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Numero do processo: 19647.016452/2008-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
DEDUÇÃO COM INCENTIVO. DOAÇÕES.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam-se à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo. De acordo com o art. 87 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, poderão ser deduzidos do imposto de renda pessoa física as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Numero da decisão: 2001-000.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário,vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. DEDUÇÃO COM INCENTIVO. DOAÇÕES. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitamse à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo. De acordo com o art. 87 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, poderão ser deduzidos do imposto de renda pessoa física as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário,vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 64 52 /2 00 8- 00 Fl. 144DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 35 a 39, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2004, anocalendário de 2003, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 12.480,00 , por falta de comprovação de pagamento, bem como dedução supostamente indevida de incentivo , no valor de R$338,78, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar, mais juros e multa de oficio (calculados até 08/2008) de R$8.882,06. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 a 08, juntando diversos documentos para evidenciar a prestação do serviço, valor total pago, confirmando o endereço do estabelecimento do prestador e o beneficiário. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada, que é portador de episódio depressivo com sintomas psicóticos, razão pela qual necessita de acompanhamento psiquiátrico periódico, o qual não tem cobertura pelo plano de saúde. Ressalta que, visando dirimir as dúvidas quanto à idoneidade e certeza das despesas médicas, teve o necessário cuidado de obter do prestador de serviços médicos uma declaração ratificando a efetiva prestação dos serviços e do pagamento. No que se refere a dedução com incentivo, salienta e fundamenta que está de acordo com o quanto previsto em lei para que se efetive a dedutibilidade de tal despesa. A DRJ Recife, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, mediante declaração, reconhecem têlos prestados. Apresenta, para tanto, provas ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas médicas despendidas, por meio de declarações em anexo. Cita base legal e jurisprudência para corroborar o seu entendimento. Repisa os mesmos argumentos ventilados na impugnação acerca da dedutibilidade com a despesa de doação. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 19647.016452/200800 Acórdão n.º 2001000.347 S2C0T1 Fl. 3 3 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos ao tratamento psiquiátrico, com declaração contendo endereço completo do prestador, com CPF/CNPJ do prestador, valor pago pelo contribuinte, beneficiário dos serviços, ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] 8. Primeiramente, há de se esclarecer ao contribuinte que a motivação da referida glosa foi a falta de comprovação de seu efetivo pagamento, prevista no art. 80, § 1º, III do Regulamento Fl. 146DF CARF MF 4 do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/99, quando afirma que os pagamento de despesas médicas devem ser especificados e comprovados. Eis o motivo pelo qual o contribuinte foi intimado a apresentar documentação comprobatória do seu efetivo pagamento, porém não consta nos autos deste processo qualquer documentação bancária comprobatória neste sentido. 8.1. O impugnante, para comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas,poderia ter apresentado cópia dos cheques emitidos ou, no caso de pagamento em espécie, dos extratos bancários, com indicação dos saques efetuados para realizar os referidos pagamentos. 8.2. Esclareçase ainda que o Código Civil regula as situações entre particulares, ou seja, no caso concreto, se os recibos apresentados atendem aos requisitos previstos nesta Lei, o contribuinte tem sua dívida quitada com os profissionais da área de saúde. Entretanto, para que tais pagamentos sejam utilizados para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, os documentos apresentados à fiscalização devem atender aos requisitos previstos na legislação tributária. 9. A fim de comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas, o contribuinte apresentou declaração emitida pelo profissional Roberto Henrique Fischer Pacheco, fl. 26, e atestado médico emitido pelo profissional Fernando José Pinho Queiroga, fl. 27. 10. Ademais, apresenta documentação da Sul América Saúde a fim de comprovar o tipo de cobertura de seu plano de saúde, fls. 29 a 34. 11. Diante de todos os documentos acima analisados, entendo que: 11.1. Não houve comprovação de pagamento da despesa médica glosada no valor de R$12.480,00, devendo ser mantida integralmente a infração lançada. 12. Salientamos que a legislação tributária não dá aos recibos, ainda que venham revestidos de todas as formalidades, valor probante absoluto, não havendo dúvidas de que a efetividade do pagamento a título de despesa médica não se comprova com a mera exibição de recibos, mormente quando os recibos referem se a serviços prestados de valores que somados se mostram bastante expressivos. 13. Somente são admissíveis, em tese, como dedutíveis, as despesas médicas que se apresentarem com a devida comprovação, através de documentos hábeis e idôneos, e que correspondam a serviços efetivamente recebidos e pagos aos prestadores. O simples lançamento na declaração de rendimentos pode ser contestado pela autoridade fiscal. 14. O artigo 73 do RIR 1999 estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, sendo que se desloca para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova do fisco para o contribuinte transfere para o Fl. 147DF CARF MF Processo nº 19647.016452/200800 Acórdão n.º 2001000.347 S2C0T1 Fl. 4 5 interessado o ônus de comprovação e justificação das deduções e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais, ou seja, o lançamento de ofício decorrente do não cabimento das deduções por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica em trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. 15. O contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica não envolve apenas ele e o profissional de saúde (prestador de serviços), mas também o Fisco caso haja intenção de se beneficiar da dedução na declaração de rendimentos. Por isso, este deve se acautelar na guarda de outros elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço. 18. No caso sub examine, não estão, os recibos, acompanhados de outros documentos que comprovem a realização dos serviços tais como, requisições médicas, laudos médicos, exames, fichas de tratamento ou internamento, notas fiscais válidas de hospitais e de tratamentos, entre outros, a depender do caso, e nem de documentos que comprovem a efetiva transferência do numerário tais como extratos bancários, com indicação dos cheques compensados ou saques efetuados, guias de transferência bancária, cópias de cheques nominativos ou outros documentos bancários, com datas e valores coincidentes ou, pelo menos, próximos daqueles constantes dos recibos. 19. É nesse sentido que seria bastante dirimente, na formação da livre convicção do julgador, tal como prevista no art. 63 do Decreto 7.574/2011, a apresentação de outros documentos e em especial, da comprovação da efetiva transferência do numerário, o que se materializa, essencialmente, por meio documentos bancários que atestem a transferência com coincidência dos valores nas mesmas datas ou próximas às da emissão dos recibos. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos e a declaração emitida pelo prestador do serviço, assinada e datada pelo mesmo, não foram suficientes para comprovar as despesas.. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a Fl. 148DF CARF MF 6 administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação do lançamento no sentido de que os documentos simplesmente não foram suficientes bem como intenção do contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas em análise. Mérito Dedução com incentivos De acordo com o quanto apresentado pelo Contribuinte nas suas razões recursais, a Fundação Alice Figueira de Apoio ao IMIP é uma entidade sem fins lucrativos que exerce papel de captação de recursos financeiros, materiais e humanos, em parceria com entidades públicas e privadas. Noutro giro, seria o Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira — IMIP uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, reconhecida como entidade pública perante o Conselho Municipal de Assistência Social' da Prefeitura da Cidade do Recife, Fl. 149DF CARF MF Processo nº 19647.016452/200800 Acórdão n.º 2001000.347 S2C0T1 Fl. 5 7 conforme ratificado pelo "DOC. 04a e 04b", acostado ao processo, e teria como objetivo atender mulheres, crianças e adolescentes da população carente. Além disso, sustenta o recorrente que o IMIP seria credenciado pelo Ministério da Saúde como Centro Nacional de Referência para Programas de Assistência Integral à Saúde da Mulher e da Criança, Centro Colaborador em Monitoramento e Avaliação da Atenção Básica e como Centro Colaborador para Qualidade da Gestão e Assistência Hospitalar, sendo a única instituição em Pernambuco a fazer parte da Rede GeAH, iniciativa apoiada pelo Ministério da Saúde em parceria com a OPAS. Observase, ainda, de acordo com a alegação do Recorrente que o Instituto é certificado como Hospital Colaborador da Rede Sentinela, integrando a Rede Nacional de Monitoramento da Resistência Microbiana em Serviços de Saúde — GIPEA/ANVISA, sendo o único Centro de Pesquisa Clínica do Ministério da Ciência e Tecnologia credenciado em Pernambuco. Atua como Hospital de Ensino, conjuntamente pelo Ministério da Educação e Ministério da Saúde, e foi o primeiro hospital do Brasil a receber o título de "Hospital Amigo da Criança", concedido pela Organização Mundial de Saúde/UNICEF/Ministério da Saúde. Neste diapasão, o IMIP, para sua manutenção, recebe recursos financeiros da prestação de serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS), de convênios e intercâmbios técnico científicos com entidades nacionais e internacionais e de doações captadas pela Fundação Alice Figueira de Apoio ao IMIP. Assim sendo, acolho as alegações trazidas pelo Recorrente e voto no entendimento de que, em decorrência do nítido caráter de assistência do IMIP, certificado pelo Conselho Municipal de Assistência Social em parceria com a Prefeitura do Recife e o Sistema Único de Saúde (SUS), o contribuinte pode efetuar a dedução das doações efetuadas ao referido Instituto, dentro do limite de 6% (seis por cento) do imposto apurado na Declaração, em conformidade com o art. 87 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas ora glosadas bem como a dedução da despesa com doação em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 150DF CARF MF 8 Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900414/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
RESTITUIÇÃO - ESTIMATIVA
A decisão embargada se calcou na razão de que a estimativa recolhida deveria ser considerada na apreciação do saldo negativo apurado no encerramento do ano-calendário. Todavia, o recolhimento não se refere a estimativa, mas sim a imposto apurado pelo lucro presumido, cujo recolhimento é definitivo. Não se trata de mera antecipação.
Numero da decisão: 1401-002.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos suscitados e, no mérito, dar-lhe provimento com efeitos infringentes para não reconhecer o indébito pleiteado. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira (em substituição da Conselheira Livia De Carli Germano), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 RESTITUIÇÃO - ESTIMATIVA A decisão embargada se calcou na razão de que a estimativa recolhida deveria ser considerada na apreciação do saldo negativo apurado no encerramento do ano-calendário. Todavia, o recolhimento não se refere a estimativa, mas sim a imposto apurado pelo lucro presumido, cujo recolhimento é definitivo. Não se trata de mera antecipação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos suscitados e, no mérito, dar-lhe provimento com efeitos infringentes para não reconhecer o indébito pleiteado. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira (em substituição da Conselheira Livia De Carli Germano), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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Todavia, o recolhimento não se refere a estimativa, mas sim a imposto apurado pelo lucro presumido, cujo recolhimento é definitivo. Não se trata de mera antecipação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos suscitados e, no mérito, darlhe provimento com efeitos infringentes para não reconhecer o indébito pleiteado. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira (em substituição da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 04 14 /2 00 9- 11 Fl. 67DF CARF MF 2 Conselheira Livia De Carli Germano), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de embargos da Fazenda Nacional (fls. 5861), tempestivos, interpostos ao amparo do art. 65, Anexo I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo teor do despacho de admissibilidade abaixo transcrevemos: O recurso foi impetrado contra o Acórdão nº 1803.002.067 – 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Nele, a D. Procuradoria aduz que a decisão se calcou na tese de que o indébito pleiteado adviria de estimativas pagas a maior, deixando de analisar a razão para o indeferimento, tanto pela autoridade local, quanto pela DRJ, que correspondeu a erro de preenchimento de DCTF. (...) De fato, na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte aduz que errou ao preencher a DCTF e, assim, apresentou a referida declaração com novos números. A DRJ, por seu turno, negou provimento à manifestação de inconformidade em razão de considerar que a entrega de declaração retificadora foi feita após o despacho decisório. Assim, seria ônus do contribuinte comprovar a retificação realizada, mas este não apresentou tais provas. Já a decisão embargada baseouse nos dados da DCTF sem tecer uma só linha acerca do fato de que a declaração foi apresentada após o despacho decisório, fato que serviu de fundamento para a decisão recorrida. Assim, está caracterizada a omissão suscitada. É o relatório do essencial. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10380.900414/200911 Acórdão n.º 1401002.410 S1C4T1 Fl. 68 3 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Provavelmente a omissão da autoridade julgadora de segundo grau indicada no relatório a levou ao erro de análise sobre o qual discorreremos a seguir. Antes, porém, vale reproduzir o teor do voto condutor do acórdão embargado: Diante do que consta dos autos, vejo que a 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE não aceitou, como componentes do saldo negativo, os valores de estimativa pagos a maior, o que é, incontestavelmente, um equívoco, tendo em vista que a Recorrente apresentou as DCTF’s que suportam o crédito utilizado. Além do mais, quando o pagamento efetuado é superior ao débito IRPJ declarado, o valor considerado como estimativa IRPJ efetivamente paga é o pagamento limitado ao montante declarado. Isto porque os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB são alimentados pelos débitos declarados em DCTF, bem como pelo fato do próprio contribuinte ter feito expressamente distinção entre o pagamento e o valor pago do débito. Ou seja, ficou devidamente comprovado o direito da Recorrente em relação ao valor de R$ 185,96, não podendo prevalecer à decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, tendo em vista que uma breve análise nas informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório seria suficiente para validar a compensação realizada. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. E foi isso que efetivamente aconteceu. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de estimativas recolhidas a maior ou indevidamente, reformando, desta feita, a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza CE. Como podemos ver, a decisão se calcou na razão de que a estimativa recolhida deveria ser considerada na apreciação do saldo negativo apurado no encerramento do Fl. 69DF CARF MF 4 anocalendário. Todavia, o recolhimento não se refere a estimativa, mas sim a imposto apurado pelo lucro presumido, cujo recolhimento é definitivo. Não se trata de mera antecipação. Desse modo, deve ser avaliado se o recolhimento do imposto foi indevido, mas para tal a recorrente apresentou apenas DCTF retificadora após o despacho que indeferiu seu pleito. Tal retificação não produz mais efeito, sem a comprovação de eventual equívoco cometido no preenchimento original. Dessa sorte, voto por conhecer os embargos suscitados para, no mérito, dar provimento com efeitos infringentes para negar provimento ao recurso voluntário com o fito de não reconhecer o indébito pleiteado. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.900311/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Rodolfo Tsuboi. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan- Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Mara Cristina Sifuentes, e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição a Tiago Guerra Machado, impedido). Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Rodolfo Tsuboi. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan- Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Mara Cristina Sifuentes, e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição a Tiago Guerra Machado, impedido). Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Rodolfo Tsuboi. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Mara Cristina Sifuentes, e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado em substituição a Tiago Guerra Machado, impedido). Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 00 31 1/ 20 09 -8 9 Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.377 S3C4T1 Fl. 1.934 2 Adoto, por fidedigno, o relatório da decisão recorrida, proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) em 26/11/2013: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que não homologou as compensações declaradas, por ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação. A empresa apresentou pedido de ressarcimento de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), apurado no período de abril a junho de 2004, no valor de R$ 1.254.142,99 referentes a créditos de IPI relativos à aquisição de insumos isentos (concentrado), oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com base em matériaprima agrícola de produtor situado na Amazônia Ocidental, utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI (refrigerantes). A DRF em Ribeirão Preto indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações declaradas por considerar que a) o saldo credor passível de ressarcimento, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, é aquele decorrente de aquisição insumos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) tributados com aliquota positiva do imposto, cujo IPI tenha sido cobrado na operação de entrada dos insumos e aplicados no processo produtivo (industrialização) de produtos tributados pelo IPI. De acordo com o despacho decisório o Fisco concluiu que a empresa fornecedora de concentrados não dispunha de amparo legal para dar saída aos produtos denominados concentrados para refrigerantes com a isenção do inciso III do artigo 82 do RIPI/2002 e, conseqüentemente, a empresa adquirente dos referidos produtos não tem autorização legal para creditarse do IPI como se devido fosse. Com base nos valores glosados, foi feita a reconstituição da escrita fiscal da empresa, para ajustar os valores dos saldos. Foi lavrado o auto de infração (AI) correspondente ao MPF nº 0810900/00166/09, para cobrar da RECORRENTE valor de IPI recolhido a menor, relativo aos períodos de 10/01/2004 a 28/02/2005 e 30/11/2006 a 31/07/2007. PAF 10840.720752/200907 Regularmente cientificada do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: a) não poderia ter sido proferida decisão deixando de homologar as compensações realizadas antes da decisão final a ser proferida no AI MPF n° 0810900/00166/09; b) superado o exposto no item acima, o que se admite apenas para argumentar, este processo administrativo deve ser sobrestado até o julgamento final do AI MPF n° 0810900/00166/09; c) a RECORRENTE tem direito aos créditos de IPI objeto do pedido de ressarcimento em questão, uma vez que: Em relação aos créditos relativos da aquisição de insumos isentos (concentrado), oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com base em matériaprima agrícola de produtor situado na Amazônia Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.377 S3C4T1 Fl. 1.935 3 Ocidental, utilizada na industrialização dos seus produtos (refrigerantes) pois: c.1) há coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) n° 91.00477834 assegurando direito à manutenção desses créditos; c.2) não há previsão legal para glosa desses créditos em razão do principio da nãocumulatividade; c.3) o art. 6°, § 1°, do Decretolei (DL) n° 1.435, de 16/12/1975, assegura o direito ao crédito decorrente da aquisição de produto elaborados com base em matériaprima agrícola de produtor situado na Amazônia Ocidental" (seleção e grifos nossos). A manifestação de inconformidade foi julgada, por unanimidade de votos, improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: “AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. O provimento jurisdicional somente abrange o objeto da demanda judicial, vale dizer, o conteúdo o pedido da petição inicial. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL INFERIOR AO MONTANTE SOLICITADO. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. O saldo credor ressarcível do trimestrecalendário é resultante do confronto entre créditos e débitos do período na escrita fiscal; se há glosa de créditos em auto de infração, o montante do saldo credor rassarcível deve refletir a reconstituição da escrita fiscal resultante da autuação. A compensação somente pode ser admitida quando os créditos a favor do sujeito passivo forem líquidos e certos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Em suas razões de decidir, o voto condutor entendeu nos termos abaixo transcritos: "Primeiramente, há que se observar que a matéria de mérito quanto aos créditos glosados está sendo discutida nos autos do processo administrativo nº PAF 10840.720752/200907, julgado pela 2ª Turma desta DRJ em 25 de fevereiro de 2010 (Acórdão 1427.732 de 25/02/2010), cuja ementa segue abaixo transcrita: DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.377 S3C4T1 Fl. 1.936 4 AMAZÔNIA OCIDENTAL. DIREITO AO CRÉDITO. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, somente sobre os produtos adquiridos com a isenção concedida aos produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais produzidos por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de administração da Suframa, e empregados como MP, PI e ME na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO LANÇAMENTO. Em face da comprovação de erro no lançamento de ofício, cancelase a exação para o período em questão. O Acórdão considerou a impugnação procedente em parte para reduzir o imposto de R$ 18.494.093,15 para R$ 17.536.646,32, e da multa de ofício de R$ 11.474.685,18 para R$ 10.756.600,09. No entanto, quanto à matéria em análise, foi mantida a glosa dos créditos considerados indevidos. Quanto à alegação de coisa julgada o Acórdão assim se pronunciou: Pela leitura da citação acima, referente especificamente à petição inicial no Mandado de Segurança Coletivo, temos que trata o pedido de matériaprima utilizada na industrialização de produtos classificados na TIPI sob o código 2202.90 (refrigerantes). O feito judicial é deferido na forma em que proposto, ou seja, abrange somente aquisições de matériaprima utilizada na industrialização de produto sob o código 2202.90, em face do que dispõe o artigo 460 da Lei nº 5.869/73: Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Em consulta a “FICHA 35 Saídas de Produtos/Mercadorias/Insumos”, relativa a DIPJ (exercício 2005/anocalendário 2004) da impugnante, observamos que somente constam saídas de produtos Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.377 S3C4T1 Fl. 1.937 5 com as classificações 2101.20, 2106.90, 2202.10, 2203.00 e 3923.10. Temos então que a Ação Judicial não abrange a contribuinte, uma vez que as aquisições da matéria prima isenta oriunda da Zona Franca de Manaus não foi utilizada em produtos classificados na TIPI sob o código 2202.90 (...) Observese que mesmo com as alterações dos valores lançados nos autos, o saldo dos trimestres são devedores. Portanto, inexiste saldo credor a ser utilizado na compensação. (...). Portanto, a compensação somente pode ser admitida quando da existência de certeza e liquidez do crédito a favor do sujeito passivo. Como visto nos autos, e pelas próprias razões de manifestação da requerente, o crédito em comento não é líquido e muito menos detém a certeza necessária para que possa ser admitido em compensação. Ademais, o saldo credor ressarcível do trimestrecalendário é resultante do confronto entre créditos e débitos do período na escrita fiscal; se há glosa de créditos em auto de infração, o montante do saldo credor ressarcível deve refletir a reconstituição da escrita fiscal resultante da autuação. Sendo assim, a própria inexistência de definitividade com referência ao lançamento dos débitos do auto de infração PA nº 10840.002170/200422, faz com que a compensação desejada pela manifestante não possa ser homologada, justamente pela falta de certeza sobre a existência ou não do saldo credor glosado no auto de infração. Devese ter em conta, também que a homologação da compensação traria a conseqüente extinção do débito que se deseja compensar e esta extinção não pode ser efetivada com crédito, cuja existência ainda se discute administrativamente. Assim, em que pesem os argumentos da contribuinte, tenho por correto o despacho decisório. Isto posto, voto pelo indeferimento da manifestação.” Em 15/01/2014, a contribuinte protocolou recurso voluntário, situado às fls. 566 a 582, no qual reiterou as razões de sua impugnação. Em 25/11/2015, foi proferido o despacho de saneamento, na modalidade "prevenção", pelo relator, o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, integrante da 1ª Turma da 3ª Câmara deste Seção, nos seguintes termos: O presente despacho é aplicável aos três processos abaixo listados em face de serem semelhantes entre si. 10840.900312/200923 10840.720745/200905 10840.900311/200989 Transcrevo abaixo trecho do voto do relator constante do acórdão recorrido: (...) Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.377 S3C4T1 Fl. 1.938 6 Primeiramente, há que se observar que a matéria de mérito quanto aos créditos glosados está sendo discutida nos autos do processo administrativo nº PAF 10840.720752/200907, julgado pela 2ª Turma desta DRJ em 25 de fevereiro de 2010 (Acórdão 1427.732 de 25/02/2010). (...) Do exposto, constatase que o direito creditório do IPI, a que se refere o presente processo, depende efetivamente do que for decidido no processo de auto de infração nº 10840.720752/200907. Considerando que o processo nº 10840.720752/200907 está distribuído ao Conselheiro Júlio César Alves Ramos, 1ª TO da 4ª Câmara/3ª Seção de Julgamento do CARF, na situação "para relatar", proponho que o presente processo seja a ele direcionado para fins de julgamento em conjunto com o processo principal. Em 10/10/2016, foi proferido o despacho de saneamento pelo relator, o Conselheiro Rosaldo Trevisan, nos seguintes termos: Tendo sido a mim distribuído o presente processo, e aderindo à orientação deste tribunal administrativo de fazer triagem prévia dos lotes recebidos em sorteio, na linha do que dispôs o Manual do Conselheiro, item 1.2 (p. 28), aprovado pela Portaria CARF no 120, de 03/10/2016, passo a tecer considerações que culminam na conclusão de que o presente processo não foi corretamente submetido a sorteio. A formação do lote para sorteio parece ter ignorado o Despacho de Saneamento de fl. 2136/21371, de lavra do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, e acolhido pelo presidente da 3a Câmara desta 3a Seção, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (...). O despacho chegou ao então presidente da 3a Seção do CARF, que determinou que o processo fosse distribuído ao relator do processo administrativo no 10840.720752/2009 07, em face da conexão reconhecida (fl. 2137) (...). Em consulta ao sistema "eprocessos" e ao sítio eletrônico do CARF, percebo que o processo administrativo no 10840.720752/200907, foi sorteado, em julho de 2016, ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, membro desta 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção do CARF. Assim, entendo que, em face da conexão já reconhecida no âmbito desta Seção, não poderia o presente processo ter sido submetido separadamente a sorteio, na sessão de setembro de 2016, como foi, mas sim distribuído, por conexão, ao relator do processo administrativo no 10840.720752/200907. Assim reza o art. 49, § 5o do Regimento Interno deste colegiado: "Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.377 S3C4T1 Fl. 1.939 7 ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma". (grifo nosso) E adicionese, que, no presente caso, a conexão já foi expressamente reconhecida pelo Presidente de Câmara e pelo Presidente da Seção. Assim, proponho a redistribuição do presente processo ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, desta 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção do CARF" (seleção e grifos nossos). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara De Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Considerando que se trata de pedido de ressarcimento de crédito de IPI, relativo à aquisição de insumos isentos (concentrado), oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com base em matériaprima agrícola de produtor situado na Amazônia Ocidental, utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI (refrigerantes), e que a matéria de mérito quanto aos créditos glosados foi discutida nos autos do processo administrativo nº PAF 10840.720752/200907, necessário se esclarecer que, em sessão de 26/10/2017, este colegiado proferiu o Acórdão CARF nº 3401004.243 (Processo Administrativo nº 10840.720752/200907), de minha relatoria, com vinculação por conexão reconhecida com o presente processo, em conformidade com o quanto decidido à fl. 2.137, dando provimento ao recurso voluntário interposto, por votação unânime, "(...) acolhendo o que foi decidido em juízo, e em não conhecer do recurso de ofício, em função da não superação do limite de alçada", nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009. Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ªA Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.377 S3C4T1 Fl. 1.940 8 da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator. RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindose valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Não há notícia de oposição de embargos de declaração ou de interposição de quaisquer recursos em data posterior à publicação da decisão até o presente momento, conforme se verifica no extrato de andamento processual abaixo recortado: Na mesma sessão de julgamento, digase, foi proferido o Acórdão CARF nº 3401004.244 (Processo Administrativo nº 10840.723212/201191), também de minha relatoria, dando provimento ao recurso voluntário interposto, por votação unânime, "acolhendo o que foi decidido em juízo", nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 1940DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.377 S3C4T1 Fl. 1.941 9 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009. Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ª A da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator. Tampouco neste caso há notícia de oposição de embargos de declaração ou de interposição de quaisquer recursos em data posterior à publicação da decisão até o presente momento, conforme se verifica no extrato de andamento processual abaixo recortado: Desta forma, voto por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer o direito (an debeatur) sobre o qual se funda o pedido de ressarcimento da contribuinte, devendo a unidade local apurar a suficiência dos créditos para a quitação dos débitos pretendidos (quantum debeatur). Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.377 S3C4T1 Fl. 1.942 10 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Voto vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Nada obstante concordar em boa parte com o voto prolatado pelo i. Relator, divirjo quanto à conclusão por ele apresentada, como passo a expor. Como premissa desse voto, adoto o entendimento externado nos Acórdãos de nºs 3401004.243 e 3401004.244, de 26/10/2017, ambos vinculados ao presente processo, acerca da questão de direito objeto de exame nessa assentada, muito bem apreciada pelo Relator, Cons. Leonardo Ogassawara, valendo reproduzir o seguinte excerto: Com efeito, a decisão judicial passada em julgado é norma individual e concreta, fazendo lei entre as partes, eis que já promovida a subsunção dos fatos às normas gerais e abstratas de regência, por órgão julgador dotado de jurisdição. Segundo dispõem atualmente os arts. 502, 503 e 508 do Código de Processo Civil aprovado pela Lei nº 13.105/15 (correspondentes aos arts. 467, 468 e 474 do CPC/73 – Lei nº 5.869/73), a decisão que julga, total ou parcialmente o mérito, tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida e, uma vez recoberta pelos efeitos da coisa julgada, tornase imutável e indiscutível, considerandose deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam ser opostas, tanto para o acolhimento quanto para a rejeição do pedido. Nessas situações, ordinariamente, cumpre à instância administrativa dar fiel cumprimento à ordem judicial, nos exatos limites objetivos e subjetivos lá estabelecidos. Portanto, nessa oportunidade, incabível qualquer debate a respeito do fundamento jurídico do direito abstrato ao crédito art. 69, I, seja art. 82, III c/c art. 175, todos do RIPI/02 (Decreto/02) , valendo a decisão passada em julgado no Mandado de Segurança Fl. 1942DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.377 S3C4T1 Fl. 1.943 11 Coletivo nº 91.00477834, com trâmite no TRF 2ª Região e patrocinada pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (AFBCC), da qual faz parte o recorrente, mesmo porque indigitada matéria já foi abordada na discussão judicial de forma exauriente, como revela o inteiro teor da sentença lançada no mandamus. O direito ao ressarcimento pleiteado, então, deve ser avaliado à luz do provimento judicial expedido, com o exame de suas principais peças e decisões prolatadas. Nesse passo, o pedido formulado na inicial consistia no seguinte: “a) o deferimento, inaudita altera pars, de MEDIDA LIMINAR, para os seus ASSOCIADOS não serem compelidos a estornar o credito do IPI, incidente sobre as aquisições de matériaprima isenta a fornecedor situado na Zona Franca de Manaus (concentrado – código 2106.90 da TIPI) (RIPI, art. 45, XXI), utilizada na industrialização dos seus produtos (refrigerantes – código 2202.90 da TIPI), cuja saída é sujeita ao IPI; dandose ciência aos Delegados da Receita Federal com jurisdição sobre os ASSOCIADOS.” A decisão de primeira de instância judicial denegou a ordem requerida, fazendo explanação entre as isenções do então art. 45, XXI e XXVI do RIPI/82 (Decreto nº 87.981/82), então vigente, concluindo que o direito vindicado, segundo a tese patrocinada pelo impetrante, assentavase no inciso XXI (art. 69, I do RIPI/02) e não no inciso XXVI (art. 82, III do RIPI/02). O TRF – 2ª Região, julgando a apelação, deu provimento ao recurso, argumentando que o crédito requerido configuraria um “créditoprêmio” e que, pela regra da não cumulatividade inserta no art. 49 do CTN, caberia o seu reconhecimento para contraposição aos débitos por saídas tributadas. Inicialmente, a i. Relatora entendeu que o crédito pela aquisição de concentrado deveria excluir a parcela do açúcar e sacarose nele empregados, por força de isenção desses mesmos produtos, como se extrai da seguinte passagem do voto: A conclusão da manifestação é a seguinte: Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.377 S3C4T1 Fl. 1.944 12 Todavia, após os debates havidos em sessão, a relatora restou vencida nesse ponto, tocante à exclusão da sacarose e do açúcar, como se verifica do dispositivo sentencial, segundo a transcrição fonográfica coligida aos autos: A ementa do acórdão restou vazado nos seguintes termos: Essa foi a decisão de mérito que transitou em julgado, uma vez que o Agravo de Instrumento nº 252.8013, interposto pela Fazenda Nacional, foi monocraticamente desprovido no Supremo Tribunal Federal. Da leitura do aresto resta inconteste que o decisum transitado em julgado garantiu o creditamento do IPI, como se devido fosse, em razão da isenção do imposto, na aquisição (operação anterior), para o “pleno alcance do princípio constitucional da não cumulatividade”. Fl. 1944DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.377 S3C4T1 Fl. 1.945 13 Entretanto, perguntase: Essa decisão teria o alcance de reconhecer, inclusive, o direito ao ressarcimento de possível saldo credor apurado em função desse creditamento? O contribuinte sustenta que seu direito estaria amparado no art. 11 da Lei nº 9.779/99, contudo, entendo que esse dispositivo apenas garante o ressarcimento aos créditos expressamente previstos em leis, não se estendendo aos créditos fictos conferidos por decisões judiciais, através de criação hermenêutica, como no caso, para os quais deve haver manifestação pontual sobre essa possibilidade no provimento exarado. Demais disso, a própria decisão da i. relatora no TRF – 2ª Região, na parte vencedora (lembrando que a parte vencida abriga apenas a exclusão do açúcar e da sacarose do cálculo), deixa claro que o creditamento se limita à “compensação das parcelas do próprio IPI, em cada operação em que se desenvolve o produto, para somente lhe afastar a cumulatividade tributária.”, verbis: Logo, o crédito pelas aquisições isentas de matériasprimas originárias da Zona Franca de Manaus, em que pese a garantia de registro e abatimento dos débitos subseqüentes do imposto, não confere o ressarcimento de saldo credor porventura apurado. Por outro lado, em verificação do Livro Registro de Apuração do IPI (mod. 8), colacionado aos autos, bem assim, pelas referências do próprio Relatório de Auditoria Fiscal, constatase a existência de lançamentos, no RAIPI, de créditos pela aquisição tributada, a alíquotas “positivas”, de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), em princípio, não questionadas/glosadas pelas autoridades fiscais. Diante desse panorama, temse créditos fictos, reconhecidos por decisão judicial definitiva e passíveis de utilização exclusiva para contraposição aos débitos por saídas tributadas, e créditos básicos, originários de MP, PI e ME, sendo esses últimos, em tese, abrangidos pelo disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Digo “em tese” porque não é possível afirmar categoricamente que tenham sido aferidos pelas autoridades fiscais, pelo que consta do mencionado relatório de auditoria. Por conseguinte, o saldo credor deve ser reapurado, com a inclusão do crédito pela aquisição de produtos isentos, nos moldes do MSC 91.00477834, que, se remanescente ao final do trimestrecalendário, deve ser o seu ressarcimento limitado ao somatório dos créditos pelas aquisições tributadas de MP, PI e ME, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99. Exemplificando: I) 1ª Situação => Somatório dos créditos de aquisições isentas no trimestre calendário: R$ 1.000.000,00; somatório dos créditos por aquisições tributadas com alíquotas “positivas”: R$ 800.000,00; somatório dos débitos por saídas Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.377 S3C4T1 Fl. 1.946 14 tributadas: R$ 1.200.000,00 => O saldo credor do período, de R$ 600.000,00, pode ser totalmente ressarcido, porque inferior ao total de créditos passíveis de ressarcimento. 2ª Situação => Somatório dos créditos de aquisições isentas no trimestre calendário: R$ 1.000.000,00; somatório dos créditos por aquisições tributadas com alíquotas “positivas”: R$ 800.000,00; somatório dos débitos por saídas tributadas: R$ 900.000,00 => O saldo credor do período, de R$ 900.000,00, deve ser ressarcido até o limite de R$ 800.000,00, porque superior ao total de créditos passíveis de ressarcimento. Por pertinente, acentuo que a objeção erigida pela decisão de primeira instância administrativa para deixar de aplicar a decisão judicial transitada em julgado, consistente na divergência de código de classificação fiscal entre os produtos constantes da petição inicial no mandado de segurança e nas respectivas notas fiscais de saída, é insubsistente, isso porque, à época da interposição da peça, a TIPI/82 (Decreto nº 97.410/82) enquadrava os refrigerantes no código tarifário 2202.90, passando a TIPI/02 (4.544/02), vigente por ocasião da ocorrência dos fatos geradores, a enquadrar ditos refrigerantes no código 2202.10.00 e reservando o código 2202.90 às bebidas isotônicas, não sendo essa alteração motivo suficiente e justificável para afastamento da coisa julgada, haja vista que os produtos em que aplicadas as matérias primas isentas, como assinalado na petição inicial, continuou a ser refrigerantes. Com essas considerações e por entender que o processo não se encontra em estado adequado para apreciação, proponho a conversão do feito em diligência para que se providencie o que subsegue: 1) Reapuração do saldo credor do contribuinte, pelo restabelecimento dos créditos por aquisições isentas, consoante decisão no MSC 91.00477834, com apuração do valor a ressarcir, até o limite do somatório dos créditos passíveis de ressarcimento pelo art. 11 da Lei nº 9.779/99, como alhures exemplificado; 2) Elaborar relatório circunstanciado dos exames e aferições realizados; 3) Abrir vista ao contribuinte para, querendo, manifestarse, no prazo de 30 (dias) dias. Cumprida a diligência, devolvamse os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Redator designado Fl. 1946DF CARF MF
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Numero do processo: 13984.901365/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA.
Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal.
Numero da decisão: 1201-002.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 13 65 /2 00 9- 15 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13984.901365/200915 Acórdão n.º 1201002.060 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu DCOMP, pleiteando a compensação de créditos de tributos recolhidos no SIMPLES com determinados débitos de sua responsabilidade. O Despacho Decisório não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de insuficiência de saldo credor. A contribuinte, então, apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando que houve retificação da DSPJ em face de ter adotados alíquotas superiores a devida em 50%. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, uma vez que entendeu que o referido crédito não teria sido comprovado. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, instruído com documentação que, no seu entender, definitivamente comprovaria o direito creditório. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, pois, segundo o I. Relator, os esclarecimentos e documentos juntados pelo contribuinte deveriam ser confrontados com os sistemas da fiscalização. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal se manifestou por meio de Relatório Fiscal específico, do qual a contribuinte não foi chamada a se manifestar. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201 002.057, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.901377/200940, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento a maior de SIMPLES no AC 2004. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.057): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13984.901365/200915 Acórdão n.º 1201002.060 S1C2T1 Fl. 4 3 A presente discussão diz respeito à legitimidade ou não de créditos de tributos supostamente recolhidos a maior no âmbito do SIMPLES no AC de [...]. Por ocasião da diligência que foi determinada pelo CARF, o relatório fiscal atesta a legitimidade do direito creditório, merecendo destaque a seguinte passagem: Consultando o histórico do CNPJ quanto ao porte, constatase que a empresa estava enquadrada como microempresa nos anos 2004 e 2005, tendo alterado o enquadramento para empresa de pequeno porte a partir do ano 2006: [...] O CNAE que consta nas Declarações Simplificadas apresentadas é 64114/02 Atividades do Correio Nacional executadas por franchising. Consultando as declarações relativas aos anos de 2003 a 2005, verificase a evolução do faturamento da seguinte forma: EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO ano receita auferida 2003 42.484,37 2004 112.927,51 2005 132.270,87 Portanto, possível o enquadramento como microempresa nos anos 2004 e 2005. LEGISLAÇÃO As franqueadas dos Correios passaram a poder optar pelo Simples com a publicação da Lei 10.684/2003, que alterou a Lei 10.034/2000. A Lei 10.684/2003 determinava ainda que essas empresas estariam sujeitas aos percentuais majorados em 50%. A IN SRF 355/2003 dispunha, à época, sobre o Simples nos seguintes termos: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas, de agências terceirizadas de correios e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13984.901365/200915 Acórdão n.º 1201002.060 S1C2T1 Fl. 5 4 § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês.(...)" (grifouse) Com o advento da Lei 10.833/2003, que também alterou a Lei 10.034/2000, as franqueadas dos Correios deixaram de estar sujeitas aos percentuais majorados em 50% e a instrução normativa acima passou a vigorar com o seguinte teor: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF n° 391, de 30 de janeiro de 2004) I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês. (...) § 6° O disposto no caput também se aplica às agências terceirizadas de correios no período de 31 de maio a 30 de novembro de 2003." Portanto, as franqueadas dos Correios estiveram sujeitas a percentuais diferenciados, majorados em 50%, no período de 31/05 a 30/11/2013 e, para os períodos posteriores, sujeitaram se às alíquotas normais. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS NO CASO CONCRETO Estes processos tratam de Simples dos anos 2004 e 2005, portanto, os valores devem ser apurados com alíquotas normais, aplicáveis às microempresas, previstas no art. 7° da instrução normativa: "Das Microempresas Optantes pelo Simples Percentuais aplicáveis Art. 7° O valor devido mensalmente pelas microempresas, inscritas no Simples nessa condição, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 3% (três por cento); Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13984.901365/200915 Acórdão n.º 1201002.060 S1C2T1 Fl. 6 5 II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 4% (quatro por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 5% (cinco por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês." O contribuinte foi intimado a apresentar os Livros Contábeis e as notas fiscais relativas aos anos 2004 e 2005. Com base na documentação apresentada, foram confeccionadas as planilhas abaixo, que contêm a receita, a receita acumulada e a alíquota de Simples aplicável a cada período de apuração. ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2004 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/04 7.316,75 7.316,75 3% 02/04 7.595,37 14.912,12 3% 03/04 9.473,60 24.385,72 3% 04/04 8.594,39 32.980,11 3% 05/04 8.407,44 41.387,55 3% 06/04 9.510,98 50.898,53 3% 07/04 9.075,25 59.973,78 3% 08/04 9.195,16 69.168,94 4% 09/04 8.809,84 77.978,78 4% 10/04 9.485,46 87.464,24 4% 11/04 11.169,36 98.633,60 5% 12/04 13.293,91 111.927,51 5% ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2005 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/05 10.119,01 10.119,01 3% 02/05 10.524,11 20.643,12 3% 03/05 12.160,20 32.803,32 3% 04/05 12.089,40 44.892,72 3% 05/05 10.857,54 55.750,26 3% 06/05 10.745,30 66.495,56 4% 07/05 10.087,06 76.582,62 4% 08/05 11.123,58 87.706,20 4% 09/05 10.096,33 97.802,53 5% 10/05 10.633,29 108.435,82 5% 11/05 10.996,57 119.432,39 5% 12/05* 12.838,48 132.270,87 567,61 5% 12.270,87 5,4% Analisando os pagamentos, observase que foram feitos considerando percentuais diferenciados (alíquotas majoradas em 50%). Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13984.901365/200915 Acórdão n.º 1201002.060 S1C2T1 Fl. 7 6 Como se percebe, restou demonstrado pela diligência que o contribuinte utilizou alíquota superior a devida (em 50%), razão pela qual o crédito ora pleiteado é líquido e certo. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 278DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.722545/2013-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. AUSÊNCIA DE EFEITOS INFRINGENTES.
Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes, para sanar vício de omissão consistente na falta de motivação das razões que levaram o Colegiado a desconsiderar a documentação anexada em Memoriais de Julgamento.
Numero da decisão: 1201-002.115
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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OMISSÃO. CABIMENTO. AUSÊNCIA DE EFEITOS INFRINGENTES. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes, para sanar vício de omissão consistente na falta de motivação das razões que levaram o Colegiado a desconsiderar a documentação anexada em Memoriais de Julgamento. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração (efls. 404 a 412) interpostos por BANCO DO ESTADO DO PARÁ S/A contra o Acórdão n.º 1201001.633, de 11/04/2017, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 25 45 /2 01 3- 58 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10280.722545/201358 Acórdão n.º 1201002.115 S1C2T1 Fl. 3 2 proferido por esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 387 a 395), o qual, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário. A ementa do decisium possui a seguinte redação: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A alegação genérica de existência de direito creditório, desacompanhada de prova da natureza e origem, não autoriza a homologação da compensação. O Embargante se opõe ao Acórdão em face de alegadas omissões e obscuridade. Aduz que a ausência de fundamentação do Acórdão faz com que o julgado padeça do vício de omissão passível de reforma. O Julgador, segundo argumenta, descuidou totalmente de sua efetivação, pois ao longo do Acórdão não se verifica qualquer conteúdo que motive a sua conclusão, visto que apenas menciona ser "densa" a decisão de primeira instância e afirma ter sido convencido por esta, retirando do contribuinte/embargante o direito de obter uma decisão substanciada no ordenamento jurídico pátrio. Outro aspecto que merece destaque referese à juntada de um documento novo, que DECLARADAMENTE NÃO FOI APRECIADO, protocolado por ocasião do envio de Memoriais de Julgamento (antes, portanto, do julgamento do recurso), documentos este que atestaria que a Receita Federal, ao analisar as demonstrações contábeis do anocalendário de 2011, teria reconhecido a regularidade da compensação da Base de Cálculo Negativa da CSLL. Sustenta, ademais, que a decisão embargada também seria obscura, pois quando o relator referese aos documentos juntados pelo Embargante, cujo conteúdo teria o condão de interferir decisivamente para o deslinde da questão num sentido diametralmente oposto ao que ocorreu, ele o faz alegando argumentos infundados e lacônicos. (...) EM QUE PESE O DOCUMENTO JUNTADO NA DATA DE 29/03/2017, QUE DEIXO DE ANALISAR NÃO SÓ PELA INTEMPESTIVIDADE DO MESMO, MAS PRINCIPALMENTE PELA COMPLETA AUSÊNCIA NO CUMPRIMENTO DOS ASPECTOS FORMAIS QUE DEVERIAM NORTEÁ LO EM SUA EXPEDIÇÃO. Ressalta, nesse ponto, que ao argüir pela sua intempestividade não explicita o porquê. Quanto à suposta ausência de cumprimento dos aspectos formais, também não os esclarece. Pugnase que todos estes frágeis argumentos do douto julgador, ao retirar do contribuinte o direito de conhecer as razões de sua decisão, são violadores do Estado Democrático de Direito. Ante o exposto, o Banco Embargante requer que esse Órgão Julgador conheça, dê provimento e seja declarada a nulidade deste julgado dada a ausência de fundamentação, na forma do que estatui o art. 489, §1° inciso IV do NCPC c/c art. 93, IX da Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10280.722545/201358 Acórdão n.º 1201002.115 S1C2T1 Fl. 4 3 CF/88. De modo sucessivo, que sejam sanadas a omissão e obscuridade apontadas, sendo reconhecida a pertinência dos fatos e fundamentos ora especificados, culminando com a reforma da r. decisão. Os Embargos foram admitidos parcialmente por meio de despacho de fls. 435/440, verbis: Diante dos termos e considerações acima exarados, admito em parte os presentes embargos, conforme art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, somente quanto à obscuridade apontada, referente a falta de demonstração das razões que conduziram à conclusão pela intempestividade e pela ausência de cumprimento dos aspectos formais do documento trazido aos autos em 29/03/2017. Tramitado o feito, o processo foi redistribuído ao presente Julgador, por ter sido designado Relator ad hoc da r. decisão embargada. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Relator O presente processo é decorrente de impugnação contra o resultado de ação fiscal instaurada no curso do procedimento de revisão da DIPJ do anocalendário 2010. O contribuinte em questão foi selecionado pelo Sistema Malha PJ por haver utilizado Compensação da Base de Cálculo Negativa da CSLL, no percentual de 30%, não havendo Saldo Negativo de períodos anteriores para a aludida contribuição, conforme indicado no SAPLI, bem como diante do exercício da opção pelo benefício previsto no artigo 8o da MP n. 2.15825, de 24/08/2001, in verbis: Art. 8o As pessoas jurídicas referidas no art. 1o, que tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. § 1o A pessoa jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não poderá computar os valores que serviram de base de cálculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10280.722545/201358 Acórdão n.º 1201002.115 S1C2T1 Fl. 5 4 § 2 o A compensação do crédito a que se refere este artigo somente poderá ser efetuada com até trinta por cento do saldo da CSLL remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de que trata o art. 8o da Lei no 9.718, de 1998, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou sua compensação com outros tributos ou contribuições, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. § 3 o O direito à compensação de que trata o parágrafo anterior limitase, exclusivamente, ao valor original do crédito, não sendo admitido o acréscimo de qualquer valor a título de atualização monetária ou de juros. A conclusão da DRJ mantida por esta Câmara pelos seus próprios fundamentos, foi a de que a utilização da opção disposta no art. 8º da MP nº 1.807/1999 impede o cômputo dos valores que serviram de base de cálculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998. Essa decisão de primeiro grau, digase, está fundamentada em um trabalho investigativo feito em diligência específica, trabalho este que apurou e demonstrou que o contribuinte de fato se valeu do referido benefício, razão pela qual a compensação de base negativa pleiteada restou indevida. Ressaltese que, após realizada a referida diligência a qual, repitase, atestou o exercício, pela Embargante, da opção pelo artigo 8o em questão o contribuinte não se manifestou, mesmo tendo sido regularmente intimado a confrontar esse resultado (AR fl. 196). Também por ocasião do recurso voluntário não houve produção de prova cabal capaz de sustentar o direito de compensação do contribuinte, o que levou este Colegiado a manter a decisão de primeira instância. O Acórdão, porém, contém vício de omissão consistente na falta de motivação acerca da "intempestividade" e "ausência de cumprimento dos aspectos formais" no tocante à apreciação de prova (documento de fls. 382/385) trazida aos autos como fato superveniente em momento posterior ao protocolo da defesa e recurso. A Embargante (fls. 380/381) pede o deferimento da juntada dessa documentação nos seguintes termos: 1. Para ratificar a retidão da sua conduta relativamente às compensações da Base de Cálculo Negativa da CSLL realizadas nos anos de 2009 e 2010, o Recorrente recebeu em 30/03/2017, a notificação da Delegacia da Receita Federal em Belém contendo o Termo de Encerramento de Ação Fiscal concernente Procedimento Fiscal n° 02.1.01.002014003246, em anexo, referente à compensação da Base de Cálculo Negativa da CSLL realizada no anocalendário de 2011 onde o Auditor Fiscal no uso de todas as suas atribuições legais, manifestatou se pela AUSÊNCIA DE IRREGULARIDADE na conduta adotada pelo Banco Recorrente, tendo caracterizado como "erro de fato" o preenchimento da opção na DIPJ AC 2008 dada a Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10280.722545/201358 Acórdão n.º 1201002.115 S1C2T1 Fl. 6 5 existência de base negativa da CSLL suficiente para compensar os valores declarados no AC 2011. 2 . Frisese que se trata de um "documento novo", visto que sua existência e conhecimento a este Contribuinte é superveniente ao momento processual em que foi oportunizado ao Banco a apresentação de sua defesa neste processo, pois o aludido Termo de Encerramento de Ação Fiscal foi gerado em 29/03/2017, conforme verifica no campo data de lavratura 3 Tal documento corrobora todas as teses aduzidas pelo Contribuinte, e devidamente comprovadas no processo, relativamente à existência de base negativa Base de Cálculo Negativa da CSLL, que, embora o procedimento tenha sido efetuado na DIPJ AC 2008, houve repercussão fiscal nos exercícios subsequentes (2009, 2010 E 2011) para que o Contribuinte promovesse o aproveitamento fiscal respectivo. Pois bem. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, conforme o art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. A juntada de “novos documentos” aos autos é medida, portanto, excepcional e permitida nas situações contempladas nos dispositivos citados. Em razão dos princípios da legalidade e verdade material, entendo que tais dispositivos normativos devem ser interpretados de forma flexível, o que significa dizer que, na prática, o recebimento ou a negativa de provas juntadas apenas por ocasião do recurso ou em momento posterior, mas antes do julgamento, devem ser feitos de acordo com as circunstâncias fáticas de cada caso. Em linhas gerais, penso que provas apresentadas em momento posterior à defesa devem ser aceitas somente se o Julgador se convencer (i) dos motivos apresentados pela parte para não terem sido produzidas anteriormente (até a impugnação) e (ii) da pertinência e Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10280.722545/201358 Acórdão n.º 1201002.115 S1C2T1 Fl. 7 6 conteúdo da prova para fins do convencimento do Julgador acerca da controvérsia instaurada. Nestes termos, admitidas seriam as provas contundentes e decisivas para dirimir a controvérsia. Especificamente quanto ao item (i), o documento juntado pela Embargante decorre de fato superveniente, razão pela qual, a todo rigor, ele não poderia ter sido considerado "intempestivo", devendo ser apreciado. Referida documentação, na verdade, consiste em um Termo de Verificação Fiscal (fl. 382), um Relatório Fiscal (fl. 383 e 384) e um Demonstrativo da recomposição da Base de Cálculo da CSLL Negativa (Fl. 385), datados de 20/03/2017 (data posterior ao da interposição do recurso voluntário). Ocorre, porém, que essa documentação não possui uma vinculação direta com o procedimento fiscal que culminou na cobrança objeto deste processo. Ainda que a apresentação extemporânea tenha sido motivada, o respectivo conteúdo não tem o condão de reformar o resultado do julgamento. Com efeito, o TVF, Relatório Fiscal e planilha (fls. 382/385) juntados pela Embargante foram emitidos no contexto de uma outra fiscalização, que teve como responsável auditor fiscal distinto, período posterior ao dos fatos geradores aqui contemplados e cujas circunstâncias constituem fatos estranhos à lide. A meu ver essa documentação, além de não ser vinculante, é incapaz de alterar a tese vencedora e não pode sobrepor o resultado da diligência efetuada nos autos do presente processo, a qual foi determinante para a solução do litígio. A juntada e apreciação desses documentos, portanto, nada altera a conclusão que prevaleceu em face dos elementos de prova que instruem esta demanda, elementos estes que comprovam a falta de certeza e liquidez do crédito compensado pelo contribuinte a título de base negativa. Ante o exposto, acolho os Embargos e NEGOLHES PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 447DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727360/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. URV. INCIDÊNCIA IRPF.
As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA.
1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972).
2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecê-la, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf.
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO.
Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2301-005.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tributáveis as parcelas recebidas a título de URV, determinar que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício incidente sobre o tributo devido em decorrência das parcelas recebidas a título de URV; vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: Relator
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URV. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). CARF. COMPETÊNCIA RECURSAL. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA CONHECER ORIGINARIAMENTE DE QUESTÕES NÃO SUSCITADAS NA INSTÂNCIA RECORRIDA. 1. Às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). 2. Questão não impugnada nem tratada pelo acórdão recorrido não é devolvida por meio de recurso voluntário ao CARF, que não possui competência originária para conhecêla, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Ricarf. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 73 60 /2 00 9- 79 Fl. 145DF CARF MF 2 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE CAUSADO POR INFORMAÇÕES ERRADAS DA FONTE PAGADORA NÃO AUTORIZA O LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. Nos termos da Súmula CARF nº 73, o erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tributáveis as parcelas recebidas a título de URV, determinar que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte e determinar a exclusão da multa de ofício incidente sobre o tributo devido em decorrência das parcelas recebidas a título de URV; vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Bellini Júnior. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 7, integrado pelos demonstrativos de fls. 8 a 10, pelo qual se exige a importância de R$58.030,17, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 5 a 7, na qual o autuante esclarece que o contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei do Estado da Bahia no 8.730, de 08 de setembro de 2003. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 36 a 70, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 77 e 78): O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10580.727360/200979 Acórdão n.º 2301005.206 S2C3T1 Fl. 3 3 a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução n° 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5° da Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Público do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Apreciando a impugnação apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador (BA) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 1527.160 (fls. 76 a 81), de 18/05/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Fl. 147DF CARF MF 4 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Notificado do Acórdão de primeira instância, em 26/07/2011 (vide AR de fl. 85), o contribuinte interpôs, em 04/08/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 86 a 124, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 72 e 73), expondo as razões de sua irresignação. Em 16 de maio de 2012, a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF emitiu a Resolução n. 220200.220 (fls. 126 e ss), pela qual foi sobrestado o julgamento do Recurso Voluntário, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Da Questão da Tributação das Diferenças de Remuneração decorrentes da Conversão de Cruzeiro Real para URV Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, vale citar que os rendimentos objeto do lançamento fiscal foram recebidos em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de 2003, que em seu art. 2º dispõe sobre “diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. A referida conversão era realizada mês a mês no período de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e visava a manutenção do valor real do salário. Verificase, portanto, que as diferenças reconhecidas através da citada lei tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos membros do Ministério Público Estadual. Tanto é assim, que as parcelas recebidas no devido tempo foram espontaneamente oferecidas à tributação pelo contribuinte, que reconhecia a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN. Com relação ao art. 3º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10580.727360/200979 Acórdão n.º 2301005.206 S2C3T1 Fl. 4 5 indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. O art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis. No tocante à alegação de que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas a funcionários do Poder Judiciário que não sejam os juízes federais. No que diz respeito à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Da Questão dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente Com relação à questão sobre a potencial ilegalidade da tributação integral dos valores de rendimentos recebidos de forma acumulada quando do efetivo recebimento, cumpre destacar que no anocalendário de recebimento de rendimentos pelo recorrente, vigia o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que possuía a seguinte redação: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Todavia, a Lei 12.350, de 2010 introduziu o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, que definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês Fl. 149DF CARF MF 6 do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) Não há dúvida sobre a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713/88 para os exercícios posteriores a 2010, no entanto, poderia haver dúvida sobre a aplicação do referido artigo para os exercícios anteriores a 2010, tal qual o caso em tela em que os rendimentos foram recebidos em 2006. Ocorre que a questão da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente de períodos até o anocalendário 2009 foi recentemente objeto do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vale destacar que decidiu o STJ nos Recursos Especiais REsp 1.470.720 e REsp n1.118.429, ambos julgados sob rito do artigo 543C do CPC que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.470.720 1. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. RESP 1.118.429 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por fim, considerando que o presente caso estava sobrestado até o julgamento do Recurso Extraordinário 614406RS, pelo Supremo Tribunal Federal, conforme Resolução nº 2802000.134, e o referido Recurso Extraordinário foi julgado, sob rito do artigo 543B do CPC, salientamos que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos, "in verbis": RE 614.406 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10580.727360/200979 Acórdão n.º 2301005.206 S2C3T1 Fl. 5 7 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Ademais, conforme o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STF e STJ deverão ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, voto no sentido de que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Da Aplicação da Multa Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, no tocante à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do Recorrente ter agido de boafé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cumpre observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Todavia, cumpre ressaltar que a Súmula CARF n. 73 dispõe de forma específica sobre o tema afastando a multa de ofício quando houver erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Considerando que somente houve lançamento de multa de ofício, não tendo havido lançamento de multa de mora, não se aplica multa alguma no presente caso. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial (i) reconhecendo que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte; e (ii) aplicando a Súmula CARF n. 73, que não autoriza o lançamento da multa de ofício, de modo que como somente houve lançamento de multa de ofício, não tendo havido lançamento de multa de mora, não se aplica multa alguma no presente caso. Fl. 151DF CARF MF 8 É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Voto Vencedor Ouso divergir do respeitado conselheiro Alexandre Evaristo Pinto no tocante a não ser exigível, conjuntamente com o tributo e juros de mora, qualquer tipo de multa. Por primeiro, cumpre assinalar que não houve na impugnação qualquer alusão à aplicação da multa de mora. Assim, por força do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, esta matéria, não contestada, considerase não impugnada, e, por conseguinte, estranha ao presente processo administrativo fiscal: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Registro que às instâncias julgadoras não compete o lançamento de tributos ou a sua revisão de ofício, mas tão somente o julgamento de matérias controversas, no limite em que impugnadas (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não tendo sido impugnada, tal questão não foi tratada pelo acórdão recorrido; não há como, por decorrência, ser devolvida por meio de recurso voluntário a este CARF, que não possui competência originária para conhecer da matéria, uma vez que sua competência se restringe ao julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, a teor do art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf): Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (Grifouse.) Ademais, mesmo que a matéria pudesse ser conhecida, entendo que, ao ser cancelada a multa de ofício, a multa de mora é exigível por expressa disposição legal (art. 61, caput¸da Lei 9.430, de 1996), independentemente de constar no lançamento, sendo devida pela mera falta de recolhimento nos prazo previsto em legislação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifou se.) Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10580.727360/200979 Acórdão n.º 2301005.206 S2C3T1 Fl. 6 9 Diferentemente da multa de ofício, que possui expressa previsão de ser lançada (art. 44 da Lei 9.439, de 1996), não há previsão legal para constituição da multa de mora pelo lançamento; por decorrência lógica, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento, não existindo, portanto, competência deste CARF para dispor sobre sua exclusão ou cancelamento. Sobre esta questão, assumo, como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Acórdão 9202004.244, da 2ª Turma da CSRF, que passo a transcrever. II.2 Sobre a conversão da multa de ofício em multa de mora No tocante à matéria recorrida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, substituição da multa de ofício lançada pela multa de mora, é necessário fazer referência à legislação que disciplina as multas. A multa de ofício está prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme a seguir reproduzido, na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... Da leitura do texto acima, reparase que não há previsão de lançamento de ofício de multa de mora. Contudo, a multa de mora está prevista no art. 61 do mesmo diploma legal, conforme a seguir reproduzido, também na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 153DF CARF MF 10 ... Da leitura do texto acima, reparase que a exigência de multa de mora não está condicionada a qualquer lançamento de ofício, sendo devida a multa de mora pela mera falta de recolhimento nos prazo previsto em legislação. Portanto, não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso o âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que houver recolhimento de tributo após o vencimento. Na verdade, a decisão a quo decidiu sobre tema que no entender deste conselheiro não tinha competência para discutir, a multa de mora, que é exigida de pleno direito, não compondo o lançamento. Ora, se não há previsão legal para constituição da multa de mora em sede de lançamento, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento. Dessa forma, pela impossibilidade jurídica da conversão das multas em sede de julgamento do lançamento tributário, é de se de dar provimento em parte ao Recurso da Fazenda Nacional, para afastar a exclusão da multa de mora, determinada pelo colegiado recorrido, devendo essa multa ser exigida de pleno direito em sede de cobrança / execução do crédito tributário, pela autoridade competente. (Grifouse.) Em conclusão, voto, nessa questão, por cancelar a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF 73, não conhecendo da questão da incidência da multa de mora, que deve ter a regular aplicação determinada pela legislação tributária. João Bellini Junior Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 19396.720006/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 17/09/2008, 24/09/2008, 25/09/2008
MULTA POR FALTA LICENCIAMENTO. IMPORTAÇÕES SUBMETIDAS AO REPETRO. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE.
Os bens sujeitos ao REPETRO são dispensados de licenciamento as importações. Se o licenciamento não é exigido, não há o que se falar em multa por falta de licenciamento. Ausência de tipicidade.
DEFINIÇÃO DO CONTROLE ADUANEIRO APROPRIADO. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO NECESSÁRIA. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE.
Ao dispensar o licenciamento, o legislador entendeu que essa informação (inclusive do FATO do bem ser usado, já que a norma aplicável não faztal distinção) deixou de ser necessária para o exercício dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros especificamente para o REPETRO.
Se essa informação deixou de ser relevante, já que aos olhos do legislador ela passa a ser dispensável, não é factível capitular a conduta infracional.
SOLIDARIEDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVA DA COAUTORIA. IMPOSSIBILIDADE.
Na ausência de comprovação de que o terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária.
Recursos de Ofício e Voluntário Negados.
Numero da decisão: 3302-005.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro F. Aguiar, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Jorge Lima Abud para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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E OUTRO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/09/2008, 24/09/2008, 25/09/2008 MULTA POR FALTA LICENCIAMENTO. IMPORTAÇÕES SUBMETIDAS AO REPETRO. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. Os bens sujeitos ao REPETRO são dispensados de licenciamento as importações. Se o licenciamento não é exigido, não há o que se falar em multa por falta de licenciamento. Ausência de tipicidade. DEFINIÇÃO DO CONTROLE ADUANEIRO APROPRIADO. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO NECESSÁRIA. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. Ao dispensar o licenciamento, o legislador entendeu que essa informação (inclusive do FATO do bem ser usado, já que a norma aplicável não faztal distinção) deixou de ser necessária para o exercício dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros especificamente para o REPETRO. Se essa informação deixou de ser relevante, já que aos olhos do legislador ela passa a ser dispensável, não é factível capitular a conduta infracional. SOLIDARIEDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVA DA COAUTORIA. IMPOSSIBILIDADE. Na ausência de comprovação de que o terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária. Recursos de Ofício e Voluntário Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro F. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 06 /2 01 1- 90 Fl. 1085DF CARF MF 2 Aguiar, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Jorge Lima Abud para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 3/9), em que formalizada a constituição de crédito tributário, no valor de R$ 28.153.319,55, referentes ao somatório da multa do controle administrativo das importação por importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente, no valor de R$ 27.245.148,54, e multa regulamentar por não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro, no valor de R$ 908.171,01. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 11/52, a autuada (i) não havia informado no campo indicativo “Condição” da mercadoria, que as embarcações descritas nas adições das DI de n°s 08/14649968, 08/15042757 e 08/15142743 não eram usadas, bem como não teria providenciado a Licença de Importação (LI), por ocasião da concessão do regime especial Repetro. A pessoa jurídica ESSO EXPLORAÇÃO SANTOS BRASILEIRA LTDA., doravante denominada de ESSO, foi incluída no polo passivo da autuação, na condição de responsável solidária pelo crédito tributário, por ter sido considerada a importadora “de fato”, a verdadeira mandante da operação de comércio exterior, bem como por revelar interesse comum com o importador, nos termos do art. 124, I, do CTN. Em sede de impugnação, a autuada PAN MARINE DO BRASIL LTDA., doravante denominada de PAN MARINE, em síntese, apresentou as seguintes razões de defesa: a) somente com a incorporação definitiva do bem à economia nacional concretizavase o fato jurídico denominado importação; b) a autuada não havia promovido a importação das embarcações, mas a admissão temporária das mesmas, sob a égide do Repetro, para atender a contratos de prestação de serviços celebrados com empresa concessionária da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), nos termos da Lei 9.478/1994; Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 19396.720006/201190 Acórdão n.º 3302005.385 S3C3T2 Fl. 1.530 3 c) admissão temporária dos bens ao abrigo do citado regime não se caracterizava a perfeita subsunção da conduta da contribuinte ao tipo contido na norma relacionada à licença de importação; d) as Portarias Secex, vigentes por ocasião das operações de importação, dispensavam o licenciamento das correspondentes embarcações. E se alguma exceção houvesse de ser aplicada aos casos relacionados nas citadas portarias, a previsão da excepcionalidade deveria constar dos seus dispositivos e não em outros que tratassem das demais modalidades de importação. Logo, se nas referidas portarias o legislador tratou de forma ampla dos casos de importações dispensadas de licenciamento, não competia ao intérprete buscar em outro dispositivo fundamentação para excluir o que nelas constava de forma clara; e) somente com o advento da Portaria Secex 10/2010, foi acrescentado o § 2º ao artigo que tratava das importações dispensadas de licenciamento. A partir de então, a norma passou a prever, de modo claro, a necessidade de obtenção de LI para os bens usados, mesmo quando admitidos temporariamente sob a égide do Repetro; f) a multa por omissão de informação era inaplicável, pois não havia perfeita subsunção do fato à norma que prescreve a conduta infracional. Ademais, não houve dolo, nem dano ao Erário; g) no campo “Descrição Detalhada da Mercadoria” de cada uma das DI fora consignado o ano de fabricação da respectiva embarcação, deixando clara a condição de que o bem se tratava de material usado; h) havia equivoco na atribuição de responsabilidade solidária a terceiro, quando esse agente não praticasse a infração. O dispositivo legal invocado pela fiscalização diz respeito à solidariedade em relação ao fato gerador da obrigação principal (tributo) e não obrigação acessória; i) o processo de admissão temporária passara pelo crivo dos Auditores Fiscais responsáveis pela concessão do regime especial. E no momento em que fora feito o exame da documentação era esperado que qualquer irregularidade, inclusive da suposta falta de documento que desse cobertura à importação, fosse detectada. E tal exigência não foi feita por negligência, mas porque não havia necessidade de apresentar tal documento; j) a autuação da impugnante, nos termos em que ocorrera, fez tabula rasa do princípio da segurança jurídica, do que determina o CTN, de correntes doutrinárias capitaneados por renomados juristas e o entendimento jurisprudencial dos tribunais; e l) no final, requereu que fosse acolhida a impugnação, julgado improcedente o auto de infração, porém, caso fosse mantido o lançamento, integral ou parcialmente, que fosse excluída do polo passivo a responsável solidária ESSO. Por sua vez, a responsável solidária ESSO apresentou, em síntese, as seguintes alegações: a) havia dispensa da emissão de LI para bens do Repetro à época das importações. Somente com o advento da Portaria Secex 10/2010, foi acrescentado o § 2º ao artigo que trata das importações dispensadas de LI, logo, somente a partir de então, a norma Fl. 1087DF CARF MF 4 passara a prever de modo claro a necessidade de obtenção de LI para os bens usados, mesmo quando admitidos temporariamente. A legislação vigente por ocasião das operações em trato não impunham tal condição; b) houve interpretação equivocada da resposta à pergunta n° 11, citada pela fiscalização; c) houve prévia emissão de LI. Ademais, não havia similaridade das licenças de importação com as guias de importação; d) muito embora a Fiscalização insistisse na argumentação de que a empresa deveria ter informado se o bem era novo ou usado em campo próprio da DI, o fato é que a empresa já havia informado a condição de “bem usado” na LI correspondente; e) o disposto no art. 124, I, do CTN não era aplicável à espécie, porque a autuação não versava sobre obrigação principal (tributo); f) havia ausência de interesse comum que justificasse a responsabilização solidária entre as empresas; e g) havia impropriedade da analogia da operação de Repetro com a importação por conta e ordem de terceiros. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 933/950), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, mantido a multa regulamentar por não prestação de informação, no valor de R$ 908.171,01, e exonerada a multa do controle administrativo das importações por falta de LI, no valor de R$ 27.245.148,54, e excluída do polo passivo a responsável solidária ESSO. Os fundamentos da referida decisão foram resumidos nos enunciados das ementas, que seguem transcritos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 17/09/2008, 24/09/2008, 25/09/2008 REPETRO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro não se enquadram como importações “desembaraçadas no regime comum de importação”. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. REPETRO. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. A multa aplicase também ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à “condição da mercadoria”, se esta se enquadrar na condição de “material usado”, devem ser informadas pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 19396.720006/201190 Acórdão n.º 3302005.385 S3C3T2 Fl. 1.531 5 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/09/2008, 24/09/2008, 25/09/2008 INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por ter exonerado crédito acima do limite alçada, com respaldo no art. 1º da Portaria MF 3/2008, o Presidente da Turma de Julgamento de primeiro grau recorreu de ofício para este Conselho. Em 9/12/2011, a responsável solidária ESSO foi cientificada da decisão de primeira instância, conforme documento de fl. 952, porém, não apresentou recurso voluntário. Em 18/1/2012, a autuada PAN MARINE apresentou o recurso voluntário de fls. 954/981, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória, em relação à multa regulamentar por falta de informação. Em aditamento, alegou: a) que as mesmas razões que militavam em favor da exoneração da multa por falta de LI deveriam ser adotadas para o caso de falta de menção expressa de que eram usadas as embarcações importadas; b) a inexistência de dolo e de dano ao erário; c) inexistência de benefício ao contribuinte e dano ao erário; e d) o fato de todas as embarcações terem sido reexportadas e baixados os respectivos termos de responsabilidade era suficiente para provar que não ocorrera nenhuma irregularidade nos procedimentos de importação e admissão temporária. Em apoio e subsídio às razões de defesa aduzidas no recurso voluntário, bem como a título de contrarrazões ao recurso de ofício, em anexo ao referido recurso, a recorrente trouxe a colação dos autos o Parecer de fls. 982/1017. Na Sessão de 23 de maio de 2017, por meio da Resolução nº 3302000.598, este Colegiado converteu o julgamento em diligência perante a unidade de origem da RFB, para que fosse colacionado aos autos o documento comprobatório da ciência da autuada PAN MARINE. Em atenção ao que determinado na referida diligência, a recorrente trouxe à colação dos autos o documento de fl. 1063, que comprova que ela fora cientificada da decisão de primeiro grau somente no dia 28/6/2017. Por meio da petição de fl. 1062, em 29/6/2017, a recorrente autuada PAN MARINE ratificou os termos do recurso voluntário de fls. 954/981. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 1089DF CARF MF 6 O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O recurso de ofício também trata de matéria da competência deste Conselho e preenche os demais requisitos de admissibilidade, especialmente, o limite de alçada determinada do órgão de julgamento de primeiro grau. Na presente autuação, os sujeitos passivos foram sancionados com duas penalidades distintas, a saber: a) a multa de 30% (trinta por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, decorrente da prática da infração ao controle administrativo das importação por falta de licença de importação, capitulada no art. 169, I, alínea “b” do Decretolei 37/1966, com a redação dada pela Lei 6.562/1978; e b) a multa de 1% (um por cento), decorrente da prática da infração regulamentar por não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro, prevista no art. 69, §1º, da Lei 10.833/2003, combinado com o disposto no caput do art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001. No julgamento de primeiro grau, a primeira multa foi exonerada e o sujeito passivo solidário ESSO foi excluído do polo passivo da autuação. Ambos decisões foram objeto de recurso de ofício; enquanto que a segunda multa foi mantida e objeto do recurso voluntário da autuada PAN MARINE. Os dois recursos serão a seguir analisados. Da análise do recurso de ofício O presente recurso de ofício trata da exoneração da multa por falta LI e da exclusão do sujeito passivo solidário ESSO do polo passivo da autuação. De acordo com o voto condutor do julgado recorrido, o afastamento da multa por falta de LI foi respalda em três argumentos distintos, a saber: a) a exigência de LI somente poderia ser feita na fase de concessão do regime aduaneiro especial de admissão temporária e, uma vez regularmente concedido o regime de admissão temporária, no âmbito do Repetro, a aplicação da mula por falta de LI não poderia ocorrer na fase revisão aduaneira, sob pena de invalidação, de forma imprópria, dos atos de concessão e aplicação do Repetro; b) na data concessão do regime, não havia exigência de LI, para as operações que se enquadrassem, simultaneamente, na condição de “dispensa” e “não dispensa” de LI. Essa condição somente foi estabelecida a partir da vigência do § 2º do art. 8º da Portaria SECEX 10/2010, editada após o ato de concessão do regime; e c) as mercadorias submetidas e desembaraçadas sob Repetro não se enquadravam na hipótese prevista no art. 633, II, “a”, Decreto 4.543/2002 (RA/2002) ou do art. 706, I, “a” do 6.759/2009 (RA/2009), que se aplicava apenas às mercadorias submetidas e desembaraçadas sob regime comum de importação. O primeiro argumento não procede. O disposto no artigo 54 do Decretolei 37/1966, com a redação dada pelo art. 2º do Decretolei 2.472/1988, assegura ao Fisco reexaminar, no prazo de cinco anos, contado do registro da declaração de importação, a regularidade de concessão de benefício fiscal, o que, inequivocamente, compreende a análise de regularidade da concessão de regime aduaneiro especial, em especial, o atendimento das Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 19396.720006/201190 Acórdão n.º 3302005.385 S3C3T2 Fl. 1.532 7 condições estabelecidas na legislação. Para que não reste dúvida a respeito, veja o que dispõe o referido preceito legal, que segue transcrito: Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 deste Decreto Lei. (Grifos não originais) Ora, se no ato de concessão do regime aduaneiro especial em referência, a autoridade competente não tinha conhecimento de que as embarcações eram usadas, por falta de indicação dessa condição/qualificação em campo específico da DI, certamente, essa circunstância não foi levada em consideração na prolação do ato de concessão do regime. O procedimento de revisão aduaneira e a decorrente aplicação da penalidade por falta de licenciamento, obviamente, não tem o condão de invalidar o ato de concessão regular do regime, que continua válido e produzindo os efeitos jurídicos que lhes são próprios, após a realização do procedimento de revisão aduaneira, ainda que dele resulte a formalização de lançamentos de tributos ou aplicação de penalidades. Além disso, sabese que, nos termos do art. 181 da da Instrução Normativa 844/2008, na época vigente, após do concessão do regime de admissão temporária em Repetro, as formas de sua extinção somente ocorre com a adoção de uma das providências taxativamente elencadas no art. 25, I a IV, da Instrução Normativa 844/2008, na época vigente, a seguir transcrito: Art. 25 O regime de admissão temporária extinguese com a adoção de uma das seguintes providências, pelo beneficiário, que deverá ser requerida dentro do prazo fixado para a permanência do bem no País: I reexportação, inclusive no caso de bem referido no inciso I do art. 3º; II entrega à Fazenda Nacional, livre de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebêlo; III destruição, às expensas do interessado; IV transferência para outro regime aduaneiro especial; ou V despacho para consumo. § 1º O regime de admissão temporária será extinto, ainda, nas hipóteses de nova concessão do Repetro, nos termos desta 1 "Art. 18. Compete ao titular da unidade da RFB responsável pelo despacho aduaneiro, a concessão do regime de admissão temporária de que trata esta Instrução Normativa, bem como a fixação do prazo de permanência dos bens no País. Parágrafo único. A autoridade a que se refere o caput poderá autorizar, à vista de solicitação fundamentada do beneficiário, a aplicação do regime aos bens referidos no § 1º do art. 2º previamente à admissão dos bens a que se vinculem, na hipótese da admissão prévia ser imprescindível à instalação desses bens." Fl. 1091DF CARF MF 8 Instrução Normativa, dispensada a exigência de saída dos bens do território aduaneiro. § 2º A adoção das providências para extinção da aplicação do regime será requerida pelo interessado ao titular da unidade da RFB que jurisdiciona o local onde se encontrem os bens, que poderá, em casos justificados, dispensa a apresentação dos bens. § 3º A unidade aduaneira referida no § 2º deverá comunicar o fato àquela que concedeu o regime, para fim de baixa do TR. § 4º Na hipótese de despacho aduaneiro de reexportação processado em recinto alfandegado de zona secundária, a movimentação do bem até o ponto de saída do território aduaneiro será realizada em regime de trânsito aduaneiro. § 5º A reexportação requerida fora do prazo estabelecido somente será autorizada após o pagamento da multa prevista no inciso I do art.72 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 6º Nas hipóteses de extinção referidas nos incisos II a IV do caput, não será exigido o pagamento dos tributos suspensos pela aplicação do regime, sem prejuízo da exigência da multa referida no § 5º, caso a providência tenha sido requerida após expirado o prazo de vigência do regime e antes de iniciada a exigência do crédito constituído no TR. § 7º O eventual resíduo da destruição, se economicamente utilizável, deverá ser despachado para consumo como se tivesse sido importado no estado em que se encontre e sem cobertura cambial. § 8º O despacho para consumo, como modalidade de extinção do regime, será realizado com observância das exigências legais e regulamentares que regem as importações, inclusive daquelas relativas ao pagamento dos impostos incidentes, vigentes na data do registro da respectiva DI, sem prejuízo da exigência da multa referida no § 5º, caso a providência tenha sido requerida após expirado o prazo de vigência do regime e antes de iniciada a exigência do crédito constituído no TR. § 9º Na hipótese do § 8º, temse por tempestiva a providência para extinção do regime na data do pedido da respectiva licença de importação, desde que esse pedido seja formalizado dentro do prazo de vigência do regime e a licença seja deferida. § 10. Na hipótese de indeferimento do pedido de prorrogação de prazo ou dos requerimentos a que se referem os incisos II a V do caput, o beneficiário deverá adotar outra providência de extinção do regime em trinta dias da data da ciência da decisão, salvo se superior o período restante fixado para a permanência dos bens no País. E a leitura dos referidos preceitos normativos sequer faz menção ao procedimento de revisão aduaneira ou ato administrativo de lançamento de tributos ou aplicação de penalidades como tendo natureza extintiva do regime ou de invalidadora do ato concessão do regime, como alegou nobre relator do voto condutor do julgador recorrido. Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 19396.720006/201190 Acórdão n.º 3302005.385 S3C3T2 Fl. 1.533 9 Ao contrário do alegado, a leitura dos parágrafos integrantes do art. 25 em destaque esclarece que a aplicação de penalidade, na vigência ou após a extinção do regime, em nada altera ou invalidade o ato de concessão do regime. Também não procede o segundo argumento de que não havia, na data do registro das DI, norma vigente que exigisse o prévio licenciamento para bens usados submetido regime de admissão temporária em Repetro. Com efeito, embora antes da vigência do § 2º do art. 8º2 da Portaria SECEX 10/2010 não houvesse preceito normativo que, em caso de conflito, expressamente, determinasse a prevalência do regime de exigência de LI sobre o de dispensa, o disposto no art. 311 do RA/2002, cumpria essa função, senão veja: Art. 311. Quando se tratar de bens cuja importação esteja sujeita à prévia manifestação de outros órgãos da Administração Pública, a concessão do regime dependerá da satisfação desse requisito. § 1o A concessão do regime poderá ser condicionada à obtenção de licença de importação. § 2o A licença de importação exigida para a concessão do regime não prevalecerá para efeito de nacionalização e despacho para consumo dos bens. E na data do registro das DI, independentemente, do regime de importação, a operação de importação de material usado exigia o prévio licenciamento de importação, nos termos do art. 9º, II, “e”, da Portaria Secex 36/2007, a seguir transcrito: Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: [...] II – as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: [...] e) de material usado, salvo a exceção estabelecida no § 2º do art. 35 desta Portaria; [...] 2 "Art. 8º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tãosomente providenciar o registro da Declaração de Importação DI no SISCOMEX, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. § 1º São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: [...] II sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural REPETRO [...] § 2º Na hipótese de o tratamento administrativo do Siscomex previsto nos artigos 9º e 10 acarretar licenciamento para as importações definidas no § 1º deste artigo, o primeiro prevalecerá sobre a dispensa." Fl. 1093DF CARF MF 10 E a recorrente tinha conhecimento da exigência de prévio licenciamento, uma vez que ele fora providenciado, porém, na data de registro das respectivas DI encontravase expirado, segundo informação prestada pela própria autoridade fiscal. O terceiro argumento procede. A simples leitura do art. 633, II, “a”, do RA/2002, vigente na época dos fatos, expressamente, determinava que a multa em apreço aplicavase somente na importação de mercadorias sem licença de importação desembaraçadas no regime comum de importação. Para espancar qualquer dúvida a respeito, segue reproduzido o citado preceito regulamentar: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): [...] II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e [...] No caso, como se trata de operação de importação sob regime aduaneiro especial de admissão temporária, amparado pelas normas do Repetro, por falta de subsunção do fato a norma infracionária, a penalidade deve ser afastada, conforme decidiu, acertadamente, o órgão de julgamento de primeiro grau. Também não merece reparo a decisão que excluiu a responsável solidária ESSO do polo passivo da autuação. Não há elementos nos autos que comprove que a referida pessoa jurídica tenha concorrido prática das infrações imputadas importadora e autuada PAN MARINE e tampouco que ela tenha adquirido mercadoria de procedência estrangeira importada por sua conta e ordem, conforme previsto no art. 95, I e V, do Decretolei 37/1966. E na condição de afretadora das embarcações, a responsável solidária ESSO, inequivocamente, não tem interesse comum com a importadora e contratada para prestação de serviços de operação das embarcações afretadas, a pessoa jurídica PAN MARINE. Por essas razões, negase provimento ao recurso de oficio. Da análise do recurso voluntário No presente recurso voluntário, a autuada questiona a manutenção da cobrança da multa de 1% (um por cento) pela não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro. A infração e a respectiva penalidade em apreço encontramse previstas no art. 69, § 1º, da Lei 10.833/2003, combinado com o disposto no caput do art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir reproduzidos: LEI 10.833/2003: Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 19396.720006/201190 Acórdão n.º 3302005.385 S3C3T2 Fl. 1.534 11 Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1o A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. [...] (grifos não originais) Medida Provisória 2.15835/2001: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: [...] § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. E ao regulamentar a matéria, o art. 711 do RA/2009, em caráter exemplificativo, especificou quais as informações deveriam ser prestadas na DI e remeteu ao ato a ser editado RFB a incumbência de detalhar as demais informações necessárias à definição do adequado controle aduaneiro, conforme pode ser lido no texto que segue transcrito: Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §1º): [...] III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1º As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §2º): I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador ou exportador; adquirente Fl. 1095DF CARF MF 12 (comprador)ou fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. [...] (grifos não originais) Para a autoridade fiscal, ao deixar de informar, no campo próprio da DI, a condição de usada para as embarcações importadas, a autuada e importadora PAN MARINE omitiu informação de natureza administrativa necessária à determinação do apropriado procedimento de controle aduaneiro. E a indicação da condição de usada das embarcações importadas, no campo específico da correspondente DI, era obrigatória, consoante determinação expressa no subitem 40.1 do Anexo Único da Instrução Normativa SRF 680/2006, que segue transcrito: 40 Indicativos da Condição da Mercadoria Assinalar o(s) indicativo(s) abaixo, se adequado(s) à condição da mercadoria objeto da adição 1 Material usado [...] Para efeito de definição do regime de licenciamento, consoante dispõe o art. 4º, §§ 2º e 3º, da Portaria MF/MICT 291/1996, a mesma exigência foi estabelecida no subitem 17.1 do Anexo II da Portaria da citada portaria. E a ausência dessa informação, certamente, prejudicou a determinação do adequado do procedimento de controle aduaneiro, para as respectivas operações de importação, situação que se subsume, perfeitamente, à hipótese da infração definida no art. 69, § 1º, da Lei 10.833/2003. Ao analisar fato infracional idêntico, no mesmo sentido, por meio do Acórdão nº 3402004.357, 29 de agosto de 2017, decidiu a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção, cujo excerto pertinente do enunciado da ementa ficou assim redigido: [...] BEM USADO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. MULTA. A multa de 1% do valor aduaneiro aplicase para a infração de omitir ou prestar de forma inexata e/ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 19396.720006/201190 Acórdão n.º 3302005.385 S3C3T2 Fl. 1.535 13 aduaneiro apropriado. A informação relacionada à “condição da mercadoria”, se esta se caracterizar como “material usado”, deve ser declarada também pelo beneficiário de regime aduaneiro especial na declaração de importação que consubstanciou seu ingresso no território aduaneiro em campo apropriado, segundo a disciplina normativa pertinente. Recurso de ofício negado e recurso voluntário negados. E com respaldo no art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999, adotase como fundamento complementar o escorreito e bem fundamentado voto da lavra da brilhante Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que segue parcialmente transcrito: Inicialmente, é preciso lembrar que ao lado da tributação aduaneira e da aplicação de restrições, a Aduana possui como terceira função o controle aduaneiro sobre as mercadorias objeto do tráfego internacional, ou seja, sobre as importações ou exportações. A Convenção de Quioto Revisada define “controle aduaneiro” como o conjunto de medidas tomadas pelas Alfândegas com vista a assegurar a aplicação da legislação aduaneira, toda pautada no Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009. Tal função emana do "poder soberano do Estado sobre seu território e seu poder de polícia, atuando na proteção da sociedade, através do combate à importação de mercadorias de importação restrita ou proibidas". Outrossim, reflete "a formalidade requerida nos atos praticados junto à administração aduaneira, não como mera obrigação acessória e burocrática, mas como medida de controle e segurança dos atos aduaneiros praticados," como ensina Rodrigo Mineiro.3 Sedimentada a importância do controle aduaneiro, também não é demais lembrar que ele é exercido tendo como base às informações prestadas pelos contribuintes nos pertinentes documentos que, em sendo o caso, darão azo à específicos procedimentos de fiscalização e revisão aduaneira. Embora no Brasil grande parte das importações estejam dispensadas de licenciamento, existem aquelas que estão submetidas seja licenciamento automático, seja ao licenciamento nãoautomático, de acordo com os procedimentos para Licenciamento de Importações (APLI) da OMC. Assim, o controle Administrativo nas importações é exercido, dentre outros, por meio da Licença de Importação (LI), sujeita à anuência de órgãos governamentais. Já alcançando o caso concreto sob análise, o órgão anuente responsável pelo licenciamento de importação referente ao tratamento administrativo de material usado é o DECEX, por meio da Divisão de Operações de Similaridade e de Material 3 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Notas introdutórias sobre o direito aduaneiro e sua relação com o direito tributário. In: Revista Direito Aduaneiro, Marítimo e ortuário vol.5, n.26. São Paulo: IOB, 2015, p.88109. Fl. 1097DF CARF MF 14 Usado DISIM, que é vinculada à Coordenação Geral de Importação CGIM.4 A comunicação com o DECEX/CGIM/DISIM é feita prioritariamente via SISCOMEX, conforme disposto no artigo 6º do Decreto nº 660/1992, onde serão prestadas as informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades de registro, acompanhamento e controle das operações. Disto já se compreende a relevância do preciso preenchimento dos dados na declaração de importação (DI), sem o que não se torna possível às autoridades aduaneira efetuarem, via seus sistemas informatizados, o cruzamento de informações com os órgãos anuentes para efetivamente exercerem sua função de controle. Por isso é que a legislação infralegal emanada pela Receita Federal é tão precisa sobre a forma com que as informações devem ser prestadas. Especificamente sobre o local onde deve constar a informação acerca condição da mercadoria como sendo material usado, a Instrução Normativa SRF n. 680/06, dispôs que: Art. 4º A Declaração de Importação (DI) será formulada pelo importador no Siscomex e consistirá na prestação das informações constantes do Anexo Único, de acordo com o tipo de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro. (...). (grifos nosso). 24. Por sua vez, o citado Anexo único assim prevê em seu item 40: INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS PELO IMPORTADOR (...) 40 Indicativos da Condição da Mercadoria Assinalar o(s) indicativo(s) abaixo, se adequado(s) à condição da mercadoria objeto da adição: 1 Material usado. 2 Bem sob encomenda. Ou seja, a letra da Instrução Normativa determina a forma (assinalar um apropriado campo na DI) com que a informação deve ser prestada. No presente caso, essa determinação não foi cumprida pela Recorrente na DI n° 09/02989531 e na DI n° 08/07313852, registradas em 10/03/2009 e em 19/05/2008 (nem mesmo em campo impreciso, como alega a Recorrente), permitindo inclusive que a mercadoria ainda desprovida da necessária LI fosse processada no Siscomex. Lembremos as constatações da fiscalização sobre o ponto: 19)Daí constatamos que a empresa, ciente de ser a embarcação "TOISA CONQUEROR" um bem usado, requereu a necessária LI. Porém, a LI somente foi DEFERIDA em 30/05/2008, portanto em 4 Vide http://www.mdic.gov.br/comercioexterior/importacao/tratamentoadministrativodeimportacao(acesso em 05/09/2017). Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 19396.720006/201190 Acórdão n.º 3302005.385 S3C3T2 Fl. 1.536 15 data posterior ao registro da Dl (19/05/2008), o que comprova que, quando do registro da Dl n° 08/07313852, a BOS não possuía licença para importar este bem usado; 20) Ao registrar a Dl n° 08/07313852, a BOS deixou de assinalar o indicativo da condição da mercadoria (embarcação "TOISA CONQUEROR"), já que Tela da ficha "Mercadoria" da adição 001 da referida Dl extraída do sistema Siscomex demonstra que a empresa por ocasião da importação não informou a condição do bem como sendo material usado sendo exibido na tela: "Condição: N/l"; 21) Caso a condição do bem (material usado) fosse indicada, o importador ficaria impossibilitado de prosseguir com o registro da Dl, visto que na data em questão (19/05/2008), a empresa não possuía a necessária LI deferida para o registro de declaração de importação para este bem; Dessarte, foi preciso o julgamento da DRJ quando salientou que: Portanto, se este dado foi omitido ou informado incorretamente, não se vislumbra qualquer mácula na autuação, uma vez que referida multa é aplicada em razão do simples descumprimento da obrigação acessória (...) uma vez que a responsabilidade pela infração tem natureza objetiva e independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, consoante o art. 94, § 2º, do DL 37/66 (..). Em relação às infração e penalidade em apreço, no recurso voluntário colacionado aos autos, a recorrente alegou que a descrição detalhada das embarcações feita nas respectivas DI supriria a necessidade de indicar a condição de material usado no campo próprio e específico da DI. Embora não tenha demonstrado/comprovado o alegado, a referida informação, ainda que prestada ou descrita no campo reservado à descrição detalhada da mercadoria, por força do que exigem os citados preceitos normativos, certamente, não dispensa ou supre obrigatoriedade de prestar/inserir a citada informação no campo reservado na DI. Especialmente tendo em conta que, com base nessa informação, o Siscomex definirá o tratamento administrativo, o regime de licenciamento e o adequado controle aduaneiro da operação de importação, bem as cautelas a serem adotadas no curso correspondente despacho aduaneiro de importação. Assim, ao não inserir a mencionada informação no campo específico da DI, de forma intencional ou não, a recorrente, inequivocamente, burlou a sistemática de controle aduaneiro apropriada para às operações de importação de bens usados e esse procedimento, provavelmente, fez com que as suas operações de importação fossem tratadas como operação de importação de bens novos e direcionadas para canais de seleção inadequados. Também não procede a alegação da recorrente de que a condição de material usado era do conhecimento da Administração tributária, logo, não se justificava a aplicação da multa em questão, porque, diferentemente do alegado, noticiam os autos que autoridade aduaneira somente tomou conhecimento dessa situação na fase de revisão aduaneira. A recorrente alegou que as mesmas razões que militavam em favor do afastamento da multa por falta de LI também se aplicavam para efeito de afastamento da multa em apreço. Essa alegação não procede, pois, conforme demonstrado anteriormente, o motivo determinante para exclusão da multa por inexistência de licenciamento foi a falta de subsunção do fato à respectiva norma definidora da infração, situação que não se amolda à multa em Fl. 1099DF CARF MF 16 comento, vez que, como restou anteriormente demonstrado, a ausência da referida informação configurou evidente prejuízo à definição do apropriado procedimento de controle aduaneiro, situação que se encaixa perfeitamente na correspondente moldura do tipo infracional. Sob o argumento de que o art. 136 do CTN não estabelecia responsabilidade objetiva e que o referido preceito legal exigia, no caso de infração, ao menos a culpa em sentido específico, a recorrente alegou que a não demonstração da existência de dolo ou de benefício à recorrente, bem como a inexistência de dano ao erário, impossibilitava a aplicação da questionada multa. O preceito legal citado pela recorrente aplicase às responsabilidade de natureza tributária. E no caso, como se trata de infração de natureza aduaneira, há regramento específico que disciplina a matéria. Tratase do art. 94, § 2º, do Decretolei 37/1966, que segue transcrito: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A simples leitura do preceito em destaque revela que, salvo disposição legal expressa em contrário, regra geral, a caracterização da infração às normas sobre o controle aduaneiro (legais e regulamentares) independe da vontade e da intenção do agente ou responsável, bem como da extensão dos efeitos do ato. E essa circunstância, inequivocamente, revestese como suficiente para afastar a alegação da recorrente em comento. Enfim, pelo mesmo fundamento, também fica demonstrada a irrelevância da alegação da recorrente de que procedera a reexportação dos bens, com a consequente baixa do termo de responsabilidade, uma vez que se trata de fato superveniente que não tem o condão de eximente de responsabilidade devidamente configurada, segundo os fundamentos anteriormente expostos. Da conclusão Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Conselheiro Jorge Lima Abud, Redator Designado. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 19396.720006/201190 Acórdão n.º 3302005.385 S3C3T2 Fl. 1.537 17 Inaugurase o texto saudando o i. Relator e o cumprimentando pela clareza do seu VOTO, onde evidencia sua inteligência e expertise a respeito do assunto em lide. Todavia, neste diapasão, pedese a devida vênia para discordar de suas conclusões no tocante ao Recurso Voluntário. Neste ponto a discussão alcança o fato de o importador ter deixado de informar, na Declaração de Importação, que o bem importado era usado. Este simples fato já seria suficiente para a aplicação da respectiva multa. A contribuinte alega em seu favor que não houve prejuízo ao Fisco e que indicou na DI a data da fabricação da mercadoria, o que supriria a mencionada deficiência. A contribuinte ainda alegou pela impossibilidade de manutenção da infração em vista da conexão lógica com a obrigação principal apresentação de LI que foi cancelada. A multa lançada encontra supedâneo no inciso III do artigo 711 do Regulamento Aduaneiro RA, o qual da seguinte forma determina: “Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, §1o): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; ou III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. A infração é capitulada no inciso III, do artigo 711 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009. O inciso III transcrito, faz expressa referência à obrigatoriedade de se apresentar à fiscalização as informações necessárias à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. No caso de bens usados, o controle aduaneiro apropriado é a emissão prévia de Licença de Importação LI, assim, em princípio. Todavia, concluiuse que a importação, ao fim, não estava sujeita à prévia emissão de LI. Fl. 1101DF CARF MF 18 Neste ponto é taxativo o inciso II, do Parágrafo único do artigo 7º da Portaria SECEX nº 36 de 22/11/2007: Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Receita Federal do Brasil (RFB). Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: I sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado; II sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural (Repetro); (Grifo e negrito nossos) Nessa mesma linha, a Portaria SECEX nº 25, de 27 de novembro de 2008: Art. 8º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaraç.ão de Importação – DI no SISCOMEX, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. Parágrafo único. São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: I – sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado; II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural REPETRO; O Termo de Verificação Fiscal, ao abordar o assunto traz as seguintes considerações, às folhas 24 e 25 do processo digital: Devido às datas de registro das Dl(s) discriminadas no item 25, impõese fazer remissão às Portarias SECEX n9 36, de 2007, e n9 25, de 2008, em cujos artigos 79 e 89, encontravamse definidas as importações1: dispensadas de licenciamento, sendo pertinente o inciso II, transcrito a seguir: (...) Numa primeira análise, é factível inferir que o inciso II aplicase a todos os bens novos ou usados importados ao amparo do regime aduaneiro especial de admissão temporária. Todavia, essa conclusão não prospera frente a uma leitura harmônica do Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 19396.720006/201190 Acórdão n.º 3302005.385 S3C3T2 Fl. 1.538 19 dispositivo legal, precisamente por um detalhe: o tratamento especial dispensado pelo legislador, em capítulo específico, à importação de bem usado. As precitadas Portarias, em seu art. 99, II, alínea "e", e art. 10, II, alínea "e", respectivamente, estabeleciam a obrigatoriedade de licenciamento nãoautomático à importação de bem. Nesse sentido, no art. 311 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n9 4.543, de 26/12/2002, condicionouse à manifestação de outros órgãos a concessão do regime aduaneiro especial de admissão temporária: Art. 311. Quando se tratar de bens cuja importação esteja sujeita à prévia manifestação de outros órgãos da Administração Pública, a concessão do regime dependerá da satisfação desse requisito. § 1 A concessão do regime poderá ser condicionada à obtenção de licença de importação. § 22 A licença de importação exigida para a concessão do regime não prevalecerá para efeito de nacionalização e despacho para consumo dos bens. . O legislador, ratificando a exigência anterior, estabeleceu que a importação de mercadoria sujeitase a licenciamento automático ou nãoautomático no art. 490 do RA, in verbis: Art. 490. A importação de mercadoria está sujeita, na forma da legislação específica, o licenciamento que ocorrerá na forma automática ou não automática, por meio do Siscomex. § 12 A manifestação de outros órgãos, cujo controle a mercadoria importada estiver sujeita, também ocorrerá por meio do Siscomex. § 22 No caso de despacho de importação realizado sem registro de declaração no Siscomex, a manifestação dos órgãos anuentes ocorrerá em campo específico da declaração õu em documento próprio. § 32 Os Ministros de Estado da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior determinarão, de forma conjunta, as informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento. Assim, nas Portarias SECEX n9 36/2007 e n9 25/2008, artigos 10 e 11, ficou estabelecido que a Portaria Conjunta MF/MICT n9 291, de 12/12/1996, deveria ser observada na hipótese de importação sujeita a licenciamento. Fl. 1103DF CARF MF 20 Não se coaduna com esse entendimento da fiscalização, sobretudo ao se transcrever os artigos 10 e 11 mencionados Portaria SECEX n9 36/2007: Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. Portaria SECEX n9 25/2008: Art. 11. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no SISCOMEX, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT n° 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. Ambos os artigos iniciam com a seguinte expressão: Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático (...) Ocorre que, como se depreende do artigo 7º da Portaria SECEX nº 36 de 22/11/2007 e do artigo 8º da Portaria SECEX nº 25, de 27 de novembro de 2008 – inciso II do Parágrafo Único de ambos os artigos o legislador dispensou do licenciamento bens sujeitos ao REPETRO, como se depreende do seguinte trecho, que peço vênia para transcrevêlo, mais uma vez, dada sua importância crucial para o deslinde dessa questão: Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: As operações de importação sujeitas ao REPETRO não necessitam de licenciamento. É isso que determina o legislador. Ao dispensar as operações de importação do REPETRO do licenciamento, o legislador remeteu essas operações de importação a uma categoria distinta daquelas reservadas às importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático. Por essa razão, os artigos 10 e 11 a pouco transcritos não se aplicam à presente situação, porque esses artigos comtemplam apenas às importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático. Ao dispensar o licenciamento, o legislador entendeu que essa informação (inclusive do FATO do bem ser usado, já que os artigos 7º e 8º não fazem tal distinção) deixou de ser necessária para o exercício dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros especificamente para o REPETRO. Portanto, se essa informação deixou de ser relevante, já que aos olhos do legislador ela passa a ser dispensável, não é factível capitular a conduta infracional apontada pela fiscalização no inciso III, do artigo 711, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 19396.720006/201190 Acórdão n.º 3302005.385 S3C3T2 Fl. 1.539 21 Ante o exposto, conheço dos recursos apresentados para o fim de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, conforme consta do VOTO do d. relator e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Fl. 1105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10831.000846/2005-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 27/01/2000 a 12/12/2003
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA.
Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte.
BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE.
O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de tê-lo.
O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho.
Numero da decisão: 9303-006.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 27/01/2000 a 12/12/2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA. Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE. O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de têlo. O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 08 46 /2 00 5- 33 Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10831.000846/200533 Acórdão n.º 9303006.657 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3201001159, que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição de imposto de importação protocolado pelo Contribuinte. Sustenta que pagou a maior imposto de importação por não haver aplicado o benefício fiscal de 40% previsto na legislação, notadamente na Lei n° 10.182/01. Mediante despacho decisório o pedido de restituição foi indeferido por não atender todas as condições legais no momento de ocorrência do fato gerador do imposto (CTN, art. 179, L. 9.069/95 art. 60, Dec. 4.543/2002, art. 109). Inconformado com a decisão, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: habilitouse junto ao SISCOMEX para fruição dos benefícios da Lei 10.182/2001. Para tal, uma das condições era a comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais, tendo apresentado ao DECEX todas as CNDS (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal); posteriormente, com fundamento no art. 60, da Lei nº 9.069/95, a requerente foi compelida à apresentação de CND a cada importação, visando demonstrar sua regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais. Assim, nos períodos nos quais se encontrava impossibilitada de apresentar a competente CND, segundo suas palavras, acabava não usufruindo o benefício fiscal da Lei nº 10.182/01, para o qual já se encontrava habilitada. diante do cenário exposto, o II referente à importação registrada na DI tratada neste processo foi integralmente recolhido, ou seja, a requerente não se valeu do benefício fiscal de redução do imposto do qual era detentora por estar, reiteradamente, sendo compelida a apresentar a respectiva CND e, naquele momento, encontrarse impossibilitada de apresentála; menciona a título de jurisprudência a Solução de Consulta SRF n° 10, de 04 de junho de 2003, referente à Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990 e ementas de dois julgados do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n° 413.934 e Recurso Especial n° 434.621) , ambos relacionados ao regime aduaneiro de “drawback”. Argumenta que o caso ora discutido guarda correlação com os tratados na jurisprudência mencionada; Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10831.000846/200533 Acórdão n.º 9303006.657 CSRFT3 Fl. 4 3 na Lei 10.182/2001 não há previsão para apresentação de CND’s (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal) a cada despacho; à época do fato gerador já havia cumprido todos os requisitos e condições exigidos legalmente para usufruir a redução de caráter especial, e pagou indevidamente o imposto integral. Menciona o art. 109, III, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2001), para comprovar que caberá redução total ou parcial do imposto pago indevidamente, em diversos casos, entre os quais: “... III verificação de que o contribuinte , à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei 5.172/66, art. 144)”. Contudo, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ e, na sequência, o recurso voluntário apresentado teve o provimento negado pelo colegiado a quo. O Contribuinte interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência quanto à exigência de apresentação da Certidão Negativa de Débito em cada um dos processos de importação que utilizaram benefício tributário. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, mediante despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.633, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 10314.010742/200586, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.633): "Da Admissibilidade Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10831.000846/200533 Acórdão n.º 9303006.657 CSRFT3 Fl. 5 4 O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 234 e 235. Do Mérito A questão trazida a debate versa sobre o momento em que se deve exigir a certidão de regularidade fiscal para fruição da redução tarifária trazida no Regime Automotivo previsto na Lei n.º 10.182/01. De um lado, o sujeito passivo defende que a certidão negativa de débito deve ser apresentada, apenas, por ocasião do pleito do benefício, ou seja, no momento da concessão do benefício fiscal perante SECEX/MIDCT, enquanto a Fazenda Nacional exige que tal comprovação seja feita a cada despacho aduaneiro das mercadorias importadas ao abrigo desse regime." (...)1 "Em que pesem os robustos argumentos trazidas à colação pela i. Relatora do processo, ouso divergir da decisão que encaminhava, pelas razões que a seguir passo a declinar. De plano, releva destacar que o recurso especial repetitivo nº 1.041.237/SP, de lavra do Ministro Luis Fux, assim como a súmula 5692 do Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam ao caso concreto. Para maior clareza, transcrevo a seguir a ementa do REsp nº 1.041.237. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a 1 Deixouse de transcrever o voto vencido por não se aplicar à solução do litígio neste processo, uma vez que o entendimento nele expresso restou vencido. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303 006.633). 2 Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa de débito no desembaraço aduaneiro, se já apresentada a comprovação da quitação de tributos federais quando da concessão do benefício relativo ao regime de drawback. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10831.000846/200533 Acórdão n.º 9303006.657 CSRFT3 Fl. 6 5 comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Como não é difícil perceber, o REsp nº 1.041.237 decidiu sobre o tratamento que deve ser concedido às importações processadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, o que, definitivamente, não é o caso dos autos. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. Assim, ainda que a cognição lógica da decisão tomada no REsp nº 1.041.237 sugira uma linha de entendimento que pudesse afetar a matéria ora controvertida, o fato é que naquele discutiase a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Especial de Drawback, enquanto, neste, discutese a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Automotivo. Não sendo o caso vertente um retrato fiel da matéria decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, afastase a aplicação do REsp nº 1.041.237. E não tem melhor sorte a recorrente quando se adentra à essência da lide. Concessa venia, o art. 60 da Lei 9.069/95 não deixa margem de dúvidas sobre o momento no qual será exigida do contribuinte a comprovação da quitação dos tributos e contribuições federais. Tal como se lê, há expressa menção a dois momentos: o momento da concessão e o momento do reconhecimento, se não vejamos. “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” (grifos acrescidos) Mais uma vez pedindo vênia, entendo que a leitura empregada pela i. Relatora do voto vencido, no sentido de que a locução ou significa "num ou noutro momento", nunca nos dois, não me parece consentânea com a intenção do legislador ordinário. Por certo, o que pretendeu foi estabelecer uma exigência que estivesse de acordo com os ditames do Código Tributário Nacional, que atribui ao administrado o dever de comprovar o preenchimento dos requisitos e condições não somente no momento da concessão do benefício fiscal, mas também no da fruição do mesmo, sob pena de revogação do mesmo. Observese. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos acrescidos) Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10831.000846/200533 Acórdão n.º 9303006.657 CSRFT3 Fl. 7 6 § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. (grifos acrescidos) Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. A toda evidência, a disciplina veiculada nas normas tributárias de hierarquia superior deixa claro que o benefício fiscal é concedido mediante prova apresentada pelo interessado do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato, não gera direito adquirido e será revogado não somente quando ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor, mas também quando deixou de tê lo. Ou seja, aplicandose essas premissas à lide, concluise que a empresa beneficiada pelo Regime Automotivo deve atestar a regularidade de que ora se trata (i) no momento em que lhe é deferido o direito a participar do Programa, (ii) durante o despacho aduaneiro e (ii) depois dele. E nem se diga que o princípio da especificidade atrai a aplicação da Lei nº 10.182/2001, afastando a exigência contida no art. 60 da Lei 9.069/95. Não há nenhuma incompatibilidade entre as disposições normativas contidas num e noutro diploma legal. Definitivamente, não vejo como pudesse prosperar uma interpretação que remeta à uma espécie de revogação tácita do disposto no art. 60 da Lei 9.069/95 com a edição da Lei nº 10.182/2001. Outra questão de relevo, no caso concreto, é o fato de que a importação objeto da lide foi desembaraçada no canal verde de conferência. Neste canal, como se sabe, as mercadorias são liberadas sem qualquer tipo de controle ou verificação. Em tais circunstância, o preenchimento das condições e requisitos para a concessão do benefício fiscal somente poderá ser atestado em momento posterior. Por fim, em relação á referência feita pela relatora ao voto do conselheiro Winderley, observo que naqueles votos, conforme transcrito pela relatora, deu se o entendimento de que não cabia à unidade da Receita Federal exigir do contribuinte um documento, no caso a CND, cuja emissão é de sua responsabilidade, mas que o benefício fiscal somente poderia ser negado mediante comprovação de que o interessado não detinha a "regularidade fiscal", ou seja, a Receita Federal não tem que pedir ao contribuinte um documento emitido por ela própria, mas concessa venia, ele não afastou a necessidade de comprovar a regularidade fiscal para fruição do benefício. Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10831.000846/200533 Acórdão n.º 9303006.657 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902704/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO.
Os Embargos de Declaração se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no acórdão, não servindo para a rediscussão da matéria já julgada pelo colegiado no recurso. Inexistentes, no caso, os vícios de omissão e de contradição apontados pela embargante.
Numero da decisão: 3401-005.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, negar provimento aos embargos opostos, rejeitando-os.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, negar provimento aos embargos opostos, rejeitando-os. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Os Embargos de Declaração se prestam a sanar obscuridade, omissão, contradição ou erro material porventura existentes no acórdão, não servindo para a rediscussão da matéria já julgada pelo colegiado no recurso. Inexistentes, no caso, os vícios de omissão e de contradição apontados pela embargante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, negar provimento aos embargos opostos, rejeitandoos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 27 04 /2 00 8- 41 Fl. 148DF CARF MF 2 Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase de embargos de declaração, opostos em 04/03/2016, com fundamento em omissão e contradição, contra o Acórdão CARF nº 3102001.804, proferido em 21/03/2013, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 LITÍGIO INSTAURADO A PARTIR DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. LIMITES. O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade prestase exclusivamente a discutir a não homologação da declaração de compensação apresentada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PER/Dcomp. Nãohomologação em razão de suposta insuficiência da confissão de dívida. Impossibilidade Diferentemente da homologação do autolançamento, que repercute sobre a totalidade da obrigação tributária, a homologação da PER/Dcomp surte efeitos exclusivamente sobre o montante do débito confessado. Por tal razão, e principalmente por falta de respaldo legal, não há espaço para que a autoridade fiscal denegue a homologação em razão de que o montante confessado seria inferior ao que entende devido, máxime quando não restaria saldo passível de restituição ou ressarcimento. Recurso Voluntário Provido 2. Alega a embargante que a decisão, ao afirmar que não caberia ao CARF a análise da incidência ou não de multa, omitiuse quanto ao próprio mérito da discussão, nos termos abaixo transcritos: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10980.902704/200841 Acórdão n.º 3401005.006 S3C4T1 Fl. 149 3 3. Em 19/05/2016, foi proferido o despacho de admissibilidade de embargos de declaração pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Presidente da 1ª Câmara desta Seção, nos termos abaixo transcritos: É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. Acredito que o vício tenha sido objetivamente apontado e que a alegação da embargante não é manifestamente improcedente, o que acarretou o despacho de admissibilidade dos embargos para que este colegiado apreciasse as razões tecidas para a finalidade de sanar o vício apontado ou, não sendo o caso, aprimorar a decisão embargada. 5. A embargante fundamenta a oposição de seus embargos no fato de o colegiado não ter se manifestado sobre se a entrega das PER/DComp configuraria, per se, denúncia espontânea, o que, em caso positivo, caracterizaria o afastamento da multa de ofício de 20%. Fl. 150DF CARF MF 4 6. Contudo, inexiste omissão ou contradição no acórdão embargado, que se pronunciou expressamente acerca da matéria, que, ademais, não se restringe à discussão acerca da caracterização ou não da denúncia espontânea, como se pode perceber: Importa ponderar, nessa linha, que, diferentemente de homologação do autolançamento, disciplinada pelo art. 150, § 4º do CTN2, a compensação, se homologada, somente considera extinto o crédito tributário no exato montante em que foi declarado. Ou seja, enquanto que o lançamento quantifica a obrigação e, se homologado, a extingue integralmente, a compensação declarada só produz efeitos sobre o valor confessado. Vendo de outra forma, do mesmo jeito que pagamento inferior ao devido não autoriza recusa do seu recebimento, a confissão inferior não dá ensejo à recusa da compensação. Em ambos os casos, se o débito reconhecido e extinto é insuficiente, caberia à autoridade liquidar a diferença por meio de lançamento de ofício. Ou seja, se o valor do indébito é suficiente para fazer face ao montante da contribuição confessado, caberia à autoridade preparadora extinguir esse crédito e se entender pertinente, formalizar a exigência de juros e multa que entender cabíveis, instaurandose, assim, o necessário contraditório. Justamente por não ter sido formalizada a exigência da fração que se entende devida é que não cabe a este Colegiado discutir se, no mérito, a multa seria devida ou não. De fato, o parágrafo nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003, demarca o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação Nessa linha, não cabe a este Colegiado, imagino, ir além da homologação ou não do débito confessado e decidir qual seria o destino de um lançamento que ainda não foi formalizado e que não se sabe se será, em face da aparente fluência do prazo decadencial. Com essas considerações, dou provimento ao recurso para afastar exclusivamente a exigência de inclusão da multa de mora na PER/DCOMP como condição para homologação da compensação declarada. Compete à autoridade preparadora, portanto, se não houver óbice diferente daqueles que ora se afasta, promover à compensação nos termos em que foi declarada e avaliar se ainda seria possível promover o lançamento dos débitos que entende devidos Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10980.902704/200841 Acórdão n.º 3401005.006 S3C4T1 Fl. 150 5 7. Como se pode perceber a partir da leitura da decisão recorrida, cabe a este Conselho não a homologação ou não do crédito em disputa, mas unicamente dar ou não provimento ao recurso voluntário interposto. Se assim é, correta a informação no sentido de que "(...) não cabe a este colegiado (...) ir além da homologação ou não do débito confessado e decidir qual seria o destino de um lançamento que ainda não foi formalizado". De fato, deve a análise se restringir unicamente à matéria versada nos autos. A recalcitrância da contribuinte acerca da decisão embargada pode eventualmente ser expressa por meio de recurso especial, mas jamais por meio de embargos, pois omissão e contradição não houve, mas, antes, resolução do mérito da demanda. 8. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento aos embargos opostos, rejeitandoos. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726382/2016-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo Conselheiro Suplente convocado Vinícius Guimarães.
(Assinado Digitalmente)
WALDIR NAVARRO BEZERRA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
PEDRO SOUSA BISPO- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente Convocado).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo Conselheiro Suplente convocado Vinícius Guimarães. (Assinado Digitalmente) WALDIR NAVARRO BEZERRA Presidente. (Assinado Digitalmente) PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente Convocado). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo do lançamento de ofício de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 195.194.407,99 (principal, multa e juros calculados até 07/2016), referente a fatos geradores ocorridos no período que vai de 01/07/2011 a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 26 38 2/ 20 16 -4 4 Fl. 56079DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Resolução nº 3402001.357 S3C4T2 Fl. 56.080 2 31/12/2015, decorrente da escrituração e utilização de valores indevidos a título de crédito presumido de IPI sobre frete (art. 56 da Medida Provisória nº 215835/2001). Consta do Relatório Fiscal de fls. 22.629/22.639: a) O art. 56 da Medida Provisória nº 215835/2001 instituiu o regime especial de apuração do IPI relativo ao frete cobrado pelo transporte de veículos classificados na posição 8703. O regime especial consiste na concessão de um crédito presumido e IPI no valor de 3% do imposto destacado e é concedido mediante termo de opção anual da empresa. As condições para concessão do regime especial são que os serviços de transporte sejam executados ou contratados pelo estabelecimento industrial, que os valores sejam cobrados nas operações de saída e que compreendam a totalidade do trajeto. b) O artigo 14 da Lei no 4.502/64 foi alterado pela Lei nº 7.798/89 que incluiu o frete no valor tributável quando este for cobrado do comprador. Atualmente o art.190 do RIPI /2010 regulamenta o valor tributável. O art.134 do Decreto n° 7.212/2010 (RIPI 2010) dispõe que o frete seja cobrado juntamente com o preço dos produtos e o art. 413 dispõe que o valor do frete conste no quadro “Cálculo do Imposto” da nota fiscal. Segundo a exposição de motivos da Medida Provisória nº 2.11330, a criação deste Regime Especial tinha como objetivo incluir o valor do frete na base de cálculo do IPI, o que era evitado pela indústria. Portanto, a MP estabeleceu a obrigatoriedade de lançamentos dos respectivos valores de frete em todas as operações de saída, e essa referência é claramente o registro destes montantes no campo próprio da NF de saída. c) Como o regime especial depende de opção do contribuinte, ao fazer tal opção ele se obriga a atender às condicionantes e ao mesmo tempo assume o ônus da prova. Ademais, como lançamento é realizado operação por operação, o único documento hábil de prova é a nota fiscal. Logo, a empresa não cumpriu os requisitos do Regime Especial pois a intenção da legislação foi destacar este valor no campo próprio da nota fiscal para que o mesmo pudesse ser identificado. Tendo em vista que o Regime Especial é uma opção feita pela empresa, não há razão para deixar de informar o valor de cada frete no campo próprio da nota fiscal. Se o objetivo do Regime Especial instituído em 2001 era obrigar as empresas a incluir o frete na base de cálculo do IPI, o que já estava na legislação desde 1989, e facilitar e racionalizar os procedimentos de arrecadação e fiscalização, o frete deve estar identificado na Nota Fiscal. Sendo assim, não haveria racionalização dos procedimentos de fiscalização e não haveria razão de o art.56 da MP 2.158 existir. d) Ressaltese que a empresa demonstrou dificuldades de informar o valor do frete, intimada a apresentar o valor dos fretes de julho de 2011, por telefone, solicitou substituição do ano de 2011 por 2013, mesmo assim apresentou informação somente de duas notas fiscais, quando o Termo de Intimação solicitava um mês do período fiscalizado que é de 54 meses. Cientificado em 22/07/2016 (fl. 22.643), o contribuinte apresentou, em 23/08/2016 (fl. 22.646), a impugnação de fls. 22.647/22.676, na qual alega: a) A filial da GM em Gravataí realizou operações de venda de automóveis para todo o território nacional no período compreendido entre julho de 2011 e dezembro de 2015 e recolheu o IPI devido nesse período conforme a base de cálculo prevista no art. 190, §1º, do RIPI/2010, ou seja, considerando como valor da operação o preço do produto, acrescido do valor do frete e demais despesas acessórias. Tanto a GMB acresceu o valor do frete ao preço Fl. 56080DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Resolução nº 3402001.357 S3C4T2 Fl. 56.081 3 do produto que o auto de infração não questiona tal circunstância, voltandose única e exclusivamente contra o aproveitamento supostamente indevido de créditos presumidos de IPI. Em síntese, a requerente praticou (como sempre o fez) suas vendas com cláusula CIF. b) O regime especial exige, dentre outras condições (não questionadas pelo auto de infração), exigese que os serviços de transporte (frete) “sejam cobrados juntamente com o preço” dos automóveis nas operações de saída do estabelecimento industrial que é o procedimento por si adotado. A fiscalização, entretanto, assumiu equivocadamente que a requerente teria descumprido uma das condições do regime especial. Pelo fato de o valor do frete não ter constado no campo próprio das notas fiscais de saída no mês de julho de 2011, presumiuse que os valores correspondentes ao custo dos serviços de transporte não teriam sido incluídos no preço dos veículos comercializados em todo o período objeto da autuação, como se fizesse algum sentido a GMB contratar frete e não utilizálo na formação de preço dos veículos vendidos. c) A partir de uma suposta intenção da legislação, a fiscalização assumiu que a ausência de indicação do valor do frete no campo próprio de determinadas notas fiscais emitidas em julho de 2011 seria indício suficiente a autorizar a presunção de que o frete contratado pela GMB, efetivamente cobrado dos adquirentes dos veículos, não teria sido incluído no respectivo preço, em suposto desacordo com as condições previstas na MP 2.158 35/01. Em momento algum foi intimada a apresentar cópias dos contratos de transporte, comprovantes dos pagamentos realizados, conhecimentos de transporte etc. Esse procedimento é inaceitável posto que a presunção deve ser o último recurso a ser utilizado na constituição de créditos tributários e, ainda, por não respeitar o princípio da unidade ou da unicidade da prova. A precipitada lavratura do auto de infração impediu que a requerente apresentasse outros documentos e informações relevantes. Como consequência, o auto de infração deve ser declarado nulo, na linha inclusive do entendimento já manifestado pelo CARF. d) Tanto o art. 56 da MP 2.15835/01 como o art. 134 do RIPI exigem apenas e tão somente três condições ao aproveitamento do crédito presumido: que sejam executados ou contratados por estabelecimento industrial (fato incontroverso para o auto de infração), sejam cobrados juntamente com o preço dos veículos comercializados e que compreendam a totalidade do trajeto (circunstância também incontroversa). Conforme cópias dos anexos contratos de logística e transporte de veículos novos, a GMB contratou cinco empresas de serviços de transporte no período autuado. Esses contratos demonstram que o frete contratado abrange a totalidade do trajeto no País, desde o estabelecimento da GMB até o local de entrega do produto, o que é a praxe no setor automotivo. Também em caráter ilustrativo, apresenta alguns comprovantes de pagamento desse frete. Os valores pagos a título de frete estão refletidos nos CTs e faturas comerciais emitidos pelas transportadoras, também anexados por amostragem. e) Como é comum no setor automotivo, a requerente pratica vendas CIF e essa circunstância é prova de que cobra o frete “juntamente com o preço” dos veículos; supor o contrário implicaria assumir que a requerente oferece frete grátis a seus clientes, o que beira a ingenuidade. Além disso, toda a linha de raciocínio do lançamento de ofício foi construído em cima da ausência de indicação do valor do frete no campo próprio de notas fiscais emitidas pela GMB em julho de 2011. Há, pois, uma contradição lógica no auto de infração: Se a GMB não é acusada de pagamento a menor do IPI nas vendas de veículos pela falta de indicação do valor do frete no campo próprio, não pode se valer da mesma circunstância para acusar a Fl. 56081DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Resolução nº 3402001.357 S3C4T2 Fl. 56.082 4 GMB de aproveitamento indevido de créditos presumidos, tratandose de evidência de caráter lógico de que a acusação formulada não se sustenta. Junta cópias de notas fiscais de saída emitidas em setembro de 2015, as quais indicam o valor do frete no campo destinado às informações complementares; planilha gerencial relativa a esse mesmo mês e a qual reflete um a um todos o lançamentos contábeis que são promovidos quando do recebimento de uma fatura emitida por empresa transportadora; e planilha gerencial também relativa a esse mesmo mês, a qual correlaciona cada nota fiscal de saída com cada fatura comercial e CTs. f) A rigor, o art. 134, § 1º, II, “b”, do RIPI não comporta a interpretação de que a ausência de destaque do valor do frete na nota fiscal seria causa suficiente para glosa do crédito presumido de IPI correlato. O dispositivo é claro no sentido de que os serviços de transporte devem ser “cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento”. A intenção foi estimular a inclusão do frete na base do IPI, conforme a exposição de motivos da MP 2.15835/01. Nem mesmo a IN SRF nº 91/01 chegou a restringir o direito ao crédito presumido da forma pretendida pelo lançamento de ofício. A exigência de destaque do valor do frete no campo próprio das notas fiscais é uma interpretação equivocada, já que não consta da MP 2.15835/01 ou do art. 134 do RIPI ou da IN 91/01. Ao contrário, MP e RIPI exigem que os serviços de transporte sejam “cobrados juntamente” com o preço dos veículos, o que contraria a exigência de destaque prevista na regra geral constante do art. 413 do RIPI. E sobre a regra geral prevalece a regra especial do art. 134, § 1º, II, “b”, do RIPI. Afinal, o que é cobrado juntamente não pode, por definição lógica, ser destacado. Eis a prova de caráter jurídico que se soma às provas documentais e de ordem lógica que impõem o cancelamento do lançamento de ofício. g) A Lei nº 6.729/79 disciplina a concessão comercial entre produtores e distribuidores de veículos automotores terrestres e o seu art. 13, § 2º, obriga a requerente a fixar o “preço de venda aos concessionários” de modo a preservar “sua uniformidade”, trazendo como consequência a necessidade de se estabelecer um valor de frete médio nacional a ser computado no preço dos veículos comercializados para toda a rede de concessionárias. Para se adequar a essas exigências, a requerente chegou a um valor de “frete médio nacional”, que foi acrescido ao preço dos veículos comercializados para todo o país. É justamente por esse motivo que a requerente não indica o valor do frete no campo próprio de cada nota fiscal de saída. Se o fizer, ocorrerá uma entre duas situações possíveis: indicará o valor “efetivo” de frete (porque lastreado em CT) e estará descumprindo a Lei nº 6.729/79; ou indicará o valor de frete médio e, logo, terá uma inconsistência entre nota fiscal e CT, já que a nota fiscal trará, no campo próprio, um valor que não coincide com o valor de frete apontado no CT. Mesmo assim, de janeiro de 2014 em diante, passou a informar o valor do frete médio nacional no campo destinado a “informações complementares” das notas fiscais, deixando clara a circunstância de que esse frete médio nacional já está incluso no preço. Trouxe ao autos documentos referentes ao mês de setembro de 2015 (notas fiscais e planilhas gerenciais) que comprovam que os valores de frete médio nacional, considerados no custo de seus veículos, foram cobrados juntamente com o preço dos mesmos. h) Fazse necessário que sejam afastados os juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada no auto de infração, por absoluta ausência de previsão legal. De fato, conforme o art. 161 do CTN e o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, somente incidem juros de mora sobre o valor principal do tributo, como também evidencia o Acórdão nº 3403002.367 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF. Fl. 56082DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Resolução nº 3402001.357 S3C4T2 Fl. 56.083 5 i) O volume de documentos relativos aos quatro anos e seis meses abrangidos pela autuação é incalculável, tornandose simplesmente inviável exigir que a requerente apresente todas essas provas com a impugnação, não fazendo o menor sentido trazer esse volume de notas fiscais, CTs, contratos e faturas comerciais aos autos, posto que os julgadores não conseguirão analisar toda a documentação. Por outro lado, a realização de uma diligência permitirá que as autoridades fiscais, com o apoio do assistente técnico da requerente, examinem e tragam relatórios conclusivos sobre as informações relevantes contidas em todos esses documentos. Por conta disso, pleiteia a conversão do julgamento em diligência. Formula quesitos e indica assistente técnico. Ato contínuo, a DRJBELÉM (PA) julgou a Impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2015 PAF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. PAF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS. Fazse incabível a realização de perícia ou diligência quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE FRETE. ART. 56 DA MP Nº 2.15835/2001. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, previsto no art. 56 da Medida Provisória nº 215835/2001, vinculase à comprovação de que houve a efetiva cobrança do frete juntamente com o preço dos produtos vendidos. JUROS DE MORA. DÉBITOS DECORRENTES DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, quando não pagos no prazo, sofrerão a incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. Impugnação Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão da DRJ. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação. É o relatório. Fl. 56083DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Resolução nº 3402001.357 S3C4T2 Fl. 56.084 6 Voto Conselheiro PEDRO SOUSA BISPO Trata o presente processo de lançamento fiscal de IPI do período de 01/07/2011 a 31/12/2015 decorrente de glosa de créditos, uma vez que o Contribuinte teria se utilizado indevidamente do crédito presumido de IPI sobre fretes cobrado pelo transporte de veículos classificados na posição 8703, previsto no art. 56 da MP nº 2.15835/2001. Segundo o relato fiscal, a General Motors Brasil, doravante denominada GMB, não teria atendido as condições para usufruir do citado regime especial já que não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos. O regime especial em comento foi instituído pelo art. 56 da Medida Provisória nº 215835/2001, in verbis: Art.56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. §1o O regime especial: Iconsistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; IIserá concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento industrial;(Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) c)compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. (...) §3o Na hipótese do § 2odeste artigo, o disposto na alínea "c" do inciso II do § 1oalcança o trajeto, no País, desde o estabelecimento executor da encomenda até o local de entrega do produto ao adquirente. (...) A Secretaria da Receita Federal, tendo em vista o disposto no caput do artigo anteriormente transcrito, regulamentou por meio da IN SRF nº91/2001 os termos e condições para as empresas usufruírem do regime especial, in verbis: Fl. 56084DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Resolução nº 3402001.357 S3C4T2 Fl. 56.085 7 Art.2º A adesão ao regime especial darseá por opção do estabelecimento industrial e será exercida mediante apresentação, à Delegacia da Receita Federal (DRF) ou à Inspetoria da Receita Federal de Classe A (IRFA) de sua jurisdição, do Termo de Adesão, conforme modelo constante do Anexo Único a esta Instrução Normativa. § 1º A opção será renovada anualmente e aplicase a todas as operações de saída, relativas aos produtos relacionados no art. 1º, realizadas durante o anocalendário subsequente ao do exercício da opção; § 2º As operações referidas no § 1º serão, obrigatoriamente, conduzidas com cláusula C & F; § 3º O descumprimento das condições do regime especial obriga o contribuinte à restituição do benefício usufruído durante o ano calendário, caracterizandose como falta de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados; (...) Art.3º A base de cálculo do crédito será o valor do imposto destacado na respectiva nota fiscal. Art.4º O valor do crédito será informado no campo "Informações Complementares" do Livro de Apuração do IPI, modelo 8 e deduzido do "Valor do IPI", com a discriminação "Crédito Instituído pelo Art. 56 daMedida Provisória nº 2.15835, de 2001. Percebese pela legislação transcrita e elementos presentes nos autos que não há controvérsia quanto ao atendimento de pelo menos duas das três condições estabelecidas no § 1º, inciso II do MP nº2.15835/2001 atinente ao contratante do frete ser estabelecimento industrial e que o frete compreenda a totalidade do trajeto no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. A lide limitase, assim, a verificar se a empresa atende a condição prevista no no § 1º, inciso II, alínea b, do MP nº2.15835/2001 quanto à comprovação do cômputo do frete no preço de venda dos veículos automotores fabricados e comercializados pela Recorrente. É fato comprovado nos autos e não contestado pela Recorrente que não houve o destaque em suas notas fiscais de saída do valor do frete correspondente durante o período fiscalizado. Esse se constituiu no motivo principal para a autuação fiscal uma vez que a Autoridade Tributária entendeu que essa seria uma das condições fundamentais para a empresa usufruir do regime especial, em consonância com a legislação anteriormente citada. A Recorrente GMB, por sua vez, alega que o § 1º, inciso II, alínea b, do MP nº2.15835/2001 não comporta a interpretação de que a ausência de destaque do valor do frete na nota fiscal seria causa suficiente para glosa do crédito presumido de IPI correlato. O dispositivo é claro no sentido de que os serviços de transporte devem ser “cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento”. Asseverou ainda que nem mesmo a IN SRF nº 91/01 chegou a restringir o direito ao crédito presumido da forma pretendida pelo lançamento de ofício. A exigência de destaque do valor do frete no campo próprio das notas fiscais é uma interpretação equivocada, já que não consta da MP 2.15835/01 ou do art. 134 do RIPI ou da IN nº91/01. Afirma que o Fl. 56085DF CARF MF Processo nº 11080.726382/201644 Resolução nº 3402001.357 S3C4T2 Fl. 56.086 8 que é cobrado juntamente, não pode, por definição lógica, ser destacado. A intenção da lei foi estimular a inclusão do frete na base do IPI, conforme a exposição de motivos da MP 2.158 35/01. A empresa adota o costume do setor automotivo de praticar vendas CIF e essa circunstância é prova de que cobra o frete “juntamente com o preço” dos veículos, ou, dito de outra forma, o frete é custo da GMB, compondo o preço final dos veículos. Supor o contrário implicaria assumir que a requerente oferece frete grátis a seus clientes, o que beira a ingenuidade. Além da sua argumentação jurídica, a GMB juntou aos autos relatório de empresa de auditoria no qual discorre sobre a formação do preço de venda dos seus veículos vendidos e os respectivos custos contabilizados, especialmente quanto aos fretes sobre vendas. Nesse sentido, juntou também, por amostragem, exemplos dessa contabilização. Percebese nos autos que, embora seja fato incontroverso que os fretes nas vendas não foram destacados nas notas fiscais de saídas, a Autoridade Tributária não apresentou posicionamento sobre a possibilidade do gasto com frete na venda ter sido computado no preço final do produto, conforme alega a recorrente. Ademais, a documentação juntada por amostragem pela Recorrente se mostra insuficiente para análise da lide. Nesse sentido, em homenagem ao princípio da verdade material, converto o presente julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem realize os seguintes procedimentos: a) Intimar a empresa a apresentar documentação adicional comprobatória de que o frete foi considerado na formação do preço de venda, além daquelas apresentadas na Impugnação e Recurso Voluntário, caso assim deseje; b) Intimar a empresa a informar como calcula o frete médio informado em sua defesa; c) O Auditor Fiscal deve informar se, pela documentação já juntada aos autos, especialmente quanto ao laudo da Ernest Young, e aquela por ventura obtida por meio de intimação é possível inferir que o frete está inserido na formação do preço de venda. Explicar as conclusões tomadas; d) Efetuar quaisquer outras verificações ou juntar documentos que julgar necessários para esclarecer a questão posta. e) Elaborar relatório fiscal conclusivo detalhando os procedimentos realizados, anexar todos os documentos gerados na diligência e facultar à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. Assinatura Digital Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 56086DF CARF MF
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