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Numero do processo: 16327.002038/2007-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Constatado a inexistência omissão, obscuridade e contradição, não há o que se manifestar, o esclarecimento objeto do declaratório não encontra encartado nos pressupostos aqui relacionados, pois o julgador não está obrigado a declinar a natureza do vício, formal ou material, que macula o ato administrativo.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3403-002.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Esteve presente ao julgamento a Dra. Haisla Rosa da Cunha Araújo, OAB/SP nº 267.452.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003, 2004 OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Constatado a inexistência omissão, obscuridade e contradição, não há o que se manifestar, o esclarecimento objeto do declaratório não encontra encartado nos pressupostos aqui relacionados, pois o julgador não está obrigado a declinar a natureza do vício, formal ou material, que macula o ato administrativo. Embargos Rejeitados.
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OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Constatado a inexistência omissão, obscuridade e contradição, não há o que se manifestar, o esclarecimento objeto do declaratório não encontra encartado nos pressupostos aqui relacionados, pois o julgador não está obrigado a declinar a natureza do vício, formal ou material, que macula o ato administrativo. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Esteve presente ao julgamento a Dra. Haisla Rosa da Cunha Araújo, OAB/SP nº 267.452. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 20 38 /2 00 7- 59 Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto pela Fazenda Nacional alegando omissão, vez que, ao concluir pela nulidade do lançamento por ausência de motivação deixou de dizer qual seria a natureza do vício. Assim sendo, a reclamação do declaratório é de que essa Turma não especificou se o vício é de natureza material ou formal. O Acórdão objeto da interposição do recurso encontra assim redigido: “Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a nulidade do auto de infração por vício na motivação. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho (Relator) e Robson José Bayerl, quanto à preliminar de nulidade. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Sustentou pela recorrente a Dra. Karoline Athademos Zampani, OAB/DF nº 204.813. Julgado na tarde do dia 26/09/2012 a pedido da recorrente”. Sustenta a Embargante que é indispensável o esclarecimento para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Examinando o voto vencedor que acolheu a tese de nulidade, constatase que a decisão decorre da ausência de indicação das razões pelas quais as exclusões procedidas pelo contribuinte foram indevidas, esse fato configura defeito na motivação e acarreta o cerceamento do direito de defesa. Segundo o entendimento exposto que não restou atendido o comando dos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, que exige que o auto de infração contenha obrigatoriamente a descrição do fato jurígeno do direito do Fisco e a disposição legal infringida pelo contribuinte. No que tange ao esclarecimento em relação à natureza do vicio, cabe dizer que o julgador não está obrigado declinar se trata de vício formal ou material. De modo que, o declaratório não se presta ao fim da interposição, visto que, não inexistindo obscuridade, omissão e contradição impõem em conhecer e negar provimento. Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.002038/200759 Acórdão n.º 3403002.736 S3C4T3 Fl. 4 3 Diante do exposto, deixo de acolher os embargos. É como voto. Domingos de Sá Filho Relator Relator Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003510/2007-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/08/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - GFIP SEM TODOS OS FATOS GERADORES - A apresentação de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciária viola o disposto no artigo 32, inciso IV, § 6º, da Lei 8.212/91, sujeitando o infrator a multa.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA- ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART.. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em parte
Numero da decisão: 2403-002.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 31/08/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - GFIP SEM TODOS OS FATOS GERADORES - A apresentação de GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciária viola o disposto no artigo 32, inciso IV, § 6º, da Lei 8.212/91, sujeitando o infrator a multa. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA- ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART.. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em parte
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PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART.. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 35 10 /2 00 7- 05 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari, Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. 2 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 192 Relatório Tratase de auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciária afrontando o artigo 32, inciso IV, § 6º, da Lei 8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal, foram omitidos valores referentes ao Salário Família e ao Salário Maternidade referente às competências e nos valores demonstrados no relatório anexo denominado "levantamento dos dados não informados em GFIP". A 11ª Turma da DRJ/RJOI julgou procedente a autuação através do Acórdão 1222.060, cuja ementa abaixo transcrevemos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 01/06/2007 PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO LANÇAMENTO. Não cabe revisão do lançamento em decorrência da decadência, após a edição da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008, quando constatado que a Fazenda Pública observou o prazo estabelecido pelo Código Tributário Nacional para constituir o crédito previdenciário. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENT 0 DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A empresa que apresenta a GFIP/GRFP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciária não cumpre o artigo 32, inciso IV, § 6°, da Lei n° 8.212/91 e fica sujeita à multa prevista no artigo 32, §6°, acrescentados pela Lei 9527/97 c/c os artigos 284, inciso III, e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99. INCONSTITUCIONALIDADE – DECLARAÇÃO EM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. Não é cabível a declaração acerca da inconstitucionalidade de leis ou atos normativos em via de procedimento administrativo, pois, a teor do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, a atividade administrativa de lançamento é vinculada, não podendo a autoridade fiscal, por sua própria iniciativa, deixar de aplicar lei e ato normativo vigente. 3 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Lançamento Procedente Inconformada com referida decisão, a empresa apresentou recurso à este conselho reiterando os argumentos de defesa pelo que peço vênia para transcrever o contido no relatório da decisão de primeira instância: “... que não houve descumprimento legislação tributária, pois a Impugnante não está obrigada a entregar os documentos e livros ao fiscal. 7.2. Os livros e documentos estão à disposição da fiscalização. 0 que não houve foi a entrega no instituto, pois cabe à autoridade administrativa examinálos e não apreendêlos. 7.3. Não houve a prática de qualquer ato infrator por parte da Impugnante, estando tais documentos à disposição da fiscalização para análise, de conformidade com o art 195 do CTN, DA MULTA APLICADA 7.4. Da simples leitura da fundamentação da infração cominada, concluise que não há fixação da penalidade por Lei a ser aplicada ao caso concreto, 7.5. A Lei 8212/91, que 6, por excelência, o instrumento hábil a dispor acerca de penalidade por infrações à legislação previdenciária, delega â. norma infralegal a imputação da multa aos atos infracionais concretizados pela Recorrente. 7.6. A Lei 8212/91, além de delegar ao Decreto a aplicação de multa aos casos de infração à legislação previdenciária, deixou a cargo do Poder Executivo também a valoração das condutas que seriam sujeitas à penalidade, posto que o artigo 283 do Decreto 3048/99 dispõe que a determinação da multa darseá "(...) conforme a gravidade da infração (..)" , valoração que foi feita por mero ato administrativo. 7.7. Ainda que se admita a validade das normas infralegais citadas, deveria haver o regular processo administrativo, com possibilidade de defesa, única e exclusivamente para comprovar a conduta dolosa da Impugnante, o que não ocorreu. A autuação é improcedente, pois a exigência da multa discutida não resiste a um exame de constitucionalidade e legalidade detalhado (artigo 5°, II e 37, caput da Constituição Federal e artigo 97 do CTN). 7.8. Conseqüência direta do artigo 97 do CTN é o comando do artigo 112 do CTN que utilizou a expressão Lei, e não legislação tributária, que poderia compreender o Decreto, nos termos do artigo 96 do CTN. 7.9. O Decreto 3048/99 não está a regulamentar dispositivo de lei, ao contrario, representa a própria qualificação e quantificação da inobservância da obrigação acessória. 7.10. O artigo 142 do CTN apenas autoriza o Fisco a proceder ao lançamento de acordo com a Lei, o que também inclui a respectiva sanção. 4 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 192 7.11. Há completa impossibilidade de se instituir tributo ou impor multa por meio de analogia, em razão de uma suposta lacuna porventura existente no sistema ou então fundamentar uma sanção sem previsão em Lei, sob pena de extravasamento do disposto no artigo 84, II da Constituição Federal. 7.12. A multa, por se tratar de uma sanção pecuniária exige que sua quantificação esteja calcada em Lei, sob pena de se estar concedendo ao Poder Executivo poderes numa imaginados pelo Contribuinte, conforme se colhe do teor do artigo 2°, inciso II, da Constituição. DA IMPOSSIBILIDADE DO AUMENTO DO LIMITE DA MULTA LEVANDOSE EM CONSIDERAÇÃO O NÚMERO DE EVENTUAIS SEGURADOS 7.13. O artigo 32 da lei 8212/91, além de ferir o principio da legalidade ao delegar ao Decreto a competência de fixar o valor da multa, também, fere o tratamento isonômico que deve ser obrigatoriamente observado pela autoridade administrativa. 0 artigo limita o valor da multa a ser aplicada de acordo com o número de segurado da empresa. 7.14. A aplicação da multa deve ser aplicada única e exclusivamente em razão da conduta da empresa e não em razão de ter mais, ou menos segurados, por ferir frontalmente a isonomia. 7.15. Contra a empresa já foi aplicada multa em outros autos por supostamente a empresa não ter recolhido as contribuições dos mesmos segurados objetos da presente DEBCAD. Se mantida a multa observarseá bis in idem. 7.16. Requer o cancelamento do Auto de Infração em razão da decadência, da impossibilidade de cobrança da multa em razão do número de funcionários e pela manifesta ofensa ao principio da legalidade. É o relatório 5 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pesem os argumentos trazidos pela recorrente, seus fundamentos não têm o condão de modificar a decisão proferida pelo órgão julgador de primeira instância. Em seu recurso, a empresa basicamente questiona a ilegalidade do SAT e a inconstitucionalidade das contribuições destinadas à Terceiros. Neste aspecto, cumpre esclarecer que não compete a este colegiado decidir acerca da legalidade ou inconstitucionalidade de leis, competência esta destinada ao Supremo Tribunal Federal. Contribuição para financiamento dos benefícios acidentários A alegada ilegalidade da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, SAT ou RAT não encontra razão de ser. A jurisprudência tem reconhecido a sua legalidade, inclusive a fixação da alíquota aplicável por meio de ato do Poder Executivo. Colaciono Julgado do STJ que bem retrata essa questão: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. NÃO OPOSIÇÃO DE EMBARGOS NA ORIGEM. SÚMULA Nº 282/STF. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. NECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. SÚMULA Nº 7/STJ. LEGALIDADE DE DECRETO QUE REGULAMENTA O GRAU DE PERICULOSIDADE DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELAS EMPRESAS.CONTRIBUIÇÃO AO SAT. RECOLHIMENTO. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DO INSS. 1. A não oposição de embargos de declaração na origem impede o conhecimento do recurso especial com base na violação do artigo 535 do Código de Processo Civil, por ausência de prequestionamento. 2. Reconhecido no acórdão recorrido, com amparo no princípio da livre fundamentação motivada, ser desnecessária a produção de prova pericial para o deslinde, tornase forçoso reconhecer que a pretensão recursal, tal como posta, insulase no universo fácticoprobatório. 3. "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." (Súmula do STJ, Enunciado nº 7). 4. "A definição do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas, pelo Decreto nº 2.173/97 e pela Instrução Normativa n. 02/97, não extrapolou os limites insertos no artigo 22, inciso II da Lei nº 8.212/91, com sua atual redação 6 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 192 constante na Lei nº 9.732/98, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer dos elementos essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação que institui o SAT Seguro de Acidente do Trabalho." (EREsp nº 297.215/PR, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, in DJ 12/09/2005). 5. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1232746 / RS, Relator Ministro Hamilton Cavarlhido, DJe. 10/03/2011) Contribuição ao SEBRAE Conforme me posicionei no item precedente não tem o CARF competência para se pronunciar sobre a conformação das normas que regem a exigência de contribuição para a entidade acima com a Carta Maior. Por apego a discussão, adicionarei ao meu voto jurisprudência do STJ que dá guarida à tese da legalidade das contribuições questionadas. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DESCARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 7. REDUÇÃO DE MULTA PARA 20%. LEI SUPERVENIENTE N. 11.941/09. POSSIBILIDADE. 1. A contribuição para o SEBRAE constitui contribuição de intervenção no domínio econômico (CF art. 149) e, por isso, é exigível de todos aqueles que se sujeitam às Contribuições ao SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente do porte econômico, porquanto não vinculada a eventual contraprestação dessa entidade. 2. O art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais propícia ao contribuinte, deve ser a ele aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. 3. Precedentes: REsp 1.189.915/ES, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 1º.6.2010, DJe 17.6.2010; REsp 1.121.230/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 18.2.2010, DJe 2.3.2010. (AgRg no REsp 1216186 / RS, Relator Ministro Humberto Martins, DJe.16/05/2011) A contribuição ao SESI e SENAI 7 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Essa alegação é impertinente ao lançamento, uma vez que, nos termos do item 1 do relatório fiscal, a presente NFLD não contemplou contribuições para essas entidades. Contribuição ao INCRA Afirma a recorrente em seu arrazoado que a contribuição paro Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA não poderia ser aplicada às empresas urbanas, por ser destinada ao atendimento dos trabalhadores rurais. Além de que é a mesma seria inconstitucional por não se enquadrar em nenhuma das espécies tributárias previstas na Constituição Federal. Para afastar essa tese, devo utilizar a jurisprudência do STJ, a qual manifesta o entendimento de que a contribuição ao INCRA enquadrase como contribuição de intervenção no domínio econômico, a qual pode ser exigida também das empresas urbanas. Eis um julgado que bem retrata o posicionamento daquele tribunal superior: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE (RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 977.058/RS, DJ DE 10/11/2008). REQUISITOS DE VALIDADE DA CDA. REVISÃO. SÚMULA 7 DESTE TRIBUNAL. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. PRONUNCIAMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO SOB O RITO DO ART. 543C, DO CPC. 1. O exame da alegação de que a CDA não preenche os requisitos de validade encontra óbice na Súmula 7 do STJ. Precedentes. 2. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, mediante pronunciamento sob o regra prevista no art. 543C do CPC (REsp 977.058/RS, DJ de 10/11/2008), firmou o posicionamento no sentido de que, por se tratar de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao Incra, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e continua em vigor até os dias atuais, pois não foi revogada pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, não existindo, portanto, óbice a sua cobrança, mesmo em relação às empresas urbanas. (grifo nosso). 3. Extrapola o limite de competência do recurso especial, ex vi do art. 105, III, da CF, enfrentar a tese recursal autoral, acerca da multa aplicada pelo descumprimento da obrigação tributária, fundada no principio constitucional do nãoconfisco. 4. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.111.175/SP, em 10/6/2009, feito submetido à sistemática do art. 543C do CPC, decidiu pela legalidade da incidência da Taxa Selic para fins tributários. 5. Agravo regimental não provido. 8 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 192 (AgRg no Ag 1394332 / RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Dje 26/05/2011) Diante desse julgado, posso concluir que, ao contrário do que afirma a recorrente, a jurisprudência tem sedimentado o entendimento de que a contribuição ao INCRA pode ser exigida também das empresas urbanas, por se caracterizar como contribuição especial de intervenção no domínio econômico. A impossibilidade de reconhecimento de inconstitucionalidade pelo CARF Para enfrentar as outras questões apresentadas é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. 9 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), das contribuições ao INCRA e SEBRAE. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 10 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 192 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Quanto aos valores da multa aplicada, onde questiona o recorrente serem indevidos, ressaltese: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portanto, conforme dispôs a Lei n° 8.212/91, artigos 92 e 102 e seu decreto regulamentador acima descrito, a Portaria Interministerial MPSMF n. 77 de 11/03/2008 reajustou os valores da multa: Contudo, no tocante à aplicação da multa, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 que alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, devemos tecer algumas considerações. A Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e 11 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Tendo em vista o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.170.2798 a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Ante ao exposto, Voto no sentido de conhecer do recurso para Darlhe provimento, no sentido de determinar o recálculo do valor da multa, se mais benéfico ao 12 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 192 contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Marcelo Freitas de Souza Costa 13 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19515.000016/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Recurso de ofício negado.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2202-002.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: - NA PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior que acolhiam a preliminar. - NO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento do recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 16 /2 00 8- 14 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: NA PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior que acolhiam a preliminar. NO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento do recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000016/200814 Acórdão n.º 2202002.651 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, HUMBERTO CARLOS CHAIM, foi lavrado, em 11/02/2.008, o Auto de Infração de fls. 381 a 392, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2.003, 2.004, 2.005 e 2.006 (anoscalendário 2.002, 2.003 2.004 e 2.005, respectivamente), por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 6.023.785,18, dos quais R$ 2.555.218,51 correspondem a imposto, R$ 1.916.413,87, a multa proporcional, e R$ 1.552.152,80, a juros de mora, calculados até 31/01/2.008. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 374 a 380) e Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 388 a 390), o procedimento teve origem na apuração da seguinte infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados, durante os anoscalendário 2.002, 2.003, 2.004 e 2.005, em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Anocalendário Infrações Multa (%) 2.002 R$ 5.798.630,33 75,00 2.003 R$ 1.356.476,50 75,00 2.004 R$ 1.403.361,40 75,00 2.005 R$ 733.235,45 75,00 Enquadramento legal: Art. 849 do RIR/99; art. 42 e parágrafos, da Lei n° 9.430/1.996, com redação alterada pelo art. 4° da Lei n° 9.481/1.997 e pelo art. 51 da Lei n° 10.637/2.002; art. 1° da Medida Provisória n°22/2.002, convertida na Lei n° 10.451/2.002. Cientificado do Auto de Infração em 19/02/2.008 (fl. 393), o contribuinte apresentou, em 19/03/2.008, a impugnação de fls. 397 a 414, acompanhada dos documentos de fls. 415 a 540, alegando, em síntese, que: DA TRIBUTACÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS a tributação dos depósitos bancários como omissão de receitas, cujo fato gerador de imposto de renda foi definido pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1.996, já encontrase viciada desde sua fonte, posto que tal imposição somente seria cabível por meio de lei complementar (reproduz Jurisprudência, o capuz' do referido Fl. 700DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 artigo, os artigos 43 e 114, do CTN, o art. 146, inciso III, alínea a, da CF, bem como faz alusão ao art. 97. inciso III, do CTN); segundo o Código tributário Nacional, o fato gerador do imposto sobre a renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, sendo que o lançamento tributário, por sua vez, requer prova segura da ocorrência do fato gerador, uma vez tratarse de atividade plenamente vinculada, competindo ao Fisco realizar as inspeções necessárias e imprescindíveis à constituição do crédito tributário; no Processo Administrativo Fiscal predomina o principio da verdade material, no sentido de que ali se busca descobrir se realmente ocorreu, ou não, o fato gerador que da suporte à obrigação tributária, pois o que se busca é a legalidade da tributação (menciona Jurisprudência e reproduz Doutrina); o simples depósito em conta corrente não é pressuposto suficiente para a ocorrência do fato gerador do imposto de renda e, por isso, A. luz do art. 43 do CTN, é defeso ao Fisco exigir tributo do contribuinte sem a demonstração cabal de que os créditos e depósitos apurados em sua movimentação bancária deram origem a uma disponibilidade, econômica ou jurídica, de renda, a um enriquecimento do contribuinte, traduzido em um aumento do seu patrimônio, em uma riqueza nova, ou em efetiva disponibilidade financeira (reproduz Jurisprudência); caso contrário, restaria desvirtuado o conceito de renda insculpido no art, 153, inciso III, da CF e no art. 43 do CTN, afrontando, outrossim, o disposto no art. 110 do CTN (reproduz este último artigo); os valores tributáveis apurados na autuação constituem prova inequívoca do fantasioso e imponderável rendimento resultante de presunção, violentando, também, o principio da capacidade contributiva de que trata o art. 145, § 1°, da CF (reproduz o referido parágrafo, bem como Jurisprudência), caracterizando se verdadeiro confisco, também vedado pelo art. 150, inciso IV, da CF; o cotejo entre a renda atribuida e o patrimônio existente revela exigência que transcende o alcance do confisco, uma vez que o patrimônio liquido (bens e direitos — dividas e ônus reais) do impugnante revela a existência de R$ 2.281.566,44, conforme a sua declaração de bens e direitos do exercício de 2.006, contrapondose a uma exigência fiscal de R$ 6.023.785,18; DA DECADÊNCIA em consonância com o art. 2° da Lei n° 8.134/1.990 e com o art. 41, caput e § 1°, da Lei n° 9.430/1.996, e mesmo que se considere que o fato gerador, objeto da presente autuação tenha ocorrido em 31 de dezembro de 2.002, o prazo legal para a exigência fiscal findarseá em 31 de dezembro de 2.007; nos termos da legislação vigente, o imposto de renda da pessoa fisica submetese ao lançamento por homologação, sendo obrigação do sujeito passivo determinar a matéria tributável e Fl. 701DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000016/200814 Acórdão n.º 2202002.651 S2C2T2 Fl. 4 5 efetuar o recolhimento do tributo, sem qualquer exame prévio da autoridade tributante, extinguindose o crédito sob condição resolutória de ulterior homologação; assim sendo, nos termos do § 4°, do art. 150, do CTN, o prazo para a homologação do lançamento é de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador (reproduz o referido dispositivo legal, bem como Jurisprudência); na medida em que a penalidade aplicada sobre o imposto apurado foi de 75%, não há que se cogitar sobre as hipóteses de sonegação, fraude ou conluio, fatos determinantes para a aplicação do disposto no art. 150, § 4°, "in fine", da Lei n° 5.172/1.966 (CTN); fica, portanto, cabalmente demonstrado que o lançamento relativo ao anocalendário 2.002 encontrase abrangido pelo instituto da decadência, devendo ser cancelada sua exigência; DA COMPROVAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS para a comprovação da origem dos depósitos bancários, apresentamse diversos documentos, numerados de 01 a 46 (fls. 440 a 538) e, para facilidade de exame, elaborouse uma planilha denominada "Planilha de Conferência dos Depósitos Bancários" individualizada por ano e por estabelecimento bancário, sendo que, nessa planilha, as colunas "Origem" e "Doc" referemse, respectivamente, a fatos que originaram os depósitos e o número do documento anexado, que é o comprovante da operação, observandose que alguns desses números encontramse repetidos, pois o mesmo documento comprova a origem de mais de um depósito e, para melhor compreensão e justificativa de algumas situações, presta alguns esclarecimentos sobre os documentos entregues, que descrevemos nos itens abaixo: a) doc. 01 (fl. 440) o impugnante possui um plano de saúde junto à empresa OMINT Serviços e Saúde Ltda, sendo que o doc. 01 corresponde a recibo de mensalidade, observandose que, no histórico de todos os créditos bancários consta a expressão "OMINT AS", comprovando, assim, que os valores creditados referemse a reembolsos de despesas médicas, o que não constitui fato gerador do imposto de renda das pessoas fisicas; b) doc. 02 (fls. 441 a 448) tratase de contrato de parceria agrícola com a Companhia Agricola Zillo Lorenzetti e, se forem analisados os vários créditos existentes no Banco nail, agência 0424, há créditos cujos históricos são "SISPAG FORNECEDORES", "SISPAG CIA.AGRIC.ZILLO", "SISPAG AÇUC ZILLO", "SISPAG AÇUC. QUATA", sendo que a identificação "SISPAG" utilizada pelo Banco Itad relacionase a sistema de pagamento, tendo, na seqüência, o nome do depositante; quando o histórico indicar SISPAG Fornecedores ou Cia Agricola Zillo, tratase de adiantamento recebido antes da venda da cana, que não deveria ser tributado no ano da concessão, por não constituir receita da atividade rural, não Fl. 702DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 obstante ter havido sua inclusão na declaração do exercício 2.003 (anocalendário 2.002), gerando divergência entre os valores recebidos e os declarados em anos posteriores; c) docs. 03 a 33 (fls. 449 a 479) são fichas razão das empresas S/A Jauense de Automóveis e Comércio SAJAC, CNPJ 50.746.973/000142, sendo que os docs. 03 a 19 (fls. 449 a 465) da conta 1.1.2.12.00.014Adiantamento a Funcionários e Diretores, e os docs. 20 a 33 (fls. 466 a 479) da conta 2.1.2.01.00.026Pro Lab Humberto Carlos Chaim, cujos lançamentos com os valores em destaque comprovam os depósitos bancários efetuados, com a coincidência de datas e valores; d) doc. 34 (fls. 480 a 490) dois contratos de locação que tem por locadora a empresa Generality S/A, com sede em Montevidéu, Uruguai, e, como locatária, a Banana Boat Bar e Lanches Ltda e, pelo fato do impugnante ser representante legal da primeira empresa, os pagamentos de aluguéis eram depositados em sua conta bancária, mediante o repasse, por parte da locatária, de diversos cheques recebidos de terceiros, por certo seus clientes; o doc. 34 relaciona os vários depósitos efetuados pela locatária para o pagamento de aluguel, coincidindo a soma deles com o valor do aluguel, com pequenas diferenças, havendo divergências entre o valor do aluguel contratado e do depósito, decorrentes de multa por atraso no pagamento do aluguel e de ressarcimento de impostos, previstos no contrato; assim sendo, com relação a esses aluguéis, os valores depositados em sua conta não podem ser imputados ao impugnante, pelo simples fato dele não ter relação pessoal e direta com a situação que constitua fato gerador e, também, por não se enquadrar na condição prevista no art. 121, parágrafo único, inciso II, do CTN, por falta de previsão legal; e) docs. 35 a 38 (fls. 491 a 494) são fichas razão (pro labore) das empresas S/A Jauense de Automóveis e Comércio SAJAC, CNPJ 50.746.973/000142, e SOCOABA Sociedade Comercial de Automóveis Bariri Ltda, CNPJ 44.687.416/000103, que justificam os depósitos bancários efetuados no Banco nail S/A, Agência 0424, contacorrente n° 08.6338; f) doc. 39 (fls. 495 a 531) conforme consta do doc. 39/1 (fl. 496), em 16/12/2.002, o impugnante arrematou um imóvel levado a leilão, decorrente de execução movida pelo Banco Mercantil de Descontos S/A contra Cia Mogi de Café Solúvel, Jorge Rudney Atalla e sua mulher, Jorge Wolney Atalla e sua mulher, Jorge Edney Atalla e sua mulher e Jorge Sidney Atalla e sua mulher, pelo valor de R$ 559.600,00; os irmãos Atalla, acima citados, propuseram ao pai do impugnante, Miguel Chaim, advogado e credor desses irmãos, que se ele convencesse o recorrente a vender para eles o imóvel arrematado, comprometiamse a saldar a divida que possuíam com o pai dele, contribuinte; aceita a proposta, os irmãos Atalla, por intermédio da empresa deles, Central Paulista de Açúcar e Alcool Ltda, começaram a efetuar depósitos mensais de R$ 115.000,00, realizandoos, entretanto, em, nome do impugnante (doc. 39/3 fls. 500 a 503), visando a alegação, no futuro, de que se tratava de pagamento da recompra do imóvel arrematado, Fl. 703DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000016/200814 Acórdão n.º 2202002.651 S2C2T2 Fl. 5 7 tornandose visível essa intenção com a interposição de uma Ação de Obrigação de Fazer (o doc. 39/4fl. 504 referese a capa do processo judicial; o doc. 39/5 fls. 505 a 508trata de uma ação de obrigação de fazer interposta por J.A. Agropecuária e Comercial Ltda, empresa pertencente a família Atalla; o doc. 39/6fls. 509 a 523referese a ação contestatória, onde encontramse discriminados os fatos ocorridos, encontrandose o processo judicial em andamento, conforme a manifestação apresentada em 10/01/2.008 doc. 39/7, as fls. 524 a 531; o doc. 39/2 fls. 497 a 499atesta que a propriedade do imóvel ainda continua em nome do impugnante, conforme certidão fornecida em 11/02/2.008); portanto, esses depósitos originaramse de um ato fraudulento praticado pelos irmãos Atalla, objetivando a recompra de imóvel mediante a alteração da finalidade dos depósitos de pagamento de honorários para pagamento de imóvel; g) docs. 40 a 46 (fls. 532 a 538) comprovantes de depósitos no Banco do Brasil, Banco Banespa e Banco Rail; a expressão "SAJAC" e "SOCOABA" utilizadas nas planilhas de conferência referemse, respectivamente, a "S/A JAUENSE DE AUTOMÓVEIS E COMÉRCIOSAJAC" e "SOCOABA SOC.COMERCIAL DE AUTOMÓVEIS BARIRI LTDA", empresas nas quais o impugnante tem participação societária; até aquele momento, não foi possível ter em mãos documentos que comprovassem a origem dos depósitos efetuados no Banco Rail S/A, na agência 00424, conta n° 08.6338, havendo nesse estabelecimento depósitos efetuados no dia 23 de julho de 2.003, por Célia Silveira Correa, inventariante do espolio de Ilka Reuter Silveira Correa, para o pagamento de débitos de ações trabalhistas que estavam em curso no Tribunal Regional do Trabalho da 15a Regido e, em razão do exposto, protesta pela juntada posterior de documentos comprobatórios da origem dos depósitos efetuados, nos termos da Lei n° 9.784/1.999, art. 30 , inciso III, desde que antes da apreciação dessa impugnação; DO PEDIDO face aos fatos e documentos apresentados, propugna, por fim, pelo reconhecimento da impugnação, no sentido da ilegalidade da tributação dos depósitos bancários, base de cálculo/' do lançamento efetuado. A DRJ julga a impugnação procedente em parte a impugnação, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002,2003,2004,2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO RELATIVO AO ANOCALENDÁRIO 2.002. Nos casos em que o contribuinte entrega a declaração de ajuste anual dentro do prazo legal e declara rendimentos tributáveis que sofreram, inclusive, retenção de imposto na fonte, o lançamento do Imposto de Renda das Pessoas Físicas tem a natureza jurídica de lançamento por homologação, com fato gerador complexivo, de período anual, sendo que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos é a data da ocorrência do fato gerador, ou seja, 31 de dezembro do ano calendário correspondente ao exercício analisado. Tendo sido o lançamento relativo ao anocalendário 2.002 efetuado fora do prazo decadencial acima previsto, é de se acatar a preliminar de decadência do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ANOSCALENDÁRIO 2.002, 2.003, 2.004 e 2.005. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou o cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Exonerase o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 2.002, face ao instituto da decadência do lançamento, excluindose da tributação, no que concerne aos anoscalendário 2.003, 2.004 e 2.005, os créditos bancários de origem comprovada bem como aqueles relativos a cheques devolvidos. AUTUAÇÃO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Não pode ser inquinado pela alegação de confisco o lançamento do imposto de renda da pessoa fisica que atendeu aos preceitos legalmente estabelecidos e exigiu tributo resultante da constatação de omissão de rendimentos, bem como impôs multa de oficio que apresentou como base de cálculo o correspondente imposto apurado. No que tange, ainda, à invocação da figura do confisco, refoge A. competência da Autoridade Administrativa a apreciação e a decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. DO PEDIDO DE JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. Uma vez ter o contribuinte apresentado, posteriormente à interposição da impugnação e antes do julgamento do presente feito, documentação complementar, é de se acatar sua juntada aos autos para consequente apreciação, a fim de se evitar o cerceamento do direito de defesa do recorrente. Impugnação Procedente em Parte Fl. 705DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000016/200814 Acórdão n.º 2202002.651 S2C2T2 Fl. 6 9 Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ entendeu por bem reconhecer a decadência do ano calendário de 2002, e afastar do lançamento de depósitos bancários devidamente comprovados. Ao final o lançamento ficou da seguinte forma: Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. no que toca aos pontos principais, destacando os seguintes pontos no que toca ao mérito. Relativamente aos depósitos efetuados no Banco nail oriundos da parceria agrícola entre o recorrente e a Companhia Agricola Zillo Lorenzetti, a decisão afirma que não há como se concluir, de forma cabal e inequívoca, que os referidos depósitos bancários originaramse da parceria em questão. Conforme referido na impugnação, "SISPAG" é o termo utilizado pelo Banco Itaia e tratase de sistema de pagamento. Esta expressão é seguida com o nome do depositante. A autoridade julgadora cita o histórico do lançamento sob as rubricas "SISPAG USINA BAR GR LEN" e SIPAG AÇUCAREIRA ZILL (fls. 133 a 141v). A primeir expressão USINA BAR GR LEN significa Usina Barra Grande — Lençóis Paulista. A segunda, ACUCAREIRA ZILL, significa Açucareira Zillo Lorenzetti S/A. As duas empresas pertencem ao Mesmo grupo proprietário da Companhia Agricola Zillo Lorenzetti, parceira outorgada do Instrumento Particular de Contrato de Parceria Agricola. Ademais, basta verificar o documento n° 02/1, anexo A. impugnação, para constatar a coincidência de valores e proximidade da data dos depósitos efetuados para concluir sem nenhuma dúvida que se trata de valores relativos a adiantamento de parceria agrícola. Nesse documento consta como Empresa: AZL cujo significado é Açucareira Zillo Lorenzetti. Portanto, cabalmente demonstrado que os depósitos em questão têm por fonte adiantamentos de parceria agrícola. Relativamente aos documentos de n.s 03 a 33' (fls. 449 a 479) foram acolhidos como comprovantes de depósitos bancários efetuados. E o que consta, literalmente, pela leitura da decisão onde consta que "cujos lançamentos com os valores em destaque comprovam os depósitos bancários efetuados, com a coincidência de datas e valores". . Entretanto, nas linhas seguintes, os mesmos documentos, de fls. 449 a 479, por terem sido produzidos por empresa da qual o contribuinte é presidente e acionista majoritário não são hábeis para comprovar os depósitos. Entretanto, devese prevalecer o primeiro entendimento tendo em vista que os documentos produzidos pela empresa tratamse de fichas do RaZdo Analítico que nada mais são que documentos próprios da escrituração contábil. Esta, quando Fl. 706DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 cumprido os aspectos formais e os princípios contábeis, tem valor probante para todos os efeitos judiciais e extrajudiciais. Caso não tivesse preenchido tais condições, certamente a autoridade fiscal teria procedido à desqualificação da escrituração com conseqüente arbitramento do lucro. Ademais, não existe previsão legal para determinar como inválidos os documentos produzidos por empresa na qual o interessado é presidente ou acionista. Se prevalecesse este entendimento, o próprio Informe de Rendimentos utilizado pelo recorrente para elaborar a sua declaração do imposto de renda também seria inválido. Finalizando, a regência da norma jurídica originária de registro contábil tem a sua natureza dupla: descrever um fato econômico em linguagem contábil sob forma legal e um fato jurídico imposto legal e prescritivamente. Autoridade Julgadora fundamentase em dois motivos para manter a tributação: 1) o fato dos cheques depositados pertencerem a terceiros, o que dificulta o vinculo desses depósitos com o contrato de locação apresentado pelo impugnante; 2) a falta de comprovação do repasse ao locador do imóvel dos valores creditados na conta corrente do contribuinte, o que ilide a conclusão de não ser ele, recorrente, o real beneficiário dos valores depositados em sua contacorrente. Conforme se referiu na impugnação, o aluguel mensal era de R$ 5.500,00 até 31 de julho de 2.002. Pelo segundo contrato esse valor passou a ser de R$ 6.000,00, alterado posteriormente para R$ 6.800,00. Notase pelos contratos de locação anexados ao doc. 34 da impugnação que a empresa locadora é a Generality S.A., com sede na cidade de Montevidéu, Uruguai, sendo o recorrente seu representante legal. Por tal razão, a lógica permite concluir que os pagamentos de aluguéis fossem depositados em sua conta bancária no Brasil, como efetivamente ocorreu. Se analisarmos os depósitos, todos efetuados no mesmo dia, têm se como somatório o valor do aluguel depositado, com pequenas variações e muitas vezes coincidentes. Sobre isso, em 21/09/2010 foi requerida ajuntada de declaração firmada pela empresa Banana Boat Bar e Lanches Ltda. (doc. 01 deste recurso) conforme consta do protocolo anexo (doc. 02 deste recurso). A declaração, cuja cópia foi obtida junto a essa empresa, detalha, de forma induvidosa, os pagamentos de aluguéis por ela realizados. Esses pagamentos, de acordo com a declaração, foram efetuados com cheques de terceiros e dinheiro. A soma dos depósitos de cada dia coincide com o valor do aluguel mensal, alguns com pequenas variações, pois foram realizados com diversos cheques recebidos de seus clientes de acordo com a declaração. Contudo, esse documento não foi apreciado pela autoridade julgadora de primeira instância visto que foi entregue em 21/09/2010 e a decisão deuse em 24/08/2010. Afirma que são documentos elaborados pelas empresas das quais o contribuinte é sócio, não sendo hábeis, portanto, para comprovar que os depósitos efetuados no Banco hail e relacionados pelo contribuinte as fls. 428, 429 e 431, a titulo de "Retirada Pro Labore SAJAC" e "Retirada Pro labore SOCOABA" referemse a recebimento de pro labore, não havendo comprovação de que os respectivos créditos bancários resultaram da emissão de cheques ou de qualquer outro tipo de transferência de numerários por parte das citadas empresas. Referese aos depósitos efetuados junto ao Banco Itad, no valor total de R$ 1.036.342,00. Conforme relatado na impugnação, esses depósitos referiamse a pagamentos de honorários advocaticios devidos pelos irmãos Atalla ao pai do recorrente, Miguel Chaim. De forma ardilosa, os irmãos Atalla efetuaram os depósitos em nome do recorrente, com a Fl. 707DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000016/200814 Acórdão n.º 2202002.651 S2C2T2 Fl. 7 11 finalidade de readquirir o imóvel a eles anteriormente pertencente. A decisão entende que para aceitar os argumentos da impugnação seria necessária a apresentação do contrato de prestação de serviços, comprovando ter o pai do recorrente, efetivamente, prestados serviços aos irmãos Atalla, com a informação da natureza dos serviços, os valores e as datas em que seriam pagos. Conforme consta do Contrato de Mediação para Arrematação de Imóvel firmado em 19 de julho de 2.003, Celia Silveira Correa, inventariante e herdeira única de Ilka Reuter Silveira Correa — espólio, sócioproprietário da empresa Indústria Rotativa de Papéis Ltda., autorizou o recorrente a ofertar, com seu próprio recurso, lance até o limite de R$ 960.000,00 para a arrematação de uma propriedade rural denominado Fazendas Ipiranga e Santa Maria, com o compromisso de devolver os recursos utilizados para a aquisição das fazendas no mesmo dia ou no dia seguinte. Ocorre que tal devolução só ocorreu no dia 23 de julho de 2.003 e não no próprio dia 23 ou no seguinte, 24, conforme cláusula É o relatório. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos de ofício e voluntário reúnem os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO Da Decadência do ano calendário de 2002 A decadência do ano calendário de 2002 é incontestável. Em relação à apuração de omissão de rendimentos e caracterizandose o lançamento como sendo por homologação, a data de ocorrência do fato gerador do IRPF/2003 (anocalendário 2002), por ser complexivo com período anual, foi 31/12/2002, tendo a Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos, a contar desta data, para homologálo (art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional), ou seja, até 31/12/2007. O Auto de Infração em foco foi lavrado em 11/02/2008 (fl. 386), com ciência do contribuinte em 19/02/2008 (fl. 393), datas que se encontram fora do prazo decadencial relativo ao fato gerador do IRPF/2003 (anocalendário 2.002), que expirou em 31/12/2007, motivo pelo qual deve ser acatada a preliminar de decadência do lançamento em relação ano calendário 2002. Adicionalmente deve ser registrado que foi retido na fonte tributos no ano de 2002, tal como se depreende da fls. 381. Dos Depósitos com Origem Comprovada No que toca aos depósitos bancários comprovados não tenho qualquer repara ao decisão da autoridade recorrida. Os valores foram devidamente identificados, tendo sua origem definida. De acordo com a decisão recorrida os seguintes itens foram demonstrados: O documento de fl. 440 comprova que o termo "OMINT" relacionase a plano de assistência médica. Assim sendo, devem ser excluídos da tributação os seguintes créditos bancários, efetuados na contacorrente n° 08.6638, mantida no Banco nail, agência 0424, onde consta o histórico "OMINT ASS SE", por referiremse a ressarcimento de despesas médicas (valores em reais): anocalendário 2.003: 40,00 ( 16/01fl. 133); 200,00 (29/01 fl. 133); 327,50 (21/02 fl. 133v); 120,00 (18/03 fl. 133 v); 300,00 (04/04 fl. 134); 350,00 (07/04 fl. 134); 227,50 (05/05 fl. 134); 100,00 (08/05fl. 134); 248,56 (05/06 fl. 134v); 100,00 (08/07 fl. 135); 180,00 (10/07fl. 135); 30,00 (22/07fl. 135); 199,00 (03/09 fl. 136); 35,00 (16/09 fl. 136v); 180,00 (30/10fl. 137); anocalendário 2.004: 376,00 (01/07fl. 141v); 120,00 (30/09 fl. 143v); 100,00 (25/11fl. 144v); ano calendário 2.005: 100,00 (09/02fl. 146); 120,00 (28/02 fl. 146 v); 266,63 (07/04fl. 147); 120,00 (30/08 fl. 149); 130,00 (08/12 150v); 130,00 (28/12fl. 151). Totalizacão: ano calendário 2.003: 2.637,56; anocalendário 2.004: 596,00; ano calendário 2.005: 866,63; Fl. 709DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000016/200814 Acórdão n.º 2202002.651 S2C2T2 Fl. 8 13 as Planilhas de fls. 415 a 439, além dos tópicos acima analisados, apresentam justificativas para a exclusão dos seguintes créditos: R$ 350,00, R$ 1.978,77, R$ 80,00, R$ 343,00 e R$ 3.189,97, depositados em 16/02/04, R$ 6.000,00 e R$ 8.142,52, depositados em 18/02/04, todos na contacorrente n° 112704, mantida no Banco do Brasil, agência 0198, que teriam sido devolvidos (fl. 421). Pela análise do extrato de fl. 103, verificase, efetivamente, que os valores dos referidos cheques não foram creditados na contacorrente do contribuinte, o que impõe a exclusão da tributação desses depósitos bancários; R$ 79,90 e R$ 200,00, depositados em 21/09/05 na conta corrente n° 112704, mantida no Banco do Brasil, agência 0198, tendo havido devolução dos cheques redepositados (fl. 422). O extrato de fl. 122 confirma a assertiva do contribuinte; R$ 214,16, corresponderiam a dividendos creditados, em 21/02/03, na contacorrente n° 08.6638, mantida no Banco 'tail, agência 0424 (fl. 425). 0 extrato de fl. 133v não é conclusivo nesse sentido; R$ 1.500,00, computados na autuação em 11/08/04, como depósito efetuado na conta corrente n° 800000676, mantida no Banco Rural, agência 0063 (fls. 438 e 365), que, segundo o impugnante, não consta no extrato. Ao contrário do que afirma o recorrente, o extrato de fl. 292 aponta o crédito de R$ 1.500,00, em 11/08/04, na referida contacorrente. Assim sendo, em relação a esse item i, devem ser excluídos da tributação os créditos bancários nos montantes a seguir discriminados: ano calendário 2.004: R$ 20.084,26; anocalendário 2.005: R$ 279,90. Uma vez que não identifico qualquer reparo na decisão da autoridade de primeira instância, acompanhoa. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso de ofício QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO Da Preliminar de Prova Ilícita por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade Fl. 710DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Fl. 711DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000016/200814 Acórdão n.º 2202002.651 S2C2T2 Fl. 9 15 Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. As Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que a recorrente foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não foi acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000016/200814 Acórdão n.º 2202002.651 S2C2T2 Fl. 10 17 O recorrente apresenta após a lavratura do auto de infração, em 21/09/2010, declaração da Banana Boat Bar e Lanches, de fls 615 onde procura comprovar o depósitos ali elencados. Esse documento apresentado depois da fase de fiscalização, não comprova especificamente a origem desses depósitos. Na declaração apresentada, chama atenção que não se esboça uma explicação convincente de por que motivo uma empresa uruguaia, estaria realizando depósitos para o recorrente. Estranhar também que a explicação só apareça agora após decaído o prazo de qualquer outro tipo de lançamento. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. As provas tem que ser concentradas na explicação de cada depósito considerado como de origem não comprovada. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Fl. 714DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Ante ao exposto, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO, nego provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeito a preliminar de ilicitude da prova e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 715DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15504.011683/2009-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004
ALIMENTAÇÃO IN NATURA
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 2403-002.581
Decisão:
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 16 83 /2 00 9- 73 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.011683/200973 Acórdão n.º 2403002.581 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0230.905 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. CONTRIBUIÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS ARRECADAÇÃO MEDIANTE DESCONTO. INOBSERVÂNCIA. Constitui infração à legislação previdencidria, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço.. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO. ADESÃO AO PAT. 0 valor da ALIMENTAÇÃO fornecida in natura a empregados por empresa não inscrita no Programa de ALIMENTAÇÃO do Trabalhador PAT integra o saláriodecontribuição. Somente poderão ser excluídas do salário de contribuição as parcelas pagas ou creditadas nos exatos termos definidos pela legislação previdenciária. As demais sofrerão os efeitos da tributação. DECISÕES JUDICIAIS. As DECISÕES JUDICIAIS, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às DECISÕES proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA A PROCURADOR. INDEFERIMENTO. O DOMICÍLIO tributário do sujeito passivo é o endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de infração aos artigos 30, inciso I, alínea "a", da Lei 8.212, de 1991, c/c o artigo 216, inciso I, alínea "a", do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, por ter o contribuinte acima Fl. 235DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 identificado deixado de arrecadar contribuições previdenciárias, mediante desconto em remuneração dos segurados empregados, no período de 01/2004 a 12/2004. A notificada forneceu alimentação a seus empregados, sem que estivesse devidamente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) instituído pela Lei 6.321, de 1976, no período do lançamento, condição necessária para que não haja incidência de contribuições sobre os valores dispendidos a esse titulo, conforme artigo 28, § 9°, alínea "c", da Lei 8.212, de 1991. Informa a fiscalização que o contribuinte não se recadastrou no programa, como previsto na Portaria 66, de 19/12/2003, posteriormente alterada pela Portaria de n° 81, de 27/05/2004, razão porque teve seu registro no PAT cancelado. A ação fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0610100.2008.00749, Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, fls. 14/15, Termos de Intimação Fiscal, fls. 16 a 20, tendo sido encerrada em 02/07/2009, conforme Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, fls. 40/41 do processo 15504.011681/200984, a que este está apensado. Em decorrência da infração, foi aplicada a penalidade prevista nos artigos 283, inciso I, alínea "g", e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3.048, de 1999, no valor de R$1.329,18 (um mil trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). A empresa teve ciência da autuação, em 24/07/2009, fls. 59, e apresentou impugnação, em 20/08/2009, fls. 63 a 72. Diz ser tempestiva a impugnação apresentada. Aduz que as ilegalidades dos débitos lançados estão detalhadas nos itens 4.1 e seguintes da peça impugnatória. Porém, no item III — QUESTA0 PRELIMINAR, por entender importante, destaca características que norteiam a Administração Tributária na relação fiscocontribuinte, na busca de uma reforma na mentalidade dos atores envolvidos na indevida polarização dessa relação que é marcada por um combate de interesses negativamente competitivo. Quanto ao mérito, alega é indevida a exigência de contribuição previdência sobre o fornecimento de alimentação in natura ao trabalhador, sendo prescindível sua inscrição no PAT, como já pacificado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Requer: Sejam consideradas as questões preliminares postas nos itens 3.1 e seguintes; Seja reconhecido como nulo ao auto de infração; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.011683/200973 Acórdão n.º 2403002.581 S2C4T3 Fl. 4 5 Seja a presente impugnação julgada em conjunto com as impugnações relacionadas ao mesmo procedimento fiscal (37.266.1221, 37.203.8573, 37.203.858], 37.266.1248 e 37.266.1256); Seja o resultado do julgamento endereçado ao signatário d impugnação. Acrescenta que provará o alegado por meio de provas documentais, periciais e testemunhais, bem como pela juntada de novos documentos. Requer como meio de prova, a exibição de documentos ou coisa. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · a fiscalização realizada padece de erro material e vicio de legalidade · segundo entendimento pacificado pelos Tribunais pátrios, não incide contribuição previdenciária sobre o fornecimento de alimentação IN NATURA esteja ou não o empregador inscrito no PAT · incidência só ocorreria se o pagamento fosse em pecúnia. · afigurase açodada e equivocada a lavratura do AI objeto destes autos e, também, dos demais acima citados. · requer seja este recurso julgado em conjunto com os outros relacionados aos processos da mesma natureza: 15504.011.678/2009 61 (AI DEBCAD 37.203.8573); 15504.011.680/200930 (AI DEBCAD 37.203.8581); 15504.011.681/200984 (AI DEBCAD 37.226.1221); 15504.011.683/200973 (AI DEBCAD 37.2261248); 15504.011684/200918 (AI DEBCAD 37.2261256). É o relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Segundo o Relatório Fiscal, a autuação deuse por a empresa ter deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, a contribuição dos segurados empregados. A ausência de desconto e arrecadação deuse sobre a rubrica Alimentação, motivada por a empresa não estar inscrita no PAT. II DOS FATOS 3 A empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, contribuições de segurados empregados, como determina o Art. 30, I, "a" e alterações posteriores da Lei 8.212 de 24/07/1991 e art. 4° "caput", da Lei 10.666, de 08/05/2003 e art. 216, inciso I, alínea a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06/05/1999, no período de 01/2004 a 12/2004, . 4 A alimentação fornecida pela autuada aos seus empregados foi considerada pela fiscalização como salário de contribuição, uma vez que, para gozar da isenção previdenciária oriunda de Programas de Alimentação ao Trabalhador, ela deveria estar inscrita no PAT. 5 Solicitada a apresentar o comprovante de adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT, por meio do Termo de Intimação Fiscal TIF no 001, datado de 18 de março de 2009, foi apresentado comprovante de adesão efetuado em 2002 e nova adesão em 12/12/2007. 6 No ano de 2004 foi efetuado um recadastramento das empresas beneficiárias e fornecedoras do PAT, conforme portaria no. 66 de 19/12/2003, posteriormente alterada pela portaria n. 81 de 27/05/2004. 0 não recadastramento no programa no prazo estipulado implica no cancelamento automático do registro ou inscrição. Como o contribuinte não efetuou esse recadastramento, somente realizando nova inscrição em 2007, concluímos que no ano de 2004 a empresa não estava inscrita no PAT. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.011683/200973 Acórdão n.º 2403002.581 S2C4T3 Fl. 5 7 A recorrente afirma que a alimentação fornecida foi in natura e que há entendimento pacificado pelos Tribunais pátrios que não incide contribuição previdenciária sobre o fornecimento de alimentação in natura esteja ou não o empregador inscrito no PAT. A incidência só ocorreria se o pagamento fosse em pecúnia. Nos Autos de Infração das obrigações principais, associadas a esta autuação, a fiscalização, com base no artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 considerou que a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ocorre que no final do ano 2011 a PGFN editou o Ato Declaratório Nº 03/2011 que estabeleceu que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta Fl. 239DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 240DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11080.731119/2013-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2011
IPI. REGISTRO DE CRÉDITOS FICTOS MEDIANTE PROCEDIMENTO NÃO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. FRAUDE. OCORRÊNCIA. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
A adoção de procedimentos não previstos na legislação de regência do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, aliado à ausência de provas da origem e apuração do crédito escriturado, qualifica-se como fraude, tal como descrita no art. 72 da Lei nº 4.502/64, implicando na exigência do imposto indevidamente reduzido com acréscimo de multa qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), a teor do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2011 CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. VERIFICAÇÃO RENÚNCIA/DESISTÊNCIA DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2011 DECADÊNCIA. DOLO. CONFIGURAÇÃO. ART. 173, I DO CTN. APLICAÇÃO. A verificação de dolo na conduta do contribuinte impossibilita a contagem da decadência pela forma disposta no art. 150 do CTN, por força de exceção constante do seu parágrafo quarto, devendo ser aplicadas as disposições do art. 173, I do mesmo diploma legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2011 IPI. REGISTRO DE CRÉDITOS FICTOS MEDIANTE PROCEDIMENTO NÃO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. FRAUDE. OCORRÊNCIA. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A adoção de procedimentos não previstos na legislação de regência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aliado à ausência de provas da origem e apuração do crédito escriturado, qualificase como fraude, tal como descrita no art. 72 da Lei nº 4.502/64, implicando na exigência do imposto indevidamente reduzido com acréscimo de multa qualificada, no percentual AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 11 19 /2 01 3- 24Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 de 150% (cento e cinqüenta por cento), a teor do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. Relatório Albergam estes autos lançamento de IPI, período de apuração janeiro/2008 a junho/2011, com multa qualificada, decorrente de glosa de créditos indevidos do IPI. Narra a autuação que o contribuinte aproveitou créditos de origem desconhecida mediante emissão de nota fiscal de entrada com as seguintes expressões: “Crédito ext. ipi, mês ...”; “Crédito IPI ext. mês ...”; “Vlr. Crédito ext. ipi mês ...”, etc. Informa ainda o relato que o contribuinte ingressou com mandado de segurança (2003.71.00.0358222) pleiteando o direito aos créditos fictos de IPI pela aquisição de matérias primas não tributadas, isentas e tributadas com alíquota zero, bem assim, diferencial entre as alíquotas de entrada e saída. Segundo consta do presente processo, o contribuinte não logrou obter qualquer decisão judicial favorável ao seu pleito, encontrandose o processo judicial atualmente sobrestado, aguardando decisão do STF acerca da matéria. Em impugnação o contribuinte sustentou a legitimidade da escrituração dos créditos glosados; que não houve ofensa ao art. 170A do CTN, como afirmou a acusação fiscal, uma vez que não se pode confundir o instituto da compensação com a sistemática não cumulativa do IPI; que foi diligente ao proceder da forma descrita; que a multa qualificada aplicada é ilegal, porque não foi demonstrado o dolo necessário à configuração da fraude, citando jurisprudência administrativa; que toda a escrituração do crédito foi documentada, não havendo qualquer obscuridade em relação aos seus atos; que aguarda a chancela do Poder Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11080.731119/201324 Acórdão n.º 3401002.644 S3C4T1 Fl. 11 3 Judiciário ao seu direito de crédito; e, que a decadência deveria ser contada na forma do art. 150, § 4º do CTN e não pelo art. 173, I do mesmo diploma. A DRJ Belém/PA reputou a impugnação improcedente nos seguintes termos: “IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITOS. APURAÇÃO. ENTRADAS NÃO ONERADAS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia à discussão, nas instâncias administrativas, do mérito relativo à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LIMITES. Decorre do artigo 63 da Lei 9.430/1996, de forma clara e unívoca, que o lançamento de ofício para prevenir a decadência, com os limites e efeitos que lhe são inerentes, depende da existência de discussão judicial da qual tenha decorrido a suspensão da exigibilidade do respectivo crédito tributário e enquanto vigentes os efeitos da competente medida judicial. IPI. MULTA QUALIFICADA. HIPÓTESE DO ART. 72 DA LEI Nº 4.502/1964. Presente a hipótese normativa do art. 72 da Lei nº 4.502/1964, fazse aplicável a multa qualificada de cento e cinquenta por cento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. TERMO INICIAL. Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído.” O recurso voluntário, com alguma variação, reprisou a fundamentação já deduzida na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, ressalvada a verificação de fato extintivo do direito de recorrer em relação a parte da matéria deduzida, consistente na renúncia ao contencioso administrativo, como se passa expor. Com efeito, tocante à altercação da legitimidade dos créditos escriturados, considerando que a questão está sob o crivo do Poder Judiciário, temse que o debate a seu respeito esbarra na impossibilidade de concomitância de discussões sobre a mesma matéria na Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 esfera judicial e administrativa, porquanto vige em nosso sistema jurídico positivo o princípio da unidade de jurisdição, o poder de dizer o direito, como palavra final, que é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, de modo que a opção do contribuinte por esta via importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso administrativo porventura apresentado, como se extrai do art. 1º, § 2º do DecretoLei nº 1.737/79: “Art 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: I relacionados com feitos de competência da Justiça Federal; II em garantia de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional; III em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito; IV em garantia, na licitação perante órgão da administração pública federal direta ou autárquica ou em garantia da execução de contrato celebrado com tais órgãos. § 1º O depósito a que se refere o inciso III, do artigo 1º, suspende a exigibilidade do crédito da Fazenda Nacional e elide a respectiva inscrição de Dívida Ativa. § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.” (destacado) Não discrepa, quanto a substância, o teor do art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/80: “Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” (destacado) Desta Casa Julgadora, cito o verbete da súmula CARF nº 1 (Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial) e o art. 78, § 2º, in fine do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que trancrevo: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11080.731119/201324 Acórdão n.º 3401002.644 S3C4T1 Fl. 12 5 contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (...)” (grifei) Da leitura dos excertos coligidos, inferese sem maiores dificuldades que a legislação de regência afastou qualquer possibilidade de discussão paralela de questão submetida tanto à esfera administrativa quanto a judicial, prevalecendo sempre este último em vista do já aventado monopólio da jurisdição, como asseverado pela decisão recorrida. Na seqüência, caberia o exame da decadência, como preliminar de mérito que é, todavia, seu julgamento exige manifestação prévia de questão prejudicial consubstanciada na verificação ou não da existência de dolo e, conseqüentemente, fraude na conduta adotada pelo recorrente, motivo suficiente a impor a inversão da ordem de enfrentamento das matérias. Calcado nesta premissa, prossigo. Revolvendo os documentos que instruem a presente autuação, constato que o procedimento adotado pelo ora recorrente, tachado de fraudulento pela Administração Tributária, constituíase na emissão de notas fiscais de entrada, com CFOP 1.101, referente a compras, cuja descrição se limitava às seguintes expressões: “Crédito ext. ipi, mês ...”; “Crédito IPI ext. mês ...”; “Vlr. Crédito ext. ipi mês ...”, etc. Aludidas notas fiscais, juntadas ao processo, traziam apenas o valor supostamente apurado a título de crédito, indicado apenas no campo de descrição da mercadoria. Neste ponto, abro um parêntese para esclarecer que qualifico o valor como “suposto” porque não foi apresentada qualquer memória de cálculo sobre o montante apurado, ainda que a fiscalização tenha intimado o contribuinte a justificálo. Quando do registro desses documentos fiscais no Livro Registro de Entradas o contribuinte, ainda que dele não constasse este dado, informava a título de “valor contábil” um montante também fictício, sem que tenha esclarecido de onde foi retirado. Outrossim, em que pese afirmar o recorrente, em suas peças recursais, que tais créditos guardariam vinculação com o objeto do MS 2003.71.00.0358222, que, aliás, nunca poderia amparar a pretensão, porquanto não houve e não há qualquer decisão concessiva do direito reivindicado a verdade é que a colocação não passa de mera especulação, ao passo que não foi trazido aos autos qualquer elemento que a respaldasse. Notese que, como já acentuado, o recorrente não apresentou memória de cálculo alguma para demonstrar a apuração do crédito aproveitado na escrita fiscal, ainda que intimado a fazêlo pela fiscalização, tampouco justificou, ao longo do procedimento fiscal, a origem de tais valores. Portanto, diversamente do que alega o recorrente, o procedimento adotado é, sim, bastante obscuro, pois além de inexistir informações claras acerca da formação dos valores escriturados, o modus operandi adotado não encontra respaldo algum na legislação de regência do imposto, o que, a meu ver, adjetiva a conduta como dolosa, como muito bem sintetizado pela decisão reclamada, cujo excerto reproduzo: “Ocorre que o procedimento do sujeito passivo somente deixaria de ser obscuro se houvesse efetuado a direta escrituração, nos Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Livros correspondentes, de cada uma das notas fiscais de aquisição e do crédito fictício correspondente a cada uma das entradas não oneradas. Encontrarnosíamos, então, diante da mera escrituração indevida de créditos que o contribuinte, mal interpretando o princípio da nãocumulatividade do IPI, entenderia que lhe seriam de direito. Ao contrário, ao adotar o subterfúgio de lançar em notas fiscais de entrada por si emitidas direito creditório que já sabia indevido (ante a negativa judicial), delas fazendo constar descrição que não guarda qualquer relação com o seu verdadeiro conteúdo, o sujeito passivo, ao contrário do que alega, omitiu, simulou e dissimulou os fatos tributários efetivamente ocorridos, de modo a reduzir o montante do imposto devido. Tratase de conduta deliberada que encerra evidente elemento volitivo, por intermédio do qual o agente desejou e produziu o resultado almejado.” À luz do que consta dos autos, entendo concretizada a figura da fraude, descrita no art. 72 da Lei nº 4.502/64 como “toda ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento”. Na seqüência, convicto da ocorrência de dolo, afasto a contagem do lapso decadencial pelas disposições do art. 150 do CTN, ex vi da exceção constante do seu parágrafo quarto in fine, e fixo o art. 173, I do mesmo diploma legal como preceptivo adequado ao caso concreto, cujo termo inicial recai no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Este posicionamento encontra guarida na doutrina pátria, valendo, por todos, a remissão aos ensinamentos de Luciano Amaro1, verbis: “Porém, há duas ressalvas no art. 150, § 4º. A primeira está ao dizer que o lapso temporal nele estabelecido se aplica ‘se a lei não fixar prazo à homologação’, e a segunda concerne aos casos de dolo, fraude ou simulação, que são expressamente excepcionados na parte final do preceito, onde se regula a homologação ficta. (...) A segunda questão diz respeito à ressalva dos casos de dolo, fraude ou simulação, presentes os quais não há homologação tácita de que trato o dispositivo, surgindo a questão de se saber qual seria o prazo dentro do qual o Fisco poderia (demonstrando que houve dolo, fraude ou simulação) recusar a homologação e efetuar o lançamento de ofício. Em estudo anterior, concluímos que a solução é aplicar a regra geral do art. 173, I. Essa solução não é boa, mas continuamos não vendo outra, de lege lata. (...)” No caso vertente, os fatos geradores mais remotos se verificaram em janeiro/2008, sendo que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser formalizado é 01/01/20009, de maneira que o dies ad quem, isto é, o termo final, seria 01/01/2014 (ou, 31/12/2013, como entendem alguns). Como a ciência pessoal da autuação ocorreu em 21/10/2013, não há valor algum alcançado pela decadência. 1 Direito tributário brasiliero. 5ª edição revista e atualizada. São Paulo: Saraiva, 2000. pág. 387. Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11080.731119/201324 Acórdão n.º 3401002.644 S3C4T1 Fl. 13 7 Com estas considerações, entendo que a decisão recorrida não merece qualquer reparo, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos, razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10680.901877/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
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ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 01 87 7/ 20 12 -1 1 Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.175 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SAMARCO MINERAÇÃO S/A contra Acórdão nº 0246.029, de 8 de julho de 2013, proferido pela 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade, de sorte a: · Cancelar as glosas efetuadas em relação às despesas com transmissão de energia elétrica, recompondo o crédito, nos valores constantes na planilha nº 15 da fiscalização (fl. 874); e · Cancelar em parte as glosas efetuadas em relação aos bens do ativo imobilizado, recompondo o crédito, nos valores constantes na coluna “Crédito com o Imobilizado” do demonstrativo constante do DOC. 01 do aditamento da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte (fls. 463/464); · Ressaltar que a DRF de origem deverá, ainda: proceder à Recomposição dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação, conforme planilhas nºs 26 e 27 da fiscalização, homologando a(s) Dcomp apresentada(s), até o limite dos créditos apurados. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “A contribuinte acima identificada apresentou Pedido de Ressarcimento – PER – de crédito de PIS nãocumulativo – Exportação, relativo ao 1º trimestre de 2010, no valor de R$ 7.786.259,97, com posterior encaminhamento de Declaração(ões) de Compensação – Dcomp – relativa(s) ao mesmo crédito, além de Dcomp relativa ao mês de janeiro, no valor de R$ 2.622.088,66. Os documentos tiveram processamento eletrônico, com intervenção manual do Serviço de Fiscalização da DRF/Belo Horizonte, que procedeu a auditoria para verificação quanto à procedência dos créditos. O crédito foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 7.463.258,42, em face das glosas efetuadas pelo fisco, por entender que tais créditos não estavam em consonância com o disposto na legislação que rege a matéria. Os dispositivos legais infringidos constam no Relatório Fiscal relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 06101002011.014270 (fls. 958/978). Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.176 3 Em conseqüência, houve homologação parcial de sua(s) Dcomp, conforme Despacho Decisório com nº de rastreamento 022394446, emitido em 04.05.2012 (fl. 434), do qual a contribuinte tomou ciência em 14.05.2012, conforme tela acostada à fl. 980. Em 13.06.2012, foi protocolizada a manifestação de inconformidade de fls.02/53 (anexos às fls. 55/433), contendo os elementos que se seguem. TEMPESTIVIDADE Informa sobre as datas de ciência do Despacho Decisório e da apresentação da Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias. 2. OS PONTOS DISCORDANTES QUANTO AOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS. BREVE RELATO DOS FATOS. Nesse item, foram levantados os pontos de discordância em relação ao Relatório da Fiscalização, a seguir sintetizados: a) Que a fiscalização demonstra contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social da empresa, posto que diversos créditos glosados são oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; b) Que a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; c) Que alguns produtos foram glosados sob o argumento de que deveriam ter sido contabilizados como bens do ativo imobilizado; d) Que foram glosados produtos adquiridos com alíquota zero, o que, egundo o fisco, estaria impedido pelo § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003; e) Que a fiscalização entende que a empresa não poderia se creditar dos dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, mas apenas com a compra de energia, o que a contribuinte considera um absurdo, já que não se pode dissociar uma coisa da outra e, além disso, segundo ele, haveria dispositivo expresso determinando o creditamento sobre o custo de tal energia; f) Que, apesar de a contribuição para o PIS e a Cofins terem como base a totalidade das receitas, a fiscalização não reconhece a contrapartida (despesas e custos necessários à consecução das atividades), usando o argumento de que “nem todos os custos, despesas ou encargos incorridos para a consecução do faturamento Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.177 4 da empresa geram direitos a créditos, (...)”, glosando itens diversos. Sobre esses itens, discorre, de forma individual, a saber: f.1) Insumos e Serviços Utilizados no Mineroduto – que a fiscalização entende que não se enquadram como insumos os gastos nele empregados, e que se trata de transporte de produto em fase de elaboração, efetuado pela própria empresa, entre seus estabelecimentos, não gerando direito a créditos. Sobre esse entendimento, a contribuinte entende estarem indo de encontro à intenção contida no sistema de não cumulatividade. f.2) Demais Serviços – que os créditos foram glosados por referiremse a gastos com serviços utilizados indiretamente na produção do minério, não se enquadrando no conceito de insumo e que a fiscalização elenca alguns desses serviços, “a título exemplificativo”, conforme se segue: f.2.1) Aluguel de Veículos – que, segundo a fiscalização, não se encontra listado no art. 3º do inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Por outro lado, a contribuinte alega que os créditos se referem a equipamentos e máquinas empregados em seu processo produtivo. f.2.2) Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários – que a fiscalização desconsiderou a atividade de administração do porto, constante no objeto social da empresa. Além disso, segundo a reclamante, as dragas são utilizadas na mineração. f.2.3) Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos – segundo a reclamante, faltaram motivo e motivação para a glosa, cuja fundamentação foi apenas no sentido de não se constituírem insumos. Além disso, alega que tal serviço busca o reaproveitamento do minério e está inserido diretamente no processo produtivo. f.2.4) Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas – que, segundo a fiscalização, são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo. A contribuinte, por outro lado, entende que são empregadas ao longo do processo. Além disso, alega que há exigência da legislação ambiental para a contratação desses serviços. f.2.5) Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias – que as glosas também foram motivadas com base no conceito de insumo – do qual a reclamante discorda – e devido ao entendimento de que não se tratam de bens e serviços em contato direto com o produto final f.3) Obras de Construção Civil – que as glosas foram efetuadas por não se amoldarem ao conceito de insumo. Por sua vez, a reclamante sustenta que tais obras se referem Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.178 5 a manutenção das barragens, e, portanto, essenciais e intrínsecas ao seu processo produtivo. Resumindo o seu relato, a contribuinte infere que a fiscalização não detalhou os produtos e serviços glosados, nem motivou suas glosas, ferindo o seu direito de defesa. 3. RECONHECIMENTO PARCIAL DA GLOSA. PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. EQUÍVOCO GERADO PELO SISTEMA. PAGAMENTO. No que diz respeito às glosas efetuadas sobre produtos adquiridos com alíquota zero, a contribuinte admite que se creditou indevidamente, informando que já procedeu à recomposição da conta gráfica, e que iria recolher o valor devido. 4. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO SEM DILIGÊNCIAS IN LOCO. Seguindo em sua explanação, a contribuinte afirma que o lançamento está eivado de nulidades, uma vez que a fiscalização se baseou em arquivos eletrônicos, sem proceder a inspeção in loco, e, nesse sentido, segue argumentando sobre a falta de motivação e da apresentação de provas por parte do fisco, e requer a declaração de nulidade do lançamento fiscal. 5. NOTAS INTRODUTÓRIAS. A ATIVIDADE DA REQUERENTE E SEU OBJETO SOCIAL. A PECULIARIDADE DA SUA PLANTA, DESDE A SUA CONCEPÇÃO. No item 5 de sua manifestação de inconformidade, a reclamante faz uma detalhada descrição do objeto social da empresa, do seu processo produtivo e da sua planta integrada. Sobre o seu objeto social, destacase que envolve a pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Sobre seu processo produtivo, explica que é integrado, da mina ao porto, sendo essa a concepção desde sua origem. Descreve esse processo, desde a lavra, que se dá na unidade de Germano, em Mariana e Ouro Preto (MG), passando pelos processos de separação do rejeito, moagem, deslamagem, flotação, até o seu transporte, como polpa, para a unidade de Ubu, em Anchieta (ES), por meio de minerodutos, terminando na etapa de Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.179 6 pelotização, citando inclusive os diversos produtos utilizados como agentes nesse processo, explicando sua ação. E sobre sua planta integrada, discorre sobre a sua concepção, ressaltando que não se trata de apenas uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai minério e agrega valor ao produto, além de o exportar, daí a necessidade da total integração do seu processo produtivo. Acrescenta, ainda, os efeitos dessa integração nos resultados alcançados pela empresa, ressaltando a sua importância. 6. MÉRITO. NÃO CUMULATIVIDADE PIS/COFINS. A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS E OS EQUÍVOCOS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. Nesse item, a manifestante inicia com uma longa explanação sobre a legislação relativa ao tema, desde o texto constitucional até a jurisprudência sobre o assunto, incluindose a relação com as legislações do IRPJ e do IPI. A seguir, adentra na questão da interpretação do conceito de insumos, defendendo, a partir dos dispositivos constitucionais e legais, que todo bem ou serviço, que seja necessário à obtenção de receitas pela empresa, deve ser admitido como gerador de crédito de PIS e Cofins. Alega, ainda, em resumo: que a Constituição Federal reservou à lei apenas a definição do setor econômico ao qual se destinaria a nãocumulatividade; que não se pode utilizar, para a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, o conceito de insumo que serve para o IPI, dadas as diferenças entre tais tributos, inclusive no que diz respeito aos serviços, não incluídos neste (nesse sentido, cita decisões judiciais que consideram a essencialidade como a condição a ser observada na determinação do conceito); e que, devido às semelhanças do PIS e a Cofins com o IRPJ, o conceito a ser adotado seria o mesmo adotado para esse imposto (citando decisões judiciais e Acórdão do CARF nesse sentido). Cita alguns exemplos do que classifica como “equívocos cometidos pela fiscalização quanto ao conceito de insumos”, qual o dos créditos relativos a gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos, e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na Mina, solicitando que esta DRJ considere insubsistentes a glosas efetuadas ou, caso assim não entenda, que considere os insumos constantes de sua planilha anexa ou, em última instância, que seja feita prova pericial, a fim de demonstrar que todos os créditos glosados se referem a produtos e serviços essenciais à atividade da empresa e, portanto, legítimos. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.180 7 A partir de então, procede à argumentação sobre a improcedência da glosa para cada tipo de crédito, conforme se segue, de forma resumida. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – ATIVO IMOBILIZADO: Em relação às glosas efetuadas por terem sido considerados créditos relativos a bens destinados ao ativo imobilizado, mais uma vez a reclamante alega falta de motivação do lançamento, pela fiscalização. Acusa, ainda, a falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado. De acordo com o seu entendimento, se a fiscalização, ao recompor a conta gráfica da empresa, não considerou as parcelas já devidas com base na depreciação, o crédito tributário resultante das glosas caracterizase insubsistente. Em última instância, entende que tal recomposição deva ser feita pela fiscalização, caso não se considere o crédito integralmente. CRÉDITO SOBRE DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA: Sobre os créditos sobre despesas com energia elétrica, a reclamante insurge contra as glosas efetuadas sobre os insumos e serviços relativos às usinas próprias da empresa e sobre os custos com transmissão e distribuição de energia (encargos denominados TUSD). No caso dos gastos empregados em suas usinas, argumenta que não haveria sentido em a aquisição de energia das concessionárias gerar mais créditos que a autoprodução, uma vez que o Governo Federal incentiva os investimentos com produção de energia elétrica. Acrescenta que a energia elétrica é essencial ao processo produtivo da empresa e ressalta que a nãocumulatividade não é benefício fiscal, mas apenas cumprimento de preceito constitucional, conforme já defendido antes. Quanto aos gastos empregados nos encargos de distribuição, segundo o entendimento da reclamante, estão contidos nos custos incorridos com energia elétrica, nos termos do inciso IX do art. 3º da lei nº 10.637/2002 e do inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Em defesa do seu entendimento, explica em detalhes o modelo do setor elétrico brasileiro, concluindo que o fato de os custos relativos à distribuição de energia serem cobrados separadamente dos custos com a compra, como é o caso da contribuinte, que se encontra na categoria de consumidor livre, é irrelevante para a sua classificação como créditos de PIS e Cofins passíveis de aproveitamento. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.181 8 Sobre as glosas dos créditos relativos a serviços, a reclamante contesta, de forma geral, a sua falta de enquadramento, pela fiscalização, do conceito de insumo, e, a seguir, contesta alguns pontos do relatório em relação a cada serviço. Serviços prestados no mineroduto: Em relação aos serviços prestados no mineroduto, insiste no conceito de planta única de produção, na qual o mineroduto seria apenas uma das etapas, a saber, o ponto de ligação entre os dois estabelecimentos da empresa. Reforça seu entendimento sobre a possibilidade de creditamento desses serviços, com o questionamento “o tributo plurifásico não cumulativo não deve ser neutro? Ora, se a planta de MG pertencesse a uma empresa, o mineroduto a outra e a planta do ES a uma terceira, os custos da primeira planta e do mineroduto seriam passíveis de creditamento pela planta do ES, certo? Se assim o é, a requerente tem direito aos créditos ora vindicados.”. Nesse sentido, segundo afirma, versa Acórdão do CARF, que também transcreve. Aluguel de veículos: Sobre o creditamento dos gastos com aluguel de veículos, argumenta que o contrato também prevê a locação de equipamentos, como caminhões e tratores utilizados na mineração, cujos créditos são os únicos tomados pela empresa e, portanto, dentro da previsão do inciso IV do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Locação de dragas e reboque, serviço de rebocador, serviços portuários: O mesmo argumento é utilizado em relação aos créditos relativos à locação de dragas e reboque e aos serviços de rebocador e portuários. Acrescenta que, nesse item, a legislação sequer fala em insumos, mas simplesmente exige que tais máquinas e equipamentos sejam “aplicados nas atividades da empresa”. Explica a natureza do afretamento, concluindo que nada mais são, em sua essência, que contratos de locação de embarcação, sendo que algumas modalidades (afretamento por viagem e por tempo) possuem um caráter híbrido, pois, nesses casos, está incutido um misto de locação e de prestação de serviço, já que os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, etc, correm por conta do fretador e não do contratante (afretador). No sentido de firmar esse entendimento, cita decisão do STJ e consulta à Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF da 8ª RF, versando sobre créditos de aluguéis. Por fim, alega que a própria fiscalização mencionara a administração do porto como uma das atividades da empresa, onde seriam empregadas as dragas cujo crédito fora glosado, e acrescenta que tais dragas também são utilizadas na atividade de mineração, como provam as notas Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.182 9 fiscais que listam serviços realizados na unidade de Mariana/MG, de forma que requer a insubsistência das alegações fiscais quanto a este item. Serviços de limpeza. Recolhimento e transporte de rejeitos: Sobre os créditos relativos a serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, a reclamante afirma que faltou motivo e motivação para as respectivas glosas, uma vez que, segundo afirma, a fiscalização nada diz sobre esses serviços. Assim, entende que poderá ser feita prova pericial, a fim de se comprovar que tais serviços não se tratam de simples limpeza, mas de reaproveitamento de rejeitos, e em obediência aos ditamos ambientais, intrínseco, portanto, ao processo produtivo. Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas: Em relação aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem e análises físicas e químicas, a reclamante, juntando notas fiscais como prova, afirma que mais uma vez a fiscalização teria cometido equívoco, ao afirmar que tais serviços são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo propriamente dito. Cita Acórdão, em que o CARF se pronuncia sobre os serviços de terraplanagem, e decisões sobre o entendimento do que seja considerado o processo produtivo, para efeito de beneficiamento do ICMS, argumentando que está pacificado o entendimento de que deva prevalecer o critério da essencialidade na definição dos valores que podem ser creditados. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias: No que diz respeito aos créditos relativos a serviços empregados nas usinas hidrelétricas próprias, o argumento é no sentido de que os insumos utilizados na autoprodução de energia também integram o produto final, na mesma linha do que já foi longamente abordado. Obras de construção civil: E, sobre os créditos decorrentes dos serviços denominados “obras de construção civil”, afirma que tais obras se referem a manutenção das barragens essenciais, intrínsecas ao processo produtivo, anexando notas fiscais que, segundo ela, comprovam a natureza dos serviços. Insiste que faltou uma análise in loco, pela fiscalização, e que a simples análise dos contratos já permite se verificar que os serviços cujo crédito fora glosado são imprescindíveis ao processo produtivo da mineração. 7. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.183 10 Após todos os seus apontamentos e argumentações sobre a improcedência das glosas efetuadas, conforme acima sintetizado, a contribuinte aborda a necessidade de se proceder a prova pericial, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Nesse sentido, elenca diversos pontos que, a seu ver, deverão ser resolvidos pela prova pericial, que vão desde a concepção da empresa, em sua origem, até o detalhamento do bens que tiveram seus créditos glosados, indicando, inclusive, um assistente técnico para a solicitada perícia. Entre os pontos levantados, a reclamante questiona: sobre as atividades realizadas pela empresa e sobre como a empresa foi concebida, em sua origem; sobre a existência ou não do direito a determinados créditos; sobre a composição do crédito levantado pela fiscalização; sobre o enquadramento dos encargos de energia elétrica glosados pela fiscalização no conceito de custo da energia; sobre a essencialidade de determinados serviços no processo produtivo da empresa; sobre a abrangência de determinadas rubricas que tiveram seus créditos glosados. Pede, ainda, que sejam relacionados (em planilhas) os itens glosados (bens e serviços), com informações diversas relativas ao produto, sua essencialidade para as atividades da empresa e sobre a possibilidade de dedução de seu custo, para fins de IRPJ e CSLL. 8. DO PEDIDO. Conclui sua manifestação de inconformidade, pedindo que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos. Requer, ainda, a juntada posterior dos documentos faltantes da manifestação de inconformidade. 9. ADITAMENTO. Posteriormente, em 17.07.2012, a contribuinte juntou novos documentos (fls. 448/517), solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente. Inicialmente, faz um breve relato dos fatos, resumindo os pontos de discordância em relação às glosas efetuadas, já longamente abordados na manifestação de inconformidade original. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.184 11 Sobre a parte da glosa relacionada a produtos sujeitos a alíquota zero, a qual já havia reconhecido inicialmente como devida, acrescenta planilhas, demonstrando os valores em relação ao total do crédito glosado, por trimestre, e detalhando os valores recolhidos com seus acréscimos moratórios, bem como os respectivos comprovantes de pagamento. Quanto aos créditos relativos a aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado, repete as alegações iniciais sobre a possibilidade de se creditar parte dos valores, relativa à depreciação dos bens, nos termos § 1º, III e § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, insistindo no fato de que a fiscalização deveria ter considerado tais créditos e recomposto sua conta, já que procedeu a lançamento tributário. Acrescentou planilhas demonstrativas dos créditos inicialmente aproveitados em relação aos créditos devidos sobre o ativo imobilizado, com as respectivas diferenças apuradas, as quais, segundo entende, devem substituir as glosas efetuadas, além de outros documentos, no sentido de comprovar a procedência desses valores. Embora não conste na manifestação inicial, a reclamante se insurge aqui contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. Segundo afirma, esses óleos seriam utilizados tanto para alimentar os fornos de pelotização do minério, quanto para abastecer os caminhões utilizados na mina. Cita Solução de Consulta da SRRF da 10ª RF e decisão do Conselho de Contribuintes de Minas Gerais – CCMG, relativa ao ICMS. Defende que esta DRJ deve julgar “insubsistente o lançamento”, tendo em vista a impossibilidade de se analisar todos os produtos glosados, e deferir a prova pericial, para análise dos julgadores. Conclui, pedindo, mais uma vez, que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos, além de requerer a reformulação do crédito tributário cobrado, considerandose o pagamento parcial, conforme comprovado. E, mais uma vez, requer a juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários ao julgamento. 10. DILIGÊNCIA. Em 11.03.2013, esta DRJ emitiu Resolução, convertendo o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados, e a conseqüente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.185 12 Para a realização da diligência, o Serviço de Fiscalização da DRF de Belo Horizonte procedeu à abertura do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100.2013 004204, intimando a contribuinte, em 16.04.2013, a apresentar a documentação necessária, a qual foi apresentada em 07.05.2013. Após a análise da documentação apresentada, a Fiscalização emitiu, em 20.05.2013, Relatório Fiscal, com as conclusões abaixo transcritas, em resposta aos questionamentos desta DRJ: 1. As máquinas e equipamentos foram adquiridos de pessoas jurídicas e foram utilizadas na produção de bens destinados à venda e/ou prestação de serviços, conforme determinam a legislação de regência; 2. Ratificamos a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade de 17/07/2012, relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que foram objetos de glosas por esta fiscalização, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Em 22.05.2013, a contribuinte tomou ciência do Relatório Fiscal, com o resultado da diligência, não apresentando, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento tributário em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À USINA. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.186 13 relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos da usina, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos das despesas e custos relativos à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MINERODUTO. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados a mineroduto, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, por falta de previsão legal, e nem os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que não sejam comprovadamente empregados na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE DRAGAS, LOCAÇÃO DE REBOQUE, SERVIÇO DE REBOCADOR, SERVIÇOS PORTUÁRIOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações, por falta de previsão legal, nem os serviços relacionados ao porto, que não sejam comprovadamente empregados na atividade de navegação, por não se classificarem como insumos na produção de minério. Não se pode considerar o simples fato de uma determinada atividade constar no objeto social da empresa suficiente para que todo e qualquer serviço relacionado diretamente a essa atividade tenha seus créditos descontados do valor devido pela empresa. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE LIMPEZA, RECOLHIMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.187 14 Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. SERVIÇOS DE TOPOGRAFIA, OPERAÇÕES DE EFLUENTES, SERVIÇOS DE DRENAGEM, ANÁLISES FÍSICAS E QUÍMICAS Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À MANUTENÇÃO CIVIL. Os gastos com serviços empregados em edificações somente podem gerar crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins, apuradas de forma nãocumulativa, em relação aos respectivos encargos com depreciação e amortização. Não se enquadram como insumo, para efeito de gerarem direito a crédito, os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificado do referido acórdão em 4 de outubro de 2013, a interessada apresentou recurso voluntário em 17 de outubro de 2013, pleiteando o provimento integral do presente recurso, a fim de que seja parcialmente reformado o acórdão da DRJ para, de forma sucessiva: · Decretar a insubsistência do despacho decisório, porque não houve inspeção in loco para constatar se os produtos e serviços se aplicam no processo produtivo da Recorrente; o ato administrativo do lançamento não tem a correta motivação, o que impede o direito de defesa pela recorrente e não pode a Fiscalização elencar os produtos e serviços Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.188 15 apenas de maneira exemplificativa, pois novamente fere o direito de defesa da recorrente; · Ad argumentandum, se assim não entender, devem os autos serem baixados em diligência para que a Receita Federal do Brasil informe, detalhadamente, como se deu a reformulação do crédito tributário, uma vez que a ausência da memória de cálculo impede que a recorrente verifique a exatidão dos números apontados como remanescentes do crédito tributário. Além disso, deverão ser descontados todos os combustíveis que participam do processo produtivo (com base na planilha elaborada pela fiscalização) a fim de que se dê efetividade à decisão da DRJ. · Ainda de forma sucessiva, a decisão recorrida merece ser anulada, retornando os autos à origem para elaboração da prova pericial ou, se assim não entender, que esta prova se realize por determinação da segunda instância administrativa. Ad argumentandum, se por absurdo o CARF não entender pela nulidade da decisão recorrida pela não realização da prova pericial ou pela impossibilidade de realização desta, por estarem os autos em segunda instância administrativa, requer sejam os autos baixados em diligência para que a fiscalização responda aos quesitos acima mencionados, concedendo vista a recorrente para que também se manifeste sobre a apuração da fiscalização; · No mérito, merece ser reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a reforma parcial da decisão recorrida e conseqüente homologação da compensação ora pleiteada e extinção dos débitos fiscais nelas compensados, pois todos os produtos elencados são consumidos no processo produtivo, sendo essencial a este; todos os serviços são utilizados diretamente no processo produtivo, assim, em homenagem a não cumulatividade e aos precedentes administrativos e judiciais existentes, o creditamento deve ser mantido. É o relatório. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.189 16 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 4 de outubro de 2013, apresentando a recorrente recurso voluntário em 17 de outubro de 2013. Depreendendose da análise dos processos vêse que a lide em comento envolve a liquidez e a certeza do crédito de PIS e COFINS constituído pela recorrente decorrente de vários eventos. Quanto ao conceito de Insumos, primeiramente, descreve a recorrente as atividades vinculadas ao seu objeto social, trazendo, entre outros, o objeto que consta de seu estatuto social: “[...] pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionistas ou quotista.” Descreve, assim, que a Samarco, quanto: 1. ao Objeto Social: · Detém a tecnologia e as instalações necessárias à extração de minério, seu beneficiamento, pelotização e embarque; · Por meio de permanente evolução técnica, extrai minério de baixo teor de ferro e o converte em produto de alta qualidade para a siderurgia, de forma rentável e competitiva; · O principal produto da empresa é a pelota de minério de ferro; Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.190 17 · Para atender às exigências dos clientes em escala global, produz e comercializa um número considerável de diferentes tipos de pelotas; · Esta flexibilidade engloba demandas específicas, conforme o tipo de tecnologia de redução adotada pelo cliente, seja altoforno ou redução direta; · A pelota de minério de ferro, dentre as matériasprimas utilizadas na fabricação do aço, é um dos insumos de qualidade bem determinada, que garante aos processos de redução direta e altoforno elevada produtividade e estabilidade; 2. Ao Processo Produtivo da Samarco: · Executa três atividades principais, quais sejam, extração do minério de ferro (lavra), beneficiamento e pelotização do minério e exportação das pelotas; Sendo: 1ª Etapa – processo de tratamento de minério bruto (objeto da lavra): o minério lavrado passa por uma instalação de peneiramento e britagem a seco. Esse minério alimenta os prémoinhos que alimentarão os moinhos primários. 2ª Etapa – processo de concentração do teor do minério de ferro: Após esta etapa, a polpa é deslamada na ciclonagem. O material é alimentado no circuito de flotação em coluna. Posteriormente, a polpa alimenta os espessadores. 3ª Etapa – processo de bombeamento do concentrado para a Usina: A polpa é transferida para os tanques de estocagem para, então, ser bombeada pelo mineroduto até as usinas de pelotização em Ubu. 4ª Etapa – processo de preparação do minério concentrado: A polpa recebida passa por diversas etapas de preparação do minério, sendo elas: torre de recebimento, espessamento, tanques homogeneidade, filtragem, roller press e área de insumos (mistura). 5ª Etapa – processo de adição de insumos e formação das pelotas: Após receber as adições de insumos (carvão, calcário e aglomerante) o minério segue para os discos pelotizadores, onde se inicia Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.191 18 a formação das pelotas cruas. Ao serem descarregadas dos discos, as pelotas cruas passam por um processo de classificação nas mesas de rolos, sendo posteriormente reclassificadas na alimentação do forno de endurecimento. 6ª Etapa – processo de separação das pelotas e embarque para exportação: após a etapa de queima das pelotas, as mesmas passam por um conjunto de peneiras que separam as pelotas. As pelotas são empilhadas no pátio e posteriormente recuperada para o embarque. 3. À concepção de planta integrada: · Possui um processo de produção integrado, da mina ao porto, que garante alta eficiência produtiva e baixos custos operacionais; · A planta demonstra que a Samarco foi concebida para ser não somente uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai o minério, passando este por um processo produtivo que agrega valor ao produto, uma empresa exportadora – o que justifica o processo produtivo ser integrado – de Minas Gerais (onde está a matéria prima) ao Espírito Santo (onde se encontra o porto); · A integração das plantas de MG e do ES busca maximizar o processo produtivo, agregar valor ao minério e deixar o produto pronto para ser exportado; · A existência de atividades portuárias visa exatamente dar cabo da última etapa de sua concepção de sua atividade: a exportação. Descritas todas as etapas de produção e justificação da adoção da planta para observância do objeto social da Samarco, passa a discorrer sobre o conceito de insumos. O que, quanto a esse tema, traz a recorrente que: · O texto constitucional não trouxe qualquer condicionante para aplicação da não cumulatividade; · Mesmo que se aceite as limitações constantes nos textos legais, o conceito de insumo não poderia ser amesquinhado com a analogia ao IPI, posto que as contribuições têm espectro amplo; Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.192 19 · A Fiscalização desconsiderou o conceito restritivo trazido pela própria RFB. Com efeito, traz que com o advento da EC 42/2003, a faceta exclusiva da não cumulatividade aos tributos plurifásicos foi modificada, tendo sido acrescentado o parágrafo 12 ao art. 195 da CF/88: “Art. 195(...) § 12 A Lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b, e IV do caput serão não cumulativas.” Aduz que o § 12 do art. 195 da CF, não obstante tenha deixado ao alvedrio do legislador ordinário definir quais seriam os setores abrangidos pela não cumulatividade, nada dispôs sobre os contornos desta sistemática não cumulativa imposta (extensão e efeitos do creditamento), sendo certo que a definição da não cumulatividade aplicável defluiria da própria natureza do fato imponível destas contribuições, em muito divergente da materialidade dos demais tributos não cumulativos. Em face da amplitude da materialidade dos tributos incidentes sobre a receita, desenvolve a recorrente que o cumprimento da não cumulatividade deveria necessariamente partir da premissa de que a efetiva depuração da base de cálculo das contribuições ocorre tão somente quando creditadas todas as despesas incorridas para a formação da receita, sempre que tais despesas forem efetivamente suportadas pelo contribuinte e se mostrarem necessárias à atividade produtiva do contribuinte. Assim, define a recorrente que certo é que a Constituição não outorgou poderes ao legislador infraconstitucional para definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, conclui que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte. Sempre que estas se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Neste sentido, a recorrente destaca o duplo caráter da essencialidade discutida de natureza ontológica e jurídica. Traz ainda: Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.193 20 · as premissas que devem ser fixadas para a análise da repercussão da não cumulatividade sobre a apuração da base tributável do PIS e a COFINS; · que a não cumulatividade estabelecida para o PIS e a COFINS possui suas bases nos art. 195 e foi instituída de forma ampla, visando o afastamento da sobreposição tributária; · que, assim, a observância ao preceito da não cumulatividade deve levar em consideração a própria natureza do fato gerador da obrigação tributária e a amplitude da base de incidência econômica de modo a possibilitar a efetiva depuração de base, afastando a incidência em cascata da tributação, premissa maior da adoção da sistemática não cumulativa em qualquer espécie tributária; o que, portanto, devese reconhecer a possibilidade de creditamento de todas as despesas que se mostrem necessárias à atividade produtiva do contribuinte e que tenham constituído receita de outras pessoas jurídicas em razão do produto ou serviços adquiridos, evitandose a sobreposição tributária; · a impossibilidade de se aplicar, por analogia, as regras atinentes à não cumulatividade dos demais tributos plurifásicos (IPI e ICMS) ao regime de não cumulatividade imposto pela CF ao PIS e a COFINS – o que afasta a possibilidade de se restringir o direito de creditamento ao que, na sistemática dos impostos, denominase crédito físico, pois as despesas que afetam a receita tributável do contribuinte não necessariamente se relacionam ou integram o produto final no processo produtivo; · as disposições das Leis 10.637/02 e 10.833/03 regulam a sistemática do creditamento do PIS e da COFINS; Não obstante a posterior constitucionalização da não cumulatividade atrelada as contribuições e a amplitude do alcance do texto constitucional, a RFB passou a adotar uma interpretação restritiva das legislações, entendendo que o conceito de insumos deveria buscar o conceito do IPI; · O que, enfatiza que, de acordo com a RFB, a CF teria conferido a lei ordinária poderes para delimitar os contornos de uma não cumulatividade que a própria CF não limitou. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.194 21 Dessa forma, conclui a recorrente que se torna necessário afastar qualquer espécie de interpretação que vislumbre o estabelecimento de critério restritivo para apuração de créditos e extensivo para apuração da base de cálculo das contribuições, pelo que, em face da elevação da não cumulatividade do PIS e da Cofins à esfera constitucional, não restam dúvidas de que o rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 10.833/03, possui caráter meramente exemplificativo, sendo restritivas apenas as vedações expressamente estabelecidas por lei. Continuando, manifesta que houve equívocos cometidos pela Fiscalização quanto ao conceito de insumos, em relação a glosa de produtos que participam do processo produtivo da Empresa, tendo em vista que adotando um critério mais restritivo a fiscalização tomou como base uma planilha informativa, na qual constavam dois questionamentos – quais sejam, se o produto é desgastado no processo produtivo e se tinha contato físico com o minério e sempre que a resposta à última coluna (contato físico com o produto) fosse “não”, glosava o crédito. Assim, traz que a fiscalização ignorou que nessa mesma planilha também constava expressamente a pergunta “usa no processo”. Dos produtos utilizados no processo produtivo Para a recorrente, os créditos de combustíveis já foram restabelecidos pela decisão da DRJ na fundamentação, pois seguindo o entendimento fiscal, deveriam ter sido glosados somente os lubrificantes que não participassem do processo produtivo – o que não foi feito, pois os lubrificantes que muito embora participassem do processo produtivo não entravam em contato direto com o minério, foram glosados pela fiscalização, mas mantidos pela DRJ. O que, entende a recorrente que merece ser restabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência fiscal consoante entendimento administrativo sobre o assunto e, acima de tudo, em respeito a assentada decisão. Para tanto, cita alguns produtos glosados pela Fiscalização e que são diretamente utilizados no processo produtivo, tais como: Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.195 22 · Soda Caustica líquida – insumo utilizado para regular o pH do minério e para gelatinizar o amido; · MONOAMINA – coletor utilizado no processo de flotação para separar as partículas minerais de seus contaminantes (sílica). Do combustível utilizado nos caminhões fora de estrada Para o pedido de consideração desses combustíveis para fins de creditamento das r. contribuições, argumenta a recorrente que este CARF acata os insumos imprescindíveis ao processo produtivo, mas a fiscalização glosou créditos de gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos. Etapa primordial e nuclear de seu processo produtivo na pelotização do minério e, que, por sua vez, foi considerado como gerador de crédito pela DRJ ainda que não seja aplicado diretamente no produto, mas nos fornos que são utilizados na produção do minério. Dos serviços utilizados como insumos Quanto aos créditos sobre serviços utilizados como insumos, manifesta a recorrente que a fiscalização glosou serviços essenciais e intrinsecamente ligados à atividade produtiva da empresa, tais como: · Serviços prestados no mineroduto; · Aluguel de veículos; · Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; · Serviço de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; · Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; · Consorcio UHE GuilmanAmorim, operação, Manutenção e Conservação UHE Muniz Freire; · Obras de Construção Civil. Contesta, portanto, os serviços glosados, trazendo defesa para cada serviço. O que passo a discorrer: Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.196 23 Do Serviços prestados no mineroduto Menciona a recorrente que o processo produtivo iniciase em Germano e finaliza com a exportação das pelotas de minério de ferro em UBU, sendo: · a extração de minério e a remoção de material estéril realizadas utilizando frota de equipamentos móveis de grande porte, aliada ao uso de sistema de correias transportadoras; · a polpa de minério concentrado transportada da unidade de Germano até a unidade de UBU pelos minerodutos; · quando a polpa chega a UBU, no município de Anchieta, começa a etapa da pelotização; · Posteriormente, os produtos são exportados. Descreve a recorrente que a fiscalização entendeu que todos os insumos e serviços alocados no centro de custo do mineroduto não podem gerar o direito ao creditamento, pois os atos normativos impõem como requisito indispensável para ser considerado como insumo que o bem ou serviço seja aplicado ou consumido diretamente na produção ou fabricação de bens destinados a venda. Do aluguel de veículos equipamentos Especificamente a essa questão, ao citar o art. 3º, IV das Leis 10.637/02 e 10.833/03, a Fiscalização entende que o dispositivo não citou aluguel de veículos, o que conclui que a intenção do legislador era outorgar o direito a tal crédito. Não obstante, observa que a empresa não toma o crédito com o transporte de pessoas, mas apenas a locação de equipamentos. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade, afirmando que, muito embora a locação tenha sido de máquinas e equipamentos, e não aluguel de veículos, não restou comprovado que os equipamentos são diretamente empregados no seu processo produtivo. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.197 24 Quanto à locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, a recorrente traz a mesma literalidade do item anterior, posto que as leis 10.637/02 e 10.833/03, em seu art. 3º, inciso IV autorizam o creditamento dos valores de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Traz que não se mencionam processo produtivo, insumos, nada disso. O único critério é que os prédios, as máquinas e os equipamentos locados sejam aplicados nas atividades da empresa. Aduz que a decisão da DRJ afastase da literalidade da lei na medida em que insistente que as atividades glosadas não servem à extração/industrialização do minério, mas seriam somente de transporte. A premissa trazida pela DRJ se traduz que muito embora a atividade portuária esteja prevista no objeto social da empresa – o que caracterizaria os serviços e locações como atividade da empresa, a recorrente não demonstrou que tais atividades foram praticadas durante o período fiscalizado. Entende o fisco que somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Continua: “ Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de afastar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa.” Quanto aos contratos de afretamento de embarcações, temse que há três espécies diferentes de contrato de afretamento: · Afretamento a casco nu: contrato de aluguel. O afretador recebe o navio e será responsável por providenciar tripulação, manutenção, abastecimento, etc. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.198 25 · Afretamento por viagem: o navio é contratado pelo afretador para uma única viagem, com destino e carga préestipulados. Todos os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, correrão por conta do afretador; · Afretamento por tempo – nesse caso, o fretador disponibiliza do tempo. Assim como nos afretamento por viagem, os custos permanecem nas mãos do fretador; Quanto à locação de dragas, a recorrente traz que além de serem utilizadas nas atividades do porto, atividade da empresa frente ao objeto que consta de seu objeto social, também é utilizada na mineração. Quando a locação de dragas foi feita no porto, traz a contribuinte que se trata de locação de equipamentos para uma atividade da empresa – sendo essencial ao processo produtivo e sua atividade. Quanto aos serviços de limpeza, descreve a recorrente que a fiscalização apenas trouxe que não se tratam de insumos, não esclarecendo o motivo para tal entendimento. Traz também que, apesar da nomenclatura dos serviços, não se tratam especificamente de serviços de limpeza com o intuito de manter a higiene do local do serviço, mas para reaproveitamento de resíduos e rejeitos. E que tal reaproveitamento foi comprovado através de laudo técnico preparado pela área responsável, explicitando passo a passo como se dá o reaproveitamento de rejeitos no sistema produtivo. Quanto ao pedido da recorrente, caso não fosse acatado tal prova, solicita a baixa dos autos em diligência ou a produção de prova pericial para que então se esclareça o teor de cada uma destas atividades. Quanto aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises e químicas, aduz a contribuinte que a fiscalização entende que se tratam Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.199 26 de etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo e, por isso, a lei não assegura o creditamento. Porém, a DRJ reconhece a imprescindibilidade dos serviços: “nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, (...) são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade.” A recorrente manifesta também, porém, que as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estaria comprometido. Relativamente ao Tratamento de efluentes, traz que a despesa incorrida daria direito ao crédito, por conta de uma exigibilidade disposta em legislação ambiental. Quanto aos serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias, insurge que o relatório fiscal glosa parte das despesas com energia elétrica especialmente os insumos e serviços utilizados nas Usinas próprias da empresa, os custos com a transmissão e distribuição de energia. A DRJ quanto a transmissão de energia e sua distribuição entendeu pela procedência da manifestação de inconformidade, uma vez que a contratação do uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia é necessária para este tipo de consumidor e, nos termos da legislação setorial, obrigatória, as despesas realizadas a título de Encargo de Uso da Rede Elétrica (...) não podem ser dissociadas da energia propriamente dita, consumida na produção da empresa”. Concluiu a DRJ que “independentemente das despesas efetuadas com a transmissão de energia elétrica serem relativas à energia produzida pela contribuinte ou à energia adquirida de terceiros, são passíveis de creditamento, podendo ser descontadas da contribuição para o PIS ou da Cofins não cumulativa apurada”. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.200 27 Quanto aos insumos utilizados nas Usinas da empresa, entendeu a fiscalização que os serviços empregados na Usina dizem respeito à operação, manutenção, limpeza e conservação. Quanto às obras de construção civil, a recorrente menciona que, diferentemente do que seria de fato, a DRJ diz que a barragem não se confunde com a atividade de produção de minério, não podendo os serviços nela empregados serem considerados insumos. Quanto aos serviços glosados, tais como desassoreamento, manutenção mecânica, paradas de pátio, a recorrente traz que somente consta da manifestação de inconformidade que os serviços não estão intrinsecamente ligados ao processo produtivo da empresa. Sendo assim, em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produto que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; o esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901877/201211 Resolução nº 3202000.238 S3C2T2 Fl. 1.201 28 · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 13896.000295/2011-90
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
IMPUGNAÇÃO. RAZÕES DE DEFESA ADICIONAIS APRESENTADAS ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Não deve ser oposta preclusão ou intempestividade em face de razões de defesa adicionais, complementares, apresentadas pelo sujeito passivo antes da decisão de 1ª Instância. Apreensão do objetivo primordial do processo de impugnação - verificação da legalidade do lançamento. Observância do princípio da verdade material. Ausência de vedação no artigo 17 do Decreto nº. 70.235, no que se refere às matérias contestadas, em oposição à limitação temporal prescrita no artigo 16 e seus parágrafos no que tange à prova documental.
Numero da decisão: 1801-001.862
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a preclusão e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª. Instância para se pronunciar a respeito da qualificação da multa. Vencidos os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, relatora, Maria de Lourdes Ramirez e Alexandre Fernandos Limiro que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Leonardo Mendonça Marques para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2008 IMPUGNAÇÃO. RAZÕES DE DEFESA ADICIONAIS APRESENTADAS ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não deve ser oposta preclusão ou intempestividade em face de razões de defesa adicionais, complementares, apresentadas pelo sujeito passivo antes da decisão de 1ª Instância. Apreensão do objetivo primordial do processo de impugnação - verificação da legalidade do lançamento. Observância do princípio da verdade material. Ausência de vedação no artigo 17 do Decreto nº. 70.235, no que se refere às matérias contestadas, em oposição à limitação temporal prescrita no artigo 16 e seus parágrafos no que tange à prova documental.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2231; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 1.461 1 1.460 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.000295/201190 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.862 – 1ª Turma Especial Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria SIMPLES Recorrente STUDIO M COMÉRCIO E CONFECÇÃO DE ROUPAS LTDA, JOSÉ CARLOS DA PIEDADE NUNES e MARLUCE FERNANDES DE ALBUQUERQUE NUNES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 IMPUGNAÇÃO. RAZÕES DE DEFESA ADICIONAIS APRESENTADAS ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não deve ser oposta preclusão ou intempestividade em face de razões de defesa adicionais, complementares, apresentadas pelo sujeito passivo antes da decisão de 1ª Instância. Apreensão do objetivo primordial do processo de impugnação verificação da legalidade do lançamento. Observância do princípio da verdade material. Ausência de vedação no artigo 17 do Decreto nº. 70.235, no que se refere às matérias contestadas, em oposição à limitação temporal prescrita no artigo 16 e seus parágrafos no que tange à prova documental. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a preclusão e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª. Instância para se pronunciar a respeito da qualificação da multa. Vencidos os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, relatora, Maria de Lourdes Ramirez e Alexandre Fernandos Limiro que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Leonardo Mendonça Marques para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 02 95 /2 01 1- 90 Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.462 2 Leonardo Mendonça Marques – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 11061112, com a exigência do crédito tributário no valor de R$59.225,30, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada, apurado pelo regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) referente ao período de fevereiro a junho do anocalendário de 2007, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 10841097. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas da atividade pelas vendas com cartões de crédito e débito não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores informados pelas seguintes administradoras: no Hipercard Banco Múltiplo S/A, fls. 579636; na Redecard S/A, fls. 70238 e 639689; na Visanet, fls. 239568; no Banco Bankpar S/A, fls. 888969; no American Express S/A, fls. 1369; e no Cielo S/A, fls. 692885. Esses valores constam nos extratos apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 569578, 637638, 690691 e 886887 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), referente ao período de fevereiro a junho do anocalendário de 2007, fls. 974994 e a Planilha de Registro de Receitas, fls. 999 1033. Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.463 3 Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) referente ao período de fevereiro a junho do anocalendário de 2007, fls. 974994. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: III – O Auto de Infração às fls. 11131121 a exigência do crédito tributário no valor de R$62.094,24 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III O Auto de Infração às fls. 11221127 com a exigência do crédito tributário no valor de R$43.443,46 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 11281138 com a exigência do crédito tributário no valor de R$183.804,16 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 11391146 com a exigência do crédito tributário no valor de R$522.850,93 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Houve lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios administradores José Carlos da Piedade Nunes, fl. 1151 e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes, fl. 1154, ambos cientificados por via postal, respectivamente, em 26.03.2011, fls. 11521153 e em 05.03.2011, fl. 1155. Esse procedimento se fundamenta nas informações constantes na Ficha Cadastral da Junta Comercial do Estado de São Paulo, fls. 10391041 e dados constantes nos registros internos da RFB, fls. 10251038 (inciso I do art. 124 e inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional). Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.464 4 Cientificada em 05.03.2011 (sábado), fl. 1.150, a Recorrente apresentou a impugnação em 01.04.2011, fls. 11591168. Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal informando que: Ocorre que barreiras de ordem formal e material se contrapõem à autuação consubstanciada no processo epigrafado, pelo que não merece guarida o lançamento tributário, devendo o mesmo ser julgado improcedente em todos os seus termos. Em relação à quebra do sigilo bancário defende a tese de que: Conforme narrado no Termo de Verificação Fiscal MPF [...] o contribuinte foi intimado para apresentar demonstrativo contendo o resumo mensal dos valores recebidos pela empresa através de repasses de administradoras de cartões de crédito e débito, o que foi de pronto atendido. Não obstante o atendimento à solicitação fiscal, o fiscal alega ter observado "falhas que caracterizaram a hipótese de indispensabilidade do exame das informações junto às administradoras dos cartões", pelo que emitiu para as mesmas "Solicitação de emissão de informações sobre movimentação financeira". Assim, restou cristalinamente comprovado que a empresa teve seu sigilo quebrado no curso do processo administrativo de fiscalização. Como é cediço, as movimentações financeiras de qualquer empresa pessoas jurídicas devem ser incluídas no conceito de sigilo, assegurada pela própria Constituição Federal. Tratase do sigilo bancário, desdobramento da proteção aos dados e à intimidade, prevista no artigo 5º, X e XII da CF. [...] Desta feita, não pode ser outra a conclusão senão a de considerar inconstitucional a quebra do sigilo bancário do contribuinte, pelo que entendemos por correta a desconsideração dos relatórios resultantes da aludida quebra de sigilo, por se tratar de prova ilícita. [...] Desse modo, tornase clara a relevância desse dispositivo constitucional, pois ele representa uma verdadeira garantia ao cidadão contra a ação persecutória do Estado. Portanto, trazendo à baila a Teoria dos frutos da árvore envenenada, segundo a qual as provas decorrentes das provas ilícitas são contaminadas pela ilicitude destas últimas, devendo ser igualmente desconsideradas no âmbito do processo. [...] Como podemos perceber já se encontra sedimentado o entendimento de que, também no âmbito do processo administrativo tributário, não podem ser admitidas provas ilícitas nem provas delas derivadas, sob pena de desrespeito absoluto aos postulados do Estado Democrático de Direito e às garantias individuais dos contribuintes. Concluindo, temos que é insofismável a ilicitude dos relatórios de movimentação bancária relativa às operações com cartão de crédito pelo que pugnamos pela total desconsideração das mesmas no âmbito do processo administrativo epigrafado. Relativamente à justificativa da quebra de sigilo, ressalta que: Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.465 5 No Termo de Verificação Fiscal (MPF 0812800.2010.000570/05), o auditor fiscal, no Item 1, no qual descreve o procedimento fiscal, afirma que "tendo analisado os extratos fornecidos pelo contribuinte, anexados às folhas 09 a 536, esta fiscalização observou faltas que caracterizaram a hipótese de indispensabilidade do exame das informações junto às administradoras dos cartões, conforme previsão do art. 3o do Decreto 3.724/2001, bem como constatou a necessidade do seu cotejamento com os dados arquivados nessas instituições, tendo resultado na emissão da 'Solicitação de Emissão de Informações Sobre Movimentação Financeira', anexada às fls. 537 a 540". [...] Assim, não havendo previsão legal para a referida solicitação de emissão de informações sobre movimentação financeira às operadoras e administradoras de cartão de crédito, mais uma vez resta incontroversa a nulidade das provas obtidas por este meio, que devem ser desconsideradas sob pena de nulidade de todo o processo administrativo. Pertinente à nulidade do Auto de Infração, suscita que: No Termo de Verificação Fiscal (MPF 0812800.2010.000570/05) o auditor fiscal foi claro ao afirmar, no item 3, que "os itens intitulados 001 omissão de receitas receitas omitidas' procedem ao lançamento do IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e INSS incidentes sobre as receitas omitidas, enquanto que os itens 002 insuficiência de recolhimento procedem ao lançamento do IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e INSS recolhidos com insuficiência sobre as próprias receitas declaradas, em função do reposicionamento destas dentro da tabela de alíquotas aplicáveis sobre a receita bruta acumulada", sendo que, no auto de infração, os valores já pagos na sistemática do Simples Federal (no primeiro semestre de 2007) foram desconsiderados e estão sendo cobrados novamente. [...] Nesse passo, não se pode olvidar a nulidade do auto de infração lavrado, porquanto ilíquido, pois pretende abranger em seu montante valor já pago pelo contribuinte e reconhecido pela própria autoridade fazendária. Diante disso, pugna a empresa pela nulidade do auto de infração, com sua conseqüente extinção e arquivamento. A respeito do arrolamento de bens dos sócios destaca que: Como já dito anteriormente, foram lavrados termos de arrolamento de bens e direitos em desfavor dos sócios da empresa ora defendente. Através do mesmo, vários imóveis e veículos encontramse verdadeiramente indisponíveis patrimonialmente para os sócios. [...] Ademais, temos que o arrolamento de bens ainda na seara administrativa constitui verdadeira afronta ao devido processo legal e aos princípios da ampla defesa e do contraditório, uma vez que, inexistindo decisão administrativa não há crédito fiscal exigível e definitivamente constituído. Por este motivo o CTN, em seu artigo 151, III prevê a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos casos de reclamação ou recurso administrativo. Nesses casos, não há certeza sequer sobre existência do crédito tributário. [...] Assim, não merece guarida o arrolamento de bens dos sócios, por todos os motivos acima expostos, quiçá da sócia quotista, que, sem praticar nenhum ato de gestão na sociedade viuse numa situação de total indisponibilidade patrimonial. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.466 6 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante de todo o exposto, e considerando: a) a ilicitude do meio pelo qual a principal prova do processo foi concebida – a quebra de sigilo sem autorização judicial; b) a inexigibilidade do crédito tributário, porquanto ilíquido e não definitivamente constituído; c) a ilegalidade e inconstitucionalidade do arrolamento e indisponibilidade dos bens dos sócios da empresa; A empresa defendente, por meios de seus sócios, vem requerer a anulação do auto de infração, por conter vícios formais e materiais, com sua conseqüente extinção e arquivamento. Requer, ainda, a desoneração de todos os bens dos sócios. Caso V. Sa. assim não entenda, que considere os mandamentos jurisprudenciais no sentido de vedação à responsabilização patrimonial do sócio meramente quotista, desonerando os bens arrolados da Sra. Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes. Nestes Termos, Pede e Espera Deferimento. A Recorrente em 16.06.2011 apresenta aditamento à impugnação, fls. 1214 1217. A respeito da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada suscita que: Destarte, então, não se afigura pertinente, “ad argumentandum tantum”, não obstante o mais, a multa qualificada de 150% aplicada pela fiscalização autuante, tanto em relação ao principal quanto aos reflexos, nos exatos termos do acórdão n° 10319.697, prolatado pela então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, quando assim consignado em relação à penalidade qualificada em se tratando de autuação fiscal abrangendo operações com cartões de crédito [...]. Assim, reiterado o mais, impõese, senão o reconhecimento e declaração de insubsistência da autuação fiscal principal e seus reflexos dada intima relação de causa e efeito que os atinge, então a redução da multa indevidamente qualificada em 150%. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 05 34.065, de 22.06.2011, fls. 12441270: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2007 a 30/06/2007 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consolidamse administrativamente as matérias não expressamente impugnadas no prazo legal, quais sejam: omissão de receitas, redução indevida de tributos, penalidade aplicada. Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.467 7 PETIÇÃO INTEMPESTIVA. Não prospera a pretensão do contribuinte de, por meio de petição intempestivamente apresentada, veicular novas razões de impugnação, se ultrapassado o prazo para manifestação contra as infrações que lhe foram imputadas e não configuradas as hipóteses em que complementações são admitidas. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), hipóteses cuja ocorrência não restou comprovada, sobretudo tendo em conta que foi o contribuinte regularmente cientificado do auto de infração e seus anexos, lavrados com observância das formalidades legais de tal forma a lhe ser assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2007 a 30/06/2007 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações regularmente obtidas junto a administradoras de cartões de crédito e débito não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS. INOCORRÊNCIA. Demonstrada a indispensabilidade de obtenção de informações junto a instituições financeiras ou entidades a elas equiparadas, o que ensejou a emissão de RMF Requisição de Movimentação Financeira pela autoridade administrativa competente, não se cogita de ilegalidade da prova obtida. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, apreciação do procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/02/2007 a 30/06/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Não afastada a constatação fiscal de omissão de receitas de vendas com cartões de débito e crédito, mantêmse as correspondentes exigências de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, calculadas na modalidade do Simples, sobre os valores omitidos, bem como as exigências decorrentes da insuficiência de recolhimento sobre as receitas declaradas, submetidas a nova alíquota. Notificados em 27.07.2011, fls. 12781280, a Recorrente apresentou em 26.08.2011, fl. 1303, o recurso voluntário, fls. 12811302, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta: De início importa focar a questão da quebra do sigilo operadoras dos cartões de crédito, matéria por demais debatida, tendo cuidado o julgador de registrar doutrina e jurisprudência, também do Poder Judiciário a seu favor. [...] Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.468 8 Nesta altura o tema dispensa repetições. É o do momento. Relação entre o faturamento declarado e o pagamento pelas empresas de cartões de crédito. Em sendo menor aquele a conclusão resulta em acusação de omissão de receita com a cobrança do IRPJ e seus reflexos. [...] Ainda valese sempre o Fisco Federal do entendimento que envolvendo a questão matéria de cunho constitucional, vedado se apresenta aos órgãos julgadores administrativos DRJ e CARF concluírem em contrário ao entendimento do Fisco. Aliás, tema Sumulado no CARF. [...] Resta evidente que cabe ao STF a última palavra com referência à matéria — ilegalidade da quebra de sigilo bancário , ai se enquadrando as administradoras de cartões de crédito, na forma como acontecido. No que toca à multa de ofício proporcional qualificada, argui que: Rejeitou a decisão recorrida analisar a reclamação quanto a qualificação da multa porque a matéria se encontrava preclusa. Não pode prevalecer a questão. A multa incide sobre o principal, este se encontra questionado, como então concluir estar a matéria preclusa? Como fica o sempre lembrado mais maltratado princípio da verdade material. [...] Então, merecer ser revisto o tema preclusão, para no caso, mesmo que por hipótese absurda alguma coisa venha a ser decidida devida pela Recorrente, a multa aplicada não possa ultrapassar o percentual de 75%. Pertinente aos valores apurados, suscita que: Os valores apontados pelo Fisco não encontram embasamento legal, tendo a Recorrente desde o primeiro momento questionado os números. Por isso a revisão se impõe sob pena de cerceamento ao direito de defesa desde logo reclamado. No que diz respeito à solidariedade aduz que: O que se tem, portanto, segundo as palavras do Fisco, é que a responsabilidade das pessoas físicas do sócios estaria escorada no CTN, onde: em se tratando de pessoas naturais (sócios) art. 124,1 e 135, III do CTN; [...] Postas estas considerações tornase [...] evidente que a acusação fiscal dirigida aos sócios é decididamente inepta, não só por apresentar fatos arrimados em simples subjetivismos, como por valerse de fundamentação legal imprópria, inadequada e inservível à sua sustentação. E esta imprestabilidade ainda persistiria, mesmo que a incriminação fosse real e verdadeira, o que não ocorre. [...] O que se tem, portanto, é que o Auto de Infração, inspirado no "Termo de Verificação e Constatação Fiscal", com prestígio apenas da legislação complementar, ante a inexistência de norma da legislação ordinária, é [...] inepto, não podendo sustentar qualquer acusação. Mas ainda que assim não fosse a questão não se alteraria, uma vez que o Fisco emprega o dispositivo da legislação complementar (CTN, art. 124, I para as pessoas jurídicas) com sentido diverso do que nele se contém e para situações nele não contempladas. Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.469 9 Com efeito, o Fisco faz a responsabilidade dos Impugnantes derivar do art. 124, I do CTN, a título de um suposto interesse comum na "situação que constitua fato gerador da obrigação principal" [...] Então, por uma relação de causa e efeito, o lançamento do principal uma vez declarado nulo, tornará nulo também os lançamentos reflexos a saber: CSLL, PIS/PASEP, COFINS e INSS, bem assim arrolamento e efeitos retroativos. [...] Considerando que a solidariedade é reclamada em uma só peça lançamento de ofício contra a pessoa jurídica, os seus sócios arrolados como pessoas físicas na qualidade de responsáveis solidários, fazem suas as razões de recurso voluntário, neste ato representados pelo mesmo procurador. Conclui: Posto isto, merece ser declarado nulo o lançamento. Em não sendo este o entendimento da Câmara, pelo menos há que se reconhecer a redução da multa qualificada de 150% para 75% e exclusão da solidariedade com baixa do arrolamento [...]. Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo (Despacho de 25.06.2012 da 1ª TE/3ª Câmara/1ª SJ/CARF, fls. 13231328), vale esclarecer que a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo foi cancelado o sobrestamento do julgamento do processo referente à matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) que está em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC). Assim, o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos, em especial pela falta de análise das razões de defesa constantes na peça de aditamento à impugnação. Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.470 10 Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente na peça impugnatória por ter sido alcançada pela preclusão2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Temse que a Recorrente apresentou novas razões de defesa no aditamento à peça impugnatória em 16.06.2011 às fls. 12141217, a respeito da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. A preclusão é a perda de um direito processual por haver esgotado ou por não ter sido exercido no prazo legal, oportunidade em que deve ser declarada inadmissível a prática do ato que não praticado no tempo, no lugar e da forma corretos. É definitiva a decisão da autoridade preparadora quando esgotado o prazo para a manifestação de inconformidade sem que esta tenha sido apresentada, uma vez que não foi instaurado o litígio no procedimento3. No processo administrativo os atos praticados a destempo são alcançados pela preclusão processual. Sobre a questão consta no Voto condutor do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0534.065, de 22.06.2011, fls. 12441270: 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.471 11 Quanto à petição protocolizada em 16/06/2011, apresentada em nome da pessoa jurídica a título de aditivo à impugnação, não prospera a pretensão de, por meio dela, veicular novas razões e inovar na defesa ao incluir matéria não questionada tempestivamente, qual seja, a penalidade aplicada. Isto porque o Decreto nº 70.235/72, ao regular o processo administrativo fiscal, estabelece prazo certo para o interessado se manifestar contra as infrações que lhe são imputadas, e ainda disciplina as hipóteses em que complementações são admitidas [...]. Assim, as razões ofertadas na petição de 16/06/2011 submetemse à preclusão processual e deveriam ter sido ofertadas no prazo peremptório previsto na legislação em vigor. Logo, a este órgão julgador incumbe apreciar, tão só, a impugnação de 01/04/2011. É o que se procede a seguir. Inicialmente, cumpre consignar que, na peça de defesa, não refutam expressamente os interessados as constatações fiscais de omissão de receitas e de falta de emissão de notas ou cupons fiscais e redução indevida de tributos. Também nada opõem à penalidade aplicada. Consolidamse, portanto, no âmbito administrativo, as matérias para as quais não apresentados tempestivamente questionamentos específicos. Limitam se a questionar a ocorrência de quebra de sigilo bancário, a desconsideração de pagamentos efetuados na sistemática do Simples e o arrolamento de bens dos sócios – matérias a seguir apreciadas. No presente caso, de fato a matéria referente à aplicação da multa de ofício proporcional qualificada foi alcançada pela preclusão por não ter sido expressamente questionada na peça impugnatória em 01.04.2011 ou dentro do prazo legal que expirou em 06.04.2011. Também em sede recursal essa matéria não pode ser analisada por já ter sido alcançada pela preclusão em sede de primeiro grau de julgamento. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.472 12 sendo exigida a habilitação profissional de contador4. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração5. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 5 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.473 13 valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente6. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo7. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade8, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento fundamentase na omissão de receitas da atividade pelas vendas com cartões de crédito e débito não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores informados pelas administradoras: no Hipercard Banco Múltiplo S/A, fls. 579636, na Redecard S/A, fls. 70238 e 639689, na Visanet, fls. 239568, no Banco Bankpar S/A, fls. 888969, no American Express S/A, fls. 1369 e no Cielo S/A, fls. 692885. Esses valores constam nos extratos apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 569578, 637638, 690691 e 886887 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), referente ao período de fevereiro a junho do anocalendário de 2007, fls. 974994 e a Planilha de Registro de Receitas, fls. 999 1033. 6 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 7 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 8 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.474 14 Os valores considerados como base de cálculo para fins de apuração dos tributos estão individualizados nos Demonstrativos, fls. 72 e 8390, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2007 Mês (A) Valores DSPJ R$ (C) Valores Omissão Receita R$ (D = BC) Janeiro 26.420,21 182.140,21 Fevereiro 59.447,67 307.269,88 Março 67.425,18 492.793,98 Abril 96.769,19 410.569,75 Maio 195.675,12 631.052,96 Junho 223.384,02 521.055,84 Total 669.121,38 2.544.882,62 Está registrado no Termo de Verificação Fiscal, fls. 10841097, cujas informações estão comprovadas nos autos: De acordo com o art. 24 da Lei 9.249/95, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Tendo em vista que a legislação do SIMPLES FEDERAL, baseada na Lei 9.317/1996, não prevê hipóteses de desenquadramento de ofício aplicáveis ao caso sob análise, esta fiscalização procederá à tributação da receita omitida, no período 01/01/2007 a 30/06/2007, nos montantes relacionados na coluna I da tabela do item 2 do presente termo, dentro do próprio regime do SIMPLES FEDERAL, em consonância com o disposto no art. 24 da Lei 9.249/95. Diante do exposto esta fiscalização procede à lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO DO SIMPLES FEDERAL formalizado no processo 13896.000295/201190, relativo aos períodos de apuração de 01/01/2007 a 30/06/2007, cabendo esclarecer que os itens intitulados "001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS OMITIDAS" procedem ao lançamento do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS incidentes sobre as receitas omitidas, enquanto que os itens "002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO" procedem ao lançamento do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS recolhidos com insuficiência sobre as próprias receitas declaradas, em função do reposicionamento destas dentro da tabela de alíquotas aplicáveis sobre a receita bruta acumulada. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente aponta argumentos contra o arrolamento de bens dos sócios. Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.475 15 A responsabilidade tributária é o instituto pelo qual um terceiro que embora não tenham relação direta e pessoal com a situação que constitua o respectivo fato gerador da obrigação principal, está obrigado ao cumprimento da respectiva obrigação. A despeito de não ser o sujeito passivo da obrigação principal, para ser responsável solidário é suficiente ser uma pessoa que possua interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e não comporta benefício de ordem 9. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto10. O lançamento fundamentase na omissão de receitas da atividade pelas vendas com cartões de crédito e débito não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores informados pelas administradoras: no Hipercard Banco Múltiplo S/A, fls. 579636, na Redecard S/A, fls. 70238 e 639689, na Visanet, fls. 239568, no Banco Bankpar S/A, fls. 888969, no American Express S/A, fls. 1369 e no Cielo S/A, fls. 692885. Esses valores constam nos extratos apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 569578, 637638, 690691 e 886887 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), referente ao período de fevereiro a junho do anocalendário de 2007, fls. 974994 e a Planilha de Registro de Receitas, fls. 999 1033. Houve lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios administradores José Carlos da Piedade Nunes, fl. 1151 e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes, fl. 1154, ambos cientificados por via postal, respectivamente, em 26.03.2011, fls. 11521153 e em 05.03.2011, fl. 1155. Esse procedimento se fundamenta nas informações constantes na Ficha Cadastral da Junta Comercial do Estado de São Paulo, fls. 10391041 e dados constantes nos registros internos da RFB, fls. 10251038 (inciso I do art. 124 e inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional). Nesse sentido, os sócios e administradores José Carlos da Piedade Nunes e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes incorreram em procedimentos ilícitos visando encobrir a obrigação tributária. Por essa razão, são responsáveis em virtude do não cumprimento do dever normativo para assegurar o funcionamento normal da pessoa jurídica. Na oportunidade em que é lavrado o Auto de Infração pode ser também efetivados o arrolamento de bens e direitos. Atinente ao termo de arrolamento de bens como medida acautelatória de defesa do crédito tributário, o AFRFB, na atribuição do exercício da competência da RFB pode proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, no caso em que o valor do crédito tributário de sua responsabilidade exceda a R$500.000,00 até 29.11.2011 e a partir de 30.11.2011 no valor de R$2.000.000,00 e ainda seja superior a 30% (trinta por cento) do patrimônio conhecido. Este procedimento deve recair sobre bens e direitos suscetíveis de registro público, com prioridade aos imóveis, e em valor suficiente para cobrir o montante do crédito tributário. A partir da data da notificação do Termo de Arrolamento de Bens, o proprietário dos 9 Fundamentação legal: art. 124 e art. 125 do Código Tributário Nacional. 10 Fundamentação lega: inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional. Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.476 16 bens e direitos arrolados, ao transferilos, alienálos ou onerálos, deve comunicar o fato à RFB, sob pena de ficar autorizado o requerimento de medida cautelar fiscal pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Esses autos seguem rito especial e ficam na repartição de origem aguardando a declaração definitiva do crédito tributário até sua configuração de título executivo11. No presente caso, o arrolamento de bens está formalizado no processo 13896.000293/201109, fls. 13301458, que se encontra no Serviço de Acompanhamento Tributário/DRF/BRE/SP desde 21.03.201112, nos estritos termos normativos, em conformidade com o art. 37 da Constituição Federal. Verificase pelo conjunto probatório produzido nos autos evidencia que o procedimento de ofício está correto. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso13. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade14. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 15.. Os lançamentos PIS, de COFINS, de CSLL e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. 11 Fundamentação legal: art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 585 do Código de Processo Civil e art. 142 e art. 185A do Código Tributário Nacional, art. 64 e art. 64A da Lei nº 9.532, 10 de dezembro de 1997, Decreto nº 7.573, de 29 de setembro de 2011, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002 e art. 2º da Lei nº 8.397, de 06 de janeiro de 1992, bem como Instrução Normativa RFB nº 1.171, de 07 de julho de 2011. 12 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=13896000293201109> . Acesso em 05 fev.2014. 13 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 14 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 15 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.477 17 Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Redator designado. A divergência de entendimentos se estabeleceu quanto à preclusão apontada pela d. DRJ, acerca das alegações veiculadas em razões aditivas de impugnação, posteriormente ao prazo regulamentar. A Turma julgadora de 1ª Instância e a d. Relatora neste Colegiado, assentaram a inadmissibilidade das alegações feitas fora do prazo mas antes da decisão da DRJ – pela suposta impropriedade da qualificação da multa de ofício. Tenho que a solução deve ser diversa, sendo viável e necessária a manifestação acerca das razões de impugnação adicionais. Para a boa apreensão dos elementos dos autos, vale recapitular alguns dados: a impugnação contra o auto de infração foi protocolizada em 1º de abril de 2011 (fls. 11591168), subscrita pelos sócios da pessoa jurídica; no pedido, requer “a anulação do auto de infração, por conter vícios formais e materiais, com sua conseqüente extinção e arquivamento”; em 16 de junho de 2011, a contribuinte apresenta “aditivo à impugnação”, em que consigna razões pelas quais busca a “redução da multa indevidamente qualificada em 150%”. Desta feita, a peça veio assinada por advogado constituído posteriormente à impugnação original; em 22 de junho de 2011, a DRJ ora recorrida julgou a impugnação, mantendo o lançamento, e asseverando a impossibilidade de apreciar a “petição intempestiva” apresentada na forma já referida. Sobre o tempo e o modo em que devem ser praticados os atos de impugnação no processo administrativo fiscal federal, eis o que prescreve o Decreto nº 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.478 18 I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A única menção à “preclusão” nos dispositivos acima que regem o processo de impugnação na presente seara – está inscrita no parágrafo 4º, e dirigese à “prova documental”. O legislador adotou ênfase específica quanto à limitação temporal no que tange à juntada de documentos. E logo em seguida, indicou as exceções ao limite alocado dentro do prazo de trinta dias. Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.479 19 Quanto as alegações em si, o artigo 17 dispõe que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Portanto, não adotou aquela limitação imposta ao conjunto probatório carreado pelo sujeito passivo. E, no caso ora analisado, não há que se dizer “não impugnada” a matéria relativa à qualificação da multa, pois foi “expressamente contestada pelo impugnante”. Resta definir se as razões aditivas, que vieram aos autos antes da apreciação da DRJ, mereceriam ou não apreciação daquele d. Colegiado. Cabe realizar breve apontamento quanto ao instituto da preclusão, e de seu perfil no processo administrativo tributário. A preclusão tem importante função nos processos judicantes, atuando no estabelecimento de etapas pré ordenadas, orientando a sequência dos atos para um resultado útil, válido e seguro. Ela estabiliza o contraditório, assegurando para as partes litigantes e ao julgador, a “não surpresa”. Prestase a evitar que alguma das partes seja prejudicada pela indefinição quanto aos limites dos atos processuais. Assim, sempre que se avalia o estabelecimento de preclusão em alguma etapa processual, deve ser identificada a possibilidade de prejuízo para algum dos agentes do processo. Na hipótese destes autos, haveria prejuízo para alguma das partes do processo de verificação da legalidade do lançamento, com a complementação das razões de defesa anteriormente à apreciação da DRJ? Tenho que, além de não haver limitação legal mais específica (como aquela aposta no caso da prova documental), a complementação das razões de impugnação, antes do julgamento pela 1ª Instância, não prejudica o Fisco, nem o julgador administrativo. É que na fase de impugnação (em sentido estrito, antes do recurso voluntário) ainda não há efetivo contraditório, no sentido clássico em que a preclusão e a paridade de armas viriam à baila em termos fundamentais. O sujeito ativo na relação tributária disponibiliza, por força da norma constitucional e nos termos da lei, o processo de impugnação de titularidade do sujeito passivo, cabendo à administração tributária realizar o crivo da legalidade do lançamento. O Prof. Alberto Xavier comenta nos seguintes termos o perfil peculiar da fase de impugnação: O que acaba de se afirmar é válido para o processo administrativo tributário federal no seu conjunto, pois o modelo em causa opera de pleno na segunda instância que se desenvolve perante os Conselhos de Contribuintes, dotados de imparcialidade orgânica de segundo grau. Todavia, na primeira instância, mesmo após a criação das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, não se vislumbra com nitidez a posição da Administração como parte em sentido processual, diferenciada do órgão de julgamento. A primeira instância parece, pois, dever ainda ser concebida nos moldes de um recurso hierárquico impróprio, num processo de uma só parte e em que a Administração fiscal ativa, o órgão de lançamento, assume a posição de simples autoridade recorrida. Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13896.000295/201190 Acórdão n.º 1801001.862 S1TE01 Fl. 1.480 20 (Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, Alberto Xavier, Ed. Forense, 1ª edição, p. 133, com destaques que não constam do original) Na conformação do processo de impugnação, a todos interessa a amplitude de cognição dos possíveis vícios do ato administrativo. Não há utilidade, nem eficiência administrativa, na condução de crédito indevido, ilegal ou nulo, ao processo judicial de cobrança forçada. Por isso que, na leitura do artigo 17 do regulamento do PAF, não vejo porque extrair limitação que o legislador não impôs, quanto à complementação tempestiva (porque anterior à decisão) das alegações de defesa. Aliás, tendo como preceito central a busca da verdade material, este E. Conselho por diversas vezes admitiu a juntada de documentos já em fase recursal, quando esses documentos se revelem claramente hábeis a infirmar a validade do lançamento, mesmo que fora das hipóteses das duas alíneas do parágrafo 4º. E, digase, mesmo quando já atua no feito a Procuradoria da Fazenda Nacional, sendo suficiente que lhe seja concedido prazo para manifestarse quanto ao teor dos documentos. Desse modo, considerando que as razões adicionais de impugnação não implicam potencial de prejuízo para o Fisco, apreendendo a regência do princípio da verdade material no PAF, e ponderando a relevância das alegações em tela, relativas à qualificação da multa de ofício (com a majoração do débito contra o contribuinte e o encaminhamento de ação criminal contra o mesmo), não se afigura acertada a r. decisão recorrida naquilo em que deixou de apreciar tais razões de defesa, por suposta intempestividade. Assim, voto dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a preclusão e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1ª. Instância para se pronunciar a respeito da qualificação da multa. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 06/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 04/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.905872/2011-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 72 /2 01 1- 15 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905872/201115 Acórdão n.º 3803006.034 S3TE03 Fl. 165 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 84.889,60. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905872/201115 Acórdão n.º 3803006.034 S3TE03 Fl. 166 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905872/201115 Acórdão n.º 3803006.034 S3TE03 Fl. 167 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905872/201115 Acórdão n.º 3803006.034 S3TE03 Fl. 168 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 18186.002216/2010-24
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
Ementa:
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL.IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A falta de certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à entrega de DCTF, quando tal exigência já era conhecida pelo contribuinte desde o exercício anterior.
MULTA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MULTIPLICAÇÃO PELO NÚMERO DE MESES DE ATRASO. CUMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A multiplicação de percentual do débito pelo número de meses de atraso é a forma definida pela lei para gradação da penalidade, não implicando cumulação de penas.
DCTF. MULTA. REDUÇÃO. NÃO CABIMENTO.
A redução da multa por atraso na entrega de DCTF, prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, só é aplicável quando a declaração é transmitida dentro do prazo fixado na intimação fiscal. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.
JUROS DE MORA - MULTA DE OFÍCIO ISOLADA
É legitima a exigência de juros de mora sobre a multa isolada lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa no artigo 43 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1802-002.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002). DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL.IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à entrega de DCTF, quando tal exigência já era conhecida pelo contribuinte desde o exercício anterior. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MULTIPLICAÇÃO PELO NÚMERO DE MESES DE ATRASO. CUMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A multiplicação de percentual do débito pelo número de meses de atraso é a forma definida pela lei para gradação da penalidade, não implicando cumulação de penas. DCTF. MULTA. REDUÇÃO. NÃO CABIMENTO. A redução da multa por atraso na entrega de DCTF, prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, só é aplicável quando a declaração é transmitida dentro do prazo fixado na intimação fiscal. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. JUROS DE MORA - MULTA DE OFÍCIO ISOLADA É legitima a exigência de juros de mora sobre a multa isolada lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa no artigo 43 da Lei nº 9.430/96.
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A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002). DENÚNCIA ESPONTÂNEA MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL.IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à entrega de DCTF, quando tal exigência já era conhecida pelo contribuinte desde o exercício anterior. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MULTIPLICAÇÃO PELO NÚMERO DE MESES DE ATRASO. CUMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A multiplicação de percentual do débito pelo número de meses de atraso é a forma definida pela lei para gradação da penalidade, não implicando cumulação de penas. DCTF. MULTA. REDUÇÃO. NÃO CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 22 16 /2 01 0- 24 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 A redução da multa por atraso na entrega de DCTF, prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, só é aplicável quando a declaração é transmitida dentro do prazo fixado na intimação fiscal. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA É legitima a exigência de juros de mora sobre a multa isolada lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa no artigo 43 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.73) que a seguir transcrevo: Tratase de impugnação apresentada contra multa no valor de R$ 89.851,37, aplicada por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. A impugnante alegou que, em 06/10/2006, recebera intimação para comprovar a entrega das DCTFs dos períodos compreendidos entre janeiro a julho de 2006 ou,sendo o caso, justificar a falta de entrega. Disse que as declarações efetivamente não haviam sido transmitidas. A dificuldade de obter a certificação digital impedira a impugnante de cumprir a obrigação, razão pela qual requereu prorrogação do prazo para o envio das DCTFs. Tão logo regularizada a situação, foram transmitidas as declarações, consignando débitos que, naquele momento, já haviam sido pagos. Aduziu que a legislação em vigor não permitia a entrega de DCTF em papel ou em outro meio. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002216/201024 Acórdão n.º 1802002.185 S1TE02 Fl. 3 3 Sustentou que não houve inércia de sua parte no cumprimento da obrigação acessória, diante da impossibilidade material de fazê lo. A mora, por outro lado, não se caracterizara pois a transmissão das DCTFs se fez dentro do prazo suplementar de trinta dias. Ressaltou que, mesmo não existindo previsão legal para dispensa da multa, a autoridade administrativa poderia fazêlo, com fundamento no art. 108, inciso IV, do Código Tributário Nacional. A impugnante alegou a impossibilidade de aplicar diversas multas para punir a mesma infração. Nesse sentido, seria inadmissível a multiplicação do percentual da multa pelo número de meses de atraso, o que implica cumulação de multas, como se para cada mês de atraso houvesse uma infração autônoma. No caso em tela, embora tenha havido atraso na entrega da DCTF, o débito foi recolhido dentro do prazo legal. Dessa forma, a aplicação da multa se revela desproporcional, violando o princípio da razoabilidade. Por essas razões, conclui a impugnante, se faz necessário o cancelamento da multa ou a sua redução a 25%, já que a apresentação da DCTF se deu dentro do prazo determinado pela Fiscalização. Essa providência, entretanto, implicaria novo lançamento, que foge à competência da DRJ, a quem é defeso constituir crédito tributário. Portanto, o auto de infração deve ser integralmente anulado, já que lavrado sem observância dos dispositivos legais. Não se pode cogitar de retificação do lançamento pelo órgão julgador. Por fim, atacou a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa e da aplicação da taxa Selic. Firmado nessas razões, pugnou pela improcedência integral do auto de infração. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Campo Grande/MS) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0429.499, de 27 de agosto de 2012. A decisão recorrida possui a seguinte ementa : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CUMPRIMENTO FORA DO PRAZO. MULTA. CABIMENTO. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, quando feita a destempo, enseja a aplicação de multa por atraso no cumprimento da obrigação acessória. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL.IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à entrega de DCTF, quando tal exigência já era conhecida pelo contribuinte desde o exercício anterior. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MULTIPLICAÇÃO PELO NÚMERO DE MESES DE ATRASO. CUMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A multiplicação de percentual do débito pelo número de meses de atraso é a forma definida pela lei para gradação da penalidade, não implicando cumulação de penas. DCTF. MULTA. REDUÇÃO. NÃO CABIMENTO. A redução da multa por atraso na entrega de DCTF, prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, só é aplicável quando a declaração é transmitida dentro do prazo fixado na intimação fiscal. EQUIDADE. APLICAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. COMPETÊNCIA. No processo administrativo tributário, a aplicação da equidade não compete ao órgão julgador de primeira instância. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. FATO NÃO OCORRIDO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão julgador conhecer da impugnação para apreciar a matéria preventivamente. JUROS SELIC. APLICABILIDADE. É cabível a utilização da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, dada a existência de previsão legal nesse sentido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 19/06/2013, conforme despacho que informa a ciência eletrônica por decurso de prazo, e, protocolizou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/07/2013. A Recorrente, em sede recursal, no essencial, traz os mesmos argumentos expendidos na impugnação, nos seguintes tópicos: 11.1 Da Inexistência de Atraso Impossibilidade Material de Entrega da DCTF e Ausência de Inércia pelo Recorrente Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002216/201024 Acórdão n.º 1802002.185 S1TE02 Fl. 4 5 11.2 Da Impossibilidade de Cumulação de Diversas Multas por uma Única Suposta Infração Cometida Ofensa aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade 11.3 Entrega da DCTF no Prazo Determinado pela Fiscalização Necessidade de Cancelamento/Redução da Multa Imposta II.4 Da Ilegalidade da Incidência de Juros sobre a Multa Finalmente, requer seja provido o Recurso Voluntário a fim de que seja reformada a decisão da DRJ, cancelando integralmente o auto de infração ora combatido. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de março de 2006, de que trata o Auto de Infração, fl.36, no qual se exige o crédito tributário no valor de R$ 89.851,37 ( 2% x 7 x 641.795,57). Consta do mencionado Auto de Infração que a DCTF, tinha como prazo final para a entrega o dia 08/05/2006 e somente fora entregue à Receita Federal em 23/11/2006. A Recorrente argúi no tópico “Da Inexistência de Atraso Impossibilidade Material de Entrega da DCTF e Ausência de Inércia pelo Recorrente” que, não obteve êxito em enviar a DCTF no prazo inicial de 20 (vinte) dias fixado pelo Termo de Intimação Fiscal, requerendo prazo suplementar de 30 (trinta) dias para sua apresentação, justificando tal pedido nas dificuldades que vinha enfrentando para obtenção de sua Assinatura Eletrônica Digital, elemento exigido pela Administração para que o contribuinte pudesse cumprir suas obrigações acessórias com o Fisco. Ressalta que não existia como não existe atualmente previsão legal para entrega da DCTF via papel, conforme se observa pelo artigo 7o da IN RFB n° 583/2005, que disciplinava a DCTF à época dos fatos. Diz que, dada a impossibilidade de utilização de outro meio para entrega da DCTF referente ao mês de março de 2006, que não o envio por meio eletrônico, a Recorrente, desde o primeiro momento em que tomou ciência da fiscalização realizada, procurou demonstrar aos D. Auditores Fiscais que estava impossibilitado de cumprir com tal obrigação acessória, diante dos mencionados problemas na emissão de sua Assinatura Eletrônica Digital, havendo redobrado seus esforços para obter a referida Assinatura, no que obteve êxito dentro do prazo de 30 (trinta) solicitado à Fiscalização, transmitindo sua DCTF em 23/11/2006. Dos fatos narrados pela Recorrente depreendese que a situação de dificuldade em apresentar a DCTF como determinado pela legislação vigente decorreu da Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 inércia do sujeito passivo, visto que as providências para a emissão de sua Assinatura Digital deveriam ter ocorrido em tempo hábil para a entrega tempestiva da DCTF em comento, pois, como bem observou a defesa, a IN RFB n° 583/2005, já disciplinava a matéria nos seguintes termos: “Para apresentação da DCTF Mensal, será obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido.” A mencionada Instrução Normativa foi editada em dezembro de 2005, ou seja, antes de a Recorrente ter de transmitir a DCTF tal como determinava a referida norma complementar, para a entrega tempestiva em 08/05/2006. Tal declaração relativa ao mês de março de 2006 somente fora entregue pela autuada em 23/11/2006, quando usou os meios prescritos na legislação tributária ( Instrução Normativa RFB N° 583, de 2005) e efetuou a transmissão pela Internet usando certificado digital válido, pois, de acordo com o § 4º do artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, “considerar seá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal”. Assim, não havendo a Receita Federal concorrido para a situação manifestada pela Recorrente e, diante da expressa disposição legal não há como se reconhecer o resguardo de direitos aventado pela defesa, no sentido de afastar a multa aplicada, haja vista que a responsabilidade pela entrega da DCTF com atraso, é totalmente atribuída à pessoa jurídica que lhe deu causa considerada por sua inércia. Sobre a intenção na prática da irregularidade fiscal, vale lembrar que o artigo 136 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66, CTN) assim dispõe: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O que significa dizer que, em face da sua natureza objetiva, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da vontade do agente ou do responsável. Como se vê, a intenção do agente é desconsiderada para imputarlhe a responsabilidade por infrações da legislação tributária. Por essa disposição do CTN, a intenção do agente não releva a infração por ele praticada, tampouco aplicação da equidade ou interpretação mais benigna. Por oportuno, convém registrar que a jurisprudência citada pela Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. Como cediço, a multa aplicada pelo atraso na entrega da DCTF, baseiase na legislação que rege a matéria, discriminada no Auto de Infração, de 23/03/2010, fl.36, em especial a Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7°, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, que assim dispõe: (...) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002216/201024 Acórdão n.º 1802002.185 S1TE02 Fl. 5 7 Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. §4ºConsiderarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5ºNa hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6o No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A entrega da DCTF, fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de (2%) dois por cento ao mêscalendário ou fração incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, respeitado o percentual máximo de 20%. Consta do mencionado Auto de Infração que a DCTF, tinha como prazo final para a entrega o dia 08/05/2006 e somente fora entregue à Receita Federal em 23/11/2006, portanto, cabível a multa por atraso na entrega, relativa a 07 meses/fração, correspondente ao valor de R$ 89.851,37 ( 2% x 7meses x 641.795,57 montante dos tributos e contribuições informados na declaração). No tocante à redução da penalidade, somente ocorrerá nas situações previstas no parágrafo segundo do artigo 7º acima transcrito, a saber: ... § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A Recorrente alega no tópico Entrega da DCTF no Prazo Determinado pela Fiscalização Necessidade de Cancelamento/Redução da Multa Imposta – que, foi intimado a comprovar a entrega da DCTF em tela ou justificar sua falta, o que foi devidamente realizado, que se verifica pela leitura da carta à Fiscalização, protocolada em 25/10/2006 na qual solicitou prazo suplementar de 30 (trinta) dias para entrega da DCTF em tela, em virtude das dificuldades em obter sua Assinatura Digital Eletrônica, o que cumpriu dentro do prazo solicitado, informando aos D. Fiscais em carta protocolada em 30/11/2006. E que, desse modo a multa deve ser reduzida em 25%. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002216/201024 Acórdão n.º 1802002.185 S1TE02 Fl. 6 9 Como se vê, a Recorrente pretende a redução da multa para 75% ( inciso II, § 2º , acima transcrito). No presente caso o contribuinte somente se desincumbiu do seu mister com a entrega da DCTF, transmitida em 23/11/2006, após o transcurso do prazo fixado na intimação. E, não há prova de que o prazo concedido na intimação tenha sido prorrogado pela autoridade fiscal. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Vale ressaltar que o artigo 97, inciso VI, da Lei nº5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN) prescreve que, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Estando o crédito tributário legitimamente constituído, somente havendo legislação autorizando a dispensa deste, poderseia afastar ou reduzir a obrigação imposta. Assim, inaplicável a redução pleiteada pela Recorrente, pois, não albergada pela norma legal acima transcrita. Observase ainda, que no Auto de Infração (fl.36) consta a redução de 50% da multa, no caso de a empresa autuada efetuar o pagamento da multa até 17/05/2010. O artigo da Lei nº 8.218, de 29/08/91, e alterações posteriores assim prescreve: (...) Art. 6o Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da multa de lançamento de ofício nos seguintes percentuais:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I – 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) III – 30% (trinta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 que o sujeito passivo foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o No caso de provimento a recurso de ofício interposto por autoridade julgadora de primeira instância, aplicase a redução prevista no inciso III do caput deste artigo, para o caso de pagamento ou compensação, e no inciso IV do caput deste artigo, para o caso de parcelamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o A rescisão do parcelamento, motivada pelo descumprimento das normas que o regulam, implicará restabelecimento do montante da multa proporcionalmente ao valor da receita não satisfeita e que exceder o valor obtido com a garantia apresentada. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o O disposto no caput aplicase também às penalidades aplicadas isoladamente. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Depreendese do dispositivo legal acima que, somente é prevista a redução da multa, quando o sujeito passivo após a decisão de primeira instância, efetua o pagamento da multa ou requer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância. Não há previsão legal para redução da multa, no caso em que o contribuinte apresentou recurso voluntário. Da Impossibilidade de Cumulação de Diversas Multas por uma Única Suposta Infração Cometida Ofensa aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade A Recorrente alega que, o valor total do Auto de Infração foi obtido pela multiplicação de referida alíquota pelo número de meses em questão, cujo produto foi posteriormente multiplicado pelo valor do débito declarado na respectiva DCTF. Diz que, não se pode cominar uma multa para cada mês de atraso na entrega da Declaração, o que representaria impor diversas sanções a uma única infração. Não se trata de cumulação de diversas multas por única infração e, sim da quantificação da penalidade prevista em lei. A DCTF entregue com atraso, constante do Auto de Infração (fl.36), trata de obrigação acessória relativa a período de apuração mensal distinto Março do ano calendário de 2006 com fato gerador e base de cálculo em que repercute a obrigação acessória. A cada DCTF entregue com atraso deve ser aplicada a multa correspondente de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF entregue com atraso, respeitados os limites máximo e mínimo, em observância ao artigo 7º, da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, acima transcrito. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002216/201024 Acórdão n.º 1802002.185 S1TE02 Fl. 7 11 Ainda que se fosse o caso de várias DCTF entregues com atraso, as apresentações de DCTF em atraso seriam fatos independentes, não constituindo infração continuada, uma vez que cada DCTF que deixa de ser enviada, ou que é enviada após o prazo estabelecido, representa uma infração a ser punida através do lançamento da multa isolada correspondente. A recorrente argúi que, a multa ofende os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Cumpre ressaltar que a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária, conforme previsto no artigo 7º da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A Recorrente alega ,ainda, que a entrega de declaração consiste em obrigação acessória e que seu descumprimento fora do prazo não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Aduz que a obrigação principal foi devidamente cumprida, com o pagamento, dentro do prazo legal, assim configuraria a falta de prejuízo ao erário pela entrega a destempo da DCTF . Tal alegação não pode prosperar, pois, o atraso na entrega da DCTF revela o descumprimento, do prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento (não pagamento de tributo), a teor do artigo 113 do Código Tributário Nacional. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. O artigo 7° da Lei n° 10.426, de 2002, não deixa margem a qualquer discricionariedade, pois, prescreve que o sujeito passivo que deixar de apresentar ou apresentar em atraso a DCTF se sujeitará a multa de valor igual a dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do tributo informado na DCTF, “ainda que integralmente pago”. Vale esclarecer que, conforme explicitado acima, a penalidade em comento tem espeque em norma legal específica, no caso, a mencionada Lei nº 10.426 de 2002 a qual NÃO sofreu qualquer modificação por força da Lei nº 12.872/2013 que alterou o artigo 57 da Medida Provisória nº 2.158/2001 que trata de outros deveres instrumentais não contidos na Lei nº 10.426 de 2002. Finalmente sob o tópico: Da Ilegalidade da Incidência de Juros sobre a Multa, a Recorrente alega que, na esfera federal, não ocorrido o pagamento, o crédito tributário fica sujeito aos juros de mora, equivalentes à Taxa Selíc, consoante determinação do § 3o do art. 61, que remete ao § 3o do art. 5o, ambos da Lei n.° 9.430/96. Em síntese, argúi que não há como se pretender a incidência de juros sobre multas, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Assim, os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. Eis o teor do dispositivo legal mencionado pela Recorrente, verbis: Lei nº 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) De início, é preciso distinguir a penalidade decorrente de tributos e contribuições não pagos ou pagos com atraso daquela outra penalidade por descumprimento de obrigação acessória. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. Como cediço, os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. A obrigação tributária acessória de que trata o artigo 113, § 2º da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN) não importa em pagamento de tributo. É o caso da multa por atraso na entrega da DCTF que, pelo fato da inobservância da obrigação acessória no prazo previsto em lei, convertese em obrigação principal quanto ao pagamento da penalidade pecuniária, ou seja, da multa. Partilho do entendimento expresso no Parecer MF/SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 02 de abril de 1998, segundo o qual, considerando o disposto no artigo 161 do CTN, é possível concluir que mencionada norma legal autoriza a exigência de juros de mora sobre a Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002216/201024 Acórdão n.º 1802002.185 S1TE02 Fl. 8 13 multa em caráter geral, nada impedindo que a lei específica disponha de forma diferente, determinando que os juros de mora devam incidir apenas sobre os tributos e as contribuições. Entendo que a incidência dos juros, no presente caso, multa por descumprimento de obrigação acessória, obrigação de fazer, prevista em lei, não se dá por força do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, aplicável aos créditos tributários decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que deixaram de ser pagos nos prazos previstos na legislação específica. A aplicação dos juros de mora se dá com fundamento no artigo 161 do CTN que não deixa margem a serem afastados, seja qual for o motivo determinante da falta, vejamos, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito A Recorrente alega que não existe previsão legal para a atualização da multa de ofício com base na taxa Selic. Enfatiza que a incidência dos juros moratórios se dá apenas com relação ao principal, e não à multa, um vez que o caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, quando se refere a "débito", restringese apenas ao valor dos tributos e contribuições. Cita doutrina e decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No caso dos autos, a multa foi aplicada em razão da infração praticada, analisada acima. Portanto, com a aplicação da multa pela infração, resta constituído o crédito tributário que deve ser exigido com os acréscimos legais (juros de mora) Efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal. Conforme visto acima, o próprio art. 161 do CTN menciona a incidência dos juros sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, não podendo ser outro crédito senão àquele constituído nos termos do art.142 do CTN, ou seja, crédito tributário (penalidade aplicada (não paga)). A exigência dos juros sequer depende de formalização, uma vez que serão devidos sempre que o principal ( tributo ou penalidade) estiver sendo recolhido após o prazo de vencimento, mesmo que não quantificados (os juros) quando da formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Com a edição da Lei nº 9.430/96, é possível concluir que, com apoio no artigo 43, restou explícito ser cabível a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, lançada isoladamente, verbis: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único.Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Sobre o vencimento da multa de ofício lançada, depreendese do auto de infração que a multa de ofício tem prazo para pagamento, qual seja, trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo. Sabendose que os juros de mora incidem a partir de vencimentos distintos em relação ao vencimento do tributo e ao vencimento da multa lançada de ofício (30 dias após a ciência do lançamento). Antes do lançamento não há falar em juros de mora sobre a multa de ofício. Com efeito, é legitima a exigência de juros de mora sobre a multa lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa. A exigência decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 2 e 4 deste E. Conselho Administrativo, verbis: Súmula CARF nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002216/201024 Acórdão n.º 1802002.185 S1TE02 Fl. 9 15 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10865.720755/2012-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008
MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.
PAF. APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja realizado o recálculo da multa, se mais benéfico ao contribuinte, com fulcro no art. 32A, I da Lei 11941/2009 no AIOA Debcad n.º 37.359.9420, mantendo-se o lançamento nas demais autuações.
Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. PAF. APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com os artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja realizado o recálculo da multa, se mais benéfico ao contribuinte, com fulcro no art. 32A, I da Lei 11941/2009 no AIOA Debcad n.º 37.359.9420, mantendose o lançamento nas demais autuações. Carlos Alberto Mees Stringari, Presidente 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 07 55 /2 01 2- 50 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. 2 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 267 Relatório Tratamse de Autos de Infração lavrados contra o contribuinte acima identificado, referentes a contribuições previdenciárias da parte patronal, dos segurados, de terceiros, além de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Desta forma, foram lançados os seguintes autos: ▪ AIOP relativo à parte patronal e GILRAT Debcad n.º 37.359.9439; ▪ AIOP relativo à parte dos segurados contribuintes individuais – Debcad n.º 37.359.9447; ▪ AIOP relativo a contribuições a outras entidades e fundos (terceiros) Debcad n.º 37.359.9455 e ▪ AIOA –pela apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas Debcad n.º 37.359.9420. Após a impugnação a 7ª Turma da DRJ/POR julgou procedente os lançamentos através do Acórdão 1438.928 que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETIFICAÇÃO DA GFIP. CORREÇÃO DA FALTA. A retificação da GFIP efetuada após o início da ação fiscal não gera efeitos quanto ao montante do débito. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As normas consideradas ilegais ou inconstitucionais pelo impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas e nem declarar sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE AMPLAS PROVAS. PRECLUSÃO TEMPORAL. INDEFERIMENTO. As provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções previstas legalmente. SUSTENTAÇÃO ORAL. DESCABIMENTO. No âmbito da legislação processual tributária, inexiste previsão para a 3 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento de primeira instância. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com referida decisão, a empresa autuada apresentou recurso à este conselho onde argumenta o seguinte: Inicialmente a recorrente pugna pela relevação da multa nos termos do art. 291 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 e seu parágrafo 1º, referente ao AIOA, alegando ter corrigido a falta tendo apresentado os dados cadastrais, os fatos geradores das contribuições previdenciárias e demais informações, bem como a ausência de reincidência e de circunstância agravante, não cabendo também a gradação da multa pela hipótese do art. 292, I do RPS. No mérito afirma que os dados apurados pela fiscalização estão equivocados, em desacordo com a realidade da empresa, não se mostrando líquidos e certos. Aponta divergência no montante lançado em 04/2008, o mesmo ocorrendo em diversas outras anotações. Ainda em 04/2008, informa a autuada ter sido equivocadamente lançado valor relativo a funcionários autônomos inexistentes. Aduz ter sofrido furto em seu estabelecimento, ocasionando desorganização na documentação contábil, com desaparecimento de documentos que prejudicou o lançamento exato nas GFIP’s. Sobre a multa de mora, argumenta que a MP 449 estipulou penalidade de 2% do valor da contribuição por mês de referência, limitada a 20% no caso de atraso ou falta de entrega e de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações erradas, sendo os valores mínimos de multa R$ 200,00 por falta de entrega quando não há dados a informar e de R$ 500,00 nos demais casos, sendo reduzidas pela metade quando a entrega em atraso ocorre antes do envio de ofício pelo fisco e 25% quando o prazo estipulado é obedecido. Entende que o quadro demonstrativo comparativo das multas não é claro o suficiente para identificar os percentuais em cada caso, verificandose a existência de valores de multa menores que os aplicados, não sendo observada a retroatividade benéfica garantida pelo art.106, II do CTN. Defende a ilegalidade da multa de ofício e que a aplicação do percentual de 75% mostrase absurda, desproporcional e sem razoabilidade, sendo que o CTN assegura ao contribuinte direitos que o responsável pela autuação fiscal muitas vezes ignora. Por fim requer o deferimento de perícia e que seja reformada a decisão de primeira instância dandose total provimento ao recurso. É o relatório. 4 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 267 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade, Inicialmente cumpre esclarecer que a recorrente se insurge apenas com relação às multas aplicadas não se manifestando acerca do efetivo recolhimento das contribuições lançadas nas autuações pelo descumprimento das obrigações principais. O pedido de relevação da multa com base no art. 291, § 1º do Decreto 3048/99 não merece acolhimento. Embora este dispositivo tratar das situações em que as multas poderiam ser relevadas, temos que o Decreto nº 6.727 de 12/01/2009 revogou tal disposição legal. Como a autuação ocorreu em 04/04/2012, não há como se aplicar a relevação pretendida, posto que já não mais existia tal possibilidade naquela ocasião. Também não há que se falar em gradação da multa uma vez que, a não ocorrência de circunstâncias agravantes ou reincidência já foram consideradas pela fiscalização quando da aplicação da multa. Sobre a divergência de valores apurados, a decisão de primeira instância já esclareceu tal situação tecendo os seguintes comentários: Consultando o sistema GFIP WEB, constatase que a GFIP apresentada na impugnação às fls. 158/164 foi entregue em 02/05/2012 (número de controle D7YgMPdf0FF00000). Ocorre que, em 08/05/2012, foi entregue nova GFIP (número de controle LJDsUIExb0B00007), sobrepondose à anterior (vide fl. 181). Nessa nova declaração, observase que foram incluídos como base de cálculo para a Previdência Social os valores de R$ 19.345,48 (sem o 13º salário) e R$ 216,17 (13º salário), que totalizam R$ 19.561,65 (fl. 183), o mesmo valor constante na folha de pagamento e considerado pela fiscalização para a apuração da base de cálculo das contribuições devidas naquela competência, conforme tabela integrante do Relatório Fiscal à fl. 37, na coluna denominada “SAL CONTR FOLHA PAG”, na linha correspondente a 04/2008. Também, para a mesma competência de 04/2008, foram informados, na GFIP entregue em 08/05/2012, pagamentos efetuados a contribuintes individuais categoria 11 (pro labore) no valor de R$ 3.039,00, e, na categoria 13 (autônomos), R$ 3.942,70, totalizando R$ 6.981,70, o mesmo valor considerado pela fiscalização para a apuração das bases de cálculo das contribuições devidas relativas a esses contribuintes naquela competência, conforme tabela integrante do Relatório Fiscal à fl. 38, nas colunas denominadas “BASE CALC CONTR INDIV 5 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI (PRO LABORE)” E “BASE CALC CONTR INDIV AUTONOMO”. Portanto, improcede a alegação de divergência entre os valores apurados pela fiscalização e a realidade da empresa, bem como de inexistência de autônomos na competência, visto que a própria defendente os declarou em sua GFIP. Sobre a aplicação da MP 449, entendo correto o entendimento da recorrente. Esta turma já vem se manifestando no sentido de que deva ser aplicada a retroatividade benigna com fulcro no art. 32A da Lei 8.212/91. Em julgamento de um caso semelhante o Ilustre relator e presidente desta turma assim se manifestou: O parágrafo único do artigo 138 do Código Tributário Nacional — CTN, é textual ao não considerar espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo, que neste caso se deu em 30/06/2009 sendo que as declarações foram enviadas em 12/02/2010 e 22/02/2010. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No que se referem à multa de mora aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 6 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 267 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea e decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: 7 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, tem se que, em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/2008, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 11/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. No presente caso, a autuação ocorreu em 04/2012 e o período de apuração é de 04/2008 a 12/2008, logo cabível a aplicação do art. 32A da Lei 8212/91. Relativamente às questões de ilegalidades arguidas pela recorrente, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: 8 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 267 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” 9 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e darlhe provimento parcial para que seja realizado o recálculo da multa, se mais benéfico ao contribuinte, com fulcro no art. 32A, I da Lei 11941/2009 no AIOA Debcad n.º 37.359.9420, mantendose o lançamento nas demais autuações. Marcelo Freitas de Souza Costa. 10 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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