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Numero do processo: 13827.000530/2004-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA.
A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização.
ÁLCOOL PARA OUTROS FINS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. RATEIO.
As receitas relativas a vendas de álcool para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no regime de incidência não-cumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores.
Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido.
DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-003.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA. A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. ÁLCOOL PARA OUTROS FINS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. RATEIO. As receitas relativas a vendas de álcool para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no regime de incidência não-cumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 05 30 /2 00 4- 18 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 A nãocomprovação dos créditos, referentes à nãocumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. ÁLCOOL PARA OUTROS FINS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. RATEIO. As receitas relativas a vendas de álcool para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no regime de incidência não cumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 538 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 461/467 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que homologou parcialmente a Declaração de Compensação (Dcomp fls. 4/6), cujo crédito provém do saldo credor da contribuição da COFINS não cumulativos, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao mês de março de 2004. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp), a fls.4/6, cujo crédito provém do saldo credor da Cofins, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao mês de março/2004, no valor de R$ 6.069,26. A DRF/Bauru, por meio do despacho decisório de fls. 147/149, não reconheceu o direito creditório e conseqüentemente não homologou a compensação. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, de fls. 135/138, o crédito foi indeferido devido à glosa de vários itens relativos aos créditos apurados pela requerente, conforme descrito no citado termo. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 179/213, alegando, preliminarmente, duplicidade de autuação, porquanto em data anterior foi lavrado auto de infração sob as mesmas alegações, cuja verificação fiscal abrangeu os anos de 2004 e 2005, conforme documentos que anexa. Assim, tratarseia da mesma exigência fiscal em razão de um mesmo fato. Ainda em preliminar, alega que “a inclusão, no auto de infração, de valores não devidos, face à parte da exigência estar abrangida pelo instituto da decadência ou em razão da glosa indevida...” “...retira do presente a liquidez e certeza, o que por si só torna nula a lavratura do auto de infração...” Prosseguindo, também em preliminar, argumenta que o despacho decisório e o termo de constatação seriam nulos porquanto não discriminam especificamente quais os produtos que não se enquadram como insumo, tampouco apresentam a motivação e a fundamentação legal das glosas, além de a fiscalização ter apontado no termo de constatação o descumprimento de vários artigos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), que seriam totalmente inaplicáveis ao caso concreto. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Assim, faltariam elementos essenciais ao ato administrativo, tais como, motivo, agente, objeto, forma, finalidade, resultando no cerceamento do direito de defesa e na nulidade do procedimento. Também discorre longamente sobre a motivação do ato administrativo, para concluir que a motivação que o ato deve conter tem que ser acessível ao destinatário, de modo que este prescinda de advogado ou especialista para exercer seu direito de defesa. Por fim, argumenta que o ato combatido ofende também o princípio da verdade material, o que também levaria a sua nulidade. Quanto ao mérito, alega, em resumo, que o conceito de insumo para o PIS e Cofins não pode ser transposto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS), pois a não cumulatividade das contribuições sociais não se restringe às empresas industriais. Assim, insumo, no âmbito da nãocumulatividade, não seria composto somente pelas matériasprimas utilizadas diretamente na produção, mas por todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens e serviços, anexando excerto de texto de jurista nesse sentido. Ainda quanto ao mérito, repete as alegações preliminares quanto à ausência de discriminação e fundamentação das glosas, discorrendo brevemente sobre seu processo produtivo e o aproveitamento dos insumos que, segundo seu entendimento, gerariam direito ao crédito das contribuições. Quanto aos insumos, argumenta que a graxa foi indevidamente glosada, pois nada mais é que um lubrificante indispensável ao funcionamento das máquinas do processo produtivo, e, assim como este, deveria dar direito ao crédito, conforme entendimento da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio de Solução de Divergência que cita. O mesmo se aplica aos combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo, cujo aproveitamento do crédito está previsto na Lei nº 10.833, de 2003, na IN SRF nº 404, de 2004, e ainda em entendimento da Administração Tributária. Com relação ao estoque de abertura do álcool carburante, a contribuinte alega que a fiscalização glosou valores dos créditos a ele relativos e não estabeleceu o rateio proporcional entre o álcool carburante (regime cumulativo) e o álcool para outros fins (regime nãocumulativo), pois, segundo a recorrente, também teria havido venda deste último tipo, conforme notas fiscais que anexa. O mesmo se pode dizer em relação aos insumos utilizados para a produção de álcool carburante, ou seja, deveria haver o rateio entre os insumos utilizados na produção de álcool carburante, álcool para outros fins e açúcar. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 539 5 Reclama também a recorrente que teria havido glosa indevida de créditos relativos a embalagens, haja vista que o acondicionamento do açúcar constituise em etapa da industrialização. No que tange aos créditos relativos aos serviços prestados, argumenta, em resumo, que a legislação permite o desconto de tais créditos desde que utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços, e não somente aqueles aplicados diretamente na produção dos produtos, e ainda que a fiscalização não teria sido clara no embasamento da glosa. Em relação à glosa dos créditos referentes aos serviços que, segundo a fiscalização, a contribuinte não teria comprovado que não houve aumento da vida útil do bem em mais de um ano, alega que não há como fazer prova negativa e que houve inversão do ônus da prova já que a fiscalização é que teria que provar o que alegou para embasar a glosa. Quanto aos créditos oriundos do aluguel de máquinas e equipamentos, argúi que tais bens são utilizados tanto na movimentação da matériaprima, que geraria crédito, quanto no transporte e empilhamento de mercadorias, que não geraria crédito, assim a fiscalização deveria ter segregado proporcionalmente os créditos relativos a esse item. No tocante aos créditos relativos a arrendamento mercantil, argumenta que a fiscalização, apesar de não citar no termo de constatação nem no despacho decisório, glosou esse crédito sem maiores explicações. Alega também que para os créditos relativos a insumos adquiridos de pessoa jurídica foram utilizados os percentuais relativos ao crédito presumido, reduzindo assim o seu valor sem base legal ou justificativa. Por fim, argumenta que houve aplicação indevida de rateio do crédito em casos em que o crédito deveria ser integral, como nos serviços de ensacamento, marcação e manuseio de sacaria e em relação à levedura. Diante de tais alegações, que incluem a imputação de falta de clareza e de cerceamento do direito de defesa à decisão da autoridade a quo, considerando ainda que a recorrente cita itens que, de acordo com os autos, os respectivos créditos não teriam sido objeto de glosa e também tendo em vista que o termo de constatação, de fls. 135/138, contém apenas uma descrição vaga das glosas, pois não detalha os itens glosados acompanhados dos respectivos valores, o presente foi baixado em diligência à DRF para que os auditoresfiscais responsáveis discriminassem, por item, os valores dos créditos glosados, bem assim esclarecessem o porquê de cada glosa. Em atendimento à diligência foi expedido o Termo de Diligência, de fls.435/440, com os esclarecimentos solicitados. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Ciente do termo acima, a requerente apresentou a manifestação de fls. 443/451, onde alega, em resumo, que as IN nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, são ilegais, porquanto extrapolam o disposto nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, ao restringirem o conceito de insumo no âmbito da não cumulatividade. Repete ainda alegação da manifestação inicial no sentido de que o conceito de insumos para as contribuições sociais não é o mesmo que o aplicado no âmbito do IPI, se assemelhando mais aos conceitos utilizados no imposto de renda, abrangendo todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa, conforme decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e da Justiça, das quais transcreve partes. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A nãocomprovação dos créditos, referentes à não cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporado diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito ao crédito no regime de incidência nãocumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 542DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 540 7 Cientificada da referida decisão em 18/12/2012 (fls. 474), a interessada, em 15/01/2013 (data da transmissão de arquivos via sistema de validação e autenticação de arquivos digitais – fls. 476), apresentou o recurso voluntário de fls. 477/503, com as alegações resumidas abaixo: a) preliminarmente, argumenta que a questão não foi decidida com isenção, falta do princípio da motivação do ato administrativo, inconsistências dos dados, subjetivismo, demonstração da efetiva irregularidade, e ainda ausência, no Acórdão, de apreciação de todas as razões suscitadas, solicitando a nulidade da decisão DRJ, posto que cuidou ela de matéria estranha à versada na Manifestação de Inconformidade. Argumenta ofensa ao princípio da verdade material, ensejando que o lançamento de ofício, está irremediavelmente eivado de nulidade, portanto deve ser decretada a insubsistência do despacho decisório ora combatido. Cita jurisprudências administrativas e judiciais; b) quanto ao mérito, no que se refere aos tópicos abaixo relacionados, questiona o Fisco pelas glosas dos créditos, expressando seus argumentos para cada item, observandose que na maioria deles, houve por parte fiscalização algum tipo de restrição ao conceito de insumos: b.1 Da Definição de Insumos no Contexto da NãoCumulatividade; b.2 Dos Insumos Consumidos Pela Recorrente; b.3 Dos Produtos Lubrificantes (graxas); b.4 Os Lubrificantes Utilizados no Processo Produtivo; b.5 A Falta Distinção Entre o Álcool Cumulativo e Não Cumulativo; b.6 Os Materiais de Embalagem Específicos Para o Açúcar; b.7 O Valor do Estoque de Abertura; b.8 Dos Serviços Tomados Pela Recorrente; b.9 Do Aluguel de Máquinas e Equipamentos; b.10 Do Leasing; Diante do exposto, requer que seja declarada a nulidade da decisão ora recorrida ou, se assim não entender, que seja dado provimento ao presente recurso em face da improcedência do feito fiscal e, como decorrência, ser com o reconhecido o direito creditório da Recorrente e a consequente homologação das compensações objeto do pleito. É o relatório. Voto Fl. 543DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra 1) Admissibilidade do recurso Quanto ao recurso voluntário, não consta, dos autos, claramente no documento, a data em que o mesmo foi protocolizado. Todavia, admito que o aludido recurso foi protocolizado em 15/01/2013, data em que foi recebido o arquivo digital da empresa segundo o correspondente recibo do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (fl. 476). Assim, considerando que o arquivo transmitido é identificado como “RECURSO VOLUNTÁRIO – PROCESSO 13827.000530/200418”, e que a unidade preparadora encaminhou o processo para este CARF, julgoo como tempestivo. No mais, o recurso voluntário preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. 2) Preliminar de Nulidade da decisão recorrida Alegou a recorrente a nulidade do Acórdão de primeira instancia, argumentando que teria havido a ausência de apreciação de todas as razões suscitadas e que a questão não foi decidida com isenção, havendo inconsistências dos dados, subjetivismo, não demonstração da efetiva irregularidade e porque o acórdão recorrido não se ateve aos aspectos fundamentais colocados à análise do julgador. Conclui alegando que a decisão em discussão cuidou de matéria estranha à versada na Manifestação de Inconformidade, proferindo, assim, decisão de natureza diversa da que foi demandada, sem a motivação e violando a garantia do recorrente e que o Termo de Diligência, em sua visão, nada acrescentou aos autos. A preliminar deve ser rejeitada, pois o acórdão recorrido escorouse no entendimento explícito no sentido de que as aquisições de insumos e dos serviços só geram créditos quando os bens e serviços são aplicados diretamente no produto em fabricação. Especificamente quanto a graxa, a decisão invocou e adotou a interpretação contida na Solução de Divergência Cosit nº 12/2007 para negar o crédito pleiteado pelo contribuinte, o que atende ao disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Portanto, verificase na decisão, que a DRJ detalhou todas as razões pelas quais resultou na improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo, como exposto, o direito creditório. Contudo, temos que observar que o julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem detalhar ao máximo seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita no Acórdão, não se tem por omisso o julgado. Em suma, os motivos de não reconhecer o direito creditório postulado, residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte e que nos presentes autos, não restou comprovada qualquer restrição ao direito de defesa da recorrente. Portanto, o contribuinte pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à preliminar de nulidade, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. Preliminar de nulidade rejeitada. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 541 9 3) Ofensa ao Princípio da verdade material A recorrente argumenta que o ato combatido ofende também o princípio da verdade material, o que também levaria a sua nulidade, conforme consta do item 44 do recurso voluntário: (...) “44 Temos, por conseqüência, que o lançamento de ofício vestibular está irremediavelmente eivado de nulidade, aliás, insanável. Isto posto, deve ser provida a manifestação de inconformidade ora interposta para o fim de ser decretada, ab initio, a insubsistência do despacho decisório ora combatido, conforme as preliminares acima alinhadas” (g.n). Frisese que o presente processo não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de despacho decisório que homologou parcialmente a compensação apresentada via Dcomp, ou seja, análise de compensação entre créditos e débitos tributários. Notese que no acórdão da DRJ restou demonstrado com clareza essa questão. Observese: (...) Primeiramente, quanto às alegações preliminares de que haveria duplicidade de autuação, pois o período em questão já havia sido objeto de auto de infração, e que faltaria liquidez e certeza ao lançamento, cumpre esclarecer que a impugnante enganase, porquanto o presente não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de despacho decisório que homologou parcialmente compensação apresentada via DComp. Assim, não há que se falar em duplicidade de lançamento, pois os procedimentos envolvidos são distintos, este processo, como acima explicado, tratase de análise de compensação entre créditos e débitos tributários e aquele, de constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, tampouco a homologação parcial de Declaração de Compensação necessita de liquidez e certeza, requisitos estes exigidos para o lançamento do crédito tributário (...). Portanto, no que se refere às preliminares de insubsistência, também não se vislumbra a sua ocorrência, conforme pretende o contribuinte, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação parcial do crédito alegado, como também, não ficou caracterizado cerceamento de defesa, uma vez que a recorrente foi regularmente intimada nos autos. Preliminar de insubsistência do despacho decisório rejeitada. 4) Do Mérito Como já exposto, a lide envolve discussão concernente à existência ou não de direito creditório referente ao regime de incidência nãocumulativa da COFINS de competência do mês de março de 2004. A recorrente, cujo nome de fantasia é Destilaria Tonon, tem por objeto a fabricação de álcool nas suas diversas especificações, e a sua comercialização nos mercados interno e externo (exportação), podendo, em nome dela, serem praticados todas as operações, Fl. 545DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 principais e acessórias, relacionadas com tal atividade. Acrescentese que através do processamento da canadeaçúcar a destilaria produz álcool e açúcar. Consta dos autos que no anocalendário 2004, a empresa enquadravase no regime não cumulativo da COFINS para as receitas decorrentes da produção de açúcar, energia elétrica, levedura e da venda de créditos de carbono e no regime cumulativo para as receitas decorrentes da produção do álcool carburante. O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos – bens ou serviços adquiridos, que geram direito aos créditos de PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. A questão posta em exame nos autos diz respeito, justamente, à existência ou não de direito ao creditamento da COFINS nãocumulativo em vista da Fl. 546DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 542 11 aquisição de matériasprimas e de serviços utilizados no processo produtivo destinado à exportação. Com efeito, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.833/2003, bem como do correspondente preceito da Lei no 10.637 de 2002, prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 4.1) Da definição de insumos no contexto da nãocumulatividade Sabese que essa questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/03 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/03. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividade do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). A recorrente aduz em seu recurso que: (...) “ao contrário do que ocorre na legislação do IPI, as leis que regulam o regime do PIS e da COFINS não cumulativos não delimitam o significado de insumo. No entanto, a Receita Federal, extrapolando sua competência, expediu as Instruções Normativas 247/02 e 404/04, que se amoldando a legislação do IPI, restringiu o significado de insumo para o PIS e a COFINS não cumulativos”. E segue defendendo que: (...) “Dessarte, devem ser considerados insumos os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento. Sob essa ótica, o insumo pode integrar as etapas que resultam no produto ou serviço ou até mesmo as posteriores, desde que seja imprescindível para o funcionamento do fator de produção”. Ou seja, pelo entendimento da contribuinte, insumo, no âmbito da não cumulatividade, não seria composto somente pelas matériasprimas utilizadas diretamente na produção, mas por todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens e serviços, anexando excerto de texto de jurista nesse sentido. No entanto, da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 No regime nãocumulativo de PIS/Cofins, a Lei dispõe de maneira diferente da legislação do IPI, reconhecendo o crédito em relação à aquisição de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes” (art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003). O legislador, como visto, vai além do âmbito da industrialização, utilizando termos mais amplos, referindose à produção ou fabricação de bens e, também, à prestação de serviços. O contexto em que ocorre a incidência de PIS/Cofins, apresenta como fato gerador a receita bruta ou faturamento, referindose, assim, a todo tipo e amplitude de atividade produtiva, não se limitando apenas à fase de industrialização. Desde o primeiro momento este Conselho recusou a pretensão de confinar o conceito de insumo aos mesmos critérios da legislação do IPI, conforme serve de exemplo o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual foi negado provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional: CRÉDITO. RESSARCIMENTO, A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado Acórdão 9303001.035, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 23/08/2010 Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos – bens ou serviços – que sejam aplicados na produção – de bens ou serviços –, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo Fl. 548DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 543 13 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Assim, na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/03, integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. Portanto, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 4.2) Dos Insumos consumidos pela recorrente A recorrente discorre em seu recurso voluntário que no desenvolvimento de sua atividade produtiva, adquire diversas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e serviços que são empregados no processo de fabricação e comercialização de seus produtos. Dentre eles, aqueles arrolados nos demonstrativos de fls. 313/317 (Análise dos dados elaboradas pela fiscalização durante a ação fiscal), parte foram objeto de glosa e que no entender da recorrente, geram o direito ao crédito da COFINS. Ressalta que os produtos e serviços concorrem decisivamente para a obtenção do açúcar e do álcool, ou seja, inúmeros produtos e serviços que são adicionados ao caldo durante a decantação, fermentação, destilação (álcool) ou filtração, evaporação, cozimento centrifugação e secagem (açúcar) visando um só e único fim: o produto final industrializado. A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a todos os custos e despesas necessários à manutenção da sua atividade, com base no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, mas não trouxe aos autos nenhum elemento hábil à comprovação de que os bens glosados nas planilhas (fls. 313/317), se Fl. 549DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O simples exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Alguns dos itens glosados definitivamente se verifica que não integram o custo de produção. Por outro lado, outros itens poderiam gerar o crédito das contribuições, como por exemplo produtos químicos, lubrificantes e combustíveis, se aplicados na produção; materiais de manutenção/reparos, desde que efetuados na fábrica ou em máquinas utilizadas diretamente na produção. Embora a Recorrente trouxe aos autos uma descrição do processo produtivo da empresa (Etapas do Processo Industrial e Fluxogramas fls. 235/250), por si só não permite ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no referido processo produtivo. No caso sob análise, quanto aos elementos probatórios, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para pleitear o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor solicitado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas nas planilhas de fls. 313/317. Ressaltese que para todos os itens glosados nos autos, a fiscalização elaborou uma Planilha denominada “Análise de dados da empresa feita durante a ação fiscal” (fls. 313/317), que contém a discriminação e identificação das despesas apresentadas pela Recorrente, as linhas do DACON, data e número da Nota Fiscal, insumos, serviços, produtos, fornecedores, valores, receitas, e a informação da manutenção do item ou a glosa efetuada pela fiscalização e seu motivo. Para tanto foi tomado a devida ciência da empresa. 4.3) Os Produtos Lubrificantes Graxa Sobre este item, a recorrente argumenta em seu recurso voluntário que: (...) “quanto aos insumos, nas alegações para justificar o feito fiscal, a fiscalização referese expressamente às aquisições de graxa feitas pela Recorrente e glosa os créditos a ela relativo invocando a Solução de Divergência nº 12/07”. Tal contraditório se apresenta enfrentado, uma vez que nas planilhas demonstrativas das glosas e no relatório do Termo de Diligência (fl. 436), onde no item Lubrificantes, a fiscalização descreve a motivação do ato: glosa – graxa não é lubrificante, por definição da (ANP). A recorrente visando elucidar a questão no intento de elidir a glosa perpetrada pelo Fisco, reproduz várias conceituação do vocábulo “graxa”, pesquisado em abalizadas publicações linguísticas e técnicas (dicionários, sites, Wikipédia, etc.), visando conceituar o termo graxa, concluindo que a graxa nada mais é que um lubrificante indispensável ao funcionamento de máquinas, equipamentos, motores, etc. Isto porque, conforme definido na legislação (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, II e § 2º; Lei nº 10.865, de 2004, art. 40) os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de Fl. 550DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 544 15 produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para a COFINS. No entanto, o Fisco em seu Termo de Constatação Fiscal (fls. 136), informa que: (...) “Com relação aos insumos, aplicandose o disposto na IN SRF 404/2004, art. 8o, inciso I, "b" e § 4 o , inciso I, "a", foram glosados valores referentes à compra de graxa (conforme Solução de Divergência Cosit 12/2007) e óleos lubrificantes empregados nos veículos da empresa. Relação das notas fiscais, com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls.124 e 125”. Quando da elaboração do Termo de Diligência (fls. 436), a fiscalização relata que: LINHA 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO Neste item foram apresentadas notas fiscais de aquisição de lubrificantes e produto químico (clarificante). A fiscalização glosou os valores das compras de graxa, em razão da Solução de Divergência Cosit 12/2007. O inciso II do artigo 3o da Lei 10.833/03 prevê o desconto de créditos sobre lubrificantes, e conforme consta da citada Solução de Divergência, graxa não é lubrificante, em definição da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Solução de Divergência 12 de 24 de outubro de 2007 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Não se consideram insumos, para fins de desconto de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, materiais de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas (...). Contudo, verificamos que nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 313), onde a fiscalização esclarece, na coluna especificada (L02) para os Lubrificantes, quais os créditos que foram glosados e quais foram mantidos, no caso os motivos das glosas estão assim consignados: graxa não é lubrificante. Como se nota, o Fisco escorouse na Solução de Divergência Cosit nº 12/2007, que conclui que não são considerados insumos, para fins de desconto de créditos da contribuição para o PISPasep e da Cofins, os materiais de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas. No entanto, entendo que o produto graxa, no caso, tem a finalidade de preservar a integridade e o regular funcionamento das máquinas utilizadas na atividade produtiva e, portanto, atividade intrínseca ao processo produtivo da empresa. Não há atividade produtiva sem a constante preservação dos maquinários. O dicionário Wikipédia ao se referir ao vocábulo “graxa” dános o seguinte ensinamento: “Graxas são o nome genérico e popular dado a lubrificantes pastosos compostos (semi plásticos) ou de alta viscosidade, compostos de misturas de óleos lubrificantes minerais (de diversas viscosidades) e seus aditivos e especialmente do ponto de vista químico, sais de determinados ácidos graxos com cálcio, sódio, lítio, alumínio, bário e magnésio (geralmente chamados de sabão que em Fl. 551DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 formam com os óleos de origem mineral uma emulsão, que atuam como agente espessador. Em tais formulações o óleo mineral entra como o verdadeiro lubrificante e o espessador, além de conferir a viscosidade à mistura, atua na retenção do óleo mineral” (g.n). Portanto, no que se refere ao produto graxa, devese reconhecer o direito de crédito do PIS e da COFINS, pois o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 é expresso em reconhecer tal direito em relação às aquisições de combustíveis e lubrificantes, não havendo dúvida de que a graxa é um lubrificante e de que tem a sua aplicação como lubrificante nos equipamentos e máquinas utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Com base nos conceitos acima, concluo, pois, pelo reconhecimento do direito de crédito na aquisição de graxa, glosado pelo Fisco conforme demonstrativo de fl. 313. 4.4) Os Lubrificantes Utilizados no Processo Produtivo Nos termos relatados nos autos, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Neste tópico específico, argumenta a recorrente em seu recurso voluntário no que se refere ao entendimento oficial concernente à apuração indevida de créditos sobre combustíveis e lubrificantes, alega a interessada que estes teriam sido efetivamente utilizados no processo produtivo, e que: (...) “Segundo a disposição expressa no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, 22 e segundo, ainda, a disciplina contida no art. 66, inciso I, alínea ”b”, da Instrução Normativa SRF 247/02, geram direito a créditos da COFINS os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços destinados à venda”. E segue, (...) “Esclarecendo o alcance da norma em comento, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação – COSIT, expediu a Solução de Divergência nº 37/08, firmando o entendimento abaixo transcrito:”(...). Por outro lado, de acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 136), o Fisco relata que: (...) A empresa também apresentou todas as notas fiscais de insumos que, no seu entender, dariam direito ao crédito de COFLNS não cumulativa, além de notas fiscais de lubrificantes, comprovantes das despesas com energia elétrica, despesas de depreciação e despesas financeiras. Com relação aos insumos, aplicandose o disposto na IN SRF 404/2004. art. 8°, inciso I, "b" e § 4o , inciso I, "a", foram glosados valores referentes à compra de graxa (conforme Solução de Divergência Cosit 12/2007) e de óleos lubrificantes empregados nos veículos da empresa. Relação das notas fiscais com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 124 e 125. Observese que no Termo de Diligência, o Fisco descreve (fl. 436): LINHA 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO Neste item foram apresentadas notas fiscais de aquisição de lubrificantes e produto químico (clarificante). A fiscalização glosou os valores das compras de graxa, em razão da Solução de Divergência Cosit 12/2007. O inciso II do artigo 3o da Lei 10.833/03 prevê o desconto de créditos sobre lubrificantes, e conforme consta da citada Solução de Divergência, graxa não é lubrificante, em Fl. 552DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 545 17 definição da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Solução de Divergência 12 de 24 de outubro de 2007 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Não se consideram insumos, para fins de desconto de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, materiais de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas. Já nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 313), a fiscalização esclarece, na coluna especificada L02 para os Lubrificantes, que tais créditos foram mantidos (glosando somente as graxas, por não ser considerado lubrificantes). Restando claro, portanto, que somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Concluindo, notese, que no caso, conforme apurado pela fiscalização em seu demonstrativo (fl. 313), tais créditos, referente aquisições de lubrificantes, foram todos mantidos. Portanto, não conheço do recurso no que se refere as alegadas glosas do Lubrificantes, por falta de interesse recursal. 4.5) Falta de Distinção Entre o Álcool Cumulativo e Não Cumulativo Argumenta a recorrente que no que se refere à glosa relativa aos insumos empregados no fabrico do álcool carburante (cumulativo), tampouco assiste razão à fiscalização. 4.5.1) Produtos Químicos utilizados Em seu recurso aduz que: (...) “A fiscalização glosou o crédito de vários produtos químicos que possuem emprego geral no processo produtivo, ou seja: são aplicados tanto na industrialização do álcool como do açúcar, conforme se vê na planilha – utilização anexada aos autos, sem a mínima preocupação em estabelecer o necessário e indispensável rateio proporcional para distinguir a quantidade destinada à produção do álcool e daquela destinada à produção do açúcar. Com efeito, revendo os termos da fiscalização, verifico que, concernente aos produtos químicos adquiridos, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles utilizados no tratamento de água, na limpeza de caldeiras, nas torres de resfriamento e os utilizados exclusivamente na fabricação de álcool, na premissa que o termo “insumo” refere se aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo, razão porque apenas estes materiais poderiam ser admitidos como tal. Tal fato, consta quando o Fisco relata em seu Termo de Diligência (fls. 846/847) que glosou as compras de determinados produtos químicos: Fl. 553DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 18 (...) Visando a esclarecer a analise feita na ação fiscal, complementamos as informações contidas no Termo de Constatação Fiscal de 29/06/2009 com as despesas glosadas pela fiscalização de acordo com as linhas da ficha 04 do DACON. Estão sendo anexadas fotocópias de notas fiscais de produtos químicos, lubrificantes, serviços, fretes, razões de contas contábeis, estoque de abertura, contratos de prestação de serviços, descritivos manutenção e demais elementos que serviram de base para as glosas. LINHA 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO Neste item foram apresentadas notas fiscais de aquisição de produtos químicos, lubrificantes e cana adquirida de pessoas jurídicas. Os produtos de utilização comum na produção do álcool e açúcar foram rateados de acordo com o percentual não cumulativo, apurado com base nas receitas, e os de uso exclusivo do açúcar foram considerados sem aplicação do rateio. Observase que nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 313/317), onde a fiscalização demonstra, nas colunas especificadas para cada tipo de produtos adquiridos, relacionando as notas fiscais e os créditos que foram mantidos e os que foram glosados, neste caso (Pordutos Químicos) observase que não houve nada relacionado, portanto nenhuma glosa foi constatada pelo Fisco. Portanto, não assiste razão a Recorrente, pois como se verifica nos referidos Termos lavrado pelo Fisco, informa que neste item (Linha 2 – Dacon, Bens utilizados como insumos – fl. 313) foram apresentadas, apenas, notas fiscais de aquisição de lubrificantes e graxas. Verificase que o produto químico adquirido e relacionado como Lubrificante (empresa Quimatec Clarificante Octapol), o crédito respectivo foi mantido (fl. 313). Observamos que no Termo de Diligência (fl. 439), o Fisco informa que os Produtos Químicos apresentados (Linha 20 – Crédito Presumido – Estoque de Abertura), foram glosados os utilizados nas caldeiras e na produção de álcool, por não serem insumos de produtos não cumulativos, vejase: LINHA 20 CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE ABERTURA O estoque de abertura apresentado pela empresa (fls. 116/118) continha os materiais de embalagem que foram mantidos pela fiscalização. Dos produtos químicos apresentados, foram glosados os utilizados nas caldeiras e na produção do álcool, por não serem insumos de produtos não cumulativos. Já no estoque de produtos acabados foram glosados o álcool hidratado e o álcool anidro no valor Já nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 269/271), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para: L20 – Crédito Presumido – Estoque de Abertura (Produtos Químicos), que para algumas notas fiscais os créditos foram mantidos e outros foram glosados, assim motivados: glosa caldeira, glosa álcool, glosa rateio. Como a Recorrente não junta as provas contrarias nos autos, devem ser mantidas essas glosas. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 546 19 4.5.2) Álcool Cumulativo e Não Cumulativo Neste mesmo tópico a Recorrente prossegue alegado em seu recurso que: (...) “Ainda seguindo este confuso raciocínio, em momento algum a fiscalização preocupouse em verificar se todo o álcool produzido teria sido, de fato, comercializado como álcool carburante (hidratado ou anidro) – CUMULATIVO ou se, como comprovadamente ocorreu, teria havido também a comercialização de álcool destinado a outros fins que não ao consumo como combustível e, portanto, NÃOCUMULATIVO. A par deste fato, a Recorrente apresentou cópias de inúmeras notas fiscais emitidas que comprovam cabalmente que a operação de venda por elas acobertadas referemse à venda de álcool etílico hidratado ou álcool etílico anidro destinados à utilização de diversos outros fins que não ao uso como combustível. As operações de vendas do álcool “Outros Fins“ foi igualmente comprovada através do registro contábil daquelas vendas no período de auditado, conforme espelhado nas folhas do Razão Analítico juntado aos autos. A título de exemplo, listamos abaixo algumas notas fiscais, dentre aquelas já anexadas, que evidenciam, apenas pela singela leitura da razão social do destinatário da mercadoria, não se tratar de operação relativa à venda de álcool anidro ou hidratado para fins carburantes, já que a comercialização de álcool combustível somente é permitida, pela Agência Nacional de Petróleo ANP, para as distribuidoras por ela credenciadas. NF. 066134 – 04/03/2004 – Cloroetil Solventes Acéticos S/A. NF 066098 – 13/03/2004 – Cloroetil Solventes Acéticos S/A. NF 066649 – 18/03/2004 – Minasucar Ltda. Ora, como é conhecimento comezinho, o álcool carburante ou combustível, quando do advento da lei instituidora do regime nãocumulativo permaneceu no regime cumulativo, enquanto que o álcool não destinado ao uso como combustível foi tangido ao regime da nãocumulatividade. Decorre daí a certeza da precariedade e subjetividade do trabalho realizado pela fiscalização que, por consequência atestam a incontestável nulidade da glosa efetuada”. Sobre esse fato, no Termo de Constatação, verificase consignado que: (...) No anocalendário 2004, a empresa enquadravase no regime não cumulativo da COFINS para as receitas decorrentes da produção de açúcar e levedura e no regime cumulativo para as receitas decorrentes da produção do álcool carburante. Verificase o que foi mencionado pelo Fisco no Termo de Diligência. (fls. 439/440), quando efetua analisa sobre o estoque de álcool: (...) Com relação ao estoque de álcool, temos no Livro de Produção Diária, a seguinte variação do estoque, porém, não há identificação do destino do produto, se é álcool carburante ou outros fins: (...). (...) Com as informações contidas nos razões apresentados da venda de álcool outros fins e com as informações prestadas nos valores de venda dos diversos tipos de álcool temos o seguinte: Fl. 555DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 20 (...)Podemos concluir que houve venda de álcool para outros fins, porém, a empresa não apresentou elementos que pudessem definir o volume correto das vendas do álcool para fins não carburante para ser mantido o seu credito presumido do estoque de abertura, conforme solicitado no item 8, do Termo de Diligência Fiscal (...). A DRJ, sobre a questão, não se manifestou, mesmo considerando que tais argumentos estava presentes na manifestação de inconformidade, conforme trecho do Acórdão recorrido, abaixo destacado (fl. 463): (...) Com relação ao estoque de abertura do álcool carburante, a contribuinte alega que a fiscalização glosou valores dos créditos a ele relativos e não estabeleceu o rateio proporcional entre o álcool carburante (regime cumulativo) e o álcool para outros fins (regime nãocumulativo), pois, segundo a recorrente, também teria havido venda deste último tipo, conforme notas fiscais que anexa. Pois bem, como é sabido, em que pese o exposto, na fase impugnatória do processo administrativo fiscal ainda há a possibilidade de a requerente aduzir provas aos autos, conforme disposto no § 4º, do art. 16 do PAF. No caso vertente, a Recorrente apresentou diversas cópias de notas fiscais de venda de álcool para “Outros fins” (fls. 251 a 263), além de outros documentos, como cópia do livro Razão Analítico (fl. 264/269), o que comprovariam documentalmente esse tipo de venda e podem ser aceitos. Destarte, para apuração do crédito relativo às vendas de álcool para “Outros fins”, efetivamente comprovadas pela Recorrente, na fase impugnatória, os insumos utilizados na sua produção devem ser rateados na proporção da receita por elas gerada em relação à receita total da venda de álcool. Verificase que, pelo exposto acima, que a decisão a quo não analisou as vendas de álcool para “Outros fins” efetivamente comprovadas através de documentação hábil juntadas aos autos (cópia de Notas Fiscais). Na linha do acima verificado, os respectivos valores de créditos devem ser ajustados pela Delegacia da RFB de origem. Quanto aos demais argumentos da recorrente, não podem ser considerados, tendo em vista que não foram acostados aos autos, mais provas hábeis contrária em sede de manifestação de inconformidade e tampouco nesta fase, objetivando comprovar o alegado pela Recorrente. Assim, temse que devem ser reconhecidos o direito pleiteado da Recorrente, concernente apenas para as seguintes Notas Fiscais de venda álcool “Outros fins” nºs 066134 (fl. 251), 066098 (fl. 257) e 066649 (fl. 258), emitidas no mês de março de 2004, cujas cópias foram juntadas aos autos às fls. 251, 257 e 258. As mesmas, foram devidamente contabilizadas no Livro Razão Analítico, conforme extrato de fls. 264/269. Concluindo, temos que para apuração do crédito relativo às vendas de álcool para outros fins, efetivamente comprovadas pela impugnante, na fase impugnatória, os insumos utilizados na sua produção devem ser rateados na proporção da receita por elas gerada em relação à receita total da venda de álcool. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 547 21 4.6) Materiais de Embalagem Específicos Para o Açúcar Aduz a recorrente que: (...) “A glosa, de forma inexplicável, atingiu os créditos oriundos da aquisição de sacaria destinada especificamente à embalagem do açúcar. O acondicionamento do açúcar constituise em etapa da industrialização e, como tal em face do princípio da não cumulatividade das contribuições, deve ter todos os valores relativos às suas aquisições de fornecedores considerados para fins de dedução de créditos. Neste aspecto, diante da obviedade do direito ao creditamento, cremos desnecessária argumentação mais aprofundada acerca deste tema”. A fiscalização, em seu Termo de Diligência informa que (fl. 439): LINHA 20 CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE ABERTURA O estoque de abertura apresentado pela empresa (fls. 116/118) continha os materiais de embalagem que foram mantidos pela fiscalização (...). Com efeito, revendo os termos do relatório do Fisco, verifico que, concernente ao material de embalagem específico para o açúcar, a priori, nenhuma glosa foi constatada. Observese que nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 313/317), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para: L02 Embalagens, quais as notas fiscais os créditos foram glosados e os mantidos. Para o caso, nenhuma aquisição de embalagem foi relacionada. Portanto, não assiste razão a recorrente, uma vez que, como se vê, nada restou comprovado que houve glosas referente a este tópico. Portanto, não conheço do recurso no que se refere as alegadas glosas do Embalagens, por falta de interesse recursal. 4.7) O Valor do Estoque de Abertura Descreve a recorrente em seu recurso, que: (...)A mesma indesculpável falha e condenável parcialidade está presente quando se verifica que foram glosados os valores de todo o estoque de abertura do álcool sem se proceder a necessária e inafastável proporcionalidade entre o álcool carburante e o não carburante. Ora, como é conhecimento comezinho, o álcool carburante ou combustível, quando do advento da lei instituidora do regime nãocumulativo permaneceu no regime cumulativo, enquanto que o álcool não destinado ao uso como combustível foi tangido ao regime da nãocumulatividade. Decorre daí a certeza do precário trabalho realizado pela fiscalização e a conseqüente nulidade da glosa efetuada. Tais fatos revelam, além de ser de extrema fragilidade e arbitrariedade a verificação efetuada, que a fiscalização não tem observado in totum as regras da própria RFB, o que torna ainda mais marcante em todo o procedimento fiscal a opção pelo hipotético e pela presunção”. No referido Termo de Constatação (fl. 137), a fiscalização observa que: (...) O estoque de abertura a ser considerado para a COFINS foi diminuído de R$ 64.442,75 para R$ 9.584,96 com a glosa dos Fl. 557DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 22 valores referentes a álcool carburante (estoque de produto acabado) e dos produtos químicos utilizados na produção do álcool carburante. A fiscalização elaborou com base nos valores apurados novo demonstrativo para março de 2004. anexado à fl. 123. O fisco, ao elaborar o Termo de Diligência, informa que (fls. 439/440): PERCENTUAIS DE RATEIO COM BASE NAS RECEITAS Conforme previsão contida na Lei nº 10.833/03 — artigos 6º (exportação) e 3º, § 8º , II (não cumulativas) os rateios tem a seguinte regra: "rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês." A fiscalização apurou, primeiramente, o percentual das receitas cumulativas (álcool carburante) em relação ao total das receitas no mês, e considerando a diferença para 100% como o percentual das receitas não cumulativas, mesmo valor utilizado pela Santa Cândida 14,61%. O percentual de exportação foi obtido, pela fiscalização, como sendo o total das exportações de produtos não cumulativos (açúcar e levedura) dividido pelo total das receitas não cumulativas (descontandose as receitas cumulativas do total das receitas no mês) resultando em 40,19%, divergindo do apurado pela empresa 7,20%. E prossegue o Fisco informando que: LINHA 20 CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE ABERTURA O estoque de abertura apresentado pela empresa (fls. 116/118) continha os materiais de embalagem que foram mantidos pela fiscalização. Dos produtos químicos apresentados, foram glosados os utilizados nas caldeiras e na produção do álcool, por não serem insumos de produtos não cumulativos. Já no estoque de produtos acabados foram glosados o álcool hidratado e o álcool anidro no valor total. Com relação ao estoque de álcool, temos no Livro de Produção Diária, a seguinte variação do estoque, porém, não há identificação do destino do produto, se é álcool carburante ou outros fins: (...). (...) Com as informações contidas nos razões apresentados da venda de álcool outros fins e com as informações prestadas nos valores de venda dos diversos tipos de álcool temos o seguinte: (...). (...) Podemos concluir que houve venda de álcool para outros fins, porém, a empresa não apresentou elementos que pudessem definir o volume correto das vendas do álcool para fins não carburante para ser mantido o seu credito presumido do estoque de abertura, conforme solicitado no item 8 do Termo de Diligência Fiscal. O mesmo ocorrendo com os produtos químicos em estoque utilizados na produção de álcool. Neste momento, assiste certa razão a recorrente, pois ao se analisar a questão da venda de álcool para “Outros fins”, no caso vertente, a interessada apresentou aos autos cópias das referidas notas fiscais venda de álcool para “outros fins” nºs nºs 066134 (fl. 251), 066098 (fl. 257) e 066649 (fl. 258), emitidas no mês de março de 2004, cujas cópias foram juntadas aos autos às fls. 251, 257 e 258. As mesmas, foram devidamente contabilizadas no Livro Razão Analítico, conforme extrato de fls. 264/269, o que comprovam documentalmente esse tipo de venda e podem ser aceitos. Destarte, para apuração do crédito relativo às vendas de álcool para outros fins, efetivamente comprovadas pela impugnante, na fase impugnatória, as receitas relativas Fl. 558DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 548 23 a vendas de álcool para outros fins são tributadas pela contribuição social (COFINS) no regime de incidência nãocumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção desse álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto. Portanto, assiste razão a Recorrente, pois verificase que nem todo o álcool produzido teria sido comercializado como álcool carburante (hidratado ou anidro – regime cumulativo). Desta forma, deverá ser reavaliado o estoque de abertura do álcool e proceder a reavaliação da necessária proporcionalidade entre o álcool carburante e o não carburante, conforme ficou descrito no Termo de Diligência (fls. 439/440 e demonstrativos de fl. 317). 4.8) Serviços Tomados Pela Recorrente Nos termos relatados neste processo, o Fisco glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Sobre este item, a recorrente argumenta em seu recurso que: (...) “concluise que insumo , no contexto das regras desta não cumulatividade da contribuição ao PIS, comporta a contratação de serviços destinados a execução de outros serviços. Mais ainda, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02 e o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, conjugados com as demais regras previstas nesta lei, autoriza nos a concluir que a expressão “serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” acolhe a possibilidade de haver a contratação de serviços para a execução de outros serviços, quaisquer que sejam, desde utilizados com o escopo final que é a obtenção do produto final industrializado. Resta, destarte evidenciado que não foi a preocupação da autoridade lançadora a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. Por derradeiro, cumpre esclarecer que nenhum dos serviços, tomados pela Recorrente e que foram utilizados no seu processo produtivo, se enquadram entre aqueles que são passíveis de registro no ativo imobilizado ou permanente, de acordo com as normas contábeis geralmente aceitas, bem como com as de regência do Imposto de Rendas Pessoas Jurídicas, eis que se tratam de serviços que em sua essência e própria finalidade devem e foram lançados diretamente como custo de produção” (...). Como já abordado neste relatório, os §§ 2º e 3º do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e da Lei nº 10.833/03 vedam o crédito da contribuição à COFINS e ao PIS se os bens e serviços forem adquiridos de pessoa física ou de pessoa jurídica não estabelecida no País. Desta forma, as exceções às regras de apropriação de créditos já estão claramente dispostas em tais parágrafos, cumprindo, assim, a função que lhes foi atribuída pela alínea “c ” do inciso III, do art. 11, da Lei Complementar nº 95/09. Verificase que no Termo de Constatação Fiscal (fls. 136), consta que: (...) As despesas com prestação de serviço com direito ao crédito da COFINS não cumulativa estão disciplinadas pelo disposto na IN SRF 404/2004, art. 8o , inciso I, "b", Fl. 559DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 24 '"b.l" com § 4o , inciso I, "b". Foram objeto de glosa as despesas apresentadas pela empresa que não se enquadravam na definição supramencionada: "os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto"; neste caso, açúcar e outros produtos sujeitos a não cumulatividade da COFINS. Relação das notas fiscais com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 124 e 125. Notas fiscais apresentadas que deveriam ter sido ativadas, vez que a empresa não comprovou que não houve aumento da vida útil do bem reparado em mais de um ano, aquelas cuja descrição do serviço não deixava claro se eram custo ou despesa operacional, as que não correspondiam ao conceito de insumo (na fabricação de açúcar e levedura) e ainda aquelas que se referiam claramente a gastos que deveriam ser ativados, foram glosadas. Também não procede as alegações da recorrente no que concerne que não houve a preocupação da autoridade lançadora quanto a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. No Termo de Diligência (fl. 436/437), a fiscalização elaborou relatório bem detalhado no tópico “LINHA 3 SERVIÇOS UTILIZADOS COM INSUMO”, onde descreve que: LINHA 3 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO A fiscalização entendeu que a informação contida na linha 13Outros valores com direito à crédito deveria ser informada na linha 3 da ficha 4 do Dacon serviços utilizados como insumo, por se tratar de serviços prestados por pessoa jurídica. Portanto não houve glosa total do informado pela Santa Cândida na Linha 13 — Ficha 04, mas simplesmente a análise como sendo linha 3 da mesma ficha: (...). Seguindo o tópico, a fiscalização explicita no documento toda fundamentação e as base legal sobre os conceitos de insumos para fins de creditamento sobre tais bens e serviços, especificando as glosas efetuados: (...) Com a base legal acima foram efetuadas as seguintes glosas: "não corresponde ao conceito de insumo" notas fiscais de serviços não relacionados com o processo produtivo, citados no anexo, como por exemplo leitura mensal, controle de pragas, assessoria técnica, locação de toalhas, conserto de rádio, copias de chaves, locomoção de motoristas. "NF não identifica se é custo ou despesa" notas fiscais com descrição genérica não sendo possível identificar se é despesa ou custo. "valor que deveria ser incorporado ao ativo" notas fiscais de reformas de equipamentos que deveriam ser ativadas em razão do aumento da vida útil do bem reparado. As partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que respondam diretamente pela fabricação ou produção de bens destinados à venda, podem ser consideradas insumos para efeito de apuração de créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativas, desde que referidas partes e peças sofram alterações decorrentes da ação diretamente exercida no processo de fabricação do produto que está sendo produzido e desde que não estejam incorporadas ao ativo imobilizado da empresa. A ressalva contida no final do item anterior justificase pelo fato de que, se estiverem no ativo imobilizado, essas partes e peças deixarão de ser consideradas insumos e poderão gerar créditos decorrentes de depreciação futura, conforme previsto na Lei n° 10.833, de 2003, art. 3o , inciso VI, combinado com o seu § I o , inciso III, regulamentados pelo art. 8o , inciso III, alínea "a", da IN SRF n° 404, de 2004. Assim, essas partes e peças adquiridas para Fl. 560DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 549 25 reposição, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente atuam diretamente em todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, que porventura representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorra sua aplicação, devem ser capitalizadas, consoante estabelece o art. 346 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR )(...): Diante destas condições as glosas foram feitas em notas fiscais de instalação de válvulas de segurança, válvulas de caldeiras, reformas em caldeiras. A caldeira e válvulas não são equipamentos que atuam diretamente no processo de fabricação dos produtos. Também, com fundamento na IN SRF 162/98 que define cotas de depreciação com base na vida útil de bens, referência NCM 8402 caldeiras e 8475 válvulas, ambas tem vida útil de 10anios. Com efeito, revendo os termos do relatório do Fisco, se verifica que, concernente aos materiais acima especificados, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles enquadrados no conceito do termo “insumo”, este quando referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo. Nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 313/315), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para: L03 – Serviços Utilizados como insumo, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. As glosas estão assim motivadas: considerados na linha 05, as que não corresponde ao conceito de insumo, valor que deveria ser incorporado ao ativo e nota fiscal não identificada se é custo ou despesas. Quanto a alegação de que nenhum dos serviços, tomados pela Recorrente e que foram utilizados no seu processo produtivo, se enquadram entre aqueles que são passíveis de registro no ativo imobilizado ou permanente, de acordo com as normas contábeis geralmente aceitas, bem como com as de regência do IRPJ, verificamos que a fiscalização relata em seu Termo de Constatação Fiscal que, (...) “Foram glosadas as notas fiscais de serviço que não correspondiam ao conceito de insumo na fabricação dos produtos de incidência nãocumulativa, as que deveriam ter sido ativadas (vez que a empresa não comprovou que não houve aumento da vida útil do bem reparado em mais de um ano) e aquelas cuja descrição não permitia determinar se correspondiam a custo ou despesa operacional”. Se as partes e peças adquiridas no caso, forem para máquinas ou equipamentos que estiverem no ativo imobilizado, deixarão de ser consideradas como insumos e poderão gerar créditos decorrentes de depreciação futura, conforme previsto na Lei n° 10.637/2002, art. 3º, Inciso VI, combinado com o seu § 1º, Inciso III, (c/ artigo 15 da Lei nº 10.833/2003). Desta forma, esses produtos que atuam diretamente em todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, que representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorra sua aplicação, devem ser capitalizados, consoante estabelece o art. 346 do RIR (Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/1999) . Verificase no Termo de Diligência que: (...) A Santa Cândida possui uma moenda com seis ternos. Apresentou descritivos de manutenção da recepção de cana, do preparo da cana e da moenda. Da descrição verificase que as mesas alimentadoras, as esteiras metálicas, bem como a moenda Fl. 561DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 26 são desmontadas e recuperadas ao final da Safra com troca de pinos, buchas e outras peças de acordo com o projeto de engenharia. Os ternos são compostos por castelo, bagaceira, cabeçotes, rolos e pentes. Nas notas fiscais de serviços não se verifica a aquisição ou instalação desses elementos anualmente. As notas fiscais de serviços glosadas referemse a soldas, frisamentos, aplicações de chapas inox, válvulas, hidrojateamento, recuperação de cilindros, desfibrilador, usinagem, etc, portanto são substituições de partes e peças que resultam em aumento da vida útil em mais de um ano, devendo ser ativadas. Também consideramos que devem ser ativados as notas fiscais de fornecimento de mão de obra de pedreiros, pintores e serviços de engenharia. Como se vê, consta do Termo de Diligência que a empresa Santa Cândida possui uma moenda com seis ternos e ainda apresentou descritivos de manutenção da recepção de cana, do preparo da cana e da moenda. Verificase que as mesas alimentadoras, esteiras metálicas, bem como a moenda são desmontadas e recuperadas ao final da safra com troca de pinos, buchas e outras peças de acordo com o projeto de engenharia. Assim, não procede as alegações da recorrente no que concerne não haver a preocupação da autoridade lançadora quanto a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. A fiscalização elaborou um demonstrativo, detalhando que como regra foram glosados os serviços que não se enquadravam no conceito de insumo, ou seja, os serviços que não quedaramse demonstrados que estavam diretamente ligados à produção dos produtos não cumulativos. Portanto, correto as glosas de parte dos valores dos serviços tomados pela Santa Cândida, uma vez que a Recorrente não junta provas contrárias nos autos. 4.9) Aluguel de Máquinas e Equipamentos Aduz a recorrente em seu recurso que: (...) “Segundo a dicção do Fisco, não geram direito a crédito o aluguel de máquinas, escavadeira ou guindaste, porque a Recorrente não demonstrou terem sido eles utilizados na fabricação do açúcar. A respeito há que se ter presente que a escavadeira é utilizada na tanto movimentação da matériaprima (canadeaçúcar), como no transporte e movimentação do açúcar em bruto. O mesmo se dá com o guindaste que faz a movimentação dos contêineres de açúcar, tanto no empilhamento e armazenagem quanto no carregamento nos veículos de transporte. É também utilizado na movimentação de peças e equipamentos pesados. Assim, ou se deveria reconhecer o direito ao crédito integral ou, ao menos, proporcional na hipótese de movimentação da matériaprima da qual deriva tanto o açúcar como o álcool. Tal questão foi dessa forma analisada pela fiscalização em seu Termo de Constatação Fiscal (fl. 137): (...) Também não geraram direito a crédito o aluguel de máquinas que não se enquadravam no disposto no art. 8º , inciso II, "b" da FN 404/2004: "aluguel de prédios, Fl. 562DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 550 27 máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa" (grifamos). Assim, não foram consideradas as Notas Fiscais referentes a aluguel de escavadeiras ou guindastes, máquinas que a empresa não demonstrou terem sido utilizadas na fabricação de açúcar e outros produtos com direito ao crédito da COFINS não cumulativa. Relação das notas fiscais com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 124 e 125. O artigo 3º da Lei nº 10.833/03 prevê a utilização das despesas de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Porém, como se verifica no Termo de Diligência efetuado pela fiscalização (fls. 438), Linha 6 –Despesas de aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, tais despesas não foram glosadas. LINHA 6 DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS Não informado valores nesta linha do Dacon, porém a fiscalização manteve as notas fiscais de CRM, Bambozzi e Transelev apresentadas como parte da linha 13. Nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 315), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para as L06 – Aluguel de Máquinas e Equipamentos, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. No caso, para todas as notas relacionadas os créditos foram mantidos. Portanto, no caso, não assiste razão a Recorrente, pois nenhuma glosa foi apontada pela fiscalização, conforme demonstrativo de fl. 315. Portanto, não conheço do recurso no que se refere as alegadas glosas do aluguel de Máquinas e Equipamentos, por falta de interesse recursal. 4.10) Do Leasing A empresa em seu recurso argumenta que: (...) “A Fiscalização, é omissa ao fato tanto no Despacho Decisório como no Termo de Verificação Fiscal, porém elaborou os demonstrativos e fichas do DACON de acordo com seu critério e entendimento, desprezando as informações prestadas anteriormente pela Recorrente no mesmo DACON relativamente aos créditos, oriundos de operações de arrendamento mercantil (leasing), que foram sumariamente glosados. Assim, no DACON elaborado pelo Fisco não constou sequer uma das aquisições de bens na modalidade de leasing, sendo que, na realidade existem várias no período examinado que, inexplicavelmente, foram desprezadas. Nada há no bojo dos autos que indique, especifique, ou sequer sugira o porque da glosa ou da omissão naquele DACON dos valores relativos aos contratos de leasing ignorados pelo Fisco. Não procede a alegação de omissão colocada pela recorrente, senão vejamos o que foi relatado sobre este tema no Termo de Diligência Fiscal (fls. 438): LINHA 7 (...):. Não houve informação de despesas com arrendamento mercantil, mesmo porque só é permitido o aproveitamento de Fl. 563DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 28 valores para aquisições a partir de 01/05/2004, de acordo com o artigo 31 da Lei 10.865/04. Nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 313/317), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para as L08 – Arrendamento Mercantil, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos.Neste caso, nada foi apresentado. Verificase, que nenhuma glosa foi efetuado a título de Arrendamento Mercantil. Portanto, no presente caso, não assiste razão a Recorrente, pois nenhuma glosa foi apontada pelo Fisco, conforme demonstrativos de fls. 313/317. Desta forma, não conheço do recurso no que se refere as alegadas glosas com Arrendamento Mercantil (Leasing), por falta de interesse recursal. 5) Das provas Como já analisado neste voto, a fiscalização apurou glosas de bens e serviços. A recorrente, porém, com exceção relativo às vendas de álcool para outros fins efetivamente comprovadas pela impugnante, não anexou aos autos as provas junto com suas manifestações contrárias aos outros itens glosados, o que acaba por ser um empecilho à comprovação de suas alegações. Não sendo possível a análise do vínculo entre as supostas determinações e os gastos que elas o teriam obrigado. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, afim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art.16.A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993)” No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art.333.O ônus da prova incumbe: Fl. 564DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000530/200418 Acórdão n.º 3802003.859 S3TE02 Fl. 551 29 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art.396. Compete à parte instruir a petição inicial (art.283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. 6) Da apresentação das provas O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da Recorrente, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, não foram trazidas aos autos quaisquer outros documento que provassem que o sujeito passivo realizou gastos em decorrência das glosas de bens e serviços apurados pelo fisco, excetuandose a já comentada. 7) Conclusão Diante das considerações e fundamentos acima expostos, voto da seguinte forma: a) não conhecer do recurso voluntário na parte concernente aos seguintes itens: dos lubrificantes (item 4.4), das Embalagens (item 4.6), aluguel de Máquinas e Equipamentos (item 4.9) e referente ao Leasing (item 4.10), por falta de interesse recursal. b) na parte conhecida, para: rejeitar as preliminares, e c) dar provimento, para reconhecer o direito do crédito calculado da COFINS não cumulativo calculado sobre os seguintes itens: da Graxa (item 4.3), dos insumos utilizados nas vendas de álcool para “outros fins”, referente às notas fiscais comprovadas (item 4.5.2); e no ajuste do Valor do Estoque de Abertura (item 4.7), conforme o voto, e Fl. 565DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 30 d) negar provimento em relação aos seguintes itens:, produtos químicos (item 4.5.1) e dos serviços utilizados como insumos (item 4.8), conforme voto. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a quantificação do crédito, o cálculo e a homologação da compensação declarada a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 566DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10783.903998/2008-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
PER.DCOMP. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1803-001.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Ad Hoc Designada.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Ad Hoc Designada
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes.
Nome do relator: VIVIANI APARECIDA BACCHMI
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ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Ad Hoc Designada. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Ad Hoc Designada Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 39 98 /2 00 8- 55 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903998/200855 Acórdão n.º 1803001.469 S1TE03 Fl. 66 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição.Declaração de Compensação (Per.DComp) nº 08943.47419.290306.1.3.031741, em 29.03.2006, fls. 2226, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$313,60 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real referente ao terceiro trimestre do anocalendário de 2004, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 18, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento em parte do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER.DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER.DCOMP com demonstrativo de crédito: R$313,60 Valor do crédito na DIPJ: R$0,00 Diante do exposto NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER.DCOMP acima identificado. Consta no enquadramento legal: “Parágrafo 1º do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5° da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0405, com as alegações a seguir transcritas: Ao tentarmos emitir a certidão negativa, verificamos que haviam débitos fiscais que impediam a nova emissão, e procedemos com a pesquisa de situação fiscal via certificado digital. Ao analisarmos as informações, verificamos que as Per.Dcomp's relacionadas acima não foram deferidas. Porém até o presente momento não havíamos recebidos nenhum comunicado por parte da Receita Federal, então comparecemos a agência de Vitória, onde fomos informados que a correspondência por algum motivo que desconhecemos voltou para os correios e não foram entregues à TEAM SOFTWARE. Esse fato pode ser confirmado pelo próprio sistema da RFB, onde é informado que a correspondência voltou e não foi entregue a empresa. Portanto, até o presente momento não fomos cientificados oficialmente do indeferimento das Per.Dcomp's relacionadas acima. Diante do exposto, apresentamos nosso manifesto de inconformidade ainda dentro do prazo pelos motivos informados acima. Após análise dos documentos, identificamos que de fato haviam inconsistências na. DIPJ, onde a ficha que demonstrava o Saldo negativo de IRPJ e CSLL, não estavam corretos. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903998/200855 Acórdão n.º 1803001.469 S1TE03 Fl. 67 3 Procedemos então com a retificação das informações, onde agora é possível identificar os créditos de Saldo negativo de IRPJ e CSLL. Segue anexo DIPJ e DCTF com as informações retificadas. 2 A CONCLUSÃO À vista de todo exposto, demonstrada todos os esclarecimentos devidos, aspara e requer a impugnação deste despacho decisório. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA.DRJ.RJO I.RJ nº 1227.718, de 14.12.2009, fls. 2829: Assunto: Outros Tributos e Contribuições Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DIPJ. A retificação da DIPJ, sem a comprovação do erro, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 29.11.2011, fl. 34, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.12.2011, fls. 3536, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Suscita que: I OS FATOS Houve a necessidade de retificação da DIPJ em relação ao 3o trimestre de 2004. A ficha 17 da declaração original mencionada acima apresentava informações incorretas em relação ao Saldo Negativo de CSLL. A retificação das informações tornou possível a visualização do crédito real que a empresa possuía para compensação. A TEAM, no 3º trimestre de 2004 apresentou uma receita de serviços prestados no valor de R$32.800,00. Dessa receita foi retido na fonte o valor de R$313,60 de contribuição social. Sendo assim, nesse período, a empresa possuía um saldo de CSLL a recuperar no valor de R$313,60. Na condição de contribuinte com apuração pelo Lucro real, a empresa apura no 3o trimestre de 2004 um prejuízo R$6.441,52. Com base nas informações acima o valor de R$313,60 tornase Saldo Negativo de CSLL referente ao 3o trimestre de 2004, vez que, com o prejuízo apurado, a retenção não é utilizada no trimestre. O crédito de R$313,60 foi demonstrado na PER.DCOMP inicial número 08943.47419.290306.1.3.031741. Em anexo, seguem os seguintes documentos para comprovação dos fatos mencionados acima: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903998/200855 Acórdão n.º 1803001.469 S1TE03 Fl. 68 4 • Relação de notas fiscais de serviços emitidas com suas respectivas retenções; • Cópia do Razão da contas de Serviços Prestados e de CSLL a recuperar; • Cópia das Notas Fiscais emitidas no período; • Cópia da DRE anual constante no diário; • DRE do 2º trimestre; • Relatório DRE trimestral com totalizador anual; • Recibo DIPJ 2005 e ficha 17; • Cópia dos termos de abertura e encerramento do livro diário e razão do ano de 2004. 2 Conclusão À vista de todo exposto, demonstrada todos os esclarecimentos devidos, espera e requer revisão da decisão proferida pelo SECAT. Determina a Portaria de fl. 64: O PRESIDENTE DA QUARTA CÂMARA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o § 3º. do Artigo 63 do Regimento Interno do CARF, baixado com a Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, publicada no Diário Oficial do dia seguinte, RESOLVE: DESIGNAR relatora “ad hoc” a Conselheira CARMEN FERREIRA SARAIVA para o fim de formalizar o Acórdão nº 1803001.469, prolatado pela Terceira Turma Especial da Quarta Câmara da Primeira Seção, na sessão realizada no dia 11 de setembro de 2012, no julgamento do Processo nº 10783.903998.2008 55, de interesse do contribuinte TEAM SOFTWARE LTDA. ME, em face de a relatora original não mais ocupar o cargo de Conselheira. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109.201162, fl. 228: Aos onze dias mês de setembro do ano de dois mil e doze, às nove horas, reuniramse os membros da 3ªTE.4ªCÂMARA.1ªSEJUL.CARF.MF.DF, estando presentes SELENE FERREIRA DE MORAES (Presidente), MEIGAN SACK RODRIGUES, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, VIVIANI APARECIDA BACCHMI, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. O Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta foi convocado para o julgamento de três processos. [...] Relator(a): VIVIANI APARECIDA BACCHMI Processo: 10783.903998.200855 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903998/200855 Acórdão n.º 1803001.469 S1TE03 Fl. 69 5 Nome do Contribuinte: TEAM SOFTWARE LTDA ME Acórdão 1803001.469 Decisão: Por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Ad Hoc Designada O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que os Per.DComp devem ser deferidos. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per.DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. A Per.DComp é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício234. Este é o entendimento constante na decisão 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. 3 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro Torres, Segunda Turma, Brasília, DF, 4 de julho de 2005. Disponível em: <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:200507 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903998/200855 Acórdão n.º 1803001.469 S1TE03 Fl. 70 6 definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728.SP 5, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais7. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade 4 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 5 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 6 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903998/200855 Acórdão n.º 1803001.469 S1TE03 Fl. 71 7 econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial8. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento da CSLL pelo regime de tributação com base no lucro real anual deverá apurar o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões legais em 31 de dezembro de cada ano. A CSLL deve a ser paga será determinada mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de 8% (oito por cento) para os fatos geradores ocorridos até o mês de abril de 1999, de 12% (doze por cento) para os fatos geradores ocorridos até o mês de janeiro de 2000 e de 9% (nove por cento) para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 2000 para as pessoas jurídicas em geral. Especificamente para as instituições financeiras a alíquota é de 12% (doze por cento) para os fatos geradores ocorridos até o mês de abril de 2008 e de 15% (quinze por cento) para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de maio de 2008 9. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza10. Em relação à dedução de IRRF, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente11. Para tanto, as pessoas jurídicas qualificadas como fontes pagadoras são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do tributo na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a 8 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 9 Fundamentação legal: art. 2º e art. 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 28, art. 29 e art. 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Medidas Provisórias nºs 1.85910, de 1999 e 1.99112, de 1999, bem como Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e Incisos I a VII, IX e X do § 1º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001. 10 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 11 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903998/200855 Acórdão n.º 1803001.469 S1TE03 Fl. 72 8 pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período12. Vale esclarecer que a pessoa jurídica poderá deduzir da do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). A legislação prevê que o valor do IRRF é considerado como antecipação do IRPJ devido referente, entre outros, ao códigos de arrecadação nº 5952, referese à retenção de Cofins, CSLL e PIS.Pasep sobre pagamentos efetuados por pessoas jurídicas de direito privado, decorrente das importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e de locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela prestação de serviços profissionais, nos termos do art. 35 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e Instrução Normativa SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004). Na situação versada nos autos, a Recorrente reconheceu o erro de preenchimento cometido quando da entrega da DIPJ original, tendo promovido as retificações necessárias, em atendimento ao Termo de Intimação, fl. 21: Não foi apurado o negativo na DIPJ. A soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição ou imposto devido, se houver, e a apuração do saldo negativo. Apuração: 3º trimestre 2004 DIPJ: Valor do Saldo Negativo R$ 0,00 PER/DCOMP: Valor do Saldo Negativo R$313,60 Demonstrativo parcelas crédito DIPJ: R$0,00 (Somatório dos valores da FICHA 17, LINHAS 43 A 50) Demonstrativo parcelas crédito PER/DCOMP: R$313,60 (Somatório das informações das fichas Imposto de Renda pago no exterior, CSLL Retida na Fonte, Pagamentos, Estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores, Estimativas parceladas e Demais estimativas compensadas) Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador Indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as Informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação. Base legal: Art. 6º, Parágrafo 1º , Inciso II e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Arts. 4o e 56 a 61 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Cabe esclarecer que a documentação apresentada pela Recorrente, ainda que em sede de recurso voluntário, deve ser apreciada e valorada, pois, além de garantir proteção 12 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903998/200855 Acórdão n.º 1803001.469 S1TE03 Fl. 73 9 ao princípio da verdade material, que é um dos norteadores do procedimento administrativo fiscal, evidenciando a veracidade dos dados inseridos na DIPJ Retificadora. Tem cabimento relacionar as Notas Fiscais dos Serviços Prestados relativamente ai terceiro trimestre do anocalendário de 2004, fls. 4956: Data Número Nota Fiscal Valor da Nota Fiscal R$ IRRF R$ PIS R$ Cofins R$ CSLL R$ Valor Líquido R$ 21.07.2004 67 8.760,00 131,40 56,94 262,80 87,60 8.221,26 30.07.2004 68 360,00 5,40 2,34 10,80 3,60 337,86 30.07.2004 69 360,00 5,40 2,34 10,80 3,60 337,86 17.08.2004 70 6.780,00 101,70 44,07 203,40 67,80 6.363,03 30.08.2004 71 360,00 5,40 354,60 30.08.2004 72 360,00 5,40 354,60 14.09.2004 73 8.360,00 125,40 54,34 250,80 83,60 7.845,86 30.09.2004 75 360,00 5,40 354,60 30.09.2004 76 360,00 5,40 354,60 30.09.2004 77 6.740,00 125,40 43,81 202,20 67,40 6.325,49 32.800,00 492,00 203,84 940,80 313,60 30.849,76 Esses valores estão demonstrados na Tabela 1. Terceiro Trimestre AnoCalendário 2004 (A) Valores Reconhecidos Despacho Decisório R$ (B) Valores Reconhecidos Segunda Instância de Julgamento R$ (B) CSLL Devida 0,00 0,00 () CSLL Retida na Fonte 0,00 (313,60) Saldo de CSLL 0,00 (313,60) O conjunto probatório produzido nos autos confirmam a situação fática, uma vez que a Recorrente colacionou aos autos, em sede de recurso voluntário, cópia dos registros contábeis do período, além das notas fiscais emitidas pelos serviços prestados, ou seja, exatamente a documentação que comprova existência do crédito pleiteado. Por conseguinte, deve ser reconhecido o direito creditório relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$313,60 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real referente ao terceiro trimestre do ano calendário de 2004, para compensação dos débitos ali confessados até o limite desse crédito. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$313,60 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real referente ao terceiro trimestre do anocalendário de 2004, para compensação dos débitos ali confessados, até o limite desse crédito. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903998/200855 Acórdão n.º 1803001.469 S1TE03 Fl. 74 10 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 74DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13854.000171/2007-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário (Súmula CARF nº 98).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução de despesa com pensão alimentícia no valor de R$ 21.410,06, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário (Súmula CARF nº 98). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução de despesa com pensão alimentícia no valor de R$ 21.410,06, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 01 71 /2 00 7- 14 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13854.000171/200714 Acórdão n.º 2801003.651 S2TE01 Fl. 258 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 8.437,45, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 19/21 deste processo digital, que foi constatada, na declaração de ajuste anual do contribuinte, dedução indevida de despesas médicas e dedução indevida de pensão alimentícia judicial. O contribuinte apresentou a impugnação de fl. 3/9 deste processo digital, que foi julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 99/109, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 Ementa: PENSÃO ALIMENTÍCIA AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS ART 24, DA LEI 5.478/68 CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM O CÔNJUGE E FILHOS NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Pagamentos realizados em virtude de acordo homologado judicialmente, nos autos de Ação de Oferta de Alimentos, conforme previsão contida no art. 24, da Lei 5.478/68, quando a pessoa responsável pelo sustento da família não deixe a residência comum, não possuem natureza de obrigação de prestar alimentos e, portanto, não podem ser utilizados para a dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, como pensão alimentícia. Tais pagamentos são decorrentes do poder de família e do dever de sustento, assistência e socorro entre os cônjuges e entre estes e os filhos e não do dever obrigacional de prestar alimentos. As despesas provenientes do poder de família são contempladas com a possibilidade de dedução em campo próprio da declaração, como dedução de dependentes, despesas médicas e com instrução. DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO. Restando comprovado nos autos o pagamento a título de despesas médicas, deve ser restabelecida a dedução pleiteada. Cientificado da decisão de primeira instância em 17/07/2009 (fl. 114), o Interessado interpôs, em 14/08/2009, o recurso de fls. 117/133, acompanhado dos documentos de fls. 135/253. Na peça recursal alega, em síntese, que: No caso em comento, tratase de pensão alimentícia paga pelo Recorrente em favor de Ieda Wohnrath D'Arbo, em decorrência de acordo homologado judicialmente, sendo as retenções feitas pela Policia Militar do Estado de São Paulo, a título de pensão Fl. 258DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13854.000171/200714 Acórdão n.º 2801003.651 S2TE01 Fl. 259 3 alimentícia, por ordem do Poder Judiciário, e não por uma mera liberalidade entre as partes, conforme suscitado na decisão administrativa ora impugnada. O art. 24 da Lei nº 5.478/1968 encerra a possibilidade da oferta judicial de alimentos pelo cônjuge responsável pelo sustento da família, e caso o faça, de maneira alguma estará incorrendo em uma "mera liberalidade", uma vez que a Lei o permite, constituindo em acordo judicial, e não extrajudicial. Inexiste disposição legal que subordine a Ação de Oferta de Alimentos à dissolução da sociedade conjugal. Sendo assim, não seria outro o comportamento do Magistrado a não ser o de homologar judicialmente os alimentos ofertados. A dissolução da sociedade conjugal e o término do vinculo conjugal são coisas distintas. Assim, a sociedade conjugal termina com morte de um dos cônjuges, pela nulidade ou anulação do matrimônio, pela separação judicial e pelo divórcio. Mas ainda que dissolvida a sociedade conjugal, o casamento persistirá até que seja decretado o divórcio do casal ou sobrevenha o falecimento de qualquer deles. A separação judicial é uma das formas de extinção da sociedade conjugal, porém o casamento (vínculo conjugal) continua existindo, só terminando com o falecimento ou o divórcio. Ao final, requer a anulação da glosa de pensão alimentícia, haja vista que a dedução ocorreu em cumprimento de acordo homologado judicialmente. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Cingese a controvérsia à glosa de dedução efetuada na base de cálculo do imposto de renda de pessoa física, anocalendário de 2004, a título de pensão alimentícia judicial, decorrente de “Ação de Oferta de Alimentos” em favor da esposa do contribuinte, em razão da natureza do trabalho do Interessado que impossibilita o seu convívio familiar. De acordo com a decisão recorrida “não restou demonstrado nos autos que houve a ruptura da unidade familiar, conforme estabelecido pelo art. 24, da Lei 5.478/68, nem a saída da residência do responsável pelo sustento da família. Razão pela qual o contribuinte não pode fazer jus ao direito de dedução dos valores pagos a título de oferta de alimentos”. Observo, todavia, que embora a petição inicial apresentada ao Juízo Cível da Comarca de Bebedouro se refira à “Ação de Oferta de Alimentos”, a decisão proferida pelo Magistrado (fl. 223) tratou o caso como se fosse mero acordo extrajudicial de fixação de alimentos, extinguindo aquela (a ação de oferta de alimentos) e homologando este (o acordo de fixação de alimentos). Confira o teor da decisão: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13854.000171/200714 Acórdão n.º 2801003.651 S2TE01 Fl. 260 4 Homologo o acordo de fls. 02/05, para que produza seus jurídicos e legais efeitos de direito e consequentemente julgo extinta a presente OFERTA DE ALIMENTOS em que figuram como requerentes FLÁVIO MIRA D’ARBO e IEDA WOHNRATH D’ARBO, com base no artigo 269, inciso III do CPC. Registro, por oportuno, que o art. 269, III, do Código de Processo Civil – CPC versa a hipótese de extinção do processo com resolução de mérito, quando as partes transigirem, o que evidencia o consentimento de ambas os cônjuges com os termos acordados, revelando que o objeto do processo era a homologação judicial de acordo de fixação de alimentos, que não se confunde com a ação prevista no art. 24 da Lei nº 5.478, de 25 de julho de 1968, cujo teor é o seguinte: Art. 24. A parte responsável pelo sustento da família, e que deixar a residência comum por motivo, que não necessitará declarar, poderá tomar a iniciativa de comunicar ao juízo os rendimentos de que dispõe e de pedir a citação do credor, para comparecer à audiência de conciliação e julgamento destinada à fixação dos alimentos a que está obrigado. Na ação judicial fundada no artigo 24 da Lei nº 5.478/1968 o devedor, confessando sua obrigação de pensionar, busca liberarse de seu débito, chamando seu credor alimentando para vir receber a pensão ofertada, com possibilidade de serem fixados em sentença valores superiores à pensão oferecida pelo autor. Nesse sentido, a lição de Yussef Said Cahali (Dos Alimentos, Editora Revista dos Tribunais, 7ª edição, p.595): “Confessada, desde logo, com a própria iniciativa da ação a obrigação do devedor de pensionar a família, a lide assume caráter de judicia duplicia, resolvendose em típico juízo de acertamento, com possibilidade de serem fixados os alimentos pelo juiz em valores superiores à pensão oferecida pelo autor, pois, como evidencia o dispositivo legal (art. 24), o pedido é de arbitramento judicial e não de simples homologação da oferta unilateral. Daí a citação do credor e a realização de audiência, ensejando defesa, produção de provas e debates, com final prolação da sentença. Assim, pode o juiz, tanto na oferta do devedor como no pedido do credor, fixar alimentos em quantitativo superior ao pretendido na inicial, sem importar o arbitramento em decisão ultra petita, ou extra petita.” À evidência, o processo em que foram fixados os alimentos glosados pela Fiscalização não se subsume ao comando do artigo 24 da Lei nº 5.478/1968, pelas seguintes razões: a uma, porque não foi ajuizado pelo devedor, mas sim por ambos os cônjuges; a duas, porque não houve a citação do credor, que peticionou em conjunto com o devedor, inclusive com identidade de patronos (procurações às fls. 201 e 203); a três, porque o valor dos alimentos não foi fixado pelo Juiz, mas sim pelos próprios cônjuges. Verificase, assim, que se trata de homologação judicial de acordo de fixação de alimentos. Como a ação de alimentos pode ser de iniciativa seja do credor, seja do devedor, nada obsta a que, chegando ambos a um acordo extrajudicial, reclamem em juízo a sua homologação. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13854.000171/200714 Acórdão n.º 2801003.651 S2TE01 Fl. 261 5 Pois bem. Em 09/12/2013 foi aprovada a Súmula CARF nº 98, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Portanto, a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF está condicionada à comprovação de dois requisitos: a) o efetivo pagamento; e b) a obrigação decorrer de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública que especifique o valor da obrigação, neste último caso, a partir de 28/03/2008. À fl. 223 foi anexada cópia da decisão judicial que homologou o acordo de fls. 193/199, que estipulou o percentual a ser descontado, a título de pensão alimentícia, dos rendimentos líquidos do Recorrente. Por ocasião da impugnação o Interessado já havia juntado aos autos o “Comprovante de Rendimentos Pagos e Retenção de Imposto de Renda na Fonte” (fl. 71), que demonstra o desconto de pensão alimentícia judicial de R$ 21.410,06, mesmo valor glosado pela Autoridade lançadora. Observo, ainda, apenas a título informativo, que os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia foram tributados, a esse título, na declaração de ajuste anual da esposa do contribuinte (fls. 147/151) e que a legislação civil não condiciona a fixação de alimentos à ruptura da unidade familiar. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer dedução de despesa com pensão alimentícia no valor de R$ 21.410,06. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 261DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 16004.000866/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Recurso voluntário apresentado após decorridos 30 (trinta) dias da data da ciência da decisão de primeira instância é intempestivo e não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 2201-002.510
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 05/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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INTEMPESTIVIDADE. Recurso voluntário apresentado após decorridos 30 (trinta) dias da data da ciência da decisão de primeira instância é intempestivo e não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 05/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 08 66 /2 00 7- 03 Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio do Auto de Infração, de fls. 817 e seguintes, lavrado em 30/10/2007, exigese do Contribuinte ALESSANDRO PERES FAVARO o montante de R$ 1.138.845,37 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 480.022,84 de juros de mora e R$ 1.708.268,04 de multa de ofício qualificada, totalizando o crédito tributário em R$ 3.327.136,25 (atualizado até a data da autuação), referente ao exercício de 2003, 2004, 2005 e 2006 decorrente de Omissão de Rendimentos por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada e por Variação Patrimonial a Descoberto. O Termo de Constatação Fiscal, de fls. 788 e seguintes, relata: · Omissão de rendimentos tendo em vista variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. Os valores tributáveis, as datas dos fatos geradores e o enquadramento legal estão relacionados à fl. 730. · Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação as quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os valores tributáveis, data dos fatos geradores e enquadramento legal encontramse descritos às fls. 731/733 · Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em nome do cônjuge da Contribuinte, Sra. Juliana Saud Maia Favaro, em relação aos quais não foram comprovados, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os valores tributáveis, data dos fatos geradores e enquadramento legal encontramse descritos às fls. 733/734. · A multa de oficio foi aplicada no percentual de 150%, com base no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996 (fl. 739). · Haja vista a não apresentação das contas bancárias solicitadas, foi requerida a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF. · Foi lavrado Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária por interesse comum (art. 124 do Código Tributário Nacional CTN), fls. 726/728, identificando a Sra. Juliana Saud Maia Favaro como sujeito passivo solidário no crédito tributário resultante da movimentação bancária atribuída de fato ao Sr. Alessandro Peres Favaro, cuja origem dos depósitos bancários não foi comprovada. · Aponta que a Sra. Juliana tinha interesse comum nas atividades desenvolvidas pelo marido, venda de medicamentos controlados via Internet, tomando parte efetiva dessas atividades, uma vez que, confeccionava os envelopes que continham os comprimidos e que eram remetidos aos clientes, através dos correios. As contas bancárias da Sra. Juliana foram utilizadas para receber pagamentos de clientes de seu esposo, em virtude das vendas de medicamentos. · Uma vez que a Sra Juliana não possuía emprego e somente sua conta do Banco do Brasil movimentou R$1.482.937,89 entre setembro de 2002 e novembro de 2003 compreendeu que as contas bancárias mantidas junto aos Bancos do Brasil, Rural e Sudameris do Brasil (c/c nº 12.4567, c/p nº 12.4567, c/c nº 80.0000720, c/c nº 6460201142008), de titularidade da Sra. Juliana Saud Maia Favaro, cônjuge do Sr. Alessandro Peres Favaro, Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16004.000866/200703 Acórdão n.º 2201002.510 S2C2T1 Fl. 3 3 de fato pertencem ao Sr. Alessandro Peres Favaro, considerando assim como recursos e origens deste. · Foram consideradas, também, como recursos e origens do Sr. Alessandro Peres Favaro as receitas líquidas declaradas nas DIRPF 2005 e 2006 da Sra Juliana Saud Maia Favaro. · O auditor fiscal alega que o Contribuinte praticava a venda de medicamentos controlados via Internet, mas não o equipara à pessoa jurídica. Afirma que o Contribuinte praticou com habitualidade a atividade de venda de medicamentos proibidos, Entretanto estas vendas não representam uma atividade profissional e nem uma atividade mercantil, na forma do art. 150 §2º, II do RIR/99. Desse modo as receitas auferidas com esta atividade serão tributadas na pessoa física. · Desconsiderou as doações realizadas pelo pai do Contribuinte, uma vez que não foram comprovadas a efetiva entrega dos valores declarados, através de contratos de mútuo ou documentação bancária. Assim, tais valores não foram considerados nos demonstrativos de evolução patrimonial do Contribuinte. A Sra. Juliana Saud Maia Favaro, em 06/11/2007, tomou ciência do lançamento (AR de fl. 833) e em 30/11/2007, a Sra. Juliana Saud Maia Favaro apresentou Impugnação de fls. 747/748, solicitando o cancelamento da sujeição passiva solidária, alegando que: · é incabível o lançamento de imposto e multas, tendo como suporte os valores dos depósitos bancários por não se caracterizarem disponibilidade econômica e jurídica de renda e proventos e, portanto, não são geradores do imposto de renda. · o auditor fiscal alega que o Contribuinte praticava a venda de medicamentos controlados via Internet, mas não o equipara a pessoa jurídica, assim, questiona que se a venda de drogas não pode ser tributada na pessoa jurídica como pode o tráfico internacional de drogas ser tributado na pessoa física? Complementa que o auditor fiscal afirma que o Contribuinte praticou com habitualidade a atividade de venda de medicamentos proibidos. Entretanto estas vendas não representam uma atividade profissional e nem uma atividade mercantil. Assim, como pode admitir a existência da profissão de traficante internacional e nacional de substancias proibidas. O Contribuinte tomou ciência do lançamento por edital afixado em 26/11/2007 (fl. 836) e, em 09/01/2008, o Contribuinte e sua esposa (Sra. Juliana) apresentaram, conjuntamente, a Impugnação de fls. 847, na qual trouxeram as seguintes alegações: · CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Alegam que houve cerceamento do direito de defesa pois, estando preso e tendo sido arrecadados pela Polícia Federal todos os seus documentos, não poderia justificar depósitos efetuados na sua conta corrente e na de sua esposa, sendo a prova solicitada pela fiscalização humanamente impossível, ainda mais por se tratar de operações realizadas há mais de cinco anos, não estando a pessoa física obrigada a manter rígido controle de suas operações. Para que se conseguisse a apresentação da comprovação solicitada haveria que ser liberada pelo menos em cópia, os documentos em poder da polícia federal. Transcrevem ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes. · DA DECADÊNCIA — FATOS GERADORES OCORRIDOS DE 01/01 A 11/2002 E MULTA QUALIFICADA. Alegam que o imposto de renda das pessoas físicas, a partir da Lei n° 7.713/88, passou a ser devido mensalmente e sujeito ao procedimento de lançamento por homologação e, portanto, a ação fiscal, cuja ciência se deu em dezembro de 2007 não mais podia alcançar os fatos geradores ocorridos entre 01/01/2002 e 31/11/2002 Transcreve doutrina e jurisprudência administrativa. O possível argumento de que não se aplica a contagem do artigo 150, § 4°, do CTN, ao presente caso porque foi Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 aplicada multa qualificada de 150%, não pode ser aceito, porque o dolo e a fraude não se presumem, e a definição do evidente intuito de fraude tem sido delimitada pela jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, restando claro que simples omissão de receita e falta de registro de notas fiscais na escrituração, não ensejam a aplicação de penalidade agravada. Provado que não existiu motivo ou justificativa suficiente para aplicação da multa majorada, já que nenhuma situação de falsidade se configurou nem qualquer situação de evidente intuito de fraude se caracterizou, é de se cancelar, a priori, a penalidade exacerbada, por indevida, e, afastada a penalidade agravada, a regra de decadência deslocase para o artigo 150, § 4° do CTN e é assim que tem que ser analisada. · PROVAS OBTIDAS POR MEIO ILEGAIS. As provas que embasaram o lançamento — extratos bancários — foram obtidas pelo fisco com quebra de sigilo bancário sem autorização judicial em procedimento ilegal e inconstitucional tornando nulo o lançamento posto que fundado em provas ilícitas. A alegação de que se agiu sob o pálio da Lei Complementar n° 105/01, não procede, pois se mostra inconstitucional lei complementar autorizar que agentes do Fisco possam, à revelia de qualquer autorização judicial, promover a quebra de sigilo bancário violando direitos e garantias que nem mesmo por Emenda à Constituição poderiam ser alterados. Defendem que qualquer lei que pretenda ultrapassar as vedações referidas nos incisos X e XII do artigo 5° da Constituição Federal, retirando do Poder Judiciário a análise da necessidade ou não da quebra de sigilo bancário é inválida e inconstitucional Transcrevem jurisprudência e doutrina. · ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Transcrevem alguns trechos do Termo de Constatação Fiscal para concluir que o agente do Fisco justifica o lançamento na pessoa física do Contribuinte reconhecendo de maneira clara e explícita que a atividade por ele exercida é comercial apenas não efetuando o lançamento na pessoa jurídica por entender que quem exerce uma atividade ilícita não poderá ser enquadrado como tal, contudo sendo a atividade comercial, mesmo ilícita, teria sim que ter o seu imposto de renda apurado como pessoa jurídica. Invocando diferentes doutrinadores, discorre sobre o conceito de fato gerador, fato gerador e base de cálculo, funções da base de cálculo, fato gerador e capacidade contributiva, classificações do fato gerador, ausência do elemento de vontade na formação do fato gerador tributário (art. 114 do CTN), e o momento da ocorrência do fato gerador e tributação de atos ilícitos, para concluir, em síntese, que os rendimentos auferidos em atividade ilícita são tributáveis porque o fato gerador do imposto de renda não agasalha a ilicitude do ato praticado pelo infrator, a hipótese normativa vê aquele "ato" como um "fato", um fato avolitivo para fins tributários praticado o ato jurídico ou celebrado o negócio que a lei tributária erigiu em fato gerador está nascida a obrigação tributária para com o Fisco que subsiste independentemente da validade ou invalidade do ato, pouco importando a circunstância de ser ilegal, imoral ou contrário aos bons costumes (reproduzem o inteiro teor de dois acórdãos do Conselho de Contribuintes e quatro ementas de outros acórdãos da mesma instância administrativa). Complementam que resta evidente o erro na eleição do sujeito passivo que não poderia ser o Contribuinte como pessoa física mas sim equiparálo a empresa individual, já que o próprio Fisco imputou a ele a totalidade dos depósitos bancários efetuados e tributálo como pessoa jurídica exigindo dela os impostos atinentes a tal atividade, tais como IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. · FALHAS INCORRIDAS NA ELABORAÇÃO NA EVOLUÇÃO PATRIMONIAL. Falhas ocorridas na elaboração dos mapas de origem e aplicações de recursos, quais sejam, (1) glosas indevidas dos valores das doações efetuadas pelo pai do Contribuinte — foram feitas em dinheiro e informadas tempestivamente nas declarações do doador e do beneficiário, além do fato de que as declarações do doador foram verificadas pelo fiscal autuante que não constatou nenhuma irregularidade, protesta pela juntada posterior de documentos comprovando os depósitos em suas contas bancárias; (2) não aproveitamento como recurso no mês de janeiro do ano subsequente das sobras apuradas no mês de dezembro do ano anterior, que se consideradas não restará acréscimo patrimonial a descoberto em nenhum dos anoscalendário. Transcreve jurisprudência administrativa. · EXCLUSÃO DOS DEPÓSITOS DA CONTA DA SRA. JULIANA FAVARO Os depósitos bancários efetuados em conta de titularidade de sua esposa Sra. Juliana Saud Maia Favaro, foram atribuídos ao Contribuinte sem que se tenha dado uma explicação, Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16004.000866/200703 Acórdão n.º 2201002.510 S2C2T1 Fl. 4 5 sendo que no anocalendário de 2002, como era solteira, e mesmo nos anoscalendário de 2003 a 2005, já casada, sempre apresentou Declaração de Ajuste Anual (DAA) em separado. Se houvesse comprovantes de que realmente a movimentação financeira pertencesse ao Contribuinte, este é que teria que ser intimado para comprovar a origem dos depósitos/créditos, o que não foi feito, caracterizando cerceamento do direito de defesa o que anula todo o procedimento fiscal adotado. · EXIGÊNCIA DE IMPOSTO COM BASE EM PRESUNÇÃO – Alegam que o que o Fisco está a exigir é um crédito tributário fundado em presunções, ficções e indícios, os quais se incompatibilizam com os princípios da legalidade e da tipicidade, o Código Tributário Nacional define o fato gerador do imposto de renda como sendo a aquisição da disponibilidade econômica e jurídica de renda ou provento de qualquer natureza, sendo que o legislador não pode através de ficções elaborar regras que não poderia expedir de forma direta porque em desacordo com as disposições constitucionais e também com as leis complementares. Na dúvida, e sempre há parcela de dúvida nas presunções, devese aplicar a interpretação mais favorável ao contribuinte. Na sessão de 25/03/2009, a 4ª Turma da DRJ/SPOII através do Acórdão 17 30.811,de fls. 942 e seguintes, julgou procedente o lançamento nos seguintes termos: DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o contribuinte, teve oportunidade, tanto na fase da autuação quanto na fase impugnatória, de juntar aos autos documentos, informações e/ou esclarecimentos, no sentido de elidir a tributação contestada. Os documentos apreendidos pela polícia federal ou pela justiça podem ser obtidos mediante pedido de cópias. ILICITUDE DE PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. São lícitas as provas obtidas com respaldo na legislação vigente à época da ocorrência do procedimento de fiscalização. O acesso às informações bancárias não configura quebra do sigilo bancário, haja vista ser imposto às autoridades administrativas, seu resguardo durante todo o procedimento. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira, e passa a ser mantido também pelas autoridades administrativas. A apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais são de competência exclusiva do Poder Judiciário, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. EQUIPARAÇÃO PESSOA JURÍDICA. A equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, para os efeitos do imposto de renda, pleiteada sob alegação de exercício de atividade mercantil, só tem lugar quando demonstrado que a atividade tem caráter comercial e é exercida com habitualidade e profissionalmente. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas ou percebidos com infração à lei, são tributáveis na pessoa física beneficiária, independentemente das sanções que couberem. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. Os saldos porventura apurados na análise da evolução patrimonial no mês de dezembro só serão considerados como recursos no ano seguinte, se constantes da declaração de bens ou mediante comprovação da efetiva existência dos mesmos em 31 de dezembro. A alegação da existência de doações de terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário emprestado, não bastando a simples informação nas declarações do doador e donatário. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. MULTA QUALIFICADA. A conduta reiterada do contribuinte em omitir rendimentos tributáveis decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada evidência a intenção de reduzir o montante do imposto devido, o que dá ensejo à aplicação da multa qualificada. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA Comprovado, mediante provas documentais obtidas na ação fiscal, o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal mantémse a obrigação solidária tributária imputada. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. Para fins de intimação do Contribuinte foi encaminhada intimação postal (AR – fl. 968) que retornou como “negado” (fls. 969 e 970). Assim, foi afixado Edital nº 056/09 (fls. 971) fixado em 04/05/2009 para fins de intimação do Contribuinte. Em relação a responsável solidária (Sra. Juliana), foi encaminhada intimação postal (AR – fls. 972) que retornou como “negado” (fls. 973 e 974). Assim, foi afixado e Edital nº 64/09 (fls. 975) fixado em 19/05/2009. Em 11/08/2009 (fl. 976), o procurador do Contribuinte e da Sra. Juliana (responsável tributária) teve vista do processo administrativo, vindo a apresentar Recurso Voluntário conjunto em 04/09/2009, (fls. 980 e seguintes), aduzindo: · Erro no procedimento uma vez que a intimação do Acórdão, deveria ter sido promovida ao procurador credenciado nos autos e não por edital, tendo em vista que esta modalidade de intimação somente poderá ser utilizada em caso resultem improfícuos os demais meios de intimação previstos em lei. Desta feita, requer que seja considerada para efeitos contagem de prazo recursal a data da ciência do Acórdão pelo procurador, 11/06/2009. · Quanto aos argumentos, reproduz aqueles apresentados na peça de Impugnação. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16004.000866/200703 Acórdão n.º 2201002.510 S2C2T1 Fl. 5 7 Pela da Resolução nº 2202000.299 de 15/08/2012 às fls. 1.065 a 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF decidiu sobrestar o Processo Administrativo Tributário com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no Supremo Tribunal Federal (STF) através do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, § 1º do CPC, combinado com art. 323, § 1º do Regimento Interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, § 3º da Lei no 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Posteriormente, a Portaria MF nº 545/13 revogou os dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos nos termos já referidos possibilitando o prosseguimento do feito. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. I. Da Tempestividade do Recurso Voluntário Conforme se depreende dos fatos, tanto Contribuinte quanto a responsável tributária (Sra. Juliana) foram intimados por via postal. Entretanto, as intimações postais restaram improfícuas. Desta feita, a autoridade fiscal procedeu à intimação por edital. Porém, o Recurso Voluntário não foi apresentado dentro de 30 (trinta) dias contados da data que o edital foi retirado, mas sim, foi apresentado dentro de 30 dias após a ciência do processo pelo procurador (11/08/2009), qual seja em 04/09/2009. Em sede recursal é alegado que o Recurso Voluntário deve ser recebido como tempestivo, tendo em vista que do momento da autuação até a apresentação do Recurso Voluntário, o Contribuinte se encontrava detido no C.D.P. de São José do Rio Preto, e portanto, é óbvio não poderia ter recebido a intimação do Acórdão recorrido. Logo, defende que o termo inicial para apresentação do Recurso Voluntário deve ser a data que o procurador teve vista do processo, qual seja, 11/08/2009. O Art. 23 do Decreto nº 70.235/72 determina que: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (...) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; Desta feita, verificase que o processo de intimação ocorrido no presente processo administrativo observou o disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Ou seja, efetuouse a intimação postal do Contribuinte com base no endereço fornecido pelo mesmo à Receita Federal e, restando improfícua intimação postal, recorreu à intimação editalícia. Note se que não cabe preferência entre os meios de intimação possíveis. Logo, como o edital de intimação do Contribuinte foi afixado em 04/05/2009, o termo inicial para apresentação do Recurso Voluntário se inicia 15 (quinze) dias depois, ou seja, em 19/05/2009 (data da desafixação). No tocante à Sra. Juliana (responsável solidária), o edital foi afixado em 19/05/2009, logo o termo inicial para apresentar Recurso Voluntário se iniciou em 03/06/2009 (data da desafixação). Porém, o Recurso Voluntário de ambos foi protocolado em 04/09/2009. A argumentação para conhecimento, ainda que intempestivo do Recurso Voluntário, baseiase no fato de o Contribuinte restar detido desde a data da lavratura do Auto de Infração até o momento da entrega do Recurso Voluntário. Confirase trecho da explicação ofertada pelo Contribuinte em sede recursal (fl. 985): Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16004.000866/200703 Acórdão n.º 2201002.510 S2C2T1 Fl. 6 9 Em princípio é de se colocar diante do possível entendimento que o presente recurso é intempestivo por ter decorrido mais de 30 (trinta) dias do edital de não se aceita tal argumentação, porque o sujeito passivo encontrase desde a época da lavratura do auto de infração até a presente data no C.D.P. de São José do Rio Preto, e portanto, é óbvio não poderia ter recebido a intimação do Acórdão recorrido. Não obstante a argumentação do Contribuinte, entendo que o Recurso Voluntário resta intempestivo, a um porque o trâmite de intimação processual foi corretamente executado e a dois porque há procurador constituído nos autos do processo administrativo que poderia ter diligenciado junto ao órgão administrativo tributário a intimação do Contribuinte para que pudesse ter apresentado tempestivamente o Recurso Voluntário. Por fim, cumpre ressaltar que, apesar de já ter havido Resolução prolatada por essa Corte em relação ao presente processo administrativo, o § 6° do art. 63 da Portaria nº 256 do Ministério da Fazenda já determinou que em caso de Resolução as questões preliminares ou prejudiciais serão apreciadas quando do julgamento do Recurso. Confirase: § 6° No caso de resolução, as questões preliminares ou prejudiciais já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, após a realização da diligência. Desta feita, o correto momento para se apreciar o conhecimento do Recurso é quando do presente julgamento devido ao retorno do processo à pauta. Logo, entendo que o Recurso Voluntário é intempestivo e, portanto, dele não conheço. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 19515.722023/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/09/2008
NORMAS GERIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE ANÁLISE SOBRE ARGUMENTO. NULIDADE DA DECISÃO A QUO.
A decisão de primeira instância deve analisar e enfrentar argumento apresentado pelo sujeito passivo, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade.
Numero da decisão: 2301-004.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em analisar e decidir o recurso.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE ANÁLISE SOBRE ARGUMENTO. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. A decisão de primeira instância deve analisar e enfrentar argumento apresentado pelo sujeito passivo, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em analisar e decidir o recurso. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente e redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 23 /2 01 1- 68 Fl. 42364DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 (assinado digitalmente) BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério. Fl. 42365DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 19515.722023/201168 Acórdão n.º 2301004.057 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de Autos de Infração lavrados contra o sujeito passivo em referência, referente a contribuições devidas à Seguridade Social pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT. Os créditos tributários lançados por meio do presente processo são os descritos a seguir: AI 37.143.6125, referente a contribuições destinadas à Previdência Social, correspondente à parte do SAT e RURAL, competências 01/2006 a 12/2007, bem como a acréscimos legais, de 08/2007 a 09/2008. AI 37. 143.6133, referente a contribuições destinadas ao Terceiro SENAR , competências 01/2006 a 127/2007 e AI 37. 143.6117, CFL 68, por ter a empresa apresentador a declaração a que se refere a Lei n° 8.212/91, art. 32, inciso IV, GFIP, com informações incorretas ou omissas quanto aos fatos geradores de contribuição previdenciária. Segundo Relatório Fiscal, a autuada, pessoa jurídica, adquiriu produção rural de pessoas físicas, ficando, portanto, subrogada nas obrigações de tais produtores, e deixou de declarar a totalidade da contribuição devida decorrente dessa operação em GFIP. A autoridade autuante esclarece que não foi possível precisar todos os valores envolvidos na base de cálculo, uma vez que a empresa não lança, em sua contabilidade, os fatos geradores em títulos próprios, e nem atendeu ao solicitado nos TIFs para que a fiscalização pudesse mensurar as bases de cálculo, motivo pelo qual foi utilizado o critério de arbitramento. Expõe, a seguir, os critérios utilizados no procedimento do arbitramento, e fundamentando no art. 33, §§ 3o, 6o e 8o, da Lei 8.212/91, e esclarece que foi feito o comparativo entre as penalidades decorrentes da legislação anterior e posterior à MP 449/08, tendo sido aplicada a mais benéfica, em respeito ao art. 106, II, c, do CTN A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1643.309 12ª Turma da DRJ/SP1, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, destaca que nenhum valor é devido a título de contribuição previdenciária, primeiro porque a recorrente reteve e recolheu os valores impingidos, e Fl. 42366DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 segundo porque, diante da inconstitucionalidade que permeia a contribuição ao Funrural, já devidamente declarada pelo STF, nada seria devido aos cofres públicos. Defende a possibilidade de se argüir inconstitucionalidade de exação em sede de processo administrativo, argumentando que o Decreto 7.574/2011, em seu art. 59, parágrafo único, disciplinou exceções à regra geral, notadamente quanto à possibilidade de ser discutida, em sede administrativa, a inconstitucionalidade de determinada lei, quando esta já houver sido declarada pelo STF, e cita o RE 363852MG e RE 596177RS, requerendo a aplicação do art. 62A, do regimento interno do CARF. Ressalta que a edição da Lei 10.256/2001 não sanou e nem supriu a inconstitucionalidade da base de cálculo da contribuição, mas absorveu a inconstitucionalidade que a viciava, o que foi confirmado em decisão do STF. Conclui que a administração deve analisar, sim, a matéria da inconstitucionalidade da contribuição ao Funrural, e vincularse ao entendimento sufragado pelo STF, cuja declaração tem efeito extunc, e abarca todo o período autuado. Sustenta que, diferentemente do que consigna a decisão recorrida, jamais poderia ter sido efetuado o arbitramento, procedimento que só se justifica em casos extremos, quando se verifica a imprestabilidade da documentação do contribuinte, o que, definitivamente, não ocorre no caso em tela, no qual a recorrente apresentou, tempestivamente, a documentação solicitada pelo fisco. Assevera que as informações constantes do material apresentado são suficientes para a quantificação exata do montante devido pela recorrente, o qual foi devidamente recolhido, conforme facilmente constatado pela análise das planilhas combinadas com as GPS apresentadas ao longo da fiscalização. Com relação ao argumento do fiscal de que não seria possível a segregação das compras efetuadas de pessoa física das de pessoa jurídica, informa que apresentou planilhas nas quais restam minuciosamente discriminadas as pessoas físicas produtores rurais das quais a recorrente adquiriu mercadorias, assim como o valor da base de cálculo da exação e do tributo devido, que foi efetivamente recolhido pela recorrente, e que tais planilhas, juntamente com notas fiscais e demais documentos pertinentes, juntados aos autos, foram despropositadamente ignorada pelo fisco, o que jamais poderia ocorrer. Reitera que jamais seria necessário o uso das CFOPs para mensuração da base de cálculo da contribuição previdenciária, posto que os dados para aferição de tal base encontramse precisamente discriminados na documentação apresentada ao fisco, que, se entendesse que os documentos não eram suficientes, deveria ter lavrado novo termo de intimação, e não ignorar a documentação apresentada e arbitrar o valor pela suposta impossibilidade de se determinar, com precisão, a extensão da base de cálculo utilizada pela recorrente para cálculos das aludidas contribuições. Defende a possibilidade de juntada de documentação após a impugnação e a necessidade de análise de toda a documentação apresentada pela recorrente nos autos do presente processo, e afirma que a autoridade julgadora simplesmente desconsiderou todos os documentos, sob o argumento de que a impugnante não demonstrou razões que justificassem a impossibilidade da apresentação dos elementos pertinentes no prazo legal. Entende que não é possível recusar os documentos apresentados no aditamento, eis que este foi apresentado em 13/01/2012, enquanto ainda não tinha transcorrido Fl. 42367DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 19515.722023/201168 Acórdão n.º 2301004.057 S2C3T1 Fl. 4 5 o prazo para apresentação da defesa, não havendo motivo para a autoridade julgadora ter se negado a analisar a documentação juntada no aditamento, devendo a mesma ser analisada, quer em consideração ao disposto na Lei 9.784/99, quer em prestígio ao princípio da verdade material. Discorre sobre o princípio da verdade material, trazendo doutrina e a jurisprudência administrativa sobre a matéria, e cita a documentação apresentada que, segundo entende, elide a exigência fiscal, insistindo que as planilhas e notas apresentadas segregam as compras de pessoas físicas e jurídicas, por CNPJ e CPF dos vendedores, o que contraria a afirmação fiscal e a decisão recorrida, quando afirmam que não haveria conta específica, e nem como segregar as compras em questão. Reafirma que é descabida a realização do arbitramento no caso em voga, e destaca que os critérios utilizados pelo fisco foram totalmente distorcidos, pois se valeu de critério equivocado, posto que utilizou como parâmetro os valores declarados em Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, os quais se revelam imprestáveis para mensuração da base de cálculo da contribuição previdenciária, já que tais guias discriminam tanto produtores rurais pessoas físicas, quanto pessoas jurídicas, assim como diversos insumos utilizados na produção, que não são contabilizados para efeito do cálculo da contribuição. Alega que o critério utilizado na escolha das CFOP’s pelo fiscal foi o da mera possibilidade de haver aquisição de produção rural de produtor pessoa física, o que configura uma verdadeira aposta do fiscal, observando que não se pode afastar a possibilidade de que a quantidade de valores referentes à aquisição de pessoas jurídicas e insumos alheios à base de cálculo seja substancialmente superior à referente à pessoa física. Repete que o fiscal fez uso de critérios inapropriados do arbitramento, os quais conduziram a um valor muito superior ao supostamente devido, não se pautando em critério da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser afastado o valor arbitrado sob pena de se permitir o enriquecimento ilícito do fisco, e cita o CFOP, código 1124, utilizado no arbitramento, frisando que tal código se refere a “Industrialização efetuada por outra empresa”, não havendo necessidade de trazer aos autos documento capaz de confirmar o alegado, como entendeu a decisão recorrida, já que o próprio auto de infração assim discrimina o código 1124. Esclarece que cada código abrange determinadas operações, sendo desnecessário à recorrente fazer prova, pois é dever do fisco, antes de promover despropositado arbitramento, cientificarse dos códigos aos quais as operações estão relacionadas, mas que no entanto, a recorrente demonstrou as operações e os códigos a elas relacionados, quando da juntada aos autos de todas as notas fiscais referentes ao período autuado. Destaca que o fisco desconsiderou, em sua análise, o fato de ter sido deferido, em favor da recorrente, regime especial, que lhe permite efetuar os registros por meio de formulários, dispensando a indicação do valor e o registro no livro próprio, não estando obrigada a recorrente a indicar o valor das operações nas aquisições de laranja de produtores pessoas físicas ou jurídicas. Argumenta que as supostas inconsistências contábeis alegadas pelo fiscal para justificar o despropositado arbitramento não encontram fundamento, posto que a recorrente necessita apurar e efetuar o controle da entrada de frutas com base nas previsões veiculadas pelo regime especial em comento. Fl. 42368DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Assevera que, ao contrário do afirmado pelo fisco, a recorrente contabiliza corretamente as operações, em observância aos princípios contábeis e legislação previdenciária, lançando, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o que pode ser observado da documentação trazida aos autos, assim como das planilhas que segregam cada uma das operações. Quanto à acusação de que, nos históricos, é impossível saber sobre quais notas fiscais e quais fornecedores o contribuinte está considerando a incidência, explica que, de acordo com o regime especial em tela, a recorrente está dispensada da emissão de notas fiscais de entrada referente às mercadorias adquiridas dos produtores rurais e, em substituição, a recorrente preenche os formulários previstos no multicitado regime, mas que, a despeito disso, a recorrente apresentou todas as notas fiscais referentes ao período em questão, planilhas e livros contábeis, sendo plenamente possível a correta constatação do histórico das operações. Entende que os valores cobrados a título de contribuições ao SENAR e ao SAT não podem prevalecer, pois os montantes foram arbitrados de maneira ilegal, sem observância da documentação apresentada, a qual se revela suficiente para determinação da base de cálculo das contribuições. Insurgese contra a multa de mora de 24% aplicada, defendendo sua relevação ou redução, conforme autorizado pelo art. 142, do CTN., uma vez que a desproporção entre o tributo e sua conseqüência evidencia seu caráter confiscatório, e contra a multa por descumprimento de obrigação acessória, argumentando que não foi verificado dano ao erário, pois a recorrente tão somente efetuou preenchimentos equivocados das aludidas GFIPs, ou seja, cometeu equívocos ao seu dever instrumental. Sustenta que, demonstrado que a autuada em momento algum agiu com dolo, fraude ou simulação, é inexorável concluir que a recorrente agiu com boafé, salientando que a multa imposta relativa ao suposto descumprimento de obrigação acessória representa distorção ao princípio da proporcionalidade, da capacidade contributiva, da propriedade do contribuinte, do nãoconfisco, entre outros, e corre o risco da destruição da própria fonte do tributo. Defende a impossibilidade de utilização da SELIC como índice de juros, e finaliza requerendo a reforma do acórdão recorrido, e a desconstituição do crédito, bem como o afastamento da multa e taxa SELIC. É o relatório. Fl. 42369DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 19515.722023/201168 Acórdão n.º 2301004.057 S2C3T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. A recorrente alega, entre outras coisas, que apresentou planilhas discriminando as pessoas físicas produtores rurais das quais a recorrente adquiriu mercadorias, assim como o valor da base de cálculo da exação e do tributo devido, que foi efetivamente recolhido pela recorrente, e que tais planilhas, juntamente com notas fiscais e demais documentos pertinentes, juntados aos autos, foram despropositadamente ignorada pelo fisco, o que jamais poderia ocorrer. Contudo, ao contrário do afirmado pela recorrente, a autoridade fiscal deixa claro que analisou as planilhas e notas fiscais apresentadas e, do confronto com os valores registrados na contabilidade e GFIP, constatouse que nem todas as notas foram apresentadas, já que em algumas competências o valor declarado é muito superior ao apurado em notas fiscais e, às vezes, o apurado em notas fiscais fica muito inferior ao escriturado no LRE. Intimada a apresentar esclarecimentos, a recorrente apresentou planilhas contendo parcialmente o solicitado pela fiscalização, pois não havia o montante das notas fiscais de entrada, quais estão relacionadas a compras de produção rural, e quais são de pessoas físicas, e quais compuseram a base de cálculo que deu origem aos recolhimentos e às GFIP. A fiscalização constatou, ainda, que os valores declarados na Guia de Apuração do ICMS não coincide com o escriturado nas contas contábeis analisadas. Por tais motivos a fiscalização arbitrou o débito, tomando como base os valores registrados nos códigos CFPOs ali relacionados, tendo em vista a grande possibilidade de haver ali valores relativos a aquisição de produção rural de pessoa física. Portanto, cumpre reiterar que a fiscalização não ignorou a documentação apresentada, como também não houve a recusa, por parte da autoridade julgadora de primeira instância, dos documentos apresentados no aditamento à impugnação, e nem a documentação apresentada foi desconsiderada na decisão recorrida. Observase que a relatora do acórdão combatido deixou claro, às fls. 42 de seu voto, que todos os documentos juntados aos autos foram devidamente analisados. O que o julgador negou foi o requerimento feito pela recorrente, ao final de sua impugnação, para que pudesse “provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos.”, e fundamentou sua decisão no art. 16, § 4o, do Decreto 70.235/72. Fl. 42370DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Assim, não procedem as afirmações da recorrente de que houve recusa dos documentos apresentados em 13/01/2012, não havendo que se falar em nulidade do AI ou do acórdão recorrido. Nesse sentido, VOTO por não anular o Acórdão de primeira instância, e analisar as demais alegações trazidas pela recorrente em seu recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 42371DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 19515.722023/201168 Acórdão n.º 2301004.057 S2C3T1 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, redator designado. Com todo respeito à excelsa Relatora, divirjo de seu entendimento quanto ao cerceamento de defesa na análise e decisão a quo. Como bem relatado, conforme consta do Relatório do Processo Administrativo Fiscal (RF), o fato gerador das contribuições exigidas é a aquisição de produção rural de pessoas físicas, pela subrogação. Ainda segundo o Fisco, não foi possível precisar os valores envolvidos na base de cálculo dos fatos geradores, pois a empresa não lança em sua contabilidade os fatos geradores em títulos próprios e nem atendeu o solicitado nos Termos de Intimações, para que a fiscalização pudesse mensurar as bases de cálculo, motivo da utilização do arbitramento. Em síntese, o fisco utilizou de arbitramento, pois a documentação ea contabilidade da recorrente impedem a verificação da correição no recolhimento da contribuição de produtos adquiridos de pessoas físicas. Outro fato para o arbitramento foi a ausência de apresentação de docuemntos fiscais referentes a entrada de mercadorias Por fim, em síntese, apesar de solicitar informações, as apresentadas não esclarecem as questões que motivaram o arbitramento, sendo este utilizado. Cabe aqui destacar a determinação legal que possibilita o uso do arbitramento: Lei 8.212/1991: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. Fl. 42372DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, CABENDO À EMPRESA OU AO SEGURADO O ÔNUS DA PROVA EM CONTRÁRIO. ... § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, CABENDO À EMPRESA O ÔNUS DA PROVA EM CONTRÁRIO. Portanto, pelos motivos expostos pelo Fisco e pelas determinações legais, o arbitramento foi feito de forma correta e cabe, no curso do processo administrativo fiscal, à empresa o ônus da prova em contrário, ou seja, comprovar que itens a aferição está equivocada. Na impugnação, item III.1 em diante, o sujeito passivo afirma que ntregou documentação que comprova a correção no recolhimento, como também, a incorreção no arbitramento efetuado. O sujeito passivo, antes da decisão de primeira instância, 13/01/2012, apresentou aditamento de sua impugnação, onde, em síntese, apresenta documento, que, segundo sua ótica, comprovam a incorreção do lançamento efetuado por arbitramento. O mesmo ocorreu em 25/02/2012, 19/04/2012, como novos aditamentos à impugnação. Em 29/01/2013 foi emitida a decisão de primeira instância, que julgou, em síntese, a impugnação improcedente. Destaquese que na emissão do relatório, a decisão a quo não cita os aditamentos da impugnação, nem mesmo sobre a documentação anexada aos autos. Já no voto, em nosso modesto entender, a decisão a quo deveria rebater, pontua ou pelo menos por amostragem significativa, os argumentos e provas trazidos pelo sujeito passivo, em sue ônus de trazer prova em contrário ao arbitramento. Fl. 42373DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 19515.722023/201168 Acórdão n.º 2301004.057 S2C3T1 Fl. 7 11 Ao invés disso, a decisão reforça os argumentos sobre a correção do arbitramento, como consta do RF. Destaquese que a decisão não rebate os argumentos e as provas colecionadas na impugnação e em seus aditamentos, juntados meses antes da elaboração da decisão. Como já destacamos, conforme determinado pela legislação, o Fisco possui a possibilidade de utilizar a ferramenta arbitramento para a elaboração do lançamento, quando ocorrer uma das hipóteses para sua utilização (recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou apresentação deficiente, ou a contabilidade não registrar o movimento real de remuneração dos segurados a serviço dos sujeito passivos, do faturamento e do lucro), passando ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário, que resulta no conseqüente direito de que suas alegações, na prova em contrário, sejam devidamente analisadas, com sua rejeição, ou não. Da forma que foi proferida a decisão a quo – sem análise, nem mesmo parcial sobre as razões e documentação apresentada para fazer prova em contrário – o direito de defesa do sujeito passivo foi cerceado, de forma cabal. Na legislação há determinação sobre o procedimento a ser utilizado quando, no curso do Processo Administrativo Fiscal (PAF) verificase o cerceamento de defesa. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: ... II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Pois bem, como a decisão a quo cerceou o direito de defesa do sujeito passivo – pela ausência de análise de argumentos e documentos para fazer prova em contrário em relação ao arbitramento efetuado no lançamento – voto em anular a decisão de primeira instância. O sujeito passivo deve ter ciência desta decisão, pela emissão de emissão de nova decisão, com a correção do vício indicado. Após a decisão, o sujeito passivo deve ser intimado, com a obrigatória oportunidade para apresentação de recurso, caso deseje. Fl. 42374DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 42375DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 13502.000153/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - ENTIDADE ISENTA - IMPOSSIBILIDADE DE COBERTURA DA CONDIÇÃO DE IMUNE - NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 55 , II e § 1 DA LEI 8212/91 -
O não cumprimento das exigências legais, previstas no art. 55 da lei 8212/91, quanto a condição de entidade isenta, inviabilizada o direito a isenção de contribuições previdenciárias patronais.
Os efeitos da lei 12.101/2009, e por conseqüência, as regras ali contidas, não possuem efeito retroativo, valendo até a sua entrada em vigor, as regras dispostas no art. 55, II e § 1 da lei 8.212/91, com o texto até então em vigor .
Nem para o período anterior a entrada em vigor da lei 12.101/2009, nem para o posterior, conseguiu o recorrente demonstrar o cumprimento dos requisitos legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Carolina Wanderley Landim, que entende que em decorrência da novel legislação a formalização do pedido de isenção é inexigível inclusive para períodos anteriores a sua vigência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Os efeitos da lei 12.101/2009, e por conseqüência, as regras ali contidas, não possuem efeito retroativo, valendo até a sua entrada em vigor, as regras dispostas no art. 55, II e § 1 da lei 8.212/91, com o texto até então em vigor . Nem para o período anterior a entrada em vigor da lei 12.101/2009, nem para o posterior, conseguiu o recorrente demonstrar o cumprimento dos requisitos legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 01 53 /2 01 0- 28 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Carolina Wanderley Landim, que entende que em decorrência da novel legislação a formalização do pedido de isenção é inexigível inclusive para períodos anteriores a sua vigência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles Aguiar. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13502.000153/201028 Acórdão n.º 2401003.739 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob o n.37.258.2320, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, no período de 11/2006 a 12/2009. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 32 a 43: 1. a ação fiscal foi realizada conforme orientação da Norma de Execução Cofis n. 04, de 01/09/2009 . Consistiu na apuração da contribuição previdenciária relativa à cota patronal incidente sobre a remuneração dos segurados declarados em GFIP — Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia e Prestação de Informações à Previdência Social . Este fato decorreu devido a Entidade declarar incorretamente o código de FPAS 639 (isenta de contribuições previdenciárias ) em GFIP, sem, no entanto, preencher os requisitos legais a esta isenção. 2. A Entidade não apresentou o Certificado de Entidade de Beneficente de Assistência Social (CEBAS ou CEAS) emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), tampouco o Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária, ambos solicitados no TIPF. No Sistema de Informações do Conselho Nacional de Assistência Social SICNAS — consta que o CEAS solicitado pela Entidade foi indeferido pelo referido órgão (processo 44006.002446/1999 25). Desta forma, não resta dúvida que a Entidade nunca preencheu os requisitos formais necessários ao beneplácito da isenção previdenciária. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 20/02/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 02/03/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 170 a 175, onde alegou em síntese. Foi exarada Decisão de 1ª instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 84 a 86. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 31/12//2009 IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Para os fins colimados pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no que se reporta à imunidade prevista no art. 195, § 7°, apenas se subsumem ao restrito conceito de assistência social aquelas atuações descritas no seu art. 203. ISENÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. A ausência do pedido formal de reconhecimento de isenção e do despacho concessivo, além da ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), desautorizava o sujeito passivo ao auto enquadramento e ao gozo da isenção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 97 e seguintes, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma breve: 1. •DA PRELIMINAR 2. A requerente é Instituição filantrópica, com registro no CNAS — CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL é Instituição de utilidade pública municipal, reconhecida pela Lei Municipal n2 34190 (EM ANEXO) tendo recebido Moção de Reconhecimento na Câmara de Vereadores em Sessão Ordinária 3. • Após ter sido certificada pelo referido Conselho perdeu a certificação por atraso na entrega da documentação exigida. No entanto, continua enquadrada nas mesmas exigências. 4. A instituição realizou renovação do registro junto ao CMAS — CONSELHO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL possuindo Atestado de Registro, 5. Ademais, a instituição reestruturou seus programas sócioassistenciais priorizando a área de educação, mas também alcançando departamentos de saúde, alimentação e capacitação profissional. 6. DO MÉRITO 7. A requerente recolheu rigorosamente em dia todas as contribuições devidas à Previdência Social e aplica todos os recursos arrecadados, sejam por doações ou serviços, integralmente na finalidade da instituição tendo diretoria voluntária e não percebendo nenhum rendimento seja a que título for. 8. O sujeito passivo requer que o Auto de Infração seja julgado improcedente. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13502.000153/201028 Acórdão n.º 2401003.739 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 120. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO – A questão a ser apreciada é o alegado direito a isenção pleiteado pelo recorrente, por entender a requerente ser Instituição filantrópica, com registro no CNAS — CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL e possuir a condição de utilidade pública municipal, reconhecida pela Lei Municipal n2 34190 (EM ANEXO) tendo recebido Moção de Reconhecimento na Câmara de Vereadores em Sessão Ordinária. Também argumenta que recolhe devidamente as contribuições previdenciárias e presta assistência social, o que a qualifica ara usufruir da isenção pretendida. Primeiramente devese esclarecer que o comando constitucional que imuniza é regra excepcional e por isso não comporta interpretação extensiva. Não se admite diminuir o alcance da norma constitucional bem como não se admite estendêla. A imunidade das entidades beneficentes de assistência social de que trata o § 7° do art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 está conjugado com as disposições de assistência social do art. 203 dessa Carta Magna. Para os fins colimados pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no que se reporta à imunidade prevista no art. 195, § 7°, apenas se subsumem ao restrito conceito de assistência social aquelas atuações descritas no seu art. 203. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Para fazer jus a imunidade (conforme afirma o recorrente) prevista pelo parágrafo 7° do art 195 da CF/88, deveria a notificada cumprir os requisitos estabelecidos no art 55 da lei n° 8.212/91, abaixo transcritos: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Ill promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficios a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §I Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. O presente caso, amoldase a instituições que pleiteiam, dentro dos limites legais, valerse da imunidade das contribuições patronais. Contudo, o recorrente, seja durante a impugnação, ou mesmo agora na fase recursal não demonstrou atender os requisitos legais para a sua consecução, vez que não foram apresentados o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), emitido pelo Conselho Nacional Assistência Social (CNAS), e o Ato Declaratório de Reconhecimento de Isenção das contribuições sociais. Conforme descrito pelo auditor o recorrente adotou durante o período do lançamento a conduta de se autoenquadrar como entidade isenta, a despeito do indeferimento do pedido do CEAS feito pelo contribuinte (processo n° 44006.002446/199925). QUANTO A APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO PERTINENTE Quanto ao direito a isenção o art. 55 da Lei n º 8.212 de 1991 que previa os requisitos necessários à obtenção do direito à isenção foi revogado pelo art. 44 da Lei n º 12.101 (DOU de 30 de novembro de 2009). De acordo com o previsto no art. 31 da Lei n º 12.101 de 2009, a Receita Federal deixou de ter competência para apreciar os requerimentos de isenção. O direito ao benefício será exercido pela entidade desde a data da publicação da concessão da certificação, atendidos os requisitos do art. 29 da Lei n º 12.101, independentemente de pedido ao órgão fazendário. Nesse sentido é o teor do art. 31, in verbis: Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capítulo. A atuação do órgão fiscalizador ocorrerá na hipótese de descumprimento pela entidade do art. 29 da Lei n º 12.101, sendo lavrado diretamente o auto de infração, conforme expressamente previsto no art. 32 da Lei n º 12.101, nestas palavras: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13502.000153/201028 Acórdão n.º 2401003.739 S2C4T1 Fl. 5 7 Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção.7 § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Por seu turno, a concessão ou de renovação dos certificados não é mais de competência do CNAS, passando tal exercício para os Ministérios respectivos, nestas palavras: Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. § 1o A entidade interessada na certificação deverá apresentar, juntamente com o requerimento, todos os documentos necessários à comprovação dos requisitos de que trata esta Lei, na forma do regulamento. § 2o A tramitação e a apreciação do requerimento deverão obedecer à ordem cronológica de sua apresentação, salvo em caso de diligência pendente, devidamente justificada. § 3o O requerimento será apreciado no prazo a ser estabelecido em regulamento, observadas as peculiaridades do Ministério responsável pela área de atuação da entidade. § 4o O prazo de validade da certificação será fixado em regulamento, observadas as especificidades de cada uma das áreas e o prazo mínimo de 1 (um) ano e máximo de 5 (cinco) anos. § 5o O processo administrativo de certificação deverá, em cada Ministério envolvido, contar com plena publicidade de sua tramitação, devendo permitir à sociedade o acompanhamento pela internet de todo o processo. § 6o Os Ministérios responsáveis pela certificação deverão manter, nos respectivos sítios na internet, lista atualizada com os dados relativos aos certificados emitidos, seu período de vigência e sobre as entidades certificadas, incluindo os serviços Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 prestados por essas dentro do âmbito certificado e recursos financeiros a elas destinados. Para os pedidos de isenção em curso na Receita Federal não há regra de transição prevista na Lei n º 12.101/2009 Desse modo, entendo que para os pleitos formulados até a data da publicação da Lei n o. 12.101/2009 há que se observar o procedimento disposto na Lei n 8.212/91. Para os fatos geradores ocorridos após a publicação da Lei n 12.101, não é mais necessária formulação de pedido do reconhecimento do direito. Nesse sentido, importante visualizar a competência distinta de cada um dos órgãos envolvidos no processo de enquadramento de uma entidade como isenta, para que ao fim se determine a legitimidade ou não do não recolhimento da parcela patronal de contribuições previdenciárias. A competência para conceder os títulos de utilidade pública federal, estadual e municipal, bem como o registro e concessão do CEAS, antes da entrada em vigor da Lei 12.101 de 2009, era realizada por cada um dos órgãos envolvidos, dentro de seus limites de competência. É sabido que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, por exemplo, era processado no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, bem com os certificados de Utilidade Pública era, concedidos no âmbito de cada poder competente, seja, no âmbito Federal, Estadual e Municipal. Porém a lei deixa claro que a isenção, mesmo que cumpridos todos os requisitos anteriormente mencionados era adstrita ao INSS e a partir da edição da lei 11.457, de 2007 à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em nome do INSS, de acordo com o art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais, mas dentre elas, encontravase expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB), quanto ao necessário “pedido” e manifestação daquele órgão quanto a efetiva concessão do benefício. Assim, não haverseia de confundir a obtenção de documentos (digase também previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado perante o INSS”para obtenção do benefício fiscal. Frisese que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil restringiase à concessão, manutenção e cancelamento da isenção, verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos. Dessa forma, a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, ao constatar que a entidade, quando da ocorrência dos fatos geradores, deixava de cumprir quaisquer dos requisitos legais, para usufruir da isenção procedeu ao lançamento das contribuições devidas. Portanto, restando claro, que as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, são legítimas, e, por conseguinte, a isenção deve ser requerida ao órgão da previdência, concluise que, para usufruto desse beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, decretos de filantropia ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios de suas receitas e despesas. Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55, qualificassem o contribuinte a solicitar a isenção, a mesma não se dava de forma automática, considerando que da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 para regular concessão seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13502.000153/201028 Acórdão n.º 2401003.739 S2C4T1 Fl. 6 9 Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Assim, por falta de prova do cumprimento de condição indispensável, não há que se falar em isenção ou imunidade até 29/11/2009. Entendo que os efeitos da lei 12.101/2009, e por consequência, as regras ali contidas, não possuem efeito retroativo, valendo até a sua entrada em vigor, as regras dispostas no art. 55 da lei 8.212, com o texto até então em vigor . Notese que mesmo em grau de recurso não trouxe o recorrente qualquer prova do cumprimento do referido requisito. Já a partir de 30/11/2009, a isenção/imunidade em relação as contribuições previdenciárias passou a ser regulamentada pela Lei 12.101, de 2009. Assim, a partir da dita lei é que o usufruto da isenção não mais depende de requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (ou INSS), bastando a posse do certificado emitido pelo órgão do Ministério da respectiva área de atuação e o cumprimento dos requisitos elencados no seu art. 29 abaixo descritos: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capitulo II fará jus isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou titulo, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar n 2 123, de 14 de dezembro de 2006. Notese que de acordo com o art. 31 da mesma lei, o direito à isenção poderá ser exercido a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, mas não podemos falar que dita previsão afastaria as exigências legais vigentes até a alteração legislativa. Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capitulo. Todavia, identificamos que o lançamento em questão envolve competências anteriores a publicação da lei 12.101 e a competência 12/2009, mas, mesmo em relação a essa competência, a qual devese aplicar as novas regras, não demonstrou o recorrente, possuir a respectiva certificação, razão pela qual encontrase acertada a decisão tanto para o período anterior a 12.101/2009, como para os fatos geradores ocorridos posteriormente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER DO RECURSO, no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 144DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 14098.000094/2007-74
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/11/2005
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para interposição de recurso é peremptório. O recurso voluntário apresentado após o prazo legal não deve ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-003.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
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Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1454; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2.165 1 2.164 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14098.000094/200774 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.695 – 3ª Turma Especial Sessão de 08 de outubro de 2014 Matéria AGROINDÚSTRIA OU PRODUTOR RURAL Recorrente SOMEL ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/11/2005 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para interposição de recurso é peremptório. O recurso voluntário apresentado após o prazo legal não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 00 94 /2 00 7- 74 Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14098.000094/200774 Acórdão n.º 2803003.695 S2TE03 Fl. 2.166 2 . Relatório Tratase de auto de infração, Debcad 35.898.0720, fundamento legal 68, lavrado em razão de a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto no artigo 32, inciso IV e §5 ° da Lei 8.212/91, Lei 9.528/97, c/c art. 225, IV e §4° do Regulamento da Previdência Social (RPS) aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/04/1999 com fundamento no artigo 284, II, art. 373 e 292, I do RPS. A autuação fiscal se deu em razão do contribuinte ter efetuado pagamento: a plano de saúde não extensivo a todos os empregados considerados salário indireto pela fiscalização; à Cooperativa Unimed sem recolhimento de 15%; de remuneração de segurado contribuinte individual não declarados em GFIP com origem na contabilidade. Foi aplicada a multa corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada em GFIP, com base no artigo 284, II do RPS e limitada por competência em função do número de segurados da empresa, observado o limite previsto no §4° do artigo 32 da lei 8.212/91 com redação dada pela lei 9.528/97 c/c artigo 373 do RPS/99 e com artigo 8, V da portaria 822 de 11/05/05. A composição do cálculo da multa encontrase detalhada em tabela anexa ao auto de infração (folhas 17 a 35). O sujeito passivo foi cientificado da autuação fiscal, apresentando impugnação. Ao autos foram convertidos em diligência que resultou na exclusão da base de cálculo apurada mediante aferição indireta referente ao levantamento de salário indireto do plano de saúde não extensivo a todos os empregados. O contribuinte apresentou complementação à defesa preliminar onde apresenta quadro demonstrativo e diz que parte das divergências apuradas se encontram no PAES e que por erro na escrituração contábil não informava as retenções em GFIP. Nova diligência fiscal foi comandada que resultou na exclusão dos valores relativos ao plano de saúde, retificação parcial dos valores referente ao levantamento de cooperativa Unimed e a manutenção do levantamento CI – Contribuinte Individual. Solicitou, também, a decadência parcial da autuação fiscal. O órgão julgador de primeiro grau administrativo emitiu decisão considerando o lançamento fiscal procedente em parte, declarando a decadência do período: 07/1999 a 11/2000, pela regra do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14098.000094/200774 Acórdão n.º 2803003.695 S2TE03 Fl. 2.167 3 O contribuinte foi cientificado da decisão, irresignado apresentou Recurso Voluntário, argumentando em síntese: requer seja reconhecida e declarada a nulidade do lançamento realizados na planilha de fls. 2007 a 2016, por possuir nulidade insanável; a suspensão do crédito tributário das contribuições das competências 11/2004 e 12/2004, pela razão de estarem sendo discutidas judicialmente nos moldes do art. 151, V do CTN; o reconhecimento e declaração quanto ao índice aplicado às contribuições previdenciárias relativas às Cooperativas, conforme inciso IV, do art. 22 da Lei 8.212/91, visto que é totalmente ilegal a cobrança que não obedeça ao índice de 15%, sob pena de se caracterizar o enriquecimento ilícito por parte do fisco; a juntada de novos documentos que se fizerem necessários, tais como andamento processual dos processos n° 2005/250 e 2005/290A e outros. É o Relatório. Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14098.000094/200774 Acórdão n.º 2803003.695 S2TE03 Fl. 2.168 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de lima. O recurso é intempestivo. O contribuinte foi cientificado da decisão recorrida por Aviso de Recebimento AR em 21/10/2008, fls. 2057/2058 dos autos digitalizados, apresentando recurso voluntário em 21/11/2008 (fls. 2066/2070 e 2151). O prazo final para interposição de recurso foi dia 20/11/2008. A tempestividade constitui requisito indispensável à admissibilidade do recurso. O prazo para interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72. Destarte, o recurso não pode ser conhecido. O Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal federal, regulamenta matéria pertinente, nos termos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) (...) § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14098.000094/200774 Acórdão n.º 2803003.695 S2TE03 Fl. 2.169 5 II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Do que consta dos autos, temos que o Aviso de Recebimento AR foi enviado ao endereço eleito pelo contribuinte, trazendo o nome do recebedor. Ante a situação posta, não há como afastar o que consta da norma anteriormente citada. Aplicabilidade de súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Diante dos fatos, o recurso voluntária não será conhecido. Entretanto, a autoridade fiscal lançadora deve atentar e rever de ofício o lançamento relativo ao 15% sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de prestação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho Unimed, considerando que o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal STF, em 23/04/2014, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade do art. 22, inciso IV da Lei 8.212/199, com a redação dada pela Lei 9.876/1999, que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário RE 595838/SP. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em não conhecer do recurso, em razão da sua intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima. . Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.902946/2011-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer - e, sobretudo, provar - a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo - que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte - mostra-se insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF.
REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto.
REEMBOLSO DE ICMS. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para o creditamento de reembolso de Icms. O direito ao crédito restringe-se ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005).
PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002.
MATERIAL REFRATÁRIO. FORNOS DE ALTA TEMPERATURA. INSUMO. INDUSTRIAL. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS.
O material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura constitui insumo da atividade industrial, quando demonstrado o consumo ou desgaste no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e vida útil inferior a trezentos e sessenta e cinco dias. Não tendo sido apresentada prova da presença desses requisitos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: SOLON SEHN
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer e, sobretudo, provar a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte mostrase insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF. REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto. REEMBOLSO DE ICMS. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para o creditamento de reembolso de Icms. O direito ao crédito restringese ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 29 46 /2 01 1- 76 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. MATERIAL REFRATÁRIO. FORNOS DE ALTA TEMPERATURA. INSUMO. INDUSTRIAL. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS. O material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura constitui insumo da atividade industrial, quando demonstrado o consumo ou desgaste no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e vida útil inferior a trezentos e sessenta e cinco dias. Não tendo sido apresentada prova da presença desses requisitos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. No cálculo do PIS Não Cumulativo somente podem ser computados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902946/201176 Acórdão n.º 3802003.580 S3TE02 Fl. 104 3 CRÉDITOS. DESPESAS COM MÃO DE OBRA PESSOA FÍSICA. No sistema da não cumulatividade não geram créditos passíveis de desconto, as despesas com mão de obra pessoa física, por força da legislação. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. TAXA FLORESTAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Valores recolhidos a título de Taxa Florestal não integram o custo de aquisição dos produtos e subprodutos de origem florestal e não são passíveis de creditamento, por falta de previsão legal. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. REEMBOLSO DE ICMS. Valores pagos a título de “reembolso de ICMS” não são passíveis de creditamento, por falta de previsão legal. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. REFRATÁRIOS. Materiais refratários são bens que se incorporam ao Ativo Imobilizado da empresa, ficando sujeitos à depreciação própria dos bens imóveis, não sendo considerados insumos para fins de creditamento.” O pedido de ressarcimento tem por objeto saldo credor acumulado da contribuição em decorrência de operações de exportação. A DRJ não reconheceu o direito ao crédito relativo aos materiais refratários utilizados como revestimento interno do altoforno na siderurgia, por entender que as aquisições de bens e serviços aplicadas sobre o ativo imobilizado da empresa não geram créditos de PIS/Pasep e Cofins como insumos, em face da vedação do § 4º, alínea “a” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004. Também negou o direito ao crédito relativo a supostos reembolsos de ICMS, ao pagamento de taxas florestais, por falta de previsão de creditamento na legislação, bem como de gastos com a aquisição de outros bens e serviços. Neste último caso, por entender que não se enquadram no conceito de insumo, bem como outros gastos com serviços de exportação diversos daqueles previstos no inc. II, alínea “e” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004 (armazenagem e frete). O Recorrente, nas razões de fls. 72 e ss., sustenta que o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins deve ser irrestrito, abrangendo “qualquer dispêndios necessários a manutenção da atividade econômica do contribuinte”, nos termos do que foi decidido no acórdão relativo ao processo n° 11020.001952/200622. Afirmou ainda que a homologação da compensação não traria prejuízo aos cofres públicos, à medida que o direito ao creditamento seria integral. Requer o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 105DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 22/07/2013 (fls. 70), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 21/08/2013 (fls. 76), dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). Assim, estando a matéria em debate inserida no âmbito da competência da Terceira Seção de Julgamento e presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. A amplitude do conceito de insumos, para efeitos de creditamento de PIS/Pasep e de Cofins,vem sendo fonte de inúmeras controvérsias no âmbito do Carf, desde os primeiros julgados do então Segundo Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 20312.469 e n° 20312.741,da 3ª C.). Dentre as decisões que versaram sobre a matéria, destacamse, mais recentemente, os acórdãos nº 930301.036 (Rel. Henrique Pinheiro Torres), nº 930301.740 (Rel. Nanci Gama), da Câmara Superior de Recursos Fiscais; e, da Terceira Seção, os acórdãos nº 320200.226 (Rel. Gilberto de Castro Moreira Junior), 2ª C./2ª TO; nº 310101.109, 1ª C./1ª TO(Rel. Tarásio Campelo Borges); nº 310201.148, 1ª C./2ª TO (Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro); nº 3201000.959, 2ª C./1ª TO (Rel. Daniel Mariz Gudiño); nº 3202000.411, 2ª C./2ª TO; nº 3302001.781, 3ª C./2ª TO (Rel. Desig. Fabiola Cassiano Keramidas); nº 340101.715, 4ª C. /1ª TO (Rel. Odassi Guerzoni Filho); nº 3402001.661, 4ª C./2ª TO (Rel. Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça); nº 3403001.766, 4ª C./3ª TO (Rel. Antonio Carlos Atulim). A partir do exame dos julgados em referência, identificamse três correntes, consoante síntese encontrada em declaração de voto da eminente Conselheira Susy Gomes Hoffmann (cf. acórdão nº 930301.740): [...] em rápida síntese podemos verificar três correntes de entendimento sobre o tema: a) O termo insumo (na verdade bens e serviços, utilizados como insumos...) referido na legislação do PIS e da COFINS deve ser interpretado de acordo com a legislação do IPI. Nesta esteira cito o Acórdão 20312.469 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Relator Cons. Odassi Guerzoni Filho), que tem a seguinte ementa: O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc.), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias; cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, e manutenção predial. No caso do insumo "água", cabível a glosa pela ausência de critério fidedigno para a quantificação do valor efetivamente gasto na produção. b) O termo “insumo” indicado na legislação do PIS e da COFINS deve seguir a legislação do IRPJ e neste caso cito o Acórdão n° 320200.226 da Terceira Seção de julgamento do CARF (Relator Cons. Gilberto de Castro Moreira Júnior) que trouxe em parte da sua ementa o seguinte texto: O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 106DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902946/201176 Acórdão n.º 3802003.580 S3TE02 Fl. 105 5 da materialidade das contribuições em apreço. Neste caso os insumos referiamse aserviços efetuados sob encomenda para empresa preponderantemente exportadora, materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, energia elétrica, crédito sobre estoques de abertura existentes no momento do ingresso no sistema não cumulativo; e, a atividade da empresa era no setor de fabricação de móveis. c) Os bens e serviços que geram os insumos previstos na legislação do PIS e da COFINS não podem ser assumidos como similares ao da legislação do IPI e, tampouco, estão inseridos nos conceitos de custos ou despesas previstos na legislação do IRPJ. Tais insumos (bens e serviços classificáveis como insumos) devem ser definidos por critérios próprios. A primeira exegese que equipara o conceito de insumo ao da legislação do IPI, restringindoo nos moldes da IN SRF nº 404/2004 já se encontra superada entre as Turmas da Terceira Seção de Julgamento. A segunda, por sua vez, foi afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, no acórdão nº 930301.740, entendeu ser inviável a equiparação de insumo a todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade da empresa. Atualmente, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do Irpj, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Entendese, assim, que o conceito de insumo, ressalvadas as exceções da Lei nº 10.833/2003, compreende o custo de produção, ou seja, os gastos incorridos na produção dos bens que serão comercializados, consoante previsto de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291)2. Essa conclusão, segundo ressalta Ricardo Mariz de Oliveira, decorre do art. 12, § 1º, que trata do crédito relativo ao estoque de abertura dos bens previstos nos incisos I e II do art. 3º, por ocasião da data do início da vigência do regime não cumulativo: “Outro elemento subsidiário está no art. 11 da Lei n. 10.637 e art. 12 da Lei 10.833, que outorgam o direito a um ‘crédito’ de PIS e outro de COFINS sobre os estoques de abertura quando da introdução dos respectivos regimes de ‘não cumulatividade’, dizendo que os mesmos devem ser calculados sobre o ‘valor do estoque’. Ora, no valor do estoque de produtos acabados estão inseridos todos os custos diretos e indiretos de produção, e não apenas os valores das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e de outros bens que sofram alteração, de modo que não haveria nenhuma razão sistemática para os ‘créditos’ relativos a insumos adquiridos após a entrada em vigor do sistema ‘não cumulativo’ serem considerados apenas sobre aqueles três tipos de componentes da produção ou outros bens que sofram qualquer alteração”3. O mesmo também foi sustentado por Natanael Martins: 2 SEHN, Solon. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 315 e ss. 3 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da contribuição ao PIS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 4748. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 “[...] o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. É dizer, ‘bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços’, na acepção da lei, referese a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290, do Regulamento do Imposto de Renda”4. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, entendo que deve ser mantida a decisão recorrida. Isso porque, embora esta tenha adotado o conceito de insumo da IN SRF nº 404/2004, o Recorrente não esclareceu nem tampouco fez prova da relação entre os gastos incorridos e o processo produtivo. Ao invés disso, fundamentou o pedido de revisão do acórdão da DRJ na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo, que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte. Ora, como se viu, não é essa a orientação adotada pelo CARF. Na verdade, ainda que fosse, o Recorrente deveria ter feito prova de que os gastos incorridos são efetivamente necessários à manutenção da atividade da empresa. Portanto, pela falta de prova da relação entre o gasto e o processo produtivo, descabe o crédito no tocante aos seguintes itens: peças/manutenção de veículos; peças/manutenção de instalações; peças/manutenção elétrica, gastos com consultorias, material de laboratório, assistência técnica, alimentação, assistência médica e social, treinamento de pessoal, convênio/farmácia, cesta básica, viagens, estadias, estacionamentos; gastos com equipamentos de segurança; gastos com telefone; material de escritório, outros gastos; outros gastos não considerados insumos. O mesmo se aplica às despesas com outros serviços de exportação, sobretudo porque o Recorrente, nas razões recursais ou na manifestação de inconformidade, sequer especifica quais seriam os serviços em questão. Tampouco há direito ao crédito de reembolso de Icms. O direito ao crédito da Cofins restringese ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005). Da mesma forma, não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque, como destacado na decisão recorrida, esta não integra o custo de aquisição do produto, sendo cobrada em função do “exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo desse tipo de produto”. Além disso, não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002: “Art. 3º. [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;” 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902946/201176 Acórdão n.º 3802003.580 S3TE02 Fl. 106 7 Por fim, no tocante ao material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura, estes podem ser considerados insumos (material intermediário), desde que demonstrado que: (i) são consumidos ou desgastados no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e (ii) não apresentem vida útil superior a trezentos e sessenta e cinco dias. Presentes os requisitos acima, o direito ao crédito decorre do próprio art. 8º, § 4º, I, “a”, da IN SRF nº 404/2004: “Art. 8º. [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;” Portanto, não é necessário o consumo integral e imediato do bem no processo produtivo. Tais requisitos foram aplicáveis apenas ao IPI no período de vigência do art. 32, I, do Decreto nº 70.162/1972 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados), que restringia expressamente o direito ao crédito aos insumos que fossem “consumidos, imediata e integralmente, no processo de industrialização”: “Art. 32. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse do imposto; I Relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, importados ou de fabricação nacional, recebidos para emprego na industrialização de produtos tributados, por estabelecimento industrial ou pelo estabelecimento a que se refere o inciso III do § 1º do artigo 3º, compreendidos, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, imediata e integralmente, no processo de industrialização;” Desde o Decreto nº 83.263/1979, inclusive à luz do Regulamento do IPI em vigor (Decreto nº 7.212/2010, art. 226, I), não há mais exigência de consumo integral e imediato: “Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos Fl. 109DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;” Nesse linha, cumpre destacar o seguinte julgado da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que reconheceu o direito ao crédito em relação ao IPI: “TRIBUTARIO. IPI. MATERIAIS REFRATARIOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. OS MATERIAIS REFRATARIOS EMPREGADOS NA INDUSTRIA, SENDO INTEIRAMENTE CONSUMIDOS, EMBORA DE MANEIRA LENTA, NÃO INTEGRANDO, POR ISSO, O NOVO PRODUTO E NEM O EQUIPAMENTO QUE COMPOE O ATIVO FIXO DA EMPRESA, DEVEM SER CLASSIFICADOS COMO PRODUTOS INTERMEDIARIOS, CONFERINDO DIREITO AO CREDITO FISCAL.” (STJ. 2ª T. REsp 18.361/SP, Rel. Min. Hélio Mosimann. DJ 07/08/1995, p. 23026) É por esse motivo que, mesmo para quem interpreta o conceito de insumo a partir da IN SRF nº 404/2004, não cabe condicionar o crédito ao consumo integral e imediato do produto intermediário. Apesar disso, no presente caso, o Recorrente não apresentou qualquer laudo técnico ou documento que comprove o prazo de vida útil do material refratário utilizado ou ainda a periodicidade de realização desses gastos. Tratase de prova imprescindível, porque, como bem ressaltou a DRJ, o desgaste de refratários pode variar em função do tipo do material ou mesmo da região em que o mesmo se encontra. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 19679.009971/2003-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/1998
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INOCORRÊNCIA DOS FATOS IMPUTADOS AO CONTRIBUINTE.
Provado que não ocorreram os fatos imputados ao contribuinte no auto de infração, relativamente a glosas efetuadas em DCTF, cancela-se lançamento.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido, quanto ao recurso voluntário, o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède e Alexandre Gomes. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INOCORRÊNCIA DOS FATOS IMPUTADOS AO CONTRIBUINTE. Provado que não ocorreram os fatos imputados ao contribuinte no auto de infração, relativamente a glosas efetuadas em DCTF, cancelase lançamento. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido, quanto ao recurso voluntário, o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède e Alexandre Gomes. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 99 71 /2 00 3- 21 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19679.009971/200321 Acórdão n.º 3302002.698 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra a empresa TRIKEM S/A (Incorporada pela BRASKEM S/A), já qualificada nos autos, foi lavrado Auto de Infração para exigir o pagamento de Cofins relativo aos meses de setembro a dezembro de 1998, tendo em vista que a empresa declarou, em DCTF, que os referidos débitos foram compensados por força de decisão judicial proferida no Processo nº 98.00123261, que restou não comprovado, no entender da autoridade autuante. Inconformada com a autuação, a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões foram resumidas no relatório do acórdão recorrido, nos termos abaixo transcritos. 6. Notificada do lançamento em 11.08.2003 (fls. 273), a interessada interpôs impugnação em 10.09.2003 (fls. 01 a 20), onde alega que: 6.1. A empresa possuía saldo de crédito suficiente, a título de contribuição para o Finsocial, exação considerada inconstitucional pelo STF, utilizado a partir de 31 de outubro de 1998, para compensar o crédito tributário; 6.2. O Fisco considerou somente o processo judicial n° 98.00123261, quando na verdade deveria considerar a ação ordinária n° 92.00006116, ajuizada com o escopo de ver declarada a inconstitucionalidade do Finsocial, bem como as disposições presentes nas leis n° 8.383/91 e 9.430/96, que autorizam a compensação de créditos havidos pelos contribuintes em face do Fisco Federal, e mais especificamente, no caso do último diploma legal, em face da Receita Federal; 6.3. A sociedade Salgema Indústria Química S/A, posteriormente incorporada pela ora impugnante, ajuizou a ação ordinária n° 92.00006l 16, com o objetivo de recuperar os valores exigidos a título de Finsocial, sendo que a ação resultou na declaração de inconstitucionalidade das majorações de alíquota. Na referida ação, a autora requereu que fosse declarado inconstitucional o Finsocial, reconhecendose o direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos. Em ordem sucessiva, requereu fosse determinada sua devolução, pela via do precatório, caso não fosse acolhido o primeiro pedido. Alternativamente aos dois pedidos anteriores, requereu fossem declaradas inconstitucionais a majorações de alíquota promovidas pelas citadas leis, determinandose ou a compensação ou a restituição da diferença; 6.4. Em razão da maneira como foi formulado o pedido, teve inicio questão processual que se alongou por alguns anos, resultando, inclusive, na propositura do Mandado de Segurança n° 98.00l23261. Com efeito, ainda no bojo da referida ação ordinária, o Poder Judiciário houve por bem reconhecer e declarar a inconstitucionalidade das majorações do Finsocial, determinando a sua devolução mediante a expedição do malsinado oficio precatório. Irresignada, a autora tentou por todos os meios reformar a citada decisão, sem sucesso, esbarrando sempre na formulação do pedido, que supostamente careceu da melhor técnica redacional; 6.5. A decisão judicial final da ação ordinária foi no sentido de determinar a devolução por meio do precatório judicial. Referida ação judicial transitou em julgado e o indébito a titulo de Finsocial tomouse inquestionável; 6.6. No entanto, antes mesmo que se encerrasse o litígio supra, a autora intentou nova ação, desta vez o Mandado de Segurança n° 98.00123261, com o escopo de ver assegurada a compensação do Finsocial, nos exatos termos das Leis n° Fl. 362DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19679.009971/200321 Acórdão n.º 3302002.698 S3C3T2 Fl. 4 3 8.383/91 e 9.430/96, que autorizam a compensação de créditos havidos pelos contribuintes em face do fisco federal; 6.7. Sucede que o mandado de segurança foi ajuizado antes mesmo do trânsito em julgado da ação ordinária proposta no passado, que à época se encontrava no SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, aguardando julgamento de recurso especial. Por tal razão, o TRF da 5ª REGIÃO, analisando recurso de apelação interposto pela FAZENDA NACIONAL, houve por reformar a sentença singular e decretar a litispendência mandado de segurança à ação ordinária anteriormente ajuizada, eis que as duas ações versavam sobre a devolução do mesmo tributo. Com isso, o processo foi decretado extinto, sem julgamento de mérito, nos termos do art. 267, inciso V, do Código de Processo Civil. A impugnante ainda tentou, sem êxito, a reforma desta decisão junto ao STJ, mas a querela quedouse extinta sem julgamento de mérito, em razão da alegada litispendência; 6.8. Diante dos fatos narrados, é forçoso reconhecer que o Mandado de Segurança n° 98.00123261 se prestou tão somente como o instrumento viabilizador da compensação tributária pretendida pela Impugnante, já que nos idos de 1998 ainda havia certa resistência por parte da Receita Federal em aceitar a compensação levada a cabo pelos contribuintes e a jurisprudência dos Tribunais ainda não se encontrava bem construída, como se pode afirmar atualmente; 6.9. Desta forma, ao proceder à verificação da compensação executada pela IMPUGNANTE, em sede de revisão e controle (julgamento) do auto de infração em epígrafe, deve considerar, a RECEITA FEDERAL, também a Ação Ordinária n° 92.00006l16, na medida em que desta ação originaramse os créditos de Finsocial compensados pela ora IMPUGNANTE com a COFINS devida. O Mandado de Segurança n° 98.00123261, repitase, serviu apenas de instrumento liberador da compensação, em época em que o fisco ainda resistia a pretensão de contribuintes como a IMPUGNANTE, que almejavam compensar tributos de espécies supostamente diferentes, no entendimento da Receita Federal. 6.10. Outra possibilidade, que se cogita apenas por dever de oficio, e em razão da quase incompreensível justificativa presente no auto de infração em disputa, seria o entendimento da RECEITA FEDERAL no sentido de que a decisão proferida na Ação Ordinária n° 92.000061l6, em que se reconheceu a inconstitucionalidade das majorações do Finsocial e o respectivo crédito da Impugnante, obrigaria a ora Impugnante a requerer a restituição dos valores pela via do precatório, sendolhe vedada a rápida via da compensação. Nesse sentido, também não merece sorte a FAZENDA NACIONAL, vez que direito à compensação tributária deriva de lei e o trânsito em julgado da Ação Ordinária n° 92.000061 16, nos termos em que se verificou não prejudica o exercício deste direito potestativo por parte da IMPUGNANTE; 6.11. As leis de regência do procedimento de compensação no âmbito federal, editadas com fulcro no art. 170 do Código Tributário Nacional, são as Leis n° 8.383/91 e 9.430/96. Os dispositivos citados deixam evidente que a compensação, salvo quando se tratar de tributo lançado de oficio, é de iniciativa do contribuinte, cabendo ao fisco apenas conferir os valores lançados para fins de homologação expressa; conferência, que, não ocorrendo, resultará na homologação tácita dos valores compensados; 6.12. A positivação do instituto da compensação tributária está mais do que solidificada, e a natureza de direito potestativo do mesmo é inquestionável; Fl. 363DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19679.009971/200321 Acórdão n.º 3302002.698 S3C3T2 Fl. 5 4 6.13. A compensação tributária e a repetição do indébito devem produzir o mesmo efeito patrimonial, qual seja, recompor o patrimônio do contribuinte espoliado por uma cobrança indevida. A opção por uma ou outra modalidade, quando ambas forem aplicáveis, cabe ao contribuinte, que deverá avaliar se o crédito compensável s exaurido em período muito longo, quando será mais interessante a repetição em espécie, ou, do contrário, quando será rapidamente compensado, justificando o procedimento e a dispensa da repetição; 6.14. A própria regulamentação baixada pela Receita Federal sobre o instituto da compensação contempla a situação em que 0 contribuinte requer a repetição dos valores e de posse de sentença condenatória, prefere proceder à compensação dos créditos que dela derivam a executála judicialmente. Nesse sentido o art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 21/97 (com a redação conferida pela Instrução Normativa SRF n° 73/97); 6.15 Não bastasse, isso, convém lembrar que a própria Secretaria da Receita Federal já reconheceu que a compensação dos valores indevidamente pagos a título de Finsocial com valores vincendos da COFINS é válida (Instrução Normativa SRF n° 32/97); 6.16 Evidente, portanto, que a compensação realizada pela ora Impugnante é válida, não só aos olhos dá lei, mas inclusive aos olhos da Secretaria da RECEITA FEDERAL, o que só reforça a flagrante nulidade do presente auto de infração. A 9a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP julgou parcialmente procedente a impugnação, para excluir a multa de ofício, nos termos do Acórdão no 1618.437, de 09/09/2008, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. COISA JULGADA. Decisão transitada em julgada, em ação da qual é parte a interessada, vedou a efetivação da compensação. COMPENSAÇÃO. LEI n° 8.383/91. LEI n° 9.430/96. DIFERENTES SISTEMATICAS. A sistemática de compensação na forma da lei n° 8.383/91 possuía requisitos próprios, tais como a exigência de ser efetuada entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, não se confundindo com a compensação, instituída pela lei n° 9.430/96, mediante requerimento a Receita Federal entre quaisquer tributos e contribuições. IN SRF n° 32/97. CONVALIDAÇÃO. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. COFINS. A convalidação da compensação de débitos da COFINS com indébitos originados em pagamentos a maior feitos ao Finsocial, trazida com a IN SRF n° 32, só atinge o encontro de contas efetuado até o mês abril de 1997, época da edição dessa norma. As compensações não efetivadas até a publicação do referido ato Fl. 364DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19679.009971/200321 Acórdão n.º 3302002.698 S3C3T2 Fl. 6 5 deverão ser requeridas administrativamente, uma vez que o Finsocial e a COFINS são de diferentes espécies. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em razão da aplicação retroativa benigna do art. 18 da Lei 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051/04, deve ser excluída a multa de oficio vinculada imposta. Dessa decisão a Turma de Julgamento recorreu de ofício. A interessada tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 10/11/2008 (AR de fl. 319) e interpôs recurso voluntário no dia 08/12/2008, no qual renova as alegações da impugnação. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído para relatar. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. O Recurso de Ofício atende aos pressupostos legais e também dele se conhece. Como relatado, tratase de auto de infração eletrônico lavrado em virtude de não ter sido comprovada a existência da ação judicial que, informada pelo contribuinte na DCTF, teria lhe autorizado efetuar a compensação de débitos de Cofins com créditos de Finsocial reconhecidos pelo Poder Judiciário. Ante a incomprovação da existência do processo judicial, o Fisco, ao proceder o lançamento em causa, sequer se baseou em aspectos outros que só foram carreados para os autos após a impugnação e que corroboram da existência da ação judicial que autorizava, à época da apresentação das DCTF, a compensação declarada, desde que obedecidas a legislação de regência. Após a lavratura do auto de infração, constatouse que empresa Recorrente não cumpriu as exigências legais, determinadas pela decisão judicial, para efetuar a compensação autorizada pela ação judicial então vigente. E mais, também constatouse que, na data da lavratura do auto de infração, a decisão que autorizava a compensação havia sido revogada pelo TRF, confirmada pelo STJ. Esses fatos, em tese, autorizariam a lavratura do auto de infração. Ocorre que os referidos fatos foram apurados pela autoridade preparadora após a apresentação da impugnação do auto de infração. Quando do lançamento, a única Fl. 365DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19679.009971/200321 Acórdão n.º 3302002.698 S3C3T2 Fl. 7 6 acusação feita foi a de que o processo judicial informado na DCTF não fora localizado, ou seja, não existe (para o Fisco). Por isso mesmo, o PARECER SARAC Nº 0052/2008, de 21/08/2008, não se integra ao lançamento, para complementar a descrição dos fatos que ensejam a autuação. Quando muito, assemelharseia a mero ato de informação fiscal, previsão essa, todavia, revogada do Decreto nº 70.235/72, desde a publicação da Lei nº 8.748/93. Considero que fazer agora as considerações do referido parecer, no âmbito do processo, e manter o lançamento sob pressupostos outros que sequer foram, ou puderam ser, cogitados pela autoridade autuante, corresponde à verdadeira inovação no que pertine à valoração jurídica dos fatos, em época em que descabe à autoridade julgadora proceder ao agravamento da exigência, por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993, in verbis: “§ 3º. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.” No caso em pauta, o processo judicial efetivamente existe e, à época da apresentação das DCTF, havia nele decisão liminar autorizando a compensação declarada. Como se disse, os fatos e as circunstâncias que levaram à revogação dessa decisão liminar não foi fato motivador da autuação e, portanto, não pode ser argüido pelo Fisco para manter a autuação. Por isso mesmo, desconheço as razões da decisão recorrida para manter o lançamento e, também, deixo de analisar os argumentos da empresa Recorrente sobre essas mesmas matérias, posto que estranhas à lide estabelecida com a impugnação. Quanto ao Recurso de Ofício, mesmo que o lançamento fosse procedente, não merece reforma a decisão recorrida nesta parte, posto que o débito efetivamente foi declarado pelo contribuinte, não cabendo o lançamento da multa de ofício. Como considero indevido o lançamento do principal, o mesmo destino tem os acessórios (multa de ofício e juros de mora). Isto posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 366DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19679.009971/200321 Acórdão n.º 3302002.698 S3C3T2 Fl. 8 7 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10935.906412/2012-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/06/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/06/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/06/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/06/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 12 /2 01 2- 18 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.860, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 22237.79141.181010.1.2.045620, rastreamento nº 041907497, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 23.914,51, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/05/2010, efetuado em 25/06/2010, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906412/201218 Acórdão n.º 3802002.710 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 25/06/2010 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906412/201218 Acórdão n.º 3802002.710 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906412/201218 Acórdão n.º 3802002.710 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906412/201218 Acórdão n.º 3802002.710 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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