou regulassem a compensação. Atualmente a compensação tributária está basicamente regulamentada pelo art. 74, da Lei 9.430/96, com redação dada pelas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04, cujo caput assim dispõe: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão". Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10830.903173/200828 Acórdão n.º 1401003.408 S1C4T1 Fl. 142 5 Esse mesmo diploma legal prevê que cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinar a compensação tributária, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição e de ressarcimento (art. 74, §14) e, com base nesse dispositivo legal, a Receita Federal editou inúmeras Instruções Normativas (IN). Com base nesse dispositivo legal, no dia 31.12.2008, foi publicada a Instrução Normativa 900 da Receita Federal do Brasil, que, ratificando as regulamentações anteriores (artigo 7.º, § 3.º, do Decreto n.º 2.287/86), determina que a autoridade competente da Receita Federal do Brasil, antes de proceder à restituição e ao ressarcimento de tributo, deverá verificar a existência de débito em nome do sujeito passivo no âmbito da RFB e PGFN, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento e, em havendo discordância com tal procedimento, a Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil reterá o valor da restituição ou ressarcimento até que sejam liquidados os débitos. A compensação é direito de via dupla, não podendo ser garantida tão somente aos contribuintes. Face a tudo o quanto exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por falta de interesse de agir. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720839/2017-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2012 a 31/12/2012
AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA CONCOMITANTE. EFEITOS NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário implica renúncia ou desistência à via administrativa quanto ao mesmo objeto.
LANÇAMENTO. NULIDADE.
Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração, lavrado por autoridade competente, atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa.
DISCUSSÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
Na constituição de crédito tributário objeto de discussão judicial, a exigibilidade ou não da multa de ofício deve ser aferida na data do lançamento de ofício, devendo ser aplicada essa penalidade se na época do lançamento o sujeito passivo não estava ao abrigo de medida judicial suspensiva da exigência do crédito tributário.
Numero da decisão: 3301-005.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2012 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA CONCOMITANTE. EFEITOS NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário implica renúncia ou desistência à via administrativa quanto ao mesmo objeto. LANÇAMENTO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração, lavrado por autoridade competente, atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. DISCUSSÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Na constituição de crédito tributário objeto de discussão judicial, a exigibilidade ou não da multa de ofício deve ser aferida na data do lançamento de ofício, devendo ser aplicada essa penalidade se na época do lançamento o sujeito passivo não estava ao abrigo de medida judicial suspensiva da exigência do crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2012 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA CONCOMITANTE. EFEITOS NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário implica renúncia ou desistência à via administrativa quanto ao mesmo objeto. LANÇAMENTO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração, lavrado por autoridade competente, atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. DISCUSSÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Na constituição de crédito tributário objeto de discussão judicial, a exigibilidade ou não da multa de ofício deve ser aferida na data do lançamento de ofício, devendo ser aplicada essa penalidade se na época do lançamento o sujeito passivo não estava ao abrigo de medida judicial suspensiva da exigência do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 39 /2 01 7- 22 Fl. 2393DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.394 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão no. 1675.610 6ª Turma da DRJ/SPO (fls. 2267/2284): Em nome da interessada foram lavrados autos de infração de Cofins e de PIS/Pasep, apurados pelo regime não cumulativo, com multa de ofício no percentual de 75% (passível de redução) e juros de mora calculados até junho de 2017. Os valores exigidos correspondem às quantias abaixo discriminadas em reais, referentes aos períodos de apuração de junho a dezembro de 2012: Foi apontado o seguinte ilícito tributário nos autos de infração lavrados: CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE INFRAÇÃO: CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO Os créditos tributários lançados referemse a diferenças de contribuições sociais apuradas, no curso do procedimento fiscal, como devidas e não declaradas pelo sujeito passivo em DCTF, resultantes de descontos indevidos dos créditos da nãocumulatividade, em desacordo com os preceitos legais, na apuração dessas contribuições, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal em anexo, que faz parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. No Termo de Verificação Fiscal – TVF, em resumo, assim foi narrado o apurado: A contribuinte formulou consulta à Secretaria da Receita Federal em que lhe foi garantido o direito ao creditamento Fl. 2394DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.395 3 dos fretes entre as bases primárias e secundárias da empresa, para fins de apuração do valor devido a título de PIS e COFINS não cumulativos, conforme ementa da decisão, datada de 05/12/2005, a seguir transcrita: [...] No entanto, essa solução de consulta foi revogada pela Solução de Divergência nº 26, de 30/05/2008, proferida pela Coordenação Geral de Tributação COSIT da Receita Federal do Brasil, com a seguinte ementa: [...] Portanto, desde então, não se permite mais a contribuinte o creditamento de despesas com frete interno entre as bases primárias e secundárias da empresa, para fins de apuração do valor devido a título de PIS e COFINS não cumulativos. Inconformada com tal decisão, a RAIZEN impetrou, em 15/04/2009, mandado de segurança perante a 18ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, conforme destacado a seguir. [...] Shell do Brasil Ltda (SHELL), antiga denominação de Raizen Combustíveis S/A, impetrou, em 15/04/2009, com pedido de liminar, o Mandado de Segurança no 2009.51.01.0085880, perante a 18ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, objetivando o reconhecimento judicial do direito à escrituração e manutenção de créditos de PIS e COFINS referentes aos custos oriundos do transporte de combustível entre suas bases de distribuição primárias e secundárias. [...] Do exposto, podese constatar que, no momento, não há nenhum óbice que impeça a glosa dos créditos de PIS e COFINS referentes aos custos oriundos do transporte de combustível entre as bases de distribuição primárias e secundárias da empresa. Intimada, por meio do TIF nº 03, a se pronunciar a respeito deste entendimento, a contribuinte confirmou não existir decisão judicial vigente que lhe favoreça em relação ao objeto do mandado de segurança em apreço. VIII. DA RENÚNCIA ÀS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS: A busca de amparo jurídico por meio da via judicial é uma opção adotada pela contribuinte no seu livre exercício de escolha, mas conforme expresso em diversos atos legais, tais como no artigo 1º do DecretoLei no 1.737/1979, no artigo 26 da Portaria MF nº 341/2011, de 12/07/2011, no artigo 87 do Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.396 4 Decreto nº 7.574/2011, de 29/09/2011, bem como no Parecer Normativo Cosit nº 7/2014, a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas. [...] Do Creditamento Indevido dos Fretes Internos entre Bases Primárias e Secundárias: [...] Desta forma, não havendo previsão legal específica, e, também, não havendo nenhuma autorização judicial em favor da empresa, não é permitida a dedução do crédito das despesas com frete interno de combustíveis entre as bases primárias e secundárias da empresa. Portanto, diante de tudo o que foi exposto no presente Termo de Verificação Fiscal, e tendo em vista que foram efetuadas deduções indevidas na apuração do PIS e da COFINS no período abrangido pelo procedimento fiscal, cabe efetuar a glosa de ofício dos referidos valores e, uma vez recalculados os montantes a pagar destes tributos, lançar os créditos tributários correspondentes. O Anexo 1 deste Termo de Verificação Fiscal, intitulado “Demonstrativo de Apuração das Glosas decorrentes do Transporte de Combustíveis entre as Bases Primárias e Secundárias da Raizen”, exibe a totalização geral dos créditos, considerados indevidos por se tratar de fretes de transferência de combustíveis entre as bases primárias e secundárias da empresa, incidindo as alíquotas de PIS (1,65 %) e COFINS (7,6 %) sobre o somatório dos valores lançados nas contas contábeis utilizadas especificamente para registrar tais despesas, já anteriormente relacionadas, conforme planilha apresentada pela contribuinte em resposta ao item 01 do Termo de Intimação Fiscal nº 02. Cientificada do lançamento em 16/06/2017 – sextafeira (fl. 446), a interessada apresentou impugnação em 18/07/2017 (fl. 449), na qual, em resumo, assim se manifestou (fls. 452/526): VIII – SÍNTESE CONCLUSIVA Ao longo desta defesa, a IMPUGNANTE pôde demonstrar, por vários meios, os motivos pelos quais deve ser anulado ou cancelado o Auto de Infração. Assim, em síntese do quanto desenvolvido e concluído, com base nos dispositivos constitucionais e legais da legislação Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.397 5 pátria, com supedâneo na jurisprudência atual do CARF, da CSRF e do Superior Tribunal de Justiça, concluise que: a.1) Preliminarmente, deve ser anulado o Auto de Infração em epígrafe por conter fundamentação insatisfatória no Termo de Verificação Fiscal, tendo em vista a rasa análise e cotejo entre as peculiaridades das atividades de distribuição de combustíveis realizadas pela IMPUGNANTE, com a legislação tributária de regência e a jurisprudência administrativa e judicial sobre a matéria, o que faz com que tenha sido preterido o direito de defesa da IMPUGNANTE conforme o artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 (SEÇÃO V.1 DA IMPUGNAÇÃO); a.2) Caso não seja acatada a preliminar anterior, ainda em sede preliminar, deve ser anulado o Auto de Infração porque foram glosados créditos tomados sobre fretes relacionados a transferências de combustíveis não realizados entre bases primárias e secundárias, conforme comprovado por amostragem, de modo que a integralidade do lançamento tributário fica abalada pela ausência de equivalência entre as glosas efetivamente constituídas e a fundamentação do Auto de Infração (SEÇÃO V.2 DA IMPUGNAÇÃO); b.1) Caso não se entenda pela nulidade do lançamento, requer o integral recebimento da presente Impugnação e o debate do mérito das glosas efetuadas, tendo em vista a consignação do direito de defesa pela D. Autoridade Fiscal no Termo de Verificação Fiscal, o qual não é passível de reforma a não ser pela nulidade do lançamento e nova lavratura (SEÇÃO III DA IMPUGNAÇÃO); b.2) Caso se entenda pela concomitância entre o mérito debatido no presente Auto de Infração com a discussão travada no Mandado de Segurança nº 2009.51.01.0085880, o que realmente não se espera, de igual modo deve ser integralmente recebida a presente defesa para fins da suspensão da exigibilidade da totalidade do crédito tributário lançado, com base no artigo 151, inciso III, do CTN, tendo em vista as preliminares prejudiciais de mérito levantadas na presente defesa abarcarem a discussão integral do crédito tributário em cobrança em maior abrangência do que a discussão judicial, conforme entendimento consolidado no Parecer Normativo COSIT nº 07/2014 (de aplicação obrigatória pelos órgão da Secretaria da Receita Federal por força do artigo 7º, inciso V, da Portaria MF nº 341/2011), sendo inaplicável à hipótese o parágrafo único do artigo 38 da Lei nº 6.830/80 (SEÇÃO IV DA IMPUGNAÇÃO); c.1) No mérito, foi demonstrado o conceito de insumo adotado na jurisprudência da CSRF e das Turmas Ordinárias do CARF como todo aquela despesa essencial para a atividade do contribuinte (SEÇÃO VI.2.1 DA IMPUGNAÇÃO); Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.398 6 c.2) Restou evidenciada a possibilidade da tomada de crédito a título de insumos por distribuidoras de combustíveis com, pela interpretação conforme do artigo 195, § 12, da Constituição Federal, com os incisos II das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, de modo que o conceito restritivo das possibilidades creditórias infringe a nãocumulatividade e faz com que o PIS e a COFINS incidam em cascata e onerem demasiadamente o produto comercializado, devendo ser seguido o critério da essencialidade para possibilitar a tomada de crédito a título de insumo por distribuidora de combustível, com base em recente manifestação do CARF (SEÇÃO VI.2.2 DA IMPUGNAÇÃO); c.3) Foi demonstrado que (i) os fretes de transferência entre bases primárias e secundárias são despesas imprescindíveis para que a IMPUGNANTE possa exercer suas atividades, (ii) os fretes não podem ser considerados fretes comuns, eis que envolvem diversas especificações e regras especiais conforme regulação da ANTT, de observância obrigatória para o exercício das atividades conforme determinação da ANP, (iii) tais transferências entre bases primárias e secundárias são essenciais para o cumprimento do fluxo e da logística envolvendo o plano de abastecimento definido perante a ANP previamente à concessão da autorização para realização das atividades de distribuição de combustíveis, com base no Plano Energético Nacional, evitando assim o desabastecimento energético em regiões atendidas pelas bases secundárias da IMPUGNANTE (SEÇÃO VI.2.3 DA IMPUGNAÇÃO); c.4) Restou evidenciado que os tipos de fretes transferindo os diferentes tipos de combustíveis (acabados, inacabados ou insumos) se enquadram na jurisprudência da CSRF e das Turmas Ordinárias do CARF que permite a tomada de crédito (SEÇÃO VI.2.4 DA IMPUGNAÇÃO); c.5) Foi demonstrada a necessidade de cancelamento das glosas aplicadas pelo enquadramento ao conceito de insumo amplamente discorrido nas Seções anteriores, sendo irrelevante que os fretes estejam vinculados ao transporte de produtos (combustíveis) sujeitos à tributação monofásica do PIS e da COFINS, com base na jurisprudência da CSRF, das Turmas Ordinárias do CARF e do STJ, tendo em vista que, inclusive, a tributação das contribuições sociais sobre essas fretes incidem na forma plurifásica (SEÇÃO VI.3 DA IMPUGNAÇÃO); e d) Subsidiariamente, caso seja entendido pela prejudicialidade de mérito entre o presente Auto de Infração e o Mandado de Segurança nº 2009.51.01.0085880, seja substituída a multa de ofício aplicada com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, pela multa de mora prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, tendo em vista que à época do período autuado (junho a dezembro de 2012), a Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.399 7 IMPUGNANTE esteve acobertada por sentença judicial vigente proferida pelo MM. Juízo da 18ª Vara da Subseção Judiciária do Rio de Janeiro naquele processo, que permitia a tomada de crédito de PIS e COFINS sobre fretes de transferência de combustíveis entre as bases primárias e secundárias (SEÇÃO VII DA IMPUGNAÇÃO). [...] X – DOS PEDIDOS Ante o exposto, a IMPUGNANTE requer às D. Autoridades Julgadoras seja dado provimento à Impugnação, preliminarmente, para reconhecer a nulidade integral do Auto de Infração, por conter fundamentação insatisfatória no Termo de Verificação Fiscal, tendo em vista a rasa análise e cotejo entre as peculiaridades das atividades de distribuição de combustíveis realizadas pela IMPUGNANTE, com a legislação tributária de regência e a jurisprudência administrativa e judicial sobre a matéria, o que faz com que tenha sido preterido o direito de defesa da IMPUGNANTE conforme o artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972. Caso não seja acatada a preliminar anterior, ainda em sede preliminar, requer seja anulado o Auto de Infração porque foram glosados créditos tomados sobre fretes relacionados a transferências de combustíveis não realizados entre bases primárias e secundárias, conforme comprovado por amostragem, de modo que a integralidade do lançamento tributário fica abalada pela ausência de equivalência entre as glosas efetivamente constituídas e a fundamentação do Auto de Infração. Subsidiariamente e essa preliminar, ao menos, devem ser anuladas as glosas dos fretes que não sejam relacionados entre bases primárias e secundárias. Caso não se entenda pelas nulidades do lançamento indicadas acima, requer o integral recebimento da presente Impugnação e o debate do mérito das glosas efetuadas, tendo em vista a consignação do direito de defesa pela D. Autoridade Fiscal no Termo de Verificação Fiscal, o qual não é passível de reforma a não ser pela nulidade do lançamento e nova lavratura. Na hipótese de essa i. “DRJ” entender pela concomitância entre o mérito do presente Auto de Infração e o Mandado de Segurança nº 2009.51.01.0085880, a prejudicar a análise de mérito das glosas perpetradas na esfera administrativa, o que realmente não se espera, em qualquer hipótese a defesa deve ser integralmente recebida para fins da suspensão da exigibilidade da integralidade crédito tributário com fundamento no artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, tendo em vista o objeto da presente Impugnação ser mais abrangente do que a discussão judicial travada naquele Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.400 8 processo, pois arguidas matérias preliminares prejudiciais de mérito que contestam a validade da integralidade do crédito tributário cobrado no Auto de Infração, sendo, portanto, inaplicável o artigo 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, e incidindo à hipótese o Parecer Normativo COSIT nº 07/2014, entendimento fiscal de observância obrigatória pelos D. Autoridades Julgadoras dessa i. “DRJ” por força do artigo 7º, inciso V, da Portaria MF nº 341/2011. Subsidiariamente, ainda que se entenda pela concomitância do Auto de Infração com o Mandado de Segurança nº 2009.51.01.0085880, o mérito da Impugnação deve ser recebido em relação às glosas efetuadas que não se enquadrem à fundamentação do Auto de Infração– quais sejam, fretes que não sejam entre bases primárias e secundárias –, tendo em vista que o Mandado de Segurança nº 2009.51.01.0085880 referese unicamente aos fretes entre bases primárias e secundárias. Nesse sentido, aplicase toda a argumentação discorrida pela IMPUGNANTE na presente defesa para cancelamento das glosas sobre fretes de transferência entre outras bases que não primárias e secundárias. No mérito, seja com o recebimento integral ou parcial da presente Impugnação para debate do mérito, a IMPUGNANTE requer o cancelamento integral das glosas creditórias perpetradas sobre os fretes de transferência de combustíveis, devendo ser cancelado o Auto de Infração, tendo em vista que tais despesas se enquadram no conceito de insumo, com base na doutrina, no entendimento consolidado do CSRF e do CARF amplamente demonstrado, bem como na jurisprudência judicial. Na hipótese destas D. Autoridades Julgadoras entenderem pela realização de diligência fiscal para resposta dos quesitos apresentados, poderá ser verificado que estes demonstrarão o descabimento das glosas perpetradas pela D. Autoridade Fiscal, especialmente com relação à parcela das glosas efetuadas sobre fretes que não são relacionados entre bases primárias e secundárias, sendo reconhecido, por via de consequência, o cancelamento dessas glosas por inadequação à fundamentação do Termo de Verificação Fiscal, e a necessidade do cancelamento do Auto de Infração. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente em parte a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2012 a 31/12/2012 Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.401 9 AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA CONCOMITANTE. EFEITOS NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário implica renúncia ou desistência à via administrativa quanto ao mesmo objeto. LANÇAMENTO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade do lançamento quando o auto de infração, lavrado por autoridade competente, atende a todos requisitos legais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. DISCUSSÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Na constituição de crédito tributário objeto de discussão judicial, a exigibilidade ou não da multa de ofício deve ser aferida na data do lançamento de ofício, devendo ser aplicada essa penalidade se na época do lançamento o sujeito passivo não estava ao abrigo de medida judicial suspensiva da exigência do crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reitera suas razões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Foram apresentados, no Recurso Voluntário (fls. 2295/2380), os seguintes pontos: III – INTRODUÇÃO DO CONTENCIOSO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E DA EXPRESSA CONSIGNAÇÃO DO DIREITO DA RECORRENTE NO “TVF” IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DESSE TRECHO DO LANÇAMENTO CONFORME CTN IV – DA IMPOSSIBILIDADE DE ENCERRAR A DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA DE FORMA PRECOCE, AINDA QUE SE ENTENDA PELA CONCOMITÂNCIA DA MATÉRIA DE MÉRITO – PARECER NORMATIVO COSIT Nº 07/2014 V – PRELIMINARES – PREJUDICIAIS DE MÉRITO DAS NULIDADES DO AUTO DE INFRAÇÃO – NECESSIDADE DE REFORMA DO V. ACÓRDÃO DA “DRJ” Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.402 10 VI – DO MÉRITO V.1 – NULIDADE – DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE PARA GLOSA DOS CRÉDITOS V.2 – NULIDADE –DA GLOSA DE CRÉDITOS DE FRETES FORA DA RASA FUNDAMENTAÇÃO DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA VI – DO MÉRITO VI.1 – DESCRIÇÃO DA ATIVIDADEFIM DA RECORRENTE: DISTRIBUIÇÃO E VENDA DE COMBUSTÍVEIS VI.2.1 – O CONCEITO DE INSUMO NA DOUTRINA E NA JURISPRUDÊNCIA DO CARF E DA CSRF BENS E SERVIÇOS ESSENCIAIS À ATIVIDADE DO CONTRIBUINTE VI.2.2 – POSSIBILIDADE DA TOMADA DE CRÉDITO A TÍTULO DE INSUMOS POR DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS – CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE ALIADO COM A INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL E CONFORME DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA – INDICAÇÃO EXEMPLIFICATIVA DAS ATIVIDADESFIM NO INCISO II DOS ARTIGOS 3ºS DAS LEIS 10.637/02 E 10.833/03 POSICIONAMENTO DO CARF VI.2.3 – DESPESAS COM FRETES ENTRE BASES DE ARMAZENAMENTO DE DISTRIBUIDORAS DE COMBUSTÍVEIS SÃO RELACIONADAS A EXIGÊNCIAS CONTIDAS EM NORMAS DA AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO (“ANP”) PARA ATENDIMENTO À POLÍTICA ENERGÉTICA NACIONAL ENQUADRAMENTO COMO INSUMOS JURISPRUDÊNCIA ATUAL DO CARF E DA CSRF VI.2.4 – DOS TIPOS DE COMBUSTÍVEIS TRANSPORTADOS E SUAS DESTINAÇÕES ENQUADRAMENTO NA JURISPRUDÊNCIA DA CSRF E DO CARF SOBRE FRETES DE TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE VI.3 – DO CANCELAMENTO DAS GLOSAS O CRÉDITO DECORRENTE DOS FRETES ENTRE BASES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS ADEQUAÇÃO AO CONCEITO DE “INSUMO” IRRELEVÂNCIA DOS COMBUSTÍVEIS ESTAREM SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA – JURISPRUDÊNCIA ATUAL DO CARF, DA CSRF E DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA VII – SUBSIDIARIAMENTE DA SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO PELA MULTA DE MORA: A RECORRENTE ESTEVE AUTORIZADA À TOMADA DE CRÉDITO EM TELA POR DECISÃO JUDICIAL VIGENTE NO PERÍODO AUTUADO Passamos à análise do Recurso Voluntário organizada nos seguintes itens: Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.403 11 1. Da concomitância 2. Da preliminar de nulidade do Auto de Infração 3. Da multa de ofício 1. Da concomitância Assevera a Recorrente que não renunciou à discussão administrativa sobre os créditos tomados a título de despesas com fretes de combustíveis entre bases primárias e secundárias de armazenamento e defende que consta expressamente do Termo de Verificação Fiscal seu direito a apresentar sua defesa às autuações. Assim, apesar de ter impetrado o Mandado de Segurança no. nº 2009.51.01.0085880 perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, a Recorrente entende que não houve desistência do processo administrativo. Afirma também que as matérias do processo judicial e administrativo não são integralmente idênticas e defende que " ainda que a Autoridade Administrativa tenha entendido que há concomitância com a matéria de mérito, há outras questões prejudiciais à perpetração do lançamento tributário que não se encontram em debate na via judicial, devendo ser dado pleno seguimento à discussão administrativa, entendimento este em linha com o quanto disposto no Parecer Normativo Cosit nº 07/2014, devendo a exigibilidade do débito se manter suspensa durante todo o contencioso do presente processo administrativo." (grifamos) Retomamos esse ponto na decisão de piso. Conforme se consignou, de acordo com o afirmado no TVF, a infração apontada decorre do “Do Creditamento Indevido dos Fretes Internos entre Bases Primárias e Secundárias”. De outro lado, juntouse na decisão a quo trecho da petição inicial que instruiu o Mandado de Segurança nº 2009.51.01.0085880, que indica a mesma matéria foi levada ao Poder Judiciário, conforme demonstra, nos seguintes termos: Ex positis, requer a Impetrante: a) seja concedida medida liminar inaudita altera parte para determinar que a Autoridade Impetrada se abstenha de promover atos de cobrança em relação aos tributos quitados em razão da manutenção e aproveitamento de créditos escriturais do PIS e da COFINS pela Impetrante, em decorrência das despesas efetuadas com o transporte de combustíveis frete (gasolinas e suas correntes, óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural, e querosene de aviação) entre suas bases primárias e secundárias; ou, a.1.) ao menos, subsidiariamente, seja concedida medida liminar inaudita altera parte para determinar que a Autoridade Impetrada Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.404 12 se abstenha de promover atos de cobrança em razão dos créditos das Contribuições já aproveitados pela Impetrante no período anterior a sua intimação da Solução de Divergência n.° 26, ocorrida em 13.10.2008; b) que, depois de prestadas as informações pela Autoridade Coatora e ouvido o Ministério Público Federal, seja proferida sentença confirmandose a liminar nos termos em que acima pleiteado, para fins da concessão da ordem, declarando, ademais, a inconstitucionalidade, incidenter tantum, do § 15 do artigo 3° da Lei n.° 10.637/2002 e do § 23 do artigo 3o da Lei n.° 10.833/2003, acrescidos, respectivamente, pelos artigos 8o e 9o da Medida Provisória n.° 451, de 15.12.2008. (grifamos) Colacionamos ainda a ementa e trechos da decisão do Tribunal Regional Federal da 2a Região (disponíveis no sítio: http://portal.trf2.jus.br/portal/consulta/resconsproc.asp) , nos quais podese observar, de forma cristalina que os processos administrativo e judicial se referem à mesma matéria: E M E N T A DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. INSUMO. FRETE. 1. O constituinte derivado, ao atribuir ao legislador ordinário a tarefa de definir e estabelecer quais setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b (a receita e o faturamento), e IV do caput (do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar), seriam nãocumulativas não fixou balizas ou mesmo restringiu a tarefa do legislador 2. Exclusões e isenções tributárias devem ter interpretação restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do Código Tributário Nacional. Nesse passo, a previsão legal de desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca as despesas incorridas no transporte interno de mercadorias entre as ditas bases primária e secundária da sociedade empresária, porquanto não são despesas diretamente relacionadas em operações de venda. 3. Remessa necessária e apelação providas. (...) R E L A T Ó R I O Tratase de mandado de segurança preventivo, com pedido de liminar, impetrado por SHELL BRASIL LTDA., em face do DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL NO RIO DE JANEIRO, para que se abstivesse de exigir tributos quitados em razão da manutenção e aproveitamento de créditos escriturais do PIS e COFINS, em decorrência das Fl. 2404DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.405 13 despesas efetuadas com o frete no qual transportaria combustíveis que distribuiria (gasolinas e suas correntes, óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e gás natural, e querosene de aviação) entre suas bases primárias e secundárias. (...) V O T O Tratase de remessa necessária, que se considera interposta, e apelação da União, inconformada com a sentença proferida pelo Juízo Federal da 18ª Vara do Rio de Janeiro, Seção Judiciária do Rio de Janeiro, que declarou o direito da impetrante para aproveitar os créditos escriturais do PIS e da COFINS em decorrência das despesas efetuadas com o transporte de combustíveis (frete) entre suas bases primárias e secundárias, reconhecendo a prescrição qüinqüenal, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, contada a partir do ajuizamento da ação. Os créditos devem ser utilizados somente para fins de dedução de PIS e COFINS, nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A remessa necessária e a apelação da União merecem provimento. O constituinte derivado, ao acrescentar o parágrafo 12 ao artigo 195, do texto constitucional, atribuiu ao legislador ordinário a tarefa de definir e estabelecer quais setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b (a receita e o faturamento), e IV do caput (do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar), seriam nãocumulativas. Confirase, a propósito, o disposto no texto constitucional: (...) Assim, não se mostra de forma alguma inconstitucional, notadamente por ofensa ao princípio da isonomia, a coexistência de regimes tributários distintos incidência cumulativa e incidência não cumulativa , conforme o ramo de atividade do contribuinte, visto que o legislador, ao fixar as balizas para a aplicação do instituto, pode arrolar os créditos que podem ser utilizados para o desconto das contribuições em questão, inclusive não reputando como insumo a situação aqui em discussão. Não há a suposta restrição à não cumulatividade, disposta no artigo 195, § 12, da Constituição de 1988, com a regulamentação infraconstitucional, dada pelas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, que concretizam a pretensão do constituinte derivado, não representando, de forma alguma, em limitação ao conceito de insumo. Não se pode, como pretende a impetrante, tomar como insumo toda e qualquer despesa por si realizada, e assim subtrairse ao recolhimento das contribuições. Pensar diversamente resulta em Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.406 14 reputar insumo todo e qualquer bem e serviço utilizado na prestação de serviços e na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vale trazer à colação o asseverado pelo Ministério Público Federal no parecer às fls. 1.204/1.216: "A questão nodal consiste em saber se o frete relativo ao transporte de combustível das bases primárias para as bases secundárias amoldamse, ou não, para fins de aproveitamento do respectivo crédito no cálculo do PIS e da COFINS, ao conceito de insumo estampado nas normas acima transcritas. À toda evidência, entendo que os valores pagos a título de frete não se ajustam ao conceito de insumo. Explico. O termo insumo está relacionado à produção de um produto, e não à sua comercialização. O Dicionário Aurélio esclarece que insumo é a 'combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização etc.), que entram na produção de determinada quantidade de bem ou serviço. (Buarque de Holanda, Aurélio. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Editora Nova Fronteira. 2ª edição. p. 954). Ora, o serviço desempenhado por aqueles que intermedeiam as vendas é realizado após a conclusão da fase produtiva do bem, não podendo, assim, ser considerado insumo, para fins da Apelante angariar o aproveitamento de crédito previsto nos artigos 3º, II, das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003". Aditese que a tese da manutenção das bases primárias e secundárias como imposição governamental não justifica classificar o frete nessas hipóteses como insumo, pois os estoques são trabalhados pela empresa, e derivam da sua necessidade que manter disponível o produto que comercializa. Esta Corte Regional, em diversas oportunidades, manifestouse acerca do tema, sendo certo que nos autos da AC nº 2011.51.02.0010444, examinou a hipótese do transporte interno de mercadorias entre estabelecimentos do contribuinte, quando asseverouse que não haveria de se cogitar da dedução das despesas realizadas com essa finalidade, por não se tratarem de despesas diretamente vinculadas às operações de venda. Sinalouse no julgado que a transferência interna entre estabelecimentos da mesma empresa não caracterizaria uma operação de venda, e, por isso as despesas de frete desse transporte não estariam relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias. Confirase na ementa abaixo: "TRIBUTÁRIO – AÇÃO ORDINÁRIA – PIS E COFINS – LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE DESPESAS DE FRETE TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA – CREDITAMENTO IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2406DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.407 15 1. É da essência do sistema de produção de bens e serviços que toda pessoa jurídica, a fim de que possa desenvolver as suas atividades, tenha de adquirir insumos, matériasprimas ou serviços de outras pessoas jurídicas. 2. Assim, é natural que uma parcela das suas receitas, dos recursos advindos do desempenho das suas atividades empresariais seja destinada ao pagamento dos seus custos, das suas despesas operacionais, ou seja, à remuneração dos seus fornecedores e prestadores de serviço. Os pagamentos feitos aos seus fornecedores e prestadores de serviço representarão faturamento destes e sujeitarseão, por sua vez, à incidência do PIS e da COFINS. O que é dispêndio, desembolso para uma pessoa jurídica representa ingresso de valores, receita operacional para outra. Isso é uma consequência natural do fato de o legislador constituinte ter eleito o faturamento e, posteriormente, todas as receitas como hipótese de incidência para contribuição destinada ao financiamento da seguridade social. Quando houver várias fases ou etapas de circulação econômica, a incidência sobre o faturamento será necessariamente cumulativa. 3. As únicas deduções ou exclusões possíveis seriam aquelas previstas em lei, que teriam a natureza de isenção, de favor fiscal, determinado discricionariamente pelo legislador, segundo juízo político de conveniência e oportunidade em consonância com o interesse público; ou aquelas que já se encontram fora da base de cálculo das contribuições questionadas, isto é, que não correspondem às receitas de venda de bens e serviços ou às receitas das atividades empresariais, representando situação de nãoincidência. 4. O artigo 195, § 9º da CF/88, acrescido pela EC nº 20/98 e alterado pela EC nº 47/2005 prevê a possibilidade de as contribuições sociais terem alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização intensiva de mãodeobra, do porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho, conforme opção a ser exercida pelo legislador ordinário. 5. Por sua vez, o § 12, do artigo 195 da CF/88, acrescentado pela EC nº 42/2003, determina que a lei definirá os setores de atividade econômica para os quais a contribuição social sobre as receitas será nãocumulativa. 6. A Lei nº 10.637/02, no inciso II do artigo 3º, prevê que do valor apurado do PIS a pessoa jurídica poderá descontar créditos relativos a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 7. Já a Lei nº 10.833/03, no inciso IX do artigo 3º, dispõe que do valor apurado de COFINS a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.408 16 8. Como as exclusões e isenções tributárias devem ter interpretação restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do CTN, a previsão legal de desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca as despesas incorridas no transporte interno de mercadorias entre os estabelecimentos do contribuinte, porque não são despesas diretamente relacionadas em operações de venda. A transferência interna entre estabelecimentos da mesma empresa não caracteriza uma operação de venda, e, por isso, as despesas de frete desse transporte não estão relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias. 9. Precedentes deste TRF e do STJ. 10. Apelação da autora desprovida." (AC nº 2011.51.02.0010444, 3ª Turma Especializada, rel. Juiz Federal Convocado Luiz Norton Baptista de Mattos, v. u. de 23/07/2013, DJe de 02/08/2013). Somese, por necessário, o decidido em diversos julgados pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo colacionados: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. CONCLUSÕES DA PERÍCIA. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE INATACADOS. SÚMULA 182/STJ. 1. Na hipótese dos autos, inexiste ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada, manifestandose de forma fundamentada sobre os motivos pelos quais considerou não haver possibilidade de incluir as despesas descritas pela parte recorrente no conceito de insumo. 2. Outrossim, extraise do acórdão objurgado que o entendimento do Tribunal de origem está em consonância com a orientação do Superior Tribunal de Justiça. Com efeito, não é toda e qualquer despesa que se pode inserir no conceito de insumo para viabilizar a compensação com o PIS e a Cofins. À guisa de exemplo, na hipótese dos autos, bem decidiu a Corte de origem ao afastar os custos de frete das despesas passíveis de compensação com as contribuições em debate. Precedente. 3. In casu, registrese que o acolhimento da pretensão recursal, para reconhecer o direito de compensação ou desconto de créditos para o PIS e a Cofins com todas as despesas descritas pela parte recorrente em Recurso Especial, demanda reexame do contexto fáticoprobatório, especialmente das conclusões da perícia realizada sobre tais custos operacionais, o que não se admite ante o óbice da Súmula 7/STJ. Fl. 2408DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.409 17 4. Cumpre salientar que, conquanto em decisão negativa de admissibilidade tenha sido obstado o Recurso Especial com fundamento da Súmula 7/STJ, quanto a tal ponto não se manifestou a recorrente, incidindo na hipótese dos autos, igualmente, o disposto na Súmula 182/STJ. 5. Agravo Regimental não provido." (AgRg no REsp nº 1.515.4780RS, 2ª T., Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, v. u. de 09/06/2015, DJe de 30/06/2015). "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL. 1. Consoante decidiu esta Turma, "as despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente. 2. O frete devido em razão das operações de transportes de produtos acabados entre estabelecimento da mesma empresa, por não caracterizar uma operação de venda, não gera direito ao creditamento. 3. A norma que concede benefício fiscal somente pode ser prevista em lei específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não se admitindo sua concessão por interpretação extensiva, tampouco analógica. Precedentes. 4. Agravo regimental não provido." (AgRg no REsp nº 1.335.014CE, Rel. Min. CASTRO MEIRA, v. u. de 18/12/2012, DJe de 08/02/2013). "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE RELACIONADAS À TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Controvertese sobre a possibilidade de utilização das despesas de frete, relacionadas à transferência de mercadorias entre estabelecimentos componentes da mesma empresa, como crédito dedutível na apuração da base de cálculo das contribuições à Cofins e ao PIS, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.410 18 2. A legislação tributária em comento instituiu o regime da não cumulatividade nas aludidas contribuições da seguridade social, devidas pelas empresas optantes pela tributação pelo lucro real, autorizando a dedução, entre outros, dos créditos referentes a bens ou serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 3. O direito ao crédito decorre da utilização de insumo que esteja vinculado ao desempenho da atividade empresarial. As despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor. 4. Inexiste, portanto, direito ao creditamento de despesas concernentes às operações de transferência interna das mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial. 5. Recurso Especial não provido." (REsp nº 1.147.902RS, 2ª T., Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, v. u. de 18/03/2010, DJe de 06/04/2010). Não se perde de vista o exame da questão no âmbito do Supremo Tribunal Federal que, em sede de repercussão geral, deverá se manifestar conclusivamente acerca do tema nos autos do ARE nº 790.928PE que, com sua retificação, foi autuado como RE nº 841.979PE, estando pendente de apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça o REsp nº 1.221.170PR, pela Primeira Seção, no regime dos recursos repetitivos, como previsto no artigo 543C, do Código de Processo Civil. Como bem dito, as exclusões e isenções tributárias devem ter interpretação restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do Código Tributário Nacional. Nesse passo, a previsão legal de desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca as despesas incorridas no transporte interno de mercadorias entre as ditas bases primária e secundária, porquanto não são despesas diretamente relacionadas em operações de venda, pois transferência interna entre tais estabelecimentos, que são da mesma empresa, não caracteriza uma operação de venda, e, por isso, as despesas de frete desse transporte não estão relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias. Dentro dessa perspectiva, em que não se divisa qualquer desconformidade legal com o texto constitucional, e não se ajustando as despesas da impetrante com frete no conceito de insumo, e assim se aproveitar do regime de não cumulatividade, tal como previsto nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, razão pela qual é de se prover a remessa necessária, que se considera interposta, e o apelo da União. Nestes termos, DOU PROVIMENTO à remessa necessária e à apelação da UNIÃO para reformar a sentença de fls. 1.093/1.107, integrada pelas decisões de fls. 1.114 e 1.129/1.130. Fl. 2410DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.411 19 É como voto. LANA REGUEIRA Desembargadora Federal Relatora (grifamos) Dessa forma, conforme se concluiu na decisão a quo, a possibilidade de creditamento de despesas com frete interno de combustíveis entre as bases primárias e secundárias da empresa encontravase sub judice, devendo ser observado o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 7/2014 e também na Súmula CARF no. 1. Conforme destacouse na decisão de piso, o fato de a autoridade lançadora ter consignado a matéria concomitante no TVF e, ao mesmo tempo, ter facultado a apresentação de impugnação, em nada macula o lançamento realizado. Ademais, naquele momento processual, a autoridade lançadora não sabia quais argumentos seriam levantados em eventual impugnação. Portanto, neste ponto, mantemos o entendimento da decisão a quo, reconhecendo a matéria concomitante creditamento de despesas com frete interno de combustíveis entre as bases primárias e secundárias o que implica desistência às instâncias administrativas. Consignese que a Recorrente defende que caso se entenda pela concomitância, "ainda assim deve ser dado pleno seguimento à mesma, ao menos por força das preliminares de mérito aduzidas na defesa, também como consignou a D. Turma Julgadora a quo". Nesse sentido, passamos à análise das preliminares aduzidas. 2. Da preliminar de nulidade do Auto de Infração Foi suscitada pela Recorrente nulidade que alcançaria os autos de infração porque estes tiveram fundamentação precária, impedindo seu direito de defesa. No entanto, conforme se consignou na decisão de piso, não assiste razão à interessada nesse ponto. Além do devido enquadramento legal citado nos autos de infração, no TVF (“V – DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL”) são transcritos os dispositivos legais que listam “de forma exaustiva os bens e serviços capazes de gerar crédito” passível de desconto na sistemática da não cumulatividade das contribuições, de modo a evidenciar que “as hipóteses [legais – acrescentei] de desconto de crédito se restringem a três grupos distintos: bens adquiridos para revenda (inciso I); insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (inciso II); e custos, despesas e encargos, taxativamente listados nos incisos III a X. Ademais, as peças de defesa Impugnação e Recurso Voluntário foram elaboradas com aprofundamento nas questões de fato e de direito, próprias de quem tem conhecimento exato das acusações que lhes são imputadas. Não há se falar em impossibilidade de se compreender a infração imputada. Fl. 2411DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.412 20 Portanto, propõese manter integralmente o entendimento da decisão de piso neste ponto. 3. Da multa de ofício Subsidiariamente, a interessada pediu a substituição da multa de ofício aplicada pela multa de mora. Para tanto, argumentou que a sentença concessiva da segurança vigorou entre 15/04/2004 a 19/10/2015, abrangendo, portanto, o período autuado (entre junho e dezembro de 2012). Neste ponto, adotamos o entendimento da decisão a quo, o qual transcrevemos: Para elucidar a questão, transcrevo o art. 63 da Lei nº 9.430/96, com alterações posteriores: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (Grifos no origina) A interpretação do dispositivo acima mostra que a exigibilidade ou não da multa de ofício deve ser aferida na data do lançamento. Assim, estando a medida judicial vigente à época da constituição do crédito tributário, ou seja, do lançamento, é vedada a imposição da penalidade pecuniária. Todavia, caso a decisão não esteja mais em vigor e o sujeito passivo ainda não tenha feito o recolhimento do tributo de forma espontânea, o lançamento deve ser efetuado com a exigência da multa de ofício. No presente caso, tendo o lançamento sido efetuado somente em junho de 2017, correta a aplicação da multa de ofício. Dessarte, propomos manter também neste ponto o entendimento da decisão recorrida e, portanto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Conclusão Fl. 2412DF CARF MF Processo nº 16682.720839/201722 Acórdão n.º 3301005.843 S3C3T1 Fl. 2.413 21 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer em parte o Recurso Voluntário, em razão da concomitância, e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 2413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16692.721275/2016-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido sendo substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido sendo substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para cobrança de PIS e COFINS relativas aos meses de abril a julho e dezembro de 2011, acompanhados de multa proporcional e juros de mora. A ação fiscal derivouse da análise de Pedidos de Ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativos para o 2º, 3º e 4º trimestres de 2011, e glosa de valores apontados como créditos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 92 .7 21 27 5/ 20 16 -4 5 Fl. 949DF CARF MF Processo nº 16692.721275/201645 Resolução nº 3402001.853 S3C4T2 Fl. 950 2 pela interessada, discutidos nos seguintes processos administrativos fiscais, ainda pendentes de decisão definitiva: As glosas efetuadas pela fiscalização resultaram em falta/insuficiência no recolhimento de PIS e Cofins, que foram objeto do lançamento em apreciação. Relacionamos, a seguir, de forma sintética, os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal nas glosas efetuadas: − método de apuração: foram glosadas da base de cálculo empregada para apuração dos créditos as receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação; − bens para revenda: foram glosados valores de crédito presumido decorrente da aquisição de café para exportação. Apurouse que o produto era comprado de falsos atacadistas, pessoas jurídicas inexistentes de fato, interpostas entre o produtor rural e o exportador, com a finalidade exclusiva de aumentar o valor do crédito apurado. Tais empresas são conhecidas como "noteiras” e não detém capacidade financeira e operacional compatíveis com as transações documentadas; − bens utilizados como insumos (embalagens): foram glosados créditos calculados em relação às embalagens não incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas apenas após o término do processo produtivo, na fase de transporte dos produtos acabados; − crédito presumido na aquisição de soja e caroço de algodão: a Fiscalização apurou que o contribuinte calculou incorretamente o crédito presumido de que trata o art. 8°, § 3°, II e III, da Lei 10.925/2004, no que concerne à soja e ao caroço de algodão. Foi aplicado, respectivamente, o percentual de 50% e de 35% sobre a alíquota integral, e glosada a diferença; − fretes: foram efetuadas glosas dos fretes vinculados às mercadorias adquiridas com fim específico de exportação e dos fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte. Além disso, foram segregados e recalculados os créditos dos fretes ligados às compras de insumos com possibilidade de direito a crédito presumido, tendo sido aplicada alíquota reduzida; − energia elétrica: foram glosados créditos de energia elétrica, aproveitados de forma extemporânea, em desacordo com a legislação tributária; Fl. 950DF CARF MF Processo nº 16692.721275/201645 Resolução nº 3402001.853 S3C4T2 Fl. 951 3 − aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos: foram glosados valores em relação aos quais o contribuinte não comprovou que se tratavam de aluguéis de prédios, de máquinas e de equipamentos; − crédito extemporâneo: foram glosados créditos extemporâneos de “serviços utilizados como insumos”, incluídos no mês de dezembro de 2011, por não terem sido apropriados na forma estabelecida na legislação tributária mediante retificação do DACON dos períodos correspondentes. Por meio do acórdão nº 1295.486, de 17 de janeiro de 2018 (fls.790 a 836), a 17ª Turma da DRJ/RJO julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/04/2011, 01/05/2011, 01/06/2011, 01/07/2011, 01/12/2011 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo, somente são considerados insumos, para fins de creditamento, os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Fl. 951DF CARF MF Processo nº 16692.721275/201645 Resolução nº 3402001.853 S3C4T2 Fl. 952 4 É exigida a entrega de DACON e DCTF retificadores, acompanhado da escrituração contábil pertinente, quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da contribuição em pedido de ressarcimento/compensação. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. TAXA SELIC As contribuições sociais não recolhidas, estão sujeitas à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC (Art. 61, § 3o c/c art. 5o, § 3o, da Lei no 9.430/1996). COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública em processo de restituição/compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/04/2011, 01/05/2011, 01/06/2011, 01/07/2011, 01/12/2011 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. PROVAS INDICIÁRIAS. Na busca pela verdade material, que é um princípio do processo administrativo fiscal, a comprovação de uma dada situação fática pode ser feita por provas diretas e/ou por um conjunto de indícios que, se isoladamente pouco poderiam atestar, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Não há, em sede de processo administrativo, uma hierarquização dos meios de prova, sendo perfeitamente regular a formação da convicção a partir do cotejo de subsídios de variada ordem, inclusive as provas indiciárias. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 952DF CARF MF Processo nº 16692.721275/201645 Resolução nº 3402001.853 S3C4T2 Fl. 953 5 Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 847 a 897), com as seguintes alegações: i. Preliminarmente, requer o sobrestamento do presente processo para aguardar o julgamento das manifestações de inconformidade apresentadas nos processos em que foram apresentados pedidos de ressarcimento, a saber: 10880.941611/201247, 10880.941612/201291, 10880.941613/201236, 10880.941614/201281, 10880.941648/201275 e 10880.941649/201210; ii. Quanto ao método de apuração dos créditos, alega que as receitas de exportação devem ser enquadradas conjuntamente com as receitas submetidas ao regime da não cumulatividade, para efeito de apuração dos custos e despesas que dão direito aos créditos; iii. Quanto aos bens utilizados como insumo, com base numa acepção ampla do termo “insumos” empregado na legislação do PIS e da Cofins, alega que todos os custos de produção e despesas inerentes à atividade empresarial compõem os créditos dessas contribuições, sendo cabível o crédito das embalagens para transporte; iv. Quanto aos créditos de mercadorias adquiridas para revenda, alega que teria comprovado a efetividade das operações realizadas de boafé; v. Quanto aos fretes decorrentes de compras de insumos, alega que o valor pago deve compor a base de cálculo dos créditos, na forma dos serviços de que trata o art. 2°, II, e não o cálculo no crédito presumido; vi. Quanto aos créditos decorrentes de fretes destinados à transferência de mercadorias, alega que tais valores compõem o custo dos produtos vendidos e compõem o termo “fabricação” constante no inciso II do art. 3° das Leis 10.637 e 10.833; vii. Quanto aos créditos decorrentes de fretes com fim específico de exportação, alega seu direito ao creditamento integral, independentemente do direito ao crédito na aquisição das mercadorias. viii. Quanto ao aproveitamento de créditos extemporâneos de energia elétrica e fretes, alega a desnecessidade de o contribuinte retificar DACON e DCTF do período para o aproveitamento de créditos; ix. Alega a ilegalidade de juros sobre a multa. O processo foi posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 16692.721275/201645 Resolução nº 3402001.853 S3C4T2 Fl. 954 6 Como visto do relatório acima, a ação fiscal derivouse da análise de Pedidos de Ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativos para o 2º, 3º e 4º trimestres de 2011, e glosa de valores apontados como créditos pela interessada, discutidos nos seguintes processos administrativos fiscais, ainda pendentes de decisão definitiva: 10880.941611/201247, 10880.941612/201291, 10880.941613/201236, 10880.941614/201281, 10880.941648/2012 75 e 10880.941649/201210 O contribuinte, em seu recurso voluntário, alega a necessidade de suspensão do presente processo até o final pronunciamento do CARF quanto aos recursos voluntários apresentados nos referidos processos. Assiste razão à Recorrente. Havendo compensações não homologadas, para as quais restam recursos voluntários interpostos pendentes de julgamento neste Conselho, relativas ao período em questão, objeto dos processos 10880.941611/201247, 10880.941612/201291, 10880.941613/201236, 10880.941614/201281, 10880.941648/201275 e 10880.941649/201210, é imperativo o julgamento anterior desses processos para a decisão do presente caso. Percebese, pois, que há uma íntima relação entre o caso decidendo e os processos acima referidos que, na hipótese da glosa do saldo credor lá realizada vir a ser estornada, tal estorno impactará, diretamente, no resultado da presente lide. Tratase, pois, de típica hipótese de prejudicialidade externa, nos temos que dispõe o art. 313, inciso V, alínea "a" do CPC/20151. Conforme já resolvido por esta turma julgadora em outro caso de relatoria do i.Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, o reconhecimento desta prejudicialidade tem por escopo evitar decisões conflitantes entre si e, por conseguinte, ofensivas às ideias de integridade das decisões de caráter judicativo (art. 926 do CPC) e, em última análise, ao princípio da segurança jurídica. Diante deste quadro, resolvo por sobrestar o julgamento do presente processo na câmara, até a decisão final processos administrativos 10880.941611/201247, 10880.941612/201291, 10880.941613/201236, 10880.941614/201281, 10880.941648/2012 75 e 10880.941649/201210. É a resolução. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes 1 Art. 313. Suspendese o processo: (...). V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; (...). Fl. 954DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.720902/2011-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11.
DEDUÇÕES. LIVRO-CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO.
A dedução a título de livro caixa depende da comprovação das despesas declaradas, mediante documentação idônea, devidamente escrituradas em Livro Caixa. Somente são dedutíveis as despesas de custeio pagas, necessárias e indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. O contribuinte tem o ônus de comprovar a veracidade das despesas escrituradas em livro-caixa, mediante apresentação de documentação idônea.
Numero da decisão: 2002-000.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11. DEDUÇÕES. LIVRO-CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. A dedução a título de livro caixa depende da comprovação das despesas declaradas, mediante documentação idônea, devidamente escrituradas em Livro Caixa. Somente são dedutíveis as despesas de custeio pagas, necessárias e indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. O contribuinte tem o ônus de comprovar a veracidade das despesas escrituradas em livro-caixa, mediante apresentação de documentação idônea.
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DEDUÇÕES. LIVROCAIXA Recorrente MARCIO ANTONIO BRAMBILLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11. DEDUÇÕES. LIVROCAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. A dedução a título de livro caixa depende da comprovação das despesas declaradas, mediante documentação idônea, devidamente escrituradas em Livro Caixa. Somente são dedutíveis as despesas de custeio pagas, necessárias e indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. O contribuinte tem o ônus de comprovar a veracidade das despesas escrituradas em livrocaixa, mediante apresentação de documentação idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 09 02 /2 01 1- 58 Fl. 595DF CARF MF Processo nº 13851.720902/201158 Acórdão n.º 2002000.952 S2C0T2 Fl. 596 2 (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 22/25), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2010. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$294,07 para saldo de imposto a pagar de R$7.250,47. A notificação noticia a dedução indevida de livrocaixa, no valor de R$34.157,90, consignando (fl.23): Impugnação Cientificada ao contribuinte em 8/6/2011, a NL foi objeto de impugnação, em 8/7/2011, à fl. 2/85 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: PRELIMINARMENTE O princípio do contraditório e da ampla defesa não foi observado, pois o fisco glosou tais despesas sem antes notificar o contribuinte para apresentar os documentos que comprovassem a possível ilicitude, apenas mencionando que o autuado não apresentou documentos hábeis para comprovar a dedução. Transcreve ementa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). MÉRITO VALEALIMENTAÇÃO Junta extrato detalhado de transações por usuário comprovando onde e como os valores foram utilizados, bem como boletos e Fl. 596DF CARF MF Processo nº 13851.720902/201158 Acórdão n.º 2002000.952 S2C0T2 Fl. 597 3 comprovantes de pagamento. Assim, conforme estabelecido no art. 13 da Lei nº 9.249/1995, pode deduzir como despesas operacionais os gastos com alimentação: ... O benefício do vale refeição é concedido por mera liberalidade pelo empregador, podendo este se beneficiar com a dedução do lucro tributável em dobro das despesas que tiver com vale alimentação, nos termos da Lei nº 6.321/1976: ... Também prevê a dedução a Instrução Normativa RFB nº 971/2009: ... VALETRANSPORTE Os recibos de venda de créditos emitidos pela empresa Companhia Troleibus Araraquara foi utilizado pelo funcionário do contribuinte e assumido como dedutível conforme Instrução Normativa RFB nº 971/2009: ... CEPROESC O boleto e comprovante do pagamento realizado ao Centro de Promoção Educacional e Social na Comunidade (Ceproesc) são hábeis e aptos a comprovar o convênio existente entre o contribuinte e a referida empresa, a qual realiza a contratação de adolescentes, em parceira com empresas do setor privado, amparada pela Lei nº 10.097/2000, colocando jovens como aprendizes nas empresas. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO O contrato de prestação de serviços de assessoria foi elaborado em 1º/8/2005 e está previsto no art. 593 e seguintes do Código Civil, foi assinado por 2 testemunhas e registrado no 2º Registro de Títulos e Documentos de Araraquara/SP, em 24/8/2005, motivo pelo qual não há que se falar em documento inidôneo para comprovar as despesas. O profissional que presta serviços decorrentes do exercício da profissão, está obrigado a emitir nota fiscal, recibo ou documento equivalente, por ocasião do recebimento do respectivo rendimento, como prevê a legislação tributária. As despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora podem ser deduzidas da receita decorrente do trabalho não assalariado, conforme dispõe o art. 6º da Lei nº 8.134/1990, o art. 8º, II, “g” da Lei nº 9.250/1995, o art. 51, III da Instrução Normativa SRF nº Fl. 597DF CARF MF Processo nº 13851.720902/201158 Acórdão n.º 2002000.952 S2C0T2 Fl. 598 4 15/2001 e o art. 75, III do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). ... A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 567/575): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DEDUÇÃO. LIVROCAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. REQUISITOS. Somente as despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, pagas pelo próprio contribuinte, são passíveis de dedução dos rendimentos recebidos de trabalho nãoassalariado. DEDUÇÃO. LIVROCAIXA. ENCARGOS TRABALHISTAS. TERCEIROS COM VÍNCULO. DEDUTÍVEIS. Os encargos trabalhistas correspondentes a trabalho de terceiros com vínculo empregatício são passíveis de dedução a título de livrocaixa. O colegiado de primeira instância restabeleceu, a título de dedução de livro caixa, as despesas com valealimentação e com valetransporte. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 21/10/2016 (fl. 591), o contribuinte, em 11/11/2016 (fl. 580), apresentou recurso voluntário, às fls. 580/589, no qual alega, em apertado resumo, que: preliminarmente, suscita a ocorrência da prescrição intercorrente, uma vez que teria recebido o resultado do julgamento decorridos mais de cinco anos do protocolo de sua impugnação. teria sido cerceado seu direito de defesa, uma vez que os julgadores não teriam especificado as despesas glosadas, limitandose a consignar o total da glosa, de R$29.968,00. o contrato de prestação de serviços estaria em conformidade com as disposições do Código Civil, tendo sido assinado por testemunhas e registrado em cartório. os atos praticados pelo cartórios seriam dotados de fé pública e o documento levado a registro teria eficácia legal. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 13851.720902/201158 Acórdão n.º 2002000.952 S2C0T2 Fl. 599 5 a decisão recorrida teria sido dúbia, a medida que teria apontado que a despesa realizada seria útil, mas não essencial. a autuação não teria acatado o documento por se tratar de contrato firmado entre irmãos. o contrato juntado seria um instrumento jurídico perfeito, tendo sido mantida a glosa da despesa por uma decisão subjetiva, sem fundamento jurídico. quanto às demais despesas glosadas, o setor de julgamento não teria informado o valor glosado, configurando o cerceamento de defesa. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Prescrição intercorrente No tocante a essa alegação, a matéria já se encontra sumulada, sendo de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Portanto, afastase tal argumento. Preliminar de nulidade O recorrente suscita a nulidade da decisão recorrida. Alega que a decisão não teria apontado as despesas glosadas, cerceando seu direito de defesa. Observo que a autuação indicou as despesas glosadas, consignando o encaminhamento ao contribuinte de demonstrativo das despesas glosadas. Esse demonstrativo encontrase à fl. 115 e aponta as glosas dos valores pagos a título de serviços de assessoria, auxílio refeição, valetransporte e remuneração de pessoa jurídica. O colegiado de primeira instância, tal qual a impugnação apresentada, analisou cada uma dessas glosas em tópicos próprios, concluindo pelo restabelecimento da dedução dos valores do auxíliorefeição e de valetransporte e pela manutenção da glosa dos valores relativos a serviços de assessoria e de remuneração à pessoa jurídica. Os valores das rubricas mantidas já estavam indicados na autuação, sendo de R$29.900,00 e de R$68,00, conforme consignado no demonstrativo que acompanhou à autuação (fl.115), estando em conformidade com o demonstrativo elaborado ao final da decisão recorrida (fl.575). Fl. 599DF CARF MF Processo nº 13851.720902/201158 Acórdão n.º 2002000.952 S2C0T2 Fl. 600 6 Acrescento que a decisão recorrida avaliou cada uma das despesas separadamente, enfrentando adequadamente todas as questões trazidas pelo recorrente. Portanto, não vislumbro qualquer violação ao direito de defesa do autuado, sendo de se rejeitar a preliminar de nulidade arguida. Mérito O litígio recai sobre despesas relacionadas no livrocaixa relativas a serviços de assessoria e remuneração à pessoa jurídica. No tocante aos serviços de assessoria, a decisão recorrida consigna: No tocante aos valores declarados como pagos a Carlos Eduardo Brambilla, irmão do impugnante (tela do sistema CPF à fl. 1021), é de se destacar que, para fins tributários, conceitua se como despesas de custeio passíveis de dedução a título de livrocaixa tão somente aquelas necessárias à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora, de forma que serviços contratados com o intuito de facilitar ou agilizar a realização do trabalho não assalariado desenvolvido pelo profissional não se encaixam neste conceito. Assim, o serviço de assessoria contratado pelo impugnante pode até ser considerado útil no desempenho de sua atividade profissional, mas não pode ser considerado essencial para desenvolvela, não se enquadrando, pois, no conceito de despesa de custeio passível de dedução. Mantémse, portanto, a referida glosa. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o recorrente sustenta que o contrato firmado para esses serviços está amparado na legislação civil, tendo sido registrado em cartório. Constam cópias dos contratos de prestação de serviços às fls. 60/66. Inicialmente, esclareço que não está se negando validade ao referido contrato na esfera civil. O que se discute nestes autos é tão somente a produção de efeitos no âmbito do direito tributário, particularmente da declaração de rendimentos da pessoa física. A dedução de despesas do livro Caixa é amparada pelo art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que dispõe: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; Fl. 600DF CARF MF Processo nº 13851.720902/201158 Acórdão n.º 2002000.952 S2C0T2 Fl. 601 7 III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9° e 10 da Lei n° 7.713, de 1988. § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. § 3° As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano base, não será transposto para o ano seguinte. Pela leitura do dispositivo, identificamse três grupos de despesas dedutíveis: (a) a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício; (b) os emolumentos pagos a terceiros e (c) as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. A despesa necessária é aquela essencial à percepção do rendimento e que está vinculada com a fonte produtora dos rendimentos, não sendo dedutíveis despesas incorridas por mera liberalidade ou discricionariedade. No caso, o recorrente é técnico em contabilidade e o contratado, senhor Carlos Eduardo Brambilla, administrador. O contrato estabelece, como objeto do contrato, a prestação de serviços de assessoria, inerentes à formação profissional do contratado, no estabelecimento comercial do contratante (fls. 63/65). Somente diante desse contrato, entendo que não resta comprovada a essencialidade dessa despesa. Tratase de descrição bastante genérica , que não permite verificar que se trata de despesa essencial e necessária. Saliento que, como qualquer dedução da base de cálculo do imposto pretendida pelo contribuinte, cabe a ele não só comprovar a sua veracidade, mediante documentação hábil e idônea, como também demonstrar que o dispêndio se enquadra no conceito de despesa dedutível estabelecido na legislação tributária. Sendo a dedução da base de cálculo do imposto um benefício concedido pela legislação, o ônus da comprovação do direito recai sobre o contribuinte, mormente quando envolve contribuintes com vínculos familiares. Nesse sentido, observo que o contrato contém disposição acerca do fornecimento de relatório estatístico mensal contendo os serviços prestados e técnicas Fl. 601DF CARF MF Processo nº 13851.720902/201158 Acórdão n.º 2002000.952 S2C0T2 Fl. 602 8 apresentados durante todo o período contratual pelo contratado (cláusula 3ª, Parágrafo Terceiro), mas nada foi juntado aos autos, de forma a demonstrar a essencialidade da despesa. Assim, quanto aos serviços de assessoria, não há reparos a se fazer à decisão de piso. No tocante à despesa no valor de R$68,00, o recorrente limitouse a arguir a nulidade da decisão por cerceamento de defesa, a qual já foi afastada neste voto, sendo de se manter essa glosa. Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 602DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720767/2015-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ALEGAÇÃO DE RECEBIMENTO DE COBRANÇAS DE TITULARIDADE DE TERCEIROS. A presunção estipulada no art. 42 da Lei nº 9.430/96 atribui ao sujeito passivo o ônus de provar que não representam receitas tributáveis os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada durante o procedimento fiscal, mormente se tais créditos não foram registrados em sua escrituração contábil. A demonstração de que tais créditos são de titularidade de terceiros deve ser feita mediante associação individualizada dos depósitos à prova documental dos títulos recebidos e do seu repasse aos alegados titulares.
ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA IDENTIFICAÇÃO DA EFETIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO. A lei determina o arbitramento do lucro se a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte for imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, sem excluir desta hipótese os optantes pelo lucro presumido. A presunção de omissão de receitas em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, embora evidencie receita bruta conhecida para fins de arbitramento, não permite alcançar a efetiva natureza da receita auferida pelo sujeito passivo para fins de determinação do lucro presumido.
MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração de depósitos bancários e de comprovação de sua origem autorizam a presunção de omissão de receitas, mas o intuito de fraude somente é caracterizado se reunidas evidências de que os créditos decorreriam de receitas de atividade, de modo a provar, ainda que por presunção, a intenção do sujeito passivo de deixar de recolher os tributos que sabia devidos.
Numero da decisão: 1402-003.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade do lançamento e da decisão de 1ª instância e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a qualificação da penalidade.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ALEGAÇÃO DE RECEBIMENTO DE COBRANÇAS DE TITULARIDADE DE TERCEIROS. A presunção estipulada no art. 42 da Lei nº 9.430/96 atribui ao sujeito passivo o ônus de provar que não representam receitas tributáveis os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada durante o procedimento fiscal, mormente se tais créditos não foram registrados em sua escrituração contábil. A demonstração de que tais créditos são de titularidade de terceiros deve ser feita mediante associação individualizada dos depósitos à prova documental dos títulos recebidos e do seu repasse aos alegados titulares. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA IDENTIFICAÇÃO DA EFETIVA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO. A lei determina o arbitramento do lucro se a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte for imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, sem excluir desta hipótese os optantes pelo lucro presumido. A presunção de omissão de receitas em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, embora evidencie receita bruta conhecida para fins de arbitramento, não permite alcançar a efetiva natureza da receita auferida pelo sujeito passivo para fins de determinação do lucro presumido. MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração de depósitos bancários e de comprovação de sua origem autorizam a presunção de omissão de receitas, mas o intuito de fraude somente é caracterizado se reunidas evidências de que os créditos decorreriam de receitas de atividade, de modo a provar, ainda que por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 67 /2 01 5- 71 Fl. 3467DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 3 2 presunção, a intenção do sujeito passivo de deixar de recolher os tributos que sabia devidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade do lançamento e da decisão de 1ª instância e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a qualificação da penalidade. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Suplente Convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Relatório ROVED COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO DE ROLAMENTOS E VEDAÇÕES EIRELI, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 17/08/2015, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.501.427,81. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o processo de autos de infração do IRPJ e reflexos, do ano calendário 2011, e de Termo de Responsabilidade Tributária contra Vanderlei de Carvalho. 2. O auto de infração de IRPJ (fls. 439/457) exige o recolhimento de R$ 170.915,84 de imposto e R$ 256.373,77 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 426/438: Omissão de receita por presunção legal. Depósitos bancários de origem não comprovada: nos períodos de 01/2011 a 12/2011. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 537 do RIR/1999; art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Multa de 150%; 3. O auto de infração de CSLL (fls. 458/472) exige o recolhimento de R$ 78.498,93 de contribuição e R$ 117.748,40 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 426/438: Omissão de receita. Falta de recolhimento da CSLL devida sobre receitas da atividade omitidas: no período de 01/2011 a 12/2011. Enquadramento legal nos Fl. 3468DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 4 3 arts. 2° e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 2°, 24, §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 inciso I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Multa de 150%; 4. O auto de infração do PIS (fls. 473/482) exige o recolhimento de R$ 48.483,48 de contribuição e R$ 72.725,26 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 426/438: Incidência cumulativa padrão. Omissão de receita sujeita ao PIS: nos períodos de 01/2011 a 12/2011. Enquadramento legal no art. 1° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I e 9° da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998; arts. 2° e 3° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 24, §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 79 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Multa de 150%; 5. O auto de infração da Cofins (fls. 483/492) exige o recolhimento de R$ 223.769,97 de contribuição e R$ 335.654,98 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 426/438: Incidência cumulativa padrão. Omissão de receita sujeita à Cofins: no período de 01/2011 a 12/2011. Enquadramento legal no art. 8° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 1° da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; arts. 2° e 3° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 24, §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Multa de 150%. 6. Os autos de infração do IRPJ e reflexos foram recebidos pelo contribuinte em 17/08/2015, conforme AR de fl. 499. Vanderlei de Carvalho teve ciência dos autos de infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 227/229 em 17/08/2015, conforme AR de fl. 500. Tempestivamente, em 16/09/2015, o contribuinte e o responsável solidário encaminharam a impugnação conjunta de fls. 509/540, acompanhada dos documentos de fls. 541/721 e 724/806, que se resume a seguir: Dos Fatos a. Relata que se trata de Auto de Infração no qual foram apurados valores de IRPJ e seus reflexos, os quais estariam representando, conforme conclusão da fiscalização, omissões de receitas, apuradas pela análise da movimentação financeira da autuada junto às instituições financeiras, nas quais manteve contascorrentes, no período base de 2011. De acordo com o ilustre Auditor Fiscal, a Impugnante não teria incluído na sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ 2012, ano base 2011, apresentada pela sistemática do Lucro Presumido, valores que foram creditados nas referidas contascorrentes bancárias, os quais relacionou em relatório anexo a Intimação Fiscal, que lavrou, pedindo que tais valores fossem comprovados com documentos que representassem sua origem, não logrando a Impugnante em formalizar tal comprovação. Demais disso, alegando falhas na escrituração fiscal da Impugnante, o Auditor Fiscal entendeu como cabível, o arbitramento de ofício do lucro tributável da empresa, agravando o percentual da receita bruta do contribuinte com a majoração de 20%. Concluindo sua exação, optou o Auditor Fiscal pela conclusão de cometimento de crime de sonegação fiscal, por parte da Impugnante, procedendo à exigência da multa de ofício agravada de 75% para 150%. Relatando os fatos e fazendo o enquadramento legal, de seu entendimento, no Termo de Verificação Fiscal de 13 (treze) folhas, anexo ao Auto de Infração, fls. 426 a 438, onde encontramse detalhados os levantamentos e as Fl. 3469DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 5 4 supostas infrações fiscais, os valores das apurações que resultaram na matéria tributável e os citados enquadramentos legais; b. Reclama que a lavratura da infração não considerou nem mesmo a sistemática de apuração do lucro eleita pela Impugnante, tampouco a forma de escrituração que foi escolhida para embasar as informações prestadas na sua DIPJ 2012. Não só o Auditor Fiscal não considerou os elementos da declaração, como também deixou de aprofundar suas verificações, da movimentação financeira, com análise detalhada das informações bancárias. Baseandose apenas nos extratos bancários que recebeu, mediante autorização da Impugnante, a qual autorizou a obtenção dessas informações, diretamente nas instituições financeiras. Cingiuse em apresentar relatório dos créditos bancários e exigir comprovação, de cada um dos inúmeros valores ali apresentados. Rechaçando de plano a alegação da Impugnante, que lhe informou o fato de que grande parte desses créditos, de fato, referiamse a cobrança de duplicatas de terceiros, com cedente e sacado diferentes da empresa Impugnante, não fazendo parte da sua receita bruta; c. Afirma que o Auditor Fiscal sequer menciona, na sua verificação, a perfeita correspondência entre a DIPJ2012, da empresa autuada, e os livros fiscais apresentados para sua análise, os quais tem exata correspondência entre os valores neles informados como receitas e os declarados na referida declaração de rendimentos. Em face do exposto, se conclui que a presente autuação não se reveste absolutamente de provas incontestáveis que possam ensejar a manutenção do presente Auto de Infração, ao contrário, mostrarseá, logo adiante, que não só o Auto de Infração é confeccionado sem respaldo de validade jurídica c eficiência administrativa, como também carece de provas determinantes e fundamentadas para sustentarem a autuação. Veremos adiante que o Auto de Infração foge a regra da razoabilidade, ao se basear em indícios que levariam à presunção do fato da omissão de receitas, quando, em realidade, o Auditor Fiscal detinha posse de todas as informações, que permitiam a efetiva apuração, por via direta e não presuntiva, dos fatos envolvidos na apuração, optando pelo caminho mais cômodo e fácil da presunção. Também se provará, que careceriam de fundamento legal, se mantidas as exações, as hipóteses de arbitramento de oficio e de agravamento da multa de oficio, que estariam a exigir, sem o devido motivo e as indispensáveis provas, a indevida majoração do tributo devido, gravando o contribuinte sem o devido amparo legal e de maneira desproporcional; Da não conformidade de fato da exação d. Alega que, supondo que fosse válido o Auto de Infração, cabe discorrer sobre a apuração da matéria tributável, colocada na forma de planilha mensal, do suposto total de créditos não comprovados, que se encontra na fls. 207 a 222 do Processo Administrativo Fiscal, a qual embasou a autuação submetendo, seus totais mensais e trimestrais, à tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e seus reflexos, deduzindo dos tributos apurados, os valores declarados e recolhidos pelo contribuinte, na sua DIPJ do períodobase de 2011. As verificações realizadas pelo ilustre Auditor, foram na forma de Termos de Intimação, dos quais o de n° 03, mencionado na folha 3 de 13 do Termo de Verificação Fiscal, notificado para a autuada em 06.03.2015, incluído no Processo Administrativo Fiscal às fls. 57 e 58, o qual pediu a justificativa e a comprovação dos lançamentos, nas contascorrentes bancárias da autuada, conforme relatórios de "Análise de Dados", que acompanharam a Intimação Fiscal, fls. 59 a 110, do Processo Administrativo Fiscal; Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 6 5 e. Cita trecho do TVF. Diante dessa restrição, apresentada pelo próprio Auditor, ficou a autuada, dispensada de apresentar justificativas e comprovações relativamente a todos os lançamentos de valores inferiores a R$1.000,00 (hum mil reais); f. Aduz que a observação da planilha que serviu de base para a apuração da matéria tributável, especificadamente o Mapa de Créditos em ContasCorrentes Não Comprovados, anexo ao Auto e Infração, localizado nas folhas 207 a 222, do Processo Administrativo Fiscal, mostra discrepância que salta aos olhos, pela incoerência da existência, em todo esse Mapa, de valores inferiores R$1.000,00 (hum mil reais), para os quais não houve pedido de justificativa, maculando de forma irreversível a validade da apuração do "quantum debeatur", invalidando toda a apuração fiscal. Para melhor entendimento e justeza da verificação anexamos a esta Impugnação a planilha refeita sem as citadas cifras abaixo de R$1.000,00 (hum mil reais), com total alterado para R$8.719.056,34 (doc. 04); g. Acrescenta que outros reparos devem ser feitos a referida apuração de matéria tributável, nos históricos 'TRANSF C/C PARA C/C", fica claro que se trata de transferência bancária de Conta Investimento para ContaCorrente; como poderiam os valores com esse histórico representar receitas não adicionadas a receita tributável da autuada? Apesar disso, os valores que constam dos extratos bancários, com esse histórico, fazem parte da matéria tributável apurada pelo ilustre Auditor Fiscal, aumentando indevidamente o suposto valor omitido pelo contribuinte das suas receitas tributáveis; h. Elabora e junta a este trabalho planilha que além exclui da apuração do auditor os valores abaixo de R$1.000,00 e também os valores com o histórico 'TRANSF C/C PARA C/C", cuja soma resultou no valor de R$8.097.183,46 (doc. 05). Também é importante mencionar que muitos desses valores, constantes no referido mapa de apuração, ali se encontram sem terem sido mencionados no mapa que acompanhou o Termo de Intimação n° 03, configurandose em valores que não poderiam ser considerados como não justificados e comprovados, em virtude de terem sido omitidos da citada intimação; i. Justifica ser esse o caso dos valores, que constam do mapa de apuração de supostos créditos, elaborado pela fiscalização, com os históricos 'RES APLIC AUT MAIS" e "TEC DEP CHEQUE/DINHEIRO ", cuja situação é de terem sido considerados como valores tributáveis, sem terem sido arrolados como valores que a autuada deveria justificar, exonerando a empresa dessa obrigação e exigindo, indevidamente, seus reflexos na apuração como infração do contribuinte. A pretensão de tributação dos rendimentos de aplicações financeiras, teria que ser repensada, considerando que a legislação obriga a fontepagadora a proceder à retenção na fonte do Imposto de Renda devido, autorizando o contribuinte a compensar o imposto devido com o Imposto de Renda Retido na Fonte pela Fonte pagadora Em decorrência a fiscalização deveria oferecer ao contribuinte a oportunidade de apresentar os comprovantes dos rendimentos onde consta a retenção. Tudo de acordo com a legislação de regência, ou sejam, os Arts. 770 e 773 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99 (RIR/99), e IN SRF 1022/2010; j. Afirma que do mesmo modo que para os demais valores cuja tributação, por parte do Auditor Fiscal, está equivocada por falta do pedido de comprovação dos valores, elaborouse novo Mapa em anexo (doc.06), excluindo no mesmo, além dos valores anteriormente citados, os valores de cheques depositados e de resultados de aplicações automáticas, que seriam remunerações de aplicações financeiras, as Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 7 6 quais, mesmo se tivesse sido pedida a comprovação, teriam que ter o tratamento que a legislação obriga. Outros valores, incluídos pelo ilustre Auditor Fiscal no referido Mapa de apuração da matéria tributável, também carecem de fundamento, apesar de constarem da relação dos valores, para os quais a comprovação foi pedida para a autuada. É o caso dos valores, abaixo discriminados, os quais se referem a empréstimos, creditados em contascorrentes bancárias do contribuinte, com históricos que não deixam dúvida quanto a sua natureza; k. Apresenta planilha com dados de movimentação bancária; l. Explica que são valores de empréstimos e financiamentos obtidos pela autuada, nessas instituições financeiras, cuja natureza, obriga sua desconsideração como matéria tributável, pela simples razão de não existir qualquer possibilidade de serem confundidos com receitas tributáveis. O total desses empréstimos terá que ser deduzido do saldo do mapa de apuração da base do tributável, elaborado pela fiscalização e refeito excluindose outros valores também não tributáveis, seja pela sua natureza, seja por não ter sido pedida sua comprovação, na intimação lavrada com essa finalidade. Esse mapa (doc. 06), tem soma de valores supostamente tributáveis remanescentes de R$6.919.263,14, a qual deduzida do total dos empréstimos de R$1.227.985,74, resulta no valor de R$5.691.277.40, sendo esse o valor supostamente tributável, em contraposição ao total do mapa de apuração, lavrado pelo autor do procedimento fiscal, fis. 207 a 222, do Processo Administrativo Fiscal, que apresenta total de R$8.974.567,93; m. Conclui que o Auto de Infração carece de suporte nos fatos alegados, mostrando que, claramente, procurou exigir muito mais que entendia ser devido, acrescentando, na apuração dos valores, cifras que nem de longe podem ser consideradas receitas tributáveis e outras para as quais não pediu comprovação, na intimação lavrada com essa finalidade; n. Argumenta que, pelo seu contador e pelo seu representante legal, por diversas vezes, tentou explicar ao Auditor Fiscal, sem êxito, a natureza dos lançamentos nas contascorrentes bancárias, mencionando o fato que grande parte dos lançamentos referiamse a cobrança de duplicatas de terceiras empresas. Sendo, a parte das duplicatas e recebimentos da autuada, correspondente aos valores, que se encontram mencionados no seu Livro de Registro de Saídas (doc. 07), bem como na sua DIPJ2012 (doc. 08) e nos seus Livros Diário e Razão, onde a sua conta de Duplicatas a Receber (doc. 09 ), onde aparecem exatamente todas as duplicatas da própria empresa, as quais correspondem totalmente com as Notas Fiscais emitidas pela autuada, representando o total das suas receitas; Da impertinência do arbitramento de ofício do lucro tributável o. Anota que a fiscalização promoveu o arbitramento do lucro do contribuinte, fundamentando sua pretensão no fato que os extratos bancários disponibilizados pelo contribuinte, mediante autorização para a quebra do seu sigilo fiscal, apresentam valores que não foram contabilizados. Portanto, tais valores, omitidos da receita do contribuinte, não foram submetidos à tributação pelo Lucro Presumido, opção de tributação eleita pelo contribuinte, para sua declaração de rendimentos da Pessoa Jurídica. Considerou o Sr. Auditor Fiscal que o contribuinte infringiu o Art. 530 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3000/99, cujo teor são as hipóteses de arbitramento de ofício do lucro tributável dos contribuintes que, no seu inciso II, estabelece que será arbitrado o lucro quando: "II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiência que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 8 7 p. Reclama que não se referiu, o AFRFB, em nenhum momento a fraude ou vício na escrituração, nem tampouco a erros ou deficiências que tornassem a escrita imprestável para determinar a movimentação financeira do contribuinte, folhas 11, 12 e 13 do Termo de Verificação Fiscal, anexo ao Auto de Infração, fls. 426 a 438 do Processo Administrativo Fiscal. Nem poderia fazêlo de forma correta e legal, porque a DIPJ2012 do contribuinte (doc. 07) mostra na sua Ficha 01 Dados Iniciais, para o período considerado, Forma de Escrituração: LivroCaixa. Sendo essa a única forma de comprovação documental quer o Auditor poderia exigir do contribuinte. Pelo contrário com a quebra de sigilo autorizada expressamente pelo contribuinte, o autuante teve acesso a toda a movimentação financeira, podendo requerer esclarecimentos sobre a mesma, dimensionala e formular a exigência do tributo que entendeu cabível; q. Segue afirmando que, diferentemente da apuração do imposto devido pela sistemática do Lucro Real, que demanda o conhecimento das receitas e dos custos e das despesas, para a sistemática do Lucro Presumido interessa apenas o montante das receitas tributáveis, cuja apuração foi permitida pelo contribuinte na sua totalidade, permitindo a lavratura da autuação pela suposta omissão de receitas. A forma de tributação da omissão de receitas, dos contribuintes que declaram seus rendimentos pelo Lucro Presumido, está formalmente prevista na legislação, e permitiria o enquadramento da autuação fiscal em questão no Art. 528 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3000/99; r. Pondera que, se o auditor baseouse na premissa que existia uma "deficiência" na escrita em face da não contabilização de receitas, essa deficiência foi sanada pela autorização do acesso à movimentação financeira da empresa, feita espontaneamente pelo contribuinte, permitindo o conhecimento da receita tributável, pela autoridade fiscal. Assim sendo, a receita supostamente omitida, era conhecida pelo Auditor Fiscal e estaria autorizada, pela legislação tributária, a ser computada na determinação da base de cálculo do imposto devido, jamais a ser arbitrada. Portanto incabível o arbitramento, com majoração do coeficiente de tributação em 20%, aplicado pela fiscalização contra o contribuinte, como punição, uma vez sanada a referida deficiência; s. Cita o Acórdão n° 1301001.805, da 3a Câmara / Ia Turma Ordinária, da Primeira Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em sessão de 05 de março de 2015; Da indevida majoração da multa de oficio t. Descreve que a autuação fiscal lavrada contra o contribuinte, que ora impugna o lançamento tributário, foi majorada de forma grosseira pela equivocada interpretação da legislação de regência, pretendendo onerar o contribuinte com a multa de oficio majorada de 75% para 150%, pela alegação incomprovada da ocorrência de sonegação fiscal. O Auditor lavrou sua exação fundamentando a imposição da multa de oficio agravada, pela qualificação da conduta do contribuinte, como sonegação ou omissão dolosa de receitas, sendo certo que, em verdade, o fez por presunção legal autorizada pela não comprovação de movimentação bancária do contribuinte; u. Cita trechos do TVF; v. Mencionar que a alegação de colocação, na empresa, de interposta pessoa, não procede; primeiramente porque a retirada de direito do Sr. Vanderlei de Carvalho da sociedade foi posterior ao período fiscalizado, em 21/07/2012, conforme cópia autenticada do Contrato Social, em anexo (Doc. 01), portanto foi, no período Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 9 8 fiscalizado, esse senhor, o titular e administrador da empresa de fato e de direito; também porque a presunção de omissão de receitas, alegada pela fiscalização, foi toda originada de contas correntes bancárias em nome da própria empresa, não em nome de terceiro interposto ou "laranja"; w. Esclarece que o motivo da retirada de direito, do Sr. Vanderlei de Carvalho, da empresa, foi a sua situação pessoal, como pessoa física que, em virtude da sua inadimplência, prejudicava o crédito da empresa junto às instituições financeiras, dificultando sua operação, continuando como titular de fato, mediante procuração, cedida pelo sócio de direito. Não se pode desconsiderar que o atendimento à fiscalização foi feito pelo próprio Sr. Vanderlei de Carvalho, nunca por interposta pessoa, tendo o mesmo se apresentado para a fiscalização como responsável pela empresa, concordando com a sua sujeição passiva e assumindo a função de responsável pela empresa, perante a autoridade tributária. As contas correntes bancárias utilizadas pela fiscalização, para fazer a sua presunção de receitas omitidas da tributação, são todas em nome da própria empresa, e o acesso às mesmas pela fiscalização foi formalmente autorizado pelo administrador, fato que deixa clara a intenção do contribuinte de externar, para analise da fiscalização, toda sua movimentação financeira, jamais de ocultar ou impedir o acesso a essas informações; x. Explica que as movimentações bancárias que a fiscalização considerou como receitas omitidas da regular operação da empresa, de fato são créditos de mútuos de terceiras empresas para as quais a fiscalizada prestou serviço de recebimento de duplicatas, mediante operações cobrança ou desconto, efetuadas nas contas correntes bancárias da impugnante. Ou seja, sequer houve omissão de receitas, por isso não haveria motivo para se discutir a natureza dessa omissão; contudo, se fossem receitas omitidas, seria incabível a exigência do tributo com a multa majorada, por tratarse de omissão simples, calcada na presunção legal, pela não justificativa da movimentação financeira, jamais omissão dolosa que permitisse o agravamento da multa de oficio.Esse fato jurídico tributário está no texto do Termo de Verificação Fiscal, anexo à autuação fiscal, item 41, folhas 7 e 8 de 13, onde o autuante afirma que: "..restou caracterizada omissão de receitas, em conformidade com a presunção lesai prevista no art. 42 da Lei 9430, de 27/12/96. "; y. Alega que inexistem os pressupostos alegados pelo autuante, de cometimento das ilicitudes previstas no Art. 71 da Lei 4502/64, não existe prova apresentada de ação ou omissão dolosa do contribuinte, para impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributaria do fato gerador, a autuação fiscal foi feita por presunção, não por prova. Destaquese que a impugnação tem o ônus de questionar, no contencioso administrativo, a existência de prova, essa obrigação é do impugnante, conforme doutrina citada; z. Questiona qual prova foi apresentada no processo tributário pela fiscalização? Apenas a presunção legal autorizada pela legislação anteriormente referida. Não foi apresentado documento, nem perícia, muito menos qualquer outro meio de prova, restringindo o fato a ser provado à aplicação de presunção legal; aa. Cita decisões do CARF; bb. Conclui que, se correta a exação, deveria ser desconsiderada a imputação da multa qualificada, aplicada sobre o montante do tributo devido, restando, como correta e devida, a multa cominada no Inciso I, do Art. 957, a ser aplicada sobre a exação em questão; Da ilegitimidade passiva na suposta omissão de receitas Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 10 9 cc. Relata que o Sr. Auditor Fiscal, após receber respostas das intimações, procedeu ao levantamento fiscal da movimentação financeira da empresa. Servindose dos extratos bancários, obtidos junto às instituições financeiras, que solicitou com base na declaração, apresentada pela empresa, disponibilizando para a SRF a quebra do seu sigilo bancário. A possibilidade desse levantamento originouse, portanto, da lisura da empresa no atendimento da fiscalização, demonstrando que nada tinha a ocultar da autoridade tributária, dentro do seu movimento bancário. Desse modo o auditor colocou suas conclusões no item B DA ANÁLISE E DAS CONSTATAÇÕES, do seu Termo de Verificação Fiscal, anexo ao Auto de Infração; dd. Cita trecho do TVF; ee. Argumenta que sem dúvida números expressivos, contudo, sem nenhum nexo contábil ou fiscal, esses totais anuais colocados pelo Sr. Auditor Fiscal, mostram apenas que a soma das movimentações financeiras, a crédito e a débito, nesse banco, somaram esses valores. Não mostram valor de receitas e despesas, o giro financeiro é desse total, mas, quais teriam sido as receitas? Quantas vezes girou o capital da empresa, na forma de receitas de vendas efetuadas, isso não está apurado! São números, colocados pela fiscalização, apenas para impressionar, que não demonstram a efetiva existência de omissões de receitas, como pretendeu provar o autuante; ff. Afirma que o faturamento da empresa encontrase contabilizado e declarado na sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2012, Ficha 1 Dados Iniciais, apresentada pelo Lucro Presumido, com Forma de Escrituração: LivroCaixa. A legislação permite, às empresas que declaram pelo Lucro Presumido, a opção de tributação das mesmas em uma de duas formas de escrituração possíveis: escrita contábil ou livrocaixa. Se o contribuinte optou na sua DIPJ, do período fiscalizado, por escriturar seu movimento apenas pelo livro caixa, a verificação fiscal deveria também ser feita por essa opção. Qualquer restrição colocada à contabilidade da empresa é impertinente, por não ser essa a forma de escrituração eleita pelo contribuinte. O Sr. Auditor Fiscal pediu contabilidade da empresa, sem esta estar obrigada a têla, o balancete que está anexado, as fls. 224 a 226 do processo administrativo, não é documento que possa ter relação com a DIPJ 2012 do contribuinte. Nesse balancete encontrase a movimentação relatada pelo Auditor Fiscal, de R$3.817,56, sem correspondência com a realidade. Tratase de documento interno, com a finalidade de controlar o movimento da própria empresa e por essa razão não levou em conta as transações por conta de terceiros. Se alguma dúvida paira sobre o assunto, a legislação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas esclarece, de forma inquestionável, conforme se deduz do texto legal do parágrafo único do Art. 527 do RIR/99; gg. Esclarece que a DIPJ 2012 (doc. 07) indica na sua Ficha 67B Outras Informações, Saldo de Caixa e Bancos, no encerramento do período, no valor de R$2.351,46., bem como as demais outras informações solicitadas no formulário: capital, contas a receber e a pagar, estoques e compras no período base. O Auditor Fiscal recebeu os razões analíticos de todos os bancos, nos quais a empresa movimentou contascorrentes, equivalendo a ter recebido o livrocaixa com todas as receitas e despesas da empresa, em perfeito acordo com a opção feita pela empresa, para a forma da sua escrituração. Não há que se falar em omissão de receitas, porque nada foi omitido da fiscalização, toda a movimentação foi disponibilizada nos razões analíticos apresentados, permitindo todas as verificações e análises, por parte da fiscalização; Fl. 3475DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 11 10 hh. Ressalta que as receitas declaradas na DIPJ 2012, são exatamente aquelas que correspondem às vendas da empresa, com regular emissão de notas fiscais, recebimento das duplicatas em conta correntebancária, e tributação pelo Lucro Presumido, apurado trimestralmente. Esse fato é confirmado pelos registros do contribuinte no Livro de Registro de Saídas, que correspondem integralmente com os registros no Caixa da autuada, bem com a DIPJ/2012 apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil; ii. Cita trechos do TVF; jj. Entende que não procede a alegação do item 32, porque na data de 22.05.2015, a Impugnante apresentou resposta ao Termo de Verificação n° 03, na forma de Mapas com histórico da movimentação bancária, relatando os fatos no lado direito das planilhas, banco a banco, em correspondência com o mapa apresentado pela fiscalização, fls. 113 a 189 do processo fiscal. Se houvessem dúvidas, a empresa estava pronta a responder; entretanto, nada mais perguntou o Auditor Fiscal, considerando encerrado o questionamento e na sequencia, lavrou a exação. Nos históricos dos mapas apresentados pela impugnante, fls. 113 a 189, em resposta ao Termo de Intimação n° 03, aparecem, associados aos créditos havidos nas contas correntes bancárias, os nomes das terceiras empresas que cederam suas duplicatas para cobrança, bem como os débitos dos valores repassados as mesmas. Comprovando que a autuada recebeu os valores e os repassou para as empresas cedentes das duplicatas. Esses históricos são das formas : "crédito" WOMA, WURC, ARMC, CENTER, ETC, pagamento de títulos e "débito' WOMA, WURC, ETC, transferência pelo recebimento dos títulos; demonstrando claramente que os títulos foram cobrados e recebidos pela Impugnante e os valores transferidos para os cedentes, em conformidade com o procedimento que foi relatado anteriormente. Um e outro item, na verdade, são interligados, os créditos referentes a cobrança de duplicatas, que não foram justificados, no entendimento da fiscalização, referemse, realmente, a cobrança de duplicatas. Só que esses documentos mencionam cedentes e sacados diferentes da empresa fiscalizada; kk. Acrescenta que não emitiu notas fiscais e faturas, que permitissem a emissão dessas duplicatas em seu favor; outras empresas, terceiras, foram responsáveis por esses fatos. Ou seja, as receitas tributáveis, vinculadas a esses documentos, são de terceiras empresas e não da autuada, não existindo relação jurídicotributária entre esses documentos e a autuada. A impugnante, na pessoa do seu titular de fato e do seu contador, insistiram em apresentar outras provas dessa alegação ao Auditor Fiscal autuante, sem sucesso, sem qualquer êxito, tendo a autoridade fiscal alegado que esse era um fato irrelevante para o procedimento fiscal, não sendo possível utilização de documentos sem suposto vinculo com a fiscalização. O documento intitulado "Instrumento Particular de Protocolo de Intenções de Cessão de Quotas da Sociedade WOMA EQUIPAMENTOS LTDA.", mostra a relação existente entre o titular de fato da ROVED e a Woma Equipamentos Ltda., que em razão dessa relação, emprestou as contascorrentes bancárias da fiscalizada, para que a WOMA, pudesse receber suas duplicatas sem sofrer penhora online, que inviabilizaria sua continuidade operacional (doc. 10). Esse documento representa acordo de prestação de serviços do Sr, Vanderlei de Carvalho para a Woma Equipamentos Ltda., com previsão de remuneração na forma de cotas da empresa, em caso de êxito; ll. Com relação à Woma, explica que a relação do interesse pessoal, do titular de fato da fiscalizada, fez com que o faturamento da empresa passase a ser cobrado pela fiscalizada, emprestando para tal suas contascorrentes bancárias. Essa relação está comprovada, também pelas cópias das duplicatas, anexas às Notas Fl. 3476DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 12 11 Fiscais de Vendas que, como mencionado, tem como cedente a Woma, e como sacados, diversos clientes dessa empresa, tendo os recursos ingressado nas contas correntes bancárias da fiscalizada e saído, em retorno para a Woma, sem geração de qualquer receita em favor da fiscalizada, constando a totalidade da relação de valores em anexo (doc. 11). As relação de valores corresponde com os relatórios de duplicatas, por empresa cedente, onde são indicados todos os sacados das mesmas para todas as empresas, encontramse em poder da autuada, ficando à disposição da Receita Federal a totalidade das cópias das duplicatas que serão apresentadas quando exigidas (Doc .12). A empresa tem em seu poder cópias das duplicatas de cada um dos cedentes, para os quais a empresa autuada recebeu duplicatas, ou sejam Comercial de Rolamentos GTR Ltda., A.R.M.C. indústria e Comércio de Plásticos e Borrachas Ltda., CENTER Comércio e Importação de Rolamentos Ltda. ME, WURC Indústria de Peças e Rolamentos Ltda ME, SPINA Distribuidora Brasileira Ltda., JETTERSON Lincoln Jacon, NBR do Brasil Comercial Importadora Ltda., ficando, do mesmo modo, à disposição da autoridade fiscal, todas as duplicatas dessas empresas, cobradas pela autuada. Revelando, desse modo, o descabimento da alegação de que seriam, esses valores, receitas omitidas pela fiscalizada, e da consequente tributação das mesmas, como tal. Da mesma maneira, pelo fato de ser profissional da área financeira, o Sr. Vanderlei de Carvalho, titular da fiscalizada, ocupouse em permitir a recuperação financeira de diversas outras empresas, promovendo a cobrança das duplicatas emitidas por essas empresas e repassando, em retorno, os valores recebidos para essas empresas; mm. Conclui que carece de melhor análise a afirmação do citado item 34, fls. 5 de 13, do Termo de Verificação Fiscal, anexo ao Auto de Infração: "Desta maneira, em virtude dos fatos relatados, resta evidente que a maior parte da movimentação bancária da Fiscalizada foi à margem da contabilidade e de qualquer apuração fiscal." Não é de todo equivocada essa afirmação, realmente grande parte da movimentação bancária da empresa está fora do campo da apuração fiscal; mas não por se tratarem de receitas omitidas da apuração fiscal de tributos, mas por serem receitas de terceiros e não da empresa. As duplicatas em questão são de terceiras empresas, que emitiram todos os documentos fiscais para embasalas, tendo recolhido todos os tributos incidentes sobre as correspondentes transações comerciais. Não cabendo, sobre esses fatos geradores, qualquer exação fiscal. Finalizando, esse tópico do seu Termo de Verificação Fiscal, o Auditor Fiscal, nos itens 36 e 37, fis. 6 de 13, afirma que realizou conciliação bancária que teria resultado na apuração de créditos e apresenta resumo mensal de créditos em contascorrentes bancárias supostamente não comprovados que totalizariam o valor de R$8.974.567,93 no ano calendário de 2011. O referido resumo de conciliação bancária encontrase anexo ao Processo Administrativo Fiscal, fls. 207 a 222. Sendo, esse valor, objeto de questionamento pela sua inexatidão, no item 2 dessa impugnação, no qual se demonstram os equívocos cometidos na sua apuração, restando após correções o valor de R$5.691.277.40. Na sequencia, itens 38 a 43, fls. 7 e 8 de 13, do mesmo Termo de Verificação Fiscal, o Auditor Fiscal discorre sobre esses valores, enquadrandoos como omissão de receitas, mencionando como fundamento legal para sua conclusão a presunção legal prevista no Art. 42 da Lei 0 9.430/96. Procedendo à exclusão dos valores tributados pelo contribuinte na sua DIPJ 2012, e considerando a diferença como valores de infração fiscal, submetendoos a exigência de tributos devidos, IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com multa de ofício agravada, de 150%, pelo cometimento, em tese, de crime de sonegação fiscal e juros legais; nn. Alega que o raciocínio da autoridade fiscal que lavrou o Auto de Infração está totalmente equivocado, parte de indícios que não foram corretamente analisados, Fl. 3477DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 13 12 para presumir fato, no caso a omissão de receitas, que condenaria o contribuinte como infrator da base legal alegada. Equivocase ao considerar valores de movimentação financeira, em contascorrentes do contribuinte, como procedimento criminoso, incurso nos Arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Como se não fosse permitido às empresas manterem contas de mútuo com terceiras empresas, como sucedeu com a autuada. O Auditor Fiscal se recusou a receber os documentos que a empresa lhe apresentou, na forma de duplicatas de terceiros, que foram cobradas e recebidas pela autuada. Tendo circulado nas suas contascorrentes, mas referindo se a faturamento de terceiros, pretendendo, o Auditor, que todos os valores que circularam nas contascorrentes da autuada fossem considerados como receitas da mesma., constituindo base de cálculo da exação. Entretanto, convém lembrar que o Art. 518 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto n° 3000/99, define a base de cálculo como sendo o percentual de 8% aplicado sobre a receita bruta do próprio contribuinte, no período de apuração. Jamais das receitas de terceiros, cuja tributação e pagamento, dos valores apurados, compete a esses terceiros, que cumpriram regularmente sua obrigação tributária, não havendo hipótese de serem exigidos, os tributos, novamente, da empresa autuada, que apenas fez a cobrança das duplicatas; oo. Assevera que as alegações que os valores não aparecem no balancete apresentado para a fiscalização, são impertinentes, porque o referido balancete não serviu para a apuração do Lucro Tributável, sendo que a empresa declarou seus rendimentos, no ano calendário de 2011, pela sistemática do Lucro Presumido, optando, na declaração pela Forma de Escrituração: LivroCaixa, e apresentou razões analíticos de todas as contascorrentes bancárias e da conta Caixa, portanto, não ocultou da fiscalização absolutamente nada. Tivesse, a autuada, resultados tributáveis nessas operações bancárias, de recebimento de duplicatas de terceiros, teria somado esses valores ao seu lucro tributável, na qualidade de receitas da prestação de serviços de faturização, submetendo tais valores ao percentual de 32% sobre as receitas auferidas, e apurado o IRPJ e a CSLL devidas, bem como teria submetido tais receitas a tributação do PIS e da COFINS, não o fez porque não houveram receitas tributáveis. Ressaltese que a maioria das empresas, para as quais a empresa prestou esse serviço, eram devedoras da autuada, sendo esse procedimento adotado para recuperar os valores, dos quais as empresas encontravamse inadimplentes com a mesma. Não se pode desconsiderar, que o embasamento legal, utilizado pelo Auditor Fiscal, foi o Art. 42 da Lei 9430/96, tendo o autor do lançamento, mencionado o §§ 1º e 2º do referido artigo da lei; entretanto, recusouse a receber documentação e verificar a verdade dos fatos, que remete ao § 5º do mesmo artigo; pp. Argumenta que, pela leitura do texto do § 5º da Art. 42 da lei n° 9.430/96, não restam dúvidas do equivoco laborado pelo autor do procedimento fiscal, obrigando que todas as suas conclusões e presunções sejam consideradas nulas, desconstituindo suas teses e promovendo a anulação do Auto de Infração lavrado, pela sua ausência de fundamentação legal e equivocada capitulação apresentada. Para confirmar suas alegações a Impugnante solicitou das empresas, para as quais promoveu a cobrança de duplicatas, que apresentassem declaração confirmando suas alegações, informando cada uma o total das cobranças transferidas para a autuada. Tendo sido atendido por quatro delas, A.R.M.C., CENTER, SPINA E WOMA. As referidas declarações, com firmas reconhecidas e os correspondentes contratos sociais ou extratos da Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, nos quais se confirma a relação de administradores dos emitentes, encontram anexas apresente Impugnação (doc. 13). Essas declarações trazem no seu bojo, os totais de duplicatas que foram recebidas por intermédio da autuada, os quais correspondem com os valores das somas das duplicatas, que constam das Fl. 3478DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 14 13 relações de duplicatas por cedente, anteriormente mencionadas (doc. 12). A totalidade das duplicatas não pode ser juntada, nesta fase do contencioso, em virtude da grande quantidade de documentos, cuja trabalho de compilação é muito lento, inviabilizando esse apresentação, contudo esses documentos estão em posse da autuada e, como já mencionado estão à disposição para serem apresentados quando forem solicitados; qq. Acrescenta anexos a esta Impugnação, Instrumentos Particulares de Compra e Venda com Cessão de Direitos firmados entre a autuada e a empresa A.R.M.C. Comercial de Plásticos e Borrachas Ltda., cujo objeto são os títulos de crédito em questão no presente Processo Administrativo Fiscal, que provam que as receitas supostamente omitidas pela autuada, são, de fato, receitas da A.R.M.C. (doc. 14). A exação está fulminada pela ocorrência de ilegitimidade passiva, no que diz respeito aos valores, supostamente não comprovados, de ingressos nas contascorrentes bancárias do contribuinte autuado. Os quais, se tivessem que ser tributados pela autoridade tributária, teriam, obrigatoriamente, que ser exigidos dos emitentes das duplicatas recebidas pela empresa autuada, que são os legítimos sujeitos passivos da obrigação tributária, jamais da mesma, que não tem nenhuma responsabilidade tributária sobre a origem das receitas, dessas terceiras empresas; rr. Cita decisões do CARF; Principio da Verdade Material ss. Afirma que a apuração do resultado do contribuinte está firmemente atrelada à realidade dos fatos e da verdade, jamais pode ser feita de modo a ser confundida com a ficção. Sem dúvida é louvável o Fisco procurar melhorar a arrecadação tributária e com isso permitir que a União tenha recursos para fazer frente aos seus custos e investimentos em Saúde, Educação, Transporte, Segurança, etc. A autoridade fiscal desempenha nesse universo uma importante função, de fazer cumprir a legislação tributária e exigir o fiel cumprimento das obrigações tributárias dos contribuintes. O contribuinte autuado não tentou de nenhuma forma escapar da real tributação, pediu à sua contabilidade que preparasse a sua escrita fiscal de forma correta e apresentasse as informações ao Fisco. O trabalho foi feito, contudo pecou no quesito "forma correta", resultando em verdadeira ficção tributária pela total desproporcionalidade entre o faturamento e o lucro apurado, afastandose completamente da razoabilidade e da verdade material. Infelizmente esse fato parece ter passado completamente desapercebido pela autoridade fiscal que produziu o lançamento, gerando uma tributação que se afasta completamente da verdade e acaba constituindose em verdadeira ficção, que não pode prosperar sob pena de conspurcar esse basilar principio da legislação tributária; tt. Cita doutrina; Conclusão uu. Conclui que houve ausência de razoabilidade, por parte da autoridade tributária autora do lançamento, ao não considerar os textos legais dos Arts. 518, 527 e 528 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99 (RIR/99), da não consideração do §5° do Art. 42 da Lei 9430/96, e pela equivocada interpretação do Art. 71 da Lei 4502/64. Cobrando da Impugnante, em decorrência, tributo que não é devido, mediante arbitramento equivocado do lucro tributável e indevida majoração da multa de ofício, sem qualquer nexo causal entre tributação exarada e fato gerador ocorrido. Ficou amplamente comprovado, que a Impugnante não é a titular dos valores, considerados omitidos da tributação pelo agente fiscal, apenas serviu de apoio para a cobrança dos mesmos, transferindoos aos seus Fl. 3479DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 15 14 verdadeiros titulares, não sendo devedor de nenhum tributo incidente sobre as receitas que originaram esses créditos. O IRPJ, a CSLL, o PIS e a COFINS, das Pessoas Jurídicas, que, como a Impugnante, apresentam declaração pelo Lucro Presumido, são devido sobre as receitas próprias do contribuinte, nunca de terceiros. Receitas de terceiros não representam disponibilidade econômica, e muito menos rendimentos tributáveis pelos citados tributos, não fazendo nenhum sentido a tributação desses valores. Muito menos, se fosse devedora desses tributos, poderia ser, a autuada, sujeito passivo de obrigação tributária agravada por arbitramento de oficio, porque tal procedimento não se aplicaria na exação; ou acusada de crime de sonegação fiscal, como tal definido no Art. 71 da Lei 4502/72, sem qualquer prova que sustentasse essa acusação, afastando a majoração da multa de oficio, cuja aplicação exige prova dessa acusação. Desde já, se coloca a Impugnante à disposição da autoridade julgadora para produzir provas das suas alegações de defesa, na forma de documentos idôneos e aferíveis, além das que foram anexadas ao Processo Administrativo Fiscal, tão logo lhes sejam solicitadas; Do Pedido vv. Requer a Impugnante seja julgada procedente a presente Impugnação, para que: a) seja declarada a descaracterização da lavratura do Auto de Infração, eis que: 1) foi lavrado sem o embasamento legal correto; 2) estar fundamentado em presunção relativa, sem a correta apuração dos fatos; 3) incorreu em ilegitimidade passiva ao exigir tributos sobre receitas de terceiros; 4) descartou o principio da verdade material, não requerendo qualquer outro documento para averiguação dos fatos. 5) promoveu acusação de crime de sonegação fiscal sem qualquer prova material; b) Caso assim entendam V.Sas., ordenar diligência fiscal afim de apurar corretamente os fatos, permitindo a Impugnante apresentar os elementos que faltarem para vossa convicção, objetivando permitir a reforma do feito e sua anulação. 7. Foi lavrado processo de representação fiscal para fins penais, de número 19515.720789/201531, apensado ao presente. 8. É o relatório. A Turma julgadora acolheu parcialmente estes argumentos aduzindo que: · Os depósitos bancários de valor inferior a R$ 1.000,00, que não foram objeto de intimação para justificativas, bem como os depósitos com históricos descrevendo “RES APLIC AUT MAIS" e "TEC DEP CHEQUE/DINHEIRO, que não constaram do Termo de Intimação nº 3, devem ser excluídos dos lançamentos; · Também devem ser excluídos os depósitos cujos históricos descrevem: “TRANSF C/I PARA C/C”, “TRANSF CC PARA CC PJ”, “TRANSF ENTRE AGENC DINH”, “TRANSF.ENTRE AGEN.CHEQUE” e “TRANSF.VALOR ENTRE CONTA”. Claramente, tratase de transferência entre contas do mesmo titular e não de terceiros, hipótese esta que se encontra fora da presunção de receita, nos termos do art. 42, §3° da Lei n° 9.430/96; · Devem ser mantidas as imputações com base nos depósitos descrevendo “TEC DEP CHEQUE “ e “TEC DEPOSITO DINHEIRO”, porque foram objeto de intimação, e nos depósitos que se referem a empréstimos, creditados em contascorrentes bancárias do contribuinte, com históricos que não deixam dúvida quanto a sua natureza, porque a interessada limitou se a apresentar uma tabela com valores globais atribuídos a cada banco, Fl. 3480DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 16 15 totalizando R$ 1.227.985,74 de supostos empréstimos, à fl. 516, sem comprovar a existência das aventadas operações juntos aos bancos e sem estabelecer correspondência desses valores com a relação de depósitos bancários que serviu de base para os lançamentos; · As demais justificativas apresentadas não afetam a exigência porque a apresentação de livros fiscais e contábeis e da DIPJ, com o objetivo de atribuir os demais depósitos bancários a cobrança de duplicatas de terceiras empresas, não permitem de forma alguma correlacionar operações contabilizadas com os depósitos bancários; · O arbitramento deve ser mantido vez que o auditor fiscal se manifestou de forma clara, explicando que o contribuinte optou por apresentar contabilidade, apesar de poder ter mantido Livro Caixa, em que havia registro de somente uma das contas bancárias, e em valor irrisório, demonstrando que os registros contábeis não refletiam a real movimentação financeira. E, embora em caso análogo, o CARF tenha decidido favoravelmente ao contribuinte autuado (Acórdão nº 1301001.805), fato é que o optante pelo lucro presumido somente está dispensado de manter escrituração contábil se escriturar o Livro Caixa integrado pelo registro da movimentação financeira/bancária, impondose o arbitramento se a escrituração não permitir a identificação da movimentação financeira/bancária, consoante outros julgados do CARF citados (Acórdãos nº 1301001.713, 1102000.918 e 140100.680); · A qualificação da penalidade deve ser mantida porque, apesar de impertinentes as alegações a respeito da retirada de Vanderlei de Carvalho do quadro societário da empresa, as circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte do contribuinte, de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu faturamento. A fiscalização apurou receita bruta a partir dos depósitos bancários no valor de R$ 8.974.567,93 (reduzidos para R$ 6.892.113,97 na presente decisão). Por outro lado, o contribuinte escriturou receitas de somente R$ 1.706.148,15, o que representa 19,01% (24,76% com a redução) do total de rendimentos auferidos no ano calendário 2011. Em suma, a empresa omitiu rendimentos de forma reiterada, durante todos os meses de 2011, em alto percentual, o que jamais poderia decorrer de mero equívoco ou esquecimento, restando plenamente caracterizado o dolo de sonegação. Corrobora a intenção dolosa de impedir o conhecimento de seu faturamento pelo fisco a ausência de escrituração da maior boa parte de sua movimentação bancária. Cita julgados do CARF que admitem a qualificação da penalidade nas hipóteses de exigências fundadas em depósitos bancários de origem não comprovada é possível a qualificação da multa, desde que haja convicção acerca da presença do dolo (Acórdãos nº 1102001.178, 1202001.163, 1102001.089 e 110200.341); · As alegações acerca de ilegitimidade passiva na suposta omissão de receitas e de ofensa ao princípio da verdade material não podem ser aceitas porque os documentos apresentados correspondem a mera relação de duplicatas sem qualquer informação que identificasse tais eventuais recebimentos com os depósitos bancários. Quanto às declarações que trariam no seu bojo os totais de duplicatas que foram recebidas por ele, que correspondem aos valores das somas das duplicatas, e que constam das relações de duplicatas, entendeuse não ser possível acatar as justificativas, já que inexiste Fl. 3481DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 17 16 indicação segura e inequívoca que correlacione esses eventuais recebimentos à listagem de depósitos bancários. Ademais, ainda que se admitisse a tese de que parte dos depósitos se referem a recebimentos de duplicatas decorrentes de prestação de serviços de cobrança, é relevante observar que o contribuinte não declarou nem recolheu receita alguma sobre tais serviços, os quais se sujeitariam ao percentual de 32%. De fato, constatei que, em sua DIPJ/2012, a empresa informou somente receitas no percentual de 8%; · ... a perícia é desnecessária, já que o contribuinte teve duas oportunidades para justificar a origem dos depósitos: durante ao procedimento fiscal e na peça de impugnação. Além disso, as informações procuradas não necessitam de perito para serem obtidas, já que se trata de dados simples, de interesse e de propriedade do titular da conta bancária; · A atribuição de responsabilidade tributária a Vanderlei de Carvalho tornou se definitiva porque não impugnada. As exigências de IRPJ foram reduzidas de R$ 170.915,85 para R$ 120.936,96; as de CSLL de R$ 78.498,93 para R$ 56.008,43; as de Contribuição ao PIS de R$ 48.483,48 para R$ 34.947,53 e as de Cofins de R$ 223.769,96 para R$ 161.296,34. Tais valores, acrescidos da correspondente redução da multa de ofício qualificada, não ultrapassam o limite de alçada para reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 26/04/2016 (fl. 894), a contribuinte postou recurso voluntário, tempestivamente, em 17/05/2016 (fls. 896/928), no qual, inicialmente, aborda a impertinência do arbitramento de ofício do lucro tributável, observando que foi o auditor que intimou o contribuinte a apresentar contabilidade e não livrocaixa, o que corresponderia à opção do contribuinte, feita na sua DIPJ/2012, conforme opção do contribuinte efetuada na mesma. Entende haver grave equívoco da fiscalização, que serviu de fundamento, para o enquadramento legal utilizado pelo autor da exação, fato este não analisado convenientemente no Acórdão recorrido. Defende que o motivo de existirem movimentações financeiras não declaradas foi amplamente demonstrado, mediante apresentação de espelhos dos extratos bancários, especialmente nos históricos colocados na coluna à direita das movimentações dos débitos onde se lê "Transferência para (WOMA, WURC, ARMC, CENTER, etc.) referente ao recebimento de títulos, mas em seu entendimento a Fiscalização não demonstrou interesse em aprofundar as investigações e na DRJ não motivou a diligência requerida. Considerando que os valores em questão representam faturamentos de terceiras empresas, afirma existir dupla e indevida tributação sobre um mesmo fato gerador, destacando as declarações juntadas à impugnação reconhecendo o recebimento por intermédio das contas bancárias da autuada. Discorda da penalidade que lhe foi imputada sem evidência de qualquer intenção de ocultar sua movimentação bancária, dado ter permitido à fiscalização amplo acesso a todas as informações bancárias. Observa que nos julgados citados acerca da validade do arbitramento dos lucros, não houve apresentação de livros de escrituração obrigatória, sendo que no presente caso os livros foram apresentados e se encontram conformes com as receitas declaradas na DIPJ/2012 do contribuinte. E aduz: Fl. 3482DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 18 17 Em resumo, estamos diante de uma situação peculiar: a Receita Federal pede que o contribuinte informe na sua DIPJ sua forma de escrituração, mediante opção entre "escrituração contábil" ou "livrocaixa"; o contribuinte expressamente opta pela segunda opção (parágrafo único do Art. 527, abaixo), mas é intimado pela opção não eleita por ele, mas escolhida pelo AFRFB e mais, sofre punição com o arbitramento e agravamento do coeficiente de presunção de lucro com base nessa equivocada falsa premissa. Invoca o art. 528 do RIR/99, quanto à adição à base de cálculo do lucro presumido das receitas omitidas, e se opõe à aplicação do art. 530 do RIR/99 porque não existem fraudes ou vícios, erros ou deficiências que não permitissem o conhecimento da autoridade tributária da efetiva movimentação financeira ou não permitissem apurar a base tributável, assim como não foi questionada a possível não apresentação dos livros obrigatórios pela legislação fiscal para as empresas comerciais. Afirma impertinente a referência, na decisão recorrida, ao art. 60 do RIR/99, e discorda do arbitramento dos lucros quando se conhece a suposta base tributável, bem como porque a Fiscalização deveria ter solicitado a reconstituição da escrita contábil ou do livro caixa nos quais vislumbrou vícios, e só na eventualidade do não atendimento, teria a possibilidade de aplicar o arbitramento, consoante exposto no Acórdão nº 1402001.606. Reitera ter apresentado os elementos a que estava obrigada a apresentar e, jamais poderia receber o tratamento de não apresentação que veio a embasar o arbitramento, feito ao arrepio do legislação tributária. Cita doutrina e conclui inexistir por completo a condição necessária para aplicação do arbitramento. Passando à indevida majoração da multa de ofício, contesta a acusação fiscal de representação da pessoa jurídica por interposta pessoa, motivadora da imputação do art. 71 da Lei nº 4.502/64, observando que o responsável pela pessoa jurídica atendeu à fiscalização e concordou inclusive com a sua sujeição passiva na garantia do crédito tributário, apesar de ter saído do quadro societário da empresa, ainda que posteriormente. Quanto à movimentação financeira em valor superior ao informado na DIPJ, não seriam valores de titularidade da empresa, consoante alguns casos demonstrados à fiscalização, com abertura espontânea de seu sigilo bancário. Ausente demonstração de que os valores da suposta omissão de receitas referemse a receitas tributáveis da empresa, não seria possível presumir o dolo, como fez a autoridade julgadora ao invocar o alto percentual dos rendimentos supostamente omitidos pela autuada. Reitera as justificativas para não registro dos valores como seu faturamento, observa que não alegou falha interna de controles da empresa ou perda ou extravio de documentos relativos à sua atividade operacional, e assevera que apresentou a verdade à Fiscalização e em impugnação, destacando ser empresa de pequeno porte, com estrutura operacional limitada e que não logrou apresentar provas diretas de sua alegação de que emprestou suas contas para o recebimento de duplicatas de terceiros, na forma dos "bordeaux" bancários. Neste contexto, entende que a fiscalização deveria ter aprofundado as investigações a partir das informações prestadas, inclusive intimando esses terceiros para obter a confirmação das alegações apresentadas. Reportase novamente às declarações das terceiras empresas apresentadas e questiona onde estaria o instrumento utilizado pela autuada para ocultar os valores da fiscalização. Assevera que os documentos das terceiras empresas responsáveis pelos recebimentos nas contas correntes da ROVED não foram apresentados à fiscalização porque Fl. 3483DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 19 18 não os quis receber o AFRF que a conduziu, sendo apresentados no contraditório e arbitrariamente ignorados pelos senhores julgadores. Esclarece que a identificação dos valores não consta nos extratos bancários porque os recebimentos na sua quase totalidade são lançados nas contas em grupos de valores, sem a identificação dos sacados e que a listagem apresentada detalha estas ocorrências. Observa que a autoridade julgadora desconsiderou a relação entre o titular da ROVED e a Woma Equipamentos Ltda, exposta em contrato apresentado, e que evidenciaria as dificuldades financeiras destas, com possível bloqueio das suas contas correntes bancárias. Quanto às demais pessoas jurídicas, aponta que foi desconsiderada a correspondência entre os totais declarados e as planilhas apresentadas e opondose ao fundamento da recusa apresentada pela autoridade julgadora de 1ª instância, e, para se reportar a doutrina acerca do conceito de prova, aduz: O melhor entendimento para essa afirmação, dos Senhores Julgadores é de que os documentos apresentados pela autuada, probos, idôneos e afirmativos de que a ROVED recebeu em suas contas correntes valores de terceiros, não tem nenhum valor probante; seria provas que não interessam ou não se revestem de características que permitissem sua valoração para o deslinde do contencioso, enquanto que, a presunção utilizada pela fiscalização, de que os depósitos bancários tem origem espúria, ou se referem a transações comerciais não contabilizadas pela autuada, seria válida e inalterável. Invoca as Súmulas CARF nº 14 e 25, e acrescenta que a acusação fiscal se pautou no art. 71 da Lei nº 4.502/64, mas a autoridade julgadora alterou o enquadramento para se reportar ao art. 72 da Lei nº 4.502/64, inovando a exigência. E reportase a julgados representativos da farta jurisprudência do CARF e da CSRF descaracterizando a aplicação do agravamento da multa de ofício nos casos de autuação por presunção de omissão de receitas, acertadamente, em virtude da necessidade, para haver o agravamento, de ocorrência de dolo específico do contribuinte, o qual não pode ser presumido, tem que ser provado. Ressalta que a acusação fiscal foi breve e que a autoridade julgadora de 1ª instância, além de se reportar à ocorrência de fraude na ementa do julgado, apontou a existência de sonegação com base na porcentagem da omissão, que considera alta, e considera ter havido reiteração na omissão das receitas, por parte do contribuinte. Discorda destas acusações, citando doutrina, quanto à imprecisão dos conceitos de relevância e reiteração. Afirma que não houve sonegação, fraude ou conluio, muito menos houve conduta dolosa da empresa, que apenas não entendeu existir necessidade de registrar os valores correspondentes a essa diferença em registros transitórios, que não afetariam seu resultado operacional por se tratar de recursos de terceiros. Reafirma a ilegitimidade passiva na suposta omissão de receitas, citando doutrina e questionando a falta de aprofundamento da auditoria, com a consequente presunção de omissão de receitas de forma precipitada, sem investigação da verdade ou falsidade das justificativas que lhe foram apresentadas. Entende estar claro nas explicações prestadas que os valores dos títulos ou duplicatas recebidos nessas contas correntes foram repassados para seus emitentes, não ficando de posse da autuada, deixando a fiscalização de auditar a prova favorável à empresa auutada, sem se preocupar com a possibilidade de estar exigindo os tributos em duplicidade. Acrescenta que: Fl. 3484DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 20 19 Não registrou contabilmente os valores recebidos por conta e ordem de terceiros porque, ao contrário das empresas tributadas pelo Lucro Real, não estava obrigada à elaboração da contabilidade fiscal para apuração do lucro tributável, na qual apareceriam em conta transitória, subcontas com os saldos, por empresa, de cada uma das referidas terceiras empresas. Exemplifica pagamentos para afirmar a veracidade dos históricos que deveriam ter sido auditados pela fiscalização, para discordar da objeção da autoridade julgadora à ausência de comprovação biunívoca de relação dos recebimentos com os depósitos bancários e ausência de correlação das planilhas ou listagens e os depósitos bancários. Discorda da desconsideração de instrumento particular firmado com A.R.M.C. Comercial de Plásticos e Borrachas Ltda, e com outras pessoas jurídicas, acompanhados de planilhas e declarações destas empresas, observando que: No total são oito grupos de provas incontestes, na forma de declarações firmadas reconhecidas dos responsáveis pelas empresas, com cópias dos contratos sociais ou extratos da Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, onde se confirma essa atribuição, além das planilhas, que foram apresentadas na Impugnação apresentada pela empresa na DRJ, não consideradas pela turma julgadora, que entendeu tratarse de justificativas que não podem ser acatadas, sob a alegação de não existir indicação segura da relação desses recebimentos com os depósitos bancários. Como entender que uma prova na forma de declarações dessa natureza, por parte de empresas formalmente constituídas, informando que entregaram para cobrança suas duplicatas, em totais que constam das declarações, para a autuada, não pode ser aceita como prova. São empresas idôneas, cumpridoras das suas obrigações cíveis e tributárias, que informam que suas duplicatas foram recebidas por sua conta e ordem pela autuada, que declaram o que segue: "... Esse total representa o total das duplicatas recebidas pela empresa ROVED, nas suas contascorrentes bancárias, o qual foi repassado integralmente para a declarante, em face do acordo comercial firmado entre as empresas." Existiriam outras contas correntes bancárias da autuada além daquelas auditadas pela fiscalização, nas quais poderiam ter transitado esses valores? Seria falsa a declaração onde afirma que o total foi repassado integralmente para a declarante? Não, Senhores Conselheiros, não há nenhuma falsidade, o que há é a dificuldade dos senhores julgadores de primeira instância de aceitarem como verdadeiras as alegações da autuada, por não reconhecerem o valor da prova documental no processo, seja ele judicial ou administrativo. Discorda da postura da autoridade julgadora de 1ª instância, que afirma parcial, na medida em que não lhe suscita dúvida a documentação apresentada e entende firme a presunção usada pela fiscalização. Destaca a importância das declarações apresentadas, mesmo não tendo sido exaradas por tabeliões ou serventuários da Justiça, dado que sua verificação está claramente colocada ao alcance do fisco. Assevera que o afastamento das citadas provas, na elaboração do recorrido Acórdão, constituise em lamentável cerceamento de defesa por parte da turma julgadora, submetendose ao superior juízo desse Conselho a falha da primeira instância administrativa de julgamento. Quanto à mencionada ausência de receitas de prestação de serviços declaradas pela autuada, aponta que os contratos previam a cessão de cotas como remuneração Fl. 3485DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 21 20 dos serviços, sem previsão de diferença no valor de aquisição das duplicatas, inexistindo ágio a ser oferecido à tributação. Conclui, assim, estar amplamente demonstrada a ilegitimidade passiva do contribuinte ROVED, na exigência da parcela dos tributos exigidos nesta autuação correspondentes aos valores recebidos por conta de terceiros, nas suas contas correntes bancárias, por se tratarem de tributos devidos e adimplidos por terceiras empresas. Ao final, resumindo seus argumentos, pede o provimento do recurso voluntário e informa que requereu junto às instituições bancárias, cópias dos "borderaux" de duplicatas das suas contas correntes bancárias, documentos não recebidos até o vencimento do prazo recursal e que deverão ser conciliados com as relações de duplicatas antes apresentadas, no sentido de identificar, pelos sacados os cedentes, quais são as empresas emitentes das mesmas, visando provar que são esses terceiras empresas titulares das receitas tributáveis, alegadas como omitidas pela autuada. Protesta, assim, pela sua apresentação assim que possível. Em 01/06/2017 e 30/06/2017 a contribuinte aditou seu recurso voluntário (fls. 936/3465) para apresentar referidos documentos, afirmando que as relações de duplicatas de terceiros recebidas e repassadas para seus emitentes, que transitaram pela conta da autuada, foram associadas às citadas "francesinhas", sendo indicadas nas suas folhas, duas novas colunas com número das folhas das mesmas e histórico. Defende a ocorrência do art. 42, §5º da Lei nº 9.430/96 e justifica a apresentação dos documentos neste momento, questionando as objeções apresentadas na decisão recorrida à diligência antes requerida e observando que autorizar o Fisco a ter acesso às suas informações bancárias, nelas estariam incluídas tais operações. Reportase ao art. 16, §5º, alíneas "b" e "c' do Decreto nº 70.235/72, bem como ao art. 463 do Código de Processo Civil e ao art. 38 da Lei nº 9.784/99, e conclui que: Na realidade, como se mencionou anteriormente, a juntada desses documentos não seria necessária se a requisição de movimentação bancaria, feita pelo Auditor Fiscal que lavrou autuação, tivesse sido feita de modo completo, ou seja, se 0 procedimento visava verificar se a movimentação financeira do contribuinte referia se a receitas omitidas ou não, fundamental seria a requisição também dos extratos de movimentação de duplicatas. O levantamento restringiuse as contas correntes, deixando de lado essa prova fundamental, tivesse requisitado esses extratos de movimentacão de duplicatas e verificado neles, que as receitas estariam associadas a duplicatas de emissão do contribuinte, o fato gerador estaria perfeitamente caracterizado e não haveria que se lavrar autuação calcada em presunção. Entretanto, essa prova não foi buscada pela fiscalização, apesar das alegações, feitas pelo contribuinte, que as receitas eram de terceiros, desde o início do procedimento, destacandose sua indispensabilidade no curso do contencioso, sendo agora juntada aos autos para dirimir qualquer duvida e comprovar que a autuação por presunção não passou de uma ficção tributaria, que pretendeu exigir tributo não devido pelo contribuinte e já adimplido pelos seus reais responsáveis tributários. Neste ponto, juntase as razões de direito o enunciado da lei que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Publica Federal, o qual no seu Art. 38, textual mente, permite a inclusão dos documentos ora juntados, pela sua probidade, Fl. 3486DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 22 21 pertinência e necessidade, bem como das alegações desta petição pelos mesmos motivos, como segue: [...] O contribuinte pede aos senhores julgadores a juntada ao PAF dos documentos mencionados nesta petição, bem como a consideraração dos mesmos no julgamento a ser emitido pela Douta Camara, por considerálos indispensáveis à formação de juízo sobre este contencioso, permitindo seu perfeito entendimento de maneira isenta e objetiva, em busca da verdadeira justiça. Pede também sejam consideradas as razões aduzidas no contexto desta petição, em particular, no que tange ao fato da fiscalização ter tido à sua disposição todos os elementos para verificar a realidade dos fatos, pedindo aos bancos (com a autorizar;ao dada pelo contribuinte, recebendo e analisando os "borderaux" de duplicatas das contas bancarias da empresa, o que levaria a evitar a lavratura de autuação por presunção, laborando sobre base sólida com total transparência e certeza do resultado alcançado. Tendo em vista que a diligencia fiscal solicitada na impugnação não foi indeferida, apenas a perícia teria sido se tivesse sido pedida, tratandose, a documentação apresentada de razoável volume de relatórios e documentos, cuja conciliação item a item tomaria muito tempo da Turma de Julgamento, a critério da mesma, a autuada solicita sua verificação por meio de diligencia fiscal. Caso o entendimento não seja esse, uma verificação por amostragem poderia solucionar rapidamente esse problema, pela verificação dos anexos Doc. 01 (RELAÇÃO DE DUPLICATAS), Doc. 02 (FRANCESINHAS) e Doc.03 (DUPLICATAS). O responsável tributário Vanderlei de Carvalho foi cientificado em 16/04/2016 (fl. 895), mas somente figurou nos autos como procurador da contribuinte em seu recurso voluntário. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora Em face dos questionamentos deduzidos pela recorrente acerca da postura da autoridade fiscal, bem como em razão de implícita arguição de nulidade da decisão recorrida por cerceamento ao seu direito de defesa, cumpre avaliar como se desenvolveu o procedimento fiscal e a produção de provas pelo sujeito passivo. No Termo de Início de Fiscalização (fls. 4/9), a contribuinte foi intimada a apresentar livros contábeis e fiscais em meio digital, mantendo os originais na sede da empresa à disposição da Fiscalização, além de outros arquivos digitais em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 86/2001 e o Ato Declaratório Executivo nº 15/2001, e arquivos digitais do sistema SINTEGRA. Exigiuse, também, que fossem identificadas as instituições financeiras nas quais o sujeito passivo manteve contas bancárias no anocalendário 2011, apresentando os correspondentes extratos bancários, especificandose os arquivos digitais a serem solicitados às instituições financeiras. Fl. 3487DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 23 22 No prazo de 20 (vinte) dias concedido pela autoridade fiscal, a contribuinte apresentou arquivos contendo livros fiscais e contábeis e extratos bancários. Observese que na intimação foram solicitados Livros Diário, Razão, Caixa, Registros de Entradas, de Saídas, todos referentes ao ano de 2011 e a interessada apresentou pen drive contendo: livro de entrada 2011, livro de saída 2011, livro diário 2011, livro razão 2011, inventário 2011, inventário 2010, conforme descrito à fl. 19. A autoridade fiscal lavrou termo de reintimação (fls. 20/24) apontando as seguintes irregularidades na documentação entregue: 1. Foi entregue apenas uma pequena parte da documentação solicitada; 2. A documentação entregue em meio digital não foi devidamente autenticada pelo sistema SVA, conforme solicitado; 3. O Livro Razão não apresenta todas as Contas Contábeis da empresa. Podese destacar a falta das contas contábeis referentes às contascorrentes em instituições financeiras; 4. Foram entregues apenas parte dos extratos da empresa e foram entregues apenas em papel, não sendo entregues em meio digital. A contribuinte apresentou resposta acompanhada de outros arquivos (fl. 25), mas sujeitouse a nova reintimação fiscal em razão das irregularidades assim descritas no termo de fls. 30/34: 1. O Livro Razão e a Contabilidade não registram a movimentação nas contas correntes da empresa. Uma simples comparação entre o extrato apresentado e conta contábil demonstra este fato; 2. Não foi apresentada relação das instituições financeiras nas quais o contribuinte possuía contas bancárias no ano de 2011 (contascorrentes, contas de poupança, contas de investimento e etc.), acompanhadas dos números de identificação destas contas; 3. Não foram apresentados os extratos de todas as contascorrentes da empresa; 4. Os Arquivos digitais previstos no ADE 25/2010 NÃO foram devidamente validados pelo sistema SVA, restringindose a empresa a autenticálos; 5. Número do telefone celular, telefone e os emails do mandatário responsável por atender à fiscalização e de sua chefia imediata, que serão autorizados pela empresa como endereço eletrônico eleito para recebimento de intimações, conforme previsto no artigo 23, inciso III, alínea "a)" do Decreto nº 70.235/72. 6. Procuração do mandatário nomeado pela empresa para atender às intimações e tomar ciência de autos/termos fiscais. 7. Foram entregues apenas parte dos extratos da empresa e foram entregues apenas em papel, não sendo entregues em meio digital; Seguiuse, então, a apresentação do Livro Diário com a validação exigida (fls. 35/36) e nova reintimação que reiterou os itens 1, 5 e 6 acima, bem como registrou que a análise dos extratos bancários apresentados revelou uma movimentação financeira inferior às constantes nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, de onde se conclui que Fl. 3488DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 24 23 não foram apresentados os extratos de todas as contascorrentes da empresa (fls. 37/40). Ao final, facultouse ao sujeito passivo disponibilizar o seu Sigilo Bancário por meio de Termo de Declaração. A contribuinte manifestouse contrariamente a estas pendências, informando às fls. 41/43, dentre outros aspectos, que indicara a relação das instituições financeiras nas quais manteve contas bancárias, solicitando que a autoridade fiscal, de posse dos respectivos dados faltantes, nos ajude nos dizendo se possível for, quais os extratos e instituições financeiras que estão faltando, para que possamos solicitar o mais urgente possível as mesmas. Acrescentou ter solicitado em 26/06/2014 junto ao Banco Itaú, os extratos em formato TXT das CONTAS CONTRATUAIS existentes em nosso nome, contas estas que são meramente firmadas pelo Banco Itaú para garantia de Carteira de Cobrança sem movimentação de créditos de terceiros, exclusivas para em nossa necessidade financeiras, as mesmas são utilizadas para repasse de valores e adiantamento de recebíveis, valores estes que já estão englobados nos extratos apresentados da conta AG 2960 C/C 000103, porém independentemente da presente intimação, por acharmos que estes são os extratos de desconformidade dos valores, os quais estamos aguardando resposta do Banco Itaú para a apresentação das mesmas. Posteriormente, porém, o procurador da pessoa jurídica, Vanderlei de Carvalho, autorizou a QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO junto as instituições financeiras brasileiras das contas correntes em nome da empresa no ano de 2011 (fl. 44). Seguiramse ofícios dirigidos às instituições financeiras (fls. 45/56) e, a partir das informações obtidas, a autoridade fiscal, observando que os valores registrados nos extratos eram incompatíveis com o faturamento declarado à RFB, bem como que não havia compatibilidade entre os lançamentos nas contascorrentes e os lançamentos contábeis da Fiscalizada, intimoua a justificar os depósitos acima de R$ 1.000,00 relacionados, esclarecendo a que se referiam e apresentando documentação comprobatória dos fatos alegados. Acrescentou que, caso algum lançamento refirase a recursos de terceiros, que supostamente teriam transitado pelas contascorrentes da Fiscalizada, apresentar também os itens "1" e "2" anteriores e ainda comprovação e justificativa por parte dos eventuais terceiros para o trânsito destes recursos nas contas da Fiscalizada (fls. 57/92). A contribuinte requereu prorrogações de prazo (fls. 93 e 112) antes de apresentar os esclarecimentos de fls. 113/189, consistentes em planilhas nas quais os créditos questionados foram associados a esclarecimentos na coluna "Histórico da Movimentação". A autoridade fiscal elaborou o demonstrativo "Créditos em ContasCorrentes Não Comprovados" às fls. 207/222, juntou aos autos extrato de débitos declarados (fl. 223), balancete do anocalendário 2011 (fl. 224/226), Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 227/229), além de informações cadastrais e extratos bancários (fls. 230/423), e ao final lavrou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 426/438 e os autos de infração às fls. 439/500, nos quais concluiu que: [...] 21. Em 22/05/2015, extemporaneamente, apresentou planilha onde constam as supostas justificativas para os créditos e débitos bancários, no entanto, não apresentou documentação comprobatória alguma dos fatos que alegou. 22. Apresentou apenas, sob o título de “Histórico da Movimentação”, justificativas simplórias, tais como: “Crédito referente a cobrança de duplicatas”, “pagamento Fl. 3489DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 25 24 de títulos”, “pagamento parcela capital de giro”. Não existindo qualquer discriminação das duplicatas e dos títulos. 23. Destaquese que, conforme já informado, os créditos e débitos bancários não possuem correlação com os lançamentos contábeis apresentados pela Fiscalizada. [...] 25. Apesar de a Fiscalizada ter entregue sua contabilidade, constatouse que os registros contábeis não guardam relação com a realidade dos fatos. 26. Um bom exemplo desta irregularidade pode ser identificado no balancete que segue em anexo. Nele, observase que consta apenas uma contacorrente bancária: A do Bradesco. Nesta conta contábil consta um total de lançamento a crédito no valor de R$3.817,56 e nenhum lançamento a débito. 27. No entanto, através dos extratos bancários da empresa, obtidos junto às instituições financeiras constatouse que a Fiscalizada teve uma movimentação na sua contacorrente no Bradesco de R$7.327.476,77, sendo R$3.773.955,44 de créditos e R$3.553.521,33 de débitos. 28. Outro elemento da contabilidade que demonstra a sua total incompatibilidade com a movimentação financeira constatada e com a realidade dos fatos, referese à conta Duplicatas a Receber. 29. Na contabilidade consta que a Fiscalizada recebeu, em todo o ano de 2011, o valor de R$35.000,00 a título de Duplicatas a Receber. 30. No entanto, nas planilhas apresentadas pela Fiscalizada, com o objetivo de justificar os créditos em contacorrente, constatamse inúmeros lançamentos com a justificativa “crédito referente a cobrança de duplicatas”, totalizando milhões de reais. 31. Desta forma, constatase que a contabilidade apresentada é uma peça de ficção que não guarda relação com a realidade dos fatos. 32. Já em relação às justificativas apresentadas para os créditos e débitos nas contascorrentes da Fiscalizada, há que se destacar o fato de que a empresa não apresentou um único documento comprobatório dos fatos que alegou. 33. Apenas a título de exemplo, a Fiscalizada não apresentou notas fiscais de venda e/ou duplicatas e sequer identificou os respectivos números das notas fiscais e/ou das duplicatas que supostamente geraram os créditos nas contascorrentes. 34. Desta maneira, em virtude dos fatos relatados, resta evidente que a maior parte da movimentação bancária da Fiscalizada foi à margem da contabilidade e de qualquer apuração fiscal. 35. Está movimentação totalizou os seguintes valores: [...] 36. Não obstante o fato de a Fiscalizada não ter apresentado documentação alguma que justificasse os lançamentos a crédito em suas contascorrentes, esta fiscalização fez a conciliação bancária de forma a excluir movimentações bancárias entre as contascorrentes da fiscalizada, bem como cheques devolvidos e estornos. Fl. 3490DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 26 25 37. Após esta conciliação bancária restaram créditos em contascorrentes, cuja origem não foi comprovada em conformidade com a tabela resumo a seguir (íntegra dos lançamentos no processo): [...] C – INFRAÇÃO CONSTATADA – OMISSÃO DE RECEITA 38. A Fiscalizada declarou em sua DIPJ/2012 uma Receita Bruta Total de R$1.706.148,15, conforme quadro a seguir: [...] 39.No entanto, através dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, constatouse créditos nas contascorrentes da Fiscalizada, cuja origem não foi comprovada, no valor de R$8.974.567,93, no anocalendário de 2011. 40. A empresa foi devidamente intimada a comprovar a origem destes recursos. No entanto, mesmo após sucessivas prorrogações no prazo para o atendimento, não apresentou qualquer documentação comprobatória que justificasse os créditos em contacorrente. 41. Tendo em vista que NÃO houve apresentação de documentação hábil, idônea, coincidente em datas e valores que justifiquem os créditos/depósitos efetuados nas contas bancárias em nome da empresa, restou caracterizada omissão de receitas, em conformidade com a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, que especifica: [...] 42.Em função do exposto e após a análise e auditoria de todos os créditos e depósitos não identificados pela fiscalizada, restou uma movimentação financeira sem comprovação de origem no total de R$8.974.567,93, conforme quadro resumo a seguir. [...] 43.No entanto, considerando que a Fiscalizada informou em sua DIPJ/2012 um faturamento total no valor de R$1.706.148,15, tendo recolhido e/ou declarado em DCTF os respectivos tributos e contribuições, tais valores serão excluídos dos créditos apurados. [...] E – QUALIFICAÇÃO DA MULTA 54.Pelos fatos detalhados anteriormente e todas as análises efetuadas, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada prevista na Lei nº 9.430, artigo 44, inciso II, de 150% sobre os tributos e contribuições apurados: [...] 55.Já o artigo 71 da Lei nº 4.502, de 1964 diz: [...] 56. No caso em tela, constatouse as duas hipóteses do artigo 71, a saber: Fl. 3491DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 27 26 a. A empresa omitiu de sua contabilidade contascorrentes nas quais ela havia movimentado recursos financeiros, objetivando impedir que a RFB tivesse ciência de seu faturamento (ocorrência do fato gerador), e de sua respectiva tributação (da obrigação principal); e b. O Sr. Vanderlei transferiu a sociedade da empresa para terceiro apenas no papel, pois continuou sendo o responsável pela administração da sociedade. Ao agir desta forma procurou ocultar sua condição de sócio da empresa (condição pessoal do contribuinte), de modo a dissimular sua responsabilidade pelos créditos tributários lançados contra a empresa. 57. Desta forma, caracterizada a Sonegação, resta evidente que o lançamento de ofício deve ser com as respectivas multas qualificadas. F – ARBITRAMENTO DO LUCRO 58. A Fiscalizada, no anocalendário de 2011, optou pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido. 59. O artigo 527 do Regulamento do imposto de Renda (Decreto 3.000/99), disciplina as obrigações acessórias das pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, a saber: [...] 60. A Fiscalizada estava obrigada a manter “escrituração contábil nos termos da legislação comercial” ou “Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária”. 61. A Fiscalizada optou pela escrituração contábil, no entanto, conforme demonstrado, existem contascorrentes bancárias que não constam da Contabilidade, demonstrando que ela não reflete a verdade dos fatos, indo contra a legislação comercial. 62. Nestes casos, conforme preceitua o art. 530 do Regulamento do imposto de Renda (Decreto 3.000/99), a Fiscalizada incorreu em previsão de Arbitramento do Lucro. [...] 63. A escrituração contábil apresentada pela Fiscalizada é imprestável para identificar a sua efetiva movimentação financeira e bancária, assim, restou evidenciado que a apuração do Lucro da empresa deve ser feita pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado. 64. Destaquese que o arbitramento não é uma penalidade, sendo de fato uma técnica de apuração do valor tributável. 65. A determinação do Lucro arbitrado foi efetuada em consonância com as disposições contidas no do art. 532, do Decreto n. 3.000, de 26/03/1999 e encontra se demonstrada no Auto de Infração do qual este Termo é parte integrante. (destaques do original) Como se vê neste contexto, ao contrário do que alega a recorrente: · A autoridade fiscal não intimou o contribuinte a apresentar contabilidade exclusivamente. O termo de início de fiscalização Fl. 3492DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 28 27 facultoulhe a apresentação, também, do Livro Caixa, mas em momento algum o sujeito passivo invocou esta opção, e no atendimento às intimações dirigiuse no sentido de apresentar arquivos digitais válidos de sua escrituração contábil; · Inexistiu a alegada ampla demonstração do motivo de existirem movimentações financeiras não declaradas. Como dito pela recorrente, foram apresentados espelhos dos extratos bancários, mas isto pelas instituições financeiras oficiadas, além de indicado nos históricos colocados na coluna à direita das movimentações dos débitos onde se lê "Transferência para (WOMA, WURC, ARMC, CENTER, etc.) referente ao recebimento de títulos. Todavia, a autoridade fiscal já havia alertado à contribuinte que, caso algum lançamento refirase a recursos de terceiros, que supostamente teriam transitado pelas contascorrentes da Fiscalizada, cumprialhe apresentar, além das justificativas acerca do que se referia cada lançamento e da documentação comprobatória, a comprovação e justificativa por parte dos eventuais terceiros para o trânsito destes recursos nas contas da Fiscalizada (fls. 57/92), restando patente que a autoridade fiscal não se negou a receber as declarações das terceiras empresas que somente foram trazidas com a impugnação; e · As referências genéricas a "crédito referente cobrança de duplicata" apresentadas nas planilhas elaboradas pela contribuinte, intercaladas entre vários outros registros a crédito e a débito, alguns destes indicados como correspondentes a pagamentos às terceiras empresas citadas pela contribuinte, dissociadas da comprovação correspondente, não demandariam qualquer aprofundamento da auditoria, de modo que não procede a acusação de precipitação na presunção de omissão de receitas. Resta evidente, assim, que a presunção de omissão de receitas foi validamente erigida a partir da falta de comprovação documental, pelo sujeito passivo, da origem dos depósitos bancários, os quais não estavam escriturados em sua contabilidade. Esclareçase, por oportuno, que mesmo se optasse efetivamente por apenas escriturar o Livro Caixa o que não é o caso, como já demonstrado a contribuinte estava obrigada a nele integrar toda a movimentação bancária, consoante exige o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 RIR/99: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Fl. 3493DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 29 28 Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do ano calendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). (negrejouse) Significa dizer que a pessoa jurídica estava obrigada a escriturar todos os créditos recebidos, inclusive aqueles de eventual titularidade de terceiros, apresentando nos históricos do Livro Caixa a sua origem, ou registrandoos em contrapartida, no Livro Diário, a obrigações em face de terceiros. Imprópria, assim, sua alegação de que não registrou contabilmente os valores recebidos por conta e ordem de terceiros porque, ao contrário das empresas tributadas pelo Lucro Real, não estava obrigada à elaboração da contabilidade fiscal para apuração do lucro tributável, na qual apareceriam em conta transitória, subcontas com os saldos, por empresa, de cada uma das referidas terceiras empresas. Ao deixar de constituir em sua escrituração, previamente, esta prova da origem dos depósitos bancários que a favoreceram no período fiscalizado, a contribuinte fica obrigada a apresentála de forma consistente à Fiscalização, sob pena de sujeitarse à presunção legal de omissão de receitas. Sob esta ótica, portanto, inexiste qualquer prejuízo à validade dos lançamentos em debate. Quanto aos vícios da decisão recorrida na apreciação das provas apresentadas em impugnação, importa ter em conta os elementos juntados às fls. 616/721, quais sejam: · Cópia de Instrumento Particular de Protocolo de Intenções de Cessão de Quotas da Sociedade "Woma Equipamentos Ltda", firmado em 10/11/2010, no qual a sócia desta (Woma GMBH) se compromete com Vanderlei de Carvalho, em razão de seu amplo "know how" na administração e recuperação de empresas em dificuldades, adquirido durante anos de experiência, e dadas as séria dificuldades financeiras pelas quais vem passado Woma Equipamentos Ltda, a cederlhe 60% das quotas desta quando a empresa estiver totalmente saneada, ou seja, funcionando regularmente, com bom nome e crédito no mercado, sem protestos e/ou ações que possam levála à falência e/ou comprometer seu desenvolvimento normal. · Planilha que referencia "Cobrança" com colunas nas quais são informadas VENCIMENTO, VALOR R$, SACADO, CEDENTE (sempre designado "Woma"), DOC, DATA, BCO e PAGTS; · Declaração firmada por "Center Comércio e Importação de Rolamentos Ltda ME", em 09/09/2015, de que no ano base de 2011, mediante acordo comercial, cedeu para essa empresa duplicatas emitidas contra seus clientes, com endosso no verso das mesmas, para cobrança bancária pelas contascorrentes dessa empresa, no total de R$ 246.555,53, conforme listagem anexa, valor este repassado integralmente para a declarante; · Declaração firmada por "Spina Distribuidora Brasileira EIRELI", em 10/09/2015, de que no ano base de 2011, mediante acordo comercial, cedeu para essa empresa duplicatas emitidas contra seus Fl. 3494DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 30 29 clientes, com endosso no verso das mesmas, para cobrança bancária pelas contascorrentes dessa empresa, no total de R$ 275.455,96, conforme listagem anexa, valor este repassado integralmente para a declarante; · Declaração firmada por "A.R.M.C Indústria e Comércio de Plásticos Ltda EPP", em 09/09/2015, de que no ano base de 2011, mediante acordo comercial, cedeu para essa empresa duplicatas emitidas contra seus clientes, com endosso no verso das mesmas, para cobrança bancária pelas contascorrentes dessa empresa, no total de R$ 1.065.357,39, conforme listagem anexa, valor este repassado integralmente para a declarante; · Duplicatas emitidas por Woma Equipamentos Ltda em 08/02/2011 (R$ 19.141,95) e 25/02/2011 (R$ 3.848,16); · Notas fiscais emitidas por NBR do Brasil Com. e Importadora em 02/09/2011 (R$ 1.704,72), 06/09/2011 (R$ 17.617,60); · Duplicatas emitidas por Comercial de Rolamentos GTR Ltda EPP em 12/08/2011 (R$ 278,93) e 20/04/2011 (R$ 1.038,37); · Duplicatas emitidas por Spina Distribuidora Brasileira Ltda em 12/09/2011 (R$ 101.400,00), 21/09/2011 (R$ 14.942,40); · Duplicatas emitidas por Jetterson Lincoln Jacon EPP em 06/10/2011 (R$ 930,60) e 01/04/2011 (R$ 12.181,50); · Duplicatas emitidas por Wurc Ind. de Peças e Rolamentos Ltda em 06/10/2011 (R$ 1.833,00 e R$ 564,74); · Duplicatas emitidas por A.R.M.C Indústria e Comércio de Plásticos e Borrachas Ltda em 23/08/2011 (R$ 2.892,63) e 30/08/2011 (R$ 388,00); e · Duplicata emitida por Center Com. e Imp. de Rolamentos Ltda em 07/04/20011 (R$ 183,50). Observase que as listagens citadas nas declarações firmadas por "Center Comércio e Importação de Rolamentos Ltda ME, "Spina Distribuidora Brasileira EIRELI" e "A.R.M.C Indústria e Comércio de Plásticos Ltda EPP " não haviam sido juntadas aos autos e que a listagem relativa aos títulos possivelmente emitidos por "Woma Equipamentos Ltda" sequer permite deduzir o seu real conteúdo, mormente tendo em conta os termos genéricos do protocolo de intenções firmado entre sua sócia e o procurador da autuada, ou seja, sem sequer integrar a contribuinte ao alegado acordo. Em aditivo à impugnação, a contribuinte juntou os documentos de fls. 736/806, correspondentes a: Fl. 3495DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 31 30 · Planilhas semelhante à que referencia cobranças talvez vinculadas à "Woma", agora indicando "Spina", "Center", "Wurc", "ARMC", "GTR", "NBR" e "JETTERSON"; · Declaração firmada por "Woma Equipamentos Ltda ", em 15/09/2015, de que no ano base de 2011, mediante acordo comercial, cedeu para essa empresa duplicatas emitidas contra seus clientes, com endosso no verso das mesmas, para cobrança bancária pelas contascorrentes dessa empresa, no total de R$ 1.808.414,89, conforme listagem anexa, valor este repassado integralmente para a declarante. A declaração está acompanhada de procurações em língua portuguesa e estrangeira, associada a tradução juramentada; · Declaração firmada por "A.R.M.C Indústria e Comércio de Plásticos Ltda EPP", em 09/09/2015, de que no ano base de 2011, mediante acordo comercial, cedeu para essa empresa duplicatas emitidas contra seus clientes, com endosso no verso das mesmas, para cobrança bancária pelas contascorrentes dessa empresa, no total de R$ 1.065.357,39, conforme listagem anexa, valor este repassado integralmente para a declarante; · Declaração firmada por "Center Comércio e Importação de Rolamentos Ltda ME", em 09/09/2015, de que no ano base de 2011, mediante acordo comercial, cedeu para essa empresa duplicatas emitidas contra seus clientes, com endosso no verso das mesmas, para cobrança bancária pelas contascorrentes dessa empresa, no total de R$ 246.555,53, conforme listagem anexa, valor este repassado integralmente para a declarante; · Declaração firmada por "Spina Distribuidora Brasileira EIRELI", em 10/09/2015, de que no ano base de 2011, mediante acordo comercial, cedeu para essa empresa duplicatas emitidas contra seus clientes, com endosso no verso das mesmas, para cobrança bancária pelas contascorrentes dessa empresa, no total de R$ 275.455,96, conforme listagem anexa, valor este repassado integralmente para a declarante; · Declaração firmada por "A.R.M.C Indústria e Comércio de Plásticos Ltda EPP", em 09/09/2015, de que no ano base de 2011, mediante acordo comercial, cedeu para essa empresa duplicatas emitidas contra seus clientes, com endosso no verso das mesmas, para cobrança bancária pelas contascorrentes dessa empresa, no total de R$ 1.065.357,39, conforme listagem anexa, valor este repassado integralmente para a declarante; · Instrumento particular de compra e venda com cessão de direitos firmado em 11/11/2010 e em 04/04/2011 entre "ARMC Coml. de Plasticos e Borrachas Ltda" e Vanderlei de Carvalho, tendo por objeto duplicatas ali relacionadas. Fl. 3496DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 32 31 Frente a tais circunstâncias, a autoridade julgadora de 1ª instância validamente concluiu que: 45. Às fls. 615/617 ela juntou cópia de “Instrumento particular de protocolo de intenções de cessão de quotas da sociedade Woma Equipamentos Ltda”, datado de 10/11/2010, pelo qual a Woma se compromete a ceder à Vanderlei de Carvalho quotas em número equivalente a 60% do capital social da empresa. O documento leva em consideração que a Woma passa por sérias dificuldades financeiras e que Vanderlei de Carvalho possui amplo conhecimento na administração e recuperação de empresas em dificuldades. Às fls. 618/696 e 736/781 (documento 11) constam cópias das duplicatas anexas às Notas Fiscais de Vendas, tendo como cedente a Woma e como sacados, diversos clientes dessa empresa, que o contribuinte alega que os recursos ingressaram em suas contascorrentes bancárias e saído, em retorno para a Woma. No entanto, nos referidos documentos constam somente uma relação de duplicatas com dados de vencimento, valor, sacado, cedente, número do documento, identificação do banco, sem qualquer informação que identificasse tais eventuais recebimentos com os depósitos bancários. 46. Às fls. 703/705 e 782 constam declarações firmadas pelas empresas Center Comércio e Importação de Rolamentos Ltda, Spina Distribuidora Brasileira, ARMC Indústria e Comércio de Plásticos Ltda e Woma Equipamentos Ltda, em que afirmam que cederam à Roved duplicatas por ela emitidas contra seus clientes para cobrança bancárias pelas contascorrentes dela. Às fls. 706/721 foram juntadas cópias de duplicatas emitidas pelas referidas empresas. Às fls. 797/806 foram juntadas cópias de instrumento particular de compra e venda com cessão de direitos, em que a fiscalizada aparece como cessionária e a ARMC figura como cedente. O contribuinte alega que essas declarações trazem no seu bojo os totais de duplicatas que foram recebidas por ele, que correspondem aos valores das somas das duplicatas, e que constam das relações de duplicatas. Entretanto, não é possível acatar as justificativas, já que inexiste indicação segura e inequívoca que correlacione esses eventuais recebimentos à listagem de depósitos bancários. 47. A litigante reclama que o Auditor Fiscal se recusou a receber os documentos que a empresa lhe apresentou, na forma de duplicatas de terceiros, que foram cobradas e recebidas pela autuada. A reclamação é infértil já que, como se verificou, a documentação juntada não foi hábil para afastar nenhum depósito relacionado na base de cálculo objeto da autuação. 48. Ademais, ainda que se admitisse a tese de que parte dos depósitos se referem a recebimentos de duplicatas decorrentes de prestação de serviços de cobrança, é relevante observar que o contribuinte não declarou nem recolheu receita alguma sobre tais serviços, os quais se sujeitariam ao percentual de 32%. De fato, constatei que, em sua DIPJ/2012, a empresa informou somente receitas no percentual de 8%. 49. Os argumentos relativos à verdade material, segundo o qual o lançamento seria uma peça de ficção não merecem prosperar. É verdade que as receitas tributadas tem natureza presuntiva; entretanto, tratase de presunção estabelecida por lei, a qual concede ao contribuinte o ônus de afastar a presunção, mediante apresentação de provas, o que não foi cumprido satisfatoriamente. [...] 52. De acordo com os dispositivos acima citados, ao julgador é dado a prerrogativa de indeferir a perícia se considerála prescindível ou impraticável. No caso, entendo que a perícia é desnecessária, já que o contribuinte teve duas oportunidades para justificar a origem dos depósitos: durante ao procedimento fiscal e na peça de Fl. 3497DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 33 32 impugnação. Além disso, as informações procuradas não necessitam de perito para serem obtidas, já que se trata de dados simples, de interesse e de propriedade do titular da conta bancária. Resta evidente, nestes termos, que a autoridade julgadora de 1ª instância examinou o conteúdo das provas apresentadas, constatou inexistir indicação segura e inequívoca que correlacione esses eventuais recebimentos à listagem de depósitos bancários, e assim indeferiu a perícia requerida, mormente tendo em conta que as informações exigidas deveriam ser prestadas pelo próprio titular da conta bancária. Assim, também em sede de impugnação não se verificou a ampla demonstração dos fatos alegada pela recorrente, mas apenas mera replicação da insistência de que as justificativas originalmente declaradas à Fiscalização mediante, apenas, registros de históricos consignados nas relações de depósitos bancários questionados, teriam maior expressão probatória, no suposto de que bastaria a elas associar declarações genéricas, acompanhadas de planilhas relacionando direitos que, individualmente considerados, não guardam qualquer relação com os depósitos creditados em suas contas bancárias, e não se prestam, assim, a suscitar maiores investigações. Não se verifica, portanto, qualquer cerceamento de defesa por parte da turma julgadora, pautandose a recorrente em mero inconformismo com a avaliação validamente exposta acerca da insuficiência probatória manifestada em impugnação. Por tais razões, devem ser REJEITADAS as implícitas arguições de nulidade do lançamento e da decisão de 1ª instância. Passando ao mérito, constatase que as providências adotadas pela contribuinte depois da impugnação pouco contribuem para a identificação da origem dos depósitos bancários em debate. Como antes demonstrado, até a impugnação a contribuinte se limitou a juntar declarações de terceiros acerca da cessão de duplicatas para cobrança bancária, mas identificandoas por meio de totais que seriam detalhados em planilhas dissociadas de qualquer suporte fático acerca da efetiva existência e titularidade dos créditos. Para além disso, as declarantes afirmaram que os valores recebidos pela autuada teriam sido a elas integralmente repassados, mas nenhuma prova neste sentido foi constituída, para além do mero histórico nas planilhas originalmente apresentadas à Fiscalização, que associava débitos em suas contas bancárias a pagamentos dirigidos a algumas das declarantes. Em aditamento ao recurso voluntário, a interessada juntou aos autos expressivo volume de extratos de "movimentação de títulos", individualizando os valores creditados na conta bancária nº 21.1592 mantida na Agência 2960 de Itaú Unibanco S/A, e complementando as planilhas antes apresentadas com informações "data crédito" (para parte dos títulos), "duplicatas", "nº da Folha" e "Histórico", estas últimas codificadas. Inferese que a interessada pretende que, a partir da indicação da data do crédito nestas últimas planilhas, aceitese que ele corresponde à duplicata relacionada no mesmo documento, e confirmese nos extratos de "movimentação de títulos" o seu recebimento, de modo a estabelecer a correlação com os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada à Fiscalização. Recordese, porém, que por não ter escriturado tais operações, recai integralmente sobre o sujeito passivo o ônus probatório da origem dos depósitos bancários questionados. Significa dizer que, para afastar a presunção de omissão de receitas validamente estabelecida, deve ele demonstrar para cada depósito bancário a operação que lhe deu causa, vinculandoos precisamente ao detalhamento das cobranças recebidas e das duplicatas correspondentes, o que se faz mediante apresentação das duplicatas emitidas por terceiros, e Fl. 3498DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 34 33 não por meio de planilhas sem suporte documental, cuja finalidade, aliás, é imputar ao Fisco o dever de correlacionálas com os depósitos bancários que, especificamente, prestamse como indício da presunção de omissão de receitas. Vejase que a contribuinte sequer estabeleceu a correspondência entre os extratos de "movimentação de títulos" e os depósitos bancários questionados, apesar de reconhecer que os recebimentos são lançados nas contas em grupos de valores, sem a identificação dos sacados, sendo certo que a autuação repousa sobre informações prestadas não apenas por Itaú Unibanco S/A, mas também por outras instituições financeiras. E, ademais, como já se disse, não foi apresentada qualquer prova no sentido de que tais cobranças, por serem supostamente de titularidade de terceiros, teriam sido a eles repassadas, aspecto essencial para demonstração da alegação de que os valores teriam, apenas, transitado por contas bancárias da autuada. Esclareçase que não se vislumbraria qualquer óbice processual à aceitação dos documentos juntados em aditamento ao recurso voluntário, desde que não se limitassem a evidenciar os referidos extratos de "movimentação de títulos" ("francesinhas"), acompanhados das citadas relações de duplicatas de terceiros recebidas e repassadas para seus emitentes, e seu conteúdo revelasse que não era possível ao sujeito passivo têlos apresentado antes, o que poderia ser feito evidenciando maior labor na sua correspondência com os depósitos bancários de origem não identificada. Tais elementos, porém, apenas representam documentos que o sujeito passivo já deveria possuir à época dos fatos, e nada agregam no sentido de identificar a origem dos depósitos bancários que se prestaram à presunção de omissão de receitas, sendo imprópria a invocação do art. 42, §5º da Lei nº 9.430/96, bem como a alegação de que cumpriria ao Fisco buscar tais provas junto às instituições financeiras para conhecer a origem de depósitos bancários que sequer foram escriturados pelo sujeito passivo. Não se trata aqui, portanto, de uma presunção válida e inalterável, mas apenas de uma estipulação legal que atribui ao sujeito passivo o ônus probatório em face de sua conduta omissiva de, antecipadamente, em sua escrituração, ou mesmo durante o procedimento fiscal, deixar de apresentar elementos consistentes acerca das operações que motivaram os créditos em sua conta bancária, circunstância que, na normalidade dos casos, representa ingresso de receitas do sujeito passivo. Resta, assim, incomprovada a origem dos depósitos bancários que subsistiram como indício de presunção de omissão de receitas depois dos expurgos promovidos pela autoridade julgadora de 1ª instância. As alegações deduzidas pela interessada perante a Fiscalização e a autoridade julgadora de 1ª instância não foram suficientemente provadas e as justificativas apresentadas não se mostraram robustas para, considerando a falta de escrituração de tais depósitos bancários, suscitar diligências ou mesmo investigações em face dos declarantes para confirmação das alegações apresentadas. Neste contexto, são irrelevantes os demais instrumentos particulares apresentados pela contribuinte, e que se prestariam como causa da alegada cessão temporária de créditos, devendo prevalecer a exigida comprovação biunívoca de relação dos recebimentos com os depósitos bancários, dada a ausência de correlação das planilhas ou listagens e os depósitos bancários. Rejeitase, em consequência, a arguição de ilegitimidade passiva na suposta omissão de receitas, mormente se não houve falta de aprofundamento da auditoria, mas sim omissão no registro contábil e na comprovação documental de tais operações, pautandose a recorrente em precárias justificativas das ocorrências, e especialmente sem a apresentação de qualquer documento a corroborar que os valores dos títulos ou duplicatas recebidos nessas contas correntes foram repassados para seus emitentes, não ficando de posse da autuada, para Fl. 3499DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 35 34 além de declarações das terceiras empresas que apenas indicaram genericamente esta ocorrência. Inexiste, assim, qualquer evidência de que teriam sido exigidos tributos em duplicidade. Em suma, a origem dos depósitos bancários e a demonstração de que eles apenas transitaram nas contas de titularidade da autuada não se prova por meio de declarações firmadas reconhecidas dos responsáveis pelas empresas, com cópias dos contratos sociais ou extratos da Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, onde se confirma essa atribuição, além das planilhas, que foram apresentadas na Impugnação apresentada pela empresa na DRJ. Na medida em que os créditos questionados não foram contabilizados, a presunção de omissão de receitas somente é afastada mediante prova documental individualizada de cada um dos depósitos, de modo a estabelecer a indicação segura da relação desses recebimentos com os depósitos bancários, na forma exigida pela autoridade julgadora de 1ª instância. Irrelevante se as terceiras empresas são idôneas, cumpridoras das suas obrigações cíveis e tributárias, que informam que suas duplicatas foram recebidas por sua conta e ordem pela autuada. À semelhança do procedimento que deveria ter sido originalmente adotado para escrituração de tais ocorrências, quer em Livro Diário, quer em Livro Caixa, cada depósito bancário deve estar associado à prova documental de sua origem e, em se tratando de valores que apenas teriam transitado em conta de titularidade da autuada, deve também ser estabelecida a correlação com sua transferência aos emitentes dos títulos cobrados. Ausente tal demonstração, não cabe à autoridade fiscal ou julgadora aferir se são verdadeiras as declarações apresentadas. Em outras palavras: este início de prova não se presta a afastar o ônus probatório que a lei atribui ao sujeito passivo, e assim transferilo à autoridade fiscal mediante conversão do julgamento em diligência. A recorrente também contesta a ausência de receitas de prestação de serviços declaradas pela autuada, destacada pela autoridade julgadora de 1ª instância, apontando que os contratos previam a cessão de cotas como remuneração dos serviços, sem previsão de diferença no valor de aquisição das duplicatas, inexistindo ágio a ser oferecido à tributação. Contudo, à anormalidade assim identificada nos instrumentos particulares apresentados e pertinentes a apenas duas das terceiras empresas citadas (Woma Equipamentos Ltda e ARMC Coml. de Plasticos e Borrachas Ltda) cabe acrescentar o fato de eles terem sido firmados com Vanderlei de Carvalho, sem qualquer intervenção da autuada, em cujas contas bancárias teriam transitado os valores alegados. Ou seja, sequer há prova de contrato firmado entre a autuada e as terceiras empresas para o alegado trânsito de cobranças bancárias. Prosseguindo na análise do mérito da exigência, cumpre apreciar os questionamentos da recorrente acerca do arbitramento dos lucros, afirmando impertinente na medida em que a autoridade fiscal cometeu grave equívoco ao intimar a contribuinte a apresentar contabilidade e não livrocaixa, o que corresponderia à opção do contribuinte, feita na sua DIPJ/2012, conforme opção do contribuinte efetuada na mesma. Aduz, inclusive, que este aspecto não foi analisado convenientemente no Acórdão recorrido. Contudo, da decisão de 1ª instância extraise: 29. Não é verdade que a fiscalização não se pronunicou sobre fraude, vício, erros ou deficiências na escrituração. O auditor fiscal se manifestou de forma clara, explicando que o contribuinte optou por apresentar contabilidade, apesar de poder ter mantido Livro Caixa, em que havia registro de somente uma das contas Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 36 35 bancárias, e em valor irrisório, demonstrando que os registros contábeis não refletiam a real movimentação financeira. Confiramse os seguintes trechos do TVF: [...] 30. Na seqüência, a litigante alega que consta em sua DIPJ/2012 que a forma de apuração do lucro foi o LivroCaixa; que seria única forma de comprovação documental que o Auditor poderia exigir do contribuinte; que o autuante teve acesso a toda a movimentação financeira; que diferentemente do Lucro Real, no Lucro Presumido interessa apenas o montante das receitas tributáveis; que a deficiência foi sanada pela autorização espontânea do acesso à movimentação financeira da empresa, permitindo o conhecimento da receita tributável; que a receita era conhecida pelo Auditor Fiscal e estaria autorizada pela legislação tributária a ser computada na determinação da base de cálculo do imposto devido, jamais a ser arbitrada; que houve decisão nesse sentido no CARF, pelo Acórdão n° 1301 001.805. 31. É verdade que, no referido julgado de segunda instância, a decisão foi favorável ao contribuinte, em caso análogo ao presente. Extraemse as seguintes razões do relator: [...] 32. Em síntese, o argumento do Conselheiro no voto acima citado é que a receita bruta é conhecida, já que o autuante tem posse dos extratos bancários, bastando aplicar a alíquota devida para se obter o lucro apurado, o que não ocorre no lucro real, que tem apuração complexa, com elementos não conhecidos. Ocorre que a leitura atenta da legislação permite concluir que o arbitramento se aplica à hipótese de falta de identificação da movimentação bancária na escrituração do contribuinte optante do lucro presumido. Senão vejamos. 33. Primeiramente, há que se compreender que a empresa que opta pelo lucro presumido deve manter a escrituração contábil prevista na legislação comercial. Salvo quando ela opta por manter Livro Caixa, conforme expressa dicção do art. 527 do RIR/99, em cujo parágrafo único o legislador já ressalva a obrigatoriedade do registro da movimentação financeira/bancária no Livro Caixa. [...] 34. Até aqui temse que a escrituração obrigatória da empresa optante pelo lucro presumido é a contabilidade, ou, caso prefira, o Livro Caixa. No art. 530 do RIR/99, que estabelece as hipóteses de arbitramento, a redação do inciso II “a” é clara ao prescrever que será arbitrado o lucro se a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte não permite a identificação da movimentação financeira/bancária. Esse dispositivo se aplica tanto ao regime do lucro real quanto do presumido, já que o legislador não fez nenhuma restrição, como fez por exemplo no inciso I que incide somente para o lucro real: [...] 35. Ademais, o arbitramento por escrituração incompleta do Livro Caixa também é previsto em outras situações previstas no próprio RIR/99, como no art. 60, que disciplina o resultado da exploração da atividade rural: [...] Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 37 36 36. A título de reforço, citemse julgados do CARF admitindo o arbitramento no lucro presumido: [...] Nestes termos, a autoridade julgadora de 1ª instância demonstra ser dever legal do sujeito passivo manter a escrituração completa de sua movimentação financeira e, frente à inobservância desta obrigação, validamente conclui na linha da jurisprudência citada que é dever da autoridade fiscal arbitrar o lucro. Não merecem reparos tais conclusões, dada a perfeita subsunção dos fatos apurados pela fiscalização à hipótese legal de arbitramento da base de cálculo do tributo, assim definida no art. 148 do CTN: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial” (negrejouse). Consoante ensina Maria Rita Ferragut in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001, p. 137/152, a palavra arbitramento foi utilizada neste contexto na acepção de base de cálculo substitutiva, ou seja, de substituição da base de cálculo originalmente prevista na legislação – correspondente à perspectiva dimensível do critério material da regramatriz de incidência tributária construído a partir do texto constitucional – por uma outra, subsidiária, em virtude da inexistência de documentos fiscais, ou da impossibilidade destes fornecerem critérios seguros para a mensuração do fato. Nestes casos, a base de cálculo substitutiva visa possibilitar a prova indireta da riqueza manifestada no fato jurídico. Decorre daí que caracterizada a imprestabilidade da escrituração, determina a Lei que a base de cálculo originalmente prevista na legislação (lucro real ou, por opção, lucro presumido) seja substituída por uma outra legalmente prevista (lucro arbitrado) e, nas palavras da autora (p. 138/139): Parecenos inequívoca a existência de vinculação na função administrativa de constatar de forma direta ou indireta a ocorrência do fato jurídico tributário. Vinculado, também, é o dever de arbitrar, ao passo que discricionário é o procedimento administrativo que, com base em juízo próprio, elege como base de cálculo uma das grandezas possíveis previstas na Lei. [...] A questão da discricionariedade tornase relevante quando nos deparamos com a ocorrência de fato jurídico descritor de evento típico provado de forma direta ou indireta, mas que não permite a identificação da grandeza daquilo que a Lei dispõe como sendo a base de cálculo, ensejando assim a aplicação do atonorma de arbitramento (negrejouse). Nestes termos, a impossibilidade de comprovação direta da base de cálculo originária é condição necessária e suficiente para a aplicação do arbitramento. Arbitrar a base Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 38 37 de cálculo do tributo, nestes casos, é deverpoder da Administração Tributária, previsto no anteriormente transcrito art. 148 do CTN. Diversamente do entendimento expresso no Acórdão nº 1301001.805, no sentido de que o conhecimento da movimentação financeira do sujeito passivo permitiria à autoridade fiscal conhecer a receita bruta e determinar o lucro presumido, importa observar que o legislador impôs ao sujeito passivo, optante pelo lucro presumido, até mesmo na hipótese de escrituração apenas do Livro Caixa, nele integrar toda a movimentação financeira, inclusive bancária, na forma do art. 527 do RIR/99, aqui já transcrito. E a inobservância deste dever legal está expressamente prevista no art. 530 do RIR/99: Art 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; [...] (negrejouse) Se a intenção do legislador fosse excluir do inciso II do art. 530 do RIR/99 a pessoa jurídica optante pelo lucro presumido, bastavalhe adotar a mesma referência presente no inciso I do mesmo dispositivo, reportandose ao contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real. Considerese, ainda, que ao deixar de escriturar parcela significativa de sua movimentação financeira, o sujeito passivo dificulta o conhecimento da real receita tributável auferida, sendo possível apenas presumila em razão de outros instrumentos legais, como é o caso do art. 42 da Lei nº 9.430/96. As presunções legais de omissão de receita, por certo, conduzem a uma receita conhecida para fins de arbitramento dos lucros, mas não é válido afirmar que o Fisco alcançou a realidade do faturamento do sujeito passivo e dos seus outros ganhos, mormente tendo em conta que a escrituração contábil e fiscal da movimentação financeira tem outras repercussões na evidenciação da realidade patrimonial do sujeito passivo e, por consequência, na demonstração de seus resultados tributáveis. Basta observar, neste sentido, que um depósito bancário de origem não comprovada pode representar não só receita da atividade, sujeita as coeficientes de presunção de lucro, como também um ganho de capital, passível de integral adição ao lucro presumido. Inexiste, assim, qualquer impropriedade em se interpretar que o legislador também sujeitou o optante pelo lucro presumido ao arbitramento dos lucros quando a escrituração a que ele estiver obrigado for imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. No presente caso, como bem demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, apesar de apresentados os livros de escrituração obrigatória, a autoridade lançadora constatou, já no exame dos primeiros registros apresentados pela contribuinte, que parcela significativa da movimentação financeira a crédito não havia sido escriturada. Esta movimentação foi totalizada em R$ 29.828.053,01 no anocalendário2011, e, excluídas transferências, cheques Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 39 38 devolvidos e estornos, resultou em depósitos bancários de origem não comprovada equivalentes a R$ 8.974.567,93, significativamente superiores à receita bruta declarada no período de R$ 1.706.148,15. Esclareçase que a disparidade permaneceu após a redução promovida no julgamento de 1ª instância, que totalizou os depósitos bancários de origem não comprovada em R$ 6.892.113,97. Considerando que, embora indicando ser optante pela escrituração, apenas, do Livro Caixa, o sujeito passivo não exerceu esta opção, apresentando à autoridade fiscal a escrituração contábil completa, na qual restou evidenciada omissão significativa de sua movimentação financeira, correto se mostra o arbitramento de seu lucro, mormente tendo em conta que o acesso aos extratos bancários do sujeito passivo, dissociado da comprovação individualizada das operações, não permite presumir o conhecimento da autoridade tributária da efetiva movimentação financeira ou a apuração regular da base tributável. Quanto à alegação de que o Fisco deveria ter solicitado previamente a reconstituição da escrita contábil ou do livro caixa nos quais vislumbrou vícios, e só na eventualidade do não atendimento, teria a possibilidade de aplicar o arbitramento, releva notar as ponderações do voto condutor do Acórdão nº 1402001.606 para concluir naquele sentido: Nesse cenário, concluise que seria possível avaliarse a possibilidade de arbitramento de lucros nos 1º e 4º trimestres do período sob exame. Isso visto sob a ótica da ausência da escrituração da movimentação financeira, pois, em relação à acusação de “pela falta de apresentação de documentos hábeis relativos a boa parte dos negócios realizados” não resta evidente quais seriam tais documentos, pois, conforme salientado, não se identificou em qualquer passagem constante dos autos explanação mais detalhada a respeito do tema. Além disso, das respostas aos termos firmados depreendese que houve atendimento às requisições, mormente na ausência de qualquer manifestação contrária, ou reintimações, por parte da Fiscalização. Contudo, entendo que a Fiscalização incorreu em erro ao não possibilitar à Recorrente a regularização das deficiências apontadas. Compulsando os autos não se identifica qualquer intimação nesse sentido. A constatação de tais erros foi cientificada à Recorrente somente por meio do Termo de Verificação Fiscal disponibilizado juntamente com os autos de infração e de maneira a dificultar, em grau relevante, o seu pleno exercício de defesa, o que poderia levar, inclusive à declaração de nulidade dos autos. [...] A jurisprudência do CARF é pacífica no sentido de que o arbitramento de lucros é medida extrema. Nessa senda, antes de se levar a cabo o arbitramento de lucros, mostrase imprescindível a intimação do contribuinte para sanar sua escrituração, uma vez que o arbitramento somente deve ser adotado quando esgotadas as possibilidades de apuração do lucro real com base na escrituração do contribuinte. O caso ali analisado, portanto, tinha em conta movimentação financeira não escriturada que não se mostrava relevante em todos os trimestres autuados, e, especialmente, postura fiscal de somente noticiar os vícios da escrituração por ocasião do lançamento. Já no presente caso, desde a primeira reintimação fiscal, lavrada a partir do recebimento de parte da escrituração contábil do sujeito passivo, a autoridade lançadora apontou sua imprestabilidade Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 40 39 em razão da falta de escrituração de contas bancárias, depois registrando a incompatibilidade entre a movimentação financeira escriturada e a movimentação bancária informada pelas instituições financeiras à Receita Federal. Apesar disso, o sujeito passivo apenas se moveu no sentido de validar os arquivos para aceitação da autoridade fiscal, e inclusive demonstrou não dispor de suporte documental organizado para provar a origem dos valores que transitaram em suas contas contábeis, limitandose a indicar tais origens por meio da descrição sucinta de históricos em planilhas apresentadas à Fiscalização. Resta evidente, assim, a impropriedade da afirmação da recorrente no sentido de ter apresentado os elementos a que estava obrigada a apresentar. Os vícios em sua escrituração lhe foram comunicados desde a reintimação lavrada em 11/02/2014, e a persistência de sua desídia culminou no arbitramento dos lucros veiculado nos lançamentos validamente formalizados em 17/08/2015. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e manter integralmente os principais exigidos a título de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS. Já com referência à qualificação da penalidade, devese dar razão à recorrente. A autoridade fiscal entendeu caracterizada a hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502/64 porque: a. A empresa omitiu de sua contabilidade contascorrentes nas quais ela havia movimentado recursos financeiros, objetivando impedir que a RFB tivesse ciência de seu faturamento (ocorrência do fato gerador), e de sua respectiva tributação (da obrigação principal); e b. O Sr. Vanderlei transferiu a sociedade da empresa para terceiro apenas no papel, pois continuou sendo o responsável pela administração da sociedade. Ao agir desta forma procurou ocultar sua condição de sócio da empresa (condição pessoal do contribuinte), de modo a dissimular sua responsabilidade pelos créditos tributários lançados contra a empresa. A autoridade julgadora de 1ª instância considerou procedente a qualificação da penalidade porque: 39. Efetivamente, os fatos explanados caracterizam a figura da sonegação. As circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte do contribuinte, de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu faturamento. A fiscalização apurou receita bruta a partir dos depósitos bancários no valor de R$ 8.974.567,93 (reduzidos para R$ 6.892.113,97 na presente decisão). Por outro lado, o contribuinte escriturou receitas de somente R$ 1.706.148,15, o que representa 19,01% (24,76% com a redução) do total de rendimentos auferidos no ano calendário 2011. Em suma, a empresa omitiu rendimentos de forma reiterada, durante todos os meses de 2011, em alto percentual, o que jamais poderia decorrer de mero equívoco ou esquecimento, restando plenamente caracterizado o dolo de sonegação. Corrobora a intenção dolosa de impedir o conhecimento de seu Fl. 3505DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 41 40 faturamento pelo fisco a ausência de escrituração da maior boa parte de sua movimentação bancária. 40. As alegações à respeito da retirada de Vanderlei de Carvalho do quadro societário da empresa são impertinentes, já que a multa é atribuída à pessoa jurídica autuada, pouco importando a identificação dos sócios. É igualmente irrelevante o fato de o referido sócio ter atendido a fiscalização de forma solícita, jamais ocultando ou impedindo o acesso às informações bancárias da empresa. É que o dolo, pressuposto básico da multa qualificada, se afere pela conduta do contribuinte à época do fato gerador e não durante o período da ação fiscal. 41. A tese de que os lançamentos baseados em presunção de omissão de receitas seriam incompatíveis com a multa qualificada não é absolutamente verdadeira. Mesmo nas hipóteses de exigências fundadas em depósitos bancários de origem não comprovada é possível a qualificação da multa, desde que haja convicção acerca da presença do dolo. Há vários precedentes no CARF nesse sentido: [...] Contudo, em declaração de voto juntada ao Acórdão nº 110100.725, esta Conselheira assim firmou seus parâmetros para qualificação da penalidade em lançamentos decorrentes da constatação de omissão de receitas: Concordo integralmente com a I. Relatora no que tange aos efeitos do Ato Declaratório de Exclusão e à exigência do crédito tributário principal. Mas tenho outras razões para concluir pelo afastamento da multa de ofício qualificada, de forma que subsistam apenas os acréscimos de multa de ofício no percentual de 75% e de juros de mora. Os debates havidos durante as sessões de julgamento permitiramme bem delinear os critérios que adoto para exigência da multa de ofício qualificada. No primeiro caso apreciado, estivemos frente a um contribuinte que havia omitido significativo volume de receitas, apuradas com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ou seja, frente a depósitos bancários de origem não comprovada, concluiu a autoridade lançadora pela existência de valores tributáveis. A contribuinte apresentara livros contábeis que precariamente reproduziam a movimentação bancária questionada, fazendo transitar a maior parte dos valores apenas por contas patrimoniais, e reconhecendo como receita de vendas somente os valores expressos nas notas fiscais emitidas. Consoante reproduzido pelo I. Relator, a contribuinte limitouse a argüir, sem qualquer prova documental, que em virtude da natureza perecível das mercadorias, havia operações de revenda de mercadorias que seguiam diretamente do produtor rural para os clientes da empresa, acobertadas pela Nota Fiscal de Produtor Rural; o pagamento ocorria de forma informal, de vez que realizava pagamentos aos produtores rurais e posteriormente recebia de seus clientes a quitação das mercadorias revendidas. A qualificação da penalidade decorreu do fato de a contribuinte não ter emitido notas fiscais, não ter escriturado a maior parte de suas receitas e não ter declarado à Receita Federal sua efetiva receita, tentando passar a falsa impressão que a sua receita de vendas de mercadorias foi de apenas R$ 1.107.598,81, quando na realidade foi de R$ 7.109.024,52. Entendi, frente a estes elementos, que se tratava da simples apuração de omissão de receitas, à qual se reporta à Súmula CARF nº 14. O volume de receitas Fl. 3506DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 42 41 presumidamente omitidas era significativo, e deficiências na escrituração demonstravam a desídia da contribuinte na manutenção de seus assentamentos contábeis. Todavia, embora estes elementos permitissem a imputação de omissão de receitas, eles ainda eram insuficientes para afirmar a intenção dolosa de deixar de recolher tributo. Necessário seria que a Fiscalização investigasse um pouco mais, estabelecendo vínculos concretos entre a movimentação bancária e a atividade operacional da empresa, para assim afirmar que houve a intenção de ocultar receitas tributáveis do Fisco Federal. Evidências como a apuração de depósitos decorrentes de liquidação de títulos de cobrança, ou circularização de alguns depositantes, já permitiriam criar esta inferência. No segundo caso apreciado, as receitas omitidas foram apuradas a partir das informações do Livro Registro de Saídas, que apresentava expressivo volume de operações, ao passo que as DIPJ, DACON e DCTF não continham qualquer registro de resultados tributáveis ou débitos apurados. Ainda assim, a Fiscalização circularizou um dos clientes da fiscalizada, e identificou outras operações que sequer haviam sido escrituradas no Livro Registro de Saídas. Ao final, concluiu a autoridade fiscal que apesar de ter auferido vultosa receita, a contribuinte agiu dolosamente com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias principais, apresentando declarações zeradas. Acompanhei a Turma que, à unanimidade, manteve integralmente o crédito tributário ali exigido, com a aplicação da multa qualificada. No presente caso, também está presente o significativo volume de receita omitida, à semelhança dos demais casos. Além disso, a constatação de que receitas foram subtraídas à tributação decorre de fatos coletados da própria escrituração contábil/fiscal da contribuinte: seus registros escriturais e as informações prestadas à Fazenda Estadual prestaramse como prova direta dos valores tributados. E, no meu entender, estes aspectos já são suficientes para afastar a Súmula CARF nº 14, como antes já mencionei A distinção deste caso, em relação ao anterior, está na acusação fiscal. A autoridade lançadora justifica a qualificação da penalidade em razão da omissão mediante declaração ao Fisco Federal de somente R$ 129.557,60 do total de R$ R$ 13.947.987,53 das vendas registradas em sua contabilidade, cujo total foi registrado em sua escrituração fiscal e contábil e informado ao Fisco do Estado do Paraná, conforme demonstrado nos subitens "2.3.1", "2.3.2" e "2.3.3", nos quais limitase a descrever os valores extraídos da escrituração contábil, da escrituração fiscal e das GIAS/ICMS e da declaração simplificada apresentada à Receita Federal. A autoridade lançadora não acusou a contribuinte de ocultar receitas sabidamente tributáveis, de modo que o litígio não se estabeleceu em relação à intenção da contribuinte em deixar de recolher tributos. A dúvida ganha maior relevo quando observo, no Termo de Verificação Fiscal, que cerca de 50% dos valores omitidos decorrem de CAFÉ DESTIN EXPORTAÇÃO e CAFÉ C/ SUSP PISCOFINS, cuja exclusão da base de cálculo do SIMPLES Federal poderia decorrer de interpretação da legislação tributária. Assim, embora entenda que não é o caso de aplicação da Súmula CARF nº 14, concordo com o afastamento da qualificação da penalidade, proposto pela I. Relatora. No mesmo sentido foi o posicionamento contrário à qualificação da penalidade expresso no voto condutor do Acórdão nº 1101001.267: Fl. 3507DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 43 42 Com referência à qualificação da penalidade em razão da omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, é certo que a contribuinte não contabilizou integralmente sua movimentação financeira, assim como a presunção de omissão de receitas se verificou em todos os períodos fiscalizados. Todavia, para se afirmar que os depósitos bancários correspondem a receitas da atividade é necessário que a Fiscalização reúna outras evidências, como por exemplo o creditamento bancário a título de cobrança ou desconto, ou indícios outros que vinculem os depósitos bancários a clientes da contribuinte, de modo a demonstrar que o sujeito passivo, ao deixar de escriturálos e de comprovar sua origem no curso do procedimento fiscal, tinha a intenção de não recolher os tributos decorrentes daquelas bases de cálculo sabidamente tributáveis. A presunção legal permite que o Fisco promova a exigência ainda que o sujeito passivo não se desincumba de seu dever de escriturar, porém a reiterada constatação de receitas presumidamente omitidas não é suficiente para qualificação da penalidade, pois não permite concluir que o sujeito passivo agiu ou se omitiu dolosamente para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador, ou mesmo para impedir ou retardar sua ocorrência. Ainda que por indícios esta intenção deve estar, ao menos, presumida, de modo que a sua reiteração a ocorrência conduza à caracterização do intuito de fraude presente nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, como exige o art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. Se a presunção de omissão de receitas não está associada a outros elementos que a vinculem a receitas sabidamente tributáveis, a jurisprudência deste Conselho já está consolidada no seguinte sentido: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73. Esclareçase que, como consignado neste voto, a recorrente invocou a descrição "auto explicativa" contida nos extratos bancários para vincular outros depósitos bancários a operações de compra e venda de veículos usados, evidência de vendas sem emissão de nota fiscal, na medida em que as operações assim comprovadas foram admitidas pela Fiscalização como origem de parte dos depósitos bancários. Ocorre que esta circunstância não foi integrada à acusação fiscal acima exposta, acrescida apenas por referências ao significativo descompasso entre a movimentação financeira e as receitas declaradas pelo sujeito passivo, e pela menção ao grande volume de rendimentos tributáveis omitidos, mas aí tendo em conta, também, a significativa parcela de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Assim, além da reiteração, a acusação fiscal apenas afirma que a omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada apresenta valores expressivos, constatações que não se prestam como indícios da intenção de omitir receitas sabidamente tributáveis. Em tais circunstâncias, a presunção legal de omissão de receitas subsiste, mas a qualificação da penalidade não se sustenta. Desnecessário, portanto, apreciar as demais alegações da recorrente acerca da ausência de embaraços à investigação fiscal, da validade da documentação apresentada e necessária desconstituição por parte da Fiscalização, do regular registro contábil dos rendimentos tributáveis, do indevido uso da presunção hominis para qualificação da penalidade e das inconsistências verificadas na acusação de sonegação, pois tais argumentos já foram antes refutados no que importa à caracterização da omissão de receitas, bem Fl. 3508DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 44 43 como para manutenção da multa qualificada sobre a omissão de receitas de intermediação financeira. Por estas razões, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a qualificação da penalidade aplicada sobre os créditos tributários decorrentes da presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. De outro lado, a qualificação da penalidade foi mantida no voto condutor do Acórdão nº 1101001.144, porque agregados outros elementos às apurações feitas a partir dos depósitos bancários que favoreceram a contribuinte no período fiscalizado: Já no que se refere à multa de ofício mantida no percentual de 150%, cumpre ter em conta que a base de cálculo autuada decorre da constatação de receitas auferidas no período fiscalizado, mediante confronto dos depósitos bancários com os documentos apresentados pela contribuinte durante o procedimento fiscal, a partir dos quais foi possível constatar que apenas parte das operações foram contabilizadas pela autuada, e que nem mesmo em relação a esta parcela foram declarados ou recolhidos os valores devidos. Diante deste contexto, a autoridade lançadora expôs que: No que concerne à aplicação da multa proporcional ao valor do imposto, a mesma foi de 150%, por prática, em tese, de infração qualificada como: 1 – Sonegação (art. 71 da Lei n° 4.502/1964), tendo em vista que a contribuinte agiu e omitiu com dolo para impedir e retardar totalmente em relação ao anocalendário 2001 o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1.1 – Da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (por três anos consecutivos, não entregou a DIPJ, deixando de informar o resultado do exercício, a base de cálculo e o regime de tributação; não informou nenhum valor nas DCTF; não apresentou a escrituração comercial para que houvesse possibilidade de apuração da base de cálculo; não comprovou a origem dos créditos em contas mantidas em instituições financeiras, tendo cabido tal tarefa à fiscalização, tudo evidenciando o intuito de omitir informações, com o fito de eximirse do pagamento do imposto/contribuições); 1.2 – Das suas condições pessoais, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal e o crédito tributário correspondente (na condição de rede de lojas na exploração do comércio varejista de móveis e eletrodomésticos, deixou de informar o total das receitas típicas da atividade, inclusive deixando de apresentar declarações, como se não mais estivesse em atividade, sem se importar em esclarecer se os créditos em suas contas bancárias se referiam a esse tipo de atividade ou a outra, levando a fiscalização a apurar os valores pelo regime de lucro arbitrado; ainda, passou toda a rede de lojas a empresa sucessora que, como demonstrado nos anexos, muitas vezes é solidária, ao passo que ambas operaram nos mesmos estabelecimentos comercias às mesmas épocas; nesse sentido, a autuada desfezse de todo seu patrimônio comercial, reduzindo a ampla rede a apenas um pequeno estabelecimento no endereço constante do cabeçalho). Acrescentese a esta acusação as referências, também trazidas pela Fiscalização, acerca da reiteração desta conduta omissiva por parte da pessoa jurídica SANTEX que, antes da autuada (IMPELCO), foi constituída para operação da marca GR ELETRO: No ano de 2000 foi requisitado procedimento de fiscalização pelo Ministério Público Federal, onde foi constatada a sucessão de SANTEX por IMPELCO – processos números 10183.004979/0011 (arquivado por decadência) e 10183.002620/200125 (créditos inscritos na Dívida Ativa da União). Fl. 3509DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 45 44 Em ambas as ocasiões os procedimentos de fiscalização foram precedidos de ações policiais de busca e apreensão nos estabelecimentos da contribuinte, que sempre usa a marca GR ELETRO, mudando apenas o CNPJ dos estabelecimentos e abandonando o anterior, categoria em que se inclui IMPELCO, furtandose ao cumprimento das obrigações tributárias. Contudo, no sistema CNPJ os estabelecimentos matriz e filiais de IMPELCO continuam ativos, em vários dos mesmos endereços da empresa sucessora/solidária, além de haver movimentação financeira em 2002 no valor de R$ 49.283.060,04, de R$ 42.620.634,83 em 2003, de R$ 11.790.083,53 em 2004 e de R$ 58.836,41 em 2005, não havendo entrega de declarações também para esses anos, confirmando a assertiva de que IMPELCO foi "substituída" paulatinamente por VESLE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA (vide fls. 02 a 04 do ANEXO IV – QUATRO)., aberta em 06/06/2000, considerando que a marca GR ELETRO continuou no mercado, inclusive com inserções na mídia televisiva e propaganda contínua em listas telefônicas, sendo mais recentemente substituída pela marca FACILAR, adotada no início de 2007 por VESLE. Considerando a forma de apuração, nestes autos, dos fatos tributáveis, não são aplicáveis as Súmula CARF nº 14 e 25, porque não se trata de presunção legal de omissão de receitas, ou de simples apuração de omissão de receitas, e ainda que tenha havido arbitramento dos lucros, outras evidências foram agregadas para demonstração do intuito de fraude. Observese, ainda, que a recorrente limitase a argumentar que não houve embaraço à fiscalização (aspecto antes apreciado em sede de recurso de ofício), e nega a existência de dolo apenas em razão da autuação de fundar em presunção. No mais, afirma confiscatória a penalidade subsistente, ao final pleiteando sua redução para 75% uma vez que reconhecida pelos Nobres Julgadores a quo que: “a contribuinte não causou embaraço à fiscalização, prestando os esclarecimentos que lhe eram possíveis”. Ocorre que o percentual de 150% está previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 para as exigências de ofício nas quais restar caracterizado o intuito de fraude, aqui presente em razão das evidências reunidas pela Fiscalização acerca da deliberada intenção da contribuinte de, reiteradamente praticando fatos jurídicos tributáveis, deixar de escriturálos adequadamente de modo a subtraílos da incidência tributária. No presente caso, a autoridade lançadora afirma que a contribuinte omitiu a movimentação de recursos financeiros de sua contabilidade para impedir que o Fisco tivesse conhecimento de seu faturamento. Todavia, não trouxe aos autos qualquer elemento que correlacionasse as receitas presumidamente omitidas com o faturamento do sujeito passivo, limitandose a caracterizar a infração a partir da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Em tais circunstâncias, resta fora de dúvida a aplicação da Súmula CARF nº 25 (A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73.). Quanto à transferência da sociedade para terceiros, de modo a dissimular a responsabilidade de Vanderlei de Carvalho, tratase de conduta que não se vincula, necessariamente, à ocorrência do fato gerador, de modo que, à míngua de outros argumentos acusatórios, não se presta a sustentar a qualificação da penalidade. Fl. 3510DF CARF MF Processo nº 19515.720767/201571 Acórdão n.º 1402003.906 S1C4T2 Fl. 46 45 Por tais razões, deve ser dado provimento ao recurso voluntário apenas neste ponto, para excluir a qualificação da penalidade. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 3511DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.002086/2007-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
1- De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
2- Súmula CARF nº 93: "A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa."
Numero da decisão: 9101-004.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. 1- De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. 2- Súmula CARF nº 93: "A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa."
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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ESTIMATIVAS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CRV INDUSTRIAL LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. 1 De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. 2 Súmula CARF nº 93: "A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votou pelas conclusões a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 20 86 /2 00 7- 34 Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 13116.002086/200734 Acórdão n.º 9101004.161 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL nos anoscalendário de 2002 e 2003. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 120100.732, de 07/08/2012, por meio do qual 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, entre outras questões, negou provimento a recurso de ofício, mantendo afastada a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, que foi aplicada em razão da falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: MULTA ISOLADA. FALTA DE TRANSCRIÇÃO DO BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, quando o sujeito passivo apresenta toda a escrita contábil e fiscal, refletindo a apuração do lucro real ou prejuízo fiscal do período, suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Nos termos das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal é válida a intimação realizada por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso II). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 13116.002086/200734 Acórdão n.º 9101004.161 CSRFT1 Fl. 4 3 A PGFN afirma que a decisão recorrida deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, ;a PGFN desenvolve os seguintes argumentos: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL o Colegiado a quo julgou, em suma, que a multa pela não transcrição, no Livro Diário, dos balancetes de suspensão ou redução do tributo a ser pago por estimativa, não poderia ser exigida; importante salientar que e fato inconteste no presente processo administrativo que o contribuinte não transcreveu os balancetes no Livro Diário conforme assume o próprio contribuinte e reconhece o acórdão recorrido; ocorre que a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em análise de caso similar, interpretou o art. 44, §1º, IV da Lei 9.430/96 de modo diverso ao esposado pelo e. Colegiado a quo; com efeito, a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou provimento a recurso voluntário contra decisão de primeira instancia que manteve a cobrança de multa isolada, exigida de contribuinte que havia optado por recolher o IRPJ mediante a apuração de lucro real anual com balanços de suspensão ou redução, mas não recolheu o imposto devido, e não justificou o não recolhimento mediante transcrição no Livro Diário dos balancetes de suspensão ou redução: Acórdão n° : 10706.277 IRPJ — LUCRO REAL ANUAL — SUSPENSÃO OU REDUÇÃO DA ESTIMATIVA — A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual está obrigada aos pagamentos mensais por estimativa com base na receita bruta. A redução ou suspensão dos recolhimentos mensais estimados está condicionada a que os balanços ou balancetes acumulados estejam transcritos no livro Diário e que o lucro real do período por eles abrangido esteja demonstrado no LALUR, até a data de vencimento de cada parcela mensal. IRPJ — ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA — MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE — Cabível o lançamento desta penalidade quando constatado, no curso do anocalendário, que a pessoa jurídica não efetuou ou efetuou com insuficiência os recolhimentos mensais obrigatórios do IRPJ estimado. no caso examinado pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, salientouse que o contribuinte possuía escrita contábil regular, a qual registrava, no final do anocalendário, a ausência de base de cálculo tributável, conforme se pode notar da leitura do relatório e do voto condutor do acórdão paradigma, da lavra do conselheiro LUIS MARTINS VALERO: [...]; Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 13116.002086/200734 Acórdão n.º 9101004.161 CSRFT1 Fl. 5 4 percebese que, no acórdão paradigma, apesar de o contribuinte não ter apurado lucro tributável no ano de 1998, e de não ter sido apontada qualquer irregularidade em sua escrituração contábil, a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes manteve a cobrança da "multa isolada", ao argumento de que a penalidade somente pode ser dispensada quando o contribuinte cumpre as determinações dispostas no art. 2º da Lei 9.430/96; confirase, ademais, o seguinte trecho do voto condutor do acórdão paradigma: [...]; apresentase, portanto, clara divergência entre o e. colegiado a quo e a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes relativamente à interpretação do art. 44, "IV", da Lei 9.430/96; isso porque, mesmo em face de escrituração contábil regular que possibilitaria, em tese, apurar se o tributo foi corretamente recolhido, a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao contrário do e. colegiado a quo, não afastou a multa prevista art. 44, §1º, "IV", da Lei 9.430/96; assim, enquanto o e. colegiado a quo afastou a exigência de multa isolada, a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou que a multa somente pode deixar de ser aplicada caso o contribuinte recolha o tributo devido mediante o regime de estimativa, ou transcreva no Livro Diário os balancetes de suspensão ou redução do tributo. Tal posição, emanada da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, merece ser prestigiada por esta e. Câmara Superior de Recursos Fiscais, como será demonstrado abaixo; dessa maneira, demonstrada a divergência jurisprudencial, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial; DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO o contribuinte infringiu o disposto no art. 2º da Lei 9.430/96, ao não justificar, mediante a transcrição no Livro Diário dos balancetes de suspensão ou redução exigidos pelo art. 35 da Lei 8.981/95, o não recolhimento da estimativa devida. Em vista da infração, foilhe exigido o pagamento da "multa isolada" prevista no art. 44, II da Lei 9.430/96 (nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007); como se sabe, a "multa isolada" é devida em função do não pagamento do IRPJ e da CSLL, ainda que o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. A punição pode ser excluída apenas na hipótese em que o contribuinte recolhe o tributo devido, ou transcreve, no livro Diário, balancete de suspensão ou redução do tributo; a "multa isolada" está prevista em Lei, obedecendo, portanto, o disposto no art. 97, "V", do Código Tributário Nacional, e seu fato gerador restou plenamente caracterizado no processo administrativo em análise. O próprio contribuinte admitiu que não transcreveu os balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário; ora, estando a infração corretamente tipificada em lei, e havendo sido plenamente caracterizada no presente processo administrativo, a responsabilidade do Recorrido só pode ser afastada caso exista expresso permissivo legal, a teor não só do art. 136 do CTN, como do art. 97, VI, do Código, verbis: [...]; Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 13116.002086/200734 Acórdão n.º 9101004.161 CSRFT1 Fl. 6 5 ocorre que a existência de escrituração contábil regular ou irregular, não afastam a incidência da multa prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, uma vez que a Lei não dispensa a cobrança de penalidade nesses casos; a penalidade prevista no artigo supra só é dispensada quando o contribuinte, que não recolheu o tributo devido por estimativa, justifica o não pagamento pela transcrição, no Livro Diário, dos balancetes de suspensão; Contudo, o colegiado a quo dispensou a exigência da multa ao argumento de que o sujeito passivo, no seu entender, “possuía escrituração contábil regular”, sem que esse fato houvesse sido erigido legalmente como hipótese de dispensa; desse modo, o acórdão recorrido criou nova hipótese de dispensa da penalidade, não prevista na legislação, qual seja, a apresentação de escrituração regular pelo contribuinte; a criação de nova hipótese de dispensa de multa isolada não configura integração ou interpretação extensiva da norma, mas, evidentemente, uma novidade no ordenamento jurídico. Tal procedimento, quando efetuado pelo aplicador da lei, decorre de um juízo de eqüidade; é evidente que a aplicação da lei ao caso concreto não deve ofender o sentimento de justiça do interprete. A adequação da norma, ou mesmo seu afastamento, ou criação de disposição específica a um determinado caso concreto, de modo que a lei não se configure excessivamente severa, é legitima, desde que expressamente autorizado por norma legal; tal atenuação da norma, afastando sua aplicação ao caso concreto, ou criando nova norma vez que a aplicação da norma original seria excessiva, ocorre mediante um juízo de eqüidade; ocorre que o emprego do juízo de eqüidade no ordenamento jurídico brasileiro tem que estar expressamente autorizado por lei. Tal dogma é um dos fundamentos do ordenamento pátrio, vez que a Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inc. II, não admite a existência de outra fonte do direito senão a lei formal (ou atos equiparados à lei formal, como as medidas provisórias, leis delegadas, e outros previstos no art. 59 da CF/88). Portanto, o aplicador da lei é obrigado a decidir com base na norma disposta, mas pode se utilizar da eqüidade apenas quando a lei permitir expressamente, conforme se infere do art. 127 do CPC; ora, o Código Tributário Nacional permite o uso da eqüidade pelo aplicador da lei. Com efeito, o CTN prevê que a lei poderá atribuir ao aplicador juízo de eqüidade para fundamentar a dispensa de créditos tributários. Confirase: [...]; notese que o próprio CTN, em seu art. 108, IV, §2º, dispõe que o emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Como o art. 108 está inserido no capítulo sobre a interpretação da lei tributária, e também em face do art. 172 acima, podese concluir que o Código está consentâneo com o art. 127 do CPC. A eqüidade somente pode ser utilizada pelo intérprete para a dispensa de crédito tributário quando existe previsão legal que o permita. Fora dessa hipótese, o intérprete não poderá se valer do juízo de eqüidade para dispensar a exigência de crédito tributário; Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 13116.002086/200734 Acórdão n.º 9101004.161 CSRFT1 Fl. 7 6 aqui resta claro o óbice para a dispensa da multa exigida ao contribuinte. Não há norma específica que permita ao aplicador da lei relevar a cobrança da multa prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, atendendo "a considerações de eqüidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso"; aliás, a dispensa da multa nos termos concedidos pelo e. colegiado a quo traduziria, sim, injustiça com aqueles contribuintes que, cientes das suas responsabilidades, não foram negligentes, mas arcaram com o ônus de elaborar e transcrever os balancetes de suspensão no Livro Diário; data maxima venia, desonerar o sujeito passivo sem fundamento em nenhum motivo excepcional, é não só desmoralizar a lei, mas desestimular os contribuintes que, além de manterem toda a escrituração contábil regular, ainda transcrevem no Livro Diário seus balancetes de suspensão; tal desestímulo é também uma penalização, injusta porque ofende não só o texto legal, mas o bom senso, eis que dirigida a ninguém menos que o contribuinte que se esforça para permanecer diligente diante do cipoal de leis tributárias e das necessidades arrecadatórias do Estado; portanto, concluise que, a partir da Lei 9.430/96, o contribuinte somente estará dispensado de recolher os tributos devidos a título de IRPJ e de CSLL apurados pelo sistema de estimativa, quando transcrever no Livro Diário os balancetes de suspensão ou redução; quando deixar de recolher os tributos devidos, sem justificar o não recolhimento mediante a transcrição no Livro Diário dos balancetes de suspensão ou redução, estará sujeito ao pagamento da multa prevista no art. 44, II da Lei n.º 9.430/96; DO PEDIDO em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para restabelecer a aplicação da multa. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, foi dado seguimento ao recurso, conforme o despacho por mim exarado em 26/11/2015, na condição de Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, decisão que está fundamentada na seguinte análise sobre a divergência suscitada: Do cotejo entre as ementas e os votos condutores dos arestos, recorrido e paradigma, verificase que o tratamento foi diferenciado vez que, no recorrido concluiuse que a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, não se justifica pela falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário, quando o sujeito passivo apresenta toda a escrita contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. A decisão recorrida afirma que apesar da falta de transcrição dos balancetes de suspensão no livro Diário, a autoridade fiscal reconheceu que o contribuinte escriturou o Lalur e os referidos balancetes, que lhe foram entregues. Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 13116.002086/200734 Acórdão n.º 9101004.161 CSRFT1 Fl. 8 7 Quanto ao paradigma nº 10706.277, entende que para haver redução ou suspensão dos recolhimentos mensais estimados é necessário que os balanços ou balancetes acumulados sejam transcritos no livro Diário e que o lucro real do período por eles abrangido seja demonstrado no LALUR, até a data de vencimento de cada parcela mensal, sendo cabível a multa isolada quando constatado que a pessoa jurídica não efetuou os recolhimentos mensais obrigatórios do IRPJ estimado. A Fazenda Nacional alega que a multa isolada somente pode deixar de ser aplicada caso o contribuinte recolha o tributo devido mediante o regime de estimativa, ou transcreva no Livro Diário os balancetes de suspensão ou redução do tributo. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização das divergências de interpretação suscitadas. Em 15/06/2016, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 120100.732, do recurso especial da PGFN e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e em 30/06/2016, ela apresentou tempestivamente, por via postal, a sua peça de contrarrazões, com os seguintes argumentos: AS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO V. ACÓRDÃO HOSTILIZADO primeiramente a situação fática retratada no v. acórdão hostilizado e no v. acórdão paradigma não se assemelham, o que inviabiliza o conhecimento do recurso; com efeito, o v. acórdão hostilizado declarou, com notório acerto, a não incidência da multa em razão da mera falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário, tendo assinalado que o sujeito passivo apresentou toda a escrita contábil e fiscal, refletindo a apuração do lucro real ou prejuízo fiscal do período, suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa; de forma diametralmente oposta, o v. acórdão apontado como paradigma tratou da aplicação da multa isolada em caso no qual a estimativa não foi recolhida, situação diversa da retratada no v. acórdão hostilizado; destarte, o recurso não ostenta, sequer, condições que viabilizem o seu conhecimento, com a devida vênia à r. decisão que o admitiu; ademais, a pretensão da recorrente não encontra fundamento no disposto no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei n° 9.430 de 1996, que, em sua literalidade previa a incidência da multa isolada "no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente", situação de que não se cogita no presente caso; por outro lado, o diploma legal em comento foi revogado posteriormente por novel legislação, o que atrai a aplicação do disposto no art. 106, inciso II do CTN, que assim dispõe, in verbis: [...]; Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 13116.002086/200734 Acórdão n.º 9101004.161 CSRFT1 Fl. 9 8 destarte, mesmo que o art. 44, §1º, inciso IV, da Lei n° 9.430 de 1996 fosse aplicável ao caso, a sua ulterior revogação na pendência de julgamento do caso infirmaria sua incidência, por aplicação do disposto no art. 106, inciso II, alíneas "a", "b", e "c" do CTN; PEDIDOS em vista de todo exposto, requer se dignem Vossas Excelências em não conhecerem do recurso especial ora contrariado, ou, no mérito, lhe neguem provimento. É o relatório. Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 13116.002086/200734 Acórdão n.º 9101004.161 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário apurado em relação aos anoscalendário de 2002 a 2007, a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais desses tributos. Na primeira instância administrativa, foi exonerado integralmente o lançamento de IRPJ e grande parte do lançamento de CSLL. Também foi integralmente cancelada a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. Em razão dos valores exonerados, houve recurso de ofício, e a contribuinte apresentou recurso voluntário para a parte não exonerada da CSLL. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido), por sua vez, negou provimento aos dois recursos, de ofício e voluntário, mantendo o que havia sido decidido na etapa processual anterior. Nessa fase de recurso especial, a PGFN pretende restabelecer a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais. Esse item do lançamento abrangeu apenas os anoscalendário de 2002 e 2003, e o voto que orientou o acórdão recorrido cuidou da matéria nos seguintes termos: 2) Do Recurso de Ofício Quanto ao recurso de ofício, as questões a serem apreciadas por este colegiado consistem em verificar a procedência do cancelamento da exigência relativa às infrações: a) diferenças de IRPJ/CSLL apuradas entre o valor escriturado e o declarado em DCTF (itens 1.1 e 2.1 do relatório); b) multa isolada – falta de recolhimento de IRPJ/CSLL sobre a base estimada (itens 1.2 e 2.3 do relatório); e c) parte das diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado da CSLL retida em pagamentos efetuados a pessoas jurídicas (item 2.2 do relatório). [...] Em relação às multas isoladas aplicadas em razão da falta de escrituração, no livro Diário, dos balancetes de suspensão ou redução do pagamento das estimativas mensais, correto o órgão a quo ao considerar improcedente o lançamento, tendo em vista que a própria Administração Tributária também assim entende, a teor da Solução de Consulta Interna nº 37, de 21/11/2007, cuja ementa abaixo se transcreve: Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 13116.002086/200734 Acórdão n.º 9101004.161 CSRFT1 Fl. 11 10 A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta toda a escrita contábil e fiscal, refletindo a apuração do lucro real ou prejuízo fiscal do período, suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. (destacouse) Uma vez que a motivação do lançamento nesta parte foi unicamente a falta de transcrição dos balancetes de suspensão no livro Diário, tendo a autoridade fiscal reconhecido que o contribuinte escriturou o Lalur e os referidos balancetes, os quais lhe foram entregues, correta a decisão da DRJ ao considerar improcedente o lançamento da multa isolada calculada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL. [...] Diante do exposto, entendo que não merece guarida o recurso de ofício. É importante registrar que essa questão sobre a não transcrição dos balancetes de suspensão/redução no livro Diário já foi objeto de súmula do CARF: Súmula CARF nº 93 A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. E essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vêse que o acórdão recorrido adotou o entendimento da Súmula CARF nº 93, o que inviabiliza o conhecimento do recurso especial, conforme as regras regimentais acima transcritas. Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 13116.002086/200734 Acórdão n.º 9101004.161 CSRFT1 Fl. 12 11 Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1332DF CARF MF
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