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Numero do processo: 10283.010707/2002-29
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001
Subvenções Governamentais. Natureza jurídica de Receita.
Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS concedidos pelo Estado do amazonas às sociedades empresárias constitui receita da pessoa jurídica, e como tal devem ser escriturados.
Base de Cálculo - Alargamento - Aplicação de Decisão Inequívoca do STF - Possibilidade.
Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal.
Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para a Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. A partir da vigência dessa lei, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente, de sua denominação ou classificação contábil.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.355
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Alargamento da base de cálculo. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPONEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001 Subvenções Governamentais. Natureza jurídica de Receita. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelo Estado do amazonas às sociedades empresárias constitui receita da pessoa jurídica, e como tal devem ser escriturados. Base de Cálculo Alargamento Aplicação de Decisão Inequívoca do STF Possibilidade. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para a Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. A partir da vigência dessa lei, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente, de sua denominação ou classificação contábil. Recurso Especial do Procurador Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 01 07 07 /2 00 2- 29 Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido. Tratase de Auto de Infração cientificado ao contribuinte em 12/12/2002, lavrado para a exigência de diferenças entre o valor recolhido e o valor apurado como sendo devido pelo Fisco, da Cofins relativa aos períodos de apuração de janeiro de 1998 a dezembro de 2001. 0 valor da autuação atingiu a R$ 7.276.187,52, nele incluídos juros de mora e multa de oficio de 75%. Analisando os termos da Impugnação apresentada, a DRJ em Belém/PA, por meio do Acórdão n° 016048, de 15/05/2006, considerou o lançamento inteiramente procedente, em decisão assim ementada: COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. Não é permitida a exclusão do ICMS, cobrado na condição de contribuinte e na condição de responsável tributário, da base de cálculo da COFINS por falta de previsão legal. 0 ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pela contribuição em tela. SUBVENÇÕES. INCIDÊNCIA. Sendo as subvenções, tanto as para investimento quanto as correntes para custeio, integrantes, respectivamente, dos resultados nãooperacionais e operacionais das pessoas jurídicas, resulta que, em qualquer das situações, comporão a base de cálculo da Cofins. Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.010707/200229 Acórdão n.º 9303002.355 CSRFT3 Fl. 1.744 3 No Recurso Voluntário apresentado, a recorrente argumenta que é empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus ZFM e, tendo suas vendas majoritariamente destinadas a compradores também estabelecidos nesse local, deveria ser beneficiada com as mesmas normas tributárias aplicadas aos estabelecimentos que, localizados fora da Zona Franca de Manaus, para lá — ZFM vendem as suas mercadorias e/ou produtos. Invoca em seu favor o disposto nos artigos 1° e 4° do Decreto Lei n° 288/67 (que, respectivamente, estabelece a ZFM e determina que a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na ZFM será, para fins tributários, equivalente à exportação para o estrangeiro), e o artigo 7° da Lei Complementar n° 70/91, com a redação dada pela Lei Complementar n° 85, de 15 de fevereiro de 1996 (Cofins), que isenta da contribuição as mercadorias destinadas ao exterior. Por outro lado, questionando a sua legalidade, se insurge contra os termos da letra a do § único do artigo 1° do Decreto n° 1.030, de 29/12/1993, que, regulamentando o citado artigo 7°, expressamente excluiu da isenção da Cofins as vendas efetuadas às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Diz que nem a Lei n° 9.718, de 1998, que promoveu alterações nas regras da Cofins, versou sobre as exportações, o que somente ocorreu com a edição da Medida Provisória n° 1.8586, de 29/06/1999, mais especificamente, no inciso I, do § 2°, do artigo 14, o qual veda expressamente a isenção da Cofins para as vendas destinadas às empresas situadas na ZFM. Mas, que, mesmo assim, esse dispositivo tivera suspensa a expressão "na Zona Franca de Manaus" pelo Supremo Tribunal Federal quando analisou os termos da ADIn n° 2.348/AM. Quanto a esse tópico, conclui a recorrente que tem direito à isenção à Cofins, seja no período anterior ou posterior à edição da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, visto que suas vendas são equiparadas à exportação a teor do disposto no artigo 4° do DL n° 288/67. Aduz, ainda, nas suas conclusões, que o fato de estar discutindo judicialmente a matéria referente ao período posterior à edição da citada Medida Provisória, somente impõe ainda mais o cancelamento do presente lançamento, ou ser suspenso até o julgamento final da medida judicial, a teor do que dispõe o artigo 151, IV e V do CTN. Os demais temas suscitados pela Recorrente são os de que: a) é ilegal o alargamento da base de cálculo da contribuição trazido pela Lei n° 9.718, de 1998; b) houve a inclusão indevida na base de cálculo de parcelas relativas às subvenções feitas pelo governo estadual com incentivos fiscais do ICMS; e d) houve a inclusão indevida na base de cálculo das parcelas do ICMS incidente sobre o montante das vendas. Cópia da Petição Inicial de Ação Declaratória de Inexistência de Obrigação Tributária, distribuída em 15/05/2001, às fls. Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 1.504/1.539, onde consta, no tópico "PEDIDO", verbis, que a interessada acionara o Poder Judiciário para que: (...) b) declare a inexistência de obrigação tributária cujo fundamento seja a incidência de Cofins e PIS/Pasep sobre as receitas da Autora com vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus de mercadorias destinadas ao consumo e à industrialização. As folhas 1.540/1.545 trazem cópia da Sentença em Primeiro Grau, proferida pela Justiça Federal do Estado da Amazônia em 03/06/2003, Processo Judicial n° 2001.32000031526, cuja parte final dispõe, verbis: Por tais fundamentos, JULGO PROCEDENTE o pedido de declaração de inexigibilidade das contribuições do PIS/PASEP e Cofins sobre as receitas auferidas pela Autora pelas vendas de mercadorias que produz destinadas à industrialização e ao consumo na Zona Franca de Manaus. Arrolamento de bens à fl. 1.587. Decidindo o feito, o Colegiado recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/1998 a 31/12/2001 COFINS. BASE DE CALCULO. RECEITAS QUE NÃO AS DE VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS. Considerase como base de cálculo da contribuição os ingressos havidos na contabilidade da recorrente caracterizados como receitas, como, por exemplo, as receitas de aluguéis, financeiras, vendas de sucata, rendas diversas etc., compreendidos no período em que passou a vigorar a Lei n° 9.718, de 1998. COFINS. BASE DE CALCULO. ICMS INCLUÍDO NAS VENDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO. A exclusão da parcela do ICMS contido nas vendas só encontra previsão legal quando se tratar da modalidade "substituição tributária". LEI N° 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CALCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA NA VIA INCIDENTAL. EFEITOS INTER PARTES. A inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, por ter sido declarada pelo STF na via incidental, cujos efeitos são inter partes, não pode ser aplicada pelos Conselhos de Contribuintes antes que sobrevenha Resolução Senatorial, súmula vinculante, ou ato do Secretário da Receita Federal ou Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.010707/200229 Acórdão n.º 9303002.355 CSRFT3 Fl. 1.745 5 do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, estendendo para todos os efeitos de tal inconstitucionalidade. COFINS. BASE DE CALCULO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO FISCAL DO ICMS. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob a forma de crédito fiscal, para redução na apuração do ICMS devido. COFINS. ISENÇÃO. ESTABELECIMENTO LOCALIZADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS QUE EFETUA VENDAS PARA ESTABELECIMENTO LOCALIZADO NA PRÓPRIA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO Â CONDIÇÃO DE ESTABELECIMENTO LOCALIZADO FORA DA ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. Descabida a pretensão de considerar equiparadas as operações de venda em que não houve a desinternação da Zona Franca de Manaus com aquelas em que houve a internação na Zona Franca de Manaus. COFINS ISENÇÃO. VENDAS PARA ESTABELECIMENTO LOCALIZADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. No artigo 7°, da Lei Complementar n° 70/91, regulamentado pela letra a do parágrafo único do artigo 1° do Decreto n° 1.030, de 1993, encontramse os fundamentos para a negativa da isenção da Cofins para as vendas a estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus. Ementa COFINS ISENÇÃO. VENDAS PARA ESTABELECIMENTO LOCALIZADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. SUMULA N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificada desse acórdão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, fls. 1627 a 1646 onde, em apertada síntese, pede que a inclusão das subvenções de ICMS na base de cálculo da Cofins. O especial fazendário foi admitido, conforme despacho de fls. 1648 a 1650. Regularmente cientificado, o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, contrarrazões ao apelo fazendário, fls. 1655 a 1665, e, ao seu turno, também apresentou recurso especial, fls. 1682 a 1692, por meio do qual requer a total improcedência do lançamento fiscal. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Por meio do despacho de fl. 1719, o então Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Carf negou seguimento ao especial do sujeito passivo. Esse despacho foi confirmado, na íntegra, em reexame necessário da lavra do Presidente da Câmara Superior de Recursos, fl. 1720. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A teor do relatado, a matéria trazida a debate no apelo fazendário, cingese à questão da incidência da Cofins sobre incentivos fiscais, concedidos à autuada pelo Estado do Amazonas, incentivos esses que se caracterizariam como subvenções para investimentos, provenientes da isenção total ou parcial de ICMS, que seriam direcionados à reserva de capital. A Fazenda defende que tal benefício seria receita, e, como tal, passível de tributação pela Cofins, em sentido oposto é a defesa da autuada, que postula a não incidência da contribuição sobre tais incentivos. Este Colegiado já assistiu a grandes embates sobre esse tema, ora prevalecendo a posição defendida pelos contribuintes, ora a da Fazenda Nacional. Antes de adentrar na matéria em si, fazse necessário tecer alguns esclarecimentos sobre alguns equívocos acontecidos no decorrer dos julgamentos precedentes ao agora em pauta. O órgão julgador de primeira instância, no 1item 16 da fundamentação do acórdão, fl. 1561 dos autos papel, consignou, expressamente, que: não existiu tributação nessa matéria, mas tãosomente sobre valores do faturamento extraído das notas fiscais de vendas. Tal afirmação não encontra amparo nas provas acostadas aos autos, ao contrário, é por elas refutada, conforme se verifica da planilha de fls. 58 e 62 denominada: Base de Cálculo da contribuição as receitas referentes à rubrica da conta contábil 241030400002 Reserva Incent. Fiscais ICMS foram incluídas na base de cálculo da Cofins. Desta feita, errou a decisão de primeira instância ao avaliar as provas dos autos e concluir que os incentivos fiscais em comento não foram objeto de tributação no lançamento fiscal ora sob exame. Essa avaliação equivocada redundou no tangenciamento da questão trazida a debate na impugnação, o que legitimaria eventual alegação de nulidade da decisão da DRJ, por cerceamento de direito de defesa. Todavia, o sujeito passivo não contraditou essa afirmação da DRJ, preferiu não se valer do erro de procedimento do órgão julgador de primeira instância, e, ao invés de suscitar a preliminar de nulidade, optou por partir para a defesa de mérito, convalidando, assim, o vício de procedimento da decisão primeira. A seu turno, no relatório do acórdão recorrido, mais um equívoco, a transcrição da ementa da decisão de primeira instância não coincide com a ementa do acórdão da DRJ acostado aos autos: 1 16, Quanto A afirmação de que incentivos fiscais, que se caracterizariam como subvenções para investimento, concedidos A Impugnante, provenientes de isenção total ou parcial do ICMS, que seriam direcionados à reserva de capital, não poderiam ser considerados como receita, para efeito da Contribuição, digase que não existiu tributação nessa matéria, mas • tão somente sobre valores do faturamento extraídos das notas fiscais de vendas Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.010707/200229 Acórdão n.º 9303002.355 CSRFT3 Fl. 1.746 7 Ementa correta do acórdão 016048 – 2ª Turma da DRJ/BEL, fl. 1154: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: COFINS. BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. Não é permitida a exclusão do ICMS, cobrado na condição de contribuinte e na condição de responsável tributário, da base de cálculo da COFINS por falta de previsão legal. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pela contribuição em tela. BASE DE CALCULO. A base de cálculo da Cofins incide sobre o faturamento correspondente à receita bruta da pessoa jurídica.(Grifei). Lançamento Procedente Ementa do Acórdão 016048 – 2ª Turma da DRJ/BEL transcrita no relatório do acórdão recorrido: COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. Não é permitida a exclusão do ICMS, cobrado na condição de contribuinte e na condição de responsável tributário, da base de cálculo da COFINS por falta de previsão legal. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pela contribuição em tela. SUBVENÇÕES. INCIDÊNCIA. Sendo as subvenções, tanto as para investimento quanto as correntes para custeio, integrantes, respectivamente, dos resultados nãooperacionais e operacionais das pessoas jurídicas, resulta que, em qualquer das situações, comporão a base de cálculo da Cofins. Ora, cotejando a ementa real da DRJ com a sua reprodução no relatório do acórdão recorrido, notase que, na original não consta a parte da subvenção transcrita no indigitado relatório. Esse erro, indubitavelmente, contribuiu para levar o Colegiado a enfrentar a questão da incidência da contribuição sobre as receitas de subvenções retrocitada, sem analisar o efeito do não pronunciamento, ou melhor, do pronunciamento tangenciado da questão, no acórdão de primeira instância. De outro lado, nenhuma das partes fez uso do remédio processual adequado para corrigir os erros procedimentais das duas decisões precedentes. Tanto a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional quanto o sujeito passivo, interpuseram recurso especial que servem para corrigir eventual erro de julgamento, mas não de procedimento. Assim, à mingua de manifestação das partes legitimadas acerca desses equívocos procedimentais, e tendo em vista que eles não causam prejuízo real ou presumido à Ordem Processual, a apresentação de recurso, pelas partes, apenas sobre questões de mérito, convalida os vícios apontados nas decisões de primeira e de segunda instâncias. Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Feitos os necessários esclarecimentos, passo, sem mais delongas ao exame da controvérsia trazida no apelo Fazendário, qual seja, a da incidência ou não da Cofins sobre as dos valores atinentes a incentivos fiscais de ICMS, registrado na contabilidade da autuada na conta Reserva de Capital, que a recorrida caracterizou como subvenções para investimentos. Inicialmente, temse que o correto enquadramento contábil dos incentivos fiscais (subvenções) concedidos pelo Estado do Amazonas, destinados às sociedades empresárias industriais ou agroindustriais que lá se instalaram, deve ser feito como receitas não operacionais da pessoa jurídica, pelas razões seguintes. As subvenções governamentais são programas delineados, administrados e concedidos pelos governos (União, Estados, DF e Municípios) com o objetivo de incrementar operações, atrair investimentos para determinadas regiões pouco desenvolvidas e financiar a promoção de atividades de interesse público. Às empresas que se fixam em áreas carentes de desenvolvimento são concedidas reduções e isenções tributárias (subvenções) sobre suas operações, cuja concessão segue procedimento criterioso de aprovação da empresa interessada. Há outras modalidades de subsídios, tais como as subvenções governamentais para investimento em que a empresa beneficiária fica obrigada a reinvestir, sob determinadas condições, parte dos tributos desonerados de suas transações e a subvenção para custeio, também denominada de subvenção corrente para custeio ou subvenção operacional, esta modalidade de subvenção governamental é caracterizada pelo incentivo, em sua maioria de natureza tributária, concedido pelo poder público com o objetivo de incrementar a atividade operacional das empresas em decorrência de interesses do próprio governo. Dos conceitos acima, a conclusão acaciana a que se chega é que o incentivo fiscal dado pela Lei 2.826/2003, do Estado do Amazonas, é espécie de subvenção governamental. A classificação desse incentivo como subvenção governamental é encontrada, dentre outros, nos itens 62 e 413 do CPC nº 7. Como é de sabença de todos, a sigla CPC designa o Comitê de Pronunciamento Contábil, criado pela Resolução nº 1055/054 do Conselho Federal de Contabilidade, composto pelas seguintes entidades: ABRASCA; APIMEC NACIONAL; BOVESPA; Conselho Federal de Contabilidade; FIPECAFI; e IBRACON. 2 6. A subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc. 3 41. Certos empreendimentos gozam de incentivos tributários de imposto sobre a renda na forma de isenção ou redução do referido tributo, consoante prazos e condições estabelecidos em legislação específica. Esses incentivos atendem ao conceito de subvenção governamental 4 O CPC tem como objetivo "o estudo, o preparo e a emissão de Pronunciamentos Técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais". Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10283.010707/200229 Acórdão n.º 9303002.355 CSRFT3 Fl. 1.747 9 Releva ainda salientar que o CPC nº 07 foi aprovado, dentre outros, pela (o): CVM, deliberação CVM nº 555/08; CFC, Resolução CFC nº 1.143/08; Susep, Circular Susep nº 379/08 (anexo I). As subvenções governamentais consistentes em incentivos fiscais devem ser escrituradas como receita, a teor do item 42, abaixo transcrito: 42. O reconhecimento contábil dessa redução ou isenção tributária como subvenção para investimento é efetuado registrandose o imposto total no resultado como se devido fosse, em contrapartida à receita de subvenção equivalente, a serem demonstrados um deduzido do outro. A seu turno, o item 9 do CPC nº 07, dispõe ser irrelevante para o método de contabilização, a forma como a subvenção foi recebida, vejamos: 9. A forma como a subvenção é recebida não influencia no método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a contabilização deve ser a mesma independentemente de a subvenção ser recebida em dinheiro ou como redução de passivo. Nessa linha de raciocínio, vêse que os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS concedidos pelo Estado do amazonas à sociedade empresária autuada constitui receita da pessoa jurídica, mais precisamente, receita não operacional, posto não ser fruto direto da alienação de um bem ou serviço relacionado à atividade fim da sociedade empresária. Resta então determinar se tal receita pode ser alcançada pela incidência da Cofins. Vejamos: Até o advento da Lei 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de faturamento). Todavia, o §4 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas decorrentes da isenção ou concessão de créditos do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, comporiam a base de cálculo dessa contribuição. Correto, portanto, o lançamento fiscal. Acontece, porém, que o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame. Entendo que o controle concreto de constitucionalidade tem efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios à lide. Para que produza efeitos erga ominis, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes, há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeitos gerais às decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 brasileiro, muito embora alguns passos importantes foram dados, como é o caso da súmula vinculante. De qualquer sorte, a resolução senatorial ainda se faz necessária, para estender efeitos de decisões interpartes a terceiros alheios à demanda. De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de se estender as decisões do STF, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 62. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei, exceto ... “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Notese que tal dispositivo cria uma exceção à regra que veda este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior, tem de ser de seu plenário, e, devese entender como definitiva a decisão que passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 62 do RICARF é aquela reiterada, assentada na Corte. O caso dos autos, a meu sentir, amoldase, perfeitamente, à norma inserta no artigo 62 suso transcrito, posto que a questão da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 encontrase apascentada no Supremo Tribunal Federal, inclusive, fez parte de minuta de súmula vinculante, que não foi adiante por causa de outra decisão desse Tribunal, referindose à base de cálculo das contribuições devidas pelas seguradoras. Neste caso, houve certa confusão sobre o conceito de faturamento e de receita, o que levou o STF a não sumular a matéria sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições, mas, de qualquer sorte, continua valendo a decisão no tocante à base de cálculo das contribuições incidentes sobre sociedades não financeiras ou seguradoras. Em outro giro, a PGFN por meio da Portaria nº 294/2010, autorizou seus procuradores a não mais recorrerem das decisões definitivas de tribunais superiores, como a do STF que reconheceu a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais. A edição dessa portaria corrobora o entendimento de se aplicar ao caso em exame a decisão plenária do STF sobre o indigitado alargamento da base de cálculo da Cofins.. O Carf apascentou a jurisprudência no sentido de estender a decisão do STF sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições aos julgamentos administrativos. Aplicandose, pois ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, até a vigência da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins voltou a ser a receita bruta correspondente a faturamento, assim entendido como o produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Por conseguinte, anteriormente à vigência dessa lei, as subvenções governamentais objeto destes autos não estavam incluídas na base de cálculo da Contribuição. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10783.903253/2008-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 11/10/2000
COFINS. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares, já que a lei disciplina apenas a contratação de agências de publicidade pela Administração Pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 09/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE Recorrente TELEVISÃO VITÓRIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 11/10/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares, já que a lei disciplina apenas a contratação de agências de publicidade pela Administração Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 32 53 /2 00 8- 96 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903253/200896 Acórdão n.º 9303002.635 CSRFT3 Fl. 235 2 EDITADO EM: 09/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo Relatório A sociedade empresária acima identificada formalizou diversas declarações de compensação visando utilizar como direito creditório a COFINS recolhida sobre o “desconto de agência”, recolhimento que entendeu indevido. Todas elas são anteriores à edição da Lei 12.232/2010. As compensações não foram homologadas pela DRFB Vitória, o que ensejou a apresentação de manifestações de inconformidade, que foram analisadas e decididas pela DRJ Rio de Janeiro II contrariamente à pretensão da interessada. Tanto a manifestação quanto o julgamento pela DRJ também ocorreram antes da edição da Lei 12.232, de modo que em ambos não há qualquer referência a ela. Em virtude dessa decisão, apresentou ela recurso voluntário em que apenas reitera os mesmos argumentos já expostos em sua cópia da manifestação de inconformidade e devidamente contraditados no acórdão então recorrido. Embora datado de julho de 2010, quando já vigia a Lei 12.232, o recurso voluntário também não faz a ela qualquer referência. A ele, a 2ª Turma Ordinária da Primeira Câmara desta Terceira Seção do CARF negou provimento com os mesmos argumentos já expendidos pela DRJ e que não haviam sido especificamente contraditados pela recorrente, mas acresceu um último tópico enfrentando especificamente a aplicabilidade da Lei 12.232, que sequer constara do recurso voluntário. Ainda insatisfeita, apresenta agora ela recurso especial no qual aponta que a Segunda Turma da Quarta Câmara desta Terceira Seção entendeu que o tal desconto não deve ser incluído na base de cálculo por aplicação do mesmo dispositivo da Lei 12.232 que havia sido mencionado “de ofício” na decisão recorrida. O recurso limitase a demonstrar a divergência e postular a aplicação do entendimento a que chegou a Quarta Câmara sem sequer se dar ao trabalho de expender algum argumento na direção do postulado de modo a se opor àqueles esposados no acórdão que pretendia contestar. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903253/200896 Acórdão n.º 9303002.635 CSRFT3 Fl. 236 3 Como procurei demonstrar no relatório, o processo apresenta como “peculiaridade” o fato de que a decisão recorrida se manifestou sobre matéria não argüida pelo contribuinte. Entretanto, fêlo não para conceder o que não fora pedido, o que configuraria, a princípio, hipótese de decisão ultrapetita, mas para negálo (?). Em outras palavras, o único efeito de tal inclusão foi propiciar a apresentação do recurso especial que ora analisamos, visto que é exatamente sobre essa parte do acórdão que se instaura a divergência que veio a ser aceita no exame de admissibilidade. Assim, apesar dessa estranheza quanto à inclusão da matéria não deduzida na defesa, concordo que o recurso especial deve ser admitido na medida em que, uma vez incluída ela, resta patente a divergência de entendimentos entre a câmara recorrida e a quarta câmara. Dele conheço, pois. E sem maiores delongas, a ele nego provimento com os argumentos expendidos pelo conselheiro Henrique Pinheiro Torres em julgamento de recursos em tudo semelhantes realizados na última reunião dessa Câmara Superior. Peço vênia, pois, para transcrevêlos na íntegra a seguir, considerandoos bastantes na medida em que o recorrente nada de novo traz em relação ao seu recurso voluntário, a não ser a pretensão de ver aplicada a mencionada Lei 12.232 argumento muito bem enfrentado pelo dr. Henrique, a quem rendo minhas homenagens. Transcrevo: A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelo veículo de divulgação. De um lado, a Fazenda entende que a contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão do desconto padrão pago por ela às agências de propaganda. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tãosomente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos de desconto padrão às agências de propaganda. A defesa socorrese do art. 19 da Lei 12.232/2010 que dispõe sobre a interpretação da legislação de regência sobre os valores correspondentes ao desconto padrão de agência. Acontece, porém, que essa lei, conforme explicitado linhas abaixo, aplica se, exclusivamente, às relações dos serviços de publicidade com a Administração Pública. Não dispõe sobre o tratamento Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903253/200896 Acórdão n.º 9303002.635 CSRFT3 Fl. 237 4 tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, á época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. No caso em exame, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e, após a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. Uma entre o veiculo de divulgação e o anunciante e outra entre a agência de propaganda e o veículo de divulgação. E cada uma dessas relações negociais haverá repercussão financeira, e, por conseguinte, tributária. No caso específico dos autos, a relação entre anunciante e veiculo de divulgação gera receita para este, no valor total da fatura por ele emitida contra àquele. Já na relação estabelecida entre a agência de propagada e o veículo de divulgação, a receita gerada será da agência, também, no valor da fatura comercial emitida contra o veículo anunciante. Quanto à tributação dessas receitas em relação ao PIS e à Cofins, não há novidade, comporão o faturamento tanto da agência quanto do veículo de divulgação, e por conseguinte, integrarão a base de cálculo dessas contribuições, devidas por essas duas pessoas jurídicas. Assim, a receita referente à fatura emitida pelo veiculo de divulgação deverá ser, por ele, oferecida à tributação dessas duas contribuições. O mesmo procedimento é esperado da agência de publicidade, em relação à receita recebida do veículo de divulgação. Notese que as faturas emitidas, tanto pelo veículo de divulgação contra o a anunciante quanto à da agência contra o veiculo de divulgação, referemse a serviços prestados por duas pessoas jurídicas distintas, e cada uma delas foi remunerada pelo serviço prestado. Essa remuneração, qualquer que seja a classificação adotada, contábil, fiscal, econômica, não importa, representa faturamento da prestadora do serviço, e como tal está sujeita à incidência do PIS e da Cofins. Poderseia argumentar, como de fato o fez a recorrente, que os valores correspondentes ao descontopadrão não seriam receitas do veículo de divulgação, a teor do disposto no 1art. 19 da Lei nº 12.232/2010. Acontece, porém, que, conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único desse dispositivo legal, a norma nele incerta somente disciplina as relações de publicidade com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. 1 Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903253/200896 Acórdão n.º 9303002.635 CSRFT3 Fl. 238 5 Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das NormasPadrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Diante disso, dúvida não há de que a norma trazida no art. 19 da Lei nº 12.232/2010, é inaplicável ao caso sob exame, por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. As atividades publicitárias entre particulares permanecem regidas com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, que não dispõe sobre exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, do descontopadrão pago às agências de publicidade pelos veículos de divulgação. Em outro giro, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associada ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.903253/200896 Acórdão n.º 9303002.635 CSRFT3 Fl. 239 6 a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. Assim, à mingua de previsão legal autorizativa para se proceder à exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do desconto padrão pago às agências de publicidade pelo veículo de comunicação, preditos valores devem, necessariamente, compor a base de cálculo das contribuições citadas. Além das razões enumeradas nas linhas precedentes, peço emprestado os argumentos da nobre relatora do acórdão recorrido, que deixo de transcrever porque já consta dos autos e a transcrição alongaria ainda mais este voto, mas fica o registro das merecidas homenagens à ilustre Conselheira. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. E assim também façoo eu aqui. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11020.000141/2004-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITOS DE ICMS VINCULADOS As RECEITAS DE EXPORTAÇÃO, CESSÃO ONEROSA, RECEITA ATÍPICA SUJEITA A INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVA. PERÍODO DE ABRANGÊNCIA.
A cessão onerosa dos créditos de ICMS, decorrentes das receitas da exportação, configura receita atípica do alienante sujeita a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa.
Somente a partir de 1° de janeiro de 2009, por força do disposto no art. 16, c/c o art. 33, I, "c", da Lei n° 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de cálculo da citada Contribuição.
CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVA. SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. DÉBITO SUPLEMENTAR. DEDUÇÃO DO VALOR DOS CRÉDITOS DO PERÍODO. OBRIGATORIEDADE.
Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no mês ou no trimestre, o valor do saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa, originados das receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, referente a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
Se na fase de análise do procedimento compensatório for comprovada a existência de débito suplementar a pagar, o valor apurado devera ser deduzido do saldo de crédito do período, para fins de apuração do saldo remanescente passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.789
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Beatriz Verissimo de Sena e Nanci Gama.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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PERÍODO DE ABRANGÊNCIA. A cessão onerosa dos créditos de ICMS, decorrentes das receitas da exportação, configura receita atípica do alienante sujeita a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa. Somente a partir de 1° de janeiro de 2009, por força do disposto no art. 16, c/c o art. 33, I, "c", da Lei n° 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de cálculo da citada Contribuição. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVA. SALDO DE CRÉDITO REMANESCENTE. DÉBITO SUPLEMENTAR. DEDUÇÃO DO VALOR DOS CRÉDITOS DO PERÍODO. OBRIGATORIEDADE. Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no mês ou no trimestre, o valor do saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa, originados das receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, referente a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) Se na fase de análise do procedimento compensatório for comprovada a existência de débito suplementar a pagar, o valor apurado devera ser deduzido do saldo de crédito do período, para fins de apuração do saldo remanescente passive l de compensação. Recurso Voluntário Negado. A5aiv000 dfriioIne°Le ern 0 15/1112010 par JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 0011112010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Autentioado diuitalmente em 015 1112010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO En,iiido em 29/12/2010 polo Moist6rio do Fazenchl Por sua vez, acantando as conclusões exaradas no referido Parecer, em 25/07/2008, a autoridade da Unidade da RFB de origem, por delegação de competência, Assinado dproprim DespachowDecisórioudeirths 62; meonhecendo;i .parcialmentep,o -odireitw creditório ERRA DE CASTRO ,Atititint:cado digitalmente ern 00/I 1/2010 poi 'JOSE FERNANDES DO NASCIMEITTO 2 Emitido em 29/ 212010 polo Ministério da Fazenda Rest/Ress Indeferido - Comp não homologada Por meio do presente processo, a Interessada informou a compensação do saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep - Exportação do 4° trimestre de 2003, discriminados nos Pedidos de Ressarcimento de fls. 24/27, corn os débitos do IRPJ e da CSLL, relacionados nas Declarações de Compensação (DComp) de fls. 23, 34 e 45. Ao analisar o pleito em tela, por intermédio do Parecer de fls, 58/62, a aut ridade fiscal da Uniadade da Receita Federal de origem informou que, após análise da documentação apresentada e dos dados extraídos dos sistemas de comércio exterior adrhinistrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), chegou a conclusão que os valOres dos créditos pleiteados pela Recorrente estavam corretos, entretanto, como os valores das receitas de transferências de créditos de ICMS, auferidas no período, não compuseram a bae cálculo da Contribuição, opinou pela glosa da parcela dos créditos equivalentes aos déitos a recolher relativos a tais receitas. tl DI: CARE 1\4 I; 11 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Beatriz Verissimo de Sena e Nanci Gama. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) Jose Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 06/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Le nardo Mussi da Silva e Nanci Gama. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela Interessada visando a reforma do córdão n° 10-17,246, de 25 de setembro de 2008 (fls. 103/104v), proferido pelos membros da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (DRJ/POA), cuja ementa ficou a assim redigida, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 P1S/PASEP Período de apuração 01/10/2003 a 31/12/2003 CESSÃO DE ICMS - INCIDÊNCIA DE P1S/PASEP E COF1NS A cessão de direitos de IC/VIS comp5e a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o P1S/PASEP e a CORNS DF CARP ME tL 3 Processo rl° 11020 000141/2004-42 83-CIT2 Acerno n ° 3102-00.789 Fl 126 pleiteado e homologando as compensações declaradas, até o limite do valor do crddito reconhecido. Em 22/08/2008, a Interessada foi cientificada, por via postal (fl. 70), dos referidos Parecer e Despacho Decisório, bem como da Carta Cobrança de fls. 68/69, exigindo- lhe a parcela dos débitos, cuja compensação não foi homologada, por insuficiência de valor de crédito. Descontente, em 29/08/2008, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 72/81, aduzindo as razões defesa que foram assim resumidas no Relatório integrante do Acórdão recorrido, ipsis litteris: Alega que haveria unia alteração qualitativa da classificação contábil, que não implicaria em receita tributável, e, por isso, não existe previsão legal para a tributação Admite, para fins de argumentação, que se de receita se tratasse, ela seria qualificada como receita de exportação e estaria isenta e imune à incidência das contribuições ao PIS e COFINS, pois a exportação 6 a causa imediata da manutenção dos créditos e de sua transferência para terceiras Traz doutrina e jurisprudência para fundamentar seus raciocínios de defesa Sobreveio o Acórdão recorrido, em que, os membros da Turma julgadora a quo, por unanimidade de votos, mantiveram o indeferimento da parcela do credito não reconhecida e, em decorrência, a não homologação dos débitos compensados, com base nos seguintes argumentos: a) a cessão dos direitos de ICMS para terceiros era uma receita do cedente (contribuinte), independente de haver lucro ou prejuízo com a operação .jurídica/contábil; b) o fato gerador da contribuição para PIS/Pasep é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pala pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; c) o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa .juridica; d) o negócio jurídico em tela não se enquadrava em nenhuma das exclusões da base de calculo, previstas na legislação, para a referida Contribuição; e e) a cessão de créditos do ICMS não era uma operação de exportação de mercadorias ou serviços, como alegara a Interessada, logo, não estaria albergada por qualquer imunidade ou isenção em favor das exportações . Em 21/10/2008, a Recorrente foi cientificada, por via postal (fl. 109), do referido Acórdão, acompanhado da Carta Cobrança de fls. 107/108. Inconformada, em 11/11/2008 (fl, I li), interpôs o Recurso Voluntário de fls. 111/121, reafirmando as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória e, ao final, requerendo integral provimento ao presente Assinado diiMliZrM ■Rbaig6'110 poi' JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 09/11/2010 pal LUIS MARCELO Gt.) ERRA DE CASTRO AuthaJod4Ialroeillo em 00/11/2010 or JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 3 Ermkido air 290Z2010 polo Unis[drio 00 Fazenda DI" C AR F vl1: P1 4 Em cumprimento ao despacho de fl. 124, os presentes autos foram enviados a esta e. Conselho. Em cumprimento ao disposto no art 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, na Sessão de maio do corrente ano, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este Conselheiro. E o relatório. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade .e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Trata o presente processo da análise da compensação do saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP dos meses de outubro a dezembro de 2003 (4° tri estre de 2003), com o valor dos débitos do 1RPJ e da CSLL, informados nas DComp de fls. 23,34 e 45. O valor do crédito utilizado na compensação corresponde aos saldos re anescentes dos créditos da Contribuição para o P1S/Pasep não-cumulativa, originados dos ins mos vinculados As receitas de exportação auferidas no 4° trimestre de 2003. 0 presente procedimento compensatório tem amparo no inciso II do I° do art. 5° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a seguir transcrito: Art 5° A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de! - exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa fisica ou jurídica residente ou domiciliado no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10,86.5, de 2004) 111 - vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. § 1 Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizer o cadito apurado na forma do art. -V para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; li - compensação corn débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. § 2° A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilimr o crédito por qualquer das formas previstas no § la, poderá solicitor o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável it matéria As:jnodo di IiiieUe em 0 ,3/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 09/11/2010 pof LUIS MARCELO CU ERRA DE CAS1 RO At.v.en1 , ca:30 dialmer.te em 0011112010 pr JOSE FEP,NANDES DO NASCIMENTO 4 EmlIdo em 29/112010 pelo tytniiterio cLs Fazencia Voto DFCARF M F H. 5 Processo n° 11020 000141/2004-42 S3-C1T2 Acórddo n *3102-00.789 Fl 127 Na data da formalização do procedimento compensatório em tela, a legislação especifica, a que alude o dispositivo legal em destaque, era a Instrução Normativa SRF n° 379, de 30 de dezembro de 2003. Segundo o Parecer de fls, 58/62, os valores dos créditos apurados no período estavam corretos, porém, os valores dos débitos a recolher não foram corretamente determinados, posto que a Interessada não incluiu na base de cálulo da dita Contribuinção os valores das receitas referentes A alienação dos créditos do ICMS. Em decorrência, foram apurados novos valores da Contribuição para o PIS/Pasep a pagar, os quais foram deduzidos do valor do saldo remanescente do crédito pleiteado. 0 titular da Unidade da Receita Federal de origem, por sua vez, acatando as conclusões apresentadas no mencionado Parecer, decidiu manter a glosa parcial do saldo remanescente do crédito pleiteado, com base no entendimento de que o valor da receita obtida na alienação dos créditos do 1CMS integrava a base de cálculo da citada Contribuição. Os membros da Turma julgadora de primeiro grau, com base no mesmo entendimento, também mantiveram a glosa parcial do valor do saldo remanescentes do crédito pleiteado pela Recorrente. Com base no exposto, fica demonstrado que o cerne da presente controvérsia consiste em saber se os valores das receitas decorrentes das vendas dos créditos do ICMS compõem ou não base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa e, caso afirmativo, se os débitos a recolher concernentes A tais receitas devem ser deduzidos do valor do crédito vinculado a receita exportação, para fins de apuração do saldo remanescente passível de compensação, conforme procedimento adotado pela autoridade fiscal da Unidade de origem. Da alienação de créditos de 'CMS: receita atípica. Antes de analisar se valor obtido na venda de créditos de ICMS integra ou não a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, entendo pertinente deslindar a natureza da operação de alienação do crédito de 1CMS proveniente das vendas ao exterior. Segundo a Recorrente, tais valores não integrariam a base cálculo da referida Contribuição porque não se tratava de receita, mas de mera operação patrimonial. Não procede a alegação da Recorrente. Do ponto de vista contábil, toda operação que altera quantitativa ou qualitativamente o patrimônio da pessoa jurídica ou da entidade contábil tem natureza patrimonial e deve ser registrada na contabilidade. 0 que caracteriza uma operação como receita e a presença do ingresso de numerário (venda a vista) ou de um de um crédito (venda a prazo) no ativo da empresa, proveniente da alienação de um bem ou direito integrante do seu ativo circulante, realizável a longo prazo ou permanente, ou da prestação de serviço. Neste sentido, é a definição apresentada no inciso I do § 3 0 do art. 9° da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade n° 750, de 1993, que dispõe sobre os Princípios Fundamentals de Contabilidade (PFC), que tem o seguinte teor, in verbis: Assinado digitalmente. ern 05/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 09/1112010 por LUIS MARCELO OU ERRA DE CASTRO Auteriticado 05f11/20 10 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 5 tm) 29A 2/2010 ppft h1rppaip pio cia FzrpcI Fl. 6 DE CARE Art 9° As receitas e as despesas devem ser inchddas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento ) § 3° As receitas consideram-se realizadas • I — nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetivá-lo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes et ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; ( Por sua vez, o subitem 2.6.3 da Resolução do Conselho Federal de Coitabilidade n° 774, de 1994, que aprovou o apêndice a Resolução CFC no 750, de 1993, esclarece o conteúdo e abrangência da definição de receita apresentada no referido inciso I do § 3 o art. 9 0, com a seguinte dicção, ipsis litteris: 2.6.3 — Alguns detalhes sabre as receitas e seu reconhecimento A receita é considerada realizada no momenta ern que há a venda de bens e direitos da Entidade — entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadorias, produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis com a transferência da sua propriedade para terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro on assumindo compromisso firme de fazê-lo num prazo qualquer.. Normalmente, a transação formalizada mediante a emissão de nota fiscal ou documento equivalente, em que consia a quantcação e a formalização do valor de venda, pres.supostamente o valor de mercado da coisa ou do set-yip ) Com explicações, fica devidamente esclarecido que a venda a terceiros dos crédito de ICMS, um direito integrante do ativo circulante da contribuinte, mediante a emissão de bota fiscal, apresenta todas as características de receita da pessoa jurídica vendedora., Da definição do fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep não- cumulativa: receita em geral. 0 fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não- cumulativa, encontra-se definido no caput e § 1 0 do art. 10 da Lei n° 10.637, de 2002, nos se uintes termos, verbis: Art .0 A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa juridica, independentemente de sua denominação ou classificacão contábil § 10 Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurldica Artsinocio digitalmente an 00/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 00/I 1/2010 par LUIS MARCELO GU ERRA DE CACITRO Autenticodo dir5aiirienie ern 0011 1;2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Errylido em 20712/2010 polo Miniotario do Fooendo 1 DE CAR'''. 1 7 - F . I 7 Processo n° 1102000014112004-42 83-C112 Aetna° n°3102-00.789 Fl 128 § 20 A base de cálculo da contribuição para o P1S/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no copra. ( De acordo com os referidos preceitos legais, integram o fato gerador da Contribuição em apreço todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, incluindo as receitas decorrentes da atividade principal ou típica (faturamento ou receita bruta), bem como a da atividade atípica (as receitas não operacionais e operacionais esporádicas). A receita auferida na alienação dos créditos do ICMS, originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § In do art. 25 da Lei Complementar an 87, de 13 de setembro de 1996, em sendo uma receita atípica, integra o fato gerador da mencionada Contribuição. Da exclusão da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não- cumulativa: fatos geradores ate 31 de dezembro de 2008. Os tipos de receitas que não integravam a base de cálculo da Contribuição em destaque, no período compreendido pelos fatos geradores dos créditos objeto do presente pleito, constavam taxativamente discriminados no § 3° do art. 1° da Lei n° 10.637, de 2002, a seguir transcrito: Art. 1 0 (. ) sr. r A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no captei. § .3° Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I - decorrentes de saldas isentas da contribui cão ou sujeitas alíquota zero, (VETADO) auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às pals a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta (ributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis n ° 9.990, de 21 de julho de 2000, n" 10 147, de 21 de dezembro de 2000, e n° 10 485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas et incidência monofárica da contribuição; V- referentes a, a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos, b) reversees de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo cask, de aquisição, que tenham As:hoodo digitllinente eni 0/11 12010 por ,10:11hgENVIriii-Wpc130;4017d-J. 09/11/2010 por LOIS MARCELO G1J ERRA DE CASTRO Atitentis;ado cfii)ilalmento 05111'2010 par JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Emado era 29 12/2010 pelo tvlinist&io 00 I'ozsrrcfa 7 VI 8 M DE CAM" operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado (Incluído pela lei n° 10 684, de 30.5 2003) (grifos não originais) Da leitura do transcrito preceito legal, não se encontra qualquer menção A receita proveniente da alienação dos créditos de ICMS, o que conduz a conclusão de que esse tido de receita não se encontrava contemplado no rol taxativo contido no transcrito parágrafo 3° Assim, flea demonstrado que, por falta de previsão legal, o referenciado tipo de receita integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa. Cabe ressaltar ainda que, para fins de incidência da referida Contribuição, a or gem dos referidos créditos torna-se irrelevante. Com efeito, o que é determinante, no caso presente, é que a alienação ocorreu no mercado interno e gerou uma receita que, conforme definido em lei, integra a base de cálculo da referida Contribuição. O fato de os referidos créditos estarem vinculados As receitas de exportação, que gozam de imunidade da Contribuição em apreço (art, 149, § 2°, da CF/88), em nada altera a iorma incidência definida para as receitas decorrentes da alienação dos citados créditos, Em se tratando de norma de natureza excepcional, somente através de previsão constitucional ou legal expressa, tal modalidade de receita poderia ser excluida do campo incidência da Contribuição em apreço . Não se deve olvidar que a exclusão de base de cálculo, por ser uma norma de exceção a regra geral de incidência do tributo, deve estar expressa em lei especifica, conforme dispõe o art. 150, § 6°, da CF/88, Dessa forma, demonstrado que na data do fato gerador não havia previsão letal de exclusão da receita da venda dos créditos de ICMS, é indubitável que ela integrava a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa no citado período. Da previsão legal da exclusão da receita da venda de créditos do ICMS da base da Contribuição para o PIS/Pasep: efeitos prospectivos. 0 art. 16 da Lei IV 11.945, de 4 de junho de 2009, deu nova redação ao art. 1° da Lei n° 10.637, de 2002, acrescentando ao § 3° a previsão de exclusão da base de cálculo da C4?ntribuição para o PIS/Pasep as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de 1CMS originados de operações de exportação, nos termos a seguir reproduzido: Art 16 Os arts. 12, 2' e 32 da Lei if 10 637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação. "Art 1 2 . § 32 • • VII - decort enter de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS de créditos de ICMS originados de opetaçbe.s de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1 2 do art 25 da Lei Complementar n°87, de 13 de setembro de 1996 Assii)ocio digymente tIrn 00/11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 00/110010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CA,TRO Atiii-Jnl , cado Li oitalmo:Ite ein 06/11/2010 par JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Errutido em 2911212010 polo 11/1 , rii:06lio cio Fa::aricIa MF F l 9 DF CAR f; Processo n° 11020 000141/2004-42 S3-C1T2 Acendilo n ° 3102-00.789 Fl 129 A referida norma não se aplica ao caso em tela, haja vista que os seus efeitos passaram ser produzidos somente a partir de lo de janeiro de 2009, conforme expressamente determinado na alínea "c" do inciso I no art. 33 da referida Lei, a seguir reproduzida: Art 33. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I - a partir de la de janeiro de 2009, em relação ao disposto. c) no art 16, relativamente ao inciso VII do § 3 a do art J( Lei na /0637, de 30 de dezembro de 2002; ( ) Os efeitos prospectivos determinados por essa norma ratifica o acerto das conclusões precedentemente apresentadas, no sentido de que, até 31 de dezembro de 2008, as receitas obtidas na venda dos citados créditos de ICMS comporiam a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativa. Do direito de compensação do saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep— Exportação. Somente após a dedução do valor total da contribuição a recolher, apurado no period° (mês ou trimestre), o saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, referente a custos, despesas e encargos vinculados As receitas de exportação, poderá ser utilizado na compensação de débitos do próprio contribuinte, vencidos ou vincendos, referente aos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Neste sentido, dispõe o capul do art. 1 0 da Instrução Normativa SRF n° 379, de 2003, vigente na data da formalização do presente procedimento compensatório, que segue transcrito: Art 12 Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Coffin) referentes a custos, despesas e encargos vinculados cis receitas decorrentes das operagOes de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de expo? tação, que não puderem ser deduzidos na forma do inciso I do § 1° do art. 5° da Lei n° 10.637, de 2002, e do inciso 1 do § I° do art 6° da Lei n°10 833, de 2003, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincen dos, relativos aos tributos e contribuiçOes administrados pela Secretaria da Receita Federal PRF) ) (gift's no originais). Assim, em consonância com o disposto no § I° do art. 50 da Lei n° 10.637, de 2002, antes da realização da compensação do valor do crédito originado das receitas de Assmëxio di 9 taime„te PFPgritff(-1Por.MR.gtlitt14-iMidgrO iqR44A9rPJ9.A".4,9MAPLCRonArilktiFhB recolher apurada ERRA DE CASTRO Ainnnticado yiuitalmente em 05/11120 I0 por JOSE FEPNANDES DO NASCIMENTO 9 em 29112;2010 f:91 0 M:rostério dn Fazercla FL I O MF ' CARE no respectivo período, referente is operações tributadas no mercado interno. Por conseguinte, somente o saldo remanescente de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, determinado após a dedução da valor a recolher, sera passível de compensação . Logo, eventual diferença a maior do valor da contribuição a recolher, apurada em procedimento de fiscalização, deve ser previamente deduzida do saldo dos créditos originados das operações de exportação, para fins de determinação do saldo remanescente p sivel de compensação. Assim, somente no caso inexistência ou insuficiente do valor do referido saldo remanescente, seria obrigatório o lançamento de oficio do valor total ou parcela não deduzida, conforme o caso. No presente caso, o valor do direito creditório reconhecido pela autoridade fiscal da Unidade de origem foi determinado tendo em conta o valor do credito utilizado na compensação deduzido do valor do débito recolher, apurado na fase de análise do prbcedimento compensatório. Em consequência, como o valor total do débito suplementar a r4olher, foi inferior ao valor crédito utilizado na compensação declarada pela Recorrente, não houve necessidade de lançamento de oficio. Cabe esclarecer que, a realização do lançamento de oficio no caso em tela, alem de contrariar orientação expressa no capza do art. 1° da Instrução Normativa SRF n°379, de 2003, agravaria a situação da Recorrente, imputando-lhe elevado ônus financeiro, uma vez que o débito suplementar seria acrescido de multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros moratórios, calculados com base na taxa Selic, ao passo que o valor originário do crédito compensado (crédito escritural objeto de ressarcimento), por falta de previsão legal, não terLia nenhum acréscimo legal. Assim, fica demonstrado que a glosa parcial do crédito em questão foi relizada em consonância com a legislação tributária em vigor, portanto não merece qualquer reparo o Acórdão o recorrido. Da conclusão. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso, devendo ser mantido na integra o Acórdão recorrido. Sala das Sessões, em 27 de outubro de 2010. (assinado digitalmente) Jose Fernandes do Nascimento Assinacto digiu:Irrente. em 0 13)11/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO 09/11/20 I D por LUIS MARCELO OU ERRA DE CAS.,TRO Auteralcado rfrjflalniente em 00/11 ,2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 29/12/2010 peIc: Knin:vio diPaze.r,(.4 10
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Numero do processo: 15374.928834/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Joel Miyazaki.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano Damorim, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Joel Miyazaki. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano Damorim, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. http://decisoesw.receita.fazenda/pesquisa.asp Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de lide administrativa, instaurada por meio da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte (fls. 1017) contra o despacho decisório que indeferiu compensação pleiteada (fl. 08). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 28 83 4/ 20 09 -5 7 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 15374.928834/200957 Resolução nº 3201000.457 S3C2T1 Fl. 135 2 Há nos autos pedido de restituição de créditos da contribuição ao Programa de Integração Social – PIS somando o valor de R$ 56.395,61, combinado com pedido de compensação de débitos vincendos de IRRF PERDCOMP nº 36050.80191.021006.1.7.04 0381. Instruem o processo a declaração de suposto pagamento indevido de fl. 03, referente ao período de 12/1999, os pedidos de compensação de fls. 0206, certidão emitida pelo Conselho Nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (fls. 33 35), recibo de entrega da DIPJ 2000, espelhos do SIEF contendo pedido de restituição (fls. 3339). A DERAT da DRF/RJ, por meio do despacho decisório de fl. 08, indeferiu a solicitação do contribuinte em razão de que “foram localizados um ou mais pagamentos”, mas “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados”. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a impugnação às fls. 1017, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição do PIS, cumulada com a compensação de débitos de IRRF, alegando, em resumo, o seguinte: O débito a que alude o despacho decisório é o próprio PIS, equivocadamente declarado em DCTF como devido, erro esse decorrente do fato de a requerente fazer jus à imunidade e à isenção ao PIS, nos termos do art. 195, § 7º da Constituição Federal e do art. 55 da Lei 8.212/91. A contribuição para o PIS é uma contribuição social para a seguridade social, na medida em que a finalidade que lhe é atribuída pelo art. 239 da Constituição se situa no âmbito da seguridade social, que, segundo o art. 194, compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade destinados a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Segundo o art. 239 e §§, o PIS se destina a financiar o programa do segurodesemprego e o abono anual de um salário mínimo devido aos empregados que percebam remuneração mensal de até dois salários mínimos, um dos objetivos da previdência e assistência social. Quanto ao segurodesemprego, isto se revela de forma evidente, na medida em que o artigo 201, III prevê como sendo um dos objetivos da previdência social a proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário. No que se refere ao abono anual de um salário mínimo, apesar de o artigo 203 não mencionálo expressamente, a relação de inclusão se evidencia pelo fato de tratarse de benefício de caráter marcadamente assistencial. O STF tem afirmado a natureza jurídica de contribuição social para a seguridade social do PIS. Em precedente transcrito, este tribunal Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 15374.928834/200957 Resolução nº 3201000.457 S3C2T1 Fl. 136 3 reconheceu que se trata de contribuição social para a seguridade social, se lhe aplicando, pois, a anterioridade mitigada prevista no art. 195, § 6º da Constituição, aplicável apenas às contribuições cuja finalidade é financiar a seguridade social. Nos termos do art. 195, § 7º, “são isentas da contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Referido dispositivo é regulamentado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. A requerente é uma sociedade civil sem fins lucrativos, registrada como entidade de assistência social no Conselho Nacional de Assistência Social, sendo, no período em referência, portadora do antigo certificado de entidade de fins filantrópicos. Ainda como prova de que preenche os quesitos legais e faz jus à imunidade tributária, a requerente apresenta os recibos da DIPJ relativos aos exercícios em questão, onde consta que é imune ao imposto sobre a renda e dispensada do recolhimento das contribuições sociais para a seguridade social. No período em questão, o contribuinte não teve sua condição de imune questionado pela RFB, que não instaurou para este fim o procedimento de suspensão de imunidade, nos termos do art. 32 da Lei 9.430/96. Pede, por fim, que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ indeferiu o pedido, conforme decisão DRJ/RJ2 n.º 32.499, de 21/12/2010: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Sujeitamse normalmente à incidência da PIS/PASEP as receitas decorrentes da prestação de serviços de ensino, conforme descrito na hipótese de incidência tributária. IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL O usufruto do benefício da imunidade das contribuições para a seguridade social só pode efetivarse mediante o atendimento cumulativo das condições expressamente previstas em lei. PROVA ADMINISTRATIVA. O ônus da prova de que o contribuinte atende a benefício pleiteado, cumprindo os requisitos dispostos em lei regulamentar, devem ser trazidos junto com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 15374.928834/200957 Resolução nº 3201000.457 S3C2T1 Fl. 137 4 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Como bem se verifica do processo, a recorrente busca utilizarse de crédito de PIS pago a maior, o qual foi indeferido sob alegação de que, quando do pedido de compensação, a recorrente não atendia aos requisitos legalmente exigidos para a imunidade, nestes termos: Compulsandose os autos, verificase que a certidão emitida pelo conselho Nacional de Assistência Social trazida aos autos já se encontrava vencida por ocasião do protocolo do presente processo. A recorrente, ainda, comprova em sua defesa que, quando do pagamento realizado, possua a referida certidão. A questão debatida no presente caso é: em que momento se verifica a necessidade de existência da referida certidão. Para a recorrente, quando do pagamento indevido. Para a fiscalização, quando do pedido de compensação. Entretanto, para a solução da lide, entendo que devam ser juntados aos autos documentos, os quais serão necessários para o julgamento. Assim, voto por baixar este processo em diligência para que: A autoridade preparadora: Informe se, à época do recolhimento indevido, a recorrente era entidade imune perante a RFB e INSS? Informe ainda, caso positivo a resposta anterior, quando foi publicado o ato no DOU. Informe se houve a publicação de algum ato cancelatório de isenção e, se positivo, quando foi. Informe se o valor recolhido de PIS e pretendido de utilização é todo o montante pago de PIS ou apenas a diferença entre o calculado sobre a folha e o faturamento? O contribuinte: Junte aos autos o comprovante de reconhecimento de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 15374.928834/200957 Resolução nº 3201000.457 S3C2T1 Fl. 138 5 Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Sala de sessões, 27 de novembro de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 13888.001420/00-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta.e Jorge Celso Freire da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .0 01 42 0/ 00 -5 4 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.001420/0054 Resolução nº 1401000.259 S1C4T1 Fl. 802 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão PretoSP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase de pedido de restituição cumulado com compensação (fls. 1/2), convertido em declaração de compensação Dcomp (Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 49, § 4o), de crédito de saldo negativo do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) a pagar dos anoscalendário de 1996 a 2000, no montante total de R$1.561.080,14. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em Piracicaba proferiu, em 07/11/2003, o despacho decisório de fls. 493/501, deferindo parcialmente o solicitado, ao argumento de que nos anos de 1997, 1999 e 2000 fora comprovado o saldo negativo, mas que para os anos de 1996 e 1998 a restituição não encontrava amparo legal, já que não fora apurado saldo negativo de IRPJ nas declarações de rendimentos referentes a cada período, informando, no entanto, que seria lícito ao contribuinte, a partir dos valores comprovadamente retidos e atendidos os dispositivos legais pertinentes, proceder a retificação das declarações. A empresa apresentou, em 19/03/2004, manifestação de inconformidade (fls.537541), na qual esclareceu que estava providenciando a retificação das declarações, mas que, no entanto, a ocorrência do saldo negativo poderia ser comprovada pelas anotações constantes dos livros contábeis, já apresentados à Administração Federal. Em pesquisa aos sistemas da Receita Federal (fls.563/568), verificase que a empresa apresentou declaração retificadora para o anocalendário de 1998, apurando saldo negativo do imposto de renda no montante de R$ 93.048,52, montante idêntico ao solicitado no processo. O processo foi baixado em diligência (fls. 569/570), para que a DRF em Piracicaba intimasse a contribuinte a apresentar cópias dos livros contábeis e fiscais (livro Diário, Razão, Lalur, Demonstrativo de Resultado) que corroborassem as informações de sua declaração, principalmente no que diz respeito à composição das receitas tributadas e à apuração do imposto, e se manifeste, em vista dos documentos apresentados, quanto à veracidade do saldo negativo apurado na declaração retificadora pela contribuinte. Tendo recebido a intimação de fl. 571 em 26/11/2004 (fl. 572), a intimada não apresentou a documentação solicitada (fl. 574). A DRJ INDEFERIU a solicitação, nos termos das ementas abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996, 1998 Ementa: RESTITUIÇÃO. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.001420/0054 Resolução nº 1401000.259 S1C4T1 Fl. 803 3 Somente podem ser objeto de restituição valores cujos pagamentos forem comprovadamente efetuados a maior ou indevidamente. COMPENSAÇÃO. A compensação somente se admite com créditos líquidos e certos. Solicitação Indeferida Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e enfatizando o seguinte: Diferentemente do que aponta a decisão recorrida, a ocorrência de saldo negativo nos exercícios de 1996 e 1998 poder ser comprovada pelas anotações constantes dos Livros Contábeis Analíticos, apresentados à Administração Fiscal em 18/03/2003; Aduz ainda que “ por ocasião da intimação n° 035/2003, a recorrente apresentou pessoalmente os esclarecimentos e documentos ao Sr. Marcelo Tatsumi Nishijima, colocandose, ainda, à inteira disposição do mesmo para novos esclarecimentos complementares ou fornecimento de outros documentos necessários à perfeita e devida elucidação da questão. Assevera que o . Fiscal na oportunidade nada mais alegou ou requereu, como comprovado nos autos. Por fim, alega que apresentara declaração retificadora para o anocalendário de 1998, bem como a documentação fiscal e contábil das receitas tributadas no período. É o relatório. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.001420/0054 Resolução nº 1401000.259 S1C4T1 Fl. 804 4 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A DRF deferiu parcialmente a solicitação de restituição dos saldos negativos de 1997, 1999 e 2000 no valor de R$ 934.160,10 e indeferiu os pedidos referente aos anos calendário de 1996 e 19998. O indeferimento foi fundamentado no fato de nesses anos a contribuinte não ter apurado saldo negativo em suas declarações, recaindo o pedido exclusivamente na restituição dos valores do IRRF e nesse caso não há base legal para proceder com essa restituição/compensação. A DRJ, por seu turno, deixou de lado o aspecto formal inadequado pelo qual a recorrente produziu o seu pedido, para dar acertadamente o enfoque correto para apuração do crédito, qual seja, determinar não a restituição do IR na fonte simplesmente, mas o saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que toda retenção na fonte (IRRF) é considerada antecipação do imposto devido (IRPJ). Nesse sentido, a partir da retificação das declarações produzidas pelo contribuinte, dessa feita identificando os respectivos valores de saldos negativos à restituir, baixou o feito em diligência (fls. 569/570), para que a DRF intimasse a contribuinte a apresentar cópias dos livros contábeis e fiscais (livro Diário, Razão, Lalur, Demonstrativo de Resultado) que corroborassem as informações de sua declaração, principalmente no que diz respeito à composição das receitas tributadas e à apuração do imposto, e se manifestasse, em vista dos documentos apresentados, quanto à veracidade do saldo negativo apurado na declaração retificadora pela contribuinte. Perfeita a decisão da DRJ em baixar o feito em diligência, pois a partir da retificação das declarações,ficou ainda mais claro o equívoco do contribuinte que confundiu a resituição de IRRF com restituição de saldo negativo do IRPJ. O ônus desse momento em diante passou totalmente para a Recorrente. Porém, como relatado, ela não soube se desincumbir de sua carga de prova. Tendo recebido a intimação de fl. 571 em 26/11/2004 (fl. 572), a intimada não apresentou a documentação solicitada (fl. 574), não permitindo à fiscalização aprofundar as investigações a respeito da correção do pedido. A recorrente por óbvio, no princípio, confundiu pedido de restituição do saldo negativo do IRPJ com pedido de restituição de IRRF, que não existe. A DRJ, como já se disse, superou esse formalismo. Nesse contexto, de absoluta falta de prova e total desrespeito as formalidades mínimas do pedido, encaminhava inicialmente meu voto pela impossibilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado e conseqüentemente não se homologar as compensações correspondentes. Porém, a Recorrente anexa aos autos novos elementos de prova (fls. 650/800) que, em nome da verdade material, este colegiado não costuma desprezar. Nesse sentido, após debate na câmara e análise das provas trazidas aos autos que foram consideradas robustas pelo Fl. 804DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.001420/0054 Resolução nº 1401000.259 S1C4T1 Fl. 805 5 colegiado, mesmo que juntadas tardiamente, chegouse à conclusão que o mais razoável a se fazer mesmo diante do caso concreto era fazer uma nova investigação a respeito da comprovação do saldo negativo a partir desses novos elementos. Afinal, considerando os novos elementos trazidos aos autos a situação é de indeterminação e não de certeza de algo, merecendo uma melhor investigação. Dessa forma, em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, e diante da apresentação de fortes indícios que apontam no caminho da certeza do crédito pleiteado pela Recorrente, tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Investigar as novas provas dos autos trazidas pela Recorrente: Informe de Rendimentos correspondentes às retenções, verificando se o IRRF que compõe o saldo negativo encontrase mesmo registrado nos livros contábeis (razão), conforme atestariam (docs 02 A e B), bem assim se as receitas que deram origem a essas retenções foram devidamente oferecidas à tributação como atestaria o seu livro Razão (docs. 02, C, D, E) Se for o caso, refazer a apuração do novo saldo negativo, homologando as compensações até o limite desse saldo. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. . Antonio Bezerra Neto (assinado digitalmente) Fl. 805DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10875.903608/2009-07
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3803-004.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de recurso contra a decisão da DRJ de Campinas, por meio da qual não foi homologada a PER/DCOMP transmitida para compensar débitos de Cofins AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 36 08 /2 00 9- 07 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 correspondente ao PA de março/2006, com crédito proveniente do recolhimento indevido do mesmo tributo, referente ao período de apuração de 30/09/2003, arrecadado em 15/10/2003, conforme DARF indicado pelo contribuinte no valor de R$ 120.836,12. À fl. 34 está anexo o despacho decisório, que indeferiu a compensação realizada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou sintética manifestação de inconformidade às fls. 03/05, argumentando basicamente que possui direito a compensação em razão do recolhimento a maior da Cofins. Às fls. 46/49 sobreveio o acórdão n.º 0536.217 9° Turma da DRJ de Campinas, que indeferiu o pedido sobre o pressuposto de que o sujeito passivo não apresentou prova do direito creditório. Além do que, a Lei n.10.637/2002 apregoa que a compensação é realizada pelo sujeito passivo através da entrega da Dcomp, que por sua vez extingue o débito em condição resolutória. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário às fls. 80/98 alegando que o DARF indicado no PER/DCOMP é suficiente para extinguir o seu débito. Afirma que a origem do indébito que fundamenta o seu direito creditório decorre 4 (quatro) razões: a) alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins em razão do extravazamento do conceito de receita; b) exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins em decorrência do regime de substituição tributária; c) exclusão da base de cálculo das contribuições sobre operações com combustível em virtude da incidência monofásica; d) exclusão do ICMS e ISS da base de cálculo das contribuições. Em relação ao alargamento da base cálculo, fez considerações de que o faturamento é decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços e não da totalidade da receita das pessoas jurídicas. Além do que, a instituição de contribuição sobre a receita somente poderia ser feita por meio de lei complementar, por força do art. 195, § 4° da CF, logo a Lei n. 9.718/98 não possui validade. Esclarece que após a promulgação da Lei n. 9.718/98 até a edição da Lei n. 10.637/2002 recolheu indevidamente o PIS sobre outras receitas que não as que integravam o conceito de faturamento. Já no tocante ao direito ao crédito das contribuições relacionado as operações com combustíveis em razão da substituição tributária, o contribuinte afirma que não abastecia seus caminhões em postos de combustíveis e que mantinha bomba de combustível própria. Deste modo, adquiria combustível diretamente das distribuidoras de petróleo. Logo, teria ocorrido recolhimento indevido do tributo em regime de substituição tributária, nos termos da IN n.º 006/1999, já que não houve o fato imponível “presumido” referente à operação do posto de combustível, que neste caso foi eliminado da cadeia. O contribuinte comentou ainda que até julho de 2000 a Cofins e o PIS incidiam sob a sistemática da substituição tributária e posteriormente sofrendo a incidência monofásica. Argumenta que quando presta serviço de transporte está sujeito a incidência da Cofins e do PIS, mas que tal receita configura hipótese de incidência do ICMS e do ISS, dependendo do fato imponível praticado. Assim, defende que não é todo ingresso na contabilidade que deve ser compreendida como receita, mas somente valores que integram o Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.903608/200907 Acórdão n.º 3803004.664 S3TE03 Fl. 101 3 patrimônio da empresa. Neste caso, afirma que o direito creditório decorre da exclusão do ISS e do ICMS da base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, mas não reúne os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele não conheço. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou resumidamente possuir direito a compensação em razão do DARF indicado em PER/DCOMP. Entretanto, não trouxe qualquer outro argumento no sentido de justificar a origem do direito creditório. Já em seu recurso voluntário, inova em sua defesa na medida em que apresentou argumentos novos, antes não trazidos na manifestação de inconformidade. Deste modo, os contornos da lide foram construídos a partir da linha de defesa formulada pelo contribuinte na manifestação de inconformidade, logo a decisão de primeira instância se limitou a discorrer apenas a respeito da ausência de prova do direito alegado, conforme os elementos existentes da exordial. Com efeito, os julgadores de primeiro grau não foram instados a se manifestarem a respeito do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, nem mesmo sobre a exclusão da base de cálculo das contribuições sobre operações com combustível em virtude da incidência monofásica e muito menos a respeito dos demais argumentos elencados no recurso. Consequentemente, não há que se falar em constituição de lide no tocante a matéria de defesa não trazida na manifestação de inconformidade, mas que veio aos autos somente no recurso voluntário em razão da preclusão. A preclusão encontra fundamento no art. 303 do CPC: Art.303. Depois da contestação, só é lícito deduzir novas alegações quando: Irelativas a direito superveniente; IIcompetir ao juiz conhecer delas de ofício; IIIpor expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e juízo Além do que, o Decreto n.º 70235/72 dispõe: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, com fundamento neste artigo somente é possível apresentar novas alegações em casos excepcionais, sob pena da ocorrência da preclusão. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Em relação à preclusão, vale citar a Apelação Cível n.° 200934000248411, julgada pelo TRF da 1ª Região, por intermédio da qual o tribunal PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO INOVAÇÃO RECURSAL NÃO APLICAÇÃO DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003 AMPLIAÇÃO DA DIMENSÃO DO DIREITO PLEITEADO PRESCRIÇÃO AÇÃO DE PROCEDIMENTO ORDINÁRIO PIS E COFINS INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98 COMPENSAÇÃO INDEVIDA EM RAZÃO DA INCIDÊNCIA DA PRESCRIÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. (...) 4. No que tange à questão relativa à não aplicação das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, em razão da opção da empresa autora pelo regime de lucro presumido, entendendo esta não se sujeitar aos efeitos das mencionadas Leis para efeito da incidência de PIS e COFINS, cumpre esclarecer que a parte autora inovou em sua peça de apelo. 5. Ocorre que a inicial trouxe irresignação específica e não tratou de questões atinentes ao pedido acima mencionado. Dessa forma, restou configurada inovação recursal, insuscetível de conhecimento em face da preclusão consumativa. 6. Nesse sentido, "As alegações constantes das razões recursais não foram trazidas na petição inicial, constituindo inovação na causa de pedir a sua inclusão em sede de recurso. Jurisprudência consolidada do STJ no sentido de não admitir tal inovação. (...)". (AC 0126797 56.2000.4.01.0000/GO, Rel. Juiz Federal Carlos Eduardo Castro Martins, 7ª Turma Suplementar, eDJF1 p.1390 de 23/03/2012). (...) Trago a baila ainda o Agravo Regimentar no Agravo em Recurso Especial n. 143485 – CE. Neste julgado o STJ não conheceu do recurso com fundamento no fato de que o recorrente inovou em seus argumentos, operando assim a preclusão. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. RAZÕES DO REGIMENTAL DISSOCIADAS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 284/STF. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. 1. Os fundamentos do agravo regimental vinculados à prescrição estão dissociados das razões da decisão agravada, pois em nenhum momento houve abordagem da referida temática, o que atrai a incidência da Súmula 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. A questão prescricional revestese de inovação recursal, pois não fora aduzida nas razões do especial, sobre a qual se operou a preclusão consumativa. Conforme pacífica jurisprudência Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.903608/200907 Acórdão n.º 3803004.664 S3TE03 Fl. 102 5 desta Corte, é vedada a inovação recursal, seja em agravo regimental, seja em embargos de declaração. Precedentes. Agravo regimental não conhecido. Ora, para o conhecimento do recurso voluntário há necessidade de que exista coerência entre a manifestação de inconformidade e o recurso apresentado, pois a lógica do sistema implica em considerar que este busca a reforma da decisão denegatória do seu pedido formulado conforme os contornos estabelecidos pela manifestação de inconformidade. Todavia, uma vez constatado que o contribuinte alegou defesa que não constam na manifestação de inconformidade, por certo que se opera a inovação da defesa, pelo que, não poderá ser conhecido o recurso, caso contrário, implicaria em aceitar como válida a inovação à lide na fase recursal, ocasionando ofensa ao devido processo legal, bem como ofensa ao princípio da devolutibilidade, principalmente porque ao julgador de piso não foi dada a possibilidade de enfrentar as questões agora trazidas no recurso. Além do que, como já dito, a falta de adequação entre o recurso e a manifestação de inconformidade configura necessariamente ausência de lide em relação à matéria agora impugnada apenas em segundo grau. Vale lembrar ainda que se a intenção do contribuinte era demonstrar que o débito confessado inexiste, então deveria ter apresentado prova do seu direito com a finalidade de reduzir ou extinguir a dívida por meio de documentos contábeis, visto que sobre o sujeito passivo recai o ônus probatório, nos termos do art. 16 do Decreto n. 70.235/72. O que é inadmissível é a alegação fazia de que a origem do crédito decorre de receitas tributadas indevidamente, sem demonstrar a sua origem. Neste aspecto, o contribuinte deveria ter elaborado planilhas contendo os valores recolhidos indevidamente, bem como ter apontado no Livro Razão e no Livro Diário o motivo do recolhimento indevido. Ante o exposto, não conheço do recurso em face da ocorrência de inovação dos argumentos de defesa. Sala das sessões, 22 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10510.003836/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
EMBARGOS - ERRO MATERIAL - EVIDENTE EQUÍVOCO NO RELATÓRIO DO VOTO - SEM ALTERAÇÃO DO JULGAMENTO
Padecendo o acórdão de evidente erro material quanto ao relatório do voto, o mesmo deve ser ajustado, contudo sem alteração do julgamento desse ponto, já que o erro não alterou o julgamento proferido por este colegiado.
EMBARGOS - OBSCURIDADE E OMISSÃO - PROPOSITURA RECORRENTE - ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA - VÍCIO FORMAL NA CONSTITUIÇÃO DO LANÇAMENTO.
Existindo contradição no acordão no que diz respeito a correlação com o resultado do AI de obrigação principal, devem os embargos serem acatados com efeitos infringentes, para que o resultado do julgamento se adeque aos exatos termos do voto proferido.
AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - AIOP CORRELATO
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores.
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2401-003.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringente, passando o resultado do julgamento a ser: CONHECER do recurso, para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do cálculo da multa aplicada os fatos geradores aux. Estágio, nos estritos limites da exclusão imposta no resultado do PROCESSO. 10510.003832/2009-28 - Acordão 2302-01.858. Ainda com relação ao mérito para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos AIOP correlatos. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim e momentaneamente a conselheira Luciana Campos de Carvalho, convocada para substituir a primeira nesta sessão de julgamento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 EMBARGOS - ERRO MATERIAL - EVIDENTE EQUÍVOCO NO RELATÓRIO DO VOTO - SEM ALTERAÇÃO DO JULGAMENTO Padecendo o acórdão de evidente erro material quanto ao relatório do voto, o mesmo deve ser ajustado, contudo sem alteração do julgamento desse ponto, já que o erro não alterou o julgamento proferido por este colegiado. EMBARGOS - OBSCURIDADE E OMISSÃO - PROPOSITURA RECORRENTE - ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA - VÍCIO FORMAL NA CONSTITUIÇÃO DO LANÇAMENTO. Existindo contradição no acordão no que diz respeito a correlação com o resultado do AI de obrigação principal, devem os embargos serem acatados com efeitos infringentes, para que o resultado do julgamento se adeque aos exatos termos do voto proferido. AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - AIOP CORRELATO A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores. MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Embargos Acolhidos
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EMBARGOS OBSCURIDADE E OMISSÃO PROPOSITURA RECORRENTE ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA VÍCIO FORMAL NA CONSTITUIÇÃO DO LANÇAMENTO. Existindo contradição no acordão no que diz respeito a correlação com o resultado do AI de obrigação principal, devem os embargos serem acatados com efeitos infringentes, para que o resultado do julgamento se adeque aos exatos termos do voto proferido. AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AIOP CORRELATO A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. Embargos Acolhidos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 38 36 /2 00 9- 14 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos infringente, passando o resultado do julgamento a ser: CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do cálculo da multa aplicada os fatos geradores aux. Estágio, nos estritos limites da exclusão imposta no resultado do PROCESSO. 10510.003832/200928 Acordão 230201.858. Ainda com relação ao mérito para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos AIOP correlatos. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim e momentaneamente a conselheira Luciana Campos de Carvalho, convocada para substituir a primeira nesta sessão de julgamento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003836/200914 Acórdão n.º 2401003.299 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Considerando a propositura de embargos com fulcro no art. 65 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, o recorrente, opõe, tempestivamente, Embargos de Declaração contra o acordão 2401002.725. Tratase de embargos opostos pela notificada por entender o Acordão padece de contradição e omissão, além de inequívoco erro, ao deixar de reconhecer a improcedência da autuação quanto a inclusão das parcelas pagas a título de (I) bolsa estágio e (II)mudança dos móveis e utensílios domésticos do diretor André Tavares Andrade, no cálculo da multa ora exigida, haja vista que tais verbas já foram excluídas do crédito lançado quando do julgamento do processo administrativo n. 10510.003832/200928, conexo ao presente. Não obstante a premissa adotada no próprio acordão o r. acordão deixou de observar, em sua integralidade, o julgamento do citado processo administrativo, no qual a 2 turma da 3 câmara da Terceira Câmara da 2 seção votou pelo parcial provimento para excluir do crédito lançado o levantamento relativo à bolsa estágio. Por oportuno, cumpre observar que o r. acordão incorreu em manifesto erro ao partir da premissa de que a decisão de primeira instância confirmou a procedência total dos lançamentos efetivados pela autoridade administrativa, conforme se pode aferir da narrativa do relatório elaborado pela ilustre relatora constante à fls. 638 da decisão ora embargada. Contudo, na decisão às fls. 445 a 449, é possível verificar que a DRJ reconheceu a improcedência da autuação quanto a inclusão da parcela paga e relativa à mudança dos m´veis e utensílios domésticos do diretor André Tavares Andrade. Assim, requer o embargante o conhecimento e provimento dos presentes embargos para determinar a exclusão dos valores pagos à título de (I) bolsa estágio e (II) mudança dos móveis e utensílios domésticos do Diretor Andre´Tavares. Contudo para adentrar aos pontos que entende a relatora geraram o acatamento dos presente embargos, transcrevo abaixo o relatório do acordão que não sofreu qualquer alteração. Trata o presente autodeinfração, lavrado sob n. 37.157.8728, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Conforme relatório fiscal, 21 a 47, são objeto da autuação a omissão de valores pagos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados, abono, bolsas de estudo, estágio e ressarcimento de despesas com academias de ginástica, aluguel e condomínios de diretores, sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho e relativas à retenção de 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviço com cessão de mão de obra. A autuação abrange o período de 01/2005 a 02/2006. Os fatos geradores omissos foram assim enumerados: Levantamento ABN – referente à remuneração paga aos segurados apurada na folha de pagamento sob a rubrica 1045 Abono Levantamento AFN – atinente a valores ressarcidos aos empregados em decorrência de despesas efetuadas com atividades físicas; Levantamento BEN – referente à remuneração indireta, bolsa de estudo, em desacordo com as hipóteses de não incidência; Levantamento CPH – referente aos serviços prestados através de cooperativa de trabalho; Levantamento ETD e ETP referente à remuneração paga a estagiários considerados segurados empregados; Levantamento FDC referente aos serviços prestados pela Fundação Dom Cabral, sujeitos à retenção de 11% Levantamento MDN – referentes às despesas com moradia, mudança, aluguel e condomínio de diretores; Levantamento P26, PA2 e PM2 – referente aos valores pagos a título de PLR em desacordo com a legislação; Levantamento O26, PA2, PCA E PM2 – remuneração dos segurados empregados e CI apurada na FOPAG Levantamento RDN – referente a valores constantes das folhas de pagamento aos diretores na rubrica 8005, diferença salarial; Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 09/11/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 10/11/2010. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls.33 a 47. Inconformado o recorrente apresentou impugnação à fls. 53 a 99. Foi proferida decisão de 1 instância, fls. 493 a 501, tendo a autoridade julgado procedente o lançamento. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003836/200914 Acórdão n.º 2401003.299 S2C4T1 Fl. 4 5 A Decisão de primeira instäncia confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 493 a 505. Contudo informou ainda a autoridade que o sujeito passivo renunciou expressamente (fls. 225/228 do AI 37.157.8680, Processo Administrativo 10510.003832/200928) quanto a defesa, relativa as obrigações principais em relação aos seguintes fatos geradores: valores de ressarcimento aos empregados por despesas efetuadas por estes com atividades físicas, a exemplo de academias de ginástica; remuneração indireta paga por meio de bolsa de estudos em desacordo com a lei; informação acerca dos valores gastos pela contratação de cooperativas de trabalho, mais precisamente Serviços dos Terapeutas Holístico e Complementares – Coopethoc; remuneração indireta paga a diretores, por meio do pagamento de aluguel residencial e respectivo condomínio; remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais apurada em FOPAG; diferenças salariais pagas a diretores. Dessa forma, em relação a obrigação acessória, 37.157.8728, foram apreciadas apenas as matérias impugnadas. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 493 e seguintes, onde em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: A improcedência da autuação considerando que os valores não constituem base de cálculo. Indica a conexão entre o AI de obrigação acessória em questão e os AI de obrigação principal: 10510.003833/200972– DEBCAD 37.157.8698 (parte patronal) e 10510.003836/200961, DEBCAD 37.157.8710 (parcela destinada a terceiros) e 37.157.8680, (10510.003832/200928), e 37.157.8701 (10510.003834/200917), fl. 506 a 546 Requer ainda, a aplicabilidade da nova redação dada pela lei 11.941/2009 ao art. 32A da lei 8212/91. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Os pressupostos já foram devidamente apreciados quando do julgamento realizado, ora objeto de embargos. DA ANÁLISE DOS EMBARGOS Da análise dos elementos expostos, entendo que razão assiste ao embargante, tendo em vista que no acórdão prolatado vislumbrase a omissão e contradição apontados. Dois foram os pontos descritos pelo embargante, senão vejamos: Quanto ao fato que o acordão deixou de reconhecer a improcedência da autuação quanto a inclusão das parcelas pagas a título de (I) bolsa estágio, realmente o acordão padeceu de contradição, já que foi transcrita ementa de acordão de determinou a procedência parcial do lançamento, sem que o resultado do auto de infração de obrigação acessória ora sob julgamento, determinasse a exclusão dos valores pagos à título de bolsa estágio. Dessa forma, o acordão padece de contradição, uma vez que embora tenha descrito a conexão entre os processos, o resultado do AIOA proferido não encontrase em consonância com o AI de obrigação principal, razão pela qual merece ser o acordão revisto por intermédio do presente embargo. Já com relação a segundo ponto trazido no embargo, qual seja: (II)mudança dos móveis e utensílios domésticos do diretor André Tavares Andrade, no cálculo da multa ora exigida, haja vista que tais verbas já foram excluídas do crédito lançado quando do julgamento do processo administrativo n. 10510.003832/200928, conexo ao presente, entendo que a questão não foi estabelecida pelo acordão proferido, tendo em vista que não tendo sido a matéria objeto de recurso de ofício, não competiria a este colegiado a revisão de fatos geradores já excluídos pela decisão de primeira instância. Contudo, o acordão embargado, quanto a este fato, merece ser ajustado tendo em vista vício material em seu relatório, quando às fls. 638 assim encontrase disposto: “ A Decisão de primeira instância confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 445 a 449.”, quando o correto seria: “ A Decisão de primeira instância determinou a procedência parcial do lançamento, fls. 445 a 449. São nestes pontos, que entendo, deve ser o acordão revisto, sanando as contradições apontadas. Verificada a contradição e o erro material contido no acordão embargado passemos aos esclarecimentos pertinentes. Dois foram os pontos descritos pelo embargante, senão vejamos: Quanto ao argumento de erro material contido no acordão, entendo, assim como manifestado acima, que não se restabeleceu o lançamento em relação ao fato gerador )mudança dos móveis e utensílios domésticos do diretor André Tavares Andrade, no cálculo da multa ora exigida, haja vista que tais verbas já foram excluídas do crédito lançado quando do Fl. 711DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003836/200914 Acórdão n.º 2401003.299 S2C4T1 Fl. 5 7 julgamento do processo administrativo n. 10510.003832/200928, conexo ao presente. Contudo, o acordão embargado, quanto a este fato, merece ser ajustado tendo em vista vício material em seu relatório, quando às fls. 638 assim devese considerar, onde se lê “ A Decisão de primeira instância confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 445 a 449.”, Leiase: “ A Decisão de primeira instância determinou a procedência parcial do lançamento, fls. 445 a 449. Já quanto ao fato que o acordão deixou de reconhecer a improcedência da autuação quanto a inclusão das parcelas pagas a título de (I) bolsa estágio, realmente o acordão padeceu de contradição, já que foi transcrita ementa de acordão de determinou a procedência parcial do lançamento, sem que o resultado do auto de infração de obrigação acessória ora sob julgamento, determinasse a exclusão dos valores pagos à título de bolsa estágio. Dessa forma, o acordão padece de contradição, uma vez que embora tenha descrito a conexão entre os processos, o resultado do AIOA proferido não encontrase em consonância com o AI de obrigação principal, razão pela qual merece ser o acordão revisto por intermédio do presente embargo. Assim, ao adotar para julgar o presente AI de obrigação acessória os mesmos fundamentos do desfecho do julgamento da do AIOP conexa, PROCESSO. 10510.003832/200928 Nesse sentido, importante observar os termos do Acordão 230201.858 da ilustre Conselheira Liege Lacroix Thomasi ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2006 ABONO. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. SALÁRIO INDIRETO EDUCAÇÃO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados, a título de participação nos lucros e resultado em desconformidade com os requisitos legais, integram a base de incidência contributiva previdenciária. ESTÁGIO REGULAR A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos Fl. 712DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977, não integra o salário de contribuição. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. DA MULTA MAIS BENÉFICA Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 713DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10510.003836/200914 Acórdão n.º 2401003.299 S2C4T1 Fl. 6 9 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 CONCLUSÃO Voto por acolher os presentes embargos de declaração, com efeitos infringentes, passando o resultado do julgamento a ser: CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do cálculo da multa aplicada os fatos geradores aux. Estágio, nos estritos limites da exclusão imposta no resultado do PROCESSO. 10510.003832/200928 Acordão 230201.858. Ainda com relação ao mérito para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos AIOP correlatos. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 715DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10209.000108/2005-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Acompanhou o julgamento a Dra. Vanessa A. M. Baesse, OAB/DF nº 32.576.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Acompanhou o julgamento a Dra. Vanessa A. M. Baesse, OAB/DF nº 32.576. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. RELATÓRIO Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e da multa de oficio, no percentual de 75%, bem como da multa prevista no art. 106, inciso V, do Decretolei n° 37/1966, vigente à época dos fatos, perfazendo, na data da autuação, um crédito Tributário no valor total de R$ 103.835,21, objeto do Auto de Infração fls. 02/10. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 09 .0 00 10 8/ 20 05 -3 2 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10209.000108/200532 Resolução nº 3101000.294 S3C1T1 Fl. 4 2 Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação de n ° 00/01886864, registrada em 02/03/2000, utilizou a alíquota reduzida do imposto de importação, de 1,2%, arguindo o beneficio previsto no Acordo de Complementação Econômica n° 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução n° 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, (PaísesMembros da Comunidade Andina), na importação de 1.244,123 toneladas métricas de Butano, NCM 2711.13.00. Esclarece a Fiscalização, quanto à operação, o seguinte: a) o certificado de origem emitido em Caracas, na Venezuela, f1.23 foi emitido em 24/02/2000, indicou como pais de origem da mercadoria, a Venezuela e declarou como empresa exportadora a PDVSA PETROLEO Y GAS, S. A. b) a fatura comercial que instruiu a DI, de n° PIFSB242/2000, f1.22 foi emitida pela Petrobras International Finance Company (Pifco); c) uma terceira empresa, a Petrobras International Finance Company (Pifco) empresa com sede nas Ilhas Cayman, pais não membro da ALADI, consta na DI como exportadora; d) a mercadoria foi embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil aparecendo corno consignatária a empresa Petrobras International Finance Company (Pifco), conforme consta no conhecimento de embarque; e) diante dos fatos e documentos analisados, a operação comercial foi analisada à luz da Resolução n° 252, do Comitê de Representantes da ALADI, recepcionada na legislação brasileira através do Decreto n° 3.325/99. Oferece ainda a Fiscalização os seguintes esclarecimentos, fls. 04/08: a) a "A PFICO é a empresa que consta da Declaração como exportador «is. 25), o que acarreta Trinidad e Tobago ser o pais de aquisição. Nesta operação está caracterizada a intervenção de um terceiro pais não membro da ALADI na qualidade de exportador, visto que através da correspondência UMREMAN/ CMB 019, de 19/08/02, P. 36 a 38), onde a própria empresa confirma que adquire a mercadoria da Venezuela, revende para sua subsidiária, a empresa Petrobras International Finance Company, e posteriormente a recompra, fato que caracteriza a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador"; b) nesta operação está evidente a intervenção de um terceiro pais não membro da ALADI, no entanto as disposições da Resolução 252 não se aplicam ao caso pois não há interveniência de um operador nos termos da citada resolução; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10209.000108/200532 Resolução nº 3101000.294 S3C1T1 Fl. 5 3 c) inexistência na Fatura, de no PIFSB242/2000, f1.22, dos elementos essenciais de validação de Fatura, conforme estabelece o artigo 425, alíneas "a", "h", "i" e do Regulamento Aduaneiro — RA, aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 1985. Diante dos fatos, destaca a fiscalização "...cobrase a diferença do imposto de importação devido, apurado face do não reconhecimento da redução do imposto, somado aos acréscimos legais devidos". As fls. 07/08 descreve minudentemente a fiscalização toda a situação fática dos autos, concluindo: "...concluise, que tanto a Fatura Comercial n° PIFSB242/2000, como o Certificado de Origem ALD 1000221786 (fls 23) não atendem as normas de origem estatuídas na legislação pertinente, não se constituindo em documentos hábeis para assegurar a pretendida redução tarifária... Além disso, a operação comercial entre Venezuela — Trinidad e Tobago) — Brasil, realizadas pelas empresas PDVSA — PFICO — PETROBRAS, respectivamente, caracterizando a interveniência de terceiro pais não membro do acordo, no entanto descaracteriza a participação de um operador, na forma prevista na legislação pertinente, impedindo o gozo de preferencias tarifárias em razão da origem acordadas no âmbito da ALADI (neste caso a redução tarifária de 80%) Sendo assim, a operação realizada pelo contribuinte deve receber tratamento de importação comum, com aplicação da alíquota integral do imposto de importação, equivalente a 6%". Cientificado do lançamento em 15/02/2005, conforme fl. 03, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 16/03/2005 a impugnação de fls. 45/54 nos seguintes termos: inicialmente se reporta aos fatos que ensejaram a ação fiscal; esclarece a operação comercial em foco, ou seja, Petróleo Brasileiro S.A — PETROBRAS, através de empresa integrante de seu grupo econômico, a Petrobras International Finance Company (Pifco), sediada nas Ilhas Cayman e não em Trinidad e Tobago), adquiriu propano em bruto liquefeito, produzido na Venezuela, junto A PDVSA — Petróleo e Gás S/A, empresa sediada no mesmo pais, com redução de 80 % da alíquota do Imposto de Importação, com base no Acordo de Complementação Econômica n° 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução n°3.138/99; destaca ainda que o envolvimento das três empresas na operação comercial gerou a expedição de duas faturas comerciais, sendo a primeira, emitida pela PDVSA e destinada A. PFICO e, a segunda, PIFSB, expedida pela PFICO para a Petróleo Brasileiro S.A — PETROBRAS. Esclarece que a última fatura que instruiu a declaração de importação, fez referência expressa a fatura comercial originária (PDVSA); Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10209.000108/200532 Resolução nº 3101000.294 S3C1T1 Fl. 6 4 a operação comercial acima explicitada é conhecida por triangulação comercial que consiste numa prática internacional comum, adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; destacando que razão alguma assiste ao órgão autuante pois não se pode afirmar que na importação não há intervenção de um operador de terceiro pais, nos termos da Resolução n° 252, pois esta apenas reproduziu em seu artigo nono a integra do artigo 2° da Resolução 232, o qual não definiu a figura do operador; — ressalta que a impugnante procedeu em sua atividade realizando comércio com a Venezuela, pais integrante da ALADI, utilizandose de suas subsidiárias, no caso a PFICO, sediada nas Ilhas Cayman, e não em Trinidad e Tobago, ou seja, houve um equivoco no preenchimento da Declaração de Importação na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, ao contrário do que afirmou a fiscalização; a PFICO, sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com sua revenda, inclusive o transporte da mercadoria ocorreu diretamente da Venezuela para o Brasil, como demonstram o Certificado de Origem e o Conhecimento de Embarque; — a própria Receita Federal não prevê procedimento especifico a ser seguido no despacho nos casos de triangulação comercial, por isso a PFICO consta como "exportadora" na DI e apenas a fatura emitida por ela foi apresentada no despacho de importação; o Certificado de Origem foi expedido na Venezuela, contendo a declaração da produtora e exportadora do produto, a PDVSA, e a certificação, propriamente dita, do Ministério da Indústria e Comércio daquele pais. 0 Certificado de Origem trouxe a indicação da fatura comercial expedida pela PDVSA de n° 851880. Tudo conforme previsto no artigo 10 da Resolução 252; quanto a suposta falta de correspondência entre o Certificado e a fatura expedida pela PFICO, razão alguma assiste ao órgão autuante, vez que esta fatura traz informações condizentes com aquelas contidas no Certificado, inclusive faz referência a ele em seu próprio corpo. Tudo em absoluta consonância com o disposto no artigo oitavo da Resolução 252, aprovada pelo Decreto n°3.325, de 30/12/1999; o órgão autuante ainda impôs multa regulamentar à impugnante alegando que mencionada fatura, emitida pela PFICO, apresentada no despacho aduaneiro, não cumpriu as exigências estabelecidas no art. 425, alíneas "a", "h", "i" e "m" do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85; o art. 425 impõe regras voltadas para o exportador e, no caso, a PIFCO atuou na qualidade de simples operadora; Fl. 138DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10209.000108/200532 Resolução nº 3101000.294 S3C1T1 Fl. 7 5 ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, enfatizando que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, como a maioria dos impostos; — nesse sentido traz à colação os dispositivos da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional que regem o citado imposto bem como respeitável doutrina; invoca o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13 de 10/09/2002, destacando os artigos 100, I e 106, I, ambos do Código Tributário Nacional — CTN, a fim de seja afastada a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; — sendo o CTN recepcionado pela Constituição Federal, argui que a instituição de taxa de juros diferente daquela prevista no § 1 0, do artigo 161 do CTN, somente pode ocorrer através de lei complementar, o que não aconteceu no caso da aplicação da SELIC, que decorre da Lei Ordinária n° 9.065/95; — ademais a ilegalidade não está apenas na forma da instituição da SELIC, como taxa de juros, mas também na sua essência, uma vez que não foi instituída para remunerar a morar, assim requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC em face da impossibilidade de se utilizar a taxa SELIC como taxa de juros moratórios, dada que a mesma é taxa de remuneração de capital investido, assim quando o Fisco aplica a taxa SELIC sobre créditos em atraso, ele está, em verdade agindo como agente financeiro, equiparando a relação tributária a uma operação de financiamento, o que carece de sustentação legal; — Ao final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente protestando o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a documental ora apresentada. Na decisão de primeira instância, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, no acórdão 0818.327, julgou procedente em parte a impugnação para, no mérito, considerar devido o Imposto de Importação no valor de R$ 40.202,34, acrescido dos encargos legais cabíveis, nos termos da legislação aplicável; a multa isolada no valor de R$ 12,67; e exonerar a multa no percentual de 75%, no valor de R$ 30.151,76, aplicando o disposto no ADI SRF n° 13, de 10 de setembro de 2002. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 02/03/2000 PREFERÊNCIA TARIFARIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10209.000108/200532 Resolução nº 3101000.294 S3C1T1 Fl. 8 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/03/2000 MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Incabível a exigência da multa de oficio capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, quando a mercadoria se encontra corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, em consonância com Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13/2002. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA FORMAL DAS LEIS. FORO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA ANALISE DO MÉRITO. 0 processo administrativo está adstrito a observação do cumprimento da legislação vigente, sendo o mesmo inaplicável à análise de questões atinentes a supostas incongruências formais existentes no texto legal ou no processo legislativo. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/03/2000 FATURA COMERCIAL Comprovado nos autos que a Fatura Comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, tornase cabível a exigência da penalidade pecuniária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde reprisa os argumentos esgrimidos em primeira instância, e requer a improcedência do auto de infração e reitera os termos da impugnação. A unidade de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A matéria é por demais conhecida deste colegiado e algumas decisões basearam se na completude da instrução processual. Creio ser imprescindível a apresentação das vias originais (ou cópia autenticada pela autoridade preparadora) das faturas comerciais relativas a toda a operação triangular, permitindo que se promova seu cotejamento com certificado de origem apresentado por ocasião do despacho de importação e, consequentemente, se afira o cumprimento das exigências atreladas ao regime. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10209.000108/200532 Resolução nº 3101000.294 S3C1T1 Fl. 9 7 No presente processo não se verifica a apresentação da fatura 885060, citada no Certificado de Origem, emitida pela empresa venezuelana PDVSA, tornandose necessário a complementação da instrução processual, por meio da conversão do julgamento em diligência. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que seja a recorrente intimada a apresentar, no prazo de 30 dias, a via original da fatura comercial indicada no certificado de origem que instruiu o despacho de importação, referente a operação realizada entre a PETROBRAS e a PDVSA PETROLEO Y GAS S.A. Do referido documento deverá ser extraída cópia a ser autenticada por servidor da RFB e juntada tal cópia ao processo ou, se a contribuinte preferir, providenciada cópia autenticada em cartório, a ser igualmente juntada aos autos. Concluída tal providência ou o prazo outorgado para a apresentação do documento objeto da presente diligência, devem os autos retornar a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. Sala das sessões, em 25 de setembro de 2013. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10580.727097/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2101-000.049
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº 614.406, nos termos do artigo 62-A do RICARF.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº 614.406, nos termos do artigo 62A do RICARF. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1523.591, proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador (fl. 78), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.727097/200918 Resolução n.º 2101000.049 S2C1T1 Fl. 131 2 Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 132.465,67, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.727097/200918 Resolução n.º 2101000.049 S2C1T1 Fl. 132 3 f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, às fls. 88/126, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. É o Relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.727097/200918 Resolução n.º 2101000.049 S2C1T1 Fl. 133 4 Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Antes de adentrar às questões suscitadas na peça recursal, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento, tendo em vista o disposto no artigo 62A do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 258, de 2010: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Conforme descrição dos fatos no auto de infração, o lançamento tributário decorre da classificação indevida de rendimentos recebidos acumuladamente. Sobre a matéria, há orientação fazendária firmada no Parecer PGFN n.º 287/2009, posteriormente ratificado também pelo Ato Declaratório n.º 1/2009, editado à época da consolidação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema. Referida orientação, firmada no sentido de que “no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”, por derrogar, em última instância, o texto legal do art. 12 da Lei nº 7.713/88. Entretanto, essa forma de tributação foi levada à apreciação, em caráter difuso, do egrégio Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.727097/200918 Resolução n.º 2101000.049 S2C1T1 Fl. 134 5 Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011) Com fulcro no reconhecimento da repercussão geral do tema pelo Supremo Tribunal Federal, verificase que o Parecer PGFN nº 287/09 teve a sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN nº 2.331/10, enquanto perdurar a discussão judicial a respeito da matéria. Por essas razões, em virtude da contradição entre os termos do art. 12 da Lei n.º 7.713/88 e o teor do Parecer n.º 287/09, e, especialmente, em razão do caráter vinculado do lançamento tributário, na forma preconizada pelo art. 142 do CTN, para evitar possível violação aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, entendo por bem suspender o julgamento do presente recurso voluntário. Diante do exposto, voto no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406/RS. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 13839.003105/2003-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnê-leão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um ano-calendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano-calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo ano-calendário a partir da ocorrência do fato gerador.
No caso, como o lançamento se refere ao ano-calendário de 1997, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/1999 e terminou em 31/12/2003. Como a ciência do lançamento se deu em 13/10/2003, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 11/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo anocalendário a partir da ocorrência do fato gerador. No caso, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1997, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/1999 e terminou em 31/12/2003. Como a ciência do lançamento se deu em 13/10/2003, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 31 05 /2 00 3- 61 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 13839.003105/200361 Acórdão n.º 9202002.929 CSRFT2 Fl. 224 2 Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 11/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial de divergência (fls. 188 a 207), interposto pela Fazenda Nacional, através de seu representante legal, com fulcro no art. 67 do Regimento Interno deste CARF (RICARF), em face de acórdão no 220100.591, proferido pela 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 12 de março de 2010 (fls. 180 a 184). O Recurso foi regularmente admitido consoante exame de fls. 208 a 212, com o acórdão guerreado assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ementa: DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4o, do CTN). Recurso Provido. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 13839.003105/200361 Acórdão n.º 9202002.929 CSRFT2 Fl. 225 3 Alega o representante da Fazenda, em sede recursal, divergência interpretativa caracterizada pelo reconhecimento da decadência. Propugna a Fazenda Nacional pela existência de divergência em relação ao acórdão paradigma de no 910100.460, desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o qual estabelece, de forma expressa, que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial, nos casos de inexistência de recolhimentos a título de antecipação de pagamento, deve se dar na forma do art. 173, I da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário NacionalCTN). Por sua vez, o acórdão recorrido entendeu como irrelevante a circunstância de não ter havido pagamento do tributo, tendo aplicado à situação fática sob análise o art. 150, §4o para fins da contagem do referido prazo, alegandose se aplicar o referido art. 173, I do CTN somente nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Ressalta a Fazenda Nacional não haver, no caso, em tela, qualquer pagamento dos tributos em discussão. Defendese, assim, no recurso, que no caso de inexistência de recolhimento e conseqüente inexistência de homologação, a contagem do prazo decadencial para fins do lançamento de ofício realizado com fulcro no art. 149, V do CTN deva se dar na forma do art. 173,I do CTN, ressaltandose que a matéria foi objeto do procedimento de recurso especial representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C do CPC, mais especificamente no âmbito do REsp 973.733SC, cuja decisão definitiva de mérito há de ser obrigatoriamente obedecida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na forma do art. 62A de seu Regimento Interno (RICARF) Colaciona a Recorrente, ainda, vasta jurisprudência oriunda do Supremo Tribunal de Justiça e deste CARF que suportaria seu entendimento de necessidade de aplicação do art. 173, I do CTN ao lançamento em questão. Sustenta, por fim, que, para o anocalendário de 1997, o dies ad quem para fins de constituição do crédito seria 31 de dezembro de 2003, e, uma vez tendo sido o contribuinte cientificado do auto de infração em 13 de outubro de 2003 (fl. 117), não haveria que se falar em decadência para o lançamento no que diz respeito ao fatos geradores ocorridos no referido anocalendário. Recurso regularmente admitido, consoante despacho 220000.441, de fls. 208 a 212. A contribuinte não ofertou contrarrazões (fl. 219) A título informativo, consta o auto de infração objeto do presente processo formalizado (acompanhado de seus demonstrativos) às fls. 03 a 12 do presente, com a descrição da ação fiscal e dos elementos probatórios anexados ao feito realizadas no próprio auto, em fls. 08/09. Impugnação do contribuinte constante às fls. 119 a 129, com decisão de 1a instância às fls. 148 a 154 e posterior recurso voluntário a este CARF constante das fls. 159 a 171. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 13839.003105/200361 Acórdão n.º 9202002.929 CSRFT2 Fl. 226 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, ressaltese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro Fl. 239DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 13839.003105/200361 Acórdão n.º 9202002.929 CSRFT2 Fl. 227 5 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 240DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 13839.003105/200361 Acórdão n.º 9202002.929 CSRFT2 Fl. 228 6 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Tem sido esse o entendimento da 2a Turma da CSRF, como demonstram os acórdãos a seguir transcritos: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (Acórdão nº 920201.61, sessão de 10/05/2011, Relatora Susy Gomes Hoffmann) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 241DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 13839.003105/200361 Acórdão n.º 9202002.929 CSRFT2 Fl. 229 7 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). (Acórdão nº 920201.376, sessão de 11/04/2011, Relator Gustavo Lian Haddad) Neste processo, verifico que não existiu antecipação de pagamento, pois, como demonstram as informações da declaração simplificada formalizada pelo contribuinte para o exercício de 1998 (fls. 13/14 e 143) e do demonstrativo de fl. 04, não existiram imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento do saldo de imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Neste momento, há que se fazer um esclarecimento quanto ao alcance do decidido no Recurso Especial nº 973.733 – SC. Isto porque esse julgado deixou claro que “‘o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, o que, se aplicado literalmente ao IRPF, levaria à conclusão de se tratar do dia 1o de janeiro do ano subsequente ao do lançamento, o que, na prática, adiaria o início de contagem do prazo decadencial em apenas um dia. Entretanto, há que se observar que o REsp n° 973.733 – SC trata de Contribuições Previdenciárias, tributo cujo fato gerador é instantâneo (consubstanciado no pagamento de salários a empregados – salientese que há referência no relatório do REsp a servidores sobre cujas remunerações estão sendo exigidas as contribuições previdenciárias). Assim, nessa situação, aplicandose a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, cabe a conclusão de que o termo inicial seria o primeiro dia do exercício subsequente ao da ocorrência do fato gerador, conclusão essa que é constante do parágrafo 3 da ementa do REsp, acima transcrita. Desta forma, para um tributo cujo fato gerador é instantâneo, o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível pode corresponder ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorre que o que se impõe aqui é a aplicação dos fundamentos do REsp em questão ao lançamento de Imposto de Renda, cujo fato gerador não é instantâneo. Sendo o Imposto de Renda um tributo com fato gerador complexivo e com período de apuração equivalente ao anocalendário, temse que a aplicação das premissas claramente adotadas pelo STJ ao caso em específico levam à conclusão congruente porém levemente diversa da constante do parágrafo 3 antes reproduzido. Com efeito, para que no caso se cumpra o mandamento do art. 173, I, do CTN, deve ser levado em consideração que: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 13839.003105/200361 Acórdão n.º 9202002.929 CSRFT2 Fl. 230 8 (1) o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário (e.g. 31/12/1997); (2) o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do anocalendário seguinte (e.g. 01/01/1998); (3) o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do ano calendário subseqüente (e.g. 01/01/1999); e (4) o prazo decadencial termina ao final de 5 (cinco) anos (e.g. 31/12/2003). Esclareçase que a aplicação literal da conclusão constante do parágrafo 3 da ementa do REsp (que se refere a tributo com fato gerador instantâneo) ao caso (que trata de tributo com fato gerador complexivo) equivale a não aplicar os fundamentos da decisão do STJ sob o pretexto de vinculação à própria decisão. Vale registrar que o próprio STJ, dando aplicabilidade ao recurso repetitivo, tem entendido dessa forma, conforme decisão abaixo referida: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (Edcl no Edcl no AgRg no Resp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, Dje 26/02/2010) Desta forma, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1997, diante da ausência de antecipação de pagamento, devidamente comprovada ao se observar a declaração simplificada do contribuinte de fls. 13/14 e 143 e o demonstrativo do auto de infração de fl. 04, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/1999 e terminou em 31/12/2003. Como a ciência do lançamento se deu em 13/10/2003 (fl. 117), o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 13839.003105/200361 Acórdão n.º 9202002.929 CSRFT2 Fl. 231 9 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso para, no mérito, darlhe provimento, no sentido de afastar a decadência do direito de lançamento do tributo relativo ao anocalendário de 1997. Retornese, assim, o feito à Câmara a quo, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 244DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS
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