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Numero do processo: 11080.902135/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO EM PARTE. MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO.
Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo do PIS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1991-18, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA.
O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 1991-18, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 1991-18/2000.
Numero da decisão: 3402-006.063
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MATÉRIA DEDUZIDA SEM QUALQUER PERTINÊNCIA COM O CASO EM JULGAMENTO. Não merece conhecimento o recurso voluntário interposto com base em discussão que não apresenta qualquer substrato fático com o caso decidendo, ou seja, sem qualquer pertinência com a autuação perpetrada. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo do PIS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. REVOGAÇÃO DO ART. 3º INCISO III, § 2º DA LEI 9.718/98 PELA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 199118, DE 09 DE JUNHO DE 2000. OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. O disposto no art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98 dependia de regulamentação normativa, a qual nunca foi exercida. Logo, uma vez revogado pela Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000, tal dispositivo da lei 9.718/98 nunca surtiu efeitos no mundo jurídico, motivo pelo qual não há que se falar em irretroatividade da MP n. 199118/2000. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 21 35 /2 00 8- 41 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11080.902135/200841 Acórdão n.º 3402006.063 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1017.181, proferido pela DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo assim a negativa de homologação da compensação pretendida. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente contestou o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, afirmou que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo tributável com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998, gerando assim, indébitos compensáveis. Devidamente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde repisou os fundamentos desenvolvidos em sua manifestação de inconformidade É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.056, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.900029/200822, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.056): Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11080.902135/200841 Acórdão n.º 3402006.063 S3C4T2 Fl. 0 3 "I. Do não conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 5. Conforme se observa dos autos, um dos fundamentos desenvolvidos pelo recorrente seria quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade reconhecida na ADI n. 14170, assim ementada: Ementa Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Medida Provisória. Superação, por sua conversão em lei, da contestação do preenchimento dos requisitos de urgência e relevância. Sendo a contribuição expressamente autorizada pelo art. 239 da Constituição, a ela não se opõem as restrições constantes dos artigos 154, I e 195, § 4º, da mesma Carta. Não compromete a autonomia do orçamento da seguridade social (CF, art. 165, § 5º, III) a atribuição, à Secretaria da Receita Federal de administração e fiscalização da contribuição em causa. Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei nº 8.71598. 6. Diante desta decisão e segundo o contribuinte em suas razões recursais: Diante dos argumentos trazidos à baila, resta evidente que o período compreendido entre a resolução nª 49 de 09 de outubro de 1995, que suspendeu a execução dos DecretosLei citados, e a promulgação da Lei nº 9.715 de 25 de novembro de 1998, restou configurado um período de vacatio legis. Assim, no período compreendido entre outubro de 1995 e outubro de 1998, não há que se falar em contribuição para PIS. Não existia regramento legal a incidir sobre os recolhimentos, tendo o contribuinte recolhido tributo indevidamente no período supracitado, em discordância com o Princípio Constitucional da Legalidade. 7. Independentemente de adentrar no mérito da decisão pretoriana, mister se faz destacar que ela é totalmente inaplicável ao presente caso, já que o valor pago a título de PIS e que o contribuinte entende por indevido referese ao mês de setembro de 2003, ou seja, já sob a vigência da lei n. 10.637/02. 8. Nesse sentido, por absoluta falta de pertinência da matéria desenvolvida com o caso em julgamento, tal tópico do presente recurso voluntário sequer merece ser conhecido. II. Do conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 9. Não obstante, parte do recurso voluntário merece ser conhecida, já que apresenta pertinência com o caso decidendo, Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11080.902135/200841 Acórdão n.º 3402006.063 S3C4T2 Fl. 0 4 por ser a peça recursal tempestiva e por ainda preencher os demais pressupostos de admissibilidade. (ii.a) Do crédito vindicado pelo contribuinte com fundamento no inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 10. A questão de fundo não é nova neste Tribunal e diz respeito a (in)aplicabilidade imediata do inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998, que assim prescreve: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...). (grifos nosso). 11. A questão aqui travada foi bem tratada pelo acórdão n. 3302004.903, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que assim prescreveu em seu voto acompanhado a unanimidade pela turma julgadora: Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47. Ficam revogados: Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11080.902135/200841 Acórdão n.º 3402006.063 S3C4T2 Fl. 0 5 [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11080.902135/200841 Acórdão n.º 3402006.063 S3C4T2 Fl. 0 6 Excertos do voto: Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11080.902135/200841 Acórdão n.º 3402006.063 S3C4T2 Fl. 0 7 demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11080.902135/200841 Acórdão n.º 3402006.063 S3C4T2 Fl. 0 8 Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: [...] 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11080.902135/200841 Acórdão n.º 3402006.063 S3C4T2 Fl. 0 9 computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) (...). 12. Ademais, convém destacar que, em outros períodos que não o aqui tratado, o próprio contribuinte já possui decisões no sentido de afastar sua pretensão. É o que se observa dos seguintes acórdão deste Tribunal: 3803006.885, 3803006.876 e 3803006.884, dentre outros. 13. Assim, empregando como meu as razões de decidir externadas no acórdão n. 3302004.903 acima reproduzido e, ainda, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto. (ii.b) Da suposta irretroatividade do disposto no inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 14. Não obstante, outro fundamento desenvolvido pela recorrente, seria no seguinte sentido: Conforme referido anteriormente, o direito líquido e certo da Impetrante violado pela Autoridade Coatora, decorre da letra do inciso III, do parágrafo 2º, do artigo 3º da Lei 9.718/98. Este dispositivo legal entrou em vigor em fevereiro de 1999 e foi revogado pela Medida Provisória nº 1.99118, publicada no Diário Oficial da União do dia 10 de junho de 2000. Considerando que a revogação da norma que previa a exclusão das receitas transferidas para outras pessoas jurídicas, implicou em majoração das receita das referidas contribuições, sua aplicação deve respeitar o princípio da anterioridade nonagesimal, previsto no parágrafo 6º do art. 195 da Constituição Federal e artigo 150, III, "c" da mesma Carta. 15. Com a devida vênia ao entendimento exarado pelo contribuinte, eventualmente falarseia em suposta ofensa ao princípio da irretroatividade apenas hipótese de o disposto no inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 ser suficiente para, per si, determinar as exclusões possíveis da base de cálculo da exação aqui tratada. 16. Acontece que, conforme desenvolvido no tópico imediatamente anterior do presente voto, o disposto no aludido prescritivo legal dependia de regulamentação, regulamentação esta que não foi exercida, sendo tal dispositivo revogado do ordenamento jurídico pela Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11080.902135/200841 Acórdão n.º 3402006.063 S3C4T2 Fl. 0 10 17. Logo, não há que se falar em irretroatividade do disposto na citada Medida Provisória, já que o inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 nunca teve eficácia no ordenamento jurídico nacional, motivo pelo qual também afasto a pretensão da recorrente. Dispositivo 18. Ante o exposto, voto por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 17546.000196/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/1997
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA.
O Superior Tribunal de Justiça diante do julgamento do Recurso Especial nº 973.733-SC, em 12/08/2009, afetado pela sistemática dos recursos repetitivos, consolidou entendimento que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo e não houver dolo, fraude ou simulação; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. RECURSO PROCEDENTE.
Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de Súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Portanto, estando o crédito fiscal atingido pela decadência, esse deve ser exonerado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-005.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, em face do reconhecimento da decadência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente), e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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DECADÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça diante do julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, em 12/08/2009, afetado pela sistemática dos recursos repetitivos, consolidou entendimento que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo e não houver dolo, fraude ou simulação; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. RECURSO PROCEDENTE. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de Súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Portanto, estando o crédito fiscal atingido pela decadência, esse deve ser exonerado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, em face do reconhecimento da decadência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 01 96 /2 00 7- 52 Fl. 359DF CARF MF 2 João Bellini Junior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente), e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão de julgamento, exarado pela 6ª Turma da DRJ/SDR em CampinasSP, que julgou improcedente a impugnação apresentada. O crédito constituído por meio da Notificação Fiscal de Lançamento de Debito, destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS, corresponde a contribuições dos empregados, da empresa, financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho SAT (para competências até 01/02/1997 a 31/12/1997). A presente notificação foi lavrada em substituição à NFLD de 28/11/2003, a qual foi anulada por vicio formal. Constitui fato gerador da contribuição previdenciária, a remuneração paga, creditada ou devida a segurados empregados da empresa prestadora de serviço, identificada acima, pois a Câmara Municipal de Campinas, tomadora de serviços mediante cessão de mão deobra, responde solidariamente pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal, até a competência dezembro de 1997, que teve seu lançamento anulado por vício formal, e lavrado outro em 2007. Operouse no Lançamento o instituto da responsabilidade solidária, conforme previsão contida no art. 31 da Lei no 8.212/1991, e, não, no inciso VI do art. 30, conforme alega a recorrente, nas competências de 01/02/1997 a 31/12/1997. O Recurso Voluntário teve as mesmos alegações da impugnação apresentada, conforme relatado na decisão de primeira instância, quais sejam seguinte: O Município de Campinas não pode ser qualificado como devedor solidário, porquanto não foi beneficiário dos serviços prestados, nem mesmo efetuou qualquer pagamento à empresa mencionada; previamente, deveria ser fiscalizado o prestador dos serviços; deve ser declarada a decadência de parte do crédito constituído, em aplicação dos arts. 173 e 174, do CTN; o Decreto n° 20.910/32 dispõe sobre o prazo prescricional de cinco anos para pleitear direito e ação contra a fazenda Fl. 360DF CARF MF Processo nº 17546.000196/200752 Acórdão n.º 2301005.725 S2C3T1 Fl. 1.223 3 pública, mas que esta quedouse inerte além desse prazo, não podendo o direito socorrer aos que dormem; o próprio INSS reconhece que a notificação deveria ser entregue pessoalmente ao representante legal, quando fundamenta suas alegações na Instrução Normativa — IN/INSS/DAF no 4, de 23/08/1996, no entanto, todas as autuações, dentre elas a de n°31.078.9318, ora questionada, foram entregues ao arrepio da lei, vez que foram entregues pelo correio; essa irregularidade acarretou ao Município verdadeiro cerceamento de defesa; a referida IN n° 04 não autoriza a entrega da notificação no protocolo ou a qualquer servidor, pois, a disposição é clara ao estabelecer que a notificação deve conter a assinatura e a identificação do representante legal; o lançamento se verificou sem qualquer base documental, a esmo, sendo impossível aferir eventual quantum devido; a não aplicação do beneficio de ordem adveio somente com a Lei no 9.528/1997, o que significa que o INSS deve fiscalizar primeiramente os contribuintes devedores das contribuições; não pode o Município ser tratado da mesma forma que o particular; foi autuado e penalizado por falta de recolhimento de contribuições, mesmo nos casos em que referido recolhimento tenha sido realizado pelo particular; o art. 31 da Lei no 8.212/1991 não é aplicável ás pessoas jurídicas de direito público; inexiste obrigação do Município recolher a contribuição social, porquanto tal obrigação cabe ao empregador; as contribuições sociais, mesmo após a edição da Lei n° 9.528/1997, devem ser retidas pelas empresas prestadoras de serviços; e o lançamento afronta ao principio da autonomia municipal, por ser inconcebível dispor de dinheiro público para satisfazer obrigação devida por particular. É o relatório. Fl. 361DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele o conheço. DA DECADÊNCIA Aduz o Município recorrente que o processo teria sido contaminado pela decadência e prescrição. Como visto acima, Constitui fato gerador da contribuição previdenciária, a remuneração paga, creditada ou devida a segurados empregados da empresa prestadora de serviço, identificada acima, pois a Câmara Municipal de Campinas, tomadora de serviços mediante cessão de mãodeobra, até a competência dezembro de 1997, que teve seu lançamento anulado por vício formal, e lavrado outro somente em 2007. Nesse sentido, a lavratura do lançamento anterior (NFLD no 35.638.9952), ocorreu em 28/11/2003, para as competências 01/02/1997 a 31/12/1997, conforme informações fiscais, onde podese concluir que se operou decadência, já que a presente NFLD foi lavrada em 16/03/2007, e a intimação do Município se deu nesse mesmo período de 2007, estando fora do prazo de cinco anos legais do novo Lançamento, constantes do art. 173, inciso I, do CTN. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8. São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, Fl. 362DF CARF MF Processo nº 17546.000196/200752 Acórdão n.º 2301005.725 S2C3T1 Fl. 1.224 5 nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN,e que nesse caso, temse aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial n.º 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos, de aplicação obrigatória a este Tribunal. Nesse sentido, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, CTN). Inexiste pagamento localizado no presente feito, o que atrai a regra do art. 173, inciso I, do CTN e que no presente processo atinge os efeitos da decadência, haja vista ultrapassar o prazo quinquenal do lançamento fiscal. CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência, exonerando o crédito fiscal. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 363DF CARF MF 6 Fl. 364DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722114/2017-75
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRRF - PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR -OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELA FORMA DE TRIBUTAÇÃO
A Lei nº 11.053/04, que dispõe sobre os planos de previdência privada, prevê a faculdade aos participantes ingressos a partir de 2005 pela opção do regime de tributação sobre os valores pagos aos participantes.
Numero da decisão: 2002-000.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRRF - PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR -OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELA FORMA DE TRIBUTAÇÃO A Lei nº 11.053/04, que dispõe sobre os planos de previdência privada, prevê a faculdade aos participantes ingressos a partir de 2005 pela opção do regime de tributação sobre os valores pagos aos participantes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 21 14 /2 01 7- 75 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13896.722114/201775 Acórdão n.º 2002000.583 S2C0T2 Fl. 115 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 85/95) contra decisão de primeira instância (fls. 71/78), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Para o(a) contribuinte, já qualificado(a) nos autos, foi emitida, pela DRF/Barueri/SP, a Notificação de Lançamento IRPF/2014, fls. 43/50, na qual foi apurado o imposto a restituir no valor de R$1.364,61, lhe dando, no entanto, o direito à restituição do imposto no valor de R$106,76, além daquele já restituído, no valor de R$1.257,85. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual – DAA – retificadora, entregue pelo(a) interessado(a), relativa ao exercício financeiro de 2015, cujo resultado foi de imposto a restituir no valor de R$28.448,98. De acordo com a Descrição dos Fatos fls. 57/61, foram constatadas: 1) deduções indevidas de: 1.1) dependentes, no valor de R$2.156,52 (...) 1.2) despesas médicas, no valor de R$43.015,40 (...)2) compensação indevida de IRRF, no total de R$27.084,37 (...) Cientificado(a) da exigência, em 29/09/2017 fl. 69, o(a) interessado(a) apresentou a impugnação de fls. 2/4, instruída com os elementos de fls. 5/51. (...) Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento da infração; a restituição do imposto de renda e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13896.722114/201775 Acórdão n.º 2002000.583 S2C0T2 Fl. 116 3 O contribuinte foi cientificado em 08/03/2018 (fl. 82); Recurso Voluntário protocolado em 05/04/2018 (fl. 85), assinado por procurador legalmente constituído (fl. 98). O contribuinte responde nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida com Dependentes; b) Dedução Indevida de Despesas Médicas; c) Compensação Indevida de IRRF, no total de R$ 27.084,37. A r. decisão revisanda, considerou a impugnação procedente em parte, mantendo a glosa do IRRF, no valor de R$ 27.084,37. Irresignado, o recorrente maneja recurso próprio se insurgindo, face a r. decisão primeira. O recorrente requer os benefícios da Lei nº 12.008/09, que ora é deferido, eis que se enquadra na respectiva lei. No mérito alega ter os benefícios da Lei nº 7.713/88, eis que o recorrente preenche os requisitos cumulativos por ser portador de moléstia grave e, que os rendimentos são oriundos de sua aposentadoria, por serem recebidos a título de complementação de aposentadoria. Verifico que, às fls. 60/61 dos autos, que é a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, o Sr. AFR ao relatar a infração, assim diz “O contribuinte não comprovou ser portador de moléstia considerada grave, ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, ou não comprovou a efetiva retenção do Imposto de Renda sobre rendimentos isentos e/ou não tributáveis, para fins da compensação pleiteada”. “Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF) no valor de R$ 25.000,96 e IRRF sobre 13} salário no valor de R$ 2.083,41, Fonte Pagadora: 49.729.544/000188 – PSS – SEGURIDADE SOCIAL, por falta de comprovação documental. Contribuinte não comprovou a retenção do imposto de renda na fonte”. Em seu voto diz a r. decisão, com relação ao fato do impugnante ser portador de moléstia grave: “Registrese que foi observado também, nas consultas realizadas, que o contribuinte ingressou com pedido de restituição dos IRRF que incidiram sobre os 13º salários, recebidas da PSS – Seguridade Social, referentes aos AC 2012 e 2013, processo 13896.721779/201761. Esse pedido foi deferido, tendo sido acatada nessa análise a situação de portador de moléstia grave”. Pois bem, restou comprovado então, que o recorrente é aposentado, portador de moléstia grave e, que os rendimentos auferidos teriam como fonte o PSS – Seguridade Social. Superada a questão da moléstia grave, o Sr. AFR diz: “...SEGURIDADE SOCIAL , por falta de comprovação documental. Contribuinte não comprovou a retenção do imposto de renda na fonte” (fl. 61). Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13896.722114/201775 Acórdão n.º 2002000.583 S2C0T2 Fl. 117 4 Ocorre que a r. decisão primeira reconhece a efetividade da retenção, senão vejamos: “De acordo com os documentos juntados aos autos pelo impugnante para comprovar a efetividade da retenção sofrida, contracheques de fls. 18/44 e a Dirf de fl. 51, especialmente esta mostra que a retenção ocorreu (grifo nosso) sob o Código de Receita 5565 – Benefício de Previdência Complementar – Optante pela Tributação Exclusiva, o que foi confirmado nas consultas aos Sistemas da RFB”. Entende este relator, que o recorrente fez prova suficiente para obter o direito requerido, quer pela documentação apresentada, quer pelo próprio reconhecimento da r. decisão primeira, não podendo a mesma inovar quanto a outros aspectos. As inovações não são admitidas porque ferem ao direito do ponto de vista processual. Demonstrado, pois os requisitos necessários quanto ao direito pleiteado, o Recurso Voluntário é conhecido e provido. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13896.722114/201775 Acórdão n.º 2002000.583 S2C0T2 Fl. 118 5 Voto Vencedor Thiago Duca Amoni Redator designado Peço vênia ao ilustre relator para discordar do entendimento proferido em seu voto. Sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), a Lei nº 9.250, de 1995, prevê em seu artigo 12: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: (...). V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; Ainda, O Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), dispõe: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...) IV – o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; §2ºO imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º, e 8º, §1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). O Novo Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 9.580/18 manteve o mesmo entendimento: Art. 80. Do imposto sobre a renda apurado na forma estabelecida no art. 79, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13896.722114/201775 Acórdão n.º 2002000.583 S2C0T2 Fl. 119 6 1995, art. 12; Lei nº 11.438, de 29 de dezembro de 2006, art. 1º; e Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012, art. 4º): (...) § 3º O imposto sobre a renda retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de ajuste anual se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos § 1º e § 2º do art. 6º e no § 1º do art. 7º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Dessa feita, para compensar o IRRF, é necessário que o contribuinte faça prova da efetiva retenção do imposto de renda na fonte, bem como os rendimentos correspondentes tenham sido ofertados à tributação. Contudo, a Lei nº 11.053/04, que dispõe sobre os planos de previdência privada, prevê a faculdade aos participantes ingressos a partir de 2005 pela opção do regime de tributação sobre os valores pagos aos participantes, como bem apontou a decisão da DRJ: Portanto, tanto a Dirf quanto o comprovante de rendimentos dão notícia de serem os rendimentos sobre os quais incidiram o IRRF glosado, por opção do próprio interessado, sujeitos ao regime de tributação exclusiva na fonte, previsto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 11.053, de 2004, acima transcritos. Assim, descabe a tributação dos rendimentos no ajuste anual do IRPF e, via de conseqüência, a compensação do IRRF vinculado. Dessa forma, deve ser mantida a glosa do IRRF, no valor de R$29.632,90. Caso o contribuinte entenda ter direito à restituição do IRRF discutido no presente, deverá proceder a pedido de restituição/compensação feito em processo apartado desse de impugnação, vez que tal procedimento segue rito próprio, devendo se orientar, para tanto, no Órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil da jurisdição de seu domicílio fiscal, cabendo lembrar apenas quanto ao prazo regulamentar para tal solicitação – cinco anos do pagamento indevido. Desta forma, mantenho a decisão de piso, negando provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13896.722114/201775 Acórdão n.º 2002000.583 S2C0T2 Fl. 120 7 Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.001703/2007-83
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS - DCTF
Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma.
Ademais, trata-se de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
Numero da decisão: 1003-000.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente); Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS - DCTF Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Ademais, trata-se de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente); Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
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DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF Mantêmse a aplicação da multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Ademais, tratase de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 17 03 /2 00 7- 83 Fl. 56DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente); Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Recorrente por discordar do acórdão 0520.480, proferido pela 1ª Turma da DRJ/CPS, às fls. 2021, julgando procedente o lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, referente ao anocalendário 2005, nos moldes da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declaração fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão recorrida, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 2633, requerendo sua reforma, e, para tanto, argumentou, em síntese, a insubsistência do lançamento por ter ficada caracterizada a ocorrência de denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientificada do Acórdão 0520.480 1ª Turma da DRJ/CPS (fls. 2021) em 11/01/2008 (fls. 24) e apresentou o recurso competente em 22/01/2008 (fls. 26/33). Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13884.001703/200783 Acórdão n.º 1003000.417 S1C0T3 Fl. 57 3 O recurso voluntário interposto, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Em suas razões recursais, a Recorrente, basicamente, reproduziu os argumentos apresentados em sua impugnação, buscando socorrerse no disposto nos artigos 138 do Código Tributário Nacional. Ocorre que, o procedimento fiscal foi efetuado nos estritos termos legais, ao qual o agente público está plenamente vinculado, nos termos do art. 3° e parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional e art. 37 da Constituição Federal. Logo, a decisão recorrida não merece reforma. Isso porque o afastamento das penalidades em função da denúncia espontânea não ocorre quando a causa da penalidade é o descumprimento de uma conduta meramente formal, como nos casos de entrega com atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. E, nos autos está comprovado que a Recorrente, de fato, descumpriu a obrigação de entregar a DCTF no prazo regulamentar. Sendo assim, como não existe na lei dispensa do pagamento de multa por atraso na entrega da referida declaração, restou evidenciado que a sanção foi aplicada de acordo com o determinado na legislação tributária pertinente e que fundamentou o lançamento. Ademais, a Recorrente afirma que o instituto da denúncia espontânea alcançaria a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração, no termos do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Todavia, referido dispositivo não abarca o objeto desta lide, posto que a questão é objeto da Súmula CARF nº 49, em sentido diametralmente oposto ao afirmado pela Recorrente, conforme abaixo transcrita e com entendimento vinculante na administração tributária federal determinado pela Portaria MF nº 277, de 7 de junho de 2018: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Com efeito, a exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, se refere à obrigação principal entendida como aquela que decorre da ausência de pagamento do tributo devido, não alcançando, assim, os deveres instrumentais decorrentes de previsão na legislação. Fl. 58DF CARF MF 4 Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso e manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900050/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo - no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado -, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
Numero da decisão: 3402-006.074
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo - no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado -, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão.
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NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA LIDE. ORIGEM DO CRÉDITO. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação/manifestação de inconformidade e extrapola os limites do processo administrativo no caso de compensação tributária, limitada pelo conteúdo do despacho decisório e pela defesa sobre a origem do crédito pleiteado , de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF não deve ser conhecida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo de PIS/COFINS sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal (art. 3º inciso III, § 2º da Lei 9.718/98) que estabeleceu a sua previsão. Acordam os membros do Colegiado, não conhecer em parte do Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, quanto aos argumentos da ilegalidade da aplicação da SELIC e a inconstitucionalidade da multa aplicada; e (ii) por maioria de votos, quanto a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 00 50 /2 00 8- 28 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11080.900050/200828 Acórdão n.º 3402006.074 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1016.107, proferido pela DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo assim a negativa de homologação da compensação pretendida. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente contestou o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, afirmou que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo tributável com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/1998, gerando assim, indébitos compensáveis. Devidamente cientificada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde repisou os fundamentos desenvolvidos em sua manifestação de inconformidade, bem como acresceu os seguintes fundamentos: (i) a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação em comento seria indevida; (ii) a ilegalidade da SELIC como fator de correção do crédito tributário; e, ainda (iii) a multa aplicada apresentaria caráter confiscatório, motivo pelo qual deveria ser afastada. É o relatório Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.900050/200828 Acórdão n.º 3402006.074 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.073, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.900040/200892, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.073): "I. Do não conhecimento de parte do recurso voluntário interposto 5. Conforme destacado no relatório desenvolvido no presente voto, parte dos fundamentos desenvolvidos no presente recurso voluntário inovam a lide, na medida em que externados apenas em sede de recurso voluntário. É o caso dos seguintes tópicos da peça recursal: (i) a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação em comento seria indevida; (ii) a ilegalidade da SELIC como fator de correção do crédito tributário; e, ainda (iii) a multa aplicada apresentaria caráter confiscatório, motivo pelo qual deveria ser afastada. 6. Acontece que, em sua manifestação de inconformidade, o ora recorrente não desenvolveu tais fundamentos. Dessa feita, está precluso o direito do contribuinte, em sede de recurso voluntário, debater as exigências tratadas nos itens "ii" e "iii" alhures, nos exatos termos do disposto no art. 17 do Decreto n. 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 7. Não se tratando de questões de ordem pública, que poderiam ser reconhecidas de ofício e em qualquer grau de jurisdição, em razão da aplicação subsidiária do art. 485, § 3o, c.c. o art. 15, ambos do Novo Código de Processo Civil1, não 1 "Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...). 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. (...)." Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.900050/200828 Acórdão n.º 3402006.074 S3C4T2 Fl. 0 4 poderia o recorrente, em grau recursal, inovar a lide, sob pena de haver notória supressão de instância judicativa. 8. Neste sentido, não conheço dos fundamentos desenvolvidos pelo recorrente no sentido de combater (i) a ilegalidade da aplicação da SELIC, bem como (ii) a inconstitucionalidade da multa aplicada no caso em tela. (...)2 Lembremos que o presente processo fiscal iniciouse por manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de Porto Alegre relativo à COFINS, em virtude exame de declaração de compensação, a qual não foi homologada por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. Foi essa a motivação adotada pela Administração Tributária no despacho decisório, o qual impõe os limites do processo administrativo e a impossibilidade de sua alteração, nos moldes esculpidos pelo artigo 146 do CTN. A Recorrente, por sua vez, contestou o referido Parecer alegando que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título da Contribuição ao PIS e da COFINS, conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior. O cerne da inconformidade da Recorrente foi o conceito de receita bruta, instituído pela lei acima referida, alegando ser o indébito que pleiteia decorrente da tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também afirma que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. Ou seja: segundo a própria Recorrente, o indébito tributário pleiteado, que fora utilizado para compensar débitos via declaração de compensação, são decorrentes de pagamentos indevidos porque fundados em interpretação equivocada do conceito de receita, discussão essa amplamente conhecida a respeito da Lei n. 9.718/98. Como poderia agora, nesse pé do processo administrativo, vir alegar que o indébito, na realidade, o crédito decorre da indevida inclusão do ICMS na base da cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS? Isso só demonstra a iliquidez e incerteza do crédito tributário utilizado pelo contribuinte, inclusive no que tange à sua base legal, tudo indo na contramão das determinações que regem a matéria (artigos 165 e 170 do "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." 2 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu na discussão sobre o conhecimento do recurso voluntário quanto a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Íntegra do voto pode ser consultada no processo paradigma (11080.900040/200892) Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.900050/200828 Acórdão n.º 3402006.074 S3C4T2 Fl. 0 5 Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 e seguintes da Lei n. 9.430/96). Mas a verdade é que nem isso a Recorrente alega. Em seu longo Recurso Voluntário, de repente passa a discorrer sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS (fls 54), em nenhum momento apontando nem provando como essa discussão implicaria no presente processo administrativo, no crédito utilizado na declaração de compensação ou porque foi extemporaneamente apresentada. Enfim, na hipótese de efetivamente a Recorrente ter direito à restituição de indébito tributário, decorrente da imprópria tributação das contribuições sociais com o ICMS compondo a sua base, deverá iniciar outro processo administrativo, requerendo pelas vias cabíveis a devolução de tais valores, demonstrando e provando a pertinência da decisão proferida pelo STF no RE n. 574.706. Eis aí o correto caminho processual a ter tomado. Tratase, portanto, de questão que além de extrapolar os limites do presente dissídio, é preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, e não vejo razão para o afastamento da citada regra in casu. Desta feita, a mencionada matéria de defesa não deve ser conhecida por este Colegiado. Por essas razões, especificamente com relação ao tópico da defesa atinente inclusão do ICMS na base da cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, voto no sentido de não conhêlo. (...) (ii.b) Do mérito propriamente dito 35. Superada a proposta acima, mister se faz a análise do mérito propriamente dito do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, o que faz nos seguintes termos. (...)3 (2) Do crédito vindicado pelo contribuinte com fundamento no inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998 39. A questão de fundo não é nova neste Tribunal e diz respeito a (in)aplicabilidade imediata do inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998, que assim prescreve: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). 3 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento do mérito. Íntegra do voto pode ser consultada no processo paradigma (11080.900040/200892) Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.900050/200828 Acórdão n.º 3402006.074 S3C4T2 Fl. 0 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...). (grifos nosso). 40. A questão aqui travada foi bem tratada pelo acórdão n. 3302004.903, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que assim prescreveu em seu voto acompanhado a unanimidade pela turma julgadora: Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47.Ficam revogados: [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.900050/200828 Acórdão n.º 3402006.074 S3C4T2 Fl. 0 7 a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Excertos do voto: Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11080.900050/200828 Acórdão n.º 3402006.074 S3C4T2 Fl. 0 8 falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.900050/200828 Acórdão n.º 3402006.074 S3C4T2 Fl. 0 9 operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11080.900050/200828 Acórdão n.º 3402006.074 S3C4T2 Fl. 0 10 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: [...] 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11080.900050/200828 Acórdão n.º 3402006.074 S3C4T2 Fl. 0 11 [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) (...). 41. Ademais, convém destacar que, em outros períodos que não o aqui tratado, o próprio contribuinte já possui decisões no sentido de afastar sua pretensão. É o que se observa dos seguintes acórdão deste Tribunal: 3803006.885, 3803006.876 e 3803006.884, dentre outros. 42. Assim, empregando como meu as razões de decidir externadas no acórdão n. 3302004.903 acima reproduzido e, ainda, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer de parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720356/2016-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013, 2014
DECADÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. CONTAGEM DE PRAZO.
À contagem do prazo decadencial aplicáveis aos casos de dolo, fraude e simulação, rege-se pelo §4º do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA PARA LEGALIZAR FRAUDULENTAMENTE VANTAGENS INDEVIDAS RECEBIDAS PELA PESSOA FÍSICA.
A conclusão de que a pessoa jurídica foi utilizada para regularização fraudulenta de recursos verdadeiramente recebidos pela pessoa física é reforçada pela inércia do impugnante em comprovar a efetiva prestação dos serviços de forma inequívoca, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea.
O crédito constituído como rendimentos recebidos pela pessoa física visa assegurar a correta tributação, nos moldes da legislação do imposto de renda, quando demonstrado ter sido o contribuinte o real beneficiário dos valores recebidos.
COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS PELA PESSOA JURÍDICA.
Os valores arrecadados a título de imposto de renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física, devem ser deduzidos do lançamento promovido pela autoridade fiscal.
OPERAÇÃO DE MÚTUO. REQUISITOS LEGAIS. OPOSIÇÃO AO FISCO.
São indispensáveis para a comprovação da operação de mútuo, o contrato levado ao registro público e a apresentação de documentos hábeis e idôneos, sendo considerada insuficiente para ser oposta perante o fisco, a simples alegação de existência do empréstimo.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
A responsabilidade deverá observar a participação dos sócios envolvidos, o período de seu ingresso na sociedade, bem como a caracterização do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN.
MULTA DE OFÍCIO DE 150%. APLICABILIDADE.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
Numero da decisão: 2401-005.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) que sejam deduzidos do lançamento os valores arrecadados a título de imposto de renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física; e b) excluir a responsabilidade solidária de Juliana Sendai Nakandakari no ano-calendário 2010. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira que dava provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. CONTAGEM DE PRAZO. À contagem do prazo decadencial aplicáveis aos casos de dolo, fraude e simulação, regese pelo §4º do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA PARA LEGALIZAR FRAUDULENTAMENTE VANTAGENS INDEVIDAS RECEBIDAS PELA PESSOA FÍSICA. A conclusão de que a pessoa jurídica foi utilizada para regularização fraudulenta de recursos verdadeiramente recebidos pela pessoa física é reforçada pela inércia do impugnante em comprovar a efetiva prestação dos serviços de forma inequívoca, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. O crédito constituído como rendimentos recebidos pela pessoa física visa assegurar a correta tributação, nos moldes da legislação do imposto de renda, quando demonstrado ter sido o contribuinte o real beneficiário dos valores recebidos. COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS PELA PESSOA JURÍDICA. Os valores arrecadados a título de imposto de renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física, devem ser deduzidos do lançamento promovido pela autoridade fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 56 /2 01 6- 39 Fl. 1712DF CARF MF 2 OPERAÇÃO DE MÚTUO. REQUISITOS LEGAIS. OPOSIÇÃO AO FISCO. São indispensáveis para a comprovação da operação de mútuo, o contrato levado ao registro público e a apresentação de documentos hábeis e idôneos, sendo considerada insuficiente para ser oposta perante o fisco, a simples alegação de existência do empréstimo. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. A responsabilidade deverá observar a participação dos sócios envolvidos, o período de seu ingresso na sociedade, bem como a caracterização do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN. MULTA DE OFÍCIO DE 150%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 16004.720356/201639 Acórdão n.º 2401005.918 S2C4T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) que sejam deduzidos do lançamento os valores arrecadados a título de imposto de renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física; e b) excluir a responsabilidade solidária de Juliana Sendai Nakandakari no anocalendário 2010. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira que dava provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 1.002/1.019, concernente a Imposto de Renda de Pessoa Física, nos exercícios de 2011 a 2015, relativos aos anos calendário 2010 a 2014, por meio do qual foi apurado crédito tributário, calculado em 11/2016, no montante de R$ 10.468.326,85, composto da seguinte forma: R$ 3.517.504,78 relativo ao Imposto; R$ 5.276.257,16 de multa proporcional; e R$ 1.674.564,91 Juros de mora (calculados até 11/2016). Consta do Relatório de Fiscalização (fls. 935/1.001), que o procedimento fiscal é decorrente da investigação da “Operação Lava Jato”. Analisando os autos, levandose em consideração os documentos compartilhados pelo i. Ministério Público Federal – MPF, mediante autorização da MM. 13ª Vara Faderal de Curitiba/PR, identificouse irregularidades financeiras, derivadas de esquemas ilícitos de desvios de recursos públicos da estatal Petrobrás, onde se constatou a existência de subnúcleos em âmbito financeiro, cada qual comandado por um operador diverso, responsáveis por promover lavagem de dinheiros para empreiteiras, agentes políticos e empregados da empresa estatal brasileira. O sujeito passivo destes autos fez parte do referido núcleo ilícito que, de acordo com o Ministério Público Federal, era o responsável pela ocultação e dissimulação do Fl. 1714DF CARF MF 4 capital envolvido no esquema, através do uso de empresas “laranjas”, promovendo o repasse dos valores aos destinatários finais. Após ser acusado, procurou o MPF para fazer um acordo de colaboração, o qual se firmou. Quando de seus depoimentos, relatou sua partipação no esquema de propina, especificamente a obras contratadas pela Petrobrás com diversas empresas, momento em que relatou, também, os valores que foram repassados aos funcinários da estatal, bem como os que ficaram em seu poder. Anteriormente ao Procedimento Fiscal, portanto, foram realizadas diversas diligências junto ás empresas de titularidade do sujeito passivo. Durante as diligências, ainda, foram transcritos os questionamentos e repostas oferecidas pela empresa daquele (LFSN) para esclarecer a sistemática dos pagamentos das propinas. De posse da documentação e dos relatos, a fiscalização pôde concluir que os valores percebidos pelo sujeito – depositados em contas de seus filhos – são oriundas de atuação ilícita como operado do esquema de pagamento de proprinas aos antigos funcionários da Petrobrás, os quais deveriam ter sido tributados na forma de pessoa física e não de pessoa jurídica, tal qual como feito. Já em âmbito do procedimento fiscal, de acordo com as informações prestadas pela fiscalização, as alegações prestadas pelo fiscalizado foram afastadas, reconhecendose, portanto, o esquema de proprina em que se envolveu jutos às empreiteiras, já bem descrito na subsidivão “do procedimento fiscal” em âmbito de Relatório quando do Acórdão prolatado pela DRJ/BHE (fls. 1566/1603). Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 1.044/1.089), alegando, resumidamente, o que segue: (i) Decadência quinquenal relativa aos fatos geradores ocorridos entre 04/01/2010 e 04/11/2011, subsidiando tal pedido no artigo 150, §4º do CTN; (ii) A efetiva prestação de serviços pela sua empresa LFSN Consultoria e Engenharia; (iii) Que os valores recebidos pela referida empresa foram devidamente tributados e contabilizados e, portanto, declarados na DIPJ, sendo o lucro distribuído aos sócios na forma da lei; (iv) Que seria contratado como consultor em serviços de engenharia para promvoer assessria técnica e de gerenciamente e administração de obras; (v) Que o entendimento de que bastava se promover o pagamento de valores ilícitos para que termos aditivos fossem aprovados encontrase equivocado; (vi) Que a contratação de empresas era decorrente dos reconhecidos conhecimentos técnicos e experiência profissional da mesma; (vii) Que o sujeito passivo teria expertise e por isso fora contratado para elaborar estratégias necessárias na definição de diretrizes para a obtenção de aditivos contratuais, juntando documentos na tentativa de provar o alegado e que, ante o sucesso da obtenção do aditivo, lhe foi solicitado pelo diretor da empresa que realizasse um seminário para treinamento de engenheiros, gerentes e diretores da empresa; (viii) Que os valores a ele disponibilizados pela empresa EIT não eram utilizados para pagamento de proprina, mas remuneração pela prestação dos serviços; Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 16004.720356/201639 Acórdão n.º 2401005.918 S2C4T1 Fl. 4 5 (ix) Que o fato de sua empresa (LFSN) ter sido constituída posteriormente ao início do trabalho não macula a idoneidade das Notas Fiscal emitidas, posto que os pagamentos só eram realizados quando do êxito na aprovação dos aditivos; (x) Que a LFSN explora atividades intelectuais de natureza científica, e que sua constituição de seu na forma de sociedade simples em substituição à Shinko, ainda que nas relações jurídica préexistentes; (xi) Constesta o que seria fala da fiscalização segundo a qual os valores recebidos da EIT não poderiam ser tributados na pessoa jurídica por decorrerem de atividade ilícita; (xii) Que sua empresa está submetida ao artigo 129 da Lei 11.196/2005; (xiii) Sobre o Consórcio RNEST o contribuinte prestou serviços de engenharia na assessoria técnica e gerenciamento de obras conforme contrato firmado com LFSN em 18/12/2009 com duração de 15 meses. Sobre o fato de a fiscalização ter afirmado que no contrato não há obrigações da LFSN na prestação dos serviços, a justificativa é a de que isto demonstra a relação de confiança entre as partes. Esta relação de confiança existia com todas as contratantes, tanto que em alguns casos não houve sequer contrato; (xiv) Em função da boa relação entre Shinko e a EIT, esta empresa lhe informou que caso o Consórcio (RNEST) que ela liderava vencesse a licitação para tocar obras da Petrobrás, a LFSN seria contratada. Em meados de 2010 a liderança do Consórcio passou a ENGEVIX, visto que a EIT entrou em recuperação judicial o que culminou no distrato da EIT com a LFSN, firmado em 18/6/2010; (xv) Discorre sobre a contratação da LFSN pela Galvão Engenharia e indica que esta empresa, na busca pelo equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos junto à Petrobrás, contratou os Serviços de Shinko. Os serviços prestados incluíam, sem limitação, reuniões periódicas (no mínimo semanais) junto à Diretoria de Óleo e Gás da Galvão e o principal objetivo era traçar estratégias para apresentar os pleitos técnicos às equipes da estatal; (xvi) Até 2009 a Galvão não competia em concorrências de projetos maiores da Petrobrás, mas em função da amizade entre Shinko e Pedro Barusco, a empresa passou a participar de grandes licitações; (xvii) São citadas mensagens eletrônicas para demonstrar que Shinko era contratado de fato para prestar serviços de assessoria técnica à empresa; (xviii) Em relação à empresa Contreras, a informação é que ela era sócia da Galvão e devido ao sucesso nos aditivos, Shinko também foi contratado para realizar o mesmo trabalho, pois a Contreras também possuía alguns pedidos de aditivos junto à Petrobrás; (xix) A Contreras disponibilizou recursos financeiros em espécie no total de R$1.500.000,00 em parcelas de 2009 a 2011 para serem entregues por Shinko a Pedro Barusco, o que ocorreu fora do ambiente de negócios da LFSN. Esses valores não poderiam constar do auto de infração porque não circularam nas contas bancárias de Shinko, nem dos responsáveis Fl. 1716DF CARF MF 6 solidários, pois se tratou efetivamente de prestação de serviços, fato nem mesmo questionado na esfera penal; (xx) Assevera que o pagamento de valores ilícitos não bastava para a aprovação dos aditivos, sendo necessária a intervenção de Shinko para demonstrar as onerosidades e custos não previstos inicialmente no contrato. Somente as vantagens ilícitas não garantiam a aprovação dos aditivos, já que esta dependia de vários aspectos técnicos desenvolvidos pela LFSN e que passavam por vários níveis hierárquicos dentro da Diretoria de Serviços da Petrobrás até aprovação do aditivo; (xxi) Sobre esse assunto a defesa questiona os argumentos utilizados pela fiscalização, sobretudo se os auditores teriam conhecimento técnico necessário para a análise de contratos e aditivos dessa natureza; (xxii) Reconhece que Shinko efetuou pagamentos ilícitos a funcionários da Petrobrás, mas era condição para que permanecesse trabalhando nesta área; (xxiii) Aduz não haver nenhuma afirmação de Shinko em depoimento ao MPF no sentido de que tenha atuado exclusivamente como operador do pagamento de propinas. Ao prestar depoimento relativamente à Galvão, Shinko deixou claro que efetuava os pagamentos sempre por iniciativa da empreiteira. Contesta a afirmativa da Galvão de que nunca houve a prestação de serviços pela LFSN; (xxiv) O fato de a Galvão ter efetuado denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN diz respeito ao alinhamento com a sua tese de defesa criminal. Desse modo, entende a defesa que ao declarar serem inidôneas as notas fiscais emitidas pela LFSN e excluir os seus respectivos valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a Galvão apenas procurou corroborar sua tese de defesa, desmistificada pelo MPF e pela Justiça Federal em Curitiba/PR; (xxv) Reclama não ter tido acesso aos documentos relativos a esta denúncia espontânea de forma a identificar a que título o valor pago à LFSN foi contabilizado, visto que o contribuinte é diretamente interessado. Esclarece que nem mesmo o MPF questionou a efetiva prestação de serviços por parte da LFSN; (xxvi) Apesar de a fiscalização ter dito que Shinko faltou com a verdade e citar trecho da sentença proferida pelo juízo da 13ª Vara Federal em Curitiba/PR no sentido de que seu depoimento deve ser visto com reservas, informa a defesa que na mesma decisão consta que ele apresentou provas razoáveis de suas alegações; (xxvii) Cita a fl. 18 do Relatório Fiscal para questionar as divergências apontadas pela fiscalização entre datas e valores declarados por Shinko e os transferidos por seus filhos. Reitera que a decisão sobre a distribuição de lucros é exclusiva dos sócios, independente da proporcionalidade das quotas, não cabendo a terceiros, nem mesmo ao fisco questionála; (xxviii) No caso dos lucros recebidos por Shinko nos anos de 2010 a 2013 questiona o fato de a fiscalização não ter mencionado a distribuição relativa ao ano de 2009 que seria realizada durante o ano de 2010 no valor de R$640.449,13, conforme ata de reunião de sócios, o que justifica o recebimento de valor maior; (xxix) Contesta a afirmação de fl. 58 da Descrição dos Fatos segundo a qual a fiscalização indica que todas as transferências bancárias destinaramse apenas a distribuição de lucros a Shinko, pois também havia transferências para amortização de empréstimos Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 16004.720356/201639 Acórdão n.º 2401005.918 S2C4T1 Fl. 5 7 concedidos aos filhos e que permaneceram nas contas e foram declarados no ajuste anual dele e dos filhos; (xxx) Como houve o mútuo de R$2.511.660,56 e um depósito na conta de Luís Fernando no valor de R$2.408.767,19, a diferença de R$102.893,37 referese aos lucros distribuídos pela LFSN. Já os valores de empréstimo à filha Juliana correspondem aos lucros distribuídos pela LFSN no ano de 2011 e que ainda permaneciam na conta dela; (xxxi) A fiscalização equivocouse ao informar que o recebimento líquido pela LFSN foi de R$8.533.780,50, pois considerou apenas a retenção na fonte não tendo observado IRPJ a CSLL e o ISS, o que justifica o valor de R$7.720.010,00; (xxxii) Questiona o fato de a fiscalização ter ignorado as explicações acerca dos saques nas contas bancárias até completarem R$100.000,00 de forma a possibilitar o pagamento de vantagem a Pedro Barusco; (xxxiii) É refutada também a afirmação fiscal segundo a qual os gastos com cartão de crédito seriam muito baixos. Segundo a defesa, nos extratos bancários onde consta o termo “Pagto contas com cartão” as faturas somam valores bem superiores aos demonstrados pela fiscalização e ainda há o registro de compras com cartão de débito e prépago que demonstram o pagamento das despesas pessoais; (xxxiv) Alega ilegitimidade passiva com base no artigo 61 da Lei 8.891/1995 e adverte que no caso de pagamento sem beneficiário identificado ou sem comprovação de sua causa o imposto de renda deverá incidir exclusivamente na fonte à alíquota de 35%. Complementa o raciocínio com a afirmação de que não cabe ao fisco exigir dos impugnantes o pagamento de imposto de renda pessoa física cuja obrigação é das pessoas jurídicas contratantes. Ao menos no que diz respeito à Galvão Engenharia o imposto já foi recolhido tendo em vista a denúncia espontânea da empresa; (xxxv) Questiona a base de cálculo e afirma que devem dela ser excluídos os valores pagos à LFSN exclusivamente como remuneração pela prestação de serviços pelas empresas EIT, R$1.759.997,21 em 5/2/2010 e pela Contreras, R$400.000,00 em 4/11/2013 porque não destinados ao pagamento de vantagens ilícitas, pois devidamente tributados na pessoa jurídica; (xxxvi) Os valores que foram meramente repassados aos funcionários da Petrobrás também devem ser excluídos da base de cálculo, visto não se configurarem em renda ou provento ao seu favor; (xxxvii) Entende desproporcional a multa de ofício e alega o caráter confiscatório de sua imposição no percentual de 150%, tendo requerido a aplicação a um percentual inferior do tributo exigido; (xxxviii) Discorda da inclusão de Luis Fernando e Juliana como responsáveis solidários porque o artigo 124, I do Código Tributário Nacional teria sido utilizado de maneira equivocada, estabelecendo uma sujeição passiva indireta. A responsabilidade solidária não se presume e deve ser provado além do interesse econômico, também o jurídico, pois realizam conjuntamente a situação que configura o fato gerador; Fl. 1718DF CARF MF 8 (xxxix) O mero fato de os sócios terem recebido lucros, dividendos e pró labore não caracteriza o interesse comum na situação que constitui o fato gerador. Não há comprovação do interesse jurídico de Luis Fernando e Juliana, visto que os atos praticados por Shinko não interferiram na esfera de direitos e deveres dos filhos, que inclusive não se envolveram em qualquer tratativa correspondente à prestação dos serviços. Não há qualquer sanção penal aos filhos pelo simples fato de não terem participado e concorrido para a existência dos ilícitos, tanto que não houve por parte do MPF o interesse punitivo de ambos; (xl) Reforça que todos os pagamentos ocorreram fora do ambiente da LFSN sem conhecimento dos demais sócios, sendo ato exclusivamente de Shinko. Durante o período indicado no auto de infração, os filhos de Shinko estudavam fora do Brasil; (xli) Entre outros pedidos já mencionados anteriormente requer sejam considerados os tributos já pagos pela LFSN, afastandose a bitributação; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0273.601 da 9ª Turma da DRJ/BHE, às fls. 1.566/1.063, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011, 2012, 2013, 2014, 2015 DECADÊNCIA. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO OU PAGAMENTO PARCIAL. Tratandose de lançamento de ofício, motivado pela falta de recolhimento total ou parcial do tributo, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é estabelecida pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a regra do artigo 173, I deve sempre ser aplicada. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA PARA LEGALIZAR FRAUDULENTAMENTE VANTAGENS INDEVIDAS RECEBIDAS PELA PESSOA FÍSICA. A conclusão de que a pessoa jurídica foi utilizada para regularização fraudulenta de recursos verdadeiramente recebidos pela pessoa física é reforçada pela inércia do impugnante em comprovar a efetiva prestação dos serviços de forma inequívoca, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. O crédito constituído como rendimentos recebidos pela pessoa física visa assegurar a correta tributação, nos moldes da legislação do imposto de renda, quando demonstrado ter sido o contribuinte o real beneficiário dos valores recebidos. Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 16004.720356/201639 Acórdão n.º 2401005.918 S2C4T1 Fl. 6 9 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO NA PESSOA FÍSICA. CONTRIBUINTES DISTINTOS. A autoridade lançadora não pode, de ofício, promover à compensação de tributos pagos na empresa, quando reclassifica as receitas da pessoajurídica para rendimentos de pessoa física. É vedada a compensação de tributos arrecadados por um contribuinte em favor de outro. OPERAÇÃO DE MÚTUO. REQUISITOS LEGAIS. OPOSIÇÃO AO FISCO. São indispensáveis para a comprovação da operação de mútuo, o contrato levado ao registro público e a apresentação de documentos hábeis e idôneos, sendo considerada insuficiente para ser oposta perante o fisco, a simples alegação de existência do empréstimo. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. HIPÓTESES DE APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Comprovado que o contribuinte agiu de forma dolosa com o objetivo de ocultar do fisco o real valor do imposto devido é cabível a multa de ofício qualificada aplicada sobre o imposto apurado no lançamento. A sanção não se reveste das características de tributo, razão pela qual se revela inaplicável o Princípio Constitucional de Vedação ao Confisco, entabulado no artigo 150, IV da Constituição Federal. O solidário responde tanto pelo tributo como pela penalidade, aplicada em seu grau inicial, qualificada ou agravada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 27/06/2017, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 1.613. Fl. 1720DF CARF MF 10 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.618/1.676), alegando, em suma, o que segue: (i) Decadência quinquenal relativa aos fatos geradores ocorridos entre 04/01/2010 e 04/11/2011, subsidiando tal pedido no artigo 150, §4º do CTN; (ii) A efetiva prestação de serviços pela sua empresa LFSN Consultoria e Engenharia; (iii) Que a contratação de empresas era decorrente dos reconhecidos conhecimentos técnicos e experiência profissional da mesma; (iv) Que o sujeito passivo teria expertise e por isso fora contratado pelas empreiteiras para atuar como consultor em serviços de engenharia para assessorai técnica e de gerenciamento e administração contratual; (v) Que o currículo do sujeito passivo fora totalmente ignorado pla fiscalização; (vi) Impugna o entendimento de que bastava se promover o pagamento de valores ilícitos para que termos aditivos fossem aprovados encontrase equivocado, posto que era necessário que os contratos fossem devidamente justificados e demonstrados de forma técnica, o que acbia ao fiscalizado; (vi) Que a fiscalização ignora diversos documentos juntados pelo sujeito passivo, os quais comprovam a prestação de alguns serviços havido com a empresa EIT, que poderiam ser corroborados com o depoimento das pessoas envolvidas no trabalho; (vii) Que os valores a ele disponibilizados pela empresa EIT não eram utilizados para pagamento de proprina, mas remuneração pela prestação dos serviços; (vii) Que o fato de sua empresa (LFSN) ter sido constituída posteriormente ao início do trabalho não macula a idoneidade das Notas Fiscal emitidas, posto que os pagamentos só eram realizados quando do êxito na aprovação dos aditivos; (viii) Que a LFSN explora atividades intelectuais de natureza científica, e que sua constituição de seu na forma de sociedade simples em substituição à Shinko, ainda que nas relações jurídica préexistentes; (ix) Que entende que mesmo se os valores recebidos fossem remuneração pela sua atuação como operador, não há que se falar em impossibilidade de tributação desses valores na pessoa jurídica; (x) Que sua empresa está submetida ao artigo 129 da Lei 11.196/2005; (xi) Em função da boa relação entre Shinko e a EIT, esta empresa lhe informou que caso o Consórcio (RNEST) que ela liderava vencesse a licitação para tocar obras da Petrobrás, a LFSN seria contratada. Em meados de 2010 a liderança do Consórcio passou a ENGEVIX, visto que a EIT entrou em recuperação judicial o que culminou no distrato da EIT com a LFSN, firmado em 18/6/2010; (xii) Discorre sobre a contratação da LFSN pela Galvão Engenharia e indica que esta empresa, na busca pelo equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos junto à Petrobrás, contratou os Serviços de Shinko. Os serviços prestados incluíam, sem limitação, Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 16004.720356/201639 Acórdão n.º 2401005.918 S2C4T1 Fl. 7 11 reuniões periódicas (no mínimo semanais) junto à Diretoria de Óleo e Gás da Galvão e o principal objetivo era traçar estratégias para apresentar os pleitos técnicos às equipes da estatal; (xiii) Até 2009 a Galvão não competia em concorrências de projetos maiores da Petrobrás, mas em função da amizade entre Shinko e Pedro Barusco, a empresa passou a participar de grandes licitações; (xiv) São citadas mensagens eletrônicas para demonstrar que Shinko era contratado de fato para prestar serviços de assessoria técnica à empresa; (xv) Em relação à empresa Contreras, a informação é que ela era sócia da Galvão e devido ao sucesso nos aditivos, Shinko também foi contratado para realizar o mesmo trabalho, pois a Contreras também possuía alguns pedidos de aditivos junto à Petrobrás; (xvi) A Contreras disponibilizou recursos financeiros em espécie no total de R$1.500.000,00 em parcelas de 2009 a 2011 para serem entregues por Shinko a Pedro Barusco, o que ocorreu fora do ambiente de negócios da LFSN. Esses valores não poderiam constar do auto de infração porque não circularam nas contas bancárias de Shinko, nem dos responsáveis solidários, pois se tratou efetivamente de prestação de serviços, fato nem mesmo questionado na esfera penal; (xvii) Reconhece que Shinko efetuou pagamentos ilícitos a funcionários da Petrobrás, mas era condição para que permanecesse trabalhando nesta área; (xviii) Aduz não haver nenhuma afirmação de Shinko em depoimento ao MPF no sentido de que tenha atuado exclusivamente como operador do pagamento de propinas. Ao prestar depoimento relativamente à Galvão, Shinko deixou claro que efetuava os pagamentos sempre por iniciativa da empreiteira. Contesta a afirmativa da Galvão de que nunca houve a prestação de serviços pela LFSN; (xix) O fato de a Galvão ter efetuado denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN diz respeito ao alinhamento com a sua tese de defesa criminal. Desse modo, entende a defesa que ao declarar serem inidôneas as notas fiscais emitidas pela LFSN e excluir os seus respectivos valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a Galvão apenas procurou corroborar sua tese de defesa, desmistificada pelo MPF e pela Justiça Federal em Curitiba/PR; (xx) Reclama não ter tido acesso aos documentos relativos a esta denúncia espontânea de forma a identificar a que título o valor pago à LFSN foi contabilizado, visto que o contribuinte é diretamente interessado. Esclarece que nem mesmo o MPF questionou a efetiva prestação de serviços por parte da LFSN; (xxi) Afirma ter fornecido dados verídicos às autoridades e ajudado a esclarecer depoimentos prestados pelos acusados de crimes de corrupção; (xxii) Que apesar de a fiscalização ter dito que Shinko faltou com a verdade e citar trecho da sentença proferida pelo juízo da 13ª Vara Federal em Curitiba/PR no sentido de que seu depoimento deve ser visto com reservas, informa a defesa que na mesma decisão consta que ele apresentou provas razoáveis de suas alegações; Fl. 1722DF CARF MF 12 (xxiii) Que as conclusões dos Auditores são parciais e ultrapassam os limites de suas respectivas atribuições e que, com claro intuito de impor sanções à ele e seus filhos, a fiscalização ignora e vila normas que contemplam garantias individuais; (xxix) Que a distribuição de lucros de 2009 foi ignorada, bem como contesta a afirmação de fl. 58 da Descrição dos Fatos segundo a qual a fiscalização indica que todas as transferências bancárias destinaramse apenas a distribuição de lucros a Shinko, pois também havia transferências para amortização de empréstimos concedidos aos filhos e que permaneceram nas contas e foram declarados no ajuste anual dele e dos filhos; (xxx) Como houve o mútuo de R$2.511.660,56 e um depósito na conta de Luís Fernando no valor de R$2.408.767,19, a diferença de R$102.893,37 referese aos lucros distribuídos pela LFSN. Já os valores de empréstimo à filha Juliana correspondem aos lucros distribuídos pela LFSN no ano de 2011 e que ainda permaneciam na conta dela; (xxxi) A fiscalização equivocouse ao informar que o recebimento líquido pela LFSN foi de R$8.533.780,50, pois considerou apenas a retenção na fonte não tendo observado IRPJ a CSLL e o ISS, o que justifica o valor de R$7.720.010,00; (xxxii) Questiona o fato de a fiscalização ter ignorado as explicações acerca dos saques nas contas bancárias até completarem R$100.000,00 de forma a possibilitar o pagamento de vantagem a Pedro Barusco; (xxxiii) É refutada também a afirmação fiscal segundo a qual os gastos com cartão de crédito seriam muito baixos. Segundo a defesa, nos extratos bancários onde consta o termo “Pagto contas com cartão” as faturas somam valores bem superiores aos demonstrados pela fiscalização e ainda há o registro de compras com cartão de débito e prépago que demonstram o pagamento das despesas pessoais; (xxxiv) Alega ilegitimidade passiva com base no artigo 61 da Lei 8.891/1995 e adverte que no caso de pagamento sem beneficiário identificado ou sem comprovação de sua causa o imposto de renda deverá incidir exclusivamente na fonte à alíquota de 35%. Complementa o raciocínio com a afirmação de que não cabe ao fisco exigir dos impugnantes o pagamento de imposto de renda pessoa física cuja obrigação é das pessoas jurídicas contratantes. Ao menos no que diz respeito à Galvão Engenharia o imposto já foi recolhido tendo em vista a denúncia espontânea da empresa; (xxxv) Questiona a base de cálculo e afirma que devem dela ser excluídos os valores pagos à LFSN exclusivamente como remuneração pela prestação de serviços pelas empresas EIT, R$1.759.997,21 em 5/2/2010 e pela Contreras, R$400.000,00 em 4/11/2013 porque não destinados ao pagamento de vantagens ilícitas, pois devidamente tributados na pessoa jurídica; (xxxvi) Os valores que foram meramente repassados aos funcionários da Petrobrás também devem ser excluídos da base de cálculo, visto não se configurarem em renda ou provento ao seu favor; (xxxvii) Entende desproporcional a multa de ofício e alega o caráter confiscatório de sua imposição no percentual de 150%, tendo requerido a aplicação a um percentual inferior do tributo exigido; (xxxviii) Discorda da inclusão de Luis Fernando e Juliana como responsáveis solidários porque o artigo 124, I do Código Tributário Nacional teria sido utilizado de maneira equivocada, estabelecendo uma sujeição passiva indireta. A responsabilidade solidária não se Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 16004.720356/201639 Acórdão n.º 2401005.918 S2C4T1 Fl. 8 13 presume e deve ser provado além do interesse econômico, também o jurídico, pois realizam conjuntamente a situação que configura o fato gerador; (xxxix) O mero fato de os sócios terem recebido lucros, dividendos e pró labore não caracteriza o interesse comum na situação que constitui o fato gerador. Não há comprovação do interesse jurídico de Luis Fernando e Juliana, visto que os atos praticados por Shinko não interferiram na esfera de direitos e deveres dos filhos, que inclusive não se envolveram em qualquer tratativa correspondente à prestação dos serviços. Não há qualquer sanção penal aos filhos pelo simples fato de não terem participado e concorrido para a existência dos ilícitos, tanto que não houve por parte do MPF o interesse punitivo de ambos; (xl) Reforça que todos os pagamentos ocorreram fora do ambiente da LFSN sem conhecimento dos demais sócios, sendo ato exclusivamente de Shinko. Durante o período indicado no auto de infração, os filhos de Shinko estudavam fora do Brasil; (xli) Entre outros pedidos já mencionados anteriormente requer sejam considerados os tributos já pagos pela LFSN, afastandose a bitributação; Ao final requer o provimento do Recurso Voluntário para julgar nulo o auto de infração; reconhecida a decadência dos valores lançados relativos aos fatos geradores ocorridos entre 04/01/2010 a 04/11/2011; Requer, alternativamente, seja dado provimento ao recurso por violação ao princípio da legalidade e ilegitimidade passiva; Requer, ainda, a exclusão da base de cálculo do imposto de renda lançado dos valores pagos pela Galvão Engenharia, ou, subsidiariamente, excluídos os valores cosntantes nas NF emitidas contra a EIT; Requer, também, a exclusão de valores sacados para repasse a funcionários da Petrobrás e demais tributos incidentes sobre o faturamento, no valor R$ 1.712.000,00. O afastamento da multa de ofício aplicada à alíquota de 150%, visto ser confiscatória; O provimento do recurso, afastandose a aplicação do artigo 124 do CTN, excluindo os responsáveis solidários. Prosseguindo, às fls. 1.680/1.694, a PGFN apresenta contrarrazões, nos seguintes pontos: (i) Relata minuciosamente o esquema de corrupção em que se envolveu o sujeito passivo; (ii) Aborda a confissão feita pelo Contribuinte quanto ás ilicitudes perpetradas; Fl. 1724DF CARF MF 14 (iii) Reitera as diligências efetuadas quando do período investigatório, em que constatadas provas cabais do quanto discutidos nestes autos; (iv) Aborda documentos constantes nos autos, a fim de justificar o lançamento; (v) Traz afirmações com o fito de afastar as alegações promovidas pelo fiscalizado; (vi) Defende a base de cálculo apresentada e o indeferimento da preliminar de decadência, haja vista que por se tratar de caso de fraude, devese aplicar a parte final do § 4º do art. 150 do CTN e, via de consequência, o art. 173, I do mesmo diploma; (vii) Defende o cabimento da multa qualificada, posto que se trata de caso de sonegação, fraude e conluio, conforme previsão da Lei 4.502/64; (viii) Aduz que a responsabilidade solidária é cabível, pois patente a solidariedade desses sujeitos na relação obrigacional, ao passo em que se envolveram nos crimes praticados, havendo interesse comum, bem como foram diretamente beneficiados da relatada atuação para reduzir indevidamente a tributação incidente sobre os rendimentos auferidos; Ao final, requer seja negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 27/06/2017 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 1.613, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 25/07/2017 (fls. 1.618/1.676), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Da prestação de serviços. No tocante à alegação de que houve efetiva prestação de serviços por parte da empresa do Recorrente (LFSN), possível se verificar da apuração que tão logo a empresa fora constituída (17/12/2009), firmou contrato um dia após (18/12/2009) com o consórcio RNEST, emitindo, de forma célere, duas notas fiscais no valor unitário de R$ 386.000,00, sem decote de imposto. Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 16004.720356/201639 Acórdão n.º 2401005.918 S2C4T1 Fl. 9 15 A quantia total, por sua vez, fora integralmente depositada na conta de seu filho (Luís Fernando) na data de 04/01/2010. Inobstante a isso, não resta demonstrado nos autos qualquer atuação da empresa junto à contratante que pudesse justificar tamanho pagamento. Logo, diverso do alegado, existe mácula na idoneidade empresarial, especialmente em sua constituição que, pelo apurado, demonstra que só ocorreu para fins ilegais. Ato contínuo, outras notas fiscais (especificamente 4) foram posteriormente emitidas, naquele mesmo valor unitário, mas desta vez se promovendo o desconto dos impostos pertinentes, sendo o valor líquido novamente depositado na conta corrente do filho do sujeito passivo. Ainda nesse aspecto, admitiu o recorrente o recebimento dos valores pagos pelas empresas investigadas, bem como que teria repassado parte do montante a outros investigados da Operação Lava Jato no mesmo período da emissão daquelas Notas, isto é, entre janeiro e junho de 2010. Portanto, andou bem a fiscalização a reconhecer a simulação dos contratos, havidos como forma de corrupção, até mesmo por expressa declaração do contribuinte de ter ficado com apenas parte dos valores a ele pagos, sendo certo que a quantia remanescente era destinada a pagamentos para funcionários da estatal brasileira (Petrobrás) como forma de se garantir facilidades na obtenção de contratos. Cai por terra, então, qualquer afirmação escusa do recorrente de que sua contratação – via sua pessoa jurídica (repitase, simulada), tenha se dado por razões de expertise – conhecimentos técnicos e experiência profissional, não podendo se reconhecer a atuação como consultor em serviços de engenharia e assessoria técnica de gerenciamento e administração contratual. Ademais, a DRJ/BHE, quando da prolação de seu voto (fls. 1581/1582), bem descreveu o quanto aqui alegado, vejase: “Embora o impugnante não tenha tecido maiores detalhes a respeito desses pagamentos em sua peça de defesa, nos depoimentos prestados ao MPF no âmbito de colaboração premiada é que ele se revelou e admitiu ter recebido de Tanel Abbud Neto, Gestor de Contratos do Consórcio, minuta de contrato e cópia de nota fiscal, relativamente ao que foi pactuado entre a ENGEVIX e a M. O Consultoria, empresa da qual Alberto Youssef, outro operador financeiro que atuava no esquema contra a Petrobrás, fazia uso para garantir seus objetivos. Ora, Alberto Youssef colaborou com a justiça e admitiu que se utilizava da M.O Consultoria, empresa aberta por Waldomiro de Oliveira para obter contratos com as empreiteiras e consequentemente operacionalizar o recebimento e pagamento de propinas no âmbito da estatal de Petróleo, sem que tenha havido qualquer espécie de Fl. 1726DF CARF MF 16 prestação de serviços. Vale dizer, aquela empresa emitia notas fiscais frias para acobertar transações em desfavor da Petrobrás para que o operador pudesse direcionar pagamentos de vantagens indevidas a diversas pessoas, obter vantagens para si e beneficiar as próprias empresas contratantes. Pelo depoimento, guardadas as proporções entre as práticas do contribuinte e as de Youssef, podese afirmar que prestação de serviços ao Consórcio RNEST é algo que não ocorreu. Não há justificativa plausível para que determinada empresa seja contratada, emita notas fiscais cheias pela suposta prestação de serviços e receba apenas 30% do valor líquido. Não há argumentos de defesa que possam desconstituir a afirmação de que Shinko utilizou a LFSN para servir de fachada para o recebimento de vantagens indevidas em favor de terceiros e dele próprio.” Ora, se os próprios colaboradores admitiram o uso de empresas como fachadas para consecução de atividades ilícitas, bem como para a obtenção de contratos fraudulentos com objetivo certo de receber e pagar propinas, sem qualquer contraprestação e serviços, não há como se imputar qualquer veracidade às alegações recursais. Portanto, como dito alhures, diante do conluio fraudulento evidenciado nos autos, não há como se convencer da tese recursal de supostas experiências e conhecimentos profissionais para justificar os contratos, nem tampouco se imprimir veracidade a qualquer documento acostado. No tocante a relação com a empresa EIT, o próprio recorrente confessou não ter formulado contrato de prestação de serviços. Inobstante, não há como se explicar como pode a empresa do recorrente (LFSN) ter emitido duas NFs, de valores vultuosos (R$ 1.875.330,00 e R$ 138.402,00) àquela empresa, antes mesmo da existência da relação jurídica entre ambas. Consequentemente, ao apreciar os argumentos recursais de que tais pagamentos só se efetivavam em caso de êxito na aprovação de aditivos, só resta afastar os mesmos, posto que a falta de verossimilhança é patente, vez que sequer havia elaboração de termos contratuais para justificar os repasses. Não há nem perante a empresa do recorrente, nem tampouco a este enquanto pessoa física. Não há que se falar, ainda, em qualquer sucessão da pessoa física pela jurídica, por total ausência probatória e pelo fato desta só poder ocorrer após a constituição empresarial, não podendo abarcar períodos pretéritos, especificamente anteriores a 17/12/2009, data em que levado o contrato social a registro. A mesma lógica deve ser estendida à empresa Galvão Engenharia. Ausente formulação contratual, embora entre eles tenha havido transações monetárias expressivas. As mensagem mencionadas na provam sobre qualquer vínculo contratual com o Recorrente que possa justificar a existência de assessoria técnica, nem tampouco atuação para buscar o equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos junto à Petrobrás. Contudo, superados ficam os argumentos da defesa, quando se constata que a própria Galvão Engenharia confessa que a empresa d contribuinte (LFSN) não prestou qualquer serviço, embora tenha percebido vantagens indevidas. Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 16004.720356/201639 Acórdão n.º 2401005.918 S2C4T1 Fl. 10 17 Fragiliza o recurso, também, a constatação de que o Contribuinte, enquanto pessoa física, seria o responsável pelo repasse dos valores aos destinatários finais, ficando com parte do mesmo. Assim, afastada a alegação de que tais pagamentos ocorreram fora do ambiente da empresa, bem como se afasta qualquer possibilidade plausível de que tais repasses seriam condição para que permanecesse trabalhando em sua área. Afastase, também, por consequência lógica, suas irresignações quanto às denúncias espontâneas da Galvão Engenharia, e de que não há afirmação de que tenha atuado como operador de pagamento de propina. Já no que guarda relação com a empresa Contreras Empreendimentos e Construções Ltda., novamente há afirmação do Recorrente de ter prestado serviços para a referida empresa, mas alega, de modo furtivo, que o contrato se extraviou. Contudo, nada foi demonstrado com relação à busca da via contratual em posse da contratante. Ademais, chama a atenção o fato de que novamente o referido contrato teria por escopo o aperfeiçoamento de aditivos contratuais. Como das outras ocasiões, a prestação dos serviços não restou evidenciada, conquanto tenha havido pagamentos vultuosos à empresa do Recorrente – R$ 810.864,00 em duas parcelas, e R$ 1.500,000,00 em espécie e em envelopes. Portanto, não resta dúvida de que a empresa fora constituída única e exclusivamente para fins ilícitos, de modo a promover, ou ao menos tentar promover a legalização das vantagens indevidamente recebidas. Noutra banda, logrou a fiscalização demonstrar que de acordo com o patrimônio declarado pelo Contribuinte, bem como por seus descendentes, houve um aumento além de significativo, condizente com os maiores faturamentos de sua empresa, justamente no período em que se constatou as ilicitudes aqui tratadas. Ainda nesse sentido, as argumentações esposadas quanto a supostos empréstimos havidos com seus filhos também não merece guarida. Logrouse demonstrar contradição em seus argumentos, notadamente durante o procedimento fiscal quando comparado à defesa/recurso. Inicialmente, afirmouse que parte da quantia os lucros eram sacadas pelos filhos e repassadas ao sujeito passivo para pagamento de propina. Posteriormente, afirma que parte dos valores referentes ao lucro ainda ficavam nas contas dos filhos. Chama a atenção também o fato de que em que pese as alegações de existência de tais empréstimos, só há contrato com seu filho Luís, mas o mesmo não existe com relação a Juliana. Nesse ponto, deixou de fazer prova incontestável. Contudo, quando se analisa as declarações dos exercícios 2012 a 2015, de fato constam os empréstimos aos filhos, o que coincide com as declarações destes. Consta, também, supostas parcelas por estes últimos quitadas. Contudo, fragiliza a prova o fato de não haver coincidência entre datas e valores, posto que conforme os extratos bancários, não se pode desvincular o que seria quitação de empréstimo e recebimento de lucros. Fl. 1728DF CARF MF 18 Nesse ponto, bem descreveu o voto prolatado pela DRJ/BHE: “O contribuinte declarou no ajuste anual e afirmou na defesa ter emprestado R$345.000,00 à filha Juliana em 2011. Segundo declarações de ajuste de ambos o valor foi quitado da seguinte forma: Em 2012 houve o pagamento de R$200.000,00, em 2013 de R$55.000,00 e em 2014 os restantes R$90.000,00. Ocorre que pela tabela de fls. 953 a 955, cujos valores transferidos das contas dos filhos para Shinko foram extraídos dos extratos bancários do contribuinte é possível verificar que as alegações de defesa e os dados informados nas declarações de ajuste acerca da quitação dos empréstimos não possuem qualquer chance de prosperar, justamente porque não há provas a evidenciar a efetiva transferência de recursos declarados como valores quitados. Em 2012 a defesa afirmou e as declarações de ajuste vão neste sentido, que Juliana quitou R$200.000,00 do empréstimo. Entretanto, a filha somente transferiu ao pai o valor de R$168.504,00. Observe que Shinko declarou ter recebido lucros da LFSN pelas contas bancárias dos filhos no equivalente a R$148.521,41. Ora, se recebeu os lucros via transferência bancária dos filhos onde foi parar o valor da suposta quitação parcial de empréstimo? Simplesmente não há provas desse recebimento. Seguindo nesta análise, no ano de 2013, Juliana teria quitado o equivalente a R$55.000,00. Nesse ano Shinko recebeu via transferência bancária da filha valores da ordem de R$729.898,17, mas não há nenhuma prova de que os valores relativos a empréstimo estão inseridos nestes recebimentos. O fato de o contribuinte ter declarado o recebimento de R$420.000,00 de lucros neste ano e o valor oriundo da conta da filha ser superior a ele não afasta a necessidade de provar a efetiva quitação dos R$55.000,00. E em 2014 teria havido a quitação dos R$90.000,00 restantes. Nesse ano Shinko recebeu R$189.873,35 da conta da filha, segundo ele próprio, a título de lucros da LFSN e também não há nenhuma evidência de que esse valor remanescente, relativo ao empréstimo tenha sido quitado juntamente com os lucros recebidos, declarados no valor de R$450.000,00. Relativamente a Luís Fernando o valor emprestado em 2012 conforme o contrato de fls. 925 a 928 foi de R$2.511.660,56, fruto de um resgate de VGBL promovido por Shinko no valor de R$2.408.767,19. A diferença de R$102.893,37 seria, segundo a defesa, lucro do impugnante que foi mantido na conta do filho. Do valor tomado de empréstimo, Luís Fernando teria pago R$500.000,00 em 2013, outros R$132.937,48 em 2014, o restante teria sido quitado a maior parte em 2015 e pequeno resíduo em 2016. Como o que interessa nos autos são os fatos ocorridos nos anoscalendário de 2010 a 2014, não é necessário adentrar no exame dos pagamentos posteriores a este período. Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 16004.720356/201639 Acórdão n.º 2401005.918 S2C4T1 Fl. 11 19 Do mesmo modo que analisadas as supostas quitações de empréstimo por parte da filha, em 2013, Luís Fernando teria quitado R$500.000,00, mas da sua conta foram transferidos a Shinko o equivalente a R$321.627,29 que segundo o contribuinte decorreu do pagamento de lucros da LFSN. Como não houve pagamento de lucros em espécie a Shinko, ou ambos lançaram indevidamente o valor de R$500.000,00 nas declarações de ajuste como baixa de empréstimo ou a diferença foi paga por fora, ou seja, à margem da legislação. Do valor transferido pelo filho não há provas de que uma parcela se refira à quitação de empréstimo. No ano de 2014 a quitação, segundo a declaração de ajuste seria de R$132.937,48, ao passo que Luís Fernando transferiu ao pai naquele ano a insignificante quantia de R$2.829,00. Como se vê o que fica evidenciado é que a defesa não produziu um documento sequer que dê sustentação à alegação de quitação de empréstimos, ainda que parcial. A tentativa de incluir os valores das supostas quitações naquelas quantias transferidas a título de lucro não obteve sucesso.” Dessa forma, ante todas as alegações inócuas e desprovidas de comprovação, pelas quais não se pode implicar qualquer razão, devese manter o Auto de Infração nesse ponto. 2.2. Da decadência. Entende o Recorrente que o lançamento relativo ao período de 04/01/2010 a 04/11/2011 resta fulminado pela decadência. Ocorre, porém, que tal entendimento não pode prevalecer. Portanto, sem razão o Recorrente nesse ponto. O Instituto da decadência no Direito Tributário, encontrase regulamentado nos artigos 150 e 173, ambos do Código Tributário Nacional CTN. Recordese: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) Fl. 1730DF CARF MF 20 §4ª Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” (grifei). Para o bom emprego do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo artigo 150, § 4º ou pelo artigo 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça julgou o Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC/1973) e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 16004.720356/201639 Acórdão n.º 2401005.918 S2C4T1 Fl. 12 21 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, 1ª Seção, REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, , julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Portanto, sempre que o contribuinte efetuar o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorrido 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do artigo 150, § 4º, do CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, Fl. 1732DF CARF MF 22 fraude ou simulação, o lustro decadencial para se constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos moldes do artigo 173, I, do CTN. Por ter sido sob a sistemática do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil, a decisão do Colendo Superior Tribunal de Justiça acima deve ser observada por este CARF, nos termos do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso sub examine, ante sua especificidade, devese ir além, pois, se está diante de um caso onde o próprio contribuinte confessa os ilícitos praticados, além da constatação da ocorrência de conduta dolosa, fraudulenta e simulada, por parte da autoridade fiscal, devendo ser aplicada, portanto, a regra insculpida no artigo 173, I, do CTN. Desta feita, o termo inicial para a contagem decadencial do prazo quinquenal dos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2010 se inicia, tão somente, em 01/01/2012 e, por consequência, os fatos ocorrido no anocalendário de 20111 em 01/01/2013, ao passo em que os termos finais recaem em 31/12/2016 e 31/12/2017. Portanto, tendo em conta que o lançamento de ofício fora cientificado ao contribuinte em 02/12/2016, não há que se cogitar a aplicação do instituto da decadência. 2.3. Da ilegitimidade passiva Requer o Contribuinte o reconhecimento da ilegitimidade passiva, ao fundamento do que prevê o artigo 61 da Lei nº 8.981/95, devendo, então, ser exigido apenas o imposto de renda à monta de 35% das pessoas jurídicas contratantes e não tributálas na pessoa física. Contudo, o pedido não pode prevalecer. Verificouse pelo constatados nos autos que o Contribuinte utilizou de sua empresa (LFSN) a proveito próprio, bem como de seus descendentes, com nítido intuito de receber valores fraudulentos, para serviços não comprovados. Outrossim, parte dos valores faturados na respectiva PJ foram distribuídos aos sócios sob a rubrica de lucro, mesmo decorrentes de vantagens ilícitas. Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 16004.720356/201639 Acórdão n.º 2401005.918 S2C4T1 Fl. 13 23 Nesse ponto, ainda que invocado o disposto no artigo 61 da Lei nº 8.981/95, bem andou a i. PGFN ao salientar que: “A norma do art. 61 da Lei 8.981/95 configura verdadeira prerrogativa do Fisco quando se depara com as hipóteses ali previstas de pagamentos a beneficiário não identificado e de pagamentos sem causa. Tal dispositivo, contudo, não impede que em situações com a dos autos, nas quais há perfeita identificação do beneficiário da renda e do montante efetivamente pago pela pessoa jurídica, procedase a lançamento diretamente contra esse beneficiário.” Logo, constatada irregularidade (ou mais, a ilicitude), a fiscalização tanto pode como deve promover o lançamento contra quem se beneficiou, não tendo aquela lei capacidade de impedir a referida tributação. Não obstante, constatouse se tratar de vantagens indevidas percebidas por Shinko, beneficiando diretamente os demais sócios da empresa (Luís e Juliana). Dessa forma, reputo válido o lançamento, reconhecendo, assim, a legitimidade passiva do contribuinte para ser responsabilizado pelo pagamento constante da autuação. 2.4. Da base de cálculo e restituição de valores pagos pelas PJs. Requer o recorrente a exclusão da base de cálculo do imposto de renda lançado dos valores pagos pela Galvão Engenharia, ou, subsidiariamente, excluídos os valores cosntantes nas NF emitidas contra a EIT. Pela análise dos autos, restou incontestavelmente demonstrado que inexistiu qualquer prestação de serviços por parte da empresa do contribuinte (LFSN) às empreiteras envolvidas no esquema criminoso. Assim, não havendo efetiva prestação de serviços (mas havendo recebimento de valores pagos a tal título), não se encontra razões legais para se promover dedução de da base de cálculo lançada. Não obstante, cumpre resslatar, como bem observado pela d. PGFN, que a alegação do contribuinte de que todos os pagamentos ilícitos foram realizados fora do ambiente de negócios da LFSN, contradizem os termos de suas razões recursais. No tocante ao argumento de que devem ser excluídos os valores repassados a funcionários da estatal, entendo que não devem prosperar, igualmente. Nesse ponto, verifico que andou bem a DRJ/BHE ao salientar que: “[...] é importante destacar que os valores lançados correspondem àqueles constantes das notas fiscais emitidas contra as quatro empresas aqui mencionadas e depositados nas contas bancárias de Luís Fernando e Juliana, não tendo sido incluído nenhum valor que as Fl. 1734DF CARF MF 24 empreiteiras disponibilizaram a Shinko em espécie para ofertar aos funcionários da Petrobrás. Portanto, não está sendo discutida a comprovação de valores recebidos por Shinko em espécie e supostamente repassados aos funcionários da estatal. O que não foi comprovado nos autos é o repasse de valores aos destinatários, supostamente sacados das contas bancárias do contribuinte e de seus filhos. A tributação incide sobre os valores líquidos das notas fiscais elencadas às fls. 997 e 998 e depositados nas contas bancárias dos filhos do contribuinte.” Como já mencionado, não há qualquer prova ou indício de prova que permita se constatar o repasse de valores aos destinatários, supostamente sacados das contas bancárias do contribuinte e dos sócios Luís Fernando e Juliana. Em que pese o Recorrente alegar que os valores recebidos teriam sido repassados em espécie à funcionários da Petrobrás, também não faz prova em seu favor, por ausência da demonstração da entrega ao destinatário. Notese ainda que os elementos de prova coligidos aos autos dão conta de que tanto a empresa da qual o contribuinte é sócio majoritário quanto ele próprio não prestaram serviços, inclusive havendo admissão por parte do Sr. Shinko à respeito do recebimento de R$3.000.000,00 para divisão com Barusco, sem que qualquer serviço lícito tenha sido prestado e também o depoimento ao MPF dando conta que notas fiscais da LFSN eram emitidas contra a Galvão Engenharia apenas para acobertar os valores pagos a título de vantagens indevidas que teoricamente seriam repassados a exfuncionários da Petrobrás ( o que não foi comprovado nos presentes autos) e para proveito do próprio contribuinte via empresa de sua titularidade. Ou seja, sobra evidente que os montantes recebidos pela empresa LFSN ocorreram sem a devida prestação de serviços, e circularam por intermédio do Recorrente pessoa física, e, dessa forma, incide o Imposto de Renda ora em debate. Noutro giro, conforme requerido em razões recursais, esta relatora entende que devem ser deduzidos do lançamento os valores arrecadados a título de imposto de renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física. Portanto, nego provimento à exclusão da base cálculo do imposto de renda lançado dos valores pagos pela Galvão Engenharia, e dou provimento parcial para que sejam deduzidos do lançamento os valores arrecadados a título de imposto de renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física. 2.5. Da multa aplicada. Sobre o tema em debate, requer o Recorrente a exclusão da multa de ofício aplicada, até mesmo por entender ser confiscatória. Todavia, entendo que as razões recursais não merecem prosperar. Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 16004.720356/201639 Acórdão n.º 2401005.918 S2C4T1 Fl. 14 25 Uma vez instaurado o procedimento de ofício e constatada infração à legislação tributária, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício. Nesse aspecto, a multa qualificada corresponde a uma exceção, a qual visa penalizar o contribuinte que maliciosamente oculta o fato gerador de obrigação tributária. É o caso dos autos. A Lei 4.502/64, nos artigos descritos no §1º da lei acima, dispõe: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Por sua vez, a Lei 9.430/96 traz regramentos específicos sobre a matéria, vejase: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de aração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 1º O percentual de multa que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Fl. 1736DF CARF MF 26 Não menos importante, temse outros dispositivos que tratam do tema, a saber: art. 1º, I, da Lei 4.729; Lei nº 8.137/90, especialmente em seu artigo 1º, I; art. 2º, I. Assim, incontestável nos autos que houve os crimes de sonegação, fraude e conluio, todos expressos nos artigos supramencionados. Não obstante, clara a letra da lei ao determinar que nesses casos, a multa deve ser duplicada, ou seja, aplicada à base de 150%. Logo, uma vez que o contribuinte agiu dolosamente com claro motivo fraudulento e de sonegação, devida é a multa como imposta. No tocante ao argumento da capacidade contributiva e do caráter confiscatório da imposição (multa), entendese que os argumentos também falecem de possibilidade de acolhimento, posto que a vedação ao confisco instituído pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu, o que fora observado nos autos. Assim, nego provimento ao recurso nesse ponto. 2.6. Da responsabilidade solidária Requer o Contribuinte a exclusão dos coresponsáveis pelos fatos apurados no transcurso dos autos, porque o artigo 124, I do Código Tributário Nacional teria sido utilizado de maneira equivocada, estabelecendo uma sujeição passiva indireta. Alega, ainda, que a responsabilidade solidária não se presume e deve ser provado além do interesse econômico, também o jurídico, pois realizam conjuntamente a situação que configura o fato gerador; Sobre o tema, entendo que o recurso comporta parcial provimento no que tange à responsabilidade da coresponsável Juliana Sendai Nakandakari, tão somente ao ano de 2010. Isso porque, de acordo com a própria Fiscalização, “a LFSN CONSULTORIA ENGENHARIA S/S LTDA. foi constituída no dia 05/11/2009, com o capital social de R$ 2.000,00 (dois mil reais), tendo como sócios SHINKO NAKANDAKARI com participação de 99% no capital social, equivalente a R$ 1.981,00 (um mil, novecentos e oitenta e um reais) e LUÍS FERNANDO SENDAI NAKANDAKARI, com 1% de participação, equivalente a R$ 19,00 (dezenove reais), cuja Sociedade Simples foi registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas da Capital no dia 17/12/2009” (fl. 952). Todavia, a coresponsável Juliana Sendai Nakandakari passou a integrar o quadro societário da empresa LFSN CONSULTORIA ENGENHARIA S/S LTDA no dia 04/03/2011, conforme consta da primeira alteração contratual (fls. 460/464), ou seja, não figurava no contrato social em período anterior a este; razão pela qual no quadro “RENDIMENTOS PAGOS PELA LFSN” de fls.976 do Relatório Fiscal, não consta a Sra. Juliana como beneficiária de remuneração ou lucro no período de 2010. Outro elemento que evidencia a ausência de participação da coresponsável Juliana no período de 2010 é o quadro de fls. 977 utilizado pela Fiscalização como “demonstrativo com os valores totais recebidos por cada sócio no período de 2010 a 2014” abaixo reproduzido: Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 16004.720356/201639 Acórdão n.º 2401005.918 S2C4T1 Fl. 15 27 SÓCIO 2010 2011 2012 2013 2014 TOTAL SHINKO NAKANDAKARI 1.855.546,00 648.000,00 184.521,41 468.000,00 494.724,00 3.614.791,41 LUÍS FERNANDO NAKANDAKARI 1.495.113,72 1.946.000,00 594.000,00 144.000,00 24.000,00 4.203.113,72 JULIANA NAKANDAKARI 0,00 1.114.000,00 524.000,00 798.000,00 24.000,00 2.460.000,00 TOTAL 3.350.659,72 3.708.000,00 1.266.521,41 1.410.000,00 542.724,00 10.277.905,13 Noutro giro, compulsando os autos, verificase que no ano de 2010, a Sra. Juliana recebeu da empresa LFSN CONSULTORIA ENGENHARIA S/S LTDA a quantia de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), em dezembro, conforme indica a DIRF de fl. 536. Todavia, s.m.j, a movimentação da quantia acima indicada (R$ 4.000,00 – quatro mil reais) não é suficiente para atrair a responsabilidade solidária para o ano de 2010, já que a mesma não integrava o quadro societário da empresa em comento. Dessa forma, ante os fatos acima narrados a responsabilidade imputada à Sra Juliana, no ano de 2010, merece ser afastada. Já em relação aos demais períodos, o pedido de afastamento da solidariedade não pode prevalecer, já que aí sim, a Sra Juliana, juntamente com seu irmão integravam o quadro societário da empresa, além de terem sido realizadas inúmeras movimentações financeiras entre a PJ e a PFs, aptas à atrairem a solidariedade imputada, já que decorrentes de movimentações de origem ilícitas e por pessoas com interesse comum na situação que constituiu o fato gerador. Ou seja, a situação ora examinada configura caso típico de solidariedade, conforme o disposto no art. 124, inciso I, do CTN, que assim estipula: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem." No caso em apreço, as informações contidas nos autos evidenciam que tanto o contribuinte quanto os responsáveis solidários (filhos) foram diretamente beneficiados pelo resultado financeiro dos ilícitos praticados. Fl. 1738DF CARF MF 28 De mais a mais, a previsão insculpida no dispositivo acima transcrito anda bem ao definir a solidariedade, em sendo aqueles que detenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador. Posto isso, improcedem as alegações recursais e restou demonstrado a existência de interesse comum dos filhos do contribuinte, na situação constitutiva do fato gerador, em especial o benefício econômico obtido, mormente por ostentarem a condição de sócios da empresa envolvida no esquema fraudulento e por movimentarem em suas contas pessoais o resultado financeiro dos ilícitos praticados pelo Recorrente. Dessa forma, incabível se acolher, inclusive, as alegações do Recorrente de que seus atos foram praticados externamente ao âmbito jurídico empresarial, até porque era a empresa o meio utilizado para a prática dos ilícitos apontados. Destarte, demonstrada a hipótese de interesse comum, patente a existência de solidariedade, devendose manter incólume o entendimento esposado pela Delegacia Julgadora, com exceção em relação à Sra Juliana no período de 2010, o qual afasto, nos termos alinhavados no início desse tópico. Razão pela qual, em relação à solidariedade, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastandoa, exclusivamente no ano de 2010, no que se refere à pessoa da Sra. Juliana. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatora Fl. 1739DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.723103/2017-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2014
CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA. ATIVIDADE DE COBRANÇA. IMPOSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO NA LEI 12546/11. LEI 8212/91.
As empresas que prestam serviços de cobrança não estão abrangidas pela substituição da contribuição previdenciária patronal sobre a folha de pagamento.
DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS. POSSIBILIDADE.
Se a autoridade administrativa constata que a empresa está recolhendo, de forma indevida, CPRB prevista no art. 7º da Lei 12546/11, ao invés da contribuição patronal sobre a folha prevista na Lei 8212/91, ela deve deduzir, do crédito apurado de ofício, as contribuições indevidamente recolhidas, de tal modo que o lançamento seja apenas da diferença de ofício constituída em sede de ato administrativo (ou processo administrativo) de constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 2402-006.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam deduzidos do crédito lançado os valores recolhidos na sistemática da substituição previdenciária prevista no inciso I do art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011. Vencido o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima que votou por negar provimento ao recurso e manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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CPRB Recorrente GLOBAL TELEATENDIMENTO E TELESSERVICOS DE COBRANCAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2014 CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA. ATIVIDADE DE COBRANÇA. IMPOSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO NA LEI 12546/11. LEI 8212/91. As empresas que prestam serviços de cobrança não estão abrangidas pela substituição da contribuição previdenciária patronal sobre a folha de pagamento. DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS. POSSIBILIDADE. Se a autoridade administrativa constata que a empresa está recolhendo, de forma indevida, CPRB prevista no art. 7º da Lei 12546/11, ao invés da contribuição patronal sobre a folha prevista na Lei 8212/91, ela deve deduzir, do crédito apurado de ofício, as contribuições indevidamente recolhidas, de tal modo que o lançamento seja apenas da diferença de ofício constituída em sede de ato administrativo (ou processo administrativo) de constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam deduzidos do crédito lançado os valores recolhidos na sistemática da substituição previdenciária prevista no inciso I do art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011. Vencido o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima que votou por negar provimento ao recurso e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 31 03 /2 01 7- 02 Fl. 738DF CARF MF Processo nº 15504.723103/201702 Acórdão n.º 2402006.838 S2C4T2 Fl. 737 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da DRJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada em face de lançamento de ofício das contribuições devidas à seguridade social, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais. Segue acórdão e ementa da decisão: Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendose na íntegra o crédito tributário consubstanciado pelo Auto de Infração, nos termos do relatório e voto do relator. [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2014 CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA. ATIVIDADE DE COBRANÇA. LEI 12.546/2011. LEI 8.212/91. As empresas que prestam serviços de cobrança não estão abrangidas pela substituição da contribuição previdenciária patronal sobre a folha de pagamento, prevista na Lei nº 8.212/91, pela contribuição sobre a receita bruta da Lei nº 12.546/2011. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. PROCEDIMENTO. Reconhecido crédito tributário ao contribuinte, a sua restituição e ressarcimento sujeitase à verificação prévia da ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional, que se positivo, fica atrelado à concordância do Fl. 739DF CARF MF Processo nº 15504.723103/201702 Acórdão n.º 2402006.838 S2C4T2 Fl. 738 3 contribuinte, em compensação de oficio, ou retido, até a satisfação do débito, conforme previsto na legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2014 ENDEREÇO PARA CIÊNCIA POSTAL. PREVISÃO LEGAL. A legislação vigente determina que as intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Inexiste previsão legal para envio ao endereço do procurador. Segundo o Relatório Fiscal, teria sido constatado que a empresa estaria recolhendo, de forma indevida, Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), prevista no art. 7º da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, fato que gerou o lançamento fiscal. Cientificada da decisão em 28/11/2017 (fl. 710), o sujeito passivo interpôs seu recurso voluntário em 22/12/2017, no qual basicamente reiterou os mesmos termos de sua impugnação, argumentando, em síntese, que: a) a sua atividade seria de teleatendimento e telesserviços (call center), e não de cobrança, de tal forma que seria improcedente o lançamento; b) a autoridade lançadora não teria deduzido os valores já recolhidos a título de CPRB e essa dedução não implicaria compensação de ofício. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da atividade de call center No entender da recorrente, sua atividade seria de teleatendimento e telesserviços (call center), e não de cobrança, de tal forma que seria improcedente o lançamento. Entretanto, segundo o relatório fiscal e o acórdão de impugnação, teria sido constatado que a empresa estaria recolhendo, de forma indevida, CPRB prevista no art. 7º da Fl. 740DF CARF MF Processo nº 15504.723103/201702 Acórdão n.º 2402006.838 S2C4T2 Fl. 739 4 Lei 12546/11, fato que gerou o lançamento fiscal, uma vez que a atividade de cobrança não se enquadraria na previsão legal da substituição da contribuição patronal previdenciária. Com razão a autoridade lançadora e o acórdão de impugnação. Conforme demonstrado em sede de lançamento, a totalidade das notas fiscais do período fiscalizado são referentes ao serviço de cobrança, ainda que tenha sido utilizada a ferramenta de teleatendimento. Ademais, e como bem frisado pela DRJ, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) possui uma classe específica para a atividade de cobrança, ao passo que as atividades de teleatendimento possuem outra classe específica. E como bem constatou a DRJ: Da análise da tabela CNAE, é possível extrair algumas das características das atividades de teleatendimento (subclasse 82202/00) como um todo (abrangendo, portanto, os serviços de call center). São elas: a) o serviço deve ser voltado a um cliente/consumidor, ou a um possível cliente/consumidor; b) há de ser remoto (não presencial); e c) ele deve ter a finalidade de (i) recepcionar e, na medida do possível, dar uma resposta às solicitações ou reclamações dos consumidores, ou (ii) vender ou promover mercadorias e serviços a possíveis clientes (telemarketing), ou (iii) realização de pesquisas de mercado e de opinião pública e atividades similares. Ora, o real cliente da empresa de cobrança é quem a contratou, e não o devedor que receberá a ligação telefônica ou qualquer outra forma de comunicação. A atividade da empresa será cobrar, e não oferecer um produto ou um serviço ao destinatário da comunicação. A estrutura da cobrança é voltada para contatar não clientes/consumidores, mas terceiros, o que já seria suficiente para não considerar o serviço de cobrança como pertencente à classe 82202 (atividades de teleatendimento). A atividade de call center está bem definida na Solução de Consulta Cosit 69/15, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA (CPRB). CALL CENTER. Os serviços de call center, os quais compreendem as atividades de atendimento remoto a clientes por meio de chamadas, atendimento telefônico, sistemas de integração telefonecomputador, sistemas de resposta vocal interativa ou métodos similares, visando o recebimento de pedidos, fornecimento de informação sobre produtos, atendimento a solicitações de consumidores ou a reclamações, venda ou promoção de mercadorias e serviços a possíveis clientes, realização de pesquisas de mercado e de opinião pública e atividades similares, estão sujeitos à incidência da contribuição substitutiva prevista no art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011, a partir de 01 de abril de 2012. Dispositivos Legais: Lei nº 12.546, de 2011, art. 7º; Lei 11.774, de 2008, art. 14, § 5º; Decreto nº 7.828, de 2012, art. 2º; IN RFB nº 700, de 22 de 2006, art. 1º. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 15504.723103/201702 Acórdão n.º 2402006.838 S2C4T2 Fl. 740 5 Não é esse o caso das atividades prestadas pela recorrente, como demonstrado pela autoridade fiscal sobretudo pelo exame de todas as notas fiscais emitidas à época dos fatos geradores. Ademais, e com base no permissivo constante do art. 57, § 3º, do RICARF, acrescento a seguinte fundamentação da DRJ como razões de decidir: No caso da empresa em debate, como apontou a autoridade fiscal, a sua atividade, demonstrada pela totalidade das notas fiscais do período fiscalizado, referese ao serviço de cobrança, ainda que se utilize da ferramenta de teleatendimento. [...] Para tanto, a respeito do assunto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, pro meio da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT), proferiu a Solução de Consulta nº 104, de 22/04/2015, publicada no DOU de 19/05/2015 e disponível no site da Receita Federal do Brasil em http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta, integrante dos autos às fls. 179 a 185, que aproveito neste julgado, na qual se esclarece sobre a atividade de cobrança e a sua não abrangência na lei da substituição tributária, assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS EMENTA: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA (CPRB). COBRANÇA. CALL CENTER. A atividade de cobrança não se confunde com a atividade de call center e não está abrangida pela substituição previdenciária instituída pela Lei nº 12.546, de 2011.DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº11.774, de 2008, art. 14, §§ 4ºe 5º; Lei nº12.546, de 2011, art. 7º; Resoluções IBGE/CONCLA nº01/2006 e nº02/2006. [...] Já o art. 14 da Lei nº 11.774/2008, tem foco na atividade desempenhada, e não no ambiente, conforme se verifica deste artigo dantes colacionado. Por exemplo, atividades de assessoria e consultoria em informática, bem como de suporte técnico em informática (mencionadas no § 4º), podem ser exercidas em ambiente similar ao de um call center. Entretanto, aquelas atividades não são consideradas como call center, independentemente do ambiente em que são desempenhadas (como se extrai da leitura conjunta dos §§ 4º e 5º do referido artigo). Importante tem em mente a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), pois esta classificação foi utilizada pela mencionada lei em vários de seus dispositivos para delimitar o alcance da substituição previdenciária da CPRB (ver, por exemplo, todos os demais incisos do art. 7º e o anexo II da Lei nº 12.546, de 2011). Fl. 742DF CARF MF Processo nº 15504.723103/201702 Acórdão n.º 2402006.838 S2C4T2 Fl. 741 6 A Classificação Nacional de Atividades Econômicas foi elaborada sob a coordenação da Secretaria da Receita Federal do Brasil e orientação técnica do IBGE, com representantes da União, dos Estados e dos Municípios, na Subcomissão Técnica da CNAE, que atua em caráter permanente no âmbito da Comissão Nacional de Classificação –CONCLA. A Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) possui uma classe específica para a atividade de cobrança (“82911 COBRANÇA DE FATURAS E DÍVIDAS DE CLIENTES; ATIVIDADES DE”). Esta classe possui uma única subclasse, a saber, “82911/00 ATIVIDADES DE COBRANÇAS E INFORMAÇÕES CADASTRAIS” (consulta disponível em www.cnae.ibge.gov.br): [...] A Classificação Nacional de Atividades Econômicas também possui uma classe específica para as atividades de teleatendimento (“82202 ATIVIDADES DE TELEATENDIMENTO”). O serviço de call center é classificado na única subclasse desta classe (“82202/00 Atividades de teleatendimento / call center; serviço de”): [...] Da análise da tabela CNAE, é possível extrair algumas das características das atividades de teleatendimento (subclasse 82202/00) como um todo (abrangendo, portanto, os serviços de call center). São elas: a) o serviço deve ser voltado a um cliente/consumidor, ou a um possível cliente/consumidor; b) há de ser remoto (não presencial); e c) ele deve ter a finalidade de (i) recepcionar e, na medida do possível, dar uma resposta às solicitações ou reclamações dos consumidores, ou (ii) vender ou promover mercadorias e serviços a possíveis clientes (telemarketing), ou (iii) realização de pesquisas de mercado e de opinião pública e atividades similares. Ora, o real cliente da empresa de cobrança é quem a contratou, e não o devedor que receberá a ligação telefônica ou qualquer outra forma de comunicação. A atividade da empresa será cobrar, e não oferecer um produto ou um serviço ao destinatário da comunicação. A estrutura da cobrança é voltada para contatar não clientes/consumidores, mas terceiros, o que já seria suficiente para não considerar o serviço de cobrança como pertencente à classe 82202 (atividades de teleatendimento). Consoante registrado pela autoridade fiscal, todas as notas fiscais de prestação de serviços dizem respeito a atividades de cobrança, ou seja, a atividade precípua da empresa, que não a enquadraria para os fins tributários, como atividade de teleatendimento, apta à substituição tributária, prevista na Lei nº 12.546/2011. Ainda, o fato de outros órgãos públicos pretenderem adotar o serviço de teleatendimento, visando a cobrança de dívidas, não Fl. 743DF CARF MF Processo nº 15504.723103/201702 Acórdão n.º 2402006.838 S2C4T2 Fl. 742 7 está a significar que em tal hipótese a eventual contratada se enquadraria no regime de substituição tributária, apta a lhe assegurar a vinculação com a Lei nº 12.546/2011. No que se refere, ademais, à alegação de que não cabe ao Fisco efetuar a classificação da atividade econômica da empresa, tarefa que segundo seu entendimento, seria do Ministério do Trabalho, vejo que cada órgão ou entidade dentro da Administração Pública possui as suas atribuições e, no caso da Administração Tributária, sempre que o Fisco se deparar com situação que tenha reflexos tributários, darlheá o tratamento tributário adequado, bem como em relação a créditos tributários decorrentes, por força dos arts. 142, 194 e 195 do Código Tributário Nacional: [...] Concluise, portanto, que o serviço de cobrança não pode ser classificado, para fins tributários, entre as atividades de teleatendimento e não se confunde com o serviço de call center mencionado no § 5º do art. 14 da Lei nº 11.774, de 2008 e, por conseguinte, não se enquadra na substituição previdenciária prevista no inciso I do art. 7º da Lei nº 12.546, de 2011. Logo, o recurso voluntário deve ser desprovido neste ponto. 3 Da dedução dos valores recolhidos Segundo a recorrente, a autoridade lançadora não teria deduzido os valores já recolhidos a título de CPRB e essa dedução não implicaria compensação de ofício. Com razão a recorrente. Se a autoridade administrativa entendeu que a empresa estaria recolhendo, de forma indevida, CPRB prevista no art. 7º da Lei 12546/11, fato que ensejou o lançamento fiscal, nada mais natural do que deduzir, do crédito apurado de ofício, as contribuições indevidamente recolhidas, de tal modo que o lançamento seria apenas da diferença de ofício constituída em sede de ato administrativo (ou processo administrativo) de constituição do crédito tributário. Esse proceder não implica, propriamente, a compensação de ofício a que se refere o art. 89 da IN 1717/17, mas sim se trata de uma consequência natural do lançamento de ofício, sob pena, inclusive, de admitirse o eventual enriquecimento ilícito da Fazenda Pública (o processo de restituição está sujeito a prazo decadencial). Cabe lembrar, nesse contexto, que a complexidade e o próprio casuísmo da legislação tributária federal pode ensejar interpretações fiscais e contábeis distintas, de modo que a autoridade administrativa, ao adotar uma interpretação distinta daquela do contribuinte, que enseje eventual lançamento de ofício, deve deduzir as importâncias recolhidas, sob pena, inclusive, de descuidarse do princípio geral da boafé, que se desdobra nos deveres correlatos de cooperação, lealdade, cuidado, etc. Uma eventual postura mais literal por parte dos órgãos de fiscalização e por parte das DRJs pode ser até compreensível, mas o CARF, no entender deste relator, tem o dever de analisar e de sopesar todos os princípios e regras que regem o direito como um todo, Fl. 744DF CARF MF Processo nº 15504.723103/201702 Acórdão n.º 2402006.838 S2C4T2 Fl. 743 8 com maior relevo, ao caso concreto, ao princípio que veda o enriquecimento ilícito e ao princípio da boafé. Em caso análogo e de grande repercussão ("caso Neymar"), esta respeitosa Turma, neste ponto por unanimidade, decidiu o seguinte: [...]RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. Devem ser compensados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio. (CARF, Contribuinte Neymar da Silva Santos Junior, Recurso Voluntário, Relatora Bianca Felicia Rothschild, Sessão 15/03/2015, Acórdão 2402005.703) Ainda que noutro giro, pode ser citado o seguinte verbete sumular deste Conselho, aplicável a este caso concreto por analogia: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. De minha relatoria, e também julgado por unanimidade neste particular, pode ser citado o seguinte julgado, em sessão realizada em 03 de abril de 2018: [...] DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS PELAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. 1. Firmadas as premissas (i) de que os serviços não eram prestados pelas pessoas jurídicas, mas sim pelas físicas; (ii) e que a quase totalidade dos sócios dessas empresas contratadas prestavam serviços apenas à primeira recorrente; temse a conclusão de que os recolhimentos efetuados pelas prestadoras a título de quota patronal e de contribuição do segurado contribuinte individual são indevidas. 2. Isto é, se os valores pagos às pessoas jurídicas prestadoras de serviços eram, na verdade, remunerações pagas aos sócios pessoas físicas, isso equivale a reclassificar as remunerações das pessoas jurídicas para as pessoas físicas. 3. Desta forma, e para evitar o enriquecimento ilícito da União, que se baseia nas premissas retro mencionadas, entendese que tais contribuições realmente devem ser deduzidas do Fl. 745DF CARF MF Processo nº 15504.723103/201702 Acórdão n.º 2402006.838 S2C4T2 Fl. 744 9 lançamento, o que deverá ser aferido no momento da liquidação do presente julgado. (CARF, acórdão 2402006.069). Em sendo assim, o recurso voluntário deve ser provido neste ponto, para que a autoridade executora do julgado deduza, do lançamento, os valores efetivamente recolhidos no período a título de CPRB, o que deverá se apurado em sede de liquidação. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que a autoridade executora do julgado deduza, do lançamento, os valores efetivamente recolhidos no período a título de CPRB, o que deverá ser apurado em sede de liquidação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Declaração de Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, dele divirjo em face da dedução, no lançamento em litígio, dos valores recolhidos a título de CPRB, prevista no art. 7°. da Lei n. 12.546/2011. Isto porque o objeto do lançamento em lide trata de contribuição previdenciária patronal sobre a folha de pagamento, ou seja, de espécie totalmente distinta da CPRB, inclusive quanto à base de cálculo: aquela sobre folha de pagamento e esta sobre a receita bruta auferida. De se observar, também, que as contribuições previdenciárias em apreço são reguladas por diferentes matrizes legais: a CPRB pela Lei n. 12.546/2011 e a contribuição patronal sobre a folha de pagamento pela Lei n. 8.212/1991. É dizer, tais contribuições previdenciárias não se comunicam entre si, de forma a propiciar a compensação de ofício na forma proposta pelo i. Relator. Nessa perspectiva, não há que se falar de enriquecimento ilícito da Fazenda Pública por não ter procedido de ofício a pretendida compensação, até porque sequer ato ilícito existiu. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 15504.723103/201702 Acórdão n.º 2402006.838 S2C4T2 Fl. 745 10 Na mesma linha de raciocínio, também não há que se falar de enriquecimento sem causa, vez que não restam caracterizadas, no caso concreto, as hipóteses previstas no art. 884 do Código Civil Lei n. 10.406/2002. A compensação ora pretendida pela Recorrente encontra disciplina na Instrução Normativa RFB n. 1.717/2017, o que lhe faculta, em se caracterizando pagamento a maior ou indevido, pleitear restituição e/ou compensação mediante a aplicação PER/DCOMP disponível no sítio da RFB, destacandose que a iniciativa para o mister é exclusiva da Recorrente. Destarte, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, afastandose a dedução, no lançamento em apreço, dos valores recolhidos a título de CPRB. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 747DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.002810/2002-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
LIMITES DA COISA JULGADA.
Inobstante o trânsito em julgado da decisão judicial favorável à contribuinte, os seus termos não podem se projetar indefinidamente para o futuro, especialmente porque o Supremo Tribunal Federal concluiu pela constitucionalidade da exigência da CSLL pela Lei nº 7.689/1988, afastando apenas a sua cobrança no ano de 1988, entendimento que foi amplificado pelo efeito erga omnes da Resolução do Senado Federal nº 11, de 04/04/1995.
STJ. RESP nº 1.118.893/MG. ART. 543-C DO CPC. NÃO HÁ EFEITO VINCULANTE PARA O JULGAMENTO DO PRESENTE CASO. NÃO SE APLICA O ART. 62, §2º, DO RICARF.
No julgamento do RESP nº 1.118.893/MG, o STJ tratou apenas dos efeitos retroativos em relação ao que restou decidido pelo STF, especificamente quanto à exigência de débito de CSLL com fato gerador ocorrido em 1991. O STJ não se manifestou sobre a eficácia prospectiva das decisões do STF, não tratou da implicação destas decisões que reconheceram a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88 (somadas à Resolução do Senado Federal nº 11, de 04/04/1995) sobre os fatos geradores ocorridos a partir de então. Trata-se de matéria ainda controversa, por não haver decisão definitiva de mérito a esse respeito, nem do STF, nem do STJ, que enseje a aplicação do art. 62, §2º, do regimento interno do CARF.
Numero da decisão: 9101-003.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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LIMITES DA COISA JULGADA. Recorrente PAIC PARTICIPAÇÕES LTDA. sucessor de Pão de Açúcar S.A. Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 1999, 2000 LIMITES DA COISA JULGADA. Inobstante o trânsito em julgado da decisão judicial favorável à contribuinte, os seus termos não podem se projetar indefinidamente para o futuro, especialmente porque o Supremo Tribunal Federal concluiu pela constitucionalidade da exigência da CSLL pela Lei nº 7.689/1988, afastando apenas a sua cobrança no ano de 1988, entendimento que foi amplificado pelo efeito erga omnes da Resolução do Senado Federal nº 11, de 04/04/1995. STJ. RESP nº 1.118.893/MG. ART. 543C DO CPC. NÃO HÁ EFEITO VINCULANTE PARA O JULGAMENTO DO PRESENTE CASO. NÃO SE APLICA O ART. 62, §2º, DO RICARF. No julgamento do RESP nº 1.118.893/MG, o STJ tratou apenas dos efeitos retroativos em relação ao que restou decidido pelo STF, especificamente quanto à exigência de débito de CSLL com fato gerador ocorrido em 1991. O STJ não se manifestou sobre a eficácia prospectiva das decisões do STF, não tratou da implicação destas decisões que reconheceram a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88 (somadas à Resolução do Senado Federal nº 11, de 04/04/1995) sobre os fatos geradores ocorridos a partir de então. Tratase de matéria ainda controversa, por não haver decisão definitiva de mérito a esse respeito, nem do STF, nem do STJ, que enseje a aplicação do art. 62, §2º, do regimento interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 28 10 /2 00 2- 28 Fl. 516DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 517 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório O contribuinte em epígrafe recorre a este Colegiado, por meio de recurso especial contra o acórdão nº 110300.396, pelo qual a turma, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário apresentado. A decisão recorrida recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 AÇÃO JUDICIAL DISCUSTINTO A CONSTITUCIONALIDADE DA DA LEI Nº 7.689/88. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCIDENTAL. COISA JULGADA. ELISÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO POR DECLARAÇÃO POSTERIOR DE CONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUTNAL FEDERAL. RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA. Diante de manifestação definitiva do Supremo Tribunal Federal no exercício da jurisdição de controle da constitucionalidade das leis, não podem subsistir os efeitos de decisões judiciais (mesmo transitadas em julgado) de conteúdo diverso, face dos princípios Fl. 517DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 518 3 da força normativa da constituição e da supremacia da constituição. A submissão à regra matriz de incidência da CSLL instaura relação jurídica continuativa, cujos efeitos se projetam por período indeterminado de tempo, de modo que toda e qualquer alteração no arcabouço normativo pertinente determina modificação do conteúdo da relação jurídica, impedindo a preservação da eficácia da decisão judicial transitada em julgado. A imutabilidade da coisa julgada não se aplica às relações de trato sucessivo submetida a alterações legislativas posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva. Trata o presente processo de auto de infração para constituição de crédito tributário de CSLL por fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 1998, 1999 e 2000. De acordo com o que consta do Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte interpôs a Ação Ordinária n° 90.49326, perante a 6° Vara Federal do Distrito Federal, que ao final proferiu sentença que lhe foi favorável, datada de 14/03/91, declarando a inexistência de relação jurídica entre a contribuinte e a União Federal, no que tange à exigência de CSLL, e, ainda, a inconstitucionalidade incidental da Lei n° 7.689/88 que a instituiu. O TRF da 1ª Região, em julgamento datado de 18/11/91, por unanimidade, negou provimento ao recurso de ofício n° 91.01.064703/DF, cujo acórdão transitou em julgado em 20/02/92. A autoridade fiscal promoveu o lançamento e a cobrança da CSLL, considerando (i) que o acórdão do STF que considerou constitucional a Lei n° 7.689/88, com exceção do art. 8° e (ii) as alterações legislativas posteriores à Lei n° 7.689/88, destacandose, entre outras, o art. 11 da Lei Complementar n° 70, de 30/12/91, os arts. 22, §l°, e 23, §1°, da Lei n° 8.212 de 24/07/91. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente. Na sequência, interpôs recurso voluntário, julgado pelo acórdão nº 110300.396, em que a turma, por unanimidade de votos, negoulhe provimento. Cientificado dessa decisão, o contribuinte, tempestivamente, protocolou recurso especial (efls. 384/404) em que suscita divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e outras decisões do Conselho de Contribuintes ou CARF, que em casos similares decidiram observar o disposto no art. 62A do RICARF então vigente, aplicando o entendimento do STJ proferido no julgamento do REsp. 1.118.893/MG, afetado como representativo de controvérsia que, em suma, considerou que alterações legislativas não modificam a regramatriz da CSLL em sua essência e que posterior decisão do STF em sentido contrário à decisão transitada em julgado não tem o condão de alterar os efeitos da coisa julgada. Indicou como paradigmas o Acórdão nº 9101001.369 e Acórdão nº 1301001.083, que veicularam as seguintes ementas: Acórdão nº 9101.001.369 Fl. 518DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 519 4 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO COISA JULGADA RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA A jurisprudência pátria (tanto a judicial quanto a administrativa) tem entendido que nas relações tributárias de natureza continuativa entre o Fisco e o contribuinte, não é cabível a alegação da exceção da coisa julgada em relação aos fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas e, uma vez que os fatos geradores da obrigação tributária aqui discutidos são posteriores a alteração legislativa, nada obsta que seja realizado o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro via Auto de Infração, independentemente do resultado final da Ação Rescisória. Acórdão nº 1301001.083 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CSLL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TRÂNSITO EM JULGADO. OBSERVÂNCIA DO ARTIGO 52A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. JULGAMENTO PELO STJ DO REsp 1.118.893/MG Recurso Especial 2009/00111359 NA FORMA DO ARTIGO 543C DO CPC. Na forma do Regimento do CARF, cumpre observar o que decidido pelo STJ no julgamento do REsp 1.118.893/MG Recurso Especial 2009/00111359, na forma do artigo 543C do CPC, de sorte que se firmouse o entendimento de que o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. Sustenta, em síntese, que, apesar do STJ ter analisado as alterações legislativas posteriores à edição da Lei nº 7689/88 até o anocalendário de 1992, constatase que os diplomas legais posteriores a 1992 também não estabeleceram nova relação jurídico tributária capaz de ensejar a cobrança da CSLL, tendo em vista que dispuseram apenas sobre (i) alíquota; (ii) base de cálculo e (iii) normas de apuração e recolhimento. Invoca, ainda, a observância dos Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2011 e CDA/CRJ nº 396/2013 para aduzir que a posterior declaração de inconstitucionalidade declarada pelo STF somente permitiria a autuação de fatos geradores ocorridos após maio de 2011 e requer, ao final, o cancelamento integral do auto de infração. Em despacho de admissibilidade foi dado seguimento ao recurso do contribuinte. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 503/512) em que, em apertada síntese explica que o Parecer PGFN/CRJ/ Nº 2.434/2008, que analisa os limites objetivos da coisa julgada, considera que estes devem ser obtidos a partir de uma análise que leva em conta, além do próprio conteúdo das decisões, os demais elementos integrantes da demanda sob análise, pois a tutela judicial é concedida nos limites da pretensão formulada pelo próprio autor/impetrante. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 520 5 Observa que no caso concreto a demanda judicial trouxe elementos fáticos e fundamentos jurídicos pautados nas Lei nº 7.689/88, alterada posteriormente pelas Lei nº 7.787/89 e nº 7.7856/89, mas como a relação jurídicotributária é de trato sucessivo, uma relação jurídica continuativa, que se projeta no tempo, o decidido no mandamus não pode se sobrepor às alterações legislativas posteriores, pois presentes modificações no estado de fato e de direito, bem como diante do comando normativo enunciador da força de lei da sentença presente nos limites da lide. Nesse sentido, a imutabilidade da coisa julgada material existiria sobre o pedido e sobre os fatos deduzidos na inicial, respectivamente, mas não sobre aqueles que exsurgiram após o julgado, pois não haveria que se falar em coisa julgada sobre a situação jurídica nova, ante a ausência do nexo de referibilidade e em observância à inteligência do princípio da congruência da decisão judicial à demanda, nos termos dos arts. 468 e 471 do CPC. Invoca a aplicação da Súmula 239 do STJ, no sentido de que "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores". Afirma, ainda, que, a persistir na exceção da coisa julgada, haveria violação à Constituição Federal que determina tratamento igual e isonomia tributária. Colaciona jurisprudência administrativa e judicial e pede, ao final seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora O recurso especial do contribuinte é conhecido nos termos do despacho de e fls. 268/271. A presente lide cingese à discussão sobre se o contribuinte estaria submetido à cobrança da CSLL para os anoscalendário 1998, 1999 e 2000 ou se, ao contrário, não se submeteria a incidência dessa contribuição para os períodos referenciados por força de decisão judicial transitada em julgado. O contribuinte deixou de recolher a CSLL por entender que estaria amparado por decisão judicial transitada em julgado que teria declarado a inexistência de relação jurídica que a obrigasse ao recolhimento dessa contribuição. O voto proferido no acórdão recorrido adotou a linha da relativização da coisa julgada por entender que os efeitos das sentenças transitadas em julgado podem ser desconstituídos quando comprovada sua contrariedade ao texto constitucional, e lembrou que o STF, no RE 146.7339/SP, declarou constitucional a Lei nº 7.689/88, com exceção do art. 8º. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 521 6 Ao final, o acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário, decidindo, por unanimidade de votos, que o contribuinte deve se submeter à incidência da CSLL em relação jurídica continuativa com efeitos que se projetam por período indeterminado, de modo que toda e qualquer alteração no arcabouço normativo de regência dessa contribuição determina modificação do conteúdo da relação jurídica, impedindo a preservação da eficácia da coisa julgada. Contestando esse entendimento, em fase recursal, o recorrente defendeu a observância, no caso, do art. 62A do então Regimento Interno do CARF, de modo que fosse aplicada a decisão proferida pelo STJ no REsp. 1.118.893/MG, em sistema de recursos repetitivos. O art. 62A, que era previsto no antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 246/2009, trazia a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. É verdade que o art. 62A do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 246, de 2009, não se encontra mais em vigor. Porém, atualmente, encontrase permanece vigente a redação do art. 62, do Anexo II, do atual RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] II que fundamente crédito tributário objeto de: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 521DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 522 7 Portanto, a matéria a ser aqui apreciada cingese ao tema dos efeitos prospectivos de coisa julgada material atinente à constitucionalidade da incidência da CSLL sob a égide da Lei nº 7.689/88, frente à superveniência de decisões e leis posteriores e, ainda, considerandose as disposições do art. 62, II, "b" do RICARF. Este órgão colegiado tem decidido de forma reiterada no sentido de que, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica, de forma a verificarse se há descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG. São inúmeros os precedentes proferidos por esta 1ª Turma da CSRF nessa direção. Peço permissão para fazer menção à ementa e à trechos do voto do Conselheiro André Mendes de Moura, no Acórdão nº 9101003.221, proferido em sessão realizada em 8/11/2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008 LIMITES DA COISA JULGADA. CSLL. EFEITOS DO RESP. Nº 1.118.893/MG. No que respeita à CSLL, ao se aplicar o REsp nº 1.118.893/MG, decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a sistemática dos chamados Recursos Repetitivos, de seguimento obrigatório pelos Conselheiros do CARF, a teor do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF Anexo II, quando da análise dos efeitos específicos da decisão transitada em julgado, há que se verificar os exatos termos dessa decisão, as normas que foram por ela cotejadas, a extensão precisa dos seus efeitos e a data da ocorrência dos fatos geradores a que se aplica. Verificado o descompasso entre a decisão que transitou em julgado e os efeitos do REsp nº 1.118.893/MG, descabe sua aplicação ao caso. Precedentes. Acórdãos nº 9101002.013, 9101002.044, 9101002.287, 9101002.291 e 9101002.530. Assim, para aplicarmos um acórdão julgado em sede de recurso repetitivo pelo STJ, nos termos em que dispõe o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, precisamos cotejar o caso concreto com o analisado pelo Tribunal Superior. Nesse contexto, como visto do relato, o contribuinte interpôs a Ação Ordinária n° 90.49326, perante a 6° Vara Federal do Distrito Federal, que ao final proferiu sentença que lhe foi favorável, datada de 14/03/91, declarando a inexistência de relação jurídica entre a contribuinte e a União Federal, no que tange à exigência de pagar a CSLL, declarando, ainda, a inconstitucionalidade incidental da Lei n° 7.689/88 que a instituiu. O TRF da 1ª Região, em julgamento datado de 18/11/91, por unanimidade, negou provimento ao recurso de ofício n° 91.01.064703/DF, cujo acórdão transitou em julgado em 20/02/92. De acordo com a petição inicial da referida ação (fls. 7 e ss do vol. 1) as autoras pugnaram pelo reconhecimento da inexistência de relação jurídica que as obrigasse ao recolhimento da CSLL ou, ao menos, da majoração promovida pela Lei nº 7856/89, como se depreende dos seguintes trechos da peça: Fl. 522DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 523 8 Ocorre que, tanto a lei instituidora da referida contribuição social (Lei nº 7.689/88), quanto a lei mais recente (Lei nº 7.856/89), que aumentou as alíquotas, afrontam os mais comezinhos princípios constitucionais, [...] Por todo o exposto, requerem as Autoras a citação da União Federal, na pessoa de seu representante legal, para contestar e acompanhar o presente feito até final decisão, quando deverá ser julgada procedente a ação e subsistente o pedido, com a consequente declaração de inexistência da relação jurídica entre as partes, no que concerne ã exigência de pagar a contribuição social sobre o lucro, cuja inconstitucionalidade é manifesta, ou, se assim não entender V.Exa., que a majoração pretendida pela Lei nº 7856/89, somente é devida sobre fatos jurídicos acontecidos a partir de janeiro de 1990, quando passou a produzir efeitos. O pedido foi julgado procedente nos termos da seguinte sentença proferida pelo Juízo da 6ª Vara Federal de Brasília/DF (fls. 24 e ss do vol.1) Isto posto, julgo procedente a presente ação e declaro a inexistência de relação jurídica entre as autoras e a União Federal, no que tange à exigência de pagar a contribuição social, instituída pela Lei nº 7.689/88, por sua manifesta inconstitucionalidade. Apreciando remessa oficial, o TRF da 1ª Região proferiu o acórdão REU 91.01.060703 DF (fls. 33 e ss do vol. 1) com a seguinte ementa: Remessa "ex offício" REU 91.01.060703 DF E M E N T A CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. LEI Nº 7.689/88. ART. 146, III, "A", da CF/88. MESMO FATO GERADOR E MESMA BASE DE CALCULO PARA TRIBUTOS DIFERENTES. EXIGÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. 1. É inaplicável.às contribuições sociais no disposto no art. 150, inciso III, da Constituição da República, em face do disposto no § 6º, do art. 195, da mesma Lei Maior. 2. Somente através de lei complementar pode ser instituída contribuição social. 3). Decisão do Plenário na AMS nº 89.01.1361477 MG, por maioria. Ressalva pessoal. 4. Recurso improvido. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 524 9 Essa decisão transitou em julgado em 20/2/92, como se verifica pela certidão de fl. 36 do vol. 1. É certo que a CSLL sofreu substanciais alterações, desde a sua instituição, cabendo citar: Lei Complementar nº 70/91 (art. 11); a Lei nº 8.383/91 (arts. 41, 44, 79, 81, 86, 87, 89, 91 e 95); a Lei nº 8.541/92 (arts. 22, 38, 39, 40, 42 e 43); a Lei nº 9.249/95 (arts. 19 e 20); a Lei nº 9.430/96 (arts. 28 a 30, sendo que o art. 28 remete aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 da mesma Lei); e a Lei nº 10.637, de 2002 (arts. 35 a 37, 45). No auto de infração de que trata este processo administrativo, a exigência da CSLL referese aos anoscalendário 1998, 1999 e 2000 e tem por enquadramento legal os seguintes dispositivos: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; art. 11 da Lei Complementar nº 70/91; arts. 1° e 2 da Lei n° 9.316/96; art. 28, da Lei n° 9.430/96; arts. 6 e 7° da Medida Provisória n° 1.807/99 e reedições; arts. 6° e 7º da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. Já a legislação analisada pelo STJ no REsp 1.118.893/MG e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei nº 7.689/88, corresponde à Lei Complementar nº 70/91, e as Leis nº 7.856/89, nº 8.034/90, nº 8.212/91, nº 8.383/91 e nº 8.541/92. Verificase que o voto do Ministro Arnaldo Esteves Lima, relator do REsp, é calcado, na parte que analisa as citadas leis, no voto da Min. Eliana Calmon, por ocasião do REsp 731.250/PE, que analisa detalhadamente cada dispositivo dessas leis. Mas apenas essas leis. Confirase a partir do seguinte trecho do voto proferido no REsp: [..] No caso específico da CSLL, alegase, ainda, que, não obstante a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, há diplomas supervenientes legitimando sua exigibilidade, a saber: Leis 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91 e Lei 8.383/91, além da Lei Complementar 70/91. Ocorre que referida tese já foi conduzida à apreciação deste Tribunal nos autos do REsp 731.250/PE (Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07), apontado como paradigma no presente recurso especial, oportunidade em que se decidiu que as alterações veiculadas por tais diplomas não revogaram a disciplina da referida contribuição, que continuou a ser cobrada em sua forma primitiva. Transcrevo a ementa do acórdão: [...] Do voto condutor do julgado extraio o seguinte trecho, que bem esclarece os fundamentos que prevaleceram: Na específica hipótese dos autos, a decisão transitada em julgado atingiu a relação de direito material, ao concluir que a cobrança da contribuição social das Lei 7.689/88 e 7.787/89 seria inconstitucional, e a exação somente poderia ser cobrada a partir de uma nova relação jurídicotributária estabelecida em lei nova. Por isso, pertinente verificar quais foram as alterações introduzidas pelas Leis 7.856/89, 8.034/90, LC 70/91, 8.383/91 e 8.541/92. Vejamos: Lei 7.856/89: Art. 2º A partir do exercício financeiro de 1990, correspondente ao períodobase de 1989, a alíquota da contribuição social de que se trata o Fl. 524DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 525 10 artigo 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passará a ser de dez por cento. Parágrafo único. No exercício financeiro de 1990, as instituição referidas no art. 1º do DecretoLei nº 2.426, de 7 de abril de 1988, pagarão a contribuição à alíquota de quatorze por cento. Lei 8.034/90: Art. 2º A alínea c do § 1º do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 2º... § 1º ... c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixado durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase." LC 70/91: Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Lei 8.383/91: 10. O imposto e a contribuição social (Lei n° 7.689, de 1988), apurados em cada mês, serão pagos até o último dia útil do mês subseqüente. (...) Art. 44. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n.° 7.689, de 1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei n° 7.713, de 1988, art. 35) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único. Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei n° 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de Fl. 525DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 526 11 cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real. Art. 79. O valor do imposto de renda incidente sobre o lucro real, presumido ou arbitrado, da contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 1988) e do imposto sobre o lucro líquido (Lei n° 7.713, de 1988, art. 35), relativos ao exercício financeiro de 1992, períodobase de 1991, será convertido em quantidade de UFIR diária, segundo o valor desta no dia 1° de janeiro de 1992. Parágrafo único. Os impostos e a contribuição social, bem como cada duodécimo ou quota destes, serão reconvertidos em cruzeiros mediante a multiplicação da quantidade de UFIR diária pelo valor dela na data do pagamento Art. 89. As empresas que optarem pela tributação com base no lucro presumido deverão pagar o imposto de renda da pessoa jurídica e a contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 1988): I relativos ao períodobase de 1991, nos prazos fixados na legislação em vigor, sem as modificações introduzidas por esta lei; II a partir do anocalendário de 1992, segundo o disposto no art. 40. Lei 8.541/92: Art. 38. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988) as mesmas normas de pagamento estabelecidas por esta Lei para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantida a base de cálculo e alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. § 1° A base de cálculo da contribuição social para as empresas que exercerem a opção a que se refere o art. 23 desta Lei será o valor correspondente a dez por cento da receita bruta mensal, acrescido dos demais resultados e ganhos de capital. § 2° A base de cálculo da contribuição social será convertida em quantidade de UFIR diária pelo valor desta no último dia do período base. § 3° A contribuição será paga até o último dia útil do mês subseqüente ao de apuração, reconvertida para cruzeiro com base na expressão monetária da UFIR diária vigente no dia anterior ao do pagamento Art. 39. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, apurada no encerramento do anocalendário, pelas empresas referidas no art. 38, § 1°, desta Lei, será convertida em UFIR diária, tomandose por base o valor desta no último dia do período. § 1° A contribuição social, determinada e recolhida na forma do art. 38 desta Lei, será reduzida da contribuição apurada no encerramento do anocalendário. § 2° A diferença entre a contribuição devida, apurada na forma deste artigo, e a importância paga nos termos do art. 38, §1°, desta Lei, será: a) paga em quota única, até a data fixada para entrega da declaração anual, quando positiva; b) compensada, corrigida monetariamente, com a contribuição mensal a ser paga nos meses subseqüentes ao fixado para entrega da declaração Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 527 12 anual, se negativa, assegurada a alternativa de restituição do montante pago a maior. As referidas leis tãosomente modificaram a alíquota e a base de cálculo da exação e dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não tiveram o condão de estabelecer uma nova relação jurídicotributária entre o Fisco e a executada, fora dos limites da coisa julgada. Por isso, está impedido o Fisco cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material. Disso se depreende que algumas das normas que serviram para fundamentar o auto de infração não foram analisadas no julgamento do REsp 1.118.893/MG. É o caso dos arts. 1° e 2 da Lei n° 9.316/96; art. 28, da Lei n° 9.430/96; arts. 6 e 7° da Medida Provisória n° 1.807/99 e reedições; arts. 6° e 7º da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições Assim, não se pode dizer que a Lei n° 9.316/96, a Lei n° 9.430/96, a Medida Provisória nº 1.807/99 e a Medida Provisória n° 1.858/99, estariam alcançadas pelo REsp 1.118.893/MG, a ponto de não poderem ser aplicadas a quem porventura tenha uma decisão judicial favorável fundamentada na inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, que foi o objeto de pedir da ação ordinária ajuizada pelo contribuinte, e o julgamento proferido no REsp 1.118.893/MG. Neste momento, peço vênia para mais uma vez fazer referência ao seguinte trecho do voto do Conselheiro André Mendes de Moura, no Acórdão nº 9101003.221, no exato ponto em que o ilustre conselheiro transcreve o seguinte trecho do voto do então Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, proferido no precedente de nº 9101002.530, e que analisou um importante aspecto da questão: tratandose de constitucionalidade de leis, as decisões definitivas do STF com efeitos erga omnes: A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à adequada aplicação a ser dada ao decidido no Recurso Especial (REsp) do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de nº 1.118.893/MG, proferido na sistemática de Recursos Repetitivos. [...] A questão que se coloca é a determinação dos efeitos do REsp.1.118.893/MG sobre esta decisão acima transcrita. Este ponto é central, pois o argumento de que se aplicaria o REsp. 1.118.893/MG por força do art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, nos levaria a aceitar uma eternização da coisa julgada, seja ela qual for. Contudo, há que se considerar outros aspectos da questão, como segue. Vejase que a legislação analisada pelo STJ no REsp. 1.118.893/MG (que remete a outras decisões na argumentação do relator) e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei 7.689/1988 corresponde à LC nº 70/1991 e Leis nºs 7.856/1989, 8.034/1990, 8.212/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (citadas no julgado, ainda que nem todas tenham sido objeto de análise específica). Ora, considerando o teor da decisão transitada em julgado e o teor da decisão do STJ, resta claro que nenhuma das outras alterações posteriores que impactaram a Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 528 13 CSLL, foram consideradas na decisão do STJ. Ou seja, a decisão só vale para os casos em que as leis mencionadas na decisão foram aplicadas ou utilizadas e, portanto, a superveniência legislativa que atinge a formatação da CSLL tem o condão de afastar a incidência do REsp. 1.118.893/MG, sem implicar em desobediência ao art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II, ainda que se tenha que enfrentar a discussão de qual o grau modificativo dessas leis supervenientes àquelas mencionadas no REsp. 1.118.893/MG, no que diz respeito à afetação do fato gerador da CSLL. Ou seja, a questão se resolve de maneira simples: o art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II só se aplica a lançamentos feitos relativamente a períodos até 1992, data da última lei mencionada naquele julgamento. Para os lançamento feitos em relação a períodos posteriores, sob a égide de novas leis, não se aplica necessariamente o REsp. 1.118.893/MG. No caso em questão temos três aspectos, analisados a seguir. 1) A decisão em favor do contribuinte, exarada em 10 de fevereiro de 1992, inquinou de inconstitucionalidade a Lei nº 7.689/1988, alicerçada no AMS nº 89.01.136147/ MG (ver julgado acima transcrito), o qual teve entre seus fundamentos o fato de que a Lei nº 7.689/1988 só poderia instituir contribuição social caso fosse editada como lei complementar e, assim, não considerou a LC nº 70/1991, aspecto que, conforme o entendimento, poderia ter sido superado, considerando o que dispõe o art. 11 da referida LC nº 70/1991 (“mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”). Há que se ressaltar, também, que foi a Lei nº 7.689/1988, tanto em 1994, quanto também em 1996 — anos anteriores ao anos calendário em referência (2007 e 2008) reafirmada constitucionalmente pelas Emendas Constitucionais nºs 1, de 1994, e 10, de 1996, (“mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988”), o que, por si só, convalidaria qualquer outra possível pecha de inconstitucionalidade que, até então, se lhe pudesse impingir (v.g., mesma base de cálculo e mesmo fato gerador do imposto de renda, administração e fiscalização por parte da Receita Federal do Brasil, criação antes da entrada em vigor do sistema tributário, entre outras). 2) Após prolatada a decisão em que, indiretamente, se estriba o contribuinte (AMS nº 89.01.136147/ MG – 03/10/1991), diversas normas que vieram tratar da CSLL foram editadas antes de 2007 (primeiro anocalendário do lançamento em questão), e.g.: LC nº 70/1991 (art. 11), 8.383/1991 (arts. 41, 44, 79, 81, 86, 87, 89, 91 e 95), 8.541/1992 (arts. 22, 38, 39, 40, 42 e 43), 9.249/1995 (arts. 19 e 20), 9.430/96 (arts. 28 a 30, sendo que o art. 28 remete aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 da mesma Lei) e 10.637/2002 (arts. 35 a 37 e 45). Dessas normas, apenas as LC nºs 70/1991, 8.383/1991 e 8.541/1992 (além das Leis 7.856/1989, 8.034/1990 e 8.212/1991) Fl. 528DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 529 14 estão cotejadas no REsp. 1.118.893/MG. Ou seja, não se pode aplicar o referido REsp. 1.118.893/MG sob os aspectos materiais do caso presente em virtude de que ele não tratou de diversas alterações legislativas que aqui se aplicam e que afetaram a materialidade e os aspectos de contorno do fato gerador da CSLL – o que, evidentemente, não teria mesmo o condão de fazer, ainda que fosse uma lei. Aceitarse isso configuraria uma extensão indevida, uma legiferação abusiva por via de decisão judicial, com efeitos prospectivos no ordenamento que só são possíveis de existir em texto constitucional. Vejase que o lançamento, consubstanciado no Auto de Infração, além da Lei nº 7.689/1988, remete expressamente à Lei nº 8.981/1995 (art. 57), à Lei nº 9.249/1995 (art. 2º) e à Lei nº 9.316/1996 (art. 1º) – leis que não foram objeto de análise no REsp. 1.118.893/MG. De lembrar que, quando a Lei 9.430/1996 foi publicada, já era pacífico que a CSLL poderia ser regulada por lei ordinária, um dos fundamentos do acórdão que transitou em julgado a favor do contribuinte, quando afastou a incidência da CSLL com base na Lei nº 7.689/1988. Assim, por estes dois motivos, afasto a aplicação do REsp. 1.118.893/MG para o caso presente, porém, necessário destacar, sem descumprir o art. 62, § 2º, do RICARFAnexo II – é que o REsp. 1.118.893/MG não se aplica aqui. 3) Vejase que os dois aspectos acima considerados são suficientes para a manutenção integral da exigência, mas há outro aspecto a ser discutido. Tal aspecto, enfrentado e afastado pelo contribuinte, diz respeito aos efeitos das decisões do STF proferidas em sentido contrário à decisão transitada em julgado, que não teriam o condão de afetála, e o faz também com supedâneo no REsp. 1.118.893/MG, afastando também a aplicação da Súmula STF nº 239. Porém, há que se observar que o referido Acórdão do STJ não considerou, ao decidir, os efeitos específicos das decisões em sede de controle concentrado (nem mesmo em obter dicta). Apenas se referiu a decisões do STF de forma genérica (consta do Acórdão: “O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado...”), porém sem considerar este relevantíssimo aspecto. É que a decisão em sede de controle concentrado tem efeito erga omnes, à semelhança de lei, irradiando efeitos gerais após sua edição e afastando as normas e as decisões (normas individuais) que lhe sejam contrárias. O próprio REsp. 1.118.893/MG, em sua fundamentação, deixa claro que, se houver lei superveniente que afete a cobrança que foi afastada pela coisa julgada, ela deve ser considerada (grande parte da rationale da decisão é elaborada com base nesta fundamentação). Ora, uma decisão do STF em sede de controle concentrado tem exatamente o efeito de uma lei e, no caso, uma lei de efeito substancial, que irradia seus efeitos estabelecendo um novo marco jurídico dali em diante e consolidando os atos já Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 530 15 praticados para aqueles que não tinham em seu favor uma decisão com trânsito em julgado. Entendo que o tema não foi enfrentado especificamente pelo REsp. 1.118.893/MG, não fazendo parte do que ali foi decidido e, portanto, com relação a essa questão, o REsp. 1.118.893/MG não se aplica. Vejase, por oportuno, que foi dito o seguinte, na ementa daquela decisão do STJ (grifei): 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. Adotandose essa mesma linha de raciocínio, os efeitos futuros ou prospectivos do Recurso Extraordinário nº 146.7339SP, de 1992, do STF, transitado em julgado em 1993, devem, também, ser respeitados, sob pena de se negar validade — o que é ainda pior — ao próprio controle difuso seguido de Resolução do Senado!!! Dessa forma, o julgamento posterior pelo STF, em controle difuso seguido de Resolução do Senado, não afasta, retroativamente, a eficácia da coisa julgada — ou seja, não afasta “a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada”, nas palavras do próprio STJ , mas afasta, sim, essa eficácia, posteriormente, em face de sua força normativa e executiva. Para o passado, portanto e apenas para ele, fazse necessária a interposição de ação rescisória, se se pretender desfazer os efeitos da coisa julgada nesse período. Ao julgar o RE nº 146.7339/SP, de 1992, e também o RE nº 150.7641/PE, o STF decidiu pela constitucionalidade da Lei nº 7.689/1988 (exceto seu art. 8º e 9º que não afetam o lançamento em debate no presente processo). A decisão daquele primeiro RE tem o seguinte teor, no que importa especificamente para o presente debate: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 7689/88. NÃO É INCONSTITUCIONAL A INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS, CUJA NATUREZA É TRIBUTARIA. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1º, 2º E 3º DA LEI 7689/88. REFUTAÇÃO DOS DIFERENTES ARGUMENTOS COM QUE SE PRETENDE SUSTENTAR A INCONSTITUCIONALIDADE DESSES DISPOSITIVOS LEGAIS. [...]. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 531 16 Considerando que a decisão do RE nº 146.7339/SP foi proferida pelo STF em 29/06/1992 e publicada em 01/07/1992, com trânsito em julgado em 13/04/1993 e que a Resolução do Senado de nº 11, foi editada em 04/03/1995 e publicada em 12/04/1995, restou afastada a coisa julgada alegada pelo contribuinte, que tinha sob fundamento a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, o que atinge os anoscalendário de 2007 e 2008, objeto destes autos. Ademais, há um argumento contundente no presente caso, que são os efeitos os efeitos futuros ou prospectivos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) nº 152/ DF, de 2007, do STF, transitada em julgado, devem, também, ser respeitados, sob pena de se negar validade — o que é ainda pior — ao próprio controle concentrado de constitucionalidade!!! Esse aspecto foi muito bem captado pelo Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, do STJ, nos Embargos de Divergência em Agravo nº 991.788–DF e nos Embargos de Declaração nos Embargos de Divergência em Agravo nº 991.788–DF, ao anotar que, respectivamente (destaques do original): 13. Anotese que o egrégio STJ já assentara, em paradigmáticas decisões, [...] que a declaração de inconstitucionalidade não elimina os efeitos já consumados ao abrigo de sua eficácia (REsp 1.118.893/MG, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 06.04.11), assim abrindo o caminho para se harmonizar os dois modos de controle (difuso e concentrado) de verificação de adequação das leis à Constituição: [...]. 28. No STJ, essa matéria já foi objeto de recurso repetitivo, em julgamento relatado pelo eminente Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, que assim pronunciou a preservação dos efeitos da coisa julgada difusa, até que a sua eficácia fosse eliminada por decisão do STF em sede de controle concentrado de constitucionalidade. Dessa forma, o julgamento posterior pelo STF, em controle concentrado de constitucionalidade, não afasta, retroativamente, a eficácia da coisa julgada ou seja, não afasta “a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada”, nas palavras do próprio STJ —, mas afasta, sim, essa eficácia, posteriormente, em face de sua força normativa e executiva. Para o passado, portanto e apenas para ele, fazse necessária a interposição de ação rescisória, se se pretender desfazer os efeitos da coisa julgada nesse período. E nem poderia ser diferente, pois do contrário (cf. Embargos de Divergência em Agravo nº 991.788–DF, do STJ) (destaques do original): [...], se não se der pronta prevalência à decisão do STF, terseá de afirmar invertendose a hierarquia das decisões judiciais que Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 532 17 a supremidade seria atributo do decisum anterior, em detrimento do julgado do Pretório Máximo. Ao julgar a ADIn nº 152/DF, o STF decidiu pela constitucionalidade da Lei nº 7.689/1988 (exceto seus arts. 8º e 9º que não afetam o lançamento em debate no presente processo). A decisão tem o seguinte teor, no que importa especificamente para o presente debate: EMENTA: [...] IV. ADIn: L 7.689/88, que instituiu contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, resultante da transformação da Medida Provisória 22, de 1988. [...] 3. Improcedência das alegações de inconstitucionalidade formal e material do restante da mesma lei, que foram rebatidas, à exaustão, pelo Supremo tribunal federal, nos julgamentos dos RREE 146.733 e 150.764, ambos recebidos pela análise do permissivo constitucional que devolve ao STF o conhecimento de toda questão da constitucionalidade da lei. Considerando que a decisão da ADIn nº 15 foi proferida pelo STF em 14/06/2007 e publicada em 31/08/2007, com trânsito em julgado em 12/09/2007, restou afastada a coisa julgada alegada pelo contribuinte, que tinha sob fundamento a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, o que atinge os anoscalendário de 2007 e 2008, objeto destes autos. Tal lançamento, em nosso entendimento está em perfeita consonância com o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 2011, pelos motivos acima alegados, especialmente o que se contém em seus §§ 51, 52 e 99. Assim, por estes motivos, afastase a aplicação do REsp. 1.118.893/MG para o caso presente, o que não implica em descumprir o art. 62, § 2º, do RICARF, Anexo II, uma vez que o referido REsp aqui não se aplica. Por fim, cumpre observar que, inobstante o trânsito em julgado de decisão judicial favorável ao contribuinte, os seus termos não podem se projetar indefinidamente para o futuro, especialmente porque o Supremo Tribunal Federal, pelo seu tribunal pleno, em várias oportunidades (RE 146.7339/SP, em 29/06/92, RE 138.2848/CE, em 01/07/2002, e RE 150.764/PE, em 16/12/92) concluiu pela constitucionalidade da exigência da CSLL pela Lei nº 7.689/88, afastando apenas a sua cobrança no ano de 1988, entendimento que foi amplificado pela Resolução do Senado Federal nº 11, de 04/04/95, quando se deu efeito erga omnes para essa inconstitucionalidade apenas pontual da referida lei (relativamente à cobrança da CSLL no próprio ano de sua instituição), conforme havia concluído o STF. Há, também, recursos extraordinários no STF, pendentes de julgamento, tratando exatamente dessa matéria referente aos efeitos prospectivos das decisões relativas à coisa julgada da CSLL, e com repercussão geral já reconhecida. Conclusão Fl. 532DF CARF MF Processo nº 16327.002810/200228 Acórdão n.º 9101003.933 CSRFT1 Fl. 533 18 Em face do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 533DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.910594/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/07/2004
PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO-CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública - art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 3401-005.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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CRÉDITO REGIME NÃOCUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 05 94 /2 01 2- 78 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.910594/201278 Acórdão n.º 3401005.493 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre o PER/DCOMP indicando como crédito pagamento indevido ou a maior de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório, por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que “... apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. E para comprovar o alegado, anexa planilha demonstrativa de cálculo que embasou o pedido. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado), e por não haver direito a crédito das contribuições (PIS e COFINS) nas operações de distribuição de combustíveis, na sistemática da nãocumulatividade. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, na qual sustenta, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida, sob o argumento de que esta se equivocou ao concluir que a recorrente atua, exclusivamente, no ramo de comercialização de produtos submetidos ao regime monofásico de tributação, e que, por tal razão, não apreciou os verdadeiros motivos que geraram o crédito ora pleiteado. No mérito, defendeu a existência do direito creditório derivado da comercialização de peças de veículos, cigarros, produtos de higiene pessoal, artigos de tabacaria, etc., os quais se encontram incluídos no regime nãocumulativo. Ao final, pugnou pela nulidade da decisão combatida e, subsidiariamente, pela reforma do acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.489, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.910586/201221, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.489): Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.910594/201278 Acórdão n.º 3401005.493 S3C4T1 Fl. 4 3 "A recorrente interpôs Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no prazo de 30 dias, de acordo com a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, a qual é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, dele tomase conhecimento. Defende a recorrente que o acórdão ora se equivocou ao concluir que a recorrente atua exclusivamente no ramo de comercialização de produtos submetidos ao regime monofásico de tributação, motivo pelo qual julgou pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Conforme relatado, a recorrente em sua Manifestação de Inconformidade se limitou em alegar que “apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins relativo ao período de janeiro a junho de 2004, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. O acórdão recorrido foi claro ao afirmar que: Conforme manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte alega haver efetuado pagamento a maior de PIS e Cofins, dos períodos de janeiro a junho de 2004, por não utilizar os créditos permitidos pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (o art. 15 desta Lei estende a aplicação de dispositivos ao PIS/Pasep). Contudo, não determina e tampouco discrimina a que se referem os aludidos créditos, se decorrentes de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade. Tampouco a planilha apresentada menciona essa origem, discriminando apenas os valores dos aludidos créditos de cada período. [...] Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, além de outros elementos de prova. Diante do exposto não há razões para cassar o acórdão guerreado, uma vez que apreciou e fundamentou a improcedência da Manifestação de Inconformidade. Quanto ao argumento de que o acórdão recorrido concluiu que a recorrente atua exclusivamente no “comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes” Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.910594/201278 Acórdão n.º 3401005.493 S3C4T1 Fl. 5 4 e que a comercialização de tais produtos não é onerada pelas contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, motivo pelo qual não há razão para que a aquisição destes produtos gere crédito desta contribuição, não merece prosperar. Após apontar a carência probatória, o acórdão recorrido menciona que: De qualquer maneira, tendo em vista que o objeto social principal da contribuinte, segundo a Cláusula Terceira de seu Contrato Social, é o comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes, cabe lembrar a legislação de regência que determinou a forma de tributação incidente sobre essa atividade econômica. Deste modo, percebese que o acórdão recorrido em momento algum afirma que a recorrente atua exclusivamente no “comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes”, apenas complementa sua fundamentação no sentido de que o “objeto social principal da contribuinte” é a exploração destas atividades, e que estas não geram crédito. Ressaltase, que em momento algum a recorrente, na Manifestação de Inconformidade, informa a origem do aludido crédito, se decorrente de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade. Por tais razões, não merece amparo a preliminar arguida. No mérito, a recorrente sustenta a existência do aludido credito, o qual deriva da comercialização de peças de veículos, cigarros, produtos de higiene pessoal, artigos de tabacaria, etc., os quais se encontram incluídos no regime nãocumulativo. Pois bem. Conforme relatado e também mencionado quando da análise da preliminar arguida, a recorrente simplesmente alegou possuir crédito de R$ 1.561,32, pois “apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins relativo ao período de janeiro a junho de 2004, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. Ademais, não informa a origem do aludido crédito, se decorrente de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade, assim como não anexa aos autos documentos capazes de demonstrar seu direito creditório. É de bom grado ressaltar que cabe ao contribuinte comprovar a existência do crédito que pretende utilizar para compensar com o débito, art. 373, I, do CPC, e à Administração Tributária verificar e validar o referido crédito. Por conseguinte, Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.910594/201278 Acórdão n.º 3401005.493 S3C4T1 Fl. 6 5 confirmado o direito creditório, sobrevém a homologação, a qual extingue os débitos objeto da compensação. Assim, para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. Oportuno mencionar também que, nos termos do art. 170 do CTN, a compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública. Nesse sentido, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124/84, e Instruções da RFB que dispõem sobre a DCTF). Ante o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 16007.000063/2008-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2002, 31/10/2002
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO.
Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, é permitida a dedução dos valores inerentes aos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, visto a norma interpretativa § 9ª do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
Numero da decisão: 9303-007.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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DEDUÇÕES. CONCEITO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, é permitida a dedução dos valores inerentes aos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98, visto a norma interpretativa § 9ª do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 7. 00 00 63 /2 00 8- 00 Fl. 268DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3302002.014, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002, 31/10/2002 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO. É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas. ” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que não podem ser deduzidas da base de cálculo do PIS e da COFINS as despesas com os seus clientes, pois o inciso III do § 9 0 do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não contempla custos e despesas relativos aos eventos com os associados da recorrida, mas sim com associados de outras operadoras. Em Despacho às fls. 231 a 233, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não merece Fl. 269DF CARF MF Processo nº 16007.000063/200800 Acórdão n.º 9303007.699 CSRFT3 Fl. 269 3 conhecimento, por manifesta improcedência, uma vez que o mérito está fadado ao insucesso, pois as razões contrariam o § 9ºA da Lei 9.718/98 – redação dada pela Lei 12.873/13. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade é de se conhecêlo, considerando ser tempestivo e por atender aos demais requisitos de admissibilidade, vez que o confronto das decisões comprova a divergência. Das ementas dos acórdãos paradigmas, constatase que neles não se permitiu as deduções de custos e despesas decorrentes de pagamentos à própria rede credenciada. Já, no acórdão recorrido, houve a conclusão em sentido oposto. Ainda que a matéria esteja superada pelo dispositivo interpretativo trazido pela Lei 12.973/13, vêse que não há previsão constante do art. 67 do RICARF/2015, para se deixar de conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Nesse sentido, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide – qual seja, sobre a dedução da base de cálculo das contribuições dos valores inerentes aos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei 9.718/98. O entendimento da Fazenda Nacional lastreouse somente no art. 3º, § 9º, inciso III, da Lei 9.718/98: “Art. 3º....................... Fl. 270DF CARF MF 4 § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.” Não obstante, a MP 619/13, convertida na Lei 12.873/2013, trouxe o § 9A ao art. 3º da Lei 9.718/98, in verbis (Grifos meus): “Art. 19. A Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3º. .........………………….................................... ...................................................................................…..... § 9ºA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. ...................................................................................” (NR) Com tal dispositivo, houve esclarecimento normativo de que, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os Fl. 271DF CARF MF Processo nº 16007.000063/200800 Acórdão n.º 9303007.699 CSRFT3 Fl. 270 5 beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Eis que, tais custos assistenciais compreendem despesas com hospitais, exames laboratoriais, honorários médicos, dentre outros norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
