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    <str name="camara_s">Terceira Câmara</str>
    <str name="ementa_s">MUDANÇA DE DOMICÍLIO FISCAL SEM A DEVIDA COMUNICAÇÃO AO FISCO. VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR EDITAL.
O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita, tanto pessoalmente, quanto pela via postal, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Assim, não é inquinada de nulidade a intimação por edital, quando resultarem improfícuos os meios de intimação pessoal e via postal, em virtude de mudança do domicílio fiscal do contribuinte, sem a
devida comunicação ao fisco, já que de sua desídia não pode advir vantagem para si.
IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
Intimado o contribuinte por edital sem divergência de  identificação, conforme determina o artigo 23, parágrafo 1o., item II, do Decreto n°. 70.235, de 1972, há de se ratificar a perempção.</str>
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recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.</str>
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S1­C3T1 

Fl. 1 

 
 

 
 

1

           

S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  13896.904173/2008­79 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1301­000.868  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  16 de março de 2012 

Matéria  IRPJ/COMPENSAÇÃO 

Recorrente  HICORP COMUNICAÇÕES CORPORATIVAS S/A (incorporada pela Tele 
Norte Leste Participações S/A) 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

MUDANÇA  DE  DOMICÍLIO  FISCAL  SEM  A  DEVIDA 
COMUNICAÇÃO  AO  FISCO.  VALIDADE  DE  NOTIFICAÇÃO  POR 
EDITAL. 

O processo administrativo fiscal possibilita que a  intimação seja  feita,  tanto 
pessoalmente, quanto pela via postal,  inexistindo qualquer preferência entre 
os  meios  de  ciência.  Assim,  não  é  inquinada  de  nulidade  a  intimação  por 
edital,  quando  resultarem  improfícuos  os meios  de  intimação  pessoal  e  via 
postal,  em  virtude  de  mudança  do  domicílio  fiscal  do  contribuinte,  sem  a 
devida comunicação ao fisco, já que de sua desídia não pode advir vantagem 
para si. 

IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. 

Intimado  o  contribuinte  por  edital  sem  divergência  de  identificação, 
conforme determina o artigo 23, parágrafo 1o., item II, do Decreto n°. 70.235, 
de 1972, há de se ratificar a perempção. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Os  membros  da  Turma  acordam,  por  unanimidade,  negar  provimento  ao 
recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. 

 

 

 

 

(assinado digitalmente) 

  

Fl. 294DF  CARF MF

Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/

05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA

 JUNIOR



 

  2

Alberto Pinto Souza Junior ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator. 

Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Alberto Pinto Souza 
Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha,  Paulo  Jakson  da Silva Lucas, Edwal Casoni  de 
Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fl. 295DF  CARF MF

Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
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A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/

05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA

 JUNIOR



Processo nº 13896.904173/2008­79 
Acórdão n.º 1301­000.868 

S1­C3T1 
Fl. 2 

 
 

 
 

3

Relatório 

Trata­se  das  DCOMP  apresentadas  pela  HICORP  COMUNICAÇÕES 
CORPORATIVAS S.A.  (CNPJ n° 03.541.297/0001­90), e apreciadas no Despacho Decisório 
n°  783781479  da  DRF  Barueri/SP,  emitido  em  26/08/2008  (fls.  07),  vinculadas  ao  saldo 
negativo de IRPJ de 01/01/2003 a 31/12/2003, no valor originário de R$ 482.377,56. 

No  processamento  eletrônico  da  compensação,  verificou­se  a  falta  de 
apuração de saldo negativo de IRPJ na DIPJ 2004 (ano­calendário 2003), pelo que foram não 
homologadas as compensações e cobrados os débitos no valor total de R$745.420,61. 

Consta dos autos, a tentativa de intimação da empresa, por via postal, tendo a 
correspondência sido devolvida em 09/09/2008 (cf docs. de fls. 08/09 e 14), pelo que teria sido 
providenciada  a  ciência,  mediante  o  Edital  n°  1495/2008  (fls.  10/13),  afixado  na  DRF 
Barueri/SP, em 02/10/2008. 

Em  04/06/2009,  a  TELE  NORTE  PARTICIPAÇÕES  S.A.,  CNPJ  n° 
02.558.134/0001­58  (sucessora  por  incorporação  da  HICORP  COMUNICAÇÕES 
CORPORATIVAS S.A.) apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 17/22, na qual 
aduz em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito: 

 1.Preliminares: 

 a.  protesta pela  produção  de prova  pericial  na  documentação  contábil  para 
verificação do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, formula os quesitos a serem 
respondidos e indica o assistente técnico. 

b.  protesta  pela  nulidade  da  intimação  por  edital,  pela  tempestividade  da 
manifestação apresentada e pela suspensão da exigibilidade dos débitos, cuja compensação não 
fora homologada; 

c. afirma que o descumprimento da intimação, por via postal, teria decorrido 
de  erro  cometido  pelo  próprio  Fisco  no  endereçamento  da  intimação,  para  o  endereço  da 
sucedida e incorporada, ao invés de encaminhar para o domicílio da sucessora e incorporadora, 
fato que teria impossibilitado a ciência do Despacho Decisório; 

d.  a  intimação  por  edital  seria  nula  porque  a  intimação  postal  teria  sido 
efetuada em endereço diverso do domicílio tributário eleito pela empresa; 

e.  em  decorrência,  a  manifestação  de  inconformidade  deveria  ser  recebida 
sob pena de violação do princípio da ampla defesa; 

2. Mérito: 

a. afirma que a divergência de informações na DIPJ e na DCOMP acerca do 
valor  do  saldo  negativo  de  IRPJ  não  seria  suficiente  para  a  não­homologação  das 
compensações,  tendo  em  conta  a  existência  do  saldo  negativo  e o  erro  de  preenchimento  da 
DIPJ; 

Fl. 296DF  CARF MF

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PI

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/

05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA

 JUNIOR



 

  4

b. com fundamento no princípio da verdade material, diz que o mero erro de 
preenchimento  da  DIPJ  não  poderia  obstar  o  direito  ao  crédito,  de  vez  que  comprovados  o 
recolhimentos e as retenções das antecipações correspondentes; 

c. que o direito à compensação seria decorrente do princípio da moralidade; 

A autoridade  julgadora de primeira instância decidiu a matéria por meio do 
Acórdão 05­30.750 da DRJ/CAMPINAS, em 21/09/2010, (doc. fls.217/224), não conhecendo 
da  manifestação  de  inconformidade  por  se  configurar  intempestiva,  tendo  sido  lavrada  a 
seguinte ementa: 

ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL 

Período de,apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 

Nulidade. Intimação por Edital. 

Quando resultar improfícuo qualquer dos meios primários de intimação (pessoal, por 
via postal ou por meio eletrônico), a intimação deve ser feita por edital afixado em 
dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. 

Considera­se feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação do edital. 

Quando  a  lei  prescrever  determinada  forma,  sob  pena  de  nulidade,  a  decretação 
desta não pode ser requerida pela parte que lhe deu causa. 

A nulidade da intimação por edital, efetuado em função de a pessoa jurídica não ter 
sido  localizada  no  endereço  constante  do  Cadastro  Nacional  da  Pessoa  Jurídica  ­ 
CNPJ, não pode ser invocada pela sucessora e incorporadora, quando não adotados 
os  procedimentos  cabíveis  tendentes  à  atualização  das  informações  cadastrais 
perante o CNPJ. 

É  intempestiva  e  não  instaura  o  contraditório  a  manifestação  de  inconformidade 
apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência. 

É o relatório.  

Passo ao voto. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fl. 297DF  CARF MF

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 JUNIOR



Processo nº 13896.904173/2008­79 
Acórdão n.º 1301­000.868 

S1­C3T1 
Fl. 3 

 
 

 
 

5

 

Voto            

Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas 

O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço.  

Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  decisão  que  não  conheceu  da 
manifestação de inconformidade por esta se configurar intempestiva.  

Em breve síntese, a decisão do Despacho Decisório negando homologação à 
compensação pleiteada, foi encaminhada ao contribuinte, via correio, não tendo sido recebida 
no  endereço  constante  do  Cadastro  Nacional  da  Pessoa  Jurídica  ­  CNPJ,  devolvida  em 
09/09/2008, conforme documentos de fls. 08/09 e 14. Na data da postagem da intimação, em 
29/08/2008,  a  empresa  H1CORP  COMUNICAÇÕES  CORPORATIVAS  S.A.  (CNPJ  n° 
03.541.297/0001­90)  encontrava­se  no  CNPJ  na  situação  cadastral  ATIVA  e  sediada  na 
Alameda Araguaia,  933, 8o  andar, Conjunto 88, Alphaville, Barueri/SP  (fls.  177),  este  era o 
domicílio tributário eleito ou o endereço postal fornecido pela contribuinte, para fins cadastrais, 
à administração tributária. 

Em seguida foi providenciado a ciência por Edital afixado na DRF de origem 
em  02/10/2008  (fls.  10/13).  Somente  em  04/06/2009,  a  TELE  NORTE  PARTICIPAÇÕES 
S.A.,  CNPJ  n°  02.558.134/0001­58  (sucessora  por  incorporação  da  HICORP 
COMUNICAÇÕES CORPORATIVAS S.A.) apresentou a manifestação de inconformidade de 
fls. 17/22, na qual aduz em sua defesa que a intimação por edital seria nula porque a intimação 
postal teria sido efetuada em endereço diverso do domicílio tributário eleito pela empresa. 

Para  fins de  intimação,  considera­se domicílio  tributário do sujeito passivo: 
(I) o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (II) o 
endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária,  desde  que  autorizado  pelo 
sujeito passivo (Decreto 70.235/1972, art. 23, par. 4o.e Lei 11.196/2005, art. 113). 

Diante disso, no âmbito do processo administrativo tributário entendo como 
válida  a  citação  por  edital.  Uma  vez  transcorrido  o  prazo  regulamentar  e  não  havendo 
apresentação de impugnação no prazo legal, encerra­se o direito do contribuinte, não cabendo 
apreciação a posteriori. 

Em que pese os  argumentos  suscitados,  a  intimação postal  só  tem validade 
quando  realizada  no  domicílio  fiscal  do  contribuinte,  que  para  todos  os  efeitos  é  aquele 
declarado e constante nos  sistemas da Receita Federal. Por sua vez para que a  intimação por 
edital seja válida, a autoridade fiscal deve ter esgotado, sem sucesso, as tentativas de intimação 
por via postal. No caso  concreto utilizou­se a citação por edital,  instrumento  jurídico válido, 
quando o  sujeito passivo não é  localizado no domicílio  tributário  constante nos  cadastros da 
Receita Federal. 

Acolher a pretensão do suplicante implicaria grave ofensa aos princípios que 
regem o Processo Administrativo Fiscal, já que é valida a intimação via edital. 

Fl. 298DF  CARF MF

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05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA

 JUNIOR



 

  6

Nestes termos, posiciono­me no sentido de negar provimento ao recurso, por 
extemporânea a peça impugnatória. 

(assinado digitalmente) 

Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator 

 

           

 

           

 

 

Fl. 299DF  CARF MF

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05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA

 JUNIOR


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    <str name="ementa_s">CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/05/2005
COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO REFERENTE A COOPERATIVA.
De acordo com a Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido</str>
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S2­C3T2 

Fl. 1 

 
 

 
 

1

           

S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  18108.000814/2007­96 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  2302­ 001.820  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  

Sessão de  16 de maio de 2012 

Matéria  Remuneração de Segurados empregados. Parcelas em Folha de Pagamento 

Recorrente  AUBERT ENGRENAGENS LTDA 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS 

Período de apuração: 01/08/2000 a 31/05/2005 

COOPERATIVA  DE  TRABALHO.  INCONSTITUCIONALIDADE  DA 
CONTRIBUIÇÃO REFERENTE A COOPERATIVA. 

De acordo com a Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar 
sobre a inconstitucionalidade de lei tributária 

Recurso Voluntário Negado 

Crédito Tributário Mantido 

 
 

  

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IANA SATO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA



 

  2

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento 
ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. 

 

Marco André Ramos Vieira ­ Presidente.  

 

 

Adriana Sato ­ Relator. 

 

EDITADO EM: 19/06/2012 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos 
Vieira  (Presidente),  Arlindo  Costa  e  Silva,  Liege  Lacroix  Thomasi,  Adriana  Sato  e Manoel 
Coelho Arruda Junior. 

Fl. 430DF  CARF MF

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IANA SATO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA



Processo nº 18108.000814/2007­96 
Acórdão n.º 2302­ 001.820 

S2­C3T2 
Fl. 2 

 
 

 
 

3

Relatório 

Trata­se  de  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  lavrada  em 
27/02/2006 cuja ciência do Recorrente ocorreu em 01/03/2006 (fls.117). 

De acordo com o Relatório Fiscal a Recorrente declarou em GFIP em quase 
todas as suas competências valores a menor do que os apurados pela fiscalização. Constituem 
os  fatos  geradores  da  presente  NFLD  os  resumos  de  folhas  de  pagamentos,  a  folha  de 
pagamento  dos  empregados,  termos  de  rescisão  de  contrato  de  trabalho,  recibos  de  férias  e 
faturas emitidas pelas cooperativas. 

A  Recorrente  apresentou  impugnação  e  às  fls.141/143  informa  através  de 
petição sua desistência a impugnação com relação à GPS das competências 01/2001 a 07/2001 
em razão do pagamento; com relação as competências 08/2001 a 01/2002,  inclusive 13/2001 
por adesão ao REFIS; e, com relação ao levantamento FPS – Folha de Pagamento referente as 
competências 05/2003 a 13/2004, por adesão ao REFIS. 

Em  razão  da  manifestação  da  Recorrente  foi  determinada  uma  diligência 
fiscal, cuja informação foi juntada às fls.243/244 e o fiscal juntou aos autos cópia autenticada 
da petição, da liminar e sentença do Mandado de Segurança. 

Em  novo  despacho  o  fiscal  juntou  o  cálculo  prévio  dos  valores  de 
contribuição que entendia ser excluído do lançamento de oficio inicial. 

A DRFBJ encaminhou os autos à Delegacia de Administração Tributária em 
São Paulo – Derat/SPO. 

A Derat/SPO  desmembrou  da NFLD  os  valores  incluídos  no  parcelamento 
(fls.287/319), remanescendo o crédito tributário no valor de R$ 110.053,44, que totalizava em 
27/02/2006 R$ 209.067,00. 

Após  a  Derat  apropriou  o  valor  recolhido  em  GPS  (fls.144),  e,  sendo  a 
mesma insuficiente para quitação integral do débito,, restou descoberto as competências 06 e 
07/2001 pagos pelo Recorrente em 18/03/2010 (fls.324/329). 

Após  a  realização  das  operações,  conforme  solicitado  pela  DRFBJ, 
remanesceu  o  crédito  tributário  no  valor  principal  de  R$  70.758,63,  que  consolidado  em 
24/03/2010, totalizava R$ 164.854,49. 

Apesar  de  intimado  o  Recorrente  não  se  manifestou  sobre  as  diligências 
realizadas. 

A 14ª Turma de  Julgamento  da DRFBJ  julgou  improcente  a  impugnação  e 
aplicou de oficio a decadência parcial dos lançamentos no período de 08/2000 a 01/2001. 

Inconformado  o  Recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  alegando  em 
síntese: 

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  4

­ o acórdão não descreve como deve ser apropriado os valores pagos e nem o 
procedimento adotado pelo INSS caso esses valores tenham sido apropriados, impossibilitando 
o Recorrente de apurar eventual crédito tributário remanescente; 

­ inconstitucional a exigência da contribuição de 15% sobre a fatura emitida 
pelas cooperativas de trabalho. 

É o Relatório. 

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Processo nº 18108.000814/2007­96 
Acórdão n.º 2302­ 001.820 

S2­C3T2 
Fl. 3 

 
 

 
 

5

Voto            

Conselheiro Adriana Sato 

Sendo tempestivo CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões 
suscitadas. 

Diferentemente  do  alegado  pelo  Recorrente  o  v.  acórdão  na  sua  conclusão 
descreve que deverão ser apropriados os montantes pagos em guias (fls.338) e ao qual deverão 
ser acrescidos multa e juros legais. 

No que tange a alegação quanto a contribuição referente cooperativa, aplico a 
Súmula 2 do CARF: 

Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se 
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária 

Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso. 

 

Adriana Sato ­ Relator 

 

           

 

           

 

 

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    <str name="anomes_sessao_s">201202</str>
    <str name="camara_s">Quarta Câmara</str>
    <str name="ementa_s">NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano-calendário: 2005  COMPENSAÇÃO.  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  DUPLICIDADE  DE  DECLARAÇÕES  PARA  MESMO  DÉBITO.  DESCABIMENTO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  DUPLA  APLICAÇÃO  DA  MULTA ISOLADA.  Nos termos do § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, “a compensação declarada à  Secretaria  da  Receita  Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória de sua ulterior homologação.” A extinção do crédito tributário é,  portanto, condicional, ocorrendo em razão da apresentação de declaração de  compensação e deixando de existir em função da implementação de condição  resolutória (não-homologação pelo Fisco).  É juridicamente impossível que os mesmos débitos sejam objeto de pedidos  de compensação diferentes, haja vista que o primeiro pedido de compensação  extingue o débito e, via de conseqüência, este mesmo débito não pode servir  de substrato para outro pedido de compensação.   Se não é admitida a duplicidade de declarações, muito menos é admitida a  dupla penalidade.   MULTA.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  ARGUIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE POR TER EFEITO CONFISCATÓRIO. A  apreciação  de  considerações  acerca  da  graduação  da  penalidade,  definida  objetivamente em lei, não compete à autoridade administrativa, mas sim ao  Poder Judiciário.</str>
    <str name="turma_s">Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção</str>
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S1‐C4T1 

Fl. 631 

 

 

 
 

1

630 

S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10830.005020/2008­13 

Recurso nº  915.051   Voluntário 

Acórdão nº  1401­000.722  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  1º de fevereiro de 2012 

Matéria  MULTA ISOLADA E COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. 

Recorrente  SOTREQ S/A 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Ano­calendário: 2005 

COMPENSAÇÃO.  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO. 
DUPLICIDADE  DE  DECLARAÇÕES  PARA  MESMO  DÉBITO. 
DESCABIMENTO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  DUPLA  APLICAÇÃO  DA 
MULTA ISOLADA. 

Nos termos do § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, “a compensação declarada à 
Secretaria  da  Receita  Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição 
resolutória de sua ulterior homologação.” A extinção do crédito tributário é, 
portanto, condicional, ocorrendo em razão da apresentação de declaração de 
compensação e deixando de existir em função da implementação de condição 
resolutória (não­homologação pelo Fisco). 

É juridicamente impossível que os mesmos débitos sejam objeto de pedidos 
de compensação diferentes, haja vista que o primeiro pedido de compensação 
extingue o débito e, via de conseqüência, este mesmo débito não pode servir 
de substrato para outro pedido de compensação.  

Se  não  é  admitida  a  duplicidade de  declarações, muito menos  é  admitida  a 
dupla penalidade.  

MULTA.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  ARGUIÇÃO  DE 
INCONSTITUCIONALIDADE  POR  TER  EFEITO CONFISCATÓRIO.  A 
apreciação  de  considerações  acerca  da  graduação  da  penalidade,  definida 
objetivamente em  lei, não compete à autoridade  administrativa, mas sim ao 
Poder Judiciário. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

  

Fl. 631DF  CARF MF

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Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e

m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO

NIO ALKMIM TEIXEIR



  2

ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara 
da  Primeira Seção  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  em  der  provimento  parcial  ao 
recurso,  apenas  para  cancelar  a multa  isolada  relativa  à Dcomp 13710.48934.110405.1.3.04­
0843. 

(assinado digitalmente) 

Jorge Celso Freire da Silva – Presidente 

(assinado digitalmente) 

Alexandre Antonio Alkmim Teixeira ­ Relator 

Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros:  Jorge  Celso  Freire  da  Silva 
(Presidente),  Alexandre  Antonio  Alkmim  Teixeira,  Mauricio  Pereira  Faro,  Antonio  Bezerra 
Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. 

 

Fl. 632DF  CARF MF

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m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO

NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 632 

 
 

 
 

3

Relatório 

Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  o  acórdão  nº  05­23.794, 
proferido  pela  Quinta  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em 
Campinas/SP,  que,  por  unanimidade  de  votos,  decidiu  “DEFERIR  PARCIALMENTE  a 
manifestação  de  inconformidade  contida  no  processo  apenso  n°  10830.001321/2006­14, 
ratificando  o  ato  de  não­homologação,  mas  afastando  parcialmente  a  cobrança  dele 
decorrente, bem como JULGAR PROCEDENTES as exigências de multa isolada formalizadas 
nestes autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.”  

Por  descrever  os  fatos  com  a  riqueza  de  detalhes  necessária  para  a 
compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: 

Trata  o  presente  processo  de  multa  de  ofício  isolada  por 
compensação  indevida  mediante  Declarações  de 
Compensação ­ DCOMP, apontando crédito decorrente de 
pagamento  indevido  ou  a  maior  verificado  nos  autos  do 
processo  administrativo  n°  10830.504124/2005­63,  no 
valor  original  de  R$  10.000.000,00.  Tal  crédito  foi 
utilizado  na  quitação  de  débitos  de  Imposto  de  Renda 
Retido na Fonte ­ IRRF, Imposto sobre a Renda da Pessoa 
Jurídica ­ IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 
­ CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade 
Social  ­  COFINS  e  Contribuição  para  o  Programa  de 
Integração Social ­ PIS. 

A  estes  autos  foram  apensados  os  seguintes  processos 
administrativos:  

• 10830.001321/2006­14, que trata de não­homologação de 
compensações  formalizadas  em  DCOMP  apresentadas  de 
11/04/2005 e 15/04/2005;  

•  10830.005066/2008­32,  que  abriga  representação  fiscal 
para fins penais, associada ao lançamento formalizado nos 
autos do processo principal n° 10830.005020/2008­13. 

Às  fls.  324  do  processo  apenso  n°  10830.001321/2006­14 
consta despacho produzido por esta Relatora nos seguintes 
termos: 

O  presente  processo  refere­se  à  não­homologação  das 
DCOMP  nº  13710.48935.110405.1.3.04­0843  e 
36921.01195.150405.1.3.04­6080,  objeto  do  despacho 
decisório  de  fls.  161/162,  contra  o  qual  o  interessado 

Fl. 633DF  CARF MF

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m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO

NIO ALKMIM TEIXEIR



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apresentou  a  manifestação  de  inconformidade  de  fls. 
172/182, enviada a esta DRJ para julgamento. 

Verifica­se que, em paralelo, a DRF/Campinas  também 
promoveu o  lançamento da multa de ofício  isolada, em 
razão das compensações assim consideradas  indevidas, 
formalizando­a  sob  n°  10830.005020/2008­13.  Contra 
tal  lançamento,  o  interessado  interpôs  impugnação, 
também remetida a esta DRJ para julgamento. 

Ocorre  que,  o  art.  18  da  Medida  Provisória  n" 
135/2003,  convertida  na  Lei  n°  10.833/2003,  e  já 
alterada pela Lei n° 11.051/2004, assim dispôs: 

Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da 
Medida  Provisória  n°  2.158­35,  de  24  de  agosto  de 
2001,  limitar­se­á  à  imposição  de  multa  isolada  em 
razão  da  não­homologação de  compensação declarada 
pelo  sujeito  passivo  nas  hipóteses  em  que  ficar 
caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 
71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. 

[...] 

§ 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra 
a  não­homologação  da  compensação  e  impugnação 
quanto  ao  lançamento  das  multas  a  que  se  refere  este 
artigo,  as  peças  serão  reunidas  em  um  único  processo 
para serem decididas simultaneamente. 

[...] 

Assim,  é  necessário  que  os  feitos  sejam  reunidos  para 
julgamento simultâneo, razão pela qual encaminho este 
processo ao SECOJ desta DRJ, para que se promova a 
sua  juntada  por  apensação  ao  processo  administrativo 
n° 10830.005020/2008­13, haja vista que a juntada por 
anexação  é  inviável,  na  medida  em  que  os  autos 
controlam créditos tributários cadastrados em diferentes 
sistemas (PROFISC e SIEF). 

Seguindo  a  ordem  cronológica  dos  atos  praticados,  vê­se 
no  processo  apenso  n°  10830.001321/2006­14,  às  fls. 
54/55,  que  as  DCOMP  n°  13710.48935.110405.1.3.04­
0843  e  36921.01195.150405.1.3.04­6080  foram 
selecionadas  para  trabalho  manual  neste  processo  em 
virtude  de  haver  dúvidas  quanto  à  pertinência  do  direito 
creditório  oferecido  como  contrapartida  aos  débitos 
apresentados  para  compensação,  já  que  o  processo 
informado  pela  contribuinte  como  origem  do  crédito  (n° 
10830.504124/2005­63)  trata  de  inscrição  na  dívida  ativa 
da União ­ IRRF, conforme se comprova nas consultas aos 
sistemas Comprot e Projetos­ PGFN, fls. 28, 29 e 51 a 54, 
ou  seja,  não  diz  respeito  a  reconhecimento  de  direito 
creditório. 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 633 

 
 

 
 

5

Ressaltando  que,  com  base  nas  mesmas  consultas, 
verificou­se que a dívida era oriunda de 2 (dois) débitos de 
IRRF no ano­calendário de 1999, e que foi quitada através 
de  pagamento  realizado  em  31.05.2005,  no  valor  de  RS 
4.794,92,  o  Serviço  de  Orientação  e  Análise  Tributária  ­ 
SEORT  da  DRF/Campinas  encaminhou  os  autos,  em 
22/03/2006,  ao  Serviço  de  Fiscalização  (Sefis)  desta 
Delegacia  da  Receita  Federal  (DRF)  para  apuração  das 
informações  prestadas  pela  interessada  nas  2  (duas) 
declarações de compensação objeto destes, principalmente 
em relação ao crédito informado.  

Em  continuidade  a  ação  fiscal  já  em  curso,  os  auditores 
responsáveis  iniciaram  os  questionamentos  acerca  das 
referidas  DCOMP  em  termo  cientificado  ao  contribuinte 
em 03/04/2006 (fls. 110/111), e em 27/04/2007 informaram 
ao SEORT/DRF Campinas que o contribuinte não prestou 
os  esclarecimentos  solicitados  em 03/04/2006,  04/05/2006 
e 15/05/2006, relativamente à origem do crédito pleiteado. 
Consignaram também que:  

Por  conseguinte,  em  13/03/2007  (fls  131  e  132), 
cientificamos o contribuinte do Termo de Constatação e 
Intimação Fiscal  ­ 12/03/2007,  tendo sido solicitado as 
seguintes informações: 

“... 

Em  resposta  ao  Termo  de  Constatação  e  Intimação 
Fiscal  datado  de  04/05/2006,  relacionado  à 
PER/DCOMP  13710.48935.110405.1.3.04­0843. 
transmitida  em  11/04/2005,  bem  como  à PER/DCOMP 
36921.01195.15  0405.1.3.04­6080,  transmitida  em 
15/04/2005. Vsa declarou: 

“2.  Informamos que  toda documentação hábil  e  idônea 
que comprove a existência do crédito especificados nos 
referidos  Per/Dcomp,  já  foram  apresentados  no  início 
dessa  fiscalização,  em  atendimento  ao  termo  de 
intimação datado em 23 de junho de 2005” 

Entretanto,  em  análise  aos  documentos  apresentados 
por  Vsa  em  resposta  ao  termo  de  intimação  de 
23/06/2006,  NÃO  foram  encontrados  documentos 
relacionados  ao  aludido  crédito  pleiteado  nas 
Per/Dcomp.  

Isto posto: 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  6

1.  Esclarecer  qual  é  a  origem  do  crédito  tributário 
(Processo  Administrativo  mencionado  nas 
PER/DCOMP:  10830.504124/2005­63)  pleiteado  nas 
Per/Dcomp retromencionadas, 

2.  Apresentar  ou  reapresentar  a  documentação  hábil  e 
idônea coincidentes em datas e valores que comprovem 
a  origem  do  crédito  tributário  pleiteado  por  Vsa,  no 
montante original de RS 10.000.000,00 (dez milhões de 
reais). 

Em  27/03/2007  (fls  133  a  147),  o  contribuinte 
apresentou  petição  e,  novamente,  NÃO  comprovou  a 
origem  do  crédito  pleiteado  no  montante  de  R$ 
10.000.000,00 limitando­se a informar que os processos 
de  compensações  haviam  sido  efetuados  por  terceiros 
que já havia solicitado à SRF a retificação dos mesmos, 
não teriam sido aceitas as retificações tendo em vista a 
ação  fiscal  em  andamento.  Também,  não  esclareceu  o 
PAF 10830.504124/2005­63. 

Portanto,  o  contribuinte  em  epígrafe,  regularmente 
intimado e com amplo prazo para o atendimento, NÃO 
comprovou, mediante a  apresentação de documentação 
hábil  e  idônea,  a  origem  do  crédito  pleiteado  (R$ 
10.000.000,00)  compensado  nas  PER/DCOMP 
13710.48935.110405.1.3.04­0843  e 
36921.01195.150405. 1.3.04­6080. 

Diante do  exposto, PROPOMOS o encaminhamento do 
presente  processo  ao  SEORT  para  elaboração  do 
Despacho  Decisório  em  face  da  não  comprovação  do 
crédito pleiteado no montante de R$ 10.000.000,00. 

Diante  destas  circunstâncias,  formalizou­se  o  Despacho 
Decisório que integra o processo administrativo apenso n° 
10830.001321/2006­14  (fls.  161/162),  no  qual  dispôs­se  o 
que segue: 

[...] 

Tendo  em  vista  que  à  época  do  início  da  análise  das 
Declarações  de  Compensação  tratadas  neste  processo, 
havia  procedimento  da  fiscalização  em  curso  junto  à 
contribuinte, foi proposto através do despacho de fl. 55, 
anteriormente  mencionado,  o  encaminhamento  deste 
processo  ao  Serviço  de  Fiscalização  –  SEFIS  –  desta 
Delegacia,  para  apuração  das  informações  prestadas 
pela  interessada  referente  às  duas  Declarações  de 
Compensação,  principalmente  em  relação  ao  crédito 
informado. 

Estas  informações  contidas  nas  Declarações  de 
Compensação,  foram aferidas em análise efetuada pelo 
Serviço  de  Fiscalização  ­  SEFIS,  desta  Delegacia, 

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 634 

 
 

 
 

7

consoante Informação fiscal elaborada em 27/04/2007, ­ 
fls.  148  e  150  ­  documento  este  que  passa  a  ser  parte 
integrante deste despacho. De acordo com esta análise, 
o SEFIS alega que o crédito, objeto das Declarações de 
Compensação,  no  montante  de  RS  10.000.000,00,  não 
foi comprovado.  

Diante do exposto, considerando tudo o mais que do processo 
consta, PROPONHO: 

1. A não homologação das Declarações de Compensação; 

2. O encaminhamento deste processo ao SEFIS para: 

a)  Verificar  a  pertinência  ou  não  do  lançamento  da  multa 
isolada  prevista  no  art.  18  da  Lei  n°  10.833,  de  29  de 
dezembro de 2003.  

b) No caso de aplicação da multa supracitada, dar ciência ao 
contribuinte  deste  despacho  junto  com  o(s)  auto(s)  de 
infração, e efetuar a cobrança de todos os débitos declarados 
nas  compensações,  conforme  extrato  do  sistema 
SINCORPROFISC de fls. 151­156; caso contrário, retornar o 
processo a este SEORT.  

Em  30/05/2008  o  interessado  foi  cientificado  do  referido 
despacho decisório, bem como do Auto de Infração e do Termo 
de  Verificação  Fiscal  que  integram  este  processo  principal  n° 
10830.005020/2008­13,  formalizando­se  a  exigência  de  R$ 
13.017.613,72,  correspondente  à  multa  de  ofício  isolada  no 
percentual  de  150%,  calculada  sobre  o  valor  total  dos  débitos 
compensados nas referidas DCOMP. 

Firmou­se no Termo de Verificação Fiscal que diante dos fatos 
apresentados, pelos quais exsurge  inquestionável a  intenção do 
contribuinte  em  fraudar  o  sistema  de  cobrança  da  Receita 
Federal, provocando a extinção indevida de tributos, concluímos 
pela aplicação da multa prevista no art. 18 da Lei n° 10.833, de 
29  de  dezembro  de  2003  (observadas  as  redações  dadas  pelas 
Leis nos 11.051/2004 e 11.196/2005), no percentual de 150%. 

Manifestando  sua  inconformidade  contra  o  despacho  decisório 
proferido nos autos do processo apenso n° 10830.001321/2006­
14,  o  interessado,  por  intermédio  de  seus  advogados  e 
procuradores,  apresentou  sua  defesa  em  27/06/2008  (fls. 
172/182  do  processo  apenso  n°  10830.001321/2006­14), 
alegando, em síntese, o que segue:  

• Em preliminar assevera que apresenta a presente Manifestação 
de  Inconformidade  com  fundamento  no  artigo  48,  da  Instrução 
Normativa n° 600 de 2005 c/c § 7º a § 11º, do artigo 74, da Lei 
nº 9.430/96, em razão de compensações não­homologadas, para 
destacar que ela  tem o condão de suspender a exigibilidade do 
crédito  tributário,  não  se  admitindo,  portanto,  que  os 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



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lançamentos  dela  advindos  sejam óbice  a  expedição de  futuras 
Certidões Negativas de Débitos. 

• Relata sua fundação em 1941, e sua condição de revendedora 
exclusiva  dos  produtos,  serviços  e  sistemas  Caterpillar,  bem 
como a dimensão de sua estrutura operacional de serviços, para 
acrescentar  que  para  estes  67  anos  de  crescimento,  sua 
idoneidade  foi  atributo  indispensável,  e  mais  à  frente  afirmar 
que  em  harmonia  com  sua  sempre  ilibada  conduta,  foi  que  a 
própria Requerente protocolizou em janeiro de 2005, perante a 
Secretaria  da  Receita  Federal,  um  pedido  de  revisão  quanto  a 
uma  Declaração  de  Compensação  indeferida  nos  autos  do 
Processo Administrativo 10166.000251/2005­78. 

• Reporta­se ao processo de  fiscalização ocorrido em 2006, no 
qual  se  verificou  a  compensação  de  créditos  oriundos  do 
Processo  n"  696/1949  (RESP037056­STJ),  mencionando  o 
desprezo  à  realização  de  uma  análise  detalhada  da  origem  do 
crédito compensado e o  fato de se  ter sugerido arbitrariamente 
que  as  DCOMP's  entregues  até  30  de  dezembro  de  2004  não 
deveriam  ser  homologadas,  além  de  que  fossem  consideradas 
"não declaradas " as Declarações de Compensações, entregues 
após aquela data.  

•  Menciona  que  ali  ressalvou­se  que  não  se  analisaria  as 
DCOMP  que  são  objeto  do  Despacho  Decisório  ora  atacado, 
cita  que  a  Ilustríssima  Delegada  da  Receita  Federal  em 
Campinas, sem qualquer espécie de fundamentação, limitou­se a 
proferir  despacho  decisório  "acatando”  a  manifestação  da 
fiscalização  no  sentido  de  considerar  não  homologadas  as 
DCOMPs entregues até 30 de dezembro de 2004, bem como que 
em  razão  de  sua  boa­fé  pagou  os  tributos  compensados  em 
15/01/2007, no valor total de R$ 21.346.880,06.  

• Posteriormente, relata que foi cientificada de auto de infração 
exigindo­lhe o pagamento de R$ 2.639.366,47, com o acréscimo 
de multa  de  150%,  por  conta  de  PERD/COMP'S  considerados 
não declarados pelo Fisco, em razão do qual efetuou pagamento 
de R$ 2.723.627,40 em 27/04/2007, para na seqüência afirmar: 

Ocorre  que  para  a  surpresa  da  Requerente,  mediante  o 
Despacho  Decisório  ora  atacado,  proferido  nos  autos  do 
Processo  Administrativo  n°  10830.01321/2006­14,  estão 
sendo  exigidos  NOVAMENTE  tributos  cujas  compensações 
foram  consideradas  não­homologadas  pelo  Fisco,  os  quais 
foram  objeto  dos  PERDCOMP's  identificados  sob  o  n° 
13710.48934.110405.1.3.04­0843  e 
36921.01195.150405.1.3.04­6080. 

No entanto, tal exigência não merece prosperar em razão de 
dois fatores que serão abordados no próximo  tópico, abaixo 
resumidamente expostos: 

a)  as Duas Declarações  de Compensação  foram  objeto  dos 
PERD/Comp's  recepcionados  sob  números 
13710.48934.110405.1.3.04­0843  e 
36921.01195.150405.1.3.04­6080,  os  quais  foram  objeto  de 
dois  pedidos  expressos  de  cancelamento  em  razão  de 
duplicidade de envio,  

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 635 

 
 

 
 

9

e o que é pior: 

b) os tributos ora exigidos ESTÃO EXTINTOS NOS TERMOS 
DO  INCISO  I,  DO  ARTIGO  156.  DO  CTN.  pois  foram 
QUITADOS  quando  da  liquidação  dos  lançamentos 
perpetrados  em razão do Despacho Decisório proferido nos 
autos do Processo Administrativo n° 10166.000251/2005­78 e 
do Auto de Infração nº 10830.001497/2007­49. 

•  Reporta­se  à  existência  de  assessoria  técnica  especializada 
contratada  para  adequação  das  compensações  realizadas  à 
legislação  pátria  e  que,  em  meados  de  2005,  já  na  posse  da 
documentação  relativa  às  compensações,  a  ora  requerente 
constatou  vários erros nas  transmissões dos PERDCOMP'S, as 
quais  poderiam  resultar  em  sérios  prejuízos,  tais  como: 
duplicidade e  triplicidade de  transmissões. Daí as  tentativas de 
retificações  e  cancelamentos,  inclusive  das  DCOMP  em 
referência,  sem  contudo  obter  êxito,  fato  que  foi  devidamente 
comunicado  ao  Delegado  da  Receita  Federal  em  Campinas 
mediante  petições  protocolizadas  em  várias  oportunidades, 
dentre elas em 25 de junho de 2005 e 24 de fevereiro de 2006. 

•  Invoca  a  espontaneidade  e  o  direito  de  petição,  que  se 
respeitados  evitaria  o  lançamento  de  tributos  ora  discutidos  e 
ensejaria  a  reforma  do  Despacho  Decisório,  que  sequer 
adentrou  no  fato  de  que  os  PERDCOM'S  n°s 
13710.48934.110405.1.3.04­0843 e 36921.01195.150405.1.3.04­
6080  já  foram  objeto  de  pedido  de  cancelamento  em  razão  de 
duplicidades  constatadas  internamente  pela  companhia,  o  que 
por si só, faria com que perdesse seu objeto. 

Aliás,  a  veracidade  dessa  alegação  (duplicidade)  pode  ser 
facilmente constatada pelo fato dos tributos/períodos exigidos 
em  razão  de  Despacho  Decisório  ora  atacado,  estarem 
compreendidos dentre aqueles que foram lançados e quitados 
pela Requerente, em razão do Despacho Decisório proferido 
nos autos do Processo Administrativo n" 10166.000251/2005­
78 e do Auto de Infração n° 10830.01497/2007­49. 

Assim, mesmo que não sejam acatada a alegação de que os 
PERDCOMP'S  em  questão  foram  objeto  de  pedido  de 
cancelamento  não  atendido  pelo  Fisco,  o  que  se  admite 
apenas  a  título  de  argumentação,  o  fato  é  que  os  valores 
exigidos  em  razão  do  Despacho  Decisório  ora  guerreado, 
encontram­se extintos por pagamento nos termos do inciso I, 
do artigo 156, do Código Tributário Nacional, como a seguir 
será demonstrado. 

•  Em  quadro  demonstrativo,  contendo  os  códigos  tributos, 
período  de  apuração  e  vencimentos  dos  tributos  exigidos  pela 
não­homologação em tela, associa os valores quitados relativos 
a processo administrativo 10166­000.251/2005­78* e do Auto de 
Infração  10830.001497/2007­49**,  e  conclui  que  todos  os 
lançamentos oriundos de Despacho Decisório em tela, guardam 

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  10

relação  com  exigências  já  QUITADAS  em  outros  processos 
administrativos (10166.000251/2005­78 e 10830.0014797/2007­
49),  RAZÃO  PELA  QUAL  NÃO  PODEM  PREVALECER  SOB 
PENA DE VERDADEIRO BIS IN IDEM. 

Assim,  a  Requerente  que  já  arcou  com  o  pagamento  de 
dezenas  de  milhões  de  reais,  certamente  não  se  sujeitará  a 
COBRANÇA  EM  DUPLICIDADE  COMO  ESTÁ  DE 
QUASE  SETE  MILHÕES  DE  REAIS  E  RESPECTIVA 
MULTA  DE  13  MILHÕES  DE  REAIS,  DELA 
DECORRENTE  EXIGIDA  NO  AUTO  DE  INFRAÇÃO 
10830.005020/2008­13. 

Tal situação, portanto, carece de imediata revisão por parte 
da  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Campinas,  pois  é 
INADMISSÍVEL  que  a  Requerente  fique  a  mercê  de 
trabalhos  fiscais  que  lhe  imputam  créditos  tributários  já 
pagos  e  ainda  autuações  deles  decorrentes  objetivando  a 
aplicação  de  penalidade  de  multa  de  150%  por  suposta 
"fraude",  caracterizando,  tais  atos  arbitrários,  num 
tratamento  desigual  e  de  total  descaso  a  um  dos  maiores 
contribuintes  da  jurisdição  desta E. Delegacia,  e  a "maior 
empresa do setor em faturamento no Estado de São Paulo e 
no país". 

Não obstante, apesar de nada dever ao erário, a Requerente 
ainda é submetida a Representação Penal, que culminará em 
Inquérito  Policial,  situação  extremamente  constrangedora  e 
que certamente trará danos irreparáveis a companhia. 

Ainda,  impugnando  o  lançamento  de  multa  de  ofício  isolada 
presente  neste  processo  principal  n°  10830.005020/2008­13,  o 
contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores, 
deduz as seguintes razões de fato e de direito em 26/06/2008: 

•  Reprisa  os  mesmos  argumentos  tecidos  na  manifestação  de 
inconformidade, para concluir que o Termo Decisório proferido 
nos autos do Processo Administrativo n.  °  10830.001321/2006­
14,  não  pode  sob  nenhum  aspecto  prevalecer,  pois  a  não­
homologação  das  compensações  resultou  na  exigência  de 
créditos tributários já QUITADOS. E acrescenta que, se a não­
homologação dos créditos tributários não surtiu qualquer efeito 
jurídico  ou  financeiro,  tendo  em  vista  que  os  objetos  das 
compensações  já  haviam  sido  recolhidos  ao  erário 
anteriormente, não há porque prevalecer a multa ora atacada. 

•  Na  seqüência,  entende  necessária  a  recapitulação  da  multa 
aplicada, na medida em que a utilização do percentual de 150% 
depende  da  plena caracterização  e  comprovação da prática  de 
uma  conduta  fraudulenta  por  parte  do  contribuinte,  conforme 
doutrina que  reproduz,  no  sentido da demonstração da própria 
materialidade  da  conduta  fraudulenta,  bem  como  o  dolo 
específico do agente, evidenciando não somente a intenção mas 
também  o  seu  objetivo,  uma  vez  que  a  fraude  não  pode  ser 
presumida mas  deve  sim  ser  comprovada  através  de  elementos 
contundentes  apuráveis,  inclusive,  através  do  devido  processo 
legal.  

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 636 

 
 

 
 

11

•  Reporta­se  à  responsabilidade  objetiva  do  art.  136  do  CTN, 
mas  ressalva  que  à  fraude  é  imprescindível  a  comprovação do 
dolo, o qual, por sua vez, é excluído pelo erro do agente que crê 
na  licitude  de  sua  conduta  –  ainda  que  tenha  sido  induzido  a 
erro por terceiros ­ e não tem a intenção de praticar fraude. 

•  Conclui,  assim,  que  não  estão  presentes  os  requisitos 
necessários à caracterização da fraude. Em suas palavras: 

­  a  Requerente  não  praticou  qualquer  conduta  omissiva  ou 
comissiva que visasse reduzir o montante do imposto devido, 
tendo  declarado  e  compensado  os  tributos  de  forma  a 
possibilitar a presente averiguação fiscal; 

­  não  houve  dolo  na  redução  do  imposto  devido,  ou  seja, 
intenção  de  provocar  um  evento  ou  resultado  contrário  ao 
Direito,  eis  que  a  Requerente  contratou  uma  consultoria 
jurídica  que  previamente  lhe  assegurou  a  legalidade  da 
operação, levando­a a engano; 

­ não restou comprovado pelo Fisco a prática de simulação 
quanto  à  ocorrência  ou  ao momento  da  ocorrência  do  fato 
gerador,  uma  vez  que  a  Requerente  ofereceu  inúmeros 
documentos  à Receita Federal,  como  escrituras  e  contratos, 
que demonstravam não só a ocorrência do fato gerador, mas 
as suas particularidades. 

•  Acrescenta  que  realizou  de  boa­fé  todos  os  procedimentos 
referentes  à  compensação  de  créditos,  e  para  isso  contratou  a 
consultoria  referida,  que  comprometeu­se  a  prestar  serviço  de 
"advocacia  e  assessoria  tributária  na  aquisição  de  crédito  por 
cessão  para  quitação  de  tributos  incidentes  na  contratante,  de 
natureza  federal".  Inclusive,  na  referida  contratação  foram 
previstos a seleção do crédito e a qualidade dele, o trânsito em 
julgado  e  a  conformidade  com  as  normativas  impostas  pela 
Receita Federal [...], bem como assegurado que a compensação 
seria válida nos termos do art. 170 do CTN. 

• Acreditou, assim, que agiu dentro da mais absoluta legalidade, 
sem qualquer  intenção de cometer qualquer  tipo de  infração,  e 
não está aqui, pretendendo opor convenção particular ao Fisco, 
mas sim demonstrar que não agiu com dolo em fraudar os cofres 
públicos, em prejuízo alheio,  

Inclusive,  tais  serviços  prestados  pelo  escritório  Walmir 
Barroso  Advogados  Associados  S/C,  que  não  se  prestaram 
para  o  fim  contratado,  qual  seja,  para  aquisição  e 
compensação de créditos tributários, levaram a Requerente a 
ingressar  com ação de  indenização contra  o mesmo,  a  qual 
tramita perante o Foro Central da capital (doe. n" 14). 

• Teria havido, assim, no máximo culpa "in eligendo", pela má 
escolha  do  prestador  de  serviços  jurídicos,  na medida  em  que 
sua conduta foi exclusivamente embasada no referido contrato. 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  12

•  Reporta­se  à  responsabilidade  decorrente  da  culpa  "in 
eligendo"  pelos  danos  causados,  mas  entende  que  estaria 
automaticamente  descartada  a  suposta  fraude  alegada  pela 
Requerida.  Em  reforço  à  sua  boa­fé,  menciona  também  sua 
colaboração  no  curso  do  procedimento  fiscal,  demonstrando 
claramente como toda a operação de compensação foi realizada, 
oferecendo  documentos  e  indicando  inclusive  os  valores  que 
foram adquiridos bem como os créditos que foram utilizados no 
procedimento administrativo. 

•  Menciona,  também  que  levada  à  engano  pela  assessoria 
contratada,  a  Requerente  jamais  negou  intencionalmente  a 
legislação  pátria,  inexistindo  portanto  o  próprio  nexo  de 
causalidade.  Reproduz  doutrina  que  exige  a  prática  voluntária 
do  antijurídico,  e  conseqüente  culpa  subjetiva  para  imputação 
da responsabilidade por infração, e conclui que a multa deveria 
ser reduzida, no mínimo, a 75%, na ausência de prova da fraude. 

• Reporta­se a julgados administrativos do Terceiro Conselho de 
Contribuintes  que  demonstram  a  necessidade  de 
descaracterização  da  multa  isolada  quando  não  restar 
devidamente comprovado o intuito de fraude, e acrescenta: 

Portanto,  não  há  como  se  pretender  sustentar  a  prática  de 
atividade  dolosa  que  visasse  evitar  ou  diferir  o  pagamento 
dos tributos, sendo que nenhuma prova foi apresentada neste 
sentido, restando comprovada a boa­fé da Requerente no ato 
da  contratação  dos  serviços  prestados  pela  assessoria  do 
escritório  Walmir  Barroso  Advogados  Associados  S/C 
Consultoria  Empresarial,  que  indicou­lhe  a  compensação 
como  em  “conformidade  com  as  normativas  impostas  pela 
Receita  Federal  e  outros  órgãos  pertinentes  a  pronta 
aquisição e conclusão do processo de transferência”. 

•  Recorda  que  a  fiscalização  em  tela  somente  foi  iniciada  a 
partir da provocação da própria Requerente, ou seja, a partir do 
processo  n°  10166.000251/2005­78,  onde  se  pretendia  a 
declaração  de  regularidade  da  compensação,  a  evidenciar  a 
total  boa  fé  da  empresa,  não  se  realizando  meramente  na 
contabilidade  da  empresa,  consoante  julgado  administrativo 
mencionado em sua defesa. 

Considerados  tais  esclarecimentos,  onde  estaria  a  tentativa 
de  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência 
do fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir 
ou modificar as  suas  características  essenciais,  de modo na 
reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o 
seu pagamento, necessária à tipificação da fraude? 

Mais  complexa  ainda  é  a  tentativa  do  Auditor  Fiscal  da 
Receita  Federal  imputar  uma  atitude  fraudulenta  à 
Requerente, que ressaltou sua boa­fé com o pagamento dos 
tributos apontados como devidos pela autoridade fiscal. 

• Conclui, assim, que não está tipificada a fraude, e demonstrada 
a  sua  boa­fé,  passa  a  apontar  o  caráter  inconstitucional  da 
multa  de  ofício  aplicada  pelo  Fisco,  na  medida  em  que, 
acrescido  da  multa  de  mora  exigida  para  o  recolhimento  do 

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 637 

 
 

 
 

13

valor  compensado,  resta  evidente  que  o  percentual  assim 
totalizado em 170%, é confiscatório.  

• Ressalta que  tal  limitação constitucional é referida apenas no 
âmbito dos  tributos, mas a doutrina pacificamente a estende às 
multas,  na  medida  em  que  estas  não  devem  ter  caráter 
arrecadatório,  mas  tão  só  sancionatório,  com  respeito  aos 
princípios  da  proporcionalidade  e  isonomia  com  relação  a 
situações similares. 

• Entende caracterizado o confisco nas multas que ultrapassam 
em muito o valor do próprio tributo, ou mesmo o valor do bem 
ou  riqueza  que  ensejou  a  tributação,  extrapolando  o 
dimensionamento necessário para desestimular o ilícito. 

• Assevera que a indenização ao Fisco se faz pela aplicação de 
juros  de  mora  e  correção  monetária,  e  a  utilização  da  taxa 
SELIC para cálculo dos  juros, associada a multas superiores a 
100%,  ofende  o  princípio  da  proporcionalidade  e  tem  feição 
confiscatória.  

• Apenas o  tributo deve  ter  função arrecadatória. A multa deve 
ser  fixada  para  incentivar  o  cumprimento  do  dever  pelo 
contribuinte e, para manter as suas funções de punir, reprimir e 
ressocializar,  deve  também  observar  o  princípio  do  não­
confisco. 

•  Cita  também  o  princípio  da  razoabilidade,  reportando­se  a 
precedentes  do  Supremo  Tribunal  Federal  e  dos  Tribunais 
Regionais  Federais,  e  acrescenta  que  o  valor  excessivo  da 
penalidade  é  suficiente  para  inviabilizar  a  vida  financeira  da 
empresa punida. E, por fim, menciona que o alcance do preceito 
constitucional  que  veda  o  confisco  é  também  extensivo  às 
penalidades,  por  ser  desdobramento  da  garantia  do  direito  de 
propriedade, previsto no inciso XXII, do artigo 5º, e inciso II do 
artigo 170, ambos da Constituição Federal. 

•  Requer,  por  todo  o  exposto,  a  declaração  de  nulidade  do 
presente  lançamento,  eis  que  demonstrado  que  os  créditos 
tributários  não  homologados  nos  autos  do  Processo 
Administrativo n° 10830.001321/2006­18, já foram devidamente 
recolhidos,  ou  então  que  seja  ele  julgado  improcedente,  por 
inaplicabilidade da multa de 150%, ou que este percentual seja 
reduzido  para  75%,  tendo  em  vista  que  a  Requerente  não 
praticou a aquisição e compensação dos créditos com intuito de 
fraude. 

Submetidas a Manifestação de Inconformidade e a Impugnação à apreciação 
da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, esta houve por bem 
julgar  procedente  em  parte  a  manifestação,  ratificando  o  ato  de  não  homologação,  mas 
afastando  parcialmente  a  cobrança  dela  decorrente.  Entretanto,  julgou  improcedente  a 
impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa  isolada formalizada nestes autos. O 
acórdão restou assim ementado: 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Ano­calendário: 2005 

COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  DE  NATUREZA  TRIBUTÁRIA. 
INEXISTÊNCIA. ORIGEM EM PROCESSO ADMINISTRATIVO 
DE INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO.  

Inadmissível  a  compensação  de  suposto  crédito  de  natureza 
tributária,  oriundo  de  processo  administrativo  destinado  à 
inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União  de  débito  cujo  valor  é 
irrisório, se comparado com o crédito alegado. 

FALSIDADE  EM  DCOMP.  IMPOSSIBILIDADE.  IMPOSIÇÃO 
DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.  

Inserir informação falsa em DCOMP, a fim de possibilitar o seu 
envio  por  meio  eletrônico  e  dar  aparência  de  regularidade  à 
utilização  de  créditos  de  natureza  tributária  inexistentes, 
demonstra a  falsidade e o evidente  intuito de fraude que devem 
ser  penalizados  com  o  lançamento  de  multa  qualificada  no 
percentual de 150%. 

DÉBITOS  PAGOS  EM  RAZÃO  DE  PROCEDIMENTO 
ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. NECESSIDADE.  

Se  o  interessado  não  providencia  espontaneamente  o 
cancelamento  das DCOMP  cujos  débitos  foram  posteriormente 
pagos, necessário é o ato de não homologação para desfazer seu 
efeito extintívo evitar eventual alegação de pagamento indevido.  

COBRANÇA.  Descabe  nova  cobrança  de  débitos  que,  embora 
objeto de DCOMP não­homologada,  já  se  encontram pagos ou 
foram  objeto  de  representação  para  cobrança  em  razão  de 
procedimento fiscal anterior.  

MULTA  ISOLADA.  CABIMENTO.  O  pagamento  posterior  dos 
débitos  compensados  não  afasta  a  multa  isolada  por 
compensação indevida, na medida em que ela decorre do efeito 
extintivo  das  DCOMP,  e  visa  coibir  seu  uso  em  hipóteses 
distintas daquelas  autorizadas  na  lei, mormente  se  vinculada a 
créditos  inexistentes  de  natureza  tributária  e  com  inserção  de 
elementos falsos.  

MULTA DE OFÍCIO POR COMPENSAÇÃO  INDEVIDA COM 
EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. ATOS PRATICADOS POR 
TERCEIROS.  Imprópria  é  a  alegação  de  culpa  in  eligendo  da 
assessoria  contratada,  se  inexiste  qualquer  evidência  de  que  o 
procedimento questionado tenha sido promovido por terceiros.  

MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE EFEITO 
CONFISCATÓRIO.  OFENSA  AOS  PRINCÍPIOS  DA 
RAZOABILIDADE  E  PROPORCIONALIDADE. 
INCONSTITUCIONALIDADE.  A  apreciação  de  considerações 
acerca da graduação da penalidade, definida objetivamente em 
lei, não compete à autoridade administrativa, mas sim ao Poder 
Judiciário. 

COBRANÇA  DOS  DÉBITOS  COMPENSADOS. 
COEXISTÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA E MULTA 

Fl. 644DF  CARF MF

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 638 

 
 

 
 

15

MORA. A multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº e 10.833, 
de  2003,  é  penalidade  nova,  aplicável  sobre  o  valor  total  do 
débito indevidamente compensado nos casos de abuso de forma 
e/ou  fraude no uso da DCOMP como meio extintivo do crédito 
tributário.  Assim,  não  se  caracteriza  como  acréscimo  do 
principal não recolhido e coexiste com eventual exigência deste 
acrescido de multa de mora ou de ofício.  

Lançamento Procedente. 

Vale mencionar  que,  ao  longo  do  voto  condutor  do  julgado  acima,  a  DRJ 
reconheceu  que  os  débitos  que  constavam  na  DCOMP  nº  13710.48934.110405.1.3.04­0843 
(cuja  manifestação  de  inconformidade  fora  apresentada  nos  autos  do  PTA  nº 
10830.001321/2006­14,  apenso  a  este  processo  quando  da  análise  pela  SRJ)  já  haviam  sido 
objeto de compensação anterior e integralmente pagos pelo contribuinte nos autos dos PTAs nº 
10166.000251/2005­78 e 10830.001497/2007­49.  

Entendeu,  assim,  que  nova  cobrança  dos  mesmos  débitos,  dessa  vez 
consubstanciada no PTA nº 10830.001321/2006­14 (destinado à cobrança dos débitos relativos 
a  não  homologação  das  compensações  formalizadas  em  DCOMPs  n°s 
13710.48934.110405.1.3.04­0843  e  36921.01195.150405.1.3.04­6080)  caracterizaria  a 
duplicidade  na  exigência  dos  mesmos  débitos  relacionados  à  DCOMPs  n° 
13710.48934.110405.1.3.04­0843.  

Com  relação  à  multa  isolada,  o  seu  lançamento  foi  realizado  em  Auto  de 
Infração próprio, consubstanciado no presente PTA 10830.005020/2008­13. 

No  entendimento  da DRJ,  embora  tenha  considerado  válido  e  necessário  o 
ato  de  não  homologação  da  DCOMP  n°  13710.48934.110405.1.3.04­0843,  decidiu  que  não 
deveria prosseguir  a cobrança dos débitos  a ela  correspondentes,  já que  foram  integralmente 
pagos,  conforme acima noticiado.  Já com  relação à DCOMP nº 36921.01195.150405.1.3.04­
6080,  como  não  foram  comprovados  os  pagamentos  dos  débitos  nela  compensados,  não 
havendo qualquer relação com a aqueles cobrados em procedimentos anteriores, entendeu que 
não seria a mesma situação da outra DCOMP (n° 13710.48934.110405.1.3.04­0843). Por esse 
motivo, manteve integralmente a cobrança dos débitos daquela DCOMP. 

No  que  diz  respeito  à  multa  isolada  lançada  nos  presentes  autos  (PTA  nº 
10830.005020/2008­13), exigida em sua modalidade agravada (150%), a DRJ houve por bem 
manter  integralmente  o  seu  lançamento  ao  fundamento  de  que,  apesar  de  as  compensações 
realizadas em duplicidade envolverem os mesmos débitos, elas se valeram de créditos distintos, 
submetendo  o  infrator  a  tantas  punições  quantas  forem  as  condutas  praticadas  em 
inobservância  de  norma,  reunindo  as  características  necessárias  para  a  aplicação  da  multa 
isolada pela não homologação da  compensação. Manteve,  ainda,  a penalidade  em sua  forma 
qualificada e, para tanto, justificou ser: 

“indubitável que a inserção de informações cujas características 
não estão de acordo com a  legalidade que ampararia o direito 
de compensação de créditos junto ao Fisco tipifica a conduta do 
agente que deliberadamente  inseriu a  informação com o  fim de 
ser  eximir  de  recolhimento  de  tributos.  Da  inserção  de  dados 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



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relativos  a  créditos  inexistentes,  ou  ente  diverso  da  fazenda 
pública  federal,  ou  que  seja  de  natureza  não­tributária, 
depreende­se  que,  regra  geral,  a  conduta  não  foi,  em  tese, 
culposa, mas  sim dolosa. No mínimo,  ocorreu  o  dolo  eventual, 
pois  o  agente  vislumbrou  o  resultado  (extinção  do  crédito 
tributário) e o assumiu, no esteio de que o último risco seria a 
simples não­homologação da compensação.” (fl. 570) 

Regularmente  intimado do  acórdão  acima,  a Recorrente  interpôs  o Recurso 
Voluntário  de  fls.  594/620,  informando  que  o  saldo  remanescente  do  PTA  nº 
10830.001321/2006­14  será  devidamente  quitado,  tendo  em  vista  a  sua  inclusão  no 
Parcelamento nº 18043.000091/2009­99. Não é, portanto, objeto de discussão no presente 
recurso. A matéria em debate limita­se a discutir a cobrança da multa isolada, bem como o seu 
enquadramento na modalidade qualificada (150%).  

Depois de interposto o recurso voluntário supramencionado, foi certificado à 
fl.  621  que  apenas  o  presente  processo  (PTA  10830.005020/2008­13)  foi  encaminhado  à 
ARF/Sumaré  para  continuidade,  já  que  o  processo  apenso  10830.001321/2006­14  foi 
parcelado.  Na  sequência,  certificou­se  à  fl.  622  que,  em  21/06/2010,  o  PTA  nº 
108300013212006­14 foi desapensado do PTA n° 10830.005020/2008­13.  

Desse modo, apenas o Recurso Voluntário discutindo a multa isolada é objeto 
de análise por este Conselho.  

Recebido o feito para apreciação, passo a analisá­lo.  

 

É o relatório. 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 639 

 
 

 
 

17

 

Voto            

Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira  

O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo 
conhecimento. 

Da leitura do Auto de Infração, verifica­se à fl. 35 que o enquadramento legal 
da multa isolada em razão da não homologação da compensação foi embasado no art. 18 da Lei 
10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.051/04. Confira­se:  

001  ­  MULTA  ISOLADA  ­  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA 
COMPENSAÇÃO  INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO 
PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO 

O  contribuinte  efetuou  compensação  indevida  de  valores  em 
declaração  prestada,  conforme  Termo  de  Verificação  Fiscal, 
parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. 

Data         Valor Multa Regulamentar 

30/04/2005        R$ 10.702.357,98 

30/04/2005        R$ 2.315.255,74 

ENQUADRAMENTO LEGAL 

Art.  18  da  Lei  n°  10.833/03,  com  redação  dada  pela  Lei  n° 
11.051/04. 

A  aplicação  da  multa  isolada  sobre  o  débito  objeto  de  compensação  não 
homologada tem embasamento legal no art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, 
que, em sua redação original, assim dispunha: 

Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida 
Provisória n° 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­se­á à 
imposição  de  multa  isolada  sobre  as  diferenças  apuradas 
decorrentes de compensação indevida e aplicar­se­á unicamente 
nas  hipóteses  de  o  crédito  ou  o  débito  não  ser  passível  de 
compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de 
natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática 
das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de 
novembro de 1964. 

§  1º  Nas  hipóteses  de  que  trata  o  caput,  aplica­se  ao  débito 
indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 
da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996. 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  18

§  2º  A multa  isolada  a  que  se  refere  o  caput  é  a  prevista  nos 
incisos  I  e  II  ou  no  §  2º  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de 
dezembro de 1996, conforme o caso. 

§  3º Ocorrendo manifestação  de  inconformidade  contra a  não­
homologação  da  compensação  e  impugnação  quanto  ao 
lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão 
reunidas  em  um  único  processo  para  serem  decididas 
simultaneamente. 

No ano seguinte, o citado art. 18 da Lei nº 10.833/2003 foi modificado pela 
Lei  n°  11.051,  de 27  de  dezembro  de 2004,  que  alterou  a  redação  do  caput  e  do  §  2°,  bem 
como incluiu o § 4°, o qual passou a tratar da incidência da multa isolada para os casos em que 
a compensação for considerada não declarada,  restringindo expressamente a aplicação dessa 
penalidade  às  hipóteses  enquadradas  no  II  do  §  12  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de 
dezembro de 1996. Confira­se: 

Art.  25.  Os  arts.  10,  18,  51  e  58  da  Lei  nº  10.833,  de  29  de 
dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: 

"(...) Art. 18. O  lançamento de ofício de que  trata o art.  90 da 
Medida Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­
se­á  à  imposição  de  multa  isolada  em  razão  da  não­
homologação  de  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo 
nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações 
previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 
1964. 

§  2º  A multa  isolada  a  que  se  refere  o  caput  deste  artigo  será 
aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º 
do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme 
o  caso,  e  terá  como  base  de  cálculo  o  valor  total  do  débito 
indevidamente compensado. 

............................................................................ 

§ 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada 
quando  a  compensação  for  considerada  não  declarada  nas 
hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de 
dezembro de 1996." (NR) 

A  Lei  nº  11.196,  de  21  de  novembro  de  2005,  por  sua  vez,  ao  alterar  a 
redação do citado § 4° do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, o fez apenas para definir que a multa 
será aplicada sobre o  total do débito  indevidamente compensado, quando a compensação  for 
considerada não declarada,  bem como para  estabelecer os percentuais que  seriam aplicados 
para  cada  situação,  inclusive  os  casos  de  qualificação  da  multa.  Não  realizou,  entretanto, 
nenhuma  alteração  em  relação  à  estrita  incidência  da  referida  multa  isolada,  que  deve  ser 
aplicada somente se verificada as hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 
27 de dezembro de 1996. Para que não restem dúvidas, veja a redação abaixo: 

Art. 117. O art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, 
passa a vigorar com a seguinte redação: 

"Art. 18. ........................................................................................ 

........................................................................................ 

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 640 

 
 

 
 

19

§ 4º  Será  também exigida multa  isolada  sobre  o  valor  total  do 
débito  indevidamente  compensado,  quando  a  compensação  for 
considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do 
art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando­se 
os percentuais previstos: 

I  ­  no  inciso  I  do  caput  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de 
dezembro de 1996; 

II  ­  no  inciso  II  do  caput do  art.  44  da Lei  nº  9.430,  de  27  de 
dezembro  de  1996,  nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude, 
definidos  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502,  de  30  de 
novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades 
administrativas ou criminais cabíveis. 

§ 5º Aplica­se o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 
de  dezembro  de  1996,  às  hipóteses  previstas  no  §  4º  deste 
artigo." (NR) 

Novamente a redação do art. 18 foi modificada, agora pela Lei n° 11.488, de 
15 de junho de 2007, que atribuiu nova redação ao caput do art. 18, bem como aos parágrafos, 
2º, 4º e 5º, definindo a redação atualmente em vigor. Todavia, manteve a mesma restrição de 
que  a  multa  isolada  será  aplicada  apenas  quando  “a  compensação  for  considerada  não 
declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 
1996”: 

Art. 18.  Os arts. 3º e 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 
2003, passam a vigorar com a seguinte redação: 

(...) "Art. 18.  O lançamento de ofício de que  trata o art. 90 da 
Medida Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­
se­á  à  imposição  de  multa  isolada  em  razão  de  não­
homologação da compensação quando se comprove falsidade da 
declaração apresentada pelo sujeito passivo. 

...........................................................................  

§  2º  A multa  isolada  a  que  se  refere  o  caput  deste  artigo  será 
aplicada no percentual previsto no  inciso I do caput do art. 44 
da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, 
e  terá  como  base  de  cálculo  o  valor  total  do  débito 
indevidamente compensado. 

...........................................................................  

§  4º  Será  também exigida multa  isolada  sobre  o  valor  total  do 
débito  indevidamente  compensado  quando  a  compensação  for 
considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do 
art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando­se 
o percentual previsto no  inciso  I  do  caput do art.  44 da Lei nº 
9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 
1º, quando for o caso. 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  20

§ 5º Aplica­se o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 
de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste 
artigo." (NR) 

Feitas  essas  considerações  iniciais  acerca  da  multa  isolada  prevista  para 
compensação  não  homologada  e  compensação  não  declarada,  passa­se  a  delimitar  o  campo  de 
aplicação das penalidades impostas pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003, bem como analisar se o caso em 
tela é passível de ser considerado uma compensação não homologada ou não declarada. 

Inicialmente,  é  importante  salientar  que  pedido  de  compensação  é  causa 
extintiva do crédito tributário, sob condição resolutória, nos termos do art. 156,  inciso  II, do 
CTN e o art. 74, § 2o, da Lei nº 9.430/96. 

Nos dizeres de Paulo de Barros Carvalho, no seu  livro “Direito Tributário, 
linguagem  e  método”,  4ª  edição,  “na  compensação  tributária  são  dissolvidas, 
simultaneamente,  essas  duas  relações:  (i)  de  crédito  tributário  e  (ii)  de  débito  do  Fisco. 
Direitos e deveres funcionam como vetores de mesma intensidade e direção, mas de sentidos 
opostos  que  se  anulam.  A  compensação  é  forma  extintiva  das  obrigações  em  geral, 
encontrando fundamento de validade no art. 368 do Código Civil: ‘Se duas pessoas forem ao 
mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações se extinguem, até onde se 
compensarem’. No que concerne à obrigação do tributo, o Código Tributário Nacional acolhe 
o  instituto,  desde  que,  em  homenagem  ao  princípio  da  indisponibilidade  dos  bens  públicos, 
seja autorizado em lei.” 

De acordo com o § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 
“a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob 
condição resolutória de sua ulterior homologação.”  

O  efeito  de  extinção  do  crédito,  pela  compensação,  opera­se  de  imediato, 
portanto, a partir da entrega da declaração na qual constarão informações relativas aos créditos 
utilizados e aos respectivos débitos compensados. Contudo, somente irá vigorar enquanto não 
haja despacho decisório indeferindo o pedido de compensação.  

Essa  é  a  condição  resolutória  e  está  relacionada  ao  prazo  de  cinco  de  que 
dispõe a Administração Pública para verificar a  regularidade do ato e homologá­lo. Caso ela 
não  se  manifeste  durante  o  prazo  acima  assinalado,  a  compensação  será  tacitamente 
homologada, permanecendo o crédito extinto. Caso ela  se manifeste  indeferindo o pedido de 
compensação, o crédito tributário será exigido.  

Ou seja, a implementação da condição poderá desfazer o ato jurídico perfeito 
que  resultou na extinção do crédito  tributário e,  assim, este passará  a ser novamente  exigido 
com todos os encargos cabíveis. 

A extinção do crédito tributário é, portanto, condicional, ocorrendo em razão 
da  apresentação  de  declaração  de  compensação  e  deixando  de  existir  em  função  da 
implementação de condição resolutória, qual seja, a sua não­homologação pelo Fisco. 

É  o  mesmo  raciocínio  aplicado  para  o  pagamento  antecipado  dos 
lançamentos por homologação (art. 150, § 4º do CTN). Nessa hipótese, a extinção do crédito 
ocorre na data do pagamento antecipado. Entretanto, por ser uma condição resolutória, caso a 
administração  tributária,  em  posterior  procedimento  de  fiscalização,  venha  a  apurar  que  o 
sujeito  passivo  não  efetuou  o  pagamento  adequadamente,  cuidará  de  adotar  todas  as 
providências  necessárias  para  exigir  os  valores  que  deixaram  de  ser  pagos,  acrescidos  das 
penalidades cabíveis.  

Fl. 650DF  CARF MF

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 641 

 
 

 
 

21

A  lógica  é  tão  semelhante  que,  durante  o  período  em  que  o  pedido  de 
compensação estiver pendente de análise, os débitos informados na DCOMP são tratados como 
inexistentes pelo sistema da RFB, que permite, inclusive, a renovação de certidão negativa de 
débitos.  

Tendo­se  em  vista  que  a  compensação  extingue  o  débito,  resta  impossível 
apresentar novo pedido de compensação quanto o débito encontra­se extinto. 

É pressuposto básico do pedido de compensação a existência do débito a ser 
compensado. A este respeito, confira­se a opinião de Sacha Calmon1: 

A compensação pode ser legal, jurídica ou voluntária. 

A  compensação  legal  é  feita  nos  termos  da  lei,  ipso  jure.  É  o 
caso  da  compensação  fiscal  porque  o  tributo  é  ex  lege, 
indisponível  pelo  Estado­Administração.  A  compensação  é 
voluntária quando resulta de convenção entre as partes. Dela se 
diz  que  é  judicial  quando  a  dívida  se  faz  líquida  e  certa  por 
decisão judicial. 

São pressupostos da compensação legal: 

a)  Duas dívidas que sejam recíprocas; 

b)  Fungíveis; e  

c)  Exigíveis. 

É dizer: não há como existir a compensação legal (que é a compensação ora 
analisada) diante da inexistência do débito a ser compensado. Assim, como a Recorrente havia 
apresentado  declaração  de  compensação  anterior,  cujo  efeito  foi  extinguir  os  débitos,  a 
declaração  de  compensação  posterior  visando  extinguir  os  mesmos  débitos  que  já  se 
encontravam  extintos  não  pode  existir  juridicamente  vez  que  ausente  o  pressuposto  da 
existência do débito a ser compensado. 

Isso porque, a compensação anula, sob condição resolutória, o débito, como 
bem explica o professor Paulo de Barros Carvalho, vez que no quadro da fenomenologia das 
extinções,  a  compensação ocupa o  tópico de modalidade  extintiva  tanto  do direito  subjetivo 
como  do  dever  jurídico,  uma  vez  que  o  crédito  do  sujeito  pretensor,  num  dos  vínculos,  é 
anulado pelo seu débito, no outro, o mesmo se passando com o sujeito devedor. 

A  jurista  Misabel  Abreu  Machado  Derzi2  também  realiza  considerações 
interessantes sobre o instituto da compensação, valendo conferir os seguintes trechos:  

a peculiaridade da compensação no Direito Tributário, realçada 
especialmente nos tributos lançados por homologação, conforme 
modelo adotado pela Lei nº 8.383/91, está exatamente no fato de 
que ela extingue a obrigação sob condição resolutória, como é 

                                                           

1 Curso de Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Forense, p.735. 
2 Direito Tributário Brasileiro. Aliomar Baleeiro. Editora Forense. 11ª Edição. Fl. 903 

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  22

próprio  do    pagamento  antecipado  (art.  150,  §  4º  do CTN).  A 
certeza  e  a  liquidez  serão  apuradas  pelo  sujeito  passivo,  que 
procederá  à  compensação,  ficando  os  atos  assim  praticados 
sujeitos  à  fiscalização  futura  pelo  prazo  de  cinco  anos.  (...)  O 
fenômeno é ordinário. Afinal,  os  impostos  e  contribuições mais 
importantes  do  sistema  tributário  brasileiro  são  sujeitos  a 
lançamento  por  homologação,  em  que  o  sujeito  passivo, 
calculando  e  apurando  o  montante  a  pagar,  antecipa  o 
pagamento, que se sujeita a ato administrativo de homologação 
posterior,  expresso  ou  tácito,  como  condição  resolutória  de 
extinção.  No  ICMS  e  no  IPI,  ordinariamente,  o  contribuinte 
também realiza as compensações inerentes ao princípio da não­
cumulatividade.  Seria  estranho  ao  regime  do  próprio  tributo  e 
mesmo  impraticável  que  o  contribuinte,  que  pagou  o  que  não 
devia, para compensar o seu crédito – como forma de restituição 
do  indébito  –  se  sujeitasse  à  conferência  prévia  pela  Fazenda 
Pública de todos os atos praticados”  

Não  se  trata,  portanto,  de DCOMP não  homologada  ou  não  declarada,  vez 
que a ausência de débito impossibilita a apresentação de DCOMP. Explica­se. 

A  lógica  corrobora  para  impossibilitar  a  existência  de  duas  declarações  de 
compensação sobre o mesmo débito. Em síntese, sobre a matéria envolvendo vários pedidos de 
compensação relativos aos mesmos débitos, três hipóteses distintas são possíveis:  

(i) A segunda DCOMP, com débitos apresentados em DCOMP anterior, 
é  apresentada  quando  a  primeira  DCOMP  ainda  não  foi  analisada:  quando  a  segunda 
DCOMP é apresentada antes do despacho decisório e antes do início do procedimento fiscal, 
ela deve ser  interpretada como retificadora da primeira e esta, por conseqüência, perde o seu 
objeto, dispensando a sua análise. A segunda DCOMP, portanto, substitui a primeira, devendo 
somente aquela ser analisada, já que a primeira deixa de produzir efeitos; 

(ii) A segunda DCOMP, com débitos apresentados em DCOMP anterior, 
é  apresentada  após  o  início  do  procedimento  fiscal,  mas  antes  do  despacho  decisório: 
quando a segunda DCOMP é apresentada antes do despacho decisório, mas depois de iniciado 
o procedimento fiscal (não podendo a primeira ser retificada), ela perde o seu objeto, devendo 
ser  considerada  inexistente,  já  que,  iniciado  o  procedimento  fiscal  o  contribuinte  não  pode 
retificar a primeira declaração, e o débito, antes do despacho não homologatório está extinto, 
podendo, portanto, a segunda DCOMP produzir nenhum efeito sobre aqueles débitos; 

(iii)  A  segunda  DCOMP,  com  débitos  apresentados  em  DCOMP 
anterior, é apresentada após o despacho que não homologa a primeira: havendo despacho 
acerca da não homologação da primeira DCOMP, aplicando­se a multa isolada competente e 
realizando­se a cobrança dos débitos correspondentes, a segunda DCOMP, quando apresentada 
após o referido despacho decisório, deve ser considerada como não declarada (nos termos do 
§3º, V, e §12, do art. 74 da Lei nº 9.430/96),  já que a  legislação não permite a coexistência 
dessas duas declarações sobre os mesmos débitos. 

Aplicando­se os  conceitos  acima ao  caso  em  tela,  é de  se  concluir  que,  em 
relação  aos  débitos  consubstanciados  DCOMP  nº  13710.48934.110405.1.3.04­0843, 
transmitida em 11/04/2005, como já haviam sido objeto de pedidos de compensação anteriores, 
e,  como  confirmado  pela  DRJ,  já  haviam  sido  integralmente  pagos  nos  autos  dos  PTAs  nº 
10166.000251/2005­78  e  10830.001497/2007­49,  a  cobrança  da  multa  isolada  exigida  por 
meio do meio do presente PTA não deve subsistir. Explico­me: 

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 642 

 
 

 
 

23

A DRJ de Campinas teve o cuidado de realizar uma análise muito detalhada 
dos débitos envolvidos, visando justamente evitar a duplicidade na cobrança. Assim, constatou 
que todos os débitos informados na DCOMP nº 13710.48934.110405.1.3.04­0843 haviam sido 
objeto de pedidos de compensação anteriores, sendo que todas as DCOMPs envolvidas foram 
transmitidas  no  período  de  outubro/2004  e  janeiro/2005,  ou  seja,  anteriores  à  DCOMP  ora 
analisada, que, como dito, foi transmitida em abril/2005.  

Ressaltou,  ainda,  que  todos  os  débitos  constantes  da  DCOMP  nº 
13710.48934.110405.1.3.04­0843  já  haviam  sido  cobrados  do  contribuinte  e  por  ele  pagos. 
Veja o trecho abaixo, extraído do acórdão nº 05­23.794, elaborado pela DRJ, fl. 549: 

Conclui­se, desta  forma, a análise dos débitos compensados na 
DCOMP  n°  13710.48935.110405.1.3.04­0843,  evidenciando­se 
que todos os valores ali constantes já haviam sido cobrados do 
contribuinte e por ele pagos. Para maior clareza, o número de 
ordem  atribuído  a  cada  um  dos  débitos  analisados  está 
referenciado  na  cobrança/lançamento  evidenciado  nos  extratos 
dos  processos  administrativos  n°  10166.000251/2005­78  e 
10830.001497/2007­49 (fls. 352/374). Ali, apenas deixam de ser 
consignados os débitos de n° 1, 6 e 29, que embora não constem 
naqueles  autos,  foram  indicados  para  cobrança  na  ordem  de 
intimação do Acórdão DRJ/CPS n° 18.644.  

Apenas  para  que  não  restem  dúvidas  quanto  às  compensações  realizadas, 
convém notar os trechos a seguir, os quais demonstram que todas as DCOMPs mencionadas e 
analisadas  pela  DRJ,  em  relação  à  DCOMPs  n°s  13710.48934.110405.1.3.04­0843,  foram 
transmitidas no período entre 10/2004 e 01/2005. Confira­se:  

1)  Código  0561,  PA  1­10/2004,  valor  original  de  RS 
761.445.08: 

Código 0561, PA 5­10/2004, valor original de R$ 761.445,08 

O contribuinte aponta compensações de: 

R$  761.445,08  na  DCOMP  26981.24560.030105.1.7.57­3878 
(retificadora  da DCOMP 29705.87825.031104.1.3.57­1640); 

R$  942.135,99  (principal  de  R$  761.445,08)  na  DCOMP 
36750.45364.050105.1.3.57­0527; 

(...) Como se vê, o débito de R$ 761.445,08, aqui indicado como 
referente à 1ª semana de outubro/2004, em verdade consta como 
pertinente  à  5  a  semana  de  outubro/2004  na  DCTF  deste 
período.  O  mesmo  se  infere  da  DCOMP  aqui  tratada  (n° 
13710.48935.110405.1.3.04­0843),  na  qual  ele  é  associado  ao 
vencimento  de  04/11/2004,  e  não  06/10/2004,  como  seria 
esperado para débitos da 1ª semana de outubro/2004. 

(...)  Portanto,  uma  vez  procedida  a  cobrança  complementar 
naqueles  autos,  como  determinado  em  razão  do  julgamento, 
descabe repeti­la aqui. 

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2) Código 0561. PA 1­12/2004. valor original de R$ 577.998.86: 

Código 0561, PA 1­12/2004, valor original de RS 615.229,22 

O contribuinte aponta compensações de: 

R$ 615.229,22 na DCOMP 22107.55657.261104.1.3.57­1445; 

R$ 615.229,22 na DCOMP 39819.06004.071204.1.3.57­2423; 

R$  686.778,23  (principal  de  R$  577.998,86)  e  de  R$  1.999,84 
(principal  de  R$  1.683,09)  na  DCOMP  38486.24773.070105. 
1.3.57­0600; e 

R$  42.237,26  (principal  de  R$  35.547,27)  na  DCOMP 
24322.97492.070105.1.3.57­3300. 

(...) Observa­se,  do  exposto,  que  o  débito  de  IRRF,  sob  código 
0561, apurado na 1ª semana de dezembro/2004 seria, em todos 
os documentos apresentados, de R$ 615.229,22. Apenas que este 
valor  foi  decomposto  nas  parcelas  de  R$  577.998,86  e  R$ 
1.999,84  indicadas na DCOMP n° 38486.24773.070105.1.3.57­
0600 e da parcela de R$ 35.547,27 compensada na DCOMP n° 
24322.97492.070105.1.3.57­3300, as quais totalizam também R$ 
615.229,22. Confirma­se, ainda, que a parcela de R$ 615.229,22 
foi  objeto  de  cobrança  no  processo  administrativo  n° 
10166.000251/2005­78.  

Assim, na medida  em que o  débito  de R$ 577.998,86  integra  o 
valor  de  R$615.229,22,  cobrado  naquele  processo 
administrativo, descabe nova exigência. 

3) Código 0561. PA 2­12/2004, valor original de R$ 1.683.09: 

Como  se  vê  acima,  o  valor  de R$  1.683,09  foi  apontado  como 
parcela  integrante  do  débito  de  R$  615.229,22,  apurado  na  1ª 
semana  de  dezembro/2004,  sendo  objeto  de  compensação  na 
DCOMP  n°  38486.24773.070105.1.3.57­0600.  Aqui,  não 
obstante ele tenha sido indicado como referente à 2 a semana de 
dezembro/2004,  seu  vencimento  foi  declarado  como  sendo 
08/12/2004, o mesmo apontado para o débito de R$ 577.998,86. 

Conclui­se, daí, que esta parcela, à semelhança do débito de R$ 
577.998,86, também integra o valor de R$ 615.229,22 cobrado e 
pago  no  processo  administrativo  n°  10166.000251/2005­78, 
devendo ser interrompida esta nova cobrança. 

4  e  5)  Código  0561.  PA  1­12/2004.  valor  original  de  RS 
23.152.85. e Código 0561, PA 2­12/2004. valor original de RS 
112,94: 

(...)Código 0561, PA 2­12/2004, valores originais de R$ 112,94 e 
R$  23.152,85,  informados  na  DCOMP  38486.24773. 
070105.1.3.57­0600,  mas  cobrados,  pelo  valor  total  de  R$ 
23.265,79,  em  razão  da  não­homologação  da  DCOMP 
39228.04322.151204.1.3.57­7088, com implícita admissibilidade 
de  que  o  período  de  apuração  indicado  na  DCOMP 
38486.24773.070105.1.3.57­0600 para o débito R$ 23.152,85 (1­
12/2004) estaria incorreto; 

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 643 

 
 

 
 

25

Aqui,  também,  o  débito  compensado  de  R$  23.152,85  foi 
novamente vinculado à 1ª semana de dezembro/2004, mas tendo 
como data de vencimento 15/12/2004, prevista para a 2ª semana 
de dezembro2004. Daí a evidência de incorreção do período de 
apuração  indicado  na  DCOMP  13710.48935.110405.1.3.04­
0843  e,  conseqüentemente,  da  sua  anterior  cobrança  nos  autos 
do  processo  administrativo  n°  10166.000251/2005­78, 
juntamente  com  a  parcela  de  R$  112,94,  o  que  totaliza  R$ 
23.265,79  no  período  de  2­12/2004  e  impõe  o  afastamento  da 
cobrança renovada nestes autos. 

6) Código 1708, PA 1­10/2004. valor original de RS 11.239.66: 

Código 1708, PA 5­10/2004, valor original de R$ 11.239,66 

O contribuinte aponta compensações de: 

R$ 11.239,66 na DCOMP 26981.24560.030105.1.7.57­3878; 

R$  13.906,82  (principal  de  R$  11.239,66)  na  DCOMP 
36750.45364.050105.1.3.57­0527; e 

R$  13.906,82  (principal  de  R$  11.239,66)  na  DCOMP 
17421.01212.060105.1.3.57­4064. 

(...) Como se vê, o débito de RS 11.239,66, aqui também indicado 
como referente ao código 1708 e à 1ª semana de outubro/2004, 
em  verdade  consta  como  pertinente  à  5ª    semana  de 
outubro/2004  na  DCTF  deste  período,  aspecto  confirmado  no 
processo administrativo n° 10166.000251/2005­78. 

(...)  Portanto,  uma  vez  procedida  a  cobrança  complementar 
naqueles  autos,  como  determinado  em  razão  do  julgamento, 
descabe repeti­la aqui. 

7  e  8)  Código  1708.  PA  2­11/2004.  valor  principal  de  RS 
29.669.72. e Código 1708, PA 1­12/2004. valor original de R$ 
2.930.11: 

À semelhança dos itens 4 e 5, verificou­se nos autos do processo 
administrativo  n°  10166.000251/2005­78  a  duplicidade  de 
débitos  compensados,  dado  que  a  própria  autoridade 
administrativa deixou de cobrar débitos indicados em DCOMPs 
que não foram admitidas: 

[...] A partir destas informações, já de plano pode­se confirmar a 
duplicidade  de  compensações  relativamente  aos  seguintes 
débitos alegados pelo  impugnante  em  seu demonstrativo de  fis. 
285/286: 

[...] Código 1708, PA 2­11/2004, valor original de RS 29.669,72, 
informado  na  DCOMP  24322.97492.070105.1.3.57­3300,  mas 
cobrado  em  razão  da  não­homologação  da  DCOMP 
24408.15721.171104.1.3.57­4925; 

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[...] Código 1708, PA 2­12/2004, valor original de RS 2.930,11, 
informado  na  DCOMP  38486.24773.070105.1.3.57­0600,  mas 
cobrado  em  razão  da  não­homologação  da  DCOMP 
39228.04322.151204.1.3.57­7088, com implícita admissibilidade 
de  que  o  período  de  apuração  indicado  na  DCOMP 
38486.24773.070105.1.3.57­0600 para o débito RS 2.930,11 (1­
12/2004) estaria incorreto; 

Evidente,  portanto,  a  anterior  cobrança  dos  débitos  de  R$ 
29.669,72 e R$ 2.930,11 nos autos do processo administrativo n° 
10166.000251/2005­78,  o  que  impõe  o  afastamento  das 
cobranças renovadas nestes autos. 

9) Código 2172, PA 08/2004, valor original de R$ 10.067,00: 

No Acórdão n° 18.644 esta Relatora verificou a compensação de 
débito  com  estas  características  por  meio  da  DCOMP  n° 
38486.24773.070105.1.3.57­0600,  a  qual  foi  considerada  não­
declarada  e  ensejou  o  lançamento  de  ofício  dos  valores 
correspondentes  nos  autos  do  processo  administrativo  n° 
10830.001497/2007­49,  não  impugnado  e  quitado  pelo 
interessado. 

(...)  Confirma­se,  portanto,  a  alegação  do  impugnante,  nestes 
autos,  de  que  o  referido  débito  foi  objeto  de  compensação 
anterior,  e  também  recolhido,  mas  agora  em  razão  do 
lançamento  de  ofício  formalizado  nos  autos  do  processo 
administrativo  n°  10830.001497/2007­49.  Assim,  não  deve 
prosseguir a cobrança correspondente, aqui promovida. 

10) Código 2172. PA 09/2004. valor original de RS 18.268.50: 

Código 5979, PÁ 2­09/2004, valor original de R$ 28.316,17 

Este código de receita corresponde a retenções da Contribuição 
ao PIS sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de 
direito  privado. No período  em questão,  o  contribuinte  aponta, 
no demonstrativo à fl. 287, compensações de: 

R$ 3.997,36 (principal de R$ 3.958,17), R$ 18.449,36 (principal 
de  R$  18.268,50),  R$  6.149,79  (principal  de  R$  6.089,50)  na 
DCOMP 09370.80623.111004.1.3.57­3903; 

R$  34.616,51  (principal  de  R$  28.316,17)  na  DCOMP 
38948.41809.081204.1.3.57­3800; 

R$  22.603,21  (principal  de  RS  18.268,50),  R$  7.534,53 
(principal  de  R$  6.089,50)  e  de  RS  4.897,43  (principal  de  RS 
3.958,17) na DCOMP 38486.24773.070105.1.3.57­0600. 

Confirma­se,  daí  que,  como  alegado  pelo  impugnante,  a 
COFINS  apurada  em  setembro/2004  no  valor  de R$  18.268,50 
foi objeto de cobrança e pagamento no processo administrativo 
n° 10166.000251/2005­78, razão pela qual descabe a renovação 
desta exigência. 

11.12  e  13)  Código  2172.  PA  10/2004,  valor  original  de  R$ 
34.021,73;  PA  11/2004,  valor  original  de R$  68.405,08;  e  PA 
12/2004, valor original de RS 70.354.78: 

Fl. 656DF  CARF MF

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 644 

 
 

 
 

27

À  semelhança  do  descrito  no  débito  n°  9,  os  valores  em 
referência  também  foram  identificados  como  compensados  na 
DCOMP  n°  38486.24773.070105.1.3.57­0600,  conforme  consta 
no  Acórdão  n°  18.644,  com  o  seu  conseqüente  lançamento  de 
ofício  em  razão  de  ter  sido  considerada  não­declarada  a 
compensação. Os valores assim exigidos nos autos do processo 
administrativo  n°  10830.001497/2007­49  foram  pagos  pelo 
interessado. 

(...)  Confirma­se,  portanto,  a  alegação  do  impugnante,  nestes 
autos, de que os referidos débitos foram objeto de compensação 
anterior,  e  também  recolhidos.  Observe­se,  apenas,  que  todos 
assim o foram em razão do lançamento de ofício formalizado nos 
autos  do  processo  administrativo  n°  10830.001497/2007­49, 
muito embora o recorrente vincule os débitos de R$ 68.405,08 e 
R$  70.354,78  a  recolhimento  decorrente  da  cobrança  efetuada 
nos autos do processo administrativo n° 10166.000251/2005­78. 

Assim,  não  deve  prosseguir  a  cobrança  a  eles  correspondente, 
aqui promovida. 

14 e 15) Código 2362. PA 10/2004. nos valores originais de R$ 
542.152,53 e R$ 263.434,83: 

À  semelhança  dos  itens  4,  5,  7  e  8  verificou­se  nos  autos  do 
processo administrativo n° 10166.000251/2005­78 a duplicidade 
de  débitos  compensados,  dado  que  a  própria  autoridade 
administrativa deixou de cobrar débitos indicados em DCOMPs 
que não foram admitidas: 

[...] A partir destas informações, já de plano pode­se confirmar a 
duplicidade  de  compensações  relativamente  aos  seguintes 
débitos alegados pelo  impugnante  em  seu demonstrativo de  fls. 
285/286: 

[...]  Código  2362,  PA  10/2004,  valores  originais  de  R$ 
263.434,83  e  R$  542.152,53,  informados  na  DCOMP 
24322.97492.070105.1.3.57­3300,  mas  cobrados  em  razão  da 
não­homologação  das  DCOMP  24408.15721.171104.1.3.57­
4925 e 05223.55367.231104.1.3.57­2278;  

Portanto,  também aqui,  a  cobrança  anterior  dos  débitos  de R$ 
542.152,53  e  R$  263.434,83  nos  autos  do  processo 
administrativo  n°  10166.000251/2005­78,  impõe  o  afastamento 
das cobranças renovadas nestes autos. 

16) Código 2372. PA 1/2004. valor original de RS 3.355,67: 

À semelhança do descrito nos débitos n° 9, 11, 12 e 13, o valor 
em  referência  também  foi  identificados  como  compensados  na 
DCOMP  n°  38486.24773.070105.1.3.57­0600,  conforme  consta 
no  Acórdão  n°  18.644,  com  o  seu  conseqüente  lançamento  de 
ofício  em  razão  de  ter  sido  considerada  não­declarada  a 
compensação.  O  valor  assim  exigido  nos  autos  do  processo 

Fl. 657DF  CARF MF

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  28

administrativo  n°  10830.001497/2007­49  foi  pago  pelo 
interessado. 

(...) Confirma­se,  daí,  a  alegação  do  impugnante,  nestes  autos, 
de que tal débito foi objeto de compensação anterior, e também 
recolhido. Portanto, descabe a cobrança a eles correspondente, 
aqui promovida. 

17) Código 2372. PA 3/2004. valor original de R$ 6.089,50: 

Código 5979, PA 2­09/2004, valor original de RS 28.316,17. 

Este código de receita corresponde a retenções da Contribuição 
ao PIS sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de 
direito  privado. No período  em questão,  o  contribuinte  aponta, 
no demonstrativo à fl. 287, compensações de: 

R$ 3.997,36 (principal de R$ 3.958,17), R$ 18.449,36 (principal 
de  R$  18.268,50),  R$  6.149,79  (principal  de  RS  6.089,50)  na 
DCOMP 09370.80623.111004.1.3.57­3903; 

R$  34.616,51  (principal  de  R$  28.316,17)  na  DCOMP 
38948.41809.081204.1.3.57­3800; 

R$  22.603,21  (principal  de  R$  18.268,50),  R$  7.534,53 
(principal  de  R$  6.089,50)  e  de  R$  4.897,43  (principal  de  R$ 
3.958,17) na DCOMP 38486.24773.070105.1.3.57­0600. 

(...)  Confirma­se,  portanto  o  alegado  pelo  impugnante,  no 
sentido de que a CSLL apurada no 3 o trimestre/2004 no valor 
de R$ 6.089,50 foi objeto de cobrança e pagamento no processo 
administrativo  n°  10166.000251/2005­78,  não  devendo 
prosseguir a cobrança nestes autos. 

18. 19. 20 e 211 Código 2372. PA 2/2004. valor original de R$ 
1.085,12;  PA  4/2004.  valor  original  de  R$  22.801,69:  PA 
3/2004,  valor  original  de  R$  11.340,58:  e  PA  2/2004.  valor 
original de R$ 10.203,16: 

À semelhança do descrito nos débitos n° 9, 11, 12, 13 e 16, os 
valores  em  referência  também  foram  identificados  como 
compensados  na DCOMP n°  38486.24773.070105.1.3.57­0600, 
conforme consta no Acórdão n° 18.644, com o seu conseqüente 
lançamento  de  ofício  em  razão  de  ter  sido  considerada  não­
declarada a  compensação. O  valor  assim  exigido  nos  autos  do 
processo administrativo n° 10830.001497/2007­49 foi pago pelo 
interessado. 

(...) Confirma­se,  daí,  a  alegação  do  impugnante,  nestes  autos, 
de  que  tais  débitos  foram  objeto  de  compensação  anterior,  e 
também recolhidos após lançamento de ofício. Portanto, não se 
deve prosseguir, aqui, na cobrança dos mesmos valores. 

22 e 23) Código 2484. PA 10/2004. nos valores originais de R$ 
65.261,60 e R$ 199.974,29: 

À semelhança dos itens 4, 5, 7, 8, 14 e 15 verificou­se nos autos 
do  processo  administrativo  n°  10166.000251/2005­78  a 
duplicidade  de  débitos  compensados,  dado  que  a  própria 

Fl. 658DF  CARF MF

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 645 

 
 

 
 

29

autoridade administrativa deixou de cobrar débitos indicados em 
DCOMPs que não foram admitidas: 

[...] A partir destas informações, já de plano pode­se confirmar a 
duplicidade  de  compensações  relativamente  aos  seguintes 
débitos alegados pelo  impugnante  em  seu demonstrativo de  fls. 
285/286: 

[...]  Código  2484,  PA  10/2004,  valores  originais  de  R$ 
199.974,29  e  R$  65.261,60,  informados  na  DCOMP 
24322.97492.070105.1.3.57­3300,  mas  cobrados  em  razão  da 
não­homologação  das  DCOMP  24408.15721.  171104.1.3.57­
4925 e 05223.55367.231104.1.3.57­2278;  

Assim, a cobrança anterior dos débitos de R$ 199.974,29 e R$ 
65.261,60  nos  autos  do  processo  administrativo  n° 
10166.000251/2005­78,  impede,  aqui,  que  se  prossiga  na 
cobrança dos débitos em referência. 

24)  Código  3208.  PA  1­12/2004.  no  valor  original  de  RS 
3.549,00: 

À semelhança dos itens 4, 5, 7, 8, 14, 15, 22 e 23 verificou­se nos 
autos  do  processo  administrativo  n°  10166.000251/2005­78  a 
duplicidade  de  débitos  compensados,  dado  que  a  própria 
autoridade administrativa deixou de cobrar débitos indicados em 
DCOMPs que não foram admitidas: 

[...] A partir destas informações, já de plano pode­se confirmar a 
duplicidade  de  compensações  relativamente  aos  seguintes 
débitos alegados pelo  impugnante  em  seu demonstrativo de  fls. 
285/286: 

[...] Código 3208, PA 2­12/2004, valor original de RS 3.549,00, 
informado  na  DCOMP  38486.24773.  070105.1.3.57­0600,  mas 
cobrado  em  razão  da  não­homologação  da  DCOMP 
39228.04322.151204.1.3.57­7088, com implícita admissibilidade 
de  que  o  período  de  apuração  indicado  na  DCOMP 
38486.24773. 070105.1.3.57­0600 para o débito RS 3.549,00 (1­
12/2004) estaria incorreto; 

[...] Como se vê, o débito de R$ 3.549,00, sob código 3208,  foi 
objeto de compensações anteriores, muito embora vinculado ao 
período  de  apuração  2­12/2004  na  DCOMP  n° 
38486.24773.070105.1.3.57­0600,  e  cobrado  em  razão  da 
DCOMP  n°  39228.04322.151204.1.3.57­7088,  na  qual  foi 
atribuído  ao  período  de  apuração  1­12/2004,  como  nas 
compensações aqui tratadas. Logo, descabe nova cobrança deste 
valor. 

25  e  26) Código  5706.  PA  2­11/2004  no  valor  original  de RS 
122.117,66; e PA 3­11/2004. no valor original de R$ 33.882,03: 

Código 5706, PA 3­11/2004, valor original de RS 156.000,01 

Fl. 659DF  CARF MF

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  30

O contribuinte aponta compensações de: 

R$ 156.000,01 na DCOMP 05223.55367.231104.1.3.57­2278; e 

R$ 149.569,70  (principal de R$ 122.117,66)  e de R$ 41.498,78 
(principal  de  R$  33.882,03)  na  DCOMP  24322.97492. 
070105.1.3.57­3300. 

Na DCOMP 24322.97492.070105.1.3.57­3300 o valor principal 
de R$ 122.117,66foi informado no PÁ 2­1172004, e a parcela de 
R$  33.882,03  no PA  3­11/2004  (fl.  335  do  processo  apenso  n° 
10166.000251/2005­78).  Já  na  DCOMP 
05223.55367.231104.1.3.57­2278, o débito de R$ 156.000,01 foi 
indicado  para  o  PA  3­11/2004  (fl.  257  do  processo  apenso  n° 
10166.000251/2005­78). 

(...)  Tais  constatações  infirmam  a  indicação  contida  na 
impugnação  (fl.  181),  de  que  os  débitos  de R$  33.882,03  e R$ 
122.117,66  integrariam o valor de R$ 156.000,01 recolhido em 
razão  da  cobrança  promovida  nos  autos  do  processo 
administrativo  n°  10166.000251/2005­78.  Apenas  a  parcela  de 
R$ 33.882,03 foi admitida como integrante do débito sob código 
5706, no período de apuração 3­11/2004. De toda sorte, a outra 
parcela de R$ 122.117,66, que  se  entendeu  relativa ao período 
de  apuração  2­11/2004,  foi  objeto  de  lançamento  de  ofício  n° 
10830.001497/2007­49,  também  pago.  Assim,  descabe 
prosseguir na cobrança de ambos os débitos. 

27) Código 5856. PA 10/2004, valor original de R$ 964.147,68:  

À semelhança do descrito nos débitos n° 9, 11, 12, 13, 16, 18, 19, 
20  e  21,  o  valor  em  referência  também  foi  identificados  como 
compensado  na  DCOMP  n°  38486.24773.070105.1.3.57­0600, 
conforme  consta  no  Acórdão  n°  18.644,  mas  sem  que  isto 
suscitasse  seu  lançamento  de  ofício,  e  sim  a  sua  cobrança  em 
razão  de  ter  sido  considerada  não­declarada  a  compensação, 
possivelmente em  razão de o débito  ter  sido  também declarado 
em DCTF. Tal cobrança acompanhou as demais promovidas no 
processo  administrativo  n°  10166.000251/2005­78  e  foi  paga 
pelo interessado. (...) 

Confirma­se, portanto, a alegação do impugnante, nestes autos, 
de  que  tais  débitos  foram  recolhidos  em  razão  da  cobrança 
promovida  nos  autos  do  processo  administrativo  n° 
10166.000251/2005­78. Assim, não se deve prosseguir, aqui, na 
cobrança dos mesmos valores. 

28)  Código  5856.  PA  11/2004,  no  valor  original  de  RS 
1.638.587,68: 

À semelhança dos itens 4, 5, 7, 8, 14, 15, 22, 23 e 24 verificou­se 
nos autos do processo administrativo n° 10166.000251/2005­78 
a  duplicidade  de  débitos  compensados,  dado  que  a  própria 
autoridade administrativa deixou de cobrar débitos indicados em 
DCOMPs que não foram admitidas: 

[...] A partir destas informações, já de plano pode­se confirmar a 
duplicidade  de  compensações  relativamente  aos  seguintes 

Fl. 660DF  CARF MF

Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

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m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO

NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 646 

 
 

 
 

31

débitos alegados pelo  impugnante  em  seu demonstrativo de  fls. 
285/286: 

[...]  Código  5856,  PA  11/2004,  valor  originai  de  R$ 
1.638.587,68,  informado  nas  DCOMP  38486.24773. 
070105.1.3.57­0600  e  24322.97492.070105.1.3.57­3300,  mas 
cobrado  em  razão  da  não­homologação  da  DCOMP 
39228.04322. 151204.1.3.57­7088; 

[...]  Considerando  que  a  cobrança  acima  referida  foi  paga  no 
processo  administrativo  n°  10166.000251/2005­78,  como 
alegado pelo impugnante, descabe aqui repeti­la. 

29  )  Código  6912.  PA  09/2004.  no  valor  original  de  R$ 
126.141.65: 

Concluída a análise dos valores questionados pelo contribuinte 
no  demonstrativo  de  fls.  285/288,  cumpre  ainda  observar  que, 
dentre os débitos por ele indicados  como declarados em DCTF 
e  compensados,  nota­se  que  o  valor  de  R$  126.141,65 
(atualizado  em  R$  156.075,06  na  DCOMP 
24322.97492.070105.1.3.57­3300),  relativo  ao  período  de 
apuração  de  setembro/2004  e  informado  sob  código  6912,  não 
foi objeto de cobrança. 

(...) Como  se  vê,  à  semelhança dos débitos n° 1  e 6,  embora o 
valor  de R$  126.141,65  não  tenha  sido  cobrando  nos  autos  n° 
10166.000251/2005­78  como acima  relatado,  esta Relatora,  no 
mesmo  Acórdão  n°  18.644,  fez  constar  de  sua  ordem  de 
intimação  o  encaminhamento  à  DRF  jurisdicionante  do 
contribuinte para que: 

“Adote  as  providências  necessárias  relativamente  aos  débitos 
abaixo  indicados  que,  nos  termos  do  voto  deste  julgado,  foram 
indevidamente  compensados,  mas  não  constam  da  carta 
cobrança  de  fls.  521/529  do  processo  apenso  n° 
10166.000251/2005­78: 

Tributo  PA           Valor      DCOMP 

6912         09/2004   126.141,65      24322.97492.070105.1.3.57­3300 

[...]” 

Observe­se,  inclusive,  que  o  impugnante  também  se  reporta  a 
este débito em sua impugnação classificando­o dentre os valores 
que ainda serão objeto de levantamento interno (fl. 179). 

Portanto, uma vez procedida a cobrança complementar naqueles 
autos,  como  determinado  em  razão  do  julgamento,  descabe 
repeti­la aqui. 

30. 31. 32 e 33) Código 6912, PA 08/2004, no valor original de 
RS 2.181.18: PA 10/2004. no valor original de R$ 7.371,37; PA 

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  32

U/2004,  no  valor  original  de  R$  14.821,11:  PA  12/2004.  no 
valor original de R$ 15.243,54: 

À semelhança do descrito nos débitos n° 9,11,12,13,16,18,19, 20, 
21  e  27,  os  valores  em  referência  também  foram  identificados 
como compensados nas DCOMP n° 38486.24773.070105.1.3.57­
0600  e  24322.97492.070105.1.3.57­3300,  conforme  consta  no 
Acórdão n° 18.644, com o seu conseqüente lançamento de ofício 
em  razão  de  terem  sido  consideradas  não­declaradas  as 
compensações.  O  valor  assim  exigido  nos  autos  do  processo 
administrativo  n°  10830.001497/2007­49  foi  pago  pelo 
interessado.(...) 

34) Código 8045. PA 1­10/2004. valor original de R$ 668,33: 

À  semelhança  dos  itens  4,  5,  7,  8,  14,  15,  22,  23,  24  e  28 
verificou­se  nos  autos  do  processo  administrativo  n° 
10166.000251/2005­78  a  duplicidade  de  débitos  compensados, 
dado que a própria autoridade administrativa deixou de cobrar 
débitos indicados em DCOMPs que não foram admitidas: 

[...] A partir destas informações, já de plano pode­se confirmar a 
duplicidade  de  compensações  relativamente  aos  seguintes 
débitos alegados pelo  impugnante  em  seu demonstrativo de  jls. 
285/286: 

[...]  Código  8045,  PA  1­10/2004,  valor  original  de RS  668,33, 
informado  nas  DCOMP  36750A5364.050105.1.3.57­0527  e 
17421.01212.060105A.3.57­4064,  mas  cobrado  em  razão  da 
não­homologação da DCOMP 29705.87825.031104.1.3.57­1640 
(retificada pela DCOMP 26981.24560.030105.1.7.57­3878). 

E, muito  embora  o  impugnante  não  cite  tal  ocorrência  em  seu 
demonstrativo de  fls. 179/181,  tendo em conta o pagamento da 
cobrança  acima  referida,  procedida  nos  autos  do  processo 
administrativo n° 10166.000251/2005­78, descabe aqui  renová­
la. 

Relacionando tudo o que foi dito até o momento com o caso em análise, vê­se 
que  a  DCOMP  n°  13710.48934.110405.1.3.04­0843  foi  transmitida  em  11/04/2005.  Desse 
modo, (i) sendo posterior às demais DCOMPs acima mencionadas (transmitidas entre 10/2004 
a  01/2005)  e  (ii)  tendo  sido  apresentada  antes  do  despacho  decisório  e  antes  do  início  do 
procedimento fiscal que resultou nas cobranças realizadas nos PTAs nº 10166.000251/2005­78 
e  10830.001497/2007­49,  devidamente  pagas  pela  Recorrente,  é  de  se  declarar  indevida  a 
cobrança da multa isolada, já exigida da contribuinte nos autos do PTA nº 10830.006690/2006­
95. 

Isso porque, a DCOMP n° 13710.48934.110405.1.3.04­0843 deveria ter sido 
interpretada  como  retificadora  das  DCOMPs  anteriores,  que  diziam  respeito  aos  mesmos 
débitos.  Ao  analisar  as  DCOMPs  apresentadas  primeiramente  (entre  outubro/2004  e 
janeiro/2005),  não  deveria  a  Autoridade  Fiscal  simplesmente  ter  desprezado  a  existência  da 
DCOMP posterior que,  por versar  sobre os mesmos débitos que  as  anteriores,  evidenciava  a 
necessidade de se promover a substituição das outras declarações, evitando­se a duplicidade de 
pedidos de compensação para os mesmos débitos.  

Inclusive,  a  própria  contribuinte,  ao  constatar  a  duplicidade  de  pedidos  de 
compensação,  pediu  o  cancelamento  da DCOMP n°  13710.48934.110405.1.3.04­0843,  cujos 

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 647 

 
 

 
 

33

débitos  foram quitados nos autos dos PTAs nº 10166.000251/2005­78 e 10830.001497/2007­
49. Contudo, o pedido de cancelamento não  foi acolhido por  ter  sido  formulado no curso da 
ação fiscal. 

Assim, a Autoridade Fiscal desprezou a existência de DCOMP posterior que 
tentava  compensar  débitos  que  constavam  nas  DCOMPs  anteriores  e,  ao  não  homologar  as 
primeiras DCOMPs, exigiu o pagamento do débito acrescido da multa isolada na modalidade 
qualificada. 

O  aspecto  mais  relevante  sobre  a  discussão  deixou  de  ser  analisado:  se  o 
pedido de compensação extingue os débitos sob condição resolutória, é impossível coexistirem 
duas  declarações  sobre  um  mesmo  débito,  já  que  ele  é  extinto  no  momento  da  entrega  da 
declaração de compensação, deixando de existir até ulterior condição resolutória. 

Desse  modo,  não  se  pode  permitir  a  cobrança  de  nova  multa  isolada,  na 
modalidade  qualificada,  pela  não  homologação  de  compensação  que  versava  sobre  débitos 
constantes  de DCOMPs  anteriores,  as  quais  já  foram  não  homologadas  e  a multa  isolada  já 
imposta. 

É juridicamente impossível que os mesmos débitos sejam objeto de pedidos 
de compensação diferentes, haja vista que, ao apresentar o primeiro pedido de compensação, o 
débito  é  extinto  e,  via  de  conseqüência,  não  pode  servir  de  substrato  para  outro  pedido  de 
compensação que verse sobre o mesmo débito, ainda que aborde créditos distintos. 

É  admissível,  entretanto,  a  retificação  da  declaração  de  compensação, 
situação em que a segunda declaração deve substituir a primeira que, por conseqüência, perde o 
seu  objeto,  dispensando  a  sua  análise.  Assim,  somente  a  segunda  DCOMP  deveria  ser 
analisada, de modo que a primeira deixa de produzir efeitos naquilo em que alterado. 

Além disso, não pode prosperar a aplicação de multa por não homologação 
de compensação que sequer existiu, vez que na apresentação da segunda DCOMP, conforme 
explanado  nas  linhas  acima,  inexistia  pressuposto  básico  do  instituto  da  compensação  –  o 
débito  (que  estava  extinto  por  compensação  anterior,  que  ainda  não  havia  sido  não 
homologada). 

Logo,  se  não  é  admitida  a  duplicidade  de  declarações,  muito  menos  é 
admitida a dupla penalidade.  

No entendimento da DRJ, embora tenha decidido que não deveria prosseguir 
a  cobrança  dos  débitos  correspondentes  a  DCOMP  n°  13710.48934.110405.1.3.04­0843, 
manteve a exigência da penalidade nos presentes autos, mesmo sabendo que ela já havia sido 
fixada no PTA nº 10830.006690/2006­95.  

Na verdade, entendo que o procedimento mais adequado seria a aplicação da 
presente  penalidade  apenas  nos  presentes  autos,  haja  vista  que  somente  aqui  foi  analisada  a 
DCOMP  retificadora.  Contudo,  como  a  Recorrente  já  fora  naqueles  autos  (PTA  nº 
10830.006690/2006­95) condenada ao pagamento da multa  isolada pela não homologação do 
pedido de compensação, entendo não incabível repetir a penalidade nos presentes autos. 

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  34

Assim,  afasto  a  exigência  da  multa  isolada  em  relação  à  DCOMP  n° 
13710.48934.110405.1.3.04­0843.  Entretanto,  por  se  tratar  de  situação  absolutamente 
diferente,  mantenho,  pelos  fundamentos  adotados  pela  DRJ,  a  exigência  da multa  isolada  e 
qualificada  em  relação  à  DCOMP  nº  36921.01195.150405.1.3.04­6080,  já  que  não  foram 
comprovadas  compensações  anteriores  e  o  pagamento  dos  débitos  nela  compensados.  Tanto 
que a Recorrente, em seu recurso, informa que irá efetuar o pagamento dos débitos por meio de 
parcelamento.  

Em relação à existência de dolo específico que enseje a aplicação da multa na 
modalidade  qualificada,  entendo  estar  presente  um  conjunto  de  indícios  consistentes  e 
convergentes  no  sentido  da  inverdade  das  informações  apresentadas  nas  DCOMPs,  vez  que 
verifica­se a apresentação de diversas DCOMPs com créditos inexistentes ou indicando como 
créditos processos  administrativos que, na verdade,  tratavam­se de débitos não quitados pela 
contribuinte. 

Por  fim,  quanto  à  argüição  de  inconstitucionalidade  da multa  aplicada  pelo 
Fisco, entendo que este Conselho não deve se manifestar  sobre discussões que versem sobre 
essa matéria, visto que não é  sua  função afastar a aplicação de  leis validamente  inseridas no 
ordenamento jurídico pátrio. 

É como voto. 

(assinado digitalmente) 

Alexandre Antonio Alkmim Teixeira ­ relator 

 

           

 

           

 

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NIO ALKMIM TEIXEIR


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S2­TE01 

Fl. 97 

 
 

 
 

1

96 

S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  11060.720500/2008­39 

Recurso nº  886.481 

Resolução nº  2801­000.130   –  1ª Turma Especial 

Data  10 de julho de 2012 

Assunto  Solicitação de Diligência 

Recorrente  AGRO PASTORIL BARTHOLOMEU CECCIM LTDA. 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o 
julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. 

 
Assinado digitalmente 
Antonio de Pádua Athayde Magalhães ­ Presidente  
 
Assinado digitalmente 
Tânia Mara Paschoalin ­ Relatora 

Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  de  Pádua 
Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros 
Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima e Eivanice Canário da Silva. Ausente, justificadamente, o 
Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. 

RELATÓRIO 

Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  decisão  proferida  pela  1ª 
Turma da DRJ/CGE/MS. 

Por bem descrever os fatos, reproduz­se abaixo o relatório da decisão recorrida: 

“Trata  o  presente  processo  de  Notificação  de  Lançamento  (f.01/05), 
mediante a qual  se  exige a diferença de  Imposto Territorial Rural — 
ITR, Exercício 2004, no  valor  total de R$ 34.871,94, do  imóvel  rural 
inscrito  na  Receita  Federal  sob  o  n°  1.031.028­2,  localizado  no 
município de São Gabriel ­ RS. 

Na descrição dos fatos, o fiscal autuante relata que foi apurada a falta 
de recolhimento do ITR, decorrente de glosa da área declarada como 
de preservação permanente. 

  

Fl. 106DF  CARF MF

Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201

2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI

N



Processo nº 11060.720500/2008­39 
Resolução n.º 2801­000.130  

S2­TE01 
Fl. 98 

 
 

 
 

2

Houve  alteração  do  valor  da  terra  nua,  em  adequação  aos  valores 
constantes  do  SIPT.  Em  conseqüência,  houve  aumento  da  base  de 
cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. 

A  interessada  apresentou  a  impugnação de  f.28/35. Preliminarmente, 
levanta preliminar de nulidade do lançamento. Argumenta que as áreas 
de  preservação  permanente  existem,  de  fato,  no  imóvel,  conforme 
comprovado  em  Laudo.  Alega  que  a  legislação  não  obriga  que  o 
contribuinte  comprove  previamente  o  que  foi  declarado  como  área 
isenta.  Aduz  que  a  maior  parte  do  imóvel  não  pode  ser  explorada 
economicamente. Alega que apresentou o ADA junto ao IBAMA. Anexa 
cópia  de:ADA  protocolado  em  29  de  outubro  de  2007.  Questiona  o 
valor  da  terra  nua  atribuído  no  lançamento,  que  afirma  não 
corresponder às características do imóvel e à realidade de mercado da 
região.  Afirma  que  deve  ser  aceito  o  valor  veiculado  por  Laudo  de 
Avaliação que apresentou. Solicita a realização de perícia.” 

A impugnação  foi  julgada  improcedente,  conforme Acórdão de fls. 71/79, que 
restou assim ementado: 

ÁREAS  ISENTAS.  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE.  RESERVA 
LEGAL. REQUISITOS. 

Por  exigência de Lei,  para  ser  considerada  isenta, a área de  reserva 
legal deve estar averbada na Matricula do imóvel junto ao Cartório de 
Registro  de  Imóveis  e  ser  reconhecida  mediante  Ato  Declaratório 
Ambiental  ­  ADA,  cujo  requerimento  deve  ser  protocolado  dentro  do 
prazo  estipulado.  O  ADA  é  igualmente  exigido  para  a  comprovação 
das áreas de preservação permanente.  

VALOR DA TERRA NUA. 

O valor da  terra nua, apurado pela  fiscalização, em procedimento de 
oficio  nos  termos  do  art.  14  da  Lei  9.393/96,  não  é  passível  de 
alteração,  quando  o  contribuinte  não  apresentar  elementos  de 
convicção que justifiquem reconhecer valor menor. 

Regularmente  cientificada  daquele  Acórdão  em  02/03/2010  (AR  fl.  82),  a 
interessada,  representada  por  seus  advogados  (fl.  36),  interpôs  o  recurso  de  fls.  83/93,  em 
31/03/2010.  Em  sua  defesa,  pretende  seja  considerada  a  área  de  preservação  permanente 
declarada na DITR sob exame,  tendo em vista o Cadastro Técnico Federal,  o Certificado de 
Regularidade e o Recibo do Ato Declaratório Ambiental ­ ADA, relativo ao período de 2001 a 
2007, que foi protocolado em 29 de outubro de 2007, bem como o Laudo Técnico contendo as 
coordenadas dos vértices definidores dos limites do imóvel rural georreferenciadas ao Sistema 
Geodésico Brasileiro e o Memorial Descrito da área em questão. Também aduz, que o Laudo 
Técnico apresentado, apesar de não ter sido realizado de acordo com a NBR 14.653­3, e sim de 
acordo  com  a  NBR  8.799­85,  exibe  uma  tabela  com  mais  de  cinco  valores  de  mercado, 
coletados na data da base de cálculo do  ITR, onde  resta demonstrado vários valores de  terra 
nua (hectares) de propriedades localizadas na mesma região do imóvel rural em questão. 

É o relatório. 

VOTO 

Fl. 107DF  CARF MF

Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO

CÓ
PI

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201

2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI

N



Processo nº 11060.720500/2008­39 
Resolução n.º 2801­000.130  

S2­TE01 
Fl. 99 

 
 

 
 

3

Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. 

O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade, 
portanto merece ser conhecido. 

O lançamento cuida de glosa da Área de Preservação Permanente e alteração do 
Valor da Terra Nua (VTN) declarado. 

Quanto  à  alteração  procedida  pela  fiscalização  do  VTN,  verifica­se  que  não 
constam  dos  autos  as  informações  disponíveis  no  SIPT,  para  o  exercício  em  análise  e  o 
município de localização do imóvel, que foram utilizadas pela autoridade fiscal para proceder o 
arbitramento contestado pela recorrente. 

Dessa  forma,  proponho  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  para  que  a 
autoridade competente anexe aos autos as  informações disponíveis no SIPT, para o exercício 
em análise e o município de localização do imóvel, que embasaram o procedimento fiscal em 
apreço. 

 
Assinado digitalmente 
Tânia Mara Paschoalin 

 

Fl. 108DF  CARF MF

Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201

2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI

N


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    <str name="ementa_s">Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES. DEDUÇÃO.
Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias pagas aos filhos menores ou aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau. Ressalva-se, ainda, a hipótese de sentença judicial expressa determinando o pagamento de alimentos após a maioridade, desde que não resultante de acordo celebrado entre interessados.
Recurso Voluntário Negado
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    <str name="turma_s">Primeira Turma Especial da Segunda Seção</str>
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    <arr name="decisao_txt">
      <str>Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator) e Ewan Teles Aguiar. Designado redator do Voto Vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente na data da formalização da decisão (Ordem de Serviço nº 1, de 08 de março de 2013)
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.

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S2­TE01 

Fl. 149 

 
 

 
 

1

148 

S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  11543.003217/2008­16 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  2801­002.957  –  1ª Turma Especial  

Sessão de  13 de março de 2013 

Matéria  IRPF 

Recorrente  DEO ROZINDO DA SILVA 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF 

Exercício: 2007 

PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES. DEDUÇÃO.  

Somente são dedutíveis da base de  cálculo do  imposto de  renda as pensões 
alimentícias pagas aos filhos menores ou aos filhos maiores de idade quando 
incapacitados  para  o  trabalho  e  sem  meios  de  proverem  a  própria 
subsistência,  ou  até  24  anos  se  estudantes  do  ensino  superior  ou  de  escola 
técnica de segundo grau. Ressalva­se, ainda, a hipótese de sentença  judicial 
expressa determinando o pagamento de alimentos após a maioridade, desde 
que não resultante de acordo celebrado entre interessados. 

Recurso Voluntário Negado 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento 
ao  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  Carlos  César  Quadros  Pierre  (Relator)  e  Ewan  Teles 
Aguiar. Designado redator do Voto Vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. 

Assinado digitalmente 

Tânia  Mara  Paschoalin  ­  Presidente  na  data  da  formalização  da  decisão 
(Ordem de Serviço nº 1, de 08 de março de 2013) 

Assinado digitalmente 

Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Redator Designado 

Assinado digitalmente 

Carlos César Quadros Pierre ­ Relator 

  

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16

Fl. 149DF  CARF MF

Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em

24/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por CARLOS CESAR

QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN




Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 150 

 
 

 
 

2

Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Antonio  de  Pádua 
Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César 
Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. 

Relatório 

Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do 
Brasil  de  Julgamento,  7ª Turma da DRJ/BSB  (Fls.  29),  na  decisão  recorrida,  que  transcrevo 
abaixo: 

Contra  o  contribuinte  em  epígrafe  foi  emitida  Notificação  de 
Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 
13/16),  referente  ao  exercício  2007,  ano­calendário  2006,  que 
lhe  exige  o  recolhimento  do  crédito  tributário  conforme 
demonstrativo abaixo: 

Demonstrativo do Crédito Tributário (em R$) 

Imposto Suplementar (Sujeito à multa de ofício)  6.102,62 

Multa de Ofício (75%)  4.576,96 

Juros de Mora (calculado até o lançamento)  831,17 

Imposto de Renda (sujeito à multa de mora)  0 

Multa de Mora  0 

Juros de Mora (calculado até o lançamento)  0 

Total do crédito tributário apurado  11.510,75 

O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: 

Dedução  Indevida  de  Pensão  Alimentícia  Judicial  –  glosa  de 
dedução de pensão alimentícia judicial, pleiteada indevidamente 
pelo  contribuinte  na  Declaração  do  Imposto  de  Renda  Pessoa 
Física  do  exercício  2007,  ano­calendário  2006.  Valor:  R$ 
33.600,00.  Motivo  da  glosa:  Falta  de  comprovação  do 
pagamento. 

Os enquadramentos legais encontram­se às fls. 14 dos autos. 

O  contribuinte  foi  cientificado  do  Auto  de  Infração  em 
22/07/2008, conforme documento de fls. 17. 

Em  19/08/2008,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  de 
fls.01/09 acompanhada dos documentos de fls. 18/81, afirmando 
que: 

­ Conforme decisão  judicial  anexada aos  autos  (fls.  18/27),  foi 
determinado judicialmente o pagamento de pensão alimentícia à 
sua ex­esposa Janete de Azevedo Rozindo (R$800,00), aos filhos 
Denise  de  Azevedo  Rozindo  (R$1.180,00)  e  Daniel  Azevedo 

Fl. 150DF  CARF MF

Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em

24/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por CARLOS CESAR

QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN



Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 151 

 
 

 
 

3

Rozindo  (R$820,00),  perfazendo  assim  um  total  de  R$2.800,00 
mensais pagos a título de pensão alimentícia. 

­  Conforme  comprovantes  anexados  aos  autos  (fls.28/69)  foi 
efetuado o pagamento anual de 33.600,00 (12 x R$2.800,00). 

­  Que  a  maioridade  não  exonera  o  impugnante  do  dever  de 
prestar  alimentos  a  que  ficou  judicialmente  obrigado  conforme 
decisões judiciais anexados aos autos; 

Passo  adiante,  a  7ª  Turma  da  DRJ/BSB  entendeu  por  bem  julgar  a 
impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: 

DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FILHOS MAIORES DE 
24 ANOS. 

Não há que se admitir a dedução a título de pensão alimentícia 
judicial,  cujo  pagamento  foi  realizado  para  filhos  do 
contribuinte,  os  quais  são  maiores  de  24  anos,  quando  não 
colacionada aos autos documentação hábil capaz de comprovar, 
no caso, a incapacidade dos filhos proverem a própria mantença 
e/ou a incapacidade deles, física ou mental, para o trabalho. 

DEDUÇÃO.  PENSÃO  ALIMENTÍCIA.  COMPROVAÇÃO. 
Restabelece­se a título de pensão alimentícia para a ex­conjuge 
nos valores devidamente comprovados. 

Cientificado  em  23/02/2011  (Fls.  129),  o  Recorrente  interpôs  Recurso 
Voluntário, em 23/03/2011 (fls. 130 a 140), argumentando em síntese: 

(...) 

3.  RAZÕES  PARA  O  ACOLHIMENTO  DO  PRESENTE 
RECURSO VOLUNTÁRIO: 

De forma objetiva, podemos concluir que o cerne da questão ora 
discutida reside na possibilidade de deduzir, da base de cálculo 
do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física,  os  valores  efetivamente 
pagos  a  filhos maiores  de  24  (vinte  e  quatro)  anos  a  título  de 
pensão  alimentícia,  decorrentes  de  acordo  homologado 
judicialmente. 

(...) 

Diante disso, é ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL concluir pela 
falta  de  previsão  legal  para  a  dedução  da  pensão  alimentícia 
paga  pelo  requerente  à  sua  ex­esposa,  já  reconhecida  pela  7a 
Turma  da  DRJ/BSB,  da  mesma  forma  que  a  seus  dois  filhos, 
considerando que tal obrigação decorreu de sentença rigorosa e 
efetivamente cumprida. 

Importa  destacar,  a  fim  de  dissipar  eventuais  dúvidas,  que 
diversamente  do  que  entende  o  colegiado  a  quo,  o  fato  de  os 
beneficiários  possuírem  mais  de  24  (vinte  e  quatro)  anos  em 
nada altera a obrigação do requerente de prestar alimentos, bem 
como o direito de deduzi­los do seu IRPF. 

Fl. 151DF  CARF MF

Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em

24/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por CARLOS CESAR

QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN



Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 152 

 
 

 
 

4

Primeiro  porque,  quanto  à  obrigação  de  prestar  alimentos,  a 
jurisprudência  do  STJ  é  firme  na  orientação  de  que  NÃO  HÁ 
QUE SE FALAR EM EXONERAÇÃO AUTOMÁTICA em razão 
da  superveniência  da  maioridade  ­  ou  de  qualquer  outra 
circunstância  ­  do  beneficiário,  posto  ser  necessário  o 
ajuizamento  de  ação  própria  dando  oportunidade  ao  mesmo 
para demonstrar se continua necessitando da pensão. 

(...) 

Depois  porque,  no  que  tange  ao  direito  de  deduzir  o  valor  da 
pensão  alimentícia  do  IRPF,  não  cabe  à  recorrida  fazer 
qualquer  restrição  (no  caso,  restrição  relativa  à  idade  do 
beneficiário) a fato que o próprio legislador não tratou de fazer, 
sendo certo que, pelo princípio da  legalidade, a Administração 
só  pode/deve  agir  consoante  o  quanto  determinado/autorizado 
em lei. 

(...) 

Dessa sorte, não se pode, de maneira genérica como pretende a 
recorrida, estabelecer limite de idade aos filhos para restringir o 
direito de o recorrente deduzir do seu IRPF a importância paga 
aos mesmos a  título de alimentos. A Lei n° 9.250/1995, no art. 
8o,  II,  "f",  autoriza  a  dedução  do  valor  da  pensão  alimentícia 
"em  face  das  normas  de  Direito  de  Família",  que  não  traz 
qualquer  ressalva  de  idade  para  que  uma  pessoa  seja 
beneficiada  com  alimentos,  bastando,  simplesmente,  que  deles 
necessite  (binômio  necessidade/possibilidade).3  Tal 
circunstância é essencialmerr pessoal e diz respeito somente às 
partes  familiares envolvidas, descabendo qualquer interferência 
do fisco nesse sentido. 

(...) 

Neste  diapasão,  não  assiste  razão  aos  argumentos  postos  no 
Acórdão recorrido a fim de justificar a ilegal recusa do direto a 
dedução  desses  valores  pagos,  uma  vez  que  os  mesmos  foram 
forçosamente  criados  para  justificar  o  injustificável.  Assim 
vislumbramos  que  primeiro  tentaram  interpretar  de  forma 
restrita  a  expressão  "menores"  utilizada  pelo  juiz  quando  da 
homologação  do  acordo  judicial  ­  folha  95  do  Acórdão  03­
¿9.678 ­, senão vejamos: 

"...  utilizando­se  da  expressão  "menor"  e  não  filhos,  dando  o 
entendimento de que a pensão alimentícia será paga enquanto os 
filhos  não  atingirem  a  idade  adulta  conforme  o  direito  de 
família." 

Ora, é patente que a expressão "menores" conota a situação dos 
filhos na época da homologação, e caso o juiz tivesse a intenção 
de delimitar um prazo para pagamento da pensão alimentícia, o 
mesmo o teria feito. 

Depois, buscaram o art. 35 da Lei n° 9.250/1995 para embasar a 
tese de que a pensão alimentícia deve ser analisada sob o prisma 

Fl. 152DF  CARF MF

Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em

24/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por CARLOS CESAR

QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN



Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 153 

 
 

 
 

5

dos  requisitos  necessários  para  a  relação  de  dependência 
disposto  na  legislação  do  imposto  de  renda.  Tamanho absurdo 
cometeram nessa tese, pois o citado artigo, em seu caput, dispõe: 
"Art.  35.  Para  efeito  do  disposto  nos  arts.  4°,  inciso  III.  e  8o, 
inciso  II,  alínea  c,  poderão  ser  considerados  como 
dependentes:"; ou seja, utilizaram­se de um artigo que não trata 
do  ART.  4°.  INCISO  II  (QUE CUIDA DA DEDUTIBILIDADE 
DA  PENSÃO  ALIMENTÍCIA)  para  impor  uma  limitação 
temporal ­ até os 24 (vinte e quatro) anos ­ que não existe. 

Por fim, quanto argumento de que essa dedução seria prejudicial 
erário, e por consequência a sociedade; mais um absurdo, senão 
vejamos. 

A sentença foi proferida em 19.09.1979, obrigando o requerente 
a pagar ­ na época prestações alimentícias da seguinte forma: 

Denise Azevedo Rozindo  15 0RTN/S 

Daniel Azevedo Rozindo  15 ORTN's 

Da sentença já se passaram quase vinte anos, sendo inegável a 
desvalorização da pensão acima ­ calculada com base no ORTN 
­  frente  às  mudanças  de  moeda  e  à  inflação.  Por  isso  a 
jurisprudência  do  STJ  admite  a  correção  da  prestação 
alimentícia por  índice que reflita a  recomposição do  seu poder 
aquisitivo, (...) 

(...) 

No  caso  em  tela,  corrigindo­se  as  prestações  alimentícias  pelo 
INPC/IBGE (vide planilhas em anexo), o valor atualizado devido 
a  título  das  mesmas  chega,  por  mês,  a  R$  1.063,81  (um  mil, 
sessenta e três reais e oitenta e um centavos) para cada filho (15 
ORTN 's para cada). 

Perceba  Excelência,  que  a  quantia  paga  pelo  requerente  aos 
beneficiários dos alimentos, embora prudentemente pautada pelo 
critério  de  suprir  suas  necessidades,  é  muito  menor  do  que  o 
valor  corrigido,  porquanto  não  há  que  se  falar  em  prejuízo  ao 
erário;  pelo  contrário,  pois  a  pensão  alimentícia  ­  e  por 
consequência a dedução no IR ­ poderia ser até maior do que a 
atualmente operada. 

De fato, não se trata de valores aleatoriamente inventados pelo 
requerente,  como  se  estivesse  a  pretender  fraudar  o  Fisco. 
Trata­se, sim, de depósitos efetuados à sua ex­esposa e aos seus 
dois filhos com o claro propósito de dar cumprimento ao acordo 
judicial ­ o destaque em sublinhas feito na jurisprudência acima 
revela  que  o  STJ  se  preocupa  com  essa  questão  ­,  o  qual  foi 
homologado por  sentença não desconstituída  (o que só poderia 
ocorrer com o ajuizamento de ação própria). 

RESSALTA­SE  QUE  A  SENTENÇA  É  ATO  VÁLIDO,  COM 
PLENA  VIGÊNCIA,  E  POR  FAZER  LEI  ENTRE  AS  PARTES, 
AINDA  É  FONTE  DA  OBRIGAÇÃO  DO  REQUERENTE  DE 

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QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN



Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 154 

 
 

 
 

6

PRESTAR ALIMENTOS À SUA EX­ESPOSA E AOS SEUS DOIS 
FILHOS. 

(...) 

Isso  significa  dizer  que:  (i)  se  os  valores  recebidos  a  título  de 
pensão  alimentícia  foram  devidamente  declarados  pelos 
beneficiários,  é  clara  a  ocorrência  de  bis  in  idem,  pois  a 
recorrida  estaria  tributando  em  duplicidade  uma  única  renda; 
(ii)por  outro  lado,  caso  tais  valores  não  tenham  sido 
devidamente  declarados  pelos  beneficiários,  CABE  À 
RECORRIDA  DELES  COBRÁ­LOS,  MAS  NUNCA  DO 
RECORRENTE. 

Vale ressaltar que o requerente cuidou de enviar o "comprovante 
de rendimentos pagos" ­ como de  fato cuida anualmente ­ para 
os beneficiários, confeccionando­o com base no art. 865 da Lei 
n° 8.981/1995, documento pelo qual lhes dá ciência dos valores 
a  eles  pagos  a  título  de  pensão  alimentícia,  justamente  para  o 
correto preenchimento de suas declarações. 

A  verdade  é  que  se  o  pagamento  de  pensão  alimentícia  é 
admitido  como  dedução  numa  ponta,  certo  é  que  se  trata  de 
rendimento  tributável  na  outra  (renda  percebida  pelos 
beneficiários),  não  se afigurando  legítima a  exigência de  IRPF 
do requerente. 

Ao  fim  e  ao  cabo,  o  que  importa  é  que  o  requerente 
EFETIVAMENTE  PAGOU  a  título  de  pensão  alimentícia  ­  a 
seus  dois  filhos  ­  o  valor  de  R$  24.000,00  (vinte  e  quatro  mil 
reais)  no  ano  de  2006,  sendo  a  dedução  de  tal  pagamento 
absolutamente  autorizada  pela  legislação  tributária 
correspondente, não cabendo à recorrida impor qualquer tipo de 
restrição, seja de idade dos beneficiários, seja de valores pagos 
(mesmo  porque  se  viu  que  a  correção  é  admitida  pela 
jurisprudência do STJ), já que a própria lei não a faz. 

Com isso, o que se tem é que o lançamento lavrado em desfavor 
requerente  é  totalmente  descabido  e  destituído  de  juridicidade, 
razão  por  que  deve  ser  anulado,  retornando­se  ao  status  quo 
ante  em  vista  das  corretas  informações  prestadas  em  sua 
Declaração de Ajuste Anual de 2007. 

É o Relatório. 

Voto Vencido 

Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. 

Conheço  do  recurso,  posto  que  tempestivo  e  com  condições  de 
admissibilidade. 

Resta em litígio a glosa da dedução efetuada na base de cálculo do IRPF, no 
período fiscalizado, a título de Pensão Alimentícia Judicial, pagas aos dois filhos do recorrente. 

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Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 155 

 
 

 
 

7

Entendeu  a  autoridade  lançadora  que,  uma  vez  que  o  contribuinte  não 
comprovou os pagamentos da pensão paga a sua ex­esposa e aos  seus dois  filhos,  tal pensão 
não poderia ser aceita para fins de dedução do imposto de renda devido. 

Do  exposto,  se  verifica  que  a  fiscalização  não  questionou,  nestes  casos 
específicos, a adequação do acordo homologado judicialmente as normas do direito de família, 
em especial em razão da idade dos dois filhos do contribuinte. 

Por este motivo, não é o caso de se requerer, no presente momento, a análise 
do caso sob o aspecto da adequação do acordo  judicial as normas do direito de família, ou a 
idade dos filhos; mas sim sob a ótica da adequação dos recibos como meios de prova na forma 
exigida pela fiscalização. 

Dentro deste contexto, buscando suprir a falha apresentada pela fiscalização, 
o contribuinte tratou de apresentar recibos emitidos por sua ex­esposa e por seus dois filhos. 

Por sua vez, a DRJ acatou como prova dos pagamentos os recibos emitidos 
pela  ex­esposa  do  recorrente,  restabelecendo  a  dedução  pertinente; mas  não  restabeleceu  as 
deduções  relativas aos pagamentos de pensão dos  seus dois  filhos  em razão destes contarem 
com mais de 24 anos à época dos fatos. 

Contudo, a DRJ não poderia  inovar o  lançamento, exigindo a comprovação 
de  adequação  da  pensão  as  normas  do  direito  de  família.  Bastando,  para  afastar  as  glosas 
realizadas pela fiscalização, a apresentação de documentos que comprovassem os pagamentos 
realizados. 

Dentro deste quadro, aos  recibos emitidos pelos dois  filhos do contribuinte, 
deve  ser  atribuído  o  mesmo  valor  probante  dado  aos  recibos  emitidos  pela  ex­esposa  do 
contribuinte; que, por sua vez, foram aceitos pela DRJ como prova dos pagamentos,  

Assim, na presente  situação,  entendo que  a documentação apresentada pelo 
recorrente  supre  a  prova  requerida  pela  fiscalização,  e  é  suficiente  para  reverter  as  glosas 
relacionadas a pensão paga aos seus filhos. 

Ante  tudo  acima  exposto  e  o  que  mais  constam  nos  autos,  voto  por  dar 
provimento ao recurso, para restabelecer a dedução do valor de R$19.440,00 declarado a título 
de pensão alimentícia judicial para os dois filhos do recorrente. 

Assinado digitalmente 

Carlos César Quadros Pierre  

Voto Vencedor 

Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado 

Registro, de início, que à época da lavratura da Notificação de Lançamento a 
Autoridade  lançadora  desconhecia  a  idade  dos  alimentandos,  haja  vista  que  os  documentos 
colacionados  aos  autos,  relativos  ao  acordo  homologado  judicialmente,  somente  foram 
apresentados pelo Interessado em sede de impugnação.  

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Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 156 

 
 

 
 

8

Feita esta observação preliminar, oportuno observar que a doutrina brasileira 
identifica,  de  maneira  uniforme,  duas  modalidades  de  obrigações  alimentares  a  que  estão 
sujeitos os pais em relação aos filhos.  

A primeira, decorrente do pátrio poder (atualmente poder familiar), sujeita os 
pais ao dever de sustento, guarda e educação dos filhos durante a menoridade. Seu fundamento 
encontra­se no art. 1.566, IV, do atual Código Civil ­ CC/2002, cujo teor é o seguinte: 

Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: 

 (...) 

IV – Sustento, guarda e educação dos filhos; 

Com a maioridade pode surgir obrigação alimentar dos pais em relação aos 
filhos, porém de natureza diversa, fundada nos arts. 1.694 e 1.695 do CC/2002. Essa obrigação, 
que  deriva  da  relação  de  parentesco,  diz  respeito  aos  filhos  maiores  que  não  estão  em 
condições de prover a sua própria subsistência. 

Não  obstante  ambas  as  modalidades  terem  título  jurídico  radicado 
expressamente no Livro IV do CC/2002, todo ele dedicado ao Direito de Família, não se pode 
emprestar a simplicidade de uma interpretação literal ao art. 4º,  II, da Lei nº 9.250/1995, que 
autoriza a dedução, da base de cálculo do imposto de renda, das importâncias pagas a título de 
pensão alimentícia,  em face das normas do Direito de Família, para permitir que deduções a 
esse título se perpetuem ad aeternum.  

A solução que melhor se coaduna com os princípios informadores do Direito 
Tributário pode ser extraída de uma interpretação sistemática das normas do Direito Civil e dos 
arts. 4, II e 35, III, § 1º, ambos da Lei nº 9.250/1995, assim descritos:  

Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência 
mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: 

 (...) 

II ­ as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face 
das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de 
decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, 
de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a 
que se refere o art. 1.124­A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 
1973  ­  Código  de  Processo  Civil;  (Redação  dada  pela  Lei  nº 
11.727, de 23 de junho de 2008) 

 (...) 

Art. 35.Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso 
II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes: 

 (...) 

III ­ a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de 
qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para 
o trabalho; 

 (...) 

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Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 157 

 
 

 
 

9

§  1º Os  dependentes  a  que  se  referem  os  incisos  III  e  V  deste 
artigo  poderão  ser  assim  considerados  quando maiores  até  24 
anos de  idade,  se ainda estiverem cursando estabelecimento de 
ensino superior ou escola técnica de segundo grau. 

Os dispositivos transcritos, em conjunto com as normas do Direito de Família 
estabelecidas no CC/2002, admitem a interpretação de que as deduções de pensão alimentícia 
da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  devem  se  restringir  aos  valores  pagos  a  esse  título 
durante o período do dever de sustento (até a maioridade), além de casos especialíssimos, como 
o  dos  filhos  maiores  inválidos  e  dos  filhos  maiores  até  24  anos  de  idade  que  estiverem 
cursando o ensino superior ou escola técnica de segundo grau. 

É  que  a  invalidez  não  propicia  a  exoneração  do  encargo  alimentar  pela 
aquisição da maioridade, eis que a necessidade de recebimento dos alimentos não deriva, neste 
caso, da  faixa etária, mas sim do estado precário de saúde do alimentando. Por outro  lado, a 
dedução  de  pensão  alimentícia  paga  a  filhos  estudantes  maiores,  de  até  24  anos  de  idade, 
justifica­se pelo dever de  educação dos  filhos,  imanente  ao poder  familiar,  sem o  condão de 
transmudar o dever de sustento em obrigação alimentar perpétua.  

Nessa  linha  de  raciocínio,  somente  são  dedutíveis  da  base  de  cálculo  do 
imposto de renda  as pensões alimentícias pagas  aos  filhos menores ou aos  filhos maiores de 
idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou 
até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau. Ressalva­se, 
ainda, a hipótese de sentença judicial expressa determinando o pagamento de alimentos após a 
maioridade, desde que não resultante de acordo celebrado entre interessados. 

Assim,  deve  ser  mantida  a  glosa  de  pensão  alimentícia  relativa  aos  filhos 
Daniel e Denise, que contavam, no ano­calendário de 2006, respectivamente, com 34 e 37 anos 
de idade, haja vista não haver comprovação da incapacidade, de ambos, para o trabalho.  

Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. 

Assinado digitalmente 

Marcelo Vasconcelos de Almeida 

 

  

           

 

 

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QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN


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S2­C2T2 

Fl. 83 

 
 

 
 

1

82 

S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10980.009571/2004­17 

Recurso nº  915.078 

Resolução nº  2202­00.256  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 

Data  10 de julho de 2012 

Assunto  Omissão de rendimentos. 

Recorrente  PAULO ROBERTO DE FREITAS PAULINO 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o 
julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. 

 

(Assinado digitalmente) 

Nelson Mallmann ­ Presidente.  

 

(Assinado digitalmente) 

Rafael Pandolfo ­ Relator. 

 

Participaram do  julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão 
Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira 
Toscano,  Rafael  Pandolfo  e  Nelson Mallmann.  Ausentes,  justificadamente,  os  Conselheiros 
Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes.  

  

Fl. 83DF  CARF MF

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NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO



Processo nº 10980.009571/2004­17 
Resolução n.º 2202­00.256 

S2­C2T2 
Fl. 84 

   
 

 
 

2

Relatório 

1  Pedido de Restituição 

O  recorrente  efetuou  pedido  de  restituição  de multa  de mora  (fls.  04­10),  que 
considerava ter pagado erroneamente por ocasião do recolhimento do tributo antes do início do 
procedimento  de  fiscalização.  Como  a  confissão  e  o  pagamento  do  tributo  devido  antes  do 
procedimento de fiscalização implica a aplicação do art. 138 do CTN, o recorrente afirma que a 
denúncia espontânea importaria a exclusão da multa de mora. 

O pedido de restituição foi indeferido por despacho decisório (fls. 29­30), sob o 
argumento de que a exclusão da responsabilidade prevista no art. 138 do CTN abarca apenas as 
multas  punitivas  do  lançamento  de  ofício.  Por  este motivo,  a multa  de mora  recolhida  seria 
devida. Ainda, o despacho decretou a decadência do direito de restituir os valores anteriores a 
30/04/1999, vez que o prazo decadencial para a restituição de quantias pagas indevidamente é 
de cinco anos. 

2  Manifestação de Inconformidade 

O recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 33­42), arguindo 
o seguinte: 

a)  o  prazo  decadencial  para  a  restituição  de  indébito  é  de  10  anos  (5  anos 
contados  da  homologação  do  lançamento,  que  ocorre  5  anos  após  o  fato 
gerador); 

b)  o art. 138 do CTN traz norma que incentiva o contribuinte a reconhecer sua 
irregularidade e resolver as pendências com o fisco, e abarca todos os tipos 
de multas relativas ao crédito tributário, inclusive a de mora; 

c)  os valores identificados como não recolhidos pelo despacho decisório foram 
efetivamente  pagos,  motivo  pelo  qual  colaciona  DARF’s  (fls.  43­47  do 
processo). 

3  Acórdão da DRJ 

A  1ª  Turma  da DRJ  de  Curitiba  acordou  (fls.  53­64),  por  unanimidade,  pelo 
reconhecimento da decadência do direito à restituição dos pagamentos efetuados nos períodos 
de  25/08/94  a  30/04/99,  e  pelo  descabimento  da  restituição  das  parcelas  recolhidas  entre 
30/04/99 a 29/05/02, vez que o pagamento seria devido. 

a)  de acordo com a doutrina e a jurisprudência mais avalizada, a decadência do 
direito do contribuinte de restituir o indébito tributário é de cinco anos após 
o pagamento; 

b)  o  art.  138  do CTN exclui  as multas  de  caráter  punitivo,  não  as  de  caráter 
indenizatório,  como  a  multa  de  mora  cuja  restituição  é  requisitada  pelo 
contribuinte. A multa moratória tem a finalidade de coibir o descumprimento 
dos  prazos  legais,  de modo  que  seria  contraditório  excluir  a  sua  aplicação 
àquele que paga fora do prazo; 

4  Recurso Voluntário 

Não  satisfeito  com  o  julgamento  da  DRJ,  o  recorrente  interpôs  recurso 
voluntário, reiterando os argumentos alinhados na impugnação, acrescentando que: 

Fl. 84DF  CARF MF

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Processo nº 10980.009571/2004­17 
Resolução n.º 2202­00.256 

S2­C2T2 
Fl. 85 

   
 

 
 

3

a)  existe  jurisprudência do STJ no sentido de que as situações ocorridas antes 
do  advento  da  Lei  Complementar  nº  118/05  terão  respeitada  a  regra  de 
prescrição  do  5+5,  desde  que  este  prazo  não  ultrapasse  5  anos  a  partir  da 
vigência da Lei; 

b)  se é penalidade, é punitiva, e enseja a aplicação do art. 138 do CTN, seja ela 
de  mora  ou  de  ofício.  A  parcela  indenizatória  corresponde  aos  juros 
aplicados.  Tal  entendimento  é  corroborado  pela  melhor  doutrina  e  pela 
jurisprudência da CSRF. 

É o relatório. 

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Processo nº 10980.009571/2004­17 
Resolução n.º 2202­00.256 

S2­C2T2 
Fl. 86 

   
 

 
 

4

Voto 

 

Conselheiro Relator Rafael Pandolfo 

O recurso atende aos requisitos legais do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual 
merece ser conhecido. 

A matéria de fundo, tratada no presente recurso, diz respeito à configuração de 
denúncia  espontânea  entabulada  no  art.  138  do  CTN  e  suas  consequências,  notadamente,  a 
exclusão de multa moratória.  

Após  amplo  debate  doutrinário  e  jurisprudencial,  consolidou­se,  no  STJ,  o 
entendimento  de  que  a  não  incidência  de  multa  depende  do  momento  em  que  ocorre  o 
pagamento  total  do  crédito  tributário,  se  antes  ou  depois  da  constituição  da  relação  jurídica 
tributária  pela  Fazenda  (lançamento  de  ofício)  ou  pelo  contribuinte  (autolançamento).  A 
ementa abaixo reproduzida (REsp 1.062.139) retrata esse contexto: 

DIREITO  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  DENÚNCIA 
ESPONTÂNEA.  CONFIGURAÇÃO.  EXCLUSÃO  DA  MULTA 
MORATÓRIA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 

1.  A  Primeira  Seção  do  STJ,  no  julgamento  dos  recursos  repetitivos 
REsp  n.  962.379  e  REsp  886.462,  reafirmou  o  entendimento  já 
assentado  pela  Corte  no  sentido  de  que  não  existe  denúncia 
espontânea  quando  o  pagamento  se  referir  a  tributos  já  noticiados 
pelo  contribuinte  por  meio  de  Declaração  de  Débitos  e  Créditos 
Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do 
ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei e 
pagos  a  destempo.  Considera­se  que,  nessas  hipóteses,  a  simples 
declaração  é  apta  a  constituir  o  crédito  tributário,  sendo 
desnecessário,  para  tanto,  o  lançamento,  de modo  que,  constituído  o 
crédito tributário, o seu recolhimento a destempo, ainda que pelo valor 
integral, não enseja o benefício do art. 138 do CTN. 

2. Contudo,  in  casu,  o  acórdão  recorrido,  com  fundamento  na  prova 
dos  autos,  concluiu  pela  configuração  da  denúncia  espontânea, 
porquanto  não  vislumbrou  indício  algum  de  que  "realmente  tenha 
havido  declaração  dos  tributos  anteriormente  ao  pagamento"  ou  de 
que o débito fora objeto de parcelamento. 

3. Conclusão baseada em permissa fática cuja revisão é vedada a esta 
Corte por força do óbice da Súmula 7/STJ. 

4. Assim, não havendo comprovação da ocorrência de parcelamento ou 
prévia  declaração  pelo  contribuinte,  configura­se  a  denúncia 
espontânea, mesmo em se tratando de tributo sujeito a lançamento por 
homologação,  em  razão  da  confissão  da  dívida  acompanhada  de  seu 
pagamento integral ter ocorrido em momento anterior a qualquer ação 
fiscalizatória ou processo administrativo. 

5.  No  que  tange  à  natureza  da multa  cujo  perdão  está  previsto  no 
artigo 138 do CTN, a jurisprudência desta Corte já assentou que, não 
havendo,  no  dispositivo  legal,  nenhuma  distinção  entre  multa 
punitiva  e  moratória,  ambas  devem  ser  excluídas  quando  do 
reconhecimento da denúncia espontânea. Precedentes. 

6. Recurso especial não­provido. 

Fl. 86DF  CARF MF

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Processo nº 10980.009571/2004­17 
Resolução n.º 2202­00.256 

S2­C2T2 
Fl. 87 

   
 

 
 

5

(STJ. Primeira Turma. Rel. Min. Benedito Gonçalves. julg. 11 de nov. 
de 2008) 

Além do supracitado REsp, que trago à baila por sintetizar a jurisprudência do 
STJ acerca do assunto, é importante citar os dois REsp’s julgados sob o regime do art. 543­C 
do CPC, aos quais esta Corte está vinculada por força do art. 62­A do Regimento Interno deste 
Conselho: 

TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  DECLARADO  PELO  CONTRIBUINTE  E 
PAGO  COM  ATRASO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  NÃO 
CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 

1.  Nos  termos  da  Súmula  360/STJ,  "O  benefício  da  denúncia 
espontânea  não  se  aplica  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por 
homologação  regularmente  declarados,  mas  pagos  a  destempo".  É 
que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários 
Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, 
ou  de  outra  declaração  dessa  natureza,  prevista  em  lei,  é  modo  de 
constituição  do  crédito  tributário,  dispensando,  para  isso,  qualquer 
outra  providência  por  parte  do  Fisco.  Se  o  crédito  foi  assim 
previamente  declarado  e  constituído  pelo  contribuinte,  não  se 
configura  denúncia  espontânea  (art.  138  do  CTN)  o  seu  posterior 
recolhimento fora do prazo estabelecido. 

2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543­
C do CPC e da Resolução STJ 08/08. 

(STJ. Primeira Sessão. REsp 962.379. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. 
julg. 22 de out. de 2008) 

TRIBUTÁRIO. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO 
DECLARADO  PELO  CONTRIBUINTE  E  NÃO  PAGO  NO  PRAZO. 
DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO.  SÚMULA 
360/STJ. 

1  Nos  termos  da  Súmula  360/STJ,  "O  benefício  da  denúncia 
espontânea  não  se  aplica  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por 
homologação  regularmente  declarados,  mas  pagos  a  destempo".  É 
que  a  apresentação  de  Guia  de  Informação  e  Apuração  do  ICMS  – 
GIA,  de  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  – 
DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo 
de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer 
outra  providência  por  parte  do  Fisco.  Se  o  crédito  foi  assim 
previamente  declarado  e  constituído  pelo  contribuinte,  não  se 
configura  denúncia  espontânea  (art.  138  do  CTN)  o  seu  posterior 
recolhimento fora do prazo estabelecido . 

2.  Recurso  especial  parcialmente  conhecido  e,  no  ponto,  improvido 
Recurso sujeito ao regime do art. 543­C do CPC e da Resolução STJ 
08/08. 

(STJ. Primeira Sessão. REsp 886.462. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. 
julg. 22 de out. de 2008) 

Sendo assim, para que se aplique o benefício da denúncia espontânea em relação 
à multa de mora, o relevante é averiguar se (a) a declaração é retificadora e/ou extemporânea; 
(b) o  pagamento  foi  efetuado  antes  ou  em  conjunto  com a  declaração;  (c)  ambos  ocorreram 
antes do início do procedimento fiscal. 

Fl. 87DF  CARF MF

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Processo nº 10980.009571/2004­17 
Resolução n.º 2202­00.256 

S2­C2T2 
Fl. 88 

   
 

 
 

6

Assim, o correto deslinde do feito demanda a análise das DCTFS enviadas pelo 
recorrente,  documento  que  apresenta  campo  próprio  no  qual  está  constituída  a  obrigação 
relativa ao IRRF.  

Com  base  no  acima  exposto,  proponho  que  o  presente  julgamento  seja 
CONVERTIDO  EM  DILIGÊNCIA,  para  que  a  autoridade  lançadora  confirme  se  os 
pagamentos  realizados  pelo  recorrente  ocorreram  antes  ou  após  o  envio  da DCTF  relativa  à 
competência paga, nos seguintes termos: 

  data do pagamento   data do envio da DCTF  

Competência     

(Assinado digitalmente) 

Rafael Pandolfo 

 

Fl. 88DF  CARF MF

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NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO


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    <str name="ementa_s">SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO DO SIMPLES ATIVIDADE DE ENGENHEIRO, PROGRAMADOR, ANALISTA DE SISTEMAS OU ASSEMELHADO.
É vedada a opção pelo SIMPLES às pessoas jurídicas que realizam atividade de engenheiro, programador, analista de sistemas ou assemelhado, conforme previsto no art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317/96.</str>
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S1­C2T2 

Fl. 239 

 
 

 
 

1

238 

S1­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  13855.002038/2006­10 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1202­00.770  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  

Sessão de  9 de maio de 2012 

Matéria  SIMPLES 

Recorrente  NETRADIO COMUNICAÇÕES LTDA. ­ EPP (antiga denominação 
NETRADIO MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA 
LTDA EPP) 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E 
CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO 
PORTE ­ SIMPLES 

Ano­calendário: 2005 

EXCLUSÃO  DO  SIMPLES  ­  ATIVIDADE  DE  ENGENHEIRO, 
PROGRAMADOR, ANALISTA DE SISTEMAS OU ASSEMELHADO. 

É vedada a opção pelo SIMPLES às pessoas jurídicas que realizam atividade 
de engenheiro, programador, analista de sistemas ou assemelhado, conforme 
previsto no art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317/96. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar 
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. 

(documento assinado digitalmente) 

Nelson Losso Filho ­ Presidente.  

(documento assinado digitalmente) 

Nereida de Miranda Finamore Horta ­ Relatora 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Nelson  Lósso  Filho 
(Presidente), Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore 
Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno 

 

  

Fl. 253DF  CARF MF

Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
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A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e

m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA

MORE HORT



 

  2

Relatório 

Cuida­se  de  Representação  Fiscal  intentada  contra  a  contribuinte  Netradio 
Manutenção e Equipamentos de Informática Ltda. (CNPJ 07.448.886/0001­80), atual Netradio 
Comunicações Ltda. – EPP, que culminou com a exclusão da sistemática do SIMPLES. 

Após  representação  administrativa,  iniciada  pelo  INSS  –  Instituto Nacional 
do  Seguro  Social  (fl.01),  com  posterior  remessa  do  processo  à  SRF  –  Secretaria  da Receita 
Federal,  onde  se  emitiu  o  Parecer  DRF/FCA/SORAT  n.  134/2006  KVS  (fl.  33­37),  que 
fundamenta  que  a  natureza  das  atividades  da  contribuinte  são  de  prestação  de  serviços  de 
manutenção  e  operação  de  sistema  de  rede.  Tal  entendimento  tem  origem  nas  notas  fiscais 
acostadas ao processo, bem como da análise das informações de sua página na internet, onde 
consta  que  a  empresa  é  especializada  em  rádio  corporativa  interna,  com  tecnologia  própria. 
Dali também se verifica que os serviços são prestados em mais de 170 cidades e seu principal 
cliente é a rede de Lojas Magazine Luíza S/A. Por fim, conclui que a atividade é a de prestação 
de serviços de engenharia, situação vedada para opção à sistemática do Simples. 

Com  isso,  foi  emitido  o  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/FRANCA  n. 
19/2006 (fl. 38), com efeitos a partir de 20 de junho de 2005, nos termos do artigo 9º, XIII, da 
Lei nº 9317/96, fundamentando a exclusão na prestação de serviços profissionais cujo exercício 
depende de habilitação legalmente exigida. 

Foi  apresentado  pela  contribuinte  a  Solicitação  de Revisão  de Exclusão  do 
Simples – SRS (fls. 51­52), onde aduziu que suas atividades referem­se a prestação de serviços 
de manutenção de equipamentos de informática, que é manutenção referente aos computadores 
interligados nas lojas (por rede interna), tendo como único cliente a rede de lojas acima citada. 
Destaca que não se trata de atividade exclusiva de engenheiro. 

A  SRS  foi  indeferida  (fl.  52),  por  se  entender  que  a  atividade  exercida  é 
vedada, podendo caracterizar­se como prestação de serviço profissional na área de engenharia. 

Foi  intimada da decisão em 16 de outubro de 2006.  Irresignada, apresentou 
impugnação (fls. 84/100), onde aduz que a empresa, optante pelo Simples desde 20 de junho de 
2005,  foi  notificada  da  exclusão  do  sistema  em  8  de  setembro  de  2006,  por  meio  do  Ato 
Declaratório Executivo nº 19, de 28 de agosto de 2006, bem como da existência de processo 
administrativo (nº 002038/2006­10).  

Informa que  em 7  de  junho de 2006  a  empresa  enviou  ao  INSS pedido  de 
Certidão Negativa de Débito, negada na ocasião em virtude de alegadas restrições, o que não se 
mostrou verdadeiro, já que a intentada certidão foi emitida em 14 de junho de 2006. 

A partir  desses  fatos,  informa que  a Auditora Fiscal  da Previdência Social, 
Sra. Elisabete Chaves, com base na análise do Contrato Social da empresa e do confronto com 
notas  fiscais  presumiu  a  vedação  ao  Simples  prevista  no  artigo  9º,  inciso  XIII  da  Lei  nº 
9317/96.  Informa  que  o  equívoco  se  deu  em  virtude  de  utilizar  em  algumas  notas  fiscais  a 
expressão  “manutenção  e  operação  de  sistema  de  rede”.  Corrobora  que  à  época,  a  empresa 
prestava essencialmente  serviços de manutenção de equipamentos de serviços de  informática 
num  único  cliente,  a  saber,  o  Magazine  Luíza  S.A.  Destaca  que  a  “atividade  consistia  na 
manutenção dos computadores que são interligados nas lojas (via rede interna) atividade esta, 
descrita nas notas  fiscais como “manutenção e operação de sistema da Rádio Luiza” (fl. 85), 
informando que as lojas deste grupo possuem um software que regula transmissões de música e 

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Processo nº 13855.002038/2006­10 
Acórdão n.º 1202­00.770 

S1­C2T2 
Fl. 240 

 
 

 
 

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anúncios  internos,  tal como um sistema de auto falantes. Ou seja, a função da empresa era a 
manutenção dos equipamentos onde funciona este programa. 

Alega  que  não  há  vedação  para  a  atividade  descrita  na  sistemática  do 
Simples,  destacando  que  a  expressão  “manutenção  e  operação  de  sistema  de  rede”,  além  de 
genérica,  não  esta  prevista  no  artigo  9º,  XIII  da  Lei  nº  9317/96,  nem  se  relaciona  com  a 
atividade exclusiva de Engenheiro, como está descrito na norma. 

Informa  que,  em  virtude  da  alteração  do  contrato  socia,l  em  3  de  julho  de 
2006  (protocolo  na  JUCESP  em  24/7/06),  pela  expansão  de  suas  atividades,  a  empresa 
requereu  “seu  desenquadramento  do  sistema  Simples”  (fl.  86),  ou  seja,  em  data  anterior  à 
expedição e publicação do Ato Declaratório Executivo retro. 

Ainda,  cita  que  é  dever  constitucional  o  tratamento  diferenciado  dado  pelo 
legislador  às  micro  e  pequenas  empresas,  por  força  do  artigo  179  da  Constituição  Federal, 
sendo expedido em complemento ao dispositivo constitucional a Lei nº 9.317/96, que, em seu 
artigo  2º,  define micro  empresa  e  empresa  de  pequeno  porte.  Adiciona  que  sua  receita  não 
ultrapassa o valor legal de renda bruta auferida, evidenciando­se como microempresa, mais um 
motivo para que mereça  tratamento  jurídico­tributário diferenciado,  fazendo  jus à opção pela 
sistemática do Simples. 

Traz ementas de julgamentos do TRF de diversas regiões:  

"TRIBUTÁRIO.  SIMPLES.  EXCLUSÃO.  INSTALAÇÕES  ELÉTRICAS. 
ART.  9°,  DA  LEI  N°  9.317/96.  PODER  REGULAMENTAR  EXORBITANTE.  CONFEA. 
HABILITAÇÃO PROFISSIONAL. 

EXIGÊNCIA  LEGAL.  PRESCINDIBILIDADE.  Art.  108,  §1°  CTN. 
REMESSA OFICIAL. 

I — A  atividade  econômica  de  instalação  elétrica,  não  está  enumerada  nos 
óbices legais à adesão ao regime do SIMPLES.  Indevida a ampliação das atividades vedadas 
por meio de veículos normativos inferiores, ensanchando os lindes interpretativos do art. 108, § 
1 0 do CTN.  

2 — Atividades desenvolvidas pela impetrante não enquadradas em atividade 
típicas cujo desempenho nãoprescinda de habilitação profissional legalmente exigida. 

3—Consectários  legais  mantidos,  em  face  da  ausência  de  recursos 
voluntários e sob pena de incorrer­se em reformatio in pejus. 

4—Remessa oficial improvida.". 

(REO no 2003371070124649­RS, Rel. Juiz Álvaro Eduardo Junqueira, TRF 
4Região, DJU de 07­12­2005, p. 676). (grifou­se). 

 

"TRIBUTÁRIO. SIMPLES. EXCLUSÃO. MANUTENÇÃO E CONSERTO 
DE  EQUIPAMENTOS  ODONTOLÓGICOS.  ARTIGO  9°  DA  LEI  N°  9.317/96.  PODER 

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REGULAMENTAR  EXORBITANTE.  CONFEA.  HABILITAÇÃO  PROFISSIONAL 
EXIGÊNCIA LEGAL. PRESCINDIBILIDADE. ART. 108, § 1°, CTN. 

I — A atividade econômica de comércio varejista de artigos, manutenção e 
reparação  de  equipamentos  no  ramo  odontológico,  não  está  enumerada  nos  óbices  legais  à 
adesão ao regime do SIMPLES. Indevida a ampliação 

das  atividades  vedadas  por  meio  de  resoluções  do  Conselho  Federal  de 
Engenharia, Arquitetura  e Agronomia­, COSIFEA,  ensanchando os  lindes•  interpretativos  do 
art. 108, § 1° do CTN. 

2­­­­Atividades  desenvolvidas  pela  impetrante  não  enquadradas  em 
atividades  típicas  cujo  desempenho  não  prescinda  de  habilitação  profissional  legalmente 
exigida. 

3 — Apelação improvida." 

(AMS  no  2004  71000274171­RS,  Relator  Juiz  Álvaro  Eduardo  Junqueira, 
TRF 4Região, DJU, de 30­11­2005, p. 599). (grifou­se). 

"TRIBUTÁRIO.  SIMPLES.  ART.  9°,  XIII,  DA  LEI  9.317/96. 
ORGANIZAÇÃO  DE  FEIRAS  DE  ARTESANATO.  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES. 
IMPOSSIBILIDADE.  DESNECESSIDADE  DE  HABILITAÇÃO  PROFISSIONAL 
ESPECÍFICA. 

1 — Consoante  entendimento  pacificado  no  STF  (no  julgamento  da ADIN 
1643/DF),  para  que  as  empresas  sejam  enquadradas  no SIMPLES não  basta  que ostentem  a 
condição  de  pequena  ou  microempresa,  sendo  necessário,  ainda,  que  a  atividade  que 
desenvolvem não esteja enquadrada dentre as hipóteses do art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96 e não 
seja requerida qualificação profissional especifica. 

2—  Tratando­se  de  pequena  empresa,  e  de  atividade  que  não  demanda 
qualificação  profissional  específica  exigida  em  lei  (organização  de  feiras  de  artesanato),  ao 
menos por este fundamento não pode ser excluída do SIMPLES. 

3—  Ato  declaratório  que  se  anula  para  manter  a  empresa  inscrita  no 
SIMPLES desde sua inscrição. 

4­ Verba honorária fixada em R$ 300,00." 

(AC n° 200372010052510­SC, Rel. Juiz Dirceu de Almeida Soares, TRF 4ª 
Região, DJU, de 16­11­2005, p. 668). (grifou­se). 

Cita  também que o STJ se manifestou sobre o mesmo  tema e  transcreve as 
ementas: 

"TRIBUTÁRIO.  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE 
IMPOSTOS  ,  E  CONTRIBUIÇÕES  (SIMPLES).  ANÁLISE:  DÉ.  MATÉRIA  FÁTICO  ­
PROBATÓRIA.INTERPRETAÇÃO  DO  CONTRATO  SOCIAL.  RECURSO  ESPECIAL 
INADMISSÍVEL. SÚMULAS N° S. 5 E 7, DO STJ. 

­  As  atividades  de  instalação  elétrica  não  estão  abrangidas  pela  vedação 
prevista  no  art.  90,  §  40,  da  Lei  9.317,  podendo  a  empresa  prestadora  desses  serviços  ser 
optante. (Resp 380761). 

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Processo nº 13855.002038/2006­10 
Acórdão n.º 1202­00.770 

S1­C2T2 
Fl. 241 

 
 

 
 

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­  Ainda  que  assim  não  fosse,  as  próprias  regras  da  experiência  comum 
indicam  que  exploram  serviços  de  instalação  e  manutenção  de  equipamentos  elétrico­
mecânicos não se enquadram no art. 90, inciso XII, alínea f da Lei 9.317/96. 

­  Equiparar  essas  empresas  implicaria  em  analogia  in  malam  partem,  num 
sistema  tributário  que,  quando  nada,  admite  em  prol  do  contribuinte,  a  interpretaçãomais 
benéfica (art. 106, I,CTN). 

­ Deveras,  a  análise  do  contrato  social  com  o  escopo  de  aferir  o  objeto  da 
empresa e suas atividades para afastar funções assemelhadas, data venia, incide no 

mesmo veto da sindicância fático­probatória (Súmulas 05 e 07 do STJ). 

­ Recurso Especial não conhecido.". 

(Resp n°4O3568/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 27­05­2002, p. 1­3­8)  

“EMENTA.  TRIBUTÁRIO.  OPÇÃO  PELO  SISTEMA  INTEGRADO  DE 
PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS 
EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE  (SIMPLES).  LEI  N°9.317/96.  AGÊNCIAS  DE 
VIAGENS. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO. 

1  —  Em  se  tratando  de  interpretação  da  legislação  tributária  acerca  de 
atividades similares, não se presta a analogia para legitimar ato administrativo concebido com 
o propósito de obstaculizar isenção fiscal prevista em lei. 

2 — O  inciso XIII  do  art.  9°  da  Lei  n°  9.317/96,  ao  relacionar  as  pessoas 
jurídicas impedidas de aderir ao"SIMPLES", somente alcança aquelas atividades cujo exercício 
dependa de habilitação profissional legalmente exigida, situação na qual não se enquadram as 
agências de viagens. 

3 — Recurso especial provido". (grifou­se). 

(REsp n° 437051/PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 03­08­2006, 
p. 239). 

 Traz  na  Impugnação  que  a  Lei  n°10.964/2004  que,em  seu  artigo  4°, 
expressamente excluiu a empresa de manutenção de informática da vedação, a saber:  

"Art. 4°. Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9° da 
Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1966,  as pessoas  jurídicas que se dediquem às  seguintes 
atividades:  

I — serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus, e 
outros veículos pesados (Redação dada pela Lei n°11.051/2004). 

II  ­  serviços  de  instalação,  manutenção  e  reparação  de  acessórios  para 
veículos automotores (redação dada pela Lei n°11.051/2004). 

III  —  serviços  de  manutenção  e  reparação  de  motocicletas,  motonetas  e 
bicicletas (Redação dada pelaLei n°11.051/2004). 

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IV  —  serviços  de  instalação,  manutenção  e  reparação  de  máquinas  de 
escritório e de informática (Redação dada pela Lei n°11.051/2004). 

V  ­  serviços  de  manutenção  e  reparação  de  aparelhos  eletrodomésticos 
(Redação dada pela Lei n°11.051/2004). 

§ 1° Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de 
Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte  ­ SIMPLES, 
com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput 
deste  artigo  que  tenham  feito  a opção  pelo  sistema  em data  anterior  à  publicação  desta Lei, 
desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação (Redação 
dada pela Lei n° 11.051/2004). 

§ 2° As pessoas  jurídicas de que  trata o caput deste artigo que  tenham sido 
excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9° da 
Lei  n°9.317,  de  5  de  dezembro  de  1996,  poderão  solicitar  o  retorno  ao  sistema  com  efeitos 
retroativos à data da opção desta, nos termos prazos e condições estabelecidas pela Secretaria 
da Receita  Federal  ­  SRF,  desde  que  não  (se  enquadrem  nas  demais  i  hipóteses  de  vedação 
previstas na legislação (Redação dada pela Lei n° 11.051/2004).” 

A  atividade  da  empresa,  como  cita  o  Parecer  do  INSS,  é  “Manutenção, 
Reparação  e  Instalação  de  Equipamentos  de  Informática"  e  consta  nas  notas  fiscais 
"Manutenção  e  Operação  de  Sistema  de  Rede",  isto  é,  a  atividade  que  pode  optar  pelo 
SIMPLES. 

Reforça que a vedação prevista no inciso XIII, artigo 9º da Lei nº 9317/96 é 
no sentido de impedir “prestação de serviços profissionais” ou de qualquer outra profissão cujo 
exercício  dependa  de  habilitação  profissional  legalmente  exigida,  o  que  não  é  o  caso  das 
atividades desenvolvidas pela  impugnante. Não há, na  legislação que  regulamenta o Estatuto 
dos Engenheiros, Arquitetos e Engenheiros Agrônomos (lei 5194/66), qualquer exigência para 
a prática das atividades descritas, profissional habilitado como engenheiro. 

Acresce que, em decorrência do princípio da legalidade tributária, conforme 
artigo  150,  I,  da  Constituição  Federal  tem­se  o  impedimento  ao  emprego  da  analogia  para 
exigência de tributo sem previsão legal.  

Ao final, requer a anulação do Ato Declaratório Executivo n. 19/2006, e da 
decisão SORAT n. 3351/2006 da DRF Franca, ante a afronta a dispositivos legais expressos, 
requerendo  também  a  produção  de  todos  os  meios  de  prova,  especialmente  pericial  e 
documental, bem como a intimação do procurador que subscreveu a impugnação de todos os 
atos praticados no processo administrativo em apreço. 

A 1ª Turma da DRJ/RPO, ao proferir sua decisão no Acórdão nº 14­22.242 
(fls. 151/157), houve por bem indeferir a solicitação. 

Inicialmente,  reconhece  a  presença  dos  requisitos  de  admissibilidade  da 
manifestação de inconformidade.  

Em  relação  ao  pedido  de  encaminhamento  das  intimações  ao  advogado  da 
contribuinte,  esclarece  que,  para  a  validade  da  intimação  por  via  postal,  cabe  a  entrega  no 
domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo,  entendido  como  o  fornecido  para  fins 
cadastrais, nos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. Dada a atuação vinculada à lei da 
autoridade administrativa, descabido é o envio também ao advogado da contribuinte. 

Fl. 258DF  CARF MF

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Processo nº 13855.002038/2006­10 
Acórdão n.º 1202­00.770 

S1­C2T2 
Fl. 242 

 
 

 
 

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O pedido de perícia  restou  indeferido,  já que se  apresentavam nos  autos os 
elementos  para  a  formação  da  livre  convicção  do  julgador,  conforme  as  regras  do  Processo 
Administrativo Fiscal (artigo 18, Decreto nº 70.235/72), sendo prescindível para a solução do 
processo  a  prova  solicitada.  Destaca  que  os  requisitos  de  admissibilidade  da  prova  pericial 
refletem  simples  formalidade  processual,  mas  elemento  essencial  para  que  se  analise  a 
necessidade da perícia. No mais, em virtude do pleito  ter sido efetuado de maneira genérica, 
sem a precisão necessária e tampouco sem considerar a forma prevista no artigo 18 do Decreto 
nº. 70.235/72, considerou­se o pedido de prova pericial não formulado. 

Lembra  que  o  inciso  III  do  supracitado  dispositivo  determina  que  “a 
impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de 
discordância e as  razões e provas que possuir”,  informando que eventual prova documental 
deveria ter sido apresentada pela contribuinte com sua manifestação de inconformidade. 

Informa  que  embora  a  contribuinte  alegue  que  sua  atividade  ao  tempo  dos 
fatos  descritos  no  Processo  Administrativo,  consistia  somente  na  prestação  de  serviços  de 
manutenção  em  equipamentos  de  informática  realizados  no  único  cliente  deste,  a  saber,  o 
Magazine Luiza S/A, não é esta a situação que as provas espelham.  

O Contrato Social vigente à época dos fatos apurados consta a atividade de 
“manutenção, reparação e instalação de equipamentos de informática”, todavia da análise das 
notas fiscais (fls. 14­21) depreende­se a prestação de serviços de “manutenção e operação da 
rede de  rádio Luiza”,  serviços prestados  ao Magazine Luíza. Reforçado  pelas descrições das 
atividades desenvolvidas pela contribuinte,  através de reprodução de páginas de  internet  (28­
32),  verifica­se  que  se  trata  de  “empresa  especializada  em  rádio  corporativa  interna,  com 
estrutura que  reúne avançados  recursos,  trabalhando com  tecnologia própria”. Assim, não há 
que se  falar que as atividades eram restritas ao alegado pela contribuinte, não sendo cabível, 
desta feita, a aplicação da previsão do artigo 4º, IV, da Lei nº 10.964/2004. 

Da  análise  dos  fatos,  tem­se  que  a  situação  excludente  prevista  no  Ato 
Declaratório Executivo n.  19/2005 é  a descrita no  artigo 9º, XIII da Lei nº 9317/96, de cuja 
interpretação evidencia­se que não podem optar pelo Simples o rol de atividades previstas no 
dispositivo, o qual não é exaustivo. 

Demais  disso,  informa  que  a  autoridade  administrativa  não  possui 
competência para examinar alegação de inconstitucionalidade ou invalidade de norma inserida 
no  ordenamento  jurídico  nacional,  matérias  estas  reservadas  ao  exame  do  Poder  Judiciário. 
Destaca  que  a  atividade  na  esfera  administrativa  é  vinculada  ao  cumprimento  da  lei,  sendo 
neste  mesmo  sentido  o  Parecer  COSIT/SRF  n.329/1970,  acostando  jurisprudência  dos 
colegiados administrativos no mesmo sentido. 

Assim,  entende  ter  sido  o  Ato  Declaratório  Executivo  nº  19/2006 
corretamente emitido pela DRF/Franca, já que a atividade exercida pela contribuinte é própria 
e  exige  conhecimentos  de  engenheiro,  programador  e  analista  de  sistemas  ou  assemelhados, 
destacando que o sócio da empresa, Alberto Eliezer Neto é engenheiro.  

Para o acórdão recorrido, “ A atividade do contribuinte exige não apenas a 
instalação e manutenção de placas de som e de vídeo para a transmissão de som e imagem, 
mas  também  a  elaboração  e  aplicação  de  software  apropriado  para  tanto  e,  ainda,  o 
desenvolvimento de sistema apropriado ao cliente” (cf. fl. 157), votando pelo indeferimento da 
solicitação. 

Fl. 259DF  CARF MF

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  8

Cientificada  em  27  de  abril  de  2009  (fl.  160),  a  contribuinte  apresentou 
Recurso Voluntário  em  13  de maio  do mesmo  ano  (fls.  161/177),  aduzindo,  em  síntese,  as 
razões trazidas com sua impugnação. 

Com o recurso, vieram os autos para julgamento perante este Conselho. 

Voto            

Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta 

O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço.  

Conforme  relatado,  o  presente  processo  trata  de  pedido  de  revisão  da 
exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas 
e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  (SIMPLES),  que  ocorreu  mediante  a  edição  do  Ato 
Declaratório Executivo DRF/FRANCA nº. 19/2006 (fl. 38), com efeitos a partir de 20 de junho 
de  2005,  nos  termos  do  artigo  9º,  XIII,  da  Lei  nº  9317/96,  isto  é,  a  prestação  de  serviços 
profissionais cujo exercício depende de habilitação legalmente exigida. 

O  retromencionado  artigo  9°,  inciso XIII,  da  Lei  n°  9.317,  de  1996,dispõe 
que: 

"Artigo 9o ­Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: 

(...) 

XIII ­ que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, 
despachante,  ator,  empresário, diretor ou produtor de espetáculos,  cantor, músico, dançarino, 
médico,  dentista,  enfermeiro,  veterinário,  engenheiro,  arquiteto,  físico,  químico,  economista, 
contador,  auditor,  consultor,  estatístico,  administrador,  programador,  analista  de  sistema, 
advogado,  psicólogo,  professor,  jornalista,  publicitário,  fisicultor.  ou  assemelhados,  e  de 
qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; 
(grifei) 

Por seu turno, o Parecer do INSS se fundamentou:  

­ no contrato social, cláusula segunda, fl. 7, que descreve o objeto social da 
empresa como segue: 

“CLÁUSULA SEGUNDA — DO OBJETO SOCIAL 

O objeto social será manutenção, reparação e instalação de equipamentos de 
informática.” 

­  nas  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  dos  anos  de  2005  e  2006, 
anexadas  por  amostragem,  que  comprovam  a  prestação  de  serviços  de  "Manutenção  e 
Operação de Sistema de Rede"  

Segundo  a  interessada,  o  exercício  dessas  atividades  não  prescinde  de 
profissional com habilitação legalmente exigida (engenheiro). A prestação de serviços que faz 
para o seu cliente Magazine Luíza é a manutenção, reparação e instalação do sistema de rede, 
como consta do seu objeto social. 

Fl. 260DF  CARF MF

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Processo nº 13855.002038/2006­10 
Acórdão n.º 1202­00.770 

S1­C2T2 
Fl. 243 

 
 

 
 

9

Primeiramente, cabe uma análise da Resolução CONFEA N° 218, de 1973, 
mencionado  no  Acórdão  da  DRJ.  Da  leitura  dessa  Resolução,  pode­se  constatar  que  as 
atividades privativas de  engenheiro  são apenas  aquelas  listadas nos  itens de 01 a 08, pois as 
demais, de 09 a 18, são concorrentes com os Tecnólogos e os Técnicos de Grau Médio. Vale 
dizer, são privativas de engenheiro somente as atividades de supervisão, estudo, planejamento, 
projeto,  estudo  de  viabilidade  técnico­econômica,  assessoria,  consultoria,  direção  de  obra, 
ensino,  pesquisa,  vistoria,  perícia,  dentre  outros,  conforme  ressaltado  pelos  artigos  23  e  24 
dessa Resolução. Ou seja, não há exigência ou pré­requisito legal algum para que o exercício 
das atividades da interessada seja feito por engenheiro. Suas atividades estão elencadas dentre 
aquelas descritas nos itens 15 a 17 do artigo 1º da Resolução acima referida, as quais podem 
ser exercidas por profissional Técnico de Nível Médio, consoante art. 24 da mesma Resolução, 
sem a necessidade de profissional de engenharia como entendeu a DRJ.  

Há serviços de prestação de serviços de manutenção e  reparos de máquinas 
industriais  que  até  podem  requerer  a  supervisão  de  engenheiro,  porém,  pelos  elementos  que 
compõem  os  autos,  isto  é,  notas  fiscais  e  contrato  social,  não  parece  ser  o  caso.  Ainda,  é 
indubitável  que  um  engenheiro  possa  exercer  tais  atividades  de  supervisão,  manutenção  e 
reparos  de  máquinas  industriais;  mas  nao  é  imprescindivel  que  quem  as  execute  possua  a 
habilitação legal de engenheiro, a qual requer tão somente mão­de­obra técnica treinada para a 
execução desses serviços.  

Assim, ter um sócio que seja engenheiro, não configura a exigência de se ter 
um  engenheiro  ou  faz  que  a  atividade  seja  exclusiva  de  engenheiro,  portanto,  também  não 
fundamenta a necessidade alegada pela DRJ. 

Ainda,  consta  no  Parecer  da  DRF,  fl.  33,  que  a  empresa  possui  como 
atividade principal  cadastrada  a de  "Outras Telecomunicações", CNAE:  6420­3/99  e que  foi 
verificado no sistema CNPJ a transmissão do evento 302, em 07/8/2006, que é a Exclusão do 
SIMPLES por opção da contribuinte, com efeitos a partir de 01/1/2007. Ficou esclarecido pela 
recorrente  que  efetuou  a  exclusão  por  ter  alterado  seu  contrato  social  expandindo  suas 
atividades  para  atividades  vedadas,  assim  solicitou  a  exclusão.  A  solicitação  de  exclusão 
posterior  não  significa  que  exercia  atividades  vedadas  desde  o  início  de  suas  atividades  em 
20/06/2005.  

 A autoridade fiscal observou os fatos na data em que procedia sua análise e, 
não, no período a que se refere a exclusão, assim, não pode fundamentar a emissão do ADE da 
forma que procedeu. Seria de se esperar que, por prudência, a apreciação fosse feita no período 
correto para descaracterizar uma situação jurídica existente na época. Da sua análise, feita nas 
Notas  Fiscais  apenas,  sem  diligência  no  local  da  prestação  do  serviço,  depreende­se  que  a 
atividade não prescinde de profissão regulamentada, portanto, não há como caracterizar que a 
empresa que pratique serviços de engenharia, arquitetura ou assemelhado. Da mesma forma, o 
fato de ter um sócio engenheiro, não quer dizer que seja exercida atividade de engenharia. 

Esse  colegiado  também  tem  se  posicionado  nesse  sentido,  consoante  a 
Súmula nº 57 do CARF, in verbis:  

“A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica,  instalação ou 
reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e 
revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e 
não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.” 

Fl. 261DF  CARF MF

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  10

 Também o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 403568, 
também se alinha com o entendimento acima esposado, conforme ementa que se transcreve: 

TRIBUTÁRIO.  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE 
IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  (SIMPLES).  ANÁLISE  DE  MATÉRIA  FÁTICO­
PROBATÓRIA.  INTERPRETAÇÃO  DO  CONTRATO  SOCIAL.  RECURSO  ESPECIAL 
INADMISSÍVEL SÚMULAS N.°S 5 E 7, DO STJ. 

­  "As  atividades  de  instalação  elétrica  não  estão  abrangidas  pela  vedação 
prevista  no  art.  9º,  §  4o,  da  Lei  9.317,  podendo  a  empresa  prestadora  desses  serviços  ser 
optante" (Resp 380761) 

­  Ainda  que  assim  não  fosse,  as  próprias  regras  da  experiência  comum 
indicam  que  exploram  serviços  de  instalação  e  manutenção  de  equipamentos  elétrico­
mecânicos não se enquadram no art. 9o, inciso XII, alínea "f" da Lei 9.317/96. 

­  Equiparar  essas  empresas  implicaria  em  analogia  in  malam  partem,  num 
sistema  tributário  que,  quando  nada,  admite  em  prol  do  contribuinte,  a  interpretação  mais 
benéfica (art. 106, I, CTN). 

­ Deveras,  a  análise  do  contrato  social  com  o  escopo  de  aferir  o  objeto  da 
empresa e suas atividades para afastar funções assemelhadas, data venia, incide no mesmo veto 
da sindicância fático­probatória (Súmulas 05 e 07 do STJ).”(grifei) 

Pelo  exposto,  voto  por dar provimento  ao  recurso  voluntário,  para  cancelar 
Ato  Declaratório  Executivo  DRF/FRANCA  nº  19/2006  (fl.  38),  referente  à  exclusão  do 
SIMPLES. 

(documento assinado digitalmente) 

Nereida de Miranda Finamore Horta ­ Relatora 

           

 

           

 

 

Fl. 262DF  CARF MF

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  <doc>
    <date name="dt_index_tdt">2021-10-08T01:09:55Z</date>
    <str name="anomes_sessao_s">201201</str>
    <str name="camara_s">Terceira Câmara</str>
    <str name="ementa_s">CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  
Período de apuração: 01/05/1996 a 30/10/2004  
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL.  
A diligência e a perícia requeridas são indeferidas, com fundamento no art.  18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se  tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos  os elementos necessários ao julgamento.  
CONTRATAÇÃO  DE  TRABALHADORES  SEM  CONCURSO  PÚBLICO  POR  ÓRGÃO  PÚBLICO  OU  FUNDAÇÃO  PÚBLICA.  NULIDADE DA CONTRATAÇÃO QUE NÃO AFETA A INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  JURISPRUDÊNCIA  DO  TST.  Não obstante tenha sido reconhecida a nulidade da contratação em virtude da  inexistência de concurso público, foram pagas aos trabalhadores considerados  contribuintes individuais verbas de natureza nitidamente salarial, o que enseja  a incidência da contribuição previdenciária. Harmonia com a Súmula 363 do  TST.  
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A  QUO NO CASO CONCRETO.  De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei  nº  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência  e  prescrição,  as  disposições  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).   
No caso concreto aplica-se a regra prevista no artigo 150, § 4º do Código  Tributário Nacional, haja vista que haja vista que houve pagamento parcial  das contribuições previdenciárias, considerando-se a totalidade da folha de  salários.   
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN,  NECESSIDADE  DE  AVALIAR  AS  ALTERAÇÕES  PROVOCADAS  PELA LEI 11.941/09.  Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo  qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do  inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código  Tributário  Nacional,  devendo  ser  a  multa  lançada  na  presente  autuação  calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de  1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais  benéfica ao contribuinte.  
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA  LEI 8.212/91.  Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic  para  títulos  federais.  Acrescente-se  que,  para os  tributos  regidos  pela  Lei  8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.  
Recurso Voluntário Provido em Parte</str>
    <str name="turma_s">Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção</str>
    <str name="numero_processo_s">11853.001015/2007-55</str>
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    <arr name="decisao_txt">
      <str>Acordam  os  membros  do  colegiado,  I)  Por  maioria  de  votos:  a)  em  dar  provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a  competência  01/2001,  anteriores  a  02/2001,  nos  termos  do  voto  do  Redator  Designado.  Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em aplicar a  regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em manter a aplicação da multa, nos  termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou  pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja  aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos  termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que  votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao  Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).</str>
    </arr>
    <date name="dt_sessao_tdt">2012-01-18T00:00:00Z</date>
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    <str name="ano_sessao_s">2012</str>
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S2­C3T1 

Fl. 610 

 
 

 
 

1

609 

S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  11853.001015/2007­55 

Recurso nº  999.999   Voluntário 

Acórdão nº  2301­002.530  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  18 de janeiro de 2012 

Matéria  CONT. PREV. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS  

Recorrente  FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA ­ FUB 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS 

Período de apuração: 01/05/1996 a 30/10/2004 

DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL. 

A diligência e a perícia  requeridas  são  indeferidas,  com fundamento no art. 
18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se 
tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos 
os elementos necessários ao julgamento. 

CONTRATAÇÃO  DE  TRABALHADORES  SEM  CONCURSO 
PÚBLICO  POR  ÓRGÃO  PÚBLICO  OU  FUNDAÇÃO  PÚBLICA. 
NULIDADE DA CONTRATAÇÃO QUE NÃO AFETA A INCIDÊNCIA 
DA  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  JURISPRUDÊNCIA  DO 
TST. 

Não obstante tenha sido reconhecida a nulidade da contratação em virtude da 
inexistência de concurso público, foram pagas aos trabalhadores considerados 
contribuintes individuais verbas de natureza nitidamente salarial, o que enseja 
a incidência da contribuição previdenciária. Harmonia com a Súmula 363 do 
TST. 

DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A 
QUO NO CASO CONCRETO. 

De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 
nº  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à 
decadência  e  prescrição,  as  disposições  do  Código  Tributário  Nacional 
(CTN).  

No  caso  concreto  aplica­se  a  regra  prevista  no  artigo  150,  §  4º  do Código 
Tributário Nacional,  haja vista que haja vista que houve pagamento parcial 
das  contribuições  previdenciárias,  considerando­se  a  totalidade  da  folha  de 
salários. 

  

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  2

MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN, 
NECESSIDADE  DE  AVALIAR  AS  ALTERAÇÕES  PROVOCADAS 
PELA LEI 11.941/09. 

Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo 
qual  incide  na  espécie  a  retroatividade  benigna  prevista  na  alínea  “c”,  do 
inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código 
Tributário  Nacional,  devendo  ser  a  multa  lançada  na  presente  autuação 
calculada nos  termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de 
1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais 
benéfica ao contribuinte. 

TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA 
LEI 8.212/91. 

Em  conformidade  com  a  Súmula  do  CARF,  é  cabível  a  cobrança  de  juros  de 
mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e 
contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com 
base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia ­ Selic 
para  títulos  federais.  Acrescente­se  que,  para  os  tributos  regidos  pela  Lei 
8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. 

Recurso Voluntário Provido em Parte 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  I)  Por  maioria  de  votos:  a)  em  dar 
provimento  parcial  ao  recurso,  para  excluir  do  lançamento  as  contribuições  apuradas  até  a 
competência  01/2001,  anteriores  a  02/2001,  nos  termos  do  voto  do  Redator  Designado. 
Vencidos  os  Conselheiros Mauro  José  Silva  e Marcelo  Oliveira,  que  votaram  em  aplicar  a 
regra  decadencial  expressa  no  I, Art.  173  do CTN;  b)  em manter  a  aplicação  da multa,  nos 
termos  do  voto  do Redator Designado. Vencido  o Conselheiro Mauro  José Silva,  que  votou 
pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja 
aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos 
termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que 
votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao 
Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). 

(assinado digitalmente) 

Marcelo Oliveira ­ Presidente. 

(assinado digitalmente) 

Mauro José Silva ­ Relator. 

(assinado digitalmente) 

Adriano González Silvério – Redator Designado 

Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Leonardo  Henrique 
Pires  Lopes,  Damião  Cordeiro  de  Moraes,  Adriano  González  Silvério,  Mauro  José  Silva  e 
Marcelo Oliveira. 

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 611 

 
 

 
 

3

Relatório 

Trata­se  de  lançamento  lavrado  em  21/02/2006,  por  ter  o  contribuinte  acima 
identificado,  segundo  Relatório  Fiscal,  fls.  86/91,  deixado  de  incluir  na  base  de  cálculo  da 
contribuição  previdenciária  da  empresa  remunerações  pagas  a  contribuintes  individuais,  no 
período  de  05/1996  a  10/2004,  tendo  resultado  na  constituição  do  crédito  tributário  de  R$ 
246.932,08, fls. 01. 

Após tomar ciência pessoal da autuação em 22/02/2006, fls. 01, a recorrente 
apresentou impugnação, fls. 106/121, na qual apresentou argumentos similares aos constantes 
do recurso voluntário.  

Na Decisão­Notificação de fls. 553/562, a DRP/Distrito Federal concluiu pela 
procedência  integral  do  lançamento,  tendo  a  recorrente  sido  cientificada  do  decisório  em 
18/09/2006, fls. 564. 

O  recurso  voluntário,  apresentado  em  18/10/2006,  fls.  567/579,  apresentou 
argumentos conforme a seguir resumimos. 

Sustenta  a  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância  por  não  ter  sido 
apreciado seu argumento de inconstitucionalidade. 

Insiste  que  a  negativa  de  prova  pericial  resulta  em  violação  do  devido 
processo legal, pretendendo a aplicação do art. 745 do CPC. 

Pleiteia  a  exclusão  do  lançamento  de  fatos  geradores  atingidos  pela 
decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. 

Argumenta  que,  como  as  contratações  foram  declaradas  nulas,  os  salários 
pagos  seriam,  na  verdade,  indenizações  sobre  as  quais  não  incidiriam  contribuições 
previdenciárias. 

Vários pagamentos teriam sido desconsiderados e a recorrente não teria tido 
oportunidade de produzir provas de sua alegação. 

Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e 
cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. 

Requer  diligência  para  apurar  os  pagamentos  já  realizados  e  promover  o 
encontro de contas quanto aos apagamentos realizados em todos os CNPJs da FUB. 

Foram  apresentadas  contra­razões,  fls.  583/595,  que  defenderam  a  posição 
adotada pela decisão de primeira instância. 

O  julgamento  da  4ª  Câmara  de  Julgamento  de  13/111/2006,  fls.  592/600,  foi 
convertido em diligência para que a fiscalização informasse se todas as guias apresentadas pela 
recorrente haviam sido consideradas no lançamento e, em caso negativo, fosse providenciada a 
retificação do débito. 

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  4

Na  Informação  Fiscal  de  fls.  603/604,  a  fiscalização  esclareceu  que  as  guias 
apresentadas foram aproveitadas nos respectivos levantamentos, porém estavam relacionadas a 
fatos  geradores  até  11/1999  somente. Outras  guias  apresentadas  não  se  relacionavam  com o 
período  do  lançamento  ou  não  comprovavam  o  recolhimento  da  contribuição  e  sim  o 
pagamento da folha de salários. 

A recorrente foi cientificada da informação fiscal e nada acrescentou. 

É o relatório. 

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 612 

 
 

 
 

5

 

 

Voto Vencido 

Conselheiro Mauro José Silva, Relator 

Reconhecemos  a  tempestividade  do  recurso  apresentado  e  dele  tomamos 
conhecimento. 

Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto.  

 

Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade 
de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. 

A  competência  para  decidir  sobre  a  constitucionalidade  de  normas  foi 
atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. 
Em  tais  dispositivos,  o  constituinte  teve  especial  cuidado  ao  definir  quem poderia  exercer  o 
controle  constitucional  das  normas  jurídicas.  Decidiu  que  caberia  exclusivamente  ao  Poder 
Judiciário exercê­la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. 

Por  seu  turno,  a Lei 11.941/2009  incluiu o  art.  26­A no Decreto 70.235/72 
prescrevendo  explicitamente  a  proibição  dos  órgãos  de  julgamento  no  âmbito  do  processo 
administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: 

“Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica 
vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar 
de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob 
fundamento de inconstitucionalidade.” 

Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste 
Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  insiste  na  referida  vedação,  bem  como  já  foi 
editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: 

 “Portaria  MF  nº  256,  de  23  de  junho  de  2009  (que  aprovou  o 
Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 
(CARF): 

Art.  62.  Fica  vedado  aos membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF 
afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo  internacional, 
lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 

 

Súmula CARF Nº 2 

O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a 
inconstitucionalidade de lei tributária” 

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  6

Portanto, deixamos de apreciar  todos os argumentos da recorrente fundados 
em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. 

 

Diligência requerida – indeferimento 

As  diligências  requeridas  são  indeferidas,  com  fundamento  no  art.  18  do 
Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratarem de medidas 
absolutamente  prescindíveis,  já  que  constam  dos  autos  todos  os  elementos  necessários  ao 
julgamento. 

 

Nulidade da decisão de primeira instância. Inocorrência. 

 

A nulidade da decisão de primeira  instância é declarada naqueles casos nos 
quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao 
disposto nos arts. 31 e 59,  inciso II do Decreto 70.235/72. Destacamos que se faz necessário 
que a omissão esteja relacionada com questão que tenha relevância, ou seja, tenha o poder de 
modificar  algum  item  do  decisório.  O  não  enfrentamento  de  alegação  sem  nenhuma 
importância para lide ou o acréscimo de algum esclarecimento que não altera o deslinde desta, 
não torna, necessariamente, nula a decisão recorrida. 

Na  peça  recursal,  a  recorrente  pretende  a  nulidade  da  decisão  a  quo  por 
entender  ter  faltado  apreciar  seus  argumentos  sobre  inconstitucionalidade  e  por  ter  sido 
indeferido seu pedido de perícia.. No entanto, não vislumbramos ter ocorrido qualquer omissão 
no  decisório  que  enseje  a  nulidade,  tendo  este  analisado  e  fundamentado  todos  os  aspectos 
jurídicos relevantes da defesa apresentada.  

As  inconstitucionalidades,  como  vimos  acima,  não  podem,  de  fato,  ser 
analisadas no curso do processo administrativo fiscal. 

O  pedido  de  perícia  teve  seu  indeferimento  motivado  adequadamente. 
Ademais,  o  objetivo  da  perícia  foi  atingido  com  a  diligência  solicitada  pela  4ª  CAJ,  tendo 
ficado esclarecido tudo quanto estava relacionado com pagamentos de contribuições. 

Afastamos, portanto, a nulidade suscitada. 

 

Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 
150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733­SC. 

A  aplicação  da  decadência  suscita  o  esclarecimento  de  duas  questões 
essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. 

O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade 
social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – 
dez anos ­ ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo 
Tribunal Federal (STF). 

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 613 

 
 

 
 

7

Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por 
unanimidade,  declarou  inconstitucionais  os  artigos  45  e  46  da  Lei  n°  8.212,  de  24/07/91  e 
editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: 

Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar 
Mendes, Relator: 

Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 
8.212/91  e  o  parágrafo  único  do  art.5º  do  Decreto­lei  n° 
1.569/77,  que  versando  sobre  normas  gerais  de  Direito 
Tributário,  invadiram  conteúdo  material  sob  a  reserva 
constitucional de lei complementar. 

Sendo  inconstitucionais  os  dispositivos,  mantém­se  hígida  a 
legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e 
decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de 
suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo 
das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, 
como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social 
sujeitam­se,  entre  outros,  aos  artigos  150,  §  4º,  173  e  174  do 
CTN. 

Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes 
nego  provimento,  para  confirmar  a  proclamada 
inconstitucionalidade  dos  arts.  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  por 
violação  do  art.  146,  III,  b,  da  Constituição,  e  do  parágrafo 
único do art. 5º do Decreto­lei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 
18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda 
Constitucional 01/69. 

É como voto. 

Súmula Vinculante n° 08: 

“São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5º  do 
Decreto­lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que 
tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 

Os  efeitos  da  Súmula  Vinculante  são  previstos  no  artigo  103­A  da 
Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: 

Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou 
por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus 
membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, 
aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa 
oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do 
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas 
esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua 
revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). 

Lei n° 11.417, de 19/12/2006: 

Regulamenta o art. 103­A da Constituição Federal e altera a Lei 
no  9.784,  de  29  de  janeiro  de  1999,  disciplinando  a  edição,  a 

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revisão  e  o  cancelamento  de  enunciado  de  súmula  vinculante 
pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. 

... 

Art.  2o  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por 
provocação,  após  reiteradas  decisões  sobre  matéria 
constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua 
publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação 
aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração 
pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual  e 
municipal, bem como proceder à  sua  revisão ou cancelamento, 
na forma prevista nesta Lei. 

§  1o  O  enunciado  da  súmula  terá  por  objeto  a  validade,  a 
interpretação e a  eficácia de normas  determinadas, acerca das 
quais  haja,  entre  órgãos  judiciários  ou  entre  esses  e  a 
administração  pública,  controvérsia  atual  que  acarrete  grave 
insegurança  jurídica  e  relevante  multiplicação  de  processos 
sobre idêntica questão. 

Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos 
judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. 

Temos,  então,  que  a  partir  da  edição  da  Súmula Vinculante  nº  08  o  prazo 
decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco 
anos. 

Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. 

Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no 
que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto 
no CTN  ­,  deixando o dies  a  quo  do  prazo  decadencial  para  ser  definido  segundo  as  regras 
constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. 

A  regra  geral  para  aplicação  dos  termos  iniciais  da  decadência  encontra­se 
disciplinada no art. 173 CTN: 

 “Art. 173 ­ O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito 
tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados: 

I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o 
lançamento poderia ter sido efetuado; 

II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver 
anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. 

 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­
se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado 
da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito 
tributário  pela  notificação  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer 
medida preparatória indispensável ao lançamento.” 

Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que 
antecipassem  seus  pagamentos,  cumprindo  suas  obrigações  tributárias  corretamente  junto  a 
Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra 
geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : 

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 614 

 
 

 
 

9

"Art.  150. O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto 
aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de 
antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade 
administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade, 
tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo 
obrigado, expressamente a homologa. 

§  1º  O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste 
artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior 
homologação do lançamento. 

(...). 

§ 4º Se a  lei  não fixar prazo à homologação,  será ele de cinco 
anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse 
prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado, 
considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto 
o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou 
simulação.” 

Observe­se, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, 
há  de  se  considerar  o  cumprimento  pelo  sujeito  passivo  do  dever  de  interpretar  a  legislação 
aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou 
contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. 

Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: 

 Misabel  Abreu  Machado  Derzi,  Comentários  ao  Código 
Tributário  Nacional,  coordenado  por  Carlos  Valder  do 
Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: 

 “A  inexistência  do  pagamento  devido  ou  a  eventual 
discordância  da  Administração  com  as  operações  realizadas 
pelo  sujeito  passivo,  nos  tributos  lançados  por  homologação, 
darão  ensejo  ao  lançamento  de  ofício,  na  forma  disciplinada 
pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de 
infração). 

“O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco 
anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da 
obrigação.  Portanto  a  forma  de  contagem  é  diferente  daquela 
estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, 
inerentes ao  lançamento  com base  em declaração ou de ofício. 
Trata­se de prazo mais curto, menos favorável a Administração, 
em  razão  de  ter  o  contribuinte  cumprido  com  seu  dever 
tributário e realizado o pagamento do tributo.”. 

Luciano Amaro  , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a 
Ed., 1999, pág. 352: 

 “Se  porém  o  devedor  se  omite  no  cumprimento  do  dever  de 
recolher  o  tributo,  ou  efetua  recolhimento  incorreto,  cabe  a 
autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em 
substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em 
razão  da  omissão  do  devedor),  para  que  possa  exigir  o 
pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. 

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  10

Sob  o  mesmo  enfoque,  no  Acórdão  CSRF/01­01.994,  manifestou­se  o 
Relator: 

 “O  lançamento  por  homologação  pressupõe  o  pagamento  do 
crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer 
exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do 
Código  Tributário  Nacional,  o  direito  de  homologar  o 
pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência 
do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, 
situações previstas no § 4º do referido artigo 150. 

O  que  se  homologa  é  o  pagamento  efetuado  pelo  contribuinte, 
consoante  dessume­se  do  referido  dispositivo  legal. O  que  não 
foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. 

Se  o  contribuinte  nada  recolheu,  se  houve  insuficiência  de 
recolhimento  e  estas  situações  são  identificadas  pelo  Fisco, 
estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. 

 Trata­se  de  lançamento  ex  officio  cujo  termo  inicial  da 
contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 
173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do 
exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido 
efetuado.” (negrito da transcrição). 

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado 
pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, 
inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em 
outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, 
conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: 

PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL 
REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO 
CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO 
POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 
INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. 
DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O 
CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I, 
DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS 
PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN. 
IMPOSSIBILIDADE. 

1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o 
crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro 
dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia 
ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento 
antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o 
mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou 
simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do 
débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel. 
Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg 
nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki, 
julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP, 
Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 

2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito 
Tributário  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o 
Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e, 

Fl. 615DF  CARF MF

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 615 

 
 

 
 

11

consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco 
regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra 
da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos 
ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao 
lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o 
pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi, 
"Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max 
Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 

3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra 
decadência  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN, 
sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em 
que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde, 
iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à 
ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos 
sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se 
inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos 
previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante 
a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal 
(Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário 
Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs. 
91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., 
Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de 
Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed., 
Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 

Extrai­se do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação 
cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência 
nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do 
fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, 
deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. 

Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não 
eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa 
no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao 
período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 
150, § 4º? 

Nossa  resposta  é:  não.  O  pagamento  antecipado  realizado  só  desloca  a 
aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados 
pelo  contribuinte  para  efetuar  o  cálculo  do montante  a  ser  pago  antecipadamente.  Fatos  não 
considerados  no  cálculo,  seja  por  omissão  dolosa  ou  culposa,  se  identificados  pelo  fisco 
durante  procedimento  fiscal  que  antecede  o  lançamento,  permanecem  com  o  dies  a  quo  do 
prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial 
do  art.  150,  §4º  refere­se  aos  aspectos  materiais  dos  fatos  geradores  já  admitidos  pelo 
contribuinte.  Afinal,  não  se  homologa,  não  se  confirma  o  que  não  existiu.  Assim,  mesmo 
estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração 
do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a 
esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à 
abrangência do pagamento antecipado.  

Definida  a  aplicação  da  regra  decadencial  do  art.  173,  inciso  I,  precisamos 
tomar seu conteúdo para prosseguirmos:  

Fl. 616DF  CARF MF

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  12

 “Art. 173 ­ O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito 
tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados: 

I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o 
lançamento poderia ter sido efetuado;” 

Da  leitura  do  dispositivo,  extraímos  que  este  define  o  dies  a  quo  do  prazo 
decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia 
ter  sido  efetuado”. Mas  ainda  precisamos  definir  a  partir  de  quando  o  lançamento  pode  ser 
efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, 
ao primeiro dia do  exercício  seguinte à ocorrência do  fato  imponível”.  ,Se  considerássemos 
isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733  poderíamos concluir que o dies a quo da 
decadência  para  aplicação  do  art.  173,  inciso  I  do  CTN  seria  o  primeiro  dia  do  exercício 
seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como 
dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que  levaria o  fim do prazo de caducidade 
para 31/12/20(X+5). 

Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um 
fato  gerador  que  se  constata  ocorrido  em  31/12/20XX  só  poderá  ser  lançado  a  partir  de 
01/01/20(X+1),  dada  a  cristalina  premissa  de  que  só  existe  obrigação  tributária  após  a 
ocorrência do  fato gerador. Se  só poderia  ser  lançado em 01/01/20(X+1)  , o primeiro dia do 
exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia  ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o 
que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). 

Ainda  sobre  o  assunto,  estamos  cientes  que  após  o  trânsito  em  julgado  do 
Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir 
que os  fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só  tem seu dies a quo  em relação à 
decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: 

EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 ­ 
PR (2004/0109978­2) Julgado em 09/02/2010. 

PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO. 
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 
RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. 
ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL. 
OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. 
EXCEPCIONALIDADE. 

1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda 
Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos 
tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro 
de 1993. 

2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são 
relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só 
poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo 
assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve 
início somente em 1º.1.1995, expirando­se em 1º.1.2000.  

Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, 
tem­se por não consumada a decadência, in casu. 

3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, 
para dar parcial provimento ao recurso especial. 

 

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 616 

 
 

 
 

13

Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma 
de  suas Turmas,  que  a  afirmação  categórica  do  item  3  do Resp  973.733  serviu  apenas  para 
afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. 

Ademais,  ao  adotarmos  a  interpretação mais  formalista  do  item  3  do Resp 
973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a 
obrigatoriedade  de  os  conselheiros  seguirem  as  decisões  do  STJ  tomadas  em  Recursos 
Repetitivos.   O  art.  62­A do RICARF  tem  nítida  finalidade  de  evitar  que  o CARF  continue 
emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o 
princípio  da  eficiência,  da  moralidade  administrativa  e  acarretaria  despesas  para  o  Erário 
Público  na  forma  de  ônus  de  sucumbência.  Como  o  próprio  STJ  já  vem  adotando  uma 
interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma 
interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. 

Resulta,  então,  em  síntese,  que  para  fatos  geradores  ocorridos  em 
31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o 
fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art.  173, inciso I 
do CTN. 

Assim,  para  o  lançamento  do  crédito  tributário  de  contribuições  sociais 
especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não 
pagamento da obrigação principal,  o prazo decadencial  é de  cinco anos  contados  a partir do 
primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso 
dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em 
atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação 
aos  aspectos  materiais  dos  fatos  geradores  relacionados  a  pagamentos  efetuados  pelo 
contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies 
a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º 
do CTN.  

Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto 
do referido dispositivo: 

§ 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco 
anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse 
prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado, 
considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto 
o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou 
simulação. 

Notamos que o  texto  legal  refere­se a uma homologação  tácita por parte da 
Fazenda Pública – “considera­se homologado” é a expressão utilizada ­ no caso de expirado o 
prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação 
mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser 
entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência 
do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a 
uma  interpretação  inequívoca  de  que  equivale  a  homologação  expressa  ou  lançamento  de 
ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, 
entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública 
inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no 
sentido  de  que  irá  realizar  a  atividade  prevista  no  art.  142  do CTN. Caso  o  §4º  do  art.  150 

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quisesse  exigir  a  homologação  expressa  e  não  um  simples  pronunciamento,  teria  feito 
referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas 
preferiu  a  expressão  ”pronunciado”.  Com  esse  entendimento  concluímos  que,  iniciada  a 
fiscalização,  a  decadência  em  relação  a  todos  os  fatos  geradores  ainda  não  atingidos  pela 
homologação  tácita,  passa  a  ser  submetida  à  regra geral  de  tal  instituto,  ou  seja,  passa  a  ser 
regida  pelo  art.  173,  inciso  I.  Ressaltamos  que  não  se  trata  de  interrupção  ou  suspensão  do 
prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável.  

Vejamos  um  exemplo.  Considerando  que  uma  fiscalização  tenha  sido 
iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade 
dele  exigida  pela  lei,  ou  seja,  o  sujeito  passivo  realizou  sua  escrituração,  prestou  as 
informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a 
homologação  tácita  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  05/20(XX­5).  Os  fatos 
geradores ocorridos depois de 05/20(XX­5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, 
desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 
173, inciso I.  

Feitas  tais  considerações  jurídicas  gerais  sobre  a  decadência,  passamos  a 
analisar o caso concreto. 

Observamos a  inexistência de pagamentos  relativos aos  fatos geradores que 
interessam  para  a  discussão  sobre  a  decadência,  logo,  conforme  acima  explanado,  é  de  ser 
aplicada  a  regra  do  art.  173,  inciso  I  do  CTN.  Tendo  sido  o  lançamento  cientificado  em 
22/02/2006, o  fisco poderia efetuar o  lançamento para  fatos geradores posteriores a 11/2000. 
Todos os fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo 
de caducidade. 

 

Nulidade de contratação sem concurso público. Verbas pagas com natureza salarial. 

 

A  recorrente  alega  que  o  poder  judiciário  já  declarou  a  nulidade  da 
contratação  de  prestadores  de  serviço  sem  concurso  público  e  que  a  estes  trabalhadores  a 
Súmula 363 do TST só assegura o depósito do FGTS. 

Para  apontarmos  nossa  divergência  em  relação  a  tal  entendimento 
transcrevemos a Súmula 363: 

 

Súmula nº 363 do TST 

CONTRATO  NULO.  EFEITOS  (nova  redação)  ­  Res. 
121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 

A contratação de servidor público, após a CF/1988, sem prévia 
aprovação  em  concurso  público,  encontra  óbice  no  respectivo 
art. 37, II e § 2º, somente lhe conferindo direito ao pagamento da 
contraprestação  pactuada,  em  relação  ao  número  de  horas 
trabalhadas, respeitado o valor da hora do salário mínimo, e dos 
valores referentes aos depósitos do FGTS. 

 

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 617 

 
 

 
 

15

 

Da leitura da Súmula 363 podemos extrair que o TST decidiu que os valores 
pagos aos trabalhadores contratados irregularmente representa contraprestação pelo trabalho e 
não indenização como pretende a recorrente. 

Sendo contraprestação pelo trabalho, deve sofrer a incidência da contribuição 
previdenciária nos moldes previstos no art. 22, inciso IV da Lei 8.212/91. 

A  jurisprudência  do  TST  já  se  assentou  nessa  mesma  toada,  conforme 
podemos conferir: 

Processo: RR ­ 141600­81.2002.5.04.0202  

Data de Julgamento: 31/08/2005,  

Relator  Ministro:  Antônio  José  de  Barros  Levenhagen,  4ª 
Turma,  

Data de Publicação: DJ 20/04/2006. 

 

(...). II ­ RECURSO DE REVISTA DO INSS. COMPETÊNCIA 
DA  JUSTIÇA  DO  TRABALHO.  EXECUÇÃO  DE 
CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  EXISTÊNCIA  DE 
CONDENAÇÃO EM  VERBAS DE NATUREZA  SALARIAL. 
Não obstante tenha sido reconhecida a nulidade da contratação 
em virtude da inexistência de concurso público, foram deferidas 
verbas  de  natureza  nitidamente  salarial,  o  que  enseja  a 
incidência da contribuição previdenciária e o reconhecimento da 
competência da Justiça do Trabalho para apurar e executar as 
contribuições  em  destaque,  na  esteira  da  Súmula  nº  368  desta 
Corte. Isso posto e versando a causa matéria exclusivamente de 
direito, não há necessidade de os autos baixarem ao Tribunal de 
origem,  com  fulcro  nos  arts.  515,  §  3º,  do  CPC  e  5º,  inciso 
LXXVII,  da  Constituição  Federal,  razão  pela  qual  a  questão 
deve ser analisada de plano. A incidência da contribuição social 
tem  como  fato  gerador  os  rendimentos  do  trabalho  pagos  ou 
creditados,  a  qualquer  título,  mesmo  que  sem  vínculo 
empregatício,  segundo  a  dicção  do  art.  195,  I,  "a",  da 
Constituição Federal, devendo ser considerados fatos geradores 
os valores pagos relacionados ao número de horas trabalhadas. 
Recurso provido. (...) 

 

Sem razão, portanto, a recorrente quando alega que a nulidade da contratação 
resulta na impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos 
aos prestadores de serviço. 

Quanto à desconsideração de pagamentos, concluímos que, após a diligência 
solicitada  pela  4ª  CAJ,  o  aproveitamento  dos  pagamentos  feitos  pela  recorrente  ficou 
devidamente  esclarecido,  sendo  estes  relativos  somente  a  períodos  já  atingidos  pela 
decadência. 

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Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. 

 

Antes  da  MP  449,  se  a  fiscalização  das  contribuições  previdenciárias 
constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas 
da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que 
esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o  inciso  II do art. 35 da Lei 8.212/91. 
Além disso, a  fiscalização  lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32   por  incorreções ou 
omissões  na  GFIP.  O  §4º  tratava    da  não  apresentação  da  GFIP,  o  §5º  da  apresentação  do 
documento  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  e  o  §6º  referia­se  a 
apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos 
geradores.  

Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32­A da Lei 8.212/91 que 
trata  da  falta  de  apresentação  da  GFIP,  bem  como  trata  da  apresentação  com  omissões  ou 
incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35­A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 
para os casos de lançamento de ofício. Interessa­nos o inciso I do referido dispositivo no qual  
temos  a multa  de  75%  sobre  a  totalidade  do  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de 
pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.  

Tais  inovações  legislativas  associadas  ao  fato  de  a  fiscalização  realizar 
lançamento  que  abrangem  os  últimos  cinco  anos  e  de  existirem  lançamentos  pendentes  de 
definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocam­nos 
diante de duas situações: 

•  lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos 
geradores posteriores  esta; 

•  lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém 
ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. 

 

Vamos analisar individualmente cada uma das situações. 

 

Lançamentos  realizados  após  a  edição  da  MP  449  e  referentes  a  fatos 
geradores posteriores a esta 

 

Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos 
geradores  posteriores  a  esta,  o  procedimento  de  ofício  está  previsto  no  art.  35­A  da  Lei 
8.212/91,  o  que  resulta  na  aplicação  do  art.  44  da  Lei  9.430/96  e  na  impossibilidade  de 
aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. 

Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio 
tributo,  lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225%   nas hipóteses de 
falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma 
hipótese nova de  infração que, portanto,  só pode atingir os  fatos geradores posteriores  a MP 

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449.  Por  outro  lado,  com  relação  às  contribuições  previdenciárias,  a  falta  de  declaração  e  a 
declaração inexata referem­se a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A 
falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era 
punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não 
(§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. 

É  certo que,  a princípio,  podemos vislumbrar duas normas punitivas para a 
não  apresentação  e  a  apresentação  inexata  da  GFIP  relacionada  a  fatos  geradores  de 
contribuições: o  art. 32­A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96.  Tendo em 
conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada 
com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar.  

Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 
seria  aplicável para os  casos  relacionados  à existência de diferença de contribuição ao passo 
que o art. 32­A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de 
contribuição. No  entanto,  tal  conclusão  não    se  sustenta  se  analisarmos mais  detidamente  o 
conteúdo do  art.  32­A da Lei  8.212/91. No  inciso  II,  temos  a previsão  da multa  de “de 2% 
(dois por cento) ao mês­calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições 
informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração  ou 
entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável 
quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for 
apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplica­se 
também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal 
conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos 
casos  de  omissão  de  declaração  com  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição 
previdenciária. 

Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos,  tanto o art. 44, 
inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32­A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de 
declaração  ou  declaração  inexata de GFIP quando  for  apurada  diferença  de  contribuição  em 
procedimento  de  ofício.  Temos,  então,  configurado  um  aparente  conflito  de  normas  que 
demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são 
normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério 
da especialidade e critério hierárquico. 

O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não 
nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 
9.430/96  e  a  inclusão  do  art.  32­A  da  Lei  8.212/91  foram  veiculados  pela  mesma  Lei 
11.941/2009. 

O  critério  hierárquico  também  não  soluciona  a  antinomia,  posto  que  são 
normas de igual hierarquia. 

Resta­nos o critério da especialidade.  

Observamos  que  o  art.  44,  inciso  I  da  Lei  9.430/86  refere­se,  de  maneira 
genérica,  a  uma  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata,  sem  especificar  qual  seria  a 
declaração. Diversamente, o art. 32­A faz menção específica em seu caput à GFIP no  trecho 
em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do 
caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da 
Lei 9.430/96 e o art. 32­A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, 

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seguindo  o  critério  da  especialidade,  deve  ter  reconhecida  a  prevalência  de  sua  força 
vinculante. 

Em adição, a aplicação do art. 32­A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo 
nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32­A assume, facilitando , no futuro, o cálculo 
do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32­A estimular a apresentação da GFIP 
na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de 
qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da 
declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido 
em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a 
favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 
29  da  Lei  8.213/91,  “serão  considerados  para  cálculo  do  salário­de­benefício  os  ganhos 
habituais  do  segurado  empregado,  a  qualquer  título,  sob  forma  de  moeda  corrente  ou  de 
utilidades,  sobre  os  quais  tenha  incidido  contribuições  previdenciárias,  exceto  o  décimo­
terceiro  salário  (gratificação  natalina).”  Se  o  cálculo  do  salário­de­benefício  considerará  a 
base  de  cálculo  das  contribuições,  certamente  a  GFIP  é  um  importante  meio  de  prova  dos 
valores  sobre os quais  incidiram as  contribuições. Se  aplicássemos o  art.  44,  inciso  I  da Lei 
9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. 
Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença 
das  contribuições  sem  que  a  apresentação  da  GFIP  pudesse  alterar  tal  valor. O  empregador 
poderia  simplesmente  pagar  a  multa  e  continuar  omisso  em  relação  à  GFIP,  deixando  o 
empregado sem este  importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. 
Assim,  a  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário  reforça  a 
necessidade de prevalência do art. 32­A. 

Portanto,  seja  pela  aplicação  do  critério  da  especialidade  ou  pela 
hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário,  temos  justificada  a 
aplicação do art. 32­A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com 
informações inexatas. 

Acrescentamos  que  não  há  no  regime  jurídico  do  procedimento  de  ofício 
previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de 
ter  ocorrido  atraso  no  recolhimento.  Trata­se  de  infração  –  o  atraso  no  recolhimento  ­  que 
deixou  de  ser  punida  por meio  de  procedimento  de  ofício.  Outra  infração  similar,  mas  não 
idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. 

Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em  
lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias  previsto  pela MP  449,  convertida  na 
Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. 

Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda 
não definitivamente julgados na esfera administrativa. 

 

Com  base  nesse  novo  regime  jurídico  vamos  determinar  a  penalidade 
aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores 
anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. 

Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com 
o art. : 

Fl. 623DF  CARF MF

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 619 

 
 

 
 

19

    Art.  144.  O  lançamento  reporta­se  à  data  da  ocorrência  do 
fato gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda 
que posteriormente modificada ou revogada. 

    § 1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente 
à  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação,  tenha  instituído 
novos  critérios  de  apuração  ou  processos  de  fiscalização, 
ampliado  os  poderes  de  investigação  das  autoridades 
administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito maiores  garantias  ou 
privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir 
responsabilidade tributária a terceiros. 

    §  2º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  aos  impostos 
lançados por períodos  certos de  tempo, desde que a  respectiva 
lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera 
ocorrido. 

    Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito: 

     I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente 
interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos 
dispositivos interpretados;  

    II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado: 

    a) quando deixe de defini­lo como infração; 

    b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer 
exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido 
fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de 
tributo; 

    c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista 
na lei vigente ao tempo da sua prática. 

 

A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que 
devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência 
dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver 
deixado de definir um fato como infração. 

Para  os  lançamentos  referentes  a  fatos  geradores  anteriores  a MP  449,  de 
plano  devemos  afastar  a  incidência  da  multa  de  mora,  pois  a  novo  regime  jurídico  do 
lançamento de ofício deixou de punir  a  infração por  atraso no  recolhimento. O novo  regime 
pune  a  falta  de  recolhimento  que,  apesar  de  similar,  não  pode  ser  tomada  como  idêntica  ao 
atraso.  O  atraso  é  graduado  no  tempo,  ao  passo  que  a  falta  de  recolhimento  é  infração 
instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 
12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e 
pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. 

Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no 
princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, 
tem a mesma estrutura de pessoal e de  remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório 
contábil para tratar de sua vida fiscal.  

Fl. 624DF  CARF MF

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  20

A  empresa  A  foi  fiscalizada  em  2007  com  relação  aos  fatos  geradores  de 
2006  e  teve  contra  si  lançada  a  contribuição,  a multa  de mora  e  a multa por  incorreções  na 
GFIP  prevista  no  art.  32,  §5º  da  Lei  8.212/91.  Quando  do  julgamento  de  seu  processo, 
considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve 
o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa 
do 32­A da Lei 8.212/91. 

A  empresa  B  foi  fiscalizada  em  2009  com  relação  aos  fatos  geradores  de 
2006 e teve contra si  lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela 
declaração inexata da GFIP com base no art. 32­A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º 
da Lei 8.212/91, o que  lhe for mais  favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B 
responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. 
Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora 
no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e 
B. 

No  tocante  às  penalidades  relacionadas  com  a  GFIP,  deve  ser  feito  o 
cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32­A para as infrações relacionadas com a 
GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 
8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, 
inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplica­se, inclusive, para a multa de ofício aplicada com 
fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração 
inexata. 

 

Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora 

 

A  insurgência  da  recorrente  contra  a  aplicação  da  Taxa  Selic  como  juros 
moratórios  não  pode  prosperar,  uma  vez  que  se  trata  de  matéria  sumulada  neste  Tribunal 
Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: 

Súmula CARF No­ 4 

A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes 
sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da 
Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de 
inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de 
Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.. 

Acrescente­se  que,  para  os  tributos  regidos  pela  Lei  8.212/91,  o  art.  34  do 
referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. 

 

Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  e  DAR 
PROVIMENTO PARCIAL  ao Recurso Voluntário, de modo a: (i) afastar os fatos geradores 
ocorridos até 11/2000, inclusive, por ter ocorrido a decadência; (ii) afastar a multa de mora. 

(assinado digitalmente) 

Mauro José Silva 

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 620 

 
 

 
 

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Voto Vencedor 

Conselheiro Adriano González Silvério – Redator Designado 

Decadência 

Em  relação  à  contagem  do  prazo  decadencial  ouso  divergir  em  parte  da 
Ilustre Conselheira Relatora, uma vez que a meu ver deve ser aplicado como regra decadencial 
nesse caso apenas aquela prevista no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, cujo dies 
a quo é o da ocorrência do fato gerador. 

Isto porque, conforme vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais 
(Acórdão  nº  9202­01.418,  Processo  nº  36918.002963/2005­75),  a  decadência,  no  âmbito  das 
contribuições  previdenciárias,  deve  ser  considerada  em  relação  à  totalidade  da  folha  de 
salários. No caso concreto, a fiscalização apurou que não houve recolhimentos tão somente em 
relação  aos  contribuintes  individuais,  sendo  certo  que  o  contribuinte,  no  mesmo  período, 
recolheu contribuições sobre as demais remunerações pagas. 

Assim,  houve  pagamento  antecipado,  ainda  que  parcial,  havendo  de  ser 
aplicado o prazo decadencial qüinqüenal, que tem como termo inicial de contagem a ocorrência 
do  fato  gerador,  como  decidiu  o  Colendo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  na  sistemática  de 
recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, entendimento esse que deve ser 
acatado, por força do disposto no mencionado artigo 62­A do Regimento Interno do Conselho 
Administrativo de Recursos Fiscais. A ementa do paradigma está assim redigida: 

“PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL 
REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO 
CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO 
POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 
INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. 
DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O 
CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I, 
DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS 
PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN. 
IMPOSSIBILIDADE. 

1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o 
crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro 
dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia 
ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento 
antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o 
mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou 
simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do 
débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: REsp  766.050∕PR,  Rel. 
Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg 
nos  EREsp  216.758∕SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki, 
julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142∕SP, 
Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 

2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito 
Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o 
Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e, 
consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco 
regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra 

Fl. 627DF  CARF MF

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 621 

 
 

 
 

23

da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos 
ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao 
lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o 
pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi, 
"Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max 
Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 

3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra 
decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN, 
sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em 
que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde, 
iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à 
ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos 
sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se 
inadmissível  a  aplicação  cumulativa∕concorrente  dos  prazos 
previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante 
a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal 
(Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário 
Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs. 
91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., 
Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396∕400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de 
Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed., 
Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 

5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo 
sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege 
de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não 
restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos 
imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro 
de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos 
deu­se em 26.03.2001. 

6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários 
executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial 
qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício 
substitutivo. 

7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime 
do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” 

Assim, tendo sido o lançamento cientificado em 22/02/2006, estão decaídas, 
pela aplicação da  regra prevista no artigo 150, § 4º do CTN, as contribuições apuradas até a 
competência 01/2001, anteriores a 02/2001. 

Multa 

Não  obstante  o  aprofundado  voto  do  Ilustre  Conselheiro  relator  há  de  se 
registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio 
de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, 
do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 

Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a 
gradação prevista na  redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de 1991, 
passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), 

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uma vez  que  submetida  às  disposições  do  artigo  61  da Lei  nº  9.430,  de  27  de dezembro  de 
1996. 

Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35­A da Lei nº 8.212/91, 
já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à 
época  do  lançamento  e,  de  acordo  com  o  106  do  Código  Tributário  Nacional  deve  ser 
verificado o fato punido.  

Ora  se  o  fato  “atraso”  aqui  apurado  era  punido  com  multa  moratória, 
consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a 
novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Aqui reside a divergência 
com o voto do Ilustre Conselheiro Relator. 

Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo 
qual  incide na espécie a  retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do  inciso  II, do artigo 
106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional,  devendo  ser  a 
multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 
24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais 
benéfica ao contribuinte. 

Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  e  DAR 
PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário de modo a afastar, pela regra decadencial 
prevista no artigo 150, § 4º, do CTN os fatos geradores até 01/2001, anteriores a 02/2001, bem 
como para determinar a aplicação da multa prevista no artigo 35 caput da Lei 8.212/91, se mais 
benéfica ao contribuinte. 

 

 

Adriano Gonzáles Silvério ­ Conselheiro 

 

 

           

 

 

Fl. 629DF  CARF MF

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 06/06

/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin

ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA


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    <float name="score">1.0</float></doc>
  <doc>
    <str name="materia_s">IRPJ - restituição e compensação</str>
    <date name="dt_index_tdt">2021-10-08T01:09:55Z</date>
    <str name="anomes_sessao_s">201206</str>
    <str name="camara_s">Quarta Câmara</str>
    <str name="ementa_s">COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INFORMADOS PELO DEVEDOR.
Nos casos de compensação de crédito tributário cabe ao devedor indicar qual débito pretende ver compensado com seu crédito. Na situação dos autos, conforme demonstrativo de fl. 234, a interessada não indicou para ser compensado com o saldo negativo do IRPJ de 1995, exercício 1996, as estimativas devidas nos meses de janeiro e fevereiro de 1997. Em, assim sendo, devem ser considerados quitados os créditos indicados pela recorrente,
sendo que os valores correspondentes às estimativas devidas em janeiro e fevereiro de 1997, caso não quitadas com o saldo negativo dos anos de 1992, 1993 e 1994, conforme informado pela recorrente, podem ser objeto de verificação e adoção dos procedimentos cabíveis.
Recurso provido.</str>
    <str name="turma_s">Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção</str>
    <str name="numero_processo_s">13804.000680/97-27</str>
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    <str name="numero_decisao_s">1402-001.071</str>
    <str name="nome_arquivo_s">Decisao_138040006809727.pdf</str>
    <str name="nome_relator_s">MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA</str>
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    <str name="secao_s">Primeira Seção de Julgamento</str>
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      <str>ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para que as compensações sejam efetuadas nos moldes indicados pelo sujeito passivo, nos termos do voto do relator.</str>
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    <str name="ano_sessao_s">2012</str>
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    <str name="conteudo_txt">Metadados =&gt; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo =&gt; 
S1­C4T2 

Fl. 1 

 
 

 
 

1

           

S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  13804.000680/97­27 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1402­001.071  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  

Sessão de  13 de junho de 2012. 

Matéria  IRPJ 

Recorrente  Gegraf Indústria Gráfica Ltda 

Recorrida  Fazenda Nacional  

 

Ementa: 

  
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INFORMADOS PELO DEVEDOR.  

Nos casos de compensação de crédito tributário cabe ao devedor indicar qual 
débito  pretende  ver  compensado  com  seu  crédito.  Na  situação  dos  autos, 
conforme  demonstrativo  de  fl.  234,  a  interessada  não  indicou  para  ser 
compensado  com  o  saldo  negativo  do  IRPJ  de  1995,  exercício  1996,  as 
estimativas  devidas  nos  meses  de  janeiro  e  fevereiro  de  1997.  Em,  assim 
sendo, devem ser considerados quitados os créditos indicados pela recorrente, 
sendo  que  os  valores  correspondentes  às  estimativas  devidas  em  janeiro  e 
fevereiro de 1997, caso não quitadas com o saldo negativo dos anos de 1992, 
1993  e  1994,  conforme  informado  pela  recorrente,  podem  ser  objeto  de 
verificação e adoção dos procedimentos cabíveis. 

Recurso provido. 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

 

ACORDAM os membros  da 4ª  câmara  /  2ª  turma  ordinária  da  primeira  
SSEEÇÇÃÃOO   DDEE   JJUULLGGAAMMEENNTTOO,  Por  unanimidade  de votos,  dar  provimento  ao  recurso  para que  as 
compensações sejam efetuadas nos moldes indicados pelo sujeito passivo, nos termos do voto 
do relator.  

 
(assinado digitalmente) 
Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente 
 
 
(assinado digitalmente) 
Moisés Giacomelli Nunes da Silva ­ Relator 
 

  

Fl. 269DF  CARF MF

Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e

m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL

I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 2 

 
 

 
 

2

 
 
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de 

Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, 
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. 

 

 

 

  

Fl. 270DF  CARF MF

Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

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Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e

m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL

I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 3 

 
 

 
 

3

Relatório 

Trata­se de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, com período de 
apuração anual.  

Conforme documentos de fls. 29 e 43, no ano de 1996, a recorrente entregou 
DIPJ em relação ao ano­calendário de 1995, com saldo negativo de imposto de renda no valor 
de R$ 32.988,91 (fl. 130). Os comprovantes de recolhimento dos impostos que gerou o saldo 
negativo constam das fls. 31 a 35 e foram confirmados pelo sistema da Receita às fls. 37, 38 e 
40.  

Por meio do despacho decisório de fls. 54 e seguintes, datado de 10­01­2003, 
cientificado à interessada em 26­02­2003 (fl. 115), o saldo negativo do IRPJ relativo ao ano­
calendário de 1995  foi  reduzido de R$ 32.988,91 para R$ 31.894,59. Dita diferença  resultou 
em razão da dedução de vale­transporte que foi reduzida de R$ 5.586,08 para R$ 4.941,95 e do 
IRRF reduzido de R$ 1.273,37 para R$ 1.131,26. 

Segundo o citado despacho decisório, a causa para redução do vale­transporte 
deu­se porque o valor deduzido ultrapassou ao limite de 8% de que trata os artigos 594 e 595 
do Regulamento do Imposto de Renda de 1994. O valor do IRRF foi reduzido de R$ 1.273,37 
para R$ 1.131,26 porque em consulta no sistema da Receita Federal consta  retido somente a 
importância de R$ 1.131,26. 

Às  fls.  101  e  102  a  autoridade  preparadora  relacionou  os  débitos  com 
vencimento  no  ano  de  1997  e  1998,  supostamente  pagos  com  o  saldo  negativo  de  R$ 
31.894,59, relativo ao ano de 1995. 

Intimada,  a  parte  interessada  apresentou  a manifestação  de  inconformidade 
de fls. 118 e seguintes destacando os seguintes pontos: 

i)  que  reconhece  que  a  dedução  a  título  de  vale­transporte  deve  ser  de  R$  
5.586,08 para R$ 4.941,95, portanto aceita a diferença de R$ 644,13  (5.586,08 ­ R$ 4.941,95 = 
644,13). 

ii) que nos termos do demonstrado à fl. 119 o saldo negativo do imposto é de 
R$ 32.444,78 e não R$ 31.894,59. 

iii) Na  impugnação, a  recorrente destacou que no ano de 1995  tinha optado 
pelo lucro presumido e efetuado recolhimento de valores com base nesta sistemática. Contudo, 
no decorrer do ano­calendário optou pelo lucro real, conforme permitido na época. Por meio da 
planilha de fl. 121/122 a recorrente indica o valor corrigido que afirma ter pago a maior. 

Por  meio  do  acórdão  de  fl.  176  e  seguintes  a  DRJ  julgou  procedente  a 
manifestação de inconformidade, sendo que o acórdão contém a seguinte ementa: 

Fl. 271DF  CARF MF

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I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 4 

 
 

 
 

4

 

 Apesar  de  o  acórdão  ter  deferido  a  compensação,  em  seus  fundamentos 
constam as seguintes passagens: 

 

 

 

 

 

Fl. 272DF  CARF MF

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I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 5 

 
 

 
 

5

 

 

  
 
 
D 
 
 

 

C 

Conforme AR de fls. 215, em 30 de novembro de 2004 a parte interessada foi 
intimada da decisão recorrida e em 17 de dezembro de 2004  ingressou com o recurso de fls.   
228  a  231,  por  meio  do  qual  repisa  os  fundamentos  articulados  quando  a  manifestação  de 
inconformidade, rebatendo os item apontados pelo relator, dentre os quais destaco os seguintes 
pontos: 

“  item  26.  Com  a  entrega  da  DIRPJ/1998,  restou  evidenciado  que  houve  recolhimento  (extinção 
através de compensação) indevido, pois a interessada apurou base de cálculo positiva. Neste momento, 
surge o direito creditório a favor da interessada no valor de R$ 21.103,64, relativo ao saldo credor de 
IRPJ apurando na DIRPJ/1998.” 

“ item 27. Assim sendo, a interessada faria jus à restituição do montante de R$ 38.274,76, descontado 
a  compensação  realizada  em  janeiro  e  fevereiro  de  1997,  e  do  montante  de  R$  21.103,64, 
correspondente ao saldo apurado na DIRPJ/1998.” 

Ressaltamos,  que  os  valores  devidos  em  janeiro/97  =  12.135,81  e  fevereiro/97  =  8.967,83,  que 
posteriormente geraram o Crédito de R$ 21.103,64,  citados  no  item 26,  foram de  fato  compensados 
com  imposto  a  restituir  apurados  em  exercício  anteriores,  e  complementados  com  um  valor  do 
PRÓPRIO 1° TRIMESTRE DE 1997  (e  isto ocorreu devido a obrigatoriedade, de  apresentarmos os 
referidos  débitos,  tanto  na  DCTF,  como  na  Declaração  de  IRPJ/98,  logo,  a  exigência  destes 
recolhimentos nos 2 primeiros meses de 1997, não deram margem as empresas de não o fazê­lo, 
mesmo  com  prejuízos  tributários  visíveis  no  trimestre,  que  para  melhor  elucidarmos  o  assunto 
demonstramos a formação dos valores abaixo. 

Reconhecemos que talvez a nossa colocação na manifestação anterior, tenha sido incompleta, portanto 
inexata, o que deu margem a interpretação do relator, reforçamos que o valor de R$ 21.103,64 foi, de 
fato, em grande parte, compensados com  créditos a restituir (oriundos de IR retido na Fonte), gerados 

IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA 

Saldo Credor Restituível  Reconhecido pela autoridade a quo  Alterado pelo julgamento 

DIRPJ/1996  R$ 31.894,59  R$ 21.775,13 

DIRPJ/1998  .................................  R$ 21.103,64 

Fl. 273DF  CARF MF

Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

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m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL

I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 6 

 
 

 
 

6

nas  declarações  de  IRPJ  de  exercício  anteriores,  créditos  estes  convertidos  para  a moeda  corrente  e 
corrigidos de acordo com a legislação, sendo: 

Créditos à restituir da empresa no IRPJ de 1992                          = R$ 3.133,79   
Créditos à restituir da empresa no IRPJ de 1993                          = R$ 8.550,79 
Partes dos Créditos à restituir da empresa no IRPJ de 1994         = R$    451,86 
COMPENSAÇÃO DE JANEIRO 97                                            = R$ 12.135,81 

 

Créditos a restituir da empresa no IRPJ de 1994 (Saldo)             = R$ 4.107,43   
Para complementar utilizamos valores do próprio 
1° Trimestre de 1997, (apurados pela base de calculo  
positiva no trimestre).                                                                   = R$ 4.860,40 
TOTAL PARA QUITAR FEVEREIRO 1997                              = R$ 8.967,83 
 
Vale  ressaltar,  que  este  valor  de  R$  4.860,40,  foi  reduzido  do  Crédito  gerado  por  base  de  calculo 
positiva do 1° Trimestre de 1997, portanto, não utilizamos este valor em quaisquer Compensações e 
sim utilizamos o resultado apurando, sou seja, 
R$ 21.103,64 (­) 4.860,40 = 16.243,24 saldo disponível. 

 

“Item  28.  Impede  verificar,  portanto,  qual  seja  o  direito  creditório  da  interessada  relativo  ao 
saldo  credor  de  IRPJ  apurado  na DIRPJ/1996,  com  a  referida  compensação.  Para  tanto,  basta 
efetuarmos a imputação do crédito original de R$ 38.274,76 aos “débitos” de IRPJ relativos aos 
meses de janeiro e fevereiro de 1997 (fls.162), com que atinge­se o saldo de R$ 21.775,13.” 

São 2 pontos que devam ser esclarecidos para este item: 

*  Não  está  visível  a  composição  do  saldo  de  R$  21.775,13  pois,  38.274,76  ­  21.103,64  =  
17.171,12 

*  De  fato,  conforme  explicamos  acima,  os  R$  21.103,64,  não  foram  compensados  com 
créditos oriundos de R$ 38.274,76, (inicialmente este credito para nós, era de R$ 38.844,60, 
alterado  em  razão  de  reconhecemos  o  erro  de  utilização  a  maior  do  Beneficio  de  Vale 
Transporte  (item  4  do  Relatório),  o  resultado  apura  uma  compensação  indevida  de  R$ 
507,17); 

*      Quanto  ao  credito  de  R$  21.103,64,  deduzimos  os  R$  3.413,68,  nos  restou  um  saldo 
disponível de R$ 16.243,24, que compensamos conforme Processo n°s 13804.000256/98­50, 
após, resta sim uma compensação indevida na ordem de R$ 1.614,96; 

*  Esta  diferença  de  compensação  indevida  é  visível  nos  nossos  demonstrativos 
(demonstrativos a partir dos créditos aprovados), os quais deveremos, após esclarecimentos 
definitivamente todo este processo, recolher a diferença, sendo respectivamente  R$ 507,17 e 
R$ 1.614,96.  

O  processo  entrou  em  pauta  no  dia  19  de  maio  de  2005.  Na  ocasião  os 
Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, por unanimidade de votos, 
Resolveram  converter  o  julgamento  em diligência  por  entenderem  que os  demonstrativos  de 
fls. 218 a 222 deviam ser analisados pela autoridade encarregada das compensações. 

Foi  expedida  intimação  de  fl.  260,  para  que  a  interessada  apresentasse  as 
declarações  de  rendimentos  dos  períodos  citados,  assim  como  os  informes  de  rendimentos,  
DARFs e DCTFs que registraram as compensações. 

Fl. 274DF  CARF MF

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I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 7 

 
 

 
 

7

A  intimação  foi  expedida  para  a  Rua  Roma,  217,  anexo 
207/223/233/235/241,  Vila  Romana.  Pelo  Ar  de  fl.  260  a  referida  correspondência  retornou 
com a informação: “outros. Aguardar Visita”. 

Diante de  tal  fato, expediu­se o edital de  fl. 262, o que  resultou  infrutífero, 
sendo que a diligência de fl. 264  retornou sem nada esclarecer acerca do que  fora solicitado 
pelo relator, isto é, a existência de compensação anterior. 

É o relatório. 

Fl. 275DF  CARF MF

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I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 8 

 
 

 
 

8

Voto            

Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva 

O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e está devidamente 
fundamentado. Assim, conheço­o e passo a examiná­lo. 

Não há controvérsia neste processo quanto ao saldo do crédito da recorrente. 
Este,  conforme  item 24 da decisão da DRJ,  já  transcrito no  relatório,  reconheceu crédito em 
favor da recorrente no valor de R$ 38.274,46, correspondente a saldo negativo do ano de 1995. 
exercício 1996. A controvérsia que surge diz respeito à utilização deste crédito.  

Nos  meses  de  janeiro  e  fevereiro  de  1997  a  parte  interessada  apurou 
estimativa a pagar nos valores de R$ 12.135,81 e R$ 8.967,83. Como tais valores não foram 
recolhidos por meio de Darf, o acórdão da decisão da DRJ considerou como sendo quitados 
mediante compensação do saldo negativo do IRPJ do ano de 1995, exercício 1996. Contudo, a 
parte  interessada  se  insurge  em  relação  a  tal  fato  destacando  que  os  valores  relativos  aos 
débitos de  janeiro e  fevereiro de 1997 foram quitados com saldo negativo dos anos de 1992, 
1993 e 1994, conforme quadro de fls. 230 e seguintes, cuja parte segue transcrita: 

 

À fl. 234 a parte interessada apresentou histórico indicando em quais tributos 
utilizou a compensação do saldo negativo do IRPJ, com o seguinte demonstrativo: 

 

 

 

 

 

Fl. 276DF  CARF MF

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CÓ
PI

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I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 9 

 
 

 
 

9

 

No  demonstrativo  de  fl.  234,  a  recorrente  indica  que  os  valores 
correspondentes  às  estimativas de  janeiro  e  fevereiro de 1997  foram quitadas  conforme com 
saldo negativo de 1992, 1993 e 1994. Neste sentido aponta o seguinte quadro: 

  

Fl. 277DF  CARF MF

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CÓ
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I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 10 

 
 

 
 

10

 

Em se tratando de compensação de crédito tributário cabe ao devedor indicar 
qual débito pretende ver compensado com seu crédito. No caso dos autos, o demonstrativo de 
fl.  234,  ou  219  na  numeração  antiga,  especifica  que  a  interessada  não  indicou  para  ser 
compensado com o saldo negativo do IRPJ de 1995, exercício 1996, as estimativas devidas nos 
meses  de  janeiro  e  fevereiro  de  1997.  Indicou  outros  débitos.  Em  assim  sendo,  devem  ser 
considerados  quitados  os  créditos  indicados  pela  recorrente,  sendo  que  os  valores 
correspondentes às estimativas devidas em janeiro e fevereiro de 1997, caso não quitadas com 
o saldo negativo dos anos de 1992, 1993 e 1994, conforme informado pela recorrente, podem 
ser objeto de verificação e adoção dos procedimentos cabíveis. 

ISSO  POSTO,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  para  que  as 
compensações sejam homologadas na forma indicada pela contribuinte. 

 

(assinado digitalmente) 

Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva – Relator. 

           

 

           

 

Fl. 278DF  CARF MF

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I NUNES DA SILVA


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    <str name="ementa_s">OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano-calendário: 2010  DCTF. ATRASO NA ENTREGA NÃO CONFIGURADO. PENALIDADE.  DESCABIMENTO.  Demonstrado  que  não  houve  atraso  na  entrega  da  declaração,  deve  ser  cancelada a penalidade imposta.</str>
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S1­TE03 

Fl. 1 

 
 

 
 

1

           

S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  19288.000031/2011­81 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1803­01.446  –  3ª Turma Especial  

Sessão de  8 de agosto de 2012 

Matéria  MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF 

Recorrente  CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO FOUR POINTS BY SHERATON MACAÉ 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS 

Ano­calendário: 2010 

DCTF. ATRASO NA ENTREGA NÃO CONFIGURADO. PENALIDADE. 
DESCABIMENTO. 

Demonstrado  que  não  houve  atraso  na  entrega  da  declaração,  deve  ser 
cancelada a penalidade imposta. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado,  por maioria de votos, deram provimento 
ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo 
Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes que lhe negavam provimento.  

 

 

 (assinado digitalmente) 
Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora.  

 

 

 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Walter  Adolfo 
Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues 
Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. 

  

  

Fl. 39DF  CARF MF

Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/08

/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES



  2

Relatório 

Trata o presente processo de notificação de  lançamento de multa por atraso 
na DCTF relativa ao mês de janeiro de 2010. 

Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que 
alegou em síntese que: 

a)  Que apresentou as declarações exigidas no presente lançamento por meio de processo 
eletrônico. 

b)  O  certificado  digital  que  habilitaria  cumprir  a  obrigação  só  foi  adquirido  em 
08/12/2010, e neste momento, foram reapresentadas as DCTF’s e as DIPJ’s. 

c)  Ao  processar  as  declarações  apresentadas  em  janeiro  a  autoridade  lançadora 
equivocadamente  considerou  que  se  tratava  de  uma  nova  declaração,  quando  na 
verdade era apenas a ratificação da declaração existente. 

d)  As  obrigações  acessórias  de  apresentar  declaração  não  podem  ser  punidas  porque  o 
impede o art. 138 do CTN. 

A Delegacia de  Julgamento considerou o  lançamento procedente,  com base 
nos seguintes fundamentos:  

a)  Cabe  ao  contribuinte  o  dever  de  cuidar  de  sua  senha.  Assim,  supostas  alegações  da 
interessada de que somente apresentou suas declarações após 08/12/2010 por culpa de 
atraso na obtenção de seu certificado digital, não afastam a multa pelo atraso na entrega 
delas. 

b)  A  recorrente  tentou  apresentar  a  declaração  em  05/03/2010,  em  papel,  tendo  o 
requerimento sido indeferido. 

c)  O art. 138 do CTN não pode ser invocado para afastar as multas aplicadas por atraso na 
apresentação das declarações. 

d)  A legislação não dá margem a incertezas ou dúvidas. Se a Declaração foi apresentada 
depois do prazo  regulamentar,  independente de qualquer  circunstância,  o  contribuinte 
está sujeito à multa. 

Contra a decisão,  interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em 
que apenas reitera a alegação de que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea, 
acompanhada do pagamento do tributo. 

É o relatório. 

  

Voto            

Conselheira Selene Ferreira de Moraes 

Fl. 40DF  CARF MF

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Processo nº 19288.000031/2011­81 
Acórdão n.º 1803­01.446 

S1­TE03 
Fl. 2 

 
 

 
 

3

A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 
12/09/2012 (extrato de fls. 36). O recurso foi protocolado em 27/09/2011, logo, é tempestivo e 
deve ser conhecido. 

Alega a  recorrente que a  transmissão da DCTF foi  impedida pelo programa 
ReceitaNet, pelo fato de que as sociedades cadastradas sob o código 212­7 (sociedade em conta 
de participação) estariam dispensadas de apresentação da referida declaração. 

Diante  desta  situação,  a  contribuinte  efetuou  a  entrega  da  declaração  em 
papel. 

A  autoridade  administrativa  indeferiu  o  requerimento  de  apresentação  da 
DCTF em papel com base nos seguintes fundamentos (fls. 16/18): 

“A  sociedade  em  conta  de  participação  (direito  brasileiro)  ou 
conta da metade (direito português) é uma sociedade empresária 
que  vincula,  internamente,  os  sócios.  É  composta  por  duas  ou 
mais  pessoas,  sendo  que  uma  delas  necessariamente  deve  ser 
empresário ou sociedade empresária. 

Por ser apenas uma ferramenta existente para facilitar a relação 
entre os sócios não é uma sociedade propriamente dita, ela não 
tem personalidade jurídica autônoma, patrimônio próprio e não 
aparece perante terceiros. 

O empreendimento é realizado por dois tipos de sócios: o sócio 
ostensivo e o sócio oculto. 

O  sócio  ostensivo  (necessariamente  empresário  ou  sociedade 
empresária)  realiza  em  seu  nome  os  negócios  jurídicos 
necessários para ultimar o objeto do empreendimento e responde 
pelas  obrigações  sociais  não  adimplidas.  O  sócio  oculto,  em 
contraposição,  não  tem  qualquer  responsabilidade  jurídica 
relativa aos negócios realizados em nome do sócio ostensivo. 

(...) 

Nesse  sentido  e  pelo  acima  exposto,  indeferimos  o  pleito  do 
contribuinte,  eis  que  ausente  previsão  legal  que  o  ampare, 
mormente  na  hipótese  em  que  a  legislação  estabelece  a  forma 
para adimplemento da obrigação acessória em questão, que, no 
caso, deve ser cumprida pelo sócio ostensivo inscrito no CNPJ, 
face à sua equiparação à pessoa jurídica”. 

O fundamento da decisão que indeferiu a entrega da declaração em papel não 
é válido. Isto porque, a legislação relativa ao CNPJ faculta a inscrição da sociedade em conta 
de  participação  no  cadastro. Tanto  é  assim que,  há previsão  expressa de  código  de  natureza 
jurídica para as sociedades em conta de participação, qual seja, 212­7. 

A  legislação  oferece  duas  possibilidades  às  sociedades  em  conta  de 
participação: cumprir suas obrigações acessórias por meio do sócio ostensivo, ou inscrever­se 
no CNPJ, e cumpri­las tal como as demais pessoas jurídicas. 

Fl. 41DF  CARF MF

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  4

Apesar  do  despacho  decisório  não  ser  objeto  de  discussão  no  presente 
processo,  a  análise  de  sua  validade  é  essencial  para  a  convicção  acerca  da  existência  da 
infração  de  atraso  na  entrega  da  declaração,  esta  sim,  objeto  da  autuação  questionada  neste 
recurso. 

Trata­se de uma questão prejudicial, ou seja, de controvérsia cuja solução é 
imprescindível para a decisão relativa à existência da conduta infracional de atraso na entrega 
da declaração.  

 O  prazo  para  apresentação  da  DCTF  relativa  ao  mês  de  janeiro  de  2010 
encerrou­se em 19/03/2010.  

A recorrente protocolou o requerimento de apresentação da DCTF em papel 
em 5/03/2010, ou seja, dentro do prazo legal de entrega previsto na legislação (fls. 16). 

A decisão  recorrida desconsiderou  a  declaração  em papel  por  entender  que 
não há previsão legal para sua entrega em papel, sendo o único meio possível, aquele previsto 
na legislação: entrega mediante transmissão pela Internet, com assinatura digital. 

O  contribuinte,  impedido  de  cumprir  obrigação  acessória  por  meio  da 
Internet,  diligentemente  enviou  a DCTF  em papel,  protocolando  requerimento  na  repartição, 
dentro do prazo legal.  

Em que pese a instrução normativa ser clara ao dispor que a DCTF deverá ser 
apresentada  em meio  magnético,  mediante  a  utilização  de  programa  gerador  de  declaração, 
disponível na Internet, o contribuinte não pode ser penalizado na hipótese dos presentes autos. 
Sua conduta não pode ser equiparada à do contribuinte que não efetuou nenhum esforço para 
cumprir a obrigação acessória dentro do prazo legal. 

A  situação  fática  dos  presentes  autos  não  é  a  mesma  do  caso  em  que  o 
contribuinte  simplesmente  entrega  sua  declaração  fora  do  prazo,  sem  qualquer  tentativa 
comprovada de cumpri­la, ainda que por meio diverso daquele previsto em lei. 

Como  diz  Eros  Roberto  Grau,  em  sua  obra  “Ensaio  e  discurso  sobre  a 
interpretação/aplicação do direito”, o intérprete discerne o sentido do texto a partir e em virtude 
de um determinado caso dado. (item X). Em suas palavras: 

“Vou  repetir  mais  uma  vez:  a  norma  é  produzida,  pelo 
intérprete,  não  apenas  a  partir  de  elementos  colhidos  no  texto 
normativo  (mundo  do  dever­ser),  mas  também  a  partir  de 
elementos do caso ao qual será ela aplicada, isto é, a partir de 
dados da realidade (mundo do ser). 

Por  oportuno,  trazemos  à  colação  decisão  do  Poder  Judiciário  que  analisa 
situação análoga: 

“TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ENTREGA DE 
DCTF  DE  FORMA  MANUAL.  MULTA.  CERTIFICAÇÃO 
DIGITAL.  POSTERIOR.  SENTENÇA  PROCEDENTE. 
EFEITOS.  INALTERADOS.  TRÂNSITO  EM  JULGADO. 
AUSÊNCIA. DESCUMPRIMENTO. 

I  ­  É  importante  ressaltar  que  o  juiz  não  está  vinculado  a 
examinar todos os argumentos expendidos pelas partes, nem a se 
pronunciar sobre todos os artigos de lei, restando bastante que, 

Fl. 42DF  CARF MF

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Processo nº 19288.000031/2011­81 
Acórdão n.º 1803­01.446 

S1­TE03 
Fl. 3 

 
 

 
 

5

no caso concreto, decline fundamentos suficientes e condizentes 
a lastrear sua decisão. 

II  ­  Inicialmente,  deve­se  salientar que a discricionariedade da 
Administração  Pública  não  pode  sobrepor  o  limite  da 
razoabilidade,  na medida  em que,  caso  não  existisse  o  aludido 
limite,  tornaria­se  um  verdadeiro  obstáculo  às  empresas  que 
cumprem  com  suas  obrigaçõese  e  que  por  algum  motivo  não 
poderiam apresentar as declarações legalmente previstas em lei 
por motivos alheios à sua vontade.  

III  ­  Vê­se  dos  autos,  que  a  impetrante  agiu  com  toda  a 
transparência,  inclusive  tendo  buscado  o  cumprimento  nos 
prazos  fixados  pela  Receita  Federal.  Aliás,  o  procedimento 
necessário  à  obtenção  de  certificação  não  é  automático,  é 
complexo e burocrático, tendo o contribuinte inciado os trâmites 
necessários,  para  a  regularização.  Registre­se,  ainda,  que  a 
impetrante  não  pretende  postergar  a  entrega  de  qualquer 
declaração,  apenas  objetiva  a  autorização  para  momentânea 
entrega  manual  das  declarações  a  que  está  obrigada,  sem  a 
imposição da multa prevista pela Receita. 

IV  ­  Não  é  demais,  também,  falar  sobre  o  princípio  da 
proporcionalidade.  O  grande  fundamento  deste  princípio  é  o 
excesso  de  poder  e  o  fim  a  que  se  destina  é  exatamente  o  de 
conter  atos,  decisões  e  condutas  de  agentes  públicos  que 
ultrapassem  os  limites  adequados,  com  vistas  ao  objetivo 
colimado  pela  Administração,  ou  até  mesmo  pelo  Poderes 
representativos  do  Estado.  Significa  que  o  Poder  Público, 
quando  intervém  nas  atividades  sob  seu  controle,  deve  atuar 
porque a situação reclama realmente a intervenção, e esta deve 
processar­se  com equilíbrio,  sem excessos  e proporcionalmente 
ao fim a ser atingido. 

V ­ Desse modo, obstaculizar a entrega das declarações de modo 
manual,  enquanto  a  impetrante  providencia  a  certificação 
digital,  ofende  os  princípios  da  proporcionalidade  e  da 
razoabilidade, razão pela qual, a sentença não merece reforma. 

VI  ­ Ademais, recebida a apelação apenas no efeito devolutivo, 
persistem os  efeitos  da  sentença  que  tornou o  débito  inexigível 
até o pronunciamento definitivo das instâncias superiores, o que 
não  ocorreu,  acarretando,  o  descumprimento,  em  afronta  ao 
disposto no artigo 26 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de 
Segurança).  

VII  –  Remessa  necessária  e  apelação  não  providas.”(AMS 
2005.51.01.016716­6, sessão em 12/04/2011). 

Por conseguinte, não há como deixar de concluir que na hipótese dos autos 
não houve descumprimento da obrigação acessória, tendo a recorrente entregue a declaração no 
prazo,  valendo­se  do  meio  possível  na  época  dos  fatos,  qual  seja,  a  entrega  em  papel  na 
repartição. No caso concreto, a conduta prevista na legislação – atraso na entrega da declaração 
– não se materializou, e portanto, não pode dar azo à imposição de penalidade. 

Fl. 43DF  CARF MF

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  6

No que se refere à exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da 
infração, de que trata o art. 138 do CTN, trata­se de matéria sumulada neste Conselho: 

“Súmula  CARF  nº  49:  A  denúncia  espontânea  (art.  138  do 
Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade 
decorrente do atraso na entrega de declaração.” 

Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. 

 

 

 (assinado digitalmente) 
Selene Ferreira de Moraes  

 

           

Fl. 44DF  CARF MF

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Processo nº 19288.000031/2011­81 
Acórdão n.º 1803­01.446 

S1­TE03 
Fl. 4 

 
 

 
 

7

 

Declaração de Voto 

 

Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes 

Votei, juntamente com o Conselheiro Walter Adolfo Maresch, pela negativa 
de provimento ao recurso voluntário interposto, por entender que se está diante de caso no qual 
a impossibilidade de entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) pela 
internet,  por  falta  da  indispensável  assinatura  digital,  decorreu,  unicamente,  da  culpa  in 
eligendo  e  in  vigilando  da  Recorrente,  a  qual,  de  nenhum  modo,  poderia  alegar 
desconhecimento da legislação pertinente. 

Quanto à questão de a transmissão da DCTF ter sido supostamente impedida 
pelo  programa  ReceitaNet,  pelo  fato  de  que  as  sociedades  cadastradas  sob  o  código  212­7 
(sociedade em conta de participação) estariam dispensadas de sua apresentação, não foi, essa 
matéria, objeto de discussão pela decisão recorrida, restando, de todo modo, prejudicada pela 
falta da necessária assinatura digital. 

 

 

(assinado digitalmente) 
Sérgio Rodrigues Mendes 

 

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(ex.:restit.)=92,IRPJ - AF - lucro arbitrado=89,II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento=81,IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF=68,Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario=68,Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento=68,IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios=64,IPI- ação fiscal- insuf. na  apuração/recolhimento (outros)=62,ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua=55,IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)=54},nome_relator_s={Não Informado=3762,GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO=368,WINDERLEY MORAIS PEREIRA=310,CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ=290,RODRIGO DA COSTA POSSAS=284,HELCIO LAFETA REIS=238,PEDRO SOUSA BISPO=231,CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA=224,MARCOS ROBERTO DA SILVA=215,ROSALDO TREVISAN=212,Não se aplica=181,PAULO GUILHERME DEROULEDE=175,WILDERSON BOTTO=175,LIZIANE ANGELOTTI MEIRA=171,MARCOS ANTONIO BORGES=164,MARIA HELENA COTTA CARDOZO=151,WALDIR NAVARRO BEZERRA=145,HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO=143,CARMEN FERREIRA SARAIVA=141,PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA=141,CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO=138,LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES=129,RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA=129,PAULO MATEUS CICCONE=128,THIAGO DUCA AMONI=126,RONNIE SOARES ANDERSON=124,MIRIAM DENISE XAVIER=121,OTACÍLIO DANTAS CARTAXO=117,NILTON LUIZ BARTOLI=115,LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS=112,LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO=108,JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA=107},ano_sessao_s={2020=2765,2021=2404,2019=2080,2024=1732,2018=1722,2012=1627,2023=1545,2014=1444,2011=1389,2013=1368,2025=1253,2010=1199,2008=1145,2017=1121,2009=1065,2006=965,2007=908,2022=840,2005=826,1997=764,2016=712,1998=652,1996=646,2001=646,2003=589,2004=586,2002=582,2000=509,1999=494,1995=471,2015=454,1994=429},ano_publicacao_s={2009=4621,2020=2705,2021=2289,2019=2072,2023=1750,2024=1614,2014=1539,2018=1500,2025=1311,2013=1094,2017=1084,2008=1056,2006=936,2022=891,2007=865,2005=787,2011=751,2015=700,2016=660,2001=626,1998=616,2002=575,2003=575,2004=568,2000=498,1999=473,2010=454,2012=426,2026=421,1997=409,1994=188,1996=176},_nomeorgao_s={},_turma_s={},_materia_s={},_recurso_s={},_julgamento_s={},_ementa_assunto_s={},_tiporecurso_s={},_processo_s={},_resultadon2_s={},_orgao_s={},_recorrida_s={},_tipodocumento_s={},_nomerelator_s={},_recorrente_s={},decisao_txt={de=32691,por=32515,votos=31087,do=30580,os=30400,membros=29847,recurso=28752,unanimidade=28160,acordam=26667,e=26168,provimento=25794,ao=24663,da=23526,colegiado=23095,em=22480,julgamento=21885,conselheiros=21512,presidente=19776,participaram=19747,o=18739,assinado=18035,digitalmente=17947,presente=17340,a=17081,relator=16766,autos=15810,presentes=15248,discutidos=15239,vistos=15235,relatados=15233,negar=13930,voto=13537}},facet_ranges={},facet_intervals={},facet_heatmaps={}},debug={facet-debug={elapse=28,sub-facet=[{processor=SimpleFacets,elapse=28,action=field 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O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita, tanto pessoalmente, quanto pela via postal, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Assim, não é inquinada de nulidade a intimação por edital, quando resultarem improfícuos os meios de intimação pessoal e via postal, em virtude de mudança do domicílio fiscal do contribuinte, sem a
devida comunicação ao fisco, já que de sua desídia não pode advir vantagem para si.
IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
Intimado o contribuinte por edital sem divergência de  identificação, conforme determina o artigo 23, parágrafo 1o., item II, do Decreto n°. 70.235, de 1972, há de se ratificar a perempção., turma_s=Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção, numero_processo_s=13896.904173/2008-79, conteudo_id_s=5235692, dt_registro_atualizacao_tdt=Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018, numero_decisao_s=1301-000.868, nome_arquivo_s=Decisao_13896904173200879.pdf, nome_relator_s=PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, nome_arquivo_pdf_s=13896904173200879_5235692.pdf, secao_s=Primeira Seção de Julgamento, arquivo_indexado_s=S, decisao_txt=[Acordam os membros da Turma por unanimidade, negar provimento ao
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S1­C3T1 

Fl. 1 

 
 

 
 

1

           

S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  13896.904173/2008­79 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1301­000.868  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  16 de março de 2012 

Matéria  IRPJ/COMPENSAÇÃO 

Recorrente  HICORP COMUNICAÇÕES CORPORATIVAS S/A (incorporada pela Tele 
Norte Leste Participações S/A) 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

MUDANÇA  DE  DOMICÍLIO  FISCAL  SEM  A  DEVIDA 
COMUNICAÇÃO  AO  FISCO.  VALIDADE  DE  NOTIFICAÇÃO  POR 
EDITAL. 

O processo administrativo fiscal possibilita que a  intimação seja  feita,  tanto 
pessoalmente, quanto pela via postal,  inexistindo qualquer preferência entre 
os  meios  de  ciência.  Assim,  não  é  inquinada  de  nulidade  a  intimação  por 
edital,  quando  resultarem  improfícuos  os meios  de  intimação  pessoal  e  via 
postal,  em  virtude  de  mudança  do  domicílio  fiscal  do  contribuinte,  sem  a 
devida comunicação ao fisco, já que de sua desídia não pode advir vantagem 
para si. 

IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. 

Intimado  o  contribuinte  por  edital  sem  divergência  de  identificação, 
conforme determina o artigo 23, parágrafo 1o., item II, do Decreto n°. 70.235, 
de 1972, há de se ratificar a perempção. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Os  membros  da  Turma  acordam,  por  unanimidade,  negar  provimento  ao 
recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. 

 

 

 

 

(assinado digitalmente) 

  

Fl. 294DF  CARF MF

Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/

05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA

 JUNIOR



 

  2

Alberto Pinto Souza Junior ­ Presidente.  

(assinado digitalmente) 

Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator. 

Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Alberto Pinto Souza 
Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha,  Paulo  Jakson  da Silva Lucas, Edwal Casoni  de 
Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fl. 295DF  CARF MF

Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/

05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA

 JUNIOR



Processo nº 13896.904173/2008­79 
Acórdão n.º 1301­000.868 

S1­C3T1 
Fl. 2 

 
 

 
 

3

Relatório 

Trata­se  das  DCOMP  apresentadas  pela  HICORP  COMUNICAÇÕES 
CORPORATIVAS S.A.  (CNPJ n° 03.541.297/0001­90), e apreciadas no Despacho Decisório 
n°  783781479  da  DRF  Barueri/SP,  emitido  em  26/08/2008  (fls.  07),  vinculadas  ao  saldo 
negativo de IRPJ de 01/01/2003 a 31/12/2003, no valor originário de R$ 482.377,56. 

No  processamento  eletrônico  da  compensação,  verificou­se  a  falta  de 
apuração de saldo negativo de IRPJ na DIPJ 2004 (ano­calendário 2003), pelo que foram não 
homologadas as compensações e cobrados os débitos no valor total de R$745.420,61. 

Consta dos autos, a tentativa de intimação da empresa, por via postal, tendo a 
correspondência sido devolvida em 09/09/2008 (cf docs. de fls. 08/09 e 14), pelo que teria sido 
providenciada  a  ciência,  mediante  o  Edital  n°  1495/2008  (fls.  10/13),  afixado  na  DRF 
Barueri/SP, em 02/10/2008. 

Em  04/06/2009,  a  TELE  NORTE  PARTICIPAÇÕES  S.A.,  CNPJ  n° 
02.558.134/0001­58  (sucessora  por  incorporação  da  HICORP  COMUNICAÇÕES 
CORPORATIVAS S.A.) apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 17/22, na qual 
aduz em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito: 

 1.Preliminares: 

 a.  protesta pela  produção  de prova  pericial  na  documentação  contábil  para 
verificação do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, formula os quesitos a serem 
respondidos e indica o assistente técnico. 

b.  protesta  pela  nulidade  da  intimação  por  edital,  pela  tempestividade  da 
manifestação apresentada e pela suspensão da exigibilidade dos débitos, cuja compensação não 
fora homologada; 

c. afirma que o descumprimento da intimação, por via postal, teria decorrido 
de  erro  cometido  pelo  próprio  Fisco  no  endereçamento  da  intimação,  para  o  endereço  da 
sucedida e incorporada, ao invés de encaminhar para o domicílio da sucessora e incorporadora, 
fato que teria impossibilitado a ciência do Despacho Decisório; 

d.  a  intimação  por  edital  seria  nula  porque  a  intimação  postal  teria  sido 
efetuada em endereço diverso do domicílio tributário eleito pela empresa; 

e.  em  decorrência,  a  manifestação  de  inconformidade  deveria  ser  recebida 
sob pena de violação do princípio da ampla defesa; 

2. Mérito: 

a. afirma que a divergência de informações na DIPJ e na DCOMP acerca do 
valor  do  saldo  negativo  de  IRPJ  não  seria  suficiente  para  a  não­homologação  das 
compensações,  tendo  em  conta  a  existência  do  saldo  negativo  e o  erro  de  preenchimento  da 
DIPJ; 

Fl. 296DF  CARF MF

Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/

05/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA

 JUNIOR



 

  4

b. com fundamento no princípio da verdade material, diz que o mero erro de 
preenchimento  da  DIPJ  não  poderia  obstar  o  direito  ao  crédito,  de  vez  que  comprovados  o 
recolhimentos e as retenções das antecipações correspondentes; 

c. que o direito à compensação seria decorrente do princípio da moralidade; 

A autoridade  julgadora de primeira instância decidiu a matéria por meio do 
Acórdão 05­30.750 da DRJ/CAMPINAS, em 21/09/2010, (doc. fls.217/224), não conhecendo 
da  manifestação  de  inconformidade  por  se  configurar  intempestiva,  tendo  sido  lavrada  a 
seguinte ementa: 

ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL 

Período de,apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 

Nulidade. Intimação por Edital. 

Quando resultar improfícuo qualquer dos meios primários de intimação (pessoal, por 
via postal ou por meio eletrônico), a intimação deve ser feita por edital afixado em 
dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. 

Considera­se feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação do edital. 

Quando  a  lei  prescrever  determinada  forma,  sob  pena  de  nulidade,  a  decretação 
desta não pode ser requerida pela parte que lhe deu causa. 

A nulidade da intimação por edital, efetuado em função de a pessoa jurídica não ter 
sido  localizada  no  endereço  constante  do  Cadastro  Nacional  da  Pessoa  Jurídica  ­ 
CNPJ, não pode ser invocada pela sucessora e incorporadora, quando não adotados 
os  procedimentos  cabíveis  tendentes  à  atualização  das  informações  cadastrais 
perante o CNPJ. 

É  intempestiva  e  não  instaura  o  contraditório  a  manifestação  de  inconformidade 
apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência. 

É o relatório.  

Passo ao voto. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fl. 297DF  CARF MF

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 JUNIOR



Processo nº 13896.904173/2008­79 
Acórdão n.º 1301­000.868 

S1­C3T1 
Fl. 3 

 
 

 
 

5

 

Voto            

Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas 

O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço.  

Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  decisão  que  não  conheceu  da 
manifestação de inconformidade por esta se configurar intempestiva.  

Em breve síntese, a decisão do Despacho Decisório negando homologação à 
compensação pleiteada, foi encaminhada ao contribuinte, via correio, não tendo sido recebida 
no  endereço  constante  do  Cadastro  Nacional  da  Pessoa  Jurídica  ­  CNPJ,  devolvida  em 
09/09/2008, conforme documentos de fls. 08/09 e 14. Na data da postagem da intimação, em 
29/08/2008,  a  empresa  H1CORP  COMUNICAÇÕES  CORPORATIVAS  S.A.  (CNPJ  n° 
03.541.297/0001­90)  encontrava­se  no  CNPJ  na  situação  cadastral  ATIVA  e  sediada  na 
Alameda Araguaia,  933, 8o  andar, Conjunto 88, Alphaville, Barueri/SP  (fls.  177),  este  era o 
domicílio tributário eleito ou o endereço postal fornecido pela contribuinte, para fins cadastrais, 
à administração tributária. 

Em seguida foi providenciado a ciência por Edital afixado na DRF de origem 
em  02/10/2008  (fls.  10/13).  Somente  em  04/06/2009,  a  TELE  NORTE  PARTICIPAÇÕES 
S.A.,  CNPJ  n°  02.558.134/0001­58  (sucessora  por  incorporação  da  HICORP 
COMUNICAÇÕES CORPORATIVAS S.A.) apresentou a manifestação de inconformidade de 
fls. 17/22, na qual aduz em sua defesa que a intimação por edital seria nula porque a intimação 
postal teria sido efetuada em endereço diverso do domicílio tributário eleito pela empresa. 

Para  fins de  intimação,  considera­se domicílio  tributário do sujeito passivo: 
(I) o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (II) o 
endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária,  desde  que  autorizado  pelo 
sujeito passivo (Decreto 70.235/1972, art. 23, par. 4o.e Lei 11.196/2005, art. 113). 

Diante disso, no âmbito do processo administrativo tributário entendo como 
válida  a  citação  por  edital.  Uma  vez  transcorrido  o  prazo  regulamentar  e  não  havendo 
apresentação de impugnação no prazo legal, encerra­se o direito do contribuinte, não cabendo 
apreciação a posteriori. 

Em que pese os  argumentos  suscitados,  a  intimação postal  só  tem validade 
quando  realizada  no  domicílio  fiscal  do  contribuinte,  que  para  todos  os  efeitos  é  aquele 
declarado e constante nos  sistemas da Receita Federal. Por sua vez para que a  intimação por 
edital seja válida, a autoridade fiscal deve ter esgotado, sem sucesso, as tentativas de intimação 
por via postal. No caso  concreto utilizou­se a citação por edital,  instrumento  jurídico válido, 
quando o  sujeito passivo não é  localizado no domicílio  tributário  constante nos  cadastros da 
Receita Federal. 

Acolher a pretensão do suplicante implicaria grave ofensa aos princípios que 
regem o Processo Administrativo Fiscal, já que é valida a intimação via edital. 

Fl. 298DF  CARF MF

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 JUNIOR



 

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Nestes termos, posiciono­me no sentido de negar provimento ao recurso, por 
extemporânea a peça impugnatória. 

(assinado digitalmente) 

Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator 

 

           

 

           

 

 

Fl. 299DF  CARF MF

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 JUNIOR


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Exercício: 2007
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES. DEDUÇÃO.
Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias pagas aos filhos menores ou aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau. Ressalva-se, ainda, a hipótese de sentença judicial expressa determinando o pagamento de alimentos após a maioridade, desde que não resultante de acordo celebrado entre interessados.
Recurso Voluntário Negado
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator) e Ewan Teles Aguiar. Designado redator do Voto Vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente na data da formalização da decisão (Ordem de Serviço nº 1, de 08 de março de 2013)
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.

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S2­TE01 

Fl. 149 

 
 

 
 

1

148 

S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  11543.003217/2008­16 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  2801­002.957  –  1ª Turma Especial  

Sessão de  13 de março de 2013 

Matéria  IRPF 

Recorrente  DEO ROZINDO DA SILVA 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF 

Exercício: 2007 

PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES. DEDUÇÃO.  

Somente são dedutíveis da base de  cálculo do  imposto de  renda as pensões 
alimentícias pagas aos filhos menores ou aos filhos maiores de idade quando 
incapacitados  para  o  trabalho  e  sem  meios  de  proverem  a  própria 
subsistência,  ou  até  24  anos  se  estudantes  do  ensino  superior  ou  de  escola 
técnica de segundo grau. Ressalva­se, ainda, a hipótese de sentença  judicial 
expressa determinando o pagamento de alimentos após a maioridade, desde 
que não resultante de acordo celebrado entre interessados. 

Recurso Voluntário Negado 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento 
ao  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  Carlos  César  Quadros  Pierre  (Relator)  e  Ewan  Teles 
Aguiar. Designado redator do Voto Vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. 

Assinado digitalmente 

Tânia  Mara  Paschoalin  ­  Presidente  na  data  da  formalização  da  decisão 
(Ordem de Serviço nº 1, de 08 de março de 2013) 

Assinado digitalmente 

Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Redator Designado 

Assinado digitalmente 

Carlos César Quadros Pierre ­ Relator 

  

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Fl. 149DF  CARF MF

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24/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por CARLOS CESAR

QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN




Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 150 

 
 

 
 

2

Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Antonio  de  Pádua 
Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César 
Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. 

Relatório 

Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do 
Brasil  de  Julgamento,  7ª Turma da DRJ/BSB  (Fls.  29),  na  decisão  recorrida,  que  transcrevo 
abaixo: 

Contra  o  contribuinte  em  epígrafe  foi  emitida  Notificação  de 
Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 
13/16),  referente  ao  exercício  2007,  ano­calendário  2006,  que 
lhe  exige  o  recolhimento  do  crédito  tributário  conforme 
demonstrativo abaixo: 

Demonstrativo do Crédito Tributário (em R$) 

Imposto Suplementar (Sujeito à multa de ofício)  6.102,62 

Multa de Ofício (75%)  4.576,96 

Juros de Mora (calculado até o lançamento)  831,17 

Imposto de Renda (sujeito à multa de mora)  0 

Multa de Mora  0 

Juros de Mora (calculado até o lançamento)  0 

Total do crédito tributário apurado  11.510,75 

O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: 

Dedução  Indevida  de  Pensão  Alimentícia  Judicial  –  glosa  de 
dedução de pensão alimentícia judicial, pleiteada indevidamente 
pelo  contribuinte  na  Declaração  do  Imposto  de  Renda  Pessoa 
Física  do  exercício  2007,  ano­calendário  2006.  Valor:  R$ 
33.600,00.  Motivo  da  glosa:  Falta  de  comprovação  do 
pagamento. 

Os enquadramentos legais encontram­se às fls. 14 dos autos. 

O  contribuinte  foi  cientificado  do  Auto  de  Infração  em 
22/07/2008, conforme documento de fls. 17. 

Em  19/08/2008,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  de 
fls.01/09 acompanhada dos documentos de fls. 18/81, afirmando 
que: 

­ Conforme decisão  judicial  anexada aos  autos  (fls.  18/27),  foi 
determinado judicialmente o pagamento de pensão alimentícia à 
sua ex­esposa Janete de Azevedo Rozindo (R$800,00), aos filhos 
Denise  de  Azevedo  Rozindo  (R$1.180,00)  e  Daniel  Azevedo 

Fl. 150DF  CARF MF

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Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em

24/04/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por CARLOS CESAR

QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN



Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 151 

 
 

 
 

3

Rozindo  (R$820,00),  perfazendo  assim  um  total  de  R$2.800,00 
mensais pagos a título de pensão alimentícia. 

­  Conforme  comprovantes  anexados  aos  autos  (fls.28/69)  foi 
efetuado o pagamento anual de 33.600,00 (12 x R$2.800,00). 

­  Que  a  maioridade  não  exonera  o  impugnante  do  dever  de 
prestar  alimentos  a  que  ficou  judicialmente  obrigado  conforme 
decisões judiciais anexados aos autos; 

Passo  adiante,  a  7ª  Turma  da  DRJ/BSB  entendeu  por  bem  julgar  a 
impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: 

DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FILHOS MAIORES DE 
24 ANOS. 

Não há que se admitir a dedução a título de pensão alimentícia 
judicial,  cujo  pagamento  foi  realizado  para  filhos  do 
contribuinte,  os  quais  são  maiores  de  24  anos,  quando  não 
colacionada aos autos documentação hábil capaz de comprovar, 
no caso, a incapacidade dos filhos proverem a própria mantença 
e/ou a incapacidade deles, física ou mental, para o trabalho. 

DEDUÇÃO.  PENSÃO  ALIMENTÍCIA.  COMPROVAÇÃO. 
Restabelece­se a título de pensão alimentícia para a ex­conjuge 
nos valores devidamente comprovados. 

Cientificado  em  23/02/2011  (Fls.  129),  o  Recorrente  interpôs  Recurso 
Voluntário, em 23/03/2011 (fls. 130 a 140), argumentando em síntese: 

(...) 

3.  RAZÕES  PARA  O  ACOLHIMENTO  DO  PRESENTE 
RECURSO VOLUNTÁRIO: 

De forma objetiva, podemos concluir que o cerne da questão ora 
discutida reside na possibilidade de deduzir, da base de cálculo 
do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física,  os  valores  efetivamente 
pagos  a  filhos maiores  de  24  (vinte  e  quatro)  anos  a  título  de 
pensão  alimentícia,  decorrentes  de  acordo  homologado 
judicialmente. 

(...) 

Diante disso, é ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL concluir pela 
falta  de  previsão  legal  para  a  dedução  da  pensão  alimentícia 
paga  pelo  requerente  à  sua  ex­esposa,  já  reconhecida  pela  7a 
Turma  da  DRJ/BSB,  da  mesma  forma  que  a  seus  dois  filhos, 
considerando que tal obrigação decorreu de sentença rigorosa e 
efetivamente cumprida. 

Importa  destacar,  a  fim  de  dissipar  eventuais  dúvidas,  que 
diversamente  do  que  entende  o  colegiado  a  quo,  o  fato  de  os 
beneficiários  possuírem  mais  de  24  (vinte  e  quatro)  anos  em 
nada altera a obrigação do requerente de prestar alimentos, bem 
como o direito de deduzi­los do seu IRPF. 

Fl. 151DF  CARF MF

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QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN



Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 152 

 
 

 
 

4

Primeiro  porque,  quanto  à  obrigação  de  prestar  alimentos,  a 
jurisprudência  do  STJ  é  firme  na  orientação  de  que  NÃO  HÁ 
QUE SE FALAR EM EXONERAÇÃO AUTOMÁTICA em razão 
da  superveniência  da  maioridade  ­  ou  de  qualquer  outra 
circunstância  ­  do  beneficiário,  posto  ser  necessário  o 
ajuizamento  de  ação  própria  dando  oportunidade  ao  mesmo 
para demonstrar se continua necessitando da pensão. 

(...) 

Depois  porque,  no  que  tange  ao  direito  de  deduzir  o  valor  da 
pensão  alimentícia  do  IRPF,  não  cabe  à  recorrida  fazer 
qualquer  restrição  (no  caso,  restrição  relativa  à  idade  do 
beneficiário) a fato que o próprio legislador não tratou de fazer, 
sendo certo que, pelo princípio da  legalidade, a Administração 
só  pode/deve  agir  consoante  o  quanto  determinado/autorizado 
em lei. 

(...) 

Dessa sorte, não se pode, de maneira genérica como pretende a 
recorrida, estabelecer limite de idade aos filhos para restringir o 
direito de o recorrente deduzir do seu IRPF a importância paga 
aos mesmos a  título de alimentos. A Lei n° 9.250/1995, no art. 
8o,  II,  "f",  autoriza  a  dedução  do  valor  da  pensão  alimentícia 
"em  face  das  normas  de  Direito  de  Família",  que  não  traz 
qualquer  ressalva  de  idade  para  que  uma  pessoa  seja 
beneficiada  com  alimentos,  bastando,  simplesmente,  que  deles 
necessite  (binômio  necessidade/possibilidade).3  Tal 
circunstância é essencialmerr pessoal e diz respeito somente às 
partes  familiares envolvidas, descabendo qualquer interferência 
do fisco nesse sentido. 

(...) 

Neste  diapasão,  não  assiste  razão  aos  argumentos  postos  no 
Acórdão recorrido a fim de justificar a ilegal recusa do direto a 
dedução  desses  valores  pagos,  uma  vez  que  os  mesmos  foram 
forçosamente  criados  para  justificar  o  injustificável.  Assim 
vislumbramos  que  primeiro  tentaram  interpretar  de  forma 
restrita  a  expressão  "menores"  utilizada  pelo  juiz  quando  da 
homologação  do  acordo  judicial  ­  folha  95  do  Acórdão  03­
¿9.678 ­, senão vejamos: 

"...  utilizando­se  da  expressão  "menor"  e  não  filhos,  dando  o 
entendimento de que a pensão alimentícia será paga enquanto os 
filhos  não  atingirem  a  idade  adulta  conforme  o  direito  de 
família." 

Ora, é patente que a expressão "menores" conota a situação dos 
filhos na época da homologação, e caso o juiz tivesse a intenção 
de delimitar um prazo para pagamento da pensão alimentícia, o 
mesmo o teria feito. 

Depois, buscaram o art. 35 da Lei n° 9.250/1995 para embasar a 
tese de que a pensão alimentícia deve ser analisada sob o prisma 

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Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 153 

 
 

 
 

5

dos  requisitos  necessários  para  a  relação  de  dependência 
disposto  na  legislação  do  imposto  de  renda.  Tamanho absurdo 
cometeram nessa tese, pois o citado artigo, em seu caput, dispõe: 
"Art.  35.  Para  efeito  do  disposto  nos  arts.  4°,  inciso  III.  e  8o, 
inciso  II,  alínea  c,  poderão  ser  considerados  como 
dependentes:"; ou seja, utilizaram­se de um artigo que não trata 
do  ART.  4°.  INCISO  II  (QUE CUIDA DA DEDUTIBILIDADE 
DA  PENSÃO  ALIMENTÍCIA)  para  impor  uma  limitação 
temporal ­ até os 24 (vinte e quatro) anos ­ que não existe. 

Por fim, quanto argumento de que essa dedução seria prejudicial 
erário, e por consequência a sociedade; mais um absurdo, senão 
vejamos. 

A sentença foi proferida em 19.09.1979, obrigando o requerente 
a pagar ­ na época prestações alimentícias da seguinte forma: 

Denise Azevedo Rozindo  15 0RTN/S 

Daniel Azevedo Rozindo  15 ORTN's 

Da sentença já se passaram quase vinte anos, sendo inegável a 
desvalorização da pensão acima ­ calculada com base no ORTN 
­  frente  às  mudanças  de  moeda  e  à  inflação.  Por  isso  a 
jurisprudência  do  STJ  admite  a  correção  da  prestação 
alimentícia por  índice que reflita a  recomposição do  seu poder 
aquisitivo, (...) 

(...) 

No  caso  em  tela,  corrigindo­se  as  prestações  alimentícias  pelo 
INPC/IBGE (vide planilhas em anexo), o valor atualizado devido 
a  título  das  mesmas  chega,  por  mês,  a  R$  1.063,81  (um  mil, 
sessenta e três reais e oitenta e um centavos) para cada filho (15 
ORTN 's para cada). 

Perceba  Excelência,  que  a  quantia  paga  pelo  requerente  aos 
beneficiários dos alimentos, embora prudentemente pautada pelo 
critério  de  suprir  suas  necessidades,  é  muito  menor  do  que  o 
valor  corrigido,  porquanto  não  há  que  se  falar  em  prejuízo  ao 
erário;  pelo  contrário,  pois  a  pensão  alimentícia  ­  e  por 
consequência a dedução no IR ­ poderia ser até maior do que a 
atualmente operada. 

De fato, não se trata de valores aleatoriamente inventados pelo 
requerente,  como  se  estivesse  a  pretender  fraudar  o  Fisco. 
Trata­se, sim, de depósitos efetuados à sua ex­esposa e aos seus 
dois filhos com o claro propósito de dar cumprimento ao acordo 
judicial ­ o destaque em sublinhas feito na jurisprudência acima 
revela  que  o  STJ  se  preocupa  com  essa  questão  ­,  o  qual  foi 
homologado por  sentença não desconstituída  (o que só poderia 
ocorrer com o ajuizamento de ação própria). 

RESSALTA­SE  QUE  A  SENTENÇA  É  ATO  VÁLIDO,  COM 
PLENA  VIGÊNCIA,  E  POR  FAZER  LEI  ENTRE  AS  PARTES, 
AINDA  É  FONTE  DA  OBRIGAÇÃO  DO  REQUERENTE  DE 

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Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 154 

 
 

 
 

6

PRESTAR ALIMENTOS À SUA EX­ESPOSA E AOS SEUS DOIS 
FILHOS. 

(...) 

Isso  significa  dizer  que:  (i)  se  os  valores  recebidos  a  título  de 
pensão  alimentícia  foram  devidamente  declarados  pelos 
beneficiários,  é  clara  a  ocorrência  de  bis  in  idem,  pois  a 
recorrida  estaria  tributando  em  duplicidade  uma  única  renda; 
(ii)por  outro  lado,  caso  tais  valores  não  tenham  sido 
devidamente  declarados  pelos  beneficiários,  CABE  À 
RECORRIDA  DELES  COBRÁ­LOS,  MAS  NUNCA  DO 
RECORRENTE. 

Vale ressaltar que o requerente cuidou de enviar o "comprovante 
de rendimentos pagos" ­ como de  fato cuida anualmente ­ para 
os beneficiários, confeccionando­o com base no art. 865 da Lei 
n° 8.981/1995, documento pelo qual lhes dá ciência dos valores 
a  eles  pagos  a  título  de  pensão  alimentícia,  justamente  para  o 
correto preenchimento de suas declarações. 

A  verdade  é  que  se  o  pagamento  de  pensão  alimentícia  é 
admitido  como  dedução  numa  ponta,  certo  é  que  se  trata  de 
rendimento  tributável  na  outra  (renda  percebida  pelos 
beneficiários),  não  se afigurando  legítima a  exigência de  IRPF 
do requerente. 

Ao  fim  e  ao  cabo,  o  que  importa  é  que  o  requerente 
EFETIVAMENTE  PAGOU  a  título  de  pensão  alimentícia  ­  a 
seus  dois  filhos  ­  o  valor  de  R$  24.000,00  (vinte  e  quatro  mil 
reais)  no  ano  de  2006,  sendo  a  dedução  de  tal  pagamento 
absolutamente  autorizada  pela  legislação  tributária 
correspondente, não cabendo à recorrida impor qualquer tipo de 
restrição, seja de idade dos beneficiários, seja de valores pagos 
(mesmo  porque  se  viu  que  a  correção  é  admitida  pela 
jurisprudência do STJ), já que a própria lei não a faz. 

Com isso, o que se tem é que o lançamento lavrado em desfavor 
requerente  é  totalmente  descabido  e  destituído  de  juridicidade, 
razão  por  que  deve  ser  anulado,  retornando­se  ao  status  quo 
ante  em  vista  das  corretas  informações  prestadas  em  sua 
Declaração de Ajuste Anual de 2007. 

É o Relatório. 

Voto Vencido 

Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. 

Conheço  do  recurso,  posto  que  tempestivo  e  com  condições  de 
admissibilidade. 

Resta em litígio a glosa da dedução efetuada na base de cálculo do IRPF, no 
período fiscalizado, a título de Pensão Alimentícia Judicial, pagas aos dois filhos do recorrente. 

Fl. 154DF  CARF MF

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Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 155 

 
 

 
 

7

Entendeu  a  autoridade  lançadora  que,  uma  vez  que  o  contribuinte  não 
comprovou os pagamentos da pensão paga a sua ex­esposa e aos  seus dois  filhos,  tal pensão 
não poderia ser aceita para fins de dedução do imposto de renda devido. 

Do  exposto,  se  verifica  que  a  fiscalização  não  questionou,  nestes  casos 
específicos, a adequação do acordo homologado judicialmente as normas do direito de família, 
em especial em razão da idade dos dois filhos do contribuinte. 

Por este motivo, não é o caso de se requerer, no presente momento, a análise 
do caso sob o aspecto da adequação do acordo  judicial as normas do direito de família, ou a 
idade dos filhos; mas sim sob a ótica da adequação dos recibos como meios de prova na forma 
exigida pela fiscalização. 

Dentro deste contexto, buscando suprir a falha apresentada pela fiscalização, 
o contribuinte tratou de apresentar recibos emitidos por sua ex­esposa e por seus dois filhos. 

Por sua vez, a DRJ acatou como prova dos pagamentos os recibos emitidos 
pela  ex­esposa  do  recorrente,  restabelecendo  a  dedução  pertinente; mas  não  restabeleceu  as 
deduções  relativas aos pagamentos de pensão dos  seus dois  filhos  em razão destes contarem 
com mais de 24 anos à época dos fatos. 

Contudo, a DRJ não poderia  inovar o  lançamento, exigindo a comprovação 
de  adequação  da  pensão  as  normas  do  direito  de  família.  Bastando,  para  afastar  as  glosas 
realizadas pela fiscalização, a apresentação de documentos que comprovassem os pagamentos 
realizados. 

Dentro deste quadro, aos  recibos emitidos pelos dois  filhos do contribuinte, 
deve  ser  atribuído  o  mesmo  valor  probante  dado  aos  recibos  emitidos  pela  ex­esposa  do 
contribuinte; que, por sua vez, foram aceitos pela DRJ como prova dos pagamentos,  

Assim, na presente  situação,  entendo que  a documentação apresentada pelo 
recorrente  supre  a  prova  requerida  pela  fiscalização,  e  é  suficiente  para  reverter  as  glosas 
relacionadas a pensão paga aos seus filhos. 

Ante  tudo  acima  exposto  e  o  que  mais  constam  nos  autos,  voto  por  dar 
provimento ao recurso, para restabelecer a dedução do valor de R$19.440,00 declarado a título 
de pensão alimentícia judicial para os dois filhos do recorrente. 

Assinado digitalmente 

Carlos César Quadros Pierre  

Voto Vencedor 

Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado 

Registro, de início, que à época da lavratura da Notificação de Lançamento a 
Autoridade  lançadora  desconhecia  a  idade  dos  alimentandos,  haja  vista  que  os  documentos 
colacionados  aos  autos,  relativos  ao  acordo  homologado  judicialmente,  somente  foram 
apresentados pelo Interessado em sede de impugnação.  

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Processo nº 11543.003217/2008­16 
Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 156 

 
 

 
 

8

Feita esta observação preliminar, oportuno observar que a doutrina brasileira 
identifica,  de  maneira  uniforme,  duas  modalidades  de  obrigações  alimentares  a  que  estão 
sujeitos os pais em relação aos filhos.  

A primeira, decorrente do pátrio poder (atualmente poder familiar), sujeita os 
pais ao dever de sustento, guarda e educação dos filhos durante a menoridade. Seu fundamento 
encontra­se no art. 1.566, IV, do atual Código Civil ­ CC/2002, cujo teor é o seguinte: 

Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: 

 (...) 

IV – Sustento, guarda e educação dos filhos; 

Com a maioridade pode surgir obrigação alimentar dos pais em relação aos 
filhos, porém de natureza diversa, fundada nos arts. 1.694 e 1.695 do CC/2002. Essa obrigação, 
que  deriva  da  relação  de  parentesco,  diz  respeito  aos  filhos  maiores  que  não  estão  em 
condições de prover a sua própria subsistência. 

Não  obstante  ambas  as  modalidades  terem  título  jurídico  radicado 
expressamente no Livro IV do CC/2002, todo ele dedicado ao Direito de Família, não se pode 
emprestar a simplicidade de uma interpretação literal ao art. 4º,  II, da Lei nº 9.250/1995, que 
autoriza a dedução, da base de cálculo do imposto de renda, das importâncias pagas a título de 
pensão alimentícia,  em face das normas do Direito de Família, para permitir que deduções a 
esse título se perpetuem ad aeternum.  

A solução que melhor se coaduna com os princípios informadores do Direito 
Tributário pode ser extraída de uma interpretação sistemática das normas do Direito Civil e dos 
arts. 4, II e 35, III, § 1º, ambos da Lei nº 9.250/1995, assim descritos:  

Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência 
mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: 

 (...) 

II ­ as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face 
das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de 
decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, 
de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a 
que se refere o art. 1.124­A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 
1973  ­  Código  de  Processo  Civil;  (Redação  dada  pela  Lei  nº 
11.727, de 23 de junho de 2008) 

 (...) 

Art. 35.Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso 
II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes: 

 (...) 

III ­ a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de 
qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para 
o trabalho; 

 (...) 

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Acórdão n.º 2801­002.957 

S2­TE01 
Fl. 157 

 
 

 
 

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§  1º Os  dependentes  a  que  se  referem  os  incisos  III  e  V  deste 
artigo  poderão  ser  assim  considerados  quando maiores  até  24 
anos de  idade,  se ainda estiverem cursando estabelecimento de 
ensino superior ou escola técnica de segundo grau. 

Os dispositivos transcritos, em conjunto com as normas do Direito de Família 
estabelecidas no CC/2002, admitem a interpretação de que as deduções de pensão alimentícia 
da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  devem  se  restringir  aos  valores  pagos  a  esse  título 
durante o período do dever de sustento (até a maioridade), além de casos especialíssimos, como 
o  dos  filhos  maiores  inválidos  e  dos  filhos  maiores  até  24  anos  de  idade  que  estiverem 
cursando o ensino superior ou escola técnica de segundo grau. 

É  que  a  invalidez  não  propicia  a  exoneração  do  encargo  alimentar  pela 
aquisição da maioridade, eis que a necessidade de recebimento dos alimentos não deriva, neste 
caso, da  faixa etária, mas sim do estado precário de saúde do alimentando. Por outro  lado, a 
dedução  de  pensão  alimentícia  paga  a  filhos  estudantes  maiores,  de  até  24  anos  de  idade, 
justifica­se pelo dever de  educação dos  filhos,  imanente  ao poder  familiar,  sem o  condão de 
transmudar o dever de sustento em obrigação alimentar perpétua.  

Nessa  linha  de  raciocínio,  somente  são  dedutíveis  da  base  de  cálculo  do 
imposto de renda  as pensões alimentícias pagas  aos  filhos menores ou aos  filhos maiores de 
idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou 
até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau. Ressalva­se, 
ainda, a hipótese de sentença judicial expressa determinando o pagamento de alimentos após a 
maioridade, desde que não resultante de acordo celebrado entre interessados. 

Assim,  deve  ser  mantida  a  glosa  de  pensão  alimentícia  relativa  aos  filhos 
Daniel e Denise, que contavam, no ano­calendário de 2006, respectivamente, com 34 e 37 anos 
de idade, haja vista não haver comprovação da incapacidade, de ambos, para o trabalho.  

Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. 

Assinado digitalmente 

Marcelo Vasconcelos de Almeida 

 

  

           

 

 

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Período de apuração: 01/05/1996 a 30/10/2004  
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL.  
A diligência e a perícia requeridas são indeferidas, com fundamento no art.  18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se  tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos  os elementos necessários ao julgamento.  
CONTRATAÇÃO  DE  TRABALHADORES  SEM  CONCURSO  PÚBLICO  POR  ÓRGÃO  PÚBLICO  OU  FUNDAÇÃO  PÚBLICA.  NULIDADE DA CONTRATAÇÃO QUE NÃO AFETA A INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  JURISPRUDÊNCIA  DO  TST.  Não obstante tenha sido reconhecida a nulidade da contratação em virtude da  inexistência de concurso público, foram pagas aos trabalhadores considerados  contribuintes individuais verbas de natureza nitidamente salarial, o que enseja  a incidência da contribuição previdenciária. Harmonia com a Súmula 363 do  TST.  
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A  QUO NO CASO CONCRETO.  De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei  nº  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência  e  prescrição,  as  disposições  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).   
No caso concreto aplica-se a regra prevista no artigo 150, § 4º do Código  Tributário Nacional, haja vista que haja vista que houve pagamento parcial  das contribuições previdenciárias, considerando-se a totalidade da folha de  salários.   
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN,  NECESSIDADE  DE  AVALIAR  AS  ALTERAÇÕES  PROVOCADAS  PELA LEI 11.941/09.  Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo  qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do  inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código  Tributário  Nacional,  devendo  ser  a  multa  lançada  na  presente  autuação  calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de  1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais  benéfica ao contribuinte.  
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA  LEI 8.212/91.  Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic  para  títulos  federais.  Acrescente-se  que,  para os  tributos  regidos  pela  Lei  8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.  
Recurso Voluntário Provido em Parte, turma_s=Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção, numero_processo_s=11853.001015/2007-55, conteudo_id_s=5239760, dt_registro_atualizacao_tdt=Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2020, numero_decisao_s=2301-002.530, nome_arquivo_s=Decisao_11853001015200755.pdf, nome_relator_s=MAURO JOSE SILVA, nome_arquivo_pdf_s=11853001015200755_5239760.pdf, secao_s=Segunda Seção de Julgamento, arquivo_indexado_s=S, decisao_txt=[Acordam  os  membros  do  colegiado,  I)  Por  maioria  de  votos:  a)  em  dar  provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a  competência  01/2001,  anteriores  a  02/2001,  nos  termos  do  voto  do  Redator  Designado.  Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em aplicar a  regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em manter a aplicação da multa, nos  termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou  pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja  aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos  termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que  votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao  Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).], dt_sessao_tdt=Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012, id=4601960, ano_sessao_s=2012, atualizado_anexos_dt=Fri Oct 08 09:02:15 UTC 2021, sem_conteudo_s=N, _version_=1713041573338415104, conteudo_txt=Metadados =&gt; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2270; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo =&gt; 
S2­C3T1 

Fl. 610 

 
 

 
 

1

609 

S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  11853.001015/2007­55 

Recurso nº  999.999   Voluntário 

Acórdão nº  2301­002.530  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  18 de janeiro de 2012 

Matéria  CONT. PREV. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS  

Recorrente  FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA ­ FUB 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS 

Período de apuração: 01/05/1996 a 30/10/2004 

DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL. 

A diligência e a perícia  requeridas  são  indeferidas,  com fundamento no art. 
18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se 
tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos 
os elementos necessários ao julgamento. 

CONTRATAÇÃO  DE  TRABALHADORES  SEM  CONCURSO 
PÚBLICO  POR  ÓRGÃO  PÚBLICO  OU  FUNDAÇÃO  PÚBLICA. 
NULIDADE DA CONTRATAÇÃO QUE NÃO AFETA A INCIDÊNCIA 
DA  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  JURISPRUDÊNCIA  DO 
TST. 

Não obstante tenha sido reconhecida a nulidade da contratação em virtude da 
inexistência de concurso público, foram pagas aos trabalhadores considerados 
contribuintes individuais verbas de natureza nitidamente salarial, o que enseja 
a incidência da contribuição previdenciária. Harmonia com a Súmula 363 do 
TST. 

DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A 
QUO NO CASO CONCRETO. 

De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 
nº  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à 
decadência  e  prescrição,  as  disposições  do  Código  Tributário  Nacional 
(CTN).  

No  caso  concreto  aplica­se  a  regra  prevista  no  artigo  150,  §  4º  do Código 
Tributário Nacional,  haja vista que haja vista que houve pagamento parcial 
das  contribuições  previdenciárias,  considerando­se  a  totalidade  da  folha  de 
salários. 

  

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  2

MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN, 
NECESSIDADE  DE  AVALIAR  AS  ALTERAÇÕES  PROVOCADAS 
PELA LEI 11.941/09. 

Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo 
qual  incide  na  espécie  a  retroatividade  benigna  prevista  na  alínea  “c”,  do 
inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código 
Tributário  Nacional,  devendo  ser  a  multa  lançada  na  presente  autuação 
calculada nos  termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de 
1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais 
benéfica ao contribuinte. 

TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA 
LEI 8.212/91. 

Em  conformidade  com  a  Súmula  do  CARF,  é  cabível  a  cobrança  de  juros  de 
mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e 
contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com 
base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia ­ Selic 
para  títulos  federais.  Acrescente­se  que,  para  os  tributos  regidos  pela  Lei 
8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. 

Recurso Voluntário Provido em Parte 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  I)  Por  maioria  de  votos:  a)  em  dar 
provimento  parcial  ao  recurso,  para  excluir  do  lançamento  as  contribuições  apuradas  até  a 
competência  01/2001,  anteriores  a  02/2001,  nos  termos  do  voto  do  Redator  Designado. 
Vencidos  os  Conselheiros Mauro  José  Silva  e Marcelo  Oliveira,  que  votaram  em  aplicar  a 
regra  decadencial  expressa  no  I, Art.  173  do CTN;  b)  em manter  a  aplicação  da multa,  nos 
termos  do  voto  do Redator Designado. Vencido  o Conselheiro Mauro  José Silva,  que  votou 
pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja 
aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos 
termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que 
votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao 
Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). 

(assinado digitalmente) 

Marcelo Oliveira ­ Presidente. 

(assinado digitalmente) 

Mauro José Silva ­ Relator. 

(assinado digitalmente) 

Adriano González Silvério – Redator Designado 

Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Leonardo  Henrique 
Pires  Lopes,  Damião  Cordeiro  de  Moraes,  Adriano  González  Silvério,  Mauro  José  Silva  e 
Marcelo Oliveira. 

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 611 

 
 

 
 

3

Relatório 

Trata­se  de  lançamento  lavrado  em  21/02/2006,  por  ter  o  contribuinte  acima 
identificado,  segundo  Relatório  Fiscal,  fls.  86/91,  deixado  de  incluir  na  base  de  cálculo  da 
contribuição  previdenciária  da  empresa  remunerações  pagas  a  contribuintes  individuais,  no 
período  de  05/1996  a  10/2004,  tendo  resultado  na  constituição  do  crédito  tributário  de  R$ 
246.932,08, fls. 01. 

Após tomar ciência pessoal da autuação em 22/02/2006, fls. 01, a recorrente 
apresentou impugnação, fls. 106/121, na qual apresentou argumentos similares aos constantes 
do recurso voluntário.  

Na Decisão­Notificação de fls. 553/562, a DRP/Distrito Federal concluiu pela 
procedência  integral  do  lançamento,  tendo  a  recorrente  sido  cientificada  do  decisório  em 
18/09/2006, fls. 564. 

O  recurso  voluntário,  apresentado  em  18/10/2006,  fls.  567/579,  apresentou 
argumentos conforme a seguir resumimos. 

Sustenta  a  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância  por  não  ter  sido 
apreciado seu argumento de inconstitucionalidade. 

Insiste  que  a  negativa  de  prova  pericial  resulta  em  violação  do  devido 
processo legal, pretendendo a aplicação do art. 745 do CPC. 

Pleiteia  a  exclusão  do  lançamento  de  fatos  geradores  atingidos  pela 
decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. 

Argumenta  que,  como  as  contratações  foram  declaradas  nulas,  os  salários 
pagos  seriam,  na  verdade,  indenizações  sobre  as  quais  não  incidiriam  contribuições 
previdenciárias. 

Vários pagamentos teriam sido desconsiderados e a recorrente não teria tido 
oportunidade de produzir provas de sua alegação. 

Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e 
cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. 

Requer  diligência  para  apurar  os  pagamentos  já  realizados  e  promover  o 
encontro de contas quanto aos apagamentos realizados em todos os CNPJs da FUB. 

Foram  apresentadas  contra­razões,  fls.  583/595,  que  defenderam  a  posição 
adotada pela decisão de primeira instância. 

O  julgamento  da  4ª  Câmara  de  Julgamento  de  13/111/2006,  fls.  592/600,  foi 
convertido em diligência para que a fiscalização informasse se todas as guias apresentadas pela 
recorrente haviam sido consideradas no lançamento e, em caso negativo, fosse providenciada a 
retificação do débito. 

Fl. 608DF  CARF MF

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  4

Na  Informação  Fiscal  de  fls.  603/604,  a  fiscalização  esclareceu  que  as  guias 
apresentadas foram aproveitadas nos respectivos levantamentos, porém estavam relacionadas a 
fatos  geradores  até  11/1999  somente. Outras  guias  apresentadas  não  se  relacionavam  com o 
período  do  lançamento  ou  não  comprovavam  o  recolhimento  da  contribuição  e  sim  o 
pagamento da folha de salários. 

A recorrente foi cientificada da informação fiscal e nada acrescentou. 

É o relatório. 

Fl. 609DF  CARF MF

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 612 

 
 

 
 

5

 

 

Voto Vencido 

Conselheiro Mauro José Silva, Relator 

Reconhecemos  a  tempestividade  do  recurso  apresentado  e  dele  tomamos 
conhecimento. 

Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto.  

 

Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade 
de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. 

A  competência  para  decidir  sobre  a  constitucionalidade  de  normas  foi 
atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. 
Em  tais  dispositivos,  o  constituinte  teve  especial  cuidado  ao  definir  quem poderia  exercer  o 
controle  constitucional  das  normas  jurídicas.  Decidiu  que  caberia  exclusivamente  ao  Poder 
Judiciário exercê­la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. 

Por  seu  turno,  a Lei 11.941/2009  incluiu o  art.  26­A no Decreto 70.235/72 
prescrevendo  explicitamente  a  proibição  dos  órgãos  de  julgamento  no  âmbito  do  processo 
administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: 

“Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica 
vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar 
de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob 
fundamento de inconstitucionalidade.” 

Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste 
Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  insiste  na  referida  vedação,  bem  como  já  foi 
editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: 

 “Portaria  MF  nº  256,  de  23  de  junho  de  2009  (que  aprovou  o 
Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 
(CARF): 

Art.  62.  Fica  vedado  aos membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF 
afastar a aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo  internacional, 
lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 

 

Súmula CARF Nº 2 

O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a 
inconstitucionalidade de lei tributária” 

Fl. 610DF  CARF MF

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Portanto, deixamos de apreciar  todos os argumentos da recorrente fundados 
em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. 

 

Diligência requerida – indeferimento 

As  diligências  requeridas  são  indeferidas,  com  fundamento  no  art.  18  do 
Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratarem de medidas 
absolutamente  prescindíveis,  já  que  constam  dos  autos  todos  os  elementos  necessários  ao 
julgamento. 

 

Nulidade da decisão de primeira instância. Inocorrência. 

 

A nulidade da decisão de primeira  instância é declarada naqueles casos nos 
quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao 
disposto nos arts. 31 e 59,  inciso II do Decreto 70.235/72. Destacamos que se faz necessário 
que a omissão esteja relacionada com questão que tenha relevância, ou seja, tenha o poder de 
modificar  algum  item  do  decisório.  O  não  enfrentamento  de  alegação  sem  nenhuma 
importância para lide ou o acréscimo de algum esclarecimento que não altera o deslinde desta, 
não torna, necessariamente, nula a decisão recorrida. 

Na  peça  recursal,  a  recorrente  pretende  a  nulidade  da  decisão  a  quo  por 
entender  ter  faltado  apreciar  seus  argumentos  sobre  inconstitucionalidade  e  por  ter  sido 
indeferido seu pedido de perícia.. No entanto, não vislumbramos ter ocorrido qualquer omissão 
no  decisório  que  enseje  a  nulidade,  tendo  este  analisado  e  fundamentado  todos  os  aspectos 
jurídicos relevantes da defesa apresentada.  

As  inconstitucionalidades,  como  vimos  acima,  não  podem,  de  fato,  ser 
analisadas no curso do processo administrativo fiscal. 

O  pedido  de  perícia  teve  seu  indeferimento  motivado  adequadamente. 
Ademais,  o  objetivo  da  perícia  foi  atingido  com  a  diligência  solicitada  pela  4ª  CAJ,  tendo 
ficado esclarecido tudo quanto estava relacionado com pagamentos de contribuições. 

Afastamos, portanto, a nulidade suscitada. 

 

Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 
150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733­SC. 

A  aplicação  da  decadência  suscita  o  esclarecimento  de  duas  questões 
essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. 

O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade 
social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – 
dez anos ­ ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo 
Tribunal Federal (STF). 

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 613 

 
 

 
 

7

Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por 
unanimidade,  declarou  inconstitucionais  os  artigos  45  e  46  da  Lei  n°  8.212,  de  24/07/91  e 
editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: 

Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar 
Mendes, Relator: 

Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 
8.212/91  e  o  parágrafo  único  do  art.5º  do  Decreto­lei  n° 
1.569/77,  que  versando  sobre  normas  gerais  de  Direito 
Tributário,  invadiram  conteúdo  material  sob  a  reserva 
constitucional de lei complementar. 

Sendo  inconstitucionais  os  dispositivos,  mantém­se  hígida  a 
legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e 
decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de 
suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo 
das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, 
como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social 
sujeitam­se,  entre  outros,  aos  artigos  150,  §  4º,  173  e  174  do 
CTN. 

Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes 
nego  provimento,  para  confirmar  a  proclamada 
inconstitucionalidade  dos  arts.  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  por 
violação  do  art.  146,  III,  b,  da  Constituição,  e  do  parágrafo 
único do art. 5º do Decreto­lei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 
18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda 
Constitucional 01/69. 

É como voto. 

Súmula Vinculante n° 08: 

“São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5º  do 
Decreto­lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que 
tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 

Os  efeitos  da  Súmula  Vinculante  são  previstos  no  artigo  103­A  da 
Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: 

Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou 
por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus 
membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, 
aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa 
oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do 
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas 
esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua 
revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). 

Lei n° 11.417, de 19/12/2006: 

Regulamenta o art. 103­A da Constituição Federal e altera a Lei 
no  9.784,  de  29  de  janeiro  de  1999,  disciplinando  a  edição,  a 

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revisão  e  o  cancelamento  de  enunciado  de  súmula  vinculante 
pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. 

... 

Art.  2o  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por 
provocação,  após  reiteradas  decisões  sobre  matéria 
constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua 
publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação 
aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração 
pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual  e 
municipal, bem como proceder à  sua  revisão ou cancelamento, 
na forma prevista nesta Lei. 

§  1o  O  enunciado  da  súmula  terá  por  objeto  a  validade,  a 
interpretação e a  eficácia de normas  determinadas, acerca das 
quais  haja,  entre  órgãos  judiciários  ou  entre  esses  e  a 
administração  pública,  controvérsia  atual  que  acarrete  grave 
insegurança  jurídica  e  relevante  multiplicação  de  processos 
sobre idêntica questão. 

Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos 
judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. 

Temos,  então,  que  a  partir  da  edição  da  Súmula Vinculante  nº  08  o  prazo 
decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco 
anos. 

Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. 

Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no 
que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto 
no CTN  ­,  deixando o dies  a  quo  do  prazo  decadencial  para  ser  definido  segundo  as  regras 
constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. 

A  regra  geral  para  aplicação  dos  termos  iniciais  da  decadência  encontra­se 
disciplinada no art. 173 CTN: 

 “Art. 173 ­ O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito 
tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados: 

I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o 
lançamento poderia ter sido efetuado; 

II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver 
anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. 

 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­
se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado 
da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito 
tributário  pela  notificação  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer 
medida preparatória indispensável ao lançamento.” 

Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que 
antecipassem  seus  pagamentos,  cumprindo  suas  obrigações  tributárias  corretamente  junto  a 
Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra 
geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : 

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S2­C3T1 
Fl. 614 

 
 

 
 

9

"Art.  150. O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto 
aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de 
antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade 
administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade, 
tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo 
obrigado, expressamente a homologa. 

§  1º  O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste 
artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior 
homologação do lançamento. 

(...). 

§ 4º Se a  lei  não fixar prazo à homologação,  será ele de cinco 
anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse 
prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado, 
considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto 
o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou 
simulação.” 

Observe­se, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, 
há  de  se  considerar  o  cumprimento  pelo  sujeito  passivo  do  dever  de  interpretar  a  legislação 
aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou 
contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. 

Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: 

 Misabel  Abreu  Machado  Derzi,  Comentários  ao  Código 
Tributário  Nacional,  coordenado  por  Carlos  Valder  do 
Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: 

 “A  inexistência  do  pagamento  devido  ou  a  eventual 
discordância  da  Administração  com  as  operações  realizadas 
pelo  sujeito  passivo,  nos  tributos  lançados  por  homologação, 
darão  ensejo  ao  lançamento  de  ofício,  na  forma  disciplinada 
pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de 
infração). 

“O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco 
anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da 
obrigação.  Portanto  a  forma  de  contagem  é  diferente  daquela 
estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, 
inerentes ao  lançamento  com base  em declaração ou de ofício. 
Trata­se de prazo mais curto, menos favorável a Administração, 
em  razão  de  ter  o  contribuinte  cumprido  com  seu  dever 
tributário e realizado o pagamento do tributo.”. 

Luciano Amaro  , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a 
Ed., 1999, pág. 352: 

 “Se  porém  o  devedor  se  omite  no  cumprimento  do  dever  de 
recolher  o  tributo,  ou  efetua  recolhimento  incorreto,  cabe  a 
autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em 
substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em 
razão  da  omissão  do  devedor),  para  que  possa  exigir  o 
pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. 

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Sob  o  mesmo  enfoque,  no  Acórdão  CSRF/01­01.994,  manifestou­se  o 
Relator: 

 “O  lançamento  por  homologação  pressupõe  o  pagamento  do 
crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer 
exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do 
Código  Tributário  Nacional,  o  direito  de  homologar  o 
pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência 
do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, 
situações previstas no § 4º do referido artigo 150. 

O  que  se  homologa  é  o  pagamento  efetuado  pelo  contribuinte, 
consoante  dessume­se  do  referido  dispositivo  legal. O  que  não 
foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. 

Se  o  contribuinte  nada  recolheu,  se  houve  insuficiência  de 
recolhimento  e  estas  situações  são  identificadas  pelo  Fisco, 
estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. 

 Trata­se  de  lançamento  ex  officio  cujo  termo  inicial  da 
contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 
173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do 
exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido 
efetuado.” (negrito da transcrição). 

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado 
pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, 
inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em 
outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, 
conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: 

PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL 
REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO 
CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO 
POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 
INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. 
DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O 
CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I, 
DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS 
PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN. 
IMPOSSIBILIDADE. 

1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o 
crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro 
dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia 
ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento 
antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o 
mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou 
simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do 
débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel. 
Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg 
nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki, 
julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP, 
Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 

2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito 
Tributário  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o 
Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e, 

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Fl. 615 

 
 

 
 

11

consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco 
regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra 
da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos 
ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao 
lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o 
pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi, 
"Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max 
Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 

3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra 
decadência  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN, 
sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em 
que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde, 
iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à 
ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos 
sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se 
inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos 
previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante 
a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal 
(Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário 
Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs. 
91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., 
Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de 
Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed., 
Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 

Extrai­se do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação 
cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência 
nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do 
fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, 
deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. 

Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não 
eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa 
no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao 
período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 
150, § 4º? 

Nossa  resposta  é:  não.  O  pagamento  antecipado  realizado  só  desloca  a 
aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados 
pelo  contribuinte  para  efetuar  o  cálculo  do montante  a  ser  pago  antecipadamente.  Fatos  não 
considerados  no  cálculo,  seja  por  omissão  dolosa  ou  culposa,  se  identificados  pelo  fisco 
durante  procedimento  fiscal  que  antecede  o  lançamento,  permanecem  com  o  dies  a  quo  do 
prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial 
do  art.  150,  §4º  refere­se  aos  aspectos  materiais  dos  fatos  geradores  já  admitidos  pelo 
contribuinte.  Afinal,  não  se  homologa,  não  se  confirma  o  que  não  existiu.  Assim,  mesmo 
estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração 
do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a 
esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à 
abrangência do pagamento antecipado.  

Definida  a  aplicação  da  regra  decadencial  do  art.  173,  inciso  I,  precisamos 
tomar seu conteúdo para prosseguirmos:  

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 “Art. 173 ­ O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito 
tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados: 

I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o 
lançamento poderia ter sido efetuado;” 

Da  leitura  do  dispositivo,  extraímos  que  este  define  o  dies  a  quo  do  prazo 
decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia 
ter  sido  efetuado”. Mas  ainda  precisamos  definir  a  partir  de  quando  o  lançamento  pode  ser 
efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, 
ao primeiro dia do  exercício  seguinte à ocorrência do  fato  imponível”.  ,Se  considerássemos 
isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733  poderíamos concluir que o dies a quo da 
decadência  para  aplicação  do  art.  173,  inciso  I  do  CTN  seria  o  primeiro  dia  do  exercício 
seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como 
dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que  levaria o  fim do prazo de caducidade 
para 31/12/20(X+5). 

Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um 
fato  gerador  que  se  constata  ocorrido  em  31/12/20XX  só  poderá  ser  lançado  a  partir  de 
01/01/20(X+1),  dada  a  cristalina  premissa  de  que  só  existe  obrigação  tributária  após  a 
ocorrência do  fato gerador. Se  só poderia  ser  lançado em 01/01/20(X+1)  , o primeiro dia do 
exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia  ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o 
que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). 

Ainda  sobre  o  assunto,  estamos  cientes  que  após  o  trânsito  em  julgado  do 
Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir 
que os  fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só  tem seu dies a quo  em relação à 
decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: 

EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 ­ 
PR (2004/0109978­2) Julgado em 09/02/2010. 

PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO. 
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 
RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. 
ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL. 
OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. 
EXCEPCIONALIDADE. 

1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda 
Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos 
tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro 
de 1993. 

2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são 
relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só 
poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo 
assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve 
início somente em 1º.1.1995, expirando­se em 1º.1.2000.  

Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, 
tem­se por não consumada a decadência, in casu. 

3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, 
para dar parcial provimento ao recurso especial. 

 

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 616 

 
 

 
 

13

Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma 
de  suas Turmas,  que  a  afirmação  categórica  do  item  3  do Resp  973.733  serviu  apenas  para 
afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. 

Ademais,  ao  adotarmos  a  interpretação mais  formalista  do  item  3  do Resp 
973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a 
obrigatoriedade  de  os  conselheiros  seguirem  as  decisões  do  STJ  tomadas  em  Recursos 
Repetitivos.   O  art.  62­A do RICARF  tem  nítida  finalidade  de  evitar  que  o CARF  continue 
emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o 
princípio  da  eficiência,  da  moralidade  administrativa  e  acarretaria  despesas  para  o  Erário 
Público  na  forma  de  ônus  de  sucumbência.  Como  o  próprio  STJ  já  vem  adotando  uma 
interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma 
interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. 

Resulta,  então,  em  síntese,  que  para  fatos  geradores  ocorridos  em 
31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o 
fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art.  173, inciso I 
do CTN. 

Assim,  para  o  lançamento  do  crédito  tributário  de  contribuições  sociais 
especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não 
pagamento da obrigação principal,  o prazo decadencial  é de  cinco anos  contados  a partir do 
primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso 
dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em 
atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação 
aos  aspectos  materiais  dos  fatos  geradores  relacionados  a  pagamentos  efetuados  pelo 
contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies 
a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º 
do CTN.  

Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto 
do referido dispositivo: 

§ 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco 
anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse 
prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado, 
considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto 
o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou 
simulação. 

Notamos que o  texto  legal  refere­se a uma homologação  tácita por parte da 
Fazenda Pública – “considera­se homologado” é a expressão utilizada ­ no caso de expirado o 
prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação 
mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser 
entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência 
do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a 
uma  interpretação  inequívoca  de  que  equivale  a  homologação  expressa  ou  lançamento  de 
ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, 
entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública 
inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no 
sentido  de  que  irá  realizar  a  atividade  prevista  no  art.  142  do CTN. Caso  o  §4º  do  art.  150 

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  14

quisesse  exigir  a  homologação  expressa  e  não  um  simples  pronunciamento,  teria  feito 
referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas 
preferiu  a  expressão  ”pronunciado”.  Com  esse  entendimento  concluímos  que,  iniciada  a 
fiscalização,  a  decadência  em  relação  a  todos  os  fatos  geradores  ainda  não  atingidos  pela 
homologação  tácita,  passa  a  ser  submetida  à  regra geral  de  tal  instituto,  ou  seja,  passa  a  ser 
regida  pelo  art.  173,  inciso  I.  Ressaltamos  que  não  se  trata  de  interrupção  ou  suspensão  do 
prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável.  

Vejamos  um  exemplo.  Considerando  que  uma  fiscalização  tenha  sido 
iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade 
dele  exigida  pela  lei,  ou  seja,  o  sujeito  passivo  realizou  sua  escrituração,  prestou  as 
informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a 
homologação  tácita  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  05/20(XX­5).  Os  fatos 
geradores ocorridos depois de 05/20(XX­5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, 
desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 
173, inciso I.  

Feitas  tais  considerações  jurídicas  gerais  sobre  a  decadência,  passamos  a 
analisar o caso concreto. 

Observamos a  inexistência de pagamentos  relativos aos  fatos geradores que 
interessam  para  a  discussão  sobre  a  decadência,  logo,  conforme  acima  explanado,  é  de  ser 
aplicada  a  regra  do  art.  173,  inciso  I  do  CTN.  Tendo  sido  o  lançamento  cientificado  em 
22/02/2006, o  fisco poderia efetuar o  lançamento para  fatos geradores posteriores a 11/2000. 
Todos os fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo 
de caducidade. 

 

Nulidade de contratação sem concurso público. Verbas pagas com natureza salarial. 

 

A  recorrente  alega  que  o  poder  judiciário  já  declarou  a  nulidade  da 
contratação  de  prestadores  de  serviço  sem  concurso  público  e  que  a  estes  trabalhadores  a 
Súmula 363 do TST só assegura o depósito do FGTS. 

Para  apontarmos  nossa  divergência  em  relação  a  tal  entendimento 
transcrevemos a Súmula 363: 

 

Súmula nº 363 do TST 

CONTRATO  NULO.  EFEITOS  (nova  redação)  ­  Res. 
121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 

A contratação de servidor público, após a CF/1988, sem prévia 
aprovação  em  concurso  público,  encontra  óbice  no  respectivo 
art. 37, II e § 2º, somente lhe conferindo direito ao pagamento da 
contraprestação  pactuada,  em  relação  ao  número  de  horas 
trabalhadas, respeitado o valor da hora do salário mínimo, e dos 
valores referentes aos depósitos do FGTS. 

 

Fl. 619DF  CARF MF

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 617 

 
 

 
 

15

 

Da leitura da Súmula 363 podemos extrair que o TST decidiu que os valores 
pagos aos trabalhadores contratados irregularmente representa contraprestação pelo trabalho e 
não indenização como pretende a recorrente. 

Sendo contraprestação pelo trabalho, deve sofrer a incidência da contribuição 
previdenciária nos moldes previstos no art. 22, inciso IV da Lei 8.212/91. 

A  jurisprudência  do  TST  já  se  assentou  nessa  mesma  toada,  conforme 
podemos conferir: 

Processo: RR ­ 141600­81.2002.5.04.0202  

Data de Julgamento: 31/08/2005,  

Relator  Ministro:  Antônio  José  de  Barros  Levenhagen,  4ª 
Turma,  

Data de Publicação: DJ 20/04/2006. 

 

(...). II ­ RECURSO DE REVISTA DO INSS. COMPETÊNCIA 
DA  JUSTIÇA  DO  TRABALHO.  EXECUÇÃO  DE 
CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  EXISTÊNCIA  DE 
CONDENAÇÃO EM  VERBAS DE NATUREZA  SALARIAL. 
Não obstante tenha sido reconhecida a nulidade da contratação 
em virtude da inexistência de concurso público, foram deferidas 
verbas  de  natureza  nitidamente  salarial,  o  que  enseja  a 
incidência da contribuição previdenciária e o reconhecimento da 
competência da Justiça do Trabalho para apurar e executar as 
contribuições  em  destaque,  na  esteira  da  Súmula  nº  368  desta 
Corte. Isso posto e versando a causa matéria exclusivamente de 
direito, não há necessidade de os autos baixarem ao Tribunal de 
origem,  com  fulcro  nos  arts.  515,  §  3º,  do  CPC  e  5º,  inciso 
LXXVII,  da  Constituição  Federal,  razão  pela  qual  a  questão 
deve ser analisada de plano. A incidência da contribuição social 
tem  como  fato  gerador  os  rendimentos  do  trabalho  pagos  ou 
creditados,  a  qualquer  título,  mesmo  que  sem  vínculo 
empregatício,  segundo  a  dicção  do  art.  195,  I,  "a",  da 
Constituição Federal, devendo ser considerados fatos geradores 
os valores pagos relacionados ao número de horas trabalhadas. 
Recurso provido. (...) 

 

Sem razão, portanto, a recorrente quando alega que a nulidade da contratação 
resulta na impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos 
aos prestadores de serviço. 

Quanto à desconsideração de pagamentos, concluímos que, após a diligência 
solicitada  pela  4ª  CAJ,  o  aproveitamento  dos  pagamentos  feitos  pela  recorrente  ficou 
devidamente  esclarecido,  sendo  estes  relativos  somente  a  períodos  já  atingidos  pela 
decadência. 

Fl. 620DF  CARF MF

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Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. 

 

Antes  da  MP  449,  se  a  fiscalização  das  contribuições  previdenciárias 
constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas 
da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que 
esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o  inciso  II do art. 35 da Lei 8.212/91. 
Além disso, a  fiscalização  lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32   por  incorreções ou 
omissões  na  GFIP.  O  §4º  tratava    da  não  apresentação  da  GFIP,  o  §5º  da  apresentação  do 
documento  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  e  o  §6º  referia­se  a 
apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos 
geradores.  

Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32­A da Lei 8.212/91 que 
trata  da  falta  de  apresentação  da  GFIP,  bem  como  trata  da  apresentação  com  omissões  ou 
incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35­A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 
para os casos de lançamento de ofício. Interessa­nos o inciso I do referido dispositivo no qual  
temos  a multa  de  75%  sobre  a  totalidade  do  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de 
pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.  

Tais  inovações  legislativas  associadas  ao  fato  de  a  fiscalização  realizar 
lançamento  que  abrangem  os  últimos  cinco  anos  e  de  existirem  lançamentos  pendentes  de 
definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocam­nos 
diante de duas situações: 

•  lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos 
geradores posteriores  esta; 

•  lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém 
ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. 

 

Vamos analisar individualmente cada uma das situações. 

 

Lançamentos  realizados  após  a  edição  da  MP  449  e  referentes  a  fatos 
geradores posteriores a esta 

 

Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos 
geradores  posteriores  a  esta,  o  procedimento  de  ofício  está  previsto  no  art.  35­A  da  Lei 
8.212/91,  o  que  resulta  na  aplicação  do  art.  44  da  Lei  9.430/96  e  na  impossibilidade  de 
aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. 

Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio 
tributo,  lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225%   nas hipóteses de 
falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma 
hipótese nova de  infração que, portanto,  só pode atingir os  fatos geradores posteriores  a MP 

Fl. 621DF  CARF MF

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Fl. 618 

 
 

 
 

17

449.  Por  outro  lado,  com  relação  às  contribuições  previdenciárias,  a  falta  de  declaração  e  a 
declaração inexata referem­se a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A 
falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era 
punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não 
(§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. 

É  certo que,  a princípio,  podemos vislumbrar duas normas punitivas para a 
não  apresentação  e  a  apresentação  inexata  da  GFIP  relacionada  a  fatos  geradores  de 
contribuições: o  art. 32­A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96.  Tendo em 
conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada 
com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar.  

Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 
seria  aplicável para os  casos  relacionados  à existência de diferença de contribuição ao passo 
que o art. 32­A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de 
contribuição. No  entanto,  tal  conclusão  não    se  sustenta  se  analisarmos mais  detidamente  o 
conteúdo do  art.  32­A da Lei  8.212/91. No  inciso  II,  temos  a previsão  da multa  de “de 2% 
(dois por cento) ao mês­calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições 
informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração  ou 
entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável 
quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for 
apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplica­se 
também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal 
conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos 
casos  de  omissão  de  declaração  com  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição 
previdenciária. 

Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos,  tanto o art. 44, 
inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32­A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de 
declaração  ou  declaração  inexata de GFIP quando  for  apurada  diferença  de  contribuição  em 
procedimento  de  ofício.  Temos,  então,  configurado  um  aparente  conflito  de  normas  que 
demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são 
normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério 
da especialidade e critério hierárquico. 

O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não 
nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 
9.430/96  e  a  inclusão  do  art.  32­A  da  Lei  8.212/91  foram  veiculados  pela  mesma  Lei 
11.941/2009. 

O  critério  hierárquico  também  não  soluciona  a  antinomia,  posto  que  são 
normas de igual hierarquia. 

Resta­nos o critério da especialidade.  

Observamos  que  o  art.  44,  inciso  I  da  Lei  9.430/86  refere­se,  de  maneira 
genérica,  a  uma  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata,  sem  especificar  qual  seria  a 
declaração. Diversamente, o art. 32­A faz menção específica em seu caput à GFIP no  trecho 
em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do 
caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da 
Lei 9.430/96 e o art. 32­A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, 

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  18

seguindo  o  critério  da  especialidade,  deve  ter  reconhecida  a  prevalência  de  sua  força 
vinculante. 

Em adição, a aplicação do art. 32­A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo 
nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32­A assume, facilitando , no futuro, o cálculo 
do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32­A estimular a apresentação da GFIP 
na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de 
qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da 
declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido 
em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a 
favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 
29  da  Lei  8.213/91,  “serão  considerados  para  cálculo  do  salário­de­benefício  os  ganhos 
habituais  do  segurado  empregado,  a  qualquer  título,  sob  forma  de  moeda  corrente  ou  de 
utilidades,  sobre  os  quais  tenha  incidido  contribuições  previdenciárias,  exceto  o  décimo­
terceiro  salário  (gratificação  natalina).”  Se  o  cálculo  do  salário­de­benefício  considerará  a 
base  de  cálculo  das  contribuições,  certamente  a  GFIP  é  um  importante  meio  de  prova  dos 
valores  sobre os quais  incidiram as  contribuições. Se  aplicássemos o  art.  44,  inciso  I  da Lei 
9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. 
Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença 
das  contribuições  sem  que  a  apresentação  da  GFIP  pudesse  alterar  tal  valor. O  empregador 
poderia  simplesmente  pagar  a  multa  e  continuar  omisso  em  relação  à  GFIP,  deixando  o 
empregado sem este  importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. 
Assim,  a  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário  reforça  a 
necessidade de prevalência do art. 32­A. 

Portanto,  seja  pela  aplicação  do  critério  da  especialidade  ou  pela 
hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário,  temos  justificada  a 
aplicação do art. 32­A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com 
informações inexatas. 

Acrescentamos  que  não  há  no  regime  jurídico  do  procedimento  de  ofício 
previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de 
ter  ocorrido  atraso  no  recolhimento.  Trata­se  de  infração  –  o  atraso  no  recolhimento  ­  que 
deixou  de  ser  punida  por meio  de  procedimento  de  ofício.  Outra  infração  similar,  mas  não 
idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. 

Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em  
lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias  previsto  pela MP  449,  convertida  na 
Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. 

Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda 
não definitivamente julgados na esfera administrativa. 

 

Com  base  nesse  novo  regime  jurídico  vamos  determinar  a  penalidade 
aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores 
anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. 

Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com 
o art. : 

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 619 

 
 

 
 

19

    Art.  144.  O  lançamento  reporta­se  à  data  da  ocorrência  do 
fato gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda 
que posteriormente modificada ou revogada. 

    § 1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente 
à  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação,  tenha  instituído 
novos  critérios  de  apuração  ou  processos  de  fiscalização, 
ampliado  os  poderes  de  investigação  das  autoridades 
administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito maiores  garantias  ou 
privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir 
responsabilidade tributária a terceiros. 

    §  2º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  aos  impostos 
lançados por períodos  certos de  tempo, desde que a  respectiva 
lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera 
ocorrido. 

    Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito: 

     I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente 
interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos 
dispositivos interpretados;  

    II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado: 

    a) quando deixe de defini­lo como infração; 

    b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer 
exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido 
fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de 
tributo; 

    c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista 
na lei vigente ao tempo da sua prática. 

 

A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que 
devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência 
dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver 
deixado de definir um fato como infração. 

Para  os  lançamentos  referentes  a  fatos  geradores  anteriores  a MP  449,  de 
plano  devemos  afastar  a  incidência  da  multa  de  mora,  pois  a  novo  regime  jurídico  do 
lançamento de ofício deixou de punir  a  infração por  atraso no  recolhimento. O novo  regime 
pune  a  falta  de  recolhimento  que,  apesar  de  similar,  não  pode  ser  tomada  como  idêntica  ao 
atraso.  O  atraso  é  graduado  no  tempo,  ao  passo  que  a  falta  de  recolhimento  é  infração 
instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 
12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e 
pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. 

Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no 
princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, 
tem a mesma estrutura de pessoal e de  remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório 
contábil para tratar de sua vida fiscal.  

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A  empresa  A  foi  fiscalizada  em  2007  com  relação  aos  fatos  geradores  de 
2006  e  teve  contra  si  lançada  a  contribuição,  a multa  de mora  e  a multa por  incorreções  na 
GFIP  prevista  no  art.  32,  §5º  da  Lei  8.212/91.  Quando  do  julgamento  de  seu  processo, 
considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve 
o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa 
do 32­A da Lei 8.212/91. 

A  empresa  B  foi  fiscalizada  em  2009  com  relação  aos  fatos  geradores  de 
2006 e teve contra si  lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela 
declaração inexata da GFIP com base no art. 32­A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º 
da Lei 8.212/91, o que  lhe for mais  favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B 
responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. 
Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora 
no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e 
B. 

No  tocante  às  penalidades  relacionadas  com  a  GFIP,  deve  ser  feito  o 
cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32­A para as infrações relacionadas com a 
GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 
8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, 
inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplica­se, inclusive, para a multa de ofício aplicada com 
fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração 
inexata. 

 

Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora 

 

A  insurgência  da  recorrente  contra  a  aplicação  da  Taxa  Selic  como  juros 
moratórios  não  pode  prosperar,  uma  vez  que  se  trata  de  matéria  sumulada  neste  Tribunal 
Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: 

Súmula CARF No­ 4 

A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes 
sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da 
Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de 
inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de 
Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.. 

Acrescente­se  que,  para  os  tributos  regidos  pela  Lei  8.212/91,  o  art.  34  do 
referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. 

 

Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  e  DAR 
PROVIMENTO PARCIAL  ao Recurso Voluntário, de modo a: (i) afastar os fatos geradores 
ocorridos até 11/2000, inclusive, por ter ocorrido a decadência; (ii) afastar a multa de mora. 

(assinado digitalmente) 

Mauro José Silva 

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Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 620 

 
 

 
 

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Voto Vencedor 

Conselheiro Adriano González Silvério – Redator Designado 

Decadência 

Em  relação  à  contagem  do  prazo  decadencial  ouso  divergir  em  parte  da 
Ilustre Conselheira Relatora, uma vez que a meu ver deve ser aplicado como regra decadencial 
nesse caso apenas aquela prevista no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, cujo dies 
a quo é o da ocorrência do fato gerador. 

Isto porque, conforme vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais 
(Acórdão  nº  9202­01.418,  Processo  nº  36918.002963/2005­75),  a  decadência,  no  âmbito  das 
contribuições  previdenciárias,  deve  ser  considerada  em  relação  à  totalidade  da  folha  de 
salários. No caso concreto, a fiscalização apurou que não houve recolhimentos tão somente em 
relação  aos  contribuintes  individuais,  sendo  certo  que  o  contribuinte,  no  mesmo  período, 
recolheu contribuições sobre as demais remunerações pagas. 

Assim,  houve  pagamento  antecipado,  ainda  que  parcial,  havendo  de  ser 
aplicado o prazo decadencial qüinqüenal, que tem como termo inicial de contagem a ocorrência 
do  fato  gerador,  como  decidiu  o  Colendo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  na  sistemática  de 
recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, entendimento esse que deve ser 
acatado, por força do disposto no mencionado artigo 62­A do Regimento Interno do Conselho 
Administrativo de Recursos Fiscais. A ementa do paradigma está assim redigida: 

“PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL 
REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO 
CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO 
POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 
INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. 
DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O 
CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I, 
DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS 
PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN. 
IMPOSSIBILIDADE. 

1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o 
crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro 
dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia 
ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento 
antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o 
mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou 
simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do 
débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: REsp  766.050∕PR,  Rel. 
Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg 
nos  EREsp  216.758∕SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki, 
julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142∕SP, 
Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 

2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito 
Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o 
Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e, 
consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco 
regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra 

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Processo nº 11853.001015/2007­55 
Acórdão n.º 2301­002.530 

S2­C3T1 
Fl. 621 

 
 

 
 

23

da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos 
ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao 
lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o 
pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi, 
"Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max 
Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 

3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra 
decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN, 
sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em 
que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde, 
iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à 
ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos 
sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se 
inadmissível  a  aplicação  cumulativa∕concorrente  dos  prazos 
previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante 
a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal 
(Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário 
Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs. 
91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., 
Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396∕400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de 
Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed., 
Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 

5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo 
sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege 
de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não 
restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos 
imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro 
de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos 
deu­se em 26.03.2001. 

6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários 
executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial 
qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício 
substitutivo. 

7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime 
do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” 

Assim, tendo sido o lançamento cientificado em 22/02/2006, estão decaídas, 
pela aplicação da  regra prevista no artigo 150, § 4º do CTN, as contribuições apuradas até a 
competência 01/2001, anteriores a 02/2001. 

Multa 

Não  obstante  o  aprofundado  voto  do  Ilustre  Conselheiro  relator  há  de  se 
registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio 
de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, 
do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 

Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a 
gradação prevista na  redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de 1991, 
passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), 

Fl. 628DF  CARF MF

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  24

uma vez  que  submetida  às  disposições  do  artigo  61  da Lei  nº  9.430,  de  27  de dezembro  de 
1996. 

Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35­A da Lei nº 8.212/91, 
já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à 
época  do  lançamento  e,  de  acordo  com  o  106  do  Código  Tributário  Nacional  deve  ser 
verificado o fato punido.  

Ora  se  o  fato  “atraso”  aqui  apurado  era  punido  com  multa  moratória, 
consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a 
novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Aqui reside a divergência 
com o voto do Ilustre Conselheiro Relator. 

Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo 
qual  incide na espécie a  retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do  inciso  II, do artigo 
106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional,  devendo  ser  a 
multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 
24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais 
benéfica ao contribuinte. 

Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  e  DAR 
PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário de modo a afastar, pela regra decadencial 
prevista no artigo 150, § 4º, do CTN os fatos geradores até 01/2001, anteriores a 02/2001, bem 
como para determinar a aplicação da multa prevista no artigo 35 caput da Lei 8.212/91, se mais 
benéfica ao contribuinte. 

 

 

Adriano Gonzáles Silvério ­ Conselheiro 

 

 

           

 

 

Fl. 629DF  CARF MF

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S2­TE01 

Fl. 97 

 
 

 
 

1

96 

S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  11060.720500/2008­39 

Recurso nº  886.481 

Resolução nº  2801­000.130   –  1ª Turma Especial 

Data  10 de julho de 2012 

Assunto  Solicitação de Diligência 

Recorrente  AGRO PASTORIL BARTHOLOMEU CECCIM LTDA. 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o 
julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. 

 
Assinado digitalmente 
Antonio de Pádua Athayde Magalhães ­ Presidente  
 
Assinado digitalmente 
Tânia Mara Paschoalin ­ Relatora 

Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  de  Pádua 
Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros 
Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima e Eivanice Canário da Silva. Ausente, justificadamente, o 
Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. 

RELATÓRIO 

Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  decisão  proferida  pela  1ª 
Turma da DRJ/CGE/MS. 

Por bem descrever os fatos, reproduz­se abaixo o relatório da decisão recorrida: 

“Trata  o  presente  processo  de  Notificação  de  Lançamento  (f.01/05), 
mediante a qual  se  exige a diferença de  Imposto Territorial Rural — 
ITR, Exercício 2004, no  valor  total de R$ 34.871,94, do  imóvel  rural 
inscrito  na  Receita  Federal  sob  o  n°  1.031.028­2,  localizado  no 
município de São Gabriel ­ RS. 

Na descrição dos fatos, o fiscal autuante relata que foi apurada a falta 
de recolhimento do ITR, decorrente de glosa da área declarada como 
de preservação permanente. 

  

Fl. 106DF  CARF MF

Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO

CÓ
PI

A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201

2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI

N



Processo nº 11060.720500/2008­39 
Resolução n.º 2801­000.130  

S2­TE01 
Fl. 98 

 
 

 
 

2

Houve  alteração  do  valor  da  terra  nua,  em  adequação  aos  valores 
constantes  do  SIPT.  Em  conseqüência,  houve  aumento  da  base  de 
cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. 

A  interessada  apresentou  a  impugnação de  f.28/35. Preliminarmente, 
levanta preliminar de nulidade do lançamento. Argumenta que as áreas 
de  preservação  permanente  existem,  de  fato,  no  imóvel,  conforme 
comprovado  em  Laudo.  Alega  que  a  legislação  não  obriga  que  o 
contribuinte  comprove  previamente  o  que  foi  declarado  como  área 
isenta.  Aduz  que  a  maior  parte  do  imóvel  não  pode  ser  explorada 
economicamente. Alega que apresentou o ADA junto ao IBAMA. Anexa 
cópia  de:ADA  protocolado  em  29  de  outubro  de  2007.  Questiona  o 
valor  da  terra  nua  atribuído  no  lançamento,  que  afirma  não 
corresponder às características do imóvel e à realidade de mercado da 
região.  Afirma  que  deve  ser  aceito  o  valor  veiculado  por  Laudo  de 
Avaliação que apresentou. Solicita a realização de perícia.” 

A impugnação  foi  julgada  improcedente,  conforme Acórdão de fls. 71/79, que 
restou assim ementado: 

ÁREAS  ISENTAS.  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE.  RESERVA 
LEGAL. REQUISITOS. 

Por  exigência de Lei,  para  ser  considerada  isenta, a área de  reserva 
legal deve estar averbada na Matricula do imóvel junto ao Cartório de 
Registro  de  Imóveis  e  ser  reconhecida  mediante  Ato  Declaratório 
Ambiental  ­  ADA,  cujo  requerimento  deve  ser  protocolado  dentro  do 
prazo  estipulado.  O  ADA  é  igualmente  exigido  para  a  comprovação 
das áreas de preservação permanente.  

VALOR DA TERRA NUA. 

O valor da  terra nua, apurado pela  fiscalização, em procedimento de 
oficio  nos  termos  do  art.  14  da  Lei  9.393/96,  não  é  passível  de 
alteração,  quando  o  contribuinte  não  apresentar  elementos  de 
convicção que justifiquem reconhecer valor menor. 

Regularmente  cientificada  daquele  Acórdão  em  02/03/2010  (AR  fl.  82),  a 
interessada,  representada  por  seus  advogados  (fl.  36),  interpôs  o  recurso  de  fls.  83/93,  em 
31/03/2010.  Em  sua  defesa,  pretende  seja  considerada  a  área  de  preservação  permanente 
declarada na DITR sob exame,  tendo em vista o Cadastro Técnico Federal,  o Certificado de 
Regularidade e o Recibo do Ato Declaratório Ambiental ­ ADA, relativo ao período de 2001 a 
2007, que foi protocolado em 29 de outubro de 2007, bem como o Laudo Técnico contendo as 
coordenadas dos vértices definidores dos limites do imóvel rural georreferenciadas ao Sistema 
Geodésico Brasileiro e o Memorial Descrito da área em questão. Também aduz, que o Laudo 
Técnico apresentado, apesar de não ter sido realizado de acordo com a NBR 14.653­3, e sim de 
acordo  com  a  NBR  8.799­85,  exibe  uma  tabela  com  mais  de  cinco  valores  de  mercado, 
coletados na data da base de cálculo do  ITR, onde  resta demonstrado vários valores de  terra 
nua (hectares) de propriedades localizadas na mesma região do imóvel rural em questão. 

É o relatório. 

VOTO 

Fl. 107DF  CARF MF

Impresso em 17/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201

2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI

N



Processo nº 11060.720500/2008­39 
Resolução n.º 2801­000.130  

S2­TE01 
Fl. 99 

 
 

 
 

3

Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. 

O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade, 
portanto merece ser conhecido. 

O lançamento cuida de glosa da Área de Preservação Permanente e alteração do 
Valor da Terra Nua (VTN) declarado. 

Quanto  à  alteração  procedida  pela  fiscalização  do  VTN,  verifica­se  que  não 
constam  dos  autos  as  informações  disponíveis  no  SIPT,  para  o  exercício  em  análise  e  o 
município de localização do imóvel, que foram utilizadas pela autoridade fiscal para proceder o 
arbitramento contestado pela recorrente. 

Dessa  forma,  proponho  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  para  que  a 
autoridade competente anexe aos autos as  informações disponíveis no SIPT, para o exercício 
em análise e o município de localização do imóvel, que embasaram o procedimento fiscal em 
apreço. 

 
Assinado digitalmente 
Tânia Mara Paschoalin 

 

Fl. 108DF  CARF MF

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Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/08/201

2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por TANIA MARA PASCHOALI

N


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S1‐C4T1 

Fl. 631 

 

 

 
 

1

630 

S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10830.005020/2008­13 

Recurso nº  915.051   Voluntário 

Acórdão nº  1401­000.722  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  

Sessão de  1º de fevereiro de 2012 

Matéria  MULTA ISOLADA E COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. 

Recorrente  SOTREQ S/A 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Ano­calendário: 2005 

COMPENSAÇÃO.  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO. 
DUPLICIDADE  DE  DECLARAÇÕES  PARA  MESMO  DÉBITO. 
DESCABIMENTO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  DUPLA  APLICAÇÃO  DA 
MULTA ISOLADA. 

Nos termos do § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, “a compensação declarada à 
Secretaria  da  Receita  Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição 
resolutória de sua ulterior homologação.” A extinção do crédito tributário é, 
portanto, condicional, ocorrendo em razão da apresentação de declaração de 
compensação e deixando de existir em função da implementação de condição 
resolutória (não­homologação pelo Fisco). 

É juridicamente impossível que os mesmos débitos sejam objeto de pedidos 
de compensação diferentes, haja vista que o primeiro pedido de compensação 
extingue o débito e, via de conseqüência, este mesmo débito não pode servir 
de substrato para outro pedido de compensação.  

Se  não  é  admitida  a  duplicidade de  declarações, muito menos  é  admitida  a 
dupla penalidade.  

MULTA.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  ARGUIÇÃO  DE 
INCONSTITUCIONALIDADE  POR  TER  EFEITO CONFISCATÓRIO.  A 
apreciação  de  considerações  acerca  da  graduação  da  penalidade,  definida 
objetivamente em  lei, não compete à autoridade  administrativa, mas sim ao 
Poder Judiciário. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

  

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  2

ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara 
da  Primeira Seção  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  em  der  provimento  parcial  ao 
recurso,  apenas  para  cancelar  a multa  isolada  relativa  à Dcomp 13710.48934.110405.1.3.04­
0843. 

(assinado digitalmente) 

Jorge Celso Freire da Silva – Presidente 

(assinado digitalmente) 

Alexandre Antonio Alkmim Teixeira ­ Relator 

Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros:  Jorge  Celso  Freire  da  Silva 
(Presidente),  Alexandre  Antonio  Alkmim  Teixeira,  Mauricio  Pereira  Faro,  Antonio  Bezerra 
Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. 

 

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 632 

 
 

 
 

3

Relatório 

Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  o  acórdão  nº  05­23.794, 
proferido  pela  Quinta  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em 
Campinas/SP,  que,  por  unanimidade  de  votos,  decidiu  “DEFERIR  PARCIALMENTE  a 
manifestação  de  inconformidade  contida  no  processo  apenso  n°  10830.001321/2006­14, 
ratificando  o  ato  de  não­homologação,  mas  afastando  parcialmente  a  cobrança  dele 
decorrente, bem como JULGAR PROCEDENTES as exigências de multa isolada formalizadas 
nestes autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.”  

Por  descrever  os  fatos  com  a  riqueza  de  detalhes  necessária  para  a 
compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: 

Trata  o  presente  processo  de  multa  de  ofício  isolada  por 
compensação  indevida  mediante  Declarações  de 
Compensação ­ DCOMP, apontando crédito decorrente de 
pagamento  indevido  ou  a  maior  verificado  nos  autos  do 
processo  administrativo  n°  10830.504124/2005­63,  no 
valor  original  de  R$  10.000.000,00.  Tal  crédito  foi 
utilizado  na  quitação  de  débitos  de  Imposto  de  Renda 
Retido na Fonte ­ IRRF, Imposto sobre a Renda da Pessoa 
Jurídica ­ IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 
­ CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade 
Social  ­  COFINS  e  Contribuição  para  o  Programa  de 
Integração Social ­ PIS. 

A  estes  autos  foram  apensados  os  seguintes  processos 
administrativos:  

• 10830.001321/2006­14, que trata de não­homologação de 
compensações  formalizadas  em  DCOMP  apresentadas  de 
11/04/2005 e 15/04/2005;  

•  10830.005066/2008­32,  que  abriga  representação  fiscal 
para fins penais, associada ao lançamento formalizado nos 
autos do processo principal n° 10830.005020/2008­13. 

Às  fls.  324  do  processo  apenso  n°  10830.001321/2006­14 
consta despacho produzido por esta Relatora nos seguintes 
termos: 

O  presente  processo  refere­se  à  não­homologação  das 
DCOMP  nº  13710.48935.110405.1.3.04­0843  e 
36921.01195.150405.1.3.04­6080,  objeto  do  despacho 
decisório  de  fls.  161/162,  contra  o  qual  o  interessado 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  4

apresentou  a  manifestação  de  inconformidade  de  fls. 
172/182, enviada a esta DRJ para julgamento. 

Verifica­se que, em paralelo, a DRF/Campinas  também 
promoveu o  lançamento da multa de ofício  isolada, em 
razão das compensações assim consideradas  indevidas, 
formalizando­a  sob  n°  10830.005020/2008­13.  Contra 
tal  lançamento,  o  interessado  interpôs  impugnação, 
também remetida a esta DRJ para julgamento. 

Ocorre  que,  o  art.  18  da  Medida  Provisória  n" 
135/2003,  convertida  na  Lei  n°  10.833/2003,  e  já 
alterada pela Lei n° 11.051/2004, assim dispôs: 

Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da 
Medida  Provisória  n°  2.158­35,  de  24  de  agosto  de 
2001,  limitar­se­á  à  imposição  de  multa  isolada  em 
razão  da  não­homologação de  compensação declarada 
pelo  sujeito  passivo  nas  hipóteses  em  que  ficar 
caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 
71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. 

[...] 

§ 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra 
a  não­homologação  da  compensação  e  impugnação 
quanto  ao  lançamento  das  multas  a  que  se  refere  este 
artigo,  as  peças  serão  reunidas  em  um  único  processo 
para serem decididas simultaneamente. 

[...] 

Assim,  é  necessário  que  os  feitos  sejam  reunidos  para 
julgamento simultâneo, razão pela qual encaminho este 
processo ao SECOJ desta DRJ, para que se promova a 
sua  juntada  por  apensação  ao  processo  administrativo 
n° 10830.005020/2008­13, haja vista que a juntada por 
anexação  é  inviável,  na  medida  em  que  os  autos 
controlam créditos tributários cadastrados em diferentes 
sistemas (PROFISC e SIEF). 

Seguindo  a  ordem  cronológica  dos  atos  praticados,  vê­se 
no  processo  apenso  n°  10830.001321/2006­14,  às  fls. 
54/55,  que  as  DCOMP  n°  13710.48935.110405.1.3.04­
0843  e  36921.01195.150405.1.3.04­6080  foram 
selecionadas  para  trabalho  manual  neste  processo  em 
virtude  de  haver  dúvidas  quanto  à  pertinência  do  direito 
creditório  oferecido  como  contrapartida  aos  débitos 
apresentados  para  compensação,  já  que  o  processo 
informado  pela  contribuinte  como  origem  do  crédito  (n° 
10830.504124/2005­63)  trata  de  inscrição  na  dívida  ativa 
da União ­ IRRF, conforme se comprova nas consultas aos 
sistemas Comprot e Projetos­ PGFN, fls. 28, 29 e 51 a 54, 
ou  seja,  não  diz  respeito  a  reconhecimento  de  direito 
creditório. 

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 633 

 
 

 
 

5

Ressaltando  que,  com  base  nas  mesmas  consultas, 
verificou­se que a dívida era oriunda de 2 (dois) débitos de 
IRRF no ano­calendário de 1999, e que foi quitada através 
de  pagamento  realizado  em  31.05.2005,  no  valor  de  RS 
4.794,92,  o  Serviço  de  Orientação  e  Análise  Tributária  ­ 
SEORT  da  DRF/Campinas  encaminhou  os  autos,  em 
22/03/2006,  ao  Serviço  de  Fiscalização  (Sefis)  desta 
Delegacia  da  Receita  Federal  (DRF)  para  apuração  das 
informações  prestadas  pela  interessada  nas  2  (duas) 
declarações de compensação objeto destes, principalmente 
em relação ao crédito informado.  

Em  continuidade  a  ação  fiscal  já  em  curso,  os  auditores 
responsáveis  iniciaram  os  questionamentos  acerca  das 
referidas  DCOMP  em  termo  cientificado  ao  contribuinte 
em 03/04/2006 (fls. 110/111), e em 27/04/2007 informaram 
ao SEORT/DRF Campinas que o contribuinte não prestou 
os  esclarecimentos  solicitados  em 03/04/2006,  04/05/2006 
e 15/05/2006, relativamente à origem do crédito pleiteado. 
Consignaram também que:  

Por  conseguinte,  em  13/03/2007  (fls  131  e  132), 
cientificamos o contribuinte do Termo de Constatação e 
Intimação Fiscal  ­ 12/03/2007,  tendo sido solicitado as 
seguintes informações: 

“... 

Em  resposta  ao  Termo  de  Constatação  e  Intimação 
Fiscal  datado  de  04/05/2006,  relacionado  à 
PER/DCOMP  13710.48935.110405.1.3.04­0843. 
transmitida  em  11/04/2005,  bem  como  à PER/DCOMP 
36921.01195.15  0405.1.3.04­6080,  transmitida  em 
15/04/2005. Vsa declarou: 

“2.  Informamos que  toda documentação hábil  e  idônea 
que comprove a existência do crédito especificados nos 
referidos  Per/Dcomp,  já  foram  apresentados  no  início 
dessa  fiscalização,  em  atendimento  ao  termo  de 
intimação datado em 23 de junho de 2005” 

Entretanto,  em  análise  aos  documentos  apresentados 
por  Vsa  em  resposta  ao  termo  de  intimação  de 
23/06/2006,  NÃO  foram  encontrados  documentos 
relacionados  ao  aludido  crédito  pleiteado  nas 
Per/Dcomp.  

Isto posto: 

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  6

1.  Esclarecer  qual  é  a  origem  do  crédito  tributário 
(Processo  Administrativo  mencionado  nas 
PER/DCOMP:  10830.504124/2005­63)  pleiteado  nas 
Per/Dcomp retromencionadas, 

2.  Apresentar  ou  reapresentar  a  documentação  hábil  e 
idônea coincidentes em datas e valores que comprovem 
a  origem  do  crédito  tributário  pleiteado  por  Vsa,  no 
montante original de RS 10.000.000,00 (dez milhões de 
reais). 

Em  27/03/2007  (fls  133  a  147),  o  contribuinte 
apresentou  petição  e,  novamente,  NÃO  comprovou  a 
origem  do  crédito  pleiteado  no  montante  de  R$ 
10.000.000,00 limitando­se a informar que os processos 
de  compensações  haviam  sido  efetuados  por  terceiros 
que já havia solicitado à SRF a retificação dos mesmos, 
não teriam sido aceitas as retificações tendo em vista a 
ação  fiscal  em  andamento.  Também,  não  esclareceu  o 
PAF 10830.504124/2005­63. 

Portanto,  o  contribuinte  em  epígrafe,  regularmente 
intimado e com amplo prazo para o atendimento, NÃO 
comprovou, mediante a  apresentação de documentação 
hábil  e  idônea,  a  origem  do  crédito  pleiteado  (R$ 
10.000.000,00)  compensado  nas  PER/DCOMP 
13710.48935.110405.1.3.04­0843  e 
36921.01195.150405. 1.3.04­6080. 

Diante do  exposto, PROPOMOS o encaminhamento do 
presente  processo  ao  SEORT  para  elaboração  do 
Despacho  Decisório  em  face  da  não  comprovação  do 
crédito pleiteado no montante de R$ 10.000.000,00. 

Diante  destas  circunstâncias,  formalizou­se  o  Despacho 
Decisório que integra o processo administrativo apenso n° 
10830.001321/2006­14  (fls.  161/162),  no  qual  dispôs­se  o 
que segue: 

[...] 

Tendo  em  vista  que  à  época  do  início  da  análise  das 
Declarações  de  Compensação  tratadas  neste  processo, 
havia  procedimento  da  fiscalização  em  curso  junto  à 
contribuinte, foi proposto através do despacho de fl. 55, 
anteriormente  mencionado,  o  encaminhamento  deste 
processo  ao  Serviço  de  Fiscalização  –  SEFIS  –  desta 
Delegacia,  para  apuração  das  informações  prestadas 
pela  interessada  referente  às  duas  Declarações  de 
Compensação,  principalmente  em  relação  ao  crédito 
informado. 

Estas  informações  contidas  nas  Declarações  de 
Compensação,  foram aferidas em análise efetuada pelo 
Serviço  de  Fiscalização  ­  SEFIS,  desta  Delegacia, 

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 634 

 
 

 
 

7

consoante Informação fiscal elaborada em 27/04/2007, ­ 
fls.  148  e  150  ­  documento  este  que  passa  a  ser  parte 
integrante deste despacho. De acordo com esta análise, 
o SEFIS alega que o crédito, objeto das Declarações de 
Compensação,  no  montante  de  RS  10.000.000,00,  não 
foi comprovado.  

Diante do exposto, considerando tudo o mais que do processo 
consta, PROPONHO: 

1. A não homologação das Declarações de Compensação; 

2. O encaminhamento deste processo ao SEFIS para: 

a)  Verificar  a  pertinência  ou  não  do  lançamento  da  multa 
isolada  prevista  no  art.  18  da  Lei  n°  10.833,  de  29  de 
dezembro de 2003.  

b) No caso de aplicação da multa supracitada, dar ciência ao 
contribuinte  deste  despacho  junto  com  o(s)  auto(s)  de 
infração, e efetuar a cobrança de todos os débitos declarados 
nas  compensações,  conforme  extrato  do  sistema 
SINCORPROFISC de fls. 151­156; caso contrário, retornar o 
processo a este SEORT.  

Em  30/05/2008  o  interessado  foi  cientificado  do  referido 
despacho decisório, bem como do Auto de Infração e do Termo 
de  Verificação  Fiscal  que  integram  este  processo  principal  n° 
10830.005020/2008­13,  formalizando­se  a  exigência  de  R$ 
13.017.613,72,  correspondente  à  multa  de  ofício  isolada  no 
percentual  de  150%,  calculada  sobre  o  valor  total  dos  débitos 
compensados nas referidas DCOMP. 

Firmou­se no Termo de Verificação Fiscal que diante dos fatos 
apresentados, pelos quais exsurge  inquestionável a  intenção do 
contribuinte  em  fraudar  o  sistema  de  cobrança  da  Receita 
Federal, provocando a extinção indevida de tributos, concluímos 
pela aplicação da multa prevista no art. 18 da Lei n° 10.833, de 
29  de  dezembro  de  2003  (observadas  as  redações  dadas  pelas 
Leis nos 11.051/2004 e 11.196/2005), no percentual de 150%. 

Manifestando  sua  inconformidade  contra  o  despacho  decisório 
proferido nos autos do processo apenso n° 10830.001321/2006­
14,  o  interessado,  por  intermédio  de  seus  advogados  e 
procuradores,  apresentou  sua  defesa  em  27/06/2008  (fls. 
172/182  do  processo  apenso  n°  10830.001321/2006­14), 
alegando, em síntese, o que segue:  

• Em preliminar assevera que apresenta a presente Manifestação 
de  Inconformidade  com  fundamento  no  artigo  48,  da  Instrução 
Normativa n° 600 de 2005 c/c § 7º a § 11º, do artigo 74, da Lei 
nº 9.430/96, em razão de compensações não­homologadas, para 
destacar que ela  tem o condão de suspender a exigibilidade do 
crédito  tributário,  não  se  admitindo,  portanto,  que  os 

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lançamentos  dela  advindos  sejam óbice  a  expedição de  futuras 
Certidões Negativas de Débitos. 

• Relata sua fundação em 1941, e sua condição de revendedora 
exclusiva  dos  produtos,  serviços  e  sistemas  Caterpillar,  bem 
como a dimensão de sua estrutura operacional de serviços, para 
acrescentar  que  para  estes  67  anos  de  crescimento,  sua 
idoneidade  foi  atributo  indispensável,  e  mais  à  frente  afirmar 
que  em  harmonia  com  sua  sempre  ilibada  conduta,  foi  que  a 
própria Requerente protocolizou em janeiro de 2005, perante a 
Secretaria  da  Receita  Federal,  um  pedido  de  revisão  quanto  a 
uma  Declaração  de  Compensação  indeferida  nos  autos  do 
Processo Administrativo 10166.000251/2005­78. 

• Reporta­se ao processo de  fiscalização ocorrido em 2006, no 
qual  se  verificou  a  compensação  de  créditos  oriundos  do 
Processo  n"  696/1949  (RESP037056­STJ),  mencionando  o 
desprezo  à  realização  de  uma  análise  detalhada  da  origem  do 
crédito compensado e o  fato de se  ter sugerido arbitrariamente 
que  as  DCOMP's  entregues  até  30  de  dezembro  de  2004  não 
deveriam  ser  homologadas,  além  de  que  fossem  consideradas 
"não declaradas " as Declarações de Compensações, entregues 
após aquela data.  

•  Menciona  que  ali  ressalvou­se  que  não  se  analisaria  as 
DCOMP  que  são  objeto  do  Despacho  Decisório  ora  atacado, 
cita  que  a  Ilustríssima  Delegada  da  Receita  Federal  em 
Campinas, sem qualquer espécie de fundamentação, limitou­se a 
proferir  despacho  decisório  "acatando”  a  manifestação  da 
fiscalização  no  sentido  de  considerar  não  homologadas  as 
DCOMPs entregues até 30 de dezembro de 2004, bem como que 
em  razão  de  sua  boa­fé  pagou  os  tributos  compensados  em 
15/01/2007, no valor total de R$ 21.346.880,06.  

• Posteriormente, relata que foi cientificada de auto de infração 
exigindo­lhe o pagamento de R$ 2.639.366,47, com o acréscimo 
de multa  de  150%,  por  conta  de  PERD/COMP'S  considerados 
não declarados pelo Fisco, em razão do qual efetuou pagamento 
de R$ 2.723.627,40 em 27/04/2007, para na seqüência afirmar: 

Ocorre  que  para  a  surpresa  da  Requerente,  mediante  o 
Despacho  Decisório  ora  atacado,  proferido  nos  autos  do 
Processo  Administrativo  n°  10830.01321/2006­14,  estão 
sendo  exigidos  NOVAMENTE  tributos  cujas  compensações 
foram  consideradas  não­homologadas  pelo  Fisco,  os  quais 
foram  objeto  dos  PERDCOMP's  identificados  sob  o  n° 
13710.48934.110405.1.3.04­0843  e 
36921.01195.150405.1.3.04­6080. 

No entanto, tal exigência não merece prosperar em razão de 
dois fatores que serão abordados no próximo  tópico, abaixo 
resumidamente expostos: 

a)  as Duas Declarações  de Compensação  foram  objeto  dos 
PERD/Comp's  recepcionados  sob  números 
13710.48934.110405.1.3.04­0843  e 
36921.01195.150405.1.3.04­6080,  os  quais  foram  objeto  de 
dois  pedidos  expressos  de  cancelamento  em  razão  de 
duplicidade de envio,  

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 635 

 
 

 
 

9

e o que é pior: 

b) os tributos ora exigidos ESTÃO EXTINTOS NOS TERMOS 
DO  INCISO  I,  DO  ARTIGO  156.  DO  CTN.  pois  foram 
QUITADOS  quando  da  liquidação  dos  lançamentos 
perpetrados  em razão do Despacho Decisório proferido nos 
autos do Processo Administrativo n° 10166.000251/2005­78 e 
do Auto de Infração nº 10830.001497/2007­49. 

•  Reporta­se  à  existência  de  assessoria  técnica  especializada 
contratada  para  adequação  das  compensações  realizadas  à 
legislação  pátria  e  que,  em  meados  de  2005,  já  na  posse  da 
documentação  relativa  às  compensações,  a  ora  requerente 
constatou  vários erros nas  transmissões dos PERDCOMP'S, as 
quais  poderiam  resultar  em  sérios  prejuízos,  tais  como: 
duplicidade e  triplicidade de  transmissões. Daí as  tentativas de 
retificações  e  cancelamentos,  inclusive  das  DCOMP  em 
referência,  sem  contudo  obter  êxito,  fato  que  foi  devidamente 
comunicado  ao  Delegado  da  Receita  Federal  em  Campinas 
mediante  petições  protocolizadas  em  várias  oportunidades, 
dentre elas em 25 de junho de 2005 e 24 de fevereiro de 2006. 

•  Invoca  a  espontaneidade  e  o  direito  de  petição,  que  se 
respeitados  evitaria  o  lançamento  de  tributos  ora  discutidos  e 
ensejaria  a  reforma  do  Despacho  Decisório,  que  sequer 
adentrou  no  fato  de  que  os  PERDCOM'S  n°s 
13710.48934.110405.1.3.04­0843 e 36921.01195.150405.1.3.04­
6080  já  foram  objeto  de  pedido  de  cancelamento  em  razão  de 
duplicidades  constatadas  internamente  pela  companhia,  o  que 
por si só, faria com que perdesse seu objeto. 

Aliás,  a  veracidade  dessa  alegação  (duplicidade)  pode  ser 
facilmente constatada pelo fato dos tributos/períodos exigidos 
em  razão  de  Despacho  Decisório  ora  atacado,  estarem 
compreendidos dentre aqueles que foram lançados e quitados 
pela Requerente, em razão do Despacho Decisório proferido 
nos autos do Processo Administrativo n" 10166.000251/2005­
78 e do Auto de Infração n° 10830.01497/2007­49. 

Assim, mesmo que não sejam acatada a alegação de que os 
PERDCOMP'S  em  questão  foram  objeto  de  pedido  de 
cancelamento  não  atendido  pelo  Fisco,  o  que  se  admite 
apenas  a  título  de  argumentação,  o  fato  é  que  os  valores 
exigidos  em  razão  do  Despacho  Decisório  ora  guerreado, 
encontram­se extintos por pagamento nos termos do inciso I, 
do artigo 156, do Código Tributário Nacional, como a seguir 
será demonstrado. 

•  Em  quadro  demonstrativo,  contendo  os  códigos  tributos, 
período  de  apuração  e  vencimentos  dos  tributos  exigidos  pela 
não­homologação em tela, associa os valores quitados relativos 
a processo administrativo 10166­000.251/2005­78* e do Auto de 
Infração  10830.001497/2007­49**,  e  conclui  que  todos  os 
lançamentos oriundos de Despacho Decisório em tela, guardam 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  10

relação  com  exigências  já  QUITADAS  em  outros  processos 
administrativos (10166.000251/2005­78 e 10830.0014797/2007­
49),  RAZÃO  PELA  QUAL  NÃO  PODEM  PREVALECER  SOB 
PENA DE VERDADEIRO BIS IN IDEM. 

Assim,  a  Requerente  que  já  arcou  com  o  pagamento  de 
dezenas  de  milhões  de  reais,  certamente  não  se  sujeitará  a 
COBRANÇA  EM  DUPLICIDADE  COMO  ESTÁ  DE 
QUASE  SETE  MILHÕES  DE  REAIS  E  RESPECTIVA 
MULTA  DE  13  MILHÕES  DE  REAIS,  DELA 
DECORRENTE  EXIGIDA  NO  AUTO  DE  INFRAÇÃO 
10830.005020/2008­13. 

Tal situação, portanto, carece de imediata revisão por parte 
da  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Campinas,  pois  é 
INADMISSÍVEL  que  a  Requerente  fique  a  mercê  de 
trabalhos  fiscais  que  lhe  imputam  créditos  tributários  já 
pagos  e  ainda  autuações  deles  decorrentes  objetivando  a 
aplicação  de  penalidade  de  multa  de  150%  por  suposta 
"fraude",  caracterizando,  tais  atos  arbitrários,  num 
tratamento  desigual  e  de  total  descaso  a  um  dos  maiores 
contribuintes  da  jurisdição  desta E. Delegacia,  e  a "maior 
empresa do setor em faturamento no Estado de São Paulo e 
no país". 

Não obstante, apesar de nada dever ao erário, a Requerente 
ainda é submetida a Representação Penal, que culminará em 
Inquérito  Policial,  situação  extremamente  constrangedora  e 
que certamente trará danos irreparáveis a companhia. 

Ainda,  impugnando  o  lançamento  de  multa  de  ofício  isolada 
presente  neste  processo  principal  n°  10830.005020/2008­13,  o 
contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores, 
deduz as seguintes razões de fato e de direito em 26/06/2008: 

•  Reprisa  os  mesmos  argumentos  tecidos  na  manifestação  de 
inconformidade, para concluir que o Termo Decisório proferido 
nos autos do Processo Administrativo n.  °  10830.001321/2006­
14,  não  pode  sob  nenhum  aspecto  prevalecer,  pois  a  não­
homologação  das  compensações  resultou  na  exigência  de 
créditos tributários já QUITADOS. E acrescenta que, se a não­
homologação dos créditos tributários não surtiu qualquer efeito 
jurídico  ou  financeiro,  tendo  em  vista  que  os  objetos  das 
compensações  já  haviam  sido  recolhidos  ao  erário 
anteriormente, não há porque prevalecer a multa ora atacada. 

•  Na  seqüência,  entende  necessária  a  recapitulação  da  multa 
aplicada, na medida em que a utilização do percentual de 150% 
depende  da  plena caracterização  e  comprovação da prática  de 
uma  conduta  fraudulenta  por  parte  do  contribuinte,  conforme 
doutrina que  reproduz,  no  sentido da demonstração da própria 
materialidade  da  conduta  fraudulenta,  bem  como  o  dolo 
específico do agente, evidenciando não somente a intenção mas 
também  o  seu  objetivo,  uma  vez  que  a  fraude  não  pode  ser 
presumida mas  deve  sim  ser  comprovada  através  de  elementos 
contundentes  apuráveis,  inclusive,  através  do  devido  processo 
legal.  

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 636 

 
 

 
 

11

•  Reporta­se  à  responsabilidade  objetiva  do  art.  136  do  CTN, 
mas  ressalva  que  à  fraude  é  imprescindível  a  comprovação do 
dolo, o qual, por sua vez, é excluído pelo erro do agente que crê 
na  licitude  de  sua  conduta  –  ainda  que  tenha  sido  induzido  a 
erro por terceiros ­ e não tem a intenção de praticar fraude. 

•  Conclui,  assim,  que  não  estão  presentes  os  requisitos 
necessários à caracterização da fraude. Em suas palavras: 

­  a  Requerente  não  praticou  qualquer  conduta  omissiva  ou 
comissiva que visasse reduzir o montante do imposto devido, 
tendo  declarado  e  compensado  os  tributos  de  forma  a 
possibilitar a presente averiguação fiscal; 

­  não  houve  dolo  na  redução  do  imposto  devido,  ou  seja, 
intenção  de  provocar  um  evento  ou  resultado  contrário  ao 
Direito,  eis  que  a  Requerente  contratou  uma  consultoria 
jurídica  que  previamente  lhe  assegurou  a  legalidade  da 
operação, levando­a a engano; 

­ não restou comprovado pelo Fisco a prática de simulação 
quanto  à  ocorrência  ou  ao momento  da  ocorrência  do  fato 
gerador,  uma  vez  que  a  Requerente  ofereceu  inúmeros 
documentos  à Receita Federal,  como  escrituras  e  contratos, 
que demonstravam não só a ocorrência do fato gerador, mas 
as suas particularidades. 

•  Acrescenta  que  realizou  de  boa­fé  todos  os  procedimentos 
referentes  à  compensação  de  créditos,  e  para  isso  contratou  a 
consultoria  referida,  que  comprometeu­se  a  prestar  serviço  de 
"advocacia  e  assessoria  tributária  na  aquisição  de  crédito  por 
cessão  para  quitação  de  tributos  incidentes  na  contratante,  de 
natureza  federal".  Inclusive,  na  referida  contratação  foram 
previstos a seleção do crédito e a qualidade dele, o trânsito em 
julgado  e  a  conformidade  com  as  normativas  impostas  pela 
Receita Federal [...], bem como assegurado que a compensação 
seria válida nos termos do art. 170 do CTN. 

• Acreditou, assim, que agiu dentro da mais absoluta legalidade, 
sem qualquer  intenção de cometer qualquer  tipo de  infração,  e 
não está aqui, pretendendo opor convenção particular ao Fisco, 
mas sim demonstrar que não agiu com dolo em fraudar os cofres 
públicos, em prejuízo alheio,  

Inclusive,  tais  serviços  prestados  pelo  escritório  Walmir 
Barroso  Advogados  Associados  S/C,  que  não  se  prestaram 
para  o  fim  contratado,  qual  seja,  para  aquisição  e 
compensação de créditos tributários, levaram a Requerente a 
ingressar  com ação de  indenização contra  o mesmo,  a  qual 
tramita perante o Foro Central da capital (doe. n" 14). 

• Teria havido, assim, no máximo culpa "in eligendo", pela má 
escolha  do  prestador  de  serviços  jurídicos,  na medida  em  que 
sua conduta foi exclusivamente embasada no referido contrato. 

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•  Reporta­se  à  responsabilidade  decorrente  da  culpa  "in 
eligendo"  pelos  danos  causados,  mas  entende  que  estaria 
automaticamente  descartada  a  suposta  fraude  alegada  pela 
Requerida.  Em  reforço  à  sua  boa­fé,  menciona  também  sua 
colaboração  no  curso  do  procedimento  fiscal,  demonstrando 
claramente como toda a operação de compensação foi realizada, 
oferecendo  documentos  e  indicando  inclusive  os  valores  que 
foram adquiridos bem como os créditos que foram utilizados no 
procedimento administrativo. 

•  Menciona,  também  que  levada  à  engano  pela  assessoria 
contratada,  a  Requerente  jamais  negou  intencionalmente  a 
legislação  pátria,  inexistindo  portanto  o  próprio  nexo  de 
causalidade.  Reproduz  doutrina  que  exige  a  prática  voluntária 
do  antijurídico,  e  conseqüente  culpa  subjetiva  para  imputação 
da responsabilidade por infração, e conclui que a multa deveria 
ser reduzida, no mínimo, a 75%, na ausência de prova da fraude. 

• Reporta­se a julgados administrativos do Terceiro Conselho de 
Contribuintes  que  demonstram  a  necessidade  de 
descaracterização  da  multa  isolada  quando  não  restar 
devidamente comprovado o intuito de fraude, e acrescenta: 

Portanto,  não  há  como  se  pretender  sustentar  a  prática  de 
atividade  dolosa  que  visasse  evitar  ou  diferir  o  pagamento 
dos tributos, sendo que nenhuma prova foi apresentada neste 
sentido, restando comprovada a boa­fé da Requerente no ato 
da  contratação  dos  serviços  prestados  pela  assessoria  do 
escritório  Walmir  Barroso  Advogados  Associados  S/C 
Consultoria  Empresarial,  que  indicou­lhe  a  compensação 
como  em  “conformidade  com  as  normativas  impostas  pela 
Receita  Federal  e  outros  órgãos  pertinentes  a  pronta 
aquisição e conclusão do processo de transferência”. 

•  Recorda  que  a  fiscalização  em  tela  somente  foi  iniciada  a 
partir da provocação da própria Requerente, ou seja, a partir do 
processo  n°  10166.000251/2005­78,  onde  se  pretendia  a 
declaração  de  regularidade  da  compensação,  a  evidenciar  a 
total  boa  fé  da  empresa,  não  se  realizando  meramente  na 
contabilidade  da  empresa,  consoante  julgado  administrativo 
mencionado em sua defesa. 

Considerados  tais  esclarecimentos,  onde  estaria  a  tentativa 
de  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência 
do fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir 
ou modificar as  suas  características  essenciais,  de modo na 
reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o 
seu pagamento, necessária à tipificação da fraude? 

Mais  complexa  ainda  é  a  tentativa  do  Auditor  Fiscal  da 
Receita  Federal  imputar  uma  atitude  fraudulenta  à 
Requerente, que ressaltou sua boa­fé com o pagamento dos 
tributos apontados como devidos pela autoridade fiscal. 

• Conclui, assim, que não está tipificada a fraude, e demonstrada 
a  sua  boa­fé,  passa  a  apontar  o  caráter  inconstitucional  da 
multa  de  ofício  aplicada  pelo  Fisco,  na  medida  em  que, 
acrescido  da  multa  de  mora  exigida  para  o  recolhimento  do 

Fl. 642DF  CARF MF

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 637 

 
 

 
 

13

valor  compensado,  resta  evidente  que  o  percentual  assim 
totalizado em 170%, é confiscatório.  

• Ressalta que  tal  limitação constitucional é referida apenas no 
âmbito dos  tributos, mas a doutrina pacificamente a estende às 
multas,  na  medida  em  que  estas  não  devem  ter  caráter 
arrecadatório,  mas  tão  só  sancionatório,  com  respeito  aos 
princípios  da  proporcionalidade  e  isonomia  com  relação  a 
situações similares. 

• Entende caracterizado o confisco nas multas que ultrapassam 
em muito o valor do próprio tributo, ou mesmo o valor do bem 
ou  riqueza  que  ensejou  a  tributação,  extrapolando  o 
dimensionamento necessário para desestimular o ilícito. 

• Assevera que a indenização ao Fisco se faz pela aplicação de 
juros  de  mora  e  correção  monetária,  e  a  utilização  da  taxa 
SELIC para cálculo dos  juros, associada a multas superiores a 
100%,  ofende  o  princípio  da  proporcionalidade  e  tem  feição 
confiscatória.  

• Apenas o  tributo deve  ter  função arrecadatória. A multa deve 
ser  fixada  para  incentivar  o  cumprimento  do  dever  pelo 
contribuinte e, para manter as suas funções de punir, reprimir e 
ressocializar,  deve  também  observar  o  princípio  do  não­
confisco. 

•  Cita  também  o  princípio  da  razoabilidade,  reportando­se  a 
precedentes  do  Supremo  Tribunal  Federal  e  dos  Tribunais 
Regionais  Federais,  e  acrescenta  que  o  valor  excessivo  da 
penalidade  é  suficiente  para  inviabilizar  a  vida  financeira  da 
empresa punida. E, por fim, menciona que o alcance do preceito 
constitucional  que  veda  o  confisco  é  também  extensivo  às 
penalidades,  por  ser  desdobramento  da  garantia  do  direito  de 
propriedade, previsto no inciso XXII, do artigo 5º, e inciso II do 
artigo 170, ambos da Constituição Federal. 

•  Requer,  por  todo  o  exposto,  a  declaração  de  nulidade  do 
presente  lançamento,  eis  que  demonstrado  que  os  créditos 
tributários  não  homologados  nos  autos  do  Processo 
Administrativo n° 10830.001321/2006­18, já foram devidamente 
recolhidos,  ou  então  que  seja  ele  julgado  improcedente,  por 
inaplicabilidade da multa de 150%, ou que este percentual seja 
reduzido  para  75%,  tendo  em  vista  que  a  Requerente  não 
praticou a aquisição e compensação dos créditos com intuito de 
fraude. 

Submetidas a Manifestação de Inconformidade e a Impugnação à apreciação 
da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, esta houve por bem 
julgar  procedente  em  parte  a  manifestação,  ratificando  o  ato  de  não  homologação,  mas 
afastando  parcialmente  a  cobrança  dela  decorrente.  Entretanto,  julgou  improcedente  a 
impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa  isolada formalizada nestes autos. O 
acórdão restou assim ementado: 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  14

ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 

Ano­calendário: 2005 

COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  DE  NATUREZA  TRIBUTÁRIA. 
INEXISTÊNCIA. ORIGEM EM PROCESSO ADMINISTRATIVO 
DE INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO.  

Inadmissível  a  compensação  de  suposto  crédito  de  natureza 
tributária,  oriundo  de  processo  administrativo  destinado  à 
inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União  de  débito  cujo  valor  é 
irrisório, se comparado com o crédito alegado. 

FALSIDADE  EM  DCOMP.  IMPOSSIBILIDADE.  IMPOSIÇÃO 
DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.  

Inserir informação falsa em DCOMP, a fim de possibilitar o seu 
envio  por  meio  eletrônico  e  dar  aparência  de  regularidade  à 
utilização  de  créditos  de  natureza  tributária  inexistentes, 
demonstra a  falsidade e o evidente  intuito de fraude que devem 
ser  penalizados  com  o  lançamento  de  multa  qualificada  no 
percentual de 150%. 

DÉBITOS  PAGOS  EM  RAZÃO  DE  PROCEDIMENTO 
ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. NECESSIDADE.  

Se  o  interessado  não  providencia  espontaneamente  o 
cancelamento  das DCOMP  cujos  débitos  foram  posteriormente 
pagos, necessário é o ato de não homologação para desfazer seu 
efeito extintívo evitar eventual alegação de pagamento indevido.  

COBRANÇA.  Descabe  nova  cobrança  de  débitos  que,  embora 
objeto de DCOMP não­homologada,  já  se  encontram pagos ou 
foram  objeto  de  representação  para  cobrança  em  razão  de 
procedimento fiscal anterior.  

MULTA  ISOLADA.  CABIMENTO.  O  pagamento  posterior  dos 
débitos  compensados  não  afasta  a  multa  isolada  por 
compensação indevida, na medida em que ela decorre do efeito 
extintivo  das  DCOMP,  e  visa  coibir  seu  uso  em  hipóteses 
distintas daquelas  autorizadas  na  lei, mormente  se  vinculada a 
créditos  inexistentes  de  natureza  tributária  e  com  inserção  de 
elementos falsos.  

MULTA DE OFÍCIO POR COMPENSAÇÃO  INDEVIDA COM 
EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. ATOS PRATICADOS POR 
TERCEIROS.  Imprópria  é  a  alegação  de  culpa  in  eligendo  da 
assessoria  contratada,  se  inexiste  qualquer  evidência  de  que  o 
procedimento questionado tenha sido promovido por terceiros.  

MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE EFEITO 
CONFISCATÓRIO.  OFENSA  AOS  PRINCÍPIOS  DA 
RAZOABILIDADE  E  PROPORCIONALIDADE. 
INCONSTITUCIONALIDADE.  A  apreciação  de  considerações 
acerca da graduação da penalidade, definida objetivamente em 
lei, não compete à autoridade administrativa, mas sim ao Poder 
Judiciário. 

COBRANÇA  DOS  DÉBITOS  COMPENSADOS. 
COEXISTÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA E MULTA 

Fl. 644DF  CARF MF

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 638 

 
 

 
 

15

MORA. A multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº e 10.833, 
de  2003,  é  penalidade  nova,  aplicável  sobre  o  valor  total  do 
débito indevidamente compensado nos casos de abuso de forma 
e/ou  fraude no uso da DCOMP como meio extintivo do crédito 
tributário.  Assim,  não  se  caracteriza  como  acréscimo  do 
principal não recolhido e coexiste com eventual exigência deste 
acrescido de multa de mora ou de ofício.  

Lançamento Procedente. 

Vale mencionar  que,  ao  longo  do  voto  condutor  do  julgado  acima,  a  DRJ 
reconheceu  que  os  débitos  que  constavam  na  DCOMP  nº  13710.48934.110405.1.3.04­0843 
(cuja  manifestação  de  inconformidade  fora  apresentada  nos  autos  do  PTA  nº 
10830.001321/2006­14,  apenso  a  este  processo  quando  da  análise  pela  SRJ)  já  haviam  sido 
objeto de compensação anterior e integralmente pagos pelo contribuinte nos autos dos PTAs nº 
10166.000251/2005­78 e 10830.001497/2007­49.  

Entendeu,  assim,  que  nova  cobrança  dos  mesmos  débitos,  dessa  vez 
consubstanciada no PTA nº 10830.001321/2006­14 (destinado à cobrança dos débitos relativos 
a  não  homologação  das  compensações  formalizadas  em  DCOMPs  n°s 
13710.48934.110405.1.3.04­0843  e  36921.01195.150405.1.3.04­6080)  caracterizaria  a 
duplicidade  na  exigência  dos  mesmos  débitos  relacionados  à  DCOMPs  n° 
13710.48934.110405.1.3.04­0843.  

Com  relação  à  multa  isolada,  o  seu  lançamento  foi  realizado  em  Auto  de 
Infração próprio, consubstanciado no presente PTA 10830.005020/2008­13. 

No  entendimento  da DRJ,  embora  tenha  considerado  válido  e  necessário  o 
ato  de  não  homologação  da  DCOMP  n°  13710.48934.110405.1.3.04­0843,  decidiu  que  não 
deveria prosseguir  a cobrança dos débitos  a ela  correspondentes,  já que  foram  integralmente 
pagos,  conforme acima noticiado.  Já com  relação à DCOMP nº 36921.01195.150405.1.3.04­
6080,  como  não  foram  comprovados  os  pagamentos  dos  débitos  nela  compensados,  não 
havendo qualquer relação com a aqueles cobrados em procedimentos anteriores, entendeu que 
não seria a mesma situação da outra DCOMP (n° 13710.48934.110405.1.3.04­0843). Por esse 
motivo, manteve integralmente a cobrança dos débitos daquela DCOMP. 

No  que  diz  respeito  à  multa  isolada  lançada  nos  presentes  autos  (PTA  nº 
10830.005020/2008­13), exigida em sua modalidade agravada (150%), a DRJ houve por bem 
manter  integralmente  o  seu  lançamento  ao  fundamento  de  que,  apesar  de  as  compensações 
realizadas em duplicidade envolverem os mesmos débitos, elas se valeram de créditos distintos, 
submetendo  o  infrator  a  tantas  punições  quantas  forem  as  condutas  praticadas  em 
inobservância  de  norma,  reunindo  as  características  necessárias  para  a  aplicação  da  multa 
isolada pela não homologação da  compensação. Manteve,  ainda,  a penalidade  em sua  forma 
qualificada e, para tanto, justificou ser: 

“indubitável que a inserção de informações cujas características 
não estão de acordo com a  legalidade que ampararia o direito 
de compensação de créditos junto ao Fisco tipifica a conduta do 
agente que deliberadamente  inseriu a  informação com o  fim de 
ser  eximir  de  recolhimento  de  tributos.  Da  inserção  de  dados 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



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relativos  a  créditos  inexistentes,  ou  ente  diverso  da  fazenda 
pública  federal,  ou  que  seja  de  natureza  não­tributária, 
depreende­se  que,  regra  geral,  a  conduta  não  foi,  em  tese, 
culposa, mas  sim dolosa. No mínimo,  ocorreu  o  dolo  eventual, 
pois  o  agente  vislumbrou  o  resultado  (extinção  do  crédito 
tributário) e o assumiu, no esteio de que o último risco seria a 
simples não­homologação da compensação.” (fl. 570) 

Regularmente  intimado do  acórdão  acima,  a Recorrente  interpôs  o Recurso 
Voluntário  de  fls.  594/620,  informando  que  o  saldo  remanescente  do  PTA  nº 
10830.001321/2006­14  será  devidamente  quitado,  tendo  em  vista  a  sua  inclusão  no 
Parcelamento nº 18043.000091/2009­99. Não é, portanto, objeto de discussão no presente 
recurso. A matéria em debate limita­se a discutir a cobrança da multa isolada, bem como o seu 
enquadramento na modalidade qualificada (150%).  

Depois de interposto o recurso voluntário supramencionado, foi certificado à 
fl.  621  que  apenas  o  presente  processo  (PTA  10830.005020/2008­13)  foi  encaminhado  à 
ARF/Sumaré  para  continuidade,  já  que  o  processo  apenso  10830.001321/2006­14  foi 
parcelado.  Na  sequência,  certificou­se  à  fl.  622  que,  em  21/06/2010,  o  PTA  nº 
108300013212006­14 foi desapensado do PTA n° 10830.005020/2008­13.  

Desse modo, apenas o Recurso Voluntário discutindo a multa isolada é objeto 
de análise por este Conselho.  

Recebido o feito para apreciação, passo a analisá­lo.  

 

É o relatório. 

Fl. 646DF  CARF MF

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 639 

 
 

 
 

17

 

Voto            

Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira  

O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo 
conhecimento. 

Da leitura do Auto de Infração, verifica­se à fl. 35 que o enquadramento legal 
da multa isolada em razão da não homologação da compensação foi embasado no art. 18 da Lei 
10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.051/04. Confira­se:  

001  ­  MULTA  ISOLADA  ­  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA 
COMPENSAÇÃO  INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO 
PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO 

O  contribuinte  efetuou  compensação  indevida  de  valores  em 
declaração  prestada,  conforme  Termo  de  Verificação  Fiscal, 
parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. 

Data         Valor Multa Regulamentar 

30/04/2005        R$ 10.702.357,98 

30/04/2005        R$ 2.315.255,74 

ENQUADRAMENTO LEGAL 

Art.  18  da  Lei  n°  10.833/03,  com  redação  dada  pela  Lei  n° 
11.051/04. 

A  aplicação  da  multa  isolada  sobre  o  débito  objeto  de  compensação  não 
homologada tem embasamento legal no art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, 
que, em sua redação original, assim dispunha: 

Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida 
Provisória n° 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­se­á à 
imposição  de  multa  isolada  sobre  as  diferenças  apuradas 
decorrentes de compensação indevida e aplicar­se­á unicamente 
nas  hipóteses  de  o  crédito  ou  o  débito  não  ser  passível  de 
compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de 
natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática 
das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n°4.502, de 30 de 
novembro de 1964. 

§  1º  Nas  hipóteses  de  que  trata  o  caput,  aplica­se  ao  débito 
indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 
da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996. 

Fl. 647DF  CARF MF

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NIO ALKMIM TEIXEIR



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§  2º  A multa  isolada  a  que  se  refere  o  caput  é  a  prevista  nos 
incisos  I  e  II  ou  no  §  2º  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de 
dezembro de 1996, conforme o caso. 

§  3º Ocorrendo manifestação  de  inconformidade  contra a  não­
homologação  da  compensação  e  impugnação  quanto  ao 
lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão 
reunidas  em  um  único  processo  para  serem  decididas 
simultaneamente. 

No ano seguinte, o citado art. 18 da Lei nº 10.833/2003 foi modificado pela 
Lei  n°  11.051,  de 27  de  dezembro  de 2004,  que  alterou  a  redação  do  caput  e  do  §  2°,  bem 
como incluiu o § 4°, o qual passou a tratar da incidência da multa isolada para os casos em que 
a compensação for considerada não declarada,  restringindo expressamente a aplicação dessa 
penalidade  às  hipóteses  enquadradas  no  II  do  §  12  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de 
dezembro de 1996. Confira­se: 

Art.  25.  Os  arts.  10,  18,  51  e  58  da  Lei  nº  10.833,  de  29  de 
dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: 

"(...) Art. 18. O  lançamento de ofício de que  trata o art.  90 da 
Medida Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­
se­á  à  imposição  de  multa  isolada  em  razão  da  não­
homologação  de  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo 
nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações 
previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 
1964. 

§  2º  A multa  isolada  a  que  se  refere  o  caput  deste  artigo  será 
aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º 
do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme 
o  caso,  e  terá  como  base  de  cálculo  o  valor  total  do  débito 
indevidamente compensado. 

............................................................................ 

§ 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada 
quando  a  compensação  for  considerada  não  declarada  nas 
hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de 
dezembro de 1996." (NR) 

A  Lei  nº  11.196,  de  21  de  novembro  de  2005,  por  sua  vez,  ao  alterar  a 
redação do citado § 4° do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, o fez apenas para definir que a multa 
será aplicada sobre o  total do débito  indevidamente compensado, quando a compensação  for 
considerada não declarada,  bem como para  estabelecer os percentuais que  seriam aplicados 
para  cada  situação,  inclusive  os  casos  de  qualificação  da  multa.  Não  realizou,  entretanto, 
nenhuma  alteração  em  relação  à  estrita  incidência  da  referida  multa  isolada,  que  deve  ser 
aplicada somente se verificada as hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 
27 de dezembro de 1996. Para que não restem dúvidas, veja a redação abaixo: 

Art. 117. O art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, 
passa a vigorar com a seguinte redação: 

"Art. 18. ........................................................................................ 

........................................................................................ 

Fl. 648DF  CARF MF

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 640 

 
 

 
 

19

§ 4º  Será  também exigida multa  isolada  sobre  o  valor  total  do 
débito  indevidamente  compensado,  quando  a  compensação  for 
considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do 
art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando­se 
os percentuais previstos: 

I  ­  no  inciso  I  do  caput  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de 
dezembro de 1996; 

II  ­  no  inciso  II  do  caput do  art.  44  da Lei  nº  9.430,  de  27  de 
dezembro  de  1996,  nos  casos  de  evidente  intuito  de  fraude, 
definidos  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502,  de  30  de 
novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades 
administrativas ou criminais cabíveis. 

§ 5º Aplica­se o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 
de  dezembro  de  1996,  às  hipóteses  previstas  no  §  4º  deste 
artigo." (NR) 

Novamente a redação do art. 18 foi modificada, agora pela Lei n° 11.488, de 
15 de junho de 2007, que atribuiu nova redação ao caput do art. 18, bem como aos parágrafos, 
2º, 4º e 5º, definindo a redação atualmente em vigor. Todavia, manteve a mesma restrição de 
que  a  multa  isolada  será  aplicada  apenas  quando  “a  compensação  for  considerada  não 
declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 
1996”: 

Art. 18.  Os arts. 3º e 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 
2003, passam a vigorar com a seguinte redação: 

(...) "Art. 18.  O lançamento de ofício de que  trata o art. 90 da 
Medida Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­
se­á  à  imposição  de  multa  isolada  em  razão  de  não­
homologação da compensação quando se comprove falsidade da 
declaração apresentada pelo sujeito passivo. 

...........................................................................  

§  2º  A multa  isolada  a  que  se  refere  o  caput  deste  artigo  será 
aplicada no percentual previsto no  inciso I do caput do art. 44 
da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, 
e  terá  como  base  de  cálculo  o  valor  total  do  débito 
indevidamente compensado. 

...........................................................................  

§  4º  Será  também exigida multa  isolada  sobre  o  valor  total  do 
débito  indevidamente  compensado  quando  a  compensação  for 
considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do 
art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando­se 
o percentual previsto no  inciso  I  do  caput do art.  44 da Lei nº 
9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 
1º, quando for o caso. 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  20

§ 5º Aplica­se o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 
de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste 
artigo." (NR) 

Feitas  essas  considerações  iniciais  acerca  da  multa  isolada  prevista  para 
compensação  não  homologada  e  compensação  não  declarada,  passa­se  a  delimitar  o  campo  de 
aplicação das penalidades impostas pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003, bem como analisar se o caso em 
tela é passível de ser considerado uma compensação não homologada ou não declarada. 

Inicialmente,  é  importante  salientar  que  pedido  de  compensação  é  causa 
extintiva do crédito tributário, sob condição resolutória, nos termos do art. 156,  inciso  II, do 
CTN e o art. 74, § 2o, da Lei nº 9.430/96. 

Nos dizeres de Paulo de Barros Carvalho, no seu  livro “Direito Tributário, 
linguagem  e  método”,  4ª  edição,  “na  compensação  tributária  são  dissolvidas, 
simultaneamente,  essas  duas  relações:  (i)  de  crédito  tributário  e  (ii)  de  débito  do  Fisco. 
Direitos e deveres funcionam como vetores de mesma intensidade e direção, mas de sentidos 
opostos  que  se  anulam.  A  compensação  é  forma  extintiva  das  obrigações  em  geral, 
encontrando fundamento de validade no art. 368 do Código Civil: ‘Se duas pessoas forem ao 
mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações se extinguem, até onde se 
compensarem’. No que concerne à obrigação do tributo, o Código Tributário Nacional acolhe 
o  instituto,  desde  que,  em  homenagem  ao  princípio  da  indisponibilidade  dos  bens  públicos, 
seja autorizado em lei.” 

De acordo com o § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 
“a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob 
condição resolutória de sua ulterior homologação.”  

O  efeito  de  extinção  do  crédito,  pela  compensação,  opera­se  de  imediato, 
portanto, a partir da entrega da declaração na qual constarão informações relativas aos créditos 
utilizados e aos respectivos débitos compensados. Contudo, somente irá vigorar enquanto não 
haja despacho decisório indeferindo o pedido de compensação.  

Essa  é  a  condição  resolutória  e  está  relacionada  ao  prazo  de  cinco  de  que 
dispõe a Administração Pública para verificar a  regularidade do ato e homologá­lo. Caso ela 
não  se  manifeste  durante  o  prazo  acima  assinalado,  a  compensação  será  tacitamente 
homologada, permanecendo o crédito extinto. Caso ela  se manifeste  indeferindo o pedido de 
compensação, o crédito tributário será exigido.  

Ou seja, a implementação da condição poderá desfazer o ato jurídico perfeito 
que  resultou na extinção do crédito  tributário e,  assim, este passará  a ser novamente  exigido 
com todos os encargos cabíveis. 

A extinção do crédito tributário é, portanto, condicional, ocorrendo em razão 
da  apresentação  de  declaração  de  compensação  e  deixando  de  existir  em  função  da 
implementação de condição resolutória, qual seja, a sua não­homologação pelo Fisco. 

É  o  mesmo  raciocínio  aplicado  para  o  pagamento  antecipado  dos 
lançamentos por homologação (art. 150, § 4º do CTN). Nessa hipótese, a extinção do crédito 
ocorre na data do pagamento antecipado. Entretanto, por ser uma condição resolutória, caso a 
administração  tributária,  em  posterior  procedimento  de  fiscalização,  venha  a  apurar  que  o 
sujeito  passivo  não  efetuou  o  pagamento  adequadamente,  cuidará  de  adotar  todas  as 
providências  necessárias  para  exigir  os  valores  que  deixaram  de  ser  pagos,  acrescidos  das 
penalidades cabíveis.  

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 641 

 
 

 
 

21

A  lógica  é  tão  semelhante  que,  durante  o  período  em  que  o  pedido  de 
compensação estiver pendente de análise, os débitos informados na DCOMP são tratados como 
inexistentes pelo sistema da RFB, que permite, inclusive, a renovação de certidão negativa de 
débitos.  

Tendo­se  em  vista  que  a  compensação  extingue  o  débito,  resta  impossível 
apresentar novo pedido de compensação quanto o débito encontra­se extinto. 

É pressuposto básico do pedido de compensação a existência do débito a ser 
compensado. A este respeito, confira­se a opinião de Sacha Calmon1: 

A compensação pode ser legal, jurídica ou voluntária. 

A  compensação  legal  é  feita  nos  termos  da  lei,  ipso  jure.  É  o 
caso  da  compensação  fiscal  porque  o  tributo  é  ex  lege, 
indisponível  pelo  Estado­Administração.  A  compensação  é 
voluntária quando resulta de convenção entre as partes. Dela se 
diz  que  é  judicial  quando  a  dívida  se  faz  líquida  e  certa  por 
decisão judicial. 

São pressupostos da compensação legal: 

a)  Duas dívidas que sejam recíprocas; 

b)  Fungíveis; e  

c)  Exigíveis. 

É dizer: não há como existir a compensação legal (que é a compensação ora 
analisada) diante da inexistência do débito a ser compensado. Assim, como a Recorrente havia 
apresentado  declaração  de  compensação  anterior,  cujo  efeito  foi  extinguir  os  débitos,  a 
declaração  de  compensação  posterior  visando  extinguir  os  mesmos  débitos  que  já  se 
encontravam  extintos  não  pode  existir  juridicamente  vez  que  ausente  o  pressuposto  da 
existência do débito a ser compensado. 

Isso porque, a compensação anula, sob condição resolutória, o débito, como 
bem explica o professor Paulo de Barros Carvalho, vez que no quadro da fenomenologia das 
extinções,  a  compensação ocupa o  tópico de modalidade  extintiva  tanto  do direito  subjetivo 
como  do  dever  jurídico,  uma  vez  que  o  crédito  do  sujeito  pretensor,  num  dos  vínculos,  é 
anulado pelo seu débito, no outro, o mesmo se passando com o sujeito devedor. 

A  jurista  Misabel  Abreu  Machado  Derzi2  também  realiza  considerações 
interessantes sobre o instituto da compensação, valendo conferir os seguintes trechos:  

a peculiaridade da compensação no Direito Tributário, realçada 
especialmente nos tributos lançados por homologação, conforme 
modelo adotado pela Lei nº 8.383/91, está exatamente no fato de 
que ela extingue a obrigação sob condição resolutória, como é 

                                                           

1 Curso de Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Forense, p.735. 
2 Direito Tributário Brasileiro. Aliomar Baleeiro. Editora Forense. 11ª Edição. Fl. 903 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  22

próprio  do    pagamento  antecipado  (art.  150,  §  4º  do CTN).  A 
certeza  e  a  liquidez  serão  apuradas  pelo  sujeito  passivo,  que 
procederá  à  compensação,  ficando  os  atos  assim  praticados 
sujeitos  à  fiscalização  futura  pelo  prazo  de  cinco  anos.  (...)  O 
fenômeno é ordinário. Afinal,  os  impostos  e  contribuições mais 
importantes  do  sistema  tributário  brasileiro  são  sujeitos  a 
lançamento  por  homologação,  em  que  o  sujeito  passivo, 
calculando  e  apurando  o  montante  a  pagar,  antecipa  o 
pagamento, que se sujeita a ato administrativo de homologação 
posterior,  expresso  ou  tácito,  como  condição  resolutória  de 
extinção.  No  ICMS  e  no  IPI,  ordinariamente,  o  contribuinte 
também realiza as compensações inerentes ao princípio da não­
cumulatividade.  Seria  estranho  ao  regime  do  próprio  tributo  e 
mesmo  impraticável  que  o  contribuinte,  que  pagou  o  que  não 
devia, para compensar o seu crédito – como forma de restituição 
do  indébito  –  se  sujeitasse  à  conferência  prévia  pela  Fazenda 
Pública de todos os atos praticados”  

Não  se  trata,  portanto,  de DCOMP não  homologada  ou  não  declarada,  vez 
que a ausência de débito impossibilita a apresentação de DCOMP. Explica­se. 

A  lógica  corrobora  para  impossibilitar  a  existência  de  duas  declarações  de 
compensação sobre o mesmo débito. Em síntese, sobre a matéria envolvendo vários pedidos de 
compensação relativos aos mesmos débitos, três hipóteses distintas são possíveis:  

(i) A segunda DCOMP, com débitos apresentados em DCOMP anterior, 
é  apresentada  quando  a  primeira  DCOMP  ainda  não  foi  analisada:  quando  a  segunda 
DCOMP é apresentada antes do despacho decisório e antes do início do procedimento fiscal, 
ela deve ser  interpretada como retificadora da primeira e esta, por conseqüência, perde o seu 
objeto, dispensando a sua análise. A segunda DCOMP, portanto, substitui a primeira, devendo 
somente aquela ser analisada, já que a primeira deixa de produzir efeitos; 

(ii) A segunda DCOMP, com débitos apresentados em DCOMP anterior, 
é  apresentada  após  o  início  do  procedimento  fiscal,  mas  antes  do  despacho  decisório: 
quando a segunda DCOMP é apresentada antes do despacho decisório, mas depois de iniciado 
o procedimento fiscal (não podendo a primeira ser retificada), ela perde o seu objeto, devendo 
ser  considerada  inexistente,  já  que,  iniciado  o  procedimento  fiscal  o  contribuinte  não  pode 
retificar a primeira declaração, e o débito, antes do despacho não homologatório está extinto, 
podendo, portanto, a segunda DCOMP produzir nenhum efeito sobre aqueles débitos; 

(iii)  A  segunda  DCOMP,  com  débitos  apresentados  em  DCOMP 
anterior, é apresentada após o despacho que não homologa a primeira: havendo despacho 
acerca da não homologação da primeira DCOMP, aplicando­se a multa isolada competente e 
realizando­se a cobrança dos débitos correspondentes, a segunda DCOMP, quando apresentada 
após o referido despacho decisório, deve ser considerada como não declarada (nos termos do 
§3º, V, e §12, do art. 74 da Lei nº 9.430/96),  já que a  legislação não permite a coexistência 
dessas duas declarações sobre os mesmos débitos. 

Aplicando­se os  conceitos  acima ao  caso  em  tela,  é de  se  concluir  que,  em 
relação  aos  débitos  consubstanciados  DCOMP  nº  13710.48934.110405.1.3.04­0843, 
transmitida em 11/04/2005, como já haviam sido objeto de pedidos de compensação anteriores, 
e,  como  confirmado  pela  DRJ,  já  haviam  sido  integralmente  pagos  nos  autos  dos  PTAs  nº 
10166.000251/2005­78  e  10830.001497/2007­49,  a  cobrança  da  multa  isolada  exigida  por 
meio do meio do presente PTA não deve subsistir. Explico­me: 

Fl. 652DF  CARF MF

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 642 

 
 

 
 

23

A DRJ de Campinas teve o cuidado de realizar uma análise muito detalhada 
dos débitos envolvidos, visando justamente evitar a duplicidade na cobrança. Assim, constatou 
que todos os débitos informados na DCOMP nº 13710.48934.110405.1.3.04­0843 haviam sido 
objeto de pedidos de compensação anteriores, sendo que todas as DCOMPs envolvidas foram 
transmitidas  no  período  de  outubro/2004  e  janeiro/2005,  ou  seja,  anteriores  à  DCOMP  ora 
analisada, que, como dito, foi transmitida em abril/2005.  

Ressaltou,  ainda,  que  todos  os  débitos  constantes  da  DCOMP  nº 
13710.48934.110405.1.3.04­0843  já  haviam  sido  cobrados  do  contribuinte  e  por  ele  pagos. 
Veja o trecho abaixo, extraído do acórdão nº 05­23.794, elaborado pela DRJ, fl. 549: 

Conclui­se, desta  forma, a análise dos débitos compensados na 
DCOMP  n°  13710.48935.110405.1.3.04­0843,  evidenciando­se 
que todos os valores ali constantes já haviam sido cobrados do 
contribuinte e por ele pagos. Para maior clareza, o número de 
ordem  atribuído  a  cada  um  dos  débitos  analisados  está 
referenciado  na  cobrança/lançamento  evidenciado  nos  extratos 
dos  processos  administrativos  n°  10166.000251/2005­78  e 
10830.001497/2007­49 (fls. 352/374). Ali, apenas deixam de ser 
consignados os débitos de n° 1, 6 e 29, que embora não constem 
naqueles  autos,  foram  indicados  para  cobrança  na  ordem  de 
intimação do Acórdão DRJ/CPS n° 18.644.  

Apenas  para  que  não  restem  dúvidas  quanto  às  compensações  realizadas, 
convém notar os trechos a seguir, os quais demonstram que todas as DCOMPs mencionadas e 
analisadas  pela  DRJ,  em  relação  à  DCOMPs  n°s  13710.48934.110405.1.3.04­0843,  foram 
transmitidas no período entre 10/2004 e 01/2005. Confira­se:  

1)  Código  0561,  PA  1­10/2004,  valor  original  de  RS 
761.445.08: 

Código 0561, PA 5­10/2004, valor original de R$ 761.445,08 

O contribuinte aponta compensações de: 

R$  761.445,08  na  DCOMP  26981.24560.030105.1.7.57­3878 
(retificadora  da DCOMP 29705.87825.031104.1.3.57­1640); 

R$  942.135,99  (principal  de  R$  761.445,08)  na  DCOMP 
36750.45364.050105.1.3.57­0527; 

(...) Como se vê, o débito de R$ 761.445,08, aqui indicado como 
referente à 1ª semana de outubro/2004, em verdade consta como 
pertinente  à  5  a  semana  de  outubro/2004  na  DCTF  deste 
período.  O  mesmo  se  infere  da  DCOMP  aqui  tratada  (n° 
13710.48935.110405.1.3.04­0843),  na  qual  ele  é  associado  ao 
vencimento  de  04/11/2004,  e  não  06/10/2004,  como  seria 
esperado para débitos da 1ª semana de outubro/2004. 

(...)  Portanto,  uma  vez  procedida  a  cobrança  complementar 
naqueles  autos,  como  determinado  em  razão  do  julgamento, 
descabe repeti­la aqui. 

Fl. 653DF  CARF MF

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2) Código 0561. PA 1­12/2004. valor original de R$ 577.998.86: 

Código 0561, PA 1­12/2004, valor original de RS 615.229,22 

O contribuinte aponta compensações de: 

R$ 615.229,22 na DCOMP 22107.55657.261104.1.3.57­1445; 

R$ 615.229,22 na DCOMP 39819.06004.071204.1.3.57­2423; 

R$  686.778,23  (principal  de  R$  577.998,86)  e  de  R$  1.999,84 
(principal  de  R$  1.683,09)  na  DCOMP  38486.24773.070105. 
1.3.57­0600; e 

R$  42.237,26  (principal  de  R$  35.547,27)  na  DCOMP 
24322.97492.070105.1.3.57­3300. 

(...) Observa­se,  do  exposto,  que  o  débito  de  IRRF,  sob  código 
0561, apurado na 1ª semana de dezembro/2004 seria, em todos 
os documentos apresentados, de R$ 615.229,22. Apenas que este 
valor  foi  decomposto  nas  parcelas  de  R$  577.998,86  e  R$ 
1.999,84  indicadas na DCOMP n° 38486.24773.070105.1.3.57­
0600 e da parcela de R$ 35.547,27 compensada na DCOMP n° 
24322.97492.070105.1.3.57­3300, as quais totalizam também R$ 
615.229,22. Confirma­se, ainda, que a parcela de R$ 615.229,22 
foi  objeto  de  cobrança  no  processo  administrativo  n° 
10166.000251/2005­78.  

Assim, na medida  em que o  débito  de R$ 577.998,86  integra  o 
valor  de  R$615.229,22,  cobrado  naquele  processo 
administrativo, descabe nova exigência. 

3) Código 0561. PA 2­12/2004, valor original de R$ 1.683.09: 

Como  se  vê  acima,  o  valor  de R$  1.683,09  foi  apontado  como 
parcela  integrante  do  débito  de  R$  615.229,22,  apurado  na  1ª 
semana  de  dezembro/2004,  sendo  objeto  de  compensação  na 
DCOMP  n°  38486.24773.070105.1.3.57­0600.  Aqui,  não 
obstante ele tenha sido indicado como referente à 2 a semana de 
dezembro/2004,  seu  vencimento  foi  declarado  como  sendo 
08/12/2004, o mesmo apontado para o débito de R$ 577.998,86. 

Conclui­se, daí, que esta parcela, à semelhança do débito de R$ 
577.998,86, também integra o valor de R$ 615.229,22 cobrado e 
pago  no  processo  administrativo  n°  10166.000251/2005­78, 
devendo ser interrompida esta nova cobrança. 

4  e  5)  Código  0561.  PA  1­12/2004.  valor  original  de  RS 
23.152.85. e Código 0561, PA 2­12/2004. valor original de RS 
112,94: 

(...)Código 0561, PA 2­12/2004, valores originais de R$ 112,94 e 
R$  23.152,85,  informados  na  DCOMP  38486.24773. 
070105.1.3.57­0600,  mas  cobrados,  pelo  valor  total  de  R$ 
23.265,79,  em  razão  da  não­homologação  da  DCOMP 
39228.04322.151204.1.3.57­7088, com implícita admissibilidade 
de  que  o  período  de  apuração  indicado  na  DCOMP 
38486.24773.070105.1.3.57­0600 para o débito R$ 23.152,85 (1­
12/2004) estaria incorreto; 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 643 

 
 

 
 

25

Aqui,  também,  o  débito  compensado  de  R$  23.152,85  foi 
novamente vinculado à 1ª semana de dezembro/2004, mas tendo 
como data de vencimento 15/12/2004, prevista para a 2ª semana 
de dezembro2004. Daí a evidência de incorreção do período de 
apuração  indicado  na  DCOMP  13710.48935.110405.1.3.04­
0843  e,  conseqüentemente,  da  sua  anterior  cobrança  nos  autos 
do  processo  administrativo  n°  10166.000251/2005­78, 
juntamente  com  a  parcela  de  R$  112,94,  o  que  totaliza  R$ 
23.265,79  no  período  de  2­12/2004  e  impõe  o  afastamento  da 
cobrança renovada nestes autos. 

6) Código 1708, PA 1­10/2004. valor original de RS 11.239.66: 

Código 1708, PA 5­10/2004, valor original de R$ 11.239,66 

O contribuinte aponta compensações de: 

R$ 11.239,66 na DCOMP 26981.24560.030105.1.7.57­3878; 

R$  13.906,82  (principal  de  R$  11.239,66)  na  DCOMP 
36750.45364.050105.1.3.57­0527; e 

R$  13.906,82  (principal  de  R$  11.239,66)  na  DCOMP 
17421.01212.060105.1.3.57­4064. 

(...) Como se vê, o débito de RS 11.239,66, aqui também indicado 
como referente ao código 1708 e à 1ª semana de outubro/2004, 
em  verdade  consta  como  pertinente  à  5ª    semana  de 
outubro/2004  na  DCTF  deste  período,  aspecto  confirmado  no 
processo administrativo n° 10166.000251/2005­78. 

(...)  Portanto,  uma  vez  procedida  a  cobrança  complementar 
naqueles  autos,  como  determinado  em  razão  do  julgamento, 
descabe repeti­la aqui. 

7  e  8)  Código  1708.  PA  2­11/2004.  valor  principal  de  RS 
29.669.72. e Código 1708, PA 1­12/2004. valor original de R$ 
2.930.11: 

À semelhança dos itens 4 e 5, verificou­se nos autos do processo 
administrativo  n°  10166.000251/2005­78  a  duplicidade  de 
débitos  compensados,  dado  que  a  própria  autoridade 
administrativa deixou de cobrar débitos indicados em DCOMPs 
que não foram admitidas: 

[...] A partir destas informações, já de plano pode­se confirmar a 
duplicidade  de  compensações  relativamente  aos  seguintes 
débitos alegados pelo  impugnante  em  seu demonstrativo de  fis. 
285/286: 

[...] Código 1708, PA 2­11/2004, valor original de RS 29.669,72, 
informado  na  DCOMP  24322.97492.070105.1.3.57­3300,  mas 
cobrado  em  razão  da  não­homologação  da  DCOMP 
24408.15721.171104.1.3.57­4925; 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  26

[...] Código 1708, PA 2­12/2004, valor original de RS 2.930,11, 
informado  na  DCOMP  38486.24773.070105.1.3.57­0600,  mas 
cobrado  em  razão  da  não­homologação  da  DCOMP 
39228.04322.151204.1.3.57­7088, com implícita admissibilidade 
de  que  o  período  de  apuração  indicado  na  DCOMP 
38486.24773.070105.1.3.57­0600 para o débito RS 2.930,11 (1­
12/2004) estaria incorreto; 

Evidente,  portanto,  a  anterior  cobrança  dos  débitos  de  R$ 
29.669,72 e R$ 2.930,11 nos autos do processo administrativo n° 
10166.000251/2005­78,  o  que  impõe  o  afastamento  das 
cobranças renovadas nestes autos. 

9) Código 2172, PA 08/2004, valor original de R$ 10.067,00: 

No Acórdão n° 18.644 esta Relatora verificou a compensação de 
débito  com  estas  características  por  meio  da  DCOMP  n° 
38486.24773.070105.1.3.57­0600,  a  qual  foi  considerada  não­
declarada  e  ensejou  o  lançamento  de  ofício  dos  valores 
correspondentes  nos  autos  do  processo  administrativo  n° 
10830.001497/2007­49,  não  impugnado  e  quitado  pelo 
interessado. 

(...)  Confirma­se,  portanto,  a  alegação  do  impugnante,  nestes 
autos,  de  que  o  referido  débito  foi  objeto  de  compensação 
anterior,  e  também  recolhido,  mas  agora  em  razão  do 
lançamento  de  ofício  formalizado  nos  autos  do  processo 
administrativo  n°  10830.001497/2007­49.  Assim,  não  deve 
prosseguir a cobrança correspondente, aqui promovida. 

10) Código 2172. PA 09/2004. valor original de RS 18.268.50: 

Código 5979, PÁ 2­09/2004, valor original de R$ 28.316,17 

Este código de receita corresponde a retenções da Contribuição 
ao PIS sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de 
direito  privado. No período  em questão,  o  contribuinte  aponta, 
no demonstrativo à fl. 287, compensações de: 

R$ 3.997,36 (principal de R$ 3.958,17), R$ 18.449,36 (principal 
de  R$  18.268,50),  R$  6.149,79  (principal  de  R$  6.089,50)  na 
DCOMP 09370.80623.111004.1.3.57­3903; 

R$  34.616,51  (principal  de  R$  28.316,17)  na  DCOMP 
38948.41809.081204.1.3.57­3800; 

R$  22.603,21  (principal  de  RS  18.268,50),  R$  7.534,53 
(principal  de  R$  6.089,50)  e  de  RS  4.897,43  (principal  de  RS 
3.958,17) na DCOMP 38486.24773.070105.1.3.57­0600. 

Confirma­se,  daí  que,  como  alegado  pelo  impugnante,  a 
COFINS  apurada  em  setembro/2004  no  valor  de R$  18.268,50 
foi objeto de cobrança e pagamento no processo administrativo 
n° 10166.000251/2005­78, razão pela qual descabe a renovação 
desta exigência. 

11.12  e  13)  Código  2172.  PA  10/2004,  valor  original  de  R$ 
34.021,73;  PA  11/2004,  valor  original  de R$  68.405,08;  e  PA 
12/2004, valor original de RS 70.354.78: 

Fl. 656DF  CARF MF

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 644 

 
 

 
 

27

À  semelhança  do  descrito  no  débito  n°  9,  os  valores  em 
referência  também  foram  identificados  como  compensados  na 
DCOMP  n°  38486.24773.070105.1.3.57­0600,  conforme  consta 
no  Acórdão  n°  18.644,  com  o  seu  conseqüente  lançamento  de 
ofício  em  razão  de  ter  sido  considerada  não­declarada  a 
compensação. Os valores assim exigidos nos autos do processo 
administrativo  n°  10830.001497/2007­49  foram  pagos  pelo 
interessado. 

(...)  Confirma­se,  portanto,  a  alegação  do  impugnante,  nestes 
autos, de que os referidos débitos foram objeto de compensação 
anterior,  e  também  recolhidos.  Observe­se,  apenas,  que  todos 
assim o foram em razão do lançamento de ofício formalizado nos 
autos  do  processo  administrativo  n°  10830.001497/2007­49, 
muito embora o recorrente vincule os débitos de R$ 68.405,08 e 
R$  70.354,78  a  recolhimento  decorrente  da  cobrança  efetuada 
nos autos do processo administrativo n° 10166.000251/2005­78. 

Assim,  não  deve  prosseguir  a  cobrança  a  eles  correspondente, 
aqui promovida. 

14 e 15) Código 2362. PA 10/2004. nos valores originais de R$ 
542.152,53 e R$ 263.434,83: 

À  semelhança  dos  itens  4,  5,  7  e  8  verificou­se  nos  autos  do 
processo administrativo n° 10166.000251/2005­78 a duplicidade 
de  débitos  compensados,  dado  que  a  própria  autoridade 
administrativa deixou de cobrar débitos indicados em DCOMPs 
que não foram admitidas: 

[...] A partir destas informações, já de plano pode­se confirmar a 
duplicidade  de  compensações  relativamente  aos  seguintes 
débitos alegados pelo  impugnante  em  seu demonstrativo de  fls. 
285/286: 

[...]  Código  2362,  PA  10/2004,  valores  originais  de  R$ 
263.434,83  e  R$  542.152,53,  informados  na  DCOMP 
24322.97492.070105.1.3.57­3300,  mas  cobrados  em  razão  da 
não­homologação  das  DCOMP  24408.15721.171104.1.3.57­
4925 e 05223.55367.231104.1.3.57­2278;  

Portanto,  também aqui,  a  cobrança  anterior  dos  débitos  de R$ 
542.152,53  e  R$  263.434,83  nos  autos  do  processo 
administrativo  n°  10166.000251/2005­78,  impõe  o  afastamento 
das cobranças renovadas nestes autos. 

16) Código 2372. PA 1/2004. valor original de RS 3.355,67: 

À semelhança do descrito nos débitos n° 9, 11, 12 e 13, o valor 
em  referência  também  foi  identificados  como  compensados  na 
DCOMP  n°  38486.24773.070105.1.3.57­0600,  conforme  consta 
no  Acórdão  n°  18.644,  com  o  seu  conseqüente  lançamento  de 
ofício  em  razão  de  ter  sido  considerada  não­declarada  a 
compensação.  O  valor  assim  exigido  nos  autos  do  processo 

Fl. 657DF  CARF MF

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  28

administrativo  n°  10830.001497/2007­49  foi  pago  pelo 
interessado. 

(...) Confirma­se,  daí,  a  alegação  do  impugnante,  nestes  autos, 
de que tal débito foi objeto de compensação anterior, e também 
recolhido. Portanto, descabe a cobrança a eles correspondente, 
aqui promovida. 

17) Código 2372. PA 3/2004. valor original de R$ 6.089,50: 

Código 5979, PA 2­09/2004, valor original de RS 28.316,17. 

Este código de receita corresponde a retenções da Contribuição 
ao PIS sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de 
direito  privado. No período  em questão,  o  contribuinte  aponta, 
no demonstrativo à fl. 287, compensações de: 

R$ 3.997,36 (principal de R$ 3.958,17), R$ 18.449,36 (principal 
de  R$  18.268,50),  R$  6.149,79  (principal  de  RS  6.089,50)  na 
DCOMP 09370.80623.111004.1.3.57­3903; 

R$  34.616,51  (principal  de  R$  28.316,17)  na  DCOMP 
38948.41809.081204.1.3.57­3800; 

R$  22.603,21  (principal  de  R$  18.268,50),  R$  7.534,53 
(principal  de  R$  6.089,50)  e  de  R$  4.897,43  (principal  de  R$ 
3.958,17) na DCOMP 38486.24773.070105.1.3.57­0600. 

(...)  Confirma­se,  portanto  o  alegado  pelo  impugnante,  no 
sentido de que a CSLL apurada no 3 o trimestre/2004 no valor 
de R$ 6.089,50 foi objeto de cobrança e pagamento no processo 
administrativo  n°  10166.000251/2005­78,  não  devendo 
prosseguir a cobrança nestes autos. 

18. 19. 20 e 211 Código 2372. PA 2/2004. valor original de R$ 
1.085,12;  PA  4/2004.  valor  original  de  R$  22.801,69:  PA 
3/2004,  valor  original  de  R$  11.340,58:  e  PA  2/2004.  valor 
original de R$ 10.203,16: 

À semelhança do descrito nos débitos n° 9, 11, 12, 13 e 16, os 
valores  em  referência  também  foram  identificados  como 
compensados  na DCOMP n°  38486.24773.070105.1.3.57­0600, 
conforme consta no Acórdão n° 18.644, com o seu conseqüente 
lançamento  de  ofício  em  razão  de  ter  sido  considerada  não­
declarada a  compensação. O  valor  assim  exigido  nos  autos  do 
processo administrativo n° 10830.001497/2007­49 foi pago pelo 
interessado. 

(...) Confirma­se,  daí,  a  alegação  do  impugnante,  nestes  autos, 
de  que  tais  débitos  foram  objeto  de  compensação  anterior,  e 
também recolhidos após lançamento de ofício. Portanto, não se 
deve prosseguir, aqui, na cobrança dos mesmos valores. 

22 e 23) Código 2484. PA 10/2004. nos valores originais de R$ 
65.261,60 e R$ 199.974,29: 

À semelhança dos itens 4, 5, 7, 8, 14 e 15 verificou­se nos autos 
do  processo  administrativo  n°  10166.000251/2005­78  a 
duplicidade  de  débitos  compensados,  dado  que  a  própria 

Fl. 658DF  CARF MF

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CÓ
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A

Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

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m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO

NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 645 

 
 

 
 

29

autoridade administrativa deixou de cobrar débitos indicados em 
DCOMPs que não foram admitidas: 

[...] A partir destas informações, já de plano pode­se confirmar a 
duplicidade  de  compensações  relativamente  aos  seguintes 
débitos alegados pelo  impugnante  em  seu demonstrativo de  fls. 
285/286: 

[...]  Código  2484,  PA  10/2004,  valores  originais  de  R$ 
199.974,29  e  R$  65.261,60,  informados  na  DCOMP 
24322.97492.070105.1.3.57­3300,  mas  cobrados  em  razão  da 
não­homologação  das  DCOMP  24408.15721.  171104.1.3.57­
4925 e 05223.55367.231104.1.3.57­2278;  

Assim, a cobrança anterior dos débitos de R$ 199.974,29 e R$ 
65.261,60  nos  autos  do  processo  administrativo  n° 
10166.000251/2005­78,  impede,  aqui,  que  se  prossiga  na 
cobrança dos débitos em referência. 

24)  Código  3208.  PA  1­12/2004.  no  valor  original  de  RS 
3.549,00: 

À semelhança dos itens 4, 5, 7, 8, 14, 15, 22 e 23 verificou­se nos 
autos  do  processo  administrativo  n°  10166.000251/2005­78  a 
duplicidade  de  débitos  compensados,  dado  que  a  própria 
autoridade administrativa deixou de cobrar débitos indicados em 
DCOMPs que não foram admitidas: 

[...] A partir destas informações, já de plano pode­se confirmar a 
duplicidade  de  compensações  relativamente  aos  seguintes 
débitos alegados pelo  impugnante  em  seu demonstrativo de  fls. 
285/286: 

[...] Código 3208, PA 2­12/2004, valor original de RS 3.549,00, 
informado  na  DCOMP  38486.24773.  070105.1.3.57­0600,  mas 
cobrado  em  razão  da  não­homologação  da  DCOMP 
39228.04322.151204.1.3.57­7088, com implícita admissibilidade 
de  que  o  período  de  apuração  indicado  na  DCOMP 
38486.24773. 070105.1.3.57­0600 para o débito RS 3.549,00 (1­
12/2004) estaria incorreto; 

[...] Como se vê, o débito de R$ 3.549,00, sob código 3208,  foi 
objeto de compensações anteriores, muito embora vinculado ao 
período  de  apuração  2­12/2004  na  DCOMP  n° 
38486.24773.070105.1.3.57­0600,  e  cobrado  em  razão  da 
DCOMP  n°  39228.04322.151204.1.3.57­7088,  na  qual  foi 
atribuído  ao  período  de  apuração  1­12/2004,  como  nas 
compensações aqui tratadas. Logo, descabe nova cobrança deste 
valor. 

25  e  26) Código  5706.  PA  2­11/2004  no  valor  original  de RS 
122.117,66; e PA 3­11/2004. no valor original de R$ 33.882,03: 

Código 5706, PA 3­11/2004, valor original de RS 156.000,01 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  30

O contribuinte aponta compensações de: 

R$ 156.000,01 na DCOMP 05223.55367.231104.1.3.57­2278; e 

R$ 149.569,70  (principal de R$ 122.117,66)  e de R$ 41.498,78 
(principal  de  R$  33.882,03)  na  DCOMP  24322.97492. 
070105.1.3.57­3300. 

Na DCOMP 24322.97492.070105.1.3.57­3300 o valor principal 
de R$ 122.117,66foi informado no PÁ 2­1172004, e a parcela de 
R$  33.882,03  no PA  3­11/2004  (fl.  335  do  processo  apenso  n° 
10166.000251/2005­78).  Já  na  DCOMP 
05223.55367.231104.1.3.57­2278, o débito de R$ 156.000,01 foi 
indicado  para  o  PA  3­11/2004  (fl.  257  do  processo  apenso  n° 
10166.000251/2005­78). 

(...)  Tais  constatações  infirmam  a  indicação  contida  na 
impugnação  (fl.  181),  de  que  os  débitos  de R$  33.882,03  e R$ 
122.117,66  integrariam o valor de R$ 156.000,01 recolhido em 
razão  da  cobrança  promovida  nos  autos  do  processo 
administrativo  n°  10166.000251/2005­78.  Apenas  a  parcela  de 
R$ 33.882,03 foi admitida como integrante do débito sob código 
5706, no período de apuração 3­11/2004. De toda sorte, a outra 
parcela de R$ 122.117,66, que  se  entendeu  relativa ao período 
de  apuração  2­11/2004,  foi  objeto  de  lançamento  de  ofício  n° 
10830.001497/2007­49,  também  pago.  Assim,  descabe 
prosseguir na cobrança de ambos os débitos. 

27) Código 5856. PA 10/2004, valor original de R$ 964.147,68:  

À semelhança do descrito nos débitos n° 9, 11, 12, 13, 16, 18, 19, 
20  e  21,  o  valor  em  referência  também  foi  identificados  como 
compensado  na  DCOMP  n°  38486.24773.070105.1.3.57­0600, 
conforme  consta  no  Acórdão  n°  18.644,  mas  sem  que  isto 
suscitasse  seu  lançamento  de  ofício,  e  sim  a  sua  cobrança  em 
razão  de  ter  sido  considerada  não­declarada  a  compensação, 
possivelmente em  razão de o débito  ter  sido  também declarado 
em DCTF. Tal cobrança acompanhou as demais promovidas no 
processo  administrativo  n°  10166.000251/2005­78  e  foi  paga 
pelo interessado. (...) 

Confirma­se, portanto, a alegação do impugnante, nestes autos, 
de  que  tais  débitos  foram  recolhidos  em  razão  da  cobrança 
promovida  nos  autos  do  processo  administrativo  n° 
10166.000251/2005­78. Assim, não se deve prosseguir, aqui, na 
cobrança dos mesmos valores. 

28)  Código  5856.  PA  11/2004,  no  valor  original  de  RS 
1.638.587,68: 

À semelhança dos itens 4, 5, 7, 8, 14, 15, 22, 23 e 24 verificou­se 
nos autos do processo administrativo n° 10166.000251/2005­78 
a  duplicidade  de  débitos  compensados,  dado  que  a  própria 
autoridade administrativa deixou de cobrar débitos indicados em 
DCOMPs que não foram admitidas: 

[...] A partir destas informações, já de plano pode­se confirmar a 
duplicidade  de  compensações  relativamente  aos  seguintes 

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NIO ALKMIM TEIXEIR



Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 646 

 
 

 
 

31

débitos alegados pelo  impugnante  em  seu demonstrativo de  fls. 
285/286: 

[...]  Código  5856,  PA  11/2004,  valor  originai  de  R$ 
1.638.587,68,  informado  nas  DCOMP  38486.24773. 
070105.1.3.57­0600  e  24322.97492.070105.1.3.57­3300,  mas 
cobrado  em  razão  da  não­homologação  da  DCOMP 
39228.04322. 151204.1.3.57­7088; 

[...]  Considerando  que  a  cobrança  acima  referida  foi  paga  no 
processo  administrativo  n°  10166.000251/2005­78,  como 
alegado pelo impugnante, descabe aqui repeti­la. 

29  )  Código  6912.  PA  09/2004.  no  valor  original  de  R$ 
126.141.65: 

Concluída a análise dos valores questionados pelo contribuinte 
no  demonstrativo  de  fls.  285/288,  cumpre  ainda  observar  que, 
dentre os débitos por ele indicados  como declarados em DCTF 
e  compensados,  nota­se  que  o  valor  de  R$  126.141,65 
(atualizado  em  R$  156.075,06  na  DCOMP 
24322.97492.070105.1.3.57­3300),  relativo  ao  período  de 
apuração  de  setembro/2004  e  informado  sob  código  6912,  não 
foi objeto de cobrança. 

(...) Como  se  vê,  à  semelhança dos débitos n° 1  e 6,  embora o 
valor  de R$  126.141,65  não  tenha  sido  cobrando  nos  autos  n° 
10166.000251/2005­78  como acima  relatado,  esta Relatora,  no 
mesmo  Acórdão  n°  18.644,  fez  constar  de  sua  ordem  de 
intimação  o  encaminhamento  à  DRF  jurisdicionante  do 
contribuinte para que: 

“Adote  as  providências  necessárias  relativamente  aos  débitos 
abaixo  indicados  que,  nos  termos  do  voto  deste  julgado,  foram 
indevidamente  compensados,  mas  não  constam  da  carta 
cobrança  de  fls.  521/529  do  processo  apenso  n° 
10166.000251/2005­78: 

Tributo  PA           Valor      DCOMP 

6912         09/2004   126.141,65      24322.97492.070105.1.3.57­3300 

[...]” 

Observe­se,  inclusive,  que  o  impugnante  também  se  reporta  a 
este débito em sua impugnação classificando­o dentre os valores 
que ainda serão objeto de levantamento interno (fl. 179). 

Portanto, uma vez procedida a cobrança complementar naqueles 
autos,  como  determinado  em  razão  do  julgamento,  descabe 
repeti­la aqui. 

30. 31. 32 e 33) Código 6912, PA 08/2004, no valor original de 
RS 2.181.18: PA 10/2004. no valor original de R$ 7.371,37; PA 

Fl. 661DF  CARF MF

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NIO ALKMIM TEIXEIR



  32

U/2004,  no  valor  original  de  R$  14.821,11:  PA  12/2004.  no 
valor original de R$ 15.243,54: 

À semelhança do descrito nos débitos n° 9,11,12,13,16,18,19, 20, 
21  e  27,  os  valores  em  referência  também  foram  identificados 
como compensados nas DCOMP n° 38486.24773.070105.1.3.57­
0600  e  24322.97492.070105.1.3.57­3300,  conforme  consta  no 
Acórdão n° 18.644, com o seu conseqüente lançamento de ofício 
em  razão  de  terem  sido  consideradas  não­declaradas  as 
compensações.  O  valor  assim  exigido  nos  autos  do  processo 
administrativo  n°  10830.001497/2007­49  foi  pago  pelo 
interessado.(...) 

34) Código 8045. PA 1­10/2004. valor original de R$ 668,33: 

À  semelhança  dos  itens  4,  5,  7,  8,  14,  15,  22,  23,  24  e  28 
verificou­se  nos  autos  do  processo  administrativo  n° 
10166.000251/2005­78  a  duplicidade  de  débitos  compensados, 
dado que a própria autoridade administrativa deixou de cobrar 
débitos indicados em DCOMPs que não foram admitidas: 

[...] A partir destas informações, já de plano pode­se confirmar a 
duplicidade  de  compensações  relativamente  aos  seguintes 
débitos alegados pelo  impugnante  em  seu demonstrativo de  jls. 
285/286: 

[...]  Código  8045,  PA  1­10/2004,  valor  original  de RS  668,33, 
informado  nas  DCOMP  36750A5364.050105.1.3.57­0527  e 
17421.01212.060105A.3.57­4064,  mas  cobrado  em  razão  da 
não­homologação da DCOMP 29705.87825.031104.1.3.57­1640 
(retificada pela DCOMP 26981.24560.030105.1.7.57­3878). 

E, muito  embora  o  impugnante  não  cite  tal  ocorrência  em  seu 
demonstrativo de  fls. 179/181,  tendo em conta o pagamento da 
cobrança  acima  referida,  procedida  nos  autos  do  processo 
administrativo n° 10166.000251/2005­78, descabe aqui  renová­
la. 

Relacionando tudo o que foi dito até o momento com o caso em análise, vê­se 
que  a  DCOMP  n°  13710.48934.110405.1.3.04­0843  foi  transmitida  em  11/04/2005.  Desse 
modo, (i) sendo posterior às demais DCOMPs acima mencionadas (transmitidas entre 10/2004 
a  01/2005)  e  (ii)  tendo  sido  apresentada  antes  do  despacho  decisório  e  antes  do  início  do 
procedimento fiscal que resultou nas cobranças realizadas nos PTAs nº 10166.000251/2005­78 
e  10830.001497/2007­49,  devidamente  pagas  pela  Recorrente,  é  de  se  declarar  indevida  a 
cobrança da multa isolada, já exigida da contribuinte nos autos do PTA nº 10830.006690/2006­
95. 

Isso porque, a DCOMP n° 13710.48934.110405.1.3.04­0843 deveria ter sido 
interpretada  como  retificadora  das  DCOMPs  anteriores,  que  diziam  respeito  aos  mesmos 
débitos.  Ao  analisar  as  DCOMPs  apresentadas  primeiramente  (entre  outubro/2004  e 
janeiro/2005),  não  deveria  a  Autoridade  Fiscal  simplesmente  ter  desprezado  a  existência  da 
DCOMP posterior que,  por versar  sobre os mesmos débitos que  as  anteriores,  evidenciava  a 
necessidade de se promover a substituição das outras declarações, evitando­se a duplicidade de 
pedidos de compensação para os mesmos débitos.  

Inclusive,  a  própria  contribuinte,  ao  constatar  a  duplicidade  de  pedidos  de 
compensação,  pediu  o  cancelamento  da DCOMP n°  13710.48934.110405.1.3.04­0843,  cujos 

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Processo nº 10830.005020/2008­13 
Acórdão n.º 1401­000.722 

S1‐C4T1 

Fl. 647 

 
 

 
 

33

débitos  foram quitados nos autos dos PTAs nº 10166.000251/2005­78 e 10830.001497/2007­
49. Contudo, o pedido de cancelamento não  foi acolhido por  ter  sido  formulado no curso da 
ação fiscal. 

Assim, a Autoridade Fiscal desprezou a existência de DCOMP posterior que 
tentava  compensar  débitos  que  constavam  nas  DCOMPs  anteriores  e,  ao  não  homologar  as 
primeiras DCOMPs, exigiu o pagamento do débito acrescido da multa isolada na modalidade 
qualificada. 

O  aspecto  mais  relevante  sobre  a  discussão  deixou  de  ser  analisado:  se  o 
pedido de compensação extingue os débitos sob condição resolutória, é impossível coexistirem 
duas  declarações  sobre  um  mesmo  débito,  já  que  ele  é  extinto  no  momento  da  entrega  da 
declaração de compensação, deixando de existir até ulterior condição resolutória. 

Desse  modo,  não  se  pode  permitir  a  cobrança  de  nova  multa  isolada,  na 
modalidade  qualificada,  pela  não  homologação  de  compensação  que  versava  sobre  débitos 
constantes  de DCOMPs  anteriores,  as  quais  já  foram  não  homologadas  e  a multa  isolada  já 
imposta. 

É juridicamente impossível que os mesmos débitos sejam objeto de pedidos 
de compensação diferentes, haja vista que, ao apresentar o primeiro pedido de compensação, o 
débito  é  extinto  e,  via  de  conseqüência,  não  pode  servir  de  substrato  para  outro  pedido  de 
compensação que verse sobre o mesmo débito, ainda que aborde créditos distintos. 

É  admissível,  entretanto,  a  retificação  da  declaração  de  compensação, 
situação em que a segunda declaração deve substituir a primeira que, por conseqüência, perde o 
seu  objeto,  dispensando  a  sua  análise.  Assim,  somente  a  segunda  DCOMP  deveria  ser 
analisada, de modo que a primeira deixa de produzir efeitos naquilo em que alterado. 

Além disso, não pode prosperar a aplicação de multa por não homologação 
de compensação que sequer existiu, vez que na apresentação da segunda DCOMP, conforme 
explanado  nas  linhas  acima,  inexistia  pressuposto  básico  do  instituto  da  compensação  –  o 
débito  (que  estava  extinto  por  compensação  anterior,  que  ainda  não  havia  sido  não 
homologada). 

Logo,  se  não  é  admitida  a  duplicidade  de  declarações,  muito  menos  é 
admitida a dupla penalidade.  

No entendimento da DRJ, embora tenha decidido que não deveria prosseguir 
a  cobrança  dos  débitos  correspondentes  a  DCOMP  n°  13710.48934.110405.1.3.04­0843, 
manteve a exigência da penalidade nos presentes autos, mesmo sabendo que ela já havia sido 
fixada no PTA nº 10830.006690/2006­95.  

Na verdade, entendo que o procedimento mais adequado seria a aplicação da 
presente  penalidade  apenas  nos  presentes  autos,  haja  vista  que  somente  aqui  foi  analisada  a 
DCOMP  retificadora.  Contudo,  como  a  Recorrente  já  fora  naqueles  autos  (PTA  nº 
10830.006690/2006­95) condenada ao pagamento da multa  isolada pela não homologação do 
pedido de compensação, entendo não incabível repetir a penalidade nos presentes autos. 

Fl. 663DF  CARF MF

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  34

Assim,  afasto  a  exigência  da  multa  isolada  em  relação  à  DCOMP  n° 
13710.48934.110405.1.3.04­0843.  Entretanto,  por  se  tratar  de  situação  absolutamente 
diferente,  mantenho,  pelos  fundamentos  adotados  pela  DRJ,  a  exigência  da multa  isolada  e 
qualificada  em  relação  à  DCOMP  nº  36921.01195.150405.1.3.04­6080,  já  que  não  foram 
comprovadas  compensações  anteriores  e  o  pagamento  dos  débitos  nela  compensados.  Tanto 
que a Recorrente, em seu recurso, informa que irá efetuar o pagamento dos débitos por meio de 
parcelamento.  

Em relação à existência de dolo específico que enseje a aplicação da multa na 
modalidade  qualificada,  entendo  estar  presente  um  conjunto  de  indícios  consistentes  e 
convergentes  no  sentido  da  inverdade  das  informações  apresentadas  nas  DCOMPs,  vez  que 
verifica­se a apresentação de diversas DCOMPs com créditos inexistentes ou indicando como 
créditos processos  administrativos que, na verdade,  tratavam­se de débitos não quitados pela 
contribuinte. 

Por  fim,  quanto  à  argüição  de  inconstitucionalidade  da multa  aplicada  pelo 
Fisco, entendo que este Conselho não deve se manifestar  sobre discussões que versem sobre 
essa matéria, visto que não é  sua  função afastar a aplicação de  leis validamente  inseridas no 
ordenamento jurídico pátrio. 

É como voto. 

(assinado digitalmente) 

Alexandre Antonio Alkmim Teixeira ­ relator 

 

           

 

           

 

Fl. 664DF  CARF MF

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m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO

NIO ALKMIM TEIXEIR


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Nos casos de compensação de crédito tributário cabe ao devedor indicar qual débito pretende ver compensado com seu crédito. Na situação dos autos, conforme demonstrativo de fl. 234, a interessada não indicou para ser compensado com o saldo negativo do IRPJ de 1995, exercício 1996, as estimativas devidas nos meses de janeiro e fevereiro de 1997. Em, assim sendo, devem ser considerados quitados os créditos indicados pela recorrente,
sendo que os valores correspondentes às estimativas devidas em janeiro e fevereiro de 1997, caso não quitadas com o saldo negativo dos anos de 1992, 1993 e 1994, conforme informado pela recorrente, podem ser objeto de verificação e adoção dos procedimentos cabíveis.
Recurso provido., turma_s=Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção, numero_processo_s=13804.000680/97-27, conteudo_id_s=5228073, dt_registro_atualizacao_tdt=Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018, numero_decisao_s=1402-001.071, nome_arquivo_s=Decisao_138040006809727.pdf, nome_relator_s=MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, nome_arquivo_pdf_s=138040006809727_5228073.pdf, secao_s=Primeira Seção de Julgamento, arquivo_indexado_s=S, decisao_txt=[ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para que as compensações sejam efetuadas nos moldes indicados pelo sujeito passivo, nos termos do voto do relator.], dt_sessao_tdt=Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012, id=4578498, ano_sessao_s=2012, atualizado_anexos_dt=Fri Oct 08 09:00:49 UTC 2021, sem_conteudo_s=N, _version_=1713041573706465280, conteudo_txt=Metadados =&gt; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo =&gt; 
S1­C4T2 

Fl. 1 

 
 

 
 

1

           

S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  13804.000680/97­27 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1402­001.071  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  

Sessão de  13 de junho de 2012. 

Matéria  IRPJ 

Recorrente  Gegraf Indústria Gráfica Ltda 

Recorrida  Fazenda Nacional  

 

Ementa: 

  
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INFORMADOS PELO DEVEDOR.  

Nos casos de compensação de crédito tributário cabe ao devedor indicar qual 
débito  pretende  ver  compensado  com  seu  crédito.  Na  situação  dos  autos, 
conforme  demonstrativo  de  fl.  234,  a  interessada  não  indicou  para  ser 
compensado  com  o  saldo  negativo  do  IRPJ  de  1995,  exercício  1996,  as 
estimativas  devidas  nos  meses  de  janeiro  e  fevereiro  de  1997.  Em,  assim 
sendo, devem ser considerados quitados os créditos indicados pela recorrente, 
sendo  que  os  valores  correspondentes  às  estimativas  devidas  em  janeiro  e 
fevereiro de 1997, caso não quitadas com o saldo negativo dos anos de 1992, 
1993  e  1994,  conforme  informado  pela  recorrente,  podem  ser  objeto  de 
verificação e adoção dos procedimentos cabíveis. 

Recurso provido. 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

 

ACORDAM os membros  da 4ª  câmara  /  2ª  turma  ordinária  da  primeira  
SSEEÇÇÃÃOO   DDEE   JJUULLGGAAMMEENNTTOO,  Por  unanimidade  de votos,  dar  provimento  ao  recurso  para que  as 
compensações sejam efetuadas nos moldes indicados pelo sujeito passivo, nos termos do voto 
do relator.  

 
(assinado digitalmente) 
Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente 
 
 
(assinado digitalmente) 
Moisés Giacomelli Nunes da Silva ­ Relator 
 

  

Fl. 269DF  CARF MF

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Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e

m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL

I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 2 

 
 

 
 

2

 
 
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de 

Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, 
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. 

 

 

 

  

Fl. 270DF  CARF MF

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Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e

m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL

I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 3 

 
 

 
 

3

Relatório 

Trata­se de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, com período de 
apuração anual.  

Conforme documentos de fls. 29 e 43, no ano de 1996, a recorrente entregou 
DIPJ em relação ao ano­calendário de 1995, com saldo negativo de imposto de renda no valor 
de R$ 32.988,91 (fl. 130). Os comprovantes de recolhimento dos impostos que gerou o saldo 
negativo constam das fls. 31 a 35 e foram confirmados pelo sistema da Receita às fls. 37, 38 e 
40.  

Por meio do despacho decisório de fls. 54 e seguintes, datado de 10­01­2003, 
cientificado à interessada em 26­02­2003 (fl. 115), o saldo negativo do IRPJ relativo ao ano­
calendário de 1995  foi  reduzido de R$ 32.988,91 para R$ 31.894,59. Dita diferença  resultou 
em razão da dedução de vale­transporte que foi reduzida de R$ 5.586,08 para R$ 4.941,95 e do 
IRRF reduzido de R$ 1.273,37 para R$ 1.131,26. 

Segundo o citado despacho decisório, a causa para redução do vale­transporte 
deu­se porque o valor deduzido ultrapassou ao limite de 8% de que trata os artigos 594 e 595 
do Regulamento do Imposto de Renda de 1994. O valor do IRRF foi reduzido de R$ 1.273,37 
para R$ 1.131,26 porque em consulta no sistema da Receita Federal consta  retido somente a 
importância de R$ 1.131,26. 

Às  fls.  101  e  102  a  autoridade  preparadora  relacionou  os  débitos  com 
vencimento  no  ano  de  1997  e  1998,  supostamente  pagos  com  o  saldo  negativo  de  R$ 
31.894,59, relativo ao ano de 1995. 

Intimada,  a  parte  interessada  apresentou  a manifestação  de  inconformidade 
de fls. 118 e seguintes destacando os seguintes pontos: 

i)  que  reconhece  que  a  dedução  a  título  de  vale­transporte  deve  ser  de  R$  
5.586,08 para R$ 4.941,95, portanto aceita a diferença de R$ 644,13  (5.586,08 ­ R$ 4.941,95 = 
644,13). 

ii) que nos termos do demonstrado à fl. 119 o saldo negativo do imposto é de 
R$ 32.444,78 e não R$ 31.894,59. 

iii) Na  impugnação, a  recorrente destacou que no ano de 1995  tinha optado 
pelo lucro presumido e efetuado recolhimento de valores com base nesta sistemática. Contudo, 
no decorrer do ano­calendário optou pelo lucro real, conforme permitido na época. Por meio da 
planilha de fl. 121/122 a recorrente indica o valor corrigido que afirma ter pago a maior. 

Por  meio  do  acórdão  de  fl.  176  e  seguintes  a  DRJ  julgou  procedente  a 
manifestação de inconformidade, sendo que o acórdão contém a seguinte ementa: 

Fl. 271DF  CARF MF

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I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 4 

 
 

 
 

4

 

 Apesar  de  o  acórdão  ter  deferido  a  compensação,  em  seus  fundamentos 
constam as seguintes passagens: 

 

 

 

 

 

Fl. 272DF  CARF MF

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I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 5 

 
 

 
 

5

 

 

  
 
 
D 
 
 

 

C 

Conforme AR de fls. 215, em 30 de novembro de 2004 a parte interessada foi 
intimada da decisão recorrida e em 17 de dezembro de 2004  ingressou com o recurso de fls.   
228  a  231,  por  meio  do  qual  repisa  os  fundamentos  articulados  quando  a  manifestação  de 
inconformidade, rebatendo os item apontados pelo relator, dentre os quais destaco os seguintes 
pontos: 

“  item  26.  Com  a  entrega  da  DIRPJ/1998,  restou  evidenciado  que  houve  recolhimento  (extinção 
através de compensação) indevido, pois a interessada apurou base de cálculo positiva. Neste momento, 
surge o direito creditório a favor da interessada no valor de R$ 21.103,64, relativo ao saldo credor de 
IRPJ apurando na DIRPJ/1998.” 

“ item 27. Assim sendo, a interessada faria jus à restituição do montante de R$ 38.274,76, descontado 
a  compensação  realizada  em  janeiro  e  fevereiro  de  1997,  e  do  montante  de  R$  21.103,64, 
correspondente ao saldo apurado na DIRPJ/1998.” 

Ressaltamos,  que  os  valores  devidos  em  janeiro/97  =  12.135,81  e  fevereiro/97  =  8.967,83,  que 
posteriormente geraram o Crédito de R$ 21.103,64,  citados  no  item 26,  foram de  fato  compensados 
com  imposto  a  restituir  apurados  em  exercício  anteriores,  e  complementados  com  um  valor  do 
PRÓPRIO 1° TRIMESTRE DE 1997  (e  isto ocorreu devido a obrigatoriedade, de  apresentarmos os 
referidos  débitos,  tanto  na  DCTF,  como  na  Declaração  de  IRPJ/98,  logo,  a  exigência  destes 
recolhimentos nos 2 primeiros meses de 1997, não deram margem as empresas de não o fazê­lo, 
mesmo  com  prejuízos  tributários  visíveis  no  trimestre,  que  para  melhor  elucidarmos  o  assunto 
demonstramos a formação dos valores abaixo. 

Reconhecemos que talvez a nossa colocação na manifestação anterior, tenha sido incompleta, portanto 
inexata, o que deu margem a interpretação do relator, reforçamos que o valor de R$ 21.103,64 foi, de 
fato, em grande parte, compensados com  créditos a restituir (oriundos de IR retido na Fonte), gerados 

IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA 

Saldo Credor Restituível  Reconhecido pela autoridade a quo  Alterado pelo julgamento 

DIRPJ/1996  R$ 31.894,59  R$ 21.775,13 

DIRPJ/1998  .................................  R$ 21.103,64 

Fl. 273DF  CARF MF

Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

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m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL

I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 6 

 
 

 
 

6

nas  declarações  de  IRPJ  de  exercício  anteriores,  créditos  estes  convertidos  para  a moeda  corrente  e 
corrigidos de acordo com a legislação, sendo: 

Créditos à restituir da empresa no IRPJ de 1992                          = R$ 3.133,79   
Créditos à restituir da empresa no IRPJ de 1993                          = R$ 8.550,79 
Partes dos Créditos à restituir da empresa no IRPJ de 1994         = R$    451,86 
COMPENSAÇÃO DE JANEIRO 97                                            = R$ 12.135,81 

 

Créditos a restituir da empresa no IRPJ de 1994 (Saldo)             = R$ 4.107,43   
Para complementar utilizamos valores do próprio 
1° Trimestre de 1997, (apurados pela base de calculo  
positiva no trimestre).                                                                   = R$ 4.860,40 
TOTAL PARA QUITAR FEVEREIRO 1997                              = R$ 8.967,83 
 
Vale  ressaltar,  que  este  valor  de  R$  4.860,40,  foi  reduzido  do  Crédito  gerado  por  base  de  calculo 
positiva do 1° Trimestre de 1997, portanto, não utilizamos este valor em quaisquer Compensações e 
sim utilizamos o resultado apurando, sou seja, 
R$ 21.103,64 (­) 4.860,40 = 16.243,24 saldo disponível. 

 

“Item  28.  Impede  verificar,  portanto,  qual  seja  o  direito  creditório  da  interessada  relativo  ao 
saldo  credor  de  IRPJ  apurado  na DIRPJ/1996,  com  a  referida  compensação.  Para  tanto,  basta 
efetuarmos a imputação do crédito original de R$ 38.274,76 aos “débitos” de IRPJ relativos aos 
meses de janeiro e fevereiro de 1997 (fls.162), com que atinge­se o saldo de R$ 21.775,13.” 

São 2 pontos que devam ser esclarecidos para este item: 

*  Não  está  visível  a  composição  do  saldo  de  R$  21.775,13  pois,  38.274,76  ­  21.103,64  =  
17.171,12 

*  De  fato,  conforme  explicamos  acima,  os  R$  21.103,64,  não  foram  compensados  com 
créditos oriundos de R$ 38.274,76, (inicialmente este credito para nós, era de R$ 38.844,60, 
alterado  em  razão  de  reconhecemos  o  erro  de  utilização  a  maior  do  Beneficio  de  Vale 
Transporte  (item  4  do  Relatório),  o  resultado  apura  uma  compensação  indevida  de  R$ 
507,17); 

*      Quanto  ao  credito  de  R$  21.103,64,  deduzimos  os  R$  3.413,68,  nos  restou  um  saldo 
disponível de R$ 16.243,24, que compensamos conforme Processo n°s 13804.000256/98­50, 
após, resta sim uma compensação indevida na ordem de R$ 1.614,96; 

*  Esta  diferença  de  compensação  indevida  é  visível  nos  nossos  demonstrativos 
(demonstrativos a partir dos créditos aprovados), os quais deveremos, após esclarecimentos 
definitivamente todo este processo, recolher a diferença, sendo respectivamente  R$ 507,17 e 
R$ 1.614,96.  

O  processo  entrou  em  pauta  no  dia  19  de  maio  de  2005.  Na  ocasião  os 
Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, por unanimidade de votos, 
Resolveram  converter  o  julgamento  em diligência  por  entenderem  que os  demonstrativos  de 
fls. 218 a 222 deviam ser analisados pela autoridade encarregada das compensações. 

Foi  expedida  intimação  de  fl.  260,  para  que  a  interessada  apresentasse  as 
declarações  de  rendimentos  dos  períodos  citados,  assim  como  os  informes  de  rendimentos,  
DARFs e DCTFs que registraram as compensações. 

Fl. 274DF  CARF MF

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I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 7 

 
 

 
 

7

A  intimação  foi  expedida  para  a  Rua  Roma,  217,  anexo 
207/223/233/235/241,  Vila  Romana.  Pelo  Ar  de  fl.  260  a  referida  correspondência  retornou 
com a informação: “outros. Aguardar Visita”. 

Diante de  tal  fato, expediu­se o edital de  fl. 262, o que  resultou  infrutífero, 
sendo que a diligência de fl. 264  retornou sem nada esclarecer acerca do que  fora solicitado 
pelo relator, isto é, a existência de compensação anterior. 

É o relatório. 

Fl. 275DF  CARF MF

Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA

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I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 8 

 
 

 
 

8

Voto            

Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva 

O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e está devidamente 
fundamentado. Assim, conheço­o e passo a examiná­lo. 

Não há controvérsia neste processo quanto ao saldo do crédito da recorrente. 
Este,  conforme  item 24 da decisão da DRJ,  já  transcrito no  relatório,  reconheceu crédito em 
favor da recorrente no valor de R$ 38.274,46, correspondente a saldo negativo do ano de 1995. 
exercício 1996. A controvérsia que surge diz respeito à utilização deste crédito.  

Nos  meses  de  janeiro  e  fevereiro  de  1997  a  parte  interessada  apurou 
estimativa a pagar nos valores de R$ 12.135,81 e R$ 8.967,83. Como tais valores não foram 
recolhidos por meio de Darf, o acórdão da decisão da DRJ considerou como sendo quitados 
mediante compensação do saldo negativo do IRPJ do ano de 1995, exercício 1996. Contudo, a 
parte  interessada  se  insurge  em  relação  a  tal  fato  destacando  que  os  valores  relativos  aos 
débitos de  janeiro e  fevereiro de 1997 foram quitados com saldo negativo dos anos de 1992, 
1993 e 1994, conforme quadro de fls. 230 e seguintes, cuja parte segue transcrita: 

 

À fl. 234 a parte interessada apresentou histórico indicando em quais tributos 
utilizou a compensação do saldo negativo do IRPJ, com o seguinte demonstrativo: 

 

 

 

 

 

Fl. 276DF  CARF MF

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I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 9 

 
 

 
 

9

 

No  demonstrativo  de  fl.  234,  a  recorrente  indica  que  os  valores 
correspondentes  às  estimativas de  janeiro  e  fevereiro de 1997  foram quitadas  conforme com 
saldo negativo de 1992, 1993 e 1994. Neste sentido aponta o seguinte quadro: 

  

Fl. 277DF  CARF MF

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I NUNES DA SILVA



Processo nº 13804.000680/97­27 
Acórdão n.º 1402­001.071 

S1­C4T2 
Fl. 10 

 
 

 
 

10

 

Em se tratando de compensação de crédito tributário cabe ao devedor indicar 
qual débito pretende ver compensado com seu crédito. No caso dos autos, o demonstrativo de 
fl.  234,  ou  219  na  numeração  antiga,  especifica  que  a  interessada  não  indicou  para  ser 
compensado com o saldo negativo do IRPJ de 1995, exercício 1996, as estimativas devidas nos 
meses  de  janeiro  e  fevereiro  de  1997.  Indicou  outros  débitos.  Em  assim  sendo,  devem  ser 
considerados  quitados  os  créditos  indicados  pela  recorrente,  sendo  que  os  valores 
correspondentes às estimativas devidas em janeiro e fevereiro de 1997, caso não quitadas com 
o saldo negativo dos anos de 1992, 1993 e 1994, conforme informado pela recorrente, podem 
ser objeto de verificação e adoção dos procedimentos cabíveis. 

ISSO  POSTO,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  para  que  as 
compensações sejam homologadas na forma indicada pela contribuinte. 

 

(assinado digitalmente) 

Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva – Relator. 

           

 

           

 

Fl. 278DF  CARF MF

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I NUNES DA SILVA


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Ano-calendário: 2005
EXCLUSÃO DO SIMPLES ATIVIDADE DE ENGENHEIRO, PROGRAMADOR, ANALISTA DE SISTEMAS OU ASSEMELHADO.
É vedada a opção pelo SIMPLES às pessoas jurídicas que realizam atividade de engenheiro, programador, analista de sistemas ou assemelhado, conforme previsto no art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317/96., turma_s=Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção, numero_processo_s=13855.002038/2006-10, conteudo_id_s=5235556, dt_registro_atualizacao_tdt=Fri Jan 04 00:00:00 UTC 2019, numero_decisao_s=1202-000.770, nome_arquivo_s=Decisao_13855002038200610.pdf, nome_relator_s=NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, nome_arquivo_pdf_s=13855002038200610_5235556.pdf, secao_s=Primeira Seção de Julgamento, arquivo_indexado_s=S, decisao_txt=[Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.  ], dt_sessao_tdt=Wed May 09 00:00:00 UTC 2012, id=4597304, ano_sessao_s=2012, atualizado_anexos_dt=Fri Oct 08 09:01:47 UTC 2021, sem_conteudo_s=N, _version_=1713041573288083456, conteudo_txt=Metadados =&gt; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo =&gt; 
S1­C2T2 

Fl. 239 

 
 

 
 

1

238 

S1­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  13855.002038/2006­10 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1202­00.770  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  

Sessão de  9 de maio de 2012 

Matéria  SIMPLES 

Recorrente  NETRADIO COMUNICAÇÕES LTDA. ­ EPP (antiga denominação 
NETRADIO MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA 
LTDA EPP) 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E 
CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO 
PORTE ­ SIMPLES 

Ano­calendário: 2005 

EXCLUSÃO  DO  SIMPLES  ­  ATIVIDADE  DE  ENGENHEIRO, 
PROGRAMADOR, ANALISTA DE SISTEMAS OU ASSEMELHADO. 

É vedada a opção pelo SIMPLES às pessoas jurídicas que realizam atividade 
de engenheiro, programador, analista de sistemas ou assemelhado, conforme 
previsto no art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317/96. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar 
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. 

(documento assinado digitalmente) 

Nelson Losso Filho ­ Presidente.  

(documento assinado digitalmente) 

Nereida de Miranda Finamore Horta ­ Relatora 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Nelson  Lósso  Filho 
(Presidente), Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore 
Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno 

 

  

Fl. 253DF  CARF MF

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  2

Relatório 

Cuida­se  de  Representação  Fiscal  intentada  contra  a  contribuinte  Netradio 
Manutenção e Equipamentos de Informática Ltda. (CNPJ 07.448.886/0001­80), atual Netradio 
Comunicações Ltda. – EPP, que culminou com a exclusão da sistemática do SIMPLES. 

Após  representação  administrativa,  iniciada  pelo  INSS  –  Instituto Nacional 
do  Seguro  Social  (fl.01),  com  posterior  remessa  do  processo  à  SRF  –  Secretaria  da Receita 
Federal,  onde  se  emitiu  o  Parecer  DRF/FCA/SORAT  n.  134/2006  KVS  (fl.  33­37),  que 
fundamenta  que  a  natureza  das  atividades  da  contribuinte  são  de  prestação  de  serviços  de 
manutenção  e  operação  de  sistema  de  rede.  Tal  entendimento  tem  origem  nas  notas  fiscais 
acostadas ao processo, bem como da análise das informações de sua página na internet, onde 
consta  que  a  empresa  é  especializada  em  rádio  corporativa  interna,  com  tecnologia  própria. 
Dali também se verifica que os serviços são prestados em mais de 170 cidades e seu principal 
cliente é a rede de Lojas Magazine Luíza S/A. Por fim, conclui que a atividade é a de prestação 
de serviços de engenharia, situação vedada para opção à sistemática do Simples. 

Com  isso,  foi  emitido  o  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/FRANCA  n. 
19/2006 (fl. 38), com efeitos a partir de 20 de junho de 2005, nos termos do artigo 9º, XIII, da 
Lei nº 9317/96, fundamentando a exclusão na prestação de serviços profissionais cujo exercício 
depende de habilitação legalmente exigida. 

Foi  apresentado  pela  contribuinte  a  Solicitação  de Revisão  de Exclusão  do 
Simples – SRS (fls. 51­52), onde aduziu que suas atividades referem­se a prestação de serviços 
de manutenção de equipamentos de informática, que é manutenção referente aos computadores 
interligados nas lojas (por rede interna), tendo como único cliente a rede de lojas acima citada. 
Destaca que não se trata de atividade exclusiva de engenheiro. 

A  SRS  foi  indeferida  (fl.  52),  por  se  entender  que  a  atividade  exercida  é 
vedada, podendo caracterizar­se como prestação de serviço profissional na área de engenharia. 

Foi  intimada da decisão em 16 de outubro de 2006.  Irresignada, apresentou 
impugnação (fls. 84/100), onde aduz que a empresa, optante pelo Simples desde 20 de junho de 
2005,  foi  notificada  da  exclusão  do  sistema  em  8  de  setembro  de  2006,  por  meio  do  Ato 
Declaratório Executivo nº 19, de 28 de agosto de 2006, bem como da existência de processo 
administrativo (nº 002038/2006­10).  

Informa que  em 7  de  junho de 2006  a  empresa  enviou  ao  INSS pedido  de 
Certidão Negativa de Débito, negada na ocasião em virtude de alegadas restrições, o que não se 
mostrou verdadeiro, já que a intentada certidão foi emitida em 14 de junho de 2006. 

A partir  desses  fatos,  informa que  a Auditora Fiscal  da Previdência Social, 
Sra. Elisabete Chaves, com base na análise do Contrato Social da empresa e do confronto com 
notas  fiscais  presumiu  a  vedação  ao  Simples  prevista  no  artigo  9º,  inciso  XIII  da  Lei  nº 
9317/96.  Informa  que  o  equívoco  se  deu  em  virtude  de  utilizar  em  algumas  notas  fiscais  a 
expressão  “manutenção  e  operação  de  sistema  de  rede”.  Corrobora  que  à  época,  a  empresa 
prestava essencialmente  serviços de manutenção de equipamentos de serviços de  informática 
num  único  cliente,  a  saber,  o  Magazine  Luíza  S.A.  Destaca  que  a  “atividade  consistia  na 
manutenção dos computadores que são interligados nas lojas (via rede interna) atividade esta, 
descrita nas notas  fiscais como “manutenção e operação de sistema da Rádio Luiza” (fl. 85), 
informando que as lojas deste grupo possuem um software que regula transmissões de música e 

Fl. 254DF  CARF MF

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Processo nº 13855.002038/2006­10 
Acórdão n.º 1202­00.770 

S1­C2T2 
Fl. 240 

 
 

 
 

3

anúncios  internos,  tal como um sistema de auto falantes. Ou seja, a função da empresa era a 
manutenção dos equipamentos onde funciona este programa. 

Alega  que  não  há  vedação  para  a  atividade  descrita  na  sistemática  do 
Simples,  destacando  que  a  expressão  “manutenção  e  operação  de  sistema  de  rede”,  além  de 
genérica,  não  esta  prevista  no  artigo  9º,  XIII  da  Lei  nº  9317/96,  nem  se  relaciona  com  a 
atividade exclusiva de Engenheiro, como está descrito na norma. 

Informa  que,  em  virtude  da  alteração  do  contrato  socia,l  em  3  de  julho  de 
2006  (protocolo  na  JUCESP  em  24/7/06),  pela  expansão  de  suas  atividades,  a  empresa 
requereu  “seu  desenquadramento  do  sistema  Simples”  (fl.  86),  ou  seja,  em  data  anterior  à 
expedição e publicação do Ato Declaratório Executivo retro. 

Ainda,  cita  que  é  dever  constitucional  o  tratamento  diferenciado  dado  pelo 
legislador  às  micro  e  pequenas  empresas,  por  força  do  artigo  179  da  Constituição  Federal, 
sendo expedido em complemento ao dispositivo constitucional a Lei nº 9.317/96, que, em seu 
artigo  2º,  define micro  empresa  e  empresa  de  pequeno  porte.  Adiciona  que  sua  receita  não 
ultrapassa o valor legal de renda bruta auferida, evidenciando­se como microempresa, mais um 
motivo para que mereça  tratamento  jurídico­tributário diferenciado,  fazendo  jus à opção pela 
sistemática do Simples. 

Traz ementas de julgamentos do TRF de diversas regiões:  

"TRIBUTÁRIO.  SIMPLES.  EXCLUSÃO.  INSTALAÇÕES  ELÉTRICAS. 
ART.  9°,  DA  LEI  N°  9.317/96.  PODER  REGULAMENTAR  EXORBITANTE.  CONFEA. 
HABILITAÇÃO PROFISSIONAL. 

EXIGÊNCIA  LEGAL.  PRESCINDIBILIDADE.  Art.  108,  §1°  CTN. 
REMESSA OFICIAL. 

I — A  atividade  econômica  de  instalação  elétrica,  não  está  enumerada  nos 
óbices legais à adesão ao regime do SIMPLES.  Indevida a ampliação das atividades vedadas 
por meio de veículos normativos inferiores, ensanchando os lindes interpretativos do art. 108, § 
1 0 do CTN.  

2 — Atividades desenvolvidas pela impetrante não enquadradas em atividade 
típicas cujo desempenho nãoprescinda de habilitação profissional legalmente exigida. 

3—Consectários  legais  mantidos,  em  face  da  ausência  de  recursos 
voluntários e sob pena de incorrer­se em reformatio in pejus. 

4—Remessa oficial improvida.". 

(REO no 2003371070124649­RS, Rel. Juiz Álvaro Eduardo Junqueira, TRF 
4Região, DJU de 07­12­2005, p. 676). (grifou­se). 

 

"TRIBUTÁRIO. SIMPLES. EXCLUSÃO. MANUTENÇÃO E CONSERTO 
DE  EQUIPAMENTOS  ODONTOLÓGICOS.  ARTIGO  9°  DA  LEI  N°  9.317/96.  PODER 

Fl. 255DF  CARF MF

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  4

REGULAMENTAR  EXORBITANTE.  CONFEA.  HABILITAÇÃO  PROFISSIONAL 
EXIGÊNCIA LEGAL. PRESCINDIBILIDADE. ART. 108, § 1°, CTN. 

I — A atividade econômica de comércio varejista de artigos, manutenção e 
reparação  de  equipamentos  no  ramo  odontológico,  não  está  enumerada  nos  óbices  legais  à 
adesão ao regime do SIMPLES. Indevida a ampliação 

das  atividades  vedadas  por  meio  de  resoluções  do  Conselho  Federal  de 
Engenharia, Arquitetura  e Agronomia­, COSIFEA,  ensanchando os  lindes•  interpretativos  do 
art. 108, § 1° do CTN. 

2­­­­Atividades  desenvolvidas  pela  impetrante  não  enquadradas  em 
atividades  típicas  cujo  desempenho  não  prescinda  de  habilitação  profissional  legalmente 
exigida. 

3 — Apelação improvida." 

(AMS  no  2004  71000274171­RS,  Relator  Juiz  Álvaro  Eduardo  Junqueira, 
TRF 4Região, DJU, de 30­11­2005, p. 599). (grifou­se). 

"TRIBUTÁRIO.  SIMPLES.  ART.  9°,  XIII,  DA  LEI  9.317/96. 
ORGANIZAÇÃO  DE  FEIRAS  DE  ARTESANATO.  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES. 
IMPOSSIBILIDADE.  DESNECESSIDADE  DE  HABILITAÇÃO  PROFISSIONAL 
ESPECÍFICA. 

1 — Consoante  entendimento  pacificado  no  STF  (no  julgamento  da ADIN 
1643/DF),  para  que  as  empresas  sejam  enquadradas  no SIMPLES não  basta  que ostentem  a 
condição  de  pequena  ou  microempresa,  sendo  necessário,  ainda,  que  a  atividade  que 
desenvolvem não esteja enquadrada dentre as hipóteses do art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96 e não 
seja requerida qualificação profissional especifica. 

2—  Tratando­se  de  pequena  empresa,  e  de  atividade  que  não  demanda 
qualificação  profissional  específica  exigida  em  lei  (organização  de  feiras  de  artesanato),  ao 
menos por este fundamento não pode ser excluída do SIMPLES. 

3—  Ato  declaratório  que  se  anula  para  manter  a  empresa  inscrita  no 
SIMPLES desde sua inscrição. 

4­ Verba honorária fixada em R$ 300,00." 

(AC n° 200372010052510­SC, Rel. Juiz Dirceu de Almeida Soares, TRF 4ª 
Região, DJU, de 16­11­2005, p. 668). (grifou­se). 

Cita  também que o STJ se manifestou sobre o mesmo  tema e  transcreve as 
ementas: 

"TRIBUTÁRIO.  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE 
IMPOSTOS  ,  E  CONTRIBUIÇÕES  (SIMPLES).  ANÁLISE:  DÉ.  MATÉRIA  FÁTICO  ­
PROBATÓRIA.INTERPRETAÇÃO  DO  CONTRATO  SOCIAL.  RECURSO  ESPECIAL 
INADMISSÍVEL. SÚMULAS N° S. 5 E 7, DO STJ. 

­  As  atividades  de  instalação  elétrica  não  estão  abrangidas  pela  vedação 
prevista  no  art.  90,  §  40,  da  Lei  9.317,  podendo  a  empresa  prestadora  desses  serviços  ser 
optante. (Resp 380761). 

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Processo nº 13855.002038/2006­10 
Acórdão n.º 1202­00.770 

S1­C2T2 
Fl. 241 

 
 

 
 

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­  Ainda  que  assim  não  fosse,  as  próprias  regras  da  experiência  comum 
indicam  que  exploram  serviços  de  instalação  e  manutenção  de  equipamentos  elétrico­
mecânicos não se enquadram no art. 90, inciso XII, alínea f da Lei 9.317/96. 

­  Equiparar  essas  empresas  implicaria  em  analogia  in  malam  partem,  num 
sistema  tributário  que,  quando  nada,  admite  em  prol  do  contribuinte,  a  interpretaçãomais 
benéfica (art. 106, I,CTN). 

­ Deveras,  a  análise  do  contrato  social  com  o  escopo  de  aferir  o  objeto  da 
empresa e suas atividades para afastar funções assemelhadas, data venia, incide no 

mesmo veto da sindicância fático­probatória (Súmulas 05 e 07 do STJ). 

­ Recurso Especial não conhecido.". 

(Resp n°4O3568/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 27­05­2002, p. 1­3­8)  

“EMENTA.  TRIBUTÁRIO.  OPÇÃO  PELO  SISTEMA  INTEGRADO  DE 
PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS 
EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE  (SIMPLES).  LEI  N°9.317/96.  AGÊNCIAS  DE 
VIAGENS. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO. 

1  —  Em  se  tratando  de  interpretação  da  legislação  tributária  acerca  de 
atividades similares, não se presta a analogia para legitimar ato administrativo concebido com 
o propósito de obstaculizar isenção fiscal prevista em lei. 

2 — O  inciso XIII  do  art.  9°  da  Lei  n°  9.317/96,  ao  relacionar  as  pessoas 
jurídicas impedidas de aderir ao"SIMPLES", somente alcança aquelas atividades cujo exercício 
dependa de habilitação profissional legalmente exigida, situação na qual não se enquadram as 
agências de viagens. 

3 — Recurso especial provido". (grifou­se). 

(REsp n° 437051/PR, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 03­08­2006, 
p. 239). 

 Traz  na  Impugnação  que  a  Lei  n°10.964/2004  que,em  seu  artigo  4°, 
expressamente excluiu a empresa de manutenção de informática da vedação, a saber:  

"Art. 4°. Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9° da 
Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1966,  as pessoas  jurídicas que se dediquem às  seguintes 
atividades:  

I — serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus, e 
outros veículos pesados (Redação dada pela Lei n°11.051/2004). 

II  ­  serviços  de  instalação,  manutenção  e  reparação  de  acessórios  para 
veículos automotores (redação dada pela Lei n°11.051/2004). 

III  —  serviços  de  manutenção  e  reparação  de  motocicletas,  motonetas  e 
bicicletas (Redação dada pelaLei n°11.051/2004). 

Fl. 257DF  CARF MF

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IV  —  serviços  de  instalação,  manutenção  e  reparação  de  máquinas  de 
escritório e de informática (Redação dada pela Lei n°11.051/2004). 

V  ­  serviços  de  manutenção  e  reparação  de  aparelhos  eletrodomésticos 
(Redação dada pela Lei n°11.051/2004). 

§ 1° Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de 
Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte  ­ SIMPLES, 
com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput 
deste  artigo  que  tenham  feito  a opção  pelo  sistema  em data  anterior  à  publicação  desta Lei, 
desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação (Redação 
dada pela Lei n° 11.051/2004). 

§ 2° As pessoas  jurídicas de que  trata o caput deste artigo que  tenham sido 
excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9° da 
Lei  n°9.317,  de  5  de  dezembro  de  1996,  poderão  solicitar  o  retorno  ao  sistema  com  efeitos 
retroativos à data da opção desta, nos termos prazos e condições estabelecidas pela Secretaria 
da Receita  Federal  ­  SRF,  desde  que  não  (se  enquadrem  nas  demais  i  hipóteses  de  vedação 
previstas na legislação (Redação dada pela Lei n° 11.051/2004).” 

A  atividade  da  empresa,  como  cita  o  Parecer  do  INSS,  é  “Manutenção, 
Reparação  e  Instalação  de  Equipamentos  de  Informática"  e  consta  nas  notas  fiscais 
"Manutenção  e  Operação  de  Sistema  de  Rede",  isto  é,  a  atividade  que  pode  optar  pelo 
SIMPLES. 

Reforça que a vedação prevista no inciso XIII, artigo 9º da Lei nº 9317/96 é 
no sentido de impedir “prestação de serviços profissionais” ou de qualquer outra profissão cujo 
exercício  dependa  de  habilitação  profissional  legalmente  exigida,  o  que  não  é  o  caso  das 
atividades desenvolvidas pela  impugnante. Não há, na  legislação que  regulamenta o Estatuto 
dos Engenheiros, Arquitetos e Engenheiros Agrônomos (lei 5194/66), qualquer exigência para 
a prática das atividades descritas, profissional habilitado como engenheiro. 

Acresce que, em decorrência do princípio da legalidade tributária, conforme 
artigo  150,  I,  da  Constituição  Federal  tem­se  o  impedimento  ao  emprego  da  analogia  para 
exigência de tributo sem previsão legal.  

Ao final, requer a anulação do Ato Declaratório Executivo n. 19/2006, e da 
decisão SORAT n. 3351/2006 da DRF Franca, ante a afronta a dispositivos legais expressos, 
requerendo  também  a  produção  de  todos  os  meios  de  prova,  especialmente  pericial  e 
documental, bem como a intimação do procurador que subscreveu a impugnação de todos os 
atos praticados no processo administrativo em apreço. 

A 1ª Turma da DRJ/RPO, ao proferir sua decisão no Acórdão nº 14­22.242 
(fls. 151/157), houve por bem indeferir a solicitação. 

Inicialmente,  reconhece  a  presença  dos  requisitos  de  admissibilidade  da 
manifestação de inconformidade.  

Em  relação  ao  pedido  de  encaminhamento  das  intimações  ao  advogado  da 
contribuinte,  esclarece  que,  para  a  validade  da  intimação  por  via  postal,  cabe  a  entrega  no 
domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo,  entendido  como  o  fornecido  para  fins 
cadastrais, nos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. Dada a atuação vinculada à lei da 
autoridade administrativa, descabido é o envio também ao advogado da contribuinte. 

Fl. 258DF  CARF MF

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Processo nº 13855.002038/2006­10 
Acórdão n.º 1202­00.770 

S1­C2T2 
Fl. 242 

 
 

 
 

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O pedido de perícia  restou  indeferido,  já que se  apresentavam nos  autos os 
elementos  para  a  formação  da  livre  convicção  do  julgador,  conforme  as  regras  do  Processo 
Administrativo Fiscal (artigo 18, Decreto nº 70.235/72), sendo prescindível para a solução do 
processo  a  prova  solicitada.  Destaca  que  os  requisitos  de  admissibilidade  da  prova  pericial 
refletem  simples  formalidade  processual,  mas  elemento  essencial  para  que  se  analise  a 
necessidade da perícia. No mais, em virtude do pleito  ter sido efetuado de maneira genérica, 
sem a precisão necessária e tampouco sem considerar a forma prevista no artigo 18 do Decreto 
nº. 70.235/72, considerou­se o pedido de prova pericial não formulado. 

Lembra  que  o  inciso  III  do  supracitado  dispositivo  determina  que  “a 
impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de 
discordância e as  razões e provas que possuir”,  informando que eventual prova documental 
deveria ter sido apresentada pela contribuinte com sua manifestação de inconformidade. 

Informa  que  embora  a  contribuinte  alegue  que  sua  atividade  ao  tempo  dos 
fatos  descritos  no  Processo  Administrativo,  consistia  somente  na  prestação  de  serviços  de 
manutenção  em  equipamentos  de  informática  realizados  no  único  cliente  deste,  a  saber,  o 
Magazine Luiza S/A, não é esta a situação que as provas espelham.  

O Contrato Social vigente à época dos fatos apurados consta a atividade de 
“manutenção, reparação e instalação de equipamentos de informática”, todavia da análise das 
notas fiscais (fls. 14­21) depreende­se a prestação de serviços de “manutenção e operação da 
rede de  rádio Luiza”,  serviços prestados  ao Magazine Luíza. Reforçado  pelas descrições das 
atividades desenvolvidas pela contribuinte,  através de reprodução de páginas de  internet  (28­
32),  verifica­se  que  se  trata  de  “empresa  especializada  em  rádio  corporativa  interna,  com 
estrutura que  reúne avançados  recursos,  trabalhando com  tecnologia própria”. Assim, não há 
que se  falar que as atividades eram restritas ao alegado pela contribuinte, não sendo cabível, 
desta feita, a aplicação da previsão do artigo 4º, IV, da Lei nº 10.964/2004. 

Da  análise  dos  fatos,  tem­se  que  a  situação  excludente  prevista  no  Ato 
Declaratório Executivo n.  19/2005 é  a descrita no  artigo 9º, XIII da Lei nº 9317/96, de cuja 
interpretação evidencia­se que não podem optar pelo Simples o rol de atividades previstas no 
dispositivo, o qual não é exaustivo. 

Demais  disso,  informa  que  a  autoridade  administrativa  não  possui 
competência para examinar alegação de inconstitucionalidade ou invalidade de norma inserida 
no  ordenamento  jurídico  nacional,  matérias  estas  reservadas  ao  exame  do  Poder  Judiciário. 
Destaca  que  a  atividade  na  esfera  administrativa  é  vinculada  ao  cumprimento  da  lei,  sendo 
neste  mesmo  sentido  o  Parecer  COSIT/SRF  n.329/1970,  acostando  jurisprudência  dos 
colegiados administrativos no mesmo sentido. 

Assim,  entende  ter  sido  o  Ato  Declaratório  Executivo  nº  19/2006 
corretamente emitido pela DRF/Franca, já que a atividade exercida pela contribuinte é própria 
e  exige  conhecimentos  de  engenheiro,  programador  e  analista  de  sistemas  ou  assemelhados, 
destacando que o sócio da empresa, Alberto Eliezer Neto é engenheiro.  

Para o acórdão recorrido, “ A atividade do contribuinte exige não apenas a 
instalação e manutenção de placas de som e de vídeo para a transmissão de som e imagem, 
mas  também  a  elaboração  e  aplicação  de  software  apropriado  para  tanto  e,  ainda,  o 
desenvolvimento de sistema apropriado ao cliente” (cf. fl. 157), votando pelo indeferimento da 
solicitação. 

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Cientificada  em  27  de  abril  de  2009  (fl.  160),  a  contribuinte  apresentou 
Recurso Voluntário  em  13  de maio  do mesmo  ano  (fls.  161/177),  aduzindo,  em  síntese,  as 
razões trazidas com sua impugnação. 

Com o recurso, vieram os autos para julgamento perante este Conselho. 

Voto            

Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta 

O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço.  

Conforme  relatado,  o  presente  processo  trata  de  pedido  de  revisão  da 
exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas 
e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  (SIMPLES),  que  ocorreu  mediante  a  edição  do  Ato 
Declaratório Executivo DRF/FRANCA nº. 19/2006 (fl. 38), com efeitos a partir de 20 de junho 
de  2005,  nos  termos  do  artigo  9º,  XIII,  da  Lei  nº  9317/96,  isto  é,  a  prestação  de  serviços 
profissionais cujo exercício depende de habilitação legalmente exigida. 

O  retromencionado  artigo  9°,  inciso XIII,  da  Lei  n°  9.317,  de  1996,dispõe 
que: 

"Artigo 9o ­Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: 

(...) 

XIII ­ que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, 
despachante,  ator,  empresário, diretor ou produtor de espetáculos,  cantor, músico, dançarino, 
médico,  dentista,  enfermeiro,  veterinário,  engenheiro,  arquiteto,  físico,  químico,  economista, 
contador,  auditor,  consultor,  estatístico,  administrador,  programador,  analista  de  sistema, 
advogado,  psicólogo,  professor,  jornalista,  publicitário,  fisicultor.  ou  assemelhados,  e  de 
qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; 
(grifei) 

Por seu turno, o Parecer do INSS se fundamentou:  

­ no contrato social, cláusula segunda, fl. 7, que descreve o objeto social da 
empresa como segue: 

“CLÁUSULA SEGUNDA — DO OBJETO SOCIAL 

O objeto social será manutenção, reparação e instalação de equipamentos de 
informática.” 

­  nas  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  dos  anos  de  2005  e  2006, 
anexadas  por  amostragem,  que  comprovam  a  prestação  de  serviços  de  "Manutenção  e 
Operação de Sistema de Rede"  

Segundo  a  interessada,  o  exercício  dessas  atividades  não  prescinde  de 
profissional com habilitação legalmente exigida (engenheiro). A prestação de serviços que faz 
para o seu cliente Magazine Luíza é a manutenção, reparação e instalação do sistema de rede, 
como consta do seu objeto social. 

Fl. 260DF  CARF MF

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S1­C2T2 
Fl. 243 

 
 

 
 

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Primeiramente, cabe uma análise da Resolução CONFEA N° 218, de 1973, 
mencionado  no  Acórdão  da  DRJ.  Da  leitura  dessa  Resolução,  pode­se  constatar  que  as 
atividades privativas de  engenheiro  são apenas  aquelas  listadas nos  itens de 01 a 08, pois as 
demais, de 09 a 18, são concorrentes com os Tecnólogos e os Técnicos de Grau Médio. Vale 
dizer, são privativas de engenheiro somente as atividades de supervisão, estudo, planejamento, 
projeto,  estudo  de  viabilidade  técnico­econômica,  assessoria,  consultoria,  direção  de  obra, 
ensino,  pesquisa,  vistoria,  perícia,  dentre  outros,  conforme  ressaltado  pelos  artigos  23  e  24 
dessa Resolução. Ou seja, não há exigência ou pré­requisito legal algum para que o exercício 
das atividades da interessada seja feito por engenheiro. Suas atividades estão elencadas dentre 
aquelas descritas nos itens 15 a 17 do artigo 1º da Resolução acima referida, as quais podem 
ser exercidas por profissional Técnico de Nível Médio, consoante art. 24 da mesma Resolução, 
sem a necessidade de profissional de engenharia como entendeu a DRJ.  

Há serviços de prestação de serviços de manutenção e  reparos de máquinas 
industriais  que  até  podem  requerer  a  supervisão  de  engenheiro,  porém,  pelos  elementos  que 
compõem  os  autos,  isto  é,  notas  fiscais  e  contrato  social,  não  parece  ser  o  caso.  Ainda,  é 
indubitável  que  um  engenheiro  possa  exercer  tais  atividades  de  supervisão,  manutenção  e 
reparos  de  máquinas  industriais;  mas  nao  é  imprescindivel  que  quem  as  execute  possua  a 
habilitação legal de engenheiro, a qual requer tão somente mão­de­obra técnica treinada para a 
execução desses serviços.  

Assim, ter um sócio que seja engenheiro, não configura a exigência de se ter 
um  engenheiro  ou  faz  que  a  atividade  seja  exclusiva  de  engenheiro,  portanto,  também  não 
fundamenta a necessidade alegada pela DRJ. 

Ainda,  consta  no  Parecer  da  DRF,  fl.  33,  que  a  empresa  possui  como 
atividade principal  cadastrada  a de  "Outras Telecomunicações", CNAE:  6420­3/99  e que  foi 
verificado no sistema CNPJ a transmissão do evento 302, em 07/8/2006, que é a Exclusão do 
SIMPLES por opção da contribuinte, com efeitos a partir de 01/1/2007. Ficou esclarecido pela 
recorrente  que  efetuou  a  exclusão  por  ter  alterado  seu  contrato  social  expandindo  suas 
atividades  para  atividades  vedadas,  assim  solicitou  a  exclusão.  A  solicitação  de  exclusão 
posterior  não  significa  que  exercia  atividades  vedadas  desde  o  início  de  suas  atividades  em 
20/06/2005.  

 A autoridade fiscal observou os fatos na data em que procedia sua análise e, 
não, no período a que se refere a exclusão, assim, não pode fundamentar a emissão do ADE da 
forma que procedeu. Seria de se esperar que, por prudência, a apreciação fosse feita no período 
correto para descaracterizar uma situação jurídica existente na época. Da sua análise, feita nas 
Notas  Fiscais  apenas,  sem  diligência  no  local  da  prestação  do  serviço,  depreende­se  que  a 
atividade não prescinde de profissão regulamentada, portanto, não há como caracterizar que a 
empresa que pratique serviços de engenharia, arquitetura ou assemelhado. Da mesma forma, o 
fato de ter um sócio engenheiro, não quer dizer que seja exercida atividade de engenharia. 

Esse  colegiado  também  tem  se  posicionado  nesse  sentido,  consoante  a 
Súmula nº 57 do CARF, in verbis:  

“A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica,  instalação ou 
reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e 
revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e 
não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.” 

Fl. 261DF  CARF MF

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 Também o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 403568, 
também se alinha com o entendimento acima esposado, conforme ementa que se transcreve: 

TRIBUTÁRIO.  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE 
IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  (SIMPLES).  ANÁLISE  DE  MATÉRIA  FÁTICO­
PROBATÓRIA.  INTERPRETAÇÃO  DO  CONTRATO  SOCIAL.  RECURSO  ESPECIAL 
INADMISSÍVEL SÚMULAS N.°S 5 E 7, DO STJ. 

­  "As  atividades  de  instalação  elétrica  não  estão  abrangidas  pela  vedação 
prevista  no  art.  9º,  §  4o,  da  Lei  9.317,  podendo  a  empresa  prestadora  desses  serviços  ser 
optante" (Resp 380761) 

­  Ainda  que  assim  não  fosse,  as  próprias  regras  da  experiência  comum 
indicam  que  exploram  serviços  de  instalação  e  manutenção  de  equipamentos  elétrico­
mecânicos não se enquadram no art. 9o, inciso XII, alínea "f" da Lei 9.317/96. 

­  Equiparar  essas  empresas  implicaria  em  analogia  in  malam  partem,  num 
sistema  tributário  que,  quando  nada,  admite  em  prol  do  contribuinte,  a  interpretação  mais 
benéfica (art. 106, I, CTN). 

­ Deveras,  a  análise  do  contrato  social  com  o  escopo  de  aferir  o  objeto  da 
empresa e suas atividades para afastar funções assemelhadas, data venia, incide no mesmo veto 
da sindicância fático­probatória (Súmulas 05 e 07 do STJ).”(grifei) 

Pelo  exposto,  voto  por dar provimento  ao  recurso  voluntário,  para  cancelar 
Ato  Declaratório  Executivo  DRF/FRANCA  nº  19/2006  (fl.  38),  referente  à  exclusão  do 
SIMPLES. 

(documento assinado digitalmente) 

Nereida de Miranda Finamore Horta ­ Relatora 

           

 

           

 

 

Fl. 262DF  CARF MF

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Período de apuração: 01/08/2000 a 31/05/2005
COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO REFERENTE A COOPERATIVA.
De acordo com a Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido, turma_s=Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção, numero_processo_s=18108.000814/2007-96, conteudo_id_s=5235273, dt_registro_atualizacao_tdt=Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2021, numero_decisao_s=2302-001.820, nome_arquivo_s=Decisao_18108000814200796.pdf, nome_relator_s=ADRIANA SATO, nome_arquivo_pdf_s=18108000814200796_5235273.pdf, secao_s=Segunda Seção de Julgamento, arquivo_indexado_s=S, decisao_txt=[Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento  ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.], dt_sessao_tdt=Wed May 16 00:00:00 UTC 2012, id=4597205, ano_sessao_s=2012, atualizado_anexos_dt=Fri Oct 08 09:01:44 UTC 2021, sem_conteudo_s=N, _version_=1713041572026646528, conteudo_txt=Metadados =&gt; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1108; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo =&gt; 
S2­C3T2 

Fl. 1 

 
 

 
 

1

           

S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  18108.000814/2007­96 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  2302­ 001.820  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  

Sessão de  16 de maio de 2012 

Matéria  Remuneração de Segurados empregados. Parcelas em Folha de Pagamento 

Recorrente  AUBERT ENGRENAGENS LTDA 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS 

Período de apuração: 01/08/2000 a 31/05/2005 

COOPERATIVA  DE  TRABALHO.  INCONSTITUCIONALIDADE  DA 
CONTRIBUIÇÃO REFERENTE A COOPERATIVA. 

De acordo com a Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar 
sobre a inconstitucionalidade de lei tributária 

Recurso Voluntário Negado 

Crédito Tributário Mantido 

 
 

  

Fl. 429DF  CARF MF

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IANA SATO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA



 

  2

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento 
ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. 

 

Marco André Ramos Vieira ­ Presidente.  

 

 

Adriana Sato ­ Relator. 

 

EDITADO EM: 19/06/2012 

Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos 
Vieira  (Presidente),  Arlindo  Costa  e  Silva,  Liege  Lacroix  Thomasi,  Adriana  Sato  e Manoel 
Coelho Arruda Junior. 

Fl. 430DF  CARF MF

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IANA SATO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA



Processo nº 18108.000814/2007­96 
Acórdão n.º 2302­ 001.820 

S2­C3T2 
Fl. 2 

 
 

 
 

3

Relatório 

Trata­se  de  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  lavrada  em 
27/02/2006 cuja ciência do Recorrente ocorreu em 01/03/2006 (fls.117). 

De acordo com o Relatório Fiscal a Recorrente declarou em GFIP em quase 
todas as suas competências valores a menor do que os apurados pela fiscalização. Constituem 
os  fatos  geradores  da  presente  NFLD  os  resumos  de  folhas  de  pagamentos,  a  folha  de 
pagamento  dos  empregados,  termos  de  rescisão  de  contrato  de  trabalho,  recibos  de  férias  e 
faturas emitidas pelas cooperativas. 

A  Recorrente  apresentou  impugnação  e  às  fls.141/143  informa  através  de 
petição sua desistência a impugnação com relação à GPS das competências 01/2001 a 07/2001 
em razão do pagamento; com relação as competências 08/2001 a 01/2002,  inclusive 13/2001 
por adesão ao REFIS; e, com relação ao levantamento FPS – Folha de Pagamento referente as 
competências 05/2003 a 13/2004, por adesão ao REFIS. 

Em  razão  da  manifestação  da  Recorrente  foi  determinada  uma  diligência 
fiscal, cuja informação foi juntada às fls.243/244 e o fiscal juntou aos autos cópia autenticada 
da petição, da liminar e sentença do Mandado de Segurança. 

Em  novo  despacho  o  fiscal  juntou  o  cálculo  prévio  dos  valores  de 
contribuição que entendia ser excluído do lançamento de oficio inicial. 

A DRFBJ encaminhou os autos à Delegacia de Administração Tributária em 
São Paulo – Derat/SPO. 

A Derat/SPO  desmembrou  da NFLD  os  valores  incluídos  no  parcelamento 
(fls.287/319), remanescendo o crédito tributário no valor de R$ 110.053,44, que totalizava em 
27/02/2006 R$ 209.067,00. 

Após  a  Derat  apropriou  o  valor  recolhido  em  GPS  (fls.144),  e,  sendo  a 
mesma insuficiente para quitação integral do débito,, restou descoberto as competências 06 e 
07/2001 pagos pelo Recorrente em 18/03/2010 (fls.324/329). 

Após  a  realização  das  operações,  conforme  solicitado  pela  DRFBJ, 
remanesceu  o  crédito  tributário  no  valor  principal  de  R$  70.758,63,  que  consolidado  em 
24/03/2010, totalizava R$ 164.854,49. 

Apesar  de  intimado  o  Recorrente  não  se  manifestou  sobre  as  diligências 
realizadas. 

A 14ª Turma de  Julgamento  da DRFBJ  julgou  improcente  a  impugnação  e 
aplicou de oficio a decadência parcial dos lançamentos no período de 08/2000 a 01/2001. 

Inconformado  o  Recorrente  apresentou  recurso  voluntário,  alegando  em 
síntese: 

Fl. 431DF  CARF MF

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IANA SATO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA



 

  4

­ o acórdão não descreve como deve ser apropriado os valores pagos e nem o 
procedimento adotado pelo INSS caso esses valores tenham sido apropriados, impossibilitando 
o Recorrente de apurar eventual crédito tributário remanescente; 

­ inconstitucional a exigência da contribuição de 15% sobre a fatura emitida 
pelas cooperativas de trabalho. 

É o Relatório. 

Fl. 432DF  CARF MF

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IANA SATO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA



Processo nº 18108.000814/2007­96 
Acórdão n.º 2302­ 001.820 

S2­C3T2 
Fl. 3 

 
 

 
 

5

Voto            

Conselheiro Adriana Sato 

Sendo tempestivo CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões 
suscitadas. 

Diferentemente  do  alegado  pelo  Recorrente  o  v.  acórdão  na  sua  conclusão 
descreve que deverão ser apropriados os montantes pagos em guias (fls.338) e ao qual deverão 
ser acrescidos multa e juros legais. 

No que tange a alegação quanto a contribuição referente cooperativa, aplico a 
Súmula 2 do CARF: 

Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se 
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária 

Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso. 

 

Adriana Sato ­ Relator 

 

           

 

           

 

 

Fl. 433DF  CARF MF

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IANA SATO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA


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S2­C2T2 

Fl. 83 

 
 

 
 

1

82 

S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  10980.009571/2004­17 

Recurso nº  915.078 

Resolução nº  2202­00.256  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 

Data  10 de julho de 2012 

Assunto  Omissão de rendimentos. 

Recorrente  PAULO ROBERTO DE FREITAS PAULINO 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o 
julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. 

 

(Assinado digitalmente) 

Nelson Mallmann ­ Presidente.  

 

(Assinado digitalmente) 

Rafael Pandolfo ­ Relator. 

 

Participaram do  julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão 
Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira 
Toscano,  Rafael  Pandolfo  e  Nelson Mallmann.  Ausentes,  justificadamente,  os  Conselheiros 
Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes.  

  

Fl. 83DF  CARF MF

Impresso em 22/08/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO

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Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por

NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO



Processo nº 10980.009571/2004­17 
Resolução n.º 2202­00.256 

S2­C2T2 
Fl. 84 

   
 

 
 

2

Relatório 

1  Pedido de Restituição 

O  recorrente  efetuou  pedido  de  restituição  de multa  de mora  (fls.  04­10),  que 
considerava ter pagado erroneamente por ocasião do recolhimento do tributo antes do início do 
procedimento  de  fiscalização.  Como  a  confissão  e  o  pagamento  do  tributo  devido  antes  do 
procedimento de fiscalização implica a aplicação do art. 138 do CTN, o recorrente afirma que a 
denúncia espontânea importaria a exclusão da multa de mora. 

O pedido de restituição foi indeferido por despacho decisório (fls. 29­30), sob o 
argumento de que a exclusão da responsabilidade prevista no art. 138 do CTN abarca apenas as 
multas  punitivas  do  lançamento  de  ofício.  Por  este motivo,  a multa  de mora  recolhida  seria 
devida. Ainda, o despacho decretou a decadência do direito de restituir os valores anteriores a 
30/04/1999, vez que o prazo decadencial para a restituição de quantias pagas indevidamente é 
de cinco anos. 

2  Manifestação de Inconformidade 

O recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 33­42), arguindo 
o seguinte: 

a)  o  prazo  decadencial  para  a  restituição  de  indébito  é  de  10  anos  (5  anos 
contados  da  homologação  do  lançamento,  que  ocorre  5  anos  após  o  fato 
gerador); 

b)  o art. 138 do CTN traz norma que incentiva o contribuinte a reconhecer sua 
irregularidade e resolver as pendências com o fisco, e abarca todos os tipos 
de multas relativas ao crédito tributário, inclusive a de mora; 

c)  os valores identificados como não recolhidos pelo despacho decisório foram 
efetivamente  pagos,  motivo  pelo  qual  colaciona  DARF’s  (fls.  43­47  do 
processo). 

3  Acórdão da DRJ 

A  1ª  Turma  da DRJ  de  Curitiba  acordou  (fls.  53­64),  por  unanimidade,  pelo 
reconhecimento da decadência do direito à restituição dos pagamentos efetuados nos períodos 
de  25/08/94  a  30/04/99,  e  pelo  descabimento  da  restituição  das  parcelas  recolhidas  entre 
30/04/99 a 29/05/02, vez que o pagamento seria devido. 

a)  de acordo com a doutrina e a jurisprudência mais avalizada, a decadência do 
direito do contribuinte de restituir o indébito tributário é de cinco anos após 
o pagamento; 

b)  o  art.  138  do CTN exclui  as multas  de  caráter  punitivo,  não  as  de  caráter 
indenizatório,  como  a  multa  de  mora  cuja  restituição  é  requisitada  pelo 
contribuinte. A multa moratória tem a finalidade de coibir o descumprimento 
dos  prazos  legais,  de modo  que  seria  contraditório  excluir  a  sua  aplicação 
àquele que paga fora do prazo; 

4  Recurso Voluntário 

Não  satisfeito  com  o  julgamento  da  DRJ,  o  recorrente  interpôs  recurso 
voluntário, reiterando os argumentos alinhados na impugnação, acrescentando que: 

Fl. 84DF  CARF MF

Impresso em 22/08/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO

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Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001

Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por

NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO



Processo nº 10980.009571/2004­17 
Resolução n.º 2202­00.256 

S2­C2T2 
Fl. 85 

   
 

 
 

3

a)  existe  jurisprudência do STJ no sentido de que as situações ocorridas antes 
do  advento  da  Lei  Complementar  nº  118/05  terão  respeitada  a  regra  de 
prescrição  do  5+5,  desde  que  este  prazo  não  ultrapasse  5  anos  a  partir  da 
vigência da Lei; 

b)  se é penalidade, é punitiva, e enseja a aplicação do art. 138 do CTN, seja ela 
de  mora  ou  de  ofício.  A  parcela  indenizatória  corresponde  aos  juros 
aplicados.  Tal  entendimento  é  corroborado  pela  melhor  doutrina  e  pela 
jurisprudência da CSRF. 

É o relatório. 

Fl. 85DF  CARF MF

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Processo nº 10980.009571/2004­17 
Resolução n.º 2202­00.256 

S2­C2T2 
Fl. 86 

   
 

 
 

4

Voto 

 

Conselheiro Relator Rafael Pandolfo 

O recurso atende aos requisitos legais do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual 
merece ser conhecido. 

A matéria de fundo, tratada no presente recurso, diz respeito à configuração de 
denúncia  espontânea  entabulada  no  art.  138  do  CTN  e  suas  consequências,  notadamente,  a 
exclusão de multa moratória.  

Após  amplo  debate  doutrinário  e  jurisprudencial,  consolidou­se,  no  STJ,  o 
entendimento  de  que  a  não  incidência  de  multa  depende  do  momento  em  que  ocorre  o 
pagamento  total  do  crédito  tributário,  se  antes  ou  depois  da  constituição  da  relação  jurídica 
tributária  pela  Fazenda  (lançamento  de  ofício)  ou  pelo  contribuinte  (autolançamento).  A 
ementa abaixo reproduzida (REsp 1.062.139) retrata esse contexto: 

DIREITO  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  DENÚNCIA 
ESPONTÂNEA.  CONFIGURAÇÃO.  EXCLUSÃO  DA  MULTA 
MORATÓRIA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 

1.  A  Primeira  Seção  do  STJ,  no  julgamento  dos  recursos  repetitivos 
REsp  n.  962.379  e  REsp  886.462,  reafirmou  o  entendimento  já 
assentado  pela  Corte  no  sentido  de  que  não  existe  denúncia 
espontânea  quando  o  pagamento  se  referir  a  tributos  já  noticiados 
pelo  contribuinte  por  meio  de  Declaração  de  Débitos  e  Créditos 
Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do 
ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei e 
pagos  a  destempo.  Considera­se  que,  nessas  hipóteses,  a  simples 
declaração  é  apta  a  constituir  o  crédito  tributário,  sendo 
desnecessário,  para  tanto,  o  lançamento,  de modo  que,  constituído  o 
crédito tributário, o seu recolhimento a destempo, ainda que pelo valor 
integral, não enseja o benefício do art. 138 do CTN. 

2. Contudo,  in  casu,  o  acórdão  recorrido,  com  fundamento  na  prova 
dos  autos,  concluiu  pela  configuração  da  denúncia  espontânea, 
porquanto  não  vislumbrou  indício  algum  de  que  "realmente  tenha 
havido  declaração  dos  tributos  anteriormente  ao  pagamento"  ou  de 
que o débito fora objeto de parcelamento. 

3. Conclusão baseada em permissa fática cuja revisão é vedada a esta 
Corte por força do óbice da Súmula 7/STJ. 

4. Assim, não havendo comprovação da ocorrência de parcelamento ou 
prévia  declaração  pelo  contribuinte,  configura­se  a  denúncia 
espontânea, mesmo em se tratando de tributo sujeito a lançamento por 
homologação,  em  razão  da  confissão  da  dívida  acompanhada  de  seu 
pagamento integral ter ocorrido em momento anterior a qualquer ação 
fiscalizatória ou processo administrativo. 

5.  No  que  tange  à  natureza  da multa  cujo  perdão  está  previsto  no 
artigo 138 do CTN, a jurisprudência desta Corte já assentou que, não 
havendo,  no  dispositivo  legal,  nenhuma  distinção  entre  multa 
punitiva  e  moratória,  ambas  devem  ser  excluídas  quando  do 
reconhecimento da denúncia espontânea. Precedentes. 

6. Recurso especial não­provido. 

Fl. 86DF  CARF MF

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Processo nº 10980.009571/2004­17 
Resolução n.º 2202­00.256 

S2­C2T2 
Fl. 87 

   
 

 
 

5

(STJ. Primeira Turma. Rel. Min. Benedito Gonçalves. julg. 11 de nov. 
de 2008) 

Além do supracitado REsp, que trago à baila por sintetizar a jurisprudência do 
STJ acerca do assunto, é importante citar os dois REsp’s julgados sob o regime do art. 543­C 
do CPC, aos quais esta Corte está vinculada por força do art. 62­A do Regimento Interno deste 
Conselho: 

TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  DECLARADO  PELO  CONTRIBUINTE  E 
PAGO  COM  ATRASO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  NÃO 
CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 

1.  Nos  termos  da  Súmula  360/STJ,  "O  benefício  da  denúncia 
espontânea  não  se  aplica  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por 
homologação  regularmente  declarados,  mas  pagos  a  destempo".  É 
que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários 
Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, 
ou  de  outra  declaração  dessa  natureza,  prevista  em  lei,  é  modo  de 
constituição  do  crédito  tributário,  dispensando,  para  isso,  qualquer 
outra  providência  por  parte  do  Fisco.  Se  o  crédito  foi  assim 
previamente  declarado  e  constituído  pelo  contribuinte,  não  se 
configura  denúncia  espontânea  (art.  138  do  CTN)  o  seu  posterior 
recolhimento fora do prazo estabelecido. 

2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543­
C do CPC e da Resolução STJ 08/08. 

(STJ. Primeira Sessão. REsp 962.379. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. 
julg. 22 de out. de 2008) 

TRIBUTÁRIO. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO 
DECLARADO  PELO  CONTRIBUINTE  E  NÃO  PAGO  NO  PRAZO. 
DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO.  SÚMULA 
360/STJ. 

1  Nos  termos  da  Súmula  360/STJ,  "O  benefício  da  denúncia 
espontânea  não  se  aplica  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por 
homologação  regularmente  declarados,  mas  pagos  a  destempo".  É 
que  a  apresentação  de  Guia  de  Informação  e  Apuração  do  ICMS  – 
GIA,  de  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  – 
DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo 
de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer 
outra  providência  por  parte  do  Fisco.  Se  o  crédito  foi  assim 
previamente  declarado  e  constituído  pelo  contribuinte,  não  se 
configura  denúncia  espontânea  (art.  138  do  CTN)  o  seu  posterior 
recolhimento fora do prazo estabelecido . 

2.  Recurso  especial  parcialmente  conhecido  e,  no  ponto,  improvido 
Recurso sujeito ao regime do art. 543­C do CPC e da Resolução STJ 
08/08. 

(STJ. Primeira Sessão. REsp 886.462. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. 
julg. 22 de out. de 2008) 

Sendo assim, para que se aplique o benefício da denúncia espontânea em relação 
à multa de mora, o relevante é averiguar se (a) a declaração é retificadora e/ou extemporânea; 
(b) o  pagamento  foi  efetuado  antes  ou  em  conjunto  com a  declaração;  (c)  ambos  ocorreram 
antes do início do procedimento fiscal. 

Fl. 87DF  CARF MF

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Processo nº 10980.009571/2004­17 
Resolução n.º 2202­00.256 

S2­C2T2 
Fl. 88 

   
 

 
 

6

Assim, o correto deslinde do feito demanda a análise das DCTFS enviadas pelo 
recorrente,  documento  que  apresenta  campo  próprio  no  qual  está  constituída  a  obrigação 
relativa ao IRRF.  

Com  base  no  acima  exposto,  proponho  que  o  presente  julgamento  seja 
CONVERTIDO  EM  DILIGÊNCIA,  para  que  a  autoridade  lançadora  confirme  se  os 
pagamentos  realizados  pelo  recorrente  ocorreram  antes  ou  após  o  envio  da DCTF  relativa  à 
competência paga, nos seguintes termos: 

  data do pagamento   data do envio da DCTF  

Competência     

(Assinado digitalmente) 

Rafael Pandolfo 

 

Fl. 88DF  CARF MF

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S1­TE03 

Fl. 1 

 
 

 
 

1

           

S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA 

CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 
PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 

 

Processo nº  19288.000031/2011­81 

Recurso nº               Voluntário 

Acórdão nº  1803­01.446  –  3ª Turma Especial  

Sessão de  8 de agosto de 2012 

Matéria  MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF 

Recorrente  CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO FOUR POINTS BY SHERATON MACAÉ 

Recorrida  FAZENDA NACIONAL 

 

ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS 

Ano­calendário: 2010 

DCTF. ATRASO NA ENTREGA NÃO CONFIGURADO. PENALIDADE. 
DESCABIMENTO. 

Demonstrado  que  não  houve  atraso  na  entrega  da  declaração,  deve  ser 
cancelada a penalidade imposta. 

 
 

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 

Acordam os membros do colegiado,  por maioria de votos, deram provimento 
ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo 
Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes que lhe negavam provimento.  

 

 

 (assinado digitalmente) 
Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora.  

 

 

 

Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Walter  Adolfo 
Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues 
Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. 

  

  

Fl. 39DF  CARF MF

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  2

Relatório 

Trata o presente processo de notificação de  lançamento de multa por atraso 
na DCTF relativa ao mês de janeiro de 2010. 

Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que 
alegou em síntese que: 

a)  Que apresentou as declarações exigidas no presente lançamento por meio de processo 
eletrônico. 

b)  O  certificado  digital  que  habilitaria  cumprir  a  obrigação  só  foi  adquirido  em 
08/12/2010, e neste momento, foram reapresentadas as DCTF’s e as DIPJ’s. 

c)  Ao  processar  as  declarações  apresentadas  em  janeiro  a  autoridade  lançadora 
equivocadamente  considerou  que  se  tratava  de  uma  nova  declaração,  quando  na 
verdade era apenas a ratificação da declaração existente. 

d)  As  obrigações  acessórias  de  apresentar  declaração  não  podem  ser  punidas  porque  o 
impede o art. 138 do CTN. 

A Delegacia de  Julgamento considerou o  lançamento procedente,  com base 
nos seguintes fundamentos:  

a)  Cabe  ao  contribuinte  o  dever  de  cuidar  de  sua  senha.  Assim,  supostas  alegações  da 
interessada de que somente apresentou suas declarações após 08/12/2010 por culpa de 
atraso na obtenção de seu certificado digital, não afastam a multa pelo atraso na entrega 
delas. 

b)  A  recorrente  tentou  apresentar  a  declaração  em  05/03/2010,  em  papel,  tendo  o 
requerimento sido indeferido. 

c)  O art. 138 do CTN não pode ser invocado para afastar as multas aplicadas por atraso na 
apresentação das declarações. 

d)  A legislação não dá margem a incertezas ou dúvidas. Se a Declaração foi apresentada 
depois do prazo  regulamentar,  independente de qualquer  circunstância,  o  contribuinte 
está sujeito à multa. 

Contra a decisão,  interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em 
que apenas reitera a alegação de que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea, 
acompanhada do pagamento do tributo. 

É o relatório. 

  

Voto            

Conselheira Selene Ferreira de Moraes 

Fl. 40DF  CARF MF

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Processo nº 19288.000031/2011­81 
Acórdão n.º 1803­01.446 

S1­TE03 
Fl. 2 

 
 

 
 

3

A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 
12/09/2012 (extrato de fls. 36). O recurso foi protocolado em 27/09/2011, logo, é tempestivo e 
deve ser conhecido. 

Alega a  recorrente que a  transmissão da DCTF foi  impedida pelo programa 
ReceitaNet, pelo fato de que as sociedades cadastradas sob o código 212­7 (sociedade em conta 
de participação) estariam dispensadas de apresentação da referida declaração. 

Diante  desta  situação,  a  contribuinte  efetuou  a  entrega  da  declaração  em 
papel. 

A  autoridade  administrativa  indeferiu  o  requerimento  de  apresentação  da 
DCTF em papel com base nos seguintes fundamentos (fls. 16/18): 

“A  sociedade  em  conta  de  participação  (direito  brasileiro)  ou 
conta da metade (direito português) é uma sociedade empresária 
que  vincula,  internamente,  os  sócios.  É  composta  por  duas  ou 
mais  pessoas,  sendo  que  uma  delas  necessariamente  deve  ser 
empresário ou sociedade empresária. 

Por ser apenas uma ferramenta existente para facilitar a relação 
entre os sócios não é uma sociedade propriamente dita, ela não 
tem personalidade jurídica autônoma, patrimônio próprio e não 
aparece perante terceiros. 

O empreendimento é realizado por dois tipos de sócios: o sócio 
ostensivo e o sócio oculto. 

O  sócio  ostensivo  (necessariamente  empresário  ou  sociedade 
empresária)  realiza  em  seu  nome  os  negócios  jurídicos 
necessários para ultimar o objeto do empreendimento e responde 
pelas  obrigações  sociais  não  adimplidas.  O  sócio  oculto,  em 
contraposição,  não  tem  qualquer  responsabilidade  jurídica 
relativa aos negócios realizados em nome do sócio ostensivo. 

(...) 

Nesse  sentido  e  pelo  acima  exposto,  indeferimos  o  pleito  do 
contribuinte,  eis  que  ausente  previsão  legal  que  o  ampare, 
mormente  na  hipótese  em  que  a  legislação  estabelece  a  forma 
para adimplemento da obrigação acessória em questão, que, no 
caso, deve ser cumprida pelo sócio ostensivo inscrito no CNPJ, 
face à sua equiparação à pessoa jurídica”. 

O fundamento da decisão que indeferiu a entrega da declaração em papel não 
é válido. Isto porque, a legislação relativa ao CNPJ faculta a inscrição da sociedade em conta 
de  participação  no  cadastro. Tanto  é  assim que,  há previsão  expressa de  código  de  natureza 
jurídica para as sociedades em conta de participação, qual seja, 212­7. 

A  legislação  oferece  duas  possibilidades  às  sociedades  em  conta  de 
participação: cumprir suas obrigações acessórias por meio do sócio ostensivo, ou inscrever­se 
no CNPJ, e cumpri­las tal como as demais pessoas jurídicas. 

Fl. 41DF  CARF MF

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  4

Apesar  do  despacho  decisório  não  ser  objeto  de  discussão  no  presente 
processo,  a  análise  de  sua  validade  é  essencial  para  a  convicção  acerca  da  existência  da 
infração  de  atraso  na  entrega  da  declaração,  esta  sim,  objeto  da  autuação  questionada  neste 
recurso. 

Trata­se de uma questão prejudicial, ou seja, de controvérsia cuja solução é 
imprescindível para a decisão relativa à existência da conduta infracional de atraso na entrega 
da declaração.  

 O  prazo  para  apresentação  da  DCTF  relativa  ao  mês  de  janeiro  de  2010 
encerrou­se em 19/03/2010.  

A recorrente protocolou o requerimento de apresentação da DCTF em papel 
em 5/03/2010, ou seja, dentro do prazo legal de entrega previsto na legislação (fls. 16). 

A decisão  recorrida desconsiderou  a  declaração  em papel  por  entender  que 
não há previsão legal para sua entrega em papel, sendo o único meio possível, aquele previsto 
na legislação: entrega mediante transmissão pela Internet, com assinatura digital. 

O  contribuinte,  impedido  de  cumprir  obrigação  acessória  por  meio  da 
Internet,  diligentemente  enviou  a DCTF  em papel,  protocolando  requerimento  na  repartição, 
dentro do prazo legal.  

Em que pese a instrução normativa ser clara ao dispor que a DCTF deverá ser 
apresentada  em meio  magnético,  mediante  a  utilização  de  programa  gerador  de  declaração, 
disponível na Internet, o contribuinte não pode ser penalizado na hipótese dos presentes autos. 
Sua conduta não pode ser equiparada à do contribuinte que não efetuou nenhum esforço para 
cumprir a obrigação acessória dentro do prazo legal. 

A  situação  fática  dos  presentes  autos  não  é  a  mesma  do  caso  em  que  o 
contribuinte  simplesmente  entrega  sua  declaração  fora  do  prazo,  sem  qualquer  tentativa 
comprovada de cumpri­la, ainda que por meio diverso daquele previsto em lei. 

Como  diz  Eros  Roberto  Grau,  em  sua  obra  “Ensaio  e  discurso  sobre  a 
interpretação/aplicação do direito”, o intérprete discerne o sentido do texto a partir e em virtude 
de um determinado caso dado. (item X). Em suas palavras: 

“Vou  repetir  mais  uma  vez:  a  norma  é  produzida,  pelo 
intérprete,  não  apenas  a  partir  de  elementos  colhidos  no  texto 
normativo  (mundo  do  dever­ser),  mas  também  a  partir  de 
elementos do caso ao qual será ela aplicada, isto é, a partir de 
dados da realidade (mundo do ser). 

Por  oportuno,  trazemos  à  colação  decisão  do  Poder  Judiciário  que  analisa 
situação análoga: 

“TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ENTREGA DE 
DCTF  DE  FORMA  MANUAL.  MULTA.  CERTIFICAÇÃO 
DIGITAL.  POSTERIOR.  SENTENÇA  PROCEDENTE. 
EFEITOS.  INALTERADOS.  TRÂNSITO  EM  JULGADO. 
AUSÊNCIA. DESCUMPRIMENTO. 

I  ­  É  importante  ressaltar  que  o  juiz  não  está  vinculado  a 
examinar todos os argumentos expendidos pelas partes, nem a se 
pronunciar sobre todos os artigos de lei, restando bastante que, 

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/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES



Processo nº 19288.000031/2011­81 
Acórdão n.º 1803­01.446 

S1­TE03 
Fl. 3 

 
 

 
 

5

no caso concreto, decline fundamentos suficientes e condizentes 
a lastrear sua decisão. 

II  ­  Inicialmente,  deve­se  salientar que a discricionariedade da 
Administração  Pública  não  pode  sobrepor  o  limite  da 
razoabilidade,  na medida  em que,  caso  não  existisse  o  aludido 
limite,  tornaria­se  um  verdadeiro  obstáculo  às  empresas  que 
cumprem  com  suas  obrigaçõese  e  que  por  algum  motivo  não 
poderiam apresentar as declarações legalmente previstas em lei 
por motivos alheios à sua vontade.  

III  ­  Vê­se  dos  autos,  que  a  impetrante  agiu  com  toda  a 
transparência,  inclusive  tendo  buscado  o  cumprimento  nos 
prazos  fixados  pela  Receita  Federal.  Aliás,  o  procedimento 
necessário  à  obtenção  de  certificação  não  é  automático,  é 
complexo e burocrático, tendo o contribuinte inciado os trâmites 
necessários,  para  a  regularização.  Registre­se,  ainda,  que  a 
impetrante  não  pretende  postergar  a  entrega  de  qualquer 
declaração,  apenas  objetiva  a  autorização  para  momentânea 
entrega  manual  das  declarações  a  que  está  obrigada,  sem  a 
imposição da multa prevista pela Receita. 

IV  ­  Não  é  demais,  também,  falar  sobre  o  princípio  da 
proporcionalidade.  O  grande  fundamento  deste  princípio  é  o 
excesso  de  poder  e  o  fim  a  que  se  destina  é  exatamente  o  de 
conter  atos,  decisões  e  condutas  de  agentes  públicos  que 
ultrapassem  os  limites  adequados,  com  vistas  ao  objetivo 
colimado  pela  Administração,  ou  até  mesmo  pelo  Poderes 
representativos  do  Estado.  Significa  que  o  Poder  Público, 
quando  intervém  nas  atividades  sob  seu  controle,  deve  atuar 
porque a situação reclama realmente a intervenção, e esta deve 
processar­se  com equilíbrio,  sem excessos  e proporcionalmente 
ao fim a ser atingido. 

V ­ Desse modo, obstaculizar a entrega das declarações de modo 
manual,  enquanto  a  impetrante  providencia  a  certificação 
digital,  ofende  os  princípios  da  proporcionalidade  e  da 
razoabilidade, razão pela qual, a sentença não merece reforma. 

VI  ­ Ademais, recebida a apelação apenas no efeito devolutivo, 
persistem os  efeitos  da  sentença  que  tornou o  débito  inexigível 
até o pronunciamento definitivo das instâncias superiores, o que 
não  ocorreu,  acarretando,  o  descumprimento,  em  afronta  ao 
disposto no artigo 26 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de 
Segurança).  

VII  –  Remessa  necessária  e  apelação  não  providas.”(AMS 
2005.51.01.016716­6, sessão em 12/04/2011). 

Por conseguinte, não há como deixar de concluir que na hipótese dos autos 
não houve descumprimento da obrigação acessória, tendo a recorrente entregue a declaração no 
prazo,  valendo­se  do  meio  possível  na  época  dos  fatos,  qual  seja,  a  entrega  em  papel  na 
repartição. No caso concreto, a conduta prevista na legislação – atraso na entrega da declaração 
– não se materializou, e portanto, não pode dar azo à imposição de penalidade. 

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/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES



  6

No que se refere à exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da 
infração, de que trata o art. 138 do CTN, trata­se de matéria sumulada neste Conselho: 

“Súmula  CARF  nº  49:  A  denúncia  espontânea  (art.  138  do 
Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade 
decorrente do atraso na entrega de declaração.” 

Ante todo o exposto, dou provimento ao recurso. 

 

 

 (assinado digitalmente) 
Selene Ferreira de Moraes  

 

           

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Processo nº 19288.000031/2011­81 
Acórdão n.º 1803­01.446 

S1­TE03 
Fl. 4 

 
 

 
 

7

 

Declaração de Voto 

 

Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes 

Votei, juntamente com o Conselheiro Walter Adolfo Maresch, pela negativa 
de provimento ao recurso voluntário interposto, por entender que se está diante de caso no qual 
a impossibilidade de entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) pela 
internet,  por  falta  da  indispensável  assinatura  digital,  decorreu,  unicamente,  da  culpa  in 
eligendo  e  in  vigilando  da  Recorrente,  a  qual,  de  nenhum  modo,  poderia  alegar 
desconhecimento da legislação pertinente. 

Quanto à questão de a transmissão da DCTF ter sido supostamente impedida 
pelo  programa  ReceitaNet,  pelo  fato  de  que  as  sociedades  cadastradas  sob  o  código  212­7 
(sociedade em conta de participação) estariam dispensadas de sua apresentação, não foi, essa 
matéria, objeto de discussão pela decisão recorrida, restando, de todo modo, prejudicada pela 
falta da necessária assinatura digital. 

 

 

(assinado digitalmente) 
Sérgio Rodrigues Mendes 

 

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        </arr>
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        <str name="processor">SimpleFacets</str>
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            <int name="inputDocSetSize">37999</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
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            <str name="field">ano_sessao_s</str>
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          </lst>
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            <str name="field">_materia_s</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38218</int>
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          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">37981</int>
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            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">37872</int>
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            <str name="field">_turma_s</str>
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          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">37872</int>
            <str name="field">_materia_s</str>
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          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">37872</int>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">37872</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">37872</int>
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          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">37872</int>
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            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">37872</int>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
        </arr>
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            <int name="inputDocSetSize">37900</int>
            <str name="field">camara_s</str>
            <int name="numBuckets">13</int>
          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">37900</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
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          </lst>
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          </lst>
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          </lst>
          <lst>
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          <lst>
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            <str name="field">_processo_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">37965</int>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
          <lst>
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          </lst>
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      </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38078</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
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            <str name="field">_nomeorgao_s</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38196</int>
            <str name="field">_ementa_assunto_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38196</int>
            <str name="field">_tiporecurso_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
            <str name="appliedMethod">FC</str>
            <int name="inputDocSetSize">38196</int>
            <str name="field">_processo_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
            <str name="requestedMethod">not specified</str>
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            <int name="inputDocSetSize">38196</int>
            <str name="field">_resultadon2_s</str>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38196</int>
            <str name="field">_orgao_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
            <long name="elapse">0</long>
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            <int name="inputDocSetSize">38196</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38196</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38196</int>
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          </lst>
          <lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38196</int>
            <str name="field">_recorrente_s</str>
            <int name="numBuckets">1</int>
          </lst>
          <lst>
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            <str name="field">decisao_txt</str>
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          </lst>
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      </lst>
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          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38086</int>
            <str name="field">camara_s</str>
            <int name="numBuckets">13</int>
          </lst>
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            <int name="inputDocSetSize">38086</int>
            <str name="field">secao_s</str>
            <int name="numBuckets">8</int>
          </lst>
          <lst>
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          </lst>
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          </lst>
          <lst>
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            <str name="field">ano_publicacao_s</str>
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          </lst>
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