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Numero do processo: 13830.000756/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2001
CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Recurso Improvido
Numero da decisão: 3301-001.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andrea Medrado Darzé Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Recurso Improvido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 07 56 /2 00 6- 21 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Andrea Medrado Darzé Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de decisão da DRJ de BelémPA, que julgou procedente o auto de infração de fls. 07/17, cientificado à contribuinte em 29/03/2006 (fl. 203), relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados– IPI, sintetizado na ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. REGRA GERAL. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário que não tenha sido declarado e nem recolhido é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. Incabível a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que faz em jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, se não àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Impugnação Procedente. Crédito Tributário Mantido. De acordo com a decisão recorrida a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Ltda (Copersucar), apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua filial (CNPJ nº 61.149.589/010222) para a compensação de débitos do IPI, tendo feito utilização indevida de crédito presumido de IPI, ensejando o lançamento do imposto, tendo em vista que o mesmo se destina unicamente ao produtor exportador que atenda aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996. Ressaltando ainda que a glosa se deveu também pelo fato dos créditos terem sido apurados de forma concentrada no estabelecimento matriz que recebeu os créditos, nos Fl. 318DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000756/200621 Acórdão n.º 3301001.725 S3C3T1 Fl. 307 3 termos da Nota Técnica Cosit nº 234/2003, de interesse da Copersucar, a qual figuraria como responsável pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme art. 66 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e como substituta tributária do IPI, em relação às operações dos seus cooperados, com base na então vigente Instrução Normativa SRF nº 64, de 13de agosto de 1997, e, no caso “os créditos do IPI pertencem ao substituído; os débitos, ao substituto”. Cientificada em 10/11/2011 (AR – fl. 122) a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 124 e seguintes, em 12/12/2011, aduzindo, em síntese, preliminar de decadência, tendo em vista que a decisão recorrida não levou em consideração o fato de que o auto de infração é decorrente da declaração de compensação de crédito presumido de IPI com o próprio IPI devido, e sendo a compensação forma de extinção do crédito tributário, há que se considerar extinto o crédito formalizado anteriormente ao primeiro decêndio de julho de 2001, estando decaído todos os períodos do auto de infração. Argui preliminar de nulidade afirmando que a decisão recorrida, acolheu a argumentação de que a cooperada tem direito ao crédito presumido de IPI, por ser um estabelecimento produtor/exportador “que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996, para a fruição do incentivo”, afirmando que houve agravamento da exigência fiscal. Em relação ao mérito afirma que, na condição de uma das filiais operadoras da Cooperativa – Matriz (CNPJ 61.149.589/000189), utilizouse de créditos presumidos de IPI, calculados e transferidos por aquela Matriz para a filial, ora Recorrente, creditandose no seu Livro de Registro de Apuração do IPI, pelos créditos transferidos correspondentes aos anoscalendário de 2000 a 2003, por meio de Notas Fiscais de Transferência, utilizandoos para compensação com débitos do mesmo IPI. Aduz ainda que as vendas efetuadas são dos cooperados, visto que, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado, sendo a cooperativa mera mandatária legal em todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta, pois, embora não fabrique os produtos exportados, pode realiar todos os cálculos do incentivo em discussão, possuindo todos os dados necessários, visto que também é responsável na condição de substituo tributário do IPI devido pelas cooperadas, nos termos do art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96. Sustenta por fim, quanto è elaboração do DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) a Nota Cosit nº 234/2003, por não acolher a tese de que as vendas em comum devam ser rateadas, acabou propondo solução inexeqüível no âmbito do sistema cooperativo, sendo que, entretanto, por conta dos itens 19.2 e 21.3, só se poderia concluir que a SRFB teria admitido a transferência de crédito presumido entre estabelecimentos de pessoas jurídicas distintas, assim reconhecendo as peculiaridades do sistema cooperativo, o que se confirmaria no regime previsto na IN 635/06 para o recolhimento do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 319DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições legais, devendo o mesmo ser conhecido. A decisão recorrida considerou não decaído o crédito tributário relativo aos períodos de apuração compreendidos no lançamento, por entender que no caso não houve pagamento, sendo paliçada a regra estabelecida no art. 173, do Código Tributário Nacional (CTN). Entretanto, não há como ser reconhecida a decadência, porque nos termos do art. 269, IV, do Código de Processo Civil, ao ser pronunciada a decadência ou a prescrição, ocorre a extinção do processo com julgamento de mérito e, para que pudesse ser aplicado o prazo previsto nos artigos 150, § 4º ou o art. 173, do CTN, dependeria da convicção do colegiado em reconhecer que as compensações promovidas pela Recorrente equivaleram a pagamentos, o que na verdade dependerá do julgamento do próprio mérito do recurso, o que inviabiliza o julgamento da preliminar já que se confunde com o próprio julgamento do mérito do processo. É importante ressaltar que, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em havendo pagamento, a contagem dos prazos de decadência e prescrição deve ser feita de acordo com o art. 150, § 4º do CTN, e, não havendo pagamento antecipado deve ser contado de acordo com o art. 173, do CTN, conforme decidiu a Primeira Seção do colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC e Resolução 8/2008 do STJ), consolidando o entendimento, pelo qual os referidos prazos são contados do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, do prazo estabelecido pelo art. 173, do CTN, durante o qual a Fazenda deve promover o lançamento de ofício em substituição ao lançamento por homologação. As decisões do colendo STJ, proferidas de acordo com os recursos repetitivos (art. 543C do CPC), devem ser reproduzidos nos julgamentos deste CARF, por força do art. 62A do RICARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (DOU 22/12/2010). Conforme relatado, o presente auto de infração é decorrente da glosa da compensação de valores originários de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, apurado pelo estabelecimento matriz da COPERSUCAR e transferido por meio de notas fiscais de transferência para o estabelecimento filial, ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. Segundo o entendimento da fiscalização, mantido pela decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, que são de fato as empresas produtoras exportadoras. Inicialmente deve ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, vez que, o reconhecimento pela decisão recorrida no sentido de ser a cooperada produtora e exportadora, com direito à fruição do crédito presumido de IPI, apenas reflete o entendimento do julgador a quo quanto ao real beneficiário do incentivo, não caracterizando qualquer agravamento da exigência. A decisão recorrida está baseado no fato da Nota Cosit n° 234, de 01 de agosto de 2003, que deu nova interpretação do tema, vedandose à cooperativa centralizadora de vendas a apuração, escrituração e utilização do crédito presumido de IPI, cujos trechos de maior relevância para o assunto são a seguir transcritos: Fl. 320DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000756/200621 Acórdão n.º 3301001.725 S3C3T1 Fl. 308 5 "21.Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação especifica; 21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição de substituta tributária, poderá haver transferência do crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica Cooperada, se houver, apenas para dedução do valor do IPI devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre calendário, obedecidas as demais normas especificas, poderá haver a compensação com outros tributos do Cooperado, inclusive o PIS/Pasep e a Cofins devido pela Cooperativa, na condição de responsável, mas só a parcela que di2a respeito àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que tenha sido comercializada no mercado interno. Ao invés da compensação, o Cooperado poderá solicitar o ressarcimento do saldo credor em espécie, no todo ou em parte; 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias." Entretanto, a mencionada nota técnica, nesse ponto, está em desacordo com a legislação do IPI, sobretudo porque quanto à apuração do IPI centralizado no estabelecimento matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, seja centralizados “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica”, podendo ainda ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI, in verbis: Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; Fl. 321DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 [...] Assim sendo, o fato da Recorrente ter centralizado a apuração do crédito presumido centralizado em seu estabelecimento matriz, não é motivo de impedimento para a fruição do benefício, pelo contrário, está de acordo com a legislação que rege o crédito presumido. Da mesma forma dispõe a Lei nº 9.363, de 1996, constando que o crédito presumido do IPI pode ser centralizado pelo estabelecimento matriz e transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2°..No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado). Pelos mesmos motivos acima expostos, também considero não haver nenhum óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação de débitos do mesmo IPI. O principal ponto do processo se refere ao crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, enquanto o Fisco entende que o benefício fiscal somente poderia ser utilizado e requerido pelo produtor exportador. A Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que dispõe sobre a política nacional de cooperativismo, e, através de seu art. 79, define o que seja atos cooperativos, os quais não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características [...] Fl. 322DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000756/200621 Acórdão n.º 3301001.725 S3C3T1 Fl. 309 7 Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifado) Conquanto o produtorexportador seja cada um dos produtores rurais, pessoas físicas associados à cooperativa, todo o processo de industrialização e exportação é feito através da pessoa jurídica, que age por conta e ordem dos cooperados, por interesse deles, isto é, os atos da cooperativa devem ser considerados como sendo praticados pelos seus associados, é o que depreendese do art. 83, da citada lei: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifado). Conforme bem esclareceu a Recorrente, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, logo o benefício fiscal concedido se destina ao produtor exportador, não sendo apropriado pela cooperativa, não havendo que se falar em apropriação pela cooperativa do resultado obtido com a exportação, que será revertido aos produtores rurais, na proporção de suas participações na sociedade empresarial. Para fins de definição do ato cooperado, especialmente no que se refere à entrega da produção pelo cooperado à cooperativa, nos termos dos arts. 79 e 83 da, da Lei nº 5.764, de 1971, a jurisprudência do colendo Supremo Tribunal Federal (STF) que o assunto depende do exame dos fatos, isto é, depende da forma em que o negócio ocorre entre a cooperativa e cooperado (daí porque não poder ser objeto de recurso extraordinário), in verbis: COMERCIAL. COOPERATIVA. ENTREGA DA PRODUÇÃO PELO COOPERADO A COOPERATIVA. NEGÓCIO QUE O ACÓRDÃO LOCAL, ANTE O EXAME DOS FATOS, ESPECIALMENTE A EXECUÇÃO DADA PELAS PARTES, DEFINIU COMO CONTRATO ESPECIFICO ENTRE COOPERADO E COOPERATIVA (ARTS. 79 E 83 DA LEI N. 5.764, DE 16.11.71), E NÃO COMO CONTRATO DE DEPOSITO IRREGULAR (ART. 1.280 DO CÓDIGO CIVIL). APLICAÇÃO DAS SUMULAS 279 E 454. (RE 92902, Relator(a): Min. DÉCIO MIRANDA, Segunda Turma, julgado em 07/10/1980, DJ 24101980 PP08610 EMENT VOL0118903 PP00727 RTJ VOL0009503 PP 01380). No mesmo sentido, entendendo que a exportação através da cooperativa, como mandatária dos cooperados, ser questão de fato que deve ser apreciado pelo julgador, in verbis: Fl. 323DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 PRODUTO INDUSTRIALIZADO. EXPORTAÇÃO POR COOPERATIVA, QUE TERIA FUNCIONADO COMO MANDATARIA DOS COOPERADOS. QUESTÃO DE FATO PARA CUJO REEXAME NÃO CABE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. (RE 76026, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/1975, DJ 02061975 PP*****) O aresto acima transcrito contempla através do voto condutor do acórdão, o seguinte trecho da v. sentença prolatada pelo colendo Tribunal de Alçada Cível do Estado de São Paulo (no Agravo de Instrumento nº 55.880), que naquele caso, a Cooperativa funcionou como mandatária no exercício das funções para as quais fora criada: “É de se ponderar ainda que a Cooperativa Central de Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo não adquire o produto de seus cooperados. Funciona ela como mandatária No exercício das funções para as quais fora criada, podendose mesmo dizer que atua como autêntica “manus longa” dos cooperados.” Este entendimento ainda prevalece na Suprema Corte, conforme depreende se da ementa do acórdão recentemente publicado, in verbis: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Tributário. ISS sobre atos cooperativos impróprios. Reexame de fatos e provas e de contrato social. Impossibilidade. Súmulas nºs 279, 280 e 454 desta Corte. 1. O Tribunal local, com base nos elementos probatórios do autos e na legislação infraconstitucional (Leis nºs 5.764/71, 5.641/89, 7.640/99, 8.464/02 e 8.725/03), consignou que a agravada presta serviços aos seus próprios cooperados. Alterar esse entendimento para análise dos argumentos expendidos pelo agravante requereria reexame das leis em comento, do contrato social e dos fatos e das provas que permeiam a lide, fato vedado nesta instância recursal. Incidência, na espécie, das Súmulas nºs 279, 280 e 454 do Supremo Tribunal Federal. 2. Agravo regimental não provido. (AI 645954 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 21/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe176 DIVULG 05092012 PUBLIC 06092012) (grifado). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento firme no sentido de que o ato cooperado não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃOCOOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000756/200621 Acórdão n.º 3301001.725 S3C3T1 Fl. 310 9 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submetese à incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido. (Grifado). (AgRg no REsp 653.489/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 24/09/2009). No caso concreto, entendo que o estão presentes os pressupostos estabelecidos pelos arts. 79 e 83, da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, bem como a forma como ocorreram as relações entre cooperativa e cooperado, pois, de acordo com os arts. 12 e 13 (Capítulo III – Dos Objetivos e Operações), do Estatuto Social da COPERSUCAR (CNPJ nº 61.149.589/000189, estabelecimento matriz), aprovado pela AGE de 14/04/1987 (fl. 192/193), consta dentre suas atribuições receber e vender a produção de seus associados, senão vejamos: “Capítulo III Dos Objetivos e Operações [...] Art. 12. A Cooperativa tem por objetivo prestar serviços a seus associados: receber, financiar e vender a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel de seus associados. [...] Art. 13. A cooperativa, no cumprimento de seus objetivos sociais, venderá a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel, de seus associados, de forma a conciliar os interesses dos produtores e consumidores. A AGE de 26/01/1999, deu a seguinte redação ao art. 15, do Estatuto Social da Cooperativa: Art. 15. No curso da safra, o associado terá direito a adiantamento em valor igual aos financiamentos obtidos pela Cooperativa de qualquer estabelecimento de crédito, com garantia do produto que lhe foi entregue para venda, e proporcional à entrega. Parágrafo 1º: À proporção que forem sendo vendidos os produtos entregues para venda em comum, a Cooperativa rateará aos associados, as margens líquidas que forem resultando, respeitados os valores dos ágios e deságios por qualidade, que houverem sido fixados pelo Conselho de Administração. Assim sendo, uma análise mais criteriosa dos fatos leva à conclusão de que os atos praticados pela Cooperativa com seus associados obedeceram aos comandos dos artigos 79 e 83, da Lei Geral das Cooperativas, permitindo concluir que não se não houve ato mercantil entre Cooperativa e seus associados. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 10 Por último, conforme demonstrado, o fato do crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, e não diretamente pelo produtor exportador, não deve impedir a fruição do benefício, salvo se tivessem sido constatados outros motivos impeditivos, o que no caso não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 326DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.000756/200621 Acórdão n.º 3301001.725 S3C3T1 Fl. 311 11 Voto Vencedor Conselheira Andréa Medrado Darzé, Redatora Peço vênia para divergir do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, especialmente pelo fato do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, ter sido apurado pela cooperativa, no caso a Recorrente, a COPERSUCAR, ainda que tenha sido transferido por meio de notas fiscais de transferência para os estabelecimentos filiais, da ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. De fato, comungo com o entendimento da fiscalização, igualmente com a decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, vez que pertencem às empresas produtoras exportadoras e não à cooperativa. Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido de IPI seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica” (art. 15, II), necessariamente quer significar mesma empresa, por isso utilizou o termo “estabelecimento”, caso contrário autorizaria sua transferência para qualquer outra empresa, contudo manteve a restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. Logo, a autorização acima referida não se estende aos estabelecimentos da Cooperativa, ainda que centralizado no estabelecimento matriz da Coopersucar, constituindo motivo de impeditivo à fruição do benefício, que pertence às empresas produtoras exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. Ao contrário da conclusão do i. Relator, a própria Lei nº 9.363, de 1996, somente autoriza a centralização pelo estabelecimento matriz, isto é, da mesma sociedade empresarial, por isso diz “empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador”quando a apuração do crédito poderia ser centralizada pela matriz, e no caso em tela não há qualquer evidência da existência de vínculo empresarial entre as usinas, ao contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. O fato da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, dispor que os atos cooperativos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios tributários gozados por seus filiados. Em relação às ações judiciais noticiadas nos autos, não consta nenhuma autorização para a apuração ou aproveitamento dos benefícios fiscais usufruídos por seus cooperados, nem mesmo que a Fazenda Nacional tenha atuado nesses processos, não podendo alcançar os fatos discutidos no presente processo. Por fim, cumpre registrar que em sendo o crédito presumido constitui um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora Fl. 327DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 12 Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Andréa Medrado Darzé, Redatora Fl. 328DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 10640.907759/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 19/02/2007
DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO
Baixado o processo em diligência e concluído que não há direito creditório a ser reconhecido a título de pagamento indevido ou a maior, improcede o recurso apresentado.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-002.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinatura digital)
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
(assinatura digital)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 19/02/2007 DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO Baixado o processo em diligência e concluído que não há direito creditório a ser reconhecido a título de pagamento indevido ou a maior, improcede o recurso apresentado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negouse provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinatura digital) Júlio César Alves Ramos Presidente. (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 77 59 /2 00 9- 80 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte RIVELLI COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Cingese a controvérsia em pedido de compensação efetuado pela contribuinte com fundamento em crédito oriundo de suposto pagamento indevido de Cofins. Em oportunidade anterior, este Colegiado converteu o julgamento em diligência para que a fosse apurado o valor que é devido, o valor que foi efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possuía direito creditório em caso de pagamento a maior. Por oportuno, transcrevo o relatório da resolução que converteu o julgamento em diligência, verbis: Trata o presente processo de Declaração de Compensação emitida em 13.5.2005, cujo objetivo é compensar o débito nela declarado, com crédito consequente do pagamento indevido da COFINS, no valor de R$ 10.002,50. Em 7.10.2009, a DRF de Juiz de Fora emitiu Despacho Decisório (fl.18), no qual não homologou a compensação pleiteada, já que o pagamento foi utilizado na quitação de outro débito da contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. A empresa apresentou, tempestivamente, em 19/11/2009, a Manifestação de Inconformidade (fl.01), na qual alega que: “informou no referido PER/DCOMP um DARF no valor de R$ 10.002,50 sendo que erradamente não retificou a DCTF ref. ao 1º Semestre 2005, para corrigir a informação que estava incorreta na DCTF (...).” Na decisão de 04/05/2011, a 2ª Turma da DRJ/JFA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, já que esta não leva aos autos a prova de que o valor retificado fora apurado e declarado à Receita Federal do Brasil em data anterior à transmissão da DCOMP nº 29132.43953.190207.1.3.04 6745, ou que houve de fato erro na informação prestada em DCTF, contrariando assim, o inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei º 8.748/93, que estabelece que a “a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”.(fls.38/39) A DCTF apresentada constituise em confissão de dívida, logo os débitos não declarados e não pagos são exigíveis , sendo passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União para futura execução fiscal. Sendo assim, o pagamento efetuado foi corretamente alocado ao débito declarado pela Fl. 125DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 10640.907759/200980 Acórdão n.º 3401002.548 S3C4T1 Fl. 125 3 empresa, não existindo saldo disponível a ser usado em compensação, na data da transmissão da DCOMP. Em 22.6.2011, a contribuinte foi cientificada do acórdão da 2ª Turma da DRJ/JFA e , em 22.7.2011, apresenta recurso voluntário, no qual alega, em síntese, que: a) A omissão da Declaração da contribuinte que causou a retificação da DCTF fora do prazo, não significa que a contribuinte não tenha provado o seu erro; b) Apesar do detalhamento exaustivo da legislação tributária brasileira acerca da compensação tributária, o que importa é apurar se o devedor, que passa à condição de credor, tem o seu direito creditório legítimo ou não. E se esse direito creditório é legítimo, não pode o erro na declaração de vontade do devedor desconstituir absolutamente o seu direito de crédito; c) Os argumentos da DRJ de que a contribuinte não provou as alegações da Impugnação são improcedentes, já que a DCTF retificadora foi encaminhada à SRF como a decisão reconhece. Por fim, a contribuinte requer a reformulação do acórdão e, consequentemente, a homologação da compensação realizada pela recorrente. É o relatório. Em atendimento à diligência solicitada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG apresentou a informação fiscal de fls. 98/102, na qual conclui que que o pagamento da COFINS cumulativa, efetuado sob o código 2172, relativo ao período de 04/2005, arrecadado em 13/05/2005, no valor de R$ 10.002,50 deve ser integralmente vinculado ao respectivo débito, não havendo direito creditório a ser reconhecido a título de pagamento indevido ou a maior passível de utilização na DCOMP nº 29132.43953.190207.1.3.046745. A contribuinte tomou ciência da informação fiscal em 11.04.2013 (fls. 104) e se manifestou por meio das razões adicionais de fls. 107/112, requerendo sejam desconsiderados os novos fundamentos jurídicos da autoridade fiscal, bem como as provas apresentadas no bojo da diligência realizada, reconhecendose, portanto, o seu direito creditório e a consequente compensação. Após a manifestação da contribuinte, os autos regressaram a este Conselho para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 126DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 4 DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DO NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO O presente processo foi devidamente elucidado pela diligência solicitada, restando informado que a consultando os sistemas da RFB verificase que a empresa entregou a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ nº 0913760 (original), do exercício financeiro de 2006, anocalendário de 2005, em 29/06/2006, utilizando o lucro real como forma de tributação dos rendimentos, ao passo que efetuou, para o anocalendário de 2005, os pagamentos do IRPJ com código 2089 e da CSLL com código 2372, esses específicos de lucro presumido, conforme telas anexadas às págs. 84/85. Quanto aos débitos da COFINS, esses estão demonstrados nas DACON trimestrais do anocalendário de 2005, apurados com base na incidência cumulativa. Os respectivos débitos foram confessados nessa modalidade nas DCTF originais e recolhidos em DARF sob o código 2172 (págs. 86/91 e 92). Em 18/11/2009, a interessada retificou as DCTF alterando o código da receita (5856), passando a apurar os débitos da COFINS, para os meses de março a maio e julho a dezembro, com base na incidência não cumulativa (págs. 93/94). Para extinguir esses débitos foram transmitidas diversas DCOMP com a utilização dos pagamentos da COFINS cumulativa, código 2172, supostamente considerados indevidos pela contribuinte. No presente caso, o recolhimento da COFINS, referente ao mês de abril, no valor de R$ 10.002,50 foi utilizado como crédito na DCOMP nº 29132.43953.190207.1.3.046745 na quitação dos novos débitos da COFINS não cumulativa, dos meses de maio, julho e agosto de 2005, apurados pela empresa, de acordo com a DCTF retificadora e vinculados à compensação (págs.95/97). Ocorre que, como será visto a seguir, a opção pela tributação com base no lucro presumido é manifestada com o pagamento da primeira ou quota única do IRPJ devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário e será definitiva em relação a todo o anocalendário. E mais, nos termos do inciso II do artigo 8º da Lei nº 10.637/02 e do inciso II do artigo 10 da Lei nº 10.833/03, a pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro presumido está excluída do regime nãocumulativo, ficando obrigada ao regime cumulativo. Consequentemente, os pagamentos da COFINS cumulativa, efetuados sob o código 2172, devem ser alocados aos respectivos débitos referentes ao anocalendário de 2005, inexistindo pagamento indevido ou a maior para ser utilizado em DCOMP. A mudança de opção do lucro presumido para o lucro real foi abordada com precisão na Decisão SRRF/6ªRF/DISIT Nº 15, de 28/01/1999, abaixo transcrita. Dispõe o artigo 26 da Lei nº 9.430/1996: Art. 26 A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada ano calendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 10640.907759/200980 Acórdão n.º 3401002.548 S3C4T1 Fl. 126 5 § 2º A pessoa jurídica que houver iniciado atividade a partir do segundo trimestre manifestará a opção de que trata este artigo com o pagamento da primeira ou única cota do imposto devido relativa ao período de apuração do início de atividade. § 3º A pessoa jurídica que houver pago o imposto com base no lucro presumido e que, em relação ao mesmo anocalendário, alterar a opção, passando a ser tributada com base no lucro real, ficará sujeita ao pagamento de multa e juros moratórios sobre a diferença de imposto paga a menor. § 4º A mudança de opção a que se refere o parágrafo anterior somente será admitida quando formalizada até a entrega da correspondente declaração de rendimentos e antes de iniciado procedimento de ofício relativo a qualquer dos períodos de apuração do respectivo anocalendário. Ressaltese que o artigo 46 da Lei nº 10.637/02 alterou o limite de receita bruta, nos seguintes termos: A partir de 01/01/2003, a pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do anocalendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Oportuno esclarecer que de acordo com os Manuais do Imposto de Renda, só é admitida a retificação da declaração de informações do lucro presumido, se o contribuinte comprovar ter formulado sua opção irregularmente, ou seja, na hipótese em que a legislação fiscal torne obrigatória a tributação de sua atividade com base no lucro real, inclusive quando tal fato tenha sido constatado em decorrência de procedimento de ofício. Segundo os dados informados à RFB, e observandose as determinações contidas no artigo 246 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), a empresa não se encontra obrigada à apuração do lucro real, no anocalendário de 2005, senão vejamos: a) não possui receita superior a R$ 48.000.000,00 no anocalendário de 2004; b) não é instituição financeira ou assemelhadas; c) não possui lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; d) não usufrui incentivos fiscais relativos à isenção ou redução do imposto de renda; e) não efetuou nenhum recolhimento a título de estimativa; f) não é factoring. Portanto, no caso vertente, não resta dúvida que a opção pela tributação com base no lucro presumido, manifestada pela empresa com o pagamento do IRPJ (código 2089), correspondente ao primeiro período de apuração do anocalendário de 2005 é definitiva para todo anocalendário, razão pela qual não poderá modificar sua opção inicial para qualquer outro sistema de tributação. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 6 Por último, verificase na legislação que não são contribuintes da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS, no regime nãocumulativo, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido. A vedação encontrase inserida no inciso II do artigo 8º da Lei nº 10.637/02 (PIS/PASEP) e no inciso II do artigo 10 da Lei nº 10.833/03 (COFINS), in verbis: Lei nº 10.637/02 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...); II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado. Lei nº 10.833/03 Art. 10 Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...); II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado. Diante do exposto, podese concluir que o pagamento da COFINS cumulativa, efetuado sob o código 2172, relativo ao período de 04/2005, arrecadado em 13/05/2005, no valor de R$ 10.002,50 deve ser integralmente vinculado ao respectivo débito. Consequentemente, não há direito creditório a ser reconhecido a título de pagamento indevido ou a maior passível de utilização na DCOMP nº 29132.43953.190207.1.3.046745. Portanto, correto o despacho decisório emitido pela Autoridade Administrativa de não homologação da compensação pleiteada. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do recurso e, no mérito, negolhe provimento. (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911130/2012-93
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 30 /2 01 2- 93 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911130/201293 Acórdão n.º 3801003.327 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911130/201293 Acórdão n.º 3801003.327 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911130/201293 Acórdão n.º 3801003.327 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911130/201293 Acórdão n.º 3801003.327 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911130/201293 Acórdão n.º 3801003.327 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911130/201293 Acórdão n.º 3801003.327 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911130/201293 Acórdão n.º 3801003.327 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911130/201293 Acórdão n.º 3801003.327 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 12897.000460/2009-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE.
Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Não identificados tais pressupostos, incabíveis os embargos.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. NULIDADE. FUNDAMENTOS. OBRIGATORIEDADE. VÍCIOS. CLASSIFICAÇÃO.
Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material.
Numero da decisão: 3403-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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OMISSÃO. OBSCURIDADE. Os embargos de declaração se prestam ao questionamento de omissão ou obscuridade em acórdão proferido pelo CARF. Não identificados tais pressupostos, incabíveis os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. NULIDADE. FUNDAMENTOS. OBRIGATORIEDADE. VÍCIOS. CLASSIFICAÇÃO. Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 04 60 /2 00 9- 16 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional ao Acórdão no 3403002.739, de 30/01/2014, em face de “omissão / obscuridade”. A ciência do julgamento ocorreu em 28/05/2014 (ciência presumida cf. art. 7o, § 5o da Portaria MF no 527/2010, considerando que o despacho foi encaminhado à PGFN em 29/04/2014), tendo os embargos sido interpostos em 30/04/2014 (fls. 334 a 338). Argumenta a embargante que o acórdão de piso exonerou o crédito tributário em razão do reconhecimento da nulidade dos autos de infração, e que não ficou consignado de forma clara no acórdão desta turma se houve cancelamento da autuação ou sua nulidade e, nesse caso, a natureza do vício. Destaca ainda a Fazenda que tendo havido omissão no acórdão da DRJ acerca do vício que conduziu ao reconhecimento de nulidade do lançamento, poderia esta Turma ter anulado a decisão de piso para que tal omissão fosse suprida. A Fazenda entende que a nulidade foi por vício formal, à luz da doutrina de Leandro Paulsen. Mas requer manifestação específica do colegiado sobre o tipo de vício que eventualmente assolou a autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Verificada a tempestividade dos embargos apresentados, passase a analisar o cumprimento dos demais requisitos de admissibilidade. A ementa do Acórdão embargado dispõe: “SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUIÇÕES. ESTABELECIMENTO MATRIZ. Para cada espécie tributária, na formalização da exigência de crédito tributário, a identificação do sujeito passivo deve ser feita em consonância com a legislação de regência do correspondente tributo, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. No caso Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, para o período, a autuação deve ser lavrada contra o estabelecimento matriz da pessoa jurídica.” No voto condutor, unanimemente acolhido pela turma, esclarecese a motivação da negativa de provimento ao recurso de ofício: erro na eleição do sujeito passivo. “A questão fulcral é a sujeição passiva. Como destaca o julgamento de piso, a Lei no 9.779/1999 dispõe que a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS serão apuradas e pagas de forma centralizada pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica (art. 15, III). Fl. 342DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12897.000460/200916 Acórdão n.º 3403003.139 S3C4T3 Fl. 342 3 E o Parecer COSIT no 59/1999, em que pese ser óbvia a informação, dispõe que “para cada espécie de tributo ou contribuição, na formalização da exigência de crédito tributário, a identificação do sujeito passivo deve ser feita em consonância com a legislação de regência do correspondente tributo ou contribuição, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores”, e, que, no caso da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, “os Autos de infração deverão ser lavrados contra o estabelecimento matriz da pessoa jurídica”. Incontestável, assim, o erro na eleição do sujeito passivo pelo autuante, prejudicando em sua plenitude a autuação.” (grifo nosso) É de se destacar que nada mudou em relação ao fundamento adotado pela DRJ (fl. 273): “Há, portanto, nos lançamentos ora em análise, evidente erro na identificação do sujeito passivo da obrigação, o que acarreta a ineficácia dos autos de infração sendo, consequentemente, insustentável a exigência do crédito neles formalizado, motivo pelo qual devem ser cancelados os presentes Autos de Infração. Em decorrência, resta prejudicada a análise das questões de mérito suscitadas na peça impugnatória. Por todo o exposto, na parte conhecida, voto por julgar procedente a impugnação apresentada, para acolher a preliminar suscitada declarando nulos os lançamentos relativos ao PIS e à COFINS.” (grifo nosso) O julgamento do CARF, ao negar provimento ao recurso de ofício, claramente endossa os fundamentos adotados pela DRJ. Resta evidente que tanto a negativa de provimento ao recurso de ofício quanto a decisão de primeira instância foram motivadas por erro na eleição do sujeito passivo. A pessoa/estabelecimento a ser autuada/o deveria ser outra/o, e não aquela/e que figurou no polo passivo da autuação. Inequívoca, assim, a fundamentação, cujo marco normativo foi explicitado tanto no voto condutor da decisão da DRJ quanto no CARF: art. 15, III da Lei no 9.779/1999: “Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: (...) III a apuração e o pagamento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servido Público PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS;(...)” (grifo nosso) A preocupação da Fazenda Nacional nitidamente se refere à aplicação do art. 173, II do Código Tributário Nacional, que dispõe: Fl. 343DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.” Assim, deseja, na prática, saber a Fazenda saber se seria possível a lavratura de outra autuação para exigência dos montantes afastados pela DRJ. A Fazenda indica em seu arrazoado uma sugestão de classificação dos vícios (em formais e materiais) proposta por Leandro Paulsen, sendo os formais os atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário, e os materiais os relativos à validade e à incidência da Lei. E revela a Fazenda o entendimento de que a escolha de sujeito passivo diverso do que deveria ter figurado na autuação, em desconformidade com o comando legal, é questão com fulcro central procedimental. Contudo, entendo que descabe ao CARF manifestarse sobre o tema, na linha do que já vem decidindo unanimemente esta turma: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECISÃO PELA NULIDADE. FUNDAMENTOS. CLASSIFICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material.” (Acórdão no 3403002.512, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.set.2013) Vejase que o que se busca em sede de embargos declaratórios é uma antecipação de mérito em relação à legitimidade (afastandose a decadência) de uma segunda autuação, ainda inexistente. Entendo não incumbir a esta corte manifestarse sobre tal matéria, seja porque anteciparia (ao menos parcialmente) mérito em relação a processo diverso, que terá que seguir seu curso administrativo sem opiniões préconcebidas, seja porque a decisão embargada indicou precisamente seus fundamentos, não havendo a omissão ou obscuridade ensejadora de embargos, nos termos do art. 65 do RICARF. Ausente a obrigatoriedade de o CARF manifestarse sobre a classificação de vícios, e, portanto, não existindo omissão ou obscuridade, voto pela rejeição dos embargos apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 344DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12897.000460/200916 Acórdão n.º 3403003.139 S3C4T3 Fl. 343 5 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10768.001524/00-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 30/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA.
O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolando-se em definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto o recurso cabível no prazo estabelecido.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3401-002.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO PROLATADA. O recurso interposto após o prazo 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, na forma do Decreto nº 70.235/72, não deve ser conhecido pelo colegiado ad quem, convolandose em definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto o recurso cabível no prazo estabelecido. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 15 24 /0 0- 19 Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório O presente processo formalizava, inicialmente, acompanhamento administrativo de ação judicial, posteriormente convertido em repetição de indébito c/c compensações, cuja homologação não foi integralmente efetivada devido à insuficiência de direito creditório, uma vez que a DERAT/RJ entendeu que o contribuinte utilizou o crédito de forma não autorizada pelo título judicial. Segundo consta dos autos, encontramse apensados os processos administrativos 10768.002017/200334, 10768.003218/200359, 10768.004417/200384, 10768.002842/200339 e 10768.100372/200378, que albergam exclusivamente declarações de compensação vinculadas ao crédito debatido. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou, sinteticamente, a falta de clareza dos cálculos realizados pelo despacho decisório e, no mérito, que a compensação realizada observou a legislação de regência da matéria. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ julgou a manifestação improcedente afastando a preliminar de nulidade e asseverando que a decisão judicial transitada em julgado deve ser observada à risca, sem possibilidade de interpretação ampliativa de seus termos. Em recurso voluntário o contribuinte contesta a conclusão do julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Examinando os elementos componentes dos autos constato que a ciência da decisão recorrida efetuouse por via postal, através de remessa registrada sob o nº RA 801311920 BR (fl. 1.308), cujo resultado do rastreamento indicou sua postagem em 23/10/2013, com a entrega realizada em 24/10/2013 (fl. 1.309), quintafeira. O recurso voluntário, por seu turno, foi protocolado em 27/11/2013 (fl. 1.342), quartafeira. Procedendo à contagem do prazo recursal na forma dos arts. 5º e 23 do Decreto nº 70.235/72, verifico que o prazo legal de 30 (trinta) dias esgotouse em 23/11/2013, sábado, postergandose para o primeiro dia útil seguinte, dia 25/11/2013, segundafeira. Nesta senda, inobservado o prazo estipulado pelo art. 33 do já referido Decreto nº 70.235/72, resta indiscutível a perempção da peça interposta. Outrossim, ainda que despiciente, cabe registrar que na peça recursal o interessado afirmou que teria tomado ciência da decisão a quo em 28/10/2013, no entanto, não foi coligida qualquer prova desta afirmação, pelo contrário, o documento nº 2, que a instrui, ostenta a seguinte observação manuscrita “recebido 24/10”, o que vem ao encontro da informação oficial disponibilizada pelos Correios. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10768.001524/0019 Acórdão n.º 3401002.636 S3C4T1 Fl. 11 3 Assim, considerando que o recurso não atende a requisito essencial de admissibilidade, qual seja, a tempestividade, voto por não conhecêlo. Robson José Bayerl Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.721675/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
SALDO NEGATIVO DE CSLL. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE.
As pessoas jurídicas que compensarem a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida, apurada em declaração, com valores retidos na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente apresentando uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora. O saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido apurado, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação.
CSLL. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO E PELA RETENÇÃO.
A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido retido na fonte compete à fonte pagadora.
BÔNUS DE ADIMPLÊNCIA FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS CREDENCIADAS. CUMPRIMENTO DAS NORMAS LEGAIS. REQUISITOS PREVISTOS NA LEI. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL
Interpreta-se literalmente a legislação que dispõe sobre renúncia fiscal condicionada ao cumprimento de condições estabelecidas de forma inequívoca na lei que a instituiu. Assim, somente farão jus ao Bônus de Adimplência Fiscal as pessoas jurídicas adimplentes com os tributos e contribuições administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil nos últimos cinco anos-calendários, assim entendidas aquelas que atenderem aos requisitos estabelecidos no § 3º, art. 38, da Lei n° 10.637, de 2002.
Numero da decisão: 1402-001.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE CSLL. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. As pessoas jurídicas que compensarem a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida, apurada em declaração, com valores retidos na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente apresentando uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora. O saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido apurado, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. CSLL. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO E PELA RETENÇÃO. A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido retido na fonte compete à fonte pagadora. BÔNUS DE ADIMPLÊNCIA FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS CREDENCIADAS. CUMPRIMENTO DAS NORMAS LEGAIS. REQUISITOS PREVISTOS NA LEI. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL Interpreta-se literalmente a legislação que dispõe sobre renúncia fiscal condicionada ao cumprimento de condições estabelecidas de forma inequívoca na lei que a instituiu. Assim, somente farão jus ao Bônus de Adimplência Fiscal as pessoas jurídicas adimplentes com os tributos e contribuições administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil nos últimos cinco anos-calendários, assim entendidas aquelas que atenderem aos requisitos estabelecidos no § 3º, art. 38, da Lei n° 10.637, de 2002.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa
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REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. As pessoas jurídicas que compensarem a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida, apurada em declaração, com valores retidos na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente apresentando uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora. O saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido apurado, decorrente de retenção na fonte, só pode ser reconhecido como direito creditório, até o montante efetivamente confirmado, se comprovado que as receitas que lhe deram origem foram oferecidas à tributação. CSLL. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO E PELA RETENÇÃO. A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido retido na fonte compete à fonte pagadora. BÔNUS DE ADIMPLÊNCIA FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS CREDENCIADAS. CUMPRIMENTO DAS NORMAS LEGAIS. REQUISITOS PREVISTOS NA LEI. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL Interpretase literalmente a legislação que dispõe sobre renúncia fiscal condicionada ao cumprimento de condições estabelecidas de forma inequívoca na lei que a instituiu. Assim, somente farão jus ao Bônus de Adimplência Fiscal as pessoas jurídicas adimplentes com os tributos e contribuições administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil nos últimos cinco anoscalendários, assim entendidas aquelas que atenderem aos requisitos estabelecidos no § 3º, art. 38, da Lei n° 10.637, de 2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 16 75 /2 01 0- 61 Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento a Conselheira Cristiane Silva Costa Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório COMPANHIA DE GÁS DE SÃO PAULO COMGAS, contribuinte inscrita no CNPJ/MF 61.856.571/00117, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, à Rua das Olimpíadas, nº 205, Bairro Vila Olímpia, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 1018/1031), prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP1, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1050/1066. A requerente transmitiu, em 27/03/2006, a DCOMP n° 24691.37957.270306.1.3.039030 pretendendo compensar débitos de sua responsabilidade com alegado crédito de Saldo Negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL do anocalendário 2005, no valor de R$ 16.285.446,19. Essa DCOMP foi retificada duas vezes, sendo a declaração ativa a de n° 10344.91366.170407.1.7.036670 (fls.03/16), tendo havido posteriormente transmissão de novas declarações de compensação vinculadas ao mesmo crédito. O Saldo Negativo em questão teria sido apurado no confronto entre a CSLL devida, R$ 21.594.083,32, e as deduções efetuadas a título de Bônus de Adimplência Fiscal (R$ 3.749.852,55) e valores pagos de estimativas mensais, no total de R$ 34.129.676,96, com o que haveria Saldo Negativo de CSLL no anocalendário 2005 de R$ 16.285.446,19, conforme Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ/2006 (fl. 23). De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, através de Despacho Decisório (fls. 862/878), apreciou e concluiu, em 21/02/2011, que o presente pedido de compensação é parcialmente procedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que forneceu ainda "Relações de Faturas com retenção de CSLL Órgãos Públicos 2004" (fls. 151/162), que apresentam soma de R$ 5.052,45 de CSLL Retida na Fonte, valor diferente no mencionado na correspondência que capeia a documentação R$ 5.760,92 (fl. 103), seguidas de cópias de Notas Fiscais de fornecimento de gás (fls. l63/200, 203/402, 405/603 e 606/652), cujo exame permite constatar que inclui uma única Nota Fiscal referente ao anocalendário de 2005 (fl. 446), no valor de R$ 696,78 de fornecimento, que não destaca, porém, ao contrário das demais, nenhuma retenção de CSLL nem há, no sistema SIEF/DIRF, nenhuma retenção a esse título informada pelo detentor do CNPJ constante dessa Nota (Banco do Brasil S.A.) para o anocalendário 2005. Quanto às demais, tanto os meses de referência como as datas de vencimento das notas fiscais referemse aos anoscalendário 2004, 2007, 2008 e 2009, de nenhum interesse para a formação de Saldo Negativo de CSLL do ano calendário 2005 tratado neste processo. Neste tópico, não há, portanto, valores de retenção de CSLL confirmados; Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 que os elementos fornecidos juntamente com a correspondência de 06/01/2011 constituemse de Relações de Faturas com! Retenção de CSLL Órgãos Públicos, informando faturamentos de 2001 a 2005 a diversas instituições públicas, relacionando as faturas e mencionando os valores das mesmas e quais teriam sido os valores das retenções. A citada correspondência menciona que "... a maior parte dos Informes de Rendimentos ... não foram remetidos pelas respectivas fontes pagadoras, todas órgãos públicos federais”; que quanto às estimativas demonstradas no Quadro n° 1, foram confirmados no SINAL08 os R$ 28.209.483,60 pagos em DARF (fl. 24) informados na DCOMP. No que se refere às estimativas de CSLL compensadas referentes Novembro e Dezembro de 2005 no total de R$5.824.754,24, relacionadas no Quadro n° 1, todas as DCOMP's que foram informadas na DCOMP que demonstra o crédito tratado neste processo (fls.03/12) foram retificadas. Considerando ainda haver inconsistências entre os números e valores dessas DCOMP's e os constantes das DCTF's respectivas, o contribuinte, atendendo aos termos da Intimação, forneceu relação de declarações ativas que dariam suporte a tais compensações (fl. 656). Conforme se verifica no Quadro n° 2 (fl. 858), as declarações de compensação retificadoras que se referem à estimativa de Novembro de 2005 foram informadas em DCTF retificadora (fls. 42/43). No que se refere a Dezembro, as declarações de compensação retificadoras não foram informadas em DCTF, que permanece registrando números e valores das originais (fls.46/47); que considerando que a relação fornecida pelo contribuinte (fl. 656) das DCOMP's ativas que compensaram estimativas em Novembro e Dezembro de 2005 incluiu as declarações de n° 25881.82398.240309.1.7.042006 (que informou retificar a de n° 13960.06555.281205.1.3.046730) e 18802.09807.240309.1.7.041108 (pretendendo retificar a de n° 20164.96759.220906.1.7.045124) que foram consideradas retificadoras nãoadmitidas no processo administrativo n° 16306.000001/201111 pelo Despacho Decisório de 10/01/2011 (cópia às fls. 830/831 AR à fl. 832), por se referirem aos processos administrativo n° 11831.002564/200371 e n° 11831.003725/200344 (apensado ao primeiro), que já haviam sido objeto de despacho decisório da DERAT e de acórdão da Delegacia de Julgamento (fls.65/95) prevalecerão como ativas as que se pretendeu retificar, e que já foram consideradas nãohomologadas no processo administrativo n° 11831.002564/200371; que o quadro abaixo apresenta o resultado da análise das DCOMP's que compensaram estimativas de Novembro e Dezembro de 2005, e que foram objeto de decisão administrativa pelo SCC Sistema de Controle de Crédito ou em análise manual. A DCOMP n° 25514.06987.250309.1.7.047034 foi objeto do processo administrativo n° 16306.000002/201165 e de Despacho Decisório de nãohomologação em 10/01/2001 (fls. 833/838 AR à fl. 839). As DCOMP's de n° l8605.17792.210206.1.3.041043 e 39578.58419.230206.1.7.045116 tiveram as compensações respectivas nãohomologadas, conforme despachos decisórios de fls. 840/845 e 848/852; que Será validado, portanto, o valor de R$ 3.059.029,94 de estimativas compensadas de CSLL no anocalendário 2005, na forma discriminada no Quadro n°4. que o segundo questionamento apresentado na Intimação 25 l O/l l / 2 0 l 0 (fls. 39/40) referiuse à dedução, do valor apurado de CSLL referente ao anocalendário 2005, de R$ 3.749.852,55 a título de Bônus de Adimplência Fiscal (Ficha 17 linha 46; fl. 23); que em sua resposta de fls. 02/104, o contribuinte menciona o Artigo 38 da Lei n° 10.637/2002, e justifica o enquadramento da empresa nas condições previstas no referido dispositivo legal para o gozo do benefício com a apresentação de cópias de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa emitida em 06/07/2006 (fl.654) e de Certificado de Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 4 5 Registro Cadastral CRC junto ao Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores S1CAF do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão |(fl. 655), também datado de 06/07/2006. Apresentou ainda memória de cálculo do Bônus em questão, como solicitado na Intimação (fl. 653). O inciso I do § I o do Artigo 38 da mencionada lei estabelece que o valor do bônus corresponderá a 1% da base de cálculo da CSLL determinada segundo os critérios estabelecidos para empresas submetidas ao regime de apuração com base no lucro presumido. O cálculo fornecido pela empresa atendeu a esse requisito (fls.819/821); que por implicar em renúncia fiscal, os termos do artigo 38 da Lei n° 10.637/2002 devem ser interpretados literalmente, e a ocorrência de uma única infração ao que nele se determina desqualifica a empresa ao benefício do bônus. De fato, o artigo n° 111 da lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional); que conforme aqui demonstrado, houve grande número de infrações ao que exige a lei para enquadramento nas condições previstas para a obtenção do direito ao Bônus de Adimplência Fiscal, não sendo aceitável a justificativa da empresa de que tais condições possam ser supridas com a apresentação de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa e de Certificado de Registro Cadastral CRC junto ao Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores SICAF do Ministério do Planejamento (fls. 654/655), documentos esses emitidos com outras finalidades e com base em outros pressupostos e exigências. Não será validada, portanto, a dedução dos R$ 3.749.852,55, praticada pelo contribuinte, a título de Bônus de Adimplência Fiscal do valor de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado no anocalendário 2005. O Despacho Decisório está consubstanciado pela seguinte ementa: Compensação. Crédito de Saldo Negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005 Ementa: O sujeito passivo que apurar crédito líquido e certo relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da RFB. As pessoas jurídicas que compensarem a contribuição social sobre o lucro líquido devida, apurada em declaração, com valores retidos na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente apresentando uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora. Interpretase literalmente a legislação que dispõe sobre renúncia fiscal condicionada ao cumprimento de condições estabelecidas de forma inequívoca na lei que a instituiu. Compensações Homologadas até o Limite do Direito Creditório Reconhecido Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 22/03/2011, conforme Termo constante às fls. 879/881, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (25/04/2011), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 883/893, instruído pelos documentos de fls. 894/1014, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações; que, quanto às retenções de CSLL realizadas por órgãos públicos e pessoas jurídicas, é de se dizer que a totalidade das retenções tributárias realizadas por clientes da Comgás foram demonstradas de maneira, clara ao Sr. Auditor Fiscal, conforme documentação apresentada nos dias 07/12/10 (does. 30/32) e 06/01/11 (does. 28/29).; que na referida documentação e demonstrativos apresentados, seria perfeitamente possível identificar as retenções de CSLL realizadas tanto por órgãos públicos, o que inclui entidades da própria União Federal, como também por pessoas jurídicas de direito privado; que nas planilhas e documentos apresentados foram informados não apenas as fontes retentoras da CSLL, mas sim, todos os detalhes das operações que [deram origem a tais retenções, incluindo volume de fornecimento de gás, valores por m3, endereço do destinatário do gás natural canalizado fornecido, CNPJ, enfim, elementos mais do que suficientes para que o Sr. Fiscal pudesse ratificar as informações prestadas; que, não obstante, é oportuno dizer que grande parte das retenções de CSLL foram realizadas por entidades pertencentes à própria União Federal. Desta feita, em flagrante descumprimento da legislação tributária, tais clientes não apresentaram à Recorrente, em momento algum, os respectivos informes de rendimentos relacionados às retenções tributárias efetuadas durante o anocalendário 2005; que, quanto à pendência de julgamento quanto aos PER/DCOMP's relacionados à quitação da estimativa de CSLL apurada em nov/05 e dez/05, é de se dizer que no que se refere à alegação de que parte da quitação da CSLL dos meses de nov/05 e dez/05 efetuadas mediante procedimento de compensação não teriam sido homologadas, insta esclarecer que a citada nãohomologação foi objeto de recurso voluntário que se encontra pendente de julgamento de Recurso Voluntário; que conforme depreendese do quadro n° 4 do despacho decisório ora recorrido, não teriam sido homologadas pela Receita Federal as PER/DCOMP's a seguir relacionadas: 21642.34478.220906.1.7.049188, no valor de R$ 316.099,59; 20164.96759.220906.1.7.045124, no valor de R$ 263.980,01; 18605.17797.210206.1.3.04 1043, no valor de R$ 33.956,53; 02623.42000.230206.1.7.042870, no de R$ 85.329,18; 39578.58419.230206.1.7.045116, no valor de R$ 2.055.815,46 e 18605.17797.210206.1.3.04 1043, no valor de R$ 10.543,52 T O T A L = R$ 2.765.724,29; que o não reconhecimento das citadas compensações enquanto o processo administrativo correspondente não se conclui, seria, no mínimo, declarar como inexistente o direito à ampla defesa e do contraditório, assegurado pelo art. 5º, LV, da Constituição Federal, além de assumir como inócuo o Decreto Federal n° 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal relativos aos créditos tributários da União Federal; que, este cenário, por si só, já demonstra a evidente necessidade de reforma do r. despacho, de modo a reconhecer como existentes e válidas as compensações utilizadas para quitação da CSLL Estimativa dos meses de novembro de dezembro de 2005, deixando a Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 5 7 cargo do processo administrativo 11831.002564/200371 a missão de validar ou não as mencionadas compensações; que, quanto à legitimidade do Bônus de Adimplência Fiscal usufruído pela Recorrente, é de se dizer que Surpreendentemente, ao avaliar a legitimidade bônus de adimplência fiscal usufruído na apuração da CSLL do anocalendário de 2005, por entender que não teria a Recorrente atendido aos pressupostos legais necessários para aproveitamento deste benefício fiscal; que, com efeito, a Recorrente demonstrou e comprovou sua absoluta condição de adimplência fiscal durante os 5 anoscalendários que antecederam o período de apuração do anocalendário 2005, lhe causando indignação a desconsideração de sua conduta ilibada que sempre norteou suas práticas fiscais perante a Secretaria da Receita Federal; que, nesse passo, é cediço que o Bônus de Adimplência Fiscal foi criado com o objetivo de estimular o adimplemento dos contribuintes quanto às suas obrigações perante a Secretaria da Receita Federal. Aliás, esta finalidade foi inclusive manifestada na exposição de motivos da Medida Provisória 66/02, em seu parágrafo 30; que, no caso em tela, foi apresentado ao Sr. Auditor Fiscal uma certidão positiva com efeitos de negativa, em vigor na época do aproveitamento do benefício fiscal, que demonstrava de maneira inequívoca que a Recorrente não possuía qualquer débito exigível pela Secretaria da Receita Federal, razão pela qual sua condição de adimplência fiscal foi cristalinamente comprovada; que de tudo quanto exposto pelo Sr. Auditor Fiscal, restou evidente que o não reconhecimento ao direito ao Bônus de Adimplência Fiscal ocorreu por conta de ínfimas infrações supostamente cometidas pela Recorrente, cujos débitos e multas foram adimplidos ou encontravamse com exigibilidade suspensa; que, portanto, a Recorrente estava sim adimplente com suas obrigações tributárias perante a Secretaria Receita Federal, não havendo pendência fiscal alguma no período de aproveitamento do Bônus de Adimplência Fiscal que pudesse lhe constituir como uma contribuinte devedora da Fazenda. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 25/04/2011, a 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP1 autoridade julgadora revisora resolveu julgar procedente em parte à manifestação de inconformidade, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 1018/1031): que, quanto às retenções de CSLL não comprovadas, é de se dizer Conforme concluído pela autoridade recorrida, dos R$ 95.439,12 de CSLL retida que foram utilizados pela contribuinte na apuração da CSLL a pagar em 31.12.2005, apenas uma parte foi comprovada mediante apresentação de informe de rendimentos, no valor de R$ 2.175,22, restando não comprovada por documentação hábil o montante de R$ 93.263,90 (R$ 95.439,12 R$ 2.175,22); que, primeiramente, há que se consignar que as informações prestadas pela requerente na Ficha 50 da DIPJ 2006 retificadora apresentamse conflitantes com o Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 PER/DCOMP apresentado, em que a requerente informou que a CSLL retida corresponderia a uma única fonte pagadora, o Banco do Brasil S/A, sob código 5987; que a despeito da divergência entre o PER/DCOMP e a DIPJ, bem como do fato de que a contribuinte nem sequer discriminou na Ficha 50 os rendimentos e retenções correspondentes à CSLL retida utilizada na Ficha 17, a autoridade fiscal intimou a interessada a demonstrar e comprovar a composição do valor descontado da CSLL devida a título de CSLL retida; que a fim de confrontar a análise pormenorizada realizada pela autoridade fiscal, a requerente simplesmente alega que apresentou documentação hábil nos dias 07/12/10 (docs. 30/32) e 06/01/11 (docs. 28/29), que seria suficiente a comprovar a totalidade das retenções tributárias realizadas pelos clientes da Comgás, órgãos públicos ou pessoas jurídicas de direito privado, visto que tal documentação teria fornecido todos os detalhes das operações que deram origem a tais retenções; que, porém, como verificado, a requerente apresentou documentação impertinente, porque relativa a períodos diversos do analisado, e contendo informações inconsistentes com os demonstrativos que a acompanhou; que ainda que a documentação tenha fornecido os detalhes de algumas operações que teriam dado origem às retenções pretendidas para o anocalendário de 2005, não abrangeu operações de vulto suficiente a justificar o valor retido informado pela contribuinte, tampouco veio acompanhada de efetivo suporte probatório; que em consulta ao sistema SIEF/DIRF, verificase ainda que a requerente foi informada como beneficiária em DIRF, de rendimentos sujeitos a retenção de CSLL, no total de R$ 5.754,14 com contribuições retidas (PIS, COFINS e CSLL, código 5952) no montante de R$ 267,57, valor inferior inclusive ao que foi confirmado pela autoridade recorrida, conforme pesquisa anexada (fl. 1.017); que a documentação apresentada, embora contivesse algumas informações a respeito das operações que teriam dado origem a tais retenções (volume de fornecimento de gás, valores por m3, endereço do destinatário do gás natural canalizado fornecido, CNPJ), não possui valor probatório a respeito das retenções examinadas, de modo que a autoridade fiscal agiu corretamente em não ratificar as retenções informadas e utilizadas em sua declaração de rendimentos; que vale lembrar que, para utilização da contribuição retida como dedução da contribuição devida apurada na DIPJ, fazse necessário que (i) os correspondentes rendimentos tenham sido oferecidos à tributação e (ii) que reste comprovada a efetiva retenção; que no caso ora enfrentado, a glosa do crédito relativo à CSLL retida fundouse na ausência de comprovação das retenções utilizadas e informadas na DIPJ analisada, constatação refutada pela interessada com base na documentação anteriormente analisada; que não se mostrando possível a confirmação dos valores efetivamente retidos a título de CSLL e que não foram ratificados pela autoridade recorrida, e por ser essencial à validação do crédito sua certeza e liquidez, não há como se considerar tais valores na composição do saldo negativo do período, sendo os mesmo excluídos do montante apurado como CSLL retida na fonte; Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 6 9 que quanto às estimativas computadas na apuração do saldo negativo de CSLL, é de se dizer que A contribuinte sustenta que as estimativas relativas a novembro e dezembro de 2005 devem ser consideradas no cômputo do saldo negativo de CSLL do período porque devidamente compensadas nos autos do processo nº 11831.002564/200371 que, à época da apresentação da manifestação de inconformidade ora analisada, se encontraria pendente de apreciação de recurso voluntário; que a respeito do processo administrativo noticiado, verificase que o mesmo se refere a apenas uma parte das estimativas compensadas cujo crédito foi glosado pela autoridade fiscal (DCOMPs nº 21642.34478.220906.1.7.049188 e 20164.96759.220906.1.7.045124), sendo que as demais compensações com as estimativas de novembro e dezembro de 2005, objeto de glosa, foram processadas em outros processos administrativos e também não tiveram como resultado a homologação pretendida pela contribuinte; que quanto ao processo nº 11831.002564/200371, verificase que as compensações pretendidas restaram não homologadas pela última instância administrativa, visto que o recurso voluntário apresentado pela requerente foi negado, por unanimidade, pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Acórdão nº 1202000.505, de 29/03/2011); que não há que se falar em afronta aos direitos à ampla defesa e ao contraditório, que foram previamente exercidos naqueles autos, considerandose que o recurso voluntário já foi apreciado pelo CARF, que tornou definitiva a não homologação da compensação dos débitos de estimativa de novembro e dezembro de 2005; que, contudo, é fundada a alegação de que a RFB viria a lhe exigir o mesmo tributo duas vezes, na hipótese de serem mantidas as decisões não homologatórias de ambos os processos, visto que a DCOMP constitui instrumento hábil à cobrança e inscrição em dívida ativa dos débitos não compensados, conforme estabelecido no artigo 74, §§ 6º, 7º e 8º da Lei nº 9.430/96; que considerando que as estimativas computadas no saldo negativo compensado no PER/DCOMP restaram não homologadas em última instância administrativa e, por essa razão, deverão ser quitadas em cobrança executiva, não se mostra cabível a glosa da utilização das estimativas na formação do crédito pretendido; que também se afigura incabível a glosa das estimativas compensadas em outros procedimentos administrativos, em que já proferidos despachos de não homologação (DCOMPs nº 18605.17797.210206.1 3.041043, 39578.58419.230206.1.7.045116) ou, ainda que esteja com análise suspensa, encontramse devidamente confessadas em DCTF (DCOMP nº 02623.42000.230206.1 7.042870); que, diante disso, o despacho decisório merece reparos nesse aspecto, para considerar na apuração do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2005 as estimativas não quitadas no valor de R$ 2.765.724,30, cuja compensação restou não homologada; que, quanto ao Bônus de Adimplência Fiscal, é de se dizer que inferese dos textos legais que regem o assunto que a adimplência com os tributos e contribuições administrados pela SRF pelos últimos cinco anos consiste em prérequisito para a utilização do benefício; Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 que, por sua vez, a situação de “adimplência” a que se reporta a norma encontrase definida pelas condições literais previstas no § 3º do artigo 38 da Lei nº 10.637, de 2002, não se encontrando no referido diploma qualquer referência à mera apresentação de certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa, tal como pretendeu a requerente demonstrar sua condição de adimplemento; que, bem assim, o fato de os lançamentos de ofício a que se sujeitou a contribuinte se referirem a fatos geradores ocorridos anteriormente ao qüinqüênio que antecedeu o período analisado não afasta o impedimento relativo aos lançamentos de ofício, sendo relevante o momento em que ocorrida a lavratura do lançamento verificado, de acordo com a norma legal; que, além disso, mostrase irrelevante o montante recolhido aos cofres públicos pelo interessado no Bônus de Adimplência Fiscal, pois qualquer medida de compensação ou exceção teria que vir expressamente prevista na norma geral, para ser aplicada no caso concreto; que, de qualquer modo, a argumentação da recorrente em face das condições estabelecidas para o enquadramento na situação de “adimplente” nos termos da referida lei não pode ser acatada na esfera administrativa, visto depender de análise da legalidade e constitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico; que ao julgador da esfera administrativa compete unicamente verificar a harmonia entre os atos praticados, o enquadramento legal e a situação fática que ensejou a formalização da relação jurídicotributária, abstraindose de apreciar aspectos relacionados com a legalidade ou constitucionalidade daqueles atos; que, no caso em apreço, não há margem para a interpretação legal sustentada pela requerente, que atenta contra a literalidade da lei, devendo ser ratificada a conclusão dada pela autoridade recorrida, no sentido de que a contribuinte não tem direito ao Bônus de Adimplência Fiscal para reduzir o valor da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido a pagar ao final do anocalendário de 2005. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COM COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. As estimativas compensadas por meio de DCOMP posteriormente não homologadas devem ser consideradas na apuração do imposto ou contribuição a pagar, ou do saldo negativo do respectivo período de apuração. ANTECIPAÇÕES. CSLL RETIDA NA FONTE. Para utilização da CSLL retida na fonte como dedução na apuração da contribuição ao final do período, fazse necessário que, além da tributação dos correspondentes rendimentos, seja comprovada a efetividade das retenções mediante apresentação Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 7 11 dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras. BÔNUS DE ADIMPLÊNCIA FISCAL. Somente farão jus ao Bônus de Adimplência Fiscal as pessoas jurídicas adimplentes com os tributos e contribuições administrados pela SRF nos últimos cinco anoscalendários, assim entendidas aquelas que atenderem aos requisitos estabelecidos no § 3º, art. 38, da Lei n° 10.637, de 2002. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 10/10/2011, conforme Termo constante às fls. 1048/1049, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (08/11/2011), o recurso voluntário de fls. 1050/1057, instruído pelos documentos de fls. 1058/1067, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que valese a Recorrente desse Recurso Voluntário, para que esse Egrégio Conselho, com a devida vênia, reforme parcialmente o v. Acórdão recorrido para reconhecer o restante do saldo negativo da CSLL a que faz jus a Recorrente (R$3.843.116,45), decorrente de retenções na fonte no valor de R$93.263,90, bem como o pleno direito ao Bônus de Adimplência Fiscal, no montante de R$3.749.852,55; que, quanto às RETENÇÕES DE CSLL REALIZADAS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS E PESSOAS JURÍDICAS, é de se dizer que consoante demonstrado na manifestação de inconformidade, a suposta ausência de documentos comprobatórios relativos As retenções de CSLL realizadas pela Recorrente de Órgãos Públicos e Pessoas Jurídicas foi o motivo que serviu de fundamento no despacho não homologatório das compensações pleiteadas; que, nesse sentido, com o devido acatamento, a Recorrente reiterou e ponderou na manifestação de inconformidade que a totalidade das retenções tributárias realizadas por seus clientes foram cabalmente comprovadas, conforme documentação apresentada nos dias 07/12/10 (docs. 30/32) e 06/10/11 (docs. 28/29); que por se tratarem de operações cujos documentos apresentados contem dados suficientemente claros para validálos ou, ate mesmo, conferilos com as respectivas fontes retentoras, fazse mister sejam as retenções de CSLL informadas na DIPJ do ano calendário 2005 plenamente corroboradas, devendo, pois, ser reformado o v. Acórdão da DRJ/SP1 para o fim de reconhecer o saldo negativo de CSLL R$ 93.263,90; que, quanto ao DIREITO AO BÔNUS DE ADIMPLENCIA FISCAL, é de se dizer consoante se nota dos autos, o Sr. Agente Fiscal desconstituiu o bônus de adimplência fiscal usufruído na apuração da CSLL do anocalendário de 2005, deixando de homologar a dedução da CSLL, efetuada a esse titulo no valor de R$3.749.852,55, por entender que não teria a Recorrente atendidos aos pressupostos legais necessários para o seu aproveitamento; Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 que a Recorrente, nesse ponto, demonstrou e comprovou na manifestação de inconformidade apresentada sua absoluta condição de adimplência fiscal durante os 5 anos calendários que antecederam o período de apuração do anocalendário 2005; que o v. Acórdão recorrido, considerou supostos débitos decorrentes de fatos geradores ocorridos anteriormente ao qüinqüênio, o que evidentemente contraria a legislação de regência, devendo ser reformado por esse Egrégio Conselho; que, no caso em tela, foi apresentado ao Sr. Auditor Fiscal uma certidão positiva com efeitos de negativa (emitida, pois, pelo próprio Fisco Federal), em vigor na época do aproveitamento do beneficio fiscal, que demonstrava de maneira inequívoca que a Recorrente não possuía qualquer debito exigível pela Secretaria da Receita Federal, razão pela qual sua condição de adimplência fiscal foi cristalinamente comprovada; que não se alegue que o fato de os lançamentos de oficio a que se sujeitou a contribuinte, mesmo se referindo a fatos geradores ocorridos anteriormente ao qüinqüênio que antecedeu o período analisado, afastaria o direito ao beneficio fiscal; que, isto porque, consoante demonstrado na manifestação de inconformidade apresentada, inclusive com pareceres de juristas renomados, a qual a Recorrente se reporta em sua integralidade para o fim de evitar a tautologia, se o fato gerador ocorreu antes do qüinqüênio, ele não constitui elemento suficiente para excluir o direito da Recorrente para o aproveitamento do aludido beneficio fiscal, devendo, pois, ser reformado o v. Acórdão para o fim de legitimar o direito da Recorrente ao aproveitamento do Bônus de Adimplência Fiscal para o anocalendário de 2005. É o relatório. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Tratase de recurso voluntário apresentado em face do Acórdão nº 16.33.616 proferido pela 5ª Turma da DRJ/SP1 de fls. 1018/1031, pelo qual se reconheceu em favor da requerente crédito de R$ 12.442.329,00 (R$ 9.676.605,44 sendo reconhecida pela Autoridade Administrativa + R$ 2.765.724,30 sendo reconhecida pela decisão recorrida), referente ao saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ do anocalendário de 2005, o qual foi apurado e pleiteado no valor de R$ 16.285.446,19 e, conseqüentemente, homologou parcialmente as compensações do crédito com débitos próprios informados nos PER/DCOMP nº 10344.91366.170407.1.7.036670, 25469.14449.170407.1.7.036329 e 36195.87707.170407.1.7.031196. O objeto da lide ora enfrentada corresponde à compensação com a parcela do crédito não reconhecida pelas decisões anteriores, a qual equivale a R$ 3.843.116,45, relativo ao período encerrado em 31/12/2005. A conclusão da análise fiscal pautouse nas verificações abaixo sintetizadas: a a interessada não faz jus ao Bônus de Adimplência Fiscal instituído pelo artigo 38 da Lei nº 10.637/2002, por não se enquadrar nas condições previstas nos incisos I, II, III e IV do § 3º do referido artigo, sendo inválida a dedução da CSLL devida efetuada a esse título, no valor de R$ 3.749.852,55; b parte das retenções descontadas da CSLL devida, sob código 5987, e informadas na Ficha 50 da DIPJ, não foram confirmadas ou comprovadas mediante documentação idônea, a qual foi devidamente solicitada à interessada no curso do procedimento fiscal, no valor de R$ 93.263,90. Assim, a primeira discussão referese ao Bônus de Adimplência Fiscal. A recorrente cita o art. 38 da Lei n° 10.637/2002, e justifica o enquadramento da empresa nas condições previstas no referido dispositivo legal para o gozo do benefício com a apresentação de cópias de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa emitida em 06/07/2006 (fl.654) e de Certificado de Registro Cadastral CRC junto ao Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores S1CAF do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão |(fl. 655), também datado de 06/07/2006. Apresentou ainda memória de cálculo do Bônus em questão, como solicitado na Intimação (fl. 653). O inciso I do § 1º do art. 38 da mencionada lei estabelece que o valor do bônus corresponderá a 1% da base de cálculo da CSLL determinada segundo os critérios estabelecidos para empresas submetidas ao regime de apuração com base no lucro presumido. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 Resta claro, nos autos, que a negativa da compensação está amparada no entendimento de que de acordo com o art. 38 da Lei n° 10.637/2002 estabeleceu condições rígidas para o enquadramento do contribuinte nas condições exigidas para o usufruto do Bônus de Adimplência Fiscal, conforme se vê na transcrição dos parágrafos do referido artigo: § 3º Não fará jus ao bônus a pessoa jurídica que, nos últimos 5 (cinco) anoscalendárío, se enquadre em qualquer das seguintes hipóteses, em relação a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal: I lançamento de ofício; II débitos com exigibilidade suspensa; III inscrição em dívida ativa; IV recolhimentos ou pagamentos em atraso; V falta ou atraso no cumprimento de obrigação acessória. § 4 Na hipótese de decisão definitiva, na esfera administrativa ou judicial, que implique desoneração integral da pessoa jurídica, as restrições referidas nos incisos I e II do § 3º serão desconsideradas desde a origem. § 5º O período de 5 (cinco) anoscalendárío será computado por ano completo, inclusive aquele em relação ao qual darseá o aproveitamento do bônus.' (...) § 10. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as normas necessárias à aplicação deste artigo. Como mencionado, a Autoridade Administrativa relatou em seu Ato Decisório, que não poderia usufruir do benefício empresas que registrassem nenhuma ocorrência das espécies relacionadas nos cinco incisos do parágrafo 3º do art. 38 da Lei 10.637/2002. No caso em análise, no período compreendido entre 01/01/2001 a 31/12/2005 temos o seguinte: 1 – correspondente ao Inciso I lançamento de ofício. Pesquisa no COMPROT comprova a ocorrência de Autos de Infração no período, mas foram todos extintos por revisão de lançamento ou por impugnação (fls. 673/676) .Consta dos registros da Receita Federal a ocorrência de pelo menos um lançamento de ofício, de Imposto de Importação, código de receita 2892, no valor de R$ 3.524,56, com data de vencimento em 30/12/2002 e pago em 10/12/2002 com acréscimo de Multa de Ofício – Imposto de Importação (código 3005) no valor de R$ 1.321,71, no total de R$ 4.846,27 (fls. 683/684). Temos aqui o primeiro registro de não atendimento das condições estabelecidas na lei para o gozo do benefício do bônus em comento; 2 – correspondente ao inciso II débitos com exigibilidade suspensa. A consulta aos bancos de dados da Receita Federal (fls. 677/682) indica ainda haver atualmente 15 processos iniciados no período entre 2001 e 2003 envolvendo débitos de COFINS, PIS, CSLL e IRPJ com exigibilidade suspensa, cuja compensação não foi homologada (total ou parcialmente) em nenhuma instância administrativa anterior ao julgamento do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério 'da Fazenda, onde se encontram para análise. Há apenas um deles que não atingiu esse estágio de tramitação e que se encontra, Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 9 15 após decisão da DRJSPOISP, nesta DERAT para encaminhamento (processo n° 13808.002681/200196). Considerando a natureza das decisões até aqui, desfavoráveis ao contribuinte pelo menos em parte, há possibilidade de que pelo menos em algum (ns) deles haja decisão definitiva, ao menos na esfera administrativa, que provocaria ou o pagamento com atraso dos débitos não compensados ou sua inscrição em Dívida Ativa, o que contrariaria o disposto nos incisos III e IV do elenco de condições para a habilitação ao bônus estabelecido pelo artigo 38 da Lei em comento. A própria existência de tais débitos com exigibilidade suspensa na data da utilização do bônus já caracteriza o descumprimento da condição estabelecida nesse inciso, conforme os § I o e 2o do Artigo 117 da IN/SRF n° 390/2004; 3 – correspondente ao inciso III inscrição em dívida ativa. Os registros da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional do Ministério da Fazenda informam terem ocorrido 12 inscrições em dívida ativa de débitos de responsabilidade do contribuinte em comento, das quais 5 ocorreram entre 2001 e 2005 (fls. 685/689). Dessas, 3 se referiram a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 685/687) e foram inscritas em 2004. Uma dessas foi extinta por cancelamento com ajuizamento a ser cancelado (fl. 687). Nosso entendimento é de que mesmo nesse caso, tendo ocorrido a inscrição, já se caracterizou o descumprimento do previsto nesse inciso III do § 3 o do Artigo 38 da Lei n° 10.637/2002. Independentemente disso, as inscrições de fls. 685 e 686, extintas por pagamento (ver relatórios do sistema SINAL08 que registram pagamentos por conta de tais processos de dívida ativa fls. 690/691), caracterizam cabalmente a ocorrência de fato impeditivo de enquadramento nas condições exigidas para aproveitamento de bônus de adimplência fiscal. As 2 inscrições restantes (fls. 688/689) referemse a débitos junto à Secretaria do Patrimônio da União SPU, não administrados pela SRFB; e 4 – correspondente ao inciso IV recolhimentos ou pagamentos em atraso. Consulta ao sistema SINAL08 da Receita Federal informa a ocorrência de grande número de pagamentos em atraso, com multa e juros, de tributos e contribuições de natureza variada, no período compreendido entre 2001 e 2005, dos quais uma parte foi relacionada às fls. 690/691 694/700. Dentre esses, foram incluídos pagamento efetuados após 2005, mas que se referem a débitos de competência do anocalendário 2005 (fl. 697), o que significa que a empresa, embora reconhecendo e efetuando o pagamento a posteriori dos débitos com encargos, a rigor não estava em dia com suas obrigações tributárias em 31/12/2005. Quanto aos pagamentos após o vencimento efetuados entre 2001 e 2005, tais ocorrências, refletindo atrasos de até quase 4 anos, caracterizam cabalmente o descumprimento da condição estabelecida pela lei para que se obtivesse o benefício fiscal de redução do valor a pagar de CSLL. Dessa forma, por implicar em renúncia fiscal, os termos do art. 38 da Lei n° 10.637/2002 devem ser interpretados literalmente, e a ocorrência de uma única infração ao que nele se determina desqualifica a empresa ao benefício do bônus, conforme previsto no artigo n° 111 da lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Conforme demonstrado, houve grande número de infrações ao que exige a lei para enquadramento nas condições previstas para a obtenção do direito ao Bônus de Adimplência Fiscal, não sendo aceitável a justificativa da empresa de que tais condições possam ser supridas com a apresentação de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa e de Certificado de Registro Cadastral CRC junto ao Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores SICAF do Ministério do Planejamento (fls. 654/655), documentos esses emitidos com outras finalidades e com base em outros pressupostos e exigências. Não será validada, portanto, a dedução dos R$ 3.749.852,55, praticada pelo contribuinte, a título de Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 Bônus de Adimplência Fiscal do valor de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado no anocalendário 2005. Como visto, a segunda discussão versa, tãosomente, sobre a não homologação da retenção de fonte no valor de R$ 93.263,90. O ponto central desta discussão é a exigência de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte, que gerou saldo negativo de CSLL. O saldo negativo apurado pela contribuinte foi compensado. Segundo a autoridade revisora a contribuinte não logrou demonstrar que o imposto de renda retido na fonte tem vinculação e foi efetivamente recolhido pela fonte pagadora, por isso indeferiu a compensação nesta parte. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da recorrente, no ano de 2005, correspondente ao exercício de 2006, estava submetido à modalidade de lançamento por homologação, em que cabe ao sujeito passivo realizar todos os procedimentos de apuração, formalização e liquidação das obrigações tributárias, principais e acessórias. Não há dúvidas de que nessa modalidade de lançamento, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do imposto que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Assim como o contribuinte está sujeito a datas e procedimentos determinados para realizar a tarefa prevista em lei, o Fisco também está sujeito a prazos e procedimentos para verificar se o contribuinte cumpriu o que a lei determina. Resta claro, que o Código Tributário Nacional se refere ao lançamento por homologação como a “atividade” exercida pelo contribuinte, que é realizada quando o objeto da “atividade” é um tributo que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte. Realizada a atividade, compete à autoridade fazendária “homologar” o procedimento, dandoo por bom, quando o seja, ou refazendoo através de correções ou de lançamento de ofício. Assim, o prazo de homologação previsto no Código Tributário Nacional diz respeito ao pagamento, que corresponde, pois, a uma forma de extinção do vínculo obrigacional entre o Estado (como sujeito ativo de um direito) e o particular (como sujeito passivo). A retenção do imposto na fonte informado pela recorrente não seguiu as determinações legais existentes. Verificase que a mesma não apresentou o Comprovante de Rendimentos e de Retenção na Fonte, em descumprimento ao exigido pela legislação de regência (Art. 815 e 943, do RIR/1999). A fim de confrontar a análise pormenorizada realizada pela autoridade fiscal, a requerente simplesmente alega que apresentou documentação hábil nos dias 07/12/10 (docs. 30/32) e 06/01/11 (docs. 28/29), que seria suficiente a comprovar a totalidade das retenções tributárias realizadas pelos clientes da Comgás, órgãos públicos ou pessoas jurídicas de direito Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.721675/201061 Acórdão n.º 1402001.690 S1C4T2 Fl. 10 17 privado, visto que tal documentação teria fornecido todos os detalhes das operações que deram origem a tais retenções. Ora, a recorrente não apresentou o comprovante de retenção. A responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento compete a fonte pagadora, de acordo com o artigo 717 do Decreto 3.000/99 e AD COSAR Nº 20/1995, assim, no caso de imposto ou contribuição retida o DARF é recolhido no CNPJ da responsável pela retenção/recolhimento. Em regra, o sujeito passivo deve guardar os documentos não juntados às declarações entregues à Secretaria da Receita Federal, pelo prazo previsto em lei para que a Fazenda Pública efetue o lançamento, que é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado ou da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 173, inciso I ou 150, § 4º, do Código tributário Nacional. Entretanto, sempre que os documentos a serem guardados refiramse a situações que repercutem em exercícios futuros, o prazo de cinco anos deve ser contado em relação aos exercícios atingidos por aquelas situações. É o caso, por exemplo, da compensação de prejuízos fiscais ou de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, cujos documentos comprobatórios devem ser mantidos. Assim, caberia à recorrente apresentar o comprovante de rendimentos recebidos e de retenção na fonte e comprovar a tributação da receita respectiva para confirmar a dedução informada. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 13708.000266/2003-98
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
SALDO CREDOR DE IRPJ COMPOSTO POR SUPOSTOS SALDOS DE PERÍODOS ANTERIORES.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o IRPJ devido no período de apuração do ano calendário e compará-lo ao pagamento efetuado. Sabendo-se que, o conceito de saldo negativo do período de apuração não contempla o mero acúmulo de saldos de períodos anteriores.
Numero da decisão: 1802-002.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). SALDO CREDOR DE IRPJ COMPOSTO POR SUPOSTOS SALDOS DE PERÍODOS ANTERIORES. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o IRPJ devido no período de apuração do ano calendário e compará-lo ao pagamento efetuado. Sabendo-se que, o conceito de saldo negativo do período de apuração não contempla o mero acúmulo de saldos de períodos anteriores.
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IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). SALDO CREDOR DE IRPJ COMPOSTO POR SUPOSTOS SALDOS DE PERÍODOS ANTERIORES. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o IRPJ devido no período de apuração do ano calendário e comparálo ao pagamento efetuado. Sabendose que, o conceito de saldo negativo do período de apuração não contempla o mero acúmulo de saldos de períodos anteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 02 66 /2 00 3- 98 Fl. 662DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida (efls.516/517) que transcrevo a seguir: Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação, onde o interessado pleiteia créditos de R$ 289.986,37 (fls. 01/14). 2 Informa a autoridade administrativa em seu parecer (fl. 106) que foram apresentadas, posteriormente, as declarações de compensação de fl. 01 dos processos apensos de n° 13708.000406/200328, 13708.000603/200347 e 13708.000832/200361 e DCOMP's relacionadas às fls. 105. 3 Através do Despacho Decisório n° 041/08 (Parecer Conclusivo n° 041/08) de fls.106/109, a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 90.697,34, relativo ao saldo negativo de IRPJ, apurado no 4°. trimestre do anocalendário 2002, homologando as compensações efetuadas até o limite do referido crédito (fls.157/158). 4 No referido parecer, a autoridade administrativa informa que "embora a interessada tenha solicitado no Pedido de Restituição de fls.3 saldo a recuperar de CSLL, não se examinou a Contribuição em razão de que o valor pleiteado na DECOMP de fl. 01 coincide com o saldo de IRPJ apurado no 4º . trimestre de 2002, no valor de R$ 289.986,37, conforme balancete contábil de 31/12/2002 (fls.9)”. 5 O interessado, cientificado em 07/03/2008 (fl. 162), apresentou, em 08/04/2008, manifestação de inconformidade de fls. 170/180, na qual alega, em síntese, que: 6 "A impugnante formulou pedidos de restituição e de compensação, requerendo como direito creditório saldo negativo de imposto de renda no valor total de R$ 289.986,37, oriundo de Fl. 663DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13708.000266/200398 Acórdão n.º 1802002.224 S1TE02 Fl. 3 3 recolhimentos por estimativa e retenções sofridas na fonte em períodos anteriores, conforme demonstrativo anexo."; 7 foi reconhecido parcialmente um crédito de R$ 90.697,34, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, haja vista uma indevida limitação acerca da abrangência temporal da origem do crédito; 8 O interessado elabora, em sua impugnação, resumo dos pedidos de compensação (fl. 173) e prossegue, arguindo que: 9 – o pedido originário (fls. 01/14) em momento algum limitou o crédito postulado ao valor do saldo negativo do quarto trimestre de 2002; 10 o valor de R$ 289.986,37 corresponde ao saldo negativo acumulado apurado em 31/12/2002, relativamente aos períodos de 1999 até 2002, conforme consta detalhado no pedido e demonstrativos anexos (fls. 04/14); 11 foram verificados, mediante DIRF, os valores retidos de IRPJ durante o ano calendário 2002 (fls. 39/98), contudo, na análise do direito creditório foram considerados apenas os valores retidos no último trimestre (fls. 100/104); 12 retificou os valores informados acumuladamente na ficha 12A da DIPJ/2003 para constar somente OS valores de cada trimestre, conforme quadro de fl. 178; 13 o valor do saldo negativo acumulado (IRPJ a compensar de R$ 289.986,37), existente em 31/12/2002, consta no balancete apresentado em anexo ao pedido de restituição e compensação (fl. 09) e está incluso no saldo de R$ 467.829,08 (impostos e contribuições a recuperar), que consta na linha 10, da ficha 38A (ativo balanço patrimonial) da DIPJ/2003; 14 extraise do cotejo da DIPJ/2003 com o balanço contábil que o valor requerido como crédito corresponde ao saldo negativo total (acumulado) de IRPJ em 31/12/2002; 15 foram desprezados pela fiscalização os valores de saldo negativo de CSLL, embora o pedido de compensação também tenha feito referência ao mesmo; 16 Cita jurisprudência administrativa. 17 Encerra requerendo seja reformado o Parecer Conclusivo e Despacho Decisório 041/08 (fls. 106/109), a fim de que seja reconhecido o direito creditório em sua integralidade, homologandose por conseguinte as compensações pretendidas. 18 Com a impugnação, em 08/04/2008, vieram aos autos os documentos de fls. 182/191 e com a petição protocolada em 13/05/2008 (fl. 195), os documentos de fls. 197/423. 19 Juntei aos autos consulta feita nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil às fls. 427/456. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 20 Na consulta feita ao sistema COMPROT, em 29/08/2008, foi constatada a existência de dez processos administrativos, com o CNPJ do interessado, formalizados entre 01/01/2002 e 29/09/2008 (fls. 445/456). 21 A fim de subsidiar o julgamento, dois processos foram solicitados para análise, em função do assunto neles tratado: 22 processo n° 18471.001785/200570 (assunto: auto de infração IRPJ – ano calendário 2002 fls. 452/453) e 23 processo n° 13708.000603/200690 (assunto: restituição IRPJ fl. 455). 24 Foram extraídas cópias dos sobreditos processos, juntadas, nestes autos, às fls.461/493. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ) DEFERIU EM PARTE o pleito, alterando o direito creditório reconhecido de R$ 90.697,34 para R$ 161.083,91 (R$ 18.679,90 + R$ 51.706,67 + R$ 90.697,34), referente ao “saldo negativo de IRPJ”, respectivamente, dos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário 2002, e determinou a homologação da compensação pleiteada até o limite do crédito tributário reconhecido, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1223.425, de 19 de março de 2009 (efls.514/522), cientificado ao interessado em 04/05/2009(efl.526). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ ACUMULADO. O pedido de restituição deve segregar, por período de apuração, o montante do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MUDANÇA DE PEDIDO. A segregação, por período de apuração, do saldo negativo de IRPJ, em sede recursal, equivale à retificação do pedido inicial. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF NÃO DECLARADO. APRESENTAÇÃO DE DIRF. Depois do transcurso do limite temporal definido em lei, é defeso retificar valores não incluídos na DIPJ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Comprovado parcialmente o saldo negativo de IRPJ, deve ser homologada a compensação até o limite do direito creditório reconhecido. Solicitação Deferida em Parte A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 03/06/2009 (efls.507/523). Fl. 665DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13708.000266/200398 Acórdão n.º 1802002.224 S1TE02 Fl. 4 5 A Recorrente discorda da decisão da DRJ e diz que, o crédito postulado deve ser integralmente reconhecido por corresponder ao saldo negativo de imposto de renda detido pela Recorrente, devidamente comprovado, e requerido nos pedidos de restituição e compensação apresentados. Aduz que, tendo recolhido valores a título de IRPJ no período de 1999 a 2002, por estimativa e mediante retenção do imposto na fonte, apurou posteriormente, ao final de cada períodobase, valor devido inferior, a título do mesmo imposto. Formouse, portanto, crédito em favor da Recorrente, a título de saldo negativo de imposto de renda, o qual foi objeto dos pedidos de restituição e compensação, na forma do artigo 40, inciso II, da lei 8.981/95, e, posteriormente, artigos 6º, § 1º, inciso II, e 7º, § 3º da lei 9.430/96. Diz que, de cada um dos pedidos de compensação, todos eles se referiram ao mesmo direito de crédito, originalmente apontado nos autos deste processo administrativo, sendo por isso mesmo reunidos ao presente. Afirma que o pedido originário (fls. 01 a 14 destes autos), ao qual todos os demais se reportaram, expressamente, em momento algum limitou o crédito postulado ao valor do saldo negativo correspondente apenas ao quarto trimestre de 2002. Não há qualquer elemento nele que permita extrair esta conclusão. Conclui que dos elementos contidos no próprio pedido inicial de compensação, que o valor pretendido de saldo negativo de IRPJ (R$ 289.986,37) correspondia exatamente ao saldo negativo total, acumulado, apurado ao final do exercício de 2002. A Recorrente alega que a decisão recorrida é equivocada ao entender que o direito do contribuinte de requerer a restituição/compensação do indébito, in casu, estaria extinto, visto o decurso do prazo de cinco anos contados da data da apuração do indébito para os anos calendário de 1999, 2000 e 2001, nos termos do art. 168, I do CTN. Argúi que o acórdão, neste aspecto em relação à forma como se deve dar a contagem do prazo prescricional, tendo em vista o advento da LC nº 118/05 mostrase em dissonância com a jurisprudência do E. STJ uma vez que o pedido trata da repetição de indébito recolhido anteriormente ao advento da nova disciplina legal, não havendo, portanto, que se falar em prescrição do direito de requerer a compensação do indébito. A Recorrente também discorda do Acórdão ora combatido que ao analisar as DIPJs transmitidas pela Recorrente referentes aos anos calendário de 1999, 2000 e 2001 não constatou saldo negativo de IRPJ. A Recorrente alega que, o fato dos valores correspondentes ao saldo negativo apurado nos referidos períodos não estarem consignados em DIPJ decorreu de mero erro material por parte da Recorrente. A argumentação é a seguinte: Equívoco este que poderia ter sido corrigido pela própria Administração Tributária, de ofício, através do cruzamento dos dados fiscais da Recorrente, os quais podem facilmente ser obtidos através consulta feita nos sistemas informatizados da SRFB (DIRF/SIEF), procedendo assim, à retificação das informações incorretas veiculadas em DIPJ, em virtude de erro Fl. 666DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 material, em observância ao princípio da autotutela administrativa. Deste modo, sendo inequívoca a existência de saldo negativo do imposto de renda, no valor correspondente à totalidade dos valores retidos da Recorrente, o crédito deve ser reconhecido em sua totalidade, possibilitando a sua devolução, na forma da compensação requerida, sob pena de locupletamento do Estado. Em seguida cita jurisprudência. Finalmente requer seja reconhecido o direito creditório em sua integralidade, homologandose por conseguinte as compensações pretendidas, por ser medida de Direito e de Justiça. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Tratase de Recurso Voluntário (efls. 507/523) contra decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Rio de Janeiro/RJ) que DEFERIU EM PARTE o pleito da Recorrente, alterando o direito creditório reconhecido pela Delegacia de origem, de R$ 90.697,34 para R$ 161.083,91 (R$ 18.679,90 + R$ 51.706,67 + R$ 90.697,34), referente ao “saldo negativo de IRPJ”, respectivamente, dos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário 2002, e determinou a homologação da compensação pleiteada até o limite do crédito tributário reconhecido. A Recorrente não discorda do valor do crédito reconhecido em relação aos trimestres do ano calendário de 2002 mas se insurge contra as decisões que antecederam ao presente voto, por entender que negaram indevidamente os valores contidos no saldo de 2002, relativos aos anos anteriores (1999 a 2001), conforme se depreende de sua alegação (efl.532): ... Assim, da mesma forma como procedeu a autoridade fiscal para o 4° Trimestre de 2002; a DRJ/I levantou também para o segundo e terceiro Trimestres de 2002 os valores retidos por período, apurando os saldos negativos corretos para os referidos trimestres, através das informações relativas à Recorrente contidas nos sistemas informatizados da SRFB, o que ensejou a majoração do crédito homologado de R$ 90.697,34 para R$ 161.083,91. Contudo, embora a 3ª Turma da DRJ/I tenha reconhecido que a apresentação dos documentos complementares por ocasião da manifestação de inconformidade, entendeu que estaria extinto o direito da Recorrente de pleitear a restituição dos saldos Fl. 667DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13708.000266/200398 Acórdão n.º 1802002.224 S1TE02 Fl. 5 7 negativos de 1RPJ apurados nos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001. ... A Recorrente diz que, de cada um dos pedidos de compensação, todos eles se referiram ao mesmo direito de crédito, originalmente apontado nos autos deste processo administrativo, sendo por isso mesmo reunidos ao presente. Afirma que o pedido originário (fls. 01 a 14 destes autos), ao qual todos os demais se reportaram, expressamente, em momento algum limitou o crédito postulado ao valor do saldo negativo correspondente apenas ao quarto trimestre de 2002. Não há qualquer elemento nele que permita extrair esta conclusão. Conclui que dos elementos contidos no próprio pedido inicial de compensação, que o valor pretendido de saldo negativo de IRPJ (R$ 289.986,37) correspondia exatamente ao saldo negativo total, acumulado, apurado ao final do exercício de 2002. Registrese que, qualquer doutrina ou jurisprudência citada pela Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. Compulsandose os autos constatase que a Declaração de Compensação, protocolizada em 12/02/2003, indica o crédito no valor de R$ 289.986,37 vinculada ao Pedido de Restituição e anexos fls.03/09, que demonstram claramente tratarse do ano calendário de 2002. Os valores se encontram demonstrados por trimestre de 2002 (efls.06/09). É certo que o formulário que contém o Pedido de Restituição (fl. 03) não faz referência ao ano calendário de 2002, apenas indica: "UTILIZAÇÃO DO SALDO À RECUPERAR DOS TRIBUTOS: IRPJ E CSLL. COMPENSANDO COFINS E PIS À RECOLHER CONFORME ART. 21 DA IN 210 SRF DE 30/09/2002" porém como frisado acima, os anexos não deixam dúvida que o pedido diz respeito ao ano calendário de 2002; tanto é que, o contribuinte juntou o balancete de dezembro de 2002, sem fazer qualquer alusão, expressa, a saldos credores de anos anteriores 1999 a 2001. Depreendese da argumentação da Recorrente e da DIPJ/2003 que sua pretensão é superpor ou inflar o saldo negativo de trimestres do ano calendário de 2002, com supostos saldos credores de 1999 a 2001, embora não apresente nos autos prova de que possui créditos nesses últimos anos calendário. Consta da decisão recorrida que analisando as DIPJs dos anoscalendário 1999, 2000 e 2001, verificase que o interessado não possui saldos negativos de IRPJ (fls. 429/434). De fato, não se verifica qualquer saldo de IRPJ a restituir nos trimestres dessas DIPJs. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 A Recorrente alega que, o fato dos valores correspondentes ao saldo negativo apurado nos referidos períodos não estarem consignados em DIPJ decorreu de mero erro material por parte da Recorrente. Argúi que o equívoco poderia ter sido corrigido pela própria Administração Tributária, de ofício, através do cruzamento dos dados fiscais da Recorrente, os quais podem facilmente ser obtidos através consulta feita nos sistemas informatizados da SRFB (DIRF/SIEF), procedendo assim, à retificação das informações incorretas veiculadas em DIPJ, em virtude de erro material, em observância ao princípio da autotutela administrativa. Finalmente sustenta que, sendo inequívoca a existência de saldo negativo do imposto de renda, no valor correspondente à totalidade dos valores retidos da Recorrente, o crédito deve ser reconhecido em sua totalidade, possibilitando a sua devolução, na forma da compensação requerida, sob pena de locupletamento do Estado. Tal alegação não se sustenta. Ressaltese que as DIPJs não estão sendo alteradas, apenas foram feitas verificações para se apurar a certeza do crédito. Sem este requisito não há como se deferir qualquer restituição/compensação, posto que, o mesmo está previsto no artigo 170 do CTN. Somente poderá se considerar como líquido e certo o crédito indiscutível, comprovado. A prova do indébito tributário não se faz sem a mínima verificação da base de cálculo sujeita à tributação e do tributo devido, deduções e retenções, bem como da documentação que lhe dá suporte, e nas declarações de débitos apresentadas. Qualquer erro porventura ocorrido no pagamento de tributos deverá estar registrado e justificado. Não pode o contribuinte transferir ao órgão fazendário o ônus para comprovar o indébito tributário, mediante diligência, porque o requerente alega que efetuou recolhimento indevido ou a maior do que o devido, sem sequer trazer aos autos os documentos necessários para que o julgador possa firmar sua convicção acerca do alegado e da necessidade da diligência. Aqui cabe muito bem a máxima “Alegar e não comprovar é mesmo que não alegar”. Apesar de a Recorrente alegar o indébito tributário, não traz aos autos a prova do pagamento indevido ou a maior. Cabe ao interessado comprovar a liquidez e certeza do alegado indébito tributário para fins de restituição/compensação. A simples alegação de que possui crédito tributário não faz prova por si só do indébito tributário. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido. Com efeito, não comprovado que foi declarado valor superior ao já aceito pela decisão recorrida, não há alteração a ser efetuada no valor do saldo negativo já reconhecido. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o IRPJ devido no período de apuração do ano calendário e comparálo ao pagamento efetuado. Sabendose que, o conceito de saldo negativo do período de apuração não contempla o mero acúmulo de saldos de períodos anteriores. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13708.000266/200398 Acórdão n.º 1802002.224 S1TE02 Fl. 6 9 Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação aos anos calendário de 1999, 2000 e 2001 mas a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor do contribuinte. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720332/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 32 /2 01 2- 84 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 415426 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, às fls. 400411, que julgou procedente o lançamento fiscal constante do Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.350.8522, por meio do qual é exigida multa prevista no art.284, inciso II, do RPS e art. 32, inciso IV, § 5º da lei 8212/91, no montante de R$ 323.484,00, por ter o Recorrente deixado de informar em GFIP a remuneração paga a todos os segurados a título de “Prêmio de Produtividade”, nas competências de Janeiro a Outubro de 2008. Também era objeto do presente processo o Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.342.9975, que teve por finalidade exigir do Recorrente as contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa sobre a verba distribuída como “Prêmio de Produtividade”, inclusive ao SAT/RAT. No entanto, conforme descrito no acórdão proferido pela DRJ/SP, os valores exigidos no referido Auto de Infração já foram integralmente quitados, de modo que esse lançamento não se encontra mais em discussão. Em relação ao Auto de Infração nº 37.350.8522, segundo consta no Relatório Fiscal de fls. 41 a 62, a Autoridade Fiscal constatou que o Recorrente deixou de informar em GFIP a remuneração paga a todos os segurados, referente ao Prêmio de Produtividade, nas competências de 01/2008 a 10/2008, bem como as contribuições previdenciárias devidas sobre tal verba remuneratória. Para efetuar o lançamento das multas, o Fiscal autuante, diante das alterações promovidas pela MP 449/2008 e Lei n. 11.941/2009 na aplicação de multas prevista na Lei n. 8.212/1991, elaborou a “PLANILHA DEMONSTRATIVO DE MULTA MAIS BENÉFICA”, constante à fl. 387, efetuando o comparativo das multas para que fosse aplicada a penalidade que, no seu entender, é menos severa ao contribuinte. Sendo assim, o Fiscal procedeu ao cotejo dos valores alcançados a partir do somatório das multas previstas na legislação antiga – multa moratória de 24% (art. 35, II da Lei 8.212/91) e multa por descumprimento de obrigação acessória CFL 68 (art. 32, §5º do mesmo diploma legal) com as penalidades previstas na legislação atual – multa de ofício de 75% e multa por descumprimento de obrigação acessória CFL 78. Como resultado desse confronto, a Fiscalização constatou que a aplicação da legislação antiga seria mais benéfica e efetuou o lançamento do DEBCAD nº 37.350.8522. Em 02/03/2012, o Recorrente tomou ciência da autuação e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 378/387), aduzindo apenas, em relação ao DEBCAD nº 37.350.8522, que não havia recolhido as contribuições previdenciárias incidentes sobre o Prêmio de Produtividade pago a seus servidores em cumprimento ao comando expresso no art. 9º do Decreto Estadual nº 45.412/00, motivo pelo qual tal conduta não constitui justa causa para a autuação e imposição de multa no valor de R$ 323.484,00. A DRJ/SP, através do acórdão nº 0645.503 (fls. 400 a 411), manteve, de forma integral, o crédito tributário constituído pelo agente fiscal relativo ao DEBCAD nº 37.350.8522, afirmando, sinteticamente, que o Recorrente não apresentou provas e argumentos que derrubassem o lançamento, tendo infringindo os ditames da lei 8.212/91. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.720332/201284 Acórdão n.º 2401003.244 S2C4T1 Fl. 433 3 Inconformada com a decisão proferida pela DRJ, o Recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 415 a 423), utilizando argumentos aduzidos na impugnação. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora. Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgalo. De início, é válido lembrar que para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas, como é o caso do Recorrente, que é uma entidade da administração indireta do Estado de São Paulo/SP, são considerados empresas para fins previdenciários, conforme dispõe o art. 15 da Lei nº 8.212/91: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; [...]. Desse modo, e considerando que os segurados que lhes prestam serviço não estavam amparados por Regime Próprio da Previdência Social, o Recorrente é considerado empresa perante a previdência social e, por conta disso, está sujeito às obrigações principais e acessórias prescritas na Lei nº 8.212/91, conforme bem esclarecido pelo Auditor Fiscal autuante na passagem abaixo reproduzida do Relatório Fiscal (fls. 5455): Os órgãos e entidades da administração pública direta, como neste caso as autarquias, são considerados consoante o disposto no art. 15 da Lei nº 8.212/91 – empresa e, em relação aos segurados que lhes prestem serviços, quando não amparados por Regime Próprio da Previdência Social (RPPS), ficam sujeitos ao cumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. As autarquias são pessoas jurídicas de Direito Público interno e respondem diretamente pelas obrigações previdenciárias. Portanto, pelo fato de encontrarse submetido aos ditames da Lei nº 8.212/91, não merece qualquer acolhida o argumento levantado pelo Recorrente no recurso de que a multa sancionatória aplicada por meio do AI DEBCAD 37.350.8522, é descabida na medida em que a conduta imputada à Autarquia, como infratora da Lei nº 8.212/91 não decorreu de ato discricionário da Autarquia, mas sim do comando expresso do Decreto Estadual nº 45.412/00. Em razão de ter descumprido a legislação previdenciária, ao não informar em GFIP a remuneração paga aos segurados a título de Prêmio de Produtividade, bem como as contribuições previdenciárias devidas sobre tal verba remuneratória, o Recorrente está, de fato, sujeito às penalidades previstas na Lei nº 8.212/91. Cumpre ressaltar que não está mais em discussão a procedência da cobrança da obrigação principal, que diz respeito às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de “Prêmio de Produtividade”, que a Fiscalização demonstrou não ter sido pago em caráter eventual. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.720332/201284 Acórdão n.º 2401003.244 S2C4T1 Fl. 434 5 De fato, além de ter quitado os valores exigidos no Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.342.9975, no Recurso Voluntário ora apreciado o Recorrente não contestou o lançamento da obrigação principal, razão pela qual não cabe aqui adentrar no mérito dessa cobrança. Portanto, diante do exposto acima, ao deixar de informar em GFIP a remuneração total paga aos segurados e as respectivas contribuições previdenciárias incidentes sobre a verba remuneratória apurada pela Fiscalização, o Recorrente infringiu obrigação acessória prevista na legislação previdenciária e está submetido às penalidades cabíveis. Por fim, quanto ao procedimento de cálculo da penalidade aplicada, consubstanciado na “PLANILHA DEMONSTRATIVO DE MULTA MAIS BENÉFICA”, constante à fl. 387, não houve qualquer contestação do Recorrente, de modo que a multa aplicada deve ser mantida na forma em que foi lançada. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO apresentado, mantendo o crédito tributário exigido no Auto de Infração nº 37.350.852 2. É o voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 11/05 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000317/98-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte.
Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÔNUS DA PROVA
Nos termos do art. 333 do CPC, que tem aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, é ônus do postulante a incentivo fiscal a prova das alegações que faz. Não demonstrado nos autos que a exportação realizada por outro estabelecimento corresponde às mercadorias a ele remetidas na condição de depósito fechado, descabe a tomada de crédito sobre tais operações de exportação.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial quanto à aquisição de insumos de pessoas físicas e à atualização monetária pela Selic e; por maioria de votos, em negar provimento em relação à exportação por outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÔNUS DA PROVA Nos termos do art. 333 do CPC, que tem aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, é ônus do postulante a incentivo fiscal a prova das alegações que faz. Não demonstrado nos autos que a exportação realizada por outro estabelecimento corresponde às mercadorias a ele remetidas na condição de depósito fechado, descabe a tomada de crédito sobre tais operações de exportação. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial quanto à aquisição de insumos de pessoas físicas e à atualização monetária pela Selic e; por maioria de votos, em negar provimento em relação à exportação por outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 03 17 /9 8- 33 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÔNUS DA PROVA Nos termos do art. 333 do CPC, que tem aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, é ônus do postulante a incentivo fiscal a prova das alegações que faz. Não demonstrado nos autos que a exportação realizada por outro estabelecimento corresponde às mercadorias a ele remetidas na condição de depósito fechado, descabe a tomada de crédito sobre tais operações de exportação. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial quanto à aquisição de insumos de pessoas físicas e à atualização monetária pela Selic e; por maioria de votos, em negar provimento em relação à exportação por outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto por Cargill Agrícola S/A (fls. 563 a 596) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 540 a 552), que deu provimento parcial ao recurso voluntário, mas que, pelo voto de qualidade, e no que interessa ao presente julgamento, negou provimento (i) quanto à inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, das aquisições de insumos de pessoas físicas Fl. 674DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 655 3 e (ii) dos produtos transferidos e exportados por estabelecimento diverso, e (iii) da correção do ressarcimento pela taxa SELIC. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 RESARCIMENTO. LEI Nº 9.363/96. INFLUÊNCIA DA METODOLOGIA DE APURAÇÃO EM PERÍODOS FUTUROS. Em face da sistemática legal de apuração do credito presumido de IPI para ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é patente a dependência dos valores apurados nestes autos daquele apurado no processo relativo ao último trimestre do ano anterior. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins na operação de fornecimento ao produtor exportador. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. A energia elétrica e os combustíveis, por não serem consumidos em decorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, não se enquadram no conceito de produto intermediário, não dando direito ao crédito presumido de IPI instituído pela Lei n2 9.363/96. IPI. DOCUMENTOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL NA EMISSÃO. Comprovada a existência de erro material na emissão das notas fiscais de aquisição de insumos, bem como os registros das mesmas nos livros fiscais da peticionária e, ainda, a efetividade do ingresso dos insumos e sua utilização no processo produtivo do estabelecimento, devem tais documentos ser incluídos no cálculo do beneficio no período correspondente. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR OUTRO ESTABELECIMENTO. No regime de apuração descentralizada do credito presumido, não integra a receita de exportação do estabelecimento o valor das transferências de produtos Fl. 675DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 industrializados que faz para outro estabelecimento da mesma empresa. Se este ultimo exportar os referidos produtos, o resultado desta venda comporá a sua receita de exportação para efeito de determinação do índice de que trata o art. 22 da Lei nº 9.363/96. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. A taxa Selic é imprestável corno instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. Recurso provido em parte. (grifos nossos) O recurso especial do contribuinte, na sua integralidade, foi admitido através do r. despacho de fls. 632 a 633. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 636 a 646 em que se refutou, apenas, a questão referente às aquisições de pessoas físicas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser conhecido. Quanto ao mérito, da mesma forma, o recurso especial do contribuinte deve ser acolhido. Deveras, com relação à atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC, veiculada no recurso especial do contribuinte, é de se notar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente acima referido tem a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 656 5 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifos nossos) A decisão acima aludida foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas, também objeto do presente processo. Restou consolidado, assim, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Para corroborar o meu entendimento quanto à inclusão dos gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido do IPI, destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao qual me filio: Processo n° 13974.0001221200391 Recurso n° 228.637 Especial do Contribuinte Acórdão n° 930300.682 — 3' Turma Sessão de 2 de fevereiro de 2010 Matéria IPI Crédito Presumido Aquisições de não contribuintes Recorrente CEREAGRO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 678DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 657 7 Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator (grifos nossos) De se destacar, por último, quanto à inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, dos produtos transferidos e exportados por estabelecimento diverso, que em julgado análogo ao presente, em que também figurou como recorrente o mesmo contribuinte, decidiuse pela sua possibilidade (Processo nº 13854.000707/9604, Acórdão 20306.483). Esse é o entendimento que, em minha opinião, deve prevalecer. De se destacar, a propósito, o seguinte excerto do r. julgado acima aludido, verbis: (...) O recurso voluntário trata de duas questões especificas. Primeiramente, a possibilidade de incluir, no cálculo do incentivo, as exportações realizadas por intermédio do estabelecimento localizado em Santos — SP. E, também, a possibilidade de inclusão, na base de cálculo do mesmo incentivo, das aquisições de laranjas de pessoas fisicas, não contribuintes das contribuições para o PIS e da COF1NS. Com relação á. possibilidade de requerimento de forma centralizada, a simples leitura do artigo primeiro da Medida Provisória demonstra que o pedido deve ser feito pela empresa Fl. 679DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 exportadora, sem qualquer menção a estabelecimento. Assim prescreve a norma: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 07, de 07 de setembro de 1970, 08, de 03 de dezembro de 1970, e 70 de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." Alias, na mencionada medida provisória não consta a palavra estabelecimento, que somente foi utilizada em normas de hierarquia inferior, normas essas que extrapolaram sua função regulamentar para, inovando no ordenamento jurídico o que lhes é vedado , restringir o beneficio fiscal. Verificase que a empresa somente requereu o ressarcimento através do seu estabelecimento matriz, e não há noticia nos autos de que o estabelecimento localizado em Santos — SP tenha formulado qualquer pedido de ressarcimento relativamente ao incentivo em tela. Incabível a glosa feita pela fiscalização, porquanto não havia, na lei, qualquer restrição à apuração do incentivo de forma centralizada, possibilidade essa, alias, expressamente contemplada pela legislação superveniente. (grifos e destaques nossos) Esse entendimento também é corroborado pela jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA 282/STF. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MP 948/95. EXTENSÃO À FILIAL DE EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. POSSIBILIDADE. 1. Primeiramente, reafirmo a decisão agravada de que o art. 111 do CTN não foi prequestionado. Aplicação, por analogia, da Súmula 282/STF:"É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada." 2. Ademais, a questão a ser tratada não é a do limite temporal da aplicação da MP n. 948/95, que entende o recorrente, ser contrária à pretensão do contribuinte, pois a decisão agravada proferiu entendimento de serem os arts. 1º e 3º da medida provisória favoráveis ao contribuinte. 3. Por fim, mantenho a mesma posição adotada pela decisão agravada de que o benefício concedido pela MP nº 948/95, convertida na Lei nº 9.363/96, diz respeito às empresas produtoras e exportadoras, devendo, nesse contexto, ser da mesma forma consideradas as suas filiais, sob pena de inviabilização dos efeitos pretendidos pelo referido benefício, Fl. 680DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 658 9 na medida em que apenas uma empresa pode ser diretamente responsável pela operação de exportação, sem a necessidade de que cada uma de suas filiais seja também responsável na referida operação. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 698.756/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 04/11/2009) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MP 948/95. LEI 9.363/96. I O legislador não distinguiu que a operação de exportação das mercadorias industrializadas devesse ser unicamente realizada pela empresa diretamente responsável pela produção da mercadoria, até mesmo porque a contabilidade referente ao balanço anual da empresa envolve a verificação de todas as suas filiais. II Nesse sentido, o benefício outorgado pela Medida Provisória 948/95, e atualmente pela Lei 9.363/96, atinge diretamente as empresas produtoras e exportadoras, consideradas dentro desse contexto também as suas filiais, sob pena de inviabilizar os efeitos pretendidos pelo aludido benefício, na medida em que apenas uma empresa pode ser diretamente responsável pela operação de exportação, sem a necessidade de que cada uma de suas filiais seja igualmente responsável na referida operação. III A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, na esteira dos precedentes do Pretório Excelso, vem decidindo pela impossibilidade de correção monetária sobre créditos escriturais, por ausência de previsão legal. IV Impossibilidade de majoração da verba honorária visto envolver o reexame dos elementos que formaram a convicção do Julgador a quo. Aplicação da Súmula 07/STJ. V Recurso especial da FAZENDA NACIONAL e de MUSA CALÇADOS LTDA improvidos. (REsp 499.935/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/03/2005, DJ 28/03/2005, p. 188) (grifos e destaques nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 681DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Fui designado pela Presidência para redigir o acórdão na parte em que o ilustrado voto do e. relator não foi acolhido pela maioria, especificamente a matéria atinente à exportação realizada por intermédio da filial situada no Porto de Santos. Quanto ao ponto insta começar enfatizando que o recurso interposto pela empresa não pugna pela aplicação da apuração centralizada do incentivo fiscal. Pelo contrário, com a lisura que caracteriza os representantes signatários, ali é dito com todas as letras que: Para que não reste dúvida acerca da divergência existente entre essa decisão e o acórdão recorrido, esclareçase que apesar o aresto paradigma ter feito menção à apuração centralizada e ao estabelecimento matriz, tais expressões foram indevidamente empregadas, visto que (i) não se discutia a possibilidade de o pedido de ressarcimento ser feito de forma centralizada ou descentralizada pelo estabelecimento matriz; e (ii) o estabelecimento que requereu o ressarcimento do incentivo naquele processo foi o mesmo que o pleiteou nesta ocasião (CNPJ n. 52.421.294/000200), e que foi sucedido, por incorporação, pela recorrente. Não se trata, pois, de afastar exigência de apuração descentralizada supostamente contrária à lei, como dito no acórdão paradigma. A própria empresa assume que fez uso da opção prevista na norma que regulava o incentivo à época –1998 de apurálo por estabelecimento produtor e exportador. Acrescento que em tais normas – Portaria MF 38/97 e IN SRF 23/97 – nenhuma exigência havia de que o crédito fosse apurado de forma descentralizada; ao contrário, ali se diz (Art. 3º do primeiro ato normativo mencionado, reproduzido ipsis litteris no segundo): (...) § 9º A empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador poderá apurar o crédito presumido de forma centralizada, na matriz. § 10. A opção pela apuração centralizada de que trata o parágrafo anterior aplicarseá até o final do anocalendário em que exercida. § 11. No caso de apuração descentralizada, o estabelecimento produtor exportador que não efetuar a compra de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem poderá calcular o crédito presumido sobre o valor desses insumos, utilizados na produção das mercadorias exportadas, que houverem sido recebidos por transferência de outro estabelecimento da mesma empresa. § 12. Na hipótese do parágrafo anterior, a transferência deverá ser efetuada pelo exato custo de aquisição constante do Fl. 682DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13854.000317/9833 Acórdão n.º 9303002.619 CSRFT3 Fl. 659 11 documento fiscal, emitido pelo fornecedor, na venda para o estabelecimento que houver efetuado a compra. § 13. O estabelecimento que transferir para outro, matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagem deverá excluir o valor desses insumos no cálculo de seu próprio crédito presumido. Tratase, como claramente se vê, de uma escolha que a empresa fazia no momento da apuração do incentivo: ou apurava por estabelecimento ou centralizadamente na matriz. Neste último caso, podia considerar as exportações efetuadas por todos os estabelecimentos, assim como devia considerar toda a receita bruta da empresa. Essas considerações iniciais se fazem relevantes para deixar claro que não se está discutindo, como pareceu à primeira vista, a necessidade de incluir a receita de toda a empresa no cálculo do percentual a incidir sobre as aquisições quando a apuração era descentralizada, matéria que ainda suscita debates neste Colegiado. O que se está discutindo neste processo – e deveria ter sido no aceito como paradigma – é, pois, se, na apuração descentralizada, o estabelecimento produtor remeter o produto a um estabelecimento supostamente apenas depósito fechado (alfandegado) e daí este produto for remetido ao exterior, isto é, se a venda para o exterior realmente se der em nome do estabelecimento postulante ao incentivo embora a efetiva saída para o exterior se der por outro estabelecimento, se a receita decorrente dessa operação pode ser computada no cálculo do percentual. Esses foram os fatos narrados no recurso e repisados em sustentação oral. Ocorre que em exame dos autos constatei que também não são eles exatamente os fatos do processo. Isso porque a venda não foi feita em nome do estabelecimento que remeteu os produtos mas sim em nome do que os recebeu em Santos, o que contraria a afirmação de que este último apenas seria um depósito fechado impedido´, portanto, de realizar vendas. É o que se constata do exame dos documentos fiscais relativos à operação constantes dos autos. Com efeito, a nota fiscal 34.430 (fls. 58) indica a saída, a título de “transferência equiparada a exportação”, CFOP 5.25, do estabelecimento postulante ao crédito para a filial situada em Santos. Nesta nota fiscal realmente consta a informação de que a mercadoria será exportada pela filial destinatária. Mas na nota fiscal desta última (nº 050, fls. 59) não há qualquer referência à nota anterior que permita vincular a exportação daí realizada à primeira saída Ademais, em qualquer dos documentos há a indicação de que o destinatário é um mero depósito fechado inabilitado a realizar vendas. O que sobressai do documento emitido por ele, aliás, denota o contrário, pois além de não fazer referência ao recebimento prévio das mercadorias, o CFOP indicado (7.11) iniludivelmente corresponde à venda para o mercado externo (e venda de produção própria, digase). Destarte, por falta da prova que lhe competia fazer nos exatos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, nem mesmo se chega à discussão proposta no recurso, ou seja, de que haveria o direito de acrescer à receita de exportação correspondente às operações realizadas pelo estabelecimento postulante ao benefício aquela decorrente da exportação Fl. 683DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 realizada por outro estabelecimento que recebera do primeiro as mercadorias exportadas. E esse foi o fundamento para que a maioria a ele negasse provimento. Deixo registrado ao final que, em minha opinião, ainda que se superasse a dificuldade acima, também não lhe caberia prover, pois partilho as conclusões a que chegou o i. Conselheiro Zomer: se a norma legal exigia a produção e exportação, e quanto a isso não há dúvida, não realizada uma delas descabe o incentivo. A única operação equiparada a exportação que o incentivo contemplou foi a venda a comercial exportadora, o que, no caso, assumidamente tampouco ocorreu. Esse é o acórdão que me coube redigir. Júlio César Alves Ramos Fl. 684DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/05/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, As sinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 11610.004185/2010-40
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.077
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM
sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos RESOLVEM sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 13/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Relatório e Voto Tratase de Recurso Voluntário interposto, em 30/05/2011, contra acórdão proferido na 1ª instância administrativa DRJ SPOII/ 8ª Turma , cientificado em 18/05/2011, que considerou a impugnação procedente em parte. O recorrente, em seu recurso, reconhecendo a omissão de rendimentos lançada recebida do INSS, mas resultante de ação judicial, alega que tais valores deveriam ter sido pagos mensalmente, o que não resultaria em tão elevada retenção do imposto de renda, assim contesta a forma de tributação, tudo com base em decisões tanto proferidas pelo STJ, como, por normas infralegais editadas ou mesmo pareceres da PGFN sobre rendimentos pagos acumuladamente, requer o cancelamento do feito. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11610.004185/201040 Resolução n.º 2802000.077 S2TE02 Fl. 57 2 Verificase, portanto, que uma das matérias a ser decidida é a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713/1988 (p. ex: fundamentação do acórdão recorrido fls. 26 e argumentação recursal de fls. 40 e seguintes), in casu são valores recebidos em ação judicial. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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