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Numero do processo: 10980.722147/2012-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2008
ALUGUEL DE IMÓVEL PARA EMPREGADO. CONDIÇÃO PARA O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO QUE DEVE SER COMPROVADA. SALÁRIO INDIRETO. VERBA QUE COMPÕE BASE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os valores pagos pela contribuinte a título de aluguel e condomínio de imóveis para o uso de seus funcionários em razão do trabalho devem ser comprovadamente desta natureza, caso contrário ensejam a incidência de contribuições previdenciárias.
Na hipótese as planilhas financeiras direcionavam o aluguel do imóvel como de uso de um diretor específico, tendo sido requerido esclarecimento pela fiscalização a empresa defendeu-se de forma genérica não se desincumbindo do ônus da prova.
Numero da decisão: 9202-006.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2008 ALUGUEL DE IMÓVEL PARA EMPREGADO. CONDIÇÃO PARA O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO QUE DEVE SER COMPROVADA. SALÁRIO INDIRETO. VERBA QUE COMPÕE BASE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos pela contribuinte a título de aluguel e condomínio de imóveis para o uso de seus funcionários em razão do trabalho devem ser comprovadamente desta natureza, caso contrário ensejam a incidência de contribuições previdenciárias. Na hipótese as planilhas financeiras direcionavam o aluguel do imóvel como de uso de um diretor específico, tendo sido requerido esclarecimento pela fiscalização a empresa defendeu-se de forma genérica não se desincumbindo do ônus da prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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CONDIÇÃO PARA O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO QUE DEVE SER COMPROVADA. SALÁRIO INDIRETO. VERBA QUE COMPÕE BASE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos pela contribuinte a título de aluguel e condomínio de imóveis para o uso de seus funcionários em razão do trabalho devem ser comprovadamente desta natureza, caso contrário ensejam a incidência de contribuições previdenciárias. Na hipótese as planilhas financeiras direcionavam o aluguel do imóvel como de uso de um diretor específico, tendo sido requerido esclarecimento pela fiscalização a empresa defendeuse de forma genérica não se desincumbindo do ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 21 47 /2 01 2- 63 Fl. 774DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2803003.889, proferido pela 3ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do Contribuinte, DEBCADs de nºs 37.352.0344, 37.352.0352 e 37.352.0336, totalizando o valor de R$ 248.294,67 (duzentos e quarenta e oito mil, duzentos e noventa e quatro reais e sessenta e sete centavos), decorrente, respectivamente, de contribuições da empresa, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; destinadas a Outras Entidades ou Fundos, denominados Terceiros (FNDE/SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre remuneração de segurados empregados, não declarada em GFIP; e, por fim, multa por descumprimento de obrigação acessória (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias – Código de Fundamento Legal – CFL 68). O Contribuinte apresentou impugnação ao DEBCAD nº 37.352.0336, às fls. 86 a 96, ao DEBCAD nº 37.352.0344 (fls. 104 a 134) e ao DEBCAD nº 37.352.0352 (fls. 391 a 421). A 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal de Curitiba/PR – DRJ/CTA, às fls. 659/674, DEU PARCIAL PROVIMENTO à impugnação, devendo ser excluída a importância de R$ 1.547,85, referente às competências 01, 02 e 03/2007 (AI 37.352.0344), em face dos efeitos operados pela decadência, conforme quadro demonstrativo inserido no voto (item 7), e pela manutenção do crédito remanescente, no valor de R$ 246.746,82. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fl. 683/716. A 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 724/732, DEU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, afastando a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente a título de aluguel e condomínios dos imóveis utilizados pelos seus empregados. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS — PREVISÃO CONSTITUCIONAL EFICÁCIA CONTIDA — REQUISITOS LEGAIS NÃO OBSERVAÇÃO INCIDÊNCIA. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10980.722147/201263 Acórdão n.º 9202006.506 CSRFT2 Fl. 10 3 O inciso XI do art. 7º da Constituição Federal/1988 não tem aplicação imediata pois prevê regulamentação por meio de lei ordinária. A participação nos lucros e resultados só deixou de integrar a base de contribuição a partir da edição da MP 794/1994 que após várias edições foi convertida na Lei n° 10.101/2000, desde que paga de acordo com os referidos diplomas legais. ALUGUEL DE IMÓVEL PARA EMPREGADO. CONDIÇÃO PARA O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBA QUE NÃO COMPÕE BASE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos pela contribuinte a título de aluguel e condomínio de imóveis para o uso de seus funcionários em razão do trabalho não ensejam a incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 734/735, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, arguindo contradição, por não se tratar de lançamento de valores pagos a título de aluguel e condomínio em benefício dos empregados, e sim, do contribuinte individual, diretor presidente, Emílio Carlo Nazzareno Fineschi; ainda, não ficou demonstrado se ele foi contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, como requer a norma. Às fls. 738/740, a Turma julgou ser de clareza ímpar não persistir qualquer contradição no v. acórdão prolatado, sendo que, na verdade, o que buscou a embargante era rediscutir a matéria já amplamente exaurida no v. acórdão. Às fls. 743/748, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação a seguinte matéria: incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxíliohabitação pago aos diretores da empresa. O Colegiado a quo afastou a incidência de contribuições previdenciárias sobre esses valores, pagos ao citado diretorpresidente. O acórdão paradigma, enfrentando situação análoga à presente, decidiu pela incidência da contribuição previdenciária sobre o auxíliohabitação pago aos diretores da empresa. Às fls. 751/755, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência trazida pela Recorrente. À fl. 767, a Receita Federal informou que foram transferidos do presente processo (nº 10980.722147/201263) para o processo nº 11061.720003/201631 os créditos tributários referentes à parte não impugnada pelo sujeito passivo lançados nos AI 37.475.707 0, AI 37.352.0352 e AI 37.352.0336. Permanece no processo 10980.722147/201263 o crédito previdenciário lançado no AI 37.352.0344, seguindo para julgamento. Devidamente intimado, conforme informação à fl. 760, o Contribuinte permaneceu inerte, vindo os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 776DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do Contribuinte, DEBCADs de nºs 37.352.0344, 37.352.0352 e 37.352.0336, totalizando o valor de R$ 248.294,67 (duzentos e quarenta e oito mil, duzentos e noventa e quatro reais e sessenta e sete centavos), decorrente, respectivamente, de contribuições da empresa, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; destinadas a Outras Entidades ou Fundos, denominados Terceiros (FNDE/SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre remuneração de segurados empregados, não declarada em GFIP; e, por fim, multa por descumprimento de obrigação acessória (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias – Código de Fundamento Legal – CFL 68). O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxíliohabitação pago aos diretores da empresa. Da análise dos autos observo que não assiste razão o acórdão ora recorrido: In casu, a recorrente possui sua sede no estado do Paraná, estando seus empregados distribuídos por diversas cidades do interior do estado, o que demonstra a necessidade de constante deslocamento de seus funcionários, mormente para Curitiba, a capital do estado. Outro ponto de destaque é a alegação da recorrente de que os contratos de locação celebrados estão em nome da própria recorrente e não de seus empregados, sendo cedido não só ao empregado mencionado na fiscalização como aos demais colaboradores da contribuinte, corroborando, por consectário, a tese de que a residência não era permanente e os aluguéis não eram pagos diretamente ao funcionário beneficiado, mas sim aos proprietários ou administradores dos imóveis. Ora, examinando os contratos de locação fornecidos pela recorrente, constatase que não há qualquer vinculação Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10980.722147/201263 Acórdão n.º 9202006.506 CSRFT2 Fl. 11 5 expressa entre o imóvel alugado e a pessoa que irá utilizá lo. Essa ausência de vinculação justificase visto que, os funcionários da recorrente não exercem suas atividades em somente uma cidade, mas estão em constantes deslocamento. Nesse contexto, podese perceber que tais imóveis eram destinados à moradia provisória dos funcionários da recorrente e tinham como função viabilizar o exercício de suas funções. Assim, resta plenamente demonstrado o caráter indenizatório da verba, a afastar a incidência de contribuição previdenciária nos termos do Decreto nº 612/92, em seu art. 37, §9º, alínea “m”. Compulsando os autos observo que as alegações do recorrido não são suficientes para desconsiderar as alegações do auditor na fiscalização, as quais estão corroboradas por provas que deixaram de ser analisadas pelo acordão da turma ordinária. As planilhas contábeis encontradas na Empresa dão conta de que o aluguel do imóvel é pago em favor do diretor especificamente, o que é possível inferir das próprias planilhas, pois em cada pagamento há o nome do diretor ao lado. Além disso, o auditor de posse das planilhas pediu esclarecimentos específicos quanto a este ponto o que foi completamente ignorado pela empresa que dali em diante passou a se defender de modo genérico, sem adentrar ao fato específico, ou seja, o contribuinte não se desincumbiu do ônus da prova. Isso demonstra a meu ver que a tese da defesa de utilizar o art. 458 da CLT combinado com o art. 28 § 9 da Lei de Custeio para casos nos quais o aluguel serve como acessórios fornecidos ou disponibilizados aos empregados para utilização durante a prestação do serviço em atendimento a este não são aplicáveis ao caso concreto cuja prova anexada aos autos aponta para direção contrária do alegado. Registro aqui que caso fosse comprovado que o aluguel era pago pela empresa por um imóvel que servisse de ponto de apoio na capital para empregados indeterminados, dentro do que preceitua a Lei não haveria a incidência da exação tributária ora discutida, mas não foi o que houve no presente caso. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. Fl. 778DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 779DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723632/2014-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 23 63 2/ 20 14 -6 5 Fl. 2787DF CARF MF Processo nº 11516.723632/201465 Resolução nº 1401000.507 S1C4T1 Fl. 2.788 2 RELATÓRIO Conforme descrição da autoridade julgadora de primeiro grau: Tratase de autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e lançamentos reflexos, às fls. 2.0362.122, lavrados para exigir de FONTANELLA TRANSPORTES LTDA., pessoa jurídica tributada pelo regime do Lucro Real Trimestral, crédito tributário de R$ 28.478.832,39, incluídos juros de mora, calculados até dezembro de 2014, apurados por arbitramento do lucro a partir de Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Carga – CTRC – e ainda por meio de notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas inexistentes, sobre os quais incidiram respectivamente multa de ofício (75%) e multa qualificada (150%), cf. Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário acostado à fl. 2, pelos motivos expressos no Relatório Fiscal às fls. 450. Ademais, foi imposta responsabilidade tributária solidária a (i) Fontanella Logística e Transportes Ltda. e (ii) Fontanella Transportes e Terraplanagem Ltda, conforme podemos aferir do relatório fiscal de fls. 0450 e dos termos de sujeição passiva de fls. 2026 2029. A contribuinte FONTANELLA TRANSPORTES LTDA apresentou impugnação às fls. 2.1282.148, enquanto os dois responsáveis tributários, FONTANELLA LOGÍSTICA E TRANSPORTES LTDA e FONTANELLA TRANSPORTES E TERRAPLANAGEM LTDA apresentaram impugnações, respectivamente, às fls. 2.6672.673 e 2.6782.684. A decisão de primeiro grau (fls. 2.6922.729) enfrentou as três impugnações. Nada obstante, somente a contribuinte foi cientificada da decisão (fls. 2.738) e, desse modo, apresentou recurso voluntário (fls. 2.7412.768). É o relatório do essencial para esse momento processual. VOTO Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Conforme relatamos, além do contribuinte, duas outras pessoas jurídicas foram postas no polo passivo tributário por meio da atribuição de responsabilidade solidária. Estas pessoas exerceram o seu direito de defesa pela apresentação, por cada uma, de peça impugnatória. Tais peças foram enfrentadas pela decisão de primeira instância. Vide o trecho conclusivo: 136. Não merecem acolhida, tampouco, as impugnações oferecidas por Fontanella Logística e Transportes Ltda. e Fontanella Transportes e Terraplanagem Ltda. determinando que ambas as sociedades empresárias sejam reconhecidas como responsáveis solidárias conforme decidido pela Autoridade Fiscal a quo. Fl. 2788DF CARF MF Processo nº 11516.723632/201465 Resolução nº 1401000.507 S1C4T1 Fl. 2.789 3 A autoridade preparadora, porém, deixou de cientificar os responsáveis tributários, encaminhando o feito apenas com o recurso voluntário oferecido pelo contribuinte. Dessa feita, devese converter o julgamento em diligência com o fito de devolver o processo à autoridade preparadora para que proceda a ciência do acórdão de primeiro grau para os dois responsáveis tributários (FONTANELLA LOGÍSTICA E TRANSPORTES LTDA e FONTANELLA TRANSPORTES E TERRAPLANAGEM LTDA), facultando a cada um deles o prazo legal para recurso. Após, devolvase o feito a este Colegiado com os eventuais recursos interpostos para prosseguirmos o julgamento de todas as defesas apresentadas. É como voto. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 2789DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904625/2016-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.514
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2011 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 25 /2 01 6- 60 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.904625/201660 Acórdão n.º 3201003.514 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.491, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904625/201660 Acórdão n.º 3201003.514 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.003528/2004-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003, 2004
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. GLOSA INDEVIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DA RECORRENTE.
Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de má-fé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003, 2004
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. GLOSA INDEVIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DA RECORRENTE.
Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de má-fé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos.
Numero da decisão: 3201-003.650
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro relator Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao recurso, acompanhado do conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
Fez sustentação oral, pela contribuinte, o Dr. Rogério Amaral Silva Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627, escritório Miranda de Carvalho e Grubman Advogados Associados.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003, 2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. GLOSA INDEVIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DA RECORRENTE. Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de má-fé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003, 2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. GLOSA INDEVIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DA RECORRENTE. Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de má-fé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro relator Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao recurso, acompanhado do conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o Dr. Rogério Amaral Silva Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627, escritório Miranda de Carvalho e Grubman Advogados Associados. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado).
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CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. GLOSA INDEVIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DA RECORRENTE. Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de máfé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003, 2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. GLOSA INDEVIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DA RECORRENTE. Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de máfé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos o conselheiro relator Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao recurso, acompanhado do conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o Dr. Rogério Amaral Silva Miranda de Carvalho, OAB/SP nº 120.627, escritório Miranda de Carvalho e Grubman Advogados Associados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 35 28 /2 00 4- 94 Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: 1. A interessada acima qualificada apresentou Declarações de Compensação em 30/11/2004, pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB, com créditos da contribuição para o PIS na modalidade não cumulativa (fl. 02 observese que os números de folha mencionados no presente processo referemse sempre à numeração digital), e créditos da contribuição para o PIS e a COFINS, na modalidade nãocumulativa (fl. 16). 2. Os alegados créditos da Declaração de Compensação de fl. 02 referemse às contribuições para o PIS/Pasep Apurado no Mês Mercado Externo (§ 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002), relativas aos meses de janeiro a dezembro de 2003, nos montantes, respectivamente, de R$176.730,78, R$119.385,71, R$113.188,99, R$410,05, R$129.174,96, R$38.812,54, R$184.533,41, R$171.457,84, R$206.696,21, R$170.833,36, R$124.043,65 e R$58.182,30 (fls. 04/15). 3. Os créditos alegados na Declaração de Compensação de fl. 16 referemse às contribuições para o PIS/Pasep Apurado no Mês Mercado Externo (§ 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002), relativas aos meses de dezembro de 2003, fevereiro a junho de Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 4 3 2004 nos montantes, respectivamente, de R$191.491,16, R$128.460,00, R$262.870,00, R$14.053,73, R$197.922 30 e R$ 160.686,52 (fls. 17/22); e a créditos da COFINS, Apurados no Mês Mercado Externo (§ 1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003), relativas aos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2004 nos montantes, respectivamente, de R$212.364,47, R$910.356,99, R$852.080,02 e R$588.630,85 (fls. 23/26). 4. Após a realização de procedimento fiscal visando à verificação dos créditos pleiteados pela contribuinte, foi emitido pela Delegacia da Receita Federal de Santos – SP (DRF Santos), o Despacho Decisório de fls. 54/70, o qual decidiu por não homologar as compensações apresentadas nas Declarações de Compensação constantes do presente processo, pela não comprovação, por documentação hábil e idônea, dos créditos declarados. 5. Cientificada da referida decisão (fl. 74), a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 75/89, na qual expõe suas alegações, concluindo haver equívoco na decisão impugnada, em face de falha no procedimento fiscal que deixou de verificar os créditos da interessada, e pedindo a procedência da manifestação de inconformidade, para o fim de ser autorizada a compensação inicialmente requerida. Acostou à sua defesa os documentos de fls. 90/204 e 209/346. 6. Os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPO, na qual foi emitido em 07/04/2009, pela 9ª Turma de julgamento, o acórdão de nº 1620.997 (fls. 362/385), que indeferiu a solicitação feita pela interessada em sua defesa. 7. Após tomar ciência do referido acórdão, a contribuinte apresentou, em 12/05/2009, Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fls. 388/402), a fim de que fosse reconhecido o direito ao crédito tributário pleiteado, juntando os documentos de fls. 403/488. Posteriormente, foram juntados também os documentos de fls. 538/574. 8. Em 23/08/2010 foi proferida, na Terceira Seção de Julgamento do CARF, a Resolução nº 330200.057 – 3ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, na qual os membros do Colegiado resolveram converter o julgamento em diligência (fls. 584/591). 9. Tendo em vista as exigências formuladas pelo CARF, o processo retornou para a DRF Santos (fl. 592), que realizou procedimento fiscal de diligência, sendo a contribuinte intimada a apresentar diversos documentos/informações (fls. 632/1687), do qual resultou o Relatório Fiscal – Diligência (fls. 1688/1713), além dos quadros anexos (fls. 1714/1999). 10. Com base no Relatório Fiscal – Diligência, o SEORT/DRF/Santos elaborou o relatório de fls. 2006/2010, contendo as considerações pertinentes a matéria em questão, os Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 5 4 créditos apurados e saldos a pagar referentes às Declarações de Compensação em análise. 11. Após tomar ciência do referido documento, a interessada apresentou a defesa de fls. 2018/2046, além dos documentos de fls. 2047/2105. 12. Em 27/07/2013 foi proferido, na Terceira Seção de Julgamento do CARF, o Acórdão de nº 3302002.202 – 3ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária (fls. 2112/2118), cuja ementa encontrase abaixo transcrita, no qual foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito da interessada a ter seu direito de crédito analisado com base na documentação apresentada e nas demais informações coletadas na diligência, por meio de novo despacho decisório da seção competente da unidade de jurisdição da RFB, cabendo ainda direito à manifestação de inconformidade à DRJ, no caso de indeferimento parcial ou total do direito de crédito da não homologação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA POR FALTA DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO. NOVA APURAÇÃO DE FATOS POR DILIGÊNCIA. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO OU NÃO DO DIREITO. Reconhecido o direito de a Interessada produzir prova de seu crédito por meio de diligência, que trouxe aos autos análise original e inovadora sobre os créditos admitidos e não admitidos, cabe à autoridade fiscal competente da unidade de jurisdição do contribuinte, por meio de novo despacho decisório, apreciar a declaração de compensação 13. Os autos foram então encaminhados para a DERAT SP/DIORT para prosseguimento, tendo em vista a mudança de jurisdição da contribuinte (conforme despacho de fl. 2125). 14. A DERATSP/DIORT proferiu o Despacho Decisório de fls. 2128/2135, no qual homologou as Declarações de Compensação até o limite dos direitos creditórios reconhecidos. 15. No referido Despacho Decisório, após o relato sobre a tramitação do processo em tela, menciona que a contribuinte pôde se manifestar acerca dos relatórios da Fiscalização e da Sacat (fls. 2018/2105). Ainda assim, esta DIORT/DERATSPO decidiu manter as glosas efetuadas pela Fiscalização e os cálculos realizados pela Sacat. Consta ainda, a fundamentação legal, e informações cujos trechos encontramse descritos abaixo: (...) Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 6 5 11. Vale notar que, para os créditos decididos neste processo, foram efetuadas glosas apenas de: (i) aquisições junto a pessoas jurídicas com situação cadastral constante como “inapta”, “suspensa” ou “baixada”; (ii) contabilização de notas de compra a maior; (iii) aquisições junto a produtor rural pessoa física em dez/02 e jan/03, sem previsão legal à época de crédito presumido; (iv) pagamentos que não se enquadram no conceito de insumo ou das despesas arroladas no art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. (...) 20. É importante pontuar que as glosas realizadas, seus valores e a fundamentação legal utilizada estão todos contidos na Informação Fiscal de fls. 1688/1713, da qual o contribuinte teve ciência em 27/11/2012, cf. fls. 2014 e 2017. RELATÓRIO DO SACAT 21. Vale ainda dizer que os direitos creditórios que serão reconhecidos são aqueles constantes do Relatório da Sacat (fls. 2006/2010), o qual menciona que: 3. Tendo como base os valores (créditos) constantes no Relatório elaborado pela Fiscalização, informamos: a) Foram feitos os ajustes de ofício, de forma a conformar os créditos com as Leis 10.833/2003 e 10.637/02, que permitem o ressarcimento apenas dos créditos oriundos das operações no mercado externo, considerando os descontos da contribuição devida no mês dos valores relativos aos créditos obtidos em operações de exportação constantes na DACON; b) Foi utilizado como critério o valor do crédito solicitado no pedido de compensação quando o valor apurado pela Fiscalização foi maior, o que ocorreu na apuração da COFINS nos meses de março e junho de 2003; 22. Ou seja, foram descontados da contribuição devida no mês, os valores de créditos relativos a mercado externo, como declarados nos DACONs ativos transmitidos pelo contribuinte. Ou seja, conforme a opção do contribuinte à época. 16. Por fim, foram reconhecidos os créditos conforme discriminados nas tabelas de fl. 2132, sendo homologadas as Declarações de Compensação de fls. 02 e 16 até os limites dos direitos creditórios reconhecidos, no total de, respectivamente, R$ 1.007.499,71, e R$ 2.469.713,43. 17. Cientificada da referida decisão em 18/08/2014 (fl. 2136), a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2141/2176 em 10/09/2014 (fl. 2276) alegando, em síntese, que: 17.1 este processo é parte integrante de manifestação de inconformidade já em discussão por procedimento fiscal administrativo, que ora se ratifica. Desta forma, para facilitar a Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 7 6 instrução, aproveitamento de provas e se evitar decisão díspares, pede a Impugnante sejam apensados para decisão conjunta. 17.2 A Impugnante é empresa que tem como objetivo social predominante a exportação de café cru, atividade esta que, por força do disposto nos incisos primeiros dos art. 6º da Lei 10.833/03 e 5º da Lei 10.637/02, não está sujeita ao recolhimento de PIS e COFINS e, na forma do disposto nas mesmas leis, nos parágrafos primeiros dos referidos incisos, este crédito poderá ser aproveitado para liquidação de obrigações tributárias das próprias contribuições e dos demais tributos arrecadados pela Delegacia da Receita Federal. 17.3 desde a vigência da referida norma, a Impugnante aproveita os créditos que tem e faz a compensação com os demais tributos que deveria recolher 17.4 Narra o procedimento de fiscalização, e a apresentação de diversos documentos a fim de comprovarem a origem dos créditos; a diligência efetuada; a apuração de créditos e, em alguns casos, sua exclusão. 17.5 Descreve histórico e base legal das contribuições para o PIS e a COFINS, da apuração dos créditos e base legal da compensação. 17.6 Quanto à natureza das cooperativas para fins de tributação do PIS e da COFINS, alega que a norma que instituiu o direito ao crédito de PIS/COFINS em toda cadeia não faz diferença do tipo de Pessoa Jurídica que efetuou a venda e sequer condiciona o creditamento ao recolhimento do tributo 17.7 Da mesma forma, a lei não diz, nem deixa dúvida a respeito, que é dever do adquirente conferir se o valor fora recolhido na entrada, a não ser em caso de operação sabidamente fraudulenta, na qual haja prova da fraude o que, por óbvio, não é o caso dos autos. 17.8 Como foi imposta dúvida pela fiscalização sobre o direito a crédito de diversas empresas exportadoras de café, o CECAFE – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, ao qual a Impugnante é associada, formulou consulta sobre a matéria à Receita Federal do Brasil (Doc. Nº __), que reconheceu o direito conforme a seguinte ementa... Cita ementa da solução da consulta formulada. 17.9 até o órgão arrecadador já se pronunciou quanto à legitimidade do creditamento efetuado pela Impugnante, não havendo justificativa para as glosas. 17.10 o ordenamento normativo está em uníssono às razões da Impugnante em relação ao creditamento das cooperativas. Cita art. 146 da Constituição Federal de 1988, art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, e art. 3º das Leis nº 10.637/01 e nº 10.833/03. Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 8 7 17.11 o inciso I do Art. 3º omitiu claramente o inciso I do § 3º do Art. 1º que destacava “isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota”, deixando clara a vontade do legislador de manter o direito a crédito na cadeia, mesmo quando concedida uma vantagem ao vendedor, ainda mais vantagem com amparo constitucional. 17.12 Assim, é irrelevante se a Sociedade Cooperativa adquiriu o café de terceiros (crédito aceito pela fiscalização) ou recebeu de cooperado para venda, não há outro tratamento a ser dado pela adquirente a não ser o de compra de simples Pessoa Jurídica. 17.13 a norma não faz distinção quanto à existência de isenção parcial em alguma das cadeias anteriores, sendo fato incontroverso que, mesmo a vendedora se submetendo ao Lucro Presumido (art. 15, parágrafo 1º, III, letra “a”, da Lei nº 9.249/95), opção que é reconhecidamente uma isenção, há direito ao crédito total de 9,25% de PIS/COFINS, como se a vendedora não fosse optante do benefício fiscal. 17.14 Outro equívoco da decisão impugnada foi a não aceitação dos créditos tomadas na aquisição dos cafés reguladores do governo. Estas aquisições foram feitas de pessoas jurídica e, na forma da Lei, dão ao contribuinte o direito ao crédito total. 17.15 No caso presente, o mesmo entendimento acima alinhavado deverá ser observado, posto que, não importando a natureza da Pessoa Jurídica vendedora, seu regime de tributação, ou ainda ser sujeita a isenção, o direito a crédito é íntegro. 17.16 No caso específico da CONAB, uma empresa pública, a Lei não exige dela o recolhimento do PIS/COFINS, pois seu capital é integralmente da União Federal e tributar sua operações seria onerar a atividade a que a própria União objetivou privilegiar. 17.17 Todavia, para fins da tributação o PIS/COFINS, a norma não faz distinção do benefício que se deu a terceiros, nem a natureza deste benefício, apenas há a garantia da tomada de crédito, que não poderia ser afastada. Anotese mais uma vez: NÃO HÁ QUALQUER RELAÇÃO COM O RECOLHIMENTO DO TRIBUTO PELA VENDEDORA COM A TOMADA DO CRÉDITO PELO COMPRADOR. 17.18 Quanto às empresas havidas como inaptas, alega que a Impugnante fez vasta prova da efetivação dos negócios entre ela e as empresa havidas pela fiscalização como inabilitadas, prova esta que vai além da mera apresentação do documento fiscal de compra, mas sim documento estadual de que a empresa estava habilitada para operar junto ao ICMS (SINTEGRA), prova de pagamento, prova do fechamento do negócio, documento de remessa ao armazém beneficiador, ficha cadastral da Junta Comercial, entre outros. Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 9 8 17.19 a documentação acostada aos autos é suficiente para contabilizar o pedido de compensação, demonstrando que em todo o período a Impugnante operou com as empresas que tinham aparência de estarem corretamente no mercado, foram atestada desta forma pelo Poder Público, mas que foram consideradas inabilitadas pela fiscalização, em contradição à demonstração da clara comprovação do negócio efetivado. 17.20 Ainda, o cartão de CNPJ das empresas (Doc. n.º _) é inconteste em assentar que as empresas estavam regularmente habilitada na época da aquisição, não se podendo imputar a atos negociais pretéritos os efeitos da baixa do cadastramento posteriormente havida. Notese que em todos os cartões, constam data de inatividade bem posterior à efetivação do negócio. 17.21 Cita o art. 82, da Lei nº 9.430/96, afirmando que, com base na legislação, fica clara a possibilidade de comprovação da lisura da operação, não restando razão para a manutenção da glosa, claramente infundada. 17.22 A questão de mérito relativa às glosas, no que se refere à retroação da declaração de inidoneidade da empresa vendedora, foi analisada pelo Superior Tribunal de Justiça através da Súmula Nº 509 (referente ao aproveitamento de créditos de ICMS), cujo enunciado é citado. 17.23 Em relação à comprovação do pagamento, não há na lei qualquer destaque que exija a efetiva comprovação do recolhimento na cadeia anterior 17.24 Fulminando qualquer dúvida frente à regularidade do ato praticado pela Impugnante na aquisição dos seus cafés, há ampla prova da atividade negocial, conforme documentação anexa, além da farta documentação apresentada à fiscalização, relativas a todas as notas fiscais glosadas pela fiscalização (Docs n.ºs _ a _). Destacamse, dentre outros documentos, os depósitos bancários efetivando o negócio; cópia do cartão de CNPJ e do SINTEGRA do período; comprovante de fechamento do negócio, entre outros. 17.25 é pressuposto constitucional o princípio da boa fé... Assim, não cabe aqui argumentar com o disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional... A Impugnante não foi a “agente” dos atos praticados pelos vendedores dos cafés, mas sim vítima de tais atos, e deve se balizar em dois fatos: a vendedora declarou estarem quitadas as contribuições e, como não há prova em contrário e até ser condenada por isso é inocente da prática de fraude, e cabe à Autoridade Fiscal buscar os tributos que lhe são devidos, não à Impugnante. 17.26 As próprias Delegacias de Julgamento já vêm reconhecendo o direito ao creditamento, quando existente a boa fé... Cita ementa de decisão administrativa. 17.27 Outra falha na declaração de inaptidão é a retroação da declaração. Notese que as aquisições se efetuaram entre 2005 e Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 10 9 2006, sendo que as empresas somente foram declaradas inaptas em 2010 e 2011... a Receita Federal somente decretou a inaptidão das empresas posteriormente, não podendo exigir da Impugnante cuidado impossível. 17.28 alega a fiscalização que: (...)Embora verificada por amostragem a nota fiscal, comprovante de pagamento e a entrega da mercadoria (conhecimento ou nota do armazém), é importante frisar que as empresas acima citadas têm características em comum: ausência de recolhimento das contribuições, falta de capacidade operacional para a realização de seus fins institucionais, pela falta de empregados, ou ainda, pela apuração da inexistência de fato perante o cadastro CNPJ.(...) são todos fatos alheios à Impugnante que agora são apresentados como forma de exclusão do crédito regularmente escriturado. 17.29 o próprio fiscal informa que não há prova da ação da Impugnante, mas mesmo assim julga que ação foi fraudulenta. Afirma que foi envolvida grande quantia de dinheiro (da qual há prova que a Impugnante pagou), mas não dá direito ao crédito que a lei determina. Assenta que a Impugnante não empreendeu diligência, ...está provado que a Impugnante diligenciou, pois verificou a inscrição no CNPJ e no Estado Membro. 17.30 A Fiscalização não tem prova que macule a operações da Impugnante e por isso não juntou nada aos autos do procedimento fiscal. Partindo de mera opinião, indícios e atos de terceiros, para atingir ato regular praticado pela Impugnante, tomandoa como fraudadora, ilícito penal que não poderia jamais ser apontado. 17.31 A fraude não se presume, mas deve ser comprovada, cabalmente, por quem a alegue, no caso, a fiscalização... 17.32 Neste caso – e bem diferente do relatório da fiscalização – o negócio contratado foi real e completo, tendo sido intermediado por corretor, pago o preço, entregue a mercadoria que foi exportada pela Impugnante. 17.33 Cita trechos de decisões judiciais e de decisão administrativa. Cita também acórdão do Superior Tribunal de Justiça sobre créditos ICMS, destacando que esta decisão foi proferida em análise de recursos repetitivos, conforme art. 543 B do Código de Processo Civil. 17.34 Outro ponto que age mal a decisão ora impugnada é em relação à glosa dos insumos necessários à atividade da Impugnante. 17.35 O Fisco fez confusão entre a não cumulatividade do IPI e a não cumulatividade das Contribuições Sociais para o PIS e COFINS, para as quais se considera os “produtos” adquiridos para autorizar o creditamento. Cita decisão judicial. Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 11 10 17.36 No caso das operações objeto de glosa, todas elas eram parte essencial da operação de exportação da Impugnante 17.37 Outro erro evidente na decisão impugnada é a não aceitação das informações passadas ao Sr. Fiscal após a empresa, ainda sob fiscalização, verificar a existência de inconsistências nas informações. 17.38 Lêse na decisão que: Diante do acima exposto, e considerando que a última relação impressa apresentada altera substancialmente a apresentada em CD, não no valor do crédito mas na composição mensal das notas fiscais, não a consideramos, tendo mantido nosso exame com base na relação inicialmente apresentada em CD, sendo que a composição do crédito analisado encontrase demonstrado (nº 004) relativo a detalhamento dos créditos (integral e presumido) ressalvando que foram desconsideradas algumas notas fiscais, a partir da justificativa apresentada pelo contribuinte, através da correspondência de 27/02/2012. 17.39 ficou claro o mau comportamento da fiscalização que, ciente do erro da informação constante no CD e já tendo em mãos as informações prestadas pela Impugnante, preferiu afastar o crédito, em total agressão ao princípio constitucional da Moralidade e às normas preceituadas pela Lei 9.784/99... Cita art. 2º da referida lei. 17.40 Como prova do crédito compensável, a Impugnante contratou a auditoria da KPMG que elaborou laudo independente no qual apurou não só a existência do crédito, como também o seu correto aproveitamento 17.41 É oportuno observar que o Laudo Independente apontou equívocos na contabilidade, o que não macula a escrituração, muito pelo contrário. O referido trabalho dissolve a errônea interpretação dada pela Fiscalização Federal em relação aos créditos e aponta os equívocos na escrituração (todos sanáveis), assim como assenta que há créditos suficiente em estoque para atender os valores devidos a título de multa pelas práticas incorretas. 17.42 Assim, segue para instrução a cópia do trabalho de auditoria. 17.43 Da mesma sorte, a Medida Cautelar proposta pela Impugnante fez prova de que houve diligência no sentido de atendimento à intimação da fiscalização... 17.44 Apenas para argumentação, mantidas as indevidas glosas, verificase que o Sr. Fiscal fez apropriação equivocada dos créditos transformados em presumidos, para a quitação dos débitos. 17.45 De fato, quando o Sr. Fiscal afastou os créditos de pessoas jurídicas inabilitadas e ou cooperativas, tomou apenas os créditos presumidos relativos àquelas compras. Porém, deveria Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 12 11 ter feito o aproveitamento inicial dos créditos presumidos mês a mês para a quitação dos mesmo tributos e, somente após o fim do estoque de créditos presumidos, serem usados créditos totais. 17.46 Há grande diferença pela sobra dos créditos totais, que poderiam ser compensados com os demais tributos exigidos pela Receita e compensados pela Impugnante. 17.47 Por se tratar de erro material, pedese, independentemente do conhecimento do recurso, sejam eles apurados de forma a se retificar o débito constantes na exigência e, havendo saldo, seja efetuado o necessário ressarcimento previsto em Lei. 17.48 No presente caso foi imputada pela fiscalização juros/correção monetária pela aplicação da SELIC e multa de mora do imposto devido pela Impugnante, sobre os valores aproveitados. 17.49 A norma não atribuiu juros ou correção monetária no aproveitamento dos créditos por parte do contribuinte, até que se homologue a compensação. Como está patente que o erro foi do Fisco, não se pode atribuir, neste momento, culpa à Impugnante pela demora na auditoria, devendo assim, ser excluído da exigência fiscal os juros e a correção monetária sobre o valor lançado. 17.50 Inicialmente, pede a Impugnante seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade apresentada anteriormente e que teve o julgamento convertido em diligência 17.51 Ainda, demonstrado o erro material no aproveitamento dos créditos tido como presumidos, desde logo pede a Impugnante seja refeito o valor do tributo compensado e o saldo eventualmente a se quitar. 17.52 Finalmente, em face do exposto, fica caracterizado o equívoco da decisão impugnada, em face da falha no procedimento fiscal que deixou de aproveitar os créditos que de fato possui a Impugnante, razão pela qual pede espera a Impugnante seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, para o fim de ser autorizada plenamente a compensação inicialmente requerida. 18. Os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade encontramse juntados às fls. 2177/2275. 19. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, por intermédio da 6ª Turma, no Acórdão nº 1676.611, sessão de 16/03/2017 julgou improcedente a manifestação de inconformidade e manteve na integra o despacho decisório que homologou as declarações de compensação até o limite dos direitos creditórios reconhecidos, ou seja, manteve as glosas efetuadas em sede de procedimento na DRF/Santos. O acórdão foi assim ementado: Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 13 12 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004 CITAÇÕES DE JURISPRUDÊNCIA E DECISÕES ADMINISTRATIVAS. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB) expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe a interessada ou que não possuam eficácia erga omnes. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A manifestação de inconformidade deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações da defesa, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual (arts. 15 e 16 do o Decreto nº 70.235/1972). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2003, 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação da liquidez e certeza de parte dos créditos objeto das Declarações de Compensação apresentadas impossibilita a homologação total da compensação declarada. NÃO CUMULATIVIDADE. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO. CRÉDITOS. A pessoa jurídica sujeita à incidência nãocumulativa do PIS pode descontar da contribuição apurada, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim considerados os bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. São também considerados insumos, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda, conforme (Lei nº 10.637/2002, arts. 2º e 3º). Outras hipóteses que possibilitam o desconto de créditos na apuração do PIS nãocumulativo estão enumeradas em uma relação restritiva nos demais incisos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 14 13 NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. CRÉDITOS GLOSADOS. Deve ser glosado o crédito calculado sobre as aquisições de café de pessoas jurídicas inaptas, baixadas ou suspensas, por sua inexistência de fato ou incapacidade operacional para a realização de seus fins institucionais. Entretanto, comprovada a efetiva aquisição da mercadoria, admitese o crédito presumido previsto nos casos de produtos adquiridos de pessoas físicas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. Os valores relativos aos créditos presumidos, à época, somente poderiam ser deduzidos das contribuições para o PIS devidas em cada período de apuração (art. 3º, § 10º da Lei 10.637/2002, c/c art. 8o da Lei 10.925/2004). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação da liquidez e certeza de parte dos créditos objeto das Declarações de Compensação apresentadas impossibilita a homologação total da compensação declarada. NÃO CUMULATIVIDADE. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO. CRÉDITOS. A pessoa jurídica sujeita à incidência nãocumulativa da COFINS pode descontar da contribuição apurada, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim considerados os bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. São também considerados insumos, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda, conforme (Lei nº 10.833/2003, arts. 2º e 3º). Outras hipóteses que possibilitam o desconto de créditos na apuração do PIS nãocumulativo estão enumeradas em uma relação restritiva nos demais incisos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. CRÉDITOS GLOSADOS. Deve ser glosado o crédito calculado sobre as aquisições de café de pessoas jurídicas inaptas, baixadas ou suspensas, por sua Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 15 14 inexistência de fato ou incapacidade operacional para a realização de seus fins institucionais. Entretanto, comprovada a efetiva aquisição da mercadoria, admitese o crédito presumido previsto nos casos de produtos adquiridos de pessoas físicas. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. Os valores relativos aos créditos presumidos, à época, somente poderiam ser deduzidos das contribuições para o PIS devidas em cada período de apuração (art. 3º, § 5o da Lei 10.833/2003, c/c art. 8o da Lei 10.925/2004). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No recurso voluntário (fls. 2.332/2.354), a contribuinte contestou apenas algumas das matérias e argumentos suscitados em sede de manifestação de inconformidade. Dessa forma, cabe apontar as matérias levadas a litígio com o enfrentamento no julgamento de 1ª instância e o recurso voluntário interposto. O quadro a seguir, sintetiza a lide com a indicação das matérias aduzidas na manifestação de inconformidade, as enfrentadas no julgamento e aquelas renovadas no recurso voluntário. QUADRO I Demonstrativo das matérias que permanecem em litígio Matéria Manifestação Inconformidade (fls.) Decisão DRJ (fls.) Recurso Voluntário (fls.) Preliminar: julgamento conjunto 2.141/2.142 2.299 inaplicável Glosa de crédito: aquisições de sociedades cooperativas 2.155/2.159 2.301/2.302 não contestada Glosa de crédito: aquisições de estoques reguladores CONAB 2.159/2.160 2.302/2.303 não contestada Glosa de crédito: pessoa jurídica com situação cadastral inapta, baixada ou suspensa 2.160/2.169 2.303/2.311 2.336/2.347 Glosa de crédito: aquisições de pessoas físicas não contestada não enfrentada não contestada Glosa de crédito calculado sobre notas fiscais em duplicidade, de valores contabilizados a maior não contestada não enfrentada não contestada Glosa de crédito: despesas não previstas na legislação 2.169/2.171 2.311/2.319 não contestada Análise de documentos apresentados: verdade material 2.171/2.174 2.319/2.323 2.348/2.352 Apropriação de crédito presumido 2.174/2.175 2.323/2.324 2.352/2.353 Aplicação de juros e multa 2.175 2.324/2.325 2.353/2.354 Portanto, as matérias não preclusas submetidas a este colegiado para julgamento são: Glosa de crédito nas aquisições de pessoa jurídica com situação cadastral inapta, baixada ou suspensa; Análise de documentos apresentados verdade material; Fl. 2370DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 16 15 Apropriação de crédito presumido; e Aplicação de juros e multa. Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Noticiado no relatório que a recorrente formulou vários pedidos/declarações de compensação que foram analisados em processos distintos, que se mantiveram apensos até os respectivos julgamento de primeira instância. Um dos processos de compensação da VOLCAFÉ LTDA, o de nº 10845.000186/200612, proveniente do mesmo procedimento fiscal, com a finalidade de se analisar as declarações de compensações cujos créditos alegados referemse às contribuições para a Cofins, nas vendas de café cru para o Mercado Externo, apurados nos períodos do ano de 2005, foi julgado por esta Turma na sessão de 24/10/2017, Acórdão nº 3201003.202, que recebeu a ementa e decisão, transcritas na parte em que restaram as matérias litigiosas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2005 a 30/12/2005 (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. GLOSA INDEVIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DA RECORRENTE. Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de máfé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos. (...) Acordam os membros do colegiado (...). Por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade (relator) e Paulo Roberto Duarte Moreira, dar parcial provimento para afastar as glosas referentes as aquisições de pessoas jurídicas. Designado para o voto vencedor na parte referente as aquisições de pessoas jurídicas, a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Rogério do Amaral Silva Miranda de Carvalho, OABSP 120.627, escritório Miranda de Carvalho e Grubman Advogados Associados. Winderley Morais Pereira Presidente. Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 17 16 Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Tatiana Josefovicz Belisário Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Por concordar plenamente com os fundamentos do voto condutor do Relator, Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, inclusive na matéria "aquisições de pessoas jurídicas declaradas inaptas, baixadas ou suspensas" em que restamos vencidos, faço os minhas razões de decidir, no quer for pertinente a este processo, o que peço vênia para reproduzilos, no momento adequado. Glosa de crédito nas aquisições de pessoa jurídica com situação cadastral inapta, baixada ou suspensa Nos fundamentos da decisão no PAF nº 10845.000186/200612, o Relator transcreveu do Relatório Fiscal de Diligência (fls. 1.688/1.771), comum a todos os processos analisados da contribuinte, a análise individualizada de cada pessoa jurídica com irregularidade cadastral, para demonstrar que os documentos e demais elementos apresentados pela recorrente não foram suficiente para comprovar com exatidão a efetividade das operações junto à pessoas jurídicas, através de documentação hábil e com a correspondente corelação com os créditos glosados pela fiscalização. Dessa forma, não se desincumbiu de seu ônus probatório a recorrente de provar a regularidade e efetividade das operações. Conquanto vencido na matéria, acompanhei o Relator concordando com seus argumentos para manter a referida glosa, o que peço vênia para reproduzir o excerto do voto: "NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. GLOSA. No que tange a tal matéria, melhor sorte não socorre a recorrente. Junto com a manifestação de inconformidade, limitouse a recorrente a anexar (i) comprovantes de inscrição e situação cadastral perante a Receita Federal; (ii) certidões de baixa de inscrição no CNPJ e (iii) extrato de consulta pública ao SINTEGRA. Com o recurso voluntário, a recorrente colaciona outros documentos, tais como, instrumentos particulares de compra e venda de café a termo; notas fiscais de fatura, entre outros. É sabido que comprovada a efetividade das operações, o contribuinte, agindo de boafé faz jus a manutenção dos créditos fiscais. Em sede de recurso repetitivo, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que é legítimo o crédito de ICMS, escriturado pelo contribuinte adquirente de Fl. 2372DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 18 17 mercadoria, por força da sistemática da nãocumulatividade desse imposto, na exata medida em que corresponder, efetivamente, a operações de entrada de mercadorias no estabelecimento. A decisão paradigma está ementada nos seguintes moldes: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (...) 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1148444/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 27/04/2010) A questão é inclusive objeto de Súmula por parte do Superior Tribunal de Justiça, in verbis: “Súmula 509 É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda.” Ocorre que, no caso em apreço, pela documentação colacionada entendo que a recorrente não logrou êxito em demonstrar com exatidão a efetividade das operações junto à pessoas jurídicas, através de documentação hábil e com a correspondente corelação com os créditos glosados pela fiscalização. Não se desincumbiu de seu ônus probatório a recorrente de provar a regularidade e efetividade das operações. Da decisão recorrida a qual se reporta ao extenso e detalhado relatório da fiscalização destaco a situação individualizada de cada empresa, cujos créditos foram alvo de glosa: " A auditoria não admitiu a apuração de créditos integrais calculados sobre as aquisições efetuadas de pessoas jurídicas com situação cadastral dos tipos “baixada”, “inapta” ou “suspensa” pela Administração Fiscal. A situação de cada uma das empresas cujas aquisições foram alvo de glosa fiscal foi detalhada no relatório. Confirase: CNPJ 01.199.605/0001 16 J G GOMES Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 19 18 Empresa com data de abertura em 13/05/1996, com endereço na cidade de Congonhal/MG. Encontrase na situação cadastral de BAIXADA em 31/12/2008, por inaptidão, em decorrência de dispositivo estabelecido na Lei 11.941/2009, art.54 (Terão sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ baixada, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, as pessoas jurídicas que tenham sido declaradas inaptas até a data de publicação desta Lei.). Em 21/06/2007 foi suspensa (processo 10660.002003/200742), tendo sido declarada inapta em 20/08/2007, por inexistente de fato. Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada como inativa referente ao exercício de 2.004 (AC 2003) e 2.005 (AC 2004), não tendo apresentado as demais relativas aos exercícios de 2.002, 2.003, 2006/2008. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.002 a 2007). CEREALISTA MONTE AZUL LTDA CNPJ 01.801.271/0001 09 Empresa com data de abertura em 17/04/1997, com endereço na cidade de Varginha/MG. Encontrase na situação cadastral de BAIXADA em 31/12/2008, por inaptidão, em decorrência de dispositivo estabelecido na Lei 11.941/2009, art.54 (Terão sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ baixada, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, as pessoas jurídicas que tenham sido declaradas inaptas até a data de publicação desta Lei.). Em 02/07/2007 foi suspensa (processo 10660.002109/2007467), tendo sido declarada inapta em 20/08/2007, por inexistente de fato. Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada como inativa referente ao exercício de 2.003 (AC 2002), Simples referente ao exercício de 2.004 (AC 2003) e DIPJ LUCRO REAL referente aos exercícios de 2.005 (AC 2004), 2.006 (AC 2005) e 2.007 (AC 2006). Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa possuía 01 (um) no período de set/03 a ago/04, 02 (dois) empregados de set/04 a out/05 e 01 (um) empregado de nov/05 a mar/06. CNPJ 02.177.534/000113 CERRADO EXPORT DO BRASIL LTDA Empresa com data de abertura em 06/10/1997, com endereço atual na cidade de Patrocinio/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 07/12/2010 (processo 19991.000635/200966), por inexistência de fato, com efeitos a partir de 01/03/2010. Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada como inativa referente aos exercícios de 2.003/2.005 (AC 2.002/2.004) e no exercício de 2.006 (AC 2005) DIPJ pelo Lucro Real com valores de receita Fl. 2374DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 20 19 bruta zerados, não tendo apresentado mais nenhuma DIPJ após este período. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado nos anos de 2.002 a 2.004 e 01 (um) empregado nos anos de 2.005 (a partir de out/05) e 2.006. CNPJ 03.016.923/000120 B M COSTA Empresa com data de abertura em 04/03/1999, com endereço na cidade de Manhuaçu/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 13/01/2010, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 01/07/2004 (processo 19991.000590/200920). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada referente aos exercícios de 2.003 (AC 2.002), 2.004 (AC 2003), 2.005 (AC 2004), 2.006 (AC 2005) e 2.008 (AC 2007) como inativa e exercício de 2.007 (AC 2.006) como optante do simples, sendo que esta com o valor da receita bruta zerado. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa possuía 01 (um) empregado no período de dez/02 a abr/03, 02 (dois) empregados de mai/03 a set/03, e 01 (um) empregado de out/03 a nov/03. De dez/03 a dez/07 nada consta. FABIO APPA EPP CNPJ 03.699.802/0001 20 Empresa com data de abertura em 25/02/2000, com endereço na cidade de Caconde/SP. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 10/03/2010, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 01/07/2004 (processo 19991.000680/200911). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada como inativa referente ao exercício de 2.004 (AC 2003), DIPJ Lucro Presumido referente aos exercícios de 2003 (AC 2002), 2.007 (AC 2.006), 2.008 (AC 2007) e DIPJ Lucro Real referente aos exercícios de 2.005 (AC 2004) e 2.006 (AC 2005).Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa possuía 01 (um) empregado no período de jul/04 a out/05. CNPJ 03.742.388/0001 94 MONTANHA CAFÉ LTDA Empresa com data de abertura em 14/02/2000, com endereço na cidade de Manhuaçu/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 13/01/2010, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 01/07/2004 (processo 19991.000616/200930). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada do SIMPLES referente ao exercício de 2.003 (AC 2002) com valores de receita bruta zerados, inativa nos exercícios de 2.004 (AC 2003), 2.005 (AC 2004) e 2.006 (AC 2006) e DIPJ Lucro Presumido referente ao exercício de 2.008 Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 21 20 (AC 2007 período de 03/07 a 31/12/07), sendo esta com valores da receita bruta zerados. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.002 a 2007). CNPJ 04.181.421/000117 EXPORTADORA DE CAFÉ CENTRO OESTE LTDA Empresa com data de abertura em 27/11/2000, com endereço atual na cidade de Bauru/SP. Encontrase na situação cadastral de SUSPENSA em 30/07/2008 (processo 15563.000408/200949), por inexistência de fato. Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou DIPJ Lucro Presumido referente aos exercícios de 2.004 (AC 2003), 2.005 (AC 2004), 2.006 (AC 2005), 2007 (AC 2006), 2008 (AC 2007) e Declaração Simplificada como inativa no exercício de 2.009 (AC 2008). Em relação aos anos calendários de 2005 a 2007, constam zerados os valores da receita bruta. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2002 a 2007). CNPJ 04.460.832/000141 R P FERNANDES Empresa com data de abertura em 22/05/2001, com endereço na cidade de Manhuaçu/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 13/01/2010, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 01/07/2004 (processo 19991.000621/200942). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada como inativa referente aos exercícios de 2.003 (AC 2002), 2.004 (AC 2.003) e 2.006 (AC 2005) e DIPJ Lucro Presumido no referente ao exercício de 2.005 (AC 2004) sendo esta com valores da receita bruta zerados. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.002 a 2007). CNPJ 04.461.584/000153 IZONEL DA SILVA Empresa com data de abertura em 25/05/2001, com endereço na cidade de Campestre/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 09/12/2009, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 25/05/2001 (processo 12963.000741/200938). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou somente Declaração Simplificada como inativa referente aos exercícios de 2.003/2006 (AC 2002/2005). Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.002 a 2007). CNPJ 04.747.510/000188 SANTA MARTA COMERCIO & REPRESENTAÇÃO LTDA Fl. 2376DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 22 21 Empresa com data de abertura em 11/07/2001, com endereço atual na cidade de Manhuaçu/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 26/04/2010 (processo 19991.000624/200986), por inexistência de fato, com efeitos a partir de 26/04/2010. Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada dos exercícios de 2.003 a 2006 (AC 2002/2005) como inativa. Encontrase omissa em relação as DIPJ's dos exercícios de 2.007 e 2.008 (AC 2006/7). Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado nos anos de 2.002 a 2.005, 01 (um) empregado no ano de 2.006 (a partir de set/06) e 01 (um) empregado no ano de 2.007 (atéjul/07). CNPJ 04.907.469/0001 60 COMÉRCIO DE CAFÉ SÃO SEBASTIÃO LTDA Empresa com data de abertura em 05/02/2002, com endereço na cidade de Ervalia/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 11/11/2009, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 11/11/2009 (processo 10640.002827/200831). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada dos exercícios de 2.003 a 2.006 (AC 2.002 a 2.005) como inativa. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.002 a 2007). CNPJ 04.995.748/000122 COMERCIAL AGRÍCOLA PONTO FORTE LTDA Empresa com data de abertura em 04/04/2002, com endereço na cidade de Matipo/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 13/01/2010, por I inexistente de fato, com efeitos a partir de 01/07/2004 (processo 19991.000508/200967). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada dos exercícios de 2.003 a 2.006 (AC 2.002 a 2.005) como inativa. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.002 a 2007). CNPJ 05.006.672/000128 COMERCIAL DE CAFÉ ARÁBICA LTDA EPP Empresa com data de abertura em 16/04/2002, com endereço na cidade de Bauru/SP. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 19/04/2010, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 01/07/2004 (processo 19991.000636/200919). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Não apresentou DIPJ referente aos exercícios de 2.006 a 2.008 (AC 2.005/2.007), em relação aos exercícios de 2.003 a 2.005 (AC 2.002/2004) Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 23 22 apresentou DIPJ pelo Lucro Presumido, tendo declarado valores de receita bruta. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa possuía 02 empregados no período de dez/2002 a mar/03 e 01 empregado no período de abr/03 a mai/03, não constando nenhum no restante do período (jun/03 a dez/07 2007). CNPJ 05.073.665/000149 AGAR COMÉRCIO LTDA Empresa com data de abertura em 25/02/2002, com endereço na cidade de Manhuaçu/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 13/01/2010, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 01/07/2004 (processo 19991.000507/200912). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada referente aos exercícios de 2.003 a 2.00o (AC 2.002/2.005) apresentou como inativa. Em relação ao exercício de 2.007 e 2.008 (AC 2.006 e 2.007) apresentou como Lucro Presumido, mas com valores da receita bruta zerados. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.002 a 2007). CNPJ 05.198.339/000168 JAIRO DE CARVALHO Empresa com data de abertura em 25/07/2002, com endereço atual na cidade de Candeias/MG. Encontrase na situação cadastral de BAIXADA em 31/12/2008, por inaptidão (Lei 11.941/2009 art. 54 Terão sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ baixada, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, as pessoas jurídicas que tenham sido declaradas inaptas até a data de publicação desta Lei.). Em 28/08/2007 foi suspensa (proc. 10660.002004/2007/97), por inexistente de fato. Em 29/01/2008 foi declarada INAPTA. Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou DIPJ dos exercícios de 2.003 a 2.007(AC 2002/6) pelo Lucro Presumido, mais com valores de receita bruta zerados. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.002 a 2007). CAFEEIRA DE MINAS LTDA CNPJ 05.244.800/0001 71 Empresa com data de abertura em 12/08/2002, com endereço na cidade de Varginha, MG. Encontrase na situação cadastral de BAIXADA em 31/12/2008, por inaptidão, em decorrência de dispositivo estabelecido na Lei 11.941/2009, art.54 (Terão à inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ baixada, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, as pessoas jurídicas que tenham sido declaradas inaptas até a data de publicação desta Lei.). Em 18/05/2007 foi suspensa (processo 10660.001418/200707), tendo sido declarada inapta em 06/08/2007, por inexistente de fato. Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011, mas apresentou DCTF. Fl. 2378DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 24 23 Apresentou Declaração Simplificada como inativa referente ao exercício de 2.003 (AC 2002) e DIPJ Lucro Presumido referente aos exercícios de 2.004 (AC 2.003), 2.005 (AC 2004) e 2.006 (AC 2005). Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.002 a 2007). CNPJ 05.364.875/000196 JOEL HENRIQUE DE JESUS Empresa com data de abertura em 25/10/2002, com endereço na cidade de São Domingos das Dores/MG. Encontrase na situação cadastral de BAIXADA em 28/04/2006, por extinção por encerramento liquidação voluntária. Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada como inativa referente aos exercícios de 2.003 (AC 2002), 2.004 (AC 2.003), 2.006 (AC 2005) e 2.006 (01/01/06 a 29/04/2006) e do SIMPLES referente ao exercício de 2.005 (AC 2004) com valores de receita bruta em alguns meses. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.002 a 2007). CNPJ 05.406.758/000148 COMERCIAL AGRÍCOLA REALEZA LTDA Empresa com data de abertura em 18/10/2002, com endereço na cidade de Aricanduva/MG. Encontrase na situação cadastral de BAIXADA em 18/10/2002, inexistente de fato (processo 19991.000596/200905). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada referente ao exercício de 2.003 (AC 2002) como inativa e DIPJ Lucro Presumido referente aos exercícios de 2.004 e 2.005 (AC 2003/2004), com valores da receita bruta zerados. Não apresentou as demais DIPJ's (exercícios de 2.006, 2.007 e 2.008). Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.002 a 2007). CNPJ 05.534.451/000122 PRIME ATACADISTA DE CAFÉ LTDA (nome empresarial anterior: BRASIL & FRANCESCHINI LTDA EPP) Empresa com data de abertura em 28/01/2003, com endereço na cidade de Avai/SP. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 19/04/2010, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 01/07/2004 (processo 19991.000641/200913). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou DIPJ Lucro Presumido referente aos exercícios de 2.004 e 2.005 (AC 2.003/2.004). Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa possuía 01 (um) empregado Fl. 2379DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 25 24 no período de jun/04 a ago/04 e 02 (dois) empregados no período de set/04 a dez/05, não sendo constatado nenhum empregado nos demais meses do período de jan/03 a dez/2007. CNPJ 05.591.009/0001 38 BOA SAFRA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA Empresa com data de abertura em 01/04/2003, com endereço na cidade de Araguari/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 09/02/2010, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 01/04/2003 (processo 19991.000592/200919). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Não apresentou nenhuma DIPJ desde sua constituição. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado no período de 2.002 a 2007. CNPJ 05.663.292/000166 TAVARES & LOPES COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA Empresa com data de abertura em 21/05/2003, com endereço na cidade de Capelinha /MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 13/09/2011, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 21/05/2003 (processo 19991.000666/200917). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou DIPJ referente aos exercícios de 2.004 (AC 2003), 2.005 (AC 2004), 2.007 (AC 2006) e 2.008 (AC 2007) com base no lucro presumido e exercício 2.006 (AC 2005), com base no lucro real. Todas as declarações foram preenchidas com o valor da receita bruta zerado. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.003 a 2007). CNPJ 05.850.517/0001 93 COMÉRCIO ATACADISTA SUL MINEIRO LTDA Empresa com data de abertura em 16/07/2003, com endereço na cidade de Nepumuceno/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 15/09/2010, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 01/07/2004 (processo 19991.000597/200941). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Desde sua constituição apresentou somente a Declaração Simplificada como inativa referente ao exercício de 2.004 (AC 2003), não tendo apresentado as demais DIPJ's. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado no período de 2.003 a 2007. CNPJ 06.171.469/000170 H & B COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA Empresa com data de abertura em 25/03/2004, com endereço na cidade de Manhuaçu/MG. Encontrase na situação cadastral de Fl. 2380DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 26 25 INAPTA em 26/04/2010, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 26/04/2010 (processo 19991.000517/200958). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2011. Desde sua constituição apresentou somente a Decalração Simplificada como inativa referente aos exercícios de 2.005 (AC 2004) e 2.010 (AC 2.009), não tendo apresentado as demais DIPJ's. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado no período de 2.004 a 2007. CNPJ 07.072.984/000165 COMÉRCIO ATACADISTA SÃO CAMILO LTDA EPP Empresa com data de abertura em 09/11/2004, com endereço na cidade de Campestre/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 09/11/2004, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 09/11/2004 (processo 19991.000637/200955). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Apresentou Declaração Simplificada como inativa, referente aos exercícios de 2.005(AC 2.004) e 2.008 (AC 2.007). Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.004 a 2007). CNPJ 71.239.065/000132 ZONA DA MATA CAFÉ LTDA Empresa com data de abertura em 05/08/1993, com endereço na cidade de Manhuaçu/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 13/01/2010, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 01/07/2004 (processo 19991.000625/200921). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Em relação aos exercícios de 2.003 a 2.005 (AC 2.002/4) apresentou Declaração Simplificada como inativa. Para os exercícios de 2.006 a 2.008 (AC 2.005/7) apresentou DIPJ Lucro Presumido, com valores da receita bruta zerados. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.002 a 2007). CNPJ 86.363.306/000128 CAMIFRA COMERCIO LTDA Empresa com data de abertura em 07/03/1994, com endereço na cidade de Manhuaçu/MG. Encontrase na situação cadastral de INAPTA em 13/01/2010, por inexistente de fato, com efeitos a partir de 01/07/2004 (processo 19991.000594/200916). Essa empresa não efetuou nenhum recolhimento de PIS e COFINS no período de 2.004 a 2.011. Referente aos exercícios de 2.003 a 2.005 (AC 2.002 a 2.004) apresentou Declaração Simplificada como inativa. Não apresentou as demais Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 27 26 declarações. Conforme apurado na RAIS Relação Anual de Informações Sociais esta empresa não possuía nenhum empregado (2.002 a 2007)." Temse, ainda: "Após detalhar a situação de cada uma das empresas com situação cadastral baixada, inapta ou suspensa, a auditoria comenta que todas as citadas pessoas jurídicas tem características em comum: ausência de recolhimento das contribuições, falta de capacidade operacional para a realização de seus fins institucionais em razão do reduzido número de empregados, ou ainda, pela própria constatação, pela administração, de sua inexistência de fato. Diante disso, a autoridade entendeu não haver liquidez e certeza sobre a totalidade dos créditos não cumulativos apurados. Porém, continua, são admitidos os créditos presumidos sobre os valores das aquisições." E mais: "Como consequência, diante das constatações alcançadas pela fiscalização e tendo em vista o contexto fraudulento em que se dava a operação de café no país, só há uma conclusão possível diante da comprovação da efetiva compra dos grãos: o de que eles tinham origem em produtores pessoas físicas. Daí que não há como admitir a apuração de créditos nos índices aplicáveis às compras com pessoas jurídicas. A simples prova da efetivação do negócio, do envio da mercadoria para armazéns ou a comprovação do transporte dos produtos não é suficiente para que se admitam os créditos como se as operações se dessem com pessoas jurídicas. Repitase que não foi desconsiderada a existência da compra do café. Por isso são inócuos os apelos da contribuinte no sentido de que teria comprovado a operação. A operação de fato se deu, porém com café vendido por produtor pessoa física, o que impede a apuração de créditos integrais, sendo correta a proposição do relator da diligência." O CARF em caso semelhante assim decidiu: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/12/2010 (...) REVERSÃO DA GLOSA DE AQUISIÇÃO DE CAFÉ. IMPOSSIBILIDADE. PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES, INIDÔNEAS, INEPTAS. VERDADE MATERIAL. GLOSA. CABIMENTO. Restando demonstrado que a recorrente efetuou aquisições de café de pessoas jurídicas pseudoatacadistas, tendo se apropriado indevidamente de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas COFINS, mantémse as Fl. 2382DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 28 27 glosas dos créditos integrais indevidos e compensados contabilmente." (Processo 15586.720237/201113; Acórdão 3302004.649 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Relatora Conselheira Lenisa Prado; Sessão de 29 de agosto de 2017) Assim, ante a ausência de prova da efetividade das operações com fornecedores pessoas jurídicas e apta a derruir os argumentos produzidos pela fiscalização, nego provimento ao recurso voluntário em relação a tal matéria." Análise de documentos apresentados verdade material; Na matéria a recorrente alega que o Fisco não aceitou as informações passadas nas quais verificaria a existência de inconsistência nas informações. Afirma que apontou erros constantes no conteúdo do CD entregues à fiscalização, mas que os documentos posteriormente apresentados comprovaria as incorreções originais e que, de fato, sua escrita estaria corretamente elaborada. Entendo não haver reparo na decisão recorrido, quanto ao tópico de defesa, conforme os fundamentos assentados pela própria decisão da DRJ a qual reproduzo por acolhê la como minhas razões de decidir: Da documentação apresentada no procedimento de diligência: 73. A defesa contesta a não aceitação de informações passadas à fiscalização, quando verificada, por parte da interessada, existência de inconsistências nas informações prestadas anteriormente constantes do CD, e alega agressão ao princípio da moralidade e normas preceituados no art. 2º da Lei nº 9.784/1999. Anexa aos autos trabalho de auditoria independente contratada pela interessada, sobre apuração dos créditos. 74. Ao verificar o Relatório Fiscal notase, ao contrário do que afirma a defesa, que a autoridade fiscal, na realização do procedimento de diligência para verificar os créditos pleiteados pela interessada, o fez na forma da lei, na busca pela verdade material, tendo em vista as várias intimações para apresentação de documentos e esclarecimentos que enviou à contribuinte, inclusive com prorrogações de prazo, quando solicitado, possibilitando em diversas oportunidades a comprovação do crédito em análise. 75. Como se lê no referido relatório, a contribuinte teve ciência do início do procedimento de diligência por meio do Termo de 09/02/2011 que possibilitou a apresentação de documentos em diversas datas. Foram feitas novas intimações para que a interessada apresentasse outros demonstrativos, esclarecimentos ou documentos em 31/05/2011, 03/08/2011, 09/01/2012, 10/02/2012, tendo apresentado vários documentos/esclarecimentos nos quais se pautou a autoridade fiscal para análise do crédito. 76. Ocorre, como se pode ler em trechos do relatório abaixo transcritos, que por diversas vezes a contribuinte alterou as informações prestadas nos documentos e planilhas apresentados, restando clara sua dificuldade em apresentar a documentação Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 29 28 comprobatória, o que prejudica a análise da certeza e liquidez dos créditos pleiteados. Assim, de forma justificada, a autoridade fiscal não considerou a última relação impressa apresentada, por alterar substancialmente a apresentada em CD que serviu de base para a seleção de documentos e exames efetuados, como informa, não no valor do crédito mas na composição mensal das notas fiscais: Através de correspondência de 20/06/2011, o contribuinte encaminhou planilha (excel) contendo memória de cálculo dos créditos de PIS e COFINS referente ao período de 2002 a 2004 e de correspondência datada de 01/07/2011, o contribuinte apresentou em "CD" planilha contendo as memórias de cálculo dos créditos de PIS c COFINS, contendo todo o período (2.002 a 2.007). Objetivando proceder por amostragem o exame de documentos (notas fiscais, comprovante de pagamento e outros), através do Termo de Intimação Fiscal de 03/08/2001, onde em seu anexo constam relacionados os documentos fiscais, o contribuinte foi intimado a apresentação dos mesmos. (...) Em 14/12/2011, foi encaminhado pelo contribuinte o detalhamento das despesas incorridas sobre a comercialização de café cru em grão, e que geraram créditos de PIS e COFINS. Também em 09/01/2012 a empresa foi intimada a justificar e/ou esclarecer por escrito, a que se refere os valores totais (mercado interno + mercado externo) constante da DACON, na rubrica Bens para Revenda, considerandose que a mesma diverge da soma das notas fiscais relacionadas aos créditos integrais constante da relação apresentada em 01/07/2011 (planilha em CD) e a informar em que campo da DACON encontrase demonstrado os valores dos créditos presumidos, constante da mesma relação. Em resposta datada de 13/01/2012, a VOLCAFÉ informa que os valores são a soma dos créditos apropriados dentro do mês a que cada DACON se refere. A divisão é feita pela proporção das vendas entre o mercado interno e externo. Em relação aos créditos presumidos, informa que não havia um campo especifico para esses créditos. O controle era feito extra DACON. Na planilha há essa rubrica com os valores destacados... Em 31/01/2012 (correspondência datada de 14/12/2011), apresentou relação impressa referente planilha gerada em excel contendo os créditos apropriados no período de dez/02 a dez/07. Em 07/02/2012 apresentou relação impressa revisada contendo apropriação dos créditos dos meses de dez/02 a dezembro/04 Em 10/02/2012, através de Termo, o contribuinte foi reintimado a apresentar notas fiscais faltantes... bem como intimado, em Fl. 2384DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 30 29 relação a composição dos créditos mensais apropriados de PIS e COFINS, constantes de planilha excel, encaminhada em CD através de correspondência de 01/07/2011, o apresentar relação por mês impressa e devidamente assinada. Foi registrado, que foram apresentadas duas relações impressas, encaminhadas por correspondência de 14/12/2011 (recebida em 31/01/2012) e 07/02/2012, sendo que as mesmas divergem em relação a planilha inicialmente entregue. Foi intimado a esclarecer essas diferenças. Também foi intimado a apresentar demonstrativo de base de cálculo do PIS e COFINS referente a alguns meses relacionados. (...) Em 27/02/2012, através de correspondência o contribuinte esclareceu divergências entre as planilhas entregues, alegando erro na geração de arquivos da filial 000351 no ano de 2.005, nota fiscal escriturada no livro com CFOP errado... Através de correspondência datada de 06/03/2012, o contribuinte justifica por escrito, as diferenças entre a planilha digital e as planilhas impressas referente ao ano de 2.003 e 2.006, alegando que houve erro no arquivo digital e/ou na planilha impressa, tendo providenciado as correções através das planilhas entregues em papel. Relaciona as notas que constaram do arquivo digital e não constaram da planilha impressa ou vice versa... Em correspondência datada de 13/03/2012, o contribuinte substitui e corrige a correspondência de 06/03/2012, apresentando novos esclarecimentos e relacionando, ano a ano, notas fiscais, que alteraram de situação em comparação a relação entregue em papel e o arquivo entregue inicialmente em CD . Da análise das relações impressas e justificativas apresentadas pelo contribuinte, pudemos constatar que as relações impressas ora apresentadas contém diversas alterações em relação aquela inicialmente apresentada em CD, e que serviu de base para seleção de documentos e exame efetuados, sendo que para compor o valor mensal do crédito de PIS e COFINS foram relacionadas notas fiscais relativas ao próprio mês e de outros meses, descaracterizando a relação inicialmente entregue. É de ser salientado, que o contribuinte embora possa ter outros valores passíveis de creditamento, não consegue definir a composição mensal (nota a nota) dos valores contabilizados relativos a créditos de PIS e COFINS sobre as entradas de café, o que se pode concluir pelas alterações efetuadas, sendo importante destacar que o contribuinte em 31/05/2011, foi intimado a apresentar a composição do crédito, individualizando as notas fiscais de entrada. Observase, ainda, que as alterações efetuadas mudam em diversos meses o período de creditamento de várias notas fiscais e apropria valores relativos a notas fiscais que inicialmente constavam do arquivo (em cd) sem valor apropriado ou altera de crédito presumido para crédito integral. Fl. 2385DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 31 30 Diante do acima exposto, e considerandose que a última relação impressa apresentada altera substancialmente a apresentada em CD, não no valor do crédito mas na composição mensal das notas fiscais, não a consideramos, tendo mantido nosso exame com base na relação inicialmente apresentada em CD, sendo que a composição do crédito analisado encontrase demonstrado no anexo (n° 004) relativo a detalhamento dos créditos (integral e presumido), ressalvando que foram desconsideradas algumas notas fiscais, a partir da justificativa apresentada pelo contribuinte, através de correspondência de 27/02/2012. Por oportuno, salientamos que o inciso I, do parágrafo 3° da Lei 10.637/2002 (PIS) e inciso I, do parágrafo 3º da Lei 10.833/2003 (COFINS) estabelece que o crédito será determinado pela aplicação da alíquota prevista (1,65% PIS ou 7,6% COFINS) no caput do art. 2° sobre os itens (bens para revenda ou insumos) adquiridos no mês. Os créditos demonstrados nas relações impressas e em alguns meses da planilha entregue em CD, apresenta a composição do crédito contabilizado em um determinado mês, com entradas de diversos meses. Reafirmamos, que para confirmação dos valores declarados como origem dos créditos foi utilizado a planilha apresentada pelo contribuinte em 01/07/2011 em CD, sendo utilizado em nosso trabalho somente os dados e valores relativos/relacionados na coluna créditos apropriados de PIS E COFINS, ressaltando que constam relacionados outros valores de créditos, que por não terem sido apropriados, não foram considerados, nem objeto de nosso exame. Registramos que apesar dos totais mensais de créditos registrados na contabilidade por filial não coincidirem com os valores apresentados na relação constante do CD, o valor global dos créditos relacionados, na maioria dos meses, são compatíveis com a soma desses valores (desprezandose pequenas diferenças no total), pelo qual consideramos a mesma. Ressalvase, em relação ao PIS os meses de maio/03, janeiro/04, fevereiro/04 e maio/05, onde os valores totais relacionados pelo contribuinte são superiores ao contabilizado e os meses de setembro/03, outubro/03 e maio/04, onde os valores relacionados são inferiores ao contabilizado. No tocante a COFINS, excetuase os meses de fevereiro/04, março/04 e maio/05, onde os valores relacionados pelo contribuinte são superiores ao contabilizado e o mês de maio/04, onde os valores relacionados são inferiores ao contabilizado. Em 11/04/2012 o contribuinte foi intimado a informar por escrito, se em decorrência do relatório de auditoria independente apresentado ao CARF, foi efetuado algum ajuste ou registro contábil, pagamentos, apresentação e/ou retificação de PER/DCOMP, ou outra providência ou regularização. Em resposta, através de correspondência de 14/04/2012, informa que não foi efetuada qualquer alteração seja nos livros, seja nas obrigações acessórias referente ao período. Fl. 2386DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 32 31 77. Notase, que a autoridade fiscal teve todo o cuidado de intimar diversas vezes a interessada, a fim de buscar a verdade material na análise dos créditos, inclusive pedindo esclarecimentos sobre algum ajuste ou registro contábil, pagamentos, providências ou regularizações que pudessem ter sido feitos em decorrência do relatório de auditoria independente, tendo como resposta que nenhuma alteração foi efetuada. 78. Cumpre lembrar que nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito (art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil). 79. Neste ponto, vale ainda observar, que em face da primeira auditoria realizada, a contribuinte apresentou a Medida Cautelar nº 2008.61.04.0076581, na qual foi feito laudo pericial tratando das entregas e recebimentos de documentos da interessada à fiscalização, conforme cópias juntadas aos autos pela defesa (fls. 431/441). Após o primeiro procedimento fiscal, foram diversas as oportunidades concedidas à contribuinte para a produção de provas, entre elas, a fase de recurso voluntário e fase de diligência fiscal. 80. Além disso, a oportunidade de novo esclarecimento e comprovação por parte da recorrente, questionando pontos específicos de discordância com o Relatório Fiscal no qual se fundamentou o Despacho Decisório, foi concretizada com a apresentação da manifestação de inconformidade ora analisada, nos moldes dos art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcritos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (g.n.) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 2387DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 33 32 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) 81. Diante do exposto, é correto o cálculo dos crédito feito pela autoridade fiscal com base na documentação apresentada pela interessada no curso do procedimento de diligência. Apropriação de crédito presumido Aduz a contribuinte que ocorreu erro da fiscalização no aproveitamento do crédito presumido após a indevida glosa de créditos totais. A irresignação recai sobre a sistemática de apuração da contribuição devida com a dedução dos créditos presumidos. Pede que por se tratar de erro material, que independe do conhecimento do recurso, sejam apurados de forma a retificar os débitos exigidos e na existência de saldo seja efetuado o ressarcimento. A decisão recorrida aponta que a apropriação dos créditos apurados foram efetuados conforme solicitação da contribuinte, ou seja, o aproveitamento inicial dos créditos presumidos mês a mês para a quitação dos mesmos tributos e, somente após o fim do estoque de créditos presumidos, foram utilizados créditos totais. Dessa forma, correta a apropriação dos créditos presumidos pela autoridade fiscal, não havendo qualquer retificação de erro material. Aplicação de juros e multa de mora. A recorrente pugna pela exclusão de juros e multa de mora incidentes sobre a parcela de débito não compensado, sob a alegação de que não deu causa à mora. A cobrança da multa e dos juros moratórios encontrase, expressamente, determinado no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, em plena vigência, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 2388DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 34 33 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Assim, valores de tributos devidos pela contribuinte, indevidamente compensados, devem ser cobrados e, tendo em vista seu pagamento fora dos prazos previstos na legislação, é correto o acréscimo de multa de mora e juros, calculados pela taxa SELIC. Conclusão Por todo ante exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de VOLCAFÉ LTDA. Paulo Roberto Duarte Moreira Voto Vencedor Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, fui designada para a redação do voto vencedor quanto às glosas dos créditos correspondentes às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas inaptas, baixadas ou suspensas. Como já salientado pelo Relator, é sabido que, comprovada a efetividade das operações, o contribuinte, agindo de boafé faz jus a manutenção dos créditos fiscais. É como já decidiu o Superior Tribunal de Justiça por meio da Súmula nº 509. Em outras palavras, a boafé é sempre presumida, cabendo àquele que alega a existência de máfé a comprovação nesse sentido. Na hipótese dos autos a divergência se instaurou quanto à afirmação fiscal de que não teria sido comprovada a efetividade das operações realizadas junto às pessoas jurídicas tidas como inaptas, baixadas ou suspensas, em face das alegações e documentos trazidos aos autos pela Recorrente no intuito de comprovar as aquisições realizadas Entendeu a Turma Julgadora, por sua maioria, que, em fato, não logrou a Fiscalização demonstrar que a Recorrente teria qualquer participação nos atos que levaram às declarações de inidoneidade das Pessoas Jurídicas vendedoras das mercadorias passíveis de geração de crédito no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Desse modo, não se pode manter as glosas efetuadas pela Fiscalização, na hipótese específica dos autos, uma vez que ausente demonstração fiscal quanto à participação da Recorrente em qualquer ato ensejador da pretendida descaracterização das aquisições realizadas, devendose manter a presunção de boafé do adquirente. Assim, limitandose à matéria expressamente contestada pelo Recorrente e aos demais termos da decisão prolatada pelo i. Relator do feito, votase por DAR Fl. 2389DF CARF MF Processo nº 10845.003528/200494 Acórdão n.º 3201003.650 S3C2T1 Fl. 35 34 PROVIMENTO ao Recurso Voluntário exclusivamente para se admitir a apropriação dos créditos sobre as notas fiscais tidas por inaptas pela Fiscalização. É o voto. Tatiana Josefovicz Belisário Redatora designada. Fl. 2390DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002643/2004-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício (o que também se aplica a ressarcimento/compensação, para os quais o contencioso segue o mesmo rito do Decreto nº 70.235/72), com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1 e Lei nº 9.430/96, art. 74, caput, e §§ 9º a 11).
Numero da decisão: 9303-006.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício (o que também se aplica a ressarcimento/compensação, para os quais o contencioso segue o mesmo rito do Decreto nº 70.235/72), com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1 e Lei nº 9.430/96, art. 74, caput, e §§ 9º a 11).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício (o que também se aplica a ressarcimento/compensação, para os quais o contencioso segue o mesmo rito do Decreto nº 70.235/72), com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1 e Lei nº 9.430/96, art. 74, caput, e §§ 9º a 11). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 26 43 /2 00 4- 99 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11030.002643/200499 Acórdão n.º 9303006.282 CSRFT3 Fl. 199 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 113 a 124), interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 2101000.093, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 102 a 108), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente os insumos que se submeteram à incidência da contribuição na operação de aquisição pelo produtorexportador compõem a base de cálculo do incentivo, situação essa em que não se incluem as aquisições junto a pessoas físicas. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial (fls. 151 a 154), apenas quanto “à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI – Lei 9.363/96 – das aquisições não tributadas pelo Pis/Cofins”, o que foi ratificado em Reexame de Admissibilidade (fls. 155 e 156). A PGFN não apresentou Contrarrazões. Não entrarei em maiores detalhes a respeito destas peças processuais, pois a DRF em Santo Ângelo/RS noticiou, mediante Memorando nº 2/2016/SAORT/DRF SAO/SRRF10/RFB/MFRS, de 13/04/2016 (fl. 161), que a empresa "...litiga como recorrente junto ao CARF nos processos administrativos nos 11030.002643/200444 ..., impetrou a Ação Ordinária nº 5004765.85.2012.4.04.7104 onde pede repetição dos mesmos valores que discute junto aos processos acima nominados". Juntou, ainda, cópias da petição inicial, do extrato do processo e de despacho interlocutório do juiz (fls. 162 a 184). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator A Súmula CARF nº 1 prevê o seguinte: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11030.002643/200499 Acórdão n.º 9303006.282 CSRFT3 Fl. 200 3 de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A Súmula versa, então, sobre a chamada "concomitância" com ação judicial tratando da mesma matéria objeto de discussão no processo administrativo. É bem verdade que fala em "lançamento de ofício" (Auto de Infração ou Notificação de Lançamento), mas a lei (nº 9.430/96) é clara quanto à aplicação do mesmo rito do PAF para ressarcimento/compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Assim, à vista do fato de a Súmula CARF nº 1 atingir a todas as instâncias do contencioso administrativo, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.013016/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2001
DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS E MULTA DE MORA. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O lançamento realizado para prevenir a decadência não deve incluir juros e multa moratórios sobre os valores que se encontrem depositados judicialmente.
Numero da decisão: 2201-004.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 24/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1405; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 311 1 310 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.013016/200844 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.385 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2001 DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS E MULTA DE MORA. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O lançamento realizado para prevenir a decadência não deve incluir juros e multa moratórios sobre os valores que se encontrem depositados judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 24/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 30 16 /2 00 8- 44 Fl. 311DF CARF MF 2 Relatório Tratase da análise de recurso voluntário (fls. 183/193) apresentado em face da DecisãoNotificação nº 11.401.4/0052/2005 (fls. 172/176), que considerou procedente o crédito tributário apurado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD Debcad nº 35.361.3150, e impugnado pelo documento de fls. 74/88. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 33/35), o lançamento teve por finalidade constituir o crédito relativo às contribuições destinadas a seguridade social, mais especificamente a diferença de 5% exigida em decorrência da Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 1999, e a contribuição adicional de 2,5% prevista no art. 22, incisos I e III, § 1º, da Lei nº 8.212, de 1991, cujo valor estaria sendo depositado judicialmente pela empresa fiscalizada no âmbito do Processo 2000.38.00.0131552, em trâmite perante a 22ª Vara Federal em Belo Horizonte. A interessada apresentou defesa administrativa (fls. 74/88), impugnando exclusivamente a exigência de juros e multa moratórios sobre os valores depositados judicialmente. Portanto, o litígio está delimitado a esta matéria. A DecisãoNotificação nº 11.401.4/0052/2005 (fls. 172/176) teve conclusão desfavorável à pretensão da contribuinte, ao entender não ser possível afastar a incidência de juros e multa moratórios sobre valores depositados judicialmente, uma vez que o depósito não constituiria forma de pagamento. A empresa apresentou tempestivamente (fls. 180/182) o recurso voluntário de fls. 183/193 alegando, em síntese, que: 1. O depósito tempestivo das parcelas da contribuição previdenciária em discussão, ou mesmo em atraso com os acréscimos legais, caracteriza uma das situações previstas no art. 151 do CTN, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 2. Com o depósito cessam quaisquer efeitos da eventual mora. 3. Mesmo que não fosse aplicável o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1995, o próprio CTN e a aplicação do princípio da razoabilidade impediriam esta exigência. 4. Os depósitos judiciais realizados após a vigência da Lei nº 9.703, de 1998, são imediatamente disponibilizados para a Administração e são remunerados pela SELIC. Por essas razões, pede a anulação da NFLD nº 35.361.3150 e, subsidiariamente, que seja a mesma NFLD cancelada no que diz respeito ao lançamento da multa e dos juros de mora. Através da decisão de fls. 209/215, a 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social anulou o lançamento por vício formal, uma vez que a notificação do sujeito passivo teria ocorrido fora do prazo de validade do MPF. A Delegacia de Belo Horizonte da então Secretaria da Receita Previdenciária apresentou pedido de revisão desta decisão (fls. 217/225) e o sujeito passivo contrarazões (fls. 233/245). Fl. 312DF CARF MF Processo nº 15504.013016/200844 Acórdão n.º 2201004.385 S2C2T1 Fl. 312 3 A 4ª Camara de Julgamento do CRPS conheceu e deu provimento ao pedido de revisão, anulando o Acórdão anterior (fls. 252/258). Na mesma oportunidade, converteu o julgamento em diligência para que a fiscalização informasse se os depósitos realizados pela contribuinte corresponderiam à totalidade do crédito tributário. Como resultado da diligência, a fiscalização juntou os documentos de fls. 267/271, na qual aponta insuficiência nos valores depositados referente às competências maio, junho e outubro de 2000 e setembro de 2001, e diferença no cálculo dos acréscimos legais no mês de junho de 2000. Pela manifestação de fls. 279/285, o sujeito passivo reconhece a existência da diferença de R$ 12,76 na competência setembro de 2001 e contesta as demais diferenças apontadas pela fiscalização. Transferido para este colegiado por força do que determina a Lei nº 11.457, de 2007, em seu art. 47, I, o processo integrou lote distribuído em sessão pública para esta Conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O Recurso Voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Inicialmente, entendo pertinente delimitar a matéria em litígio nesse processo que, sob meu ponto de vista, se restringe a definir se é possível ou não a exigência de multa e juros moratórios sobre valores que se encontram depositados judicialmente. Com efeito, apesar da diligência que foi determinada pelo CRPS e das manifestações que ela provocou, entendo que não foi instaurado qualquer litígio sobre os valores lançados, seja porque o principal não foi contestado pelo sujeito passivo, seja porque não houve qualquer manifestação da autoridade lançadora sobre eventuais insuficiências dos depósitos efetuados, tendo esta última, inclusive, consignado no relatório fiscal que "4.4 A Notificação em questão deverá permanecer sobrestada até decisão judicial final com trânsito em julgado" (fl. 34). Acerca da possibilidade de se exigir multa ou juros moratórios sobre valores de contribuições previdenciárias depositadas judicialmente, este Conselho registra jurisprudência uníssona, conforme revelam os seguintes julgados: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/08/2001 PREVIDENCIÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INDEVIDOS Fl. 313DF CARF MF 4 A súmula n° 5 do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF pacificou a questão dos juros de mora, no sentido de que existindo depósito no montante integral são indevidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. No que diz respeito a multa de mora, o comando do § 2º do artigo 63 da Lei n° 9.430/96 aduz que: “ Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, (..) A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. ” CONVERSÃO DO DEPÓSITO EM RENDA. O depósito é garantia do pagamento do tributo, com destino vinculado à decisão que vier a transitar em julgado. (Acórdão nº 403001.485) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL INCRA AÇÃO JUDICIAL JUROS E MULTA MORATÓRIA LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA Depósitos judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória, a partir do implemento do depósito. A discussão em juízo da incidência de contribuições previdenciárias não obsta o lançamento, mas tão somente a cobrança das contribuições nele lançadas até o transito em julgado do processo. Tendo o auditor descrito no relatório fiscal que os valores lançados correspondem aos valores depositados em juízo e contabilizados pela empresa, não cabe a incidência de juros e multa. (Acórdão nº 2401003.731) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2005 SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não Fl. 314DF CARF MF Processo nº 15504.013016/200844 Acórdão n.º 2201004.385 S2C2T1 Fl. 313 5 impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. (Acórdão nº 2302002.762) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MATÉRIA SUB JUDICE LANÇAMENTO POSSIBILIDADE DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO A existência de discussão judicial relativa à exigibilidade de determinada contribuição não é óbice ao lançamento que é atividade vinculada, ainda que exista depósito do montante integral, cuja conseqüência é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. DEPÓSITO JUDICIAL ENCARGOS MORATÓRIOS Na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, cujo valor tenha sido objeto de depósito judicial, não cabe a exigência dos encargos moratórios, juros e multa, uma vez que o depósito judicial efetuado à época própria descaracteriza a mora. (Acórdão 2402 003.134) Ampliando a análise da jurisprudência deste Conselho para as demais Seções de Julgamento, merece registro o seguinte trecho do voto da Conselheira Tatiana Midore Migiyama, relatora no Acórdão nº 933005762, cujas razões adoto: Passadas tais considerações, passo a análise se seria devido os acréscimos moratórios sobre a parcela do crédito tributário objeto de depósito judicial. Em relação à essa matéria – que não é nova nesse Colegiado, expresso meu entendimento pela concordância ao voto do relator do acórdão recorrido – o que peço vênia para transcrever: “[...] Fl. 315DF CARF MF 6 Recordase que em 20.2.2002, por meio da Guia de Depósito Judicial de fl 91 o sujeito passivo realizou depósito judicial no valor de R$ 277.675,12 – que representa metade do valor do crédito tributário exigido e devido. O depósito foi efetivado antes do vencimento da divida, que se deu em 27/02/2002, naquela data, apenas o valor do crédito tributário principal era devido, portanto, sem incidência de nenhum acréscimo moratório, seja a título de juros ou multa. Portanto, sobre este valor depositado, na transformação em pagamento definitivo, na forma do preceito legal supra transcrito, se for o caso (a depender da decisão judicial definitiva ainda em curso), não incidirá qualquer acréscimo moratório.” Frisese o REsp n. 1.348.640/RS que decidiu que “na fase de execução, o depósito judicial do montante (integral ou parcial) da condenação extingue a obrigação do devedor, nos limites da quantia depositada”. É de se observar ainda a inteligência do art. 9º, § 4º, da Lei 6.830/80: “Art. 9º. Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: [...] § 4º. Somente o depósito em dinheiro na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora.” Com efeito, se o depósito for feito integralmente ou parcialmente não há que se falar em encargos moratórios e de penalidades sobre o valor depositado, ficando, assim, afastada a incidência daqueles encargos sobre o sujeito passivo. O que, por conseguinte, entendo ser indevida a incidência de juros e multa de mora sobre a parcela do valor do crédito tributário depositado em juízo antes do seu vencimento (art. 1º da Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998, combinando com o disposto no inciso lido art. 151 do CTN). Ademais, cabe salientar que não se aplica para o presente caso a Súmula CARF nº 5 – que diz que “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. Eis que tal súmula foi considerada com suporte em acórdãos que somente tratavam de hipóteses referentes a concessões de liminar, e não a depósitos judiciais. Ainda, cumpre destacar parte da manifestação da Divisão de Cobranças de Grandes Devedores da ProcuradoriaGeral Federal no âmbito do processo em análise (fl. 171), no seguinte sentido: O que é importante, no caso, é saber se os depósitos realizados abrangem, de fato, todas as contribuições Fl. 316DF CARF MF Processo nº 15504.013016/200844 Acórdão n.º 2201004.385 S2C2T1 Fl. 314 7 previdenciárias devidas pelo contribuinte nos termos da Lei 9.876/99. ` Se não estiver depositando a totalidade das contribuições questionadas, ai, sim, poderemos prosseguir com a cobrança na parte não depositada, uma vez que o Mandado de Segurança foi denegado em primeira instância, o que impede o contribuinte retirar qualquer benefício jurídico dele, mesmo na pendência de apelação. (grifouse) De acordo com essa manifestação, caso houvesse deficiência do valor depositado, seria possível prosseguir com a cobrança da "parte não depositada", o que implica dizer que apenas sobre essa parcela descoberta do crédito tributário haveria mora. No mesmo sentido são as conclusões do estudo mencionado pela Decisão do CRPS (fls. 256/257), que merece ser transcrito: Nessa linha de raciocínio, Geraldo Brinckmann, em sua obra "Depósito Judicial e Lançamento de Ofício para Prevenir a Decadência”, em Revista de Estudos Tributários n° 8, p.22, j/ago99, não deixa dúvida quanto a matéria, senão vejamos: “CONCLUSÕES 1) Não cabe o lançamento da multa de ofício quando a exigibilidade do crédito a ser constituído estiver previamente suspensa por via do depósito do seu montante integral; 2) O depósito do montante não integral do crédito tributário não opera a suspensão, fazendose cabível o lançamento da multa de oficio sobre a integralidade do crédito, antes do advento da Lei n° 9.703/1998, e apenas sobre a parcela faltante após o surgimento da lei nova. " (grifouse) Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para lhe dar provimento, determinando que sejam excluídos da exigência os valores de juros e multa moratórios calculados sobre as importâncias depositadas judicialmente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 317DF CARF MF 8 Fl. 318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.934306/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2008
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.194
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2008 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 43 06 /2 00 9- 81 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.934306/200981 Acórdão n.º 3402005.194 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.912, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.934306/200981 Acórdão n.º 3402005.194 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.934306/200981 Acórdão n.º 3402005.194 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.934306/200981 Acórdão n.º 3402005.194 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.934306/200981 Acórdão n.º 3402005.194 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.934306/200981 Acórdão n.º 3402005.194 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.934306/200981 Acórdão n.º 3402005.194 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.934306/200981 Acórdão n.º 3402005.194 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.934306/200981 Acórdão n.º 3402005.194 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 373DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.721471/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. URV. INCIDÊNCIA IRPF.
As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA.
1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972).
2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecê-la, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf.
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2301-005.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tributáveis as parcelas recebidas a título de URV, determinar que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício incidente sobre o tributo devido em decorrência das parcelas recebidas a título de URV; vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: Relator
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URV. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. 1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). 2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecêla, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 14 71 /2 00 9- 71 Fl. 279DF CARF MF 2 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tributáveis as parcelas recebidas a título de URV, determinar que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício incidente sobre o tributo devido em decorrência das parcelas recebidas a título de URV; vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório RAMIRES TYRONE DE ALMEIDA CARVALHO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSALVADOR/BA que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio de auto de infração, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2005. 2006 e 2007, no valor de R$ 64.313,67, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 136.479,99. A infração que ensejou o lançamento foi a classificação indevida de rendimentos como isentos, conforme descrição dos fatos do auto de infração, a seguir reproduzida: Rendimentos decorrentes do trabalho assalariado (e portanto tributáveis pelo imposto de renda) percebidos pelo sujeito passivo, rendo, como órgão pagador, o Ministério Público do Estado da Bahia (CNPJ 04.142.491/000166), foram classificados, indevidamente, Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10580.721471/200971 Acórdão n.º 2301005.208 S2C3T1 Fl. 3 3 como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste Anual do imposto de Renda, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração decorrentes do trabalho assalariado ocorridas quando da conversação de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia (enfatiza se:uma lei estadual!) nº 20, de 08 de setembro de 2003. Transcrevese, parcialmente, a aludida Lei “[...] Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV, objeto da ação ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614, serão apuradas mês a mês de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º. São de natureza indenizatória as parcelas da que trata o art. 2º desta Lei [...]. Estas diferenças recebidas têm natureza eminentemente salarial, e consequentemente, deveriam ser tributadas pelo Imposto de Renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996, o Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. Preceitua a Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com nosso sistema tributário, é a de que esta lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, ou seja, seus efeitos não se estendem ao Imposto de Renda. Principalmente, porque não se fez, e nem se poderia estender seus efeitos ao âmbito federal. Não poderiam os Estados Federados versarem sobre o que não se lhes foi constitucionalmente outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo. A lei aludida tem repercussão jurídica em outras matérias afeitas à competência legislativa estadual tão somente considerar que uma lei estadual possa afastar a incidência do Imposto de Renda (de competência federal) de determinadas verbas, denominandoas de indenizatórias, seria um descuido, demonstrando desconhecimento acerca dos limites impostos às competências tributárias dispostas na Carta Magna de 1988, particularmente nos artigos 153 e 154. Transcrevese a seguir, parcialmente, o mencionado art. 153: Art. 153: Compete à União instituir imposto sobre: [...] Fl. 281DF CARF MF 4 III – renda e proventos de qualquer natureza; [...] Ademais, o CTN dispõe, no art. 111, que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do imposto de renda da pessoa física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). Verificase que a legislação tributária não contempla a isenção a diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de indenização ou valores indenizatórios. Resta claro, pois, que os valores recebidos pelo autuado referentes a diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a URV em 1994, denominadas valores indenizatórios de URV ou simplesmente URV são tributáveis pelo imposto de renda. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o lançamento é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membros dos magistrados estaduais; que o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; que caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; que caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; que parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; que ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; que mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSALVADOR/BA observou que as verbas em questão foram pagas em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20 que se refere a diferenças de remuneração quando da conversão da URV, a qual era realizada mensalmente e visava á manutenção do valor real do salário. Daí concluiu que as diferenças recebidas tinham Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10580.721471/200971 Acórdão n.º 2301005.208 S2C3T1 Fl. 4 5 natureza eminentemente salarial; que o recebimento extemporâneo de tais diferenças não altera a natureza das verbas, ainda que o beneficiário tenha tido que recorrer à Justiça e o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar. Registra, ainda, que a tributação incide também sobre os complementos, juros e atualização monetária. Sobre o artigo 3º da Lei Complementar da Bahia nº 20, de 2003, que dispõe que as diferenças pagas teriam natureza indenizatória, observa que o Imposto de Renda é regido por legislação federal e, portanto, tal dispositivo não tem nenhum efeito em matéria tributária, destacando que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento e que indenizações não são indistintamente isentas, mas apenas aquelas previstas em lei específica como tal; que o art. 55, XIV, do RIR/99 prevê expressamente que tanto os juros moratórios quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento estão sujeitos à tributação, salvo se corresponderem a rendimentos isentos ou não tributáveis. Sobre a alegação de que deveria ser reconhecida a isenção com base na Resolução do STF nª 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado às diferenças de URV pagas aos magistrados federais, registra que o benefício não poderia ser estendido aos membros do Ministério Público Estadual, pois tal resultaria em isenção sem lei específica, e que também não seria o caso de se recorrer à analogia. Também não seria o caso de se aplicar a isonomia com relação aos magistrados federais, pois se trata de funcionários públicos sujeitos a leis específicas distintas, e que a isenção, no âmbito federal, decorreu de resolução expedida no âmbito do próprio Poder Judiciário. E sobre a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, registra que esta se extingue com o término do prazo para a apresentação da declaração dos rendimentos pelo beneficiário dos rendimentos, conforme orientação da Receita Federal por meio da Instrução Normativa SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002. Ainda sobre a retenção do imposto pela fonte pagadora, anota que, embora o produto da arrecadação do imposto pertença à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, este fato não isenta o beneficiário dos rendimentos de oferecêlo à tributação; que, portanto, a competência para o lançamento tributário e o julgamento da lide são da União. Relativamente à multa de ofício, a DRJ rechaça a alegação de que, como os informes de rendimento apresentados pela fonte pagadora indicavam que se tratava de rendimentos isentos, sem a retenção do imposto, agiu de boafé e não poderia ser punido com a multa. Observa que a infração independe da intenção do agente e que a multa é devida pela omissão dos rendimentos e não pela prática de fraude. Finalmente, a DRJ acolheu a alegação da defesa quanto ao pedido de exclusão dos valores correspondentes aa férias indenizadas e 13º salário, retirando da base de cálculo os valores correspondentes, exonerando crédito tributário equivalente a R$ 1.083,04 em cada ano da autuação. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 19/07/2011 e, em 27/07/2011, interpôs o recurso voluntário que ora se examina e no qual afirma, inicialmente, que a decisão recorrida não enfrentou a questão suscitada na impugnação quanto à falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; que também não enfrentou a questão da “quebra da Fl. 283DF CARF MF 6 capacidade contributiva da recorrente”. Afirma que tais omissões representam supressão de instância, afrontando o devido processo legal, o contraditório e ampla defesa. Reafirma, como preliminar, as alegações de ilegitimidade passiva da União para cobrar o imposto incidente na fonte e que não foi objeto de retenção pelo Estado; reafirma a alegação de quebra da capacidade contributiva do Contribuinte, que estaria caracterizada pelo fato de que o Fisco pretende receber o imposto em valor maior do que o que seria devido caso os rendimentos fossem recebidos no tempo próprio, com multa, correção e juros. Quanto ao mérito, reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação quanto à natureza indenizatórias das verbas recebidas; sobre a quebra do princípio constitucional da isonomia, em face do tratamento recebido pelo membros do Poder Judiciário Federal; questiona procedimentos de cálculos quanto á alíquota aplicável, as base de cálculo e a inclusão indevida de rendimentos que seria de 13º salário e abono de férias. Por fim, reitera alegações contra a aplicação da multa e dos juros de mora, sob o argumento de que declarou rendimentos segundo orientações da fonte pagadora, tanto pelos comprovantes de rendimentos por esta fornecidos quanto pela Lei Estadual que definiu que a verba em questão teria natureza indenizatória. Em 10 de julho de 2012, a 1a Turma Ordinária da 2â Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF julgou a matéria no Acórdão n. 2201001.691 (fls. 235). Em 22 de outubro de 2012, um dos conselheiros da referida Turma opôs embargos (fls. 250 e ss) ao referido Acórdão diante inexatidão material devida a lapso manifesto: o voto condutor do acórdão considerou que no lançamento aplicouse a tabela do imposto de renda vigente nas épocas próprias a que se referem os rendimentos (regime de competência), quando, pela descrição dos fatos do Auto de Infração, a tabela do imposto de renda aplicada foi a vigente na data do pagamento (regime de caixa). Em 22 de janeiro de 2013, a 1a Turma Ordinária da 2â Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF julgou os embargos no Acórdão n. 2201001.922 (fls. 252), acolhendo os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201001.691, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Da Questão da Tributação das Diferenças de Remuneração decorrentes da Conversão de Cruzeiro Real para URV Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, vale citar que os rendimentos objeto do lançamento fiscal foram recebidos em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de 2003, que em seu art. 2º dispõe sobre “diferenças de remuneração quando da Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10580.721471/200971 Acórdão n.º 2301005.208 S2C3T1 Fl. 5 7 conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. A referida conversão era realizada mês a mês no período de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e visava a manutenção do valor real do salário. Verificase, portanto, que as diferenças reconhecidas através da citada lei tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos membros do Ministério Público Estadual. Tanto é assim, que as parcelas recebidas no devido tempo foram espontaneamente oferecidas à tributação pelo contribuinte, que reconhecia a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN. Com relação ao art. 3º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. O art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis. No tocante à alegação de que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas a funcionários do Poder Judiciário que não sejam os juízes federais. No que diz respeito à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Da Questão dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente Com relação à questão sobre a potencial ilegalidade da tributação integral dos valores de rendimentos recebidos de forma acumulada quando do efetivo recebimento, cumpre destacar que no anocalendário de recebimento de rendimentos pelo recorrente, vigia o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que possuía a seguinte redação: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação Fl. 285DF CARF MF 8 judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Todavia, a Lei 12.350, de 2010 introduziu o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, que definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) Não há dúvida sobre a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713/88 para os exercícios posteriores a 2010, no entanto, poderia haver dúvida sobre a aplicação do referido artigo para os exercícios anteriores a 2010, tal qual o caso em tela em que os rendimentos foram recebidos em 2006. Ocorre que a questão da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente de períodos até o anocalendário 2009 foi recentemente objeto do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vale destacar que decidiu o STJ nos Recursos Especiais REsp 1.470.720 e REsp n1.118.429, ambos julgados sob rito do artigo 543C do CPC que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.470.720 1. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. RESP 1.118.429 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10580.721471/200971 Acórdão n.º 2301005.208 S2C3T1 Fl. 6 9 alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por fim, considerando que o presente caso estava sobrestado até o julgamento do Recurso Extraordinário 614406RS, pelo Supremo Tribunal Federal, conforme Resolução nº 2802000.134, e o referido Recurso Extraordinário foi julgado, sob rito do artigo 543B do CPC, salientamos que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos, "in verbis": RE 614.406 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Ademais, conforme o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STF e STJ deverão ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, voto no sentido de que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Da Aplicação da Multa Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, no tocante à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do Recorrente ter agido de boafé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cumpre observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Todavia, cumpre ressaltar que a Súmula CARF n. 73 dispõe de forma específica sobre o tema afastando a multa de ofício quando houver erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, Fl. 287DF CARF MF 10 prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Considerando que somente houve lançamento de multa de ofício, não tendo havido lançamento de multa de mora, não se aplica multa alguma no presente caso. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial (i) reconhecendo que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte; e (ii) aplicando a Súmula CARF n. 73, que não autoriza o lançamento da multa de ofício, de modo que como somente houve lançamento de multa de ofício, não tendo havido lançamento de multa de mora, não se aplica multa alguma no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Voto Vencedor Conselheiro João Bellini Junior Ouso divergir do respeitado conselheiro Alexandre Evaristo Pinto no tocante a não ser exigível, conjuntamente com o tributo e juros de mora, qualquer tipo de multa. Por primeiro, cumpre assinalar que não houve na impugnação qualquer alusão à aplicação da multa de mora. Assim, por força do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, esta matéria, não contestada, considerase não impugnada, e, por conseguinte, estranha ao presente processo administrativo fiscal: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Registro que às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não tendo sido impugnada, tal questão não foi tratada pelo acórdão recorrido; não há como, por decorrência, ser devolvida por meio de recurso voluntário a este CARF, que não possui competência originária para conhecer da matéria, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf): Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10580.721471/200971 Acórdão n.º 2301005.208 S2C3T1 Fl. 7 11 versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (Grifouse.) Ademais, mesmo que a matéria pudesse ser conhecida, entendo que, ao ser cancelada a multa de ofício, a multa de mora é exigível por expressa disposição legal (art. 61, caput¸da Lei 9.430, de 1996), independentemente de constar no lançamento, sendo devida pela mera falta de recolhimento nos prazo previsto em legislação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifou se.) Diferentemente da multa de ofício, que possui expressa previsão de ser lançada (art. 44 da Lei 9.439, de 1996), não há previsão legal para constituição da multa de mora pelo lançamento; por decorrência lógica, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento, não existindo, portanto, competência deste CARF para dispor sobre sua exclusão ou cancelamento. Sobre esta questão, assumo, como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Acórdão 9202004.244, da 2ª Turma da CSRF, que passo a transcrever. II.2 Sobre a conversão da multa de ofício em multa de mora No tocante à matéria recorrida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, substituição da multa de ofício lançada pela multa de mora, é necessário fazer referência à legislação que disciplina as multas. A multa de ofício está prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme a seguir reproduzido, na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... Da leitura do texto acima, reparase que não há previsão de lançamento de ofício de multa de mora. Fl. 289DF CARF MF 12 Contudo, a multa de mora está prevista no art. 61 do mesmo diploma legal, conforme a seguir reproduzido, também na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. ... Da leitura do texto acima, reparase que a exigência de multa de mora não está condicionada a qualquer lançamento de ofício, sendo devida a multa de mora pela mera falta de recolhimento nos prazo previsto em legislação. Portanto, não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso o âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que houver recolhimento de tributo após o vencimento. Na verdade, a decisão a quo decidiu sobre tema que no entender deste conselheiro não tinha competência para discutir, a multa de mora, que é exigida de pleno direito, não compondo o lançamento. Ora, se não há previsão legal para constituição da multa de mora em sede de lançamento, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento. Dessa forma, pela impossibilidade jurídica da conversão das multas em sede de julgamento do lançamento tributário, é de se de dar provimento em parte ao Recurso da Fazenda Nacional, para afastar a exclusão da multa de mora, determinada pelo colegiado recorrido, devendo essa multa ser exigida de pleno direito em sede de cobrança / execução do crédito tributário, pela autoridade competente. (Grifouse.) Em conclusão, voto, nessa questão, por cancelar a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF 73, não conhecendo da questão da incidência da multa de mora, que deve ter a regular aplicação determinada pela legislação tributária. João Bellini Junior Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10580.721471/200971 Acórdão n.º 2301005.208 S2C3T1 Fl. 8 13 Fl. 291DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.941511/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.703
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), José Fernandes do Nascimento e Maria do
Socorro F. Aguiar que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente
proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza.
Nome do relator: José Renato Pereira de Deus - Redator "ad hoc".
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro F. Aguiar que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Redator "ad hoc". (assinado digitalmente) Walker Araujo - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Junior (suplente convocado) e Raphael Abad. Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 10880.941511/2012-11 Resolução nº 3302-000.703 S3-C3T2 Fl. 3 2 Relatório Conselheiro José Renato Pereira de Deus, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização desta decisão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto da relatora Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. "Trata-se de recurso voluntário, que adveio de acórdão de manifestação de inconformidade, nos procedimentos fiscais com vistas a verificar a regularidade dos valores constantes dos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e COFINS não-cumulativos, vinculados às vendas efetuadas no mercado interno, formalizados por intermédio dos PER (pedidos de ressarcimento) dos meses de julho de 2010 a setembro de 2011, com declarações de compensação DCOMP a ele vinculadas, neste processo especificamente, créditos da COFINS não-cumulativa do terceiro trimestre de 2010. A contribuinte, retrata a fiscalização, fls. 18/19 da informação fiscal 1 , possui uma ampla gama de atividades, in litteris: Comércio, a indústria, a importação e a exportação de produtos de limpeza e higiene doméstica; A exploração da indústria e do comércio de produtos alimentícios e bebidas em geral (laticínios, cereais, adoçantes etc.); a fabricação, o transporte, o armazenamento, a distribuição, a importação e a comercialização de medicamentos, de produtos para saúde e de produtos farmacêuticos alopáticos, fitoterápicos e homeopáticos para uso humano; a fabricação, o transporte, o armazenamento, a distribuição, a importação e a comercialização de produtos de higiene pessoal, toucador, cosméticos e perfumes; a fabricação, o comércio por atacado, a importação e a exportação de lubrificantes; o comércio, a indústria, a importação e a exportação de produtos desinfetantes para controle de insetos e roedores, inseticidas e defensivos agrícolas; a confecção, comercialização, importação e exportação de fraldas descartáveis, absorventes higiênicos, absorventes hospitalares e hastes flexíveis com algodão nas extremidades. Do acórdão da DRJ/Rio de Janeiro, fls. 3/5 do acórdão, extraem-se trechos que explicam como ocorre o sistema de tributação da Recorrente: Em razão da multiplicidade de atividades desenvolvidas pela Hypermarcas, parte de suas receitas (oriunda do seguimento de cosméticos e medicamentos) é tributada de forma concentrada. Ou seja, quando a Hypermarcas vende cosméticos e medicamentos fabricados por ela, está obrigada a tributar essas vendas com alíquotas 1 Os números correspondem ao número no documento físico. Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 10880.941511/2012-11 Resolução nº 3302-000.703 S3-C3T2 Fl. 4 3 diferenciadas do PIS e da Cofins, tendo em vista que a tributação é concentrada no fabricante. A sistemática de tributação do regime não-cumulativo, bem como da tributação diferenciada (também conhecida como incidência monofásica ou concentrada), possui diversas especificidades em razão do produto produzido (Cosméticos, Medicamentos, Alimentos etc.), destinação das vendas (Mercado Interno, Zona Franca de Manaus, Exportação, etc.), característica da contribuinte (Fabricante, Importadora, Atacadista/Varejista etc.), dentre outras, que tornam o sistema de apuração dos créditos e débitos uma tarefa muito complexa.. Ou seja, os fabricantes de produtos sujeitos às alíquotas diferenciadas também poderão descontar créditos em relação às aquisições de produtos de outra pessoa jurídica, produtora ou importadora, para revenda no mercado interno, desde que a pessoa jurídica adquirente seja fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833 (produtos relacionados no inciso I, do art. 1° da lei n° 10.147/00). No caso citado acima, a Hypermarcas adquire produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal de outro fabricante para revenda. Como ela também fabrica produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, ela tem o direito de se creditar do PIS e da Cofins. Por outro lado, nesse tipo de operação (aquisição de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal para revenda), as vendas (revendas) efetuadas pela Hypermarcas são tributadas pelo PIS e Cofins com alíquotas diferenciadas, pois conforme visto, a regra geral (art. 2° da Lei n° 10.147/2000) determina que se a pessoa jurídica não for fabricante a venda deverá ser feita com alíquota zero. (...) Entretanto, verificamos que a Hypermarcas, nas operações de aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica, está apropriando créditos, sem, contudo, apurar os débitos nas revendas destes produtos (está aplicando a alíquota zero nessas revendas). Isso ocorreu em virtude de a Hypermarcas ter se considerado fabricante no momento da aquisição para revenda (para ter direito ao crédito) e atacadista no momento da revenda (para revender com alíquota zero), fato que é inadmissível, pois ela só teve direito ao crédito porque também é fabricante dos produtos dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833. Portanto, restou comprovado que nas aquisições de produtos submetidos à tributação monofásica, a Hypermarcas poderá se creditar dos bens adquiridos, e DEVERÁ oferecer à tributação do PIS/COFINS as receitas oriundas das revendas destes produtos. (...) Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 10880.941511/2012-11 Resolução nº 3302-000.703 S3-C3T2 Fl. 5 4 Cumpre esclarecer que o artigo 3°, da Lei n° 10.147/2000, concedeu um crédito presumido relativo às contribuições PIS e COFINS não cumulativos. O crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas estabelecidas na alínea “a”, do inciso I, do art. 1º da Lei 10.147/2000, sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos, sujeitas a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo. (...) Posteriormente, há informações sobre as glosas. Observa-se que a fiscalização realizou uma apuração minuciosa em linha por linha da DACON, sendo transcrito abaixo tão somente as glosas efetuadas, que serão mais detalhadamente analisadas no transcorrer do voto: Linha 01-DACON- NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos da aquisição de bens para revenda. (...) COMPRA DE MATERIAL DE CONSUMO FABRIL – CFOP n°s 1.556 e 2.556 (VALOR TOTAL IGUAL A R$21.448.823,74) Os créditos relativos às compras de materiais de consumo fabril foram apropriados pela fiscalizada nas linhas 01 e 02 do DACON Analisando o arquivo entregue, percebemos que a maioria dos produtos adquiridos é utilizada em centros de custos que não fazem parte do processo de fabricação da empresa. Que dizer, estas aquisições não são utilizadas como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. (...) Com efeito, serão glosados os créditos relativos às aquisições de bens de uso e consumo que não foram empregados nos setores de produção da Hypermarcas. (...) LINHA 02 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos da aquisição de bens utilizados como insumos. (...) Portanto, os produtos tributados com alíquota reduzida a 0 (zero), adquiridos pela Hypermarcas, não podem gerar crédito em razão da vedação imposta pelo art. 3°, §2°, da Lei n° 10.833/2003. (...) – BRINDES AO CONSUMIDOR FINAL (VALOR TOTAL IGUAL A R$ 6.298.618,72) (...) Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 10880.941511/2012-11 Resolução nº 3302-000.703 S3-C3T2 Fl. 6 5 - MATERIAIS PROMOCIONAIS (VALOR TOTAL IGUAL A R$19.706.386,92) (...) - CAMPANHAS PRÊMIOS - CONSUMIDOR (VALOR TOTAL IGUAL A R$747.676,20) (...) – CRÉDITO EXTEMPORÂNEO (DETALHAMENTO NO ITEM 2 DA RESPOSTA À INTIMAÇÃO N° 03) - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.334.086,54) (...) LINHA 03 – DACON – NACIONAIS (...) – ANÁLISE LABORATORIAL - (VALOR TOTAL IGUAL A R$7.844.419,50) (...) - ANÚNCIOS E PUBLICAÇÕES - (VALOR TOTAL IGUAL A R$69.922,18) (...) - COMISSÃO PAGA A PESSOA JURÍDICA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$6.092.625,17) (...) -CONSULTORIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$3.049.825,67) (...) – ESTADIA – TRANSPORTADORA DE MERCADORIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$352.557,12) (...) – FEIRAS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$556.485,88) (...) -INFORMÁTICA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.313.948,44) (...) - MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$2.028.382,62) (...) – OUTROS GASTOS COM PROPAGANDA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$1.187.854,88) (...) Fl. 2666DF CARF MF Processo nº 10880.941511/2012-11 Resolução nº 3302-000.703 S3-C3T2 Fl. 7 6 – PATROCÍNIO DE EVENTOS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$41.555,72) (...) -PESQUISA DE MERCADO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$9.502.440,11) (...) – PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$308.381,33) (...) – PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE EMBALAGEM - (VALOR TOTAL IGUAL A R$1.847.501,95) (...) – PROMOÇÕES DE VENDAS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$32.945,36) (...) – PROMOÇÕES E EVENTOS DE MARKETING - (VALOR TOTAL IGUAL A R$3.151.777,22) (...) – PROMOTORES - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.500,00) (...) – PUBLICIDADE PRODUÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$27.877.706,47) (...) – PUBLICIDADE VEICULAÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$174.050.987,06) (...) - SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM DE PRODUTOS - (VALORES TOTAIS IGUAIS A R$4.125.357,26 E 2.500,00) (...) – SERVIÇO DE PALETIZAÇÃO/REACONDICIONAMENTO DE PRODUTO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$487.583,58) (...) – SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$150,00) (...) Fl. 2667DF CARF MF Processo nº 10880.941511/2012-11 Resolução nº 3302-000.703 S3-C3T2 Fl. 8 7 LINHA 06 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica. (...) Em razão da não apresentação do demonstrativo de composição da base de cálculo, estes créditos relativos aos dispêndios de locação estão sendo glosados pela fiscalização. LINHA 07 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda (base de cálculo igual a R$196.726.177,27) - 1.185/1.694 e 499: (...) Destarte, não bastasse a Hypermarcas não ter direito ao crédito extemporâneo não restou outra alternativa à fiscalização em também não aceitar o crédito em função da não vinculação das despesas com as operações de venda, já que somente geram direito ao crédito as despesas de armazenagem nas operações de venda. Pelo exposto, os créditos extemporâneos, cuja base de cálculo soma R$13.716.997,66 também serão glosados. LINHA 08 – DACON – NACIONAIS (...) Quanto aos créditos extemporâneos apropriados no mês de outubro de 2010 (R$508.418,54), estes serão glosados em razão da falta de retificação das declarações entregues (DACON, DIPJ e DCTF). (...) LINHAS 09, 10 E 11 – DACON – NACIONAIS (...) Destarte, os encargos de depreciação e/ou aquisição de bens, aplicados nos centros de custo cujos bens, integrantes do ativo imobilizado, não são utilizados na produção não geram créditos relativos às contribuições PIS/COFINS por expressa vedação legal. Por fim, também constatamos que a Hypermarcas está se creditando de encargos de depreciação relativo a bens integrantes do ativo imobilizado adquiridos antes de 30/04/2004. Estas aquisições também não geram direito ao crédito de PIS/COFINS não-cumulativas. (...) LINHA 13 – DACON – NACIONAIS (...) – CRÉDITO EXTEMPORÂNEO (DETALHAMENTO NOS ITENS 2 E 8 DA RESPOSTA À INTIMAÇÃO 03) – VALOR TOTAL IGUAL A R$172.502.051,77. (...) Fl. 2668DF CARF MF Processo nº 10880.941511/2012-11 Resolução nº 3302-000.703 S3-C3T2 Fl. 9 8 LINHA 26 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos calculados sobre insumos de origem vegetal. (...) Verificamos que a fiscalizada, à época que produzia gêneros alimentícios, no período de março de 2006 a dezembro de 2011, utilizou o disposto no artigo citado acima, adquirindo tomate in natura (NCM 0702.00.00) e milho verde in natura (NCM 0709.90.19) e industrializando produtos como, por exemplo, molhos de tomate e extrato de tomate (ambos com NCM 2103.20.10: Ketchup e outros molhos d/tom.inf. a 1kg Inc.). Todavia, produtos da Posição 2103 – preparações para molhos e molhos preparados; condimentos e temperos, do Capítulo 21 – preparações alimentícias diversas, não estão citados no caput do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, razão pela qual não há previsão legal para o crédito presumido pretendido pelo contribuinte, sendo, portanto, glosado na sua totalidade. (...) Da manifestação de inconformidade, extrai-se em síntese: - Preliminarmente: i) Solicita, primeiramente, o sobrestamento do feito, a fim de ser verificada a decisão no processo administrativo sob número 16004.720187/2014-75, no qual foram lançados os créditos de contribuição ao PIS e à COFINS, que foram consideradas insuficientes para compensação; ii) Pleiteia pela legitimidade dos créditos, aproveitados pela Recorrente nas aquisições de produtos sujeitos à tributação monofásica para revenda; iii) Não aproveitamento de determinados créditos mencionados na Informação Fiscal no Período do despacho decisório – 3º trimestre de 2010; iv) Violação ao contraditório e à ampla defesa, pois embora os agentes fiscais tenham segregado a análise da legitimidade dos créditos, levando em consideração a sua origem (e analisado item por item das linhas da DACON da requerente) deferindo ou indeferindo o aproveitamento, esquivaram-se de trazer uma discriminação precisa dos valores e da natureza dos créditos glosados originários do Pedido de Ressarcimento para indeferir as compensações. Os agentes deveriam ter realizado uma análise estritamente do período objeto do Pedido de Ressarcimento em análise e feito uma recomposição dos créditos, listando os valores deferidos e indeferidos, a respectiva origem, dentro do período pertinente. - No mérito: i) Indevida glosa de créditos na apuração do PIS/COFINS. Defende que o saldo credor pode ser apurado nos meses subsequentes. Ademais, que os créditos extemporâneos Fl. 2669DF CARF MF Processo nº 10880.941511/2012-11 Resolução nº 3302-000.703 S3-C3T2 Fl. 10 9 aproveitados pela requerente referem-se a operações com produtos submetidos à alíquota zero das contribuições ao PIS e à COFINS. O pedido de ressarcimento foi uma forma da requerente exercer o seu direito constitucional e legal de reaver os créditos não aproveitados anteriormente. ii) Realiza considerações sobre o regime da não-cumulatividade no sistema da contribuição ao PIS e à COFINS; iii) Argumenta que o conceito de insumo das instruções normativas é mais restrito que o da lei e, assim, não pode ser lido; iv) Defende a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS sobre as despesas de publicidade e propaganda/marketing; v) Argumenta o direito ao crédito no que concerne ao frete, a transferência de mercadorias ou insumos de uma unidade para outra; a entrega de mercadorias que foram dadas em bonificação aos clientes, e a retirada de mercadorias devolvidas pelos clientes e/ou logística reversa, que são de responsabilidade da impugnante são despesas intrínsecas à geração de receitas da impugnante; vi) Pleiteia pelo direito ao crédito na estocagem e armazenagem; v) No que concerne aos créditos relativos a encargos de depreciação, defende que além da industrialização possui forte atuação nas operações de revenda de mercadorias produzidas por terceiros, as quais incorreram em diversos custos com esforço de vendas, tais como pesquisas de mercado, ações de publicidade, estoque, logística e toda uma complexa estrutura administrativa para que seus produtos sejam disponibilizados e vendidos em todo Brasil. Toda essa complexa estrutura demanda aquisições de ativos imobilizados necessários ao desenvolvimento de sua atividade empresarial, tais como empilhadeiras utilizadas nos centros de distribuição para movimentação de estoque, plataformas hidráulicas, equipamentos utilizados na análise de qualidade de produto, entre outros. vi) Quanto à glosa de aluguel de máquinas e equipamentos, que a fiscalização fundamentou que não foi apresentado o demonstrativo da base de cálculo e o centro de custos, encontra-se anexo à impugnação os contratos de aluguel e a base de cálculo, que poderia ser obtida do SPED; vii) Quanto à manutenção de máquinas e equipamentos, a fiscalização glosou o crédito sob alegação de que não houve esclarecimento quanto à divergência na base de cálculo. Ocorre que a interessada alega que os dados foram disponibilizados conforme IN SRF 86/01 dos pedidos de ressarcimento; viii) No que se refere à compra de consumo fabril, a contribuinte alega que os produtos glosados são exigências da ANVISA, tratando-se de equipamentos de segurança dos profissionais que atuam nos setores fabris e laboratoriais; Fl. 2670DF CARF MF Processo nº 10880.941511/2012-11 Resolução nº 3302-000.703 S3-C3T2 Fl. 11 10 ix) Pleiteia pela concessão de créditos junto a serviços de análise laboratorial, consultoria, produção e desenvolvimento de embalagem e informática, bem como nas comissões pagas às pessoas jurídicas e a mão-de-obra temporária; x) Solicita pela concessão de créditos na compra de insumos agrícolas, que adquire o produto in natura de pessoa física ou cooperado pessoa física e procede a industrialização o que reforça a possibilidade de tomada de crédito presumido pela impugnante; xi) Alega que os produtos adquiridos à alíquota zero se sujeitaram à incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação. Sobreveio, então, decisão da DRJ/Rio de Janeiro, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NULIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o despacho decisório lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO . A apuração não cumulativa implica em diferença entre débitos da contribuição e créditos da não-cumulatividade. Assim sendo, a alteração na base de cálculo da contribuição, com a consequente apuração de maior valor de débito acarretará em uma redução dos créditos disponíveis. MATÉRIA JÁ APRECIADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação o crédito de não-cumulatividade relativo à aquisição no mercado interno vinculado à receita tributada no mercado interno. Fl. 2671DF CARF MF Processo nº 10880.941511/2012-11 Resolução nº 3302-000.703 S3-C3T2 Fl. 12 11 RESSARCIMENTO. ÚNICO TRIMESTRE DO ANO-CALENDÁRIO. Cada pedido de ressarcimento deverá referir-se a um único trimestre- calendário; e ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. A Recorrente interpôs recurso voluntário, onde reafirmou as considerações da manifestação de inconformidade, com a apresentação de algumas novas preliminares que serão analisadas no transcorrer do voto. Estão apensos ao presente processo administrativo, os seguintes processos: 10120.727124/2014-37 e 10880.723365/2014-13. É o relatório." Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, pelos motivos a seguir: Dentre as diversas matérias à serem apreciadas nestes processo, restou duvidoso, na sessão de julgamento, duas questões no processo que merecem esclarecimentos. A primeira sobre os débitos apurados pela fiscalização com base nos fatos e fundamentos apresentados nos itens 4.2 e 4.3 do Termo de Descrição dos Fatos carreados aos autos. Isto porque, de um lado, a fiscalização afirma categoricamente que a Recorrente não teria direito à aplicação da alíquota zero do PIS e da COFINS na revenda dos produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador, por entender que a sua atuação também como fabricante de outros produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador afastaria o regime monofásico na revenda de mercadorias, a saber: Conforme relatado, para alguns seguimentos da economia, dentre os quais destacamos o de cosméticos e medicamentos, que fazem parte do objeto social da fiscalizada, o legislador deu um tratamento fiscal diferenciado em relação à sistemática da não-cumulatividade, de forma à obtenção de uma praticidade na tributação. Para estes seguimentos foi estabelecida a tributação diferenciada, também conhecida por incidência monofásica ou concentrada, uma vez que neste regime o ônus tributário de toda a cadeia de comercialização de um determinado produto recai em seu fabricante ou importador. Justamente por esta concentração da tributação no fabricante ou importador, esses contribuintes aplicam sobre as receitas auferidas na venda de tais produtos alíquotas maiores que as usuais. Vejamos a redação da Lei 10.147/2000, com as alterações das Leis 10.548/2002 e 10.865/2004: Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 Fl. 2672DF CARF MF Processo nº 10880.941511/2012-11 Resolução nº 3302-000.703 S3-C3T2 Fl. 13 12 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I - incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); Em contrapartida, os demais contribuintes da cadeia de comercialização (atacadistas e varejistas) são beneficiados com redução a zero das alíquotas conforme estabelece o art. 2º da Lei nº 10.147, de 2000: Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000 Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. (grifei) (...) Nesse caso, a Hypermarcas fabrica os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, sujeitos à tributação monofásica/concentrada, motivo pelo qual está obrigada ao pagamento do PIS e da Cofins com as alíquotas diferenciadas. Ou seja, toda a tributação do PIS e da Cofins está concentrada na venda efetuada pela Hypermarcas. A partir daí, as operações subsequentes (vendas efetuadas pelos atacadistas e varejistas) estão sujeitas à alíquota zero. Por outro lado, a Recorrente alega que todas as operações nas quais houve o afastamento da alíquota zero, a Recorrente procedeu à mera revenda dos produtos sujeitos à incidência monofásica, inexistindo, qualquer processo de industrialização, nos moldes do artigo 4º, do Regulamento do IPI. Segundo a Recorrrente,"...a Autoridade Fiscal elaborou, com base em todas as notas fiscais eletrônicas e no Sped Fiscal da Requerente (fls. 17 e 18 do TVF/1.731 e 1.732 dos autos), 16 planilhas (fls. 27 do TVF/1.741 dos autos e fls. 1.167 a 1.182 dos autos), as quais contêm a relação de todos os produtos de perfumaria e farmacêuticos sujeitos ao regime monofásico vendidos no período objeto deste processo (07/2010 a 09/2011)". E, afirma:"...que as referidas planilhas reproduzem todas as informações das notas fiscais da Requerente e são, portanto, extremamente detalhadas, contendo, dentre outras informações, descrição individualizando cada um dos produtos, bem como seu valor de venda e a identificação se estes foram objeto de (a) produção própria1 ou (b) adquiridos de terceiros (revenda)2. Cumpre mencionar ainda que as referidas planilhas foram utilizadas pela Autoridade Fiscal para quantificar o crédito tributário objeto deste processo administrativo." Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 10880.941511/2012-11 Resolução nº 3302-000.703 S3-C3T2 Fl. 14 13 Analisando o processo, não há como auferir corretamente - entenda-se, com base em todo suporte documental carreado aos autos- , se nas referidas planilhas que deram suporte ao cálculo do montante exigido, há apenas produtos que foram objeto de produção própria ou produtos adquiridos de terceiros para revenda que são também fabricados pela recorrente (produtos coincidentes) ou produtos que foram revendidos e que não são fabricados pela recorrente. Tal fato é de suma importância para o deslinde do processo, posto que, partindo da premissa de que a Recorrente não industrializa os produtos que ela revende, fica afastado seu enquadramento no artigo 1º, da Lei nº 10.147/2000, do contrário, correto o lançamento fiscal. Neste ponto, entendo que há necessidade de converter o processo em diligência, para que seja comprovado/esclarecido pelas partes, se os produtos revendidos indicados na planilha foram também objeto de produção própria ou não. A segunda questão diz respeito ao fato de que na primeira autuação, objeto do processo administrativo nº 16004.7220544/2013-14, a fiscalização glosou créditos sem questionamento da aplicação da alíquota zero, ao passo que neste processo, os mesmos fiscais acolheram expressamente o aproveitamento de créditos e tributaram a revenda com a aplicação das alíquotas diferenciadas. Ou seja, há dúvidas quanto aos critérios jurídicos adotados e quanto à situação fática considerada pela fiscalização em ambos processos, merecendo, assim, esclarecimentos quanto a diferença de tratamento. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para: i) À recorrente: - Especificar os produtos revendidos que também são produzidos pela recorrente. A autoridade fiscal deve atestar e, em caso de discordância, apresentar a relação dos produtos que entende serem produzidos e revendidos pela recorrente, separando dos que são revendidos, mas não são produzidos pela recorrente, juntando suporte documental comprobatório das divergências consideradas; ii) À autoridade fiscal: - esclarecer a distinção entre a situação fática autuada no processo 16004.720544/2013-14, no qual houve glosa de créditos e não cobrança de débitos, e este processo, já que tratam de períodos imediatamente subsequentes, tendo a recorrente afirmado em ambas fiscalizações que atuava na fabricação e revenda de produtos mencionados no artigo 1º da Lei 10.147/2000. Após, intime-se a Recorrente para, querendo, apresentar sua manifestação, nos termos do artigo 35, do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 2674DF CARF MF Processo nº 10880.941511/2012-11 Resolução nº 3302-000.703 S3-C3T2 Fl. 15 14 Walker Araujo Fl. 2675DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902677/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE.
Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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IRPJ. PERDCOMP Recorrente JOSÉ MARIA DOS SANTOS TRANSPORTADORA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE. Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 77 /2 01 3- 38 Fl. 62DF CARF MF 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte pretende compensar débito de sua titularidade com crédito de IRPJ, recolhido via DARF em 14/01/2013, no valor de R$7.268,65. Analisando o pedido, a Autoridade Administrativa que jurisdiciona a Recorrente não homologou a compensação pretendida ante a constatação de que o pagamento indicado teria sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Irresignado com o indeferimento do PER/DCOMP, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à DRJ, tendo a Delegacia de Julgamento assim se pronunciado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, apresentou Recurso Voluntário onde, em apertada síntese, argui o seguinte: 1) Reitera a arguição de nulidade do despacho decisório haja vista a forma sintética como foi tratado o direito da Recorrente, o que o estaria impedindo de ter uma visão clara do porque o seu crédito fora declarado inexistente. Fundamenta suas alegações no disposto no art. 59, inc. II, do Decreto 70.235/72; 2) Entende que deveria, obrigatoriamente, ter sido intimado previamente à edição do despacho decisório para que tivesse oportunidade de comprovar a existência do crédito pleiteado, conforme o disposto no art. 65, da Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13851.902677/201338 Acórdão n.º 1401002.457 S1C4T1 Fl. 63 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. A peça recursal limitase a reclamar a nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada. Nenhuma arguição de mérito, principalmente em relação à existência do crédito declarado, foi trazida pelo recurso. E, como veremos adiante, as alegações de que o despacho decisório incorreria em nulidade são totalmente descabidas. O primeiro ponto, relativo à falta de motivação/fundamentação, que teria impedido a Contribuinte de "ter uma visão clara" do porque o seu crédito fora declarado inexistente foi assim tratado no acórdão recorrido: O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito utilizado. Lá consta que o Darf apresentado como origem do crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado. Entre as informações nele apresentadas, estão o valor original do débito declarado, seu período de apuração e o código do tributo. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva, não havendo preterição do direito de defesa. A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Perfeita a análise empreendida pela DRJ. Os motivos pelos quais o despacho decisório declarou a inexistência do crédito estão muito bem delineados. Vejam abaixo uma fotografia do próprio despacho decisório que evidencia o dito pelo acórdão: Fl. 64DF CARF MF 4 Aliás, a própria decisão recorrida traz uma informação, não contestada pela Contribuinte no Recurso Voluntário, de que o mesmo DARF tido como origem do crédito teria sido utilizado em outras 19 (dezenove) PER/DCOMP, além desta. Vejam: Ainda que o DARF utilizado constituísse pagamento indevido, não seria suficiente para fazer frente a tantas compensações com ele pretendidas. O mesmo DARF, no valor de R$ 11.411,75, foi utilizado em 20 PER/DCOMP para compensar débitos que somam R$93.176,36, conforme abaixo discriminado: Então, resta claramente demonstrado que a Contribuinte sabia exatamente o que estava fazendo, bem assim do porque o alegado crédito seria inexistente. Também muito bem explicado o porque de a Contribuinte limitarse a aventar a nulidade do despacho decisório, ao invés de tentar demonstrar a existência do crédito. O segundo ponto levantado pela Recorrente trata da pretensa obrigatoriedade de a Autoridade Administrativa intimála, previamente à edição do despacho decisório, para que comprovasse a existência do crédito pleiteado, diante da inconsistência apontada, conforme o disposto no art. 65, da Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Curioso, neste ponto, é que quando da manifestação de inconformidade, a norma citada fora a Instrução Normativa SRF nº 1.300/2012, e não a IN SRF nº 900/2008. Ocorre que a IN SRF nº 900/2008 foi totalmente revogada pela IN SRF nº 1.300/2012, esta sim, passível de citação pelo Recurso Voluntário, eis que vigente à época da transmissão da PER/DCOMP. Fato é que a IN SRF nº 1.300/2012 reproduziu em seu art. 74 a redação contida no art. 65 da IN SRF nº 900/2008, utilizada pela Recorrente. Abaixo colaciono o referido dispositivo: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13851.902677/201338 Acórdão n.º 1401002.457 S1C4T1 Fl. 64 5 IN SRF nº 1.300/2012 Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Quer nos fazer crer a Recorrente que a expressão "poderá", grifada no texto, constituirseia em um poderdever da Administração de intimar o contribuinte quando, durante a análise de pedidos como este que estamos apreciando, houver sido verificada, em suas próprias palavras, "uma inconsistência nos créditos declarados pelo contribuinte". Aqui, claramente, estamos diante de uma tentativa de inversão do alcance do dispositivo colacionado. Tal norma nada mais é do que uma garantia posta ao Fisco de somente conceder a restituição/ressarcimento/compensação quando estiver seguro quanto a liquidez e certeza do crédito apresentado pelo Contribuinte. Em havendo dúvida por parte do Fisco em relação ao crédito apresentado, o referido dispositivo lhe permite condicionar o pagamento/compensação à sua efetiva comprovação, seja pela apresentação "de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos", seja pela determinação de "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". No caso em apreço, não houve dúvida nenhuma da parte do Fisco ao não homologar a compensação, eis que patente a inexistência do crédito pleiteado, ante à sua total utilização para a quitação de outros débitos que não aqueles apontados na PER/DCOMP sob análise. Não se trata, portanto, de uma obrigação, mas tão somente de uma faculdade posta à disposição da Autoridade Administrativa para garantir a correção no deferimento dos pleitos dos Contribuintes. Portanto, também neste ponto, rechaço as alegações da Recorrente. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 66DF CARF MF
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