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Numero do processo: 10845.001481/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2005
LANÇAMENTO, DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. COMPROVAÇÃO,
Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
Numero da decisão: 2301-004.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos. em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), THEODORO VICENTE AGOSTINHO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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COMPROVAÇÃO, Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos. em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 14 81 /2 00 7- 77 Fl. 2725DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), THEODORO VICENTE AGOSTINHO. Fl. 2726DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10845.001481/200777 Acórdão n.º 2301004.363 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigir o relatório e o voto. Esclareço que aqui e deixo registrado para as partes, que reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas do CARF, com as quais não necessariamente concordo. ... Tratase de Recurso Voluntário em razão de acórdão proferido que deu provimento parcial a impugnação interposta pela Recorrente na instância “a quo”. O Acórdão foi proferido no dia 3 de julho de 2008, pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP II (SP), sob o nº 17 26.178: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2005 NFLD DEBCAD n° 37.073.2707 1. A empresa é obrigada a recolher, na forma e prazo definidos pela legislação vigente, as contribuições de que trata a Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores; 2. O lançamento efetuado com fundamento no art.33, §3° da Lei n° 8.212/91, permite que se inscreva de oficio a importância que se repute devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário; 3. Revestese de legalidade a aplicação dos juros equivalentes à taxa referencial SELIC e da multa nos termo do art.35 da Lei n° 8.212/91; e 4. Matérias inconstitucionais. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 10ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido na forma do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado. O lançamento referese a notificação fiscal de lançamento de débito – NFLD, lavrada em 30/05/2007, decorrente de contribuições devidas a seguridade social, e a outras Fl. 2727DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 entidades e fundos. A fundamentação legal está prevista nos incisos I, II, III e IV do art. 22, da Lei nº 8.212/91. Seguem as descrições dos procedimentos constantes do Relatório Fiscal: "4. o credito foi lançado por aferição indireta uma vez que o sujeito passivo após ter sido intimado por três vezes, não apresentou qualquer documento ou livro relacionado as contribuições sociais e previdenciárias, salvo a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) para o exercício de 2004, nem prestou as devidas informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos no interesse da fiscalização, exceto os relatórios ambientais e de saúde medico ocupacional. 6. Associado a este fato, as informações prestadas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e constantes do sistema previdenciário não merecem fé notadamente porque a partir da competência 07/2004 houve significativa redução da massa salarial, mantidos inalterados a mesma quantidade de vínculos no CAGED e na própria GFIP. 8. Diante dos indícios acima apontados, e na falta da apresentação de qualquer documento relacionado as contribuições previdenciárias, por meio de oficio dirigido à Secretaria da Receita federal obtevese as informações prestadas em DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) pelo próprio sujeito passivo, as quais eram absolutamente divergentes daquelas declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações et Previdência Social)". Ciente do Acórdão da DRJ/SPOII no dia 07 de agosto de 2008 [fls. 275], interpôs Recurso Voluntário em 26 de agosto de 2008 [fls. 2738], no qual discorreu sobre os fatos e trouxe as alegações de direito que seguem: I – Dos Erros: DO ERRO NA EXCLUSÃO DAS BASES DE CALCULO LANÇADAS COM PERCENTUAL ASSUMIDAMENTE EQUIVOCADO (...) Em consequência foi emitido o competente FORCED para exclusão das bases excedentes o qual relacionou os seguintes valores a serem excluídos. (...) Em consequência, quando se passou a realizar a exclusão dos débitos do processo houve novo equivoco de modo que somente foi excluído R$86.928,17, pois conforme descrito no item 17.1 do Acórdão proferido pela DRJ nos autos, o valor principal atualizado passou de R$ 3.225.454,49 para R$ 3.138.526,32. Notase claramente demonstrado que somente o valor do principal foi excluído, permanecendo o correspondente juros e multa que não foram excluídos. Fl. 2728DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10845.001481/200777 Acórdão n.º 2301004.363 S2C3T1 Fl. 4 5 Ademais, nenhuma exclusão do excesso da base de cálculo foi feita em relação aos períodos de junho e julho de 2004, períodos estes na fiscalização. Sendo assim, permanece em erro o presente lançamento, devendo o mesmo ser declarado insubsistente. II DOS EQUIVOCOS NOS CÁLCULOS DA AFERIÇÃO INDIRETA Preliminarmente, frisamos que esta argumentação não visa questionar a constitucionalidade ou a legalidade da aferição indireta, mas sim os procedimentos adotados pela fiscalização na consecução do lançamento, isto, pois, além dos erros já admitidos pela fiscalização e do gritante erro supracitado outros ainda subsistem. DA IMPRECISÃO DOS RELATÓRIOS Em que pese o respeito ao trabalho do Ilmo. Auditor, a descrição dos procedimentos a serem adotados feita no Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito não corresponde a que ele efetivamente praticou bem como apresenta omissões e equívocos. Apenas dizer quais são os parâmetros não é suficiente para claramente demonstrar quais as adições e exclusões feitas à base de cálculo. (...) Pontualmente, o problema é a execução dos levantamentos e das apropriações, bem como as inúmeras referências duplicadas ou triplicadas das apurações de cada competência. Inobstante o cerceamento de defesa da impugnante, tal lançamento trás um prejuízo correlato aos empregados e segurados autônomos, pois impõe uma realidade de remunerações e benefícios diferente da efetivamente praticada. DA FALTA DE DETERMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES (...) Isto pois, o Ilmo. Auditor furtouse em seu trabalho A promover a correta identificação dos fatos geradores. Já que pela leitura de todos os documentos constantes do lançamento não se pode ver demonstrado claramente os integrais valores apropriados para cada código de contribuição previdenciária, bem como, de que forma foi feita a apuração das bases de cálculo. (...) Em todas as folhas dos relatórios somente se pode ver um número aleatório relacionado a um tributo e uma competência. Ressaltese que, a mesma competência (janeiro/2006) aparece, somente no relatório DAD — Discriminativo Analítico de Fl. 2729DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Débito, três vezes, sendo que em todas as vezes estas não possuem correlação alguma, tão pouco nenhuma delas é conclusiva isoladamente. (...) DA DUPLICIDADE E TRIPLICIDADE DOS DÉBITOS (...) existência de duplicidade nos levantamentos, gerando uma cobrança indevida por parte de fiscalização, o que vem a reforçar mais ainda a tese de vícios na aferição indireta e no relatório fiscal. DA FALTA DE INDICAÇÃO DE BENEFICIÁRIOS Ao analisarmos o lançamento feito e sua fundamentação vemos que em nenhum momento o limo. Auditor fez referência aos empregados ou aos autônomos, mesmo ele tendo a relação completa dos funcionários e de suas remunerações na DIRF e • na GFIP. Outra consequência lógica dessa situação é a apropriação irregular dos beneficiários bem como a inconsistência do lançamento que não possuem fato gerador descrito (pagamento de remuneração a segurados empregados e autônomos). Ressaltese que a aferição indireta não pode deixar de ser feita dentro da estrita lecialidade da hipótese e incidência e da correta subsunção dos fatos a norma. (...) O D. Auditor tinha total condição de fazer o levantamento dentro da legalidade e com respeito a realidade, pois em que pese ter desconsiderado as bases declaradas na GFIP, todos os empregados segurados e autônomos estavam corretamente cadastrados e declarados na DIRF. DA DESCONSIDERAÇÃO DAS RETIFICAÇÕES DAS DECLARAÇÕES FEITAS EM TEMPO HABIL E DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS A FISCALIZAÇÃO Tanto o é que, quando o limo. Auditor esteve presente junto às dependências impugnante, com intuito de dar cumprimento ao despacho da DRJ sobre a alegação de erro nas bases de cálculos, teve acesso à todas as informações fiscais contábeis, conforme MPF e Recibo de entrega de documentos anexo (DOC 2) e nenhuma irregularidade foi verificada. Sendo assim, confirmase que nada seria mais equivocado que impor à realidade dos fatos a apuração equivocada e viciada de nulidades oriunda da fiscalização. Após as alegações de mérito aduzidas, recorrente em sede de pedido requer que seja declarada a nulidade da NFLD, visto estar esta completamente eivada de vícios. É o relatório. Fl. 2730DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10845.001481/200777 Acórdão n.º 2301004.363 S2C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigir o voto. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, conforme registros constantes do sistema do CARF, com as quais não necessariamente concordo. ... 1. Sendo tempestivo, conheço do Recurso Voluntário interposto. 2. A recorrente argumento, genericamente, quanto à necessidade de tornar insubsistente o Auto de Infração guerreado tendo em vista que o fiscal lavrou arbitrariamente o auto de infração, totalmente ao desamparo da lei. 3. Ocorre que, compulsando os autos, ao contrário do que afirma a recorrente, o auto de infração foi lavrado em conformidade com as normas legais que regulam a matéria, tendo o Auditor Fiscal apontado com precisão e clareza a obrigação acessória não cumprida pela contribuinte e os fundamentos legais da multa cominada. 4. Os argumentos da recorrente com vistas ao cancelamento do auto não procedem, como poderá ser constatado ao longo da presente análise. 5. A lavratura do auto de infração em análise, teve como motivação o descumprimento de obrigação acessória, relativamente a não exibição de documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentálos em desconformidade com as formalidades legais exigidas, consoante à determinação contida no art. 33, §§ 1° e 2°, da Lei 8.212/91, c/c. o art. 233, parágrafo único, do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3.048/99, in verbis: “Art.33. (...). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (Grifei). Fl. 2731DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (Grifei). O artigo 233, do RPS dispõe que: Art. 233 . Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (Grifei). 6. Dos dispositivos acima transcritos, inferese como sendo obrigação de toda empresa apresentar os livros relacionados com as contribuições previdenciárias, livros estes necessariamente revestidos das formalidade legais, quer de natureza intrínseca ou extrínseca. 7. Do até aqui ponderado, verificase que não tem qualquer procedência a afirmativa da autuada no sentido de que o Agente fiscal lavrou arbitrariamente o auto de infração, totalmente ao desamparo da lei. 8. Ainda, a recorrente em seu recurso voluntário afirma que “não se negou em momento algum de entregar os Livros e documentos solicitados” pela fiscalização. Apenas ad argumentandum tantum, imaginese que não tenha a contribuinte se recusado a entrega dos livros e documentos e que tenha atendido o pedido do Agente autuante, mas se o atendeu foi de forma deficiente, conforme se depreende do relatório fiscal que aponta diversas irregularidades apuradas nos registros contábeis, o que resultou na desconsideração da contabilidade, e, por conseguinte, a aferição indireta para fins de lançamento. Isto porque a escrituração contábil, documentos, livros diário e razão foram adotados sem as formalidades legais pertinentes. 9. Aliás, em relação à desconsideração da contabilidade para aferição indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, trago a colação o Acórdão nº 2302001.993, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 14/08/12, exarado nos autos do processo nº 10540.720158/201026, de relatoria do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva: “DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA.CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Fl. 2732DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10845.001481/200777 Acórdão n.º 2301004.363 S2C3T1 Fl. 6 9 (...).”Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte Código Tributário Nacional CTN. Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. 10. Quanto à perícia ventilada pela recorrente, cabe esclarecer que se trata de procedimento, do qual a prova pericial extraída tem como destinatária a autoridade julgadora que fará juízo de valor quanto a ser ela imprescindível ou não para a solução da controvérsia objeto do litígio. 11. Acrescente a isto que, a diligência ou a prova pericial não são buscadas ou obtidas ao sabor do julgador, mas elas sempre serão necessárias nas hipóteses em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. 12. No presente caso, entendo que estão presentes todas as informações suficientes para compreensão dos fatos e solução do litígio, razões pelas quais não vejo como necessária a realização de diligência ou perícia, aventada de forma vaga e imprecisa pela recorrente, eis que em nenhum momento o fez com observância ao que dispõe o inciso IV, do art. 16, do Dec. 70.235/72, in verbis: “ IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993).” 13. Assim, tendo em conta que a Recorrente, em seu recurso voluntário apenas faz ilações da necessidade de diligência e perícia sem observar os requisitos estabelecidos no dispositivo acima transcrito, implica em considerar como não tendo sido feitos tais pedidos, nos termos do §1º, do mesmo artigo, o qual determina que “Considerarse á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16”. 14. Em face do até aqui arrazoado, resta patente a impossibilidade de invalidar ou ter como improcedente os procedimentos adotados pelo Agente Fiscal, bem como o deferimento de diligência ou perícia Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 CONCLUSÃO 15. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar lhe provimento. É o voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001163/00-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
Para se utilizar da presunção legal de omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial a descoberto, o Fisco deve provar, de forma inequívoca, que o contribuinte teve aplicações ou dispêndios que superam as origens justificadas.
Numero da decisão: 2202-003.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros EDUARDO DE OLIVEIRA e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, que negaram provimento.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ÔNUS DA PROVA. Para se utilizar da presunção legal de omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial a descoberto, o Fisco deve provar, de forma inequívoca, que o contribuinte teve aplicações ou dispêndios que superam as origens justificadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros EDUARDO DE OLIVEIRA e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, que negaram provimento. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 63 /0 0- 11 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Relatório Foi lavrado Auto de Infração contra JONG KI PARK do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls. 3 a 7), referente ao exercício 1996 (anocalendário 1995), tendo sido exigido um crédito tributário total de R$ 1.181.359,96, relativo à infração de acréscimo patrimonial a descoberto. Durante a ação fiscal, o contribuinte foi intimado a esclarecer a natureza dos cheques emitidos pela empresa SPLIT Corretora de Mercadorias Ltda., nominais a ele e por ele endossados, os quais foram depositados na conta nº 2.7227, agência 2240, de titularidade do Banco Del Paraná S/A (CC5), no Banestado, e na conta 45.50576, agência 001 (Matriz) do Banco Cidade S/A, de sua titularidade. Em relação ao cheque depositado no Banco Cidade S/A, em conta de sua titularidade, a Fiscalização entendeu que se tratava de uma operação que não trouxe prejuízo aos cofres públicos, pois foi registrada na sua declaração do IRPF do anocalendário 2005. Quanto aos demais cheques, relacionados abaixo, a autoridade fiscal afirma que foram depositados na conta nº 2.7227, agência 2240, de titularidade do Banco Del Paraná S/A (CC5), no Banestado, e posteriormente remetidos ao exterior. Data Nº Cheque Valor (R$) Bco. Emitente 06/12/1995 378.543 224.086,00 Beron 12/12/1995 378.903 485.750,00 Beron 20/12/1995 006.876 620.000,00 Daycoval Total 1.329.836,00 Em resposta à intimação fiscal, o contribuinte alegou que embora os cheques estejam nominais a sua pessoa, nunca recebeu estes cheques, sendo a assinatura do endosso no verso dos mesmos totalmente diferente da sua verdadeira assinatura, não sabendo como e por quem foi usado em tais operações, conforme o item "A" do termo à fl. 61. Relata a Fiscalização que após as diligências e intimações realizadas, o contribuinte não manifestou interesse em esclarecer a origem e o destino desses cheques. Informa que a empresa SPLIT respondeu à intimação feita, alegando que os referidos cheques foram emitidos por ordem de seu cliente, Empresa Paulista de Cobranças S/C Ltda., CNPJ n° 58.667.890/000170. No entanto, conclui que tal esclarecimento ficou sem efeito, uma vez que essa empresa encontravase registrada no cadastro da Receita Federal como INAPTA, nunca entregou suas declarações de IRPJ e, portanto, não existia. Com base nessas informações, a autoridade fiscal apurou a evolução patrimonial do contribuinte, tendo considerado esses cheques como aplicações no Banco Del Paraná em dezembro de 1995, resultando em um acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 1.294.780,95 (fl. 10). O contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, na qual alega, em síntese (fls. 73 a 79): Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.001163/0011 Acórdão n.º 2202003.137 S2C2T2 Fl. 236 3 Que esclareceu o motivo do recebimento do cheque no valor de R$ 193.700,00, relativo a uma doação recebida de US$ 200.000,00 enviada pelo seu irmão Jong Wook Park, da Coréia, que foi acatado pelo Fiscal; quanto aos demais cheques, apesar de terem sido nominais à sua pessoa, ele nunca os recebeu; as assinaturas que endossam os citados cheques são falsificadas e, por sinal, muito mal feitas e nem de longe se assemelham à sua assinatura verdadeira; junta folhas onde foram escritas as letras e as suas assinaturas de próprio punho para servir de comparativo, além de cartões de autógrafos do Banco América do Sul; requer prova pericial grafotécnica e colocase à disposição para colheita de material para confrontação; ao contrário do que afirma o AuditorFiscal, ele esclareceu que "embora os cheques estejam nominais a sua pessoa, nunca recebeu estes cheques, sendo a assinatura do endosso no verso dos mesmos totalmente diferente da sua verdadeira assinatura, não sabendo como e por quem foi usado em tais operações", de acordo com o termo de fl. 61; a Fiscalização deveria ter prosseguido nas diligências em relação à empresa SPLIT, porém concluiu precipitadamente que o contribuinte não havia conseguido comprovar as aplicações no Banestado; afirma que os cheques em questão não foram depositados na conta do contribuinte; não tem nenhuma relação com BANCO DEL PARANÁ S/A; nunca teve chamada conta CC5; nunca teve conta no Banestado; o enredo deste processo é parecidíssimo ao do Sr. Pedro Ramires, um metalúrgico aposentado que teria sido contemplado com um cheque no valor de R$ 102.500,00 emitido pela Construtora Ikal para lavar recursos desviados da obra inacabada do Forum Trabalhista de São Paulo, conforme a reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" de edição de 20/07/2000, cujo exemplar ora é juntado; a reportagem do mesmo jornal da edição de 21/07/2000 estampa na primeira página que: "Parte dos recursos das obras do Forum Trabalhista de São Paulo foi desviada para duas contas da corretora SPLIT, que, segundo a Policia Federal, lavou dinheiro do esquema dos precatórios. Levantamento do Banco Central mostra que, entre 93 e 95, a construtora IKAL, responsável pela obra do fórum, fez 21 transferências para a SPLIT, no total de RS 331 mil". Ao final, requer que seja julgado nulo e improcedente o auto de infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo II (DRJ/SP2) julgou procedente o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário lançado, conforme decisão assim ementada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 PERÍCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL E POR NÃO TEREM SIDO PREENCHIDOS OS REQUISITOS LEGAIS. A perícia requerida é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Ademais, não foram preenchidos os requisitos do art. 16, inciso IV do Decreto 70.235/72. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. NECESSIDADE DE PROVAR AS ORIGENS DOS RECURSOS. A variação patrimonial não justificada através de provas inequívocas da existência de rendimentos tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte, à disposição do contribuinte dentro do período mensal de apuração está sujeita à tributação. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial. Lançamento Procedente Cientificado da decisão em 30 de janeiro de 2009 (fl. 95v), o contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 25 de fevereiro de 2009 (fls. 103 a 108), no qual repisa os argumentos da impugnação e insiste na realização de uma perícia grafotécnica, tendo indicado o nome de um perito e apresentado quesitos. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tratase de um lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, referente ao exercício 1996 (anocalendário 1995), tendo sido exigido um crédito tributário total de R$ 1.181.359,96, relativo à infração de acréscimo patrimonial a descoberto, pois o contribuinte não logrou comprovar as origens para justificar as seguintes aplicações: Data Nº Cheque Valor (R$) Bco. Emitente Aplicação 06/12/1995 378.543 224.086,00 Beron Bco. Del Paraná 12/12/1995 378.903 485.750,00 Beron Bco. Del Paraná 20/12/1995 006.876 620.000,00 Daycoval Bco. Del Paraná Total 1.329.836,00 Os valores considerados como origens, conforme declaração de IRPF, totalizaram R$ 35.055,05, o que resultou em um acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 1.294.780,95. O Recorrente insiste na realização de uma perícia grafotécnica. Entretanto, é de se indeferir o pleito, tendo em vista que já se passaram mais de vinte anos da emissão dos cheques e não constam dos autos os originais dos cheques, o que dificulta ou até mesmo inviabiliza a elaboração de um laudo conclusivo. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.001163/0011 Acórdão n.º 2202003.137 S2C2T2 Fl. 237 5 O lançamento relativo à infração de acréscimo patrimonial a descoberto tem como fundamento o artigo 55, XII,do RIR/99, que dispõe: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): [...] XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Nessa infração, cabe ao Fisco comprovar o acréscimo patrimonial resultante da diferença entre as aplicações ou dispêndios e as origens, ficando dispensado de provar, no caso concreto, a omissão de rendimentos. É que se trata de uma presunção legal, na qual compete ao contribuinte, para afastar a presunção, provar que o fato presumido não existe no caso. No entanto, para fazer valer a presunção, o Fisco tem de provar a ocorrência do acréscimo patrimonial, ou seja, a Fiscalização deve demonstrar, de forma inequívoca, que o contribuinte teve aplicações ou dispêndios que superam as origens justificadas. Comprovado isso, aí sim o ônus da prova se inverte. Observase que o Contribuinte, desde a ação fiscal, vem negando o recebimento dos cheques referidos, alegando que as suas assinaturas foram falsificadas e que não tinha nenhuma relação com o Banco Del Paraná nem com o Banestado. A empresa SPLIT Corretora de Mercadorias Ltda., em resposta à intimação feita, informou que se tratava de cheques emitidos por ordem de seu cliente, Empresa Paulista de Cobranças S/C Ltda., CNPJ n° 58.667.890/000170, tendo a Fiscalização concluído que tal esclarecimento ficou sem efeito, uma vez que essa empresa encontravase registrada no cadastro da Receita Federal como INAPTA, nunca entregou suas declarações de IRPJ e, portanto, não existia. No meu entendimento, a Fiscalização deveria ter aprofundado as investigações junto a essas duas empresas para melhor esclarecer o caso, pois o Contribuinte já havia alegado que desconhecia os cheques, que nunca os havia recebido e que suas assinaturas haviam sido falsificadas. Porém, a autoridade fiscal optou pelo caminho mais fácil de tributar o contribuinte, utilizandose da presunção legal de omissão de rendimentos pela variação patrimonial incompatível. Assim, concluo que a autoridade fiscal não logrou comprovar que os depósitos dos cheques nominais foram realmente efetuados pelo fiscalizado no Banco Del Paraná, nem que existiam relações de negócio entre ele e a Empresa Paulista de Cobranças S/C Ltda., provável beneficiária dos cheques. As únicas provas que constam dos autos são as cópias dos cheques nominais ao contribuinte fiscalizado, supostamente endossados por ele e depositados na conta nº 2.7227, agência 2240, de titularidade do Banco Del Paraná S/A (CC5), no Banestado (fls. 55 a 58), as Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 quais não são suficientes para firmar meu convencimento de que esses valores foram utilizados em proveito do fiscalizado. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13878.000010/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização.
PIS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica.
CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os gastos com embalagens de transporte - pallet, papelão e os filmes strech integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA. A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização.
NaapuraçãodePIS/Cofinsnão cumulativo,aprovadaexistênciadodireito de crédito incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização promover o lançamentocomosdadosqueseencontramaoseualcance.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-002.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as seguintes glosas dos créditos tomados sobre: (i)gastos com embalagens de transporte - pallet, papelão e os filmes strech; e (ii) água e seu tratamento - 40% que foram glosados por não ser utilizada no processo produtivo. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra quanto ao item (ii). Vencida Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz quanto aos produtos químicos, produção e vapor e energia térmica. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que deu provimento integral. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto quanto a energia térmica e vapor. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim quanto aos produtos químicos. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Designado como Redator do voto vencedor, referente ao item (5b) da conclusão, o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Valdete Aparecida Marinheiro e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. PIS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os gastos com embalagens de transporte - pallet, papelão e os filmes strech integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA. A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. NaapuraçãodePIS/Cofinsnão cumulativo,aprovadaexistênciadodireito de crédito incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização promover o lançamentocomosdadosqueseencontramaoseualcance. Recurso Voluntário Provido em Parte
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. PIS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 8. 00 00 10 /2 00 5- 91 Fl. 712DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Os gastos com embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A nãocomprovação dos créditos, referentes à nãocumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. NaapuraçãodePIS/Cofinsnão cumulativo,aprovadaexistênciadodireito de crédito incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização promover o lançamentocomosdadosqueseencontramaoseualcance. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as seguintes glosas dos créditos tomados sobre: (i)gastos com embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech; e (ii) água e seu tratamento 40% que foram glosados por não ser utilizada no processo produtivo. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra quanto ao item (ii). Vencida Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz quanto aos produtos químicos, produção e vapor e energia térmica. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que deu provimento integral. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto quanto a energia térmica e vapor. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim quanto aos produtos químicos. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Designado como Redator do voto vencedor, referente ao item (5b) da conclusão, o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Valdete Aparecida Marinheiro e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Fl. 713DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000010/200591 Acórdão n.º 3402002.821 S3C4T2 Fl. 713 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 630/650 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que homologou parcialmente o formulário de Pedido de Ressarcimento de Crédito (fls. 05/08), cujo crédito provém do saldo credor da contribuição da COFINS não cumulativos, relativo a receitas de exportação (§ 1º, do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003), apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao quarto trimestre de 2004. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cujo crédito provém do saldo credor da Cofins, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao 4ºTri/2004, no valor de R$ 1.020.843,39. Aproveitando o mesmo crédito, foram apresentadas Declarações de Compensação (DComp), formalizadas em processos distintos que foram anexados ao presente. A DRF/PiracicabaSP, analisou o pedido por meio do despacho decisório de fls. 529/535, reconhecendo parte do direito creditório, no valor de R$ 707.065,41 e homologou em parte a compensação. De acordo com o Termo de Informação Fiscal, de fls. 467/475, o deferimento parcial do pleito decorreu, em parte, do entendimento da fiscalização de que insumo, no âmbito da não cumulatividade, seria apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação Assim, foram apuradas glosas referentes a vários itens que a contribuinte considerou como créditos, abaixo resumidas: Gastos com embalagens de transporte, pelo fato de a fiscalização considerar como insumo somente as embalagens de apresentação. Água utilizada no processo produtivo: somente 60% desses gastos foram considerados insumos, correspondente à parcela da água que é incorporada ao produto em fabricação, os outros 40% por se referir a à parcela da água que não é incorporada ao produto nem sofre alterações causadas pela ação direta sobre o produto durante o processo produtivo, não foram considerados insumos e tiveram seus valores glosados, bem assim os valores relativos ao seu tratamento. Gastos com energia térmica, por falta de previsão legal. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, às fls.549/562, alegando, em resumo, que o termo insumo “designa um bem ou serviço Fl. 714DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 utilizado na produção de um outro bem ou serviço. Inclui cada um dos elementos (matériasprimas, bens intermediários, uso de equipamentos, capital, horas de trabalho etc.) necessários para produzir mercadorias ou serviços”.[grifos originais] E ainda que significa “a combinação de fatores de produção, diretos (matériasprimas) e indiretos (mão de obra, energia, tributos), que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços.”, ou seja: “tudo aquilo que entra no processo ('input'), em contraposição ao produto ('output'), que é o que sai.” Quanto às embalagens de transporte, argúi, em síntese, que “as embalagens de transportes não fazem parte do processo produtivo. Dado que, obviamente, por mais que elas não façam parte da composição do produto, em si fabricado (o que realmente seria impossível), e também, que esses produtos em questão são alimentos, sem as embalagens que os transportam seria muito difícil deslocálos da origem de sua produção, até os locais de venda, resultando na inviabilidade de seu processo mercantil. Sendo assim, as embalagens de transporte são bens utilizados para o acondicionamento do produto, objetivando seu envio ao consumidor final, caracterizandose como: INSUMO da produção ou fabricação de produtos destinados à venda, estando assim, integralmente dentro dos requisitos legais, ensejador do direito à utilização dos créditos advindos do recolhimento do PIS/PASEP. Prossegue: o “termo insumo, possui conceito amplo e não pode o Fisco, no uso de suas funções fiscalizadoras, via Despacho Decisório, modificar este conceito e glosar créditos legítimos pertencentes A Requerente em questão, sob pena de desrespeito aos Princípios: da Constitucionalidade, da Estrita Legalidade, o da Segurança Jurídica, bem como o da Capacidade Contributiva, bem como, afronta ao artigo 110, do Código Tributário Nacional”. Em linhas gerais, repete essas mesmas alegações para a glosa dos créditos referentes à água não incorporada aos produtos, bem assim o seu tratamento, no sentido de que tais itens são essenciais à fabricação dos bens por ela produzidos, assim deveriam ser considerados insumos no processo produtivo. Com relação à glosa de energia térmica, alega, em resumo, que mesmo antes da alteração da legislação já havia implicitamente o direito ao crédito de qualquer espécie de energia, conforme entendimento da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB),de acordo com Solução de Consulta que cita. Argumenta ainda que esse crédito poderia ser utilizado por analogia com a energia elétrica, pois se esta dá direito ao crédito, energia térmica ou qualquer outro tipo de energia que venha a substituíla também dará, e que a interpretação por analogia está prevista no Código Tributário Nacional (CTN), art. 108. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000010/200591 Acórdão n.º 3402002.821 S3C4T2 Fl. 714 5 Alega que mesmo que mesmo sem previsão legal por interpretação lógica deve ser permitido o desconto de tais créditos por se tratar de insumo. Por fim, requer a suspensão dos débitos objeto de compensação. Cientificada da referida decisão em 29/07/2014 (fl. 655), a interessada, em 28/08/2014 (fl. 659), apresentou o recurso voluntário de fls. 659/668, com as alegações resumidas abaixo: (i) que a DRF/Piracicaba entendeu por bem reconhecer apenas parte do direito creditório, glosando o valor de R$ 313.707,98, que seriam correspondentes à glosa de gastos com: a) embalagens para transporte (pallets, papelão e filmes de stretch); b) gastos com água utilizada dos quais 40% foram glosados; c) produtos químicos aplicados no tratamento da água; d) parcela da água que evapora antes de se incorporar ao processo produtivo, e e) gastos com energia térmica; (ii) no mérito, faz considerações sobre a nãocumulatividade do PIS e da COFINS, cita a legislação pertinente, salientando que não se nota no texto constitucional qualquer limitação à não cumulatividade, mas apenas a afirmação de que a Lei definirá os setores de atividade em que serão incidentes a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Assim, pretender limitar as hipóteses de creditamento na incidência não cumulativa do PIS e da CONFINS implica em tributar fato outro que não a receita, ferindo um dos princípios basilares do nosso ordenamento jurídico tributário, o da capacidade contributiva; (iii) alude, em tópico específico, considerações sobre o conceito de INSUMOS e que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 não trazem qual é a definição de "insumo", mas apenas autorizam o desconto dos créditos decorrentes da sua aquisição. Assim, ao adotar conceito equivocado de insumo, o Órgão julgador acaba por glosar erroneamente parcela legítima de crédito da ora recorrente, já que, conforme demonstrado, qualquer despesa necessária para o processo de geração de receita tributável deve ser admitido como insumo. (iv) Cita várias decisões sobre a matéria proferidas deste CARF e de juristas. De todo o exposto, requer a revisão do acórdão recorrido e do despacho decisório que glosou parte do crédito pretendido pela recorrente, concedendolhe direito integral ao crédito referente ao quarto trimestre de 2004. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Fl. 716DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 1) Admissibilidade do recurso Como visto, em 29/07/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 655 – data da abertura dos arquivos no link Portal eCAC). Em 28/08/2014 (fl. 659), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 659/668). Portanto, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. 2) Da anexação de processo Ressaltese que foram apensados a este, os processos a seguir identificados, com Declarações de Compensação que utilizam os créditos referidos no item anterior: PAF n° 13878.000053/200576, com Declaração de Compensação no valor de R$ 175.191,54, protocolado em 31/03/2005; PAF n° 13878.000036/200539, com Declaração de Compensação no valor de R$ 364.715,99, protocolado em 28/02/2005 e PAF n° 13878.000037/200583, com Declaração de Compensação no valor de R$ 480.935,86, protocolado em 28/02/2005. A DRF/PiracicabaSP, analisou todos os pedidos por meio do despacho decisório de fls. 529/535, reconhecendo parte do direito creditório. 3) Do Mérito Como já exposto, a lide envolve discussão concernente à existência ou não de direito creditório referente ao regime de incidência nãocumulativa do PIS de competência do quarto trimestre de 2004, referente aos insumos mencionados. A recorrente, cuja denominação é Ajinomoto do Brasil, tem por objeto social (estatuto social apenso aos autos), a indústria, comércio, importação, exportação, representação e distribuição de produtos e ingredientes alimentícios e bebidas, produtos químicos em geral, para agricultura, produtos e insumos farmacêuticos e cosméticos. Consta dos autos que no anocalendário 2005, a empresa enquadravase no regime não cumulativo do PIS para as receitas decorrentes de sua produção. O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos – bens ou serviços adquiridos, que geram direito aos créditos de PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000010/200591 Acórdão n.º 3402002.821 S3C4T2 Fl. 715 7 A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. A questão posta em exame nos autos diz respeito, justamente, à existência ou não de direito ao creditamento do PIS nãocumulativo em vista da aquisição de matériasprimas e de serviços utilizados no processo produtivo destinado à exportação. Com efeito, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.833/2003, bem como do correspondente preceito da Lei no 10.637 de 2002, prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 4) Da definição de insumos no contexto da nãocumulatividade Sabese que essa questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei no 10.637 de 2002 e Lei nº 10.833/03, revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividade do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido Fl. 718DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização. No regime nãocumulativo de PIS/Cofins, a Lei dispõe de maneira diferente da legislação do IPI, reconhecendo o crédito em relação à aquisição de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes” (art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003). O legislador, como visto, vai além do âmbito da industrialização, utilizando termos mais amplos, referindose à produção ou fabricação de bens e, também, à prestação de serviços. O contexto em que ocorre a incidência de PIS/Cofins, apresenta como fato gerador a receita bruta ou faturamento, referindose, assim, a todo tipo e amplitude de atividade produtiva, não se limitando apenas à fase de industrialização. Desde o primeiro momento este Conselho recusou a pretensão de confinar o conceito de insumo aos mesmos critérios da legislação do IPI, conforme serve de exemplo o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual foi negado provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional: CRÉDITO. RESSARCIMENTO, A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado Acórdão 9303001.035, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 23/08/2010 Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos – bens ou serviços – que sejam aplicados na produção – de bens ou serviços –, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, Fl. 719DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000010/200591 Acórdão n.º 3402002.821 S3C4T2 Fl. 716 9 intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Assim, na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/03, integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. Portanto, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 5) Dos Insumos consumidos pela recorrente A recorrente discorre em seu recurso voluntário que no desenvolvimento de sua atividade produtiva, adquire diversas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e serviços que são empregados no processo de fabricação e comercialização de seus produtos. Dentre eles, aqueles arrolados nos demonstrativos de fls. 467 a 475 – Termo de Informação Fiscal, em que parte foram objeto de glosa e que no entender da recorrente, geram o direito ao crédito do COFINS. A recorrente ressalta em seu recurso que tais custos visa um só e único fim: o produto final industrializado, conforme trecho abaixo transcrito de seu recurso (fl. 667): “(...) Assim, se os pallets, filmes de stretch e chapas de papelão são requisitos para o transporte sem contaminação e/ou alteração das características dos produtos e obrigatórios para o Fl. 720DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 processo de exportação, sendo descartáveis, ou seja, do tipo one way, evidente que sua utilização é imprescindível para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, enquadrandose no conceito de insumo e devendo dar direito ao crédito pretendido. O mesmo pode se dizer em relação à água, aos produtos químicos, que são utilizados para purificação da água, conforme exigência sanitária, e para manutenção das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação do produto final e, sem os quais, tal fabricação seria impossível. Também são insumo e dão direito ao crédito. Incorreta também é a glosa dos créditos correspondentes a parcela da água que não teve contato com o produto, uma vez que 100% da água utilizada é necessária para o processo produtivo, tal qual o vapor utilizado na secagem e finalização do produto, ou seja, parte indispensável na cadeia produtiva. Por fim, com relação à energia térmica utilizada, sem ela, o maquinário não funcionaria, impedindo a produção. Logo, perfeitamente enquadrada no conceito de insumo, devendo também gerar direito ao crédito”. Já o Fisco por sua vez, de acordo com o Termo de Informação Fiscal de fls. 467/475, informa que deferimento parcial do pleito decorreu, em parte, do entendimento de que insumo, no âmbito da não cumulatividade, seria apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. No caso sob análise, quanto aos elementos probatórios, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para pleitear o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor solicitado. Nesse contexto, foram apuradas glosas referentes a vários itens que a Recorrente considerou como créditos, que passamos a analisar cada um deles: a) Gastos com Embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech. Alega a Recorrente que os custos glosados foram efetuados de forma equivocada, pois tais insumos são descartáveis e obrigatórios no caso de exportação. Vejase: “(...) Assim, se os pallets, filmes de stretch e chapas de papelão são requisitos para o transporte sem contaminação e/ou alteração das características dos produtos e obrigatórios para o processo de exportação, sendo descartáveis, ou seja, do tipo one way, evidente que sua utilização é imprescindível para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, enquadrandose no conceito de insumo e devendo dar direito ao crédito pretendido. Por outro lado, a fiscalização em sua análise contida no item 15 do Termo de Informação Fiscal (fl. 467/475), descreve a motivação da glosa, informando que se trata de gastos com embalagens de transporte, pois considera como insumo somente as embalagens de apresentação. Vejase: 15. A relação das notas fiscais do 4º trimestre de 2004 foi verificada, por amostragem, com o escriturado em sua contabilidade. Após este primeiro passo, a Fiscalização verificou se os bens ou serviços constantes das notas fiscais poderiam compor a base de cálculo do crédito da Cofins. Neste sentido, verificamos que os materiais de embalagem a seguir identificados enquadramse no conceito de embalagens de Fl. 721DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000010/200591 Acórdão n.º 3402002.821 S3C4T2 Fl. 717 11 transporte, como já discorrido no item 12, visto que não se integram aos produtos fabricados, mas se destinam tãosomente ao transporte destes, como informado ãs fls. 455 (item 2), e por isso não podem compor a base de cálculo do crédito da Cofins: No mesmo diapasão, decidiuse no acórdão recorrido: (...) Como restou claro, de acordo com o entendimento acima exposto, aplicase à embalagem o mesmo que o disposto aos demais insumos, ou seja, o gasto com embalagem só é considerado insumo se esta se incorporar ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que esta se incorpora ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. Observase ainda que no Termo de Constatação Fiscal, lavrado pelo Fisco, a Recorrente, em resposta ao Termo de Intimação, informou o que segue sobre os gastos com embalagens para transporte (fl. 461): (...) 2) Sobre os materiais de embalagem: Resposta Os materiais que não se incorporam aos produtos finais durante o processo de fabricação, que não contêm indicações promocionais destinadas à valorização dos produtos, mas que se destinam ao transporte destes são: Chapa Papelão Ondul 1,1x1,1m Ref.10942, Chapa Papelão Ondul 1,2x1,Om Ref.onda 2, Chapa Papelão 1,20x2,20m, Filme Cobertura para Paletiz 1600x80m, Filme Strech para Paletizacao 500x25 HLm, Filme Strech para Paletizacao 50x30 HLm, Filme Strech para Paletizacao 50x40 HLm, Pallet madeira 1,0x1,2x0,12m Dpi Face, Pallet madeira 1,1x1,1xO,10m Dpi Face, Pallet Madeira 1,20x1,00x0,13m Dupla Face, Pallet Pinus 1,0x1,0m (tábuas 08+03), Pallet Pinus 1,0x1,2 Dupla Face 9 tábuas, Pallet Pinus 1,0x1,2m 4 Entr Dpi Face, Pallet Pinus 1,1x1,1m Exportação 1 Face, Pallet Pinus 1,1x1,2 Dupla Face, Pallet Pinus 1,1x1,2 Dupla Face 9 tábuas. Com efeito, revendo os termos do Relatório do Fisco, verifico que, concernente as embalagens de transporte (pallet, papelão e os filmes strech), a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles produtos por se tratarem de embalagens para transporte e não de apresentação, na premissa que o termo “insumo” referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo. No entanto, a recorrente alega que a glosa, atingiu os créditos oriundos da aquisição de desses produtos por possuírem requisitos para o transporte sem contaminação e/ou alteração das características dos produtos e obrigatórios para o processo de exportação, sendo descartáveis, ou seja, do tipo “one way”, evidente que sua utilização é imprescindível para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, enquadrandose no conceito de insumo e devendo dar direito ao crédito pretendido. Neste caso, entendo que assiste razão a recorrente, pelas razões seguintes. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 O acondicionamento dos produtos a serem exportados constituise em etapa da industrialização e, como tal em face do princípio da não cumulatividade das contribuições, deve ter todos os valores relativos às suas aquisições de fornecedores considerados para fins de dedução de créditos. Pois conforme informado pela recorrente, os Pallets, filmes de stretch e chapas de papelão, são requisitos para o transporte sem contaminação e/ou alteração das características dos produtos e obrigatórios para o processo de exportação, sendo descartáveis, ou seja, do tipo one way. Como já frisado anteriormente sobre o conceito de insumos, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do IRPJ, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, verificase que a fiscalização, consoante já destacado, não reconheceu o direito ao crédito relativo às aquisições de Embalagens de transporte (no caso pallet, papelão e os filmes strech), assentado nos fundamentos por se tratarem de embalagens para o transporte e não de apresentação dos produtos. A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: Art. 66. [...] § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros Fl. 723DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000010/200591 Acórdão n.º 3402002.821 S3C4T2 Fl. 718 13 produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. Para quem entende que elas não integram o custo de produção, pode se adicionar que a lei prevê créditos com despesas de armazenagem (art. 3º, inc. IX da Lei nº 10.833/2003). Fl. 724DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 O Recorrente, portanto, mesmo considerando os critérios da IN SRF nº 244/2004 e ao conceito de insumo adotado pela jurisprudência do CARF, tem direito ao crédito relativo às aquisições de embalagens de transporte pallets de madeira não retornáveis (one way), papelão e os filmes strech. Por fim, afastada a interpretação restritiva adotada pela decisão recorrida, descabe a exigência de prova da venda dos materiais de embalagens com o produto ao consumidor final. Gastos com água e seu tratamento b) dos quais 40% do consumo da água foram glosados Sobre esse tópico, alega a recorrente em seu recurso que: “(...) O mesmo pode se dizer em relação à água, aos produtos químicos, que são utilizados para purificação da água, conforme exigência sanitária, e para manutenção das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação do produto final e, sem os quais, tal fabricação seria impossível. Também são insumo e dão direito ao crédito”. A fiscalização, no Termo de Constatação Fiscal (fl. 461) e no itens 16 e 17 do Termo de Informação Fiscal elaborado pelo Fisco (fl. 471), informa que: 16. A água que é utilizada nos processos produtivos da empresa, unidades matriz e filial, recebe inúmeros produtos químicos para garantir sua qualidade (ver fls 455 item 1). Inicialmente parte da água será utilizada nas caldeiras para produção de vapor, e a outra nos processos de fermentação, isolação e purificação. Ao final, 40% (quarenta por cento) da água será descartada, retornando ao rio, e os outros 60% (sessenta por cento) irão compor o fertilizante nitrogenado. Dos gastos tidos com a água e seu tratamento, 60% geram direito a crédito, pois irão compor o fertilizante nitrogenado, mas os outros 40% não, pois não foram incorporados e nem sofreram o desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, para poderem ser considerados como insumos. Desta forma, as bases de cálculo relacionadas a esses gastos serão reduzidas em 40%, como demonstrado abaixo (...): A DRJ, em seu Acórdão, conclui que: (...) No caso concreto, a fiscalização glosou os créditos referentes à parcela da água utilizada no processo produtivo, mas que não tem contato direto com o bem em fabricação, bem assim os gastos com o seu tratamento. Portanto, procedeu de acordo com a legislação de regência, conforme explanação acima. Em relação à água a impugnante argumenta ainda que é essencial ao processo produtivo, e, em relação às embalagens, alega que apesar de não serem parte do produto elas seriam necessárias ao processo produtivo. Quanto a isso, vale esclarecer que para a geração de créditos não basta que o insumo utilizado seja essencial ao processo produtivo ou de uso obrigatório, mas sim que ele se enquadre no conceito de insumo acima explicitado ou que o crédito a ele Fl. 725DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000010/200591 Acórdão n.º 3402002.821 S3C4T2 Fl. 719 15 relativo esteja expressamente previsto em lei, o que não é o caso da água que não se incorpora ao bem em fabricação. Vejase que o Fisco não reconheceu o direito de crédito relativo a parte da água consumida e seu tratamento (as bases de cálculo relacionadas a esses gastos foram reduzidas em 40%). Consta que parte dessa água é utilizada nas caldeiras para produção de vapor, e a outra parte nos processos de fermentação, isolação e purificação. Ao final, 40% (quarenta por cento) da água será descartada, retornando ao rio, e os outros 60% (sessenta por cento) irão compor o fertilizante nitrogenado. A recorrente, em documento elaborado em resposta ao item 4 do Termo de Intimação Fiscal, informa que (fl. 461): 1) Sobre a utilização da água nos processos produtivos da empresa (matriz e filial): Resposta — Inicialmente a água é utilizada em processos intermediários (fermentação, purificação e na produção de vapor). Após estes processos, 40% da água é descartada, retornando ao rio, e os outros 60% serão utilizados para produzir os fertilizantes, incorporandose a estes. A água que é utilizada no processo produtivo recebe os produtos químicos constantes da lista em anexo, que são utilizados exclusivamente para o seu tratamento. Como pode ser visto no Termo de Constatação Fiscal, após estes processos, a empresa em sua resposta informa que 40% da água é descartada e retorna aos rios (meio ambiente) e portanto, não se trata de bens empregados na produção. Diferente dos 60% de água que é utilizada na produção e recebe os produtos químicos, que será utilizada no processo produtivo da empresa (fertilizantes nitrogenado). A recorrente em seu recurso, não demonstrou, mediante apresentação de provas, que tais glosas foram indevidas, ou seja que tais aquisições foram objeto de aplicação no processo produtivo.O simples exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Como se trata de um pedido de interesse exclusivo da requerente, ressarcimento de contribuições sociais recolhidas, que implica renúncia por parte do ente tributante, o ônus da comprovação dos valores que compõem o crédito postulado é todo da requerente. Desta forma, a composição do valor do crédito pretendido, deve ser devidamente comprovada e explicitada, por parte de quem o postula, de modo a que não restem dúvidas quanto à natureza e montante das operações. Assim, não podem descontar da contribuição para o PIS apurada mensalmente, créditos calculados em relação aos valores das aquisições de materiais de consumo no caso água utilizada 40% foram glosados, por absoluta falta de amparo legal, uma vez que tais despesas não se encontram relacionados no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, nem tampouco caracterizam insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. A fiscalização promoveu o levantamento detalhado da apuração da contribuição, segregando as hipóteses de creditamento. Cumpria ao contribuinte apresentar as Fl. 726DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 alegações de direito e a demonstração pontual em relação a cada uma destas hipóteses, o que não aconteceu. Portanto, não tendo o contribuinte se observado do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, correto as glosas de parte dos Produtos Químicos adquiridos pela Recorrente, conforme consta dos demonstrativos de fls. 467/475. Assim, não há como acolher os argumentos da recorrente no que diz respeito ao alegado direito de creditamento relativamente às glosas referente aos 40% de gastos com água, que não foram comprovadamente empregados no processo produtivo. c) Dos produtos químicos aplicados à água (relacionados purificação da água). Sobre esse tópico, alega a recorrente em seu recurso que: “(...) O mesmo pode se dizer em relação à água, aos produtos químicos, que são utilizados para purificação da água, conforme exigência sanitária, e para manutenção das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação do produto final e, sem os quais, tal fabricação seria impossível. Também são insumo e dão direito ao crédito” (grifamos). A fiscalização, no item 16 do Termo de Informação Fiscal (fls. 467/475) elaborado pelo Fisco, argumenta que: (...) 16. A água que é utilizada nos processos produtivos da empresa, unidades matriz e filial, recebe inúmeros produtos químicos para garantir sua qualidade (ver fls. 455 item 1). Inicialmente parte da água será utilizada nas caldeiras para produção de vapor, e a outra nos processos de fermentação, isolação e purificação. Ao final, 40% (quarenta por cento) da água será descartada, retornando ao rio, e os outros 60% (sessenta por cento) irão compor o fertilizante nitrogenado. Dos gastos tidos com a água e seu tratamento, 60% geram direito a crédito, pois irão compor o fertilizante nitrogenado, mas os outros 40% não, pois não foram incorporados e nem sofreram o desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, para poderem ser considerados como insumos. Desta forma, as bases de cálculo relacionadas a esses gastos serão reduzidas em 40%, como demonstrado abaixo: A DRJ, em seu Acórdão decidiu da seguinte forma: (...) No caso concreto, a fiscalização glosou os créditos referentes à parcela da água utilizada no processo produtivo, mas que não tem contato direto com o bem em fabricação, bem assim os gastos com o seu tratamento. Portanto, procedeu de acordo com a legislação de regência, conforme explanação acima. Vejase que em seu recurso voluntário, embora a recorrente tenha discorrido sobre os produtos químicos consumidos por ela, em momento algum demonstrou claramente e provou que os bens cujos créditos foram glosados são consumidos no processo de fabricação de seus produtos, ou seja, entendo que se trata de material de consumo. A configuração de insumo depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração nos autos, impede o reconhecimento do direito de crédito. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000010/200591 Acórdão n.º 3402002.821 S3C4T2 Fl. 720 17 Verificase que a defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a todos os custos e despesas necessários à manutenção da sua atividade, com base no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, mas não trouxe aos autos nenhum elemento hábil à comprovação de que os produtos químicos glosados nas planilhas (fls. 467/475, se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. Ou seja, a recorrente em seu recurso, não demonstrou, mediante apresentação de provas, que tais glosas foram indevidas, ou seja que tais aquisições foram objeto de aplicação no processo produtivo da requerente. O simples exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Como se trata de um pedido de interesse exclusivo da requerente, ressarcimento de contribuições sociais recolhidas, que implica renúncia por parte do ente tributante, o ônus da comprovação dos valores que compõem o crédito postulado é todo da requerente. Desta forma, a composição do valor do crédito pretendido, deve ser devidamente comprovada e explicitada, por parte de quem o postula, de modo a que não restem dúvidas quanto à natureza e montante das operações. Assim, não podem descontar da contribuição para a COFINS apurada mensalmente, créditos calculados em relação aos valores das aquisições de produtos químicos, que diz em seu recurso, serem utilizados para purificação da água, conforme exigência sanitária, e para a manutenção das máquinas e equipamentos, por absoluta falta de provas, uma vez que tais despesas não se encontram amparadas pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, nem tampouco caracterizam insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Como dito, a fiscalização promoveu o levantamento detalhado da apuração da contribuição, segregando as hipóteses de creditamento. Cumpria ao contribuinte apresentar as alegações de direito e a demonstração pontual em relação a cada uma destas hipóteses, o que não aconteceu neste caso. Portanto, não tendo o contribuinte se observado do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, correto as glosas de parte dos produtos químicos adquiridos pela Recorrente, conforme consta dos demonstrativos de fls. 467/475. Assim, não há como acolher os argumentos da recorrente no que diz respeito ao alegado direito de creditamento relativamente às glosas referente aos gastos com produtos químicos (utilizados para purificação da água e para manutenção das máquinas e equipamentos), que não foram, nos autos, comprovadamente empregados no processo produtivo. d) Da parcela da água que evapora antes de se incorporar ao processo produtivo (geração vapor). Fl. 728DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 Alega a Recorrente em seu recurso, que o vapor, de acordo com a recorrente, é utilizado no processo de secagem dos produtos e necessário ao processo produtivo e portanto não poderiam serem glosados. Vejase abaixo trecho transcrito: (...) Incorreta também é a glosa dos créditos correspondentes a parcela da água que não teve contato com o produto, uma vez que 100% da água utilizada é necessária para o processo produtivo, tal qual o vapor utilizado na secagem e finalização do produto, ou seja, parte indispensável na cadeia produtiva. Conforme se observa na informação da empresa, os insumos utilizados na produção do vapor (alteração sofrida pela água do estado liquido para o gasoso), e considerado um tipo de energia, é utilizado na secagem e finalização dos produtos. Conforme o dicionário eletrônico Wikipédia, temos que um gerador de vapor, conhecido também como caldeira, é um dispositivo usado para produzir vapor aplicando energia térmica a água. Tratase de uma máquina ou dispositivo de engenharia onde a energia química transformase em energia térmica. Geralmente é utilizado nas turbinas de vapor para gerar vapor, habitualmente vapor de água, com energia suficiente como para fazer funcionar uma turbina em um ciclo modificado. Portanto, neste caso não assiste razão as alegações da recorrente. Explico. Ocorre que sobre esse tipo de gastos, somente a partir de 15/06/2007, com a nova redação do art. 3º, inciso III, da Lei nº 10.833/2003, dada pela Lei nº 11.488, de 2007, é que se permitiu descontar créditos de COFINS sobre o consumo com energia sob a forma de vapor. Por isso, entendo estar correto os valores identificados e que foram excluídos da base de cálculo do crédito da COFINS. Vejase texto da Lei: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)grifamos. Como é cediço, a Lei nº 10.833, de 2003, permitia, em seu artigo 3º, inciso III, somente a apropriação de créditos referentes a despesas com a energia elétrica consumida pelos contribuintes, nestes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (redação vigente à época dos fatos geradores quarto trimestre de 2004). Desta forma, repisandose, a redação original desse inciso somente previa o crédito relativo à energia elétrica. A possibilidade do aproveitamento do crédito referente à energia sob a forma de vapor somente foi incluída com a Lei nº 11.488, de 2007, que deu Fl. 729DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000010/200591 Acórdão n.º 3402002.821 S3C4T2 Fl. 721 19 nova redação a esse inciso, e que entrou em vigor em 15/06/2007, portanto não atinge o período aqui analisado, que se refere ao 4º trimestre de 2004. O argumenta de que a utilização de tais créditos já estaria implícita na legislação antes de sua autorização explícita pela Lei nº 11.488, de 2007, e que se deveria usar o princípio da analogia (art. 108, do CTN) com a energia elétrica não deve prosperar, pois na sistemática da nãocumulatividade os créditos passíveis de desconto estão discriminados expressamente na legislação de regência, sendo vedado o desconto de créditos não previstos em lei. O art. 111 do CTN, ao determinar a interpretação literal da legislação que disponha sobre a exclusão de crédito tributário desautoriza uma interpretação mais “ampla” da lei para permitir a utilização de créditos não previstos, tampouco permite a aplicação da analogia para reduzir tributo ou contribuição. Digase ainda que o art. 97 do CTN dispõe que somente a lei pode reduzir tributos e definir as hipóteses de exclusão e extinção do crédito tributário. Ademais, não teria sentido incluir expressamente na legislação de regência o direito ao crédito da energia térmica em uma lei publicada em 2007 e sem previsão de aplicação retroativa se esse tipo de energia já estivesse implícita na legislação anterior. Em relação à alegação de que a energia térmica tratarseia de mais um insumo e desta forma daria direito a crédito, vale esclarecer que, conforme explanação acima, restou demonstrado que a energia utilizada pelas máquinas e equipamentos não se enquadra no conceito de insumo no âmbito da não cumulatividade. Portanto, o dispositivo mencionado que daria guarida a desconto dos créditos, não atinge os gastos para geração de energia sob a forma de vapor no período aqui analisado, que se refere ao 4º trimestre de 2004. Desta forma, totalmente justificada a glosa desse tipo de energia nos créditos da recorrente. e) Dos gastos com energia térmica utilizada Aduz a recorrente em seu recurso que em relação à energia térmica utilizada, sem ela, o maquinário não funcionaria, impedindo a produção. Logo, perfeitamente enquadrada no conceito de insumo, devendo também gerar direito ao crédito. Que os respectivos créditos estão previstos no citado art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e que foi inteiramente consumida no processo produtivo. “(...) Por fim, com relação à energia térmica utilizada, sem ela, o maquinário não funcionaria, impedindo a produção. Logo, perfeitamente enquadrada no conceito de insumo, devendo também gerar direito ao crédito”. Já a fiscalização alega no item 18 de seu Relatório Fiscal (fl. 524), que os gastos com energia térmica foram glosados por falta de previsão legal: 17. A empresa calculou créditos da Cofins sobre os gastos efetuados com a aquisição de energia térmica, na forma de vapor de alta pressão, neste trimestre, mas ate 14/06/2007 Fl. 730DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 somente permitiase calcular créditos sobre os gastos com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa, conforme inciso III do art. 3 0 da Lei 10.833, de 2003. Somente a partir de 15/06/2007, com a nova redação do inciso III dada pela Lei 11.488, de 2007, é que se permitiu calcular créditos também sobre os gastos com energia térmica, inclusive sobre a forma de vapor. Por isso os valores a seguir identificados serão excluídos da base de cálculo do crédito: No acórdão recorrido, temos que: (...) Quanto à energia térmica, a postulante argumenta que a utilização de tais créditos já estaria implícita na legislação antes de sua autorização explícita pela Lei nº 11.488, de 2007, e que se deveria usar a analogia com a energia elétrica. Com relação a este tópico, como no anterior, estamos de acordo com a decisão recorrida. Quanto ao tema, a Lei nº 10.833/2003 permitia, em seu artigo 3º, inciso III, a apropriação de créditos referentes a despesas com a energia elétrica consumida pelos contribuintes, nestes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (redação vigente à época dos fatos geradores quarto trimestre de 2004). Como se vê, a redação original desse inciso somente previa o crédito relativo à energia elétrica. A possibilidade do aproveitamento do crédito referente à energia térmica somente foi incluída com a Lei nº 11.488, de 2007, que deu nova redação a esse inciso, e que entrou em vigor em 15/06/2007, portanto não atinge o período aqui analisado, que se refere ao 4º trimestre de 2004. Vejase abaixo: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007), grifamos. O argumenta de que a utilização de tais créditos já estaria implícita na legislação antes de sua autorização explícita pela Lei nº 11.488, de 2007, e que se deveria usar a analogia com a energia elétrica não deve prosperar, pois na sistemática da não cumulatividade os créditos passíveis de desconto estão discriminados expressamente na legislação de regência, sendo vedado o desconto de créditos não previstos em lei. O art. 111 do CTN, ao determinar a interpretação literal da legislação que disponha sobre a exclusão de crédito tributário desautoriza uma interpretação mais “ampla” da lei para permitir a utilização de créditos não previstos, tampouco permite a aplicação da analogia para reduzir tributo ou contribuição. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000010/200591 Acórdão n.º 3402002.821 S3C4T2 Fl. 722 21 Digase ainda que o art. 97 do CTN dispõe que somente a lei pode reduzir tributos e definir as hipóteses de exclusão e extinção do crédito tributário. Ademais, não teria sentido incluir expressamente na legislação de regência o direito ao crédito da energia térmica em uma lei publicada em 2007 e sem previsão de aplicação retroativa se esse tipo de energia já estivesse implícita na legislação anterior. Em relação à alegação de que a energia térmica tratarseia de mais um insumo e desta forma daria direito a crédito, vale esclarecer que, conforme explanação acima, restou demonstrado que a energia utilizada pelas máquinas e equipamentos não se enquadra no conceito de insumo no âmbito da não cumulatividade. Portanto, o dispositivo mencionado que daria guarida a desconto dos créditos, não atinge os custos com energia térmica do período aqui analisado, que se refere ao 4º trimestre de 2004, desta forma, totalmente justificada a glosa desse tipo de energia nos créditos da recorrente. 6) Das provas Como já analisado neste voto, a fiscalização apurou glosas de bens e serviços. A recorrente, porém, com exceção relativo às embalagens, não deixou claro nos autos as provas junto com suas manifestações contrárias aos outros itens glosados, o que acaba por ser um empecilho à comprovação de suas alegações. Não sendo possível a análise do vínculo entre as supostas determinações e os gastos que elas o teriam obrigado. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, afim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art.16.A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993)” No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Fl. 732DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art.396. Compete à parte instruir a petição inicial (art.283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. 7) Da apresentação das provas O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da Recorrente, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, não foram trazidas aos autos quaisquer outros documento que provassem que o sujeito passivo realizou gastos em decorrência das glosas de bens e serviços apurados pelo fisco, excetuandose a já comentada. 8) Princípio da verdade material O princípio da verdade material foi preservado nesse julgamento, de forma que foi deferido parte da crédito pleiteado. As provas trazidas pelo contribuinte foram analisadas, porém, o princípio da verdade material não supre a inércia do interessado. Nesse sentido, apenas foram admitidos os créditos devidamente comprovados, uma vez que lhe competia o ônus da prova. 9) Conclusão Diante das considerações e fundamentos acima expostos, voto por conhecer do recurso voluntário, para: a) dar provimento parcial, para reconhecer o direito do crédito do PIS/Pasep nãocumulativo, respaldado pela relação das notas fiscais acostadas aos autos, inerente ao item 5a) embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech, conforme o voto, e Fl. 733DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000010/200591 Acórdão n.º 3402002.821 S3C4T2 Fl. 723 23 b) negar provimento, mantendose a glosa em relação aos seguintes itens: 5b) água e seu tratamento 40% que foram glosados por não ser utilizada no processo produtivo; 5c) produtos químicos (aplicados no tratamento da água purificação); 5c) parcela da água que evapora antes de se incorporar ao processo produtivo (produção de vapor e 5e) gastos com energia térmica, conforme contido no voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 734DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 Voto Vencedor Acerca da glosa de 40% sobre o total de água consumida, entendo que tal vedação de creditamento não deva prosperar, sobretudo diante do minucioso trabalho do fiscal durante a o procedimento de fiscalização, como se vê no item 16 do Termo de Informação Fiscal elaborado pelo Fisco, argumenta que: (...) A água que é utilizada nos processos produtivos da empresa, unidades matriz e filial, recebe inúmeros produtos químicos para garantir sua qualidade (ver fls 464 item 1). Inicialmente parte da água será utilizada nas caldeiras para produção de vapor, e a outra nos processos de fermentação, isolação e purificação. Ao final, 40% (quarenta por cento) da água será descartada, retornando ao rio, e os outros 60% (sessenta por cento) irão compor o fertilizante nitrogenado. Dos gastos tidos com a água e seu tratamento, 60% geram direito a crédito, pois irão compor o fertilizante nitrogenado, mas os outros 40% não, pois não foram incorporados e nem sofreram o desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, para poderem ser considerados como insumos. Desta forma, as bases de cálculo relacionadas a esses gastos serão reduzidas em 40%, como demonstrado abaixo: Como se interpreta claramente da descrição acima dada, 100% da água é utilizada no processo produtivo, de diversas formas (produção de vapor, processos de fermentação, isolação e purificação, e composição do fertilizante nitrogenado), apesar de que apenas 60% dele será incorporado efetivamente ao produto final, restando 40% descartado após tratamento químico. Caso essa turma adotasse o vetusto conceito de insumo de IPI para os casos de PIS e Cofins, faria sentido a glosa de parcela da água que não fora incorporada ao produto. Todavia, temos firme entendimento de que a noção de insumo está relacionada ao processo produtivo como um todo e as despesas necessárias para sua ocorrência, ainda que não haja a incorporação física ao produto. Tal entendimento está consubstanciado nesse trecho da lavra do Ilustre Conselheiro Antônio Carlos Atulim: Em relação aos bens cujos custos de aquisição foram glosados, a fiscalização levou em conta o conceito de insumo estabelecido naqueles atos administrativos, os quais, basicamente, adotaram o mesmo conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo produtivo, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/02 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000010/200591 Acórdão n.º 3402002.821 S3C4T2 Fl. 724 25 Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matériaprima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. O contribuinte invocou a seu favor o art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03, pois esse dispositivo legal teria encampado o entendimento da recorrente no sentido de que todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora estão aptos a gerarem créditos das contribuições. Tal interpretação não prospera porque a expressão "(...) se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...)" contida no dispositivo legal, alude aos gastos incorridos no 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 737DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000010/200591 Acórdão n.º 3402002.821 S3C4T2 Fl. 725 27 auferimento das receitas especificadas nos incisos I e II e se referem aos créditos das contribuições apurados na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Em outras palavras: o direito à tríplice forma e aproveitamento dos créditos gerados por operações de exportação referese unicamente aos créditos apurados com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03. E como já se viu alhures, este dispositivo legal não instituiu o direito à tomada do crédito sobre todos os custos e despesas necessários à manutenção da atividade da empresa. Dessa forma, resta claro nos autos que os 40% de descarte de água participaram, sim, do processo produtivo, razão pela qual deve ser revertida a glosa de crédito. É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 738DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10314.005198/2011-07
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/05/2011, 15/06/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário.
MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01.
DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO.
Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 51 98 /2 01 1- 07 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 211), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN", interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0732.545, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, que não conheceu a impugnação quanto à matéria de mérito objeto de enfrentamento concomitante na instância administrativa e na esfera judicial. Também, que conheceu e rejeitou os protestos da impugnante quanto à exigência dos juros de mora. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Versa o presente processo sobre a constituição do crédito tributário formalizado nos Autos de Infração de fls. 05 a 36, cientificados em 31.10.2011, em que são exigidos os impostos de Importação e Sobre Produtos Industrializados, vinculado à importação, e as contribuições PISImportação e COFINS Importação, acrescidos dos juros de mora calculados até 30.09.2011, perfazendo um montante de R$ 40.457,66. Através da declaração de importação (DI) nº 11/08408747, registrada em 09.05.2011, a empresa epigrafada importou mercadorias sem proceder ao recolhimento dos tributos incidentes sobre a respectiva operação por força do deferimento da medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 000116513.2011.4.03.6100, impetrado perante a 24ª Vara Cível de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. A autoridade lançadora informa que as mercadorias em apreço foram entregue em atenção ao despacho exarado no mandado de segurança supracitado e atendendo o disposto no MEMO/SACAT/ALF/SPO nº 98/2011, de 14/06/2011. (fls. 04). Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005198/201107 Acórdão n.º 3802004.127 S3TE02 Fl. 213 3 No item 1do referido expediente, a autoridade competente, expõe o que segue: “1. Nos termos da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 000116513.2011.403.6100, da 24ª Vara Federal/SP, proposta pela SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA – HOSPITAL ALBERT EINSTEIN, contra o Inspetor Alfandegário da Receita Federal em São Paulo, objetivando o desembaraço das mercadorias descritas na inicial, sem o recolhimento do Imposto de Importação, IPI, PIS e COFINS, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região assim se manifestou, em sede de Agravo de Instrumento:”Por esses fundamentos, defiro a antecipação dos efeitos da tutela pleiteada, para determinar o desembaraço aduaneiro das mercadorias constantes das Lis relacionadas aos autos (...), sem o recolhimento do Imposto de Importação, IPI, PISimportação e COFINSimportação”. Ainda, a autoridade lançadora salienta que: “Assim, esta fiscalização entende que a imunidade citada no inciso VI do artigo 150 da CF/88 não abarca os impostos incidentes na importação de bens, pois os mesmos são definidos como impostos sobre patrimônio, renda ou serviço. Por todo o exposto, e por considerar a pleiteada imunidade incabível, lavramos o presente auto de infração para a constituição dos créditos tributários, que ficam com suas exigibilidades suspensas, nos termos da liminar deferida nos autos do processo 000116513.2011.403.6100, em trâmite na 24ª Vara Federal/SP, impetrado pelo. Em cumprimento à determinação judicial exarado nos autos do processo citado, houve autorização, através do MEMO SACAT/ALF/SPO nº 98/2011 de 14/06/2011, para que esta fiscalização procedesse ao desembaraço e a entrega da carga em questão. Em cumprimento ao disposto no artigo 63 da Lei nº 9.430/96, deixouse de exigir a multa de ofício,.” Dos autos se depreende que a inicial que deu azo à citada ação mandamental foi protocolada em 27.01.2011, ocasião que a impetrante assim se manifesta em seu pedido: “DO PEDIDO Uma vez demonstrado o direito líquido e certo do Impetrante de não ser compelido a recolher os tributos acima mencionados e presentes os requisitos “fumus boni iuris” e “periculum in mora”, bem como a flagrante ilegalidade do ato coator atacado, requerse: 1 – a concessão de MEDIDA LIMINAR, inaldita altera pars, sem qualquer espécie de caução, para assegurar seu direito líquido e certo de, nos termos da Constituição Federal, proceder o desembaraço dos bens citados à pagina 02/03, sem o recolhimento dos tributos federais (Imposto de Importação, IPI, PIS e Cofins). Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 2 – que seja oficiado o Ilmo. Sr. INSPETOR ALFANDEGÁRIO DA RECEITA FEDERAL DE SÃO PAULO (Rua Celso Garcia, nº 3580), para que realize o desembaraço dos bens abaixo mencionados, que aguardarão o início dos procedimentos aduaneiros no EADI/São Paulo – CNAGA (Av. das Nações Unidas, nº 22452 – Jurubatuba São Paulo/SP), sem a apresentação das guias comprobatórias de recolhimento dos tributos em questão. (...) 5 – por fim, que à época da prolação da sentença seja concedida DEFINITIVA SEGURANÇA, nos estritos termos constitucionais, ou seja, para que a Impetrante não seja obrigada a recolher os aludidos tributos e, por fim, para que a autoridades coatora indicada se abstenha da prática de qualquer ato tendente a restringir esse seu direito, tais como a lavratura de auto de infração e a conseqüente imposição de penalidades. (...)”. Dos autos recolhemse também a informação que em 16.09.2011 a impetrante solicita ao Juízo a quo a expedição de ofício à autoridade coatora para informarlhe da realização dos depósitos judiciais dos tributos contestados, a fim de que autorize o desembaraço aduaneiro das respectivas mercadorias. Irresignada com os lançamentos, a importadora autuada ofereceu, em 30.11.2011, defesa administrativa às fls. 58 a 68, para, de início, alertar que o crédito tributário em tela está com a exigibilidade suspensa por força do depósito judicial na sua integralidade os tributos discutidos, realizados em 13.09.2011 nos autos do Mandado de Segurança nº 000116513.2011.403.6100, da 24ª Vara Cível da Subseção Judiciária Federal de São Paulo, e reafirmar as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, por conseguinte, o direito à imunidade tributária do artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção do artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, por entender que preenche todos os requisitos para fruição dos benefícios fiscais que faz jus as instituições de assistência social, em arrimo à sua pretensão. Prosseguindo na sua defesa, alega que ainda que o tributo fosse devido, no presente caso não seria possível a aplicação dos juros moratórios, em razão do disposto no inciso IV do artigo 151 do CTN. Assevera que estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa por conta do depósito do montante integral dos créditos tributários discutidos não há falar em aplicação de juros, pois se não pode ser cobrar o referido tributo, não há, por decorrência, como entender que esteja em mora. Cita, em seu favor, doutrinas e jurisprudências sobre os temas em debate. Ante o exposto, requer seja declarada a insubsistência do auto de infração ora combatido. Este é o Relatório.” Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005198/201107 Acórdão n.º 3802004.127 S3TE02 Fl. 214 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/05/2011, 15/06/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS.RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial em que se discute idêntico objeto da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte em contestála na instância administrativa, devendo, por conseguinte, declarar a definitividade da respectiva exigência tributária, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa e em cumprimento do princípio constitucional da unicidade de jurisdição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/05/2011, 15/06/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL REALIZADO DEPOIS DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES DOS TRIBUTOS. APLICABILIDADE DOS JUROS DE MORA. São exigíveis os juros de mora quando se constata que o depósito judicial efetuado no montante integral, ou seja, pelo valor monetariamente atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do imposto ou contribuição, só foi realizado depois da constituição, pelo lançamento, dos referidos tributos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual pede: (i) o sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iii) a insubsistência do referido auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 211), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço parcialmente do Recurso e passo à análise de apenas parte das razões recursais. O presente Recurso Voluntário, como indicado ao final do relatório, dividese em três itens: (i) O sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iii) A insubsistência do referido auto de infração. Ocorre que o item (i) foi trazido somente em sede recursal, revelandose inovações argumentativas. Restam aplicáveis, portanto, os arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, de modo que inviável conhecer tais alegações sob pena de supressão de instância. Ao seu turno, o item (iii) também não merece ser conhecido, dado que efetivamente há identidade de objetos entre o mérito do recurso e o mandado de segurança. Vejase: Verificase nos autos, junto a impugnação, haver sido feita a juntada da petição inicial do writ (fls. 68 e seguintes), bem como cópia do Agravo de Instrumento junto ao Recurso Voluntário que se encontra anexada aos autos às fls. 188 e seguintes do processo digital, que permite tal constatação. Segue transcrito abaixo um trecho da peça inicial elaborado pela Recorrente ao Juízo, que já elucida a matéria: "(...) DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA A Constituição Federal estabelece as limitações constitucionais ao poder de tributar, prevendo os casos de imunidade tributária, entre as quais dispõe as abaixo transcritas, na qual, como veremos, se enquadra perfeitamente a Impetrante. Estabelece o artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal: "Art. 150 — Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao.contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI— instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições Fl. 217DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005198/201107 Acórdão n.º 3802004.127 S3TE02 Fl. 215 7 de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei."Já o parágrafo 7º do artifo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: (...)". Já o parágrafo 7o do artigo 195 da Constituição Federal, assim dispõe: "Art. 195 (...)...: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Merece destaque ainda o contido no Relatório e Voto da Decisão DRJ às fls. 176/183, ficando consignado que (grifouse): "(...)Através da declaração de importação (DI) nº 11/08408747, registrada em 09.05.2011, a empresa epigrafada importou mercadorias sem proceder ao recolhimento dos tributos incidentes sobre a respectiva operação por força do deferimento da medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 000116513.2011.4.03.6100, impetrado perante a 24ª Vara Cível de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. (...) Conforme se depreende do relatório supra, a impugnante, antes do lançamento, já ingressara com Mandado de Segurança Preventivo processo nº 000116513.2011.403.6100, impetrado contra o Chefe da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo, perante a 24ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária em São Paulo, tendo por objeto de discussão idêntica matéria tratada neste processo, obtendo liminar autorizando o desembaraço aduaneiro das mercadorias internadas por meio da DI nº 11/08408747, registrada em 09.05.2011, sem o pagamento dos tributos incidentes na respectiva operação". De toda sorte, resta clara a identidade de objetos (que inclusive levaram o Recorrente a pedir o sobrestamento do processo até decisão final do mandado de segurança), o que torna inviável o conhecimento do Recurso nesse aspecto. Assim, cabível o conhecimento e julgamento do item (ii) do Recurso Voluntário, relativo a nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa diante da impetração do mandado de segurança pelo contribuinte. Então, vamos a ele. ii) Da nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa Ora, compulsando os autos fica claro que sua demanda judicial está restrita ao direito à imunidade tributária com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção Fl. 218DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 declarada no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal, guerreado na medida liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança nº 000116513.2011.4.03.6100, impetrado perante a 10ª Vara Cível Federal da Seção de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. Naquela demanda, após ter indeferido seu pedido de antecipação de tutela, o contribuinte interpôs Agravo de Instrumento nº 003096116.2011.403.0000 (processo nº 2011.03.00.0309614/SP), apresentado perante o TRF da 3ª Região, no qual foi deferida a antecipação dos efeitos da tutela recursal (cópia do Relatório junto ao Recurso Voluntário). Dos autos do presente processo depreendese que quando dos fatos geradores dos referidos tributos (II, IPI, PIS e COFINS), ocorridos em 13.04.2011 e 27.04.2011, a impugnante ainda não se encontrava amparada pelos depósitos judiciais do montante integral do crédito tributário lançado nos respectivos autos de infração, uma vez que só se efetivou em 13.09.2011, conforme inclusive afirma a impugnante, tanto que a autoridade competente condicionou o desembaraço das respectivas mercadorias à realização de mencionados depósitos judiciais. Pois bem. Diante disso, todas as suas alegações na esfera administrativa quanto ao tema deixam de ser passíveis de análise, conforme inteligência do art. 1º e 2º do DecretoLei nº 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980, dada a absoluta identidade de discussão com a matéria tratada na via judicial. Acertada, portanto, a decisão recorrida ao reconhecer a renúncia à esfera administrativa. Apenas aproveito o ensejo para transcrever o art. 38 e seu parágrafo único, da Lei de Execuções Fiscais, por serem de clareza hialina: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Não por outro motivo o CARF editou a Súmula nº 01, na qual restou consignado que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.005198/201107 Acórdão n.º 3802004.127 S3TE02 Fl. 216 9 Assim, não há nulidade a ser reconhecida sobre a decisão originária que, acertadamente, reconheceu a existência de concomitância entre o argumento de mérito da impugnação e o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10469.725859/2014-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF 63)
DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA. REQUISITOS.
Para fazer jus à dedução de despesas de Livro Caixa, deve o interessado apresentar o referido Livro devidamente escriturado e comprovar, por meio de documentação idônea, que deduziu as despesas indispensáveis à percepção da renda e à manutenção da fonte produtora de receitas decorrente s do exercício de sua atividade autônoma
Numero da decisão: 2202-003.121
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
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LIVRO CAIXA Recorrente ALCIMAR DE ALMEIDA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF 63) DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA. REQUISITOS. Para fazer jus à dedução de despesas de Livro Caixa, deve o interessado apresentar o referido Livro devidamente escriturado e comprovar, por meio de documentação idônea, que deduziu as despesas indispensáveis à percepção da renda e à manutenção da fonte produtora de receitas decorrente s do exercício de sua atividade autônoma Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 58 59 /2 01 4- 95 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Conforme bem relatado pela Delegacia Regional de Julgamento, em desfavor do contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento (fl. 6 a 17), " relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2011, formalizando a exigência de crédito tributário assim discriminado: imposto suplementar (2904).........................R$17.791,53 multa proporcional (passível de redução).....R$13.343,64 juros de mora (calculados até 08/2014).. .....R$ 3.520,94 total...............................................................R$34.656,11 O lançamento resultou da apuração das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos do Trabalho R$24.943,58 Omissão de Rendimentos Recebidos Acumuladamente R$2.938,87 Dedução Indevida de Previdência Oficial R$1.078,32 Dedução Indevida de Livro Caixa R$86.954,00 Esclarece a autoridade fiscal que os rendimentos não declarados constam de Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF enviadas à Receita Federal pelas fontes pagadoras; que as contribuições à Previdência Oficial não constam dessas DIRFs; que o contribuinte, devidamente intimado, não compareceu para apresentar o Livro Caixa. Cientificado do lançamento em 12/09/2014 (fl. 19), o contribuinte apresentou, em 25/09/2014, a impugnação de fls. 2 a 3. Diz expressamente que concorda com o feito fiscal no tocante às omissões de rendimentos e glosa de contribuições à Previdência Social. Insurgese contra a glosa de dedução do Livro Caixa, alegando que, ainda que não tenha fornecido o Livro Caixa à fiscalização, tornase impossível deixar de reconhecer os dispêndios realizados com o exercício de suas atividades profissionais, compreendidos não só pelas despesas de seu escritório em Natal, mas também por gastos em viagens a diversos municípios do Rio Grande do Norte e Paraíba, onde atua como consultor tributário. Ressalta que forneceu à fiscalização extrato de processos judiciais em andamento em diversas comarcas para acompanhamento, atividade que gera despesas antes mesmo do recebimento de honorários de sucumbência. A Delegacia Regional de Julgamento em Belo Horizonte julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme se verifica pela ementa abaixo transcrita: Fl. 58DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.725859/201495 Acórdão n.º 2202003.121 S2C2T2 Fl. 8 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA. REQUISITOS. Para fazer jus à dedução de despesas de Livro Caixa, deve o interessado apresentar o referido Livro devidamente escriturado e comprovar, por meio de documentação idônea, que deduziu as despesas indispensáveis à percepção da renda e à manutenção da fonte produtora de receitasdecorrentes do exercício de sua atividade autônoma Inconformado o contribuinte apresenta o Recurso Voluntário (fls. 37 a 42) alegando, preliminarmente, que: a) conforme diagnóstico realizado por biópsia no mês de setembro de 2011, ano calendário do presente litígio, foi acometido de Neoplasia Maligna da Próstata, CID 61, tendo, inclusive, requerido ao Ministério de Administração do Rio Grande do Norte, a isenção do Imposto de Renda a que faz juz desde a data do diagnóstico, conforme preceitua o art. 14 da Lei nº 7.713/88. b) que raros são os casos de questionamento da fiscalização acerca das despesas deduzidas a título de livro caixa, sendo notório que tais despesas são normalmente admitidas, razão pela qual entende assitirlhe o direito de conhecer, uma vez que ao caso não se aplica do sigilo fiscal (art. 198 do CTN), os critérios pelos quais suas Declarações de ajuste anual vem sendo, reiteramente, submetidas ao procedimento de malha. Em relação ao mérito aduz que: a) o fato de não ter sido apresentado o livro caixa ou mesmo os comprovantes das receitas e despesas não impede a autoridade julgadora aceite a prova indireta que pode ser produzida utilizando como amostra as despesas realizadas no ano calendário de 2015. b) Na hipótese de não ser admitida a prova indireta produzida com base nos relatórios das despesas mensais realizadas no anocalendário de 2015, restaria ainda, a seu favor, a fixação por arbitramento dos valores de despesas deduzidos na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2011, exercício 2012, conforme autorizado pelo CARF no Acórdão nº 2801003/200995; É o relatório. Voto Fl. 59DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Em relação a preliminar de isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave, verificase que a matéria teve os seus critérios disciplinados nas súmulas 43 e 63 deste Conselho, nestes termos: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. (grifamos) Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (grifamos) A leitura conjunta das duas súmulas permite verificar que os requisitos para o gozo da referida isenção são os seguintes: a) abrange os rendimentos recebidos portadores de moléstia grave, ainda ela tenha sido contraída após a aponsentadoria b) abrange apenas os regimentos provenientes de aposentadoria c) deve ser comporvada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e do Município. De acordo com os fatos narrados e a documentação trazida aos autos, não é possível o reconhecimento da isenção pretendida. Em primeiro lugar, por que não se trata de rendimentos de aposentadoria ou pensão, mas de rendimentos do trabalho autônomo. De todo modo, ainda que assim não fosse, a declaração trazida aos autos (fls. 43) não foi emitida por serviço médico oficial. Da mesma forma, entendo que não compete a esse órgão julgador os esclarecimentos sobre os critérios de fiscalização. Como reconhece o próprio Recorrente, a autoridade fiscal tem o direito de exigir a comprovação das receitas e depesas escrituradas no livro caixa. Sendo assim, entendo que eventual esclarecimentos sobre os critérios de fiscalização deverá ser direcionado a autoridade competente. Em relação ao mérito, verificase que, ao contrário do afirmado pelo Recorrente, a apresentação do livro caixa não é facultativa. Conforme ressaltado pela Delegacia Regional de Julgamento, a obrigatoriedade de sua apresentação está expressamente prevista nos artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 6º, §2º da Lei nº 8.134/90, nestes termos: Lei nº 9.250, de 1995: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.725859/201495 Acórdão n.º 2202003.121 S2C2T2 Fl. 9 5 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...); g) às despesas escrituradas no Livro Caixa, previstas nos incisos I a III do art. 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, no caso de trabalho nãoassalariado, inclusive dos leiloeiros e dos titulares de serviços notariais e de registro. (...). Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9º e 10 da Lei nº 7.713, de 1988. § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livro caixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência . (grifamos) Dessa forma, o pedido de realização de prova indireta com base nos lançamentos relativos ao exercício de 2015, procura inverter o ônus da prova que, nesse caso, é do contribuinte. Isso porque, conforme os dispositivos acima transcritos, somente podem ser deduzidas a título de livro caixa as despesas que, além de satisfazerem as condições impostas na legislação, forem objeto de comprovação documental. No caso em exame, o contribuinte não apresentou o livro caixa e os respectivos documentos durante a ação fiscal, nem tampouco o fez com a impugnação ou recurso. Nesse sentido tem se manifestado esse Conselho: “IRPF DEDUÇÕES DO LIVROCAIXA NÃO COMPROVADAS TRIBUTAÇÃO Quando não comprovadas as despesas de livro caixa,legítima é a tributação da totalidade dos rendimentos do trabalho sem Fl. 61DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 6 vínculo empregatício recebidos de pessoa física, os quais deverão passar a compor a base de cálculo do imposto, apurandose, também, neste caso, o ajuste anual.” (Ac. 10417624, sessão de 14/09/2000) “IRPF DEDUÇÕES LIVRO CAIXA O contribuinte, pessoa física que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, as despesas de custeio indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que comprovadas com documentação hábil e idônea, e devidamente escrituradas no Livro Caixa.” (Ac. 10613540, sessão de 15/10/2003) “IRPF EXS. 1997 1999 DEDUÇÃO LIVRO CAIXA As despesas decorrentes do exercício do trabalho não assalariado somente são dedutíveis quando necessárias à percepção do rendimento e devidamente comprovadas na forma da lei.” (Ac. 10245979, sessão de 19/03/2003) Da mesma forma, improcedente o pedido de arbitramento, uma vez que, como visto, o ônus da comprovação da realização das receitas e despesas constantes do livro caixa é do contribuinte. Além disso, a decisão proferida no Acórdão nº 2801003.827 , além de não tratar de arbitramento, não traz qualquer simulitude com a situação do presente processo. Para tanto, basta a transcrição de parte do relatório da referida decisão: O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fl. 01), esclarecendo que não recebeu nenhuma intimação ou notificação prévia para esclarecimentos, que houve falha do correio na entrega de eventual intimação. Alega que recebeu receitas somente de pessoas jurídicas e que por este motivo somente apareceu despesas no livro caixa e não apareceu receitas. Aduz que os documentos escriturados no livro caixa estão no seu poder à disposição da RFB e requer a revisão dos procedimentos de fiscalização. Diante de todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 62DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006002/2006-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:.Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:.Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. Tratase de auto de infração para cobrança de multa por erro de classificação fiscal e multa por falta de licenciamento para a importação. Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório da decisão recorrida: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 28 .0 06 00 2/ 20 06 -9 6 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11128.006002/200696 Resolução nº 3201000.566 S3C2T1 Fl. 94 2 O interessado foi autuado em face da classificação fiscal incorreta. Foram lançadas multa por falta de licenciamento e multa por erro de classificação. Segundo a autoridade aduaneira, foi rejeitado o enquadramento do produto importado no código 3206.11.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e imputado o código 3206.11.30. Intimado em 16/10/2006, o interessado apresentou impugnação, juntada às fls. 25 e ss., em 16111/2006. Alega: 1. Recolheu a multa proporcional ao valor aduaneiro e juros, mas discorda da multa por falta de licença de importação. 2. Requer seja processado o pagamento feito (Darf em fl. 89) e extinto o crédito tributário. 3. Na declaração de importação, o produto foi descrito como "HOMBIFINE S35 MISTURA DE DIOXIDO DE TITANIO É SIMETHICONE. PÓ BRANCO FINO". A descrição indica a natureza da mercadoria. 4. A correta descrição da mercadoria impede a aplicação da multa impugnada. Cita Ato Declaratório Normativo Cosit n 2 12/1997. 5.. O fato é atípico. Cita doutrina.e julgados. 6. A imposição da multa sem a ocorrência da infração ofende o princípio da moralidade administrativa. Recebida a impugnação pela repartição a quo,. os autos foram remetidos a esta Delegacia de Julgamento e distribuídos ao relator, com 91 fl. Na decisão recorrida afirmase que a descrição apresentada pela Recorrente omitiu informação importante, qual seja, que o produto importado é uma"preparação a base de dióxido de titânio, impregnado com polissiloxano", essencial para o enquadramento no código 3206.11.30, o qual foi imputado pela fiscalização. Assim, o fato de a Recorrente não ter empregado a palavra "preparação", mas . "mistura ensejou a imposição da multa por falta de licenciamento na importação. Em sede de recurso voluntário, alega a Recorrente, em síntese, que inexistiu falta de licença de importação; pois embora tenha descrito corretamente o produto na Declaração de Importação, por um mero equívoco, de acordo com o entendimento da Fiscalização, classificou a mercadoria erroneamente. Nesse caso, aplicável o ADN n.° 12197 da COSIT. É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Fl. 212DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11128.006002/200696 Resolução nº 3201000.566 S3C2T1 Fl. 95 3 Com relação ao recurso voluntário, verificase que esse se circunscreve à aplicação de multa por falta de licenciamento nas importações. Contudo, não está esclarecido nos autos se o produto, com a nova reclassificação fiscal pretendida pela fiscalização, importado pela Declaração de Importação (D.I.) n° 02/06256188, registrada em 16/07/2002, estaria sujeito a licenciamento não automático, sob a égide da Portaria Secex n° 21/96. Portanto, resta claro que é condição necessária para a verificação da subsunção do fato ao tipo sancionatório, a realização de diligência para que a autoridade preparadora providencie esclareça o referido ponto, para que se conclua o julgamento. Destarte, em homenagem ao Princípio da Verdade Material, cumpre ao julgador administrativo buscar a base empírica sobre a qual lastreará o seu convencimento, devendo buscar, de ofício as provas que julgar necessárias. Em face do exposto, proponho a conversão de julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora informe se a mercadoria em questão estaria sujeita ao licenciamento na importação. A Recorrente e a Recorrida devem ser cientificadas dos procedimentos referentes à diligência efetuada para que, desejando, manifestese a respeito, no prazo de 30 dias, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Após, os autos deverão retornar a esta Turma, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 17/12/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13657.000458/2005-17
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001
MONTANTE TRIBUTÁVEL. NOTAS FISCAIS CANCELADAS.
Devem ser excluídas, do montante tributável, o valor das notas fiscais comprovadamente canceladas.
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. CONSTRUÇÃO POR
EMPREITADA.
Comprovado nos autos que a contribuinte pratica atividades diversificadas, a receita bruta auferida fica sujeita ao percentual de presunção correspondente a cada atividade. De acordo com o disposto nos artigos 518 e 519 do RIR/99,
c/c o Ato Declaratório COSIT no. 06, de 1997, as empresas que se dedicam à prestação de serviços de construção por empreitada estão sujeitas ao percentual de presunção de 8% sobre a receita bruta proveniente de serviços onde há emprego de materiais em qualquer quantidade, e ao percentual de 32% sobre a receita bruta proveniente exclusivamente sobre a prestação de
serviços, sem emprego de qualquer material. A prova da origem da receita, se proveniente da atividade de construção com emprego de material ou não, compete à contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.418
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento, em parte, ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 MONTANTE TRIBUTÁVEL. NOTAS FISCAIS CANCELADAS. Devem ser excluídas, do montante tributável, o valor das notas fiscais comprovadamente canceladas. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. Comprovado nos autos que a contribuinte pratica atividades diversificadas, a receita bruta auferida fica sujeita ao percentual de presunção correspondente a cada atividade. De acordo com o disposto nos artigos 518 e 519 do RIR/99, c/c o Ato Declaratório COSIT no. 06, de 1997, as empresas que se dedicam à prestação de serviços de construção por empreitada estão sujeitas ao percentual de presunção de 8% sobre a receita bruta proveniente de serviços onde há emprego de materiais em qualquer quantidade, e ao percentual de 32% sobre a receita bruta proveniente exclusivamente sobre a prestação de serviços, sem emprego de qualquer material. A prova da origem da receita, se proveniente da atividade de construção com emprego de material ou não, compete à contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T19:40:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2283887_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-15T19:40:03Z; Last-Modified: 2010-12-15T19:40:03Z; dcterms:modified: 2010-12-15T19:40:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2283887_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:f7919d88-eb6e-4c5b-b9f0-c127fd641757; Last-Save-Date: 2010-12-15T19:40:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T19:40:03Z; meta:save-date: 2010-12-15T19:40:03Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2283887_0.doc; modified: 2010-12-15T19:40:03Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-15T19:40:03Z; created: 2010-12-15T19:40:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-12-15T19:40:03Z; pdf:charsPerPage: 1923; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-12-15T19:40:03Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 206 1 205 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13657.000458/2005-17 Recurso nº 208.685 Voluntário Acórdão nº 1801-00.418 – 1ª Turma Especial Sessão de 14 de dezembro de 2010 Matéria AI - IRPJ- Lucro Presumido - Percentual de Presunção Recorrente CONSTRUTORA WESA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 MONTANTE TRIBUTÁVEL. NOTAS FISCAIS CANCELADAS. Devem ser excluídas, do montante tributável, o valor das notas fiscais comprovadamente canceladas. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA. Comprovado nos autos que a contribuinte pratica atividades diversificadas, a receita bruta auferida fica sujeita ao percentual de presunção correspondente a cada atividade. De acordo com o disposto nos artigos 518 e 519 do RIR/99, c/c o Ato Declaratório COSIT no. 06, de 1997, as empresas que se dedicam à prestação de serviços de construção por empreitada estão sujeitas ao percentual de presunção de 8% sobre a receita bruta proveniente de serviços onde há emprego de materiais em qualquer quantidade, e ao percentual de 32% sobre a receita bruta proveniente exclusivamente sobre a prestação de serviços, sem emprego de qualquer material. A prova da origem da receita, se proveniente da atividade de construção com emprego de material ou não, compete à contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento, em parte, ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Editado em 14/12/2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de auto de infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, (fls. 102 a 107), lavrado em 05/09/2005, que exige da contribuinte acima identificada o crédito tributário no valor total de R$ 291.962,80, aí incluídos o principal a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas no ano-calendário 2001, descritas no Termo de Constatação Fiscal de fls. 98 a 101, parte integrante da exigência. O agente fiscal relata que a empresa não foi localizada em seu endereço cadastral e todas as intimações foram efetuadas na pessoa do sócio. A partir da entrega de cópias de notas fiscais constatou-se que os valores oferecidos à tributação, pela empresa, no ano-calendário 2001, foram inferiores aos valores apurados a partir da somatória das notas fiscais. Do relatório fiscal extrai-se o seguinte trecho: Consta da legislação que a prestadora de serviços na área da construção civil, e uma vez optante pelo lucro presumido, a base de cálculo do IRPJ é determinada pela aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta (art. 519, §1°, III; §§ 4o. e 6 o . do RIR/99). No entanto, caso a receita bruta anual não atinja R$ 120.000,00, o percentual fica reduzido para 16%, retornando ao original no momento em que a receita bruta acumulada no ano-calendário ultrapasse este valor, devendo, então, a empresa recalcular o IRPJ, ficando sujeita ao pagamento da diferença do imposto postergado, apurado em relação a cada trimestre transcorrido. No ano sob fiscalização a Construtora Weza Ltda, que atuava no ramo de prestação de serviços na área de construção civil, apresentou no 1° trimestre/2001 a receita bruta de R$ 368.381,88, superior ao limite de R$ 120.000,00, portanto, o percentual a ser aplicado é o correspondente a 32 % e não 16 % conforme consta da DIPJ 2002. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13657.000458/2005-17 Acórdão n.º 1801-00.418 S1-TE01 Fl. 207 3 Assim, as diferenças apuradas foram levadas à tributação, de ofício, pelo IRPJ, conforme demonstrativo à fl. 100. Cientificada da exigência, em 05/09/2005, como comprova a cópia do A.R. à fl. 109, a contribuinte, por meio de advogado legalmente habilitado (instrumento de procuração à fl. 123), apresentou a impugnação de fls. 111 a 122, argüindo, em síntese que o auditor teria incluído, indevidamente, na apuração da base de cálculo do imposto, as notas fiscais no.s 000278, 000294, 000296, 000295, 000298, 000299, 000307, 000313 e 000316, que teriam sido canceladas. Afirma ter a autoridade aplicado o coeficiente de presunção de 32% quando o correto seria o de 8%, já que a empresa realiza obras de construção por empreitada e emprega material próprio, conforme seria possível constatar pelo contrato 100/00 (tomada de preços 021/00) e seus anexos. Defendeu, ainda, a ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa Selic e pugnou pela realização de perícia a fim de que fossem respondidos os quesitos formulados à fl. 122. A DRJ em Juiz de Fora/MG converteu o julgamento em diligência, pois algumas vias, apresentadas na fase impugnatória, de determinadas notas fiscais angariadas pela auditoria, continham a expressão “Cancelada”. Assim, determinou a intimação dos destinatários dessas notas fiscais a fim de confirmarem, ou não, o cancelamento de tais documentos fiscais. Como resultado da diligência foi elaborado o Relatório Fiscal de fls. 167/168, no qual o autor do feito fez constar: Tentando esclarecer os fatos, intimei (doc. fl. 169), no dia 02/07/2009 a representante da CAIXA ESCOLAR LUIZ FRANCISCO RIBEIRO, para que respondesse se esta pessoa jurídica pagou pelos serviços descritos nas Notas Fiscais de Serviço no.s 298, de 14/09/2001 e 299 (doc. fls. 130 e 131), emitidas pela CONSTRUTORA WEZA LTDA, CNPJ 86.627.171/0001-60. Atendendo à intimação, a Sra. Maria Luisa Ribeiro Vieira, CPF 611.581.436- 72 representante legal desta Caixa Escolar, respondeu não ter localizado em seus arquivos pagamentos por trabalhos executados que tenham como comprovante da efetividade dos serviços prestados tais documentos fiscais (doc. fl. 172). Além disso, localizou as Notas Fiscais de no.s 300 e 301 (doc. fl. 173), emitidas pela mesma construtora, que, de acordo com seus controles administrativos internos, deram amparo para os pagamentos pelos serviços nelas discriminados, indicando, ao se observar os serviços descritos, que estes documentos fiscais tenham substituídos as Notas Fiscais 298 e 299. Dentro do mesmo objetivo, intimei (doc. fl. 174), no dia 02/07/2009, a PREFEITURA DE ITAJUBÁ, CNPJ /8.025.940/0001-09, para que respondesse se esta pessoa jurídica pagou pelos serviços descritos nas Notas Fiscais de Serviço no.s. 278 294 295 296 307 313 e 316 (doc. fls. 126, 127,128,129, 132, 133 e 134), emitidas pela mesma construtora. Respondendo à intimação o Sr. Jose Benedito de Assis, Secretário Municipal de Finanças da Prefeitura de Itajubá/MG, respondeu que não localizou em seus arquivos pagamentos relativos as notas fiscais acima citadas (doc. fl. 175). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Além disso, esclareceu (doc. fls. 175) que pela descrição dos serviços e valores destas notas fiscais estas foram substituídas pelas notas no.s. 279, 297, 308, 309, 314 e 317 (doc. fls. 176 a 181) emitidas pela mesma construtora, que foram efetivamente pagas. Intimada do resultado da diligência a interessada não se pronunciou. Apreciando o litígio a 1a. Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG proferiu o Acórdão de fls. 186 a 191. Depois de analisar e indeferir o pedido de perícia consignou, no mérito, que as notas fiscais no.s 000278, 000294, 000296, 000295, 000298, 000299, 000307, 000313 e 000316 foram de fato canceladas, razão pela qual foram excluídas do montante tributável. Ainda no mérito, como resultado do cotejo do contrato social, do contrato no. 100/00 (tomada de preços 021/00) e, apoiando-se nas disposições dos artigos 518 e 519 do RIR/99 e Ato Declaratório Normativo COSIT no. 6/97, observou que a contribuinte dedicar-se- ia a atividades diversas, de maneira que algumas delas sujeitar-se-iam ao coeficiente de presunção de 8% (como é o caso da construção civil com fornecimento de materiais) e outras ao coeficiente de 32% (como é o caso da construção civil sem fornecimento de materiais). Assim, relativamente às notas fiscais expressamente vinculadas ao contrato n° 100/00 (tomada de preços 021/00), firmado pela contribuinte junto à prefeitura de Itajubá, com vistas à reforma e ampliação da estação rodoviária do município (fls. 135/160), deveria incidir o coeficiente de presunção de 8%, já que ali teria restado estabelecido que a obra incluiria o fornecimento de materiais pela contratada. Em relação a todas as demais notas fiscais de prestação serviços, como em nenhuma delas haveria indicação do fornecimento de materiais, deveria incidir o coeficiente de presunção de 32%. Afastou os argumentos contra a cobrança de juros Selic e julgou a exigência procedente em parte. Intimada da decisão, em 11/02/2010, conforme quota à fl. 137, formalizou, a contribuinte, Recurso Voluntário acostado às fls. 198 a 203, em 24/02/2010, em face do Acórdão da DRJ/JFA – MG. Em sua defesa alega que, no Acórdão recorrido, os cálculos elaborados estariam incorretos em relação 4 o . Trimestre, pois teria sido mantida a receita em R$ 595.448,36, quando, após a exclusão das notas canceladas, o valor correto deveria ser de R$ 516.867,87. Protestou contra o percentual de presunção do lucro afirmando que todas as suas atividades estariam sujeitas à alíquota de 8%, e que a autoridade julgadora da DRJ teria presumido, a partir do contrato social da empresa, que praticaria atividades diversas. Observa que, em que pese a autoridade julgadora ter reconhecido que em relação às notas vinculadas ao contrato com a Prefeitura de Itajubá, deveria incidir o percentual de 8%, teria deixado de aplicar tal coeficiente sobre as receitas correspondentes a tais notas afirmando, ainda, que 75% de seu faturamento total do período seria advindo de pagamentos efetuados pela Prefeitura de Itajubá. Ao final pugna pela reforma do Acórdão e cancelamento da exigência. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13657.000458/2005-17 Acórdão n.º 1801-00.418 S1-TE01 Fl. 208 5 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Com efeito, tem razão a recorrente, no que concerne ao erro de cálculo da receita bruta em relação ao 4 o . trimestre de 2001, para efeito de incidência do tributo, após a exclusão das notas fiscais canceladas. De acordo com as cópias acostadas às fls. 124 a 132, as notas fiscais canceladas são as seguintes: Período de Referência No. da Nota Fiscal Valor Data emissão Janeiro - 0,00 - Fevereiro - 0,00 - Março 278 22.042,14 08/03/2001 1 o . Trimestre (soma) 22.042,14 Abril - 0,00 - Maio - 0,00 - Junho - 0,00 - 2 o . Trimestre (soma) 0,00 Julho - 0,00 - 294 100.066,35 28/08/2001 Agosto 296 100.066,35 28/08/2001 295 100.066,35 03/09/2001 298 3.916,00 14/09/2001 Setembro 299 3.097,00 N/c (*) 3 o . Trimestre (soma) 307.212,05 307 165.717,65 25/10/2001 Outubro 313 117.212,54 10/2001 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 Novembro 316 49.810,92 03/11/2001 Dezembro - 0,00 - 4o. Trimestre (soma) 332.741,11 (*) apesar de não constar a data de emissão dessa nota fiscal, ela foi considerada como emitida em setembro/2001, não tendo sido ofertada, pela defesa, nenhuma oposição contra esse fato. Pelo demonstrativo elaborado pela autoridade julgadora de 1 a . instância, à fl. 190, verifica-se que não foi computada, na soma das receitas excluídas, relativamente ao 4 o . trimestre de 2001, a nota fiscal no. 313, emitida em outubro de 2001, no valor de R$ 117.212,54. E, de acordo com a própria decisão, tal nota foi considerada cancelada, razão pela qual o referido valor de R$ 117.212,54 deverá ser excluído do montante tributável relativamente ao 4 o . trimestre de 2001, conforme demonstrativo acima. Em relação ao protesto da defesa contra o percentual de presunção do lucro, observo que a autoridade julgadora “a quo” não “presumiu” as atividades praticadas pela empresa recorrente. Tais atividades encontram-se descritas nas próprias notas fiscais de prestação de serviços acostadas as folhas 169 a 181, que demonstram que a contribuinte ora exclusivamente presta serviços de mão-de-obra de construção civil, ora presta serviços com emprego de material. Além disso, as atividades também encontram-se descritas na Sexta Alteração Contratual, à fl. 124. E, por se revestir das formalidades legais necessárias, não há como contestar a validade jurídica das notas fiscais e da referida Alteração Contratual, esta última devidamente registrada e arquivada junto à Junta Comercial do Estado de Minas Gerais. Portanto, comprovado está que a recorrente pratica atividades diversificadas, sujeitando-se, assim, ao percentual de presunção correspondente a cada atividade. De acordo com o disposto nos artigos 518 e 519 do RIR/99, c/c o Ato Declaratório COSIT no. 06, de 1997, as empresas que se dedicam à prestação de serviços de construção por empreitada estão sujeitas ao percentual de presunção de 8% sobre a receita bruta proveniente de serviços onde há emprego de materiais em qualquer quantidade, e ao percentual de 32% sobre a receita bruta proveniente exclusivamente sobre a prestação de serviços, sem emprego de qualquer material. A prova da origem da receita, se proveniente da atividade de construção com emprego de material ou não, compete a contribuinte. Assim, havendo prova de que a receita tem origem em prestação de serviços de construção com emprego de materiais, tais como notas fiscais e contratos de prestação de serviços, sobre essa receita deve ser aplicado o percentual de 8%. Se não houver prova do emprego de materiais, sobre a receita da prestação de serviços de construção por empreitada deve incidir o percentual de 32%. Nesse sentido, nenhum reparo deve ser feito no Acórdão da autoridade julgadora de 1 a . instância que perfeitamente identificou, nos documentos acostados aos autos, a origem das receitas auferidas pela empresa recorrente. Aos valores consignados nas notas fiscais vinculadas ao contrato pactuado com a Prefeitura de Itajubá, fez incidir o percentual de presunção de 8% pois restou comprovado o emprego de materiais. Sobre as demais notas, não havendo descrição de emprego de materiais, fez incidir o percentual de 32%. Tudo de acordo com a legislação de regência. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir, do montante tributável referente ao 4 o . trimestre de 2001, o valor de R$ 117.212,54. Sala de Sessões, 14 de dezembro de 2010. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13657.000458/2005-17 Acórdão n.º 1801-00.418 S1-TE01 Fl. 209 7 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 15/12/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 10940.001051/00-75
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 1998
Ementa: SAÍDAS COM SUSPENSÃO PARA DEPÓSITO FECHADO.
Sairão com suspensão do IPI os produtos remetidos por estabelecimento
industrial a depósitos fechados.
PAPEL IMUNE. DESTINAÇÃO LEGAL.
Ocorrendo a destinação constitucionalmente prevista, aplica-se a imunidade para
o papel saído sem incidência do IPI.
Recurso de oficio negado
Numero da decisão: 202-18.329
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. Fez sustentação oral o Dr. Leonardo Bueno, OAB/DF n2 22.403, advogado da recorrente.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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CCO2/CO2 Fls. I , MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES J;X4.,,ej'keo,. SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10940.001051/00-75 Recurso e 124.777 De Oficio , coorrbtOteg , conselhO "gelai Matéria IPI voo Acórdão n° 202-18.329 de RebriC* Sessão de 20 de setembro de 2007 Recorrente DRJ EM PORTO ALEGRE - RS Interessado Inpacel - Indústria de Papel Arapoti S/A Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 1998 Ementa: SAÍDAS COM SUSPENSÃO PARA DEPÓSITO FECHADO. Sairão com suspensão do IPI os produtos remetidos por estabelecimento industrial a depósitos fechados. PAPEL IMUNE. DESTINAÇÃO LEGAL. Ocorrendo a destinação constitucionalmente prevista, aplica-se a imunidade para o papel saído sem incidência do IPI. Recurso de oficio negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONT ' BUíNT-Epor unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. Fez • stentação oral o \Dr. Leonardo Bueno, OAB/DF n2 22.403, advogado 1 da recorrente. MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL ANT. * II • '1.9 A'L IM Brasília, 04" / I / Presidente Ivone Cláudia Silva Castro 1,, Mat. Siape 92136 • À GkV0.2t. ALENCAR , Rela r ParticiParam, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente), Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez López. ; • Processo n.° 10940.001051/00-75 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.329 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBLINTES Fls. 2 CONFERE COMO ORIGINAL ON-Brasília. • Ivana Cláudia Silva Castro Relatório Mat. Sia e 92136 • Trata O presente processo de auto de infração de IPI, do período de 01/01/1998 a 31/12/1998, lavrado em decorrência das seguintes irregularidades: - a contribuinte deu saída, sem tributação, a insumos adquiridos de terceiros e enviados a outros estabelecimentos da mesma firma; - houve utilização indevida do instituto da suspensão, previsto no art. 36, XI, do RIPI/82 (art. 40, III, do RIM/98), nas remessas de papel para o recinto da empresa transportadora; - houve o descumprimento das condições para a imunidade do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, nas remessas a pessoas que não são empresas jornalísticas ou editoras. Foi apresentado impugnação tempestiva, parcial, na qual é informado que: - devido à falta de espaço no estoque em alguns meses do ano de 1998, parte da produção foi remetida a uma empresa transportadora, que também presta serviços de armazenagem, sendo certo que da operação "remessa para depósito" inocorre prejuízo ao Fisco, porque a mercadoria é retomada ao estabelecimento remetente. Não foi lançado o imposto por se tratar de produto imune; - quanto às saídas imunes, informa que além de vender diretamente para empresas que produzem livros, jornais e periódicos, também comercializa papel através de distribuidoras revendedoras, o que facilita a aplicação da imunidade tributária; - o papel imune foi vendido às empresas que cita, que estão aptas a comercializá-lo na qualidade de editoras, gráficas ou distribuidoras, como demonstram os respectivos contratos sociais e Atos Declaratórios expedidos pela SRF; - conforme declarações _dos adquirentes, que anexa, o papel imune teria se destinado exclusivamente à revenda para gráficas e editoras, para a impressão de livros, revistas e periódicos; - a imunidade do papel é objetiva, enquanto estiver circulando, inegável o direito à não tributação, só podendo ser cobrado o imposto se houver desvirtuamento do consumo final; cita legislação e parecer normativo CST em seu favor; - cita, por fim, decisão da St SRRF, que reconhece a imunidade de veículo impresso publicado por sindicato e ao papel destinado à sua impressão. Remetidos os autos à DRJ em Porto Alegre - RS, foi o lançamento parcialmente mantido, pelos seguintes fundamentos: , - o agente autuante entendeu que as operações classificadas como remessa para depósito fechado não configuram a referida operação, devendo ser lançado o IPI suspenso; a DRJ entendeu de forma diferente, pois o objeto social dos ditos depósitos é, também, o de • . ' MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 10940.001051/00-75 CONFERE COMO ORIGINAL CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.329 Brasília, tiN" / li / 10N- Fls. 3 lvana Cláudia Silva Castro 1 Mat. Siape 92136 4'"' t I exercer atividade de armazenamento, como também pelo fato de todas as saídas e entradas encontrarem-se devidamente documentadas; por tal, excluída é esta parte do lançamento; - quanto às saídas com imunidade, a documentação trazida aos autos pela contribuinte atesta que parte das aquisições glosadas encontra-se sob o amparo da imunidade, ficando demonstrado, em tese, que estaria sendo dada a destinaçãO prevista na CRFB, como por exemplo as remessas para o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, que foi habilitado pela própria SRF para adquirir papel importado com imunidade; da mesma forma, são excluídas da glosa, as remessas para a sociedade Vicente Palotti, por conta e ordem da Editora Fotoletras Ltda., como também da Editora Gráficos Burti Ltda. e Kriativa Gráfica e Editora Ltda. É mantida a glosa para as demais operações, conforme decisão de fl. 812. Da referida decisão, a DRJ recorre de oficio. É o Relatório. \ . , , , 1 , 1 -t. .. : .. , \.1. NI ii i II , , „ .. . 1 .., , • Processo n.° 10940.001051/00-75 N CCO2/CO24/ • MF - SEGUNDO CONSEL110 DE CONTRIBUITESAcórdão n.° 202-18.329 CONFERE COM O ORIGINAL 1 Fls. 4 Brasília, OV f I\ n01___" [varia Cláudia Silva Castro It, - Mat. Sia e 92136 Voto Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator Quanto às saídas com suspensão do IPI, resta constatado que a empresa Ouro Verde Transporte e Locação Ltda. exerce a atividade de armazenagem, como se vê em seu contrato social às fls. 427/434. Além disso, estão devidamente documentadas no processo tanto as saídas com suspensão para o depósito da referida empresa como seu retorno para o estabelecimento da impugnante. Assim, correta a decisão recorrida. Quanto às saídas-ó-Mi a imunidade do IPI, resta também constatado que seu destino foram editoras, gráficas e empresas que realizam a edição de jornais, são citados . exemplos, já mencionados no relatório, neste sentido. Assim, nego provimento ao recurso e adoto a fundamentação da decisão recorrida, que passa a fazer parte do presente voto. \S la das Sessões, em 20 de setembro de 2007. GU O KEL ENCAR 1 , -, ., ,.. .. , , I - \ Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10945.001270/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2007, 2008
Ementa:
ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. SANÇÃO.
As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, ficando sujeitas à multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta do período, até o máximo de um por cento, quando deixar de cumprir o prazo estabelecido para apresentação dos referidos arquivos e sistemas.
INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1301-001.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2007, 2008 Ementa: ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. SANÇÃO. As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, ficando sujeitas à multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta do período, até o máximo de um por cento, quando deixar de cumprir o prazo estabelecido para apresentação dos referidos arquivos e sistemas. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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APRESENTAÇÃO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. SANÇÃO. As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, ficando sujeitas à multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta do período, até o máximo de um por cento, quando deixar de cumprir o prazo estabelecido para apresentação dos referidos arquivos e sistemas. INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 12 70 /2 00 9- 78 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.001270/200978 Acórdão n.º 1301001.890 S1C3T1 Fl. 142 2 Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.001270/200978 Acórdão n.º 1301001.890 S1C3T1 Fl. 143 3 Relatório COMERCIAL DESTRO LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, que manteve, na íntegra, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Cuida o processo de exigência de MULTA REGULAMENTAR, formalizada com base nas disposições dos artigos 11 e 12, inciso III, da Lei nº 8.218, de 1991, na redação dada pelo art. 72 da MP nº 2.15834, de 2001, vez que não foram apresentados no prazo estabelecido os arquivos e sistemas requisitados pela Fiscalização. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 50/67), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: fazendo referência ao art. 97 do CTN, afirmou que tanto o estabelecimento da obrigação acessória quanto a fixação de penalidade pelo seu descumprimento é conferida à lei, dentro do principio da legalidade estrita em matéria fiscal, não podendo ser delegado tal poder, sob pena de nulidade; que as obrigações acessórias só podem ser criadas por lei formal, conforme artigos 5°, II, 150, I da CF/88, 97, V e 113, § 3° do CTN, e que o art. 11 § 2° da Lei 8.218/91, com a redação original e § 3° com a redação da MP 2.15834/01 comete verdadeira delegação legislativa ao Secretário da Receita Federal em afronta ao art. 2° da CF/88, que assegura a independência e harmonia dos poderes da União; que as obrigações acessórias, além de somente poderem ser criadas por lei, devem obedecer aos princípios da legalidade, não confisco, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade e eficiência, todos eles positivados pela Lei 9.784/99; que a legitimidade do decreto, ou mesmo das instruções normativas, deve encontrar abrigo e observar os limites estabelecidos por lei anterior, e que devem ser observadas as seguintes premissas: i) o decreto regulamentar deverá se ater aos limites fixados pelo legislador, sob pena de violação ao principio da legalidade e da repartição de poderes; ii) é necessário que o aplicador, vinculado à legislação, indique o motivo fático que enseja a sua aplicação; iii) deve haver adequação entre o dever formal/acessório descumprido com o quantum da penalidade a ser exigida, atendendose, assim, aos princípios sociais do não confisco, da proporcionalidade, da razoabilidade, da moralidade e da eficiência; contestou o art. 11, § 3° da Lei 8.218/91, que confere poderes ao Secretário da Receita Federal para fixar o prazo e a forma de apresentação dos arquivos magnéticos, e que foi delegado ao Coordenador Geral do Sistema de Fiscalização a fixação através de um Manual de Orientação para Apresentação de Arquivos Magnéticos, conforme art. 3 ° da IN SRF n° 86/2001, cabendo à mesma autoridade, mediante Ato Declaratório Executivo, estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.001270/200978 Acórdão n.º 1301001.890 S1C3T1 Fl. 144 4 que as autoridades referenciadas no item anterior chegaram ao cúmulo de detalhar como devem ser feitos tais arquivos, de sorte a poderem identificar fornecedores por produtos, como dados individuais de cada um deles, e, além do mais, exigem os programas "fonte" que contêm as especificações técnicas e que pertencem ao seu produtor e sobre eles pesa a lei do direito autoral, ficando tais programas sujeitos a serem copiados, pois serão abertos por terceiros que, embora tenham a obrigação do sigilo fiscal, são seres humanos, o que prova que tal obrigação acessória agride também o principio da inviolabilidade de dados, previsto no art. 5°, XII da CF/88, dados estes que só poderão ser obtidos com ordem judicial; que a delegação antes citada agride o princípio da legalidade cerrada na criação de obrigação acessória e o princípio da razoabilidade, que devem informar a administração pública, tendo ocorrido verdadeira delegação legislativa, o que é vedado pela Constituição, pois ofende o principio da separação dos poderes; que o seu equipamento teria sido danificado, o que impossibilitou o cumprimento da exigência; que o dano deuse por caso fortuito, imprevisível e inevitável; que entregou o que possuía, sendo que o Fisco poderia perfeitamente examinar os livros contábeis da empresa, e apurar o que lhe aprouvesse; que o autuante afronta o prescrito no art. 112 do CTN, que determina a interpretação mais favorável ao acusado; que a multa aplicada adquire natureza confiscatória, calculada em percentagem da totalidade da receita bruta da empresa, atingindo a cifra de mais de R$ 18.000.000,00, agredindo, assim, o principio implícito da proporcionalidade. A já citada 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0624.610, de 26 de novembro de 2009, pela procedência do lançamento. O referido julgado restou assim ementado: MULTA. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. PREVISÃO LEGAL. REGULAMENTAÇÃO AUTORIZADA. É correta a multa lançada pelo falta de entrega de arquivos magnéticos, que tem amparo legal, sendo descabida a alegação de extrapolação da lei pelos atos normativos, já que a regulamentação dada encontrase expressamente autorizada pelo legislador ordinário. MULTA. FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. ALEGAÇÃO DE DANIFICAÇÃO DO HD E INEXISTÊNCIA DE BACKUP. REINCIDÊNCIA. INVEROSSIMILHANÇA. É inverossímil a justificativa de falta de apresentação de arquivos magnéticos, sob o pretexto de danificação do HD e inexistência de backup, em vista da simplicidade com que as operações de backup são realizadas, do custo ínfimo, quando comparadas ao risco de sua não utilização, e do atual estágio da tecnologia de redes, capaz de interligar todos os computadores de uma corporação, o que torna inaceitável a versão de que uma empresa, reincidente nesta infração, e que fatura em Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.001270/200978 Acórdão n.º 1301001.890 S1C3T1 Fl. 145 5 torno de um bilhão de reais por ano, arquive dados vitais de sua contabilidade em servidor, de forma estanque do resto da companhia. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 102/121, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória É o Relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.001270/200978 Acórdão n.º 1301001.890 S1C3T1 Fl. 146 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de exigência de MULTA REGULAMENTAR, formalizada com base nas disposições dos artigos 11 e 12, inciso III, da Lei nº 8.218, de 1991, na redação dada pelo art. 72 da MP nº 2.15834, de 2001, vez que não foram apresentados no prazo estabelecido os arquivos e sistemas requisitados pela Fiscalização. Cronologicamente, os fatos apurados foram os seguintes: i) em 17 de abril de 2009, a contribuinte foi intimada a apresentar, no prazo de trinta dias, os arquivos digitais de notas fiscais de entrada e saída de todas as suas unidades (matriz e filiais), da contabilidade, da folha de pagamento e do relacionamento entre as contas da contabilidade e os tributos federais, referentes aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008 (Termo de Intimação de fls. 03/05, aviso de recebimento às fls. 06); ii) em 18 de maio de 2009, a contribuinte solicitou prorrogação do prazo para apresentar os arquivos digitais requisitados, o que foi deferido com o estabelecimento de novo prazo, conforme registro feito no documento de fls. 07 (“prazo prorrogado para 08/06/2009”); iii) em 09 de junho de 2009, por meio de correspondência eletrônica (email), a autoridade fiscal responsável pela solicitação, atendendo pedido formalizado pela mesma via, deferiu nova prorrogação, estabelecendo que os arquivos deveriam ser apresentados até 12 de junho de 2009 (fls. 10); iv) em 12 de junho de 2009, por meio de correspondência datada de 05 de junho do mesmo ano, a contribuinte informou (fls. 11): Em atendimento a MPF acima identificada anexamos CD: Arquivo de notas fiscais entradas e saídas item 1; Arquivo contábeis item 2; Folha de pagamento item 3; contas de contabilidade item 4; Deixamos de entregar os arquivos contábeis anos calendários 2006 e 2007; notas fiscais de entradas e saídas filial 2 CNPJ 76 062 488/000739 anos calendários 2006 e 2007; folhas de pagamentos anos calendários 2006 e 2007 e Contas de Contabilidade anos calendários 2006 e 2007 em decorrência de danificação dos HDS e impossibilidade de recuperação dos dados. Informamos ainda que as informações das demais filiais não foram prejudicadas porque cada unidade possui 1 servidor local para armazenar os dados das notas fiscais, sendo que Contabilidade e Departamento Pessoal são centralizados na unidade 2 CNPJ 76062488/000739. Para comprovação do fato anexamos laudo do técnico responsável bem como nota fiscal de compra do novo equipamento. Sendo o que se apresenta para o momento colocamonos à disposição de V.Sas, para eventuais esclarecimentos. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.001270/200978 Acórdão n.º 1301001.890 S1C3T1 Fl. 147 7 v) a contribuinte anexou à correspondência acima referenciada DECLARAÇÃO, na qual foi consignado o seguinte esclarecimento: Declaro para os devidos fins que em janeiro de 2008 em decorrência da danificação dos HDS da Filial 2 Unidade de Cascavel, efetuamos a troca dos servidores cfe. Nota fiscal de compra n° 02900, (xerox anexo) não sendo possível recuperar os dados, tendo em vista que não possuímos backup em fita, sendo que só foi possível a partir de novembro de 2008 com a compra da unid. Fita LTO TANBERG 420 cfe. Nota fiscal n° 003338 (xerox anexo). vi) em 12 de junho de 2009, a contribuinte encaminhou o seguinte esclarecimento: Em atendimento a MPF acima identificada, informamos que deixamos de entregar os arquivos de notas fiscais da filial 03 CNPJ 76 062 488/001115 estabelecida na cidade de Cascavel, Pr, à Av. Brasi 135 e da filial 4 CNPJ 76 062 488/000577, estabelecida na cidade de Curitiba, Pr, à rua Dilson Luiz 660 pelo fato de que não conseguimos gerar os referidos arquivos tendo em vista a incompatibilidade do nosso sistema com o exigido pela da Receita Federal, tendo que ser feitas adaptações para geração dos mesmos, e o tempo concedido não foi suficiente para atendimento completo da MPF. Diante do exposto, solicitamos novo prazo para entrega dos referidos arquivos. vii) conforme registro feito no corpo do próprio documento de solicitação, o prazo foi prorrogado para 19 de junho de 2009 (fls. 16); viii) em 19 de junho de 2009, a contribuinte apresentou os arquivos digitais correspondentes às notas fiscais da filial 03 (CNPJ 76.062.488/001115) e da filial 4 (CNPJ 76.062.488/000577) – fls. 17; ix) em 25 de junho de 2009, a autoridade fiscal requisitante, historiando os fatos até então ocorridos, consignou em Termo de Intimação as seguintes informações (fls. 18/19): Por solicitações do contribuinte, houve dilação do prazo para atendimento da intimação e, nos dias 12/06/2009 e 19/06/2009, o contribuinte apresentou parte dos arquivos digitais requisitados, porém comunicou o seguinte: "Deixamos de entregar os arquivos contábeis anos calendários 2006 e 2007; notas fiscais de entradas e saídas filial 2 CNPJ 76 062 488/000739 anos calendários 2006 e 2007; folhas de pagamentos anos calendários 2006 e 2007 e Contas de Contabilidade anos calendários 2006 e 2007 em decorrência de danificação dos HDS e impossibilidade de recuperação dos dados". Em razão do alegado, há que se dizer que as sociedades empresariais devem ter mecanismos de cópia de segurança (backup) que garantam a segurança quanto à disponibilidade da escrituração contábil digital em casos de extravio e desastre computacional. Esse procedimento prudente é básico e notório, de modo que a justificativa apresentada pelo contribuinte é inaceitável. Os arquivos digitais não apresentados representam quase dois terços dos itens requisitados no Termo de Intimação de 15/04/2009. Diante do exposto e considerando o prazo anterior decorrido, REENTIMAMOS o contribuinte, no Fl. 149DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.001270/200978 Acórdão n.º 1301001.890 S1C3T1 Fl. 148 8 prazo improrrogável de 20 dias, a apresentar os arquivos digitais que deixaram de ser entregues. Alertamos novamente o contribuinte de que: • O não atendimento desta intimação, cuja obrigação encontrase expressa no artigo 11 e §3° da Lei n° 8.218/91, com redação dada pela Medida Provisória n° 215835/01, ensejará a aplicação de multas previstas no artigo 12 da mesma Lei. Reproduzimos abaixo os mencionados dispositivos legais: ... x) em resposta recepcionada em 14 de julho de 2009, a contribuinte informou que não foi possível recuperar os dados solicitados, esclarecendo que a danificação dos discos rígidos se deu por “caso fortuito”, “fato confirmado pela empresa” (fls. 21). Às fls. 24/35, constam fichas das DIPJ referentes aos anos de 2006 e de 2007, por meio das quais podese verificar que a contribuinte apresentou faturamento bruto da ordem de setecentos e noventa e um milhões e um bilhão e trinta e dois milhões, respectivamente. Tal fato revelase importante na medida em que demonstra, na linha do sustentado pelo ato decisório recorrido, que não estamos diante de uma pequena empresa, sujeita, portanto, a incidentes diversos capazes de comprometer seu acervo informatizado, sem que nenhuma providência pudesse ser tomada no sentido de restaurar as informações ali contidas. Tratase, na verdade, de contribuinte com significativo faturamento, sujeito, inclusive, a acompanhamento diferenciado por parte do Fisco, conforma registra o Termo de Verificação Fiscal de fls. 36/39. Chama a atenção, também, o fato de a Recorrente já ter sido penalizada por não ter apresentado os arquivos digitais relativos às notas fiscais de entrada e saída do período de maio de 2001 a dezembro de 2002 (processo nº 10945.011219/2003891, conforme registro no Termo de Verificação Fiscal). No campo probatório, embora a Recorrente tenha feito menção de que o “caso fortuito” foi por ela confirmado, só identifico nos autos uma DECLARAÇÃO em que um suposto representante de uma empresa denominada BELLI & OLIVEIRA LTDA – ME, que, a julgar pela cópia da nota fiscal de fls. 15, dedicase à instalação de rede local e atividades afins, afirma ter promovido a troca de servidores, em razão de, em janeiro de 2008, terem sido danificados HDs da FILIAL 2 UNIDADE CASCAVEL da contribuinte. Com o devido respeito, a justificativa não pode ser admitida, pois, como assinala a autoridade fiscal, “ainda que não tenha tomado qualquer providência para a reconstituição dos arquivos digitais antes do início desta ação fiscal, decorreram 88 dias entre a data da ciência do primeiro Termo de Intimação e o dia 14/07/2009, de modo que foi concedido tempo mais que suficiente para que o contribuinte pudesse providenciála sem estar sujeito à aplicação de multa, porém não o fez, optando por ficar inerte e alegar simplesmente a danificação dos HDs”. 1 Informações colhidas junto ao sítio do CARF na INTERNET, dão conta de que o lançamento objeto do referido processo foi mantido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão nº 910100.285, de 24 de agosto de 2009). Fl. 150DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10945.001270/200978 Acórdão n.º 1301001.890 S1C3T1 Fl. 149 9 Alinhome, assim, ao esposado no ato decisório recorrido no sentido de que, tratandose de uma empresa do porte da Recorrente, a explicação revelase inverossímil, e, ademais, “os documentos trazidos pela impugnante somente certificam que um servidor queimou e foi reparado, e que uma unidade de fita foi adquirida. Dai a dizer que tal equipamento operava de forma isolada do resto da companhia, e que, por azar, lá estavam os dados que interessavam ao fisco, vai uma distância insuperável.” Afasto, também, a alegação de que a lei não poderia delegar à Administração Tributária a fixação de penalidade, visto que não é disso que trata a lei que serviu de suporte para a aplicação da sanção. Com efeito, a Lei nº 8.218, de 1991, em seus artigos 11 e 12, obriga as pessoas jurídicas que utilizam processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, a manter, à disposição do Fisco, os respectivos arquivos digitais e sistemas, e fixa as penalidades para os casos de inobservância de suas disposições. Ao Fisco, tão somente transmite autorização para que ele estabeleça a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas devem ser apresentados. Não estamos diante, pois, de criação de obrigação por meio de ato administrativo normativo, mas, sim, do estabelecimento, por meio dos referidos atos, de meios capazes de tornar exeqüível no plano concreto a obrigação criada pela lei. No que diz respeito às supostas inconstitucionalidades suscitadas pela Recorrente, cumpre apenas consignar que este Colegiado não detém competência para apreciá las, conforme súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 01/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/0 2/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 15586.001358/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Kleber Ferreira de Araujo e Ronnie Soares Anderson, que negavam provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Recorrente MULTILIFT TERMINAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. SEM INSCRIÇÃO PAT. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Kleber Ferreira de Araujo e Ronnie Soares Anderson, que negavam provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 58 /2 01 0- 73 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, devidas por esses segurados e não descontadas de suas remunerações, para as competências 03/2006 a 12/2007. O Relatório Fiscal (fls. 20/23) informa que fato gerador decorre do fornecimento de auxílioalimentação sob a forma de ticket refeição e visavale, sem estar inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 26/10/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 27/150), alegando, em síntese, que o beneficio não tem natureza remuneratória e o fato de a empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador não é suficiente para a modificação da natureza do instituto, consoante precedentes jurisprudenciais. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1240.970 da 10a Turma da DRJ/RJOI (fls. 154/159) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que os valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001358/201073 Acórdão n.º 2402004.721 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não há incidência de contribuição social previdenciária sobre os valores pagos a título de valealimentação ou alimentação “in natura” sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados, entendo que razão assiste a Recorrente. Verificase que o fato gerador decorrente da presente autuação se refere ao fornecimento pela empresa aos seus empregados de valealimentação in natura, sem inscrição no PAT, conforme ficou delineado no Relatório Fiscal, informando que “a empresa não possui o PAT para o período do presente lançamento”. Com o entendimento do que seja alimentação in natura para fins de tributação previdenciária – visando atender as regras previstas na Lei 6.321/1976, que instituiu o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) –, o art. 503, § 2o e inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, estabelece que a alimentação concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida mediante convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, sendo este o caso do presente processo. Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 503. Para a execução do PAT, a empresa inscrita poderá manter serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades estejam registradas no programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. § 1º Considerase fornecedora de alimentação coletiva: I a operadora de cozinha industrial e fornecedora de refeições preparadas e transportadas; II a administradora da cozinha da contratante; III a fornecedora de alimentos in natura embalados para transporte individual (cesta de alimentos). Fl. 211DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 § 2º Considerase prestadora de serviço de alimentação coletiva a administradora de documentos de legitimação para aquisição de: I refeições em restaurantes ou em estabelecimentos similares (refeiçãoconvênio); II gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais (alimentaçãoconvênio). (g.n.) Dessa regra, percebese que, no âmbito previdenciário, a alimentação in natura concedida aos trabalhadores poderá ser fornecida por meio de valealimentação, desde que este seja utilizado na aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais conveniados com a fonte pagadora. Para a execução do PAT, tal hipótese de fornecimento de alimentação in natura é caracterizada como alimentaçãoconvênio. Para atender a hipótese de não incidência de contribuição previdenciária, esse art. 503 e os artigos 498 e 499, todos da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, não fazem qualquer distinção na modalidade de fornecimento da alimentação in natura pela empresa, podendo esta se dar por meio de serviço próprio de refeição ou de distribuição de alimentos, inclusive os não preparados (cesta de alimentos), bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva (refeiçãoconvênio e alimentação convênio). Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 498. O Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) é aquele aprovado e gerido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 1976. Art. 499. Não integra a remuneração, a parcela in natura, sob forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa regularmente inscrita no PAT aos trabalhadores por ela diretamente contratados, de conformidade com os requisitos estabelecidos pelo órgão gestor competente. § 1º A previsão do caput independe de o benefício ser concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. § 2º O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. § 3º As irregularidades de preenchimento do formulário ou a execução inadequada do PAT, porventura constatadas, serão objeto de formalização de Representação Administrativa dirigida ao MTE. (g.n.) Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 212DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001358/201073 Acórdão n.º 2402004.721 S2C4T2 Fl. 4 5 § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Fl. 213DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com isso, entendese que devem ser excluídos os valores apurados no presente processo oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – fornecidas aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PROVIMENTO, para que sejam excluídos, em sua integralidade, os valores decorrentes da verba paga a título de valealimentação ou salário indireto in natura, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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