Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,621)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,034)
- Primeira Turma Ordinária (15,998)
- Primeira Turma Ordinária (15,960)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,348)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,399)
- Quarta Câmara (84,588)
- Terceira Câmara (66,999)
- Segunda Câmara (55,305)
- Primeira Câmara (19,845)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,995)
- Segunda Seção de Julgamen (114,032)
- Primeira Seção de Julgame (76,215)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,845)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,373)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,717)
- HELCIO LAFETA REIS (3,595)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,216)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,468)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10909.902631/2009-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.751
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10909.902631/2009-31
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805295
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.751
nome_arquivo_s : Decisao_10909902631200931.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10909902631200931_5805295.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7045041
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734277496832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1561; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10909.902631/200931 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.751 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria COFINS.COMPENSAÇÃO. Recorrente DICAVE GARTNER DISTRIBUIDORA CATARINENSE DE VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803002.659, de 21/03/2012, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que foi assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 26 31 /2 00 9- 31 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10909.902631/200931 Acórdão n.º 9303005.751 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE PROVA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O início do procedimento fiscal retira a espontaneidade do contribuinte em relação aos atos jurídicos anteriores. Desta feita, a retificação da DCTF em momento posterior ao despacho decisório não possui o condão, por si só, de produzir efeitos retroativos em relação à compensação anteriormente declarada. Sendo a DCTF confissão de dívida, correto está a decisão que não homologou a compensação por insuficiência de crédito em razão do contribuinte não ter produzido provas suficientes à desconstituição do crédito tributário pretendido. Recurso Voluntário Negado. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento com relação aos efeitos da DCTF retificadora entregue após despacho decisório de não homologação de declaração de compensação, ou seja, se este documento apresentado após proferido o despacho é hábil ou não para que se promova a revisão do direito creditório. Alega divergência em relação ao decidido no Acórdão nº 10517.303. O recurso foi admitido mediante despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.741, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10909.902621/200904, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto ao conhecimento do recurso. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme resultado constante da ata da sessão deste julgamento. Desta forma, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.741): Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10909.902631/200931 Acórdão n.º 9303005.751 CSRFT3 Fl. 4 3 "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. No caso tratado nos acórdãos recorrido e paradigma, as DCTF retificadoras foram apresentadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o PER/DCOMP. Afirma a Recorrente que, a despeito da similitude dos fatos, os Colegiados respectivos adotaram soluções diversas: enquanto nos presentes autos, a falta de apresentação de documentação comprobatória do indébito levou ao desprovimento do recurso voluntário, no paradigma entendeuse pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade local apurasse se o débito declarado na DCTF retificadora correspondia ao efetivamente devido, "intimandose a contribuinte para se manifestar acerca do relatório da diligência." Todavia, intimada do relatório da diligência que concluiu que o débito declarado na DCTF retificadora não correspondia ao valor devido, a contribuinte não se manifestara. O Colegiado prolator do acórdão paradigma, sem fazer qualquer referência expressa à diligência, propôs o provimento parcial do recurso voluntário, com base nos seguintes e exclusivos fundamentos: Na DCTF originariamente apresentada, a recorrente declarou débito de IRPJ relativo ao 1º Trimestre de 1999 no valor de R$ 1.007,14, enquanto que na DCTF retificadora o débito declarado é de R$ 463,09, o que resultaria em um recolhimento a maior de IRPJ da ordem de R$ 544,05, a quanto equivale o direito creditório em questão. A receita bruta da recorrente no mês de março de 1999, a partir do qual foi excluída do SIMPLES, foi de R$ 16.543,74 relativos à prestação de serviços e de R$ 5.503,54 relativos à venda de mercadorias. Na apuração da base de cálculo do IRPJ declarado na DCTF retificadora, a recorrente aplicou sobre a receita proveniente da prestação de serviços o percentual de 16%, do qual não poderia fazer uso, dado que somente aplicável às pessoas jurídicas prestadoras de serviços cuja receita bruta anual seja de até R$ 120.000,00 e a recorrente, no anocalendário de 1999, auferiu receitas desta atividade que ascenderam a R$ 184.595,78. Aplicados os percentuais de 32% sobre a receita de serviços e de 8% sobre a receita de vendas, a base de cálculo do IRPJ é de RS 5.734,28 e o IRPJ devido corresponde a R$ 860,14, o que reduz o direito creditório a R$ 147,00. Diante disso, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de RS 147,00, com os devidos acréscimos legais, correspondente ao pagamento efetuado a maior a titulo de IRPJ e homologada a compensação desse crédito com débitos de sua responsabilidade, passíveis de compensação, relacionados no "Demonstrativo dos Débitos Indicados para Compensação", até o montante em que se compensem. Portanto, foi possível verificar, na diligência (é o que supomos!), que, ao menos em parte, cabia restituir à contribuinte uma parcela do que houvera pago, em face de um erro de aplicação dos percentuais do lucro presumido. Observese que o entendimento a ser cotejado com o recorrido, e com este supostamente divergente, é aquele que se extrai do voto condutor do acórdão paradigma, parte integrante do acórdão em que se encontram os fundamentos da decisão colegiada. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10909.902631/200931 Acórdão n.º 9303005.751 CSRFT3 Fl. 5 4 A nosso juízo, o acórdão paradigma não traduz efetivamente uma interpretação divergente daquela adotada no recorrido, a ponto de permitir o conhecimento do recurso especial. Em nenhum momento, firmouse o entendimento, como comprova a transcrição literal do voto do relator, de que, ainda que nada se traga de provas documentais nos recursos interpostos, os autos sempre devem ser enviados à unidade de origem para diligenciar junto ao contribuinte. Se o Colegiado prolator do acórdão paradigma resolveu, em assentada anterior, determinar a diligência, fêlo em vistas das razões recursais e das informações que se encontravam colacionadas aos autos, a partir das quais concluiu a necessidade de sua realização. Isso, contudo, não firma uma tese jurídica, uma interpretação divergente da legislação tributária, a ponto de permitir o seu cotejo com outras que, aparentemente, lhe sejam confrontantes. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso especial. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000595/2006-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Jan 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. TRANSPORTE DE INSUMOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
A pessoa jurídica não poderá descontar créditos calculados em relação aos gastos com a aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de insumos empregados no processo industrial.
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE FRETE. CRÉDITO.
Somente quando devidamente comprovado, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação aos gastos na aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços de frete. No caso, como não houve a devida comprovação, não há direito ao crédito.
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Os gastos que a vendedora suportar na aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte do produto final industrializado para seus clientes, ou diretamente para os portos, não podem ser computados para fins de creditamento por falta de amparo legal.
Numero da decisão: 9303-005.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. TRANSPORTE DE INSUMOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica não poderá descontar créditos calculados em relação aos gastos com a aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de insumos empregados no processo industrial. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE FRETE. CRÉDITO. Somente quando devidamente comprovado, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação aos gastos na aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços de frete. No caso, como não houve a devida comprovação, não há direito ao crédito. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos que a vendedora suportar na aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte do produto final industrializado para seus clientes, ou diretamente para os portos, não podem ser computados para fins de creditamento por falta de amparo legal.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Sat Jan 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16366.000595/2006-98
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5824800
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-005.903
nome_arquivo_s : Decisao_16366000595200698.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16366000595200698_5824800.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
id : 7097281
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734295322624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 551 1 550 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16366.000595/200698 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.903 – 3ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2017 Matéria PIS. CRÉDITOS Recorrente APUCACOUROS INDÚSTRIA E EXPORTAÇÃO DE COUROS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. TRANSPORTE DE INSUMOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica não poderá descontar créditos calculados em relação aos gastos com a aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte de insumos empregados no processo industrial. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE FRETE. CRÉDITO. Somente quando devidamente comprovado, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação aos gastos na aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços de frete. No caso, como não houve a devida comprovação, não há direito ao crédito. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos que a vendedora suportar na aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte do produto final industrializado para seus clientes, ou diretamente para os portos, não podem ser computados para fins de creditamento por falta de amparo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 05 95 /2 00 6- 98 Fl. 551DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 330201.077, de 07/07/2011, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DILIGÊNCIA. MATÉRIA DE DIREITO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia cuja realização revelase prescindível para o deslinde da questão. Recurso Voluntário Negado. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido quanto à impossibilidade de creditamento de PIS/Pasep relativo a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 930301.035 e 320200.226. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 539/542. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 544/549). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 16366.000595/200698 Acórdão n.º 9303005.903 CSRFT3 Fl. 552 3 Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte, tal como proposto no seu exame de admissibilidade, deve ser conhecido. Com efeito, o acórdão recorrido, embora não adentrando no conceito de insumos, afastou o creditamento dos gastos com combustíveis e lubrificantes pelo fato de não terem sido utilizados no processo produtivo. No caso, segundo consta da decisão de primeira instância, são utilizados em veículos da empresa empregados em atividades distintas: transporte de matériaprima dos frigoríficos para o estabelecimento industrial ou deste, após a industrialização, para seus clientes e portos onde serão exportados, bem como na prestação de serviço de frete realizado pela empresa. É o que consta lá. Já o primeiro acórdão paradigma concluiu que os gastos com combustíveis e lubrificantes consumidos pela frota de veículos da empresa no transporte de insumos e de produtos industrializados permitiriam o creditamento. E o segundo paradigma aplicou o conceito de insumos como sendo todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, de modo que, sem que se tenha reclamado da observância de qualquer outro requisito adicional, é evidente que os gastos com combustíveis e lubrificantes estariam acarretariam o creditamento. Enfim, não obstante o acórdão recorrido não tenha enfrentado o conceito de insumos, é manifesto que, no que concerne aos gastos com combustíveis e lubrificantes – portanto, os mesmos produtos –, chegou a uma conclusão diversa da que adotada nos paradigmas, de sorte que, nesse contexto, é de se conhecer do recurso especial. Ao mérito do litígio. Vimos que os gastos realizados pela Recorrente, que se dedica à atividade de preparo, industrialização e exportação de couros, se deram na aquisição de combustíveis e lubrificantes destinados a viabilizar a) o transporte de matériaprima dos frigoríficos para o estabelecimento industrial ou deste, após a industrialização, b) para seus clientes e c) para portos onde serão exportados e, também, d) na prestação de serviço de frete realizado pela empresa. Como já antecipamos quando da análise dos requisitos de admissibilidade do recurso, afastouse o creditamento, ao fundamento de que os combustíveis e lubrificantes não foram utilizados no processo produtivo. Confirase: Da leitura atenta do dispositivo legal acima reproduzido há que se concluir que a condição para descontar o crédito sobre combustíveis e lubrificantes é que eles sejam usados na fabricação de bens ou produtos, estando superada a discussão se os mesmos são ou não insumos. A Lei determina que os mesmos sejam assim tratados. Pelo que defluise dos autos, o gasto em apreço não gera direito ao creditamento eis que não são utilizados na fabricação ou produção. No presente caso, o frete é de produto acabado e, sendo assim, não foram utilizados conforme preceitua a lei. Ocorre que, a nosso juízo, não são apenas os combustíveis e os lubrificantes utilizados na produção que geram o direito ao crédito de PIS/Cofins. Isso porque, muito embora a sua utilização esteja expressamente autorizada no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (assim também na Lei nº 10.637, de 2002), quando a utilização se der na condição de Fl. 553DF CARF MF 4 insumo, há outro fundamento legal a amparar a apropriação do crédito correspondente, malgrado, nestes casos, não explícita, mas implicitamente. Para demonstrálo, transcrevemos a redação conferida ao aludido dispositivo legal: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 16366.000595/200698 Acórdão n.º 9303005.903 CSRFT3 Fl. 553 5 X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Vejam que o custo do transporte (o frete) suportado pelo adquirente na aquisição do insumo deve ser considerado para o efeito de creditamento do insumo adquirido. A própria RFB reconhece que o gasto assim realizado enseja o crédito, mas apenas quando o bem adquirido se enquadra no conceito de insumo, conforme assentou na Solução de Divergência SD Cosit nº 7, de 23/08/2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de Fl. 555DF CARF MF 6 máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Todavia, como indica a própria SD, o mesmo não ocorre com relação aos gastos realizados pela Recorrente na aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos próprios no transporte de insumos, porque despendidos em etapa anterior ao início da produção. Entendemos, também, por falta de previsão legal, não haver direito ao creditamento no caso dos combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte do produto final industrializado para os clientes da Recorrente (ou desta para os portos). Fl. 556DF CARF MF Processo nº 16366.000595/200698 Acórdão n.º 9303005.903 CSRFT3 Fl. 554 7 Na hipótese, como visto da redação do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (e também da Lei nº 10.637, de 2002), a possibilidade de creditamento restringese – é o que diz a Lei! – ao frete que o vendedor paga a outrem na operação de venda. Não se pode olvidar, um dos objetivos do regime não cumulativo foi o de desmotivar o processo de verticalização das empresas, em favor de uma maior distribuição da produção e do comércio (Exposição de Motivos da Medida Provisória MP nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003). Gostese ou não, essa foi a opção do legislador. Por último, restam os combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviço de frete realizado pela empresa. Ainda que secundariamente à atividade principal da Recorrente – o preparo, a industrialização e a exportação de couros –, nada obsta que os gastos com a aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviço de frete com os veículos da empresa possam ser considerados no cálculo dos créditos de PIS/Cofins, uma vez que utilizados como insumos na prestação desse serviço. A questão, portanto, não é o seu não emprego no processo industrial da Recorrente, mas o seu emprego em atividade diversa, cuja receita, aliás, também integra a base de cálculo da contribuição, o que é expressamente permitido no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (e também da Lei nº 10.637, de 2002). Contudo, no caso julgado, segundo o Termo de Verificação Fiscal acostado aos autos, a Recorrente não comprovou que os combustíveis e lubrificantes foram empregados na prestação de serviços. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 557DF CARF MF 8 Fl. 558DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720016/2011-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.PEDIDO DE DESISTÊNCIA.
Não se conhece do Recurso Voluntário quando há pedido expresso de desistência do Recurso pelo contribuinte.
PROVA. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS.
Cancelase a parte do lançamento relativo ao lucro apurado, por controlada sediada no exterior, quando a demonstração financeira juntada aos autos não dá respaldo à exigência.
Numero da decisão: 1302-002.400
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.PEDIDO DE DESISTÊNCIA. Não se conhece do Recurso Voluntário quando há pedido expresso de desistência do Recurso pelo contribuinte. PROVA. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. Cancelase a parte do lançamento relativo ao lucro apurado, por controlada sediada no exterior, quando a demonstração financeira juntada aos autos não dá respaldo à exigência.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16643.720016/2011-78
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5823996
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.400
nome_arquivo_s : Decisao_16643720016201178.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
nome_arquivo_pdf_s : 16643720016201178_5823996.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7093856
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734311051264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1280; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.829 1 1.828 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.720016/201178 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302002.400 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente VOTORANTIM PARTICIPACOES S.A. e FAZENDA NACIONAL Recorrida VOTORANTIM PARTICIPACOES S.A. e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.PEDIDO DE DESISTÊNCIA. Não se conhece do Recurso Voluntário quando há pedido expresso de desistência do Recurso pelo contribuinte. PROVA. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. Cancelase a parte do lançamento relativo ao lucro apurado, por controlada sediada no exterior, quando a demonstração financeira juntada aos autos não dá respaldo à exigência. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 16 /2 01 1- 78 Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.830 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL, no montante de R$ 177.426.650,61, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora, tendo em conta a falta de adição ao Lucro Líquido, para fins de apuração do Lucro Real, dos lucros auferidos, pelas seguintes sociedades controladas/coligadas, sediadas no exterior, no anocalendário de 2007: Os lucros tributados exofficio foram apurados, tanto por controladas/coligadas diretas, como indiretas da autuada (VPar), conforme demonstrado acima. A base tributável de ofício no auto de infração de IRPJ foi de R$ 232.765.474,03. Além da tributação reflexa da CSLL, em relação aos mesmos fatos do IRPJ, foi efetuado lançamento de ofício de CSLL sobre R$ 49.653.516,17, por falta de adição à base de cálculo da CSLL do lucro auferido, no exterior, pela controlada VotorantiM International Europe BV (100%), sediada nos Países Baixos, na qual a Votoranti International Holding NV Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.831 3 (Curaçao) detinha 100% das participações, totalizando uma base tributável de R$ 282.418.990,20. No termo de verificação fiscal consta que os Autos de Infração se restringiram à autuação da Votorantim Participações S/A (VPar), controladora, direta ou indireta, das empresas sediadas no exterior, cujos lucros foram tributados nos lançamentos em discussão. Os lançamentos efetuados contra a CAZBEN, controlada da VPar, sediada no Brasil, e detentora de 60% de participação nos lucros na AZBEN foram autuados no processo nº 16643.720015/201123 também ora objeto de apreciação nessa sessão de julgamento. Elabora a fiscalização um histórico societário das empresas envolvidas, no qual registra que a VPar, foi constituída em 1918 e sua denominação à época era S.A. INDÚSTRIAS VOTORANTIM. Em 30/04/2002 foi alterada a denominação social para VOTORANTIM PARTICIPAÇÕES S.A., e o objeto social para participar de sociedades civis ou comerciais, de qualquer natureza, e administrar seus bens e interesses. Já a CAZBEN PARTICIPAÇÕES DO BRASIL LTDA. (Cazben), incorporada pela VPar em dezembro de 2008, teria sido constituída em 03/10/2002, com um pequeno capital social (R$ 200,00), subscrito pelos sócios Diego Rodrigues Agudo e Carlos Eduardo Azedo. O objeto declarado da sociedade seria a administração patrimonial de bens próprios, a participação em empreendimentos comerciais e industriais, e a participação como acionista ou quotista em quaisquer sociedades de quaisquer ramos de negócios, no Brasil e no Exterior. Em 19/12/2002 foi efetivada a primeira alteração contratual com a retirada dos sócios, pessoas físicas, e o ingresso da VOTORANTIM PARTICIPAÇÕES S.A., na qualidade de sócia controladora (99,99% das quotas) e um aumento do capital social para R$ 1.000,00. No mesmo dia, foi feita a segunda alteração contratual, para aumentar o capital social para R$ 146.222.944,00, com um aumento efetivo de R$ 146.221.944,00, praticamente todo subscrito pela VPar, da seguinte forma: • R$ 89.374.943,00, mediante a conferência de 60% de sua participação societária no capital social da VOTORANTIM INTERNATIONAL HOLDING N.V., empresa sediada em Curaçau; e • R$ 56.848.000,00 em Nota Promissória ‘Pro Soluto’ emitida pela investidora VPar em favor da CAZBEN, com vencimento em 31 de janeiro de 2003. A CAZBEN teria informado possuir apenas uma participação societária no Exterior: 60% da AZBEN Holding G.M.B.H. (AZBEN), sediada na Áustria, cujo objeto social seria, segundo a CAZBEN: a aquisição e administração de participações em sociedades de todo o tipo e o investimento em bens de capital; todas as atividades oportunas e/ou necessárias, com exceção de transações bancárias, para o alcance dos objetivos citados anteriormente. Segundo as informações prestadas durante o procedimento e na DIPJ 2008, a VPar era, à época, controladora da Cazben, com uma participação de 99,99%, e da Azben com 40% das quotas (hoje a VPar é sucessora da Cazben por incorporação). Por sua vez, a Cazben tinha 60% da Azben, participação essa integralizada pela CAZBEN com o mesmo investimento recebido da VPar (60% da VOTORANTIM INTERNATIONAL HOLDING NV, sediada em Curaçau). Diante do quadro societário acima, segundo o trabalho da fiscalização, a VPar teria deixado de oferecer à tributação os lucros auferidos e disponibilizados, nos termos da lei, pelas controladas/coligadas sediadas no exterior, acima discriminadas, na proporção de sua participação no capital social. No que tange à CSLL, além da exigência reflexa, foi constituído também o crédito tributário relativo à falta de adição ao lucro líquido dos lucros auferidos e disponibilizados à VPar, nos termos da legislação em vigor, pela Votorantim International Europe BV (Países Baixos), doravante VIEBV, na qual a Votorantim International Holding NV Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.832 4 detinha 100% de participação no capital social. Para a fiscalização, como a Convenção com o Reino dos Países Baixos, para evitar a dupla tributação dos impostos sobre a renda, foi assinada posteriormente à instituição da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e, não a menciona expressamente, não se pode aplicála para afastar a incidência da CSLL. Após um histórico da evolução legislativa acerca da tributação, na controladora sediada no Brasil, dos lucros auferidos pelas controladas/coligadas sediadas no exterior, passa a fiscalização a justificar a incidência sobre os resultados apurados pelas controladas indiretas da VPar. Na interpretação adotada pela fiscalização, a legislação brasileira não restringe a tributação universal aos lucros auferidos via controladas diretas, mas alcança também os resultados apurados pelas controladas indiretas, quando se verifica a construção de esquema engendrado, pelas controladoras sediadas no Brasil, para evitar a tributação dos resultados de suas controladas no exterior. Com base nas relações de controle societário estabelecido entre as empresas do grupo, verificou o agente fiscal que os lucros conduzidos por intermédio da Azben (Áustria) não foram oferecidos à tributação pela VPar e pela Cazben, sob o argumento de que estariam resguardados pelo Tratado Brasil Áustria. Todavia, entende o agente fiscal que o acordo internacional não alcança os lucros gerados por pessoa jurídica não residente em qualquer dos Estados Contratantes, ou seja, gerados em Curaçao e na Alemanha. Transcreve ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes, no qual foi decidido que, para fins de aplicação do art. 74 da MP n° 2.15835, os resultados de controladas indiretas consideramse auferidos diretamente pela investidora brasileira, e sua tributação no Brasil não se submete às regras do tratado internacional firmado com o país de residência da controlada direta, mormente quando esses resultados não foram produzidos em operações realizadas no país de residência da controlada, evidenciado o planejamento fiscal para não tributálos no Brasil. Prossegue, ainda, o agente fiscal consignando que não existe, na legislação brasileira, qualquer regra que limite a tributação universal apenas aos lucros apurados por controladas diretas. O conceito legal de sociedade controlada definido no art. 243, § 2° c/c art. 116, ‘b’, da Lei n° 6.404/76 abarca tanto as controladas diretas quanto as indiretas, e esse conceito foi recepcionado sem qualquer ressalva pela legislação tributária, conforme art. 384, I, §2º, art. 466, Parágrafo único do RIR/99. Conclui, assim, que não há qualquer dispositivo legal que exclua os resultados apurados por sociedade controlada indiretamente da tributação universal, e, portanto, a VPar e a Cazben deveriam ter disponibilizado e tributado os lucros auferidos por todas as suas controladas, inclusive as controladas indiretas. Por outro lado, a incidência sobre os lucros auferidos e disponibilizados pelas controladas indiretas se fez porque caracterizada a interposição de sociedade com finalidade elisiva. Segundo o levantamento fiscal, a ligação societária indireta entre a VPar e a Cazben, no Brasil, e as controladas sediadas no exterior teria se efetivado por intermédio de uma sociedade meramente condutora, a Azben, constituída na Áustria, país que não possui restrições legais ao recebimento de rendimentos de paraísos fiscais, por suas holdings a Áustria tributa apenas os resultados positivos obtidos dentro de seu próprio território. Ademais, por força do TDT, os dividendos pagos a residente no Brasil, por residente na Áustria, estão isentos de tributação também no Brasil. No entender da fiscalização, não haveria que se falar em isenção dos dividendos pagos por uma sociedade residente da Áustria (Azben) a uma sociedade residente Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.833 5 do Brasil (VPar/Cazben), nos termos do parágrafo 2º do artigo 23 do Tratado, porque a holding austríaca, mera sociedade condutora de rendimentos, foi constituída por razões de economia tributária, não auferindo e pagando dividendos por sua própria conta, mas por conta de terceiros, alguns sediados inclusive em paraísos fiscais, para seus beneficiários efetivos no Brasil. A Azben possuiria apenas posse temporária dos dividendos em função exclusiva do interesse fiscal dos seus controladores. Para o agente fiscal responsável pelo feito, a interposição da pessoa jurídica em operação internacional, por razões meramente tributárias, constituiria um caso abusivo de ‘treaty shopping’, em confronto direto com a finalidade da Convenção Brasil/Áustria. Registra, então, que as convenções entre países para evitar a dupla tributação não se destinariam a garantir a manutenção de impostos em nível ínfimo ou a afastar completamente a incidência tributária. Nesse contexto, a Convenção para evitar a Dupla Tributação com a Áustria, como todo tratado internacional, deveria ser interpretada de boa fé e à luz do respectivo objeto e fim, descartandose interpretações que conduzissem a resultados manifestamente absurdos ou despropositados, fossem eles a fuga tributária ou a dupla tributação. Com base em doutrina, defende que independentemente do conceito de dupla tributação adotado, de nenhuma maneira poderia ser admitida uma completa exoneração de incidências, de tal forma que, se um contribuinte de um Estado contratante não fosse tributado no dito Estado, em virtude de um acordo para evitar dupla tributação, deveria ser no outro Estado. Ressalta que, no caso, como a maioria das controladas da Azben estava localizada em paraísos fiscais, e os resultados oriundos do exterior não eram tributados na Áustria, os lucros e/ou dividendos originados nas controladas diretas e indiretas da AZBEN, não foram tributadas, nem seu país de domicílio, nem na Áustria e tampouco no Brasil. Leciona, ainda, que uma das características das empresas sediadas em paraíso fiscal seria o caráter financeiro dos negócios efetuados. No caso da Azben, apesar de haver registros de operações de compras e vendas em sua escrituração, tais registros seriam meras transcrições das operações registradas na contabilidade de suas controladas, sediadas em sua maior parte em paraísos fiscais. A declaração dos próprios controladores sediados no Brasil (VPar e CAZBEN), de que a AZBEN não exercia outra atividade, além daquelas constantes em seu objeto social (qual seja, a aquisição e administração de participações em sociedades de todo o tipo e o investimento em bens de capital; e todas as atividades oportunas e/ou necessárias, com exceção de transações bancárias, para o alcance destes objetivos) confirmaria a natureza das atividades desenvolvidas pela holding. Observa ainda que as demonstrações financeiras da Azben apresentariam tanto os próprios resultados (ínfimos 0,3% do total dos resultados de suas controladas, ou seja, apenas US$ 3,00 em cada US$ 1.000,00), quanto os resultados de subsidiárias (consolidação de resultados). Contudo, as transações comerciais contidas nos demonstrativos da Azben não teriam sido realizadas pela holding, sediada na Áustria, mas por suas controladas diretas e indiretas, em Curaçao, EUA Delaware, Alemanha e Países Baixos. Explica que ‘Treaty Shopping’ seria uma forma de abuso dos tratados internacionais, mediante a criação de figuras jurídicas fictícias ou constituição de uma rede de sociedades, que se vinculariam juridicamente (critério de residência) a um Estado membro de um acordo internacional, para permitir a inclusão, no campo de aplicação do tratado, de pessoas não designadas como beneficiárias de suas regras. No caso sob apreciação, a interposição da AZBEN (condutora), sediada na Áustria, entre as controladoras VPar e CAZBEN, sediadas no Brasil, e as controladas, sediadas nas Ilhas Cayman, em Curaçao, nas lhas Virgens Britânicas e na Alemanha, visaria a trazer, para o campo de incidência do tratado, Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.834 6 os resultados auferidos em paraísos fiscais ou em países que não têm TDT vigentes com o Brasil. Assinala ainda a fiscalização que o “Treaty Shopping” constituiria uma forma de elisão fiscal, caracterizada pelo uso de mecanismos permitidos legalmente a constituição de empresas nos Estados membros de algum acordo, com a completa, consciente e exclusiva intenção de se obter um benefício não pretendido pela norma legal. Explica a fiscalização que, se a interposição de uma empresa fosse feita com propósitos negociais, e se as empresas, assim constituídas, tivessem uma atividade empresarial efetiva, deveriam ser beneficiadas pelas cláusulas do TDT. Neste caso estaria afastada a caracterização da operação de interposição de pessoa jurídica como ‘treaty shopping’. Por sua vez, não poderiam ser beneficiárias das disposições dos TDT, as empresas constituídas sem motivação distinta da elisão tributária, sem o desenvolvimento de qualquer atividade comercial ou industrial, e, principalmente, quando os rendimentos nelas consolidados teriam sido auferidos em outros países. Destaca a fiscalização que, para a aplicação dos preceitos do TDT, seria dever do sujeito provar sua condição de residente, com direito de gozar dos benefícios do tratado (princípio de presença substancial), mediante documentação hábil a demonstrar a prática de uma atividade empresarial. Assim, a sociedade beneficiária não poderia ser meramente uma sociedade documental, cujo único fim fosse a evasão de impostos. Conclui que as operações de “Treaty Shopping” configurariam abuso de direito, definido no art. 187 do Código Civil, na medida em que, com o fim de obter uma economia de imposto, pretendeu o contribuinte se valer dos benefícios de um tratado aos quais não fazia jus, em razão de sua situação substancial. Como a Azben teria sido criada única e exclusivamente para subtrair os rendimentos das empresas controladas pela VPar e CAZBEN da base tributária do imposto de renda e da contribuição social, deveriam ser tributados de ofício os lucros auferidos por tais controladas, sediadas no exterior, e disponibilizados, nos termos da lei, à Cazben e à VPar, reais beneficiárias de seus resultados. A fiscalização, ainda, consignou a impossibilidade de compensação dos impostos pagos no exterior, porque os fatos geradores teriam ocorrido em 2007, e segundo a DIPJ 2008, 2009 e 2010, não teria havido qualquer compensação de imposto pago no exterior. Segundo a legislação de regência, tais créditos somente poderiam ser compensados com o imposto devido no Brasil, se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital tivessem sido computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subsequente ao de sua apuração, o que não teria ocorrido. Cientificada, em 28/09/2011, dos lançamentos e intimada a pagar o crédito tributário constituído, a contribuinte apresentou a impugnação, em 28/10/2011, na qual se contrapõe às exigências, com base nas razões assim sintetizadas: que os AI não podem prosperar, pois: pretendem sustentar que o mero registro contábil dos lucros auferidos pelas sociedades no exterior permitiria sua tributação como se disponibilizados à IMPUGNANTE, embora esta nunca tenha adquirido a disponibilidade econômica ou jurídica sobre tais lucros; que ainda que se admita ser possível tributar os lucros auferidos por pessoas jurídicas controladas ou coligadas no exterior, tal possibilidade, no que se refere às controladas, restringirseia àquelas sociedades em que a pessoa jurídica brasileira participa de forma direta, em virtude da sistemática de consolidação adotada pela legislação em vigor e refletida na IN nº 213/02; a CONVENÇÃO ÁUSTRIA deve ser aplicada para excluir da base de cálculo do pretenso crédito tributário os resultados consolidados das CONTROLADAS AZBEN; Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.835 7 a CONVENÇÃO PAÍSES BAIXOS é perfeitamente aplicável para excluir os resultados da Votorantim International Europe BV da base de cálculo da CSL da IMPUGNANTE; os lucros imputados à VOTO III, por equívoco, no valor de R$ 36.111.534,40 (US$ 20.387.023,32) devem ser excluídos da base de cálculo do pretenso crédito tributário, tendo em vista que a referida empresa não auferiu lucros no período em questão; e os lucros imputados à Votorantim International Europe BV (US$ 70.080.613,25) e Votorantim International Holding NV (US$ 4.569.518,07), devem ser excluídos da base de cálculo do pretenso crédito tributário, na proporção da participação da IMPUGNANTE no capital social de AZBEN, por já terem sido considerados no resultado consolidado de AZBEN. Ainda que, por absurdo, sejam superados todos os fatos e argumentos mencionados acima, (i) os valores pagos a título de impostos no exterior devem ser compensados com os valores do suposto crédito tributário devido no Brasil;e Por todo o exposto, a IMPUGNANTE requer, preliminarmente, seja retificado o valor dos AI para que sejam excluídos: (i) os lucros imputados a VOTO III, por equívoco, no valor de R$ 36.111.534,40 (US$ 20.387.023,32); e (ii) os lucros imputados à Votorantim International Europe BV (US$ 70.080.613,25) e Votorantim International Holding NV (US$ 4.569.518,07), já consolidados no resultado de AZBEN, na proporção da participação da IMPUGNANTE em seu capital. No mérito, a IMPUGNANTE requer sejam cancelados integralmente os AI, uma vez que: o mero registro contábil do lucro das sociedades no exterior não representa a imediata disponibilidade econômica ou jurídica desses lucros à IMPUGNANTE; que ainda que se entenda legítima a tributação dos lucros das controladas ou coligadas no exterior, tal tributação limitase àquelas sociedades nas quais a IMPUGNANTE participa de forma direta, de acordo com a sistemática de consolidação adotada pela legislação em vigor e refletida na IN nº 213/02; que a CONVENÇÃO ÁUSTRIA afasta a possibilidade de tributação pelo Brasil dos lucros de AZBEN (composto, inclusive, pela consolidação das CONTROLADAS AZBEN); e que seja aplicada a CONVENÇÃO PAÍSES BAIXOS para excluir os resultados da Votorantim International Europe BV da base de cálculo da CSL da IMPUGNANTE. subsidiariamente, a IMPUGNANTE requer: (i) sejam compensados os impostos pagos no exterior com os valore supostamente devidos no Brasil; e sejam excluídos a multa de ofício e os juros de mora aplicados à IMPUGNANTE, em obediência ao art. 100, I e parágrafo único do CTN, pois agiu de acordo com o disposto na IN n.° 213/02. A 7ª Turma da DRJ/SP1, pelo acórdão nº 1637.639, julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, conforme ementa a seguir: INCONSTITUCIONALIDADE. DISPONIBILIDADE DOS LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR PELAS CONTROLADAS DE EMPRESAS SEDIADAS NO PAÍS. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.836 8 declarado inconstitucional pro decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal STF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO DE LUCROS AUFERIDOS POR INTERMÉDIO DE CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. INTERPOSIÇÃO ABUSIVA DE PESSOA PARA FRUIÇÃO INDEVIDA DE ACORDOS INTERNACIONAIS. Provado que a pessoa jurídica sediada no exterior foi constituída sem qualquer propósito negocial ou atividade empresarial, com o objetivo exclusivo de evitar a tributação, no Brasil, em bases universais, sendo mera repassadora dos lucros auferidos por empresas anteriormente controladas diretamente pela empresa brasileira, temse caracterizado o abuso de direito, Impondose a sua desconsideração para efeitos fiscais. Afastase também a incidência das normas do tratado internacional destinado evitar dupla tributação, haja vista que a controladas/coligadas indiretas, revelamse, de fato, como controladas/coligadas diretas, e não se encontram sediadas em pai com o qual foi celebrado o acordo para evitar bitributação. CONTROLADAS/COLIGADAS NO EXTERIOR. CONSOLIDAÇÃO DOS RESULTADOS. Nos casos de interposição abusiva de pessoa nos investimentos mantidos pelas empresas brasileiras no exterior, a consolidação dos resultados deve ser feita na controlada/coligada que desempenha uma atividade empresarial própria, e não naquela constituída em país signatário, única e exclusivamente, para trazer, para o campo de incidência das normas convencionais, os lucros auferidos em paraísos fiscais e em países sem tratado celebrado. PROVA. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. Cancelase a parte do lançamento relativo ao lucro apurado, por controlada sediada no exterior, quando a demonstração financeira juntada aos autos não dá respaldo à exigência. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. Não é possível admitir a compensação do imposto porventura pago no exterior, quando, durante o procedimento fiscal, a contribuinte informa não ter efetuado qualquer pagamento de imposto de renda no exterior, e não apresenta qualquer documentação, em contrário, por ocasião da impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A BITRIBUTAÇÃO. APLICABILIDADE À CSLL. As regras decorrentes dos Acordos para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Imposto sobre a Renda, para serem aplicadas à CSLL, devem conter previsão expressa em seu texto. Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.837 9 Em conformidade com o art. 34, inciso I, e art. 37 do Decreto nº 70.235/1972, c/c art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda MF nº 3 de 03/2008 a DRJ recorreu de oficio ao CARF. Intimada da decisão da DRJ em 26/07/2012, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivo em 24/08/2012, alegando em síntese que: que foram exigidos da recorrente IRPJ e CSLL sobre lucros auferidos no AC de 2007, por empresas residentes no exterior. de acordo com o TVF os lucros auferidos no exterior por meio de suas participações societárias seriam as seguintes: que os lucros imputados à Votorantim International Europe BV (US$70.080.613,25) e à VOTO III (US$20.387.023,32) devem ser excluídos da base de cálculo do pretenso crédito tributário. que deve ser anulada a decisão em face da alteração dos critérios jurídicos adotados pelos AI, com fulcro no art. 146 do CTN e no art. 59 do Decreto n.° 70.235/72. houve ausência de elementos suficientes para desconsiderar a existência da AZBEN e imputar à sua criação a pecha de "planejamento tributário abusivo ou abuso de direito". que o art. 74 da MP n.° 2.158/01 criou ficção de fato gerador de IR, criando tributação sobre valores que não representam acréscimo patrimonial. que em nenhum momento a RECORRENTE teve disponibilidade econômica ou jurídica sobre os lucros auferidos por suas controladas/coligadas no exterior. que, ainda que se admita ser possível tributar os lucros auferidos por pessoas jurídicas controladas ou coligadas no exterior, tal possibilidade, no que se refere às controladas, restringirseia àquelas sociedades em que a pessoa jurídica brasileira participa de forma direta, em virtude da IN n.° 213/02. que portanto, a CONVENÇÃO ÁUSTRIA deve ser aplicada para excluir da base de cálculo os resultados consolidados das controladas. que a CONVENÇÃO PAÍSES BAIXOS também é perfeitamente aplicável para excluir os resultados da Votorantim International Europe BV da base de cálculo da CSL. que a autoridade fiscal considerou que a VOTO III teria auferido, no anocalendário de 2007, lucro de R$36.111.534,40 (US$20.387.023,32), porém ela não auferiu lucro em 2007. Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.838 10 que o TVF considerou como lucro, os lançamentos a crédito constantes da Conta 2.6.5.01.10.0000 das Demonstrações Financeiras de VOTO III desconsiderando os lançamentos a débito efetuados nessa mesma conta. Com efeito, o lucro de corresponde ao saldo da referida conta em 31.12.2007, que é zero. que conforme reconhecido pela própria DECISÃO, os AI devem ser retificados para excluir da base de cálculo os lucros imputados erroneamente ao valor de R$ 36.111.534,40. que reafirma a informação de 23.08.2011, que o resultado líquido de AZBEN no anocalendário de 2007, é US$265.873.000,00 incluindo o lucro auferido internamente na Áustria e os auferidos em seus investimentos. que no referido montante já foram considerados os lucros atribuídos pelo TVF à VIH, Votorantim International Europe GmbH, Votorantim International North America, Votorantim International Europe BV e Votorantrade N.V. que a parcela do resultado relativo a essa última empresa no montante de US$70.080.613,25 foi erroneamente imputado a Votorantim International Europe BV, de modo que o resultado de US$ 265.413.000,00 da Votorantin NV já compreende os R$ 70 mm., conforme demonstra a soma dos resultados das respectivas empresas em face dos montantes refletidos pela consolidação de AZBEN (US$ 265.873.000,00). requer que esses valores imputados em duplicidade sejam excluídos da base de cálculo do pretenso crédito tributário, na proporção da particípação que a Recorrente possuía no capital da AZBEN. que caso não seja reconhecida a improcedência dos AI a decisão é nula por ofensa ao artigo 146 do CTN e ao artigo 59, II do Decreto n.° 70.235/02. os argumentos utilizados para sustentar a desconsideração da personalidade jurídica de AZBEN não se sustentam, já que sustenta, inicialmente, que a operação que resultou na estrutura atual do grupo ao qual pertence a Recorrente teria sido efetuada em um curto prazo de tempo. Todavia, esse é um argumento vazio. Primeiro porque as etapas necessárias à operação de fato não demandam maior prazo; e, segundo: porque os lucros da VIH só excederam seus prejuízos em 2006, ou seja, ainda que a reorganização demorasse 4 anos para ser implementada, o tratamento tributário desses lucros seria exatamente o mesmo. que a decisão afirma haver "provas nos autos" de que AZBEN teria sido criada na Áustria apenas para "receber os investimentos originalmente detidos pela controladora no Brasil (VPar)" e "garantir a inserção dos lucros por elas disponibilizados no campo de incidência do tratado assinado entre a Áustria e o Brasil". que não há, e nem poderia haver, tais provas nos AI, uma vez que não foram esses os motivos que orientaram a criação de AZBEN. a utilização de AZBEN como empresa para realizar investimentos no exterior foi motivada por razões negociais, decorrentes da proximidade com os mercados que se buscava alcançar, diferenças de fusohorário, facilidades junto a clientes e fornecedores. que em qualquer desses cenários, o Tratado BrasilÁustria afasta a tributação dos lucros de AZBEN, nos termos dos artigos 7 e 10 c/c 23 da CONVENÇÃO ÁUSTRIA. Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.839 11 que ao contrário do afrimado na decisão, as atividades da AZBEN à época eram, a aquisição e administração de participações em sociedades e investimentos em bens de capital, de forma que o seu resultado é composto quase que integralmente pelos resultados auferidos por suas controladas. que dessa forma, não há, e nem poderia haver, nos autos um único elemento sequer que permita a desconsideração da personalidade jurídica de AZBEN. que a desconsideração da personalidade jurídica é remédio para situações abusivas, medida excepcional a ser tomada por um juiz, e nunca pela autoridade tributária. este é o entendimento do CARF, como demonstram os Acórdãos transcritos abaixo: "OMISSÃO DE RENDIMENTOS MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NO EXTERIOR DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. As offshore companies possuem personalidade jurídica própria e diferente de seus sócios e por isso devem responder por seus atos, devendo observar os requisitos legais para a desconsideração da pessoa jurídica, não havendo presunção de abuso de direito. De acordo com o artigo 50 do código civil é necessário para a desconsideração da personalidade jurídica que esta seja autorizada por decisão judicial e deste modo não seria possível para o fisco afastar a personalidade jurídica, devendo autuar a empresa e não seus sócios." que embora a constitucionalidade do art. 74 da MP n.° 2.15835/01 ainda esteja em discussão no Supremo Tribunal Federal ("STF"), por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade n.° 2588 ("ADI n.° 2588"), interposta pela Confederação Nacional da Indústria, em 21.12.2001, fato é que o referido artigo pretende tributar os lucros não distribuídos da empresa situada no exterior. que é esse, justamente, o objeto da tributação pretendida pelos AI. A Recorrente controla empresas residentes no exterior que, por sua vez, controlam outras empresas no exterior que auferiram lucros no período autuado e não distribuíram. Como não ocorreu nenhuma das hipóteses de disponibilização, os AI pretendem tributar os referidos lucros com base na disponibilização ficta, prevista no art. 74 da MP n.° 2.15835/01. que a RECORRENTE não adquiriu a disponibilidade econômica ou jurídica, dos lucros das sociedades controladas por AZBEN e das suas investidas, uma vez que nenhum valor foi por ela efetivamente recebido, tampouco os lucros auferidos por estas estiveram à disposição da RECORRENTE. que os lucros auferidos pelas SUBSIDIÁRIAS foram escriturados em suas demonstrações financeiras, aguardando que uma destinação lhes fosse conferida de acordo com as regras do país em que são residentes e até o momento, nenhuma deliberação referente destinação dos lucros foi tomada pelos acionistas das SUBSIDIÁRIAS. o mero fato de pessoa jurídica no exterior elaborar um balanço evidenciando o auferimento de lucros não representa qualquer aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica pela controladora no Brasil. A disponibilidade jurídica ou econômica da renda deve estar presente no patrimônio do próprio contribuinte, e não no patrimônio de pessoas jurídicas a ele ligadas. nesse mesmo sentido é o entendimento do antigo Conselho de Contribuintes (atual CARF), conforme trecho abaixo transcrito: Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.840 12 "(...) Disponibilização de lucros no exterior. Fato gerador. Anos calendário 1996 e 1997. A simples apuração de lucros por empresa controlada situada no exterior não implica, por si só. disponibilização de lucros para a controladora no Brasil, condição necessária para caracterização da ocorrência do fato gerador do IRPJ no regime implantado pelo art. 25 da Lei Q24QQ5. nos anoscalendário 1996 e 1997).” ainda que se admita ser possível tributar os lucros auferidos por pessoas jurídicas controladas ou coligadas no exterior, tal possibilidade restringirseia àquelas sociedades em cujo capital social a pessoa jurídica brasileira participa de forma direta. que não houve interposição abusiva da AZBEN, razão pela qual é plenamente aplicável a sistemática de consolidação prevista na IN n.° 213/02. que o artigo 1°, §6° da IN n.° 213/02, repetindo dispositivo idêntico da IN n.° 38/96, sob o pretexto de regulamentar a apuração dos lucros auferidos por controladas no exterior, determina, expressamente, que os resultados auferidos por pessoa jurídica na qual a controlada mantenha participação societária sejam consolidados no balanço dessa controlada, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL da controladora no Brasil. ora, se o lucro de sociedade estrangeira fosse passível de disponibilização direta e isolada à pessoa jurídica no Brasil (como pretendem os AI), não haveria razão para este lucro ser consolidado nas demonstrações da controlada do exterior da pessoa jurídica brasileira, conforme determina o §6° do art. i° da IN n.° 213/02 acima transcrito. que ao se admitir o absurdo da interpretação à revelia da lógica do art. 74 da MP n.° 2.18535/01 e do disposto na IN n.° 213/02, podemos verificar que a tributação sobre investimentos realizados em parceiros de tratado pode se mostrar mais gravosa quando comparada à tributação incidente sobre os investimentos em países com os quais o Brasil não mantém tratado, e que a interpretação adotada pela fiscalização viola as convenções assinadas pelo Brasil. que a decisão, embora reconheça que o IRPJ e a CSL são tributos substancialmente idênticos, bem como que somente a partir de 2001 a CSL passou incidir em bases universais, afastou a aplicação da CONVENÇÃO PAÍSES BAIXOS para excluir os resultados da Votorantim International Europe BV da base de cálculo da CSL. que os argumentos utilizados fundamse na promulgação da CONVENÇÃO PAÍSES BAIXOS posteriormente à edição da Lei n.° 7.689/88, que instituiu a CSL. que o Artigo 2 da CONVENÇÃO PAÍSES BAIXOS estabelece sua aplicação em relação aos "impostos sobre a renda estabelecidos por um dos Estados Contratantes, independentemente da maneira pelo qual se efetua a respectiva cobrança". que ainda que, por absurdo, sejam superados todos os fatos e argumentos mencionados acima, devem ser excluídos os lucros imputados à Votorantim International Europe BV (US$70.080.613,25) e à VOTO III (US$20.387.023,32), e os valores a título de multa de ofício e juros de mora devem ser excluídos do pretenso crédito tributário, com base no art. 100,1 e parágrafo único do CTN. Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.841 13 A PFN apresentou contra razões ao recurso voluntário alegando basicamente o seguinte: preliminarmente requer o reconhecimento de concomitância entre demanda administrativa e judicial. que em 12 de janeiro de 2011, a Votorantim Participações S.A. impetrou o Mandado de Segurança n° 000039605.2011.4.03.6100, perante a 24a Vara Federal da Subseção Judiciária de São Paulo/SP. que o objeto da ação judicial é evitar a tributação dos lucros auferidos no exterior por intermédio de suas subsidiárias, especialmente através da controlada austríaca Votorantim GMBH (nova denominação da Azben Holding GMBH), pelas razões sintetizadas no item ʺvʺ dos pedidos do mandado de segurança. o cerne do presente processo gira em torno da aplicação do art. 74 da MP 2.15835/2001 e do Tratado Brasil Austria aos lucros apurados por intermédio da Azben Holding GMB. Entretanto, essa matéria foi submetida à apreciação do Judiciário pela sucessora da contribuinte, o que impede o seu conhecimento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Súmula CARF n° 1). de fato, a leitura do item ʺIII.5ʺ da inicial do mandado de segurança (ʺDa intributabilidade dos resultados oriundos de países com os quais o Brasil tenha celebrado tratado para evitar a dupla tributaçãoʺ) comprova que a contribuinte requereu o reconhecimento da nãotributação dos lucros apurados pela Azben Holding GMBH, em decorrência da aplicação do artigo 7° do Tratado Brasil Áustria (ou da isenção aos dividendos pagos à controladora brasileira, prevista no artigo 23, item 2, do Acordo Internacional). que no caso concreto, a Impetrante deteve, até 17/12/2010, investimento na sociedade Votorantim GMBH, nova denominação de Azben Holding GMBH, situada na Áustria, país esse com o qual o Brasil firmou tratado para evitar a dupla tributação da renda nos moldes acima explicitados. que impõese, o afastamento de qualquer ato que proclame a exigibilidade do IRPJ e da CSLL sobre o resultado da equivalência patrimonial no que corresponder aos lucros auferidos pela sociedade Votorantim GMBH, nova denominação de Azben Holding GMBH, até 17/12/2010, sem obediência ao Acordo Internacional. que como se percebe, a contribuinte levou ao Judiciário a discussão acerca da aplicação do Acordo Internacional aos lucros apurados pela Azben Holding GMBH. Notese, inclusive, que a impetrante defendeu que a proteção do Tratado é uma decorrência do artigo 7° ou do item 2 do artigo 23 (isenção aos dividendos pagos), vale dizer, não há como se alegar que a análise do Judiciário estaria restrita ao art. 7° da Convenção, que, portanto, há identidade entre os objetos do mandado de segurança e do processo administrativo fiscal, na medida em que os lançamentos se referem aos lucros apurados por controladas da VPAR, incluindo as controladas através da Azben Holding no anocalendário de 2007, quando a impetrante postula, não recolher IRPJ e CSLL calculados na forma do art. 74 da MP 215835/2001 e do art. 7° da IN SRF 213/02, e, a nãotributação dos lucros apurados por intermédio da AZBEN. em face do exposto, requer a Fazenda Nacional (i) seja reconhecida a renúncia à instância administrativa, na forma do art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/80. Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.842 14 superada a preliminar requer aplicação do precedente da Terceira Turma do TRF da 2a Região (processo n° 2003.51.010029370), segundo o qual tratado internacional para evitar a dupla tributação não impede a aplicação da legislação brasileira, tendo em vista que a tributação incide sobre os lucros da empresa brasileira e não sobre lucros de empresas situadas no exterior. que os tratados internacionais para evitar a bitributação não podem ser utilizados abusivamente e alcançar lucros não produzidos nos Estados Contratantes. que, além disso, está comprovada a ausência de propósito negocial da holding austríaca (AZBEN), que o próprio contribuinte confessa que a AZBEN não registrou o lucro das controladas em Curaçao e Alemanha. Sob a justificativa de que a legislação austríaca não exige tal reconhecimento por equivalência patrimonial (mas também não impede!), ele atesta que o lucro daS empresas Votorantim International Holding NV; Votorantim International Europe GmbH e Votorantrade NV era registrado somente na VPAR. que o Auditor concluiu que o lucro sob análise era das empresas Votorantim International Holding NV (Curaçao), Votorantim International Europe GmbH (Alemanha) e Votorantrade NV (Curaçao), portanto, produzido em Curaçao e na Alemanha, e que fora disponibilizado de forma direta a VPAR. Em que pese a AZBEN ser a controlada direta (Votorantim International Holding NV e Votorantim International Europe GmbH) e indireta (Votorantrade NV) das referidas empresas, a falta de reconhecimento desse lucro em seus assentos atesta a origem e o destino desse lucro, ou seja, deve ser tributado o lucro auferido pela controladas da AZBEN domiciliadas em Curaçao e Alemanha, junto à brasileira VPAR, por ser esta efetivamente a beneficiária de tal resultado. que o Auditor não tinha outra opção senão considerar que o lucro foi produzido em Curaçao e Alemanha e disponibilizado de forma direta à controladora brasileira. que, se nem o próprio contribuinte reconhece o lucro como da AZBEN, não há como se exigir que o Auditor o fizesse. que com base nas informações fornecidas pela própria VPAR, o Fiscal corretamente constatou que o lucro analisado foi produzido pelas empresas em Curaçao e na Alemanha e disponibilizado de forma direta ao contribuinte (VPAR), razão pela qual essa parcela econômica deveria ser tributada com base no artigo 74 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001. que em face da alegação da empresa fiscalizada de que o lucro que estava sendo tributado era da empresa austríaca AZBEN, e que sobre ele incidia o Tratado BrasilÁustria para evitar dupla tributação, o Fiscal foi obrigado a analisar a aplicação da referida convenção internacional e demonstrou a tentativa do contribuinte em impor um planejamento abusivo para evitar a sua tributação pelo artigo 74 da MP n° 2.15835/2001. que a existência de Tratado para evitar a bitributação entre Brasil e Áustria não impede a tributação da empresa brasileira, considerando os lucros que a sociedade estabelecida no Brasil auferiu via controlada ou coligada no exterior que o art. 74 da MP n° 2.158 35/2001 incide sobre os lucros do contribuinte brasileiro, auferidos no exterior, por intermédio de empresas controladas. Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.843 15 Desse modo, essa norma não se refere às hipóteses de dupla tributação que são objeto dos tratados internacionais para evitar a dupla tributação, quais sejam, situações em que o mesmo contribuinte está submetido a duas legislações de países diferentes, sendo necessário limitar o escopo de uma dessas normas e assim evitar a dupla tributação. que a técnica adotada pelo art. 74 da MP 2.158/2001, de atribuição dos lucros de controladas no exterior ao contribuinte residente no Brasil na data em que houve a sua apuração contábil (e não com o seu efetivo pagamento ao residente no Brasil) foi inspirada em legislações usuais no exterior, denominadas normas CFC (abreviação de controlled foreign companies) que também possuem a finalidade precípua de impedir o diferimento na tributação dos lucros apurados no exterior e evitar fraudes ao Fisco. que, portanto, a MP 2.158/2001 dispôs que os lucros das empresas controladas e coligadas no exterior também deverão compor os lucros da sociedade, controladora ou coligada, residente no Brasil, como se a sociedade no exterior fosse ʺtransparenteʺ para fins fiscais. Como os lucros da sociedade no exterior são imputáveis à empresa brasileira, não há descumprimento do tratado, pois continuará havendo tributação de lucros de empresa brasileira. que no precedente da Terceira Turma do TRF da 2a Região, afastou a contradição apontada e deixou livre de dúvidas que a sistemática brasileira de tributação universal incide sobre os lucros da controladora sediada no País, que englobam os lucros apurados por intermédio de suas controladas, refletidos em seu patrimônio por equivalência patrimonial ante o exposto, pode se concluir que Tratado para Evitar a Dupla Tributação não impede a tributação dos lucros da empresa brasileira, razão pela qual deve ser mantida a autuação dos lucros auferidos via controladas direta e indireta da VPAR. que a proteção dos tratados é voltada precisamente para as riquezas produzidas pelos residentes dos respectivos EstadosContratantes e o Tratado entre Brasil e Áustria não foi celebrado com o escopo de beneficiar sociedades residentes em terceiro país, sob pena de se deturpar a finalidade do acordo. que a existência efetiva da Votorantin Internacional Holding NV, Votorantrade NV e da Votorantim International Europe GmbH é fundamento para a proteção dos lucros produzidos por essa sociedade, em observância ao Tratado, mas não para a extensão indevida dos efeitos do acordo bilateral aliás, em consonância ao entendimento adotado pela antiga Primeira Câmara no caso Eagle, nos termos do voto proferido pelo i. Conselheiro Valmir Sandri. que os lucros auferidos pelos investimentos da AZBEN não eram partilhados entre os investidores (VPAR e CAZBEN) de acordo com a quota de participação no capital social, mas por investimento. No caso, a CAZBEN não recebia 60% dos lucros auferidos pela AZBEN, mas participava apenas nos lucros de determinado investimento (VIH) mantido pela AZBEN. Já os lucros apurados pelas demais empresas do grupo, controladas pela AZBEN (VI Europe Alemanha e VI North America EUA) pertenciam apenas à VPAR, que detinha apenas 40% de participação no capital. revelouse assim que a AZBEN não era propriamente uma sociedade empresarial entre a vPAR e a CAZBEN, mas tinha mais as características de uma entidade, ou ainda, um "fundo" de administração de investimentos, em Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.844 16 que a remuneração era feita com base nos resultados de investimentos determinados contratualmente pelas empresas envolvidas (investidoras). que a legislação brasileira, independente da existência de fato e do propósito negocial da empresa controlada no exterior, admite a tributação das controladas indiretas. que a legislação interna de tributação universal não alcança tão somente as sociedades controladas diretamente pela investidora brasileira, conforme o conceito legal de ʺsociedade controladaʺ definido pela Lei n° 6.404/76, e absorvido integralmente pela legislação fiscal. que a legislação societária equipara o controle direto ao indireto, equivale dizer, a definição legal de controlada engloba a sociedade controlada direta ou indiretamente. Por essa razão, a controladora brasileira é obrigada a avaliar pelo patrimônio líquido não apenas os investimentos detidos na controlada direta, mas também aqueles investimentos mantidos em controladas indiretas. nesse diapasão, cumpre salientar que esse conceito foi adotado sem ressalvas pelo direito tributário, na forma dos arts. 384 e 466 do RIR/99. que a legislação fiscal determina que os lucros auferidos através de controladas sejam adicionados ao lucro líquido da controladora, para determinação do lucro real, na proporção da participação societária (art. 25, § 2°, II, da Lei n° 9.249/95). que a Convenção entre o Brasil e os Países Baixos foi celebrada em 08/03/1990, aprovada pelo Decreto Legislativo n° 60, de 17/12/1990 e promulgada pelo Decreto n° 355, de 02 de dezembro de 1991 (DOU de 03/12/1991), quando o Brasil já havia instituído a CSLL (1988). Assim, diante da inexistência de expressa menção de abrangência da CSLL no texto do tratado, não há fundamento legal para extensão dos efeitos da Convenção à CSLL. Encaminhado os autos para esse E. Conselho, foi exarada resolução (fls. 1632 às fls.1652), determinando o sobrestamento do julgamento haja vista que o presente processo administrativo trata de matéria idêntica àquela submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal, RE n. 611.586, na sistemática prevista no art. 543B do CPC. Às fls. 1708/1814 foi juntado pedido de desistência parcial, protocolizado em 19/12/2013, abrangendo os débitos questionados em recurso voluntário. O processo retornou a unidade de origem para confirmação da desistência noticiada pela recorrente e de seu alcance, a qual, por meio do despacho de fls. 1820 e 1821, segregou os créditos tributários objeto de desistência, elaborando as seguintes planilhas: Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.845 17 Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.846 18 Em 22 de abril de 2016 (fls. 1826), foi exarado despacho pela unidade preparadora determinando o retorno dos autos a este Egrégio Conselho para fins de apreciação somente do Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Inicialmente, cabe destacar, que apreciaremos somente o Recurso de Ofício interposto pela DRJ em face de ter exonerado parte do crédito tributário acima do valor de alçada, haja vista a desistência do Recurso Voluntário interposto pela recorrente, portanto, perdendo o seu objeto. Pois bem. De acordo com a DRJ, “no que tange aos lucros imputados à VOTOVOTORANTIM OVERSEAS III (Cayman), na documentação que integra os presentes autos, não se confirma o valor do lucro apurado e ora tributado exofficio nos lançamentos em análise.” De fato, compulsando às fls. 927 e 1185, verificase que a controlada VOTOVOTORANTIM OVERSEAS III (Cayman) não apurou lucro no período fiscalizado. De notar que as demais informações acerca dos lucros apurados e disponibilizados pela Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 16643.720016/201178 Acórdão n.º 1302002.400 S1C3T2 Fl. 1.847 19 Hailstone Ltd. – Ilhas Virgens Britânicas de R$ 8.699.588,752, e pela VotoVotorantim Overseas IV – Cayman de R$ 2.325.083,10, ora tributados exofficio, correspondem exatamente aqueles consignados no demonstrativo. Também não se localizou no processo, qualquer documento que contraditasse a informação constante dos demonstrativos acima referidos, mas ao contrário, às fls. 103, na memória de cálculo da equivalência reconhecida na Vpar em 2007, vê se que não houve resultado da Voto III. Assim, como não houve lucro apurado pela Voto III, não há que falar em adição ao lucro real para fins de tributação do IRPJ e CSLL. Diante do exposto, não CONHEÇO do recurso voluntário em virtude da perda de seu objeto e NEGO provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 1847DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.919491/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CORREÇÃO DE ERRO FORMAL. Comprovado o erro formal na emissão do acórdão do recurso voluntário acolhem-se os embargos apresentados para correção da falha e adequação ao tipo do acórdão.
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ).
Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1401-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes para anular a Resolução nº 1401-000.474 e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CORREÇÃO DE ERRO FORMAL. Comprovado o erro formal na emissão do acórdão do recurso voluntário acolhem-se os embargos apresentados para correção da falha e adequação ao tipo do acórdão. COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.919491/2009-68
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5826742
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.154
nome_arquivo_s : Decisao_16327919491200968.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin
nome_arquivo_pdf_s : 16327919491200968_5826742.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes para anular a Resolução nº 1401-000.474 e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7101990
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734363480064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1737; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 170 1 169 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.919491/200968 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.154 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida ITAU UNIBANCO HOLDING S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CORREÇÃO DE ERRO FORMAL. Comprovado o erro formal na emissão do acórdão do recurso voluntário acolhemse os embargos apresentados para correção da falha e adequação ao tipo do acórdão. COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes para anular a Resolução nº 1401000.474 e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 94 91 /2 00 9- 68 Fl. 170DF CARF MF 2 Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 16327.919491/200968 Acórdão n.º 1401002.154 S1C4T1 Fl. 171 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 1652.912 8ª Turma da DRJ/SP1, que, por maioria de votos rejeitou a preliminar de sobrestamento por falta de previsão legal no Decreto 70.235/72 e no mérito por unanimidade de votos negou provimento a manifestação de inconformidade. O objeto da lide é a declaração de compensação nº 00803.64200.280205.1.1030738, de saldo negativo de CSLL, relativo ao ano calendário de 2004, no valor de R$ 4.029.560,57, com débitos de CSLL e COFINS. Em 10/12/2009 (fls. 55) foi emitido despacho decisório que homologou parcialmente a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos: A contribuinte protocolou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que (fls. 2/8): a) Relativamente à parcela do crédito oriundo do saldo negativo de CSLL que foi glosada, no importe de R$ 437.050,90, cumpre esclarecer que a mesma referese ao pagamento por antecipação do mês de agosto/04 com crédito de IRPJ ora sob discussão judicial (proc. nº 2008.61.00.0145490). Referido montante foi, pois, objeto de depósito judicial, com vistas a suspender a exigibilidade do crédito tributário. b) Ainda que a referida ação judicial reste julgada improcedente a esse Manifestante, com a conseqüente conversão dos depósitos em renda da União, tem se que um novo indébito passível de compensação se constituirá. E isso, frisese novamente, na medida em que verificado um pagamento de CSLL a maior, o qual fora realizado com um crédito de IRPJ e, ainda, objeto de depósito judicial. c) A cobrança do débito de COFINS, vencido em novembro/05, no valor de R$ 505.711,62, perfazse indevida, posto que em duplicidade para com o crédito glosado. Fl. 172DF CARF MF 4 d) Com efeito, o saldo negativo a titulo de CSLL a compensar apurado em dezembro/04 foi de R$ 437.050,90; valor este que, atualizado para novembro/05 (selic de 15,71%), é de R$ 505.711,60. Assim, indiscutível a duplicidade da cobrança. e) Vale dizer, no momento em que a D. Autoridade Fiscal desconsiderou a atualização pela SELIC, reflexamente fez com que o crédito compensável não fosse devidamente atualizado e, por conseqüência, homologado. Apreciados os argumentos, afastada a preliminar de sobrestamento, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob fundamento de que: " [...] não há certeza quanto à extinção da parcela de R$ 437.050,90, a qual compõe o saldo negativo de CSLL, relativo ao ano de 2004, indicado como crédito, uma vez que conforme entendimento da autoridade julgadora, o depósito judicial não extingue o crédito tributário. Logo, sua existência é irrelevante para o deslinde da questão, uma vez, que os recursos depositados não representam ingressos definitivos nos cofres públicos. Sua função primordial é suspender a exigência do crédito tributário, sem extinguilo. A existência de discussão judicial acerca da extinção do débito que dá origem ao direito creditório compensado retira dele sua liquidez e certeza". Cientificado desta decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário contra o acórdão da manifestação de inconformidade. Analisado o recurso do contribuinte, foi emitida a Resolução nº 1401 000.474, em 27 de julho de 2017, sentido de manter o sobrestamento do processo por prejudicialidade, determinando a remessa dos autos à Secretaria da Câmara até que seja proferida decisão relativa ao processo nº 16327.000268/200783, por decorrência. Esclareço que a Resolução nº 1401000.474, em 27 de julho de 2017, tratou de conteúdo discutido nos autos 16327.001270/200699, por isso, nele deveria tem sido inserida naquela ocasião e não nestes autos, fato saneado pela Resolução 1401000.490, emitida nesta mesma data. Contudo, verificada a contradição, esta relatora opôs Embargos de Declaração que foram admitidos, a fim que os autos retornasse à julgamento para apreciação das razões contidas no recurso voluntário no qual, o contribuinte: i) insiste na preliminar de sobrestamento do processo administrativo até o julgamento da ação de rito ordinário n. 2008.61.00.0145490, onde se discute a existência de saldo negativo de IRPJ do ano de 1997, eis que, a estimativa de CSLL de agosto de 2004 foi quitada com recursos oriundos daquele crédito, que encontrase inclusive depositado judicialmente, considerando que caso essa ação judicial venha a transitar em julgado desfavoravelmente, a conversão em renda do depósito judicial servirá como pagamento da estimativa glosada, não afetando a composição do saldo negativo e nem ocasionando dano ao erário e;subsidiariamente, caso não seja acolhido o pedido de sobrestamento, ii) requer o provimento quando ao mérito visto que não se pode cobrar uma estimativa paga por meio de compensação, cujo débito confessado à autoridade fiscal por meio de Per/Decomp tratado em outro processo administrativo (16327.000409/9870), sob pena da Receita Federal prosseguir com a cobrança do mesmo débito de forma dúplice. Assim retornaram os autos a este colegiado para análise dos embargos inominados e correção do erro devido a lapso manifesto. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16327.919491/200968 Acórdão n.º 1401002.154 S1C4T1 Fl. 172 5 Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Conforme já delineado no relatório deste acórdão, a análise dos presentes embargos tratase da correção de erro material cometido quando da formalização do acórdão e apreciação dos argumentos contidos do recurso voluntário. O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da preliminar de sobrestamento. Ao analisar o pedido de sobrestamento deste processo administrativo no sentido de aguardar o resultado da ação judicial n. 2008.61.00.0145490 (fl. 14/35), que tramita pela 1a. Vara da Justiça Federal de São Paulo, que desde 17/03/2014 encontrase no TRF da 3a. Região, esperando julgamento de recurso de apelação da Recorrente após ter seu pleito julgado improcedente. No citado processo judicial se discute a existência de saldo negativo de IRPJ do ano de 1997, eis que, a estimativa de CSLL de agosto de 2004 foi quitada com recursos oriundos daquele crédito, que encontrase inclusive depositado judicialmente, a decisão de piso foi precisa ao demonstrar a impossibilidade de se atender ao pleito por absoluta falta de previsão legal no Decreto 70.235/72 para tal procedimento. Além disso, como bem observado nos fundamentos do voto vencedor: "No presente caso, não resta qualquer dúvida de que a parcela do direito creditório que não foi reconhecida – no valor de R$ 437.050,90 – relacionase com a CSLL mensal devida por estimativa do mês de agosto de 2004 que fora compensada com “crédito” de IRPJ sob discussão judicial e que foi objeto de depósito judicial com vistas a suspender a exigibilidade do crédito tributário (ação judicial nº 2008.61.00.0145498)". Fato ratificado também pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário quando demonstra no curso do processo que o valor utilizado na quitação da estimativa de agosto de 2004, por meio de compensação com créditos decorrente de saldos negativos de IRPJ de anos anteriores, foi objeto de discussão em outra demanda administrativa (PA 16327.000409/9870), atualmente em disputa judicial, na qual foi realizado depósito em valor suficiente a garantia do débito para suspenderlhe a cobrança. Diante dessa constatação, é perfeitamente possível superar o pedido preliminar formulado pela Recorrente, visto que é desnecessário sobrestar o feito para que se possa avançar no mérito e dar provimento ao Recurso Voluntário. Mérito. Fl. 174DF CARF MF 6 Isto porque, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a decisão de piso manifestase no sentido de que pode a Fiscalização, após o encerramento do ano calendário, exigir estimativas eventualmente não recolhidas durante o anocalendário, por expressa previsão legal e que a falta de recolhimento de estimativas, independentemente do anocalendário encerrado e da apuração de prejuízo fiscal. Segundo o Acórdão recorrido, descabe a alegação da contribuinte no sentido de que a glosa de estimativas da apuração de saldo negativo representa dupla exigência à Recorrente decorrente do mesmo fato, pois o pagamento de estimativas deveria ter sido feito dentro do prazo legal, o que não teria ocorrido no presente caso, assim como não houve o adimplemento dos débitos confessados, a glosa do saldo negativo é consequência deste fato. Por isso, no entendimento da decisão de piso, não haveria como se manter o saldo negativo de parcelas constituintes que não estariam satisfeitas, porque a cobrança dos valores não pagos decorre de determinação legal, de forma que não haveria que se falar em dupla cobrança, já que uma vez adimplido o débito, este procedimento reflete na apuração do saldo negativo. Contudo, tal entendimento não prospera, posto que, a partir da edição da Medida Provisória nº 135 de 30/10/2003 DOU de 31/10/2003, a estimativa mensal compensada em DCOMP deve integrar o saldo negativo, porque será cobrada, ainda que a compensação seja não homologada. O despacho decisório pretende exigir a estimativa quitada por compensação que compôs o referido saldo negativo se encontra em discussão em outros processos administrativos, ainda que já encerrado o respectivo anocalendário, o que não se pode admitir, conforme pacífica jurisprudência do próprio CARF. Neste sentido, fora proferidoem23denovembrode2016,Acórsão recebeuonº9101002.493,etemorigemnaCSRF,derelatoriadoConselheiroMarcosAurélioPereiraV aladão, que esclarece: Acórdãonº9101002.493: ASSUNTO:NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADA SEM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito,em negarlhe provimento. 2008.61.00.0145490 Deste segundo Acórdão, extraio a parte do voto que trata da aplicação da Solução de Consulta Interna nº18/2006, da COSIT, e do Parecer PGFN/CAT/nº88/2014: A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese ao cabimento, ou não, da glosa de estimativas cobradas em Declaração de Compensação na Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16327.919491/200968 Acórdão n.º 1401002.154 S1C4T1 Fl. 173 7 apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Tratase de matéria atualmente pacificada tanto no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN),como segue: Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. PARECERPGFN/CAT/Nº88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido –CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Assim, não procedem eventuais insurgências da recorrente contra o teor do contido na Solução de Consulta Interna (SCI) Cositnº18,de2006. Damesmaforma,éesteoentendimentodestaCSRF,conformeseobservaaseguir: Acórdão CSRF nº 9101002.093, de 21 de janeiro de 2015: IRPJ SALDO NEGATIVO ESTIMATIVA APURADA PARCELAMENTOCOMPENSAÇÃOCABIMENTO. Descabe a glosa na composição do saldo negativo de IRPJ de estimativa mensal quitada por compensação, posteriormente não homologada e cujo valor foi incluído em parcelamento especial. Do referido aresto, transcrevo o trecho a seguir (destaque do original): A situação é análoga à das estimativas quitadas por compensação declarada após a vigência da MP135/2003 (com caráter de confissão de dívida) e não homologadas. Para esses casos, exatamente em razão de as estimativas quitadas por compensações não homologadas estarem confessadas, a Secretaria da Receita Federal expediu orientação no sentido de não caber a glosa na apuração do saldo negativo apurado na DIPJ. Esclarece a Solução de Consulta Interna nº18/2006: “(...) Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” A incerteza sobre essa orientação, gerada pelos pronunciamentos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio dos Pareceres PGFN/CATnº1658/2011e193/2013, no sentido de impossibilidade de inscrição na dívida ativa dos débitos correspondentes às estimativas não pagas, foi superada com o Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014, no sentido de: Fl. 176DF CARF MF 8 “(...) legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo a substituição da estimativa pelo imposto de renda.” Portanto, é induvidoso que, em se tratando de estimativas objeto de compensação não homologada, mas que se encontram confessadas, quer por Declarações de Compensação efetuadas a partir da vigência da Medida Provisória nº 135/2003 (31/10/2003), quer por parcelamento, os respectivos valores devem ser computados no saldo negativo do anocalendário, porque serão cobrados através do instrumento de confissão de dívida. Ademais, consolidando este entendimento, temos: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Desta forma, uma vez declarada à Receita Federal, a compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação, de modo que a compensação efetuada para quitação do débito de estimativa deve ser confirmada e, por consequência, deve ser reconhecido o saldo negativo ora pleiteado, pois em situação contrária, de indeferimento daquela compensação, o débito será cobrado com base naquela DCOMP, não cabendo glosa dessa estimativa na apuração do saldo negativo na DIPJ. Assim, por todo o exposto nesta análise, voto no sentido acolher os embargos com efeitos infringentes para sanear contradição decorrente da formalização da anterior resolução de sobrestamento e no mérito DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.723710/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 02/04/2014
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1.
De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir.
JUROS.
Quando existir depósito no montante integral, não são devidos os juros. Súmula CARF n.º 5.
MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. SÚMULA CARF N.º 17.
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do Art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
Numero da decisão: 3201-003.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos conhecer em parte o recurso e na parte conhecida dar parcial provimento para afastar a exigência da multa de ofício e os juros de mora. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que votou por manter a multa de ofício.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 02/04/2014 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1. De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir. JUROS. Quando existir depósito no montante integral, não são devidos os juros. Súmula CARF n.º 5. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. SÚMULA CARF N.º 17. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do Art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10711.723710/2014-52
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801509
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.244
nome_arquivo_s : Decisao_10711723710201452.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10711723710201452_5801509.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos conhecer em parte o recurso e na parte conhecida dar parcial provimento para afastar a exigência da multa de ofício e os juros de mora. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que votou por manter a multa de ofício. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
id : 7026797
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734385500160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 534 1 533 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.723710/201452 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.244 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de outubro de 2017 Matéria NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente ASSOCIAÇÃO CONGREGAÇÃO DE SANTA CATARINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 02/04/2014 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1. De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir. JUROS. Quando existir depósito no montante integral, não são devidos os juros. Súmula CARF n.º 5. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. SÚMULA CARF N.º 17. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do Art. 151 do Código Tributário Nacional e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos conhecer em parte o recurso e na parte conhecida dar parcial provimento para afastar a exigência da multa de ofício e os juros de mora. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que votou por manter a multa de ofício. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 37 10 /2 01 4- 52 Fl. 535DF CARF MF 2 (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 456 em face da decisão de primeira instância da DRJ/SC de fls. 433 que manteve o crédito tributário conseqüente do lançamento de II, Pis e Cofins Importação, diante de indícios de falta de recolhimento de tributos, por importação não amparada por imunidade e, ao mesmo tempo, reconheceu a concomitância. A autoridade lavrou os Autos de Infração das fls. 30 a 43. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o relatório do Acórdão de primeira instância, para apreciação dos fatos, matéria e trâmite dos autos, conforme segue: "Versa o presente processo sobre os Autos de Infração (fls. 30/46) lavrados com vistas à constituição de crédito tributário no valor de R$ 282.549,93, referente à falta de recolhimento do Imposto de Importação (II), COFINS e contribuição para o PIS/PASEP, incidentes na importação, cujas exigências foram acrescidas de multa de ofício de 75%, em virtude de o interessado ter importado, através da DI nº 1406321747, registrada em 02/04/2014, mercadorias em 4 (quatro) Adições, com classificação na Tarifa Externa Comum sob o código 8523.49.90, 8471.50.10, 8471.70.12 e 8479.90.90, respectivamente, pleiteando imunidade com fulcro no art. 150, VI, "c", da Constituição Federal e imunidade do PIS e COFINS com fulcro no art. 2º, inciso VII, da Lei 10.865/2004. No entanto, relata a auditoria que tais imunidades não se aplicam ao caso em concreto já que o pedido de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS foi efetuado para a ASSOCIAÇÃO CONGREGAÇÃO DE SANTA CATARINA, CNPJ:60.922.168/000186, sendo que, no entanto, a importadora é a ASSOCIAÇÃO CONGREGAÇÃO DE SANTA CATARINA CASA DE SAÚDE SÃO JOSÉ, CNPJ:60.922.168/000348, a qual não apresentou documento de formalização de sua instituição e nem comprovou possuir ou ter possuído o CEBAS pertinente ao governo federal e nem do Governo do Estado do Rio de Janeiro e nem do Município do Rio de Janeiro. Além disto, exerce atividade comercial regular no mercado hospitalar com contraprestação de serviços médicos (aluguel de Centro Cirúrgico), clientes e planos de saúde. Regularmente cientificada (fls. 188/189), a autuada apresentou impugnação (fls. 55/74), na qual, em síntese: Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10711.723710/201452 Acórdão n.º 3201003.244 S3C2T1 Fl. 535 3 Alega que é entidade mantida pela Associação Congregação de Santa Catarina, sendo que o ato constitutivo da instituição é o próprio estatuto da mantenedora. Informa que o CEBAS da entidade mantenedora atinge as suas instituições mantidas. Discorre sobre o objetivo estatutário e atividades, informando que todos os recursos e superávit são destinados à própria instituição e sua entidade mantenedora, e, ainda que não preste assistência social de modo direto, o que não descaracteriza a filantropia, tem direito à imunidade constitucional. Defende que não é uma entidade autônoma, pois ambas as entidades formam uma única pessoa jurídica, que a legislação reconhece a possibilidade de uma instituição filantrópica atuar em diversas atividades, através de entidades mantidas, e de que não há exigência de que a gratuidade alcance a totalidade dos serviços prestados. Discorre sobre a imunidade tributária a que tem direito, diferenciandoa de isenção, e que a importação dos equipamentos foi realizada para melhor cumprimento de suas atividades de assistência médicohospitalar. Quanto ao PIS e COFINS, aduz que a própria Lei nº 10.865/2004 estabelece que as entidades beneficentes de assistência social não se encontram abrangidas pela incidência. Em face do exposto, requer seja cancelado o auto de infração. Às fls. 194/429, foram juntadas cópias do processo judicial 0007069 26.2014.4.02.5101, ainda em trâmite na 17a. Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro." A DRJ/PE de fls. 237 publicou seu acórdão de primeira instância com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/04/2014 ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas no tocante a mesma matéria. Impugnação Não Conhecida. Crédito Tributário Mantido." Fl. 537DF CARF MF 4 O processo digitalizado foi distribuído e pautado nos termos do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Mesmo que o tempestivo Recurso Voluntário contenha matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não é possível conhecêlo em razão de concomitância com processo judicial. Conforme destacado no relatório, o lançamento ocorreu diante de indícios de importação não amparada por imunidade, com expressa menção à medida judicial de fls. 210 e seguintes perante a 17.ª Vara Federal do Rio de Janeiro, Mandado de Segurança n.º 0007069 26.2014.4.02.5101 (2014.51.01.0070690).. O contribuinte busca o reconhecimento de sua imunidade aos tributos, em razão de ser entidade sem fins lucrativos com finalidade de assistência social. Fundamenta sua pretensão nos Art. 150, VI, c, da CF/88. Analisados os pedidos no MS de fls. 210 e 399, assim como a decisão de fls. 503 proferida no âmbito judicial, é possível concluir que o Poder Judiciário trata da mesma matéria submetida à esta lide administrativa fiscal. Em adição, o contribuinte alega em Recurso Voluntário que realizou o depósito integral do valor discutido e solicitou a não incidência dos juros. Em fls. 496 o despacho da autoridade fiscal confirmou os depósitos e suas suficiências, com a consequente suspensão da exigibilidade e não incidência dos juros, nos moldes da Súmula CARF n.º 5, transcrita a seguir: "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Portanto, ao discutir o mesmo objeto e causa de pedir no Poder Judiciário, como o reconhecimento de sua imunidade, o contribuinte optou por uma das vias de defesa, o que gerou a concomitância, prevista na Súmula n.º 1 deste Conselho: "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10711.723710/201452 Acórdão n.º 3201003.244 S3C2T1 Fl. 536 5 Independentemente da argumentação do contribuinte ter finalidade de assistência social e fundamentar sua alegação nos Art. 150, VI, c, da CF/88, a questão do afastamento da multa, com base no Art. 63 da Lei 9.430/96, deve ser analisada. O ato do registro da DI é do contribuinte e assim não é possível concluir que tenha ocorrido algum procedimento de ofício antes da suspensão do débito. Logo, a exigibilidade está suspensa e a multa carece de previsão legal para ser mantida, conforme reforçado pela Súmula n.º 17 deste Conselho, transcrita a seguir: "Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo." CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, votase para que seja conhecido parcialmente o Recurso Voluntário e, na parte conhecida, seja dado provimento para cancelar os juros e as multas. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 539DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13894.001308/2002-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1998
INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS.
Nega-se o reconhecimento do incentivo fiscal, diante da falta de
comprovação da quitação de tributos e contribuições federais pelo
contribuinte, na data de apresentação da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo.
Numero da decisão: 1401-000.504
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:1998 INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. Nega-se o reconhecimento do incentivo fiscal, diante da falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte, na data de apresentação da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13894.001308/2002-77
conteudo_id_s : 5819153
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.504
nome_arquivo_s : Decisao_13894001308200277.pdf
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
nome_arquivo_pdf_s : 13894001308200277_5819153.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
dt_sessao_tdt : Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
id : 7085862
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734387597312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1571; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 301 1 300 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13894.001308/200277 Recurso nº 508.754 Voluntário Acórdão nº 140100.504 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de março de 2011 Matéria IRPJ Recorrente Itaucard Administradora de Cartões de Créd. e Imob. Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. Negase o reconhecimento do incentivo fiscal, diante da falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte, na data de apresentação da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Fl. 306DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 03/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 222223): A contribuinte Itaucard Adminstradora de Cartões de Créd. e Imob. Ltda., acima identificada, ingressou com o PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fl. 01, tendo em vista que "NÃO HOUVE ORDEM DE EMISSÃO PARA O FINOR E O CONTRIBUINTE CONSTA DO SISTEMA OEIF". 2. Por meio do Despacho Decisório de fls. 251 a 254, proferido em janeiro de 2009, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, tendo em vista o resultado de 'consultas ao CADIN/SISBACEN e aos registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal — SRF, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional — PGFN, pelo Instituto Nacional de Seguridade Social — INSS e pela Caixa Econômica Federal (CEF)/FGTS, apontando a existência de débitos tributários e com base no artigo 60 da Lei n° 9.069, de • 29/06/1995. 2.1. O auditor fiscal designado para apreciar o pedido informou que: 7 A situação cadastral atual da interessada junto ao CNPJ é "Baixada", tendo sido incorporada pelo BANCO ITAUCARD S/A, este em situação "Ativa", e está sob jurisdição desta unidade administrativa, conforme fl. 238. 8 A interessada apresentou uma única DIPJ/1999, referente ao anocalendário 1998, sendo processada e liberada sem o registro de eventos. 9 Não foram detectados DARF pagos que representassem aplicação dirigida a algum fundo de Investimento (DARF específico. 10 Antes da apreciação do pedido da interessada, quanto ao mérito, convém verificar, em caráter preliminar, se a interessada pode usufruir o incentivo fiscal em questão, considerando o que dispõe a legislação que rege a matéria, Nesse intuito foram consultados o CADIN/SISBACEN e os registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal/PGFN, e perante o Fundo de Garantia. 11 A aludida consulta indica que a interessada está em situação irregular junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil/PGFN, como se verifica a fls. 237 a 247 deste processo, indicando que constam débitos da interessada em cobrança final no SIEF, e não detém a CND relativa às contribuições previdenciárias, sendo que a última, emitida em 26/05/2008, venceu em 22.11.2008, fatos esses que a impedem de comprovar a quitação de tributos e contribuições federais, com o que fica materializada a vedação abaixo transcrita: (...) 2.2. O referido despacho decisório encontrase assim ementado: Fl. 307DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 03/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13894.001308/200277 Acórdão n.º 140100.504 S1C4T1 Fl. 302 3 Assunto: Pedido de revisão de ordem de emissão de incentivo (PERC), relativo ao IRPJ/1999, anocalendário 1998. Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. A legislação veda a concessão de incentivos fiscais nas situações em que o pleiteante não esteja regular junto à Fazenda Pública. 3. Inconformada com o referido Despacho Decisório, do qual foi cientificada em 23/1/2009 (fls. 256), a interessada, por intermédio de seu advogado e procurador (doc. fl. 260), apresentou, em 19/02/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 257 a 259, acompanhada da documentação de fls. 260 a 270. Na peça de defesa a interessada argúi: 3.1. que a situação fiscal da contribuinte oscila entre "regular" e "irregular", e isto se daria em razão de falhas do sistema do Fisco que, inúmeras vezes, obriga a interessada a requerer baixa de débitos tributários inexistentes; 3.2. não ser possível que o direito ao incentivo fiscal, apurado na declaração do anobase 1998, esteja vinculado a esse sistema que, algumas vezes, apresenta distorções na situação real do cadastro dos contribuintes (que pode oscilar com freqüência). Assim, se o julgador tivesse analisando este processo na fase de situação cadastral regular teria deferido o incentivo, no entanto, poucos dias depois, em face de mudança da situação cadastral par irregular, indeferiuo; 3.3. que obteve Certidão Positiva com efeitos de Negativa da PGFN e SRFB (doc. 04) com validade até 03.08.2009, assim como das Contribuições Previdenciárias e de Terceiros (doc. 05) válida até 15.07.2009, justamente porque comprovou á regularidade de sua situação. Portanto, a presença de débitos que indevidamente constam nessa lista de apoio para emissãode Certidão não pode servir de argumento para o indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais do Recorrente. A 8ª Turma da DRJ São Paulo I, por maioria de votos, indeferiu a solicitação da contribuinte, por meio do Acórdão nº 1622.461, assim ementado (fls. 273): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PERC QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica Fl. 308DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 03/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Solicitação Indeferida Cientificada do Acórdão em 08/09/2009 (fls. 279), a contribuinte, em 08/10/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 280284, argumentando que comprovou plenamente sua regularidade fiscal quando da apresentação da manifestação de inconformdiade, razão pela qual impõese a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Trata o presente processo do indeferimento do pleito de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, referente ao anocalendário de 2003 e que foi indeferido pela autoridade administrativa do domicílio fiscal da interessada com base no artigo 60 da Lei n° 9.069/1995, decisão esta ratificada pela autoridade julgadora de primeira instância. O indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, se deu em razão de alegadas irregularidades fiscais da contribuinte, com base no disposto no artigo 60 da Lei n° 9.069/1995, verbis: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. A matéria em discussão foi objeto da Súmula CARF nº 37, que recebeu a seguinte redação (grifado): Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Sobre a obrigatoriedade de aplicação das Súmulas por parte dos integrantes deste CARF, convém transcrever o art. 72 do Regimento Interno desta Corte (grifado): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 03/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13894.001308/200277 Acórdão n.º 140100.504 S1C4T1 Fl. 303 5 Analisandose os autos, verificase que pelo menos dois débitos apontados pelo Fisco são anteriores à data de apresentação da Declaração de Rendimentos, na qual a contribuinte fez a opção pelo benefício fiscal. Tratamse dos processos nº 10680.270022/9809 e nº 10680.270023/9863, relativos à Contribuição Social, inscritos em dívida ativa desde 07/07/1998 e que não se encontram com sua exigibilidade suspensa, conforme se observa às fls. 246. Em sua peça recursal, a Recorrente afirmou que comprovou sua regularidade fiscal, por ocasião da apresentação de sua manifestação de inconformidade. No entanto, tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, a Recorrente abstevese de tecer qualquer consideração acerca dos aludidos débitos. Assim sendo, constato que no caso em apreço há comprovação cabal da existência de débitos tributários em nome da contribuinte. Também não existem dúvidas de que os aludidos débitos já existiam, por ocasião da apresentação da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, em estrita conformidade com o disposto na Súmula CARF nº 37, retrotrascrita. Não logrando a contribuinte comprovar sua regularidade fiscal no momento da opção pelo incentivo, efetivamente deve ser indeferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. Voto, pois, por NEGAR provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 310DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 03/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 02/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10886.720784/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RETENÇÃO EQUIVOCADA. OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA. NECESSIDADE DE APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE E COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
O lançamento questão encontra-se equivocado, bem como o pleito de compensação, pois o objeto da retenção não trata de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, mas sim de compra de venda, na qual deveria ter sido apurado o ganho de capital, se existente, mostrando-se incabível a retenção realizada.
Numero da decisão: 2201-004.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a improcedência do lançamento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 05/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RETENÇÃO EQUIVOCADA. OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA. NECESSIDADE DE APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE E COMPENSAÇÃO INDEVIDA. O lançamento questão encontra-se equivocado, bem como o pleito de compensação, pois o objeto da retenção não trata de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, mas sim de compra de venda, na qual deveria ter sido apurado o ganho de capital, se existente, mostrando-se incabível a retenção realizada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10886.720784/2015-16
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5806645
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-004.037
nome_arquivo_s : Decisao_10886720784201516.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 10886720784201516_5806645.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a improcedência do lançamento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 05/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
id : 7055739
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734404374528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1484; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10886.720784/201516 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.037 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de novembro de 2017 Matéria IRPF Recorrente VERA LUCIA DA SILVA VASCONCELLOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RETENÇÃO EQUIVOCADA. OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA. NECESSIDADE DE APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE E COMPENSAÇÃO INDEVIDA. O lançamento questão encontrase equivocado, bem como o pleito de compensação, pois o objeto da retenção não trata de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, mas sim de compra de venda, na qual deveria ter sido apurado o ganho de capital, se existente, mostrandose incabível a retenção realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a improcedência do lançamento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 05/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 72 07 84 /2 01 5- 16 Fl. 79DF CARF MF 2 Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do IRPF 2014, ano calendário 2013, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/ Niterói. Foi apurado imposto de renda pessoa física no valor de R$ 55.807,59, sujeito à multa e juros de mora. O referido lançamento teve origem na constatação da(s) seguinte(s) infração(s): Compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 68.683,10. A descrição detalhada da glosa encontra se às fls. 06. A ciência do lançamento ocorreu em 07/08/2015 (fls. 46) e a contribuinte apresentou sua impugnação em 18/08/2015 (fls. 02/03), acompanhada de documentação, alegando, em síntese, que não apresentou um contrato de prestação de serviços porque não houve prestação de serviços, mas contrato de compra e venda de esculturas realizado entre a Prefeitura Muncipal de Cabo Frio e a contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 Ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Mantémse a glosa se o contribuinte não comprovar, com documentação hábil e idônea, que a fonte pagadora efetuou a retenção do Imposto no valor informado na Declaração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10886.720784/201516 Acórdão n.º 2201004.037 S2C2T1 Fl. 3 3 Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, tempestivamente, no qual o contribuinte apresentou as seguintes razões: É o relatório. Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, os presentes autos tratam da compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Acerca da matéria a Delegacia de Origem assim se pronunciou: Após apresentar o comprovante de rendimentos de fls. 09, de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício (código 0588) no valor de R$ 252.631,58, com retenção de imposto de renda na fonte no montante de R$ 68.683,10, a contribuinte foi intimada a apresentar contrato de prestação de serviços com a fonte pagadora, a Prefeitura Municipal de Cabo Frio. A interessada não apresentou o documento solicitado e teve o valor do IRRF glosado. Nesta instância a requerente se justifica alegando que não apresentou contrato de prestação de serviços porque na verdade Fl. 81DF CARF MF 4 o que ocorreu foi uma operação de compra e venda entre a Prefeitura e ela. Com efeito, os documentos de fls. 24/30 demonstram que a contribuinte vendeu 21 esculturas do artista plástico Ivan Cruz à Prefeitura de Cabo Frio (fls. 24). Em que pese a fonte pagadora ter preparado DIRF e comprovante de rendimentos informando o código 0588, de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, com retenção de IRRF de R$ 68.683,10, a operação de compra das esculturas não está sujeita à retenção de imposto de renda na fonte nos termos em que aconteceu. Os documentos de fls. 25/29 confirmam que essa retenção não ocorreu, tendo a contribuinte recebido a integralidade do valor pela venda dos objetos de arte. Assim, não há como restabelecer a compensação do imposto, uma vez que este não foi retido na fonte e nem poderia pois não se aplica ao caso em concreto. Aduz a recorrente a existência da retenção no valor de R$ 68.683,10, conforme consta do comprovante de rendimentos, fls. 62, e da DIRF, fls. 64. Temse o recibo de fls. 25, no qual consta como valor integral recebido R$ 252.631,58 (sem a retenção) e, por outro lado, foram juntadas a DIRF e o comprovante de rendimentos. Não obstante os argumentos plausíveis da recorrente, temse que a atividade por ela realizada, qual seja a venda de quadros à prefeitura, de forma esporádica, enseja a apuração de ganho de capital, em regra, e não a incidência de imposto de renda retido na fonte, como ocorreu no caso em tela. Assim, o lançamento questão encontrase equivocado, bem como o pleito de compensação, pois o objeto da retenção não trata de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, mas sim de compra de venda, na qual deveria ter sido apurado o ganho de capital, se existente. Portanto, mostrase improcedente o presente lançamento, devendo a contribuinte apurar o ganho de capital e pleitear a devida restituição do valor indevidamente retido. Diante do exposto, reconheço a improcedência do lançamento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10886.720784/201516 Acórdão n.º 2201004.037 S2C2T1 Fl. 4 5 Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.000916/2004-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-004.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Diego Diniz Ribeiro
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10850.000916/2004-44
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5814567
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.785
nome_arquivo_s : Decisao_10850000916200444.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Diego Diniz Ribeiro
nome_arquivo_pdf_s : 10850000916200444_5814567.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
id : 7077098
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734419054592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1757; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.000916/200444 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.785 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2017 Matéria Compensação Recorrente G. V. HOLDING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 09 16 /2 00 4- 44 Fl. 276DF CARF MF 2 Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto (acórdão n. 1435.683 fls. 158/162) nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/1999 COFINS. BASE DE CÁLCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo da Cofins passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa deduzida de algumas exclusões relacionadas em lei. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos e do perito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando a legitimidade do seu crédito, bem como a submissão do Poder Executivo ao precedente vinculante do STF veiculado no âmbito do julgamento do RE n. 390.840/MG. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10850.000916/200444 Acórdão n.º 3402004.785 S3C4T2 Fl. 3 3 I. O mérito da compensação realizada 7. A juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a sua origem decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214 215) 8. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). Fl. 278DF CARF MF 4 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 9. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tãosomente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. 11. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720037/2015-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 04/01/2011 a 10/05/2011
DIREITOS ANTIDUMPING . CALÇADOS DA CHINA. ESCOPO.
Calçados classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM e originários da República Popular da China estavam, em regra, sujeitos ao pagamento de direito antidumping à alíquota específica fixa de US$ 13,85 por par, nos termos da Resolução Camex n° 14/2010.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS E DIREITOS ANTIDUMPING. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. AFRONTA À SEGURANÇA JURÍDICA.
Considerando que no caso específico aqui analisado as mercadorias do contribuinte passaram por uma detalhada análise acerca da sua correta classificação fiscal e sobre a sua sujeição às normas de direito antidumping, tendo a fiscalização concluído, após a realização de vistoria técnica, pela necessidade de reclassificação fiscal do NCM inicialmente adotado pelo contribuinte (6402) para o NCM 6401.99.90, inclusive com a cobrança de multa em razão da errônea classificação fiscal, conclui-se que a posterior lavratura de auto de infração indicando que o enquadramento correto seria no NCM 6402.99.90, ao invés do NCM 6401.99.90, representa mudança de critério jurídico, em nítido prejuízo da segurança jurídica que deve nortear as relações entre Fisco e contribuinte.
Não sendo plausível exigir do contribuinte que tivesse adotado classificação fiscal diversa daquela indicada no NCM 6401.99.90, indicado anteriormente pela própria fiscalização, em procedimento de análise detida e cautelosa, como sendo o NCM correto, não há como subsistir a cobrança de direitos antidumping, que devem ser aplicados apenas aos calçados classificados nas posições 6402 a 6405.
Numero da decisão: 3301-004.043
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Por voto de qualidade, deu-se provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Redatora designada, Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira (Relatora), Larissa Nunes Girard, Semiramis de Oliveira Dura e Marcos Roberto da Silva que negavam provimento.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Redatora Designada
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 04/01/2011 a 10/05/2011 DIREITOS ANTIDUMPING . CALÇADOS DA CHINA. ESCOPO. Calçados classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM e originários da República Popular da China estavam, em regra, sujeitos ao pagamento de direito antidumping à alíquota específica fixa de US$ 13,85 por par, nos termos da Resolução Camex n° 14/2010. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS E DIREITOS ANTIDUMPING. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. AFRONTA À SEGURANÇA JURÍDICA. Considerando que no caso específico aqui analisado as mercadorias do contribuinte passaram por uma detalhada análise acerca da sua correta classificação fiscal e sobre a sua sujeição às normas de direito antidumping, tendo a fiscalização concluído, após a realização de vistoria técnica, pela necessidade de reclassificação fiscal do NCM inicialmente adotado pelo contribuinte (6402) para o NCM 6401.99.90, inclusive com a cobrança de multa em razão da errônea classificação fiscal, conclui-se que a posterior lavratura de auto de infração indicando que o enquadramento correto seria no NCM 6402.99.90, ao invés do NCM 6401.99.90, representa mudança de critério jurídico, em nítido prejuízo da segurança jurídica que deve nortear as relações entre Fisco e contribuinte. Não sendo plausível exigir do contribuinte que tivesse adotado classificação fiscal diversa daquela indicada no NCM 6401.99.90, indicado anteriormente pela própria fiscalização, em procedimento de análise detida e cautelosa, como sendo o NCM correto, não há como subsistir a cobrança de direitos antidumping, que devem ser aplicados apenas aos calçados classificados nas posições 6402 a 6405.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10314.720037/2015-62
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5796637
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-004.043
nome_arquivo_s : Decisao_10314720037201562.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10314720037201562_5796637.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Por voto de qualidade, deu-se provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Redatora designada, Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira (Relatora), Larissa Nunes Girard, Semiramis de Oliveira Dura e Marcos Roberto da Silva que negavam provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira- Relatora. (ASSINADO DIGITALMENTE) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Redatora Designada Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6999041
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734456803328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2187; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.556 1 2.555 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.720037/201562 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.043 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Matéria DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Recorrente CROCS BRASIL COMERCIO DE CALCADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 04/01/2011 a 10/05/2011 DIREITOS ANTIDUMPING . CALÇADOS DA CHINA. ESCOPO. Calçados classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM e originários da República Popular da China estavam, em regra, sujeitos ao pagamento de direito antidumping à alíquota específica fixa de US$ 13,85 por par, nos termos da Resolução Camex n° 14/2010. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS E DIREITOS ANTIDUMPING. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. AFRONTA À SEGURANÇA JURÍDICA. Considerando que no caso específico aqui analisado as mercadorias do contribuinte passaram por uma detalhada análise acerca da sua correta classificação fiscal e sobre a sua sujeição às normas de direito antidumping, tendo a fiscalização concluído, após a realização de vistoria técnica, pela necessidade de reclassificação fiscal do NCM inicialmente adotado pelo contribuinte (6402) para o NCM 6401.99.90, inclusive com a cobrança de multa em razão da errônea classificação fiscal, concluise que a posterior lavratura de auto de infração indicando que o enquadramento correto seria no NCM 6402.99.90, ao invés do NCM 6401.99.90, representa mudança de critério jurídico, em nítido prejuízo da segurança jurídica que deve nortear as relações entre Fisco e contribuinte. Não sendo plausível exigir do contribuinte que tivesse adotado classificação fiscal diversa daquela indicada no NCM 6401.99.90, indicado anteriormente pela própria fiscalização, em procedimento de análise detida e cautelosa, como sendo o NCM correto, não há como subsistir a cobrança de direitos antidumping, que devem ser aplicados apenas aos calçados classificados nas posições 6402 a 6405. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 00 37 /2 01 5- 62 Fl. 2574DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.557 2 Recurso Voluntário Provido Por voto de qualidade, deuse provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Redatora designada, Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira (Relatora), Larissa Nunes Girard, Semiramis de Oliveira Dura e Marcos Roberto da Silva que negavam provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira Relatora. (ASSINADO DIGITALMENTE) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Redatora Designada Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 2408/2426), abaixo transcrito: Tratase de Auto de Infração, lavrado em 07/01/2015, para formalizar o lançamento da diferença de direitos antidumping não recolhidos nas operações de importação, registradas no período de 04/01/2011 a 10/05/2011, de calçados originários da República Popular da China, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, devidos pela classificação incorreta na posição 6401 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e interpretação incorreta das exceções da NCM 6402.20.00, conforme previsto na Resolução Camex nº 14, de 2010, e no art. 717, inciso II e § 2º, no art. 788, §§ 1º a 3º, e no art. 789, todos do Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro), no valor total apurado de R$ 14.402.790,81 (quatorze milhões, quatrocentos e dois mil, setecentos e noventa reais e oitenta e um centavos). Em síntese, segundo a fiscalização, com o intuito de fugir do recolhimento dos direitos antidumping, as mercadorias Fl. 2575DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.558 3 importadas – calçados de diversos modelos da marca CROCS – foram assim classificadas na NCM: Posição 6401 – “Calçados impermeáveis de sola exterior e parte superior de borracha ou plásticos, em que a parte superior não tenha sido reunida à sola exterior por costura ou por meio de rebites, pregos, parafusos, espigões ou dispositivos semelhantes, nem formada por diferentes partes reunidas pelos mesmos processos”, mais especificamente na posição 6401.99.90 (“Outros; Outros”); NCM 6402.20.00 – “Calçados com parte superior em tiras ou correias, fixadas à sola por pregos, tachas, pinos e semelhantes”. No caso dos calçados classificados na NCM de Posição 6401, o contribuinte fez uso de uma caracterização equivocada de seus produtos para enquadrálos nessa posição, que o exime do pagamento de direitos antidumping , conforme descrito a seguir. Segundo o relato da fiscalização, a maioria dos calçados CROCS importados classificados na posição 6401.99.90 – calçados relacionados na Tabela 01 – deveria ser classificada na NCM 6402.99.90 (“Outros Calçados com Sola Exterior e Parte Superior de Borracha ou Plásticos; Outros Calçados; Outros; Outros”), com pagamento de direitos antidumping à alíquota específica fixa de US$ 13,85/par (treze dólares estadunidenses e oitenta e cinco centavos por par), nos termos da Resolução Camex n° 14/2010, pois tais produtos não se enquadram na descrição de “CALÇADOS IMPERMEÁVEIS”, conforme a descrição das Notas Explicativas (NESH) da posição 6401, e “NÃO SE CONSTITUEM EM PEÇA INTEIRIÇA, EM RAZÃO DE HAVER ALÇA ENCAIXADA À PARTE SUPERIOR DOS CALÇADOS”, em concordância com a Nota Técnica 044/2013/CGAS/DECOM/SECEX, que trata de produto similar. Outrossim, alguns modelos específicos de calçados CROCS, também classificados incorretamente na NCM 6401.99.90 – calçados relacionados na Tabela 02 – deveriam ser classificados na NCM 6404.19.00 (“Calçados com Sola Exterior de Borracha, Plásticos, Couro Natural ou Reconstituído e Parte Superior de Matérias Têxteis; Calçados com sola exterior de borracha ou de plásticos; Outros”), com pagamento de direitos antidumping . Alguns desses modelos tampouco são impermeáveis nos termos das Notas Explicativas (NESH) da posição 6401, pois são abertos atrás, bem como não possuem a parte superior constituída de borracha ou plástico. Outros modelos, embora fechados atrás ou em formato de botas, também não possuem a parte superior constituída de borracha ou plástico – característica essencial para classificálos na NCM 6401.99.90. Por sua vez, no caso dos calçados classificados na NCM 6402.20.00 – relacionados na Tabela 03 – embora a classificação adotada esteja correta, o contribuinte fez uma interpretação equivocada das exceções de pagamento dos direitos antidumping previstas na Resolução Camex nº 14/2010, visto que os calçados Fl. 2576DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.559 4 são constituídos de PLÁSTICO, conforme Laudo Pericial apresentado pelo próprio contribuinte, e não de borracha – estendendo essa excludente para seus produtos e deixando de recolher os valores devidos. Regularmente cientificado da autuação por intimação postal, o importador apresentou, em 12/02/2015, impugnação alegando, em síntese, o que segue. Após breve introdução, o impugnante faz um histórico dos fatos, afirmando que classificava (praticamente) todos os seus modelos na posição 6402 da NCM até o registro da Declaração de Importação (DI) nº 09/13065743, quando tomou ciência de exigência feita pela fiscalização aduaneira, em 02/10/2009, para o recolhimento de direitos antidumping na importação de calçados de diversos modelos da China, na vigência da Resolução nº 48/2009 da Câmara de Comércio Exterior (Camex), publicada em 08/09/2009, que aplicava direito antidumping provisório, por até 6 meses, nas importações brasileiras de calçados classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 12,47/par. Anteriormente, já preocupado com as consequências de eventual equívoco na interpretação das regras de aplicação do direito antidumping , desde a época das investigações iniciadas com a publicação da Circular Secex nº 95/2008, o impugnante havia feito duas solicitações ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e, logo depois da exigência fiscal, fez outra petição dirigida à Camex, obtendo finalmente como resposta a Nota Técnica nº 109/2009, a qual informa expressamente que seus produtos, por serem injetados e impermeáveis, estão classificados na posição 6401 e, portanto, naturalmente fora do campo de aplicação do direito antidumping. De posse da referida Nota Técnica, solicitou a retificação da DI nº 09/13065743 a fim de corrigir a classificação fiscal dos calçados, passando da NCM 6402.99.90 para a NCM 6401.99.90, o que gerou uma “Solicitação de Vistoria Técnica” com a “designação de assistente técnico”, cujo resultado restou consignado no Laudo SAT 6304/09 EQCOF. Assim, em 14/01/2010, obteve a reclassificação pretendida e a liberação das mercadorias. Em 05/03/2010, foi publicada a Resolução Camex nº 14/2010, aplicando direito antidumping definitivo, por até 5 anos, nas importações brasileiras de calçados chineses classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 13,85/par (treze dólares estadunidenses e oitenta e cinco centavos por par). A partir daí, com base em dois documentos elaborados por diferentes órgãos da administração pública federal – a Nota Técnica nº 109/2009, da Camex, e o laudo referente à Solicitação de Assistência Técnica da Alfândega do Porto de Santos SAT Fl. 2577DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.560 5 6.304/09 EQCOF, da Receita Federal – adotou a classificação desses produtos importados na posição 6401 da NCM. Em suma, considerando os fatos narrados e os documentos anexados à impugnação, o interessado aduz os seguintes argumentos, pugnando pela improcedência total do Auto de Infração: A autuação foi extremamente genérica ao tratar todos os produtos importados, de diversos modelos, cada qual com suas peculiaridades (como muito bem mostram as Tabelas 01, 02 e 03 do Anexo do Relatório Fiscal), em apenas dois grandes grupos. A Fiscal autuante desobedeceu a comando emanado de autoridade competente na aplicação da medida antidumping , ao ignorar por completo a conclusão da Camex no tocante a todos os produtos classificados na posição NCM 6401. A fiscalização também invalidou conclusão contida em laudo oficial que levou a inspeção aduaneira a determinar a utilização da NCM 6401 na classificação das mercadorias importadas registradas na DI nº 09/13065743, além das práticas reiteradas de agentes da Receita Federal nos portos de entrada em posteriores operações de importação de produtos com as mesmas características. O referido laudo foi pedido por um Agente Fiscal da Receita Federal do Brasil e elaborado por profissional credenciada pela Alfândega do Porto de Santos, logo representa a posição e a conclusão oficial das autoridades fiscais federais a respeito da classificação dos produtos na NCM 6401. Posteriormente, em todas as importações dos produtos classificados na NCM 6401 (a maioria dos produtos desta autuação), inclusive submetidas ao canal amarelo e vermelho, as autoridades fiscais reiteradamente observaram referido laudo e não exigiram o recolhimento do direito antidumping , segundo o que determina o § 3º do art. 30 do DecretoLei (sic) nº 70.235/72, agora desrespeitado. Assim, houve mudança de critério jurídico por parte da fiscalização, inaplicável a fatos pretéritos, com base no art. 146 do Código Tributário Nacional (CTN) e na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em casos absolutamente similares, inclusive julgado sob o rito do art. 543C do então vigente Código de Processo Civil (CPC), cujo entendimento deve ser observado nesta esfera administrativa, nos termos do art. 62 A da Portaria nº 256/09 – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). No mínimo, os encargos moratórios (juros e multa de mora) não deveriam ser cobrados, conforme preceitua o parágrafo único do art. 100 do CTN (que repousa na própria essência da moralidade administrativa e também no princípio da boafé), pois o impugnante observou não só atos normativos e decisões de autoridades administrativas, mas também práticas reiteradas das Fl. 2578DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.561 6 autoridades fiscais aduaneiras, que sempre observavam o laudo e chancelavam importações com a defendida classificação fiscal. Quanto aos aspectos técnicos da classificação das mercadorias, as Notas Explicativas (NESH) não compõem o Sistema Harmonizado (SH) e não são vinculantes, possuindo apenas a função de orientar a interpretação do SH, de acordo com entendimento confirmado pelo “Painel da OMC no caso European Commmunities – Customs Classification of Frozen Bonelees Chicken Cuts (DS269)”. Ademais, as NESH possuem “menor valor como prova” no ordenamento jurídico brasileiro, conforme disposto no parágrafo único do art. 94 do Decreto nº 6.759/2009, indicado nos autos pela própria autoridade fiscal. O produto da CROCS é impermeável, pois o sentido literal do termo “impermeável”, extraído do dicionário Houaiss (2009), não comporta a interpretação excessiva da fiscalização, baseada apenas em um pequeno trecho da NESH e sem qualquer embasamento técnico, assim como a posição 6401 da NCM engloba todos os tipos de calçados impermeáveis, e não somente aqueles “calçados fechados que protegem o pé inteiro, semelhantes a botas e galochas”, como sustenta a fiscalização. Além disso, os calçados do impugnante não só são feitos de material impermeável, mas também são – eles próprios – impermeáveis, segundo a engenheira responsável pelo Laudo SAT 6.304/09 EQCOF, sendo que a impermeabilidade do produto pode ser constatada até mesmo por um leigo, já que sua característica impede que os pés do usuário se molhem mesmo quando utilizado em superfície úmida ou molhada. A reforçar essa característica, apresentou ao MDIC petição com laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) que avaliou o modelo CROCS Bistro (cuja semelhança é inegável com os demais CROCS classificados na NCM 6401) e concluiu que o produto cumpre o requisito da impermeabilidade, levando à expedição do “Certificado de Aprovação nº 27.622”, do Ministério do Trabalho (cuja descrição não deixa dúvidas), aprovandoo como calçado de segurança a ser utilizado em ambientes diversos, inclusive úmidos, como cozinhas. O produto da CROCS é composto de uma peça única, pois a autuação se baseou na Nota Técnica nº 44/2013 do Departamento de Defesa Comercial (Decom), que não é autoridade competente para esclarecer dúvidas sobre classificação tarifária – o que cabe à Receita Federal do Brasil, conforme Instrução Normativa nº 1.464/2014 – bem como o produto de outra empresa avaliado pelo Decom não se confunde com os diferentes modelos de calçados classificados pela CROCS na posição 6401 da NCM. Outrossim, segundo a Nota 4(A) do Capítulo 64 do SH, os protetores de tornozelo (como as tiras de tornozelo de alguns calçados da CROCS), por serem considerados acessórios, são irrelevantes para a determinação do material que compõe a parte superior de um calçado, logo não integram a parte superior dos mesmos, a qual seria composta apenas pelo material que cobre a Fl. 2579DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.562 7 lateral e o peito do pé – conclusão que encontra respaldo na Nota Explicativa D do Capítulo 64. O calçado pode ser utilizado com a tira colocada na parte de cima ou retraída como apoio de calcanhar sem danificar o calçado ou mudar a sua aplicação, assim como ela pode ser completamente removida sem causar danos ao produto. Desse modo, a parte superior não é “formada por diferentes partes reunidas” nem foi reunida à sola exterior por costura, rebite, pregos ou qualquer outro processo semelhante (como vedado pela descrição da posição 6401 da NCM), sendo que ambas compõem uma só peça produzida por processo de moldagem por injeção de plástico, conforme consta do laudo da Alfândega do Porto de Santos. O produto da CROCS, além de impermeável, é composto de plástico. Embora alguns modelos apresentem materiais têxteis na parte superior ou na sola do produto, isso não significa que essas partes não sejam feitas de plástico, pois, segundo apontado pela própria autoridade, as NESH indicam que a posição 6401 abrange os calçados de sola exterior e parte superior de borracha, plástico ou “ainda de tecido ou outro suporte têxtil que apresente uma camada exterior de borracha ou de plástico perceptível à vista desarmada” – como é o caso de todos os modelos questionados que foram reclassificados pela fiscalização para a NCM 6404.99.90. A respeito da aplicação dos direitos antidumping sobre as sandálias praianas de plástico, corretamente classificadas na NCM 6402.20.00, a intenção da Camex e do Decom foi excluir as “sandálias praianas” como um todo, que são aquelas utilizadas para ir à praia, independentemente do material com o qual são feitas, sendo o termo separado por vírgula – “confeccionadas em borracha e cujas tiras são fixadas ao solado por espigões (...)” – mero aposto gramatical, utilizado para exemplificar o produto excluído e orientar a compreensão, fazendo alusão às famosas sandálias Havaianas, que são feitas de borracha. Por fim, a Camex e o Decom não poderiam excluir apenas as sandálias praianas de borracha, pois isso implicaria um tratamento preferencial em detrimento de empresas concorrentes que continuariam sujeitas às medidas antidumping , violando o princípio da impessoalidade, cuja aplicação ao caso concreto demonstra que produtos similares fazem jus ao mesmo tratamento pela Administração Pública. Quanto à similaridade, a análise de cada um dos critérios elencados pela legislação – matériaprima, composição química, características físicas, normas e especificações técnicas aplicáveis, processo produtivo, usos e aplicações, grau de substitutibilidade, canais de distribuição – além do mercado e da classificação tarifária, deixa claro que as sandálias praianas de plástico da CROCS e as sandálias praianas de borracha são semelhantes, estando isentas do pagamento de direitos antidumping . Mais tarde, em 17/04/2015, apresentou petição com documentos para “informar fato novo, surgido após a apresentação de sua Fl. 2580DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.563 8 defesa, mas de extrema relevância para a questão aqui controvertida” – no caso, o advento da Circular Secex nº 9, de 2015, publicada em 02/03/2015, que torna públicas algumas informações contidas no Parecer Decom nº 6/15, iniciando processo de revisão do direito antidumping instituído pela Resolução Camex nº 14/10 (fls. 2338/2405). Mais uma vez, afirmase – tal como na Nota Técnica nº 109/2009 – que os “calçados injetados” são costumeiramente classificados na posição 6401 da NCM e “não são produto objeto da presente revisão, uma vez que foram expressamente excluídos da Resolução Camex nº 14/10”, logo devem ser excluídos do âmbito de aplicação dos direitos antidumping . Ao julgar a impugnação, a 7ª Turma da DRJ/FNS proferiu o Acórdão n° 07 38.269 7ª Turma da DRJ/FNS, com a seguinte ementa( fl. 2408): ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING , COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Período de apuração: 04/01/2011 a 10/05/2011 DIREITOS ANTIDUMPING . CALÇADOS DA CHINA. ESCOPO. Calçados classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM e originários da República Popular da China estão, em regra, sujeitos ao pagamento de direito antidumping à alíquota específica fixa de US$ 13,85 por par, nos termos da Resolução Camex n° 14/2010. DIREITOS ANTIDUMPING. SANDÁLIAS PRAIANAS. EXCLUSÃO. A Resolução Camex n° 14/2010 é taxativa ao excluir da aplicação do direito antidumping as sandálias praianas feitas de borracha, somente. DIREITOS ANTIDUMPING . COMPETÊNCIA. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a cobrança de direitos antidumping , conforme fixados em Resolução da Camex, sendo vedada qualquer apreciação acerca de matéria de defesa comercial e similaridade entre produtos (cujo exame compete à Secex), ou avaliação do escopo de aplicação de direitos antidumping (de competência da Camex, com base em estudos do Decom/Secex). ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 04/01/2011 a 10/05/2011 REVISÃO ADUANEIRA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Revisão aduaneira consiste no reexame de despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, logo é incabível a arguição de mudança de critério jurídico para a correta classificação fiscal das mercadorias. NOTAS EXPLICATIVAS DO SISTEMA HARMONIZADO. OBSERVÂNCIA. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) são de observância obrigatória para a Administração Pública e constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. CALÇADO IMPERMEÁVEL. PARTE SUPERIOR. MATÉRIA CONSTITUTIVA. PEÇA ÚNICA. CLASSIFICAÇÃO. Somente se classificam na posição 6401 da NCM os calçados impermeáveis (concebidos para assegurar uma proteção contra a água ou outros líquidos) com a parte superior de borracha ou plásticos e que não tenha sido formada por diferentes partes reunidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 2581DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.564 9 Período de apuração: 04/01/2011 a 10/05/2011 PENALIDADES E JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Só se configura a excludente de penalidades e juros de mora na observância de convênio, ato ou decisão com eficácia normativa atribuída por lei ou práticas reiteradas da administração perfeitamente caracterizadas, sendo inadmissível a sua formação contra legem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Crocs Brasil Comércio de Calçados Ltda apresentou recurso voluntário (fls 2436/2494), no qual apresenta basicamente as mesmas alegações da Impugnação e agrega que preliminar de nulidade da decisão recorrida por "absoluta ausência de análise dos argumentos apresentados" pela Recorrente (fl. 2439). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Crocs Brasil Comércio de Calçados alega preliminarmente nulidade da decisão recorrida por falta de análise dos argumentos apresentados. Contudo, verificase na decisão recorrida que foi considerado integralmente o pedido da Recorrente e analisado cada um dos pontos, ainda que não se tenha dado provimento à Impugnação. A Recorrente apresenta o contexto do problema e faz referência à Nota Técnica no 109/2009, da Secex, onde esta teria aquiescido que os produtos importados pela Recorrente estariam classificados na posição 6401 e, portanto, fora do campo de aplicação das medidas antidumping . Cabe considerar que tanto a competência para definir a classificação fiscal quanto para aplicar as medidas antidumping pertence à Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos artigos 48 e 49 da Lei no 9.430/1996, e do art. 7o, § 6o, da Lei no 9.019/1995. Contudo, apesar de ser titular da competência para estabelecer a correta classificação fiscal e aplicar os direitos antidumping , a Fiscalização mencionou no Auto de Infração (fl. 5) a Nota Técnica no 044/2013/CGAS/DECOM/SECEX (fl. 993), no qual a Secex expressa seu entendimento de que produto similar ao importado pela Crocs está sujeito aos direitos antimdumping, colaciono um trecho: "4 DO PRODUTO OBJETO DE AVALIAÇÃO DE ESCOPO O produto objeto dessa avaliação consiste em sandália com sola exterior e parte superior constituída de plástico, com alça Fl. 2582DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.565 10 encaixada à parte superior permitindo o uso alternativa como chinelo ou como sandália. No requerimento de avaliação de escopo a TOYLAND apresenta laudo técino elaborado pela "interface Engenharia Aduaneira" sobre o produto objeto da análise. Nele consta tratarse de calçado plástico, sendo peça inteiriça sem colagme, costura, pregos ou qualquer outro tipo de união formada em máquina injetora, fabricada com material impermeável denominado EVA (sigla em inglês para Etileno Acetado de Vinila). No laudo há, ainda, informação de que a funcionalidade e a utilização desse tipo de calçado são similares às da sandália ou chinelo de de dedo, de borracha ou plástico. 5 DAS CONSIDERAÇÃO DO DECOM Com base nas informações fornecidas pela TOYLAND, bem como no teor da Resolução CAMEX no 14, de 4 de março de 2010, os técnicos desse Departamento atestaram que: a) O produto objeto da avaliação de escopo não pode ser classificado no item 6401.99.90 da NCM, devido ao fato de não constituirse em peça inteiriça, em razão de haver alça encaixada à parte superior do calçado; b) A despeito do que argumentou a TOYLAND, o Departamento não endossa a similaridade sugerida pela empra entre o produto objeto da avaliação de escopo e as sandálias praianas (comumente classificadas no item 6402.20.00), excluídas da aplicação da medida. A exclusão referese a produtos em borracha e com tiras fixadas ao solado. por espigões. O produto objeto da avaliação de escopo constituise em plástico, estando, portanto, no âmbito da aplicação da medida antidumping em vigor. O DECOM também não compartilha a ideia de simlaridade entre os produtos no que se refere às funções, aos usos e ao mercado consumidor. Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.566 11 d) O Departamento concorda com a reclassificação realizada pela autoridade aduaneira da Secretaria da Receita Federal do Brasil no item 6402.99.90 da NCM. Concluise, portanto que as sandálias de plástico, tipo chinelo, sempre estiveram sujeitos a medida antidumping em vigor prevista na Resolução CAMEX no. 14, de 4 de março de 2010 e, portanto, devem sofrer cobranças da autoridade aduaneira acerca desse direito. (grifei) Quanto ao laudo técnico, cumpre assinalar que, ainda que a análise técnica tenha sido realizada a pedido da autoridade fiscal, a competência para determinar a matéria e aplicar a lei continua com a autoridade fiscal, nos termos do art. 142 do CTN e do art. 744 do Decreto no 6.759, de 2009, sendo o laudo um dos elementos de sua convicção, mas não a vinculando. No que concerne à alegação de mudança de critério jurídico e a aplicação dos artigos 100 e 146 do CTN, colaciono o entendimento da decisão recorrida, com o qual comungo integralmente (fls. 2415/2420): Da mudança de critério jurídico O impugnante pleiteia o cancelamento do Auto de Infração em face da aplicação do art. 146 do CTN à espécie, além de jurisprudência pacífica do STJ que deve ser observada na esfera administrativa, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. Para tanto, argumenta que a fiscalização desobedeceu a dois documentos que trazem manifestações expressas com a posição oficial das autoridades competentes, ambas a respeito da classificação dos produtos na posição 6401 da NCM: a Nota Técnica nº 109/2009, da Camex, e o Laudo SAT 6.304/09 EQCOF, da Receita Federal (referente à DI nº 09/13065743), além das práticas reiteradas em posteriores operações de importação. Segundo os argumentos que constroem a tese do impugnante, a revisão aduaneira que originou a reclassificação fiscal das mercadorias constituiria mudança nos critérios jurídicos adotados, contrariando os termos do art. 146 do Código Tributário Nacional. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Assim, quando a norma se refere à possibilidade de adoção por parte da autoridade administrativa de um critério jurídico, está implícito que possa existir mais de um critério e, ainda, o processo volitivo de escolha pelo qual passará a autoridade. Fl. 2584DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.567 12 Em sede de administração pública, esse processo volitivo sofre considerável limitação. De se salientar que a autoridade administrativa fiscal, pelo fato de sua atividade ser plenamente vinculada e hierarquicamente estruturada, só pode adotar (seguir) um critério jurídico quando efetuar um lançamento (conforme deferido pelo art. 146 do CTN), ou quando esse critério lhe é imposto pela legislação ou por determinação de autoridade que lhe for hierarquicamente superior, como se observa do parágrafo único do art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Também não se pode perder de vista que, devido justamente aos princípios da legalidade e da vinculação, é que não se pode admitir que o agente público adote qualquer critério que não seja o legalmente estabelecido. Aí reside a diferença entre erro de direito e mudança de critério jurídico. O erro de direito se configura quando em determinada situação onde deva incidir a norma legal, ela tenha sido inteiramente desconsiderada, atribuindose ao fato significação jurídica inteiramente incompatível com dita norma. Neste caso, o erro deve ser corrigido e seus efeitos devem retroagir aos fatos passados. O critério jurídico adotado pela autoridade administrativa revela a posição assumida diante do fato jurídico dentre aquelas possíveis e aceitáveis de interpretações da norma legal. Nesse sentido, há mudança de critério jurídico quando a autoridade, após expressamente manifestar seu entendimento quanto ao fato e ao contribuinte, decide mudálo. Cito o ensinamento de HUGO DE BRITO MACHADO: “Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outras das alternativas admitidas e que enseja determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado.” (Curso de Direito Tributário, Malheiros, São Paulo, 1994) Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.568 13 Por sua vez, a escolha de um critério jurídico em sede administrativa é necessariamente uma escolha expressa da autoridade administrativa, pois somente os atos expressos podem dar ao administrado a segurança jurídica necessária. No que se refere à classificação fiscal de mercadorias e outros aspectos fiscais, o interessado tem o direito de ingressar com PROCESSO DE CONSULTA – com base nos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235/72 e arts. 48 a 50 da Lei nº 9.430/96 – para que a administração declare expressamente o critério jurídico que adotará para aquela questão, o qual também estará ao abrigo do art. 146 do CTN. A consulta sobre classificação fiscal de mercadorias, formulada por escrito perante a Receita Federal do Brasil, de acordo com o disciplinado atualmente pela Instrução Normativa RFB nº 1.464/14, é o instrumento que o contribuinte possui para dirimir dúvidas sobre a correta classificação fiscal das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) constante tanto na Tarifa Externa Comum (TEC), quanto na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Também em relação à classificação fiscal, a autoridade aduaneira, diante da mercadoria que lhe é apresentada no despacho de importação, deve adotar, entre as classificações normativas porventura existentes, aquela que se refira a ela, ou seja, deve proceder à subsunção do fato concreto à norma determinada pela legislação competente (que estabelece os códigos de classificação fiscal a serem seguidos pela administração). Deve também adotar a classificação estabelecida pela autoridade competente da Receita Federal em processo de consulta, salvo modificações ordenadas por instância superior ou por esta diretamente estabelecida, ou ainda, consagrada pelo Comitê Internacional do Sistema Harmonizado (nesse caso definitiva), do qual o Brasil é um dos países signatários. Portanto, quando existir um código estabelecido pela administração (critério jurídico da classificação), ou mesmo judicialmente, nos casos concretos, para determinado tipo de mercadoria, a fiscalização deve adotálo por estar a ele vinculada. Entretanto, no momento do lançamento, caso não haja nenhum critério jurídico já adotado pela administração, o art. 146 do CTN defere à autoridade fiscal a prerrogativa de adotar um determinado critério. Assim, nos casos em que exista um critério jurídico anterior adotado pela administração ou critério jurídico estabelecido no ato do lançamento, eventual mudança administrativa posterior, obviamente, constituirá mudança de critério jurídico, sendo então aplicável o mandamento do art. 146 do CTN. O entendimento explanado está posto na fl. 247 do livro Processo Administrativo Fiscal, de Antônio Silva Cabral, Ed. Saraiva, 1993, verbis: Fl. 2586DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.569 14 Aliomar Baleeiro (Direito tributário brasileiro, p. 451) entendeu os critérios jurídicos como sinônimos de normas complementares que fazem parte da legislação tributária e se concretizam em pareceres, instruções normativas, portarias etc., atos estes que estão relacionados com a norma legal e fornecem critérios para a tributação. Por outro lado, quando não existe classificação fiscal estabelecida em decisões administrativas de cunho normativo ou concreto, ou, ainda, por decisões judiciais, não há que se falar em critério jurídico adotado pela administração anteriormente ao lançamento. Neste diapasão, também é possível afirmar que a autoridade fiscal, após proceder aos exames que lhe competem no momento do lançamento, materializada a necessidade de se proceder à subsunção do fato à norma, adote um critério jurídico relativamente à classificação fiscal, conforme se depreende do art. 146 do CTN que expressamente dispõe sobre “...critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento”. Ressaltese que, nestes casos, o contribuinte pode também contestar o critério estabelecido pela autoridade fiscal através de recursos administrativos tempestivamente interpostos. Concluindo, o lançamento de ofício expressa um ato administrativo constitutivo/declaratório e, como tal, é indicativo de adoção do critério jurídico quanto ao fato jurídico/contribuinte lançado, e eventual mudança de classificação fiscal posterior, obviamente, constituirá mudança de critério jurídico, sendo então aplicável o art. 146 do CTN. É mister ressaltar, pois, que o desembaraço de mercadorias, ainda que no canal vermelho de conferência, não obsta a revisão aduaneira dentro do prazo decadencial, que é o procedimento pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço, reexamina os despachos aduaneiros, conforme dispõe o Código Tributário Nacional (CTN) nos arts. 150, § 4º, e 156, inciso V, combinados com o art. 54 do DecretoLei nº 37, de 1966, alterado pelo art. 2º do DecretoLei nº 2.472, de 1988. Com efeito, o acatamento por parte da autoridade aduaneira de determinado enquadramento tarifário, durante o despacho, não constitui decisão definitiva nem tampouco possui efeito vinculante, eis que o despacho aduaneiro não representa um lançamento tributário e o desembaraço não se confunde com homologação do lançamento – aliás, deste se distingue por ter natureza e desiderato diferentes. Portanto, ainda que as mercadorias sejam submetidas à conferência aduaneira e desembaraçadas sem exigência fiscal para alteração na classificação, não há vedação ao reexame dos despachos aduaneiros, inclusive para a subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM/TEC utilizados. Quanto à Nota Técnica nº 109/2009/CGPI/DECOM/SECEX – cujo objeto não tratava de classificação de mercadoria, e sim da Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.570 15 pretendida retificação da Resolução Camex nº 48/2009 – na verdade, o Decom/Secex (e não a Camex) pronunciouse, obter dictum, com base na descrição do produto feita pela própria empresa, ou seja, “uma vez injetado e impermeável”. Já o Parecer Decom nº 6/15 (anexo à Circular Secex nº 9/15), que corroboraria a citada Nota Técnica, menciona, en passant, que os calçados injetados “são costumeiramente classificados na posição 6401” e “foram expressamente excluídos da Resolução CAMEX nº 14/10”. Notoriamente, ambas as manifestações não são idôneas para se determinar a correta classificação fiscal de cada produto importado pelo impugnante. Mesmo assim, esse tipo de pronunciamento jamais poderia gerar efeitos fiscais ou aduaneiros, pois nenhum desses órgãos ou departamentos detêm competência legal para realizar a classificação fiscal de mercadorias importadas, a qual compete privativamente ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, como autoridade fiscal e aduaneira da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) – órgão responsável pela fiscalização do comércio exterior dentro da estrutura do Ministério da Fazenda, em obediência ao art. 237 da Constituição Federal de 1988. Por sinal, esse também é o entendimento do próprio impugnante expresso à fl. 2315, que cai em flagrante contradição, portanto, ao defender uma suposta classificação feita pelo Decom/Secex: “Primeiramente, o DECOM não é a autoridade competente para esclarecer dúvidas sobre classificação tarifária. De acordo com o artigo 6o do Decreto n° 8.058/2013, cabe ao DECOM conduzir as investigações de defesa comercial iniciadas pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX). De acordo com a Instrução Normativa n° 1.464/2014, a autoridade competente para se manifestar sobre classificação tarifária é a Receita Federal do Brasil. Dessa forma, qualquer opinião expressa pelo DECOM sobre classificação tarifária, esteja ela correta ou não, não tem nenhum valor para fins tributários.” (grifos no original) Por sua vez, o “Laudo SAT 6.304/09 EQCOF” (fls. 997/1012) não foi elaborado pela Receita Federal, mas sim por uma assistente técnica particular designada, que decerto não representa a posição ou conclusão oficial da autoridade pública competente. Com efeito, de acordo com o art. 37 do Decreto nº 7.574/11, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a realização de diligências e de perícias compete ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Outrossim, naquela oportunidade a assistente técnica se manifestou sobre 5 (cinco) modelos específicos de calçados importados (declarados na DI nº 09/13065743) que sequer estão presentes no rol de modelos indicados nas Tabelas 01, 02 e 03, anexas ao Relatório Fiscal – objeto da autuação em comento – logo tampouco podese atribuir eficácia ao referido laudo em face do presente caso, por não atender as condições impostas nas Fl. 2588DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.571 16 alíneas do § 3º do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, citado pelo próprio impugnante. Além do mais, o mesmo art. 30 do Decreto nº 70.235/72 trata especificamente dos laudos e pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres – situação estranha ao caso em tela. Não obstante, considerando que todo laudo pericial expedido por terceiros só poderá ser adotado nos aspectos técnicos de sua competência, certamente não se poderá levar em conta neste processo quaisquer respostas ou conclusões da engenheira responsável que extrapolem a sua área técnica de competência, mormente no que diga respeito à classificação fiscal de produtos – o que, aliás, foi expressamente excluído pelo § 1º do art. 30 do citado Decreto. Quanto às práticas reiteradas das autoridades administrativas, elas nada mais são do que os usos e costumes da Administração. Nesse sentido, para que se forme uma prática reiterada devem estar presentes o uso, ou seja, a conduta reiterada (requisito objetivo) e a convicção jurídica de que aquela conduta é a que deve ser observada (requisito subjetivo). Presentes o uso e a convicção jurídica, surge a norma jurídica que deriva da longa prática uniforme, pública e geral de determinado ato, com a convicção de sua necessidade jurídica (in: Maria Helena Diniz. Curso de Direito Civil Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 13º ed., 1997, pág. 67). Como no âmbito do direito tributário vige o princípio da legalidade estrita, as práticas reiteradas das autoridades administrativas só podem se formar em caráter praeter legem, ou seja, como forma de suprir a lei nos casos omissos. No caso dos autos, a conduta do Fisco em não impugnar as classificações fiscais que vinham sendo adotadas pelo contribuinte não atende a nenhum dos dois requisitos para a formação do costume. A uma, porque não foi uma conduta pública e generalizada em relação ao universo de contribuintes, não caracterizando o elemento objetivo. A duas, porque não está presente a convicção geral de sua necessidade jurídica, não restando caracterizado o elemento subjetivo. Ademais, a interpretação em sentido contrário – ou seja, no sentido de que as práticas reiteradas da administração poderiam se formar em relação a um contribuinte em particular – não prospera porque, no caso concreto, significaria admitirse a formação de um costume contra legem, uma vez que existe norma jurídica positivada determinando a forma como devem ser classificados os produtos na Nomenclatura. Por fim, esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é unidade descentralizada que pertence à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão que não se confunde com o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), embora ambos integrem a estrutura do Ministério da Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.572 17 Fazenda. Portanto, como órgãos tecnicamente distintos e administrativamente apartados, não há que se falar na possibilidade de aplicação das disposições do Regimento Interno do Carf no âmbito do julgamento de processos administrativos fiscais em primeira instância dentro da RFB, cuja competência foi conferida às DRJ segundo definido pelo Regimento Interno da RFB. Dessa forma, concluo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que a revisão procedida da importação em tela, com a consequente reclassificação tarifária, não constitui mudança de critério jurídico da administração, sendo perfeitamente admitida pelo ordenamento jurídico pátrio. Sobre a exclusão de penalidades e encargos moratórios, a Recorrente sustenta que, no mínimo, os encargos moratórios (juros e multa de mora) não deveriam ser cobrados, conforme preceitua o parágrafo único do art. 100 do CTN, pois observou não só atos normativos e decisões de autoridades administrativas, mas também práticas reiteradas das autoridades fiscais aduaneiras, que sempre observavam o laudo e chancelavam importações com a defendida classificação fiscal. No entanto, conforme concluise na decisão recorrida, o art. 94, § 2º, do DecretoLei nº 37/66 e o art. 136 do CTN, a penalidade é aplicada em razão do simples descumprimento de obrigação, não se cogitando de ter havido, ou não, dolo ou culpa por parte do sujeito passivo, uma vez que a responsabilidade pela infração tem natureza objetiva e independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado. Ou seja, uma vez materializada a hipótese de incidência prevista na norma, é defeso à autoridade aduaneira mitigar a aplicação da penalidade imposta pela legislação, eis que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a fiscalização aplicar a sanção em sua inteireza conforme determina a norma legal, em atendimento ao preceito contido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. Transcrevemse inferências constantes da decisão recorrida, com as quais comungo: Assim, nos estritos termos do invocado art. 100 do CTN, só se configuraria a excludente de imposição de penalidades e cobrança de juros de mora caso se constatasse a observância de ato normativo, decisão com eficácia normativa atribuída por lei, convênio ou práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, quando perfeitamente caracterizadas, sendo inadmissível a sua formação contra legem. Porém, tal como foi abordado retro, a Nota Técnica nº 109/2009/CGPI/DECOM/SECEX e o “Laudo SAT 6.304/09 EQCOF” não representam atos normativos expedidos pelas autoridades competentes para se manifestar sobre classificação fiscal de mercadorias, muito menos consistem em “decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa”, assim como tampouco restou configurada a formação das alegadas práticas reiteradas da Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.573 18 administração com efeitos determinantes para a adoção da classificação fiscal pretendida. Dessa forma, adoto a conclusão da decisão recorrida de que " embora não conste exigência de multa moratória nos autos, nenhuma multa (inclusive a lançada de ofício) ou penalidade imposta deve ser afastada no presente caso, bem como os juros de mora cobrados." Quantos aos aspectos técnicos, especificamente sobre a aplicação no Brasil das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, também adotase o entendimento expresso na decisão recorrida, nos seguintes termos: Além dos argumentos já examinados, o impugnante se insurge contra a classificação fiscal adotada pela fiscalização para grande parte de seus produtos, alegando, em suma, que as Notas Explicativas (NESH) não compõem o Sistema Harmonizado (SH) e não são vinculantes, possuindo “menor valor como prova” no ordenamento jurídico, bem como se esforça para demonstrar que o seu produto é impermeável, composto de uma peça única e também tem a parte superior composta de plástico, embora alguns modelos apresentem materiais têxteis. Como é cediço, no Sistema Harmonizado (SH) estão dispostas 6 (seis) Regras Gerais de Interpretação (RGI) que, se aplicadas de maneira adequada, conduzem à classificação correta e homogênea de qualquer mercadoria dentro do SH. Como a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) tem como base o SH, essas regras também são aplicadas no âmbito do Mercosul – que, por sua vez, criou as Regras Gerais Complementares (RGC) para determinar a classificação de uma mercadoria no item da NCM e, dentro deste, no subitem correspondente. Por coerência e finalidade, o sistema de classificação deve vincular uma mercadoria a uma única codificação. Nesse sentido, as RGI constituem os princípios fundamentais nos quais se baseia o SH, garantindo uma uniforme interpretação legal ao estabelecer um procedimento de classificação da mercadoria de acordo com a hierarquia dentro do sistema, de forma que uma mesma mercadoria seja sempre classificada na mesma codificação. Contudo, nem sempre a aplicação das Regras Gerais – seguindo se os textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, bem como das subposições de uma mesma posição – é suficiente para orientar e dirigir a classificação de uma determinada mercadoria no código adequado. Assim, visando a auxiliar a classificação de mercadorias, foi criado no SH um grupo de informações de caráter técnico que ajudam a esclarecer certos aspectos de cada uma das posições/subposições do SH. Tais observações técnicas estão reunidas sob o título de Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (NESH). As NESH foram introduzidas no Brasil por meio do Decreto n° 435, de 27 de janeiro de 1992, e vêm sofrendo constantes Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.574 19 atualizações pela Organização Mundial da Aduanas (OMA), que são regularmente incorporadas ao ordenamento jurídico nacional por meio de Instruções Normativas expedidas pelo secretário da Receita Federal – segundo a competência delegada pela Portaria MF n° 91, de 24 de fevereiro de 1994, nos termos do art. 2º do Decreto nº 435/92. Atualmente, as NESH em vigor foram aprovadas pela Instrução Normativa RFB n° 1.260, de 20 de março de 2012. Seguem os artigos do Decreto nº 435/92 que tratam das NESH: Art. 1° São aprovadas as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, do Conselho de Cooperação Aduaneira, com sede em Bruxelas, Bélgica, na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, anexas a este Decreto. Parágrafo único. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. Art. 2° As alterações introduzidas na Nomenclatura do Sistema Harmonizado e nas suas Notas Explicativas pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (Comitê do Sistema Harmonizado), devidamente traduzidas para a língua portuguesa pelo referido Grupo Binacional, serão aprovadas pelo Ministro da Economia, Fazenda e Planejamento, ou autoridade a quem delegar tal atribuição. (grifei) Por sua vez, a utilização de RGI, RGC e NESH para fins de classificação fiscal de mercadorias possui amparo legal no art. 3° do DecretoLei n° 1.154, de 1° de março de 1971, sendo que o art. 94 do Decreto nº 6.759/09 reproduziu essa base legal, adequando a sua nomenclatura à atualidade: Art. 94. A alíquota aplicável para o cálculo do imposto é a correspondente ao posicionamento da mercadoria na Tarifa Externa Comum, na data da ocorrência do fato gerador, uma vez identificada sua classificação fiscal segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul. Parágrafo único. Para fins de classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com observância das Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Aduanas (Decreto Lei n° 1.154, de 1o de março de 1971, art. 3°, caput). (grifei) Fl. 2592DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.575 20 Portanto, resta evidente que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) são de observância obrigatória para a Administração Pública e constituem elemento de caráter fundamental (ainda que subsidiário) para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, para fins de classificação das mercadorias – sendo, pois, descabido rechaçar a sua força legal e cogente ao tratálas como tendo “menor valor como prova” dentro do ordenamento jurídico brasileiro. Ademais, não entendo que exista a mencionada contradição entre as NESH e as Notas de Capítulo e Seção mencionadas pela Recorrente às fls. 2466. Quanto à classificação dos produtos importados pela Crocs, também se adota o entendimento constante da decisão recorrida: A partir do texto da Nota reproduzida, o impugnante concluiu, de forma açodada, que “os acessórios não integram a parte superior dos calçados”. Entretanto, isso não é verdade, visto que a referida Nota é bem clara ao definir, tão somente, que os acessórios (ou reforços) são considerados irrelevantes para se determinar a matéria que constitui a parte superior dos calçados – o que é completamente diverso do que entendeu o impugnante. Assim, fica prejudicada a análise da “Nota Explicativa D do Capítulo 64”, que se presta apenas a esclarecer como se determina a matéria constitutiva da parte superior para fins de classificação dos calçados nas posições do referido Capítulo. Quanto às diversas possibilidades de utilização da alça ou “tira do tornozelo”, inclusive a sua remoção, são circunstâncias irrelevantes que não determinam a correta classificação fiscal dos produtos examinados, conforme a legislação aplicável. Portanto, procede o entendimento da fiscalização que constatou que a parte superior dos calçados é formada por mais de uma parte reunida, ao invés de uma única peça inteiriça, excluindo esses produtos da posição 6401 da NCM. A respeito dos calçados relacionados na Tabela 02, segundo as RGI (nº 1 e nº 6), as RGC (nº 1) e as NESH (das posições 6401 e 6404), a fiscalização reclassificou esses produtos para o código 6404.19.00 da NCM, por dois motivos: 1) não se enquadram na descrição de “calçados impermeáveis”; 2) não possuem a parte superior constituída de borracha ou plástico. Uma vez superada a primeira questão, com base nas razões minuciosamente aduzidas retro, que aqui se aplicam integralmente, passase diretamente ao exame da matéria constitutiva da parte superior desses calçados, segundo a legislação aplicável. Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.576 21 O texto da posição 6401 referese literalmente a “Calçados impermeáveis de sola exterior e parte superior de borracha ou plásticos (...)”, sendo que as NESH dessa posição esclarecem que a parte superior pode ser “ainda de tecido ou outro suporte têxtil que apresente uma camada exterior de borracha ou de plástico perceptível à vista desarmada (ver a Nota 3a) do presente Capítulo)”. Por sua vez, na posição 6404 (“Calçados com sola exterior de borracha, plásticos, couro natural ou reconstituído e parte superior de matérias têxteis”), as respectivas NESH dispõem que “a presente posição abrange os calçados com a parte superior (ver a alínea D) das Considerações Gerais deste Capítulo) em matérias têxteis”. Novamente, é possível constatar, mediante simples exame visual das respectivas imagens, que esses modelos de calçados possuem a parte superior em matérias têxteis, considerando também que, segundo o texto da Nota 4, letra a, do Capítulo 64 (invocada anteriormente pelo próprio impugnante), “a matéria da parte superior dos calçados é determinada pela que constitua a maior superfície do revestimento exterior, considerandose irrelevantes os acessórios ou reforços, tais como orlas, protetores de tornozelos, adornos, fivelas, presilhas, ilhoses (ilhós*) ou dispositivos semelhantes” Portanto, também é procedente o entendimento da fiscalização quanto a esses calçados, excluindoos da posição 6401 da NCM. Concluindo, somente se classificam na posição 6401 da NCM os calçados impermeáveis (concebidos para assegurar uma proteção contra a água ou outros líquidos) com a parte superior de borracha ou plásticos e que não tenha sido formada por diferentes partes reunidas. Por fim, quanto às sandálias praianas de plástico da Tabela 03, corretamente classificadas dentro da NCM, o impugnante defende que a intenção da Camex e do Decom foi excluir as “sandálias praianas” como um todo, independentemente do material com o qual são feitas, e que não poderiam excluir apenas as sandálias praianas de borracha,pois isso implicaria um tratamento preferencial em detrimento de empresas concorrentes cujos produtos são semelhantes – no caso, as sandálias praianas de plástico importadas peloimpugnante. Nos autos, não há controvérsia sobre o fato de que a matéria prima que constitui os calçados do impugnante (resina de célula fechada CROSLITE™) tratase de PLÁSTICO injetado de Copolímero de EVA (Etileno Vinil Acetato ou EtilenoAcetato de Vinila) – independentemente das propriedades, características e singularidade de cada produto. Por outro lado, a Resolução nº 14/2010 da Camex, no inciso I do parágrafo único do art. 1º, é taxativa ao excluir da aplicação do direito antidumping as sandálias praianas feitas de borracha, somente: Fl. 2594DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.577 22 Art. 1º Aplicar direito antidumping definitivo, por até 5 (cinco) anos, nas importações brasileiras de calçados, classificados nas posições 6402 a 6405 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), da República Popular da China, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 13,85/par (treze dólares estadunidenses e oitenta e cinco centavos por par). Parágrafo único. Os calçados a seguir relacionados estão excluídos da aplicação do direito antidumping definitivo, ainda que classificados nas posições tarifárias 6402 a 6405: I sandálias praianas, confeccionadas em borracha e cujas tiras são fixadas ao solado por espigões (comumente classificadas na NCM 6402.20.00); (grifei) Para corroborar essa conclusão, vale transcrever o trecho pertinente das conclusões da Nota Técnica 044/2013/CGAS/DECOM/SECEX (extraído da letra b do item 5 “Das Considerações do Decom”), em que o Decom, dentro de sua competência legal, tratou de avaliar o escopo do direito antidumping aplicado às importações de calçados, a pedido de outraempresa: “(...) o Departamento não endossa a similaridade sugerida pela empresa entre o produto objeto da avaliação de escopo e as sandálias praianas (comumente classificadas no item 6402.20.00), excluídas da aplicação da medida. A exclusão referese a produtos feitos em borracha e com tiras fixadas ao solado por espigões. O produto objeto da avaliação de escopo constituise em plástico, estando, portanto, no âmbito de aplicação da medida antidumping em vigor.”(grifei) De mais a mais, não compete à Receita Federal do Brasil apreciar alegação acerca de matéria de defesa comercial e similaridade entre produtos (cujo exame compete à Secex), nem estender ou restringir o escopo de aplicação de direitos antidumping (de competência da Camex, com base em estudos do Decom/Secex), de acordo com a Lei nº 9.019/95 e o Decreto nº 8.058/13, e alterações posteriores. Portanto, a extensa argumentação do impugnante não se sustenta. Diante do exposto, voto por manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Voto Vencedor Dada a devida vênia aos fundamentos constantes da decisão proferida pela Relatora no caso concreto aqui analisado, ouso discordar da conclusão ali apresentada, consoante razões a seguir delineadas. Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.578 23 De início, é importante que se esclareça que não houve divergência na sessão de julgamento realizada no que concerne à classificação fiscal a ser adotada no presente caso, tendo os Conselheiros concordado com a conclusão apresentada pela Relatora quanto a tal ponto. A matéria objeto da controvérsia, então, girou em torno da preliminar apresentada pelo contribuinte atinente à alegação de mudança de critério jurídico. Sobre este ponto, assim entendeu a Relatora: No que concerne à alegação de mudança de critério jurídico e a aplicação dos artigos 100 e 146 do CTN, colaciono o entendimento da decisão recorrida, com o qual comungo integralmente (fls. 2415/2420): Da mudança de critério jurídico O impugnante pleiteia o cancelamento do Auto de Infração em face da aplicação do art. 146 do CTN à espécie, além de jurisprudência pacífica do STJ que deve ser observada na esfera administrativa, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Carf. Para tanto, argumenta que a fiscalização desobedeceu a dois documentos que trazem manifestações expressas com a posição oficial das autoridades competentes, ambas a respeito da classificação dos produtos na posição 6401 da NCM: a Nota Técnica nº 109/2009, da Camex, e o Laudo SAT 6.304/09 EQCOF, da Receita Federal (referente à DI nº 09/13065743), além das práticas reiteradas em posteriores operações de importação. Segundo os argumentos que constroem a tese do impugnante, a revisão aduaneira que originou a reclassificação fiscal das mercadorias constituiria mudança nos critérios jurídicos adotados, contrariando os termos do art. 146 do Código Tributário Nacional. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Assim, quando a norma se refere à possibilidade de adoção por parte da autoridade administrativa de um critério jurídico, está implícito que possa existir mais de um critério e, ainda, o processo volitivo de escolha pelo qual passará a autoridade. Em sede de administração pública, esse processo volitivo sofre considerável limitação. De se salientar que a autoridade administrativa fiscal, pelo fato de sua atividade ser plenamente vinculada e hierarquicamente estruturada, só pode adotar (seguir) um critério jurídico quando efetuar um lançamento (conforme deferido pelo art. 146 do CTN), ou quando esse critério lhe é imposto pela legislação ou por determinação de autoridade que lhe for hierarquicamente superior, como se observa do parágrafo único do art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do Fl. 2596DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.579 24 tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Também não se pode perder de vista que, devido justamente aos princípios da legalidade e da vinculação, é que não se pode admitir que o agente público adote qualquer critério que não seja o legalmente estabelecido. Aí reside a diferença entre erro de direito e mudança de critério jurídico. O erro de direito se configura quando em determinada situação onde deva incidir a norma legal, ela tenha sido inteiramente desconsiderada, atribuindo se ao fato significação jurídica inteiramente incompatível com dita norma. Neste caso, o erro deve ser corrigido e seus efeitos devem retroagir aos fatos passados. O critério jurídico adotado pela autoridade administrativa revela a posição assumida diante do fato jurídico dentre aquelas possíveis e aceitáveis de interpretações da norma legal. Nesse sentido, há mudança de critério jurídico quando a autoridade, após expressamente manifestar seu entendimento quanto ao fato e ao contribuinte, decide mudálo. Cito o ensinamento de HUGO DE BRITO MACHADO: “Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outras das alternativas admitidas e que enseja determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado.” (Curso de Direito Tributário, Malheiros, São Paulo, 1994) Por sua vez, a escolha de um critério jurídico em sede administrativa é necessariamente uma escolha expressa da autoridade administrativa, pois somente os atos expressos podem dar ao administrado a segurança jurídica necessária. No que se refere à classificação fiscal de mercadorias e outros aspectos fiscais, o interessado tem o direito de ingressar com PROCESSO DE CONSULTA – com base nos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235/72 e arts. 48 a 50 da Lei nº 9.430/96 – para que a administração declare expressamente o critério jurídico que adotará para aquela questão, o qual também estará ao abrigo do art. 146 do CTN. A consulta sobre classificação fiscal de mercadorias, formulada por escrito perante a Receita Federal do Brasil, de acordo com o disciplinado atualmente pela Instrução Normativa RFB nº 1.464/14, é o instrumento que o contribuinte possui para dirimir dúvidas sobre a correta classificação fiscal das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) constante tanto na Tarifa Externa Comum (TEC), quanto na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.580 25 Também em relação à classificação fiscal, a autoridade aduaneira, diante da mercadoria que lhe é apresentada no despacho de importação, deve adotar, entre as classificações normativas porventura existentes, aquela que se refira a ela, ou seja, deve proceder à subsunção do fato concreto à norma determinada pela legislação competente (que estabelece os códigos de classificação fiscal a serem seguidos pela administração). Deve também adotar a classificação estabelecida pela autoridade competente da Receita Federal em processo de consulta, salvo modificações ordenadas por instância superior ou por esta diretamente estabelecida, ou ainda, consagrada pelo Comitê Internacional do Sistema Harmonizado (nesse caso definitiva), do qual o Brasil é um dos países signatários. Portanto, quando existir um código estabelecido pela administração (critério jurídico da classificação), ou mesmo judicialmente, nos casos concretos, para determinado tipo de mercadoria, a fiscalização deve adotálo por estar a ele vinculada. Entretanto, no momento do lançamento, caso não haja nenhum critério jurídico já adotado pela administração, o art. 146 do CTN defere à autoridade fiscal a prerrogativa de adotar um determinado critério. Assim, nos casos em que exista um critério jurídico anterior adotado pela administração ou critério jurídico estabelecido no ato do lançamento, eventual mudança administrativa posterior, obviamente, constituirá mudança de critério jurídico, sendo então aplicável o mandamento do art. 146 do CTN. O entendimento explanado está posto na fl. 247 do livro Processo Administrativo Fiscal, de Antônio Silva Cabral, Ed. Saraiva, 1993, verbis: Aliomar Baleeiro (Direito tributário brasileiro, p. 451) entendeu os critérios jurídicos como sinônimos de normas complementares que fazem parte da legislação tributária e se concretizam em pareceres, instruções normativas, portarias etc., atos estes que estão relacionados com a norma legal e fornecem critérios para a tributação. Por outro lado, quando não existe classificação fiscal estabelecida em decisões administrativas de cunho normativo ou concreto, ou, ainda, por decisões judiciais, não há que se falar em critério jurídico adotado pela administração anteriormente ao lançamento. Neste diapasão, também é possível afirmar que a autoridade fiscal, após proceder aos exames que lhe competem no momento do lançamento, materializada a necessidade de se proceder à subsunção do fato à norma, adote um critério jurídico relativamente à classificação fiscal, conforme se depreende do art. 146 do CTN que expressamente dispõe sobre “...critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento”. Ressaltese que, nestes casos, o contribuinte pode também contestar o critério estabelecido pela autoridade fiscal através de recursos administrativos tempestivamente interpostos. Concluindo, o lançamento de ofício expressa um ato administrativo constitutivo/declaratório e, como tal, é indicativo de adoção do critério jurídico quanto ao fato jurídico/contribuinte lançado, e eventual mudança de classificação fiscal posterior, obviamente, constituirá mudança de critério jurídico, sendo então aplicável o art. 146 do CTN. Fl. 2598DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.581 26 É mister ressaltar, pois, que o desembaraço de mercadorias, ainda que no canal vermelho de conferência, não obsta a revisão aduaneira dentro do prazo decadencial, que é o procedimento pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço, reexamina os despachos aduaneiros, conforme dispõe o Código Tributário Nacional (CTN) nos arts. 150, § 4º, e 156, inciso V, combinados com o art. 54 do DecretoLei nº 37, de 1966, alterado pelo art. 2º do Decreto Lei nº 2.472, de 1988. Com efeito, o acatamento por parte da autoridade aduaneira de determinado enquadramento tarifário, durante o despacho, não constitui decisão definitiva nem tampouco possui efeito vinculante, eis que o despacho aduaneiro não representa um lançamento tributário e o desembaraço não se confunde com homologação do lançamento – aliás, deste se distingue por ter natureza e desiderato diferentes. Portanto, ainda que as mercadorias sejam submetidas à conferência aduaneira e desembaraçadas sem exigência fiscal para alteração na classificação, não há vedação ao reexame dos despachos aduaneiros, inclusive para a subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM/TEC utilizados. Quanto à Nota Técnica nº 109/2009/CGPI/DECOM/SECEX – cujo objeto não tratava de classificação de mercadoria, e sim da pretendida retificação da Resolução Camex nº 48/2009 – na verdade, o Decom/Secex (e não a Camex) pronunciouse, obter dictum, com base na descrição do produto feita pela própria empresa, ou seja, “uma vez injetado e impermeável”. Já o Parecer Decom nº 6/15 (anexo à Circular Secex nº 9/15), que corroboraria a citada Nota Técnica, menciona, en passant, que os calçados injetados “são costumeiramente classificados na posição 6401” e “foram expressamente excluídos da Resolução CAMEX nº 14/10”. Notoriamente, ambas as manifestações não são idôneas para se determinar a correta classificação fiscal de cada produto importado pelo impugnante. Mesmo assim, esse tipo de pronunciamento jamais poderia gerar efeitos fiscais ou aduaneiros, pois nenhum desses órgãos ou departamentos detêm competência legal para realizar a classificação fiscal de mercadorias importadas, a qual compete privativamente ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, como autoridade fiscal e aduaneira da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) – órgão responsável pela fiscalização do comércio exterior dentro da estrutura do Ministério da Fazenda, em obediência ao art. 237 da Constituição Federal de 1988. Por sinal, esse também é o entendimento do próprio impugnante expresso à fl. 2315, que cai em flagrante contradição, portanto, ao defender uma suposta classificação feita pelo Decom/Secex: “Primeiramente, o DECOM não é a autoridade competente para esclarecer dúvidas sobre classificação tarifária. De acordo com o artigo 6o do Decreto n° 8.058/2013, cabe ao DECOM conduzir as investigações de defesa comercial iniciadas pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX). De acordo com a Instrução Normativa n° 1.464/2014, a autoridade competente para se manifestar sobre classificação tarifária é a Receita Federal do Brasil. Dessa forma, qualquer opinião expressa pelo DECOM sobre classificação tarifária, esteja ela correta ou não, não tem nenhum valor para fins tributários.” (grifos no original) Fl. 2599DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.582 27 Por sua vez, o “Laudo SAT 6.304/09 EQCOF” (fls. 997/1012) não foi elaborado pela Receita Federal, mas sim por uma assistente técnica particular designada, que decerto não representa a posição ou conclusão oficial da autoridade pública competente. Com efeito, de acordo com o art. 37 do Decreto nº 7.574/11, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a realização de diligências e de perícias compete ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Outrossim, naquela oportunidade a assistente técnica se manifestou sobre 5 (cinco) modelos específicos de calçados importados (declarados na DI nº 09/13065743) que sequer estão presentes no rol de modelos indicados nas Tabelas 01, 02 e 03, anexas ao Relatório Fiscal – objeto da autuação em comento – logo tampouco podese atribuir eficácia ao referido laudo em face do presente caso, por não atender as condições impostas nas alíneas do § 3º do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, citado pelo próprio impugnante. Além do mais, o mesmo art. 30 do Decreto nº 70.235/72 trata especificamente dos laudos e pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres – situação estranha ao caso em tela. Não obstante, considerando que todo laudo pericial expedido por terceiros só poderá ser adotado nos aspectos técnicos de sua competência, certamente não se poderá levar em conta neste processo quaisquer respostas ou conclusões da engenheira responsável que extrapolem a sua área técnica de competência, mormente no que diga respeito à classificação fiscal de produtos – o que, aliás, foi expressamente excluído pelo § 1º do art. 30 do citado Decreto. Quanto às práticas reiteradas das autoridades administrativas, elas nada mais são do que os usos e costumes da Administração. Nesse sentido, para que se forme uma prática reiterada devem estar presentes o uso, ou seja, a conduta reiterada (requisito objetivo) e a convicção jurídica de que aquela conduta é a que deve ser observada (requisito subjetivo). Presentes o uso e a convicção jurídica, surge a norma jurídica que deriva da longa prática uniforme, pública e geral de determinado ato, com a convicção de sua necessidade jurídica (in: Maria Helena Diniz. Curso de Direito Civil Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 13º ed., 1997, pág. 67). Como no âmbito do direito tributário vige o princípio da legalidade estrita, as práticas reiteradas das autoridades administrativas só podem se formar em caráter praeter legem, ou seja, como forma de suprir a lei nos casos omissos. No caso dos autos, a conduta do Fisco em não impugnar as classificações fiscais que vinham sendo adotadas pelo contribuinte não atende a nenhum dos dois requisitos para a formação do costume. A uma, porque não foi uma conduta pública e generalizada em relação ao universo de contribuintes, não caracterizando o elemento objetivo. A duas, porque não está presente a convicção geral de sua necessidade jurídica, não restando caracterizado o elemento subjetivo. Ademais, a interpretação em sentido contrário – ou seja, no sentido de que as práticas reiteradas da administração poderiam se formar em relação a um contribuinte em particular – não prospera porque, no caso concreto, significaria admitirse a formação de um costume contra legem, uma vez que existe norma jurídica positivada determinando a forma como devem ser classificados os produtos na Nomenclatura. Fl. 2600DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.583 28 Por fim, esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é unidade descentralizada que pertence à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão que não se confunde com o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), embora ambos integrem a estrutura do Ministério da Fazenda. Portanto, como órgãos tecnicamente distintos e administrativamente apartados, não há que se falar na possibilidade de aplicação das disposições do Regimento Interno do Carf no âmbito do julgamento de processos administrativos fiscais em primeira instância dentro da RFB, cuja competência foi conferida às DRJ segundo definido pelo Regimento Interno da RFB. Dessa forma, concluo, no mesmo sentido da decisão recorrida, que a revisão procedida da importação em tela, com a consequente reclassificação tarifária, não constitui mudança de critério jurídico da administração, sendo perfeitamente admitida pelo ordenamento jurídico pátrio. Naquela oportunidade, apresentou a Relatora a seguinte ementa quanto à análise deste fundamento específico: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REVISÃO ADUANEIRA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Revisão aduaneira consiste no reexame de despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, logo é incabível a arguição de mudança de critério jurídico para a correta classificação fiscal das mercadorias. Ao analisar o conteúdo da decisão acima, é importante que se esclareça que houve concordância com muitos dos fundamentos ali apresentados. Porém, com base na análise de determinados aspectos peculiares e específicos da demanda aqui analisada, entenderam a maioria dos julgadores que a conclusão a ser proferida por este Conselho deve ser diversa da adotada pela Relatora do caso. É o que será devidamente esclarecido a seguir. Mencionese, desde logo, que não resta qualquer dúvida que, via de regra, não há de ser acatado o argumento corriqueiramente apresentado pelos contribuintes de mudança de critério jurídico em razão de reclassificação fiscal realizada em revisão aduaneira. Neste mesmo sentido, inclusive, já me manifestei em outros julgados. Isso porque, entendo que esta matéria encontrase superada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual possui decisões recorrentes no sentido de que a fiscalização possui 5 (cinco) anos contados do desembaraço aduaneiro para exigir eventuais diferenças que entender devidas atinentes à classificação incorreta realizada pela importadora. Ou seja, o fato de a mercadoria ter sido desembaraçada pela fiscalização sem que tenha havido qualquer ressalva naquela oportunidade não impede que a fiscalização revise este ato, procedendo à cobrança de eventuais diferenças que entender devidas. É o que se extrai, por exemplo, da decisão constante do Acórdão n. 3401 003.431, de 28/03/2017): Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 31/10/2006 a 09/02/2011 Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.584 29 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. GRAVADORES. (...). CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CÂMERAS. (...). REVISÃO ADUANEIRA. A revisão aduaneira, procedimento que faz parte do despacho aduaneiro (artigo 44 e seguintes do DecretoLei nº 347/1966), é distinta da revisão de ofício, que pressupõe a existência de um lançamento anterior e será realizada nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. Apenas nos despachos aduaneiros em que houve lançamento, é possível se cogitar da vedação de alteração de critério jurídico, prevista no artigo 146, do CTN. (...). Nesse contexto, há de se reconhecer que a fiscalização, ao realizar reclassificação fiscal quando da revisão aduaneira, não está, via de regra, violando o art. 146 do CTN, pois não há que se falar em mudança de critério jurídico em tal caso. A revisão aduaneira poderá ser realizada pela fiscalização, portanto, dentro do prazo decadencial de 5 anos contado do registro da DI, independentemente de se perquirir acerca de eventual fraude, erro ou omissão por parte do contribuinte. Foi prevista, inclusive, em benefício dos próprios contribuintes, no intuito de conferir maior celeridade ao procedimento de desembaraço aduaneiro. Ou seja, tal desembaraço muitas vezes é realizado sem que a fiscalização tenha condições de realizar uma análise mais cautelosa acerca da classificação fiscal realizada pelo contribuinte, mas sem prejuízo de que esta revisão seja realizada posteriormente pela fiscalização, quando entender necessário. Porém, apesar dos fundamentos acima expostos, que são corriqueiramente adotados nos julgamentos proferidos por este Conselho, entendo que há elementos fáticos adicionais no presente caso que levam à conclusão diversa para o caso específico aqui analisado. Para fins de contextualização do caso concreto sobre o qual ora nos debruçamos, trago a seguir a cronologia dos fatos conforme relato apresentado pelo contribuinte: "31/12/2008 Publicação da circular SECEX n. 95/08 (fls. 2.209/2.218), que deu início à investigação para averiguar a existência de dumping nas importações de calçados da China A Recorrente classificava praticamente todos os seus modelos na NCM 6402; 04/08/2009 A Recorrente apresentou petição ao MDIC (fls. 2.219/2.226) expondo que seus calçados eram impermeáveis/injetados e solicitava a exclusão destes da investigação; 08/09/2009 Publicada a Resolução CAMEX 48/09 (fls. 1.744/1.751) aplicando o direito antidumping provisório aos calçados importados da China e classificados nas posições NCM 6402 e 6405 e expressamente excluindo da Fl. 2602DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.585 30 investigação os calçados impermeáveis/injetados comumente classificados na NCM 6401 da investigação; 09/09/2009 A Recorrente apresenta nova petição ao MDIC (fls. 1.752/1753) apontando dificuldades que já vinha enfrentando junto ao DECEX na análise e liberação de suas LIs, que em muitos casos ultrapassavam 60 dias, prontificandose a alterar a classificação então usada (6402) para a 6401 já que seus calçados eram claramente impermeáveis/injetados; 02/10/2009 A Recorrente tomou conhecimento de exigência da autoridade aduaneira do Porto de Santos/SP para recolhimento de direitos antidumping na DI 09/13065743 (fls. 1.754) que continha diversos modelos; 07/10/2009 A Recorrente protocolou petição perante a CAMEX (fls. 1.755/1.757) informando sobre a exigência das autoridades aduaneiras do Porto de Santos e solicitou a retificação da CAMEX n. 48 para incluir no artigo 1º, parágrafo único os calçados impermeáveis/injetados; 23/10/2009 A CAMEX emitiu a Nota Técnica n. 109/2009 (fls. 1.758/1.761) na qual informou não caber a retificação da Resolução CAMEX n. 48/09 por se tratar de norma positiva, mas reconhece expressamente que os calçados da Recorrente são impermeáveis/injetados, classificados na posição 6401 e, portanto, fora do alcance da medida; 12/11/2009 A Recorrente, então, informou tal situação ao Sr. Inspetor Chefe da Alfândega do Porto de Santos (fls. 1.762/1.764) e requereu autorização para corrigir a classificação fiscal de 6402.99.90 para 6401.99.90; 19/11/2009 O Sr. InspetorChefe da Alfândega do Porto de Santos fez uma "Solicitação de Vistoria Técnica" SAT 6304/09 EQCOF (fls. 997 ou 1.765) e requereu a designação de assistente técnico para responder alguns quesitos sobre os produtos da Recorrente, conforme Portaria n. 103/09 da Alfândega do Porto de Santos que foi realizada na presença do Sr. AFRFB Mario Tomiyasu Hukazono matrícula 3.011.5183; 26/12/2009 Depois da vistoria técnica, a perita designada (Engª Débora Aparecida Mayer CREA 0681939442) elaborou o Laudo SAT 6.304/09 EQCOF que confirmou que "todas as amostras realizadas tratamse de calçados impermeáveis produzidos pelo processo de moldagem por injeção de plástico, 100% CrosliteTM" (fls. 999/1.112 ou 1.767/1.781); 14/01/2010 O Sr. Agente Fiscal liberou as mercadorias da Recorrente, conforme tela do SISCOMEX (fls. 1.782) com a observação abaixo, havendo sido autorizadas e realizadas as retificações das DIs, conforme documentos de fls. 1.783/1.784: TENDO EM VISTA O PARECER DO ADRFB MARIO HOKAZONO: 'CONFORME LAUDO TÉCNICO ANEXADO TRATASE DE CALÇADO INFANTIL PRODUZIDO EM PLÁSTICO INJETADO, DE 100% CROSSLITE. NO MEU ENTENDIMENTO, É CABÍVEL O PEDIDO DO IMPORTADOR PROTOCOLIZADO EM 12/11/2009. D.I. ENCAMINHADO AO EQDAT PARA PROSSEGUIMENTO.', RETIRO A EXIGÊNCIA Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.586 31 DE RECOLHIMENTO DE ANTIDUMPING. RECLASSIFICAR A MERCADORIA NA POSIÇÃO NCM 6401.99.90. RECOLHER MULTA POR ERRO NA CLASSIFICAÇÃO. RECOLHER ICMS COMPLEMENTAR. A partir da edição da Nota Técnica n 109/2009 e da elaboração do Laudo SAT 6.304/09 EQCOF a Recorrente passou a classificar suas mercadorias na NCM 6401.99.90 que foram desembaraçadas pelas autoridades fiscais, mesmo quando submetidas a novas vistorias físicas pelos canais amarelo e vermelho. 05/03/2010 publicada a Resolução CAMEX 14/10 (fls. 1.795/1.800) aplicando os direitos antidumping definitivos para os calçados importados da China e classificados nas posições NCM 6402 a 6405; 07/01/2015 lavratura do auto de infração" De uma simples análise dos fatos acima narrado, verificase que não se está diante de um caso padrão em que as mercadorias foram inicialmente desembaraçadas sem que tenha sido feita uma análise detida das características do produto importado, verificandose posteriormente, em revisão aduaneira, que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte estava equivocada. Tratase, in casu, de situação muito particular, em que o contribuinte, em várias oportunidades, buscou esclarecer tanto perante a CAMEX quanto perante a Receita Federal a correta classificação fiscal do seu produto e a sua sujeição ou não às regras antidumping, tendo obtido, quando da liberação da DI n. 09/13065743, decisão administrativa em que a fiscalização concluiu, após a realização de vistoria técnica realizada por perita designada pela própria fiscalização, que o contribuinte deveria reclassificar a mercadoria originalmente importada com base no NCM 6402 para o NCM 6401.99.90, inclusive procedendo ao recolhimento de multa por erro na classificação fiscal. Temse, portanto, a escolha de um critério jurídico em sede administrativa realizada pela fiscalização, após procedimento em que fora realizada uma análise minuciosa e detida das mercadorias importadas, inclusive através da realização de vistoria técnica determinada pela própria fiscalização. Ou seja, o ato que expressa o critério jurídico adotado pela fiscalização para este caso específico não é o Laudo SAT 6.304/09 em si, elaborado por engenheira credenciada, mas sim a determinação fiscal de reclassificação fiscal para o NCM 6401.99.90, realizada por Auditor Fiscal, autoridade competente para fins de determinação de classificação fiscal e de cobrança de direitos antidumping. Com base nesta decisão administrativa proferida naquela oportunidade, a qual tornouse definitiva em razão do acatamento por parte do contribuinte das conclusões obtidas pela fiscalização, o contribuinte passou a realizar as suas importações subsequentes com base no NCM 6401.99.90, por acreditar que esta era a correta classificação fiscal a ser adotada no seu caso específico. E entendo que, diante das particularidades que envolvem o caso concreto em relevo, não há como se exigir do contribuinte conduta diversa. Isso porque, houve uma minuciosa análise por parte da fiscalização acerca das características específicas dos produtos em relevo, da correta classificação a ser adotada pelo contribuinte, inclusive analisando se estariam tais mercadorias sujeitas às regras antidumping, culminando em decisão administrativa expressa e definitiva proferida naquela oportunidade. Entendo, portanto, que a lavratura de auto de infração com a adoção de critério jurídico diverso do ali indicado representa uma verdadeira afronta à segurança jurídica que deve reger as relações entre Fisco e contribuinte. Fl. 2604DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.587 32 Até porque, entendo que a decisão proferida pela fiscalização que culminou na determinação de reclassificação da mercadoria para a NCM 6401.99.90, com a exigência de multa por erro na classificação fiscal, representa, na verdade, um lançamento fiscal apto a expressar o critério jurídico adotado pela Receita Federal para a importação daquelas mercadorias. Entendo, pois, que há particularidades neste caso concreto que levam à conclusão diversa daquela adotada pela Relatora. Este Conselho, inclusive, já decidiu pela impossibilidade de aplicação de multa quando comprovado que o sujeito passivo agira em conformidade com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida anteriormente à ocorrência de fatos geradores (vide Acórdão 220200142 de 03/06/2009). Embora a decisão ali proferida trate de caso diverso do aqui analisado, entendo que a ratio decidendi segue orientação similar, no sentido de entender que não se pode exigir do contribuinte que haja em desconformidade com o que determinara a própria fiscalização em decisão definitiva anteriormente proferida. Considerando que o caso concreto objeto da presente demanda corresponde ao período de apuração de 04/01/2011 a 10/05/2011, ou seja, posterior à liberação das mercadorias realizada em 14/01/2010 (após a reclassificação fiscal realizada para 6401.99.90), entendo que o contribuinte pautou os seus atos em estrita boafé, estando convicto de que agia dentro dos parâmetros da legislação federal e da própria interpretação desta conferida pela Receita Federal do Brasil, conforme critério jurídico fixado de forma expressa pela fiscalização em processo complexo e detalhadamente instruído, inclusive com realização de perícia técnica. Até porque, não seria razoável exigir do contribuinte que, após todo o procedimento realizado naquela oportunidade (elaboração de perícia técnica e determinação no sentido de que a fiscalizada procedesse à reclassificação fiscal, inclusive com o recolhimento de multa por erro na classificação fiscal), realizasse importações futuras em que mantivesse a classificação fiscal anteriormente adotada pela mesma, com base na NCM 6402. Até porque, caso assim procedesse, é provável que findaria por sofrer a lavratura de auto de infração, tendo que arcar com a exigência de penalidades atinentes ao erro na classificação fiscal adotada, ao passo que teria pouquíssimas chances de êxito em sua defesa, visto que teria descumprido orientação dada pela fiscalização em decisão administrativa anterior e definitiva. Há de se reforçar, inclusive que a análise realizada pela fiscalização ao determinar a reclassificação fiscal em 14/01/2010 levou em consideração os aspectos específicos relativos aos direitos antidumping. Ou seja, a reclassificação fiscal determinada pela fiscalização naquela oportunidade analisou situação idêntica a que é objeto do presente auto de infração, lavrado para fins de formalizar o lançamento da diferença de direitos antidumping não recolhidos nas operações de importação. Ademais, restou demonstrado pelo contribuinte que os modelos analisados no Laudo SAT 6.304/09 EQCOF são essencialmente iguais aos modelos objeto de análise da presente autuação, apenas com pequenas variações de cores, estampas e outros pequenos detalhes, que não influenciam na classificação fiscal das mercadorias, conforme se verifica do Relatório Fiscal às fls. 124/125 dos autos. Entendo, portanto, que não subsiste a afirmação constante da decisão da DRJ no sentido de que os 5 (cinco) modelos específicos de calçados importados sequer estariam presentes no rol de modelos indicados no auto de infração em relevo. Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 10314.720037/201562 Acórdão n.º 3301004.043 S3C3T1 Fl. 2.588 33 Sendo assim, diante do contexto fático acima apresentado, e em atenção ao princípio da segurança jurídica, estampado implicitamente em diversas passagens da nossa Constituição Federal, entendo que não há como subsistir a cobrança realizada através do auto de infração combatido, pois não havia como se exigir conduta diversa do contribuinte neste caso concreto. Importante registrar, ainda, que a conclusão aqui obtida não repercute necessariamente em outros casos, ainda que similares, cujas características específicas deverão ser observadas com base nas particularidades do caso concreto a ser apreciado. Conclusão Considerando que no caso concreto aqui analisado as mercadorias do contribuinte passaram por uma detalhada análise acerca da sua correta classificação fiscal e sobre a sua sujeição às normas de direito antidumping, tendo a fiscalização concluído, após a realização de vistoria técnica, pela necessidade de reclassificação fiscal do NCM inicialmente adotado pelo contribuinte (6402) para o NCM 6401.99.90, inclusive com a cobrança de multa em razão da errônea classificação fiscal, concluise que a posterior lavratura de auto de infração indicando que o enquadramento correto seria no NCM 6402.99.90, ao invés do NCM 6401.99.90, representa mudança de critério jurídico, em nítido prejuízo da segurança jurídica que deve nortear as relações entre Fisco e contribuinte. Não sendo plausível exigir do contribuinte que tivesse adotado classificação fiscal diversa daquela indicada no NCM 6401.99.90, indicado anteriormente pela própria fiscalização, em procedimento de análise detida e cautelosa, como sendo o NCM correto, não há como subsistir a cobrança de direitos antidumping, que devem ser aplicados apenas aos calçados classificados nas posições 6402 a 6405. Diante do acima exposto, voto no sentido de dar integral provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de cancelar a autuação fiscal em referência. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Redatora Designada) Fl. 2606DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.010636/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2003, 2004, 2005
DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA DIPJ.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO.
A pessoa jurídica que é obrigada à entrega da DIPJ e a apresenta fora do prazo legal sujeita se à multa estabelecida na legislação de regência.
Numero da decisão: 1401-000.445
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201101
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2003, 2004, 2005 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA DIPJ. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A pessoa jurídica que é obrigada à entrega da DIPJ e a apresenta fora do prazo legal sujeita se à multa estabelecida na legislação de regência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10830.010636/2007-25
conteudo_id_s : 5817276
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.445
nome_arquivo_s : Decisao_10830010636200725.pdf
nome_relator_s : Antonio Bezerra Neto
nome_arquivo_pdf_s : 10830010636200725_5817276.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
id : 7079625
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734469386240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1496; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 30 1 29 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.010636/200725 Recurso nº 2.002.291 Voluntário Acórdão nº 140100.445 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2011 Matéria MULTA DIPJ Recorrente GRANCASA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA DIPJ. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A pessoa jurídica que é obrigada à entrega da DIPJ e a apresenta fora do prazo legal sujeitase à multa estabelecida na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Sérgio Luiz Bezerra Presta, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Ausente momentaneamente o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Fl. 36DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10830.010636/200725 Acórdão n.º 140100.445 S1C4T1 Fl. 31 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0525.231, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP. No caso específico, tratase de exigência relativa à multa por atraso na entrega das declarações DSPJ Simples correspondentes ao exercício 2003, 2004 e 2005. Na impugnação, argumenta o contribuinte, em síntese: a) ... não pode ser julgada culpada, visto que os fatos se deram por falha no sistema ... e não por deliberação do contribuinte, que tudo fez no sentido de cumprir sua obrigação; b) A própria Receita Federal, ... reconhece sua falha ao incluir a empresa de forma retroativa, como Optante do Simples Federal..., c) ... a empresa não cometeu qualquer infração, mas sim, foi induzida pela própria Receita Federal, quando se recusou indevidamente ao recebimento das declarações objeto dos autos de infração. A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003,2004,2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declaração fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator às penalidades legais. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, nos seguintes termos: alega que fez Opção pelo Simples em 31/07/1997. Entretanto nossa Opção não constava junto à Receita Federal por falha do Sistema, fato esse que desconhecia e do qual só tomou conhecimento, quando suas Declarações não foram aceitas, pois o Sistema informava que a Empresa não estava enquadrada no Simples. O Sistema as recusou tanto nas tentativas efetuadas pela Internet como pessoalmente, diretamente na Delegacia de Receita Federal. somente em Fevereiro de 2007 recebeu a Intimação 10830 / SECAT / DRF / CPS / /2007, solicitando documentação para a Inclusão retroativa no Simples, o que fora providenciado de imediato. a seqüência recebeu nova Intimação 10.830 / SECAT / DRFB / CPS/ 636 / 2007 EM 14/05/2007 solicitando cópias das Declarações e Recibos de Entrega referente aos Fl. 37DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10830.010636/200725 Acórdão n.º 140100.445 S1C4T1 Fl. 32 3 anoscalendários de 2003,2004,2005 e 2006. Mediante tal documento foi possível, então, efetuar a Entrega das referidas Declarações. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração para cobrança da multa por atraso na entrega da DIPJ referente ao anocalendário de 2003 Não se questiona, no caso, o aspecto quantitativo, o efetivo atraso na entrega ou qualquer ilegalidade na cobrança da mesma. O atraso na entrega da declaração é obrigação acessória decorrente de legislação tributária, ou seja, daquele elenco de espécies normativas descritas no art. 96 do CTN. Sendo assim, estão obrigadas à apresentação da DIPJ todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas o País, registradas ou não, sejam quais forem seus fins, estejam ou não sujeitas ao pagamento do imposto de renda, independentemente do seu código de atividade cadastrado na Receita Federal. Incluemse nesse rol até mesmo as instituições imunes e isentas. O fato de a empresa ser optante do SIMPLES não a desobriga de entregar as declarações, isso porque estava obrigada a entregar a Declaração simplificada. Tal entrega foi feita a destempo, fato incontroverso. A sua contestação cingese apenas na justificativa de que o referido atraso deveuse à problema na sua inclusão no SIMPLES e que isso, por si só, já seria motivo suficiente para o cancelamento da penalidade. Segundo a Recorrente, sua opção não constava junto à Receita Federal por falha do Sistema, fato esse que desconhecia e do qual só tomou conhecimento, quando suas Declarações não foram aceitas, pois o Sistema informava que a Empresa não estava enquadrada no Simples. O Sistema as recusou tanto nas tentativas efetuadas pela Internet como pessoalmente, diretamente na Delegacia de Receita Federal. De fato, consta dos autos a existência do processo n° 10830.008570/200207, que tratou de pedido de inclusão no Simples Federal com data retroativa a 01/01/1997 (fl.7). Bem isso apenas depõe contra o contribuinte, significando que, formalmente, o contribuinte não estava ainda incurso nessa sistemática. Se não estava ainda no Simples, deveria ter entregue a declaração no regime de tributação convencional (lucro presumido ou real). Por outro lado, como bem ressaltou a DRJ o contribuinte nem ao menos comprova sua alegação, fato este também não infirmado em sede recursal uma vez que a Recorrente cingese a reiterar os argumentos impugnatórios: (...) nada há nos autos atestando que o interessado tenha sido diligente no sentido de, ainda dentro do prazo de entrega da declaração em referência, levar à Fl. 38DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10830.010636/200725 Acórdão n.º 140100.445 S1C4T1 Fl. 33 4 unidade de atendimento da RFB qualquer problema relacionado à dificuldade no cumprimento dessa obrigação acessória. Nesse contexto, por falta de provas do alegado e diante do fato peremptório de que o contribuinte cumpriu a obrigação acessória fora do prazo hábil, não há como se dispensar a penalidade imposta, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 39DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 08/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
