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Numero do processo: 15582.000894/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1201-000.106
Decisão: RESOLUÇÃO
Resolvem os membros desta Turma Julgadora, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes, João Carlos de Lima Junior e Marcos Vinicius Barros Ottoni.
RELATÓRIO
Trata-se de pedido de compensação homologada parcialmente pela Receita Federal, na qual se declarou crédito decorrente de recolhimento de CSLL em regime de estimativa relativo ao período de abril de 2003, fora usado para pagamento de débitos de CSLL relativos a setembro e outubro de 2003.
A natureza do crédito se deu em declaração como pagamento indevido ou a maior, contudo, não houve homologação integral do débito, pois o contribuinte apresentou PER/DCOMP após o vencimento dos débitos (apresentou os pedidos de compensação em 27 de fevereiro de 2004), e não informou no débito a multa de mora, o que resultou em saldo insuficiente para a homologação, pois a fazenda exige nesses casos a multa moratória.
Na mesma data, qual seja, 27 de fevereiro de 2004, a contribuinte além da entrega do PER/DCOMP, apresentou também à Receita Federal petição informando que os débitos fiscais relativos aos períodos de janeiro, fevereiro, março, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2003, foram pagos através de compensações, mas sem a multa de mora.
Em 12/12/2008, a contribuinte, após intimada da decisão da Receita Federal, apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando a tese da denúncia espontânea, juntando precedentes do STJ e do CARF.
A DRJ decidiu pela não homologação, ou seja, manteve a decisão da DRF, alegando de forma sintética que não se pode confundir pagamento de tributo atrasado com denúncia espontânea.
A contribuinte foi intimada de decisão em 27/12/2011.
Inconformada, a contribuinte apresentou em 20/01/2012, Recurso Voluntário, repisando a tese da denúncia espontânea, da mesma forma que transcreveu em sua manifestação de inconformidade, embora com uma nova roupagem lingüística.
Não há nos autos prova de que o contribuinte primeiro realizou o pagamento/compensação do débito fiscal e depois declarou o tributo. O contribuinte não traz esses documentos que respaldam sua tese defendida.
Este é o relatório!
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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decisao_txt : RESOLUÇÃO Resolvem os membros desta Turma Julgadora, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto- Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes, João Carlos de Lima Junior e Marcos Vinicius Barros Ottoni. RELATÓRIO Trata-se de pedido de compensação homologada parcialmente pela Receita Federal, na qual se declarou crédito decorrente de recolhimento de CSLL em regime de estimativa relativo ao período de abril de 2003, fora usado para pagamento de débitos de CSLL relativos a setembro e outubro de 2003. A natureza do crédito se deu em declaração como pagamento indevido ou a maior, contudo, não houve homologação integral do débito, pois o contribuinte apresentou PER/DCOMP após o vencimento dos débitos (apresentou os pedidos de compensação em 27 de fevereiro de 2004), e não informou no débito a multa de mora, o que resultou em saldo insuficiente para a homologação, pois a fazenda exige nesses casos a multa moratória. Na mesma data, qual seja, 27 de fevereiro de 2004, a contribuinte além da entrega do PER/DCOMP, apresentou também à Receita Federal petição informando que os débitos fiscais relativos aos períodos de janeiro, fevereiro, março, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2003, foram pagos através de compensações, mas sem a multa de mora. Em 12/12/2008, a contribuinte, após intimada da decisão da Receita Federal, apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando a tese da denúncia espontânea, juntando precedentes do STJ e do CARF. A DRJ decidiu pela não homologação, ou seja, manteve a decisão da DRF, alegando de forma sintética que não se pode confundir pagamento de tributo atrasado com denúncia espontânea. A contribuinte foi intimada de decisão em 27/12/2011. Inconformada, a contribuinte apresentou em 20/01/2012, Recurso Voluntário, repisando a tese da denúncia espontânea, da mesma forma que transcreveu em sua manifestação de inconformidade, embora com uma nova roupagem lingüística. Não há nos autos prova de que o contribuinte primeiro realizou o pagamento/compensação do débito fiscal e depois declarou o tributo. O contribuinte não traz esses documentos que respaldam sua tese defendida. Este é o relatório!
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLUÇÃO Resolvem os membros desta Turma Julgadora, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes, João Carlos de Lima Junior e Marcos Vinicius Barros Ottoni. RELATÓRIO Tratase de pedido de compensação homologada parcialmente pela Receita Federal, na qual se declarou crédito decorrente de recolhimento de CSLL em regime de estimativa relativo ao período de abril de 2003, fora usado para pagamento de débitos de CSLL relativos a setembro e outubro de 2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 82 .0 00 89 4/ 20 08 -7 7 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/10/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15582.000894/200877 Resolução nº 1201000.106 S1C2T1 Fl. 3 2 A natureza do crédito se deu em declaração como pagamento indevido ou a maior, contudo, não houve homologação integral do débito, pois o contribuinte apresentou PER/DCOMP após o vencimento dos débitos (apresentou os pedidos de compensação em 27 de fevereiro de 2004), e não informou no débito a multa de mora, o que resultou em saldo insuficiente para a homologação, pois a fazenda exige nesses casos a multa moratória. Na mesma data, qual seja, 27 de fevereiro de 2004, a contribuinte além da entrega do PER/DCOMP, apresentou também à Receita Federal petição informando que os débitos fiscais relativos aos períodos de janeiro, fevereiro, março, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2003, foram pagos através de compensações, mas sem a multa de mora. Em 12/12/2008, a contribuinte, após intimada da decisão da Receita Federal, apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando a tese da denúncia espontânea, juntando precedentes do STJ e do CARF. A DRJ decidiu pela não homologação, ou seja, manteve a decisão da DRF, alegando de forma sintética que não se pode confundir pagamento de tributo atrasado com denúncia espontânea. A contribuinte foi intimada de decisão em 27/12/2011. Inconformada, a contribuinte apresentou em 20/01/2012, Recurso Voluntário, repisando a tese da denúncia espontânea, da mesma forma que transcreveu em sua manifestação de inconformidade, embora com uma nova roupagem lingüística. Não há nos autos prova de que o contribuinte primeiro realizou o pagamento/compensação do débito fiscal e depois declarou o tributo. O contribuinte não traz esses documentos que respaldam sua tese defendida. Este é o relatório! VOTO Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Antes de adentrar ao julgamento do caso, resta necessária a baixa dos autos em diligência, para que a Receita Federal junte aos autos cópia das DCTFs relativas aos débitos de IRPJ do períodobase de julho, agosto, setembro e outubro de 2003, sendo este documento imprescindível para o julgamento da causa. Se ficar comprovado nos autos com a juntada da DCTF que a contribuinte primeiro pagou o débito fiscal por meio de PER/DCOMP, e depois declarou, então seria o caso de aplicar o entendimento do STJ quanto à denúncia espontânea. Não obstante, se for de forma contrária, qual seja primeiro se declarou e depois houve o pagamento, então o entendimento do STJ não é aplicável ao caso, a despeito desse entendimento privilegiar o sonegador ao invés daquele que não omite débitos. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/10/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15582.000894/200877 Resolução nº 1201000.106 S1C2T1 Fl. 4 3 Nestes termos, determino a baixa dos autos em diligência, para que a Receita Federal junte aos autos cópia das DCTFs (original e retificadoras) quanto ao débito de IRPJ estimativa de julho, agosto, setembro e outubro de 2003. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 13/10/2 014 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10530.723762/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
FALTA DE RECOLHIMENTO - LANÇAMENTO.
Cabível o lançamento de ofício de diferenças verificadas entre o imposto devido, apurado a partir da escrituração contábil e fiscal da empresa, e o valor confessado ou recolhido, em conformidade com a legislação aplicável.
GANHO DE CAPITAL - CUSTO DO BEM.
Havendo dois instrumentos de diferentes teores formalizando uma mesma cessão de direitos (um indicando pagamento de preço pela aquisição dos direitos adquiridos, e outro não), aquele firmado sem a interveniência da construtora e não levado a registro no RGI só poderia prevalecer para consideração do valor de aquisição se corroborado com a prova do pagamento.
GANHO DE CAPITAL - ALIENAÇÃO DE IMÓVEL ADQUIRIDO EM CONSTRUÇÃO.
Não prevalece o lançamento de imposto sobre o ganho de capital cuja apuração foi feita pela diferença entre o valor de alienação do apartamento pronto e o valor de aquisição da fração ideal do terreno que, ao final da construção, corresponderia ao apartamento.
GANHO DE CAPITAL - CUSTO DO BEM - ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. NOVAÇÃO
Em se tratando de situação jurídica, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados, sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. A novação do contrato não interfere nos efeitos do fato gerador ocorrido.
GANHO DE CAPITAL - ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL.
O art. 19 da Lei nº 9.292/96, ao dispor que, para fins de apuração do ganho de capital, considera-se valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, que subordinou a apuração do ganho de capital aos valores considerados para fins de apuração do ITR. O VTN declarado na DIAT no ano-calendário da alienação, e não contestado pela administração tributária para fins de apuração do ITR, será considerado valor de venda para fins de apuração do ganho de capital.
LANÇAMENTOS DECORRENTES: CSLL, PIS e COFINS.
Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado, para os lançamentos decorrentes, o que foi decidido para o matriz, no que couber.
Numero da decisão: 1301-001.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento: 1) RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS: Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso; 2) GANHO DE CAPITAL EM RAZÃO DA VENDA DO APARTAMENTO 1101 DO EDIFÍCIO MANSÃO MANUEL ANDRADE: Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso; 3) GANHO DE CAPITAL EM RAZÃO DA VENDA DO APARTAMENTO 2.301 DO EDIFICIO TERRAZO IMPERIALE: Por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso; 4) FAZENDA REAL - GLEBAS ALAGOAS, PERNAMBUCO, PIAUÍ, BAHIA E CEARÁ: Por maioria de votos, dado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas e Wilson Fernandes Guimarães; 5). FAZENDA CASA REAL - GLEBAS MARANHÃO E PARÁ: Decisão: Por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães acompanhou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Ana Clara de Carvalho, OAB/BA nº 18.478.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 FALTA DE RECOLHIMENTO - LANÇAMENTO. Cabível o lançamento de ofício de diferenças verificadas entre o imposto devido, apurado a partir da escrituração contábil e fiscal da empresa, e o valor confessado ou recolhido, em conformidade com a legislação aplicável. GANHO DE CAPITAL - CUSTO DO BEM. Havendo dois instrumentos de diferentes teores formalizando uma mesma cessão de direitos (um indicando pagamento de preço pela aquisição dos direitos adquiridos, e outro não), aquele firmado sem a interveniência da construtora e não levado a registro no RGI só poderia prevalecer para consideração do valor de aquisição se corroborado com a prova do pagamento. GANHO DE CAPITAL - ALIENAÇÃO DE IMÓVEL ADQUIRIDO EM CONSTRUÇÃO. Não prevalece o lançamento de imposto sobre o ganho de capital cuja apuração foi feita pela diferença entre o valor de alienação do apartamento pronto e o valor de aquisição da fração ideal do terreno que, ao final da construção, corresponderia ao apartamento. GANHO DE CAPITAL - CUSTO DO BEM - ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. NOVAÇÃO Em se tratando de situação jurídica, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados, sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. A novação do contrato não interfere nos efeitos do fato gerador ocorrido. GANHO DE CAPITAL - ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. O art. 19 da Lei nº 9.292/96, ao dispor que, para fins de apuração do ganho de capital, considera-se valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, que subordinou a apuração do ganho de capital aos valores considerados para fins de apuração do ITR. O VTN declarado na DIAT no ano-calendário da alienação, e não contestado pela administração tributária para fins de apuração do ITR, será considerado valor de venda para fins de apuração do ganho de capital. LANÇAMENTOS DECORRENTES: CSLL, PIS e COFINS. Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado, para os lançamentos decorrentes, o que foi decidido para o matriz, no que couber.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento: 1) RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS: Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso; 2) GANHO DE CAPITAL EM RAZÃO DA VENDA DO APARTAMENTO 1101 DO EDIFÍCIO MANSÃO MANUEL ANDRADE: Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso; 3) GANHO DE CAPITAL EM RAZÃO DA VENDA DO APARTAMENTO 2.301 DO EDIFICIO TERRAZO IMPERIALE: Por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso; 4) FAZENDA REAL - GLEBAS ALAGOAS, PERNAMBUCO, PIAUÍ, BAHIA E CEARÁ: Por maioria de votos, dado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas e Wilson Fernandes Guimarães; 5). FAZENDA CASA REAL - GLEBAS MARANHÃO E PARÁ: Decisão: Por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães acompanhou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Ana Clara de Carvalho, OAB/BA nº 18.478. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.723762/201295 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.472 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de abril de 2014 Matéria IRPJ Recorrente Fazenda Nacional Recorrida Juazeiro Empreendimentos Ltda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 FALTA DE RECOLHIMENTO LANÇAMENTO. Cabível o lançamento de ofício de diferenças verificadas entre o imposto devido, apurado a partir da escrituração contábil e fiscal da empresa, e o valor confessado ou recolhido, em conformidade com a legislação aplicável. GANHO DE CAPITAL CUSTO DO BEM. Havendo dois instrumentos de diferentes teores formalizando uma mesma cessão de direitos (um indicando pagamento de preço pela aquisição dos direitos adquiridos, e outro não), aquele firmado sem a interveniência da construtora e não levado a registro no RGI só poderia prevalecer para consideração do valor de aquisição se corroborado com a prova do pagamento. GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE IMÓVEL ADQUIRIDO EM CONSTRUÇÃO. Não prevalece o lançamento de imposto sobre o ganho de capital cuja apuração foi feita pela diferença entre o valor de alienação do apartamento pronto e o valor de aquisição da fração ideal do terreno que, ao final da construção, corresponderia ao apartamento. GANHO DE CAPITAL CUSTO DO BEM ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. NOVAÇÃO Em se tratando de situação jurídica, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados, sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. A novação do contrato não interfere nos efeitos do fato gerador ocorrido. GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 37 62 /2 01 2- 95 Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 3 2 O art. 19 da Lei nº 9.292/96, ao dispor que, para fins de apuração do ganho de capital, considerase valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, que subordinou a apuração do ganho de capital aos valores considerados para fins de apuração do ITR. O VTN declarado na DIAT no anocalendário da alienação, e não contestado pela administração tributária para fins de apuração do ITR, será considerado valor de venda para fins de apuração do ganho de capital. LANÇAMENTOS DECORRENTES: CSLL, PIS e COFINS. Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado, para os lançamentos decorrentes, o que foi decidido para o matriz, no que couber. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento: 1) RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS: Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso; 2) GANHO DE CAPITAL EM RAZÃO DA VENDA DO APARTAMENTO 1101 DO EDIFÍCIO MANSÃO MANUEL ANDRADE: Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso; 3) GANHO DE CAPITAL EM RAZÃO DA VENDA DO APARTAMENTO 2.301 DO EDIFICIO TERRAZO IMPERIALE: Por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso; 4) FAZENDA REAL GLEBAS ALAGOAS, PERNAMBUCO, PIAUÍ, BAHIA E CEARÁ: Por maioria de votos, dado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas e Wilson Fernandes Guimarães; 5). FAZENDA CASA REAL GLEBAS MARANHÃO E PARÁ: Decisão: Por unanimidade de votos, dado provimento ao recurso. O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães acompanhou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Ana Clara de Carvalho, OAB/BA nº 18.478. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 4 3 O litígio posto a julgamento instaurouse pela impugnação a autos de infração cientificados ao contribuinte em 13/06/2012, para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Contribuição para o PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) referentes aos anoscalendário de 2007 a 2011. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 102/121, foram constatadas as seguintes infrações: 1. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS: Através do Livro Caixa da contribuinte foi apurada a ocorrência de receitas escrituradas e não declaradas, conforme demonstrado em planilha anexa ao Termo de Verificação Fiscal, às fls. 122/126; Com base nos recolhimentos efetuados, foi verificado que os tributos efetivamente declarados e pagos se referiam a receitas de aluguel, cujos valores mensais escriturados foram de R$ 13.176,26, no ano calendário de 2007, e de R$ 12.680,00, no ano calendário de 2008; Com relação ao 3º trimestre de 2007, também foi declarado o valor de R$ 216.688,46, a título de ganho de capital; Com relação aos 3º e 4º trimestres de 2008, foram constatados recolhimentos de IRPJ e de CSLL em valores superiores aos declarados, sendo que as diferenças apuradas, conforme demonstrado à fl. 111, foram aproveitadas na autuação fiscal; Com isso, as receitas consideradas como não declaradas, relacionadas no citado demonstrativo de fls. 122/126, foram decorrentes de vendas de produtos, sujeitas ao percentual de presunção do lucro de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL; 2. GANHOS DE CAPITAL: A contribuinte alienou diversos imóveis durante o período fiscalizado (2007 e 2008) e, como algumas alienações foram feitas a prazo, com recebimentos nos anos calendário de 2009 a 2011, foi ampliado o período fiscalizado exclusivamente para o lançamento dos ganhos de capital apurados e não declarados; 2.1. Apartamentos 1101 e 2301: Através dos documentos apresentados pela interessada, foi constatado que o apartamento nº 1101 do prédio denominado Edifício Mansão Manuel Andrade foi adquirido junto à empresa Costa Andrade Empreendimentos Ltda. pelo preço convencionado, à época da aquisição (01/1993), de Cr$ 207.568.154,40, o qual, convertido para reais em 31/12/1995, seria equivalente a R$ 12.278,78; Como o imóvel foi vendido por R$ 370.000,00, conforme escritura apresentada, com recebimento do preço em julho de 2008, o ganho de capital é equivalente a R$ 357.721,22; Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 5 4 Em relação ao apartamento nº 2301, do Edifício Terrazo Imperiale, foi constatado que tal imóvel foi adquirido em maio de 2003, pelo preço de R$ 246.400,00, e vendido em 15/07/2008, por R$ 820.000,00, tendo a contribuinte recebido a quantia de R$ 650.000,00 à vista e o valor restante, no montante de R$ 170.000,00, foi dividido em 20 parcelas, conforme notas promissórias emitidas; O ganho de capital, portanto, foi de R$ 573.600,00, cuja tributação deve ser efetuada à medida dos respectivos recebimentos, conforme planilha à fl. 113; 2.2. Fazenda Real – Glebas Alagoas, Pernambuco, Piauí, Bahia e Ceará: As glebas de terras citadas foram adquiridas através de integralização de capital, no valor de R$ 150.000,00, em 1999, conforme 5ª Alteração Contratual apresentada (fls. 158/164); Nos Documentos de Informação e Apuração do ITR (DIAT) apresentados no ano de 1999, constam os Valores da Terra Nua (VTN) das glebas em referência, no total de R$ 555.000,00, conforme demonstrado em planilha à fl. 114; A alienação desse conjunto de terras iniciouse em 01/10/2004, tendo como adquirentes JORGE LUIZ PINTO SALDANHA E OUTROS, conforme Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda e Outras Avenças, anexado às fls. 143/157. Essa alienação se deu a prazo, no valor total de R$ 8.200.234,86 e dação em pagamento na quantia correspondente a 306.000 sacas de soja, no valor total de R$ 8.968.860,00, a serem pagas ao longo de 11 anos, com término em 2015, perfazendo o valor total da venda da ordem de R$ 17.169.094,86; Durante os anos de 2004, 2005 e 2006 foi recebido o equivalente a 99.000 sacas de soja (R$ 2.901.690,00), correspondente a 16,9% do valor total negociado, percentual esse que deve ser aplicado sobre o custo de aquisição de cada gleba de terra, de forma a não considerálos na NOVAÇÃO que ocorreu no ano calendário de 2007, tendo em vista que os ganhos de capital proporcionais auferidos nos anos de 2004 a 2006 não devem influenciar na nova negociação ocorrida no ano calendário de 2007. Sendo assim, o custo de aquisição a ser considerado, no ano calendário de 2007, é de 83,1% (100%/16,9%) sobre o VTN de cada gleba, como demonstrado na planilha denominada Custo de Aquisição Proporcional, à fl. 115; Como exposto, em julho de 2007 houve uma nova negociação, na qual os compradores JORGE LUIZ PINTO SALDANHA E OUTROS venderam as glebas de terra em questão para a empresa AGRÍCOLA XINGU S/A., sendo que o valor acertado passou a ser de 3.200.000 sacas de soja, a um valor estabelecido de R$ 29,00 por saca de soja, apesar de ter parcela do preço dependente de fixação futura do valor da saca. Com isso, o preço de compra e venda foi de R$ 92.800.000,00; Uma parte desse preço correspondeu à dívida que a XINGU assumiu perante a empresa fiscalizada (Juazeiro), em lugar dos vendedores, e com valores frutos da NOVAÇÃO; Conforme demonstrado em planilha à fl. 115, na NOVAÇÃO efetuada, cabia à fiscalizada o montante de R$ 20.088.097,00, equivalente a 21,65% do valor total negociado nesse novo contrato; Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 6 5 O valor de alienação, segundo a legislação vigente, deve ser o VTN informado no DIAT, no ano de alienação dos respectivos imóveis. Foi constatado que, no ano calendário de 2007, houve uma incorporação das glebas PERNAMBUCO, ALAGOAS, BAHIA E PIAUÍ, além de outras terras adquiridas de uma pessoa física, as quais não fazem parte dessa fiscalização, conforme DITR apresentada. O que interessa para o Fisco é que a área total do imóvel ficou em 15.952,5ha e o VTN desse imóvel foi declarado por R$ 84.835.422,65, o que dá um valor unitário de R$ 5.318,00/ha, valor este que deve ser multiplicado pelas áreas vendidas, objeto dessa fiscalização, na apuração dos valores de alienação no ano calendário de 2007, conforme planilha à fl. 116; Considerando que a empresa fiscalizada só detinha, à época, 21,65% do total alienado, este percentual deve ser aplicado sobre os valores constantes da referida planilha, conforme demonstrado também à fl. 116; Com isso, os ganhos de capital relacionados às quatro glebas de terra (PERNAMBUCO, ALAGOAS, BAHIA E PIAUÍ) foram calculados como demonstrado na planilha denominada Ganho de Capital Apurado (fl. 116); Com relação à gleba CEARÁ, foi verificado que ela não foi incorporada, como as demais, permanecendo em poder da fiscalizada no ano calendário de 2007, conforme DITR apresentada, sendo que o VTN informado encontra se notoriamente subavaliado, no montante de R$ 50.000,00; Como o preço médio por hectare no município de São Desidério, conforme SIPT – Sistema de Preços de Terra, no referido ano, era de R$ 2.110,50ha, de acordo com avaliação do INCRA, o VTN de avaliação para a gleba CEARÁ ficou em R$ 6.783.358,05, valor este que deve ser multiplicado por 21,65%, correspondente à parcela da fiscalizada, obtendo se um VTN de R$ 1.468.597,02 e apurandose, portanto, um ganho de capital de R$ 1.377.187,02 (R$ 1.468.597,02 – R$ 91.410,00); Com os ganhos de capital discriminados para as cinco glebas de terra da Fazenda Real, o valor total apurado foi de R$ 15.751.312,71, conforme demonstrativo anexado à fl. 117; VALORES RECEBIDOS PELA JUAZEIRO: Na cláusula CONDIÇÕES GERAIS, item 2.2, ficaram determinados os seguintes pagamentos à Juazeiro: 2.2.1. R$ 1.616.924,00, dia 25/09/2007, e; 2.2.2. R$ 18.471.173,00, com dação em pagamento de 636.937 sacas de soja, do dia 30/04/2008 até o dia 30/07/2008; A empresa AGRÍCOLA XINGU foi intimada e comprovou os efetivos pagamentos nas seguintes quantias: R$ 1.616.924,00, no dia 25/09/2007, e R$ 15.605.031,48, no dia 14/07/2008; Desse último valor, a Juazeiro solicitou que a quantia de R$ 12.905.031,48 fosse paga à empresa BOMFIM AGRÍCOLA E PECUÁRIA LTDA. e que o restante, no montante de R$ 2.700.000,00, fosse reembolsado à XINGU, para pagamento de débito relativo a um processo judicial; Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 7 6 O fato de a Juazeiro não ter recebido a quantia contratada, determinando que os valores fossem repassados a terceiros, devido a dívidas e outros negócios, não tira sua condição de beneficiária dos valores envolvidos na negociação; logo, o cálculo dos percentuais relacionados aos recebimentos deve ser efetuado considerando os valores previstos/pactuados quando da celebração da venda, ou seja, de R$ 20.088.097,00, sendo que em setembro de 2007 foi recebida a parcela de R$ 1.616.924,00, que equivale a 8,05% do valor total, e o restante, equivalente a 91,95%, foi recebido em julho de 2008; Sendo assim, os valores tributáveis de ganhos de capital, referentes às alienações da Fazenda Real, glebas Pernambuco, Alagoas, Ceará, Bahia e Piauí, foram determinados como demonstrado em planilha à fl. 118; 2.3. Fazenda Casa Real – Glebas Maranhão e Pará: Tais terras foram adquiridas em 21/08/2002, conforme escrituras anexadas às fls. 662/663 e 664/665, pelo valor de R$ 75.000,00 cada uma. Nos DIAT apresentados, constam como VTN os seguintes valores: R$ 25.000,00 para a gleba Maranhão e R$ 20.000,00 para a gleba Pará; As referidas terras foram alienadas à empresa AGRÍCOLA XINGU S/A., que informou ter pago por elas o equivalente a 713.250 sacas de soja, em 5 parcelas, como discriminadas à fl. 118; O ano de alienação foi 2007 e nas DITR apresentadas pela própria empresa fiscalizada constam VTN de R$ 30.000,00 para cada imóvel, valor este notoriamente subavaliado, considerando, como já exposto no item anterior, o preço médio por hectare de terra no município, de R$ 2.110,50, que, multiplicado pela área de cada terreno, de 1.645,00 ha, indica o VTN de alienação de R$ 3.471.772,50 para cada gleba; O ganho de capital apurado com a venda dessas duas propriedades, portanto, como demonstrado à fl. 119, totalizou R$ 6.898.545,00; Como o recebimento dessas vendas foi em parcelas, considerando quantidades de sacas de soja, cujos preços sofrem variações de acordo com a cotação no mercado, a forma de apuração dos percentuais relacionados aos recebimentos deve considerar as quantidades de sacas de soja recebidas, como a seguir demonstrado: 1ª Parcela: 62.668/713.250 = 8,79% 2ª Parcela: 222.632/713.250 = 31,21% 3ª Parcela: 142.650/713.250 = 20% 4ª Parcela: 142.650/713.250 = 20% 5ª Parcela: 142.650/713.250 = 20% Com isso, os ganhos de capital para os imóveis em referência (Fazenda Casa Real – Glebas Maranhão e Pará) foram apurados de acordo com esses percentuais, como demonstrados em planilha à fl. 119; 3. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: As infrações apontadas, além de subsidiarem a apuração do IRPJ, também geraram lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL). Em relação ao PIS e Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 8 7 à Cofins, os respectivos lançamentos foram com base apenas na infração descrita como receitas escrituradas e não declaradas; A impugnação tempestivamente apresentada, acompanhada de documentação, encontrase assim sintetizada pelo Relator da decisão de primeira instância: INFRAÇÃO 1 – COBRANÇA DE PIS, COFINS, IRPJ E CSLL SOBRE RECEITAS ESCRITURADAS REFERENTES A VENDAS EFETUADAS PELA IMPUGNANTE: A impugnante é, desde 2004, empresa dedicada exclusivamente à produção de produtos hortícolas e frutas; No demonstrativo elaborado pela fiscalização, verificase que a maior parte das receitas consideradas no lançamento decorreu de vendas a pessoas jurídicas, entre as quais destacamse Distribuidora Mesquita, Hiper Santos, Agro Comercial Shimizu (Bunge Alimentos), Birtolon Comércio de Frutas e Bompreço Bahia S/A., as quais tem como atividade empresarial o comércio atacadista e varejista de produtos hortícolas e frutas, consoante comprovantes de inscrição no CNPJ juntados (fls. 1.144/1.148); No demonstrativo constam ainda, expressamente, várias indicações de “receitas com venda de frutas”, nos casos de vendas realizadas para comerciantes pessoas físicas, que compram as frutas e as retiram em caminhões próprios para posterior revenda, principalmente no CEASA; As receitas apuradas pela fiscalização, portanto, decorrem da venda de produtos hortícolas e de frutas, únicos itens de produção própria da impugnante, que gozam de tributação diferenciada a título de PIS e de Cofins, com atribuição de alíquota zero, nos termos do art. 28, III, da Lei nº 10.865, de 2004 (reproduz); Desse modo, as receitas constantes do demonstrativo elaborado pela fiscalização, no tocante à infração em comento, devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins; Quanto ao IRPJ e à CSLL relativos ao período de outubro a dezembro de 2008, a fiscalização deixou de considerar pagamentos feitos pela empresa, conforme DARF anexados (fls. 1.149/1.154), que devem ser deduzidos dos valores exigidos; Ressaltese que os valores dos DARF são até superiores aos montantes lançados para o período, vez que foram contempladas, além da totalidade das receitas com vendas de produtos hortícolas e frutas, as receitas auferidas através de aluguéis de imóveis próprios no valor de R$ 12.680,00 por mês; Portanto, devem ser excluídas da autuação os débitos de IRPJ e de CSLL lançados para o 4º trimestre de 2008, devendo ser mantidos apenas os valores de R$ 24.484,34 (IRPJ) e de R$ 20.188,91 (CSLL), conforme demonstrativo anexado (fl. 1.155); DA INFRAÇÃO 2 – DA EXIGÊNCIA DE IRPJ E DE CSLL SOBRE GANHOS DE CAPITAL: Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 9 8 A fiscalização imaginou existir omissão de receita não operacional decorrente de ganhos de capital em razão da alienação de imóveis urbanos e rurais, no entanto, os ganhos de capital foram apurados em procedimentos destoantes da realidade fática e/ou jurídica, como será explicitado a seguir; Da Improcedência da Tributação de IRPJ e de CSLL sobre a Venda do Apartamento 1101 – Do Equívoco da Autuante Quanto ao Valor de Aquisição – Da Inexistência de Ganho de Capital: O ganho de capital é a diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição de determinado bem; No caso, temse precisamente determinado o valor de alienação do imóvel, corresponde a R$ 370.000,00, conforme escritura de compra e venda anexada às fls. 486 e 487; O custo de aquisição indicado pela fiscalização, de Cr$ 207.568.154,40, foi colhido da escritura anexada às fls. 488/491, entretanto, o valor de aquisição indicado está equivocado; A impugnante, para demonstrar o alegado, junta o “Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda” firmado entre a Construtora Costa Andrade e o Sr. Fernando Cavalcanti, datado de 30/09/1991, referente ao apartamento 402 do edifício Mansão Manoel Andrade, no valor de Cz$ 156.881.368,00 (fls. 1.155/1.173, cláusula 3). Posteriormente, o Sr. Fernando Cavalcanti trocou o apartamento 402 pelo apartamento 1101, conforme “Termo Aditivo ao Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda” datado de 30/03/1992, pagando um acréscimo de Cz$ 50.686.786,44 (fls. 1.174/1.175); Em 15/09/1993, o Sr. Fernando Cavalcanti cedeu os direitos que tinha sobre o referido imóvel ao Sr. Francisco Etelvir Dantas, conforme instrumento em anexo (fls. 1.176/1.179), o qual, por sua vez, cedeu seus direitos em 23/07/1998, tendo recebido da impugnante o valor de R$ 160.000,00, conforme instrumento particular de cessão ora juntado (fl. 1.180). Essa cessão foi ratificada em 29/09/1998, com a interveniência da Construtora Costa Andrade, quando a impugnante pagou e quitou, no ato da cessão, o valor de R$ 219.856,91 para a referida construtora (fls. 1.181/1.182), que lavrou escritura de venda em nome da impugnante, consignando o valor original do negócio firmado com o Sr. Fernando Cavalcanti (Cz$ 207.568.154,40 = Cz$ 156.881.368,00 + Cz$ 50.686.786,44), conforme documentos anexados às fls. 488/491; Logo, resta provado que o valor da aquisição do imóvel foi de R$ 379.856,91 (R$ 219.856,91 + R$ 160.000,00) e, como o imóvel foi alienado por R$ 370.000,00, não existiu ganho de capital, devendo as exigências decorrentes da alienação em tela ser declaradas improcedentes; Da Improcedência da Tributação de IRPJ e de CSLL sobre a Venda do Apartamento 2301 – Da Consideração, pela Autuante, Apenas do Custo de Aquisição da Fração Ideal do Condomínio – Da Inexistência de Ganho de Capital: Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 10 9 O custo de aquisição do apartamento 2301, segundo o auto de infração, teria sido de R$ 246.400,00 e, uma vez que sua venda ocorreu por R$ 820.000,00, em julho de 2008, o ganho de capital tributável seria de R$ 573.000,00; Entretanto, conforme escritura já constante dos autos, às fls. 495/500, a aquisição no valor de R$ 246.000,00 abrangeu, tão somente, a fração ideal do terreno no qual foi construído, em regime de condomínio, o prédio de apartamentos, e não o apartamento propriamente dito; A compra da fração ideal do terreno decorreu de condomínio edilício e corresponde a noção diversa de apartamento (ou unidade imobiliária), como se nota da leitura do § 3º do art. 1.331 e do art. 1.332, I e II, do Código Civil (reproduz); A escritura anexada, utilizada de forma exclusiva pela autuante para a averiguação do custo de aquisição, é taxativa ao se referir apenas à transferência da propriedade da fração ideal do terreno no condomínio; O custo de aquisição do apartamento foi de R$ 900.000,00, como demonstra o Termo de Cessão de Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de Fração Ideal de Terreno e Outras Avenças datado de janeiro de 2006 e ora colacionado (fls. 1.183/1.185); O referido valor corresponde à soma das parcelas pagas pela impugnante ao condômino original ao Sr. Luciano Lopes, que englobam os valores que este pagou pela fração ideal e pela construção do apartamento em regime de condomínio, bem ainda a parcela paga diretamente pela impugnante ao próprio condomínio de construção; Uma vez demonstrado que a aquisição do apartamento 2301 se deu pelo valor de R$ 900.000,00, e como a venda foi efetuada por R$ 820.000,00, constatase que a impugnante suportou prejuízo na operação, e não ganho de capital, o que torna improcedentes os lançamentos do IRPJ e da CSLL em questão; Das Alienações Realizadas pela Impugnante para a Agrícola Xingu – Glebas Maranhão e Pará – Da Nulidade da Autuação em Razão dos Vícios na Apuração do Ganho de Capital sobre a Venda de Imóvel Rural: A autuante, por entender ter existido subavaliação, realizou arbitramento do VTN para fins de alienação, utilizandose dos preços de terra constantes do SIPT, consignando como enquadramento legal o art. 523 do RIR/1999 e os arts. 14 e 19 da Lei nº 9.393, de 1996 (reproduz); Da leitura desses dispositivos, observase, desde já, a violação ao art. 523 do RIR/1999, tendo em vista que não é lícito à fiscalização utilizar as informações sobre preços de terras constantes de sistemas instituídos pela própria RFB apenas para fins de cálculo do valor de alienação (ano de 2007), olvidandose de fazêlo em relação à aquisição (ano de 2002); Tal conduta acarreta uma distorção na apuração do ganho de capital hipoteticamente auferido pela impugnante, na medida em que pretende adequar os valores de alienação aos parâmetros de mercado, supostamente aproximandoos da realidade, mas não o faz em relação aos custos de aquisição; Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 11 10 Se os VTN declarados em 2007 (alienação) estavam defasados em cerca de R$ 3.500.000,00 para cada uma das glebas, é inevitável concluir que os VTN declarados em 2002 (aquisição), com valores próximos daqueles declarados em 2007, também se encontravam defasados; O art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, é taxativo quanto à determinação de que o cálculo do ganho de capital há de ser feito a partir tanto do custo de aquisição quanto do valor de alienação, e não somente este último, como fez a autuante; Essa conduta fere diretamente a disposição do art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, e enseja violação à isonomia e à capacidade contributiva, tributando ganho de capital muito maior do que o legalmente admitido; Além disso, o art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, só permite que o VTN seja determinado de ofício, pela RFB, “considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel”; No caso em tela, não há menção aos dados relativos à área tributável e ao grau de utilização do imóvel, tendo sido utilizados apenas os dados do SIPT no cálculo do valor de alienação; Pelo exposto, requer a impugnante a nulidade das exigências de IRPJ e CSLL em tela; Da Impossibilidade do Arbitramento – Da Decadência do Direito do Fisco de Revisar o VTN Declarado em 2007: O VTN tem como data base o dia 1º de janeiro de cada ano, em conformidade com o art. 1º da Lei nº 9.393, de 1996, já que o VTN utilizado para fins de incidência do ITR é o mesmo utilizado para o cálculo do ganho de capital; Nos termos dos arts. 10 e 19 da Lei nº 9.393, de 1996, o ITR é imposto sujeito ao lançamento por homologação e, como visto anteriormente, o art. 14 dessa mesma lei, utilizado pela autuante para fundamentar a revisão dos VTN do ano de 2007, contém regra direcionada à revisão de termos da DIAT, por falta ou inexatidão de informações da declaração. Logo, resta inequívoco que o Fisco pode não homologar o lançamento/procedimento realizado pelo sujeito passivo, integrandoo de ofício; Tal regra de lei ordinária tem amparo direto no art. 149 do Código Tributário Nacional, que trata dos casos em que pode ser efetuada a revisão de ofício pela autoridade administrativa; Em conformidade com o parágrafo único do art. 149 do CTN, a revisão do lançamento só pode ser feita enquanto não extinto o direito do Fisco para constituir o crédito tributário correspondente e, no caso em apreço, a impugnante informou, nas DIAT referentes aos imóveis em comento, na data base de 01/01/2007, o VTN do referido ano, pagando o Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 12 11 imposto correspondente, operandose, naquele momento, o lançamento das informações necessárias à cobrança do ITR e, consequentemente, do imposto de renda sobre o ganho de capital, uma vez que esta exação é apurada com base nas informações da DIAT, por previsão do art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996; Desse modo, contandose 5 anos do fato gerador do respectivo tributo, têmse que o direito do Fisco de constituir crédito suplementar de ITR do exercício de 2007 se esgotou em 01/01/2012, consequentemente, as informações constantes da DIAT só poderiam ser revisadas até 01/01/2012, operandose, nessa data, a homologação tácita das informações constantes da DIAT, dentre elas, e especialmente, o VTN; Logo, quando da lavratura do auto de infração, em junho de 2012, as informações prestadas na DIAT 2007 não poderiam mais ser objeto de revisão, ante a decadência do direito do Fisco para tanto, devendo ser desconstituídas as exigências correspondentes; Da Alienação Realizada pela Impugnante para Jorge Pinto Saldanha e Outros em 2004 – Glebas Alagoas, Pernambuco, Piauí, Bahia e Ceará – Da Decadência e das Nulidades da Autuação: As glebas objeto desse item foram alienadas mediante Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda datado de 01/10/2004 (fls. 1.209/1.223), averbado no competente Cartório de Registro de Imóveis, sendo os compradores imitidos na posse de todas as glebas na mesma data, conforme cláusula VI do referido instrumento, com pagamento do preço em parcelas; Em 18/09/2007, a Fazenda Real Comércio, Representação de Produtos Agropecuários Ltda. (empresa à qual os imóveis alienados foram incorporados e cujos sócios quotistas são os mesmos adquirentes originários, o Sr. Jorge Pinto Saldanha e outros), resolveu alienar os citados imóveis para a empresa denominada Agrícola Xingu, através do “Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda, de Cessão de Contrato de Compra e Venda, Promessa de Compra e Venda e Outras Avenças” anexado às fls. 295/328; Nesse instrumento, verificase que a participação da impugnante foi a de mera anuente, para fins de concordar em suportar os riscos da evicção do direito, bem como da substituição do devedor; A autuante, porém, considerou que o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital teria ocorrido duas vezes em relação à impugnante pelas vendas das referidas glebas: uma na alienação pela impugnante aos Srs. Jorge Luiz Pinto Saldanha e outros em 2004, e outra na alienação pela Fazenda Real à Agrícola Xingu em 2007, quando esta assumiu parte da dívida daqueles com a impugnante; Apesar de restar claro que a interessada já tinha alienados tais glebas em 2004, a fiscalização entendeu que a impugnante auferiu ganho de capital em razão de ter ocorrido uma nova negociação, entendimento esse que não pode prosperar; De acordo com a legislação aplicável, a assinatura de promessa de compra e venda enseja, para fins tributários, a imediata transferência do imóvel para o adquirente, dando Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 13 12 azo à tributação sobre eventual ganho de capital percebido pelo alienante, logo, as exações do IR e da CSLL tem seu fato gerador considerado como ocorrido de forma instantânea, no momento em que é firmado o contrato de alienação, conforme uníssona jurisprudência (reproduz ementas); Resta claro que as exigências são improcedentes, uma vez que, quando da ciência dos lançamentos, em 13/06/2012, já tinham decorridos quase oito anos da ocorrência do fato gerador e, por conseguinte, decaído o direto da Fazenda de constituir o crédito tributário; Da Nulidade em Razão da Utilização de VTN Informado por Terceiro para Determinar Suposto Ganho de Capital pela Impugnante – Glebas Alagoas, Pernambuco, Piauí e Bahia: A fiscalização, para apurar o VTN de alienação das glebas Alagoas, Pernambuco, Piauí e Bahia, adotou o valor informado por terceiros (proprietários das terras), de R$ 5.318,00/ha, conforme trecho do Termo de Verificação reproduzido; Vale ressaltar que o VTN é informado pelo contribuinte do ITR, proprietário do imóvel rural, razão pela qual, em relação às glebas em epígrafe, alienadas em 2004, o DIAT foi apresentado pelos seus adquirentes, e não pela impugnante; O VTN informado no DIAT, segundo o § 2º do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996, “será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado”, razão pela qual esse VTN, decorrente de autoavaliação, é utilizado para a apuração do ganho de capital auferido pelo proprietário do imóvel no ano da sua alienação; Como, no caso em tela, o VTN utilizado foi informado por terceiro, proprietário do imóvel no ano de 2007, houve frontal violação à Lei nº 9.393, de 1996; A prosperar a pretensão da fiscalização, um contribuinte poderá sofrer exigência de imposto calculado com base em informação prestada por terceiro, sem que lhe seja assegurado o direito à impugnação ou à produção de qualquer espécie de prova quanto à realidade dos fatos, sendo evidente a nulidade da autuação nesse ponto; Da Nulidade em Relação ao Arbitramento do VTN da Gleba Ceará em Face da Impugnante e da Duplicidade do Hipotético Ganho de Capital: A autuante, em relação à gleba Ceará, reconheceu que “quem apresentou a sua DITR, referente ao ano calendário 2007, ainda foi a própria empresa fiscalizada, JUAZEIRO EMPREENDIMENTOS LTDA.”; Ou seja, sabia a autuante que a ora impugnante, apesar de não ser mais a proprietária do imóvel, apresentou a referida DITR, por equívoco; Entretanto, tal equívoco não gera consequências tributárias, uma vez que não desnatura a condição fática de ser outro o proprietário do imóvel. Assim, descabe imaginar que a gleba Ceará teria sido subavaliada em razão da existência de DITR, referente ao ano de 2007, informada pela impugnante, eis que esta, há muito, não era mais proprietária da referida gleba; Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 14 13 É de se registrar que a impugnante outorgou escritura definitiva de compra e venda a Jorge Pinto e Outros em 09/08/2005, conforme documentos anexados (fls. 1.224/1.231). Além disso, a gleba Ceará é um dos imóveis prometidos à venda no Instrumento de Promessa de Compra e Venda firmado em 18/09/2007 entre a Fazenda Real e a Agrícola Xingu pelo valor de R$ 2.800.000,00; Assim, o hipotético ganho de capital decorrente da alienação dessa gleba já se encontra no esdrúxulo método utilizado pela fiscalização com base no valor global da alienação realizada pela Fazenda Real para a Agrícola Xingu, descabendo a realização de cálculo em apartado para apurar ganho de capital em relação a essa gleba; DO PAGAMENTO: A impugnante apurou e declarou regularmente ganho de capital nas DIPJ dos exercícios de 2008 e 2009 nos montantes de R$ 216.688,46 e R$ 2.432.586,74, respectivamente, em razão de ganho de capital na alienação das glebas Pará e Maranhão, sendo que nos valores declarados estão incluídas as parcelas cujos vencimentos eram para os anos de 2009, 2010 e 2011, e os valores devidos de imposto de renda e de contribuição social estão sendo recolhidos regularmente de forma parcelada (fls. 1.232/1.233), devendo tais valores ser abatidos de eventuais exações consideradas procedentes; DOS PEDIDOS: A interessada, por tudo quanto exposto, requer: a) a declaração da total improcedência da cobrança de PIS e Cofins, bem como da procedência parcial das exações de imposto de renda e de contribuição social capituladas na infração 1, na forma do demonstrativo anexo (fl. 1.155); b) a declaração da improcedência dos lançamentos relativos às exações capituladas na infração 2, em razão de suposto ganho de capital auferido na alienação dos apartamentos 1101 e 2301, em virtude da sua inexistência; c) a declaração de nulidade dos lançamentos relativos às exações capituladas na infração 2, por suposto ganho de capital auferido na alienação das glebas Maranhão e Pará, e, acaso ultrapassadas as nulidades, o abatimento dos valores recolhidos por força dos parcelamentos em andamento; d) a declaração de nulidade dos lançamentos relativos às exações capituladas na infração 2, por suposto ganho de capital auferido na alienação das glebas Alagoas, Pernambuco, Piauí, Bahia e Ceará; e) a improcedência das exigências de imposto de renda e de contribuição social por ganho de capital auferido na alienação das glebas Alagoas, Pernambuco, Piauí, Bahia e Ceará, em razão da decadência do direito da Fazenda de constituir o crédito. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo integralmente, em relação às parcelas impugnadas, os lançamentos de IRPJ e de CSLL, e mantendo parcialmente os lançamentos de PIS e Cofins, excluindo do montante tributável os seguintes valores constantes do demonstrativo anexado ao TVF: Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 15 14 Data Discriminação da Receita Valor 07/08/2008 Receita com Venda de Frutas 16.206,11 09/08/2008 Receita com Venda de Frutas 290.000,00 19/08/2008 Receita com Venda de Frutas 166.000,00 25/08/2008 Receita com Venda de Frutas 200.000,00 É a seguinte a ementa da decisão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007; 2008; 2009; 2010; 2011 NULIDADE. O procedimento fiscal efetuado por servidor competente, no exercício de suas funções, contendo os demais requisitos exigidos pela legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, tais como o enquadramento legal e a perfeita descrição dos fatos, não pode ser considerado nulo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. Para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, iniciase a contagem na data da ocorrência do fato gerador. Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Cabível o lançamento de ofício de diferenças verificadas entre o imposto devido, apurado a partir da escrituração contábil e fiscal da empresa, e o valor confessado ou recolhido, em conformidade com a legislação aplicável. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DO BEM. ESCRITURA PÚBLICA. O instrumento hábil a comprovar a transmissão de propriedade de imóveis é a escritura pública, sendo que os contratos particulares apresentados desacompanhados de outros elementos probantes, não são suficientes para elidir os termos acordados na escritura. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DO BEM. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. Na apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural, a Receita Federal, caso constate subavaliação no valor da terra nua informado pelo contribuinte, pode considerar informações Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 16 15 sobre preços de terras constantes de sistema próprio instituído para esse fim. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. NOVAÇÃO. Nos termos do Código Civil, dáse a novação quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o PIS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o matriz, no que couber. Ciente da decisão em 08 de maio de 2013 (fls. 1271), a interessada ingressou com recurso em 06 de junho seguinte (fl. 1275). Suas alegações podem assim ser resumidas: Infração 1 – Receitas Escrituradas Referentes a Vendas Efetuadas. Pondera a Recorrente que o acórdão combatido excluiu da base de cálculo do PIS e da Cofins apenas as receitas descritas nos livros fiscais como oriundas de vendas de frutas – que eram assim registradas, especificamente, porque feitas para comerciantes pessoas físicas, que retiram as frutas em caminhões próprios para posterior revenda. Nos demais registros, por se destinarem a pessoas jurídicas, constava apenas “vendas de mercadorias”, e por essa singela razão não foram excluídas pelo referido acórdão. Diz que tal decisão não pode prosperar porque a grande maioria das empresas adquirentes dedicase apenas ao comércio de frutas e produtos hortícolas, não cabendo inferir que as vendas realizadas envolveram mercadorias diversas. Registra que da leitura do acórdão recorrido verificase que foi mantida a tributação em relação às vendas realizadas para as empresas Distribuidora Mesquita, Hiper Santos, Agro Comercial Shimizu (Bunge Alimentos) e Bortolon Comércio de Frutas, cujos objetos sociais cingemse exclusivamente ao comércio atacadista de frutas, verduras, raízes, tubérculos, hortaliças e legumes frescos, de acordo com comprovantes de inscrição cadastral emitidos pela própria SRFB, dos quais sequer consta a indicação de atividades secundárias, que eventualmente envolveriam outros tipos de produtos. Acrescenta que não podem ser desprezados como meios probatórios à disposição do contribuinte cartões de CNPJ oficiais, emitidos pela própria Receita Federal, e requer sejam excluídas da base de cálculo de PIS e COFINS as receitas de vendas para as quatro empresas mencionadas, eis que, a tida evidência, envolveram tão somente frutas, sujeitas à alíquota zero. Sucessivamente, caso ultrapassado o pedido, solicita a conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização possa realizar a circularização pelo menos em Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 17 16 relação a esses quatro clientes. Para espancar quaisquer dúvidas, junta algumas notas fiscais (Anexo I). Infração 2. Ganho de Capital 2.1 Ganho de Capital em razão da venda do apartamento 1101 e 2.301: A Recorrente alega que o acórdão recorrido, arbitrariamente, assentou que os instrumentos particulares colacionados pela Recorrente não serviam para comprovar o quanto alegado, e que os únicos documentos hábeis a lastrear a análise seriam as escrituras públicas de compra e venda. Aduz que, ao assim proceder, a Turma Julgadora da DRJ/Salvador chancelou violação ao direito, pois, para fins tributários, pouco interessa a forma pela qual foi celebrado o negócio jurídico, conforme iterativa jurisprudência administrativa (Decisão 117 SRF/9ª RF, publicação 12/01/2009; Acórdão CARF 220100537/2010. Ressalta que, inobstante a não obrigatoriedade, todos os instrumentos e contratos apresentados foram devidamente registrados na matrícula do imóvel competente 6º Ofício de Imóveis. Acrescenta não questionaram a validade ou legitimidade dos instrumentos particulares e que, caso o fizessem, deveria ter determinado a realização de diligência junto à Construtora, para verificar se, de fato, foi realizado o negócio jurídico neles descrito. O que não é admissível é considerar o único meio de prova a escritura pública. Comenta que, ao tratar da tributação das glebas rurais, os julgadores lastrearam pacificamente sua convicção nos instrumentos particulares, sem exigir escritura pública. No mais, reedita as razões de defesa apresentadas na impugnação. 2.2. Fazenda Real – Glebas Alagoas, Pernambuco, Piauí, Bahia e Ceará: Reedita as razões apresentadas na impugnação, inclusive quanto à decadência em relação à venda ocorrida em 2004 (a alienação teria se dado em 2007), e contesta o argumento da decisão recorrida, para convalidar a utilização do VTN informado por terceiros. Segundo a decisão combatida, a obrigação de fornecer as informações era, de fato, da empresa Fazenda Real, que estava imitida na posse, ainda que os imóveis não houvessem sido definitivamente transferidos pela pendência de pagamentos (fl. 21 do Acórdão). A esse argumento, contrapõe que a lei tributária não menciona a necessidade de quitação de todos os pagamentos acordados numa compra e venda ou em sua promessa para que se considere efetivada a alienação/transferência do imóvel. Afirma que a decisão recorrida é contraditória em seus próprios termos, uma vez que as mencionadas glebas não só já estavam alienadas pela Recorrente, bem como com sua propriedade já transferida (pela quitação do preço) antes da “nova alienação” em 2007. 2.3. Fazenda Casa Real – Glebas Maranhão e Pará: Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 18 17 Refuta o argumento da decisão recorrida para afastar sua alegação de decadência do direito do Fisco de revisar o VTN declarado pela Recorrente em 2007, alegando que a decisão a quo se desviou do foco da impossibilidade, pela decadência, de revisão de uma obrigação acessória atinente ao ITR, que chegasse numa tributação de IR e CSLL. Diz que o exame da questão passa pela decadência do direito de retificar informação de VTN constante da DIAT entregue em janeiro de 2007. Afirma que o Auditor Fiscal não poderia, fulcrado no art. 14 da Lei do ITR (Lei 9.363/96), proceder à revisão de termos da DIAT em julho de 2012 por falta ou inexatidão de informações da Declaração, e que o direito do Fisco de não homologar tais dados fora extinto junto com o direito de lançar ITR suplementar em janeiro de 2012. Reedita as razões da impugnação e acrescenta que: (i) ao revisar os VTN do ano de alienação e não fazêlo para o ano de aquisição, a autuação violou o art. 19 da Lei 9.363/96; (ii) o art. 14 não vincula a necessidade de revisão à utilização, como parâmetro, dos valores da escritura do imóvel; (iii) o posicionamento do acórdão, no sentido de que a determinação do art. 14 para utilizar, na revisão do VTN de alienação, as informações sobre preços de terra do SPIT e os dados do imóvel, só tem relevância na apuração do ITR, e não no ganho de capital, contraria o art. 19 da lei. Acerca da rejeição da utilização do valor de R$ 2.432.586,74 para redução dos valores de IRPJ e CSLL eventualmente devidos, ao argumento de que não foram confessados em DCTF, alega que a “não confissão” decorre do atendimento a intimação da autuante, que determinou a retificação de DCTFs (fl. 110 dos autos), e junta a DCTF retificada originalmente apresentada, onde consta o ganho de capital, e parte da DCTF retificada no curso da ação fiscal (em 30/05/2012), por ordem do autuante, na qual foi suprimido o ganho de capital; (anexos IV e V). Diz que os julgadores, indevidamente, desprezara documento anexado à impugnação (fls. 1232/1233) que comprova que os tributos incidentes sobre o ganho de capital de R$ 2.432.586,74 foram declarados de forma espontânea antes do início da ação fiscal, e vêm sendo pagos regularmente, de forma parcelada. Em juízo de retratação, a Recorrente declara expressamente que o ganho de capital apurado e os recolhimentos em comento se referem exclusivamente à alienação das glebas Maranhão e Pará. Finalmente, pede, em síntese: a) sejam excluídas da autuação de PIS e COFINS as receitas de vendas para os clientes Distribuidora Mesquita, Hiper Santos, Agro Industrial Shimizu (Bunge Alimentos) e Bortolon Comércio de Frutas, uma vez que, conforme cartão de CNPJ dessas empresas, estas se dedicam exclusivamente ao comércio de frutas e produtos hortícolas, submetidos à alíquota zero (art. 28. III, da Lei n) 10.865/04); sucessivamente, baixar o processo em diligência para circularizar junto aos referidos clientes para averiguar se as operações de vendas se referiam exclusivamente a frutas; e ainda, excluir da base de cálculo das contribuições as notas fiscais ora anexadas. b) seja declarada a improcedência dos lançamentos de IR e CSLL sobre o suposto ganho de capital auferido na alienação do apartamento 1101, vez que demonstrado o equívoco quanto ao real valor de aquisição do imóvel; Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 19 18 c) seja declarada a improcedência do IR e CSL referente a ganho de capital auferido na alienação dos apartamentos 2301, em razão do erro da Fiscalização e dos Julgadores, que apuraram o custo de aquisição com base apenas na fração ideal do terreno, sem atentar para os custos incorridos na construção do imóvel; d) seja declarada a improcedência das exigências de tributos sobre ganho de capital auferido na alienação das glebas Alagoas, Pernambuco, Piauí e Bahia, em razão da decadência do direito de o Fisco de constituir o crédito,haja vista que a ciência dos autos de infração deuse quando já decorridos quase 8 anos da assinatura da promessa de compra e venda, além do que os promissários compradores já estavam imitidos na posse dos imóveis desde aquele momento, e já eram efetivos proprietários da maior parte dos imóveis há mais de seis anos, conforme escrituras de compra e venda registradas no Cartório de Imóveis; e) seja declarada a improcedência das exigências de tributos sobre ganho de capital auferido na alienação das glebas Alagoas, Pernambuco, Piauí e Bahia por vício procedimental concernente à utilização de VTN informados por terceiros (proprietário da terra), inclusive para terras de outras pessoas que não faziam parte da fiscalização, para aferir suposto ganho de capital auferido pela Recorrente com a venda de tais imóveis rurais; f) seja declarada a nulidade dos lançamentos sobre ganho de capital auferido na alienação das glebas Ceará, Maranhão e Pará em razão da violação aos comandos contidos na lei de regência da apuração de ganho de capital – citadas inclusive como fundamento legal para a lavratura e manutenção do AI –, já que foram usados critérios distintos para o arbitramento dos valores de aquisição e de alienação do imóvel, ao mesmo tempo que na decisão de piso foi utilizado parâmetro não contemplado na lei, qual seja, o valor indicado na escritura; g) seja declarada a nulidade dos lançamentos sobre ganho de capital auferido na alienação das glebas Ceará, Maranhão e Pará por vício procedimental, eis que lastreadas na revisão de ofício de informações (VTN’s declarados) constantes das DIATs de 2007, que não mais poderia ser revisadas de ofício por força da decadência; h) seja excluída da base de cálculo da autuação de IR e CSLL por ganho de capital a quantia de R$ 2.432.586,74, vez que os julgadores a quo desprezaram o fato de que os respectivos tributos foram declarados de forma espontânea antes do início da ação fiscal, e veem sendo pagos regularmente, de forma parcelada, conforme documento anexo à impugnação (fls. 1232/1233). É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Recurso tempestivo e em conformidade com as disposições legais e regimentais pertinentes. Dele conheço. As exigências que permanecem em litígio decorrem de acusação de não oferecimento à tributação de receita de venda de mercadorias escrituradas e não declaradas, e de ganho de capital na alienação de imóveis. Passo a analisálas. Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 20 19 1 Receitas escrituradas e não declaradas Esse item do litígio corresponde a receitas escrituradas e não oferecidas à tributação, que a Recorrente pretende ver excluídas da tributação pelo PIS e pela Cofins sob alegação de se referem à venda de frutas e produtos hortícolas, os quais sujeitamse à alíquota zero, nos termos do inciso III do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. A decisão de primeira instância manteve a exigência em relação aos valores cujo registro no Livro Caixa não especificava a mercadoria vendida, assentando que para provar o alegado, bastaria que a interessada apresentasse as notas fiscais correspondentes, que devem, obrigatoriamente, conter a discriminação dos produtos vendidos. Em recurso, pede a Recorrente a exclusão das receitas de vendas para os clientes Distribuidora Mesquita, Hiper Santos, Agro Industrial Shimizu (Bunge Alimentos) e Bortolon Comércio de Frutas, uma vez que, conforme cartão de CNPJ dessas empresas, estas se dedicam exclusivamente ao comércio de frutas e produtos hortícolas. O fato de o cadastro de inscrição do cliente no CNPJ indicar como atividade apenas o comércio atacadista de frutas, legumes, raízes e hortaliças não é suficiente para comprovar que a receita escriturada no Livro Caixa se refere a produtos hortícolas e frutas, cuja alíquota, para fins de PIS e Cofins, foi reduzida a zero. Como já consignado pela decisão de primeira instância, a prova deve ser feita mediante apresentação da nota fiscal de venda que especifique o produto vendido. Por outro lado, à falta de apresentação do documento pelo contribuinte, não compete à administração tributária efetuar diligência para produzir, em favor do contribuinte, a prova cujo ônus a ele cabia. Finalmente, as notas fiscais apresentadas com o recurso são estranhas àquelas indicadas pela fiscalização como contabilizadas e não tributadas. De fato, as notas fiscais apresentadas relativo ao ano de 2008 (nº 01 a 50), nenhuma delas foram relacionadas pelo autuante como receita escriturada e não declarada, não podendo, portanto, fazer prova ao seu favor. Infração 2.1 Ganho de Capital em razão da venda dos apartamento 1101 do Edifício Mansão Manuel Andrade e 2.301 do Edifício Terrazo Imperiale. A Recorrente contesta o custo de aquisição considerado pelo autuante na apuração do ganho de capital. Para o apartamento 1101, que foi vendido em julho de 2008 por R$ 370.000,00, assentou o autuante que, conforme escritura apresentada, ele fora adquirido em 01/1993 pelo valor de Cr$ 207.568.154,40, o qual, convertido para reais em 31/12/1995, seria equivalente a R$ 12.278,78. Alega a Recorrente que em janeiro de 1993 o imóvel fora adquirido da Construtora pelo Sr. Fernando Cavalcanti, que cedeu seus direitos ao Sr. Francisco Etelvir Dantas que, por sua vez, os cedeu à Juazeiro em 23/07/1998, mediante paga de R$ 160.000,00, conforme instrumento particular de cessão juntado. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 21 20 Diz que a cessão foi ratificada em 29/09/1998, com a interveniência da Construtora Costa Andrade, quando a interessada pagou e quitou, no ato da cessão, o valor de R$ 219.856,91 para a referida construtora, que lavrou escritura de venda em seu nome, consignando o valor original do negócio firmado com o Sr. Fernando Cavalcanti (Cz$ 207.568.154,40 = Cz$ 156.881.368,00 + Cz$ 50.686.786,44). Assim, o valor da aquisição do imóvel teria sido de R$ 379.856,91 (R$ 219.856,91 + R$ 160.000,00). A decisão de 1º instância assim apreciou a questão: Dos elementos acostados ao processo, em cotejo com as alegações da requerente, temse que o litígio envolve um grande conflito entre as provas apresentadas. De um lado, a escritura de compra do apartamento (fls. 488/491), apresentada pela fiscalizada em resposta ao Termo de Constatação e Intimação de fls. 451/453, estabelece que o imóvel foi vendido pela Costa Andrade Empreendimentos Imobiliários Ltda. à requerente, Juazeiro Empreendimentos Ltda., “(...) pelo preço certo, ajustado e convencionado de Cr$ 207.568.154,40 (duzentos e sete milhões, quinhentos e sessenta e oito mil, cento e cinquenta e quatro cruzeiros e quarenta centavos), recebidos anteriormente, no padrão monetário da data de aquisição (...)”. De outro lado, a requerente apresenta, em anexo à impugnação (fls. 1.156/1.182), “Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda”, “Aditivo” a esse contrato e “Termo de Cessão de Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda”, nos quais consta que o referido imóvel foi, inicialmente, adquirido pelo Sr. Fernando Cavalcanti, que o repassou para o Sr. Francisco Etelvir Dantas, sócio da empresa fiscalizada, e este último, posteriormente, em 23/07/1998, teria cedido seus direitos sobre o imóvel para a Juazeiro, cujo custo de aquisição, por parte da Juazeiro, teria envolvido o montante de R$ 379.856,91. Obviamente, o instrumento hábil a comprovar a transmissão de propriedade de imóveis é a escritura pública, sendo que os contratos particulares apresentados, desacompanhados de outros elementos probantes, não são suficientes para elidir os termos acordados na escritura. Se os negócios envolvidos aconteceram realmente como alega a impugnante, e não como se encontra na escritura, a empresa deveria ter apresentado, além dos contratos anexados, comprovação de pagamento dos valores envolvidos nas transações, ainda mais quando tais transações envolvem o próprio sócio da empresa fiscalizada. É importante destacar que, segundo os citados contratos, como já exposto, a empresa teria adquirido o imóvel, em julho de 1998, por R$379.856,91, e, em julho de 2008, dez anos depois, o vendeu por um preço ainda menor, de R$ 370.000,00, quando é sabido que nesse período os imóveis no Brasil, e particularmente em Salvador, tiveram grande valorização, o que torna bastante inverossímil a versão da impugnante de que apurou perda na transação e reforça a necessidade de apresentação de provas adicionais, tanto aquelas relativas ao custo de aquisição, quanto às relativas à venda do imóvel. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 22 21 Embora a escritura pública de compra e venda consigne que a Construtora Costa Andrade Empreendimentos Imobiliários Ltda. vendeu à Juazeiro Empreendimentos Ltda. o apartamento pelo preço certo, ajustado e convencionado de Cr$ 207.568.154,40, o custo de aquisição do apartamento, para a Juazeiro, poderia ser superior, na situação descrita, em que o imóvel foi originalmente prometido vender a terceiro, e a Juazeiro teria adquirido o direito à aquisição. Assim, se comprovado que a Juazeiro pagou um valor pela cessão de direitos, o custo de aquisição, para ela, seria o valor pago na cessão de direitos mais o valor pago à Construtora, para quitação do preço. Contudo, as provas dos autos não militam nesse sentido. Há nos autos: (i) cópia da escritura particular de promessa de compra e venda feita pela construtora ao Sr. Francisco Cavalcanti (fls. 1174); (ii) cópia de instrumento particular de cessão dos direitos datada de 15/09/93, sendo cedente Fernando Cavalcanti e cessionário Francisco Etelvir, com a interveniência da Construtora (fls. 1176); (iii) cópia de instrumento particular de cessão de direitos datada de 29/09/98, sendo cedente Francisco Etelvir, cessionária Juazeiro, com a interveniência da Construtora (fls. 490), sem mencionar nenhum valor a título de pagamento pelos direitos adquiridos, e, (iv) cópia de Contrato Particular de Cessão de Direitos datada de 23/07/98, sendo cedente Francisco Etelvir, cessionária Juazeiro, sem a interveniência da Construtora, mencionando o pagamento de R$ 160.000,00 pelos direitos adquiridos, (fls. 1180). Os instrumentos (i), (ii) e (iii) supra foram averbados no RGI e o documento (iv) não. Atentese que o cedente e cessionário são partes ligadas. Havendo dois documentos formalizando a mesma cessão, aquele firmado sem a interveniência da Construtora e não levado a registro no RGI só poderia prevalecer se corroborado com a prova do pagamento, o que não foi carreado aos autos. Logo, nego provimento quanto a este item. Para o apartamento 2301 do Edifício Terrazzo Imperiale, a fiscalização apurou ganho de capital considerando que o imóvel teria sido adquirido em maio de 2003, por R$ 246.400,00, e alienado em 15/07/2008, por R$ 820.000,00, conforme documentos de fls. 492/499. O documento de aquisição considerado pela Fiscalização é a escritura pública de fls. 495/499, em que comparecem como Outorgante Vendedora Costa Andrade Empreendimentos S/A., como Outorgada Compradora e Cessionária Juazeiro Empreendimentos Ltda. e como Interveniente Cedente Luciano Lopes de Oliveira, tendo por objeto fração ideal de terreno que corresponderá ao apartamento 2301 do Edifício Terrazzo Imperiale, cedido à Outorgada Cessionária em 26/01/2006 pelo preço de R$ 246.400,00. A Recorrente alegou, em impugnação, que o custo de aquisição do apartamento foi de R$ 900.000,00, conforme Termo de Cessão de Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de Fração Ideal de Terreno e Outras Avenças, datado de janeiro de 2006, anexado às fls. 1.183/1.185. Observo que compareceram como intervenientes nesse contrato as empresas Costa Andrade Empreendimentos S.A., Gatto Empreendimentos Ltda. e MRM Construtora Ltda., que constituem o Consórcio Costa Andrade – Gatto MRM1. A decisão recorrida rejeitou esse documento, por não possuir registro em cartório nem reconhecimento de firma dos Contratantes e/ou representantes. Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 23 22 Independentemente de se aceitar ou não o custo de aquisição consignado no documento de fls.1.183/1.185, o fato é que o custo de aquisição considerado pelo autuante não pode prevalecer, porque ele não corresponde ao bem que foi vendido. De fato, conforme Escritura Pública de fls. 495 e seguintes, o objeto da venda/cessão foi a fração ideal de 118,9275m2 ou 2,6432% de imóvel no qual estava sendo construído o empreendimento imobiliário em condomínio, e que, conforme consigna o item 4º do instrumento, corresponderá ao apartamento nº. 2301. O ganho de capital não pode ser apurado pela diferença entre o valor de alienação do apartamento pronto e o valor de aquisição da fração ideal do terreno que, ao final da construção, corresponderia ao apartamento. Pela falta de certeza dessa parcela do crédito, entendo que não deve prevalecer esse item do lançamento, razão porque voto no sentido de cancelalo. 2.2. Alienação de imóveis rurais. Para a apuração do ganho de capital relativo às glebas rurais, a fiscalização levou em consideração os artigos 14 e 19 da Lei nº 9.393/1996, que rezam: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (...) Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Com fundamento nessas disposições legais, concluiu que o ganho de capital deve ser apurado com base no VTN informado no DIAT do ano de aquisição e no ano de alienação, e registrou que para alguns imóveis constatou subavaliação de VTN no ano de alienação. Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 24 23 2.2.1 Fazenda Real – Glebas Alagoas, Pernambuco, Piauí, Bahia e Ceará: A Fiscalização informou que a aquisição deuse em 1999, através de integralização de capital, no valor de R$ 150.000,00, e nos DIATs apresentados no ano calendário de 1999 constam os seguintes VTN para cada uma das glebas: (i) Pernambuco : R$ 125.000,00; (ii) Alagoas : R$ 110.000,00; (iii) Ceará: R$ 220.000,00; (iv) Bahia: R$ 110.000,00; (v) Piauí ; R$ 100.000,00. Quanto à alienação, apontou que: (i) iniciouse em 01/10/2004, envolvendo assunção de dívidas no valor de R$ 8.200.234,86 e mais dação em pagamento na quantia correspondente a 306.000 sacas de soja, equivalentes a R$ 8.968.860,00, a serem pagas ao longo de 11 anos, com término em 2015, perfazendo o valor total da venda da ordem de R$ 17.169.094,86; (ii) em julho de 2007, quando já havia sido pago à Juazeiro o montante de R$ 2.901.690,00, correspondente a 16,9% do total negociado, houve uma nova negociação, na qual os compradores, Jorge Luiz Pinto Saldanha e Outros, venderam as glebas de terra em questão para a empresa AGRÍCOLA XINGU S/A., sendo que o valor acertado passou a ser de 3.200.000 sacas de soja, correspondentes a R$ 92.800.000,00, cabendo à Juazeiro o montante de R$ 20.088.097,00, equivalente a 21,65% do valor total negociado nesse novo contrato. A Fiscalização considerou ter havido uma novação em 2007, e desmembrou a apuração do ganho de capital, separando os ganhos de capital proporcionais auferidos nos anos de 2004, 2005 e 2006, e o ganho proporcional auferido em 2007, quando tomou como valor de venda o montante de R$ 20.088.097,00, referente à dívida que a Xingu assumiu perante a Juazeiro. Como valor de alienação, a Fiscalização tomou os VTN declarados no ano de alienação das glebas Pernambuco, Alagoas, Bahia e Piauí. Para a Gleba Ceará, considerou que o VTN informado estava subavaliado, e se pautou no valor de terra nua constante do Sistema de Preços de Terras – SIPT. Inicialmente, a Recorrente afirma não mais ser possível exigir tributos sobre hipotético ganho de capital nessas operações, pois a alienação foi realizada em 01/10/2004, conforme contrato averbado em 06/10/2004, nas respectivas matrículas no RGI. A decisão de primeira instância apontou que, de acordo com o “Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda, de Cessão de Contrato de Compra e Venda, Promessa de Compra e Venda e Outras Avenças”, anexado às fls. 295/328, a dívida que a Fazenda Real mantinha com a Juazeiro, por conta da compra dos terrenos em referência, através de seus sócios, ocorrida em 01/10/2004, foi integralmente transferida para a nova compradora, Agrícola Xingu, ficando a Fazenda Real quite com o credor, a Juazeiro, conforme expressamente determinado no item XIV do contrato (fl. 327). Assim perfeitamente caracterizada a novação, conforme dispõe o art. 360, II, do Código Civil. Dispõe o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de1 999: Art.218. O imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, das sociedades civis em geral e das sociedades cooperativas em relação aos resultados obtidos nas operações ou atividades estranhas à sua finalidade, será devido à medida Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 25 24 em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos (Lei n º 8.981, de 1995, art. 25, e Lei n º 9.430, de 1996, arts. 1 º e 55). Art.219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei n º 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei n º 8.981, de 1995, art. 26, e Lei n º 9.430, de 1996, art. 1 º ). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei n º 7.450, de 1985, art. 51, Lei n º 8.981, de 1995, art. 76, §2 º , e Lei n º 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II).” Como é sabido, o fato gerador do ganho de capital ocorre com a alienação (independentemente de, eventualmente, a tributação poder se dar na medida em que o preço for pago). A novação do contrato não invalida a alienação antes feita e que, a depender dos valores envolvidos, configuraria fato gerador do ganho de capital. A decisão recorrida destaca que o Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de fls. 143/157, celebrado em 01/10/2004, previa, no item V, que a escritura pública definitiva de compra e venda só seria outorgada, pela vendedora aos compradores, proporcionalmente aos respectivos pagamentos e, no item X, que o contrato foi firmado sob condição resolutiva. Mas em outro passo, registra que em julho de 2007, a empresa Fazenda Real (que alienou para a Xingu) encontravase imitida na posse dos imóveis em referência, por força do contrato entre a Juazeiro e os sócios da Fazenda Real celebrado em 01/10/2004, apesar de referido contrato ainda se encontrar sob condição resolutória e a transferência1 definitiva dos imóveis depender da efetiva quitação dos valores envolvidos na transação. Dispõe o CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. (...) 1 Importante registrar que, conforme consta dos autos, a escritura definitiva da Gleba Ceará foi outorgada en 09/08/2005, e as das Glebas Bahia e Paiuí, em 20/04/2006. Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 26 25 Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (...) Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Portanto, o fato gerador ocorreu em outubro de 2004, quando contratada a promessa de venda das glebas Alagoas, Pernambuco, Piauí, Bahia e Ceará (instrumento às fls. 145/157 dos autos, levado a registro em 06 de outubro de 2004, conforme protocolo 28580, e registrado em 07 de outubro de 2004 no Livro 2, sob o nº R22250). Por conseguinte, em 13 de junho de 2012 a Fazenda Nacional não mais poderia exigir tributo sobre eventual ganho de capital auferido com a alienação, razão porque, dou provimento quanto a este item. 2.2.2. Fazenda Casa Real – Glebas Maranhão e Pará: Segundo a autuante, as terras foram adquiridas em 21/08/2002 pelo valor de R$ 75.000,00 cada uma, constando como VTN, nos DIAT apresentados, os valores de R$ 25.000,00 para a gleba Maranhão e de R$ 20.000,00 para a gleba Pará. A autoridade fiscal considerou notoriamente subavaliados os VTN informados nas DITR de 2007 ( ano de alienação), de R$ 30.000,00 para cada imóvel, tendo em vista que o preço médio por hectare de terra no município, de R$ 2.110,50, multiplicado pela área de cada terreno, de 1.645,00 ha, indica um VTN de alienação de R$ 3.471.772,50 para cada gleba. Com isso, apurou ganho de capital apurado com a venda dessas duas propriedades no valor de R$ 6.898.545,00, com recebimento de parte do valor no ato da alienação e o saldo restante em 4 parcelas anuais, no período de 2008 a 2011, como demonstrado no Termo de Verificação Fiscal. Preliminarmente, cumpre analisar a alegação da Recorrente, de que o Auditor Fiscal não poderia, fulcrado no art. 14 da Lei do ITR (Lei 9.363/96), proceder à revisão de termos da DIAT em julho de 2012 por falta ou inexatidão de informações da Declaração, e que o direito de o Fisco de não homologar tais dados fora extinto junto com o direito de lançar ITR suplementar em janeiro de 2012. Dispõe a Lei nº 9.393, de 1996: Da Declaração Anual Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 27 26 Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. (...) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicandose sobre o Valor da Terra Nua Tributável VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. (...) Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (...) Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 28 27 valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. O artigo 14 da Lei autoriza a Secretaria da Receita Federal, para fins de lançamento de ofício do ITR, desconsiderar as informações do DIAT que entenda subavaliadas e, nas hipóteses nele previstas, determinar o VTN com base no critério previsto no §1º. É óbvio que, para fins de lançamento de ofício do ITR, essa recusa ao valor do VTN só é possível enquanto não esgotado o prazo de decadência. A dúvida é se poderia a Fazenda, não tendo impugnado o VTN declarado pelo contribuinte no prazo para lançar o ITR, poderia fazêlo a qualquer época, para fins de apuração do ganho de capital tributável pelo Imposto de Renda. Não me parece que assim seja. A lei atribuiu ao sujeito passivo o encargo de autoavaliar a terra nua, autoavaliação essa que surte efeitos para fins de ITR e de Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital. Se o fisco não contesta essa avaliação no prazo que a lei lhe assegura para lançar de ofício o ITR, não mais pode questionar o valor para nenhum efeito. O art. 19 da Lei, ao dispor que, para fins de apuração do ganho de capital, considerase valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, e subordinou a apuração do ganho de capital aos valores considerados para fins de apuração do ITR. Melhor dizendo, o valor declarado na forma do art. 8º e não invalidado na forma do artigo 14 é o que vai valer para fins de apuração do ganho de capital. Portanto, nos termos do art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, o VTN declarado na DIAT no anocalendário da alienação, e não contestado pela administração tributária para fins de apuração do ITR, será considerado valor de venda para fins de apuração do ganho de capital. Só por isso, entendo que não pode prevalecer o lançamento quanto a este item. Para conhecimento dos meus pares, que podem discordar da minha linha de interpretação, teço considerações sobre outros pontos levantados pela Recorrente. A interessada contesta o fato de a autoridade fiscal ter revisado, com base no SPIT, o VTN apenas declarados no ano de alienação, não o fazendo em relação ao ano de aquisição. A decisão recorrida alegou haver grande discrepância entre o VTN informado na DIAT no ano de alienação e o efetivo valor de venda, fato que não se observou no ano de aquisição, entre o VTN informado na DIAT e o efetivo valor de compra. É fato que a lei não estabelece expressamente que a determinação de ofício do VTN do ano de alienação obriga a utilização do mesmo critério para o VTN do ano de aquisição, uma vez que apenas o VTN de um dos anos pode ter sido considerado subavaliado. Contudo, não é razoável tomar o valor de venda com base nos Sistema de Preços de Terra (SPIT) e não fazêlo em relação ao custo, que pode levar a enorme distorção no ganho de capital apurado. Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 29 28 Sendo restrito o acesso ao SPIT (conforme Portaria SRF nº 447/2002, admitido o acesso apenas a pessoas autorizadas nos termos da Portaria SRF 782/1997), a autoridade fiscal deveria, ao menos, demonstrar com base no mesmo critério (preço médio por hectare de terra no município, no ano considerado), que o VTN declarado no ano de aquisição não era incompatível com o informado na DIAT. Sem fazêlo, e utilizando o SPIT apenas para valer como valor da venda, a apuração da base de cálculo carece de consistência. A recorrente contestou, ainda, o critério utilizado pelo Auditor para revisar o VTN, valendose apenas de informações sobre preços de terra do SPIT, ignorando os demais dados mencionados no art. 14 (área total, área tributável e grau de utilização). Nesse aspecto, equivocase a Recorrente. O VTN, que é utilizado tanto para fins de apuração do ITR como para apuração do ganho de capital a ser tributado pelo imposto de renda é o valor da terra nua, que deve refletir o preço de mercado de terras, sendo considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. O VTN corresponde ao preço de mercado por hectare da terra nua (desconsiderados os valores relativos a construções, instalações, benfeitorias, culturas, pastagens florestas plantadas) multiplicado pela área total do imóvel. Para fins de apuração do ITR, devese estabelecer a relação entre a área total do imóvel e área tributável (conforme previsto no inciso II do art. 10 da Lei nº 9.393/1996), multiplicando o quociente obtido pelo VTN, apurando, assim, o valor da terra nua tributável (VTNt). A relação entre a área aproveitável e a efetivamente aproveitada corresponde ao Grau de Utilização (GU), que tem influência na determinação da alíquota a ser aplicada sobre o VTNt, para determinar o valor do ITR. Para determinação do Ganho de Capital o único dado relevante é o VTN, que reflete o valor de mercado da terra nua correspondente à área total, não importando a área tributável o grau de utilização, que influenciam apenas o ITR. Finalmente, quando da impugnação, a interessada alegou que em suas DIPJ dos exercícios de 2008 e 2009, declarou regularmente os ganhos de capital auferidos na alienação das glebas Pará e Maranhão, nos montantes respectivos de R$ 216.688,46 e R$ 2.432.586,74, sendo que o IRPJ e a CSLL devidos em razão dessas declarações estão sendo regularmente recolhidos de forma parcelada, conforme documentos de fls. 1.232 e 1.233, devendo ser abatidos de eventuais exações consideradas procedentes. Em grau de recurso afirma a interessada que o aproveitamento foi rejeitado pela decisão a quo ao argumento de que, apesar de haver informado o valor na DIPJ, os tributos correspondentes não foram confessados em DCTF. E pondera que a “não confissão” em DCTF decorreu de atendimento a intimação do auditor autuante, que determinou a retificação de DCTFs, conforme comprovado às fls. 110 dos autos. E junta parte da DCTF retificada originalmente apresentada e a DCTF retificada no curso da fiscalização. Acrescenta que os julgadores, indevidamente, desprezaram o documento anexado à impugnação (fls. 1232/1233) que comprova que os tributos incidentes sobre o ganho de capital de R$ 2.432.586,74 foram declarados de forma espontânea antes do início da ação fiscal, e vêm sendo pagos regularmente, de forma parcelada. E declara expressamente que o Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10530.723762/201295 Acórdão n.º 1301001.472 S1C3T1 Fl. 30 29 ganho de capital apurado e os recolhimentos em comento se referem exclusivamente à alienação das glebas Maranhão e Pará. Carreando aos autos não identifiquei, no acórdão recorrido, qualquer alusão a recusa do abatimento dos valores por não estarem confessados em DCTF. A questão foi abordada às fls. 25 do Acórdão, onde se verifica que a decisão recorrida não acolheu o pleito justificando que “a própria contribuinte, durante a fiscalização, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 130/131), apresentou o expediente de fls. 132/133, no qual esclarece que “Os ganhos de capital auferidos, constantes das DIPJ 2008 e 2009, anoscalendário 2007 e 2008, foram provenientes do resultado do Instrumento de Promessa de Compra e Venda com Jorge Luiz Pinto Saldanha Doc 01”, sendo que tal contrato, anexado às fls. 143/157, trata de outros imóveis rurais, denominados glebas Alagoas, Pernambuco, Piauí, Bahia e Ceará, alienados em outubro de 2004, (...)”. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para excluir da matéria tributável o ganho de capital auferido com a venda do apartamento 2301 do Edifício Terrazzo Imperial e com as vendas dos imóveis rurais (Glebas Alagoas, Pernambuco, Piauí, Bahia , Ceará, Maranhão e Pará). É como voto. Sala das Sessão, em 09 de abril de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 16004.000347/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002,2003,2004 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS EM PESSOAS JURÍDICAS SEM SUBSTRATO ECONÔMICO. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Não há cerceamento de defesa na falta de intimação de interpostas pessoas e de pessoas jurídicas sem substrato econômico e na falta de consideração dos eventuais débitos por estas declarados, já que as receitas devem ser atribuídas à entidade que efetivamente praticou as operações, assim entendido aquele ente empresarial que atuou, por intermédio dos respectivos dirigentes de fato, no sentido de praticar os fatos geradores dos tributos. A utilização de notas fiscais “frias”, a utilização de interpostas pessoas e a reiteração da conduta infratora autorizam a aplicação de multa qualificada. È cabível a atribuição de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados àqueles que tiverem interesse comum nos fatos geradores das obrigações apuradas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.144
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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(contribuinte), OSVALDO ANTONIO ARANTES, EDSON GARCIA DE LIMA, DORVALINO FRANCISCO DE SOUZA, JOSÉ ROBERTO DE SOUZA, ANTONIO MARTUCCI, JOÃO FRANCISCO NAVES JUNQUEIRA, JOSÉ RIBEIRO JUNQUEIRA NETO E LUIZ RONALDO COSTA JUNQUEIRA (coobrigados) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002,2003,2004 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS EM PESSOAS JURÍDICAS SEM SUBSTRATO ECONÔMICO. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Não há cerceamento de defesa na falta de intimação de interpostas pessoas e de pessoas jurídicas sem substrato econômico e na falta de consideração dos eventuais débitos por estas declarados, já que as receitas devem ser atribuídas à entidade que efetivamente praticou as operações, assim entendido aquele ente empresarial que atuou, por intermédio dos respectivos dirigentes de fato, no sentido de praticar os fatos geradores dos tributos. A utilização de notas fiscais “frias”, a utilização de interpostas pessoas e a reiteração da conduta infratora autorizam a aplicação de multa qualificada. È cabível a atribuição de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados àqueles que tiverem interesse comum nos fatos geradores das obrigações apuradas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 03 47 /2 00 8- 18 Fl. 3515DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA. (contribuinte), OSVALDO ANTONIO ARANTES, EDSON GARCIA DE LIMA, DORVALINO FRANCISCO DE SOUZA, JOSÉ ROBERTO DE SOUZA, ANTONIO MARTUCCI, JOÃO FRANCISCO NAVES JUNQUEIRA, JOSÉ RIBEIRO JUNQUEIRA NETO E LUIZ RONALDO COSTA JUNQUEIRA (coobrigados) recorrem a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurada omissão de receita operacional auferida nos anos de 2002, 2003 e 2004, razão pela qual foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 24352438), CSLL (fls. 2469 2472), PIS (fls. 2472450) e COFINS (fls. 24582461). Conforme descrito no “Termo de Constatação e Descrição dos Fatos” de fls. 2382 2431, a Polícia Federal constatou a existência de uma grande organização criminosa, criada com o fim de fraudar a administração tributária, cujo modus operandi é a interposição de pessoas, físicas e jurídicas, com o objetivo de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos. Diante disso, a Justiça Federal determinou a execução de diversas fiscalizações para a apuração dos fatos, autorizando inclusive a quebra de sigilo bancário dos envolvidos. É nesse contexto que foi realizada a ação fiscal de que trata o presente processo administrativo. O Frigorífico Ouroeste Ltda (doravante apenas “Ouroeste”) era uma empresa familiar, tendo como sócios José Cabral Muniz e filhos. Em 13/02/2002, estes celebraram Instrumento Particular de Compra e Venda de Imóvel (Terreno e Prédio), Instalações Industriais, Utensílios, Máquinas e Ferramentas, por meio do qual transferiram a José Ribeiro Junqueira Neto (doravante apenas “Sr. José Ribeiro”), representado por seu procurador Luiz Ronaldo Costa Junqueira (doravante apenas “Sr. Luiz Ronaldo”), e a Dorvalino Francisco de Souza (doravante apenas “Sr. Dorvalino”) a titularidade do imóvel onde se localizava o frigorífico, bem como de todas as instalações deste. Constatou a autoridade que o Sr. Dorvalino e o Sr. José Roberto de Souza (doravante apenas “Sr. José Roberto”) emitiram cheques a integrantes da família Muniz. O Sr. Dorvalino informou que, para fazer frente aos pagamentos, tomou empréstimo junto a Edson Garcia de Lima (doravante apenas “Sr. Edson”) e junto a Antonio Martucci (doravante apenas “Sr. Martucci”). Em depoimento prestado à Polícia Federal, o Sr. Edson declarou que 16% do Ouroeste lhe pertence, sendo 34% de titularidade do Sr. Dorvalino e os outros 50% do Sr. Luiz Ronaldo. Ao depor à Polícia Federal, o Sr. Dorvalino afirmou que a empresa pertencia a sua genitora, tendo recebido procuração dela para gerir o frigorífico. Afirmou, ainda, que juntamente com seu irmão, o Sr. José Roberto, e com o Sr. Edson esteve à frente dos negócios. Asseverou que 50% da empresa pertencia a sua genitora, sendo que os Fl. 3516DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 3 outros 50% eram de titularidade do Sr. Luiz Ronaldo. Finalmente, afirmou que havia uma sociedade civil entre ele, o Sr. José Roberto e o Sr. Edson. Constatouse, ainda, que, em 08/04/2003, houve uma alteração falsa do contrato social da Ouroeste, por meio da qual os integrantes da família Muniz cederam suas cotas a Maria de Lourdes Bazeia de Souza (mãe do Sr. Dorvalino) e a Ana Maria Cecília Podboy Costa Junqueira (esposa do Sr. Luiz Ronaldo). Estas duas senhoras afirmaram, em depoimento prestado à Polícia Federal, que assinaram procurações para o Sr. Dorvalino e para o Sr. Luiz Ronaldo, em função da confiança familiar. Em 18/05/2007, nova alteração contratual fraudulenta foi realizada, passando as cotas ao Sr. Luiz Ronaldo (99%) e ao Sr. Edson (1%). Esta alteração, porém, não foi aceita pelo Fisco estadual, tendo em vista que os sócios não comprovaram condições financeiras para o ato. Tampouco foi alterado o CNPJ a partir desta alteração. Diante desses fatos, concluiu a autoridade autuante que o provável quadro social da empresa era: 50% do Sr. José Ribeiro e/ou do Sr. João Francisco, 7,85% do Sr. José Roberto, 16% do Sr. Dorvalino, 16% do Sr. Edson e 10% do Sr. Martucci. Em 13/05/2002, foi constituída, no mesmo endereço da Ouroeste, a Ourocarnes Alimentos do Brasil Ltda, tendo como sócios Marcellus Ribeiro da Silva e Ivanildo Galdino Ribeiro, respectivamente, exfuncionário e funcionário da empresa De Sousa e Lima Ltda, pertencente ao Sr. Dorvalino e ao Sr. Edson. Contudo, tendo em vista a ausência de substrato econômicofinanceiro dos sócios para o exercício da atividade pretendida, além do dato de existir outra empresa no mesmo local, atuando no mesmo ramo, a Sefaz/SP fez diversas exigências para a concessão da inscrição estadual, levando os sócios a desistir. Assim, em 31/10/2002 a Ourocarnes Alimentos do Brasil Ltda foi encerrada junto ao CNPJ. Em 10/09/2002, foi constituída a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda (doravante apenas “Continental”), tendo como sócios o Sr. Martucci (99% do capital) e o Sr. Edson (1% do capital). Ao analisar os extratos bancários da conta do Sr. Martucci mantida junto ao Banco Nossa Caixa, constatou a autoridade autuante que os recursos para a integralização de suas quotas nesta empresa tiveram por origem TED recebido da empresa Produtos da Fazenda. Esta empresa tem por sócios o Sr. Manoel dos Reis de Oliveira e a Sra. Sandra Amara Reis de Oliveira. O primeiro é pessoa desprovida de recursos materiais e atualmente é sócio da empresa De Souza e Lima Ltda, juntamente com a mãe do Sr. Edson. Esta empresa, por sua vez, pertence de fato ao Sr. Edson e ao Sr. Dorvalino, conforme depoimentos prestados à Polícia Federal. Concluise que o Sr. Manoel dos Reis de Oliveira é interposta pessoa. Além disso, a Sra. Ângela Cristina Veigas Longo, secretária das empresas De Souza e Lima Ltda e Produtos da Fazenda Ltda, confirmou que a empresa Produtos da Fazenda Ltda tem por objeto social a venda de carne desossada no atacado e pertencia ao Sr. Dorvalino. No depoimento prestado à Polícia Federal, o Sr. Martucci afirmou que, a pedido do Sr. Dorvalino, ingressou como sócio do Ouroeste, mas que, a despeito de deter 99% das quotas do capital social, tinha apenas 12,5% do capital, sendo que o restante pertencia ao Sr. José Roberto de Souza (15%), ao Sr. Edson (12,5%), ao Sr. Dorvalino (12,5%) e ao Sr. Luis Ronaldo (50%). Porém, em depoimento prestado à 3ª Vara da Justiça Federal de São José do Rio Preto, o Sr. Martucci afirma que apenas emprestou o nome para a constituição da Continental pelo Sr. Dorvalino, em razão da amizade. Afirmou, ainda, que a Ouroeste e a Continental ficavam no mesmo prédio, desconhecendo a diferença entre elas. O Sr. Edson, em depoimento prestado à Polícia Federal, afirmou que, de direito, participava da empresa H4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda e da empresa De Souza & Lima Ltda. Porém, asseverou que era titular de fato de 16% da Ouroeste, Fl. 3517DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 4 empresa da qual também participavam o Sr. Dorvalino (34%) e o Sr. Luiz Ronaldo (50%). Afirmou, ainda, que a Ouroeste consta formalmente no nome da genitora do Sr. Dorvalino e da esposa do Sr. Luiz Ronaldo, senhora Maria Cecília, sendo que a administração compete ao Sr. Oswaldo Antonio Arantes. Admitiu o Sr. Edson que comprava gado para a empresa. No depoimento prestado à Justiça Federal, o Sr. Edson afirmou que o Continental foi criado antes da compra do Ouroeste, informação esta que não corresponde à verdade. Em interrogatório junto à 3ª Vara da Justiça Federal em São José do Rio Preto, o Sr. Dorvalino afirmou que, juntamente com o Sr. Edson, abriu a Continental, mas, em razão de restrições em seu nome, o capital social foi atribuído formalmente ao Sr. Edson e ao Sr. Martucci. Conforme contrato apresentado, a Continental teria arrendado, em 10/09/2002, as instalações industriais, utensílios, máquinas e ferramentas do Ouroeste. É interessante notar que do referido contrato consta cláusula determinando que todas as benfeitorias custeadas pela arrendatária ficam incorporadas ao imóvel. Esta cláusula é comum em negócios deste tipo celebrado por integrantes do esquema desbaratado, quando a arrendatária é empresa inexistente de fato, criada com o objetivo de fraudar a administração tributária. A incongruência econômica do negócio celebrado revelase facilmente quando se observa que houve uma grande expansão física das instalações, em obras cujo valor supera a dez milhões de reais, tudo pago com crédito acumulado de ICMS. Apurouse, ainda, que houve aquisição de enorme quantidade de óleo diesel, quantidade esta que não se justifica diante das características da empresa. Todos estes fatos revelam que o crédito de ICMS foi utilizado em proveito do Ouroeste e/ou de seus sócios como benefício indireto. Em 11/02/2003, o Sr. Martucci retirouse da Continental, alienando suas quotas ao Sr. Oswaldo Antônio Arantes. Em depoimento prestado à Polícia Federal, este afirmou que, no ano de 2003, foi admitido como empregado da Ouroeste, mediante contatos com o Sr. Edson e com o Sr. Dorvalino, os quais, segundo afirmou, eram proprietários da empresa. Asseverou, ademais, que, após aproximadamente quatro meses foi demitido, mas lá permaneceu exercendo as mesmas funções, sem registro na CTPS. Afirmou que adquiriu a quotas do capital social da Continental, mas não foi aceito pela Sefaz/SP, em razão da falta de capacidade econômica, de modo que as quotas foram devolvidas ao Sr. Martucci. As alterações contratuais registradas na Junta Comercial, porém, dão conta de que o Sr. Oswaldo Antônio Arantes permaneceu na Continental no período de 20/03/2003 a 26/08/2004. Consoante seus vínculos previdenciários, ele foi funcionário da Ouroeste de 01/08/2002 a 14/09/2002 e da Continental de 15/09/2002 a 12/01/2003. Em 20/03/2003, o Sr. Edson alienou suas quotas na Continental à Sra. Ângela Cristina Viegas Longo. Esta, em depoimento prestado à Polícia Federal, afirmou que trabalhou na De Souza e Lima no período de 1997 a 2005, empresa esta de propriedade do Sr. Edson e do Sr. Dorvalino. Asseverou que o Sr. Edson, alegando ter problemas para constar como sócio da Continental, solicitou a ela que constasse como sócio desta empresa, tendo ela aceitado o pedido. Esclareceu, ainda, que os verdadeiros proprietários do Ouroeste e da Continental na época eram o Sr. Dorvalino, o Sr. Edson, o Sr. Luiz Ronaldo e o Sr. Martucci. Em declaração prestada no curso da ação fiscal, a Sra. Ângela Cristina Viegas Longo confirmou que a Ouroeste e a Continental se confundiam, vale dizer, uma existia apenas no papel, e que o Sr. Dorvalino, o Sr. Edson, o Sr. Luiz Ronaldo, o Sr. José Roberto e o Sr. Martucci eram os verdadeiros proprietários. Finalmente, afirmou que as alterações contratuais correspondentes a alteração do objeto social e abertura de filial, firmada Fl. 3518DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 5 em 31/05/2004, e sua retirada da sociedade em 26/08/2004 não foram firmadas por ela, sendo as assinaturas possivelmente falsificadas. Em 26/08/2004, houve nova alteração contratual, retirandose da Continental o Sr. Oswaldo Antônio Arantes e a Sra. Ângela Cristina Veigas Longo, retornado os sócios originais, quais sejam, o Sr. Edson e o Sr. Martucci. Posteriormente, em 05/01/2005, o Sr. Edson e o Sr. Martucci retiraramse da sociedade, tendo ingressado o Sr. Claudimir Brusnello e o Sr. Maurício de Lima Borges. Curioso notar que, consoante o contrato, a venda deuse por R$ 25.000,00, sendo que, à época, a Continental apresentava faturamento mensal superior a R$ 10.000.000,00. Em diligência realizada na cidade de Uberlândia/MG, não foram localizados, nos endereços informados à SRF, o Sr. Claudimir Brusnello e o Sr. Maurício de Lima Borges. Ressaltese, ademais, que estes não possuíam capacidade financeira para tal empreendimento e sequer apresentaram movimentação financeira no período. Em 10/05/2005 foi promovida alteração contratual, por meio da qual o domicílio da Ouroeste foi transferido para Jundiaí/SP, e, em 19/10/2005, nova alteração transferiu novamente o endereço, desta vez para a zona rural de Angico/TO. Em diligências aos citados endereços a empresa não foi localizada. Os rótulos dos produtos comercializados apresentava com destaque a expressão “Frigorífico Ouroeste” e, em letras menores, o nome da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda. Os clientes intimados informaram que as tratativas se davam com o Sr. José Roberto, com o Sr. Oswaldo Antônio Arantes, com o Sr. Edson, com o Sr. Dorvalino e com o Sr. Luiz Ronaldo. Constatou a autoridade autuante que diversos títulos de capitalização e previdência privada, tendo por beneficiários o Sr. Luiz Ronaldo, o Sr. Edson e o Sr. Dorvalino foram pagos com recursos saídos das contas bancárias da Continental até o final do ano de 2005, ou seja, os pagamentos ocorreram mesmo após a suposta transferência da empresa aos Srs. Claudir Brusnello e Maurício de Lima Borges. Mais que isso, o cruzamento de dados das contas da Continental e das contas do Sr. Dorvalino, do Sr. Edson, do Sr. José Roberto de Souza, do Sr. Martucci e do Sr. Oswaldo Antônio Arantes atesta que houve grande quantidade de transferências de valores mensais, com valor médio de R$ 5.000,00 cada, sendo que em vários meses há mais de uma transferência para a mesma pessoa. Também os estabelecimentos bancários reconheciam que a empresa era de titularidade dos envolvidos referidos. Fato relevante a caracterizar a confusão entre Ouroeste e Continental é a assunção de dívidas desta por aquela, dívidas existentes junto ao Banco Bradesco S/A e junto à factoring New Suport Factoring Ltda, decorrente de desconto de duplicatas. Foi dada, como garantia, hipoteca do imóvel onde estão edificadas as instalações industriais do Ouroeste, tendo como fiadores o Sr. Dorvalino, o Sr. Luiz Ronaldo, o Sr. José Roberto e o Sr. Edson. A Continental nunca apresentou DCTF à Receita Federal, tendo entregue apenas DIPJ para os anoscalendário 2002 e 2003. Recolheu apenas tributos por substituição tributária no período. Diante de todos estes fatos, concluiu a autoridade autuante que a Continental é uma empresa inexistente de fato, aberta e utilizada com o fim de fraudar a administração tributária. Ademais, as fraudes perpetradas beneficiaram direta ou indiretamente o Sr. Dorvalino, o Sr. Edson, o Sr. José Roberto, o Sr. Martucci, o Sr. Oswaldo Antônio Arantes, o Sr. Luiz Ronaldo, o Sr. João Francisco e o Sr. José Ribeiro Junqueira Neto. Fl. 3519DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 6 No Relatório Eletrônico da Polícia Federal repassado à Receita Federal consta que a empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda (doravante apenas “Distribuidora”) exercia a função no esquema de sonegação de vendedora de notas fiscais “frias”. Esta empresa é comandada, de fato, por Valder Antônio Alves. Ana Cláudia Valente Fioravante, empregada da Distribuidora encarregada de “tirar notas”, afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que, nas notas fiscais, os clientes (compradores de notas) eram identificados por códigos. Afirmou, ainda, que a lista de códigos constante do arquivo magnético apreendido pela Polícia Federal na Distribuidora contém os códigos efetivamente utilizados na confecção das notas fiscais. Além disso, esclareceu que o código 36 era do cliente Ouroeste, de propriedade do Sr. Dorvalino, para o qual eram confeccionadas na própria Distribuidora notas fiscais de entrada, de saída e de remessa para abate, conforme informações passadas pelo próprio Ouroeste por fax. Em 31/10/2006, foi realizada retenção de algumas notas fiscais da Distribuidora. A partir das notas fiscais de compra e venda contendo o código 36, foram intimados alguns clientes e fornecedores. Os fornecedores (pecuaristas), em sua maioria, indicam como compradores o Sr. Edson e o Sr. Dorvalino, sendo que alguns indicaram o Sr. Martucci e o Sr. José Roberto de Souza. Quanto aos clientes, as pessoas responsáveis apontadas são o Sr. Dorvalino, o Sr. Edson, o Sr. Luiz Ronaldo e o Sr. José Roberto de Souza. A aquisição de notas da Distribuidora foi confirmada, em depoimentos à Polícia Federal, pelo Sr. Edson, pelo Sr. Martucci e pelo Sr. Luiz Ronaldo. Da mesma forma, no relatório da Polícia Federal esclarecese que a Pereira & Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda é uma empresa “fantasma”, criada com o único propósito de emitir notas fiscais “frias” para terceiros. Ressaltese que esta empresa declarou receitas fictícias de R$ 172.000.000,00, sem ter movimentado um centavo sequer em suas contas bancárias. Além disso, ela teve apenas dois empregados em 1999, nenhum em 2000, um empregado em 2001, nenhum em 2002 e apenas três em 2003, conforme registros no sistema CNIS, revelando que a empresa não tinha estrutura para atuar no comércio atacadista de carnes e derivados com elevado faturamento. O esquema de emissão de notas fiscais “frias” pela empresa foi confirmado, em depoimento à Polícia Federal, pelo Sr. Arivaldo Soares, que trabalhou cerca de 6 anos nela sem os devidos registros na CTPS, citando inclusive a Ouroeste como um dos beneficiários das fraudes. O Sr. Lucídio Amara, em declarações prestadas à RFB, confirmou que atuava como motorista, tendo como atividade principal entregar envelopes a algumas empresas, dentre as quais a Ouroeste, envelopes estes que sempre estavam lacrados. Os documentos fiscais da Pereira & Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda foram retidos e, com base neles, foi possível elaborar planilha com as notas fiscais nas quais consta a identificação do Ouroeste ou do Continental como local de abate. No esquema de fraudes tributárias desbaratado pela Polícia Federal e pela Receita Federal, era prática comum que os frigoríficos usuários de notas fiscais “frias” constassem nesses documentos no campo local de abate. A empresa Fuga Couros Jales Ltda, principal cliente constante das notas fiscais emitidas pela Pereira & Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda confirmou que as vendas, na verdade, eram do Ouroeste, sendo que os contatos eram realizados com o Sr. Dorvalino, com o Sr. Edson, com o Sr. José Roberto e com o Sr. Luiz Ronaldo. Finalmente, afirmou que os cheques utilizados para pagamentos foram entregues diretamente ao Sr. Oswaldo Antônio Arantes. Estes fatos demonstraram que o Ouroeste, por meio de seus sócios de direito e de fato, isoladamente ou conjuntamente, comercializou carnes e subprodutos, valendo se de notas fiscais de diversas empresas. Diante disso, a empresa foi intimada e Fl. 3520DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 7 reintimada a apresentar, para os anos de 2002, 2003 e 2004, sua escrituração contábil e fiscal, bem como as declarações à RFB previstas na legislação, considerando como receita inclusive os valores das notas fiscais das empresas Continental, Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda e Pereira, Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda. Em virtude do não atendimento às intimações, o lucro foi arbitrado a partir da receita bruta conhecida. Na apuração da receita bruta foram computadas as receitas constatadas a partir das Guias de Informação e Apuração do ICMS – GIAS apresentadas pela Continental. Também foram computadas as notas fiscais emitidas pela Distribuidora com o código 36, que, conforme demonstrado, correspondem às notas fiscais adquiridas pela Ouroeste. Finalmente, foram computadas as notas fiscais emitidas pela empresa Pereira &¨Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda nas quais a Ouroeste constou como local de abate. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa qualificada (150%), pois o contribuinte apresentou DIPJs como inativo, utilizouse de empresas inexistentes de fato e de notas fiscais de outras empresas para a comercialização de carnes e outros subprodutos decorrentes do abate de bovinos. Além disso, em razão dos fatos acima narrados, foi atribuída responsabilidade solidária, com base no art. 124, I, do CTN, ao Sr. Edson, ao Sr. Dorvalino, ao Sr. José Roberto, ao Sr. Martucci, ao Sr. Luiz Ronaldo, ao Sr. José Ribeiro Junqueira Neto, ao Sr. João Francisco e ao Sr. Oswaldo Antônio Arantes, pois ficou demonstrado o interesse de todos estes nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas. Inconformados com os autos de infração lavrados, a Ouroeste e todos os responsáveis solidários apresentaram impugnações. A Ouroeste, em seu recurso de fls. 30943139, deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial regulase pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN. O prazo, portanto, é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Tendo em vista que a ciência dos autos de infração lavrados ocorreu apenas em 08/05/2008, concluise que, para os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002, ocorreu a decadência, já que o prazo esgotouse em 31/12/2007. Esta conclusão tem amparo na jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Houve cerceamento ao exercício do direito de defesa, pois o prazo de 30 dias conferido para apresentação das DIPJs e dos livros contábeis e fiscais dos anos calendário de 2002 a 2004 não é suficiente. Ressaltese que, conforme a intimação recebida, a elaboração das declarações e a escrituração dos livros deveria contemplar os seguintes dados: Guias de Informação e Apuração do ICMS – GIAS da Continental do período de 09/2002 a 12/2005; planilhas contendo as notas fiscais de vendas, emitidas pela Pereira & Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda, referentes aos anoscalendário de 2002 e 2003; planilhas contendo notas fiscais de vendas, emitidas pela Distribuidora, referentes aos anoscalendário de 2002 a 2004. Dado o volume de documentos referido, viuse a impugnante impossibilitada de dar cumprimento à intimação. Mais que isso, ao comparecer à repartição fiscal para ter acesso aos documentos relativos às operações realizadas pela Distribuidora e pela Pereira & Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda, foi informada de que tais documentos estavam na posse da fiscalização estadual, sendo que as planilhas foram feitas por amostragem, sem a posse dos documentos fiscais. Assim, já que a própria Receita Federal não detém os documentos, não pode obrigar o contribuinte a refazer Fl. 3521DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 8 sua escrituração com base neles. O arbitramento se deu com base em presunção, pois a autoridade nunca esteve de posse dos documentos fiscais. Na Delegacia Regional Tributária de São José do Rio Preto, a impugnante foi informada de que não poderia ter acesso aos documentos fiscais emitidos pela Distribuidora, pela Continental e pela Pereira & Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda, em razão da proteção do sigilo fiscal e que os documentos da Continental não se encontravam na repartição, que somente possuía cópias das GUIAS. Diante disso, deve ser reconhecida a nulidade dos autos de infração lavrados, determinandose a disponibilização à impugnante de cópias autenticadas dos documentos fiscais referidos. Na intimação para apresentação das DIPJs dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, solicitouse que fosse observada a forma de tributação a que se sujeitavam as demais pessoas jurídicas (no caso, Continental, Distribuidora e Pereira & Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda). A despeito disso, a impugnante foi informada na repartição fiscal de que os dados e a forma de tributação destas empresas somente poderiam ser repassados aos respectivos titulares ou representante legalmente habilitados. Portanto, não havia possibilidade de cumprimento da intimação, ficando caracterizado cerceamento ao direito de defesa. Na mesma intimação, pedese que sejam apresentadas “outras declarações de pessoa jurídica que porventura sejam pertinentes ao caso, como DCTF, DIRF etc”. A intimação é imprecisa, cerceando o direito de defesa. As receitas apontadas pela autoridade autuante para a empresa Continental foram apuradas a partir das Guias de Informação e Apuração do ICMS – GIAS. A autoridade não teve acesso aos documentos fiscais ou contábeis da empresa, de modo que não pode arbitrar como receita do Ouroeste valores que não conhece nem apurou. Sequer é possível afirmar que os dados inseridos nas GIAS são realmente de faturamento. Não foi dado à Ouroeste conhecer as operações da Continental e sequer as DIPJs por esta apresentadas foram disponibilizadas. Tampouco é possível aferir se as GIAS são efetivamente autênticas, razão pela qual não podem ser admitidas como prova. Da mesma forma, não foram fornecidas cópias das supostas notas fiscais emitidas pela Distribuidora, razão pela qual não há como contestálas. A autoridade autuante computou como receitas da Ouroeste os valores faturados em notas fiscais emitidas pela Pereira & Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda nas quais consta como local de abate a Continental. Tal conclusão é descabida, pois a Pereira & Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda não é um frigorífico, mas apenas uma distribuidora de carnes. A legislação do ICMS exige que na nota fiscal conste o estabelecimento de abate e o estabelecimento de destino. A alegação de que a indicação do local de abate tratase de código é fantasiosa, não havendo prova de que as operações são próprias da Ouroeste. Ademais, não consta dos autos as cópias das notas fiscais, de modo que há cerceamento ao direito de defesa. A falta de intimação prévia à Continental e aos supostos responsáveis solidários pelos créditos tributários lançados caracteriza cerceamento ao direito de defesa. O mesmo raciocínio se aplica à falta de intimação da Distribuidora. Conforme consta do Processo Criminal nº 2006.61.24.0018737, distribuído à 3ª Vara Federal de São José do Rio Preto, tendo como réus Valder Aparecido Alves e outros, o Fisco Federal está exigindo da Distribuidora, em vários processos administrativos créditos tributários, sendo que estes créditos foram declarados pelo próprio contribuinte dentro dos prazos legais e antes de qualquer ação fiscal, por meio de DCTFs. A declaração, pela Distribuidora, dos débitos exigidos no presente processo administrativo maculam a presente exigência, sob pena de caracterização de bis in idem. As exigências formuladas contra a Distribuidora resultaram em Fl. 3522DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 9 vários bens penhorados, inclusive com arrematações já realizadas, cujos valores foram utilizados para a quitação dos débitos. Diante disso, a presente exigência não se sustenta. O Sr. Edson e o Sr. Martucci, aos quais foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários de que trata o presente processo administrativo, figuram como legítimos sócios da Continental no período de 2002 a 2005, de modo que respondem pelos tributos por ela declarados mediante DCTFs e DIPJs para este período. Conforme consta de certidão emitida pela SEFAZ/SP, a Ouroeste requereu suspensão de atividade a partir de 21/09/2002, assim permanecendo até 11/10/2005, quando solicitou cancelamento de atividades, encerrando suas atividades definitivamente. Posteriormente, em 14/02/2006, a empresa voltou a inscreverse, permanecendo ativa até o presente momento. A família Moniz recebeu, em doação da Prefeitura Municipal de Ouroeste, no ano de 1999, área para a construção de um estabelecimento frigorífico, sendo que a escritura foi outorgada à Ouroeste, empresa constituída pela família Muniz. O frigorífico começou a ser construído em 2000, sendo que em 2002 a construção ainda não estava concluída. Portanto, antes mesmo do início das atividades foi solicitada a suspensão junto à SEFAZ/SP, procedimento que exige a entrega no Posto Fiscal dos livros fiscais para a lavratura do termo, havendo inclusive destruição dos talonários em branco, conforme previsto na Portaria CAT nº 39/2000. No início de 2002, a família Muniz vendeu as instalações do frigorífico em construção para o Sr. Luiz Ronaldo e o Sr. Dorvalino. Porém, em razão de restrições no SERASA, estes colocaram o imóvel em nome da esposa do primeiro (Ana Maria Cecílio Podboy Costa Junqueira) e em nome da mãe do segundo. Não houve dolo nesta conduta, já que não é razoável imaginarse que houve prejuízo a parentes tão próximos. Estes fatos demonstram que a Ouroeste e os respectivos sócios não podem responder pelas operações comerciais praticadas pela Distribuidora e pela Pereira & Pereira Comércio de Carnes ltda nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2005.Nos termos da certidão da SEFAZ/SP, a Ouroeste se inscreveu como contribuinte do ICMS em 14/02/2006, data a partir da qual passou efetivamente a praticar atos de comércio. Em conclusão, a Ouroeste permaneceu comprovadamente inativa no período de 21/09/2002 a 11/10/2005, inscrevendose como contribuinte do ICMS apenas em 04/02/2006, de modo que não praticou os atos a ela imputados nos autos de infração lavrados. A Continental, desde a data da abertura até a da transferência das quotas do capital social, em 05/01/2005, sempre esteve registrada, perante a SEFAZ/SP e o Ministério da Fazenda, em nome do Sr. Edson. Tendo em vista que o período fiscalizado abrange os anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, não é razoável afirmar que a empresa foi constituída e mantida em nome de terceiros, sobretudo tendo em conta que os créditos tributários de que trata o presente processo administrativo estão sendo exigidos não apenas da Ouroeste, mas também do Sr. Edson e do Sr. Martucci na condição de responsáveis solidários. Estes declararam todos os tributos devidos pela Continental para os anos de 2002, 2003 e 2004, confessando os débitos por meio de DCTFs. Por fim, pede o acolhimento das preliminares argüidas, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência para juntada dos documentos indicados e, caso assim não se entenda, requer a improcedência da autuação. O Sr. Martucci apresentou a impugnação de fls. 25062517, na qual alega que permaneceu no quadro societário da Continental nos períodos de 10/09/2002 a 11/02/2003 e de 26/08/2004 a 05/01/2008, redistribuindo suas quotas para Claudir Brusnello e Maurício de Lima Borges. Neste último período, foi lavrado boletim de ocorrência, devidamente notificado à Receita Federal em 22/03/2006, já que o Sr. Fl. 3523DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 10 Martucci foi levado a erro pelo Sr. José Roberto de Souza, sendo incluído indevidamente no quadro societário. A atuação como corretor de gado e a mera venda de cabeças ao Ouroeste não autoriza a conclusão de que o Sr. Martucci é sócio daquela empresa. Tampouco prova a condição de sócio o empréstimo feito pelo Sr. Martucci ao Sr. Dorvalino para que este pudesse adquirir as instalações da empresa. Os créditos tributários apurados compreendem não apenas às operações da Ouroeste, mas também às da Continental realizadas em período no qual o Sr. Martucci já não compunha o respectivo quadro social, de modo que é descabida a atribuição a ele de responsabilidade tributária. O STJ já firmou entendimento de que não tem amparo a atribuição de responsabilidade a sócio gerente já retirado da sociedade quando a ele não é imputada a prática de atos com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatuto. O Sr. Martucci retirouse da empresa antes de a obrigação surgir, vale dizer, antes da constituição da dívida, sendo que a sociedade continuou a existir e a operar, com outros gerentes, razão pela qual não há que se falar em responsabilidade solidária. O mero descumprimento da obrigação principal, desprovido de dolo, caracteriza inadimplemento e não autoriza a atribuição de responsabilidade aos sócios, ainda que gerentes, em respeito à separação patrimonial entre sociedade e sócios. O Sr. Martucci jamais administrou e nunca foi sócio de fato das empresas citadas, tendo apenas emprestado seu nome, a pedido do Sr. Dorvalino, sob a justificativa deste de que sofria algumas restrições de crédito que o impossibilitavam de figurar como sócio. Este fato é corroborado por diversos depoimentos prestados, dentre os quais o do próprio Sr. Martucci, do Sr. Dorvalino, do Sr. Edson, do Sr. Geandro Rodrigo Masson, do Sr. Valdecir Marques e da Sra. Ângela Cristina Viegas Longo. Além disso, o Sr. Miguel Soler de Haro Junior afirmou desconhecer qualquer relação do Sr. Martucci com a Continental, assim como afirmaram o Sr. Luiz Roberto Ruffo e o Sr. Abel Donizete Volpato. Estes últimos, juntamente com o Sr. Ailton Alves Lorijola, atribuíram a titularidade da Continental aos Srs. Dorvalino, Luiz Ronaldo e Edson. Por fim, pede o Sr. Martucci que seja excluído sua responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados. O Sr. José Roberto de Souza apresentou a impugnação de fls. 25312577, na qual limitase a reproduzir as alegações já deduzidas na impugnação apresentada pela Ouroeste. O Sr. João Francisco apresentou impugnação às fls. 25972628, deduzindo as seguintes alegações: Exerce atividade profissional de médico e professor, estando atualmente aposentado e enfermo. Em 31/03/2008, vale dizer, durante o prazo conferido para responder ao termo de intimação recebido no curso da ação fiscal, sofreu infarto do miocárdio, razão pela qual foi hospitalizado, tendo permanecido nesta condição até 28/04/2008. Em 30/04/2008, encaminhou à Receita Federal correspondência na qual esclarece que mantém conta conjunta com seu filho Luiz Ronaldo Costa Junqueira no Banco HSBC (c/c nº 07441494274). Toda a movimentação referente a esta conta foi feita única e exclusivamente por seu filho, de modo que não tem conhecimento acerca dos pagamentos realizados, sendo tais valores de inteira responsabilidade do filho. A conta era mantida em conjunto com o filho para que os valores de sua aposentadoria pudessem ser utilizados para cobertura de pagamentos urgentes, caso o Sr. João Francisco estivesse impossibilitado de movimentálos. Diante disso, não tinha conhecimento dos depósitos e saques, havidos na citada conta, ocorridos no ano de 2002, praticados por seu filho, sem a sua anuência ou conhecimento. Consoante esclarecimentos obtidos junto a seu filho Luiz Ronaldo da Costa Junqueira, este, estando impedido de constituir nova empresa em seu nome pelo prazo de cinco anos, em razão da falência da Empresa Brasileira de Desenvolvimento de Produtos Ltda, Fl. 3524DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 11 da qual era sócio, comprou, em 22/02/2002, juntamente com Dorvalino, participação em um frigorífico em construção na cidade de Ouroeste. Para tanto, emitiu cheques da referida conta, dandoos em garantia do negócio, na promessa de que não seriam depositados, tal como previsto nas cláusulas 2.1 e 2.4 do contrato firmado na aquisição do frigorífico. Porém, os vendedores não honraram o contrato e repassaram os cheques nos valores individuais de R$ 30.000,00 a terceiros, razão pela qual estes cheques foram compensados. Segundo esclareceu Luiz Ronaldo da Costa Junqueira, em razão das dificuldades enfrentadas após a falência referida, passou a guardar dinheiro em casa, sem declarar os recursos à Receita Federal, por receio de que os credores confiscassem os recursos. Utilizou esses recursos para efetuar depósitos na conta bancária referida, inclusive com o acréscimo da CPMF, a fim de que houvesse fundos para que os cheques emitidos fossem compensados. Estes fatos demonstram que o Sr. João Francisco não teve qualquer relação com os negócios do seu filho. A responsabilidade pelo crédito tributário ao Sr. João Francisco foi atribuída por presunção, tendo em vista que a autoridade não soube precisar se os recursos vieram dele ou do Sr. José Ribeiro Junqueira Neto. Esta presunção é equivocada já que o próprio Luiz Ronaldo, por meio de declaração de responsabilidade, reconhece que efetuou o depósito dos valores. Nos termos da jurisprudência predominante dos nossos tribunais, em caso de conta conjunta, o emitente do cheque é quem responde sozinho pelos atos decorrentes da sua emissão. Reitera o Sr. João Francisco a alegação de decadência já ventilada na impugnação apresentada pela Ouroeste. Acrescenta que, nos depoimentos constantes do processo penal movido em razão dos fatos apurados, não consta qualquer menção a ele e a sua eventual condição de sócio ou gerente da Ouroeste ou de qualquer outra empresa envolvida. O fato de que os titulares da Ouroeste são o Sr. Dorvalino, o Sr. Edson e o Sr. Luiz Ronaldo é admitido no depoimento do próprio Luiz Ronaldo e também nos depoimentos de Ângela Cristina Viegas Longo, José Avacyr Mariani e Ailton Alves Lorijola. Por fim, pede o Sr. João Francisco que seja afastada sua responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados. O Sr. Osvaldo Antônio Arantes apresentou a impugnação de fls. 27182764, na qual afirma que é apenas um empregado da empresa, razão pela limitavase a cumprir ordens, assinando, por vezes, como procurador, mas nos limites dos poderes conferidos. Além disso, reproduz os argumentos já invocados pela Ouroeste em seu recurso. Por fim, requer que seja afastada sua responsabilidade solidária e pede que sejam acolhidas as alegações já deduzidas pela Ouroeste em seu recurso. O Sr. Luiz Ronaldo apresentou o recurso de fls. 27822848, no qual alega que era sócio da Empresa Brasileira de Desenvolvimento de Produtos Ltda, cuja falência foi decretada em 16/10/1998, razão pela qual ficou inabilitado para o exercício de qualquer atividade empresarial pelo prazo de cinco anos, conforme determina o art. 181 da Lei de Falências. Também como conseqüência da falência, teve suas contas bancárias encerradas e o crédito cortado perante estabelecimentos bancários, de modo que manteve dinheiro guardado em sua residência, não declarado à Receita Federal para evitar possível penhora, arresto ou busca e apreensão. Diante dessas limitações, valeuse de procuração conferida por seu irmão, José Ribeiro Junqueira Neto, para celebrar contrato de aquisição da planta da Ouroeste. Posteriormente, colocou a empresa em nome da esposa, Sra. Ana Cecília Podboy Costa Junqueira, com quem é casado em regime de comunhão parcial de bens, de modo que é descabida a afirmação de que o estabelecimento foi posto em nome de pessoas interpostas. Estes fatos são confirmados em seu depoimento no processo penal e também nos depoimentos de Ângela Cristina Viegas Longo, José Avacyr Mariani e Ailton Alves Lorijola. A Continental é empresa distinta da Ouroeste, tendo aquela Fl. 3525DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 12 por sócios o Sr. Edson e o Sr. Martucci, razão pela qual não pode o Sr. Luiz Ronaldo ser responsabilizado pelos créditos tributários decorrentes das atividades desenvolvidas pela Continental. Em seguida, o Sr. Luiz Ronaldo reproduz as alegações já deduzidas pela Ouroeste em sua impugnação. Ao final, pede o acolhimento da preliminar de ilegitimidade de parte e reproduz os pedidos já formulados pela Ouroeste. O Sr. Dorvalino apresenta recurso às fls. 28942940, no qual limitase a reproduzir as alegações e os pedidos formulados na impugnação apresentada pela Ouroeste. O Sr. José Ribeiro Junqueira Neto apresenta impugnação às fls. 29572977, na qual afirma que havia conferido procuração a seu irmão, Sr. Luiz Ronaldo, e que este, valendose deste instrumento, adquiriu um frigorífico na cidade de Ouroeste, agindo assim em razão das restrições que enfrentou após a decretação da falência da Empresa Brasileira de Desenvolvimento de Produtos Ltda, da qual era sócio. Estes fatos são admitidos pelo Sr. Luiz Ronaldo em Declaração de Responsabilidade. O Sr. José Ribeiro Junqueira Neto não tinha conhecimento dos negócios feitos pelo irmão com a procuração outorgada, não emitiu cheques em pagamento, não fez depósitos e não assinou, por si, o compromisso de compra e venda. Isso é comprovado pelo fato de que o contrato social da empresa não foi posto em seu nome, mas no nome da esposa de seu irmão Luiz Ronaldo Costa Junqueira. A responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados foi atribuída por presunção, já que a autoridade não trouxe aos autos nenhum outro elemento, além do contrato de compra e venda das instalações da Ouroeste. Em seguida, o Sr. José Ribeiro Junquera Neto reproduz a alegação de decadência já deduzida na impugnação apresentada pela Ouroeste. Acrescenta que, nos depoimentos constantes do processo penal movido em razão dos fatos apurados, não consta qualquer menção a ele e a sua eventual condição de sócio ou gerente da Ouroeste ou de qualquer outra empresa envolvida. O fato de que os titulares da Ouroeste são o Sr. Dorvalino, o Sr. Edson e o Sr. Luiz Ronaldo é admitido no depoimento do próprio Luiz Ronaldo e também nos depoimentos de Ângela Cristina Viegas Longo, José Avacyr Mariani e Ailton Alves Lorijola. Por fim, pede que seja reconhecida a inexistência de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados e também o acolhimento das alegações formuladas pela Ouroeste em seu recurso. O Sr. Edson apresenta impugnação às fls. 29863044, na qual limitase a reproduzir as alegações e os pedidos formulados na impugnação apresentada pela Ouroeste. Às fls. 31673204 a Ouroeste apresenta Memorial aditando sua impugnação, no qual reitera as alegações já deduzidas em seu recurso, invocando jurisprudência e lições de doutrina. No tocante à multa qualificada (150%), afirma que esta não pode prosperar, já que sequer há certeza no lançamento. Afirma, ainda, que não há prova de fraude, conluio ou de falsificação de documentos, sendo descabida a presunção destas condutas. Cita vários julgados em abono a sua tese. Assevera que a ausência de prova do evidente intuito de fraude obsta a aplicação da multa qualificada e invoca o art. 112 do CTN. Ao final, pede o acolhimento das preliminares de decadência e de cerceamento ao direito de defesa. No mérito, requer a improcedência do auto de infração e, caso assim não se entenda, solicita que seja afastada a multa qualificada. A decisão recorrida está assim ementada: CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS CONSTITUIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS SEM SUBSTRATO Fl. 3526DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 13 ECONÔMICO MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Não há cerceamento de defesa na falta de intimação de interpostas pessoas e de pessoas jurídicas sem substrato econômico e na falta de consideração dos eventuais débitos por estas declarados, já que as receitas devem ser atribuídas à entidade que efetivamente praticou as operações, assim entendido aquele ente empresarial que atuou, por intermédio dos respectivos dirigentes de fato, no sentido de praticar os fatos geradores dos tributos. A utilização de notas fiscais “frias”, a utilização de interpostas pessoas e a reiteração da conduta infratora autorizam a aplicação de multa qualificada. È cabível a atribuição de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados àqueles que tiverem interesse comum nos fatos geradores das obrigações apuradas. AUTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Improcedente Cientificados, a empresa autuada e os responsáveis solidários JOSÉ ROBERTO DE SOUZA, DORVALINO FRANCISCO DE SOUZA, EDSON GARCIA DE LIMA, OSWALDO ANTONIO ARANTES e ANTONIO MARTUCCI interpuseram recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Nesses recursos, os autuados, com exceção do Sr. ANTONIO MARTUCCI, repisam as mesmas teses postas nas impugnações iniciais, trazendo agora, contudo, alguns documentos que, segundo eles, atestam a veracidade das operações desconsideradas pelo Fisco, assim como a inexistência de vínculo entre os indivíduos considerados responsáveis solidários e a empresa autuada. No que tange a inédita defesa apresentada pelo Sr. ANTONIO MARTUCCI em sede de recurso voluntário, aduz ele: que nunca teve qualquer vínculo com a empresa autuada a fim de justificar a sua responsabilidade tributária solidária; que apenas emprestou seu nome para constituição da empresa CONTINENTAL OUROESTE CARNE E FRIOS LTDA CONTINENTAL OUROESTE; e, que a empresa CONTINENTAL OUROESTE era distinta da empresa autuada (FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA FRIGORÍFICO OUROESTE). É o relatório. Fl. 3527DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 14 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Síntese dos fatos Conforme relatado, tratase de autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (fls. 1937/1982). De acordo com o Termo de Constatação e Descrição dos Fatos constante do Auto de Infração (fls. 1870/1936), apurouse omissão de receita operacional bruta decorrente da venda de produtos de fabricação própria (carne e derivados). Tendo sido constatada a participação de interpostas pessoas no esquema engendrado e o interesse comum de pessoas ocultas na situação que deu origem aos fatos geradores apurados, foram também autuados, por responsabilidade tributária solidária (artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional), os indivíduos considerados proprietários de fato da empresa autuada (termos de sujeição passiva solidária de fls. 1854/1869). Irresignadas com a autuação fiscal, a empresa autuada e as pessoas físicas identificadas pela Fiscalização como responsáveis solidários, com exceção do Sr. ANTONIO MARTUCCI, apresentaram suas impugnações (fls. 1994/2054, 2056/2116, 2119/2166, 2181/2241, 2244/2301, 2304/2361, 2364/2423, 2426/2483). Em suas defesas, os autuados elencaram basicamente as mesmas teses, quais sejam: indevida caracterização da responsabilidade tributária solidária dos indivíduos considerados como proprietários de fato da empresa autuada; cerceamento do direito de defesa; lançamento de tributos relativos a outros contribuintes (ilegitimidade tributária passiva); impossibilidade de aplicação do disposto no artigo 116 do CTN; lançamento pautado apenas em presunções; indevido arbitramento do lucro tributado; e, indevido agravamento da multa aplicada. Ato contínuo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) DRJRibeirão Preto/SP julgou improcedentes as impugnações e manteve inalterado o lançamento. Apreciação dos Recursos Voluntários De plano, destacase , mais uma vez, a superficialidade das defesas apresentadas, “em absoluto contraste com os fatos apurados pelo Departamento da Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil são irrefutáveis e conclusivos quanto ao esquema fraudulento encontrado”. Registrese, inicialmente, que tendo em vista a não apresentação de recurso voluntário pelos responsáveis solidários JOSE RIBEIRO JUNQUEIRA NETO, JOAO FRANCISCO NAVES JUNQUEIRA e LUIZ RONALDO COSTA JUNQUEIRA, o vínculo deles com o grupo OUROESTE apurado pelo Fisco e mantido pela decisão da DRJRibeirão Fl. 3528DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 15 Preto/SP não pode ser alterado por esta segunda instância julgadora. Houve trânsito em julgado administrativo da parte da decisão de primeira instância que reconheceu a responsabilidade tributária solidária deles com a empresa autuada (FRIGORÍFICO OUROESTE). No caso dos presentes autos, as defesas comuns a todos os autuados (quanto ao mérito do auto de infração), como, por exemplo, acerca da nulidade do lançamento, são estendidas a todos os contribuintes, desde que um deles as alegue, pois não há como o auto de infração ser válido para um sujeito passivo e inválido para o corresponsável. Agora, quanto aos fatos e relações jurídicas peculiares de cada autuado, como, por exemplo, o vínculo que cada um possuía com o grupo OUROESTE, ou os valores e benefícios que cada um recebeu, estes somente podem ser invocados no presente processo pelo autuado legitimado para tanto. Não há que se cogitar que a alegação de um autuado sobre a sua não condição de sócio da empresa fiscalizada possa ser estendida aos demais; o mesmo se aplica no caso de um autuado comprovar que não recebeu os valores identificados pelo Fisco. Sobre a responsabilidade solidária dos indivíduos considerados proprietários de fato da empresa autuada, a decisão de primeira instância assim se manifestou (fls. 2504/2505): “Os argumentos não procedem. Os responsáveis solidários arrolados pela autoridade autuante efetivamente não figuram como sócios de direito da Ouroeste, mas isto, conforme provado, foi propositalmente engendrado com o fim de ocultar os verdadeiros titulares da empresa. Segundo o já assentado anteriormente, tratase de hipótese na qual, ao defrontarse com a prática de ação ou omissão que, mediante simulação ou fraude, oculta a situação fática de onde adviria o tributo devido ou a responsabilidade por ele, a autoridade deve apurar o tributo devido e atribuir a responsabilidade respectiva a quem, de fato, é o titular da operação. Equivocamse os impugnantes ao invocar os pressupostos necessários à aplicação dos arts. 134 e 135 do CTN. Todos os termos de sujeição passiva solidária e também o Termo de Constatação e Descrição dos Fatos são expressos ao definir o art. 124, I, do CTN como fundamento legal para a atribuição de responsabilidade solidária. Nos termos desta norma, são responsáveis aqueles que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Nesse sentido, a autoridade autuante foi extremamente diligente no sentido de demonstrar que os responsáveis solidários tiveram participação na condução dos negócios da Ouroeste e também beneficiaramse economicamente dos negócios realizados. Ressaltese, ainda, que o parágrafo único do art. 124 do CTN determina expressamente que a solidariedade nele regulada não comporta benefício de ordem. Portanto, é descabida a alegação de que a responsabilização dos sócios de fato só tem lugar quando esgotado o patrimônio da Ouroeste. O Sr. João Francisco alega que é pai do Sr. José Ribeiro e do Sr. Luiz Ronaldo, possuindo com este último conta conjunta. Afirma que não há qualquer vinculação sua com a Ouroeste. Esta alegação não se sustenta diante das provas carreadas aos autos. O Sr. João Francisco mantém contacorrente conjunta com o Sr. Luiz Ronaldo, junto ao Banco HSBC, conta esta de onde provieram os recursos utilizados para o pagamento do imóvel e das instalações industriais da Ouroeste. Mais que isso, constatouse que o Sr. João Francisco recebeu em suas contascorrentes diversas transferências de recursos provenientes de contas bancárias das empresas Continental e SP Guarulhos, revelando que se beneficiou economicamente dos ilícitos praticados pela Ouroeste. Além disso, foram identificados diversos pagamentos de despesas pessoais do Sr. Fl. 3529DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 16 João Francisco com cheques emitidos pela SP Guarulhos. E inconteste, portanto, que o Sr. João Francisco tem interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações principais apuradas. (..)” Sendo assim, requerse ab initio o reconhecimento do trânsito em julgado administrativo da parte da decisão de primeira instância que reconheceu a responsabilidade tributária solidária dos Senhores JOSE RIBEIRO JUNQUEIRA NETO, JOAO FRANCISCO NAVES JUNQUEIRA e LUIZ RONALDO COSTA JUNQUEIRA. Por outro lado, acerca da defesa apresentada pelo responsável solidário ANTONIO MARTUCCI somente em sede de recurso voluntário, destacase que a mesma não deve ser conhecida por este D. Conselho, pois a oportunidade para ele enfrentar o seu vínculo com o grupo OUROESTE já se encontra preclusa. Como ressaltado anteriormente, a única defesa aplicável ao Sr. ANTONIO MARTUCCI é aquela comum a todos os responsáveis solidários e que chegou ao CARF por meio daqueles que se insurgiram contra o mérito do lançamento desde a impugnação inicial. Da validade do lançamento realizado. a) Da plena observância ao direito de defesa dos autuados. Dentre suas primeiras alegações, afirmam os recorrentes que o procedimento adotado pela Fiscalização violou seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Destacam eles que o lançamento ora em discussão é nulo, pois: durante a fase de fiscalização não foi dado acesso a eles aos documentos fiscais e contábeis que embasaram a autuação; o auto de infração se pautou em documentos pertencentes a outras pessoas jurídicas; algumas solicitações apresentadas pelo Fisco eram impossíveis de serem cumpridas, etc. Com todo o respeito às extensas razões elaboradas pelos recorrentes, elas não merecem prosperar. Ao contrário do que mencionado pelos insurgentes, a Autoridade Fiscal lavrou o auto de infração em perfeita sintonia com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Por certo, compulsando o Termo de Constatação e Descrição dos Fatos constante do Auto de Infração, observase que o Auditor Fiscal responsável pelos trabalhos fez questão de registrar que ofereceu aos contribuintes fiscalizados todos os meios para que eles esclarecessem os fatos investigados. Da leitura dos autos, observase que em inúmeras oportunidades a Autoridade Fiscal insistiu na notificação dos autuados para prestar esclarecimentos até mesmo quando eles não respondiam nas primeiras tentativas. À guisa de exemplificar a precaução adotada pelo Fisco e a inércia dos autuados em face das inúmeras notificações fiscais encaminhadas,citamse os seguintes trechos da autuação fiscal: “(...) Todos os contribuintes abaixo foram intimados para prestar esclarecimento pessoal sobre sua atuação no esquema fraudulento, mas nenhum deles compareceu, justificando que não eram obrigados a produzir provas contra si e que todos os esclarecimentos foram dados a Polícia Federal e a Justiça Federal. (...) (fl. 1899) Fl. 3530DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 17 Isto posto, em 10.11.2008, INTIMAMOS o contribuinte Frigorífico Ouroeste Ltda para apresentar os itens abaixo (1 e 2), fls. 1764 a 1805, no prazo de 30 dias, considerando como receita, além os da própria atividade, os valores das notas fiscais das empresas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda: (... ) Para possibilitar o atendimento integral dos itens acima intimados, anexamos um CD, com os seguintes arquivos/informações (os arquivos foram devidamente autenticados, conforme documentos de fls. 1788 a 1803): (... ) Constou da intimação, ainda, a informamos que (sic) todas as notas fiscais emitidas pelas empresas Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda e SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, encontramse a disposição da empresa para consulta e extração de cópias. Como não houve atendimento, o contribuinte foi REINTIMADO em 19.12.2008, fls. 1806 a 1845. Esclarecemos que durante todo o período concedido para que a empresa regularizasse sua escrituração, não houve qualquer contato ou solicitação de qualquer representante da empresa fiscalizada. (fls. 1923/1926) (...)” Quanto à alegação de que o lançamento se pautou em documentos fiscais referentes a outras pessoas jurídicas, não obstante o fato de o lançamento justamente ter desconsiderado a existência das empresas que existiam somente no papel e que a pessoa jurídica autuada utilizava essas empresas para por em prática o seu esquema fraudulento, nota se da leitura das fls. 1764/1805 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal que, quando da notificação dos autuados para apresentar informações, foram disponibilizados em CD anexo à notificação todas as informações fiscais e contábeis em que se estava pautando a fiscalização. Como se não bastasse tal precaução, constou a ainda da notificação que todas as notas fiscais emitidas pelas empresas consideradas inexistentes de fato se encontravam à disposição para consulta e extração de cópias (fl. 1786). Verificase, pois, que incorreu qualquer violação aos princípios constitucionais que asseguram o pleno exercício do direito de defesa, muito menos restrição aos recorrente doe acesso aos documentos e informações que embasaram o auto de infração A Fiscalização, além de notificar por inúmeras vezes os autuados a se manifestarem, forneceu e disponibilizou a eles todas as informações sobre as quais recaiam os trabalhos fiscais. Da leitura dos termos de notificação, como, por exemplo, o Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 1764/1805, observase que o Fisco, desde as notificações, já informava aos fiscalizados todos os elementos e conclusões que estavam sendo apurados. Todavia, em que pese o lançamento ter desconsiderado a existência de fato das empresas constituídas apenas no papel, os contribuintes autuados insistem em dizer que tais pessoas jurídicas existiam na realidade e que eram distintas da autuada (sem, contudo, provar nada para tanto), e que tal fato, por si só, leva à violação do seu direito de defesa. Em verdade, os recorrentes não rebateram as conclusões fiscais, fartamente provadas nos autos. Fl. 3531DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 18 As defesas em momento algum esclarece o motivo pelo qual inúmeros documentos das empresas consideradas inexistentes de fato (CONTINENTAL OUROESTE e SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA SP GUARULHOS) foram encontrados no estabelecimento da empresa autuada (FRIGORÍFICO OUROESTE). Deixam eles de demonstrar as razões pelas quais as empresas fiscalizadas devem ser reconhecidas como existentes de fato e independentes entre si. Tal como ressaltado pela decisão de primeira instância, os recorrentes embasam sua alegação de cerceamento de seu direito de defesa em equivocada premissa: a de que as empresas desconsideradas pela Fiscalização existiam de fato. Caso o lançamento não tivesse desconsiderado a existência formal dessas empresas, correta e devida seria a alegação dos recorrentes. Nesse esteio, cabe destacar também o seguinte trecho do acórdão prolatado pela autoridade julgadora de 1a instância (fl. 2500): “(...) Diante de todas estas provas, concluise que as alegações de cerceamento de direito de defesa aduzidas pelo impugnante partem de premissas equivocadas. As empresas Continental, Distribuidora e SP Guarulhos não têm substrato econômico, ou seja, não são empresas no sentido econômico da palavra. São apenas instrumentos criados para fraudar a Fazenda Pública. A ligação da Ouroeste com estas empresas ficou devidamente caracterizada. Na intimação enviada ao contribuinte para apresentar a escrituração das operações de sua responsabilidade, alertouse que as notas fiscais emitidas pela Distribuidora e pela SP Guarulhos encontravamse à disposição da empresa para consulta e extração de cópias. Além disso, junto da intimação foi anexado CD contendo todas as informações digitáveis das notas fiscais de saídas, emitidas nos anos de 2005 e 2006, pela Continental, pela Distribuidora e pela SP Guarulhos, de modo que não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa. (...)” Constatase, pois, que o Fisco obedeceu de forma irretocável o direito de defesa dos contribuintes autuados. Além de permitir a consulta a qualquer momento das informações sobre as quais recaiam os trabalhos fiscais, a Fiscalização notificou os autuados a tomar ciência delas, quando não as forneceu diretamente. Por fim, destacase que a estratégia de silêncio dos autuados com o fito de não produzir prova contra si não pode ser confundida com a violação de seu direito de defesa. Da responsabilidade tributária solidária dos indivíduos considerados proprietários de fato da empresa autuada. Aduzem os indivíduos que foram considerados proprietários de fato da empresa autuada que a responsabilidade tributária solidária a eles imputada não deve ser mantida. Da leitura dos recursos voluntários interpostos, observase que os responsáveis solidários que recorreram, com exceção do Sr. ANTONIO MARTUCCI, além de repetirem as mesmas razões de insurgência expostas em suas impugnações iniciais, trouxeram novos elementos a fim de afastar o vínculo de responsabilidade apurado pela Fiscalização. Fl. 3532DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 19 Quanto às razões repetidas, elas podem ser assim resumidas: a responsabilização é indevida, pois não há o interesse comum identificado pelo Fisco; a responsabilidade aplicada deve ser subsidiária, pois a empresa autuada tem patrimônio para responder por seus débitos; e, eventual responsabilidade deve ser previamente declarada por decisão judicial transitada em julgado. Acerca das alegações individuais, o Sr. EDSON GARCIA DE LIMA acresce que sua responsabilização é indevida uma vez que ele sequer possuía condições financeiras para figurar como sócio da empresa autuada. Tal fato teria sido reconhecido pela Autoridade Fiscal do Estado de São Paulo. O Sr. OSWAVLDO ANTONIO ARANTES adita que ele foi apenas empregado mensalista do FRIGORÍFICO OUROESTE e da CONTINENTAL OUROESTE (com salário mensal em torno de R$ 3.040,00 fl. 2733). Assim, o recebimento de salário mensal não pode servir como base para se concluir que ele era proprietário de fato da empresa autuada. O Sr. DORVALINO FRANCISCO DE SOUZA diz que não consta em nenhum contrato do FRIGORÍFICO OUROESTE ou da CONTINENTAL OUROESTE seu nome como sócio das referidas empresas. O Sr. JOSÉ ROBERTO DE SOUZA alega que, além de não constar em nenhum contrato das empresas fiscalizadas seu nome como sócio, os elementos indicados pela Fiscalização como indícios de que ele seria um dos proprietários de fato da empresa autuada não são conclusivos. Assim, seria irrelevante o fato: de alguns indivíduos dizerem que as tratativas dos negócios das empresas fiscalizadas eram realizadas com ele; de ele ter sido fiador em um contrato de hipoteca firmado pelo FRIGORÍFICO OUROESTE; de alguns indivíduos dizerem que ele era o comprador de gado que atuava em nome das empresas fiscalizadas. Por fim, o Sr. ANTONIO MARTUCCI, que nada apresentou em sede de impugnação inicial, aduz: que nunca foi sócio, gerente, funcionário ou mandatário do FRIGORÍFICO OUROESTE; que a empresa CONTINENTAL OUROESTE nunca teve seus negócios misturados com os da empresa FRIGORÍFICO OUROESTE; que os Senhores DORVALINO e EDSON, abusando de sua boafé, utilizaram de forma indevida a procuração que lhes entregou. Data venia, tais argumentos não devem prosperar. Tal como será demonstrado adiante, o lançamento corretamente caracterizou o vínculo de responsabilidade de cada indivíduo com base no interesse comum (econômico e jurídico) de cada um na situação que constituiu o fato gerador do tributo apurado, qual seja: a receita bruta omitida (decorrente da comercialização de carne e derivados). Como será visto, o interesse comum de cada um dos responsáveis resta inquestionável ante a inequívoca participação conjunta dos indivíduos e da empresa autuada na realização do fato gerador apurado, assim como pelos incontáveis benefícios que cada indivíduo recebeu na qualidade de proprietário de fato da empresa autuada. Nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, são definidos como devedores solidários aqueles que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Este instituto determina a solidariedade quando os sujeitos estão na mesma relação obrigacional. Neste caso, deve ocorrer um interesse comum das pessoas que participam da situação que origina o fato gerador para, conseqüentemente, passarem à condição de devedores solidários. Eis a letra da lei: Fl. 3533DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 20 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Nesse sentido, registrase o seguinte acórdão do CARF: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA HIPOTESES DE IMPUTAÇÃO A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário somente pode ocorrer nas hipóteses e limites fixados em lei, que a restringe às pessoas expressamente ali designadas e que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão 10196425)) Não se trata, pois, de exigir à configuração da solidariedade uma relação imediata e direta do corresponsável com a ocorrência do fato gerador, é suficiente, ao dispositivo em tela, a mera configuração do interesse comum entre o efetivo contribuinte e o corresponsabilizado na situação que descreve o fato imponível tributário. Há necessidade, a partir de agora, de conceituarmos o que seja interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal para comprovarmos que a decisão de primeira instância foi tomada estritamente sob os parâmetros definidos em lei, haja vista a hipótese fática descrita nos autos. Sobre o tema, é curial a lição de Rubens Gomes de Souza na obra Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3.ª ed, p 67: É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; por outras palavras, (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência de nossos tribunais, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. INVESTIMENTO RELEVANTE EM SOCIEDADE COLIGADA. SOLIDARIEDADE NO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DESTA. INEXISTÊNCIA. 1. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é relevado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. E solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador, ou que, e comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; por outras palavras, (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado (Rubens Gomes de Souza, Compêndio de legislação tributária, 3. ed., Rio de Janeiro, Edições Financeiras, 1964, p. 67). 2. A sociedade que participa do capital de outra ainda que de forma relevante, não é solidariamente obrigada pela dívida tributária referente ao imposto de renda desta última, pois, embora tenha interesse econômico no lucro, não tem o necessário interesse comum, na acepção que lhe dá o art. 124 do CTN, que pressupõe a participação comum na realização do lucro. Na configuração da solidariedade é relevante que haja a participação comum na Fl. 3534DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 21 realização do lucro, e não a mera participação nos resultados representados pelo lucro. 3. Apelação a que se dá provimento, para exclusão do nome da apelante do rol dos devedores solidários. (TRF4a R., 2.a T., AMS n° 94.04.550469/RS, Rel. Juiz Zuudi Sakakihara, DJU 27.10.1999, p. 635) Observase que o interesse comum das pessoas não é medido somente pelo interesse econômico no resultado ou no proveito dos frutos da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas também pelo interesse jurídico, que diz respeito à participação comum ou conjunta das pessoas na realização da situação que constitui o fato gerador. No caso dos presentes autos, o lançamento em comento demonstrou de forma clara e suficiente o interesse comum (econômico e jurídico) dos responsáveis tributários solidários na situação que constituiu os fatos geradores dos tributos apurados. De forma inequívoca, expôs o auto de infração que os indivíduos considerados proprietários de fato da empresa autuada tanto participaram ativamente da realização da situação que constituiu os fatos geradores (interesse comum jurídico), como participaram economicamente dos resultados advindos desses fatos (interesse comum econômico). Os responsáveis solidários identificados pelo lançamento tanto participavam da realização dos negócios que deram origem ao fato gerador dos tributos apurados (venda de carne e derivados), quanto da divisão da receita proveniente dessa atividade. Por essa razão que eles foram considerados como proprietários de fato da principal empresa que capitaneava o esquema fraudulento. Da leitura das fls. 1899/1918 do Termo de Constatação e Descrição dos Fatos constante do Auto de Infração, vêse que o lançamento detalhou a forma como cada indivíduo participou ativamente do esquema fraudulento de venda de carne e produtos derivados (interesse comum jurídico). Segundo o relatório fiscal, os responsáveis solidários foram assim identificados porque participaram efetivamente, com trabalho e capital (financiamento), das vendas fraudulentas de carne e derivados. Como identificado pelo Fisco, todos eles, em razão de sua larga experiência no ramo de venda de carnes e derivados, participaram conjuntamente com a empresa autuada na realização dos negócios fraudulentos. E não só da realização dos negócios participaram os indivíduos considerados como responsáveis. Conforme fora apurado pelo Fisco, eles também participaram da distribuição dos lucros advindos do esquema fraudulento por eles montado (interesse comum econômico). A título de retorno de suas atuações em conjunto com o FRIGORÍFICO OUROESTE, na qualidade de sócios de fato dessa empresa, todos esses indivíduos receberam valores e benefícios indiretos pagos pelas empresas que existiam somente no papel (CONTINENTAL OUROESTE e SP GUARULHOS). Notase assim que, distantemente do que alegado pelos recorrentes, o lançamento embasou a responsabilidade tributária solidária em fatos que demonstram claramente o interesse comum (jurídico e econômico) de cada indivíduo na constituição e fruição da receita operacional bruta decorrente da atividade fraudulenta de venda de carne e derivados. Independentemente das razões elencadas pelos recorrentes quanto às formalidades dos negócios realizados, resta fartamente provado nos presentes autos que eles efetivamente participavam das vendas de carne e derivados por meio das empresas FRIGORÍFICO OUROESTE, CONTINENTAL OUROESTE e SP GUARULHOS, assim como gozavam dos resultados advindos dessa atividade omitida das Autoridades Fiscais. Fl. 3535DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 22 Da leitura das alegações trazidas pelos recorrentes, observase que eles se preocuparam em atacar apenas as formalidades dos negócios realizados, tal como a falta de seus nomes nos contratos sociais das empresas fiscalizadas, as atividades que formalmente desempenhavam, a sua situação financeira conhecida pelas Autoridades Fiscais e a eventual máfé daqueles com quem negociavam. Em nenhum momento eles tentam comprovar, por meio de provas contundentes, que não participaram da realização e dos frutos da venda fraudulenta de carnes e derivados. Não há tentativa sequer de explicação sobre os valores apurados. Como tais evidências são incontestáveis, eles preferem embasar sua defesa em formalidades genéricas e irreais, o que, justamente, o lançamento desconsiderou. O único recorrente que menciona valores é o Sr. OSWALDO, segundo o qual, na qualidade de empregado mensalista com salário em torno de R$ 3.040,00, não poderia ser confundido como proprietário de fato da empresa autuada. Todavia, comparando esse valor mencionado pelo recorrente com aqueles constantes da tabela de fls. 1912/1914, observase que, ao contrário de suas alegações, os valores que recebeu das empresas CONTINENTAL OUROESTE e SP GUARULHOS ultrapassa em muito o valor mencionado. Por exemplo, tendo por base o período de 10/2005, vêse que o referido autuado recebeu em sua conta bancária algo em torno de R$ 47.000,00. Ora, se ele era realmente apenas um empregado mensalista do grupo OUROESTE, qual é a origem da diferença de R$ 43.960,00? Ao receber esse valor, é inquestionável que o Sr. OSWALDO está mais para proprietário desse grupo do que simples empregado mensalista. Destarte, como esse contribuinte não justificou a origem dos valores recebidos, e tendo por base os inúmeros testemunhos que afirmaram que o Sr. OSWALDO participava ativamente da venda de carnes e derivados em nome do grupo OUROESTE, outra conclusão não poderia ter sido adotada pelo Fisco senão a de que ele tinha interesse comum (jurídico e econômico) na realização da situação que constituiu o fato gerador do tributo apurado. Por último, no que tange ao questionamento sobre a espécie de responsabilidade aplicada pelo Fisco (solidária, com base no art. 124, I, do CTN), não resta razão aos recorrentes quando eles aduzem que tal responsabilização na verdade é subsidiária, devendose voltar os atos executórios primeiro à pessoa jurídica, para, somente depois, voltaremse aos sócios. Como muito bem destacado pela decisão de primeira instância, o lançamento concentrou seus esforços para caracterizar o interesse comum (jurídico e econômico) dos indivíduos autuados na situação que constituiu o fato gerador do tributo apurado, qual seja: receita operacional bruta decorrente da venda de carne e produtos derivados. Ora, uma vez tendo sido configurada tal moldura fática, outra conclusão não poderia ter sido adotada senão a aplicação do art. 124, I, do CTN, o qual determina a responsabilidade solidária dos indivíduos interessados, ou seja, sem benefício de ordem (podendo a dívida ser cobrada de qualquer um e a qualquer tempo, respeitados, logicamente, os prazos decadenciais e prescricionais). No entanto, mesmo que a responsabilidade configurada pelo Fisco no presente processo fosse subsidiária, a discussão em torno dela seria possível nos presentes autos. Como se sabe, o Processo Administrativo Fiscal envolve a constituição definitiva do crédito tributário, do qual faz parte o(s) sujeito(s) passivo(s) da relação tributária apurada. Sendo assim, o que se faz no presente processo não é cobrar o crédito em face das pessoas físicas identificadas como responsáveis tributários, mas sim discutir, mediante a ampla defesa e o contraditório, se elas assim podem ser classificadas. Fl. 3536DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 23 Vale destacar, sem maiores delongas, que tal responsabilidade solidária, assim como as outras tributárias, ao contrário do que pensam alguns recorrentes, não necessitam de prévia declaração pelo Poder Judiciário. A eficácia legal dos dispositivos que as prevêem é imediata e plena, podendo, sim, a sua aplicação pelo Poder Executivo ser questionada no âmbito do Poder Judiciário. Sobre a aplicação da responsabilidade tributária solidária, vale também registrar a seguinte parte da ementa do Acórdão n° 10809617: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Comprovado nos autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do CódigoTributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Desta feita, ante o exposto, mostrase que o lançamento em tela configurou de forma correta e suficiente a responsabilidade tributária solidária dos indivíduos considerados proprietários de fato da empresa autuada. O interesse comum (jurídico e econômico) aferido pela Fiscalização torna inquestionável o vínculo de responsabilidade atribuído. c) Da omissão de receita operacional bruta de vendas. Afirma a empresa autuada que a Autoridade Fiscal erroneamente considerou que os seus negócios se confundiam com os negócios das empresas CONTINENTAL OUROESTE e SP GUARULHOS. Segundo ela, não houve omissão de receita operacional bruta decorrente da venda de carne e derivados. As empresas consideradas inexistentes de fato realmente existiam/existem, tanto que seria impossível à empresa autuada ter acesso aos documentos fiscais e contábeis por elas emitidos. Alega, assim, que: o auto de infração fora embasado somente em presunções; o lançamento teria recaído sobre equivocado sujeito passivo; os negócios realizados com as empresas consideradas inexistentes de fato eram válidos; e, durante maior parte do período fiscalizado suas operações estavam suspensas. Tal como destacado quanto às defesas apresentadas pelos responsáveis solidários, as razões elencadas pela empresa autuada não merecem prosperar, pois não são hábeis a desconstituir os fatos apurados pelo Fisco. Assim como foi feito pelos corresponsáveis que se insurgiram contra o lançamento, a empresa autuada apenas o contesta com base nos atos formais por ela praticados junto com as outras empresas que somente existiam no papel. Ora, como já dito antes, todo o trabalho fiscalizatório se pautou justamente na desconsideração dessas situações de direito, as quais, porém, não existiam na realidade. Com efeito, repetindo as palavras proferidas pela decisão de primeira instância (fl. 2498): a autoridade trouxe aos autos provas robustas e contundentes no sentido de que as pessoas jurídicas acima referidas agiram em conluio com o fim de fraudar a Fazenda Pública. A fim de relembrar os fatos que levaram à desconsideração das situações de direito encontradas, assim como à conclusão de que houve omissão da receita operacional bruta de venda de carne e derivados pelo FRIGORÍFICO OUROESTE e seus proprietários de fato, citamse os seguintes: Fl. 3537DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 24 a) contrato de arrendamento economicamente inviável das instalações industriais firmado entre o FRIGORÍFICO OUROESTE e a CONTINENTAL OUROESTE e a SP GUARULHOS. Por meio desses contratos, durante o período em que a empresa autuada supostamente suspendeu suas atividades, os arrendatários assumiram o compromisso de que, caso realizassem benfeitorias no imóvel, elas seriam nele incorporadas sem qualquer indenização ao arrendatário que o fez. Ao longo da vigência dos referidos contratos de arrendamento, o imóvel arrendado recebeu benfeitorias em valor superior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais); b) utilização de créditos de ICMS pelas empresas CONTINENTAL OUROESTE e SP GUARULHOS em proveito do FRIGORÍFICO OUROESTE e dos indivíduos considerados pela Fiscalização como proprietários de fato da empresa autuada; c) os negócios firmados em nome das empresas fiscalizadas (FRIGORÍFICO OUROESTE, CONTINENTAL OUROESTE e SP GUARULHOS) eram promovidos pelos mesmos indivíduos, os quais foram considerados pela Fiscalização como proprietários de fato do FRIGORÍFICO OUROESTE; d) os produtos comercializados pelas empresas CONTINENTAL OUROESTE e SP GUARULHOS traziam registrados em seus rótulos, em letras grandes, o nome do FRIGORÍFICO OUROESTE. A comercialização desses produtos ocorreu justamente no período em que o FRIGORÍFICO OUROESTE alega ter estado com suas atividades suspensas; e) assunção de dívidas das empresas CONTINENTAL OUROESTE e SP GUARULHOS pelo FRIGORÍFICO OUROESTE, dando como garantia para o pagamento a hipoteca do próprio imóvel do FRIGORÍFICO OUROESTE, e tendo como solidários fiadores os indivíduos considerados pela Fiscalização como proprietários de fato; f) utilização por todas as empresas que formavam o grupo fraudulento (FRIGORÍFICO OUROESTE, CONTINENTAL OUROESTE e a SP GUARULHOS) de notas fiscais frias emitidas pela empresa também inexistente de fato DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA. De acordo com os registros dessa última empresa, todas as notas fiscais compradas por esse grupo empresarial apresentava o código 36: cliente OUROESTE; g) quando das operações de busca e apreensão de documentos realizados pelas Autoridades Policiais, foram encontrados no estabelecimento do FRIGORÍFICO OUROESTE documentos fiscais e contábeis das empresas CONTINENTAL OUROESTE e SP GUARULHOS. Assim, resta evidente e inquestionável a omissão de receita operacional bruta apurada pelo lançamento. O FRIGORÍFICO OUROESTE juntamente com seus proprietários de fato omitiram receita operacional bruta de venda de carne e seus derivados por meio da realização de negócios em nome das empresas CONTINENTAL OUROESTE e SP GUARULHOS, as quais existiam apenas no papel. A omissão de receitas se caracterizou quando o FRIGORÍFICO OUROESTE e os seus proprietários de fato não assumiram em seu nome as vendas realizadas em nomes das empresas CONTINENTAL OUROESTE e SP GUARULHOS. Ao contrário do que aduzido pelo FRIGORÍFICO OUROESTE, as empresas CONTINENTAL OUROESTE e a SP GUARULHOS não possuíam qualquer substrato econômico a sua existência. Elas foram criadas para o fim específico de esconder das Fl. 3538DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 25 Autoridades Fiscais as vendas de carne e derivados promovidas pelo FRIGORÍFICO OUROESTE e seus proprietários de fato, assim como a receita advinda dessa atividade ilícita. Nesse diapasão, vale repetir o seguinte trecho do acórdão de primeira instância (fl. 2502): “(...) diante da constatação de que a Ouroeste utilizou fraudulentamente a Distribuidora, a Continental e a SP Guarulhos para ocultar suas operações, é correto o procedimento da autoridade autuante no sentido de atribuir as operações ao seu titular de fato, apurando os tributos devidos e lançandoos contra este (...).” Por certo, outra conclusão não poderia ter tido o Fisco. Constatado por inúmeras informações que os fatos geradores apurados envolviam interpostas pessoas físicas e inexistentes pessoas jurídicas, devido e correto é o lançamento da receita omitida e em nome dos devidos sujeitos passivos. Vale frisar que as alegações trazidas pela empresa autuada desde sua impugnação tratam apenas dos atos e negócios formais por ela realizados, justamente o que a Fiscalização logrou desconsiderar ante o extenso leque de provas que demonstram que eles somente existiram no papel. Conforme fora apurado, a realidade decorrente dos negócios realizados era uma só: o FIGORÍFICO OUROESTE juntamente com seus proprietários de fato vendiam carne e seus derivados através de negócios realizados em nome de empresas de fachada. d) Do arbitramento do lucro Afirmam os recorrentes que o arbitramento do lucro realizado pela Fiscalização é indevido, uma vez que o lançamento não demonstrou a imprestabilidade da escrituração contábil da empresa autuada. Sem maiores delongas sobre esse ponto, pois as extensas razões até aqui postas já falam por si só, tal afirmação não merece prevalecer. Com efeito, tendo o Fisco apurado que a empresa autuada realizava seus negócios por meio de empresas de fachada, e tendo tal empresa autuada se recusado a retificar sua escrituração contábil com as vendas descobertas, outra ação não poderia ter tido Autoridade Fiscal senão arbitrar o lucro a ser tributado com base na receita bruta conhecida. A constatação de que existiam empresas inexistentes de fato, as quais eram utilizadas como meio para realização de negócios pela empresa autuada, já justifica por si só o arbitramento do lucro, pois a imprestabilidade da contabilidade da empresa fiscalizada é evidente. Ressaltase as razões que levaram à Fiscalização a arbitrar o lucro a ser tributado, registradas no seguinte trecho do relatório fiscal (fls. 1926/1930): “(... ) Esclarecemos que durante todo o período concedido para que a empresa regularizasse sua escrituração, não houve qualquer contato ou solicitação de qualquer representante da empresa fiscalizada. Como não houve atendimento, até a presente data, a única opção é determinar o imposto com base nos critérios do lucro arbitrado, nos termos do artigo 530, inciso III, do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/1999), abaixo transcrito: (... ) Fl. 3539DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 26 Cumpre esclarecer que o lucro arbitrado não representa qualquer tipo de penalidade imposta ao contribuinte. É apenas uma forma de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, à mingua de outra que seja possível. (... ) Como a empresa utilizou documentos fiscais de terceiras empresas, para efetuar comercialização de carnes e subprodutos, as receitas decorrentes destas atividades fraudulentas (Notas Fiscais) serão consideradas como da empresa. (... ) Com base nas informações acima, nas circularizações em diversos contribuintes e demais provas, constatamos as seguintes receitas brutas: 2.7.2.1 Das vendas realizadas com Notas Fiscais da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda; (... ) 2.7.2.2 Das vendas realizadas com notas fiscais da empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda; (... ) 2.7.2.3 Das vendas realizadas com notas fiscais da empresa SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda; (... ) 2.7.2.4 Das vendas realizadas com Notas Fiscais da própria empresa; (...)” Observase, assim, como dito, que o arbitramento do lucro decorreu da completa e assumida imprestabilidade da escrituração contábil da empresa autuada para se apurar a sua receita operacional bruta decorrente da venda de carne e derivados. Dizse assumida porque, mesmo tendo sido notificada a retificar sua contabilidade após as apurações fiscais realizadas, o FRIGORIFICO OUROESTE optou por ignorar as receitas omitidas e insistir que nenhuma relação possuía com as empresas CONTINENTAL OUROESTE e SP GUARULHOS. Da qualificação da multa de oficio. No que tange a qualificação da multa de oficio, ao percentual de 150%, os fatos apurados pelo lançamento mais uma vez falam por si só. A utilização de interpostas pessoas, a compra de notas fiscais frias, a constituição e utilização de empresas de fachada, a utilização de CPF falso, a falsificação de assinaturas, a utilização de créditos de ICMS falsos, a realização de alterações contratuais falsas, as declarações falsas prestadas às Autoridades Fiscais, tudo isso acrescentado ao fato de que todas essas ações foram realizadas durante um longo período de tempo e com o único intuito de evitar a tributação dos fatos geradores pelas Autoridades Fiscais, tornam mais do que inequívoco o intuito fraudulento dos envolvidos a justificar a qualificação da multa aplicada. Sobre essa questão, vale ver novamente o que registrou o relatório fiscal (fl. 1931): “(...) Há nos autos prova robusta da prática dolosa de infrações à legislação tributária, inclusive de simulação. Nesse sentido, registrese que a Ouroeste valeu Fl. 3540DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16004.000347/200818 Acórdão n.º 1402001.144 S1C4T2 Fl. 0 27 se de notas fiscais "frias" emitidas pela Distribuidora. Atuou, ainda, no sentido de ocultar as operações de sua responsabilidade sob o manto desta empresa e também da Continental e da SP Guarulhos. Mais que isso, nas sucessivas alterações contratuais por que passaram a Ouroeste, a Continental e a SP Guarulhos foram utilizados amplamente "laranjas" a fim de ocultar os efetivos sócios. Finalmente, estas condutas foram praticadas de forma reiterada e os recursos envolvidos são vultosos, evidenciando que os fatos ocorridos não decorreram de mero equívoco, mas foram intencionalmente praticados com o fim de fugir à tributação. Está, portanto, plenamente justificada a imposição de multa qualificada (150%).(...)” Ao contrário do que dito pelos recorrentes, a qualificação da multa não se pautou em presunções, mas sim na robustez das incontáveis provas apuradas pelo Departamento da Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil. Estou plenamente convencido de que o feito fiscal e a decisão recorrida pautaramse nas provas materiais e nas disposições legais em vigor, pelo que as exigências devem ser confirmadas. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 3541DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10166.901968/2008-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA FÁTICA. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO. OCORRÊNCIA COMPROVADA. RAZÃO DE DECIDIR MANTIDA.
Tendo havido a comprovação da ocorrência de omissão e de lapso manifesto no acórdão embargado, tais vícios devem ser sanados, de forma a ajustar o acórdão à matéria fática presente nos autos, mantendo-se, contudo, a decisão de mérito não contaminada pelas retificações promovidas.
Numero da decisão: 3803-006.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para corrigir os erros materiais do acórdão embargado, bem como suprir a omissão relativa à ausência de menção expressa ao documento trazido em sede de recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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MATÉRIA FÁTICA. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO. OCORRÊNCIA COMPROVADA. RAZÃO DE DECIDIR MANTIDA. Tendo havido a comprovação da ocorrência de omissão e de lapso manifesto no acórdão embargado, tais vícios devem ser sanados, de forma a ajustar o acórdão à matéria fática presente nos autos, mantendose, contudo, a decisão de mérito não contaminada pelas retificações promovidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, sem efeitos infringentes, para corrigir os erros materiais do acórdão embargado, bem como suprir a omissão relativa à ausência de menção expressa ao documento trazido em sede de recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 19 68 /2 00 8- 81 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 30/10/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.901968/200881 Acórdão n.º 3803006.527 S3TE03 Fl. 498 2 Cuidase de Embargos de Declaração interpostos por Autotrac Comércio e Telecomunicações S/A contra o Acórdão nº 380300.947, de 28 de outubro de 2010, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 24/04/2008 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO EFETUADO A MAIOR. O julgador deve buscar analisar as razões e provas apresentadas pelo impugnante, em confronto com as documentações e fatos (comprovados) que serviram de base ao lançamento. A contribuinte não logrou trazer aos Autos material probatório que comprovasse as alegações feitas, o que permitiria a este colegiado formar convicção sobre as mesmas alegações. Recurso Voluntário Negado. O presente processo originouse de Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em que o contribuinte pretendeu quitar débito da contribuição para o PIS devida em fevereiro de 2004 com crédito decorrente de alegado pagamento a maior do mesmo tributo devido em agosto de 2003, no valor total de R$ 6.779,05. Submetida a compensação ao processamento eletrônico, emitiuse despacho decisório denegatório do direito pleiteado, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do interessado. Inconformado com tal decisão, o contribuinte requereu a declaração de insubsistência do despacho decisório, alegando que o crédito de R$ 6.294,38, acrescido dos respectivos acréscimos legais, decorrera de pagamento a maior da contribuição, cujo recolhimento se dera no montante de R$ 92.227,97. A DRJ Brasília/DF julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a ausência de comprovação do alegado pagamento efetuado a maior. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte reiterou seu pedido, argüindo que havia declarado por estimativa a contribuição do período sob comento, tendo o saldo credor sido constatado após a realização de revisão dos registros contábeis para fins de encerramento do balanço do exercício de 2003. Segundo o Recorrente, ele efetuara pagamento a maior da contribuição devida em agosto de 2003, sendo o saldo credor no valor de R$ 6.249,38 decorrente da diferença detectada entre os recolhimentos efetuados no montante de R$ 160.861,72 (DARFs de R$ 92.227,97 e R$ 68.633,75) e a contribuição efetivamente apurada de R$ 154.567,33. Contrapondose à decisão de primeira instância, alegou que apresentara planilha de cálculo demonstrando analiticamente a apuração da contribuição devida, documento esse hábil a prover a autoridade administrativa das informações necessárias ao Fl. 498DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 30/10/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.901968/200881 Acórdão n.º 3803006.527 S3TE03 Fl. 499 3 exame da regularidade do procedimento adotado, tendose em conta a base de cálculo demonstrada em DIPJ. Segundo o Recorrente, em homenagem aos princípios da boafé e da vedação ao enriquecimento sem causa, foram trazidos aos autos a DCTF retificadora, contendo o valor correto da contribuição, bem como a folha do balancete contendo o registro do grupo de receitas componentes da base de cálculo da contribuição para o PIS, ratificando contabilmente os valores constantes da DIPJ, bem como o valor do tributo informado na DCTF retificadora. A Terceira Turma Especial da Terceira Seção do CARF decidiu por negar provimento ao recurso, por ausência de prova do direito pleiteado, tendo o acórdão sido ementado nos termos reproduzidos no início deste relatório. Cientificado da decisão em 04/10/2013, o contribuinte interpôs embargos de declaração em 11/10/2013, alegando a ocorrência de lapso manifesto no acórdão embargado, pois, segundo o Embargante, o relatório e o voto não se referiam à compensação versada nos autos, dado que o seu pedido de restituição cumulado com a declaração de compensação se referiam à contribuição para o PIS, período de apuração agosto de 2003, no valor de R$ 6.779,05, enquanto que o acórdão combatido tratava de compensação de crédito da mesma contribuição, mas no valor de R$ 12.098,40, referente a recolhimento efetuado em 15/07/2003. Contrapôsse, também, o Embargante, quanto à razão de decidir do acórdão embargado, pois, no seu entender, diferentemente do apontado pela Turma, haviam sido apresentados elementos probatórios suficientes à comprovação do indébito, tendo havido omissão no que se refere à análise da documentação contábilfiscal acostada aos autos. Por fim, requereu o Embargante o acolhimento dos aclaratórios, com efeitos infringentes, para que se enfrentasse efetivamente a matéria versada nos autos e se analisasse a documentação apresentada. Submetidos os embargos ao juízo de admissibilidade, foram eles admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Consultando o relatório do acórdão embargado, é possível constatar que, efetivamente, nele ocorrera erro manifesto, pois alguns dos elementos que ali constam (número da DCOMP, valor, período etc.) não coincidem com aqueles que compõem a Declaração de Compensação sobre a qual se controverte nos autos. Ao invés de crédito da contribuição para o PIS no valor atualizado de R$ 12.098,40, utilizado para quitar débito de mesmo valor da contribuição devida em fevereiro de 2004, temse, nos autos, crédito da contribuição para o PIS no montante de R$ 6.779,05, utilizado para quitar débito da mesma contribuição devida em fevereiro de 2004. Além disso, a DCOMP foi identificada com o número errado, o mesmo ocorrendo em relação aos períodos de apuração do crédito. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 30/10/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.901968/200881 Acórdão n.º 3803006.527 S3TE03 Fl. 500 4 Tais equívocos, muito provavelmente, decorreram do fato de se tratar de mais de um processo, julgados em conjunto, envolvendo compensações declaradas pelo mesmo contribuinte, umas relativas à Cofins e outras relativas ao PIS, não tendo o então relator feito as adaptações de forma individualizada, em consonância com as peculiaridades de cada um dos processos. Nesse sentido, o relatório do acórdão embargado deve ser substituído por parte do relatório supra, abarcando do terceiro ao décimo parágrafos. Na ementa, devese substituir a data do fato gerador de “24/04/2008” para “15/09/2003” e, no voto, devemse substituir os valores de crédito e débito e os períodos de apuração ali constantes pelos valores e períodos identificados no relatório ora retificado. Quanto ao voto, verificase que ocorrera a omissão apontada pelo Embargante, pois o relator não fez qualquer referência ao demonstrativo intitulado “Balancete de Verificação Consolidado” trazido aos autos em sede de recurso. Não obstante tal omissão, constatase que o voto combatido amparouse na ausência de prova efetiva que comprovasse de forma plena o direito creditório pleiteado, tendo se em conta, ainda que de forma implícita, a regra contida no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, em que se estipula que “[a] prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual”. Notese que, na primeira instância administrativa, o ora Embargante havia carreado aos autos somente planilhas por ele elaboradas e cópias de declarações (DCTF e DIPJ) e dos DARFs, não tendo havido a apresentação de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal, bem como dos documentos que a lastreiam, que comprovasse o direito creditório pleiteado. No presente caso, ainda que se invocasse a exceção prevista na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, em que se prevê a possibilidade de se apresentar a prova documental após a impugnação para “contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos”, ainda assim, não se vislumbra possibilidade de se alterar a decisão de mérito ora embargada. O demonstrativo intitulado “Balancete de Verificação Consolidado” trazido aos autos em sede de recurso (fl. 153) não se encontra acompanhado da identificação e da assinatura do profissional responsável por sua elaboração1, não servindo, portanto, como prova hábil e idônea para amparar o direito creditório pleiteado. Além disso, há, na mesma folha do referido demonstrativo, anotações efetuadas à mão pelo contribuinte e cópias de cálculos realizados em máquina calculadora, em que se identificam algumas rubricas relativas a receitas submetidas à sistemática da não cumulatividade da contribuição, sem haver qualquer explicação quanto à discriminação promovida entre receitas não cumulativas e receitas cumulativas ou não tributadas. 1 Segundo o art. 819 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), "o balanço patrimonial, as demonstrações do resultado do período de apuração, os extratos, as discriminações de contas ou lançamentos e quaisquer documentos de contabilidade, deverão ser assinados por bacharéis em ciências contábeis, atuários, peritos contadores, contadores, guardalivros ou técnicos em contabilidade legalmente registrados, com indicação do número dos respectivos registros (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 39)." Fl. 500DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 30/10/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.901968/200881 Acórdão n.º 3803006.527 S3TE03 Fl. 501 5 Destaquese que, em razão da fragilidade da prova apresentada apenas em grau de recurso, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 2 (ir para a frente). Nesse sentido, não obstante a existência da omissão apontada, relativa à ausência de referência expressa ao demonstrativo intitulado “Balancete de Verificação Consolidado”, devese manter a decisão de mérito contida no acórdão embargado, pois que amparada na inexistência de prova hábil e idônea que pudesse infirmar o despacho decisório combatido. Diante do exposto, voto por ACOLHER EM PARTE os embargos declaratórios, sem efeitos infringentes, para corrigir os erros materiais do acórdão embargado, bem como suprir a omissão relativa à ausência de menção expressa ao documento trazido em sede de recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 2 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 30/10/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10865.002830/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. DESPESAS NÃO COMPROVADAS.
O contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas em livro-caixa, mediante documentação idônea, mantida em seu poder, à disposição da fiscalização. A falta de comprovação implica glosa das despesas deduzidas.
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. GLOSA DO LIVRO-CAIXA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE.
É improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnê-leão, decorrente de deduções indevidas, quando incide sobre a mesma base de cálculo da multa de ofício apurada no ajuste anual.
Numero da decisão: 2201-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que negou provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
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LIVRO CAIXA. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. O contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas em livrocaixa, mediante documentação idônea, mantida em seu poder, à disposição da fiscalização. A falta de comprovação implica glosa das despesas deduzidas. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. GLOSA DO LIVROCAIXA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. É improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnêleão, decorrente de deduções indevidas, quando incide sobre a mesma base de cálculo da multa de ofício apurada no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que negou provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 28 30 /2 00 8- 11 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10865.002830/200811 Acórdão n.º 2201002.589 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do Imposto de Renda de Pessoa Física (fls. 3 a 33), exercícios 2004, 2005, 2006 e 2007, por glosa de despesas deduzidas a título de livro caixa, no qual se apurou o imposto de R$ 376.471,67, acrescido da multa de ofício de 150% e da multa isolada de 50% pela falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de CarnêLeão, sobre os quais incidem os respectivos juros de mora. No Termo de Constatação Fiscal (fls. 58 e 59), a auditoria relata que, mesmo passados 231 dias, não houve qualquer atendimento às questões levantadas no Termo de Intimação Fiscal lavrado para a apresentação de provas materiais das prestações e serviços profissionais e dos recebimentos dos respectivos honorários em relação à cerca de 60 (sessenta) contribuintes selecionados por amostragem que, também intimados, não lograram comprovar os pagamentos declarados, nem as efetivas prestações dos serviços. O contribuinte apresentou a impugnação, a qual foi assim resumida na decisão recorrida: a) contesta a cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de oficio; b) contesta a cobrança da multa qualificada de 150%; c) "Admitida a possibilidade de aplicação de multa qualificada, o que se diz apenas para efeito de argumentação, o valor apurado pela fiscalização pela fiscalização estaria em completo desacordo com os fatos que sustentariam a ocorrência de fraude, senão vejamos: Segundo consta do Termo de Verificação,... Dante disso, a fiscalização houve por bem glosar não só as despesas do Livro Caixa do Impugnante, como também as demais despesas declaradas pelos seus clientes. Ocorre que o procedimento adotado mostrase completamente equivocado, pois se a conclusão da fiscalização é no sentido de que as despesas lançadas pelos clientes inexistiriam, o mesmo preceito deveria ser 'aplicado às receitas declaradas pelo Impugnante. Nesse contexto, caberia a fiscalização ignorar as receitas lançadas no Livro Caixa, e identificar as receitas que efetivamente foram auferidas pelo Impugnante." d) teve seus documentos extraviados e diligenciou junto a fornecedores, no intuito de localizar os comprovantes que justificassem as despesas de Livro Caixa; e) em razão do volume de documentos e do exíguo prazo para apresentação da defesa, não foi possível fazer a comprovação; f) ao final, pede a extinção do crédito tributário e a juntada posterior de documentos. Os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II, por meio do Acórdão nº 0729.496 (fls. 78 a 86), de 14 de janeiro de 2009, consideraram a impugnação procedente em parte, desqualificando a multa de ofício por não constar dos autos os elementos fundamentais necessários a sua caracterização. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Cientificado por meio postal em 29 de abril de 2009 (fl. 92), o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 26 de maio (fls. 93 a 100), no qual rebate a decisão recorrida nas questões remanescentes. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10865.002830/200811 Acórdão n.º 2201002.589 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. O auto de infração contempla as glosas das despesas deduzidas no livro caixa, sendo, no caso específico destes autos, porque o contribuinte não apresentou a comprovação documental. As despesas passíveis de dedução por meio de livro caixa estão disciplinadas no art. 6°, I a III e §§ da Lei n° 8.134, de 14 de abril de 1990, que, em relação à dedução de despesa com serviços de terceiros, assim dispõe: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (Vide Lei nº 8.383, de 1991) I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias a percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos; b) as despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. (Redação dada pelo art. 34 da Lei n° 9.250, de 1995). [...] § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não decorrer a prescrição ou decadência. Entretanto, as despesas escriturada no Livro Caixa estão passíveis de aferição pelo Fisco, por ocasião da verificação de ofício, quanto às características intrínsecas ou extrínsecas essenciais definidas na legislação, de modo a verificar se são ou não dedutíveis. Assim, não basta escriturar a despesa no livro para o gozo da dedução da base de cálculo do imposto de renda, é preciso que elas comprovadamente existissem e que fossem dedutíveis. Nos autos, apesar de passados 231 (duzentos e trinta e um dias) entre a primeira intimação recebida em 12 de julho de 2007 e o Termo de Encerramento do lançamento de ofício ocorrido em 14 de agosto de 2008, o contribuinte não conseguiu apresentar um comprovante sequer. Alegou, durante o procedimento fiscal, que os documentos foram extraviados. Em sede de impugnação, reprisou que o prazo de 30 dias era exíguo para obter os tais documentos, argumento repetido no recurso voluntário, mesmo que este tenha sido interposto somente em 26 de maio de 2009. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Assim, o motivo da glosa está claro. Não há como acatar as despesas do Livro Caixa que não são comprovadas pelo contribuinte. Também, não cabe a argumentação de que a glosa das despesas implique exclusão das receitas, pois não há nos autos qualquer informação que o contribuinte tenha assumido que esses ou outros serviços não tenham sido prestados, e que o montante tenha sido declarado com intuito de fraude ou simulação, situação em que seria mantida a multa qualificada. Em relação à multa isolada, filiome ao entendimento proferido no Acórdão nº 9202003.163 que, em situação similar, por maioria de votos, em negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, conforme ementa a seguir: IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202003.163 – REsp da Fazenda Nacional) O lançamento objeto da decisão acima exigia o crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e glosa de dedução de despesas de Livro Caixa, bem como multa exigida isoladamente pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de CarnêLeão, em relação aos exercícios 1999, 2000, 2001 e 2002. Entretanto, o escopo do recurso especial foi unicamente a última infração citada. No REsp, a Procuradoria da Fazenda Nacional considerou legítima a aplicação cumulativa das duas multas de ofício, não se cogitando em bis in idem, eis que, apesar de incidirem sobre a mesma base de cálculo, decorrem de infrações diversas, e alega que acórdão recorrido teria contrariado a legislação de regência. Outras decisões também recentes da CSRF, apesar de não tratarem especificamente de glosas do LivroCaixa, mas de omissão de rendimentos sujeitos ao Carnê Leão, adotam o mesmo entendimento, como os Acórdãos nºs 920202.196 (entre outros, omissão de rendimentos sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas sujeitos ao CarnêLeão), 9202002.297 (omissão de Rendimentos de Fontes no Exterior), 9202002.743 (entre outros, omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício), respectivamente de relatoria dos Ilustres Conselheiros Relatores Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage (relator designador) e Gustavo Lian Haddad, em cujas decisões têm prevalecido que, havendo diferença de imposto a ser cobrada com a aplicação da multa de ofício, e sendo a mesma base de cálculo, não há que se falar em multa isolada, sendo esta devida apenas quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão do recolhimento do CarnêLeão. Nesses termos, entendo que deve ser reconhecida a impertinência do lançamento concomitante da multa vinculada ao imposto e da multa isolada pelo não recolhimento do CarnêLeão, pois a conduta de não oferecer os rendimentos aqui vergastados no ajuste anual absorveu a conduta do não recolhimento mensal obrigatório. Assim sendo, voto em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada pelo não recolhimento do CarnêLeão. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10865.002830/200811 Acórdão n.º 2201002.589 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003608/2004-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, que trata da tributação de rendimentos acumulados, nos termos do artigo 62-A do Anexo II do RICARF.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 25/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, que trata da tributação de rendimentos acumulados, nos termos do artigo 62A do Anexo II do RICARF. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 25/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 03 60 8/ 20 04 -1 5 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11543.003608/200415 Resolução nº 2102000.140 S2C1T2 Fl. 45 2 Relatório Contra SONIA DESIREE BORGES foi lavrado Auto de Infração, fls.05/12, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2000, exercício 2001, no valor total de R$ 5.857,88, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até agosto de 2004. A infração apurada pela autoridade fiscal foi omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e está assim descrita no Auto de Infração, fls. 08: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. A contribuinte declarou indevidamente como isento e não tributável o rendimento de R$ 15.669,01, parte do montante tributável de R$ 31.805,89, recebido na ação trabalhista RT nº 579/91. O valor do imposto de renda retido na fonte calculado na referida ação trabalhista (R$ 4.077,64) e utilizado pela contribuinte na dedução do imposto devido, teve como base de cálculo o rendimento bruto tributável de R$ 31.805,89. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls.01, onde alega, em síntese, que os rendimentos em questão foram considerados pelo Justiça do Trabalho como rendimentos isentos e não tributáveis e, portanto, não fazem parte da base de cálculo do imposto de renda. A autoridade julgadora de primeira instância considerou procedente o lançamento. (Acórdão DRJ/JFA nº 0918.199, de 11/01/2008, fls. 31/33): Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 20/02/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 38, a contribuinte apresentou, em 24/03/2008 (21/03 feriado Paixão de Cristo), recurso voluntário, fls. 39, onde reitera e reforça os mesmos argumentos da impugnação, juntando aos autos documentos, fls. 40/41. É o Relatório. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11543.003608/200415 Resolução nº 2102000.140 S2C1T2 Fl. 46 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deverão as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica nos recursos administrativos, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, a controvérsia sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ter o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF reconheceu a repercussão geral na matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. No presente caso, temse que a infração de omissão de rendimentos, refere a valores recebidos de forma acumulada pela contribuinte, sendo certo que o recurso voluntário versa sobre a matéria do Tema 228 e deve ter seu julgamento sobrestado, na forma do art. 62, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF. Ante o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 49DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000971/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO LÍCITA.
É lícita a obtenção de informações bancárias, quando a requisição de extratos e documentos bancários junto à instituição financeira é efetuada com absoluta observância das normas de regência e ao amparo da Lei, não estando sujeita à prévia autorização judicial.
CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ATRIBUIÇÃO DO JUDICIÁRIO. SÚMULA Nº 02 DO CARF.
O controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao órgão julgador administrativo negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo, sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 26 DO CARF.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a autoridade fiscal não mais ficou obrigada a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam-se como omissão de rendimento, por presunção legal juris tantum, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já foi oferecida à tributação, seja na declaração anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estariam amparada por isenção.
Numero da decisão: 2201-002.567
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 03/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: Nathália Mesquita Ceia
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OBTENÇÃO LÍCITA. É lícita a obtenção de informações bancárias, quando a requisição de extratos e documentos bancários junto à instituição financeira é efetuada com absoluta observância das normas de regência e ao amparo da Lei, não estando sujeita à prévia autorização judicial. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ATRIBUIÇÃO DO JUDICIÁRIO. SÚMULA Nº 02 DO CARF. O controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao órgão julgador administrativo negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo, sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 26 DO CARF. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a autoridade fiscal não mais ficou obrigada a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de rendimento, por presunção legal juris tantum, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 71 /2 00 8- 43 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já foi oferecida à tributação, seja na declaração anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estariam amparada por isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 03/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio do Auto de Infração, de fls. 361 e seguintes, lavrado em 24/03/2008, exigese do Contribuinte YE CHENGPU o montante de R$ 860.886,73 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 451.370,90 de juros de mora e R$ 645.665,04 de multa de ofício, totalizando um crédito tributário de R$ 1.957.922,67 (atualizado até a data da autuação), referente aos anos calendário 2002, 2003, 2004 e 2005, decorrente de Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 352 relata: · Tendo em vista movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados pelo Contribuinte no período em questão, foi determinada ação fiscal. · O Contribuinte efetuou movimentação financeira junto aos bancos Bradesco e Sudameris em contas conjuntas com seu pai, Ye Zhengwu — CPF 217.989.22843 e, em ação fiscal desenvolvida junto a este último foram obtidos, mediante Fl. 473DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.000971/200843 Acórdão n.º 2201002.567 S2C2T1 Fl. 3 3 Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), os extratos bancários das referidas contas. · A ação fiscal teve início em 18/02/2008, com a ciência do Termo de Início da Ação Fiscal e respectiva intimação. Apesar de intimado e reintimado, conforme fls. 03, 54 e 68, o Contribuinte não apresentou qualquer documento ou esclarecimento quanto à origem da movimentação financeira sob análise fiscal. Igualmente intimado e reintimado, o cotitular das contas, Ye Zhengwu também não se manifestou. As planilhas contendo a discriminação dos créditos bancários com origem a comprovar foram anexadas ao Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação (fls. 03/67). · De acordo com as informações obtidas, foi constatada a existência de diversas contas, a saber: (i) Banco Bradesco — duas contascorrentes e duas contas poupança, em conjunto com o pai, Ye Zhengwu — CPF 217.989.22843 e (ii) Banco Sudameris — uma contacorrente movimentada em conjunto com o pai, Ye Zhengwu — CPF 217.989.22843, de novembro/2002 a julho/2004 e isoladamente de agosto/2004 a dezembro/2005. · Foram relacionados os valores dos cheques devolvidos e estornos de depósitos nos Demonstrativos de Cheques Devolvidos e Estornos, sendo que tais valores foram desconsiderados para efeitos de apurar os rendimentos omitidos, conforme demonstrativos elaborados para cada banco em que o Contribuinte manteve conta. · A tributação foi efetuada considerandose que algumas das contas foram conjuntas, com atribuição de 50% do valor a cada cotitular, tendo por base o art. 42, § 6°, da Lei n° 9.430/96. As planilhas de fls. 290 apresentam os valores mensais e totalização anual dos depósitos bancários de responsabilidade do Contribuinte. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 26/03/2008 (AR Postal fl. 367), tendo apresentado Impugnação, (de fls. 370) em 24/04/2008, na qual trouxe as seguintes alegações: · Decadência. Argumenta que o prazo decadencial aplicável ao imposto sobre a renda é de cinco anos, conforme disciplinado pelo art. 150 do Código Tributário Nacional CTN, por tratarse de lançamento por homologação. Disto decorre que todo o ano calendário 2002 já estava alcançado pela decadência. · O lançamento é baseado no entendimento de que depósitos bancários constituem fato gerador de imposto de renda, o que contraria a legislação tributária. Tratase de presunção que não pode prevalecer sem que o fisco consubstancie os sinais exteriores de riqueza, o que não ocorreu no presente caso. Acrescenta que depósitos bancários, embora possam refletir indícios de auferimento de renda, não caracterizam, por si só, disponibilidade de rendimentos, não podendo ser considerados como aplicações no fluxo de entradas e saídas para apuração de variação patrimonial, cabendo à fiscalização aprofundar seu poder investigatório a fim de demonstrar que os depósitos representam efetivamente ganhos recebidos pelo contribuinte. A 10ª Turma da DRJ/SPOII na sessão de 04/02/2009 pelo Acórdão 17 29.861, de fls. 409 e seguintes, julgou procedente o lançamento nos seguintes termos: DECADÊNCIA. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Após 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.° 9.430, de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES. PROCURADOR. Não encontra amparo legal nas normas do PAF a solicitação para que as intimações sejam feitas na pessoa e domicílio profissional do procurador. O Contribuinte foi notificado do Acórdão pelo de AR de fls. 420 em 30/04/2009, vindo apresentar Recurso Voluntário em 20/05/2009, às fls. 423 aduzindo que: · na condição de integrante comunitário familiar residente no Brasil, teve depositado, nas contas pessoais, por terceiros, alguns valores destinados à prover a sobrevivência, de várias pessoas, inclusive sob amparo de Organizações Não Governamentais, que não são, obviamente, receitas tributáveis. · também que como pessoa de nacionalidade estrangeira, sempre se colocou à disposição da família para prestar ajuda e assistência, inclusive cedendo, gratuitamente, suas dependências para abrigar quem dela necessitar. Nesta situação, fez uso das contas bancárias, temporariamente, para facilitar a transposição dos numerários, destinados exclusivamente para a transferência a quem de direito, não se constituindo, pois, a movimentação, rendimento do suplicante tributável. Alega que movimentação bancária não é fato gerador do imposto de renda. · é ilegal a quebra no sigilo bancário diante da previsão nos incisos X e XII do art. 5º da CRFB, onde o referido inciso é elevado ao status de cláusula pétrea. Cita jurisprudência do STJ. · o fato da autuação ter sido realizada com base em presunção o que não encontra supedâneo na legislação pátria, posto que o fisco não demonstrou cabalmente, a veracidade das alegações. O exame dos extratos não detectou, com certeza absoluta, omissão de receita, passível de tributação, não podendo ser compreendidos como fato gerador do Imposto de Renda. E, a ampliação da base de cálculo do imposto para abranger também movimentação bancária o que viria ferir o art. 110 do CTN. · a autuação improcede por computar os juros de mora e a absurda multa de 75%, fato que traduz inaceitável majoração do suposto crédito, que, em tais proporções, assume as características de confisco, nos termos do que dispõe o artigo 150, IV, da Constituição Federal. Pela Resolução nº 2202000.401 de 21/11/2012 às fls. 456 a 2ª Turma da 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção do CARF decidiu sobrestar o Processo Administrativo Tributário com base no art. 62A, §1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no Supremo Tribunal Federal (STF) através do Recurso Extraordinário n º 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1º, do CPC, combinado com art. 323, §1º, do Regimento Interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 no tocante ao Fl. 475DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.000971/200843 Acórdão n.º 2201002.567 S2C2T1 Fl. 4 5 fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, §3º da Lei nº 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Posteriormente a Portaria MF nº 545/13 revogou os dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos nos termos já referidos possibilitando o prosseguimento do feito. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. I. DA PRELIMINAR I.1. Do Sigilo Bancário e da Aplicação Retroativa da LC nº 105/01 O Contribuinte alega que o Auto de Infração infringiu os incisos X e XII do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB). A quebra do sigilo bancário pela Autoridade Fazendária se deu na forma do art. 6º da LC nº 105/01, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Desta feita, diante do amparo expresso pela legislação infraconstitucional, não há que se cogitar de violação do Auto de Infração aos dispositivos constitucionais. A jurisprudência colacionada pelo Contribuinte é anacrônica, uma vez que foi proferida em 28/06/1999, pretérita à Lei Complementar nº 105 de 2001. O Contribuinte também argumenta que o acesso aos dados bancários por força do Decreto nº 3.724/01 que tem por base a Lei Complementar nº 105/01 não seria possível, pois “esbarra em uma clássica disposição, também de ordem constitucional. Ora, se o pretenso franqueamento às informações deuse por força da edição do Decreto 3724/01, por sua vez nascido da Lei Complementar n° 105/2001, outro impedimento: a disposição legal não pode conter efeito modificativo de essência; logo, no presente caso, a autuação é nula, de Fl. 476DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 pleno direito, posto que atinge fatos pétreos, não atingidos pelos diplomas legais que suportam o ato da fiscalização, corroborado, indevidamente, pela v. decisão recorrida.” Argumentação do Contribuinte não se harmoniza com a realidade dos fatos, uma vez que ambas as legislações citadas são de 2001 e a autuação aborda anos calendários posteriores à legislação, quais sejam 2002, 2003, 2004 e 2005. Acrescentese que, o art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 apresenta norma de direito procedimental, que amplia os poderes de investigação da Autoridade Fiscal e não norma de direito material que venha a instituir ou majorar tributo (art. 150, III, “b” e “c” da CRFB), logo, não há violação ao princípio da anterioridade tributária ou irretroatividade da legislação, uma vez que o art. 144, § 1º do CTN permite a aplicação retroativa deste tipo de norma. Confirase: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Ademais, o CARF não é competente para se pronunciar acerca da constitucionalidade das normas, sob pena de violação ao princípio da divisão dos poderes. Nesta linha, Súmula do CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. II. DO MÉRITO II.1. Depósito Bancário O Contribuinte questiona também o fato da autuação ter sido realizada com base em presunção o que não encontra supedâneo na legislação pátria, posto que o fisco não demonstrou cabalmente, a veracidade das alegações. O exame dos extratos não detectou, com certeza absoluta, omissão de receita, passível de tributação, não podendo ser compreendidos como fato gerador do Imposto de Renda. Em completo aponta que a Autoridade Lançadora promoveu uma ampliação da base de cálculo do imposto de renda de pessoa física para abranger também movimentação bancária o que viria ferir o art. 110 do CTN. As argumentações levantadas pelo Contribuinte não procedem diante da presunção criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, que autoriza a exigência de imposto de renda, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não Fl. 477DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.000971/200843 Acórdão n.º 2201002.567 S2C2T1 Fl. 5 7 comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabelece uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Acrescentese que a presente disposição legal encontrase vigente e eficaz. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem), espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Nesse aspecto, o que cabe ao Fisco é comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações, esclarecimentos, com vista à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos. É a própria lei quem define como omissão de rendimentos esta lacuna probatória de origem em face dos créditos em conta. Deste modo, não se trata de meros indícios de omissão, razão pela qual não há que se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Ocorrendo os dois antecedentes da norma: créditos em conta e a não comprovação da origem quando o contribuinte tiver sido intimado a fazêlo; o consequente é a presunção de omissão e o lançamento de oficio do montante devido. Notese que não se trata de ampliação da base de cálculo do imposto de renda de pessoa física para abranger também movimentação bancária, mas sim de presunção de renda, hipótese de incidência já tipificada pela legislação pertinente. No mesmo sentido, a matéria já se encontra pacificada na presente Corte administrativa pela Súmula do CARF nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Contribuinte alega que os valores dos depositados em suas contas pertencem a terceiros: (i) informa que na condição de integrante comunitário familiar residente no Brasil, teve depositado, nas contas pessoais, por terceiros, alguns valores destinados à prover a sobrevivência, de várias pessoas, inclusive sob amparo de Organizações Não Governamentais, que não são, obviamente, receitas tributáveis e (ii) informa também que como pessoa de Fl. 478DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 nacionalidade estrangeira, sempre se colocou à disposição da família para prestar ajuda e assistência, inclusive cedendo, gratuitamente, suas dependências para abrigar quem dela necessitar. Nesta situação, fez uso das contas bancárias, temporariamente, para facilitar a transposição dos numerários, destinados exclusivamente para a transferência a quem de direito, não se constituindo, pois, a movimentação, rendimento do suplicante tributável. Complementa que movimentação bancária não é fato gerador do imposto de renda. A argumentação do Contribuinte não vem acompanhada por documentação idônea e hábil a fazer prova do alegado, de forma a afastar a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Assim, como o Contribuinte regularmente intimado não produziu documentação hábil e idônea quanto a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente, que possibilitem ilidir a presunção legal criada é poderdever da Autoridade Tributária, em razão do princípio da legalidade ao qual está jungida, de considerar os valores depositados em contas bancárias como receita efetuando o lançamento do imposto. II.2. Juros de Mora e Multa de Ofício O Contribuinte argumenta que a autuação improcede por computar os juros de mora e a absurda multa de 75%, fato que traduz inaceitável majoração do suposto crédito, que, em tais proporções, assume as características de confisco, nos termos do que dispõe o artigo 150, IV, da Constituição Federal. Pois bem. Inicialmente, cabe ponderar que o CARF não é competente para se pronunciar acerca de constitucionalidade das normas, cabendo a essa corte presumir as normas como constitucionais e aplicálas ao fato concreto. Tal inteligência encontra respaldo na Súmula do CARF nº 2. Desta feita, tendo em vista que a imposição de multa de ofício no percentual de 75%, bem como a aplicação dos juros de mora considerando a taxa SELIC, encontram respaldo legal na Lei nº 9.430/96, não merece amparo o pleito do Contribuinte. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 479DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.000971/200843 Acórdão n.º 2201002.567 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 480DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 35415.000389/2004-38
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/08/2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO NÃO CONHECIDO.
De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2803-003.715
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, tendo em vista não ter sido instaurada a fase litigiosa do procedimento, em razão da intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, tendo em vista não ter sido instaurada a fase litigiosa do procedimento, em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, tendo em vista não ter sido instaurada a fase litigiosa do procedimento, em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 41 5. 00 03 89 /2 00 4- 38 Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 4/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35415.000389/200438 Acórdão n.º 2803003.715 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 4/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35415.000389/200438 Acórdão n.º 2803003.715 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, por infração ao disposto no artigo 32, IV, § 3º e 9º, da lei nº 8.212/91, tendo em vista que a empresa deixou de informar todos os dados cadastrais e fatos geradores de contribuições previdenciárias por intermédio das GFIP, deixando de entregar a guia na competência de 08/2003, informando a paralisação de suas atividades, conforme consta no Relatório Fiscal da Infração (fls. 02/03). Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 4/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35415.000389/200438 Acórdão n.º 2803003.715 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa intempestiva, conforme se pode observar às fls. 427 (Despacho nº 2.189), in verbis: Verificase da impugnação interposta pela empresa fls. 79/85, que não houve interposição de defesa no prazo estabelecido no artigo 37, § 1º, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 243, §§ 2º e 3], do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que estabelecem que, feita a intimação, a ausência de impugnação dentro de 15 (quinze) dias implica revelia. De acordo com a legislação vigente à época dos fatos, a impugnação é intempestiva vez que a ciência da autuação se deu em 08/09/2004, AR fls. 68, sendo a defesa interposta em 27/09/2004, quando o prazo já havia expirado em 23/09/2004, conforme se verifica da tela dos sistemas de cobrança à fl. 78. Ainda que a reabertura do prazo de defesa decorrente da emissão de relatório complementar de fls. 104/107, tenha oportunizado o início do contraditório, a devedora principal e solidárias não se manifestaram, o mesmo ocorrendo após a emissão do segundo relatório complementar de fls. 178/185, sendo inclusive a devedora principal e solidárias intimadas via Edital. Não havendo impugnação tempestiva nos autos, não houve instauração do contencioso, não havendo matéria sob litígio a ser apreciada por esta Turma de julgamento. Ressalto que nenhuma das empresas devedoras solidárias foi encontrada sendo que no Cadastro nacional de Pessoas Jurídicas / CNPJ que ora junto, constatase que a empresa ITC Transportes está ativa e com endereço em outra jurisdição (Juiz de Fora/MG). De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 4/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35415.000389/200438 Acórdão n.º 2803003.715 S2TE03 Fl. 6 5 CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por não CONHECER do recurso aviado pelo contribuinte, tendo em vista não ter sido instaurada a fase litigiosa do procedimento, em razão da intempestividade. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 4/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10315.001148/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/09/2008
GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO.
A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico - tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-003.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/09/2008 GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico - tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária. Recurso de Ofício Negado.
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RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 11 48 /2 00 8- 37 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10315.001148/200837 Acórdão n.º 2401003.702 S2C4T1 Fl. 628 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a pessoa física acima identificada, à qual foi imputada multa pessoal, nos termos do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, em razão de descumprimento da legislação previdenciária no âmbito do órgão público em que atuava como dirigente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (CE), ao julgar a impugnação do autuado, decidiu declarar improcedente o lançamento, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008 AUTO DE – INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DIRIGENTE. RESPONSABILIDADE. A responsabilidade pessoal do dirigente de órgão ou entidade da administração pública deve ficar restrita aos casos em tenha comprovadamente agido com dolo ou fraude ou quando a infração for prevista como crime, nos termos • do art. 137, 1, do Código Tributário Nacional CTN. Lançamento Improcedente Desta decisão houve recurso de ofício. É o relatório. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor exonerado foi de R$ 2.528.083,66, portanto acima do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/20081. A exclusão da responsabilidade do gestor Para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos devese hodiernamente considerar a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449, de 04/12/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia ao Fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Assim, ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; (...) Vêse que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, devese aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa questão não podemos deixar de transcrever excerto do Parecer PGFN/CDA/CAT n.º 190/2009, de 02/02/2009, até o momento não aprovado pelo Ministro da Fazenda, mas que já dá o tom de qual entendimento será adotado pela Administração Tributária: 22.Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10315.001148/200837 Acórdão n.º 2401003.702 S2C4T1 Fl. 629 5 pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23.Em consequência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso de ofício. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10480.009416/2002-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002
CRÉDITO. ESCRITURAÇÃO.
O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 195 do Regulamento do IPI/2002, quando cumpridas as condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, deve ser reconhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-004.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer o direito creditório do contribuinte no valor de R$ 111.475,91 (cento e onze mil quatrocentos e setenta e cinco reais e noventa e um centavos).
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 CRÉDITO. ESCRITURAÇÃO. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 195 do Regulamento do IPI/2002, quando cumpridas as condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, deve ser reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer o direito creditório do contribuinte no valor de R$ 111.475,91 (cento e onze mil quatrocentos e setenta e cinco reais e noventa e um centavos). (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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ESCRITURAÇÃO. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 195 do Regulamento do IPI/2002, quando cumpridas as condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, deve ser reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer o direito creditório do contribuinte no valor de R$ 111.475,91 (cento e onze mil quatrocentos e setenta e cinco reais e noventa e um centavos). (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 94 16 /2 00 2- 61 Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA): “Tratase de pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI (Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11). A DRF Recife intimou o contribuinte a apresentar, no prazo de vinte dias livros, documentos e informações necessárias à instrução do pleito, cientificandoo em 05.09.2006 (fl. 661). Em 26.09.2006, a empresa solicitou dilação do prazo em virtude dos documentos estarem à disposição do Juízo da 9ª Vara Cível de Pernambuco, para perícia, sendolhe concedido mais vinte dias através do Termo de Reintimação de fl. 664, com ciência em 29.09.2006. No dia 23.10.2006 apresentou apenas parte da documentação requisitada (fls. 666/667), sendo novamente reintimado em 22.11.2006, através do Termo de fl. 670, sendo que passado o prazo, nada mais foi entregue ao Fisco. 2. A DRF Recife, citando o art. 40 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, norma geral do Processo Administrativo que prevê o arquivamento do processo no caso de não atendimento dos pedidos feitos pela Administração, além das normas que regem o IPI e que prescrevem a necessidade de apresentação dos Livros fiscais para verificação da procedência dos créditos, considerou impossível aferir a procedência do pleito, indeferindo o pedido de ressarcimento e considerando não homologadas as compensações efetuadas (fl. 333). 3. Cientificada em 28.12.2006 (AR fl. 739) a interessada apresentou, tempestivamente, em 29.01.2007, manifestação de inconformidade na qual alega haver sido feita a última reintimação em seu domicílio fiscal, recebida por funcionário que não reuniria poderes de representação, fato que anula o despacho decisório. 4. Ocorre que no caso presente, argumenta, quando da elaboração do Termo de Intimação Fiscal, foi exigido da empresa a indicação das pessoas aptas a “prestar esclarecimentos, tomar ciência de termos de intimação, relatórios fiscais ou auto de infração e apresentar os documentos e livros necessários para esta ação fiscal” (fl. 669), tendo, com este procedimento, sido restringidas às duas pessoas indicadas a competência para praticar atos em nome da empresa. Dessa forma, julga que deva ser reaberto prazo para apresentação dos Livros, devendo ser substituído o despacho decisório. 5. Posteriormente, defende o seu direito ao ressarcimento, ainda que a Unidade não tenha se manifestado quanto ao mérito, apontando ilegalidade na Instrução Normativa SRF n° 33, de 1999, que veda a fruição de créditos anteriores ao advento da Lei n° 9.779, de 1999, além de defender que para a aferição do créditos seriam necessárias tão somente as notas fiscais e dispensáveis os Livros. 6. Por fim, solicita que seja conhecido o recurso, anulandose o despacho decisório de indeferimento, feita a análise dos documentos que apresenta e considerado seu crédito, devidamente comprovado pelas notas fiscais.” A DRJ em Belém/ PA indeferiu a solicitação do contribuinte (fls. 1.921 a 1.926), conforme ementas abaixo transcritas: INTIMAÇÃO. Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.009416/200261 Acórdão n.º 3801004.363 S3TE01 Fl. 12 3 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. Os atos regularmente editados segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. PRECLUSÃO. Intimado a apresentar documentos comprobatórios para que pudesse ser analisado o seu pleito, o contribuinte deixou de apresentálos ou de indicar motivos para a não apresentação, resultando na figura da preclusão e o conseqüente indeferimento do pedido. CRÉDITO. ESCRITURAÇÃO. O direito à utilização do crédito a que se refere o art. 195 do Regulamento do IPI/2002 está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração. A requerente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 1.932 a 1.947), alegando em sua defesa, em resumo, que: 1. No curso da verificação fiscal, a empresa solicitou renovação do prazo para apresentação de documentos, apresentando parte destes, tendo sido, em consequência, reintimada; 2. Tal intimação foi feita na pessoa de funcionário que não reúne poderes de representação, fato que, à primeira vista, anularia o despacho decisório, o que não ocorre no processo administrativo, pois a intimação por via postal é válida, entregue no domicílio fiscal do contribuinte, mesmo que o AR seja assinado por funcionário sem poder de decisão; 3. No entanto, ocorre que a Fiscalização, quando da intimação fiscal, notificou a requerente a fornecer declaração apontando as pessoas aptas a receber comunicação relativa ao ressarcimento em tela; 4. A empresa indicou para tanto apenas dois sócios; 5. O auditor restringiu as pessoas habilitadas, restringindo também à Administração o direito de notificar a requerente apenas em nome daquelas; 6. Deve ser devolvido o prazo para apresentação dos documentos, tendo a requerente apresentado a manifestação de inconformidade para tanto, pois pode juntar documentos novos a qualquer tempo; Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 7. As operações anteriores à Lei nº 9.779/99 estão albergadas pela regra de crédito de IPI acumulado em decorrência das aquisições de insumos para industrialização de produtos tributados à alíquota zero, mesmo considerando o artigo 4º da IN/SRF nº 33/99, que se manifesta como ilegal; 8. Para se aferir o valor dos créditos não é de todo necessário que se apresente os livros Registro de Entrada e Registro de Saídas, pois são apenas memória gráfica das operaçÕes descritas nas notas fiscais que instruem o pedido. A questão chegou a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo esta Primeira Turma Especial proposto a conversão do julgamento em diligência à DRF/Recife PE, a fim de que: 1. Sejam analisados os documentos apresentados pelo interessado juntamente com a sua manifestação de inconformidade (fls. 773 a 1.914), apurandose, se for o caso, eventual direito creditório em favor da empresa, deles decorrente; 2. Intimar a empresa a se manifestar em aditamento ao recurso voluntário interposto, relativamente apenas ao resultado da diligência acima, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar o processo a este Carf para julgamento A Delegacia de origem, em cumprimento à Resolução exarada, procedeu então à análise das notas fiscais e dos livros que foram autuados ao processo, afim de pesquisar se o contribuinte possuía o direito creditório requisitado nos Pedidos de Ressarcimento. Chegou, assim, à seguinte conclusão: A apuração dos saldos credores acumulados estão representados na planilha "Valor Máximo Passível de Ressarcimento" (fls. 1973/1977), tendo os créditos, por decêndio, sido transcritos de acordo com a planilha de fls. 1966/1971. Na planilha "Valor Máximo Passível de Ressarcimento", apresentamos, de início, os valores registrados como saldos credores no RAIPI, mas que não foram considerados pela presente diligência por não guardarem consistência com as Notas Fiscais apresentadas. Seguidamente, elencamos os valores, por trimestre, das Entradas com IPI, transcritas da planilha de fls. 1966/1971. Tais valores serviram de lastro para apurar, na última coluna da tabela, o "Valor Máximo Passível de Ressarcimento", ou seja, o direito creditório a que teria direito o contribuinte em cada trimestrecalendário. No tocante ao valor a ser autorizado em cada trimestrecalendário, construímos uma outra planilha, "Pedidos de ressarcimento de IPI" (fls. 1978), em que limitamos o valor a ser autorizado em cada trimestrecalendário não só ao valor máximo passível de ressarcimento mas também ao valor pleiteado, caso este seja menor que o primeiro. A coluna "Valor a Ser Autorizado" anuncia, por trimestrecalendário, os montantes de saldo credor de IPI a serem autorizados e o total no período diligenciado: R$ 111.475,91 (cento e onze mil quatrocentos e setenta e cinco reais e noventa e um centavos). Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.009416/200261 Acórdão n.º 3801004.363 S3TE01 Fl. 13 5 O contribuinte foi, então, intimado para apresentar suas manifestações adicionais, nova impugnação ou pedido de prova em relação à material complementada, no prazo de 30 dias. Não houve qualquer manifestação do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso foi apresentado dentro do prazo legal e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminarmente, imperioso se faz analisar a argumentação trazida pelo Recorrente no sentido da nulidade da intimação fiscal. O Recorrente afirma que no curso da verificação fiscal solicitou renovação do prazo para apresentação de documentos, apresentando parte destes, tendo sido, em consequência, reintimado. Tal reintimação foi feita na pessoa de funcionário que não reúne poderes de representação. E como a Fiscalização, quando da intimação fiscal, notificou o Recorrente a fornecer declaração apontando as pessoas aptas a receber comunicação relativa ao ressarcimento em tela, e este indicou para tanto apenas dois sócios, a própria Administração restringiu as pessoas habilitadas a receberem a intimação, restringindo também, por conseguinte, o seu direito de notificar o Recorrente apenas em nome daquelas pessoas. Ora, no processo administrativo fiscal a intimação deve ser endereçada ao local onde o contribuinte exerce suas atividades, sendo considerada concretizada se esta for assinada pelo sujeito passivo, seu mandatário ou preposto. É também válida a intimação por via postal entregue no domicílio fiscal do contribuinte, mesmo que o AR seja assinado por funcionário sem poder de representação. Por conseguinte, não há que se falar em nulidade da intimação em tela. Tampouco há que se argumentar que, pelo fato de a Administração ter solicitado a indicação de pessoas aptas a receber a intimação, e não tendo sido as pessoas indicadas pelo Recorrente aqueles que receberam a reintimação, esta restaria nula. Ora, como bem aclarado pelo próprio Recorrente, este solicitou dilação de prazo para a apresentação de documentos, solicitação esta acatada pela Administração Fiscal e cumprida apenas parcialmente pelo Recorrente. Sem qualquer obrigação legal, a Administração Fiscal oportunizou ao Recorrente novo prazo para a apresentação dos documentos que ele próprio havia se comprometido a juntar, quando do seu pedido de dilação de prazo. Pretender a nulidade de uma reintimação que, a princípio, poderia nem mesmo ter ocorrido, porquanto não é obrigação do Fisco reintimar eternamente o contribuinte a cumprir os prazos estipulados, principalmente após a concessão de uma dilação de prazo solicitada pelo próprio contribuinte e não cumprida por ele, é, no mínimo, irrazoável. Mostra, à evidência, a vontade de o contribuinte se beneficiar de forma inapropriada da boa fé e boa vontade do agente público, que demonstrou, desde o início do procedimento fiscal, total colaboração. De todo modo, considerando que esta Turma Especial já havia se manifestado no sentido de que o fato de que o direito do contribuinte ao ressarcimento do IPI nos termos do Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 pedido de restituição não é afetado pela apresentação da documentação contábil e fiscal pertinente em momento posterior ao requisitado, mas ainda assim no curso do processo administrativo formalizado especificamente para tal finalidade, e também o fato de que cabe ao requerente a comprovação documental do direito alegado; e considerando as conclusões a que chegou a Delegacia de Origem, quando da realização da diligência, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para fins de reconhecer o direito creditório do contribuinte no valor de R$ 111.475,91 (cento e onze mil quatrocentos e setenta e cinco reais e noventa e um centavos). (assinada digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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