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Numero do processo: 10320.720161/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Inicialmente é necessário esclarecer que o presente feito compreende um lote de 36 processos conexos, todos eles relativos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade nos anos calendários de 2003 a 2008. Tratamse dos seguintes processos: PROCESSO ACÓRDÃO DRJ TRIBUTO PERÍODO 10320.720149/201020 0830.513 PIS 2ª Trim 2003 10320.720150/201054 0831.407 PIS 3ª Trim 2003 13338.000103/200441 0831.247 PIS 1ª Trim 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 20 16 1/ 20 10 -3 4 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10320.720161/201034 Resolução nº 3201001.431 S3C2T1 Fl. 3 2 10320.720152/201043 0830.749 PIS 2ª Trim 2004 13338.000011/200542 0831.246 PIS 3ª Trim 2004 10320.720169/201009 0831.237 COFINS 4ª Trim 2004 10320.720047/201012 0830.748 COFINS 1ª Trim 2005 10320.720155/201087 0830.750 PIS 1º Trim 2005 19647.012516/200542 0825.611 COFINS Abril/2005 13338.000155/200680 0830.757 COFINS 2ª Trim 2005 10320.720156/201021 0830.751 PIS 2º Trim 2005 19647.007420/200562 0822.687 PIS 3ª Trim 2005 10320.720157/201076 0830.752 PIS 3º Trim 2005 10320.720170/201025 0830.755 COFINS 3º Trim 2005 10320.720158/201011 0830.753 PIS 4ª Trim 2005 10320.720171/201070 0830.931 COFINS 4º Trim 2005 10320.720159/201065 0830.936 PIS 1º Trim 2006 10320.720172/201014 0831.238 COFINS 1º Trim 2006 10320.720160/201090 0830.927 PIS 2º Trim 2006 10320.720161/201034 0830.928 PIS 3ª Trim 2006 10320.720174/201011 0830.933 COFINS 3º Trim 2006 10320.720162/201089 0830.929 PIS 4º Trim 2006 10320.720175/201058 0830.934 COFINS 4º Trim 2006 10320.720163/201023 0830.930 PIS 1º Trim 2007 10320.720164/201078 0830.937 PIS 2º Trim 2007 10320.720177/201047 0830.938 COFINS 2º Trim 2007 10320.720165/201012 0831.233 PIS 3º Trim 2007 10320.720178/201091 0831.239 COFINS 3º Trim 2007 10320.720166/201067 0831.234 PIS 4º Trim 2007 10320.720179/201036 0831.240 COFINS 4º Trim 2007 10320.720167/201010 0831.235 PIS 1º Trim 2008 10320.720180/201061 0831.241 COFINS 1º Trim 2008 10320.720168/201056 0831.236 PIS 2º Trim 2008 10320.720181/201013 0831.242 COFINS 2º Trim 2008 10320.720182/201050 0831.243 COFINS 3º Trim 2008 10320.720183/201002 0831.408 COFINS 4ª Trim 2008 Desse modo, a presente Resolução será replicada em todos os processos acima referidos, devendose, na execução do julgado, observarse aquilo que se aplica a cada um dos fatos geradores abrangidos. Como dito, tratamse de diversos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS oriundos da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, apurados trimestralmente, além de um Auto de Infração. Conforme Relatório Fiscal integrante do Despacho Decisório: (...) o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entrada, registro de saída, apuração de IPI, inventário etc) não informadas pelo Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10320.720161/201034 Resolução nº 3201001.431 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10320.720161/201034 Resolução nº 3201001.431 S3C2T1 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou Manifestações de Inconformidade e Impugnação solicitando o reconhecimento integral do crédito postulado. Após exame, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (ajustandose, apenas, para cada processo, o tributo PIS ou COFINS e o período de apuração): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10320.720161/201034 Resolução nº 3201001.431 S3C2T1 Fl. 6 5 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência nãocumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10320.720161/201034 Resolução nº 3201001.431 S3C2T1 Fl. 7 6 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. Podem ser descontados créditos da Cofins e do PIS/Pasep Nãocumulativos sobre os gastos totais com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em ParteA O acórdão recorrido, portanto, afastou as seguintes glosas: (i) receitas financeiras (determinou a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições); (ii) bens adquiridos e não integralmente pagos aos fornecedores no mesmo trimestre de apuração (aplicação do regime de competência); (iii) bens adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10320.720161/201034 Resolução nº 3201001.431 S3C2T1 Fl. 8 7 (iv) créditos adquiridos de pessoas jurídicas com irregularidades, posto que não comprovado pela Fiscalização a inaptidão do respectivos CNPJs; As glosas mantidas foram as seguintes: (v) receitas de recuperação de despesas (manteve as receitas de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições) (vi) carvão adquirido de produtores rurais pessoas físicas, portanto, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; (vii) serviços utilizados como insumos, em razão destes não estarem devidamente escriturados em DACON e, também, pela ausência de demonstração da sua inserção no "conceito funcional de insumo"; (viii) aquisição de energia elétrica em razão de divergências entre os livros fiscais e os balancetes de verificação; (ix) frete sobre operações de compra, por ausência de previsão legal; (x) "outros valores com direito a crédito", por ausência de comprovação da natureza de tais créditos Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, requerendo: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre quisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10320.720161/201034 Resolução nº 3201001.431 S3C2T1 Fl. 9 8 (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio ou por redistribuição em razão de conexão. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito abrange tanto discussões exclusivamente de direito, como aspectos relacionados à materialidade do crédito tributário, quanto questões relativas aos cálculos de apuração do crédito tributário. Nesse aspecto, 2 (duas) questões sobressaltam e, a meu ver, demandam melhor análise dos fatos: (i) existência de divergências entre valores declarados em DACON e escriturados em documentos contábeis; (ii) essencialidade de itens ao processo produtivo da Recorrente. Quanto ao primeiro, tenho que deve se observar, na hipótese dos autos, o princípio da verdade material a ser perseguido no curso do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário. Por óbvio, a aplicação de tal princípio deve estar calcada na necessária observância ao ônus da prova. Tratandose de apuração de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte demonstrar a existência do seu direito. Verifico que a Recorrente, em sua defesa e em seu Recurso Voluntário, apresentou alegações e documentos pelos quais busca legitimar os valores dos créditos considerados em sua apuração, especialmente com relação aos seguintes pontos, conforme redação utilizada pelo Acórdão recorrido: "(...)despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (...)". "(...) despesas com energia elétrica, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas não integralmente comprovadas na escrituração (...)" Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10320.720161/201034 Resolução nº 3201001.431 S3C2T1 Fl. 10 9 "(...) despesas com armazenagem e frete, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas em valores significativamente inferiores aos comprovados na escrituração (...)" "(...) crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 6 do Dacon (...)" Embora o acórdão proferido tenha se manifestado acerca das alegações de erros cometidos pela Recorrente, não adentrou acerca da análise específica dos documentos apresentados, limitandose a concluir que competia ao contribuinte, ao prestar suas informações, trazer maiores especificações e detalhamentos. Assim, ainda sem concluir pela prestabilidade ou não dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente, entendo que tais demonstrações não restaram devidamente examinadas pelo acórdão recorrido, merecendo melhor análise. Quanto ao segundo aspecto, atinente aos insumos aplicados ao processo produtivo da Recorrente, sabese que, há muito, a jurisprudência deste CARF vinha se firmando no conceito da essencialidade como critério autorizador à tomada de créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Tal entendimento foi recentemente chancelado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de controvérsia, portanto, de observância obrigatória por este órgão julgador: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10320.720161/201034 Resolução nº 3201001.431 S3C2T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, para a análise acerca da legitimidade das glosas efetuadas pela Fiscalização, necessário perquirir acerca da natureza de tais insumos e a sua essencialidade ao processo produtivo, aspecto não adentrado, seja em sede de lançamento, seja pela decisão de primeiro grau. Pelo exposto, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime o contribuinte para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii) apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abrase novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Esclareço que o prazo concedido é único e aplicase a todos os processos objeto da presente Resolução. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.906973/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.
Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) que votavam por converter o julgamento em diligência. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.902485/2009-49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) que votavam por converter o julgamento em diligência. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.902485/2009 49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 69 73 /2 00 9- 25 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10283.906973/200925 Acórdão n.º 1402003.562 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo integralmente o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que: · A falta de comunicação ao contribuinte das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal, na forma determinada pelo § 2o do art. 13 da Portaria SRF n° 3.007, de 26.11.2001, ofende, notadamente, os princípios da legalidade e da moralidade administrativa, de sorte que o lançamento efetuado em circunstância padece de vários irremediáveis vícios, impondo, assim, a anulação do ato exacional; · Houve um equívoco (erro de fato), cometido no preenchimento da mencionada Declaração de Ajuste, por lapso de memória, deixouse de informar o valor das estimativas de IRPJ, pagas no curso do ano calendário em questão. · Procedeu a retificação da DIPJ, fazendose contar o Saldo Negativo de IRPJ. · O Despacho Decisório proferido pelo autoridade fiscal foi efetivado em cima de Declaração de Compensação Original, que posteriormente foram retificadas. A autoridade fiscal não se deu ao trabalho de pelo menos baixar dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, precisamente, o sistema PER/DCOMP, para aferir se existia declarações retificadoras geradoras para o mesmo créditos. · Propugna seja acolhida as suas preliminares de Cerceamento de Direito de Defesa, de Vício formal do Auto de Infração e da Decadência pelas razões expendidas supra (...)" Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10283.906973/200925 Acórdão n.º 1402003.562 S1C4T2 Fl. 4 3 · Alega, ainda, nulidade por "falta de enquadramento legal dos dispositivos aplicados para a não homologação da compensação" e por ofensa aos princípios da legalidade e da motivação. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que considerou não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não restou comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Prevaleceu o entendimento que nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, apresentando as seguintes alegações de fato e de direito para a reforma da decisão a quo: A empresa não estava sob procedimento fiscal quando procedeu às retificações das Declarações de Compensação anteriormente apresentadas no anocalendário de 2005, cujos valores compensados, passaram igualmente, a integrar o saldo negativo apurado no Ajuste de 31/12/2006, esta retificada e transmitida em 03/12/2007. Conforme a legislação, o contribuinte tem o prazo de cinco anos para retificar a declaração. A Autoridade fiscal que conduziu o procedimento de análise não se preocupou em colher junto aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, elementos que lhe proporcionassem a tomada de decisão justa. Dessa forma, o Despacho Decisório, carece de liquidez e certeza, ou seja é totalmente improcedente, devendo ser reformado para manterse a compensação efetivamente correta realizada pela empresa por todos os PER/DCOMP's apresentados e retificados posteriormente. Alega, ainda, que o erro de direito cometido nas autuações fiscais acarreta a nulidade por afronta aos princípios da legalidade e da motivação, pela inexistência de fundamento jurídico necessário para o devido embasamento legal e pela falta de descrição exata e precisa dos motivos de fato e de direito. Afirma que processo ora contestado versa sobre fato tributário presente em dezenas de outros processos já julgados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Belém, em favor da recorrente. Não se pode tratar a matéria de forma diferenciada porque o fundamento dos dois é igual, ou seja, o contribuinte recolheu estimativa mensal que superou o valor do imposto devido no ajuste anual. Por todo o exposto, em vista de a fiscalização não ter comprovado que o pagamento foi indevido, bem como ter deixado de comprovar a existência do crédito, temse que não se pode admitir a não homologação da compensação,devendo a mesma ser cancelada de plano, caso o mérito deste recurso seja julgado procedente. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10283.906973/200925 Acórdão n.º 1402003.562 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.559, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10283.902485/2009 49, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.559): "O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Preliminar A Recorrente alega nulidade por falta de enquadramento legal dos dispositivos aplicados para a não homologação da compensação e por ofensa aos princípios da legalidade e da motivação. Verificase no despacho que não homologou a compensação, que a fundamentação foi que a partir das características do DARF discriminada no PER/DCOMP foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação do débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ressaltase que estando correto a descrição do motivo que acarretou a não homologação da compensação, descabe falar em nulidade por falta de enquadramento legal dos dispositivos aplicados para a não homologação da compensação e por ofensa aos princípios da legalidade e da motivação, posto que bem fundamentado o despacho. Ademais, no contexto das preliminares de mérito, há que se esclarecer que, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. Mérito A Recorrente alega que a não localização do crédito tributário citado no Despacho Decisório ocorreu por erro no preenchimento da DIPJ, que já foi retificada e anexadas a este processo, comprovando que o pagamento do tributo objeto da compensação foi, de fato, indevido. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10283.906973/200925 Acórdão n.º 1402003.562 S1C4T2 Fl. 6 5 Não assiste razão a Recorrente em suas alegações, pois a mera retificação de DIPJ não confirma o crédito alegado, que já foi objeto de procedimento fiscal. A Recorrente afirma que a Autoridade fiscal que conduziu o procedimento de análise, nem sequer se deu o trabalho de aferir os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispõe de todas as informações necessárias para comprovar que a empresa é detentora do benefício fiscal de redução do IRPJ no montante de 75% (setenta e cinco por cento). É só acessar o "Sistema IRPJ", que contém as Declarações processadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e no mencionado sistema, esta declarado na DIPJ/2006, o usufruto do benefício fiscal. Não deve prosperar essa afirmação pois nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Ao contrário do que alega , caberia à Recorrente comprovar que o pagamento foi indevido, bem como comprovar a existência do crédito, pois, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. A Recorrente alega que processo ora contestado versa sobre fato tributário presente em dezenas de outros processos já julgados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Belém, em favor da recorrente. Não se pode tratar a matéria de forma diferenciada porque o fundamento dos dois é igual, ou seja, o contribuinte recolheu estimativa mensal que superou o valor do imposto devido no ajuste anual. Essa alegação também não deve ser acatada pois o recorrente não conseguiu comprovar que recolheu estimativa mensal que superou o valor do imposto devindo no ajuste anual. Portanto confirmase o entendimento de que considerarseá não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito negar provimento ao Recurso Voluntário." Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10283.906973/200925 Acórdão n.º 1402003.562 S1C4T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000067/2009-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101).
Numero da decisão: 9202-007.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101).
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TERMO INICIAL. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Súmula CARF nº 101). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos recebidos de Mude Comércio e Serviços Ltda, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 67 /2 00 9- 07 Fl. 2375DF CARF MF 2 decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, bem como a omissão de rendimentos recebidos da Offshore Boynton International Limited, situada nas Ilhas Virgens Britânicas, nos exercícios de 2004, 2005, 2006 e 2007. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 1º/12/2009 (fls. 1.020). Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.028 a 1.245, a exigência diz respeito a operações já tratadas em outros processos que tramitaram no CARF, no âmbito da Operação Persona. Em sessão plenária de 12/08/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2101002.530 (efls. 2.075 a 2.092), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE PROCEDIMENTO CRIMINAL. Nos termos do artigo 332 do CPC, a prova da verdade dos fatos poderá ser feita por todos os meios legais e moralmente legítimos, sendo lícita a utilização de provas produzidas a partir de procedimento criminal realizado com a observância do quanto disposto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. Não havendo preterição do direito de defesa, com a descrição dos fatos e a observância dos elementos necessários à constituição do crédito tributário, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Em se tratando de omissão de rendimentos, o prazo para o lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pela combinação dos arts. 150, §4º, e 173, I, do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR INTERPOSTA PESSOA, SENDO O CONTRIBUINTE O SEU BENEFICIÁRIO. O recebimento de rendimentos tributáveis por interposta pessoa não oferecidos à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, sendo o contribuinte o seu beneficiário final, configura omissão de rendimento, sujeita ao lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Fl. 2376DF CARF MF Processo nº 10803.000067/200907 Acórdão n.º 9202007.257 CSRFT2 Fl. 2.376 3 Comprovandose o dolo, a fraude ou a simulação, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada no montante de 150% prevista na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Na forma da Súmula nº 4 deste Tribunal, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso provido em parte.” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Recurso apreciado na sessão da tarde do dia 12 de agosto de 2014. Realizou sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Igor Nascimento de Souza OABSP 173167." Cientificado em 15/12/2014 (documento de efls. 2.147), o Contribuinte opôs, em 22/12/2014 (carimbo de efls. 2.103), os Embargos de Declaração de efls. 2.103 a 2.147, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2201003.340, de 21/09/2016 (efls. 2.170 a 2.174), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. ANÁLISE NECESSÁRIA. RETIFICAÇÃO DA DECISÃO. Verificado o erro material apontado pelo embargante cabe o julgamento da parte com erro material e se for o caso, retificação do decidido, sanandose a decisão administrativa. Embargos Acolhidos." A decisão foi assim resumida: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos propostos para, sanando a decisão representada pelo Acórdão 2101002.530 de 12/08/2014, alterar a ementa para conter os exercícios de 2004, 2005, 2006 e 2007 e, como resultado, "Recurso negado". Assim a ementa passa a ter a seguinte redação: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007. Fl. 2377DF CARF MF 4 LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE PROCEDIMENTO CRIMINAL. Nos termos do artigo 332 do CPC, a prova da verdade dos fatos poderá ser feita por todos os meios legais e moralmente legítimos, sendo lícita a utilização de provas produzidas a partir de procedimento criminal realizado com a observância do quanto disposto no artigo 5º, inciso XII, da Constituição da República. LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. Não havendo preterição do direito de defesa, com a descrição dos fatos e a observância dos elementos necessários à constituição do crédito tributário, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Em se tratando de omissão de rendimentos, o prazo para o lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pela combinação dos arts. 150, §4º, e 173, I, do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR INTERPOSTA PESSOA, SENDO O CONTRIBUINTE O SEU BENEFICIÁRIO. O recebimento de rendimentos tributáveis por interposta pessoa não oferecidos à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, sendo o contribuinte o seu beneficiário final, configura omissão de rendimento, sujeita ao lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Comprovandose o dolo, a fraude ou a simulação, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada no montante de 150% prevista na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Na forma da Súmula nº 4 deste Tribunal, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso negado." Cientificado do acórdão em 12/12/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 2.184), o Contribuinte interpôs, em 27/12/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 2.185), o Recurso Especial de efls. 2.186 a 2.220, com fundamento nos artigos 64, inciso II, e 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir as seguintes matérias: Fl. 2378DF CARF MF Processo nº 10803.000067/200907 Acórdão n.º 9202007.257 CSRFT2 Fl. 2.377 5 a) termo inicial do prazo decadencial em relação ao anocalendário de 2003, no caso de aplicação do art. 173, I, do CTN; e b) inexistência de recebimento de rendimentos por meio da "offshore" Boynton International Limited. Ao Recurso Especial foi negado seguimento, conforme despacho de 26/06/2017 (efls. 2.299 a 2.307). Cientificado do despacho em 07/07/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 2.313), o Contribuinte apresentou, em 14/07/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 2.315), o Requerimento de Agravo de efls. 2.317 a 2.340, acolhido parcialmente para dar seguimento ao Recurso Especial relativamente à matéria "termo inicial do prazo decadencial em relação ao anocalendário de 2003, no caso de aplicação do art. 173, I, do CTN", conforme despacho de 28/02/2018 (efls. 2.343 a 2.357). Relativamente à matéria que obteve seguimento, o Contribuinte alega: os fatos geradores autuados foram: (i) em relação aos valores supostamente recebidos pelo Recorrente por meio da Offshore Boynton, os dias 31/08/2003 e 31/07/2004; e (ii) em relação à acusação fiscal envolvendo os valores supostamente recebidos pelo Recorrente por meio da empresa Orpheus, os dias 31/12/2003, 31/12/2004, 31/12/2005 e 31/12/2006; no entanto, a ciência do Auto de Infração pelo Recorrente ocorreu somente em 1º/12/2009 (vide declaração de ciência do procurador do sujeito passivo às fls. 1.054 do e processo); diante disso, o Recorrente defendeu, tanto em sua Impugnação como em seu Recurso Voluntário, a ocorrência de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 31/12/2003, mesmo pela contagem do art. 173, inciso I, do mesmo Código; para a 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em decisão proferida em 10/03/2016, nos autos do processo administrativo nº 10803.000064/200965 (Acórdão nº 2301 004.578), envolvendo outra pessoa física (Sr. Marcelo Naoki Ikeda), também autuada com base nas mesmas acusações e nos mesmos supostos fatos apurados na ação fiscal levada a cabo em decorrência da “Operação Persona”, e igualmente com ciência da autuação em 1º/12/2009, operouse a decadência do direito do Fisco de constituir os créditos tributários pelo lançamento com relação ao anocalendário de 2003, já que a contagem do art. 173, I, do CTN, deveria se iniciar no primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do(s) fato(s) imponível(is), ocorridos em 31/08/2003 e 31/12/2003; ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte seria o dia 1º/01/2004; frisese que, para a decisão recorrida, o art. 173, inciso I, do CTN, deveria ser interpretado no sentido de que, como o lançamento poderia ter sido efetuado a partir da datalimite para entrega da declaração, o que teria ocorrido, in casu, em 2004, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado seria o dia 1º/01/2005, inocorrendo a decadência; porém, para o acórdão paradigma, sua aplicação seria suficiente para reconhecer que o termo inicial da decadência, em relação ao anocalendário de 2003, seria o dia 1º/01/2004 (primeiro dia do exercício seguinte ao do fato imponível) e o termo final o dia 31/12/2008, ocorrendo a decadência em relação a tal anocalendário; Fl. 2379DF CARF MF 6 aliás, no acórdão paradigma, bem se observou que a interpretação e aplicação do art. 173, inciso I, do CTN deve ser realizada em linha com o acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no REsp nº 973.733/SC, o qual deve ser respeitado e reproduzido pelos Conselheiros nos julgamentos dos recursos, conforme disposto no art. 62, § 2º, do RICARF; de fato, conforme assentou o STJ, para um tributo cujo fato gerador ocorre em 31/12/2003, aplicandose a regra decadencial prevista no inciso I do artigo 173 do CTN, somente cabe a conclusão de que o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível, isto é, 1º/01/2004; sendo assim, até que seja substituído o entendimento, em sede de recursos repetitivos, exarado pelo STJ no REsp nº 973.733/SC, devese entender que, para fins de aplicação das disposições do artigo 173 do CTN, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível (e não à datalimite para a apresentação da declaração de rendimentos). Ao final, o Contribuinte requer seja conhecido e provido o recurso, reconhecendose a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003, consoante o art. 173, inciso I, do CTN. O processo foi encaminhado à PGFN em 26/06/2018 (Despacho de Encaminhamento de efls. 2.367) e, em 04/07/2018 (Despacho de Encaminhamento de efls. 2.373), foram oferecidas as Contrarrazões de efls. 2.368 a 2.372, contendo os seguintes argumentos: sendo a norma prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, aquela que rege o caso concreto, temse que os fatos geradores ocorridos até 31/12/2003 não podem ser considerados decaídos; isso porque o prazo de constituição do crédito tributário possui como termo inicial 01/01/2005, esse é o primeiro dia seguinte ao exercício de 2004 (exercício no qual lançamento poderia ter sido efetuado); como visto, o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 01/12/2009, portanto dentro do prazo decadencial de cinco anos; nesta senda, impende salientar que o Superior Tribunal de Justiça vem acolhendo as alegações da Fazenda Nacional em sede de Embargos de Declaração após o julgamento de recurso repetitivo no qual se decidiu a respeito do dispositivo aplicável para a contagem do prazo decadencial (Recurso Especial nº 973.733, cuja ementa foi publicada no DJe de 18/09/2009); não seria lógico nem razoável, portanto, a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I, do CTN, de forma equivalente a do art. 150, § 4º, do mesmo Códex, gerando ambos o mesmo efeito, sob pena de carecer de qualquer utilidade ou sentido jurídico toda a diferenciação acima efetuada; a contagem decadencial na forma como decidida nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497/PR é entendimento do próprio Superior Tribunal de Justiça e ocorreu posteriormente ao Recurso Especial nº 973.733/SC (Recurso Repetitivo); Fl. 2380DF CARF MF Processo nº 10803.000067/200907 Acórdão n.º 9202007.257 CSRFT2 Fl. 2.378 7 ao explicitar a contagem do prazo decadencial nos autos do EDcl nos EDcl no AgRg no Resp nº 674497/PR, o STJ não decidiu de forma distinta da que já havia se pronunciado no REsp nº 973.733/SC, apenas aclarou seu posicionamento; a Primeira Turma da CSRF, acompanhando esse entendimento, em recente julgamento, realizado nos autos do processo administrativo nº 10805.000649/200451, assentou que o termo inicial da decadência, de acordo com o art. 173, I, do CTN, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, consoante a literalidade do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao recurso. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e, na parte em que teve seguimento, atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a omissão de rendimentos recebidos de Mude Comércio e Serviços Ltda, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, bem como a omissão de rendimentos recebidos da Offshore Boynton International Limited, situada nas Ilhas Virgens Britânicas, nos exercícios de 2004, 2005, 2006 e 2007. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 1º/12/2009 (fls. 1.020). Ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte foi dado seguimento parcial, admitindose à rediscussão na Instância Especial apenas a questão da decadência, relativamente ao anocalendário de 2003. Em seu apelo, o Contribuinte pede que seja considerado como termo inicial do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. Nesse sentido, por imposição do artigo 62, § 2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, o Colegiado deve aderir à tese adotada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12/09/2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2381DF CARF MF 8 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 2382DF CARF MF Processo nº 10803.000067/200907 Acórdão n.º 9202007.257 CSRFT2 Fl. 2.379 9 Por oportuno, esclareçase que no julgado acima citado, proferido pelo STJ, a situação específica nele tratada gerou controvérsia em relação ao termo de início do prazo decadencial, o que levou à prolação, em sede de Recurso Especial, da decisão abaixo, que não deixa dúvida no sentido de que o termo inicial do art. 173, I, do CTN, é o primeiro dia do exercício seguinte não ao fato imponível, mas sim àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173,I, do CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, DJ 26/02/2010) Ademais, em 08/12/2014, a questão do termo inicial do prazo decadencial foi sumulada, conforme a seguir: Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." No presente caso, o IRPF exigido diz respeito a omissão de rendimentos sujeitos ao Ajuste Anual, portanto tratase de fato gerador complexivo, que se aperfeiçoou em 31/12/2003. Destarte, o fato gerador do tributo em questão ocorreu em 31/12/2003, portanto a exação só poderia ser lançada e exigida a partir de 2004. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º/01/2005, expirando em 31/12/2009. Considerandose que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 1º/12/2009 (fls. 1.020), não há que se falar em decadência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. Fl. 2383DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 2384DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.915584/2011-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2005
DESPACHO DECISÓRIO. SALDO DISPONÍVEL PARCIAL. MOTIVAÇÃO.
Motivada é a decisão que, por conta da vinculação de pagamento a débito e Per/Dcomp do próprio interessado, expressa a existência de direito creditório parcial para fins de compensação.
Numero da decisão: 1001-000.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2005 DESPACHO DECISÓRIO. SALDO DISPONÍVEL PARCIAL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação de pagamento a débito e Per/Dcomp do próprio interessado, expressa a existência de direito creditório parcial para fins de compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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SALDO DISPONÍVEL PARCIAL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação de pagamento a débito e Per/Dcomp do próprio interessado, expressa a existência de direito creditório parcial para fins de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 55 84 /2 01 1- 42 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 11065.915584/201142 Acórdão n.º 1001000.923 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 36 a 41) interposto contra o Acórdão nº 1663.768, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 26 a 32), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 DESPACHO DECISÓRIO. SALDO DISPONÍVEL PARCIAL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação de pagamento a débito e Per/Dcomp do próprio interessado, expressa a existência de direito creditório parcial para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de Despacho Decisório (DD – fl. 2) emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Per/Dcomp nº 27323.83366.271206.1.3.041126 (fls. 16 a 20) e homologou parcialmente a compensação declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, restando, quanto ao Darf apresentado, crédito disponível inferior a ser aproveitado no presente Per/Dcomp. O referido Darf, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil RFB possui: nº do pagamento: 0717281259; período de apuração – 30/04/2005; data de arrecadação – 10/05/2005; código de receita – 6106 (Pagamento de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte Simples); valor total do Darf R$ 1.951,86; valor total original utilizado R$ 1.942,22. 1.1. O limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, informado no Per/Dcomp é de R$ 975,93, conforme Despacho Decisório de 09/09/2011 (fl. 2). A transmissão do Per/Dcomp ocorreu em 27/12/2006. 2. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, protocolada em 21/10/2011 (fl. 6, com anexos às fls. 7 a 20), com a seguinte alegação: Fl. 46DF CARF MF Processo nº 11065.915584/201142 Acórdão n.º 1001000.923 S1C0T1 Fl. 4 3 (...) Analisando todos os fatos, podemos concluir que, verdadeiramente que o DARF pago (duplicidade), no código 6106, PERÍODO DE APURAÇÃO 30/04/2005, no VALOR de R$ 1.951,86 e DATA DE ARRECADAÇÃO 10/05/2005,sob n° de PAGAMENTO 0717281259, referente ao débito R$ 975,94 DE PERÍODO DE APURAÇÃO 30/04/2005, fora já compensado através do (PD) PER/DCOMP n° 41388.20259.271206.1.7.049594 , onde se no que foi informado dentro desse PER/DCOMP que o valor pago a mais no período de 30/04/2005 fora compensado no débito do período seguinte de 31/05/2005, cuja já sua situação parece como HOMOLOGADO, e que os (PD's) PER/DCOMP's, enviados posteriormente sob n° (s) 27323.83366.271206.1.3.041126 (DESPACHO DECISÓRIO EMITIDO) e o de n° 04898.00172.280408.1.3.048533 (EM ANÁLISE), foram indevidamente transmitidos, sendo que a compensação tinha já sido realizada através do PER/DCOMP 41388.20259.271201.1. 7.049594 citado acima. SEGUE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS EM ANEXO. CONCLUSÃO À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o sujeito passivo seja acolhida a presente v manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado e cancelando os respectivos PER/DCOMP’s sob nº (s) 27323.83366.271206.1.3.041126 (DESPACHO DECISÓRIO EMITIDO) e o de nº 14898.00172.280408.1.3.048533 (EM ANÁLISE ). (...)(negritos do original e grifos acrescidos) 3. À fl. 24 consta despacho da Autoridade Preparadora em que encaminha os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a atesta a tempestividade do contraditório apresentado. 3.1. À fl. 22 consta cópia do Aviso de Recebimento (AR), com registro de que o DD foi recebido em 23/09/2011. ”. Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base nos mesmos elementos que já havia apresentado em primeira instância. É o relatório. Voto Fl. 47DF CARF MF Processo nº 11065.915584/201142 Acórdão n.º 1001000.923 S1C0T1 Fl. 5 4 Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) 5. Ademais, cumpre, liminarmente, suscitar o quanto previsto pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.devido. 5.1. Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos pretensos créditos (líquidos e certos) a serem utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 5.2. Destarte, a Declaração de Compensação por intermédio do Per/Dcomp se presta a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os pretensos créditos e os respectivos débitos a serem extintos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos a ele vinculados (até o limite do crédito reconhecido). 6. No caso concreto, o Contribuinte declarou débito para a código do Simples Federal (6106) do Período de Apuração maio/2005 (R$ 975,93), e apontou o documento de arrecadação (Darf) como origem do pretendido crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (fl. 2). 6.1. O referido DD aponta como causa da homologação parcial o fato de que foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para a Fl. 48DF CARF MF Processo nº 11065.915584/201142 Acórdão n.º 1001000.923 S1C0T1 Fl. 6 5 quitação de débitos do contribuinte, restando, quanto ao Darf apresentado, crédito disponível inferior para compensação do débito informado no Per/Dcomp. 6.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revelou a existência parcial do pretenso crédito declarado e requerido para compensação. 6.3. Em suma, os motivos da homologação parcial residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 7. Por oportuno, registrese que, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. 8. Conduzida pesquisa no sistema Sief da RFB constatouse que o Darf indicado no DD (nº 0717281259 – R$ 1.951,86) foi devidamente processado, tendo seu valor alocado ao Per/Dcomp indicado no Despacho Decisório (nº 41388.20259.271206.1.7.049594 – homologado totalmente) e ao débito do Simples Federal pertinente ao Período de Apuração abril/2005, restando crédito de R$ 9,64 a ser aproveitado no Per/Dcomp que se examina. 8.1. Assim, encontrase correto o Despacho Decisório, ao consignar que o crédito reivindicado pela contribuinte no Darf, no valor de R$ 1.951,86 (período de apuração – 30/04/2005; data de arrecadação – 10/05/2005; código de receita – 6106 (Pagamento de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte Simples)), foi parcialmente utilizado (R$ 1.942,22) nas retrocitadas alocações. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 49DF CARF MF Processo nº 11065.915584/201142 Acórdão n.º 1001000.923 S1C0T1 Fl. 7 6 Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.723097/2015-86
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
SUPOSTA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
Numero da decisão: 2001-000.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 SUPOSTA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1287; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.723097/201586 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.705 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria IRPF: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RRA Recorrente JOSE LOURENCO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 SUPOSTA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 30 97 /2 01 5- 86 Fl. 66DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2011, anocalendário de 2010, por meio da qual foi constatada suposta omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 51.107,10. Foi considerada, para efeito do lançamento fiscal, a informação constante da DIRF apresentada pelo Banco do Brasil. O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que a forma de tributação aplicada estaria equivocada, que deveria ser utilizado o cálculo considerando o numero de meses acumulados a que se referem o recebimento. Ou seja, se observa que o contribuinte não contesta o valor de rendimento omitido a ele imputado, mas sim a forma de tributação aplicada (ajuste anual). A DRJ Juiz de Fora, no decorrer da análise dos fatos, deixa claro que o contribuinte não contesta valor recebido, mas tão comente a forma de tributação. Demonstra que não há, nos autos, elementos inerentes à Ação Judicial que demonstrem o número de meses a que se referem os RRA. Desta feita, utilizouse, por analogia, o disposto no art. 13A, § 2°, da IN RFB 1.127/2011, para fins de cálculo do IRPF, um único mês. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte traz documentação judicial evidenciando a totalização dos meses , qual seja 66 competências, e requer a juntada e processamento destas informações para fins de cálculo final. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos RRA Conforme mencionado no relatório acima, o lançamento foi efetuado com base no fato de ter o contribuinte omitido rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação judicial. De acordo com o que fora amplamente exposto ao decorrer deste processo administrativo, fica claro que o contribuinte recebeu os rendimentos acumulados, oriundos de ação fiscal federal, em 2010 . Verificase, no entanto, através da leitura do relatório e do acórdão da DRJ, que o contribuinte não contesta o valor de rendimento omitido a ele imputado, mas sim a forma de tributação aplicada (ajuste anual). A regra geral de levar ao ajuste anual os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) vigorou até o advento da Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10735.723097/201586 Acórdão n.º 2001000.705 S2C0T1 Fl. 3 3 2010, que inseriu o art. 12A na Lei n° 7.713, de 1988, instituindo forma de cálculo que prestigia parâmetro de cálculo mensal e não global, mediante a utilização de “tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos”. Na DIRPF revisada, objeto do lançamento, verificase que o contribuinte não incluiu os rendimentos recebidos acumuladamente. Não houve, portanto, na declaração, a opção expressa nem por uma forma de tributação nem por outra, razão pela qual poderseia acolher a pretensão do impugnante de que o cálculo do imposto seja feito na forma preconizada pelo art. 12A da Lei n° 7.713 de 1988, conforme previsto no §7° desse artigo, já aqui reproduzido. A DRJ salientou que não havia até aquele momento, nos autos, elementos inerentes à Ação Judicial que demonstrassem o número de meses a que se referem os RRA. Assim por analogia, utilizou apenas um mês. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, foi juntada a documentação judicial evidenciando que tratase de 66 competências mensais 66 meses. Nesta senda, verificando que foi suprida a lacuna, a falta de informação acerca da quantidade de meses a que se refere o rendimento recebido acumuladamente , entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para acatar o pleito do contribuinte de refazimento do cálculo do imposto supostamente devido. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que seja considerado a quantidade de meses informada pelo contribuinte para fins de cálculo do imposto no recebimento do rendimento acumuladamente. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.001639/98-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP Nº 993.164/MG.
O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado inclusive em relação às aquisições efetuadas de pessoas físicas e cooperativas. Recurso Especial nº 993.164/MG, submetido ao regime do artigo 543-C.
CORREÇÃO TAXA SELIC. RESSARCIMENTO DE IPI. TERMO INICIAL.
Os ressarcimentos de IPI devem sofrer atualização pela taxa Selic quando haja oposição ilegítima do Fisco ao pedido. O Termo inicial da atualização é o 361º dia do protocolo do pedido, marco da oposição ilegítima do Fisco, cf. art. 24 da Lei 11.457/2007, quando não haja, anteriormente, manifestação da administração contrária à pretensão legítima do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-004.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o crédito pleiteado e a incidência da taxa Selic somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario (relatora), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP Nº 993.164/MG. O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado inclusive em relação às aquisições efetuadas de pessoas físicas e cooperativas. Recurso Especial nº 993.164/MG, submetido ao regime do artigo 543-C. CORREÇÃO TAXA SELIC. RESSARCIMENTO DE IPI. TERMO INICIAL. Os ressarcimentos de IPI devem sofrer atualização pela taxa Selic quando haja oposição ilegítima do Fisco ao pedido. O Termo inicial da atualização é o 361º dia do protocolo do pedido, marco da oposição ilegítima do Fisco, cf. art. 24 da Lei 11.457/2007, quando não haja, anteriormente, manifestação da administração contrária à pretensão legítima do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o crédito pleiteado e a incidência da taxa Selic somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario (relatora), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP Nº 993.164/MG. O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado inclusive em relação às aquisições efetuadas de pessoas físicas e cooperativas. Recurso Especial nº 993.164/MG, submetido ao regime do artigo 543C. CORREÇÃO TAXA SELIC. RESSARCIMENTO DE IPI. TERMO INICIAL. Os ressarcimentos de IPI devem sofrer atualização pela taxa Selic quando haja oposição ilegítima do Fisco ao pedido. O Termo inicial da atualização é o 361º dia do protocolo do pedido, marco da oposição ilegítima do Fisco, cf. art. 24 da Lei 11.457/2007, quando não haja, anteriormente, manifestação da administração contrária à pretensão legítima do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o crédito pleiteado e a incidência da taxa Selic somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario (relatora), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 16 39 /9 8- 51 Fl. 643DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1055.234, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que assim relatou o feito: Tratase de manifestação de inconformidade ante o Despacho Decisório DRF/CBA Nº 524/2000 (fls. 306 a 309) que deferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento do crédito presumido do IPI (fl. 2) previsto na Lei nº 9.363, de 1996, relativo ao 4º trimestre de 1997. O r. despacho está vazado nos seguintes termos: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 4º Trimestre de 1997 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO. Não farão jus ao crédito presumido do IPI as matérias primas, produtos intermediários, e materiais de embalagem adquiridos diretamente de produtores rurais, pessoas físicas e de cooperativas. Na determinação da base de cálculo do incentivo, considerase os insumos adquiridos e efetivamente consumidos no processo produtivo, não o total das aquisições. PEDIDO DEFERIDO PARCIALMENTE RELATÓRIO Pelo presente, a empresa acima identificada requer a compensação do ressarcimento em espécie de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI como ressarcimento das contribuições para o Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10183.001639/9851 Acórdão n.º 3201004.392 S3C2T1 Fl. 644 3 Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de RS 240,488,51, incidentes sobre insumos empregados em produtos exportados, instituído pela Lei nº 9.363/96, referente ao 4º trimestre de 1997, com os valores dos ressarcimentos acumulados de 01/01/1997 a 30/09/1997, que entende ter direito ao montante de RS 2.169.975,53. 2. A interessada, ao instruir o pedido, juntou, dentre outros, os seguintes documentos: a) Certidão Negativa de DébitoCND, emitida pelo INSS (fl. 21); b) cópias da Atas das Assembléias Gerais e Extraordinárias contendo na íntegra a redação do Estatuto Social (fls. 09/l6 e 103/110); c) cópia do recibo de entrega do Demonstrativo do Credito Presumido (fls.77/80); d) cópia de inteiro teor das folhas do Livro de apuração do IPI, modelo 8, mostrando as operações realizadas no 4º trimestre de 1997 (fls. 24/40); e) relação das notas fiscais dos insumos adquiridos de não contribuintes do PIS/PASEP (fls. 41/72); 3. Em Despacho de fl. 81, foi solicitada verificação fiscal à Seção competente (SAFIS/DRF/CUIABÁMT), visando apurar a legitimidade do pleito. 4. Assim, foi lavrado circunstanciado Termo de Verificação Fiscal de fls. 83/84, complementado pelo Termo de Verificação de fls. 133/138, o qual glosa do crédito pleiteado pela interessada as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, e em razão dessas glosas remanesce o saldo a ressarcir no montante de RS 154.581,30, após as deduções dos valores ressarcidos entre 01/01/1997 a 30/09/1997. FUNDAMENTAÇÃO 5. Dispõe o artigo 1º da Lei n°9.363, de 13/12/96 D.O.U de 17/12/96, in verbis: (...) 6. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 83/84, complementado pelo Termo de Verificação de fls. 133/138, elaborados pela Seção de Fiscalização desta DRF, constatase que a interessada adquiriu parte de seus insumos de pessoas físicas que não se submetem à incidência das Contribuições ao PIS e COFINS. Fl. 645DF CARF MF 4 7. Cumpre observar a determinação contida no parágrafo segundo do artigo 2º e no caput do artigo 18, ambos da IN SRF nº 23/97, in verbis: (...) 8. Desse modo, os insumos utilizados no processo produtivo que foram adquiridos diretamente de produtor pessoa física não compõem a base de cálculo do benefício instituído pela Lei 9.363/96, fato que justifica a glosa do crédito, efetuada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 133/138. 9. Cabe ressaltar que as contribuições sociais PIS/PASEP/COFINS somente são devidas pelas pessoas jurídicas, nos termos do art. 1º da Lei Complementar 70/91, dos arts. 1º e 3ºda Lei Complementar 7/70 e do art. 2º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, e incidem quando da venda ou faturamento dos produtos, ou seja, se o ato legal em comento se reporta às contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, obviamente se aplica aos insumos que, adquiridos de terceiros, a elas estivessem sujeitos. Ora. não são contribuintes do PIS/PASEP ou da COFINS as pessoas físicas, assim, não havendo incidência sobre as aquisições, não há o que ressarcir ao adquirente. 10. Da mesma forma, as aquisições de insumos de Cooperativas de Produtores não devem compor a base de calculo do incentivo. As cooperativas são formadas com o objetivo de comercializar a produção de seus associados, que a elas é entregue. As operações realizadas entre as cooperativas e seus associados não são atos mercantis, não implicando compra e venda de produtos, conforme determina o art. 79, parágrafo único, da Lei n° 5.761 de 16/12/1971, assim sendo, tais operações não sofrem a incidência das contribuições para o PIS e COFINS. 11. Apesar de contribuírem para o PIS sobre a folha de salários, as Sociedades Cooperativas não contribuem para o PIS/Faturamento, nem para a COFINS, o que faz com que os produtoresexportadores que delas adquiram os produtos que vão usar no processo produtivo não possam usar o crédito presumido sobre tais aquisições, porque o crédito presumido visa ressarcir o valor das duas contribuições incidentes sobre a aquisição das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem. Tratase, portanto, do ressarcimento das parcelas das referidas contribuições que incidem sobre o faturamento das empresas vendedoras, e não sobre a folha de salários. 12. Adicionalmente, ao determinar o valor do crédito presumido, a interessada não observou o disposto no art. 3º, parágrafo 1º, inciso I, da Portaria do MF n.° 38/97, inserindo na base de cálculo do incentivo o valor total das aquisições quando o correto seria o valor dos insumos utilizados. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10183.001639/9851 Acórdão n.º 3201004.392 S3C2T1 Fl. 645 5 13. O valor do crédito presumido a ressarcir é aquele calculado por esta Delegacia, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 133/138, no qual consta para o 4º trimestre de 1997, as seguintes conclusões: (...) 14. Estes valores e todos os demais constantes deste Despacho Decisório e os métodos utilizados pela fiscalização para a apuração dos mesmos, encontramse detalhados nos demonstrativos de fls. 134/138, elaborados com base em balancetes de verificação, Notas Fiscais de compra e outros documentos fiscais apresentados pela interessada. (...) CONCLUSÃO 16. Isto posto, DEFIRO o pedido da interessada para: a) RECONHECER PARCIALMENTE O CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI como ressarcimento das contribuições para o PIS e a COFINS incidentes sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados em produtos exportados, relativo ao 4º trimestre de 1997, no montante de R$ 154.581,30 (cento e cinqüenta e quatro mil, quinhentos e oitenta e um reais e trinta centavos); b) DETERMINAR a utilização deste credito para compensar de ofício débitos por ventura existentes, cumprindo o disposto nos §§ 3º e 4º. do artigo 8º, e observando o art. 12, ambos da IN SRF n° 21/97, alterada pela IN SRF 73/97; c) AUTORIZAR o ressarcimento em espécie de saldo remanescente, se houver, na forma da Instrução Normativa Conjunta SRF/STN n° 117/89. (...) Insurgiuse a Interessada por meio da manifestação de inconformidade de fls. 325/331, que pode assim ser sumariada: “Houve por bem o ilustre delegado da Receita Federal em Cuiabá/MT, de reconhecer parcialmente o crédito postulado pela Impugnante, no montante de R$ 154.581,30. Sustenta a DRF/Cuiabá que devem ser excluídos da base de cálculo do incentivo o valor relativo aos insumos adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas. Observese que a decisão “a quo” está criando restrição que não prevista pela legislação pertinente. Fl. 647DF CARF MF 6 (...) É de concluirse, pois, que se trata de um estímulo à exportação, num esforço governamental ao incremento das vendas do País ao exterior, amenizando assim o chamado “Custo Brasil”, que tanto entrave tem causado aos produtos brasileiros em competição no estrangeiro. Fica também demonstrado que as restrições impostas pela decisão impugnada não encontram abrigo na legislação pertinente. Se a lei, preocupada com o equilíbrio da balança cambial, criou um estímulo às exportações sem estabelecer as restrições impostas pela decisão impugnada, não cabe à Delegacia da Receita Federal de Cuiabá criar as referidas restrições, sob pena de a decisão ser ilegal e não produzir qualquer efeito no mundo jurídico.” (...) Diante do exposto, requer que essa Delegacia da Receita Federal de Julgamento se digne de conhecer de dar provimento à presente impugnação, para o fim de deferir totalmente o "Pedido de Ressarcimento" relativo ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n° 9.363/1996, como ressarcimento das contribuições para o PIS e COFINS incidentes sobre insumos empregados em produtos exportados, referente ao 4° trimestre de 1997, no valor de R$ 2.169.975,53, devidamente acrescido dos juros da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, na forma do § 4º, do artigo 39, da Lei n° 9.250, de 25 de dezembro de 1995. É o relatório. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 ABONO DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10183.001639/9851 Acórdão n.º 3201004.392 S3C2T1 Fl. 646 7 Por falta de previsão legal, é incabível o abono de juros Selic ao ressarcimento do crédito presumido do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Em síntese, postula pelo reconhecimento do direito ao crédito presumido de IPI sobre as aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas, bem como pela aplicação da Taxa SELIC Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A matéria em litígio é simples e já se encontra solidificada em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, inclusive com a prolação de Recursos Repetitivos. Conforme se extrai do relato dos fatos, a Recorrente teve seu Pedido de Ressarcimento relativo ao crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, relativo ao 4º trimestre de 1997, parcialmente indeferido. Houve negativa do direito aos créditos oriundos das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Muito embora a Autoridade Julgadora de primeira instância reconheça a existência de decisão proferida pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo, considera que quanto "à glosa objeto do presente litígio, fundada no § 2º do art. 2º da IN SRF nº 23, de 1997, cumpre dizer que inexiste ato administrativo de caráter normativo ou mesmo interpretativo que materialize modificação da interpretação da lei tributária que permita reverter a referida glosa em primeira instância." Não obstante, no âmbito deste Conselho Administrativos de Recursos Fiscais, a decisão proferida em sede de recurso repetitivo é de aplicação obrigatória, consoante art. 62, inciso II, alínea b do Anexo II do seu Regimento Interno (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 649DF CARF MF 8 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; Desse modo, deve prevalecer no presente julgamento o quanto restou decidido pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 993.164/MG, submetido ao regime do artigo 543C: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10183.001639/9851 Acórdão n.º 3201004.392 S3C2T1 Fl. 647 9 Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas Fl. 651DF CARF MF 10 produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10183.001639/9851 Acórdão n.º 3201004.392 S3C2T1 Fl. 648 11 confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Ou seja, é imperativo o reconhecimento do direito do Recorrente de se apropriar do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Notase item 12 da ementa acima transcrita que o STJ, naquela assentada, reforçou seu entendimento quanto à incidência da Taxa Selic sobre os valores de IPI a serem ressarcidos ao contribuinte, quando existente de ato estatal, administrativo ou normativo, que tenha impedindo a utilização do direito de crédito de IPI. A decisão proferida no citado REsp nº 993.164/MG é vinculante em todos os seus termos, inclusive no que se refere ao direito de correção dos valores. Não obstante, aduz Fl. 653DF CARF MF 12 que tal conclusão está em consonância com o que restou decidido no REsp 1.035.847/RS, também submetido ao rito do artigo 543C, do CPC. Cito: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007;EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Pelo exposto, é imperativo o reconhecimento do direito do contribuinte a ter ressarcido os valores do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, relativo ao 4º trimestre de 1997, decorrente das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, devidamente corrigidos pela Taxa SELIC desde a data do pedido, uma vez que se considera Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10183.001639/9851 Acórdão n.º 3201004.392 S3C2T1 Fl. 649 13 como "ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI" a própria Instrução Normativa SRF nº 23 de 1997. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 655DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. Termo inicial da incidência da taxa Selic nos ressarcimentos de IPI Regra geral e cediço que créditos escriturais não permitem a atualização quando de seu aproveitamento. Não obstante, o STJ firmou entendimento de que é devida atualização dos ressarcimentos de IPI quando haja oposição ilegítima do Fisco, na Súmula 411: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. No mesmo sentido, os Resp´s 993.164/MG e 1.035.847/RS. Todavia, tais decisões não marcaram o termo inicial da atualização. Nesse caso, entendese que não há oposição ilegítima do Fisco dentro do prazo regular de análise, de 360 dias, conforme estabelecido no art. 24 da Lei 11.457/2007: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta dias) a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Assim, o termo inicial da incidência, quando não haja manifestação expressa e contrária à pretensão da recorrente anteriormente, é o 361º dia do protocolo do pedido. Precedente Acórdão Carf 9303007.425. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado Fl. 656DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720962/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005
NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NORMAS PREVIDENCIÁRIOS. INCIDÊNCIA.
O agente fiscal é competente para verificar a relação fática jurídica no que a análise de vinculo de emprego para fins das normas previdenciárias, em especial no que diz respeito ao no inciso I, alínea "a", do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991.
Assim, verificadaascircunstâncias definidas em lei como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados.
FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE.
Constatando a Autoridade lançadora os requisitos determinados na alínea a, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social RPS, que elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, consoante o artigo 229, do , § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS.
A autoridade fiscal tem o poder-dever de desconsiderar os contratos pactuados das pessoas jurídicas envolvidas com a contribuinte de fato, e que são realizados por pessoas físicas, médicos, identificadas como sócios e com exclusividade, utilizando o princípio da primazia da realidade, quando identificado os elementos caracterizadores do vinculo empregatício nas legislação previdenciária.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Nos termos do art. 32, IV, §3ºe §5º, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada adeclarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço-FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, referente a documentos com dados não correspondentes aos fatos geradores.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119.
Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NORMAS PREVIDENCIÁRIOS. INCIDÊNCIA. O agente fiscal é competente para verificar a relação fática jurídica no que a análise de vinculo de emprego para fins das normas previdenciárias, em especial no que diz respeito ao no inciso I, alínea "a", do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, verificadaascircunstâncias definidas em lei como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Constatando a Autoridade lançadora os requisitos determinados na alínea “a”, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social RPS, que elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, consoante o artigo 229, do , § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS. A autoridade fiscal tem o poderdever de desconsiderar os contratos pactuados das pessoas jurídicas envolvidas com a contribuinte de fato, e que são realizados por pessoas físicas, médicos, identificadas como sócios e com exclusividade, utilizando o princípio da primazia da realidade, quando identificado os elementos caracterizadores do vinculo empregatício nas legislação previdenciária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 09 62 /2 01 0- 24 Fl. 3457DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Nos termos do art. 32, IV, §3ºe §5º, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada adeclarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, referente a documentos com dados não correspondentes aos fatos geradores. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela SM ASSESSORIA EMPRESARIAL E GESTÃO HOSPITALAR LTDA., contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Salvador BA (6ª Turma da DRJ/SDR), que julgou a impugnação nos seguintes termos: "Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, mantendo a multa aplicada nas competências 02/2005,03/2005 e 04/2005 e EXCLUINDO R$ 56.431,60, referente a multa aplicada nas competências 05/2005 e 13/2005. Fl. 3458DF CARF MF Processo nº 10530.720962/201024 Acórdão n.º 2301005.584 S2C3T1 Fl. 3 3 Em razão das exclusões mencionadas, a multa aplicada passa de R$ 141.079,00 para R$ 84.647,40 (oitenta e quatro mil seiscentos e quarenta e sete reais e quarenta centavos)". Conforme relatório fiscal (fls. 19 e seguintes do eprocesso,) o Auto de Infração, identificado pelo AI DEBCAD Nº 37.264.2101, lavrado em nome da empresa SM ASSESSORIA EMPRESARIAL E GESTÃO HOSPITAL LTDA, decorre de ação fiscal onde se verificou que a contribuinte apresentou as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP (documento a que se refere a Lei no 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV e § 3°, acrescentados pela Lei no 9.528, de 10/12/1997), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 02/2005 a 13/2005. O relatório do Acórdão recorrido (fls. 3.573, e seguintes do eprocesso), descreve o seguinte: O sujeito passivo foi cientificado pessoalmente do Auto de Infração (AI) sob julgamento em 26/02/2010 e apresentou impugnação em 29/03/2010 alegando em síntese: Tempestividade por ter sido notificada em 26.02.2010 (sexta feira), o prazo de 30(trinta) dias para apresentação de defesa ter iniciado na segundafeira, 01.03.2010 (art. 15 do Decreto nº 70.235/72) e ter o termo final em 30.03.2010. Incompetência do agente Diz que o art. 229 § 2º do Decreto nº 3.048/99 não respalda o ato praticado pela fiscalização motivo pelo qual não questionará, neste momento, sobre a sua legalidade e inconstitucionalidade. Argumenta que o § 2º do art. 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, só autoriza a fiscalização enquadrar como segurados empregados da empresa fiscalizada os profissionais por ela contratados como contribuintes individuais, trabalhadores avulsos, ou trabalhadores contratados sob qualquer outra denominação e que preencham os requisitos da relação de emprego. Diz que o Decreto exige duas condições essenciais e concomitantes para que haja a modificação da natureza jurídica do vínculo contratual: Que o profissional seja contratado da empresa fiscalizada; Que a natureza do vínculo seja como contribuinte individual, trabalhador avulso ou outra denominação. No caso concreto, os profissionais enquadrados pela fiscalização como empregados da Autuada e segurados da previdência social, não preenchem qualquer destas condições essenciais exigidas pelo citado dispositivo, quer porque não foram e não são contratados da empresa autuada, quer porque em razão da Fl. 3459DF CARF MF 4 inexistência de vínculo laboral não eram segurados da previdência em relação à mesma empresa. Afirma que o vínculo jurídico de todos os profissionais constantes da autuação é de natureza societária com as empresas das quais são sócios, como está certificado no anexo V (doc.03), em razão do qual se tornaram contribuintes individuais da previdência social. Diz estar provado que: a) Os vínculos jurídicos da autuada são com as empresas contratadas e têm natureza civil de prestação de serviços. b) não existe qualquer vínculo entre a empresa Autuada e os sócios das empresas contratadas, que nesta condição prestaram serviços para as mesmas, na execução de contratos por elas celebrados com a Autuada. Afirma que o Decreto não autoriza a fiscalização desconsiderar relação jurídica constituída entre pessoas jurídicas legalmente constituídas, conseqüentemente com personalidades jurídicas próprias, independentes da personalidade de seus sócios, como determina o C. Civil. Desta forma, o enquadramento realizado pela fiscalização não tem amparo legal, no citado § 2° do art.219 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, sendo, portanto, nulo de pleno direito, por ferir o princípio da legalidade previsto no art. 37 da Constituição Federal. Diz que sequer foi alegado qualquer vício nos contratos societários celebrados pelos sócios para constituir suas empresas, nem nos contratos civis celebrados por estas empresas. Lembra que a competência para apreciar e julgar eventual vício nos contratos de natureza civil celebrados entre pessoas jurídicas, nas causas entre a União e particulares é exclusivamente da Justiça Federal, citando o art. 109 da Constituição Federal, assim como a competência para declarar a existência de relação de trabalho é exclusiva da Justiça do Trabalho, segundo o art. 114 da Constituição Federal. Aduz que, nesta hipótese, eventual responsabilidade do tomador do serviço, seria apenas subsidiária e, no máximo solidária. Diz que, ao lavrar o Auto de Infração caracterizando os sócios das empresas contratadas como empregados da empresa Autuada (Tomadora dos serviços), a Fiscalização da Previdência Social invadiu competência exclusiva do Poder Judiciário, a quem compete com exclusividade julgar a existência ou não de relação de trabalho e da Justiça Federal, a quem compete, também com exclusividade, julgar a validade dos contratos celebrados entre pessoas jurídicas, nas causas em que figure a União. Alega incompetência legal da fiscalização para apreciar a matéria, por falta de amparo legal e afirma que o Auto de Fl. 3460DF CARF MF Processo nº 10530.720962/201024 Acórdão n.º 2301005.584 S2C3T1 Fl. 4 5 Infração está eivado do vício da nulidade na forma prevista no art. 58, I do Dec.nº 70.235/72, por desrespeitar o vínculo civil de natureza societária existente entre os sócios e suas empresas e o vínculo civil de natureza contratual decorrente dos contratos celebrados pela livre manifestação da vontade das partes (empresas contratadas e Empresa autuada); Requer a nulidade do auto de infração, em razão da incompetência jurídica da fiscalização para desconsiderar contratos civis e para transformar sócios de uma pessoa jurídica em empregados de outra pessoa jurídica". (...) Após seus argumentos em sede de impugnação terem sidos acolhidos parcialmente, a recorrente apresenta Recurso Voluntário nas fls. 3.422, e seguintes do e processo, aduzindo o seguinte: Preliminarmente, a incompetência do agente fiscal para declarar a existência da relação de trabalho, que seria exclusiva da "justiça do trabalho". No mérito alega: a improcedência do auto de infração, em razão da não ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias sociais, uma vez que não haveria elementos caracterizadores para a caracterização de vinculo empregatícios, trazendo uma série de argumentos contrários à decisão de primeira instância quanto a aplicação da legislação previdenciária, e consequemente não haveria tributo a ser recolhido. erro na base de cálculo. aplicação da multa mais benéfica. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do quesito formal da tempestividade e é de competência desse colegiado. Portanto, dele o conheço. DA PRELIMINAR DA COMPETÊNCIA DO AGENTE FISCAL A recorrente alega incompetência do agente fiscal em caracterizar vínculos empregatícios, referente a prestadores de serviços que mantiveram relações jurídicas com a contribuinte. Nesse tópico, a preliminar arguida de nulidade guarda relação em dispositivo específicos no PAF. No processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: Fl. 3461DF CARF MF 6 "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Grifei. Nesse quesito, a recorrente alega que o fiscal não seria competente para declarar a relação de vinculo empregatício em relação à seara trabalhista entre a recorrente e seus prestadores de serviços. Na realidade, o agente fiscal não declarou irregular o vinculo empregatício em relação ao direito trabalhista, mas sim perante a norma previdenciária entre as partes envolvidas, tendo em vista que descaracterizou uma operação jurídica que configura em si a possibilidade de incidência da norma tributária. Nesse sentido, o § 2°, do art. 229 do Decreto n° 3.048/1999, dispõe o seguinte: "§ 2o Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado". Com isso, o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I, do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991, assim descritas: "Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Portanto, sem razão a recorrente, uma vez que a fiscalização detém competência para analisar a situação fática jurídica de cada caso, baseada em provas e indícios, e determinar, conforme as normas vigentes, a relação de vínculo empregatício para fins de incidência tributária, e tão somente para esse fim, não havendo correlação com a esfera judicial, salvo se essa segunda determinar situação diversa do entendimento fiscal. Fl. 3462DF CARF MF Processo nº 10530.720962/201024 Acórdão n.º 2301005.584 S2C3T1 Fl. 5 7 DO MÉRITO DA INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS A presente autuação referese à fiscalização seletiva com o objetivo de analisar contribuições incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais (prestadores de serviços diversos), no período de 01/2005 a 12/2005. Com isso a autuação, que foi julgada parcialmente procedente, gira em torno de possível ocorrência de vínculo empregatício entre a recorrente e os prestadores de serviços, pessoas físicas revestidas por pessoas jurídicas, e estariam caracterizados com os elementos de vínculos impostos pela CLT: pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. Com visto acima o art. 12, inciso I, item "a", da Lei nº 8.212, de 1991, incide os seguintes requisitos para caracterizar para fins da legislação previdenciária, sendo aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Imperioso, portanto, o princípio da primazia da realidade. A fiscalização desconsiderou os contratos de prestação de serviços firmados, asseverando que os serviços foram prestados pelas pessoas físicas com os requisitos característicos da relação e emprego. Cumpre esclarecer que, em seu recurso a recorrente aborda o tema partindo da premissa de que nem toda "atividade meio" teria a característica da "atividade fim". Para que seja analisado de forma adequada sua alegação, é importante reportar ao núcleo principal da atividade da empresa. Conforme se constata do contrato social da contribuinte (página. 3.424), na clausula 2ª: "a sociedade tem por objeto social a prestação de serviços de assessoria empresarial, gestão hospitalar, serviços médicos, bem como a promoção, administração, e desenvolvimento de entidades na área da saúde". Em seu recurso, a recorrente alega o seguinte: "57. Logo, alguns serviços, justamente por serem especializados, a exemplo dos serviços médicos, de enfermagem, de laboratório, radiologia e planejamento, foram contratados de empresas especializadas em cada ramo de atividade em razão do (art. 982"). Com isso, constatase que a própria recorrente alega que os serviços contratados foram para justamente atuar conforme o próprio contrato social da empresa., ou seja: para a atividade fim da sociedade empresarial. Nesse sentido, analisando os contratos trazidos pela fiscalização podese concluir, sem dúvida alguma, que todos eles atendiam às "atividades fim" da empresa recorrente. Notase que, não foram juntados, pela fiscalização na autuação, contratos de atividade meio com a descrição acima, a exemplo de um serviço de copeiro, atendente, segurança (guarda), ou outra atividade que pudesse ser considerada "atividade meio" em Fl. 3463DF CARF MF 8 relação ao objeto social da empresa autuada. Todos contratos celebrados e utilizados pelo fisco foram específicos na área da saúde para serviços médicos. Portanto, diferente do que argumenta o sujeito passivo, os contratos analisados possuem correlação direta com a situação de atividade fim da empresa recorrente. DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A par dos conceitos trazidos pela fiscalização ou pela recorrente, o que realmente importa é ter a caracterização dos elementos de sujeição e dependência pelos prestadores de serviço. Nesse contexto, quanto à subordinação, entendo não ter relevância predominante de qual é o melhor conceito jurídico adotado para definir o que vem a ser subordinação, tanto por quem acusa (fiscalização) quanto por quem se defende (contribuinte). O que, ao meu ver, é mais importante e necessário são as provas que possam formar a convicção do julgador ao presente caso e que vão caracterizar, aí sim, a subordinação pelas partes envolvidos no contrato pactuado e trazido aos autos. Nesse sentido, a fiscalização diz que (fls. 31 e seguintes): "Constatase nas ação fiscal que “não há médicos com carteira assinada trabalhando para a CONTRATANTE, ora são cooperativados ou contratados através de pessoas jurídicas”. (...) Tanto assim, repisese, que as CONTRATANTE não possuía qualquer médico que fossem seu empregado. Era necessário, então, que todos estes prestadores seguissem um mesmo modo de realização do objeto do contrato, modo este dirigido, coordenado, pela CONTRATANTE. E ainda com exclusividade, conforme planilhas anexas com as relação de notas fiscais emitidas pelos CONTRATADOS, com numeração seqüenciada para o CONTRATANTE". Já a recorrente alega que: "76. Dessa forma, resta comprovado também que a simples padronização dos contratos de prestação de serviços não são suficientes para caracterizar o vínculo empregatício, e, portanto, não prospera a fundamentação de que "os contratos celebrados pela impugnante com as prestadoras são contratos padrões" para a caracterização de tal vínculo". Nesse ponto, no quesito subordinação, compreendo que a recorrente não obrou afastar a acusação do fisco em seu recurso. De fato, somente a padronização do contrato não tem o condão de por si só configurar o vínculo empregatício, mas é um forte indício de que os profissionais que entravam no "setor médico", na qual prestavam serviços na atividade fim da empresa, eram consequente contratados por meio de pessoas jurídicas, e que deveriam reportar obediência à recorrente. Os contratos previam que os contratados deveriam informar lista com currículos para Fl. 3464DF CARF MF Processo nº 10530.720962/201024 Acórdão n.º 2301005.584 S2C3T1 Fl. 6 9 Isso porque, poderia sim a recorrente ter algum tipo de contrato terceirizado, mas o que chamou atenção do fisco foi que nenhum especialista na área médica era contratado por meio da CLT, podendo disfarçar a possível ocorrência do fato gerador do tributo. No que diz respeito à pessoalidade, o fisco constatou que todos, ou grande parte dos contratados, seriam executados pelos próprios sócios das pessoas jurídicas. Os que não foram considerados assim, tiveram afastadas da autuação a caracterização de vinculo empregatício. Nesse sentido, verifico que a recorrente não apontou outros elementos ou obrou afastar a acusação de que um profissional sozinho prestava serviço por meio da pessoa jurídica, e somente ele. Por exemplo, poderia a recorrente trazer ao feito notas fiscais de alguns prestadores de serviços para outras empresas que não a recorrente. Seria ao menos uma prova que pudesse afastar o quesito "exclusividade". Já quanto à onerosidade, ficou constatado que os serviços prestados diretamente pelas pessoas físicas eram remunerados de maneira mensal. Isso pode ser verificado nos contratos juntados pelo fisco, pois na sua grande maioria o período de pagamento era acertado em média por 12 (doze) meses, podendo ser renovado a critério das partes, mas que exigia que toda e troca de profissional fosse comunicado à contratante e que fosse submetido currículo de novo profissional á contratante. Fato esse que, além de configurar uma possível subordinação, exigia de forma indireta que as pessoas físicas que estivessem no contrato da pessoa jurídica fossem as únicas a prestarem os serviços, e que numa eventual substituição dessas pessoas a recorrente deveria ter ciência, não havendo liberdade dos contratados de direcionar ao serviço o profissional que fosse de sua preferência. Alias, não ficou sequer provado que haveriam outros profissionais direcionados aos serviços contratados pelas empresas jurídicas, constatandose que a onerosidade do labor realizado era direcionado à pessoa física de forma indireta. Não há também informações de distribuição de lucros dessas empresas para seus sócios, o que é mais uma prova do elemento onerosidade. A não eventualidade também foi objeto de debate nos autos. Nesse sentido o REFISC alega que: "decerto esse trabalho, com a responsabilidade de comparecimento especificamente em determinado dia da semana para um plantão de longas 24 horas, não pode ser considerado eventual. Tratase de prestação habitual de serviço, que, de tão óbvia, dispensa maiores ilações". Com isso, a não eventualidade pode ser observada através dos lançamentos contábeis e do contrato para prestação de serviços, pois nesses casos pode ser observado o repasse financeiro as empresa contratadas de valores fixos (independente do número de dias trabalhados ou tarefas realizadas) e permanentes ao longo do tempo, com os pagamentos mensais. Isso, também, diz respeito aos contratos feitos junto às as empresas de medicina do trabalho, segurança do trabalho, assessorias e consultorias, que prestam serviços ao estabelecimento como empregados. Fl. 3465DF CARF MF 10 A contribuinte somente alegou ocorrer visitas eventuais desses profissionais, o que não foi constatado pela fiscalização que apontou a permanência ou "circulação" desses de forma constante nas dependências da recorrente. Caberia então à recorrente fazer prova de que esse profissional seria contratado de forma eventual, por meio de algum tipo de contrato diferente do que foi juntado aos autos, a exemplo do Técnico em segurança do trabalho, que visa diminuir os riscos de acidente de trabalho, e que ao que se constou dos autos a contribuinte mantém esse profissional em seus quadros de trabalhadores para que seja atingindo o fim específico de sua atuação. Nesse sentido, a recorrente não obrou dizer para qual fim foi contratado esse profissional, somente alegou que "é absurdo enquadrar este como sendo seu empregado", para fins previdenciário. Ora, se a fiscalização lançou como sendo passível de tributação, o ônus de prova passou a ser do contribuinte, que deveria explicar o porque esse agente foi contratado, para que fim estava laborando na empresa contratante, e como ele atuava perante a sociedade autuada. Fato esse que não foi devidamente detalhado pela contribuinte, e, tampouco, provado. Já em relação às ações judiciais, onde se constatou de fato o vínculo empregatício, a recorrente para rebater a essa prova traz aos autos outra ação com numeração e partes diferentes das apontadas pela fiscalização, ajuizada, inclusive, por pessoa terceira pessoa contra terceirizada (constando no pólo passivo outra empresa e a própria autuada), em relação a mais uma empresa que intermediou a contratação da reclamante para laborar atividades nas dependências da recorrente, e que no meu entender não são suficientes não afasta as informações da fiscalização. Alias essa alegação também não foi afastada pela decisão a quo. Ficou claro que nas ações mencionadas pela fiscalização que houve sim vinculo empregatício para fins da interpretação previdenciária, e que esses constavam da relação das pessoas da autuação lançada. Não há decisão somente de primeira instância. Alias, a recorrente não obrou trazer cópia de alguma decisão contrária relativo aos processos mencionados pela fiscalização, mas sim de processo de outra situação ocasionada por vinculo empregatício de também empresa contratada pela recorrente para prestar serviços médicos. Só que esses não foram objetos da autuação. Portanto, mais uma vez não obrou comprovar por meio de provas idôneas que a fiscalização teria se equivocado na sua interpretação. Assim, o princípio da primazia da realidade se sobrepôs aos contratos pactuados, devendo ser mantida a autuação. DO DEVER DE CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA No presente caso, a recorrente deixou de observar o dispositivo principal de que trata o art. 32, IV, e § 3° e § 5º, da Lei nº 8.212/91, in verbis: "Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários". Fl. 3466DF CARF MF Processo nº 10530.720962/201024 Acórdão n.º 2301005.584 S2C3T1 Fl. 7 11 § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior". (redação da época dos fatos geradores). Assim, a autuação deve ser mantida. DO CÁLCULO DA MULTA A autoridade fiscal, ao aplicar a multa assim descreveu: A nova Súmula CARF determina nº 119, assim dispõe: "No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". Com isso, o novo mandamento põe fim à discussão da multa e retroatividade benigna, sendo, portanto, aplicada ao presente caso. CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por conhecer do recurso para não acolher as preliminares, e no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendose a exigência fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 3467DF CARF MF 12 Fl. 3468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.723430/2017-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Faz jus a isenção, a partir da data do reconhecimento obtido em Decisão Judicial, a partir de 02/09/2013.
Numero da decisão: 2002-000.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ISENÇÃO. Faz jus a isenção, a partir da data do reconhecimento obtido em Decisão Judicial, a partir de 02/09/2013. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 34 30 /2 01 7- 71 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10845.723430/201771 Acórdão n.º 2002000.562 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 80/81) contra decisão de primeira instância (fls. 69/73), que julgou por maioria de votos, improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Tratase de impugnação à notificação de lançamento de fls. 1118, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao anocalendário de 2015, em que foi reduzido o imposto a restituir de R$ 14.884,97 para R$ 860,34. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes na notificação de lançamento, foi apurada omissão de rendimentos no valor de R$ 111.054,19, declarados pela contribuinte como isentos e/ou não tributáveis por motivo de moléstia grave, tendo como fonte pagadora o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ/SP). Foi considerado o valor de R$ 13.635,77 a título de imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos. Constatouse ainda a compensação indevida de IRRF, no valor de R$ 14.884,97, sobre os rendimentos declarados como isentos e/ou não tributáveis. Conforme documentos apresentados e consultas ao site do TJ/SP, a fiscalização verificou que foi concedido, por meio de sentença judicial em 2015, o benefício da aposentadoria por invalidez a partir de 02/09/2013. No entanto, a natureza dos rendimentos recebidos em 2015 é de trabalho assalariado, conforme consta em DIRF entregue pela fonte pagadora, não havendo, portanto, previsão legal para isenção de tais rendimentos. Na impugnação (fl. 0210), a contribuinte alega que é portadora de moléstia grave (espondilite anquilosante), conforme laudo pericial emitido por ente municipal, bem como encontrase aposentada por invalidez. Junta cópia do laudo médico, da sentença judicial que concedeu a aposentadoria por invalidez e da publicação do ato de concessão da aposentadoria. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10845.723430/201771 Acórdão n.º 2002000.562 S2C0T2 Fl. 4 3 Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 21/12/2017 (fl. 76); Recurso Voluntário protocolado em 22/01/2018 (fl. 80), assinado pela própria contribuinte. Responde a recorrente nestes autos, pela seguinte infração: a) Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. O v. Acórdão, fincou entendimento que o laudo médico pericial que serviu de base para a concessão de aposentadoria da contribuinte em sede de processo judicial, contraria frontalmente o laudo apresentado pela contribuinte à fl. 3, ao afirmar que em 2015 (segundo a decisão do magistrado) a contribuinte não apresentava doenças incluídas no art. 186 da Lei nº 8.112/90 (artigo este em que consta a espondiloartrose anquilosante). Assim sendo, julgou pela improcedência da impugnação. Irresignada, a recorrente maneja recurso próprio, lançando matéria preliminar e combatendo o mérito. A preliminar lançada pela recorrente confundese com o mérito e com ele será julgado. Pois bem, a recorrente ajuizou Ação contra a Fazenda Pública do Estado de São Paulo, onde afirma ser portador a de doenças incapacitantes desde meados de 2012, em razão do agravo dessas doenças encontrase com saúde muito debilitada o que a impossibilita de exercer suas atividades atuais. Solicitou em 5 de Março de 2013, a aposentadoria por invalidez, mas sete meses após o reconhecimento de sua incapacidade laborativa, foralhe deferido apenas licença saúde. Informou que o pedido de licença saúde expirou e não foi renovado. Diz que o MM Juízo, que o Laudo Médico acostado aos autos é bastante claro ao constatar que a autora apresenta incapacidade total e permanente. Entretanto, afirma o auxiliar do juízo que: “Essas doenças não estão incluídas entre as doenças classificadas no art. 186 da Lei Federal nº 8.112, de 11/12/1990”. Diante do que o MM Juízo expôs, o mesmo julgou procedente em parte, o pedido formulado para reconhecer à autora o direito a aposentadoria por invalidez a partir de 02/09/2013, com proventos parciais ao tempo de contribuição. Quando do reexame necessário, o TJ mantém a r. decisão de origem recorrida. Restou patente que o benefício de aposentadoria por invalidez, começou a valer a partir de 02/09/2013, sendo certo que nestes autos, o anocalendário é de 2015. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10845.723430/201771 Acórdão n.º 2002000.562 S2C0T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.721299/2013-29
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2002-000.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente JOSE CARLOS TIRICH Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 72 12 99 /2 01 3- 29 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13807.721299/201329 Acórdão n.º 2002000.470 S2C0T2 Fl. 77 2 Relatório Tratase de recurso do contribuinte em face do Acórdão nº 1055.612 da DRJ/POA (fls.39/42), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. O recorrente busca a restituição dos valores do IR incidente sobre o 13º salário nos anoscalendário 2008 a 2011. Ele alega que os rendimentos de aposentadoria seriam isentos do IR por ser ele portador de moléstia grave. O Despacho Decisório EQREC/SP indeferiu o pedido de restituição, apontando que não foi apresentado laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (fls.21/24). Cientificado dessa decisão em 22/10/2014, o Contribuinte apresentou, em 4/11/2014, a manifestação de inconformidade de fls.24/31, apontando a juntada de laudo médico com timbre da instituição responsável por sua emissão. No acórdão já mencionado, a 8ª Turma da DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, sem reconhecimento do direito creditório pleiteado, apontando que o laudo apresentado "... não é suficiente para gerar efeito tributário relativo à isenção do recolhimento do imposto de renda. ...tratarse de relatório médico com a identificação do Hospital de Clínicas – SP. O documento apresentado não foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Inclusive registra que as informações nele contidas “estão sujeitas à ratificação pelo grupo médico pericial credenciado da autoridade solicitante”". Cientificado da decisão em 23/6/2016 (fl.45), o recorrente formalizou seu recurso em 18/7/2016 (fl.48), argumentando que o HC/Incor é subordinado à Secretaria de Estado da Saúde, fazendo atendimentos SUS, convênios e/ou particular. Acrescenta que solicitou novo laudo na instituição, previsto para ficar pronto em 28/7/2016 (fls.52/55). Posteriormente, em 20/7/2016, manifestouse à fl. 59, solicitando a juntada aos autos de novo laudo médico (fl.60). Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O pedido de restituição recai sobre o IR incidente sobre o 13º salário recebido pelo recorrente nos anoscalendário 2008 a 2011. O recorrente alega que seus rendimentos de aposentadoria seriam isentos do IR por ser ele portador de moléstia grave. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13807.721299/201329 Acórdão n.º 2002000.470 S2C0T2 Fl. 78 3 O colegiado de primeira instância não reconheceu o direito creditório do contribuinte para os anoscalendário mencionados, consignando: Há que ser observado que no dispositivo legal de outorga de isenção, existe a previsão do caráter cumulativo de requisitos. O legislador estipulou como prérequisito para a isenção o fato de o contribuinte acometido por moléstia grave possuir, também, a condição de aposentado e a moléstia ser comprovada por meio de Laudo Médico pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria. Convém referir que o documento de fls. 30, não é suficiente para gerar efeito tributário relativo à isenção do recolhimento do imposto de renda. Conforme verifico tratarse de relatório médico com a identificação do Hospital de Clínicas – SP. O documento apresentado não foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Inclusive registra que as informações nele contidas “estão sujeitas à ratificação pelo grupo médico pericial credenciado da autoridade solicitante”. Pelas razões expostas, entendo não ser passível de restituição os valores indicados no pedido de restituição encaminhado pelo contribuinte, por não atendimento à exigência legal. Sobre essa matéria, trago a Súmula CARF nº 63, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Quanto à natureza dos rendimentos, não houve questionamento, estando consignado nos comprovantes juntados que se trata de aposentadoria (fls.6/9). Em seu recurso, o recorrente juntou laudo médico emitido por serviço médico oficial do Município de São Paulo, que aponta ser ele portador de doença isquêmica crônica do coração e insuficiência cardíaca CID I25/I50 (fl.71). O documento reproduz as informações constantes dos relatórios médicos anteriormente apresentados, mas que não foram acatados porque não teriam sido emitidos por serviços médicos oficiais da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (fls. 4, 5, 12/16, 18, 30). À vista do documento apresentado, em conjunto com os demais documentos que constituem os autos, é de se reconhecer o direito creditório ao contribuinte nos anos calendário 2008 a 2011, no tocante ao IR incidente sobre o 13º salário, uma vez comprovada a existência da moléstia desde o ano de 2008. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13807.721299/201329 Acórdão n.º 2002000.470 S2C0T2 Fl. 79 4 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000333/98-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1993 a 31/10/1993
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL.
Comprovada a existência de depósito judicial anterior à lavratura do auto de infração, exclui-se do lançamento os juros de mora e a multa de ofício até o montante garantido pelos depósitos.
Numero da decisão: 9303-007.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DEPÓSITO JUDICIAL. Comprovada a existência de depósito judicial anterior à lavratura do auto de infração, excluise do lançamento os juros de mora e a multa de ofício até o montante garantido pelos depósitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 03 33 /9 8- 06 Fl. 1063DF CARF MF 2 Relatório Lançamento Trata o presente processo de auto de infração, às efls. 03 a 11, lavrado para constituição de crédito tributário referente à tributação da Cofins, do período de junho a outubro de 1993, em valor originário de R$ 574.489,76, que acrescido de juros de mora e de multa de oficio montou a R$ 1.408.817,97. A fiscalização informa, no termo de verificação fiscal, de fls. 10 a 11, que o contribuinte ingressou com Medida Cautelar, para discutir a contribuição e realizou depósitos judiciais. O lançamento se deu pelo fato de a fiscalização ter identificado falta de recolhimento, em face de o valor por ela entendido como devido, calculado de acordo com as bases de cálculo apuradas na escrituração contábil da fiscalizada, ser inferior ao montante depositado judicialmente. A ciência do auto de infração se deu em 30/06/1998, conforme termo de efl. 30. Impugnação e Decisão de Primeira Instância Irresignada, em 30/07/1998, a contribuinte apresentou impugnação, às efls. 31 e seguintes, requerendo o cancelamento do lançamento ou, subsidiariamente, o cancelamento da multa e dos juros ou, ainda subsidiariamente, a redução dos juros. Na impugnação alega, a título de contextualização que: nos meses de junho a outubro de 1993, realizou compensação de valores devidos a título de Cofins, com recolhimentos que entendeu indevidos, de Finsocial, por imposição de alíquotas superiores a 0,5%; a fiscalização entendeu indevida a compensação, com base no art. 4o da Instrução Normativa RF n° 67, de 1992, por não se tratar de tributos de mesmo código; tem decisão judicial, com trânsito em julgado, autorizando a compensação do Finsocial recolhido à alíquota superior a 0,5% com Cofins e CSLL; ainda assim, sobreveio auto de infração para exigência da Cofins. Preliminarmente pede o cancelamento da multa e dos juros ou, subsidiariamente sua redução e, no mérito, pede o reconhecimento da extinção do crédito lançado, por decisão judicial passada em julgado e pela compensação realizada; e A 4ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, apreciou a impugnação em 27/10/2004, e no acórdão nº 6.457, às efls. 715 e seguintes, não conheceu da impugnação, entendendo ter havido desistência do sujeito passivo, pelo apresentação, posterior ao lançamento, de pedido de compensação (processo n° 13855.001197/9916) do débito em litígio no presente processo. Recurso Voluntário Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 13855.000333/9806 Acórdão n.º 9303007.472 CSRFT3 Fl. 1.064 3 Tendo sido cientificado, em 25/11/2004, da decisão em primeira instância, o contribuinte, ainda inconformado, interpôs recurso voluntário, às efls. 723 a 735, em 24/12/2004, requerendo o cancelamento da autuação. Os argumentos do recurso voluntário, em resumo, são os seguintes. Preliminarmente, alega que a decisão de primeira instância seria nula, por preterição de seu direito de defesa e pede a revisão de ofício do erro de julgamento que entende ter ocorrido; No mérito, alega que: (a) não estaria demonstrada, nos autos, a base de cálculo utilizada para o lançamento; (b) os débitos confessados em DCTF já eram objeto de cobrança e não poderiam ser novamente lançados com multa de ofício; (c) inexigibilidade de multa e juros, por existência de depósitos judiciais; (d) direito de compensação do Finsocial com Cofins, independentemente de requerimento. Decisão de Segunda Instância A Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes apreciou o recurso na sessão de 17/05/2005, resultando no acórdão de nº 20400.118, às efls. 765 a 769 e seguintes, o qual teve a seguinte ementa: COFINS. QUESTÃO PROCESSUAL. DECISÃO A QUO ANULADA. Se a decisão no processo de auto de infração depende da análise do processo em que se postula a homologação de compensação, deve o órgão julgador da impugnação ao auto de infração levar em consideração os termos daquela, mormente quando ela própria criou, seis anos antes de sua decisão, o próprio incidente. Recurso voluntário provido para anular a decisão a quo, devendo outra ser proferida analisando o incidente por ela criado. Novo Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, apreciou novamente a impugnação em 13/01/2006, e no acórdão nº 10.420, às efls. 783 a 788, negou provimento à impugnação, sob os seguintes fundamentos: entendeu que não tinha havido compensação até o lançamento e, assim, o pedido de compensação posterior não prejudicaria o auto de infração; Fl. 1065DF CARF MF 4 delimitou o litígio à multa de ofício lançada, por não ter sido objeto de compensação; manteve o lançamento da multa de ofício. Novo Recurso Voluntário Intimada (efl. 792) do acórdão nº 10.420 em 14/02/2006 (efl. 794), a autuada manejou novo recurso voluntário em 09/03/2006, às efls. 796 a 811. Inicialmente, a contribuinte alega que a nova decisão de primeira instância contrariou a determinação do Conselho de Contribuintes, para consideração, no lançamento, do montante depositado judicialmente e convertido em renda. Em seguida, alega, também, que seria incabível a exigência de multa de ofício sobre valores declarados em DCTF e com suspensão de exigibilidade. Nova Decisão de Segunda Instância A Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes apreciou o recurso na sessão de 27/03/2007, resultando no acórdão de nº 204.02.272, às efls. 823 a 826, o qual teve a seguinte ementa: COFINS. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Descabe lançamento de ofício em relação a valores declarados em DCTF. O lançamento da parte depositada judicialmente a menor, conforme reconhecido pelo órgão local da SRF, estaria quitado pelo saldo remanescente de indébitos de Finsocial, judicialmente reconhecido. Recurso voluntário provido. O acórdão teve a seguinte redação: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Gustavo Minatel. Na decisão entendeuse nulo o lançamento de débitos declarados em DCTF. Embargos de declaração da Fazenda Nacional O acórdão nº 20402.272 foi encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional em 30/05/2007 (efl. 829), a qual manejou embargos de declaração, em 21/06/2007, às efls. 830 a 834. Afirmou que no acórdão existiriam contradições em relações a dois pontos: a ementa e o voto condutor referemse a débitos declarados em DCTF e não há prova, nos autos, da existência de DCTF; afirmações em sentido oposto entre o acórdão embargado e despacho decisório, anterior. Os embargos foram analisados pelo então Presidente da 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 01/08/2007, no despacho de efls. 838 e 839, que não vislumbrou as contradições alegadas e o rejeitou liminarmente. Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 13855.000333/9806 Acórdão n.º 9303007.472 CSRFT3 Fl. 1.065 5 Primeiro Recurso Especial da Fazenda Nacional Intimada, em 27/11/2007 (efl. 840) a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, às efls. 841 a 849, requerendo a manutenção do lançamento. A Fazenda Nacional pede a reforma da decisão em recurso voluntário, com base em divergência quanto a quatro matérias, porém o Presidente da Câmara, no despacho em Exame de Admissibilidade do recurso especial, às efls. 892 a 894, em 27/04/2009, deu seguimento ao recurso em relação às duas das matérias aventadas: possibilidade de lançamento de valores anteriormente declarados pelo contribuinte em DIRPJ e não DCTF, pois apenas esta consiste em confissão de dívida; e compensação como matéria de defesa. Contrarrazões da contribuinte Cientificada do acórdão recorrido, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho de admissibilidade de efls. 892 a 894, em 06/08/2009 (efl. 897), a contribuinte veio a apresentar contrarrazões, às efls. 898 a 909, em 20/08/2009, requerendo o não conhecimento e, subsidiariamente, o desprovimento do recurso. Decisão da CSRF Esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em 26/10/2010, no acórdão de nº 930301.197, às efls. 922 a 930, acordou pelo conhecimento do recurso especial de divergência da Fazenda, e deulhe provimento par afastar a nulidade do auto de infração declarado na decisão então recorrida, determinando o retorno dos autos ao colegiado a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário. Nova decisão de segunda instância Em vista da necessidade de novo julgamento, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resolveu converter o julgamento em diligência, de acordo com o disposto na Resolução nº 3403000.380, às efls. 933 a 940 (também reproduzida às efls. 994 a 1001), exarada em 26/09/2012. Tal diligência visava a que: 1) sejam anexados ao eprocesso os arquivos PDF com a imagem do processo de compensação n 2 13855.001197/9916, a fim de que este Colegiado tenha acesso ao seu conteúdo integral. Este colegiado precisa conhecer a integra desse processo, para saber o que o contribuinte pretendeu compensar e sobre o alcance do despacho decisório; 2) sejam anexadas aos autos as cópias das DCTF onde foram declarados os débitos que originaram a intimação 13855/FCA 247194, de 17/10/94 (fls. 98/101). Na hipótese de inexistência das DCTF ou dos débitos não terem sido declarados, solicitase A autoridade administrativa que informe a origem dos valores consignados na referida intimação; 3) seja o contribuinte intimado a comprovar o reconhecimento contábil da compensação de FINSOCIAL com a COFINS, que Fl. 1067DF CARF MF 6 teria sido efetuada nos meses de 06/93 a 10/93, com base na decisão judicial transitada em julgado no mandado de segurança n2 93.03056027. A comprovação deverá ser feita por meio da apresentação de cópias dos livros diário e razão com os lançamentos contábeis referentes à compensação referida. As cópias dos livros deverão vir acompanhadas dos respectivos termos de abertura e de encerramento, de uma cópia do plano de contas vigente A época e de uma explicação escrita do contribuinte sobre como foi feita a contabilização, ou seja, o nome das contas debitadas e creditadas, as datas dos lançamentos e as páginas do livro em que podem ser verificados. Todas as cópias deverão ser legíveis; 4) seja o contribuinte intimado a apresentar certidão de objeto epé relativa A. ação cautelar n2 95.03004756, que indique a situação do valor depositado (se ainda está depositado, se foi levantado, ou se foi convertido em renda); 5) seja o contribuinte intimado a apresentar certidão de objeto epé relativa A. ação ordinária n2 95.03010179, que, segundo a impugnação, teria sido ajuizada para desconstituir a exigência contida na intimação 13855/FCA247/94, de 17/10/94, da antiga Agencia da Receita Federal em FrancaSP. Atendida a diligência pela DRF de origem, conforme informação à efl. 993, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara tornou a apreciar o recurso voluntário à luz dessas informações, resultando no acórdão de nº 3403002.961, da sessão de 27/05/2014, às efls. 1002 a 1012. O acórdão teve as seguintes ementas: RECURSOS. DESISTÊNCIA TÁCITA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, importa a desistência tácita do recurso em relação à parcela do débito extinta. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL. Comprovada a existência de depósito judicial anterior à lavratura do auto de infração, excluise do lançamento os juros de mora e a multa de ofício até o montante garantido pelos depósitos. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL COM COFINS. CONVALIDAÇÃO. A convalidação das compensações entre o FINSOCIAL e a COFINS por meio da IN 32/97 só alcança as compensações comprovadamente efetuadas no âmbito do lançamento por homologação. Não tendo o contribuinte apresentado os livros demonstrando o reconhecimento contábil da compensação, não há o que convalidar. O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação à parcela do débito Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 13855.000333/9806 Acórdão n.º 9303007.472 CSRFT3 Fl. 1.066 7 extinta por compensação e, na parte conhecida, em dar provimento parcial para excluir os consectários do lançamento de ofício em relação ao crédito tributário coberto por depósitos judiciais. Segundo recurso especial da Fazenda Cientificada do acórdão nº 3403002.961 em 12/08/2014 (efl. 1014), a Procuradoria da Fazenda Nacional, em 12/09/2014, interpôs novo recurso especial de divergência às efls. 1015 a 1022. O Procurador indica a existência de divergência no tocante à exigência de multa e juros de mora para valores depositados em juízo. Indica como paradigmas, os acórdãos nº 20312.362 e nº 0105.148, que demonstram o entendimento de que, em caso de depósito judicial não integral, é cabível a incidência de multa e juros de mora sobre a totalidade do valor lançado, eis que não há suspensão da exigibilidade do crédito, o que contraria o recorrido, o qual excluiu a incidência de multa e juros de mora sobre a parcela do crédito tributário depositado em juízo, não obstante seja incontroversa nos autos a insuficiência desse depósito para a garantia da integralidade dos créditos tributário exigidos. O Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da Fazenda em 04/04/2015, no despacho de efls. 1024 a 1027, dando seguimento ao recurso. Contrarrazões da contribuinte Cientificada do acórdão nº 3403002.961, do recurso especial da Fazenda Nacional, de efls. 1015 a 1022, e do despacho de sua admissibilidade em 06/10/2015 (efl. 1034), o sujeito passivo apresentou contrarrazões, às efls. 1036 a 1048, em 21/10/2015. Argumenta que o recurso especial do Procurador não deva ser conhecido, pois os paradigmas tratam de situação fática distinta daquela que deu origem ao recorrido. O paradigma de nº 20312.362 tratava de depósito em processo de mandado de segurança cuja liminar fora cassada e com mérito julgado improcedente. Já o paradigma de nº 0105.148 tratava de depósito judicial em valor insuficiente para quitar o débito objeto do litígio judicial. No presente processo, estarseia tratando de depósitos integrais, inclusive com adição de juros e multa exigidos na intimação fiscal que motivou o ingresso em juízo, com valores apurados e constituídos pelo próprio Fisco. Caso haja o conhecimento do recurso especial, argumenta que somente parte do valor lançado não se encontraria com exigência suspensa, em face do depósito vinculado à ação judicial, devendo ser cobrado apenas o valor que a ele exceda. Conclui solicitando que não seja conhecido do recurso especial de divergência da Fazenda e, caso contrário, que seja desprovido. É o relatório. Voto Fl. 1069DF CARF MF 8 Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Conhecimento O recurso especial de divergência da Fazenda é tempestivo. A contribuinte em contrarrazões, afirma que inexistia similaridade fática entre os paradigmas e o acórdão a quo. No processo em litígio, existiu depósito integral de valores exigidos pelo fisco no processo judicial 92.03045791 da 2ª Vara Federal em Ribeirão Preto, convertido em renda em 03/11/1994. A verificação das bases de cálculo das declarações do IRPJ que levaram aos depósitos pelo Fisco concluiu pela insuficiência daquele depósito, com intimação ao contribuinte para recolhimento das diferenças em 17/10/1994. A contribuinte ingressou com nova Medida Cautelar, no processo nº 95.030045756, na mesma Vara Federal, efetuando novo depósito, visando a atender tal exigência. Após verificação dos livros contábeis da contribuinte, a fiscalização concluiu que o depósito complementar realizado era ainda insuficiente, levando à lavratura do auto de infração cientificado à contribuinte em 30/06/1998, no qual foram imputados os valores dos depósitos convertidos em renda para União apenas, mas não o último depósito, vinculado ao processo nº 95.030045756. Assim, concluise que houve lançamento de valores pela ausência do depósito integral das contribuições, tendo por base os valores obtidos a partir dos livros contábeis da contribuinte. A querelante contesta a admissão do recurso especial de divergência do Procurador afirmando que os paradigmas não teriam situação fática similar à do acórdão recorrido seja pela cassação da liminar (acórdão nº 20312.362 ) seja pela ausência de depósito integral (acórdão nº 0105.148 ). Compulsando os paradigmas, observase que em nenhum dos dois houve o depósito no montante integral dos débitos para com o fisco: a) no acórdão nº 20312.362, foi transcrita como razão de decidir em seu voto condutor trecho da decisão de piso da DRJ que informava: Pois bem, conforme informado pelo auditor fiscal, a Impugnante efetuou depósitos judiciais relativos aos valores devidos (...). E tais depósitos, realizados após o vencimento, foram efetuados sem a inclusão da correspondente multa de mora, (...). Portanto, tais depósitos não correspondem ao montante integral exigido pela lei. b) no acórdão nº 0105.148, se encontra as seguintes informações: A questão a ser solucionada cingese a exigência de multa de oficio e juros de mora em auto de infração na hipótese de o sujeito passivo ter efetuado depósito judicial em valor insuficiente pata quitar o débito objeto da discussão judicial. O. O auto de infração considerou a existência de diferenças entre os depósitos e os valores efetivamente devidos, não cobrindo integralmente os débitos em discussão judicial, e o acórdão recorrido decidiu expressamente sobre a desistência tácita quanto ao litígio sobre essa matéria em face do pedido de compensação admitido no processo nº 13855.001197/9916. Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 13855.000333/9806 Acórdão n.º 9303007.472 CSRFT3 Fl. 1.067 9 Inexistindo depósito integral no caso em apreço, há similitude entre as situações fáticas dos paradigmas e do acórdão a quo e por isso voto por conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda. Mérito Na análise do mérito, há que se delimitar a matéria em litígio: pleito pela manutenção do lançamento da multa de ofício e dos juros de mora, afastados pelo acórdão vergastado apenas em relação à parcela do crédito tributário coberta pelos depósitos judiciais. Nesse sentido, afirmou também o relator do acórdão recorrido: A extinção dos débitos de fl. 26 por compensação fez com que restasse em discussão apenas o débito depositado em juízo, que já havia sido exigido por meio da intimação 13855/FCA247/ 94. Os débitos de fl. 26, são agora da efl.28, e representam a apuração que considera a existência do depósito realizado após a intimação acima referida. Admitida a existência dos depósitos previamente à autuação fiscal, me parece irreprochável posicionamento do relator do acórdão a quo, mormente quando afirma: No que concerne à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, verificase que o contribuinte está com a razão. A certidão de objeto e pé de fl. 2824, referente à medida cautelar de depósito nº 95.03004756 revela que o crédito tributário estava com sua exigibilidade suspensa antes da lavratura do auto de infração. A medida cautelar foi proposta em 18/01/1995 e o depósito de fl. 20 [efl. 22] foi efetuado em 19/01/1995, enquanto que o auto de infração foi notificado ao contribuinte três anos depois, em 30/06/1998. Portanto, tratandose de depósito integral que ainda permanece à disposição do juízo, conforme atesta a certidão de fl. 2824, deve ser excluída a exigência dos juros de mora e da multa de ofício sobre os valores depositados e mantida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até que sobrevenha a conversão em renda da União, pois segundo o teor da certidão de objeto e pé relativa à ação ordinária 95.03010179 (fls 2825/2826), houve sucumbência da recorrente. Dessarte, entendo que se deva manter a decisão recorrida também nessa matéria. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para negarlhe provimento, mantendo a decisão a quo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1071DF CARF MF 10 Fl. 1072DF CARF MF
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