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Numero do processo: 14098.000134/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/05/2009
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
A empresa é obrigada a descontar e arrecadar as contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos efetuados aos segurados e à comercialização da produção rural.
CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS FISCAIS, DOCUMENTOS E DADOS. AUTUAÇÃO. BIS IN IDEM.
Se a empresa já foi autuada pela não exibição de livros fiscais, documentos e dados, inclusive os mantidos em arquivos digitais, não há que se falar em consideração dos mesmos fatos para a caracterização embaraço à fiscalização, sob pena de se incidir em odioso bis in idem.
RELEVAÇÃO DA MULTA
Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a circunstância agravante da penalidade aplicada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 21/05/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS A empresa é obrigada a descontar e arrecadar as contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos efetuados aos segurados e à comercialização da produção rural. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS FISCAIS, DOCUMENTOS E DADOS. AUTUAÇÃO. BIS IN IDEM. Se a empresa já foi autuada pela não exibição de livros fiscais, documentos e dados, inclusive os mantidos em arquivos digitais, não há que se falar em consideração dos mesmos fatos para a caracterização embaraço à fiscalização, sob pena de se incidir em odioso bis in idem. RELEVAÇÃO DA MULTA Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/05/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS A empresa é obrigada a descontar e arrecadar as contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos efetuados aos segurados e à comercialização da produção rural. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS FISCAIS, DOCUMENTOS E DADOS. AUTUAÇÃO. BIS IN IDEM. Se a empresa já foi autuada pela não exibição de livros fiscais, documentos e dados, inclusive os mantidos em arquivos digitais, não há que se falar em consideração dos mesmos fatos para a caracterização embaraço à fiscalização, sob pena de se incidir em odioso bis in idem. RELEVAÇÃO DA MULTA Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a circunstância agravante da penalidade aplicada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 34 /2 00 9- 40 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000134/200940 Acórdão n.º 2302003.317 S2C3T2 Fl. 449 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 391 e seguintes). Adotase trechos, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 395 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: AUTUAÇÃO Trata o presente processo de impugnação â exigência formalizada mediante o auto de infração n° 37.230.7361 e anexos de f. 0106, através do qual se exige multa no valor de R$ 2.658,36, por ter a empresa deixado de descontar e arrecadar as contribuições previdenciárias relativas aos seguintes fatos geradores: a) importâncias pagas, devidas ou creditadas a seus empregados, a titulo de ajuda de custo; b) importâncias pagas, devidas ou creditadas a seus empregados, a titulo de comissões/representações; c) importâncias pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais prestadores de serviços diversos; d) importâncias pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais transportadores rodoviários autônomos; e) valor da comercialização de produção rural, na condição de empresa adquirente ou consignatária subrogada no cumprimento das obrigações previdenciárias principais de produtor rural contribuinte pessoa física. A conduta constitui infração à obrigação estipulada no art. 30, inc. I, alínea "a" da Lei n. 8.212/91 e no art. 4° da Lei 10.666/2003, e o valor da multa observa o disposto nos art. 92 e 102 da Lei no 8.212/91; art. 283, I, alínea "g" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A autoridade fiscal consignou, â f. 8, que: “No decorrer da ação fiscal, conforme demonstrativo denominado ANEXO I ao Relatório Fiscal da Infração, embora reiteradamente intimada, a autuada deixou de apresentar documentos, informações e esclarecimentos necessários fiscalização, exigíveis para verificação do cumprimento de obrigações previdenciárias principais e acessórias. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 A não exibição, sem justificado motivo, de documentos, informações e esclarecimentos necessários à verificação dos fatos geradores, comandados no MPF, quando regularmente solicitados (...) caracterizam o embaraço (...)” Por essas razões, foi caracterizada a circunstância agravante prevista no inc. IV do art. 290 do Regulamento da Previdência Social. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, f. 165174, em 21/6/2009 através da qual a empresa, após qualificarse, assim resume os fatos: (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada improcedente, mantendose o crédito tributário lançado. A recorrente foi cientificada do julgamento, tendo apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 420 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: indevida imposição da multa duplicada (art. 292, III) em face da ausência de motivação dos incisos III e IV (desacato, no ato da ação fiscal; e óbice à fiscalização) do art. 290 do RPS, sendo que a dificuldade para levantamento da documentação decorre do fato da recorrente encontrarse em recuperação judicial, sendo que, inclusive, protocolou dois pedidos de prorrogação de prazo, o que demonstra a sua boafé. Ademais, a impugnante é merecedora da relevação da multa; ausência de termo de intimação para apresentação de documentos; equívoco na capitulação da multa, pois, em razão de estar em recuperação judicial, a base legal não seria o art. 32, II, da Lei n° 8.212/91, mas o art. 33, § 2°, da referida lei; É o relatório. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000134/200940 Acórdão n.º 2302003.317 S2C3T2 Fl. 450 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Circunstâncias agravantes Aduz a recorrente que seria indevida imposição da multa duplicada (art. 292, III) em face da ausência de motivação dos incisos III e IV (desacato, no ato da ação fiscal; e óbice à fiscalização) do art. 290 do RPS, sendo que a dificuldade para levantamento da documentação decorre do fato da recorrente encontrarse em recuperação judicial, sendo que, inclusive, protocolou dois pedidos de prorrogação de prazo, o que demonstra a sua boafé. Ademais, a impugnante é merecedora da relevação da multa. Ao contrário do argumentado pela recorrente, a multa foi agravada com fundamento apenas no inciso IV do art. 290. Como bem esclarece o item 3.1.1.1 do relatório de aplicação da multa, o agravamento decorreu do fato de a empresa, sem justificado motivo, ter deixado de apresentar livros fiscais, documentos e dados necessários à verificação dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ocorre que, se a empresa já foi autuada pela não exibição de livros fiscais, documentos e dados, inclusive os mantidos em arquivos digitais, não há que se falar em consideração dos mesmos fatos para a caracterização embaraço à fiscalização, sob pena de se incidir em odioso bis in idem. Sendo assim, não merece prosperar o agravamento da multa. TIAD. Assevera a recorrente que a autuação não merece prosperar, pois ausente o termo de intimação para apresentação de documentos. Não é verdade, constando o referido documento às fls. 39. Ademais, o relatório fiscal de fls. 07 demonstra como e quando foram solicitados os documentos: Através de TIAF — Termo de Início da Ação Fiscal, a autuada, acima identificada, tomou ciência do início do procedimento fiscal, nos termos do MPF— Mandado de Procedimento Fiscal n° 01.3.01.00.2008003600, expedido em 1910612008, enviado por via postal (AR n° 361869385 BR), recebido em 19/08/2008, bem como da intimação para apresentação de documentos e informações, em meio digital, exigíveis para verificação do cumprimento de obrigações principal e acessórias relativas a contribuições previdenciárias. Cópia dos documentos mencionados encontrase a partir da fls. 13 dos presentes autos. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Portanto, neste ponto não merece acolhimento o quanto argüido. Capitulação da multa. Aduz a recorrente que houve equívoco na capitulação da multa, pois, em razão de estar em recuperação judicial, a base legal não seria o art. 32, II, da Lei n° 8.212/91, mas o art. 33, § 2°, da referida lei. A autuação combatida decorre do fato de a empresa ter deixado de descontar e arrecadar as contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos a segurados empregados e contribuintes individuais, e relativas à comercialização da produção rural, que constitui infração à obrigação estipulada no art. 30, I, alínea "a" e ao art. 4°, da Lei 10.666/2003, o que, por si só revela o acerto da autoridade fiscal ao fundamentar neste dispositivo a autuação. O dispositivo invocado (art. 32, II, da Lei n° 8.212/91: lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;) não foi, em momento algum, mencionado na presente autuação. Quanto ao § 2°, art. 33, este estatui a obrigação da empresa apresentar todos os livros e documentos relacionados às contribuições previdenciárias, à autoridade fiscal, quando solicitado, que foi objeto de outra autuação (14098.000131/200914). Portanto, não procede o inconformismo da recorrente. Relevação da multa. Dispunha o revogado art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.72 7, de 2009) § 1 ° A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstancia agravante. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) § 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto n'6.727, de 2009) § 3°Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de oficio, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) Fl. 453DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 14098.000134/200940 Acórdão n.º 2302003.317 S2C3T2 Fl. 451 7 Em virtude da revogação de tal dispositivo, a partir da data publicação do Decreto 6.727/2009, ocorrida em 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária, como é o caso do presente lançamento. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de excluir do lançamento a circunstância agravante da penalidade aplicada. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 454DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 13819.901174/2008-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PARCELAMENTO DA DÍVIDA. DESISTÊNCIA DO PERDECOMP.
A inclusão do débito não compensado em processo de parcelamento não autoriza o deferimento de desistência do Perdecomp em sede de julgamento administrativo.
INCLUSÃO DO DÉBITO EM PARCELAMENTO.
A verificação da efetiva inclusão do débito em processo de parcelamento compete à autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, devendo a autoridade administrativa zelar para que não haja cobrança em duplicidade, caso o débito resultante da não homologação da compensação tenha sido incluído em processo de parcelamento.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes (suplente), Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PARCELAMENTO DA DÍVIDA. DESISTÊNCIA DO PERDECOMP. A inclusão do débito não compensado em processo de parcelamento não autoriza o deferimento de desistência do Perdecomp em sede de julgamento administrativo. INCLUSÃO DO DÉBITO EM PARCELAMENTO. A verificação da efetiva inclusão do débito em processo de parcelamento compete à autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, devendo a autoridade administrativa zelar para que não haja cobrança em duplicidade, caso o débito resultante da não homologação da compensação tenha sido incluído em processo de parcelamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes (suplente), Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. PARCELAMENTO DA DÍVIDA. DESISTÊNCIA DO PERDECOMP. A inclusão do débito não compensado em processo de parcelamento não autoriza o deferimento de desistência do Perdecomp em sede de julgamento administrativo. INCLUSÃO DO DÉBITO EM PARCELAMENTO. A verificação da efetiva inclusão do débito em processo de parcelamento compete à autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, devendo a autoridade administrativa zelar para que não haja cobrança em duplicidade, caso o débito resultante da não homologação da compensação tenha sido incluído em processo de parcelamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 11 74 /2 00 8- 84 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Paulo Roberto Stocco Portes (suplente), Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de despacho de nãohomologação de compensação pela autoridade administrativa, em razão da não confirmação da existência do crédito informado, pois o pagamento consubstanciado no DARF discriminado pelo contribuinte no PER/DCOMP, foi utilizado integralmente para quitar débito anterior. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, que temendo a não homologação da compensação, incluiu o débito compensado no processo de parcelamento nº 13819.000189/200661, deferido em 27/10/2006. Requereu a revisão de ofício do despacho decisório e o cancelamento do Perdecomp. A DRJ em Campinas SP indeferiu a manifestação de inconformidade. Ficou decidido que o contribuinte não contestou os fundamentos do despacho decisório, buscando demonstrar a existência do crédito com o qual pretendeu extinguir a obrigação tributária. A própria formulação do pedido de parcelamento representa a admissão por parte do contribuinte de que a extinção do crédito tributário não teria se materializado por compensação. No que tange à possibilidade de cancelamento ou desistência do Perdecomp, decidiu a DRJ que o art. 82 da IN 900/2008 só permite a desistência enquanto o perdecomp estiver pendente de decisão administrativa. Na fase de julgamento, a possibilidade de desistência é vedada tanto ao contribuinte quanto à autoridade julgadora. A DRJ manteve o despacho decisório ressalvando que na hipótese do débito ter sido incluído em parcelamento, que se adotem as providências no sentido de que não haja cobrança em duplicidade. Regularmente notificado da decisão de primeira instância, o contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese, que parcelou o débito antes da decisão quanto à homologação do Perdecomp, mas não efetuou o cancelamento do Perdecomp. Disse que embora não tendo cumprido o rito do art. 82 da IN 900/2008, não pode ser compelida a pagar o mesmo débito duas vezes. Requereu o cancelamento da cobrança consubstanciada neste processo. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A insurgência do contribuinte reside única e exclusivamente no fato de considerar que está sendo cobrado duas vezes. Entretanto, depreendese da decisão de primeira instância que não haverá cobrança em duplicidade. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13819.901174/200884 Acórdão n.º 3403003.283 S3C4T3 Fl. 3 3 Como bem decidiu a DRJ, é vedado aos órgãos de julgamento homologar a desistência do Perdecomp. Por outro lado, a verificação da efetiva inclusão do débito no processo de parcelamento é incumbência da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do domicílio do contribuinte. Sendo assim, a única solução possível para este processo é manter o despacho decisório de não homologação da compensação e ressalvar à autoridade administrativa incumbida da execução do julgado que verifique se o débito não compensado neste processo está incluído no parcelamento. Se o débito estiver parcelado, obviamente que a própria autoridade administrativa se incumbirá de não encaminhar o Perdecomp para cobrança, pois não tem cabimento algum exigir a mesma dívida duas vezes. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso, ressalvando que a autoridade administrativa deverá zelar para que não haja cobrança em duplicidade, caso o débito resultante da não homologação da compensação tenha sido incluído em processo de parcelamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/09/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10935.907058/2011-50
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2003
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2003 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. 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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070095) emitido em 03/01/2012, indeferiu o Per/DComp 03200.91615.211205.1.2.04.040142, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.307, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907058/201150 Acórdão n.º 3803005.087 S3TE03 Fl. 7 3 Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma Fl. 47DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907058/201150 Acórdão n.º 3803005.087 S3TE03 Fl. 8 5 inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de novembro de 2013. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Relator Relator Fl. 49DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907059/2011-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2003
Ementa:
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso negado.
Crédito tributário não reconhecido.
Numero da decisão: 3803-005.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/12/2003 Ementa: PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado. Crédito tributário não reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado. Crédito tributário não reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 59 /2 01 1- 02 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070100) emitido em 03/01/2012, indeferiu o Per/DComp transmitido em 15/12/2003, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.308, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/12/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez Fl. 43DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907059/201102 Acórdão n.º 3803005.088 S3TE03 Fl. 7 3 que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 16/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Conselheiro Jorge Victor Rodrigues – Relator. O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907059/201102 Acórdão n.º 3803005.088 S3TE03 Fl. 8 5 No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de novembro de 2013. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Jorge Victor Rodrigues – Relator. Relator Relator Fl. 47DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.911746/2009-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2006
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2006 Direito ao crédito não conhecido. Ausência da prova do crédito pleiteado.
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 46 /2 00 9- 67 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911746/200967 Acórdão n.º 3802003.475 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720001/2013-83
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2010
CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL. INCONSTITUCIONALIDADE.
A Suprema Corte, no julgamento do RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92 que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos IV, da Lei nº 8.212/91.
Indevido o recolhimento de contribuição para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL) sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira que apresentará declaração de voto. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Júnior votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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INCONSTITUCIONALIDADE. A Suprema Corte, no julgamento do RE 363.852, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92 que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos IV, da Lei nº 8.212/91. Indevido o recolhimento de contribuição para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL) sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira que apresentará declaração de voto. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Júnior votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 01 /2 01 3- 83 Fl. 962DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 956 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa VELOSO TRADING NEW COFFEE COMERCIAL EXPORTADORA S/A SUCESSORA DE VELOSO TRADING COFFEE LTDA em face da decisão que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela recorrente e manteve em parte o crédito tributário referente ao período compreendido entre fevereiro de 2009 a fevereiro de 2010. 2. Segundo o relatório fiscal (fls. 39 a 45), o crédito tributário constituise do lançamento de: 1) DEBCAD 51.036.6317: contribuições sociais (quota patronal), destinadas à Seguridade Social e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT; e 2) DEBCAD 51.036.6325: contribuições devidas a Terceiros (SENAR), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da recorrente, na qualidade de pessoa jurídica adquirente. 3. Constam do relatório fiscal: “(...). 1.2.2 O contribuinte, com a intenção de se eximir da responsabilidade tributária quanto ao recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a produção rural (subrogação) e de se apropriar indevidamente de crédito de PIS/COFINS, com vistas ao posterior pedido de ressarcimento desses valores junto à RFB, formalizou as aquisições de café negociados diretamente com produtores rurais pessoas físicas como se fossem aquisições de pessoas jurídicas, mediante a utilização de notas fiscais inidôneas emitidas por empresas de “fachada”, conforme demonstrado no Termo de Constatação em anexo. 1.2.3 Na análise do processo nº 10675.720799/201055 Pedido de Ressarcimento de PIS e Processo nº 10675.720867/201086 Pedido de Ressarcimento de COFINS, os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento fiscal concluíram que o contribuinte realizou o “aproveitamento de créditos relacionados à aquisição de café no mercado interno passíveis de glosa” nas operações relacionadas a aquisições de atacadistas, por se tratarem de empresas inexistentes de fato. (...). 1.2.7 Dessa forma, os valores das aquisições de café formalizados através de notas fiscais inidôneas emitidas por estas empresas inexistentes de fato foram considerados como aquisições de produtores rurais pessoas físicas, com base no art. 33, § 3º da Lei 8.212/91 e art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº Fl. 963DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 957 3 3.048/99, que dispõe que na hipótese de apresentação de informação diversa da realidade, a RFB lançará de ofício a importância devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...). 1.2.10 A pessoa jurídica adquirente de produção rural é obrigada, por expressa determinação legal, a efetuar a retenção da contribuição do produtor rural pessoa física. Sua eventual omissão não a exime da obrigação pelo recolhimento das contribuições devidas, conforme § 5º do art. 33 da Lei 8.212/91”. 4. A recorrente apresentou decisão judicial (autos nº 0007528 56.2010.4.01.3400) movida pelo Conselho de Exportadores de Café do Brasil – CECAFÉ em benefício de seus associados, na qual restou declarado o direito dos filiados de se absterem de reter e recolher, por subrogação, o FUNRURAL incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural e empregadores, pessoas naturais, fornecedores de café. Contudo, a fiscalização entendeu que “são devidas as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização de produtos pelo empregador rural pessoa física a partir da entrada em vigor da Lei nº 10.256/01, em 10.07.2001, sendo a empresa responsável, por substituição tributária, pela retenção e recolhimento”. Diante disso, a fiscalização entendeu que não há demanda judicial da empresa quanto à contribuição instituída por essa referida Lei, fazendose necessário o lançamento tributário do valor devido. 5. Ademais, a recorrente foi autuada por ter apresentado GFIP com incorreções e omissões, tendo sido aplicada a multa prevista no artigo 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, observado o limite fixado no §3º, II, do artigo 35A, da referida lei (DEBCAD 51.036.6333). 6. Inconformada com o lançamento fiscal, a empresa apresentou impugnação (fls. 327 a 836), referente aos Debcad’s 51.036.6317, 51.036.6325 e 51.036.6333, tendo o colegiado de primeira instância julgado improcedente a impugnação. O acórdão recorrido (fls. 876 a 891) restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2010 CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL ADQUIRIDA DE PRODUTORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS. A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GFIP. FATOS GERADORES. OMISSÃO. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 958 4 Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. VERDADE MATERIAL. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. No processo administrativo fiscal, devem ser observados os princípios da verdade material e da primazia da realidade sobre a forma. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO A MAIOR. RETIFICAÇÃO. É devida a retificação do lançamento em se verificando a existência de valores lançados a maior. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” 7. Após ter sido cientificado do referido acórdão (fl. 893/896), a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 897 a 936), sustentando, em apertada síntese que: a) o mandado de segurança que desobriga a empresa da retenção e do recolhimento da contribuição ao FUNRURAL foi impetrado quase 10 anos após a edição da Lei nº 10.256/2001 e, caso houvesse um tipo diverso de contribuição ao FUNRURAL antes desta lei, estaria, há muito, atingida pelo instituto da prescrição; b) no mandado de segurança, restou reconhecida a inconstitucionalidade da contribuição ao FUNRURAL, mesmo após as alterações promovidas pela Lei nº 10.256/2001; c) as empresas que efetuaram vendas de café estavam inquestionavelmente ativas no período fiscalizado, vez que sua regularidade estava atestada pelos órgãos fazendários estadual e federal, o que comprova a boafé da recorrente; d) a atividade de fiscalização destas empresas é dever da Administração Pública, não podendo tal responsabilidade recair sobre a recorrente, com base na primazia do princípio da verdade material; e e) a retificação da PERDecomp não impede que a recorrente possa futuramente pleitear o aproveitamento dos créditos em questão, não configurando elemento comprobatório suficiente para fundamentar a autuação. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 959 5 8. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 960 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e passo a analisálo. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O FUNRURAL 2. Conforme descrito no relatório fiscal, o crédito tributário deuse em razão do lançamento das contribuições sociais – quota patronal, GILRAT e SENAR – “incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da recorrente, na qualidade de pessoa jurídica adquirente” (fl. 39). 3. A recorrente alega que foi proferida decisão judicial em mandado de segurança movido pelo Conselho de Exportadores de Café do Brasil – CECAFÉ em benefício de seus associados, no qual restou declarado o direito dos filiados de se absterem de reter e recolher, por subrogação, o FUNRURAL incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural e empregadores, pessoas naturais, fornecedores de café. 4. A decisão de primeira instância considerou que a contribuição objeto do lançamento é aquela prevista no art. 25, I e II, §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 10.256/2001, a qual não foi objeto desta decisão judicial. Considerou, ainda, que, em regra é vedado à autoridade administrativa reconhecer tese de ilegalidade e inconstitucionalidade de lei. 5. De fato, razão assiste ao julgador de primeira instância. Contudo, entendo que, em cumprimento ao princípio da economia processual e em prol da unificação dos julgados, a esfera administrativa pode, em determinadas circunstâncias, seguir o entendimento do judiciário no que diz respeito às matérias nas quais já consolidou seu posicionamento. Isso para que se evite a situação de o contribuinte, ao final da demanda administrativa, tenha que recorrer ao judiciário para ver a lide satisfeita. 6. Assim, apesar de estar ciente de que as decisões judiciais possuem efeitos inter partes, entendo que é necessário se valorizar a jurisprudência consolidada pelos Tribunais Superiores. In casu, cumpre atentar para o posicionamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao enfrentar a matéria sob análise. 7. Com efeito, a Corte Constitucional, no julgamento do Recurso Extraordinário – RE nº 363.852, já se manifestou sobre a questão e, por entender que a Fl. 967DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 961 7 contribuição representa uma dupla tributação, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, nos termos abaixo: “O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a ‘receita bruta proveniente da comercialização da produção rural’ de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n. 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, 30, inciso IV, da Lei n. 8.212/91, com a redação atualização até a Lei n.º 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n.º 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministro Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior, Plenário, 03.02.2010.” 8. Em assentada posterior, em sessão plenária (17/03/2011), o STF ratificou seu posicionamento e manteve seu entendimento sobre a inconstitucionalidade dos dispositivos legais supramencionados ao rejeitar os embargos de declaração da União Federal no RE n.º 363.852. 9. Os embargos foram apresentados com o objetivo de que se declarasse que a Lei n.º 10.256/2001, que alterou parte do artigo 25, da Lei n.º 8.212/91, havia sanado a inconstitucionalidade. 10. Porém, o posicionamento do ministro relator, Marco Aurélio Mello, foi no sentido de que, como a referida lei somente modificou o caput do artigo 25, mantendo a alíquota e a base de cálculo da contribuição, não houve alteração no que se refere à inconstitucionalidade da cobrança do Funrural. 11. Oportuno mencionar que a 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, 2ªSeção de Julgamento do CARF ao julgar argumentos semelhantes no processo 13116.001044/2007 86, afasta a exigibilidade do crédito tributário referente à omissão dos valores da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, conforme ementa que transcrevo abaixo: “MPF. RECEBIMENTO PELO CONTADOR. VALIDADE. Em acordo com a Teoria da Aparência, não há nulidade do MPF diante da intimação do contador da empresa ao invés de seu representante legal, se aquele se coloca como investido de autorização para recebêla, bem como conhece os fatos a serem examinados pela fiscalização (art. 23 do Decreto nº 70.235/72). Fl. 968DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 962 8 TIAF. INEXIGIBILIDADE. O TIAF é inexigível desde 18 de dezembro de 2003, com o advento da Instrução Normativa INSS/DC nº 100. Não há necessidade de expedição de dois instrumento, o TIAF e o MPF, quando ambos têm o mesmo objetivo, de informar ao contribuinte que se encontram sob auditoria fiscal. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. VALIDADE DE INTIMAÇÃO. Inexiste cerceamento ao direito de defesa da empresa apontada como responsável solidária pelo débito, se devidamente intimada para se manifestar acerca da autuação contra ela lavrada. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE DE RETER E RECOLHER A CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Reconhecida por decisão do plenário do STF, transitada em julgado, a inconstitucionalidade da contribuição devida pelo produtor rural e segurado especial sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, bem como a obrigação do adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento, pode o CARF aplicála, afastando as obrigações com fulcro na referida contribuição. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. Constatada a existência de grupo econômico de fato, não há como ser afastada a solidariedade imposta pelo artigo 30, IX da Lei nº 8.212/1991. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, § 3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, § 5º da mesma lei. A penalidade prevista no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, pode retroagir para beneficiar o contribuinte, sendolhe mais benéfica. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Fl. 969DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 963 9 12. Ademais, quando do julgamento do RE 596.177/RS foi declarada novamente a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, tendo em vista à exigência de dupla tributação caso o produtor rural seja empregador e também pela necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. Posição ratificada em 17/10/2013 pelo Supremo Tribunal Federal ao analisar os embargos de declaração opostos pela União. 13. Diante do exposto, entendo que a contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas físicas – FUNRURAL não pode ser validamente exigida. DA INIDONEIDADE DAS NOTAS FISCAIS REFERENTES À AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE PESSOAS FÍSICAS 14. A fiscalização considerou inidôneas as notas fiscais emitidas pelas empresas fornecedoras de produtos rurais, vez que estas ou estão “não habilitadas” na Fazenda Nacional, ou estão “inaptas” na Receita Federal. Ademais, verificou que os imóveis encontrados nos endereços declarados demonstraram não haver naqueles locais a atividade econômica das empresas. 15. A recorrente, em sua defesa, alega que, no momento da fiscalização, as empresas que efetuaram vendas de café estavam inquestionavelmente ativas no período fiscalizado, vez que sua regularidade estava atestada pelos órgãos fazendários estadual e federal. Para fazer prova do alegado, juntou aos autos, quando da apresentação da impugnação, documentos que comprovam a idoneidade das empresas (fls. 362/536). 16. De fato, a recorrente apresentou os documentos comprobatórios do alegado no momento processual correto, conforme previsão contida no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72: “A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual”. 17. Ademais, segundo o artigo 333, caput e inciso I, do Código de Processo Civil, “o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. Devidamente demonstrado que a situação das empresas era regular junto aos órgãos de cadastro, deve ser reconhecida a boafé do contribuinte quanto à realização de operações com estas empresas. Além disso, partindo da regra prevista no artigo 113, do Código Civil, os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boafé das partes contratantes. 18. Isso porque não cabe ao contribuinte a obrigação de fiscalizar a regularidade das empresas com quem realizam negócios, partindo do pressuposto que, se estão licenciadas pelos órgãos competentes, devem ser consideradas idôneas. 19. Dessa forma, a análise da regularidade destas empresas é dever da Administração, como bem salientou o contribuinte em sede de recurso voluntário, não devendo esta responsabilidade recair sobre as empresas no momento da celebração de negócios jurídicos. A própria verificação feita pela recorrente acerca da regularidade destas empresas evidencia o seu interesse em realizar negócios juridicamente válidos, com empresas que estejam com o cadastro atualizado nos órgãos competentes, e demonstram sua confiança nos mecanismos de fiscalização utilizados por estes órgãos. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 964 10 CONCLUSÃO 20. Diante de todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, nos termos acima alinhavados, decotando da incidência de contribuição sobre a comercialização da produção adquirida de produtores rurais pessoas físicas – FUNRURAL, bem como, por consequência, exonerar a recorrente do pagamento de penalidade referente a descumprimento de obrigação acessória. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Fl. 971DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 965 11 Declaração de Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. Pedi vista dos presentes autos para melhor poder analisar o caso em razão das especificidades que entendi existentes na assentada do julgamento primitivo. A presente análise inclui a consideração e a observação dos memoriais e documentos que o acompanham entregues na sessão de julgamento, assim compostos: · Memorial da Rolim, Viotti & Leite Campos – Advogados – 07 laudas; · Petição inicial do MS 000752856.2010.4.01.3400, do escritório Lourenço & Rodrigues Advogados – 14 laudas; · Sentença nº 1.061/2011 – B do citado MS – 07 – laudas; · Decisão no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 0021324 32.2010.4.01.0000/DF – 03 laudas; · Quadro Sintético do Resultado das Pesquisas – 01 lauda. Passo a análise do que dos autos constam, bem como apresento o que por mim decido. Relativamente, à alegação de inconstitucionalidade da exação no que tange à aquisição de produtos rurais de produtores pessoas físicas, tenho por mim como já decidi em outras ocasiões que as decisões do Supremo Tribunal Federal em especial nos RE’s 363.852 – MG e 596.177 – RS não se referem ao conjunto normativa contido na Lei 10.256/2001, pois tal lei não foi alcançada pelos julgados citados e estando o lançamento lastreado nessa lei e não na expurgada do ordenamento jurídico pátrio, não vício a ser reconhecido nessa esfera, pois presente os pressupostos legais do lançamento tributário. De igual, modo a decisão do MS 000752856.2010.4.01.3400 em favor do CECAFÉ não aproveito a esse PAF, pois como dito, o lançamento está fundamentado na Lei 10.256/2001, basta ver o que consta do Fundamentos Legais do Débitos – FLD, de fls. 15 e 16; 21 e 22. Outrossim, o fato do MS ter sido impetrado dez anos após a vigência da Lei 10.256/2001 em nada socorre a recorrente, pois a ação judicial fica jungida o limite do que pedido em razão do princípio do congruência e no caso fica claro pela petição do MS apresentada e acima referida, que a lei 10.256/2001, não foi objeto do pedido. Por fim, a decisão do agravo regimental no agravo de instrumento não reconheceu, também, a inconstitucionalidade da Lei 10.256/2001, pois isso não vem definido Fl. 972DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 966 12 em seu dispositivo, sendo que tal decisão apenas nega seguimento ao agravo de instrumento e que como dito era recurso interposto pela Fazenda Nacional. Por outro lado, não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de inconstitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 967 13 Assim sendo, rejeito as alegações suscitadas pela recorrente. No que tange à validade das notas fiscais que deram suporte aos negócios jurídicos realizados, verifico que o fisco e a recorrente se posicionamse conforme abaixo descrito. TABELA 1 – RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS CONSIDERADAS INIDÔNEAS PELO FISCO POR FORNECEDOR. *FORNECEDOR *NOTA FISCAL TERRA MINAS 3191 TERRA MINAS 3223 TERRA MINAS 3284 TERRA MINAS 3285 TERRA MINAS 3374 TERRA MINAS 3389 TERRA MINAS 3390 TERRA MINAS 3430 TERRA MINAS 3481 TERRA MINAS 3746 TERRA MINAS 3747 TERRA MINAS 3798 TERRA MINAS 315 TERRA MINAS 390 PORTO SEGURO 2068 PORTO SEGURO 2078 PORTO SEGURO 2080 PORTO SEGURO 2081 PORTO SEGURO 2092 PORTO SEGURO 2230 Fl. 974DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 968 14 PORTO SEGURO 2231 PORTO SEGURO 2279 PORTO SEGURO 2416 PORTO SEGURO 2538 FUTURA ALIMENTOS 31 FUTURA ALIMENTOS 50 FUTURA ALIMENTOS 67 FUTURA ALIMENTOS 82 FUTURA ALIMENTOS 107 FUTURA ALIMENTOS 141 FUTURA ALIMENTOS 224 FUTURA ALIMENTOS 243 FUTURA ALIMENTOS 267 FUTURA ALIMENTOS 312 FUTURA ALIMENTOS 318 FUTURA ALIMENTOS 329 FUTURA ALIMENTOS 369 FUTURA ALIMENTOS 401 FUTURA ALIMENTOS 402 FUTURA ALIMENTOS 417 FUTURA ALIMENTOS 419 MARAGOGIPE 2888 * DADOS EXTRAÍDOS DO ANEXO II – NOTAS FISCAIS DE ENTRADA – NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS, FLS 47 A 49, QUE FOI ELABORADA PELO AGENTE LANÇADOR. Verificase, ainda, do Termo de Constatação, de fls. 54 a 57, que o fisco considerou que as empresas abaixo listadas tinham existência apenas escritural para propiciar a realização de negócio simulado. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 969 15 FORNECEDOR CNPJ SITUAÇÃO CADASTRO ESTADUAL E DATA DA SITUAÇÃO E DA CONSULTA SITUAÇÃO CADASTRO FEDERAL CERRADO EXPORT DO BRASIL LTDA 02.177.534/000173 NÃO HABILITADA 05/05/2007 – 13/09/2012 INAPTA – 01/03/2010 – 03/09/2012 – FLS. 87 TERRA MINAS COML. E EXPORT. DE CÁFE 08.859.933/000140 INSCRIÇÃO CANCELADA – 22/01/2011 – 13/09/2012 FLS 70 ATIVA 23/05/2007 – 04/09/2012 – FLS. 95 FUTURA ALIMENTOS LTDA 00.435.922/000121 NÃO HABILITADA – 12/04/2010 – 13/09/2012 – FLS. 73 ATIVA – 03/11/2005 – 04/09/2012 – FLS. 93 PORTO SEGURO COM. E EXP. DE CAFÉ LTDA ME 01.970.960/000147 NÃO HABILITADA – 31/03/2010 – 13/09/2012 FLS 69 ATIVA – 03/11/2005 – 04/09/2012 – FLS. 94 INTERCOFFE IMPORTAÇÃO E EXP. LTDA 08.084.305/000130 HABILITADA 27/06/2006 – 13/09/2012 – FLS. 71 BAIXADA – 01/12/2011 – 04/09/2012 – FLS. 89 VÍNCULO DISTRIB. DE PRODUTOS ALIMENT. 08.795.471/000145 NÃO HABILITADA – 03/08/2010 – 13/09/2012 – FLS. 75 ATIVA 25/04/2007 – 01/11/2012 FLS. 91 TAVARES COMÉRCIO E CAFÉ LTDA – ME 04.316.561/000155 NÃO HABILITADA – 23/10/2009 – 13/09/2012 – FLS. 76 INAPTA – 01/11/2009 – 04/09/2012 – FLS. 90 00.492.197/000204 INAPTA – 23/04/2010 – Fl. 976DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 970 16 MINAS COM. E REPRESENTAÇÕES LTDA 04/09/2012 FLS. 86 CAFEEIRA SÃO SEBASTIÃO LTDA 00.837.387/000135 NÃO HABILITADA – 16/06/2011 – 13/09/2012 – FLS. 77 ATIVA – 03/11/2005 – 01/11/2012 – FLS. 92 AGAR COMÉRCIO LTDA – ME 05.073.665/000149 INAPTA – 13/01/2010 – 03/09/2012 – FLS. 88 MARAGOGIPE COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA 10.221.099/000105 NÃO HABILITADA 01/08/2010 – 13/09/2012 – FLS. 74 INAPTA – 28/07/2009 – 04/09/2012 – FLS. 85 A recorrente, também, apresentou/juntou as impugnações as pesquisas efetuadas pelo fisco na situações cadastral das fornecedoras acima listadas, fls. 366 e 367; 424 e 425; 482 e 483; 488 e 489; 493 e 494; 597 e 598; 607 e 608; 649 e 650; 702 e 703; 708 e 709; 715 e 716. Da conjugação das três observações acima percebese que apenas as empresas fornecedores Terra Minas, Porto Seguro, Futura Alimentos e Maragogipe tiverem notas fiscais consideradas inidôneas, ainda, que outras tenham sido considerados de existência apenas escritural, bem como em relação a essas empresas/fornecedoras suas inscrições seja estadual ou federal estavam “sem validade”, independentemente, do motivos como abaixo descrito. · Terra Minas – inscrição estadual cancelada – 22/01/2011 e inscrição federal ativa – data situação 23/05/2007 – data consulta 04/09/2012; · Porto Seguro – inscrição estadual não habilitada – 31/03/2010 e inscrição federal ativa – data situação 03/11/2005 – data consulta 04/09/2012; · Futura Alimentos – inscrição estadual não habilitada – 12/04/2010 e inscrição federal ativa – data situação 03/11/2005 – data consulta 04/09/2012; · Maragogipe inscrição estadual não habilitada 01/08/2010 e inscrição federal inapta – 28/07/2009 Fl. 977DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10970.720001/201383 Acórdão n.º 2803003.608 S2TE03 Fl. 971 17 Concluise dos elementos acima em comparação com o Anexo II, de fls. 47 a 49, que a única nota fiscal da empresa Maragogipe considerada inapta referese a competência 02/2010, ou seja, nota emitida depois do reconhecimento da situação de INAPTA. Todavia, em relação às outras três empresas Terra Minas, Porto Seguro, Futura Alimentos a situação é outra, em relação à Terra Minas a última nota considerada inidônea foi emitida em 04/01/2010, mas sua inscrição estadual só foi cancelada em 22/01/2011; quanto à Porto Seguro a última nota considerada inidônea foi emitida em 08/06/2009, porém sua inscrição estadual só foi considerada não habilitada – 31/03/2010; relativamente, a empresa Futura Alimentos a última nota considerada inidônea foi emitida em 11/12/2009, contudo sua inscrição estadual só foi considerada não habilitada – 12/04/2010. Logo, as inscrições estaduais e federais das três empresas Terra Minas, Porto Seguro, Futura Alimentos estavam regulares quando da emissão das notas fiscais de aquisição de produtos rurais e a empresa adquirente não tinha porque entender de outra forma a situação posta, para o qual realiza negócio regular, com fornecedores regulares. O crédito lançado compreende as competências 02/2009; 03/2009; 04/2009; 06/2009; 09/2009; 10/2009;11/2009; 12/2009; 01/2010 e 02/2010. Assim sendo, só a nota fiscal 2.888 no importe de R$ 136.000,00 da empresa Maragogipe Comércio de Cereais Ltda, competência 02/2010 pode se considerada base de cálculo da exação ora em discussão. A discussão da propriedade é irrelevante ao caso, pois para haver exação deve ser comprovada que a compra se deu de produtor rural pessoa física, não interferindo nesta a destinação do produto. Por oportuno, esclareço que a presente decisão não reconhece direito crédito algum ao contribuinte, inclusive, em razão de COFINS e PIS, bem como em razão de qualquer pedido de PER/DCOMP, pois a análise se restringe a regularidade da exação da contribuição social previdenciária, que possui pressupostos e princípios legais distintos dos outros tributos citados. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, dar lhe provimento parcial, para determinar a exclusão da notas fiscais consideradas inidôneas emitidas pelas empresas Terra Minas, Porto Seguro, Futura Alimentos da base de cálculo da ro presente lançamento, mantendo apenas a nota fiscal 2.888 no importe de R$ 136.000,00 da empresa Maragogipe Comércio de Cereais Ltda na base de cálculo da exação ora em discussão. (assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10580.725872/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
IRPF - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IR - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL
A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA
Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996.
Preliminares rejeitadas.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2202-002.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Fábio Brun Goldschmidt e Rafael Pandolfo, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente em exercício e Redator designado.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 09/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
Nome do relator: Relator FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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Recorrente LIVIA MURICY TORRES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 72 /2 00 9- 09 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminares rejeitadas. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Fábio Brun Goldschmidt e Rafael Pandolfo, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente em exercício e Redator designado. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 09/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Fl. 448DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 2202002.669 S2C2T2 Fl. 16 3 Relatório Tratase de auto de infração, no qual foi averiguado o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos períodos de 2004, 2005 e 2006, exigindo o crédito tributário, no valor de R$ 116.326,64, já incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Na descrição dos fatos e enquadramento legal, informa o ARF (fls. 05/07) que o crédito tributário foi constituído em razão de terem sido classificados indevidamente os rendimentos auferidos da serventuária do MP do Estado da Bahia na Declaração de Ajuste Anual, pois declarados como isentos e não tributáveis. Atesta ainda que os rendimentos foram recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas de iguais montantes no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003, que preceitua, dentre outras coisas, que a verba em questão seria de caráter indenizatório, lei esta regulamentada em toda pela Lei 8.730/03. Entretanto, entendeu o fisco que as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, estando, consequentemente, sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Por fim, destacouse que na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. Procedimento de Fiscalização Apresentadas as Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda dos anos calendários de 2004, 2005 e 2006 (fls.25/29), ficou intimada a contribuinte em 21/09/2009 (fl. 14), para apresentar a seguinte documentação exigida em Mandado de Procedimento Fiscal: a) cópia dos comprovantes de pagamentos fornecidos pelas fontes pagadoras; b) documentação comprobatória e discriminatória de todos os valores lançados a título de Rendimentos Isentos e NãoTributáveis no item “outros” das declarações de imposto de renda pessoa física, referentes ao período analisado; Fl. 449DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 c) caso parte dos valores lançados como rendimentos isentos e não tributáveis no item “outros” seja decorrente de recebimento de diferenças salariais quando da conversão da moeda de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, apresentar planilha de cálculo da diferença devida nos anos de 1994 até 2001, especificando os valores do salário original, da diferença devida (URV), dos juros e atualização monetária. Em resposta à notificação (fl. 15), em 25/09/09, a contribuinte apresentou para a fiscalização, cópia dos documentos comprobatórios emitidos pela fonte pagadora (fls. 19/24) e planilha de cálculo da diferença devida nos anos de 1994 até 2001, especificando os valores do salário original, da diferença devida (URV), dos juros e atualização monetária (fl.16/18). Requereu a dilação do prazo para apresentar documentação complementar, caso fosse necessário. Naquele momento, registrou que só teria declarado os valores percebidos a título de URV como isentos e não tributáveis, pois assim foi enquadrado pela fonte pagadora, com fundamento no art. 3º, da LC nº 20, de 08.09.2003. Não acatada a justificativa, bem como as razões contidas na documentação acostada, a administração fiscal resolveu por lançar o crédito tributário (fls. 02/11). Impugnação A contribuinte foi cientificada do lançamento fiscal em 14/10/2009, apresentando impugnação (fls. 44118), alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pela impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membros dos magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer, no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20/03, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou a autuada a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem a impugnante qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos, de fato, fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; Fl. 450DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 2202002.669 S2C2T2 Fl. 17 5 f) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; g) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; h) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Decisão da DRJ Diante da impugnação, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/BS, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 120125), referindo em síntese: a) que, os rendimentos objeto do lançamento fiscal foram recebidos em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de 2003, que em seu art. 2º dispõe sobre “diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”, sendo que as diferenças reconhecidas através da citada lei tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos membros do Ministério Público Estadual; b) que, o recebimento extemporâneo de tais diferenças não altera sua natureza, mesmo que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer à justiça, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; c) que, a tributação não se restringe ao valor do principal, mas, também, aos juros e atualização monetária. E ainda, houve invasão na Competência Federal, uma vez que a Lei Estadual cuidou de matéria atinente ao IRPF; d) quanto à alegação do cabimento do reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, essa não pode ser estendida às verbas pagas aos membros do Ministério Público Estadual, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica, vez que a isenção está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN; e) quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme entendimento do CARF; Fl. 451DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 f) que é certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia; g) quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão da impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; h) que é certo, também, que o parágrafo único do art. 100 do CTN exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, nos casos em que o contribuinte age em observância às normas complementares nele previstas. Entretanto, os informes de rendimentos fornecidos pelo Ministério Público Estadual não têm caráter normativo, nem a autoridade administrativa emitente tem competência para tratar de matéria tributária federal; i) que em razão das citadas diferenças terem sido recebidas acumuladamente, o imposto de renda devido foi apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referiam tais rendimentos, conforme depusera o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009. O impugnante alegou que foram aplicadas alíquotas incorretas relativas aos anos calendário 1994 e 1998, exercícios 1995 e 1999, respectivamente. Entretanto, não se constata tal erro no demonstrativo de cálculo elaborado pela fiscalização, pois as alíquotas que foram aplicadas nos exercícios em questão foram as que estavam em vigor, conforme previsto no art. 2º da Lei nº 8.848, de 28 de janeiro de 1994, e no art. 21 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, respectivamente; j) quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão; k) que se verifica, ainda, mediante a confrontação entre as planilhas de cálculo da diferença de URV emitida pelo Ministério Público e o demonstrativo de apuração do imposto de renda elaborado pela fiscalização, que as parcelas dos valores recebidos a título de URV que se referiam à correção incidente sobre férias indenizadas e 13º salário não foram inclusas no lançamento fiscal, por serem respectivamente isentas e sujeitas à tributação exclusiva; Fl. 452DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 2202002.669 S2C2T2 Fl. 18 7 Dessa forma, votouse por considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Recurso Voluntário Intimada em 25/10/2011, fl. 129, e insatisfeita com a decisão proferida pela DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 130– 226, em 25/10/2010. Em síntese, repisou os argumentos trazidos em sede de impugnação, ressaltando os seguintes questionamentos: a) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa de ofício, b) nulidade do lançamento, motivada pela forma inadequada de apuração da base de calculo do tributo lançado; c) não incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios e/ou compensatórios; d) natureza indenizatória dos valores (diferenças de URV) pagos em atraso; e) da ilegitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e f) violação ao princípio constitucional da isonomia. É o relatório Fl. 453DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Voto Vencido Conselheiro FABIO BRUN GOLDSCHMIDT O cerne do litígio diz respeito à exigência do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual – DAA como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Conforme se depreende da autuação fiscal, ela decorre de diferenças de remuneração havidas quando da conversão monetária de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual baiana nº. 8.730/2003. O art. 5º1 dessa Lei determinou, expressamente, que o valor recebido pelo recorrente, conforme preceitua o art. 4º2 do mesmo Diploma, possui natureza indenizatória. Entretanto, como se colhe da fundamentação utilizada no auto de infração, a autoridade fiscal entendeu que aludida legislação teria adentrado em seara normativa reservada constitucionalmente à União, vejase: “Preceitua a referida Lei Estadual, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, em nada alterando a legislação do Imposto de Renda, de competência da União”. Ocorre que, em vista da promulgação do referido diploma legal, o contribuinte recorrente, seguindo o enquadramento jurídico adotado pela fonte pagadora, lançou os valores dela recebidos como rendimentos não tributáveis. A fonte pagadora, por sua vez, deixou de realizar a retenção do imposto objeto do auto de infração por estar submetida à Lei Estadual Baiana, que atribuiu natureza indenizatória aos valores pagos ao recorrente. Todavia, mesmo assim, a fazenda nacional entendendo que a aludida legislação estadual não possui o condão de alterar a esfera da competência tributária prevista, constitucionalmente, afastou sua aplicação, autuando o contribuinte. 1 Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. 2 Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 2202002.669 S2C2T2 Fl. 19 9 Certa ou errada a conclusão da administração fiscalizadora, constatase que a mesma pressupôs a inconstitucionalidade da Lei 8.730/03, pois entendeu pela incompetência do Estado baiano em adentrar na esfera de competência reservada a União quanto o Imposto sobre a Renda. Ora, como se sabe e como já assentado neste Conselho, a declaração de inconstitucionalidade possui foro jurisdicional reservado, sendo vedado à Administração desconsiderar o conteúdo de qualquer diploma normativo por esse fundamento, seja ele explícito, seja ele implícito. A ressalva atinge a Administração tanto na análise de justificativas arguidas pelos contribuintes, como na retirada ou desconsideração de obstáculos normativos vigentes que impeçam a atuação fazendária. O tratamento adotado pela Corte Administrativa deve ser o mesmo, pois as duas hipóteses repousam sobre o mesmo fundamento, a partir do qual foi editada a Súmula nº 2 do próprio CARF. Para corroborar, insta referir que tal argumento foi, igualmente, esposado pelo Conselheiro Rafael Pandolfo, no acórdão 220200.188, caso idêntico a este, como se depreende do seguinte trecho: Diante desse quadro, entendo que o caminho prévio adotado pela União deva ser aquele previsto no art. 103 da Constituição Federal. Retirado do mundo jurídico o entrave materializado no art. 5º da Lei Estadual Baiana nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estará a Fazenda Pública livre para o exercício da sua capacidade tributária ativa. Assim, ressaltase que o ingresso na discussão a respeito da titularidade da capacidade tributária ativa diante do preceito contido no art. 157, I, da Constituição Federal exige, no presente caso, a prévia superação do tema relativo à validade do art. 5º da Lei 8.730/03, que condiciona o comportamento tanto do contribuinte como da fonte pagadora. Desse modo, persistindo a barreira normativa materializada no art. 5º da Lei 8.730/03, considerando que a presunção de constitucionalidade desse dispositivo estadual não foi relativizada pela União através do instrumento judicial adequado e tendo em vista que é vedada esse Tribunal qualquer desconsideração legal sob o pálio da inconstitucionalidade, voto pelo PROVIMENTO do recurso voluntário interposto. Exatamente neste sentido manifestouse o Supremo Tribunal Federal, na decisão proferida pela Ministra Ellen Gracie em sede de pedido de reconsideração na AC nº 2611, que ora se transcreve: Fl. 455DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 (...) Revendo os autos à luz do agravo regimental interposto pela empresa Requerente, verifico que, embora a questão pudesse desafiar solução infraconstitucional, também apresenta consistente fundamentação constitucional, amparada em precedentes desta Corte. É que o Estado de Minas Gerais, inconformado com a inconstitucionalidade de crédito de ICMS concedido pelo Estado de Goiás, teria glosado parcialmente a apropriação de créditos nas operações interestaduais, com isso ofendendo a sistemática da nãocumulatividade desse imposto e a alíquota interestadual fixada pelo Senado, ambas com assento constitucional. Entendo, pois, que há relevante discussão de índole constitucional, de modo que é caso de reconsiderar a decisão recorrida e de conhecer do pedido de liminar. A pretensão de suspensão da exigibilidade do crédito, com a conseqüente suspensão da execução fiscal, merece acolhida. Há forte fundamento de direito na alegação de que o Estado de destino da mercadoria não pode restringir ou glosar a apropriação de créditos de ICMS quando destacados os 12% na operação interestadual, ainda que o Estado de origem tenha concedido crédito presumido ao estabelecimento lá situado, reduzindo, assim, na prática, o impacto da tributação. Notese que o crédito outorgado pelo Estado de Goiás reduziu o montante que a empresa teria a pagar, mas não implicou o afastamento da incidência do tributo, tampouco o destaque, na nota, da alíquota própria das operações interestaduais. Ainda que o benefício tenha sido concedido pelo Estado de Goiás sem autorização suficiente em Convênio, mostrase bem fundada a alegação de que a glosa realizada pelo Estado de Minas Gerais não se sustenta. Isso porque a incidência da alíquota interestadual faz surgir o direito à apropriação do ICMS destacado na nota, forte na sistemática de não cumulatividade constitucionalmente assegurada pelo art. 155, § 2º, I, da Constituição e na alíquota estabelecida em Resolução do Senado, cuja atribuição decorre do art. 155, § 2º, IV. Não é dado ao Estado de destino, mediante glosa à apropriação de créditos nas operações interestaduais, negar efeitos aos créditos apropriados pelos contribuintes. Conforme já destacado na decisão recorrida, o Estado de Minas Gerais pode argüir a inconstitucionalidade do benefício fiscal concedido pelo Estado de Goiás em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade, sendo certo que este Supremo Tribunal tem conhecido e julgado diversas ações envolvendo tais conflitos entre Estados, do que é exemplo a ADI 2.548, rel. Min. Gilmar Mendes, DJ 15.6.2007. Mas a pura e simples glosa dos créditos apropriados é descabida, porquanto não se compensam as inconstitucionalidades, nos termos do que decidiu este tribunal Fl. 456DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 2202002.669 S2C2T2 Fl. 20 11 quando apreciou a ADI 2.377MC, DJ 7.11.2003, cujo relator foi o Min. Sepúlveda Pertence: “2. As normas constitucionais, que impõem disciplina nacional ao ICMS, são preceitos contra os quais não se pode opor a autonomia do Estado, na medida em que são explícitas limitações. 3. O propósito de retaliar preceito de outro Estado, inquinado da mesma balda, não valida a retaliação: inconstitucionalidades não se compensam.” (...) Como se observa, a decisão referida parte do pressuposto de que, havendo uma lei, tal é presumidamente constitucional, até que se declare o contrário. E tal declaração, digase, deve ser feita pelo órgão competente e através do procedimento adequado, que é a ação direta de inconstitucionalidade a ser aforada perante o Supremo Tribunal Federal, sendo vedado ao Fisco optar por fazer justiça pelas próprias mãos, afastando a presunção de constitucionalidade das leis a seu bel prazer. Ora, o que está em jogo, no caso, é a preservação do princípio federativo e a ideia de que não há hierarquia entre unidades federadas, de forma que qualquer atrito envolvendo a constitucionalidade/inconstitucionalidade deve ser resolvido nas esferas cabíveis. Destarte, por força da presunção de constitucionalidade, de que se reveste toda lei, entendo pela impossibilidade de manutenção da autuação, pois falece ao fisco federal competência para afastar a qualificação jurídica contida na lei (qual seja de rendimentos isentos e não tributáveis), devendo buscar a declaração de sua inconstitucionalidade pelo meio adequado, se assim entender. Desta forma, tendo em vista que é vedado a este Conselho qualquer desconsideração de legislação sob o fundamento de inconstitucionalidade (conforme a Súmula 2, do CARF) 3, e gozando a Lei 8.730/03 de presunção de constitucionalidade, até sua eventual declaração a contrario sensu, é que merece provimento o recurso aventado, reconhecendose a nulidade do auto de infração lançado, pelos motivos já tratados. Isso posto, entendo pelo PROVIMENTO do recurso voluntário interposto, anulando o auto de infração lançado. (Assinado Digitalmente) 3 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 FABIO BRUN GOLDSCHMIDT – Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 2202002.669 S2C2T2 Fl. 21 13 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. Inobstante o respeitável entendimento desenvolvido pelo Ilustre Conselheiro Relator, no caso em análise e com sua vênia, a minha convicção não permite acompanhálo. Exponho a seguir as razões. O lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que toca a ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção. Urge registrar que a repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Em suma, o fato de o produto da arrecadação ficar para o Estado não altera a competência tributária definida na Constituição, que é da União, conforme de definido no art. 153, III. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, pela quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, , acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). No relativo a Lei n° 10.477, de 2002, cabe observar, que a mesma restringe se ao abono variável aplicável aos membros do Poder Judiciário Federal. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 529, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Tal entendimento é expressamente corroborado pelo Parecer PGFN/CAT n° 2.158, de 2005, e pela Solução de Consulta n° 47, da Superintendência da 7" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, estendendose os efeitos da Resolução STF n° 245, de 2002, tão somente ao Ministério Público Federal e à Magistratura Federal. Não se pode olvidar também que é defeso ao aplicador do Direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Este Conselho já pacificou esse entendimento, conforme verificase da Súmula a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Os demonstrativos de fls. 8 e 19/21 são claros neste sentido que se referem a diferenças salariais de abril/94 a agosto/2001, pagas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.725872/200909 Acórdão n.º 2202002.669 S2C2T2 Fl. 22 15 Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto não pode se deixar de reconhecer que o recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido este conselho já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : Fl. 461DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Urge registrar que o STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, restando pacificado no CARF que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). No tocante a aplicação do tratamento prescrito na Instrução Normativa RFB No. 1.127/2011 relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Urge registrar que a norma citada disciplina a apuração e tributação dos rendimentos recebidos a partir de 28 de julho de 2010, não se aplicando portanto ao caso concreto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Redator designado. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10935.902377/2012-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 23 77 /2 01 2- 50 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.683, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 11596.11357.161107.1.2.046647, rastreamento nº 029224185, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 7.557,56, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 2172), do período de 30/04/2003, efetuado em 15/05/2003, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902377/201250 Acórdão n.º 3802002.533 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/05/2003 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902377/201250 Acórdão n.º 3802002.533 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902377/201250 Acórdão n.º 3802002.533 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902377/201250 Acórdão n.º 3802002.533 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13896.911306/2009-44
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Sérgio Celani (Relator) que anulava o despacho decisório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 11 30 6/ 20 09 -4 4 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911306/200944 Resolução nº 3801000.628 S3TE01 Fl. 471 2 Relatório Tratase de processo de PER/DCOMP em que a Delegacia da Receita Federal de origem não homologou a compensação declarada. O despacho decisório baseouse em análise do direito de crédito limitada ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, que constatou que o pagamento informado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não tendo restado crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN) e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 26/12/1996. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual afirma que: i) Incluiu na base de cálculo da contribuição social receita de serviços prestados a pessoas residentes ou domiciliadas no exterior, o que acarretou pagamento indevido ou maior que o devido do tributo, tecendo argumentos de direito sobre a matéria. ii) Retificou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDACON para excluir as receitas provenientes do exterior da base de cálculo do tributo. iii) Em 15/07/2009, retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF para alteração do débito anteriormente declarado e, com isso, poder utilizar o pagamento indevido na compensação objeto da DCOMP previamente formalizada. iv) O DACON e a DCTF retificadores não devem ter sido processados pela Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, o que teria motivado a não homologação da compensação. v) O processamento das obrigações acessórias retificadoras evidenciaria que o DARF informado no PER/DCOMP não se encontra vinculado a nenhuma outra quitação e, por conseguinte, disponível para compensação com outros tributos federais. Pede o processamento das retificações, confirmandose a existência do crédito em seu favor, e que a decisão seja reformada, reconhecendose o crédito e homologandose a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CORREÇÃO DE INFORMAÇÕES. COMPROVAÇÃO. DACON. NATUREZA JURÍDICA. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911306/200944 Resolução nº 3801000.628 S3TE01 Fl. 472 3 Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Consideramse confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes, consistentes na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, passível de confirmar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. O DACON tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de dívida.” Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual, entendendo que a decisão de primeira instância administrativa fundamentase no fato de que a data da DCOMP é anterior à da DCTF retificadora e que não foram apresentadas provas fiscais e contábeis do crédito, assevera que: i) Em virtude do expressivo volume de documentos e livros que comprovam seu direito ao crédito pleiteado, junta planilha e cópias de contratos, fichas e documentos que comprovam algumas operações exemplificativas do que alegado; ii) Em razão das retificações promovidas, há indébito tributário, uma vez que o valor recolhido deixou de ser totalmente utilizado para pagamento de tributo. iii) A DCTF retificadora substitui integralmente a DCTF apresentada anteriormente, nos termos da IN RFB nº 903/2008, vigente à época da retificação. iv) A retificação entregue, de forma espontânea, no prazo legal e segundo as formalidades previstas, torna o valor apontado na declaração retificadora legítimo e faz prova a favor da contribuinte, motivo pelo qual qualquer discussão sobre o montante apontado na DCTF retificadora deveria ter sido iniciada pela autoridade fiscalizadora, não pela Delegacia de Julgamento. v) O despacho decisório não alega ou contesta nada em relação às retificadoras. vi) O despacho decisório e o acórdão recorrido cercearam o direito de defesa, por isso são nulos, ma vez que: Fl. 472DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911306/200944 Resolução nº 3801000.628 S3TE01 Fl. 473 4 a) o primeiro não lhe deu oportunidade para, em momento anterior a sua emissão, apresentar justificativas e documentação detalhadas e não contém fundamentação coerente que lhe desse a conhecer as razões que levaram à decisão. b) o segundo apresenta argumento até então não considerado, o de serem necessárias provas robustas sobre a verdade material, quando não seria mais possível apresentar tais provas. Tece, novamente, argumentos sobre o direito aplicável. É o relatório. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911306/200944 Resolução nº 3801000.628 S3TE01 Fl. 474 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade por cerceamento do direito de defesa. Ambas as decisões estão fundamentadas e permitiram à contribuinte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, ainda que o despacho decisório contenha erro, como se verá adiante. Para o presente caso, os artigos 165 e 170 do CTN deixam claro a necessidade de que tenha ocorrido pagamento de tributo indevido ou maior que o devido e que o direito de crédito seja líquido e certo. Aquele que alega possuir direito deve proválo, conforme dispõe o art. 333 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente. O pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF, logo, tributo devido, e, por isso, o DARF referente a este pagamento não provava a existência de indébito líquido e certo, uma vez que a DCTF retificadora não havia sido considerada no despacho eletrônico. A falta de apresentação de provas em contrário implica considerar verdadeiros os valores informados na DCTF. Logo, a necessidade de apresentação de provas quanto ao direito de crédito está presente desde o início do processo. Não é algo que surge apenas no acórdão recorrido. Mesmo se não estivesse, em se tratando de processos de PER/DCOMP eletrônico, em que não tenha havido intimação da RFB exigindo documentos antes da expedição do despacho decisório, admitemse provas com o recurso voluntário, quando se prestem a contrapor as decisões de primeira instância administrativa, em obediência ao art. 16, §4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, assegurandose, assim, o direito de defesa. De fato, a contribuinte juntou documentos ao recurso voluntário com a intenção de provar seu direito, cuja análise não se promoverá apenas por restar prejudicada, em virtude do que se propõe no decorrer deste voto. Concluise que não houve cerceamento do direito de defesa. Sobre a DCTF retificadora. A contribuinte formalizou e transmitiu DCTF retificadora que foi recebida via internet por agente receptor SERPRO em 15/07/2009, antes da emissão do despacho decisório em 01/02/2012. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911306/200944 Resolução nº 3801000.628 S3TE01 Fl. 475 6 A IN RFB nº 903, de 30/12/2008, que dispõe sobre a DCTF, vigente à época da recepção da DCTF retificadora, dispunha: “Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (...) § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada.” O comando de que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados está presente também nas instruções normativas que sucederam a IN RFB nº 903, de 2008. No presente caso, nada há nos autos que permita enquadrar a DCTF retificadora recepcionada nos sistemas informatizados da RFB numa das situações em que não produziria efeitos. Logo, a DCTF retificadora deveria ter sido considerada na análise do direito de crédito, não a original. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911306/200944 Resolução nº 3801000.628 S3TE01 Fl. 476 7 Para tanto, a RFB poderia efetuar os procedimentos fiscais que entendesse necessários para apurar a idoneidade das informações da DCTF retificadora e a liquidez e certeza do crédito. Por basearse em elementos incorretos, o despacho decisório deve ser anulado. O CARF já se manifestou neste sentido, conforme ementa do acórdão nº 3403 001.288, de 09/11/2011, da 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, em que o Conselheiro Ivan Allegretti foi designado para redigir o voto vencedor. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. DECISÃO ELETRÔNICA BASEADA EM DADOS DEFASADOS DE DCTF. INFORMAÇÕES RETIFICADAS POR DCTFRETIFICADORA APRESENTADA EM MOMENTO ANTERIOR À NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO. Decisão eletrônica que nega homologação à Declaração de Compensação pelo fundamento de que o DARF, do qual teria originado o crédito indicado pelo contribuinte na compensação, teria sido integralmente absorvido pelo valor confessado em DCTF em relação ao mesmo período de apuração. A decisão deve ser anulada se foi baseada em dados defasados, que já haviam sido alterados por meio de DCTFretificadora transmitida antes da notificação da decisão. Decisão anulada.” Sobre os efeitos da anulação do despacho decisório O Decreto nº 70.235, de 1972, dispõe que: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911306/200944 Resolução nº 3801000.628 S3TE01 Fl. 477 8 Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A distinção entre nulos e sanáveis mostra que o Decreto nº 70.235, de 1972, aceita a separação entre atos nulos e anuláveis, logo, aceita a possibilidade de que a anulação de um ato ou uma decisão administrativa produza efeitos ex nunc. No caso deste processo, o despacho decisório foi proferido por autoridade competente e não houve preterição do direito de defesa, logo, a irregularidade verificada pode sanada. Em decorrência, propõese que a anulação do despacho decisório se opere com efeitos a partir desta decisão. Os demais argumentos do recurso voluntário restam prejudicados. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular o despacho decisório com efeitos ex nunc, devendo a Delegacia da Receita Federal de origem proceder à nova análise do direito de crédito pleiteado com base na DCTF retificadora, inclusive quanto à questão de mérito, submetendo o novo despacho decisório ao rito do Decreto nº 70.235, de 1972, nos termos do art 74, da Lei nº 9.430, de 1996. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 477DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911306/200944 Resolução nº 3801000.628 S3TE01 Fl. 478 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Redator Designado Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas que teriam sido pagas a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON e DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação da DCTF feita pela recorrente foi posterior à apresentação da DCOMP e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Tal procedimento é disciplinado em atos normativos da Receita Federal do Brasil, conforme autorização prevista no art. 74 da Lei 9.430/1996. Em relação a alegação de nulidade, conforme dispõe o art. 59 do PAF, ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso vertente, a recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS a receita decorrente dos serviços prestados a clientes residentes ou domiciliada no exterior, apresentando ainda as razões de direito atinentes ao caso e juntando documentação comprobatória. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Assim, entendo não ser passível de nulidade o despacho decisório guerreado se presentes os requisitos legais atinentes e o devido processo legal foi obedecido, em especial, o contraditório e ampla defesa. Não obstante as alegações da recorrente, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios Fl. 478DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13896.911306/200944 Resolução nº 3801000.628 S3TE01 Fl. 479 10 que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Registrese, por oportuno, que, apesar de não existir norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, no caso em tela a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo, sendolhe ofertada posteriormente essa oportunidade quando da instalação do contraditório. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, estes devem ser aceitos em obediência ao principio da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de 1ª Instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto das contribuições do PIS e da COFINS referente ao período de apuração em discussão e o conseqüente direito creditório advindo do pagamento a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior das contribuições do PIS e da COFINS, conforme as operações apontadas pela recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais elementos que julgar necessários; b) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 479DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assina do digitalmente em 28/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 13609.720204/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. COMPROVAÇÃO. EFEITOS.
Tendo a Recorrente comprovado que o representante do sindicato se recusou a participar da negociação do plano de participação nos lucros e resultados, a razoabilidade impõe que se reconheça a imunidade sobre os pagamentos efetuados a título de PLR, desde que cumpridos os demais requisitos legais.
REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. PAGAMENTOS DIFERENCIADOS EM FUNÇÃO DO CARGO. POSSIBILIDADE.
Não há previsão legal que proíba o pagamento de participação nos resultados diferenciado entre os empregados, de acordo com o cargo ocupado. Desse modo, a determinação de critérios distintos em razão do cargo e função desempenhados pelos empregados, bem como a existência de parcelas fixa e outra variável na determinação do valor a ser pago não comprometem a existência de regras claras e objetivas no acordo de PPR.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. COMPROVAÇÃO. EFEITOS. Tendo a Recorrente comprovado que o representante do sindicato se recusou a participar da negociação do plano de participação nos lucros e resultados, a razoabilidade impõe que se reconheça a imunidade sobre os pagamentos efetuados a título de PLR, desde que cumpridos os demais requisitos legais. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. PAGAMENTOS DIFERENCIADOS EM FUNÇÃO DO CARGO. POSSIBILIDADE. Não há previsão legal que proíba o pagamento de participação nos resultados diferenciado entre os empregados, de acordo com o cargo ocupado. Desse modo, a determinação de critérios distintos em razão do cargo e função desempenhados pelos empregados, bem como a existência de parcelas fixa e outra variável na determinação do valor a ser pago não comprometem a existência de regras claras e objetivas no acordo de PPR. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 02 04 /2 01 2- 13 Fl. 964DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 13609.720204/201213 Acórdão n.º 2401003.670 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, apresentado às fls. 913947, interposto contra a decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), às fls. 895909, que julgou procedentes os lançamentos fiscais objeto dos Autos de Infração DEBCAD nºs. 37.357.1569 e 37.357.1577, referentes às Contribuições Previdenciárias patronais e às Contribuições Destinadas a Outras Entidades e Fundos, respectivamente, relativamente ao período compreendido entre 02/2007 e 08/2008, cuja ciência ocorreu em 27/02/2012. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 505515), tratase de lançamento de Contribuição Previdenciária não declarada em GFIP, incidente sobre os pagamentos efetuados a empregados a título de Participação nos Resultados (PPR), supostamente em desacordo com a Lei 10.101/2000, de modo que, no entender da Fiscalização, tais parcelas deveriam integrar o salário contribuição. DA AUTUAÇÃO A Fiscalização constatou que a Recorrente efetuou pagamentos a título de participação nos lucros, os quais deveriam sujeitarse à tributação em função do descumprimento das seguintes regras: · Ausência de participação do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Três Marias no Acordo de Participação dos Resultados (PPR) e consequente não arquivamento do acordo na respectiva entidade sindical, descumprindo o exposto no inciso I e § 2º do art. 2 da Lei 10.101/00. A Fiscalização informou que, no curso do procedimento fiscal, intimou o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Três Marias para solicitar esclarecimentos sobre os motivos que levaram o Sindicato a não designar representante nos Acordos de Participação nos Resultados, tendo o seu Presidente, o Sr. Edvando José e Silva, prestado os seguintes esclarecimentos. Apesar de estabelecer a Lei que do acordo deverão conter “regras claras” e “mecanismos de aferição das informações pertinentes”, a empresa não permite o acesso do Sindicato, ou de seu representante na comissão de “negociação”, a informações indispensáveis ao estabelecimento de regras e simplesmente impõe suas condições. A empresa vem estabelecendo metas a serem cumpridas por cada um de seus setores, com o que o Sindicato também não concorda em razão do fato de que trabalhadores em cargos de chefia chegam a receber até mais de 20 (vinte) vezes o valor a título de PPR que é recebido por um trabalhador da linha de produção, entendendo a entidade sindical que os resultados deveriam ser apurados considerando a empresa como um todo. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 Por amostragem, e conforme registrado no documento anexo, em 2008 o então gerente de RH (Sr. Marco Aurélio Mendonça Seraphim) receber, a título de PPR, a quantia de R$ 22.307,28, enquanto um mecânico recebeu R$ 1.090,17 e um operador de produção R$ 1.028,49. O Auditor Fiscal ressalta que o Presidente do Sindicato anexou cópia de listagem com os valores de PPR recebidos pelos trabalhadores, com o objetivo de confirmar as diferenças entre os valores pagos aos funcionários que ocupam cargos e desempenham funções distintas. Em que pese tal conclusão, o Auditor reconhece a tentativa da Recorrente em assegurar a participação do representante do sindicato na elaboração do plano, mas chega à seguinte conclusão: Assim, apesar da tentativa da empresa junto ao Sindicato para que este indicasse um representante, o fato é que não houve participação do sindicato, e, da leitura do inciso I e § 2º do artigo 2º da Lei 10.101/00 se verifica que a participação do Sindicato é requisito essencial para a validade dos Acordos, conforme expressamente determinado no inciso I, e, como consequência de não haver um representante sindical, os Acordos celebrados não foram arquivados no Sindicato dos Trabalhadores da Unidade de Três Marias, o que desobedece também o §2º acima. · Nos acordos não há regras claras e objetivas na fixação dos valores pagos a título de PLR, ocorrendo grande diferença de valores pagos aos cargos de Gerentes Gerais e de Engenharia e “equivalentes”, em relação aos demais funcionários de salários mais baixo pertencentes a áreas de apoio. Conforme trecho extraído do relatório fiscal, os Auditores entenderam que: Nos acordos de Participação nos Resultados (PPR), na distribuição de valores, é previsto que sobre o valor nominal da folha de salarial de dezembro, um percentual é distribuído liminarmente entre os funcionários e outro percentual é distribuído em valor diretamente proporcional ao salário nominal do funcionário. Assim, essa regra aparenta evitar grandes distorções de valores de PPR recebido entre funcionários com maiores salários em detrimentos dos demais, de salários menores. Assim, os Auditores concluem que “os pagamentos a título de PPR são efetuados em função do cargo e da área que os empregados trabalham”. E, seguindo esse raciocínio, sustentam que a possibilidade de adoção de critérios distintos entre os funcionários demonstra que as regras adotadas não foram claras e objetivas. Além disso, alegam que, na área de apoio, o valor final pago de PPR é um múltiplo proporcional e decrescente, ou seja, quanto menor o percentual, maior será a proporção do PPR. Já a partir do Grau 29 em diante (gerentes gerais, gerentes, engenheiros), os percentuais são estabelecidos de forma crescente, ou seja, quanto maior o salário, maior a percentual do salário a título de PLR. Tais fatos, de acordo com a fiscalização, demonstram que, na verdade, os valores são pagos a título de gratificação, em razão da função desempenhada, beneficiando, assim, aqueles que possuem cargos de chefia, e, sendo gratificação ajustada, possuem natureza salarial, nos termos do art. 475 da CLT. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 13609.720204/201213 Acórdão n.º 2401003.670 S2C4T1 Fl. 4 5 · Multa aplicada Em observância ao exposto no art. 106, inciso II, do CTN, o fiscal fez uma tabela comparativa entre a legislação vigente no momento da ocorrência do fato gerador e a legislação com suas alterações posteriores, com o objetivo de verificar a multa menos onerosa ao contribuinte. Foi aplicada multa de 24%. Pelo que se verifica do Relatório Fiscal, a fiscalização não resultou na lavratura de autos de infração em razão da omissão de declaração de fatos geradores em GFIPs. DA IMPUGNAÇÃO A ora Recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 651684), alegando, inicialmente, a nulidade material que macula o lançamento, diante da ausência de descrição dos fatos imponíveis, o que prejudica o exercício do seu direito de defesa, na medida em que, da leitura do Auto de Infração, não se verifica: (i) fundamentação clara e precisa em relação ao fato imputável; (ii) análise das especificidades que marcaram a relação jurídica analisada, como, por exemplo, a recusa do sindicato em indicar representante para participar da elaboração do acordo; (iii) o nome dos empregados que receberam as verbas oneradas pelo lançamento fiscal, nem tampouco a natureza, origem, periodicidade e expectativa de reiteração em relação ao valor pago. Em relação à nulidade da autuação, a Recorrente pleiteia, subsidiariamente, que, caso se entenda que a nulidade decorre de vício formal, que seja ele reconhecido. Alega que a Fiscalização não comprovou que os valores pagos referemse a remuneração, ao deixar de analisar o preenchimento dos requisitos da relação de trabalho previstos na CLT, bem como ao deixar de comprovar que tais valores correspondem a retribuição pelo trabalho prestado, de modo que não haveria como sustentar a incidência da contribuição previdenciária. Ademais, segundo alega a Recorrente, a própria Constituição Federal desvinculou o PPR da remuneração, tratandoo como fenômeno jurídico específico, descaracterizandoo como fato gerador e base de cálculo da contribuição previdenciária, independentemente da existência de isenção, o que teria sido reiterado pelo exposto no art. 3º da Lei 10.101/00. Reconhece que o pagamento de tal parcela é isenta desde que paga em observância aos requisitos previstos na Lei 10.101/00. Em seguida, a Recorrente enfrenta os requisitos trazidos pela Fiscalização, cuja inobservância ensejou a autuação, quais sejam: (i) inexistência de regras claras e objetivas, na medida em foram realizados pagamentos de PPR em valores mais elevados aos gerentes gerais, gerentes, engenheiros; (ii) ausência de participação do sindicato da unidade de Três Marias nas negociações do plano. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 Alega que as regras são claras e objetivas, não havendo qualquer fundamento para a alegação do sindicato, a qual foi corroborada pela Fiscalização. Para sustentar tal alegação, colaciona trecho do plano referente ao ano de 2011, estabelecendo como será medido o desempenho dos funcionários. Em relação à ausência de participação dos sindicatos na elaboração dos planos, a Recorrente alega que a justificativa trazida pelo sindicato na negativa de sua participação nas negociações – acordo não continha regras claras ou mecanismos de aferição pertinentes – não merecem prosperar, já que o sindicato foi convidado a integrar a comissão no início da negociação do PPR. Ademais, a ausência de participação do sindicato não comprometeria a validade do plano, já que a comissão que elaborou as regras para a distribuição dos lucros e resultados também foi composta por empregados sindicalizados, sendo assegurados os seus interesses na elaboração das regras. Seguindo esse entendimento, o Recorrente cita julgado do STJ, no Resp nº 865.489/RS. Em relação à alegação de que foram efetuados pagamentos de acordo com critérios distintos aos gerentes gerais, gerentes, engenheiros e “equivalentes”, a Recorrente alega que o plano não exige universalidade e/ou uniformidade na PPR e que a aplicação de regras distintas visa justamente assegurar a observância ao princípio da isonomia, na medida em que é necessário tratar de forma desigual os desiguais. Por fim, ressalta a impossibilidade de cobrança concomitante das multas de mora e de ofício, bem como a inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. ACÓRDÃO DRJ A DRJ, ao analisar o caso, ressaltou a impossibilidade de desconsideração de norma válida no ordenamento jurídico para aplicar o entendimento da jurisprudência, de modo que se o PPR deixou de observar os requisitos previstos na Lei nº 10.101/2000, não é possível validálo. Com o objetivo de demonstrar a inobservância aos referidos requisitos, a DRJ realizou a seguinte análise: A auditoria fiscal da Receita Federal do Brasil RFB, consoante descrito no Relatório Fiscal, às fls.505 a 515, concluiu que os pagamentos efetuados aos empregados a título de Participação nos Resultados PPR, foram em desacordo com a Lei nº 10.101/2000, porque houve ausência do representante do Sindicato dos trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Três Marias no Acordo de Participação dos Resultados e nos acordos não há regras claras e objetivas na fixação dos valores pagos a título de PLR, sendo constatado grande diferença de valores pagos aos cargos de Gerentes Gerais, Gerentes, Engenharia e “equivalentes” em relação aos demais trabalhadores de salários mais baixo pertencentes a áreas de apoio. Portanto, tendo em vista que no presente caso, os pagamentos foram em desacordo com as regras previstas na legislação pertinente, concluise que o valor pago ou creditado aos empregados é verba que complementa a remuneração do trabalhador, devendo integrar o saláriodecontribuição e a base de cálculo das contribuições patronais. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 13609.720204/201213 Acórdão n.º 2401003.670 S2C4T1 Fl. 5 7 A necessidade de constar dos instrumentos que disciplinam tais pagamentos, regras claras e objetivas e parâmetros de mensuração, é exigência legal que consta do § 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101, de 2000, que se presta justamente a evitar o desvirtuamento dessa parcela, a encobrir remuneração indireta, aquilo que seu artigo 3º deixa claro que tais verbas não se prestam a substituir ou complementar a remuneração. Portanto, a DRJ manteve o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A Recorrente interpôs recurso (fls. 913947) reiterando os argumentos trazidos em sua impugnação. É o relatório. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Passamos, então, a análise das questões trazidas no Recurso Voluntário, que ora serão examinadas. Antes de adentrar na análise dos motivos que levaram à autuação, convém, aqui, lembrar que se tratando de imunidade, os pagamentos a título de PLR não precisam ser efetuados em observância aos rigores interpretativos expostos nos arts. 111, inciso II e 176 do CTN. De modo inverso, restou consolidado tanto na doutrina quanto na jurisprudência, que a interpretação da norma constitucional imunizante poderá ser realizada de forma mais abrangente, com o objetivo de alcançar a real intenção do legislador ao criala. Entendo que a não observância das regras previstas na Lei nº 10.101/2000 desnatura o pagamento realizado a título de PLR, devendo sobre as verbas assim pagas incidir as contribuições previdenciárias. Entretanto, tais regras não devem ser interpretadas de forma restritiva e literal, como ocorre no caso das isenções. É que a regra que se está aplicando (art. 7º, XI da CF), a partir da conferência dos requisitos previstos na norma que a regulamenta (Lei nº 10.101/2000), é imunizante, devendo o intérprete perseguir o intuito do legislador constituinte ao proteger os pagamentos assim realizados da incidência das contribuições previdenciárias. Esclarecida essa premissa, vejamos, então, os motivos apontados pela Fiscalização para afastamento da regra imunizante dos valores pagos a título de PLR. Da análise do processo, verificase a necessidade de analisar os dois pontos centrais trazidos pela Fiscalização, quais sejam: (i) a ausência de participação de representante do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Três Marias na elaboração do Acordo de Participação dos Resultados e o consequente não arquivamento do acordo no respectivo sindicado, descumprindo o exposto no inciso I e no § 2º do art. 2º da Lei 10.101/00; (ii) ausência de regras claras e objetivas, em inobservância ao §1º do art. 2º. Antes de iniciarmos a análise dos pontos acima indicados, é importante registrar que os Autos de Infração DEBCADs nºs. 37.357.1569 e 37.357.1577, ora analisados, abarcam as competências de 02/2007 a 08/2008, de modo que seu julgamento se limitará, Fl. 971DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 13609.720204/201213 Acórdão n.º 2401003.670 S2C4T1 Fl. 6 9 logicamente, à análise das acusações e dos documentos que respaldaram o pagamento das parcelas dos resultados realizadas no referido período. Passemos, então, à análise dos argumentos que substanciaram a presente autuação: 1. Ausência de participação do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Três Marias no Acordo de Participação dos Resultados (PPR) e consequente não arquivamento do acordo na respectiva entidade sindical, descumprindo o exposto no art. 2, inciso I e § 2º da Lei 10.101/00. É importante registrar, de início, que o Recorrente conseguiu comprovar que convocou a participação do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Três Marias, mediante a juntada de correspondências encaminhadas ao referido Sindicato, informando o início das negociações para elaboração das regras do PPR e solicitando a indicação de representante. Tal correspondência foi devidamente apresentada pela Recorrente em relação ao plano vigente no exercício de 2007 (fl.173), como também em relação ao plano vigente no exercício de 2008 (fl. 106). A convocação do sindicato para a participação da negociação das regras do PPR foi, inclusive, reconhecida no próprio Relatório Fiscal, cujo trecho segue abaixo transcrito: Assim, apesar da tentativa da empresa junto ao Sindicato para que este indicasse um representante, o fato é que não houve participação do sindicato, e, da leitura do inciso I e § 2º do artigo 2º da Lei 10.101/00 se verifica que a participação do Sindicato é requisito essencial para a validade dos Acordos, conforme expressamente determinado no inciso I, e, como consequência de não haver um representante sindical, os Acordos celebrados não foram arquivados no Sindicato dos Trabalhadores da Unidade de Três Marias, o que desobedece também o §2º acima. É importante observar, ainda, que, no caso em análise, o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Três Marias negouse a participar das negociações para elaboração das regras do Acordo do PPR ao argumento de que os planos anteriores não continham regras claras e objetivas, na medida em que respaldaram o pagamento de valores destoantes entre os cargos ocupados pelos funcionários. Ressaltou, o Sindicato, que ajuizou demanda judicial buscando a nulidade dos referidos Acordos para distribuição da PPR. Vejamos os exatos termos da petição apresentada pelo Sindicato à Fiscalização (fls. 110): Fl. 972DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 A informação constante do “ACORDO PARA PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS” no sentido de que o Sindicato “não quis indicar representante” não é verdadeira, pois o Sindicato aguardava o julgamento de Ação Anulatória dos “Acordos de Participação nos Resultados” dos anos de 2003, 2004, 2005 e 2006 e se recusou a assinar os acordos seguintes em razão de imposições patronais prejudiciais aos trabalhadores. Convém transcrever, aqui, trecho extraído do Acórdão proferido Tribunal Regional do Trabalho, ao julgar a Ação Anulatória nº 00614200705603004, a que o Sindicato fez menção no trecho acima transcrito, no qual consta a transcrição da oitiva do então presidente do Sindicato, em relação ao tema ora analisado. Ouvido o Ilustre presidente do sindicato autor o mesmo confirmou que a assinatura constante do documento de f. 319, 329 e 342 pertence à diretoria e presidência do sindicato anteriormente; também os documentos de f. 364 e 36 foram recebidos pela diretoria do sindicato; também a assinatura de f. 342 acusa o recebimento pelo diretor sindical da categoria do autor; quando foram recebidas as correspondências o atual presidente não se encontrava na diretoria, quem se encontrava era o Sr. Luis Gonçalves; nunca participou da comissão, mas pode informar que os empregados têm reclamado da discrepância entre valores pagos aos níveis de chefia e operadores; os trabalhadores vêem questionando no sindicato que o pessoal do RH recebeu R$22.000,00 e os outros R$800,00, em relação ao ano de 2007; em relação as anos 2004/06 nada sabe em relação a valores e que em 2003 também não era diretor do sindicato, não sabendo nada informar; não sabe informar porque o presidente do sindicato não compareceu ao chamado da empresa; nos anos anteriores não era diretor, não podendo nada informar; não se recorda a data em que a empresa iniciou o pagamento do PPR; existem 21 dirigentes do sindicato dentro da empresa; todos os empregados, inclusive dirigentes receberam PPRs, o que pretendem é resolver a questão da discrepância de pagamento, e a pretensão do sindicato é a transparência; nenhum dos dirigentes lançaram qualquer ressalva quanto ao recebimento do PPR; ainda não recebeu nada a respeito da comissão formada em 2008, mas quando receber vai informar ao trabalhador; não sabe informar porque os anteriores dirigentes não informaram ao trabalhador. [sic] (grifos aditados) Cumpre ressaltar que a ação em debate foi julgada improcedente (informação que, inclusive, consta na petição apresentada pelo Sindicato à Fiscalização). Vejamos trecho da citada decisão, obtida no site do TRT da 3ª Região (Acórdão 00614200705603004RO): Logo, a assertiva de que o recorrente não foi convocado para participar das comissões dos representantes dos empregados foi infirmada pelo acervo probatório, extraindose da prova que ele simplesmente optou, deliberada e propositalmente, por não participar das negociações que culminaram com a assinatura dos acordos para participação nos resultados, o que implica Fl. 973DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 13609.720204/201213 Acórdão n.º 2401003.670 S2C4T1 Fl. 7 11 anuência quanto aos seus termos e forma, por força do que dispõe o art. 111 do CCB: O silêncio importa anuência, quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem, e não for necessária a declaração de vontade expressa. (grifos aditados) Na situação ora analisada, o Sindicato sequer chegou a participar das negociações, negandose a atender à convocação enviada pela empresa. Entendo que o suposto pagamento de valores divergentes aos empregados da empresa não é fundamento apto a questionar que as regras não seriam claras e objetivas, quiçá tal fundamento deveria ser utilizado para justificar a ausência de participação do sindicato nas negociações do Plano de PPR. Ao contrário! Se o Sindicato tem um receio de que o PPR não tenha regras claras e objetivas, este é mais um motivo para que ele participe da negociação e, portanto, da elaboração de regras que entenda estarem devidamente claras e objetivas. É importante também observar que a negativa de participação do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Três Marias no Acordo de Participação dos Resultados (PPR) não resultou na elaboração de regras danosas aos trabalhadores. Ora, o Acordo de Participação dos Resultados (PPR) do ano de 2008, referente à Unidade de Paracatu/MG, dispôs da seguinte forma as regras para distribuição da PPR em relação aos serviços de manutenção (fl. 208): Veja que o acordo levou em consideração a atividade desempenhada pelos profissionais, estabelecendo metas gerais e específicas. O Acordo para Participação nos Resultados vigente no ano de 2008, referente à Unidade Três Marias/MG também dividiu as regras estabelecidas entre metas gerais e específicas, considerando as nuances da atividade desempenhada naquela unidade. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 O Acordo de Participação dos Resultados (PPR) do ano de 2008, referente à Unidade de Paracatu/MG, teve a anuência expressa do sindicato da categoria. Neste contexto, perguntase: o Sindicato representante dos empregados da unidade de Paracatu/MG convalidou um PPR sem regras claras e objetivas? Creio que não. Sendo assim, a não participação do Sindicato representante dos empregados na elaboração do PRR da unidade de Três Marias resultou no estabelecimento de regras danosas e inaceitáveis? Também creio que não, já que as mesmas diretrizes foram convalidadas pelo Sindicato da Unidade de Pracatu. Entendo, assim como o TRT da 3ª Região ao julgar a Ação Anulatória nº 00614200705603004, que a empresa não pode ficar à mercê de posicionamento isolado do representante sindical da região em que está localizada aquela unidade, que se nega deliberadamente a participar do acordo. Tal postura, na minha opinião, contraria o interesse dos empregados, que têm cerceado o direito de participar dos resultados da empresa, assegurado e incentivado pela Constituição. Ora, como se sabe, de acordo com o art. 1º da Lei nº 10.101/2000, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa nada mais é do que um instrumento de integração entre o capital e o trabalho, visando incentivar a produtividade, nos termos do art. 7º inciso XI da CF. Para tanto, é necessário assegurar a participação dos empregados na elaboração das regras para a distribuição dos resultados, tanto com o objetivo de garantir a observância dos seus interesses, quanto para tornar inquestionável o conhecimento das regras e a possibilidade de verificação do seu cumprimento. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 13609.720204/201213 Acórdão n.º 2401003.670 S2C4T1 Fl. 8 13 A necessidade de participação de representante do sindicato na elaboração do Acordo de PPR foi criada pelo legislador justamente com o objetivo de assegurar a efetiva participação nas negociações, assegurando o seu direito de interferir na elaboração das regras para distribuição da PPR. Entretanto, diante das nuances do caso concreto, entendo que tal requisito deve ser afastado, em face da recusa deliberada do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Três Marias em indicar representante para participar das negociações para criação das regras que seriam estabelecidas para viabilizar a distribuição dos resultados. É importante esclarecer que não sustento a possibilidade de desconsiderar o cumprimento dos requisitos previstos na Lei nº 10.101/2000, mas, sim, a necessidade interpretálos e aplicalos, de acordo com as especificidades do caso concreto e com o princípio da razoabilidade, pois não se pode exigir do empregador que obtenha a aprovação do Sindicato quanto ao plano proposto, se o Sindicato deliberadamente se nega a negociar. Registro, ainda, que, no caso em análise, a Recorrente adotou a postura correta ao convocar o representante do sindicato para compor a Comissão de Negociação, o qual se negou em participar, sem sequer analisar as propostas trazidas pela empresa e pela comissão de empregados. A Recorrente, por seu turno, fez prova da convocação da Autoridade Sindical e a própria confirma esta convocação, em resposta à intimação fiscal (fls. 110). Convém esclarecer que o procedimento previsto no art. 616 da CLT – segundo o qual, diante da recusa do sindicato em participar de negociação coletiva, é necessário, conforme o caso, acionar o Departamento Nacional do Trabalho ou os órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social para determinar a convocação compulsória do sindicato, que, diante de nova recusa, pode ensejar à instauração de dissídio coletivo – não se aplica ao caso ora analisado. Isso porque, as regras do PPR ora analisado foram instrumentalizadas através de acordo formulado por comissão paritária escolhida pelas partes e não acordo ou convenção coletiva, hipóteses que exigem a aplicação do procedimento descrito no dispositivo supracitado em caso de recusa da participação do sindicato. Tampouco se aplica ao caso ora analisado os mecanismos de solução de litígio previstos no art. 4º da Lei 10.101/2000, abaixo transcrito: Art. 4o Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I mediação; II arbitragem de ofertas finais. § 1 Considerase arbitragem de ofertas finais aquela em que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 14 § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4 O laudo arbitral terá força normativa, independentemente de homologação judicial. Como se verifica da leitura do dispositivo acima, os procedimentos de mediação e arbitragem de ofertas finais se aplicam quando a negociação visando a participação nos lucros ou resultados resultar em impasse. Ou seja, mediação e arbitragem de ofertas finais pressupõem que as partes, durante um processo de negociação, cheguem a um impasse. Neste caso, a mediação constituirseá na escolha de um intermediador que irá auxiliar as partes envolvidas para que estas cheguem a um acordo. A arbitragem, no caso da lei acima, é efetuada mediante a análise das ofertas finais propostas por ambas as partes, devendo o arbitro restringirse a optar por uma das propostas apresentadas, em caráter definitivo. No caso em análise, entretanto, não houve litígio no curso da negociação entre Sindicato e empregador que pudesse ensejar a adoção dos mecanismos previstos no art. 4º da Lei n. 10.101/00, já que o sindicato se recusou deliberadamente a indicar representante para a comissão de negociação das regras do PPR. Ou seja, o processo de negociação, com o Sindicato, sequer se instaurou. Diferente seria se, uma vez convocado, o sindicato tivesse indicado representante, que, ao participar da negociação para definição das regras do PPR, não concordasse com as regras trazidas pela comissão representante da empresa. Neste caso, sim, seria necessário, através da mediação ou arbitragem, buscar a solução do impasse. No caso da mediação, um terceiro (mediador) intermediaria as discussões entre Sindicato e empregador, para se chegar a um consenso; ou, no caso da arbitragem, cada parte apresentaria a sua proposta e deixaria a cargo do árbitro decidir a que entendesse mais adequada. No caso em tela, o impasse em relação às regras não chegou a se instaurar de fato, na medida em que o sindicato sequer se dispôs a participar da comissão para a negociação das regras. Se tivesse participado e o impasse tivesse sido instaurado, o Sindicato poderia ter saído vencedor na sua proposta caso provocasse o procedimento previsto no artigo 4o da Lei n. 10.101. Ao se recusar a sentar na mesa de negociação, o Sindicato perdeu a oportunidade de fazer valer o seu entendimento acerca da alegada ausência de regras claras nos acordos propostos pela Recorrente. Também é importante registrar que o Recorrente se desincumbiu do ônus de comprovar documentalmente a participação dos empregados na elaboração das regras para a distribuição dos resultados. Em relação aos pagamentos realizados no ano de 2007, tal comprovação é constatada a partir de cláusula contida no Acordo de PPR, demonstrando a existência de comissão de empregados, cujos quatro integrantes, representantes dos empregados, assinaram o referido acordo (fls. 168171). Já quanto ao ano de 2008, além da referida cláusula também contida no Acordo de PPR, a Recorrente apresentou a ata de eleição dos representantes dos empregados que integraram a comissão, que, em seguida, assinaram o Acordo do PPR (fls. 189195), que respaldou o pagamento de participações dos resultados da empresa naquele período. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 13609.720204/201213 Acórdão n.º 2401003.670 S2C4T1 Fl. 9 15 Neste contexto, tendo a Recorrente adotado todas as medidas para convocação do Sindicato, não pode o acordo ser invalidado em razão da recusa do Sindicato em participar da negociação, assinar o acordo e, consequentemente, em razão de não ter sido este arquivado na entidade sindical (art. 2º, §2º da Lei n. 10.101/2000). 2. Nos acordos não existem regras claras e objetivas na fixação dos valores pagos a título de PLR, ocorrendo grande diferença de valores pagos aos cargos de Gerentes Gerais e de Engenharia e “equivalentes” em relação aos demais funcionários de salários mais baixo pertencentes a áreas de apoio. Em relação ao segundo ponto questionado pela Fiscalização, o auditor fiscal autuante, no Relatório Fiscal, se limita a descaracterizar os valores pagos a título de participação nos resultados, exigindo as contribuições previdenciárias e devidas a terceiros sobre tais verbas, ao argumento de que os acordos não continham regras claras e objetivo, sem se desincumbir do ônus de explicitar as regras que, no seu entendimento, não são claras e objetivas. Outrossim, a suposta ausência de regras claras e objetivas é fundamentada apenas na divergência dos valores pagos a título de participação nos resultados em relação aos cargos e área em que o funcionário desempenha a sua função, levando a Fiscalização a concluir que: “os pagamentos a título de PPR são efetuados em função do cargo e da área que os empregados trabalham”. Assim, a Fiscalização entendeu que a possibilidade de adoção de critérios distintos entre os funcionários demonstra que as regras adotadas não foram claras e objetivas. Isso porque, na área de apoio, o valor final pago de PPR é um múltiplo proporcional e decrescente; ou seja, quanto maior o salário, menor será a proporção do PPR. Já a partir do Grau 29 em diante (gerentes gerais, gerentes, engenheiros), os percentuais foram estabelecidos de forma crescente, ou seja, quanto maior o salário, maior o percentual do salário a título de PLR. Ora, nenhuma das alegações acima mencionadas se refere à existência de regras claras e objetivas, de modo que a autoridade lançadora não aponta as regras que, no seu entendimento, não são claras e objetivas e, desta forma, deixa de motivar o lançamento, o que, em tese, o fulminaria de nulidade material. Entretanto, no caso, deixarei de pronunciar a nulidade material, pois entendo que a autuação é improcedente, como passo a demonstrar. No caso ora analisado, a Recorrente é mineradora com estrutura e organização de atividades complexas, envolvendo cargos de diferentes níveis e segmentos, desde Operador de Nível I até Gerente Geral de Mineração. Justamente visando assegurar que a participação nos lucros e resultados seja efetuada de forma justa, a Recorrente entendeu por bem estabelecer parâmetros específicos, considerando o segmento e nível ocupado pelo empregado. Sobre a possibilidade de observância das especificidades do cargo exercido para definição dos critérios adotados para distribuição de lucros ou resultados, vejamos o raciocínio desenvolvido por Rubem Pelegrino e Patrícia Kasiarz. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 16 7.19. Contudo, entendemos que essa conclusão não pode ser aplicada de forma genérica, devendo ser examinada caso a caso. 7.20. Para as empresas que atuam no ramo industrial, como, por exemplo, as montadoras de automóveis, é comum que os acordos firmados entre as partes prevejam os seguintes critérios para o pagamento de PLR: (i) de um lado, a apuração de um determinado resultado ou lucro por parte da empresa e (ii) de outro, a pontuação obtida pelo empregado, aferida a partir de sua produtividade (carros montados por mês, por exemplo). 7.21. Ou seja, nesses casos, em razão da atividade exercida, é comum que os critérios adotados para o pagamento de PLR sejam apurados a partir de uma matemática pura e simples. 7.22. Já para os prestadores de serviços, cuja obrigação propícia é a de fazer (e não de dar), as características individuais do empregado podem ser elementos considerados relevantes na determinação do valor que ele receberá a título de PRL. 7.23. Citese, por exemplo, o trabalho exercido por uma secretária. Diferentemente do que ocorre no caso de um operário industrial, não é razoável supor que o desempenho daquela empregada possa ser aferido a partir do número de telefonemas atendidos por mês, ou de recados anotados por semana, por exemplo. 7.24. Nesses casos, parecenos razoável e justo que a sua avaliação seja feita a partir de aspectos individuais, como, por exemplo, pontualidade, domínio de língua estrangeira e de programas de informática, aparência profissional etc. 7.25. Assim, tendo ficado claro no acordo de PRL quais são as características do empregado que serão avaliadas, a forma como essa avaliação ocorrerá, os pesos atribuídos a cada item avaliado, entre outros critérios, é descabido falar de ‘’ausência de regras claras e objetivas’’. 7.26. A finalidade da Lei nº 10.101/00, ao dispor que as regras relativas à PRL sejam claras e objetivas, foi a de assegurar que haja transparência no acordo, de modo a não gerar dúvida quanto ao que fora acordado, e não o de proibir que aspectos individuais dos empregados sejam avaliados e levados em consideração na determinação do valor de PLR que cada empregado receberá.1 Não custa lembrar que não há nenhuma norma legal que impeça que a PPR possua parcela fixa, tampouco que os valores pagos a título de participação nos resultados devam ser idênticos e uniformes para todos os beneficiários da PPR. Vejamos trecho de acórdão da Ilustre Relatora Conselheira Liege Lacroix sobre o tema: A autoridade fiscal se insurgiu quanto aos valores distribuídos não serem uniformes entre os empregados de mesma função e pelo fato dos diretores ganharem valores muito discrepantes em relação aos empregados. Quanto a este tópico é de se considerar que o plano de metas da empresa para a participação dos resultados leva em consideração desempenho individual do empregado e o desempenho da equipe, então parece lógico que os valores a serem pagos não sejam idênticos para os empregados. O pagamento pode ser diferenciado justamente porque considera o atingimento de metas, que nem sempre vão ser alcançadas de forma total e unânime por todos os empregados. 1 Rubem Pelegrino e Patrícia Kasiarz. Participação nos Lucros ou Resultados (“PLR”) e as Contribuições Previdenciárias: Controvérsias entre o Fisco e os Contribuintes. Planejamento Fiscal – Análise de Casos – Volume III – São Paulo: Quartier Latin, 2013. pg. 948. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 13609.720204/201213 Acórdão n.º 2401003.670 S2C4T1 Fl. 10 17 Por outro lado consta dos acordos que a parcela a ser distribuída levará em consideração a folha de salários e por consequência os valores pagos ou creditados aos diretores serão mais elevados que os dos empregados, uma vez que os salários destes são maiores, inclusive em função de suas responsabilidades junto à empresa. Ademais, a lei não diz que os valores pagos a titulo de participação nos lucros devem ser idênticos e uniformes para todos os beneficiários do programa. Os aumentos de lucratividade da empresa resultam participação variável pela aplicação de percentual incidente sobre os salários. (Processo nº 35884.003885/200689, Acórdão 20501.331, 2º Conselho, 5ª Câmara, 05/11/2008). Ademais, considerando a atividade econômica desempenhada pela Recorrente, entendo que não há óbice algum para que o Programa de Participação nos Lucros e Resultados envolva uma parcela fixa e outra variável em relação à avaliação individual de seus empregados, desde que os critérios dessa avaliação estejam previamente definidos e sejam de conhecimento do funcionário. Logo, não há como sustentar que essa parcela está atrelada apenas resultados individuais do empregado, devendo ser considerada como remuneração. Essa alegação tornase frágil diante da existência de parâmetros e metas estabelecidas para a própria unidade, conforme atestam os documentos constantes nos autos. Sendo assim, no caso em análise, verificase não só a delimitação das regras pela Recorrente, bem como a demonstração dos mecanismos utilizados para aferição dos resultados e aplicação de tais regras, demonstrando que são desprovidos de razoabilidade os argumentos que suportaram o lançamento. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, dou provimento total ao presente recurso voluntário para julgar improcedentes as cobranças decorrentes dos levantamentos PPR. É como voto. Carolina Wanderley Landim Relatora Fl. 980DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 25/09 /2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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