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Numero do processo: 16327.001626/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.445
Decisão: Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Fábio Zambitte. OAB: 176.415/SP.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Fábio Zambitte. OAB: 176.415/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 553 1 552 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001626/201071 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.445 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2014 Assunto CONTRIBUIÇÃO PREV. Recorrente UNIBANCOUNIAO DE BANCOS BRASILEIROS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação: Fábio Zambitte. OAB: 176.415/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 62 6/ 20 10 -7 1 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.001626/201071 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.445 S2C3T1 Fl. 554 2 Relatório e Voto: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação. O processo teve início com o AI Auto de Infração Debcad n° 37.271.7357, lavrado em 15/12/2010, com lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa, inclusive o adicional de 2,5% previsto no parágrafo Io do artigo 22 da Lei n° 8.212/91, e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa c c .rentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, abrangendo o período de 01/2005 a 12/2006, no montante de R$ 229.734.709,94 (duzentos e vinte e nove milhões, setecentos e trinta e quatro mil, setecentos e nove reais e noventa e quatro centavos), consolidado em 10/12/2010. Conforme o Acórdão a quo, o Relatório Fiscal Termo de Verificação Fiscal, fls. 21/32, informa: O débito teve como origem os valores das remunerações a título de Participação nos Lucros e/ou Resultados e Abono Único pagos e/ou creditados aos empregados e aos diretores empregados, apurados em folhas de pagamento e informações prestadas pelo sujeito passivo, e remunerações pagas através de cartão premiação, apuradas conforme Notas Fiscais e dados fornecidos pelo Unibanco. Do PLR A empresa distribuiu lucros aos seus empregados através do Plano de Participação nos Resultados UNIBANCO PR, nos anos de 2005 e 2006, conforme planilha entregue a fiscalização.Os planos próprios de Participação nos Resultados para os anos de 2003 ee 2005 e 2006 foram pactuados e assinados entre o Unibanco e a Comissão de Trabalhadores, não havendo a participação do Sindicato.A Lei n° 10.101/00 em seu art. 2o, inciso I, prevê a participação obrigatória de um membro do sindicato no caso de programa específico da empresa, a fim de assegurar os direitos dos trabalhadores e equilibrar a relação capital x trabalho protegendo o trabalhador. Não havendo a participação de um membro do Sindicato na assinatura do Acordo entre empresa e empregados, a legislação não é respeitada. O Plano de Participação nos Resultados referente aos anos de 2005 e 2006 foi assinado entre as empresas UNIBANCO e a Comissão de Trabalhadores em 15 de agosto de 2006. O pagamento de participação nos lucros ou resultados tem como essência a retribuição pela colaboração do empregado na obtenção de um lucro ou na realização de um resultado previamente pactuado. O seu objetivo é estimular o empenho dos trabalhadores para a geração de resultados previamente estabelecidos, ou seja, a empresa deve conceder o pagamento a título de participação nos lucros ou resultados se os trabalhadores Fl. 780DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.001626/201071 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.445 S2C3T1 Fl. 555 3 atingirem uma meta préestabelecida. Assim, se um acordo é firmado em período posterior ao que será avaliado, perdese a característica de estímulo e, por conseguinte, de incentivo a produtividade, objetivo da Lei n° 10.101/00 (art. Io). A participação nos lucros ou resultados foi distribuída nos anos de 2005 e 2006, através das convenções coletivas de trabalho sobre Participação nos Lucros ou Resultados los oancos nos anos de 2004 e 2005, assinadas entre a FENABAN Federação Nacional dos Bancos e os respectivos Sindicatos e Confederações representando os er preg dos. Esta distribuição está em desacordo com a legislação. (...) Nos meses de janeiro, abril, maio, junho, julho, novembro e dezembro de 2005 e 2006 foram efetuados pagamentos de PLR e PR a empregados transferidos, licenciados ou desligados. Verificase explicitamente na Lei n° 10.101/00 a vedação da distribuição de lucros em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano civil (art. 3o), sendo que o Unibanco distribuiu lucros aos seus empregados em várias competências do mesmo ano civil, conforme planilhas entregues pelo sujeito passivo. Por todo o exposto, concluise que a distribuição de lucros realizada pela empresa através de PLR e PR não está de acordo com a legislação específica e, portanto, não se desvincula da remuneração, integrando o saláriodecontribuição previdenciário. Do Abono Único O abono concedido por liberalidade é uma rubrica inerente a segurados empregados, sem condicionálo ao cumprimento de qualquer exigência. Os abonos de qualquer natureza, concedidos em virtude de lei, dissídio, acordo coletivo ou contrato ou por mera liberalidade, fixos ou variáveis, integram a base de cálculo Não integram a base de cálculo os abonos expressamente desvinculados do salário, conforme dispõe o art. 28, §9°, letra “e”, item 7 da Lei n° 8.212/91 e art. 214,1, §9°, V, “a” do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. No caso em tela, o Abono Único CCT, rubrica 103 da folha de pagamento foi pago ”ios piegados segundo Convenção Coletiva de Trabalho, sem desvinculação de remun^aç. Q: pressa em lei. Da remuneração através de cartão premiação Foram identificadas através de informações internas as remunerações lagas e/ou creditadas sob a forma de cartão de premiação efetuadas pelo Unibanco a colaboradores, utilizandose das empresas Spirit Incentivo e Fidelização Ltda. e Mark Up Participações e Promoções Ltda. Os dados foram apurados conforme respostas do sujeito passivo às intimações feitas em 24/08/2010, 09/11/2010 e 18/11/2010 e as devidas notas fiscais emitidas pelas empresas intermediárias e pagas pelo Unibanco. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 16327.001626/201071 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.445 S2C3T1 Fl. 556 4 A empresa afirma que tais pagamentos de cartões de premiações foram efetuados a colaboradores de seus parceiros comerciais, e que não houve retenção e/ou pagamento de contribuição previdenciária, não sendo possível identificar as datas de pagamento e os valores de remuneração por beneficiário. Nos termos do art. 28, inciso III da Lei n° 8.212/91, os valores pagos a título de premiação, incentivo ou qualquer outro título é parte integrante do saláriode contribuição, sendo que no caso concreto, como não há vínculo empregatício, é considerada remuneração paga a contribuintes individuais. Após tomar ciência pessoal da autuação em 15/12/2010, fls. 02, a recorrente apresentou impugnação, fls. 124/131, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 12ª Turma da DRJ/São Paulo, no Acórdão de fls. 396/426, julgou o lançamento improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 11/08/2011, fls. 408. O recurso voluntário, apresentado em 11/09/2011, fls. 434/469, apresentou argumentos que deixamos de relatar em virtude da proposta de diligência que a seguir será apresentada. É a síntese do necessário. Ao iniciar a análise do presente, observamos que existe informação em fls. 427/428 dando conta que os débitos do presente processo foram incluídos em parcelamento especial. Se for confirmada tal informação estamos diante de um caso de desistência do recurso. Porém, fazse necessária uma confirmação. Pelo exposto, votamos pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que: 1. A autoridade preparadora informe se houve pedido de parcelamento especial em relação ao presente processo e, em caso positivo, informe quais débitos foram parcelados; 2. Após a providência acima, seja a recorrente intimada a apresentar manifestação no prazo de trinta dias; 3. Retorne os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 782DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.922007/2009-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 20 07 /2 00 9- 02 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922007/200902 Acórdão n.º 3803005.941 S3TE03 Fl. 483 3 d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 28 de outubro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 26 de novembro de 2012, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço determinado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922007/200902 Acórdão n.º 3803005.941 S3TE03 Fl. 484 5 do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 IN SRF 468/04: Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922007/200902 Acórdão n.º 3803005.941 S3TE03 Fl. 485 7 Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922007/200902 Acórdão n.º 3803005.941 S3TE03 Fl. 486 9 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.922007/200902 Acórdão n.º 3803005.941 S3TE03 Fl. 487 11 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10945.900074/2013-64
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/02/2010
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 00 74 /2 01 3- 64 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900074/201364 Acórdão n.º 3801003.025 S3TE01 Fl. 10 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900074/201364 Acórdão n.º 3801003.025 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900074/201364 Acórdão n.º 3801003.025 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900074/201364 Acórdão n.º 3801003.025 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900074/201364 Acórdão n.º 3801003.025 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900074/201364 Acórdão n.º 3801003.025 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900074/201364 Acórdão n.º 3801003.025 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10680.011033/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há se falar em nulidade.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
CIÊNCIA POR EDITAL. VALIDADE. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL IMPROFÍCUA.
É válida a ciência por edital quando restar comprovado nos autos que a ciência por via postal foi improfícua.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 04/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há se falar em nulidade. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. CIÊNCIA POR EDITAL. VALIDADE. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL IMPROFÍCUA. É válida a ciência por edital quando restar comprovado nos autos que a ciência por via postal foi improfícua. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 04/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há se falar em nulidade. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. CIÊNCIA POR EDITAL. VALIDADE. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL IMPROFÍCUA. É válida a ciência por edital quando restar comprovado nos autos que a ciência por via postal foi improfícua. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 10 33 /2 00 8- 92 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.011033/200892 Acórdão n.º 2102002.883 S2C1T2 Fl. 109 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 04/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CLETO JOSÉ DA COSTA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 17/23, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 485,85, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 29/02/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal foi dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 14.426,67, em razão da falta de comprovação. O contribuinte não atendeu ao Termo de Intimação, fls. 66. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 03/05, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/BHE nº 0236.699, de 14/12/2011, fls. 87/89. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 27/12/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 94, o contribuinte apresentou, em 20/01/2012, recurso voluntário, fls. 96/98, do qual se transcrevem os pedidos formulados pela defesa: Diante do exposto requer: 1) Seja revisto o acórdão ora recorrido, procedendo ao cancelamento da decisão de primeira instância, bem como do Termo de Intimação Fiscal nº 2005/606223670171085 e da Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.011033/200892 Acórdão n.º 2102002.883 S2C1T2 Fl. 110 3 Notificação de Lançamento 2005/606410362893108 por faltar requisito essencial a ambos, qual seja, a intimação válida. 2) Não sendo atendido o pedido de cancelamento do Termo de Intimação Fiscal nº 2005/6062236700171085 e da Notificação de Lançamento 2005/606410362893108, seja cancelada a decisão de primeira instância por não analisar o mérito da impugnação. 3) Não sendo atendido o pedido de cancelamento do Termo de Intimação Fiscal nº 2005/6062236700171085 e da Notificação de Lançamento 2005/606410362893108, seja reaberto o prazo para o sujeito passivo atender ao Termo de Intimação Fiscal nº 2005/6062236700171085, apresentando os documentos solicitados, em anexo. É o Relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.011033/200892 Acórdão n.º 2102002.883 S2C1T2 Fl. 111 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, devese examinar a alegação do recorrente de nulidade da decisão recorrida, que segundo seu entendimento teria deixado de apreciar o pedido de reabertura do prazo para que o sujeito passivo atendesse ao Termo de Intimação. Não assiste razão à defesa, conforme se infere do trecho do voto condutor da decisão recorrida a seguir transcrita: No caso em exame, em que pese ter sido oportunizado ao contribuinte o exercício pleno de sua defesa, cabendolhe apresentar as provas que julgasse convenientes à comprovação requerida pelo Fisco, tanto em sede de impugnação ao lançamento, quanto, em momento posterior, ao tomar conhecimento do Despacho Decisório acostado à fl. 55, não foi trazida qualquer prova que pudesse desconstituir o lançamento fiscal em nenhuma dessas oportunidades, motivo pelo qual não lhe assiste razão. Como se vê, a autoridade julgadora de primeira instância negou o pedido formulado pela defesa, na medida que afirmou que o contribuinte teve pelo menos duas oportunidades para providenciar o atendimento do Termo de Intimação (quando da apresentação da impugnação e quando cientificado do despacho decisório, fls. 55) e não o fez. Nestes termos, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida, posto que proferida por autoridade competente, que analisou todas as argüições apresentadas pela contribuinte em sua impugnação. Não se verificando, portanto, preterição do direito de defesa do contribuinte. Prosseguindo, passase à analise da argüição de nulidade do lançamento suscitada pelo contribuinte. Nesse ponto, o recorrente afirma que não houve intimação válida da Notificação de Lançamento e do Termo de Intimação. Colhese dos autos que a Notificação de Lançamento foi encaminhada ao sujeito passivo por via postal e que referida correspondência foi devolvida ao remetente em 14/04/2008, conforme extrato, fls. 29, por motivo de ausência. Em seqüência, procedeuse à publicação do Edital nº 012/2008, fls. 33/35. Veja que o procedimento adotado pela autoridade fiscal foi exatamente aquele previsto no art. 23, inciso II, parágrafo 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.011033/200892 Acórdão n.º 2102002.883 S2C1T2 Fl. 112 5 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet;(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Logo, perfeitamente regular e válida a ciência da Notificação de Lançamento ao sujeito passivo. No que se refere ao Termo de Intimação, observase que de fato não consta dos autos o Aviso de Recebimento, que comprovaria improfícua a tentativa de ciência por via postal do Termo de Intimação, que teria dado causa à ciência por edital. Todavia, as falhas, por ventura, ocorridas, quando da ciência do Termo de Intimação, no qual o contribuinte foi intimado a fazer a comprovação das deduções de despesas médicas, não é suficiente para causar a nulidade do lançamento. Como bem afirmou a decisão recorrida, a comprovação das despesas médicas poderia ter sido feita quando da apresentação da impugnação ou quando o contribuinte foi cientificado do despacho decisório, fls. 55, ou até mesmo na fase recursal. Digase, ainda, que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e que na lavratura da Notificação de Lançamento foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), a qual está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, não pode prosperar a argüição de nulidade do lançamento suscitada pelo recorrente. Por fim, devese dizer que não há como acolher o pedido do contribuinte de reabrir prazo para atendimento do Termo de Intimação, fls. 66, posto que já lhe foram concedidos todos prazos previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme já acima dito. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.011033/200892 Acórdão n.º 2102002.883 S2C1T2 Fl. 113 6 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 19311.720402/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008
CONCEITO DE EMPRESA. ENTIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA.
Nos termos do art. 15 da Lei n° 8.212/91, considera-se empresa não só a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, como também os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional.
CONTRATAÇÃO. COOPERATIVAS DE TRABALHO. OPERAÇÃO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS.
A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91.
A contratação de serviços de operação de transporte urbano não ostenta qualquer nota diferenciadora em relação à contratação de serviços de outra natureza que justifique a não incidência da contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91.
Recurso de Ofício Provido
Numero da decisão: 2302-003.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo o lançamento como lavrado, por restar comprovada a contratação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, pelo sujeito passivo que fica, assim, obrigado à contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pela ilegitimidade passiva do Município de São Paulo-Secretaria de Transportes para figurar no pólo passivo da autuação fiscal.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 CONCEITO DE EMPRESA. ENTIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA. Nos termos do art. 15 da Lei n° 8.212/91, considera-se empresa não só a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, como também os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. CONTRATAÇÃO. COOPERATIVAS DE TRABALHO. OPERAÇÃO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91. A contratação de serviços de operação de transporte urbano não ostenta qualquer nota diferenciadora em relação à contratação de serviços de outra natureza que justifique a não incidência da contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91. Recurso de Ofício Provido
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ENTIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA. Nos termos do art. 15 da Lei n° 8.212/91, considerase empresa não só a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, como também os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. CONTRATAÇÃO. COOPERATIVAS DE TRABALHO. OPERAÇÃO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91. A contratação de serviços de operação de transporte urbano não ostenta qualquer nota diferenciadora em relação à contratação de serviços de outra natureza que justifique a não incidência da contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91. Recurso de Ofício Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo o lançamento como lavrado, por restar comprovada a contratação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, pelo sujeito passivo que fica, assim, obrigado à contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado pinheiro, Juliana Campos de Carvalho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 02 /2 01 1- 18 Fl. 837DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pela ilegitimidade passiva do Município de São PauloSecretaria de Transportes para figurar no pólo passivo da autuação fiscal. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19311.720402/201118 Acórdão n.º 2302003.078 S2C3T2 Fl. 837 3 Relatório Tratase de recurso de ofício em face da decisão de primeira instância que, por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente, exonerando o crédito tributário lançado no montante de R$ 23.130.355,32, já incluídos os juros e a multa. Adotase trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 787 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Do lançamento Consoante o relatório fiscal do processo em referência, o Auto de Infração nº 37.323.3485 foi lavrado para a constituição do crédito relativo à contribuição previdenciária de que trata o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, correspondente a 15% dos valores pagos ao Transcooper Cooperativa de Transporte de Pessoas e Cargas da Região Sudeste, no período de 04/2007 a 12/2008, pela execução, por meio de seus cooperados, dos serviços de transporte coletivo público de passageiros na Área 4 do Subsistema Local do município de São Paulo. Mencionado relatório é composto de diversos itens, dentre os quais destacamos os seguintes: ■ “BREVE HISTÓRICO” (item 4) Depois de um breve escorço histórico da legislação reguladora do transporte coletivo urbano de passageiros no Município de São Paulo, este item explicita, em síntese, que: a) Para efetivamente dar início ao novo sistema de transporte coletivo de passageiros, foi aberta a Concorrência Pública n° 13/2002 SMT.GAB, que teve por objeto a outorga da permissão do serviço de transporte coletivo em áreas do Subsistema Local, na cidade de São Paulo, substituindo as modalidades Bairro a Bairro e Lotação (cópia do Edital no Anexo VI); b) Em decorrência da Concorrência supracitada, a Prefeitura do Município de São Paulo, por intermédio da Secretaria Municipal de Transportes, representada neste ato pelo Secretário Municipal de Transportes, senhor Jilmar Augustinho Tatto, firmou TERMO DE PERMISSÃO PARA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO DE OPERAÇÃO DE TRANSPORTE COLETIVO DE Fl. 839DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 PASSAGEIROS, NA ÁREA 04 DO SUBSISTEMA LOCAL, NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, em 18 de julho de 2003, com a cooperativa Transcooper Cooperativa de Transporte de Pessoas e Cargas da Região Sudeste, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 02.183.779/000153 (ANEXO VII); c) Permanece a cargo da São Paulo Transportes S/A. (SPTrans) a gestão financeira das receitas e despesas do Serviço de Transporte Coletivo Público de Passageiros, devendo referida empresa, para tanto, manter contas bancárias específicas, destinadas exclusivamente a este fim, com base no art. 39 da Lei n°13.241/2001; d) Também incumbe à SPTrans a prestação de serviços especializados de gerenciamento, fiscalização, administração e engenharia de transporte, compreendendo a manutenção do sistema de pagamento aos operadores do sistema de transporte coletivo urbano de passageiros (Anexo IX); e) A SPTrans é responsável pelo pagamento das remunerações das cooperativas que operam no sistema de transporte coletivo, conforme estabelecido nos instrumentos de outorga das permissões ("contratos de adesão"), sendo que os valores são publicados mensalmente nos "Relatórios das Receitas e Despesas Sistema de Transporte Coletivo" (fluxo financeiro), em obediência à Lei n°11.379, de 17/06/93, e podem ser consultados no sítio da SPTrans na internet; f) Os pagamentos aos operadores do transporte são registrados na contabilidade da “SPTrans” em uma conta própria ("Conta Sistema"), que não afeta seu resultado, ou seja não gera receita, nem despesa para a empresa; g) basicamente, temse a entrada de recursos representada pela venda dos bilhetes de passagem (atualmente venda de créditos do Bilhete Único), mais os valores repassados pela Prefeitura (gratuidades e compensação tarifária), e as saídas quando do pagamento aos operadores que prestam serviços no sistema de transporte coletivo; h) O valor da remuneração nos serviços regulares corresponde ao produto de dois fatores: o valor da remuneração por passageiro registrado, específico por área de atuação, e o número de passageiros registrados; i) As operações são remuneradas considerando, além da remuneração por passageiro, um complemento em função da renovação de frota com idade superior ao limite contratual. Em relação à quantidade de passageiros, além dos pagantes registrados, considerouse, também, na Fl. 840DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19311.720402/201118 Acórdão n.º 2302003.078 S2C3T2 Fl. 838 5 fórmula da remuneração, os passageiros integrados e os gratuitos registrados. Assim sendo, passaram a ser considerados, para a obtenção do valor total da remuneração, o "Fator de Integração FI" e o "Fator de Gratuidade FG"; j) A operação das linhas deve ser realizada em conformidade com o Edital, contrato de permissão, normas legais e regulamentações expedidas pela Secretaria Municipal de Transportes, bem como de acordo com as Ordens de Serviço emitidas pela permitente, nas quais estão estabelecidas as características operacionais dos serviços para cada linha, incluindo definição de trajetos, horários, frota necessária (Anexo XIII, a título de exemplo). ■ “CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR” (item 5) Neste item, a fiscalização afirma, em essência, que: a) Quando da contratação de cooperativas de trabalho para prestação de serviços, a tomadora enquadrase na condição de sujeito passivo da contribuição previdenciária prevista no art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, a partir de março de 2000, em razão da alteração promovida pela Lei n° 9.876, de 26/11/99; b) No tocante ao limite mínimo do valor do serviço, de que trata o § 8º do art. 219 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, há disposição específica para a atividade de transporte de passageiros, expressa no § 20 do art. 201 do mesmo normativo, no sentido de que ele não será inferior a vinte por cento do valor da nota fiscal ou fatura emitida pela cooperativa; c) Em consonância com os dispositivos legais aplicáveis, as permissionárias estavam obrigadas, por expressa disposição contratual (Cláusulas 5.6 e 5.7 do Termo de Permissão), a apresentar notas fiscais com discriminação do valor total dos serviços e dos valores excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos da Orientação Normativa n° 01/2002/PREF (Anexo XIV), documentos fiscais esses que, segundo informado pela entidade fiscalizada, não foram emitidas; d) As remunerações pagas às cooperativas de trabalho não foram declaradas pelo órgão contratante (Município de São Paulo Secretaria Municipal de Transportes SMT) em GFIP, razão pela qual foi Fl. 841DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 lavrado o auto de infração correspondente, bem como será formalizada Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente, por caracterizar, em tese, crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no art. 337A do Código Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983/2000; e e) Em vista do exposto, a Secretaria Municipal de Transportes, na condição de tomadora de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, deixou de cumprir sua obrigação previdenciária, pois não recolheu a contribuição prevista no art. 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, fato que ensejou o levantamento do crédito previdenciário, constituído pelo presente Auto de infração. ■ “APURAÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO” (item 6) Por fim, o auditor fiscal explicita o modo de apuração da base de cálculo das importâncias lançadas, sobre as quais restou aplicada a alíquota de 15% de que trata o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Da impugnação Inconformado com o lançamento, o Município de São Paulo impugnou o por meio do expediente de fls. 763 a 770, em que postula o cancelamento do auto de infração mediante as seguintes alegações, em síntese: Quanto ao fato gerador da contribuição exigida 1ª) A incidência da contribuição social prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91 é sobre o valor pago pelo tomador quanto aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, de modo que, para a incidência da contribuição lançada no auto de infração ora impugnado, seria necessária a contratação das cooperativas de trabalho para a prestação de serviços à Administração e que o custo de tais serviços fosse ônus da própria Administração; 2ª) Porém, no caso em tela, a contratação das cooperativas teve como intuito a prestação de serviço público de transporte à população por meio de permissionários, os quais recebem como contrapartida as tarifas pagas pelos usuários, nos termos do artigo 175 da CF, o qual estabelece que incumbe ao Poder Público diretamente ou sob regime de concessão ou permissão a prestação dos serviços públicos; 3ª) É certo que o serviço de transporte público municipal, de titularidade do Poder Público não se desnatura quando Fl. 842DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19311.720402/201118 Acórdão n.º 2302003.078 S2C3T2 Fl. 839 7 sua execução é delegada aos permissionários, pelo que não se está diante de terceirização mediante contrato de prestação de serviço, mas sim de delegação de serviço público, por meio de permissão, decorrente de licitação, no qual é o usuário o verdadeiro tomador do serviço público, custeandoo; 4ª) É fato notório que o Sistema de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros do Município de São Paulo e sua política tarifária adotada para manutenção, é calcada em um complexo Sistema de Bilhetagem Eletrônica, o "Bilhete Único", no qual o beneficiário pode antecipar o custo da utilização; 5ª) Todavia, a possibilidade do usuário poder se dirigir a um dos postos de venda do "Bilhete Único" e com seu cartão creditarse, pagando a tarifa antecipadamente, que será descontada quando for registrada na catraca do coletivo a efetiva utilização do serviço de transporte, não descaracteriza a permissão do serviço público; 6ª) Ocorre que é esse repasse dos custos (valores antecipados pelos usuários) aos permissionários que está servindo de hipótese de incidência e base de cálculo, por isso, a ilegalidade e inconstitucionalidade da tributação. 7ª) Assim, verificase que na situação acima transcrita não há que se falar em contribuição social prevista no artigo 22, inciso IV da Lei Federal n° 8.212/91, pois o referido tributo não incide sobre os valores repassados aos permissionários do serviço de transporte coletivo. Quanto à legislação aplicada pela fiscalização 1ª) O inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91 é inconstitucional, uma vez que não se amolda ao comando do art. 195, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal, ao envolver relação havida entre empresa e cooperativa, além da inexistência de adequação entre a base de cálculo fixada e a descrita no citado dispositivo do Texto Supremo; 2ª) A contribuição da Lei n° 8.212/91 tem base de cálculo diversa da fixada no art. 195, I, "a", da Constituição – circunscrita aos valores pagos como remuneração de trabalho –, pois considera todos os acréscimos existentes no valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida; 3ª) Preciso o parecer do Senhor Procurador Geral da República ao opinar pela procedência total da ADIn n° 2.594, para que seja declarada a inconstitucionalidade do art. 22, IV, da lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, na Fl. 843DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 redação que lhe conferiu o art. 1º da Lei n° 9.876, de 26 de novembro de 1999; 4ª) Aliás, existem inúmeros acórdãos do Tribunal Regional Federal da Terceira Região declarando a inconstitucionalidade formal da Lei 9.876/99, ao acrescentar o inciso IV ao art. 22 da lei 8.212/91. Da situação da permissionária perante a previdência social Não há notícia de que a auditoria tenha averiguado se as permissionárias recolheram ou não as contribuições devidas à previdência social, informação essa que é imprescindível para a legitimidade da autuação, pois, se houve o recolhimento acima mencionado, é claro e inequívoco que não há que se falar em qualquer débito perante o INSS, sendo certo que, no máximo, poderseia falar em eventual multa por descumprimento de obrigação acessória. Isto posto, vêm os autos conclusos para julgamento. É o relatório. (...) A DRJ conheceu da defesa interposta pela recorrente e, quanto ao mérito, julgou procedente a impugnação, exonerando a entidade pública autuada do crédito tributário constituído. Do acórdão constou a seguinte ementa: INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMA REGULARMENTE POSTA E EM VIGOR. RECONHECIMENTO NO ÂMBITO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de ato normativo regularmente posto e em vigor, vez que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS, POR MEIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRATANTE. OBRIGAÇÃO. SITUAÇÃO DA COOPERATIVA PERANTE A PREVIDÊNCIA SOCIAL. IRRELEVÂNCIA. Ocorrido o fato gerador da contribuição prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a obrigação da empresa ali referida de proceder ao recolhimento da respectiva importância independe de a cooperativa de trabalho estar ou não em situação regular no tocante às suas próprias obrigações previdenciárias CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS, POR MEIO DE COOPERATIVA DE Fl. 844DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19311.720402/201118 Acórdão n.º 2302003.078 S2C3T2 Fl. 840 9 TRABALHO. NÃO CONFIGURAÇÃO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. A delegação, sob a modalidade de permissão, de serviço público à cooperativa de trabalho não equivale à contratação da prestação dessa mesma utilidade ao Poder Público delegante. Desta forma, a execução do aludido serviço, pelos associados da cooperativa e por meio desta, não se subsume à hipótese descrita no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Não houve apresentação de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Compatibilidade entre a situação prevista no artigo 22, IV, da Lei n° 8.212/91 e Permissão de Serviços Públicos. Natureza Jurídica do Contrato. Nomen Iuris. Conceitos Doutrinários x Realidade dos Autos. Da análise dos autos, destacase, de largada, que importa muito pouco, para o presente voto, a forma de contratação dos serviços, se mediante delegação, nas suas formas de permissão e concessão; ou por intermédio de mero contrato administrativo de prestação de serviço. Importanos, muito mais, como, efetivamente, foram cumpridas as obrigações das partes, a fim de se concluir se houve ou não a realização de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas ao tomador de serviços (art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91). Frisese ainda que a linha aqui adotada vislumbra como teoricamente viável a ocorrência da situação delineada no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91 em serviços em regime de permissão, pois tal forma de contratação, abstratamente, não ostenta qualquer nota diferenciadora que justifique a não incidência da referida contribuição quando da contratação de cooperativas de trabalho. Quanto aos diversos conceitos doutrinários a respeito do instituto da permissão, ressaltese o entendimento de que figuras teóricas são boas para a apreensão do conceito tradicional ou para a visualização do normalmente ocorre (ou ocorria, se estivermos nos referindo a conceitos ultrapassados), mas que estas ilustrações nem sempre são representativas da complexa realidade do mundo fenomênico, de sorte a se concluir pela impossibilidade de reduzir todas as permissões de serviço público a um único, preciso definitivo e acabado conceito. Apenas para aclarar esta compreensão, citase a variabilidade de características entre as permissões de serviços como “radiodifusão sonora, de sons e imagens e outros serviços de telecomunicações; serviços de energia elétrica, navegação aérea, aeroespacial; serviços de transporte rodoviário, ferroviário e aquaviário”, etc. (trecho destacado conforme CARVALHO FILHO, José Santos. Manual de direito administrativo. 24ª ed. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2011, p. 385). Assim, entendemos dispensável enfrentar a hercúlea missão de definir o que seja permissão de serviço público. Preferese adentrar, diretamente, na análise da ocorrência ou não da contratação de cooperativa de trabalho para fins de averiguação da ocorrência da situação prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91. Isso sem falar que é lição elementar de Direito que a natureza jurídica dos atos praticados, dos fatos ocorridos ou das relações jurídicas que se estabelecem decorrem da forma como efetivamente se mostram na realidade, não podendo ser feito o seu enquadramento legal tomando por base o nomen iuris atribuído pelas partes ou por terceiros. Aqui podemos citar o princípio da verdade material ou o princípio da primazia da realidade, que vão no sentido da ideia que se propõe. Por tais razões, reafirmase que, para a solução da questão relativa à obrigação de recolhimento da contribuição correspondente a “quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”, é de somenos importância a denominação ou a mera forma em que se deu a contratação. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19311.720402/201118 Acórdão n.º 2302003.078 S2C3T2 Fl. 841 11 Assim, seja porque entendemos plenamente cabível a ocorrência da hipótese prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91 em permissões, seja porque o nomen iuris não tem força suficiente para atribuir natureza jurídica a determinado contrato ou procedimento, seja porque os conceitos doutrinários ofertados precisam ser analisados diante de uma realidade de grande complexidade, passamos a apreciar, diretamente, o enquadramento do caso em apreço na hipótese prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91. Aspectos Relevantes da Prestação de Serviço. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 13 e seguintes) e do quanto mais consta dos autos, a Prefeitura do Município de São Paulo firmou TERMO DE PERMISSÃO PARA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO DE OPERAÇÃO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS, NA ÁREA 04 DO SUBSISTEMA LOCAL, NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, em 18 de julho de 2003, com o Transcooper Cooperativa de Transporte de Pessoas e Cargas da Região Sudeste. A autoridade fiscal enquadrou a prestação de serviços descrita no termo de permissão na hipótese de incidência prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (destaques nossos) Parece livre de dúvidas que a Prefeitura do Município de São Paulo, enquanto contratante, figurou como empresa, nos termos do art. 15 da Lei n° 8.212/91, que considera empresa não só a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, como também os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional: Art.15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta e funcional. Também podese asseverar, e será detalhado mais à frente, que, nos termos relatados pela autoridade fiscal, houve o enquadramento da situação contratualmente prevista como contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91). Fl. 847DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Assim, entendeu a autoridade fiscal que a contratação de serviços de operação de transporte urbano não ostenta qualquer nota diferenciadora em relação à contratação de serviços de outra natureza que justifique a não incidência da contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91. Aliás, é de se notar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil prevê, expressamente, a possibilidade, em tese, de o serviço prestado enquadrarse prevista na situação descrita no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91: Art. 218. Na atividade de transporte de cargas e de passageiros, para o cálculo da contribuição social previdenciária de 15% (quinze por cento) devida pela empresa tomadora de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, desde que os veículos e as respectivas despesas com combustível e manutenção corram por conta da cooperativa, a base de cálculo não será inferior a 20% (vinte por cento) do valor bruto pago pelos serviços. (Instrução Normativa RFB n° 971/2009) Analisase, a partir deste ponto, o acerto do enquadramento fiscal. De acordo com o edital de concorrência, “o objeto da permissão é a delegação da prestação dos serviços de Transporte Coletivo Público de Passageiros em parcela de cada uma das áreas do subsistema local”, conforme autorizado pela Lei Municipal n° 13.241/01, com a finalidade de atender às necessidades atuais e futuras de deslocamento da população” (fls. 103). Assim, a Prefeitura do Município de São Paulo, ao invés de prestar diretamente o serviço público de operação de determinadas linhas, contrata terceiros, no caso, Cooperativa. Tanto o edital de concorrência como o contrato de permissão deixam claro que houve a contratação de serviços e não a mera permissão para a exploração de determinado serviço público, tal qual autorizações para táxis ou porte de arma ou permissões para a exploração de serviços de radiodifusão ou banca de revista. Toda a descrição técnica dos padrões a serem utilizados está contratualmente prevista, vale dizer, o serviço foi contratado e foram estabelecidas pormenorizadas condições de cumprimento, de sorte a se descaracterizar a mera autorização para a exploração de um serviço público. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19311.720402/201118 Acórdão n.º 2302003.078 S2C3T2 Fl. 842 13 Pelos aludidos documentos, a operadora das linhas obrigase ainda a prestar serviços em Operações Especiais, o que novamente demonstra que foram contatados serviços, não se resumindo a aludida permissão à mera “autorização” para a exploração de um serviço público: Ademais, a responsabilidade, perante o usuário, mantémse, contratualmente, com o Poder Permitente, como se verifica da cláusula abaixo, o que mais uma vez afasta, por completo, qualquer similitude com permissões e autorizações em que a participação do Poder Público é diminuta: Fl. 849DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Outrossim, além do edital de concorrência e do contrato de permissão, o Relatório Fiscal é claro ainda em afirmar que os serviço prestados foram de operação de linhas de transporte urbano, os quais eram realizados em conformidade com edital de concorrência, contrato de permissão, normas legais e regulamentações expedidas pela Secretaria Municipal de Transportes, bem como de acordo com as Ordens de Serviço emitidas pelo Poder Concedente, sendo que nas Ordens de Serviço de Operação estão estabelecidas as características operacionais dos serviços para cada linha, incluindo definição de trajetos / percursos, horários, frota necessária, etc. (Relatório Fiscal, fls. 19). Destarte, plenamente configurado que a Prefeitura do Município de São Paulo, ao invés de prestar o serviço diretamente aos seus usuários, optou por contratar cooperativas de trabalho, incidindo na hipótese prevista no art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91. A dinâmica que aqui se descreve já foi captada pelo STJ, em hipótese que se distingue do presente caso pelo fato de ter se dado na iniciativa privada, o que importa muito pouco diante do conceito de empresa já delineado no presente voto (artigo 15 da Lei n° 8.212/91): Ocorre que, apesar das judiciosas razões recursais, há muito a jurisprudência desta Corte encontrase pacificada no mesmo sentido do acórdão recorrido, vale dizer, o de que: 1) a Unimed, na condição de entidade cooperativa, atua como intermediadora entre o cooperado e a pessoa jurídica tomadora do serviço, ao colocar à disposição do usuário o serviço médico, sujeitandose, pois, ao recolhimento da contribuição previdenciária prevista no art. 1º, II, da LC nº 84/96; 2) mesmo que o serviço seja prestado à pessoa física (empregado), a destinatária imediata é a pessoa jurídica (empregador), contratante da Unimed; 3) os profissionais médicos que atendem aos terceiros são associados à cooperativa e dela recebem a retribuição pelos atendimentos realizados, e não diretamente do terceiro que utilizou o serviço; Fl. 850DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19311.720402/201118 Acórdão n.º 2302003.078 S2C3T2 Fl. 843 15 4) as cooperativas são equiparadas à empresa para fins de aplicação da legislação do custeio da Previdência Social. Assim, sobre os valores pagos mensalmente aos médicos, os cooperados, incide contribuição previdenciária. (REsp 962297/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/08/2009, DJe 03/09/2009) É de se ressaltar ainda que, de toda a descrição contida no Relatório Fiscal, vislumbrase que o Município não delega ou repassa integralmente o serviço de transporte público. Em verdade, a Secretaria Municipal de Transportes – SMT mantémse como responsável por todas as questões relativas aos transportes na área do Município, tais como estudo, planejamento, integração, supervisão, fiscalização e controle dos transportes coletivos, táxis, veículos de carga e outros (Lei n° 7.698/72 e Decreto n° 15.003 – legislação municipal). Há ainda a empresa estatal SPTrans que, como destacado no Relatório Fiscal, faz “gerenciamento, fiscalização, administração e engenharia de transporte, compreendendo a manutenção do sistema de pagamento” das empresas contratadas para operar linhas (fls. 18). Assim, o Município, em última instância mantémse como responsável pelo transporte público da cidade, sem embargo de que, diante da complexidade inerente à manutenção e desenvolvimento de um transporte público direcionado a uma população de doze milhões de pessoas, adote diferentes meios para melhor ofertar o transporte público. Não é por outra razão que constitui uma empresa estatal para o gerenciamento e supervisão de parte importante do sistema e que segregue áreas e contrate cooperativas para operar as linhas correspondentes a cada área. Aliás, a história da empresa antecedente à SPTrans e contada no Relatório Fiscal bem demonstra o caminho percorrido pelo transporte público de São Paulo, que não é muito diferente do fenômeno da terceirização, inteiramente relacionado ao instituto em destaque: No município de São Paulo, em 1947, a criação da Companhia Municipal de Transportes Coletivos – CMTC, como concessionária exclusiva do transporte coletivo. Esta empresa, na medida em que foi estendendo, ao longo dos anos, sua atuação para o planejamento e gestão do sistema de transporte coletivo, foi, em contrapartida, reduzindo sua atividade como operadora efetiva, passando a dividir com empresas privadas a responsabilidade pelo transporte público de passageiros, através de subconcessões ou permissões. (Relatório Fiscal, fls. 15) É preciso levar em consideração também que nem sempre é de interesse público delegar ao particular a integralidade de um serviço público, mormente nos dias atuais, como já destacado. A SPTrans exerce papel fundamental e, conjuntamente com o Município, mantém no Poder Público os poderes estratégicos e fundamentais no que tange ao transporte público municipal, repassando à iniciativa privada a mera execução material do transporte de passageiros. Tal situação parecenos clara, evidente e até intuitiva, bastando pensar no sistema Fl. 851DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 16 como um todo e em sua alta complexidade (monitoramento do sistema, pontos de ônibus, terminais de ônibus, corredores exclusivos, comercialização de passagens, convênios, gratuidades, descontos, marketing, reclamações do usuário, informações à população, segurança do transporte público, integração com outros meios de transporte, etc.). Não é muito diferente de uma empresa, que toma serviços de diversos prestadores para atender a cada uma de suas inúmeras necessidades e, não raramente, contrata serviços terceirizados, inclusive por intermédio de cooperativas. Dessa maneira, podese afirmar que o Município continua responsável pelo sistema de transporte público e que a operadora apenas presta serviço de transporte público em determinadas linhas, sob todas as condições e formas impostas pelo Poder Público, caracterizando, destarte, a contratação de cooperados por intermédio de cooperativas. Sim, a serviço da contratante, pois a função da contrantante não é outra coisa senão prestar serviço público à população, daí o serviço ser prestado diretamente ao usuário, ainda que com intenso controle do serviço pela SPTrans e pela municipalidade. Tratase de situação muito semelhante à contratação de serviços de vigilância e de limpeza em um Shopping Center ou em uma Universidade. Os serviços, fisicamente, são prestados diretamente aos clientes do Shopping Center e aos alunos da Universidade, mas o tomador do serviço é o próprio empreendimento, que exerce o controle sobre a prestação de serviço, que pode, inclusive, ser prestador por intermédio de cooperativa. Uma outra nota representativa do que se expõe é que a SPTrans tem a exclusiva competência para emitir passagens, assim entendidas quaisquer tipos de bilhete: comum, passe de ônibus ou escolar, bem como os créditos eletrônicos. O usuário, para utilizar o transporte, normalmente, apresenta nos ônibus as passagens adquiridas antecipadamente nos postos de venda autorizados pela SPTrans. As passagens, pagas em dinheiro pelos usuários na catraca do ônibus, constituem uma antecipação da remuneração da contratada. Com o total da arrecadação da tarifa (fonte primária de recursos), mais os subsídios autorizados (quando previstos), a SPTrans efetua os pagamentos às empresas prestadoras. O Relatório Fiscal aduz que a forma de remuneração das cooperativas foi distinta em etapas ou períodos determinados, em função da vigência dos dispositivos contratuais que foram sendo alterados ao longo do tempo, sendo que se pode afirmar que: 4.29.1. O valor da remuneração corresponde ao produto de dois fatores: a) o valor da remuneração por passageiro registrado, específico por área de atuação; b) o número de passageiros registrados. Tais valores são ajustados, nos termos do contrato e seus aditivos, considerando o Índice de Integração e o Índice de Gratuidade, dentre outros critérios previstos. 4.29.2. O número de passageiros transportados deve ser registrado em sistema de controle das permissionárias, aferido pela SPTrans (validadores e catracas eletrônicas nos veículos e sistemas de transmissão dos dados). 4.29.3. Os Termos de Aditamento determinam, dentre outras coisas, a instalação de equipamentos de monitoramento embarcado – AVL, em toda a frota. Definem, também, o atendimento às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, bem como plano para obtenção da certificação de qualidade. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19311.720402/201118 Acórdão n.º 2302003.078 S2C3T2 Fl. 844 17 4.29.4. As operações são remuneradas considerando, além da remuneração por passageiro, um complemento em função da renovação de frota com idade superior ao limite contratual. Em relação à quantidade de passageiros, além dos pagantes registrados, considerouse, também, na fórmula da remuneração, os passageiros integrados e os gratuitos registrados. Assim sendo, passaram a ser considerados, para a obtenção do valor total da remuneração, o “Fator de Integração – FI” e o “Fator de Gratuidade – FG”. 4.30. A operação das linhas deve ser realizada em conformidade com o Edital, contrato de permissão, normas legais e regulamentações expedidas pela Secretaria Municipal de Transportes, bem como de acordo com as Ordens de Serviço emitidas pela permitente. 4.31. Nas Ordens de Serviço de Operação estão estabelecidas as características operacionais dos serviços para cada linha, incluindo definição de trajetos, horários, frota necessária (Anexo XIII, a título de exemplo). (destaques nossos) Todos esses aspectos relativos à manutenção de boa parte dos serviços nas mãos do Poder Público são relevantes por uma única razão: tornam ainda mais evidente que a mão de obra foi disponibilizada à contratante, que é, em última instância, quem desenvolve a atividade de transporte público urbano de passageiros no Município de São Paulo, tomando serviços de terceiros por intermédio de cooperativa de trabalho apenas para melhor executar este seu mister. Aliás, ponto de destaque final é o fato de as permissionárias estavam obrigadas, por expressa disposição contratual (Clásulas 5.6 e 5.7 do Termo de Permissão), a apresentar nota fiscal discriminada, com indicação do valor total dos serviços e dos valores excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos da Orientação Normativa nº01/2002/PREF, que reproduzimos abaixo: ORIENTAÇÃO NORMATIVA 1/02 PREF CONSIDERANDO o disposto na Lei Federal 9.876, de 26 de novembro de 1999, que alterou, entre outros aspectos, a responsabilidade pelo recolhimento de contribuições previdenciárias nos casos de contratação de prestação de serviço a ser efetuada por intermédio de cooperativas de trabalho, determinando que essa obrigação seja da contratante dos respectivos serviços; CONSIDERANDO o posicionamento exposto pela Procuradoria Geral do Município, corroborado pela Secretaria dos Negócios Jurídicos, no sentido da necessidade da equalização das propostas comerciais apresentadas pelos licitantes, quando incluídas as cooperativas de trabalho, Fl. 853DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 18 visando cumprir o princípio do julgamento objetivo do certame, e, CONSIDERANDO, ainda, a proposta apresentada pela Secretaria das Finanças e Desenvolvimento Econômico sobre a disciplina desta matéria, A PREFEITA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, no uso de suas atribuições legais, expede a seguinte ORIENTAÇÃO NORMATIVA 1. Os editais de licitações e os contratos, que tenham por objeto a prestação de serviços, observarão as disposições contidas neste ato. 2. As cooperativas de trabalho deverão apresentar suas propostas acompanhadas de planilha de composição de custos, que conterão: 2.1. o valor exato referente ao custo com mãodeobra; 2.2. a discriminação dos materiais a serem fornecidos e os equipamentos a serem utilizados na prestação do serviço, com seus respectivos valores, a serem excluídos da base de cálculo da contribuição, em conformidade com a legislação federal pertinente (Dec. Federal 3.048/99, Instrução Normativa INSS 20, de 18.5.00, OS/INSS/DAF 209/99 e demais disposições aplicáveis à espécie). 3. A fixação da base de cálculo da contribuição social respeitará sempre o percentual mínimo fixado pelo INSS. 4. A proponente é responsável pela correção dos dados apresentados na licitação. 5. A equalização das propostas das cooperativas será feita pelo acréscimo, ao valor ofertado< do percentual devido pela Prefeitura do Município de São Paulo, a título de contribuição previdenciária (15% da base de cálculo obtida de acordo com a disposição contida no item 3 ). 6. A contratada apresentará nota fiscal discriminada, com indicação do valor total dos serviços e dos valores excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária. 6.1. A comprovação dos valores excluídos darseá por meio de cópias autenticadas dos documentos fiscais pertinentes. 6.2. A contratada é responsável pela correção dos dados apresentados, bem como por erros ou omissões. 7. Caso os valores a serem excluídos da base de cálculo da contribuição não sejam comprovados, quando da apresentação da nota fiscal, ou sejam em montante inferior ao previsto no contrato, aplicarseá multa igual ao valor porventura ainda devido ao INSS. 7.1. O valor das multas será deduzido dos pagamentos futuros ou exigido na forma da lei. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19311.720402/201118 Acórdão n.º 2302003.078 S2C3T2 Fl. 845 19 8. A Secretaria das Finanças e Desenvolvimento Econômico regulamentará os procedimentos contábeis e financeiros destinados ao cumprimento do disposto neste ato. 9. As dúvidas surgidas para aplicação desta Orientação Normativa, serão resolvidas pela Secretaria das Finanças e Desenvolvimento Econômico ou pela Procuradoria Geral do Município, observada a competência de cada órgão em relação a matéria. 10. Esta orientação entrará em vigor na data de sua publicação. MARTA SUPLICY, Prefeita Destarte, estando comprovada a contratação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91, o que inclusive foi admitido em ato normativo da própria Prefeitura do Município de São Paulo, com respaldo de sua Procuradoria Geral do Município, que foi corroborado pela Secretaria dos Negócios Jurídicos, concluímos pelo acerto do lançamento fiscal quando ao enquadramento jurídico da prestação de serviços. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso de ofício para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 855DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10725.003161/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.186
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, a fim de que seja intimada a Prefeitura de Macaé/RJ para apresentar a documentação comprobatória dos pagamentos informados na DIRF à fl. 43, relativo ao ano-calendário de 2004.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Rubens Maurício Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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(Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Rubens Maurício Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento nº 2005/607451018384124, lavrada em 09/06/2008 (fls. 03/07), contra a contribuinte acima qualificada, resultante de alterações em sua Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2005, anocalendário de 2004, que implicou o lançamento de imposto suplementar de R$ 1.199,55, a ser acrescido da multa de oficio e dos juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, no valor tributável de R$ 3.952,01, relativo a fonte pagadora Macaé Prefeitura, conforme descrição dos fatos, à fl. 05 e b) glosa de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 25 .0 03 16 1/ 20 08 -0 7 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10725.003161/200807 Resolução nº 2102000.186 S2C1T2 Fl. 68 2 dedução indevida de despesas médicas, no valor tributável de R$ 410,00, relativa ao estabelecimento Pechal Empre. Esportivos Ltda, conforme descrição dos fatos, à fl. 04. Cientificada da exigência tributária em 18/12/2008, através de Edital (fls. 18/28), e irresignada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a interessada apresentou impugnação (fl. 01), recepcionada na unidade local da SRFB, em 12/12/2008, aduzindo o que se segue: “Eu, Vera Lúcia Vasconcelos, CPF: 00196224730, venho por meio desta, apresentar solicitação de impugnação para a Notificação de Lançamento, n° 2005/607451018384124, apesar de não estar de posse dos documentos exigidos por esta Delegacia. O recibo da Projex está sendo retificado e o comprovante de rendimento da Prefeitura Municipal de Macaé, foi solicitado com as devidas alterações. Comprometome a apresentar a documentação exigida assim que estiver pronta. Esclareço ainda, que em 28 de março de 2008, me apresentei a esta Secretaria para apresentar documentação do mesmo período, ou seja, exercício 2005, anocalendário 2004, conforme Termo de Intimação n° 2005/607270263881108 (anexo). Nesses termos, pede deferimento.” A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme excertos do voto abaixo transcrito: “[...]No mérito, a defesa não logrou demonstrar a improcedência da ação fiscal. Com efeito, a interessada limitouse, em sua impugnação, a alegar que não estava de posse dos documentos necessários à comprovação de suas alegações, requerendo a posterior entrega dos mesmos. Não obstante, decorridos de 32 (trinta e dois) meses, contados da data da apresentação da impugnação, a interessada não providenciou a juntada aos autos de nenhum documento apto a comprovar suas alegações. Do exposto, considerando ainda o disposto no art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal), a exigir que a impugnação seja instruída com a documentação em que se fundamenta, constatase a improcedência da impugnação. [...]”A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 1336.741 da 3ª Turma da DRJ/RJ2 em 29/09/2011 (fl. 38). Sobreveio Recurso Voluntário em 19/10/2011 (fls. 40/41), acompanhado dos documentos de fls. 42/64. Em síntese, a contribuinte alegou que: “Desde 2004 a requerente tem tido sérios transtornos e dissabores em sua vida, em virtude de tal vínculo empregatício. A requerente começou a desempenhar função pública junto ao Município de Macaé, em março de 1997, quando assumiu o cargo público de professor C, e a exerceu regularmente até março de 2004, quando foi acometida de doença grave que a impediu de continuar se deslocando de sua residência no município de Campos dos Goytacazes, até seu local de trabalho no município de Macaé. Tal enfermidade não foi reconhecida pelo município empregador, a partir de 04/2004, que em várias oportunidades no decorrer de um Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10725.003161/200807 Resolução nº 2102000.186 S2C1T2 Fl. 69 3 longo processo administrativo, negou concessão de licenças médicas à requerente. A divergência (R$ 3.952,01) objeto do lançamento fiscal, consiste no valor declarado de R$ 3.942,67, referente aos valores recebidos pelos meses de janeiro/2004 (R$ 2.192,73), fevereiro/2004 (R$ 1.199,82) e março de 2004 (R$ 609,89), conforme contra cheques e extrato bancário juntos, e o valor informado pelo município pagador de R$ 7.894,08, que além dos meses supra mencionados, ainda leva em conta valores pagos referentes aos meses de maio/2004 (R$ 1.029,94), junho/2004 (R$ 347,05) e julho/2004 (R$ 1.952,99) e agosto/2004 (765,21), que efetivamente não foram pagos à requerente, como se pode observar através do já mencionado extrato bancário do ano de 2004 em anexo e declarações também em anexo de que a requerente não exerceu suas atividades no período. Ou seja, desde o mês de abril de 2004, cujo contra cheque foi emitido zerado (em anexo) que a requerente nada mais recebeu do Município de Macaé. [...]a desorganização do órgão municipal responsável pelas informações à RFB, fica patente ao se verificar que a princípio foi informado no exercício 2004 o montante de R$ 11.778,69 (doc. J) a título de rendimentos tributáveis, tendo sido corrigido depois de reclamações da requerente para R$ 7.894,68 (doc. J). Pelo exposto requer a Vossa Senhoria que seja reconsiderada a decisão proferida no Acórdão e seja desconstituído o crédito tributário ora atacado.” É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente Recurso se cinge à controvérsia acerca da omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício, no valor tributável de R$ 3.952,01. Alega a recorrente que a divergência concernente ao valor de R$ 3.952,01, se dá pelo valor declarado de R$ 3.942,67, referente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004, respectivamente nos valores de R$ 2.192,73, 1.199,82 e 609,89, e que o valor informado pela Prefeitura Municipal de Macaé de R$ 7.894,08, inclui além dos rendimentos supracitados, os meses de maio, junho, julho e agosto de 2004, os quais afirma que não foram pagos. Dá análise dos documentos acostados no presente recurso, verificase que os extratos bancários relativos ao período de janeiro/julho, constantes em fls. 52/56, apontam tão Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10725.003161/200807 Resolução nº 2102000.186 S2C1T2 Fl. 70 4 somente “crédito vencimentos” depositados nos meses de janeiro à março, exatamente nos valores informados pela interessada no recurso (jan. R$ 2.192,73 fev. R$ 1.199,82 mar. R$ 609,89). Ademais, a fim de corroborar suas alegações, a recorrente acosta aos autos “FOLHA INDIVIDUAL DE PONTO” da Prefeitura Municipal de Macaé, RJ, (fls. 59/60), relativa aos meses de maio e julho de 2004, que não constam anotação alguma de freqüência da contribuinte. No que concerne ao mês de agosto, o qual não está compreendido nos extratos bancários e anotação de folha ponto, a declaração de fl. 61, da Secretária Municipal de Educação, comunica que a contribuinte, Professora C, não exerceu as suas funções durante o mês de agosto/2004. O documento de fl. 62, expedido pela Coordenador do RH – SEMAD, denota que a recorrente estava em situação irregular por não gozar de condições plenas de saúde, pois estava impossibilitada de viajar com freqüência da cidade de Goytacazes à Macaé, vindo a requerer em diversas oportunidades licença saúde. Cabe esclarecer que o mês de abril, conforme costa do “Demonstrativo de Pagamento de Salário” em fl. 47, foi emitido zerado, conforme alegou a contribuinte no presente recurso. Verificase que a declaração de fl. 42 foi retificada pela de fl. 43, alegando a recorrente que houve equívoco da Prefeitura de Macaé, RJ, ao declarar rendimentos pagos em valor superior ao efetivamente recebido, e para corroborar tais alegações, a contribuinte acosta aos autos cartões ponto, contracheques e especialmente declaração da secretaria de educação de fl. 61, que contradiz a declaração de fl. 43 em relação ao mês de agosto. Salientase ainda, que na declaração de fl. 43, em relação ao mês de janeiro está incluído junto aos rendimentos o 13º salário que tem tributação exclusiva (fl. 44), ocorre que no mês de julho, esse mesmo 13º foi excluído (conforme contracheque de fl. 50), portanto resta comprovado que também há equívocos na declaração de fl. 43. Assim, considerando que nos extratos bancários trazidos pela recorrente não há comprovação do efetivo recebimento dos rendimentos relativos aos meses de maio à agosto, nesse sentido, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Prefeitura de Macaé seja intimada a esclarecer as controvérsias no que concerne aos valores pagos à contribuinte. Ante o exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja intimada a Prefeitura de Macaé, RJ, para apresentar a documentação comprobatória dos pagamentos informados na DIRF à fl. 43, relativo ao anocalendário de 2004. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11634.000542/2009-99
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 01/07/2007
EXCLUSÃO DO SISTEMA SIMPLES. INEXISTÊNCIA DE EFEITO SUSPENSIVO. CRÉDITO LANÇAMENTO E AUTO DE INFRAÇÃO AUTÔNOMO. TRAMITAÇÃO NORMAL E REGULAR. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA, ANTE DETERMINAÇÃO LEGAL DECORRENTE DE IMPUGNAÇÃO/RECURSO ADMINISTRATIVO. VERBA PAGA PELO EMPREGADOR SOB DENOMINAÇÃO DE AJUDA DE CUSTO SEM QUE REALMENTE O FOSSE. ALÍQUOTA SAT/RAT APLICADAS NOS PARÂMETROS LEGAIS. DENTRO DE SUAS RESPECTIVAS ÉPOCAS. DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA STF Nº 08/2008 E DA LC 128/2008. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUE SE DESENVOLVEU EM OBSERVÂNCIA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. EXIGÊNCIAS LEGAIS ATENDIDAS. MULTA MORATÓRIA. APLICAÇÃO ADEQUADA E CORRETA NOS TERMOS DA LEI. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, TEMA FORA DA COMPETÊNCIA DO CARF. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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SERVIÇOS E SUPRIMENTOS PARA RECURSOS HUNAMOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 01/07/2007 EXCLUSÃO DO SISTEMA SIMPLES. INEXISTÊNCIA DE EFEITO SUSPENSIVO. CRÉDITO LANÇAMENTO E AUTO DE INFRAÇÃO AUTÔNOMO. TRAMITAÇÃO NORMAL E REGULAR. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA, ANTE DETERMINAÇÃO LEGAL DECORRENTE DE IMPUGNAÇÃO/RECURSO ADMINISTRATIVO. VERBA PAGA PELO EMPREGADOR SOB DENOMINAÇÃO DE AJUDA DE CUSTO SEM QUE REALMENTE O FOSSE. ALÍQUOTA SAT/RAT APLICADAS NOS PARÂMETROS LEGAIS. DENTRO DE SUAS RESPECTIVAS ÉPOCAS. DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA STF Nº 08/2008 E DA LC 128/2008. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUE SE DESENVOLVEU EM OBSERVÂNCIA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. EXIGÊNCIAS LEGAIS ATENDIDAS. MULTA MORATÓRIA. APLICAÇÃO ADEQUADA E CORRETA NOS TERMOS DA LEI. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, TEMA FORA DA COMPETÊNCIA DO CARF. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 05 42 /2 00 9- 99 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000542/200999 Acórdão n.º 2803003.037 S2TE03 Fl. 154 2 (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000542/200999 Acórdão n.º 2803003.037 S2TE03 Fl. 155 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.211.0061, que objetiva o lançamento das contribuições devidas a terceiros – outras entidades e fundos, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores considerados empregados, que prestaram serviços à recorrente, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 66 a 71, com período de apuração de 12/2003 a 06/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 51 e 52. O Auto de Infração é composto pelos levantamentos denominados FPE Importado; RUB – Importado; Z1 – Transferido do Lev. FPE (75%) e Z2 – Transferido do Lev. RUB (75%), conforme Relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04 a 17. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 03/09/2009, AR, de fls. 76. Consta, as fls. 106, que este processo foi juntado por apensação ao processo 11634.000545/200922, juntada ocorrida, em 25/08/2011. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação petição com razões de defesa, as fls. 259 a 274, recebida, em 02/10/2009, acompanhada dos documentos, de fls. 275 a 280. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 281. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0639.376 6ª, Turma DRJ/CTA, em 25/02/2013, fls. 107 a 120. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 09/05/2013, AR, de fls. 122. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 124 a 143, recebido, em 04/06/2013, conforme carimbo de recepção, fls. 124, acompanhado dos documentos, de fls. 144 a 150. Mérito. · que a recorrente não foi excluída do Simples Federal ou do Simples Nacional, estando o lançamento lastreado em fato inexiste, devendo ser anulado o auto de infração; · que o fisco presume que a recorrente pagou ajuda de custo sem caráter indenizatório, mas não traz qualquer prova indiciária desta conclusão, presumindo seu caráter remuneratório, cita e transcreve o Acórdão CARF 20600.696, sendo que todos os pagamentos efetuados a título de ajuda de custo, são ressarcimento de custos extras “para” o trabalho e, portanto, indenizatórios, pois devido a Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000542/200999 Acórdão n.º 2803003.037 S2TE03 Fl. 156 4 utilização de veículos próprios dos empregados (transporte), sendo isento tal pagamento alínea “n”, do § 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/91, cita e transcreve trecho do RESP 603.026RS, devendo ser excluídos do lançamento as contribuições lastreadas na ajuda de custo, conforme Anexo I, o valor irrisório da ajuda de custo paga, por si só demonstra sua natureza indenizatória, levantamentos RUB e Z2, do citado anexo; · que houve erro de direito e o ato norma deverá ser considerado nulo, pois o Decreto 6.042/07 estabeleceu novas alíquotas para o SAT/RAT, no caso da empresa CNAE 82113/00 – Serviços combinados de escritório e apoio administrativo a alíquota SAT/RAT é de 1%, mas o agente autuante lançou 2%, demonstrado desconhecer o direito aplicável e a regra matriz tributária; · que com base no Súmula Vinculante nº 8 e artigo 13, da LC 128/08 ocorreu decadência, pois o lançamento exige contribuições com prazo superior a cinco anos, aplicandose o artigo 150, § 4º, do CTN; · que a multa aplicada no auto não se sustenta ante a improcedência do próprio auto e pela inexistência da ajuda de custo com natureza remuneratória, sendo um desvio de finalidade a existência de multa fiscais proibitivas, devendo a multa ser considerada improcedente em razão da improcedência do auto em si ou da ilegalidade material desta, por afrontar a razoabilidade e a proporcionalidade; O tópico referente as alegações em face da Representação Fiscal para Fins Penais RFFP não será sumariado, o que se explicará no voto. · Dos pedidos – requer a recorrente: a) que o auto seja anulado, pois a recorrente não foi excluída do simples, ou, que alternativamente; b) seja excluído do auto os lançamento a título de “ajuda de custo” indenizatória; c) seja desconsiderada a alíquota SAT/RAT em razão do vício formal; d) que seja desconsiderada qualquer penalidade em razão da improcedência da autuação; e) que seja declarada a nulidade da representação fiscal para fins penais. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos subiram ao CARF, fls. 152. É o Relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000542/200999 Acórdão n.º 2803003.037 S2TE03 Fl. 157 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Verifiquei que os processos citados pela recorrente em relação a questão do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL, respectivamente, 16370.000075/200705 e 11634.000419/200978, encontramse na seguinte situação. O primeiro foi julgado pela DRJ/CTA – Acórdão nº 24.853, de 10/12/2007, tendo sido a manifestação de inconformidade julgada improcedente. Ainda, em relação a esse processo verifiquei que o mesmo foi julgado no CARF, na sessão de 18/10/2011, conforme extrato anexo a esse Acórdão, estando pendente de julgamento de Recurso Especial. Mas, a citada decisão foi favorável ao contribuinte, ou seja, seu Recurso Voluntário foi provido, observese o acórdão como anexo a este decisório. Quanto ao segundo processo, cuidase de tese nova não arguida na Impugnação/Defesa, uma vez que protocolizado os autos, em 07/07/2009, isto é, antes da defesa, bem como sobre o qual nada mais é informado além do próprio número. A tese apenas foi aventado no segundo grau, assim, deve incidir o artigo 17, do Decreto 70.235/72. Aliás, assim, também, posicionase o Superior Tribunal de Justiça – STJ, bem como o CARF, observese a transcrição. EMEN: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADES NO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DE A PARTE, QUE NÃO RECORRE, APROVEITARSE DE RECURSO DA PARTE ADVERSA PARA ACRESCER FUNDAMENTOS E TESES NÃO DESENVOLVIDAS NA ÉPOCA OPORTUNA. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE EXTEMPORÂNEA. 1. Inocorrência de irregularidades no acórdão quando a matéria que serviu de base à interposição do recurso foi devidamente apreciada no aresto atacado, com fundamentos claros e nítidos, enfrentando as questões suscitadas ao longo da instrução, tudo em perfeita consonância com os ditames da legislação e jurisprudência consolidada. 2. As funções dos embargos de declaração, por sua vez, são, somente, afastar do acórdão qualquer omissão necessária para a solução da lide, não permitir a obscuridade por acaso identificada e extinguir qualquer contradição entre premissa argumentada e conclusão. 3. O pedido de exclusão do 1% majorado não foi conhecido; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000542/200999 Acórdão n.º 2803003.037 S2TE03 Fl. 158 6 como dito no acórdão, 'deixo de analisar o pedido de fls. 73/81, pois: a) a embargante não apelou e não pode 'aproveitar' o apelo da Fazenda para, em pedido próprio, tentar modificar a decisão apelada; b) não se inova a lide na fase recursal e decisão judicial não pode ser considerada 'fato novo' a justificar a ampliação da lide, até por analisar acréscimo iniciado em 1989 – cuja inconstitucionalidade podia ter sido alegada pela embargante no momento próprio; c) o conhecimento da matéria nova transformaria o Tribunal em instância originária, suprindo um grau de jurisdição.” 4. A “exceção de préexecutividade” há de ser requerida antes do momento próprio para apresentação da defesa, evitando um prosseguimento inútil e o constrangimento da penhora em bens do devedor. Não há que se falar em “exceção de pré executividade” após a realização da penhora e após, como in casu, a rejeição dos embargos opostos pela devedora. 5. Os embargos declaratórios não se prestam ao reexame da matéria, no intuito de ser revista ou reconsiderada a decisão proferida. Não preenchimento dos requisitos necessários e essenciais à sua apreciação. 6. Embargos rejeitados. ..EMEN: (EDAGA 200201130278, JOSÉ DELGADO, STJ PRIMEIRA TURMA, DJ DATA:12/05/2003 PG:00222 ..DTPB:.) (o destaque é meu) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/1997 a 28/02/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO., PRECLUSÃO. ART, 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição. MULTA DE OFÍCIO NÃO É EXIGÍVEL DA EMPRESA QUE ESTEJA SOB LIQUIDAÇÃO JUDICIAL. Portanto, a multa de oficio não é exigível da empresas que esteja sob liquidação judicial. Quanto a aplicação dos .juros de mora, estes estão amparados pela legislação até a decretação da quebra, e, após esta data, apenas se o ativo for suficiente para o pagamento do principal. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL E FALÊNCIA, APLICAÇÃO DE MULTA. IMPOSSIBILIDADE, Após a decretação da liquidação extrajudicial ou da falência não cabe a imposição de multa, seja de mora seja de ofício, por força do art. 18, "f', da Lei nº 6.024/74, bem como pela aplicação sistemática do art. 34 desta mesma Lei com o art. 23, p,11., 111, do DecretoLei n° 7.661/45, combinados todos com a Súmula STF/565 Precedentes (RESP 532.539, DI 16/11/2004; Acórdão CSRE/0105..3871. 20/03/2006; Acórdão CSRF/0105,389, j. 20/03/2006) LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDIC1AL E FALÊNCIA APLICAÇÃO DE JUROS DE MORA POSSIBILIDADE O art. 26 do Decreto Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000542/200999 Acórdão n.º 2803003.037 S2TE03 Fl. 159 7 Lei if 7,661/45 e o art. 18 da Lei n° 6.024/74 condicionam a fluência dos juros, após a decretação da liquidação extrajudicial ou da falência, à sobra de ativo depois do pagamento do principal. Ou seja, se depois do pagamento do principal ainda houver sobra de ativo, correrão e serão legalmente exigidos e pagos os juros. Precedentes (RESP 531539, Dl 16/11/2004; REsp 761.755, D1 27/08/2007). JUROS DE MORA. SELIC.. APLICAÇÃO DA SÚMULA N°4 DO CARP. A partir. de 1" de abril de 1995, os .juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais PROC: 10680.008628/200356. Acórdão 340300486: Relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA; Data 29/07/2010 (o realce é meu). Além do que dito acima os eventuais recursos em razão da exclusão do sistema SIMPLES, seja o federal ou o nacional não possui efeito suspensivo e assim não impede o trâmite do processo de débito. Desta forma, o presente lançamento deve ser considerado como se fosse o caso de lançamento para prevenção da decadência, nos termos do artigo 63, da Lei 9.430/96, sem, contudo, é claro considerar a suspensão da fluência da multa de mora e juros, uma vez que não há depósito da quantia e nem ordem judicial para tanto e o recurso administrativo não traz tal efeito. O agente lançador deixou claro a origem dos valores lançados, conforme consta de seu REFISC, de fls. 66 a 71, em trecho que a seguir transcrevo. 3. Os fatos geradores aqui apurados e lançados abrangem o período de Dezembro/2003 a Junho/2007 e referemse a remuneração dos seguradosempregados e administradores da autuada, constantes em Folhas de Pagamento. 6. Analisadas as Folhas de Pagamento de Salários e Remunerações a empregados e contribuintes individuais (administradores), procedemos à apuração dos Salários de Contribuição, pela somatória das verbas salariais com incidência de contribuição previdenciária, assim reconhecidas pela empresa, bem como da verba Ajuda de Custo quando paga em mais de uma parcela e/ou paga sem caráter indenizatório pela mudança de local de trabalho do empregado. 6.1 A empresa efetuou pagamentos a titulo de Ajuda de Custo a diversos empregados e a sócioadministrador, sem o caráter indenizatório por mudança de local de trabalho e, em alguns casos, especialmente no do sócioadministrador, em mais de uma parcela. 6.2 Ocorreu um único caso de pagamento especifico de Ajuda de Custo Moradia, paga ao empregado Reginaldo Augusto Barbosa por três meses seguidos. Entretanto, ainda que fosse pago numa única parcela, não poderia subsistir o caráter indenizatório por mudança de local de trabalho em razão de o mesmo ter recebido Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000542/200999 Acórdão n.º 2803003.037 S2TE03 Fl. 160 8 sua primeira parcela da Ajuda de Custo Moradia no mesmo mês em que foi admitido na empresa (junho/2006). 6.3 Além de que, a empresa não possuía filiais de modo a poder transferir empregados entre os estabelecimentos. 6.4 Conclusivamente, nas condições acima descritas, as verbas de Ajuda de Custo e Ajuda de Custo Moradia pagas devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária, por não estarem ao abrigo do artigo 214, par. 9º, VII do Decreto 3.048/99, de 06/05/1999. No que tange ajuda de custo o agente lançador deixou claro, que estas não são pagas em razão da mudança do local de trabalho do trabalhador, como define a lei e assim sendo, esta tornase base da contribuição previdenciária, pois não está abrangida pela norma isentiva da alínea “g”, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/91. Embora, a recorrente alegue que tais valores são ressarcimentos pela utilização de veículos próprios dos empregados em serviços a favor da empresa, esta não apresenta, uma única prova sobre o que alegado, conforme determina o artigo 333, II, da Lei 5.869/73 e o artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72. Assim sendo, o Acórdão CARF 20600.696, não se aplica ao caso, pois a natureza remuneratória advém da violação à lei, uma vez que a verba é paga sob uma premissa inexistente. Da mesma forma o RESP do STJ não se aplica, pois a verba não é ajuda de custo é verba para outros fins “travestida” sob a denominação de ajuda de custo. O valor do pagamento realizado é irrelevante para a determinação de sua natureza jurídica e uma vez efetuado qualquer pagamento com natureza remuneratória a contribuição deve incidir independentemente do montante de sua base para o cálculo. Ademais a recorrente esta equivocada, pois não existe Anexo I, nestes autos. A alegação da recorrente em razão do erro de direito quanto a alíquota SAT/RAT é infundada o Decreto 6.042/2007, no que tange as novas alíquotas em razão da anterioridade mitigada, só entrou em vigor a partir de 01/06/2007, conforme estabelece o inciso II, do artigo 5º, daquele diploma legal. Podese observar que o levantamento FPE – Importado, não abrange a competência junho/2007, pois encerrase em maio/2007, ocorrendo o mesmo com o levantamento RUB – Importado. A competência junho/2007 só está lançada no levantamentos Z1 – Transferido do Lev. FPE (75%) e Z2 – Transferido do Lev. RUB (75%), porém com alíquota SAT/RAT de 1% como determina a legislação, situação averiguada no relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04 a 17, sendo improcedentes as alegações neste tópico. Além do que já foi dito acima, podese acrescentar aqui, também, como supramencionado que o contribuinte inovou a tese em sede recursal, uma vez que nada falou sobre alíquota SAT/RAT na impugnação de primeiro grau, valendo aqui o mesmo que dito Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000542/200999 Acórdão n.º 2803003.037 S2TE03 Fl. 161 9 anteriormente, quanto à inovação, devendo incidir o artigo 17, do Decreto 70.235/72, bem como a posição do Superior Tribunal de Justiça – STJ e do CARF, que foram acima transcritas. Por fim, sobre essa rubrica SAT/RAT, mas não menos importante ocorre aqui o chamado divórcio ideológico, como preconizado pelo Supremo Tribunal Federal – STF, haja vista que o lançamento encerra as contribuições para outras entidades e fundos – terceiros e a rubrica SAT/RAT e contribuição social previdenciária destinada ao RGPS, a qual não faz parte deste lançamento, sendo equivocada sua argumentação pela recorrente. Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) No que tange a alegação de decadência não é possível a aplicação do artigo 150, § 4º, da Lei 5.172/66 como pretendido pelo contribuinte, pois segunda consta do item dezessete do REFISC, abaixo transcrito, houve a verificação, ainda, que, em tese, de elementos que justificam a aplicação do artigo 173, I, da Lei 5.172/66. Aliás, o CARF sumulou a questão, no que tange a contagem do prazo decadencial para a situação expressa nos autos. Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Desta forma, como a primeira competência lançada foi 12/2003, seu lançamento só poderia se dar a partir de 01/01/2004 e assim primeiro dia do exercício seguinte seria 01/01/2005 e a decadência ocorreria apenas em 01/01/2010, como o lançamento se deu em 03/09/2009, não existe decadência a ser considerada. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000542/200999 Acórdão n.º 2803003.037 S2TE03 Fl. 162 10 Os quatro levantamentos constantes do lançamento estão classificados como não declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, basta ver o relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04 a 17, e, assim a multa moratória do artigo 33; 34 e 35, da Lei 8.212/91 são aplicáveis as parcelas lançadas no presente auto, sendo esta multa de caráter irrelevável. A multa foi estipulada pelo legislador ordinário, a quem compete aplicar a razoabilidade e a proporcionalidade na estipulação dos parâmetros legislativos para fixação da multa, não cabe ao julgador administrativo determinar tais valores, di per si, caso a caso, pois tal conduta violaria a legalidade e a segurança jurídica. De mais a mais o patamar fixado é considerado regular pelo judiciário, veja se os excertos. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. AGRAVO RETIDO. DECADÊNCIA. READEQUAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. CONFISCO NÃO CARACTERIZADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. 7. Não se realiza a hipótese de confisco quando aplicado o índice de 75%. Precedente do STF no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não configuram confisco (ADI nº 551 voto do Ministro Marco Aurélio). 10. Honorários advocatícios a carga da União arbitrados em 1% sobre o valor correspondente à parcela da dívida declarada inexigível, em consonância com o artigo 20, § 4º, do CPC. 11. Mantida a condenação da parte embargante ao pagamento dos honorários periciais, à luz do princípio da causalidade. (AC 00039920320044047009, LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, TRF4 SEGUNDA TURMA, 12/05/2010) PROCESSO CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRETENSÃO INICIAL. LIMITES. FALÊNCIA. SÓCIO. EXCLUSÃO DA MULTA E DE JUROS DE MORA. NÃO APROVEITAMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. CAPITALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DUPLA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA. MULTA. PERCENTUAL DE 30%. CONSTITUCIONALIDADE. 7. Quanto à multa de 30% incidente sobre o débito tributário do Apelante, o próprio STF (STF, 1.ª Turma, RE n.º 241.074/RS, Relator Ministro Ilmar Galvão, DJ 19.12.2002) já entendeu constitucional multa no percentual de 80%, sendo o percentual da multa ora examinado justificado pela necessidade de esta servir tanto de punição como de fator de dissuasão em relação Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000542/200999 Acórdão n.º 2803003.037 S2TE03 Fl. 163 11 à prática dos atos caracterizados como infração para fins de sua incidência. 8. Não provimento da apelação. (AC 200182000032880, Desembargador Federal Emiliano Zapata Leitão, TRF5 Primeira Turma, 24/09/2009) As alegações referentes à Representação Fiscal para Fins Penais não foram sumariadas, pois tal representação não é da competência deste órgão julgador, como asseverou o CARF na súmula transcrita, não podendo ser conhecida. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente, não havendo razão para atender os pleitos desta. No entanto, entendo que o presente feito deve aguardar na DRF origem a decisão do Recurso Especial, em razão do simples, que certamente é da fazenda e tão logo, tal reclamo seja decidido, aplicarseia a este por similitude e analogia a mesma regra que se aplica ao lançamento realizado para prevenir a decadência, ou seja, caso o contribuinte permaneça no SIMPLES, em sendo negado provimento ao Recurso Especial do processo 16370.000075/200705, anulação do presente e caso seja dado provimento ao Recurso Especial do processo 16370.000075/200705 prosseguimento do feito para cobrança amigável ou execução judicial se necessário. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso em parte, para no mérito da parte conhecida, negarlhe provimento, devendo a DRF origem observar a metodologia para crédito os créditos que visam prevenir a decadência, como consta da fundamentação deste decisório. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000542/200999 Acórdão n.º 2803003.037 S2TE03 Fl. 164 12 ANEXO AO ACÓRDÃO 2803XX.XXX Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000542/200999 Acórdão n.º 2803003.037 S2TE03 Fl. 165 13 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000542/200999 Acórdão n.º 2803003.037 S2TE03 Fl. 166 14 Dados do Processo Número : 11634.000419/200978 Data de Protocolo : 07/07/2009 Documento de Origem : REPEXCSIMPLES Procedência : SAFIS/DRF/LON Assunto : REPRESENTACAO PARA EXCLUSAO DE OFICIOSIMPLES NACIONAL Nome do Interessado : CH SERV E SUPRIMEN PARA REC HUMANOS LTDA CNPJ : 00.638.574/000190 Tipo: Digital Sistemas Profisc: Não EProcesso :Sim SIEF:Controlado pelo SIEF Localização Atual Órgão Origem : SEC CONTROLE ACOMP TRIBUTARIODRFLONPR Órgão : CONSELHO ADMINIST RECURSOS FISCAISMFDF Movimentado em : 25/04/2013 Sequencia : 0006 RM : 11025 Situação : EM ANDAMENTO UF : DF Retornar Este documento não indica a existência de qualquer direito creditório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 14474.000248/2007-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 20/10/2006
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos correlatos.
Numero da decisão: 9202-002.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, , Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Redator-Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 20/10/2006 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos correlatos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2235; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14474.000248/200793 Recurso nº 254.295 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.835 – 2ª Turma Sessão de 08 de agosto de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado EDITORA LUZ E VIDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/10/2006 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nos lançamentos correlatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, , Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 02 48 /2 00 7- 93 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14474.000248/200793 Acórdão n.º 9202002.835 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Em face de Editora Luz e Vida, foi lavrado Auto de Infração de fls. 01/16, em razão da não inclusão nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) de fatos geradores de contribuições previdenciárias, a saber, remunerações pagas aos segurados mediante créditos em cartões eletrônicos. Conforme TEAF de fls. 08/09, para os mesmos períodos envolvidos foi lavrada NFLD para lançamento das diferenças de contribuição previdenciária (mais multa e juros), formalizada em outro processo. A Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 280300.074, que se encontra às fls. 123/126 e cuja ementa é a seguinte: “APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Infração à legislação previdenciária. DATA DO JULGAMENTO. CITAÇÃO PESSOAL DOS PROCURADORES. IMPOSSIBILIDADE. A comunicação da data do julgamento é feita através de publicação no Diário Oficial da Unido, de acordo com o parágrafo único do art. 55 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no. 256, de 22 de junho de 2009. PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. O pedido de realização de perícia deverá apresentar os requisitos do art. 16, IV do decreto 70.235/72, caso contrário, considerarseá não formulado. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS.VEDAÇÃO LEGAL. Todo o conjunto probatório deve ser apresentado quando da impugnação. Exceção das situações constantes no art. 16 §4º do decreto 70.235/72. Não se enquadrando em nenhuma das hipóteses, vedada a juntada posterior de documentos. Recurso Voluntário Provido em Parte” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para calcular a multa considerando as disposições da Lei 8.212/191, em especial os arts. 32 e 35, na redação anterior a Lei n° Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 11.941/09 e 35A, na redação conferida pela Lei n° 11.941/09, aplicando o que for mais benéfico ao contribuinte. Intimada do acórdão em 14/04/2011 (fls. 127), a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração alegando que o acórdão não havia se pronunciado quanto a qual dispositivo da lei superveniente (art. 32A ou art. 35A da Lei 8.212/91) deveria ser objeto de comparação com a legislação antiga, para aferição da multa mais favorável ao contribuinte. Os Embargos de Declaração, por unanimidade de votos, foram acolhidos, nos termos do voto proferido no acórdão nº 280300.908 (fls. 132/134), que passou a integrar a decisão, para que fosse efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, para comparação aos valores que constam nos autos, devendo ser aplicado o resultado mais benéfico ao contribuinte. Intimada em 13/09/2011, a Fazenda Nacional, inconformada com o decidido em ambos os acórdãos, interpôs Recurso Especial às fls. 137/147, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão n° 240100.127, que considera que, para fins de aplicação da retroatividade benigna, do limite do art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44 da Lei n. 9.430/1996. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 273/2012, de 17/05/2012 (fls. 163). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 168/174) É o Relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14474.000248/200793 Acórdão n.º 9202002.835 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão nº 240100.127. O acórdão paradigma encontrase assim ementado: “OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP – Guia de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINSITRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – APLICAÇÃO. Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN.” (AC 240100.127) Tal se constata no exame do seguinte trecho do acórdão paradigma n. 2401 00.127: “(...) Asseverese que todas as contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio das notificações já mencionadas e, a meu ver, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32a, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso das notificações conexas e já julgadas, prevalecerem os valores de multa aplicados nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, o qual previa uma multa máxima de cinquenta por cento, ou seja, inferior ao percentual de setenta e cinco por cento estabelecido pela nova regra. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 Assim, para evitar o bis in idem, o cálculo da multa deve ser efetuado pela aplicação do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, excluindose os valores das multas lançadas nas notificações correspondentes. (...)” Verifico, no texto do acórdão paradigma, que ele determinou a aplicação, em situação semelhante à dos presentes autos, da retroatividade computada nos termos do art. 35 A da Lei nº 8.212/91 (e não 32A como fez o acórdão recorrido). Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Entendo que com o advento da Lei n. 11.941/2009 a multa pelo descumprimento de dever de apresentar corretamente a GFIP passou, por força da irretroatividade benigna, a ser regida pelo artigo 32A da Lei n. 8.212/1991, e não mais pelo antigo parágrafo 5º, assistindo razão ao Recorrente. Tal entendimento se aplica ainda que tenha havido, como no caso presente, exigência de contribuição previdenciária formalizada em NFLD relativa ao mesmo período. Neste diapasão, não compartilho do entendimento que passei a denominar de “cesta de multas”, segundo o qual a multa por descumprimento de obrigação acessória, lançada no presente auto de infração, deveria ser somada à multa por falta de recolhimento da contribuição, lançada na NFLD, para fins de comparação coma multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n. 9.430. Transcrevo a seguir o voto vencedor do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, nos autos do Processo nº 36378.002129/200615, cujos fundamentos adoto, verbis: “A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituem violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Isso é inquestionável. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, entendo que a penalidade para tal infração, a qual até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Segundo penso, ainda que o contribuinte tenha pago integralmente as contribuições previdenciárias devidas, estará sujeito à penalidade pela ausência de apresentação ou pela entrega com omissões ou com incorreções da GFIP (artigo 32A da Lei n° 8.212/91). Por outro lado, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (citada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91) tem outra conotação, qual seja, as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14474.000248/200793 Acórdão n.º 9202002.835 CSRFT2 Fl. 5 7 A redação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Grifei) Portanto, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é aplicável apenas na hipótese de haver tributo não pago, ao passo que a multa do artigo 32A da Lei n° 8.212/91 incide ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas. Pareceme ser escorreito afirmar que a DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Sob minha ótica, a penalidade lançada contra a contribuinte (§5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91) restou substituída pela multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Diante do exposto, na parte não atingida pela decadência, voto no sentido de que se calcule a penalidade devida pela contribuinte de acordo com a regra do artigo 32A da Lei n° 8.212/91.” Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 234DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao excelso relator, divirjo de suas conclusões. Como bem salientado no voto, ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, com o surgimento do Art. 35A na Lei 8.212/1991. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para a recorrente, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Para tanto, devese comparar as penalidades (multas de ofício) impostas antes da alteração legislativa com as posteriores a alteração legislativa. Conseqüentemente, para tanto, devese comparar a multa de ofício constante dos autos com a resultante do cálculo da multa de ofício expressa no I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzidas as multas de ofício aplicadas nos lançamentos correlatos e caso seja mais benéfico à recorrente utilizar esse valor. Portanto, o recurso deve ser provido, nos termos solicitados pela recorrente. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO ao recurso da Procuradoria, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digita lmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10073.721773/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sat Jan 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
MULTA ISOLADA. CONSCIÊNCIA DA INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. FALSIDADE DA GFIP.
A informação em GFIP de compensação de contribuições previdenciárias com créditos sabidamente inexistentes implica caracterização de falsidade de declaração, circunstância que enseja a aplicação da multa isolada prevista no §10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91.
Recurso de Ofício Provido
Numero da decisão: 2302-003.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a multa isolada como lançada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi acompanhou pelas conclusões.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA. CONSCIÊNCIA DA INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. FALSIDADE DA GFIP. A informação em GFIP de compensação de contribuições previdenciárias com créditos sabidamente inexistentes implica caracterização de falsidade de declaração, circunstância que enseja a aplicação da multa isolada prevista no §10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Recurso de Ofício Provido
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA. CONSCIÊNCIA DA INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. FALSIDADE DA GFIP. A informação em GFIP de compensação de contribuições previdenciárias com créditos sabidamente inexistentes implica caracterização de falsidade de declaração, circunstância que enseja a aplicação da multa isolada prevista no §10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Recurso de Ofício Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a multa isolada como lançada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro André Luís Mársico Lombardi acompanhou pelas conclusões. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 17 73 /2 01 2- 75 Fl. 884DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721773/201275 Acórdão n.º 2302003.037 S2C3T2 Fl. 884 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 Data da lavratura do AIOP: 10/12/2012. Data da ciência do AIOP: 17/12/2012. Tratase de Recurso de Ofício interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ no Rio de Janeiro I/RJ que julgou procedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.026.8730, consistente em multa isolada decorrente de compensação indevida de contribuições previdenciárias, realizada mediante falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 38/52. Informa a Autoridade Lançadora que o Autuado ajuizou Mandado de Segurança pleiteando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário de contribuição previdenciária incidente sobre os 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente/acidentado, saláriomaternidade, férias e o adicional de 1/3 de férias. Sentença de 1º grau julgou procedente apenas e tão somente a parte referente aos 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente/acidentado, determinando o Juiz que a compensação correspondente fosse efetuada somente após o trânsito em julgado do processo, o que não foi observado pelo contribuinte. A sentença de 1ª Instância foi reformada em grau de Apelação cível, tendo sido também denegado o pedido relativo a tal verba. Nada obstante, o Sujeito Passivo a inseriu na apuração do montante a compensar a totalidade das verbas discutidas em juízo, mesmo antes do Trânsito em Julgado da decisão judicial. Por tal razão, a Fiscalização procedeu à glosa da totalidade dos valores compensados pela empresa autuada, pelos motivos a seguir destacados: · Na sentença, o Juiz determinou que a compensação fosse efetuada somente após o trânsito em julgado do processo, o que não foi observado pelo contribuinte. · A atualização monetária foi efetuada em desacordo com a sentença judicial. · Os valores referentes a férias utilizados na compensação estão superiores à base de cálculo da folha de pagamento. · Foram utilizados na compensação valores relativos a contribuição destinadas a Terceiros, o que é vedado pelas normas legais. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · A empresa não apresentou os resumos das folhas de pagamento das competências 07 e 09/1998, 05 a 12/2002, 08/2003, 09/2004, 11/2005, 01/2006 e 05 a 09/2007. · A fiscalização verificou ainda que as compensações efetuadas entre 09/2008 e 11/2009 totalizam R$ 2.238.656,72, ao passo que o montante contido na planilha de memória de cálculo apresentada pelo contribuinte é de R$ 1.815.909,19, ou seja, foram efetuadas compensações em valores superiores à sua própria planilha de cálculo. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 760/782. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ proferiu Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1256.266 – 12ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 870/875, julgando procedente a impugnação oferecida pelo Autuado, declarando nulo o crédito tributário, por entender que a fiscalização não havia comprovado a falsidade da declaração, e o intuito de fraudar, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 07/06/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 881. Não se houve por interposto Recurso Voluntário em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721773/201275 Acórdão n.º 2302003.037 S2C3T2 Fl. 885 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso de oficio, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.1. DO RECURSO DE OFÍCIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ proferiu Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1256.266 – 12ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 870/875, julgando procedente a impugnação oferecida pelo Autuado, declarando nulo o crédito tributário, por entender que a fiscalização não havia comprovado a falsidade da declaração, e o intuito de fraudar, e recorrendo de ofício de sua decisão. Qual prova estava esperando a DRJ/RJ1 ? Uma confissão expressa do Sujeito Passivo de que havia inserido informação falsa nas GFIP ? Diante da conduta descrita no Relatório Fiscal, concluiu a autoridade fiscal que as ações perpetradas pelo Contribuinte se subsumiam, com perfeito ajuste, no tipo infracional descrito no §10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, que pela sua relevância para o deslinde da causa o transcrevemos a seguir, procedendo então à lavratura do Auto de Infração correspondente. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 O §10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91 estatui que nas hipóteses de compensação indevida, quando se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, in casu, a GFIP, o Contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% incidente sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) Da mera leitura dos dispositivos suso transcritos, percebemos a cominação de duas penalidades pecuniárias para a conduta consistente na compensação indevida de contribuições previdenciárias: I. A multa de mora, calculada segundo a memória de cálculo descrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. (art. 89, §9º da Lei nº 8.212/91) II. Multa isolada, no valor correspondente a 150% incidente sobre o valor indevidamente compensado, nos casos em que ocorrer falsidade da declaração onde a compensação houvese por informada ao Fisco. (art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91) Em razão da duplicidade de penalidades cominadas a uma mesma conduta, pipocam alguns questionamentos a exigir nossa digressão, dentre outros: a) As penalidades indicadas são aplicáveis de forma alternativa ou de maneira cumulativa? b) Em que hipóteses será aplicada a multa de mora? E a multa isolada? c) O que se entende por “falsidade da declaração” e qual a abrangência de tal termo? d) Quais seriam os elementos de convicção com aptidão para se comprovar a falsidade de declaração? Fl. 889DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721773/201275 Acórdão n.º 2302003.037 S2C3T2 Fl. 886 7 Entendo que a resposta a tais indagações deve ser formulada levandose em consideração uma interpretação sistemática e teleológica das normas tributárias em realce, realizada de acordo com o balizamento encartado no Capítulo IV do Título I do CTN, observado o princípio da proporcionalidade implicitamente permeado na Escritura Constitucional. Nessa perspectiva, se nos afigura que a pedra de toque a impingir um diferencial significativo entre as penalidades previstas nos §§ 9º e 10 do aludido art. 89 encontrase assentado na comprovação da falsidade da declaração, circunstância essencial e indispensável para a inflição da penalidade mais severa. Do que se extrai da dicção do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, a aplicação da multa isolada encontrase subjugada à ocorrência simultânea de duas condicionantes inafastáveis, sendo a primeira a própria compensação indevida (“na hipótese de compensação indevida”) e a segunda, a comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (“quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”). Ambos assumem, dessa maneira, cunho de aplicação cumulativa, de modo que a ausência de uma ou de outra não rende ensejo à aplicação da penalidade em relevo. Nessa perspectiva, a mera compensação indevida de contribuições previdenciárias configurase, tão somente, inadimplemento de tributo devido e não recolhido, em relação aos quais, na constituição de ofício do crédito tributário, além do principal, o lançamento deverá contemplar os acréscimos legais de caráter moratório, nos termos fixados no §9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Fato diametralmente diverso se configura com o emprego de meio fraudulento, aqui incluída a falsidade, visando a iludir o Fisco Federal sobre a efetiva ocorrência do fato jurígeno tributário, ou a excluir ou modificar suas características essenciais e/ou efeitos, ocultandoo, assim, de forma ardilosa. Na apreciação do caso concreto, uma vez caracterizada a compensação indevida, a configuração da hipótese de incidência da multa isolada exige, para a sua consumação, a demonstração da falsidade, eis que elemento objetivo do tipo, sendo necessária e imprescindível sua comprovação, a teor do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Indispensável, pois, se perquirir onde se encontra a falsidade ou fraude na declaração das compensações indevidas efetuadas pelo sujeito passivo, e se fazer coligir aos autos os elementos de convicção da efetiva ocorrência da falsia em relevo. Ora, mas o que se entende por falsidade de declaração? Um mero erro material de digitação na GFIP, resultando num montante de compensação a maior que as forças do crédito de titularidade do sujeito passivo, já se consumaria numa falsidade de declaração? Uma declaração a maior do montante compensável, em GFIP, resultante do emprego de metodologia de atualização do crédito e de acumulação de juros moratórios diferente da adotada pela RFB, seria suficiente para enquadrala como acometida de falsidade? Fl. 890DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Ou seria necessário, para a consumação da conduta típica em tela, que o Infrator, consciente de que não possui o direito creditório declarado, informe dolosamente no documento em apreço compensação de créditos previdenciários sabidamente inexistentes (ou a menor) visando à redução do montante a ser recolhido? A Lei nº 8.212/91 não define, para fins de enquadramento na conduta tipificada no §10 do seu art. 89, o conceito do termo “falsidade de declaração”, tampouco sua abrangência e alcance. Nessas situações, ante a ausência de disposição expressa, o codex tributário impõese a integração legislativa mediante a analogia, os princípios gerais de direito tributário, os princípios gerais de direito público e a equidade. Código Tributário Nacional CTN Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a equidade. §1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. §2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Tratandose de normas que impingem ao infrator uma penalidade decorrente da transgressão de uma norma de conduta, nada mais natural do que a integração analógica com as normas que dimanam do Direito Penal. Sob tal prisma, há que se perquirir se, para a caracterização de falsidade de declaração, seria necessária a tipificação de falsidade de documento público ou, numa gradação mais branda, suficiente seria a mera falsidade ideológica? Cumpre salientar que, para os efeitos da incidência da lei penal, a GFIP equiparase a documento público, a teor dos §§ 2º e 3º do art. 297 do Código Penal. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983/ 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Fl. 891DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721773/201275 Acórdão n.º 2302003.037 S2C3T2 Fl. 887 9 II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Seja num caso, seja no outro, os princípios de direito público atávicos ao Direito Penal exigem, para a subsunção à conduta típica, não somente a coincidência objetiva de condutas, mas, também, a presença do elemento subjetivo consubstanciado no dolo ou na culpa, esta, quando expressamente prevista no corpo do tipo, a teor do Parágrafo Único do art. 18 do Código Penal. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Art. 18 Dizse o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209/84) Crime doloso(Incluído pela Lei nº 7.209/84) I doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo;(Incluído pela Lei nº 7.209/84) Crime culposo(Incluído pela Lei nº 7.209/84) II culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209/84) Parágrafo único Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei nº 7.209/84) Fl. 892DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Assim, sob o prisma da norma que pespega penalidades, indispensável para a caracterização da conduta típica de falsidade de documento público e de falsidade ideológica a comprovação da coexistência do elemento subjetivo do tipo consistente na consciência e vontade de concretizar os requisitos objetivos do tipo. Mostrase valioso revisitar também os conceitos jurídicos assentados na Lei nº 4.502/64, verbatim: Lei nº 4.502/64 Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34/66) (...) §2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34/66) (...) Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Notese, ainda, que a falsidade ideológica se qualifica como um tipo penal incongruente, exigindo para a sua caracterização, além do dolo genérico, uma intenção especial do agente, um requisito subjetivo transcendental denominado dolo específico, consubstanciado num especial fim de agir, in casu, a intenção de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Pintado nesse matiz o quadro fáticojurídico, se nos antolha que, para que se configure a ocorrência do tipo infracional previsto no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, necessária é a presença do elemento subjetivo associado à conduta típica descrita na norma, consistente na consciência do agente de que, mesmo sabedor de que não possui direito creditório à altura, mesmo assim informa na GFIP compensação de contribuições previdenciárias visando a esquivarse do recolhimento da exação devida. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721773/201275 Acórdão n.º 2302003.037 S2C3T2 Fl. 888 11 Por esse motivo, exige a regra tributária em realce que, para a caracterização do tipo infracional em debate, o agente fiscal tem que demonstrar a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A tal conclusão também se converge ao se apreciar, pelo crivo da proporcionalidade, a dualidade de imputações fixadas nos parágrafos 9º e 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91: Tratandose de compensação indevida, nas hipóteses em que o agente não teve a intenção de fraudar a norma tributária, a penalidade pecuniária a ser aplicada será a mais branda, nos termos fixados no §9º do suso mencionado art. 89, consistente na multa de mora graduada na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/96, além dos juros moratórios. Tratandose, por outro viés, de tentativa de fraude mediante a consciente e inescusável inserção de informações falsas na GFIP, visando dolosamente a reduzir tributo, rigorosa deverá ser a punição a ser infligida ao infrator, consistente na multa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Nestes casos, assentado que a penalidade estabelecida na lei é por demais severa, deve o agente fiscal se certificar de que a conduta perpetrada pelo sujeito passivo, de fato, reuniu todos elementos objetivos e subjetivos do tipo, de molde a se evitar, ao máximo, a imputação de penalidade indevida. Não por outra razão, a hipótese típica em debate exige do agente fiscal, além da descrição do fato e da disposição legal infringida (art. 10 do Decreto nº 70.235/72), a comprovação da falsidade da declaração. Não se pode perder de vista que a interpretação defendida nos parágrafos antecedentes também se coaduna à regra de hermenêutica plantada no art. 112 do CTN, do qual floresce o princípio da interpretação mais benéfica ao infrator da lei que definir infrações ou cominar penalidades em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade ou à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Código Tributário Nacional CTN Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Tal interpretação, indubitavelmente, se revela como a mais benéfica ao acusado, uma vez que exclui do tipo infracional mais severo as compensações indevidas nas quais o agente não teve o dolo de fraudar a Lei de Custeio da Seguridade Social, conduzindo tais casos à hipótese genérica e abstrata assentada no §9º do citado art. 89 da Lei nº 8.212/91, que prevê, tão somente, a incidência de juros e multa moratória sobre o montante indevidamente compensado. Corrobora o entendimento acima externado as disposições inscritas na Seção V DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, do Capítulo V da IN RFB nº 900/2008, cujo art. 45 prevê que o sujeito passivo deve recolher o valor Fl. 894DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos, mesmo na hipótese de a compensação considerada como indevida ser decorrente de informação incorreta em GFIP. Instrução Normativa RFB nº 900/2008 SEÇÃO V DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Art. 44. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. (...) Art. 45. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. Parágrafo único. Caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora. Art. 46. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Da conjugação dos termos alinhados nos artigos 45 e 46 extraise que a mera constatação de informação incorreta em GFIP da qual decorra compensação indevida de contribuições previdenciárias não implica, automaticamente, a imputação da multa isolada prevista no art. 46 da mesma Instrução Normativa em foco, eis que tal increpação depende da efetiva comprovação da falsidade da declaração. Deflui daí o reconhecimento do próprio Poder Executivo de que a simples informação incorreta na GFIP da qual decorra compensação indevida não importa de per se em falsidade da declaração, sendo necessária a comprovação do elemento subjetivo do tipo, consistente na consciência e vontade de fraudar a lei visando a reduzir o montante de tributo devido. Daí a necessidade de se instruir o processo com os elementos de convicção que conduziram o auditor fiscal a inferir o dolo da conduta infracional. Avulta, de todo o exposto, que a aplicação de penalidade mais severa, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento ardiloso e intencional do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, conforme remissão expressa do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude, nos termos acima comentados , situações que, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior envergadura, com o propósito não somente de punir o infrator pela conduta perpetrada, extrapolando o evento do mero inadimplemento, como, também, de reprimir e desestimular comportamentos futuros de idêntico jaez. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721773/201275 Acórdão n.º 2302003.037 S2C3T2 Fl. 889 13 Olhando com os olhos de ver, o fator agravado na hipótese do §10 do dispositivo legal em realce não é a mera compensação indevida, mas, sim, a ação dolosa e consciente falsear a forma ou o conteúdo da declaração de compensação visando a iludir o Fisco Federal quanto à efetiva ocorrência dos fatos geradores. No caso em estudo, a empresa autuada ajuizou perante a 4ª Vara Federal de Volta Redonda/RJ, o Mandado de Segurança nº 2008.51.04.0029927, visando a obter tutela jurisdicional que suspendesse a exigibilidade de contribuições previdenciárias incidentes sobre os 15 primeiros dias de afastamento do empregado doente/acidentado, saláriomaternidade, férias gozadas e o respectivo adicional constitucional de 1/3 de férias, assim como o direito de compensar os valores recolhidos indevidamente a título dessas rubricas com as contribuições previdenciárias vencidas ou vincendas. A 4ª Vara Federal de Volta Redonda/RJ proferiu Sentença a fls. 671/680, julgando procedente em parte o pedido formulado pelo Impetrante, para reconhecer somente e tão somente a inexistência de relação jurídicotributária que obrigue a empresa ao recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre o valor pago a seus empregados nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento, em razão de auxíliodoença previdenciário ou acidentário, e, expressamente denegando a segurança quanto aos demais pedidos, conforme consignado em excerto abaixo transcrito, para melhor compreensão de seus fundamentos. “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO para: I Declarar a inexistência de relação jurídicotributária que obrigue a Impetrante ao recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre o valor pago a seus empregados nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento, em razão de auxíliodoença previdenciário ou acidentário; II – Declarar, em consequência, o direito de a impetrante realizar, após o Trânsito em Julgado, a compensação tributária dos recolhimentos efetuados indevidamente a esse título, na forma mencionada no item I, cujos fatos geradores estejam dentro do prazo de dez anos anteriores à data da propositura da presente demanda (posteriores a 08/10/1998), com outras contribuições da mesma espécie e destinação constitucional administrados pela Secretaria da Receita Federal; III A correção monetária, a taxa SELIC e os limites da compensação são aqueles expostos na fundamentação. Não incidem juros moratórios ou compensatórios por falta de expressa previsão legal. A apuração do montante a ser compensado é de responsabilidade e risco exclusivo da impetrante. IV Ressalvo, expressamente, o direito da Secretaria da Receita Federal do Brasil de verificar valores, a efetividade dos recolhimentos e a compensação realizada pela impetrante na forma aqui decidida. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 V QUANTO AOS DEMAIS PEDIDOS, DENEGO A SEGURANÇA PLEITEADA.” Além disso, e de suma importância, a sentença acima referida honrou consignar no inciso II do seu Dispositivo que somente após o Trânsito em Julgado da ação mandamental poderia a Impetrante realizar o seu direito de compensar os recolhimentos efetuados indevidamente a título dos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento, em razão de auxíliodoença previdenciário ou acidentário, com outras contribuições da mesma espécie e destinação constitucional administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a prescrição. Aditese que a Sentença em realce estipulou que a correção monetária, a taxa de juros (SELIC) e os limites da compensação seriam aqueles expostos na fundamentação, não havendo qualquer incidência de juros moratórios ou compensatórios por falta de expressa previsão legal. De outro eito, a Sentença de 1ª Instância estatuiu que a apuração do montante a ser compensado seria de responsabilidade e risco exclusivo da Impetrante, ressalvado, expressamente, o direito da Secretaria da Receita Federal do Brasil de verificar valores, a efetividade dos recolhimentos e a compensação realizada pela Impetrante na forma então decidida. Ocorre, todavia, que a decisão proferida pela 4ª Vara Federal de Volta Redonda/RJ foi cassada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, nos termos do Acórdão a fls. 681/688, publicado em 24/10/2011, que deu provimento à apelação da União, para reformar a sentença de 1ª Instância, nos termos que se vos seguem, ad litteris et verbis: “Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de apelação da Impetrante, e dou provimento à remessa necessária e à apelação da União, reformando a sentença, para denegar a ordem e declarar a existência de relação jurídicatributária entre as partes no tocante à incidência da contribuição previdenciária sobre os quinze primeiros dias de afastamento do empregado que antecedem o auxíliodoença e o auxílioacidente, bem como em relação às férias, terço constitucional de férias e Salário Maternidade, nos termos exatos da fundamentação supra.” EMENTA: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DIVERSAS VERBAS. 1. Malgrado o art. 86 da Lei nº 8.213/91 nomeie os valores pagos como indenização, por se tratar, em realidade, de interrupção do contrato de trabalho, e não de suspensão, incide na hipótese a contribuição previdenciária sobre os primeiros quinze dias pagos pelo empregador ao empregado, a título de auxílio doença e auxílioacidente. 2. Quanto à não incidência de contribuição previdenciária a título de férias, o contrato produz todos os seus efeitos, dentre eles a contagem de tempo de serviço em outro período aquisitivo de férias, de 13º salário, de licençaprêmio e outros e, o mais relevante, para aposentadoria, sendo, portanto, devida a incidência de contribuição previdenciária. Da mesma forma, o Fl. 897DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721773/201275 Acórdão n.º 2302003.037 S2C3T2 Fl. 890 15 terços constitucional sobre férias não é gratificação, não é coisa fora do calendário, é remuneração. 3. O Salário Maternidade, pago pelo empregador, consta em folha, sujeitandose, portanto, a todos os seus encargos. 4. Apelação da União e remessa necessária providas. 5. Apelação da Impetrante desprovida. Na sequência, Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região em grau de Embargos de Declaração esclareceu de maneiro indene de dúvidas que “O julgado apreciou suficientemente toda a matéria relativa à incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos empregados da impetrante nos quinze primeiros dias de afastamento dos seus empregados doentes ou acidentados, bem como sobre férias, terço constitucional de férias e Salário Maternidade, não se omitindo sobre qualquer questão que, impugnada pela parte, tivesse o condão de modificar o entendimento nele esposado. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. IMPROVIMENTO. 1. O julgado apreciou suficientemente toda a matéria relativa à incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos empregados da impetrante nos quinze primeiros dias de afastamento dos seus empregados doentes ou acidentados, bem como sobre férias, terço constitucional de férias e Salário Maternidade, não se omitindo sobre qualquer questão que, impugnada pela parte, tivesse o condão de modificar o entendimento nele esposado. 2. Válido destacar que mesmo para efeitos de prequestionamento, os embargos de declaração só poderão ser acolhidos, se presentes qualquer um dos vícios elencados no art. 535 do Código de Processo Civil, o que não se constata na situação vertente. 3. Embargos Declaratórios não acolhidos. Nesse contexto, mesmo ciente de que não possuía direito creditório algum, que eventual crédito tributário somente poderia ser compensado após o Trânsito em Julgado da ação mandamental, e que o Tribunal Regional Federal da 2ª Região decidira que sobre as verbas pagas a título de saláriomaternidade, férias gozadas e o respectivo adicional de 1/3 de férias, e aos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de acidente ou doença, há incidência de contribuições previdenciárias, ainda assim a Autuada informou em suas GFIP compensação de contribuições previdenciárias nas competências janeiro/2009 a outubro/2011, contrariando, sabidamente, toda e qualquer determinação contida nas Decisões Judiciais acima referidas e transcritas. Além disso, mesmo consciente de que qualquer eventual crédito somente poderia ser compensado com contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, conforme determinado na Sentença de 1º Grau, a empresa utilizouse indevidamente de valores recolhidos para Outras Entidades e Fundos na apuração do quantum a compensar, conforme demonstrado na Planilha de Memória de Cálculo a fls. 694/697. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Mas não é só. Há mais. A Fiscalização constatou que as compensações efetuadas entre 08/2008 e 11/2009, e declaradas nas GFIP correspondentes, totalizam R$ 2.238.656,72 apesar de o montante contido na memória de cálculo apresentada pelo Contribuinte ser de R$ 1.815.909,19 , isto é, muito embora o Sujeito Passivo não possuísse direito creditório algum, conforme acima demonstrado, ele apurou um suposto crédito (inexistente repisese) de R$ 1.815.909,19 mas promoveu a compensação de contribuições previdenciárias no valor de R$ 2.238.656,72 , excedendo em mais de 23% ao montante por ele mesmo calculado ( e inexistente, reiterese). Mas não acabou. A Fiscalização apurou, ainda, que a atualização monetária não foi efetivada nos termos definidos na Sentença Judicial, que se pautou, exclusivamente, pelo emprego da taxa SELIC. A empresa promoveu, nos anos de 1998 e 1999, atualização pela UFIR, contrariando a Decisão Judicial. Todas essas informações e os respectivos elementos de prova encontramse, um a um, descritos e presentes nos autos do vertente Processo Administrativo Fiscal, demonstrando e comprovando a efetiva presença de todos os elementos objetivos e subjetivos da falsidade ideológica consistente na consciente inserção nas GFIP de declaração diversa daquela que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar o Direito do Fisco Federal relativo às contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. · A sentença de 1ª Instância determinou que a compensação tributária somente pudesse ser realizada após o Trânsito em Julgado do Mandado de Segurança. A empresa deu início à compensação antes mesmo da prolação da sentença de 1º Grau e continuou se compensando de suposto e inexistente crédito antes do Trânsito em Julgado da Ação mandamental; · A sentença de 1ª Instância declarou o direito de compensação somente e tão somente em relação aos valores recolhidos a título dos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de acidente ou doença. A empresa computou em seu supostos (e inexistentes) créditos os valores recolhidos a título de saláriomaternidade, férias gozadas e o respectivo adicional de 1/3 de férias; · A sentença de 1ª Instância determinou que a compensação somente poderia ser realizada com contribuições da mesma espécie e destinação constitucional administrados pela Secretaria da Receita Federal. A empresa incluiu em seus supostos (e inexistentes) créditos os valores recolhidos em favor de Outras Entidades e Fundos; · A sentença de 1ª Instância determinou que a correção do indébito (digase, inexistente) somente poderia ser acrescido dos juros equivalentes à taxa Selic. A empresa promoveu ainda, nos anos de 1998 e 1999, atualização pela UFIR, contrariando a Decisão Judicial; · O montante calculado pela Empresa, englobando o saláriomaternidade, férias gozadas e o respectivo adicional de 1/3 de férias, e aos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de acidente ou doença, além das contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos e a Fl. 899DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10073.721773/201275 Acórdão n.º 2302003.037 S2C3T2 Fl. 891 17 atualização pela UFIR somaram R$ 1.815.909,19. A empresa efetuou compensação no montante de R$ 2.238.656,72; · O TRF2 cassou a sentença de 1º Grau declarando a incidência de contribuições previdenciárias sobre todas as rubricas reclamadas pelo Impetrante. A empresa não procedeu à retificação das GFIP e ao recolhimento espontâneo das contribuições previdenciárias não recolhidas, apostando na ineficiência da Fiscalização de apurar as contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. A falsidade se manifesta, portanto, na volitiva e consciente ação de declarar nas GFIP um suposto e sabidamente inexistente direito creditório, com o fim de prejudicar o direito do Fisco Federal de constituir o crédito tributário correspondente, e de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: a inexistência e o montante do direito creditório reclamado. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) (...) Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita pela Fiscalização a caracterização da efetiva ocorrência de compensação indevida de contribuições previdenciárias, bem como os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da falsidade das GFIP, demonstrados e devidamente comprovados pelos elementos de prova acostados aos autos, circunstância que clama a incidência da multa isolada prevista no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, motivo pelo qual pugnamos pelo provimento in totum do Recurso de Ofício, do que resulta a manutenção integral da multa isolada aplicada mediante o Auto de Infração nº 51.026.8730. 3. CONCLUSÃO Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, DARLHE INTEGRAL PROVIMENTO, devendo ser mantida, em sua integralidade, a multa isolada aplicada mediante o Auto de Infração nº 51.026.8730. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Fl. 901DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 19515.722555/2012-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
CONCOMITÂNCIA. APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA DOS ARGUMENTOS NÃO AFETOS À AÇÃO JUDICIAL.
Por meio da Súmula n. 01 do CARF, importa renúncia à esfera administrativa o ajuizamento de ação judicial de idêntica matéria, cabendo apenas a apreciação dos argumentos não afetos à lide judicial.
TUTELA ANTECIPADA. APLICAÇÃO DE MULTA E JUROS DE MORA.
Na eficácia da tutela antecipada, não se aplica as multas de ofício e de mora, por expressa previsão no art. 63, caput e § 2º, da Lei n. 9.430/96, entretanto, referido dispositivo não prevê o afastamento dos juros de mora, razão pela qual prevalece a sua incidência.
DEPÓSITO JUDICIAL. CESSAÇÃO DA INCIDÊNCIA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Realizado depósito judicial, não há que se falar na incidência dos acréscimos legais, a saber, multa e juros, aplicando-se tão somente, a partir da mora do contribuinte até a data de realização do depósito.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: 1) reconhecer a decadência das competências de 12/2006 a 10/2007, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; 2) afastar a exigência de multa, tanto moratória quanto de ofício em relação a todo o período; assim como para 3) manter os juros do lançamento e afastar a incidência de juros de mora e a partir da data da realização do depósito do montante integral efetuado na via judicial.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. CONCOMITÂNCIA. APRECIAÇÃO ADMINISTRATIVA DOS ARGUMENTOS NÃO AFETOS À AÇÃO JUDICIAL. Por meio da Súmula n. 01 do CARF, importa renúncia à esfera administrativa o ajuizamento de ação judicial de idêntica matéria, cabendo apenas a apreciação dos argumentos não afetos à lide judicial. TUTELA ANTECIPADA. APLICAÇÃO DE MULTA E JUROS DE MORA. Na eficácia da tutela antecipada, não se aplica as multas de ofício e de mora, por expressa previsão no art. 63, caput e § 2º, da Lei n. 9.430/96, entretanto, referido dispositivo não prevê o afastamento dos juros de mora, razão pela qual prevalece a sua incidência. DEPÓSITO JUDICIAL. CESSAÇÃO DA INCIDÊNCIA DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. Realizado depósito judicial, não há que se falar na incidência dos acréscimos legais, a saber, multa e juros, aplicandose tão somente, a partir da mora do contribuinte até a data de realização do depósito. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 25 55 /2 01 2- 86 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: 1) reconhecer a decadência das competências de 12/2006 a 10/2007, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; 2) afastar a exigência de multa, tanto moratória quanto de ofício em relação a todo o período; assim como para 3) manter os juros do lançamento e afastar a incidência de juros de mora e a partir da data da realização do depósito do montante integral efetuado na via judicial. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.722555/201286 Acórdão n.º 2403002.470 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 16 44.588, fls. 496/512, que julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito previdenciário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.313.7427, cujas contribuições destinamse ao Fundo Aeroviário, incidentes sobre a remuneração paga aos seus segurados empregados, na alíquota de 2,5%. O crédito previdenciário, consolidado em 29/11/2012 e notificado ao contribuinte em 30/11/2012, almeja o recolhimento da contribuição acima referida no importe de R$ 74.555.825,48 (setenta e quatro milhões quinhentos e cinquenta e cinco mil oitocentos e vinte e cinco reais e quarenta e oito centavos). Conforme se extrai do Relatório Fiscal, fls. 383/386, a autuação abrange o período de 12/2006 a 12/2008, tendo sido aplicado o prazo decadencial disposto no art. 173, I, do CTN, nos termos aduzidos pela autoridade fiscal. Ademais, o lançamento foi realizado com vistas a afastar a decadência, eis que a contribuição exigida encontrase com a sua exigibilidade suspensa mediante antecipação de tutela deferida em 10/07/2001, fls. 448/451, nos autos da Ação Ordinária nº 001253033.2001.4.02.5101, perante a 8ª Vara da Justiça Federal – Seção Rio de Janeiro. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls.390/399, informando, na oportunidade, a prolação da sentença no referido processo judicial, a qual julgou improcedente o pedido inicial, mas, todavia, para manter a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promoveu o depósito judicial das contribuições discutidas, referente ao período de 01/2007 a 10/2012 (fl. 489). DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 14ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em São Paulo, DRJ/SP1, prolatou o Acórdão n° 1644.588, fls. 496/512, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo incólume o crédito previdenciário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006, 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. O Auto de Infração (AI) encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 AÇÃO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA IDÊNTICA – RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DISTINTA – APRECIAÇÃO E JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. A existência de ação judicial não transitada em julgado implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento aterse à matéria diferenciada. Por força do princípio da unidade jurisdicional, a decisão judicial é soberana e sobrepõese a qualquer manifestação administrativa eventualmente produzida, de forma que, nos casos de partes e objetos idênticos se opera a renúncia à discussão administrativa. No entanto, as discussões suscitadas apenas no âmbito administrativo deverão ter seu prosseguimento normal, com a finalidade de garantir ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa. LANÇAMENTO. DEVER DE OFÍCIO. É obrigação da autoridade fiscalizadora efetuar o lançamento das contribuições para a Seguridade Social, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional (CTN), caso inexista decisão judicial que proíba tal procedimento, sendo o lançamento ato vinculado e obrigatório, que visa afastar a decadência. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) é impeditiva da promoção de sua execução judicial, mas não impede o Fisco de proceder ao lançamento. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante nº 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias e às contribuições de terceiros, mencionados no artigo 3º da Lei nº 11.457/07 será regido pelo Código Tributário Nacional. O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA OBJETO DE AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. NÃO CONHECIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância não conhecerá de pedido de perícia que seja objeto de ação judicial concomitante, Fl. 573DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.722555/201286 Acórdão n.º 2403002.470 S2C4T3 Fl. 4 5 pois ocorreu a renúncia ao contencioso administrativo no tocante a esta matéria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 544/553, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, limitandose, para tanto, às questões não afetas ao processo judicial, os quais, consequentemente, não sofreram a renúncia administrativa, razão pela qual devem ser apreciados, a saber: 1. Decadência do período de 12/2006 a 11/2007, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; 2. Ilegalidade da multa e juros de mora, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fl. 567, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PARCIAL DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais Fl. 575DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.722555/201286 Acórdão n.º 2403002.470 S2C4T3 Fl. 5 7 órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Portanto, para se ver configurada a decadência nos termos pretendidos pela Recorrente é preciso que tenha havido antecipação de pagamento de qualquer rubrica, independentemente de se tratar das contribuições destinadas ao Fundo Aeroviário. Para tanto, é possível verificar, através do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), fl. 387, que dentre os documentos analisados pela fiscalização, estão os Comprovantes de Recolhimento. Tal informação é corroborada pelo item 05 do Relatório Fiscal, fl. 384, quando a autoridade aduz acerca do exame de Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS) apresentadas pela Recorrente, o que comprova a existência de antecipação de pagamento, razão pela qual aplico o prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração compreendeu as competências 12/2006 a 12/2008, quando a notificação apenas ocorreu em 30/11/2012, conforme consta a notificação subscrita por seu procurador, fl. 28. Logo, verificase a ocorrência parcial da decadência, durante o período de 12/2006 a 10/2007, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. DISCUSSÃO JUDICIAL Conforme consignado no Relatório Fiscal, os créditos presentemente discutidos constituem objeto da Ação Ordinária nº 001253033.2001.4.02.5101, em trâmite perante a 8ª Vara da Justiça Federal – Seção Rio de Janeiro, na qual se discute a legalidade da contribuição social destinada ao Fundo Aeroviário. Portanto, ao ingressar com a referida medida judicial, a Recorrente abdicou do seu direito de discutir administrativamente, nos termos da Súmula n. 1 do CARF, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade Fl. 576DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (grifo nosso) Destarte, não será objeto de análise a questão da legalidade da contribuição social, por consistir no mérito da lide judicial acima indicada, devendo, contudo, a apreciação das razões recursais ateremse tão somente à decadência do período da autuação e à aplicação da multa e dos juros de mora. TUTELA ANTECIPADA E APLICAÇÃO DE MULTA E JUROS Para que seja realizada uma análise mais acurada do caso concreto, imperioso distinguir dois períodos em que o crédito tributário permaneceu suspenso pela exigibilidade, a saber: 12/2006 a 10/2012 (eficácia da tutela antecipada) e a partir de 10/2012 (realização de depósito do montante integral), salientando que não houve competência descoberta do manto da suspensão da exigibilidade. Enquanto eficaz a tutela antecipada, esta tem o condão de promover a suspensão da exigibilidade nos termos do art. 151, V, do CTN. Portanto, cabe à autoridade fiscal proceder com o lançamento apenas no intuito de prevenir a decadência, sendolhe vedado, contudo, a aplicação da multa de ofício e da multa de mora, conforme preceitua o art. 63, caput e § 2º, da Lei 9.430/96, a qual dispõe: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (grifos acrescidos) Diante do dispositivo supra, não há que se falar, pois, na aplicação de multa de ofício, uma vez que o crédito tributário encontravase com a sua exigibilidade suspensa antes mesmo da ocorrência dos fatos geradores, pela concessão da tutela antecipada (art. 151, V, do CTN), nos termos do entendimento já sumulado por este Conselho, in verbis: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Quanto à aplicação da multa de mora, vêse que o § 2º aduz acerca da sua interrupção. Esta se dará a partir da concessão da tutela antecipada até 30 (trinta) dias após a data da publicação da decisão judicial que cassou a tutela antecipada anteriormente concedida, considerando, assim, o tributo devido. É este o entendimento reproduzido por este Conselho, in litteris: Fl. 577DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.722555/201286 Acórdão n.º 2403002.470 S2C4T3 Fl. 6 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004 MULTA DE MORA. TUTELA ANTECIPADA. Para os efeitos da legislação tributária, a medida liminar e a tutela antecipada são instrumentos hábeis e idôneos para suspender a exigibilidade do crédito tributário, bem como para afastar a aplicação da multa de mora desde a concessão da referida medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996. (CARF. 1a Seção de Julgamento. Processo nº. 13706.001341/200781. Recurso Voluntário nº. 515.071. Acórdão nº. 180100.352 – 1ª Turma Especial. Sessão de 08 de novembro de 2010) Suspensa a exigibilidade dos créditos previdenciários, não há que se falar em aplicação de multa moratória durante o período previsto na lei. Tal comando legal deriva do entendimento que o contribuinte não pode ser qualificado como inadimplente por ter recorrido ao Poder Judiciário, e demonstrado uma pretensão, no mínimo, plausível, diante da prova inequívoca que permita o convencimento da verossimilhança das alegações, requisito para concessão da tutela antecipatória, prevista no art. 273 do Código Processual Civil. A aplicação da multa moratória se dá apenas quando o contribuinte não realiza o pagamento do tributo no vencimento. Ora, se o contribuinte assim não procede por estar amparado em decisão judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário, é descabido querer lhe imputar uma sanção. Logo, o dispositivo é esclarecedor aos dispor sobre a interrupção, afastando qualquer questionamento acerca da incidência de multa moratória em relação ao período da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Só seria devida a multa em questão em relação ao momento posterior aos trintídio tratado no § 2º, art. 63, da Lei nº 9.430/96, não retroagindo à data da concessão da tutela antecipada. Neste sentido, mister colacionar o seguinte julgado deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/07/1996 a 28/02/2005 DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. AÇÃO JUDICIAL, RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo Fl. 578DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 30, da Lei n° 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial. AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito (artigo 151 do CTN) não impede o Fisco de proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN) e visa impedir a ocorrência da decadência. MEDIDA LIMINAR. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. Aplicamse às contribuições previdenciárias o disposto no artigo 63, §2° da Lei n° 9.430/96, quanto à interrupção da multa de mora. Em razão de sua sistemática legal de aplicação e gradação, não retroage à data da concessão da medida liminar a decisão judicial que, posteriormente, reconheceu o tributo como devido. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (CARF. 2a Seção de Julgamento. Processo nº. 35464.002866/200503. Recurso Voluntário nº. 152.476. Acórdão nº. 230100.330 – 3a Câmara/1a Turma Ordinária. Sessão de 01 de junho de 2009) Portanto, não há que se falar em aplicação das multas de mora e de ofício, nos termos acima, durante o período de eficácia da tutela antecipada, a saber 12/2007 a 12/2008 (desconsiderando o período de 12/2006 a 10/2007, em virtude da decadência). Entretanto, o mesmo não se pode falar em relação ao juros de mora. O art. 63 da Lei nº 9.430/96, em que pese trazer previsão para que se interrompa a aplicação da multa de mora, entretanto, não vem consignado quaisquer disposições acerca de eventual interrupção da incidência de juros de mora. É nessa linha de entendimento, que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de Embargos de Divergência, uniformizou a jurisprudência da Colenda Corte nos autos do EREsp 839.962, assim ementado: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE NO PERÍODO DE VIGÊNCIA DE LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. EMBARGOS ACOLHIDOS. 1. Divergência jurisprudencial configurada entre acórdãos da Primeira e Segunda Turmas no tocante à possibilidade de incidência de juros de mora sobre o tributo devido no período compreendido entre a decisão que concede liminar em mandado de segurança e a denegação da ordem. 2. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.722555/201286 Acórdão n.º 2403002.470 S2C4T3 Fl. 7 11 "Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária" (Súmula 405/STF). 3. "A multa moratória pune o descumprimento da norma tributária que determina o pagamento do tributo no vencimento. Constitui, pois, penalidade cominada para desestimular o atraso nos recolhimentos. Já os juros moratórios, diferentemente, compensam a falta da disponibilidade dos recursos pelo sujeito ativo pelo período correspondente ao atraso" (Leandro Paulsen, Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência . 12ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora ESMAFE, 2012, p. 1.105). 4. O art. 63, caput e § 2º, da Lei 9.430/96 afasta tão somente a incidência de multa de ofício no lançamento tributário destinado a prevenir a decadência na hipótese em que o crédito tributário estiver com sua exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida em mandado de segurança ou em outra ação ou de tutela antecipada. 5. No período compreendido entre a concessão de medida liminar e a denegação da ordem incide correção monetária e juros de mora ou a Taxa SELIC, se for o caso. Afastada a imposição de multa de ofício. 6.. Embargos de divergência acolhidos. (EREsp 839962 / MG. Embargos de Divergência no Recurso Especial. Primeira Seção. Ministro Relator Arnaldo Esteves Lima. Data do Julgamento: 27/02/2013) Observese, contudo, que a interrupção da aplicação da multa de mora se dá entre a concessão da medida judicial e trinta dias após a publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Não é outro o entendimento pactuado por este Conselho, partilhado inclusive pelo Conselho Superior de Recursos Fiscais, última instância recursal administrativa, in litteris: JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula n°5 do 1° CC). (CARF. Conselho Superior de Recursos Fiscais. Processo nº. 10875.005739/200323. Recurso Voluntário nº. 103141.968. Acórdão nº. 910100.31 – 1ª Turma. Sessão de 25 de agosto de 2009. Conselheira Relatora Adriana Gomes Rêgo) ************************************************** PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL. INTEGRAÇÃO DE. JUROS MORATORIOS AO LANÇAMENTO EFETUADO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Súmula n° 5 do 1° Conselho de Contribuintes: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário n'ei o integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir • depósito no montante integral". (CARF. Conselho Superior de Recursos Fiscais. Processo nº. 13805.002102/9851. Recurso Voluntário nº. 150.531. Acórdão nº. 910100.543 – 1ª Turma. Sessão de 11 de março de 2010. Conselheira Relatora Karem Jureidini Freitas Barreto) Diante de tais considerações, não subsistem razões que impeçam a aplicação dos juros de mora durante o período em que o crédito tributário esteve com a sua exigibilidade suspensa. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL E APLICAÇÃO DE MULTA E JUROS DE MORA Após a decisão judicial que cassou a tutela antecipada, publicada no dia 16/10/2012, fl. 457, a empresa realizou o depósito do montante integral em relação ao período presentemente discutido, fl. 489, tendo em vista que a única competência não incluída no depósito referese à 12/2006, cuja decadência está sendo reconhecida nos termos deste voto. O depósito integral consiste em meio indireto de pagamento, uma vez que já houve transferência do valor por parte do contribuinte para o Fisco, mediante o depósito judicial, cabendo, após a discussão da demanda, a conversão em renda, ou restituição mediante alvará, neste sentido, a doutrina preleciona: “Nos termos em que regido atualmente, o depósito judicial, na esfera federal, na verdade, só difere do pagamento pela forma de restituição que, na primeira hipótese, é via alvará de levantamento e, na segunda, a penosa via do precatório.” (MARTINS, Ives Gandra da Silva; NASCIMENTO, Carlos Valder do Nascimento; MARTINS, Rogério Gandra da Silva. coordenadores. Tratado de Direito Tributário, volume 2. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 316.) Nesta senda, Hugo de Brito Machado conclui o raciocínio presentemente esposado: Como a Fazenda Pública obtém a posse do dinheiro depositado, não se justifica mais a cobrança dos denominados acréscimos legais. (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 26ª ed. SãoPaulo: Malheiros, 2005. p. 198). Portanto, uma vez realizado o depósito do montante integral, temse garantido ao Fisco o valor exigido, como mecanismo de adimplemento indireto da obrigação tributária. Não é outro o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, expresso pelo Ministro Luiz Fux, in verbis: “A garantia prevista no art. 151, II, do CTN tem natureza dúplice, porquanto ao tempo em que impede a propositura da execução fiscal, a fluência dos juros e a imposição de multa, também acautela os interesses do Fisco em receber o crédito Fl. 581DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.722555/201286 Acórdão n.º 2403002.470 S2C4T3 Fl. 8 13 tributário com a maior brevidade, porquanto a conversão em renda do depósito judicial equivale ao pagamento previsto no art. 156, do CTN encerrando modalidade de extinção do crédito tributário.” (STJ. 1ª T., AgRg no Ag 799.539/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, mai/07) Neste mesmo sentido, pois, com relação à incidência de juros de mora, a jurisprudência administrativa possui o seguinte entendimento sumulado: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Posto todas essas considerações, concluise que a partir da realização do depósito judicial, não há que se falar em acréscimos legais a serem arcados pela Recorrente, englobando multa, juros e atualização monetária. CONCLUSÃO Do exposto, voto para dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para (1) reconhecer a decadência das competências de 12/2006 a 10/2007, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; (2) afastar a exigência de multa, tanto moratória quanto de ofício em relação a todo o período; assim como para (3) manter os juros do lançamento e afastar a incidência de juros de mora a partir da data da realização do depósito do montante integral efetuado na via judicial. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/03 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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