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Numero do processo: 10840.909834/2011-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/12/2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.199
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 15/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 15/12/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 34 /2 01 1- 13 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10840.909834/201113 Acórdão n.º 9303007.199 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.487, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/12/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909834/201113 Acórdão n.º 9303007.199 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909834/201113 Acórdão n.º 9303007.199 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909834/201113 Acórdão n.º 9303007.199 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909834/201113 Acórdão n.º 9303007.199 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.006946/2002-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 02/07/1989 a 30/09/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PROTOCOLIZADO ANTES DE 09/06/05. PRAZO
De acordo com a Súmula CARF n° 91, "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador."
Há que se reconhecer os créditos de PIS, cujos fatos geradores ocorreram no período de 09/04/92 a 30/11/95, haja vista que o pedido de restituição foi protocolizado em 09/04/02.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DE DCOMP
À luz do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, não há que se falar em homologação tácita das DCOMP protocolizadas em 17/11/06, uma vez que o contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 11/11/11.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PROTOCOLIZADO ANTES DE 09/06/05. PRAZO
De acordo com a Súmula CARF n° 91, "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador."
Não há que se reconhecer os créditos de FINSOCIAL, haja vista que o pedido de restituição foi protocolizado em 09/04/02 e os fatos geradores ocorreram antes de 09/04/92.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DE DCOMP
À luz do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, não há que se falar em homologação tácita das DCOMP protocolizadas em 17/11/06, uma vez que o contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 11/11/11.
Numero da decisão: 3301-004.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade do pedido de restituição dos indébitos de PIS relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 09/04/92 a 30/11/95.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 02/07/1989 a 30/09/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PROTOCOLIZADO ANTES DE 09/06/05. PRAZO De acordo com a Súmula CARF n° 91, "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Há que se reconhecer os créditos de PIS, cujos fatos geradores ocorreram no período de 09/04/92 a 30/11/95, haja vista que o pedido de restituição foi protocolizado em 09/04/02. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DE DCOMP À luz do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, não há que se falar em homologação tácita das DCOMP protocolizadas em 17/11/06, uma vez que o contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 11/11/11. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PROTOCOLIZADO ANTES DE 09/06/05. PRAZO De acordo com a Súmula CARF n° 91, "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Não há que se reconhecer os créditos de FINSOCIAL, haja vista que o pedido de restituição foi protocolizado em 09/04/02 e os fatos geradores ocorreram antes de 09/04/92. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DE DCOMP À luz do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, não há que se falar em homologação tácita das DCOMP protocolizadas em 17/11/06, uma vez que o contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 11/11/11.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade do pedido de restituição dos indébitos de PIS relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 09/04/92 a 30/11/95. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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PRAZO De acordo com a Súmula CARF n° 91, "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Há que se reconhecer os créditos de PIS, cujos fatos geradores ocorreram no período de 09/04/92 a 30/11/95, haja vista que o pedido de restituição foi protocolizado em 09/04/02. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DE DCOMP À luz do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, não há que se falar em homologação tácita das DCOMP protocolizadas em 17/11/06, uma vez que o contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 11/11/11. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PROTOCOLIZADO ANTES DE 09/06/05. PRAZO De acordo com a Súmula CARF n° 91, "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Não há que se reconhecer os créditos de FINSOCIAL, haja vista que o pedido de restituição foi protocolizado em 09/04/02 e os fatos geradores ocorreram antes de 09/04/92. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DE DCOMP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 69 46 /2 00 2- 98 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11610.006946/200298 Acórdão n.º 3301004.972 S3C3T1 Fl. 259 2 À luz do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, não há que se falar em homologação tácita das DCOMP protocolizadas em 17/11/06, uma vez que o contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 11/11/11. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade do pedido de restituição dos indébitos de PIS relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 09/04/92 a 30/11/95. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Pedido de Restituição de valores recolhidos ao PIS e ao Finsocial (fl. 02), protocolado em 09/04/2002. Para o indébito referente ao Pis, o contribuinte fundamenta o pedido na semestralidade e o indébito do Finsocial diz respeito às majorações de alíquota em percentual acima de 0,5. Posteriormente, em 08/05/2002, foram juntados aos autos Pedidos de Compensação em papel (fls. 101/102) que, por força do art. art. 74 da lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 49 da lei nº 10.637/2002, foram convertidos em Declarações de Compensação. Nas fls. 104/107 constam planilhas elaboradas pelo contribuinte para demonstrar os valores recolhidos indevidamente. Em 14/03/2003, o contribuinte protocolou outro Pedido de Compensação em papel, desta feita formalizado no processo administrativo nº 11610.003741/200331, o qual foi apensado ao presente processo. Utilizando o direito creditório em exame, também foram transmitidas, em 17/11/2006, as Dcomp nº 05022.49771.171106.1.3.040038 e 16863.86032.171106.1.3.040491, constantes das fls. 112/128. Em síntese, o Despacho Decisório proferido pela unidade de jurisdição da Requerente indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações efetuadas, sob o argumento de ter ocorrido a decadência do direito de pleitear a Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11610.006946/200298 Acórdão n.º 3301004.972 S3C3T1 Fl. 260 3 restituição do indébito discutido, em face das disposições contidas no art. 165, I e 168, I do CTN. Cientificada do Despacho Decisório em 11/11/2011 (fl. 135), a Interessada apresentou em 08/12/2011 suas razões de inconformidade (136/151), alegando basicamente o que se segue: • Preliminarmente requer a atribuição de efeito suspensivo ao recurso apresentado e o reconhecimento de ter ocorrido a homologação tácita, dado que a ciência do Despacho Decisório ocorrera em prazo superior ao previsto no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. • Considerando que o STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da LC 118/2005, que determinou a diminuição do prazo prescricional para restituição de tributo pago indevidamente, somente pagamentos feitos a partir de 09/06/2005 obedecem ao prazo de 05 (cinco) anos para pleitear restituição. • Nestes termos, não há que se falar em decadência, pois na data do protocolo do pedido de restituição, o prazo para pleitear restituição era de (5+5) contados da data do fato gerador do tributo. É o relatório." A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte. Reconheceu o argumento do contribuinte de que já ocorrera a homologação tácita das Declarações de Compensação protocolizadas em 08/05/02 e 14/03/03, posto que a ciência do Despacho Decisório se dera em 11/11/11. O Acórdão n° 0251.496, de 25/11/13, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Transcorrido o prazo de cinco anos contados da data da Declaração de Compensação, sem que o Fisco tenha se pronunciado, operase a homologação tácita da compensação declarada, restando extinto o crédito tributário nela informado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. LC 118/2005 Na inexistência de ação judicial ajuizada anteriormente ao início de vigência da Lei Complementar nº 118/2005, a decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11610.006946/200298 Acórdão n.º 3301004.972 S3C3T1 Fl. 261 4 Transcorrido o prazo de cinco anos contados da data de transmissão da Declaração de Compensação, sem que o Fisco tenha se pronunciado, operase a homologação tácita da compensação declarada, restando extinto o crédito tributário nela informado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. LC 118/2005 Na inexistência de ação judicial ajuizada anteriormente ao início de vigência da Lei Complementar nº 118/2005, a decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, para robustecer a não ocorrência de decadência de seu direito de pleitear a restituição dos indébitos, colaciona doutrina e decisões administrativas no sentido de que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial seria contado a partir da data da publicação de ato normativo reconhecendo a inconstitucionalidade da exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Decadência do direito de pleitear a restituição de PIS e FINSOCIAL A DERAT em São Paulo (SP) indeferiu o Pedido de Restituição dos seguintes créditos, protocolizado em 09/04/02: pagamentos a maior de PIS, realizados no período de 15/08/89 a 13/10/95 e sob a égide dos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88, os quais foram considerados inconstitucionais pelo STF e excluídos do mundo jurídico pela Resolução do Senado n° 49/95; e pagamentos indevidos de FINSOCIAL, efetuados no período de 16/10/89 a 20/03/92, por alíquotas superiores a 0,5%, por força das Leis n° 7.689/88, 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, majorações consideradas inconstitucionais pelo STF. Por conseguinte, não homologou as correspondentes Declarações de Compensação, protocolizadas em 08/05/02, 14/03/03 e 17/11/06. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório (fls. 86 a 88) em 11/11/11 (fl. 135). Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11610.006946/200298 Acórdão n.º 3301004.972 S3C3T1 Fl. 262 5 A fiscalização alegou que havia decaído o direito de pleitear a restituição, pois já teriam transcorridos mais de cinco anos entre as datas dos pagamentos e do Pedido de Restituição, protocolizado em 09/04/02. Fundamentou sua decisão no art. 168 do CTN, que dispõe que o prazo para pleitear restituição é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário. E corroborariam com o procedimento adotado o Parecer PGFN n° 1.538/99 e o AD SRF n° 96/99. Concluiu, alegando que o art. 3° da LC n° 118/05 teria efeitos retroativos. Com efeito, este dispositivo legal trouxe nova interpretação ao art. 168 do CTN, quanto ao prazo para pedido de restituição de indébito. Até então, estava consolidada nos tribunais superiores interpretação no sentido de que tal prazo era de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. Com a publicação da LC n° 118/05, passou a ser de cinco anos, a partir da data do pagamento. A DRJ ratificou parcialmente o procedimento fiscal. Reconheceu que o posicionamento firmado pelo STF, em regime de repercussão geral (RE n° 561.908 e 566.621), é no sentido de que o prazo para requerer a restituição é de dez anos, porém apenas nos casos em que o contribuinte tenha proposto ação judicial antes do início da vigência da LC n° 118/05, que se deu em 9/06/05. Fundamentou seu posicionamento no Parecer PGFN/CRJ n° 1.528/12: "2. Entretanto, da leitura dos demais trechos do voto da Ministra Relatora, no RE nº 566.621/RS, inferese que a eficácia vinculativa da decisão apenas diz respeito à aplicação do prazo prescricional de dez anos apenas às ações ajuizadas anteriormente ao início de vigência da LC nº 118/2005, aplicandose às ações ajuizadas após o início de sua vigência. Segundo prevaleceu, no STF, esse posicionamento garantiria que o princípio da segurança jurídica não seja violado pela aplicação da lei nova." Como, no caso em tela, o contribuinte não ajuizou pedido de restituição, aplicarseia a regra de cinco anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, com base nos artigos 150, 156, 165 e 168 do CTN e no entendimento manifestado pelo ADN SRF n° 96/99. Em suas peças de defesa, a recorrente contestou o posicionamento da fiscalização. Invocou decisões do STJ (ED no REsp n° 644.736/PE 2005/00551121 e AgRg no REsp 872.704 SP 2006/01576025) que dispõem que o art. 3° da LC n° 118/05 não teria eficácia retroativa. Adicionalmente, colacionou doutrina e jurisprudência administrativa, dispondo que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial seria a data da publicação de ato normativo reconhecendo a inconstitucionalidade da exigência e dispensando a constituição de novos créditos tributários. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11610.006946/200298 Acórdão n.º 3301004.972 S3C3T1 Fl. 263 6 E, na presente contenda, aplicarseiam as IN SRF n° 31/97, 32/97 e 6/00, cujas datas de publicação constituiriam o termo inicial para a contagem do prazo decadencial. Assim dispõem os incisos III e VI da art. 1° da IN SRF n° 31/97, publicada em 10/04/97: "Art.1º Fica dispensada a constituição de créditos da Fazenda Nacional relativamente: (. . .) III à contribuição ao Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art. 9º da Lei nº 7.689, de 1988, na alíquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme Leis nº 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987; (. . .) VI a parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do Decretolei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores." A meu ver, caberia uma discussão acerca de possível inovação do critério jurídico por parte da decisão recorrida. Contudo, como o tema já se encontra pacificado no âmbito do CARF, com a edição da Súmula n° 91, reputo desnecessário trazer tal controvérsia ao debate, em homenagem ao Princípio da Celeridade a anulação da decisão de piso requereria novo julgamento por aquela instância, o que aumentaria sobremaneira o tempo de duração do processo. Assim dispõe a Súmula CARF n° 91: "Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Assim, diferentemente do que consignaram a DRF e a decisão recorrida, o prazo é dez anos, contado do fato gerador, sendo suficiente que o contribuinte tenha protocolizado pedido a restituição na correspondente unidade da RFB, até 8/06/05. No presente processo, o Pedido de Restituição foi protocolizado em 09/04/02, abrangendo os seguintes fatos geradores: PIS: julho de 1989 a novembro de 1995; e FINSOCIAL: setembro de 1989 a fevereiro de 1992. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11610.006946/200298 Acórdão n.º 3301004.972 S3C3T1 Fl. 264 7 De acordo com a citada Súmula CARF n° 91, o Pedido de Restituição tão somente poderia comportar indébitos cujos fatos geradores tivessem ocorrido a partir de 09/04/92. Desta forma, não devem ser reconhecidos os créditos de FINSOCIAL e, no tocante aos do PIS, somente os relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 09/04/92 a novembro de 1995. Portanto, dou parcial provimento aos argumentos, reconhecendo a possibilidade de aproveitamento de indébitos de PIS relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 09/04/92 a 30/11/95. Homologação tácita da DCOMP A recorrente alegou que as DCOMP protocolizadas em 08/05/02, 14/03/03 e 17/11/06 já teriam sido tacitamente homologadas, à luz do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, haja vista que, "por conta de trâmites burocráticos", somente fora intimada do conteúdo do Despacho Decisório que não as homologou "após 17/11/11". Dispõe o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (. . .) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Medida Provisória nº 135, de 2003)" Consta dos autos comprovação de que o contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório (fls. 86 a 88) em 11/11/11 (fl. 135). Assim, as DCOMP protocolizadas em 08/05/02 e 14/03/03 realmente já se encontravam tacitamente homologadas, quando da ciência do Despacho Decisório, o que já havia sido reconhecido pela decisão recorrida. Contudo, a protocolizada em 17/11/06, ainda não. Portanto, nego provimento ao argumento que pretendia ver reconhecida a homologação tácita da DCOMP protocolizada em 17/11/06. Conclusão Dou parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade do Pedido de Restituição dos indébitos de PIS relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 09/04/92 a 30/11/95. A unidade de origem deverá apreciar os respectivos Pedidos de Restituição, para validação dos montantes dos créditos pleiteados. Também deverão ser revisadas as Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11610.006946/200298 Acórdão n.º 3301004.972 S3C3T1 Fl. 265 8 correspondentes Declarações de Compensação, cujas homologações tácitas não haviam ocorrido. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720149/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
TRATADOS INTERNACIONAIS E PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CONTRADIÇÃO. COLISÃO. INEXISTÊNCIA.
Não há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm's length.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE.
Numero da decisão: 1301-003.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: (i) no mérito, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por lhe dar provimento; (ii) em relação à incidência de juros sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por obstar essa incidência.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 TRATADOS INTERNACIONAIS E PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CONTRADIÇÃO. COLISÃO. INEXISTÊNCIA. Não há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm's length. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL-60. AJUSTE, IN SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2.008 1 2.007 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720149/201235 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.291 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2018 Matéria IRPJ PREÇO DE TRANSFERÊNCIA Recorrente BASF S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 TRATADOS INTERNACIONAIS E PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CONTRADIÇÃO. COLISÃO. INEXISTÊNCIA. Não há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm's length. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303 002.400. Precedentes do STJ AgRg no REsp 1.335.688PR, REsp 1.492.246RS e REsp 1.510.603CE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 49 /2 01 2- 35 Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.009 2 Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: (i) no mérito, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por lhe dar provimento; (ii) em relação à incidência de juros sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por obstar essa incidência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.010 3 Relatório BASF S/A recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1656.876 proferido pela 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo/SP1 que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase processual, adoto o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 1444/1480, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, no tocante à legislação dos preços de transferência na importação de bens (verificações relativas ao anocalendário de 2008), constatouse o seguinte: DOS PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Por meio do Termo de Início de fiscalização, a contribuinte foi intimada a fornecer, em meio óptico, todas as informações necessárias ao procedimento fiscal, devendo, inclusive, retificar ou ratificar os dados relativos às compras externas (importações) ocorridas no período (anocalendário 2008), conforme rol de planilhas de dados entregue no ato da ciência e constante do referido Termo, a seguir explicitadas: · Planilha "Identificação" (das mercadorias comercializadas no ano); · Planilha "Vinculadas"; · Planilha "Filiais"; · Planilha "Inventário"; · Planilha “Devolução de Importação”; · Planilha "Movimentação" (de estoques anuais de matériasprimas, materiais secundários, produtos em elaboração e produtos finais); · Planilha "Códigos de Movimentação de Estoques" (operações de movimentação interna); · Planilha "Custo da Produção Acabada" (dos produtos fabricados no período); · Planilha de "Vendas" (vendas efetivas, devoluções e outras hipóteses de saída); · Planilha "InsumoProduto" (relações, proporção e quantidade de insumos consumidos na produção); · Planilha de "Compras" (produtos adquiridos no mercado interno); · Planilha de "Importações do ano fiscalizado" (contém os valores calculados pela empresa a título de preços de transferência e oferecidos à tributação); · Planilha de "Importações anteriores" (contém os valores calculados pela empresa a título de preços de transferência e oferecidos à tributação no ano imediatamente anterior ao fiscalizado). No mesmo Termo foi solicitada, ainda, a apresentação das memórias de cálculo para a apuração dos preçosparâmetro e dos preços praticados, relativos às importações do anocalendário de 2008 e os valores espontâneos de ajuste, bem como a indicação dos métodos escolhidos por item, entre os previstos na legislação de regência. Por fim, intimouse a contribuinte a apresentar cópias simples do LALUR, Parte "B", para os anos calendário compreendidos entre 2005 e 2010, para a verificação de eventuais prejuízos acumulados ou bases de cálculo negativas da CSLL. Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.011 4 Após análise das informações entregues, foi solicitada à contribuinte a correção de inconsistências na base de dados sob auditoria. A contribuinte foi, ainda, intimada a apresentar os documentos de suporte aos métodos PIC (Preços Independentes Comparados) e CPL (Custo de Produção mais Lucro). A contribuinte então protocolizou documento com a informação de que havia corrigido as inconsistências e apresentou diversos arquivos e planilhas de suporte aos métodos PIC e CPL, além de relatório elaborado por empresa de auditoria independente (Ernst & Young Terco) e elementos complementares de prova, conforme critérios estabelecidos no artigo 29 da IN SRF nº 243/2002, que foram anexados ao presente processo. DO CÁLCULO DOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA CONSIDERAÇÕES GERAIS Do preço praticado O preço praticado foi apurado pela média aritmética ponderada dos preços pelos quais a empresa efetivamente adquiriu de vinculada do exterior determinado produto, durante o anocalendário, incluídos o frete, o seguro e o Imposto de Importação, conforme determina o § 6°do artigo 18 da Lei nº 9.430/96. Tal entendimento é corroborado pelo § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, aplicável ao período sob fiscalização, que dispõe que “Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o artigo 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis devidos na importação“. Do preçoparâmetro Para o cálculo do preçoparâmetro na importação, prevê a Lei nº 9.430/96 (artigo 18) os seguintes métodos: PIC (Preços Independentes Comparados); PRL (Preços de Revenda menos Lucro, com margens de lucro de 20% PRL20 – ou 60% PRL60) e CPL (Custo de Produção mais Lucro). Da metodologia Os itens importados no período foram objeto de análise pela fiscalização, por amostragem, com os limites estabelecidos pelos dados informados pela contribuinte e apresentados nas respectivas tabelas de banco de dados, certificadas digitalmente. Da apuração dos preços e respectivos ajustes Método PRL A fiscalização, conforme impõe o § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, trabalhou com o custo de importação CIF, ou seja, os valores do frete e do seguro, suportados pelo importador, foram incluídos no cálculo. O preço praticado por item, conforme disposto nas planilhas de cálculo, deve ser apurado por meio da divisão do total (CIF + Imposto de Importação + Estoque Inicial, em reais) do item pela quantidade (Estoque Inicial + Importações) deste, de acordo com o disposto nos §§ 2 º e 3º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Dos cálculos e ajustes realizados pela contribuinte e pela fiscalização Após a análise dos dados fornecidos pela contribuinte, a fiscalização selecionou, de acordo com os métodos previstos na legislação, os produtos passíveis de ajuste para fins de preços de transferência. Destaquese que a contribuinte apresentou documentação para subsidiar a utilização dos métodos PIC e CPL para diversos produtos (que se encontra no presente processo). A fiscalização aceitou integralmente os preçosparâmetro apresentados pela contribuinte, por considerálos adequados, à luz da documentação de suporte, nos termos da legislação. Para todos os cálculos, foi levada em consideração a margem de divergência prevista no artigo 38 da IN SRF nº 243/2002, de modo que só foram ajustados itens cujos preçosparâmetro, acrescidos da margem de 5%, foram inferiores aos respectivos preços praticados. Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.012 5 Com base nas premissas expostas, foram detectados para fins de ajuste, conforme preços apurados pelos métodos PRL, PIC e CPL, os itens relacionados na tabela de fls. 1358/1360, totalizando ajuste de R$ 16.575.47,50. A referida tabela indica as quantidades ajustadas, nos termos da legislação (itens presentes no estoque inicial e itens importados de vinculadas, conforme consumo do anocalendário sob fiscalização), os preços apurados e os valores sujeitos a ajuste, com base nas informações e dados apresentados pela contribuinte, assim como nos preçosparâmetro aceitos para os métodos PIC e CPL. Para a determinação das quantidades e respectivos preços, foi utilizado o critério previsto no artigo 6o da IN SRF nº 243/2002. As quantidades consumidas durante o anocalendário sob fiscalização, para todos os itens passíveis de ajuste, constam da tabela de fls. 1461/1469. Do ajuste do estoque inicial Tendo em vista a presença de itens no estoque inicial, importados de vinculadas e que foram levados a custo durante o anocalendário sob fiscalização, a fiscalização procedeu aos ajustes correspondentes, de acordo com as quantidades consumidas, conforme tabela de flS. 1469/1479, totalizando um ajuste de R$ 5.356.41302. Da conclusão Com base nas tabelas de ajuste supracitadas (Importações de Vinculadas Consumidas e Estoques Iniciais de Vinculadas Consumidos), o total passível de ajuste para o anocalendário sob fiscalização é de R$ 31.324.506,77 (R$ 25.968.093,75 + R$ 5.356.413,02). Considerando que a contribuinte efetuou ajustes espontâneos na DIPJ no valor total de R$ 13.171.664,44 (soma dos métodos PRL20, PIC e outros não especificados), o montante a ser ajustado, já descontados os ajustes espontâneos, é de R$ 18.152.842,33 (R$ 31.324.506,77 R$ 13.171.664,44). DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2008: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Fundamento legal artigo 3º da Lei nº 9.249/95; artigos 241, 242, 244, 247 e 249, inciso I, do RIR/99; e artigo 18 da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelo artigo 2º da Lei nº 9.959/2000 Crédito Tributário 3.176.747,40 Imposto (em reais) 2.382.560,55 Multa proporcional (75%) 1.173.172,81 Juros de mora (cálculo até 11/2012) 6.732.480,76 TOTAL Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Fundamento legal artigos 2º e 3º da Lei nº 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo artigo 2º da Lei nº 8.034/90 e pelo artigo 17 da Lei nº 11.727/2008; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002 Crédito Tributário 1.143.629,07 Contribuição (em reais) 857.721,80 Multa proporcional (75%) 422.342,22 Juros de mora (cálculo até 11/2012) 2.423.693,09 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 6.732.480,76 IRPJ Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.013 6 11/2012 2.423.693,09 CSLL 9.156.173,85 TOTAL Obs.: Houve compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) de períodos anteriores (limite de 30%). DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 13/11/2012, a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos, apresentou, em 12/12/2012, a impugnação de fls. 1829/1869, alegando, em síntese, o seguinte: DOS FATOS A impugnante calculou os seus preçosparâmetro para os seus produtos importados de acordo com os três métodos passíveis de aplicação a operações de importação no anocalendário de 2008, conforme o caso, quais sejam: (1) PRL com margem de 60% (PRL60), nos casos de bens importados aplicados à produção, e com margem de 20% (PRL20), nas demais hipóteses, (2) PIC e (3) CPL. Todos segundo a sistemática da Lei nº 9.430/96. Tais cálculos resultaram em ajustes às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL que totalizaram R$ 13.171.664,44. Não obstante tenha seguido à risca os preceitos da Lei nº 9.430/96, a impugnante foi autuada. Em relação especificamente ao método PRL60, percebese no Termo de Verificação Fiscal e nos cálculos apresentados pela fiscalização que as divergências apuradas decorrem da utilização da sistemática da Lei nº 9.430/96 pela impugnante, ao passo que a fiscalização adota a sistemática da IN SRF nº 243/2002. DA APURAÇÃO DO PRL60 – LEI Nº 9.430/96 (ADOTADA PELA IMPUGNANTE) VERSUS IN SRF Nº 243/2002 (BASE DO AUTO DE INFRAÇÃO) Comparação entre as sistemáticas para o PRL60 – Ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 Conforme já mencionado, a maior diferença entre os cálculos preparados pela impugnante e os cálculos preparados pela fiscalização diz respeito à forma de cálculo do PRL60. De um lado, a impugnante utilizou a mecânica determinada pela Lei nº 9.430/96 e, de outro lado, a fiscalização utilizou a sistemática imposta pela IN SRF nº 243/2002, a qual carece de base legal. Qualquer simulação de cálculos comprova que são diferentes os valores apurados por cada uma das sistemáticas, sendo que a efetuada com base na Lei nº 9.430/96 apresenta ajustes muito menores que a regulada pela IN SRF nº 243/2002. Instruções normativas são meras normas internas da Administração, que não possuem força de lei, não tendo, assim, o condão de criar direitos ou restrições aos contribuintes. A Constituição Federal (CF/88) dispôs, em seu artigo 5º, inciso II, acerca do princípio da legalidade. Em matéria tributária este princípio tornase ainda mais rígido, pelo que dispõe o artigo 150, inciso I, da CF/88, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a exigência ou o aumento de tributo sem lei que o estabeleça. Tal principio é albergado, ainda, no artigo 97 do CTN. Assim, ao estabelecer nova forma de cálculo do PRL60, a IN SRF nº 243/2002 violou frontalmente o principio da estrita legalidade em matéria tributária. Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.014 7 Diante disso, não podemos chegar à outra conclusão que não o cancelamento do presente Auto de Infração, tendo em vista o fato de a impugnante ter se utilizado da mecânica de cálculo do PRL60, conforme regulado pela Lei nº 9.430/96. Fonte do método PRL60, eficácia plena da Lei nº 9.430/96 e o papel das instruções normativas Chamase "eficácia técnica" a aptidão de uma determina norma para produzir efeitos imediatos, regulando a conduta dos seus destinatários em termos definitivos. Essa eficácia técnica admite alguns graus, conforme a regra necessite ou não de outros enlaces normativos, de maior concretude, para produzir efeitos. Temse se assim, de acordo com esses graus, normas de eficácia plena, de eficácia limitada e de eficácia contida. No caso do artigo 18, inciso II, item 1, da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000), é inequívoco que estamos diante de norma de eficácia plena. No caso da regra de PRL60, observase que, em nenhum momento, o legislador remete a uma integração posterior para que a norma possa ser plenamente aplicada; também não estabelece nenhuma autorização para que uma regulamentação venha a restringir os seus contornos préestabelecidos. Portanto, tratandose de norma plenamente eficaz, temse que sempre foi juridicamente possível a aplicação direta da lei, independentemente de qualquer integração que viesse a ser feita por instrução normativa. Aliás, encontrase exatamente aqui a justificativa para a ausência de motivação, pelo Auto de Infração, da suposta ilegalidade praticada pela impugnante na sua apuração do preçoparâmetro. Não o fez a fiscalização, porque não há como negar a plena consistência da conduta da impugnante perante a Lei. Do reconhecimento da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelo Judiciário Destaquese que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) reconheceu a incompatibilidade entre a sistemática da IN SRF nº 243/2002 e da Lei nº 9.430/96. Isso porque, de acordo com a RFB, a nova fórmula de cálculo prevista pela IN SRF nº 243/2002 só seria válida a partir do anocalendário de 2002 (artigo 45 da IN SRF nº 243/2002). Se a RFB entendesse que a fórmula prevista pela IN SRF nº 243/2002 apenas reproduziria os termos da Lei nº 9.430, certamente teria declarado seu caráter interpretativo e aplicado a IN SRF nº 243/2002 para fatos pretéritos, o que não ocorreu. Mas não é só. Em 03/04/2012, foi editada a MP nº 563/2012, por meio da qual pretendeuse introduzir uma grande evolução em matéria de preços de transferência. Posteriormente, referida medida provisória foi convertida na Lei nº 12.715/2012. O artigo 48 dessa lei introduz mudanças no artigo 18 da Lei nº 9.430/96, de modo que a margem de lucro aplicável à produção local, que antes impunha a absurda margem de 60%, foi substituída por uma margem de 20% (regra geral), com exceções para alguns setores, que possuem margens de 30% e 40%. Ademais, a Lei nº 12.715/2012 introduz no nosso ordenamento jurídico a sistemática contida na IN SRF nº 243/2002 via instrumento competente, ou seja, lei em sentido estrito. Cumpre ressaltar que essa não foi a primeira oportunidade em que se tentou criar fundamento de validade para a IN SRF nº 243/2002. Em dezembro de 2009, o Governo Federal editou a MP nº 478/2009, por meio da qual tentou sanar a carência de base legal da IN SRF nº 243/2002, introduzindo o seu texto na Lei nº 9.430/2012. Entretanto, referida a MP 478/2009 acabou por não ter sido convertida em lei. Ao contrário da MP 478/2009, a MP 563/2012 foi convertida na Lei nº 12.715/2012, porém, os dispositivos dessa lei que tratam das regras de preços de transferência entrarão em vigor somente a partir de 1º de janeiro de 2013. Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.015 8 Ora, o estabelecimento dessa vacatio legis pelo legislador ordinário deixa claro que as alterações promovidas na Lei nº 9.430/96 são inovações em nosso sistema jurídico, não se podendo alegar que a IN SRF nº 243/2002 traz apenas uma forma de interpretação da Lei nº 9.430/96, passível de ser invocada antes mesmo das alterações promovidas pela Lei nº 12.715/2012. Em suma, tomandose por base os casos das MPs nºs 478/2009 e 563/2012 (posteriormente convertida na Lei nº 12.715/2012), é forçoso concluir que até a edição da MP nº 563/2012 a IN SRF nº 243/2002 não possuía base legal e que suas disposições eram completamente distintas da redação do artigo 18 da Lei nº 9.430/96. A incompatibilidade entre a IN SRF nº 243/2002 e a Lei nº 9.430/96 já vem sendo discutida também na esfera judicial. Vejase decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, nos autos do processo nº 2007.61.00.0340487/SP. Ademais, não obstante existam decisões na esfera administrativa que sustentem que a IN SRF nº 243/2002 seria uma das interpretações possíveis da Lei nº 9.430/96, há que se destacar as recentes decisões da 2ª Turma da 3ª Câmara (Acórdão 130200.915) e da 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF (Acórdão 1202 000.835). Problemas no cálculo do PRL60 segundo a IN SRF nº 243/2002 O cálculo do método PRL60 segundo a sistemática prevista pela IN SRF nº 243/2002 gera uma série de problemas e erros lógicos, a seguir sintetizados: (1) Para a sistemática da IN SRF nº 243/2002, é mais interessante importar produto acabado do que produzir no Brasil. O cálculo do PRL60 proposto pela IN SRF nº 243/2002 prejudica a indústria nacional e incentiva a produção em outros países; (2) O cálculo do PRL60 proposto pela IN SRF nº 243/2002 possui erro lógico, que resulta em cálculo circular que incentiva a manipulação de preços; e (3) A IN SRF nº 243/2002 exige margem de lucro 150% sobre os custos não sujeitos ao controle de preços de transferência (itens nacionais e importados de terceiros). Da legalidade da conduta da contribuinte Ainda que se parta da premissa de que a IN SRF nº 243/2002 não contraria o texto da Lei nº 9.430/96, não há como se extrair dessa premissa a conclusão de que seria ilegal a conduta da contribuinte, ao adotar método de apuração cuja fonte direta é a lei. Nessa linha, também não há como se sustentar a validade da autuação, pois deixou de demonstrar em que ponto a conduta da contribuinte afrontou a lei. Isto porque, não há dúvidas de que o entendimento empregado pela impugnante também configura uma das interpretações possíveis da lei. Tanto é verdadeiro que as instruções normativas anteriores (IN SRF nº 113/2000 e IN SRF nº 32/2001) a reproduziam com total fidelidade. E mesmo dentre a sistemática da Lei nº 9.430/96, existe a possibilidade de se calcular o método PRL60 de diferentes maneiras, dado que a expressão "valor agregado" não foi definida pelo legislador e comportaria, no mínimo, três possibilidades de interpretação, conforme alertou SCHOUERI, ao afirmar que: "7.5 Aparentemente, o posicionamento mais adequado para determinação do quantum a ser considerado como valor agregado ao bem produzido no país poderia considerar três hipóteses: 1) VA = preço líquido de venda custo do bem importado; 2) VA = custo total custo do bem importado; 3) VA = custo de fatores locais (mãodeobra, materiais secundários etc)”. Outro fator que pode influir no cálculo do PRL60 segunda a Lei nº 9.430/96 é a utilização ou não de mais de um produto importado sujeito ao controle de preços de transferência, o que é muito comum no caso da impugnante. Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.016 9 Para esses casos, haveria a possibilidade de se proporcionalizar o preço parâmetro para os casos em que há mais de um produto importado. Nesse ponto, cumpre ressaltar que a impugnante contratou a renomada empresa de consultoria Deloitte para efetuar simulação da sistemática de proporcionalização do preçoparâmetro, também conhecida como "importadão" ou como "MatériaPrima Total". Cumpre salientar que a metodologia empregada pela impugnante reflete interpretação originária, diretamente imbricada com a literalidade da lei. Caso se defenda que a IN SRF nº 243/2002 não afronta a Lei, não se pode sustentar, por conseqüência lógica, que ela impede a aplicação da metodologia utilizada pela impugnante, estabelecida direta e literalmente por esta. Assim, ainda que atue no espectro semântico de uma das interpretações possíveis da lei, não pode a IN SRF nº 243/2002 afastar a faculdade dos contribuintes em continuar empregando a outra interpretação possível, decorrente de norma legal de eficácia plena. Diante disso, não resta dúvidas que o procedimento adotado pela impugnante está totalmente de acordo com o artigo 18 da Lei nº 9.430/96 e nunca poderia ser afastado sob o argumento de que uma instrução normativa melhor atende ao espírito do Lei. Destaquese que inexiste na legislação brasileira um método preferencial para aferição do preço de transferência. Com efeito, o nosso legislador facultou ao contribuinte a adoção do método que bem lhe aprouver, inclusive podendo adotar, para fins de dedução no lucro tributável, o método que lhe trouxer o maior valor, sempre limitado, todavia, ao preço da aquisição da operação transacionada. É o que se extrai da leitura do artigo 18, §§ 4º e 5º da Lei nº 9.430/96, na forma em que vigia em 2008. Em outras palavras, é de livre escolha do contribuinte o método para aferição do preço de transferência, devendo, pois, a Administração restringir sua análise exclusivamente à averiguação do método escolhido pelo contribuinte e à comprovação do cálculo por ele realizado. Tal entendimento foi, inclusive, confirmado pelo CARF em recente decisão (Primeira Seção de Julgamento, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Processo nº 16561.000008/200654, sessão de 24/05/2011). DOS TRATADOS FIRMADOS ENTRE O BRASIL E OS PAÍSES DE ONDE A IMPUGNANTE IMPORTA OS PRODUTOS QUE FORAM OBJETO DE AJUSTE Conforme se verifica na DIPJ, a impugnante realiza grande volume de importações com pessoas residentes em países com os quais o Brasil firmou Tratado para Evitar a Dupla Tributação, em especial (os mais relevantes), México, Argentina, Coréia e Espanha, conforme se verifica nas Fichas 32 e 33 da DIPJ. Como é sabido, os acordos de bitributação prevalecem sobre as normas internas de direito tributário, consoante o artigo 98 do CTN. Por essa razão, os Estados Contratantes somente podem tributar uma determinada situação, se tal tributação não estiver vedada pelo acordo de bitributação. Pois bem. O artigo 9 "b", do acordo para evitar a bitributação firmado entre o Brasil e a Áustria, dispõe que: "Artigo 9 Empresas Associadas Quando: Fl. 2016DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.017 10 (...) b) as mesmas pessoas participarem direta ou indiretamente da direção, controle ou capital de uma empresa de um Estado Contratante e de uma empresa do outro Estado Contratante, e em ambos os casos, as duas empresas estiverem ligadas, nas suas relações comerciais e financeiras, por condições aceitas ou impostas que difiram das que seriam estabelecidas entre empresas independentes, os lucros que, sem essas condições, teriam sido obtidos por uma das empresas, mas não o foram por causa dessas condições, podem ser incluídos nos lucros dessa empresa e tributados como tal". O texto acima transcrito uma reprodução do artigo 9º da Convenção Modelo da OCDE e também presente nos tratados firmado entre o Brasil e todos os países supracitados quer significar, no dizer da própria OCDE, que "não é autorizado qualquer ajuste nas contas de empresas associadas se as transações entre tais empresas se efetuaram em condições de um mercado aberto normal (em bases arm's length)’”. Nesse caso, poderia o Direito Brasileiro ajustar apenas e tão somente as transações que não respeitem o princípio "arm's length". Somente as transações que não obedeçam a esse princípio, segundo a interpretação oficial da OCDE, é que podem ser tributadas. Ou seja, ainda que se entendesse a título ilustrativo que a IN SRF nº 243/2002 pudesse majorar um tributo sem base legal, terseia de admitir que a sua aplicação estaria vedada em razão dos tratados, já que os mesmos determinam a observância do princípio do "arm's lenght". Não é demais ressaltar que os tratados assinados pelo Brasil não se interpretam conforme a legislação de qualquer dos Estados Contratantes, mas segundo as regras do Direito Internacional Público, consolidadas pela Convenção de Viena. Por conseguinte, o princípio "arm's length" não fica atado às normas brasileiras de preço de transferência, mas ao conceito que deflui do próprio acordo de bitributação. É por isso que, não tendo comprovado a fiscalização de que os preços e métodos adotados pela impugnante estariam em desacordo com o principio "arm's lenght", não se pode fazer aplicar a IN SRF nº 243/2002 em nenhuma hipótese. Em outras palavras, a fiscalização deveria ter comprovado que as transações efetuadas pela impugnante não obedeceram aos princípios do "arm's lenght" e, uma vez efetuada a devida prova, exigir tributos devidos com base nesse método. Tendo em vista a mais completa ausência de qualquer comprovação nesse sentido, resta claro que a exigência da fiscalização está em desacordo com os tratados firmados pelo Brasil e, portanto, o Auto de Infração deve ser cancelado. DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE A PARCELA DA MULTA Ao analisar, de modo geral, a prática reiteradamente realizada pelas autoridades fiscais na lavratura de Autos de Infração, verificase que não é incomum a aplicação de juros SELIC sobre a parcela da multa cobrada, em descumprimento às determinações do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Em conformidade com o referido artigo, resta evidente que somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias. É o que corrobora a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, na remota hipótese de ser mantido o lançamento aqui combatido, não há que se admitir a eventual futura incidência de juros sobre a parcela da multa de ofício. DO PEDIDO Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.018 11 Em vista de todo o exposto, requer a impugnante o cancelamento integral do Auto de Infração. Por derradeiro, protesta, ainda, pela juntada posterior de quaisquer documentos que possam comprovar tudo o quanto foi alegado na presente impugnação. Analisando a impugnação apresentada, a turma julgadora de primeira instância julgoua improcedente. O contribuinte foi intimado da decisão em 18 de julho de 2014 (fl. 1927), apresentando recurso voluntário de fls. 19291971 em 08 de agosto 2014. Em resumo, reafirma os termos de sua impugnação, argumento que a IN SRF 243/2002 seria ilegal e requerendo ainda, de forma subsidiária e caso mantida a exação, a não incidência de juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 2018DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.019 12 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos para sua admissibilidade. Dele, portanto, conheço. 2 MÉRITO Inicialmente, convém ressaltar que, tratandose de exigências de IRPJ e CSLL com base nos mesmos dispositivos legais, o decidido quanto ao IRPJ aplicase integralmente à exigência de CSLL. 2.1 TRATADOS INTERNACIONAIS E PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA No que diz respeito na suposta colisão entre o disposto nos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, e o conteúdo de tratados internacionais subscritos pelo Brasil, não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, recentemente a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento se proununciou sobre a matéria. Peço vênia para transcrever os fundamentos do voto do Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira no acórdão 1402002.814: Em relação aos tratados internacionais apontados, não assiste razão ao contribuinte. Os tratados convivem harmonicamente com as normas de preços de transferência, via art. 9º (CMOCDE). A única questão que pode ser colocada em relação a tratados, que não é o caso, são as hipóteses de pessoas vinculada prevista no art. 23 que não se enquadram na redação do tratado. O desvio das margens predeterminadas, conforme a Lei, que definem o padrão arm´s length, já é razão suficiente para aplicação das regras de TP, cumprindo com o requisito do tratado. Esta c. Turma já apreciou a matéria em recente julgado que peço vênia para incorporar às minhas razões de decidir: (...) Ocorre que os acordos então vigentes não definiram, nem limitaram, as metodologias de controle dos preços favorecidos, usualmente, denominadas "preço de transferência". Apenas possibilitaram a tributação dos preços favorecidos nas operações comerciais entre os Estados Contratantes. Em síntese, os Acordos não prevêem a utilização de métodos de preço de transferência. No Estado brasileiro, o controle e a tributação dos preços de transferência se encontram delineados nos artigos Fl. 2019DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.020 13 18 a 24 da Lei n° 9.430/96. Tais dispositivos, à época dos fatos geradores, eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF n° 243/2002, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas SRF 321/2003 e 382/2003. Tratase de hipóteses fáticas, delimitadas pelo legislador nacional, que presumem a evasão de divisas através de operações com condições especiais entre vinculadas. Com efeito, os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430/96 não colidem com os suscitados acordos internacionais. ( Proc. n. 10283.720642/201114 , Acórdão n.1402002.122 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Vale notar que há resposta Solução de Consulta sobre a matéria cuja transcrição se faz oportuna: COSIT n° 6, de 23/11/2001 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ementa: Aplicamse os ajustes previstos na Lei n° 9.430, de 27 dezembro de 1996, em matéria de Preços de Transferência. Não há contradição entre o artigo 9° do Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Patrimônio da OCDE que trata dos preços de transferência nas convenções , e os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, que inserem e tributam os preços de transferência na legislação fiscal brasileira. Tampouco há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430, de 1996 e os acordos de bitributação firmados pelo Brasil em matéria relativa ao princípio arm's length. Do exposto não vejo como prosperar a pretensão da recorrente neste ponto na medida em que o tratado contra bitributação em absolutamente nada obsta a aplicação das regras de Preço de Transferência. No mesmo sentido se decidiu no acórdão 110300.608 (sessão de 17/01/2012), de relatoria do Conselheiro Marcos Shigueo Takata, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: [...] TRATADOS INTERNACIONAIS – PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA O Brasil não adotou em seus tratados o previsto no art. 9º, § 2º, da Convenção Modelo da OCDE, mas somente o § 1º dela. O preceito contido neste autoriza a aplicação de ajustes de preços de transferência por um Estado contratante se, nas relações entre empresas associadas ou vinculadas situadas nos Estados contratantes, não for observado o arm’s length price. Inexistência de ofensa ao art. 9º dos Tratados celebrados pelo Brasil. Desse modo, rejeito a alegação da recorrente sobre a suposta contradição/colisão entre as normas brasileiras de preço de transferência e os tratados firmados pelo Brasil para evitar a bitributação da renda. Fl. 2020DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.021 14 2.2 DA ILEGALIDADE DA IN SRF Nº 243/2002 A respeito do tema, a fim de se evitar tautologia, adoto o voto do I. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto no acórdão 1402001.418 aquiescendo a legalidade da norma complementar em questão. A linha argumentativa principal do sujeito passivo dirigese ao fato do Fisco, diferentemente da interessada, na aplicação do método PRL60 para ajuste de preços de transferência ter seguido as orientações estabelecidas na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) nº 243/2002. Defende a obediência exclusivamente as disposições da Lei nº 9.430/96 pois segundo alega a IN, sendo norma secundária, revestese de ilegalidade ao promover majoração da base de cálculo do tributo e inovado na metodologia de cálculo do ajuste. Assim, devese verificar se de fato ocorreu essa majoração ou inovação. No que se refere ao método PRL, a determinação de margens de lucro mínimas nas revendas voltadas ao controle da dedutibilidade dos custos de aquisição dos bens importados, tem como escopo dificultar a transferência artificial dos lucros das empresas brasileiras para pessoas vinculadas no exterior. Sob essa ótica, se, por exemplo, uma empresa aqui domiciliada pratique uma margem de lucro bruto de 15% (quinze por cento) sobre as revendas de bens produzidos com insumos importados, os custos de aquisição desses insumos devem ser ajustados via adição ao lucro líquido, com o objetivo de assegurar a margem de lucro bruto de 60% sobre as revendas, em observância ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. A primeira conclusão a que se chega quanto ao tema, e que não pode ser olvidada em nenhum momento nesta análise, consiste no fato de que a fórmula de cálculo deve ser capaz de apurar o preço parâmetro do bem importado insumo no caso – considerado individualmente e no limite da margem de lucro legalmente estabelecida. Na interpretação que o sujeito passivo dá ao art. 18 da Lei nº 9.430/95, o preço parâmetro do bem importado seria obtido após a subtração da margem de lucro de 60% do preço líquido de venda do produto final, sendo que a margem de lucro seria calculada sobre o próprio preço líquido de venda menos o valor agregado no País. Lembrando que a operação a ser submetida ao ajuste é a importação do insumo, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado, obtémse o custo do insumo acrescido de percentual da margem de lucro praticada na revenda, mas não se alcança o custo do bem importado. Num exemplo hipotético teríamos (Exemplo 1): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Fl. 2021DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.022 15 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) PP = 500,00 – 210,00 Preço parâmetro = 290,00 Pareceme claro que nesse cálculo o preço parâmetro obtido não guarda relação com o custo efetivo do bem importado. A questão é a exclusão indevida do valor agregado na apuração da margem de lucro, reduzindoa e aumentando artificialmente o preço parâmetro. A distorção trazida por essa sistemática permitiria manipulação da margem de lucro na revendas dos bens produzidos com os insumos importados. No mesmo exemplo, a cada vez que se diminuísse a margem de lucro – em desacordo com a norma – mesmo implicando aumento indevido no custo do insumo, o preço parâmetro obtido não geraria qualquer ajuste a ser feito (Exemplo 2): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% (exemplo hipotético) sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 60% (500,00150,00) = 210,00 Preço parâmetro = 500,00 – ML 60% (PLV – VA) Preço Parâmetro = 290,00 O correto, para se alcançar o preço parâmetro do insumo importado, consiste em excluir do preço líquido de venda a margem de lucro de 60% e o valor agregado no País, sendo que a margem de lucro deve ser calculada exclusivamente sobre o preço líquido de venda. No mesmo exemplo teríamos (Exemplo 3): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Margem de lucro 60% sobre (PLV ) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00– 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria um ajuste de 30,00) Ressaltese que nesse cálculo ainda não se leva em consideração a proporcionalidade do preço do bem importado no preço líquido de venda, o que daria ainda mais precisão ao cálculo, conforme se verá posteriormente neste voto. Confirase abaixo como a aplicação correta do método impediria a manipulação da margem de lucro. Nos termos do exemplo supra citado com margem de lucro de 20%, fora do padrão (Exemplo 4): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 100,00 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 400,00 Bem importado (custo manipulado) = 250,00 Valor agregado (VA) = 150,00 Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.023 16 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 60% (500,00) = 300,00 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) VA PP = 500,00 – 300,00 – 150,00 Preço parâmetro = 50,00 (haveria uma ajuste de 200,00) Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos nossos) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregorio acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.024 17 expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal.2 Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. 2 Nesse sentido, vale conferir a declaração de voto proferida pelo Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no processo nº 10283.721285/200814 (Acórdão nº 110200.419). Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.025 18 agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” Aliás, a revogada IN SRF nº 32/01 trilhou caminho similar à segunda alternativa, o que originou a fórmula de cálculo do PRL 60 defendida pela recorrente: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. (omissis) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. (grifos nossos) Notese que a redação do art. 12, inciso II, da IN SRF nº 32/01 difere do texto legal, uma vez que a construção gramatical foi modificada para possibilitar a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para inserir o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 [PP = PLV – ML 60% (PLV – VA)] corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Foi exatamente nessa linha que se manifestou a IN nº 243/2001 através do § 11, do art. 12, transcrito na decisão recorrida que, além de introduzir a fórmula supra mencionada pela qual não se deduz o valor agregado da margem de lucro, mas diretamente do preço líquido de venda., estabeleceu que a margem de lucro deveria ser calculada não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, ou seja, a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido, o que possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.026 19 objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. No exemplo já utilizado neste voto (Exemplo 5): Preço líquido de venda (PLV) = 500,00 Custo total (custo do insumo importado + valor agregado) = 230,00 Bem importado = 80,00 Valor agregado (VA) = 150,00 % de participação do insumo importado no custo total do bem: 34,78% Particip. do insumo no preço líquido de venda do produto final (PBI): 173,90 Preço parâmetro = PBI – ML 60% (PBI) PP = 173,90 – 104,34 Preço parâmetro = 69,56 (haveria um ajuste de 10,44) A aplicação da proporcionalização do bem no preço final nos termos determinados pela IN 243/202, geraria um valor de ajuste menor (RS 10,44 contra R$ 30,00, obtida no exemplo 3). Assim, as regras da norma levandose em consideração a participação do insumo importado no preço de venda do bem produzido não implica necessariamente, ajuste maior. No âmbito do Poder Judiciário, manifestações recentes pugnam pela inexistência de qualquer mácula. Vejase, por exemplo, o TRF da 3ª Região (os destaques foram acrescidos): APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.027 20 contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011). Em pronunciamento mais recente, a Sexta Turma desse Tribunal cofirmou esse entendimento: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.028 21 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regramatriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.029 22 serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandose o com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 0017381 30.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011.) A alegação de que a sistemática prevista na IN SRF nº 243/2002 representaria aumento de carga tributária também não merece crédito, eis que parte da premissa equivocada no sentido de que a interpretação dada pelo sujeito passivo ao art. 18 da Lei nº 9.430/96 seria a correta e a única possível. Do até aqui exposto, entendo que a fiscalização agiu com correção na apuração dos ajustes que implicaram na formalização da exigência. Convém ressaltar que tal entendimento vem sendo acolhido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como, por exemplo, no acórdão 9101003.415, julgado na sessão de 06 de fevereiro de 2018, cujo excerto de interesse da ementa reproduzo a seguir: IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.030 23 Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Por essas razões, mantenho integralmente a decisão recorrida sobre o tema. 3 DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.031 24 Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.032 25 de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.033 26 incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.034 27 Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Cumpre esclarecer ainda que as três turmas da Câmara Superior, em decisões recentes, vêm confirmando a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício (Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400). Por fim, corroborando o aqui exposto, o STJ vem firmando entendimento no mesmo sentido, entendendo que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, conforme se observa na ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Ressaltase ainda que, em recentes julgados o STJ decidiu que, no âmbito do parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/2009, as remissões previstas em tal dispositivo legal para as multas de mora e de ofício não autorizam aplicações de reduções superiores às fixadas na mesma lei (45%) para os juros de mora incidentes sobre tais penalidades, ou seja, visto sob outro enfoque, reafirmouse o entendimento de que incidem juros moratórios sobre as multas de mora e de ofício. Tal exegese pode ser observada no REsp 1.492.246/RS (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015) e no REsp 1.510.603–CE (Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015), em relação ao qual transcrevese a seguir sua ementa: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. 11.941/2009. REMISSÃO DE MULTA EM 100%. DESINFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DOS JUROS DE MORA. PARCELAS DISTINTAS. PRECEDENTE. 1. "Em se tratando de remissão, não há qualquer indicativo na Lei n. 11.941/2009 que permita concluir que a redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício estabelecida no art. 1º, §3º, I, da referida lei implique uma redução superior à de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora estabelecida nos mesmo inciso, Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 16561.720149/201235 Acórdão n.º 1301003.291 S1C3T1 Fl. 2.035 28 para atingir uma remissão completa da rubrica de juros (remissão de 100% de juros de mora), como quer o contribuinte " (REsp 1.492.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015.). 2. Consequentemente, a Lei n. 11.941/2009 tratou cada parcela componente do crédito tributário (principal, multas, juros de mora e encargos) de forma distinta, de modo que a redução percentual dos juros moratórios incide sobre as multas tão somente após a apuração atualizada desta rubrica (multa). Recurso especial provido. REsp 1.510.603– CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015. Isso posto, voto por manter tal exigência. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 2035DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.727151/2012-99
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que intime o recorrente a apresentar a informação prestada pela fonte pagadora em resposta à determinação judicial de 22/6/2009 acerca da natureza das verbas pagas naquele acordo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 66 1 65 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.727151/201299 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2002000.034 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Data 28 de agosto de 2018 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrente NIVALDO CARBONI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que intime o recorrente a apresentar a informação prestada pela fonte pagadora em resposta à determinação judicial de 22/6/2009 acerca da natureza das verbas pagas naquele acordo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .7 27 15 1/ 20 12 -9 9 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11610.727151/201299 Resolução nº 2002000.034 S2C0T2 Fl. 67 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 5ª Turma da DRJ/SDR, que considerou procedente em parte a impugnação (fls.42/44). Em face do sujeito passivo foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 4/7, relativa ao anocalendário 2009, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$78.770,17. A Notificação de Lançamento alterou o resultado de saldo de imposto a restituir declarado de R$26.446,70, para saldo de imposto a restituir de R$9.138,61. Cientificado da notificação em 6/11/2012 (fls.32), o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 12/11/2012 (fls. 2/30). Intimado da decisão do colegiado de primeira instância em 9/8/2017 (fl. 53), o recorrente apresentou recurso voluntário em 4/9/2017 (fls. 56/63), em que alega os seguintes argumentos de defesa: teria recebido em decorrência de acordo judicial trabalhista o montante de R$192.913,90. do total recebido, apenas 40,75%, equivalente a R$78.603,31, seria tributável. faria jus a deduzir os honorários advocatícios na proporção de 40,75%, que equivaleria a R$23.633,04, o que resultaria no rendimento tributável decorrente da ação o montante de R$54.970,27. Somado aos outros rendimentos declarados (R$6.445,20), o rendimento tributável a ser considerado é de R$61.415,47. refazendo os cálculos de sua Declaração, resultaria saldo de imposto a restituir de R$21.222,32. seria indevida a exigência de imposto sobre o valor efetivamente recebido por ele, sem considerar a parcela isenta. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11610.727151/201299 Resolução nº 2002000.034 S2C0T2 Fl. 68 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre valores recebidos pelo recorrente em decorrência de reclamatória trabalhista. A decisão do colegiado de primeira instância acatou parcialmente os argumentos do contribuinte, reduzindo a omissão apontada de R$78.770,17 para R$75.738,54. É o que se depreende do trecho da decisão a seguir reproduzido: A Fiscalização utilizou como base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física o valor tributável apurado na ação trabalhista de R$ 99.371,58, totalizando rendimentos tributáveis de R$ 105.816,78. O sujeito passivo utilizou os honorários advocatícios integralmente na dedução da base de cálculo. O valor tributável de R$ 99.371,58 corresponde a 40,75% da condenação de R$ 243.884,90. Assim, da mesma forma proporcional, apenas é dedutível 40,75% dos honorários pagos como relacionado ao valor tributável. Logo, do pagamento de R$ 58.001,90, apenas R$ 23.633,04 (40,75%) são dedutíveis a título de honorários advocatícios. Daí resulta R$ 102.785,15 de rendimentos tributáveis, com dedução de R$ 12.872,73 (limite da dedução desconto simplificado) resultando na base de cálculo R$ 89.912,42 e um imposto devido de R$ 16.770,55 mediante a aplicação da tabela progressiva anual) e resulta em uma restituição de R$ 10.007,81 (dos quais já foram restituídos R$ 9.138,61 em valores originais), como resultado das alterações aplicadas pela Fiscalização, restando a restituir R$ 869,20. (destaques acrescidos) O recorrente admite a omissão de R$34.368,86, requerendo o cancelamento da diferença. Da leitura dos autos, constatase que a autuação consigna o montante tributável de R$99.371,58 com base na informação da planilha de fls.19/20. Os cálculos judiciais apontam que o valor bruto devido ao reclamante em 1/9/2008 seria de R$243.884,90 e o líquido, de R$213.285,18. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11610.727151/201299 Resolução nº 2002000.034 S2C0T2 Fl. 69 4 Em 8/1/2009, esses cálculos foram homologados pela sentença anexada à fl.12. Em 22/6/2009, foi realizada audiência de conciliação em que ficou acordado o pagamento ao recorrente da importância líquida de R$190.000,00 (fls.10/11). O recorrente demonstra, por meio de extratos bancários (fls.14/15), recibos dos honorários advocatícios pagos (fls. 16/17) e alvará de levantamento (fls.29/30), que recebeu o montante líquido de R$134.912,00. Registrese que resta demonstrado ainda que o recorrente efetuou o recolhimento do IRRF de R$26.778,36 (fl.18), conforme determinado na audiência realizada em 22/6/2009 e registrado no extrato de fl.15, no dia 27/7/2009. Assim, confirmase que o valor bruto recebido pelo recorrente foi de R$192.913,90 (134.912,00 + 58.001,90, dos honorários). No acordo pactuado, não consta a discriminação da natureza das verbas. O recorrente defende a aplicação do percentual obtido no cálculo judicial para determinação da parcela tributável do montante efetivamente recebido. Entretanto, consta da audiência de conciliação a seguinte determinação judicial (fl.10): No prazo de 15 (quinze) dias, a reclamada deverá discriminar a natureza das verbas que compõem o valor do presente acordo, sob pena de ser considerado a totalidade do acordo como verba salarial. Conclusão Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade da RFB de origem intime o recorrente a apresentar a informação prestada pela fonte pagadora em resposta à determinação judicial acerca da natureza das verbas pagas naquele acordo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720554/2008-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-003.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
1.0 = *:*
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M. APOLONIO DA SILVA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE DE DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante de falta de comunicação entre o suporte fático tratado pela decisão recorrida e paradigma, impossível atendimento do requisito de admissibilidade concernente à divergência na interpretação da legislação tributária previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 05 54 /2 00 8- 17 Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 9101003.718 CSRFT1 Fl. 1.582 2 Relatório Tratase de recurso especial (efls. 1548/1554) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face do Acórdão nº 1301000.889, da sessão de 12 de abril de 2012 (efls. 1190/1209), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que deu provimento ao recurso voluntário interposto pela J. M. APOLONIO DA SILVA ("Contribuinte"). Tratam os autos de autuação fiscal do IRPJSIMPLES e decorrentes, no qual se constatou a ocorrência de omissão de receitas no decorrer do anocalendário de 2003. Assim, foram efetuados os lançamentos de ofício, mantendose o regime de tributação especial. Foi apresentada impugnação (efls. 144/148), que foi julgada procedente em parte (efls. 171/179) pela decisão de primeira instância (DRJ) para excluir da base de cálculo do lançamento de ofício valor de nota fiscal cancelada. Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte (efls. 1497/1502). Turma ordinária do CARF deu provimento ao recurso, por entender que os lançamentos fiscais padeceram de erro material insanável. Isso porque, diante da situação de reiteradas omissões de receitas, caberia ao Fisco ter, inicialmente, promovido a exclusão do SIMPLES da Contribuinte, com base no art. 14, inciso V, cumulado com art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317/96, e, posteriormente, efetuado os lançamentos fiscais tomando como referência as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2003 Ementa: SIMPLES EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES, devendo a tributação se sujeitar às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do próprio ano calendário da reiterada infração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA SIMPLES – PIS/COFINS/CSLL/INSS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que se vincula. A PGFN interpôs recurso especial, apresentando paradigmas (Acórdãos nº 330100.774 e CSRF/0202.344) em que matéria não impugnada não deveria ser objeto de exame no recurso voluntário. Aduz que a decisão recorrida procedeu de maneira divergente, ao Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 9101003.718 CSRFT1 Fl. 1.583 3 se pronunciar sobre matéria que não havia sido impugnada pela Contribuinte. No mérito, entende que a decisão recorrida incorreu em julgamento extra petita, ao se manifestar sobre matéria que não foi impugnada e tampouco objeto de recurso voluntário. Requer pela reforma da decisão e pela manutenção dos lançamentos de ofício em sua integralidade. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 1548/1554) deu seguimento ao recurso especial, entendendo que o paradigma CSRF/0202.344 demonstrou a divergência na interpretação da legislação tributária. Ainda se manifestou no sentido de que em relação ao paradigma nº 330100.774 não estaria caracterizada a divergência. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 1563/1566) pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Cabem considerações sobre a admissibilidade. O despacho de exame de admissibilidade deu seguimento ao recurso especial apenas em relação ao paradigma CSRF/0202.344, que trata de autuação fiscal de Cofins por recolhimento a menor. Na impugnação, aduz a contribuinte que recolheu a contribuição em valor menor porque parte do tributo foi extinto por meio de compensação de créditos que detinha do FINSOCIAL, decorrentes de decisão judicial. A DRJ, em relação à matéria, não acolheu os argumentos da contribuinte, e entendeu que estariam prescritos/decaídos os créditos tributários nos termos do art. 168, inciso I do CTN. O recurso voluntário foi interposto apresentando as mesmas fundamentações. A Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em relação à matéria, manteve entendimento da primeira instância, no sentido de que já se encontrava prescrito/decaído o direito à compensação dos créditos do FINSOCIAL. Em sede de recurso especial, a contribuinte aduziu que a existência de ação judicial que reconheceu o direito do reconhecimento do direito creditório deslocaria o início da contagem do prazo decadencial/prescricional de cinco anos para o data do trânsito da sentença. A decisão paradigma votou no sentido não conhecer do recurso. Transcrevo a ementa e excerto do voto: RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece recurso cuja matéria não foi objeto de exame pela Câmara recorrida, bem como não foi devidamente impugnada. ..................................................................................................... O recurso especial não merece ser conhecido. Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 9101003.718 CSRFT1 Fl. 1.584 4 Pela leitura das peças do processo verificase que o direito ao crédito, mérito da demanda, não foi objeto do recurso voluntário e por essa razão não foi examinado pela Câmara de origem. Assim, a matéria referente à prescrição dos referidos créditos não pode ser conhecida. Igualmente não há como ser conhecida a matéria referente à imunidade. Isso porque referida questão não foi objeto da ação judicial ajuizada pela recorrente. Assim, para o afastamento da prescrição dos referidos créditos, não se aplica a tese sustentada pela recorrente no sentido de que o prazo qüinqüenal iniciaria do trânsito em julgado da citada ação judicial. Desse modo, posto que os créditos foram declarados prescritos e tal prescrição não foi devidamente impugnada, não há como ser conhecida a imunidade suscitada pela contribuinte. Diante do exposto voto por não conhecer o recurso especial. É o meu voto. (Grifei) Da leitura da decisão, compreendese que o colegiado do paradigma aduziu que havia outra questão a ser discutida, qual seja, a efetiva existência do direito aos créditos do FINSOCIAL, denominada o "mérito da demanda". E, como não foi discutida o ponto, tendo todo o contencioso apreciado apenas a decadência/prescrição, não haveria como o colegiado do paradigma conhecer da matéria. O que se observa é que a decisão recorrida do paradigma apresenta entendimento no sentido de que não poderia apreciar uma prejudicial de mérito (decadência/prescrição), sem que o mérito (efetiva existência dos créditos) fosse também objeto de análise. No caso, de fato, caso restasse superada a prejudicial de mérito, caberia uma análise do mérito, a liquidez e certeza do direito creditório, que o colegiado do paradigma não considerou questão superada apesar da alegação da contribuinte de que a compensação/restituição estaria amparada por decisão judicial. Aqui não cabe fazer um juízo de valor do caso paradigma, mas apenas um exercício de compreensão da decisão. E, no caso, minha convicção foi no sentido de que a decisão paradigma entendeu que, como o mérito não foi contestado nas instâncias a quo, qualquer decisão relativa a preliminares ou prejudiciais do mérito estariam prejudicadas. Estabeleceu, portanto, uma vinculação entre "A" (prejudicial de mérito) e "B" (mérito). Se "B" não foi contestado, não haveria de se conhecer "A", porque o julgamento isolado da questão "A" não seria suficiente para resolver o litígio. Ou seja, independente de "A" ser ou não questão de ordem pública, a sua apreciação isolada não se prestaria a resolver a demanda. E foi por isso que não se conheceu do recurso, porque "B", mérito e ponto central do litígio, não foi impugnado, restando concretizada a preclusão, e tornando sem efeito qualquer manifestação a respeito de "A". Por sua vez, a decisão recorrida trata de um contexto diferente. A preliminar "A", por si só, mostrase suficiente para resolver o litígio. E sendo a preliminar "A" questão de ordem pública, poderia ser suscitada em sede de recurso voluntário, mesmo não tendo sido aduzida na impugnação. Entendeu a turma a quo que houve erro na motivação e, por Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 10283.720554/200817 Acórdão n.º 9101003.718 CSRFT1 Fl. 1.585 5 consequência, no enquadramento legal da autuação fiscal, o que fulminaria por completo qualquer discussão sobre o mérito dos lançamentos fiscais. Enquanto na decisão paradigma há uma vinculação entre a questão "A" e "B", e se "B" não foi contestado, ainda que se apreciasse "A", não se resolveria o litígio, razão pela qual se julgou no sentido de não conhecer "A", na decisão recorrida a questão "A" por si só se mostraria suficiente para resolver a demanda, e assim foi conhecida de ofício. São situações dessemelhantes, impossibilitando a aplicação da legislação tributária do paradigma para resolver o litígio posto no acórdão recorrido. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1585DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.938354/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-005.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1293; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.938354/201157 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.267 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2018 Matéria PIS/PASEP RESTITUIÇÃO Recorrente SUDATI FLORESTAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da Turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente da Turma), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 83 54 /2 01 1- 57 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.938354/201157 Acórdão n.º 3401005.267 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS, solicitado através do PER/DCOMP. O Interessado foi cientificado de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde sustenta que o Despacho Decisório deixou de analisar a questão principal do Pedido de Restituição apresentado, qual seja, a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição para o PISem face da inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, uma vez que a referida contribuição incidiu sobre Receitas Financeiras e Outras Receitas. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, constatando que não houve omissão do Despacho Decisório quanto ao mérito da demanda, uma vez que a fundamentação para o indeferimento do Pedido de Restituição indica que o Darf foi utilizado integralmente para fazer face a débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Informa também que, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Porém, na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PISdo período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa toda a argumentação já exposta na sua Manifestação de Inconformidade sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins. No entanto, desta feita requer a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, os quais alega fazerem prova do pagamento indevido ou a maior de tributo, pedindo sua apreciação em respeito ao Princípio da Verdade Material. Em anexo, apresentou duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.938354/201157 Acórdão n.º 3401005.267 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.257, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.938340/201133, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401005.257): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conheci mento. Passo a analisar, a seguir, os temas questionados pelo Recorrente. Pretende o contribuinte seja reconhecido seu direito de creditarse do valor de R$ 568,44, objeto de Pedido de Restituição referente a Pagamento Indevido ou a Maior de contribuição para o PIS/Pasep, solicitado através de PER/DCOMP. A DRJ/BHE julgou sua Manisfestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração de PIS/Pasep do período analisado, incluiu receitas financeiras ou outras receitas indevidamente na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte busca corrigir esta deficiência probatória, anexando duas planilhas de cálculo do valor original do PIS e da Cofins, comprovantes de pagamento dos DARF's e folhas do seu Livro Razão. Contudo, entendo que ainda sim não restou comprovado o alegado pagamento a maior. Isto porque o Recorrente não fez prova do valor que deveria ter sido recolhido, no período, a título de contribuição para o PIS/Pasep. Com efeito, a indicação de rubricas contábeis com receitas financeiras e outras receitas, as quais, no entendimento do Recorrente, deveriam estar excluídas da base de cálculo das contribuições, não significa que tais valores foram efetivamente computados no cálculo inicial. Nos pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, é necessário que o contribuinte apresente toda sua escrituração fiscal referente ao período para que nova apuração seja realizada, a fim de ser cotejada com a Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.938354/201157 Acórdão n.º 3401005.267 S3C4T1 Fl. 5 4 apuração inicial e assim verificar eventuais excessos ou déficits. Com os documentos apresentados, não é possível sequer comprovar que as receitas elencadas na planilha foram realmente incluídas no cálculo inicial (que resultou na apuração de R$ 15.058,00). Apesar de ter anexado uma planilha com a memória de cálculo das contribuições, o Recorrente não apresentou as rubricas contábeis, constantes do Livro Razão, que pudessem comprovar o valor total das receitas sobre as devem incidir as alíquotas das contribuições. Ao invés, anexou apenas as folhas do Razão com as receitas financeiras que deveriam ser excluídas do cálculo. Observese que até mesmo as receitas de exportação, que foram originalmente excluídas, também deveriam ser conferidas através dos registros contábeis. Em suma, deveria ser feita uma nova apuração das contribuições, o que restou inviabilizado pela ausência da documentação contábil necessária. O art. 170 da Lei nº 5.172/66 (CTN) determina a necessidade de liquidez e certeza do crédito. Apesar de se referir literalmente à compensação, obviamente aplicase também à restituição: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nos pedidos de compensação ou de restituição, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado permanece a cargo do contribuinte, conforme art. 373 do Código de Processo Civil de 2015: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Além disso, pelo quanto exposto no Despacho Decisório, verifico que a alocação integral do DARF para quitação de débito do contribuinte indica que, ao tempo da sua emissão, a DCTF que continha este débito não havia sido retificada. O Recorrente não apresentou qualquer prova de que, mesmo a destempo, tenha feito tal retificação. Nos termos do Parecer COSIT nº 02, de 2015, a retificação da DCTF é imprescindível para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.938354/201157 Acórdão n.º 3401005.267 S3C4T1 Fl. 6 5 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900746/2008-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2002
Ementa:
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO.
INSUFICIÊNCIA.
Insuficiente o crédito indicado para compensação, a homologação do
encontro de contas pretendido deve ser promovida de forma parcial.
Numero da decisão: 1302-000.722
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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DIREITO CREDITÓRIO. INSUFICIÊNCIA. Insuficiente o crédito indicado para compensação, a homologação do encontro de contas pretendido deve ser promovida de forma parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 286DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10945.900746/200874 Acórdão n.º 130200.722 S1C3T2 Fl. 282 2 Relatório IGUAÇU DIESEL VEÍCULOS S/A IDISA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, que deferiu, em parte, manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu. Trata o processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, envolvendo crédito decorrente de SALDO NEGATIVO de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurado no anocalendário de 2001. No Despacho Decisório de fls. 12 consta a seguinte informação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 5.145,88 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 7.053,39 Diante de Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, por meio do acórdão nº 0627.106, de 24 de junho de 2010, decidiu pelo deferimento parcial dos pedidos ali veiculados. O referido julgado restou assim ementado: CRÉDITO DECORRENTE DE SALDO NEGATIVO DE CSLL. RECONHECIMENTO PARCIAL. Deve ser reconhecida a parcela do direito creditório que, independentemente do correto preenchimento da Dcomp, tenha sua existência devidamente comprovada. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Devem ser não homologadas as compensações para cujos débitos não for suficiente o crédito declarado. Por relevante, transcrevo, abaixo, excertos do voto condutor da decisão em referência. ... A partir das conclusões e levantamentos até aqui realizados, demonstrase, a seguir, o cálculo utilizado para se encontrar o saldo negativo de CSLL Exercício 2002 a que tem direito o interessado. Total da CSLL................................................ 21.776,52 Fl. 287DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10945.900746/200874 Acórdão n.º 130200.722 S1C3T2 Fl. 283 3 () CSLL paga por estimativa......................... 8.656,28 () Estimativas de CSLL compensadas........... 16.873,62 CSLL a pagar................................................... (3.753,38) Assim, confirmandose parcialmente o crédito informado pelo contribuinte em sua Dcomp, foram efetuados os cálculos de compensação de acordo com os critérios estabelecidos pela legislação tributária (fls. 258 a 260). Nesses, verificouse não ter sido o crédito reconhecido suficiente para extinguir totalmente os débitos a ele vinculados, remanescendo saldo devedor relativo a débito de CSLL, PA 02/2005, no valor de R$3.152,21 (fl. 258), parcela que deve ter sua não homologação mantida, parte por ter sido o direito creditório reconhecido apenas parcialmente, parte por ter sido a Dcomp entregue após o vencimento dos débitos compensados, situação que enseja o acréscimo de multa e juros de mora a esses débitos. Para esclarecer a necessidade desses acréscimos, o que motivou parte da não homologação aqui mantida, abrese aqui um parêntesis. De acordo com o art. 74, § 1º, da Lei n 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, reputase efetuada a compensação com a entrega da Dcomp. Dessa forma, fixou a Lei a data na qual deve ocorrer o encontro de contas entre débitos e créditos do contribuinte perante a RFB, qual seja, a data da efetiva entrega da declaração de compensação respectiva. Por sua vez, a Lei nº 9.250, de 1995, em seu art. 39, § 4º, prevê que os créditos passíveis de restituição, como o aqui em questão, devem sofrer acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de 1% (um por cento) no mês em que for efetivada a restituição ou compensação. Da mesma forma, uma vez que os créditos devem ser corrigidos, os correspondentes débitos também devem ter seus valores atualizados até a data da apresentação da Dcomp. Assim, uma vez que sobre débitos que deixaram de ser extintos nos prazos fixados pela legislação tributária incide, além dos mesmos juros equivalentes à taxa Selic, multa de mora, o valor principal do crédito consumido na compensação será maior do que o valor principal dos débitos. No caso destes autos, foi essa a razão de parte da insuficiência de crédito ocorrida, insuficiência essa que resultou na não homologação do débito antes descrito. Ciente da Decisão de primeira instância em 14 de julho de 2010, conforme aviso de recebimento de folha 270, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13 de agosto de 2010, conforme registro de recepção de folha 271, por meio do qual, reproduzindo o demonstrativo de apuração do SALDO NEGATIVO apresentado na decisão recorrida, requer a anulação da Intimação Seort nº 295/2010. É o Relatório. Fl. 288DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10945.900746/200874 Acórdão n.º 130200.722 S1C3T2 Fl. 284 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A contribuinte transmitiu em 04 de agosto de 2005 PER/DCOMP indicando como crédito SALDO NEGATIVO DE CSLL no montante de R$ 5.145,88 (fls. 02). Em 26 de agosto de 2008, foi emitido despacho decisório (fls. 12), no qual foi assinalado: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo Informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 5.145,88 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 7.053,39 Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte requereu o cancelamento do despacho decisório sustentando que a Receita Federal teria ignorado o pedido de compensação. Na ocasião, apresentou demonstrativo do saldo negativo apurado (R$ 7.053,39), do montante compensado (R$ 5.145,88) e do saldo que, para ela, seria passível de compensar em “exercícios futuros” (R$ 1.907,51). Esclarecendo que a contribuinte consignou na DCOMP saldo negativo distinto do registrado na DIPJ, o voto condutor da decisão exarada em primeira instância assinalou: a) que no detalhamento do crédito apresentado na DCOMP foram informadas estimativas em montante inferior as que haviam sido registradas na DIPJ; b) que, não obstante tal divergência, deveria ser verificado, em homenagem ao princípio da verdade material, o efetivo valor do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001; c) que, a partir de exames realizados, o saldo negativo efetivo do ano calendário de 2001 seria de R$ 3.753,38. A contribuinte, em sua peça recursal, limitase a pedir anulação da intimação que lhe foi dirigida, argumentando que a Receita Federal não considerou a totalidade do crédito pago a maior. Não merece acolhida o argüido pela Recorrente, eis que a autoridade julgadora considerou, para fins de compensação, a totalidade do saldo negativo por ela apurado. Fl. 289DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 10945.900746/200874 Acórdão n.º 130200.722 S1C3T2 Fl. 285 5 É certo que o montante apurado em primeira instância (R$ 3.753,38) não correspondeu, pelas razões ali expostas, ao consignado no instrumento de compensação apresentado (R$ 5.145,88), porém, a Recorrente não se insurge contra os motivos que levaram a decisão recorrida a reduzir o saldo negativo representativo do crédito apontado para o encontro de contas. Destaco que a Recorrente, apesar de fazer referência a um suposto aproveitamento parcial do crédito, reproduz na sua peça de defesa a mesma apuração feita pela autoridade julgadora de primeira instância, que redundou em saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2001 no montante de R$ 3.753,38. Não enseja reparo, portanto, o decidido em primeiro grau. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 18 de outubro de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 290DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/1 0/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 10930.907107/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 145 1 144 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.907107/201102 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.439 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de setembro de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente. A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontravase totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 10 7/ 20 11 -0 2 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10930.907107/201102 Resolução nº 3402001.439 S3C4T2 Fl. 146 2 operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. Aduz, adicionalmente, que a discussão principal contida no processo diz respeito à matéria de direito, “devendo o órgão julgador apreciar a procedência da tese”, intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental. A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação. Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.422, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907066/201146, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.422): "5. Conforme se observa dos autos, em despacho eletrônico de fls. 05/06, o crédito vindicado pelo contribuinte foi indeferido ao fundamento que: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...). 6. Todavia, já em sede de julgamento de manifestação de inconformidade, o acórdão ora atacado entendeu por manter o indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento: (...). No caso, como a contribuinte nada apresentou no sentido de efetivamente comprovar que na composição da base de Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10930.907107/201102 Resolução nº 3402001.439 S3C4T2 Fl. 147 3 cálculo da contribuição relativa ao aludido período de apuração estavam incluídas receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo, não há como reconhecer o direito creditório buscado. Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, entendese que devem ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado que, aliás, está fundamentado em informação prestada pela própria contribuinte em DCTF constante dos sistemas controlados pela RFB. (...) (grifos constantes no original). 7. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou os documentos fiscais de fls. fls. 84/118, os quais compreendem guias DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado é realmente decorrente do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculado pela lei n. 9.718/98 e rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235. 8. Percebese, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10930.907107/201102 Resolução nº 3402001.439 S3C4T2 Fl. 148 4 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.000487/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE. UTILIZAÇÃO DE PROVAS OBTIDAS ILEGALMENTE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO. PROVAS OBTIDAS SEGUNDO LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O Decreto n° 70.235/72 - PAF prevê que o auto de infração deve descrever com exatidão os fatos analisados, conter a fundamentação legal completa e ser acompanhada dos elementos de prova que justificaram o lançamento de forma a propiciar ao contribuinte o pleno exercício da ampla defesa e contraditório.
Não há que se falar em nulidade no caso de auto de infração fundamentado em provas obtidas conforme legislação vigente e sobre o qual a contribuinte, após devidamente intimada, manifestou-se em sede de Impugnação e Recurso Voluntário.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N. 105. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N. 2.
Segundo inteligência da Sùmula CARF n. 2, o CARF não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A presunção de omissão de receitas é meramente um instrumento utilizado pelo fisco na clara intenção de instigar a busca pela verdade. O ônus probante é ao contribuinte, tendo o direito de ilidir tal presunção mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, apta a comprovar uma outra versão dos fatos presumidos.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
Conforme inteligência da Sùmula CARF n°4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA EXCESSIVA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO PREVISTA NA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
Não há que se acolher mera alegação de que a multa aplicada é excessiva quando há expressa previsão legal no art. 44, inciso I da Lei n. 9.430/96 para tanto.
Numero da decisão: 1201-002.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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UTILIZAÇÃO DE PROVAS OBTIDAS ILEGALMENTE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO. PROVAS OBTIDAS SEGUNDO LEGISLAÇÃO VIGENTE. O Decreto n° 70.235/72 PAF prevê que o auto de infração deve descrever com exatidão os fatos analisados, conter a fundamentação legal completa e ser acompanhada dos elementos de prova que justificaram o lançamento de forma a propiciar ao contribuinte o pleno exercício da ampla defesa e contraditório. Não há que se falar em nulidade no caso de auto de infração fundamentado em provas obtidas conforme legislação vigente e sobre o qual a contribuinte, após devidamente intimada, manifestouse em sede de Impugnação e Recurso Voluntário. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N. 105. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N. 2. Segundo inteligência da Sùmula CARF n. 2, o CARF não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A presunção de omissão de receitas é meramente um instrumento utilizado pelo fisco na clara intenção de instigar a busca pela verdade. O ônus probante é ao contribuinte, tendo o direito de ilidir tal presunção mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, apta a comprovar uma outra versão dos fatos presumidos. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 04 87 /2 00 7- 93 Fl. 1773DF CARF MF 2 Conforme inteligência da Sùmula CARF n°4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA EXCESSIVA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO PREVISTA NA LEGISLAÇÃO VIGENTE. 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Relatório Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de RS 1.375.539,88 (fl. 06), Contribuição para o PIS de RS 95.388,10 (fl. 15), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de RS 372.285,77 (fl. 24) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 440.253,19 (fl. 33), acrescidos de juros de mora e multa de oficio de 75%, perfazendo o crédito tributário de R$ 5.124.987,75 (fl. 05), em virtude de omissão de receita caracterizada pela existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. O procedimento fiscal iniciouse em 10/05/2006, mediante o Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 46), por meio do qual foi a contribuinte intimada a apresentar, relativamente ao anocalendário de 2003, o livro Registro de Inventário, Livro Registro de Prestação de Serviços, Registro de Entradas, Saídas e Apuração do ICMS, livro Diário e Razão Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 15956.000487/200793 Acórdão n.º 1201002.472 S1C2T1 Fl. 3 3 ou livro Caixa contendo a movimentação financeira, inclusive a bancária, e o Contrato Social com suas alterações. Em atendimento, a empresa apresentou os documentos de fls. 56/ 137. Em 20/07/2006 foi a contribuinte intimada (fls. 180/181) a apresentar, relativamente a Matriz e Filiais, o livro Registro de Inventário, livro Registro de Prestação de Serviços das filiais situadas nas cidades de Curitiba e Palmas, Notas Fiscais de prestação de serviços, Notas Fiscais de Vendas de veículos da frota, livro Diário e Razão ou livro Caixa contento a movimentação financeira, inclusive a bancária, e os extratos das contas bancárias mantidas nas instituições financeiras relacionadas. Em resposta, a empresa informou (fl. 342) não possuir o livro de Registro de Inventário, nem livro de Prestação de Serviços, nem os livros Diário, Razão e Caixa, e que estaria apresentado as notas fiscais de Prestação de Serviços apenas da Matriz (Filiais não possui); informou ainda, quanto às compras de veículos, que fora feito pedido a Fiat e GM; que não possui os dados relativos às vendas de veículos em virtude de roubo dos computadores. Apresentou os extratos do Banco do Brasil, Banco Mercantil do Brasil, Unibanco e Banco Itaú e informou que foram solicitados os extratos dos Bancos ABN AMRO Real, BankBoston, Banco Múltiplo, Banco Bradesco e Santander. Juntou os documentos de fls. 342/385. Novamente intimada (fl. 386/388), a contribuinte apresentou os documentos de fls. 389/405, os extratos dos Bancos BANKBOSTON e SANTANDER e os extratos de venda de veículos relativos aos ano de 2003 e informou não possuir os arquivos da movimentação financeira e que estaria solicitando aos Bancos os extratos em Excel. Também foi intimada a General Motors do Brasil Ltda (fls. 182/183) a apresentar as notas fiscais de vendas diretas à empresa fiscalizada (Matriz e Filiais) e apresentar, se for o caso, relação de pagamentos feitos à empresa fiscalizada. Em atendimento, foram apresentados os documentos de fls. 186/338. Posteriormente, a mesma solicitação foi feita para o período de janeiro a dezembro de 2004 (fl. 553), tendo sido apresentados os documentos de fls. 557/689. Tendo em vista que as informações sobre as movimentações financeiras estavam incompletas, foram emitidas as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeiras (fls. 406/419). De posse dos extratos bancários, a fiscalização relacionou os depósitos/créditos nas diversas contas bancárias (fls. 430/474) e os totais mensais (fls. 428/429), excluindo os valores correspondentes às transferências de mesma titularidades, empréstimos, estornos e afins que não representavam receita da empresa, e intimou (fl. 85) a contribuinte a comprovar os valores creditados/depositados em suas contas correntes após os expurgos citados. Solicitou ainda a comprovação das vendas e compras dos veículos informados pela própria contribuinte e relacionados à fl. 475. Em resposta, a contribuinte informou (fl. 481/482) ter impetrado Mandado de Segurança e que fora concedida a liminar requerida privando a autoridade coatora de quebrar o sigilo bancário (fls. 484/493). Cópia da sentença juntada às fls. 500/536. Às fls. 542/545 consta cópia da sentença proferida nos autos da Ação Ordinária n° 2007.61.02.0029880 impetrada pelo Procurador da Fazenda Nacional decretando a quebra do sigilo bancário da empresa fiscalizada abrangendo toda a movimentação financeira a parti de janeiro de 2003. Fl. 1775DF CARF MF 4 Assim, tendo em vista a antecipação de tutela expedida nos Autos do Processo de Ação Ordinária, as instituições forneceram os extratos bancários das contas de titularidade da empresa, juntada aos autos às fls. 749/1330. Tendo em vista o MPFFiscalização Complementar 08.1.0.00.200600512 1 para incluir o anocalendário de 2004 no procedimento de fiscalização, em 04/04/2007 a empresa foi intimada a apresentar, relativamente ao anocalendário de 2004, o Livro Registro de Prestação de Serviços das Filiais situadas em Curitiba e Palmas, Notas Fiscais de prestação de serviços, Notas Fiscais de Compra e Venda de veículos da frota (Matriz e Filiais) e documentos de recebimentos dos veículos vendidos, livro Diário e Razão ou livro Caixa contento a movimentação financeira, inclusive a bancaria, e o Balanço Contábil do ano calendário de 2006. Não tendo atendido a intimação, foi a empresa novamente intimada (fls. 739/740) De posse dos extratos bancários, a fiscalização relacionou os depósitos/créditos nas diversas contas bancárias (fls. 1340/1447), excluindo os valores correspondentes às transferências de mesma titularidades, empréstimos, estornos e afins que não representavam receita da empresa, e intimou a contribuinte, por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 1331/1338, a comprovar os valores creditados/depositados em suas contas 'correntes após os expurgos citados. Novamente intimada para o mesmo fim (fls. 1450/1566), a contribuinte alegou que alguns lançamentos já demonstram a inexistência de qualquer valor tributável, uma vez que se tratam de empréstimos junto às instituições financeiras como são os casos de lançamentos à rubrica “LIB GARANTIDA” razão pela qual deveriam ser excluídos, bem assim os valores sob à rubrica “LIQUIDAÇÃO DE COBRAI\IÇA” uma vez que representam reiteradas movimentações de mesmos valores trocados com as instituições financeiras e que o mesmo entendimento deveria ser aplicado aos valores sob às rubricas “Crédito Visa”. Diante dessas alegações, a fiscalização intimou (fls. 1569/1571) a contribuinte a apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovassem os alegados empréstimos e também a origem dos recursos dos depósitos relativos aos lançamentos sob às rubricas “LIQUIDAÇÃO DE COBRANÇA” e “Crédito Visa” de modo a justificar as alegações. Em resposta (fls. 1592/1595) prestada em 16/10/2007, a contribuinte alegou que estaria solicitando às instituições financeiras que elas prestassem as informações (doc. anexo ~ fls. 1596/1609) solicitadas pelo Fisco, comprovando que o termo “LIB GARANTIDA” refere se a empréstimos concedidos. Relacionou (fls. 1593/1594) alguns valores que segundo alegou referemse a empréstimos concedidos pelas instituições financeiras, cujo quantum teria sido repassado às empresas fornecedoras. Também relacionou outros valores que segundo afirmou são não tributáveis por representarem liberação de consórcios. Relacionou os valores de R$ 9.540,00 e R$ 500.000,00 que, segundo afirmou, o primeiro referese à transferência entre contas de mesma titularidade e o segundo representa um financiamento recebido do Banco Bradesco. Por fim, requereu o prazo de 20 (vinte) dias para prestar as informações solicitadas. Em 19/ 140/2007 foi lavrado o Termo de Encerramento de Ação Fiscal no qual a autoridade fiscal, no intuito de verificar se eram ou não procedentes as alegações de que determinados valores não representavam rendimento tributável, procurou identificar para cada lançamento mencionado a correspondente contacorrente, já que a contribuinte não os indicou. E, após análise, a autoridade fiscal concluiu que, apesar de todo o tempo concedido a contribuinte, ela não apresentou provas de que os créditos bancários por ela relacionados como as rubricas “CP Pagto Fornec”, “Lilber Cred C/C” e “Depósito Recurso Cliente UBB” representavam, de fato, empréstimos recebidos das instituições financeiras como foi alegado. Também entendeu não existirem provas de que os créditos bancários por ela Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 15956.000487/200793 Acórdão n.º 1201002.472 S1C2T1 Fl. 4 5 relacionados sob às rubricas “Dep. Chq Interag”, “Dep. Em Cheque”, “Dep. Em Dinheiro”, “Recebimento Ted” e “Dep Chq de Outro Banco” referemse a liberação de consórcios como foi alegado. Verificouse também que o valor de R$ 9.540,00 foi remetido por empresa diversa da fiscalízada, portanto não se trata de transferência entre contas de titularidade da empresa fiscalizada. Por essas razões, tais valores continuariam no rol dos depósitos bancários de origem não comprovada, exceção feita ao valor de R$ 500.000,00 que entendeu procedente as alegações da contribuinte e excluiu referido valor da relação de depósitos bancários de origem não comprovada e, por conseguinte, da tributação. Levando em consideração a retificação acima referida, a fiscalização apurou, com base nas planilhas dos depósitos bancários de origem não comprovada, os totais mensais de depósitos/créditos nas contas bancárias de titularidade da empresa (fls. 42/45), e com fulcro no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, considerou tais valores como receita omitida e, com base nessa receita, arbitrou o lucro da empresa, para fins de apuração do IRPJ e CSLL, com fundamento no art. 530,111, do RIR/99, por não ter apresentado à fiscalização os livros Diário/Razão ou o livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. ' Impugnação Cientificada dos autos de infração em 22/10/2007, a contribuinte, por intermédio de seus procuradores legalmente constituídos (Procuração de fls. 1689/1690), ingressou em 19/11/2007 com a impugnação de fls. 1639/1678, aduzindo como razões de defesa o seguinte: 1 Quebra do Sigilo Bancário. Alegou que o auto de infração é nulo porque foi fundamentado em provas obtidas ilegalmente e que a quebra do sigilo fiscal não pode se justificar na Lei Complementar n° 105/2001. 2 Imprestabilidade dos documentos que acompanham o auto de infração. Alegou que os documentos indicados pelo Fisco como paradigma para autuação são meros cruzamentos de dados de movimentação financeira e que as informações extraídos de tais documentos não podem ser utilizados como absolutos para lavratura do auto de infração, por necessitarem de provas complementares. Concluiu que o auto de infração não poderia ser baseado somente na movimentação bancária da recorrente, posto que a mesma não pode ser entendida como receita tributável. Acrescentou que o auto de infração deve estar fundamentado e quando desacompanhado dessa fundamentação é nulo. 3 Impossibilidade de se equiparar a totalidade da movimentação financeira às receitas tributáveis. Fl. 1777DF CARF MF 6 Alegou que as movimentações financeiras não representam novas receitas tributáveis, nem aumento patrimonial, e nada mais são do que o retomo do capital de giro na conta corrente da empresa e não representam de forma alguma ganho tributável, como foi presumido pelo Fisco. E que o lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos e 0 fato que representa omissão de rendimento, devendo, ainda, neste caso, ser levada a efeito como forma de demonstração da omissão de rendimentos. Alegando a necessidade de busca da verdade material solicitou prova pericial com o fim de provar que o capital que ingressou nas contas correntes não passou de vendas de veículos obsoletos, por valores muito inferiores ao que custaram originariamente, para contrair novos financiamentos na aquisição de novos bens. 4 Ausência da demonstração da ocorrência dos fatos geradores dos tributos e contribuições. Alegou que o Fisco não logrou êxito em comprovar que toda a movimentação financeira representar faturamento da empresa e que não ficou demonstrado a ocorrência dos fatos geradores dos tributos e contribuições, ônus que não se desincumbiu o agente fiscal. 5 Necessidade de realização de prova pericial e juntada de novos documentos. Alegando que a Autoridade Fiscal não pode proceder ao lançamento com base em meras movimentações financeiras, solicitou que seja deferida a prova pericial, mediante à análise técnica de toda a5sua contabilidade, facultando a indicação de assistente técnico e a formulação de quesitos, com a juntada de novos documentos. 6 Multa excessiva. Alegou que a multa aplicada de 75% é excessiva, exagerada, onerosa, írrazoável e confiscatóría, devendo ser reduzida para 20% em homenagem ao princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, bem como a Justiça. 7 Taxa Selic Alegou que a utilização da taxa Selic para fins tributário é ilegal, por ferir o art. 161 do CTN, não podendo os juros ultrapassarem 1 % ao mês. Acórdão da DRJ Em sessão de 19/03/2010, a 5° Turma da DRJ/POR julgou a Impugnação improcedente, conforme ementa abaixo: Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 15956.000487/200793 Acórdão n.º 1201002.472 S1C2T1 Fl. 5 7 Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. SIGILO BANCÁRIO. As informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. CARÁTER ABUSIVO DA MULTA DE OFICIO. ILEGALIDADE DA TAXAS SELIC. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Irresignações endereçadas contra caráter pretensamente abusivo da multa de oficio instituída em lei e suposta ilegitimidade do uso da Taxa SELIC no cômputo dos juros de mora, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário. PEDIDO DE PERÍCIA. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Fl. 1779DF CARF MF 8 LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS). A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Recurso Voluntário A contribuinte apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratifica seu argumentos de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Nulidade Conforme expressa disposição do Decreto n° 70.235/72 PAF o auto de infração deve descrever com exatidão os fatos analisados, conter a fundamentação legal completa e ser acompanhada dos elementos de prova que justificaram o lançamento de forma a propiciar ao contribuinte o pleno exercício da ampla defesa e contraditório. Este é o caso do auto de infração ora em tela, no qual não enxergo qualquer vício. Bem como, a ora Recorrente foi devidamente intimada sobre o lançamento e teve acesso a todas as provas juntadas. Passo seguinte, apresentou a Recorrente, tempestivamente, seus argumentos de defesa. Me parece cristalino da leitura da Impugnação e agora do Recurso Voluntário da contribuinte que os fatos e as provas utilizadas pela fiscalização para o lançamento foram integralmente entendidos pela contribuinte, que pôde exercer com plenitude seu direito de defesa. Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 15956.000487/200793 Acórdão n.º 1201002.472 S1C2T1 Fl. 6 9 Diante de tudo isso, julgo que o direito de defesa da ora Recorrente fora garantido em conformidade integral com os princípios do contraditório e da ampla defesa, tudo conforme expressamente previsto no PAF. Assim, afasto a preliminar de nulidade do auto de infração vez que ausente o alegado cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Quebra de Sigilo Bancário À época dos fatos geradores indicados nesta autuação vigorava em plenitude a Lei Complementar nº 105/01. Recentemente discutiuse no STF a possibilidade da quebra de sigilo bancário e, assim, colocouse em voga a constitucionalidade do art. 6º da supracitada norma: “Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.” Por meio do RE 601.314/SP, submetido à sistemática de repercussão geral prevista no art. 543B do CPC, firmouse o entendimento de que a norma não configura quebra de sigilo bancário, mas sim transferência de informações entre bancos e o Fisco, ambos protegidos contra o acesso de terceiros, o que, por si, descartaria qualquer ofensa à intimidade e privacidade do contribuinte. Compartilho do posicionamento do Ministro Fachin naquela oportunidade no sentido de que a medida concretiza a equidade tributária, garantindo a justa tributação de acordo com o princípio da capacidade contributiva. O Fisco passa a ter uma gama mais ampla de informações, aptas a serem confrontadas com as documentações que respaldam as declarações fiscais apresentadas pelo contribuinte. A busca pela verdade é otimizada. É cediço que este Conselho Administrativo Fiscal (CARF) está atrelado ao entendimento proferido em decisões sob a sistemática de repercussão geral (RICARF, art. 62, §1º, inciso II, “b”). Uma vez definida a constitucionalidade da LC nº 105/01, agora sob a égide também do princípio da legalidade tributária, deve prevalecer a possibilidade de quebra de sigilo bancário. Ainda que assim não fosse, o pleito do recorrente invoca a inconstitucionalidade da norma e o CARF não tem competência para se pronunciar neste sentido, conforme Súmula nº 2: Fl. 1781DF CARF MF 10 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, sob qualquer prisma, não há como se acatar a nulidade do trabalho fiscal, em razão de indevida quebra de sigilo bancário, de modo que indefiro o pleito do recorrente neste tópico. Da omissão de receita caracterizada por depósitos não escriturados e de origem não comprovada. Devese ter claro, de início, que a recorrente, em suas alegações de defesa, distorce o modus operandi do trabalho fiscal e conclui erroneamente que este teria afrontado o sistema tributário constitucional e a hipótese de incidência dos tributos alvo desta autuação fiscal. O presente julgador tem posicionamento firme no sentido de que a presunção de omissão de receitas é meramente um instrumento utilizado pelo fisco na clara intenção de instigar a busca pela verdade. A presunção se origina e se corporifica na percepção de uma movimentação bancária incomum, sem qualquer registro contábil respectivo ou mesmo sem qualquer contrapartida no resultado ou no balanço patrimonial. Insurgese uma suspeita de omissão e de incompletude das informações prestadas e o fisco materializa uma presunção relativa de veracidade, inicialmente, de modo que o ônus probante seja atribuído ao contribuinte, tendo o direito de ilidila a qualquer momento, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, apta a comprovar uma outra versão dos fatos presumidos. Durante todo o trabalho fiscal, no entanto, o contribuinte, ora recorrente, quedouse inerte. Não trouxe aos autos comprovação suficiente à colocar em xeque a presunção de veracidade. Neste contexto o lançamento tornase o ato derradeiro e conclusivo que concretiza, por ora, uma presunção absoluta de veracidade, ou seja, ele passa a representar o resultado de todo o procedimento fiscal, após várias oportunidades de defesa terem sido ofertadas ao contribuinte. O Ilustre doutrinador Luciano Amaro (“Direito Tributário Brasileiro”, 2004, p. 335) afirma que “o lançamento não tende nem a verificar o fato e nem a determinar a matéria tributária, nem a calcular o tributo, e nem a identificar o sujeito passivo” ressaltando que este “pressupõe que todas as investigações eventualmente necessárias tenham sido feitas e que o fato gerador tenha sido identificado nos seus vários aspectos subjetivo, material, quantitativo, especial, temporal, pois só com essa prévia identificação é que o tributo pode ser lançado.” O ato de constituição definitiva do crédito tributário revela uma verdade extraída do procedimento fiscalizatório, mas ainda traz uma mera presunção de veracidade quando, nos ditames do procedimento administrativo, ainda serão oportunizadas chances do contribuinte se defender. A presunção que era relativa, tornase absoluta, por ora, mas não deixa, neste momento, de ser uma presunção, pois as leis que regem o processo administrativo Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 15956.000487/200793 Acórdão n.º 1201002.472 S1C2T1 Fl. 7 11 e a própria Constituição Federal garantem a ampla defesa e o contraditório ao contribuinte em outras ocasiões posteriores. Não há o estabelecimento de uma verdade efetiva neste instante. No passo em que o contribuinte tem a ciência da autuação formalizada por meio dos autos de infração e tem a oportunidade de rebater as informações ali concretizadas, esta presunção absoluta passa a ser relativa, de modo que novamente cabe ao contribuinte refutála, com provas e alegações suficientes para a composição de seu direito. Apesar do lançamento formalizar uma presunção absoluta de veracidade do procedimento fiscal, nesta nova etapa do processo administrativo o contribuinte materializa preceitos constitucionalmente consagrados através de sua impugnação. Assim, novamente tem o contribuinte a chance de desnaturar uma presunção de omissão de receitas calcada em bases relativas. No entanto, o acórdão proferido pelas autoridades julgadoras de primeira instância encerra, uma vez mais, essa presunção relativa e instaura uma presunção absoluta temporária, que passa a representar a veracidade desta fase processual. Da mesma forma, quando o contribuinte tem ciência da decisão proferida pela DRJ competente, de novo abrese a oportunidade para que este apresente sua tese de defesa em sede recursal e forneça provas robustas que eventualmente componham o seu direito, neste cenário eivando a presunção de total relatividade. Exatamente neste ponto nos deparamos com a situação observada nos autos. Em todo este contexto, podemos concluir que a presunção prestase como um instrumento totalmente maleável e oscilante, cujo o escopo é a otimização na busca pelo que realmente ocorreu no âmbito do processo administrativo tributário. Tratase de forte aliado ao princípio da verdade material. Com flexibilidade, praticidade e eficiência, este vai se moldando às peculiaridades do procedimento fiscal, em algumas ocasiões materializando e respaldando os atos do fisco e em outras tantas garantindo ao contribuinte o amplo acesso ao contraditório. Não há como se falar, neste contexto, que tal sistemática representaria ofensa à hipótese de incidência dos tributos. Ora, na ocasião do lançamento a fiscalização materializa a verdade de todo o procedimento fiscal. Assim, o que se tributa não é a presunção relativa de omissão de receitas, mas sim as conclusões atingidas pela fiscalização posteriormente à utilização deste instrumento. Ao final do trabalho fiscal a verdade exprimida representa o exaurimento de todos os meios para se atingir o que realmente ocorreu. As movimentações bancárias representam um ingresso no ativo da entidade que, se não comprovados, trazem consigo seu caráter intrínseco de acréscimo patrimonial. Até que se prove o contrário, os recebimentos representam uma maior capacidade contributiva da entidade e, portanto, devem sofrer o impacto da tributação. Essa é a conclusão que respalda a formação dos autos de infração. Vejam, no presente caso não está sendo tributado o depósito bancário no sentido de que este represente diretamente o fato gerador do imposto de renda. Fl. 1783DF CARF MF 12 O elemento que se tributa é a demonstração de riqueza da ora Recorrente representada pelas movimentações bancárias que em decorrência de expressa previsão legal (Lei. 9.430/96, art. 42) considera tais movimentações como se renda fosse (presunção) no caso de não comprovação da origem dos recursos. Uma vez que se trata de presunção prevista em lei, o ônus da prova se inverte e passa ao contribuinte, que arcará com a tributação no caso de insucesso na comprovação da origem dos recursos. No caso em tela, a Recorrente teve a chance e não logrou êxito em fazer tal comprovação. Taxa Selic Alega a Recorrente que a utilização da taxa Selic como juros moratórios é ilegal e inconstitucional. Neste ponto, devo aplicar a Sùmula CARF n. 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Multa Excessiva Quanto à alegação de que a multa aplicada foi excessiva, não cabe razão à Recorrente vez que no presente caso a aplicação da multa obedeceu integralmente a legislação aplicável, qual seja, o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430/96, não havendo qualquer reparo a fazer na conduta do fiscal. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário apresentado, AFASTO as PRELIMINARES suscitadas para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 15956.000487/200793 Acórdão n.º 1201002.472 S1C2T1 Fl. 8 13 Fl. 1785DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13062.720082/2017-86
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 06 2. 72 00 82 /2 01 7- 86 Fl. 151DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 06 e ss, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2015, anocalendário de 2014, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 25.210,05, por falta de comprovação de pagamento. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 2 e ss, juntando documentos. Alega, em síntese, que as despesas médicas são próprias e de dependente e que que tinha como plano de saúde a Associação Recreativa Cultural e Esportiva ADESBAM CNPJ: 91.691.220/000164. A partir de 2014 o contribuinte fez a mudança de seu plano de saúde para a UNIMED—Federação das Cooperativas Médicas do Rio Grande do Sul LTDA — CNPJ: 87.158.507/000156. Consequentemente na Declaração do Exercício 2015 AnoCalendário 2014 foi informado de maneira não intencional e por um pequeno equívoco o plano de Saúde no qual o contribuinte NÃO utiliza mais o que acabou acarretando na presente notificação de lançamento. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega a contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, reconhecem têlos prestados.Repisa os argumentos, junta extrato do plano devidamente detalhado e assinado, especificando os beneficiários e os valores das despesas de cada um, bem como junta comprovantes bancários evidenciando os valores debitados em conta corrente. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13062.720082/201786 Acórdão n.º 2001000.646 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os extratos e relatórios emitidos pelo plano, devidamente assinados e detalhados. Salientese que demonstrou atitude colaborativa com as demandas das autoridades fiscais desde sempre. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Desta forma, não há como identificar se tais valores correspondem exclusivamente ao pagamento de plano de saúde, como aduz o contribuinte, e quais seriam os beneficiários dos planos. Ressaltase que a fiscalização solicitou: "Para comprovar o efetivo pagamento com plano de saúde deveria ser apresentado os boletos bancários pagos além do extrato do emitente do plano com assinatura." Portanto, para se beneficiar da dedução requerida, deveria o mesmo ter juntado o extrato do plano de saúde devidamente assinado, de forma a identificar os reais beneficiários do plano. De acordo com o art. 15 do Decreto 70.235/72, a impugnação deverá estar instruída com os documentos que embasem sua fundamentação, como segue: Fl. 153DF CARF MF 4 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Da mesma forma, dispõe o art. 36 da Lei 9.784/99, que Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, verbis: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Dessa forma, as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não são eficazes. Diante do acima exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, razão pela qual deve ser mantida a Notificação de Lançamento. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que os documentos apresentados não foram suficientes para comprovar as despesas posto que não formação a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13062.720082/201786 Acórdão n.º 2001000.646 S2C0T1 Fl. 4 5 A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental e fática trazida pelo contribuinte para evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser dado provimento ao pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e portanto exonerado o crédito fiscal lançado. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas declaradas pela contribuinte em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 155DF CARF MF
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