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Numero do processo: 10880.987773/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 73 /2 01 2- 21 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987773/201221 Acórdão n.º 1401001.955 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987773/201221 Acórdão n.º 1401001.955 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.987773/201221 Acórdão n.º 1401001.955 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721242/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRIGENTES. OMISSÃO.
Acolhem-se os Embargos Declaratórios, com efeitos modificativos, quando no julgamento do mérito de omissão há necessidade de rerratificação do julgado constante do Acórdão recorrido.
Numero da decisão: 2401-005.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer em parte dos embargos declaratórios. Na parte conhecida, por maioria, acolhê-los, com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão 2401-004.549, sanando a omissão apontada, passando o resultado do julgamento do item 'a' a ser: "quanto à PLR paga a segurados empregados, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o valor da primeira parcela paga (na competência) dentro de cada semestre civil, mantendo o lançamento referente às parcelas excedentes à primeira paga em cada semestre". Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier, que acolhia os embargos, sem efeitos infringentes, mantendo a decisão do acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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EFEITOS INFRIGENTES. OMISSÃO. Acolhemse os Embargos Declaratórios, com efeitos modificativos, quando no julgamento do mérito de omissão há necessidade de rerratificação do julgado constante do Acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 42 /2 01 3- 11 Fl. 655DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer em parte dos embargos declaratórios. Na parte conhecida, por maioria, acolhêlos, com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão 2401004.549, sanando a omissão apontada, passando o resultado do julgamento do item 'a' a ser: "quanto à PLR paga a segurados empregados, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o valor da primeira parcela paga (na competência) dentro de cada semestre civil, mantendo o lançamento referente às parcelas excedentes à primeira paga em cada semestre". Vencida a conselheira Miriam Denise Xavier, que acolhia os embargos, sem efeitos infringentes, mantendo a decisão do acórdão embargado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 16327.721242/201311 Acórdão n.º 2401005.044 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, às fls. 530/541, em face do Acórdão nº 2401004.549, contextualizado às fls. 501/520, de minha relatoria. Alega a embargante a existência de omissão quanto a: (i) Correta competência das parcelas de PLR autuadas e da observância da periodicidade legal; (ii) Exclusão das parcelas de PLR tidas por enquadradas na periodicidade legal; e (iii) Aplicabilidade da Lei nº 10.101/00 e da Lei nº 6.404/76 aos pagamentos efetuados aos administradores não empregados. A peticionante foi intimada do acórdão embargado no dia 23/03/2017 (quintafeira), conforme se observa à fl.526, começando a fluir o prazo recursal de 05 (cinco) dias em 24/03/2017, com término em 28/03/2017, data em que os Embargos Declaratórios foram opostos pelo contribuinte (fls.528/529). Submetido à análise de admissibilidade, os aclaratórios foram parcialmente admitidos por meio de despacho da Presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier, apenas o admitindo em relação aos “itens 1 e 2” com devolução do processo para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 575/583). É o relatório. Fl. 657DF CARF MF 4 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos Embargos de Declaração, passo ao exame do mérito (artigo 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 2. DO MÉRITO 2.1 PLR PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS EFETUADOS A contribuinte aponta que o venerando acórdão embargado é omisso quanto ao argumento de defesa de que os pagamentos efetuados até 03/2009 e 03/2010 correspondem à PLR apurada nos anos anteriores, o que teria sido reconhecido pela própria Autoridade Fiscal. Afirma que demonstrou em seu Recurso Voluntário que a norma do artigo 3º, § 2º, da Lei nº 10.101/2000 deve ser interpretada no sentido de ser vedado mais de dois pagamentos de PLR com base no mesmo exercício e no mesmo ano. FLS 375/376. Com a devida vênia, ouso discordar da alegada omissão. Sobre o tema, cumpre observar que o acórdão embargado assim se pronunciou (fls. 512/515): [...] A Constituição Federal de 1988 estabelece em seu artigo 7º, XI, o direito dos trabalhadores urbanos e rurais à participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração, conforme definido em lei. A Lei nº 10.101/2000 regulamentou o pagamento de PLR. Assim, a isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora. Cumpre esclarecer que caso ocorra o pagamento da PLR em desacordo com a citada lei, esta integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social, conforme artigo 214, § 10, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, in verbis: “ Art. 214 (...) “X – a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; ( A participação nos lucros Fl. 658DF CARF MF Processo nº 16327.721242/201311 Acórdão n.º 2401005.044 S2C4T1 Fl. 4 5 está disciplinada na Lei nº 10.101/00, originária da MP 794/94). (...) "§ 10º As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário de contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis." (grifei) Neste sentido, este é o cenário contido na Lei de Custeio da Previdência Social, nº 8.212/1991. O artigo 28, § 9º, "j", condiciona a fruição do benefício fiscal em questão à observância da legislação específica. Confirase: “Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (destacouse)” A Lei 10.101/2000 apenas restringe a incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos a título de PLR, quando atendidas todas as condições ali dispostas. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pelo empregador, que não se encontrem explicitamente excepcionadas por Lei, ao empregado faz parte da "folha de salários", que nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ademais, para que não restassem dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional art. 195, I Fl. 659DF CARF MF 6 alínea “a”, que acrescentou "...e demais rendimentos do trabalho". Nesse sentido, não basta a existência de acordo ou convenção coletiva disciplinando a participação nos lucros ou resultados. Um e outro são instrumentos de negociação e previsão de direitos, mas nunca podem alterar a disciplina que a lei, imperativamente, estabelece em relação a um determinado instituto. Portanto, para que a parcela relativa à Participação nos Lucros/Resultados não integre o salário de contribuição, deve a empresa cumprir as exigências da legislação específica, que no caso, é a Medida Provisória 794/94, e as que se lhe seguiram reeditando a matéria, finalmente convertidas na Lei n.º 10.101, de 19/12/2000, a seguir parcialmente transcrita. “Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” (...) “Art. 3.º (...) (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.” Entre os requisitos para que o empregador conceda a participação de seus empregados no resultado da empresa sem a incidência de encargos sociais e fiscais, consta que é Fl. 660DF CARF MF Processo nº 16327.721242/201311 Acórdão n.º 2401005.044 S2C4T1 Fl. 5 7 vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, conforme §2º do art. 3º da lei 10.101/00. No entanto, consta do relatório fiscal: “6.8 – Através da planilha citada e das folhas de pagamento constatouse que, para uma parcela de empregados, o contribuinte pagou a título de antecipação ou distribuição, nas rubricas referentes a Participações nos Lucros ou Resultados, em três parcelas, nos anos calendários 2009 e 2010, contrariando o disposto no parágrafo 2 do artigo 3º da Lei 10101/2000 descrito acima, que veda pagamentos em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no ano civil.” Nesse interregno, ao se constatar que houve três pagamentos de PLR nos anos de 2009 e 2010 ao mesmo funcionário, não resta a menor dúvida que houve o descumprimento da citada norma legal. No que se refere ao argumento de que os pagamentos foram realizados em conformidade com os acordos e convenções coletivas de trabalho, é importante esclarecer que não é a previsão em Acordo Coletivo de Trabalho referente ao pagamento de verbas a título de participação nos lucros que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório. Para se afastar a incidência tributária sobre essas parcelas, é imprescindível a observância à legislação de regência. O acordo coletivo não dispõe de força normativa capaz de alterar a definição de institutos próprios do direito previdenciário. Assim, para que as verbas pagas a título de PLR não tenham caráter remuneratório, estas devem estar em consonância com a legislação específica regulamentadora.(Grifei) Verificase, portanto, que a lide foi solvida nos limites necessários e com a devida fundamentação, coerência e clareza, ainda que sob ótica diversa daquela almejada pela Embargante. Ademais, não custa lembrar que, mesmo consoante o artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o julgador administrativo não está obrigado a rebater cada questão levantada pelo contribuinte quando a fundamentação delineada seja suficiente para embasar a decisão. Isso porque, se a fundamentação embasa a decisão, obviamente o julgador apreciou as demais teses e delas discordou. Recordese: Fl. 661DF CARF MF 8 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2201002.671, Relator. Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira, Data da Sessão 11/02/2015) Portanto, a Embargante pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à alegada nulidade, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. 2.2 PARCELAS DE PLR ENQUADRADAS NA PERIODICIDADE LEGAL Aduz a Embargante que a decisão teria sido omissa quanto ao pedido subsidiário relativo à exclusão das parcelas de PLR pagas nos anos de 2009 e 2010 que seriam tidas como enquadradas na regra de periodicidade legal. Compulsando o Recurso Voluntário, juntado às fls. 367/436, verifico que a Recorrente incluiu tópico específico na sua peça (II.1.2. Da Impossibilidade de Descaracterização do Montante Total da PPR e PLR Paga nos Anos de 2009 e 2010 – fls. 380/386) com o propósito de contestar a autuação relativa à participação nos lucros e resultados pagas com base nos ACT 2008/2009/2010 e CCT 2008/2009/2010. Da leitura da decisão, constatase que não houve pronunciamento acerca da tese defendida pelo contribuinte, sendo de se acolher os embargos apresentados. Pois bem. Analisando as razões recursais, verificase que a contribuinte alega que em momento algum a Fiscalização desconsiderou a validade dos ACT e CCT, ou seja, o questionamento se referiu somente à periodicidade dos pagamentos, desta forma, não se pode admitir a desconsideração da natureza de todas as verbas pagas com base nos referidos acordos. Conforme determina a legislação de regência, a isenção tributária sobre os valores pagos à título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites nela impostos. Noutro giro, caso ocorra a inobservância dos limites da lei regulamentadora, esta passa a integrar o conceito de renumeração para os fins de incidência da contribuição social, nos termos insculpidos no artigo 214, X do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, in verbis: “ Art. 214 (...) “X – a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; ( A participação nos lucros está disciplinada na Lei nº 10.101/00, originária da MP 794/94). Fl. 662DF CARF MF Processo nº 16327.721242/201311 Acórdão n.º 2401005.044 S2C4T1 Fl. 6 9 (...) "§ 10º As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário de contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis." (g.n) Logo a própria lei esclarece que só as parcelas pagas em desacordo com a legislação pertinente é que integram o salário de contribuição. Assim, verificase que razão assiste ao Contribuinte. Consta do Termo de Verificação Fiscal como fora apurada a contribuição previdenciária sobre os pagamentos de PLR em desacordo com a lei (fls.20/22). Confirase: “[...] 6.7 – No Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e no Termo de Intimação Fiscal datado de 06/02/2013 foram solicitados em planilhas valores pagos a título de PLR, nas várias rubricas utilizadas pela empresa, identificando beneficiário, mês do pagamento e valor. O contribuinte apresentou documentação solicitada conforme resposta. (Doc. 5). 6.8 – Através da planilha citada e das folhas de pagamento constatouse que, para uma parcela de empregados, o contribuinte pagou a título de antecipação ou distribuição, nas rubricas referentes a Participações nos Lucros ou Resultados, em três parcelas, nos anos calendários 2009 e 2010, contrariando o disposto no parágrafo 2 do artigo 3º da Lei 10101/2000 descrito acima, que veda pagamentos em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no ano civil. Abaixo citamos alguns exemplos: [...] 6.9 – Dessa forma foram tributados, para efeito de contribuição previdenciária, apenas os valores pagos aos segurados empregados que receberam em mais de duas vezes no ano civil e, portanto, também em periodicidade inferior a um semestre civil, identificados individualmente por nome, competência e valor, onde se extraiu a base de cálculo utilizado neste levantamento, em anexo neste Processo e entregue cópia ao Contribuinte (Doc. 6 ano calendário 2009 e Doc. 7 ano calendário 2010). As Rubricas de folhas 251, 417 e 425 referemse a adiantamentos de PLR pagos em competências anteriores, sendo descontado do total pago na competência informada.” Dessa forma, verificase claramente que foram tributados TODOS os valores pagos a título de PLR aos segurados empregados que receberam em desacordo com o §2º do Fl. 663DF CARF MF 10 artigo 3º da Lei nº 10.101/00, tanto os valores pagos fora da periodicidade legal, quanto aqueles pagos em conformidade com a legislação que rege a matéria. Assim, entendese que quanto à PLR paga a segurados empregados devese dar provimento parcial, para se excluir do lançamento o valor da primeira parcela paga (na competência) dentro de cada semestre civil, mantendo o lançamento referente às demais parcelas excedentes à primeira paga em cada semestre. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para em conhecer em parte dos embargos declaratórios, para na parte conhecida, acolhêlos, com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão 2401004.549, sanando a omissão apontada, passando o resultado do julgamento do item 'a' a ser: "quanto à PLR paga a segurados empregados, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o valor da primeira parcela paga (na competência) dentro de cada semestre civil, mantendo o lançamento referente às parcelas excedentes à primeira paga em cada semestre". É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 664DF CARF MF
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Numero do processo: 11078.000022/96-17
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR - Recurso Especial . Nulidade declarada de ofício. Notificação de lançamento que não preenche os requisitos legais contidos no artigo 11 do Decreto n. 70.235/72. A falta de indicação, na notificação de lançamento, do cargo ou função e o número de matrícula do AFTN acarreta a nulidade do lançamento, por vício formal.
Numero da decisão: CSRF/03-03.172
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em Declarar a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda. O Conselheiro vencido apresentará Declaração de Voto.
Nome do relator: Marcia Regina Machado Melare
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MINISTÉRIO DA FAZENDA !P CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAISn„, TERCEIRA TURMA Processo n° : 11078.000022/96-17 Recurso n° : RP/203-0.065 Matéria : ITR Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : 3° CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo : JOSÉ DELMAR PRADELLA Sessão de : 08 DE MAIO DE 2001 Acórdão n° : CSRF/03-03.172 1TR - Recurso Especial . Nulidade declarada de ofício. Notificação de lançamento que não preenche os requisitos legais contidos no artigo 11 do Decreto n. 70.235/72. A falta de indicação, na notificação de lançamento, do cargo ou função e o número de matrícula do AFTN acarreta a nulidade do lançamento, por vício formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em Declarar a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda. O Conselheiro vencido apresentará Declaração de Voto. :II "E" " À RODRI ES PRESIDENTE MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATORA FORMALIZADO EM: O 3 SET 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, JOÃO HOLANDA COSTA e N1LTON LUIZ BARTOLI. Processo n° : 11078.000022196-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.172 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : JOSÉ DELMAR PRADELLA RELATÓRIO Contra o Acórdão proferido pela C. Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo recorrente, reduzindo o valor do VTN para R$ 700,00, em conformidade com Laudo Técnico apresentado pelo Contribuinte, foi apresentado o presente Recurso Especial, com fundamento no artigo 32, inciso I, da Portaria MF 55/98, pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Aduz a douta PGFN que o Laudo de Avaliação apresentado pelo contribuinte não pode ser aceito, por não ser substancioso, não evidenciando que o imóvel possui características que o tornam inferior aos demais imóveis rurais de sua região. O V. Acórdão guerreado entendeu de modo diverso, conforme sua ementa , ora transcrita , aceitando a prova apresentada como válida e eficaz para autorizar a redução do VTN do imóvel: "VTN - REDUÇÃO - LAUDO DE AVALIAÇÃO CONSISTENTE - POSSIBILIDADE. Sendo consistente o Laudo de Avaliação, elaborado por profissional- engenheiro habilitado, possível a redução do valor do lançamento - Recurso provido." Preenchidos os requisitos legais , foi determinado o processamento do recurso. 2. Processo n° :11078.000022/96-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.172 VOTO CONSELHEIRA RELATORA MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ Preliminarmente, verifico que na notificação de lançamento de fls., emitida por sistema eletrônico, não consta a indicação do cargo ou função, nome ou número de matrícula do agente fiscal do tesouro nacional autuante. Desta forma, considerando o disposto no artigo 6°., inciso I e II da Instrução Normativa SRF n. 094, de 24 de dezembro de 1997, que determina seja declarada a nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com o disposto no artigo 5°. da mesma Instrução Normativa; considerando que o artigo 5° da Instrução Normativa da SRF n. 94/97, em seu inciso VI, determina que no lançamento deve constar, obrigatoriamente, o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; considerando que o parágrafo único do artigo 11 do Decreto n. 70.235/72 somente dispensa a assinatura do AFTN autuante quando o lançamento se der por processo eletrônico, exigindo, porém, a indicação do cargo ou função e o número de sua matrícula; considerando, ainda, que o 1°. Conselho de Contribuintes, através de decisões publicadas, já houve por bem decretar a nulidade do lançamento que não observe as regras do Decreto 70.235/72, conforme ementa transcrita: " NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - NULIDADE DE LANÇAMENTO - É nulo o lançamento cuja notificação não contém todos os pressupostos legais contidos no artigo 11 do Decreto 70235/1972 ( Aplicação do disposto no artigo 6°. da IN SRF 54/1997). " ( Acórdão n°. 108.06.420, de 21.02.2001) E tendo em vista que a notificação de lançamento do ITR apresentada nos autos não preenche os requisitos legais, especialmente por faltar na mesma a indicação do cargo ou função e o número de matrícula do AFTN autuante, Voto no 3. Processo n° :11078.000022/96-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.172 sentido de ser declarada, de oficio, a NULIDADE DO LANÇAMENTO DE FLS., relativo ao ITR impugnado, com base nos dispositivos constantes da legislação tributária já referidos. Sala das Sessões — DF, em 07 de maio de 2001 MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ ; 4. -'' MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 p CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° : 11078.000022/96-17 Recurso n° : RP1203-0.065 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : JOSÉ DELMAR PRADELLA Acórdão n° : CSRF/03-03.172 DECLARAÇÃO DE VOTO CONSELHEIRO HENRIQUE PRADO MEGDA Data vênia, sinto-me na obrigação de discordar do ilustre Conselheiro Relator no que toca a declaração da nulidade da Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR e contribuições acessórias, com base nos artigos 5°, inciso VI, e 6°, da IN SRF n° 94/97, e par. único, do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, com fulcro nos fundamentos que tem dado suporte às decisões da Colenda Segunda Câmara do E Terceiro Conselho de Contribuintes, como segue: Os dispositivos legais da IN SRF citada estabelecem, verbis: "1° A revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, far-se-á mediante a utilização de malhas: I - nacionais ... II - locais ... Art. 2° As declarações retidas em malhas deverão ser distribuídas, para exame, a Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional - AFTN, pelo titular da unidade de fiscalização da DRF ou IRF-A do domicílio do declarante. Art. 3° O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. 5. Processo n° : 11078.000022/96-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.172 Art. 4° Se da revisão de que trata o art. 1° for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de ofício, mediante lavratura de auto de infração. Art. 5° Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: VI - o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; A análise da legislação retro mostra, sem sombra de dúvida, que se trata de declarações retidas em malhas, cujo procedimento fiscal de revisão, efetuado manualmente por AFTN, pode resultar em lançamento de ofício, consubstanciado em Auto de Infração. A própria ementa do ato evidencia a sua natureza - "Dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições". Não obstante, o documento cuja nulidade foi declarada pelo voto aqui contestado, nada tem a ver com o procedimento acima, posto que se trata de Notificação de Lançamento, emitida em função do lançamento normal, efetuado por processamento eletrônico de dados, com base nas informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte. Assim, fica evidenciada a inadequação da aplicação da IN SRF n° 94/97 ao lançamento normal do ITR e contribuições. Claro está que referido tributo também pode vir a ser objeto de malhas fiscais, de revisão manual de declarações por AFTN, e de lavratura de Auto de Infração, porém não foi este o procedimento adotado no caso em questão, nem na maciça maioria dos processos de ITR que aportam a este Conselho de Contribuintes. Demonstrada a inaplicabilidade do citado ato legal ao caso em tela, resta perquirir sobre as formalidades necessárias às Notificações de Lançamento, documento este aplicado à exigência do ITR e contribuições. 6. Processo n° : 11078.000022/96-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.172 O art. 11, do Decreto n° 70.235/72, determina, verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Par. único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico." A exigência contida no inciso I, acima, não pode ser afastada, sob pena de estabelecer-se dúvida sobre o pólo passivo da relação tributária, dada a multiplicidade de contribuintes do ITR. A ausência da informação prescrita no inciso II, por sua vez, impediria o próprio recolhimento do tributo, já que a sistemática de lançamento da Lei n° 8.847/94 prevê a apuração do montante pela própria autoridade administrativa, sem a intervenção do contribuinte, a não ser pelo fornecimento dos dados cadastrais. No que tange ao requisito do inciso III, este possibilita o estabelecimento do contraditório e a ampla defesa, razão pela qual não pode ser olvidado. Quanto à informações exigidas no inciso IV, note-se que elas dizem respeito ao "chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado", e não ao "agente fiscal do tesouro nacional autuante", até porque Notificação de Lançamento não se confunde com Auto de Infração. Tais informações, na prática, são imprescindíveis apenas naqueles lançamentos individualizados, efetuados pessoalmente pelo chefe da repartição ou por outro servidor por ele autorizado. O 7. Processo n° :11078.000022/96-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.172 cumprimento deste requisito, por certo, evita que o lançamento seja efetuado por pessoa incompetente. Já o lançamento do ITR é um procedimento massificado, processado eletronicamente, tendo em vista o grande universo de contribuintes. Assim, torna-se difícil a personalização do procedimento, a ponto de individualizar-se o pólo ativo da relação tributária. Dir-se-ia que a Notificação de Lançamento do ITR é um documento institucional, cujas características - o tipo de papel e de impressão, o símbolo das Armas Nacionais e a expressão "Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal" - não deixam dúvidas sobre a autoria do lançamento. Aliás, muitas vezes estas características identificam com mais eficiência a repartição lançadora, perante o contribuinte, que o nome do administrador local, seu cargo ou matrícula. O que se quer mostrar é que não são apenas estes dados que conferem credibilidade e autenticidade ao documento, em face de seu destinatário. Além disso, nas Notificações do ITR está registrada como remetente (órgão expedidor) a repartição do domicílio fiscal do contribuinte, assim entendida a Delegacia ou Agência da Receita Federal, com o respectivo endereço. Ainda que algum destinatário tivesse dúvidas sobre a Notificação recebida, haveria plenas condições de dirigir-se à repartição, para quaisquer esclarecimentos, inclusive com acesso ao próprio chefe do órgão. Conclui-se, portanto, que em termos práticos, em nada prejudica o contribuinte, o fato de não constar da Notificação de Lançamento do ITR a personalização da autoridade expedidora. Vejamos, agora, as demais implicações, à luz do Decreto n° 70.235/72, com as alterações da Lei n° 8.748/93. O art. 59 do citado diploma legal estabelece, verbis: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; 8. Processo n° :11078.000022/96-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.172 II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. • • Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por tudo o que foi exposto, conclui-se que o vício formal que aqui se analisa não caracterizou ato lavrado por pessoa incompetente, nem tampouco ocasionou o cerceamento do direito de defesa dos contribuintes. A maior prova disso consiste nas milhares de impugnações apresentadas aos órgãos preparadores. Tanto assim que os respectivos processos chegaram a este Conselho, em grau de recurso. Assim, o vício em questão não importa em nulidade, e poderia ter sido sanado, caso houvesse resultado em prejuízo para o sujeito passivo. Cabe ainda analisar a questão sob o ponto de vista da economia processual. A nulidade que aqui se discute foi declarada de ofício pela Douta Conselheira Relatora, conforme a parte dispositiva ao final do voto. Ainda que a nulidade houvesse sido arguida pelo recorrente, caberia a análise do mérito, em face do par. 3°, do mesmo art. 59, do Decreto n° 70.235/72, que aqui se transcreve: "Par. 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Tal declaração de ofício traz outras consequências que podem ser prejudiciais ao contribuinte, principalmente em função do art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172/66, a saber: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado." 9. Processo n° : 11078.000022/96-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.172 É entendimento pacífico no âmbito da Receita Federal que, embora o inciso acima contenha a expressão "que houver anulado", trata-se efetivamente de nulidade, posto que o dispositivo se refere a vício formal. Assim, a autoridade lançadora disporá de cinco anos para repetir o ato inquinado, desta vez certamente adotando todos os procedimentos elencados no art. 11 do Decreto n° 70.235/72. Para muitos contribuintes, dependendo do caso, é preferível o julgamento do mérito, à declaração de nulidade, o que conduziria certamente a um novo lançamento, com a repetição de todo um ritual que, na maioria dos casos, onera o sujeito passivo com despesas de Laudo Técnico de Avaliação, honorários advocatícios, etc. Principalmente para aqueles que já foram vitoriosos em primeira instância, e vêm discutir no Conselho de Contribuintes apenas os acréscimos e penalidades pecuniárias. Para estes, certamente, não seria agradável submeter-se a um novo julgamento de primeira instância, dado o princípio da eventualidade. Ademais, assim se expressa o ilustre Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR , no voto condutor do Acórdão que negou acolhimento à preliminar de Nulidade do Lancamento referente ao recurso 121.519 do Terceiro Conselho de Contribuintes: O art. 9 do Decreto n° 70.235172, com a redação que a ele foi dada pelo art. 1° da Lei 8.748193, estabelece: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de uma obrigação tributária, descrevendo o lançamento como: 1. a verificação da ocorrência do fato gerador: lo Processo n° : 11078.000022/96-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.172 2. a determinação da matéria tributável: 3. o cálculo do montante do tributo: 4. a identificação do sujeito passivo: 5. proposição da penalidade cabível, sendo o caso, Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário far- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art. 11, do Decreto 70.235/72, o que a notificação de lançamento, expedida pelo órgão que administra o tributo conterá obrigatoriamente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula", prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. Já o artigo 59 do Decreto 70.235/72 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O dispositivo subseqüente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, a Notificação de Lançamento que não contiver a assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e não deixam de implicar em nulidade. 11. Processo n° : 11078.000022/96-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.172 Isso porque constituem cerceamento do direito de defesa, porque não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade de os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. Todavia, todas essas considerações não se aplicam à questão em tela, "Notificação de Lançamento do ITR@', até 31112/96, por se tratar de uma notificação atípica, pois, ao contrário do que estatui o artigo 9' do Decreto 70.235172, ela não se refere a um só imposto. Ela abarca, além do ITR, as Contribuições Sindicais destinadas às entidades, patronais e profissionais, relacionadas com a atividade agropecuária. Essas contribuições, segundo a legislação de regência, tem a seguinte destinação: 60% para os Sindicatos da categoria, 15% para as Federações estaduais que os abarcam, 5% para as Confederações Nacionais (CNA e CONTAG) e os 20% restantes vão para o Ministério do Trabalho (conta Emprego e Salário, que se destina a ações desse Ministério que visam ao apoio à manutenção e geração de empregos e melhoria da remuneração dos trabalhadores). Além dessas Contribuições Sindicais, a chamada Notificação de Lançamento do ITR promove a arrecadação destinada ao SENAR que é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que objetiva o aprendizado, treinamento e reciclagem do trabalhador rural. Por se tratar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, tal fato tumultua a apreciação do lançamento, face a diversidade das legislações de regência, com diversas conseqüências danosas às arrecadações, quando apenas uma delas apresentar irregularidade ou sofrer outras contestações, podendo impedir o prosseguimento do recolhimento das demais. 12. Processo n° : 11078.000022/96-17 Acórdão n° : CSRF/03-03.172 Essa dita Notificação de Lançamento também contraria o disposto no art. 142 do CTN, que lista os procedimentos para constituição do crédito tributário, como tratado anteriormente neste Voto. Dessa forma, a chamada Notificação de Lançamento do ITR, não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal. É um instrumento de cobrança do ITR e das demais Contribuições. Assim sendo, não está essa dita Notificação de Lançamento sujeita às normas legais que cuidam de nulidade, a qual, argüida, não deve ser acolhida. Por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Sala das Sessões-DF, em 07 de maio de 2001. _ HENRIQ. PRADO MEGDA E 13. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1
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Numero do processo: 15586.000096/2008-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para esclarecimento acerca do julgamento do auto de infração correlato à NFLD DEBCAD 371100275.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Relatório
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para esclarecimento acerca do julgamento do auto de infração correlato à NFLD DEBCAD 371100275. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 00 09 6/ 20 08 -1 3 Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 15586.000096/200813 Resolução nº 9202000.137 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.110.0259, com base no art. 32, IV, §3º e 5º da Lei nº 8.212/91 c/c art. 225, IV, §4º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 26/12/2007, no valor de R$ 126.848,57 (Cento e vinte e seis mil, oitocentos e quarenta e oito reais e cinqüenta e sete centavos), em razão da empresa ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Numa breve síntese, a empresa apresentou a GFIP com omissão dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, correspondentes a valores pagos às cooperativas de trabalho, UNIMED VITÓRIA Cooperativa de Trabalho Médico e UNIODONTO ES — Cooperativa de Trabalho Odontológico LTDA, conforme relatório fiscal da infração (fls. 13). De acordo com o Relatório Fiscal de aplicação de multa (fls. 14), a multa aplicada encontrase em conformidade com o art. 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, art. 284, inciso II e art. 373. 0 valor da multa corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, observados os limites legais conforme previsto no parágrafo 4° do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, e atualizada pela portaria n° 142, de 11/04/2007. O cálculo da multa encontrase discriminado no demonstrativo de fls. 15/17. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ julgado o lançamento procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário apurado. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 07/02/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803001.288 (fls. 1.580/1.587), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/12/2007 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 15586.000096/200813 Resolução nº 9202000.137 CSRFT2 Fl. 4 3 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 12/06/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (fls. 1.590/1.592) alegando omissão no acórdão embargado em relação à aplicabilidade do art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/09. Tais embargos foram rejeitados. Assim, o processo foi novamente encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 10/12/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 11/12/2012, Recurso Especial (fls. 1.599/1.609). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300530 (fls. 1.642/1.645), da 3ª Câmara, de 02/09/2013. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32 A da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2803001.288, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 19/08/2014, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 03/09/2014, suas contrarrazões (fls.1.653/1.663). Em suas contrarrazões, alega, preliminarmente, que a despeito do que quer fazer crer o recorrente, a situação fática versada nos presentes autos é absolutamente diversa daquela narrada nos acórdãos paradigmas, uma vez que a conduta imputada à recorrida diz respeito apenas e tão somente ao descumprimento de obrigação acessória, instituída pelo inciso IV do artigo 32 da Lei nº 8.212/91; enquanto que nos acórdãos paradigmas houve, além do descumprimento de obrigação acessória, também o descumprimento de obrigação principal, de modo que o lançamento de ofício contemplou tributo e multa, devendo, realmente ser aplicada a multa prevista no artigo 35A do mesmo diploma legal. Conclui que, em razão disto, não há que se falar em divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas, o que, por conseqüência lógica, inviabiliza o manejo do presente recurso especial com fundamento do artigo 67 da Portaria MF nº 256/09. Argumenta que, caso superada a preliminar acima exposta, no mérito, o recurso especial da fazenda não merece provimento justamente em razão dos argumentos colocados anteriormente: a multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91 somente é aplicável em casos em que, além do descumprimento da obrigação acessória, verificase o descumprimento de obrigação principal com o consequente lançamento de ofício do tributo, o que não é o caso dos presentes autos. É o relatório. Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 15586.000096/200813 Resolução nº 9202000.137 CSRFT2 Fl. 5 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende, em princípio, os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 1642. Contudo, tendo sido questionado o conhecimento, passo a análise da questão. Do conhecimento Em relação ao conhecimento, em relação ao questionamento de que o paradigma aborda questão diversa, já que trata de obrigação principal, entendo que razão não assiste ao recorrente. Realmente, a própria ementa descreve tratarse de obrigação acessória, contudo a sistemática de aplicação da regra do art. 106 do CTN quanto a retrotividade benigna trazida pela MP 449/08, convertida na lei 11.941/09 é justamente a realização de comparativo entre os somatórios das obrigações acessórias pela omissão em GFIP e obrigações principais, senão vejamos trecho do despacho de admissibilidade que descreve a questão: Ocorre que há equívoco no entendimento da recorrente, a decisão recorrida expressamente se manifestou acerca de qual multa deve ser aplicada e como a comparação deve ser efetivada, não havendo que se falar em omissão quanto a este ponto, senão vejamos. As multas em GFIP foram alteradas, após a lavratura do auto, pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212,senão vejamos: (...) Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A, I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. grifei CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. O fato de não haver menção ao art. 35A citado, foi pelo entendimento da Turma pela sua inaplicabilidade. O julgador não precisa citar todos os artigos legais que entende prescindíveis ao deslinde da questão debatida, precisa, isto sim, fundamentar sua decisão, apontando a legislação pertinente, o que foi feito. Isto posto, seja em relação a obrigação acessória ou principal, a retroatividade benigna será apreciada sobre os mesmos fundamentos, razão pela QUAL CONHEÇO DO RECURSO. Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 15586.000096/200813 Resolução nº 9202000.137 CSRFT2 Fl. 6 5 Das Preliminares ao Mérito Embora encaminhe pelo conhecimento do recurso, entendo existir outro ponto que impede o deslinde da questão nesta oportunidade. As questão objeto do recurso referemse, resumidamente, a retroatividade benigna quanto à natureza das multas aplicadas nos autos de infração de contribuições previdenciárias após a MP 449/2008, convertida na lei nº 11.941/2009. Contudo, por tratarse de AI de obrigação acessória AIOA, para atribuir certeza ao crédito, conforme podemos identificar no relatório fiscal, foram lavrados Autos de Infração de Obrigações Principais conexos ao presente processo, quail seja: nº 37.110.0275. Contudo, não foi possível identificar qual a situação do referido processo, nem mesmo identificar o nº que lhe foi atribuído, o que prejudica a continuidade do presente lançamento. Dessa forma, deve a DRF deve prestar informações quanto ao andamento do referido lançamento, identificando o número do processo atribuído em relação ao DEBCAD, bem como os fatos geradores lançados e a existência de julgamentos, pedidos de parcelamento, ou qualquer outra informação que possibilite identificar a procedência do lançamento, ou mesmo se existem outros conexos ao presente AIOA. Solicitase a realização de planilha com as informações pertinentes, para que se possa decidir com clareza o resultado da multa aplicada em relação aos fatos geradores omissos. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a DRF preste informações acerca do andamento da obrigação principal que embasou a presente autuação, mais especificamente: DEBCAD 37.110.0275. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1670DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.907146/2011-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
O julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa, quando restar desnecessária a realização de diligência para elucidação dos fatos.
IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS COM SAÍDAS IMUNES EM RAZÃO DA ALÍNEA D DO INCISO "VI" DO ARTIGO 150 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPROCEDÊNCIA.
A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do prescrito na alínea d do inciso VI do artigo da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não produz crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei 9.779 de 1999 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação.
INCLUSÃO NO SALDO CREDOR TRIMESTRAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na legislação específica como prestação de serviço. É suficiente a caracterização da operação como de industrialização, dentre as modalidades descritas no decreto regulamentador do tributo em causa, para que seja tomada a operação como tal, pois a incidência de tributo de competência municipal não tem o condão de exclui a incidência do referido tributo federal.
Entretanto, a atividade econômica que demande a emissão de notas fiscais de saída, exclusivamente, de prestação de serviços, não implica no direito de incluir o IPI do cômputo do saldo credor trimestral, ainda que na respectiva operação se constate o consumo de matéria-prima, produtos intermediário e material de embalagem tributados pelo referido tributo de competência federal.
Numero da decisão: 3001-000.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. O julgador pode indeferir o pleito do contribuinte, sem que isto interfira de alguma forma no exercício do seu direito de defesa, quando restar desnecessária a realização de diligência para elucidação dos fatos. IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS COM SAÍDAS IMUNES EM RAZÃO DA ALÍNEA “D” DO INCISO "VI" DO ARTIGO 150 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPROCEDÊNCIA. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do prescrito na alínea “d” do inciso VI do artigo da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não produz crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei 9.779 de 1999 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. INCLUSÃO NO SALDO CREDOR TRIMESTRAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na legislação específica como prestação de serviço. É suficiente a caracterização da operação como de industrialização, dentre as modalidades descritas no decreto regulamentador do tributo em causa, para que seja tomada a operação como tal, pois a incidência de tributo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 71 46 /2 01 1- 00 Fl. 683DF CARF MF 2 competência municipal não tem o condão de exclui a incidência do referido tributo federal. Entretanto, a atividade econômica que demande a emissão de notas fiscais de saída, exclusivamente, de prestação de serviços, não implica no direito de incluir o IPI do cômputo do saldo credor trimestral, ainda que na respectiva operação se constate o consumo de matériaprima, produtos intermediário e material de embalagem tributados pelo referido tributo de competência federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 650 a 678) interposto contra o Acórdão 0956.606, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG DRJ/JFA, na sessão de julgamento realizada em 06.02.2015 (fls. 624 a 644), que deferiu, em parte, a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, para reconhecer como saldo credor do trimestre a quantia de R$ 31.967,08. Tendo em vista que no Despacho Decisório já foi reconhecido ao contribuinte o saldo credor de R$ 25.377,56. Do Pedido de Ressarcimento O requerente, por meio dos "Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação" PER 25499.97146.230710.1.1.016035, referente ao 2º trimestre de 2010, calculado segundo o artigo 11 da Lei 9.779 de 19.01.1999, solicitou o ressarcimento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Vinculou ao citado ressarcimento, a Declaração Eletrônica de Compensação DCOMP 36971.26335.270710.1.3.016609 (fls. 02 a 36). Do Despacho Decisório Em face do referido pedido, foi exarado o despacho decisório Número de Rastreamento 024896128: (...) Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 66.587,94 Valor do crédito reconhecido: R$ 25.377,56 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13603.907146/201100 Acórdão n.º 3001000.054 S3C0T1 Fl. 684 3 Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 36971.26335.270710.1.3.016609 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 25499.97146.230710.1.1.016035 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/07/2012. PRINCIPAL MULTA JUROS 40.526,24 8.105,24 8.461,87 Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. (...) Da Manifestação de Inconformidade Diante da decisão supra, o contribuinte apresentou, em 07.08.2012, manifestação de inconformidade (fls. 38 a 54) para aduzir, para que se: a) reconhecesse o direito do manifestante de apurar e aproveitar os créditos de IPI, decorrentes de aquisições de insumos empregados na elaboração de produtos amparados pela imunidade fiscal, homologandose, integralmente, os Pedidos de Restituição/Compensações PERD/COMP's; ou noutra hipótese, para que se: b) determinasse a inclusão na base de cálculo do percentual da glosa, as Receitas de Serviços e as Receitas de Beneficiamento; Fl. 685DF CARF MF 4 c) estabelecesse o percentual da glosa com base somente nas Receitas do mesmo mês do crédito e não média dos meses anteriores, como foi efetuado; d) retificasse na planilha em que estão relacionados os valores totais dos créditos de IPI, para constar os valores do Livro de Apuração do IPI, referente aos meses de fevereiro e março de 2010; e) excluísse da glosa os créditos de IPI sobre a compra de papel comercial, que é empregado no processo produtivo de produtos não imunes, já que a Manifestante provou a aquisição de papel imune para a produção dos livros; e f) retificasse o valor do saldo devedor e acessórios (multa e juros), de acordo com as planilhas ora apresentadas, ou de acordo com novos cálculos que deveriam ser efetuados pela auditoria fiscal, com a observância das alíneas "b" a "e", supra. g) dentro do princípio do contraditório e da ampla defesa, se acatasse o pedido de deferimento de todos os meios de prova, especialmente a juntada de documentos, perícia contábil e outras provas que se fizessem necessárias à elucidação do feito. Para tanto, indicou assistente técnico para acompanhamento da perícia; requereu sua intimação da data e do local da realização dos trabalhos periciais e elaborou os seguintes quesitos: 1) Queira o D. Perito informar, se no desenvolvimento de suas atividades sociais, a Manifestante promove a industrialização de livros, revistas, periódicos, jornais e outras atividade contempladas pela imunidade fiscal, conforme a Constituição Federal? 2) Se positiva a resposta anterior, a Manifestante adquire matériaprima, produtos intermediário, material de embalagem tributados com o IPI e utilizados no processo produtivo de produtos imunes, gerando assim créditos de IPI? 3) As Receitas de Serviços e as Receitas de Beneficiamento foram incluídas na base de cálculo do percentual da glosa? 4) O percentual da glosa foi apurado mês a mês, de acordo com as receitas no mesmo mês do crédito? Ou, foi apurado pela média dos meses anteriores? Existe diferença entre estes dois métodos de apuração do percentual da glosa? 5) Existe divergência entre os valores consignados na planilha onde estão relacionados os valores totais dos créditos de IPI (elaborada pela Auditora Fiscal) e os valores lançados no Livro de Apuração de IPI, referentes aos meses de fevereiro e março de 2010? 6) A Impugnante adquire papel "linha d'água" (sem a tributação de IPI)? Se positiva a resposta, esse papel é declarado em DIF entregue à SRF, bem como consta do SINTEGRA? O referido papel é utilizado no processo produtivo de produtos imunes? 7) A D. Auditora incluiu na glosa os créditos de IPI decorrentes da aquisição de papel comercial utilizado no processo produtivo de produtos não imunes? 8) As planilhas apresentadas pela Manifestante anexas à Manifestação de Inconformidade, estão corretas? Se estão, qual é o valor real e correto da glosa? Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13603.907146/201100 Acórdão n.º 3001000.054 S3C0T1 Fl. 685 5 9) Caso o D. Perito não concorde com as planilhas apresentadas pela Manifestara (sic), queira retificar os cálculos apurados pela Ilustre Auditora, efetuandose as retificações e exclusões pertinentes. Do Despacho de Diligência da 1ª Instância Frente aos argumentos trazidos pelo contribuinte com a apresentação da manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/JFA, por entender que deveriam ser verificadas algumas questões específicas, encaminhou, por meio do Despacho 60 de 02.10.2013, os autos para a SAFIS/DRF/CONTAGEM/MG, para que fossem elucidadas as seguintes dúvidas (fls. 395 a 398): 1) se o contribuinte adquiria realmente papéis com imunidade de IPI e os empregava corretamente na elaboração de livros. Se verdadeira a afirmação do contribuinte nesse sentido, deveriam ser excluídas da proporcionalização prevista no artigo 3º da IN SRF 33 de 04.03.1999, as receitas decorrentes da venda de livros; 2) se de fato houve divergências na apuração de créditos, nos meses de fevereiro e março de 2010, entre o RAIPI e a planilha de cálculo elaborada pela fiscalização, adotandose, justificadamente, o valor correto a se considerar; 3) se houve eventual aproveitamento de créditos sobre receitas de prestação de serviços. Se quando do exercício de tal atividade foi empregado insumo sobre o qual incidiu o IPI, excluir o tributo do cômputo do saldo credor trimestral. Do Termo de Diligência da 1ª Instância Em atenção à solicitação supra, a DRF/CONMG procedeu à diligência requerida e elaborou o respectivo Termo de Diligência Fiscal (fls. 603 a 608). Do Aditamento da Manifestação de Inconformidade Cientificada do resultado da diligência fiscal, o contribuinte apresentou razões de defesa adicionais (fls. 609 a 621), em síntese, para: 1) alegar o direito ao crédito de IPI incidente sobre os insumos utilizados na confecção de livros, cuja saída esteja amparada pela imunidade tributária; 2) solicitar a inclusão de créditos de IPI sobre insumos utilizados na prestação de serviços; 3) solicitar a retificação do saldo devedor, valor principal mais os acessórios (multa e juros), de acordo com os novos cálculos que deverão ser efetuados pela auditoria; 4) ratificar, segundo os mesmos argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade, o pedido de deferimento de todos os meios de prova, especialmente a juntada de documentos, perícia contábil e outras provas que se fizerem necessárias à elucidação do feito. Da Decisão de 1ª Instância Fl. 687DF CARF MF 6 Sobreveio a decisão contida no voto condutor do referido acórdão vergastado, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão proferida pela autoridade administrativa na repartição de origem. Cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CRÉDITOS DE IPI. LEI Nº 9.779, DE 1999/IN SRF Nº 33, DE 1999. Tendo em vista o Preâmbulo da IN SRF nº 33, de 04/03/1999, que consignava regulamentação de matérias relativas ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, e aos arts. 178 e 179 do Decreto nº 2.637, de 25/06/1998 RIPI/1998, é de se concluir que o aproveitamento de créditos sobre insumos empregados em produtos tributados diz respeito ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, enquanto o aproveitamento de créditos sobre insumos empregados em produtos imunes é decorrência de regulamentação de incentivos fiscais à exportação tratados nos arts. 178 e 179 do RIPI/2002. Surge desta regulamentação a inserção da expressão “inclusive imunes” no art. 4º da IN SRF nº 33, de 1999. CRÉDITOS DE IPI. PRODUTOS NT. Não representa inovação à legislação do IPI o art. 4º da IN SRF nº 33, de 1999, pois a elaboração de produtos não tributados e de produtos originalmente imunes (livros, jornais e periódicos) não conferem direito ao crédito de IPI. IPI. ISQN. EXISTÊNCIA CONCOMITANTE. Não se deduz do fato de pagar ISSQN o pagamento obrigatório do IPI. Um não exclui o outro, mas não são necessariamente conseqüentes. Podese pagar ISSQN sem pagar o IPI. Aquele que apenas cumpre obrigações relativas ao ISSQN, como a emissão pura e simples de notas fiscais de prestação de serviços, é devedor do ISSQN, porém não é contribuinte do IPI, portanto, não faz jus a créditos do imposto nessas operações de prestação de serviços. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E INDUSTRIALIZAÇÃO. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços estarem catalogados na legislação específica como prestação de serviço. Basta que se caracterize a operação como de industrialização dentre as modalidades descritas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI), para que seja tomada a operação como de industrialização, pois a incidência do ISS não exclui a do IPI. Entretanto, a atividade econômica que demande a emissão de notas fiscais de saída, exclusivamente de prestação de serviços, não implica, ainda que se consuma na execução dos serviços ali discriminados, matériasprimas e produtos intermediários, o direito ao crédito de IPI. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 13603.907146/201100 Acórdão n.º 3001000.054 S3C0T1 Fl. 686 7 CRÉDITOS DE IPI. SEGREGAÇÃO. PRODUTO ISENTO. PRODUTO IMUNE. É lícita a separação entre os insumos utilizados em produtos imunes (não tributados) e produtos tributados, tomandose como referência o valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, conforme determina a legislação de regência. IN SRF nº 33, de 1999, art. 3º. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 ADI Nº 5, DE 2006 O dispositivo interpretativo não extrapolou normas, não foi além da atividade regimental da SRF. Tãosomente, usando das atribuições que lhe são próprias, a SRF afastou conclusões equivocadas que pareciam emergir do texto da IN SRF nº 33, de 1999. Não se criou norma contrária ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, ou ao texto constitucional. Com o ADI nº 5, de 2006, expedido pela autoridade superior da SRF, foi solucionada a interpretação conflitante com as normas legais vigentes, expressas em soluções de consulta, emanadas de unidades regionais da SRF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 LEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE. As discussões a respeito de legalidade ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos não serão travadas na esfera administrativa. Cumpre a função o Poder Judiciário, a quem a Constituição Federal atribuiu tal competência (art. 59 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2001). DILIGÊNCIA/PERÍCIA/FORMAÇÃO DE PROVAS. Quando a diligência requerida pela Delegacia de Julgamento e solucionada pela Delegacia da Receita Federal jurisdicionante do contribuinte foi suficiente para elucidar os pontos controversos encontrados no autos, tornando possível a análise da manifestação de inconformidade e, conseqüentemente, a solução do litígio, rejeitamse as petições pela formação de novas provas, perícia contábil, pois que elas não se mostram necessárias. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Do Recurso Voluntário Fl. 689DF CARF MF 8 Irresignado ainda com o feito, o requerente interpôs recurso voluntário, repisando, em essência, as razões trazidas na manifestação de inconformidade. Os tópicos a seguir transcritos confirmam a identidade dos argumentos, vejamos: (...) III.1 PRELIMINARMENTE DO INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL CERCEAMENTO DE DEFESA (...) III.2 NO MÉRITO (...) A DO DIREITO E RECONHECIMENTO DO CRÉDITO DE IPI IMUNIDADE FISCAL (...) B DO ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO Nº5, DE 2006 (...) C DA LEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS E ATOS NORMATIVOS (...) D DA IMPOSSIBILIDADE/ILEGALIDADE DE SEGREGAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES E PRODUTOS TRIBUTADOS (...) E DA IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (...) V DO PEDIDO Por todo o exposto, por tudo que dos autos constam e, ainda, pelos douto e valiosos subsídios que estes D. Conselheiros certamente trarão à espécie, requer a Recorrente, seja acolhida a preliminar arguida, para cassar o v. acórdão recorrido e determinar a realização de perícia contábil, ou noutra hipótese dar provimento ao presente Recurso Voluntário, para reconhecer o direito da Recorrente de aproveitar os créditos de IPI, relativos aos insumos (MP, PI e ME) utilizado na industrialização de produtos imunes, bem como, na prestação de serviços. Reconhecendose, por conseguinte o crédito requerido no PER nº 25499.97146.230710.1.1.016035, homologandose a compensação apresentada no DCOMP 36971.26335.270710.1.3.016609. Tudo de conformidade com a Manifestação de Inconformidade que foi apresentada e as razões recursais aqui expostas. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 13603.907146/201100 Acórdão n.º 3001000.054 S3C0T1 Fl. 687 9 É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme depreendese do carimbo aposto na petição em análise, foi protocolado na DRF/CONMG em 31.03.2015. O contribuinte, conforme Termo de Abertura de Documento (fl. 647), acessou o Acórdão de Manifestação de Inconformidade em 04.03.2015. Portanto, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Prolegômeno O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3001000.046 de 30 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 13603.907138/201155, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.046): "Pedido de Perícia Contábil Do Indeferimento da prova pericial cerceamento de defesa Quanto à realização de perícia contábil para elucidação de fatos, não há dúvida de que o ordenamento jurídico brasileiro, a começar pela Constituição Federal de 1988, consagra o respeito ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, aos litigantes em processo judicial ou administrativo. Isso não significa, entretanto, que toda e qualquer diligência requerida pela parte deva ser automaticamente deferida pelo julgador. A primeira questão a ser analisada diz respeito à nulidade da decisão recorrida alegada pelo fato de ter sido denegada a perícia solicitada. As regras sobre nulidades, no Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), estão contidas basicamente em três artigos, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 691DF CARF MF 10 §2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Depreendese que as nulidades absolutas se cingem aos atos com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa. De outra sorte, é de se aplicar o princípio da salvabilidade do processo por medida de economia processual e, por conseguinte, com vantagem ao Erário e ao administrado. No caso vertente, o recorrente pleiteou que fosse realizada perícia, formulando quesitos e indicando assistente técnica, para que fossem verificados “in locu”, os seus produtos industrializados, a fim de demonstrar que se tratavam de produtos industrializados e por ela desenvolvidos sob encomenda de seus clientes. Como a decisão da 3ª Turma da DRJ/JFA entendera prescindível a realização desta providência, por entender que as amostras a que tivera acesso já lhe forneciam os elementos probatórios suficientes à formação da convicção, houve por bem em indeferir sua realização. Diante desta negativa de produzir a prova requerida, o recorrente então arguiu a nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de a perícia por ela solicitada haver sido denegada pela autoridade a quo, ocasionando cerceamento de direito de defesa. Ocorre que o deferimento de perícia solicitada pela contribuinte é ato discricionário da autoridade julgadora que poderá indeferila por considerála desnecessária ou prescindível, já que no processo constam todos os elementos necessários para a formação da sua livre convicção de julgador, conforme o artigo 18 do PAF, a seguir transcrito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferido as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). Assim sendo, não pode ser declarada a nulidade da decisão recorrida, eis que a decisão recorrida fundamentou o indeferimento na prescindibilidade da prova solicitada. E, nesse sentido, já adentrando no requerimento de produção de prova pericial (contábil) ou de conversão do julgamento em diligência, do mesmo modo e pelos mesmos fundamentos adotados pela decisão recorrida, igualmente se entende não seja o caso de renovar a instrução probatória nesses autos, eis que os elementos aqui já colacionados, e que são incontroversos quanto a fatos, já permitem a formação da convicção do julgamento Fl. 692DF CARF MF Processo nº 13603.907146/201100 Acórdão n.º 3001000.054 S3C0T1 Fl. 688 11 em torno das matérias de direito que dos fatos decorrem, pelo que igualmente se indefere tais requerimentos, na certeza que ao assim agir inexiste violação de qualquer direito constitucionalmente assegurado, pois, na espécie não há qualquer questão fática (técnico contábil) que mereça ser dirimida por diligência, mesmo porque aquela que eventualmente poderia suscitar dúvida para este julgador já foi objetivamente elucidada pela instância a quo, ao exarar, em 02.10.2013, o Despacho 52. Rejeito, portanto, o pedido de diligência para a realização de perícia contábil. Do Mérito Do direito e reconhecimento do crédito de IPI imunidade fiscal; Do Ato Declaratório Interpretativo 5 de 2006; e Da impossibilidade/ilegalidade de segregação de produtos imunes e produtos tributados Em síntese, sustenta a recorrente ser improcedente a glosa dos créditos de IPI, referentes aos insumos utilizados na fabricação de produtos imunes. Entende que a imunidade se acha inserida nas situações contempladas com o aproveitamento de crédito acumulado do IPI. Argumenta que o princípio da não cumulatividade impõe a necessidade de manutenção do crédito de IPI na hipótese de operação de saída imune, até para que a própria imunidade não perca a sua finalidade, também, desonerativa. Portanto, conclui que tem direito ao aproveitamento do crédito de IPI oriundos da aquisição de MP, PI e ME, utilizados na industrialização de produtos imunes, razão pela qual requer seja dado provimento ao recurso, para reconhecer seu direito de apurar e aproveitar os créditos de IPI em questão. Neste sentido, aduz que a segregação efetuada pela fiscalização e acatada pelo acórdão recorrido não é legal e nem está correta, vez que afasta o direito creditório que faz jus, em relação ao IPI dos insumos utilizados na industrialização de produtos imunes. Entendeu a autoridade fiscal pela necessidade de estorno de créditos de IPI calculados sobre insumos aplicados na industrialização de produtos com saídas não tributadas (“NT”), em conformidade com o artigo 193 do RIPI/2002 (art. 25, § 3º da Lei 4.502 de 30.11.1964, art. 2º do Decretolei 34 de 18.11.1966, com alteração pelo art. 12 a Lei 7.798 de 10.07.1989, e art. 11 da Lei 9.779 de 19.01.1999). O artigo 193 do Decreto 4.544 de 26.12.2002 dispõe que "Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I relativo a MP, PI e ME, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados". Ademais, a questão é tratada pela Súmula CARF 20, que dispõe nos seguintes termos: Súmula CARF nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Como visto antes, a recorrente argumenta que em virtude de os produtos por ela confeccionados não serem “nãotributados”, mas imunes, em decorrência da imunidade objetiva contida na alínea "d" do inciso VI do artigo 150 da Constituição de 1988, referente à Fl. 693DF CARF MF 12 imunidade de livros, jornais, periódicos e do papel destinado à sua impressão, seria possível à manutenção dos referidos créditos. De fato, ao disciplinar o creditamento em relação a insumos utilizados na produção, o artigo 11 da Lei 9.799 de 1999 garantiu o direito a crédito para saídas de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, nada dispondo, no entanto, a respeito da imunidade: Lei 9.779/1999 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. A Instrução Normativa SRF 33 de 04.03.1999, por seu turno, tratou expressamente da possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos a serem aplicados na industrialização de produtos, "(...) inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero" a partir de 1º de janeiro de 1999. Observese que a Receita Federal do Brasil, quase dez anos depois da edição das normas acima transcritas, publicou o Ato Declaratório Interpretativo 6/2008, esclarecendo que o artigo 11 da Lei 9.779 de 1999 não se aplica aos produtos: (i) com a notação “NT” na TIPI, e (ii) aparados por imunidade. Aponta, ainda, o preceptivo, para a exceção: aqueles produtos abrangidos por imunidade técnica, i.e., destinados à exportação, o que não poderia ser diferente, pois a legislação do IPI sempre concedeu, na qualidade de créditos incentivados, o direito dos exportadores de produtos tributados, desonerados do imposto pela imunidade prevista no inciso IV do parágrafo 3º do artigo 153 da CF de 1988, de se creditar do IPI pago na aquisição dos insumos empregados na fabricação dos produtos exportados e, no caso do montante de tais créditos excederem os débitos do imposto, possibilitar o ressarcimento de tal incentivo. Por este motivo, em 18.04.2006, foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo SRF 5/2006, que dispôs no seguinte sentido: Ato Declaratório Interpretativo SRF 5/2006 Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Fl. 694DF CARF MF Processo nº 13603.907146/201100 Acórdão n.º 3001000.054 S3C0T1 Fl. 689 13 Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Não se trata o presente caso, de processo de fabricação de produto com imunidade técnica, destinado à exportação, e muito menos de IPI incidente sobre saída de produto imune, mas, como se esclareceu acima, da possibilidade de creditamento na escrita fiscal sobre insumo destinado a produto imune, o que remete à necessidade de se interpretar e aplicar o artigo 11 da Lei 9.779 de 1999. No sentido de uma aplicação não extensiva da norma em apreço, o quanto decidido no Recurso Especial 1.015.855/SP, de relatoria do Ministro José Delgado, publicado em 30.04.2008: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. PRETENSÃO DE APROVEITAMENTO DE VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, INSUMOS E MATERIAIS DE EMBALAGENS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, IMUNES, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PREVISÃO LEGAL QUE CONTEMPLA SOMENTE OS PRODUTOS FINAIS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. ART. 11 DA LEI 9.779/99. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. ARTS. 150, I, CF/88 E 97 DO CTN. INTERPRETAÇÃO LITERAL. ART. 111 DO CTN. ART. 49 DO CTN E ART. 153, IV, § 3º, DA CF/88. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. DL 20.910/32. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCIDÊNCIA. 1. A impetrante/recorrente, pessoa jurídica de direito privado, tem por objeto social a fabricação e comercialização de calçados e suas partes, peças e componentes, assim como de artigos de vestuário em geral e a prestação de serviços industriais nos dois ramos. Impetrou mandado de segurança com vistas ao aproveitamento (pedido de compensação com tributos de espécies distintas administrados pela Secretaria da Receita Federal, com atualização monetária e juros) do valor pago, a título de IPI, na aquisição de matériasprimas, insumos e materiais de embalagens utilizados na industrialização de produtos finais isentos, sujeitos à alíquota zero, nãotributados ou imunes. Fl. 695DF CARF MF 14 2. O apelo não merece ser conhecido em relação à alegação de violação dos arts. 165, I, 168, I, 156, VII, e 150, §§ 1º e 2º, do CTN, pois não estão prequestionados, não tendo sido debatidos nem recebido juízo decisório pelo Tribunal a quo, situação que atrai a incidência da Súmula 282/STF. 3. O aresto recorrido entendeu que não se extrai da hipótese legal (art. 11 da Lei 9.779/99) o direito ao creditamento quando o produto final for imune ou nãotributado, mas apenas quando isento ou tributado à alíquota zero. Ao final, concluiu pelo não provimento da apelação da contribuinte. 4. O art. 11 da Lei 9.779/99 prevê duas hipóteses para o creditamento do IPI: quando o produto final for isento ou tributado à alíquota zero. Os casos de nãotributação e imunidade estão fora do alcance da norma, sendo vedada a sua interpretação extensiva. 5. O princípio da legalidade, insculpido no texto constitucional, exalta que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, II). No campo tributário significa que nenhum tributo pode ser criado, extinto, aumentado ou reduzido sem que o seja por lei (art. 150, I, CF/88 e 97 do CTN). É o princípio da legalidade estrita. Igual pensamento pode ser atribuído a benefício concedido ao contribuinte, como no presente caso. Não estando inscrito na regra beneficiadora que na saída dos produtos nãotributados ou imunes podem ser aproveitados os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte nesse aspecto, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. 6. O direito tributário, dado o seu caráter excepcional, porque consiste em ingerência no patrimônio do contribuinte, não pode ter seu campo de aplicação estendido, pois todo o processo de interpretação e integração da norma tem seus limites fixados pela legalidade. 7. A interpretação extensiva não pode ser empregada porquanto destinase a permitir a aplicação de uma norma a circunstâncias, fatos e situações que não estão previstos, por entender que a lei teria dito menos do que gostaria. A hipótese dos autos, quanto à pretensão relativa ao aproveitamento de créditos de IPI em relação a produtos finais nãotributados ou imunes, está fora do alcance expresso da lei regedora, não se podendo concluir que o legislador a tenha querido contemplar. 8. A questão relativa à ofensa ao art. 49 do CTN, referente ao direito de aproveitamento integral dos créditos de IPI, conforme defendido pela empresa, não fica dissociada do exame do princípio da nãocumulatividade (art. 153, IV, § 3º da CF/88), impedindo o seu exame nesta via excepcional. 9. Considerando o pedido do mandamus e o teor do art. 11 da Lei 9.779/99, temse a possibilidade de se reconhecer o direito da contribuinte ao aproveitamento de créditos de IPI gerados a partir da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. Observandose a data da impetração (08/01/2004) e a prescrição quinquenal (aplicação do Decreto Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13603.907146/201100 Acórdão n.º 3001000.054 S3C0T1 Fl. 690 15 20.910/32), poderão ser aproveitados os créditos adquiridos desde a data de 08/01/1999. 10. Os posicionamentos do STJ e do STF alinhamse no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. É reconhecida somente quando o aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude de resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco, o que se verifica no caso dos autos. Deve ser determinada, portanto, a incidência da Taxa Selic, que engloba atualização monetária e juros, sobre os créditos da recorrente que não puderam ser aproveitados oportunamente. 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para reconhecer, tãosomente, o direito da contribuinte à utilização dos créditos de IPI adquiridos entre 08/01/1999 e 08/01/2004 em razão da industrialização de produtos finais isentos ou tributados à alíquota zero. (grifei). Assim, a nãocumulatividade do IPI deve ser interpretada de maneira a açambarcar o inciso II do parágrafo 3º da Constituição da República, o artigo 49 do Código Tributário Nacional ecoado pelo artigo 81 do RIPI aprovado pelo Decreto 87.981 de 23.12.1982, e cujo artigo 103 trata especificamente do método e o uso do creditamento deste imposto, o que evidencia a existência de toda uma legislação própria para o IPI, que cuida do tratamento a ser dispensado aos créditos desse tributo escriturados pelo contribuinte em seus livros fiscais, no que concerne à sua apuração, aproveitamento e utilização. Não é outra a interpretação do Acórdão 3401003.313, proferido na sessão de 25.01.2017, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, no qual se decidiu, em votação unânime de seus membros, no sentido da ementa abaixo transcrita: Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO DE IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS IMUNES EM RAZÃO DO ART. 150, INCISO VI, alínea “d” da CF. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. A aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos cuja imunidade decorra do art. 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal (livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão) não gera crédito de IPI, em face de a previsão para manutenção de créditos prevista no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 alcançar apenas insumos utilizados na industrialização de produtos isentos, tributados à alíquota zero e imunes, caso a imunidade decorra de exportação. Recurso Voluntário Negado. No mesmo sentido, a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, em conformidade com o Acórdão CSRF 9303004.581, proferido na sessão de 24.01.2008, de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, cuja ementa abaixo se transcreve: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 697DF CARF MF 16 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A possibilidade de manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos de IPI incidente nas aquisições de insumos destinados à industrialização de produtos, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, não se estende às pessoas jurídicas não contribuintes do imposto, produtoras de mercadorias classificadas como não tributadas NT. (Súmula CARF nº 20) Assim, não procedem os argumentos trazidos no recurso voluntário, neste particular. Da ilegalidade/inconstitucionalidade de leis e atos normativos Entende o recorrente que a declaração de invalidade de um ato administrativo ilegítimo ou ilegal, pode ser feita tanto pela própria Administração Pública, quanto pelo Poder Judiciário; afirma que em obediência aos princípios da legalidade, da moralidade e da probidade administrativa cabe à Administração Pública invalidar ou anular seus próprios atos, inclusive se utilizando de seu poder de autotutela. Por fim, espera que os textos doutrinários e decisões judiciais citadas ou colacionadas na manifestação de inconformidade sirvam subsídios para a decisão administrativa. Sem delongas, a teor do disposto no artigo 26A do Decreto 70.235 de 06.03.1972, recepcionado pela ordem constitucional vigente com força de lei, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos relacionados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13603.907146/201100 Acórdão n.º 3001000.054 S3C0T1 Fl. 691 17 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. No mesmo sentido é o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Desse modo, não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de normativos legais, mediante afastamento de sua aplicação, mesmo que existam doutrinas e/ou julgados que respaldem a tese esposada na peça recursal, ainda mais quando se constata que tais decisões não se enquadram nos termos prescritos no inciso I do parágrafo 6º, antes reproduzidos. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 699DF CARF MF 18 Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem as conclusões contidas no despacho decisório sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Ademais, toda essa argumentação retórica a que recorreu o contribuinte, no sentido de que ao julgador administrativo compete envidar interpretação constitucional ao dispositivo impugnado, deixa evidente que seu intuito é ver afastada a aplicação das normas que regulam o ressarcimento do IPI com base no fundamento de que elas estão em desconformidade com a Carta da República, o que é expressamente vedado ao julgador administrativo de segunda instância não somente pelo artigo 26A do Decreto 70.235 de 1972, mas também pela Súmula CARF 2 e por força do RICARF. Da improcedência da glosa do crédito de IPI sobre insumos utilizados na prestação de serviços O recorrente, argumentando que para executar os serviços discriminados notas fiscais de saída, emitidas exclusivamente para documentar a prestação dos referidos serviços, creditouse do IPI referente à aquisição de insumos empregados na prestação de serviços nelas discriminados, que foram realizados sob encomenda de terceiros. Alega que o produto gráfico pode ser faturado através de nota fiscal de venda ou de serviço, importando apenas, para definir qual o tipo de documentário fiscal a ser utilizado, sua finalidade. Ou seja, se é para acobertar a saída de produtos destinados à comercialização pelo encomendante, circunstância em que incide o ICMS, ou se é para saída de produtos para uso e consumo do encomendante, ocasião em que incide o ISS; sustenta este entendimento pois concluiu que para obter o produto gráfico final, em ambas as situações, a gráfica se utiliza da mesma matéria prima, material de embalagem e produto intermediário, o que justifica o aproveitamento do crédito do IPI incidente, na entrada destes insumos. Como é cediço que o direito aos créditos básicos tem origem constitucional diante do princípio da não cumulatividade, entretanto, esse direito não é irrestrito como quer fazer crer o recorrente, sendo perfeitamente possível sua limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais para a sua utilização, tal como ocorre com vários outros direitos e garantias previstos no texto Constitucional. Os créditos do IPI são escriturados pelo beneficiário, à vista do documento que lhes confere legitimidade e o direito à sua utilização está subordinado ao cumprimento das condições para cada caso e das exigências previstas para sua escrituração, estabelecidas no regulamento. Em síntese, afirma o recorrente que a glosa efetuada sobre a prestação de serviços não procede, por estar em desacordo com a legislação vigente à época, bem como com a Solução de Consulta SRRF/6ªRF/DISIT 50 de 31.03.2003; pelo que requer o direito de aproveitamento dos créditos de IPI, referentes aos insumos utilizados na prestação de serviços (industrialização por encomenda). No tocante à referida solução de consulta, assiste razão o acórdão recorrido quando salienta que incorre em erro o pretendente, quando faz uso da consulta para tentar resolver dúvidas que não estão de acordo com a situação das glosas tratadas nos presentes autos. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13603.907146/201100 Acórdão n.º 3001000.054 S3C0T1 Fl. 692 19 Em face da clareza e didática dos argumentos tecidos pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, utilizados para justificar a manutenção das glosas fiscais acerca do tema ora em debate, peço licença para reproduzilos, em prestígio à objetividade. Pretendeu o contribuinte na consulta resolver dúvidas que não estão de acordo com a situação de glosa tratada nos autos. Entendeuse como tal e dirigiu a consulta como se realizasse industrialização por encomenda. O RIPI trata dessa matéria, porém a industrialização por encomenda tem conceituação diversa da simples encomenda feita por usuários finais, como é o caso de realização de encomendas de serviços gráficos personalizados. Na industrialização por encomenda de que trata o RIPI (art. 9º, inc. IV) há a equiparação do encomendande dos produtos porque se realizará a industrialização em outro estabelecimento que não o seu. No entanto, a caracterização da industrialização é completa: mandase fabricar o produto, com a remessa de insumos, moldes e matrizes. O encomendante posteriormente o revenderá ou o utilizará no seu processo produtivo como um estabelecimento industrial faz, com todas as características, direitos e obrigações de um estabelecimento industrial. No caso concreto, o “encomendante” é o utilizador dos serviços personalizados encomendados ao prestador de serviços. Não existe a figura nem do industrial (o executor da encomenda), nem do equiparado a industrial (o encomendante). Entretanto, diante de notas fiscais de saída, exclusivamente de prestação de serviços, o contribuinte, sob a justificativa que para executar os serviços ali discriminados, comprava matérias primas e produtos intermediários, pretende que sejam acatados créditos de IPI. Justifica o creditamento pelo fato de que a execução dos serviços exigia a aquisição de insumos e ainda que os realizava sob encomenda. Assim, o IPI incidente sobre esses insumos eram passíveis de escrituração e, conseqüentemente, de compor o saldo credor trimestral. Desse modo, não havia razão legal para a glosa realizada pela fiscalização. Ademais, tinha ao seu lado a Solução de Consulta nº 50, de 2002. As questões respondidas ao contribuinte na Solução de Consulta, excetuandose a parte relativa aos produtos imunes, não estão em desacordo com a posição oficial da Receita Federal. A uma, porque, na industrialização por encomenda, é possível o creditamento do IPI, embora no caso concreto não esteja assente esta condição. Não se trata de caso de industrialização por encomenda. A duas, pois que se entende ser possível exigir concomitantemente o ISSQN e o IPI, bastando, para tanto, que a atividade desempenhada possa ser definida como de industrialização, conforme preceitos do Regulamento do IPI. Nesse sentido, há a Solução de Consulta Interna nº 4, de 07/04/2003, em cuja ementa se dispõe: Incidência do IPI sobre serviços gráficos. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de quaisquer serviços Fl. 701DF CARF MF 20 estarem catalogados na lista anexa ao Decretolei nº 406, de 31 de dezembro de 1968, ou que foram ou venham a ser posteriormente incluídos, desde que se caracterize a operação como de industrialização dentre as modalidades descritas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI). A incidência do ISS não exclui a do IPI. Entretanto, em nenhum momento se previu na Solução de Consulta nº 50 ou na Solução de Consulta Interna nº 4 que notas fiscais de prestação de serviços correspondiam às notas fiscais de saída utilizadas por contribuintes do IPI, tais quais as discriminadas no Regulamento do IPI, como documentos ensejadores de direitos no tocante ao IPI, a exemplo do aproveitamento de créditos (as notas fiscais estão descritas nos arts. 323 a 365 do RIPI/2002). De modo diverso, na solução de consulta nº 50 ficou claro que o aproveitamento de créditos deveria ser realizado em conformidade com as normas expedidas pela SRF. Certamente, não só pela observação das normas expedidas pela SRF, mas por toda a legislação do IPI, que engloba as leis, os regulamentos, as instruções normativas, etc. Possuir direito demanda, antes de tudo, possuir obrigações, entre elas, a obediência a todas as determinações legais concernentes ao IPI: emissão de notas fiscais compatíveis com o destaque do tributo, escrituração do RAIPI, etc. Além disso, não se deduz do fato de pagar ISSQN o pagamento obrigatório do IPI. Um não exclui o outro, mas não são necessariamente conseqüentes. Podese pagar ISSQN sem pagar o IPI. Aquele que apenas cumpre obrigações relativas ao ISSQN, como a emissão pura e simples de notas fiscais de prestação de serviços, caso típico do manifestante, é devedor do ISSQN, porém não é contribuinte do IPI e não se comporta como tal. Portanto, não faz jus a créditos do imposto nessas operações de prestação de serviços. Assim, por adotar como razão de decidir, uma vez que compartilho com os fundamentos acima reproduzidos, concluo que não procedem os argumentos trazidos no recurso voluntário, igualmente neste particular. Da Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13603.907146/201100 Acórdão n.º 3001000.054 S3C0T1 Fl. 693 21 Fl. 703DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902165/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 65 /2 00 9- 95 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902165/200995 Acórdão n.º 1302002.480 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13851.902165/200995 Acórdão n.º 1302002.480 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13851.902165/200995 Acórdão n.º 1302002.480 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13851.902165/200995 Acórdão n.º 1302002.480 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13851.902165/200995 Acórdão n.º 1302002.480 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.724256/2012-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA PRESSUPÕE SIMILITUDE FÁTICA.
O enfoque que não demonstra o critério determinante da decisão recorrida e a ausência de similitude fática entre ela e os paradigmas apresentados não permite a caracterização da divergência necessária ao conhecimento do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-003.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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PASSIVO FICTÍCIO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FRIBARREIRAS AGRO INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA PRESSUPÕE SIMILITUDE FÁTICA. O enfoque que não demonstra o critério determinante da decisão recorrida e a ausência de similitude fática entre ela e os paradigmas apresentados não permite a caracterização da divergência necessária ao conhecimento do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 42 56 /2 01 2- 13 Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10530.724256/201213 Acórdão n.º 9101003.207 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de Autos de Infração (Efls. 3 ss.) cientificados à contribuinte em 25.08.2012 para a exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, relativos ao ano calendário 2008, juntamente com juros de mora e multa proporcional de 150%, diante da acusação fiscal de omissão de receitas por manutenção, no passivo, de obrigações já liquidadas ou não comprovadas (passivo fictício), com capitulacão no artigo 281 do Decreto n. 3000/99, conforme descrito no Termo de Verificação de Infração (Efls. 27 ss.), que apontou a ausência de produção de prova suficiente pela contribuinte. A contribuinte apresentou Impugnação (Efl. 212 ss.), sustentando que (i) deveria ter se realizado o arbitramento, uma vez que a fiscalização teria desqualificado a sua contabilidade, tomando com base as respostas à circularização de apenas quatro fornecedores para alcançar a conclusão de que haveria um passivo fictício; (ii) incorreção ao se tomar a receita enquanto lucro líquido, como se despesa não houvesse em sua atividade operacional; (iii) equívoco no registro contábil por parte da empresa com relação a quatros fornecedores, apresentando suas explicações; (iv) exclusão de financiamentos e outros pagamentos realizados em 2009; (v) imprestabilidade do lançamento por inobservância do regime trimestral; (v) falta de tipificação e motivação para aplicação da multa qualificada de 150%. Na sequência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador proferiu o acórdão n. 1532.607 (Efl. 779 ss.), julgando parcialmente procedente a impugnação, por unanimidade de votos, com revela a ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. OBRIGAÇÕES PAGAS. PRESUNÇÃO. PERÍODO DE COMPETÊNCIA. Só é cabível o lançamento tributário por omissão de receitas pela falta da baixa de obrigações pagas, se comprovado o antecedente da sua presunção, ou seja, se quantificados e comprovados os pagamentos de tais obrigações durante a ação fiscal com observância do período de competência. MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO. Cabível a redução da multa de ofício de 150% para 75% quando não resta comprovada a intenção dolosa de fraudar o Fisco Federal por parte da Contribuinte, visto que a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. AUTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DAS EGURIDADE SOCIAL Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10530.724256/201213 Acórdão n.º 9101003.207 CSRFT1 Fl. 4 3 COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos e no uso da competência atribuída pelo artigo 25, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), c/c a Portaria do MF n° 587, de 21 de dezembro de 2010: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação apresentada, para: no IRPJ, manter o valor original no montante de R$ 10.916,29 (dez mil, novecentos e dezesseis reais e vinte e nove centavos) e exonerar o valor original no montante de R$ 3.454.712,72 (três milhões, quatrocentos e cinquenta e quatro mil, setecentos e doze reais e setenta e dois centavos); na CSLL, manter o valor original no montante de R$ 6.089,86 (seis mil, oitenta e nove reais e oitenta e seis centavos) e exonerar o valor original no montante de R$ 1.243.696,58 (um milhão, duzentos e quarenta e três mil, seiscentos e noventa e seis reais e cinquenta e oito centavos); na COFINS, manter o valor original no montante de R$ 1.197,42 (um mil, cento e noventa e sete reais e quarenta e dois centavos) e exonerar o valor original no montante de R$ 1.054.177,80 (um milhão, cinquenta e quatro mil, cento e setenta e sete reais e oitenta centavos); e no PIS, manter o valor original no montante de R$ 259,44 (duzentos e cinquenta e nove reais e quarenta e quatro centavos), e exonerar o valor original no montante de R$ 228.868,07 (duzentos e vinte e oito mil, oitocentos e sessenta e oito reais e sete centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes inclusive a multa de ofício de 75%, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (…)” Para melhor compreensão dessa decisão, vale a transcrição de seus principais trechos, ao analisar, um a um, os argumentos veiculados na impugnação: “Da alegação de que a autoridade fiscal teria desqualificado, na realidade, a escrita fiscal por ter baseado os referidos lançamentos tributários em presunção levantada por amostragem consequente de circularização de apenas 4 (quatro) fornecedores ao invés de 44 (quarenta e quatro) e que por isso a autoridade fiscal deveria ter apurado as bases de cálculo pela sistemática do arbitratamento. Da leitura do referido já Termo de verificação Fiscal, de fls. 27 a 33, juntamente como das informações do PAF, concluise que não foi em momento nenhum aventada pela autoridade fiscal a desqualificação da escrita contábil da Contribuinte. Na realidade a autoridade fiscal utilizou sim a referida escrita fiscal, conforme afirmativa da própria Contribuinte em sua defesa, como segue: Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10530.724256/201213 Acórdão n.º 9101003.207 CSRFT1 Fl. 5 4 (…) Ademais, o simples fato da Contribuinte manter em sua escrituração contábil obrigações já pagas não implica na obrigatoriedade da consideração de sua escrita contábil como imprestável. Sendo assim, não acato esta alegação da Contribuinte. Da alegação de que a autoridade fiscal teria tratado como lucro tributável a receita omitida e apurado o IRPJ e a CSLL, diretamente sobre aquela ao invés de apurálos sobre o lucro Da observação dos autos de infração, de fls. 02 a 26, observase que por erro na apuração do quantum relativo aos tributos ali lançados, a autoridade fiscal não abateu a receita omitida apurada da base de cálculo negativa apurada pela Impugnante em sua DIPJ do anocalendário de 2008 (fls. 168 a 210), procedimento este que será implementado na apuração do IRPJ e da CSLL em momento oportuno. Da alegação de que a autoridade fiscal deveria ter apurado o IRPJ e a CSLL trimestralmente, e o PIS e a COFINS mensalmente, ao invés de anualmente conforme os lançamentos em epígrafe. Da observação dos autos de infração, de fls. 07, 11, 19 e 25, concluise que houve, novamente, erro na apuração da autoridade fiscal, ou seja, na realidade tais lançamentos se referem no IRPJ e na CSLL ao 4º trimestre do ano calendário de 2008, e na COFINS e no PIS, somente ao mês de dezembro do ano calendário de 2008. Logo, concluise que não houve apuração anual, conforme argui a Impugnante em sua alegação. Entretanto, em momento oportuno, esta autoridade julgadora deverá considerar, em sua apuração final, relativamente ao IRPJ e a CSLL somente os fatos geradores ocorridos durante o 4º trimestre do ano calendário de 2008. Já com relação à COFINS e ao PIS, esta autoridade julgadora deverá considerar, em sua apuração final, somente os fatos geradores ocorridos no mês de dezembro do ano calendário de 2008. Da alegação de que a presunção da omissão de receitas não poderia ser levantada sobre todos os títulos e sim somente sobre os títulos relativos aos 4 (quatro) fornecedores circularizados. Para que possa ocorrer lançamento tributário, referente a presunção de omissão de receitas devido a presença na escrituração contábil de obrigações já quitadas por meio de pagamento, é necessário que a autoridade fiscal comprove cabalmente o seu termo antecedente, ou seja, comprove que ocorreram tais pagamentos e quando estes efetivamente ocorreram. Tais pagamentos quantificados e suas datas definidas, resta, então, à autoridade fiscal intimar a Contribuinte a fazer prova em contrário de que suas respectivas obrigações (passivo) não teriam sido mantidas em sua escrituração contábil após o implement daqueles pagamentos, ou seja, de que tais obrigações teriam sido baixadas da contabilidade após os seus respectivos pagamentos. No presente caso, isto só ocorreu relativamente aos pagamentos levantados por meio das circularizações, de fls. 82 a 139. Sendo assim, só deverão ser levados em conta na apuração final dos tributos em lide, as obrigações dos fornecedores circularizados, ou seja, VITTA IMPLEMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA, BELMETAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, RENATO GONÇALVES e JOSÉ ANTÔNIO ALVES. Ainda em relação às informações relativas a tais circularizações, a Impugnante afirma que alguns pagamentos teriam ocorrido em anos calendário posteriores a 2008, seja por terem sido alvo de financiamentos; ou por terem Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10530.724256/201213 Acórdão n.º 9101003.207 CSRFT1 Fl. 6 5 havido pagamentos a prazo cujas prestações só teriam sido quitadas após 2008, ou porque algumas daquelas transações comerciais só teriam ocorrido em 2009 tendo, suas notas fiscais sido devolvidas (canceladas) para futuro envio de outras notas fiscais de mesmo valor no anocalendário de 2009. Analisados tais fatos, concluise que as seguintes obrigações pertencentes a tabela abaixo, relativas as circularizações supracitadas, deverão ser excluídas da apuração da receita omitida pelos motivos ali descritos: (…) Sendo assim, restam a ser apuradas as seguintes obrigações para as quais restaram comprovadas os seus pagamentos no 4º trimestre de 2008 confirmandose, desta forma, a presunção de omissão de receita no montante de valor de R$ 432.152,74, conforme determina parágrafo 3º, do Artigo 281, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999, como segue: (…) Cabe ressaltar que com relação às notas fiscais de nºs. 22047, 22048, 22049, 22050 e 22051, as quais a Contribuinte trás, aos autos, contrato de financiamento bancário para o pagamento de suas obrigações com o qual pretende fazer prova em contrário da presunção da omissão de receitas, esta autoridade fiscal julga que tais provas insuficientes, visto que estas provam que houve o pagamento de tais obrigações durante o 4º trimestre do ano calendário de 2008, e que as mesmas não foram baixadas da escrituração contábil da Contribuinte, admitindose assim a presunção da ocorrência de outros pagamentos ocorridos com recursos a margem da Contabilidade. Da multa qualificada de 150% Embora, no já relatado Termo de Verificação Fiscal a autoridade fiscal tenha se reportado ao inciso II, do art. 44 da Lei 9430/96, percebese que se referiu e ali transcreveu à redação do art. 44, revogado pela Lei 11.488/2007, o qual possuía a seguinte redação: (…) Entretanto a nova redação do referido artigo, presente nos autos de infração supracitados, e aqui transcritos, comprova que tal dispositivo não foi revogado, e sim teve sua redação alterada mantendo a mesma multa qualificada de 150% em seu inciso I, lido em conjunto com o seu § 1º, como segue: (…) Sendo assim é incabível a alegação de que a autoridade fiscal teria se utilizado de inciso I, o qual se reporta à multa de 50%. A Impugnante alega, também, que, por si só, a comprovação da presunção de omissão de receita não pode motivar a aplicação da multa qualificada de 150% e que a autoridade fiscal além de não descrever a conduta que demonstraria a intenção da Contribuinte de fraudar o fisco, não especificou uma das hipóteses citadas § 1º, do artigo supracitado, ou seja, sonegação, fraude ou conluio. Da leitura do Termo de verificação fiscal supracitado, juntamente com as outras informações trazidas ao PAF, concluise que tal multa qualificada foi aplicada com motivação exclusivamente na presunção legal da omissão de receitas objeto do referido auto de infração. Cabe ressaltar que já existe súmula vinculante do CARF a respeito deste tema, aqui transcrita, in verbis: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10530.724256/201213 Acórdão n.º 9101003.207 CSRFT1 Fl. 7 6 4.502/64. Sendo assim, acato a alegação da Contribuinte deixando de aplicar a qualificação da multa de 150% para aplicar a multa de ofício por não adimplemento da obrigação principal no percentual de 75%. Apuração do IRPJ Na apuração da base de cálculo do IRPJ do 4º trimestre do anocalendário de 2008, a omissão de receitas apurada no voto no valor original de R$ 423.152,74 deverá ser adicionada a base de cálculo negativa (prejuízo fiscal) do IRPJ informada na DIPJ do anocalendário de 2008 para o 4º trimestre no valor original de R$ 326.488,23, de fl. 198, perfazendo a nova base de cálculo antes da compensação de prejuízos fiscal de períodos anteriores de valor original de R$ 96.664,51. Após a compensação de tais prejuízos no montante de R$ 28.999,35 (30% de 96.664,51), resta a base de cálculo definitiva no montante de R$ 67.665,16. (…) AUTO DE INFRAÇÃO RELATIVO À CSLL, À COFINS E AO PIS Quanto aos autos de infração relativos à CSLL, à COFINS e ao PIS, uma vez que é decorrente de infrações detectadas na apuração do IRPJ, com base nos mesmos pressupostos fáticos, aplicase mutatis mutantis o que foi decidido quanto à exigência do IRPJ. Na apuração da base de cálculo do CSLL do 4º trimestre do anocalendário de 2008, a omissão de receitas apurada no voto no valor original de R$ 423.152,74 deverá ser adicionada a base de cálculo negativa do CSLL informada na DIPJ do anocalendário de 2008 para o 4º trimestre no valor original de R$ 326.488,23, de fl. 198, perfazendo a nova base de cálculo antes da compensação de bases de cálculo negativas de períodos anteriores de valor original de R$ 96.664,51. Após a compensação de tais bases de cálculo no montante de R$ 28.999,35 (30% de 96.664,51), resta a base de cálculo definitiva no montante de R$ 67.665,16. (…)” A Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento, no mesmo sentido, negou provimento ao recurso de ofício, como registrado na ementa do acórdão n. 1402002.292 (Efls. 817 ss.): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. A concretização da presunção de omissão de receitas por passivo fictício prescinde da demonstração de que as obrigações foram efetivamente quitadas antes do encerramento do período de apuração. PASSIVO FICTÍCIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A omissão de receita decorrente de passivo fictício ou não comprovado deve ser apurada com obediência ao regime de competência, tributandose a irregularidade no período de apuração em que foi quitada a operação que lhe deu origem. PRESUNÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Não cabe a imputação da multa qualificada na apuração da exigência com base em presunção legal se não indicados fatos específicos caracterizadores do dolo. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2008 Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10530.724256/201213 Acórdão n.º 9101003.207 CSRFT1 Fl. 8 7 CSLL. AUTUAÇCSLL. AUTUAÇÃO REFLEXA. Tratandose de lançamento tido como reflexo, aplicase o resultado do julgamento da autuação tida como principal. PIS. COFINS. FATO GERADOR MENSAL. A contribuição ao PIS e a Cofins têm fato gerador mensal e mostrase equivocada a formalização da exigência de forma consolidada no último mês do período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator.” A Fazenda Nacional então interpôs recurso especial (Efls. 824 ss.), aduzindo que enquanto o acórdão recorrido teria entendido que neste caso não se aplicaria a presunção prevista no art. 281 do RIR, cabendo a fiscalização comprovar a data do pagamento da obrigação mantida no passivo, os paradigmas apresentados (acórdãos n. 105 14.002 e 10807.328) teriam compreendido caber ao contribuinte provar a data da liquidação das obrigações mantidas indevidamente no passivo. Ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi dado seguimento por despacho de admissibilidade (Efls. 894 ss.) que compreendeu que os acórdãos paradigmas trariam o entendimento de que a falta de comprovação de obrigações escrituradas impediria a verificação de sua quitação no exercício subseqüente e ensejaria a aplicação da presunção de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova. Portanto, cabendolhe provar a data da liquidação das obrigações mantidas indevidamente no passivo. De outro turno, o acórdão recorrido viria considerar que a omissão de receita decorrente de passivo fictício ou não comprovado deveria ser apurada com obediência ao regime de competência, tributandose a irregularidade no período de apuração em que foi quitada a operação que lhe deu origem. Assim, não se aplicaria a presunção prevista no art. 281 do RIR, cabendo a fiscalização comprovar a data do pagamento da obrigação mantida no passivo, restando, assim, configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. Por sua vez, a contribuinte ofereceu contrarrazões (Efls. 904 ss.), primeiramente apontando a ausência de divergência entre os acórdãos recorrido e paradigmas, “porque não se trata propriamento de definir se a presunção corre contra ou a favor do Fisco ou do contribuinte – tal com o Recurso Especial pretende apresentar a questão, de maneira linear e irreal – mas de identificar em que medida e em quais momentos recai o ônus da prova ao Fisco e ao contribuine, levando em conta a modalidade de passivo fictício apurado em cada caso, justamente porque cada modalidade envolverá tipos de provas diferentes!” Esclareceuse que o cancelamento do lançamento de IRPJ e CSLL teria ocorrido com referência aos três primeiros trimestres de 2008 e da Contribuição ao PIS e Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10530.724256/201213 Acórdão n.º 9101003.207 CSRFT1 Fl. 9 8 COFINS de janeiro a novembro de 2008 com fundamento no erro na consolidação dos períodos de apuração, matéria esta que não teria sido objeto de recurso pela PGFN, de modo que a lide se restringiria aos últimos trimestre e mês de 2008, repectivamente. Sustentouse, também, a ausência de similitude fáctica entre as situações subjacentes aos acórdãos recorrido e paradigmas, casos em que se estaria tratando de empréstimos entre empresas do mesmo grupo e da realizaçao de adiantamentos fictícios a clientes, que não se confundiriam com o objeto da autação, baseado na alegação de que os títulos de crédito teriam sido mantidos no passivo mesmo depois de terem sido pagos. Relativamente ao mérito, a contribuinte postula a manutenção da decisão a quo, no sentido de que não se dispensaria a apresentação pelo Fisco da prova indiciária de que depende a aplicação da presunção legal de omissão de receita. Passase, então, à apreciação do recurso. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, (1) na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10530.724256/201213 Acórdão n.º 9101003.207 CSRFT1 Fl. 10 9 (i) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (ii) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; (iii) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; ou (2) de sua interposição, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Voltandose ao caso concreto, de pronto observase a impossibilidade de se configurar a divergência necessária ao conhecimento do recurso especial, uma vez que, em suas razões, a recorrente imputa ao acórdão recorrido o julgamento de uma questão de ônus probatório da omissão de receitas, em relação à qual apresenta os respectivos paradigmas, mas que não foi o verdadeiro objeto do julgado. Como se observa na leitura do acórdão recorrido, o qual traz em sua integralidade no que se refere à cobrança principal, a desconstituição do crédito tributário – assim como já decidido pela DRJ – teve como motivação uma questão temporal, e não de ônus probatório com induz a recorrente. Tanto foi assim que, por essa razão temporal, se restringiu o período da autação, o que não foi contestado especificamente pela Fazenda Nacional – o que inclusive a contribuinte requer que se torne matéria incontroversa. Veja se as razões do acórdão recorrido: “Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O acórdão recorrido não merece qualquer reparo. De fato, a autoridade lançadora deu à presunção legal uma alcance muito acima do permitido pelo ordenamento. A norma estabelece que presumese como decorrente de omissão de receitas os valores mantidos em conta de passivo referentes a operações já liquidadas. Entretanto não autoriza que se presuma, como fez a Fiscalização de forma geral, que a ausência de documentos indicativa da quitação significaria que tal fato teria ocorrido dentro do ano calendário. Assim, a exigência só pode subsistir para aqueles valores que, mediante procedimento de circularização, demonstrouse que efetivamente foram quitados no próprio anocalendário. Mais ainda. Em termos genéricos, ao estabelecer a presunção legal de omissão de receita em função do passivo fictício ou não comprovado, o legislador tinha como escopo principal atingir situações nas quais a pessoa jurídica aufere ganhos tributáveis à margem da escrituração e esse procedimento gera um “rombo” no ativo circulante regularmente contabilizado, normalmente na conta Caixa. Para equilibrar o saldo, a pessoa jurídica debita no Caixa o valor necessário para o suprimento em contrapartida a um lançamento em conta de passivo, lançamento este obviamente sem lastro. Também norteou o legislador a situação de ocorrer a criação do passivo simplesmente para trazer, via débito do caixa, valores de receita obtidos á margem da escrituração. Sob essa ótica, o passivo fictício (ou não comprovado) vinculaase diretamente a uma irregularidade que lhe é anterior e praticada no mesmo período de apuração, caso contrário ele não se justificaria. Em outras palavras, como é a praxe na escrituração da pessoa jurídica, o registro de valores em conta de passivo deve seguir o regime de competência, seja esse passivo caracterizado Fl. 943DF CARF MF Processo nº 10530.724256/201213 Acórdão n.º 9101003.207 CSRFT1 Fl. 11 10 como fictício, não comprovado ou regular Tratandose de apuração trimestral, os períodos são estanques. Se a Fiscalização formalizou a exigência para o 4º trimestre de 2008, apenas as obrigações quitadas nesse trimestre podem ser objeto de verificação quanto à possível ocorrência de passive fictício, o que se aplica também à CSLL. No caso das contribuições ao PIS e à Cofins, a autoridade lançadora cometeu o equívoco de consolidar os valores em dezembro, sem atentar que o fato gerador é mensal. Assim, a aplicação do raciocínio supra explanado implica em considerar apenas as operações quitadas em dezembro do anocalendário.” No entanto, a Fazenda Nacional aduziu em seu recurso especial que enquanto o acórdão recorrido teria entendido que neste caso não se aplicaria a presunção prevista no art. 281 do RIR, cabendo a fiscalização comprovar a data do pagamento da obrigação mantida no passivo, os paradigmas apresentados (acórdãos n. 10514.002 e 108 07.328) teriam compreendido caber ao contribuinte provar a data da liquidação das obrigações mantidas indevidamente no passivo. Passandose aos paradigmas, além de se entender que os votos teriam conteúdos diversos, pensase que, nestes casos específicos, também se estaria diante de situações fácticas diversas. No primeiro deles, acórdão n. 10514.002, isso é tudo o que há no voto sobre o passivo fictício: “No que se refere ao passivo fictício, estando os documentos exibidos pelo contribuinte (fls. 46 a 63) sem recibo e data de quitação, caberia à interessada o ônus de provar a efetiva data de pagamento, o que não logrou fazer. A informação de que a emitente das duplicatas faliu não exime a empresa autuada de comprovar quando efetivamente pagou, seja por cópia de cheque, ou de borderô bancário, ou por cópia dos registros da emitente, obtidos no Fórum, Nada disso fez a interessada, razão pela qual, face ao aqui exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso.” Já o acórdão n. 10807.328 trata da não comprovação de mútuo entre empresas ligadas, transcrevendose os trechos que cuidam do passivo fictício: “1 PASSIVO FICTÍCIO (anoscalendário de 1995 a 1997) 1.1. — Falta de comprovação das obrigações de mútuo registradas como acréscimos contábeis nas rubricas representativas de "empréstimos com empresas do grupo". Esta infração abrange os anoscalendário de 1995 a 1997 e está descrita a fls. 991, conforme letra "g" do citado relatório. Enquadramento legal no artigo 230 do RIR/94. 1.2. — Falta de comprovação das obrigações registradas como adiantamento de clientes, com ênfase para a reduzida receita do período. Esta infração abrange o anocalendário de 1997, tãosomente, e está descrita a fls. 985, letra "c" do referido relatório. Mesmo enquadramento legal do subitem anterior. (…) 1 PASSIVO FICTÍCIO Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10530.724256/201213 Acórdão n.º 9101003.207 CSRFT1 Fl. 12 11 Nas obrigações derivadas de "empréstimos com empresas do grupo", sustenta que a análise de seu Livro Razão seria suficiente para comprovar a exigibilidade de seu passivo, pois decorrente de contacorrente formada com empresas coligadas, sem que tenha havido, inclusive, a devida fiscalização nestas últimas. Silenciou, entretanto, quanto ao valor correspondente a adiantamento de clientes. Voto (...) Noutro giro, tomandose uma a uma as infrações acima perfiladas, alega a Recorrente, respectivamente, em síntese que se extrai de seus argumentos, que: 1 — PASSIVO FICTÍCIO Com relação ao Passivo Fictício Mútuo com as empresas Urgefarma, Roicy e R. N., o Fisco parte de presunção, a qual pode ser elidida pela análise do próprio Livro Razão acostado aos autos, bem como de documentação que foi oferecida à apreciação da fiscalização, mas que, em razão de seu enorme volume, não pôde ser trazida aos autos; acrescenta que as alegadas operações de mútuo podem ser comprovadas pela verificação da emissão de pagamento na contabilidade de uma empresa, correspondente ao recebimento na contabilidade de outra, ainda que algumas dessas operações não estejam firmadas em contrato, uma vez que pactuadas entre empresas coligadas (…) 1 PASSIVO FICTÍCIO A presunção "juris tantum" denominada de passivo fictício é aquela na qual ônus da prova da existência da obrigação registrada no passivo da contribuinte é do próprio contribuinte. À Fazenda Nacional basta exigir tal comprovação, sendo certo que nada, absolutamente nada, impede o contribuinte de trazer aos autos os documentos que corroborem a dívida registrada e a data de sua liquidação. No presente caso tratase da rubrica contábil de "adiantamento de clientes" e de "empréstimos de empresas do grupo". A recorrente faz alegações genéricas de que suas obrigações foram devidamente registradas e que a movimentação financeira corrobora os registros contábeis. Ocorre que para se elidir a presunção é necessário bem mais do que isso. Faz se necessário demonstrar a origem da dívida com contratos, transferência de recursos, liquidações, futuros contratos de vendas, no caso dos adiantamentos de clientes, ou seja, todos os elementos que subsidiem as atividades regulares da empresa, no caso os empréstimos e os adiantamentos realizados. Inexistente prova produzida pelo contribuinte, correto o lançamento a título de passivo fictício. As exigências pertinentes a este item abrangem os anoscalendário de 1995 a 1997 e os tributos IRPJ, CSL, PIS e COFINS. Para o anocalendário de 1995, especialmente, também o lançamento de IRF com base no artigo 44 da Lei 8.541/92, do qual trataremos em separado mais adiante. É de se destacar, por oportuno, que para o anocalendário de 1995 foi acolhida a preliminar de decadência no tocante ao PIS.” Nesse sentido, como já adiantado, a leitura dos votos dos acórdãos indicados como paradigmas permite se verificar, com maior clareza, tratarem de situações Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10530.724256/201213 Acórdão n.º 9101003.207 CSRFT1 Fl. 13 12 fáticas que não se assemelham àquela julgada pela decisão recorrida, motivo pelo qual impede o estabelecimento da divergência necessária ao conhecimento do recurso. Por essas razões, votase por NÃO CONHECER o Recurso Especial. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 946DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720268/2014-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
INEXISTÊNCIA DE IMPROPRIEDADE NO ACÓRDÃO. DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO INDEFERIDO. MANIFESTAÇÃO IMPROCEDENTE.
Considera-se improcedente a manifestação de inconformidade quando não há o reconhecimento de qualquer parcela do direito creditório pretendido.
AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN.
A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. AFASTAMENTO.
Considerando que no mérito, a decisão quanto à dedutibilidade da despesa com remuneração, é favorável à recorrente, a nulidade apontada não foi apreciada pela Turma Julgadora.
DESPESAS COM NATUREZA REMUNERATÓRIA. DEDUTIBILIDADE.
Os valores contabilizados como empréstimos, porém reclassificados pelo Fisco como despesas de natureza remuneratória para cobrança de penalidades relativas à falta de retenção de IRRF, são despesas operacionais dedutíveis na apuração do lucro real.
IRRF. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
Os valores de IRRF utilizados na dedução do imposto apurado, para determinação do saldo de imposto a pagar, devem ser comprovados mediante apresentação de comprovantes de retenção hábeis a permitir a restituição dos valores. A falta de apresentação de documentos comprobatórios das retenções enseja a glosa dos valores de IRRF utilizados indevidamente nas deduções.
IRRF. RENDIMENTOS REMETIDOS PARA SUCURSAIS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. DEDUTIBILIDADE.
É permitida a compensação do IRRF sobre os rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, coligada ou controlada domicíliada em paraísos fiscais ou países com tributação favorecida, enquadrados nas disposições do art. 24 da Lei nº 9.430/96, com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada domiciliada no Brasil, quando esses resultados forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica domiciliada no Brasil.
IRRF SOBRE RENDIMENTOS PAGOS A SUCURSAIS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. RETENÇÕES EFETUADAS POR TERCEIROS
O IRRF sobre os rendimentos pagos à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil pode ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil, não havendo distinção o entre IRRF retido pela própria matriz, controladora ou coligada no Brasil e o imposto retido por terceiros
IRRF. CORREÇÃO SELIC. IMPOSSIBILIDADE
Inexiste previsão legal para correção dos valores de Imposto de Renda Retidos na Fonte pela taxa Selic.
IRRF UTILIZADOS EM PERÍODOS ANTERIORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DIVERSA.
A falta de apresentação de documentos comprobatórios de que os valores compensados em 1999 e 2000 tiveram como origem remessas e IRRF diversos dos utilizados na compensação realizada em 2005, enseja a dedução desses valores do saldo disponível em 2005.
Numero da decisão: 1301-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior..
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO INDEFERIDO. MANIFESTAÇÃO IMPROCEDENTE. Considerase improcedente a manifestação de inconformidade quando não há o reconhecimento de qualquer parcela do direito creditório pretendido. AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. AFASTAMENTO. Considerando que no mérito, a decisão quanto à dedutibilidade da despesa com remuneração, é favorável à recorrente, a nulidade apontada não foi apreciada pela Turma Julgadora. DESPESAS COM NATUREZA REMUNERATÓRIA. DEDUTIBILIDADE. Os valores contabilizados como empréstimos, porém reclassificados pelo Fisco como despesas de natureza remuneratória para cobrança de penalidades relativas à falta de retenção de IRRF, são despesas operacionais dedutíveis na apuração do lucro real. IRRF. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 68 /2 01 4- 22 Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.047 2 Os valores de IRRF utilizados na dedução do imposto apurado, para determinação do saldo de imposto a pagar, devem ser comprovados mediante apresentação de comprovantes de retenção hábeis a permitir a restituição dos valores. A falta de apresentação de documentos comprobatórios das retenções enseja a glosa dos valores de IRRF utilizados indevidamente nas deduções. IRRF. RENDIMENTOS REMETIDOS PARA SUCURSAIS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. DEDUTIBILIDADE. É permitida a compensação do IRRF sobre os rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, coligada ou controlada domicíliada em paraísos fiscais ou países com tributação favorecida, enquadrados nas disposições do art. 24 da Lei nº 9.430/96, com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada domiciliada no Brasil, quando esses resultados forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica domiciliada no Brasil. IRRF SOBRE RENDIMENTOS PAGOS A SUCURSAIS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. RETENÇÕES EFETUADAS POR TERCEIROS O IRRF sobre os rendimentos pagos à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil pode ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil, não havendo distinção o entre IRRF retido pela própria matriz, controladora ou coligada no Brasil e o imposto retido por terceiros IRRF. CORREÇÃO SELIC. IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para correção dos valores de Imposto de Renda Retidos na Fonte pela taxa Selic. IRRF UTILIZADOS EM PERÍODOS ANTERIORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DIVERSA. A falta de apresentação de documentos comprobatórios de que os valores compensados em 1999 e 2000 tiveram como origem remessas e IRRF diversos dos utilizados na compensação realizada em 2005, enseja a dedução desses valores do saldo disponível em 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.048 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0438.331, proferido pela 2ª Turma da DRJ/CGE que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Trata o processo de manifestação de inconformidade de f. 1789 a 1821, contra o despacho decisório de fls. 1761 a 1779, que não reconheceu o direito creditório demonstrado no pedido de restituição 12057.68716.301210.1.2.048160, relativo a pagamento a maior do IRPJ relativo ao exercício 2006 e, por conseqüência, não homologou as compensações pleiteadas na declaração de compensação 17096.86909.300911.1.3.044487. Por bem descrever o direito creditório pleiteado, transcrevo os parágrafos 15 a 19 (fl. 1764) do despacho decisório: 15. O alegado pagamento a maior de IRPJ 5.859.646,33 seria decorrente da diferença entre o valor de R$ 36.826.718,32 relativo ao Imposto de Renda a Pagar apurado na Ficha 12B da DIPJ 2006 ORIGINAL às fls. 1.231 e o valor do Imposto de Renda a Pagar apurado na Ficha 12 B da DIPJ 2006 RETIFICADORA às fls. 72 de R$ 31.073.968,32, acrescido de juros SELIC para o pagamento efetuado em 24/03/2006 através do DARF de fls. 9495; (...) 16. Conforme resposta às intimações fiscais 49/2013 e 41/2014 às fls. 370 a diferença entre as DIPJ 2006 Original e Retificadora é a exclusão do valor de R$ 23.011.000,00 na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL e os reflexos na apuração do IRPJ e CSLL no ajuste anual; 17. A Exclusão referese a despesa de remuneração de pessoal em decorrência da descaracterização de contratos de mútuo efetuados entre o interessado e diversos funcionários, conforme Auto de Infração lavrado pela DEINF/SPO em 22/12/2010, processo 16327.001721/201074 às fls. 523/532, Termo de Verificação Fiscal às fls. 534/550 e DARF com o pagamento das penalidades lançadas de ofício às fls. 551/553; 18. A exclusão do valor de R$ 23.011.000,00 da apuração do Lucro Real às fls. 62 e da Base de Cálculo da CSLL às fls. 82 corresponde a totalidade dos pagamentos efetuados pelo interessado a empregados durante o ano de 2005, Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.049 4 conforme demonstrativo integrante do “Termo de Verificação Fiscal” às fls. 543/550; 19. Os pagamentos efetuados teriam sido contabilizados como operações de empréstimo aos empregados. O interessado apresentou roteiro contábil para o registro das operações de mútuo com os empregados às fls. 1164 e 1168. Pelo roteiro verificase que as operações de Mútuo foram registradas em contas do “Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo”, destacandose a conta de “IOF a Recolher” incidente sobre os empréstimos, pertencentes ao “Passivo Circulante e Exigível a Longo Prazo”; A razão do não reconhecimento do direito creditório consta dos parágrafos 21 a 26 do despacho decisório, fl. 1765 e, em síntese, decorre do não cumprimento do disposto na Lei 6.404, de 1976, art. 177, assim concluindo a autoridade fiscal: 26. Diante do exposto, em decorrência do não cumprimento dos requisitos legais relativos a escrituração contábil das despesas com pagamentos de empregados no ano de 2005 no valor de R$ 23.011.000,00, a exclusão deste valor do Lucro Real após a lavratura do Auto de Infração e a retificação da DIPJ 2006 não devem ser considerados para fins de apuração de crédito relativo a pagamento a maior do IRPJ. Demonstrou a autoridade fiscal ainda que, mesmo se procedente a retificação relativa a despesas, o cálculo correto das deduções do imposto e o imposto retido comprovado que atendessem às condicionantes legais para dedução não levariam à apuração do direito creditório pleiteado. A ciência do despacho decisório se deu em 20/06/2014, conforme aviso de recebimento postal de f. 1787, e a manifestação de inconformidade de fls. 1789 a 1821 foi protocolizada em 27/06/2014. A interessada articulou os seguintes argumentos em sua manifestação, que serão analisados detalhadamente no voto: i. Preliminarmente, a impossibilidade do Fisco verificar a certeza e liquidez do direito creditório quando isso dependa da análise da base de cálculo, montante do tributo, pagamentos, retenções e compensações ocorridos em períodos já atingidos pela decadência; ii. Propriedade da exclusão da despesa com remuneração de empregados contabilizada como operações de mútuo pelo regime de competência; iii Incoerências na demonstração do imposto de renda retido na fonte pela autoridade fiscal; iv Regularidade da compensação do imposto de renda retido por remessa de rendimentos para as sucursais nas Ilhas Cayman, em conformidade com os documentos analisados pela autoridade fiscal; v. Direito à correção do imposto retido pela aplicação da SELIC; vi. Impropriedade da glosa do imposto sobre remessas para o exterior em tese já compensado anteriormente, sem que tivesse sido intimada a prestar esclarecimentos. Fl. 2049DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.050 5 A interessada apresentou adendo à manifestação de inconformidade, para juntar o que identificou como comprovantes de rendimentos e retenção de imposto pela fonte pagadora Votorantim Asset Management DTVM Ltda. É o relatório. Ao apreciar a Manifestação de Inconformidade na sessão realizada em 27/01/2015, a 2ª Turma da DRJ/CGE a julgou improcedente, conforme acórdão nº 0438.331, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 ANÁLISE DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO A verificação da certeza e liquidez do indébito tributário, em sede de análise de do pleito do direito creditório, não está limitado ao prazo de cinco anos da apuração do imposto ou contribuição. PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Consideramse incorridas as despesas quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua propriedade para terceiro; pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo; ou pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. SUCURSAL EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA O imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país com tributação favorecida poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. CORREÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Por ausência de previsão legal, descabe a aplicação da taxa SELIC para corrigir o valor do imposto retido na fonte. IMPOSTO DE RENDA JÁ COMPENSADO Comprovado que as compensações excedem os valores de imposto de renda retido na fonte, compete ao contribuinte comprovar que a retenção se deu em valores suficientes para a compensação pretendida. Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.051 6 Cientificada do Acórdão DRJ/CGE nº 0438.331, em 24/02/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem às fls. 1.983, a recorrente apresentou, tempestivamente, em 25/03/2015, recurso voluntário (fls. 116 a 123) alegando em síntese: Impropriedade na ementa do acórdão recorrido pois a parte dispositiva do acórdão afirma que, no mérito, a turma julgou ser improcedente a manifestação de inconformidade, entretanto, a mesma foi parcialmente provida; A decadência do direito do Fisco de, a pretexto de verificar a existência de imposto a restituir/compensar, reabrir a análise de fatos ocorridos no ano de 2005; A despesa com remuneração de pessoal no valor de R$ 23.011.000,00, apurada em virtude da desqualificação pelo Fisco dos empréstimos concedidos a seus empregados no curso do anocalendário de 2005, são dedutíveis e foram corretamente aproveitadas pela recorrente; Apesar do despacho decisório ter ignorado o direito à dedutibilidade da despesa, sob o argumento de que a falta do registro dessas despesas coloca dúvidas sobre uma possível dedução em duplicidade das mesmas, o direito creditório da recorrente não pode ser negado com fundamento em questões meramente formais; Afirma que o acórdão recorrido não enfrentou as questões apontadas na manifestação de inconformidade e invocou o argumento de falta de atendimento ao princípio da competência na contabilização da despesa com empréstimos, todavia, o caso dos autos não se trata de baixa de ativos relacionados a empréstimos ou de provisão contabilizada para perda de ativos em razão das ações judiciais trabalhistas, mas sim de efetivo pagamento já realizado pela recorrente a título de remuneração a seus empregados; Aponta inconsistências entre os valores de IR retidos na fonte por pessoas jurídicas com os valores relacionados na tabela constante do despacho decisório, porém, a decisão recorrida não aceitou os documentos apresentados, sob o argumento de que os comprovantes não foram emitidos nos moldes da IN SRF nº 119/2000 e que os rendimentos não foram discriminados na DIRF pela fonte pagadora; Defende que os valores de IRRF sobre remessas para sucursais no exterior devem ser confirmados, mesmos nos casos em que a recorrente não remete os rendimentos diretamente para as sucursais nas Ilhas Cayman, mas sim para o Banco Safra em Nova Iorque. Esclarece que este tipo de operação é comum e que o Banco Safra em Nova Iorque não é o beneficiário, tendo atuado apenas como mero agente pagador/recebedor das transações realizadas fora do país, e que os rendimentos foram efetivamente destinados e creditados nas contas das sucursais Safra Cayman; Com relação aos valores de IRRF sobre remessas para sucursais no exterior não confirmados por terem sido retidos por terceiros, sustenta a recorrente que por ter arcado economicamente com o ônus do IRRF é indiferente que o imposto tenha sido retido na fonte por terceiros; Alega que apesar de ter anexado à manifestação de inconformidade novos documentos hábeis à comprovar a remessa de rendimentos ao exterior e a respectiva retenção de IRRF no montante adicional de R$ 331.676, 60, a documentação não foi analisada pela Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.052 7 decisão recorrida, não havendo sequer uma linha do despacho decisório que justifique a conduta da autoridade julgadora; Afirma que agiu corretamente ao corrigir pela taxa Selic o IRRF incidente sobre as remessas de rendimentos ao exterior ocorridas no período de 1998 a 2005, e que tal atualização, sem aumentar o verdadeiro valor do crédito, tem por objetivo tão somente preservar o poder de compra da moeda e evitar o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional; Relativamente à suposta compensação indevida de R$ 2.698.617,82 e R$ 787.182,19, nos anos de 1999 e 2000, alega que tais valores nada tem a ver com os valores de IRRF compensados no anocalendário de 2005, ou seja, não se tratam das mesmas operações ou do mesmo IRRF. Acrescenta que na intimação feita pelas autoridades fiscais não foi feito qualquer pedido de esclarecimentos ou prova de que o IRRF compensado em 1999 e 2000 referiase a operações/rendimentos diversos que não aqueles aproveitados em 2005. Ao final, requer a confirmação da possibilidade de aproveitamento da despesa com remuneração de pessoal no valor de R$ 23.011.000,00 e a dedutibilidade na base de cálculo do IRPJ do anocalendário de 2005, do IRRF por pessoas jurídicas, no valor de R$ 550.570, 01 e do IRRF sobre rendimentos remetidos às sucursais no exterior no montante de R$ 10.135.756,05, homologandose o crédito do pagamento indevido a maior de IRPJ , o pedido de restituição e a DCOMP, até o limite do direito creditório reconhecido. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. PRELIMINARES Consta do Despacho Decisório de 23/05/2014, emitido pela DEINF/SPO, que o pedido de restituição do pagamento a maior de IRPJ, no valor de R$ 5.859.646,33, realizado em 24/02/2006, relativo ao IRPJ devido em 31/12/2005, decorre da diferença entre o IRPJ devido na DIPJ/2006 original e o valor devido na DIPJ/2006 retificadora entregue em 30/12/2010. O pedido da recorrente foi indeferido, tendo em vista que o pagamento a maior não foi comprovado e, ao contrário, o valor do IRPJ a Pagar em 31/12/2005 é maior inclusive do que o valor declarado na DIPJ original, conforme valores abaixo demonstrados, extraídos do parágrafo 68 de Despacho Decisório: Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.053 8 O pedido da recorrente foi indeferido pois foram identificadas as seguintes irregularidades no cálculo do IRPJ a pagar: (i) exclusão indevida das despesas com pagamentos de salários no valor de R$ 23.011.000,00; (ii) dedução a maior a título do Programa de Alimentação do Trabalhador; (iii) valor do IRRF pago sobre pessoas jurídicas de direito privado não foi totalmente comprovado e (iv) valor do IR pago sobre lucros auferidos no exterior não foi totalmente comprovado, além de ter sido compensado e corrigido indevidamente. Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte admitiu o equívoco no cálculo da dedução do PAT e insurgiuse contra as demais irregularidades. A decisão recorrida reconheceu a necessidade de correção do demonstrativo acima transcrito, para retificar o demonstrativo fiscal no tocante ao imposto confirmado pela autoridade fiscal mas não considerado no demonstrativo (IRRF Cód. 6188, no valor de R$ 68.926,08) e a compensação do imposto recolhido pela interessada sob o código de receita 8045, no valor total de R$ 70.581,83. No recurso voluntário a recorrente insurgese contra a decisão recorrida alegando, inicialmente, que a parte dispositiva do acórdão afirma, impropriamente, que no mérito, a Turma julgadora considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Acrescenta que apesar da correção efetuada pelo aresto guerreado implique apenas na redução do suposto saldo de IRPJ a pagar, sem que existam valores em cobrança, a manifestação de inconformidade foi parcialmente provida. De fato, assiste razão à recorrente quando afirma que a correção efetuada pelo acórdão recorrido implicou apenas em redução do saldo de imposto a pagar apurado no despacho decisório, entretanto, tal alteração não teve nenhum reflexo favorável à apuração do direito creditório inicialmente pleiteado. Assim, considerando que não houve o reconhecimento de qualquer parcela do direito creditório pretendido, correta a decisão recorrida que considerou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Alega também a recorrente ter ocorrido a decadência do direito do Fisco de, a pretexto de verificar a existência de imposto a restituir/compensar, reabrir a análise de fatos ocorridos em períodos decaídos, sob o argumento de que não teriam sido comprovados os valores de IRRF aproveitados no ano de 2005. Acrescenta que o IRRF sobre remessas de rendimentos para sucursais no exterior aproveitado no anocalendário de 2005 referiase a imposto retido em diversos anoscalendário anteriores,no período de 1998 a 2005, e que deixar de considerar valores de IRRF aproveitados em período passado e alcançado pela decadência, equiparase a lançar valores naquele período. Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.054 9 A investigação da origem do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ apurado em 31/12/2005 e pago em 24/02/2006 tratase de análise não sujeita aos prazos decadenciais previstos no CTN. O prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º do art. 150 do CTN, para o tributos sujeitos aos lançamentos por homologação, aplicase às investigações em que a autoridade fiscal verifica a apuração efetuada pelo sujeito passivo e, discordando do tributo por ele apurado, constitui o lançamento de ofício. Na análise dos pedidos de ressarcimento/compensação, a investigação da autoridade fiscal tem por escopo verificar a certeza e liquidez do crédito tributário, requisito necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) O ônus da prova do direito creditório é do contribuinte, por outro lado, o Fisco tem o prazo de cinco anos, contados da data de entrega da Declaração de Compensação, conforme o § 4º, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, para promover a análise e homologar o crédito pleiteado pelo contribuinte, sob pena de ocorrer a homologação tácita Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) No caso concreto, a contribuinte foi cientificada do despacho decisório que promoveu a análise das declarações de compensação apresentadas em 30/09/2011, em 13/06/2014, conforme Termo de Ciência de Decurso de Prazo (fls. 1.786), ou seja, antes do prazo previsto para homologação tácita. Assim, procedeu corretamente a fiscalização ao verificar a certeza e liquidez do crédito e efetuar o ajustes necessários à correta apuração do valor a ser restituído/compensado. Nesse sentido, recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.CRÉDITO.COMPROVAÇÃO. Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.055 10 Tratandose de fato constitutivo de direito, cujo ônus da prova incumbe ao autor, em conformidade com o art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), e tendo em vista que a existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado são requisitos essenciais ao deferimento da restituição/compensação requerida, na forma do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), compete ao sujeito passivo, que dele pretende se beneficiar, a efetiva comprovação daquele crédito, não cabendo opor a esse ônus alegações de decadência ou de homologação tácita por parte do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. (Acórdão nº 9101002.548, Sessão de 07/02/2017) Em sede de memoriais a recorrente requer também a nulidade da decisão recorrida por preterição ao direito de defesa. Alega que a decisão recorrida inovou nos autos, afastando a fundamentação fático jurídica do Despacho Decisório e apontando nova fundamentação para negar a dedutibilidade da despesa. Considerando que no mérito, a decisão quanto à dedutibilidade da despesa com remuneração, no valor de R$ 23.011.000,00, é favorável à recorrente, a nulidade apontada não foi apreciada pela Turma Julgadora. DO MÉRITO Afirma a recorrente que o pagamento a maior de IRPJ no valor de R$ 5.859.646,33, efetuado em 24/02/2006, tem origem na diferença entre o IRPJ devido na DIPJ/2006 original (R$ 36.826.718,32) e o IRPJ devido na retificadora (R$ 31.073.968,32), acrescido de juros Selic. Essa diferença decorre apenas da exclusão do valor de R$ 23.011.000,00, referente a despesas com remuneração de pessoal, na apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL apurados em 31/12/2005 na declaração original. De acordo com a recorrente, referidas despesas foram contabilizadas em 2005 como operações de empréstimo aos seus empregados e não transitaram por contas de resultado, entretanto, tais pagamentos foram questionados na esfera trabalhista desencadeando a ação fiscal que ensejou a lavratura do auto de infração objeto do processo administrativo nº 16327.001721/201074. Defende que, em virtude da desqualificação pelo Fisco dos empréstimos concedidos a seus empregados no curso do anocalendário de 2005, as despesas com remuneração de pessoal no valor de R$ 23.011.000,00 são dedutíveis e foram corretamente aproveitadas pela recorrente na DIPJ/2006 retificadora. Consta do Termo de Verificação anexo auto de infração constante do processo 16327.001721/201074, e juntado ao presente processo às fls 533 a 550 as seguintes informações: Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.056 11 "(13 ) Da análise dos citados documentos foi possível constatar que, formalmente, houve a celebração de contratos de mútuo entre o fiscalizado e seus funcionários para a concessão de empréstimos, e que tais contratos estariam sujeitos às condições resolutiva e suspensiva, atípicas em operações financeiras de concessão de crédito; (14 ) Verificouse também que os pagamentos efetuados pela diligenciada foram realizados por conta e ordem do Banco Safra S/A, lastreados na forma de contratos de mútuo celebrados entre essa instituição financeira e seus funcionários, consoante se depreende da reposta, datada de 30.10.2009, ao quanto solicitado no item (2) do "Termo de Início de Diligência Fiscal", de 08.10.2009; II Dos efeitos tributários (15 ) A situação fática constatada revela a prática de simulação, definida como a aparência de um negócio jurídico diverso da realizada com o intuito de iludir terceiros, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que aparente; (16 ) Não obstante os contratos celebrados entre o Banco e seus funcionários tenham se revestido das formalidades de um contrato de empréstimo, fica clara a não correspondência entre a vontade real e a vontade declarada dos pactuantes, estando a intenção real vinculada ao caráter remuneratório presente nesses contratos;" O despacho decisório não considerou o pagamento a maior sob o argumento de que a falta do registro dessas despesas coloca dúvidas sobre uma possível dedução em duplicidade das mesmas, ou seja, a dedução do valor do Lucro Líquido no ano de 2005 e a exclusão do Lucro Real após a lavratura do Auto de Infração. Em sua manifestação de inconformidade e, novamente, no recurso voluntário alega que por tratarse de despesa efetivamente incorrida e reconhecida de ofício pelo Fisco, questões meramente formais não têm o condão de tornála indedutível, sob pena de afronta ao princípio da verdade material e à própria hipótese de incidência do imposto de renda. Acrescenta que não há dúvida de que a despesa não foi deduzida do lucro líquido em 2005, pois as operações de mútuo foram registradas em contas do ativo circulante e realizável a longo prazo, bem assim, que foram apresentados à autoridade fiscal esses registros contábeis e as cópias do LALUR relativos aos anoscalendário de 2005 a 2010. Ao final, pontua que o despacho decisório não afirmou que houve aproveitamento de despesa em duplicidade, nem apresentou qualquer indício que isso tivesse ocorrido, ao contrário, no quadro elaborado pela autoridade administrativa às fls. 1.777, deixa claro não ter sido glosada referida despesa. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração pelo lucro real devem manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais e efetuar o registro das despesas operacionais, nos termos dos arts. 251 e 277 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda RIR/99: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.057 12 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). Parágrafo único. A escrituração do contribuinte, cujas atividades compreendam a venda de bens ou serviços, deve discriminar o lucro bruto, as despesas operacionais e os demais resultados operacionais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 1º). No caso, consta que a contribuinte deixou de registrar a despesa com remuneração de pessoal, no valor de R$ 23.011.000,00, por entender tratarse de operação de mútuo com seus empregados, a assim efetuou o registro dos pagamentos em sua contabilidade, conforme documentos acostados aos autos às fls. 1.056 a 1.067. Posteriormente, o Fisco, de ofício, reconheceu a natureza remuneratória dos valores registrados como mútuo e, efetuou a lavratura de auto de infração para cobrança das penalidade aplicáveis à falta de retenção do IRRF. Assim, considerando que os valores pagos aos empregados foram considerados pelo Fisco como de natureza remuneratória para incidência do IRRF, de igual forma, devem ser reconhecidos como despesas com remuneração, dedutíveis na apuração do lucro real. O fato de terem sido apuradas em procedimento de ofício e, por este motivo, não terem sido registradas na escrituração contábil da recorrente não tem o condão de tornar referidas despesas indedutíveis. Relativamente à dúvida apontada no despacho sobre uma possível dedução em duplicidade das despesas com remuneração, ou seja, exclusão do Lucro Líquido no ano de 2005 e exclusão do Lucro Real após a lavratura do Auto de Infração, tal fato não é suficiente para tornar referida despesa indedutível. Ademais, no LALUR do anocalendário de 2010 (fls. 390 a 427), mesmo ano em que foi efetuada a lavratura do autuação fiscal, não foi identificada exclusão da despesa com remuneração no valor de R$ 23.011.000,00. Alega ainda a recorrente, que o acórdão recorrido não enfrentou as questões apontadas na manifestação de inconformidade e invocou o argumento de falta de atendimento ao princípio da competência na contabilização da despesa com empréstimos, todavia, o caso dos autos não se trata de baixa de ativos relacionados a empréstimos ou de provisão contabilizada para perda de ativos em razão das ações judiciais trabalhistas, mas sim de efetivo pagamento já realizado pela recorrente a título de remuneração a seus empregados; Consta da decisão recorrida, que o procedimento correto seria o provisionamento dos mútuos, no montante estimado de acordo com a probabilidade de perda do ativo em razão das ações judiciais contra a impugnante e, quando da efetiva perda, se for o caso, efetuar a baixa do ativo contra as provisões ou em conta de resultado da própria competência. Entende ainda a decisão recorrida, que face à da Ação Civil Pública nº 02579/2009, que tem por objeto a declaração de nulidade de todos os contratos de mútuo entre a interessada e seus empregados, por sua inequívoca natureza salarial, e de outras reclamações trabalhistas também visando o reconhecimento da natureza salarial dos valore recebidos a título Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.058 13 de mútuo, o empréstimo é ativo e sua perda somente se dá quando a decisão judicial nesse sentido for definitiva . Relativamente à questão, entendo que assiste razão à recorrente. Os valores contabilizados como empréstimos foram reclassificados pelo Fisco para fins de cobrança das penalidades relativas à falta de retenção do IRRF sobre a remuneração paga a seus empregados. A recorrente concordou com o lançamento de ofício e extinguiu o crédito com os pagamentos realizados por meio dos DARF anexados às fls. 552 e 553. De igual forma, os empréstimos devem ser reclassificados como despesas com remuneração para fins de exclusão da base de cálculo do IRPJ e baixados do ativo, independentemente das decisões judiciais da ação civil pública e das reclamatórias trabalhistas. Conforme afirmado pela recorrente, o caso dos autos não se trata de baixa de ativos relacionados a empréstimos ou de provisão contabilizada para perda de ativos em razão das ações judiciais trabalhistas, mas sim de efetivo pagamento já realizado pela recorrente a título de remuneração a seus empregados, cuja despesa foi reconhecida de ofício pelo próprio Fisco em procedimento fiscal anterior. Conforme já apontado pela recorrente, apesar do despacho decisório mencionar que as despesas com remuneração dos empregados não deveriam ser consideradas para fins de apuração do direito creditório, na planilha anexa a ele anexada, consta que as despesas foram consideradas na apuração do lucro real apurado pela autoridade fiscal Diante do exposto, deve ser mantida a planilha anexada ao despacho decisório, que incluiu as despesas com remuneração, no valor de R$ 23.011.000,00, na base de cálculo do IRPJ. Relativamente aos valores de IRRF por pessoas jurídicas de direito privado, para o valor de R$ 725.122,80, declarado na Ficha 12B da DIPJ/2006 retificadora, o despacho decisório confirmou a possibilidade de dedução de R$ 447.177,23. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, a DRJ reconheceu o direito integral do IRRF, código 8045, no valor de R$ 70.581,83, assim, considerando no despacho decisório já havia sido reconhecido o direito parcial de R$ 760,83, conforme planilha de fls. 1.769, foi confirmado crédito de IRRF adicional no valor de R$ 69.821,00. Dessa forma, a DRJ confirmou a possibilidade de dedução de R$ 516.998,23 do total de IRRF de R$ 725.122,80 declarado na Ficha 12B da DIPJ/2006 retificadora. No recurso voluntário a recorrente requer o reconhecimento adicional do IRRF nos valores de R$ 31,72 e R$ 52,64, sob o argumento de que a autoridade fiscal informou na planilha de fls. 1.768 e 1.769, especificamente nos itens 1 e 4, o total dos rendimentos auferidos de R$ 3.172,31 e R$ 3.509,34, ao invés do IRRF. Entretanto, como bem pontuado pela decisão recorrida, os valores não foram confirmados pela autoridade fiscal e também pela decisão recorrida pelo fato das fontes pagadoras não terem informado em DIRF as referidas retenções, conforme consulta às fls. 100 e 101. Ao tratar das retenções de IRRF, os arts. 942 e 943 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), assim estabeleceram: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.059 14 (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano calendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Subseção III Disposições Comuns Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Além da falta de informação em DIRF, requisito a ser cumprido pela fonte pagadora por ocasião das retenções efetuadas, para compensar os valores retidos pela fonte pagadora em sua DIPJ, o contribuinte deve possuir o comprovante de retenção, emitido pela fonte pagadora em conformidade com as normas emitidas pela Receita Federal sobre o assunto, a saber a IN SRF nº 490/2005, que determinou a forma de apresentação do Comprovante de Retenção de imposto de Renda na Fonte sobre aplicações financeiras para pessoas físicas e jurídicas, bem assim, as informações que devem esta contidas nesse informe, e a IN SRF nº 119/2000 que determinou a forma de apresentação do comprovantes de rendimentos pagos por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas. Entretanto, apesar do Termo de Intimação Fiscal nº 41 (fls. 354, 355), de 17/03/2014, ter solicitado a apresentação dos referidos comprovantes, nas respostas apresentadas em 02/02/2014 (fls. 1.052, 1.104 a 1.142) e 22/04/2013 (fls. 1.164 e 1.199 a 2.209), não foram anexados os comprovantes de retenção hábeis a permitir a restituição dos valores. Pelos mesmos motivos acima expostos, o documento anexado à impugnação às fls. 1.924, não é hábil a comprovar o IRRF código 5706, no valor de R$ 2.726,58, pleiteado pela recorrente no item 25 da planilha de fls. 1.768 e 1.769, do despacho decisório. Já os valores pleiteados nos itens 13 e 14, a autoridade fiscal reconheceu no despacho decisório o direito à compensação de parte dos valores de IRRF com base na documentação apresentada, todavia, considerando que não foram anexados à manifestação de inconformidade e recurso voluntário, novos documentos, não merece reparos o despacho decisório e a decisão recorrida que reconheceram parcialmente os valores de R$ 186.194, 77 e R$ 192.146,16, retidos pela Votorantim Asset Management DTVM Ltda, na condição de administradora dos fundos de direitos creditórios COPESUL, CNPJ. 05.926.261/000150 e CPFL Piratininga, CNPJ. 05.926.265/000139. Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.060 15 Ao analisar a documentação comprobatória do IRRF sobre os rendimentos remetidos para as sucursais Safra Cayman Branch e Safra Cayman Ltd a autoridade fiscal comprovou o valor de R$ 2.461.914,48 de um total de R$ 12.662.379,77, informado na Ficha 12 A da DIPJ/2006 retificadora. No recurso voluntário apresentado a recorrente alega que apesar da decisão recorrida ter reconhecido que a contribuinte conseguiu comprovar o valor de R$ 2.461.914,48, o despacho decisório afastou o aproveitamento desta parcela afirmando que a recorrente aplicou, indevidamente, a correção Selic sobre os valores aproveitados, bem assim, deixou de considerar os valores de R$ 2.698.617,82 e R$ 787.182,19, compensados anteriormente nos anoscalendário de 1999 e 2000. Consta do despacho decisório que os créditos pleiteados pela contribuinte, no valor de R$ 10.006.984,02, após as correções pela taxa Selic, gerou um acréscimo de R$ 4.559.089,63, totalizando um montante de R$ 14.566.073,65, conforme demonstrativo elaborado pela recorrente, anexado aos autos às fls. 463 e transcrito às fls. 1.775 do despacho decisório. No recurso voluntário alega a recorrente que a atualização, sem aumentar o verdadeiro valor do crédito, tem por objetivo tão somente preservar o poder de compra da moeda e evitar o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. A despeito das alegações da recorrente, inexiste previsão legal que permita a correção de valores de IRRF retidos em anos anteriores, motivo pelo qual devem ser excluídas do total de IRRF pleiteado as correções pela taxa Selic no valor de R$ 4.559.089,63. Alega também a recorrente que a suposta compensação indevida apontada pelo despacho decisório às fls. 1.775, e extraída das DIPJ de anos anteriores às fls. 113268 mostrando que, além das compensações informadas pelo interessado nos anoscalendário de 2003 e 2004, foram efetuadas outras compensações do IRRF incidente sobre remessas ao exterior, nos valores de R$ 2.698.617,82 na DIPJ 2000 (ano base 1999) às fls. 143 e de R$ 787.182,19 na DIPJ 2001 (ano base 2000) às fls. 164. Alega a recorrente que os valores compensados nos anos de 1999 e 2000 nada têm a ver com os valores compensados em 2005 e que o despacho decisório, de forma equivocada e sem qualquer intimação prévia à recorrente para esclarecer a origem do IRRF, afirma que os valores compensados naqueles anos seriam os mesmos compensados em 2005. De fato não foi feita qualquer intimação à recorrente para esclarecimentos, entretanto, o princípio do contraditório e da ampla defesa somente passa a ser obrigatoriamente observado na fase processual inaugurada com a apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72. Assim, após ser cientificada do despacho decisório e do motivo pelo qual não foi reconhecido o direito creditório pleiteado, a recorrente poderia ter trazido aos autos, documentos comprobatórios de que os valores compensados em 1999 e 2000 teriam como origem remessas e IRRF diversos dos utilizados na compensação realizada em 2005, entretanto, não trouxe qualquer documento hábil a comprovar suas alegações. Todavia, verificase que o método utilizado pela autoridade fiscal para apuração do saldo de IRRF, possui incorreções pois utilizase de IRRF em períodos posteriores para suportar compensações indevidas efetuadas em períodos anteriores: Veja o demonstrativo elaborado pela autoridade fiscal, constante às fls. 1.775 2 1.776 do despacho decisório: IRRF sobre remessas ao exterior em 2005 Informações coletadas nas DIPJ Ano IRRF Utilizado Compensação Saldo IRRF 1998 177.884,76 0,00 177.884,76 Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.061 16 1999 586.727,48 2.698.617,82 1.934.005,58 2000 803.473,14 787.182,19 1.917.714,63 2001 1.470.019,88 0,00 447.694,75 2002 703.550,97 0,00 255.856,22 2003 4.201.698,69 1.805.234,10 2.652.320,81 2004 1.000.794,49 98.459,78 3.554.655,52 2005 1.062.834,61 12.662.379,77 8.044.889,64 SOMA 10.006.984,02 18.051.873,66 Caso a totalidade dos créditos utilizados no valor de R$ 10.006.984,02 tivesse sido comprovada, a compensação indevida em períodos anteriores estaria limitada ao saldo disponível no período e eventual diferença ensejaria lançamento de ofício para cobrança do valor devido. Dessa forma, ainda que se considerasse totalmente comprovado o valor R$ 10.006.984,02, do saldo disponível para compensação em 2005 a fiscalização deveria ter excluído o valor de R$ 764.612,24 (177.884,76+ 586.727,48), saldo disponível em 31/12/1999 e compensado naquele ano, bem assim, R$ 787.182,19, do saldo disponível de 803.473,14 em 31/12/2000 e compensado também em 2000. As compensações realizadas em 2003, no valor de R$ 1.805.234,10, e em 2004, no valor de R$ 98.459,78, tiveram seus valores deduzidos pelo próprio contribuinte. Dessa forma, o saldo disponível para compensação em 2005 seria de R$ 6.551.495,71 (saldo IRRF em 2004 de R$ 5.488.661,10 + IRRF em 2005 de R$ 1.062.834,61): IRRF sobre remessas ao exterior em 2005 Informações coletadas nas DIPJ Ano IRRF Utilizado Compensação Saldo IRRF 1998 177.884,76 0,00 177.884,76 1999 586.727,48 2.698.617,82 0,00 2000 803.473,14 787.182,19 16.290,95 2001 1.470.019,88 0,00 1.486.310,83 2002 703.550,97 0,00 2.189.861,80 2003 4.201.698,69 1.805.234,10 4.586.326,39 2004 1.000.794,49 98.459,78 5.488.661,10 2005 1.062.834,61 12.662.379,77 6.110.884,06 SOMA 10.006.984,02 18.051.873,66 Assim, tendo em vista que o valor informado na Linha 7 IR pago no exterior sobre lucros, da DIPJ/2006, foi de R$ 12.662.379,77, houve a utilização indevida de R$ 6.110.884,06, demonstrado na planilha acima. Vale ressaltar que em virtude dos fatos até então analisados, quais sejam, a correção indevida do IRRF pelos juros Selic, bem assim, a compensação indevida nos anos de 1999 e 2000, por si só, já seriam suficientes para indeferir o direito creditório pleiteado pela recorrente. Todavia, consta ainda do despacho decisório que parte da documentação apresentada pela contribuinte não foi aceita pela autoridade fiscal. Em atendimento às intimações para comprovação do IRRF incidente sobre as remessas ao exterior, a contribuinte apresentou as seguintes respostas: (i) em 02/04/2014 anexou documentos no montante de R$ 1.338.541,81, (ii) em 22/04/2014 anexou documentos no montante de R$ 1.167.728,98 e (iii) em 19/05/2014 anexou documentos no montante de R$ 7.297.807,96. De acordo com o despacho decisório, os valores pleiteados na resposta de 02/04/2014 foram integralmente aceitos, entretanto, os valores pleiteados no item 1 da resposta apresentada em 22/04/2014 e nos itens 14 a 71, 85 e 86 da resposta de 19/05/2014 não foram aceitos porque a recorrente não efetuou a remessa para as sucursais nas Ilhas Cayman mas para o Banco Safra em Nova Iorque. Com relação aos valores pleiteados nos itens 2 a 4 da resposta de 22/04/2014 e os itens 1 a 8 e 72 a 74 da resposta de 19/05/2014, o despacho não confirmou os valores porque o imposto foi retido na fonte por terceiros (Zero Hora Editora, Italtractor Landroni, Refinaria Manguinhos, Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.062 17 Indústria de Peças Inpel e Petrobrás S/A). Consta ainda do despacho que os documentos relacionados na resposta de 19/05/2014 nos itens 19 e 28 não foram apresentados e os relativos aos itens 83 e 84 não foram identificados. A possibilidade de compensação do IRRF sobre os rendimentos remetidos às filiais e sucursais de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, com o lucro real da matriz no Brasil, é regida pelo art. 9º da MP 215835/2001: Art. 9o O imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 24 da Lei no 9.430, de 1996, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. Parágrafo único. Aplicase à compensação do imposto a que se refere este artigo o disposto no art. 26 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Verificase portanto, que a compensação é permitida nos casos em que: (i) a beneficiária dos valores remetidos pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil tiver domicílio em paraísos fiscais ou países com tributação favorecida, enquadrados nas disposições do art. 24 da Lei nº 9.430/96 e (ii) os resultados da filial, sucursal, coligada ou controlada sejam computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Consta do despacho decisório que foram incluídos nas Fichas 09B Demonstração do Lucro Real e 17 Cálculo da CSLL, da DIPJ/2006 retificadora, os lucros disponibilizados no exterior no valor de R$ 71.464.417,97, pelas sucursais em Cayman. Todavia , parte do IRRF incluído na Ficha 12B "Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real PJ Comp. Sist. Fin. e Soc. Seg., de Capit. ou Ent. Aberta de Prev. Compl." não foi comprovado sob o argumento de que referidos valores não teriam sido remetidos para as filiais localizadas em Cayman mas sim para o Banco Safra em Nova Iorque. No recurso voluntário apresentado a recorrente alega que é comum este tipo de operação em que o rendimentos auferidos no Brasil são remetidos para um agente pagador no exterior antes de serem efetivamente remetidos para as sucursais no exterior.Acrescenta que o Banco Safra em Nova Iorque é mero agente pagador/recebedor das transações realizadas fora do país, e que os valores foram efetivamente destinados e creditados nas contas das sucursais Safra Cayman. Com o objetivo de comprovar suas alegações anexou: (i) os DARFs comprovando as retenções efetuadas no Brasil; (ii) os contratos de câmbio firmados como Banco Safra em Nova Iorque para crédito dos rendimento nas contas correntes das sucursais Safra Cayman; (iii) os extratos das sucursais Safra Cayman junto Banco Safra de Nova Iorque e (iv) as memórias de cálculo do IRRF em cada operação. Da análise da documentação anexada aos autos, verificase que os contratos de câmbio firmados com o Banco Safra em Nova Iorque não permitem identificar que o destinatário final das remessas seriam as sucursais Safra Cayman. Por outro lado, os documentos anexados às fls. 1214, 1256, 1258, 1259, 1260, 1264 seriam extratos bancários Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.063 18 emitidos pelo Banco Safra em Nova Iorque (Safra National BAnk of New York) das contas correntes das sucursais Safra Cayman. Assim, admitindose que o Banco Safra em Nova Iorque é mero intermediário e os valores a ele remetidos teriam como destinatário final as sucursais Safra Cayman, o valor adicional a ser reconhecido é de R$ 3.919.116,32, conforme valores abaixo relacionados: 1 18/03/2003 0481 1.110.135,62 14 02/03/1999 0481 377.999,63 15 28/01/2003 0481 176.140,89 16 29/04/1999 0481 175.349,57 17 29/04/1999 0481 168.507,32 18 05/02/2001 0481 154.643,36 20 27/11/2002 0481 138.792,37 21 20/02/2001 0481 76.393,22 22 22/02/1999 0481 67.225,12 23 11/01/1999 0481 64.910,55 24 02/01/2001 0481 64.420,09 25 08/02/2000 0481 64.210,10 26 29/01/1999 0481 61.613,63 27 16/01/2001 0481 56.788,96 29 08/01/2001 0481 53.412,06 30 22/01/2001 0481 49.853,80 31 06/02/2001 0481 48.234,83 32 19/01/1999 0481 47.996,20 33 22/03/1999 0481 47.334,20 34 29/01/2001 0481 43.511,99 35 26/01/2001 0481 36.692,12 36 29/12/1998 0481 34.121,73 37 07/02/2001 0481 33.288,17 38 26/11/1998 0481 30.931,64 39 12/03/1999 0481 30.315,99 40 10/02/1999 0481 26.625,91 41 22/06/2001 0481 25.637,15 42 08/02/2001 0481 24.518,96 43 24/11/2000 0481 24.106,14 44 18/01/2001 0481 23.427,47 45 06/05/1999 0481 21.355,11 46 03/11/1998 0481 20.003,08 47 28/06/2001 0481 19.108,83 48 20/11/2000 0481 19.075,47 49 12/05/1999 0481 19.046,08 Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.064 19 50 09/01/2001 0481 18.281,61 51 03/01/2001 0481 17.882,69 52 04/01/2001 0481 17.667,34 53 05/01/2001 0481 17.647,40 54 09/02/2001 0481 17.543,21 55 23/01/2001 0481 17.387,02 56 11/01/2001 0481 17.015,84 57 21/02/2001 0481 16.871,65 58 13/02/2001 0481 16.463,16 59 14/01/1999 0481 15.800,45 60 19/01/2001 0481 15.210,26 61 21/12/1998 0481 15.131,89 62 09/12/1998 0481 14.481,37 63 24/11/1998 0481 14.190,73 64 07/06/1999 0481 13.796,38 65 25/06/2001 0481 13.439,72 66 14/02/2001 0481 13.376,68 67 15/02/2001 0481 12.958,15 68 18/06/2001 0481 12.024,90 69 19/12/2000 0481 11.595,73 70 10/03/2000 0481 11.461,43 71 12/01/2001 0481 11.276,02 86 18/03/2003 151.885,33 Total 3.919.116,32 Vale ressaltar que o IRRF relacionado no item 85 da resposta apresentada em 19/05/2014, no valor de R$ 1.110.135,62 é o mesmo relacionado no item 1 da resposta de 22/04/2014. Dada a duplicidade dos valores informados nas repostas somente o registro da resposta de 22/04/2014 foi inserido na planilha acima. Com relação aos valores de IRRF cujos comprovantes foram anexados à manifestação de inconformidade, no valor de R$ 331.676,60, o valor de R$ 92.079,07 referese a remessa de valores pela recorrente para Cayman Branch, devendo terse como comprovado o direito à dedução do IRRF. Com relação aos demais valores, de R$ 99.046,43 e R$ 140.551,10, por se tratarem de valores remetidos para o Banco Safra em Nova Iorque, como mero intermediário e teriam como destinatário final as sucursais Safra Cayman, os mesmos devem ser acrescidos ao valor de R$ 3.919.116,32 apurado na planilha acima transcrita, perfazendo assim um total de R$ 4.158.713,85: DOCS MI 04/12/2002 99.046,43 DOCS MI 27/12/2002 140.551,10 DOCS MI 17/06/2003 92.079,07 Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.065 20 Com relação aos valores de IRRF que não foram reconhecidos no despacho decisório por terem sido retidos por terceiros, a recorrente alega que arcou economicamente com o ônus do IRRF, e que existe previsão legal para dedução do imposto retido sobre os rendimentos pagos ou creditados à sucursal no exterior, sendo indiferente que o imposto tenha sido retido por terceiros. Sob essa matéria, entendo que assiste razão à recorrente. A fiscalização e o despacho decisório afirmam inexistir previsão legal no art. 9° da MP n° 2.15835/2001, para dedução dos valores retidos na fonte por terceiros. Entretanto, apesar de inicialmente também entender que de fato não estariam permitidas as deduções realizadas por terceiros, em uma leitura mais atenta do referido dispositivo legal, chegase a conclusão diversa.. O imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil podem ser compensados com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil, não havendo distinção o entre IRRF retido pela própria matriz, controladora ou coligada no Brasil e o imposto retido por terceiros. Assim, entendo que podem ser deduzidos do lucro disponibilizado para a matriz, controladora ou coligada no Brasil, quaisquer retenções na fonte efetuadas sobre os rendimentos pagos à pessoa jurídica domiciliada em paraísos fiscais ou países com tributação favorecida, desde que os rendimentos tenham sido computados na apuração do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. Dessa forma restariam também comprovadas as retenções abaixo relacionadas, no montante de R$: 1.505.823,82: 2 13/06/2003 0481 27.353,07 3 04/02/2003 0481 14.509,75 4 05/05/2003 0481 15.730,54 1 18/02/2004 0481 58.045,18 2 03/12/2004 0481 14.809,40 3 08/01/2004 0473 51.824,73 4 11/02/2004 0473 56.356,34 5 07/04/2004 0473 52.311,93 6 07/05/2004 0473 53.593,43 7 05/08/2004 0473 244.625,92 8 26/11/2004 0473 197.392,01 72 08/08/2005 92.341,28 73 15/08/2005 65.471,56 74 11/02/2004 54.964,84 75 04/03/2005 20.884,89 76 14/02/2005 166.024,74 77 27/05/2005 97.301,87 78 19/05/2005 72.757,40 79 06/06/2005 19.300,66 80 06/09/2005 18.916,87 81 08/12/2003 0473 98.000,81 82 27/11/2003 0473 13.306,60 Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.066 21 TOTAL 1.505.823,82 Assim, restariam comprovados os valores de IRRF sobre remessas no exterior nos valores abaixo relacionados: IRRF sobre Remessas para o Exterior Valor Reconhecido pelo Despacho Decisório R$ 2.461.914,48 Valor Reconhecido pela Decisão Recorrida R$ 92.079,07 Valor Reconhecido pela Decisão Recorrida Remetidos para Safra Cayman via Safra NY R$ 4.158.713,85 Valor Reconhecido pela Decisão Recorrida Remetidos para Safra Cayman por Terceiros R$ 1.505.823,82 Total Reconhecido R$ 8.218.531,22 De acordo com a documentação apresentada, o total reconhecido de R$ 8.218.531,22, referente aos valores já reconhecidos no despacho decisório acrescidos dos valores relacionados nas tabelas acima transcritas, foi retido nos seguintes anoscalendário: ANO IRRF (R$) 1998 128.860,44 1999 1.137.876,14 2000 130.448,87 2001 944.976,66 2002 378.389,90 2003 4.052.829,56 2004 798.733,18 2005 646.416,47 TOTAL 8.218.531,22 Entretanto, conforme já abordado no presente voto, do valor comprovado, devem ser excluídas as compensações realizadas em períodos anteriores. Para as compensações realizadas nos anoscalendário de 2003 e 2004, a própria recorrente informou ter utilizado os valores de R$ 1.805.234,10 e R$ 98.459,78. Com relação aos valores compensados de ofício pela autoridade fiscal em 1999 e 2000, nos valores de R$ 2.698.617,82 e R$ 787.182,19, entendo ser passível de compensação apenas os saldos disponíveis na data das compensações. Assim, agora com base nos valores de IRRF reconhecidos pela autoridade fiscal e pela presente decisão, devem ser excluídos os valores compensados em 1999, 2000, 2003 e 2004, até o limite dos saldos disponíveis na data das compensações, conforme abaixo demonstrado: Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.067 22 Ano IRRF Comprovado Compensação Saldo IRRF 1998 128.860,44 0,00 128.860,44 1999 1.137.876,14 2.698.617,82 0,00 2000 130.448,87 787.182,19 0,00 2001 944.976,66 0,00 944.976,66 2002 378.389,90 0,00 1.323.366,56 2003 4.052.829,56 1.805.234,10 3.570.962,02 2004 798.733,18 98.459,78 4.271.235,42 2005 646.416,47 12.662.379,77 7.744.727,88 SOMA 8.218.531,22 18.051.873,66 Diante de todo o exposto, em decorrência da correção indevida pela SELIC dos valores do IRRF, pela não consideração das compensações efetuadas em 1999 e 2000 e pela comprovação parcial dos valores de IRRF compensável incidente sobre as remessas ao exterior, o interessado comprovou parcialmente o IRRF informado na DIPJ/2006 retificadora no valor de R$ 4.917.651,89 (saldo anterior em 31/12/2004 de R$ 4.271.235,42 + IRRF em 2005 de R$ 646.416,47). Assim, a Ficha 12 B da DIPJ/2006 retificadora, após os ajustes efetuados pela presente decisão, aponta um IR a pagar de R$ 39.164.886,77: Imposto sobre o Lucro Real DIPJ Original DIPJ Retificadora Confirmado Despacho Confirmado Acórdão CARF 1 Alíquota 15% 76.190.941,89 72.739.291,89 72.739.291,89 72.739.291,89 2 Adicional 50.769.961,26 48.468.861,26 48.468.861,26 48.468.861,26 3 Operações de carater cultural e artístico 2.211.586,00 2.211.586,00 2.211.586,00 2.211.586,00 4 Programa de alimentação do trabalhador 2.618.851,17 2.618.851,17 2.480.785,17 2.480.785,17 6 Fundos dos direitos da criança e do adolescente 552.973,88 552.973,88 552.973,88 552.973,88 7 IR pago no Exterior sobre Lucros 12.662.379,77 12.662.379,77 0,00 4.917.651,89 8 Imposto de Renda Retido na Fonte 725.122,80 725.122,80 447.177,23 516.998,23 9 IRRF por Órgãos e Autarquias 68.926,08 68.926,08 68.926,08 68.926,08 12 Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 71.294.345,13 71.294.345,13 71.294.345,13 71.294.345,13 17 Imposto de Renda a Pagar 36.826.718,32 31.073.968,32 44.152.359,66 39.164.886,77. Verificase que o pagamento a maior de R$ 5.859.646,33, relativo a diferença a maior entre o Imposto de Renda a Pagar apurado nas DIPJ Original e Retificadora não foi comprovado. Conforme acima demonstrado, o valor do IR a Pagar em 31/12/2005 comprovado é de R$ 39.164.886,77, maior inclusive do que o valor declarado na DIPJ 2006 Original. Concluíse pela não comprovação de pagamento a maior do IRPJ em 24/02/2006 e conseqüentemente pela inexistência do crédito de pagamento a maior do IRPJ informado nos PERDCOMP 12057.68716.301210.1.2.048160 e 17096.86909.300911.1.3.04 4487. Conclusão Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301002.616 S1C3T1 Fl. 2.068 23 Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário da recorrente para não reconhecer o direito creditório pleiteado no PER 12057.68716.301210.1.2.048160, relativo a alegado pagamento a maior de IRPJ, código 2390, efetuado em 24/02/2006 no valor de R$ 5.859.646,33. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 2068DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.001480/95-91
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 07 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR. NULIDADE. FORMALIDADE ESSENCIAL. 1) É NULA a Notificação de Lançamento que não preencha os requisitos de formalidade. 2) Notificação que não produza efeitos, descabida a apreciação do mérito.
ANULADO O PROCESSO "AB INITIO".
Numero da decisão: CSRF/03-03.156
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda. O Conselheiro vencido fará Declaração de voto.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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CONTRIBUINTES SESSÃO DE : 07 de maio de 2001 ACÓRDÃO N.° : CSRF/03-03.156 ITR. NULIDADE. FORMALIDADE ESSENCIAL. 1) É NULA a Notificação de Lançamento que não preencha os requisitos de formalidade. 2) Notificação que não produza efeitos, descabida a • apreciação do mérito. • ANULADO O PROCESSO "AB INITIO". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. • ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda. O Conselheiro vencido fará Declaração de voto. • ON PEREIRA •DRIG PRESIDENTE NIPbN tafr Li LAT* - FORMALIZADO EM: 1 9 NOV 20/1 Processo n.° 10746.001480/95-91 Acórdão n.° CSRF/03-03.156 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Moacyr de Medeiros, Márcia Regina Machado Melaré, Paulo Roberto Cuco Antunes e João Holanda Costa. 2 Processo n.° 10746.001480/95-91 Acórdão n.° CSRF/03-03.156 Recurso nr. RD/201-0.349 Recorrente: FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de Recurso de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra decisão da Primeira Câmara do E. Segundo Conselho de Contribuintes que lavrou acórdão no seguinte teor: "ITR — VALOR DE TERRA NUA — Laudo técnico apresentado na forma da lei, confirmando a presença do erro no lançamento. Recurso provido, para determinar que o lançamento seja efetuado com base no Valor da Terra Nua, apontado no laudo técnico apresentado. Recurso provido." Segundo o Relatório elaborado pelo Conselheiro Sérgio Gomes Valioso, o autuado contestou o VTN utilizado para lançamento do tributo, juntando aos autos "o Decreto do Governo Estadual, fls. 16, que fixa o preço do hectare em seis reais, e Laudo de Avaliação do preço da terra nua do imóvel rural, fls. 17, que aponta o valor de 37.857,77 UF1R (soma não totalizada no laudo), enquanto que o lançamento, cf. fls. 07, tomou por base o valor de 148.102,15 UFIR, sendo de 6.498,18 UFIR o valor declarado." Ainda segundo o Relatório, o julgador de primeira instância entendeu que o lançamento foi efetuado em conformidade com o disposto no art. 2° da IN SRF 16/95, segundo a qual será adotado o valor maior, quando o valor declarado diverge do valor mínimo fixado para o município. O mesmo julgador desconsiderou o Laudo de fls. 17 por dizer respeito apenas às terras de propriedade do contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional refutou a pretensão, sob os mesmos argumentos do julgador de primeira instância, acrescendo que o 3 • Processo n.° 10746.001480/95-91 Acórdão n.° CSRF/03-03.156 Decreto juntado aos autos, "que fixa o preço do hectare, tem sentido social não econômico, devendo ser desconsiderado." Em julgamento prolatado pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, deu-se provimento ao recurso, por unanimidade de votos. As razões acolhidas pela Câmara para prover o recurso iniciam pelas considerações acerca da possibilidade do reexame "tanto dos dados declarados como da aplicabilidade do VTNm ao imóvel do litigante, mediante prova conclusiva consistente em laudo técnico revestido das formalidades legais. Esse reexame é inerente à natureza do processo administrativo fiscal, que objetiva o controle de legalidade do lançamento." No mérito, assim se lavrou o Acórdão atacado: "Obviamente o 1TR deve ser calculado com base no valor efetivo da terra nua de cada propriedade rural, devendo o laudo técnico referir-se especificamente ao imóvel objeto da impugnação. A utilização, como valor tributável mínimo, do valor atribuído em regra geral para o município não pode prevalecer contra prova relativa ao preciso imóvel objeto do lançamento. Nem pode o contribuinte ser obrigado a apresentar laudo técnico que abranja a totalidade das terras do município, para contestar a aplicabilidade do VTNm ao seu imóvel. No caso, vê-se às fls. 16 que, segundo laudo técnico apresentado pelo contribuinte, com observância dos requisitos estabelecidos nos atos normativos de regência da espécie, o Valor da Terra Nua do imóvel é de 37.857,77 UFIR (soma não totalizada no laudo), enquanto que o Lançamento, cf. fls. 07, tomou por base o valor de 148.102,15 UF1R, sendo de 6.498,18 UFIR o valor declarado." 4 Processo n.° 10746.001480/95-91 Acórdão n.° CSRF/03-03.156 Inconformada com a decisão, interpôs a Procuradoria da Fazenda Nacional o presente Recurso, nos termos do artigo 32, inciso II, do Regimento Interno dos Conselhos, comprovando, através de cópias, a divergência com julgados de outras Câmaras do mesmo Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdão n.° 203-04.079 — Recurso n.° 106.738, da Terceira Câmara e Acórdão n.° 202-10.723 — Recurso n.° 108.518, da Segunda Câmara). No mérito, o Sr. Procurador enfatiza que o Laudo Técnico anexado pelo contribuinte carecia de formalidades legais, quais sejam, a juntada da ART — Anotações de Responsabilidade Técnica, e não observação dos requisitos básicos exigidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), "com as quais se possam explicitar como se chegou às avaliações e às fontes pesquisadas, que levem, com garantia, ao valor total do imóvel e os bens nele incorporados. Na verdade," prosseguiu o Sr. Procurador "o 'Laudo Técnico Pericial' de avaliação do imóvel é, deveras, simplório, tanto que, salta evidente, qualquer pessoa da região onde se localiza o imóvel, sem necessitar dos conhecimentos de agronomia ou de engenharia, ser capaz de levantar os dados constantes deste documento." (conforme o original). Afirma, ainda, que não se pode admitir "que cada imóvel rural dentro de um mesmo município poderia adotar diferentes VTNm, estar-se-ia ferindo a norma legal do artigo 30, parágrafo 2° da Lei n.° 8.847/94, que estabeleceu o conceito do Valor da Terra Nua mínimo para cada município." Como último argumento, menciona que a avaliação do Governo do Estado do Tocantins, constante do Decreto n.° 063, de 28.06.95 (fl. 16) teria finalidade social e não econômica, pois não há terras no País que valham tão somente R$ 6,00 por hectare. 5 Processo n.° 10746.001480/95-91 Acórdão n.° CSRF/03-03.156 A parte contrária não apresentou contra-razões. É o Relatório. 6 Processo n.° 10746.001480/95-91 Acórdão n.° CSRF/03-03.156 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Conhecemos do Recurso Voluntário, por ser tempestivo, por atender aos demais requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. E, após a análise de todo o processado, chega-se à conclusão de que é de se declarar a nulidade da Notificação de Lançamento constante dos autos. Explica-se... O processo é constituído de uma relação estabelecida através do vínculo entre pessoas (julgador, autor e réu), que representa requisitos material (o vínculo entre essas pessoas) e formal (regulamentação pela norma jurídica), produzindo uma nova situação para os que nele se envolvem. Essa relação traduz-se pela aplicação da vontade concreta da lei. Desde logo, para atingir-se tal referencial, pressupõe-se uma seqüência de acontecimentos desde a composição do litígio até a sentença final. Para que a relação processual se complete é necessário o cumprimento de certos requisitos, quais sejam (dentre outros): 7 Processo n.° 10746.001480/95-91 Acórdão n.° CSRF/03-03.156 Os pressupostos processuais — são os requisitos materiais e formais necessários ao estabelecimento da relação processual. São os dados para a análise de viabilidade do exercício de direito sob o ponto de vista processual, sem os quais levará ao indeferimento da inicial, ocasionando a sua extinção. As condições da ação (desenvolvimento) — é a verificação da possibilidade jurídica do pedido, da legitimidade da parte para a causa e do interesse jurídico na tutela jurisdicional, sem os quais o julgador não apreciará o pedido. A extinção do processo por vício de pressuposto ou ausência de condição da ação só deve prevalecer quando o feito detectado pelo julgador seja insuperável ou quando ordenado o saneamento, a parte deixe de promovê-lo no prazo que se lhe tenha assinado. A ausência desses elementos não permite que se produza a eficácia de coisa julgada material e, desde que não seja julgado o mérito, não há preclusão temporal para essa matéria, qualquer que seja a fase do processo. Inobservados os pressupostos processuais ou as condições da ação ocorrerá a extinção prematura do processo sem julgamento ou composição do litígio, eis que tal vício levará ao indeferimento da inicial. Nessa linha seguem as normas disciplinadoras no âmbito da Secretaria da Receita Federal, senão vejamos: "ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N.° 02 DE 03/02/1999: O Coordenador Geral do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno da Secretaria 8 Processo n.° 10746.001480/95-91 Acórdão n.° CSRF/03-03.156 da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n.° 227, de 03109198, e tendo em vista o disposto nos arts. 142 e 173, inciso II, da Lei n.° 5.172/66 (CTN), nos arts. 10 e 11 do Decreto n.° 70.235/72 e no art. 6° da IN/SRF n.° 94, de 24/09/97, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: os lançamentos que contiverem vício de forma — incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5° da IN/SRF n.° 94, de 1997 — devem ser declarados nulos de ofício pela autoridade competente;(sublinhel) Dessa forma, pode o julgador desde logo extinguir o processo sem apreciação do mérito, haja vista que encontrou um defeito insanável nas questões preliminares de formação na relação processual, que é a inobservância, na Notificação de Lançamento, do nome, cargo, o número da matrícula e a assinatura do autuante, essa última dispensável quando da emissão da notificação por processamento eletrônico. Agir de outra maneira, frente a um vício insanável, importaria subverter a missão do processo e a função do julgador. Ademais, dispõe o art. 173 da Lei n.° 5.172/66 — CTN (nulidade por vício formal) que haverá vício de forma sempre que, na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo, foi preterida alguma formalidade essencial ou o ato efetivado não tenha sido na forma legalmente prevista. Têm-se, por exemplo, o Acórdão CSRF/01-0.538, de 23/05/85. E, nos autos, encontra-se notificação de lançamento que não traz, em seu bojo, formalidade essencial, qual seja o nome, cargo e o número da matrícula do autuante. Demonstrada está a eiva que conduz a nulidade d4 notificação de lançamento, não mais havendo o que comentar sobre essa 9 Processo n.° 10746.001480/95-91 Acórdão n.° CSRF/03-03.156 matéria. Diante do exposto, SOU PELA ANULAÇÃO DO PROCESSO, DESDE SEU INÍCIO, declarando nula a notificação de lançamento constante dos autos. Sala das Sessões, 07 de maio de 2001 NIL c5íiz B A ITTZ LI RE'LATO `f lo Processo n° : 10746.001480/95-91 Recurso n° : RD/201-0.349 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : DORAL TAVARES GOMES Acórdão n° : CSRF/03-03.156 DECLARAÇÃO DE VOTO CONSELHEIRO HENRIQUE PRADO MEGDA Data vênia, sinto-me na obrigação de discordar do ilustre Conselheiro Relator no que toca a declaração da nulidade da Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR e contribuições acessórias, com base nos artigos 5 0, inciso VI, e 6°, da IN SRF n° 94/97, e par. único, do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, com fulcro nos fundamentos que tem dado suporte às decisões da Colenda Segunda Câmara do E Terceiro Conselho de Contribuintes, como segue: Os dispositivos legais da IN SRF citada estabelecem, verbis: "1° A revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, far-se-á mediante a utilização de malhas: I - nacionais ... I I - locais ... Art. 2° As declarações retidas em malhas deverão ser distribuídas, para exame, a Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional - AFTN, pelo titular da unidade de fiscalização da DRF ou IRF-A do domicílio do declarante. Art. 3° O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. Processo n° : 10746.001480/95-91 Acórdão n° : CSRF/03-03.156 Art. 4° Se da revisão de que trata o art. 1° for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de ofício, mediante lavratura de auto de infração. Art. 5° Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: VI - o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; A análise da legislação retro mostra, sem sombra de dúvida, que se trata de declarações retidas em malhas, cujo procedimento fiscal de revisão, efetuado manualmente por AFTN, pode resultar em lançamento de ofício, consubstanciado em Auto de Infração. A própria ementa do ato evidencia a sua natureza - "Dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições". Não obstante, o documento cuja nulidade foi declarada pelo voto aqui contestado, nada tem a ver com o procedimento acima, posto que se trata de Notificação de Lançamento, emitida em função do lançamento normal, efetuado por processamento eletrônico de dados, com base nas informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte. Assim, fica evidenciada a inadequação da aplicação da IN SRF n° 94/97 ao lançamento normal do ITR e contribuições. Claro está que referido tributo também pode vir a ser objeto de malhas fiscais, de revisão manual de declarações por AFTN, e de lavratura de Auto de Infração, porém não foi este o procedimento adotado no caso em questão, nem na maciça maioria dos processos de ITR que aportam a este Conselho de Contribuintes. Demonstrada a inaplicabilidade do citado ato legal ao caso em tela, resta perquirir sobre as formalidades necessárias às Notificações de Lançamento, documento este aplicado à exigência do ITR e contribuições. Processo n° : 10746.001480/95-91 Acórdão n° : CSRF/03-03.156 O art. 11, do Decreto n° 70.235/72, determina, verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; li - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Par. único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico." A exigência contida no inciso I, acima, não pode ser afastada, sob pena de estabelecer-se dúvida sobre o pólo passivo da relação tributária, dada a multiplicidade de contribuintes do ITR. A ausência da informação prescrita no inciso II, por sua vez, impediria o próprio recolhimento do tributo, já que a sistemática de lançamento da Lei n° 8.847/94 prevê a apuração do montante pela própria autoridade administrativa, sem a intervenção do contribuinte, a não ser pelo fornecimento dos dados cadastrais. No que tange ao requisito do inciso III, este possibilita o estabelecimento do contraditório e a ampla defesa, razão pela qual não pode ser olvidado. Quanto à informações exigidas no inciso IV, note-se que elas dizem respeito ao "chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado", e não ao "agente fiscal do tesouro nacional autuante", até porque Notificação de Lançamento não se confunde com Auto de Infração. Tais informações, na prática, são imprescindíveis apenas naqueles lançamentos individualizados, efetuados pessoalmente pelo chefe da repartição ou por outro servidor por ele autorizado. O Processo n° :10746.001480/95-91 Acórdão n° : CSRF/03-03.156 cumprimento deste requisito, por certo, evita que o lançamento seja efetuado por pessoa incompetente. Já o lançamento do ITR é um procedimento massificado, processado eletronicamente, tendo em vista o grande universo de contribuintes. Assim, torna-se difícil a personalização do procedimento, a ponto de individualizar-se o pólo ativo da relação tributária. Dir-se-ia que a Notificação de Lançamento do ITR é um documento institucional, cujas características - o tipo de papel e de impressão, o símbolo das Armas Nacionais e a expressão "Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal" - não deixam dúvidas sobre a autoria do lançamento. Aliás, muitas vezes estas características identificam com mais eficiência a repartição lançadora, perante o contribuinte, que o nome do administrador local, seu cargo ou matrícula. O que se quer mostrar é que não são apenas estes dados que conferem credibilidade e autenticidade ao documento, em face de seu destinatário. Além disso, nas Notificações do ITR está registrada como remetente (órgão expedidor) a repartição do domicílio fiscal do contribuinte, assim entendida a Delegacia ou Agência da Receita Federal, com o respectivo endereço. Ainda que algum destinatário tivesse dúvidas sobre a Notificação recebida, haveria plenas condições de dirigir-se à repartição, para quaisquer esclarecimentos, inclusive com acesso ao próprio chefe do órgão. Conclui-se, portanto, que em termos práticos, em nada prejudica o contribuinte, o fato de não constar da Notificação de Lançamento do ITR a personalização da autoridade expedidora. Vejamos, agora, as demais implicações, à luz do Decreto n° 70.235/72, com as alterações da Lei n° 8.748/93. O art. 59 do citado diploma legal estabelece, verbis: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Processo n° : 10746.001480/95-91 Acórdão n° : CSRF/03-03.156 II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por tudo o que foi exposto, conclui-se que o vício formal que aqui se analisa não caracterizou ato lavrado por pessoa incompetente, nem tampouco ocasionou o cerceamento do direito de defesa dos contribuintes. A maior prova disso consiste nas milhares de impugnações apresentadas aos órgãos preparadores. Tanto assim que os respectivos processos chegaram a este Conselho, em grau de recurso. Assim, o vício em questão não importa em nulidade, e poderia ter sido sanado, caso houvesse resultado em prejuízo para o sujeito passivo. Cabe ainda analisar a questão sob o ponto de vista da economia processual. A nulidade que aqui se discute foi declarada de ofício pela Douta Conselheira Relatora, conforme a parte dispositiva ao final do voto. Ainda que a nulidade houvesse sido arguida pelo recorrente, caberia a análise do mérito, em face do par. 3°, do mesmo art. 59, do Decreto n° 70.235/72, que aqui se transcreve: "Par. 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Tal declaração de ofício traz outras consequências que podem ser prejudiciais ao contribuinte, principalmente em função do art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172/66, a saber: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado." Processo n° :10746.001480/95-91 Acórdão n° : CSRF/03-03.156 É entendimento pacífico no âmbito da Receita Federal que, embora o inciso acima contenha a expressão "que houver anulado", trata-se efetivamente de nulidade, posto que o dispositivo se refere a vício formal. Assim, a autoridade lançadora disporá de cinco anos para repetir o ato inquinado, desta vez certamente adotando todos os procedimentos elencados no art. 11 do Decreto n° 70.235/72. Para muitos contribuintes, dependendo do caso, é preferível o julgamento do mérito, à declaração de nulidade, o que conduziria certamente a um novo lançamento, com a repetição de todo um ritual que, na maioria dos casos, onera o sujeito passivo com despesas de Laudo Técnico de Avaliação, honorários advocatícios, etc. Principalmente para aqueles que já foram vitoriosos em primeira instância, e vêm discutir no Conselho de Contribuintes apenas os acréscimos e penalidades pecuniárias. Para estes, certamente, não seria agradável submeter-se a um novo julgamento de primeira instância, dado o princípio da eventualidade. Ademais, assim se expressa o ilustre Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR , no voto condutor do Acórdão que negou acolhimento à preliminar de Nulidade do Lancamento referente ao recurso 121.519 do Terceiro Conselho de Contribuintes: O art. 9 do Decreto n° 70.235172, com a redação que a ele foi dada pelo art. 1° da Lei 8.748193, estabelece: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de uma obrigação tributária, descrevendo o lançamento como: 1. a verificação da ocorrência do fato gerador: Processo n° : 10746.001480/95-91 Acórdão n° : CSRF/03-03.156 2. a determinação da matéria tributável: 3. o cálculo do montante do tributo: 4. a identificação do sujeito passivo: 5. proposição da penalidade cabível, sendo o caso, Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário far- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art. 11, do Decreto 70.235/72, o que a notificação de lançamento, expedida pelo órgão que administra o tributo conterá obrigatoriamente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula", prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. Já o artigo 59 do Decreto 70.235/72 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O dispositivo subseqüente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, a Notificação de Lançamento que não contiver a assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e não deixam de implicar em nulidade. Processo n° : 10746.001480/95-91 Acórdão n° : CSRF/03-03.156 Isso porque constituem cerceamento do direito de defesa, porque não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade de os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. Todavia, todas essas considerações não se aplicam à questão em tela, "Notificação de Lançamento do ITR@', até 31112/96, por se tratar de uma notificação atípica, pois, ao contrário do que estatui o artigo 9' do Decreto 70.235172, ela não se refere a um só imposto. Ela abarca, além do ITR, as Contribuições Sindicais destinadas às entidades, patronais e profissionais, relacionadas com a atividade agropecuária. Essas contribuições, segundo a legislação de regência, tem a seguinte destinação: 60% para os Sindicatos da categoria, 15% para as Federações estaduais que os abarcam, 5% para as Confederações Nacionais (CNA e CONTAG) e os 20% restantes vão para o Ministério do Trabalho (conta Emprego e Salário, que se destina a ações desse Ministério que visam ao apoio à manutenção e geração de empregos e melhoria da remuneração dos trabalhadores). Além dessas Contribuições Sindicais, a chamada Notificação de Lançamento do ITR promove a arrecadação destinada ao SENAR que é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que objetiva o aprendizado, treinamento e reciclagem do trabalhador rural. Por se tratar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, tal fato tumultua a apreciação do lançamento, face a diversidade das legislações de regência, com diversas conseqüências danosas às arrecadações, quando apenas uma delas apresentar irregularidade ou sofrer outras contestações, podendo impedir o prosseguimento do recolhimento das demais. Processo n° : 11078.000021/96-54 Acórdão n° : CSRF/03-03.15 G Essa dita Notificação de Lançamento também contraria o disposto no art. 142 do CTN, que lista os procedimentos para constituição do crédito tributário, como tratado anteriormente neste Voto. Dessa forma, a chamada Notificação de Lançamento do ITR, não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal. É um instrumento de cobrança do ITR e das demais Contribuições. Assim sendo, não está essa dita Notificação de Lançamento sujeita às normas legais que cuidam de nulidade, a qual, argüida, não deve ser acolhida. Por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Sala das Sessões-DF, em 07 de maio de 2001. ENRIQ PRADO MEGDA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1
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Numero do processo: 13891.000295/2008-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2009 OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-000.978
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13891.000295/200834 Acórdão n.º 180100.978 S1TE01 Fl. 71 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) foi excluída de ofício mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 28, de 27.11.2008, com efeitos a partir de 01.06.2008, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, fl. 29 (inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e § 1º do art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007). O procedimento de ofício é decorrente do Auto de Infração lavrado contra a Recorrente por infração às medidas de controle fiscal relativas a fumo, cigarro, charuto de procedência estrangeira combinado com o perdimento de mercadoria, pelo porte e comercialização de tais produtos em seu estabelecimento formalizado no processo nº 10813.000280/200819, que se encontra findo na esfera administrativa e cujas cópias constam às fls. 0425. Cientificada em 11.12.2008, fl. 34, a Recorrente apresentou a impugnação em 12.01.2009, fls. 3541, argumentando em síntese que não realizou qualquer comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Suscita que não há provas nos autos de que de fato a atividade mercancia foi realizada, tais como nota fiscal de venda, nota fiscal de compra, relato de testemunha, tampouco escrituração no Livro Caixa. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todos estes motivos, a requerente entende que se encontra em situação regular perante a todos os entes estatais gestores do Simples Nacional, e requer que seja deferido o pedido de cancelamento do ADE 28, e seja mantida no sistema Simples Nacional. Termos em que P. Deferimento Está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1433.339, de 14.04.2011, fls. 4748: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Assunto: Simples Nacional Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13891.000295/200834 Acórdão n.º 180100.978 S1TE01 Fl. 72 3 Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. Darseá a exclusão de ofício do Simples Nacional quando a ME ou EPP comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Notificada em 20.05.2011, fl. 59, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 01.06.2011, fls. 6168, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui Por todos estes motivos, a recorrente entende que se encontra em situação regular perante a todos os entes estatais gestores do Simples Nacional, e requer que seja anulada a decisão de primeira instância, por inconsistente, e alternativamente que seja deferido o pedido de cancelamento do ADE 28, e seja mantida no sistema Simples Nacional. Termos em que P. Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, fl. 69. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente se insurge contra o ato de ofício ao argumento de que a causa excludente não se encontra comprovada nos autos. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais.A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é formalizada mediante termo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. O seus efeitos podem ser retroativos, conforme o caso. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a Fl. 72DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13891.000295/200834 Acórdão n.º 180100.978 S1TE01 Fl. 73 4 presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente1. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência, de sua validade e de sua eficácia. Ademais a Administração Pública deve observar, dentre outros, os princípios da ampla defesa e do contraditório e por esta razão, no processo administrativo fiscal deve ser adotado o critério da necessária indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinam a sua emissão. O Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 28, de 27.11.2008, foi emitido pela autoridade competente com efeitos a partir de 01.06.2008, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, fl. 29. Estes fatos estão comprovados nos autos mediante o Auto de Infração lavrado contra a Recorrente por infração às medidas de controle fiscal relativas a fumo, cigarro, charuto de procedência estrangeira combinado com o perdimento de mercadoria, pelo porte e comercialização de tais produtos em seu estabelecimento formalizado no processo nº 10813.000280/200819, que se encontra findo na esfera administrativa, bem como o Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 0810900/00503/08, de 25.06.2008, protocolado no processo administrativo de nº 10813.000268/200804 e ainda o Auto de Exibição e Apreensão expedido pela Delegacia de Polícia de Porto Ferreira/SP datado de 14.06.2007 e cujas cópias constam às fls. 0425. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso2. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade3. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 e art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965. 2 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13891.000295/200834 Acórdão n.º 180100.978 S1TE01 Fl. 74 5 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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