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Numero do processo: 10680.912780/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.654
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator
EDITADO EM 24/04/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 24/04/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
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Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário (fls. 64/86) contra o v. Acórdão DRJ/BHE nº 0238.043 de 20/03/12 constante de fls. 53/57 exarado pela 2ª Turma da DRJ do Belo Horizonte MG que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir a manifestação de inconformidade” de fls. 01/03, mantendo o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Belo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 12 78 0/ 20 09 -2 1 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.912780/200921 Resolução nº 3402000.654 S3C4T2 Fl. 3 2 Horizonte MG (fls. 04/05), que indeferiu e deixou de homologar a PER/DCOMP nº 09543.82284.311005.1.7.046063, através da qual a ora Recorrente pretendia ver reconhecido o direito creditório relativo ao PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$ 2.577,06, representado por Darf recolhido em 15/02/2004 e compensar o valor restituendo com o débito discriminado no referido PER/DCOMP. Por seu turno a r. decisão de fls. 56/60 da 2ª Turma da DRJ do Belo Horizonte MG, houve por bem “indeferir a manifestação de inconformidade” de fls. 01/03, mantendo o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Belo Horizonte MG (fls. 04/05), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador:31/01/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 64/86) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) o afastamento da exigência do PIS incidente sobre a folha pela Receita Federal e o efeito vinculante da solução de consulta nº 412/2004 nos termos do art. 100, inc. II do CTN ; b) a ilegalidade da exigência concomitante do PIS folha/faturamento e a ausência de dedução das rubricas previstas no Decreto nº 4524/02 pela Recorrente em violação à legalidade e à tipicidade cerrada. Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 64/86) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) o afastamento da exigência do PIS incidente sobre a folha pela Receita Federal e o efeito vinculante da solução de consulta nº 412/2004 nos termos do art. 100, inc. II do CTN ; b) a ilegalidade da exigência concomitante do PIS folha/faturamento e a ausência de dedução das rubricas previstas no Decreto nº 4524/02 pela Recorrente em violação à legalidade e à tipicidade cerrada. É o Relatório. Voto. Como se verifica dos autos, a Recorrente afirma que recolhia a contribuição ao PIS/Pasep com base na folha de pagamento e, com base na Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, a própria Receita Federal manifestouse no sentido de que o contribuinte em questão se insere no rol daqueles para os quais a Contribuição em questão incide sobre o faturamento. Assim sendo, uma vez que houve recolhimento de PIS sobre a folha de pagamento e não sobre o faturamento, mostrase viável que possa ter ocorrido efetivamente, ao menos em tese, algum recolhimento indevido a título da referida contribuição, do que redundaria haver crédito em favor da contribuinte, razão pela qual se faz necessária uma verificação mais detalhada para aferimento de valores devidos sobre o faturamento, Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.912780/200921 Resolução nº 3402000.654 S3C4T2 Fl. 4 3 comparando com aqueles que seriam devidos sobre a folha, para então, aquilatar a existência ou não de créditos. Desta forma, entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que proponho a conversão do julgamento em diligência, pois há que se verificar se a contribuinte teria, efetivamente, algum valor a recolher, o que depende de cálculo para aferimento do montante devido, o que não está afeto a esta esfera de julgamento. Assim sendo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora adote as seguintes providências: Recomponha a(s) apuração(ões) da contribuição para o PIS/Pasep do contribuinte para o(s) período(s) de apuração(ões) objeto(s) destes autos, mediante a aplicação dos comandos da Solução de Consulta n° 412/2004, de que é titular a Recorrente; Contraponha o valor aferido conforme alínea “a”, acima, com o valor que foi recolhido pelo contribuinte a título da contribuição ao PIS/Pasep, manifestandose sobre a existência, legitimidade e suficiência de créditos decorrentes de eventual pagamento indevido ou a maior para a restituição e/ou compensação levada a efeito nestes autos; Ao final, emitir Relatório Conclusivo da diligência, intimando a Recorrente para que sobre ele se manifeste, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, e após, com ou sem manifestação, seja o feito remetido a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001758/00-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996, 1997, 1998
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL.
O Imposto de Renda Pessoa Física, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, de sorte que sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Trata-se, pois, de fato gerador complexivo anual.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REGRA DE APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO.
A partir do Ano-calendário 1989, o acréscimo patrimonial deve ser apurado mensalmente, devendo o valor apurado, não justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte, ser computado na determinação da base de cálculo anual do tributo.
CUSTO DE CONSTRUÇÃO DE EDIFICAÇÕES. ARBITRAMENTO COM BASE NA TABELA PINI DE CUSTOS DE EDIFICAÇÕES.
O custo da construção de edificações deve ser comprovado por meio da apresentação das notas fiscais de aquisição de materiais, recibos/notas fiscais de prestação de serviços e comprovantes de pagamentos junto aos órgãos controladores. A falta ou insuficiência da comprovação autoriza o arbitramento da edificação com base na tabela PINI.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 21/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996, 1997, 1998 EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. O Imposto de Renda Pessoa Física, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, de sorte que sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Trata-se, pois, de fato gerador complexivo anual. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REGRA DE APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO. A partir do Ano-calendário 1989, o acréscimo patrimonial deve ser apurado mensalmente, devendo o valor apurado, não justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte, ser computado na determinação da base de cálculo anual do tributo. CUSTO DE CONSTRUÇÃO DE EDIFICAÇÕES. ARBITRAMENTO COM BASE NA TABELA PINI DE CUSTOS DE EDIFICAÇÕES. O custo da construção de edificações deve ser comprovado por meio da apresentação das notas fiscais de aquisição de materiais, recibos/notas fiscais de prestação de serviços e comprovantes de pagamentos junto aos órgãos controladores. A falta ou insuficiência da comprovação autoriza o arbitramento da edificação com base na tabela PINI. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 21/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. O Imposto de Renda Pessoa Física, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, de sorte que sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 17 58 /0 0- 48 Fl. 858DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 859 2 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REGRA DE APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO. A partir do Anocalendário 1989, o acréscimo patrimonial deve ser apurado mensalmente, devendo o valor apurado, não justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte, ser computado na determinação da base de cálculo anual do tributo. CUSTO DE CONSTRUÇÃO DE EDIFICAÇÕES. ARBITRAMENTO COM BASE NA TABELA PINI DE CUSTOS DE EDIFICAÇÕES. O custo da construção de edificações deve ser comprovado por meio da apresentação das notas fiscais de aquisição de materiais, recibos/notas fiscais de prestação de serviços e comprovantes de pagamentos junto aos órgãos controladores. A falta ou insuficiência da comprovação autoriza o arbitramento da edificação com base na tabela PINI. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 21/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 860 3 Relatório Contra JOSÉ JOÃO JORGE foi lavrado Auto de Infração, fls. 06/11, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 1995 a 1997, exercícios 1996 a 1998, no valor total de R$ 850.887,39, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/10/2000. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração, no Termo de Constatação e Encerramento de Fiscalização, fls. 38/43, e no Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fl. 112/116, foi acréscimo patrimonial a descoberto, conforme Demonstrativos Mensais de Evolução Patrimonial, fls. 12/23. No procedimento fiscal houve o arbitramento dos custos de construção de um hotel situado em Araçatuba/SP, na Avenida Brasília nº 1775. O arbitramento se deu com base nos índices adotados por publicação técnica especializada (Revista Construção índice PINI de Custos de Edificações), conforme procedimentos e demonstrativos, fls. 118/121, em razão dos seguintes fatos, extraídos do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fl. 112/116: 6 DE UMA ANÁLISE MAIS PROFUNDA, CABE ALGUMAS CONSIDERAÇÕES: • ESTA FISCALIZAÇÃO NÃO CONSIDEROU OS CUSTOS (DESEMBOLSOS) APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE, COMO SENDO O CUSTO REAL DESPENDIDO COM A CONSTRUÇÃO DO HOTEL, POIS, CONSTATOU QUE NÃO FORAM RELACIONADOS TODOS OS COMPROVANTES DE PAGAMENTOS, COMO ALGUNS ITENS CONSTANTES NO MEMORIAL DESCRITIVO E DO REFERIDO IMÓVEL COMERCIAL, CITADOS ABAIXO COMO EXEMPLO: A) IMPERMEABILIZAÇÃO: BANHOS, COZINHA E ÁREA DE SERVIÇO TERÃO AZULEJOS INDICADOS NO PROJETO FOI RELACIONADA SOMENTE OS VALORES DE R$ 1.500,00 EM MAIO DE 1.996 E R$ 1.620,00 EM JANEIRO DE 1.997. B) Pisos: SERÁ EXECUTADO CONFORME PROJETO EM ANEXO FOI INCLUÍDO COMO DESPESAS APENAS AS IMPORTÂNCIAS R$ 120,00 EM NOVEMBRO DE 1.996, R$ 1.037,00 EM MARÇO DE 1.997 E R$ 1.394,00 EM MAIO DE 1.997. C) GRANITOS E MÁRMORES: NÃO FOI RELACIONADA NENHUMA NOTA FISCAL CONTENDO MÁRMORE, E REFERENTE A GRANITO FORAM INCLUÍDOS APENAS R$ 2.012,00 EM ABRIL DE 1.996 E R$ 338,00 EM MAIO DE 1.996. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 861 4 D) VIDROS: FOI INCLUÍDO APENAS A IRRISÓRIA IMPORTÂNCIA DE R$ 639,00, NO MÊS DE FEVEREIRO DE 1.997, CONTENDO ESTE TIPO DE MATERIAIS. E) PISCINA E BANHEIROS: NÃO CONSTA NA RELAÇÃO NENHUMA PEÇA OU MATERIAL PARA CONSTRUÇÃO DE PISCINA, COMO AZULEJO, FILTRO DE DECANTAÇÃO DE ÁGUA, BOMBA E MOTOR, ETC, COMO TAMBÉM PARA BANHEIROS COMO VASOS SANITÁRIOS, PIAS, TORNEIRAS, CHUVEIROS ELÉTRICOS, ETC. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 560/616, que foi considerada procedente em parte, pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/SP2 nº 1739.767, de 08/04/2010, fls. 723/758. Alterouse o valor dos acréscimos patrimoniais a descoberto, em razão de inclusão nos Demonstrativos Mensais de Evolução Patrimonial de rendimentos de cadernetas de poupança. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 10/05/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 760, o contribuinte apresentou, em 07/06/2010, recurso voluntário, fls. 763/81273, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Alguns vícios rudimentares – arbitramento e execução simplificada da lei – Os lançamentos imputados ao contribuinte assentamse, exclusivamente, sobre arbitramentos. São nada menos que sete arbitramentos cumulativos. Só que, nesses arbitramentos não foram observados os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Não foram observadas singelas regras de lógica e de aritmética. Nem mesmo a verdade material, evidente para qualquer pessoa de bom senso, mereceu o respeito a que faz jus. Logo, não há arbitramento, mas pura e simples arbitrariedade. No que tange ao arbitramento de rendimentos com base em renda presumida, mediante utilização de sinais exteriores de riqueza, temse que o disposto no art. 6º da Lei nº 8.021, de 1990 foi revogado pela Lei nº 8.383, de 1991, art. 5º, parágrafo único. O arbitramento unilateral dos custos de construção com base na chamada Tabela PINI, se não impede, inquestionavelmente, dificulta ao extremo a aplicação individual das normas tributárias de regência. Com esse comportamento ilegítimo, está o Fisco, em verdade, aplicando uma pauta de valores mínimos estabelecida por entidade particular. Capitulação errônea – As exigências relativas a 1995 padecem de falta de fundamento legal, posto que os arts. 1º, 2° e 3° da Lei 8.134/90, invocados pelo Fisco, não se aplicam a esse anocalendário, visto que revogados pela legislação superveniente. Tampouco lhe são aplicáveis os arts. 7° e 8° da Lei 8.981/95 e os arts. 3º e 11 da Lei 9.250/95, também invocados pelo Fisco, mas que, em, face do principio constitucional da anterioridade, só podem incidir sabre fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1996. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 862 5 Inobservância da lógica – O instrumento utilizado pelo Fisco para apurar acréscimos patrimoniais não justificados é logicamente inadequado. Não apenas em sua forma, mas também em seu conteúdo. Inobservância da Constituição e do CTN. O conceito jurídicotributário de renda – Os acréscimos patrimoniais para que possam ser enquadrados no conceito de renda, tem de estar realizados, concreta e, material e comprovadamente realizados. A origem do acréscimo patrimonial é, de fato, irrelevante, pode não estar comprovada ou pode mesmo ser ilícita; sua realização, contudo, há de ser efetiva e, portanto, comprovada. O período de apuração da renda. Realização anual versus presunção mensal Apesar de a Constituição exigir que o imposto incida sobre a renda, o excedente, o acréscimo patrimonial concreta, material e comprovadamente realizado no período de um ano, o legislador estabeleceu que a incidência se dê sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês, o que, a rigor, nem chega a ser presunção de renda realizada. Essa linha de raciocínio conduz à conclusão de que, nos trechos em que assim dispõem, as Leis 7.713/88, 8.134/90 e 9.250/95, invocadas como fundamentos jurídicos da exigência combatida, violam o CTN e a Constituição Federal em vigor. Assim também a Lei 8.383/91, não invocada pelo Fisco, mas que traz disposições essencialmente idênticas. Decadência Segundo a tese do Fisco, de incidência mensal, a realização da hipótese de incidência do IRPF, aqui, consumouse no último dia de cada mês atingido pela ação fiscal. Assim, cada um dos qüinqüênios correspondentes aos períodosbase compreendidos entre 1° de janeiro e 31 de outubro de 1995 expirou no último dia de cada um dos meses de janeiro a outubro de 2000. De acordo com o art. 150, § 4º, do CTN, a autuação em 10 de novembro de 2000, deuse, portanto, a destempo no que concerne aos meses de janeiro a outubro de 1995. Inobservância das leis de regência. Regras específicas para a antecipação As exigências apuradas em períodos mensais, sobre rendimentos brutos, não se sustentam em relações jurídicas obrigacionais. O ato administrativo que as formaliza é, portanto, desprovido de exigibilidade, sendolhe impossível adquirir executoriedade. De duas, uma: ou a periodicidade é anual e, em conseqüência, o procedimento combatido é nulo, ab initio, ou a periodicidade é mensal e, em conseqüência, o direito de a Fazenda formalizar os créditos tributários relativos aos meses de janeiro e outubro de 1995 extinguiuse antes do lançamento notificado em 10/11/2000. Presunção de renda versus presunção de rendimentos – Não foi apenas a lei ordinária que avançou para além do permissivo constitucional. Também o lançamento ultrapassa os lindes da lei ordinária inconstitucional. As diferenças porventura encontradas pela autoridade fiscal não se subsumiriam sequer no conceito de rendimentos presumidamente recebidos. Muito pior: não se subsumiriam nem mesmo no conceito de rendimentos. Acréscimo patrimonial e origem dos recursos – A absurda presunção do Fisco no sentido de que o pretenso acréscimo patrimonial pretensamente injustificado teria tido sua origem em rendimentos recebidos de pessoas físicas, sujeitos a imposto mensal. Nessa hipótese, a razão imporia a inferência de que tais rendimentos só poderiam ter origem na atividade preponderante do recorrente: a atividade rural. Inobservância dos fatos . Verdade material e exatidão legal do tributo – O arbitramento do custo da construção – No caso concreto, dois fatos são Fl. 862DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 863 6 extremamente relevantes: a) tudo foi declarado, relacionado e comprovado, exceto os custos dos vidros; b) os valores correspondentes aos itens indevidamente postos sob suspeita pelo Fisco, somados, estão muitíssimo aquém da metade do custo da obra, em verdade, uma bagatela em relação a ele. Mas, ainda que não houvesse comprovação alguma dos custos dos elementos integrantes desses itens, o logicamente razoável, moral e legalmente correto, teria sido o seu arbitramento, com base em valores de mercado. Poderseia, até, atribuir àqueles itens os valores publicados pelo SINDUSCON – OESP. O que jamais podia ter sido feito é rejeitar cerca de 80% de comprovação inquestionável. As tabelas de custos unitários básicos de construção. Tabela PINI. Particularidade da obra avaliada A tabela PINI é bem mais onerosa para o contribuinte. Da tabela PINI para a Tabela SINDUSCON há considerável diferença. Segundo a abalizada palavra de renomados profissionais da Engenharia (declarações anexas), para se chegar à realidade geral (média) da região de Araçatuba, é preciso aplicar à tabela PINI uma redução em torno de 35%. O arbitramento da renda – Na fase impugnatória, o recorrente apresentou um demonstrativo idêntico ao apresentado pelo Fisco, mas corretamente preenchido. As omissões são identificadas em folhas anexas e comprovadas pelos extratos bancários juntados ao processo (fls. 279 a 523). À luz dos fatos assim demonstrados e comprovados, ainda que existisse realmente o acréscimo patrimonial pretendido pelo Fisco, estaria ele plenamente justificado de acordo com sua própria metodologia. É o Relatório. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 864 7 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de lançamento que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada acréscimo patrimonial a descoberto, evidenciado, em suma, pelo arbitramento dos custos de construção de um hotel, de propriedade do recorrente. De imediato, devese dizer que, conforme disposto na Súmula CARF nº 2, abaixo transcrita, este colegiado não deve apreciar alegações acerca da constitucionalidade das leis tributárias: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Assim neste voto não serão apreciadas alegações trazidas pela defesa , no que concerne à inobservância da Constituição Federal. Ainda, preliminarmente, o contribuinte suscita a nulidade do lançamento, porque, em suma, entende que no arbitramento do custo de construção do hotel não foram observados os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório e também porque o arbitramento de rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização de sinais exteriores de riqueza, não é possível em razão da revogação do disposto no art. 6º da Lei nº 8.021, 12 de abril de 1990, pela Lei nº 8.383, 30 de dezembro de 1991, art. 5º, § único. No que se refere ao arbitramento dos custos de construção do hotel temse que foi realizado nos termos do disposto no art. 6º da Lei nº 8.021, de 1990: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 865 8 § 4° No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5º Revogado § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. No Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fl. 112/116, do qual o contribuinte foi cientificado, durante o procedimento fiscal, a autoridade lançadora esclareceu às razões porque entendeu necessário o arbitramento, sendo certo, ainda, conforme se verá mais adiante neste voto, que a modalidade escolhida para o arbitramento foi aquela mais favorável ao contribuinte. Aqui se ressalte que o interessado foi notificado do arbitramento antes do lavratura do Auto de Infração, conforme o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fl. 112/116, já mencionado, sendolhe, pois, ofertada a possibilidade de já antes da lavratura do Auto de Infração, se pronunciar acerca do arbitramento do custo de construção do imóvel. Quanto à apuração do acréscimo patrimonial a descoberto cumpre dizer que, ao contrário do que afirma o contribuinte, o art. 6º da Lei nº 8.021, de 1990, encontrase em pleno vigor, sendo certo que o art. 5º, § único, da Lei nº 8.383, de 1991, ao estabelecer que o imposto de renda será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos em cada mês, não implica em revogação da autorização contida no art 6º da Lei nº 8.021, de 1990, para arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. Nesse ponto, cumpre dizer que os dispositivos legais citados no Auto de Infração, fls. 07, (arts. 1º, 2º, 3°, e §§, da Lei n° 7.713/88; arts. 1° e 2°, da Lei n°8.134/90; arts. 7º e 8º, da Lei n° 8.981/95 e arts. 3º e 11, da Lei n°9.250/95) são perfeitamente condizentes com a infração imputada ao contribuinte e estão todos em vigor e aplicamse aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 1995, 1996 e 1997. E mais, o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Nessa conformidade, afastase a argüição de nulidade do lançamento alegada pelo recorrente. Prosseguindo, devese examinar a alegação do contribuinte acerca da decadência do crédito tributário correspondente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro e outubro de 1995. Sabese que o fato gerador consiste na situação material descrita pelo legislador como capaz de suscitar a obrigação tributária. No caso do imposto de renda, o fato gerador é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o Fl. 865DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 866 9 produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda (CTN, art. 43). Quanto ao tempo de ocorrência do fato gerador, a doutrina adotou a seguinte classificação: instantâneos, periódicos e continuados. Os fatos geradores periódicos, também denominados complexivos, são aqueles que se realizam ao longo de um intervalo de tempo, como é o caso do IRPF, que embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual. Logo, temse que os fatos geradores ocorridos durante o anocalendário de 1995, somente se completaram em 31/12/1995. Já no que se refere à contagem do prazo decadencial, em observância do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 866DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 867 10 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Do acima transcrito, verificase, no que concerne ao IRPF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, o contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 1996, anocalendário 1995, fls. 46, apurando saldo de imposto a pagar de R$ 19.025,77. Ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, de modo que se deve aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, conforme entendimento acima referido. Assim, a data inicial para a contagem do prazo decadencial é 01/01/1996 e o termo final 31/12/2000. Como o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 10/11/2000, fls. 45, não há que se falar em decadência do crédito tributário na data do lançamento. No mérito, temse que o lançamento cuida de omissão de rendimentos, caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, apurada em conformidade com o disposto no art. 6º da Lei nº 8.021, de 1990, já transcrito neste voto. O levantamento de acréscimo patrimonial não justificado é forma indireta de apuração de rendimentos omitidos, cabendo à autoridade lançadora comprovar apenas a existência de rendimentos omitidos, que são revelados pelo acréscimo patrimonial não justificado. Nenhuma outra prova a lei exige da autoridade administrativa. Provada pela autoridade fiscal a aquisição de bens e/ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados. Isto é, a prova ex ante, de iniciativa da autoridade fiscal, redundará no ônus da contraprova pelo contribuinte. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 868 11 Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, a autoridade fiscal fica dispensada de provar, no caso concreto, a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte a prova em contrário. Assim, há de se concluir que é perfeitamente possível e devidamente previsto na legislação de regência a apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto. Digase, ainda, que a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto deve ser mensal e não anual como defende o contribuinte. Nesse sentido, devese observar as seguintes disposições legais: Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 Art.1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art.2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art.3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990 Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei. Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. (...) Art. 4° Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 1° de janeiro de 1991, o imposto de que trata o art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988: I será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês; Fl. 868DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 869 12 De acordo com os artigos transcritos, a partir de 1º de janeiro de 1989 o imposto de renda das pessoas físicas é devido mensalmente, à medida que os rendimentos incluídos neste conceito os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados e ganhos de capital são percebidos. Portanto, a análise da evolução patrimonial para fins de levantamento do acréscimo patrimonial a descoberto, cuja finalidade é detectar a existência de omissão de rendimentos tributáveis, deve reportarse aos períodos mensais para conformarse às disposições legais, sendo certo que os acréscimos patrimoniais a descoberto verificados em determinados meses de um mesmo anocalendário, devem ser somados e levados ao ajuste anual, conforme já aqui dito, em razão de tratarse de fato gerador complexivo. Feitas estas considerações, devese dizer que, no presente lançamento, restou evidenciado pelos Demonstrativos Mensais de Evolução Patrimonial, fls. 12/23, partes integrantes do Auto de Infração, o acréscimo patrimonial a descoberto, em determinados meses dos anoscalendário de 1995, 1996 e 1997, conforme discriminado no Auto de Infração, fls. 07. Assim, para ver cancelado o Auto de Infração, o contribuinte deve demonstrar que referidos acréscimos, detectados pela autoridade fiscal, são justificados por rendimentos já oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou rendimentos de tributação exclusiva na fonte. Nesse ponto, importa dizer que a autoridade fiscal ao proceder o levantamento do acréscimo patrimonial observou todos os rendimentos do contribuinte, os quais foram inseridos nos Demonstrativos Mensais de Evolução Patrimonial como recursos/origens; assim como quando do cálculo do imposto devido, levouse em consideração as deduções pleiteadas pelo recorrente, quando da apresentação de suas correspondente Declarações de Ajuste Anual, conforme se infere dos Demonstrativos de Apuração, fls. 08/10. Digase, ainda, que as alegações do contribuinte acerca de recursos/origens não observadas pela autoridade fiscal, conforme aduzido pela defesa na impugnação e no recurso, foram devidamente apreciadas na decisão recorrida, que as acolheu em parte, razão porque reduziu o valor dos acréscimos patrimoniais a descoberto, em razão de inclusão nos Demonstrativos Mensais de Evolução Patrimonial de rendimentos de cadernetas de poupança, os quais não haviam sido considerados originalmente pela autoridade fiscal. No recurso, o contribuinte não trouxe nenhum outro documentos, trazendo as mesmas alegações acerca de rendimentos de aplicações financeiras, as quais não foram acatadas pela decisão de primeira instância por falta de apresentação de documentos comprobatórios. Assim, considerando que quando da apresentação do recurso, a defesa não acostou aos autos nenhum novo documento, resta mantida a decisão recorrida, no que concerne aos demais rendimentos de aplicações financeiras, indicadas nos Demonstrativos de Evolução Patrimonial elaborados pela defesa, posto que não restaram comprovadas, adotandose aqui as mesmas razões de decidir esposadas na decisão recorrida acerca da matéria. Ainda, no que se refere ao acréscimo patrimonial a descoberto devese dizer que o cálculo do imposto devido foi realizado, levandose os valores das omissões detectadas à tributação no ajuste anual. Não houve, portanto, tributação como rendimentos recebidos de pessoas físicas, conforme afirmou a defesa. Por outro lado, não pode prevalecer a tese Fl. 869DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 870 13 defendida pelo contribuinte de ver as omissões detectadas por acréscimo patrimonial a descoberto tributadas nos moldes dos rendimentos da atividade rural. Como já aqui mencionado, o lançamento de omissão de rendimentos, caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, nada mais é que uma presunção legal. Ora, tratandose de rendimento presumido, não se pode acatar a alegação de que sejam da atividade rural, posto que se assim restasse confirmado, não haveria que se falar em presunção de rendimentos e sim em omissão de rendimentos da atividade rural. Destaquese que nas Declarações de Ajuste Anual, correspondentes aos anoscalendário 1995, 1996 e 1997, os rendimentos da atividade rural sequer são preponderantes, conforme bem afirmado na decisão recorrida. Por fim, no que concerne ao arbitramento do custo de construção do hotel também adoto as razões de decidir da autoridade julgadora de primeira instância, pedindo vênia para aqui transcrevêlas: DO ARBITRAMENTO DO CUSTO DE CONSTRUÇÃO. O arbitramento do valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, que sirvam de base para o cálculo do tributo é recurso previsto no artigo 148 da Lei 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional nos casos em que esses sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Reproduzse a seguir o dispositivo legal mencionado: "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." No caso presente, por meio da Intimação Fiscal n° 10820/097/98 (fl. 70), o contribuinte foi intimado a apresentar, entre outros itens, demonstrativo dos desembolsos realizados na construção do imóvel sito à Av. Brasília, 1775, informando a natureza dos gastos, datas e respectivos valores, consolidados por mês e ano. Em atendimento, foram apresentados os Demonstrativos de Desembolsos na Construção de Imóvel de fls. 75/107, alcançando o período de dezembro de 1994 a setembro de 1997. Conforme descrito no Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 112/116, a fiscalização não considerou os valores apresentados como sendo o custo real despendido na construção do imóvel, por ter constatado, com base no memorial descritivo, que não foram relacionados todos os comprovantes de pagamento, de acordo com exemplos que enumera fl. 113. Ante a impossibilidade do levantamento do custo real de construção, o fiscal autuante fez uso do recurso facultado pelo Fl. 870DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 871 14 artigo 845, inciso II, do Decreto 3000, de 26/03/1999, que a seguir se transcreve: "Art. 845. Farseá o lançamento de oficio, inclusive (Decretolei n° 5.844/43, art. 79): II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios; O contribuinte contesta os motivos para o arbitramento descritos pelo fiscal autuante no Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 112/116) alegando, entre outras razões, que apresentou comprovantes de pagamentos referentes a "nada menos que 891,30 m² de azulejos", comprovantes estes reapresentados às fls. 626/630, como se essa quantidade fosse suficiente para a impermeabilização dos banheiros, cozinha e área de serviço da edificação. Ocorre que, da análise do Contrato de Empreitada para Construção Civil anexado pelo próprio contribuinte às fls. 149/155, verificase que a área destinada à colocação de azulejos é, no mínimo, de 2.316,77 m², como se verá. Na discriminação dos serviços respectiva quantidade, consta à fl: 153, no item 4, pavimento térreo, a quantidade de 262,20 m² de emboço para azulejo. Na fl. 154, item 6, pavimento tipo, consta a quantidade de 1.969,92 m² de emboço para azulejo, assim como à fl. 155, item 8, piscina, a área impermeabilizada, a ser recoberta com azulejo, é de 84,65 m², perfazendo dessa forma o montante de 2.316,77m² (262,20 + 1.969,92 + 84,65). Como se observa, o contribuinte, que insiste ter relacionado e entregue à fiscalização todos os comprovantes de pagamento, comprovou a compra tãosomente de 891,30 m², quantia correspondente apenas a 38% do total utilizado na edificação (2.316,77m²). Com relação aos pisos, a nota fiscal de fl. 638, emitida por Portobello Soluções Personalizadas em 05/06/1996, no valor de R$ 4.999,75 não havia sido informada/apresentada à fiscalização no curso da ação fiscal, não se encontrando entre os documentos acostados às fls. 156/190 e nas relações de desembolsos de fls. 74/107. Tal nota fiscal referese à compra de 419,90 m² de piso cerâmico e sua juntada apenas agora, na fase impugnatória, é mais um motivo a justificar o arbitramento. Ainda com relação aos pisos, o interessado informa que o piso dos apartamentos é de carpete, mas não consta qualquer despesa com sua aquisição/instalação nas relações de desembolsos de fls. 74/107. No tocante aos granitos e mármores, o contribuinte relata em sua impugnação (fl. 605) que "tudo que, na obra, foi executado em pedra (granito, mármore e ardósia, principalmente), ficou a Fl. 871DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 872 15 cargo da MARMORARIA LALUCE LTDA., material e mão de obra; os comprovantes estão todos nos autos, mas outras cópias estão sendo anexadas a estas razões". Pois bem, foram juntadas na impugnação as notas fiscais de fls. 639, 640, 642 e 644. Nos demonstrativos de desembolso estão relacionadas as referidas notas fiscais, e apenas essas, emitidas pela Marmoraria Laluce. As notas fiscais de fls. 639, 640 e 642 referemse ao fornecimento de granito cinza andorinha, enquanto a nota fiscal de fl 644 é relativa a mão de obra. Portanto, não foi apresentada/relacionada nenhuma nota fiscal referente à aquisição de mármore e ardósia, que o contribuinte afirma que foram utilizados na obra. Novamente, as alegações do impugnante contra o arbitramento, somente vêm a justificálo. Quanto aos vidros, o próprio contribuinte admite que não os relacionou e comprovou, sob a justificativa de que houve extravio de comprovantes. Como se vê, há elementos mais que suficientes para concluir que o interessado deixou de informar parcela considerável dos recursos despendidos na construção do referido imóvel. Tal circunstância autoriza o arbitramento do custo de construção com base no valor de mercado, conforme previsto no art. 148 do CTN, já reproduzido, e no art. 6° da Lei n° 8.021/90: "Art. 6° (..) §4º No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes a época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas." O arbitramento foi efetivado com base em índices adotados por publicação técnica especializada (Revista Construção – Índice PINI de Custos de Edificações), elaborados com base em norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas. As tabelas de índices têm periodicidade mensal e levam em consideração a destinação da obra (residencial, comercial, industrial), o padrão (fino, médio e popular) e a existência ou não de elevadores, tratandose de prédios. No presente caso, foi considerado o valor do m² correspondente aos Custos Médios de Construção de Imóveis Comerciais sem Elevadores, índice mais favorável ao contribuinte, pois o hotel dispõe de elevador. Foi aceito o período de construção informado pelo contribuinte e comprovado pelos documentos apresentados (dezembro de 1994 a setembro de 1997). Na elaboração dos Demonstrativos dos Custos de Construção não Declarados (fls. 118/119) foi inicialmente calculada a área construída em cada mês, mediante a divisão do custo mensal Fl. 872DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 873 16 informado pelo contribuinte pelo valor do m² extraído da tabela PINI. A seguir, calculouse a proporção da área construída no mês em relação ao total da obra. Multiplicouse a proporção obtida pela área total da obra, obtendose a área construída em cada período. Finalmente, multiplicandose a área construída pelo valor do m² extraído da tabela PINI foi obtido o custo arbitrado mensal. A diferença entre o custo arbitrado e o valor informado constitui o custo não declarado. Tratase de um raciocínio coerente, com base nos elementos que dispunha a fiscalização, que em nada afronta as regras da lógica e da aritmética ou a verdade material, como alega o impugnante. E óbvio que o valor arbitrado não possui o mesmo grau de exatidão que o custo real, efetivamente incorrido. Porém, este só é de conhecimento do próprio contribuinte. Somente ele possui o controle de todos os gastos incorridos na empreitada e conhece a quantia efetivamente despendida e sua distribuição ao longo da obra. Se esses valores tivessem sido disponibilizados à fiscalização a Análise da Evolução Patrimonial teria sido executada com os valores efetivamente despendidos. Porém, na ausência de tais valores, motivada pelo não atendimento pleno por parte do interessado, não restou outra saída à fiscalização senão valerse do arbitramento, medida esta prevista tanto no CTN quanto na legislação ordinária. Outrossim, observase dos demonstrativos de fls. 118/119 que o custo arbitrado do imóvel resultou no montante de R$ 1.575.169,23 enquanto o custo de construção informado pelo contribuinte foi de R$ 582.234,77. Ou seja, o valor informado pelo contribuinte corresponde apenas a 37% do custo encontrado por meio do arbitramento. Ainda que os preços da tabela PINI apresentassem uma distorção de 35% em relação aos preços praticados na região, conforme alega o impugnante, mesmo assim o novo valor de R$ 1.023.859 (65% de R$ 1.575.169,23) é muito superior ao custo informado pelo contribuinte (R$ 582.234,77). Ressaltese que se trata apenas de um raciocínio hipotético, posto não haver prova de que essa distorção realmente ocorra, mas se presta a comprovar que o custo de construção informado pelo contribuinte é bem inferior ao custo efetivo, justificando plenamente o arbitramento levado a cabo pela autoridade fiscal. Diz, ainda, o impugnante que a finalidade das tabelas de custos unitários básicos de construção é proteger os compradores de unidades autônomas, servindo de mecanismo comparativo, sobretudo no início da incorporação, quando ainda não existe Fl. 873DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 874 17 um projeto executivo e aponta equívocos no Termo de Constatação e Intimação Fiscal. As supostas imprecisões apontadas no referido Termo, notadamente quanto ao fato da Editora PINI não estar obrigada pela Lei n° 4.591/64 a publicar e elaborar tabelas de custo, assim como, segundo alega o interessado, a PNB 140 não ser uma norma e sim e de projeto que deu origem à. NBR 12.721, em nada comprometem o lançamento. A título de esclarecimento, registrese que a NBR 12.721, que passou a vigorar em 1993, é uma revisão da NB140, de 1965. Sobre a validade da utilização de tabelas de custo elaboradas por entidades especializadas, é ampla e iterativa a jurisprudência administrativa sobre o assunto, consubstanciada em vários Acórdãos do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, podendose citar como exemplo, os seguintes: (...) Quanto ao questionamento do contribuinte sobre a utilização da Tabela PINI ao invés da Tabela SINDUSCON que, a seu ver, lhe seria mais favorável, devem ser feitos os seguintes esclarecimentos. A Tabela SINDUSCON contemplava nos anoscalendário em exame apenas unidades habitacionais multifamiliares de 2 e 3 dormitórios, ou seja, apartamentos. Somente a partir de março de 2000, o SINDUSCON passou a calcular os CUBs Comercial Salas e Lojas, Comercial Andares Livres, Galpão Industrial e Casa Popular de 01 Quarto. As Tabelas PINI mostraramse mais apropriadas para o empreendimento em questão por apresentar custos em função da destinação da obra (residencial, comercial ou industrial). No caso, foram utilizados os valores do m² correspondente aos Custos Médios de Construção de Imóveis Comerciais sem Elevadores, índice, que já é mais favorável ao contribuinte, pois o hotel dispõe de elevador. Como se vê, utilizouse o Custo Médio, sendo descabida a afirmação de que a fiscalização teria classificado o hotel como de alto padrão. Cabe, ainda, lembrar que nesses índices não estão incluídos os custos relativos a projetos, cópias, orçamentos, movimentos de terra, fundações, ar condicionado, aquecedores e paisagismo. Como se vê, são fartas as razões para a manutenção do arbitramento do custo de construção do hotel, perpetrado pela autoridade fiscal, sendo importante destacar que em julgamento realizado em 07/08/2008, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, foi unânime em manter um arbitramento de custo de construção com base em índices da tabela PINI, Acórdão nº 10423.378, cuja ementa a seguir se transcreve: Fl. 874DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10820.001758/0048 Acórdão n.º 2102003.023 S2C1T2 Fl. 875 18 CUSTO DE CONSTRUÇÃO DE EDIFICAÇÕES CUSTOS UNITÁRIOS ARBITRAMENTO COM BASE EM TABELAS DO SINDUSCON/PINI. O custo da construção de edificações deve ser comprovado por meio da apresentação das notas fiscais de aquisição de materiais, recibos/notas fiscais de prestação de serviços e comprovantes de pagamentos junto aos órgãos controladores. A falta ou insuficiência da comprovação autoriza o arbitramento da edificação com base nas tabelas divulgadas pelo SINDUSCON/PINI. Nestes termos, deve ser mantido o arbitramento do custo de construção do hotel, posto que o contribuinte não juntou aos autos elementos comprobatórios do real custo do imóvel, tampouco trouxe aos autos avaliação contraditória, que pudesse justificar o cancelamento do arbitramento. Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 875DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10783.921810/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 21 81 0/ 20 09 -3 1 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.921810/200931 Resolução nº 1802000.533 S1TE02 Fl. 159 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 90/93 contra decisão da 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (efls. 77/81) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 22/12/2009, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 12971.92503.221009.1.7.042348 (e fls. 59/64) — retificador do PER/DCOMP de n° 24777 67575.130109.1.3.045004 (e fls. 53/58), informandeo compensação tributária: débitos informados no valor de R$ 2.114,57, assim especificados: CSLL, código de receita 5952, PA 2º quinzena/dezembro/2008, data de vencimento 15/01/2009, valor R$ 746,68; IRRF, código de receita 1708, PA dezembro/2008, data de vencimento 20/01/2009, valor R$ 503,86; IRRF, código de receita 0588, PA dezembro/2008, data de vencimento 20/01/2009, valor R$ 864,03. crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 1.986,63: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 30/06/2008 (2º trimestre/2008) – 1ª cota, código de receita 2089 (regime de apuração Lucro Presumido), data de arrecadação 31/07/2008, valor original R$ 54.703,91. Saldo do crédito original na data da transmissão da DCOMP: R$ 47.081,37. Em 10/12/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 04, pela DRF/Vitória, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 47.081,37. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.921810/200931 Resolução nº 1802000.533 S1TE02 Fl. 160 3 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 21/12/2009 (efl. 65), a Contribuinte, em 30/12/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 02/03), juntando ainda documentos de efls. 04/64, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Quanto ao direito creditório: que efetuou pagamento do IRPJ/1ª cota, no valor de R$ 54.703,91, do PA 30/06/2008 (2º trimestre/2008), data de recolhimento 31/07/2008, código de receita 2089; que em 06/10/2008 confessou na DCTF primitiva débito do IRPJ/2º trimestre/2008, no valor de R$ 164.111,73 (efls. 23/33); que o pagamento restou totalmente vinculado ao débito confessado na referida DCTF primitiva; que, em 15/07/2009, transmitiu a DIPJ 2009, anocalendário 2008, com IRPJ a pagar/2º trimestre, no valor de R$ 7.622,55 e não R$ 164.111,73 (efls. 34/40); que em 23/10/2009 transmitiu a DCTF retificadora do 2º trimestre/2008, reduzindo o IRPJ a pagar de R$ 164.111,73 para R$ 7.622,55 (efls. 41/45); que, destarte, essa 1ª cota do IRPJ/2º trimestre/2008 foi paga a maior, no valor de R$ 47.081,37. que o crédito, por conseguinte, existe. Por fim, com base nessas razões, a Contribuinte pediu na instância a quo o reconhecimento do crédito pleiteado e a extinção dos débitos pela homologação da compensação. A 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, não acatando a DCTF retificadora que reduziu o débito do IRPJ do 2º trimestre/2008 de R$ 164.111,73 para R$ 7.622,55, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito pleiteado, conforme Acórdão, de 22/09/2011, cuja ementa transcrevo a seguir (efl. 77), in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.921810/200931 Resolução nº 1802000.533 S1TE02 Fl. 161 4 RETIFICAÇÃO DA DCTF. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir tributo, só é admissivel mediante comprovação do erro em que se funde (art. 147, § 1 º, do CTN). PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR NÃO COMPROVADO. DIREITO CREDITORIO NÃO RECONHECIDO. Não tendo o contribuinte logrado apresentar elementos capazes de comprovar o pagamento efetuado a maior, deixase de reconhecer o direito creditório por ele pleiteado. PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não tendo sido reconhecido o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, deixase de homologar a compensação por ele declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente do decisum objeto deste processo em 14/12/2011 (efl. 89), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/12/2011 (efls. 90/93), juntando ainda os documentos de efls.94/153, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que houve erro de fato quanto ao débito do IRPJ confessado na DCTF primitiva do 2º trimestre/2008 (gerou o crédito pleiteado). Ou seja: quando da entrega da DCTF primitiva, foi calculado o IRPJ do 2º trimestre/2008 com coeficiente de presunção do lucro de 32%. O coeficiente corretoé 8%, conforme DIPJ apresentada e DCTF retiticadora; que houve pagamento a maior, relativo à 1º cota do IRPJ do 2º trimestre/2008, no valor de R$ 47.081,376; que, para comprovar a base tributável do 2º trimestre/2008, juntou aos presentes autos: cópias de folhas do livro Diário quanto à receita bruta de serviços do 2º trimestre/2008 = R$ 2.599.455,12 (receita acumulada do 1º semestre/2008 no valor de R$ 5.151.360,29 – R$ 2.551.95,17 receita bruta de serviços do 2º trimestre/2008 (efls. 133/136); cópias do livro Registro de Serviços (ISS) com a receita bruta de serviços dos meses de abril, maio e junho/2008, no valor de R$ 2.120.801,35 (efls.137/142); planilha de cálculo do IRPJ/2º trimestre com coeficiente de 8% (R$ 7.622,54) e 32% (R$ 163.589,85) (efl. 143); cópias do livro Diário – lançamento da provisão do IRPJ/2º trimestre/2008, no valor de R$ 48.157,84, calculado pelo coeficiente de 8%, e IRRF pessoas jurídicas (R$ 35.226,62), IRRF instituições financeiras (R$ 2.541,56) e IRRF Órgão Público (R$ 2.767,12) (efls. 144/145); Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.921810/200931 Resolução nº 1802000.533 S1TE02 Fl. 162 5 inclusão de diferença na base de cálculo – valor tributável de R$ 478.653,77 (R$ 2.120.801,35 + R$ 478.653,77) = R$ 2.599.455,72 (efls. 146/153). Por tudo que foi exposto, a Contribuinte pediu o reconhecimento do crédito pleiteado e a extinção dos débitos confessados, mediante homologação da compensação. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.921810/200931 Resolução nº 1802000.533 S1TE02 Fl. 163 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. A questão central da lide diz respeito se o direito creditório pleiteado tem liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do CTN, para quitação dos débitos informados/confessados na DCOMP objeto dos autos. A propósito dos requisitos do crédito objetado contra o fisco para encontro de contas (compensação tributária), transcrevo o disposto no art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (grifei) No mesmo sentido dispõe o art. 268 do Decreto nº 7212, de 15/06/2010: Art.268.O sujeito passivo que apurar crédito do imposto, inclusive decorrente de trânsito em julgado de decisão judicial, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observadas as demais prescrições e vedações legais(Lei nº 5.172, de 1966, art. 170,Lei nº 9.430, de 1996, art. 74,Lei no10.637, de 2002, art. 49,Lei no10.833, de 2003, art. 17, eLei no11.051, de 2004, art. 4o). §1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados(Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º,e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). §2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 2º, eLei nº 10.637, de 2002, art. 49). No caso, a Recorrente busca o reconhecimento do direito creditório relativo ao PA 30/06/2008 (2º trimestre/2008), uma vez que teria pago a maior o IRPJ relativo a esse período de apuração, no regime do Lucro Presumido. Para a Contribuinte, o imposto a pagar do 2º trimestre/2008 seria de R$ 7.622,55. Porém, efetuou recolhimento do IRPJ em DARF – 1ª cota/2º trimestre/2008 no valor Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.921810/200931 Resolução nº 1802000.533 S1TE02 Fl. 164 7 de R$ 54.703,91. Por consequinte, teria efetuado pagamento a maior de imposto no valor R$ 47.081,36 = (R$ 54.703,91 – R$ 7.622,55). Entretanto, a decisão recorrida não acatou a DCTF retificadora, com base na seguinte argumentação: a) que, em 06/10/2008, a Contribuinte confessara na DCTF imposto a pagar do PA – 2º trimestre/2008 no valor de R$ 164.111,73 b) que a DCTF retificadora foi transmitida apenas em 23/10/2009 (após a data de ciência do despacho decisório), reduzindo o imposto do PA – 2º trimestre/2008 de R$ 164.111,73 para R$ 7.622,55; c) que, nessa situação de redução de tributo pela DCTF retificadora (após ciência do despacho decisório que denegou o crédito pleiteado e passou a exigir os débitos confessados na DCOMP), é necessário comprovação do motivo, da razão, dessa redução de imposto pela Contribuinte; d) que, eventual existência de erro de fato que pudesse justificar a redução do imposto pela DCTF retificadora, não foi comprovado nos autos, pois a Contribuinte não juntara cópia dos livros contábeis e fiscais de sua escrituração. Nesta instância recursal, a Recorrente rebelase contra a decisão a quo que denegou o direito creditório, alegando: a) que ocorreu erro de fato em relação ao débito do imposto confessado na DCTF primitiva, relativo ao PA – 2º trimestre/2008, pois confessara o imposto pagar na DCTF primitiva pela aplicação de coeficiente de presunção do lucro de 32% sobre as receitas de prestação de serviços, quando o correto é apuração do imposto com coeficiente de presunção do lucro de 8%, conforme DIPJ respectiva; b) que a DCTF retificadora foi apresentada em conformidade com a DIPJ; c) que, para comprovar o alegado erro de fato, juntou cópia dos livros de sua escrituração contábil/fiscal. Compulsando os autos, observase que a Recorrente, nesta instânica recursal, também não justificou, não comprvou, a razão pela qual busca, pretende, a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% sobre as receitas de prestação de serviços para efeito de apuração do IRPJ, e não 32%. Sem comprovação do alegado erro de fato não há como admitir como válida a DCTF retificadora. Em regra, no regime de apuração do Lucro Presumido para a prestação de serviços a legislação tributária do IRPJ impõe a aplicação do coeficiente de 32%, inclusive para a CSLL (Lei nº 9.249/95, arts. 15 e 20). Nesse sentido, transcrevo o disposto nos arts. 15 da Lei nº 9.249/1995, com redação atualizada pela legislação posterior, in verbis: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.921810/200931 Resolução nº 1802000.533 S1TE02 Fl. 165 8 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.(Vide Lei nº 11.119, de 205)(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere oinciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de:(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004); a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem osarts. 27 e 29 a 34 da Lei no8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento.(Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)(Vide Lei nº 11.119, de 205)(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência) (grifei) (...) Frisese que a Lei nº 11.727 (art. 29), de 23/06/2008, que deu nova redação à alínea “a” do inciso III § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249/95, permite a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% para serviços hospitalares e atividades inerentes, in verbis: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.921810/200931 Resolução nº 1802000.533 S1TE02 Fl. 166 9 Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 15. ............................................................ § 1o .......................................................... ............................................................. III – ...................................................... a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; ..................................................................” (NR) Desde antes da edição dessa Lei nº 11.727/2008 (art. 29), a jurisprudência do STJ e administrativa deste CAF já admitiam a aplicação de coeficientes de presunção do lucro reduzidos a essas atividades elencadas, desde que fosse comprovada a exploração de atividade organizada sob a forma de sociedade empresária e com observância de normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Entretanto, a Recorrente, em momento algum nos presentes autos, fez alusão, nem comprovação, de que as receitas de prestação de serviços do anocalendário 2008 decorreram de prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas. Compulsando os atos constitutivos da pessoa jurídica (Recorrente) – 8ª Alteração Contratual – Consolidação do Contrato Social, de 27/10/2008 (Cláusula Terceira) (e fls. 08/20), observa que ela tem o seguinte objeto social: CLÁUSULA TERCEIRA: A Sociedade tem por Objeto Social: A Prestação de Serviços Médicos Hospitalares, principalmente na especialização em Oncologia Clinica e Cirúrgica, e Quimioterapia, para Apoio ao Diagnóstico e Terapia de seus pacientes, tendo como responsável técnico perante aos órgãos de saúde o médico ROBERTO DE OLIVEIRA LIMA; O PA do imposto é anterior a essa Alteração Contratual nº 08, de 27/10/2008. Logo, quanto às receitas de serviços do anocalendário 2008, a Contribuinte não comprou nos autos que elas decorreram de prestação de serviços hospitalares e inerentes, ou se decorreram de serviços de meras consultas médicas. Além disso, não consta dos autos que, no anocalendário 2008, a Recorrente, desde o início do ano, estaria organizada sob a forma de sociedade empresária e que atendia às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.921810/200931 Resolução nº 1802000.533 S1TE02 Fl. 167 10 Há dúvida plusível e insuperável, por conseguinte, se a Recorrente faz jus, ou não, à apuração do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2008, com coeficientes reduzidos de presunção do lucro para essas exações fiscais. Sem esses elementos de prova, está prejudicada a aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como visto, para formação da convicção do julgador, e em observância do princípio da verdade material, tornase necessário a realização de instrução processual complementar, para complementação de provas pela Recorrente quanto ao direito creditório pleiteado, relativo ao PA – 2º trimestre/2008 – pagamento da 1ª cota. Diante do exposto, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, ou seja, à DRF/Vitória, no sentido de que a fiscalização: a) intime a Recorrente a comprovar a origem ou natureza da receitas de prestação de serviços, se decorreram de prestação de serviços hospitalares de que trata o art. 29 da Lei nº 11.727/2008 ou se decorreram de consultas médicas; b) intime a Recorrente a comprovar se, desde o início do anocalendário 2008, estava organizada sob a forma de sociedade empresária e se atendia às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa (juntar cópia de contrato social abarcando todo o anocalendário 2008 e documentos emitidos, espedidos pela Anvisa que autorizaram o funcionamento do estabelecimento da Recorrente para todo o período do anocalendário 2008); c) intimar a Recorrente para à luz da legislação de regência e da escrituração contábil e fiscal a comprovar o direito creditório pleiteado, sua liquidez e certeza; d) intimar a Recorrrente a comprovar o valor exato dos débitos confessados DCOMP; e) elabore, ao final da diligência fiscal, relatório minucioso, circunstânciado, conclusivo, inclusive com auxílio de demonstrativos/planilhas, se a Recorrente no ano calendário 2008 (nos respectivos trimestres) auferiu receitas de serviços hospitalares, para fazer jus à apuração do IRPJ e da CSLL com coeficientes de presunção do lucro reduzidos, discriminando as receitas de serviço hospitalar e de consultas médicas, pois as receitas de consultas médicas possuem o mesmo tratamento de prestação de serviços em geral, ou seja, é inaplicável coeficiente reduzido de presunção do lucro, demonstrando o valor de eventual direito creditório (crédito) da Recorrente, caso reste comprovado que as receitas decorreram de prestação de serviços hospitalares, e se disponível eventual crédito para utilização para a compensação dos débitos confessados na DCOMP; f) intime a Recorrente do resultado da diligência para, em querendo, apresentar razões, abrindo prazo de trinta dias a partir da ciência. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.921810/200931 Resolução nº 1802000.533 S1TE02 Fl. 168 11 Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 168DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 37169.001007/2007-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há nulidade no lançamento, quando se encontra devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91.
A cooperativa de Trabalho é regulada pela Lei nº 12.690/2012 e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil.
Estão excluídas do âmbito desta norma as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar;
Tanto sob o enfoque do critério material, quanto sob o ângulo do critério pessoal, trata-se de serviços prestados por cooperados de cooperativa de saúde, a qual legalmente não é considerada como de trabalho, não ocorrendo, portanto, a hipótese de incidência tributária da contribuição prevista no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para decotar do lançamento os valores referentes aos serviços de cooperativa médica, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Lara dos Santos e Helton Carlos Praia de Lima. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima entende que não há previsão constitucional nem legal para a desoneração das contribuições previdenciárias relativas à cooperativa de trabalho médico de saúde, ao contrário, há previsão legal no art. 2º e art. 4º inciso II, da Lei 12.690/2012. O art. 1º, parágrafo único, inciso I da Lei 12.690/2012 se refere, tão somente, à regulação específica pela legislação de saúde complementar (Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS). Não há previsão legal para tratamento diferenciado da cooperativa de trabalho médico de saúde em relação às demais cooperativas de trabalho, quanto às obrigações das contribuições previdenciárias, em especial do não recolhimento da contribuição patronal da contratante dos serviços (15% do valor da prestação do serviço). A Seguridade Social é financiada pela empresa e entidade a ela equiparada (art. 195, I, CF/88). A contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho está prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91. Os serviços prestados são contratados e os valores são suportados pela empresa em seu benefício e dos segurados (empregado e contribuinte individual). A função social da empresa é garantir o bem-estar dos trabalhadores visando melhor competitividade e maior lucratividade da atividade econômica, bem como, a distribuição da riqueza gerada ao Estado (na forma de tributos), aos trabalhadores (na forma de remuneração) e prestar contas à sociedade (retorno da atividade econômica à sociedade). A cooperativa de trabalho não é diferente (art. 2o da lei 12.690/2012).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há nulidade no lançamento, quando se encontra devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. A cooperativa de Trabalho é regulada pela Lei nº 12.690/2012 e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Estão excluídas do âmbito desta norma as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; Tanto sob o enfoque do critério material, quanto sob o ângulo do critério pessoal, tratase de serviços prestados por cooperados de cooperativa de saúde, a qual legalmente não é considerada como de trabalho, não ocorrendo, portanto, a hipótese de incidência tributária da contribuição prevista no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 16 9. 00 10 07 /2 00 7- 11 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 37169.001007/200711 Acórdão n.º 2803003.249 S2TE03 Fl. 553 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para decotar do lançamento os valores referentes aos serviços de cooperativa médica, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Lara dos Santos e Helton Carlos Praia de Lima. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima entende que não há previsão constitucional nem legal para a desoneração das contribuições previdenciárias relativas à cooperativa de trabalho médico de saúde, ao contrário, há previsão legal no art. 2º e art. 4º inciso II, da Lei 12.690/2012. O art. 1º, parágrafo único, inciso I da Lei 12.690/2012 se refere, tão somente, à regulação específica pela legislação de saúde complementar (Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS). Não há previsão legal para tratamento diferenciado da cooperativa de trabalho médico de saúde em relação às demais cooperativas de trabalho, quanto às obrigações das contribuições previdenciárias, em especial do não recolhimento da contribuição patronal da contratante dos serviços (15% do valor da prestação do serviço). A Seguridade Social é financiada pela empresa e entidade a ela equiparada (art. 195, I, CF/88). A contribuição previdenciária sobre os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho está prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91. Os serviços prestados são contratados e os valores são suportados pela empresa em seu benefício e dos segurados (empregado e contribuinte individual). A função social da empresa é garantir o bemestar dos trabalhadores visando melhor competitividade e maior lucratividade da atividade econômica, bem como, a distribuição da riqueza gerada ao Estado (na forma de tributos), aos trabalhadores (na forma de remuneração) e prestar contas à sociedade (retorno da atividade econômica à sociedade). A cooperativa de trabalho não é diferente (art. 2o da lei 12.690/2012). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos e Eduardo de Oliveira. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 37169.001007/200711 Acórdão n.º 2803003.249 S2TE03 Fl. 554 3 Relatório 1. Regressam a este Colegiado os presentes autos após serem cumpridas as providências solicitadas pelo então Conselheiro relator quando converteu em diligência o julgamento, nos seguintes dizeres (folhas 357/358): “Pelo exposto, voto por CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA. Deve ser esclarecido pela fiscalização se os valores transferidos para recorrente à Unimed foram arcados efetivamente pela autuada, ou agiu apenas como uma repassadora de recursos descontados de seus segurados, ou atuou de forma mista, tendo a contribuição patronal e mais as descontadas dos segurados. Deve ser elaborada uma planilha informando por competência, qual valor foi repassado à Unimed, desses valores, qual parcela foi descontada efetivamente dos empregados. Cabe à recorrente juntar aos autos cópia do contrato com a Unimed” 2. Tendo em vista que o relatório já foi apresentado por ocasião da decisão anterior, cito seu inteiro teor: “Relatório: A presente NFLD tem por objetivo as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros. O período do levantamento abrange as competências setembro de 2001 a dezembro de 2005, conforme relatório fiscal ás fls.63 a 69. Segundo a fiscalização, os fatos geradores referemse a valores a título de abonos advindos de convenções coletivas de trabalho, cooperativas de trabalho, participação nos lucros e resultados. A autuada apresentou impugnação ao lançamento, conforme fls. 108 a 129. A unidade da Receita Previdenciária comandou diligência na forma das fls. 248 a 250. A fiscalização prestou informações ás 252 e 253, sugerindo a retificação do lançamento. Cientificado do resultado da diligência, a autuada manifestouse á fl. 258. A Decisão da Delegacia da Receita Previdenciária confirmou a procedência do lançamento em parte, fls.283 a 290. Foram excluídas as parcelas referentes ao INCRA. Não concordando com a decisão de primeira instância, a autuada interpôs recurso, conforme fls.294 a 310. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: Fl. 491DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 37169.001007/200711 Acórdão n.º 2803003.249 S2TE03 Fl. 555 4 A decisão de primeira instância é nula, pois não realizou a análise de todos os pedidos e fundamentos apresentados; O Fisco tem obrigação de analisar a constitucionalidade dos dispositivos legais; c) O pleito de produção de provas foi indeferido; d) É nula a NFLD pela incorreta indicação dos dispositivos legais que fundamentam o lançamento; e) É inconstitucional a exigência de contribuição sobre as cooperativas de trabalho; f) Em relação á cooperativa médica, a recorrente não é destinatária dos serviços, atuando apenas como repassadora de valores; g) É ilegal incidir contribuição sobre verbas que não apresentam características de habitualidade e de contraprestação ao trabalho; h) As exigências são inconstitucionais e ilegais; i) Não é devida a cobrança do Salárioeducação; j) É indevida a contribuição para o Sebrae; k) Não pode ser exigida a contribuição destinada ao Sest Senat; l) Não pode prevalecer a aplicação da taxa Selic; m) É inconstitucional a cobrança de multa; n) Requerendo provimento ao recurso interposto. O órgão previdenciário apresentou contrarazões ás fls. 342 a 344, pugnando pela manutenção da decisão recorrida É o relatório. 3. Em atendimento a diligência requerida, a Seção de Fiscalização, anexou os contratos firmados entre a UNIMED e a recorrente folha 378/402. 4. A contribuinte apresentou desistência parcial do recurso voluntário, relativo aos levantamentos referentes aos fatos geradores de Convenção Coletiva de Trabalho – CCT período de 05/2002 a 10/2005; e, fatos geradores referente a Participação nos Lucros e Resultados – PLR, período de 09/2001 a 11/2005. 5. Após o cumprimento de diligencia, o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 37169.001007/200711 Acórdão n.º 2803003.249 S2TE03 Fl. 556 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade do Recurso Voluntário foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, não sendo mais exigível o depósito recursal para seguimento do Recurso. 2. Compulsando os autos, verificase que o sujeito passivo apresentou requerimento de desistência parcial do Recurso Voluntário. 3. Consta, às fls 346/347 informação de que o contribuinte manifestouse pela desistência dos levantamentos referentes aos fatos geradores de: (i) Convenção Coletiva Trabalho – CCT período de 05/2002 a 10/2005; e, (ii) fatos geradores referente à Participação nos Lucros e Resultados – PLR, período de 09/2001 a 11/2005. 4. Dessa forma, o mérito das alegações suscitadas no recurso voluntário quanto aos fatos geradores dos levantamentos de CCT e PLR não podem ser objeto de apreciação por esta Turma de Julgamento, haja vista à desistência suscitada pela recorrente. 5.Assim, conheço parcialmente do recurso voluntário, e, passo a análise das demais questões recursais. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO 6. Preliminarmente, argumenta a recorrente sobre a nulidade do lançamento com base na argumentação que houve cerceamento do seu direito de defesa, tendo em vista que a decisão de primeira instância não realizou análise de todos os pedidos por ela apresentados, e, por, ausência de fundamentação legal. 7. No meu sentir, quanto ao procedimento do lançamento realizado pela autoridade administrativa, não observo qualquer vício que venha causar lesão a contribuinte, uma vez que foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 11 e 31 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972. 8. Além do mais, como pode ser verificado, a peça inicial encontrase fundamentada com a devida motivação requerida pela legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99, bem como a retificação parcial do lançamento fiscal, ainda na primeira instância, não indica de imediato a sua nulidade, ao contrário, demonstra que o fisco buscou assegurar a veracidade dos valores levantados, inclusive garantindo ao contribuinte a ampla defesa e o contraditório. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 37169.001007/200711 Acórdão n.º 2803003.249 S2TE03 Fl. 557 6 DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS 9. A recorrente alega em seu recurso voluntário inconstitucionalidade dos atos normativos que embasam o lançamento. Sustenta que o Fisco tem a obrigação de analisar a constitucionalidade das normas quanto à inexigibilidade das contribuições relativas ao presente processo. Tal argumento não merece prosperar, pois, a teor do que dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, exceto nos casos previstos no § 6º do mesmo dispositivo legal, a seguir transcrito, este órgão julgador, de cunho administrativo, não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de lei. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993.” 10. Segundo o caput do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, é vedado aos seus Conselheiros membros, sob fundamento de inconstitucionalidade, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. 11. Ademais, a súmula n.º 2 do CARF preceitua o seguinte: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 12. Dessa forma, afastamse as alegações de inconstitucionalidade e de ilegalidade, pois os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições contidas no auto de infração em apreço, todos discriminados nos Fundamentos Legais do Débito, encontramse em plena vigência, não havendo até a presente data manifestação do Supremo Tribunal Federal sobre a inaplicabilidade dos mesmos. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 37169.001007/200711 Acórdão n.º 2803003.249 S2TE03 Fl. 558 7 13 Assim, rejeito as alegações da contribuinte de inconstitucionalidade dos atos normativos que embasam o lançamento. DA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO, (CARREGAMENTO E DESCARREGAMENTO DE CAMINHÕES) 14. A decisão recorrida manteve o lançamento fiscal de débito em desfavor da contribuinte por não recolher as contribuições devidas em decorrência da contratação de cooperativa de trabalho para carregamento e descarregamento de caminhões conforme relatório fiscal de fls. 63 a 69. 15. A controvérsia trazida nos autos se refere à incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos feitos pela recorrente na contratação de cooperativas de trabalho. 16. E sobre a questão, o artigo 22, caput, e inciso IV da Lei do Custeio Previdenciário, os lançamentos feitos, têm como contribuinte, a empresa que contrata serviços de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...). IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).” (g.n.) 17. Assim, o lançamento se deu estritamente com base na legislação previdenciária, sendo, portanto, devidos pela empresa, os valores lançados pelo fisco. 18. Nesse momento, peço vênia para trazer à baila ementas de decisões proferidas por este Conselho, sobre o tema em tela: “SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei n°8.212/91.” (Processo n.º 35273.0001091200615; Recurso Voluntário 150.988; Acórdão n° 240100.434; Sessão de 5 de junho de 2009; Relator: Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira) “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS. COOPERATIVAS. 1 Nos termos do inciso IV do art. 22, da Lei n°8.212/91, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a Fl. 495DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 37169.001007/200711 Acórdão n.º 2803003.249 S2TE03 Fl. 559 8 cooperativas de trabalho, por serviços prestados por seus cooperados.” (Processo n.º 10283.004765/200728; Recurso Voluntário 160.982; Acórdão n.º 240100.40; Sessão de 5 de junho de 2009; Relator:Rogério de Lellis Pinto) “SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei n°8.212/91.” (Processo n.º 13603.001446/200799; Recurso Voluntário 160.306; Acórdão n.º 240100.394; Sessão de 4 de junho de 2009; Relator: Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira) 19. No mesmo sentido, foi o acórdão recente prolatado nesta Turma, que restou ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO:CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/10/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FUNDAÇÃO PÚBLICA. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. ART. 15 DA LEI Nº 8.212/91. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 142 DO CTN. OBSERVÂNCIA. ISENÇÃO AUTOMÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COOPERATIVA DE TRABALHO. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. ENQUADRAMENTO. (...). 4. No que se refere ao lançamento decorrente de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (locação de mãodeobra), melhor sorte não assiste ao contribuinte. No ponto, o lançamento foi efetuado em estrita observância das disposições contidas no inciso IV do art 22 da Lei nº 8.212/91 (acrescentado pela Lei nº 9.876/99). Recurso Voluntário Negado. (3ª Turma Especial –CARF, Acórdão 2803 003.129 – Sessão de 18 de março de 2014 – Relator – Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator)”. 20. Pelo exposto, mantenho a autuação fiscal, por ter o contribuinte deixado de recolher contribuições previdenciárias no percentual de 15%, incidentes sobre as faturas ou notas fiscais emitidas em decorrência de serviço prestados por intermédio das cooperativas de trabalho. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 37169.001007/200711 Acórdão n.º 2803003.249 S2TE03 Fl. 560 9 DA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA SOBRE SERVIÇOS DE COOPERATIVA MÉDICA 21. Quanto à questão da incidência sobre serviços de cooperativa médica, o então relator do processo baixou os autos em diligência para que a fiscalização esclarecesse se os valores transferidos da recorrente à UNIMED foram arcados efetivamente pela autuada, ou agiu apenas como uma repassadora de recursos descontados de seus segurados, ou atuou de forma mista, tendo a contribuição patronal e mais as descontadas dos segurados. 22. Em atendimento a diligência requerida no bojo deste processo a autoridade administrativa respondeu que: (fl. 408). “Item 12. Em conclusão ao solicitado, temos: a) O contrato foi firmado entre a ITANORTE e UNIMED, sendo a participação de fato dos empregados descontada em folha de pagamento, conforme a coluna VALOR DA PARTICIPAÇÃO DESCONTADA EM FOLHA DE PAGAMENTO DOS EMPREGADOS (Planilha fls. 407); b) As faturas da UNIMED foram emitidas contra a empresa ITANORTE, conforme a coluna VALORES LANÇADOS NA CONTA 3.2.1.5.05 – UNIMED/SAÚDE BRADESCO (REPASSADOS A UNIMED), da planilha de fls. 407; c) O valor mensal das parcelas pelos serviços prestados foram repassados em sua totalidade a UNIMED por ITANORTE, não havendo individualização por trabalhador.” 23. Cingese a controvérsia dos autos em apurar se a recorrente deveria ter recolhido aos cofres públicos a retenção de 15% sobre o valor da fatura de cooperativa médica, firmado com a UNIMED, para prestação de serviços médicos e hospitalares. 24. Fundamentouse o lançamento fiscal no art. 22, inc. IV da Lei nº 8.212/91 que prevê que a contribuição a cargo da empresa, seria de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, in verbis: "Art. 22.A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (Vide Lei nº 9.317, de 05 de Dezembro de 1996) (...). IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 26 de Novembro de 1999)." Fl. 497DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 37169.001007/200711 Acórdão n.º 2803003.249 S2TE03 Fl. 561 10 25. No entanto, entendo que no caso específico das cooperativas médicas de trabalho, em que estas são meras intermediárias nos serviços médicos prestados por seus cooperados, não estão sujeitas à incidência de contribuição previdenciária prevista no inciso IV do art. 22, da Lei nº 8.212/91, pelos argumentos que irei expor adiante. 26. Não obstante a previsão do artigo mencionado, ressaltese que a referida lei não definiu o conceito de cooperativa de trabalho em nenhum dos seus dispositivos. Tal definição ficou a cargo a Lei nº 12.690/11 que consolidou o conceito de cooperativa de trabalho para todos os fins de direito, e, ao trazer essa delimitação conceitual, a referida norma exclui do rol das cooperativas de trabalho aquelas destinadas à assistência a saúde e que operam planos de saúde na forma da legislação de saúde complementar. "LEI Nº 12.690, DE 19 DE JULHO DE 2012. Dispõe sobre a organização e o funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei no 5.452, de 1o de maio de 1943. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO Art. 1o A Cooperativa de Trabalho é regulada por esta Lei e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único. Estão excluídas do âmbito desta Lei: I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. Art. 2o Considerase Cooperativa de Trabalho a sociedade constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades laborativas ou profissionais com proveito comum, autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação, renda, situação socioeconômica e condições gerais de trabalho. (grifei)." 27. A sistemática em debate é simples. Ora, a cooperativa operadora de planos de saúde não presta serviços de saúde, mas de organização de sistema de custeio para demandas de serviços de saúde dos usuários dos planos com a exclusiva finalidade de garantir Fl. 498DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 37169.001007/200711 Acórdão n.º 2803003.249 S2TE03 Fl. 562 11 demanda de serviços médicos prestados por seus sócios. Concluise: o plano é apenas um sistema de cobertura financeira dos custos dos serviços. 28. A cooperativa médica apenas estrutura tal atividade com o objetivo de criar um fluxo constante e estável de demandas de serviços médicos, para seus sócios por meio do direcionamento do atendimento a rede formada por estes. Ao passo que o cooperado, por sua vez, presta o serviço médico e recolhe seus tributos no âmbito de seu consultório na forma da legislação. 29. Todavia, em que pese a IN 971/09 ter se equivocado quanto a classificação das cooperativas operadoras de planos de saúde na condição de cooperativa de trabalho – pelo fato destas cooperativas não serem de trabalho –, ela acertou na exclusão das operações de intercambio, pois, incluir tal operação como base de calculo desta contribuição seria um erro. 30. O intercâmbio ocorre no momento em que um cliente de uma cooperativa operadora de plano de saúde é atendido pelo sócio de outra cooperativa operadora de planos de saúde integrante de um mesmo sistema. Sendo assim, ainda que se admitisse que tal cooperativa fosse de trabalho, ao cobrar no intercambio tributarseia duas vezes sobre a mesma operação, pois a retenção dos valores devidos já teria sido recolhida pela usuária no ato do pagamento do plano. 31. Assim, pela inadequação das cooperativas de saúde suplementar ao conceito de cooperativa de trabalho na forma prevista na Lei nº 12.690/12, reiterese, não há incidência dos 15% de INSS previstos no Art. 22, IV da Lei nº 8.212/91. 32. Destaco ainda que, tais cooperativas nunca foram cooperativas de trabalho e a Lei nº 12.690/12 não alterou o conceito e nem a realidade do que vem a ser uma cooperativa de trabalho, apenas declarou com força normativa uma situação fática. 33. Ademais, para tal análise, ainda que sumária, ela deve ser feita sob o enfoque da regra matriz de incidência, a qual, como norma jurídica de comportamento, regula ou disciplina a conduta do sujeito passivo, portanto, devedor da prestação fiscal, perante o credor desta mesma prestação. 34. A regra matriz de incidência ou norma tributária, de acordo com a melhor doutrina, é formada classicamente por dois termos, a saber: antecedente e consequente, sendo o primeiro o descritor da norma que anunciam os critérios para reconhecimento do fato, critérios estes o material, onde necessariamente há de fazer referência a um comportamento da pessoa física ou jurídica, invariavelmente ligado um verbo, e, o espacial e temporal. Já no segundo termo consequente da norma – têmse os dados necessários ao estabelecimento do vínculo jurídico, possibilitando com isso o reconhecimento dos sujeitos envolvidos na relação obrigacional tributária e evidenciação do objeto que é o comportamento imposto pela norma. É no consequente, portanto, onde se identifica, dentre outros aspectos, o pessoal ou a sujeição passiva da relação jurídica tributária. 35. Advirtase que, para o surgimento da obrigação tributária em análise, primeiro há que se constatar a ocorrência do fato previsto hipoteticamente na norma veiculada no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, sendo que a aplicabilidade dessa norma deve se dar de forma inteira, assim considerada em todos os seus critérios (1) material, (2) temporal, (3) espacial, (4) e quantitativo, assumindo relevo, no caso, os aspectos material e pessoal. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 37169.001007/200711 Acórdão n.º 2803003.249 S2TE03 Fl. 563 12 36. Dito isto, para melhor compreensão passo a decompor a regra matriz de incidência prescrita no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, quais sejam: (I) Critério material: ser tomador de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho; (parte final do inc. IV, do art. 22). (II) Critério espacial: território nacional. (III) Critério temporal: a contribuição incidirá sobre os valores pagos ou creditados, a cada mês, a cooperativa de trabalho, a título de remuneração, conforme nota fiscal ou fatura de prestação de serviços decorrente das obrigações indicadas no aspecto material (parte inicial do inc. IV, do art. 22). (IV) Critério pessoal: sujeito ativo é a União; sujeito passivo é a empresa que tomar os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (V) Critério quantitativo: a base de cálculo é o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços pagos, a cada mês, a cooperativa de trabalho; a alíquota é de 15%. 37. Da decomposição da regra matriz de incidência, conforme item precedente inferese que não ocorrendo o fato jurídico ou critério material ser tomador de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho – não há o que se falar em nascimento da relação jurídica tributária. 38. Vejase que, conjugandose os critérios material e pessoal, por via de consequência estará sujeito ao cumprimento da obrigação tributária apenas aquele em que a lei o determine como sujeito passivo ou substituto na relação jurídica tributária. 39. Ainda, apenas para facilitar a compreensão, aqui lembro que no caso das empresas que, formalmente, contratam serviços das cooperativas de saúde UNIMED, em muito se assemelham ao papel que fazem as estipulantes de apólices de seguro coletivo para seus empregados, onde, embora formalmente exista um contrato de seguro entre elas e as seguradoras, em realidade são meras intermediárias, pois, num caso concreto de sinistro todo o proveito econômico quem usufrui são os endossantes dessa mesma apólice e não a estipulante. 40. Digo isto porque nos casos de planos de saúde contratados pelas empresas em benefícios de seus empregados, dentre outras possibilidades, poderiam tais serviços serem disponibilizados por intermédio de uma administradora (geralmente não possuem rede própria, credenciada ou referenciada de serviços médicohospitalares, por exemplo), cooperativa médica ou mesmo por meio de apólice de seguro saúde, emitida exclusivamente por seguradora. 41. Notese que, independentemente de serem os serviços de saúde disponibilizados para empregados por esses ou outros meios, percebese que o papel da empresa empregadora é sempre de mera intermediária, não sendo ela a tomadora dos serviços e sim os seus empregados. 42. Assim, do acima exposto, quer sob o enfoque do critério material, quer sob o ângulo do critério pessoal, entendo que assiste razão à recorrente, uma vez que se trata o presente caso de serviços prestados por cooperados de cooperativa de saúde, a qual legalmente Fl. 500DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 37169.001007/200711 Acórdão n.º 2803003.249 S2TE03 Fl. 564 13 não é considerada como de trabalho, não ocorrendo, portanto, a hipótese de incidência tributária da contribuição prevista no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91. CONCLUSÃO 43. dado o exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe parcial provimento, para decotar do lançamento os valores referentes aos serviços de cooperativa médica, nos termos acima delineados. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 5/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10660.902199/2012-34
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 21 99 /2 01 2- 34 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.902199/201234 Acórdão n.º 3803006.012 S3TE03 Fl. 146 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 519.265,70. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.902199/201234 Acórdão n.º 3803006.012 S3TE03 Fl. 147 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.902199/201234 Acórdão n.º 3803006.012 S3TE03 Fl. 148 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.902199/201234 Acórdão n.º 3803006.012 S3TE03 Fl. 149 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001969/2010-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização
RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
Com a revogação do artigo 291 do Decreto 3.048 (Regulamento da Previdência Social), pelo qual havia a possibilidade de relação da multa aplicada, extinguiu-se a autorização legal para a relevação da multa.
Apresentar os documentos após encerrada a fiscalização, junto da impugnação, totalmente fora do momento e do ambiente da fiscalização, não caracteriza a correção da falta.
Numero da decisão: 2403-002.595
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Com a revogação do artigo 291 do Decreto 3.048 (Regulamento da Previdência Social), pelo qual havia a possibilidade de relação da multa aplicada, extinguiu-se a autorização legal para a relevação da multa. Apresentar os documentos após encerrada a fiscalização, junto da impugnação, totalmente fora do momento e do ambiente da fiscalização, não caracteriza a correção da falta.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Com a revogação do artigo 291 do Decreto 3.048 (Regulamento da Previdência Social), pelo qual havia a possibilidade de relação da multa aplicada, extinguiuse a autorização legal para a relevação da multa. Apresentar os documentos após encerrada a fiscalização, junto da impugnação, totalmente fora do momento e do ambiente da fiscalização, não caracteriza a correção da falta. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 19 69 /2 01 0- 15 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001969/201015 Acórdão n.º 2403002.595 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0230.931 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS A FISCALIZAÇÃO. SIMPLES. FATO IMPEDITIVO INEXISTENTE. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. MULTA. Deixar de exibir documentos relacionados com Contribuições Previdenciárias a Fiscalização constitui infração à legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de Auto de Infração lavrado pela Fiscalização contra o contribuinte SONIA DE JESUS SANTOS ME, por descumprimento ao disposto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, artigo 33, §§ 2° e 3°, com a redação dada à época pela MP n° 449, de 04/12/2008 (convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009) combinado com disposto no Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, artigo 233, parágrafo único. Especificamente, conforme Relatório Fiscal da Infração (fl. 04), o contribuinte, apesar de intimado por meio do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal (fls. 07/08) por via postal no dia 18/06/2010 (conforme cópia de Aviso de Recebimento à fl. 09), deixou de apresentar as Folhas de Pagamento referentes às competências de 05/2007, 06/2007, 09/2007 e 11/2007. Segundo consta no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 05), em decorrência da infração cometida, foi aplicada multa no valor de R$ 14.317,78, calculada da forma prevista na Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102 e no Regulamento da Previdência Social —RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, artigo 283, inciso II, alínea "j" e artigo 373. 0 valor da multa foi atualizado Fl. 183DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 conforme Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 29/06/2010. Consta ainda que não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigo 290. A ação fiscal foi precedida do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal TIPF (fls. 07/08), do qual foi dada ciência ao contribuinte por via postal no dia 18/06/2010 (conforme cópia de Aviso de Recebimento — AR à fl. 09). A documentação para realização do Procedimento Fiscal foi solicitada por meio do mencionado TIPF. Cientificada do presente auto em 02/09/2010 (conforme assinatura à fl. 01), a empresa autuada apresentou defesa em 01/10/2010 (fls. 15/18), na qual, basicamente, alega: que tem por objeto social a prestação de serviços na agricultura como atividades de preparo de terreno, cultivo e colheita; que "(...) quando da solicitação de referido documento a contribuinte não teve tempo hábil para reunir todos os documentos solicitados para a fiscalização"; que findo o prazo foram entregues os documentos levantados até então solicitou prazo suplementar para apresentação das Folhas de Pagamento de todos os segurados, o que não foi outorgado pelo Fiscal; que requer ajuntada das referidas Folhas de Pagamento; que este AI lavrado sob a fundamentação da falta de documento como exigência de obrigação acessória, deve ser elidido quando o contribuinte demonstra a existência do mesmo antes do inicio da ação fiscalizadora; que conforme o Decreto 3.048, em seu artigo 291, ante a apresentação das folhas de pagamento de todos os segurados há que se caracterizar a "elisão" da infração administrativa; que deve ser aplicada a atenuante da penalidade de infração administrativa; que a impugnante sempre teve em seu poder o referido documento de obrigação acessória mas não teve tempo hábil para entregar; que requer a total improcedência do presente Auto de Infração e o seu cancelamento. Por ocasião da impugnação o Sujeito Passivo juntou cópias de documentos (fls. 19/160), dentre as quais: cópia de Requerimento de Empresário, protocolado na Junta Comercial em 03/03/2006 relativo ao sujeito passivo (fl. 19/20) e; Fl. 184DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001969/201015 Acórdão n.º 2403002.595 S2C4T3 Fl. 4 5 cópia de documento denominado Relação de Documentos Entregues na Receita Federal (fls. 22/24) , na qual consta a ausência de algumas Folhas de Pagamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Findo o prazo para a apresentação de todos os documentos ao Sr. Fiscal, foram entregues os documentos levantados pela contribuinte e conforme carta anexa, solicitou prazo suplementar para a apresentação das folhas de pagamento de todos os segurados referente aos meses de maio, junho, setembro e novembro de 2007, que sequer foi apreciado pelo Sr. Fiscal ou pelo acórdão ora recorrido. · Tal prazo não foi outorgado pelo Sr. Agente Fiscal, lavrando de imediato o presente auto de infração. · A aplicação de penalidade fora dos padrões estabelecidos nos artigos supra transcritos é ilegal, portanto, a multa no valor de R$ 14.317,78 não corresponde aos ditames da norma que rege a espécie. · Equivocada, portanto, a mensuração da multa aplicada no autos de infração e mantida pelo acórdão recorrido, posto que, se assim for mantida referida penalidade, a mensuração da mesma deve ser efetuada com base nos artigos supra transcritos, cuja base mínima é de R$ R$ 6.361,73. · Ante a apresentação das folhas de pagamento de todos os segurados, conforme as cópia anexadas aos autos, há de se caracterizar a elisão da infração administrativa, suprindo desta forma o descumprimento da obrigação acessória. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Segundo o Relatório Fiscal da Infração, a empresa, apesar de intimada por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 07/08) por via postal no dia 18/06/2010 (conforme cópia de Aviso de Recebimento fl. 09), deixou de apresentar as Folhas de Pagamento à Fiscalização durante o procedimento Fiscal. a A empresa está sendo autuada por Infringir o disposto na Lei no 8.212 de 24/07/1991, art. 33, §§ 20 e 30 , com redação da MP 449 DE 03/12/2008, convertida na Lei 11.941 de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, § único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999, uma vez que deixou de apresentar os documentos relacionados no Termo de Inicio de Procedimento Fiscal datado de 11/06/2010. b Deixou de apresentar os seguintes documentos à fiscalização: Folhas de pagamento de todos os segurados referente aos meses de maio, junho, setembro e novembro de 2007; c A empresa está localizada em outro município distante da sede da DRF/GVS, por este motivo o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF de 11/06/2010, relativo ao MPF no 0610300.2010.00238, foi enviado por via postal para o endereço da empresa pelo AR recebido em 18/06/2010 por Leudiane da C. Silva. O Auto de Infração foi lavrado em 23/08/2010 (folha 1). A recorrente afirma que solicitou prorrogação do prazo para apresentar as folhas de pagamento dos meses maio, junho, setembro e novembro de 2007. Está comprovado que transcorreu um prazo maior que 2 meses (18/06 a 23/08) entre a intimação para apresentar os documentos e a lavratura do Auto de Infração e que nesse tempo os documentos não foram apresentados. Entendo caracterizada a infração e correta a aplicação da multa. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001969/201015 Acórdão n.º 2403002.595 S2C4T3 Fl. 5 7 Para a questão do valor da multa, registra o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa que o valor previsto nas normas foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 333 de 29/06/2010. a A multa aplicável é a prevista no art. 283, Inciso II, alínea J e art. 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999 e Lei no 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102. Em decorrência da infração praticada aplico a multa de R$ 14.317,78 (quatorze mil, trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos), atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF no 333 de 29/06/2010. b Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99 e nem as atenuantes previstas no art. 291 do mesmo. Entendo correto o valor da multa. Quanto à elisão da infração pela apresentação dos documentos na fase de impugnação, entendo que as alegações não procedem. A ciência da autuação ocorreu em 02/09/2010 (conforme assinatura fl. 01). O Decreto 6.727, de 12/01/2009 revogou o artigo 291 do RPS, pelo qual havia a possibilidade de relação da multa aplicada e o inciso V do artigo 292 que ensejava a atenuação da multa. .Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação.(Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007)(Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante.(Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007)(Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento.(Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 )§3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366.§3oDa decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366.(Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007)(Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Portanto, a base legal para pleitear a relevação da multa não mais vigorava quando da aplicação da multa. Também entendo que a autuação foi por não apresentar documentos para a fiscalização da empresa. Apresentar os documentos após encerrada a fiscalização, junto da impugnação, totalmente fora do momento e do ambiente da fiscalização, não caracteriza a correção da falta. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 188DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10680.012434/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 28/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 24 34 /2 00 8- 60 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012434/200860 Acórdão n.º 2102002.778 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 40 a 44: Tratase de Notificação de Lançamento lavrada contra o contribuinte acima identificado, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, ano calendário 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar de R$6.331,88, multa de ofício e juros de mora calculados até agosto de 2008, totalizando R$12.833,45. O lançamento reportase aos dados informados na declaração de ajuste anual do interessado, fls. 31 a 34, entre os quais foi glosado o valor de dedução de despesas médicas de R$23.025,00. A autoridade lançadora esclarece na complementação da descrição dos fatos que, esgotado o prazo de 30 dias concedido a partir de 14/03/2008, o contribuinte não apresentou os comprovantes das despesas médicas bem como do seu efetivo pagamento nos termos da intimação fiscal expedida e conforme orientado no plantão fiscal na mesma data. Cientificado do lançamento em 20/08/2008, o contribuinte apresenta a impugnação de fls. 02/06 em 24/09/2008, instruída com as cópias de documentos de fls. 07/25, onde alega, em síntese o que se segue. Sustenta que informou corretamente suas deduções médicas com base no art. 80 do Decreto 3.000/1999. Diz que encontramse em anexos os recibos dos prestadores de serviço da área de saúde com os quais fez contrato de execução continuada, cujo montante corresponde a R$14.800,00. Afirma que se ainda assim pairarem dúvidas, deve ser examinado o extrato bancário do ano base de 2003, que comprovará a harmonia dos valores descritos com aqueles que saíram de seu patrimônio. Alega que, a despeito dos recibos apresentados não obedecerem na totalidade aos requisitos do inciso III, do § 1º, do art. 80 do Decreto 3.000/1999, esses devem ser acatados com base no princípio da razoabilidade. Aduz que os esclarecimentos faltantes, isto é, os endereços completos dos credores e o CPF da psicóloga, estão anexos a este recurso. Considera, assim, que os recibos devem ser acatados frente à disponibilização da totalidade de informações, que auxiliará na constatação da realidade das afirmações. Ressalta que procurou resolver as pendência junto à Fazenda em abril de 2008, o que demonstra sua boafé. Requer o acolhimento da impugnação a fim de que o débito tributário seja recalculado, levandose em apreço a comprovação dos dispêndios em saúde, a produção de todas as provas admitidas em Direito e a intimação dos atos processuais no endereço do advogado que subscreve a petição, à Avenida Augusto de Lima, nº 46/1703, Belo Horizonte —MG. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012434/200860 Acórdão n.º 2102002.778 S2C1T2 Fl. 4 3 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhados de provas suficientes, para desconstituir as glosas que embasaram o lançamento,resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 50/51, insistindo que os recibos apresentados são aptos para a atestar que houve a transferência do dinheiro nos termos do Código Civil, art. 319, complementa dizendo que na época não podia utilizar talões de cheques e que os pagamentos foram feitos com saques em dinheiro cujos extratos, já requeridos junto á instituição bancária, serão anexados ao processo tão logo disponíveis. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Discutese as glosas das despesas médicas no valor de R$23.025,00 representadas por todas as despesas médicas constantes da declaração do contribuinte, vide a tabela a seguir. Vany Ferreira de Azevedo Otoni – Ter. Ocupacional R$6.000,00 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012434/200860 Acórdão n.º 2102002.778 S2C1T2 Fl. 5 4 Evelina Torres Starling Psicóloga R$8.000,00 Iracema Maria da silva Melo R$3.000,00 Fernanda Bernardes Ribeiro R$2.000,00 Beatriz Camargos Sobel R$ 4.025,00 Total R$23.025,00. Às fls. 08 da autuação, foram apontadas as razões que fundamentaram as glosas. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie sem comprovação de qualquer pagamento; Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012434/200860 Acórdão n.º 2102002.778 S2C1T2 Fl. 6 5 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, p.ex. no caso da edição de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie; 6. houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Por tudo, não há qualquer dúvida que o contribuinte se enquadrou na tipologia 1, na tipologia 2 (todas despesas quitadas em espécie sem nenhuma comprovação de pagamento) e na tipologia 5 (30/01/2003domingo fl. 12). Além do mais, o contribuinte apresentou apenas os recibos relativos as profissionais Vany Ferreira de Azevedo Otoni – Terapeuta Ocupacional e Evelina Torres Starling Psicóloga, sendo que os mesmos foram apresentados inicialmente sem os requisitos exigidos na legislação. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Entendo que diante dos fatos narrados, a apresentação das declarações e radiografias sem nenhuma comprovação de pagamento não traz a substância de prova que se procura. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. A opção pelo pagamento em espécie, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Ressalto que o contribuinte declarou somente fontes de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, que preferencialmente fazem os seus pagamentos via contas bancárias, em função de controle contábil, não seria, assim, difícil de se fazer a prova dos pagamentos seja por cheques, transferências bancárias ou saques com datas e valores coincidentes dos pagamentos das deduções pleiteadas. Ainda, aceitável se não fosse possível a prova de todos pagamentos mas de alguns pagamentos pelo menos, contudo, no presente caso, Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012434/200860 Acórdão n.º 2102002.778 S2C1T2 Fl. 7 6 nenhum pagamento foi efetivamente comprovado. Houve uma promessa do interessado que seriam apresentados extratos mas até o momento não foi feito. Considerando o exposto acima, há que se manter a glosa da dedução de despesas médicas em apreço. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10880.944098/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/10/1999
DCOMP. COMPENSAÇÃO. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
Tendo o contribuinte informado DARF inexistente e, intimado pela RFB, não atende à intimação, há que se ratificar a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada.
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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COMPENSAÇÃO. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Tendo o contribuinte informado DARF inexistente e, intimado pela RFB, não atende à intimação, há que se ratificar a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 40 98 /2 00 8- 60 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944098/200860 Acórdão n.º 3302002.629 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 14/05/2004 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 048426), pleiteando a restituição/compensação no valor original de R$ 971.713,91, relativo a COFINS tida como paga indevidamente no dia 15/10/1999, através de DARF no valor de R$ 1.268.056,42, relativo ao PA 09/99. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. Em conseqüência, no dia 28/03/2008, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO foi intimada a sanar a irregularidade, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO nº 754679700. A empresa Recorrente não atendeu à intimação. Na DCTF Original entregue à RFB, a Empresa Recorrente vinculou ao débito da Cofins do PA 09/99 (R$ 10.154.319,21) um único DARF de mesmo valor do débito, pago no dia 15/10/99. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou o pagamento e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 05/12/2003 a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 3º Trimestre de 1999, para alterar a forma de extinção do referido débito da COFINS do PA de 09/99, no valor de R$ 10.154.319,21. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 3.804.373,21 por compensação com parte do pagamento da COFINS do PA 01/96, que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 6.349.946,00 com a utilização parcial do pagamento de R$ 10.154.319,21, efetuado no dia 15/10/99. Com a utilização parcial do pagamento de R$ 10.154.319,21, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 3.804.373,21 passível de restituição ou compensação e é exatamente parte desse o crédito (R$ 971.713,91) que está sendo pleiteado neste processo. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944098/200860 Acórdão n.º 3302002.629 S3C3T2 Fl. 4 3 Por meio do Despacho Decisório nº 795093962, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o DARF indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 685.059,08, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de COFINS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 30/09/1999, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em setembro de 1999, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de COFINS, no montante de R$ 3.804.373,21, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 10.154.319,21, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Declara que, efetuada compensação de parte deste crédito por meio de outras PER/DCOMP’s, lhe teria restado saldo no valor de R$ 1.268.056,42. Menciona, ainda, que, a fim de operacionalizar a compensação do débito ora exigido, procedeu à entrega da PER/DCOMP 21867.74824.150604.1.3.046865, demonstrando o referido crédito e sua utilização parcial. Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o fundamento de que não teria sido confirmada a existência do crédito informado no PER/DCOMP, pois não teria sido localizado o DARF no valor de R$ 1.268.056,42, e concluindo que não restariam créditos disponíveis para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria seu crédito proveniente de DARF, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944098/200860 Acórdão n.º 3302002.629 S3C3T2 Fl. 5 4 devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1635.990, de 02/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/10/1999 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Diante da confirmação da inexistência do DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) informado na declaração de compensação, impõese ratificar os termos da decisão administrativa que não reconheceu direito creditório tipificado na qualidade de pagamento indevido ou a maior, bem como manter os efeitos legais decorrentes da nãohomologação da compensação declarada. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 05/06/2013, com recurso voluntário, no qual defende que o DARF informado no PER/DCOMP é o mesmo utilizado para quitar o débito do PA 10/99 apurado na DCTF Original, posto que o valor do principal coincide com o informado no PER/DCOMP, tendo ocorrido erro no preenchimento do PER/DCOMP, passível de retificação. Cita decisões do 1º Conselho de Contribuintes e da CSRF. Por entender importante, a Recorrente tece alguns comentários sobre o prazo prescricional para pleitear restituição, posto que a DCTF retificadora do 4º trimestre de 1999, Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944098/200860 Acórdão n.º 3302002.629 S3C3T2 Fl. 6 5 transmitida em 2003, se utilizou de créditos de períodos compreendidos entre 1994 e 1996, para concluir que o prazo para a propositura de ação de repetição de indébito é de 10 (dez) anos a contar do fato gerador e que a Lei Complementar nº 118/2005 aplicase unicamente os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de setembro de 1999. O pagamento informado no PER/DCOMP ocorreu no dia 15/10/1999, no valor original de R$ 1.268.056,42. O DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB, razão pela qual o pedido foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada. Pelas alegações da Recorrente, o crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 05/12/2003 (data da apresentação da DCTF Retificadora), do pagamento feito no dia 15/10/1999, no valor original de R$ 10.154.319,21, existindo R$ 6.349.946,00 passível de restituição ou compensação. A decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a não confirmação da existência do crédito informado, tendo em vista a não localização, nos sistemas da Receita Federal, do DARF discriminado na DCOMP. Ressaltese que o sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, se condiciona à comprovação da liquidez e certeza do crédito, nos termos do artigo 170, caput do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir transcrito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal como documental. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifos nossos) Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944098/200860 Acórdão n.º 3302002.629 S3C3T2 Fl. 7 6 Cabe observar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a conseqüente extinção dos débitos vinculados. E, invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso em tela, temse que o contribuinte declarou débitos de PIS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão, que aponta como causa da não homologação da compensação o fato de não ter sido localizado o pagamento indicado na DCOMP como origem do crédito. É de se destacar, ainda, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, antes da emissão do referido Despacho Decisório, de 07/10/2008, o contribuinte, por meio do Termo de Intimação com n.º de rastreamento 754679700, foi informado da não localização do DARF discriminado na DCOMP 16433.49164.140504.1.3.048426 e intimado, em 04/04/2008, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados na DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado, na mesma oportunidade, que a conseqüência da falta de saneamento no prazo concedido poderia acarretar o indeferimento/não homologação da DCOMP. Cumpre registrar, aqui, que a DCOMP 21867.74824.150604.1.3.046865, citada pela empresa, em sua manifestação de inconformidade, não é objeto deste processo administrativo. Cabe salientar, também, que a cópia do DARF que a empresa anexa, em sua manifestação de inconformidade, no valor total de R$ 10.154.319,21, não corresponde àquele informado na DCOMP objeto do Despacho Decisório. Ressaltese, assim, que a empresa não trouxe aos autos nada que conseguisse demonstrar a existência do DARF indicado em sua DCOMP. Deste modo, temse que o contribuinte não conseguiu comprovar, aqui, a existência de indébito tributário, sendo que o DARF informado na DCOMP, que poderia, eventualmente, demonstrar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior, gerandolhe crédito, não foi localizado, e ele, quando intimado a sanar tal irregularidade, não o fez, daí decorrendo a não homologação da compensação declarada. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944098/200860 Acórdão n.º 3302002.629 S3C3T2 Fl. 8 7 Ao contrário do alegado, aqui não se trata de erro material porque a Recorrente, intimada da não localização do DARF informado no PER/DCOMP poderia ter retificadoo. Se não atendeu à intimação do Fisco, é porque entendeu que tinha razão e, nesta hipótese, correta a decisão da Autoridade da RFB de indeferir o pleito. Pelo modus operandi constante dos outros processos em julgamento nesta Sessão de Julgamento (P. ex. 10880.915845/200852), também de interesse da Recorrente, mesmo que este Colegiado admita a existência de erro material, passível de retificação, ainda assim não merece prosperar o recurso em julgamento. Isto porque, ao contrário do argüido pela Recorrente, o caso em tela não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte, escriturada em sua contabilidade e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Federal a compensação que diz ter realizado 05/12/2003 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em outubro de 1999. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 15/10/1999 (data do vencimento da COFINS do PA 09/99), e que naquela data era possível efetuar a compensação de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu aqui também foi mero erro de forma. É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática o Contribuinte estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS de 01/96 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 09/99. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de outubro de 1999, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu pagamento indevido da COFINS de 01/96, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de COFINS do PA 09/99. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 09/99 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E naquela data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944098/200860 Acórdão n.º 3302002.629 S3C3T2 Fl. 9 8 Portanto, o DARF estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944098/200860 Acórdão n.º 3302002.629 S3C3T2 Fl. 10 9 Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10380.915589/2009-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declaração de Compensação de que indica como crédito o saldo credor de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado no 1º trimestre de 2008 (fl. 2/27). A Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE indeferiu a solicitação, por meio do Despacho Decisório Eletrônico (fls. 2829). O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 15 58 9/ 20 09 -1 5 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.915589/200915 Resolução nº 3403000.564 S3C4T3 Fl. 153 2 Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 31/57) explicando que a suposta falta de saldo credor suficiente para a compensação teria decorrido do surgimento de débitos em decorrência de procedimento fiscal, no qual a Fiscalização entendera pela existência de erro na classificação fiscal em parte dos produtos fabricados pelo contribuinte. Alega o contribuinte que o Despacho Decisório seria conseqüência de informação fiscal que teria concluído o seguinte (fl. 32): "A empresa fabrica placas e fitas de mica, que são vendidas para outras indústrias e se destinam a promover o isolamento elétrico de geradores, motores e equipamentos elétricos em geral. O estabelecimento tem adotado a classificação fiscal 6814.10.00 para os produtos PAPEL DE MICA CALCINADO. PAPEL DE MICA NÃO CALCINADO FITA A BASE DE MICA SISAPOR. FITA A BASE DE MICA SISAFLEX E SISATERM, PLACA COLETORA A BASE DE MICA e PLACA DE CALEFAÇÃO A BASE DE MICA, em desacordo com a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM/SH). no entendimento da fiscalização desta DRF'/FORTALEZA, resultando em recolhimento de IPI menor que o efetivamente devido. Em função da adoção de classificação fiscal errada em parte de seus produtos, a empresa foi autuada no período compreendido entre janeiro de 2006 e dezembro de 2008, tendo sido apurados os débitos listados na planilha de recomposição da escrita fiscal em anexo, que é parte integrante do Auto de Infração protocolizado através do processo digital nº 10380.720904/201061." O contribuinte sustenta a correção da classificação fiscal que adotou e pede, ao final, o reconhecimento do seu direito de crédito pela integralidade do que pleiteou. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA (DRJ), por meio do Acórdão nº 0123.583, de 22 de novembro de 2011 (fls. 74/77), julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme o seguinte entendimento resumido na sua ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação apresentados pelo sujeito passivo podem ser homologados no exato limite do direito creditório comprovado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 153DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.915589/200915 Resolução nº 3403000.564 S3C4T3 Fl. 154 3 O inteiro teor do voto condutor do acórdão da DRJ, em relação ao mérito, foi o seguinte: Primeiramente, esclareçase que o julgamento do presente processo depende da decisão do processo digital de nº 10380.720904/201061. Como se pode observar pela informação fiscal, não houve glosa de valores referentes ao crédito de insumos. Ora, constatouse que o valor de crédito reconhecido é inferior ao crédito solicitado, em razão de débitos apurados mediante auto de infração constante do processo acima mencionado, o qual foi contestado pela empresa com a apresentação de impugnação tempestiva. As razões aduzidas pela interessada, em sua defesa, foram devidamente analisadas e julgadas pela 3ª Turma da DRJ/Belém, que considerou improcedente a citada impugnação, mantendo o lançamento do Imposto, conforme Acórdão nº 0123.577, de 22.11.2011. Registrese que a controvérsia, dirimida pelo Acórdão acima, se estabeleceu em relação a classificação fiscal. Segundo o entendimento do Auditor responsável pela autuação, o estabelecimento adotou a posição 6814.10.00 para os produtos PAPEL DE MICA CALCINADO, PAPEL DE MICA NÃO CALCINADO, FITA A BASE DE MICA SISAPOR, FITA A BASE DE MICA SISAFLEX E SISATERM, PLACA COLETORA A BASE DE MICA e PLACA DE CALEFAÇÃO A BASE DE MICA, em desacordo com a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM/SH), resultando em recolhimento de IPI menor que o efetivamente devido. A contribuinte, em sua manifestação, não alude a outros argumentos ao presente processo, limitandose a defenderse dos débitos que lhe foram imputados em conseqüência de classificação de bens por ela produzidos. Assim, não há reparos a fazer no Despacho Decisório. Conclusão Dessa forma, considerando a relação de dependência existente entre os julgados, votase pela improcedência da manifestação de inconformidade. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 79/148) reiterando os mesmos fundamentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 08/05/2012 (fl. 79), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 11/04/2012 (fl. 78). Por ser tempestivo e por conter fundamentos de reforma contra o acórdão da DRJ, conheço do recurso. Verificase que a determinação do valor do saldo credor de IPI – da qual dependerá a conclusão quanto à suficiência de créditos para serem compensados com os Fl. 154DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.915589/200915 Resolução nº 3403000.564 S3C4T3 Fl. 155 4 débitos indicados pelo contribuinte na DCOMP discutida neste caso – dependerá do desfecho da discussão quanto aos fundamentos da classificação fiscal, cujo procedimento de fiscalização se originou no Processo Administrativo nº 10380.720904/201061, no qual ocorreu o lançamento fiscal. Isto, pelo menos, é o que se extrai do consenso entre o contribuinte e o julgador da DRJ, visto que, concretamente, não verifico nos autos qualquer documento que vincule o Despacho Decisório ao referido fundamento específico de erro de classificação fiscal. Mais: não verifico nestes autos nem mesmo a cópia da “informação fiscal” cujo teor é citado pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, muito menos dos documentos e da fundamentação completa que levou a Fiscalização a concluir pelo erro na classificação. Diante deste contexto da instrução do presente processo, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem verifique se o PA nº 10380.720904/201061 de fato envolve a fiscalização e a discussão a respeito do erro de classificação fiscal e se de fato repercute em relação ao presente pedido de compensação, bem como, certifique se a integralidade dos valores glosados decorre exclusivamente desta glosa; e em caso afirmativo, que apenas depois do julgamento final do PA nº 10380.720904/201061 (quando já não houver recurso administrativo cabível), seja juntada cópia integral daqueles autos ao presente processo, devolvendose o presente processo para julgamento. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 155DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720261/2009-66
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE.
O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente a questão ventilada.
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP.
IRPF. VERBAS ISENTAS E TRIBUTADAS EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. DOCUMENTOS EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA COM INFORMAÇÕES DIFERENTES. ÔNUS DO RECORRENTE DE PROVAR SUAS ALEGAÇÕES. PREVALÊNCIA DE DOCUMENTO CONFORME ANÁLISE DOS AUTOS. PLEITO RECURSAL NÃO ATENDIDO.
Cabe ao recorrente provas suas alegações. Ao juntar aos autos documento emitido pela fonte pagadora que contradiz outro de mesma origem, o recorrente tem o ônus de justificar a discrepância. Indefere-se o pleito com base em análise comparativa de ambos os documentos que deu prevalência ao documento original em razão das deficiência do segundo.
MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
TRIBUTAÇÃO DE VERBAS REMUNERATÓRIAS. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Reputado que as verbas são remuneratórias e que o lançamento tem amparo em lei, não cabe ao CARF aferir inconstitucionalidade.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2802-002.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE. O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente a questão ventilada. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça - STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ no RESP 1.118.429/SP. IRPF. VERBAS ISENTAS E TRIBUTADAS EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. DOCUMENTOS EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA COM INFORMAÇÕES DIFERENTES. ÔNUS DO RECORRENTE DE PROVAR SUAS ALEGAÇÕES. PREVALÊNCIA DE DOCUMENTO CONFORME ANÁLISE DOS AUTOS. PLEITO RECURSAL NÃO ATENDIDO. Cabe ao recorrente provas suas alegações. Ao juntar aos autos documento emitido pela fonte pagadora que contradiz outro de mesma origem, o recorrente tem o ônus de justificar a discrepância. Indefere-se o pleito com base em análise comparativa de ambos os documentos que deu prevalência ao documento original em razão das deficiência do segundo. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. TRIBUTAÇÃO DE VERBAS REMUNERATÓRIAS. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Reputado que as verbas são remuneratórias e que o lançamento tem amparo em lei, não cabe ao CARF aferir inconstitucionalidade. Recurso provido em parte
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FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE. O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente a questão ventilada. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 02 61 /2 00 9- 66 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. IRPF. VERBAS ISENTAS E TRIBUTADAS EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. DOCUMENTOS EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA COM INFORMAÇÕES DIFERENTES. ÔNUS DO RECORRENTE DE PROVAR SUAS ALEGAÇÕES. PREVALÊNCIA DE DOCUMENTO CONFORME ANÁLISE DOS AUTOS. PLEITO RECURSAL NÃO ATENDIDO. Cabe ao recorrente provas suas alegações. Ao juntar aos autos documento emitido pela fonte pagadora que contradiz outro de mesma origem, o recorrente tem o ônus de justificar a discrepância. Indeferese o pleito com base em análise comparativa de ambos os documentos que deu prevalência ao documento original em razão das deficiência do segundo. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. TRIBUTAÇÃO DE VERBAS REMUNERATÓRIAS. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Reputado que as verbas são remuneratórias e que o Fl. 287DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720261/200966 Acórdão n.º 2802002.977 S2TE02 Fl. 287 3 lançamento tem amparo em lei, não cabe ao CARF aferir inconstitucionalidade. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2005, 2006 e 2007, anocalendário 2004, 2005, e 2006, em razão de a autoridade fiscal ter classificado como rendimentos tributáveis, valores declarados como isentos ou não tributáveis tal como informado pela Fonte Pagadora Ministério Público do Estado da Bahia. Referidos rendimentos foram recebidos em razão da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. A Lei estadual em comento estabeleceu a sistemática de pagamento de tais parcelas em virtude da objeto da Ação Ordinária de nº140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias n.. 613 e 614. O caso foi adequadamente relatado em primeira instância da seguinte forma: O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; Fl. 288DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal;. e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/N 2.331/2010, de 26 de outubro de 2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/N° 287/2009 até que a questão seja apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A impugnação foi deferida em parte, em resumo, pelos seguintes fundamentos: Parte Indeferida Fl. 289DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720261/200966 Acórdão n.º 2802002.977 S2TE02 Fl. 288 5 a) a verba tem na origem natureza remuneratória, portanto, tributável e o pagamento extemporâneo do rendimento não modifica sua natureza tributável, mesmo que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer à justiça, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar, a tributação do principal e dos juros de mora encontram amparo nos art. 55 e 56 do RIR1999; b) dispositivo de Lei Estadual não estabelece efeito tributário de tributo regido por lei federal; c) não se pode estender efeitos da Resolução do STF n° 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais, porque isenção somente se outorga por lei específica e está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN extensão a outras categorias implicaria analogia que não é permitida em matéria de isenção; d) a situação da impugnante é distinta daquela dos membros da magistratura e do MP federais, pois regidos por leis específicas distintas; e) de acordo com Parecer Normativo SRF n° 1, de 24 de setembro de 2002, a responsabilidade da fonte pagadora não exclui a do contribuinte; f) ainda que o imposto retido, por determinação constitucional pertença ao Estado da Bahia, a retenção, mesmo que houvesse ocorrido, não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União; g) a multa exigida (75%) independe da intenção do agente (art. 136 do CTN); h) os comprovantes de rendimentos fornecidos pelo MP não possuem caráter normativo, nem a autoridade administrativa emitente possui competência para tratar de matéria tributária federal, não se aplicando o parágrafo único do art. 100 do CTN; i) quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão; Parte deferida j) foram excluídas as parcelas correspondentes a correção das férias indenizadas e 13º salário. Ciência do acórdão em 15/04/2011. Recurso voluntário interposto no dia 02/05/2011. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 No recurso voluntário, o recorrente alega: 1) o acórdão recorrido não apreciou a questão da falta de legitimidade passiva da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado, limitandose o órgão julgador a citar que a competência é exclusiva da União, sem fundamentar sua afirmação, violando os art. 5º, incisos LIV, LV e 93, inciso IX da Constituição; 2) ilegitimidade ativa da união decorrente do art. 157, I da Constituição de 1988, nesse ponto menciona o acórdão no Resp 989.419/RS entre outros; 3) o acordo para pagamento dessa verba em 36 parcelas se deu por meio da Lei Complementar da Bahia nº 20/2003; 4) a verba objeto da autuação – diferença de URV – tem natureza indenizatória, não acarreta acréscimo patrimonial, não se subsumem ao art. 43 do CTN e sobre ela não incide o imposto de renda; o caráter indenizatório e não incidência do imposto em verbas dessa natureza foi definido na Resolução STF nº 245/2002, em Parecer da PGFN, em decisões desse Conselho entre outros atos normativos; não admitida a tese acima, requer o cálculo do tributo mês a mês, e não global, levando em conta, ainda, as despesas dedutíveis e a regra de cálculo mais benéfica prevista na IN 1.127/2010, publicada no Diário Oficial da União de 08/02/2011; 5) agiu de boa fé, adotando entendimento da sua fonte pagadora, o que foi desconsiderado pela autoridade fiscal; 6) violação ao princípio da isonomia por não se adotar o mesmo tratamento dados ao MPF e aos magistrados federais; cita o Resp 1.187.109MA; 7) a mesma razão para considerar não tributável as verbas de mesma natureza pagas ao MPU devem ser adotadas para o presente caso; 8) a autoridade fiscal usou alíquotas incorretas, como se pode verificar no site da RFB, pois se utilizou de alíquotas diferentes das que vigoravam à época de ocorrência dos fatos geradores, uma vez que no ano de 1994 e 1998 a alíquota vigente era 25%, enquanto no lançamento foram adotadas as alíquotas de 26,6% e 27,5%, respectivamente; 9) a IN RFB 1.127/2010 fornece regramento mais benéfico e deve ser observada; 10) não foram consideradas as deduções cabíveis nos respectivos exercícios; 11) diversamente do que se afirmou no acórdão recorrido, integraram indevidamente o lançamento o 13º salário e férias indenizadas; a autoridade fiscal excluiu R$2.151,67, de 13º para cada exercício, quando o correto é excluir R$4.882,25, em cada ano; e quanto férias agiu incorretamente ao excluir R$1.053,50, pois o correto é R$6.386,89, para cada ano; 12) o recorrente agiu com boafé pois declarou conforme entendimento adotado pela fonte pagadora e expresso na Lei Complementar Estadual 20/2003, a responsabilidade é exclusiva da fonte pagadora ( Ministério Público) quanto do Estado da Bahia, não se podendo cobrar do recorrente; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720261/200966 Acórdão n.º 2802002.977 S2TE02 Fl. 289 7 13) ainda que se considere devido o tributo, a não aplicação da multa já foi reconhecida inclusive pela Cosit na Nota Técnica Cosit nº 4, de 29 de abril de 2009, em razão de boafé do contribuinte; aplicase também o disposto no inciso I do art. 100 do CTN c/c Lei Complementar Estadual da Bahia nº 20/2003, cita decisões desse Conselho; 14) inaplicabilidade dos juros de mora e da correção monetária em razão do inciso I do art. 100 do CTN c/c Lei Complementar Estadual da Bahia nº 20/2003 (não declarada inconstitucional); 15) a cobrança sobre diferenças de URV constitui confisco. Ao reputar que se discutia a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, a 1ª Turma Ordinária desta Segunda Câmara sobrestou o julgamento, com base no §1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF, por meio da Resolução 2201 000.096, de 18/09/2012. Com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado, sendo que a Conselheira Relatora original não mais integra o CARF, o que levou a redistribuição do processo ao presente Relator durante a sessão de abril de 2014. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Como o recurso já foi admitido, passase ao exame das preliminares e do mérito. Da alegada omissão do acórdão O recorrente sustenta que o acórdão da DRJ foi omisso nesse tópico. A decisão hostilizada enfrentou essa questão, quando afirmou que o caso dos autos não trata de IRRF que deixou de ser retido pelo Estado da Bahia (que segundo o impugnante seria de competência do Estado por força da repartição de receita prevista no inciso I do art. 157) e sim de Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos, conforme fl.163, in verbis: É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Não é necessário que o julgador enfrente um a um todos os argumentos defensivos, desde que tenha fundamento suficiente para a decisão adotada. Esse entendimento consta, inclusive, de um dos julgados colacionados pelo recorrente (Resp 874759/SE, fls.187), conforme excerto seguinte: “Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta.” (Resp 874759/SE, Relator Teori Albino Zavascki, julgado em 07/11/2006)”. Não houve a alegada omissão. O recorrente reitera a tese da ilegitimidade ativa, que deve ser rejeitadas pelos mesmos fundamento da decisão recorrida. O fato de o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Federação não subtrai da União sua competência para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda sujeito ao ajuste anual, que não se confunde com o imposto retido na fonte. Este é mera antecipação daquele. A União possui legitimidade ativa, pois não só possui competência tributária como tem interesse econômico e jurídico em fiscalizar e arrecadar o imposto apurado no ajuste anual. São inconfundíveis os conceitos de imposto retido na fonte e de imposto devido no ajuste anual, bem como os de competência tributária, legitimidade ativa e de titularidade do produto da arrecadação. Ademais, a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A matéria dos autos é conhecida dessa Turma Julgadora que reiteradas vezes decidiu , entre outros pontos, que: a) a União possui legitimidade ativa e as diferenças pagas pelo Estado da Bahia, de que trata este processo, tem natureza remuneratória e tributável; b) a Resolução do STF nº 245/2002 não é dirigida aos Membros do Ministério Público Estadual; c) não há quebra de isonomia; d) a atualização do tributos pelos juros de mora é correta; e Fl. 293DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720261/200966 Acórdão n.º 2802002.977 S2TE02 Fl. 290 9 e) a multa de ofício deve ser excluída em decorrência de o contribuinte ter sido induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora nos comprovantes de rendimentos e certidões. Citase como exemplo o acórdão nº 2802002.802, de 20 de Março de 2014, cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Art. 2º O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6º Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõem: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720261/200966 Acórdão n.º 2802002.977 S2TE02 Fl. 291 11 A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de Fl. 296DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a não incidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720261/200966 Acórdão n.º 2802002.977 S2TE02 Fl. 292 13 Os fundamentos abaixo reforçam a adequação do entendimento desta Turma Julgadora. Quanto à exclusão da multa, aplicase a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. O caso do recorrente não se refere a rescisão de contrato de trabalho, de forma que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Como a verba em discussão está sujeita a tributação no ajuste anual (não se trata de tributação exclusivamente na fonte) e não se aplica a tributação de rendimentos com base no REsp 1.118.429∕SP (imposto calculado mensalmente, pelas tabelas das épocas próprias), rejeitamse as alegações de inadequação da forma de apurar a base de calculo, de erro de alíquotas e de não dedução das despesas em cada um dos exercícios como sustentado pelo recorrente. O recorrente equivocouse em afirmar que não foram consideradas as despesas dedutíveis, o que deve ser levado em conta são as despesas dos anocalendário em que os rendimentos foram recebidos, tal como efetuado no lançamento, uma vez que foi aproveitada a base de cálculo declarada, que por sua vez somente foi apurada após as deduções. A IN RFB 1.127/2010 tem fundamento de validade em lei posterior à ocorrência dos fatos geradores, portanto é inaplicável para fins de definir o cálculo do imposto no casos destes autos (art. 144 do CTN). Do valor de 13º salário e abono de férias. O recorrente amparase na planilha de fls. 272. Não há qualquer evidência de que os pagamentos de férias referemse a férias não gozadas. A remuneração de férias é tributada. O imposto não incide sobre as férias não gozadas e o abono pecuniário de férias. Sem razão o recorrente em pleitear a exclusão de valores maiores do que já foi excluído em primeira instância, ao somar férias e abono de férias. O critério da decisão de primeira instância foi correto, pois amparouse no quadro totalizador da planilha de fls. 150 (Total abono férias e Total ADT 13 Sal e Total 13 Salario). Quanto ao valor de 13º, verificase que o recorrente adota o mesmo critério, porém se amparase no quadro resumo de fls. 272,. É preciso compreender que o total dos rendimentos tributados no lançamento foi resultante da soma das seguintes colunas da planilha de fls. 150: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 Atualização Juros Total Sal. Férias Abono Adit. 13º Sal. Férias Abono Adit. 13º 161.652,05 8.866,48 3.160,50 2.365,02 115.003,16 5.659,60 1.474,08 1.116,69 299.297,58 O recorrente junta nova planilha que, embora tenha os mesmos dados acima, apresenta um quadro resumo (fls. 272) diferente do que constou na primeira planilha de cálculos. Vejamos: fls. 150 Resumo Total Juros 123,253,54 Total Abono Férias 3.160,50 SubTotal1 126.414,03 Total Salário 157.562,07 Total ADT 13 Sal 2.365,02 Total 13 Salario 4.089,98 Subtotal2 172.883,54 Total Geral 299.297,58 fls. 272 Resumo Total Juros 110.485,65 Total Abono Férias 4.634,58 Total férias 14.526,08 SubTotal1 129.646,31 Total Salário 155.004,52 Total ADT 13 Sal 3.481,71 Total 13 Salario 11.165,04 Subtotal2 169.651,27 Total Geral 299.297,58 O recorrente não explica a razão da diferença, muito menos porque esse segundo quadro deve prevalecer sobre o anterior. Não se desincumbindo do ônus de provar a correção de suas alegações, analisase ambos os quadros e concluise que somente o quadro de fls. 150 pode ser corroborado pela planilha que o antecede. Por exemplo: a) No quadro resumo de fls. 150 o subtotal 1 (R$126.414,03) é a soma das quatro colunas de juros mais a coluna “abono” (atualização), tal como anotado na planilha de cálculo que a antecede. Atualização Juros Total Sal. Férias Abono Adit. 13º Sal. Férias Abono Adit. 13º 161.652,05 8.866,48 3.160,50 2.365,02 115.003,16 5.659,60 1.474,08 1.116,69 299.297,58 b) No quadro resumo de fls. 272 o subtotal 1 é R$129.646,31, que é a soma de “Total Juros” com Total abono férias (R$4.634,58) e Total de férias ((R$14.526,08). Percebese que o “total abono férias” e o “total férias” são as somas das colunas respectivas, tanto do campo “atualização” como “juros”. Porém o valor de “total juros” foi computado como R$110.485,65, sem justificativa para a discrepância em relação à planilha que buscava resumir, na qual a mesma rubrica aparece com o valor de R$115.003,16. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720261/200966 Acórdão n.º 2802002.977 S2TE02 Fl. 293 15 Atualização Juros Total Sal. Férias Abono Adit. 13º Sal. Férias Abono Adit. 13º 161.652,05 8.866,48 3.160,50 2.365,02 115.003,16 5.659,60 1.474,08 1.116,69 299.297,58 Essa incerteza repercute sobre o cálculo dos itens de 13º salário. Portanto, é a planilha de fls. 150 que deve prevalecer, o que demonstra a correção do acórdão recorrido. O fato de declarar rendimentos com base nos informes fornecidos pela fonte pagadora (ainda que sob influência do texto da Lei do Estado da Bahia) não significa que tenha ocorrido a hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Também nesse tópico, não cabe reparo ao acórdão recorrido. Constatado que a tributação das verbas tem amparo em lei, não compete ao CARF apreciar alegação de que a exação viola o princípio do não confisco. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente excluir a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 300DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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