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Numero do processo: 10825.001275/2003-71
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA
Período de apuração: 1996
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO —
DENÚNCIA ESPONTÂNEA- 0 instituto da denúncia espontânea para
excluir a responsabilidade por infração não alcança a multa por atraso na entrega da declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.433
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 1996 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA- 0 instituto da denúncia espontânea para excluir a responsabilidade por infração não alcança a multa por atraso na entrega da declaração. Recurso Voluntário Negado.
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente RCIA PERES - Relator EDITADO EM: 2 °Ur 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Maria de Lourdes Ramirez, Rogério Garcia Peres, Sandra Maria Dias Nunes, Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a empresa B. L. ESTACAS E COMÉRCIO LTDA. - ME, foram lavrados 2 (dois) Autos de Infração (fls. 16/17), ambos relativos ao descumprimento de obrigação acessória. 0 primeiro foi lavrado em 10/12/2001 constituindo o crédito tributário devido no ano-calendário de 1995 (exercício 1996), no montante de R$ 414,35 (quatrocentos e quatorze reais e trinta e cinco centavos). Já o segundo foi lavrado em 08/03/2002 constituindo o crédito tributário devido no ano-calendário de 1996 (exercício 1997), também no montante de R$ 414,35 (quatrocentos e quatorze reais e trinta e cinco centavos). As autuações são baseadas na entrega da Declaração de Rendimentos, fora do prazo fixado, ensejando a aplicação da multa de mora por atraso na entrega da declaração de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, ainda que o imposto tenha sido integralmente pago, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e valor mínimo de R$ 414,35 (quatrocentos e quatorze reais e trinta e cinco centavos). Uma vez intimado da lavratura do Auto de Infração, o contribuinte apresentou Impugnação ao presente Auto de Infração, alegando que, conforme prevê o artigo 138 do Código Tributário Nacional, não poderia sofrer qualquer penalidade pela entrega intempestiva da Declaração de Rendimentos. Alegou, também, que deixou de apresentar os recolhimentos dos impostos uma vez que não houve fato gerador para as declarações entregues. Tendo em vista o Despacho DRJ/RPO/SECOJ n° 0177/05 (fls. 22), em 27/04/2005 foi transferido deste para o Processo Administrativo n° 10825.000752/2005-43, o crédito tributário, relativo ao exercício de 1997 (fls. 24). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirao Preto/SP, ao apreciar a Impugnação apresentada houve por bem, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte o lançamento, em Acórdão (fls. 29/32), baseando-se nos seguintes argumentos: I — 0 artigo 138 do Código Tributário Nacional não se refere as obrigações acessórias, mas somente à obrigação principal; Processo n° 10825.001275/2003-71 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.433 Fl. 2 II — A multa deve ser reduzida para R$ 200,00 em obediência ao principio da retroatividade benigna, em face A. alegação de inatividade da pessoa jurídica no ano calendário 1995. Uma vez intimado (fls.36/37), o contribuinte em 02/02/2006, apresentou Recurso Voluntário, reinterando os argumentos utilizados na Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO GARCIA PERES, Relator 0 recurso é tempestivo e dele conheço. Pretende a Recorrente que o fato de ter denunciado espontaneamente a infração (atraso no cumprimento da obrigação acessória) mediante a apresentação da declaração seja suficiente para afastar a multa, com fulcro no art. 138 do CTN. Esse entendimento, contudo, não pode prosperar. 0 fato tipo penalizado com a multa é a apresentação em atraso da declaração. Sendo a mora no cumprimento da obrigação elementar do tipo, não lid como afastá-la ao argumento de que o contribuinte denunciou a infração ao cumprir a obrigação com mora. Essa, aliás, a posição do STJ, conforme dá conta o Informativo STJ n° 299 (02/10 a -6/10/2006), que informa que "A Turma reafirmou que o atraso na entrega da declaração de imposto de renda constitui infração formal e a denúncia espontânea dessa infração não afasta a multa. Precedentes citados: REsp 243.241-RS, DJ 21/8/2000; REsp 363.451-PR, DJ 15/12/2003; EREsp 576.941-RS, DJ 2/5/2006, e EREsp 195.046-GO, DJ 18/2/2002. REsp 591.726-GO, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 5/10/2006." Diante do expo to neto pr vimento ao recurso. RO IA PERES - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000967/2006-50
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Exercício: 1998
OPÇÃO.
São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.
Numero da decisão: 1801-000.507
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento em parte ao recurso voluntário para admitir a inclusão retroativa no Simples, relativamente aos anos-calendário de 1998 e 1999, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 1998 OPÇÃO. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.
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São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento em parte ao recurso voluntário para admitir a inclusão retroativa no Simples, relativamente aos anoscalendário de 1998 e 1999, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, André Lemes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13629.000967/200650 Acórdão n.º 180100.507 S1TE01 Fl. 69 2 Relatório A Recorrente formalizou em 08/06/2006 o Pedido de Inclusão Retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, fl. 01, a partir de 14/04/1997, ao argumento de que preenche os requisitos legais desde o início de suas atividades. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 28/29, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido de inclusão retroativa concluindo: 4. No entanto, o contribuinte, a despeito de sua opção, não entregou a PJ Simplificada referente ao anocalendário 1997, exercício 1998, e sim apresentou DIRPJLucro Presumido. Esse procedimento não confirma os argumentos do contribuinte, esposadas à folha 01, de optante pela Sistemática Simplificada desde sua inscrição. 5. Além do mais, a reclamação do contribuinte se dá após decaído o direito da Fazenda Nacional, o que invalida a possibilidade de revisão de oficio, conforme § único, art. 149 do CTN. Cientificada em 23/11/2006, fl. 30, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 21/12/2006, fls. 32/33, com as alegação a seguir resumidas. Suscita que à época de sua constituição apresentou a FCPJ com opção pelo Simples, que não foi regularmente processada. Defende que nos anos de 1997 e de 2003 e seguintes transmitiu as DIPJ pelo lucro presumido por equívoco, já que não foram aceitas pela sistemática do Simples. Conclui Diante do exposto acima, solicitamos revisão no processo, para manutenção da empresa na modalidade SIMPLES, ou caso não seja possível a alteração de imediato, pelo menos seja regularizado a situação quanto as obrigações acessórias, dando baixa nas declarações ausentes (DCTF's 2003/2004/2005) e qualquer outra obrigação que esteja pendente de regularização em função da modalidade lucro presumido, possibilitando a liberação da Certidão Negativa da mesma, devido a empresa não ter sido responsável pela NÃO INSCRIÇÃO DA MESMA NO CADASTRO DA SRF e esta sendo extremamente prejudicada com a situação criada. Nestes termos. Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0922.382, de 04/02/2009, fls. 53/55: “Solicitação Indeferida”. Está ementado Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13629.000967/200650 Acórdão n.º 180100.507 S1TE01 Fl. 70 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 INCLUSÃO RETROATIVA. É incabível a inclusão retroativa ao Simples quando não identificada a intenção inequívoca de aderir àquele sistema, por meio de pagamentos mensais efetuados por DarfSimples e da apresentação da Declaração Anual Simplificada. Notificada em 21/05/2009, fl. 56verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18/06/2009, fls. 57/58, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera seus argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui Diante do exposto acima, solicitamos revisão no processo, para manutenção da empresa na modalidade SIMPLES, ou caso não seja possível a alteração de imediato, pelo menos seja regularizado a situação quanto as obrigações acessórias, dando baixa nas .declarações ausentes (DCTF's 2003/2004/2005/2006) e qualquer Outra obrigação que esteja pendente de regularização em função da modalidade Lucro presumido, possibilitando a liberação da Certidão Negativa da mesma, devido a empresa não ter sido responsável pela NÃO INSCRIÇÃO DA MESMA NO CADASTRO DA SRF e esta sendo extremamente prejudicada com a situação criada. Nestes termos. Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 02 de outubro de 2002, determina: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13629.000967/200650 Acórdão n.º 180100.507 S1TE01 Fl. 71 4 Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Analisando o conjunto probatório que instrui o processo, verificase que nos anoscalendário de 1997, 2003 e 2004 a Recorrente apresentou as Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo lucro presumido e nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002 apresentou DSPJ – Inativa. Assim, por falta do preenchimento dos requisitos legais, neste período restou descaracterizo o seu propósito de aderir ao Simples. Por seu turno, nos anoscalendário de 1998 e 1999, a Recorrente apresentou as DSPJ – Simples e efetivou os pagamentos mensais por intermédio do DarfSimples, fls. 12/15, de modo que cumpriu plenamente as condições legais que comprovam sua intenção inequívoca de aderir ao Simples no período. Em face do exposto voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para incluir a Recorrente no Simples nos anoscalendário de 1998 e 1999. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10880.074688/92-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1988
PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA.
Os créditos decorrentes de operações de mútuo com empresa interligadas somente podem compor a base de cálculo da provisão para créditos de liquidação duvidosa quando se tratar de operação objeto da atividade operacional da empresa.
POSTERGAÇÃO. DECRETO-LEI Nº 1.598/1972, ART. 6º, §5º. RIR/1980, ARTS. 154 E 171. PROVA.
Caberia ao auditor fiscal autuante aplicar os efeitos da postergação, com lançamento de diferença de imposto, correção monetária e juros de mora. A prova de eventual equívoco no lançamento, por falta de aplicação dos efeitos da postergação, compete ao contribuinte. Sem que tenha sido provado qualquer equívoco, é mantido o lançamento tributário.
Numero da decisão: 9101-003.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1988 PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. Os créditos decorrentes de operações de mútuo com empresa interligadas somente podem compor a base de cálculo da provisão para créditos de liquidação duvidosa quando se tratar de operação objeto da atividade operacional da empresa. POSTERGAÇÃO. DECRETOLEI Nº 1.598/1972, ART. 6º, §5º. RIR/1980, ARTS. 154 E 171. PROVA. Caberia ao auditor fiscal autuante aplicar os efeitos da postergação, com lançamento de diferença de imposto, correção monetária e juros de mora. A prova de eventual equívoco no lançamento, por falta de aplicação dos efeitos da postergação, compete ao contribuinte. Sem que tenha sido provado qualquer equívoco, é mantido o lançamento tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 07 46 88 /9 2- 88 Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.313 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ, CSLL e IRFonte quanto ao anocalendário de 1988, com a glosa de despesas / custos por falta de comprovante, glosa de despesas / custos relativos a ativos adquiridos, omissão de receita de correção monetária e glosa de despesa com provisão para créditos de liquidação duvidosa (fls. 57/60). O contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 61/67), que foi parcialmente acolhida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, que reduziu o débito de IRPJ pela comprovação parcial de custos e despesas operacionais e cancelou a exigência de CSLL do ano de 1.988 diante da Resolução do Senado Federal nº 11/1995 (fls. 909/926, volume 2): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1989 Ementa: CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADOS. A escrituração contábil deve estar lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, contendo descrição suficiente para demonstrar estarem os custos/despesas operacionais em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.314 3 VALORES ATIVÁVEIS INDEVIDAMENTE CONTABILIZADOS COMO DESPESAS. Os bens com valor unitário superior ao limite previsto no art. 193 do RIR de 1980 e vida útil superior a um ano devem ser imobilizados, não podendo tais gastos serem deduzidos como despesas operacionais. OMISSÃO DE RECEITA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. VALORES ATIVÁVEIS. Procede a exigência de receita de correção monetária de balanço sobre os bens ativáveis, indevidamente contabilizados como despesas, calculada desde a data de sua aquisição. PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. Os créditos decorrentes de operações de mútuo com empresa interligadas somente podem compor a base de cálculo da provisão para créditos de liquidação duvidosa quando se tratar de operação objeto da atividade operacional da empresa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1989 Ementa: JUROS DE MORA COM BASE NA TRD. Conforme determinação contida na IN SRF n° 32, de 1997, com base na autorização prevista do Decreto n° 2.194, de 1997, ficam excluídos os juros moratórios calculados com base na TRD, no período compreendido entre 04/02/91 a 29/07/91. DECORRÊNCIA. IRRF. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada ã relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao IRRF. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1989 Ementa: CSLL DO PERÍODOBASE DE 1988. Exonerase o lançamento relativo ao resultado apurado no períodobase encerrado em 31/12/88, em face do disposto na Resolução do Senado Federal n° 11, de 1995, art. 17, I, da Medida Provisória n° 1110, de 1995, e suas reedições (convertida da Lei n° 10.522, de 2002), Decreto n°2.194, de 1997 e IN SRF n°31, de 1997, arts. 10,1, e 2°, § 1°. Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.315 4 Lançamento Procedente em Parte O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 979), que foi parcialmente provido pela 3ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, para: (i) reduzir o lançamento a título de glosa de despesas e custos; (ii) cancelar a tributação quanto à provisão para devedores duvidosos; (iii) admitir a depreciação sobre bens ativáveis apropriados indevidamente como despesas (fls. 1.084/1.098, volume 3), em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1988 Ementa: CUSTOS OU DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. Deve ser exonerado o lançamento em relação parcela do valor dos custos ou despesas glosadas como não comprovados cuja documentação probante foi trazida aos autos pelo sujeito passivo; mantendose a exigência em relação àqueles desamparados de prova hábil e idônea. BENS DE NATUREZA PERMANENTE REGISTRO DOS DISPÊNDIOS COMO DESPESAS. Procede a glosa de valores contabilizados como despesas que, por resultarem em aumento de vida útil de bens do ativo ou se referirem a obras de construção civil, deveriam ser registrados no ativo permanente. OMISSÃO DE RECEITA CORREÇÃO MONETÁRIA DOS VALORES ATIVÁVEIS DEDUÇÃO DA DEPRECIAÇÃO. A falta de correção monetária dos recursos aplicados na reforma ou melhoria de bens e que deveriam ser ativados mas foram indevidamente apropriados como despesas, implica em omissão de receita de correção monetária. Entretanto, o sujeito passivo tem direito dedução dos encargos de depreciação incidentes sobre os valores ativados. PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. CONTRATO DE MÚTUO. A provisão para créditos de liquidação duvidosa incide sobre todos os créditos da empresa, à exceção daqueles expressamente excluídos pelo artigo 221 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 85.450/80, não podendo a autoridade fiscal, via interpretação, estender o comando legal para abranger situações nele não previstas. JUROS DE MORA TAXA SELIC. A partir de 1° de abril e 1995, os juros de mora incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. (Súmula 1° CC n° 4). Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.316 5 Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1988 Ementa: CSLL E IRRF LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratandose de autos de infração lavrados como decorrência dos mesmos fatos que implicaram na exigência do IRPJ, aplicamse àqueles o resultado do julgamento referente a este. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Procuradoria foi intimada em 05/06/2008 (fls. 1.101/1.107), interpondo recurso especial em 25/06/2008, com fundamento no artigo 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 147/2007). No recurso especial sustentou a contrariedade à lei (artigos 175 e 191, do RIR/1980, art. 11, do DecretoLei nº 1.598/77 e art. 47, da Lei nº 4.506/1964). A Procuradoria questiona o cancelamento da "tributação sobre a provisão para devedores duvidosos relativa a contratos de mútuo envolvendo pessoa jurídicas ligadas" (reprodução de trecho do recurso), requerendo seja adotado por esta Turma o entendimento do Conselheiro Relator, Leonardo de Andrade Couto, vencido no acórdão recorrido. O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 1.109/1.110): De inicio cabe salientar cumprido o primeiro requisito necessário para a interposição de recurso especial com base no inciso I, do art. 7°, do RICSRF, qual seja, que a decisão tenha sido prolatada por maioria de votos relativamente à matéria recorrida. Quanto às razões do recurso especial, entendo que restou demonstrado, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no §1º, do art. 15, do RICSRI. Então, à vista desses fundamentos e no uso da competência pelo art.15, §4° do RICSRF, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial, por satisfazer os pressupostos regimentais de admissibilidade. Com a intimação do contribuinte em 29/01/2013, este apresentou contrarrazões recurso especial por via postal, remetido em 13/02/2013 (fls. 1.155), alegando que o artigo 221, §3º, do RIR/1980 não faria restrição aos valores que compõe a base do percentual dedutível a título de provisão para créditos de liquidação duvidosa. O contribuinte alega, ainda, que o Ato Declaratório 34/76 reforçaria as razões para manutenção do acórdão recorrido. Mesmo que estes valores fossem tributáveis, a fiscalização deveria ter "procedido à sua exclusão nos anos em que ocorreu a reversão da provisão, em obediência aos arts. 154 e 171, do RIR/80". Por estas razões, pede seja negado provimento ao recurso especial da Procuradoria. O contribuinte apresentou, outrossim, embargos de declaração em 04/02/2013, que foram rejeitados pelo (fls. 1.200/1.202) pelo Presidente da Câmara, com fundamento nas razões parcialmente transcritas a seguir: Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.317 6 Verifico nesse passo, que os Embargos são incabíveis, porquanto a despeito do que narrou a Embargante, não existe contradição na decisão. Com efeito, pelo teor dos Embargos opostos, observase que a intenção da Embargante, é rediscutir o mérito envolvido no processo e tal pretensão, contudo, é sabidamente incabível na estreita via dos Embargos Declaratórios. Como se anotou acima, entende a Embargante que o acórdão se apresentaria obscuro e omisso, porquanto estaria impossibilitada de proceder às retificações sugeridas, relativas aos fatos ocorridos em 1988, de modo que o reconhecimento da postergação se revelaria o único meio possível de assegurar a neutralidade fiscal. Reputou ainda, que a dita contradição deve ser sanada mediante o reconhecimento da postergação, conforme teria demonstrado nos itens 3 a 7 do Recurso Voluntário, ocorre, como reconhece a Embargante, que a postergação, no caso concreto, foi considerada inaplicável, de modo que os Embargos de Declaração, repito, não podem se prestar à rediscussão da matéria. Em vista do exposto, proponho a rejeição do Embargos de Declaração, pois não verifico no acórdão embargado qualquer vício de omissão, obscuridade ou contradição. O contribuinte foi intimado desta decisão em 18/03/2015 (fls. 1.207), interpondo recurso especial em 02/04/2016, no qual sustenta divergência quanto aos efeitos da postergação (fls. 1.209/1.217), indicando como paradigmas os seguintes acórdãos: a) 10195.212, no qual se decidiu que "ao recompor o valor tributável do período, excluindo das contas de resultado valores que deveriam ter sido ativados, deve reconhecer o direito de deduzir os valores correspondentes às cotas de depreciação ou das parcelas de amortização, vez que a própria Fiscalização é que está promovendo, de ofício, a reclassificação do valor apropriado para o imobilizado, o que não pode ser promovido em as deduções que o ordenamento jurídico permite." b) 180100.097 (Processo Administrativo nº 15374.003676/200173), do qual se destaca: “verificase que o Recorrente deixou de contabilizar o valor do veículo em seu ativo permanente. Desta forma, efetuou indevidamente a dedução integral do valor do automóvel. Assim, necessário se faz reconhecer os efeitos da postergação, bem como o direito de computar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação de seu bem". O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção (Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão), conforme despacho às fls. 1.295/1.298, destacandose trecho a seguir. Traz a Recorrente à colação acórdãos paradigmas (Acórdãos nºs 10195.212, de 2005, e 180100.097, de 2009) (...) Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.318 7 Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a Recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu não ser cabível dar o tratamento de postergação ao direito à dedução dos encargos de depreciação incidentes sobre valores ativados pelo fisco, o segundo acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 180100.097, de 2009) decidiu, de modo diametralmente oposto, ser cabível dar esse tratamento àquele direito. (...) Com fundamento nas razões acima expendidas, nos termos dos arts. 18, inciso III, c/c 68, § 1º (Anexo II) do RI/CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ADMITO o Recurso Especial interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial em 31/03/2016 (fls. 1.300/1297), requerendo seja negado provimento ao recurso especial. Sustenta que não seria "cabível dar tratamento de postergação ao direito de dedução dos encargos de depreciação incidente sobre valores ativados pelo fisco". (trecho das razões). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Recurso Especial da Procuradoria O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, tendo sido interposto contra decisão não unânime e demonstrada a contrariedade à lei tributária. Assim, conheço do recurso especial da Procuradoria para análise da violação aos artigos 171 e 191, do RIR/1980 e ao artigo 10 do DecretoLei nº 1.598/1977 e artigo 47, da Lei nº 4.506/1964. Decidiu o acórdão recorrido, conforme trecho do voto vencedor lavrado pelo exConselheiro Cândido Rodrigues Neuber: Segundo noticiado no auto de infração a glosa da provisão para créditos de liquidação duvidosa teve como fundamento legal os arts. 220 e 221 do RIR de 1980 e o ADN CST n° 34, de 1976. Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.319 8 A questão da "constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa sobre créditos oriundos de operações de mútuo com empresas interligadas", sob a égide dos arts. 220 e 221 do RIR de 1980 e do ADN CST n° 34, de 1976, não é estranha a este Colegiado e já foi apreciada inúmeras vezes pelas demais Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, especializadas no julgamento de recursos versando sobre imposto de renda pessoa jurídica, bem como pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Peço vênia para reportarme aos fundamentos declinados no acórdão n° CSRF/0103.089, prolatado na assentada de 11/09/2000, do qual fui relator, de interesse da contribuinte 3M DO BRASIL LTDA., sob idêntico enquadramento legal, os quais continuam atuais em se tratando de autuação referente ao ano calendário de 1998, como se vê dos seguintes excertos: Conforme relatado, o recurso especial, formulado pela contribuinte, referese constituição da provisão para devedores duvidosos sobre créditos junto a empresas ligadas, adiantamentos a funcionários e tributos a compensar ou restituir. (Destaquei). Este Conselho tem adotado o entendimento de que, ressalvadas as exceções expressamente indicadas no seu parágrafo terceiro, o artigo 221 do RIR/80 não faz distinção quanto à natureza dos créditos que compõem a base de calculo da provisão para créditos de liquidação duvidosa, não podendo a autoridade fiscal estender, via interpretação, o comando legal para abranger situações nela não previstas (acórdãos n's 10179.990/90 e 101.79.573/89). Através da leitura do referido artigo 221, e seus parágrafos, do RIR/80, constatase não haver qualquer distinção entre créditos oriundos da atividade operacional ou não operacional. Onde a lei não distingue, não é licito ao intérprete distinguir. Ressaltese, por fim, que a atividade de lançamento do crédito tributário é atividade estritamente vinculada h lei, conforme principio constante do Código Tributário Nacional. Por estas razões, DOU PROVIMENTO ao recurso.' Cabe ainda destacar que o Acórdão proferido no processo 10070.000611/9026, recurso n° 108.826, citado pelo douto Procurador da Fazenda Nacional em suas contrarrazões (fl. 474) foi objeto de recurso especial do contribuinte a esta Câmara que, mediante Acórdão n° CSRF/0102.597, proferido na sessão de 15/03/1999, deu provimento ao recurso. Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.320 9 Vejamos a ementa do citado Acórdão: 'IRPJ — PROVISÃO PARA DEVEDORES DUVIDOSOS — VALORES SUSCETÍVEIS DE INCLUSÃO — Na vigência do artigo 221 e parágrafo 3° do RIR/80 a provisão para devedores duvidosos poderia ser enriquecida por créditos junto a empresas coligadas, não cabendo restringirse sua formação apenas para os créditos decorrentes da atividade operacional.' (...) Na verdade a restrição em foco aflorou apenas em virtude de a Administração Tributária têla inserido no bojo do ADN CST n° 34, de 1976, porém não previstas nos dispositivos legais capitulados no auto de infração, enquanto vigeram. O principal fundamento do acórdão recorrido são as previsões dos artigos 220 e 221, do Regulamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (Decreto 85.840/1980), que prescreviam: Art. 220. Na determinação do lucro real somente serão dedutíveis as provisões expressamente autorizadas neste Regulamento (DecretoLei nº 1.730/1979, art. 3º). Art. 221. Poderão ser registradas, como custo ou despesa operacional, as importâncias necessárias à formação de provisão para créditos de liquidação duvidosa (Lei n° 4.506/64, art. 60, I). § 1º A importância dedutível como provisão para créditos de liquidação duvidosa será a necessária a tornar a provisão suficiente para absorver as perdas que provavelmente ocorrerão no recebimento dos créditos existentes ao fim do cada exercício (Lei n° 4.506/64, art. 61). § 2º O saldo adequado da provisão será fixado periodicamente pela Secretaria da Receita Federal, para vigorar durante o prazo mínimo de um exercício, como percentagem sobre o montante dos créditos verificados no fim de cada ano, atendida a diversidade de operações e excluídos os de que trata o parágrafo 4° (Lei n° 4.506/64, art. 61, § 1º). § 3º Enquanto não forem fixadas as percentagens previstas no parágrafo anterior, o saldo adequado da provisão será de 3% (três por cento) sobre o montante dos créditos, excluídos os provenientes de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia, ou de operações com garantia real, podendo essa percentagem ser excedida até o máximo da relação, observada nos últimos 3 (três) anos, entre os créditos não liquidados e o total dos créditos da empresa (Lei n° 4.506/64, art. 61, § 2º). § 4º Além da percentagem a que se refere o parágrafo 3, a provisão poderá ser acrescida de (Lei n° 4.506/64, art. 61, § 4º): Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.321 10 a) a diferença entre o montante do crédito e a proposta de liquidação pelo concordatário, nos casos de concordata, desde o momento em que esta for requerida; b) até 50% (cinqüenta por cento) do crédito, nos casos de falência do devedor, desde o momento de sua decretação. § 5º Nos casos de concordata ou falência do devedor, não serão admitidos como perdas os créditos que não forem habilitados, ou que tiverem a sua habilitação denegada (Lei n° 4.506/64, art. 61, § 5º). § 6º Os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados à provisão referida neste artigo e o eventual excesso verificado será debitado a custos ou despesas operacionais (Lei n° 4.506/64, art. 61, § 6º). Lembro que o recurso especial da Procuradoria trata da suposta violação aos artigos 171 e 191, do RIR/190 e ao artigo 11 do DecretoLei nº 1.598/1977 e artigo 47, da Lei nº 4.506/1964. Reproduzo estes dispositivos legais para facilitar a análise de suas alegações: DecretoLei 1.598/77 Art 11 Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica. § 1º A escrituração do contribuinte, cujas atividades compreendam a venda de bens ou serviços, deve discriminar o lucro bruto, as despesas operacionais e os demais resultados operacionais. § 2º Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica. § 3º As ações ou quotas bonificadas, recebidas sem custo pela pessoa jurídica, não importarão modificação no valor, pelo qual a participação societária estiver registrada no ativo nem serão computadas na determinação do lucro real. Lei 4.506/64 Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.322 11 § 3º Sòmente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita, furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos têrmos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. § 4º No caso de emprêsa individual, a administração do impôsto poderá impugnar as despesas pessoais do titular da emprêsa que não forem expressamente previstas na lei como deduções admitidas se êsse não puder provar a relação da despesa com a atividade da emprêsa. § 5º Os pagamentos de qualquer natureza a titular, sócio ou dirigente da emprêsa, ou a parente dos mesmos, poderão ser impugnados pela administração do impôsto, se o contribuinte não provar: a) no caso de compensação por trabalho assalariado, autônomo ou profissional, a prestação efetiva dos serviços; b) no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a efetividade da operação ou transação. § 6º Poderão ainda ser deduzidas como despesas operacionais as perdas extraordinárias de bens objeto da inversão, quando decorrerem de condições excepcionais de obsolescência de casos fortuitos ou de fôrça maior, cujos riscos não estejam cobertos por seguros, desde que não compensadas por indenizações de terceiros. § 7º Incluemse, entre os pagamentos de que trata o § 5º, as despesas feitas, direta ou indiretamente, pelas emprêsas, com viagens para o exterior, equipandose os gerentes a dirigentes de firma ou sociedade. Lei 4.506/64 (Decreto 85.840/1980) Art. 175. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei n° 1.598/77, art. 11). Parágrafo único. A escrituração do contribuinte, cujas atividades compreendam a venda de bens ou serviços, deve discriminar o lucro bruto, as despesas operacionais e os demais resultados operacionais (Decretolei 1.598/77, art. 11, § 1º). Art. 191. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506/64, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4.506/64, art. 47, § 1º). Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.323 12 § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506/64, art. 47, § 2º). O recurso especial, portanto, sustenta uma ilegalidade no acórdão recorrido fundado nos dispositivos que tratam da dedutibilidade geral de despesas, acima reproduzidos. Ocorre que estes dispositivos, tratando de norma geral de dedutibilidade de despesa, não contrariam a regra especial, que expressa a possibilidade de provisão para créditos de liquidação duvidosa, na forma do artigo 220 e 221, do RIR/1980, como acolhido pelo acórdão recorrido. Diante disso, nego provimento ao recurso especial da Procuradoria. Recurso Especial do Contribuinte O contribuinte apresenta recurso especial alegando divergência na interpretação tributária a respeito dos efeitos da postergação, tendo apresentado dois acórdãos como paradigma. A decisão que admitiu o recurso especial apenas mencionou expressamente o segundo acórdão paradigma (180100.097, processo administrativo nº 15374.003676/200173), para conhecimento do recurso. Consta da ementa deste acórdão paradigma (180100097): BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESA. Necessário se faz reconhecer os efeitos da postergação, bem como o direito de computar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação de seu bem. EXCESSO EM FUNÇAO DO VALOR. Necessário se faz reconhecer os efeitos da postergação, bem como o direito de computar a quota efetivamente adequada às meses de sua competência. Extraise do voto condutor, do ex Conselheiro Rogério Garcia Peres no acórdão paradigma: 2. BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESA A taxa anual de depreciação será fixada em função do prazo durante o qual se possa esperar a utilização econômica do bem pelo contribuinte, na produção de seus rendimentos. A lei determina que a Secretaria da Receita Federal publicará o prazo de vida útil, ficando assegurado ao contribuinte o direito de computar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação de seus bens, desde que faça prova dessa adequação, quando adotar taxa diferente. No caso de bens usados a depreciação poderá ser feita considerando como prazo de vida útil o maior dentre os seguintes: Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.324 13 a) a metade do prazo de vida útil admissivel para o bem adquirido novo; b) restante da vida útil do bem, considerada esta em relação à primeira instalação; No presente verificase que o Recorrente deixou de contabilizar o valor do veículo em seu ativo permanente. Desta forma, efetuou indevidamente a dedução integral do valor do automóvel. Assim, necessário se faz reconhecer os efeitos da postergação, bem corno o direito de computar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação de seu bem. 3. AMORTIZAÇÃO. EXCESSO EM FUNÇAO DO VALOR Importância levada a débito de Despesas Operacionais — Seguros no valor de R$ 1.535,37, referente ao custo do seguro total, por um ano , do veículo placa LBL 1846, quando deveria constar do Ativo Diferido para ser rateada pelos meses de sua competência, gerando, assim um lucro menor no exercício (no valor de 11/12 de 1.535,37= R$ 1.407,42). Assim, necessário se faz reconhecer os efeitos da postergação, bem como o direito de computar a quota efetivamente adequada às meses de sua competência. O paradigma, assim, adota entendimento que diante de excesso de depreciação ou amortização, há que se reconhecer os efeitos da postergação. Já o acórdão recorrido, conforme voto do Conselheiro Relator Leonardo Couto, decidiu em sentido contrário, afastando os efeitos da postergação: 3) Omissão de receita de correção monetária referente ao item anterior: Reclama a interessada que a autoridade lançadora ao ativar as despesas e exigir a correção monetária desses valores, pois integrantes do ativo, deveria ter computado a depreciação também com respectiva correção. Afirma que a apropriação dos encargos de depreciação mais correção monetária iria anular em cinco anos todo o valor glosado. Corn isso, aduz, teria ocorrido na verdade apenas postergação no pagamento do imposto. De imediato, descartase qualquer procedência na alegação da suposta postergação. Não ocorreu nenhum tipo de desobediência regime de apuração que justifique esse raciocínio. Por outro lado, assiste razão à interessada ao pleitear a consideração da depreciação e respectiva atualização nos cálculos efetuados pelo a Fiscalização. A irregularidade apurada pelo Fisco deve ser analisada sob o aspecto eminentemente contábil para efeito de formalização da Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.325 14 exigência, mas em todos os seus efeitos e não apenas naqueles que oneram o sujeito passivo. Se o valor computado como custo ou despesa deveria integrar o ativo permanente, correta a glosa da dedução. No que se refere à atualização monetária desses valores, conforme entendimento mais atualizado na jurisprudência deste Colegiado, integrada a despesa ao ativo permanente, também correta a consideração dos efeitos da correção monetária decorrentes da reclassificação. Contudo, não se pode olvidar que os bens integrantes do ativo permanente sujeitamse à depreciação também com sua correspondente atualização monetária que exerce um contrapeso A. correção monetária do bem com intensidade proporcional ao aumento de vida útil proporcionado, no caso, pela despesa ativada. Assim, o sujeito passivo pode efetuar aa devidas retificações para considerar a depreciação — e respectiva correção monetária das despesas ativadas. Assim, havendo divergência na interpretação da lei tributária, pois o paradigma indica efeitos da postergação enquanto o recorrido afasta tais efeitos, voto pelo conhecimento do recurso especial do contribuinte. Passo à análise do mérito. O DecretoLei nº 1.598/1972 tratava da postergação, conforme artigo 6º, §5º, verbis: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (...) § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.326 15 ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. A previsão foi reproduzida no RIR/1980 (Decreto nº 85.450/1980), aplicável ao caso destes autos, considerando a ocorrência de fato gerador em 1988), nos seguintes termos: Art. 154. Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Regulamento (arts. 387 e 388) (DecretoLei n° 1.598/77, art. 6°). Parágrafo único. Os valores que, por competirem a outro períodobase forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente (DecretoLei n° 1.598/77, art. 6°, § 4º). Art. 171. A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar (DecretoLei n° 1.598/77, art. 6°, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no parágrafo único do art. 154 (Decreto Lei n° 1.598/77, art. 6°, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo único do art. 154 e no parágrafo 1° deste artigo não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei n° 1.598/77, art. 6°, § 7º). No contexto das normas acima reproduzidas, o auditor fiscal autuante que constatasse a inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução e mesmo do reconhecimento de lucro – deveria aplicar os efeitos da postergação, lançando diferença de tributo (se existente), correção monetária e juros de mora. Ocorre que se houvesse qualquer equívoco do auditor fiscal, por não aplicar os efeitos da postergação quando deveria fazêlo, tal fato deveria ser comprovado pela contribuinte no decorrer do processo administrativo. Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.327 16 Ocorre que não foram acostados aos autos quaisquer declarações (DIRPJ, DIPJ, DCTF) ou guias (DARF), que pudessem demonstrar que houve pagamento de imposto em período base distinto, para fins de retificação do Auto de Infração, por falta de aplicação dos efeitos da postergação. Esclareço que, no entendimento desta relatora, caso provado pelo contribuinte o equívoco da Fiscalização, poderia ser retificado o lançamento, mas não seria caso de seu cancelamento. De toda sorte, sequer é caso de retificação do lançamento, diante da falta de prova pelo contribuinte da submissão dos rendimentos à tributação em período posterior. Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte, mantendo o acórdão recorrido. Por tais razões, conheço e nego provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional e conheço e nego provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado Peço vênia para discordar da i. Relatora, a quem sempre rendo homenagens, do entendimento em relação ao recurso especial da PGFN, que trata da matéria despesa de provisões para créditos de liquidação duvidosa. Isso porque entendo não haver reparos no decidido pela primeira instância (e fls. 909/926, Acórdão nº 4.941 da 1ª Turma da DRJ/Curitiba), cujas razões transcrevo: 35. Trata o processo de glosa da provisão para créditos de liquidação duvidosa constituída no períodobase de 1988 sobre créditos oriundos de operações de mútuo com empresa interligadas. 36. Em sua impugnação a autuada argüiu que improcede a afirmativa do agente fiscal de ter havido constituição indevida da provisão para créditos de liquidação duvidosa, porquanto houve contrato de mútuo entre as empresas do mesmo grupo; que tratase de simples operações de movimentação de numerário em função do fluxo de caixa de cada empresa no período examinado, e que se tivesse optado por aplicar tal numerário no mercado financeiro, poderia, sem qualquer questionamento, ter efetuado a provisão para créditos de liquidação duvidosa prevista no art. 221 do RIR de 1980. Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.328 17 37. Para dirimir a questão posta, mister se faz analisar a legislação à época aplicável, qual seja, o art. 221 do RIR de 1980, in verbis: "Art. 221. Poderão ser registradas, como custo ou despesa operacional, as importâncias necessárias à formação de provisão para créditos de liquidação duvidosa (Lei n°4.506/64, art. 60, 1). § 1°. A importância dedutível como provisão para créditos de liquidação duvidosa será a necessária a tornar a provisão suficiente para absorver as perdas que provavelmente ocorrerão no recebimento dos créditos existentes ao fim de cada exercício (Lei n° 4.506/64, art. 61). § 2°. O saldo adequado da provisão semi fixado periodicamente pela Secretaria da Receita Federal, para vigorar durante o prazo mínimo de um exercício, como percentagem sobre o montante dos créditos verificados no fim de cada ano, atendida a diversidade de operações e excluídos os de que trata o parágrafo 4° (Lei n° 4.506/64, art. 61, § 1 °). § 3°. Enquanto não forem fixadas as percentagens previstas no parágrafo anterior, o saldo adequado da provisão será de 3% (três por cento) sobre o montante dos créditos, excluídos os provenientes de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia, ou de operações com garantia real, podendo essa percentagem ser excedida até o máximo da relação, observada nos últimos 3 (três) anos, entre os créditos não liquidados e o total dos créditos da empresa (Lei n°4.506/64, art. 61, § 2°). § 4°. Além da percentagem a que se refere o parágrafo 3°, a provisão poderá ser acrescida de (Lei n°4.506/64, art. 61, § 4°): a) a diferença entre o montante do crédito e a proposta de liquidação pelo concordatário nos casos de concordata, desde o momento em que esta for requerida; b) até 50% (cinquenta por cento) do crédito, nos casos de falência do devedor, desde o momento de sua decretação. § 5°. Nos casos de concordata ou falência do devedor, não serão admitidos como perdas os créditos que não forem habilitados, ou que tiverem a sua habilitação denegada (Lei n°4.506/64, art. 61, § 5°). § 6°. Os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados a provisão referida neste artigo e o eventual excesso verificado será debitado a custos ou despesas operacionais (Lei n°4.506/64, art. 61, § 6°)." (Grifouse) 38. O Ato Declaratório (Normativo) CST n° 34, de 9 de novembro de 1976, a seguir transcrito, esclareceu que somente os créditos oriundos da atividade operacional da empresa podem compor a base de cálculo da provisão para créditos de liquidação duvidosa e, assim sendo, os créditos decorrentes de Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.329 18 aplicações financeiras — que a impugnante citou como exemplo para justificar a constituição desta provisão — não devem compor a sua base de cálculo: "Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e demais interessados, que somente os créditos oriundos da atividade operacional da empresa podem compor a base de cálculo da 'Provisão para créditos de liquidação duvidosa'. Em decorrência, dela devem ser excluídas as aplicações financeiras de qualquer espécie." (Grifouse) 39. Muito embora as receitas financeiras e as variações monetárias ativas componham o montante das receitas operacionais da empresa, não há como atribuir a tais parcelas de receita o conceito de receita da atividade operacional da empresa, porquanto este diz respeito exclusivamente As receitas auferidas no desempenho das atividades que constituem objeto da pessoa jurídica. 40. Ressaltese que o citado ADN referiuse apenas As aplicações financeiras por ser esse o direito de crédito que A época suscitou dúvidas quanto A possibilidade de inclusão ou não na base de cálculo da provisão para créditos de liquidação duvidosa, mas tal entendimento aplicase também aos créditos oriundos de operações de mútuo, porquanto, para a solução da questão, o Coordenador do Sistema de Tributação invocou inicialmente uma norma, qual seja, a de que somente os créditos oriundos da atividade operacional da empresa podem compor a base de cálculo daquela provisão, para então concluir que, em decorrência, devem ser excluídas as aplicações financeiras de qualquer espécie. Portanto, essa norma se aplica igualmente para todos os demais créditos que não sejam oriundos da atividade operacional da empresa. 41. Em relação aos créditos relativos às operações efetuadas com outra pessoa jurídica da qual a credora seja acionista ou sócia, ou viceversa, assim dispôs o Parecer Normativo CST n° 74, de 11 de agosto de 1975, ao analisar o art. 166 do RIR de 1966 (correspondente ao art. 221 do RIR de 1980): "4. Tendo em vista que o percentual deverá ser calculado sobre o montante dos créditos, dúvidas surgiram com relação a quais os créditos a serem considerados. Da análise das disposições do artigo 166 e seus §§ do RIR, verificamos que, para efeito do cômputo na provisão, os créditos podem ser destacados nas seguintes categorias: I O montante dos créditos verificados no fim de cada ano (RIR, art. 166, §§ 1° e 2°). II — Os créditos habilitados em concordatas ou falências (RIR, art. 166, §§ 4°). III — Os créditos provenientes de vendas com reserva de domínio ou de operações com garantia real (RIR, art. 166, § 2°). Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.330 19 5. Não oferece dúvidas a utilização dos créditos enunciados nos nº's II e III do item anterior. Os do n° II são computados segundo a forma claramente expressa no texto legal; os do n° III são expressamente excluídos da base de cálculo da provisão. 6. Merece alguma análise o caso do n° 1. O § 1º do artigo 166 do RIR, reproduzindo o § 1º do art. 61 da Lei n°4.506/64, fala em "montante dos créditos verificados no fim de cada ano, atendida a diversidade de operações". Não faz distinção quanto à qualidade ou à pessoa do devedor. Não cogita da maior ou menor capacidade de solvência do devedor, nem quanto ao seu "status" jurídico ou econômico. Por conseguinte, ressalvados os tratamentos específicos previstos para os créditos mencionados nos nº's II e III do item 4 deste parecer, não cabe fazer outra distinção, por não autorizada nos dispositivos legais acima referidos. 7. Dentro da mesma linha de raciocínio, integrarão a base de cálculo do percentual os créditos relativos a operações efetuadas com outra pessoa jurídica da qual a credora seja acionista ou sócia, ou viceversa, isto é, os créditos decorrentes de operações efetuadas com pessoas jurídicas que sejam acionistas ou sócios da credora. Computáveis na provisão, também, os créditos adquiridos por subrogação ou por cessão." (Grifouse) 42. Da análise conjunta desses atos normativos podese concluir que os créditos relativos a operações efetuadas com outra pessoa jurídica da qual a credora seja acionista ou sócia, ou viceversa, podem compor a base de cálculo da provisão para créditos de liquidação duvidosa quando oriundos da atividade operacional da empresa. Por conseguinte, também estão excluídos os créditos decorrentes de operações de mútuo, por não estarem tais operações enquadrada na atividade objeto da autuada. 43. Ademais, se no próprio caput do art. 221 do RIR de 1980 consta expressamente que poderão ser registradas, como custo ou despesa operacional, as importâncias necessárias formação de provisão para créditos de liquidação duvidosa, fica evidente que tal despesa operacional sujeitase a regra de dedutibilidade prevista no art. 191 do RIR de 1980, segundo o qual são operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias â atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. (Grifos originais) Não tenho dúvidas quanto ao entendimento de que, para se falar em provisionamento de despesas, há que se apreciar, preliminarmente, a natureza da despesa. O provisionamento é mecanismo que permite uma contabilização de um evento submetido a uma condição que gera incerteza quanto à sua consumação. Contudo, tal evento, tratandose de uma despesa, só pode ter repercussão na base de cálculo caso reúna os requisitos de usualidade, normalidade e necessidade previstos na legislação tributária. Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 10880.074688/9288 Acórdão n.º 9101003.015 CSRFT1 Fl. 1.331 20 Não por acaso a norma discorre, expressamente, que a despesa objeto de provisão deverá ser operacional. O caso em tela trata de operações de mútuo com empresa interligadas, ou seja, eventuais dispêndios decorrem de uma liberalidade, e não de uma necessidade da empresa. Não há que se falar em operação objeto da atividade operacional. Não poderia ser mais precisa, portanto, a conclusão do voto: 44. Tratandose de operações de mútuo com empresas interligadas, ou seja, sob controle do mesmo grupo econômico, fica perfeitamente caracterizado que tais empréstimos foram concedidos por mera liberalidade, porquanto totalmente desnecessários à atividade por ela desenvolvida — armazenamento e transporte especializado de cargas, especialmente gases liquefeitos de petróleo, produtos químicos e petroquímicos, conforme informado em sua impugnação — e à manutenção da respectiva fonte produtora. (Grifei) Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.001619/2009-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. NULIDADE VÍCIO FORMAL
A identificação do sujeito passivo, de forma que permita ao inventariante exercer a defesa do espólio, é vício formal, não inquinado por nulidade absoluta.
Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio pas de nullité sans grief, ou princípio do prejuízo, deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública.
Numero da decisão: 9202-006.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. NULIDADE VÍCIO FORMAL A identificação do sujeito passivo, de forma que permita ao inventariante exercer a defesa do espólio, é vício formal, não inquinado por nulidade absoluta. Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio pas de nullité sans grief, ou princípio do prejuízo, deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ELIANE HADDAD ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. NULIDADE VÍCIO FORMAL A identificação do sujeito passivo, de forma que permita ao inventariante exercer a defesa do espólio, é vício formal, não inquinado por nulidade absoluta. Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio pas de nullité sans grief, ou princípio do prejuízo, deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 16 19 /2 00 9- 18 Fl. 147DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento (efls. 05 e 06), relativa a imposto de renda da pessoa física, emitida em 30/07/2009, pela qual se procedeu à glosa de deduções de despesas médicas na declaração de ajuste anual de Aidee ElAbras Haddad cuja inventariante era a contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2003. Essa alteração implicou lançamento de imposto suplementar de R$ 1.574,70 que acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, montou a R$ 4.155,00, cientificado à contribuinte em 24/09/2009 (efl. 28). Tal notificação decorreu da glosa de despesas com planos de saúde de pessoas não incluídas na relação de dependentes da respectiva declaração de ajuste anual retificadora apresentada em 06/06/2006, erroneamente em nome de Aide Haddad, após seu falecimento em 06/09/2003. Cabe salientar que houve lançamento anterior, efetuado em desfavor da própria Aidee Haddad, igualmente, após abertura da sucessão, e cientificado à Eliane Haddad em 30/11/2007. Aquele lançamento foi impugnado e considerado nulo por vício formal, em 15/09/2008, (Acórdão nº 1321.472, às efls. 14 a 16) em face de erro na identificação do sujeito passivo, sendo elaborada nova notificação, que neste processo se discute. Impugnação A notificação de lançamento aqui em discussão foi objeto de impugnação, apresentada em 15/10/2009, à efl. 54. A impugnação foi apreciada na 18ª Turma da DRJ/RJ1 que, por unanimidade, em 02/07/2013, no acórdão nº 1257.396, às efls. 63 a 70, a julgou improcedente, mantendo integralmente o imposto lançado, mas reduzindo a multa de mora para 10% do tributo devido. Recurso voluntário Intimado do resultado do acórdão em 09/05/2014 (efl. 80), o representante da inventariante, em 22/05/2014, apresentou recurso voluntário, às efls. 83 e 84, no qual alega, em resumo, que: · a declaração de ajuste anual original foi apresentada em 14/04/2003 e a declaração de nulidade foi efetuada em 15/08/2008, mais de cinco anos após a entrega, que implicaria sua prescrição; · houve apresentação de declaração retificadora em 26/04/2006, por solicitação de auditor do Fisco, visando a apresentação de alguns comprovantes, mas nenhum relacionado a despesas médicas, que foram apresentadas na declaração original mas não na retificadora; Fl. 148DF CARF MF Processo nº 12898.001619/200918 Acórdão n.º 9202006.015 CSRFT2 Fl. 148 3 · outrossim, Eliane Haddad era portadora de invalidez incapacitante, sendo dependente de Aide desde outubro de 1993, pois a aposentadoria da enferma não era suficiente para custear suas despesas medicas que assim eram pagas pela mãe; · o novo lançamento é ato improcedente por falta de fundamentação legal em face dos fatos alegados; · informase que Eliane Haddad faleceu em 29/07/2010. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento julgou o recurso voluntário em 12/05/2016, resultando no acórdão n° 2202003.407, às efls. 97 a 101, assim ementado: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do imposto de renda das pessoas físicas, sujeito ao ajuste anual, ocorre em 31 de dezembro do ano calendário, sendo o tributo sujeito a lançamento por homologação. O prazo decadencial contase a partir da ocorrência do fato gerador, quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, inexistindo declaração prévia do débito, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO MATERIAL. Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 205) Erro na identificação do sujeito passivo não é mero vício de forma, mas está ferida a própria substância do lançamento, constituindose em vício material. O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Entendendo a Turma que houve nulidade do lançamento original por erro na identificação do sujeito passivo, haveria vício material e a necessidade de novo lançamento. Fl. 149DF CARF MF 4 Sendo esse novo lançamento efetuado em julho de 2009, para fato gerador ocorrido em 31/12/2002, já se teria passado o prazo decadencial e por isso houve o acórdão por seu cancelamento. RE da Fazenda Em 17/06/2016 (efl. 103), a Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do resultado do julgamento e, em 02/08/2016, interpôs recurso especial de divergência, às efls. 104 a 109. O Procurador aponta divergência de entendimentos entre o acórdão a quo que atribui vício material ao lançamento, quando há violações às disposições do arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972 PAF e art. 142 do CTN, sancionáveis com seu cancelamento, e paradigmas que afirmam serem estas situações apenas de vício formal, sujeitas à anulação e lavratura de novo lançamento Como paradigmas da divergência, indica os acórdãos: nº 30133.686 e nº 30330.909. Admissibilidade do RE da Fazenda O Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção da CARF, em 30/08/2016, através do despacho de efls. 399 a 400, com base nos arts. 18, inc. III, 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, deu seguimento ao recurso especial do Procurador, para que fosse rediscutida a divergência a respeito natureza do vício, se formal ou material. Encaminhada intimação para ciência do acórdão n° 2202003.40792, do recurso especial do Procurador e do despacho do exame de admissibilidade (efl. 121), com recebimento em 10/10/2016, até 23/05/2017 não havia qualquer manifestação do sujeito passivo. Resolução Em sessão de julgamento de 24/05/2017, esta 2ª Turma resolveu converter o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 9202000.109, às efls. 130 a 133, por inexistirem nos autos documentação que indicassem a legitimidade do procurador da inventariante Eliane Haddad (falecida em 29/07/2010), Flavio Haddad. O instrumento que dava poderes ao seu representante era datado de 20/12/2007 e ele apresentou recurso voluntário em 22/05/2014, portanto sem que a procuração originalmente apresentada ainda fosse válida. Dessa forma, o processo foi encaminhado à DRF de origem para saneamento quanto à legitimidade de Flávio Haddad para subscrever os atos que se seguiram à impugnação no processo fiscal, relativamente ao espólio de Aidee ElAbras Haddad, sob pena de o recurso voluntário por ele firmado não poder ter sido admitido, levando à insubsistência dos demais atos que lhe sucederam e à definitividade na esfera administrativa do acórdão de impugnação nº 1257.396, da 18ª Turma da DRJ/RJ1. Efetuada a diligência, foram juntados aos autos os documentos de efls. 139 a 143, que comprovam ser o Sr. Flávio Haddad inventariante de Aidee AlAbras Haddad desde a data de 07/03/2012. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 12898.001619/200918 Acórdão n.º 9202006.015 CSRFT2 Fl. 149 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. No tocante à Resolução nº 9202000.109, o resultado da diligência demonstrou que o Sr. Flávio Haddad já era o inventariante de Aidee AlAbras Haddad desde 07/03/2012, anteriormente à prolação do acórdão 1257.396 da DRJ/RJ1, portanto, legitima a interposição do recurso voluntário por ele firmado e todos os atos que se seguiram. Não vou me alongar na substanciosa discussão sobre nulidade e anulabilidade de atos administrativos, plena de defensores com posições adversas. Em regra, adoto a posição daqueles que se alinham com o brocado pas de nulitté sans grief, pois a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da administração pública. Dessa forma, entendo que os vícios formais definidos nas disposições dos arts. 10 e 11 Decreto nº 70.235/1972 não devem ser inquinados de nulidade absoluta, devida aos ditos vícios materiais, podendo e devendo ser sanados, sempre que não impliquem prejuízo à defesa dos contribuintes, quando, nesses casos, violam o inc. II do art. 59 do mesmo diploma. Aidee ElAbras Haddad faleceu em 06/09/2003 (efl. 27), após a data em que foi efetuada a entrega da sua declaração original do anocalendário de 2002, exercício de 2003, 14/04/2003 (efls. 86 a 90). Eliane Haddad, já na qualidade de inventariante, apresenta retificação da mesma declaração de ajuste anual em 06/06/2006. No lançamento em apreço, Eliane Haddad recebe a notificação em 24/09/2009, e, ainda na condição de inventariante, ou seja, com a legitimidade passiva do espólio de Aidee ElAbras Haddad, vem ao processo, representada por seu procurador Flavio Haddad (efl. 12), apresentar defesa. Processualmente, não houve qualquer cerceamento à defesa do espólio decorrente do erro na qualificação do sujeito passivo no lançamento original, que, em 24/09/2009 (data da ciência do novo lançamento), já não existia. Observese que o CPF do espólio é o mesmo do de cujus e veio ao processo a inventariante, efetuar a defesa que a ela compete relativamente aos mesmos fatos. O que faltaria na qualificação da notificação anteriomente anulada seria apenas ressaltar tratarse do espólio de Aidee. Assim, diferentemente do que entendeu o relator, com a devida vênia, não vislumbro qualquer prejuízo à defesa que pudesse levar à inexistência de relação jurídica entre responsável tributário e o fato gerador. Aidee faleceu em 06/09/2003, a entrega da declaração original, em 14/04/2003, já foi feita com a infração que deu azo ao lançamento: dedução de despesas médicas de pessoas que não constavam como dependentes dela para fins de imposto de renda da pessoa física. A retificação apresentada após a morte da contribuinte, pela inventariante Eliane, não alterou essas informações, conforme se pode observar às efls. 24 a 26. O fato gerador do imposto de renda da pessoa física se vinculava à Aidee Haddad enquanto viva, a retificação feita pela inventariante em nada veio a alterar isso, logo, a ausência do termo espólio na qualificação do sujeito passivo não trouxe qualquer prejuízo a sua Fl. 151DF CARF MF 6 defesa que, bem ou mal elaborada, foi exercida desde o primeiro momento, pelo mesmo representante que ao final se tornaria o novo inventariante. Dessarte, não vejo vício material que pudesse levar à nulidade absoluta da notificação de lançamento, mas sim de vício formal que pôde ser sanado em novo lançamento pela unidade de origem, após decisão de piso que a anulou. Esse lançamento, anulado por vicio formal, implica a contagem do prazo decadencial de acordo com o inciso II do art. 173 do CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) Havendo anulação do lançamento original em 15/09/2008, e novo lançamento cientificado em 24/09/2009, não há que se falar em decadência. Outrossim, observase que o acórdão a quo não apreciou os demais argumentos do recorrente por considerar apenas a decadência do lançamento em testilha, dessarte, haveria que se retornar o processo à Turma recorrida, a fim de que sejam apreciados os demais questionamentos de recurso em novo acórdão. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para darlhe provimento e encaminhar o processo à Turma a quo, a fim de que seja prolatada nova decisão, apreciando as demais matérias do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.725121/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/06/2012
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.216
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/06/2012 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 10980.007402/2005-15
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2001 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA - DIPJ . MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A pessoa jurídica que, obrigada à entrega da DIPJ, a apresenta fora do prazo legal sujeita-se à multa estabelecida na legislação. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.658
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A pessoa jurídica que, obrigada à entrega da DIPJ, a apresenta fora do prazo legal sujeitase à multa estabelecida na legislação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 30DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 26/09/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa foi autuada por entregar a DIPJ do anocalendário de 2001 fora do prazo final, ou seja, a data limite era 28/06/2002 e a entrega se efetivou em 31/07/2002 (fls. 02) A multa foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração. Cientificada em 27/06/2005 (fl. 07verso), apresentou impugnação em 22/07/2005 (fl. 01), instruída com os documentos de 02/04, alegando ausência de condições financeiras para pagar o valor da multa e pedindo a revisão do lançamento. A DRJ CuritibaPR, em sessão de 30 de abril de 2008, pelo Acórdão 06 17.873 – 1ª Turma da DRJ/CTA, julgou lançamento procedente., sob as seguintes alegações: I – a contribuinte não se insurge contra o auto de infração; e II – ainda não foi editada lei regulamentando o artigo 172, I do CTN, que autoriza a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo situação econômica do sujeito passivo. Cientificada do Acórdão em 09 de maio de 2008 (fls. 13), interpôs Recurso Voluntário em 20 de maio de 2008, reconhecendo o atraso na entrega da DIPJ anocalendário de 2001, discordando do valor dos juros e pedindo revisão do Acórdão. É o relatório. Fl. 31DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 26/09/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.007402/200515 Acórdão n.º 1801000.658 S1TE01 Fl. 25 3 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O recurso foi interposto tempestivamente e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Como se observa, a contribuinte repetiu no Recurso as mesmas razões alegadas na impugnação, ou seja, falta de condições financeiras para pagar o valor da multa, decorrente de atraso na entrega da DIPJ referente ao anocalendário de 2001. Em que pese suas alegações, nenhuma delas merece ser acatada por este Eg. Conselho, pois, de fato, conforme já restou determinado e reconhecido pelo julgamento de primeira instância o lançamento é incontroverso, por clara ausência contestação dos fundamentos do Auto de Infração, já que a recorrente, simplesmente, resumiuse a sustentar a impossibilidade de pagamento do valor do crédito tributário lançado. Não obstante, cumpre apontar que Auto de Infração descreve com clareza a infração cometida e encontrase legalmente fundamentado, tudo em conformidade com o art. 142 do Código Tributário Nacional, o que proporcionou à recorrente o pleno exercício do direito de defesa que lhe é constitucionalmente garantido. Por fim, ainda em conformidade com o que decidiu a DRJ, de fato não existe amparo legal para remir o valor do lançamento, motivo pelo qual, sob esta ótica, também tenho por necessário afastar o pleito da recorrente. Diante do exposto, conheço do recurso e voto por negarlhe provimento. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 32DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 26/09/2011 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.910767/2011-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.525
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 07 67 /2 01 1- 77 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.910767/201177 Acórdão n.º 3302004.525 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06043.105. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.910767/201177 Acórdão n.º 3302004.525 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.910767/201177 Acórdão n.º 3302004.525 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.910767/201177 Acórdão n.º 3302004.525 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.910767/201177 Acórdão n.º 3302004.525 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.910767/201177 Acórdão n.º 3302004.525 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.900729/2013-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2011
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.105
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 29 /2 01 3- 07 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.900729/201307 Acórdão n.º 3201003.105 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.968, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.900729/201307 Acórdão n.º 3201003.105 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10805.900729/201307 Acórdão n.º 3201003.105 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.720052/2015-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO.
Comprovada idoneamente, as deduções, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado.
Numero da decisão: 2202-004.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, as deduções, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal.
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LIVRO CAIXA Recorrente REINALDO AUGUSTO PESTANA MARQUES GOMES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, as deduções, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 00 52 /2 01 5- 64 Fl. 7994DF CARF MF 2 Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento (fl. 6), relativa ao Imposto de Renda da Pessoa Física, relativamente ao ano calendário 2010, na qual foi apurado o crédito tributário no valor total de R$ 73.957,38, acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora. Anteriormente, na declaração de ajuste anual, o contribuinte havia apurado saldo a pagar no valor de R$ 84.086,22. O contribuinte apresenta impugnação na qual argumenta, em síntese, que o valor da dedução do livrocaixa se refere a despesas de custeio indispensáveis à execução dos serviços prestados, bem como à manutenção da fonte produtora. Aduz, ainda, que “recebe rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício (comissão de leilão) tanto de pessoas físicas como de pessoas jurídicas, e a soma dos dois rendimentos é muito superior ao valor deduzido em livro caixa ...”. Para comprovar a alegação, a título de exemplo, anexa uma cópia de fatura de leilão extraída para pessoa física e outra para pessoa jurídica. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 7), referido lançamento decorrera da glosa do valor de R$ 268.935,92, indevidamente deduzido a título de Livro Caixa, por falta de comprovação. A 5ª Turma da DRJ/REC julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. O contribuinte, pessoa física, que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeio indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que comprovadas com documentação hábil e idônea, e devidamente escrituradas no l livro Caixa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte, representado pela viúva Liliamar Fátima Parmeggiani Pestana Marques Gomes (inventariante), apresentou o Recurso Voluntário, no qual alega, resumindamente que: a) O Recorrente faleceu em 13/02/2015, motivo pelo qual é representado pela sua esposa que será nomeada sua inventariante. Requer juntada posterior da certidão de inventariante. b) Não foram considerados todos os rendimentos recebidos das mais de 200 fontes pagadoras pessoas jurídicas, no valor de R$ 1.314.375,03, declaradas e oferecidas a tributação pelo Recorrente e que tais rendimentos são decorrentes do trabalho não assalariado Fl. 7995DF CARF MF Processo nº 11080.720052/201564 Acórdão n.º 2202004.054 S2C2T2 Fl. 7.995 3 comprovado pela emissão de mais de oito mil faturas de leilão emitidas por leiloeiros oficiais. c) Que a totalidade dos documentos não foi juntada ao presente recurso por orientação da Receita Federal no atendimento presencial realizado em 06/04/2015 Senha doc 14, emitida às 13:49. De acordo com a orientação recebida a Recorrente deveria fazer a juntada dos documentos por amostragem. d) Que é incorreto o acórdão julgou o lançamento improcedente por falta de comprovação de que os rendimentos percebidos são passíveis de dedução, pois foram realizadas diversas tentativas de entrega das faturas sempre com recusa de recebimento por parte da Receita. sob a alegação de que deveriam ser conferidas com as originais, individualmente e que, tal conferência, em razão do volume, seria inviável. e) Que a negativa de recebimento das provas e a conclusão pela procedência do lançamento configura claro cerceamento de defesa. f) Que este fato ocorreu em todos os anos calendários anteriores, e quando intimado, o requerente apresentou os devidos esclarecimentos que foram aceitos pela fiscalização. Em 07 de maio de 2015, (fls. 5.726) o Recorrente protocolou petição requerendo a juntada de todas as faturas de leilão emitidas no ato de cada arrematação realizada no anocalendário de 2010, de forma digital, em CDR, validado através do Sistema de Validação e Autenticidade de arquivos da Receita Federal. Diante desses fatos, essa turma, na sessão de 13 de abril de 2016, resolveu, por meio da Resolução nº 2202000676, baixa o processo em diligência para que: a) a DRF de origem realize diligência a fim de determinar, ainda que por amostragem, se os rendimentos do contribuinte no ano em questão eram integralmente provenientes da atividade de leiloeiro, principalmente os provenientes de PJ, que foram questionados pela autuação, manifestandose através de termo circunstanciado. Em resposta, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre/RS, afirmou o seguinte: De acordo com a Resolução nº 2202000.676 desse CARF foi solicitada manifestação desta DRF em relação aos comprovantes de rendimento apresentados somente na referida instância recursoal administrativa pelo contribuinte. Entendo que as faturas de leilões emitidas pelo contribuinte a pessoas jurídicas apresentadas (fls. 2491 a 5722 e das fls. 5733 Fl. 7996DF CARF MF 4 a 7972 do Processo nº 11080.720052/201564) referemse a rendimentos provenientes da atividade de leiloeiro. A partir do exposto, entendo não ser necessário dar ciência ao sujeito passivo deferindolhe prazo para que se manifeste." É o relatório. Voto Conselheira Relatora: Júnia Roberta Gouveia Sampaio O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Conforme já exposto no relatório, Notificação de Lançamento (fl. 6), concernente ao Imposto de Renda da Pessoa Física, relativamente ao ano calendário 2010, na qual foi apurado o crédito tributário no valor total de R$ 73.957,38, por falta de comprovação das deduções escrituradas no livro caixa Cumpre esclarecer que existe previsão legal para que o contribuinte que percebe rendimentos do trabalho nãoassalariado deduza da receita decorrente de sua atividade as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita, conforme arts. 75 e 76 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999): “Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (...)” “Art. 76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 3º). (...) § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas,mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 2º). (grifamos) De acordo com a DRJ, a fiscalização intimou o contribuinte a comprovar que os rendimentos declarados são passíveis de dedução à título de LivroCaixa (fls. 11) e que este nada apresentou. Além disso, na fase impugnatória limitouse a apresentar duas faturas de leilão, uma referente a recebimento de pessoa física e outra recebida de pessoa jurídica. Diante Fl. 7997DF CARF MF Processo nº 11080.720052/201564 Acórdão n.º 2202004.054 S2C2T2 Fl. 7.996 5 desses fatos, considerou que não houve a comprovação documental das receitas (comissões de leilão) ou das despesas consignadas no seu livro caixa o que legitima o lançamento fiscal. Em fase recursal o Recorrente faz juntada de documentos, por amostragem e, posteriormente, solicita, por petição, a juntada de todas as faturas relativas ao exercício de 2010. O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso dos autos, entendo configurada a situação prevista na alínea "c" do referido dispositivo legal, pois a recusa do recebimento dos documentos não foi suscitada na impugnação. Mesmo que assim não fosse, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 7998DF CARF MF 6 O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) Conforme exposto no relatório, a Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu que os documentos juntados referemse à atividade de leiloeiro alegada pelo Recorrente, motivo pelo qual, entendeu desnecessária a sua citação. A lide em questão se resume a comprovação da natureza dos rendimentos do livro caixa. A ausência da documentação apontada na decisão recorrida, foi corrigida com a juntada dos documentos pelo Recorrente, conforme atesta o resultado da diligência. Diante de todo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 7999DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000302/2005-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Sep 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN.
As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para o PIS, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional.
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-005.455
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN. As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para o PIS, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional. Recurso Especial do Contribuinte negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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ZFM. ISENÇÃO Recorrente IVECO FIAT BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN. As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para o PIS, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional. Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 03 02 /2 00 5- 01 Fl. 1803DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 20403.677, de 03/02/2009, proferido pela 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2002 RO. Não se conhece de recurso de oficio em decorrência de desoneração de crédito tributário inferior ao limite estabelecido pelo Ministro da Fazenda, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72, vigente na data do seu exame em segundo grau, ainda que na data da decisão de primeiro grau o limite fosse inferior. RV. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. SÚMULA N° 1. Importa renuncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. NORMAS GERAIS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. 0 prazo para que a Fazenda reveja os procedimentos do contribuinte que culminam com o pagamento da exação sem o prévio exame por parte da autoridade administrativa é de cinco anos, contado do fato gerador, consoante disposição do § 4º do art. 150 do CTN, aplicável a todos os tributos subordinados modalidade de lançamento por homologação. ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333 do CPC, cabe ao sujeito passivo a prova do direito que alega possuir, mormente quando o lançamento tem por base registros por ele mesmo efetuados em sua contabilidade. PIS. BASE DE CALCULO. VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. Integra a base de cálculo da Cofins a receita proveniente de vendas efetuadas para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus. Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 13609.000302/200501 Acórdão n.º 9303005.455 CSRFT3 Fl. 1.804 3 PIS. BASE DE CALCULO. VENDAS DE SUCATAS. Nos termos da Lei n° 9.715/98, o PIS é devido sobre a receita proveniente de bens, e nele se incluem as sucatas. Recurso de oficio não conhecido e recurso voluntário provido em parte. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido que não reconheceu a isenção do PIS/Cofins das receitas decorrentes de vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus ZFM. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 3801002.025. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fl. 1789/1793. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 1787/1781). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Com relação ao tema nele proposto, enquanto o acórdão recorrido entendeu que as receitas decorrentes de vendas a empresas localizadas na ZFM são isentas do PIS/Cofins, o paradigma concluiu justo o inverso, conforme comprova a sua própria ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro segundo disposto no Decretolei 288/67. Tendo o artigo 40 do ADCT mantido as características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 e, ainda, considerando que a receita de exportações de produtos nacionais para o estrangeiro é desonerada do PIS e da COFINS, nos termos do artigo 149, § 2o, I da Constituição Federal, enquanto não Iterado ou revogado o artigo 4o do DL n° 288/67, sobre elas não incide o PIS e a COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Fl. 1805DF CARF MF 4 recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. No mérito, conforme já expusemos nesta mesma Turma, entendemos não assistir razão à Recorrente. Como os motivos que fundamentam o nosso entendimento coincidem com o exposto no voto condutor do Acórdão nº 9303004.430, de 7/12/2016, de relatoria do il. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, motivo pelo qual passamos a adotálo aqui como razão de decidir (advirtase que a divergência entre os períodos de apuração objeto dos autos e os referidos no voto em nada modificam o entendimento aqui firmado): Como relatado, a controvérsia decorre de divergência na interpretação da legislação tributária quanto à possibilidade de isenção do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus nos períodos de apuração referentes aos anos calendários de 2001 e 2002. De acordo com o contribuinte e o acórdão recorrido estas vendas são isentas com base no art. 4º do DecretoLei nº 288/67 e o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT da Constituição Federal. Não concordo com esse entendimento. Vejamos o que dispõe o art. 4º do DL nº 288/67: Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (destaquei). Observase que o dispositivo legal estabeleceu uma equivalência entre vendas de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus e exportação para o estrangeiro. Deixou claro porém que esta regra valia para todos os efeitos fiscais em relação à legislação em vigor na data de sua publicação em 1967. Esta regra não poderia ser aplicada ao PIS, que foi criado pela Lei Complementar 7/70, e à Cofins que foi criada pela Lei Complementar nº 70/91. Ambas contribuições não existiam na data da edição do DL nº 288/67 e, portanto, por ele não poderiam ser reguladas. Esta também é a dicção do disposto nos art. 177 do CTN, in verbis: Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I – às taxas e às contribuições de melhoria; Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 13609.000302/200501 Acórdão n.º 9303005.455 CSRFT3 Fl. 1.805 5 II – aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.(destaquei). Já o art. 40 do ADCT da CF/88, nada inovou no assunto. Somente estendeu o prazo de duração de um benefício fiscal no qual já não continha as isenções do PIS e da Cofins. Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Portanto, não há como acatar que o art. 4º do Decreto Lei nº 288/67 permitia qualquer isenção/imunidade de PIS e da Cofins nas vendas de produtos para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Nesta linha de raciocínio, não procede a argumentação de imunidade na incidência destas contribuições nas operações de venda para a ZFM, pois elas não foram equiparadas a exportação como defende o contribuinte, para efeito destas contribuições, portanto inaplicável a imunidade prevista no art. 149, § 2º, inc. I da CF. Resta analisar se a própria legislação destas contribuições permitia, no período solicitado, a exclusão destas receitas de sua base de cálculo. Sempre lembrando que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, nos termos do art. 111 do CTN. A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que trouxe diversas alterações relativas à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Em seguida, foi publicada a Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, que em seu art. 14 dispôs sobre as regras de desoneração das contribuições em tela, nas hipóteses especificadas, tendo revogado expressamente todos os dispositivos legais relativos à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até o dia 30 de junho de 1999: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (...) II – da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1º. São isentas da contribuição para o P1S/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. Fl. 1807DF CARF MF 6 § 2º. As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) (destaquei) Ressaltese que esta Medida Provisória foi objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIn nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000), que requereu a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus. O Supremo Tribunal Federal – STF, nesta ação, deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", disposta no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória Nº 2.03724/00, com efeitos ex nunc. Posteriormente, em 02/02/2005, foi prolatada decisão julgando prejudicada a ADIn, sendo o processo arquivado sem apreciação do mérito. Posteriormente à decisão liminar do STF na ADIn nº 2.3489, foi editada a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a qual suprimiu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado, que vinha constando em suas edições anteriores. Desta forma, as exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, no período solicitado no presente processo, anoscalendários de 2001 e 2002, eram as previstas no art. 14 da MP 2.158/200135, abaixo transcrito: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II – da exportação de mercadorias para o exterior; III – dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV – do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V – do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI – auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 13609.000302/200501 Acórdão n.º 9303005.455 CSRFT3 Fl. 1.806 7 VII – de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII – de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no §1º não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II – a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; (Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007) III – a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Da leitura do dispositivo legal não é possível localizar que havia previsão legal para exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, das receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por óbvio não é possível aplicar a isenção constante do inc. II do caput, já que a Zona Franca de Manaus não é localizada no exterior e já proferimos o entendimento de que não é aplicável o disposto no art. 4º do DL nº 288/67. Somente a partir da edição da Medida Provisória nº 202/2004, que foi convertida na Lei nº 10.996/2004, é que foi reduzida a zero as alíquotas de PIS e Cofins sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus, nos termos do seu art. 2º, in verbis: Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Fl. 1809DF CARF MF 8 Necessário concluir que caso estas receitas já eram isentas/imunes das referidas contribuições sociais, seria totalmente inócua a edição desta lei reduzindo a alíquota para zero. Até porque não se poderia estabelecer alíquota zero para uma operação que estaria fora do campo de incidência das contribuições por força de imunidade constitucional. Ressalto que este colegiado, embora utilizando de fundamentação discretamente diferente, também vem decidindo assim. Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão nº 9303 003934, cujo julgamento deuse em 07/06/2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 13609.000302/200501 Acórdão n.º 9303005.455 CSRFT3 Fl. 1.807 9 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama No que tange à discussão acerca da isenção ou não do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus ZFM, peço vênia ao ilustre Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza para manifestar meu entendimento. Para melhor elucidar essa questão, importante trazer breve histórico da criação da Zona Franca de Manaus. Em junho de 1957, foi publicada a Lei 3.173/57, dispondo em seu art. 1º, que fica criada em Manaus, capital do Estado do Amazonas, uma zona franca para armazenamento ou depósito, guarda, conservação beneficiamento e retirada de mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza, provenientes do estrangeiro e destinados ao consumo interno da Amazônia, como dos países interessados, limítrofes do Brasil ou que sejam banhados por águas tributárias do rio Amazonas. Tal lei ainda explicitou que as mercadorias de procedência estrangeira, quando desembarcadas diretamente na área da zona franca de Manaus, e enquanto permanecerem dentro da mesma, não estarão sujeitas ao pagamento de direitos alfandegários ou quaisquer outros impostos federais, estaduais ou municipais que venham graválas, sendo facultado o seu beneficiamento e depósito na própria zona de sua conservação. Sendo assim, resta claro que a Zona Franca de Manaus foi criada, a rigor, para fins de se incentivar o desenvolvimento daquela Região, bem como reduzir as desigualdades sociais. Fl. 1811DF CARF MF 10 Posteriormente, foi publicado o Decreto 47.757/60, que regulamentou o disposto na Lei 3.173/57, trazendo, entre outros (com as alterações do Decreto 51.114/61) – Grifos Meus: “ Art. V A Zona Franca de Manaus destinase a receber mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza de origem estrangeira, para armazenamento, depósito, guarda, conservação e beneficiamento, a fim de que sejam retirados para o consumo interno no Brasil ou para exportação observadas as prescrições legais. (Redação dada pelo Decreto nº 51.114, de 1961) § 1º A entrada dêsses produtos na Zona Franca, independerá de licença de importação ou documento equivalente. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961) § 2º As mercadorias de origem e procedência brasileiras, depois de terem sido objeto de um processo regular de exportação perante a Carteira de Comércio Exterior e as demais autoridades do fisco federal e estadual, poderão utilizar o mesmo Tratamento outorgado às mercadorias estrangeiras e como tal serão consideradas, para efeito do presente Regulamento. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961)” “ Art. VI. A Zona Franca de Manaus gozará de extraterritorialidade em relação ao pagamento do impôsto de importação e taxa aduaneira, bem como quanto a quaisquer outros impostos, ágios e tributos federais, estaduais e municipais que incidam sôbre as mercadorias importadas do exterior enquanto estas permanecerem em seus depósitos.” Tais dispositivos deixam claro que as mercadorias de origem brasileira devem observar um processo regular de exportação. O que, por óbvio, há que se entender que as vendas de mercadorias efetuadas à ZFM devem ser consideradas puramente como operação de exportação. Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 13609.000302/200501 Acórdão n.º 9303005.455 CSRFT3 Fl. 1.808 11 Continuando, posteriormente, tal Lei foi revogada pelo DecretoLei 288/67, conforme art. 48, § 2º (Grifos Meus): “ Art 48. Fica o Poder Executivo autorizado a abrir, pelo Ministério da Fazenda, o crédito especial de NCr$ 1.000.000,00 (hum milhão de cruzeiros novos) para atender as despesas de capital e custeio da Zona Franca, durante o ano de 1967. § 1º O crédito especial de que trata êste artigo será registrado pelo Tribunal de Contas e distribuído automàticamente ao Tesouro Nacional. § 2º Fica revogada a Lei nº 3.173, de 6 de junho de 1957 e o Decreto nº 47.757, de 2 de fevereiro de 1960 que a regulamenta.” Não obstante, tal DecretoLei ter revogado a Lei 3.173/57 e o Decreto 47.75760, trouxe em seu art. 4º: “ Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” O que resta concluir que as receitas das vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFM, por expressa determinação do art. 4º do DecretoLei 288/1967 c/c o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT são equiparadas às exportações, de forma que as receitas delas decorrentes não devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins. Ora, sendo assim, desde a publicação do DecretoLei 288/1967, as vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFN são equiparadas às exportações, não devendo ser tributadas pelas contribuições as receitas de vendas à ZFM. Fl. 1813DF CARF MF 12 Ademais, é de se constatar que a Constituição Federal de 1988 ainda determinou a imunidade dessas receitas, conforme preceitua o art. 149, § 2º, inciso I dessa Carta: “ Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; [...]” O que, em respeito à Constituição Federal, quando da instituição do PIS e da Cofins, houve observância dessa desoneração. E, no que tange à discussão trazendo que o art. 4º do DecretoLei 288/67 ter sido publicado na vigência da Constituição Federal anterior a de 1988 – vêse que houve a manutenção dos benefícios à ZFM através do art. 40 do ADCT. E, relativamente à edição da MP 202/2004, que foi convertida na Lei nº 10.996/2004, que trouxe o art. 2º, in verbis: “ Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM.” Tal norma somente veio para explicitar que não há que se falar em tributação das receitas auferidas na venda de mercadorias à ZFM, podendo considerar que antes dessa MP, para fins de não se tributar a r. receita pelas contribuições, há que se observar o disposto Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 13609.000302/200501 Acórdão n.º 9303005.455 CSRFT3 Fl. 1.809 13 no art. 4º DecretoLei 288/67 c/c o art. 40 do ADCT e art. 149 da CF/88. Entendimento já pacificado pelo STJ. E, com o advento da MP 202/04, considerando a jurisprudência pacíficada dada pelo STJ e intentando a diminuição de litígios tributários, manter o procedimento de não se tributar tais receitas. Sendo assim, com essas breves considerações, já resta negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Não obstante, independentemente do direito esposado, em respeito ao Novo Código de Processo Civil de 2015, não há como se ignorar também os precedentes favoráveis emanados pelos Tribunais. Em tempos atuais, inclusive, o novo Código de Processo Civil – Lei 13.105/15 traz o respeito à “eficácia vinculante dos precedentes” em seus arts. 926 e 927, in verbis (Grifos meus): “ Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente. § 1o Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante. § 2o Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem aterse às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação. Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; Fl. 1815DF CARF MF 14 III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. § 1o Os juízes e os tribunais observarão o disposto no art. 10 e no art. 489, § 1o, quando decidirem com fundamento neste artigo. § 2o A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento de casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação de pessoas, órgãos ou entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese. § 3o Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. § 4o A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. § 5o Os tribunais darão publicidade a seus precedentes, organizando os por questão jurídica decidida e divulgandoos, preferencialmente, na rede mundial de computadores.” Devese, assim, em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos precentes” – exposta “explicitamente” pelo Novo Código de Processo Civil NCPC, observar o entendimento emanado pelos tribunais. Não é demais lembrar que no processo administrativo há que se considerar e respeitar tais precedentes, conforme versa o art. 15 do NCPC Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 13609.000302/200501 Acórdão n.º 9303005.455 CSRFT3 Fl. 1.810 15 “ Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.” O Brasil adota como estrutura jurídica o “Civil Law” – que adota fontes de direito, dentre as quais, considera, além da Lei, como fonte direta, os precedentes jurisprudenciais. Sendo assim, inquestionável, a valorização dos precedentes. Até mesmo como forma de se conceder a segurança jurídica que tanto procura a administração fazendária e os sujeitos passivo. Ora, tal cultura de valorização de precedentes, que tora a jurisprudência no Brasil fonte direta da estrutura jurídica adotada pelo Brasil “Civil Law” – traz irrefutavelmente segurança jurídica ao buscar o respeito à unicidade da interpretação. O que, cabe trazer que as decisões do STF, STJ e TRF´s tem sido favoráveis aos contribuintes – pelo afastamento da cobrança do PIS e da Cofins sobre a receita da venda de mercadorias à ZFM – considerando, em síntese, como operação de exportação. Para melhor elucidar, cabe mencionar que o STF, por meio da ADI 310, pacificou o seu entendimento ao manifestar que o quadro normativo préconstitucional de incentivo fiscal à ZFM constitucionalizouse pelo art. 40 do ADCT, adquirindo, por força dessa regra transitória, natureza de imunidade tributária, persistindo vigente a equiparação procedida pelo art. 4º do DecretoLei 288/67: “ EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONVÊNIOS SOBRE ICMS NS. 01, 02 E 06 DE 1990: REVOGAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS INSTITUÍDOS ANTES DO ADVENTO DA ORDEM CONSTITUCIONAL DE 1998, ENVOLVENDO BENS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. Fl. 1817DF CARF MF 16 1. Não se há cogitar de inconstitucionalidade indireta, por violação de normas interpostas, na espécie vertente: a questão está na definição do alcance do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a saer, se esta norma de vigência temporária teria permitido a recepção do elenco préconstitucional de incentivos à Zona Franca de Manaus, ainda que incompatíveis com o sistema constitucional do ICMS instituído desde 1988, no qual se insere a competência das unidades federativas para, mediante convênio, dispor sobre isenção e incentivos fiscais do novo tributo (art. 155, § 2º, inciso XII, letra ‘g’, da Constituição da República). 2. O quadro normativo préconstitucional de incentivo fiscal à Zona Franca de Manaus constitucionalizouse pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, adquirindo, por força dessa regra transitória, natureza de imunidade tributária, persistindo vigente a equiparação procedida pelo art. 4º do DecretoLei n. 288/1967, cujo propósito foi atrair a não incidência do imposto sobre circulação de mercadorias estipulada no art. 23, inc. II, § 7º, da Carta pretérita, desonerando, assim, a saída de mercadorias do território nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus. 3. A determinação expressa de manutenção do conjunto de incentivos fiscais referentes à Zona Franca de Manaus, extraídos, obviamente, da legislação préconstitucional, exige a não incidência do ICMS sobre as operações de saída de mercadorias para aquela área de livre comércio, sob pena de se proceder a uma redução do quadro fiscal expressamente mantido por dispositivo constitucional específico e transitório. 4. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente.” É de se considerar que, em respeito ao art. 40 do ADCT, a saída de mercadorias do território nacional para a ZFM deve ser considerada como exportação de serviços – não podendose afastar nesse evento a natureza de imunidade tributária. Ainda que se trate especificamente de ICMS – o evento de per si é o mesmo discutido no caso vertente. Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 13609.000302/200501 Acórdão n.º 9303005.455 CSRFT3 Fl. 1.811 17 Vêse que os Tribunais Judiciais têm manifestado de forma pacífica entendimento favorável aos sujeitos passivos, explicitando que desde o advento do DecretoLei 288/67 as vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFM são equiparadas às exportações, afastando, por conseguinte a tributação pelo PIS e pela Cofins das receitas provenientes dessas vendas. Frisese tal jurisprudência pacificada nos tribunais, o entendimento esposado pela 2ª Turma do STJ em recente julgado de 2.8.2016 quando da apreciação do REsp 874.887/AM (Grifos Meus): “ EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DECRETOLEI 288/67. ISENÇÃO. SÚMULA 568/STJ. 1. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem da Cofins sobre tais receitas. 2. O benefício de isenção das referidas contribuições alcança, portanto, receitas oriundas de vendas efetuadas por empresa sediada na Zona Franca de Manaus a empresas situadas na mesma região. Agravo interno improvido.” Reforçamos tal jurisprudência o entendimento proferido pelo também STJ quando da apreciação do REsp 691.708 AM: “ PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. Fl. 1819DF CARF MF 18 EMPRESAS QUE VENDEM PRODUTOS PARA OUTRAS NA MESMA LOCALIDADE. RECURSO MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTE. MULTA. CABIMENTO. 1. À luz da interpretação conferida por esta Corte ao DecretoLei n. 288/1967, a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, não incidindo sobre tais receitas a contribuição social do PIS nem da COFINS. 2 . "O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais" (REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012). 3. O recurso manifestamente improcedente atrai a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, na razão de 1% a 5% do valor atualizado da causa. 4 . Agravo interno desprovido, com aplicação de multa.” É de se trazer, nesse caso, a transcrição parcial do voto do Ministro Gurgek de Faria (Grifos Meus): [...] Consoante anteriormente explicitado, quanto à suposta violação ao art. 4º do DecretoLei n. 288/1967, é de se destacar que o aresto combatido não diverge da orientação preconizada por este Tribunal Superior. Isso porque, à luz da interpretação conferida por esta Corte à legislação de regência, a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, não incidindo sobre tais receitas a contribuição social do PIS nem da COFINS, ainda que as empresas sejam sediadas na própria Zona Franca de Manaus. A propósito: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 13609.000302/200501 Acórdão n.º 9303005.455 CSRFT3 Fl. 1.812 19 PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO DEC. LEI 288/67. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência desta Corte é pacificada no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67, não incidindo a contribuição para o PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Precedentes: AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012). Grifos acrescidos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem Fl. 1821DF CARF MF 20 ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se argumentos apresentados. [...] 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4º do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (REsp 1276540/AM, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/02/2012, DJe 05/03/2012). Grifos acrescidos. Confiramse, ainda, os seguintes julgados desta Corte no mesmo sentido: AREsp 944269, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe 30/06/2016; AREsp 820600, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 17/02/2016; AREsp 708492, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 19/06/2015; AREsp 690708, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 11/06/2015; Ag 1417811, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 19/12/2013. Incide, portanto, a Súmula 83 do STJ. Assim, o recurso é manifestamente improcedente, o que atrai a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, na razão de 1% a 5% do valor atualizado da causa. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno e aplico multa à agravante de 1% sobre o valor atualizado da causa. [...]” Constatase que o voto do Ministro Gurgel de Faria ainda traz que no foi decidido pela Corte no mesmo sentido os seguintes julgados: · AREsp 944269, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe 30/06/2016; Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 13609.000302/200501 Acórdão n.º 9303005.455 CSRFT3 Fl. 1.813 21 · AREsp 820600, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 17/02/2016; · AREsp 708492, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 19/06/2015; · AREsp 690708, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 11/06/2015; · Ag 1417811, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 19/12/2013. Por isso, aquela Corte considera que esse entendimento pela não cobrança do PIS e da Cofins sobre tais receitas estaria pacificado. Além do entendimento proferido pelos Tribunais superiores, não se pode ignorar o entendimento no mesmo sentido exarado pelos TRF´s. Eis o que traz o TRF da 1ª Região julgado em 19.9.2016: “ CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PIS E COFINS. ISENÇÃO SOBRE RECEITAS DECORRENTES DE OPERAÇÕES COMERCIAIS REALIZADAS NA ZONA FRANÇA DE MANAUS. POSSIBILIDADE. ART. 4º DO DL 288/67. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E DESTE REGIONAL. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE PROVA PRÉ CONSTITUÍDA REJEITADA. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL NÃO PROVIDAS. (...) 2. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação para efeitos fiscais (art. 4º do DL 288/67), não devendo incidir sobre elas o PIS e a COFINS. Precedentes. (...)” (Apelação/Reexame Necessário nº 0001384 45.2014.4.01.3200/AM; 8ª Turma do TRF da 1ª Região; J: 19/09/2016; P: 14/10/2016) E, então, no mesmo sentido, o TRF da 2ª Região julgado em 08/04/2015: “ TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA, PIS/COFINS. ISENÇÃO. ART. 40 DO ADCT, E ART. 4º DO DECRETOLEI Nº 288/67. Fl. 1823DF CARF MF 22 EXTENDESE AOS PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRECEDENTES STJ. 1. Os arts. 4º do DL 288/67 e 40 do ADCT preservam a Zona Franca de Manaus, enquanto área de livre comércio, o que se aplica às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região, cujos benefícios fiscais compreendem as exportações ao estrangeiro. Desse modo, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. 2. 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da lei Complementar 70/91, autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS, respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Equiparandose os produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes do STJ (RESP 223.405 MT) [...]” Proveitoso ainda trazer o que entende o TRF da 3ª Região “ PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE OPERAÇÕES ORIGINADAS DE VENDAS DE PRODUTOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ART. 4º DO DL 288/67). PRELIMINAR REJEITADA. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. APLICABILIDADE. REMESSA OFICIAL PARCIALMENTE PROVIDA. [...] Cuidase de medida visando á compensação de crédito decorrente de indevido recolhimento da COFINS e do PIS, com base em legislação considerada inconstitucional pela Impetrante. O PIS e a COFINS NÃO INCDEM SOBRE AS RECEITAS DE VENDAS DE MERCADORIAS E SERVIÇOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA Zona Franca de Manaus, uma vez que se trata de receitas de exportação para o exterior em razão de equiparação legal, Jurisprudência, firmouse nesse mesmo sentido. Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 13609.000302/200501 Acórdão n.º 9303005.455 CSRFT3 Fl. 1.814 23 [...] (Apelação/Reexame Necessário nº 001678327.2013.4.03.6100/SP; 4ª Turma)” É de se trazer ainda que se encontra disponibilizado no sítio da PGFN o Parecer PGFN/CRJ 1743/2016: http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/documentosportaria 502/Parecer%20CRJ%201743%202016.pdf Tal Parecer expressa que: “ Tributário. Não incidência de PIS/COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria nacional destinada a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus. Jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça. Ressalvas pontuais. Aplicação do art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Edição de Ato Declaratório com o propósito de vinculação da atuação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002.” Vêse que tal Parecer “sinaliza” o entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional. Digo “sinaliza”, pois não obtive sucesso na busca de Ato do Ministro da Fazenda ratificando os dizeres do r. parecer. Em vista de todo o exposto, visando a celeridade a ser observada nos tribunais, bem como a garantia da segurança jurídica que tanto merecem as partes e, principalmente, em respeito ao Novo CPC, é de se observar o Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes para se afastar a tributação pelo PIS e pela Cofins das receitas auferidas na venda de mercadorias à ZFM desde o advento do DecretoLei 288/67, por serem equiparadas tais vendas à operação de exportação. O que, dessa forma, resta dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Fl. 1825DF CARF MF 24 É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1826DF CARF MF
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