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Numero do processo: 10880.653308/2016-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3201-005.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/2016-45.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 08 /2 01 6- 13 Fl. 648DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pelo conselheiro relator, contra o Acórdão nº 3201004.211, de 25/09/2018, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta 3ª Seção. Conforme suscitado, houve uma contradição entre os fundamentos do voto condutor do acórdão embargado e a sua parte dispositiva, especificamente quanto à matéria relativa à glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Com efeito, o acórdão embargado incorreu numa inequívoca contradição, uma vez que, na decisão nele transcrita, proferida nos autos do processo administrativo nº 19311.720238/201645, não obstante negado provimento, na integralidade, ao Recurso de Ofício, conforme parte dispositiva do acórdão, mantevese a redação original do voto levado à sessão de julgamento que lhe dava provimento quanto ao direito aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". Eis o excerto em que a matéria é apreciada: Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Todavia, durante o julgamento do processo nº 19311.720238/201645, modificamos o nosso entendimento e passamos a adotar a decisão proferida pela DRJ com relação à matéria, cujos fundamentos ora reproduzimos, uma vez que, Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canade açúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201005.117 S3C2T1 Fl. 649 3 DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Ante o exposto, voto por ACOLHER os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 650DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.004235/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68.
Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço e a gratificação de compensação orgânica, porquanto tais verbas revestem natureza remuneratória e não estão beneficiadas por norma de isenção.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
Numero da decisão: 2401-006.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68. Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço e a gratificação de compensação orgânica, porquanto tais verbas revestem natureza remuneratória e não estão beneficiadas por norma de isenção. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF N° 68. Incide imposto de renda sobre o adicional por tempo de serviço e a gratificação de compensação orgânica, porquanto tais verbas revestem natureza remuneratória e não estão beneficiadas por norma de isenção. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 42 35 /2 00 8- 21 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13707.004235/200821 Acórdão n.º 2401006.005 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório MAURILIO RODRIGUES DA ROSA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1324.451/2009, às efls. 52/60, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, em relação ao exercício 2006, conforme peça inaugural do feito, às fls. 07/13, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 15/09/2008, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, com o seguinte fato gerador: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirt), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ ********27.430,94, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ *************0,00. Inconformado com a Decisão recorrida. o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 64/66, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, insurgindose contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13707.004235/200821 Acórdão n.º 2401006.005 S2C4T1 Fl. 4 3 hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa fisica e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever o lançamento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Cingese a controvérsia em definir se incide ou não imposto de renda sobre as verbas denominadas "Adicional por Tempo de Serviço", “Gratificação de Compensação Orgânica” e demais "rubricas", excluídas do conceito de remuneração pelo art. 1º, inciso III, da Lei nº 8.852/1994, assim descrito: Art. 1º. Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: (...) III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei n° 8.237, de 1991; (...) n) adicional por tempo de serviço; De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou nãoincidência de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Outrossim, no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e art. 39 do RIR, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13707.004235/200821 Acórdão n.º 2401006.005 S2C4T1 Fl. 5 4 renda, o adicional por tempo de serviço e a gratificação de compensação orgânica não estão contemplados. Assim, os rendimentos destacados pelo recorrente encontramse incluídos no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, § 1° do mesmo Diploma Legal. Portanto, o “Adicional por Tempo de Serviço” e a “Gratificação de Compensação Orgânica” estão sujeitos ao imposto de renda, porquanto tais verbas revestem natureza remuneratória e não estão beneficiados por norma de isenção, que, a propósito, deve ser interpretada literalmente (CTN, art. 111, II) e ser concedida mediante lei específica (CF/1988, art. 150, § 6º). Registro, por importante, que o entendimento acima exposto está em consonância com a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de JustiçaSTJ: TRIBUTÁRIO. ADICIONAL OU GRATIFICAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO. IMPOSTO DE RENDA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. O acórdão recorrido encontrase em consonância com a jurisprudência do STJ, no sentido de que o adicional ou gratificação por tempo de serviço possui natureza remuneratória e reflete "acréscimo patrimonial" sujeito à incidência do Imposto de Renda (RMS 23.970/ES, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJ e 21.10.2010; REsp 976.226/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 3.10.2007, p. 195; AgRg no REsp 848.413/SP, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ 20.11.2006, p. 289). 2. Recurso Especial não provido. (REsp 1.339.596 / ES, julgado em 02/10/2012). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. GRATIFICAÇÕES DE ATIVIDADE POLICIAL FEDERAL, DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA E DE ATIVIDADE DE RISCO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. 1. “Incide Imposto de Renda sobre a 'gratificação de atividade policial federal', a 'gratificação de compensação orgânica' e a 'gratificação de atividade de risco', pagas aos delegados de polícia federal antes do advento da Lei 11.358/2006, visto que tais gratificações possuem natureza remuneratória, segundo consta do acórdão recorrido. Com efeito, as gratificações em questão estão sujeitas ao Imposto de Renda, pois configuram acréscimo patrimonial e não estão beneficiadas por isenção.” (AgRgREsp nº 1.148.279/CE, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, in DJe 24/8/2010). 2. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1230195 / CE, julgado em 03/03/2011). Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF nº 68, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, in verbis: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13707.004235/200821 Acórdão n.º 2401006.005 S2C4T1 Fl. 6 5 A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000407/2008-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 01/02/2000
LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL —DECADÊNCIA. INOVAÇÕES NO LANÇAMENTO.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, II). Eventual inovação no novo lançamento relativamente a fatos já atingidos pela decadência, contada na forma do inc. I, do art. 173, do CTN, não implica em considerar todo o crédito tributário como decaído, mas tão somente o montante relativo aos referidos fatos.
Numero da decisão: 9202-006.679
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário.
Nome do relator: Conselheira Ana Paula Fernandes
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INOVAÇÕES NO LANÇAMENTO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, II). Eventual inovação no novo lançamento relativamente a fatos já atingidos pela decadência, contada na forma do inc. I, do art. 173, do CTN, não implica em considerar todo o crédito tributário como decaído, mas tão somente o montante relativo aos referidos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 04 07 /2 00 8- 67 Fl. 351DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0319.10088.KILN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2202003.127, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito tributário (AI n° 37.179.5575) pertinente às contribuições previdenciárias relativas à rubrica segurados. O valor do presente lançamento é de R$ 32.707,05, consolidado em 01 de setembro de 2008. A apuração deuse com base no instituto da solidariedade paritária, previsto no art. 31 da Lei n° 8212/91, decorrente da execução de serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela empresa COSMOS SERVIÇOS AUXILIARES LTDA, CNPJ 00.216.641/000188, uma vez que a contratante não comprovou o escorreito cumprimento dos deveres jurídicotributários substanciais da contratada. O Auto de Infração tem por objetivo o de substituir em parte a NFLD nº 35.005.8423, julgada nula por vício formal em decisão proferida pela 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, por meio do acórdão n° 2492, de 25/10/2005. Consta, as fls. 107, Termo de Juntada de Processo por Apensação, o qual informa a juntada por apensação do processo 19740.000406/200812, ocorrida, em 19/09/2008, a esse processo. O Contribuinte apresentou impugnação de fls. 116/139. Às fls. 252/263, a 13ª Turma DRJ/RJ1, julgou procedente em parte o lançamento, considerar devido o crédito tributário nos termos da nova composição de valores exposta no Demonstrativo Analítico do Débito Retificado. O contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, às fls. 265/288, remetido via postal, conforme envelope, de fls. 264, postado, em 29/09/2011, acompanhado dos documentos, de fls. 277/278. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 298/315, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para reconhecer a decadência do direito de constituir novo lançamento, que não substituiu o anterior, mas inovou na exigência. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 01/02/2000 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. Fl. 352DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0319.10088.KILN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19740.000407/200867 Acórdão n.º 9202006.679 CSRFT2 Fl. 10 3 A reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destinasse apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior. Assim, o novo lançamento, de caráter substitutivo, que se faz em decorrência do lançamento anterior, anulado por vício formal, não pode trazer inovações materiais, mas apenas corrigir o vício apontado. Recurso Voluntário Provido. Às fls. 317/323, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial em relação a seguinte matéria: decadência no caso de autuação decorrente de lançamento anterior, anulado por vício formal. No acórdão recorrido entendeuse que o lançamento efetuado com inovação material relativamente a lançamento anterior, anulado por vício formal, deve ser considerado como novo lançamento, estando submetido, portanto, às regras originais da decadência; de modo que foi dado provimento integral ao recurso voluntário. No paradigma, diferentemente, nessa mesma situação lançamento decorrente de outro, anulado por vício formal, lavrado com inovação material , o Colegiado entendeu que o segundo lançamento deve ser apenas parcialmente cancelado, de forma que somente a parte do lançamento referente aos fatos inovados deve ser considerada como decaída, devendo ser mantida a regra de decadência estabelecida pelo art. 173, II, do CTN para os demais fatos. Às fls. 338/340, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência relativa à decadência no caso de autuação decorrente de lançamento anterior, anulado por vício formal. À fl. 316, o Contribuinte foi cientificado, permanecendo inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de crédito tributário (AI n° 37.179.5575) pertinente às contribuições previdenciárias relativas à rubrica segurados. O valor do presente lançamento é de R$ 32.707,05, consolidado em 01 de setembro de 2008. A apuração deuse com base no instituto da solidariedade paritária, previsto no art. 31 da Lei n° 8212/91, decorrente da execução de serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela empresa COSMOS SERVIÇOS AUXILIARES LTDA, CNPJ 00.216.641/000188, uma vez que a contratante não comprovou o escorreito cumprimento dos deveres jurídicotributários substanciais da contratada. O Acórdão recorrido deu provimento ao recurso ordinário. Fl. 353DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0319.10088.KILN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à interpretação da aplicação da decadência no caso de autuação decorrente de lançamento anterior, anulado por vício formal com inovações no lançamento. A norma legal define que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (CTN, art. 173, II). Eventual inovação no novo lançamento relativamente a fatos já atingidos pela decadência, contada na forma do inc. I, do art. 173, do CTN, não implica em considerar todo o crédito tributário como decaído, mas tão somente o montante relativo aos referidos fatos (nos casos em que este tenha superado o previsto no art. 173, I do CTN) Observo que no caso em tela o acórdão recorrido decidiu de forma arbitrária ao entender que todo lançamento deveria ser considerado decaído. Em havendo o segundo lançamento deve ser apenas parcialmente cancelado, de forma que somente a parte do lançamento referente aos fatos inovados deve ser considerada como decaída, devendo ser mantida a regra de decadência estabelecida pelo art. 173, II, do CTN para os demais fatos. E assim considero que somente a parte que se refere as inovações, para as quais se aplica o prazo decadencial original se encontram decaídas. Diante do exposto conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento, com retorno dos autos a Turma Ordinária para julgamento das demais questões. É como voto (assinatura digital) Ana Paula Fernandes. Fl. 354DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.0319.10088.KILN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANA PAULA FERNANDES em 25/06/2018 17:16:00. Documento autenticado digitalmente por ANA PAULA FERNANDES em 25/06/2018. Documento assinado digitalmente por: MARIA HELENA COTTA CARDOZO em 26/06/2018 e ANA PAULA FERNANDES em 25/06/2018. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 25/03/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP25.0319.10088.KILN Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 5FD0F9AEE8B13CBA15DCDA9615B2550B7CF4959190677680FDB43A73BA85C8CD Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19740.000407/2008-67. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10680.920112/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2401-006.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.901416/2009-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
MIRIAM DENISE XAVIER - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.901416/2009-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1496; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.920112/200977 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2401006.049 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Recorrente PREPRESS GRÁFICA E EDITORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.901416/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 01 12 /2 00 9- 77 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10680.920112/200977 Acórdão n.º 2401006.049 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10680.901416/200935, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2401006.041 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário. O contribuinte apresentou Declaração de Compensação Eletrônica (DCOMP) para a compensação de crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) com débito de IRRF. Segundo o despacho, foi localizado o pagamento correspondente ao crédito alegado, mas este já havia sido parcialmente usado para a quitação de outros débitos, havendo reduzido saldo disponível para a compensação analisada. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte sustentou: a) Correta a compensação do débito efetuada, tendo havido engano no preenchimento da DCTF. b) Após o recebimento do despacho decisório, a impugnante verificou equívoco na DCTF. Esse foi solucionado mediante a entrega de DCTF retificadora. c) Como a compensação de fato ocorreu dentro do prazo legal, data da transmissão da Dcomp, bem como de sua vinculação aos débitos por meio da DCTF pertinente, resta demonstrada a procedência da compensação. Do Acórdão de piso, em síntese, extraemse os seguintes fundamentos: a) Diante do despacho decisório, a DCTF foi retificada reduzindose o débito de IRRF do código 0561 originalmente declarado de tal forma que a diferença a menor entre o novo débito informado e o original é igual ao crédito alegado na declaração de compensação em causa. b) As declarações oportunamente apresentadas presumemse verdadeiras em relação ao declarante (art. 131 do CC e art. 368 do CPC). A presunção de veracidade obriga o declarante a provar o que alega e, na falta de prova, prevalece o teor do documento original. c) Em se tratando de IRRF do código 0561, deviam ter sido trazidos aos autos elementos da escrituração contábil e/ou outros documentos fiscais, trabalhistas e previdenciários a comprovar a remuneração efetivamente paga a seus empregados e quanto de fato lhes foi retido ou não de IRRF. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10680.920112/200977 Acórdão n.º 2401006.049 S2C4T1 Fl. 4 3 d) Não provado o erro, a retificadora não tem nenhuma força de convencimento, sobretudo porque apresentada após a ciência de despacho decisório. As normas da Receita Federal categoricamente estabelecem que a DCTF retificadora não produz efeito, tendo por objeto a alteração de débitos relativos à contribuições e a impostos, quando apresentada após a pessoa jurídica tiver sido intimada de início de procedimento fiscal (IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §§ 1° e 2°; em vigor na data de apresentação da DCTF retificadora). Intimada em 28/03/2011, a empresa interpôs em 04/05/2011 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Não se conformando com o Acórdão, apresenta, no prazo legal, sua manifestação ao CARF 1ª Seção. b) A empresa apresentou DARF e DCTF retificadora como prova por crer serem suficientes para comprovar a existência do crédito. c) Para a comprovação, anexa documentos. Acrescenta que, para fins de baixa, encerrou totalmente seu quadro de funcionários no ano de 2003, tendo em 2004/2005 acertado com seus fornecedores e paralisado suas atividades em 2006 para sanar débitos com órgãos públicos. d) Pede o acolhimento e a conclusão do processo de compensação. O órgão preparador ressaltou que o recurso interposto em 04/05/2011 e veicula preliminar de tempestividade. É o relatório." Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10680.920112/200977 Acórdão n.º 2401006.049 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira MIRIAM DENISE XAVIER Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10680.901416/200935, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401006.041 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "A empresa sustenta a apresentação do recurso voluntário no prazo legal. Considerandose a intimação postal em 28/03/2011 e a interposição em 04/05/2011, o recurso voluntário é intempestivo por extrapolar o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator" Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER Presidente e Relatora Fl. 41DF CARF MF
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Numero do processo: 10425.720212/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
RENDIMENTOS - TRIBUTAÇÃO NA FONTE - ANTECIPAÇÃO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, não existe responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação no ajuste anual.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO.
É cabível, por disposição legal expressa, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício.
Numero da decisão: 2402-007.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 RENDIMENTOS - TRIBUTAÇÃO NA FONTE - ANTECIPAÇÃO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, não existe responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação no ajuste anual. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. É cabível, por disposição legal expressa, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício.
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Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, não existe responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação no ajuste anual. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. É cabível, por disposição legal expressa, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 02 12 /2 01 2- 11 Fl. 2829DF CARF MF Processo nº 10425.720212/201211 Acórdão n.º 2402007.061 S2C4T2 Fl. 2.830 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração que tem por objeto a exigência de imposto de renda da pessoa física suplementar no valor de R$ 628.084,69, acrescido de juros de R$ 134.723,60 e multa de ofício de R$ 471.063,52, perfazendo o importe total de R$ 1.233.871,81, tendo em vista apuração de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 26/33), o recorrente foi intimado a apresentar documentos comprobatórios dos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2007, 2008, 2009 e 2010, conforme tabela anexa ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, cujas informações foram obtidas do Sistema de Acompanhamento da Gestão de Recursos da Sociedade – Sagres, do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba – TCE/PB. O contribuinte concordou com todos os pagamentos/recebimentos constantes do Termo de Intimação Fiscal, razão pela qual a Fiscalização constatou que houve omissão de rendimentos, conforme tabelas constantes do termo de intimação, lavrando o respectivo auto de infração para exigir o imposto não recolhido. Em sua impugnação, o recorrente alega que, por desconhecimento e falta de controle, declarou imposto de renda apenas relativamente aos valors recebidos das empresas que lhe enviaram os correspondentes comprovantes de pagamento, deixando de declarar os demais valores recebidos. Ao ser intimado pela Fiscalização, tomando conhecimento da gravidade de seu problema, sentiuse incapaz de honrar seus compromissos tendo em vista o elevado valor das multas aplicadas. Assim, requer a anulação das multas para que possa cumprir com as suas obrigações. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário integralmente em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício. Impugnação Improcedente Fl. 2830DF CARF MF Processo nº 10425.720212/201211 Acórdão n.º 2402007.061 S2C4T2 Fl. 2.831 3 Crédito Tributário Mantido Intimado dessa decisão aos 03/06/16 (fls. 2.798), o recorrente interpôs recurso voluntário a 01/07/16 (fls. 2.801/2.813) alegando, em síntese: não é possível concluir se as Prefeituras (fontes pagadoras) realizaram ou não a retenção do Imposto Sobre a Renda IRPF, o que afasta a responsabilidade do recorrente pelo pagamento do tributo; nos termos do art. 45, p. ún., do CTN, sendo a fonte pagadora dos rendimentos pessoa jurídica, por expressa determinação legal, substitui o contribuinte em relação recolhimento do tributo, cuja retenção está obrigada a fazer, caracterizandose como responsável tributário; conforme art. 128 do CTN, a fonte pagadora é entendida como terceira pessoa vinculada à hipótese de incidência do imposto de renda, a quem a lei atribui a responsabilidade de reter e recolher o tributo. Assim, o contribuinte não é o responsável exclusivo pelo imposto, podendo ter sua responsabilidade excluída (no regime de retenção exclusiva) ou ser chamado a responder supletivamente (no regime de retenção por antecipação); no caso em análise, como as Prefeituras Municipais do Estado da Paraíba se trata de fontes pagadoras sob regime de retenção exclusiva, são responsáveis tributárias pela retenção do IRPF do recorrente; desse modo, requer a inclusão de todas as fontes pagadoras como sujeitos passivos do auto de infração e a remessa dos autos à primeira instância administrativa para que esclareçam se houve retenção do IRPF sobre os pagamentos realizados ao recorrente ou, subsidiariamente, que o processo seja baixado em diligência para a realização de perícia a fim de verificar a natureza das retenções realizadas em cada um dos pagamentos relativos aos empenhos relacionados nos autos; por fim, sucessivamente, argumenta que apenas pode ser responsabilizado pelo principal, devendo as fontes pagadoras responderem pelos encargos de multa e juros, uma vez que as notas de empenho são omissas quanto à natureza das retenções realizadas e o recorrente, ao elaborar suas Declarações de Imposto de Renda, não pôde precisar de quais tributos se tratava referidas retenções. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 10425.720212/201211 Acórdão n.º 2402007.061 S2C4T2 Fl. 2.832 4 Contrapondo os fundamentos da decisão da DRJ, o recorrente, em seu recurso, procura elidir sua responsabilidade pelo não recolhimento do tributo ao argumento de que no presenta caso, os rendimentos que lhes foram pagos pelas Prefeituras dos Municípios do Estado da Paraíba pelos serviços prestados são tributados exclusivamente na fonte, de modo que a sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora. Assim, argumenta que como não sabe se realmente aqueles órgãos públicos procederam à devida retenção, não pode ser responsabilizado exclusivamente pelo recolhimento do tributo. Não tem razão o recorrente. Com efeito, dispõe o art. 628 do RIR/99: Art. 628. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, os rendimentos do trabalho nãoassalariado, pagos por pessoas jurídicas, inclusive por cooperativas e pessoas jurídicas de direito público, a pessoas físicas (Lei nº 7.713, de 1988, art.7º, inciso II)". (Destacamos) A respeito desse dispositivo, esclarece o Regulamento do Imposto de Renda RIR 2017 Anotado e Comentado o seguinte: 1 INCIDÊNCIA. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, calculado de acordo com a tabela progressiva mensal prevista no Art. 620 deste Regulamento, a título de antecipação do devido na Declaração de Ajuste Anual, os rendimentos do trabalho assalariado pagos por pessoa física ou jurídica e os demais rendimentos pagos por pessoa jurídica a pessoa física, tais como rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, proventos de aposentadoria, de reserva e de reforma e pensões civis e militares (Instrução Normativa RFB nº 1500/2014, art. 22, inciso I). 1 Assim, a retenção, no caso dos autos, em que, segundo consta das notas de empenho ora anexas, os pagamentos recebidos decorreram da prestação de serviços de assessoria, elaboração e acompanhamento de projetos, dáse sob a sistemática da antecipação do pagamento do tributo, na forma do dispositivo acima citado, e não exime o contribuinte de, ao final, levar o rendimento correspondente à apuração anual, conforme dispõem os arts. 2º e 85 do RIR/99, abaixo transcritos: Art. 2º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 43, e Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 4º). § 1º São também contribuintes as pessoas físicas que perceberem rendimentos de bens de que tenham a posse como se lhes 1 p. 1294. Fl. 2832DF CARF MF Processo nº 10425.720212/201211 Acórdão n.º 2402007.061 S2C4T2 Fl. 2.833 5 pertencessem, de acordo com a legislação em vigor (DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 45). § 2º O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85 (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 2º). (Destacamos) Art. 85. Sem prejuízo do disposto no § 2º do art. 2º, a pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário. (Lei nº 9.250, de 1995, art. 7º). Assim, está correta a decisão recorrida, uma vez que mesmo a alegada falta de entrega do comprovante de rendimentos pelas fontes pagadoras não exime o beneficiário dos rendimentos, como contribuinte direto, conforme definição de contribuinte e responsável dada pelo artigo 121 do CTN, de oferecer à tributação em sua declaração de rendimentos anual o total dos rendimentos recebidos, independentemente de informação da fonte pagadora, sendo sua a responsabilidade pelas informações declaradas. Ademais, é entendimento pacíficio da Câmara Superior de Recursos Fiscais que os rendimentos se sujeitam ao desconto do imposto de renda na fonte a título de antecipação do devido na declaração de rendimentos, sendo, por outro lado, obrigação legal do beneficiário declarar o rendimento auferido e pagar o imposto se assim restar apurado na declaração anual de ajuste, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Nesse sentido, é o enunciado nº 2 da súmula da jurisprudência deste tribunal administrativo, de teor vinculante: Enunciado nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Assim, apurada a infração, os valores apurados em procedimento fiscal deverão ser submetidos à devida tributação com aplicação de multa de ofício, conforme o que estabelece o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Sobre o pedido do recorrente no sentido de que o processo seja baixado em diligência para a realização de perícia a fim de se verificar a natureza das retenções realizadas pelas fontes pagadores, não há previsão legal para a realização desse tipo de procedimento nesta faser do processo administrativo fiscal, especialmente neste caso, em que ele próprio admitiu, em sua impugnação, que declarou no imposto de renda das empresas que haviam lhe enviado os comprovantes, não tendo o feito em relação às demais "por uma falta de controle" (fls. 2774). Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 10425.720212/201211 Acórdão n.º 2402007.061 S2C4T2 Fl. 2.834 6 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 2834DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.729447/2014-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 28/01/2010, 25/02/2010, 30/03/2010, 29/04/2010, 28/05/2010, 30/06/2010, 29/07/2010, 30/07/2010, 10/08/2010, 30/08/2010, 30/09/2010, 28/10/2010, 29/11/2010, 27/12/2010
REMESSA DE JUROS AO EXTERIOR.
O Contribuinte comprovou que o crédito tomado no exterior se destinou ao pré-pagamento de exportação. Restou preenchido o requisito para a fruição do incentivo Fiscal de redução da alíquota zero do IRRF, não sendo cabível a exigência do imposto sobre a remessa de juros ao exterior, nos termos da legislação vigente.
Numero da decisão: 2301-005.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e João Maurício Vital; no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles (Relator), Reginaldo Paixão Emos e João Maurício Vital. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto.
(Assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
(Assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e João Maurício Vital; no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles (Relator), Reginaldo Paixão Emos e João Maurício Vital. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. (Assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator. (Assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 28/01/2010, 25/02/2010, 30/03/2010, 29/04/2010, 28/05/2010, 30/06/2010, 29/07/2010, 30/07/2010, 10/08/2010, 30/08/2010, 30/09/2010, 28/10/2010, 29/11/2010, 27/12/2010 REMESSA DE JUROS AO EXTERIOR. O Contribuinte comprovou que o crédito tomado no exterior se destinou ao pré pagamento de exportação. Restou preenchido o requisito para a fruição do incentivo Fiscal de redução da alíquota zero do IRRF, não sendo cabível a exigência do imposto sobre a remessa de juros ao exterior, nos termos da legislação vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar, vencidos os conselheiros Wesley Rocha e João Maurício Vital; no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles (Relator), Reginaldo Paixão Emos e João Maurício Vital. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. (Assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. (Assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 94 47 /2 01 4- 98 Fl. 1128DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente). Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 932/982) interposto em face do Acórdão nº 0133.010 (efls 896/924) prolatado pela 1ª Turma da DRJ Belém, em sessão de julgamento realizada em 08 de junho de 2016 ao julgar improcedente a impugnação (efls 791/834) oferecida em face do autodeinfração lavrado pela Fiscalização (efls 666/670), em decorrência das constatações descritas no Termo de Verificação Fiscal (efls 672/689). 2. Por bem propiciar a compreensão do litígio devolvido a este Colegiado, faz se a transcrição de parte do relatório contido na decisão recorrida: I – DO LANÇAMENTO Tratase de auto de infração de IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF, referente aos fato geradores 28/01/2010, 25/02/2010, 30/03/2010, 29/04/2010, 28/05/2010, 30/06/2010, 29/07/2010, 30/07/2010, 10/08/2010, 30/08/2010, 30/09/2010, 28/10/2010, 29/11/2010, 30/11/2010, 27/12/2010, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 01.2015. TRIBUTO IMPOSTO R$ JUROS DE MORA R$ MULTA – R$ TOTAL – R$ IRRF 17.156.94.949,74 7.413.058,40 12.867.712,32 37.437.720,46 TOTAL 37.437.720,46 A impugnante tomou ciência do Auto de Infração em 22/01/2015 (fl. 689). II– DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR – IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Este Auto de Infração se refere a lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre remessas ao exterior a título de juros decorrentes de contrato de mútuo entre a empresa autuada e a empresa coligada no exterior Anglo American Capital PLC, com fundamento no art. 9°, da Lei 9.779/1999 e parágrafo 12 do art. 691, do RIR/99, sobre as quais (remessas) aplicamos alíquota de 25%, nos termos da legislação citada. A empresa no período compreendido entre janeiro e dezembro de 2010 remeteu um total de R$ 51.470.849,23 (cinqüenta e um milhões, quatrocentos e setenta mil, oitocentos e quarenta e nove reais e vinte e três centavos) sob a denominação contábil de "REND.CAPJUROS PAGTO ANTECIP S/EXPORTACAO", ou seja, juros decorrentes de empréstimo para pagamento antecipado de exportação. (grifamos) ........................................................................................................... Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.129 3 DO LANÇAMENTO NO TERMO DE VERIFICAÇÃO Este Auto de Infração se refere a lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre remessas ao exterior a título de juros decorrentes de contrato de mútuo entre a empresa autuada e a empresa coligada no exterior Anglo American Capital PLC, com fundamento no art. 9°, da Lei 9.779/1999 e parágrafo 12 do art. 691, do RIR/99, sobre as quais (remessas) aplicamos alíquota de 25%, nos termos da legislação citada. A empresa no período compreendido entre janeiro e dezembro de 2010 remeteu um total de R$ 51.470.849,23 (cinquenta e um milhões, quatrocentos e setenta mil, oitocentos e quarenta e nove reais e vinte e três centavos) sob a denominação contábil de "REND.CAPJUROS PAGTO ANTECIP S/EXPORTACAO", ou seja, juros decorrentes de empréstimo para pagamento antecipado de exportação. 38 Tais remessas foram tributadas a alíquota zero sob o argumento contido no artigo 691, XI, do Regulamento de Imposto de Renda, confira: Art. 691. A alíquota do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no Pais, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses (Lei n 0 9.481, de 1997, art. 1 0, e Lei n 0 9.532, de 1997, art. 20): XI juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações. 39 Entretanto, conforme narrado no item 31, a empresa estava em processo de expansão de suas atividades no Brasil com a construção da planta industrial de Barro AltoGO. Assim, os recursos necessários para o desenvolvimento da obra de construção foram obtidos junto à empresa coligada Anglo American Capital PLC, sediada na Inglaterra e junto ao BNDES no Brasil. 40 A Anglo American Niquel Brasil celebrou 2 (dois) contratos de empréstimo com a empresa coligada inglesa Anglo American Capital PLC, nos seguintes montantes: Data Valor em U$ Valor em R$ 09/04/2008 1.400.000.000 2.361.800.000 30/12/2009 560.000.000 974.624.000 Nas considerações iniciais do contrato, em que as partes mencionam os limites do contrato, foi informado que a ora Autuada "se comprometeu a exportar bens a certo(s) importadorfes) estrangeiro(s), e que prevêse que tais exportações aumentarão após o início de operações de certos projetos atualmente em construção". Na cláusula número 2 do contrato em questão, mais especificamente no "Objetivo" do contrato, existe a menção de que "Todos os patrocínios nos termos da Opção serão usados somente para financiar as atividades de exportação da Mutuária no decorrer normal de seus negócios, reconhecidos como sendo a exportação de Ferroníquel e Ferronióbio". (destaques nossos) Fl. 1130DF CARF MF 4 Ocorre que os créditos obtidos no exterior não tiveram o propósito de financiar exportações, conforme será demonstrado abaixo. A própria empresa confessa que os valores do empréstimo foram destinados exclusivamente à construção da planta industrial, conforme descrito no item 31, confira: As disponibilidades necessárias à viabilização da construção e operacionalizacão da planta de produção em Barro Alto, envolveu investimentos vultuosos que ultrapassam a ordem dos bilhões de reais. Além do financiamento obtido junto ao BNDES em 2008, foram obtidos recursos através de contratos de empréstimos obtidos no exterior (modalidade financiamento à exportação, uma vez que o minério Notese que há uma diferença patente entre financiar a exportação de um produto e financiar a construção de uma planta industrial. O 'financiamento à exportação' a que se refere a norma que traz o benefício de alíquota zero pode ser entendido como um financiamento ao exportador brasileiro na fase préembarque, em que os recursos são obtidos por meio de captação em instituições financeiras no exterior e que tem a finalidade de viabilizar a produção dos bens destinados à exportação, e não para construção de uma planta industrial para a extração de minério, cuja produção pode ou não necessariamente ser exportada. Importante frisar que numa operação envolvendo quantia superior a casa de um bilhão de reais, cabe à empresa se cercar do mínimo de documentação necessária para a comprovação e utilização do beneficio fiscal, mas ao contrário, conforme se verifica durante todo o processo fiscalizatório, o único argumento da empresa, em suma, seria de que os valores do empréstimo foram utilizados para a construção da planta e que esta planta iria por sua vez produzir minérios, para posterior exportação. Ora, seguindo esta linha de raciocínio, a maioria das empresas brasileiras com possibilidade de crédito no exterior se serviria de empréstimos para construir, modernizar sua planta industrial e/ou processo produtivo caso não haja obrigatoriedade de se vincular à obtenção do empréstimo com a aquisição de matéria prima e, anos depois, se preocuparia em efetuar alguma operação de exportação para, de certa forma, cumprir com os requisitos do artigo 691, XI, do RIR. Isso não nos parece que seja o real desígnio da norma! Muito embora este mercado movimente cifras elevadas, o valor do empréstimo é muito alto para se tratar apenas de um financiamento para exportação, principalmente de uma empresa ainda em fase préoperacional na época dos fatos, restando claro se tratar de empréstimo para financiamento de sua construção, e não vinculado à exportação. Ad argumentandum tantum, ainda que se considerasse um financiamento para exportação, a legislação obriga ao contribuinte beneficiado a cumprir certas exigências para usufruir do beneficio, senão vejamos: A redução à zero da alíquota do IRRF, na hipótese de pagamento de juros a não residentes no país, decorrente de crédito obtido no intuito de financiar a exportação, também está previsto no art. 1o, XI, da Lei n" 9.481/97: Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.130 5 Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: XI juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações: Parágrafo único. Nos casos dos incisos II, III, IV, VIII, X, XI e XII do caput deste artigo, deverão ser observadas as condições, as formas e os prazos estabelecidos pelo Poder Executivo. 52 Como podemos perceber, o parágrafo único do dispositivo supracitado faz referência a ato do Poder Executivo, que por sua vez delega ao Ministério da Fazenda conforme o já mencionado parágrafo 1o do art. 691 do Regulamento do Imposto de Renda. Art. 691. A alíquota do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: XI juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações. § 1" Nos casos dos incisos II, III, IV, VIII, X e XI, deverão ser observadas as condições, formas e prazos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. 53 O Ministério da Fazenda, por sua vez, publicou a Portaria MF n° 70/97, em que enumera as condições para aplicação da alíquota zero do IRRF nas remessas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, que seria efetuada mediante confronto dos pertinentes saldos contábeis globais diários, observadas normas específicas expedidas pelo Banco Central do Brasil, confira: Art. 1º Para efeito do beneficio da alíquota zero do imposto de renda incidente nas remessas para beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, nas hipóteses dos incisos II, III, TV, VIII, X e XI do art. Io da Medida Provisória n" 1.563, de 1996, devem ser atendidos os seguintes requisitos: V nos pagamentos de juros de desconto, no exterior, de cambiais de exportação e as comissões de banqueiros inerentes a essas cambiais, bem assim de juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações: tenham sido os recursos, comprovadamente, aplicados no financiamento de exportações brasileiras. § 2o A comprovação a que se refere o inciso V, pelo banco autorizado a operar em câmbio, será efetuada mediante confronto dos pertinentes saldos contábeis globais diários, observadas normas específicas, expedidas pelo Banco Central do Brasil. 54 O Banco Central do Brasil, por sua vez, editou a Circular 2.751, em que dispõe em seu artigo 1o que: Fl. 1132DF CARF MF 6 Art. 1º Para efeito de comprovação da aplicação de créditos obtidos no exterior no financiamento de exportações brasileiras, de modo a fazer jus à redução a zero da alíquota do imposto de renda na fonte prevista no art. 1º da Medida Provisória n" 1.563, de 31.12.96, os bancos autorizados a operar em câmbio devem utilizar o formulário de modelo anexo, no qual serão registrados os saldos diários em moedas estrangeiras, expressos por sua equivalência global em dólares dos Estados Unidos, apresentados nas seguintes contas: A legislação acima ainda dispõe de um anexo (modelo de planilha) em que o Contribuinte deve se utilizar para controle, com as contas definidas que devem ser preenchidas para a demonstração dos saldos diários, que autoriza a aplicação da alíquota zero neste tipo de operação. Ou seja, ainda que consideremos a operação como financiamento para exportação, embora já negado pela própria Autuada no decorrer da fiscalização, resta claro que existe toda uma estrutura legislativa que o contribuinte deve cumprir para usufruir do benefício. Entretanto, embora amplamente debatido e solicitado no decorrer da fiscalização, não foi apresentada nenhuma documentação, sendo que, de qualquer lado que se analise, resta evidente o intuito real do empréstimo: a construção de nova planta industrial em Barro Alto. 57 Nesse sentido, efetuamos o lançamento com base no art. 9o da lei 9.779/1999, e do parágrafo 12, do artigo 691, do RIR/99, transcrito abaixo: RIR/99, art. 691, § 12. Os juros e comissões correspondentes à parcela dos créditos de que trata o inciso XI deste artigo, não aplicada no financiamento de exportações, sujeitase à incidência do imposto na fonte à alíquota de vinte e cinco por cento (Lei n" 9.779, de 1999, art. 9o) (gn) 58 Assim, para o cálculo do valor do imposto a ser lançado, utilizamos as remessas a título de pagamento de juros para financiamento de exportação, extraídas a partir da planilha de remessas ao exterior fornecida pela empresa, efetuamos o reajustamento da base de cálculo do IRRF, conforme artigo 725 do RIR/99, transcrito abaixo, e aplicamos a alíquota de 25% nos termos do art. 9o, da Lei 9.779/1999, e do parágrafo 12 do art. 691, do RIR/99: Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada liquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único. A Base de Cálculo reajustada foi calculada da seguinte forma: Base de Cálculo = Valor líquido / 0,75. Anexamos ao auto de infração a planilha "Remessas para o Exterior" que apresenta o cálculo do tributo aqui lançado. III DA IMPUGNAÇÃO 3 Em 23/02/2015 (segundafeira), a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fl. 791/834), e alega em síntese: Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.131 7 Inicialmente a Impugnante informa que os recursos obtidos no exterior foi com o objetivo de Financiar a construção da segunda planta no Município de Barro Alto GO a fim de viabilizar o incremento na produção e por conseguinte o aumento da exportações: A planta da Impugnante em Niquelândia já operava no máximo de sua capacidade produtiva, não tendo capacidade de atender satisfatoriamente o mercado internacional. Nesse contexto, a Impugnante iniciou, no ano de 2007, a construção de uma segunda planta, dessa vez no município de Barro Alto (também em Goiás), cuja produção seria destinada primariamente ao mercado internacional. Tendo em vista o elevado custo envolvido na construção da referida planta, a Impugnante procurou obter recursos oriundos do exterior, a fim de viabilizar as exportações que se pretendia efetuar por meio da planta de Barro Alto. Nesse contexto, a Impugnante obteve os recursos necessários por meio da celebração, nos anos de 2008 e 2009, de contrato de financiamento de exportação ("Contrato") junto a Anglo American Capital plc. ("Anglo Capital"), empresa do Grupo Anglo sediada na Inglaterra. A operação de financiamento de exportação tinha por objetivo o recebimento antecipado de valores de exportação da liga de ferroníquel, tendo sido celebrado na modalidade comumente denominada "prépagamento de exportação" ou "recebimento antecipado de exportação" ("PPE/RAE"). Como se verá com maiores detalhes nos tópicos subseqüentes, o Banco Central do Brasil ("BACEN") determina que os recursos estrangeiros ingressados no País, incluindo aqueles com natureza de PPE/RAE, sejam registrados no Sistema de Informações Banco Central ("Sisbacen") sob um número de Registro de Operações Financeiras ("ROF"). (...). Como se vê, portanto, os recursos obtidos por meio do PPE/RAE junto à Anglo Capital foram efetivamente utilizados na finalidade à que se destinavam: capacitação da Requerente para exportar. Prosseguindo a Impugnante, mostra as alternativas de financiamento à exportação (quadro abaixo): (retirei o quadro efls 799 que estava reproduzido no relatório) E informa as formas usuais de PPE/RAE: Operação efetuada diretamente entre o exportador e o importador: O importador antecipa ao exportador brasileiro os recursos financeiros que correspondem ao pagamento pelos bens exportados, sendo o principal da correspondente dívida quitado por meio da efetivação da exportação. Os juros podem ser quitados em numerário ou por meio da entrega de mercadorias. Os valores entregues pelo exportador correspondem a um adiantamento do pagamento devido pela exportação futura; (ii) Operação efetuada com a participação de terceiro financiador: O exportador brasileiro recebe de um financiador recursos que serão utilizados para financiar a exportação. Referidos bens são então exportados para um terceiro (i.e., o importador), que salda o principal da dívida do exportador junto ao financiador. Os juros são usualmente quitados pelo exportador Fl. 1134DF CARF MF 8 brasileiro, por meio de remessas financeiras. Esta é a forma adotada pela Impugnante e sua financiadora Anglo Capital. Independentemente da forma de PPE/RAE escolhida, cabe mencionar que a taxa de juros aplicável ao saldo devedor, bem como o seu período de incidência, podem ser livremente pactuados entre os interessados, desde que observadas condições de mercado. Como essa modalidade está garantida por exportações, a tendência é de que os juros acordados sejam inferiores aos de outras alternativas do mercado, de modo que se viabilize à pessoa jurídica brasileira, na qualidade de exportadora, a redução dos custos da transação, maximizando sua competitividade no mercado externo. Por fim, é de se observar que a legislação cambial trata as operações de PPE/RAE de forma distinta, dependendo do prazo da operação. Atualmente, a regulamentação aplicável aos PPE/RAE com prazo de até 360 dias se encontra na Circular BACEN n. 3.691/2013. Já a regulamentação aplicável às operações com prazo superior a 360 dias pode ser encontrada na Resolução BACEN n° 3.844/2010 e na Circular BACEN n° 3.689/2013. No contexto histórico, a Impugnante descreveu a evolução da legislação que trata do assunto, na qual verificase a intenção do governo Brasileiro, de estimular as exportações o que fica demonstrado na exposição de motivos da MP 1.563. (...) Ainda que corretas tanto conceituaL quanto tecnicamente, sob o ponto de vista estritamente tributário, algumas das revogações de isenções propostas parecem exigir maior cautela e mesmo reavaliações, levandose em conta preocupações de natureza mais ampla com o enorme esforço que vem empreendendo o Governo no que diz respeito à redução do chamado custo Brasil em geral e, em particular, com a firmeza de propósitos do Governo no estímulo à atividade exportadora e às captações de recursos externos de médio e longo prazos e a custos mais reduzidos. 8. Portanto, à luz destas considerações e com o objetivo principal de permitir o aprofundamento do debate sobre o tema ao longo de 1997, submeto (...) o incluso Projeto de Medida Provisória (...). Que após analisar a legislação pertinente ( Inciso V, parágrafo 2º, do art. 1º da Portaria 70/97, art. 9° da Lei nº 9.779, e conclui: .............. a legislação aplicável à matéria dispõe apenas e tão somente que as remessas de juros remetidos ao exterior no contexto de operações de financiamento de exportações estão sujeitos à alíquota zero, bastando apenas que os recursos obtidos tenham sido usados para financiar exportações. A legislação fiscal não traz, no entanto, qualquer determinação no que diz respeito à forma de aplicação de tais recursos. Nesse sentido, os recursos obtidos do exterior podem ser aplicados na forma em que o exportador desejar (compra de matérias primas, aquisição de máquinas, contratação de mão de obra, etc), desde o objetivo do financiamento seja alcançado: a aplicação dos recursos deve ser feita de forma a viabilizar a exportação pretendida. Notese ainda que tal exportação sequer precisa ser necessariamente destinada ao financiador. Tanto é assim que o parágrafo 2o do art. 1o da Portaria MF 70/97 norma utilizada pela Fiscalização para embasar a autuação dispõe claramente que a comprovação da aplicação dos recursos deve ser efetuada pelo banco autorizado a operar em câmbio mediante confronto dos pertinentes saldos contábeis globais diários, sem a Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.132 9 necessidade de qualquer verificação da destinação dada aos recursos recebidos. (grifos originais). Após analises das normas editadas pelo Bacen informa, a a exemplo da legislação fiscal, as normas editadas pelo BACEN jamais determinaram a forma de aplicação dos recursos obtidos do exterior no contexto de operações de financiamento de exportação. Ao contrário, referidas normas dão ampla liberdade na utilização desses recursos, permitindo, inclusive, que a exportação seja feita por entidade distinta do tomador do crédito ............................................................................................................. Em síntese, para que os juros pagos no contexto de operações de financiamento de exportação se sujeitem à alíquota zero de IRRF, basta que o contribuinte observe dois requisitos: (i) utilize os valores obtidos de forma a fomentar suas exportações e (ii) efetue exportações. ............................................................................................................. No caso em tela, a Impugnante observou ambos os requisitos: construiu uma planta cuja produção é destinada a clientes no exterior, o que levou a um significativo incremento de suas operações de exportação. Nesse sentido, é de se ressaltar novamente que a produção da planta de Barro Alto construída com utilização dos recursos obtidos no âmbito do PPE/RAE contratado é quase que integralmente destinada à exportação, enquanto a produção de Niquelândia é primariamente destinada ao mercado interno. ............................................................................................................. O exposto pode ser demonstrado nos quadros abaixo, que demonstram a receita auferida pelas duas plantas nos anos de 2012 a 2014: Fl. 1136DF CARF MF 10 Os dados apresentados só vêm a confirmar o quanto já alegado pela Impugnante, no sentido de que a construção da planta industrial está diretamente relacionada ao incremento dos resultados da Impugnante relativos às operações de exportação. ............................................................................................................................ A Impugnante não poderia deixar de apontar que, como exposto anteriormente, a Lei 4.595/64 atribuiu ao BACEN competência privativa para, entre outras funções, disciplinar e controlar a entrada e saída de capital estrangeiro do país. Mais ainda, como se viu, é cediço que o BACEN não está autorizado a remeter os valores para o exterior sem a comprovação do recolhimento do imposto incidente na operação, no caso, o IRRF (nos termos do artigo 880 do RIR/99). Com isso, não há outra conclusão senão a de que o BACEN é o órgão competente para reconhecer a natureza da operação de financiamento externo para exportação. Em outras palavras, apenas o BACEN poderia descaracterizar a operação em questão, hipótese em que a Impugnante não poderia ter remetido os juros senão pela comprovação do recolhimento do IRRF à alíquota de 25%, nos termos do parágrafo 12 do artigo 691 do RIR/99. Nesse compasso, a tributação não foi aplicada às remessas promovidas pela Impugnante porque a transação preenchia os elementos da norma tributária que favorece a operação realizada. Tanto é assim que o próprio BACEN28 e o Banco Itaú BBA S/A ("Itaú")29, expressamente reconheceram que as operações questionadas são de PPE/RAE e que, portanto, não estariam sujeitas a retenção de IRRF, conforme se aduz da análise dos ROFs e contratos de câmbio juntados a estes autos no curso da Fiscalização. ...................................................................................................................... Ora, tendo o BACEN chancelado o enquadramento das operações em questão no conceito de PPE/RAE, não cabe à autoridade fiscal a desconstituição de tal classificação. ........................................................................................................... Ademais, fundamenta a Impugnante, que não houve descumprimento de obrigação acessória: Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.133 11 O Banco Central do Brasil, por sua vez, editou a Circular 2.751, em que dispõe em seu artigo 1 ° que: "Art. 1o Para efeito de comprovação da aplicação de créditos obtidos no exterior no financiamento de exportações brasileiras, de modo a fazer jus à redução a zero da alíquota do imposto de renda na fonte prevista no art. 1° da Medida Provisória n° 1.563, de 31.12.96, os bancos autorizados a operar em câmbio devem utilizar o formulário de modelo anexo, no qual serão registrados os saldos diários em moedas estrangeiras, expressos por sua equivalência global em dólares dos Estados Unidos, apresentados nas seguintes contas:" Ocorre que, conforme pormenorizadamente demonstrado em tópico anterior, não existe na legislação a determinação de um procedimento formal de comprovação aplicável ao contribuinte, sendo a norma acima destinada aos bancos que operam no mercado de câmbio (vide trecho grifado). Mais uma vez, portanto, contrariando as normas e os princípios que norteiam a seara tributária, a Autoridade Fiscal sustenta o lançamento com base em assertivas equivocadas desprovidas de qualquer fundamento jurídico. Dessarte, o Auto de Infração que deu origem à presente demanda deverá ser considerado improcedente também em relação a este ponto. Alternativamente a Impugnante informa ser improcedente a cobrança a exigência de juros sobre a multa de ofício: não há como pretender a incidência de juros sobre a multa de ofício, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Fora dessa hipótese, qualquer incidência de juros se mostra abusiva e arbitrária, por ausência de seu pressuposto de fato reposição do numerário que deveria ter ingressado nos cofres públicos, mas não ingressou pela falta do contribuinte. Justamente por essa razão é que não há previsão legal para a incidência de juros sobre multa. O § 3o do artigo 61 da Lei n. 9.430/96 determina que "sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o do artigo 5°, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento" CONCLUSÕES 143. Com base em todo o exposto, concluise que a presente autuação não merece prosperar, pelos seguintes motivos: A Impugnante cumpriu integralmente os requisitos legais que permitem a aplicação da alíquota zero de IRRF pleiteada, quais sejam: aplicou os recursos recebidos de forma a viabilizar exportações e efetivamente efetuou exportações; Fl. 1138DF CARF MF 12 A conceituação dada pelo Sr. Agente Fiscal ao termo "financiamento à exportação" é altamente subjetiva e não tem qualquer base legal, jurisprudencial ou doutrinária, motivo pelo qual não poderá prevalecer; O BACEN é o órgão competente para reconhecer se uma dada operação se enquadra no conceito de PPE/RAE. Tendo o BACEN reconhecido que determinada operação se enquadra em tal conceito como ocorreu no caso em tela não cabe à autoridade fiscal questionar tal classificação. As obrigações acessórias que, no entendimento fiscal, teriam sido descumpridas pela Impugnante são, na realidade, destinadas aos bancos responsáveis pelos contratos de câmbio firmados no âmbito das operações de financiamento à exportação. Nesse contexto, não pode ser o Impugnante acusado de não cumprir norma que sequer é destinada a ele. V PEDIDOS Por todas as razões de fato e de direito acima demonstradas, a Impugnante requer que dignemse V.Sas, a julgar integralmente improcedente o Auto de Infração em tela, a fim de que sejam desconstituídas as exigências formuladas a título de IRRF em razão das remessas para pagamento de juros decorrentes de obtenção de crédito externo para exportação no período autuado. Subsidiariamente, caso não seja acolhido o pedido de cancelamento da autuação o que se admite a mero título argumentativo requer a Impugnante que seja afastada a incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. Para fundamentar seus argumentos a Impugnante mencionou alguns Julgados administrativos. (fim da transcrição do relatório inserto no Acórdão ) 2.1. Ao julgar improcedente a impugnação, o acórdão recorrido tem a seguinte ementa: REMESSA DE JUROS AO EXTERIOR. O Contribuinte deixou de comprovar que o crédito tomado no exterior destinouse ao prépagamento de exportação. Restou não preenchido o requisito para a fruição do incentivo Fiscal de redução da alíquota zero do IRRF, sendo cabível a exigência do imposto sobre a remessa de juros ao exterior, nos termos da legislação vigente. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PRECLUSÃO PROBATÓRIA. O prazo para apresentação da impugnação é de trinta dias contados da ciência do lançamento. A apresentação extemporânea de novos argumentos e/ou provas por parte do sujeito passivo deve estar fundamentada na força maior ou na superveniência de fato ou direito. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.134 13 3. Interposto o recurso voluntário (efls 932/933), apresenta nas razões a argumentação subdividida como se segue: I OS FATOS efls 935 1.1. Síntese da demanda efls 935/938 1.2. Descrição do Auto de Infração e da decisão da DRJ efls 938/942 IIO DIREITO efls 942 II. 1. Preliminarmente Nulidade de r. decisão recorrida em razão de vício material efls 942/944 11.2.Preliminarmente Nulidade de r. decisão recorrida em razão da alteração do critério jurídico do lançamento em desrespeito ao art. 146 do CTN efls 945/948 11.3. Comentários introdutórios operações de financiamento à exportação: o PPE/RAE efls 948/951 11.4. Contexto histórico e legislação aplicável efls 951/ a) Contexto histórico da criação das normas aplicáveis ao financiamento à exportação efls 951/952 b) Legislação Fiscal Tratamento fiscal do financiamento à exportação efls 952/957 c) Legislação BACEN Regras aplicáveis ao financiamento à exportação efls 957/960 11.5. Comentários aplicáveis ao caso concreto efls 960 a) Cumprimento dos requisitos para a aplicação da alíquota zero de IRRF nas remessas de juros realizadas pela Recorrente efls 960/967 b) Subjetividade da interpretação adotada pelo Sr. Agente Fiscal e DRJ Ausência de base legal efls 967/969 c) Competência privativa do BACEN para reconhecer se o contrato adere às normas aplicáveis ao PPE/RAE. efls 969/973 d) Inexistência de descumprimento de obrigação acessória efls 974/ 11.6. Impossibilidade de preclusão probatória efls 975/977 11.7. A ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa efls 977//979 III AS CONCLUSÕES efls 979 IVO PEDIDO efls. 980. 3.1. Afigurase útil transcrever o inteiro teor do tópico conclusivo da peça recursal: (i) A r. decisão recorrida está em flagrante descompasso com o §1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, o qual determina que os atos administrativos devem sem explícitos, claros e congruentes. A existência de vícios materiais (utilização de legislação revogada e erro no somatório do valor dos empréstimos) é elemento suficiente para determinar sua nulidade; Fl. 1140DF CARF MF 14 (ii) A r. decisão recorrida alterou o critério jurídico do lançamento ao fundamentar seu voto na ausência de documentos que comprovassem a entrada de recursos no país, fato este que é incontroverso nesses autos, devendo, por esse motivo, sem considerada nula; (iii) A Recorrente cumpriu integralmente os requisitos legais que permitem a aplicação da alíquota zero de IRRF pleiteada, quais sejam: (i) aplicou os recursos recebidos de forma a viabilizar exportações e (ii) efetivamente efetuou exportações; (iv) A conceituação dada pelo Sr. Agente Fiscal e pela DRJ ao termo "financiamento à exportação" é altamente subjetiva e não tem qualquer base legal, jurisprudencial ou doutrinária, motivo pelo qual não poderá prevalecer; (v) O BACEN é o órgão competente para reconhecer se uma dada operação se enquadra no conceito de PPE/RAE. Tendo o BACEN reconhecido que determinada operação se enquadra em tal conceito como ocorreu no caso em tela não cabe à Autoridade Fiscal questionar tal classificação. Se for PPE/ERA, a lei tributária diz que o IRRF é 0%; (vi) As obrigações acessórias que, no entendimento fiscal, teriam sido descumpridas pela Recorrente são, na realidade, destinadas aos bancos responsáveis pelos contratos de câmbio firmados no âmbito das operações de financiamento à exportação, não cabendo a transferência de responsabilidade. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 4. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. PPRREELLIIMMIINNAARR DDAA NNUULLIIDDAADDEE DDAA DDEECCIISSÃÃOO RREECCOORRRRIIDDAA EEMM RRAAZZÃÃOO DDEE VVÍÍCCIIOO MMAATTEERRIIAALL DDAA NNUULLIIDDAADDEE DDAA DDEECCIISSÃÃOO RREECCOORRRRIIDDAA EEMM RRAAZZÃÃOO DDAA AALLTTEERRAAÇÇÃÃOO DDOO CCRRIITTÉÉRRIIOO JJUURRÍÍDDIICCOO DDOO LLAANNÇÇAAMMEENNTTOO EEMM DDEESSRREESSPPEEIITTOO AAOO AARRTT.. 114466 DDOO CCTTNN 5. A recorrente sustenta que a existência de vícios materiais na decisão de primeira instância, como a utilização de legislação revogada (menção à Carta Circular nº 2.624 e nº 1979) e um pretenso "erro" em somatório (efls 918). No entendimento da Recorrente, em vista de tais vícios, a motivação da decisão de primeira instância não se mostra congruente. 5.1. Não lhe assiste razão. 5.2. No primeiro caso, a menção a atos normativos revogados expedidos pelo Banco Central, foi feita em argumentação subsídiária, vinculada ao tópico que está disposto no item 50 do TVF: Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.135 15 Ad argumentandum tantum, ainda que se considerasse um financiamento para exportação, a legislação obriga ao contribuinte beneficiado a cumprir certas exigências para usufruir do beneficio, senão vejamos: 5.3. E, consoante se verifica nos autos, a razão principal e que fundamenta a decisão de piso não diz respeito à necessidade de cumprir exigências de atos revogados; mas de adotar as cautelas necessárias para a comprovação da destinação dos empréstimos, qual seja, ao prépagamento de exportações. 5.4. Passemos a tratar do segundo caso, referente à magnitude de montante referido às efls. 918. Vejamos a visão de parte deste documento. 5.5. Não há dúvida sobre o equívoco. Porém, o lapso pontual verificado nesta parte da motivação não se mostrou determinante para a solução do litígio em primeira instância, e em nosso entendimento, nenhum prejuízo traz ao Recorrente. 5.6. Também não assiste razão à Recorrente, ao centrar a alegação mudança de critério em citação feita pela decisão de primeira instância, concernente à falta de apresentação de contratos de mútuo. 5.7. Cabe, aqui, também, trazer a visão parcial (efls 918) da decisão de primeira instância. Fl. 1142DF CARF MF 16 5.8. Sobre o fato questionado pela Recorrente em sede preliminar, a mera leitura do trecho acima reproduzido, indica que já constava no Termo de Verificação Fiscal, e foi apenas citado na motivação da decisão de primeira instância, sem se revestir, por si só, como fundamento principal de decidir. 5.9. Diante das considerações acima delineadas, podese antever que a fundamentação da decisão de primeira instância está alicerçada no conjunto probatório anexado aos autos e que se revelou suficiente para a formação da convicção. 5.10. Acrescentese, ainda, que não se verifica nos presentes autos, nenhuma das situações previstas no artigo 59 do Decreto 70.235/1972. 5.11. Rejeitamse, portanto, as questões preliminares suscitadas em sede recursal. MMÉÉRRIITTOO 6. Consta nos autos fato incontroverso: a aplicação dos recursos avindos dos contratos de financiamento (os referidos no item 40 do TVF). para expansão da planta produtiva da mina de níquel de Barro Alto (GO). Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.136 17 6.1. É útil trazer a visão parcial do documento de efls 684: (efls 684) 6.2. Vejase que o item 45 do Termo de Verificação Fiscal delimita muito bem a questão que ora se coloca à apreciação do Colegiado: 45. Notese que há uma diferença patente entre financiar a exportação de um produto e financiar a construção de uma planta industrial. 6.3. O exame acurado da situação fática e do conjunto probatório dos autos, demonstra a higidez do procedimento fiscal, ao descaracterizar o direito à fruição do benefício da alíquota zero, uma vez que os recursos do financiamento lastreado nos contratos de empréstimos celebrados com a Anglo American PLC foram empregados em finalidade diversa à apontada pela legislação: financiamento de exportações (artigo 1º, inciso XI da Lei nº 9.481/1997). 7. Não havendo dúvida com respeito ao aspecto fático subjacente e diante da coincidência de argumentos entre as razões recursais e as constantes na impugnação, valendo nos da prerrogativa conferida pelo artigo 57, § 3º do Regimento Interno do CARF, por concordar com o teor da fundamentação, fazse a transcrição de parte do voto contido na decisão de primeira instância, que ora adoto como razões de decidir. (início da transcrição do voto inserto no acórdão nº 0133.010) II – DO MÉRITO 1 – Da matéria de fato (...) Fl. 1144DF CARF MF 18 A Fiscalização considerou que o mútuo entre a empresa autuada e a empresa coligada no exterior Anglo América Capital PLC não foi utilizado para financiamento de exportação, pelo que a remessa ao credor estrangeiro, dos juros decorrentes do citado mútuo, passou a não mais se enquadrar na hipótese prevista para a fruição do beneficio da alíquota “zero” do IRRF, concedido pela Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997: “Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (...) XI juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações. Parágrafo único. Nos casos dos incisos II, III, IV, VIII, X e XI, deverão ser observadas as condições, formas e prazos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda.”(negritouse) [caput com a redação dada pelo art. 20 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997] Assim, tendo sido descaracterizado o benefício fiscal, a exigência se fundamentou na existência de crédito de juros em favor de credor estrangeiro, decorrente de contrato de mútuo, crédito este sujeito à incidência do IRRF, nos termos do artigo 725 do RIR/99, transcrito abaixo, e aplicamos a alíquota de 25% nos termos do art. 9o, da Lei 9.779/1999, e do parágrafo 12 do art. 691, do RIR/99. Art. 691. A alíquota do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses (Lei nº 9.481, de 1997, art. 1º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 20): .................................................................................................. § 12. Os juros e comissões correspondentes à parcela dos créditos de que trata o inciso XI deste artigo, não aplicada no financiamento de exportações, sujeitase à incidência do imposto na fonte à alíquota de vinte e cinco por cento (Lei nº 9.779, de 1999, art. 9º).(grifamos) ........................................................................................................... Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada liquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único. Ora, a “substância” de uma hipótese de incidência tributária é o fato ou a situação descritos na norma legal, cuja ocorrência na vida real desencadeará o surgimento de uma obrigação tributária. Tais fatos ou situações correspondem à própria “matéria” de que é feita, à própria ‘substância” da norma de incidência. São o núcleo da norma. Daí o exame de tais fatos ser chamado de exame da hipótese de incidência sob o seu aspecto material. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.137 19 No caso do imposto em estudo, o fato hipoteticamente descrito no artigo acima transcrito consiste: (1) na existência de importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas pela pessoa jurídica; (2) que estas tenham se dado a beneficiário residente ou domiciliado no exterior a título de juros, comissões à parcela dos créditos. A obrigação tributária correspondente de tal relação jurídica consiste no pagamento do IRRF, observado o aspecto quantitativo prescrito no conseqüente da norma, qual seja, a base de cálculo. O dispositivo legal tomado como base para a autuação, portanto, não diz respeito, tãosomente, à alíquota do imposto incidente sobre a operação tributada. Esse é apenas um dos aspectos da norma em estudo. Destaquese ser condição para a fruição do benefício em espécie a comprovação da aplicação dos recursos externos no financiamento de exportações brasileiras, nos termos da Lei nº 9.481, de 1997. Nesse contexto, importante se revela a inteligência que se faz da expressão “financiamento de exportações”. Para tanto, buscamse os dispositivos que regem a matéria. O benefício da alíquota “zero”, relativamente ao imposto na fonte incidente sobre remessas de juros relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações, foi originalmente introduzido pela Medida Provisória nº 1.563, de 31 de dezembro de 1996, posteriormente convertida na Lei nº 9.481, de 1997. A sua fruição está sujeita a condições, formas e prazos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda, conforme expressamente prescrito no texto legal que institui o benefício (parágrafo único). O Ministro da Fazenda, regulamentando o benefício introduzido pela Medida Provisória nº 1.563, de 1996, editou a Portaria MF nº 70, de 31 de março de 1997, dispondo sobre as condições para aplicação da alíquota zero do imposto de renda incidente sobre remessas a beneficiários residentes e domiciliados no exterior, estipulando o seguinte: “Art. 1º Para efeito do benefício da alíquota zero do imposto de renda incidente nas remessas para beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, nas hipóteses dos incisos II, III, IV, VIII, X e XI do art. 1º da Medida Provisória nº 1.563, de 1996, devem ser atendidos os seguintes requisitos: (...) V – nos pagamentos de juros de desconto, no exterior, de cambiais de exportação e as comissões de banqueiros inerentes a essas cambiais, bem assim de juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações, tenham sido os recursos, comprovadamente, aplicados no financiamento de exportações brasileiras. (...) § 2º A comprovação a que se refere o inciso V, pelo banco autorizado a operar em câmbio, será efetuada mediante confronto Fl. 1146DF CARF MF 20 dos pertinentes saldos contábeis globais diários, observadas normas específicas, expedidas pelo Banco Central do Brasil. § 3º Sobre os juros e comissões correspondentes à parcela dos recursos a que se refere o inciso V, não aplicada no financiamento de exportações brasileiras, incidirá o imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento. (...).” (grifamos) De outro lado, a comprovação, pelo banco autorizado a operar câmbio, prevista na Portaria MF nº 70, de 1997, foi regulamentada pelo Banco Central do Brasil – BACEN, conforme Circular nº 2.751, de 9 de abril de 1997: “Dispõe sobre a comprovação da aplicação de créditos obtidos no exterior no financiamento de exportações brasileiras. A Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, em sessão realizada em 09.04.97, com base no art. 9º da Lei nº 4.595, de 31.12.64, e tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 1.563, de 31.12.96, e na Portaria nº 70, de 31.03.97, do Ministro de Estado da Fazenda decidiu: Art. 1º Para efeito de comprovação da aplicação de créditos obtidos no exterior no financiamento de exportações brasileiras, de modo a fazer jus à redução a zero da alíquota do imposto de renda na fonte prevista no art. 1º da Medida Provisória nº 1.563, de 31.12.96, os bancos autorizados a operar em câmbio devem utilizar o formulário de modelo anexo, no qual serão registrados os saldos diários em moedas estrangeiras, expressos por sua equivalência global em dólares dos Estados Unidos, apresentados nas seguintes contas: 1.8.2.06.102 CÂMBIO COMPRADO A LIQUIDAR Exportação Letras a Entregar CÂMBIO COMPRADO A LIQUIDAR Exportação – Letras Entregues 1.8.2.13.308 CÂMBIO COMPRADO A LIQUIDAR TAXAS FLUTUANTES – Exportação Letras a Entregar 1.8.2.13.401 CÂMBIO COMPRADO A LIQUIDAR TAXAS FLUTUANTES Exportação Letras Entregues 1.8.2.20.009 CAMBIAIS E DOCUMENTOS A PRAZO EM MOEDAS ESTRANGEIRAS 4.6.1.70.004 BANCO CENTRAL LINHAS DE CRÉDITO ESPECIAIS, NO PAÍS 4.6.3.10.132 OBRIGAÇÕES EM MOEDAS ESTRANGEIRAS Exportação, até 360 dias 4.6.3.10.235 OBRIGAÇÕES EM MOEDAS ESTRANGEIRAS Exportação, acima de 360 dias 4.6.3.20.108 OBRIGAÇÕES EM MOEDAS ESTRANGEIRAS TAXAS FLUTUANTES Exportação Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.138 21 § 1º Os contratos de câmbio com prazos para entrega de documentos ou para liquidação vencidos não são computados para os fins e efeitos do disposto neste artigo. Art. 2º A base de cálculo do imposto é obtida mediante a aplicação da taxa de juros mais elevada dentre aquelas vigorantes, no dia, para o conjunto de obrigações por créditos em moedas estrangeiras obtidos no exterior, para o financiamento de exportações, sobre o valor diário não aplicado nessa finalidade. (...) Art. 4º A conversão em reais do valor do imposto devido será efetuada pela taxa de câmbio de venda, para o dólar dos Estados Unidos, do "boletim de fechamento" disponível no SISBACEN, transação PTAX800, opção 1. (...).” Com efeito, cumpre ao Banco Central do Brasil a exigência da comprovação do recolhimento do imposto, quando constatada a nãoaplicação do saldo diário na finalidade a que se destina, em observância ao disposto no art. 880 do RIR/99, inclusive: “Art. 880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único. Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato.” (grifamos) Vêse, do dispositivo supra, que a legislação exige, ainda, em casos de renúncia fiscal, seja tal circunstância devidamente atestada. E parte da premissa de que as autoridades do Banco Central não têm a atribuição legal para declarar tributável, ou não, certo rendimento, de modo a impor que a empresa interessada já chegue à instituição com tal circunstância reconhecida por quem tem, não só a atribuição legal, mas também a habilitação técnica para tal. Particularmente ao benefício em apreço, o Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 08, de 09 de maio de 2000, dispondo sobre as alíquotas aplicáveis nas hipóteses de remessa de recursos para o exterior, declarou que os juros relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações submetemse à alíquota zero, nada acrescentando quanto à necessidade do reconhecimento expresso do benefício fiscal. Dessa integração legislativa depreendese que a aplicação dos recursos, como regula a Portaria MF nº 70, de 1997, em seu art. 1º, §2º, deverá ser verificada, num primeiro momento, pela instituição financeira intermediadora e, a posteriori, pela própria Secretaria da Receita Federal, mediante auditoria. Deveras, a atribuição para fiscalização e exigência do imposto sobre a renda é da União, que a exerce através da Secretaria da Receita Federal do Brasil. De efeito, cabe a esta a tarefa de se manifestar, tanto preventiva como contenciosamente, a respeito da incidência do tributo sobre os casos concretos. Fl. 1148DF CARF MF 22 A tarefa de conferir a aplicação dos recursos, mediante verificação dos saldos contábeis nas linhas de crédito, atribuída à instituição financeira intermediadora da remessa, significa, tãosomente, uma formalidade auxiliar, no sentido de prevenir eventuais fraudes. No entanto, não desloca para tal instituição o poder fiscalizatório, enfim, exercido por esta Secretaria. Competirá sempre a esta, a posteriori, a auditoria das contas da contribuinte no sentido de homologar o procedimento adotado ou autuála nas eventuais irregularidades que tenha praticado. Em verdade, o fato de o Certificado de Autorização, expedido pelo Banco Central, fazer menção de que se tratou de operação de pagamento antecipado de exportações, anexado pelo contribuinte á titulo de exemplo, efetivamente utilizados nesse fim. Prosseguindo, da leitura dos demais normativos expedidos pelo Banco Central do Brasil – BACEN, depreendese que o pagamento antecipado de exportação consiste em modalidade de captação de recursos externos, com vínculo a exportação. A análise da CartaCircular nº 2.624, de 14 de fevereiro de 1996, permite que se alcance referido entendimento, pois, tratando da contratação de pagamento antecipado de exportação, faz remissão ao art. 7º da Circular nº 1.979, de 27 de junho de 1991. Confirase o teor dos referidos atos normativos: Circular nº 1.979: “Comunicamos que a Diretoria do Banco Central do Brasil, com fundamento nos termos da Resolução nº 1.834, de 26.06.1991, decidiu: Art. 1º A captação de recursos no mercado externo, com estabelecimento de vínculo à exportações, constituirá operação de médio ou de longo prazo, observada a legislação em vigor. Art. 2º Os recursos captados no exterior sob a forma de que se trata poderão ser repassados pela tomadora à sua controladora, às suas controladas ou a empresas que tenham a mesma controladora, nos casos em que forem estas as titulares originais das exportações vinculadas. (...) Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.139 23 Art. 4º Poderá ser admitida a efetivação de depósitos remunerados, em moeda estrangeira, no exterior, junto a instituições financeiras de primeira linha, decorrentes das exportações vinculadas e realizadas durante os períodos de referência das operações de captação externa, devendo os respectivos ingressos de divisas, incluídos os juros dos depósitos efetuados, se dar imediatamente após o pagamento dos correspondentes compromissos da operação de captação. § 1º Os depósitos de que se trata poderão ser efetuados tanto em nome da tomadora dos recursos quanto em nome de entidade do exterior indicada para centralizálos. § 2º O total dos depósitos existentes, em cada período de referência da operação de captação externa, deverá guardar correspondência com o valor dos compromissos vencíveis no final do mesmo período, podendo o departamento de capitais estrangeiros (FIRCE) estabelecer níveis máximos de excedentes de depósitos em relação aos compromissos da operação de captação vencíveis em cada período. § 3º Os depósitos referidos neste artigo ficarão sujeitos a acompanhamento e controle por parte do departamento de capitais estrangeiros (FIRCE), que poderá exigir a apresentação periódica de relatório de auditoria específico elaborado por empresa especializada, respondendo a tomadora dos recursos, em qualquer hipótese, pela má utilização ou má aplicação dos valores enquanto mantidos no exterior. Art. 5º As operações de captação externa de que se trata não poderão ter prazo total de pagamento inferior a 361 (trezentos e sessenta e um) dias. (...). Art. 7º Fica o Departamento de Capitais Estrangeiros (FIRCE) autorizado a expedir as normas complementares e adotar as medidas julgadas necessárias à execução do disposto nesta Circular, bem como a estabelecer as formas e níveis de vinculação e as condições gerais das operações, podendo, inclusive, adotar condições especiais de autorização e registro para quaisquer operações que envolvam ingressos de divisas vinculados a subseqüentes exportações e cujo prazo de pagamento ultrapasse 360 (trezentos e sessenta) dias. (...).” CartaCircular nº 2.624: “Levamos ao conhecimento dos interessados que a autorização para captação de recursos externos, mediante a contratação de operações de pagamento antecipado de exportação, com prazo superior a 360 (trezentos e sessenta) dias, de que trata o artigo 7º da Circular nº 1.979, de 27.06.91, alterada pela Circular nº 2.538, de 24.01.95, subordinase as seguintes disposições: Fl. 1150DF CARF MF 24 (...) IV – As amortizações do principal darseão mediante embarques de mercadorias, sendo os juros liquidados por meio de remessas financeiras ou com as exportações, contados a partir do ingresso dos recursos no País e calculados sobre o saldo devedor do financiamento, não podendo ter periodicidade inferior a 01 (um) mês, quando utilizada remessa financeira; V – Na hipótese de não ocorrer o embarque das mercadorias dentro do prazo previsto, a empresa exportadora deve apresentar a Delegacia Regional que concedeu o Certificado de Autorização (CA) pedido de: A) convolação em empréstimo externo, sujeita, a contar de sua data, as condições de aprovação de empréstimos, inclusive de prazo médio mínimo, que estiverem em vigor àquela época; ou B) conversão em investimento, na forma do comunicado FIRCE nº 28, de 10.04.78; VI – Em qualquer das hipóteses mencionadas no inciso V desta CartaCircular, o pedido deve estar acompanhado de manifestações formais do financiador e do garantidor, se houver. 2. O exercício de garantia, se for o caso, quando de inadimplência da empresa exportadora, depende de prévia autorização da Delegacia Regional que autorizou a contratação da operação. (...).”(negritamos) Dos dispositivos transcritos, observase que a CartaCircular nº 2.624 trata de norma complementar à Circular nº 1.979. Impõese, portanto, a necessária integração das referidas normas, naquilo que não são conflitantes, respeitando as especificidades expressamente reguladas. Depreendese, que os juros devidos na contratação do empréstimo podem ser liquidados por meio de remessas financeiras ou com as exportações. Ainda, observase que a CartaCircular nº 2.624 não obstaculiza ou restringe, na modalidade pagamento antecipado de exportação, a efetivação de depósitos remunerados em conta no exterior, decorrentes de exportações vinculadas e realizadas durante os períodos de referência das operações de captação externa, não se justificando qualquer interpretação restritiva nesse sentido. Relevante apontar é que as normas estudadas em nada vinculam a destinação do financiamento à produção, mas sim à efetiva exportação. A própria sistemática de obtenção/pagamento/comprovação do recurso tomado, regulada pelo BACEN, induz a esse entendimento. Tanto é assim que remete ao cálculo do imposto devido, pelo banco autorizado a operar em câmbio e a controlar a comprovação, sobre o saldo diário não aplicado na finalidade de exportação. Quando o beneficiário do crédito tomado é o próprio produtor do bem a ser exportado, evidentemente que o financiamento em apreço vai atuar diretamente sobre a produção, porém essa não se revela a única hipótese possível de fomentar a exportação de bens/produtos brasileiros. Há que se considerar a atuação na Balança Comercial das empresas comerciais exportadoras. Com efeito, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994, inseriu idêntico benefício dentro do contexto de Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.140 25 Estímulo à Exportação, denotando que o incentivo não se dirige, especificamente, ao setor produtivo, mas tem como objetivo fomentar a Balança de Pagamentos, desonerando o exportador do pagamento de imposto sobre os juros relativos à modalidade de crédito aqui estudada. Vejase: Estímulos à Exportação “Art. 781. Não estão sujeitos à incidência do imposto previsto nesta Seção, quando decorrentes de exportação brasileira, nas condições, formas e prazos estabelecidos pelo Ministro da Fazenda: (...); II os juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações (Decretolei nº 815/69, art. 1º, "c", e Lei nº 7.450/85, art. 87).” In casu, Intimada a comprovar a destinação dos recursos tomados, a fiscalizada informou que os recursos eram destinados à viabilização da construção e operacionalização da Planta em Barro Alto – Go, com objetivo na Produção de Níquel: As disponibilidades necessárias à viabilização da construção e operacionalização da planta de produção em Barro Alto, envolveu investimentos vultuosos que ultrapassam a ordem dos bilhões de reais. Além do financiamento obtido junto ao BNDES em 2008, foram obtidos recursos através de contratos de empréstimos obtidos no exterior (modalidade financiamento à exportação, uma vez que o minério produzido seria destinado ao mercado internacional), bem como através de aporte de capital. Neste sentido, há de se ressaltar a significativa evolução do capital social de Anglo American Brasil Ltda. de R$ 212 milhões em 2008 para aproximadamente R$ 2 bilhões em 2014. (grifamos) Atualmente a planta de Barro Alto ainda está em fase de pré operacional, uma vez que não atingiu a plena capacidade de suas operações. Estimase que o pleno funcionamento das operações da extensa e complexa planta de produção em Barro Alto representará aumento expressivo da produção de níquel. Para alcançar tal objetivo, os investimentos aplicados na construção de estabelecimento foram essenciais para disponibilizar à sociedade melhores e mais modernos equipamentos de tecnologia e sistema de produção, bem como inovações relevantes tais como, a operação do maior forno em linha existente no mundo. .............................................................................................................. Como mencionado anteriormente, em que pese o início das operações da sociedade ter ocorrido no exercício de 2011, a plena capacidade da produção não foi atingida ainda por severas questões técnicas e operacionais, assim, a sociedade ainda está em período préoperacional. Por conseguinte, seu faturamento ainda não atingiu o montante idealmente projetado, em que pese estar realizando operações de exportação todos os meses. ........................................................................................................................ Fl. 1152DF CARF MF 26 Da mesma forma, foram os argumentos trazidos na peça impugnatória, o que afirma ser considerada uma maneira de viabilizar a exportação. Ora, os contratos de empréstimos celebrados com a coligada inglesa Anglo American Capital PLC, apresentados pela Fiscalizada, tem as seguintes características: Data Valor em U$ Valor em R$ 09/04/2008 1.400.000.000 2.361.800.000 30/12/2009 560.000.000 974.624.000 Como descrito pela Auditoria, a Impugnante ao apresentar os contratos de empréstimos (item 40 do Termo de Verificação), quando intimada, apresentou dois contratos, dos anos de 2008 e 2009, que resultou no montante de US$ 1.960.000,00 (R$ 3.336.424,00), o que é incompatível com o pagamento de juros no valor de R$ 51.470.849,23. Nas considerações iniciais do contrato, em que as partes mencionam os limites do contrato, foi informado que a ora Autuada "se comprometeu a exportar bens a certo(s) importadorfes) estrangeiro(s), e que prevêse que tais exportações aumentarão após o início de operações de certos projetos atualmente em construção". Na cláusula número 2 do contrato em questão, mais especificamente no "Objetivo" do contrato, existe a menção de que "Todos os patrocínios nos termos da Opção serão usados somente para financiar as atividades de exportação da Mutuária no decorrer normal de seus negócios, reconhecidos como sendo a exportação de Ferroníquel e Ferronióbio (grifamos) Ademais, a Fiscalização constata ao receber as respostas das intimações: ......................................................................................................... "A empresa não apresentou os contratos de câmbio referentes às entradas dos recursos decorrentes do mútuo. A empresa não apresentou os contratos de mútuo com tradução simples, assinados pelos representantes legais, conforme havia sido acordado com esta fiscalização. A empresa apresentou planilha incompleta em relação às exportações da unidade de Barro Alto de junho a novembro de 2011. .................................................................................. E conclui: Importante frisar que numa operação envolvendo quantia superior a casa de um bilhão de reais, cabe à empresa se cercar do mínimo de documentação necessária para a comprovação e utilização do beneficio fiscal, mas ao contrário, conforme se verifica durante todo o processo fiscalizatório, o único argumento da empresa, em suma, seria de que os valores do empréstimo foram utilizados para a construção da planta e que esta planta iria por sua vez produzir minérios, para posterior exportação.(grifamos) Ora, na impugnação a fiscalizada não trouxe nenhum documento adicional que nos levasse a concluir que as “prováveis entradas de recursos” foram direcionadas ao financiamento das exportações. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.141 27 A título exemplificativo, a fiscalizada deveria demonstrar que os recursos angariados foram aplicados na extração dos minérios e até na melhora da logística do escoamento da produção destinada à exportação, o que não foi verificado. A própria empresa confessa, no decorrer da fiscalização e na impugnação, que a finalidade do recursos a que decorreram os juros pagos foram destinados a financiamento da construção da planta Barro Alto – Go, o que nos leva a crer que há uma grande diferença entre financiar a exportação de sua produção ou financiar a construção da sua planta industrial na Cidade de Barro AltoGo. Ocorre que a legislação é clara: o recurso tem que ser comprovadamente aplicado no financiamento da exportação, e não na realização de outros negócios. Ainda que o crédito externo seja obtido na condição de capital de giro, este deve se voltar, unicamente, à exportação, e não às demais operações praticadas pela pessoa jurídica no desempenho de outras atividades. Assim, por tal motivo, concluise assistir razão ao Fisco, de que o recurso tomado não foi destinado ao prépagamento de exportação, ensejando o afastamento do benefício da alíquota zero do IRRF, incidente sobre a remessa de juros ao exterior, e a conseqüente exigência do imposto, nos termos da legislação transcrita neste voto. 2 Da Ilegalidade da Incidência dos Juros SELIC sobre a Multa de Ofício (...) (final da transcrição do voto inserto no acórdão nº 0133.010) 8. Concernente à alegação de não incidência de juros sobre multa de ofício (e fls 977//979), esclareçase que o CARF exarou a Súmula nº 108, verbis: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 9. Em vista do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e no mérito por negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto – Redator Designado Fl. 1154DF CARF MF 28 Com a devida vênia ao voto do relator, apresento aqui meu voto, dando provimento ao mérito do Recurso Voluntário, uma vez que entendo como preenchidos os requisitos para que haja isenção do Imposto de Renda na Fonte (IRF). Aliomar Baleeiro destaca que o tributo pode ser usado tanto para arrecadação de recursos para a fazenda pública quanto para possibilitar a intervenção do Estado na vida dos indivíduos e das organizações, sendo que no último caso falase a finalidade assume aspecto extrafiscal regulatório ou de “poder de polícia” do Estado, sendo que a política financeira leva em conta os efeitos extrafiscais dos tributos e os utiliza conscientemente para determinados objetivos que reputa convenientes à sociedade (BALEEIRO, Aliomar. Cinco Aulas de Finanças e Política Fiscal. 2ª ed. São Paulo: José Bushatsky, 1976. pp. 3031). A desoneração tributária das exportações é parte da política fiscal do governo, que abre mão de uma arrecadação que seria possível em nome do ingresso de divisas no Brasil, cujo resultado é o desenvolvimento econômico do país. Como parte da desoneração das exportações, surge a desoneração do IRF relativo aos juros pagos em decorrência das exportações. Nesse sentido, a desoneração do IRF se inicia com a publicação do Decreto n. 815/69, que assim dispunha em sua redação original: Art. 1º. Não sofrerão desconto do impôsto de renda na fonte quando pagos por exportadores de quaisquer produtos nacionais e decorrentes da exportação: a) as comissões, aos seus agentes no estrangeiro; b) os juros de desconto, no exterior, de cambiais de exportação e as comissões de banqueiros inerentes a essas cambiais; c) os juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao préfinanciamento e financiamento de exportação devidamente autorizados pelo Banco Central do Brasil e cuja liqüidação se processe com produto da exportação. Destaquese que inexistia qualquer condicionante no caso de juros de desconto de cambiais de exportação, ao passo que o único requisito para os juros e comissões obtidos no exterior e destinados ao préfinanciamento e financiamento de exportação é que ocorra a liquidação do produto da exportação, isto é, ocorra a efetiva exportação. Embora o referido dispositivo tenha sofrido alterações legislativas, o comando legal da norma não foi alterado, conforme segue: Lei 7.450/85 Art 87 O art. 1º do Decretolei nº 815, de 4 de setembro de 1969, com a redação dada pelo art. 1º do Decretolei nº 1.139, de 21 de dezembro de 1970, passa a vigorar com a seguinte alteração: "Art. 1º Não sofrerão desconto do imposto de renda na fonte, quando decorrentes de exportação brasileira, nas condições, formas e prazos estabelecidos pelo Ministro da Fazenda: Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.142 29 c) os juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações.“ Lei 9.481/97 (vigente à época dos fatos) Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: X juros de desconto, no exterior, de cambiais de exportação e as comissões de banqueiros inerentes a essas cambiais; XI juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações. § 1º Nos casos dos incisos (...) e XI, deverão ser observadas as condições, formas e prazos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. Assim, cumpre destacar que a legislação não traz qualquer determinação legal relativa à destinação dos recursos do financiamento, remetendo tal regulamentação ao Ministério da Fazenda. Nessa linha, a Portaria MF 70/97 somente impõe como requisito para fruição da alíquota zero que os recursos sejam comprovadamente aplicados no financiamento das exportações mediante a comprovação das referidas exportações, o que é feito pelos bancos, conforme abaixo: Art. 1º Para efeito do benefício da alíquota zero do imposto de renda incidente nas remessas para beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, nas hipóteses dos incisos II, III, IV, VIII, X e XI do art. 1º da Medida Provisória nº 1.563, de 1996, devem ser atendidos os seguintes requisitos: (...) V nos pagamentos de juros de desconto, no exterior, de cambiais de exportação e as comissões de banqueiros inerentes a essas cambiais, bem assim de juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações: tenham sido os recursos, comprovadamente, aplicados no financiamento de exportações brasileiras. § 2º A comprovação a que se refere o inciso V, pelo banco autorizado a operar em câmbio, será efetuada mediante confronto dos pertinentes saldos contábeis globais diários, observadas normas específicas, expedidas pelo Banco Central do Brasil. Cumpre destacar que tal comprovação é de competência dos bancos e não do exportador. Tal entendimento consta expressamente inclusive na Instrução Normativa RFB n. 1.455/14, nos seguintes termos: Art. 12. Sujeitamse ao imposto sobre a renda na fonte, à alíquota zero, os juros e comissões, relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações, recebidos de fontes situadas no Brasil, por Fl. 1156DF CARF MF 30 pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, inclusive em país com tributação favorecida, na hipótese de pagamento, crédito, emprego, entrega ou remessa desses rendimentos. § 1º Para efeito do disposto no caput, a remessa será efetuada pela instituição autorizada a operar no mercado de câmbio, mediante comprovação da regularidade tributária e da legalidade e fundamentação econômica da operação. § 2º Cabe à instituição interveniente verificar o cumprimento das condições referidas no § 1º, mantendo a documentação arquivada na forma das instruções expedidas pelo Banco Central do Brasil. § 3º A redução a zero da alíquota do imposto sobre a renda prevista no caput é condicionada a que as importâncias pagas, creditadas, empregadas, entregues ou remetidas, por fonte domiciliada no País, a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, destinemse, efetivamente, ao financiamento de exportações, conforme dispõe o inciso VII do caput do art. 1º do Decreto nº 6.761, de 2009. § 4º A comprovação da operação referida no caput pela instituição autorizada a operar no mercado de câmbio será efetuada mediante confronto dos pertinentes saldos contábeis globais diários, observadas as normas específicas expedidas pelo Banco Central do Brasil. Como decorrência de todo o exposto, a única obrigação a ser cumprida pelo exportador para fruição da alíquota zero relativa ao IRF sobre o pagamento de juros sobre o financiamento de exportações é efetivamente exportar as mercadorias. No mesmo sentido, é a legislação do Banco Central, conforme se depreende das normas abaixo transcritas: CartaCircular BACEN 2.624/96 IV as amortizações do principal darseão mediante embarques de mercadorias, sendo os juros liquidados por meio de remessas financeiras ou com as exportações, contados a partir do ingresso dos recursos no pais e calculados sobre o saldo devedor do financiamento, não podendo ter periodicidade inferior a 01 (um) mês, quando utilizada remessa financeira Resolução BACEN 3.844/10 Art. 16. A operação de recebimento antecipado de exportação com prazo superior a 360 (trezentos e sessenta) dias pode ser vinculada a exportação do tomador do financiamento, de sua controladora, de suas controladas, ou de empresas que sejam controladas por sua controladora. Art. 17. A amortização das operações de que trata esta seção deve ser efetuada mediante o embarque das mercadorias ou a prestação de serviços, podendo os juros ser pagos por meio de transferências financeiras ou de exportações. Circular BACEN 2751/97 Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 10314.729447/201498 Acórdão n.º 2301005.841 S2C3T1 Fl. 1.143 31 Art. 1º Para efeito de comprovação da aplicação de créditos obtidos no exterior no financiamento de exportações brasileiras, de modo a fazer jus à redução a zero da alíquota do imposto de renda na fonte prevista no art. 1º da Medida Provisória nº 1.563, de 31.12.96, os bancos autorizados a operar em câmbio devem utilizar o formulário de modelo anexo (...) § 1º Os contratos de câmbio com prazos para entrega de documentos ou para liquidação vencidos não são computados para os fins e efeitos do disposto neste artigo. Art. 2º A base de cálculo do imposto é obtida mediante a aplicação da taxa de juros mais elevada dentre aquelas vigorantes, no dia, para o conjunto de obrigações por créditos em moedas estrangeiras obtidos no exterior, para o financiamento de exportações, sobre o valor diário não aplicado nessa finalidade. Assim, as normas do Banco Central dispõem que o relevante é que os financiamentos de exportações sejam quitados por meio de exportações, bem como determinam que a comprovação da aplicação dos créditos obtidos no exterior no financiamento à exportação cabe aos bancos. Também não merece prosperar o argumento utilizado pela fiscalização e pelo Acórdão da DRJ de que o financiamento à exportação somente alcançaria a captação de recursos para a aquisição de matérias primas. Além de tal requisito não ter previsão em qualquer norma, vale lembrar que a atividade da Recorrente diz respeito à extração e processamento de minérios. Tratase de atividade puramente extrativa, que não possui uma matéria prima que irá se tornar produto finalizado. Grande parte dos gastos de uma indústria mineradora diz respeito à construção de sua planta industrial, onde o minério extraído será processo. Destaquese também que uma das despesas mais significativas de uma indústria mineradora é a despesa com exaustão, que nada mais é do que o reconhecimento do minério que foi extraído daquela mina. No caso concreto, não há dúvida de que os recursos financiados foram utilizados para construção da planta industrial, cujo produto se destina quase totalmente para a exportação. Cabe lembrar, inclusive, que as autoridades fiscais teriam como comprovar que não houve exportação efetiva caso elas quisessem (há uma série de obrigações acessórias que demonstram as exportações, como declarações de exportação, notas fiscais, declarações tributárias), o que demonstra que elas não duvidam de que houve efetiva exportação Diante do exposto, não houve descumprimento de nenhum dos requisitos previstos ne legislação tributária e cambial para fruição da isenção da alíquota de IRF, o que demonstra que o auto de infração não merece prosperar. Desse modo, voto por conhecer o Recurso Voluntário e darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 1158DF CARF MF 32 Fl. 1159DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.900174/2013-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.937
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue a liquidação dos acórdãos nº 3301-002.999 e nº 9303-006.107, proferidos no processo 10983.721188/2013-93, de modo a refletir estas decisões nos montantes objetos dos pedidos de ressarcimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de contribuição não cumulativa, transmitido através do Programa PERD/COMP (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento e Reembolso e Declaração de Compensação), que restou indeferido, nos termos do Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual sustenta a necessidade de julgamento conjunto com outros processos de ressarcimento referentes aos mesmos elementos, inclusive para fins de uniformização dos julgados, também em relação ao auto de infração correspondente (10983.721.188/201393). Ainda em preliminar, aborda a superficialidade do trabalho fiscal e discorre sobre o princípio da verdade material, que entende ofendido no procedimento efetuado, citando entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 00 17 4/ 20 13 -6 2 Fl. 4817DF CARF MF Processo nº 10530.900174/201362 Resolução nº 3302000.937 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata da instrução probatória no Processo Administrativo Fiscal (PAF) e da necessidade de conhecimento do processo produtivo. No mérito, discorre sobre o conceito de insumos, sobre a sistemática não cumulativa das contribuições, e sobre a legitimidade de seu pleito. O colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ nº 10051.805. Insurgindose contra a decisão prolatada, a contribuinte interpôs recurso voluntário repisando as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.930, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10530.900167/201361, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.930): "O presente recurso é tempestivo, trata de matéria trazida a julgamento de competência desta Turma, devendo ser conhecido. Como podemos verificar do relatório acima, o presente processo trata da glosa de crédito de PIS e COFINS, relacionado a produtos utilizados como insumo, no processo produtivo da recorrente. Verificase ainda do relatório a existência de estreita ligação deste processo e outros mais, com o processo de nº 10983.721188/201393, onde o conceito de insumo já foi minuciosamente tratado em dois acórdãos a saber: (i) o de nº 3301 002.999, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, e o de nº 9303006.107, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O primeiro de relatoria do I. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, restou decidido da seguinte forma: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação à Preliminar de Nulidade do Lançamento. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário na apropriação de créditos na Industrialização Realizada por Terceiros e os correspondentes insumos, com exceção das compras de leite in natura e pasteurizado ou industrializado, Fl. 4818DF CARF MF Processo nº 10530.900174/201362 Resolução nº 3302000.937 S3C3T2 Fl. 4 3 em razão de serem adquiridos com alíquota zero. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo. Por unanimidade, dar provimento em relação aos créditos na Aquisição de Embalagens para Transporte. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário na aquisição de Vacinas, Pintos e Ovos. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item pagamento de Fretes na Aquisição de Insumos, para acatar os créditos decorrentes de fretes na aquisição de insumos e no transporte entre estabelecimentos da recorrente, mantendo a glosa para os quais a motivação dos serviços de frete não foi identificadas. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário no item Recortes de Congelados de Aves, mantendo somente as glosas em relação aos produtos, cujos documentos fiscais e os fornecedores não foram identificados. Por unanimidade de votos, dar provimento ao item Pallets de Madeira. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário no item serviços realizados por operador logístico. Vencidos Conselheiros Francisco e Paulo que negavam provimento. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Análises Laboratoriais. Por maioria de votos, negar provimento em relação ao item Diárias e HorasMáquina de Tratores. Vencida Maria Eduarda. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Repaletização. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Tintas para Carimbo. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Aluguéis de Prédios. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Leite In Natura. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Frangos Vivos, Milho, Sorgo, Soja e Demais Insumos. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Apuração dos Débitos dos Tributos. Por unanimidade de votos, dar provimento em relação ao item Multa Qualificada, para reduzila para 75%. Por unanimidade de votos, negar provimento em relação ao item Pedido de Diligência e Perícia. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Da decisão do acórdão acima transcrita, a Fazenda Nacional e contribuinte apresentaram recursos especiais de divergência, sendo certo que a primeira suscitou divergência com relação ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições não cumulativas e, o segundo, além de apresentar contrarrazões, interpôs recurso especial no qual suscitou divergência com relação a duas matérias: 1) possibilidade de tomada de créditos sobre a locação de tratores utilizados na atividade agroindustrial; e 2) não incidência de pis/cofins sobre receitas de exportação e respectiva forma de comprovar. No acórdão da recurso especial, de relatoria do I. Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, restou decidido que: Fl. 4819DF CARF MF Processo nº 10530.900174/201362 Resolução nº 3302000.937 S3C3T2 Fl. 5 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. No mérito, (i) quanto à industrialização de produtos lácteos, por unaninimade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. A conselheira Tatiana Midori Migiyama acompanhou o relator pelas conclusões; (ii) quanto às embalagens para transporte, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; (iii) quanto ao pagamento de fretes na aquisição de insumos, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deu provimento; (iv) quanto aos pallets de madeira, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; (v) quanto às despesas com operador logístico, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento; (vi) quanto às análises laboratoriais, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Locke Freire, que lhe deu provimento e (vii) quanto à repaletização, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento e (viii) quanto às tintas para carimbo, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Concluindo, entendo que não há o que ser discutido ou avaliado no presente processo. O que se deve promover é a liquidação dos acórdãos acima mencionados, pela unidade de origem, dentro do objeto de cada um dos pedidos de ressarcimento relacionados ao processo nº 10983.721188/201393. Desta forma, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue a liquidação dos acórdãos 3301 Fl. 4820DF CARF MF Processo nº 10530.900174/201362 Resolução nº 3302000.937 S3C3T2 Fl. 6 5 002.999 e nº 9303006.107, proferidos no processo 10983.721188/201393, de modo a refletir estas decisões nos montantes objetos dos pedido de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem efetue a liquidação dos acórdãos 3301002.999 e nº 9303006.107, proferidos no processo 10983.721188/201393, de modo a refletir estas decisões nos montantes objetos dos pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede . Fl. 4821DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13782.720308/2011-28
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes.
DEDUÇÃO COM DEPENDENTE.
Evidenciada a condição de dependente, nos termos da legislação de regência, torna-se insubsistente a respectiva glosa.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
É correta a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário, incluindo os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento, considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 2001-000.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. Evidenciada a condição de dependente, nos termos da legislação de regência, torna-se insubsistente a respectiva glosa. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. É correta a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário, incluindo os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento, considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
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DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. Evidenciada a condição de dependente, nos termos da legislação de regência, tornase insubsistente a respectiva glosa. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. É correta a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário, incluindo os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento, considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 2. 72 03 08 /2 01 1- 28 Fl. 90DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas e sobre dedução de dependente foi aceito no acórdão de impugnação em relação aos filhos universitários, e não da filha Alice, para a qual há discussão sobre incapacidade para o trabalho. Tratase de questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Em relação à matéria da incapacidade para o trabalho de um dependente dispôs o Decreto 3.000 de 26 de março de 1999, em seu art. 77: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): ............ III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; O atestado de um neurologista descreve problemas cognitivos e de motricidade. Segundo este atestado a paciente está impossibilitada de exercer qualquer atividade que exija certo grau de capacidade intelectual. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13782.720308/201128 Acórdão n.º 2001000.562 S2C0T1 Fl. 3 3 O contribuinte trouxe, ademais, Laudo Médico, fl. 77, onde há descrição pormenorizado dos problemas da dependente, e conclui que ela não tem condições mínimas de exercer qualquer atividade laborativa. A incapacidade fica comprovada pelos documentos em questão, ficando caracterizada a situação para inclusão como dependente, com despesas médicas a ela referentes. Alguns valores do lançamento já foram aceitos no acórdão de impugnação, e o recurso voluntário tratou apenas da questão da dependente com incapacidade e de suas despesas médicas. Observese que as multas e juros, foram aplicados conforme a legislação, art. 957 do Decreto n. 3.000 de 26 de março de 1999, não existindo previsão para aplicálas de maneira diversa ao que foi feito. Foi contestada a incidência de juros sobre a multa, porque isso implicaria numa majoração indireta da própria penalidade, não se podendo falar em mora na exigência de multa. Sem razão a insurgência manifestada. O CTN, ao contrário do entendimento exposto na peça de resistência, ampara a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. ... Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Efetuado o lançamento, nos termos do artigo 142 do CTN, extraise que multa de ofício integra o crédito tributário constituído. Assim, por decorrência lógica, é legitima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Esta assertiva está bem disciplinada pelo CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A incidência de juros sobre as multas de ofício foi introduzida pelo legislador ordinário através das Leis nº 9.430/1996 e 10.522/2002. O § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 92DF CARF MF 4 cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ... § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por sua vez, os artigos 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002, dispõem da seguinte forma: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. A multa de ofício é crédito da União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ela, assim como o imposto, compõe o crédito tributário, isto é fato. A cobrança de juros de mora decorre de lei. É devida a incidência de juros sobre o crédito tributário, incluindo a multa de ofício, não recolhido no seu vencimento. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13782.720308/201128 Acórdão n.º 2001000.562 S2C0T1 Fl. 4 5 Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, acatando inclusão como dependente de filha incapaz para o trabalho e suas despesas médicas, e negando provimento para mudança de cálculo em relação a multa e juros. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901640/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1545; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.901640/201256 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302001.002 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de março de 2019 Assunto PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Recorrente INDUKERN DO BRASIL QUÍMICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Transcrevo e adoto como parte de meu relato o relatório do acórdão da DRJ/JFA nº 0954.015, da 1ª Turma, proferido na sessão de 28 de agosto de 2014: Trata o presente processo de PER/DCOMP nº 10781.15563.241209.1.3.047130, de débito(s) próprio(s) da requerente com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$173.062,32, recolhido em 25/03/2009. O valor do "crédito original na data de transmissão" informado na presente Dcomp é de R$63.137,85. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 01 64 0/ 20 12 -5 6 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10882.901640/201256 Resolução nº 3302001.002 S3C3T2 Fl. 3 2 Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débito(s) da contribuinte. Regularmente cientificada do Despacho Decisório, por via postal, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual aduz preliminarmente o cabimento e a tempestividade da contestação apresentada. No mérito, alega a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, não obstante ter promovido corretamente a retificação do Dacon, deixou de retificar a DCTF do correspondente período. Isso porque, segundo a manifestante, na apuração da contribuição devida no regime não cumulativo, deixou de descontar crédito sobre importação de mercadoria para revenda e, para comprovar o alegado, juntou aos autos planilhas de cálculo e a cópia das notas fiscais. É o relatório do necessário. Em sua manifestação de inconformidade a recorrente alegou que a não homologação da compensação solicitada não poderia prosperar, pois o crédito já existia quando do protocolo do pedido, entretanto, por um equivoco relacionado, quando do preenchimento da DCTF, levou ao não reconhecimento do crédito. Afirmou que verificado o erro, mesmo após a ciência do despacho decisório, promoveu a retificação das informações lançadas em DCTF, juntando aos autos documentos como, DCTF, planilhas de cálculo e diversas notas fiscais que dariam embasamento ao crédito pleiteado . A decisão da DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade da contribuinte, por entender que em que pese ter a recorrente juntado documentos contábeis e fiscais, parte das notas fiscais de importação de insumos seriam de período anterior, fato esse que impediria sua utilização. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/03/2009 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não comprovada a existência do crédito relativo ao pagamento a maior indicado na Dcomp, impõese a não homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a r. decisão acima, a recorrente interpôs recurso voluntário onde mantém os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, juntando ao processo outros documentos que comprovariam suas alegações. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10882.901640/201256 Resolução nº 3302001.002 S3C3T2 Fl. 4 3 Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. O inconformismo contra a r. decisão de piso, cingise no motivo pelo qual foi indeferida a compensação pleiteada pela recorrente. No entendimento da Autoridade Fiscal Julgadora de 1ª instância, em que pese a contribuinte recorrente ter juntado aos autos documentos que demonstrariam a existência dos créditos pleiteados, o apelo não poderia ser atendido, pois os documentos fiscais versariam sobre outro período e não daquele informado no pedido de compensação. Observese parte das razões do acórdão guerreado: Em sua defesa, a manifestante alega que apurou e recolheu R$173.062,32 a título da Cofins do mês fevereiro de 2009, mas verificou posteriormente que deixara de considerar na base de cálculo dos créditos da não cumulatividade o valor da importação de mercadorias adquiridas para revenda, no montante de R$875.703,21, razão pela qual, segundo MG JUIZ DE FORA DRJ Fl. 151 Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0319.20208.S5ZJ. Processo 10882.901640/201256 Acórdão n.º 0954.015 DRJ/JFA Fls. 3 3 afirma a manifestante, seu saldo devedor no período de fevereiro de 2009, foi de R$109.924,47 (...), tendo acumulado, portanto, um crédito de Pagamento a maior de R$63.137,85 (...). Sobre a questão, cumpre citar a Lei 10.865/2004 que instituiu a incidência do PIS e da Cofins na importação de produtos estrangeiros ou serviços (PIS/Pasep Importação e Cofins Importação). Na hipótese de importação de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, a pessoa jurídica importadora, submetida ao regime de incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, poderá se apropriar de créditos em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, nos termos do artigo 15 da Lei 10.865/20041. De acordo com os demonstrativos efetuados pela interessada, fls. 134 a 136, originalmente foi apurada base de cálculo dos créditos da Cofins – Importação de fevereiro de 2009, no valor de R$3.706.928,91, posteriormente retificada para R$4.582.632,12. Para comprovar a nova base de cálculo, a interessada carreou aos autos as notas fiscais de fls. 10 a 59 e 137 a 147. Contudo, as notas fiscais, acostadas com a peça de defesa, respaldam apenas o valor de R$3.361.705,45, relativo à base de cálculo dos créditos da Cofins –Importação, valor inferior ao da base de cálculo Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10882.901640/201256 Resolução nº 3302001.002 S3C3T2 Fl. 5 4 original. Isso porque parte das notas fiscais (fls. 10 a 30 e 138 a 147) foram emitidas em janeiro de 2009 e, por força do art. 3º, §1º, inciso I, da Lei nº 10.833, de 2003, não podem ser consideradas na apuração do crédito do período examinado. Dessa forma, não restou comprovada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF , tampouco a existência do alegado pagamento a maior, de modo que a interessada não faz jus ao direito creditório ora solicitado, no valor de R$63.137,85. (destaquei) O art. 15 da Lei nº 10.865/2004, dispõe que as pessoas jurídicas sujeitas ao regime não cumulativo de PIS e COFINS poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, nas seguintes hipóteses: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; No mesmo dispositivo acima transcrito, agora em seu § 2º, há a expressa previsão de aproveitamento dos créditos oriundos das importações de bens e serviços utilizados como insumos em períodos posteriores, caso não tenham sido aproveitados dentro do mesmo período, vejamos: Art. 15 (...) § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Como visto, é possível o aproveitamento dos créditos não consumidos no mesmo período, e períodos subsequentes, ao contrário do alegado na decisão recorrida. Ademais, tornase um tanto curiosa a negativa de aproveitamento posterior na hipótese, vez que a própria autoridade julgadora colacionou o dispositivo acima transcrito, em nota de rodapé às efls. 152. Não obstante, as decisões deste E. Conselho caminham no sentido de que a retificação das declarações pode ser feita antes ou depois do despacho, pois o critério temporal é irrelevante para fins de conhecimento do crédito. No entanto, somente a retificação das declarações não se presta a demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pela contribuinte, havendo a necessidade de apresentação de provas idôneas, como demonstrativos contábeis e documentos fiscais, que demonstrem a existência do crédito. Vale dizer, é necessário que o contribuinte demonstre por meio de provas o suposto equivoco no preenchimento das declarações originais (CSRFAcórdão nº 9303005.520). Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10882.901640/201256 Resolução nº 3302001.002 S3C3T2 Fl. 6 5 No âmbito deste Colegiado é pacífico o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do direito creditório é do contribuinte, conforme exemplificam os acórdãos trazidos abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (Acórdão 3401005.408. Relatora Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Data da Sessão 24/10/2018.) Assim, é obrigação do contribuinte demonstrar por documentação hábil e idônea, contábil e fiscal, a origem e liquidez do crédito pleiteado, o que no meu sentir, foi feito já na manifestação de inconformidade, onde foram juntadas planilhas de cálculo, cópias de documentos fiscais relacionados ao período em discussão o que, em tese, comprovariam a existência do crédito. Entendo que os documentos apresentados pela recorrente, ainda que de forma indiciária, são aptos a demonstrar do direito alegado. No entanto, no que tange aos créditos que a recorrente alega terem sido transportados do mês de janeiro de 2009, para o mês de fevereiro do mesmo ano, não foram apresentadas cópias de DCTF, DACON, ou cópias de livros contábeis que pudessem demonstrar de pronto que os créditos pleiteados não foram aproveitados e, consequentemente, poderiam ser transportados para o mês seguinte. Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, além de ser essa intimada a apresentar os documentos contábeis dos meses de janeiro e fevereiro de 2009, que indiquem a existência do crédito que informou ter sido transportado para o mês subsequente, uma vez não constar tal documentação do caderno processual. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10882.901640/201256 Resolução nº 3302001.002 S3C3T2 Fl. 7 6 Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) intime a recorrente para apresentar os documentos contábeis dos meses de janeiro e fevereiro de 2009, que indiquem a existência do crédito que informou ter sido transportado para o mês subsequente; (ii) confirme se a documentação apresentada corresponde efetivamente os lançamentos e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (iii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos, e é compatível com a documentação apresentada; (iv) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (v) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 224DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.907109/2012-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação objeto do PER/DComp nº 00875.02072.231211.1.3.046832 de crédito de PIS/Pasep, decorrente de pagamento indevido ou a maior, no valor original de R$39.165,26, com data de arrecadação de 25/10/2011, referente ao período de apuração de setembro/2011. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 07 10 9/ 20 12 -9 7 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10882.907109/201297 Resolução nº 3402001.797 S3C4T2 Fl. 123 2 A compensação declarada não foi homologada, mediante Despacho Decisório nº de rastreamento 041032348, emitido em 05/12/2012, nestes termos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: a) Apurou Cofins e PIS nos exercícios de 2010 e 2011 somente na modalidade não cumulativa, não se atentando que empresas que exercem atividades de construção civil podem apurar de forma cumulativa as receitas oriundas da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, nos temos do art. 10, inciso XX da Lei nº 10.833/2003, sendo que as despesas e custos vinculados a tais receitas não geraram créditos; e b) Após ter após ter refeito os cálculos das contribuições desses períodos, procedeu à devida retificação das DCTFs, que estavam preenchidas incorretamente, para provar a existência do crédito tributário decorrente do pagamento a maior das contribuições. O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: A DCTF retificadora foi transmitida em 14/01/2013, ou seja, após a ciência do despacho decisório, mas dentro do prazo legal, levandose em conta o disposto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Em 17/01/2013, o contribuinte retificou o Dacon relativo ao período, informando o mesmo valor declarado na DCTF retificadora. A apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. Quando a situação posta se refere à restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Portanto, não tendo sido apresentados pelo contribuinte quaisquer documentos que embasem a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras, apresentadas após a ciência do despacho decisório, como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Cientificada dessa decisão em 21/07/2014, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/08/2014, alegando, em síntese, que procedeu às devidas retificações das declarações a fim de provar o pagamento a maior da contribuição no mês de apuração e que acostou à peça de defesa as cópias das Notas Fiscais que deram origem ao direito creditório (Anexo 3). É o relatório. Voto Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10882.907109/201297 Resolução nº 3402001.797 S3C4T2 Fl. 124 3 Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Embora a recorrente seja pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo de PIS/Cofins, ela pode, em tese, sujeitarse ao regime cumulativo dessas contribuições em relação às receitas descritas no inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito, aplicável também ao PIS/Pasep por força do art. 15 dessa Lei. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015; (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, incorridas até o ano de 2019, inclusive; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) Na decisão recorrida a Delegacia de Julgamento apontou a ausência de apresentação pela contribuinte de documentos comprobatórios das informações constantes nas retificações da DCTF e do Dacon, efetuadas após a ciência do despacho decisório. De outra parte, a recorrente informa ter acostado ao recurso voluntário a retificação do Dacon, com o valor a recolher calculado menor da contribuição para o período de apuração (anexo 2); bem como cópias das notas fiscais relativas aos serviços de obras de construção civil (anexo 3). Como se sabe, incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). No caso, a recorrente apresentou documentos em contraposição às razões da decisão recorrida, os quais podem eventualmente representar um direito creditório em seu favor, de forma que demandam conhecimento por parte do Colegiado em referência ao princípio da verdade material e ao disposto no art. 16, §§4º, 5º e 6º do Decreto 70.235/721. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10882.907109/201297 Resolução nº 3402001.797 S3C4T2 Fl. 125 4 Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Assim, voto no sentido de determinar a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 125DF CARF MF
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