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Numero do processo: 11080.005595/2006-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO - ATUALIZAÇÃO
A restituição de tributo devido deve ser calculada conforme a legislação tributaria.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
"SÚMULA 1° CC N° 4: A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela . Secretaria da Receita Federal são devidos, nos período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para titules federais".
Numero da decisão: 2001-000.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO - ATUALIZAÇÃO A restituição de tributo devido deve ser calculada conforme a legislação tributaria. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. "SÚMULA 1° CC N° 4: A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela . Secretaria da Receita Federal são devidos, nos período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para titules federais".
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JUROS DE MORA. TAXA SELIC Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. "SÚMULA 1° CC N° 4: A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela . Secretaria da Receita Federal são devidos, nos período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para titules federais". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 55 95 /2 00 6- 67 Fl. 28DF CARF MF 2 Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Mediante Notificação de Lançamento, à fl. 03, exigese do contribuinte acima identificado a importância de R$ 8.052,96, correspondente a restituição indevida a devolver, acrescida de juros moratórios de R$ 4.330,07 calculados até junho de 2006, referente ao imposto de renda pessoa física exercido 2003. A ação da fiscalização decorreu de revisão da declaração de ajuste anual, exercício 2003, ano calendário 2002, que apurou saldo do imposto a restituir de R$ 3.638,97, em discrepância com o saldo de imposto a restituir de R$ 11.691,93 apresentado na declaração originária, e cujo valor já foi restituído. A expedição da Notificação de Lançamento atendeu as disposições dos artigos 90, caput e II, do Decreto n° 70.235/72. O contribuinte, inconformado com o lançamento, apresentou tempestivamente impugnação à Notificação de Lançamento, à fl. 01, alegando que houve divergência de interpretações para determinar o rendimento tributável, especificamente em função do recebimento da diferença de URVs, tendo posteriormente apresentado declaração retificadora, quando foi apurado o valor da devolução da restituição indevida de R$ 8.(152–,176, 411 acrescido de juros moratórios, de R$ L610,43, correspondente a 20% do valor do principal, cujo pagamento comprova através de Documento de Arrecadação de Receita Federais – Darf, recolhimento em 31.05.2006 – copia à fl. 02. Argumenta ainda que o valor corrigido da restituição foi recebido em fevereiro de 2005, não havendo razão para incluirse no débito atual a Taxa Selic desde abril de 2003, data original do ajuste relativo ao exercício 2003. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte os mesmos argumentos e não apresenta nenhuma prova documental complementar para comprovar a real existências das despesas que alega terem ocorrido. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Fl. 29DF CARF MF Processo nº 11080.005595/200667 Acórdão n.º 2001000.793 S2C0T1 Fl. 3 3 Conforme colocado anteriormente, a lide gira em torno do cálculo dos juros moratórios oriundos de restituição recebida indevidamente, relativa ao imposto de renda pessoa física exercício 2003, ano calendário 2002. Quanto aos juros moratórios, o art. 167 do CTN estabelece que incidem do trânsito em julgado da decisão que condenar o ente tributante a restituir o indébito, sendo o dispositivo corroborado pela Súmula 188 do Superior Tribunal do Justiça, qual seja: Súmula 188. Os juros moratórios, na repetição do indébito tributário, são devidos a partir do trânsito em julgado da sentença. Por sua vez, a correção monetária deve incidir a partir do pagamento indevido do tributo, com fundamento no princípio da restituição integral, alicerçado o entendimento pela Súmula 162 do STJ. Súmula 162. Na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido. No que se refere aos tributos federais, a partir de 1º de janeiro de 1996, a taxa SELIC passou a ser o índice de juros e correção monetária a ser aplicado desde o pagamento indevido, por força do art. 39, § 4º, da Lei9.250/95. Assim, para os tributos federais iremos aplicar a taxa Selic (instituída pela Lei nº 9.250/95) e não mais o regramento previsto no Código Tributário Nacional, haja vista que ele próprio abre espaço para que cada ente da federação legisle de forma distinta quanto aos seus tributos. Repetindo: o termo inicial da fluência tanto da correção monetária quanto dos juros de mora, nos tributos federais, após 1º de janeiro de 1996, será a data do recolhimento indevido. Os demais tributos estaduais e municipais, salvo disposição em lei em sentido contrário dos respectivos entes da federação, se submetem ao regramento supramencionado contido no CTN. Nesta senda, resta claro que no caso de repetição de indébito de tributos federais, tendo que considerar como termo inicial para contagem da SELIC a data do recolhimento indevido, que no caso em comento, ocorreu em abril de 2003. Não há que se falar em outro período de termo inicial da fluência da correção monetária. No entanto, como muito bem colocado na decisão a quo, deve ser observado o pagamento já efetuado pelo contribuinte no Darf juntado aos autos do processo (fls.2) CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a decisão a quo e considerar como termo inicial da fluência da SELIC a data de abbril de 2003. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 30DF CARF MF 4 Fl. 31DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004937/2010-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 14/11/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECUPERAÇÃO E VULCANIZAÇÃO DE PNEUS. SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS.
Correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização.
Numero da decisão: 1001-000.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 14/11/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECUPERAÇÃO E VULCANIZAÇÃO DE PNEUS. SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS. Correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização.
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E RECAPAGENS DE PNEUS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 14/11/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECUPERAÇÃO E VULCANIZAÇÃO DE PNEUS. SIMPLES NACIONAL. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS. Correto o indeferimento de pedido de restituição se os alegados recolhimentos a maior não se confirmam porque não está provado que a atividade exercida foi de industrialização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 49 37 /2 01 0- 47 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10935.004937/201047 Acórdão n.º 1001000.834 S1C0T1 Fl. 199 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba (PR), mediante o Acórdão nº 0640.190, de 11/04/2013 (efls. 134/141). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) Trata o processo de Pedido de RestituiçãoPer de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no total de R$6.804,49, protocolizado em 30/07/2010, págs. 3/7, relativo a Pagamento Indevido ou a Maior, código 3333 SIMPLES NACIONAL, Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, recolhido em 14/11/2007 no DASN de valor total R$20.860,18. 2. A DRF em Cascavel/PR, por meio do Despacho Decisório de págs. 94/100, indeferiu o pedido porque constatou que o contribuinte desenvolveu atividades de prestação de serviços, cujas alíquotas do Simples Nacional devido são calculados pela tabela do Anexo III – Serviços, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro 2006, não tendo sido confirmada a pretensão do contribuinte de que sua atividade seria indústria, a qual recai na tabela do Anexo II Indústria, o que resultaria nos valores que o contribuinte entende ter recolhido a maior. 3. Cientificado em 19/11/2012, págs. 101/102, o interessado apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de págs. 103/106, por meio de seu representante legal, págs. 107/109. 4. Assevera que a atividade da empresa é “recapagem e recauchutagem de pneus”, CNAEF 22.12.900, em que 22.1 é indústria de produtos de borracha, portanto se trata de operação industrial de recondicionamento de pneus usados. 5. Questiona a conclusão fiscal de nos itens 24 e 25, de que o Decreto N° 7.212, de 15 de junho de 2010 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI) classifica a atividade de recauchutagem de pneus como borracharia que utiliza força motriz, não se enquadrando como indústria; diz que “No item 21. do despacho decisório, o auditor relata que fez uma consulta e empresa tem 19 funcionários, portanto a sua conclusão o item 26, já está equivocada conforme descrito no item 25.”, porque o art. 7º, para efeitos do art. 5º, II, nos casos dos incisos IV e V, define que oficina é estabelecimento que empregar, no máximo, 5 (cinco) operários e, quando utilizar força motriz, não exceder a potência de 5 (cinco) quilowatts; e o trabalho preponderante é de 60% de mãodeobra, no mínimo. 6. Transcreve o art. 4º, V do RIPI, que define industrialização como qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto ou o aperfeiçoe para consumo, tal como aquela exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado e que renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento); transcreve Ato Declaratório Normativo – ADN Cosit nº 21, de 21 de agosto de 1996, referente a industrialização, e processos de consulta diversos no mesmo sentido, em apoio à sua tese. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10935.004937/201047 Acórdão n.º 1001000.834 S1C0T1 Fl. 200 3 O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujo excerto do voto vencedor transcrevo a seguir: 7. O contrato social, págs. 39/44, registrado em 03/08/1995, define o objeto social da empresa como: Comércio de pneus, câmaras de ar, acessórios e artefatos de borracha para veículos, e serviços de recuperação, vulcanização, balanceamento e alinhamento de pneus. (Grifouse.) 8. Este objeto social foi mantido e acrescido da atividade de representação comercial na 2º alteração contratual de 19/06/2008, págs. 45/55. 9. O contribuinte advoga que os “serviços de recuperação e vulcanização de pneus” tratamse de atividade industrial, portanto, em vez de ter apurado os valores do Simples Nacional segundo a tabela do Anexo III – Serviços, da LC nº 123, de 2006, deveria ter apurado pela tabela do Anexo III – Indústria e por isso, recolheu a maior. 10. A seguir, em exemplo do entendimento da RFB: Solução de Consulta nº 242, de 18 de Dezembro de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: RECONDICIONAMENTO DE PNEUS. INDUSTRIALIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DO IPI. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA. POSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA. As atividades de recapagem, recauchutagem e recondicionamento de pneus usados configuram, como regra, operações de industrialização, sujeitandose à incidência do IPI, sendo irrelevante haver também, ou não, incidência do ISS, da competência dos municípios. Na hipótese de a recapagem, recauchutagem e recondicionamento de pneus usados ser realizada por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional, a operação não é considerada industrialização. Para esse efeito, oficina é definida como “o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts” e trabalho preponderante é considerado aquele “que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento”. DISPOSITIVOS LEGAIS: Decreto nº 4.544, de 2002, arts. 4º, 5º, inciso V, e 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”; Pareceres Normativos CST nº 253, de 1970, nº 127, de 1971, e nº 83, de 1977. 11. Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (Decreto nº 4.544, de 2002), vigente em 2007, define: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10935.004937/201047 Acórdão n.º 1001000.834 S1C0T1 Fl. 201 4 I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Exclusões Art. 5º Não se considera industrialização: (...) V o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; (...) Art. 7º Para os efeitos do art. 5º: (...) II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. (Grifouse.) 12. O contribuinte apresentou a Declaração Anual do Simples Nacional – DASN: RecarTrevo DASN Receita Bruta jul/07 130.949,90 ago/07 144.071,01 set/07 131.152,00 out/07 150.875,86 nov/07 120.200,00 dez/07 104.488,00 Total 781.736,77 100% Estoque inicial 593.196,14 Compras 610.025,26 Estoque Final 892.041,35 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10935.004937/201047 Acórdão n.º 1001000.834 S1C0T1 Fl. 202 5 Consumo 311.180,05 43% 40% Despesas 415.845,80 57% 53% Total Consumo +Despesas 727.025,85 100% 93% 13. Não apresentou balancete para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007, somente o do anocalendário 2007, o qual não guarda coerência com a DASN: Balancete contábil ac 2007 págs. 57/59 Receita Bruta de Serviços 1.886.843,07 100% Custo dos serviços 1.349.096,52 72% Despesas operacionais 323.362,58 17% .despesas adm e gerais 204.184,42 .despesas financeiras 119.178,16 Total Custo + Depesas Op 1.672.4590,10 89% 14. As cópias de notas fiscais que apresentou, praticamente ilegíveis, evidenciam vendas a pessoas físicas, constando os CPF dos clientes, págs. 74 e a de pessoas jurídicas, uma cooperativa agroindustrial, uma transportadora, uma atacadista de legumes e cereais, tratase de encomendas para consumo próprio, já que os objetos destas não é comercialização de pneus, págs. 70/73 e 133; também o Razão, confirma tais clientes. 15. Às págs. 79/80 a GFIP de 12/2007 informa os trabalhadores: GFIP CBO Alexandre de Paula 09113 Ajustador de máquinas de embalagem/aprendiz de mecânica de manutenção/líder de manutenção mecânica/mecânico de equipamentos diversos Carlos Aparecido Castilho 07842 Alimentador de esteiras/linha de produção/máquina automática Claudino Francisco da Rocha Jr 09113 Ajustador (...) Dorvalino da Paz Felizardo 07250 Ajustador mecânico de diversos equipamentos ou aprendiz de / Centralizador de rodas Etelvino Jospe Locatelli Cavalli 01231 Diretor Admin Fin (tratase do sócio admin da empresa) Everton Castro Felix 04141 Operador de balança/de movimentação e armazenagem de cargas/ de pesagem/pesador/sileiro/almoxarife/ aux de almoxarifado/ balanceiro/ conferente/encarr de estoque/de expedição/de pesagem Fabiana Primon 04110 Agente, assistente ou auxiliar administrativo Geneci Nicacio 09113 Ajustador (...) José Jandir Farias 07250 Ajustador mecânico de diversos equipamentos ou aprendiz / Centralizador de rodas José Vanderlei de Oliveira 03541 Contato publicitário/promotor de vendas/representante/vendedor Josias Xavier 07250 Ajustador mecânico de diversos equipamentos ou aprendiz de / Centralizador de rodas Lizeu Braga de Freitas 07842 Alimentador de esteiras/linha de produção/máquina automática Neri Leopoldo Fell 03541 Promotor de vendas/propagandista/representante/vendedor Paulo Catuzzo 03541 Contato publicitário/promotor de Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10935.004937/201047 Acórdão n.º 1001000.834 S1C0T1 Fl. 203 6 vendas/representante/vendedor Pedro Agenor Demetrio 09113 Ajustador (...) Salete Aparecida Martins Monteiro 08414 Trabalhador ind de alimentos Classificação Brasileira de Ocupações CBO, instituída por Portaria Ministerial nº. 397, de 9 de outubro de 2002 16. Isto é : 9 (nove) trabalhadores na oficina, dos quais 3 (três) centralizadores de roda– alinhamento de pneus; 1 (um) almoxarife; 3 (três) vendedores; 1 (um) diretor administrativo/financeiro – sócio da empresa; 1 (um) auxiliar administrativo; 1 (um) cozinheira/copeira, totalizando os 16 empregados informados no final do 2º semestre 2007, tendo informado 19 no início do período, na DASN. 17. Quanto à atividade de vulcanização, temse uma descrição do processo no sítio: http://www.gruporgpneus.com.br/reformasprocesso.php: O Processo de Reconstrução A reconstrução de pneus é um processo que envolve várias etapas, começando pela raspagem do pneu e terminando na vulcanização onde o pneu tem a sua vida útil prolongada. 1 Limpeza O processo de reforma dos pneus começa com a limpeza do pneu. Uma máquina preparada para esta função com o auxilio de uma escova faz a limpeza da lateral do pneu, retirando todos os resíduos que poderiam comprometer a reconstrução. 2 Exame inicial Após a limpeza, o pneu passa por uma verificação inicial. Neste processo visual, o profissional avalia as reais condições do pneu a ser recuperado. Cinco partes fundamentais do pneu são analisadas: a parte interna, o flanco ou lateral, o ombro, a banda de rodagem e o talão. Esta etapa do processo é muito importante, pois este exame define se o pneu poderá ou não ser reconstruído 3 Raspagem Após o exame inicial, o pneu passa à máquina de raspagem, onde a banda de rodagem será desgastada. Neste processo, identificase o raio do pneu em que está sendo realizada a raspagem, bem como o perímetro da banda que será aplicada. De posse destas indicações, o raspador encaminha uma ficha com os dados do pneu para a área de seleção da banda, que será preparada enquanto o pneu passa pelas fases seguintes. 4 Escareação Nesta etapa tratamse os pequenos cortes encontrados no piso da carcaça. Tal qual uma "obturação de dentes", é preciso que cada ponto "careado" seja corrigido individualmente. Caso os cortes tenham atingido o pacote de cintas, o pneu receberá um conserto especial, capaz de restituir a resistência da carcaça. 5 Aplicação de conserto Para que a integridade da carcaça seja garantida, não basta "tapar o furo": é preciso reconstituir a estrutura de cada ponto danificado. Depois de escariado, se o pneu demandar consertos irá seguir para esta etapa. A carcaça é preparada internamente para a aplicação do reparo, que varia de acordo com o tamanho do dano e segue as determinações técnicas. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10935.004937/201047 Acórdão n.º 1001000.834 S1C0T1 Fl. 204 7 6 Aplicação de cola Depois de todo o preparo inicial, começa a fase de remontagem do pneu. Nesta operação, uma máquina aplica cola sobre a carcaça tratada e depois retira seu excesso. 7 Enchimento Nesta etapa, uma borracha especial é aplicada para tampar todos os orifícios escariados do pneu. Depois disso, o pneu está pronto para a aplicação da nova banda. 8 Aplicação da banda de rodagem Nesta etapa a banda é cortada, depois recebe uma borracha de ligação, responsável pela adesão da banda à carcaça durante o processo de vulcanização. Quando o pneu chega à máquina de aplicação, a banda já está pronta para a montagem, pois foi preparada previamente. A seguir é a vez do processo de roletamento, que irá retirar o ar que pode ter restado entre a banda e o piso da carcaça. Para complementar esta operação, aplicase uma etiqueta de identificação na lateral do pneu. A etiqueta informa o número e a data das reconstruções já aplicadas nele. 9 Envelopamento Aqui o pneu recebe um envelope de borracha na parte externa, que vai ser succionada durante o processo de vulcanização, causando uma pressão de fora para dentro sobre o pneu 10 Montagem O processo de montagem é diferente para pneus tubeless (sem câmara) e pneus tube type (com câmara). Os pneus sem câmara utilizam um envelope interno e externo. Já os pneus com câmara, utilizamse roda, saco de ar e protetor. 11 Vulcanização O pneu é então colocado na autoclave, equipamento que utiliza temperatura, pressão e tempo para vulcanizar a nova banda sobre a carcaça. Durante este processo, é fundamental utilizar recursos eletrônicos para controlar o tempo, a temperatura e os níveis de pressão que serão aplicados ao pneu. Só assim é possível garantir a segurança e qualidade da operação. 12 Inspeção final Após a vulcanização, o pneu é desmontado e encaminhado para a inspeção final. Nesta fase, verificase a parte interna, a parte externa, a nova banda e a integridade da carcaça. O pneu esta disponível para ser entregue ao cliente. 18. O sítio da empresa, consultado nesta data: http://www.cavallipneus.com/, nada informa sobre os serviços, produtos, instalações ou equipe. 19. Intimado a informar se adquiriu carcaças de pneus e a apresentar as notas fiscais de compra; e a informar se fez reforma de pneus usados para consumidor final e, no caso, quem forneceu as carcaças de pneus; e a informar se fez reforma de pneus usados para comerciantes que revendem pneus usados e, no caso, quem forneceu as carcaças de pneus, respondeu às págs. 88/91: Item 06.1 Neste período de 07 a 12 de 2007, não foi efetuado aquisição de carcaças de pneus. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10935.004937/201047 Acórdão n.º 1001000.834 S1C0T1 Fl. 205 8 Item 06.2 A recauchutagem de pneus foi realizada a partir do fornecimento do pneu usados/danificado pelo consumidor final. O pneu recauchutado é do consumidor final. Item 06.3 A Empresa não fez reforma de pneus usados para comerciantes que revendem pneus reformados. 20. Concluise que o contribuinte, apesar de constar do objeto social a atividade de comércio de pneus e assemelhados, não auferiu receitas de vendas, mas de serviços de recuperação e vulcanização de pneus; conta com 6 (seis) operários nesta atividade; sua clientela contrata esses serviços para consumo próprio e não para comercialização; não há dados suficientes para se apurar se prevalece o custo de mãodeobra na proporção de 60%, pois os dados contábeis são discrepantes dos da DASN; tampouco não forneceu informação sobre qual processo de vulcanização executa, se a quente, se a frio, que tipo de equipamentos e qual a potência instalada. 21. Em síntese, o contribuinte não apresentou elementos comprobatórios da sua pretensão de que sua atividade se caracterize como industrialização. Conclusão. À vista do exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Ciente da decisão em 23/04/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 144, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 23/05/2013 (efls. 146/149), conforme carimbo aposto à fls. 146. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No seu recurso voluntário a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, em suma, que "as indústria de recapagem de pneus utiliza máquinas automatizada de última geração, que facilita a redução de mão de obra, por outro ângulo, está máquinas consome muita energia elétrica que supera a potência de 5 ( cinco ) quilowatts" e transcreve artigos do Regulamento do IPI. Aduz a recorrente que no p. recurso que não constam quesitos que seriam importantes para diferenciar um indústria de uma oficina, tais como "Qual é processo de vulcanização? Qual tipo de máquinas utilizadas para recauchutagem? Qual é potência em quilowatts? Qual é consumos de energia elétrica de cada máquina? Qual é tipos de insumos utilizados?" Anexa as contas de energia elétrica e fotos das máquinas. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10935.004937/201047 Acórdão n.º 1001000.834 S1C0T1 Fl. 206 9 Quanto aos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e reiterado no presente recuso, estes foram fundamentadamente afastados em sede de primeira instância, conforme voto condutor do acórdão recorrido transcrito no relatório, pelo que peço vênia para adotar como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. Quanto aos novos argumentos apresentados, em nada acrescenta à lide, mesmo porque o relator já se debruçou sobre o assunto, de forma precisa. Entendo que os fundamentos esposados pela turma a quo, não deixa dúvida que se trata de prestação de serviço, não havendo, in casu, qualquer margem para a hipótese de industrialização como alega a recorrente. Não há o que acrescentar, a fundamentação é abrangente e escorreita. Neste sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.944085/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/03/1996
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. SUMULA Nº 02 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
Numero da decisão: 3401-005.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lazaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. SUMULA Nº 02 DO CARF. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lazaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 40 85 /2 00 8- 91 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.944085/200891 Acórdão n.º 3401005.730 S3C4T1 Fl. 3 2 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 9ª Turma da DRJ/SP1, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 22746.48237.171203.1.3.04 8029 a compensação de CSLL (cód.2484) do período de apuração novembro/2003, no valor de R$ 114.000,00 e IRPJ (cód.2362) do período de apuração novembro/2003 no valor de R$ 157.000,00 com crédito de PIS/PASEP (cód.8109) no valor de R$ 120.777,25 recolhido via DARF na data de 12/12/1999, do período de apuração 31/03/1996, no valor de R$ 6.968.545,77. Do Despacho Decisório A DERAT São Paulo em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório Eletrônico nº 795102474, na data de 07/10/2008 (efls.2), pela não homologação da compensação declarada, assim fundamentado: Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.14), requerendo a reforma do r. despacho decisório sob os seguintes argumentos: 1. que se trata de valores indevidamente recolhidos a titulo de contribuição ao PIS, com base na ausência de comando normativo que obrigasse os contribuintes ao recolhimento da referida contribuição no período de março/1996 a janeiro/1999, diante da reedição fora do prazo da Medida Provisória nº 1.212/95 até sua conversão em Lei nº 9.715/98; Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.944085/200891 Acórdão n.º 3401005.730 S3C4T1 Fl. 4 3 2. que realizou pedido de restituição atualizado até 29/07/2003 através do PER/DCOMP nº 38257.78992.290703.1.2.042657 no valor de R$ 15.042.998,59 que estão sendo aproveitados através de declarações de compensações efetuadas mês a mês; 3. observa que pelos documentos acostados, declarou erroneamente algumas informações, como por exemplo: a. no Pedido de Restituição/Declaração de Compensação n° 38257.78992.290703.1.2.042657, página 2 (doc 3) informou no campo Valor Original do Crédito Inicial: R$ 15.042.998,59 em vez de R$ 6.968.545,77 (correto valor do crédito original); b. no Pedido de Restituição/Declaração de Compensação n° 38257.78992.290703.1.2.04 2657, página 3 (doc 3) informou no Valor do Principal e Valor Total do Darf: R$ 15.042.998,59 em vez de informar os valores constantes em cada uma das guias DARF's, uma a uma, que somadas constituíram o valor do crédito total pleiteado; c. Nas Declarações de Compensação (docs juntados na manifestação de inconformidade processo no 10880.909119/200639) — em algumas delas foi informado no Valor Total do Darf: R$ 15.042.998,59 e em outras o valor de R$ 6.968.545,77, em vez de informar os valores constantes em cada uma das guias DARF's; 4. que após tomar conhecimento das informações declaradas, cuidou de providenciar Declarações Retificadoras, mas não obteve êxito, mesmo após inúmeras tentativas, nem pela via eletrônica e nem via papel, ante a negativa de recebimento pelos agentes da Receita Federal; 5. no presente caso traz a fundamentação necessária para comprovar a origem do crédito pleiteado e tendo em vista tratarse de um único pedido de restituição, que deu origem a todas as compensações acima relacionadas, requer que seja apreciada em conjunto com o processo nº 10880.909119/200639; 6. faz um breve histórico sobre a edição da MP nº 1.212/1995, que foi sucessivamente reeditada até a conversão em Lei nº 9.715/1998, trazendo por consequência vício na reedição, consubstanciando indébito tributário, o que ensejou o pedido de restituição e as compensações realizadas; 7. que a edição de MP nos termos do art. 62 da CF revela caráter extraordinário e pressupõe relevância e urgência, devendo ser submetida imediatamente ao Congresso Nacional, vez que acarretou vicio insanável na pretensa reedição ao ultrapassar o prazo de trinta dias da data de sua publicação, que ocorreu com a tentativa de reedição da MP n° 1.286/96, publicada no DOU de 13/01/96, pela MP 1.325/96, publicada no DOU de 12/02/96. Contandose trinta dias de eficácia de 13/01/96 percebese que este prazo se expirou em 11/02/96 e, portanto, a reedição em 12/02/96 é inválida; 8. assim, somente com a edição da Lei no 9.715, em 26/11/1998, é que se instituiu, validamente, alteração ao texto da Lei Complementar n° 7/70 capaz de alterar e majorar a sistemática de apuração do PIS, sendo certo que, os valores pagos a este título no período de vigência da MP nº 1.212/95 e de suas frustradas reedições, consubstanciam indébito tributário passível de repetição integral através do pedido de restituição que ora se formula; 9. defende, por fim, o prazo de 10(dez) anos para reivindicar o indébito tributário, uma vez que protocolado o pedido até a data de 09.06.2005; Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.944085/200891 Acórdão n.º 3401005.730 S3C4T1 Fl. 5 4 Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 9ª Turma da DRJ/SP1, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999 SUSPENSÃO. COBRANÇA. Dentro da sistemática administrativa federal, é a controvérsia com relação ao não reconhecimento de direito creditório e à não homologação de declarações de compensação que deve ser apreciada na esfera do julgamento, não outros assuntos paralelos como cobrança. COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. Incabível a compensação fundada em recolhimento que não foi comprovado pela Interessada e nem encontrado pela Unidade a quo. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Impossível alterar a pretensão quando o processo já se encontra em fase contestatória. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (e fls.66) contra a decisão de primeiro grau, repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade e destaca que o crédito pleiteado é oriundo de valores indevidamente recolhidos a título de Contribuição ao Programa de Integração Social ("PIS"), tendo em vista a ausência de comando normativo que obrigasse os contribuintes ao recolhimento dessa contribuição no período de março de 1996 a janeiro de 1999, diante da reedição fora do prazo da Medida Provisória n° 1.212/95, até a sua conversão na Lei nº 9.715/98; solicita ainda, a necessária suspensão do presente processo administrativo até o deslinde final do processo nº 10880.909119/200639, cuja matéria debatida é prejudicial à correta apreciação do presente caso; Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.944085/200891 Acórdão n.º 3401005.730 S3C4T1 Fl. 6 5 O ponto central da controversa trazida pela recorrente se restringe a ausência de normativo legal para a exigência da contribuição ao PIS no período de março de 1996 a janeiro de 1999, por falha na sistemática de reedição da MP nº 1.212/95 até a sua conversão na Lei nº 9.715/98. Em pesquisa sobre a edição da MP nº 1.212 de 28/11/1995, temos que: “REEDITADA E REVOGADA PELA MPV 1.249, DE 14/12/1995 ; 1.286, DE 12/01/1996; 1.325, DE 09/02/1996; 1.365, DE 12/03/1996; 1.407, DE 11/04/1996; 1.447, DE 10/05/1996; 1.495, DE 07/06/1996; 1.4958, DE 09/07/1996; 1.4959, DE 08/08/1996; 1.49510, DE 05/09/1996; 1.49511, DE 02/10/1996; 1.49512, DE 31/10/1996; 1.49513, DE 29/11/1996; REVOGADA E REEDITADA PELA MPV 1.546, DE 18/12/1996; 1.54615, DE 16/01/1997; 1.54616, DE 13/02/1997; 1.54617, DE 13/03/1997; 1.54618, DE 11/04/1997; 1.54619, DE 09/05/1997; 1.54620, DE 10/06/1997; 1.54621, DE 10/07/1997; 1.54622, DE 07/08/1997; 1.54623, DE 04/09/1997; 1.54624, DE 02/10/1997; 1.546 25, DE 30/10/1997; 1.54626, DE 27/11/1997; REVOGADA E REEDITADA PELA MPV 1.62327, DE 12/12/1997; 1.62328, DE 13/01/1998; 1.62329, DE 12/02/1998; 1.62330, DE 13/03/1998; 1.62331, DE 09/04/1998; 1.62332, DE 12/05/1998; 1.62333, DE 10/06/1998; REVOGADA E REEDITADA PELA MPV 1.67634, DE 29/06/1998; 1.67635, DE 29/07/98; 1.67636, DE 27/08/1998; 1.67637, DE 25/09/1998; 1.67638, DE 26/10/1998 E CONVERTIDA NA LEI 9.715, DE 25/11/1998 D.O. DE 26/11/1998”. Conforme entendimento da recorrente teria ocorrido uma falha procedimental quando da publicação da MP nº 1.325, de 09/02/1996, publicada no Diário Oficial da União em 12/02/1996, ultrapassando o prazo de 30 (trinta) dias determinantes para reedição da MP nº 1.286, de 12/01/1996: “Contandose trinta dias de eficácia de 13/01/96 percebese que este prazo se expirou em 11/02/96 e, portanto, a reedição em 12/02/96 é invalida”. Esse assunto, envolvendo a inconstitucionalidade da Lei nº 9.715, de 25/11/1998, foi objeto de ação própria através da ADI 1417/DF e que serve de amparo para outros julgados, conforme se extrai dos EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 927.343 SÃO PAULO, julgado em 16/02/2016 pela Primeira Turma do STF, de relatoria do Min. Edson Fachin, cuja ementa encontrase vazada nos seguintes termos: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. EFEITOS INFRINGENTES. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP. MP 1.212/95 E REEDIÇÕES. VALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. ADI 1417/DF. LEI 9.715/98. 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 1417/DF, decidiu que a MP 1.212/95, reeditada dentro de seu prazo de vigência, produz efeitos desde a sua edição e reedições até transformarse em lei, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da referida exação. 2. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é firme no sentido de que é constitucional a Lei 9.715/98, exceto quanto à expressão “aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995”. Assim sendo, não houve solução de continuidade normativa durante o processo legislativo. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. Ainda, sobre a questão de inconstitucionalidade de norma legal, Lei nº 9.715/1998, vêse que o CARF não dispõe de competência para se pronunciar sobre o assunto, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.944085/200891 Acórdão n.º 3401005.730 S3C4T1 Fl. 7 6 cuja matéria encontrase disposta na Súmula CARF nº 2: “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Quanto ao segundo ponto abordado no Recurso Voluntário, da necessidade de suspensão da análise do presente processo administrativo até o deslinde final do Processo Administrativo nº 10880.909119/200639, a decisão de piso já havia apontado que o referido pedido de compensação não foi vinculado a nenhum Pedido de Restituição. Independentemente da observação feita pelo julgador de piso, em consulta ao processo mencionado (10880.909119/200639) junto ao CARF, o mesmo encontrase com Agravo em Recurso Especial. O julgamento do Recurso Voluntário se deu na data de 26/11/2013, através do Acórdão nº 3401002.434 que por unanimidade de votos foi negado provimento, com fundamentos sintetizados na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DO PIS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA AUTORIDADE FISCAL. LEGÍTIMO INDEFERIMENTO DE CRÉDITO. É legítimo o indeferimento de crédito quando o contribuinte não aprese nta os documentos exigidos pela autoridade fiscal, que comprovariam a existência de pagamento indevido ou a maior. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA LEGAL. O CARF não tem competência para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade da norma legal, conforme determinação expressa da Súmula nº 02 do CARF, a qual foi consolidada pelo CARF com a seguinte redação: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária”. Outro processo da Recorrente que trata do mesmo tema, Processo nº 10880.944083/200800, apenas alterando a data do fato gerador da contribuição ao PIS/PASEP, teve seu recurso apreciado e julgado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa 3ª Seção de Julgamento, acórdão nº 3301002.308, que também, por unanimidade de votos, acordaram seus membros, em negar provimento ao recurso voluntário. Transcrevo a seguir a ementa do acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 28/02/1999 FUNDAMENTO LEGAL. LEGISLAÇÃO. VIGÊNCIA Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A, c/c a decisão do Superior Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.944085/200891 Acórdão n.º 3401005.730 S3C4T1 Fl. 8 7 Tribunal de Justiça (STJ) no REsp nº 1.136.210, reconhecese a legalidade da exigência do PIS, no período de março de 1996 a fevereiro de 1999, nos termos da MP nº 1.212, de 28/11/1995, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador, 31/10/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. Recurso Voluntário Negado. O destino do presente processo não tem como ser diferente dos demais processos da Recorrente que versam sobre a mesma matéria e contemplam as mesmas causas de pedir, tanto em sua manifestação de inconformidade quanto no Recurso Voluntário. A decisão de piso já conferiu o devido tratamento, devendo ser mantida em sua integralidade. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662590/2012-04
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas.
Numero da decisão: 1003-000.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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REQUISITOS. Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza sejam pelo interessado comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 25 90 /2 01 2- 04 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.662590/201204 Acórdão n.º 1003000.327 S1C0T3 Fl. 70 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 35/38) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que não homologou a compensação constante da DCOMP 20779.60466.300710.1.3.042674 (folhas 02/06), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, por ausência de crédito disponível no DARF informado. A recorrente, às folhas 45/54, faz menção ao acórdão recorrido e informa ter ingressado com diversos PER Pedidos de Restituição perante a Receita Federal, os quais relaciona em tabela e informa que haviam sido transmitidos mais de 5 anos antes, o que acarretaria "claramente a homologação tácita dos créditos pleiteados nas PERDCOMP´s, cujo crédito (...) é (...) suficiente para cobrir o débito em questão relatado neste pedido de compensação". Além disso, repete, ipsis litteris, os argumentos de sua impugnação, razão pela qual transcrevese aqui a síntese constante do relatório do acórdão a quo: O manifestante fez uma síntese dos fatos, tendo salientado que vinha acumulando créditos decorrentes da retenção dos 11% a título de “antecipação”, instituída pela Lei nº 9.711, de 1998, cuja constitucionalidade foi proclamada pela Corte Suprema. Assevera que, com a mudança da legislação, foi possível ao sujeito passivo compensar, indiretamente, o seu crédito referente aos tributos da União com o seu débito referente à contribuição previdenciária, cujo titular é o INSS, e créditos desta com tributos administrados pela Receita Federal. Como se sabe, voluntariamente, não seria possível ao sujeito passivo compensar a contribuição previdenciária retida na fonte, nem obter seu parcelamento. Porém, aqui se trata de compensação por iniciativa oficial. Faz menção à legislação pertinente ao assunto em pauta, além de citar entendimentos doutrinários e jurisprudência. Conclui o manifestante destacando a perfeita condição fática e jurídica que permite a compensação de contribuições previdenciárias com os demais débitos tributários administrados pela Receita Federal. Ao final, requer seja "recebida o presente Recurso Voluntário, julgandoo procedente e homologando a compensação, procedendo a devida manutenção dos créditos requeridos nos processos de ressarcimento com o débitos já informados, tendo em vista a homologação tácita de todos os créditos declinados nos pedidos de restituição elencados neste arrazoado". É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.662590/201204 Acórdão n.º 1003000.327 S1C0T3 Fl. 71 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Inicialmente, em relação aos PER Pedidos de Restituição que a contribuinte informa ter apresentado, cabe informar que: 1. devem ser analisados em seus respectivos processos administrativos; 2. não estão homologados, simplesmente por inexistir a hipótese legal de homologação, tácita ou expressa, de pedidos de restituição. No mais, tendo a contribuinte repetido seus argumentos da impugnação, sem apresentar qualquer comprovação de suas alegações, resta, ao concordar com as razões de decidir do acórdão de piso, transcrevêlas no que se considera relevante e adotandoas no presente voto: Segundo o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Por outro lado, conforme disposto no art. 36 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, da mesma forma como incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito, de acordo com o disposto no inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte – , na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.662590/201204 Acórdão n.º 1003000.327 S1C0T3 Fl. 72 4 demonstrativos por ele entregues. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. A apuração de IRPJ é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração, apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior no valor postulado pelo contribuinte. Também a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue antes do referido despacho não confirma o valor do crédito pretendido. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples menção à existência de supostos créditos “relativos à retenção de 11% do INSS” (sic), não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DIPJ e DCTF pertinentes à apuração do IRPJ relativo ao período de apuração de 30/06/2009, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior e atestar a certeza e liquidez do crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13848.000107/2005-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
MULTA POR ATRASO DCTF.
A entrega de DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória.
Numero da decisão: 1003-000.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 MULTA POR ATRASO DCTF. A entrega de DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória.
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score : 1.0
Numero do processo: 10166.727384/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 73 84 /2 01 2- 14 Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10166.727384/201214 Acórdão n.º 1402003.485 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10166.727384/201214 Acórdão n.º 1402003.485 S1C4T2 Fl. 4 3 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 641DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910568/2015-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/06/2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/06/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 05 68 /2 01 5- 77 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.910568/201577 Acórdão n.º 3301005.265 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.462. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910568/201577 Acórdão n.º 3301005.265 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910568/201577 Acórdão n.º 3301005.265 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910568/201577 Acórdão n.º 3301005.265 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910568/201577 Acórdão n.º 3301005.265 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910568/201577 Acórdão n.º 3301005.265 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 16020.000194/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/1998
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA.
Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 que rege o processo administrativo fiscal, e estando o auto de infração formalmente perfeito, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre que determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, revela-se inviável falar em nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa ao instituto alegado.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL.
O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.).
LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/1998 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 que rege o processo administrativo fiscal, e estando o auto de infração formalmente perfeito, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre que determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, revelase inviável falar em nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa ao instituto alegado. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 0. 00 01 94 /2 00 7- 20 Fl. 152DF CARF MF 2 João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado por ELLENCO CONSTRUÇÕES LTDA. em face do Acórdão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada. Consoante o Relatório Fiscal, a recorrente foi tomadora de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, referente aos serviços de construção civil, em especial os serviços prestados por subempreiteira por cada prestador de serviço. O relatório recorrido dispõe o seguinte: "Constituiu fato gerador das contribuições lançadas a remuneração devida aos segurados empregados da empresa Antônio Carlos Martins Capela do Alto ME que prestaram serviços em obras de construção civil da Ellenco Construtora`Ltda., no período de 01/1997 a 07/1998. A base de cálculo foi apurada por aferição indireta e correspondeu à alíquota de 40% incidente sobre o valor das notas fiscais prestação de serviços. O crédito foi constituído em nome da Ellenco Construtora Ltda., com fundamento na responsabilidade solidária do construtor com as subempreiteiras, prevista no artigo 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91. As contribuições lançadas foram objeto de crédito previdenciário anteriormente constituído, mas anulado, em razão de vício formal, pelo' Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS (Acórdão n° 608/2006), com decisão definitiva em 26/04/2006. A empresa Ellenco Construtora Ltda apresentou impugnação, acompanhada de documentos, requerendo a nulidade do lançamento por falta de motivação e, subsidiariamente, a procedência parcial do lançamento em razão da ausência da responsabilidade solidária da impugnante e dos serviços contratados não se enquadrarem na definição de obra de construção civil, sob os seguintes argumentos: Ausência de motivação O artigo 37, caput da Lei n° 8.212/91, estabelece que a NFLD deve discriminar, de forma clara e precisa, os fatos geradores de contribuição previdenciária. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16020.000194/200720 Acórdão n.º 2301005.659 S2C3T1 Fl. 3 3 A motivação do ato administrativo foi alçada a princípio pelo artigo 2° da Lei n° 9.784/99. O lançamento foi efetuado em nome da impugnante (responsável solidária) em razão desta não comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelas subempreiteiras que contratou para executar obras de construção civil. A imposição dessa responsabilidade solidária depende da comprovação da ocorrência do fato gerador, ou seja, que a subempreiteira executou obra de construção civil. Contudo, a fiscalização não comprovou que os serviços contratados pela impugnante enquadravamse como obra de co trução civil, apenas presumiu essa situação, valendose do artigo 33, § 3° da Lei n° 8.212/91 O fato do contribuinte não apresentar a documentação requisitada pela fiscalização não permite a esta praticar o lançamento sem qualquer atividade investigatória. Modificase apenas a qualidade da prova. Ao invés da prova direta, a fiscalização pode se valer da prova indireta, pela verificação de indícios da ocorrência do fato gerador. Entretanto, sequer a prova indiciária foi investigada pela fiscalização. Ela apenas verificou os livros Diário da impugnante, eximindose de verificar as notas fiscais de serviços que descreviam as atividades executadas pelas empresas terceirizadas. Não há nos autos qualquer prova de que os serviços contratados pela impugnante figuram como obra de construção civil. A indicação do nome da empresa terceirizada não constitui fato que, por si só, convença da existência da execução de obra de construção civil. Ausência de fundamentação legal Por não ter investigado a realidade dos serviços contratados pela impugnante e por esta ser uma empresa construtora, a fiscalização supôs que todos os serviços que ela subempreita são obras de construção civil. Conforme definição estabelecida pela legislação tributária complementar vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (Ordem de Serviço INSS/DAF n° 165/1997). obra de construção civil é a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou subsolo. Ao se examinar a inscrição da empresa terceirizada no CNP.l/MF e as atividades descritas na planilha que instrui o Relatório Fiscal, é possível formar convicção de que ela não Fl. 154DF CARF MF 4 executou obra de construção civil, e sim locação de equipamentos mecânicos. Por se tratar de serviços prestados mediante cessão de mão de obra. a responsabilidade solidária do contratante decorre do artigo 31 e não do artigo 30, Vl da Lei 8.212/91. A Entretanto, não está registrado no Relatório Fiscal, e tampouco. na planilha Fundamento Legais do Débito, a fundamentação legal que autoriza o lançamento em nome do tomador de serviços de cessão de mão de obra. A omissão de fundamentação legal configura vicio insanável e implica em nulidade do lançamento. Inexistência de responsabilidade solidária Ao lançamento deve ser aplicada a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. A responsabilidade solidária do construtor com o subempreiteiro apenas adveio com a Lei n° 9.528/97. Em sua redação original, o artigo 30. Vl da Lei n° 8.212/9l somente previa responsabilidade solidária entre o proprietário. o incorporador, o dono da obra ou o condômino. Assim, para o período anterior à Out/ 1997, não existe fundamento legal que autorize a fiscalização a responsabilizar o proprietário incorporador, dona da obra ou condômino com o subempreiteiro. É nulo de pleno direito qualquer ato administrativo regulamentar que estabeleça a responsabilidade solidária entre as partes, em especial, o itein 15 da Os INSS/DAF n° 51/92 e o item 17 da OS INSS/DAF n° 165/97. Tanto porque a responsabilidade solidária é matéria exclusiva de lei (artigo 124, ll do CTN), como porque o conteúdo dos atos regulamentares restringese ao alcance da lei em função da qual são expedidos (artigo 99 do CTN). INSS/DAF n° 51/92 e o item 17 da OS INSS/DAF n° 165/97. Tanto porque a responsabilidade solidária é matéria exclusiva de lei (artigo 124, ll do CTN), como porque o conteúdo dos atos regulamentares restringese ao alcance da lei em função da qual são expedidos (artigo 99 do CTN). A despeito disso, a fiscalização responsabilizou à impugnante pelas obrigações previdenciárias descumpridas pela subempreiteira de obra de construção civil, relativas ao período de 01/1997 a 07/1998. Inaplicabilidade do artigo 124, I do CTN Caso, ainda, o sujeito ativo pretenda convalidar o lançamento com fundamento no artigo 124, l do CTN, isso não será permitido, pois este dispositivo não foi informado como fundamento legal do lançamento. Inexatidão da base de cálculo De acordo com o capítulo Vl da OS INSS/DAF n° 51/1992 e com o capítulo V da OS INSS/DAF n° 165/1997, a aferição da Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16020.000194/200720 Acórdão n.º 2301005.659 S2C3T1 Fl. 4 5 base de cálculo deve levar em consideração a utilização de equipamentos mecânicos pela subempreiteira. Embora a subempreiteira tenha executado serviços de terraplenagem, o que reduziria a aferição da base de cálculo para 5% do valor da nota fiscal de serviços, esse limite não foi respeitado no lançamento. Portanto, ele deve ser retificado. A empresa Antônio C`arlos1Martins Capela do Alto ME, regularmente notificada, não apresentou impugnação. Remetidos aos autos a DRF de origem para que a autoridade lançadora indicasse os motivos que a levaram a concluir que os serviços foram prestados na atividade de construção civil, ela apresentou Relatório Fiscal Complementar, acompanhado de documentos, na qual precisou os motivos adotados para fundamentar o lançamento. A Ellenco Construtora Ltda, regularmente cientificada do resultado da diligência. manifestouse pela nulidade do lançamento, sob os seguintes argumentos: A motivação inicial do ato administrativo não pode ser modificada após a sua lavratura. Caso a motivação inicial seja insuficiente, o ato administrativo deve ser declarado nulo. Não obstante, a informação fiscal apresentou motivação sem fundamento em fatos, apenas em especulações da autoridade administrativa. São três os motivos apresentados pela fiscalização: a terceirização do serviço pressupõe sua vinculação á atividade fim da impugnante; a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE; e o fato da impugnante não fazer prova do contrário. Contudo, existem inúmeras atividadesmeio que podem ser terceirizadas (p.ex limpeza, manutenção e segurança); o CNAE não pode ser aceito como legislação tributária (art. 100 do CTN). devendo prevalecer a definição do item l da OS INSS/DAF n° 165/97, vigente à época dos fatos geradores; e 0 ônus probatório é sempre da autoridade administrativa, que é obrigada a investigar a ocorrência dos fatos geradores. A fiscalização afirma que faz prova da natureza dos serviços pelas cópias de livro Razão da impugnante, porém, a escrituração contábil não serve como elemento probatório dos serviços prestados por terceiros, porquanto não descreve os serviços tomados pela impugnante. A empresa Antônio Carlos Martins Capela do Alto ME, regularmente cientificada do resultado da diligência, não se manifestou". Em recurso voluntário a recorrente reproduz as mesmas razões de primeira instância, acrescentando o seguinte: Fl. 156DF CARF MF 6 NFLD. Nulidade absoluta. Modificação dos motivos determinantes. a não configuração dos pressupostos para apuração do montante supostamente devido mediante aferição indireta (arbitramento); Alega a decadência em razão de nova decisão administrativa; A elisão da responsabilidade solidária da tomadora do serviço. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE ALEGADA A recorrente sustenta a nulidade do auto de infração, alegando que não há indicação das descrições dos fatos, necessários para lavratura do referido auto, bem como alteração dos motivos determinantes, em desobediência ao que prescreve o art. 10º, inciso III, do Decreto lei ° 70.235/72. No processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Já o art. 60, do Decreto 70.235/1972, in fine, menciona que as irregularidades, incorreções e omissões não configuram nulidade, devendo ser sanadas se não resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16020.000194/200720 Acórdão n.º 2301005.659 S2C3T1 Fl. 5 7 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". No presente caso, verificase que a recorrente teve ciência de todo os fatos que estavam sendo apontados, pois respondeu a todo questionamento da fiscalização, bem como identificou elementos que pudessem chegar às conclusões do lançamento. Conforme o relatório fiscal, constatase que: "Trata o presente de créditos apurados em favor da Seguridade Social, devidos pela empresa supra, referentes à parte patronal e empregados, excluídas as contribuições de Outras Entidades Terceiros, tendo em vista tratarse de debito de responsabilidade solidária, de acordo com o contido no Art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91 e Art. 42, caput do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS aprovado pelo Decreto 2.173, de 05/03/1997 ( Nesta ação fiscal reportarse também ao anexo FLD Fundamentos Legais do Débito". De todo o andamento processual, verificase que o lançamento fiscal foi anulado em razão de vício formal, e que posteriormente, seguiu sua marcha processual normalmente. Entretanto, o vício formal, não alterou o critério jurídico adotado para autuação fiscal. Por outro lado, ao realizar a especificação do Lançamento, em sede de diligência fiscal, a autoridade administrativa apontou o seguinte: DA DILIGÊNCIA Retorna o presente processo da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Ribeirão Preto (SP), com as seguintes solicitações: A) Solicitase que...“a autoridade fiscal Iançadora indique os motivos que a levaram a concluir que os serviços foram prestados na atividade de construção civil” (sic); B) Junte, quando possível, os elementos de prova que possuir. C) Do resultado da diligência deverá ser cientificada a interessada para, querendo, se manifestar no prazo de 30 dias. II DA INFORMAÇÃO FISCAL em face dos quesitos solicitados, passamos às informações correspondentes: A) Os motivos que levaram a autoridade fiscal a concluir que os serviços prestados pela empresa prestadora de serviço foram prestados na atividade de construção civil, estão demonstrados, inicialmente, pela própria atividade fim da defendente, bem como, na atividade da contratada. Fl. 158DF CARF MF 8 A.1) A Ellenco tem como atividade principal, conforme seu contrato social, o ramo de engenharia Elétrica e civil, envolvendo: construções elétricas, telefônicas, civis por administração, civis por conta própria, projetos, serviços topográficos, Comércio de materiais de construção civil, elétricos e telefônicos, Terraplanagem, compra e venda de imóveis, pavimentação asfáltica, serviços de construção e recuperação de pontes, viadutos, passarelas, galerias, obras em concreto armado ou protendido em geral e serviços correlatos; Usina de Massa Asfáltica; Serviços de Limpeza Urbana e Gestão de Aterros A.2) Com certeza, para o cumprimento de suas atividades, indicadas em seu contrato social, a defendente, até por uma questão de demanda, precisou “terceirizar” suas atividades, e para essa tarefa não poderia contratar outra empresa que não estivesse intimamente associada à atividade da tomadora que, por conseguinte, esta relacionada à construção civil" A.2.1) Antes de qualquer citação de que a defendente não contratou apenas empresas ligadas à construção civil, deixamos claro que estamos nos atendo às empresas prestadoras de serviços que a fiscalização verificou e constatou a correlação entre o serviço prestado e a atividade de construção civil. A.3) A autoridade fiscal, além dos motivos mencionados, utilizouse, naturalmente, da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, também denominada "CÓdigo CNAE", divulgada pela Resolução n° 54, de 19 de dezembro de 1994, da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, publicada no Diário Oficial em 26 de dezembro de 1994, da qual transcrevemos a parte relacionada à construção: F CONSTRUÇÃO 45 construção 45.1 preparação do terreno 45.110 demolição e preparação do terreno 45.128 perfurações e execução de fundações destinados a construção civil 45.136 grandes movimentações de terra 45.2 construção de edifícios e obras de engenharia civil 45.21 7 edificações (residenciais, industriais, comerciais e de serviços) inclusive ampliação e reformas completas 45.225 obras viárias inclusive manutenção 45.233 grandes estruturas e obras de arte 45.241 obras de urbanização e paisagismo 45.250 montagens industriais 45.292 obras de outros tipos 45.3 obras de infraestrutura para engenharia elétrica. eletrônica e engenharia ambiental 45.31 4 construção de barragens e represas para geração de energia elétrica 45.322 construção de estações e redes de distribuição de energia elétrica 45.330 construção de estações e redes de telefonia e comunicação ' Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16020.000194/200720 Acórdão n.º 2301005.659 S2C3T1 Fl. 6 9 45.349 construção de obras de prevenção e recuperação do meio ambiente 45.4 obras de instalações 45.411 instalações elétricas 45. 420 instalações de sistemas de ar condicionado, de ventilação e refrigeração 45.438 instalações hidráulicas, sanitárias. de gás, de sistema de prevenção contra incêndio, de páraraios. de segurança e alarme 45.497 outras obras de instalações 45.5 obras de acabamentos e serviços auxiliares da construção 45.51 9 alvenaria e reboco 45.527 impermeabilização e sen/iços de pintura em gera/ 45.594 outros serviços auxiliares da construção Das informações prestadas, é possível compreender exatamente os serviços que foram prestados, sendo possível, portanto, identificar os elementos que levaram a fiscalização a realizar o Lançamento fiscal. Nesses termos, estando o lançamento formalmente adequado, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre que determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, onde foram corrigidas formalidades necessárias, revelase inviável falar em nova nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. DO MÉRITO DA DECADÊNCIA Nesse quesito, a recorrente alega o seguinte: "Não assiste razão à autoridade administrativa, e tampouco à autoridade julgadora, ao defender que, uma vez anulado o lançamento por vício formal, a Fazenda tem um novo prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário. O artigo 173, inciso II do CTN não estabelece uma hipótese de interrupção do prazo decadencial para a constituição do crédito, o que, data vênia, seria uma violação ao princípio jurídico elementar de que a decadência não se interrompe. Além da fragilidade deste raciocínio, caso prevaleça, estarseia submetendo contribuinte ao exclusivo arbítrio do sujeito ativo, o que não pode ser admitido. Se ele pratica lançamentos fiscais formalmente nulos, o contribuinte não pode aguardar ad eternum que o sujeito ativo aprenda a praticar seu munus, respeitando as prerrogativas do contribuinte". Como visto, o lançamento fiscal foi anulado, por vício formal, e que possibilita ao fisco realizar novo lançamento. Nesse sentido, o art. 173, inciso II, do CTN dispõe o seguinte: Fl. 160DF CARF MF 10 "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Nesse sentido, é claro o dispositivo citado de que a fazenda tem o poder dever de realizar novo lançamento dentro do prazo de cinco anos, contados da decisão que anular, por vício formal, o lançamento. A decisão que anulou a primeira NFLD foi proferida em 26 de abril de 2006, e a recorrente se manifestou novamente em março de 2009 (efl. 109). Portanto, dentro do prazo quinquenal a que poderia intimar a responsável para sua manifestação. DA APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO E DA BASE DE CÁLCULO MEDIANTE AFERIÇÃO INDIRETA A fiscalização identificou valores a serem recolhidos para a Seguridade Social. A base de cálculo foi apurada por aferição indireta e correspondeu à alíquota de 40% incidente sobre o valor das notas fiscais prestação de serviços. Nesse sentido, a Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 6º é explícita ao atribuir à fiscalização o poder de (a) lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; (b) apurar e lançar as contribuições devidas quando constatar que a contabilidade não registra a realidade da remuneração dos segurados a seu serviço e (c) desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições que caracterizem tal condição: Lei 8.212, de 1991 Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008) (no mesmo sentido, o art. 233 do RPS) (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16020.000194/200720 Acórdão n.º 2301005.659 S2C3T1 Fl. 7 11 devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifouse.) Conforme a diligência fiscal realizada, foram lançados as seguintes informações: A.4) A defendente tenciona demonstrar que os serviços selecionados pela autoridade fiscal para a apuração do presente débito náo estão relacionados à atividade da construção civil, no entanto em nenhum momento ela descreve a que tipo de atividade a prestadora de serviços efetuou o seu trabalho. Nem sequer trouxe aos autos qualquer evidência de que os serviços estiveram atrelados à outra atividade. B) No que tange aos elementos de prova, na presente diligência, intimamos a Ellenco a fornecer cópias das notas fiscais relacionadas nos autos, bem como a apresentação dos Livros contábeis concernentes ao período de O1/2006 O1/2009. A defendente não nos apresentou a totalidade das notas fiscais, mas, as que foram apresentadas demonstram, por amostragem, o tipo de serviço prestado. B.1) Juntamos, também, aos autos, cópias de folhas extraídas dos Livros Razão, conforme o período, dos anos de 1996 a 1998, demonstrando os lançamentos contábeis relacionados aos valores apurados nessa NFLD, também por amostragem, conforme seguez Livro Razão 96 fls.209, 210,245, 248 e 253 Livro Razão 98 fls.222 e 317. B.2.) Solicitado à empresa a informação a respeito de contrato de prestação de serviços que, eventualmente, poderia ter sido elaborado entre a tomadora e a prestadora, ela nos apresentou a declaração (juntamos aos autos) informando que: “os contratos, referentes ao T/PF n° 0811000.2008.0057, não foram reduzidos a termo, porquanto foram celebrados verbalmente.” No caso em apreço, é evidente a apresentação deficiente da documentação, uma vez que, como visto, não foram apresentadas as guias de recolhimento da Previdência Social referentes à obra em questão. Igualmente, conforme se verifica do Lançamento o montante foi arbitrado em razão das informações prestadas e também omitidas pela recorrente. Nesse sentido, a recorrente alega que há insuficiência probatória dos documentos acostados aos autos, diz que a notificação fiscal foi lavrada pelo fato de, no momento da realização da fiscalização em seu estabelecimento, não terem sido apresentados os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias referentes ao contrato de prestações serviços firmado entre ela (tomadora) e a empresa construtora (prestadora). Diante disso, o valor lhe foi imputado, como responsável solidária, tendo sido apurado pela sistemática da aferição indireta. Alega também que não existe o suposto débito e a Fazenda Pública tem o poder de constituir unilateralmente presunções em seu favor, as quais podem ser desconstituídas mediante prova em contrário. Apresentou toda a documentação Fl. 162DF CARF MF 12 hábil, idônea e suficiente à comprovação da quitação dos supostos débitos; de modo que nada se encontra pendente a esse título; tais documentos devem ser pormenorizadamente analisados, a fim de desvendar a realidade dos fatos, em obediência ao princípio da verdade material; ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, as guias de recolhimento anexadas são prova suficiente para desconstituição do débito, assim como as cópias das folhas de pagamento correspondentes. Entretanto, conforme se verifica dos autos, não assiste razão a recorrente. No caso de construção civil, vige a solidariedade tributária do proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme previsão do art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991: Art. 30 (...) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Tal previsão é regulamentada pelo art. 43 do ROCSS e esmiuçada pela Ordem de Serviço DAF 165, de 1997, item 17: ROCSS Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condôminio de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16020.000194/200720 Acórdão n.º 2301005.659 S2C3T1 Fl. 8 13 fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. § 3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. (Grifouse.) Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 17 – O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964 , o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Tal responsabilidade é elidida, de acordo com o item 20 do mesmo texto legislativo desde se comprove ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura: 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea b, além da cópia da folha de pagamento. (Redação dada ao subitem pela Ordem de Serviço DAF nº 185, de 31.03.1998, DOU 15.04.1998) (Grifouse.) (...) 16 O recolhimento das contribuições será individualizado por obra, mediante matrículas distintas, observado, quanto ao preenchimento da Guia de Recolhimento da Previdência Social GRPS, o seguinte: (...) b) EMPREITEIRA, no caso de empreitada parcial, e SUBEMPREITEIRA (GRPS específica para cada obra): campo 01 apor o carimbo padronizado do CGC ou sua transcrição. campo 02 registrar o nome da empreiteira/subempreiteira; Fl. 164DF CARF MF 14 campos 03 a 07 apor o endereço da obra; campo 08 registrar a matrícula CEI da obra e o nome do proprietário ou dono da obra. Em se tratando de recolhimento prévio, registrar também o número, a data e o valor da nota fiscal de serviço à qual as contribuições deverão ser vinculadas; campo 09 registrar o nº 1; campo 10 registrar o nº do CGC da empreiteira/subempreiteira. campo 11 registrar o código FPAS. Os percentuais retroreferidos encontramse definidos no item 5, quais sejam: V APURAÇÃO DE SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO CONTIDO EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO 31 É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de saláriodecontribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura. 31.1 Em se tratando de nota fiscal de serviço que contenha mãodeobra e material, o saláriodecontribuição corresponderá no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor da mãodeobra discriminado na fatura, devendo a empresa de construção civil, quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. 31.1.1 Na hipótese de não ser efetuada a discriminação dos valores, 50% (cinqüenta por cento) serão considerados como material e 50% (cinqüenta por cento) como mãodeobra, totalizando o saláriodecontribuição, por conseguinte, 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal de serviço. 31.2 Tratandose de serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá à aplicação dos seguintes percentuais sobre o valor da nota fiscal/fatura: 31.2.1 Nos demais serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá a aplicação do percentual de 12% (doze por cento) sobre o valor da nota fiscal/fatura. 31.2.1.1 Estes percentuais refletem os custos da mãodeobra direta, em comparação com os custos totais da obra, devendo, por conseguinte, serem aplicados sobre o valor total da nota Pavimentação 3% (três por cento) Terraplenagem 5% (cinco por cento) Concreto Preparado 5% (cinco por cento) Obras Complementares (ajardinamento, recreação etc) 7% (sete por cento) Obras de Arte (pontes e viadutos) 15% (quinze por cento) Drenagem 17% (dezessete por cento) Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16020.000194/200720 Acórdão n.º 2301005.659 S2C3T1 Fl. 9 15 fiscal de serviço/fatura, sem a exclusão dos valores referentes a material e a utilização de equipamentos mecânicos. Diante do exposto, é necessário verificar o contrato de empreitada que originou as contribuições exigidas no presente processo, bem como das notas fiscais de prestação de serviços juntadas ao feito. Nesse sentido, cabe transcrever aqui, também, o item 12 e 13 do relatório fiscal: "12. Constituem fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento do crédito, pagamentos efetuados a várias Sub empreiteiras, cujas guias vinculadas não foram fornecidas e com recolhimentos verificados através da Conta Corrente (INSS) estando zerados ou com valores inexpressivos em relação ao valor das faturas sendo que estas empresas indicadas conforme Relatório de Fatos Geradores (na atual nomenclatura é 0 RL Relatório de Lançamentos que neste caso é exclusivo de cada tomador embora extraído do relatório original de Fatos Geradores compilado na integra conforme dito em item 2 e do qual a empresa recebeu uma via para controle e conferência). 13. A empresa Ellenco apresenta em sua contabilidade dois centros de custos mais utilizados, a saber: CUSTOS/OBRAS de TE RRAPLENA GEM E CUSTOS/OBRAS DA TE LESP, em cujos custos são lançadas as despesas com SUBEMPREI TA DAS, SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURIDICA, MATERIAL EMPREGADO NA OBRA, DESPESA COM LOCAÇÃO, DESPESAS GERAIS, ETC". Ainda, o relatório fiscal, consoante diligência administrativa, é claro em informar: "A) Os motivos que levaram a autoridade fiscal a concluir que os serviços prestados pela empresa prestadora de serviço foram prestados na atividade de construção civil, estão demonstrados, inicialmente, pela própria atividade fim da defendente, bem como, na atividade da contratada. A.1) A Ellenco tem como atividade principal, conforme seu contrato social, o ramo de engenharia Elétrica e civil, envolvendo: construções elétricas, telefônicas, civis por administração, civis por conta própria, projetos, serviços topográficos, Comércio de materiais de construção civil, elétricos e telefônicos, Terraplanagem, compra e venda de imóveis, pavimentação asfáltica, serviços de construção e recuperação de pontes, viadutos, passarelas, galerias, obras em concreto armado ou protendido em geral e serviços correlatos; Usina de Massa Asfáltica; Serviços de Limpeza Urbana e Gestão de Aterros A.2) Com certeza, para o cumprimento de suas atividades, indicadas em seu contrato social, a defendente, até por uma questão de demanda, precisou “terceirizar” suas atividades, e para essa tarefa não poderia contratar outra empresa que não Fl. 166DF CARF MF 16 estivesse intimamente associada à atividade da tomadora que, por conseguinte, esta relacionada à construção civil" A.2.1) Antes de qualquer citação de que a defendente não contratou apenas empresas ligadas à construção civil, deixamos claro que estamos nos atendo às empresas prestadoras de serviços que a fiscalização verificou e constatou a correlação entre o serviço prestado e a atividade de construção civil. A.3) A autoridade fiscal, além dos motivos mencionados, utilizouse, naturalmente, da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, também denominada "CÓdigo CNAE", divulgada pela Resolução n° 54, de 19 de dezembro de 1994, da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, publicada no Diário Oficial em 26 de dezembro de 1994, da qual transcrevemos a parte relacionada à construção" Na GRPS não consta os dados referentes à obra, conforme determinado pelo item 16, “b”, da Ordem de Serviço DAF 165 de 1997, e, tampouco, os valores recolhidos por meio da GRPS é compatível com o valor dos tributos devidos, cuja base de cálculo é diversa da apontada pela recorrente, considerando que foi aplicado o percentual de 40% sobre o valor das “notas fiscais, por competência, uma vez que a empresa contratante fornece todo o material utilizado. Entrelaçando a responsabilidade pela empreitada global, em mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. Ainda, A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: "Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Portanto, foi constatado que os recolhimentos não são condizentes com os fatos geradores do Lançamento, bem como nem as formalidades e os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 31 da Lei 8.212, de 1991 e legislação correlata (já transcrito). Desse modo, deve ser mantido o valor do crédito tributário constituído pelo lançamento, bem como a responsabilidade solidária, com a inclusão de capítulo específico abaixo. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16020.000194/200720 Acórdão n.º 2301005.659 S2C3T1 Fl. 10 17 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Embora os dispositivos acima transcritos já concluem a responsabilidade solidária da recorrente, passo a abordar o tema de maneira objetiva. É alegado pela recorrente que a imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento de determinado tributo exige a previsão expressa em lei, assim como a estrita observância dos moldes e requisitos ali discriminados para a ocorrência de tal imputação ou seu afastamento; no caso específico das contribuições previdenciárias, aduz a recorrente que deve ser inteiramente afastada eventual responsabilidade solidária da tomadora de serviço quando for comprovado o recolhimento por parte da prestadora, de acordo com o art. 30, §3° da Lei 8.212, de 1991, o art. 43, §§1° e 2º do Decreto 2.173, de 1997 (ROCSS) e o art. 16 da Ordem de Serviço INSS n° 83; inferese de tais normas que a imputação de responsabilidade solidária à tomadora do serviço tem como pressuposto indispensável a ausência de recolhimento por parte da prestadora; na hipótese em questão, encontramse devidamente comprovados os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias por parte da empresa prestadora do serviço; logo, uma vez comprovados tais recolhimentos por parte da prestadora do serviço, não se pode falar em qualquer responsabilidade solidária por parte da empresa tomadora, devendo ser inteiramente reformado o acórdão recorrido; o acórdão recorrido, ao centrar esforços apenas na ocorrência de suposta responsabilidade solidária, sem ao menos verificar pormenorizadamente os documentos por si acostados, inverteu a lógica para imputação de tal responsabilidade, porque a atribuição de responsabilidade solidária tem como pressuposto necessário o não pagamento por parte do prestador, o que não foi analisado adequadamente pelo acórdão; a simples leitura e observação atenta dos autos deixa clara a idoneidade e suficiência dos documentos juntados por si para comprovar a plena quitação dos supostos débitos em comento; deve ser afastada, portanto, qualquer responsabilidade solidária por parte da tomadora do serviço. Como se constata dos recolhimentos juntados aos autos, bem como do capítulo abaixo, os documentos ofertados à fiscalização não são condizentes com o período de apuração, bem como não correspondem com as formalidades nem com os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991 e item 17 da Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 (já transcrito). CONCLUSÃO Voto, portanto, por rejeitar a preliminar alegada, e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a exigência fiscal. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator Fl. 168DF CARF MF 18 Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.904423/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA.
No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
Numero da decisão: 1302-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PJ 2000 APÓS DESPACHO DECISÓRIO Recorrente IRMÃOS ORNELLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10640.904413/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 44 23 /2 00 9- 65 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10640.904423/200965 Acórdão n.º 1302003.142 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face de Acórdão da 2a. Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, empresa varejista de produtos alimentícios e outros, alega que pagou SIMPLES à alíquota de 4% (que correspondia ao percentual acumulado, relativo a 1998), quando deveria pagar 3%, devidos em 1999, em conformidade com as disposições do art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época. Para evidenciar esse pagamento indevido ou a maior e para compensálo, enviou a DCOMP e na sequência retificou a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ) originalmente transmitida. Anexou Recibo de Entrega da PJ 2000 Simples normal, retificadora e Darfs. A DRJ manteve o despacho decisório eletrônico e declarou não homologada a DCOMP. Entendeu que a recorrente não demonstrou que haveria pagamento indevido ou a maior. Desconsiderou a declaração simplificada retificadora de 2004. Não examinou a alegação da recorrente de que a alíquota correta do SIMPLES para 1999 seria de 3% e não de 4%. Não analisou os DARFs por meio dos quais a recorrente pretende demonstrar tal pagamento a maior. Concluiu que o valor contido na declaração simplificada da PJ corresponde ao valor pago e devido, pois considerou somente a PJ 2000 Simples original. Assim, concluiu que não haveria crédito disponível. Intimou a recorrente a pagar o principal, multa e juros. Diante do acórdão de manifestação de inconformidade, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reforçando que, ao analisar e confrontar com a Declaração Simplificada PJ, ano calendário 1999, a fiscalização deveria ter considerado os débitos declarados na segunda declaração retificadora PJ Simplificada entregue em 11/04/2004 (cancelada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil) e não a primeira, entregue cerca de nove minutos antes, na mesma data. É o breve relatório. Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10640.904423/200965 Acórdão n.º 1302003.142 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.132, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10640.904413/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.132): "Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A recorrente atua no comércio varejista de gêneros alimentícios, perfumaria, papelaria, armarinho, louças e legumes (cláus. III, contrato social, fl. 3). Sustenta que dispunha do crédito pleiteado, pois ao detectar o erro, entregou PJ 2000 Simples retificadora em 11/04/2004, sob n° de controle 10.02.38.90.27. Embora a DCOMP tenha sido entregue antes da PJ retificadora, defende que a IN 210/2002 seria omissa quanto à retificação de declarações. Com esse entendimento, afirma que não poderia concordar com o não reconhecimento do crédito. Alega que a fiscalização deveria ter considerado a declaração retificadora, ainda que realizada posteriormente à avaliação de seu pedido (despacho decisório eletrônico). Ressalta que, a IN SRF nº 210/2002, vigente à época, não mencionava como condição para o deferimento que a retificação fosse em data anterior à entrega da DCOMP. Com base em tais fatos e fundamentos, a recorrente, em 10/12/2003, utilizouse da DCOMP n° 36194.68673.101203.1.3.047949 para compensar débito com os supostos créditos de pagamento a maior de SIMPLES (alíquota de 4%, em vez de 3%). Observase, portanto, que independentemente de ter havido a retificação da DSPJ somente após a transmissão da DCOMP, não se verificou se, de fato, houve ou não pagamento a maior ou indevido pela recorrente. Para essa análise, é necessário verificar se procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES para o ano calendário 1999 seria realmente de 3% e não de 4%. No link idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/.../capitulov Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.904423/200965 Acórdão n.º 1302003.142 S1C3T2 Fl. 5 4 simples2008.pdf, a Receita Federal do Brasil (RFB) orienta que, Para a determinação do percentual a ser utilizado pelas Micro Empresas (ME), é necessário identificar, primeiramente, a faixa de receita bruta acumulada em que se encontra a ME, com o auxílio da Tabela S1, abaixo transcrita. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá verificar o total da receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês em que está fazendo a apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME, será o resultante da aplicação sobre a receita bruta mensal auferida da alíquota correspondente. Tabela S1: Percentuais aplicáveis às ME (regra geral) Receita Bruta Acumulada (em R$) Alíquotas Até 60.000,00 3% De 60.000,01a 90.000,00 4% De 90.000,01 a 120.000,00 5% De 120.000,01 a 240.000,00 5,4% O Estatuto da Microempresa de 1999 Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, estabeleceu que (art. 2º), para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 3º, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); (Vide Decreto nº 5.028, de 31.3.2004). Conforme Declaração Anual Simplificada (PJ 2000 SIMPLES), fl. 14, a razão social da recorrente é: Irmãos Ornellas Ltda. ME; natureza jurídica: sociedade por cotas de responsabilidade limitada empresa privada. Os valores declarados pela recorrente em 1999 são a seguir reproduzidos, demonstrando que realmente se enquadrava como Micro Empresa: Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.904423/200965 Acórdão n.º 1302003.142 S1C3T2 Fl. 6 5 Verificase, portanto, que procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES (cód. rec. 61060) que deveria pagar em 1999 era de 3% (art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época ) e não de 4%. Os dois DARFs anexados ao processo indicam pagamento à alíquota de 4%. Demonstrado, dessa forma, que houve pagamento a maior ou indevido, fazendo jus à compensação pleiteada. No caso, portanto, entendo que o fato de Declaração PJ 2000 Simples ter sido retificada após a utilização do valor pago a maior não pode retirar o direito creditório da recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, pois comprovados a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito utilizado na DCOMP em questão. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000251/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO.
Em regra, os fundamentos de defesa, assim como o pedido de diligência e as provas documentais, devem ser apresentados por ocasião da impugnação ao auto de infração, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual. Isso é assim exatamente porque é neste momento que se instaura o contraditório em um procedimento que, até então, era inquisitório. Como exceções temos os casos expressamente previstos na legislação (§ 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972), bem como as hipóteses em que o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, quer por tratar de matéria de ordem pública, quer por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista do princípio da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses excepcionais no caso concreto.
PROVA PERICIAL. CRITÉRIOS DE NECESSIDADE E VIABILIDADE AVALIADOS PELO JULGADOR. INDEFERIMENTO.
Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a necessidade e viabilidade da produção da prova técnica, não tendo ela por finalidade suprir as deficiências probatórias das partes. Não demonstrada a necessidade de conhecimento técnico e especial para a produção de prova, a realização de exame pericial é dispensável.
Numero da decisão: 1401-002.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. Em regra, os fundamentos de defesa, assim como o pedido de diligência e as provas documentais, devem ser apresentados por ocasião da impugnação ao auto de infração, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual. Isso é assim exatamente porque é neste momento que se instaura o contraditório em um procedimento que, até então, era inquisitório. Como exceções temos os casos expressamente previstos na legislação (§ 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972), bem como as hipóteses em que o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, quer por tratar de matéria de ordem pública, quer por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista do princípio da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses excepcionais no caso concreto. PROVA PERICIAL. CRITÉRIOS DE NECESSIDADE E VIABILIDADE AVALIADOS PELO JULGADOR. INDEFERIMENTO. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a necessidade e viabilidade da produção da prova técnica, não tendo ela por finalidade suprir as deficiências probatórias das partes. Não demonstrada a necessidade de conhecimento técnico e especial para a produção de prova, a realização de exame pericial é dispensável.
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PRECLUSÃO. Em regra, os fundamentos de defesa, assim como o pedido de diligência e as provas documentais, devem ser apresentados por ocasião da impugnação ao auto de infração, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Isso é assim exatamente porque é neste momento que se instaura o contraditório em um procedimento que, até então, era inquisitório. Como exceções temos os casos expressamente previstos na legislação (§ 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972), bem como as hipóteses em que o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, quer por tratar de matéria de ordem pública, quer por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista do princípio da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses excepcionais no caso concreto. PROVA PERICIAL. CRITÉRIOS DE NECESSIDADE E VIABILIDADE AVALIADOS PELO JULGADOR. INDEFERIMENTO. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a necessidade e viabilidade da produção da prova técnica, não tendo ela por finalidade suprir as deficiências probatórias das partes. Não demonstrada a necessidade de conhecimento técnico e especial para a produção de prova, a realização de exame pericial é dispensável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 02 51 /2 00 9- 16 Fl. 1586DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no regime do lucro arbitrado referentes aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Os fatos que fundamentaram a autuação assim foram relatados no julgamento de primeira instância: Conforme descrito no "Termo de Constatação Fiscal" de fls. 13251330, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos valores que ingressaram em suas contas bancárias. Em resposta, apresentou declaração de faturamento e várias cópias de notas fiscais de diferentes fornecedores para clientes diversos. Além disso, informou que parte dos depósitos corresponde ao faturamento da empresa, discriminado na declaração de faturamento, que pode ser confirmado na Declaração Simplificada, e outra parte resulta de redepósito de cheques devolvidos de clientes, de depósitos provenientes de cheques da própria empresa transferidos de outro banco e de pagamento de peças adquiridas pelos próprios clientes diretamente de fornecedores de peças aeronáuticas. Nesta última situação, segundo afirma, as peças são entregues diretamente na oficina do contribuinte, que paga o produto e recebe dos proprietários das aeronaves, em sua conta bancária, o depósito do respectivo valor. Assevera que, em tais situações, os recursos não são da BMA BIRIGUI MANUTENÇÃO DE AERONAVES LTDA (doravante apenas BMA), mas dos clientes, o mesmo ocorrendo em outras situações, como nos depósitos efetuados por clientes para pagamento de despesas do piloto que aguarda o conserto da aeronave. Em seguida, o contribuinte foi novamente intimado a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, tendo a autoridade excluído os recursos referentes a transferências entre contas correntes de titularidade da empresa. Nas respostas apresentadas, o contribuinte apresentou notas fiscais de sua emissão, declarações de algumas pessoas físicas Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 15868.000251/200916 Acórdão n.º 1401002.988 S1C4T1 Fl. 1.587 3 esclarecendo que a BMA descontava para eles cheques prédatados, duplicatas e fornecia empréstimos, bem como recibos referentes a venda e compra de aeronaves, emitidos por terceiros, com a observação de que os valores provenientes desses negócios eram depositados na conta bancária da empresa em razão da relação de amizade com as partes. Ao avaliar as explicações e os documentos apresentados pelo contribuinte, concluiu a autoridade autuante que: 1com relação à informação do contribuinte, de que alguns depósitos são referentes a valores creditados em sua conta por seus clientes, para pagamento de peças adquiridas diretamente por eles de outros fornecedores de peças e serviços aeronáuticos, e ás cópias de notas fiscais apresentadas em justificativa a este fato, foi informado ao contribuinte que os valores e datas constantes das cópias das notas não têm correspondência com os valores e datas dos depósitos constantes nos extratos bancários do contribuinte e na planilha "Depósitos a Comprovar". Desta forma, tais notas não são documentos hábeis para comprovação dos depósitos constantes nas contas do contribuinte; 2com referência às declarações de terceiros, que dizem que recebiam cheques prédatados por serviços prestados, e que quando necessitavam de numerário, solicitavam ao contribuinte que "descontasse tais cheques prédatados, desconto de duplicatas e empréstimos pessoais", e posteriormente a BMA os depositava em sua conta corrente, foi informado ao contribuinte que esta fiscalização entende que, segundo tais declarações, para cada depósito na conta corrente deveria existir uma saída anterior, no mesmo montante, e que, no entanto, esta fiscalização não encontrou nas contas bancárias do contribuinte a correspondente saída que pudesse corroborar tais informações. Além disto, alguns depósitos não são referentes a cheques, mas sim a TEDs, "Giro Parcelado". Desta forma, também tais declarações não são documentos hábeis para comprovação dos depósitos do contribuinte; 3foi informado ao contribuinte que as datas e valores das cópias das notas fiscais emitidas pela BMA, relacionadas e apresentadas em 21/01/2009, não são coincidentes em datas e valores com os depósitos constantes na planilha "Depósitos a comprovar". Após ser intimado a tanto, o contribuinte apresentou os Livros Caixa dos anos de 2004 a 2006, tendo a autoridade autuante constatado que a movimentação bancária constante dos extratos não está devidamente escriturada neles. Ademais, não estão escriturados os fatos que acima descritos e alegados pelo contribuinte. A autoridade autuante consignou, ainda, que "os depósitos nos valores de R$ 98.000,00, R$ 48.100,00, R$ 10.000,00 e R$ 50.000,00, datados de 26/09/2006, 16/10/2006, 28/11/2006 e 11/12/2006, que, segundo o contribuinte, são decorrentes de Fl. 1588DF CARF MF 4 operação de compra e venda de aeronaves, pertencentes à terceiros, e que foram depositados em sua conta corrente por amizade com as partes, não foram considerados como comprovados por esta fiscalização, em função do fato de um dos recibos ser no total de R$ 50.000,00, sendo que os depósitos totalizam R$ 146.100,00, do fato de ambos os recibos terem sido emitidos por terceiros, e pela justificativa do contribuinte, que declarou ter cedido sua conta corrente para depósito por amizade com as partes". O contribuinte foi excluído do SIMPLES FEDERAL, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/Araçatuba n° 559.719/2004, com efeitos a partir de 01/01/2002, tendo em vista que a atividade por ele exercida impede a adoção daquela sistemática de apuração dos tributos. O contribuinte recorreu da exclusão, formalizando o processo administrativo n° 10820.000632/2005 96, que se encontra pendente de julgamento no CARF. Diante disso, o contribuinte foi intimado a manifestar a opção pela tributação na forma do lucro presumido ou do lucro real, mediante entrega das DIPJs e DCTFs relativas aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, alertando a autoridade que, na falta de manifestação quanto á opção, o lucro seria arbitrado, caso valores a serem tributados fossem apurados. O prazo concedido ao contribuinte na intimação transcorreu sem que fosse apresentada resposta, razão pela qual seu lucro foi arbitrado, lavrandose os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Na apuração dos créditos tributários lançados foram computadas as receitas já declaradas pelo contribuinte nas Declarações Simplificadas Pessoa Jurídica Simples, para os anos de 2004 a 2006, compensandose os valores já pagos pelo SIMPLES. Também foram computadas as receitas omitidas, apuradas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme informações constantes da planilha "Valores Tributados", na qual estão relacionadas as justificativas apresentadas pelo contribuinte que não foram acolhidas pela autoridade autuante pelos motivos já expostos. Dos depósitos bancários de origem não comprovada foram excluídos os valores das receitas declaradas pelo contribuinte no SIMPLES FEDERAL para os anos de 2004, 2005 e 2006. Sobre os tributos apurados foi aplicada multa de ofício de 75%. O relatório da decisão recorrida assim descreve os argumentos da impugnação: A empresa recebe em sua conta bancária, remessas de valores efetuadas por seus clientes, a fim de comprar, em nome deles, as peças utilizadas na manutenção das aeronaves, de modo que essas compras se dão por conta e ordem de seus clientes. Da mesma forma, o impugnante recebe valores de seus clientes para repassar ao piloto que vem buscar a aeronave, valores esses necessários para abastecer o avião, pagar as taxas aeroportuárias e pagar as despesas do piloto. Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 15868.000251/200916 Acórdão n.º 1401002.988 S1C4T1 Fl. 1.588 5 Além disso, o impugnante recebeu cheques prédatados de outros profissionais, descontouos e entregou o valor líquido a eles, a título de favor pessoal. Finalmente, quando da transferência da empresa para o local onde hoje se encontra, recebeu recursos de seus clientes a título de empréstimo para construir a pista e os hangares e esses empréstimos serão pagos com serviços futuros. Por essas razões, a impugnante precisa analisar seus extratos bancários, confrontandoos com suas anotações sobre cada um de seus clientes, para depois explicar os depósitos pontualmente. Para tanto, é necessária a realização de perícia técnica, a fim de apurar a verdade material contida nas informações tomadas como reveladoras da omissão de receitas. Conclui que não se apropriou dos recursos depositados em suas contas bancárias, de modo que esses valores não correspondem a receitas suas, fato esse que torna impossível à prática da omissão irrogada. A regra matriz do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 tem como elemento central do aspecto material da imposição o lançamento de ofício e esse ato, vinculado e obrigatório, não pode ser indicado como tipo penal, especialmente porque quem o pratica está cumprindo a lei e, assim, não se pode do lançamento fazer decorrer uma sanção, que só pode decorrer da prática de um ato ilícito. Ademais, o lançamento é ato praticado por terceiro em relação ao sujeito que suporta a penalidade. Por essas razões, a multa do referido dispositivo não pode ser aplicada como pretendido no texto legal que a previu. Normas gerais sobre lançamento são matéria própria de lei complementar, nos termos do art. 46, III, “b”, da Constituição Federal, razão pela qual a Lei nº 9.430/1996 incide em inconstitucionalidade ao dispor sobre essa matéria. Por fim, pede a realização de perícia técnica, a declaração da improcedência da exigência, por falta de verificação efetiva de omissão de receitas, e o afastamento da multa por inconstitucionalidade. Posteriormente, em 23/08/2012, apresentou emenda à impugnação às fls. 1427 1451, com fundamento no art. 38 da Lei nº 9.784/1999, invocando os argumentos a seguir resumidos: O Mandado de Procedimento Fiscal baseouse em suposta Declaração de movimentação financeira – CPMF prestada pelas instituições financeiras Itaú e Bradesco, conforme art. 11, § 2º, da Lei nº 9.311/1996, não apresentadas pelo contribuinte. Da análise do MPF instaurador da fiscalização, constatase a inexistência de apresentação das Declarações de CPMF emitidas pelo Itaú e Bradesco, bem como a prova da ocorrência de acréscimos patrimoniais não oferecidos à tributação. A Lei nº 9.311/1996 autoriza apenas a fiscalização da CPMF, não podendo ser invocada para quebra do sigilo fiscal do contribuinte. O art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 condiciona a quebra do sigilo à existência prévia de processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, não havendo prova nos autos do cumprimento desses requisitos. Quando da emissão do MPF, o art. 11 da Lei nº 9.311/1996 já havia sido alterado pela Lei nº 10.174/2001, de modo que aquela norma não mais poderia ser utilizada como base legal para início do procedimento. O STF tem julgados no sentido de impedir a Receita Federal de, sem autorização judicial, quebrar o sigilo bancário dos contribuintes. A indefinição quanto a essa matéria, no aguardo de decisão em processo com repercussão geral, deve, no mínimo, ensejar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, bem como sobrestar eventual recurso envolvendo a questão. Fl. 1590DF CARF MF 6 Depósitos bancários sem prova da existência de sinais exteriores de riqueza não caracterizam acréscimos patrimoniais que possam se transformar em renda consumida, de modo que o lançamento é nulo. A autoridade autuante inverteu o ônus da prova, de modo a quebrar o sigilo fiscal do contribuinte, violando os princípios da legalidade, da verdade material e da razoabilidade. Dada a complexidade da matéria, não houve razoabilidade nos prazos concedidos no curso da ação fiscal para a apresentação dos documentos e esclarecimentos solicitados. O art. 44 da LGPAF não foi respeitado. A autoridade autuante não diligenciou no sentido de obter as provas em poder de terceiros envolvidos e descartou as provas apresentadas em que fosse comprovada a respectiva ilicitude. Em 25/03/2009, quando da intimação para manifestar a opção outra forma de tributação, tendo em conta a exclusão do SIMPLES FEDERAL, o contribuinte já se encontrava reenquadrado no SIMPLES NACIONAL, reenquadramento este que se deu em 01/01/2009. O reenquadramento tem efeitos retroativos, conforme assegura o art. 4º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.964/2004. Diante disso, é descabido o arbitramento do lucro, razão pela qual são nulos os autos de infração lavrados. O pedido de reenquadramento no SIMPLES FEDERAL encontravase pendente de julgamento, razão pela qual o crédito tributário tem sua exigibilidade suspensa, conforme prescreve o art. 151, III, do CTN. O ato declaratório de exclusão do SIMPLES FEDERAl fundamentouse indevidamente na Resolução nº 218/1973 do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, ato este que não editado para explicitar o conteúdo do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/1996. A situação versada no presente processo administrativo guarda semelhança com a matéria de que trata a Súmula CARF nº 57, que admite o ingresso e a permanência no SIMPLES FEDERAL para os contribuintes que prestem serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como para os que se dediquem a serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de materiais, concluindo descabida a equiparação dessas atividades a serviços profissionais prestados por engenheiros. Com base nos argumentos expostos, pede o impugnante a declaração de nulidade dos lançamentos.Caso contrário, requer a atribuição de efeito suspensivo, com base no art. 61, parágrafo único, da Lei nº 9.784/1999, e a conversão do julgamento em diligência para: oficiar as empresas envolvidas no fornecimento de peças aeronáuticas, de modo a esclarecerem a real origem da ordem de aquisição materializada pelas Notas Fiscais envolvidas, apresentando os respectivos comprovantes de transferência de valores à fiscalizada; oficiar os clientes que ordenaram à ora Requerente efetivasse o pagamento de Pilotos, de modo a comprovarem a transferência de valores para a conta bancária da fiscalizada; oficiar instituições financeiras envolvidas a apresentar as respectivas microfilmagens de cheques; oficiar os terceiros envolvidos na compra e venda de aeronaves para apresentar suas respectivas DIRPF onde conste a aquisição dos bens e ainda a comprovação de transferência de valores à fiscalizada; se necessário, determinar a realização de perícia contábil da fiscalizada e demais envolvidos na movimentação financeira sob enfoque e ainda, Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 15868.000251/200916 Acórdão n.º 1401002.988 S1C4T1 Fl. 1.589 7 seja reaberto prazo razoável para a ora Requerente apresente conciliação dos documentos juntados no curso da fiscalização, incluindo os que posteriormente sejam obtidos de terceiros. Em 31 de janeiro de 2013 a DRJ em Ribeirão Preto SP julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RECEITAS MULTA DE OFÍCIO CONDUTA PENALIZADA Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, cabe ao contribuinte o ônus da prova da origem dos recursos ingressados em suas contas bancárias, caso contrário tais valores serão reputados receitas omitidas. A multa de ofício de 75% prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 é aplicável nas hipóteses em que ficar caracterizada falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata de imposto ou contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Fl. 1592DF CARF MF 8 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 12 de março de 2013 (fl. 1.551), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 11 de abril de 2013 (fl. 1.554), alegando, em síntese: Preliminarmente, a) O fato de a DRJ não ter conhecido a emenda à impugnação apresentada pela recorrente sob o amparo do artigo 38 da Lei nº 9.789/99 ofendeu aos princípios da busca da verdade real, do informalismo, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. b) A não apreciação da referida emenda impediu que se realizasse a perícia, prova imprescindível para verificar a suposta omissão de receita e a exatidão do lucro da recorrente. No mérito, c) A recorrente não provou a origem dos recursos porque os prazos para a entrega dos documentos solicitados, no curso da ação fiscal, não foram aceitos. O Fisco impôs prazos subjetivos sem qualquer sombra de razoabilidade ou proporcionalidade. d) Somente com prova de sinais exteriores de riqueza é que o lucro poderia ser arbitrado. e) Não há indícios de fraude da recorrente, razão pela qual a multa de ofício se revela nula, conformes reiteradas decisões do CARF. Nesse sentido, cita a Súmula nº 14 do CARF. f) Na data da autuação, a recorrente já havia sido reenquadrada no SIMPLES NACIONAL, cujos efeitos retroagiram desde a data do pedido, ou seja, em 01/01/2002. Dessa forma, os autos de infração são nulos, uma vez que os períodos neles correspondentes estão abarcados pela tributação diferenciada. g) Corria, ao tempo da autuação fiscal, processo administrativo junto ao CARF discutindo exatamente o enquadramento da recorrente no SIMPLES FEDERAL. Trata se de fato suspensivo do poderdever de qualquer fiscalização e lançamento tributário, uma vez que o beneficio tributário abrangeria o período autuado. Reforça isso transcrevendo ementa de Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 15868.000251/200916 Acórdão n.º 1401002.988 S1C4T1 Fl. 1.590 9 decisão do CARF que invalidou lançamentos consubstanciados em outros regimes de tributação após ter sido constatado o insucesso do ato de exclusão do SIMPLES FEDERAL. Em 6 de agosto de 2013 este CARF resolveu converter o julgamento em diligência em vista da relação de prejudicialidade entre este processo e o processo administrativo n° 10820.000632/200596, que discute a exclusão da Recorrida do SIMPLES FEDERAL por força do Ato Declaratório Executivo DRF/Araçatuba n° 559.719/2004, com efeitos a partir de 01/01/2002. Determinouse, assim, que a unidade de origem aguardasse o julgamento definitivo de tal processo de exclusão. Em 17 de agosto de 2017 o recurso voluntário no processo administrativo 10820.000632/200596 foi julgado improcedente, tendo o acórdão 1301002.600 recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 OPÇÃO PELO SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. A manutenção de aeronaves é atividade impeditiva à opção pelo Simples, ensejando a exclusão de ofício a partir a partir do mês subsequente ao que incorrida a situação excludente. O processo acima referido encontrase arquivado. Foi confirmada, assim, a exclusão da empresa do SIMPLES retroativa ao mês subsequente ao que ela incorreu na situação excludente, ou seja, partir de 01/01/2002. Recebi o processo em distribuição realizada em 25 de julho de 2018. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente inicia seu recurso pleiteando a nulidade da decisão recorrida por esta não ter conhecido a emenda à impugnação apresentada mais de 3 anos após a impugnação, porém antes da decisão de primeira instância, sob o amparo do artigo 38 da Lei nº 9.789/1999. Segundo ela, não apreciação da referida emenda impediu que se realizasse a perícia, prova imprescindível para verificar a suposta omissão de receita e a exatidão do lucro da recorrente. Entendo que não lhe assiste razão neste ponto, por dois motivos. Em primeiro lugar, conforme ressaltou a decisão recorrida, o processo administrativo fiscal federal é regido por regras próprias, sendo que o Decreto 70.235/1972 prevê expressamente a hipótese de preclusão de argumentos e provas não apresentados por Fl. 1594DF CARF MF 10 ocasião da impugnação (art. 16, § 4º). Assim, inaplicáveis as disposições da Lei 9.784/1999 nesse caso, eis que recorrese a essa norma apenas de forma subsidiária nos termos de seu artigo 69. No máximo, o conhecimento de algumas das questões alegadas poderia ocorrer de ofício, pelo julgador, e, se tratando de matéria de ordem pública1, ou em caso de prova necessária à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet2. Não é o caso. Ademais, o exame pericial é um meio de prova necessário apenas quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a necessidade e viabilidade da produção da prova técnica, não tendo ela por finalidade suprir as deficiências probatórias das partes. No caso, a DRJ entendeu que a perícia seria prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, ante a verificação de que haveria nos autos todos os elementos para a formulação de sua livre convicção. Em não sendo reconhecida a necessidade de conhecimento técnico e especial para a produção de prova, a realização de exame pericial é de fato dispensável. Pois bem. O lançamento foi baseado no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que estabelece presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, impondo ao contribuinte o ônus de provar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias. A recorrente alega que não provou a origem dos recursos porque os prazos para a entrega dos documentos solicitados, no curso da ação fiscal, não foram aceitos e que o Fisco impôs prazos subjetivos sem qualquer sombra de razoabilidade ou proporcionalidade. Mesmo que tal alegação fosse verdade, isso não seria motivo para a anulação do auto de infração, já que a natureza do procedimento de fiscalização é inquisitória. Em se tratando de processo administrativo fiscal, o contraditório tem início com a impugnação e é ali a oportunidade que a contribuinte tem de apresentar defesa e trazer alegações, devidamente comprovadas, a fim de elidir a presunção legal contra ela operada. Não fazêlo e pretender que a prova contra a presunção legal de omissão de receitas seja realizada por meio de perícias ou diligências é quase beneficiarse da própria torpeza. Em resumo, não há que se falar em cerceamento de defesa ou qualquer outra razão para a nulidade já que a contribuinte teve a oportunidade, por ocasião da impugnação, de apresentar provas a seu favor, não tendo se desincumbido do ônus que lhe impõe o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. A contribuinte não se insurge contra a forma de apuração dos tributos (lucro arbitrado versus lucro real), de maneira que este voto não tratará dessa questão. 1 Costumase dizer que as matérias que o julgador deve conhecer de ofício são aquelas de ordem pública. É importante ressaltar, porém, que nem todas as matérias apreciáveis ex officio são necessariamente matérias de ordem pública, já que a lei processual, excepcionalmente, pode estabelecer que determinadas matérias de ordem privada sejam apreciadas de ofício. Neste sentido, Teresa Arruda Alvim Wambier explica: “Numa imagem matemática, dirseia que o conjunto de matérias examináveis de ofício é maior do que o das matérias de ordem pública. Portanto toda matéria de ordem pública é examinável de ofício, mas nem tudo o que pode ser examinado de ofício consiste em matéria de ordem pública” (WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Nulidades do processo e da sentença. 4ª ed. São Paulo: RT, 1998, p. 137) 2De fato, se for para formar seu livre convencimento, o julgador pode conhecer de argumentos de fato ou de direito exofficio, desde que indique os motivos que levaram a tal decisão. Isso porque, em virtude do dever de decidir (proibição do non liquet), há o poderdever de aplicar ao caso a norma jurídica que o julgador entender mais pertinente, mesmo que não tenha sido suscitada pelas partes. Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 15868.000251/200916 Acórdão n.º 1401002.988 S1C4T1 Fl. 1.591 11 A multa aplicada foi a de 75%, prevista em lei para casos de lançamento de ofício, não havendo que se falar em nulidade de tal pena nem de aplicação da Súmula nº 14 do CARF, que trata da multa qualificada (ou seja, da duplicação desse percentual quando verificada a hipótese legalmente prevista). Quanto ao argumento de que, na data da autuação, a Recorrente já havia sido reenquadrada no SIMPLES NACIONAL, e que os efeitos de tal reenquadramento retroagiriam desde a data do pedido, ou seja, em 01/01/2002, por força do artigo 4o da Lei 10.964/2004, ressalto que opção da Recorrente pelo regime do SIMPLES foi discutida no processo administrativo no. 10820.000632/200596, o qual transitou em julgado, restando definitiva a decisão ali tomada, não podendo os presentes autos adentrarem em tal matéria. Tal processo confirmou a exclusão da Recorrente do SIMPLES em decisão tomada em 25 de setembro de 2017, operandose assim coisa julgada administrativa quanto a esta questão. Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1596DF CARF MF
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