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Numero do processo: 10950.723497/2013-85
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2010
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. VALIDADE.
A constatação do exercício de atividade impeditiva à opção do Simples Nacional implica a exclusão do contribuinte deste sistema de tributação simplificado.
Numero da decisão: 1002-000.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. VALIDADE. A constatação do exercício de atividade impeditiva à opção do Simples Nacional implica a exclusão do contribuinte deste sistema de tributação simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 34 97 /2 01 3- 85 Fl. 559DF CARF MF 2 Relatório Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao julgamento da Manifestação de Inconformidade, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/POA: O contribuinte acima identificado foi excluído do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, em vista do exercício de atividade econômica vedada prevista no inciso XIII do artigo 17 da Lei Complementar nº 123/2006. De acordo com o Ato Declaratório Executivo nº 26, de 11/06/2013, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em MaringáPR, a exclusão surte efeitos a partir de 09 de fevereiro de 2009. A Representação Fiscal que originou o procedimento de exclusão (fls. 02/06) informa que a empresa exercia de fato, além dos serviços contábeis, atividades de consultoria empresarial, planejamento tributário e fiscal, auditoria contábil e controladoria, classificadas no Cadastro Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, nas Subclasses 2.0 e 2.1 sob código 6920 6/02, desde o início de suas atividades, concluindo que a atividade de consultoria impede a pessoa jurídica de recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional. Cientificado do Ato Declaratório Executivo (ADE) em 26/06/2013, comprovante de fls. 402, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva (fls. 406/420), alegando em síntese: a) Da não vedação de escritório de serviços contábeis ingressar no Simples Nacional – afirma que desenvolve desde a sua constituição, serviços eminentemente contábeis, embora constasse na cláusula 2ª do seu contrato social até a 5ª Alteração Contratual, que atuaria no ramo de 'serviços contábeis, consultoria empresarial, planejamento tributário, fiscal, auditoria contábil, perícia contábil e serviços de controladoria'. Que nunca exerceu a atividade de consultoria empresarial e, apenas para regularizar uma situação de fato, promoveu em 09/07/2012 a sexta alteração do seu contrato social, consignando expressamente que 'A sociedade tem por objeto o ramo de serviços contábeis'. Registra que a realização esporádica da atividade de consultoria, se ocorrida, é inerente da atividade de serviços contábeis, a qual é admitida no regime do Simples Nacional. Reproduz partes da Lei Complementar nº 123/2006, art. 17, enfatizando o inciso XIII e o § 1º e art. 18, § 5ºB, inciso XIV e § 22B e da Resolução CGSN nº 94/2011, art. 15, inciso XXIII, § 2º, inciso VIII e art. 6º, § 8º. Expõe seu entendimento no sentido de que a vedação à atividade de consultoria, para enquadramento no Simples Nacional, não alcança os escritórios de serviços contábeis, que devem ser tributados na forma do Anexo III da Lei Complementar. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10950.723497/201385 Acórdão n.º 1002000.262 S1C0T2 Fl. 3 3 Afirma que a legislação é clara ao determinar que escritórios de serviços contábeis possuem permissão legal para recolher seus tributos na forma do Simples Nacional e que não há uma descrição pormenorizada, nas normas referentes ao Simples, de quais atividades estão englobadas nesses serviços contábeis, mas que é óbvio que a prestação de consultoria é inerente à atividade desenvolvida por contadores ou escritório de serviços contábeis. Tal orientação pode ser encontrada no conjunto de leis e normas expedidas pelo Conselho Federal do Contabilidade, dos quais cita o DecretoLei nº 9.295/1946, Capítulo IV – Atribuições Profissionais, art. 25 e a Resolução CFC nº 580/1983 que dispõe sobre as prerrogativas tratadas no artigo 25, enfatizando o capítulo I – Das Atribuições Privativas dos Contabilistas, em que o art. 2º diz que o contabilista poderá exercer, dentre outras, função de consultor. Conclui que a realização de serviços de consultoria não desvirtua a atividade de serviços contábeis prestados pela manifestante, na medida em que aquela é inerente desta. Faz digressões sobre o significado da palavra consultar, entendendo que prestar consultoria significa dar parecer, opinião, instrução, orientação sobre determinado assunto, que no seu caso, trata sobre matérias fiscais, contábeis e tributárias. Assevera que a própria legislação que disciplina o Simples Nacional (art. 18, § 22B, inc. III, da LC nº 123/2006 e art. 6º, § 8º, inc. III da Resolução nº 94/2011) determina que os escritórios de serviços contábeis deverão 'promover eventos de orientação fiscal, contábil e tributária para as ME e EPP...' o que corrobora seu entendimento de que dentre as atividades de serviços contábeis está intrínseca a prestação de consultoria fiscal, contábil e tributária. Ressalta que o CNAE 6920601 – Atividades de contabilidade, constante do seu comprovante de Inscrição e de situação cadastral no CNPJ, não está dentre os CNAEs impeditivos de optar pelo Simples Nacional, relacionados no Anexo I da Res. CGSN 06/2007. Também, para comprovar que apenas desenvolvia serviços contábeis, junta GFIPs de algumas competências no intuito de demonstrar que a maioria de seus colaboradores eram contadores, classificados na código CBO 2522, ou vinculados à atividade de contabilidade, CBO 4131, não tendo entre seus funcionários ninguém classificado no código CBO 3511, referente a Consultor. Afirma que o Fisco tenta desvirtuar a natureza da atividade de consultoria, como se fosse algo independente da atividade de contabilidade, o que não é correto e que a decisão que determinou sua exclusão do Simples Nacional toma a exceção, que era a eventual realização de atividades de consultoria, como regra e inverte sua verdadeira e preponderante atividade que é e sempre foi de Serviços Contábeis. Requer o provimento da manifestação de inconformidade para o fim de anular o Ato Declaratório Executivo nº 26, de 11/06/2013, seja porque não realizou serviços de consultoria e, se os realizou, foi na qualidade de serviços inerentes à própria Fl. 561DF CARF MF 4 atividade de escritório de contabilidade. Sucessivamente, caso mantida a exclusão, requer que surta efeitos apenas no período de 09/02/2009 a 09/07/2012, pois a partir desta data inequivocamente desempenha apenas serviços contábeis. b) Da impossibilidade de exclusão de ofício do Simples Nacional pela prestação de serviços de consultoria – alega que o ADE de exclusão mencionou dispositivos legais que não constituem causa de exclusão de ofício do Simples Nacional pois a suposta prestação de serviços de consultoria é causa impeditiva apenas para o ingresso naquele regime de arrecadação, mas não para exclusão. Que já se encontrava incluída no referido regime diferenciado de tributação e em nenhum inciso do art. 29 da Lei Complementar está previsto que a realização de prestação de serviços de consultoria durante a permanência no regime especial é causa de exclusão do mesmo, o que torna ilegal o ADE. Requer seja declarado nulo o ato de exclusão, face inexistir correspondência entre o motivo de fato e os motivos previstos na Lei como causas de exclusão de ofício. c) Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado no auto de infração nº 10950.723496/201331 – por conta de sua exclusão do Simples Nacional, a RFB apurou supostos valores de contribuições previdenciárias recolhidos a menor e constituiu o crédito tributário. Como o auto de infração possui uma relação de interdependência e prejudicialidade com este processo de exclusão do Simples Nacional, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário apurado, em obediência ao art. 151, inc. III, do CTN, art. 33 do Dec. nº 70.235/1972 e do art. 265, inc. IV, 'a', do CPC, aplicado subsidiariamente. Por fim, requer a nulidade do ADE nº 26, de 11/06/2013, e sua permanência no Simples Nacional. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade contra a sua exclusão do Simples, a qual foi indeferida pela DRJ/POA, conforme acórdão n. 1049.067, de 27 de fevereiro de 2014 (efl. 531), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 09/02/2009 EXCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADE VEDADA. Não poderá optar pelo Simples Nacional a pessoa jurídica que presta serviços de consultoria. A opção pela sistemática do Simples Nacional é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior, prevendo a legislação a exclusão retroativa, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário defendendo a reforma do Acórdão de Impugnação, mediante os argumentos a seguir sintetizados (grifos do original). Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10950.723497/201385 Acórdão n.º 1002000.262 S1C0T2 Fl. 4 5 Sobre a temática da inexistência de vedação aos escritórios de serviços contábeis ingressarem no Simples Nacional, afirma que "desde sua constituição, sempre desenvolveu e ainda desenvolve serviços eminentemente contábeis, nada obstante constasse na cláusula 2a do seu contrato social até a 5a Alteração Contratual que atuaria no ramo de 'serviços contábeis, consultoria empresarial, planejamento tributário, fiscal, auditoria contábil, perícia contábil e serviços de controladoria'." Aduz que "a realização esporádica da atividade de consultoria, se ocorrida, é inerente da atividade de serviços contábeis a qual, por sua vez, é expressamente admitida no regime do Simples Nacional." Entende que "tanto a Lei Complementar quanto a Resolução CGSN são claras ao dispor que a vedação à atividade de consultoria para enquadramento no Simples Nacional não alcança os escritórios de serviços contábeis, sendo que estes inclusive devem ser tributados na forma do Anexo III da Lei Complementar (art. 18, § 5°B, XIV)." Registra que "a própria legislação que disciplina o Simples Nacional, notadamente o art. 18, § 22B, inc. III, da LC n. 123/2006 e art. 6o, § 8o, inc. III, da Resolução n. 94/2011, determina que os escritórios de serviços contábeis deverão 'promover eventos de orientação fiscal, contábil e tributária para as ME e EPP...'. O próprio texto da legislação que rege o Simples Nacional corrobora o entendimento de que dentre as atividades de serviços contábeis está intrínseco a prestação de orientação, leiase, consultoria fiscal/contábil e tributária." Pontua que "a decisão que determinou a exclusão da recorrente do Simples Nacional toma a exceção, que era a eventual realização de atividades de consultoria, como regra, e inverte a verdadeira e preponderante atividade da recorrente que é, e sempre foi, a prestação de SERVIÇOS CONTÁBEIS." Sobre a temática da exclusão do Simples Nacional pela prestação de serviços de consultoria, afirma que "os dispositivos mencionados no ato administrativo de exclusão não constituem causa de exclusão de ofício do referido regime de arrecadação, como pretendido pela autoridade administrativa, pois, conforme pode ser verificado, a suposta prestação de serviço de consultoria é causa impeditiva apenas para o INGRESSO no Simples Nacional, mas não para a exclusão do contribuinte que já está no regime especial de arrecadação." Aduz que "As hipóteses de exclusão de ofício do regime estão previstos no art. 29 da Lei Complementar n° 123/2006..." e que "Da leitura do art. 29 da Lei Complementar notase que em nenhum inciso está previsto que a realização de prestação de serviço de consultoria durante a permanência no regime especial é causa de exclusão do mesmo" e que, por isso, "... o Ato de Exclusão em análise é flagrantemente ilegal, porquanto sua suposta fundamentação legal está baseada em uma interpretação equivocada pela autoridade administrativa dp art. 17, inc:XIII, que não é capaz de dar legalidade ao ato praticado". Ao final "requer seja o presente recurso voluntário conhecido e provido, reformandose o Acórdão n° 1049.067 no sentido de declarar nulo o Ato Declaratório Executório n. 26, de 11 de junho de 2013, e que, por consequência, seja determinada a sua re inclusão no regime do Simples Nacional com a produção de seus efeitos desde seu enquadramento em 09 de fevereiro de 2009." Fl. 563DF CARF MF 6 É o Relato do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De acordo com o ADE/DRFMGÁ nº 26 (efls. 396), o Recorrente foi excluído do Simples a partir de 09/02/2009, pelo exercício de atividades vedadas ao ingresso neste sistema de tributação simplificado. Para melhor entendimento da matéria, reproduzo a base normativa em que se enquadra a exclusão do contribuinte do Simples relativa à controvérsia em debate (grifos nossos): Lei Complementar n° 123/2006 Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: I (...) (...) XIII que realize atividade de consultoria; Resolução CGSN nº 94/2011 Art. 76. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: III a partir da data dos efeitos da opção pelo Simples Nacional, nas hipóteses em que: a) for constatado que, quando do ingresso no Simples Nacional, a ME ou EPP incorria em alguma das hipóteses de vedação previstas no art. 15; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 2º, inciso I e § 6º; art. 16, caput) b) for constatada declaração inverídica prestada nas hipóteses do § 4º do art. 6º e do inciso II do § 3º do art. 8º; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 2º, inciso I e § 6º; art. 16, caput) Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, caput) Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10950.723497/201385 Acórdão n.º 1002000.262 S1C0T2 Fl. 5 7 I (...) (...) XXIII que realize atividade de consultoria; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso XIII) O Recorrente foi excluído do Simples Nacional pelo exercício de atividade de consultoria, a qual, como indicado na legislação de regência, não permite o recolhimento de tributos nesse sistema de tributação simplificado. O Recorrente contesta a exclusão, sustentando que inexiste vedação aos escritórios de serviços contábeis para ingresso no Simples Nacional e que realizou a atividade de consultoria apenas em caráter esporádico. Aduz que tal atividade é inerente à prestação de serviços contábeis e que, por isso, não haveria óbice ao ingresso naquele sistema de tributação simplificado. Não assiste razão ao Recorrente. Os documentos acostados aos autos contradizem a afirmação de que o Recorrente nunca desenvolveu a atividade de consultoria empresarial ou que a exerceu em caráter esporádico. Compulsandose os autos, verificase que exercício da atividade de consultoria encontrase fartamente demonstrado no período de 11/2009 a 03/2013. Vejase abaixo excerto do Acórdão de Impugnação com descrição do fato e indicação dos elementos de prova (grifos do original): Dos elementos dos autos, em especial o contrato social e alterações, verificase que o interessado desde a sua constituição (Registrada em 09/02/2009) e até enquanto vigente a 5ª Alteração Contratual (08/07/2012), atuaria no ramo de 'serviços contábeis, consultoria empresarial, planejamento tributário, fiscal, auditoria contábil, perícia contábil e serviços de controladoria'. A partir da 6ª Alteração Contratual, datada de 09/07/2012 e Registrada no Registro de Títulos e Documentos de MaringáPR em 13/07/2012, passou seu objetivo para 'Serviços Contábeis'. A fiscalização anexou aos autos, às fls. 153/318, cópias de Notas fiscais de prestação de serviços emitidas no período de 11/2009 a 03/2013, constando em todo este período NFs em que a discriminação dos serviços é de 'serviços de consultoria empresarial' ou 'honorários consultoria'. Vislumbra se, portanto, que diversamente do afirmado pelo interessado, mesmo após a alteração de seu objeto social, a empresa continuou a prestar serviços de consultoria. Também, diversamente do afirmado pelo manifestante, as folhas de pagamento que compõe as fls. 357/389 dos autos, comprovam que desde o ano de 2009 a empresa possuía em seu quadro de empregados, trabalhadores contratados nas funções de consultor Fl. 565DF CARF MF 8 de recursos humanos, consultor de controladoria, consultor tributário, consultor de projetos, consultor de gestão de pessoas, consultor de PPCP, consultor financeiro, consultor de custos, consultor comercial, consultor trabalhista, dentre outras. Não há reparos a fazer no excerto do Acórdão de Impugnação exarado pela instância de origem, pelo que peço vênia para adotar seus fundamentos como razões de decidir, fundado no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e no §3º do art. 57, do RICARF. O fato de o Recorrente sustentar que não haveria óbice ao ingresso no Simples Nacional porque a atividade de consultoria foi exercida em caráter esporádico não tem amparo legal, eis que o inciso III do artigo 17 da lei complementar 123/2006 é taxativo ao estabelecer que a prática de consultoria impede o ingresso no Simples Nacional, em nenhum momento excepcionando o seu exercício em caráter secundário ou como atividade não preponderante. Outro ponto apregoado pelo Recorrente em sua defesa é que a prestação de serviço de consultoria é causa impeditiva apenas para o ingresso no Simples Nacional, mas não para a exclusão deste sistema. Também não procede esse argumento do Recorrente. Como se observou acima, a exclusão do contribuinte do Simples Nacional não foi fundada no artigo 29 da lei complementar 123/2006, mas no artigo 17, Inciso XIII, da mesma lei, que veda o ingresso no Simples Nacional de contribuinte que tenha exercido a atividade de consultoria. É de clareza hialina que a previsão legal que veda o recolhimento de tributos no Simples Nacional na hipótese aventada tem como consequência lógica a exclusão do contribuinte desse sistema de tributação simplificado, seja por motivo de enquadramento indevido, seja pela constatação posterior do exercício de atividade vedada ou impeditiva, sendo desprovida de sentido qualquer interpretação em sentido contrário. A interpretação defendida pelo Recorrente equivaleria a dizer que os contribuintes que indevidamente ingressaram no Simples Nacional, ou que posteriormente passaram a exercer atividade impeditiva ou vedada pelo artigo 17 da lei complementar 123/2006, não poderiam jamais ser excluídos desse sistema de tributação simplificado por ausência de previsão da situação excludente no artigo 29 dessa mesma lei, mantendo sua situação jurídica irregular "eternizada", em detrimento dos contribuintes de boafé que observaram as regras prescritas naquele dispositivo legal. O raciocinio é, portanto, sofismático e constitui afronta ao princípio segundo o qual "a ninguém é dado beneficiarse de sua própria torpeza", sendo despiciendas maiores digressões com vistas à desconstruílo. Assim, uma vez comprovado nos autos o exercício de atividade de consultoria pelo contribuinte e considerando que o inciso XIII do artigo 17 da lei complementar 123/2006 veda o recolhimento de tributos na forma do Simples Nacional àqueles que desempenham essa atividade, concluise que a exclusão deste sistema de tributação simplificado foi efetuada em consonância com a legislação em vigor à época dos fatos. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10950.723497/201385 Acórdão n.º 1002000.262 S1C0T2 Fl. 6 9 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 567DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.002072/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - Em se verificando a existência de omissão na decisão colegiada, há de ser acolhido os embargos opostos.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - PAGAMENTO E/OU PARCELAMENTO - RENÚNCIA AO RECURSO ADMINISTRATIVO - Nos termos do artigo 78, § 2º da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, o parcelamento ou pagamento do débito pelo recorrente implica na desistência do Recurso Administrativo.
Embargos de Ofício Conhecido
Numero da decisão: 2301-005.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301-003.084, de 20/09/2012, não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior - Presidente.
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - Em se verificando a existência de omissão na decisão colegiada, há de ser acolhido os embargos opostos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - PAGAMENTO E/OU PARCELAMENTO - RENÚNCIA AO RECURSO ADMINISTRATIVO - Nos termos do artigo 78, § 2º da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, o parcelamento ou pagamento do débito pelo recorrente implica na desistência do Recurso Administrativo. Embargos de Ofício Conhecido
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PAGAMENTO E/OU PARCELAMENTO RENÚNCIA AO RECURSO ADMINISTRATIVO Nos termos do artigo 78, § 2º da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, o parcelamento ou pagamento do débito pelo recorrente implica na desistência do Recurso Administrativo. Embargos de Ofício Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301003.084, de 20/09/2012, não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Andréa Brose Adolfo, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 20 72 /2 00 8- 50 Fl. 182DF CARF MF 2 Relatório Tratase de auto de infração referente a contribuições devidas a Seguridades Social, declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social (GFIP), a cargo da empresa e contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos, em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). Após a decisão de primeira instância, a autuada apresentou recurso que foi julgado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção a qual exarou o Acórdão n.º 2301 003.084 (efls 133 a 137), em 20/09/2012, dando provimento parcial ao recurso para que fosse aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. FATOS GERADORES INFORMADOS EM GFIP. NÃO RECOLHIMENTO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Foram atendidos os pressupostos legais que regem o lançamento e o contribuinte não demonstrou ter havido equívocos na autuação fiscal. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Posteriormente fora interposto Recurso Especial de Divergência pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sete Lagoas/MG opôs embargos de declaração, informando que o crédito tributário foi incluído no parcelamento da Lei n.º 11.841/09 na data de 31/07/2011, ou seja, anterior a data da prolatação do Acórdão. O Ilustre presidente desta 1ª Turma Ordinária não admitiu os embargos em virtude da ilegitimidade verificada, porém, com fulcro no Regimento Interno do CARF, art. 66, apresentou Embargo de Ofício face a existência de inexatidão material devida a lapso manifesto. É o relatório. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13609.002072/200850 Acórdão n.º 2301005.293 S2C3T1 Fl. 183 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Em virtude de o Ilustre relator do Acórdão guerreado não mais pertencer aos quadros deste conselho, o processo foi a mim distribuído para análise e decisão acerca dos Embargos opostos. Presentes os pressupostos de admissibilidade dos Embargos, dele conheço. Após a prolação do Acórdão 2301003.084 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, Segunda Seção de Julgamento deste conselho em 20/09/2012, veio a informação de que o crédito tributário ora discutido havia sido incluído em parcelamento na data de 31/07/2011,. Ou seja, antes do julgamento do presente processo administrativo a recorrente optou por aderir ao parcelamento da Lei n.º 11.841/09, sem que este fato tivesse sido informado nestes autos. Logo, quando do julgamento do recurso a recorrente já havia desistido deste por força do contido no art. 78, § 2º da Portaria MF 256/2009 que assim dispõe: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (grifouse) § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse.” Desta forma, o recurso não deveria ter sido conhecido, encontrandose dentro do prevê o art. 66 do Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Fl. 184DF CARF MF 4 Embora não tenha acolhido os Embargos Opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sete Lagoas/MG, corretamente o Ilustre presidente desta colenda turam opôs Embargos de Ofício, amparado no art. 65, § 1º do Ricarf: Os legitimados para opor embargos estão listados no §1º do art. 65: Art. 65. (...)§1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Ante ao exposto, VOTO no sentido de Conhecer do Embargos COM EFEITOS INFRINGENTES sanando os vício para Não Conhecer do Recurso Voluntário Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000531/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF.
1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo.
2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. GFIP. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADA. EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
1. Muito embora, nas obrigações acessórias, não haja pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide Acórdão nº 2401-005.405, julgado em 03/04/2018), e não o art. 150 § 4º, fato é que, como se reconheceu a decadência de parte das obrigações principais no PAF conexo, haverá repercussão neste lançamento.
2. Isso porque a multa lançada neste Auto de Infração é de 100% da contribuição não declarada, ainda que observado o limite mensal máximo previsto no inc. II do art. 284 do RGPS.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Constitui-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social- GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas.
Numero da decisão: 2401-005.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial para excluir do cálculo da multa as competências até 09/02.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. GFIP. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADA. EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. 1. Muito embora, nas obrigações acessórias, não haja pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide Acórdão nº 2401-005.405, julgado em 03/04/2018), e não o art. 150 § 4º, fato é que, como se reconheceu a decadência de parte das obrigações principais no PAF conexo, haverá repercussão neste lançamento. 2. Isso porque a multa lançada neste Auto de Infração é de 100% da contribuição não declarada, ainda que observado o limite mensal máximo previsto no inc. II do art. 284 do RGPS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social- GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. GFIP. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADA. EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. 1. Muito embora, nas obrigações acessórias, não haja pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide Acórdão nº 2401005.405, julgado em 03/04/2018), e não o art. 150 § 4º, fato é que, como se reconheceu a decadência de parte das obrigações principais no PAF conexo, haverá repercussão neste lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 05 31 /2 00 7- 13 Fl. 3132DF CARF MF 2 2. Isso porque a multa lançada neste Auto de Infração é de 100% da contribuição não declarada, ainda que observado o limite mensal máximo previsto no inc. II do art. 284 do RGPS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constituise infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, negarlhe provimento. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial para excluir do cálculo da multa as competências até 09/02. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Inicialmente, destaco que encontramse apensos a estes autos os Processos nº 16095.000518/200756; 16095.000519/200709 e 16095.000520/200725. Trata o presente de Auto de Infração (DEBCAD 37.125.4574 fl. 2), lavrado em decorrência de a Autuada apresentar o documento a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/91, artigo 32, inciso IV e paragrafo 3º, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, com dados nao correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciarias, conforme previsto na Lei nº 8.212, de 24/07/91, artigo 32, inciso IV e paragrafo 5º, que apurou o crédito tributário no montante de R$ 694.618,94 (seiscentos e noventa e quatro mil e Fl. 3133DF CARF MF Processo nº 16095.000531/200713 Acórdão n.º 2401005.584 S2C4T1 Fl. 3 3 seiscentos e dezoito reais e noventa e quatro centavos), referente ao período de 01/2009 a 12/2002. Consta do Relatório Fiscal (fls. 12/14) o que segue: “[...] 1. No curso da ação fiscal foi constatado que os dados constantes nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, apresentadas pela empresa acima não são os correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições a que está sujeita, razão pela qual foi lavrado o presente auto de infração, em conformidade com a legislação aplicável, detalhadamente descrita no Auto de Infração de fls. 01, a que se refere o presente relatório. 2. A multa, cominada em R$ 694.618,94, corresponde a 100% do valor da contribuição não declarada, limitada conforme a tabela do Art.32, inc. IV, § 4º da Lei 8212/91, que neste caso, em função do número de segurados a seu serviço (entre 501 e 1000), corresponde ao valor mínimo de R$1.195,13 multiplicado por 20 vezes, limitandose, portanto, ao teto de R$26.902,60 por competência. 3. Em anexo, seguem os respectivos ‘Demonstrativos Analíticos de Debito’ onde constam os salários de contribuição, exceto o devido a Terceiros, de cada levantamento não declarado em GFIP, cujos valores foram consolidados no Demonstrativo da Multa Aplicada, também juntado ao presente. 4. O valor variável da multa sofreu índices de reajustamento através da Portaria MPS/GM n. 142 de 11/04/2007, em conformidade com artigo 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99. [...]” Devidamente cientificada do lançamento em 26/10/2007 (fl. 2), a Interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 86/96), alegando, em síntese: (i) Preliminar. Requer o prazo de 120 (cento e vinte) dias, para juntar as provas de que os erros ocorridos com as GFIPS, foram todos corrigidos e retificados tais documentos, de forma a demonstrar que efetivamente os valores apurados pela fiscalização, não são devidos e decorrem única e exclusivamente de erros do sistema, principalmente do sistema disponibilizado pelo INSS, que no início apresentava várias incorreções como foi informado pela própria agente fiscal, situação que se repetiu em várias empresas de todo o País, inclusive na região várias empresas autuadas, a exemplo da contribuinte, foram obrigadas a contratar empresas especializadas em processamento de dados e a proceder as retificações das GFIP’s, corrigindo os erros causados pela inconsistência do sistema da Previdência Social, serviços esses que se encontram em andamento e que devido ao volume devem estar concluídos dentro de 120 dias.; Fl. 3134DF CARF MF 4 (ii) Preliminar de Decadência. Sustenta que os fatos geradores estariam decaídos, pois ocorreram entre janeiro de 1999 a dezembro de 2002, não podendo a Lei n° 8.212/91 reger matéria (decadência), que deve ser regulada por Lei Complementar, obedecendo, portanto, o disposto no artigo 150, §4° do CTN. Dessa forma, o lançamento deve ser anulado, diante da decadência ocorrida no que toca aos supostos créditos previdenciários apurados pela fiscalização; (iii) No mérito, reconhece a existência de incorreções na GFIP, e mais, tais irregularidades foram geradas em virtude de deficiência apresentada pelo próprio programa colocado à disposição dos contribuintes. Assevera que a Lei nº 9.528/97 introduziu a obrigatoriedade de apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, e desde a competência janeiro de 1999, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a Lei n° 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas Leis n° 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação, ocorre que o sistema não era compatível com alguns programas de folha de pagamento utilizados por muitas empresas. Dessa forma, aduz que a falta de compatibilidade gerou uma série de problemas aos contribuintes ao transportar as informações da folha de pagamento para o programa GFIP, e, no caso da contribuinte ora autuada, apenas como exemplo, ao alimentar o sistema eram solicitadas informações de empregados afastados por doença, e não havendo o que informar, segundo orientações de técnicos no INSS, a contribuinte destacava valores correspondentes a R$ 0,01 (um centavo) em alguns campos, apenas para que o sistema gerasse as informações com sucesso, caso contrário o mesmo apontava erro e o arquivo deixava de ser gerado, este problema não só foi constatado pela contribuinte em questão, mas sim por vários outros obrigados à apresentação da GFIP, porém, naquele momento a autarquia não apresentava soluções capazes de corrigir o problema, o que demonstrava ser de conhecimento do INSS todos os problemas existentes. Assim, sustenta que não existe fundamento na alegação de que as guias apresentadas não correspondiam aos fatos geradores a que a empresa estava sujeita, tendo em vista que muitos empregados afastados por doença, e outros considerados exempregados, foram informados erroneamente na GFIP, em virtude de defeitos técnicos existentes no programa que não aceitava espaços em branco, e como as orientações foram repassadas por profissionais do INSS, a contribuinte jamais providenciou alterações nas guias de informação, visto que entendia estar correto o procedimento até então adotado. (iv) A multa aplicada é improcedente, caracterizando dupla sanção, pois a contribuinte sofreu outras Notificações, onde a fiscalização relata algumas diferenças de recolhimento, constantes das GFIP's, que entende devidas e sobre tais diferenças apuradas, já aplicou as multas devidas, do contrário estará punindo em duplicidade a contribuinte, o que não pode prevalecer e só por este motivo já se justifica o cancelamento do presente auto; (v) A comprovação do acima alegado necessita de provas, entre elas, perícias, que desde logo se requer, diligências, vistorias, bem como a juntada de novos documentos, entre este GFIP's, devidamente retificadas, o que deverá ocorrer dentro de um prazo de 120 dias. (vi) Por fim, em seus pedidos destacou que a empresa em momento algum teve o “animus" de lesar o fisco ou de se beneficiar, e requereu a anulação da multa aplicada, bem como o cancelamento do Auto de Infração em questão, tendo em vista a decadência do Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 16095.000531/200713 Acórdão n.º 2401005.584 S2C4T1 Fl. 4 5 período de lançamento dos débitos, assim como tendo em vista que as incorreções identificadas foram ocasionadas por falha do sistema GFIP colocado à disposição da contribuinte. Da análise da citada Impugnação, entendeu por bem a DRJ/SPOI (Despacho nº 86 14ª Turma – fls. 118/119) em converter o julgamento em diligência, conforme fundamentos abaixo delineados: “[...] 3. Em análise preliminar do presente processo verificase que antes do julgamento é essencial a remessa dos autos para fiscalização, uma vez que na mesma ação fiscal foram lavradas diversas NFLD's não declaradas em GFIP, sendo que algumas destas foram remetidas para a fiscalização em diligência (37.014.2080, 37.014.2195, 37.125.449 3). 4. Desta forma, tendo em vista que o presente auto de infração está, em parte, vinculado as Notificações Fiscais acima citadas (débitos não declarados em GFIP), e considerando que este auto, ora em análise, poderá sofrer reflexo do que restar apurado nas NFLD's após a diligência, sugerese a apreciação conjunta (AI e NFLD's), pela Fiscalização revendose, se necessário, o valor da multa.” Assim, em resposta, a Fiscal autuante apresntou manifestação (fl. 121), informando que não houve necessidade de retificar os termos do presente Auto de Infração, reiterando a convicção previamente formada. Após ser devidamente intimada (fl. 122), a Interessada apresentou manifestação (fls. 123/126), em síntese, reiterando os termos da sua Impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1622.826 da 14ª Turma da DRJ/SP1, às fls. 146/155, julgando parcialmente procedente a Impugnação apresentada, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Recordese: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 Ementa: DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE DO STF. Com a publicação do enunciado da Súmula Vinculante nº 8 do STF que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional. SUPERVENIÊNCIA DE PARECER E DE NOTA TÉCNICA. O Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008 aprovado pelo Sr. Ministro do Estado da Fl. 3136DF CARF MF 6 Fazenda vincula a Secretaria da Receita Federal do Brasil à tese jurídica fixada (art. 42 da Lei Complementar nº 73/1993). OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Constitui infração deixar de informar mensalmente por meio de GFIP os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do Fisco. Art. 32, IV da Lei 8.212/91. LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas exceções do art.16, §4°do Decreto n° 70.235/72. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerarseá não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos do inciso IV do art.16 do Decreto nº 70.235/72. IMPOSSIBILIDADE DE INTIMAÇÃO DIRIGIDA EXCLUSIVAMENTE AO PATRONO DA EMPRESA EM ENDEREÇO DIVERSO DO DOMICILIO FISCAL. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso de seu domicílio fiscal tendo em vista o § 4º do art. 23 do Decreto 70.235/72. Lançamento Procedente em Parte Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Devidamente intimada (fl. 159), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 160/175), sustentando, em síntese, o que segue: (i) Preliminarmente, requer seja reconhecida a decadência, sob o argumento que a Lei nº 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, restando decaído o crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 150, § 4°, do CTN. Argumenta que não se cogitando, na espécie, de dolo, fraude ou simulação, conforme se constata no Auto de Infração lavrado, o prazo decadencial para a constituição da contribuição previdenciária, nos exatos termos do parágrafo 4º do artigo 150, do Código Tributário Nacional, é de cinco anos a contar da ocorrência do respectivo fato gerador da obrigação previdenciária. Fl. 3137DF CARF MF Processo nº 16095.000531/200713 Acórdão n.º 2401005.584 S2C4T1 Fl. 5 7 (ii) No mérito, contrapõese ao presente lançamento, suscitando que não existe fundamento na alegação de que as guias apresentadas não correspondiam aos fatos geradores a que a empresa estava sujeita, tendo em vista que muitos empregados afastados por doença, e outros considerados exempregados, foram informados erroneamente na GFIP, em virtude de defeitos técnicos existentes no programa que não aceitava espaços em branco, e como as orientações foram repassadas por profissionais do INSS, a contribuinte jamais providenciou alterações nas guias de informação, visto que entendia estar correto o procedimento até então adotado. Reconhece ter havido equívoco na formalização das GFIP’s, conforme se infere das guias retificadas trazidas à colação somente nesta oportunidade em razão do alto grau de complexidade neste procedimento, impondo seja levada a efeito tal documentação. Defende inexistir intenção da Recorrente em não declarar os funcionários ou omitir qualquer informação para a Previdência Social, esta possibilidade se torna impossível quando estamos nos referindo a uma empresa com mais de 800 funcionários cadastrados. (iii) Opõese à multa aplicada, por considerála confiscatória, sendo, por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do débito em questão. (iv) Ressalta o direito da contribuinte de requerer a realização de perícia, diligência ou apresentação de documentos, ou seja, de produzir provas nos autos do processo administrativo fiscal, sendo defeso à autoridade fazendária cercearlhe aludida garantia constitucional, sob pena de nulidade do procedimento. (v) Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Em seguida, o Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte foi apreciado por esta 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a qual manifestouse através da Resolução nº 2401000.389, de 17 de julho de 2014 (fls. 3.081/3.085) e converteu o julgamento em diligência com o objetivo de sobrestar o exame meritório do presente Auto de Infração, para que a Fiscalização informe quais são as Notificações Fiscais correspondentes aos fatos geradores que deixaram de ser informados em GFIP’s, bem como os correspondentes andamentos, face o nexo de causa e efeito que os vincula. Na sequência, sobreveio a informação fiscal de fl. 3.111 da seguinte forma: Fl. 3138DF CARF MF 8 Por fim, em razão da conexão, os Processos 16095.000519/200709, que já tem como apenso o 16095.000520/200725, e o 16095.000518/200756 foram apensado a este 16095.000531/200713, para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada do acórdão em 08/10/2009 (fl. 159) e interpôs o Recurso Voluntário, tempestivamente, em 04/11/2009, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO No mérito, a Recorrente assevera que “reconhece a existência de incorreções na GFIP, e mais, tais irregularidades foram geradas em virtude de deficiência apresentada Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 16095.000531/200713 Acórdão n.º 2401005.584 S2C4T1 Fl. 6 9 pelo próprio programa colocado à disposição dos contribuintes”. Prossegue no sentido de que “A lei n° 9.528/97 introduziu a obrigatoriedade de apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, e desde a competência janeiro de 1999, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei n° 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas leis n° 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação, ocorre que o sistema não era compatível com alguns programas de folha de pagamento utilizados por muitas empresas”. Ademais, a empresa Recorrente sustenta que “que não existe fundamento na alegação de que as guias apresentadas não correspondiam aos fatos geradores a que a empresa estava sujeita, tendo em vista que muitos empregados afastados por doença, e outros considerados exempregados, foram informados erroneamente na GFIP, em virtude de defeitos técnicos existentes no programa que não aceitava espaços em branco, e como as orientações foram repassadas por profissionais do INSS, a contribuinte jamais providenciou alterações nas guias de informação, visto que entendia estar correto o procedimento até então adotado”. Em síntese, a Recorrente aduz que as diferenças apuradas pela Fiscalização não existem, pois as diferenças encontradas na Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social em relação à folha de pagamento se referem a incorreções técnicas do programa gerador da própria GFIP. Ainda assim, informa que anexou aos autos cópias das respectivas GFIp’s devidamente corrigidas. Todavia, a meu ver, as alegações de incorreções técnicas no programa gerador da GFIP não podem servir de fundamento legal para se afastar a presente autuação por descumprimento de obrigação acessória, pois não há amparo na legislação tributário previdenciária para tal. Nesse sentido, a Recorrente não ilide a lavratura da NFLD posto que, por um lado, a contribuinte não fez prova de que as diferenças lançadas estão incorretas, e, por outro lado, não efetivou o recolhimento correto correspondente a todas as contribuições sociais previdenciárias. Diante do exposto, verifico que a insurgência não merece provimento, devendo ser mantida a obrigação acessória em comento. 3.1 Da Multa Aplicada. A Recorrente assevera que, ainda que fosse devido o tributo exigido, a multa aplicada está nitidamente em desacordo com os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Narra que é o próprio texto constitucional, artigo 150, inciso IV, que limita o poder tributário ao prescrever que sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios utilizar tributo com efeito de confisco. Assim, entende que a multa aplicada é ilegal. Todavia a irresignação não merece prosperar. Fl. 3140DF CARF MF 10 A fundamentação legal para o procedimento adotado pela Fiscalização, vigente à época dos fatos, encontrase no artigo32, inciso IV, §§ 3° e 5º da Lei n° 8.212/91. Confirase: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). [...] § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).” Em análise atenta ao Auto de Infração em questão, notase claramente que este se encontra revestido dentro das formalidades legais de estilo, tendo sido lavrado dentro de acordo com a legislação vigente, não havendo que se cogitar de ilegalidade da multa aplicada. Dessa forma, mantendo inalterada a decisão recorrida quanto a esse ponto. 3.2 Da perícia/diligência. Por fim, a Recorrente ressalta o direito de requerer a realização de perícia, diligência ou apresentação de documentos, ou seja, de produzir provas nos autos do processo administrativo fiscal, sendo defeso à autoridade fazendária cercearlhe aludida garantia constitucional, sob pena de nulidade do procedimento. Em relação ao protesto pela realização de diligência cabe referência ao disposto nos artigos 18 e 28 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, que assim dispõem: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso.” (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93)” Fl. 3141DF CARF MF Processo nº 16095.000531/200713 Acórdão n.º 2401005.584 S2C4T1 Fl. 7 11 Ao sujeito passivo cabe o ônus da prova em relação ao que alega, devendo fazêlo oportunamente, por ocasião da impugnação, conforme estabelecem os incisos III, IV e parágrafo 4º do artigo 16, do Decreto 70.235/72, na redação dada pelas Leis 8.743/93 e 9.532/97. No caso em exame, considerase desnecessária a diligência proposta por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. Nenhum fato novo foi trazido que justificasse a realização da diligência pleiteada e a insuficiência de documentos para comprovar as alegações suscitadas pela Recorrente não é motivo para tal. A avaliação da necessidade de se realizar a diligência participa da esfera da discricionariedade do aplicador e, assim, façome acompanhar de precedentes das três Seções de Julgamento que compõe este Conselho, conforme se depreende: PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2401 004.612, Rel. Conselheiro Cleberson Alex Friess, Sessão 08/02/2017) PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada a desnecessidade da produção de novas provas para formar a convicção da autoridade julgadora. (CARF, 3ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 3201000.617, Rel. Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão 02/02/2011) PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido, por demonstrar intenção protelatória, o pedido de perícia para obter informações sem a demonstração da sua necessidade. (CARF, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10323.470, Rel. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Sessão 28/05/2008) Assim, pelas justificativas acima descritas, dadas as circunstâncias do caso concreto, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos precedentes ora referenciados, voto por negar provimento ao pedido de diligência e entendo, ademais, neste particular, não ter havido qualquer prejuízo à ampla defesa da Recorrente. 4. CONCLUSÃO: Fl. 3142DF CARF MF 12 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto e relatório. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 3143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003349/2006-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/02/2006
PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
A responsabilidade por infrações à legislação aduaneira é objetiva, devendo responder pela infração, a pessoa que, nos termos do inciso I, do art. 95, do Decreto-lei nº 37/66, conjunta ou isoladamente, de qualquer forma, concorra para a sua prática ou dela se beneficie.
MÁQUINA CAÇA-NÍQUEL. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO.
No caso de mercadorias, cuja importação é proibida, aplica-se a legislação vigente à época da apreensão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3002-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as Conselheiras Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade por infrações à legislação aduaneira é objetiva, devendo responder pela infração, a pessoa que, nos termos do inciso I, do art. 95, do Decretolei nº 37/66, conjunta ou isoladamente, de qualquer forma, concorra para a sua prática ou dela se beneficie. MÁQUINA CAÇANÍQUEL. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. CABIMENTO. No caso de mercadorias, cuja importação é proibida, aplicase a legislação vigente à época da apreensão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as Conselheiras Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 33 49 /2 00 6- 18 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 72 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Adoto o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Cuida o presente processo de multa no importe de R$ 1.000,00 aplicada pela fiscalização aduaneira, face à importação de mercadoria atentatória à moral, aos bons costumes, saúde ou ordem pública, com fulcro no artigo 107, inciso VII, alínea “b” do Decreto Lei 37/1966, com a redação data pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003. Na Descrição dos Fatos do Auto de Infração consta, à fl. 3: Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo 2005.38.03.0087918, 2ª VF/UBERLÂNDIA/MG, Foi apreendida pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal em 22/02/2006, 01 (uma) placa para máquina “CaçaNíquel”, no estabelecimento comercial denominado "BAR SILVA", localizado na Rua Niterói, 536 Bairro Aparecida UberlândiaMG, de propriedade do Sr. EDIMAR SILVA, conforme AUTO CIRCUNSTANCIADO O137, assinado pelo Agente da Polícia Federal e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, responsáveis pelo cumprimento do mandado, o qual foi entregue ao responsável pelo Depósito de mercadorias Apreendidas da Delegacia da Receita Federal em UberlândiaMG, conforme Termo de Recebimento DRF/UBE/SAPOL/DMA n° 86/2006, de 22/02/2006. Em 23/03/2006, foi lavrado o Auto de Infração para aplicação da pena de perdimento da referida placa, processo 10675.000915/200630. O autuado foi cientificado da autuação em 15/12/2006, conforme “AR” de fl. 20. Não conformado, através de advogado devidamente habilitado (procuração de fl. 25), em 29/12/2006, apresentou impugnação (fls. 23/24), com os seguintes termos: 1. O requerente foi autuado por suposta “importação de mercadoria atentatória à moral/bons costumes/saúde/publica” em face da apreensão pela Polícia Federal de placas para máquina “caçaníquel”, conforme descrito no Auto de Infração, lhe sendo aplicada multa pecuniária de R$ 1.000,00(..), com Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 73 3 base no art. 107, inc. VII, “b”, do Dec. Lei n. 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833 de 29/12/2003. 2. O requerente não é “importador” e também “não importou” as mercadorias (placa de máquina caçaníquel), bem como não é, e nunca foi, proprietário das mesmas. 3. O requerente desconhecia a existência de “placa(s) estrangeira(s)” dentro das máquinas caçaníquel, porque não era proprietário da(s) máquina(s), porque nunca as abriu para olhar o que tinha dentro, porque, se olhasse, não saberia distinguir por não ter o mínimo conhecimento técnico pertinente à questão. Assim, mesmo que olhasse, não saberia se seria placa estrangeira ou não, e muito menos se era de importação proibida ou não. 4. O requerente apenas alugou um pequeno espaço em seu comércio para colocação da máquina caçaníquel, sob modesto aluguel fixo, o que é praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos. 5. Conforme Nota Fiscal e Laudo de Assistência Técnica, em anexo, o importador é Grand Columbus Importadora e Exportadora Ltda, e destinatário Game Line Ltda. 6. A multa pecuniária de R$ 1.000,00(..) passou a vigorar a partir de 29/12/2003, e a importação ocorreu em data anterior, conf. Nota Fiscal, portanto ao fato não pode ser aplicada a multa pecuniária. E, mesmo que, hipoteticamente, se desconsidere a Nota Fiscal, ainda assim é inaplicável a multa pecuniária porque a Receita Federal não pode afirmar que tal importação tenha ocorrido em data posterior à Lei n. 10.833 de 29/12/2003 que deu nova redação ao art. 107; inc. VII, “b”, do Dec. Lei n. 37/66, ou seja, se a importação da(s) placa(s) ocorreu em data anterior é inaplicável a multa. 7. O requerente/autuado pede a improcedência da autuação, determinando o arquivamento do processo administrativo na forma da lei. 8. Requer produção de provas: documental e testemunhal, com rol oportuno. 9. Requer sejam as intimações dirigidas, doravante, ao endereço do advogado do requerente, cf. consta no cabeçalho desta petição." Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), analisando as argumentações do contribuinte, julgou improcedente a Impugnação, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 74 4 Fato gerador: 22/02/2006 PRODUÇÃO DE PROVA. PROTESTO GENÉRICO. INADMISSIBILIDADE. O protesto genérico pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos não gera efeitos no processo administrativo fiscal. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Em caso de obtenção de provas por meio de diligências ou perícias, estas devem ser expressamente solicitadas, especificando o seu objeto e atendendose os requisitos previstos em lei, sob pena de considerarse não formulado o pedido. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO PATRONO DA CAUSA. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA. As intimações via postal deverão ser realizadas sempre no domicílio tributário do contribuinte, o qual não se confunde com o endereço de seu patrono na causa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fato gerador: 22/02/2006 MERCADORIA ESTRANGEIRA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. MÁQUINA “CAÇANÍQUEIS”. Aplicase a multa de R$ 1.000,00 (mil reais) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Impugnação Improcedente Irresignado com a referida decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário basicamente repisando os argumentos jurídicos já apresentados. É o relatório, em síntese. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 75 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão cingese a autuação fiscal para exigência de multa pecuniária pela apreensão de uma placa eletrônica para máquina caçaníquel, encontrada em poder do recorrente no transcurso de uma operação conjunta da Receita Federal e da Polícia Federal em 22/02/2006. Desta forma, ficando o recorrente sujeito a penalidade prevista na alínea "b" do inciso VII do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; Passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente em seu Voluntário: Preliminar 1) Ilegitimidade passiva O sujeito passivo alega que não é parte legítima para figurar no pólo passivo, não tendo responsabilidade tributária, tendo em vista não ser proprietário da máquina caça níquel e por não ter realizado a importação das mesmas. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 76 6 Quanto à legitimidade, entendo que o art. 602, parágrafo único e o art. 603, I, do Decreto nº 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro, resolvem a questão, respectivamente: Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei n° 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei n° 37, de 1966, art. 94, § 2o). Art. 603 Respondem pela infração (Decretolei n° 37, de 1966, art. 95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; ......................................................................................................... (grifo nosso) Desse modo, na condição de proprietário do estabelecimento comercial, no qual foi encontrada em operação a máquina caçaníquel, que continha a placa eletrônica, cuja a importação é proibida e, por conseqüência, sendo o beneficiário do seu uso indevido, responde o recorrente pessoalmente pela infração contida no art. 107, VII, b, do Decreto Lei nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; ......................................................................................................... Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 77 7 Por outro lado, para reforçar a afirmação de que não era proprietário da máquina, o recorrente alega que, em realidade, alugou um espaço em seu estabelecimento comercial para a colocação da máquina caçaníquel e que, por isso, recebia apenas um aluguel préfixado. Em suas palavras: "O requerente apenas alugou um pequeno espaço em seu comércio para a colocação da máquina caçaníquel, sob modesto aluguel fixo, o que é praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos."(grifo nosso) Primeiramente, esclareçase que o sujeito passivo não fez prova da existência desse mencionado contrato de locação. Porém, mesmo que o tivesse feito, isso não o eximiria da responsabilidade, pois estaria, de qualquer forma, concorrendo e se beneficiando com a prática da infração. Além disso, tendo em vista sua própria afirmação de que era "uma praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos", temse que, por conseqüência, o recorrente necessariamente também sabia da importação irregular das máquinas, da proibição do seu uso e das freqüentes operações de repressão realizadas pela Receita Federal e pela Polícia Federal, uma vez que estas eram amplamente divulgadas nos meios de comunicação. Ainda com o intuito de comprovar que não era o proprietário da mercadoria apreendida, o recorrente apresentou notas fiscais e laudo técnico, que supostamente atestariam que a empresa Grand Columbus Importação & Exportação Ltda teria importado a máquina caçaníquel em questão e que esta pertenceria a empresa Games Line Ltda. Contudo, melhor sorte não assiste ao contribuinte nessa alegação, pois não há como vincular a máquina caçaníquel apreendida às notas fiscais apresentadas. Ressaltese que apenas um número de série (9917152) é citado no laudo técnico (fl. 28/32) apresentado e que as notas fiscais não têm o número de série dos equipamentos transacionados. Como decorrência desse fato, não merece retoque a análise realizada pelo voto condutor do Acórdão recorrido: "Devese também lembrar que, acaso fossem consideradas as notas fiscais apresentadas, assim como o laudo, sem prova inconteste de que a máquina caça níquel apreendida, a que se refere o presente processo, estivesse contida nas importações a que elas se relacionam, qualquer máquina caça níquel porventura encontrada poderia ter a multa ilidida com a apresentação desses documentos". Com efeito, a legislação aduaneira adotou a responsabilidade objetiva, assim, não importando o elemento volitivo para ser caracterizada a infração. Ademais, estendeu a Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 78 8 responsabilidade pela prática da infração a todos que concorressem para a sua prática ou dela se beneficiassem. No caso concreto em análise, restou demonstrado que o recorrente se beneficia economicamente da mercadoria proibida, portanto, vinculandoo à infração imputada, da qual não pode eximirse de responsabilidade, portanto, restando certo estar apto a figurar no pólo passivo do auto de infração. Assim sendo, rejeito a preliminar argüida. Mérito O recorrente alega que desconhecia a existência de placas eletrônicas estrangeiras no interior da máquina caçaníquel, que nunca as abriu e, mesmo que tivesse olhado o seu interior, por falta de conhecimento técnico, não saberia se a placa era importada ou não, muito menos que se tratava de objeto de uma importação proibida. Entendo que essas alegações não merecem prosperar por inúmeros motivos. Inicialmente, ressaltese que o próprio recorrente carreou aos autos notas fiscais, que atestariam uma suposta importação regular da máquina caçaníquel. Assim, não há como se manter crível a sua afirmação de que não conheceria a origem estrangeira da máquina. Logo, pouco importa se o recorrente abriu a máquina ou mesmo se detinha conhecimento técnico, a sua ciência da origem estrangeira da mercadoria restou comprovada pela documentação por ele apresentada. Ademais, como já mencionado acima, o recorrente demonstrou, por suas próprias palavras, "uma praxe geral nas cidades e do conhecimento geral dos agentes públicos", conhecer que tal "praxe" era ilegal, que máquinas desse tipo foram importadas irregularmente e que os "agentes públicos" envidavam esforços para coibir sua utilização. Em realidade, não poderia ser diferente, uma vez que o esquema criminoso em que se insere o evento em questão, irradia imensa repercussão social por envolver criminalidade organizada e, por isso mesmo, ocupou as páginas dos principais jornais do país, assim como o noticiário no rádio e na televisão. Dessa forma, tornouse fato notório a existência de componentes eletrônicos de origem estrangeira nas máquinas caçaníquel, como a apreendida na posse do ora recorrente. Assim, não é razoável considerar que aqueles que exploravam esses equipamentos desconhecessem tais circunstâncias. Por fim, o sujeito passivo alega, ainda, que a multa pecuniária disposta no inciso VII, do art. 107 do Decreto Lei nº 37/66 somente foi introduzida no ordenamento jurídico em 29/12/2003 com o advento da Lei nº 10.833. Assim, afirma que não se aplicaria tal multa ao presente caso, considerandose que a importação teria sido realizada em data anterior à vigência da referida lei, conforme as notas fiscais apresentadas. Além disso, mesmo que as notas fiscais fossem desconsideradas, o recorrente assevera que a multa não poderia ser aplicada, pois "a Receita Federal não pode afirmar que tal importação tenha ocorrido em data posterior". (Impugnação fl.24) De acordo com a alinea b, do inciso VII, do art. 107, do Decreto Lei nº 37/66, a multa em tela é aplicada pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 79 9 moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública. Então, devemos analisar o significado dos termos da determinação legal citada. Em linhas gerais, o substantivo importação significa a entrada, temporária ou definitiva, em território nacional de bens ou serviços originários ou procedentes de outros países, a título oneroso ou gratuito. Esta é uma definição lato sensu e, por conseguinte, abarca várias situações fáticas. Por exemplo, os bens importados podem ser não só aqueles de origem estrangeira, isto é, produzidos em outros países, como também os procedentes do exterior, aqueles produzidos no país, os quais foram, anteriormente, submetidos a um processo de exportação. Da mesma maneira, a definição engloba não só a entrada lícita de bens estrangeiros no território nacional, ou seja, aquela realizada segundo o procedimento comercial e fiscal vigente, assim como a entrada ilícita, contrabando ou descaminho. Por outro lado, devese ter claro que, quando o dispositivo legal menciona mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, por conseqüência, ele está se referindo a mercadorias de importação proibida. Desta forma, a prescrição contida no inciso VII citado se refere a mercadorias objeto de contrabando. A prática do contrabando visa, justamente, fazer entrar no território nacional bens cuja importação é proibida pelas normas aduaneiras. Assim, para alcançarem seu objetivo, os agentes envolvidos no contrabando realizam uma série de ações, visando ocultar das autoridades o ingresso das mercadorias. Dessa forma, podese dizer que a ocultação e a fraude são ingredientes indispensáveis para que ocorra o delito. À vista disso, permanentemente, nas operações de contrabando, se intenta esconder o "o que", o "quem", o "onde" e o "quando". Sabese que as autoridades realizam freqüentes operações de combate ao contrabando, visando impedir a entrada dessas mercadorias Contudo, sabese também que, devido à vasta fronteira brasileira, terrestre e marítima, essas operações logram um êxito parcial. Desse modo, grande quantidade de mercadorias proibidas adentra clandestinamente no país e estas só podem ser apreendidas pelas autoridades fiscais e policiais, quando já estão em zona secundária. Conjugando os dois tópicos, percebese que as autoridades somente possuem condição de precisar o fator temporal do contrabando, em geral, quando a descoberta do delito ocorre em zona primária. Após esse momento, o elemento "quando" se torna uma incógnita. Porém, repisese, incógnita esta gerada pela própria prática do delito, pois a ocultação desse elemento é essencial para a realização do contrabando. Em realidade, o poder público apenas toma conhecimento da existência de determinada mercadoria proibida no país no exato momento de sua apreensão. Dessarte, a alegação de que "a Receita Federal não pode afirmar que tal importação tenha ocorrido em data posterior " se constitui uma afronta ao Princípio Nemo auditur propriam turpitudinem allegans (Ninguém pode se beneficiar da própria torpeza), pois esconder o momento da entrada no país do bem proibido é elemento essencial para a prática do delito e, logo, perpetrado pelos próprios envolvidos na operação. Assim, aqueles que fazem ou se beneficiam de algo incorreto ou em desacordo com as normas legais não podem alegar tal conduta ou seus efeitos em proveito próprio. Com efeito, em casos de apreensão de bens proibidos em zona secundária, devese ter em conta que o ônus da prova necessita ser invertido pela impossibilidade do Poder Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 80 10 Público precisar o momento da entrada dessas mercadorias no país. Cabe ao infrator, que deu causa a essa impossibilidade, então, provar quando a importação irregular ocorreu. No presente caso concreto, o material proibido apreendido se encontrava em operação em zona secundária, logo, caberia ao sujeito passivo provar em que momento a importação sucedeuse. Para tanto, o recorrente juntou notas fiscais e laudo técnico a fim de comprovar não ser o proprietário das mercadorias e, além disso, que a importação teria acontecido em data anterior à vigência da Lei 10.833/2003. Como já consignado anteriormente, tais documentos não estão aptos a provar que os bens apreendidos se encontram inseridos naquela DI. Desse modo, por absoluta conseqüência lógica, também são incapazes de demonstrar quando, de fato, a importação dos produtos apreendidos ocorreu. Assim, resta claro que o recorrente não se desincumbiu de seu ônus probatório. Considerando que a apreensão aconteceu cerca de 3 anos após a alteração do art. 107 do DecretoLei nº 37/66, que os bens apreendidos, por serem de importação proibida, a princípio, foram introduzidos no país por contrabando e que o recorrente não conseguiu comprovar que a importação irregular ocorreu em data anterior à vigência da lei que instituiu a multa em questão, entendo ser aplicável a penalidade pecuniária ao presente caso. Porém, tendo em vista a complexidade do tema, creio ser oportuno desenvolver outros aspectos. Quanto à data de referência para a lavratura do auto de infração, que constitui a exigência da multa, como já mencionado, creio ser o dia da apreensão dos bens proibidos, pois este foi o exato momento que o Poder Público pode tomar ciência da ocorrência da importação ilegal. Entretanto, existe outra tese jurídica que também não socorre o recorrente. Por essa tese, a Administração Fazendária deve considerar a data de aplicação da pena de perdimento dos bens proibidos apreendidos como a precisa data da ocorrência da infração. Transcrevese ementa do Acórdão 544623/CE de 29/11/2012 da 1ª Turma do TRF5, que teve como Relator o Desembargador Federal Francisco Cavalcanti: ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. MÁQUINAS "CAÇANÍQUEIS". PERDIMENTO. APLICAÇÃO DE MULTA. POSSIBILIDADE. JUSTIÇA GRATUITA. APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA. 1. Hipótese em que o MM. Juiz a quo julgou improcedente o pedido inicial, qual seja, "declarar nula a multa aplicada ao autor, pela inexistência de qualquer prova que o indicie como agente responsável pela importação das máquinas caçaníquel encontradas em seu poder" ou, alternativamente, "declarar a nulidade do auto de infração, em face da fundamentação legal deste embasarse em lei posterior ao fato gerador". 2. "Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)/de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)/pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 81 11 aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105" (art. 107, VII, "b", do DecretoLei nº. 37/66). 3. "As máquinas caçaníquel objetos de importação no caso ora em comento são, indubitavelmente, mercadorias estrangeiras atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tendo sido o autor responsabilizado pela prática de contravenção penal, haja vista que explorava em sua atividade comercial tais produtos de procedência estrangeira" (trecho extraído da sentença). 4. Como bem ressaltou o MM. Juiz sentenciante, "nos termos dos arts. 94 e 95, I, c/c o art. 107, VII, "b", todos do DecretoLei 37/66, a responsabilidade administrativa e a conseqüente aplicação da multa não se erige apenas em relação ao importador da mercadoria, mas também àquele que, direta ou indiretamente, aufere benefícios decorrentes da entrada ou da permanência do produto irregular, independentemente da intenção (elemento subjetivo). É indiscutível, pois, a existência do nexo causal entre a importação do bem ilegal e o fato gerador do auto de infração, culminando na responsabilidade administrativotributária". 5. Não houve aplicação retroativa de lei ao presente. Isso porque, de acordo com o art. 714, parágrafo único, do Decreto nº. 6759/09, a multa prevista no art. 107, VII, do Decreto Lei 37/66 (com a redação dada pela Lei 10.833/2003) somente incide no final do processo relativo à aplicação da pena de perdimento, que, in casu, deuse em 28/01/2009. É precisamente nesta data que a Administração Fazendária considera ocorrida a infração. 6. Em relação à condenação do apelante ao pagamento de custas e de honorários advocatícios, a interpretação do art. 12 da Lei n.º 1.060/50, mais consentânea com os fins sociais, impostos pelo art. 5º da LICC, não permite que os processos perdurem suspensos por longo tempo, aguardando que a parte adquira capacidade financeira para saldar as custas e honorários advocatícios de processos julgados. 7. Ademais, a previsão constitucional do direito à assistência judiciária gratuita (art. 5º, LXXIV, da CF/88) não impõe a condição prevista na Lei n.º 1.060/50. 8. Por ser o apelante beneficiário da justiça gratuita, não deve ser condenado ao pagamento de honorários advocatícios, nem tampouco ao de custas. 9. Apelação parcialmente provida. (grifo nosso) Outro tópico importante a ser ponderado referese ao momento consumativo nos casos de contrabando ou descaminho. Doutrina e jurisprudência desenvolveram, ao longo Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 82 12 do tempo, uma classificação dos crimes quanto ao momento consumativo. Baseado nos ensinamentos do Professor Damásio Evangelista de Jesus, podese ter uma visão esquemática dessa classificação. Os crimes se dividiriam, então, em 4 tipos, segundo o momento consumativo: a) Instantâneos; b) Instantâneos de efeitos permanentes; c) necessariamente permanentes; d) eventualmente permanentes. Os crimes instantâneos são os que se completam em um só momento. A consumação se dá em um determinado instante, sem continuidade temporal. Já nos crimes instantâneos de efeitos permanentes temos que eles se caracterizam pela índole duradoura de suas conseqüências. A permanência dos efeitos não depende do agente. Os crimes permanentes são os que causam uma situação danosa ou perigosa que se prolonga no tempo. Podese dizer que o momento consumativo se protrai no tempo. Contudo, devese distinguir os necessariamente permanentes dos eventualmente permanentes. No crime necessariamente permanente, o prolongamento da conduta está contido na norma como elemento do crime. No eventualmente permanente, o crime é tipicamente instantâneo, mas prolongase sua consumação, isto é, o momento consumativo ocorre, apriori, em dado instante, mas pode prolongarse devido a situação criada pelo agente continuar. Quanto aos crimes de contrabando e descaminho, a jurisprudência encampou diversas teses, como se percebe nos Acórdãos seguintes: Instantâneo de efeito permanente: CONFLITO DE COMPETÊNCIA N. 13.767PR (95.002445001) Relator: Ministro Vicente Cernicchiaro EMENTA CC. Constitucional. Penal. Processual Penal. Competência. Descaminho. O descaminho (CP art. 334, caput) é crime instantâneo de efeito permanente. Não se confunde com o crime permanente. A consumação ocorre no local em que o tributo deveria ser pago. Pouco importa o local da apreensão da mercadoria. (grifo nosso) Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 83 13 Permanente: HABEASCORPUS Nº 2005.01.00.0703677/MG Processo na Origem: 200538030048563 RELATOR:O EXMO. SR. JUÍZ TOURINHO NETO PROCESSO PENAL. HÁBEAS CORPUS. CRIME DE DESCAMINHO. CONSUMAÇÃO. LOCAL DE APREENSÃO DA MERCADORIA. COMPETÊNCIA. 1. O crime de descaminho é permanente, protraindose sua consumação até o momento de apreensão, se não foi apreendida quando da entrada da mercadoria em território nacional. 2. A competência para o processo e julgamento do crime de descaminho é determinada pelo lugar em que se deu a apreensão da mercadoria, ainda que o auto de apreensão e a lavratura do auto de prisão em flagrante tenhase dado em outro lugar, sede de Seção Judiciária diversa da que foi apreendida a mercadoria. (grifo nosso) Eventualmente permanente: CONFLITO DE COMPETÊNCIA N. 11.067PR (94.0321821) Relator: Ministro Adhemar Maciel EMENTA Processual Penal. Conflito de competências. Descaminho. Crime eventualmente permanente. Volta aos precedentes antigos do TFR (CC n. 5.016, DJU de 14.04.1983, p. 4.534 e CC n. 5.241, DJU de 03.06.1983, p. 7.906) e recentíssimos do STJ (CC n. 9.8920, CC n 4.184 e CC n. 7.9497). Competência do juízo da prisão. I Mercadoria estrangeira, provavelmente adquirida no Paraguai, foi apreendida em S. Paulo. O juiz federal de S. Paulo, por entender que o crime se consumou no momento em que a mercadoria entrou no território nacional (Paraná), remeteu os autos ao juiz federal de Foz do Iguaçu, que suscitou o conflito. II Aplicável é o art. 71 do CPP. In casu, o crime (descaminho) pode ser classificado de “eventualmente permanente”. Assim, a competência se firma pela prevenção. Volta aos precedentes antigos do TFR (CC n. 5.016, DJU de 14.04.1983, p. 4.534 e CC n. 5.241, DJU de 03.06.1983, p. 7.906) e recentíssimos do STJ (CC n. 9.8920, CC n. 4.184 e CC n. 7.9497). Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 84 14 III Conflito conhecido. Competência do juízo da prisão (3ª Vara Criminal da Seção Judiciária do Estado de S. Paulo, o suscitado). (grifo nosso) Além do interesse teórico, a diferenciação entre crimes instantâneos e permanentes tem especial importância na determinação de inúmeras questões processuais, tais como a prescrição, o flagrante, a legítima defesa, o concurso de agentes, a competência territorial e, de grande relevância ao caso ora analisado, a sucessão de leis. Dessa maneira, tomese, por exemplo, a determinação da competência, regulada no Código de Processo Penal do art. 69 ao art. 91. Transcrevese os arts. 70 e 71 que esclarecem essa questão quanto ao momento consumativo: Art.70.A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. §1oSe, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução. §2oQuando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado. §3o Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmarseá pela prevenção. Art.71.Tratandose de infração continuada ou permanente, praticada em território de duas ou mais jurisdições, a competência firmarseá pela prevenção. (grifo nosso) Pela análise do disposto no diploma legal retrocitado, constatase que, nos crimes instantâneos, a competência será do Juízo do local onde foi praticada a infração, porém, em se tratando de crimes permanentes, a competência será firmada pela prevenção. Ora, no caso dos crimes de contrabando e descaminho, devido às várias teses jurídicas existentes, estabeleceuse uma enorme divergência sobre o assunto da competência, o que levou o Judiciário a encarar, por diversas vezes, a suscitação do conflito de competência. Por esse motivo, o Superior Tribunal de Justiça STJ fez editar a Súmula nº 151 com o intuito de pacificar a orientação sobre a matéria: Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 85 15 Súmula STJ nº 151: A competência para o processo e julgamento por crime de contrabando ou descaminho definese pela prevenção do Juízo Federal do lugar da apreensão dos bens. Assim sendo, embora a celeuma versasse sobre a determinação da competência, a partir da publicação da Súmula nº 151, devese conceber que o STJ firmou entendimento que os crimes de contrabando ou descaminho são crimes permanentes, pois, se fossem crimes instantâneos, a competência necessariamente seria do Juízo do local onde ocorreu a entrada irregular da mercadoria. Como já mencionado, os crimes eventualmente permanentes são tipicamente instantâneos, o momento consumativo ocorre, apriori, em dado instante, mas pode prolongarse devido a situação criada pelo agente continuar. Dessa forma, entendo que uma diferenciação plausível, que considere tanto a doutrina, como o posicionamento do STJ, é que os crimes de contrabando e descaminho são instantâneos, quando as mercadorias se destinam para uso próprio, isto é, sem nenhum intuito comercial, porém, quando tal intuito está presente, devese considerálos crimes permanentes. Tendo em vista o entendimento do STJ, a questão processual relacionada à sucessão de leis se clarifica: Nos crimes de contrabando ou descaminho, considerados crimes permanentes, se aplica a legislação vigente à época da apreensão das mercadorias contrabandeadas ou descaminhadas. Então, no caso concreto, no qual a destinação para utilização econômica do bem contrabandeado é evidente, aplicase a legislação vigente na data da apreensão, 22/02/2006, por se tratar de crime permanente. Desse modo, por qualquer dos vieses analisados sobre a questão, entendo não existir erro material e, por conseguinte, estar correta a decisão da instância a quo, isto é, ao caso, aplicase a multa administrativa introduzida pela Lei 10.833/2003. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 86 16 Declaração de Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Esta declaração de voto se faz necessária pois, em virtude da rica argumentação do conselheiro relator, aprofundei o estudo da matéria e acabei por mudar a posição que vinha adotando: passo a acompanhálo e a negar provimento ao recurso voluntário nos litígios desta natureza. Contudo, o principal fundamento da minha decisão reside em ponto diverso, do que resulta imprescindível a explanação que se segue. Em julgamentos anteriores, diante de mesma situação fática e de recursos voluntários nos quais foram apresentados exatamente os mesmos argumentos, posicioneime a favor do contribuinte, tendo como justificativa o fato de nunca haver sido determinado se a entrada da mercadoria no país se deu antes ou depois da publicação da Lei nº 10.833/2003. Para esclarecer esse posicionamento, transcrevo a ementa do Acórdão nº 3002000.111, de julgamento recente nesta Turma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2006 MERCADORIA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A multa prevista no DI nº 37/66, art.107, VII, b, com a redação dada pelo art.77 da Lei 10.833/2003, deverá ser aplicada aos casos em que a importação tenha sido realizada após a sua entrada em vigor. Não sendo possível verificar do auto de infração a data do ato punível, há de ser cancelado o auto de infração por nulidade material. Recurso Voluntário Provido.(grifado) Transcrevo, ainda, o final do voto desse mesmo Acórdão, de relatoria da conselheira Maria Eduarda Simões. Pelo texto fica claro qual aspecto prevaleceu, dentre aqueles favoráveis ao contribuinte, para fins de definição do posicionamento majoritário da Turma: Em resumo, há de ser reconhecida a nulidade do auto de infração combatido em razão da ausência de elementos suficientes à confirmação acerca da aplicabilidade no tempo da penalidade aplicada ao caso concreto analisado, ou seja, se a norma já se encontrava em vigor à época da infração ali indicada (importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública). É importante que se ressalte que a conclusão a que se chega nesta oportunidade esbarra na identificação da nulidade do auto de infração combatido. Em outras palavras, não se está aqui Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 87 17 dispondo que inexistiu a infração combatida, mas apenas que não é possível se aferir, da análise do auto de infração, se a norma que instituiu a penalidade encontravase vigente quanto aos fatos geradores aqui analisados. (grifado) É certo que se está diante de tema polêmico, mas nas decisões a que tive acesso, tanto no Carf como na DRJ, nunca se questionou um dos principais fundamentos da defesa: que a fiscalização não fez prova da entrada da mercadoria posteriormente à publicação da Lei nº 10.833/2003, que teria instituído a penalidade de que trata o auto de infração. Tal situação geraria dúvida insanável sobre a possibilidade de aplicação da multa, prevista no art. 107, inciso VII, alínea “b” do DecretoLei nº 37/1966 da seguinte forma: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003) (...) VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003) (...) b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; Entretanto, o estudo do histórico da legislação nos mostra que esta multa sempre existiu, desde a publicação do DecretoLei em 1966, cabendo à Lei apenas a reorganização do texto e a atualização do seu valor em 2003. Se não, vejamos o DecretoLei em sua redação original: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) XIX Estrangeira, atentatória, à moral, aos bons costumes, à saúde ou ordem públicas. Art. 107. Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I De Cr$ 200.000 (duzentos mil cruzeiros) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco em embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; II De Cr$ 50.000 a Cr$ 100.000 (cinqüenta mil cruzeiros a cem mil cruzeiros), pela saída da embarcação ou outro veículo, sem estar autorizado; III De Cr$ 10.000 a Cr$ 50.000 (dez mil a cinqüenta mil cruzeiros) por volume, na hipótese do artigo 102, pela falta de manifesto ou documento de efeito equivalente ou ausência de sua autenticação, ou, ainda, falta de declaração quanto à carga; Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 88 18 IV De Cr$ 10.000 a Cr$ 50.000 (dez mil a cinqüenta mil cruzeiros) por infração dêste Decretolei e ao seu regulamento, para a qual não seja prevista pena específica. Art. 109. No caso do inciso XIX do artigo 105, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de Cr$ 50.000 (cinqüenta mil cruzeiros). (grifado) Pela transcrição acima, vêse que originariamente a multa não constava do art. 107, mas estava em artigo próprio, o art. 109. Percebese também que há um pequeno problema na redação do art. 109. Ele determina a aplicação de multa ao responsável pela infração do art. 105, mas, quando se retorna ao art. 105, vêse que não há um ato, expresso, a ser penalizado – o art. 105 diz apenas que será aplicada a pena de perdimento à mercadoria estrangeira atentatória à moral. Da forma como se encontra, pode ser entendido que a multa se aplica ao ato de importar ou portar ou, mesmo, consumir a mercadoria proibida. Ao longo do tempo o art. 109 não foi alterado, sofrendo apenas atualização em decorrência da mudança da moeda de cruzeiro para real. Aplicouse a conversão definida em lei para todos os valores expressos em cruzeiro, o que resultou em uma multa de valor irrisório, conforme se constata na redação do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 4.543/2002: Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 105, e Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 23 e § 1º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 59): (...) XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública; Art. 638. No caso de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, a que se refere o inciso XIX do art. 618, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de R$ 18,34 (dezoito reais e trinta e quatro centavos) (Decretolei nº 37, de 1966, art. 109). (grifado) Compreendida a situação anterior, concluise que coube à Lei nº 10.833/2003 tão somente o agrupamento das multas de valor fixo no art. 107 (combinado com a revogação do art. 109), a alteração do valor da multa para adequála à realidade e a tentativa de correção do pequeno defeito na redação original do art. 109. Assim, tínhamos originariamente, em 1966, a seguinte redação: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: XIX Estrangeira, atentatória, à moral, aos bons costumes, à saúde ou ordem públicas. (...) Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 89 19 Art. 109. No caso do inciso XIX do artigo 105, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de Cr$ 50.000 (cinqüenta mil cruzeiros). (grifado) E passamos para a redação abaixo, após as alterações promovidas em 2003, donde se conclui que a multa já vigia há 40 anos quando a fiscalização lavrou o auto de infração: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: VII de R$ 1.000,00 (mil reais): b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; (...) Art.109. No caso do inciso XIX do art.105, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de Cr$ 50.000 (cinqüenta mil cruzeiros). (Revogado pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (grifado) Superada a questão temporal ou, dito de outra forma, diante da certeza de que o DecretoLei previa a aplicação de multa ao responsável pela infração desde a sua publicação em 1966, entendo que cai por terra a discussão sobre retroatividade da lei ou sobre a definição da data a ser considerada para fins de aplicação da multa, se da apreensão ou da lavratura, não restando qualquer óbice para a sua aplicação, uma vez atendidas as demais condições. Quanto ao segundo pilar da defesa, ilegitimidade passiva e não participação do recorrente no ato de importação, entendo ter sido suficientemente desenvolvido pelo conselheiro relator, com o qual concordo integralmente. Em resumo, a multa se aplica ao contribuinte porque ele se beneficiou da importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral. Tratase de responsabilidade objetiva, independente da intenção, da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato – arts. 94 e 95 do DecretoLei nº 37/1966. Pelos motivos expostos nesta Declaração de Voto, entendo por correta a autuação, destituída do vício alegado, motivo pelo qual deve ser mantido o crédito tributário. É como voto. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 90 20 Declaração de Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Dada a devida vênia aos fundamentos trazidos pelo Relator em seu voto, ouso discordar das conclusões ali apresentadas, conforme fundamentos a seguir delineados. Como é de conhecimento desta turma julgadora, eu já tive a oportunidade de me manifestar sobre esta matéria anteriormente. É o que se pode verificar, exemplificativamente, do conteúdo do Acórdão nº 3002000.104. Naquela oportunidade, manifesteime no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, por entender que o auto de infração combatido apresentavase nulo. As razões ali apresentadas encontramse transcritas a seguir: Consoante acima indicado, verificase que a multa aplicada in casu foi introduzida no ordenamento jurídico em 29/12/2003, e decorre da "importação" de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública. No caso em comento, a fiscalização não embasou a autuação no fato de a autuada ter "importado" as mercadorias em questão, mas entendeu que deveria responsabilizála em razão do disposto no inciso I do art. 603 do Regulamento Aduaneiro, que determina que todos aqueles que, de qualquer forma, concorra para a prática ou dela se beneficie, responde pela infração. De fato, é cediço que o Regulamento Aduaneiro estende a responsabilidade pela prática de infração aduaneiras àqueles que concorram para a sua prática ou dela se beneficiem. Para que possa imputar tal responsabilidade, contudo, é imprescindível que demonstre o vínculo existente entre o contribuinte responsabilizado e a infração apontada. Em sua defesa, o contribuinte defendeu que a importação teria se dado anteriormente à entrada em vigor da Lei nº 10.833/03, tendo anexado aos autos nota fiscal e parecer técnico que suportariam o seu argumento. A DRJ, por seu turno, entendeu que não havia relação regular possível entre a máquina regularmente importada, descrita no laudo anexado, com as máquinas nas quais foram encontradas as placas eletrônicas contrabandeadas, tendo afastado tal documentação como apta a comprovar que as importações se deram anteriormente à vigência da Lei nº 10.833/03. De outro norte, entendeu que, tratandose de apreensão de mercadorias contrabandeadas, seria na data da apreensão, ocorrida em 22/02/2006, que ocorre o fato infracional punível, com constatação da infração pela autoridade fiscal competente. Da análise da documentação acostada pelo contribuinte aos autos, concordo com a fundamentação da decisão recorrida no sentido de que não há como se fazer uma correlação entre as mercadorias ali importadas e as mercadorias apreendidas pela Polícia Federal, objeto do presente auto de infração. Contudo, discordo da conclusão ali apresentada no sentido de que a ocorrência do ato infracional punível se dá na data da apreensão das mercadorias. Consoante se extrai da leitura da alínea b do inciso VII do art. 107 do DI nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, o ato infracional encontra se expressamente descrito como sendo a "importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública". Entendo, Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 91 21 portanto, que a interpretação realizada pela fiscalização vai de encontro à previsão expressa disposta na própria norma que instituiu a penalidade em referência. Nesse contexto, considerando que a penalidade aqui analisada foi introduzida no ordenamento jurídico brasileiro em 2003, tendo indicado como ato punível a "importação", entendo que tal penalidade apenas poderia ser aplicada no que concerne às importações realizadas posteriormente à sua entrada em vigor, pois não há que se falar em retroatividade de norma que impõe penalidade outrora inexistente. Acontece que, da análise do auto de infração combatido, não há como se identificar a data em que as importações foram realizadas, não se sabendo se ocorreram antes ou depois da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, que instituiu a penalidade aqui analisada. Logo, entendo que não se desincumbiu a fiscalização do seu ônus probatório quanto à constituição do crédito tributário exigido, tornando o auto de infração combatido nulo de pleno direito. Nesse mesmo sentido já manifestou o Julgador da DRJ Joaquim Jerônimo da Silva Filho (vide decisão proferida nos autos do Proc. nº 10675.003264/200630), cujo entendimento restou vencido naquela oportunidade pelo voto de qualidade. Por concordar com as razões de decidir ali apresentadas, transcrevo a seguir o seu teor: Da nulidade O art. 59, do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, lei instrumental no processo administrativo fiscal (PAF) determina: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Já o art. 142, do CTN, já referido neste voto, estabelece os requisitos essenciais ao lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por sua vez, a imposição do dever de a Administração motivar sua decisão para demonstrar a adequação do ato às suas exigências legais, pressupostos necessários de sua existência e validade são encontrados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e o artigo 50 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, esta aplicada subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Decreto 70.235/72 PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III a descrição do fato; Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 92 22 Lei nº 9.784/99 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Os dispositivos legais, acima transcritos, impõem a forma solene para a validade jurídica do auto de infração, como instrumento de exigência do crédito tributário. Essa forma solene visa resguardar a observância ao princípio da legalidade tributária, princípio basilar e norteador de toda atividade administrativa que, por sua vez, alberga o da tipicidade, conforme já dito. Atualmente se sobressai na esfera administrativa a idéia de que além das hipóteses listadas nos incisos I e II do artigo 59 do PAF, também falhas na observância aos requisitos estabelecidos no art. 142, do CTN, ou no art. 10, do PAF, podem redundar na nulidade do lançamento, sempre que tais vícios coloquem em dúvida a correição da constituição do crédito tributário. Vêse, por outro giro, que todos os dispositivos legais acima referidos se correlacionam, não podendo ser considerados isoladamente. No presente caso, estabelecendo uma relação entre eles, podese afirmar que a falha na descrição dos fatos (art. 10, inc. III, do PAF), ocasionou a ausência de motivação “explícita, clara e congruente” (art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99) que, por seu turno, inviabilizou a verificação da estreita e plena correspondência entre o fato jurídico e a hipótese de incidência, prevista na lei (se houve a aplicação da penalidade cabível – art. 142, do CTN). Conforme afirmado no tópico precedente, não há como se saber, pelo que se fez constar neste processo, quais os motivos que levaram o autuante a concluir que o Sr. Manoel Beijo Sobrinho seria a pessoa que promovera a “importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública”. O fato de ser ele o proprietário do estabelecimento comercial onde a mercadoria irregular foi apreendida não é suficiente, por si só, para caracterizar a conduta gizada pela lei. Acrescentese, ainda, que a inércia da fiscalização em proceder investigações acerca da importação, como a identificação do importador, a propriedade da máquina e a época em que houve a importação, fragiliza a atuação, afetando sua higidez. Por outro lado, a documentação trazida pelo impugnante, fls. 30/35, não traz elementos suficientes para provar que a máquina “caçaníqueis” apreendida está contemplada na importação a que se refere a aludida documentação. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 93 23 De modo que, sou por considerar o presente lançamento nulo, acatando as ponderações trazidas pela defesa. Cumpre registrar que não se observa natureza formal, mas sim material na falha apontada, pois o vício detectado repercute na essência do lançamento que, em sendo refeito, poderá trazer modificações em mais de um requisito essencial previsto no art. 142, do CTN, inclusive, naquele que se refere à identificação do sujeito passivo. Indeferese o pedido de intimação para o endereço do advogado da autuada. A intimação deve ser enviada para o domicilio fiscal do sujeito passivo, constante dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, em obediência ao disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelas Leis nos 9.532/1997, 11.196/2005, 11.457/2007 e 11.941/2009. CONCLUSÃO Diante do exposto e tudo mais que consta nos autos, voto no sentido de: I preliminarmente, a) REJEITAR o pedido de protesto genérico de provas; b) DECLARAR a NULIDADE do lançamento, por vício material, exonerando o crédito tributário exigido no valor de R$ 1.000,00. Nesta mesma decisão, o Julgador Ricardo Serra Rocha apresentou declaração de voto, através da qual trouxe outros fundamentos que reforçam o entendimento acerca da nulidade do auto de infração combatido. É o que se infere da passagem a seguir transcrita: É cediço que ao autor cabe a prova do fato constitutivo de seu direito, e ao réu, a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, não sendo suficiente a simples alegação, tudo em consonância com o art. 333 do Código de Processo Civil – CPC, in verbis: Civil – CPC, in verbis: Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Acerca desse dispositivo, assim leciona Humberto Theodoro Júnior 1: “Cada parte, portanto, tem o ônus de provar os pressupostos fáticos do direito que pretenda seja aplicado pelo juiz na solução do litígio. Quando o réu contesta apenas negando o fato em que se baseia a pretensão do autor, todo o ônus probatório recai sobre este. Mesmo sem nenhuma iniciativa de prova, o réu ganhará a causa, se o autor não demonstrar a veracidade do fato constitutivo do seu pretenso direito (...)”.(grifei) Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 94 24 Atualmente, não mais se admite que o lançamento possua caráter de prova pré constituída e nem que a sua presunção de legitimidade tenha o condão de inverter o ônus da prova, eximindo a Administração Tributária do dever de provar os fatos que alega. O art. 9º do Decreto nº. 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, textualiza que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os elementos indispensáveis à comprovação do fato, in verbis: Decreto nº 70.235/1972 Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, vigente à época) Nesse sentido, Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martínez López se manifestam: “No processo administrativo fiscal federal, temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar prova de sua ocorrência.(...)” (grifei) Ademais, no PAF (art. 29 do Decreto nº 70.235/1972) a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, in verbis: Decreto nº 70.235/1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ou seja, prevalece o princípio da livre convicção racional, pelo qual a autoridade é livre para decidir conforme a convicção que a prova lhe produzir, devendo, no entanto, fundamentar sua decisão. O próprio Código de Processo Civil (CPC), utilizado subsidiariamente ao PAF, também admite que, na análise das provas, a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, não estando adstrita sequer a laudos periciais, podendo formar sua convicção por outros elementos contidos nos autos, in verbis: Lei nº 5.869/1973 (CPC) Art. 436. O juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos. No caso em concreto, tenho que as provas trazidas aos autos se sustentam de forma primordial em Auto Circunstanciado, o qual relata que: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 95 25 Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo 2005.38.03.0087918, 2° VF/UBERLANDIA/MG, Foi apreendida pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal em 22/02/2006, 01 (uma) placa para máquina “CaçaNíquel”, no estabelecimento comercial denominado “BAR DO CESAR”, localizado na Rua Bueno Brandão, 1241 – Bairro Martins UberlândiaMG, de propriedade do Sr CÉSAR ODILON DE FARIA, conforme AUTO CIRCUNSTANCIADO K/88, assinado pelo Agente da Polícia Federal e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, responsáveis pelo cumprimento do mandado, a qual foi entregue ao responsável pelo Depósito de mercadorias Apreendidas da Delegacia da Receita Federal em UberlândiaMG, conforme Termo de Recebimento DRF/UBE/SAPOL/DMA n° 96/2006, de 22/02/2006. Em 23/03/2006, foi lavrado o Auto de Infração para aplicação da pena de perdimento das referidas placas, processo 10675.000926/200610. Todavia, o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decreto lei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. Pois bem. Reza o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN que a constituição do crédito se dá pelo lançamento, de competência privativa da autoridade fiscal, compreendido como o procedimento administrativo, vinculado e obrigatório, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, apurar o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 96 26 comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade. Dessa forma, privilegiandose a garantia constitucional da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/1988), aplicável tanto no âmbito judicial quanto no administrativo, e, considerandose que já fora dada à autoridade lançadora, por ocasião da constituição do crédito, oportunidade de trazer aos autos os necessários elementos probatórios, bem como, o princípio da interpretação benigna ao acusado, prescrito pelo art. 112 do CTN, devido remanescer dúvida quanto à subsunção dos fatos à norma, estou pela insubsistência do lançamento em discussão. Sobre o tema, também já se manifestaram Conselheiros do CARF, a exemplo do trecho voto a seguir colacionado, proferido pelo Conselheiro Gileno Gurjão Barreto no Acórdão nº 3302002.362, oportunidade em que foi acompanhado pelos Conselheiros Alexandre Gomes e Paulo Guilherme Deroulede: Conforme exposto, a multa ora questionada foi inserida no ordenamento jurídico através da Lei nº 10.833/03, sendo que os equipamentos foram apreendidos pela Receita Federal em fiscalização realizada em 22.02.2006, ou seja, posteriormente à entrada em vigor da referida norma. Ocorre, no entanto, que, se por um lado o contribuinte apresenta documentos de outras máquinas cuja importação ocorrera em data anterior (1999) à vigência do dispositivo punitivo, por outro a fiscalização aplicou lhe a multa sem também provar que aquela máquina teria sido importada posteriormente. Ademais, conforme brilhantemente exposto no voto do i. julgador Ricardo Serra Rocha, em nenhum momento a i. fiscalização comprovou se as referidas importações ocorreram antes ou depois da entrada em vigor da norma em questão. E uma vez que o tipo penal da norma recai sobre o ato de “importar”, importante essa análise. Por esse motivo, perfilome da declaração de voto proferida pelo i. julgador Ricardo Serra Rocha, que assim prescreve: “...o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decretolei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. Pois bem. Reza o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN que a constituição do crédito se dá pelo lançamento, de competência privativa da autoridade fiscal, compreendido como o procedimento administrativo, Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 97 27 vinculado e obrigatório, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, apurar o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade. Dessa forma, privilegiandose a garantia constitucional da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/1988), aplicável tanto no âmbito judicial quanto no administrativo, e, considerandose que já fora dada à autoridade lançadora, por ocasião da constituição do crédito, oportunidade de trazer aos autos os necessários elementos probatórios, bem como, o princípio da interpretação benigna ao acusado, prescrito pelo art. 112 do CTN, devido remanescer dúvida quanto à subsunção dos fatos à norma, estou pela insubsistência do lançamento em discussão. CF/1988 Art. 5º (...) LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de2004) Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; (...) Assim, com a devida vênia, entendo que não restaram configurados todos os elementos nucleares da relação jurídicotributária em pauta. Dessarte, uma vez ocorrida violação a quaisquer dos requisitos essenciais do lançamento, consubstanciase o chamado vício material; vício este que não se coaduna com a contagem de prazo decadencial prescrita pelo inciso II do artigo 173 do CTN, aplicável apenas na ocorrência de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 98 28 nulidade por vício de natureza formal, ou seja, não vinculado à parte substancial do ato. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ex positis, voto pela nulidade desta autuação pela ocorrência de vício material na edificação do lançamento, não se lhe aplicando a reabertura do prazo decadencial previsto no inciso II do art. 173 do CTN. Por derradeiro, anotese que ao considerar insubsistente o lançamento, não estou a asseverar que a defendente não cometeu a infração em litígio, mas sim que, conforme os elementos probatórios trazidos aos autos, a autoridade lançadora não demonstrou de maneira cabal a ocorrência do fato gerador desta penalidade, qual seja, importação de mercadorias estrangeiras de cunho atentatório à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, vez que não se preocupou em demonstrar minimamente a data de sua ocorrência e quem a praticou, haja concorrido, ou dela se beneficiado, estando assim, maculado o lançamento em apreço, por vício de nulidade material”. Ante o exposto, conheço do recurso e doulhe provimento. Por concordar com as razões acima apresentadas, as quais se adequam com perfeição à presente contenda, adotoas como razão de decidir. Em resumo, há de ser reconhecida a nulidade do auto de infração combatido em razão da ausência de elementos suficientes à confirmação acerca da aplicabilidade no tempo da penalidade aplicada ao caso concreto analisado, ou seja, se a norma já se encontrava em vigor à época da infração ali indicada (importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública). É importante que se ressalte que a conclusão a que se chega nesta oportunidade esbarra na identificação da nulidade do auto de infração combatido. Em outras palavras, não se está aqui dispondo que inexistiu a infração combatida, mas apenas que não é possível se aferir, da análise do auto de infração, se a norma que instituiu a penalidade encontravase vigente quanto aos fatos geradores aqui analisados. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de determinar o cancelamento do auto de infração em comento, em razão da sua nulidade por vício material. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 99 29 Como se vê, no voto acima transcrito, concluí pela nulidade do auto de infração combatido, embasada, primordialmente, no fato de que não seria possível, através da análise do auto de infração, confirmar a aplicabilidade no tempo da penalidade ali indicada. E, naquela oportunidade, fui acompanhada pelos Conselheiros Diego Weiss e Larissa Girard, tendo apenas o Conselheiro Carlos Alberto Esteves divergido do voto de minha relatoria, ali apresentado. No presente caso, é o Conselheiro Carlos Alberto Esteves quem, na qualidade de relator, apresenta as suas razões de decidir. Porém, guardada a devida vênia aos fundamentos ali apresentados, entendo que estes não abalam a conclusão a que cheguei quando do julgamento do Acórdão nº 3002000.104. A uma porque entendo equivocada a conclusão no sentido de que a data de referência para a lavratura do auto de infração, que constitui a exigência da multa, seja o dia da apreensão dos bens proibidos. Quanto a este ponto, a norma é clara ao dispor como infração punível com multa a "importação da mercadoria estrangeira (...)". A duas porque entendo descabida a análise do momento consumativo nos casos de contrabando ou descaminho, para fins de considerálos como crime permanente. Isso porque, a norma não descreve como infração punível o contrabando ou descaminho, mas, repisese, dispõe que a multa será imposta pela "importação de mercadoria estrangeira (...)", sendo esta aferível em um momento certo, preciso e específico. De outro norte, é válido mencionar que em sessão de julgamento realizada em junho de 2018, a Conselheira Larissa Girard esclareceu que, ao estudar melhor o assunto, chegou à conclusão diversa da outrora apresentada. Fundamentou o seu entendimento no fato de que, antes da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, a legislação pátria já possuía outras normas que impunham multa pela infração em questão, quais sejam, Decreto nº 91.030/1985 e Decreto nº 5.453/2002, in verbis: Decreto nº 91.030/1985 Art. 514 Aplicase a pena de perdimento da mercadoria (Decretolei nº 37/66, art. 105, e Decretolei nº 1.455/76. art. 23, IV, e parágrafo único): XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou ordem pública. Art. 525 No caso do inciso XIX do artigo 514, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de quarenta e quatro mil cruzeiros (Cr$ 44.000) (Decretolei nº 37/66. art. 109). Decreto nº 5453/2002 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 105, e Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 23 e § 1º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 59): XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública; Art. 638. No caso de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, a que se Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 100 30 refere o inciso XIX do art. 618, será ainda aplicada ao responsável pela infração a multa de R$ 18,34 (dezoito reais e trinta e quatro centavos) (Decretolei nº 37, de 1966, art. 109). Entendo, contudo, que os novos fundamentos, trazidos a julgamento pela ilustre Conselheira, tampouco abalam a conclusão a que cheguei anteriormente quando do Acórdão nº 3002000.104. A uma, porque é certo que o auto de infração combatido exigiu a multa objeto da Lei nº 10.833/2003, e não as multas exigidas pelos Decretos nº 91.030/1985 e 5.453/2002, que são distintas (Cr$ 44.000 e R$ 18,24, respectivamente). A duas porque as penalidades dispostas nos referidos decretos não possuíam o mesmo núcleo da infração ora analisada, visto que deveriam ser aplicadas "ao responsável pela infração", ao passo que a penalidade disposta na Lei nº 10.833/2003 dispõe que a penalidade deverá ser aplicada pela "importação de mercadoria estrangeira (...)". Até porque, penso que as penalidades descritas nos mencionados decretos não possuíam aplicabilidade, visto que impunham multas destinadas ao "responsável pela infração", sem precisar qual a infração a que estaria relacionada. A definição do núcleo infracional como sendo a "importação de mercadoria estrangeira" somente foi instituída pela Lei nº 10.833/2003, não podendo o seu conteúdo, portanto, ser aplicado retroativamente, atingindo importações ocorridas anteriormente à sua vigência. Nesse contexto, para que o auto de infração seja válido, é imprescindível que a fiscalização logre comprovar a ocorrência do fato gerador e o seu devido enquadramento na norma que impõe a penalidade descrita, inclusive no que tange ao seu aspecto temporal. Entendo, contudo, não ter a fiscalização de desincumbido do seu ônus no presente caso, o que torna nulo o auto de infração combatido. Ademais, é importante que se observe que a impossibilidade de confirmação acerca da aplicabilidade no tempo da penalidade aplicada não foi o único fundamento que levou à nulidade do auto de infração. Da leitura da integralidade do voto ali proferido, verifica se que também fora apresentada como razão de decidir o fato de a fiscalização tampouco ter logrado comprovar o vínculo existente entre o contribuinte responsabilizado e a infração apontada, não sendo possível, através do auto de infração, identificar, de forma precisa e fundamentada, a relação entre o fato jurídico e a hipótese de incidência. É o que se extrai das passagens a seguir colacionadas, extraídas do voto constante do Acórdão nº 3002000.104: De fato, é cediço que o Regulamento Aduaneiro estende a responsabilidade pela prática de infração aduaneiras àqueles que concorram para a sua prática ou dela se beneficiem. Para que possa imputar tal responsabilidade, contudo, é imprescindível que demonstre o vínculo existente entre o contribuinte responsabilizado e a infração apontada. (...). No presente caso, estabelecendo uma relação entre eles, podese afirmar que a falha na descrição dos fatos (art. 10, inc. III, do PAF), ocasionou a ausência de motivação “explícita, clara e congruente” (art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99) que, por seu turno, inviabilizou a verificação da estreita e plena correspondência entre o fato jurídico e a hipótese de incidência, prevista na lei (se houve a aplicação da penalidade cabível – art. 142, do CTN). Conforme afirmado no tópico precedente, não há como se saber, pelo que se fez constar neste processo, quais os motivos que levaram o autuante a Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10675.003349/200618 Acórdão n.º 3002000.206 S3C0T2 Fl. 101 31 concluir que o Sr. Manoel Beijo Sobrinho seria a pessoa que promovera a “importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública”. O fato de ser ele o proprietário do estabelecimento comercial onde a mercadoria irregular foi apreendida não é suficiente, por si só, para caracterizar a conduta gizada pela lei. Acrescentese, ainda, que a inércia da fiscalização em proceder investigações acerca da importação, como a identificação do importador, a propriedade da máquina e a época em que houve a importação, fragiliza a atuação, afetando sua higidez. Por outro lado, a documentação trazida pelo impugnante, fls. 30/35, não traz elementos suficientes para provar que a máquina “caçaníqueis” apreendida está contemplada na importação a que se refere a aludida documentação. De modo que, sou por considerar o presente lançamento nulo, acatando as ponderações trazidas pela defesa. Todavia, o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decreto lei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. (...). Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade.(Grifos apostos). Sendo assim, com fulcro nas razões acima elencadas, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de determinar o cancelamento do auto de infração em comento, em razão da sua nulidade por vício material. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.003492/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 15/10/2007, 16/10/2007
OCULTAÇÃO DO REAL EXPORTADOR NA IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Constatada a ocultação do real exportador na Declaração de Importação é cabível a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, pela impossibilidade de aplicação da pena de perdimento devido à sua comercialização. O importador declarado e o real adquirente respondem solidariamente pela infração.
Recurso voluntário improvido
Crédito tributário mantido
Numero da decisão: 3402-005.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra - Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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PENALIDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Constatada a ocultação do real exportador na Declaração de Importação é cabível a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, pela impossibilidade de aplicação da pena de perdimento devido à sua comercialização. O importador declarado e o real adquirente respondem solidariamente pela infração. Recurso voluntário improvido Crédito tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 34 92 /2 00 9- 43 Fl. 733DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Acórdão n.º 3402005.542 S3C4T2 Fl. 734 2 Relatório Por bem relatar os atos e fatos processuais, adoto o relatório da decisão recorrida, até aquela fase, como parte do presente relato: “Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 20/10/2009, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 225.224,16 em virtude dos fatos a seguir descritos. A ocultação do real exportador perante a Receita Federal do Brasil e os preços de importação declarados à Receita Federal do Brasil eram cerca de 60% inferiores àqueles declarados à Dirección Nacional de Aduanas. A prática deste ilícito ocorreu em outras 2 (duas) operações promovidas pela empresa STILE COMERCIAL "por conta e ordem" da adquirente MARKETBR, elencadas nos anexos deste Auto de Infração. Destes faz parte cópia de íntegra do processo de Perdimento de Mercadorias 10921.000519/200815, cujos dados são essenciais para a compreensão da cronologia dos fatos, do contraditório oferecido ao IMPORTADOR/ADQUIRENTE e da natureza dos ilícitos praticados. Face ao que determina o art. 23, §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. O contribuinte empresa MARKETBR COM. E DIST. DE APARELHO ELÉTRICOS E UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA foi cientificada do Auto de Infração via Aviso de Recebimento, em 13/11/2009 (folhas 380). Protocolizou impugnação, tempestivamente em 15/12/2009, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 402 à 452, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. [...] O contribuinte empresa STILE COMERCIAL LTDA foi cientificado do Auto de Infração via Aviso de Recebimento, em 13/11/2009 (folhas 383). Protocolizou impugnação, tempestivamente em 16/12/2009, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 564 à 572. O impugnante alegou que: DA NECESSIDADE DE SE DECLARAR NULO, COMPLETAMENTE NULO O AUTO DE INFRAÇÃO ORA CONTESTADO O auto de infração aqui defendido não poderá prosperar, devendo ser o auto de infração declarado nulo. Nulidade que se tipifica na medida em que o agente público não atendeu aos menores dos princípios legais exigidos à validade do ato administrativo. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Acórdão n.º 3402005.542 S3C4T2 Fl. 735 3 O agente, sobretudo, deixou de aplicar o princípio da legalidade, na medida em que, por sua conta e risco, simplesmente, decidiu que havia a interposição fraudulenta por meio de emprego de Fatura Falsa, por parte do exportador, e que em nenhum momento fora dado conhecimento ao defendente. Aliás, ele próprio, o agente fiscalizador, atesta que a defendente não tivesse conhecimento. Assim sendo, por tal desconhecimento, jamais poderia o defendente vir a figurar como um dos autuados. DE TODOS OS FATOS E FUNDAMENTOS LEGAIS QUE NOS CONDUZEM Á CONCLUSÃO DA ILEGALIDADE PLENA DO AUTO DE INFRAÇÃO AQUI CONTESTADO. Podese ver pelo documento aqui anexo, que a empresa defendente foi contratada pela empresa MARKETBR Comércio e Distribuição de Aparelhos Eletrônicos e Utilidades Domésticas Ltda., para intermediar negócios de comércio internacional da contratante, e assim o fez. É isto que está expresso no citado contrato, onde se pode ver quais são as obrigações da contratante, assim como aquelas da contratada. E pelo referido contrato se pode ver que a defendente opera como empresa que tem com fim único a nacionalização de produtos importados pela contratante. O contrato foi negociado para que a recorrente agisse em nome e por conta e ordem da contratada. E, assim, por força dos deveres e obrigações da empresa MARKETBR, jamais a aqui defendente poderia ter praticado quaisquer dos atos declinados no auto de infração pelo SENHOR AGENTE FISCAL. Vale isto dizer que o agente fiscal, buscando os dispositivos deste artigo 136, do CTN, lança a defendente como participe no 'citado plano internacional de adulteração de documentos na importação, e deste modo, a lança como responsável tributário pela multa aplicada. Esqueceuse o senhor agente fiscal de atentar para o fato de que a defendente simplesmente agiu a defendente simplesmente EXERCEU SUA ATIVIDADE PROFISSIONAL, SUA ATIVIDADE CONTRATUAL, tudo dentro dos mais elementares e básicos deveres traçados pela lei brasileira. A defendente em nenhum momento, em qualquer oportunidade poderia prever que haveria meios eficazes capazes de fazêla visualizar a existência dá pratica de ato ilícito naquelas operações de importação, qual seja, pelo uso de uma NOTA FISCAL FALSA pelo exportador. E, mais grave em tudo isto, é que com a benção e com a proteção da alfândega brasileira, que, por verificar da legalidade do ato de importar da MARKETBR LTDA, em dezembro de 2007, nacionalizou todos estes produtos, tendo todos eles sido por ela liberados, conforme se vê das Notas Fiscais emitidas pela ora contestante. Sem qualquer critério, sem qualquer justificativa, sem qualquer zelo ou preocupação o agente fiscal, utilizandose do Caminho mais curto, aplica o Fl. 735DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Acórdão n.º 3402005.542 S3C4T2 Fl. 736 4 artigo 136 do CTN e lança a DEFENDENTE como sujeito passivo desta obrigação tributária. É tudo muito estranho, na medida em que a defendente, na condição de executora das ordens, dos desejos do contratante, a MARKETBR LTDA; passa a ser o SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA, ficando nesta mesma ação fiscal a MARKET BR LTDA como devedor solidário. O defendente ao inverso, mesmo agindo em nome de terceiro a contratante MARKET BR LTDA, em nome desta nacionalizando todos aqueles produtos, sem ter obtido qualquer vantagem ou benefício com tais atos, aparece aqui como sujeito passivo da citada obrigação tributária. O defendente, nas condições aqui apresentadas, seria capaz de executar atos de importação, e jamais, em qualquer tempo, poderia ter a possibilidade de vir descobrir que NOTAS FISCAIS emitidas pela EMPRESA EXPORTADORA viessem ser falsas, como declarado no processo, através de investigação do próprio agentefiscal. Todos os documentos referentes àquelas duas nacionalizações operadas pela aqui defendente deixam claro, deixam transparente a lisura de seu comportamento, o que por si só, de plano afasta a aplicabilidade dos dispositivos do artigo 136 do CTN. Artigo este que não poderá ser aplicado a ferro e fogo, nas condições e formas que preferiu agente fiscal usar, onde só prejudica o defendente, de certa forma, protegendo a outra empresa, MARKETBR. DOS PEDIDOS. Por tudo o quanto, foi exposto, é o presente para REQUERER seja julgada procedente a defesa administrativa ora apresentada, julgando o Auto de Infração totalmente insubsistente, ante sua TOTAL NULIDADE, posto que fruto de ato totalmente ineficaz praticado pelo agente público, e, consequentemente seja arquivado, tudo por ser Direito e Justiça. Requer mais, sendo declarada a nulidade do referido auto de infração, seja o mesmo cancelado, tudo na forma da lei. Requer, alternativamente, entendo a autoridade administrativa da manutenção deste auto de infração, por questão de direito e, de justiça, seja excluído do mesmo, a pessoa da defendente como SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA, mantido em sendo o caso, somente em face da empresa MARKETBR COMERCIO E DISTRIBUIÇÃO DE APARELHOS LTDA.” Por meio do acórdão nº 1651.942, de 23 de outubro de 2013 (fls. 592 a 617), a 23ª Turma da DRJ em São Paulo I julgou improcedentes as impugnações da importadora STILE e do real adquirente MARKETBR, mantendo integralmente o lançamento. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/10/2007 Fl. 736DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Acórdão n.º 3402005.542 S3C4T2 Fl. 737 5 Ocultação do real exportador perante a Receita Federal do Brasil. Por meio de consultas ao Sistema de Comercio Exterior do Mercosul (Indira), a equipe de fiscalização da ALF/SFS/SC constatou que a empresa responsável pela respectiva operação de exportação era outra. Os preços de importação declarados eram cerca de 60% inferiores àqueles declarados à Aduana Uruguaia. O rito a ser aplicado é o do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, que substituiu a aplicação da pena de perdimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na sequencia do relato, adoto o relatório da Resolução 3402001.043 desta turma julgadora: “Há notícia nos autos (fl. 622/628) de pedido de parcelamento com base na Lei 11.941/09, feito pela empresa responsável solidária Marketbr (CNPJ 04.297.038/000129) em 05/12/2013, subscrito pelo sócio Moisés de Oliveira Tiago, referendado pela petição (fls. 658/661) datada de 20/12/2013. À fl. 699, despacho do então presidente da 3ª Seção, juntado aos autos em 11/11/2015 e assinado em 20/11/2015, determinando que a unidade de origem verificasse se houve desistência do recurso em face do aludido pedido de parcelamento. Não há despacho fundamentado da unidade local, porém foi anexado o extrato do processo (fls. 702/703), em 23/11/2015, no qual se constata que o crédito tributário está suspenso por conta do recurso a este Colegiado. Às fls. 705/706 despacho do residente do CARF, assinado em 20/05/2016, para que a unidade de origem saneasse o processo em virtude de situação incompatível do processo com situação de julgamento, uma vez constar o mesmo no Sief Processos na situação "devedor sem embargos" e não como deveria estar, "suspenso por julgamento". Foi alterado o CNPJ na base do COMPROT para o CNPJ da Stile Comercial Ltda. (fl. 708), "em virtude de incorreção detectada". A empresa responsável solidária, Marketbr Comércio e Distribuição de Aparelhos Eletrônicos e Utilidades Doméstica Ltda não recorreu da decisão a quo (fl. 654). A empresa contribuinte, não resignada com a r. decisão, interpôs recurso voluntário (fls. 631/641), no qual alega, em síntese: 1 Nulidade do auto de infração por têla colocado como devedora principal da obrigação tributária, colocando a adquirente, real compradora dos produtos importados "na condição única de devedora secundária da obrigação tributária", o que em seu entender subverteu a legislação, uma vez que a importação foi levada a efeito por ela "por conta e ordem de terceiro". Alega que "poderia figurar, talvez, como devedora subsidiária da adquirente, da mandante na operação de importação"; 2 – Não poderia ela, por força contratual, ter conhecimento de um possível documento falso integrante do processo de importação, pois "não teria condições de saber detalhadamente da forma e procedimentos adotados pela mandante, terceira, quando da aquisição dos produtos Fl. 737DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Acórdão n.º 3402005.542 S3C4T2 Fl. 738 6 importados no mercado internacional". Acresce que só "passa a funcionar no processo quando todos os papeis e procedimentos, com a negociação finalizada, entre a adquirente e exportador já estão concluídas"; 3 Argui, ainda, que em nenhum momento obteve qualquer benefício com os produtos importados, "principalmente de preço subfaturado", uma vez que as mercadorias importadas foram liberadas e entregues diretamente a adquirente Marketbr, sendo que a receita proveniente da venda no mercado interno, caso tenha havido, "foram diretamente para o caixa da empresa Marketbr".” Esta turma julgadora, em 26 de setembro de 2017, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscalizadora informe acerca do adimplemento ou não do parcelamento aderido pela MARKETBR, informando também se o mesmo se encontra ativo ou rescindido (Resolução 3402001.043 às fls.710 a 715). Em 29 de novembro de 2017, a Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Vitória/ES, apresentou sua Informação Fiscal (fl. 729), por meio da qual informou que o contribuinte solidário MKTBR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA tinha efetuado 16 (dezesseis) pagamentos, registrados sob o código do DARF 3926 – reabertura Lei 11941/2009 – RFB – Demais Débitos – Parcelamento de Dívidas art. 1º, e que o seu pedido foi CANCELADO administrativamente por falta de consolidação da dívida. Informou ainda que o interessado protocolizou o processo 13807.723781/201646 em 27/04/2016 para requerer a revisão da consolidação do pedido de parcelamento e que houve indeferimento do seu pleito. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre o lançamento da multa prevista no parágrafo 3º do artigo 23 do DecretoLei 1.455/76, em substituição à pena de perdimento da mercadoria importada pela impossibilidade de apreensão devido à sua revenda, conforme declaração da empresa MARKETBR (fls. 34 a 35). A infração imputada às empresas STILE e MARKETBR é o dano ao erário devido à ocultação do real exportador, nas operações de importação vinculadas às DI’s 07/14079477 e 07/14158423, registradas em 15/10/2007 e 16/10/2007, respectivamente. Ainda que a Autoridade Fiscal tenha se referido à prática de subfaturamento nas operações de importação e à utilização de documento falso nessas operações, a infração capitulada foi a ocultação do real exportador, conforme previsto no artigo 618 do Regulamento Aduaneiro/2002. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Acórdão n.º 3402005.542 S3C4T2 Fl. 739 7 A empresa MARKETBR não apresentou Recurso Voluntário. Consta a adesão da empresa no parcelamento da Lei 11.941/2009 e seu cancelamento, por falta de consolidação da dívida. Portanto, não consta nenhum parcelamento ativo em nome dos responsáveis solidários pelo débito lançado, e o Recurso Voluntário interposto pela empresa STILE deve ser julgado. Conforme relatado, a recorrente alega as seguintes questões: 1 Nulidade do auto de infração por têla colocado como devedora principal da obrigação tributária, colocando a adquirente, real compradora dos produtos importados "na condição única de devedora secundária da obrigação tributária", o que em seu entender subverteu a legislação, uma vez que a importação foi levada a efeito por ela "por conta e ordem de terceiro". Alega que "poderia figurar, talvez, como devedora subsidiária da adquirente, da mandante na operação de importação"; 2 – Não poderia ela, por força contratual, ter conhecimento de um possível documento falso integrante do processo de importação, pois "não teria condições de saber detalhadamente da forma e procedimentos adotados pela mandante, terceira, quando da aquisição dos produtos importados no mercado internacional". Acresce que só "passa a funcionar no processo quando todos os papeis e procedimentos, com a negociação finalizada, entre a adquirente e exportador já estão concluídas"; 3 Argui, ainda, que em nenhum momento obteve qualquer benefício com os produtos importados, "principalmente de preço subfaturado", uma vez que as mercadorias importadas foram liberadas e entregues diretamente a adquirente Marketbr, sendo que a receita proveniente da venda no mercado interno, caso tenha havido, "foram diretamente para o caixa da empresa Marketbr". Em resumo, a recorrente não questiona o cometimento da infração aduaneira, mas a responsabilidade a ela imputada no lançamento da sanção. De fato, constatase a comprovação da fraude praticada, conforme apontado pela Autoridade Fiscal e julgador a quo, conforme demonstra as telas do Sistema INDIRA (fls.67 e 77), faturas comerciais (fls.76 e 87), e emails trocados com a Aduana uruguaia (fls.7375 e 8286). A Autoridade Fiscal apresentou o demonstrativo com os valores declarados e aqueles informados pela Aduana uruguaia às fls.18 a 21. Passo à análise do tipo infracional em questão. Em seguida, será feita a análise da responsabilidade da recorrente. Do controle aduaneiro e das informações prestadas pelo importador na declaração de importação Toda a normativa de combate à interposição fraudulenta de terceiros no comércio exterior brasileiro fundamentase no artigo 237 da Constituição Federal, o qual consta a expressa referência ao Controle Aduaneiro pelo constituinte: “A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda.” Fl. 739DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Acórdão n.º 3402005.542 S3C4T2 Fl. 740 8 Dessa forma, o dispositivo constitucional reproduz a principal função aduaneira: o controle exercido sobre o comércio exterior. Tratase da adoção pelo constituinte brasileiro do princípio do controle aduaneiro, sem o qual não haveria a função aduaneira, bem como do princípio da soberania nacional. Podemos considerar o “Controle Aduaneiro” como o bem jurídico tutelado pelo Direito Aduaneiro, representando o poder soberano e o poder de polícia do Estado. Outra característica do Direito Aduaneiro é a formalidade requerida nos atos praticados junto à Administração Aduaneira, não como mera obrigação acessória e burocrática, mas como medida de controle e segurança dos próprios atos aduaneiros praticados. Portanto, toda a análise das normas infraconstitucionais aduaneiras e operações de comércio exterior deve ter como referência a obediência ao controle aduaneiro, por expressa determinação constitucional. No Brasil, o controle aduaneiro na importação, realizado através do despacho aduaneiro, está previsto no artigo 44 do DecretoLei nº 37/66, com redação dada pelo Decreto Lei 2.472/1988, verbis: Art.44 Toda mercadoria procedente do exterior por qualquer via, destinada a consumo ou a outro regime, sujeita ou não ao pagamento do imposto, deverá ser submetida a despacho aduaneiro, que será processado com base em declaração apresentada à repartição aduaneira no prazo e na forma prescritos em regulamento. Conforme previsão legal, o documento base para o despacho aduaneiro de importação é a Declaração de Importação (DI) apresentada pelo importador. Seu registro é de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e consiste em sua numeração por meio do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), servindo como termo inicial para o despacho aduaneiro e como referência para cálculo do Imposto de Importação. São informações prestadas exclusivamente pelo importador, através do SISCOMEX, registradas eletronicamente, recebendo uma numeração sequencial (número da DI). Assim, a Declaração de Importação deverá conter, além da identificação do importador, do exportador e do fabricante estrangeiro, a identificação, a classificação, o valor aduaneiro e a origem da mercadoria, e outras informações relativas à operação de importação, conforme determinação da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A identificação do importador, do exportador e do responsável pela operação é elemento indispensável para que a Administração Aduaneira exerça o devido controle sobre as operações de importação. Dando sequência às medidas de controle aduaneiro adotadas no início do século XXI, com a finalidade de combater a prática de ocultação do sujeito passivo nas operações de importação, foi editada, em 30 de dezembro de 2002, a Lei 10.637/2002. O artigo 59 da referida lei alterou a redação do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, incluindo, entre as infrações consideradas como “dano ao erário”, a hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Acórdão n.º 3402005.542 S3C4T2 Fl. 741 9 Em exame ao texto do inciso V do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, após a alteração processada pela Lei 10.637/2002, percebese que se refere, entre outras, à conduta configurada como infração aduaneira de ocultar o real sujeito passivo da operação de importação, ou seja, aquele que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional, utilizandose de artifícios fraudulentos ou de simulação, inclusive por interposição de pessoas. Ante a impossibilidade de prever, elencar e combater todas as consequências da ocultação das partes envolvidas na operação, o legislador optou por combater os meios de execução. O dano ao erário, decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial, é hipótese de infração de mera conduta, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, adquirente ou encomendante da mercadoria. Tratase de medida de proteção ao controle aduaneiro e, dessa forma, foi instituída em sua matriz legal, dentro do sistema administrativo aduaneiro. O tipo infracional consiste na conduta de “ocultar o sujeito passivo, real vendedor, comprador ou responsável pela operação”, mediante simulação ou fraude, inclusive por interposição de pessoas. Na interpretação da infração definida no artigo 23, V, §§ 1º e 3º, do Decreto Lei nº 1.455/1976, na redação da Lei nº 10.637/2002, a objetividade jurídica do tipo infracional consiste na tutela da regularidade do controle aduaneiro do comércio exterior, por meio da correta identificação das partes efetivamente envolvidas na operação de importação ou de exportação. Não há como compreender o sentido da infração desvinculado desse bem jurídico tutelado. Sem isso, o tipo infracional perde o referencial teleológico, dificultando sobremaneira a diferenciação entre a interposição fraudulenta e os simples casos de preterição de formalidades ou de irregularidades na aplicação nos regimes de importação. A análise do alcance do tipo infracional está diretamente ligada ao bem jurídico tutelado pelo Direito Aduaneiro: o controle. Destacase, mais uma vez, que a infração aduaneira tem natureza administrativa, não penal. Também não se trata de infração de natureza tributária, cujo bem jurídico tutelado seria a arrecadação. Aqui, importanos verificar se o ato violou as medidas de controle e segurança dos atos aduaneiros praticados, dentro do poder/dever da Aduana, com base na determinação constitucional do devido controle aduaneiro. A ocultação do sujeito passivo impacta de forma direta no controle aduaneiro, visto que as medidas impostas para se identificar o real interveniente nas operações de comércio exterior são violadas. A Aduana, com o sujeito oculto, não consegue identificar o interveniente, não consegue implementar as medidas de controle fiscal adequadas em relação àquela transação, dificultando o controle. A parametrização da Declaração de Importação para canais de conferência aduaneira (canais vermelho, verde, amarelo e cinza), que leva em conta o interveniente, é prejudicada com a ocultação, distorcendo o sistema de controle aduaneiro. A norma prevê, como hipótese infracional, as seguintes espécies de ocultação: (i) ocultação do sujeito passivo; (ii) ocultação do real vendedor; (iii) ocultação do comprador; ou (iv) ocultação do responsável pela operação (no sentido de causador da operação e não no sentido de responsável pelo crédito tributário). Portanto, a norma trata não apenas da ocultação do sujeito passivo, mas de todos envolvidos na cadeia comercial da operação de comércio exterior, inclusive aqueles que concorreram para a realização da operação comercial, cuja ausência e omissão impossibilitariam a realização da operação. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Acórdão n.º 3402005.542 S3C4T2 Fl. 742 10 A ocultação estaria vinculada especialmente à Declaração de Importação (DI) e à fatura comercial. Destacase a obrigatoriedade de identificação na DI do sujeito passivo (contribuinte e responsável tributário, este na figura do adquirente da mercadoria importada por sua conta e ordem, e do encomendante da mercadoria importada por encomenda) e do vendedor estrangeiro. Dessa forma, a não identificação de qualquer dos intervenientes configura a ocultação. Destacamos que se trata de uma infração de natureza administrativa, e não penal. A permeabilidade principiológica entre os ramos sancionadores não pode ser aplicada de forma geral e irrestrita, mas apenas naqueles casos previstos pelo legislador, quando da efetiva elaboração da legislação infracional administrativa, além dos princípios oriundos da Constituição. Portanto, não importa aqueles requisitos objetivos e subjetivos específicos previstos na legislação penal para a configuração da infração, mas tão somente aqueles previstos na legislação aduaneira, de natureza administrativa. A ocultação do exportador estrangeiro, quando comprovada, é exatamente o requisito que prevê a norma. Da responsabilidade da importadora na infração aduaneira A norma instituidora do Imposto de Importação, o DecretoLei nº 37/1966, base legal do Regulamento Aduaneiro brasileiro, trata das infrações aduaneiras em seu artigo 94, verbis: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que não estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O ponto de partida para a análise das infrações aduaneiras é a violação do bem jurídico tutelado: o controle aduaneiro. Na análise do tipo infracional aduaneiro e sua correspondente penalidade administrativa/aduaneira, a ação ou omissão definida pela legislação aduaneira como infração deve ser considerada independentemente de sua finalidade arrecadatória (matéria de Direito Tributário ou Direito Penal Tributário) e levando em conta o bem jurídico tutelado: o controle aduaneiro. Neste ponto é importante delimitarmos o alcance da matéria objeto de estudo e as considerações acerca da permeabilidade principiológica dos diferentes ramos do Direito. Estamos tratando de infrações aduaneiras, de natureza administrativa, não de infrações penais, sujeitas a regras e princípios próprios desse ramo jurídico. O Direito Penal, diferentemente do Direito Administrativo e do Direito Aduaneiro, cujos bens jurídicos tutelados são, respectivamente, o interesse público e o controle aduaneiro, não comporta a tutela de apenas um bem jurídico. Pelo contrário, possui um caráter Fl. 742DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Acórdão n.º 3402005.542 S3C4T2 Fl. 743 11 fragmentário, representando a última ratio do sistema, para a proteção daqueles bens e interesses de maior importância para o indivíduo e a sociedade à qual pertence. Dessa forma, como resposta aos conflitos a que se dispõe resolver, o Direito Penal estabelece uma diversidade de sanções específicas, com o fito de produzir efeitos, tanto em relação ao indivíduo delinquente (finalidade repressiva) quanto em relação aos demais indivíduos inseridos num contexto social (finalidade preventiva). Caracterizando o fato ilícito, típico e culpável, portanto, impõe a norma jurídica uma sanção que se torna efetiva por meio do devido processo legal, sendo respeitados o contraditório e a ampla defesa. No Direito Penal, as sanções mais comuns são as penas privativas de liberdade, as penas restritivas de direito e as multas. Dessa forma, a pena de perdimento, tão cara ao Direito Aduaneiro e prevista no art. 5o, XLVI, “b” da Constituição Federal, aparece no Código Penal apenas como uma alternativa à reclusão e à detenção, penas que recaem sobre um dos bens jurídicos mais importantes no Estado Democrático de Direito: a liberdade. Ademais, tendo em vista a relevância dos bens jurídicos tutelados pelo Direito Penal e a gravosidade dos meios utilizados pelo Estado para penalizar o indivíduo infrator, tornase necessária a existência de limites concretos ao poder estatal, de forma a afastar os excessos e a arbitrariedade na sua atuação. O regime jurídico administrativo apresenta, como seus pilares, o princípio da supremacia do interesse público sobre o privado e o princípio da indisponibilidade do interesse público. Além disso, tal regime jurídico está permeado pelos princípios gerais de repressão, essenciais ao Direito Penal, e cuja previsão legal encontrase expressa no Código Tributário Nacional, com extensão sobre o Direito Tributário Sancionador e sobre a matéria tributária aduaneira: princípio da legalidade (art.97, V); princípio da retroatividade benigna (art.106); princípio da interpretação mais favorável ao acusado (art.112); princípio do arrependimento posterior, equivalente à denúncia espontânea (art.138). Todos os princípios supracitados são considerados plenamente aplicáveis ao Direito Tributário Aduaneiro Sancionador. O mesmo ocorre com os princípios derivados da própria Constituição Federal. Entretanto, no que diz respeito aos demais princípios penais, sua aplicação deverá ser subsidiária, desde que não conflitante com outra norma administrativa/aduaneira. É preciso, também, diferenciar a aplicação da responsabilidade objetiva no âmbito das infrações aduaneiras/administrativas e penais. No Direito Penal, a teoria da imputação objetiva ainda se encontra em fase de desenvolvimento pela da doutrina, aplicando se a parcela restrita dos tipos penais que se caracterizam como crimes de resultado (materiais); no regime jurídico administrativo, mostrase como a mais satisfatória para atender aos anseios do interesse público, ao excluir o papel da vontade sob qualquer ótica e permitir a socialização de eventual dano ao erário de forma mais eficiente. Além disso, a ideia de “culpabilidade” no âmbito penal, analisada tanto como fundamento da pena (fato típico, ilícito e culpável) quanto como princípio que impede a responsabilidade penal objetiva, exigindo dolo ou culpa para atribuição da sanção penal, presume a existência de uma consciência humana que realiza determinada conduta, fruto de sua vontade. Desse modo, tal ideia não pode ser aplicada à realidade fáticajurídica das normas administrativas, cujos comandos se dirigem também às pessoas jurídicas, que não possuem a consciência como atributo. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Acórdão n.º 3402005.542 S3C4T2 Fl. 744 12 Portanto, consideramos a plenitude da responsabilidade objetiva para as infrações de natureza aduaneira/administrativa, prevista no artigo 94, §2º do DecretoLei nº 37/19661, que afasta o aspecto volitivo na análise do tipo infracional, não sendo necessário apreciar a questão da “culpabilidade” do agente para configurar a infração aduaneira2. A recorrente alega a nulidade do auto de infração, por têla colocado como devedora principal da obrigação tributária, podendo figurar como devedora subsidiária da adquirente, da mandante na operação de importação. Segundo suas alegações, não poderia ela, por força contratual, ter conhecimento de um possível documento falso integrante do processo de importação. Também alega que não obteve qualquer benefício com os produtos importados. Não assiste razão à recorrente. Conforme exposto, a responsabilidade pela infração aduaneira é objetiva, e independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Nas operações por conta e ordem de terceiros, ainda que a aquisição da mercadoria seja feita pelo real adquirente, as operações são registradas em nome da importadora, e ela é corresponsável pelas declarações prestadas à Autoridade Aduaneira e pelos documentos apresentados. Não procede qualquer alegação de desconhecimento de fraude praticada em seu nome. Nas operações de comércio exterior, especialmente naquelas praticadas por empresas que regularmente operam no mercado, pressupõe o pleno conhecimento dos agentes, partes do contrato e responsabilidade solidária nas operações praticadas, sendo imprescindível que cada agente aja com diligência e controle da operação realizada em seu nome. Conforme leciona Sacha Calmon, “o contribuinte é responsabilizado por culpa in elegendo e in vigilando” 3. Destacase que ambas as empresas, STILE e MARKETBR, respondem solidariamente pelos valores lançados, com base nos artigos 103, I e 105, III do RA/2002, visto que inexiste a modalidade de responsabilidade subsidiária, como quer a recorrente. 1 Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. [...] § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 2 O Professor Sacha Calmon Navarro Coelho, em seu estudo sobre o artigo 136 do CTN e a responsabilidade objetiva nas infrações tributárias, demonstrou que o Direito Tributário sancionador era incompatível com a ideia de culpabilidade prevista nas normas penais, por ser as infrações tributárias destinadas às pessoas jurídicas, que não possuíam o elemento de “vontade”. Assim afirmou o professor: “Quanto aos elementos estruturais, a infração fiscal apresentaos diversos dos observáveis na infração penal (delitos e contravenções). [...] Em princípio, a intenção do agente (melhor seria dizer do sujeito passivo) é irrelevante na tipificação do ilícito fiscal E deve ser assim. O error juris infracional ou extrainfracional não deve ter cabida no Direito Tributário sancionatório. Se fosse permitido alegar a ignorância da lei fiscal, no caso a lei extrainfracional, estaria seriamente embaraçada a ação do Estado contra os sonegadores de tributos, e aberto o periculum in mora. Seria um pretexto elástico a favorecer certos experts antes que um imperativo de justiça em favor de supostos homens de bona fide. [...]. Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer previstos na legislação. Esta é a sua característica básica”. (COELHO, Sacha Calmon Navarro. Multas fiscais. O art. 136 do CTN, a responsabilidade objetiva e suas atenuações no sistema de direito tributário pátrio. In: Revista Dialética de Direito Tributário n.138. São Paulo: Dialética, 2007, p.123131) 3 COELHO, 2007, p.127. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 12466.003492/200943 Acórdão n.º 3402005.542 S3C4T2 Fl. 745 13 O Regulamento Aduaneiro, ora vigente, com base no artigo 95 do Decretolei 37/66, assim dispõe sobre a responsabilidade pela infração aduaneira: Art. 674. Respondem pela infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; [...] V conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora (DecretoLei no 37, de 1966, art. 95, inciso V, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.158 35, de 2001, art. 78); e [...]. Dessa forma, a responsabilidade solidária de ambos os agentes também está expressa no dispositivo regulamentar, não sendo possível seu afastamento neste processo administrativo fiscal. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 745DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.720022/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 12/01/2005
MERCADORIA CLASSIFICADA INCORRETAMENTE EM DESTAQUE TARIFÁRIO DA NCM/TEC. MULTA DE 1% SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
As mercadorias importadas classificam-se corretamente no código da NCM 8457.10.00, não acobertadas, todavia, pelo destaque tarifário 001 cabendo, portanto, a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias importadas (1%), de acordo com o artigo 84, inciso I, da MP nº 2.15835, de 2001, c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3401-005.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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MULTA DE 1% SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. As mercadorias importadas classificamse corretamente no código da NCM 8457.10.00, não acobertadas, todavia, pelo destaque tarifário 001 cabendo, portanto, a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias importadas (1%), de acordo com o artigo 84, inciso I, da MP nº 2.15835, de 2001, c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 22 /2 00 7- 77 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13609.720022/200777 Acórdão n.º 3401005.103 S3C4T1 Fl. 308 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em razão do enquadramento incorreto das mercadorias importadas por meio da DI nº 05/00406612, no Extarifário nº 001 da NCM 8457.10.00, conforme Resolução Camex nº 16, de 11/06/2004. A fiscalização na ALF Santos entendeu que a mercadoria não se enquadrava no Extarifário e lavrou Auto de Infração, constante do processo administrativo nº 11128.001449/200598, para a cobrança da diferença do II (de 2% para 14%), diferença de IPI, diferenças das contribuições, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%. Posteriormente foi constatado que não houve a cobrança da multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias pelo enquadramento incorreto no Ex tarifário, e por isso lavrado outro Auto de Infração, que consta do presente processo, conforme artigo 84, inciso I, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº10.833, de 2003. A DRJ Recife julgou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, prolatando o acórdão nº 1139.253, de 19 de dezembro de 2012: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/01/2005 Mercadoria classificada incorretamente em Destaque Tarifário da NCM/TEC. Multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e as Regras Gerais Complementares (RGC) são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum (NCM/TEC/2007), aprovada pela Resolução Camex nº 16 de 2004, vigente à época do fato gerador. Centro de usinagem para perfis metálicos, com comando numérico computadorizado (CNC), cabeçote universal com giro automático, permitindo a utilização vertical e horizontal, troca entre posições do cabeçote igual ou inferior a 5 segundos, eixos controlados, potência máxima de 7kw, curso X,Y e Z igual ou superior a 3.450 x 300 x 295mm, respectivamente, rotação máxima de fuso igual a 18.000 RPM, velocidade de avanço máxima em 40.000mm/min., em Y 20.000 mm/min, e em Z 14.600mm/min, aceleração do eixo X,Y,Z 1.660 mm/min, magazine com capacidade para 3 + 1 ferramentas, modelo DMC 125 U, nºs de série: 11210002213 e 11210002223, ano de fabricação: 2004, apresentandose com acessórios, denominado comercialmente de: “Centro de usinagem universal”. As mercadorias importadas classificamse corretamente no código da NCM 8457.10.00, não acobertadas, todavia, pelo destaque tarifário 001 contido nessa Subposição, ao amparo da Resolução Camex nº 16, de 11.06.2004, cabendo, portanto, a aplicação da multa proporcional ao valor aduaneiro das Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13609.720022/200777 Acórdão n.º 3401005.103 S3C4T1 Fl. 309 3 mercadorias importadas (1%), de acordo com o artigo 84, inciso I, da MP nº 2.15835, de 2001, c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/01/2005 Revisão Aduaneira. O reexame da classificação fiscal utilizada pelo importador, e a decorrente reclassificação dos produtos importados em código da NCM/TEC diverso daquele informado nas declarações não caracteriza alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa, no exercício do lançamento, para os efeitos do artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN). Jurisprudência administrativa e judicial. Efeitos. O alcance dos efeitos advindos de sentenças administrativas e judiciais circunscrevese às partes envolvidas na lide e ao caso concreto julgado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/01/2005 Perícia. Indeferimento. Dispensável a produção de laudo a respeito dos bens importados, uma vez que não há dúvida sobre as suas especificações técnicas; a autuação deuse em virtude do incorreto enquadramento das mercadorias em destaque tarifário incluído no código 8457.10.00. Pedido indeferido, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, c/c artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. O auto de infração que consta no processo nº 11128.001449/200598 foi julgado pela 1ª Turma DRJ SPO II, que prolatou o Acórdão nº 1729.541, em 15.01.2009, julgando improcedente a impugnação e mantendo na íntegra, o crédito tributário objeto daquela autuação, conforme se depreende da ementa da decisão: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/01/2005 Centros de Usinagem, modelo DMC 125U. O produto importado através da Declaração de Importação 05/00406612, plenamente identificado pelo Laudo Pericial não atende aos requisitos técnicos previstos no Extarifário No. 01 instituído pela Resolução CAMEX no. 16/2004. Lançamento procedente. Em 28/01/2014 a empresa protocolou pedido de desistência do recurso voluntário constante do processo nº 11128.001449/200598, por ter aderido ao parcelamento especial em face das disposições previstas na Lei nº 11.941/2009, com as alterações da Lei nº Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13609.720022/200777 Acórdão n.º 3401005.103 S3C4T1 Fl. 310 4 12.865/2013, combinado com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 07/2013, recolhendo os valores devidos com as reduções legais permitidas e apresentando os respectivos DARF´s. Entretanto não consta do presente processo a desistência do Recurso Voluntário, e consultando o processo nº 11128.001449/200598 não foi possível identificar se houve pedido de parcelamento para esse processo. Regularmente intimada em 07/01/2013, por via postal, a empresa apresenta Recurso Voluntário, em 05/02/2013, onde aduz em síntese: 1) Que já havia sido autuada pela ALF Santos e que por isso o lançamento não poderia ser alterado, já que envolve o mesmo fato gerador; 2) Que segundo o art. 146 do CTN a modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa somente pode ser efetivada quanto a fato gerador posterior; 3) Que segundo a jurisprudência dominante dos tribunais não pode ser alterado o lançamento pelo erro de classificação tarifária em ato de revisão aduaneira; 4) Cerceamento do direito de defesa por não ter apreciado no julgamento de 1ª instância o pedido de produção de provas e diligência; 5) Que a mercadoria importada é exatamente a descrita no Extarifário, inclusive tendo sido efetuada a identificação da mercadoria por assistente técnico oficial nomeado pela ALF Santos; 6) Que não houve erro de classificação tarifária, mas apenas não reconhecimento do enquadramento no Extarifário; 7) Que é ilegal a incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic; 8) Pede produção de provas e formula requisitos com relação a identificação da mercadoria. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Em apertada síntese a empresa foi autuada pela ALF Santos que entendeu que a mercadoria importada não se enquadrava no Extarifário, processo administrativo nº 11128.001449/200598, e cobrou a diferença do II (de 2% para 14%), diferença de IPI, diferenças das contribuições, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%. Posteriormente a IRF constatou que não houve a cobrança da multa de 1% sobre o valor Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13609.720022/200777 Acórdão n.º 3401005.103 S3C4T1 Fl. 311 5 aduaneiro das mercadorias pelo enquadramento incorreto no Extarifário, e por isso lavrou outro Auto de Infração. A recorrente alega que já havia sido autuada pela ALF Santos e que por isso o lançamento não poderia ser alterado, já que envolve o mesmo fato gerador; que segundo o art. 146 do CTN a modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa somente pode ser efetivada quanto a fato gerador posterior; e que segundo a jurisprudência dominante dos tribunais não pode ser alterado o lançamento pelo erro de classificação tarifária em ato de revisão aduaneira. Entendo que é plenamente regular a feitura de lançamento complementar diante da certificação de incorreções e inexatidões em exames supervenientes desde que promovido com coerência lógica com os fundamentos jurídicos e conclusões assentadas na autuação originária, bem assim com observância com os demais pressupostos normativos essenciais para determinação da validade do auto de infração. O auto de infração complementar esta de acordo com o estipulado pelo art. 149, inciso I, do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; ... Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Foi constatado, em revisão do primeiro lançamento efetuado, que não havia sido lançada a multa por erro na identificação da mercadoria, conforme artigo 84, inciso I, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001, combinado com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº10.833, de 2003. Ou seja, a lei determinou a aplicação da multa quando apurada a classificação incorreta da mercadoria, e foi o que foi efetuado na presente autuação. Ademais a alegação quanto a proibição de mudança de critério jurídico estipulada pelo art.146 do CTN não merece prosperar já que não ocorreu. A mudança de critério jurídico é a adoção de determinada interpretação pela administração: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. As duas autuações foram efetuadas sobre a desclassificação da mercadoria dentro do Extarifário e por isso na primeira autuação foi cobrada a diferença de tributos e a multa de ofício de 75%, e na segunda autuação foi cobrada a multa de 1% pela classificação incorreta da mercadoria. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13609.720022/200777 Acórdão n.º 3401005.103 S3C4T1 Fl. 312 6 A jurisprudência dos tribunais, judiciais e administrativos, ainda não logrou unanimidade para chegar aos limites da revisão aduaneira. O que temos hoje é a previsão legal para sua realização no DecretoLei nº 37/66: Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o artigo 44 deste DecretoLei. E esclarecendo esse dispositivo temos o disciplinamento da questão no Regulamento Aduaneiro: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Quanto a alegação de cerceamento do direito de defesa por não ter sido apreciado no julgamento de 1ª instância o pedido de produção de provas e diligência, não assiste razão a recorrente. Conforme trecho extraído do acordão recorrido, o pleito foi apreciado: Da Perícia. Indeferimento De acordo com o artigo 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, com suas atualizações, os laudos ou pareceres de Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados, nos aspectos Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13609.720022/200777 Acórdão n.º 3401005.103 S3C4T1 Fl. 313 7 técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Não obstante a grande significação da perícia como meio de apuração de fatos cujo conhecimento depende do saber e da experiência de técnicos, os julgadores não estão vinculados às conclusões dos laudos. Em verdade, tais conclusões poderão até ser desprezadas, dado que, como as demais provas, a pericial, no sistema probatório pátrio, também se sujeita à livre apreciação motivada do juiz. Indeferese o pedido de perícia feito pela defendente, nos termos do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011, c/c artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/ a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, posto que, na hipótese tratada no presente processo, a produção de laudo técnico sobre os Centro de usinagem importados e os demais documentos integrantes dos autos revelaramse suficientes para a formação de convicção e consequente julgamento do feito. Indeferese, também, o pleito de diligência ao MDIC, a fim de que esse Ministério junte aos autos documentos e responda aos questionamentos que a defendente elaborou, no subitem 6.5 de sua impugnação, porquanto se entende que as perguntas por ela elaboradas já foram satisfatoriamente respondidas, por toda a documentação agregada ao AI, a saber: a) os equipamentos importados caracterizamse como Centros de usinagem para perfis metálicos; b) as diferenças entre os Centros de usinagem para perfis metálicos e os Centros de usinagem “universal” (assim denominados pelo importador nos documentos de importação) têm as suas especificações distintas devidamente demonstradas quando da comparação do texto do “EX” com a descrição das mercadorias nos documentos de importação, bem como consta do laudo técnico apresentado pela autoridade lançadora. Conforme relatado em 28/01/2014 a empresa protocolou pedido de desistência do recurso voluntário constante do processo nº 11128.001449/200598, por ter aderido ao parcelamento especial em face das disposições previstas na Lei nº 11.941/2009, com as alterações da Lei nº 12.865/2013, combinado com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 07/2013, recolhendo os valores devidos com as reduções legais permitidas e apresentando os respectivos DARF´s. Sobre a constituição do crédito tributário, é didática esta passagem expressada por Claudia Maria Dadico e Ingrid Schroder Sliwka (Medidas assecuratórias do crédito tributário: cautelar fiscal, indisponibilidade de bens e BacenJud. Porto Alegre: TRF – 4ª Região, 2006 (Currículo Permanente. Caderno de Direito Tributário: módulo 1): Este procedimento de constituição do crédito tributário é dividido em duas fases: a fase oficiosa, em que a autoridade administrativa levanta as informações necessárias à lavratura do lançamento, materializao documentalmente e notifica o Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13609.720022/200777 Acórdão n.º 3401005.103 S3C4T1 Fl. 314 8 contribuinte de seu conteúdo; e a fase contenciosa, que se inicia quando o contribuinte recebe a notificação, facultandolhe o direito de impugnar o crédito na via administrativa. Somente com a manifestação final da autoridade administrativa acerca das impugnações e dos recursos interpostos pelo contribuinte é que o crédito considerase definitivamente constituído. Dessa forma, consoante esclarece Bernardo Ribeiro de Moraes, quando o sujeito passivo recebe a notificação do lançamento, há a constituição provisória do crédito tributário... A constituição definitiva (concluída definitivamente) do crédito tributário se dá quando o sujeito passivo deixa de impugnar o lançamento tributário já notificado, ou, mesmo impugnado, quando exista a final manifestação da autoridade administrativa, uma vez esgotados os recursos administrativos. E conforme esclarece Leandro Paulsen (Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010): O CTN não regula claramente a formalização do crédito por meio de declaração ou confissão do contribuinte [...]. Em verdade, quando o contribuinte, embora não efetuando o pagamento, reconhece formalmente o débito, ainda que com ele não concorde, por meio de declarações (obrigações acessórias), confissões (e.g., para a obtenção de parcelamentos) ou mesmo da realização de depósito suspensivo da exigibilidade, resta dispensado o lançamento, pois tudo o que o ato de lançamento por parte da autoridade apuraria já resta formalizado e reconhecido pelo contribuinte. Portanto, as declarações realizadas pelo contribuinte têm o condão de constituir o crédito tributário, dispensandose qualquer outra providência por parte do fisco. Após sua entrega ou depois de vencido o prazo para o pagamento (o que ocorrer depois) permite a inscrição em dívida ativa e posterior ajuizamento da execução fiscal. Isso restou cristalizado na Súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça: “A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco”. Concluímos que como houve pedido de parcelamento pelo contribuinte no processo nº 11128.001449/200598 não há mais discussão a respeito da correta classificação da mercadoria, tornandose definitiva a discussão. Segundo o Ricarf, art. 6º do anexo, existem processos que por sua natureza poderão ser vinculados. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13609.720022/200777 Acórdão n.º 3401005.103 S3C4T1 Fl. 315 9 I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Como o presente processo é uma auto de infração complementar e conexo com o processo que deu origem a autuação, esse já com julgamento definitivo, podemos então partir para a discussão sobre a aplicação da multa de 1% sobre o valor da mercadoria. A multa foi aplicada ao amparo do artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, combinado, com os artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833, de 2003, abaixo transcritos: Art. 84 Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis.” (Grifos nossos) Art.69. A multa prevista no art.84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13609.720022/200777 Acórdão n.º 3401005.103 S3C4T1 Fl. 316 10 § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador/adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque.” (Grifos nossos) Logo, portanto correta a aplicação da multa, já que ficou comprovado no processo nº 11128.001449/200598 que a mercadoria foi enquadrada incorretamente no Ex tarifário, e conforme a legislação citada a multa aplicase à incorreta classificação da mercadoria na nomenclatura NCM e seus outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria, sendo que o Extarifário esta incluído nos detalhamentos citados. Quanto a aplicação do ADN CST nº 29/1980 questionado pela recorrente temos que ele se refere aos casos em que é aplicável o Extarifário mas a classificação da mercadoria foi efetuada incorretamente, o que não é a situação que se apresenta. A respeito da incidência de juros de mora sobre o crédito tributário, calculados pela taxa Selic e sua inconstitucionalidade, temos que os juros de mora estão regulados pelo artigo 161 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A conclusão que pode ser extraída do texto do retro citado dispositivo é a de que a forma de imposição e cálculo dos juros moratórios que serão acrescidos aos créditos tributários não pagos, nos respectivos prazos, será regulada em lei, e neste caso, lei ordinária, Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13609.720022/200777 Acórdão n.º 3401005.103 S3C4T1 Fl. 317 11 uma vez que a matéria não é de reserva de norma de hierarquia superior. Desta forma, o quantum previsto no CTN somente é aplicável de forma supletiva, na ausência de lei que discipline a matéria, o que não constitui a hipótese em exame, conforme a seguir se demonstra. A Lei nº 8.981 de 23/01/1995 estabeleceu, no seu art. 84, I, que os juros de mora seriam equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional, relativa à Dívida Mobiliária Federal interna. A Medida Provisória (MP) nº 947, de 23/03/1995, em seus arts. 13 e 14, alterou o disposto para juros de mora e estabeleceu que seriam equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), com aplicação a partir de 01/04/1995. A MP nº 972, de 22/04/1995, convalidou a Medida Provisória anterior e, finalmente, a Lei nº 9.065 de 21/06/1995, no seu art. 13, reafirmou o art. 13 das duas Medidas Provisórias retro mencionadas. Por último, os juros SELIC foram ratificados pela Lei nº 9.430,de 27 de dezembro de 1996, art. 61. Como se verifica, a adoção da taxa de referência Selic como medida de percentual de juros de mora sobre tributos não pagos nos prazos legais se fez via lei ordinária já reportada, conforme faculta o CTN, art. 161, § 1º. Ademais sobre a inconstitucionalidade o CARF já sumulou o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 317DF CARF MF
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Numero do processo: 10813.000294/2010-49
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
Numero da decisão: 1003-000.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 144, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 3. 00 02 94 /2 01 0- 49 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10813.000294/201049 Acórdão n.º 1003000.121 S1C0T3 Fl. 48 2 17.05.2010, fl. 20, com efeitos a partir de 01.06.2009, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O Delegado da Receita Federal do Brasil de Ribeirão PretoSP, no uso das suas atribuições e tendo em vista o disposto no inciso Vil do art. 29 da Lei Complementar n° 123 de 14 de dezembro de 2006 e no § 1° do art. 4° da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e do que consta no Processo Administrativo n° 10813.000294/201049, determina: 1 A exclusão da empresa DIRCE LUGATTO ZAGO LANCHONETE ME, CNPJ n° 07.820.972/000171, situada na Rua do Hospital, n° 44, Bairro Centro, Viradouro/SP, do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. 2 A exclusão surtirá efeito a partir de 01/06/2009. 3 Poderá a empresa, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste ADE, manifestarse por escrito, sua inconformidade relativamente ao procedimento acima, ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, nos termos do Decreto n" 70.235, de 06 de março de 1972. (grifos do original) Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1440.572, de 27.02.2013, efls. 3739: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 26.03.2013, efl. 42, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 22.04.2013, efls. 4445, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. A respeito do motivo do ato de exclusão esclarece que: 1º A requerente, sendo uma empresa idônea e contribuinte rigorosa de seus impostos, julga merecer crédito aos motivos que a impediram de proceder a impugnação do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n°. 0810900/00318/10 10813000.292/201050, caracterizando os mesmos á Revelia. 2º A titular da empresa e seu cônjuge passaram por diversos problemas de saúde, inclusive o cônjuge contraiu um câncer, do qual foi submetido a tratamento prolongado, fato este que abalou psicologicamente toda família. 3º Ocorreu que a empresa, sendo administrada e gerenciada pelo casal, ficou por algum tempo sob o comando revezado da família. Um sobrinho, que se colocou a disposição para ajudar em momento tão difícil, estava no estabelecimento no dia da apreensão efetuada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo e não apresentou os argumentos precisos em defesa da requerente pelo simples fato de não estar Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10813.000294/201049 Acórdão n.º 1003000.121 S1C0T3 Fl. 49 3 inteirado sobre o assunto. E vejam, os maços de cigarros não estavam em local visível e de acesso ao consumidor e tão pouco expostos, de modo que poderia render dinheiro. Estavam simplesmente guardados em local de conhecimento apenas dos usuários dos mesmos. 4º A família, constituída por cinco pessoas, sendo todas fumantes, compravam cigarros em maior quantidade para servir a todos e, de fato, os pacotes ficavam no estabelecimento comercial, que se encontra anexo a residência familiar, por simples comodidade, pois é o ponto referencial e de encontro, visto que a filha e seu respectivo esposo também trabalham na vizinhança. Ressalto que estes são comportamentos típicos de moradores de cidade pequena, do interior, onde tudo e todos são muito próximos. 5º A requerente apela neste ato, para vossa sensibilização e entendimento de que vinte e seis maços de cigarros, quantidade encontrada no estabelecimento, é uma quantidade não significativa, visto que é para consumo de uma família composta de cinco fumantes. Não bastando este argumento, a requerente se fixa na garantia de não haver intenção alguma de infringir a legislação, e que os fatos aconteceram exatamente como relatou neste objeto de manifestação. 6º A requerente solicita justiça no seu julgamento e pede, desde já, sejam considerados seus argumentos e a idoneidade da empresa em relação ao pagamento de seus impostos, pois caso o julgo em contrário, tornarseá impossível a continuidade do exercício da atividade, posto que já não seja tão rentável em razão de estar em uma cidade pequena e de economia frágil. Isto se junta ao fato do comprometimento da saúde da requerente e de seu cônjuge e os aborrecimentos que ambos vêem sofrendo. Esta penalidade seria de fato o que podemos chamar da última gota para a desistência total do ramo comercial e cancelamento de suas atividades. Concernente ao pedido expõe que: Tendo em vista o exposto, solicita que não seja efetuada a exclusão da empresa do Regime Especial unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições Simples Nacional, pois não existindo o fato causador, torna se uma injustiça! É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, observado o disposto no § 3A do art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, em relação aos efeitos da exclusão de ofício. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10813.000294/201049 Acórdão n.º 1003000.121 S1C0T3 Fl. 50 4 O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10813.000294/201049 Acórdão n.º 1003000.121 S1C0T3 Fl. 51 5 pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso VII do art. 29 e inciso II do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Podese entender que a prática de contrabando consiste na importação ou exportação de mercadoria proibida, atentando contra a saúde pública e administração pública. Por sua vez, a prática de descaminho é a ilusão do pagamento do tributo de mercadoria permitida, ofendendo a ordem tributária2. Porém, está pacificado no Supremo Tribunal Federal que "Não há razão para discriminação entre contrabando e descaminho, [...], quando o art. 334 do C.P. os considera sinônimas". 3 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A legislação de regência da matéria determina as consequências da exclusão do Simples Nacional, no sentido de que a pessoa jurídica sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, fl. 01 02, cujos fundamentos são adotadas nessa segunda instância de julgamento: 1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 2 BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p.386. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 35341/DF. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Antônio Martins Vilas Boas. Julgado em: 18 out. 1957. Publicado no DJ em: 12 dez.1957. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=10&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 4 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10813.000294/201049 Acórdão n.º 1003000.121 S1C0T3 Fl. 52 6 INTRODUÇÃO Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em RIBEIRÃO PRETO, Tendo lavrado o Auto de Infração e Termo, de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/00318/10, constante do processo administrativo n° 10813000.292/2010 50, ficou demonstrada a ocorrência de fatos que configuram infração punível com a exclusão do Simples Nacional, nos termos do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006. [...] DESCRIÇÃO DOS FATOS CARACTERIZADORES DO ILÍCITO A Delegacia de Polícia de Viradouro SP, da Polícia Civil de São Paulo, encaminhou à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto SP, o Ofício 31/2009, datado de 25/01/2010, acompanhado do Boletim de Ocorrência n° 514/2009, datado de 18/06/2009 e Auto de Exibição e Apreensão. O conjunto probatório produzido nos autos corroboram a conduta da Recorrente de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, quais sejam, cigarros de procedência estrangeira, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/00318/10, Ofício n° 31/2009, Boletim de Ocorrência n° 514/2009 e Auto de Exibição e Apreensão, fls. 0308. Especificamente no que se refere ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/00318/10 temse que houve "Apreensão de cigarros, ou charutos ou fumo de procedência estrangeira por encontrarse desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no País." Assim, este procedimento foi formalizado no processo 10813.000292/201050 e segue rito próprio e especial previsto no DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, DecretoLei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 e DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Restou comprovado que houve apreensão, efetuada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de contrabando ou descaminho, no estabelecimento comercial da Recorrente, fato que conformase com atividade mercantil destes produtos. Demonstrado que a mercadoria foi apreendida no estabelecimento comercial da Recorrente ressai nítida a sua condição de sujeito passivo da obrigação tributária e evidencia o caráter comercial da atividade, independentemente da quantidade de itens e o modo como estão expostos à venda. Ademais, a instância judiciária penal é independente da instância administrativa. 5 Por conseguinte, há autonomia entre o trânsito em julgado da decisão judicial relativa ao crime de contrabando ou descaminho e a verificação de circunstância legal de exclusão do Simples Nacional na esfera administrativatributária. Especificamente sobre o princípio da insignificância, temse que deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal – tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada esta na perspectiva de seu caráter material 6. 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 33136/PR. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Nelson Hungria. Julgado em: 09 jun 1954. Publicado no DJ em: 19 set. 1954. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=11&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 6 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Habeas Corpus nº 98.152/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministro Celso de Mello. Julgado em 19 mai.2009. Publicado no DJe em 05 jun. 2009. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10813.000294/201049 Acórdão n.º 1003000.121 S1C0T3 Fl. 53 7 Vale transcrever excertos de ementas de orientações firmadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que firmaram o entendimento no sentido de que a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando ou descaminho, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância: 2. Este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a introdução clandestina de cigarros, em território nacional, em desconformidade com as normas de regência, configura o delito de contrabando, ao qual não se aplica o princípio da insignificância, por tutelar interesses que transbordam a mera elisão fiscal. 7 2. Esta Corte de Justiça vem entendendo, em regra, que a importação de mercadorias de proibição relativa, como cigarros ou medicamentos, configura crime de contrabando. 8 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, o crime de contrabando de cigarros não comporta aplicação do princípio da insignificância, haja vista o elevado grau de reprovabilidade da conduta, que ofende a saúde e a segurança públicas. 9 1. Nos termos da pacífica orientação da Terceira Seção desta Corte, a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância. 10 2. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica o princípio da insignificância ao contrabando de cigarros. Tal entendimento decorre do fato de a conduta não apenas implicar lesão ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, como na hipótese Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%2898152%29&pagina=5&base=baseAc ordaos&url=http://tinyurl.com/ybhv4wnta>. Acesso em 05 jun. 2018. 7 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1116451/MT. Órgão Julgador: Sexta Turma. Relator: Ministro Nefi Cordeiro. Julgado em: 19 abr. 2018. Publicado no DJe em: 02 mai. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706471/PR. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Joem Ilan Paciornik. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 04.abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1226987?RJ. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 02 abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706397/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.fev. 2018. Publicado no DJe em: 28.fev. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10813.000294/201049 Acórdão n.º 1003000.121 S1C0T3 Fl. 54 8 de descaminho. De fato, outros bens jurídicos são tutelados pela norma penal, notadamente a saúde pública, a moralidade administrativa e a ordem pública. 11 É assente na jurisprudência desta Corte que o trancamento de ação penal ou de inquérito policial, em sede de habeas corpus, constitui medida excepcional, somente admitida quando restar demonstrado, sem a necessidade de exame do conjunto fático probatório, a atipicidade da conduta, a ocorrência de causa extintiva da punibilidade ou a ausência de indícios suficientes da autoria ou prova da materialidade. Precedentes. Consoante já assentado pelo Supremo Tribunal Federal, o princípio da insignificância deve ser analisado em correlação com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Direito Penal, no sentido de excluir ou afastar a própria tipicidade da conduta, examinada em seu caráter material, observandose, ainda, a presença dos seguintes vetores: (I) mínima ofensividade da conduta do agente; (II) ausência total de periculosidade social da ação; (III) ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento e (IV) inexpressividade da lesão jurídica ocasionada (HC n. 84.412/SP, de relatoria do Ministro Celso de Mello, DJU 19/4/2004). Na espécie, inferese que o acórdão recorrido encontrase alinhado à jurisprudência desta Corte, no sentido de que a introdução de cigarros em território nacional é sujeita a proibição relativa, sendo que a sua prática, fora dos moldes expressamente previstos em lei, constitui o delito de contrabando, o qual inviabiliza a incidência do princípio da insignificância. Isto porque o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, pois visa a proteger o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território nacional, bem como resguardar a saúde pública. 12 1. A tipicidade penal não pode ser percebida como exame formal de subsunção de fato concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da tipicidade é necessária análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso, para verificação da ocorrência de lesão grave e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. 2. Impossibilidade de incidência, no contrabando ou descaminho de cigarros, do princípio da insignificância. 13 11 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHCnº 89755/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Ribeiro Dantas. Julgado em: 05 out.2017. Publicado no DJe em: 11.out. 2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHC nº 82276/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20 jun. 2017. Publicado no DJe em: 30 jun.2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 131205/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministra Cármen Lúcia. Julgado em: 06 set. 2016. Publicado no DJe em: 22 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10813.000294/201049 Acórdão n.º 1003000.121 S1C0T3 Fl. 55 9 1. O princípio da insignificância não incide na hipótese de contrabando de cigarros, tendo em vista que, além do valor material, os bens jurídicos que o ordenamento jurídico busca tutelar são os valores éticosjurídicos e a saúde pública. Precedentes: HC 120550, Primeira Turma, Relator Min. Roberto Barroso, DJe 13/02/2014; ARE 924.284 AgR, Segunda Turma, Relator Min. Gilmar Mendes, DJe 25/11/2015, HC 125847 AgR, Primeira Turma, Relator Min. Rosa Weber, DJe 26/05/2015, HC 119.596, Segunda Turma, Relator: Min. Cármen Lúcia, DJe 26/03/2014. 14 O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A notificação do ato administrativo, em regra, pode ser efetivada pessoalmente, por via postal ou por meio eletrônico (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim a intimação do ato administrativo está regular, pois foi efetivada observando as determinações legais. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. Consta no Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1440.572, de 27.02.2013, efls. 3739, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Conforme consta no Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, acompanhado do respectivo Boletim de Ocorrência da Polícia Civil, foram apreendidos três maços de cigarros da marca Eight, um maço de cigarros da marca Palermo, vinte maços de cigarros da marca Mil, no estabelecimento comercial em epígrafe. Em conseqüência da apreensão dessa mercadoria, foi emitido o devido Ato Declaratório Executivo, excluindo a empresa do Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, de acordo com o disposto na Lei Complementar 123/2006, art. 29, inc. VII. Importante destacar que a LC nº 123/2006 não estabelece a quantidade de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho comercializada, portanto, alegações no sentido de que a quantidade seria insignificante não procedem. Em relação à alegação de que a mercadoria apreendida era para consumo da família, a mesma não se sustenta, uma vez que a mercadoria (cigarros) foi encontrada dentro de estabelecimento comercial que se destina à comercialização desse tipo de produto, conforme o Boletim de Ocorrência da Polícia Civil de São Paulo, anexo aos autos. 14 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 129382/PR. Órgão Julgador: Primeira Turma. Relator: Ministro Luiz Fux. Julgado em: 23 ago. 2016. Publicado no DJe em: 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10813.000294/201049 Acórdão n.º 1003000.121 S1C0T3 Fl. 56 10 Ainda com relação à destinação comercial das mercadorias apreendidas, esclarece Maria Helena Diniz, em seu Dicionário Jurídico1, que comercializar é: 1: Colocar algo no comércio; 2: Criar objeto com possibilidade de ser explorado comercialmente, de ser vendido, fabricado ou exposto, de modo que possa render dinheiro. Vislumbrase que o conceito do termo ‘comercializar’ abrange não só o produto efetivamente vendido ao consumidor, mas também aquele produto criado com essa finalidade. Dessa forma, o fato das mercadorias serem apreendidas no estabelecimento comercial da manifestante já é suficiente à demonstração do caráter comercial envolvido na situação, não devendo ser acolhidas as alegações apresentadas pela defesa desprovidas de qualquer elemento probatório em sentido contrário. Em relação à alegação no sentido de que a continuar a penalidade seria forçada a fechar o seu comércio, esclarecese que o julgamento do presente processo restringese tãosomente ao cumprimento da legislação em vigor, acima mencionada. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos, nos termos legais. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas 15. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca s demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Por essa razão a Recorrente foi corretamente excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 144, de 17.05.2010, fl. 20, com efeitos a partir de 01.06.2009. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. 15 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10813.000294/201049 Acórdão n.º 1003000.121 S1C0T3 Fl. 57 11 As circunstâncias de caráter privado não podem ser consideradas, pois "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrário (art. 136 do Código Tributário Nacional). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade16. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 16 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720918/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DECADÊNCIA. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA
O auto de infração foi devidamente motivado e formalizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado pela fiscalização, mediante expedição de Termo de Intimação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal, deixando de comprovar, dentro do prazo estabelecido pela pelo agente fiscal, a origem dos recursos creditados em conta bancária junto a instituição financeira.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.
INCONSTITUCIONALIDADES.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
É cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.
APÓS O LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EFEITOS.
Comprovada a origem dos depósitos bancários (valores que não são rendimentos; e valores que são rendimentos de produtor rural pessoa física não oportunamente tributados) por provas apresentadas posteriormente à lavratura e intimação do auto de infração, impõe-se o reconhecimento de o lançamento de ofício ter sido validamente efetuado com lastro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, devendo ser cancelada apenas a parcela do tributo lançado que restou evidenciada como indevida no âmbito do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 2401-005.549
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para manter no lançamento a base de cálculo de R$ 226.694,50. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(Assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA O auto de infração foi devidamente motivado e formalizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado pela fiscalização, mediante expedição de Termo de Intimação Fiscal e Termo de Reintimação Fiscal, deixando de comprovar, dentro do prazo estabelecido pela pelo agente fiscal, a origem dos recursos creditados em conta bancária junto a instituição financeira. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. INCONSTITUCIONALIDADES. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 09 18 /2 01 3- 18 Fl. 4554DF CARF MF Processo nº 10218.720918/201318 Acórdão n.º 2401005.549 S2C4T1 Fl. 4.555 2 É cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. APÓS O LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EFEITOS. Comprovada a origem dos depósitos bancários (valores que não são rendimentos; e valores que são rendimentos de produtor rural pessoa física não oportunamente tributados) por provas apresentadas posteriormente à lavratura e intimação do auto de infração, impõese o reconhecimento de o lançamento de ofício ter sido validamente efetuado com lastro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, devendo ser cancelada apenas a parcela do tributo lançado que restou evidenciada como indevida no âmbito do processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para manter no lançamento a base de cálculo de R$ 226.694,50. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (Assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Fl. 4555DF CARF MF Processo nº 10218.720918/201318 Acórdão n.º 2401005.549 S2C4T1 Fl. 4.556 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação para manter o crédito tributário lançado de ofício, nos termos do relatório e voto, conforme ementa do Acórdão nº 1145.079 (fls. 1355/1396): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO DE INÍCIO. Ressalvados os casos de dolo, fraude ou simulação, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual e havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física tem início em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, ou seja, na data de ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. REJEIÇÃO. Constatado que o procedimento fiscal cumpre os requisitos estabelecidos na legislação de regência, proporcionando todos os meios para que o contribuinte manifeste suas razões de defesa, resta insubsistente a preliminar de nulidade suscitada. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, não possuindo competência para afastar normas mediante apreciação de sua validade ou constitucionalidade. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA. Diante da inversão legal do ônus da prova e tendo em vista que a impugnação é o momento de apresentação dos motivos e provas, não pode o interessado se eximir da referida incumbência mediante pedido de perícia. Constam dos autos elementos suficientes para a formação da convicção necessária ao julgamento da lide perante a legislação de regência, sendo indeferia a perícia por ser prescindível sua realização. Fl. 4556DF CARF MF Processo nº 10218.720918/201318 Acórdão n.º 2401005.549 S2C4T1 Fl. 4.557 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores creditados em conta bancária para os quais o sujeito passivo titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. RECEITAS ORIUNDAS DA ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, quando o contribuinte tem a pretensão de associálos a receitas oriundas da atividade rural, deve estabelecer vinculação individualizada de data e valores e, necessariamente, comprovar a receita de tal atividade por intermédio de documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 371/380), lavrado contra o Contribuinte em 20/08/2013, onde foi apurado tributo relativo aos anoscalendário 2008, no valor de R$ 6.415.434,10, acrescido de Juros de Mora, calculados até 08/2013, no valor de R$ 2.536.662,64 e Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 4.811.575,58, perfazendo um total de Crédito Tributário Apurado de R$ 13.763.672,32. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fl. 373), verificase que a autuação decorre de OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, pessoalmente, em 28/08/2013 (fl. 381) e, em 25/09/2013, apresentou sua impugnação de fls. 385 a 455. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, que, através do Acórdão nº 1145.079, julgou Improcedente a Impugnação, mantendo o Crédito Tributário lançado de ofício, com juros atualizados nos termos da legislação de regência. Em 03/04/2014 o Contribuinte tomou ciência do Acordão da DRJ/REC (AR – fl. 1398) e, tempestivamente, em 02/05/2018, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1406 a 1491, onde: Fl. 4557DF CARF MF Processo nº 10218.720918/201318 Acórdão n.º 2401005.549 S2C4T1 Fl. 4.558 5 1. Faz um breve relato dos fatos e argumenta sobre a indevida manutenção do lançamento; 2. Preliminarmente argumenta sobre a nulidade do Acórdão que manteve o lançamento e sobre o cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento do pedido de perícia; 3. Com relação ao Auto de infração que deu origem ao lançamento assevera sobre: · A decadência parcial do Crédito Tributário lançado (fls. 1417/1426); · O cerceamento do direito de produção de provas durante o procedimento fiscalizatório (fls. 1426/1432); · A desconsideração pela Autoridade Fazendária de documentos disponibilizados (fls. 1432/1435); · O Vício de Motivação decorrente da falta de motivação para o não deferimento de prazo e desconsideração de documentos apresentados (fls. 1436/1437); · O erro na capitulação da suposta infração, violando o Princípio da Tipicidade (fls. 1437/1439); · A falta de aprofundamento na análise da verdade fática (fls. 1439/1441); · O cerceamento do Direito de Defesa (fls. 1441/1442); 4. No Mérito fala: · Da origem dos depósitos bancários e da sua não configuração como renda (fls. 1443/1449); · Da impossibilidade do depósito bancário, por si só, ter o condão para constituir fato gerador de imposto (fls. 1450/1455); · Da insuficiência da presunção para fundamentar o lançamento tributário (fls. 1455/1458); · Da ausência de provas por parte da acusação, do ônus probatório ser do fisco e do Princípio da Presunção de Inocência (fls. 1458/1465); · Da inconstitucionalidade do Artigo 42 da Lei nº 9.430/96 (fls. 1465/1470); Fl. 4558DF CARF MF Processo nº 10218.720918/201318 Acórdão n.º 2401005.549 S2C4T1 Fl. 4.559 6 · Da afronta pela pretensão fiscal ao Princípio da Razoabilidade (fls. 1470/1473); · Da inobservância ao Princípio da Primazia da Realidade (fls. 1473/1476); · Do equívoco no cálculo do imposto por: erro na apuração da pretensa base de cálculo (fls. 1476/1481); não ter considerado a parcela do movimento declarada na DIRPF (fl. 1481); ter desconsiderado a natureza jurídica específica da operação (fls. 1481/1483); 5. Quanto a Multa afirma o seu efeito confiscatório e da lesão aos Princípios da Proporcionalidade e aos da Ordem Econômica (fls. 1483/1486); 6. Volta a requerer a Diligência/Perícia Contábil, elenca os quesitos a serem formulados ao Perito e nomeia seu Perito Assistente (fls. 1487/1488). O Processo foi encaminhado ao CARF, onde a 1ª Turma Ordinária da1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, em 27/01/2016, através da Resolução nº 2401000.477 (fls. 1498/1501), resolveu transformar o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal se manifestasse sobre os novos documentos trazidos aos autos e verificasse se houve ou não comprovação da origem de depósitos já considerados como receita omitida (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). Em 30/03/2017 A Delegacia da Receita Federal em Marabá emitiu o RELATÓRIO CONCLUSIVO DE DILIGÊNCIA FISCAL (fls. 4452/4464), onde concluiu pela exclusão da totalidade da receita tomada como omitida originalmente (Depósitos de origem não comprovada) uma vez que: 1. O valor de R$ 2.810.500,00 restou comprovado como mero suprimento de caixa com natureza de empréstimo entre membros de unidade familiar/condomínio familiar de fato; 2. Os valores escriturados no livro caixa do Contribuinte são receitas da atividade rural, merecendo ser tributada como tal. Continua o Relatório de Diligência, em relação diferença entre o saldo final do Livro Caixa apresentado pelo Contribuinte (R$ 226.694,50) e o resultado indicado no Demonstrativo de Atividade Rural da sua Declaração de Imposto de Renda do ano Calendário de 2008 (R$ 206.853,07), dizendo que o sujeito passivo não logrou êxito em comprovar a origem daquela diferença devendo assim prevalecer o resultado do livro caixa por ele próprio apresentado, razão pela qual devese afastar o prejuízo de R$ 206.853,07 para reconhecer como resultado da atividade rural no período sob análise o valor de R$ 226.694,50 sobre o qual deve incidir a tributação aplicável. O Contribuinte tomou ciência do Relatório de Diligência em 07/04/2017 (fl. 4509) e, em 08/05/2017, apresentou sua MANIFESTAÇÃO AO RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL de folhas 4522 a 4529, onde ratifica tudo que foi aduzido em seu Fl. 4559DF CARF MF Processo nº 10218.720918/201318 Acórdão n.º 2401005.549 S2C4T1 Fl. 4.560 7 Recurso Voluntário e formula seu Requerimento Final pleiteando que seja recebida e processada a sua manifestação a fim de que: 1. Seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração combatido; ou, 2. Alternativamente seja reconhecida a inexistência do Crédito Tributário na forma lançada originalmente, reapurandose o tributo lançado de acordo com o resultado da Diligência. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Decadência Aduz o Recorrente que o crédito tributário apurado relativo aos fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 a 31/07/2008, encontrase fulminado pela decadência, tendo em vista que o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 28/08/2013, sendo que no caso prevalece a contagem do prazo decadencial quinquenal na forma do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física é anual, considerandose ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro do ano calendário do recebimento dos rendimentos. Nesse contexto, à luz do disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os rendimentos dos depósitos bancários encontramse sujeitos à aplicação da tabela progressiva, que conduz ao ajuste anual. Dessa forma, após longo debate no contencioso administrativo acerca da matéria este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) consolidou o entendimento através da Súmula nº 38, conforme o teor abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Fl. 4560DF CARF MF Processo nº 10218.720918/201318 Acórdão n.º 2401005.549 S2C4T1 Fl. 4.561 8 Assim, como o Auto de Infração é relativo ao ano calendário de 2008, considerase ocorrido o fato gerador em 31/12/2008. Dado que a ciência do lançamento ao sujeito passivo foi perfectibilizada em 28/08/2013, não há que se falar em decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, tanto pela contagem do prazo estabelecida no § 4º do art. 150 do CTN, como pela contagem conforme determinado no art. 173, inciso I do mesmo diploma legal. Nulidades do lançamento O contribuinte alega a nulidade do lançamento e para tanto disserta acerca do cerceamento do direito de defesa durante o procedimento fiscal, no que tange à apuração de provas e análise de documentos. Assevera sobre a motivação da acusação fiscal e da aferição do IRPF com base em presunção. O auto de infração, ora combatido, foi devidamente motivado e formalizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 que determina a caracterização de omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte foi devidamente intimado pela fiscalização, mediante expedição de Termo de Intimação Fiscal (fls. 325/326) e Termo de Reintimação Fiscal (fls. 340/341), deixando de comprovar, dentro do prazo estabelecido pela pelo agente autuante, a origem dos recursos creditados em conta bancária junto a instituição financeira. Dessa forma, indefiro as preliminares suscitadas. Nulidade da decisão de primeira instância Assevera o Recorrente a nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa em virtude da ausência de análise de documentos, além de não acatamento da perícia. Entendo que não assiste razão ao contribuinte. A decisão foi fundamentada na presunção legal que tem como consequência a inversão do ônus da prova, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o Decreto 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece na Seção VI concernente ao julgamento de primeira instância: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 4561DF CARF MF Processo nº 10218.720918/201318 Acórdão n.º 2401005.549 S2C4T1 Fl. 4.562 9 Portanto, diferente do que foi suscitado pelo recorrente, entendo que o indeferimento do seu pleito quanto à realização de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada pela Delegacia de Julgamento em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção, razão pela qual não deve ser acatada a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte. Mérito O presente Processo Administrativo trata da exigência de Imposto de Renda da Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cabe inicialmente esclarecer que as questões atinentes à inconstitucionalidade de lei tributária não são oponíveis na esfera do contencioso administrativo, conforme se destaca do enunciado da Súmula nº 2, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não cabe ao órgão julgador administrativo o pronunciamento acerca da inconstitucionalidade da presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, por ultrapassar a sua competência funcional. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Segundo o Recorrente, não deve proceder ao lançamento fundamentado em depósitos bancários, uma vez que a infração não restou suficientemente demonstrada. A despeito da matéria, o legislador federal estabeleceu a presunção legal de omissão de receita caracterizada em virtude da existência de depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a sua origem, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, senão vejamos o que determina a Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 4562DF CARF MF Processo nº 10218.720918/201318 Acórdão n.º 2401005.549 S2C4T1 Fl. 4.563 10 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendose, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Tratase, assim, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo trazer os elementos probatórios inequívocos que permita a identificação da origem dos recursos, a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida. Nesse caso, não há necessidade do Fisco comprovar o consumo da renda relativa à referida presunção, conforme entendimento já pacificado no âmbito do CARF, através do enunciado da Súmula nº 26: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como se vê, para a caracterização da omissão necessário se faz a intimação do sujeito passivo objetivando a comprovação da origem dos depósitos. Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Da Comprovação da origem dos valores depositados Por ocasião da Resolução nº 2401000.477 (fls. 1498/1501), constatouse que o Recorrente exerce atividade empresarial relacionada com a pecuária e apresentou documentos na impugnação que não foram objeto de análise pela autoridade fiscal. O colegiado verificou que o Recorrente apresentou livro caixa e fichas de compra e venda de gado, além de notas fiscais que não foram analisados pela autoridade fiscal. Por tal motivo, foi convertido o julgamento em diligência para a manifestação da autoridade fiscal acerca dos novos documentos trazidos aos autos em sede de impugnação, devendo elaborar relatório circunstanciado em que fique evidenciado se houve ou não comprovação de origem de depósitos já considerados como receita omitida (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996), e, em caso afirmativo, verificar se tais receitas foram oferecidas à tributação espontaneamente pelo Recorrente, discriminando, mensalmente: (i) depósitos de origem comprovada que se referem a receitas e que foram oferecidos à tributação pelo recorrente; (ii) depósitos de origem comprovada que se referem a receitas e que não foram oferecidos à tributação, discriminando aqueles decorrentes de atividade rural. Fl. 4563DF CARF MF Processo nº 10218.720918/201318 Acórdão n.º 2401005.549 S2C4T1 Fl. 4.564 11 Diante da determinação deste Colegiado, foi emitido Termo de Diligência ao sujeito passivo objetivando melhor esclarecimento sobre os documentos entregues (1504/1505); foi emitido ofício ao Secretário da Fazenda do Pará para a análise das Notas Fiscais emitidas (1522/1526), o que foi atendido conforme documentos juntados às fls. 1562/1671; foi emitido Termo circunstanciado 1673/1675, com a resposta do contribuinte indicando a juntada de documentos, elaboração de planilhas e fazendo os esclarecimentos necessários (fls. 1679/1690), com a juntada de documentos e planilhas circunstanciadas até às fls. 4448; foi emitido pelo Fisco o Termo de Entrega de Livros e Documentos (fls. 4450/4451); às fls. 4452 e seguintes consta o RELATÓRIO CONCLUSIVO DE DILIGÊNCIA FISCAL. Conforme se destaca no Relatório Conclusivo de Diligência Fiscal (fls. 4452/4464), em cumprimento ao que determinou a Resolução nº 2401000.477 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, de 27/01/2016, foram extraídas as seguintes constatações: DAS INCONSISTÊNCIAS VERIFICADAS NO AUTO DE INFRAÇÃO Compulsando o Auto de Infração (páginas 371 a 380) cabem as seguinte observações, no que diz respeito a inconsistências verificadas: A Declaração IRPF que o contribuinte prestou à RFB está anexada aos autos de forma correta (páginas 5 a 12), ou seja, corresponde às informações registradas sob o numero ND:02/14.145.462. Tipo: ORIGINAL. Modelo: Completo , confirmada nos sistemas internos da RFB, conforme telas abaixo. Ocorre que, compulsando o Auto de Infração IRPF (fl. 375), algumas informações contidas no referido AUTO não condizem com o declarado pelo contribuinte em sua DIRPF , exercício 2009, anocalendário 2008, a saber: a) Rendimentos Tributáveis Declarados: Consta no Auto de Infração o valor de R$ 24.000,00 sendo que o contribuinte informou o valor de R$ 19.675,72 b) No Auto de Infração, foi considerado o desconto simplificado no valor de R$ 12.194,86, porém não consta esta informação da DIRPF do contribuinte, uma vez que o tipo de declaração que o contribuinte utilizou foi o modelo completo, tendo feito, portanto, a opção pelas deduções legais (tela abaixo). c) Ainda no Auto de Infração há a informação de Imposto Declarado (a pagar) no valor de R$ 408,94 , porém não há esta informação na respectiva DIRPF do contribuinte, uma vez que este apurou Imposto a Restituir no valor de R$ 349,23 (telas abaixo). Após constatadas as divergências, foram feitos procedimentos de diligência e intimado o sujeito passivo para apresentar dados, informações e documentos complementares a fim de aprofundar as análises, tendo o contribuinte apresentado argumentos, dados, e Fl. 4564DF CARF MF Processo nº 10218.720918/201318 Acórdão n.º 2401005.549 S2C4T1 Fl. 4.565 12 informações voltados ao cumprimento do tanto quanto requerido no MPF e seus desdobramentos. Em razões circunstanciadas o contribuinte afirma que o montante de créditos circulados em suas contas correntes advêm de valores transferidos entre membros da mesma família que desenvolvem atividade rural em um condomínio de fato, além dos valores decorrentes da regular atividade rural, tendo como origem créditos da venda de gado, posto que o contribuinte se dedica à atividade pecuária. Com o objetivo de avaliar a credibilidade dos documentos e argumentos apresentados pelo Recorrente, o fiscal realizou auditoria do conjunto de dados e informações contidos nos autos. Constatou a existência de circulação de numerário entre membros da mesma família por força do condomínio de fato (José Antônio Lemes Machado CPF: 117.456.06149 – Genitor do Fiscalizado; Wagne Costa Machado CPF 719.019.81215 – Irmão do Fiscalizado), e que os recursos são transferidos para suprimento de caixa sem que configurem renda. Concluiu que, tendo em vista que a natureza daqueles créditos não se coaduna com aquela estabelecida pela legislação de regência como rendimento, mister se faz sua exclusão do total de rendimentos omitidos, razão pela qual procedese à exclusão do montante de R$ 2.810.500,00 (Dois milhões, oitocentos e dez mil e quinhentos reais) do total de créditos originalmente tomados como rendimentos omitidos uma vez que sua condição de mero suprimento de caixa com natureza de empréstimo entre membros de unidade familiar/condomínio familiar de fato, restou suficientemente comprovada. Com relação às receitas decorrentes de atividade rural, tomado originalmente como rendimentos omitidos, e em face da relevância dos documentos apresentados a diligência fiscal investigou a verossimilhança da alegação e identificou, analiticamente, cada ingresso de acordo com o seu remetente e a natureza do remetente, o que possibilitou classificálos pelos mais relevantes e utilizálos como amostragem da seguinte forma: Constatou que o conjunto de ingressos revelou que os remetentes dos créditos em questão, tratamse de empresas cuja atividade referese ao comércio de gado bovino e/ou industrialização da carne, conforme se constata através da análise de notas fiscais, GTAs, recibos e demais documentos avaliados no bojo da amostragem. A partir da amostra e evoluindo a análise sobre as planilhas individualizadas por remetente (Anexo IV) verificouse que todos os remetentes tiveram como atividade o comercio de gado, seja diretamente, via compra, venda ou industrialização, seja indiretamente na condição de intermediários (corretores, atravessadores, compradores em nome de terceiros). Fl. 4565DF CARF MF Processo nº 10218.720918/201318 Acórdão n.º 2401005.549 S2C4T1 Fl. 4.566 13 Dessa forma, a totalidade dos créditos escriturados no livro caixa do contribuinte e acostado aos autos (páginas 797 a 1042 e 1.043 a 1354 deste PAF), excluídos aqueles cuja origem são transferência entre os participantes do condomínio familiar de fato também já excluídos, tratamse de receitas da atividade rural merecendo ser tributada como tal, excluindose, em decorrência a totalidade da receita tomada por omitida originalmente. (ver Relatório de Diligência fl. 4463). Por fim, a diligência fiscal reconheceu como resultado tributável da atividade rural no período sob análise o valor de R$ 226.694,50 sobre o qual deverá incidir a tributação aplicável. Diante de todo o exposto, e tendo em vista a constatação da origem dos depósitos efetuados em conta bancária do contribuinte circulação de valores entre membros da mesma família decorrente de condomínio de fato e receitas decorrentes da atividade rural (comércio de gado) – devidamente reconhecida pela autoridade fiscal em virtude da diligência efetuada, resta afastada a presunção legal pela exclusão da totalidade dos valores comprovados, razão porque devem ser excluídos do lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, exonerando a totalidade do crédito tributário em virtude da comprovação da origem dos depósitos. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Divirjo do voto da Conselheira Relatora em relação à conclusão de ser cabível a exoneração da totalidade do crédito tributário. Isso porque, comprovada a origem dos depósitos bancários (valores que não são rendimentos; e valores que são rendimentos de produtor rural pessoa física não oportunamente tributados) por provas apresentadas posteriormente à lavratura e intimação do auto de infração, impõese o reconhecimento de o lançamento de ofício ter sido validamente efetuado com lastro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, devendo ser cancelada apenas a parcela do tributo lançado que restou evidenciada como indevida, como bem explicitado na diligência fiscal. Fl. 4566DF CARF MF Processo nº 10218.720918/201318 Acórdão n.º 2401005.549 S2C4T1 Fl. 4.567 14 Não prosperam as alegações de ofensa a princípios constitucionais, inclusive de ser a multa confiscatória e de lesão aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e aos da ordem econômica (Súmula CARF nº 2). Acrescentese ainda que a realização de perícia é prescindível por não haver necessidade da assistência de perito para a analise das provas. Diante do exposto, tomo conhecimento do recurso voluntário, rejeito as preliminares e, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso, mantendo no lançamento a base de cálculo de R$ 226.694,50 sobre a qual incide o regime de tributação dos produtores rurais pessoas físicas. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 4567DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000520/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 31/01/1997 a 31/03/2001
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF.
1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo.
2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
AJUDA DE CUSTO. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo paga em desacordo com as hipóteses do § 9° do artigo 28, da Lei nº 8.212/91.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Constitui-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas.
Numero da decisão: 2401-005.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 31/01/1997 a 31/03/2001 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. AJUDA DE CUSTO. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo paga em desacordo com as hipóteses do § 9° do artigo 28, da Lei nº 8.212/91. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constituise infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 05 20 /2 00 7- 25 Fl. 147DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Inicialmente, destaco que encontramse apensos a estes autos os Processos nº 16095.000519/200709 (fl. 142); 16095.000531/200713 (fl. 146); e 16095.000518/200756. Trata o presente de Auto de Infração (DEBCAD 37.125.4582 fl. 2), lavrado em decorrência de a Autuada deixar de lancar mensalmente em títulos proprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuicoes, o montante das quantias descontadas, as contribuicoes da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei nº 8.212, de 24/07/91, artigo 32, II, combinado com o artigo 225, II, e paragrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdencia Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06/05/99, que apurou o crédito tributário no montante de R$ 11.951,21 (onze mil e novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos). Consta do Relatório Fiscal (fls. 12/14) o que segue: “[...] 1. Foi constatado que a empresa ora fiscalizada, deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições a que está sujeita, na medida em que, no curso ela ação fiscal, não logrou êxito em apontar, dentre as contas típicas de sua contabilidade, parte elo pro labore enviado mensalmente para o Diretor Giovani Arippol, residente na Suíça. 2. A conduta descrita — ou seja, deixar de identificar cin títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos de interesse da fiscalização, ensejou a lavratura de competente auto de Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16095.000520/200725 Acórdão n.º 2401005.583 S2C4T1 Fl. 3 3 infração, nos termos da legislação correlata, detalhadamente descrita no Auto de Infração de fls. 01, a que se refere o presente relatório. 3. O valor não identificado nos registros contábeis da empresa, foi objeto do levantamento n. 37.014.208 0, de cujo Refisc Relatório Fiscal juntase cópia ao presente processo. [...]” Devidamente cientificada do lançamento em 26/10/2007 (fl. 2), a Interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 36/46), alegando, em síntese: (i) Preliminar de Decadência. Sustenta que os fatos geradores estariam decaídos, pois ocorreram entre janeiro de 1997 a dezembro de 2002, não podendo a Lei n° 8.212/91 reger matéria (decadência), que deve ser regulada por Lei Complementar, obedecendo, portanto, o disposto no artigo 150, § 4° do CTN. Dessa forma, o lançamento deve ser anulado, diante da decadência ocorrida no que toca aos supostos créditos previdenciários apurados pela fiscalização; (ii) No mérito, sustenta que todas as contas contábeis estão identificadas de forma discriminadas, no caso em tela, os valores enviados ao Diretor Giovani Arippol, como ajuda de custo, se deram para cobrir as despesas de viagens, alimentação, transporte, combustível etc. Ademais, os valores enviados ao exterior são indispensáveis para o cumprimento do contrato de representação comercial, por isso foram denominados “ajuda de custo”, possuindo natureza indenizatória, não podendo ser considerada remuneração, pois visam reembolsar despesas realizadas pelo Diretor Giovani, na atividade exercida, isto é, “captação de clientes”; Não concorda com o entendimento da fiscalização, pois entende ter lançado corretamente os valores pagos como “ajuda de custo”, conforme restará demonstrado na NFLD n° 37.014.2080, tendo como consequência o cancelamento do presente auto; Além da multa aplicada ser improcedente, a empresa está sendo penalizada duas vezes, pois já foi lavrada a NFLD n° 37.014.2080, na qual sobre a mesma falta do presente auto foi aplicado multa, o que seria suficiente para justificar o cancelamento deste auto. (iii) Por fim, em seus pedidos destacou que a empresa em momento algum teve o “animus” de lesar o fisco ou de se beneficiar, identificando corretamente as contas contábeis onde devem ser lançados os valores que deram origem ao presente auto, tendo em vista que os valores pagos a título de ajuda de custo não integram o salário de contribuição. Protestando, por todos os meios admitidos em lei, como as perícias, diligências, vistorias, bem como ajuntada de novos documentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1618.606 da 14ª Turma da DRJ/SPO1, às fls. 79/86, julgando improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido na sua integralidade. Recordese: Fl. 149DF CARF MF 4 “ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdencidrias Período de apuração: 31/01/1997 a 31/12/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.Constitui infração deixar de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições, quantias descontadas, contribuições da empresa e totais recolhidos. Art. 32, II da Lei 8.212/91. INTIMAÇÃO DIRIGIDA EXCLUSIVAMENTE AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72. Lançamento Procedente” Devidamente intimada (fl. 90), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 92/105), sustentando, em síntese, o que segue: (i) Preliminarmente, requer seja reconhecida a decadência, sob o argumento que a Lei nº 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vício insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao conflitar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, restando decaído o crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 150, § 4°, do CTN. Argumenta que não se cogitando, na espécie, de dolo, fraude ou simulação, conforme se constata no Auto de Infração lavrado, o prazo decadencial para a constituição da contribuição previdenciária, nos exatos termos do parágrafo 4º do artigo 150, do Código Tributário Nacional, é de cinco anos a contar da ocorrência do respectivo fato gerador da obrigação previdenciária. (ii) No mérito, argumeta que as remessas realizadas são comprovadas através de contrato de câmbio, a fim de cobrir as despesas com viagens, alimentação e moradia, geradas através do contrato de representação comercial firmado entre a Recorrente e seu diretor, em virtude dos deslocamentos realizados entre alguns países da Europa, conforme rezam as cláusulas contratuais do contrato anteriormente acostado aos autos. Além disso, a mencionada “Ajuda de Custo”, apesar de ser objeto de contrato, nem scmpre foi remetida ao referido diretor no exterior, apesar da existência do contrato, tendo em vista que o próprio diretor abriu mão de recebela, em razão disso, não houve na contabilidade nenhum lançamento nesse sentido, conforme pôde ser constatado pela I. Auditora Fiscal, que desconsiderou tal informação e atuou a Recorrente efetivando lançamentos por arbitramernto, visto que não encontrou remessas que pudesse considerar. Aduz que os valores enviados ao exterior são indispensáveis ao cumprimento do contrato de representação comercial, por isso são denominadas "Ajuda de Custo" e possuem natureza indenizatória, pagas por estimativa de custo, tendo em vista as peculiaridades, na forma de reembolso antecipado ou posterior. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16095.000520/200725 Acórdão n.º 2401005.583 S2C4T1 Fl. 4 5 Argumenta que a referida ajuda de custo, como já esclarecido, representa uma verba indenizatória paga em razão de despesas extraerdmárias no desenvolvimento de determinada atividade, para ressarcimento de eventuais gastos, não devendo ser incluída no conceito de remuneração. Alega que o valor de U$ 5.000,00 (cinco mil dólares) mensais que a Auditora Fiscal entendeu por bem declarar como pagos ao diretor Giovani Arippol, residente no exterior, nem sempre era remetido ao mesmo, e especificamente no período apurado pela fiscalização não houve qualquer remessa no valor acima mencionado, apesar de existir compromisso escrito (contrato de representação comercial), e como prova disso, no procedimento fiscal não foi encontrado nenhum documento que comprove tais remessas, baseandose apenas no contrato apresentado à fiscalização, o que não significa que os pagamentos tenham sido efetuados, existem sim, em período posterior ao procedimento fiscal, pagamentos efetuados ao diretor acima referido, entretanto, as operações foram devidamente documentadas, com os respectivos comprovantes de despesas efetuadas, sendo estas regularmente oferecidas à tributação. Aduz que não concorda com o entendimento da Auditora Fiscal, tampouco com o presente auto de infração, uma vez que efetivamente entende a Recorrente ter lançado adequadamente em sua contabilidade os valores remetidos ao diretor Giovanni Arippol, uma vez que os mesmos efetivamente referemse a ajuda de custo, conforme restará comprovado na NFLD n° 37.014.2080, onde se discute exatamente esta questão, e ao serem julgados improcedentes aqueles lançamentos, por consequência deverá ser cancelado o presente auto. Com essas considerações, sustenta que não restou demonstrado no procedimento fiscal, mediante provas suficientes a corroborar a presunção de veracidade e legitimidade da autuação fiscal, elidindo, assim, os lançamentos de débitos constantes dos autos. (iii) Opõese à multa aplicada, por considerála confiscatória, sendo, por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do débito em questão. (iv) Ressalta o direito da contribuinte de requerer a realização de perícia, diligência ou apresentação de documentos, ou seja, de produzir provas nos autos do processo administrativo fiscal, sendo defeso à autoridade fazendária cercearlhe aludida garantia constitucional, sob pena de nulidade do procedimento. (v) Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Por fim, em razão da conexão, o presente processo foi apensado os Processos 16095.000520/200725, 16095.000531/200713 e 16095.000518/200756, para apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada do acórdão em 28/10/2008 (fl. 90) e interpôs o Recurso Voluntário, tempestivamente, em 25/11/2008, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. Do mérito. No mérito, no que tange à “Ajuda de Custo” com o Sr. Giovani Arippol (diretor), a Recorrente assevera que as remessas realizadas são comprovadas através de contrato de câmbio, a fim de cobrir as despesas com viagens, alimentação e moradia, geradas através do contrato de representação comercial firmado entre a Recorrente e seu diretor, em virtude dos deslocamentos realizados entre alguns países da Europa, conforme rezam as cláusulas contratuais do contrato anteriormente acostado aos autos. Além disso, os valores enviados ao exterior são indispensáveis ao cumprimento do contrato de representação comercial, por isso são denominadas "Ajuda de Custo" e possuem natureza indenizatória, pagas por estimativa de custo, tendo em vista as peculiaridades, na forma de reembolso antecipado ou posterior. Argumenta que a ajuda de custo, como já esclarecido, representa uma verba indenizatória paga em razão de despesas extraerdmárias no desenvolvimento de determinada atividade, para ressarcimento de eventuais gastos, não devendo ser incluída no conceito de remuneração. Alega, ainda, que as verbas pagas pela Recorrente a título de ajuda de custo, para ressarcimento de despesas com deslocamentos realizados entre alguns países europeus, objetivando sempre expandir as relações comerciais da empresa, são necessárias e não ostentam a pretendida natureza salarial pela autarquia, visto que se trata de reembolso das despesas efetuadas em razão da atividade exercida, ou seja, "captação de clientes" no exterior, promovendo os produtos e serviços oferecidos, como: venda de peças e acessórios; aparelhos elétricos e limpadores de párabrisa, inclusive motores e mecanismos dos mesmos, para veículos automotores máquinas, equipamentos industriais, ferramentas, estampos e moldes, manuais e elétricos, e suas partes e acessórios, etc. Todavia, em que pese os esforços da Recorrente, as argumentações acima não são suficientes para reformar a decisão de primeira instância administrativa. Com efeito, a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, estabelece o que seguinte: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir Fl. 152DF CARF MF Processo nº 16095.000520/200725 Acórdão n.º 2401005.583 S2C4T1 Fl. 5 7 o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; e) as importâncias: 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; Fl. 153DF CARF MF 8 f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; h) as diárias para viagens; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, próteses, órteses, despesas médicohospitalares e outras similares; r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e Fl. 154DF CARF MF Processo nº 16095.000520/200725 Acórdão n.º 2401005.583 S2C4T1 Fl. 6 9 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. y) o valor correspondente ao valecultura. z) os prêmios e os abonos.” No caso em análise, a alegada “Ajuda de Custo” paga mensalmente no valor de U$ 5.000,00 (cinco mil dólares) ao então diretor da Recorrente, não está contemplada no rol das situações que constam nos dispositivos acima listados. Dessa forma, os valores pagos pela Recorrente ao Sr. Giovani, e considerados pela Fiscalização como remuneração indireta discutidos nos autos 16095.000519/200709 , devem ser mantidos, pois não possui caráter indenizatório, não se configurando em nenhuma das hipóteses do § 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Por outro lado, o artigo 32, inciso II da supracitada lei, c/c o art. 225, inciso II,§§13 ao 17 do RPS, estabelecem que a empresa é também obrigada “lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos”. No caso, entendo como configurada a situação, além de que o valor da multa aplicada está em consonância com o disposto nos artigos 283, inciso II, alínea “a”, e artigo 373 e 292, inciso I, todos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, observandose que a multa foi atualizado consoante a Portaria MPS 142/07, no montante de R$ 11.951,21. Além disso, não prospera a alegação de que foram lavrados autos repetitivos, considerando que cada um deles tem por objeto o lançamento de contribuições ou a aplicação de penalidade distintas, ou seja, não foi lavrado nenhum Auto de Infração em repetição a outro, conforme bem pontuado pela instância a quo. Assim, não merece reforma o Acórdão ora recorrido, devendo ser mantida a obrigação acessória em comento. 3.2 Da perícia/diligência. Por fim, a Recorrente ressalta o direito de requerer a realização de perícia, diligência ou apresentação de documentos, ou seja, de produzir provas nos autos do processo Fl. 155DF CARF MF 10 administrativo fiscal, sendo defeso à autoridade fazendária cercearlhe aludida garantia constitucional, sob pena de nulidade do procedimento. Em relação ao protesto pela realização de diligência cabe referência ao disposto nos artigos 18 e 28 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, que assim dispõem: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso.” (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93)” Ao sujeito passivo cabe o ônus da prova em relação ao que alega, devendo fazêlo oportunamente, por ocasião da impugnação, conforme estabelecem os incisos III, IV e parágrafo 4º do artigo 16, do Decreto 70.235/72, na redação dada pelas Leis 8.743/93 e 9.532/97. No caso em exame, considerase desnecessária a diligência proposta por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. Nenhum fato novo foi trazido que justificasse a realização da diligência pleiteada e a insuficiência de documentos para comprovar as alegações suscitadas pela Recorrente não é motivo para tal. A avaliação da necessidade de se realizar a diligência participa da esfera da discricionariedade do aplicador e, assim, façome acompanhar de precedentes das três Seções de Julgamento que compõe este Conselho, conforme se depreende: PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2401004.612, Rel. Conselheiro Cleberson Alex Friess, Sessão 08/02/2017) PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada a desnecessidade da produção de novas provas para formar a convicção da autoridade julgadora. (CARF, 3ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 3201000.617, Rel. Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão 02/02/2011) PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido, por demonstrar intenção protelatória, o pedido de perícia para obter informações sem a demonstração da sua necessidade. (CARF, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 103 23.470, Rel. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Sessão 28/05/2008) Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16095.000520/200725 Acórdão n.º 2401005.583 S2C4T1 Fl. 7 11 Assim, pelas justificativas acima descritas, dadas as circunstâncias do caso concreto, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos precedentes ora referenciados, voto por negar provimento ao pedido de diligência e entendo, ademais, neste particular, não ter havido qualquer prejuízo à ampla defesa da Recorrente. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660345/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.747
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 45 /2 01 2- 54 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660345/201254 Acórdão n.º 3401004.747 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660345/201254 Acórdão n.º 3401004.747 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660345/201254 Acórdão n.º 3401004.747 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660345/201254 Acórdão n.º 3401004.747 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660345/201254 Acórdão n.º 3401004.747 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660345/201254 Acórdão n.º 3401004.747 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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