Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13807.006962/2004-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9303-006.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para determinar a incidência da Taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s :
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13807.006962/2004-71
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891771
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.996
nome_arquivo_s : Decisao_13807006962200471.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 13807006962200471_5891771.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para determinar a incidência da Taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7390922
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588110913536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2180; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13807.006962/200471 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.996 – 3ª Turma Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria PER IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GRANOL INDÚSTRIA, COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO. Assunto: Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para determinar a incidência da Taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 69 62 /2 00 4- 71 Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 13807.006962/200471 Acórdão n.º 9303006.996 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no acórdão nº 3403001.736, de 22 de agosto de 2012 (efolhas 628 e segs), integrado pelo acórdão de embargos nº 3403001.841, de 28 de novembro de 2012 (e folhas 641 e segs), que receberam, respectivamente, as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSIBILIDADE. A Lei n. 9.363/1996 permite a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes a aquisições de insumos para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação, independentemente de o fornecedor ser pessoa física (produtor rural) ou cooperativa. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. DEFINIÇÃO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RESTRIÇÃO A BENS NÃO INDUSTRIIALIZADOS. PROCEDÊNCIA. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 13807.006962/200471 Acórdão n.º 9303006.996 CSRFT3 Fl. 4 3 A definição de “receita de exportação” estabelecida nas Portarias do MF encontra expresso amparo no art. 6o da Lei no 9.363/1996. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. O crédito referente a ressarcimento sujeitase a atualização monetária (Taxa SELIC), a partir do pedido, até a data de sua efetiva utilização. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. AUSÊNCIA. INDICAÇÃO DE ATO ESTATAL DE OPOSIÇÃO POR MORA NA ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O crédito referente a ressarcimento de IPI está sujeito a atualização monetária (Taxa SELIC), a partir do pedido, até a data de sua efetiva utilização, presente a oposição estatal por ação ou omissão (mora na análise do pedido). A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 753 e segs) referese à correção, pela Taxa Selic, do Crédito Presumido do IPI em pedidos de ressarcimento (Repetitivos nºs 1.035.847 e 993.164). O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 1.086 e segs. Contrarrazões do contribuinte às efolhas 772 e segs. Requer que o recurso não seja admitido e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 13807.006962/200471 Acórdão n.º 9303006.996 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Em sede de contrarrazões, a interessada alega que (...) a divergência somente se materializaria se em determinado julgado fosse concluído que a jurisprudência do STJ invocada fosse aplicável, como ocorreu no caso dos autos; todavia, em outra decisão se negasse a sua aplicação. A contestação não procede. A divergência pode se materializar em diferentes matizes. No caso dos autos, a interpretação da legislação tributária que fundamentou a decisão recorrida é substancialmente diferente da interpretação contida nos acórdãos paradigma. Neste, o emprego da norma deu azo à correção do crédito pleiteado, desde o protocolo do pedido de ressarcimento, naqueles, entendeuse que sequer havia direito à incidência. Passo ao mérito. Mérito A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que, no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, nos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorre de uma construção jurisprudencial e não por Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 13807.006962/200471 Acórdão n.º 9303006.996 CSRFT3 Fl. 6 5 disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhece expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispuseram referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp nº 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 13807.006962/200471 Acórdão n.º 9303006.996 CSRFT3 Fl. 7 6 EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém, da leitura que se faz, para a incidência da correção que se Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 13807.006962/200471 Acórdão n.º 9303006.996 CSRFT3 Fl. 8 7 pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidênca da Taxa Selic. No CARF, a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção darseia somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 13807.006962/200471 Acórdão n.º 9303006.996 CSRFT3 Fl. 9 8 PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.º 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 13807.006962/200471 Acórdão n.º 9303006.996 CSRFT3 Fl. 10 9 obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 13807.006962/200471 Acórdão n.º 9303006.996 CSRFT3 Fl. 11 10 processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Parece me um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Neste sentido, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para determinar a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 1115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13782.720223/2015-73
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DEPENDENTE. COMPANHEIRA. ENTEADA.
Nos termos da legislação tributária, a companheira pode ser informada como dependente desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho.
DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
Somente são dedutíveis as despesas próprias do contribuinte e as dos dependentes informados na Declaração de Ajuste.
Não comprovada a relação de dependência, as despesas realizadas com os dependentes glosados não podem ser acatadas.
Numero da decisão: 2002-000.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DEPENDENTE. COMPANHEIRA. ENTEADA. Nos termos da legislação tributária, a companheira pode ser informada como dependente desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis as despesas próprias do contribuinte e as dos dependentes informados na Declaração de Ajuste. Não comprovada a relação de dependência, as despesas realizadas com os dependentes glosados não podem ser acatadas.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13782.720223/2015-73
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892637
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.210
nome_arquivo_s : Decisao_13782720223201573.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 13782720223201573_5892637.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7394218
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588115107840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1124; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 97 1 96 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13782.720223/201573 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.210 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria IRPF. DEDUÇÕES. DEPENDENTE. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente ADILSON ANTONIO KOSLOSKY Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 DEPENDENTE. COMPANHEIRA. ENTEADA. Nos termos da legislação tributária, a companheira pode ser informada como dependente desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Somente são dedutíveis as despesas próprias do contribuinte e as dos dependentes informados na Declaração de Ajuste. Não comprovada a relação de dependência, as despesas realizadas com os dependentes glosados não podem ser acatadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 2. 72 02 23 /2 01 5- 73 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13782.720223/201573 Acórdão n.º 2002000.210 S2C0T2 Fl. 98 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13782.720223/201573 Acórdão n.º 2002000.210 S2C0T2 Fl. 99 3 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 51/57), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2014. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$7.344,94 para R$894,70. Tal notificação noticia deduções indevidas com dependentes, com despesas médicas e de instrução. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 29/9/2015, a NL foi objeto de impugnação, em 23/10/2015, à fl. 2/40 dos autos, na qual o contribuinte concordou expressamente com a glosa da despesa médica no valor de R$600,57 e contestou as demais infrações. A impugnação foi apreciada na 19ª Turma da DRJ/SPO que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente (fls. 65/73) em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. COMPANHEIRA E ENTEADA. Mantida a glosa de dedução indevida com dependentes quando não restou comprovado pelo contribuinte com documentação hábil e idônea as respectivas relações de dependências. Para a comprovação da união estável é necessária a prova de coabitação pelo prazo de 5 anos ou filho em comum do casal. GLOSA DE DEDUÇÃO COM DESPESA DE INSTRUÇÃO DE DEPENDENTE. ENTEADA. Mantémse a glosa efetuada quando não restou comprovada primeiramente a relação de dependência referente a despesa apresentada. GLOSA DE DEDUÇÕES INDEVIDAS DE DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTES. COMPANHEIRA E ENTEADA. Somente são dedutíveis as despesas médicas realizadas em conformidade com a legislação de regência e relacionadas ao tratamento do próprio contribuinte declarante e/ou de seus dependentes declarados. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13782.720223/201573 Acórdão n.º 2002000.210 S2C0T2 Fl. 100 4 Não comprovada a relação de dependência, mantémse a glosa das despesas pertinentes aos dependentes não comprovados. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 23/5/2017 (fl. 81), o contribuinte, em 14/6/2017 (fl. 83), apresentou recurso voluntário, às fls. 83/88, no qual alega, em síntese, que: o artigo 1.723 do Código Civil reconhece como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, sem determinar um tempo de convivência mínimo. Ressalta que a legislação anterior que regia a matéria (Lei nº 8.971, de 1994) previa o prazo de pelo menos cinco anos de convivência. Acrescenta doutrina sobre o tema e diz que a jurisprudência vem firmando o prazo de dois anos de convivência para configuração da união estável. anexou contrato de locação firmado pela companheira, onde figura como fiador, além de correspondência em seu nome encaminhada para o endereço desse contrato. a Receita Federal do Brasil já teria acatado tal vínculo, uma vez que nas declarações posteriores não houve a glosa da dependente. a declaração de união estável segue modelo aprovado pela IN RFB nº 1.368, de 2013, inexistindo qualquer indicativo quanto ao período de convivência. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.90). Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13782.720223/201573 Acórdão n.º 2002000.210 S2C0T2 Fl. 101 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a dedução de dependentes, despesas médicas e com instrução. A decisão de piso consigna a manutenção das glosas das despesas médicas e com instrução por terem como beneficiárias pessoas não acatadas como dependentes, não podendo, por consequência, serem deduzidas pelo recorrente (art. 8º, inciso II, alínea b, e § 2º, inc. II, da Lei 9.250, de 1995). Dessa feita, a análise quanto aos dependentes precede e determina o tratamento das demais deduções. A glosa recai sobre as dependentes Fernanda de Souza Silva e Luiza Tavares da Silva Fernandes. A autuação consigna (fl.52): A Declaração particular assinada pelo contribuinte, com data de 14 de Agosto de 2015 não é suficiente para comprovar a relação de dependência alegada, para fins dedução na Declaração de Ajuste Anual do IRPF/2014. Cumpre ressaltar que a legislação permite a dedução de companheira na Declaração de Ajuste somente se houver vida em comum por mais de 5 (cinco) anos, ou por período menor se da união resultou filho/filha. Por conseguinte restou prejudicada também a relação de dependência, para fins de dedução na Declaração do IRPF/2014 da menor Luiza Tavares da Silva Fernandes, filha da pessoa física supracitada. (destaques acrescidos) Na análise da questão, a DRJ decidiu: O artigo 77 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 aprovado pelo Decreto n.º 3.000/99 assim dispõe sobre as Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13782.720223/201573 Acórdão n.º 2002000.210 S2C0T2 Fl. 102 6 pessoas que podem ser consideradas dependentes na Declaração Anual de Ajuste: Art.77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). §1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, §3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. Grifamos Estabelece o item Dependentes do Manual de Imposto de Renda Pessoa Física – Exercício 2014, ano calendário 2013 Modelo Completo que o contribuinte pode deduzir R$ 2.063,64 por cada pessoa considerada dependente. Sobre a matéria em análise, assim dispõe o Manual Perguntas e Respostas no exercício fiscalizado, disponibilizado pela Receita Federal do Brasil para orientação dos contribuintes: DOCUMENTAÇÃO PARA COMPROVAR A DEPENDÊNCIA 322 — Qual é o documento hábil para comprovar a relação de dependência? Para o cônjuge e filhos, a prova desta relação é feita por meio de certidão de casamento e de nascimento. No que concerne a menor pobre que o contribuinte crie e eduque, esse somente é considerado dependente, para os efeitos do imposto sobre a Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13782.720223/201573 Acórdão n.º 2002000.210 S2C0T2 Fl. 103 7 renda, se obedecidos os procedimentos estatuídos na Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 Estatuto da Criança e do Adolescente quanto à guarda, tutela ou adoção. Em relação ao companheiro, é necessária a prova de coabitação e, a irmãos, netos e bisnetos, o termo de guarda judicial e a prova de incapacidade física ou mental para o trabalho, se for o caso. Grifamos. A legislação do Imposto de Renda admite que o companheiro ou companheira sejam considerados dependentes, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos ou por período menor, se houver filhos da união (art. 77, § 1º, inciso II do RIR/1999). Para a comprovação da relação de dependência o interessado deve anexar aos autos cópias de contas de luz, água, energia elétrica, telefone, etc... em nome de sua companheira comprovando a residência desta no mesmo domicílio fiscal do notificado, ou mesmo prova de bens imóveis em comum, conta bancária em conjunto, etc...; Neste sentido, as provas carreadas aos autos não são hábeis a comprovar a coabitação pelo prazo legal exigido de 5 (cinco) anos. As contas de luz e telefone anexadas às fls. 25/26 apenas comprovam a coabitação para o ano de 2011. O contrato de locação, fls. 20/23, em que o notificado figura como fiador, não comprova qualquer coabitação com a Sra. Fernanda de Souza Silva. Quanto a declaração unilateral apresentada às fls. 18, esta não é considerado meio hábil a comprovar a ocorrência dos fatos nela narrados, mormente quando desacompanhado de outros elementos probatórios. Ademais, em que pese os problemas relatados pelo interessado para dissolução de seu matrimônio anterior, conspira em desfavor do interessado o fato que em nenhum dos exercícios anteriores a mencionada companheira tenha figurado como dependente em sua Declaração de Ajuste. Inferese da cópia do documento da identidade de fls. 17 que Luiza Tavares da Silva Fernandes não é filha do notificado como alegado na impugnação, mas sua enteada, posto que o genitor é pessoa diversa do contribuinte. Diante da ausência de comprovação efetiva da relação de dependência com a Sra. Fernanda (coabitação), mantém se as 2 (duas) glosas (Fernanda e Luiza) da forma como realizada pela autoridade lançadora. (destaques acrescidos) Não há reparos a se fazer à decisão de piso, uma vez que o recorrente não comprova a vida em comum com a companheira por mais de cinco anos, como dispõe a legislação tributária que rege o tema. Nesse sentido, cabe transcrever o artigo 35 da Lei nº9.250, de 1995: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13782.720223/201573 Acórdão n.º 2002000.210 S2C0T2 Fl. 104 8 Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: ... II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; ... (destaques acrescidos) A autuação recai sobre o anocalendário 2013. Dessa forma, o recorrente deveria comprovar a vida em comum, pelo menos, desde 2008. Nesse sentido, poderia apresentar, por exemplo, provas de mesmo domicílio, conta bancária conjunta, registro de associação de qualquer natureza, onde conste um como dependente do outro, datados de 2008 ou anteriores a 2008. Na fase impugnatória, o sujeito passivo juntou uma declaração de união estável de fl.18, datada de 2015, contrato de locação de 2010, onde a senhora Fernanda de Souza Silva figura como locatária e ele como fiador (fls.20/23), conta de luz de 2011 em nome dela (fl.25) e conta de telefone de 2011 em nome dele (fl.26), consignando o endereço do imóvel locado. Em seu recurso, apresenta mais uma conta de telefone, constando o endereço do imóvel locado, datada de 2012 (fl.87). Nenhum desses documentos se revela hábil a fazer prova quanto a coabitação pelo prazo de cinco anos anteriores a 2013. Registrese que a IN RFB nº 1.368, de 2013, citada pelo recorrente, veio alterar a Instrução Normativa RFB nº 987, de 22 de dezembro de 2009, que disciplina a aquisição, com isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados, de veículo destinado ao transporte autônomo de passageiros (táxi). Assim, os modelos e exigências veiculadas por essas normas não se confundem com as disposições acerca do IRPF. Quanto às disposições do Código Civil, esclareçase que podem ser utilizadas como fonte subsidiária no processo administrativo fiscal. Entretanto, existindo disposição expressa acerca do assunto na legislação tributária, cabe sua aplicação, sendo de se observar o disposto nas leis tributárias, no que concerne às condições para a qualificação da dependência. Por fim, a alegação de que nos anoscalendário posteriores a companheira teria sido acatada pela Receita Federal do Brasil (RFB), ainda que fosse confirmada, não vincularia esta decisão, visto que aqui está se tratando de anocalendário para o qual a prova exigida não foi apresentada. Além disso, a teor do artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, na apreciação da prova, o julgador formará livremente sua convicção. Considerando que a relação de dependência da companheira não restou comprovada e, consequentemente, de sua enteada, cabe manter a decisão de piso também no Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13782.720223/201573 Acórdão n.º 2002000.210 S2C0T2 Fl. 105 9 tocante às despesas médicas e com instrução, visto que tem como beneficiárias as dependentes glosadas. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.721859/2016-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19985.721859/2016-13
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5882485
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.487
nome_arquivo_s : Decisao_19985721859201613.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDA MELO LEAL
nome_arquivo_pdf_s : 19985721859201613_5882485.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7367064
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588162293760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1545; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19985.721859/201613 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.487 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria IRPF: PENSÃO ALIMENTICIA Recorrente MARCO ANTÔNIO VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 18 59 /2 01 6- 13 Fl. 73DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013, anocalendário de 2012. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo a título de pensão alimentícia judicial/por escritura pública, no valor de R$ 30.723,13, em razão da falta de apresentação de sentença, acordo homologado ou escritura pública relativa bem como despesas médicas no valor total de R$6.930,00 . Após a revisão, foi apurado o saldo de IRPF suplementar no valor de R$ 6.150,88, considerando juros e acréscimos legais. Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal, alegando, em síntese, que tanto a comprovação da obrigação alimentar por decisão judicial/escritura pública, como os comprovantes de pagamentos encontramse nos autos. Apresenta documentos para comprovar pensão alimentícia de R$23.582,83. Não contesta a glosa das despesas médicas A DRJ Salvador, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que para comprovar a pensão alimentícia impugnada, de R$ 23.582,83, o impugnante traz comprovante de rendimentos com o desconto deste valor. Não apresenta, porém, decisão judicial, escritura pública ou acordo homologado judicialmente que tenha determinado o pagamento da pensão alimentícia, conforme havia sido intimado (fls. 23). Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação e apresenta a documentação restante para comprovar seu direito à dedução. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de informação equivocada de dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2014. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Fl. 74DF CARF MF Processo nº 19985.721859/201613 Acórdão n.º 2001000.487 S2C0T1 Fl. 3 3 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Observese, portanto, que o contribuinte somente tem o direito de deduzir na declaração de ajuste anual o valor de pensão alimentícia pago em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública. Tendo em vista que em sede de Recurso Voluntário foram apresentados cópia da sentença, e comprovantes de pagamento da pensão, entendo que foram cumpridos os requisitos legais exigidos para a aceitação da dedução de despesas desta natureza. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 75DF CARF MF 4 Fernanda Melo Leal. Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723117/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008
Ementa:
NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento.
PROVA INDICIÁRIA. VERDADE MATERIAL.
Não há que se falar em preliminar de nulidade do lançamento por utilização de prova indiciária e por falha na busca da verdade material quando a autoridade lançadora justifica e apresenta provas dos fatos que lastrearam seu entendimento. A análise da suficiência das provas é questão de mérito e não preliminar.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e fática do lançamento e, ainda, o Contribuinte apresenta defesa apta e específica, demonstrando ter plena consciência das razões do lançamento.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO DE IMÓVEIS. CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO. RESPONSABILIDADE.
A determinação da natureza jurídica dos atos praticados e negócios efetuados, para o fim de incidência da norma tributária, é realizada com base nos elementos essenciais das relações jurídicas estabelecidas, que se revelam com a identificação dos efetivos direitos exercidos e obrigações contraídas pelas partes envolvidas, independentemente dos nomes dados aos instrumentos contratuais formalizados.
O pagamento de comissão realizado pelo comprador de imóveis ao corretor de imóveis não tem o condão de descaracterizar a prestação de serviços de intermediação feitos pelo corretor à imobiliária. Comprovada a ocorrência de prestação de serviços do corretor para a imobiliária, esta deverá responder pelas correspondentes obrigações tributárias.
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
RELAÇÃO DE VÍNCULOS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
A Relação de Co-Responsáveis CORESP, o Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88)
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA QUE SE CONVERTE EM PRINCIPAL. CABIMENTO.
Uma vez inobservada a obrigação tributária, caso seja cominada multa, esta se torna obrigação principal, nos termos do art. 113, §3º, do CTN. Por sua vez, o art. 139 do mesmo diploma determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal. Considerando ainda o texto das Súmulas CARF nº 4 e 5, bem como os acórdãos que as embasam, é patente a possibilidade de incidir juros sobre multa.
Numero da decisão: 2202-004.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator) e Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), que davam provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os lançamentos PC e AC, referentes às corretagens, e os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que davam provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waltir de Carvalho.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 Ementa: NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. PROVA INDICIÁRIA. VERDADE MATERIAL. Não há que se falar em preliminar de nulidade do lançamento por utilização de prova indiciária e por falha na busca da verdade material quando a autoridade lançadora justifica e apresenta provas dos fatos que lastrearam seu entendimento. A análise da suficiência das provas é questão de mérito e não preliminar. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e fática do lançamento e, ainda, o Contribuinte apresenta defesa apta e específica, demonstrando ter plena consciência das razões do lançamento. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO DE IMÓVEIS. CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO. RESPONSABILIDADE. A determinação da natureza jurídica dos atos praticados e negócios efetuados, para o fim de incidência da norma tributária, é realizada com base nos elementos essenciais das relações jurídicas estabelecidas, que se revelam com a identificação dos efetivos direitos exercidos e obrigações contraídas pelas partes envolvidas, independentemente dos nomes dados aos instrumentos contratuais formalizados. O pagamento de comissão realizado pelo comprador de imóveis ao corretor de imóveis não tem o condão de descaracterizar a prestação de serviços de intermediação feitos pelo corretor à imobiliária. Comprovada a ocorrência de prestação de serviços do corretor para a imobiliária, esta deverá responder pelas correspondentes obrigações tributárias. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) RELAÇÃO DE VÍNCULOS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A Relação de Co-Responsáveis CORESP, o Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88) MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA QUE SE CONVERTE EM PRINCIPAL. CABIMENTO. Uma vez inobservada a obrigação tributária, caso seja cominada multa, esta se torna obrigação principal, nos termos do art. 113, §3º, do CTN. Por sua vez, o art. 139 do mesmo diploma determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal. Considerando ainda o texto das Súmulas CARF nº 4 e 5, bem como os acórdãos que as embasam, é patente a possibilidade de incidir juros sobre multa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10166.723117/2010-14
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894061
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.436
nome_arquivo_s : Decisao_10166723117201014.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DILSON JATAHY FONSECA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10166723117201014_5894061.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator) e Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), que davam provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os lançamentos PC e AC, referentes às corretagens, e os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que davam provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waltir de Carvalho. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7400425
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588183265280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2027; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2.427 1 2.426 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.723117/201014 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.436 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 Ementa: NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. PROVA INDICIÁRIA. VERDADE MATERIAL. Não há que se falar em preliminar de nulidade do lançamento por utilização de prova indiciária e por falha na busca da verdade material quando a autoridade lançadora justifica e apresenta provas dos fatos que lastrearam seu entendimento. A análise da suficiência das provas é questão de mérito e não preliminar. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e fática do lançamento e, ainda, o Contribuinte apresenta defesa apta e específica, demonstrando ter plena consciência das razões do lançamento. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO DE IMÓVEIS. CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO. RESPONSABILIDADE. A determinação da natureza jurídica dos atos praticados e negócios efetuados, para o fim de incidência da norma tributária, é realizada com base nos elementos essenciais das relações jurídicas estabelecidas, que se revelam com a identificação dos efetivos direitos exercidos e obrigações contraídas pelas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 31 17 /2 01 0- 14 Fl. 2428DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.428 2 partes envolvidas, independentemente dos nomes dados aos instrumentos contratuais formalizados. O pagamento de comissão realizado pelo comprador de imóveis ao corretor de imóveis não tem o condão de descaracterizar a prestação de serviços de intermediação feitos pelo corretor à imobiliária. Comprovada a ocorrência de prestação de serviços do corretor para a imobiliária, esta deverá responder pelas correspondentes obrigações tributárias. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) RELAÇÃO DE VÍNCULOS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88) MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA QUE SE CONVERTE EM PRINCIPAL. CABIMENTO. Uma vez inobservada a obrigação tributária, caso seja cominada multa, esta se torna obrigação principal, nos termos do art. 113, §3º, do CTN. Por sua vez, o art. 139 do mesmo diploma determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal. Considerando ainda o texto das Súmulas CARF nº 4 e 5, bem como os acórdãos que as embasam, é patente a possibilidade de incidir juros sobre multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator) e Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), que davam provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os lançamentos PC e AC, referentes às corretagens, e os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que davam provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waltir de Carvalho. (assinado digitalmente) Fl. 2429DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.429 3 Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito referente às Contribuições Previdenciárias. Tendo a DRJ dado provimento parcial à defesa, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora sob julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 16/12/2010 foi lavrado o auto de infração DEBCAD nº 37.315.7525, referente à Contribuição Patronal (fls. 2/32). Conforme o Relatório do Auto de Infração (fls. 33/59 e docs. anexos fls. 60/579), · "3. O objeto do presente Auto de Infração são as CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre os pagamentos efetuados a contribuintes individuais pessoas físicas pelos serviços prestados a empresa acima identificada, no período fiscalizado. Tais pagamentos não transitaram pela folha de salário do período, não foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Declaração à Previdência Social (GFIP), e as contribuições devidas não foram recolhidas à Seguridade Social (GPS), conforme determina a legislação vigente." (fl. 33); · "4. Constitui fato gerador das contribuições sociais integrantes do presente Auto de Infração o pagamento de: Fl. 2430DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.430 4 a) comissão de corretagem a segurados contribuintes individuais (pessoas físicas) pela venda de imóveis vinculados aos empreendimentos imobiliários da empresa, efetivada: por corretores autônomos, sob a coordenação e supervisão da empresa (Levantamento Código PC); pela administração, cuja venda foi informada pela empresa como sendo "venda direta Via" (Levantamento Código AC); b) comissão de aos Gerente de Vendas, empregado da empresa, pela sua participação nas vendas dos demais corretores autônomos integrantes da equipe de vendas, no período fiscalizado (Levantamento Código AG); c) serviços prestados por pessoas físicas registrados na contabilidade da empresa, conta 123 (Levantamento Código PF)." (fl. 33/34); · "23. Entretanto, da análise da documentação apresentada pelo sujeito passivo, a auditoria fiscal constatou nas GFIP do período fiscalizado, em confronto com as Folhas de Pagamento e registros contábeis do mesmo período, que a empresa em questão não declarou nas referidas GFIP os pagamentos efetuados a corretores autônomos, a título de comissão de corretagem, pela venda de imóveis vinculados aos empreendimentos imobiliários da empresa, como também os pagamentos de serviços prestados por pessoa física, identificados na contabilidade da empresa (conta 123 Serviços Prestados PF)." (fl. 39); · "25. Relativamente ao fato gerador "pagamento de comissão de corretagem", a auditoria fiscal firmou convicção sobre a admissibilidade do lançamento do crédito previdenciário com base na documentação apresentada e nas informações prestadas pela empresa versus os dispositivos legais que regem a matéria." (fls. 39/40); · Que a Contribuinte foi intimada a apresentar informações sobre a forma adotada para comercializar os imóveis, informando que em determinados lugares o fazia por meio de equipe de corretores e em outros que contratava empresas imobiliárias; · Que, nas diversas respostas às intimações, apresentou informações contraditórias com relação à forma adotada no Rio de Janeiro; · Que não apresentou os instrumentos contratuais mas que, a despeito de não adimplir a forma prescrita na Lei nº 6.530/1978 e Decreto nº 81.871/1978, que há vínculo entre a Contribuinte e os corretores, vez que os autorizou a comercializar; Fl. 2431DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.431 5 · Que o fato de não haver exclusividade em relação aos corretores não descaracteriza a relação de prestador de serviços autônomos, antes a confirma pois se houvesse exclusividade não seriam autônomos; · Que a prática de imputar o pagamento da comissão ao comprador é lesiva ao fisco e tem o objetivo de eximir a empresa das responsabilidades pelo pagamento dos tributos devidos; · Que é a empresa quem contrata os corretores, vez que é ela quem os credencia, quem os treina, quem estabelece o valor das comissões, quem repassa as informações referentes aos empreendimentos, quem estabelece os padrões de qualidade etc.; · "50. Para sustentação da tese de que a comissão de corretagem é custo do comprador, a empresa formaliza o contrato de promessa de compra e venda pelo valor líquido da operação, ou seja, exclui impropriamente do VGV o valor da comissão de corretagem, impondo ao comprador o pagamento desse valor diretamente ao corretor responsável pela venda. O contrato de promessa de compra e venda também é firmado com o valor líquido da operação, cujo documento é registrado na contabilidade da empresa; e o valor da comissão não é contabilizado como custo operacional de vendas, fechando, assim, o entendimento da prática lesiva adotada pela empresa para se eximir do pagamento dos tributos devidos." (fl. 44); · "63. No presente caso, restou comprovado que a empresa pagou, de forma indireta, remuneração a corretores autônomos que lhe prestaram serviços, no período fiscalizado, e não declarou os referidos pagamentos nas GFIP correspondentes, nem recolheu as contribuições previdenciárias incidentes sobre tais pagamentos. Diante dessa omissão, a auditoria fiscal, no uso de suas prerrogativas legais, promoveu o lançamento de ofício referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, conforme determina a legislação acima citada." (fl. 46); · Que, em relação à planilha "venda direta via", que supostamente teria sido realizada diretamente pela empresa Contribuinte, com o devido registro no CRECI, foi constatado dos documentos individualizado das negociações das unidades imobiliárias que houve intermediação por parte de corretores autônomos; · Que em diversos casos a empresa "não informou o nome do corretor responsável pela venda, conforme determina a legislação anteriormente citada" (Lei nº 6.540/1978) (fl. 48); · Que foi arbitrada a comissão auferida aplicando como base a comissão média paga pela empresa no período de apuração; Fl. 2432DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.432 6 · "78. O fato gerador "Pagamento de Comissão de Corretagem Gerente de Vendas" inclui o pagamento de comissão a este profissional com base em um percentual aplicado sobre todas as vendas do estabelecimento matriz realizadas por corretores autônomos." (fl. 49); · "81. O Gerente de Vendas, quando comercializa alguma unidade, além do salário fixo recebe, também, a comissão de corretagem sobre esta venda correspondente ao percentual definido para o empreendimento, e a comissão de 0,13% sobre as vendas dos demais corretores a serviço da empresa. No entanto, o contracheque relativo ao pagamento da remuneração do Gerente de Vendas contempla apenas o salário fixo. A parte variável (comissão) não consta do contracheque, ou seja, é paga por fora, sem transitar pela folha de pagamento." (fl. 49); · Que, tendo a empresa sido intimada a esclarecer os lançamentos na conta contábil 123 pagamento de serviços prestados PF, esta informou os dados de alguns prestadores de serviço, com notas fiscais, demonstrando que houve alguns lançamentos equivocados de serviços prestados por pessoas jurídicas, além de pagamentos a Fundo Fixo. A autoridade lançadora excluiu da base de cálculo os valores contabilizados de forma equivocada; · "96. Na presente fiscalização ocorreram as situações 'falta de pagamento ou recolhimento' e 'declaração inexata' relacionadas com os fatos geradores objeto dos lançamentos de ofício consubstanciados no presente Auto de Infração. 97. Portanto, segundo a legislação citada, deve ser comparada a aplicação da multa de ofício estabelecida no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (75%), com a soma da multa de mora prevista no inciso II do art. 35 (24%) da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, e da multa prevista no parágrafo 5o do artigo 32 da referida lei (Código de Fundamentação Legal CFL 68), acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997" (fl. 52); · "109. Conforme o citado no Item VI DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO o §4º do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, determina que a contribuição a cargo do contribuinte individual, que prestar serviço a uma ou mais empresas, poderá ser deduzida de 45% da contribuição da empresa, efetivamente recolhida ou declarada, incidente sobre a remuneração que esta lhe tenha pago ou creditado, limitada a dedução a 9% do respectivo saláriodecontribuição. 110. No presente caso, a empresa não recolheu (GPS) nem declarou (GFIP) as contribuições devidas com base nos pagamentos efetuados a título de comissão de corretagem como também de serviços prestados pessoa física cuja omissão constitui fato impeditivo à dedução de 9% na Fl. 2433DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.433 7 alíquota de contribuição dos contribuintes individuais (20% 9% = 11%), conforme determina o preceito legal acima citado. 111. Portanto, diante do exposto, a contribuição a cargo do segurado, no presente Auto de Infração, foi calculada com a alíquota de 20% e a responsabilidade pelo pagamento foi atribuída à empresa tendo em vista que a previsão do art. 4º da Lei nº 10.666, de 8/5/2003, e o §5º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24/7/1991." (fl. 57); · "114. Na presente Ação Fiscal, além do presente Auto de Infração, forma lavrados os seguintes documentos: Planilha 4 Autos de Infração Lavrados Tipo DEBCAD Fato Gerador AI OP 37.315.7533 Contribuições previdenciárias de responsabilidade do SEGURADO (empregado e contribuinte individual), incidentes sobre o pagamento de comissão de corretagem pela venda de imóveis vinculados aos empreendimentos imobiliários da empresa, como também pelos serviços prestados por pessoas físicas registrados na contabilidade da empresa. AIOP 37.315.7592 Contribuições previdenciárias destinadas às ENTIDADES e FUNDO conveniados incidentes sobre pagamento de comissão de corretagem seobre todas as vendas realizadas por corretores autônomos, estabelecimento matriz, destinado ao Gerende de Vendas, responsável pela coordenação e supervisão do trabalho desses profissionais. AIOA 37.315.7541 CFL 30 Deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos contribuintes individuais a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil AIOA 37.315.7550 CFL 34 Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantidas descontadas, as contribuições da empresa e as destinadas às entidades e fundos conveniados. AIOA 37.315.7568 CFL 38 Deixar a empresa de exibir documento relacionado com as contribuições previstas na Lei nº 8.212, de 24/7/91, referente a segurados contribuintes individuais, requeridos pela auditoria fiscal. Fl. 2434DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.434 8 AIOA 37.315.7576 CFL 59 Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas por segurados contribuintes individuais e segurados empregados lhe prestaram serviços. " (fl. 58); · Que emitiu Representação Fiscal para Fins penais; Intimada em 17/12/2010 (fl. 579), a Contribuinte apresentou Impugnação em 19/01/2011 (fls. 1.189/1.258 e docs. anexos fls. 1.259/2.235). A DRJ, analisando a defesa da Contribuinte, proferiu o acórdão nº 0351.695, de 16/04/2013 (fls. 2.240/2.256), mantendo parcialmente o crédito constituído, e que restou assim ementado: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 AIOP DEBCAD no 37.315.7525 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. REGULARIDADE. Tendo a autoridade fiscal observado o cumprimento dos requisitos legais indispensáveis à validade do lançamento do crédito tributário, eventuais questionamentos acerca da emissão ou execução do MPF, por constituir essencialmente um instrumento de controle administrativo, não importam em nulidade do procedimento fiscal. PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária, isoladamente, não demonstra, com o necessário grau de certeza, a ocorrência de determinado fato. O conjunto dessas provas, contudo, quando correlacionados, permitem firmar convicção para referendar uma autuação. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São listadas no Relatório de Vínculo todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração, em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente, não implicando automaticamente em responsabilidade solidária. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O corretor de imóveis, ao trabalhar na intermediação de venda de imóveis de construtora, sendo por esta credenciado e supervisionado, é considerado contribuinte individual a seu serviço. JUROS. SELIC. Fl. 2435DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.435 9 As contribuições sociais arrecadadas em atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, de caráter irrelevável. MULTA. CONFISCO. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, é dirigida ao legislador, não cabendo à autoridade administrativa afastar a incidência da lei. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. A diligência ou perícia requerida pelo impugnante pode ser indeferida pela autoridade julgadora se esta considerála desnecessária, por constarem dos autos os elementos suficientes para a análise conclusiva. PROTESTO PELA JUNTADA DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. As provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da impugnação, sob pena de preclusão processual, exceto nas situações previstas no art. 16, § 4º do PAF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada em 05/06/2013 (fl. 2.278), e ainda insatisfeita, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 05/07/2013 (fls. 2.285/2.376 e docs. anexos fls. 2.377/2.423), argumentando, em síntese: Das Preliminares · Que houve nulidade do ato de fiscalização por vício formal e por falta de publicidade na emissão e prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, vez que não foram emitidos nem a Contribuinte foi intimada de MPFC, apesar de o MPF ter prazo máximo de 120 dias e a fiscalização ter durado mais de um ano; · Que a autuação é nula por utilizarse de prova indiciária, inclusive essa nulidade já foi observada nos autos do processo nº 10166.723119/2010 03, quando a DRJ julgou procedente a Impugnação e exonerou o crédito tributário de processo conexo a este, lançado no âmbito da mesma fiscalização, decorrente dos mesmos fatos e provas, por falta de provas; · Que houve violação ao princípio da Verdade Material, porquanto a autoridade lançadora deixou de considerar os argumentos e as provas juntadas durante a fiscalização; · Que o lançamento foi realizado exclusivamente com base em depoimentos, não havendo provas nos autos de (i) que houve efetiva análise por amostragem; (ii) que os corretores trabalhavam no stand da Fl. 2436DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.436 10 construtora e que eram identificados por crachás; nem (iii) que a recorrente fez pagamentos em favor dos corretores; · Que há nulidade por erro na indicação dos "dispositivos legais que são gravados de forma aclaradamente genérica no anexo do auto de infração" (fl. 2.308); · Que o auto de infração padece de falta de liquidez e de certeza, especificamente porquanto foram incluídos no auto de infração a "Venda Direta Via" bem como tributou vendas realizadas por meio de imobiliárias, as quais, por sua vez, se utilizaram de seus corretores, não sendo possível falar em retenção de contribuições previdenciárias pelo serviço prestado por outras empresas; · Que houve presunção como prova e que foi utilizada prova indiciária, sendo que não há provas do efetivo pagamento das comissões, ainda que pelos compradores, frisando a Contribuinte que é possível que a empresa tenha vendido diretamente seus imóveis sem a participação de corretores, o que não foi considerado pela autoridade lançadora; · Que a legislação citada (especificamente o art. 33, §4º, da Lei nº 8.212/1991) não estabelece critérios para o arbitramento da contribuição previdenciária no caso em tela, tendo a autoridade lançadora extrapolado sua competência; · Que a autoridade lançadora não caracterizou os corretores como segurados empregados e nem desconsiderou a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços; · Que a autoridade lançadora não se desincumbiu do ônus de provar a ocorrência do fato gerador; · Que a Contribuinte não tem legitimidade para figurar no polo passivo na autuação vez que se for devida contribuição previdenciária ela contratava empresas imobiliárias para realizar as operações de venda, sendo que os corretores estavam vinculados a elas; e · Que, também, foram os compradores quem realizaram os pagamentos, sendo eles os responsáveis tributários. Mérito: · Que houve erro na aplicação da alíquota, especificamente porque a autoridade lançadora não levou em consideração as alterações realizadas pela Lei nº 10.666/2003, isto é, que não deveria ter sido aplicada a alíquota de 20% mas sim a de 11%. Ainda segundo a Contribuinte, tratase de erro insanável, pois não é possível alterar a fundamentação legal do auto de infração já constituído nem a alíquota aplicável; Fl. 2437DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.437 11 · Que só há incidência de Contribuição Previdenciária sobre os valores pagos (1) com natureza salarial (retributividade) e (2) com habitualidade, o que não se observa no caso concreto; · Que os corretores de imóveis não prestam serviços à Recorrente, não havendo que se falar em ocorrência de fato gerador de prestação de serviço por segurado autônomo; · Que não há indício de habitualidade nos pagamentos feitos pelos compradores; · Que no contrato de corretagem não é o serviço do corretor que se pretende, mas sim o resultado da mediação; · "Os corretores de imóveis não prestam serviços às empresas construtoras e empreendedoras na área de construção civil, estas, consequentemente, não estão obrigadas ao pagamento da contribuição social instituída pela Lei, em face do negócio jurídico celebrado com os corretores. Isso porque o corretor é um comerciante com o objetivo social de intermediar contrato de compra e venda. Ele vende a intermediação e, por essa venda, recebe comissão proporcional ao preço do produto. Não há, por parte do corretor de imóveis, um serviço prestado à construtora ou empresa empreendedora, há, sim, um ato de comércio regulamentado por lei, no caso, o Código Civil e a Lei nº 6.530/78." (fl. 2.348); · Cita vasta doutrina, inclusive: RUBENS REQUIÃO, FRANS MARTINS, MARIA HELENA DINIZ, ARNOLD WALD, VALÉRIA BONONI GONÇALVES, JONAS FIGUEIREDO ALVES e PONTES DE MIRANDA para concluir que o corretor não presta serviço, sendo verdadeiro comerciante e estando obrigado pelo resultado e não pelo meio; · "Estabelece, portanto, o NCC [art. 722], de modo bem nítido, ser o contrato de corretagem especial, cuja característica é de que a pessoa que o celebra com outra não possui nenhum vínculo de prestação de serviços. (...) SE O CORRETOR DE SEGUROS NÃO PODE PRESTAR SEUS SERVIÇOS ÀS EMPREENDEDORAS E CONSTRUTORAS, QUE, POR ISSO, NÃO LHES DEVEM REMUNERAÇÃO OU RETRIBUIÇÃO, NÃO É POSSÍVEL EXIGIR DESSAS SOCIEDADES UMA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL QUE TEM POR FATO GERADOR A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E POR BASE DE CÁLCULO O VALOR DE REMUNERAÇÕES E RETRIBUIÇÕES PAGAS AOS QUE OS PRESTAM." (fl. 2.354) (grifo no original); · Que o comprador pode, em conversa com o corretor, ser aconselhado a comprar outro imóvel que não o da Contribuinte; ainda assim, se o comprador vier a adquirir o imóvel da Recorrente, será devida a comissão. Logo, quando muito, o corretor prestou serviço à Contribuinte e ao Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.438 12 comprador, devendo a base de cálculo ser proporcional. Contudo, como a Lei não prevê essa hipótese, que não cabe o lançamento; · Que é ilegal a imputação de responsabilidade solidária à recorrente, vez que a autoridade lançadora jamais verificou que as contribuições previdenciárias foram lançadas e recolhidas pelas terceiras empresas (imobiliárias). Em suma, que só poderia ter sido autuada se houvesse prova de que as terceiras empresas não recolheram os tributos devidos; · Que não é possível aplicar a taxa Selic; · Que é incabível a listagem, no relatório fiscal, dos diretores da Contribuinte como coresponsáveis vez que não lhes foi imputada qualquer atuação dolosa, não se configurando em qualquer das hipóteses legais de responsabilidade solidária; · Que é inaplicável a multa no patamar imposto porquanto se configura atentatória contra o Princípio Constitucional de Não Confisco; · Que não pode incidir juros sobre a multa; e · Que devem ser julgados em conjunto o presente processo e os de nº 10166.723118/201051; nº 10166.723119/201003; nº 10166.723123/2010 63; nº 10166.723122/201019; nº 10166.723124/201016 e nº 10166.723121/201074. Os presentes autos foram apensados ao processo de nº 10166.723119/2010 03 (fl. 2.236 e 2.239), e posteriormente desapensado (fl. 2.280). Também, foram apensados e desapensados aos presentes autos os processos: · apensado: nº 10166.723121/201074 (fl. 2.281); · apensado: nº 10166.723118/201051 (fl. 581) desapensado (fl. 587); · apensado: nº 10166.723119/201003 (fl. 582) desapensado (fl. 588); · apensado: nº 10166.723122/201019 (fl. 583) desapensado (fl. 589) reapensado (fl. 2.282); · apensado: nº 10166.723123/201063 (fl. 584) desapensado (fl. 590) reapensado (fl. 2.283); e · apensado: nº 10166.723124/201016 (fl. 585) desapensado (fl. 591) reapensado (fl. 2.284). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.439 13 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. É imperioso registrar que o lançamento recaiu sobre quatro levantamentos, especificamente: 1. Comissão de Corretagem (Levantamento PC) comissão de corretagem efetuado a corretor autônomo e não declarado em GFIP; 2. Comissão de Corretagem (Levantamento AC) comissão de corretagem das vendas contabilizadas como realizadas diretamente pela empresa "Venda Direta Via"; 3. Comissão de Corretagem destinada ao Gerente de Vendas (Levantamento AG) comissão paga ao gerente de vendas em decorrência das vendas efetuadas por corretores autônomos; e 4. Pagamento de serviços prestados (Levantamento PF) valor lançados na contabilidade na conta 123, como serviços prestados por pessoas físicas. Destes, a DRJ já excluiu o levantamento "AG Aferição Comissão Ger Vendas" (fl. 2.256); não havendo Recurso de Ofício em função do valor exonerado não volta a análise essa matéria. De outro lado, conforme o relatório, a Contribuinte não recorreu no mérito em relação ao Levantamento PF pagamento de serviços prestados por pessoas físicas, que, portanto, tampouco é objeto de análise nesse Conselho. PRELIMINARES 1. Vício Formal MPFContinuação: Argumenta a Contribuinte, preliminarmente, que o auto de infração é nulo por vício formal ao longo da fiscalização. Segundo desenvolve seu raciocínio, deveriam ter sido emitidos Mandados de Procedimento de Fiscalização de Continuação MPFC, os quais não foram emitidos e não foram cientificados a ela. Por essa razão, ante a falta de prorrogação da autorização de fiscalizar, e tendo em vista que a fiscalização durou mais de um ano logo, mais do que o prazo do MPF , entende que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Analisando o argumento, a DRJ anotou que: (1) a Contribuinte foi intimada inúmeras vezes ao longo de toda a fiscalização, o que é suficiente para que tivesse ciência da continuidade da fiscalização, e da sua prorrogação, ainda que tacitamente; (2) ainda que houvesse irregularidade na emissão do MPF, não haveria nulidade do auto de infração porquanto é documento interno, com o objetivo de meramente organizar, controlar e gerenciar as atividades da Receita Federal. Com razão a DRJ. A verdade é que, como já bem esclareceu a 1ª instância, o MPF é documento interno com a finalidade de controlar e gerenciar a atividade da Receita Federal. A competência para constituir o crédito tributário vem do art. 142 do CTN, e não dos MPF's, que são meramente instrumentos de organização interna da Receita Federal. Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.440 14 Nesse sentido a jurisprudência deste Conselho: NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. (acórdão CARF nº 2202003.687, de 08/02/2017) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (acórdão CARF nº 2301003.514, de 15/05/2013 FALHA NA PRORROGAÇÃO DO PRAZO DO MPF. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. Não dá causa à nulidade do lançamento falha cometida na prorrogação do prazo do MPF. (acórdão CARF nº 3301003.163, de 25/01/2017) Por essa razão, não é possível dar provimento ao pleito do Contribuinte nesse ponto. 2. Prova Indiciária e do Princípio da Verdade Material: Argumenta a Contribuinte que a autuação é nula por se utilizar de prova indiciária. Afirma, inclusive, que essa nulidade já foi observada nos autos do processo nº 10166.723119/201003, quando a DRJ julgou procedente a Impugnação e exonerou o crédito tributário de processo conexo a este, lançado no âmbito da mesma fiscalização, decorrente dos mesmos fatos e provas, por falta de provas. A utilização de provas indiciárias e a ofensa ao princípio da verdade material não são hipóteses de nulidade do auto de infração. Tratase, isso sim, de questão de mérito, onde será analisado se o auto de infração tem substância para subsistir ou não. Ao longo da fiscalização, com o já esclarecido acima, não há contraditório. À autoridade lançadora cabe colher as provas e lançar o tributo da forma que entender correta, com base nas provas que levarem ao seu convencimento. É no processo administrativo ou seja, com a impugnação que se instaura o contraditório e que cabe a análise da suficiência das provas colhidas. Nessa senda, é no mérito que deve ser analisada a existência ou não de provas da ocorrência do fato gerador. 3. Cerceamento do direito de defesa falta de clareza na indicação dos dispositivos legais: Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.441 15 Argumenta a Recorrente que há nulidade por erro na indicação dos "dispositivos legais que são gravados de forma aclaradamente genérica no anexo do auto de infração" (fl. 2.308). Tal argumento não pode prevalecer. Em primeiro lugar, analisando o autos de infração, percebese que o Relatório Fiscal foi claro em delimitar o fato gerador, especificamente a falta de declaração e de recolhimento de tributos referentes a pagamentos efetuados em favor de contribuintes autônomos em decorrência de prestação de serviços. Tanto o foi como a Contribuinte logrou efetuar defesa técnica, apresentando argumentos para refutar os fundamentos da autuação. Em relação à fundamentação legal, percebese que consta no auto de infração os "Fundamentos Legais do Débito" (fls. 30/31), no qual a autoridade lançadora individualiza, por competência, a Legislação que lhe atribui competência para fiscalizar bem como a legislação que enquadra a contribuição previdenciária da empresa, a obrigação de recolhimento do valor e ainda os fundamentos para os acréscimos legais (juros e multa). Portanto, não se observam nos autos cerceamento do seu direito de defesa. MÉRITO 1. Da alíquota aplicável: Argumenta a Contribuinte que houve erro na aplicação da alíquota, especificamente. Chamando atenção para o fato de que o lançamento foi efetuado à alíquota de 20%, nos termos do art. 22, I, da Lei nº 8.212/1991, esclarece que a Lei nº 10.666/2003 alterou o Regimento da Previdência Social, determinando a aplicação da alíquota de 11%. Ainda segundo a Contribuinte, uma vez que foi aplicada a Lei errada, houve erro insanável, pois não é possível alterar a fundamentação legal do auto de infração já constituído nem a alíquota aplicável. Sem razão a Contribuinte. A verdade é que a Recorrente é quem parece se confundir. O art. 22, I, da Lei nº 8.212/1991 estabelece um recolhimento a cargo da empresa, à alíquota de 20%, sobre o valor da remuneração paga. Em outras palavras, além do valor pago ao trabalhador ou prestador de serviço autônomo, deve pagar ainda um valor a mais de 20% para a receita federal. De outro lado, o art. 216, §26, do Decreto nº 3.048/1999, estabelece que deve ser descontado da remuneração paga ao contribuinte individual um valor de 11%, que é a sua contribuição para a Previdência Social. Em outras palavras, a empresa pagará ao contribuinte autônomo apenas 89% do que lhe é devido, recolhendo os 11% restantes para a Previdência Social. São, efetivamente, coisas diversas. Aquela, 20%, é a contribuição da empresa. Esta, 11%, é a contribuição do segurado. Portanto, não há que se falar em erro: o presente auto de infração DEBCAD nº 37.315.7525 foi lavrado para constituir as Contribuições da empresa (fl. 30/31 e 33); as Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.442 16 contribuições do segurado estão consolidadas no DEBCAD nº 37.315.7533, conforme a tabela apresentada pela autoridade lançadora (fl. 58). 2. Da natureza jurídica do contrato de corretagem: Argumenta a Contribuinte, ao longo de seu Recurso, que não há incidência de Contribuições Previdenciárias sobre o contrato de corretagem, uma vez que não se configura prestação de serviço, conforme a Lei e a vasta doutrina. Analisando a questão, a DRJ concluiu que o corretor, contribuinte autônomo, presta sim serviço à Recorrente. Esclareceu que o fato de ser eventual é exatamente o que configura a noção de contribuinte autônomo; de outro lado, o fato de que o pagamento é feito pelo comprador não é suficiente para afastar a relação jurídica com a Contribuinte, mormente porquanto o comprador faz o pagamento em conformidade com as percentagens estabelecidas pela empresa. Ainda chama atenção para o fato de que a empresa informou que, em caso de conduta inadequada por parte do corretor, ele seria excluído da equipe, possibilidade que não se coaduna com a tese de que a pessoa física é contratada pelo comprador. Ainda, "As demais informações da própria empresa, constante da mencionada resposta à fiscalização, também corroboram justamente para demonstrar que os corretores trabalhavam para a autuada, pois atuavam em seu plantão de vendas, utilizando crachás, telefones, formulários e toda a infraestrutura que a Impugnante colocava à disposição, além de que esses corretores eram supervisionados pela empresa. A Impugnante também alega que o corretor não presta serviços a este ou aquele, pois sua atividade possui caráter especial, que é o de aproximar as partes interessadas no negócio imobiliário. Assim, segundo a empresa, não se pode dizer que o corretor preste serviços a esta ou aquela parte pois, se assim fosse, estaria sendo desleal com uma das partes, uma vez que perderia sua isenção em demonstrar as vantagens e desvantagens do negócio. E, dessa forma, como não presta serviços à empresa, não há que se falar em exigir contribuição sobre prestações de serviços. Tal alegação não merece prosperar, pois não há como imaginar que o corretor de imóveis, ao recepcionar um possível comprador que tivesse se dirigido até um dos stands da empresa, recebesse do corretor propostas de outros imóveis que não pertencessem à Impugnante. Logicamente, o corretor está no stand de vendas para trabalhar em favor daquela empresa, sendo por ela supervisionado, e para atingir o resultado econômico pretendido por ela. Assim, ao ficar caracterizada a prestação de serviços à Impugnante, há a subsunção do fato à norma, (...)" fl. 2.249; Pois bem. 2.1. Precedentes: Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.443 17 Esse e.CARF já enfrentou o problema de definir se há ou não prestação de serviços em contrato de corretagem em inúmeras oportunidades, ora aceitando e ora negando a viabilidade dessa incidência. É o que se extrai dos seguintes julgados: A Favor: Acórdão CARF nº 2302003.573, de 20/01/2015: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CORRETORES. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Nesse sentido, ensina Orlando Gomes que se “somente uma das partes haja encarregado o corretor de procurar determinado negócio, incumbelhe a obrigação de remunerálo”. E ainda, “entre nós, quem paga usualmente a comissão é quem procura os serviços do corretor” (GOMES, Orlando. Contratos. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 382). É legítimo que, após a prestação dos serviços no interesse de uma das partes, haja estipulação de cláusula de remuneração, por se tratar de direito patrimonial, disponível. No entanto, tal prerrogativa não significa dizer que não houve ainda a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois o crédito jurídico do corretor decorre de sua prévia prestação de serviços, ainda que a quitação seja perpetrada, posteriormente, por terceiro (adquirente). Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, é preciso verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, devese verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.444 18 Contra: Acórdão CARF nº 2803003.816, de 05/11/2014: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização / julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores / consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil / Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores / consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 723 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. (...) Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Compareceu a sessão de julgamento o Advogado Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/RJ 41.765. Nesse caminho, não é inaudita a existência de discussão nesse Conselho acerca da natureza jurídica do contrato de corretagem nem sobre a possibilidade ou não de ele configurar hipótese de incidência de Contribuições Previdenciárias. 2.2. A Lei: Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.445 19 Acontece que, se é fática a existência de contenda, a qual inclusive é válida do ponto de vista acadêmico, pareceme que, do ponto de vista prático, não merece tamanha divergência. Com a devida vênia em relação àqueles que entendem diferente, a questão encontrase respondida claramente pela Lei nº 10.406/2002, denominada Código Civil, que estabelece: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. A Lei Civil é clara: na corretagem não há prestação de serviço, assim como não há mandato nem relação de dependência. Onde a Lei é expressa, desnecessárias maiores interpretações: não há como afirmar que o contrato de corretagem é hipótese de prestação de serviços. Ora, se o Código Tributário Nacional estabelece em seu art. 110 que a Lei tributária não pode alterar a definição de institutos de direito privado, com ainda mais razão entendo que não pode haver ampliação do raio de incidência de um tributo com base em mera interpretação do aplicador do direito. Efetivamente, se a Lei tributária não poderia afirmar que o contrato de corretagem é prestação de serviço para fins de incidência da Contribuição Previdenciária posto que estaria contradizendo o próprio CTN e o CC/2002 com ainda mais razão compreendo que não pode fazêlo o intérprete. Esse motivo é, por conta própria, suficiente para determinar o cancelamento do auto de infração, vez que imputase a corretagem como hipótese de prestação de serviço, o que a Lei expressamente definiu em contrário. 2.3. Doutrina Ainda assim, apenas a título subsidiário, caso se entendesse que este e.CARF pudesse afastar aplicação da Lei o que é expressamente vedado pelo RICARF , passo ao esclarecimento de ordem doutrináriajurídicalógica. A corretagem é o contrato pelo qual uma pessoa, o corretor, é incumbido por outra, o incumbente, a encontrar um negócio. No contrato de corretagem, o corretor não atua como mandatário, não podendo representar o incumbente nem firmar contrato em nome dele. Tampouco é locador de serviço; o corretor não está obrigado a realizar determinada prestação especifica, não sendo obrigado a comissivamente buscar o negócio, anunciar o imóvel nem a contatar potenciais compradores. Se o corretor nada fizer, simplesmente aguardar que algum comprador o procure por sorte, não estará em mora. Em suma, no contrato de corretagem não se contrata para determinada atividade, determinada prestação, mas sim para que seja alcançado determinado resultado, qual seja, a conclusão de um negócio. No contrato de corretagem, só há adimplemento da obrigação do corretor se for encontrado o negócio. Ainda que o corretor tenha realizado todos os esforços possíveis, ou nenhum, não terá feito a corretagem se não tiver encontrado um negócio. Exatamente por isso é que não se pode falar em prestação de serviços pelo corretor, independente de estar dias a fio à Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.446 20 disposição da incorporadora no stand, mas se pode falar em corretagem quando o corretor, sem ir uma única vez ao prédio, encontra um negócio. A verdade é que, como bem chama atenção SILVIO VENOSA, "A maior dificuldade em fixar a natureza jurídica desse contrato (de corretagem) devese ao fato de que raramente o corretor limitase à simples intermediação. Por isso, para a corretagem acorrem princípios do mandato, da locação de serviços, da comissão e da empreitada, entre outros. Quando um desses negócios desponta como atuante na corretagem, devem seus respectivos princípios de hermenêutica ser trazidos à baila. Para que seja considerada corretagem, a intermediação deve ser a atividade preponderante no contrato e na respectiva conduta contratual das partes." 1 Em outras palavras, é comum confundir o contrato de corretagem com outros negócios ou com as cláusulas acessórias que lhe podem ser acrescentadas. Como esclarecido acima, o contrato de corretagem é o negócio pelo qual o incumbido se obriga a encontrar um negócio. Podem, entretanto, as partes (corretor e incumbente) acordar que ao contrato de corretagem serão acrescentadas outras obrigações. São exemplo: podem acordar que o corretor seja obrigado a anunciar o negócio (imóvel, no caso em tela) em determinado site; seja obrigado a contatar número mínimo de clientes por semana; seja obrigado a ficar em determinado estande de vendas por certo número de horas. Nesses casos, quando são acrescentadas apenas cláusulas ou obrigações acessórias, o contrato de corretagem não se altera nem perde a sua essência. Essa é a lição de PONTES DE MIRANDA, in verbis: "O contrato de corretagem pode ser contrato unilateral (só o que outorga se faz devedor e obrigado), ou bilateral (outorgante e outorgado devem e são obrigados), ou plurilateral. Por êle, o outorgante fica vinculado a pagar ao corretor remuneração (dita comissão; melhor corretagem) pela comunicação de quando e de como pode concluir o contrato, ou de como por outorgar poder de intermediação, aí sem representação, ao corretor. O elemento de serviço ou de obra que entra no contrato de corretagem não lhe tira a característica, se criados o dever e a obrigação de desenvolver atividade e de comunicação, para se poder ter o ensejo de negociação: bilateralizase o contrato, quebrando a unilateralidade, ou ao lado dessa (C. E. RIESENFELD, Der Civilmakler. Gruchots Beiträge, 37, 277 e 847; W. REULING, Provisionsansprüche, 40, 193; E. RIEZLER, Der Werkvertrag, 91; H. SIBER, Der Rechtszwang, 48 s.). Pela bilateralidade, sempre, mesmo se não ocorre dever e obrigação por parte do corretor: C. CROME (Die partiarischen Rechtsgeschäfte, 45; System, II, 709), F. SCHOLLMEYER (Recht der Schuldverhältnisse, 113), PAUL OERTMANN (Das Recht der Schuldverhältnisse, 759 s.) e OTTO VON GIERKE (Deutsches Privatrecht, III, 709). Se o corretor não assume o dever de desenvolver atividade, a fim de poder informar o outorgante, a sua prestação de informar é que determina o direito a receber 1 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 682. Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.447 21 remuneração. Isso não quer dizer que, sendo unilateral o contrato, não fique vinculado, não pode praticar atos contrários aos interêsses do outorgante, tem dever de discrição, não pode, de má fé, com dano para o outorgante, suspender a atividade que voluntàriamente começou, nem pode usar essa atividade para informar a outrem, com dano para o outorgante. Se o corretor assume o dever de desenvolver atividade necessária à obtenção do informe e de informar, ou a prestar o informa que já tem, bilateralizase o contrato de corretagem. A opinião que sustenta desnaturarse, com a bilateralização, o contrato, tornandose, apenas, contrato de serviço, parte de que: a) o contrato ou é de corretagem ou é de serviço; b) não se pode pensar em incidirem as regras jurídicas sôbre corretagem e, subsidiàriamente, as regras jurídicas sôbre contrato de serviços." 2 Em suma, no contrato de corretagem per si, não há locação (prestação) de serviço, mas mera autorização para o corretor procure um negócio, ficando obrigado apenas a anunciar que encontrouo, e obrigação para o incumbente, que fica obrigado a pagar a corretagem em caso de resultado útil. Podem ser acrescentados ao contrato de corretagem, é verdade, outras obrigações, inclusive a de prestar determinados serviços (como a propaganda, a panfletagem etc.), os quais, entretanto, não são presumidos porquanto não fazem parte do negócio. Esclarecidas essas questões, voltando ao caso concreto, constatase que a autoridade lançadora afirmou que houve prestação de corretagem. Não imputou a ocorrência de outras obrigações por parte das pessoas físicas, mas apenas que elas teriam participado nos negócios de intermediação dos imóveis. Nessa linha, uma vez que o contrato de corretagem em si mesmo não configura prestação de serviço, não enquadrase na hipótese do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, utilizada como fundamento do lançamento. Portanto, entendo ser necessário dar provimento ao recurso nesse ponto. 4. Da ilegitimidade passiva, da ilegalidade da imputação de responsabilidade solidária e da ausência de provas nos autos: Argumenta a Contribuinte, ainda, que: 1. É ilegal a imputação de responsabilidade solidária à recorrente, vez que a autoridade lançadora jamais verificou que as contribuições previdenciárias foram lançadas e recolhidas pelas terceiras empresas (imobiliárias). Em suma, que só poderia ter sido autuada se houvesse prova de que as terceiras empresas não recolheram os tributos devidos; 2. Não é parte legítima para figurar no polo passivo da autuação, vez que quem contratou os corretores foram os compradores, e subsidiariamente as imobiliárias (corretoras pessoas jurídicas), e não ela; e 2 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 427. Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.448 22 3. O lançamento não pode subsistir (I) por ausência de provas da ocorrência do fato gerador, (II) que o lançamento foi realizado por meio de presunção, (III) que a base de cálculos foi identificada apenas em função de provas meramente testemunhais, (IV) que não há comprovação de que sequer houve análise pro amostragem, que os corretores trabalhavam no stand da construtora ou mesmo que houve efetivo pagamento de corretagem, e (V), em relação à última, que a autoridade lançadora negou a possibilidade de a venda ter sido realizada diretamente pela empresa, sem a participação de corretores. Em relação ao item (1), a Contribuinte apresenta diversas provas de que contratou pessoa jurídica para atuar como intermediária nos negócios de venda dos imóveis. Argumenta que, se houve prestação de serviço pelo autônomo, então o serviço foi prestado a essa imobiliária, vez que a Contribuinte contratou essas pessoas jurídicas exatamente para isso. Para tanto, traz como provas contratos firmados entre si e as corretoras pessoas jurídicas (fls. 1.478/1.550, 1.647/1.668, 1.870/1.876), bem como notas fiscais emitidas pelas imobiliárias referentes à intermediação efetuada entre a Recorrente e os compradores dos imóveis (fls. 1.772/1.795) e ainda propostas de compra de imóveis firmadas por proponentes compradores em que figuram como intermediários pessoas jurídicas (fl. 1.890/1.891, 1.894, 1.907/1.908 etc.). Destes contratos, é relevante apontar que cabe sempre à contratada (imobiliária) a responsabilidade de organizar, supervisionar e manter pessoal no stand de vendas. À contratante, vendedora, por sua vez, cabia o pagamento da comissões pagamento esse feito à imobiliária. Registrase, ainda, que dos anexos ao Relatório Fiscal é possível extrair que parte relevante dos valores que compõem a base de cálculo se referem a comissões de corretagem pagas a pessoas jurídicas (fls. 505/521). Tendo em vista, entretanto, o meu posicionamento no sentido de que o contrato de corretagem não configura fato gerador da contribuição previdenciária, despiciendo é discutir se há ou não provas nos autos acerca da ocorrência do contrato de corretagem, do pagamento das corretagens, da possibilidade ou não de a empresa ter vendido suas unidades diretamente ao comprador, sem a participação de corretores, de quem se configuraria Contribuinte, se os corretores estavam vinculados a empresas imobiliárias (corretoras pessoas jurídicas) etc. quando inexiste fato gerador. Nesse caminho, deixo de analisar essas matérias. 4. Da taxa Selic: Mesmo dando provimento ao recurso no tocante à não configuração de prestação de serviço pela mera observação de contrato de corretagem, conforme os argumentos acima, é necessário dar continuidade ao julgamentos das obrigações acessórias porquanto o lançamento envolveu, também, o "Levantamento PF", referente aos lançamentos na conta 123 prestação de serviços PF. Argumenta a Recorrente contra a aplicação da taxa Selic como índice de juros. Tratase de questão consolidada no âmbito deste e.CARF, Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.449 23 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Tendo em vista o quanto estabelece o art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF, é obrigatória a aplicação desse entendimento, razão pela qual não é possível dar provimento ao recurso da Contribuinte neste ponto. 5. Da indicação dos CoResponsáveis: Insurgese a Contribuinte contra a inclusão do Relatório de Vínculos no DEBCAD, argumentando que não restou comprovada ou mesmo imputada qualquer atuação dolosa por parte dos seus diretores que justificasse a inclusão deles como responsáveis solidários, como exige a legislação. Por sua vez, a DRJ esclareceu que: " Ocorre que a inclusão das pessoas listadas no "Relatório de Vínculos" não implica responsabilidade solidária automática do débito em questão, sendo responsabilidade precípua da pessoa jurídica indicada no Auto de Infração. Como consta no próprio Relatório, são listadas todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração, em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente. (...) Assim, não tendo o lançamento sido efetuado em nome das pessoas listadas no Relatório de Vínculos, uma vez que os dados têm finalidade apenas informativa, não há que se falar em exclusão ou afastamento, tampouco, em nulidade do lançamento." (fl. 2.247); Novamente, não assiste razão á insurgência da Contribuinte. A elaboração do Relatório de Vínculos no lançamento das contribuições previdenciárias não significa que o lançamento é formalizado contra as pessoas ali relacionadas. Nesse sentido o CARF já consolidou o seu entendimento: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Não é possível, portanto, dar provimento ao pleito da Contribuinte nesse ponto. 6. Da multa confiscatória: Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.450 24 Ainda em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte suscita a inconstitucionalidade da aplicação da multa de 75%, ao argumento de que é atentatória contra o princípio do nãoconfisco, constitucionalmente protegido. Acontece que a este e.CARF é vedado deixar de aplicar Lei com base em argumento de inconstitucionalidade, nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, e ainda da Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por essa razão, não é possível afastar a multa de ofício. 7. Dos juros sobre a multa: Subsidiariamente, a Recorrente ainda reclama pela impossibilidade de aplicar juros sobre a multa de ofício. Não assiste razão ao pleito do Recorrente. Em que pese a argumentação levantada pela Contribuinte, o CARF já tem posição consolidada no sentido de que deve incidir juros de mora sobre a multa de ofício. Esse entendimento é extraído das súmulas do CARF: Súmula CARF nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 05: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Muitos dos acórdãos que embasaram tais súmulas tratam de “crédito tributário”, sem distinguir se se referem exclusivamente àqueles decorrentes de tributos ou a todos os crédito. Citamos: “JUROS DE MORA — TAXA SELIC — O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente.” (Acórdão nº. 10412.935) Interessante, sobretudo, é o acórdão nº 30130.738, em cujo voto se afirmou que: “São várias as jurisprudências no sentido de que somente o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, o que no caso em questão não ocorreu. Portanto, não estando o sujeito passivo acobertado pelo depósito integral do crédito tributário, tornase cabível a Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.451 25 exigência formalizada na notificação de lançamento de fls. 01/05, no que concerne aos juros de mora.” Ora, somente o depósito do valor integral do crédito tributário é suficiente para suspenderlhe a exigibilidade e consequentemente a aplicação dos juros. Neste “crédito integral” a ser depositado, necessariamente está incluso o valor da multa. De outro lado, analisando o Código Tributário Nacional, saltam aos olhos o art. 139 que, combinado ao art. 113 do mesmo diploma, sustentam a nossa posição: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (grifei) (...) Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também de eventuais penalidades pecuniárias. Consequentemente, o entendimento sumulado, compreendendo o crédito tributário lançado indistintamente, abarca tanto os tributos quanto as multas aplicadas. Há outros julgados que corroboram o entendimento acima expresso. Notese, por exemplo, as ementas dos seguintes acórdãos da Câmara Superior: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.192, de 17/10/2011) No mesmo sentido já se pronunciou também o STJ: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Acórdão REsp 1.129.990/PR – Relator: Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, concluo que está correta a incidência de juros sobre a multa de ofício, não sendo possível dar provimento ao recurso do contribuinte nesse quesito. Dispositivo: Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.452 26 Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar as preliminares e no mérito dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os lançamentos PC e AC, referente às corretagens. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Conselheiro Waltir de Carvalho, Redator Designado. Peço vênia ao Ilustre Relator, Dilson Jatahy Fonseca Neto, para dele divergir quanto ao provimento parcial dado ao recurso para excluir da base de cálculo os lançamentos PC e AC, referentes às corretagens, pelas razões que passo a expor. Inicialmente, devese registrar que não procede a alegação da Recorrente de que o lançamento foi feito apenas com base em indícios e depoimentos e, por consequência, com insuficiência de provas da ocorrência do fato gerador, situação alegada esta que, ao ver do Recorrente, levou a DRJ a exonerar o crédito tributário do processo nº 10166.723119/201003. No referido processo, de nº 10166.723119/201003, relativo à contribuição de terceiros, consta apenas o lançamento da remuneração de Gerente de Vendas da empresa, que a DRJ julgou improcedente. Não procede que, para os demais lançamentos, a Auditoria Fiscal tenha se baseado meramente em indícios, uma vez que há provas documentais anexadas aos autos, tais como propostas de compra e venda, termos de contratos com imobiliárias, dentre outras. Frisese que, no mencionado processo, o depoimento do Gerente de Vendas, afirmando que recebia comissão de 0,13% sobre o valor das vendas, não foi acatado pela DRJ porque a Fiscalização não trouxe ao processo outros elementos que convalidassem essa declaração. Por outro lado, no presente caso, outras informações decorrentes dessa entrevista, com relação à forma como se dava a negociação dos imóveis, foram corroboradas com outras provas carreadas aos autos. No caso em tela, a Autoridade Fiscal Autuante logrou demonstrar que a relação entre os corretores e a Recorrente caracterizou, de fato, uma prestação de serviços e que a prática de imputar os pagamentos das comissões aos compradores dos imóveis foi lesiva ao Erário. Confirase, abaixo, trechos do Relatório Fiscal: "43. De acordo com a Lei nº 6.530, de 1978, e respectivo regulamento (Decreto nº 81.871, de 1978) o atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição; e, ainda, somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.453 27 física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. Nesse contexto, a empresa em questão, vem atuando na comercialização de imóveis à revelia da legislação vigente, pois conforme se observa nas declarações prestadas à auditoria fiscal, o "engajamento do corretor com a empresa é verbal, ou seja, não há contrato de prestação de serviço firmado entre as partes". (...) 45. Portanto, querer sustentar o argumento de que "não há qualquer vínculo entre o corretor e a empresa e que este trabalha para o cliente", além de caracterizar uma afirmação não condizente com o contexto organizacional da empresa, é totalmente incoerente com a realidade administrativa apurada pela auditoria fiscal. Se o corretor trabalha para o cliente, conforme alega a empresa, como sustentar tal afirmativa diante de declarações da própria empresa, de que os seus empreendimentos imobiliários são comercializados por corretores autônomos com registro no CRECI; os corretores são credenciados pela empresa para comercialização de seus produtos; a comissão do corretor corresponde a um percentual determinado pela empresa e aceito pelo corretor; a empresa repassa aos corretores as informações necessárias do empreendimento com o objetivo de estabelecer forma de atendimento aos clientes de acordo com os padrões de qualidade vigentes na empresa; a empresa organiza, normatiza e supervisiona o regime de plantão de vendas, e todas as atividades são coordenadas e supervisionadas por um gerente de vendas, empregado da empresa. (...) 47. Outra impropriedade sustentada pela empresa diz respeito à remuneração do corretor (comissão de corretagem), transferindo a responsabilidade do pagamento para o comprador do imóvel. Conforme apurado pela auditoria fiscal, a comissão do corretor corresponde a um percentual 'negociado entre a empresa e o corretor" e a sua definição depende do tipo, dimensão, abrangência e velocidade de vendas que se pretende dar ao empreendimento e, sobretudo, das condições vigentes no mercado imobiliário. 48. O percentual de comissão que se aplica aos empreendimentos imobiliários da empresa, via de regra, é de 1,5% (um vírgula cinco por cento) sobre o preço de venda da unidade. Portanto, se o corretor trabalha para o cliente e este é quem paga a sua remuneração, sem qualquer ingerência da empresa, por que então a negociação do valor é feita com a empresa e não com o cliente? 49. Segundo a prática adotada pela empresa, por imposição desta, a comissão de corretagem é paga pelo adquirente do imóvel diretamente ao corretor responsável pela venda. Porém, o valor correspondente é subtraído do valor de venda do imóvel, Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.454 28 ou seja, no processo de negociação entre o corretor e o cliente, é apresentado o valor de venda do imóvel; desse valor é exigida determinada importância a título de sinal em garantia do negócio; é estabelecido o plano de pagamento, caso a opção do interessado seja para pagamento parcelado; e, por fim, o cliente efetua o pagamento do sinal e da comissão por meio de cheques específicos e mediante recibos emitidos pelo corretor. É importante observar que o valor do sinal, mais o do parcelamento estabelecido e da comissão de corretagem, o somatório é igual ao Valor Geral de Venda (VGV) definido pela empresa. 50. Para sustentação da tese de que a comissão de corretagem é custo do comprador, a empresa formaliza o contrato de promessa de compra e venda pelo valor líquido da operação, ou seja, exclui impropriamente do VGV o valor da comissão de corretagem, impondo ao comprador o pagamento desse valor diretamente ao corretor responsável pela venda. O contrato de promessa de compra e venda também é firmado com o valor líquido da operação, cujo documento é registrado na contabilidade da empresa; e o valor da comissão não é contabilizado como custo operacional de vendas, fechando, assim, o entendimento da prática lesiva adotada pela empresa para se eximir do pagamento dos tributos devidos. 51. Em síntese, a empresa define o valor de vendas do imóvel (VGV) e negocia com o corretor o percentual da comissão de corretagem; o corretor, por sua vez, no ato da negociação com o cliente repassa o valor total do imóvel e as condições de pagamento/financiamento oferecidas pela empresa, preenchendo a Proposta de Compra e Venda e Recibo de Sinal, caso o cliente manifeste interesse na aquisição; o corretor orienta o cliente para emissão de cheques distintos, sendo um para pagamento do sinal em garantia do negócio e o outro para pagamento da comissão de corretagem; aprovada a proposta, a venda é efetivada com a assinatura do contrato de promessa de compra e venda. 52. Do ponto de vista do comprador, esta prática não traz para este nenhum custo adicional, pois o valor que está pagando pelo imóvel é o valor de venda estabelecido pela empresa no ato da negociação e nada mais. A diferença constante do contrato de promessa de compra e venda corresponde ao valor da comissão de corretagem paga diretamente ao corretor, a qual, segundo procedimento adotado pela empresa, não compõe o valor do contrato. E sobre esta diferença não vai incidir o imposto estadual de transmissão de bens imóveis (ITBI), considerando que, em geral, o valor registrado na escritura é o mesmo constante do contrato, e este constitui a base de cálculo do referido tributo. (...)" Quanto à natureza jurídica do contrato de corretagem, da forma como regulado no Código Civil (art. 722 e seguintes, Lei nº 10.406/2002), podese afirmar que se trata de um contrato limitado tãosomente às atividades de corretagem propriamente dita, obrigandose o corretor contratado a oferecer a terceiros o negócio objeto do contrato, por sua Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.455 29 conta e risco, como bem lhe aprouver, não se vinculando nem se subordinando ao cliente contratante, não se sujeitando a utilizar crachás fornecidos pelo contratante, não participando de escalas de horários de permanência em stands comerciais coordenados e supervisionados pelo contratante, não se apresentando como representante de vendas do contratante, etc. No caso da corretagem de imóveis, o corretor contratado porta uma carteira de imóveis, que podem ser ou não de propriedade do cliente contratante, com o fito de oferecer os imóveis a terceiros para, em geral, fins de venda e ou locação. Para o exercício de seu mister, o corretor pode até mesmo associarse a uma ou mais imobiliárias, nos termos do parágrafo 2º, do art. 6º, da Lei nº 6.530/78, sendo que tal contrato deve ser registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou órgão equivalente, mantendo, assim, a sua total autonomia profissional, sem qualquer vínculo com o contratante. Este é o contrato de corretagem em sua essência, tal como disciplinado pelo Código Civil, o qual, para os fins da análise do caso, deve ser conjugado com a lei específica regulamentadora da profissão de Corretor de Imóveis (Lei nº 6.530/78). No caso em tela, a Auditoria Fiscal acostou aos autos documentos que comprovam a relação de prestação de serviços mantida entre os corretores e a Recorrente, tais como, por exemplo, as informações sobre a comercialização de imóveis vinculados aos empreendimentos, prestadas pelo diretor Sr. Tarcísio Leite, conforme se vê às fls. 147/149. Desfigurouse, assim, o contrato de corretagem da forma como alegado pela Recorrente, restando, por outro lado, caracterizado que os corretores prestavam serviços à Recorrente. Constam ainda dos autos: contratos com imobiliárias (fls. 152/173), entre eles o contrato firmado entre a Recorrente e a Imobiliária Itaplan (São Paulo/SP), cujas cláusulas demonstram que, até em relação aos contratos formais com as imobiliárias contratadas, a Recorrente mantinha um controle e supervisão efetiva dos serviços prestados por elas, o que se assemelha à forma de coordenação que a Recorrente mantinha com os corretores que diretamente lhe prestavam serviços. Do referido contrato, extraise os seguintes trechos: "CLAUSULA SEGUNDA: Pelos serviços a serem prestados e ainda para fazer jus às despesas com corretores e respectivos encargos sociais e outros de natureza diversa, a ITAPLAN receberá a comissão de 3,2% (três vírgula dois por cento) sobre o valor de cada venda, sendo: a) 0,9% (zero vírgula nove por cento) pagos diretamente pelo comprador, através de uma (01) única parcela na assinatura do CONTRATO DE COMPRA E VENDA. b) 1,1% (um vírgula um por cento), pagos pela CONTRATANTE a ITAPLAN, 10 (dez) dias posteriores à formalização da venda, mediante apresentação da Nota Fiscal correspondente; c) 0,4% (zero vírgula quatro por cento), em 01 (uma) única parcela, com vencimento em 120 (cento e vinte) dias após a assinatura do CONTRATO DE COMPRA E VENDA a ser pago pela CONTRATANTE, mediante apresentação pela ITAPLAN da Nota Fiscal correspondente; d) 0.4% (zero vírgula quatro por cento), em 01 (uma) única parcela, com vencimento em 360 (trezentos e sessenta) dias após a assinatura do CONTRATO DE COMPRA E VENDA a ser pago Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.456 30 pela CONTRATANTE, mediante apresentação pela ITAPLAN da Nota Fiscal correspondente; e e) 0,4% (zero vírgula quatro por cento), em 01 (uma) única parcela, com vencimento em até 480 (quatrocentos e oitenta dias) após a assinatura do CONTRATO DE COMPRA E VENDA a ser pago peia CONTRATANTE, mediante apresentação pela ITAPLAN da Nota Fiscal correspondente. (...) Parágrafo Segundo: Fica desde já certo e ajustado que a remuneração da CONTRATADA seus prepostos sejam eles corretores, gerentes de vendas ou outros participantes somente poderão ser cobradas após a aceitação da venda pela CONTRATADA, representada pela aceitação do contrato com a aposição da assinatura no contrato de venda pela CONTRATANTE e o pagamento integral do sinal pelo cliente. (...) CONSTITUEM OBRIGAÇÕES DA ITAPLAN: (...) h) fornecer orientações referentemente ao empreendimento aos corretores autônomos de imóveis e demais pessoas envolvidas com o empreendimento, todas as diretrizes a serem seguidas, em observância às normas ditadas pela Instituição Financeira; i) receber dos compradores, os valores pertinentes à entrada e principio de pagamento, prestando as contas à CONTRATANTE; j) apresentar relatórios semanais de vendas; k) efetuar o pagamento dos corretores autônomos de imóveis mediante a emissão do competente RPA, não havendo, pois nenhuma relação entre estes e a CONTRATANTE. A ITAPLAN responsabilizase a efetuar todos os recolhimentos fiscais e previdenciários necessários, desobrigando a CONTRATANTE de qualquer responsabilidade neste sentido. (Grifamos) A Recorrente afirma que os corretores tinham vínculos com as imobiliárias contratadas, mas não apresenta comprovação desses alegados vínculos, ou qualquer relação de pagamentos efetuados a essas imobiliárias, decorrentes dos imóveis relacionados pela Fiscalização. Ou seja, não há documentos que comprovem que as vendas das unidades foram efetuadas pelas apontadas imobiliárias, constando, por outro lado, nos contratos, que estas receberiam comissão pelas vendas para fazer jus às despesas com os corretores e que 0,9% do valor das vendas seriam pagos diretamente pelos compradores, mas, pelo que se vê dos autos, os pagamentos não foram feitos às imobiliárias, e, sim, diretamente aos corretores. É importante registrar que o lançamento é composto das vendas das unidades efetuadas diretamente pelos corretores de imóveis, sem intermediação de imobiliárias. Isso pode ser visto na relação de imóveis vendidos apresentada pela empresa às fls. 506/521, onde Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.457 31 constam os nomes dos corretores ou das imobiliárias que efetuaram as vendas. Comparando essa relação com a constante às fls. 527/543, verificase que a Auditoria lançou os valores relativos às vendas intermediadas por corretores que prestaram serviço à Recorrente, e não as vendas intermediadas por imobiliárias. Ou seja, o AuditorFiscal Autuante excluiu do lançamento todos os valores decorrentes de vendas possivelmente intermediadas por imobiliárias pessoas jurídicas. Quanto à argumentação da Recorrente de que foram incluídos indevidamente na autuação os valores designados como "Venda Direta Via" ("Lançamento AC"), sendo possível que a empresa tenha vendido diretamente imóveis sem a participação de corretores, devese anotar que a Recorrente não traz a este Colegiado quaisquer provas de suas alegações. Por outro lado, a Fiscalização, em seu Relatório Fiscal, faz uma descrição detalhada do procedimento que conduziu à lavratura do Auto de Infração ("Lançamento AC"), descrição esta acompanhada das provas documentais correspondentes. Confirase trechos do Relatório Fiscal: "VII.B — AFERIÇÃO DE COMISSÃO DE CORRETAGEM — VENDA DIRETA VIA 65. 0 fato gerador "pagamento de comissão de corretagem — venda direta Via" —corresponde às unidades imobiliárias cujo autor da venda foi informado pela empresa como sendo "venda direta" realizada pela administração, no período de apuração, abrangendo o estabelecimento matriz e as filiais São Paulo e Rio de Janeiro. 66. Em 13/07/2010, por meio de TIF, o contribuinte foi intimado a apresentar, entre outros documentos, relação, por estabelecimento, de todas as unidades vendidas pela empresa no período de apuração, abrangendo todos os estabelecimentos matriz e filiais, fazendo constar o número e a data da proposta de compra e venda; o nome do empreendimento, o número da unidade, a localidade e o preço de venda da unidade comercializada; o nome, CPF/CNPJ do comprador; o nome e número do registro no CRECI do corretor responsável pela venda; e o valor da comissão paga ao corretor (Anexo 01, Doc. 04). 67. Na data estipulada no referido TIF, o contribuinte atendeu à intimação, apresentando em meio papel como também em arquivo digital a relação contendo as informações solicitadas pela auditoria fiscal. 68. Do exame das informações constantes da referida planilha, a auditoria fiscal verificou nos três estabelecimentos da empresa que diversas unidades foram identificadas na planilha como "venda direta — via". Segundo os gestores da área de vendas, nesses casos não há a intermediação de um corretor autônomo responsável pela venda, geralmente o cliente procura negociar o imóvel de seu interesse diretamente na empresa. 69. Intimada a informar o número do registro no Conselho Regional de Corretores de Imóveis relativo ao administrador Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.458 32 responsável pela gestão da empresa, objetivando verificar a regularidade da empresa quanto às exigências do § Único do Art. 6° da Lei n° 6.530, de 1978, a empresa informou que a Via Empreendimentos Imobiliários S/A está registrada no CRECI, conforme Certificado de Inscrição n° 7877, cujo responsável pela comercialização imobiliária no âmbito da empresa é o senhor Ney Robsthon Otaviano, CRECI n° 4534 (Anexo 01, Doc. 07). 70. Diante dessa informação, a auditoria fiscal, por meio dos TIF de 26/08/2010 e de 14/10/2010, no caso do estabelecimento matriz (Anexo 01, Doc. 05); e do TIF de 31/08/2010, no caso das filiais São Paulo e Rio de Janeiro (Anexo 01, Doc. 06), requisitou, por amostragem, as pastas contendo a documentação de várias unidades imobiliárias, cujas vendas foram efetivadas pela "administração", objetivando apurar o corretor responsável pela venda dessas unidades mediante a comparação entre a informação acima prestada pela empresa e a registrada nos documentos requisitados. 71. Do confronto dessas informações, a auditoria fiscal constatou que as unidades relacionadas no Demonstrativo 2 registram, nos documentos apresentados, como responsáveis pelas vendas, corretores autônomos cujos nomes não correspondem com aquele credenciado pela empresa, o que se conclui que a informação prestada anteriormente não condiz com a realidade dos fatos, pois a planilha entregue à fiscalização registra que tais unidades foram comercializadas pela administração (venda direta via), quando, de fato, houve a intermediação de corretores autônomos. 72. 0 documento do qual foram extraídas as informações constantes do Demonstrativo 2 tratase da "Proposta de Compra e Venda e Recibo de Sinal", cuja proposta é o documento que inicia o processo de venda no âmbito da empresa, emitido em duas vias, sendo que uma via fica em poder do proponente e a outra é encaminhada à aprovação da empresa. Este documento contém, entre outras informações, a logomarca da empresa, a identificação completa do imóvel objeto da proposta e do proponente interessado na aquisição do imóvel; o valor total da unidade, as condições de pagamento, o índice de reajustamento das parcelas e o recibo do sinal negociado. 0 documento é subscrito pelo interessado e pelo corretor autônomo responsável pela venda, com a identificação do seu registro no CRECI. 73. As situações identificadas pela auditoria fiscal estão apresentadas no Demonstrativo 2, cujos documentos comprobatórios encontramse anexos ao presente Relatório (Anexo 04, Doc. 05 a 08). (...) 74. Cabe observar que a maioria das pastas das unidades imobiliárias apresentadas pela empresa relativas ao estabelecimento matriz não continha a Proposta de Compra e Venda e Recibo de Sinal, a qual é imprescindível para se Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.459 33 identificar o verdadeiro autor da venda. Quanto às filiais São Paulo e Rio de Janeiro, estas se limitaram a apresentar o contrato de promessa de compra e venda, a escritura pública e outros documentos. A filial São Paulo apresentou, também, para cada unidade requisitada, uma declaração informando que a venda correspondente foi realizada diretamente pela administração, porém não informou o nome do corretor responsável pela venda, conforme determina a legislação anteriormente citada. 75. Portanto, diante da incoerência das informações prestadas pelo contribuinte e do atendimento parcial quanto à apresentação da documentação referente às unidades imobiliárias requeridas, e com base na previsão legal do Art. 33, § 3 ° da Lei 8.212, de 1991, a auditoria fiscal apurou o crédito previdenciário que reputou devido, arbitrando como base de cálculo do tributo, o resultado da aplicação do percentual médio de comissão de corretagem praticada no período de apuração sobre o valor de venda do imóvel informado/contabilizado pela empresa (venda direta Via) e efetuou o lançamento de oficio com fulcro no art. 149, inciso V, do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 25/10/1966). 76. Vale observar que o percentual médio de comissão de corretagem acima referido foi apurado pela auditoria fiscal, considerando o total de comissão auferido pelos corretores autônomos no período fiscalizado (R$ 832.158,00) dividido pelo valor global de vendas do mesmo período (R$ 42.709.665,17), resultando no percentual médio de 1,95% (um virgula noventa e cinco por cento), conforme pode ser observado na Planilha LEV PC PAGAMENTO DE COMISSÃO DE CORRETAGEM (Anexo 05, Plan 01). 77. A Planilha — LEV AC —AFERIÇÃO DE COMISSÃO DE CORRETAGEM —VENDA DIRETA VIA (ADMINISTRAÇÃO), anexa a este Relatório, apresenta o detalhamento das unidades imobiliárias inseridas no lançamento, inclusive o valor da comissão apurado pela auditoria fiscal (Anexo 05, Plan. 02)." Em relação ao arbitramento da base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, devese ressaltar que a legislação vigente determina o uso da aferição indireta quando a documentação apresentada pelo contribuinte não demonstre a realidade. Os contribuintes têm a obrigação de colaborar com a Fiscalização, devendo apresentar todos os documentos que possuem sob pena de sofrer as consequências prevista na lei. No entender deste Conselheiro, diante do relato fiscal, convalidado pelas provas produzidas pela Fiscalização e não contraditadas pela Recorrente, está correta a decisão da Primeira Instância Julgadora em manter o crédito tributário correspondente aos valores designados como "Venda Direta Via", inclusive quanto ao critério para arbitramento da base de cálculo do tributo, não havendo ressalvas a serem feitas. Ademais, devese aqui anotar que, na Sessão de Julgamento realizada por esta Turma em 03/10/2017, foi julgado o processo nº 10166.730933/201408, que tinha como parte a ora Recorrente, sendo que os fatos geradores apresentados naquele processo pela Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.460 34 Fiscalização em nada se diferenciam dos agora sob análise. Na ocasião, por ter acompanhado o Voto Vencedor do Acórdão nº 2202004.307, de lavra do i. Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, este Conselheiro pede vênia para transcrever partes do apontado voto, os quais são aqui adotados, também, como razões de decidir: Acórdão nº 2202004.307: "Embora a Contribuinte insista nas alegações de que os corretores foram contratados diretamente, de forma autônoma, pelos adquirentes das unidades imobiliárias, prestando serviço e sendo remunerados por estes, a análise das provas dos autos leva à conclusão de que, na realidade, os corretores prestavam serviços à empresa fiscalizada. Ademais, eventual pagamento realizado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de afastar a natureza da operação realizada, qual seja, o corretor prestou à empresa imobiliária o serviço de intermediação de negócios junto a terceiros. Em se comprovando a ocorrência da prestação de serviço deste para com a imobiliária, é esta quem deve responder pelas correspondentes obrigações tributárias (...). O i. Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa também fez referência aos seguintes acórdãos do CARF: nº 9202005.455, de 24/05/2017; nº 2302003.573, de 20/01/201; e nº 2402003.188, de 20/11/2012, que exararam o mesmo posicionamento ora adotado: Acórdão nº 9202005.455: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/200 PAF PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL PRESSUPOSTOS CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial quando, ao tempo da interposição do apelo, o julgado indicado à guisa de paradigma já se encontrava reformado, tornandose inservível para tal fim. SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS. CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. COMPROVAÇÃO DE VÍNCULO. RESPONSABILIDADE. O pagamento de comissão efetuado diretamente pelo cliente ao corretor de imóveis não tem o condão de descaracterizar a prestação, à imobiliária, de serviços de intermediação junto a terceiros. Comprovada a ocorrência da prestação de serviços, é da imobiliária a responsabilidade peio cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias (Acórdão n° 9202005.455, Rel. Maria Helena Cotta Cardoso, data da sessão: 24/05/2017). Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.461 35 Acórdão nº 2302003.573: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CORRETORES No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Nesse sentido, ensina Orlando Gomes que se "somente uma das partes haja encarregado o corretor de procurar determinado negócio, incumbelhe a obrigação de remunerálo. E ainda, entre nós, quem paga usualmente a comissão é quem procura os serviços do corretor" (GOMES, Orlando. Contratos. 20"ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 382). E legítimo que, após a prestação dos serviços no interesse de uma das partes, haja estipulação de cláusula de remuneração, por se tratar de direito patrimonial, disponível. No entanto, tal prerrogativa não significa dizer que não houve ainda a ocorrência do jato gerador das contribuições previdenciárias, pois o crédito jurídico do corretor decorre de sua prévia prestação de serviços, ainda que a quitação seja perpetrada, posteriormente, por terceiro (adquirente). Para fins de incidência das contribuições pr evidenciarias, em cada caso, é preciso verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. Tendo a multa de oficio natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitandose aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTNe 61 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Negado (Acórdão nº 2302003.573, Rei. André Luís Mársico Lombardi, data da sessão: 20/01/2015). Acórdão nº 2402003.188: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.462 36 RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONTRIBUIÇÃO A CARGO DO BENEFICIÁRIO DO SERVIÇO PRESTADO A contribuição incidente sobre os valores recebidos por contribuintes individuais fica a cargo do tomador destes serviços AFERIÇÃO INDIRETA PRERROGATIVA LEGAL DA A UDITORIA FISCAL INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de oficio a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário [...] (Acórdão nº 2402003.188, Rel. Ana Maria Bandeira, data da sessão: 20/11/2012). Ressaltase que o lançamento em tela não engloba as intermediações imobiliárias realizadas por pessoas jurídicas, portanto, não há razão para verificação se houve recolhimento de tributos pelas empresas imobiliárias. Conclusão: Destarte, pelos fundamentos acima expostos, voto por rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário no que se refere à exclusão da base de cálculo dos lançamentos PC e AC, referentes às corretagens. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Redator Designado Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 10166.723117/201014 Acórdão n.º 2202004.436 S2C2T2 Fl. 2.463 37 Fl. 2464DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720956/2011-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006
MASSA FALIDA - MULTA - ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON - CABIMENTO.
É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON referente à Massa Falida.
Numero da decisão: 3201-003.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 MASSA FALIDA - MULTA - ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON - CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON referente à Massa Falida.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.720956/2011-40
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879215
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.988
nome_arquivo_s : Decisao_16327720956201140.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 16327720956201140_5879215.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7362306
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588197945344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 39 1 38 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720956/201140 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.988 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria DACON MULTA POR ATRASO NA ENTREGA Recorrente MASSA FALIDA DO BANCO SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 MASSA FALIDA MULTA ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON referente à Massa Falida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 56 /2 01 1- 40 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 16327.720956/201140 Acórdão n.º 3201003.988 S3C2T1 Fl. 40 2 Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "1. Trata o presente processo de Auto de Infração referente à multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON, referente ao mês de fevereiro/2006, consubstanciado no documento de fls. 14, no qual se constituiu o Crédito Tributário de R$ 4.746,95 e cuja descrição dos fatos, seguida da respectiva fundamentação legal, abaixo se transcreve: "A entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais –DACON fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) sobre o montante da COFINS, ou na sua falta, da Contribuição para o PIS/Pasep informado no DACON, por mêscalendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 500,00. No caso de demonstrativo semestral, a Base de Cálculo da multa corresponde à soma da COFINS, ou da Contribuição para o PIS/Pasep de todos os meses do semestre. A multa cabível foi reduzida em cinqüenta por cento em virtude da entrega espontânea do demonstrativo, exceto no caso de a multa lançada ter sido a multa mínima. Fundamentação Legal: Art. 7º da Lei nº 10.426 de 24 de abril de 2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004." 2. Conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 15, o contribuinte tomou ciência da autuação no dia 14/07/2011. 3. Irresignado, o autuado apresentou, em 12/08/2011, a impugnação de fls. 02 a 07 contendo, em suma, o seguinte: 3.1 Afirma que decretação da falência de uma empresa, antes de tudo, afasta o falido da posse de seus bens, passandoos para uma administração forçada destinada a liquidálos em favor dos credores. Outro efeito é a interrupção provocada pela decretação da falência sobre a atividade econômica exercida pelo falido que só poderá ser efetuada em casos excepcionais, devendo as operações serem lançadas em livros especiais. 3.2 Alega que a massa falida não é uma pessoa jurídica, principalmente por não resultar da vontade de qualquer pessoa. É a lei, por meio do seu poder de expropriação dos bens do devedor, que, para atingir efeitos práticos mantém todos os credores reunidos em uma massa subjetiva, sem, contudo, Fl. 40DF CARF MF Processo nº 16327.720956/201140 Acórdão n.º 3201003.988 S3C2T1 Fl. 41 3 personalizála. Pelos mesmos motivos, isto é, não ser pessoa jurídica e nem praticar qualquer atividade econômica é que a Massa Falida não pode, a princípio, ser sujeito passivo de obrigações tributárias. 3.3 E continua: “Resumindo que as atividades próprias da Administração da Massa Falida são: (i) a arrecadação e realização dos ativos e, (ii) pagamento aos credores, resulta que estes atos e as demais moções próprias do processo falimentar, nenhuma disponibilidade patrimonial produz porque é a liquidação dos bens do devedor uma manifestação do Poder Público, designadamente uma execução coletiva. Não há absolutamente nada em um processo falimentar que possa gerar resultados próprios de uma atividade empresarial. Igualmente, quando se cuida de avaliar se uma Massa Falida pode gerar receita, vêse quão inconsistente é a exigência de apresentação de dados voltados à apuração de lucro e de base para uma contribuição social. São manifestas e inquestionáveis as razões que conduzem à conclusão em relação a Massa Falida da inexistência do dever de apresentação de apuração de receitas. Diferentemente das empresas em atividade a Massa Falida não vende bens e não presta serviços, ou seja, não aufere resultados operacionais e nem tampouco, resultados não operacionais, já que, fundamentalmente, o movimento mais exaurível é do próprio Estado quando adota medida de execução dos bens do devedor. Extraordinariamente pode concluir a administração da Massa Falida uma operação transacional, isto é, uma negociação que não esteja compreendida na arrecadação, rateio na expropriação de bens. Apenas nestes casos anormais é que seria válido o argumento previsto na lei de tributar as entidades submetidas a falência, ou seja, nestas circunstâncias particulares, durante o período necessário para a realização dos seus ativos, veio a ser praticada uma operação, um fato econômico gerador de receita, arrimado em um negócio jurídico. Somente nestas condições muito especiais, seria possível, em tese, falar em receita, pois, a rigor, a ausência de qualquer operação e a ostentação dos atos públicos da execução coletiva, não admitem que a liquidação receba tratamento dispensado ao negócio jurídico ou nos atos em que à autonomia privada, vem antes de tudo. A não ser que seja dada continuidade às operações do objeto social da sociedade falida pelo Administrador Judicial, inconcebível exigir qualquer obrigação tributária, sob pena de violação da Constituição Federal. Melhor ainda, com o encerramento das atividades da empresa falida, não há meios de se fitar um resultado como efeito decorrente da execução dos bens do devedor pelo Estado. Enfim, a Massa na promoção de sua função, não adquire disponibilidade de acréscimo patrimonial” Fl. 41DF CARF MF Processo nº 16327.720956/201140 Acórdão n.º 3201003.988 S3C2T1 Fl. 42 4 3.4 Isto posto, alega que seria um absurdo obrigar a massa falida , a cada ato do Estado que realiza um ativo com a finalidade de satisfazer o direito dos credores, a recolher impostos que tem como fato gerador, resultados positivos, receitas ou acréscimo patrimonial. Seria uma ofensa ao artigo 153, III da Constituição Federal, se a execução dos bens do devedor for considerada como fato gerador de impostos. Registra ainda que a venda de bens do ativo não acarreta acréscimo patrimonial para os credores e muito menos acréscimo patrimonial para o falido. Sua realização é revertida exclusivamente para reparar os danos da insolvência do devedor. 3.5 Em seguida colaciona excertos doutrinários a corroborar com todo o alegado e interpreta que, à luz do artigo 60 da Lei 9.430/96, a verificação de eventual lucro tributável, se existir, ocorreria apenas com o encerramento do processo falimentar. 4. Por fim requer seja acolhida a impugnação no sentido de cancelar o auto de infração e consequentemente excluir a multa fiscal aplicada." A impugnação apresentada foi julgada improcedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/SP1 1638.314, de 26 de abril de 2012, decisão proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa prevista na legislação pertinente. MASSA FALIDA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEVER DE CUMPRIMENTO. As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência (massa falida) sujeitamse às mesmas regras de incidência dos tributos e contribuições aplicáveis às pessoas jurídicas em geral, inclusive no que se refere à obrigatoriedade de apresentação de declarações e demonstrativos, enquanto perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, em que a recorrente, em breve síntese, aduz: Fl. 42DF CARF MF Processo nº 16327.720956/201140 Acórdão n.º 3201003.988 S3C2T1 Fl. 43 5 (i) a decretação da falência de uma empresa afasta o falido da posse de seus bens, passandoos para uma administração forçada destinada a liquidálos em favor dos credores; (ii) a empresa como atividade é extinta pela decretação da falência e só excepcionalmente depois de decretada a quebra pode existir continuidade do negócio; (iii) a Massa Falida não é uma pessoa jurídica e não pratica nenhuma atividade econômica, por isso, a princípio não pode ser sujeito passivo de obrigações tributárias; (iv) inexiste o dever de a Massa Falida apresentar apuração de receitas; (v) a não ser que seja dado continuidade às operações da sociedade falida, inconcebível exigir qualquer obrigação tributária, sob pena de violação da Constituição Federal; (vi) de acordo com o art. 60 da Lei 9430/1996, ao dispor que "as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização do ativo e o pagamento do passivo", sendo que eventual lucro tributável, ocorreria apenas co o encerramento do processo falimentar; (vii) a decisão recorrida é equivocada em relação ao contido no § 2º do art. 146 do RIR/99; e (viii) não tem aplicação o contido na Instrução Normativa SRF nº 590/2005. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Não obstante os argumentos expendidos em sede recursal, razão não assiste à recorrente. Perfilho o entendimento de que as massa falidas não estão desobrigadas ao cumprimento das obrigações acessórias tributárias. Entendimento diverso seria permitir que as massas falidas simplesmente deixassem de cumprir com obrigações legalmente estatuídas. O Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON tratase de um demonstrativo instituído com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 16327.720956/201140 Acórdão n.º 3201003.988 S3C2T1 Fl. 44 6 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e não cumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 16327.720956/201140 Acórdão n.º 3201003.988 S3C2T1 Fl. 45 7 § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada ano calendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista. O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Neste sentido, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) Fl. 45DF CARF MF Processo nº 16327.720956/201140 Acórdão n.º 3201003.988 S3C2T1 Fl. 46 8 "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/2010 16; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Embora não tenha sido alegado pela recorrente, perfilho o entendimento de que não é o caso de aplicação das Súmulas 192 e 565 do Supremo Tribunal Federal STF a seguir transcritas, pois se assim o fosse, as massas falidas estariam desoneradas do cumprimento de obrigações acessórias, tais como a entrega de declarações, informações e demonstrativos. "Súmula 192 Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa." "Súmula 565 A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência." Fl. 46DF CARF MF Processo nº 16327.720956/201140 Acórdão n.º 3201003.988 S3C2T1 Fl. 47 9 Vejase que, ambas as súmulas, tratam da habilitação da multa aplicada como crédito na falência, o que não impede o seu lançamento, até pelo fato de tal atividade ser vinculada e obrigatória, como prescreve o art. 142 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Assim, somente no processo falimentar, se habilitado o crédito pelo ente credor contra a massa falida, é possível afastar tal parcela. Especificamente, em relação ao cumprimento das obrigações acessórias por parte das massas falidas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF assim se posiciona sobre o tema: "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida. MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – REDUÇÃO – MICROEMPRESA LEI Nº 10.426/2002 – APLICAÇÃO RETROATIVA – ART. 106, I DO CTN. Para Microempresas, o art. 7º, §3º, I da Lei nº 10.426/2002, estabeleceu em R$ 200,00 o valor da multa no caso de atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda, o que pode ser aplicado, inclusive, retroativamente, por força do art. 106 do CTN." (Processo nº 10675.001779/200352; Acórdão 107 08.355; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 16327.720956/201140 Acórdão n.º 3201003.988 S3C2T1 Fl. 48 10 MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida." (Processo nº 10675.001791/200367; Acórdão 107 08.362; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) Em recente julgado de relatoria do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, deliberouse pela manutenção da multa contra massa falida. A decisão está ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 MULTA DE MORA. EXIGIBILIDADE DIANTE DE MASSA FALIDA. As multas fiscais, ainda que não possam ser reclamadas em processos de falência em vista do art. 23, III, da Lei 7.661/88 em seu período de vigência, devem ser lançadas de ofício, por força do § único do art. 142 do CTN, e da independência dos respectivos trâmites processuais. Recurso Voluntário Negado" (Processo nº 13005.720005/2007 39; Acórdão 3301003.449; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; Sessão de 26/04/2017) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.720800/2011-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO.
É devida a compensação de IRRF ao contribuinte que tem comprovante da retenção.
Numero da decisão: 2002-000.228
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. É devida a compensação de IRRF ao contribuinte que tem comprovante da retenção.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10845.720800/2011-23
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894360
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.228
nome_arquivo_s : Decisao_10845720800201123.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
nome_arquivo_pdf_s : 10845720800201123_5894360.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7402748
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588215771136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1175; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.720800/201123 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.228 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Recorrente AILSON RIBEIRO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. É devida a compensação de IRRF ao contribuinte que tem comprovante da retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 08 00 /2 01 1- 23 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10845.720800/201123 Acórdão n.º 2002000.228 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de IRPF1 que reduziu o imposto a restituir de 11.740,75 para 10.214,69 (fl. 16). As bases do lançamento foram: Natureza Valor Descrição dos fatos Glosa de compensação de IRRF 1.526,06 Compensação indevida do valor correspondente aos acréscimos calculados pela instituição financeira sobre o IRRF principal Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fls. 2 e 7) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 11/04/2011 (fl. 11) e protocolou sua peça no dia 18/04/2011 (fl. 10), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Impugnação Em sua impugnação (fl. 2 e ss), em síntese, o contribuinte alega que o valor original do IRRF foi de R$ 23.033,22, porém o valor corrigido e retido foi 24.559,28 (diferença exata correspondente ao valor da glosa de 1.526,06), conforme determinação da Justiça do Trabalho. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguintes documentos: documento de identidade (fl. 7); notificação de lançamento (fl. 3 e ss); comprovante de retenção de IR Justiça do Trabalho (fl. 8). Decisão de 1ª instância A DRJ3 julgou a impugnação improcedente (fl. 86 e ss). A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2007 GLOSA FONTE. 1 Imposto de Renda Pessoa Física 2 Art. 15 do Decreto 70.235/72 3 Delegacia da Receita Federal de Julgamento Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10845.720800/201123 Acórdão n.º 2002000.228 S2C0T2 Fl. 4 3 Somente poderá ser deduzido do imposto progressivo apurado na declaração de ajuste anual, o imposto retido na fonte, ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo. A DRJ entendeu que o valor lançado não corresponde a rendimentos incluídos na base de cálculo (art. 12, V da Lei 9.250/95), pois foi corrigido somente o IR e não o valor principal. Argumenta que para poder compensar o valor do IRRF corrigido, era necessário ter declarado o valor do principal também corrigido, no entanto, o contribuinte não procedeu dessa maneira. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 92 e 93) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 08/04/2013 (fl. 90) e protocolou sua peça no dia 22/04/2013 (fl. 92), dentro do prazo de 30 dias4 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 92), em síntese, o contribuinte alega que o Juiz entendeu de destacar tão somente o valor do imposto de renda ... o valor principal do valor corrigido. É certo que todo valor de processo será corrigido monetariamente na data do seu julgamento. O valor informado na guia, já é o valor corrigido... tanto que ele foi repetido, não determinando o juiz que o valor original fosse destacado, até porque a guia é de recolhimento de imposto de renda e os valores ali agregados que o corrigiram, são valores de correção monetária, portanto de caráter indenizatório, não sujeitos a tributação do imposto de renda. Por fim, requer o acolhimento do recurso e o cancelamento do débito fiscal. Documentos do recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguintes documentos: documento de identidade (fl. 93); comprovante de retenção de IR Justiça do Trabalho (fl. 94). termo de intimação fiscal (fls.95 e ss); lançamento (fl. 98); acórdão DRJ (fls. 100 e ss). 4 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10845.720800/201123 Acórdão n.º 2002000.228 S2C0T2 Fl. 5 4 Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão do Estatuto do Idoso e de moléstia grave. Assim, considerando que o pedido do contribuinte já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Mérito O contribuinte declarou como imposto retido na fonte o valor de 24.559,28 (fl. 19). O Fisco entende que parte desse valor não poderia ter sido declarado na Dirpf por tratarse de acréscimos calculados pela instituição financeira sobre o IRRF principal (fl. 15). A DRJ argumenta que para utilizar o valor integral da retenção o contribuinte deveria ter corrigido o valor do principal, o que não fez. Em sede de recurso voluntário o contribuinte alega que valor do principal informado na guia já estava corrigido e por isso foi repetido. A fiscalização alega que o valor não é dedutível por se tratar de correção do IRRF, já a DRJ alega que o valor não é dedutível porque o valor principal não foi corrigido. No mais, se o Fisco entende que o valor do principal não foi integralmente declarado, pois não foi declarada a sua correção, isso justificaria um lançamento de omissão de rendimentos e não a glosa da respectiva compensação que foi efetivamente retida do contribuinte conforme prova dos autos. Além disso, entendo que o art. 12, V da Lei 9.250/95, citado pela DRJ, foi respeitado pelo contribuinte pois a retenção informada referese ao rendimento também incluído na base de cálculo. O artigo não fazendo menção a uma proporcionalidade específica entre o rendimento e a respectiva retenção. O que o artigo diz, a meu ver, é que não se pode declarar a retenção e não se declarar o respectivo rendimento que lhe deu origem, o que não é o caso aqui, já que o contribuinte declarou como tributáveis os rendimentos recebidos da fonte pagadora em questão. O comprovante de retenção das fls. 8 e 94 comprova que foi retido 24.559,28. De posse deste comprovante, o contribuinte tem direito a fazer uso da retenção integral em razão do disposto no art. 87, § 2º do Decreto 3.000/99. No mais, não foi apresentado fundamento legal para glosa de parte do valor retido. O Fisco também não pôs em dúvida o valor efetivamente retido. A alegação do contribuinte de que o valor principal já estava atualizado e por isso foi repetido é coerente com a documentação apresentada, haja vista que não faz sentido o banco atualizar só a retenção na fonte e não atualizar o principal. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10845.720800/201123 Acórdão n.º 2002000.228 S2C0T2 Fl. 6 5 Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer o recurso voluntário para, no mérito, dar lhe provimento, para extinguir o crédito tributário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720074/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. ÔNUS PROBATÓRIO.
Para o legítimo exercício do direito ao ressarcimento de PIS e Cofins decorrente do crédito presumido do IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/1996, deve a contribuinte comprovar minimamente se tratar de empresa, cumulativamente, produtora e exportadora de mercadorias nacionais, incumbindo a prova dessa situação jurídica à própria interessada, inteligência que decorre do inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil e do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, sob pena de não reconhecimento do direito ao crédito vindicado.
Numero da decisão: 3401-005.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. ÔNUS PROBATÓRIO. Para o legítimo exercício do direito ao ressarcimento de PIS e Cofins decorrente do crédito presumido do IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/1996, deve a contribuinte comprovar minimamente se tratar de empresa, cumulativamente, produtora e exportadora de mercadorias nacionais, incumbindo a prova dessa situação jurídica à própria interessada, inteligência que decorre do inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil e do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, sob pena de não reconhecimento do direito ao crédito vindicado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13830.720074/2010-15
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5875265
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.142
nome_arquivo_s : Decisao_13830720074201015.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
nome_arquivo_pdf_s : 13830720074201015_5875265.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7352830
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588226256896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1562; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 169 1 168 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.720074/201015 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.142 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria IPI Recorrente SM MADEIRAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. ÔNUS PROBATÓRIO. Para o legítimo exercício do direito ao ressarcimento de PIS e Cofins decorrente do crédito presumido do IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/1996, deve a contribuinte comprovar minimamente se tratar de empresa, cumulativamente, produtora e exportadora de mercadorias nacionais, incumbindo a prova dessa situação jurídica à própria interessada, inteligência que decorre do inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil e do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, sob pena de não reconhecimento do direito ao crédito vindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, (Suplente convocado em substituição ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 00 74 /2 01 0- 15 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13830.720074/201015 Acórdão n.º 3401005.142 S3C4T1 Fl. 170 2 conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase do despacho decisório que indeferiu pedido de ressarcimento de IPIcrédito presumido, previsto nas Leis nº 9.363/1996 e 10.276/2001, por entender a autoridade fiscal não ser possível se afirmar que a contribuinte realiza atividade de industrialização dos produtos (madeira) por ela adquiridos e posteriormente exportados, especificamente quanto aos procedimentos de beneficiamento e acondicionamento ou reacondicionamento da madeira. Nos termos da decisão recorrida, a apreciação e julgamento do presente litígio é realizada "(...) em conjunto com outros processos, agrupados como um lote, o qual fundamentase pelas mesmas razões, seja no indeferimento do pleito da manifestante, seja pelo teor de sua manifestação de inconformidade", composto pelos seguintes processos, todos pautados para a presente sessão de julgamento": PROCESSO ADMINISTRATIVO PERÍODO DE APURAÇÃO 13830.720073/201071 01/04/2008 a 30/06/2008 13830.720074/201015 01/10/2008 a 31/12/2008 13830.720075/201060 01/01/2009 a 31/03/2009 13830.720077/201059 01/04/2009 a 30/06/2009 13830.720079/201048 01/10/2009 a 31/12/2009 13830.720081/201017* 01/04/2010 a 30/06/2010 2. Cumpre esclarecer que, do indeferimento do ressarcimento pleiteado no Processo Administrativo nº 13830.720081/201017 (*), resultou a Representação DRF/MRA/SAORT nº 012/2011, que culminou na lavratura de auto de infração com a finalidade de formalizar exigência de multa isolada por compensação indevida, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96, com redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010, em discussão no Processo nº 13830.722126/201179, igualmente pautado para a presente sessão de julgamento. 3. A contribuinte, no caso epigrafado em apreço, apresentou manifestação de inconformidade na qual argumentou, em síntese, que: (i) é empresa industrial do ramo madeireira cuja atividade principal, segundo seu contrato social, é o "(...) comercio atacadista importação e exportação de madeiras em geral, bruta e beneficiada e de materiais de construção, indústria de beneficiamento de madeiras com processos de secagem, classificação, padronização, aplainamento, embalagem, acondicionamento; transporte Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13830.720074/201015 Acórdão n.º 3401005.142 S3C4T1 Fl. 171 3 rodoviário de cargas em geral"; (ii) no ano de 2008, apresentou consulta à Receita Federal acerca do crédito presumido de IPI, na qual, em que pese ter descrito se tratar de empresa comercial com base no texto constante no Contrato Social contemporâneo ao seu protocolo, já exercia, de fato, a atividade industrial, pela prática consistente na atividade de beneficiamento das madeiras, processo por meio "(...) do qual se efetuava classificação e a embalagem, pois as madeiras eram adquiridas em estado bruto e vendidas secas, aparadas, cortadas transversalmente e ou longitudinalmente, padronizadas, pintadas e classificadas por tamanho e embaladas". Neste sentido, uma vez que a atividade efetivamente exercida se encontrava em desacordo com o objeto social descrito no Contrato Social, e para sanar tal discrepância, em 2008 foi realizada a alteração contratual para adequar o objeto descrito à atividade sempre exercida, em cuja oportunidade solicitou à CETESB/SP Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, órgão público vinculado à Secretaria do Meio ambiente do Governo do Estado de São Paulo, as Licenças Prévia e de Instalação e Licenças de Operação que, após verificação e inspeção do local da fábrica, foram concedidas "(...) com base nas informações apresentadas pelo interessado", com validade para "(...) a produção média anual de 5.400 m3 de madeira serrada e enfardada, utilizando, para tanto, as áreas, processos e os equipamentos descritos no Memorial de Caracterização do Empreendimento apresentado"; (iii) o beneficiamento ocorre pelo processamento da madeira por meio da secagem, cortes, remoção de aparas e pintura, enquanto que o acondicionamento pela aposição das embalagens, onde as madeiras são separadas por lotes e embaladas em filmes plásticos e fitas de PVC ou de aço. Assim, as mercadorias exportadas passam por um processo industrial ao passo em que promove a transformação das mercadorias (matérias primas), por meio do processo de secagem, classificação, cortes e reparos e embalagem, o que se adequa ao requisito da Lei; (iv) não se concebe que as disposições e conceitos fixados pelo regulamento de IPI (Decreto nº 4.544/2002 e, atualmente, o Decreto nº 7.212/2010), sejam ignorados em face de mero Parecer Normativo editado em 1970 e que não pode ser aplicado a fatos ocorridos em 2004; (v) no caso de não homologação, seja suspensa a exigibilidade dos débitos confessados por intermédio do PER/DCOMP; (vi) a correção dos créditos pleiteados pela taxa Selic. 4. Não obstante, no Processo nº 13830.722126/201179, requer a contribuinte, complementarmente, o reconhecimento da suspensão da exigência do crédito tributário lançado no auto de infração nele debatido até o ulterior trânsito em julgado do Processo nº 13830.720081/201017, pois dele decorrente, encontrandose ambos pautados para a presente sessão de julgamento. 5. Em 29/08/2014, a 3ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Porto Alegre (RS) proferiu o Acórdão DRJ nº 1051.576, situado às fls. 63 a 78, de relatoria do AuditorFiscal Fernando Lopes Pauletti, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 INDUSTRIALIZAÇÃO. BENEFICIAMENTO. ACONDICIONAMENTO OU REACONDICIONAMENTO. O corte para padronização de tamanho do produto, mesmo que para encomenda, bem como a sua secagem, natural ou Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13830.720074/201015 Acórdão n.º 3401005.142 S3C4T1 Fl. 172 4 em estufas, e proteção, quando desacompanhado de alteração nas suas características originais, não se inclui no conceito de beneficiamento. O acondicionamento ou reacondicionamento, para que caracterize industrialização, necessita alterar a apresentação do produto, não se enquadrando no conceito a embalagem para fins de transporte. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRONTA, COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO Somente ensejam direito ao benefício as aquisições de insumos, conceituados como tal pela legislação do IPI. A aquisição de produtos acabados, que não sofrem qualquer etapa de industrialização no estabelecimento industrial exportador, não dá direito ao Crédito Presumido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade, contando com validade e eficácia. Não cabe à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação, mas, tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros Selic sobre o ressarcimento de créditos de IPI. ÔNUS DA PROVA. Ao peticionário cumpre a instrução dos autos e o ônus da prova de suas alegações, respaldado nos respectivos documentos fiscais e contábeis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 6. A contribuinte, intimada da decisão em 07/10/2014 pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 82, interpôs, em 06/11/2014, em conformidade com o termo de solicitação de juntada, situado à fl. 84, recurso voluntário, situado às fls. 85 a 106, no qual reiterou as razões de sua impugnação. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13830.720074/201015 Acórdão n.º 3401005.142 S3C4T1 Fl. 173 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 7. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 8. A vexata quæstio a ser apreciada se refere à divergência de entendimento quanto à ocorrência ou não de industrialização, pela contribuinte, quanto aos produtos (madeira) por ela adquiridos e posteriormente exportados, especificamente quanto aos procedimentos de beneficiamento e acondicionamento ou reacondicionamento da madeira. Recortase, da decisão recorrida, por pertinente, o seguinte arrazoado: (...) O Regulamento do IPI (Decreto nº 7.212, de 2010) dispõe, em seu art. 3º, que produto industrializado é o resultante de qualquer operação nele definida como industrialização, mesmo que incompleta, parcial ou intermediária. Conforme artigo 4º do mencionado ato legal, industrialização é a operação que modifica a natureza, altera o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoa para consumo, sendo irrelevante, para esse enquadramento, o meio utilizado para a produção da mercadoria e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. (...) Segundo o inciso II do art. 4º do Ripi, a operação de beneficiamento é aquela que modifica, aperfeiçoa ou altera o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto. Situações relacionadas com a apresentada pela manifestante foram analisadas pela Coordenação do Sistema de Tributação, que se pronunciou por meio dos Pareceres Normativos CST nº 300/1970, 642/1971 e 436/1985, afirmando, em síntese, que o simples corte do material para redução de tamanho, sendo mantidas todas as características e formas originais, não se caracteriza como industrialização por beneficiamento. PN CST 300/70 “Corte de chapas de ferro, aço ou vidro, para simples redução de tamanho, em forma retangular ou quadrada, sem modificação da espessura. Não se caracteriza como beneficiamento.” Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13830.720074/201015 Acórdão n.º 3401005.142 S3C4T1 Fl. 174 6 PN CST 642/71 “Não é industrialização o corte de chapas de eucatex, sob diversos moldes, seguido de aplicação em revestimento interno de veículos (...). Isto, entretanto, se as chapas referidas forem simplesmente cortadas, sem serem submetidas a qualquer processo que vise à sua transformação, beneficiamento ou aperfeiçoamento, de qualquer forma.” PN CST 436/85 “Não se inclui no conceito de beneficiamento, à luz da legislação do IPI, a simples redução de tamanho, por corte e/ou serragem de produto (folha, telha, placa, etc. de madeira, ferro, aço, plástico, vidro e outros) que mantenha todas as suas características originais, mesmo para atender a encomenda ou pedido dos adquirentes. (...) Eis que, na hipótese, estaria ocorrendo somente uma ação mecânica com a mera finalidade de reduzir o comprimento do produto” (...). Continuando na análise da suposta industrialização, pela manifestante, da madeira a ser posteriormente exportada, o relatório, bem como as fotos trazidas aos autos pela fiscalização, são claros no sentido de que os procedimentos realizados pela empresa limitamse a adequar a madeira recebida a tamanho, proteção e acondicionamento com vistas à remessa para o destinatário, inclusive no exterior. A argumentação trazida pela manifestante não foi suficiente para afastar a convicção manifestada na decisão da DRF de que os procedimentos eventualmente submetidos à madeira a ser exportada não se caracterizam como industrialização e, conseqüentemente, não faz ela jus ao crédito pretendido" (seleção e grifos nossos). 9. Adicionase, a este respeito, que a recorrente realizou consulta à Receita Federal, em 19/02/2008, acerca do crédito presumido de IPI, tratada no Processo nº 13830.000238/200870, na qual e declarou como exportadora de produtos adquiridos de terceiros, sem industrializálos. 10. Em que pese a ulterior alteração do contrato social da recorrente para passar a incluir em seu contrato social a atividade de industrialização, e em que pese, ainda, a afirmação de que se tratava de estabelecimento industrial de fato à época, recortase o seguinte trecho da consulta fiscal redigida pela contribuinte, especificamente a respeito de sua atuação empresarial: Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13830.720074/201015 Acórdão n.º 3401005.142 S3C4T1 Fl. 175 7 11. Em igual sentido, a licença ambiental para corte, serragem e enfardamento de madeira foi feita apenas em 2008 e, recordese, concedida "(...) com base nas informações apresentadas pelo interessado" (g.n.), como recorda a própria contribuinte em sua manifestação de inconformidade e em seu recurso voluntário. 12. Assim, até 20/12/2008, data em que recebe a título provisório a licença em referência, simplesmente inexistem elementos que sustentem a alegação da contribuinte de que empreendia atividade de industrialização. Na verdade, até esta data, "(...) não apenas não estava autorizada a operar na industrialização da madeira, como nenhum outro elemento por ela trazido foi capaz de modificar este entendimento". 13. E, ainda que se admitisse a existência da atividade de industrialização, a inexistência de controle de estoques não permitiria segregar, entre os produtos adquiridos, aqueles que foram submetidos à industrialização, aqueles que foram exportados e aqueles simplesmente destinados ao mercado interno. Como bem aponta a decisão recorrida, a própria contribuinte informa que "(...) parte da madeira era enviada para secagem em estufas por terceiros". 14. Entendemos que somente as MP, PI e ME que tenham sofrido incidência do PIS e da Cofins poderiam ser incluídos no cálculo do benefício com o objetivo de ressarcimento das contribuições incidentes sobre tais materiais utilizados "no processo produtivo", i.e., aquele conjunto de ações do qual resulta a produção da empresa exportadora, o que implica a cumulação de dois requisitos inexoráveis à empresa: tratarse de produtora e exportadora de mercadorias nacionais. 15. Neste sentido, ademais, a decisão recorrida: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13830.720074/201015 Acórdão n.º 3401005.142 S3C4T1 Fl. 176 8 "Notese que são dois requisitos cumulativos para se alcançar o benefício: produzir e exportar. No presente caso, o que se tem, é que as mercadorias, adquiridas de terceiros e exportadas, não foram submetidas pela exportadora a qualquer processo de industrialização, razão pela qual não podem ser incluídas no montante das exportações utilizadas para o cálculo que determinará o percentual das aquisições que comporá a base de cálculo do benefício. (...) o artigo 1º da Lei nº 9.363/96 prevê que a empresa produtora e exportadora fará jus a crédito presumido do IPI como ressarcimento das contribuições para o PIS e Cofins, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para utilização no processo produtivo. Assim, entre os insumos não se incluem os produtos que, sem qualquer industrialização efetuada pelo adquirente, são revendidos no mercado interno ou são exportados para o exterior, porquanto não se conformam em matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem submetidos a qualquer processo de industrialização. Não havendo um controle sobre o estoque e sua aplicação, não se pode afirmar que os produtos adquiridos pela manifestante foram, de fato industrializados e destinados à exportação. E esta é mais uma razão que, ainda que se considerasse a industrialização caracterizada, seria fator impeditivo de reconhecimento do crédito pretendido. Mais uma vez deve ser destacado que, em se tratando de um benefício postulado pela manifestante, cabe a ela demonstrar inequivocamente a sua certeza e liquidez. Não sendo possível, não há como reconhecer o crédito." (seleção e grifos nossos). 16. Tal constatação decorre da leitura do art. 1º da Lei nº 9.363/1996: Lei nº 9.363/1996 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. 17. Concluise, desta feita, que não restaram sequer minimamente comprovados, por parte da contribuinte recorrente, os fatos alegados constitutivos de seu direito, nos termos do quanto preceituado pelo art. 36 da Lei nº 9.784/1999. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13830.720074/201015 Acórdão n.º 3401005.142 S3C4T1 Fl. 177 9 18. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto, em virtude de carência probatória. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000117/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS SUJEITOS AO CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO INTEGRAL
A operação de compra de produtos sujeitos à sistemática de cálculo dos créditos presumidos do art. 8° da Lei n° 10.925/04, que não sofrem tributação pelo PIS e COFINS, é distinta e dissociável da relativa ao frete, integralmente tributável. Portanto, na primeira, há direito a créditos presumidos de PIS e COFINS, e, na segunda, ao crédito integral das contribuições.
Numero da decisão: 3301-004.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS SUJEITOS AO CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO INTEGRAL A operação de compra de produtos sujeitos à sistemática de cálculo dos créditos presumidos do art. 8° da Lei n° 10.925/04, que não sofrem tributação pelo PIS e COFINS, é distinta e dissociável da relativa ao frete, integralmente tributável. Portanto, na primeira, há direito a créditos presumidos de PIS e COFINS, e, na segunda, ao crédito integral das contribuições.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12585.000117/2010-29
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5889299
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.738
nome_arquivo_s : Decisao_12585000117201029.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12585000117201029_5889299.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7384771
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588268199936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1558; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 337 1 336 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.000117/201029 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.738 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria PIS Recorrente LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS SUJEITOS AO CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO INTEGRAL A operação de compra de produtos sujeitos à sistemática de cálculo dos créditos presumidos do art. 8° da Lei n° 10.925/04, que não sofrem tributação pelo PIS e COFINS, é distinta e dissociável da relativa ao frete, integralmente tributável. Portanto, na primeira, há direito a créditos presumidos de PIS e COFINS, e, na segunda, ao crédito integral das contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 01 17 /2 01 0- 29 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 12585.000117/201029 Acórdão n.º 3301004.738 S3C3T1 Fl. 338 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "1. LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL S.A, empresa acima identificada, transmitiu PER/DCOMP (Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação), citados na fl. 240. O crédito pleiteado pelo contribuinte no valor de R$ 527.798,42, referese ao PIS nãocumulativo, vinculado às receitas de exportação, apurado no 3º trimestre de 2006. 2. A DERATSP proferiu Despacho Decisório de fls. 222/241 no qual reconheceu crédito no valor de R$ 495.033,46 e homologou as compensações apresentadas até este montante. O crédito reconhecido está discriminado nos quadros de fl. 239. 3. O fundamento para o não reconhecimento de parte do crédito pleiteado encontrase no próprio Despacho Decisório e pode ser assim sintetizado: 15. Considerando todos os períodos de apuração analisados sob o MPFD em questão, verificase que os principais bens para industrialização e revenda geradores dos valores mais relevantes dos créditos do PIS/COFINS são a laranja para a fabricação de suco e o café em grãos adquirido junto a terceiros para revenda. (....) 33. No caso específico desta análise, necessário se faz observar se os insumos laranja, limão e tangerina, cujo NCM está no capítulo 08, estão inseridos neste contexto e se os produtos finais decorrentes, cujo capítulo da NCM está na posição 20; enquadramse perfeitamente nas condições para a aplicação ao máximo de crédito presumido, vejamos: (....) 37. Resta, portanto, tipificado o direito ao crédito presumido ao caso acima, pois, como acima exposto, tratase de produto inserido no capítulo 8 da NCM com produto cuja saída é a 20, ambos regularmente amparados pela IN 660/06. (...) 41. Por fim, há de ressaltar ainda que os créditos apurados nos termos do artigo 8º da Lei 10.925/2004, não podem ser objeto de compensação ou ressarcimento, servindo apenas para desconto dos valores devidos das contribuições apuradas, como se depreende da leitura dos artigos 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo nº 15, de 22 de dezembro de 2005 e artigo 8º, §3º, II, da IN SRF nº 660/06: (....)42. Aplicando os normativos aqui comentados no caso concreto, calculamos o crédito presumido adotando o percentual de 35% da alíquota integral perfazendo a alíquota efetiva de 0,5775% (PIS) e 2,66% (COFINS), nos termos do artigo 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004 e posteriores alterações. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 12585.000117/201029 Acórdão n.º 3301004.738 S3C3T1 Fl. 339 3 (.....) 56. Integrando os fretes sobre compras o custo de aquisição dos insumos, o crédito calculado deve ser dividido em dois tipos: insumos com direito a crédito integral e com direito a crédito presumido. Sobre os fretes de compras de insumos com direito a crédito presumido deve ser aplicada a alíquota reduzida do crédito presumido (0,5775% e 2,66%) e seus valores devem compor a base de cálculo dos insumos com direito a crédito presumido. Desta forma, excluímos esses valores da base de cálculo do crédito integral e os transportamos para a base do crédito presumido. (....) 62. A apropriação de créditos sobre devoluções de vendas somente ocorre quanto este tipo de operação é tributável, ou seja, quando as vendas são realizadas no mercado interno. Verificamos que o contribuinte distribuiu tais valores entre as colunas de rateio dos mercados interno e externo, incorretamente. (....) 64. Para que o contribuinte possa se creditar desta devolução, os seguintes requisitos devem ser atendidos: a) que seja uma devolução de venda; b) que a venda tenha integrado o faturamento do mês ou do mês anterior, tendo sido tributada conforme disposto na Lei respectiva contribuição. 65. Como decorrência, esse crédito deve ser tratado a parte já que deve existir uma relação direta entre a contribuição devida em razão da venda e a possibilidade de creditamento em mesmo montante e tipo de crédito no caso de eventual devolução desta venda. Não há, portanto, que se falar em rateio proporcional nesta rubrica. 67. Nos termos do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03 a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desta forma os valores referentes a devolução de compras deverão ser estornados. 68. Na mesma linha deverá ser estornado o crédito do PIS e da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação, nos termos do § 13° do art. 3° combinado com o art. 15 da Lei n° 10.833/03. 4. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 16/02/2012 (fl. 245) e apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 247/254 em 15/03/2012 na qual alega: a “conforme reportado no item 12 acima, que a EQAUD excluiu R$ 2.357.478,28 da base de cálculo do crédito integral referentes a "serviços utilizados como insumos"; Fl. 339DF CARF MF Processo nº 12585.000117/201029 Acórdão n.º 3301004.738 S3C3T1 Fl. 340 4 b “o procedimento adotado pela EQAUD não se sustenta, uma vez que o credito presumido de que trata o art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004, aplicase, única e exclusivamente, sobre o valor de BENS adquiridos de pessoa física e/ou de cooperado pessoa física, nos termos do caput do art. 8°, como também sobre o valor de certos BENS adquiridos de pessoas jurídicas, nos termos dos incisos I a III do § 1° do mesmo art. 8° da Lei n° 10.925”; c esta regra não se aplicaria aos serviços de transporte prestados por pessoas jurídicas. Neste caso, deveria ser concedido o crédito integral; d nenhum montante relativo a crédito presumido teria sido incluído no pedido de ressarcimento; e “muito embora a EQAUD não questione/glose valores de crédito presumido indicados no DACON, até porque a Requerente não pleiteou, repitase, ressarcimento de crédito presumido, é fato que o quadro apresentado no item 70 do relatório contem erro material, tendo em vista que os valores de crédito presumido indicados nas linhas "credito presumido — 0,5775%" e "crédito presumido — 2,66%" resultam da aplicação dos referidos percentuais de 0,5775% (PIS) e 2,66% (Cofins) sobre os valores que estão indicados na linha BASE DE CALCULO do referido quadro e que correspondem à soma dos valores obtidos pela EQAUD como componentes da base de cálculo do crédito integral.”; f “Considerando, entretanto, conforme mencionado acima, que a Requerente não pleiteou ressarcimento de crédito presumido, qualquer diferença que a Requerente tivesse apropriado a maior, o que não foi o caso e que se coloca apenas para fins de compreensão da linha de argumentação, deverá ser discutida em procedimento administrativo apartado destes autos.” 5. Em 26/07/2012, a empresa interessada apresentou documento de fls. 262/267 no qual sustenta: DO CRÉDITO PRESUMIDO QUESTÃO SUPERVENIENTE 8. Com relação a esse tópico, a Requerente apresentou algumas considerações, nos 22 a 27 da manifestação protocolada em 15/03/2012, para deixar claro que nenhum valor a titulo de credito presumido fora incluído no pedido de ressarcimento que deu origem a este processo. 9. Referidas considerações se fizeram necessárias diante dos apontamentos feitos nos itens 30 a 43 do relatório da EQAUD e porque o quadro apresentado no item 70 do mesmo relatório contem erro material, o cálculo da EQAUD deve ser refeito, neste ponto, com a desconsideração do credito presumido pela alíquota de 0,5775% e adoção do crédito integral, mediante utilização da alíquota cheia de 1,65%, de modo a se recompor o credito apuradopela Requerente, cujo procedimento está dentro dos estritos limites determinados pela norma legal e normativa. A Requerente vem a esclarecer, a propósito, que a EQAUD reconheceu o equivoco no Termo de Encerramento de Diligência emitido no âmbito do RPF/MPF n° 08.1.80.002011000220/08.1.80.002010000154 (doc. 3), do qual tomou ciência em 11/05/2012 e destaca os seguintes trechos: Sendo o principal produto industrializado o suco de laranja, procuramos identificar durante as análises se o contribuinte tentou solicitar o crédito presumido sobre as aquisições da fruta laranja para industrialização por meio dos Pedidos de Fl. 340DF CARF MF Processo nº 12585.000117/201029 Acórdão n.º 3301004.738 S3C3T1 Fl. 341 5 Ressarcimento constantes dos processos administrativos acima listados, pelo fato da existência de vedação legal a época da protocolização dos pedidos. (....) Concluímos pelas análises efetuadas que o contribuinte agiu corretamente ao não incluir nas bases de cálculos objetos dos Pedidos de Ressarcimento o crédito presumido sobre as aquisições de laranjas para industrialização. Para chegarmos a essa conclusão tivemos que calcular o crédito presumido da laranja aplicando o percentual de 35% da alíquota integral perfazendo a alíquota efetiva de 0,5775% (PIS) e 2,66% (COFINS), nos termos do art. 8°,§ 3°, III da Lei 10.925/2004, e finalmente comparando os resultados aferidos com os Pedidos de Ressarcimento e listandoos nos Despachos Decisórios dos processos administrativos aqui comentados. Acontece que o contribuinte compareceu a esta repartição para solicitar esclarecimentos de dúvidas acerca dos cálculos do crédito presumido comentado nos Despachos Decisórios. Checamos as planilhas de cálculos e constatamos que há um erro nas planilhas de cálculo do credito presumido da laranja, apesar de este erro não ocasionar uma necessidade de retificação dos despachos decisórios pelo motivo de não interferir nos créditos deferidos nas decisões dos Despachos Decisórios, pelo fato de o crédito presumido não ser objeto dos Pedidos de Ressarcimento. O erro de cálculo constatado foi a fórmula de cálculo do crédito presumido existente nas planilhas resumos de apuração dos créditos integrais ( não presumido) do item "CONCLUSÃO" de todos os Despachos Decisórios: ao invés de as alíquotas do crédito presumido recair sobre os montantes de compras de laranjas, a fórmula da planilha aponta para a base de cálculo do crédito integral (não presumido), conforme demonstramos no exemplo abaixo: (….) A fim de sanarmos o erro cometido, faço constar através deste Termo de Encerramento os créditos presumidos demonstrados pelo contribuinte e analisados, deixando claro que estes valores não fazem parte dos Pedidos de Ressarcimento nem dos créditos deferidos: (....) CONCLUSÃO E PEDIDO 13. Diante das considerações acima e em beneficio da economia processual e da eficiência administrativa, a Requerente entende que fica superada a necessidade de manifestação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo a respeito do tópico "CRÉDITO PRESUMIDO". 14. Adicionalmente e apenas por oportuno, a Requerente reforça seu pedido de reforma do despacho decisório da EQAUD/DERAT, com vistas à correta aferição do valor do crédito pleiteado, sem a exclusão, da base de cálculo do crédito integral, do valor de R$ 2.357.478,28 referentes a "serviços utilizados como insumos". 6. É o relatório Fl. 341DF CARF MF Processo nº 12585.000117/201029 Acórdão n.º 3301004.738 S3C3T1 Fl. 342 6 A DRJ em São Paulo (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1669.865, datado de 18 de agosto de 2015, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 CRÉDITO. FRETE NA COMPRA DE BENS. A natureza do crédito com despesas de frete na aquisição de bens segue a natureza do crédito do bem transportado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que, basicamente, repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. Consta nas fls. 329 a 336 cópia de decisão judicial que determinou que o presente processo fosse julgado no prazo de sessenta dias. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de glosa de créditos de PIS do 3° trimestre de 2006, objetos de Pedido de Ressarcimento (PER), ao qual foram vinculadas Declarações de Compensação (DCOMP). A recorrente calculou créditos integrais sobre fretes incorridos para transporte de produtos sujeitos à sistemática de créditos presumidos do art. 8° da Lei n° 10.925/04. A fiscalização, por sua vez, entendeu que a regra aplicável ao produto transportado aplicase também ao frete cálculo de créditos presumidos e não integrais pois o frete tão somente gera créditos, porque é item componente do custo de aquisição do produto, nos termos do art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). A DRJ corroborou com este posicionamento. Em suas peças de defesa, a recorrente sustentou que: o entendimento da fiscalização não tem respaldo legal e viola o princípio da não cumulatividade; Fl. 342DF CARF MF Processo nº 12585.000117/201029 Acórdão n.º 3301004.738 S3C3T1 Fl. 343 7 que o caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04 dispõe que o cálculo do crédito presumido farseá sobre o valor dos bens adquiridos de pessoas físicas ou cooperativas, cujas vendas não são tributadas, abrangendo os valores dos fretes tão somente se o vendedor for também o responsável pelo transporte do produto, o que, todavia, não se verifica no caso em discussão; que as operações em tela (compra do produto e serviço de frete) são autônomas e contratadas com pessoas jurídicas distintas; diferentemente da venda do produto agroindustrial, a totalidade do valor do frete é tributável pelo PIS e COFINS; e cita o Acórdão CARF n° 3302001.916, de 29/01/2013. Concordo com a recorrente. O direito ao crédito do frete na aquisição de bens, já consagrado no âmbito do CARF, nasce do fato de o mesmo integrar o custo de aquisição do bem (art. 289 do RIR/99) e, em última análise, para atendimento ao princípio da não cumulatividade, que rege as Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Não obstante, tão somente há tal direito, em razão de o serviço de transporte de carga ser tributado pelo PIS e a COFINS. Caso contrário, seria vedado, nos termos dos incisos II dos §§ 2° dos artigos 3° das citadas leis. Apesar de o custo com frete ser acessório ao custo do bem, sob o ponto de vista das regras de creditamento, devem ser analisados individualmente. Assim, são operações distintas e dissociáveis, inclusive para os fins de que trata a presente contenda. Há ainda outra razão, sobre a qual inicio, reproduzindo o caput do art. 8° da Lei n° 10.925/04: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física." (g.n.) Minha interpretação é a de que o art. 8° da Lei n° 10.925/04 teve como intuito o de incrementar as vendas de produtores rurais, pessoas físicas e cooperativas, que não são tributadas pelas contribuições, tornandoas mais atrativas para os compradores. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 12585.000117/201029 Acórdão n.º 3301004.738 S3C3T1 Fl. 344 8 Neste contexto, não se pode conceber que, da aplicação daquele mesmo dispositivo, resultasse a diminuição do valor do crédito de PIS sobre fretes, em cujos preços foi efetivamente computado. Destaquese ainda tratarse de fretes contratados com pessoas jurídicas de ramo distinto (transportadora) daquele ao qual pertencem os beneficiários do art. 8° da Lei n° 10.925/04. Verificase, portanto, que, se prevalecer a interpretação da fiscalização, seu efeito seria o inverso daquele que o legislador pretendeu alcançar com o incentivo fiscal concedido às vendas dos bens de origem animal e vegetal listados pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04. Assim, de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao crédito integral do PIS sobre os gastos com fretes incorridos para transporte de produtos cujas compras geraram crédito presumido de PIS, nos moldes do art. 8° da Lei n° 10.925/04. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.003167/2005-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. MULTA SOBRE GANHO DE CAPITAL. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO.
Para se admitir o Recurso Especial de divergência, deve haver similitude fática entre recorrido e paradigmas e divergência na aplicação da norma. Ausente um dos requisitos, não se pode admitir o Recurso.
No caso, não há similitude fática entre o recorrido e os paradigmas em relação à aplicação de multa sobre o ganho de capital.
Portanto, não se conhece o Recurso da Fazenda nessa matéria.
CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA CARF.
Não se conhece Recurso Especial de divergência quando o paradigma contrarie súmula do CARF.
Em relação à matéria concomitância na aplicação da multa de ofício em multa qualificada nos anos-calendários 2000 e 2001 aplica-se a Súmula CARF 105.
Desse modo, não se pode conhecer o Recurso da Fazenda em relação a tal matéria.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
REAVALIAÇÃO DE BENS NA SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL. NECESSIDADE DE LAUDO PERICIAL. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PARA EXAME DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO.
A reavaliação de bens na subscrição de capital não prescinde do competente laudo pericial de reavaliação de bens, que, tendo sido apresentado sem os requisitos legais previstos, e tendo o contribuinte deixado de fornecer elementos que possibilitassem ao autuante o exame da veracidade dos dados contabilizados na reserva de reavaliação, autorizam a adição do valor da reserva constituída ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS (RECEITAS COM ARRENDAMENTO DE IMÓVEL).
Correta a aplicação da multa qualificada quanto aos fatos em que se evidencia o intuito de fraude.
DECADÊNCIA PIS/COFINS. INFRAÇÃO PARA A QUAL SE CONSTATOU A OCORRÊNCIA DE FRAUDE.
Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. Uma vez restabelecida a multa qualificada para a infração de omissão de receitas não operacionais (receitas com arrendamento de imóvel), cabe também afastar a decadência de PIS/COFINS para essa infração.
DECADÊNCIA PIS/COFINS. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO OU DE CONFISSÃO DOS DÉBITOS.
De acordo com Entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, deve-se aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito. A menção pelo STJ de que a "declaração prévia do débito" permitiria o enquadramento no referido art. 150 do CTN (lançamento por homologação) só pode ser tomada em sentido restrito, ou seja, de "declaração" que constitua confissão de dívida, que sirva de instrumento hábil à execução fiscal, sob pena de completo desvirtuamento da linha adotada pelo STJ, que, relativamente ao fenômeno da homologação, prioriza o "pagamento" e não a "atividade de apuração". A declaração de débitos em DIPJ não ampara o reconhecimento da decadência com base no art. 150, §4º, do CTN, porque essa declaração não configura confissão de dívida. Afastada também a decadência de PIS/COFINS para as demais infrações, que estão apenadas com a multa de 75%.
Numero da decisão: 9101-003.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, no que toca ao conhecimento do recurso da Fazenda Nacional, (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto à multa qualificada incidente sobre a infração ganho de capital e (ii) em conhecer do recurso quanto à multa qualificada aplicada sobre a omissão de receitas de arrendamento mercantil, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues, que não conheceram do recurso; (iii) quanto à decadência - existência de pagamento, conhecer do recurso da Fazenda Nacional por unanimidade de votos; (iv) quanto à decadência - existência de fraude, conhecer do recurso, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues, que não conheceram do recurso; e (v) quanto à multa isolada - concomitância, em não conhecer do recurso por unanimidade de votos. No mérito, nas matérias conhecidas, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra (relator), que lhe negou provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, a qual não votou quanto à multa isolada - concomitância e quanto ao Recurso Especial do Contribuinte. Julgado dia 09/05/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. MULTA SOBRE GANHO DE CAPITAL. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. Para se admitir o Recurso Especial de divergência, deve haver similitude fática entre recorrido e paradigmas e divergência na aplicação da norma. Ausente um dos requisitos, não se pode admitir o Recurso. No caso, não há similitude fática entre o recorrido e os paradigmas em relação à aplicação de multa sobre o ganho de capital. Portanto, não se conhece o Recurso da Fazenda nessa matéria. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA CARF. Não se conhece Recurso Especial de divergência quando o paradigma contrarie súmula do CARF. Em relação à matéria concomitância na aplicação da multa de ofício em multa qualificada nos anos-calendários 2000 e 2001 aplica-se a Súmula CARF 105. Desse modo, não se pode conhecer o Recurso da Fazenda em relação a tal matéria. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 REAVALIAÇÃO DE BENS NA SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL. NECESSIDADE DE LAUDO PERICIAL. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PARA EXAME DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. A reavaliação de bens na subscrição de capital não prescinde do competente laudo pericial de reavaliação de bens, que, tendo sido apresentado sem os requisitos legais previstos, e tendo o contribuinte deixado de fornecer elementos que possibilitassem ao autuante o exame da veracidade dos dados contabilizados na reserva de reavaliação, autorizam a adição do valor da reserva constituída ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS (RECEITAS COM ARRENDAMENTO DE IMÓVEL). Correta a aplicação da multa qualificada quanto aos fatos em que se evidencia o intuito de fraude. DECADÊNCIA PIS/COFINS. INFRAÇÃO PARA A QUAL SE CONSTATOU A OCORRÊNCIA DE FRAUDE. Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. Uma vez restabelecida a multa qualificada para a infração de omissão de receitas não operacionais (receitas com arrendamento de imóvel), cabe também afastar a decadência de PIS/COFINS para essa infração. DECADÊNCIA PIS/COFINS. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO OU DE CONFISSÃO DOS DÉBITOS. De acordo com Entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, deve-se aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito. A menção pelo STJ de que a "declaração prévia do débito" permitiria o enquadramento no referido art. 150 do CTN (lançamento por homologação) só pode ser tomada em sentido restrito, ou seja, de "declaração" que constitua confissão de dívida, que sirva de instrumento hábil à execução fiscal, sob pena de completo desvirtuamento da linha adotada pelo STJ, que, relativamente ao fenômeno da homologação, prioriza o "pagamento" e não a "atividade de apuração". A declaração de débitos em DIPJ não ampara o reconhecimento da decadência com base no art. 150, §4º, do CTN, porque essa declaração não configura confissão de dívida. Afastada também a decadência de PIS/COFINS para as demais infrações, que estão apenadas com a multa de 75%.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10945.003167/2005-39
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897184
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.588
nome_arquivo_s : Decisao_10945003167200539.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : GERSON MACEDO GUERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10945003167200539_5897184.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, no que toca ao conhecimento do recurso da Fazenda Nacional, (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto à multa qualificada incidente sobre a infração ganho de capital e (ii) em conhecer do recurso quanto à multa qualificada aplicada sobre a omissão de receitas de arrendamento mercantil, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues, que não conheceram do recurso; (iii) quanto à decadência - existência de pagamento, conhecer do recurso da Fazenda Nacional por unanimidade de votos; (iv) quanto à decadência - existência de fraude, conhecer do recurso, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues, que não conheceram do recurso; e (v) quanto à multa isolada - concomitância, em não conhecer do recurso por unanimidade de votos. No mérito, nas matérias conhecidas, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra (relator), que lhe negou provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, a qual não votou quanto à multa isolada - concomitância e quanto ao Recurso Especial do Contribuinte. Julgado dia 09/05/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7409150
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588272394240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1668; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.570 1 1.569 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10945.003167/200539 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9101003.588 – 1ª Turma Sessão de 09 de maio de 2018 Matéria MULTA QUALIFICADA Recorrentes FAZENDA NACIONAL PILÃO AMIDOS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. MULTA SOBRE GANHO DE CAPITAL. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. Para se admitir o Recurso Especial de divergência, deve haver similitude fática entre recorrido e paradigmas e divergência na aplicação da norma. Ausente um dos requisitos, não se pode admitir o Recurso. No caso, não há similitude fática entre o recorrido e os paradigmas em relação à aplicação de multa sobre o ganho de capital. Portanto, não se conhece o Recurso da Fazenda nessa matéria. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. PARADIGMA QUE CONTRARIA SÚMULA CARF. Não se conhece Recurso Especial de divergência quando o paradigma contrarie súmula do CARF. Em relação à matéria concomitância na aplicação da multa de ofício em multa qualificada nos anoscalendários 2000 e 2001 aplicase a Súmula CARF 105. Desse modo, não se pode conhecer o Recurso da Fazenda em relação a tal matéria. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 REAVALIAÇÃO DE BENS NA SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL. NECESSIDADE DE LAUDO PERICIAL. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PARA EXAME DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 31 67 /2 00 5- 39 Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.571 2 A reavaliação de bens na subscrição de capital não prescinde do competente laudo pericial de reavaliação de bens, que, tendo sido apresentado sem os requisitos legais previstos, e tendo o contribuinte deixado de fornecer elementos que possibilitassem ao autuante o exame da veracidade dos dados contabilizados na reserva de reavaliação, autorizam a adição do valor da reserva constituída ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS (RECEITAS COM ARRENDAMENTO DE IMÓVEL). Correta a aplicação da multa qualificada quanto aos fatos em que se evidencia o intuito de fraude. DECADÊNCIA PIS/COFINS. INFRAÇÃO PARA A QUAL SE CONSTATOU A OCORRÊNCIA DE FRAUDE. Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Uma vez restabelecida a multa qualificada para a infração de omissão de receitas não operacionais (receitas com arrendamento de imóvel), cabe também afastar a decadência de PIS/COFINS para essa infração. DECADÊNCIA PIS/COFINS. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO OU DE CONFISSÃO DOS DÉBITOS. De acordo com Entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito. A menção pelo STJ de que a "declaração prévia do débito" permitiria o enquadramento no referido art. 150 do CTN (lançamento por homologação) só pode ser tomada em sentido restrito, ou seja, de "declaração" que constitua confissão de dívida, que sirva de instrumento hábil à execução fiscal, sob pena de completo desvirtuamento da linha adotada pelo STJ, que, relativamente ao fenômeno da homologação, prioriza o "pagamento" e não a "atividade de apuração". A declaração de débitos em DIPJ não ampara o reconhecimento da decadência com base no art. 150, §4º, do CTN, porque essa declaração não configura confissão de dívida. Afastada também a decadência de PIS/COFINS para as demais infrações, que estão apenadas com a multa de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.572 3 Acordam os membros do colegiado, no que toca ao conhecimento do recurso da Fazenda Nacional, (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto à multa qualificada incidente sobre a infração ganho de capital e (ii) em conhecer do recurso quanto à multa qualificada aplicada sobre a omissão de receitas de arrendamento mercantil, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues, que não conheceram do recurso; (iii) quanto à decadência existência de pagamento, conhecer do recurso da Fazenda Nacional por unanimidade de votos; (iv) quanto à decadência existência de fraude, conhecer do recurso, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator) e Daniele Souto Rodrigues, que não conheceram do recurso; e (v) quanto à multa isolada concomitância, em não conhecer do recurso por unanimidade de votos. No mérito, nas matérias conhecidas, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra (relator), que lhe negou provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, a qual não votou quanto à multa isolada concomitância e quanto ao Recurso Especial do Contribuinte. Julgado dia 09/05/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura. Fl. 1614DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.573 4 Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte em epígrafe. A Fazenda discute multa qualificada, decadência e multa isolada em concomitância com multa de ofício. O contribuinte discute os requisitos do laudo de reavaliação de bens do ativo permanente, para fins de diferimento do IRPJ. Na origem, apenas no que interessa ao presente julgamento, foi lavrado auto de infração contra o Contribuinte em questão, pelas seguintes infrações: 1. Não adição ao resultado tributável do ganho de capital auferido na integralização de capital em sociedade investida com bens do ativo reavaliados, haja vista que o laudo não cumpria todos os requisitos legais. Sobre esta infração, alega a fiscalização que o contribuinte transferiu, pelo valor total de R$ 7.490.088,00, para a empresa Pilão Quimica Ltda, máquinas, equipamentos e bens móveis, contabilizados em seu ativo imobilizado, sem oferecer à tributação o ganho de capital que obteve com a transferência dos mesmos. Diante da falta dos documentos solicitados para verificação do custo contábil, considerou que os bens ou tiveram custo contábil zero ou foram totalmente depreciados, o que significa que o valor total da transferência se constitui ganho de capital do contribuinte. Assim, para o ano de 2000, foi adicionado, de oficio, ao lucro real, o ganho de capital da empresa, com a conseqüente tributação do IRPJ e seus reflexos. Tal infração foi apenada com multa qualificada (150%), cuja legitimidade permanece em discussão; 2. Multa qualificada pela omissão de receita pela ausência de registro contábil da receita de arrendamento; No Termo de Verificação Fiscal consta que, a partir de 01/09/2000, o Contribuinte recebeu, por conta de um contrato de arrendamento (fls. 244), firmado com sua controlada Pilão Química Ltda, no valor de R$ 6.000,00 mensais, sem ter contabilizado tal rendimento, conforme declaração do contador às fls. 243, o que pode ser verificado na contabilidade da empresa. Assim procedeu à tributação como omissão de receitas não operacionais os valores recebidos pela empresa a titulo de receita de arrendamento de R$ 6.000,00 mensais, no período de setembro/2000 a dezembro/2001. Tal infração foi apenada com multa qualificada (150%), cuja legitimidade permanece em discussão; 3. Decadência vinculada à multa qualificada; e Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.574 5 4. Concomitância na aplicação de multa isolada e de ofício no período de 01/2000 a 12/2001. A Turma a quo, ao se pronunciar sobre tais pontos assim se manifestou da seguinte forma. Sobre os requisitos para o laudo de reavaliação dos bens do ativo entendeu a Turma a quo que o laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original, dados estes que estão ausentes no documento Laudo de Avaliação Fecularia Salto do Pilão Ltda, às efls. 27/47. Assim, manteve a cobrança do imposto pelo ganho de capital. Para afastar a multa qualificada aplicada sobre os tributos devidos pelo ganho de capital entendeu a Turma a quo que os fatos revelados pelo auditor fiscal, que demonstram que a reavaliação de bens foi efetuada pelo contribuinte de forma premeditada, com vistas a um empreendimento posterior, não configuram, segundo entendo, o intuito deliberado de sonegar, pois a operação foi escriturada e o diferimento pretendido é albergado pela legislação. Apenas que faltou ao contribuinte maior rigor na realização do laudo técnico e dados mais detalhados de modo a permitir a correta constituição da reserva de reavaliação. Para afastar a multa qualificada sobre a omissão de receitas relativas ao arrendamento, concluiu a Turma que o não oferecimento de receita à tributação, quando, as operações respectivas não estão contabilizadas nos livros fiscais, em princípio, não caracterizam o evidente intuito de fraude. Porém, essa mesma situação pode caracterizar evidente intuito de fraude, se presentes outras circunstâncias. Seria o caso, por exemplo, de empresas que reiteradamente, e por anos a fio, apresentam declaração pelo lucro presumido e oferecem a tributação, invariavelmente, percentual ínfimo (5% a 10%) de sua receita. Nesse caso o intuito de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária é notório. Isso não ocorreu no presente caso, de modo que a qualificação não foi afastada. Com relação à decadência, discutiuse o prazo para fins de cobrança das contribuições (PIS/COFINS e multa isolada, decidindo a Turma que, considerando que a ciência por parte da contribuinte dos autos de infração em questão ocorreu em 05 de dezembro de 2005, é de se acolher a preliminar de decadência para todos os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2000 (multa de oficio isolada, PIS e COFINS). A multa isolada foi afastada, em função da concomitância com a multa de ofício. A Fazenda Nacional, regularmente intimada da decisão, avia Recurso Especial de divergência, trazendo paradigmas para discutir a qualificação da multa de ofício, a decadência, tanto pela existência de fraude, quanto pela ausência de pagamento e a multa isolada sobre estimativas. O Recurso da Fazenda foi admitido pelo despacho. Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.575 6 Intimado da decisão e Recurso da Fazenda o Contribuinte regularmente apresenta contrarrazões. Além das contrarrazões o Contribuinte apresentou e Recurso Especial próprio. Em suas contrarrazões o contribuinte pugna: 1. Pela impossibilidade de conhecimento do Recurso Fazendário quanto à qualificação da multa de ofício e decadência, pois os paradigmas tratam de qualificação pela reiteração da conduta, enquanto tal reiteração não foi sequer tratada no recorrido; 2. Pelo não conhecimento do Recurso quanto à multa isolada, por se tratar de matéria já decidida por este tribunal; 3. Caso conhecido, pelo não provimento do Recurso. Em seu recurso especial, o contribuinte objetiva discutir os requisitos do laudo para que o diferimento da tributação da reserva de reavaliação dos bens do ativo permanente seja garantida. O Recurso do Contribuinte foi conhecido pelo despacho de admissibilidade. A Fazenda, ciente do Recurso do Contribuinte, apresenta contrarrazões, pugnando pelo seu não conhecimento e, se conhecido, pelo seu não provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator CONHECIMENTO Sobre a admissibilidade do Recurso do contribuinte, entendo que bem se manifestou o presidente da Câmara no despacho de admissibilidade, de modo que conheço do recurso naqueles termos. Não vislumbro a falta de similitude alegada pela Fazenda. Como visto, no presente caso o laudo não foi aceito por não identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. No caso do paradigma 10707.531, o laudo não indicava das datas de aquisição e das modificações no custo original dos bens reavaliados, mas foi admitido para fins de diferimento da tributação na reavaliação. Vejamos o seguinte trecho do despacho de admissibilidade: Com efeito, o segundo acórdão paradigma está assim ementado: Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.576 7 "IRPJ — RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE IMÓVEIS — CAPITALIZAÇÃO — REQUISITOS DO LAUDO — A aplicação da regra do §3° do art. 382 do RIR/94 só cabe quando as imperfeições do laudo atingirem seu núcleo. Imperfeições formais, sem qualquer prova ou evidência de que o valor atribuído aos bens seja incorreto, não são suficientes para descaracterizar a reavaliação. Mas isso não retira do fisco o direito de, dentro do prazo decadencial, analisar os efeitos tributários dos fatos efetivamente ocorridos" (sublinhouse). A similitude fática entre o acórdão recorrido e o segundo paradigma também se relaciona com o não preenchimento de todos os requisitos formais do laudo de reavaliação de bens e à aplicação do disposto no § 3º do art. 382 do RIR/94, tal como revela o seguinte trecho do voto condutor deste: "A motivação da tributação na pessoa jurídica levada a efeito .pelo fisco, parece não restar dúvidas, está centrada nos seguintes fatos relatados pela fiscalização, com a aplicação do § 3° do art. 382 do RIR/94: (...) 2) O laudo apresentado indica apenas critérios genéricos (preços de venda no mercado imobiliário da cidade e custos de construções locais) sem instrução com documentos comprobatórios e elementos de comparação; 3) Não há discriminação das datas de aquisição e das modificações no custo original dos bens reavaliados" (sublinhouse). Nesse contexto, conheço do Recurso do Contribuinte. Com relação ao conhecimento do Recurso da Fazenda, entendo prudente o debate. Como visto, no presente caso a multa foi reduzida por entender a Turma a quo que: 1. A simples falta de requisitos no laudo de reavaliação não demonstra intuito doloso do contribuinte; e 2. A omissão de receita, simplesmente, desacompanhada de outras condutas dolosas não pode ser utilizada como elemento para qualificar a multa. Os paradigmas trazidos pela Fazenda, entretanto, tratam apenas da qualificação da multa quando a conduta do contribuinte é reiterada, conforme se pode ver da seguinte transcrição do despacho de admissibilidade: Por sua vez, nas ementas dos paradigmas citados pela Recorrente constam: “Acórdão 10194095: Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.577 8 (...) IRPJ/CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de infrações definidas como falta de recolhimento e/ou de declaração inexata, por diversos anos seguidos, caracteriza indício veemente da ocorrência de irregularidades definidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 e justifica a aplicação da multa qualificada. (...) Acórdão 20178336: (...) MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. PRESENÇA DOS PRINCÍPIOS DE OCULTAÇÃO E DE PRÁTICA REITERADA CONDENÁVEL. A adoção de prática reiterada de ocultar a ocorrência do fato gerador, com subtração permanente de receitas nos livros fiscais ou nos entes acessórios tipifica o intuito de fraude. (...) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. DECADÊNCIA. A presença comprovada de fraude desloca a regra de contagem do prazo decadencial par a do inciso I do art. 173 do CTN. (...) Como se pode notar, não há similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o recorrido, para que se possa admitir o Recurso Especial sobre a qualificação da multa e a decadência vinculada à multa qualificada. Portanto, não conheço do Recurso da Fazenda quanto a estes temas. Com relação à multa isolada, importante destacar que os fatos geradores da multa ocorreram em 2000 e 2001, portanto, dentro do período de aplicação da Súmula CARF 105. Desse modo, também não conheço do Recurso da Fazenda quanto a esta matéria. Por fim, a Fazenda também traz paradigma para discutir a decadência diante da falta de pagamento dos tributos. A decisão recorrida simplesmente aplica o artigo 150, §4º, sem se manifestar sobre o pagamento. Logo, o Recurso da Fazenda deve ser conhecido quanto a esta matéria. Nesse contexto, voto por conhecer parcialmente do Recurso da Fazenda, apenas em relação à decadência, pelo (in)existência de pagamento. MÉRITO Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.578 9 RECURSO DA FAZENDA NACIONAL MULTA QUALIFICADA Caso vencido no conhecimento, nego provimento ao Recurso da Fazenda pelas mesmas razões do acórdão recorrido. Tal como a Turma a quo entendo que os fatos revelados pelo auditor fiscal, que demonstram que a reavaliação de bens foi efetuada pelo contribuinte de forma premeditada, com vistas a um empreendimento posterior, não configuram, o intuito deliberado de sonegar, pois a operação foi escriturada e o diferimento pretendido é albergado pela legislação. Apenas que faltou ao contribuinte maior rigor na realização do laudo técnico e dados mais detalhados de modo a permitir a correta constituição da reserva de reavaliação. Em relação a omissão de receitas relativas ao arrendamento, também entendo que o não oferecimento de receita à tributação, quando, as operações respectivas não estão contabilizadas nos livros fiscais, em princípio, não caracterizam o evidente intuito de fraude. Porém, essa mesma situação pode caracterizar evidente intuito de fraude, se presentes outras circunstâncias. Seria o caso, por exemplo, de empresas que reiteradamente, e por anos a fio, apresentam declaração pelo lucro presumido e oferecem a tributação, invariavelmente, percentual ínfimo (5% a 10%) de sua receita. Nesse caso o intuito de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária é notório. Isso não ocorreu no presente caso, de modo que a qualificação não foi afastada. Assim sendo, nego provimento ao Recurso da Fazenda. Também nego provimento em relação à decadência vinculada à multa qualificada, por não vislumbrar conduta dolosa do Contribuinte. MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA Caso vencido quanto ao conhecimento dessa matéria, aplico ao caso a Súmula CARF 105, segundo a qual: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Nesse contexto, nego provimento ao Recurso quanto à essa matéria. DECADÊNCIA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO Sobre essa matéria, inicialmente vale lembrar que permanecem em julgamento o PIS/COFINS e multa isolada para todos os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2000, tendo em vista que ciência por parte da contribuinte dos autos de infração em questão ocorreu em 05 de dezembro de 2005. A multa isolada foi exonerada do presente processo, de modo que o Recurso da Fazenda perdeu seu objeto no que toca a multa. Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.579 10 Com relação às contribuições, já firmei entendimento anteriormente que o existência do pagamento é requisito a ser observado, para contagem do prazo decadencial pelo artigo 150, §4º, do CTN, tendo em vista a decisão do STJ no RESP 973.... Já firmei entendimento também que a existência de declaração, seja constitutiva, seja informativa, supre a necessidade de se ter o pagamento em espécie, na medida em que com base em tais declarações pode a Fazenda executar a dívida ou lavrar o auto de infração. Posto isso, vamos aos presentes autos. Analisando os documentos carreados aos autos, vejo que apenas há informação de saldo devedor de PIS e COFINS em todos os meses na DIPJ no exercício 2001. Por essa razão, entendo que a decadência deve ser contada com base no artigo 150, §4º, do CTN. Há que se frisar, para aqueles que não entendem que a declaração se equipara ao pagamento, que à época da lavratura do auto de infração e do início do presente processo administrativo não se discutia o pagamento para fins de contagem do prazo decadencial, de modo que, com base na DIPJ existente nos autos há indícios de que houve tal pagamento ou declaração em DCTF. Desse modo, a diligência poderia resolver a dúvida eventualmente existente. Como para este Conselheiro a DIPJ é suficiente, voto por negar provimento ao Recurso da Fazenda em relação à essa matéria. RECURSO DO CONTRIBUINTE REQUISITOS DO LAUDO PARA DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO NA REAVALIAÇÃO DE BENS DO ATIVO Como visto anteriormente, na linha da fiscalização a Turma a quo entendeu que o laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original, dados estes que estão ausentes no documento Laudo de Avaliação Fecularia Salto do Pilão Ltda, às efls. 27/47. Na linha diametralmente oposta no paradigma 10707.531, apesar de o laudo não indicar as datas de aquisição e das modificações no custo original dos bens reavaliados, foi admitido para fins de diferimento da tributação na reavaliação, conforme ementa abaixo transcrita: "IRPJ — RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE IMÓVEIS — CAPITALIZAÇÃO — REQUISITOS DO LAUDO — A aplicação da regra do §3° do art. 382 do RIR/94 só cabe quando as imperfeições do laudo atingirem seu núcleo. Imperfeições formais, sem qualquer prova ou evidência de que o valor atribuído aos bens seja incorreto, não são suficientes para descaracterizar a reavaliação. Mas isso não retira do fisco Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.580 11 o direito de, dentro do prazo decadencial, analisar os efeitos tributários dos fatos efetivamente ocorridos" (sublinhouse). Importante frisar que os requisitos do laudo analisados pela Turma julgadora do acórdão acima referido foram deveras semelhantes aos presentes, conforme se pode depreender do seguinte trecho do referido voto: "A motivação da tributação na pessoa jurídica levada a efeito .pelo fisco, parece não restar dúvidas, está centrada nos seguintes fatos relatados pela fiscalização, com a aplicação do § 3° do art. 382 do RIR/94: (...) 2) O laudo apresentado indica apenas critérios genéricos (preços de venda no mercado imobiliário da cidade e custos de construções locais) sem instrução com documentos comprobatórios e elementos de comparação; 3) Não há discriminação das datas de aquisição e das modificações no custo original dos bens reavaliados" (sublinhouse). Penso que a linha adotada pela decisão acima é mais razoável que a linha do acórdão recorrido. Isso porque não se pode tolher direitos dos contribuintes com fundamento em formalidades que podem ser superadas sem maiores esforços. O laudo de efls 27/47 traz a discriminação dos bens utilizados para a subscrição do capital, seu valor de mercado à época, bem como sua taxa de depreciação. Ora, se o que se requer para a reavaliação é o valor de mercado dos bens à data do evento, tal laudo contém a informação, discriminada item a item. Não há, ainda, que questionar a isenção da instituição que produziu o laudo. Se trata de instituição de ensino, apta a formar profissionais habilitados à tal tarefa. Além disso, os então graduandos estavam amparados por professores devidamente qualificados. Nesse contexto, penso que merece guarida a pretensão do Contribuinte. Desse modo, voto por dar provimento ao recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.581 12 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Redator Designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à preliminar de não conhecimento do recurso especial da PGFN, e também quanto ao julgamento de mérito dos recursos especiais da PGFN e da Contribuinte. PRELIMINAR CONHECIMENTO Viuse que os paradigmas trazidos pela Fazenda tratam da qualificação da multa quando a conduta do contribuinte é reiterada, e o relator entendeu que não havia similitude fática entre os acórdãos paradigmas e o recorrido, para que se pudesse admitir o recurso especial sobre a qualificação da multa e sobre a decadência vinculada à multa qualificada. Quanto à infração relativa ao ganho de capital auferido na integralização de capital em sociedade investida com bens do ativo reavaliados, que traz questões sobre o laudo de reavaliação, o colegiado acompanhou por unanimidade o relator, entendendo que, realmente, não havia similitude fática entre os paradigmas e o recorrido. Contudo, houve divergência com o relator quanto à infração relativa à omissão de receitas não operacionais (receitas com arrendamento de imóvel), que também foi apenada com a multa qualificada de 150%. O entendimento foi de que, nesse caso, havia sim semelhança entre a situação examinada pelo acórdão recorrido, no que toca à referida infração, e a analisada pelos paradigmas. Vale reproduzir trecho da ementa de um deles: Acórdão Paradigma nº 20178336: (...) MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. PRESENÇA DOS PRINCÍPIOS DE OCULTAÇÃO E DE PRÁTICA REITERADA CONDENÁVEL. A adoção de prática reiterada de ocultar a ocorrência do fato gerador, com subtração permanente de receitas nos livros fiscais ou nos entes acessórios tipifica o intuito de fraude. (...) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. DECADÊNCIA. Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.582 13 A presença comprovada de fraude desloca a regra de contagem do prazo decadencial par a do inciso I do art. 173 do CTN. (...) O despacho de exame de admissibilidade do recurso especial da PGFN, para demonstrar a semelhança dos casos cotejados, fez o seguinte registro sobre a situação tratada pelo acórdão recorrido: [...] Salientese, no tocante à qualificação da multa no percentual de 150%, na parte em que reduzida para 75% pelo acórdão recorrido, que consta da decisão de primeira instância: “Já para a omissão de receitas pelo contrato de arrendamento, a conclusão é outra. Aqui não há como sustentar a ocorrência de erro contábil, já que o contador, sendo o mesmo nas duas empresas envolvidas, não poderia, de forma razoável, ter escriturado as despesas para o arrendatário e deixar de contabilizar as receitas para o arrendador. Considerando ainda que vários foram os períodos envolvidos de 09/2000 a 12/2001 ,”. (Os grifos não são do original). No caso, a qualificação da multa levou em conta também que a infração fiscal tipificada no Auto de Infração ocorreu reiteradamente em vários períodos de apuração. O ponto de divergência está bem nítido. Na ótica do acórdão recorrido, a reiteração da infração de "omissão de receita" não configurou conduta dolosa que pudesse ser utilizada como elemento para qualificar a multa. Já para os paradigmas, a prática reiterada desse mesmo tipo de infração configura o dolo necessário para a qualificadora. O fato de o acórdão recorrido tratar, a título ilustrativo, de diversas outras situações que não estão presentes nos autos (notas “frias”, conta corrente bancária mantida em nome de terceiro, notas fiscais emitidas por empresas inexistentes, e não declaração de receitas que estão contabilizadas nos livros fiscais) não cria dessemelhança entre as situações fáticas cotejadas, e nem prejudica a divergência em torno da prática reiterada de "omissão de receita", essa sim a infração em relação à qual a legislação que prevê a qualificação da multa foi interpretada de forma divergente. Nesse aspecto, o recorrido diverge mesmo dos paradigmas. Em sede de contrarrazões, além dessa questão de que não haveria semelhança entre o acórdão recorrido e os paradigmas, a contribuinte também alega que a PGFN não teria feito a demonstração analítica da divergência, e que o recurso não poderia ser conhecido porque o acórdão recorrido teria aplicado o entendimento da Súmula CARF nº 14 (simples omissão de receita). Essas outras preliminares também são improcedentes. Em primeiro lugar, a norma regimental (RICARF) não estabelece uma forma específica de fazer a demonstração analítica da divergência jurisprudencial, justamente porque Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.583 14 a exigência em relação a essa demonstração varia caso a caso, conforme a complexidade da situação fática, o conteúdo da argumentação apresentada, etc. Há situações em que o simples cotejo de ementas basta para a percepção da divergência, e isso é suficiente para a admissibilidade do recurso. Há outras situações em que, para a admissibilidade do recurso, exigese mais do recorrente,. No caso sob exame, não há nenhuma dificuldade para perceber a divergência acima mencionada. Ela foi devidamente demonstrada, e o recurso deve ser admitido. Além disso, a situação examinada pelo acórdão recorrido não é a da Súmula CARF nº 14, eis que a reiteração de conduta é um aspecto adicional, que agrava a infração, retirandoa do contexto de uma simples omissão de receita. Por estas razões, voto no sentido de CONHECER do recurso especial da PGFN, na parte em que ele trata da qualificação da multa e da decadência vinculada à multa qualificada, relativamente à infração de omissão de receitas não operacionais (receitas com arrendamento de imóvel). MÉRITO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL MULTA QUALIFICADA E DECADÊNCIA Quanto ao mérito sobre a qualificação da multa para a infração acima referida omissão de receitas não operacionais (receitas com arrendamento de imóvel), penso que a decisão de primeira instância administrativa decidiu corretamente a matéria: 212. Relativamente à infração atinente ao contrato de arrendamento, o auditor fiscal justifica que: · O contrato foi firmado entre a controladora e a controlada; entretanto, os valores envolvidos foram contabilizados como despesas na Pilão Química Ltda, enquanto que foram esquecidos de serem lançados como receitas no contribuinte; · Os sócios das duas empresas são os mesmos, o contador também é o mesmo, assim, em tese, estavam cientes dessa omissão, com o intuito de eximiremse, parcial ou totalmente do pagamento de tributos relativos a tais receitas não operacionais; · O contribuinte, ao não escriturar em seus livros contábeis e fiscais, receitas relativas a contrato de arrendamento, e ao não declarálas na DIPJ/2001, omitiu informações às autoridades fazendárias. [....] 215. Na infração baseada em ganhos de capital, não há indícios suficientes para sustentar a qualificação da multa. [...] [...] Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.584 15 219. Já para a omissão de receitas pelo contrato de arrendamento, a conclusão é outra. Aqui não há como sustentar a ocorrência de erro contábil, já que o contador, sendo o mesmo nas duas empresas envolvidas, não poderia, de forma razoável, ter escriturado as despesas para o arrendatário e deixar de contabilizar as receitas para o arrendador. Considerando ainda que vários foram os períodos envolvidos de 09/2000 a 12/2001 , e tendo ainda em conta que os sócios das duas empresas implicadas são os mesmos, a omissão indica, de forma segura, o intuito deliberado, por parte do contribuinte, de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes à percepção da receita de arrendamento, o que demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei n° 4.502/64. E uma vez caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem da decadência é feita pela regra do art. 173, I, do CTN, conforme o texto do art. 150, §4º, do mesmo código. A matéria está inclusive sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN Portanto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, para fins de restabelecer a multa qualificada para a infração de omissão de receitas não operacionais (receitas com arrendamento de imóvel), e também para afastar a decadência em relação a essa infração. DECADÊNCIA EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO Há uma outra divergência sobre a decadência de PIS/COFINS que abrange as infrações exigidas com multa de 75%. Nesse caso, a questão sobre a decadência não diz respeito à ocorrência de dolo/fraude, mas sim à existência ou não de pagamento (ainda que parcial), para fins de definição da regra de contagem do prazo decadencial. É que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação à questão da decadência: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.585 16 lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). E essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. A minha divergência com o relator se dá em relação ao seu entendimento de que a declaração em DIPJ equivale a pagamento, para fins de definição da regra decadencial. Não deixo de perceber que o STJ não fez maior aprofundamento que pudesse esclarecer o que seria a "declaração prévia do débito", o que permite interpretação sobre esse aspecto. Contudo, pelo teor do voto que orientou a referida decisão do STJ, o que se percebe a todo momento é a ideia de vincular a homologação ao "pagamento antecipado" (mesmo que ele seja inferior ao efetivamente devido), e não a outro tipo de conduta ou ato do contribuinte. O critério de vincular o fenômeno da "homologação" à realização de algum "pagamento" (e não a outra atividade/conduta do contribuinte), na linha de interpretação adotada pelo STJ, decorre do próprio texto do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.586 17 (grifos acrescidos) Nessa perspectiva, a menção pelo STJ de que a "declaração prévia do débito" permitiria o enquadramento no referido art. 150 do CTN (lançamento por homologação) só pode ser tomada em sentido restrito, ou seja, de "declaração" que constitua confissão de dívida, que sirva de instrumento hábil à execução fiscal, sob pena de completo desvirtuamento da linha adotada pelo STJ, que, relativamente ao fenômeno da homologação, prioriza o "pagamento" e não a "atividade de apuração". Com efeito, é somente esse tipo de "declaração" que pode se encaixar na sistemática do art. 150 do CTN, na lógica traçada pelo STJ, no sentido de se entender que houve o atendimento (ainda que parcial) do que é exigido pelo art. 150 do CTN, que houve o "auto lançamento", que houve constituição de alguma parte do crédito tributário, e que, por equiparação, há algum "pagamento" a homologar. Nesse contexto, o fundamento utilizado pelo relator para reconhecer a decadência com base no art. 150, §4º, do CTN não se sustenta, já que a DIPJ não configura confissão de dívida. Não havendo comprovação da existência de pagamento ou de confissão dos débitos, a decadência deve ser contada pelo art. 173, I, do CTN. Desse modo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência de PIS/COFINS em relação às demais infrações, que estão apenadas com a multa de 75%. RECURSO DO CONTRIBUINTE REQUISITOS DO LAUDO PARA DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO NA REAVALIAÇÃO DE BENS DO ATIVO Quanto à divergência suscitada pela contribuinte em relação à tributação do ganho de capital auferido na integralização de capital em sociedade investida com bens do ativo reavaliados, penso que é importante transcrever os fundamentos pelos quais o acórdão recorrido manteve a exigência fiscal: GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO Na acusação fiscal consta que a recorrente adquiriu cerca de 99% da participação do capital da empresa Pilão QuÍmica Ltda., integralizando sua participação com a transferência de máquinas, equipamentos e bens de sua propriedade, valorados em R$ 7.490.088,00, conforme alteração contratual e contabilização à fl. 05 do Anexo 1. Em contrapartida, contabilizou a baixa de máquinas, equipamentos e bens do ativo permanente, no valor total de R$ 7.490.088,00, conforme fls. 05/13 do Anexo 1. Destaca a autoridade autuante que a transferência dos bens se deu no contrato social e na contabilidade da Pilão Química Ltda. Além disso, foi verificado que, dentre os bens transferidos, há um terreno em cujo registro consta transferência de propriedade, pelo valor de R$ 300.000,00, sendo que este foi Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.587 18 recebido pelo contribuinte como doação, o que significa que houve ganho de capital. Devidamente intimada a apresentar as fichas ou livro de controle de bens do ativo imobilizado, contendo todos os registros dos bens individualizados (discriminação, fornecedor, documento de compra, data de aquisição, valor de aquisição, data de início de uso, controle mensal das depreciações, eventual data e valor de reavaliação, eventual data e, valor e documento de venda), nenhuma documentação ou relatório foi apresentado. Menciona ainda a fiscalização que o contribuinte transferiu, pelo valor total de R$ 7.490.088,00, para a empresa Pilão Química Ltda, máquinas, equipamentos e bens móveis, contabilizados em seu ativo imobilizado, sem oferecer à tributação o ganho de capital que obteve com a transferência dos mesmos. Diante da falta dos documentos solicitados, considerou que os bens ou tiveram custo contábil zero ou foram totalmente depreciados, o que significa que o valor total da venda ou transferência se constitui ganho de capital do contribuinte. Assim, para o ano de 2000, foi adicionado, de oficio, ao lucro real, o ganho de capital da empresa, com a conseqüente tributação do IRPJ e seus reflexos. Em sua defesa, a recorrente afirma que o que efetivamente ocorreu foi a mera substituição de bens do ativo da impugnante por participação societária na empresa Pilão Química Ltda, através da integralização do capital social por ela subscrito no montante equivalente ao valor de seus bens reavaliados, de modo que tal operação não configura a alienação de bens pretendida pelo fisco. Não há interesse fiscal na situação de integralização de capital com bens do ativo permanente, já que não há acréscimo patrimonial, pressuposto indispensável para incidência do IR. Argumenta também que a diferença entre o valor contábil (custo de aquisição diminuído dos encargos legais) e aquele atribuído na integralização corresponde a um aumento (decorrente da reavaliação) do valor dos bens do ativo que deve ser mantido em conta de reserva de reavaliação, na forma do art. 36 do Decreto lei n° 1.598/77, alterado pelo Decretolei n° 1.730/79, e não será computado na determinação do lucro real. Esse dispositivo é repetido no RIR/99, art. 439, com idêntica redação. Em tese, o argumento da recorrente a respeito do diferimento da tributação dos ganhos obtidos pela reavaliação de bens incorporados ao patrimônio de outra pessoa jurídica, na subscrição de capital na forma de bens, até seria plausível, se não fosse os demais aspectos que envolvem a operação. Porém, a norma legal (art. 434 do RIR/99), estabelece que o laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original, dados estes que estão ausentes no Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.588 19 documento Laudo de Avaliação Fecularia Salto do Pilão Ltda, às fls. 25/44. Por conseguinte, o desatendimento desse requisito é prevista §3° o mesmo art. 434 do RIR/99, que determina a adição do valor da reserva de reavaliação ao lucro líquido, para efeito de cálculo do lucro real. A ausência desses requisitos indispensáveis, quais sejam: (i) data de aquisição; (ii) valor da depreciação acumulada; (iii) valor de venda ou transmissão, resultou na impossibilidade de examinar a exatidão dos dados envolvidos na constituição da reserva de reavaliação. No caso, não restou outra alternativa, senão a adição do valor da reserva de reavaliação, de R$ 7.490.088,00, ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real do ano calendário de 2000, conforme previsto na legislação citada. Assim, entendo correto o lançamento, pois a citada reavaliação de bens na subscrição de capital não prescinde do indispensável laudo pericial de reavaliação de bens, que foi apresentado sem os requisitos legais previstos, e, além disso, o contribuinte deixou de fornecer elementos que possibilitassem ao autuante o exame da veracidade dos dados contabilizados na reserva de reavaliação. Sou pela manutenção da exigência fiscal. Vêse que a tributação do ganho de capital não foi mantida em razão da inobservância de meras formalidades no laudo de reavaliação. Houve transferência de um terreno por R$ 300.000,00, que havia sido recebido pela contribuinte a título de doação, ou seja, sem custo de aquisição. Consta ainda que a contribuinte foi intimada a apresentar as fichas ou livro de controle de bens do ativo imobilizado, contendo todos os registros dos bens individualizados (discriminação, fornecedor, documento de compra, data de aquisição, valor de aquisição, data de início de uso, controle mensal das depreciações, eventual data e valor de reavaliação, eventual data e valor e documento de venda), e que nenhuma documentação ou relatório foi apresentado. O acórdão recorrido ainda registra que o laudo de reavaliação não serviu para identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. Não há como admitir o diferimento da tributação do ganho de capital auferido na integralização de capital em sociedade investida com bens do ativo reavaliados, amparado em uma reavaliação de bens que se apresenta dessa forma. Realmente, não se trata de inobservância de meras formalidades. Sendo assim, adotando os mesmo fundamentos acima transcritos, entendo que deve ser mantida a exigência fiscal em questão. Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 10945.003167/200539 Acórdão n.º 9101003.588 CSRFT1 Fl. 1.589 20 Desse modo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte, para fins de manter a tributação do ganho de capital auferido na integralização de capital em sociedade investida com bens do ativo reavaliados. Em resumo, voto no sentido de: CONHECER do recurso especial da PGFN, na parte em que ele trata da qualificação da multa e da decadência vinculada à multa qualificada, relativamente à infração de omissão de receitas não operacionais (receitas com arrendamento de imóvel); DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, para fins de restabelecer a multa qualificada para a infração de omissão de receitas não operacionais (receitas com arrendamento de imóvel), e também para afastar a decadência de PIS/COFINS em relação a essa infração; DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência de PIS/COFINS em relação às demais infrações, que estão apenadas com a multa de 75%; e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte, para fins de manter a tributação do ganho de capital auferido na integralização de capital em sociedade investida com bens do ativo reavaliados. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1631DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914235/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.289
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.914235/2012-90
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5875314
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.289
nome_arquivo_s : Decisao_10980914235201290.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10980914235201290_5875314.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7352879
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588317483008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1437; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.914235/201290 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.289 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente METROBENS AUTOMOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 35 /2 01 2- 90 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914235/201290 Acórdão n.º 3401004.289 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 1278.394, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914235/201290 Acórdão n.º 3401004.289 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914235/201290 Acórdão n.º 3401004.289 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914235/201290 Acórdão n.º 3401004.289 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
