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4726778 #
Numero do processo: 13982.000140/95-94
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - É tributável o acréscimo patrimonial apurado, não é correspondente aos rendimentos declarados, tributáveis ou não, quando o contribuinte não logra justificá-lo adequadamente. Recurso negado.
Numero da decisão: 102-43136
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Nome do relator: Maria Goretti Azevedo Alves dos Santos

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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AVELINO FIORINI. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO DE FREITAS DUTRA PRESIDENTE MARIA GORETTI, VE • À Y ES DOS SANTOS RELATORA FORMALIZADO EM: -- • 26 rEV Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros URSULA HANSEN, VALMIR SANDRI, JOSÉ CLÓVIS ALVES, CLÁUDIA BRITO LEAL IVO, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. MLCM MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n . 1 SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13982.000140/95-94 Acórdão n°. :102-43.136 Recurso n°. : 09.047 Recorrente : AVELINO FIORINI RELATÓRIO O contribuinte AVELINO FIORIN1, inscrito no CPF/MF sob o número 004.745.849-68, inconformado com a decisão exarada pela autoridade de primeiro grau, apresenta recurso voluntário a este Conselho, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 243/247 e anexos de fls. 248 a287. A exigência fiscal teve origem, na emissão de notificação de lançamento de fls. 05, onde exigiu-se do contribuinte o recolhimento do crédito tributário de 16.731,97 Ufirs, a título de imposto de renda suplementar de pessoa física e multa de ofício (50%), relativo ao exercício de 1994, ano-calendário 1993, tendo em vista que foram modificadas as seguintes alíneas de sua declaração: rendimentos recebidos de pessoas físicas e exterior de 867,18 para 48.434,92 Ufirs. Do lançamento consta os seguintes dispositivos: RIR/94 aprovado pelo Decreto 1.041/94, artigos 837, 838, 840, 883, 884, 885, 886, 887, 889, 900, 923, 984, 985, 992 inciso I, 993, 995, 996, 997 e 999; lei 8.891, artigo 84, parágrafo 5°. Insurgindo-se contra a exigência fiscal, o contribuinte apresenta a peça impugnatória de fls. 1/4 junto com documentos de fls. 05 a 68. Pedido de esclarecimento às fls. 86. Resposta ao pedido de esclarecimento às fls. 136, junto com documentos de fls. 135 a 219. .„ 2 , - MINISTÉRIO DA FAZENDA ''''' . - 9n, ' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA 1 ----„,,.:>, i ---;-'., i Processo n°. : 13982.000140/95-94 Acórdão n°. : 102-43.136 No julgamento, a autoridade "a quo” mantém parcialmente o lançamento, agravando a exigência, em decisão assim ementada: "IMPOSTO SOBRE A RENDA — PESSOA FÍSICA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Exercício de 1994 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO É tributável o acréscimo patrimonial apurado, não correspondente aos rendimentos declarados, tributáveis ou não, quando o contribuinte não logra justificá-los adequadamente. AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA Quando da decisão de 1a Instância resultar agravamento da exigência inicial, será emitida notificação de lançamento complementar para exigência da diferença de crédito apurada, à qual será anexada cópia da referida decisão, devolvendo-se ao contribuinte o prazo para impugnar a matéria agravada. LANÇAMENTO PARCIALMENTE PROCEDENTE AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA." A autoridade "a quo" entende que a alegação do contribuinte de que a fiscalização desconsiderou uma parte dos recursos oriundos da venda de terras, é totalmente procedente, mandando incluir no demonstrativo de origens e aplicações de recurso os valores recebidos pela venda de terras nos meses de junho e julho de 1993. \ ‘,4 3 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA •••,-.- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES°,, • , SEGUNDA CÂMARA 1 Processo n°. : 13982.000140/95-94 Acórdão n°. :102-43.136 Com relação ao pedido de exclusão de quantias lançadas na declaração de bens e direitos a título de caderneta de poupança, substituindo-se pelo saldo de caixa da atividade rural, na proporção de 50%, a autoridade considerou totalmente improcedente. A autoridade afirma que o demonstrativo de origem e aplicação de recurso elaborado pelo contribuinte apresenta diversas incorreções, bem com o lançamento efetuado pela fiscalização. Em vista disto, refez todos os demonstrativos, que deram origem ao agravamento da exigência. Regularmente cientificado da decisão às fls. 241, o recorrente interpõe, em 31/01196, recurso voluntário a este Colegiado, pretendendo seja julgado insubsistente o lançamento. Contra-razões da PFN às fls. 292/293. É o Relatório. \ \li 4 , MINISTÉRIO DA FAZENDA . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • ;;. "•- n SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13982.000140/95-94 Acórdão n°. :102-43.136 VOTO Conselheira MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS, Relatorá O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Não há preliminares a serem apreciadas. Considerando que a decisão da autoridade julgadora "a quo" está irretocável; Considerando que a autoridade excluiu do lançamento o que efetivamente o contribuinte requereu e provou; Considerando que o contribuinte não se beneficia do pedido de retificação, quando este é formulado após a emissão da notificação de lançamento; e, Considerando tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso, adotando na integra a decisão da autoridade "a quo". Sala das Sessões - DF, em 14 de julho de 1998. di~eirn -.~n~11n MARIA GORETTI AZ' Y DO Á ! ES DOS SANTOS 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1

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4727792 #
Numero do processo: 15165.000200/2001-46
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2003
Ementa: IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Aeronaves, providas com motores turbo-reatores do tipo “turbofan”, são classificadas no código 8802.30.31. Inteligência do Parecer Normativo CST nº 03/92. MULTA DE OFÍCIO DO IPI. Caracterizada a descrição inexata de mercadoria com a omissão de característica essencial à definição do enquadramento tarifário, de se tratar de motor turbo reator/turbo-fan. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. Exigência feita por expressa disposição legal. PEDIDO DE PERÍCIA. Formulado sem o atendimento dos requisitos previstos na legislação. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO.
Numero da decisão: 303-30795
Decisão: Por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso quanto à classificação e os juros de mora e por maioria de votos, negou-se provimento quanto à multa, vencidos os conselheiros Nilton Luiz Bartoli e Irineu Bianchi. Presente o Procurador da Fazenda Leandro Felipe Bueno
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA

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RECORRIDA : DRJ/CURIT1BA/PR IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Aeronaves, providas com motores turbo-reatores do tipo "turbofan", são classificadas no código 8802.30.31. Inteligência do Parecer Normativo CST n°03/92. MULTA DE OFÍCIO DO IPI.• Caracterizada a descrição inexata de mercadoria com a omissão de característica essencial à definição do enquadramento tarifário, de se tratar de motor turbo reator/turbo-fan. JUROS DE MORA À TAXA SEL1C. Exigência feita por expressa disposição legal. PEDIDO DE PERÍCIA. Formulado sem o atendimento dos requisitos previstos na legislação. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto à classificação e aos juros de mora e, por maioria de votos, negar provimento quanto à multa, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli e Irineu Bianchi. Brasília-DF, em 01 de julho de 2003 III 7 JO:ic it te ANDA COSTA 1 6 OUT ES13 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: PAULO DE ASSIS, ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN e CARLOS FERNANDO FEGUEIREDO BARROS. Ausente o Conselheiro FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional LEANDRO FELIPE BUENO. DEC MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.279 ACÓRDÃO N° : 303-30.795 RECORRENTE : INEPAR — ADMINISTRAÇÃO, BENS, SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S.A. RECORRIDA : DRJ/CURITIBA/PR RELATOR(A) : JOÃO HOLANDA COSTA RELATÓRIO Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/03, acompanhado dos documentos de fls. 04/07. Consta da ação fiscal o seguinte: "O importador, por meio da DI 00/0513259-7 registrada em 07/06/2000, submeteu a despacho 1 (uma) aeronave BEECHJET, modelo 400 A, prefixo N2201J, classificando-a na Tarifa Externa Comum no código 8802.30.90 (aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 2.000 Kg, mas não superior a 15.000 Kg, vazios — OUTROS, "que não a hélice, a turboélice ou turbojato"), sujeito à alíquota zero de IPI. Ocorre que a classificação fiscal declarada está incorreta, sendo que deveria ter sido aposta a 8802.30.31 ("Aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 2.000 Kg, mas não superior a 15.000 Kg, vazios — A TURBOJATO). A classificação incorreta está associada ao fato de a mercadoria não haver sido descrita com todos os elementos necessários à sua correta • identificação. No caso, faltou incluir que a aeronave era equipada com motor "turbofan", que de acordo com o parece normativo CST/DCM 03/92, de 13/03/92 (DOU de 01/04/92) cópia anexa, trata-se de motor do tipo "turbojato". O material enviado pelo contribuinte em resposta à intimação para apresentação da ficha técnica da aeronave não fazia referência ao motor, razão pela qual buscou-se na Internet, no "site" do fabricante "RAYTHEON" os dados da aeronave Beechjet 400 A, dados esses que faziam menção ao motor "Prat & Whitney JT1 51r, e cujo detalhamento obtido no "site" da P & W indicava tratar-se de motor turbofan. O material obtido na intemet encontra-se anexo. Em razão da descrição da mercadoria não conter todos os elementos necessários à sua identificação, resulta inaplicável o Ato Declaratório (Normativo) 10/97, sendo devida a multa de oficio de 2 At/ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.279 ACÓRDÃO N° : 303-30.795 75% (art. 80, inciso I, da Lei 4.502/64, com a redação do art. 45 da Lei 9.430/96). A aeronave em questão foi admitida no país no regime de admissão temporária pelo prazo de 60 meses ou 5 anos. De acordo com a Instrução Normativa da SRF n° 162/98, seu prazo de vida útil é de 10 anos. Complementarmente, a Instrução Normativa da SRF n° 150/99 define que o tributo, no caso o IPI, é devido proporcionalmente ao tempo de permanência do bem no país, sendo essa proporção calculada em relação ao tempo de vida útil. Ainda, o art. 7° dessa última IN fornece a fórmula de cálculo desse tributo. Essa fórmula de cálculo aplicada a este caso concreto resultou em 50% do imposto que seria devido se fosse importação definitiva, ou indiferentemente, a 50% da alíquota cheia do tributo (10%), o que resulta em alíquota final de 5%, alíquota esta usada na memória de cálculo do auto. Em decorrência do acima exposto, emite-se o presente auto de Infração para a cobrança do IPI, multa de oficio e demais encargos legais devidos". Na impugnação, o contribuinte, faz as seguintes considerações: A — Em preliminar, diz que consoante se depreende do Parecer Normativo CST n° 03/92 os motores turbo-reatores ou turbojato são caracterizados pela existência de um único fluxo de ar. No entanto tal não ocorre com o motor turbofan, pois o mesmo é qualificado como um turbomotor de fluxo duplo e deste modo a aeronave não pode ser especificada como sendo turbo-reator uma vez que esse último é formado por um fluxo de ar único. A conclusão é que está correta a classificação adotada pela • empresa. Tal distinção não poderia deixar de ser avaliada pela D. Autoridade Fiscal, por força do art. 142 do CTN, a sabe, cabe-lhe o ônus da prova de fato imponivel da obrigação tributária. Deste modo, necessária se faz a realização de perícia uma vez a imposição fiscal não pode ser respaldada em mera presunção. Com efeito, o elemento "fluxo de ar" é o principal parâmetro de diferenciação na classificação das modalidades dos motores que equipam as aeronaves. Daí a necessidade da coleta das provas, em consideração ao princípio da verdade material. B — Quanto ao mérito, passa a analisar o conteúdo dos códigos da TEC, relativos à mercadoria em causa, no sentido de defender a classificação adotada no código 8802.30.90. Argúi ademais que é vedado à Administração Pública, efetuar uma interpretação que altere a própria natureza dos motores que equipam as aeronaves, de modo a classifica-las na "vala comum" para fins de tributação do IPI, pois existe, expressamente, da Tarifa Externa Comum — TEC, códigos específicos previstos para cada uma delas. Insurge-se ademais contra a exigência da multa de oficio e contra a taxa SELIC 3 14/ .)t MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.279 ACÓRDÃO N° : 303-30.795 A autoridade de Primeira Instância julgou procedente o lançamento, em decisão que tem a seguinte ementa: "CLASSIFICAÇÃO FISCAL. As aeronaves providas de motores denominados de turborreatores, do tipo turbofan, classificam-se na posição 8802.30, por força da norma que rege a matéria. MULTA. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA ERRÓNEA. Em se tratando de classificação tarifária errônea, é cabível a aplicação de multa de 75%, por declaração inexata e falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a declaração de importação em que o bem tenha sido insuficientemente descrito. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Cobram-se juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, por expressa determinação legal. PEDIDO DE PERÍCIA Considera-se não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos da legislação. LANÇAMENTO PROCEDENTE". Inconformado o contribuinte, interpõe recurso a este Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 132/155), em que reedita as razões já desenvolvidas na peça de impugnação. Conclui com o seguinte pedido: O"a) seja dado provimento ao presente recurso, no sentido de se declarar a nulidade do Auto de Infração ao art. 142 do Código Tributário Nacional; b) seja provido o Recurso e cancelada a exigência inquinada, em virtude de estar correto o enquadramento da indigitada aeronave sob o código 8802.30.90 na Tarifa Externa Comum — TEC, submetendo-se, por conseguinte,à incidência do IPI à alíquota zero; c) seja determinada a retificação da autuação para excluir a incidência da taxa de juros da SELIC sobre o total do crédito supostamente devido; ou d) seja excluída a multa imputada no presente caso, por absolutamente incabível". 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.279 ACÓRDÃO N° : 303-30.795 Quanto à garantia de instância, consta dos documentos de fls. 274 e 276, a seguinte informação: "Em 18/10/2001, o contribuinte protocolizou petição optando pela modalidade de Termo de Fiança para garantia de 30% do crédito tributário do presente processo, em nome de INEPAR ENERGIA S/A., CNPJ N°02.225.714/0001-23, conforme documentos juntados às fls. 157 a 211. O processo permaneceu nesta EQCONFI/SECAT aguardando regulamentações sobre os procedimentos a serem adotados para efetivação e controle de garantias para seguimento de recurso voluntário, uma vez que a Instrução Normativa n° 26/2001 não definia os procedimentos para esta situação. • Entretanto, a publicação da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2.000, decorrente da conversão em lei da MP n° 2.176-79, última redação das medidas citadas no primeiro parágrafo, com nova redação para o art. 33 do Decreto 70.235/72, estabelece, de forma diversa, que "em qualquer caso, o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor equivalente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão, limitado o arrolamento, sem prejuízo do seguimento do recurso, ao total do ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio de pessoa física". Deste modo, não existe mais a opção por apresentação de garantias para seguimento de recurso voluntário, sendo descabida a espera por regulamentações do assunto." À fl 276, consta o despacho da Chefe SECAT / Curitiba, do seguinte teor: • "De acordo, determino o seguimento do recurso voluntário protocolizado no presente processo, uma vez cumprido pelo contribuinte o disposto no art. 33, parágrafo 2°, do decreto n° 70.235/72, com a redação dada à época pela Medida Provisória n° 1.973-63, de 29/06/00, e posteriores". É o relatório. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.279 ACÓRDÃO N° : 303-30.795 VOTO Trata-se da importação e classificação na Tarifa Externa Comum de 1 (uma) aeronave BEECHJET, modelo 400 A, prefixo N2201J. O contribuinte deu-lhe classificação no código 8802.30.90 (aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 2.000 Kg, mas não superior a 15.000 Kg, vazios — OUTROS, "que não a hélice, a turboélice ou turbojato"), sujeito à alíquota zero de IPI.. A Receita Federal promoveu a re-classificação da aeronave para outro item dentro da mesma subposição: • 8802.30.31. A discussão versa sobre natureza da aeronave em relação a seu motor que é do tipo turbo-fan: se o motor turbo-fan se enquadra como turbo-reator, se turbomotor, como pretende a recorrente. Constam dos autos os dados técnicos fornecidos pelo contribuinte e pela Receita federal. I — Afirma o contribuinte que conforme o Parecer Normativo CST n° 03/92 os motores turbo-reatores ou turbo-jato são caracterizados pela existência de um único fluxo de ar, que não ocorre com o motor turbofan, pois o mesmo é qualificado como um turbomotor de fluxo duplo. Deste modo, a aeronave não pode ser especificada como sendo turbo-reator uma vez que esse último é formado por um fluxo de ar único. Entende, portanto que está correta a classificação adotada pela empresa em 8802.30.90 e que não é possível aquela pretendida pelo fisco, porque seria colocar os motores na vala comum por uma interpretação que altera a própria • natureza da mercadoria. II — Segundo a Receita Federal, a classificação fiscal correta seria 8802.30.31, própria para aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 2.000 Kg, mas não superior a 15.000 Kg, vazios, como turbojato. O fundamento da autuação está no alcance do PS-CST 03/92, de 13/03/92. Esclarece o julgador de Primeira Instância que referido parecer está amparado no texto das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, havendo nosso país aderido à Convenção desde 1986, tendo assumido o compromisso de adotar o sistema em substituição à Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira. A implantação do Sistema Harmonizado em nosso país aconteceu já no ano de 1.989. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.279 ACÓRDÃO N° : 303-30.795 O Parecer 03/92 limitou-se a interpretar o texto da Notas Explicativas do Sistema Harmonizado relativo aos turbo-reatores na posição onde são classificados, na ocasião, 84.11. Desta forma, a exigência está fundada em convenção internacional de que o Brasil é signatário, que nos termos do art. 96 do CTN integra a legislação tributária. Por outro lado, a mercadoria, por suas características, se identifica como uma aeronave provida de dois motores turbo-reatores, do tipo "turbofan", com peso não superior a 15.000 Kg. Por essas características: motor turbojato e seu peso, a classificação correta do bem é no item tarifário 8802.30.31. Concorda este relator com a conclusão a que chegou a decisão de • Primeira Instância por ser a que corresponde ao estrito ditame da lei de regência, como demonstrado. A propósito, há precedentes de julgamento de idêntica matéria neste Terceiro Conselho de Contribuintes, como consta dos Acórdãos 302-28.668/1998, 301-28.965/1999 e, nesta mesma Câmara, Acórdão303-27.863, de 23 de março de 1.994, em todos os casos, julgamento por unanimidade, para manter a classificação como "turbojato", na conformidade da Tarifa vigente à época do fato gerador do imposto. Quanto à multa, tenho-a como devida, uma vez que está incorreta a descrição da mercadoria nos documentos de importação, havendo o importador omitido informação de se tratar de motor turbofan/turbojato que, juntamente com o peso é essencial para o correto enquadramento fiscal como está também demonstrado. Quanto aos juros de mora e a taxa SELIC, sua exigência tem • fundamento do art. 161 e seu parágrafo 1° e art. 61 e parágrafo 3 0, da Lei 9.430/1996. Assim, havendo o legislador determinado a utilização da Taxa Selic para o cálculo dos juros moratórios, não como acolher a tese de sua ilegalidade e não pode a administração fiscal deixar de aplicá-la já que a atividade administrativa é plenamente vinculada e deve ser obedecida, sob pena de responsabilidade funcional. O pedido de perícia mostra-se inconsistente, uma vez que os autos já contêm todas as informações necessárias para o deslinde da questão. Na realidade, dos dois pré-requisitos considerar no trabalho de classificar mercadoria dentro da Nomenclatura, o primeiro já está plenamente atendido, qual seja o de ter em mãos as informações técnicas bastantes e suficientes a respeito do bem. Deste modo, no caso em foco, resta por atender o outro requisito que conhecer o sistema da Nomenclatura para o fim de definir do correto enquadramento da mercadoria. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.279 ACÓRDÃO N° : 303-30.795 O fato de o importador não concordar com a conclusão da autoridade julgadora dá-lhe certamente direito ao apelo feito ao Colegiado. Mas não impõe obrigatoriamente a abertura de prazo para que se proceda a uma perícia, "data vênia", absolutamente desnecessária, já que o contribuinte não trouxe elementos novos que pudessem pôr em dúvida a plena identificação do bem, como está caracterizado no curso do processo. Pelo exposto, voto para negar provimento ao recurso, seja quanto à classificação, seja quanto à multa proporcional seja quanto aos juros de mora calculados à taxa Selic. Sala das Sessões, em 01 de julho de 2003 JOÃO sj, 1 1A COSTA — Relator o MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.279 ACÓRDÃO N° : 303-30.795 DECLARAÇÃO DE VOTO Discute-se se a aeronave BEECHJET, importada pela recorrente no regime de admissão temporária, foi corretamente classificada e se foi corretamente descrita com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação. As alternativas de classificação são as seguintes: a. 8802.30.31- Aviões e outros veículos aéreos, de peso • superior a 2.000 kg, mas não superior a 15.000 kg, vazios- OUTROS "que não a hélice, a turboélice ou turbojato", (IPI zero), como quer o contribuinte; ou b. 8802.30.31- Aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 2.000 kg mas não superior a 15.000 kg, vazios- a Turbojato (IPI 5%), como quer o Fisco. A descrição inexata prende-se ao fato de o contribuinte não ter explicitado que a aeronave era equipada com um motor turbojato, do tipo turbofan. O capítulo 88, "Aeronaves e aparelhos espaciais e suas partes", contém na posição 8802 "Outros veículos aéreos, de peso superior a 2.000 kg, mas não superior a 15.000 kg", a subposição 8802.30 "Aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 2.000 kg, mas não superior a 15.000 kg" - vazios, os seguintes itens: • 8802.30.10- A hélice 8802.30.20- A turboélice 8802.30.30- A turbojato 8802.30.40— Outros Primeiramente temos a considerar que o avião importado é um turbojato, o que o conduz para o código 8802.30. Como possui peso vazio de 4.730 kg (p.101), correta é a decisão do Fisco em enquadra-lo no item 8802.31.31, próprio para esses tipos de aeronaves com peso de até 7.000 kg, o fato de ser a turbina do tipo "turbofan", não muda em nada a questão. A descrição da mercadoria que consta da DI 00/0513259-7 (fl. 84), é; AERONAVE BEECHEJET, MODELO 400 A, S/N: RK 171, PREFIXO 9 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.279 ACÓRDÃO N° : 303-30.795 N2201J, EQUIPADO. Devemos então decidir se essa descrição era suficiente para que o Fisco fosse induzido ao erro de aceitar a classificação efetuada pelo contribuinte. A expressão AERONAVE BEECHEJET, no meu entender, é mais do que suficiente para esclarecer que se trata de um modelo com propulsão a jato, dependendo tão somente de enquadra-lo como turboélice ou turbojato, como fez adequadamente o Fisco, sem recorrer a qualquer laudo pericial, tão ciente estava da materialidade do fato. Nessas condições, VOTO no sentido de manter a classificação aduaneira efetuada pelo Fisco, mas excluo a multa de oficio. • Sala das Sessões, em 01 de julho de 2003 ./ PA O DE ASSIS — Conselheiro O io % MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES :1. TERCEIRA CÂMARA-jate, Processo n°:15165.000200/2001-46 Recurso n.°:.125.279 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência da Acórdão n° 303.30.795. 110 Brasília- DF 07 de agosto de 2003 • bk, João 1-rõlanda Costa Presidente da Terceira Câmara Ciente em: • te, iro telyniper:-n I ' Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1 _0013500.PDF Page 1 _0013600.PDF Page 1

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Numero do processo: 13984.000708/2001-75
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Mar 30 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Fri Mar 30 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IRPJ E CSLL - MULTA ISOLADA - FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E OU CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO - A regra é o pagamento com base no lucro real apurado no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento do imposto e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o imposto devido a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro real do período em curso. ( Lei nº 8.981/95, art. 35 c/c art. 2º Lei nº 9.430/96). A falta de recolhimento ou recolhimento a menor, está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor do IRPJ do mês em virtude de recolhimento excedentes em períodos anteriores. (Lei nº 9.430/96 44 § 1º inciso IV c/c art. 2º). A base de cálculo da multa é o valor do imposto calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do lucro real anual. A partir da apuração do lucro real anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a diferença entre o imposto anual devido e a estimativa obrigatória, se menor. (Lei nº 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1º inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1º letra “b”). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Se aplicada depois do levantamento do balanço a base de cálculo da multa isolada é a diferença entre o lucro real anual apurado e a estimativa obrigatória recolhida.
Numero da decisão: 105-16388
Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: José Clóvis Alves

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MINISTÉRIO DA FAZENDA ,3 • : -1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. ig-1 4:1 :e QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Recurso n°. : 155.077 Matéria : CSLL - EXS.: 1999 a 2001 Recorrente : S. A. FÓSFOROS GABOARDI Recorrida : r TURMA/DRJ-FORTALEZA/CE Sessão de : 30 DE MARÇO DE 2007 Acórdão n°. :105-16.388 IRPJ E CSLL - MULTA ISOLADA - FALTA DE PAGAMENTO DO IRPJ E OU CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO - A regra é o pagamento com base no lucro real apurado no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento do imposto e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir o imposto devido a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculados com base no lucro real do período em curso. ( Lei n° 8.981/95, art. 35 c./c art. 2° Lei n° 9.430/96). A falta de recolhimento ou recolhimento a menor, está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor do IRPJ do mês em virtude de recolhimento excedentes em períodos anteriores. (Lei n° 9.430/96 44 § 1° inciso IV c/c art. 2°). A base de cálculo da multa é o valor do imposto calculado sobre lucro estimado não recolhido ou diferença entre a devido e o recolhido até a apuração do lucro real anual. A partir da apuração do lucro real anual, o limite para a base de cálculo da sanção é a diferença entre o imposto anual devido e a estimativa obrigatória, se menor. (Lei n° 9.430/96 art. 44 caput c/c § 1° inciso IV e Lei 8.981/95 art. 35 § 1° letra "b"). A multa pode ser aplicada tanto dentro do ano calendário a que se referem os fatos geradores, como nos anos subseqüentes dentro do período decadencial contado dos fatos geradores. Se aplicada depois do levantamento do balanço a base de cálculo da multa isolada é a diferença entre o lucro real anual apurado e a estimativa obrigatória recolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por S.A FÓSFOROS GABOARDI. 7 • k MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Wilson Femandes Guimarães. JOS ' e ALVE • PR (IDENTE e RELATOR FORMALIZADO EM: 26 ABR 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUIS ALBERTO BACELAR VIDAL, DANIEL SAHAGOFF, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES (Suplente convocado), EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, IRINEU BIANCHI e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. jso 2 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 Recurso n°. :155.077 Recorrente : S.A FÓSFOROS GABOARDI RELATÓRIO S. A. FÓSFOROS GABOARDI, CNPJ N° 83.754.98610001-12, já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão prolatada pela 3' Turma da DRJ em FORTALEZA CEARÁ, consubstanciada no acórdão de n° 08-9.003 de 25 de agosto de 2006, que julgou procedente em parte o lançamento referente a multa isolada , contido no Auto de Infração de fls. 39/45 tendo em vista as seguintes infrações: MULTAS ISOLADAS Falta de recolhimento da CSL sobre a base estimada, em abril, maio, setembro e dezembro de 1.998; março de 1.999; maio, junho a outubro de 2.000, sujeitando a empresa ao recolhimento da multa isolada. Enquadramento legal: arts. 2°, 43, 44, § 1, inciso IV da Lei 9.430/96. A contribuinte inconformada com autuação do auto de infração apresentou a impugnação de folhas 47/52 argumentando, em síntese: "I- A requerente apurou seus resultados, referentes ao ano-calendário de 1998, com base na sistemática do Lucro Real Anual, com recolhimento de estimativa "com base na Receita Bruta e Acréscimos" de janeiro/98 à novembro/98 e "com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução" em dezembro/98, em perfeita sintonia com os ditames da legislação aplicável ao ano-calendário de 1998, exercício 1999, conforme expresso na DIPJ/99. II- Os Auditores Fiscais da Receita Federal AFRF, Sr. Silvio Atsushi Fujita e Sr. João Liota Fujihara, efetuaram todos os levantamentos que julgaram necessários, resultando no `Demonstrativo de Apuração" e por conseguinte no "demonstrativo de situação Fiscal Apurada", ambos anexos do Auto de Infração ora impugnadoov. 3 e k 4. MINISTÉRIO DA FAZENDA rf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 III- Do "Demonstrativo de Situação Fiscal apurada" referente ao ano-calendário 1998, extraímos a seguinte composição de valores: Competência AFRF Contribuinte Diferença Jan/98 20.822,61 20.880,91 (58,30) Fev/98 18.900,67 21.233,30 (2.322,63) Mar/98 18.721,60 20.988,16 (2.266,56) Abr/98 16.412,85 16.394,99 17,86 Ma1/98 20.483,75 20.473,88 9,87 Jun/98 14.415,99 14.846,06 (430,07) Jul/98 19.317,18 19.738,29 (421,11) Ago198 15.030,19 16.804,17 (1.773,98) Set/98 25.303,96 20.915,19 4.388,77 Out198 26.345,84 27.866,65 (1.520,81) Nov/98 23.468,16 24.908,81 (1.440,65) Dez198 24.254,91 24.254,91 TOTAIS 243.477,71 225.050,41 18.437,30 Os valores negativos na coluna "Diferenças" se referem a créditos tributários liquidados "à maior" pelo contribuinte se comparados aos levantamentos dos AFRFs; ** Em dez/98 a apuração se fez "com base em balanços/balancete de redução ou suspensão", fato que foi desprezado pelos AFRFs; *** Os valores apurados e liquidados pelo contribuinte de janeiro a novembro de 1998 são maiores que os valores apurados pelos AFRF's de janeiro a novembro de 1998. **** Em dezembro de 1998, o contribuinte, na forma da lei apurou seus resultados "com base em balancete de suspensão/redução". IV- Nota-se claramente que os valores contidos no levantamento dos Srs. AFRF são menores que os apurados pelo contribuinte, exceto nas competências 04/98, 05/98 e 09/98 em valores absolutamente indevidos de R$ 17,86, R$ 9,87 e R$ 4.388,77 respectivamente, (vide anexo IV, que contém as composições corretas). É importante ressaltar que os Srs. AFRF's ou não confiam em seu próprio levantamento e/ou deliberadamente desrespeitaram o princípio da 'Verdade Real ou Material", pois os valores apurados e cujos créditos tributários foram liquidados pelo contribuinte durante o ano-calendário 1998, perfazem até 30/11/980 valor de R$ 4 ...,,, MINISTÉRIO DA FAZENDA ,, • ; 1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fi. C:fli;t2 > QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 225.050,41 e os valores apontados pelos AFRF's perfazem o total de apenas R$ 219.222,80 até 31/11/98, logo, a aplicação de "MULTA ISOLADA" é juridicamente impossível! V- O valor de R$ 24.254,91, apontado pelos Srs. AFRF's, "com base na Receita Bruta e Acréscimos" é absolutamente fora de propósito, tendo em vista que naquele mês de dezembro de 1998 a apuração, conforme DIPJ, foi realizada pelo contribuinte, "com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução", apontando na forma da lei um valor a recolher de R$ 0,00(zero reais). VI- Considerando os esclarecimentos prestados nos itens IV e V, precedentes, é de meridiana clareza que nenhum dos valores apontados como base de cálculo, pelos Srs. AFRF's, para a aplicação da "MULTA ISOLADA" referente o ano- calendário 1998, tem qualquer fundamento técnico, ou base legal que possa dar sustentação ao "Crédito Tributário Apurado", na forma do Auto de Infração que está, comprovadamente divorciado da realidade dos fatos. VII- A requerente apurou seus resultados referentes o ano-calendário 2000, com base na sistemática do "Lucro Real Anual", com recolhimentos mensais efetuados "com base na Receita Bruta e Acréscimos" de janeiro à novembro e "com base em balanço ou balancete de Suspensão ou Redução" em dezembro, em perfeita sintonia com as regras da legislação aplicável ao ano calendário em questão. VIII -Os AFRF's, fizeram todos os levantamentos que julgaram necessários, resultando no "Demonstrativo da Apuração" e por conseguinte no "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada", ambos anexos do Auto de Infração ora impugnado. IX- Do "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada" referente ao ano-calendário 2000, extraímos os valores descritos pelos Srs. AFRF's, e contrapomos com os valores consignados na forma da lei na DIPJ, como segui 5 • e 4. MINISTÉRIO DA FAZENDA n.ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4er, > QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 Competência AFRF Contribuinte DIPJ Diferenças Jan/00 22.154,06 31.673,54 (9.519,48) Fev/00 21.162,29 28.236,68 (7.074,39) Mar/00 25.647,17 36.231,48 (10.584,31) Abr/00 25.890,18 33.601,90 (7.711,72) Mai/00 19.997,87 18.898,39 1.099,48 Jun/00 22.480,99 22.142,24 338,75 Jul/00 23.423,20 23.139,76 283,44 Ago/00 25.597,43 25.032,57 564,86 Set/00 27.243,12 27.118,03 125,09 Out/00 23.792,17 23.639,79 152,38 Nov/00 24.084,46 24.098,58 (14,12) Dez/00 27.312,14 32.869,19 (5.557,05) TOTAIS 288.785,08 326.682,15 (37.897,07) * Os valores negativos na coluna "Diferenças" se referem a créditos tributários liquidados" a maior pelo contribuinte se comparados aos levantamentos dos AFRFs. **Em dez/2000 a apuração se fez "com base em balanço ou balancete de suspensão ou Redução", fato que foi desprezado pelos AFRFs. *** Os valores apurados e liquidados pelo contribuinte de janeiro a novembro de 2000 são bem maiores que os valores apurados pelos AFRF's de janeiro à dezembro de 2000. No anexo IV, demonstramos com clareza que os levantamentos dos Srs. AFRFs, contém flagrantes erros comprometendo sua aplicação como parâmetro de comparação. X- O valor de R$ 27.312,14, apontado pelos Srs. AFRF's, "com base na Receita Bruta e Acréscimos", é absolutamente fora de propósito, tendo em vista que naquele mês de dezembro de 2000, a apuração, conforme DIPJ, foi realizada pelo contribuinte, "Com base em balanço ou balancete de Suspensão ou Redução", resultando no valor de R$ 32.869,19. Xl- Considerando-se os esclarecimentos prestados nos itens IX e X precedentes, é de meridiana clareza que nenhum dos valores apontados como base de cálculo, pelos Srs. AFRFs, para aplicação da "MULTA ISOLADA", referente o ano- calendário 2000, tem qualquer fundamento técnico, ou base legal que possa dar 6 7f7 • t 4' I, MINISTÉRIO DA FAZENDA b7 : • -ft PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. :ft,:. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 sustentação ao "Crédito Tributário apurado", na forma do Auto de Infração, que está a exemplo do que ocorre em relação a 1998 comprovadamente divorciado da realidade dos fatos. * Os valores negativos na coluna "Diferenças" se referem a créditos tributários liquidados "a maior" pelo contribuinte se comparados aos levantamentos dos AFRFs. **Em dez/2000 a apuração se fez "com base em balanço ou balancete de suspensão ou Redução", fato que foi desprezado pelos AFRFs. *** Os valores apurados e liquidados pelo contribuinte de janeiro a novembro de 2000 são bem maiores que os valores apurados pelos AFRF's de janeiro à dezembro de 2000. **** No anexo IV, demonstramos com clareza que os levantamentos dos Srs. AFRFs, contém flagrantes erros comprometendo sua aplicação como parâmetro de comparação. X - O valor de R$ 27.312,14, apontado pelos Srs. AFRF's, "com base na Receita Bruta e Acréscimos", é absolutamente fora de propósito, tendo em vista que naquele mês de dezembro de 2000, a apuração, conforme DIPJ, foi realizada pelo contribuinte, "Com base em balanço ou balancete de Suspensão ou Redução", resultando no valor de R$ 32.869,19. Xl- Considerando-se os esclarecimentos prestados nos itens IX e X precedentes, é de meridiana clareza que nenhum dos valores apontados como base de cálculo, pelos Srs. AFRF's, para aplicação da "MULTA ISOLADA", referente o ano-calendário 2000, tem qualquer fundamento técnico, ou base legal que possa dar sustentação ao "Crédito Tributário apurado", na forma do Auto de Infração, que está a exemplo do que ocorre em relação a 1998 comprovadamente divorciado da realidade dos fatos. XII - Por oportuno, a requerente transcreve parte das considerações contidas no "Termo de Verificação Fiscal", que é parte integrante do Auto de Infração, convertido no Processo Administrativo n° 13984.000708/2001-75(fls. 50). 7 . : 4 4 4.,1 *4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. '' P n Ir. L'ea> QUINTA CÂMARA.;-._ ,;.: Processo n°. :13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 XIII- É de fácil percepção, que as considerações contidas no "Termo de Verificação Fiscal" não atendem aos ditames da legislação aplicável, assim como também não atendem aos conceitos mínimos da "Boa Técnica" pelos seguintes aspectos: a) Os levantamentos realizados no "Demonstrativos de Apuração" revelam evidente imperícia, como segue: Abr/2000 AFRF Correto Contribuinte Receita Tributável 1.406.756,23 1.406.756,2 Aluguéis 1.140,00 1.140,0 Juros Ativos *934,29 Juros Selic 1.928,95 1.928,95 Outras Receitas *934,29 *934,29 TOTAIS 1.411.693,76 1.410.759,47 Diferença * R$ 934,29 *OBS: (1) Os Srs. AFRF consideraram duas vezes o valor de R$ 934.29, uma como "Juros Ativos" e outra como "Outras Receitas" (2) É importante verificar que o citado e indiscutível erro foi cometido em todos os meses do ano-calendário 2000, conforme se pode observar claramente no "Demonstrativo de Apuração" que é parte integrante do Auto de Infração ora impugnada assim como demonstramos no Anexo IV. b) Em todos os meses, em que o cotejo e/ou comparação entre os débitos apurados pelo contribuinte e aqueles apurados de forma equivocada pelos AFRF, resultaram em valores favoráveis ao contribuinte, foram d el iberadam ente desconsiderados, apenas sendo considerados aqueles em que os valores apurados, frize-se, "de forma incorreta" pelos AFRF's resultaram favoráveis do Fisco. c) O ato administrativo é vinculado à lei, não cabendo aos agentes do ente tributante, utilizar-se, para apuração de tributo ou contribuição, ou ainda reflexos sobre os mesmos, quaisquer outros critérios senão aqueles estabelecidos em lei. A expressão a "maior valor entre os débitos declarados em DCTF/DIRPJ/DIPJ (b.1) e os créditos apurados (b.2)" é alheia ao direito, não tem base técnica e afronta de forma crítica o princípio da Verdade Materital. 8 t L MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. > QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 d)Foram levantadas "diferenças" entre a apuração dos Srs. AFRF'S em dez/98 e dez/2000 pelo critério da "Receita Bruta e Acréscimos" quando o contribuinte sequer havia optado por esta sistemática naqueles meses, tendo se utilizado de Balancete de Suspensão/Redução, conforme DIPJ 98/99 e DIPJ 2000/2001, bem como transcrições específicas e próprias no LALUR, Livros Diário e Razão. e) Como pode o contribuinte sofrer a penalidade da MULTA ISOLADA se comprovadamente: - Os levantamentos dos Srs. AFRF's, contém erros, falhas ou omissões que prejudicam sua lisura; -Os levantamentos dos Srs. AFRF's desprezaram a "forma de apuração" legalmente expressa na DIPJ. - O contribuinte não apurou e liquidou créditos tributários devidos por estimativa em valores inferiores aos efetivamente devidos, conforme ampla demonstração neste requerimento e em seus anexos. XIV- O contribuinte em resposta à intimação fiscal MPF n° 092.0500/00039-2001, encaminhou demonstrativos das composições dos valores devidos versus valores liquidados dos créditos tributários de CSLL dos anos-calendário 1998 a 2000, que demonstram de forma clara e precisa (vide anexo I e II), todas as movimentações. Salientamos que inadvertidamente, e sem o devido apego ao princípio de Verdade material, os Srs. AFRFs, também não levaram em considerações as informações corretamente prestadas. XV - O contribuinte assevera ainda que, sabedor do fato, de que as DCTF's não estavam de acordo com a realidade, sem no entanto existirem tributos ou contribuições pendentes de liquidação do respectivo crédito tributário, informou esta condição aos Srs. Auditores desde o início da ação fiscal, informação esta que, aparentemente, não foi levada em consideração pelos Srs. AFRF's. A 3° TURMA da DRJ em Fortaleza, através do acórdão 08-09.003 de 25 de agosto de 2006 decidiu por julgar procedente em parte o lançamento, reduzindo a multa para 50% nos termos da MP 303/2006, e recalculando os valores em Virtude de erros cometidos pela fiscalização, no levantamento realizado. 9 • ti 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA • ot PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. :13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 Ciente da decisão em 15/09/2006, conforme AR de folha 119, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 13/10/2006 de fls. 120/137, argumentando, em epítome o seguinte. Faz um histórico dos fatos para demonstrar a inexistência de valores não pagos a título de estimativa nos anos objeto de autuação faz demonstrativos, afirma que houve equívoco por parte da fiscalização, mantido na decisão de primeira instância que além de tudo alterou o lançamento. Diz que o auto é nulo por erro material em virtude dos erros cometidos pelos autuantes. Argumenta que na realidade recolhera valores superiores E de garantia arrolou bens. É o relatório. 10 • 1 .. MINISTÉRIO DA FAZENDA... - • ...., •; 1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES a 10, :1/41e ':flItt:5 QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 VOTO Conselheiro JOSÉ CLÓ VIS ALVES, Relator O recurso é tempestivo e foram apresentadas garantias de instância, portanto dele conheço. Deixo de falar sobre a nulidade do lançamento em virtude do mérito a favor do recorrente. MÉRITO Trata a matéria de exigência da multa isolada prevista no artigo 44 Parágrafo 1° inciso IV, em virtude da falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa previsto no artigo 2° da Lei n 9.430 de 1996. A Contribuinte tributada com base no lucro real optou pelo pagamento da contribuição, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995. Existiam no âmbito deste Conselho teses conflitantes sobre a matéria, a Oitava Câmara decidia que a multa isolada deveria ser aplicada a qualquer tempo e independe do valor apurado no final do período base, enquanto que a Terceira Câmara entendia que a multa isolada só tem lugar antes da entrega da declaração, uma vez apurado o imposto esse deve prevalecer como base para eventual penalidade a seriaplic,ada II • 1 e 4, MINISTÉRIO DA FAZENDA • : tri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 Tal conflito jurisprudencial fora pacificado pela ampla maioria da 1 3 Turma da CSRF na sessão de abril de 2.004, onde ficou assentada a tese que abaixo defendemos. Com trata se de exigência relativa a fatos geradores ocorridos a partir de 01 de janeiro de 1997, a legislação aplicada é a abaixo transcrita. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 CAPITULO I - IMPOSTO DE RENDA - PESSOA JURÍDICA Seção I - Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1° A partir do ano-calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Pagamento por Estimativa Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995. 12 • MINISTÉRIO DA FAZENDA x. • . 'í PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 1s/ •;,51-„=e; QUINTA CÂMARA Processo n°. :13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15 - A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35 - A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1° - Os balanços ou balanceies de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário. Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 37 - Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, 13 (f) • G. .. ,.•' L t• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES EL :1:10;f15 QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano-calendário ou na data da extinção. § 1° - A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das disposições das leis comerciais. § 2° - § 3° - Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a) dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 2° do art. 39; b) dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidentes sobre receitas computadas na determinação do lucro real; d) do Imposto de renda calculado na forma dos arts. 27 a 35 desta Lei, pago mensalmente. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a phipótese do inciso seguinte; 14 t MINISTÉRIO DA FAZENDA • : ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. -t QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 II - cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (camê-leão) na forma do art. 80 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do o lucro líquido, no ano-calendário correspondente; Diversas interpretações têm sido dadas aos recolhimentos mensais do IRPJ quando a empresa faz a opção por recolher o tributo com base na estimativa e não no lucro real apurado trimestralmente. Inicialmente temos que partir da interpretação do regime de tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica sujeita ao lucro real. A regra a partir de 01 de janeiro de 1997 é a apuração do lucro real em cada trimestre, ou seja, em 30 de abril, 31 de julho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano, conforme artigo 1 da Lei n. 9.430 de 1996. O contribuinte que não tiver condições de apurar o imposto trimestralmente ou que achar conveniente apurá-lo somente no final do ano, opta pelo real anual, mas se obriga a cumprir as regras relativas ao pagamento do IRPJ por estimativa, nos mesmos moldes base de cálculo e alíquota daquelas empresas que optaram pelo lucro presumido. 15 1 ,tt MINISTÉRIO DA FAZENDA -rt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES FL '':-.1"t? QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 Ao optar sabe de antemão que deverá fazer os recolhimentos considerando como lucro os percentuais estabelecidos na legislação que variam de 1,5% para revenda de combustíveis a 32% para prestação de serviços, até o final do ano quando então deverá levantar o lucro real e comparar os valores recolhidos tendo como base o lucro estimado mensalmente com o valor devido com base no lucro real anual. Do cálculo pode resultar em imposto recolhido a menor, caso em que recolherá a diferença ou imposto pago a maior caso em que poderá compensar com os valores de tributos devidos apurados a partir de tal constatação. A opção é livre visto que a regra é a apuração trimestral do IPRJ com base no lucro real, porém ao optar pela estimativa deve nela permanecer durante todo o ano calendário. A lei faculta ao contribuinte suspender ou reduzir o pagamento do IRPJ por estimativa desde que comprove já ter recolhido imposto maior que o devido nos períodos anteriores, conforme artigo 35 da Lei 8.981. Tal suspensão depende de balanços ou balançetes mensais nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.981/95. Se ficar demonstrado que nos períodos anteriores ao considerado, já recolhera o imposto em valor superior ao devido conforme regras do lucro real. Analisando o artigo 35 podemos afirmar que a suspensão somente é possível a partir do segundo mês, visto que somente tem lugar a suspensão ou redução do recolhimento com base no lucro estimado se houver pago valor a maior em período ou períodos anteriores, com base em lucro real apurado no (s) períodos antecedentes. Isso indica que embora tenha feito a opção pela estimativa levantou balanço ou balancete mensais e fez demonstração do lucro real, com todas as adições e exclusões obrigatórias na área tributária. O contribuinte age corretamente quando não recolhe o imposto ou o reduz em determinado período, considerando a base estimada, mas o faz com base em balanço 16 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. : 105-16.388 ou balancetes mensais que demonstrem ter recolhido em períodos anteriores valores suficiente para cobrir no todo ou em parte o valor do tributo calculado com base na estimativa no novo período, considerando nos períodos anteriores o tributo devido com base em lucro real apurado, poderá reduzir ou até deixar de recolher a exação enquanto houver saldo positivo de períodos anteriores, considerados os meses anteriores dentro do mesmo ano calendário. Tal exigência visa dar garantia ao sujeito ativo da relação tributária que a suspensão ou redução do tributo foi correta, visto que o contribuinte tem créditos de recolhimentos a maior de períodos anteriores, sem o cumprimento da obrigação acessória, levantamento do lucro real e balanços ou balancetes não há segurança quanto à suspensão ou redução do pagamento do tributo. O legislador estabeleceu também que independentemente de ter o contribuinte optante pelo recolhimento do IRPJ com base na estimativa, levantado balanços ou balancetes, ou ter apurado lucro real ou prejuízos, nos meses do ano calendário, deverá fazer o balanço anual e apurar o lucro real anual, ocasião na qual considerará os valores recolhidos, quer através de estimativa, quer através de retenção na fonte em às suas receitas consideradas na base de cálculo. Disse também o legislador que a falta de pagamento do tributo com base na estimativa sujeita o infrator à multa de 75%, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente. (Lei n° 9.430/96 art. 44 § 1° inciso IV). Na sistemática anual, o contribuinte é optante pela regra da estimativa mensal, visto que a regra geral para o lucro real é sua apuração, mensal até 1996 e trimestral a partir de 01.01.97. Nessa hipótese deve o contribuinte optante por esse regime realizar recolhimento por estimativa, a título de antecipação do imposto efetivamente 17 ,.!• A 4' MINISTÉRIO DA FAZENDA vt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. •• -rt; QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 devido no valor apurado em 31 de dezembro de cada ano. Vale dizer, rigorosamente que, para as pessoas jurídicas optantes por esse regime — BALANÇO ANUAL — o fato gerador do imposto de renda ocorre em 31 de dezembro e, portanto, antes dessa data não existe imposto devido, o que torna incorreta a utilização da expressão "pagamento mensal ou bimestral", pois como modalidade de extinção de obrigação somente o seria após a ocorrência do fato gerador, daí o tratamento correto deve ser de antecipação do devido em 31.12. de cada ano. A penalidade prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 visa dar efetividade à regra dos recolhimentos por estimativa, porém deve ser analisada e aplicada seguindo o princípio da razoabilidade. Analisando a regra sancionatória podemos dizer que conjugando o caput do art. 44 com o inciso IV de seu § 1°, podemos afirmar que a multa somente pode ser cobrada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, vale dizer que deve haver uma obrigatoriedade do recolhimento de tributo ou contribuição, seja em forma definitiva seja como antecipação. No caso de recolhimento por estimativa previsto no artigo 2° da Lei 9.430/96, para suspender ou reduzir o valor dos pagamentos a empresa deverá demonstrar através de balanços ou balancetes, que o valor acumulado já excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso, conforme preceitua o artigo 35 da Lei 8.981, que na letra "tf de seu § 1° diz que os balanços ou balancetes somente produzirão efeito para a determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. Tal previsão indica que tais obrigações acessórias têm caráter precário, ou seja servirão para comprovar o correto cumprimento da regra da estimativa no curso do ano calendário, após esse haverá prevalência do balanço anual. 18, MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl.PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°.:13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 Do expostos podemos concluir que há aparente conflito entre parte da norma sancionatória, inciso IV do § 1° do artigo 44 da Lei 9.430/96, com o próprio caput do artigo já que o caput prevê multa para totalidade ou diferença de imposto, enquanto que o inciso IV prevê a multa ainda que seja apurado prejuízo fiscal no ano calendário. Podemos afirmar que o aparente conflito também existe entre a previsão de exigência da multa ainda que se apure prejuízo, com a previsão contida na letra "b" do § 1° do artigo 35 da lei n° 8.981/95, nos casos que o contribuinte não recolhe as estimativas, e nem levanta os balanços ou balancetes, mas que no balanço em 31.12 apura prejuízo fiscal. Se os balanços e balancetes têm vida efêmera ou seja só servem até o levantamento do balanço que dirá a verdadeira base de cálculo; como pode a sua ausência, no caso de prejuízo final, ensejar a aplicação de penalidade após o cálculo do imposto? Não há mais imposto, logo nos termos do caput do artigo 44 da Lei 9.430/96 não há mais base de cálculo para a multa. Não se diga que com isso possa estar se negando efetividade à previsão legal da exigência ainda que se apure prejuízo, tal dispositivo deve ser entendido dentro de uma interpretação sistemática que nos leva a crer que tal previsão significa que se o contribuinte não recolher as estimativas obrigatórias, não levantar balanços ou balancetes para comprovar prejuízo, ou mesmo os levantando e ficar comprovado lucro real e o contribuinte não recolher a exação, fica sujeito à multa isolada, que se aplicada durante o ano, ainda que no final do interregno venha a apurar prejuízo, lucro zero ou lucro inferior às estimativas a que estava obrigado, a multa dever prevalecer não podendo as autoridades julgadoras reduzi-Ia ao nível do imposto devido na declaração anual. 19 1 a' h. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n. ,gt • 4. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 Para compatibilizar as normas a interpretação deve ser feita levando-se em conta o princípio da razoabilidade, do fato consumado, (lucro real anual), e a previsão contida no artigo 112 do CTN. Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Art. 112 - A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. De fato como já dissemos a aplicação da multa após o levantamento do balanço e a apuração resultado anual para fins fiscais, que pode ser prejuízo, lucro zero ou lucro positivo, deve ser aplicada com razoabilidade pois a dúvida está patente quanto à base de cálculo da multa. A base da penalidade seria o valor das antecipações não recolhidas ou, seria o valor do imposto apurado pelo lucro real anual? Se o contribuinte apurou prejuízo anual, a falta dos balanços ou balancetes que deveriam ter sido feitos e 20 MINISTÉRIO DA FAZENDAre. 5: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 transcritos nos diários, que como já dissemos têm vida efêmera, podem ser motivo para a aplicação da multa? Não há nenhuma dúvida de que o legislador elegeu como base de cálculo da penalidade o valor do tributo, que pode ser entendido durante o ano como o das antecipações e após o levantamento do lucro real anual o valor do tributo sobre ele calculado. (Art. 44 Lei 9.430/96). Patente as dúvidas pode e deve o julgador aplicar o artigo 112 do CTN de modo a adaptar a exigência da penalidade ao objetivo do legislador, ou seja proteger o sistema de bases correntes com recolhimentos durante o período de formação da base tributável anual. Assim entendo que a penalidade deve ser aplicada sobre as seguintes bases: 11 hipótese: o contribuinte não recolhe as estimativas e nem levanta balanços ou balancetes que pudessem comprova prejuízo ou recolhimento a maior de imposto em períodos anteriores dentro do ano base. a) Durante o ano calendário e no ano seguinte até o levantamento do balanço anual e apuração do lucro real anual, a base de cálculo da multa deve ser o valor das estimativas não recolhidas, calculando-se o valor do imposto ou contribuição social, mais adicional sobre o lucro estimado de oito por cento sobre a receita bruta auferida, ou os outros percentuais previstos na legislação para a atividade. b) Após o levantamento do balanço, a base de cálculo da multa deverá ser a diferença entre o imposto de renda sobre o lucro real anual e as estimativas recolhidas se menores que as obrigatórias, pois esta é a base de cálculo nos termos do caput do artigo 44 da Lei 9.430/96. c) Ocorrendo prejuízo fiscal anual, a multa somente pode ser exigida até o levantamento do balanço e da demonstração do lucro real, visto que após essa data não há mais base de calculo nos termos do caput do art. 44 da Lei 9.430/96 pois, as estimativas mostraram-se indevidas, se indevidas não podem mais ser base de cálculo, sob pena de se calcular penalidade sobre 21 . . ., MINISTÉRIO DA FAZENDA .4 . Nt . • ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 base inexistente. Nesse caso podemos dizer que houve apenas o não cumprimento de uma obrigação acessória que seria a demonstração através de balanços ou balancetes de que a empresa no curso do ano teve prejuízo e não lucro tributável. r) Hipótese: a empresa não recolhe os valores devidos como estimativa, levanta balanços ou balancetes que demonstram a existência de lucro real e não de prejuízo. a) Apura lucro real anual em valor maior ou igual aos valores que tinha obrigação de recolher a titulo de estimativa, a base de calculo é o valor do imposto calculado sobre as estimativas não recolhidas. b) A empresa apura lucro real anual em valor inferior aos valores que tinha obrigação de recolher a titulo de estimativa, a base de cálculo da multa deve ser igual ao valor do imposto anual. CONCOMITÂNCIA DE APLICAÇÃO DAS MULTAS — ISOLADA E PROPORCIONAL: 1) Após o ano calendário a fiscalização detecta omissão de receita, deve-se exigir a multa proporcional de 75% ou 150%, e não a multa isolada pois essa sanção é para dar efetividade aos recolhimentos das estimativas durante o ano calendário calculadas sobre o faturamento escriturado. 2) No balanço anual a empresa apura imposto em valor superior às estimativas recolhidas, porém calculou e recolheu as antecipações cumprindo corretamente a legislação, não há multa a ser cobrada pois cumprira corretamente as regras da estimativa. 3) No balanço anual a empresa apura imposto maior que as estimativas recolhidas em virtude de recolhimento a menor das estimativas a que estava sujeita, a multa a ser aplicada é a isolada sobre a diferença entre a soma das estimativas a que estava obrigada e a efetivamente recolhida. 4) A empresa declara em DIRF a estimativa correta, mas não recolhe, levanta balanço anual que mostra ser devida aquela estimativa, aproveita o valor da estimativa não recolhida para redução do imposto anual, a multa a ser lançada será a isolada pelo não recolhimento da estimativa, e o imposto deverá ser exigido na totalidade, ou seja, sem a consideração da estimativa ,declarada mas não recol/hida. 22 - . . ...eA 4. MINISTÉRIO DA FAZENDA so .: t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. Yfr "ll „IV> QUINTA CÂMARA Processo n°. :13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 Essas foram as hipóteses que de antemão podemos prever, porém outra poderão surgir, as quais deverão ser analisadas de acordo com os fatos efetivamente ocorridos. Para cada norma violada deve haver a certeza da resposta que deve seguir o princípio da proporcionalidade, ou seja a sanção deve de ser aplicada na medida da violação, com imparcialidade. Entendo que o princípio da proporcionalidade aplica-se às sanções tributárias. O limite à sanção é o próprio bem jurídico protegido. No caso este bem é o crédito tributário. Será o valor desse crédito o limite máximo permitido à sanção. Ora se durante o ano calendário o crédito é o valor do tributo calculado sobre o lucro estimado, sobre ele nesse período pode ser calculada a sanção, após o evento do balanço anual com a apuração do lucro real do ano, o crédito deixa de ser aquele com base no lucro estimado e passa a ser aquele calculado sobre o lucro real efetivo, somente sobre esse, se houver é que poderá ser exigido imposto, logo esse é o limite para a aplicação da multa. Exigir a multa e valor superior ao imposto apurado no ano, não só estaria ferindo a norma a que prevê a sanção pela utilização de valor maior que o tributo devido como base de cálculo, como o princípio da proporcionalidade, pois após o balanço o que mostrou ser devido a titulo de antecipação foi o valor do imposto apurado com base no lucro real anual, qualquer diferença a maior seria objeto de compensação ou restituição, logo utilizando uma base maior na realidade estaria a autoridade a exigir a multa não sobre a diferença de imposto mas, sobre um valor a ser restituído ou compensado, o que seria um verdadeiro absurdo. A -sanção/coação, está para a relação jurídica sancionadora, assim como a prestação está para a relação jurídica obrigacional." (1).77 23 G G' h* MINISTÉRIO DA FAZENDA, •. • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES EL zo, QUINTA CÂMARA Processo n°. : 13984.000708/2001-75 Acórdão n°. :105-16.388 Para aplicação da tese exposta, devemos analisar a situação da empresa recorrente. Manuseando os autos, verifico que conforme informação do autuante nos exercício de 1999 a 2.001, a empresa fizera opção pelo lucro real anual com o recolhimento obrigatório de estimativas mensais, nos termos do artigo 20 da Lei n° 9.430/96. Verifico também que o contribuinte tomou ciência dos autos de infração fora em 20.11.2.001, portanto fora do curso dos anos calendário objetos da autuação 1998 a 2.000, tal fato é importante diante da tese assentada na CSRF uma vez que durante o ano calendário o valor da multa equivale a 75% da estimativa não recolhida a cada mês. Manuseando os autos verifico que pelas declarações de rendimentos de folhas 78, 84 e 140, que a empresa apurou saldo de CSLL a compensar em 1.998 e 1.999 e em 2.000 o valor recolhido a título de estimativa é idêntico ao apurado no final ano, logo inaplicável a multa isolada pelo não recolhimento da estimativa após a apuração do resultado anual. De acordo com a tese exposta não há possibilidade de exigência da multa isolada após o curso do ano calendário pois não existe a base de cálculo prevista no caput do artigo 44 da Lei 9.430/96 que é o valor do imposto devido, ainda não recolhido na forma de estimativa que seria devida no curso do ano calendário. Assim, conheço do recurso apresentado e no mérito dou-lhe provimento. Sala d. Se - - , em 30 de março de 2007. JO. w • IS 24 Page 1 _0040800.PDF Page 1 _0040900.PDF Page 1 _0041000.PDF Page 1 _0041100.PDF Page 1 _0041200.PDF Page 1 _0041300.PDF Page 1 _0041400.PDF Page 1 _0041500.PDF Page 1 _0041600.PDF Page 1 _0041700.PDF Page 1 _0041800.PDF Page 1 _0041900.PDF Page 1 _0042000.PDF Page 1 _0042100.PDF Page 1 _0042200.PDF Page 1 _0042300.PDF Page 1 _0042400.PDF Page 1 _0042500.PDF Page 1 _0042600.PDF Page 1 _0042700.PDF Page 1 _0042800.PDF Page 1 _0042900.PDF Page 1 _0043000.PDF Page 1

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Numero do processo: 14041.000802/2005-61
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IRPF – RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Somente faz jus à isenção prevista no inciso II, do artigo 5°, da Lei n° 4.506/1964, o funcionário internacional dos quadros de Agência Especializada da ONU, com vínculo estatutário e não apenas contratual, sendo que tal benefício não aproveita os técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui contratados, seja por hora, por tarefa ou com vínculo contratual permanente. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de fonte no exterior, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 106-16.271
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir do lançamento a multa isolada,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage

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Somente faz jus à isenção prevista no inciso II, do artigo 5°, da Lei n° 4.506/1964, o funcionário internacional dos quadros de Agência Especializada da ONU, com vinculo estatutário e não apenas contratual, sendo que tal beneficio não aproveita os técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui contratados, seja por hora, por tarefa ou com vínculo contratual permanente. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. MULTA ISOLADA E DE OFICIO — CONCOMITÂNCIA — BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de fonte no exterior, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BRUNA MACHADO TEIXEIRA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir do lançamento a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgad . JOSÉ RIB'MARB1f S PENHA PRESIDENTE GONÇALO BONE ALLAGE RELATOR MINISTÉRIO DA FAZENDA Ow ' 'ri' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESzonot SEXTA CÂMARA r•&';.tWr Processo n° : 14041.000802/2005-61 Acórdão n° : 106-16.271 FORMALIZADO EM: 02 MM 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, JOSÉ CARLOS DA MATTA RIVITTI, LUIZ ANTONIO DE PAULA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA e ISABEL APARECIDA STUANI (suplente convocada). 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES VI.,; ti„. SEXTA CÂMARA Processo n° : 14041.00080212005-61 Acórdão n° : 106-16.271 Recurso n° : 152.955 Recorrente : BRUNA MACHADO TEIXEIRA RELATÓRIO Em face de Bruna Machado Teixeira foi lavrado o auto de infração de fls. 40-48, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 2003, no valor de R$ 7.603,40, acrescido de multa de ofício de 75%, de juros moratórios calculados até 30/09/2005 e, ainda, de multa de ofício isolada de 75%, totalizando um crédito tributário de R$ 24.151,90. O lançamento decorre da omissão de rendimentos sujeitos ao carnê-leão, recebidos pela contribuinte em razão da prestação de serviços profissionais ao organismo internacional denominado Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura — UNESCO. A síntese do trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora está expressa no Termo de Verificação Fiscal de fls. 50-54. Intimada da exigência fiscal a autuada, devidamente representada, apresentou impugnação às fls. 57-74, acompanhada dos documentos de fls. 75-105, onde defendeu, sob diversos aspectos, a isenção do imposto de renda pessoa física sobre os rendimentos recebidos por servidor de organismo internacional. Apreciando o litígio os membros da 3 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) consideraram procedente o lançamento, através do acórdão n° 03-17.596, que se encontra às fls. 107-117, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS (UNESCO) - Sujeitam-se à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), sem prejuízo do ajuste anual, os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no País decorrentes da prestação de serviços a Organismo Internacionais de que o Brasil faça parte. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4,54-1-.•: -.4,- SEXTA CÂMARA Processo n° : 14041.000802/2005-61 Acórdão n° : 106-16.271 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE (CARNÉ-LEÃO) - A multa de lançamento de oficio é exigida isoladamente no caso de pessoa física sujeita ao recolhimento mensal obrigatório do Imposto (camê-leão) que deixar de fazê-lo. Lançamento Procedente. A decisão de primeira instância manteve o crédito tributário, fundamentalmente, pelo fato de que a contribuinte não pertencia ao quadro efetivo da UNESCO, não sendo, portanto, funcionária de Organismo Internacional e, conseqüentemente, não fazendo jus à isenção do imposto de renda prevista no artigo 5°, inciso II, da Lei n° 4.506/1964, reproduzido no artigo 22 do RIR199. Intimada do acórdão proferido pela 32 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), a contribuinte, devidamente representada, interpôs recurso voluntário às fls. 121-128, onde alegou, em apertada síntese, que: • foi funcionária da unesco no período de 03/04/2000 a fevereiro de 2003, conforme contratos constantes dos autos; • trabalhou de forma contínua, realizando jornada de trabalho de quarenta horas semanais, além de participar de treinamentos, viagens representando a unesco, assinar folha de pagamento, gozar de férias remuneradas, perceber remuneração mensal, estando evidenciada a relação empregatícia existente; • desde que passou a integrar o quadro da unesco, foi orientada pela fonte pagadora a declarar seus rendimentos como isentos e não-tributáveis; • a referida isenção está prevista no artigo 5° do decreto n° 1.041/93; • a obrigação de conceder a isenção a servidor de organismo internacional é o tratado ou convênio de que o brasil seja signatário, o artigo 5° do acordo básico de assistência e cooperação técnica com a organização das nações unidas, promulgado pelo decreto n° 59.308, trata dos privilégios e imunidades; 4 ( , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1°“1t SEXTA CÂMARA41-ile.?,; Processo n° : 14041.000802/2005-61 Acórdão n° : 106-16.271 • o decreto n° 27.784/50 recepcionou o acordo de cooperação técnica e a convenção sobre privilégios e imunidades das nações unidas, aprovada em 13 de fevereiro de 1946, por ocasião da assembléia das nações unidas; • os artigos v e vi da referida convenção, além do artigo 22, inciso ii, do rir/99, demonstram, com clareza, a isenção do imposto de renda sobre rendimentos percebidos por funcionários pertencentes a unesco, mesmo que sejam brasileiros, atuando no brasil. • nesse sentido vem decidindo o conselho de contribuintes e o egrégio tribunal regional federal da 1 a região; • portanto, encontra-se reconhecida pela legislação vigente, bem como pelos tribunais administrativos e judiciais, a isenção de imposto de renda dos funcionários da unesco. A recorrente transcreveu ensinamentos jurisprudenciais relacionados às teses defendidas. É o Relatório. 5 -Zr- át•o". MINISTÉRIO DA FAZENDA-- • , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES (144.M5.: SEXTA CÂMARA Processo n° : 14041.000802/2005-61 Acórdão n° : 106-16.271 VOTO Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator Tomo conhecimento do recurso voluntário interposto, pois é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, inclusive quanto ao arrolamento de bens, que está formalizado no âmbito do processo administrativo n° 11853.000851/2006- 31, conforme se verifica na informação prestada pela repartição de origem às fls. 129. A matéria que chega à apreciação deste Colegiado envolve a omissão de rendimentos recebidos de fonte situada no exterior (UNESCO), com a exigência de multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão. A recorrente, sustentou, sob vários enfoques, que os rendimentos em apreço não estão sujeitos à incidência do imposto de renda pessoa física. Segundo penso, o ponto central da questão em análise reside na caracterização ou não do beneficiário desses rendimentos como "funcionário" internacional da agência especializada. Tal linha de raciocínio decorre da interpretação do artigo 5°, inciso II e § único, da Lei n° 4.506/64 (matriz legal do artigo 22, do RIR/99), combinado com cláusulas da "Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas", promulgada pelo Decreto n° 52.288, de 24/07/1963. As citadas regras estabelecem que: Art. 5°. Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: I - Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; II - Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; III - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. 6 4W .4 MINISTÉRIO DA FAZENDA ft- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .e.o4t1J.,, SEXTA CÂMARA Processo n° : 14041.000802/2005-61 Acórdão n° : 106-16.271 Parágrafo único - As pessoas referidas nos itens II e III deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país. DISPOSITIVOS DA CONVENÇÃO: ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS 18° Seção Cada agência especializada especificará as categorias dos funcionários nos quais se aplicarão os dispositivos deste artigo e do artigo 8°. Comunicá-las aos Governos de todos os países partes nesta Convenção, quanto a essa agência, e ao Secretário Geral das Nações Unidas. Dos nomes dos funcionários incluídos nessas categorias periodicamente se dará conhecimento aos Governos acima mencionados. 19° Seção Os funcionários das agências especializadas: b) gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos, a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas às de que gozam os funcionários das Nações Unidas; 22° Seção Os privilégios e imunidades são concedidos aos funcionários apenas no interêsse das agências especializadas, e não para beneficio pessoal dos próprios indivíduos. Cada agência especializada terá o direito e o dever de renunciar à imunidade de qualquer funcionário em qualquer caso em que, em sua opinião, a imunidade impeça o andamento da justiça e possa ser dispensada sem prejuízo para os interêsses da agência especializada. Pois bem, é de se salientar que, embora tenha havido certa oscilação na jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a matéria, prevalece, há algum tempo, entendimento que dá guarida à exigência fiscal e ao acórdão recorrido. Segundo o posicionamento atual da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a remuneração advinda de contratos firmados por nacionais junto a organismos internacionais não está abrangida pelo instituto da isenção fiscal, sendo exatamente esta a situação dos autos. 7 M IN ISTÉ R I O DA FAZENDA F3!- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA - Processo n° : 14041.000802/2005-61 Acórdão n° : 106-16.271 Tenho como aplicável a este feito a atual jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, demonstrada, ilustrativamente, através das ementas dos seguintes acórdãos: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO AUFERIDA POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. TRIBUTAÇÃO — São detentores de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária os funcionários de organismos internacionais com os quais o Brasil mantém acordo, em especial, da Organização das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos, situações não extensivas aos prestadores de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD, contratados em território nacional. Neste caso, por faltar-lhes a condição de funcionário, a remuneração advinda em face de tais contratos não está abrangida pelo instituto da isenção fiscal. Recurso especial provido. (CSRF, Quarta Turma, acórdão CSRF n° 04-00.209, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado em 14/03/2006) IRPF - PNUD - ISENÇÃO - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pelo PNUD ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vinculo contratual permanente. Recurso especial provido. (CSRF, Quarta Turma, acórdão CSRF n° 04-00.194, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, julgado em 14/03/2006) PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD - TRIBUTAÇÃO — São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar- lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. Recurso provido. (CSRF, Quarta Turma, acórdão CSRF n° 04-00.080, Relatora Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, julgado em 22/09/2005) 8 ..$). MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 14041.000802/2005-61 Acórdão n° : 106-16.271 Por bem elucidar a matéria adoto como razões de decidir as considerações feitas pela Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no voto proferido no acórdão n° 104-22.100, de 06/12/2006, as quais passo a transcrever: No que tange ao inciso II, este menciona genericamente os 'servidores de organismos internacionais', nada esclarecendo sobre o seu domicílio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em foco faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso II são contribuintes como residentes no estrangeiro. Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no Pais, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que o inciso II, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Fica assim demonstrado que o art. 50 da Lei n° 4.506, de 1964, acima transcrito, não contempla a situação da contribuinte — brasileira residente no Brasil —, conforme endereço por ela mesma fornecido no recurso (fls. 102). Ainda que o dispositivo legal ora analisado pudesse ser aplicado a um nacional residente no País — o que se admite apenas para argumentar — ele é claro ao remeter a isenção concedida a servidores de organismos internacionais ao respectivo tratado ou convênio. E nem poderia ser diferente, já que, conforme o art. 98 do Código Tributário Nacional, "os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha", portanto as Convenções que regulam a matéria poderiam efetivamente dispor de modo diverso da legislação pátria. De plano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários das Agências Especializadas da ONU e encontra-se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, inclusive para sua família; privilégios cambiais equivalentes aos funcionários de categoria comparável de missões diplomáticas; facilidades de repatriação idênticas às dos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticos, em tempo de crise internacional; e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no país interessado. Embora a Convenção em tela utilize a expressão genérica funcionários, a simples leitura do conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o termo não abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no País, benefícios tais como facilidades 9 e MINISTÉRIO DA FAZENDA ik:;W PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES<t- SEXTA CÂMARA Processo n° : 14041.000802/2005-61 Acórdão n° : 106-16.271 imigratórias e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, facilidades de repatriação e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no País. Assim, fica claro que as vantagens e isenções — inclusive do imposto sobre salários e emolumentos — relacionadas no artigo 6° da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU não são dirigidas aos brasileiros residentes no Brasil, restando perquirir-se sobre que categorias de funcionários seriam beneficiárias de tais facilidades. A resposta se encontra no próprio artigo 6°, 188 Seção, que a seguir se recorda: 'ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS 188 Seção Cada agência especializada especificará as categorias dos funcionários nos quais se aplicarão os dispositivos deste artigo e do artigo 8°. Comunicá-las aos Governos de todos os países partes nesta Convenção, quanto a essa agência, e ao Secretário Geral das Nações Unidas. Dos nomes dos funcionários incluídos nessas categorias periodicamente se dará conhecimento aos Governos acima mencionados.' A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de benefícios de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funcionário a que se refere o artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU — e que no inciso II, do art. 5°, da Lei n° 4506, de 1964, é chamado de servidor — é o funcionário internacional, integrante dos quadros da Agência Especializada da ONU com vínculo estatutário, e não apenas contratual. Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Assim, conclui-se que o artigo 6° da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU, bem como o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, embora não abordem expressamente a questão da residência, harmonizam-se perfeitamente com o inciso II, do art. 5°, da Lei n° 4.506, de 1964 (transcrito no início deste voto), já que ambas as Convenções inserem a isenção do imposto de renda em um conjunto de vantagens que somente se compatibiliza com beneficiários não residentes no Brasil. Com efeito, conjugando-se esses três comandos legais (o dispositivo da Lei n°4.506, de 1964, e os artigos das duas Convenções), conclui-se que os servidores/funcionários neles mencionados são aqueles funcionários internacionais, em relação aos quais é perfeitamente cabível a tributação de outros rendimentos produzidos no País como de residentes no io ( MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESzr-ar, <4(‘ef44-?,;?, SEXTA CÂMARA Processo n° : 14041.000802/2005-61 Acórdão n° : 106-16.271 estrangeiro, bem como a concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriação e de importação de mobiliário/bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Brasil. Afinal, esses funcionários integram categorias de stafi dentro do Organismo Internacional, que tem a sua sede no exterior, daí a justificativa para esse tratamento diferenciado. (-.) Quanto aos técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui recrutados, não há qualquer fundamento legal, filosófico ou mesmo lógico para que usufruam das mesmas vantagens relacionadas no artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU (ou no artigo V da Convenção da ONU), muito menos para que seja pinçado, dentre os diversos benefícios, o da isenção de imposto sobre salários e emolumentos, com o escopo de aplicar-se este — e somente este — a ditos técnicos. Tal procedimento estaria referendando a criação — à margem da legislação — de uma categoria de funcionários das Agências Especializadas da ONU não enquadrável em nenhuma das existentes, a saber, os 'técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de renda', o que de forma alguma pode ser admitido. Como se pode constatar, a doutrina mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos — funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo — como identifica o conjunto de benefícios com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais. Estou de acordo com o posicionamento defendido pela Conselheira Maria Helena Coifa Cardozo, pois somente faz jus à isenção prevista no inciso II, do artigo 5 0 , da Lei n° 4.506/1964, o funcionário internacional dos quadros de Agência Especializada da ONU, com vinculo estatutário e não apenas contratual, sendo que tal benefício não aproveita os técnicos brasileiros, residentes no Brasil e aqui contratados, seja por hora, por tarefa ou com vínculo contratual permanente. Considerando que o sujeito passivo não faz parte do quadro funcional próprio e estatutário de organismo internacional, é de se concluir que os rendimentos em apreço estão sujeitos à incidência do imposto de renda, via carnê leão e, depois, mediante inclusão na declaração de ajuste anual. g- 4 - MINISTÉRIO DA FAZENDA. tts PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 144,5; SEXTA CÂMARA Processo n° : 14041.000802/2005-61 Acórdão n° : 106-16.271 Nessa ordem de juízos e aderindo ao posicionamento da jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, mantenho a decisão de primeira instância com relação à omissão de rendimentos recebidos de fonte situada no exterior. Embora não faça parte, explicitamente, da defesa apresentada pela recorrente, não posso deixar de me manifestar neste julgamento com relação à penalidade isolada, exigida de forma concomitante com a multa de ofício. É de fácil percepção que sobre o valor do tributo lançado em razão da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior incidiram duas penalidades, a multa de ofício de 75% e a multa isolada de 75%. A aplicação de penalidades cumuladas com base de cálculo idêntica não é admitida pelo Conselho de Contribuintes, conforme jurisprudência uníssona, inclusive desta Sexta Câmara, ilustrada através das ementas dos seguintes acórdãos: IRPF — RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL — Reflete omissão de rendimentos quando o contribuinte deixe de comprovar, de forma cabal, a origem dos rendimentos utilizados no incremento do seu patrimônio. RECURSOS — Empréstimo comprovado por Nota Promissória, devidamente autenticada, registrado nas declarações de ajustes anuais tempestivamente apresentadas, tanto da devedora como da credora e demonstrada a capacidade financeira das contratantes, justifica a origem dos recursos. IRPF. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIGENS COMPROVAÇÃO — A comprovação pela Contribuinte do exercício regular de atividade econômica e da correlação entre os ingressos financeiros decorrentes de empréstimos e os créditos/depósitos bancários realizados em suas contas correntes, afastam a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não comprovada. MULTA ISOLADA — MULTA DE OFÍCIO — CONCOMITÂNCIA — É inaplicável a multa isolada apenas quando aplicada em concomitância com a multa de oficio, tendo ambas a mesma base de cálculo. Recurso provido parcialmente. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, acórdão n° 106-15.245, Relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula, julgado em 25/01/2006) (Grifei) Kr 12 ;:0-1c4:_ti. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES < ;r1-',,d4,4 SEXTA CÂMARA4•;;~,-- Processo n° : 14041.000802/2005-61 Acórdão n° : 106-16.271 IRPF — IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — Incide a tributação do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos a titulo de honorários advocaticios sendo estes pagos mediante dação em pagamento de imóveis certificada em Escritura Pública cuja cláusula de retrovenda não foi exercida no prazo estabelecido. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO — CONCOMITÂNCIA — MESMA BASE DE CÁLCULO — A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso provido parcialmente. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, acórdão n° 106-15.013, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, julgado em 25/10/2005) (Grifei) Portanto, não pode haver incidência concomitante de multa de oficio e de multa isolada sobre uma única base de cálculo, conforme se verifica no caso em tela. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de dar-lhe parcial provimento, para que seja cancelada a penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnê-leão. Sala das Sessões - DF, em 29 de março de 2007 1.1"V GONÇALO BONE ALLAGE 13 Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1 _0030800.PDF Page 1 _0030900.PDF Page 1 _0031000.PDF Page 1 _0031100.PDF Page 1

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Numero do processo: 13921.000213/2003-42
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE DO FEITO – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – IMPROCEDÊNCIA – Tendo sido dado ao contribuinte, no decurso da ação fiscal, todos os meios de defesa ao caso aplicáveis, não procede a preliminar de nulidade suscitada, mormente porque a correção dos lançamentos anteriormente feitos, fundada em regra da lei que rege o Processo Administrativo Tributário, visou sanar equívocos contidos nos lançamentos primitivos. . PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO – SIGILO BANCÁRIO – LANÇAMENTO EFETUADO COM FUNDAMENTO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001- Lei 9.311/96, art. 11, § 3º, NOVA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 10.174, de 09.01.2001, E DECRETO Nº 3.724, DE 10.01.2001 – IMPROCEDÊNCIA - Em se tratando de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização a sua aplicação é imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA – DOLO – MULTA AGRAVADA – APLICAÇÃO DO ART. 173 DO CTN - Tendo havido, no caso dos autos, dolo do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade exacerbada, para efeitos da decadência, não é aplicável a regra do art. 150, § 4º, do CTN, mas sim a do seu art. 173. Decadência não caracterizada. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA – INSCRIÇÃO DE OFÍCIO NO CNPJ – Constatado, pela fiscalização, que a pessoa física exercia atividade mercantil, correta a sua consideração como pessoa jurídica e a sua inscrição de ofício no CNPJ de molde a buscar a sua exata qualificação e possibilitar o adequado lançamento dos tributos cabíveis. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA – – INEXISTÊNCIA DE ESCRITA – OMISSÃO DE RECEITAS -DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ARBITRAMENTO – Constatado pela fiscalização que a movimentação bancária da pessoa física fora proveniente da exploração de atividade mercantil, correta a consideração dos depósitos bancários como receita para fins de arbitramento do lucro em face da inexistência de escrita. MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – CABIMENTO - A exploração de atividade mercantil regular aliada, ainda, à ocultação da movimentação financeira dela decorrente, de molde a escapar da incidência de tributos, caracteriza evidente intuito de fraude a ensejar a exasperação da multa de ofício prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. PIS/COFINS – LANÇAMENTOS DECORRENTES – A decisão proferida no lançamento de imposto de renda, dito matriz, aplica-se aos lançamentos de PIS/COFINS, dito reflexos, quando fundados nos mesmos fatos que caracterizaram a infração à legislação do imposto de renda.
Numero da decisão: 107-07.986
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Natanael Martins

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ementa_s : PRELIMINAR DE NULIDADE DO FEITO – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – IMPROCEDÊNCIA – Tendo sido dado ao contribuinte, no decurso da ação fiscal, todos os meios de defesa ao caso aplicáveis, não procede a preliminar de nulidade suscitada, mormente porque a correção dos lançamentos anteriormente feitos, fundada em regra da lei que rege o Processo Administrativo Tributário, visou sanar equívocos contidos nos lançamentos primitivos. . PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO – SIGILO BANCÁRIO – LANÇAMENTO EFETUADO COM FUNDAMENTO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001- Lei 9.311/96, art. 11, § 3º, NOVA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 10.174, de 09.01.2001, E DECRETO Nº 3.724, DE 10.01.2001 – IMPROCEDÊNCIA - Em se tratando de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização a sua aplicação é imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA – DOLO – MULTA AGRAVADA – APLICAÇÃO DO ART. 173 DO CTN - Tendo havido, no caso dos autos, dolo do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade exacerbada, para efeitos da decadência, não é aplicável a regra do art. 150, § 4º, do CTN, mas sim a do seu art. 173. Decadência não caracterizada. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA – INSCRIÇÃO DE OFÍCIO NO CNPJ – Constatado, pela fiscalização, que a pessoa física exercia atividade mercantil, correta a sua consideração como pessoa jurídica e a sua inscrição de ofício no CNPJ de molde a buscar a sua exata qualificação e possibilitar o adequado lançamento dos tributos cabíveis. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA – – INEXISTÊNCIA DE ESCRITA – OMISSÃO DE RECEITAS -DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ARBITRAMENTO – Constatado pela fiscalização que a movimentação bancária da pessoa física fora proveniente da exploração de atividade mercantil, correta a consideração dos depósitos bancários como receita para fins de arbitramento do lucro em face da inexistência de escrita. MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – CABIMENTO - A exploração de atividade mercantil regular aliada, ainda, à ocultação da movimentação financeira dela decorrente, de molde a escapar da incidência de tributos, caracteriza evidente intuito de fraude a ensejar a exasperação da multa de ofício prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. PIS/COFINS – LANÇAMENTOS DECORRENTES – A decisão proferida no lançamento de imposto de renda, dito matriz, aplica-se aos lançamentos de PIS/COFINS, dito reflexos, quando fundados nos mesmos fatos que caracterizaram a infração à legislação do imposto de renda.

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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

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PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO — SIGILO BANCÁRIO — LANÇAMENTO EFETUADO COM FUNDAMENTO NA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001- Lei 9.311/96, art. 11, § 3°, NOVA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1° DA LEI 10.174, de 09.01.2001, E DECRETO N° 3.724, DE 10.01.2001 — IMPROCEDÊNCIA - Em se tratando de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização a sua aplicação é imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1°, do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA — DOLO — MULTA AGRAVADA — APLICAÇÃO DO ART. 173 DO CTN - Tendo havido, no caso dos autos, dolo do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade exacerbada, para efeitos da decadência, não é aplicável a regra do art. 150, § 4°, do CTN, mas sim a do seu art. 173. Decadência não caracterizada. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA — INSCRIÇÃO DE OFÍCIO NO CNPJ — Constatado, pela fiscalização, que a pessoa física exercia atividade mercantil, correta a sua consideração como pessoa jurídica e a sua inscrição de ofício no CNPJ de molde a buscar a sua exata qualificação e possibilitar o adequado lançamento dos tributos cabíveis. EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA A PESSOA JURÍDICA — — INEXISTÊNCIA DE ESCRITA — OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS — ARBITRAMENTO — Constatado pela fiscalização que a movimentação bancária da pessoa 1,/ .. .1 MINISTÉRIO DA FAZENDA • e4k>..k.4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1•4"L:.:47..t'f SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 física fora proveniente da exploração de atividade mercantil, correta a consideração dos depósitos bancários como receita para fins de arbitramento do lucro em face da inexistência de escrita. MULTA QUALIFICADA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — CABIMENTO - A exploração de atividade mercantil regular aliada, ainda, à ocultação da movimentação financeira dela decorrente, de molde a escapar da incidência de tributos, caracteriza evidente intuito de fraude a ensejar a exasperação da multa de ofício prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. PIS/COFINS — LANÇAMENTOS DECORRENTES — A decisão proferida no lançamento de imposto de renda, dito matriz, aplica-se aos lançamentos de PIS/COFINS, dito reflexos, quando fundados nos mesmos fatos que caracterizaram a infração à legislação do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PAULO SÉRGIO BAGGIO (FIRMA INDIVIDUAL). ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Á MARCO' VI I IUS NEDER DE LIMA PRESID E mwfvtA NATANAEL MARTINS RELATOR FORMALIZADO EM: Fl 1 MAl 2005 2 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES tf: SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUIZ MARTINS VALERO, ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, OCTAVIO CAMPOS FISCHER, HUGO CORREIA SOTERO, NILTON PESS e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA ',„," PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 9a4r:* "4 SÉTIMA CÂMARA 9) AS Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 Recurso n° : 139203 Recorrente : PAULO SÉRGIO BAGGIO (FIRMA INDIVIDUAL) RELATÓRIO PAULO SÉRGIO BAGGIO (FIRMA INDIVIDUAL), já qualificado nestes autos, recorre a este Colegiado, através da petição de fls. 648/673, do Acórdão n° 5.225, de 17/12/2003, prolatado pela 1 a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba — PR, fls. 626/643, que julgou procedente o crédito tributário constituído nos autos de infração de IRPJ, fls. 510; PIS, fls. 516; COFINS, fls. 524; e CSLL, fls. 532. Consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 496), que o contribuinte teve suas operações investigadas pela fiscalização, relativamente ao ano-calendário de 1998, da qual resultou a equiparação da pessoa física como pessoa jurídica, por exploração habitual, em nome individual, de atividade comercial, com o fim especulativo de lucro mediante a venda a terceiros de bens. Os trabalhos de fiscalização iniciaram-se na pessoa física em razão de sua movimentação financeira ser incompatível com os rendimentos declarados (omisso), no ano-calendário de 1998. Posteriormente, a fiscalização constatou que o Sr. Paulo Sérgio Baggio, praticou reiteradamente a compra e venda de suínos com o fim especulativo de lucro e de acordo com o art. 150, § 1°, inciso II, do RIR199, tal prática o equiparava às pessoas jurídicas. Diante da negativa de apresentação de livros de escrituração e da documentação de suas operações comerciais praticadas durante o período de 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA -;;, ;,•- Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 01 de janeiro a 31 de dezembro de 1998, a fiscalização procedeu ao arbitramento dos lucros na pessoa jurídica, nos termos do art. 539, inciso III, do RIR/94. Além disso, houve ainda a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, pelo motivo de a autoridade fiscal entender que o contribuinte agiu conscientemente, de forma dolosa, na tentativa de ocultar da autoridade tributária, o resultado que deveria ser oferecido à tributação. Tempestivamente a contribuinte insurgiu-se contra a exigência, nos termos da impugnação de fls. 616/624. A 1° Turma da DRJ/Curitiba - PR, decidiu pela manutenção integral do lançamento, conforme o acórdão acima citado, cuja ementa possui a seguinte redação: "Normas Gerais de Direito Tributário". Período de apuração: 01101198 a 31/07/98 DECADÊNCIA. IRPJ. Na inexistência de pagamento antecipado, e caracterizada a existência, não impugnada, de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de decadência segue a regra prevista no art. 173, I, do CTN, tendo como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. CSLUPIS/COFINS. É de 10 (dez) anos o prazo de decadência da CSLL, do PIS e da COFINS. NORMAS PROCESSUAIS — NULIDADE — FALTA DE INDICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL — INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO PARA A DEFESA. A falta de indicação, no lançamento, do enquadramento legal da infração cometida, não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • rf SÉTIMA CÂMARA . ,;,1 te: • Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 lhe foram feitas, que não correu preterição do direito de defesa. IRPJ LANÇAMENTO BASEADO EM INFORMAÇÕES DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). NOVA REDAÇÃO DO § 3° DO ART. 11 DA LEI N° 9.311/1996, DADA PELA LEI N°10.174/2001. A Lei n. 10.174/2001, que deu nova redação ao § 3 0, do art. 11 da Lei n° 9.311/1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela SRF, é norma disciplinadora do procedimento de fiscalização em si, e não dos fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Demonstradas a existência de depósitos bancários e a falta de escrituração integral e a não justificativa da origem dos recursos utilizados, os depósitos bancários são tomados como representativos da receita bruta da firma individual por equiparação, caracterizando omissão de receita. DECORRÊNCIA. PIS/COFINS/CSLL. Em face da relação de causa e efeito, mantido o lançamento principal, igualmente se confirmam os lançamentos efetuados por decorrência. MULTA QUALIFICADA. Cabe a aplicação da multa qualificada, quando restar comprovado que o envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo de deixar de recolher, intencionalmente, os tributos devidos. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Ciente da decisão de primeira instância em 27/01/04 (fls. 647), a contribuinte interpôs tempestivo recurso voluntário, protocolo de 09/02/04 (fls. 648), onde apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: a) que tomou ciência das autuações em 28 de maio de 2003; 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA• 41:i !.7f. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA %St Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 b) que a DRJ/Curitiba, ao apreciar a defesa inicial, devolveu o processo para a DRF em Cascavel, para fins de lavratura de auto de infração complementar (fls. 582), justificando que a base de cálculo do lucro arbitrado foi apurada mediante a aplicação do percentual de 8% sobre os valores dos depósitos bancários, quando, no entender daquela DRJ, deveria sê-lo com base no percentual de 9,6%; c) que a DRJ/Cascavel, ao invés de lavrar apenas o auto de infração complementar do IRPJ, com base de cálculo equivalente a 1,6%, lavrou, novamente, todos os autos de infração. O novo auto de infração do IRPJ foi lavrado mediante aplicação do percentual integral de 9,6%, sem considerar ou deduzir o valor do auto de infração originário, apurado com base no percentual de 8%. Não consta do processo nenhum ato administrativo, no sentido de que os autos de infração originários tivessem sido anulados ou cancelados; d) que o recorrente tomou ciência dos novos autos de infração no dia 11 de agosto de 2003. Diante dos novos autos de infração (que não são complementares, mas, sim, integrais), o recorrente apresentou impugnação complementar, sendo que a decisão considerou improcedente a impugnação; e) que são nulos os autos de infração lavrados, pois não consta do processo nenhum ato da autoridade administrativa, no sentido de que quaisquer dos autos de infração acostados ao referido feito tenham sido cancelados ou anulados. Na verdade não se trata de nenhum auto de infração complementar, mas sim, de novos autos sobre a mesma matéria tributável, por isso reitera-se o pedido de nulidade dos mesmos; O que é nulo o lançamento por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial e utilização de informações relativas à CPMF, mediante violação à proibição prevista no § 3°, do art. 11, da Lei 9.311/96. A autuação refere-se à movimentação financeira de 1998. A Lei n° 9.311/96, veda a utilização das referidas movimentações financeiras para a constituição do crédito tributário. A Lei n. 10.174/2001, extinguiu a vedação prevista no § 3°, do art. 11, da Lei 9311/96, todavia, a extinção da aludida vedação, instituída pela Lei 10174/2001, não se aplica às informações relativas à movimentação financeira de 1998; 7 /1( MINISTÉRIO DA FAZENDA gmbs.:s *- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 g) que ocorreu decadência em relação aos fatos geradores do primeiro e segundo semestres de 1998, quando da ciência das autuações complementares (11/08/2003); h) que ocorreu a decadência relativamente ao PIS e à COFINS, em relação aos meses de janeiro a julho de 1998, com fulcro na regra decadencial do parágrafo 4°, do artigo 150, do CTN; i) que houve cerceamento do direito de defesa, por ausência de base legal que autorize a tributação de depósito bancário. A decisão de primeira instância objetivou sanear o auto de infração mediante a informação de que tal tributação estaria fundamentada no art. 42 da Lei 9.430/96; j) que não ocorreu o fato gerador do imposto de renda, pois a Lei 9430/96, não alterou o conceito de fato gerador do imposto de renda de que trata o art. 43 do CTN, o qual estabelece que depósito bancário não caracteriza fato geral do imposto; k) que, ao contrário do exarado na decisão a quo, não consta dos autos nenhuma prova de que o recorrente teria agido com intuito de fraude. As fls. 702, despacho da DRF em Cascavel - PR, com encaminhamento do recurso voluntário, tendo em vista o atendimento dos pressupostos para a admissibilidade e seguimento do mesmo. É O RELATÓRIO. 8 • MINISTÉRIO DA FAZENDA j:K l>ka PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4.,E.:tri SÉTIMA CÂMARAnos.; sy Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 VOTO Conselheiro NATANAEL MARTINS, Relator. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE Inicialmente, cabe a apreciação das preliminares suscitadas pela recorrente. Da Preliminar de Nulidade do Auto de Infração Com relação à lavratura de novo auto de infração, determinado pela DRJ, em razão de erro constatado no percentual de apuração do lucro arbitrado, inexiste qualquer ilegalidade no ato, pois o auto foi lavrado e o sujeito passivo foi regulamente cientificado da nova peça fiscal e lhe foi dada a oportunidade para aduzir suas razões de defesa, como de fato o fez, motivo porque não procede o alegado cerceamento do direito de defesa ou nulidade do lançamento. O fato de não constar dos autos qualquer registro a respeito do cancelamento do lançamento original, em nada prejudica a substituição do mesmo, isso porque, com a constituição de um novo lançamento, em conseqüência, o auto de infração substituído, perde sua validade. A substituição é automática, razão pela qual o segundo lançamento foi juntado aos autos do mesmo processo em que o • auto de infração primitivo fazia parte. Necessário seria o cancelamento da peça fiscal original por parte da autoridade fiscal, caso o novo lançamento constituísse outro processo fiscal. Aí sim seria indispensável o ato regulamentar de cancelamento da exigência, o que não é o caso dos autos. 9 P . MINISTÉRIO DA FAZENDA 4.1.4wm .d•-•-...sifie,, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA ws. Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade do lançamento. Da Preliminar de Nulidade por Quebra de Sigilo Quanto à argüição de nulidade do lançamento em face de indevida quebra se sigilo - com ressalva do meu ponto de vista pessoal que vejo na norma da Lei 9.311/96, art. 11, § 3°, modificada em face da Lei 10.174/01, regra de caráter material e não procedimental -, tomo a liberdade de transcrever, como se meu fosse, partes do excelente voto proferido neste Colegiado pelo I. Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes no Acórdão n° 107- 07.776: "Ao termo de muitas discussões a respeito dos limites estabelecidos à fiscalização pelo art. 38 e seus §§, da Lei n° 4.595/64, e do artigo 197 do Código Tributário Nacional, o legislador pátrio expediu a Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001 (DOU de 11/01/2001), dispondo sobre o sigilo das operações das instituições financeiras, e dando outras providências. E essa lei nacional, em seu art. 1°, § 3° e seus incisos III e VI, e no art. 6° estabeleceu: Art. 10 As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 3° Não constitui violação do dever de sigilo: III - o fornecimento das informações de que trata o § 2° do art. 11 da Lei n°9.311, de 24 de outubro de 1996; VI - a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3°, 4 0, 5°, 6°, 70 e 9° desta Lei Complementar. ro MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA '"?a Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. O Poder Executivo, através do Decreto n° 3.724, de 10.01.2001, DOU de 11.01.2001, regulamentou o art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas, dispondo em seu art. 2° que a Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. E nos artigos seguintes, a forma e as condições para a transferência do sigilo para a repartição fiscal, sendo instrumento dessa atividade o documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) que será dirigida, dentre outros ao presidente de instituição financeira, ou entidade a ela equiparada, ou a seu preposto, ou gerente de agência. ir MINISTÉRIO DA FAZENDA adUt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES w SÉTIMA CÂMARA "fflP- :CP Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 E para adaptar a legislação ordinária à amplitude do poder de fiscalização assim criado, o legislador expediu a Lei 10.174/2001, que deu nova redação ao artigo 11 da Lei n° 9.311/96, como se verá adiante. O texto original era o seguinte: "§ 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos." (grifei) E, com a Lei n° 10.174, de 09/01/2001, passou a ter a seguinte redação, a partir de 10/01/2001: "§ 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das Informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." As requisições esclareciam que as informações eram indispensáveis ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 40, § 6°, do Decreto n°3.724. de 2001. A Lei n° 105, de 10/01/2001, publicada no DOU de 11/01/2001, é anterior ao termo de inicio, do mesmo modo que a Lei n° 10.174, de 09/01/2001, publicada no DOU do dia seguinte, e o Decreto n°3.724, de 10/01/2001, publicado em 11/01/2001. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA• .ê *7'1' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES z);?;-.";at, SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 Do exposto, verifica-se que as requisições do RMF foram efetuadas com base na nova legislação que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, entronizada pela Lei Complementar n° 105/2001. É verdade que a fiscalização fez a Solicitação de Emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira porque confrontara os valores de depósitos contabilizados pela empresa com os dados que tinham sido coligidos com base na Lei n° 9.311, de 24/10/96 (DOU de 25/10/96), encontrando diferenças. No entanto, não é menos verdade que aqueles elementos foram apenas indícios que levaram a fiscalização a recorrer à referida solicitação para obter os elementos, nos termos da legislação nova, que foram utilizados no lançamento. O artigo 6°, da Lei Complementar n° 105/2001, é de natureza formal, procedimental, uma vez que tratou da ampliação dos poderes investigatórios da fiscalização, e não de natureza material, substantiva, que trata do conteúdo do lançamento, ou seja, que institui tributo, majora aliquota ou amplia a base de cálculo. Nesse sentido os ensinamentos de Sampaio Dória, "in" Da Lei Tributária no Tempo, São Paulo, Obelisco, 1968, págs. 321 e 322, e José Souto Maior Borges, em Lançamento Tributário Malheiros, Editores, r Edição, págs. 233/234, e, já citado na decisão recorrida, Zuudi Sakakihara, em Código Tributário Nacional Comentado. E também não se está diante de uma questão de retroatividade de lei, mas de aplicação imediata já que os efeitos procedimentais a cargo da Fazenda Nacional ainda estava em curso 13 .. . . • MINISTÉRIO DA FAZENDA .....":41},CL-4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'I" (W1/4 SÉTIMA CAMARAwyr...tir a: X.."7.: .• Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 quando da lei nova. O seu direito de lançar não tinha sido atingido pela decadência. Vicente Rao, no clássico sO Direito e a Vida dos Direitos", Editora Revista dos Tribunais, 58 Edição, págs. 361 e seguintes, dá contornos nítidos dessa distinção. E se o dispositivo é de natureza procedimental tem aplicação imediata, nos precisos termos do artigo 144, § 1° do Código Tributário Nacional, que reza: "Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade, tributária a terceiros. (negritei)., I § 2° O disposto neste artigo não se aplica aos ,i, impostos lançados por períodos certos de tempo, il desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido." i i A lei é expedida para dispor até que outra lei a : revogue ou modifique. E isso ocorreu com a Lei n° 9.311/96, cujo § 30 ; do artigo 11, foi modificado por lei posterior, Lei n° 10.174, de z e 09/01/2001, exatamente para adequá-la à nova sistemática instituída i pela lei complementar que, como se viu, ampliou os poderes °i procedimentais da fiscalização. _ - A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Julgamento do Resp n° 506.232-PR (2003/0036785-0), relator o Ministro Luiz Fux, com voto-vista do Ministro José Delgado, por unanimidade de _ votos, decidiu pela legitimidade da aplicação imediata das normas procedimentais de que trata o art. 6° da Lei n° 105/2001 e legislação r - nele fundamentada, alçando fatos pretéritos. -, 14 /,• ._ _ „ . • MINISTÉRIO DA FAZENDA. 4e41/4.0 .-;,t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '"A .s.:f SÉTIMA CÂMARA,o),:.1:. Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 No voto-vista, o Ministro José Delgado, acompanhando o voto do relator, conclui que, nos termos da Lei Complementar n° 105/2001, pode a administração tributária examinar, sem autorização judicial, contas bancárias de contribuintes referentes a períodos anteriores à referida lei. As objeções de ordem constitucional à nova legislação são frontais. Pretende que o Conselho reconheça a inconstitucionalidade da lei complementar. No entanto, como esclarece a recorrente, ainda tramitam na Suprema Corte nada menos que 5 (cinco) Ações Diretas de Inconstitucionalidade contra a Lei Complementar n° 10512001 e contra a Lei n° 10.174/2001. Esta matéria, inobstante a posição pessoal do julgador, não pode composta nesta instância administrativa, enquanto não for pacificada pela Suprema Corte, segundo o disposto no art. 22-A, no Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, introduzido pela Portaria n° MF n° 103, de 23/04/2002, posterior ao Ac. CSRF/01-03.620. E, dai, não acolho a preliminar de nulidade dos autos de infração por quebra de sigilo, ou violação das normas procedimentais estabelecida pela nova legislação.” Da Preliminar de Decadência A exação fiscal abrange todo o ano-calendário de 1998, sendo que, por determinação da DRJ em Curitiba — PR, o lançamento foi refeito, com a lavratura de novo auto de infração, tendo em vista o erro cometido na aplicação do percentual de arbitramento do lucro. Da reconstituição do crédito tributário, o contribuinte tomou ciência em 10 de agosto de 2003, conforme faz prova o AR de fls. 615, data essa que deve ser levada em consideração para efeitos de verificação da decadência suscitada. Em primeiro lugar é necessário um exame mais detalhado da matéria, no sentido de determinar o dies a quo para a contagem do prazo decadencial, pois, conforme farta jurisprudência deste Colegiado, em caso de . 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA-4,or keev Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 aplicação de multa qualificada por evidente intuito de fraude, aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, caso dos autos, não se aplica a regra contida no § 40 do art. 150 do CTN, mas, sim, aquela estabelecida no art. 173 da mesma norma legal. A recorrente, na peça recursal, repisa os argumentos expendidos na defesa inicial, sustentando a ocorrência da decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o auto de infração em relação aos períodos compreendidos entre os meses de janeiro a junho de 1998 em relação ao IRPJ e à CSLL, e também nos meses de janeiro a julho de 1998 em relação às contribuições para PIS e COFINS. Afirma, ainda, que deixou a fiscalização de comprovar a ocorrência de evidente intuito de fraude (art. 44, II, da Lei n° 9.430/96), razão pela qual se mostraria inaplicável a multa majorada de 150%. Como do relato se infere, a Turma de Julgamento de primeira instância, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Pública Federal constituir o crédito tributário, ao fundamento de que, em se tratando de lançamento "ex officio", resultante de irregularidade fiscal cometida com evidente intuito de fraude, seria inaplicável, ao caso concreto, o comando legal inserto no parágrafo quarto do artigo 150, do CTN. Penso ter andado bem a maioria da Turma Julgadora da DRJ/Curitiba, porque também vejo, nos atos praticados pelo contribuinte, ação dolosa, tendente a suprimir tributo devido. Com efeito, viu-se do relato que o contribuinte praticara 1 atividades mercantis - daí a sua caracterização, pela fiscalização, como empresa individual -, e que, além disso, ocultou a movimentação financeira dela decorrente, de molde a escapar da incidência de tributos e, evidentemente, que o fez conscientemente, isto é, dolosamente. Tivesse o recorrente oferecido os 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .4"7"-'..::t SÉTIMA CÂMARA ';."(PP>- 7r* Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 rendimentos que auferiu como pessoa física, mesmo tendo exercido regular atividade mercantil, eventual diferença de tributos em razão de sua qualificação como pessoa jurídica não ensejaria a aplicação de multa qualificada, porque a clareza dos atos que teria praticado, sem sombra de dúvidas, afastaria qualquer argumento de dolo. Em decorrência dos fundamentos acima expostos, e já me antecipando em relação à penalidade aplicável, entendo cabível a exigência a multa qualificada de 150% sobre as irregularidades fiscais detectadas, devendo, portanto, para a contagem do prazo decadencial, ser aplicada a regra contida no art. 173, do CTN. Pois bem, considerando que a ciência do auto de infração ao contribuinte se verificou em 10 de agosto de 2003, considerando que a fraude caracterizada, que ensejou a aplicação da multa qualificada, desloca a contagem do prazo decadencial para a regra do art. 173 do CTN, que dispõe que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após (5) cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, considerando que as infrações se reporta ao ano calendário de 1998, tem-se como não caracterizada a decadência do crédito tributário da Fazenda Pública para nenhum dos tributos exigidos, pelo que rejeito, "in totum", a preliminar de decadência suscitada pela recorrente. DO MÉRITO Quanto ao mérito, não vejo reparos a fazer à ação da fiscalização que, muito pelo contrário, pautou-se de acordo com os fatos apurados e o direito aplicável à matéria, sobretudo porque, em razão da prática de regular atividade mercantil, corretamente, para efeitos de tributação, desqualificou o 17 • MINISTÉRIO DA FAZENDA te— •:st-ii` PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 recorrente enquanto pessoa natural, tratando-o como pessoa jurídica (empresário), concedendo-lhe "ex officio"um CNPJ, cobrando-lhe tributos como tal. De fato, muito esta se discutindo, hoje, mesmo em face da letra do art. 42 da Lei 9.430/96, a correção de certos lançamentos que, sem maiores análises, considera a totalidade dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento como receita omitida, quando em verdade, não raro, a renda efetiva do contribuinte seria coisa bem diversa, sobretudo em se tratando de pessoa física explorando informalmente atividade empresarial, como se verificou no caso que viemos de julgar. A fiscalização, que inicialmente dirigira os seus trabalhos no âmbito da pessoa física, tendo constatado que a sua movimentação financeira derivava da exploração de atividade empresarial, primeiro, como visto, redirecionou os seus trabalhos qualificando-a, a partir de sua inscrição de ofício no CNPJ, como pessoa jurídica e, em segundo lugar, tomando os depósitos a crédito de sua conta corrente bancária como receita bruta, promovendo, a partir dela, o arbitramento do lucro em face da inexistência de escrita. Veja-se que ao assim proceder a fiscalização, a luz da legislação tributária vigente, primeiro, qualificou corretamente o contribuinte, tratando-o para efeitos tributários não como pessoa natural mas, sim, como pessoa jurídica (a rigor evitando alegação de erro na identificação do sujeito passivo e nos tributos lançados), segundo, apurou com acuidade o que efetivamente representaria a renda tributável, não tomando tais depósitos, em sua totalidade, como renda tributável. Com efeito, dispõe o RIR/99: 18 - • , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES gr, 11 SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 "Art. 150. As empresas individuais, para efeitos do imposto de tenda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto-Lei n° 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2°)". § 1° São empresas individuais: I — as firmas individuais (Lei n°4.506, de 1964, art. 41, § 1°, alínea "a") II — as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei n° 4.506, de 1964, art. 41, § 1°, alínea "b")." Por outro lado, dispõe o CTN: "Art. 40 A natureza jurídica específica do tributo á determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la": I — a denominação e demais características formais adotadas pela lei. Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: III — de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure unidade econômica ou profissional." Ademais, relativamente a matéria e já qualificando adequadamente a figura daquele que, habitualmente, explora atividade empresarial, regula o novíssimo Código Civil: 19 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 13921.000213/2003-42 Acórdão n° : 107-07.986 Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços Ou seja, a fiscalização, ao proceder como procedeu, nada mais fez do que dar efetividade às regras do CTN e do RIR199 que, em situações da espécie, para efeitos tributáriós, qualifica pessoas naturais como pessoas jurídicas, impondo-lhes, consequentemente, os tributos a estas inerentes, bem como, partindo da presunção (relativa) estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, no lançamento, pela via do arbitramento, buscou a efetiva renda tributável, por certo, no caso concreto, jamais aferível pela simples consideração dos depósitos bancários. Em face do exposto, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões — DF, 16 de março de 2005. 441/014.q44- /1444.0•4 NATANAEL MARTINS 20 Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1 _0009700.PDF Page 1 _0009800.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1 _0010600.PDF Page 1 _0010700.PDF Page 1 _0010800.PDF Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1

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Numero do processo: 15374.001362/99-14
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRF - FATO GERADOR - COMPROVAÇÃO - A inexistência de elementos que comprovem a ocorrência do fato gerador do imposto de renda retido na fonte, ou seja, a percepção dos rendimentos pela pessoa física acusada de beneficiária da renda, torna insubsistente o lançamento. Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 104-17836
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Leila Maria Scherrer Leitão

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Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO no RIO DE JANEIRO - RJ. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LE A IA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE E RELATORA FORMALIZADO EM: 23 ABR 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ELIZABETO CARREIRO VARÃO, JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA e REMIS ALMEIDA ESTOL. ... . . , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '''-=Vít. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001362/99-14 Acórdão n°. : 104-17.836 Recurso n°. : 122.742 Recorrente : DRJ no RIO DE JANEIRO - RJ RELATÓRIO Contra o sujeito passivo Companhia Cervejaria Brahma lavrou-se o Auto de Infração de fls. 59/60, exigindo-lhe o imposto de renda na fonte, no montante de R$ 577.505,80 e acréscimos legais cabíveis A exigência do imposto originou-se pela falta de retenção e recolhimento de imposto de renda na fonte sobre o trabalho sem vínculo empregatício e sobre rendimentos pagos a residentes no exterior decorrentes da prestação de serviços artísticos com fins promocionais e concessão de uso de som de voz e imagem e outras avenças, conforme relatório fiscal às fls.62/63. Inconformada com o lançamento , a interessada apresentou a defesa de fls.72/91, argüindo, em síntese: 1- em relação aos contratos firmados em 1° de outubro de 1993 e 28 de julho de 1994 pela agência de publicidade Fischer Justus Comunicações Ltda. (empresa contratada pela autuada para propaganda dos produtos da marca Brahma ) e a firma R.S.F. Promoções Ltda., de que são sócios o pai e mãe do atleta Romário, afirma que o contratado não foi o atleta-artista, a contratante não foi a Brahma, as notas fiscais não foram emitidas pela pessoa física, os serviços não decorreram de relação de emprego nem de contrato de locação de serviços celebrado com aquela pessoa física e os pagamentos ao suposto locador de serviços não foram comprovados nos autos;, 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001362/99-14 Acórdão n°. : 104-17.836 2- a exigência parte do pressuposto de que o pagamento dos serviços artísticos foi realizado pelo impugnante ao atleta. Entretanto, os contratos não foram entre a Brahma e o atleta mas sim entre Fischer & Justus e a R.S.F. Promoções Ltda. Os pagamentos efetuados pela Brahma foram feitos à R.S.F. Promoções Ltda. e não à pessoa física do artista. E, ainda que com base no contrato se concluísse cabível a exigência fiscal, esta não poderia ter sido contra a Brahma, que sequer era parte no contrato, pois tratava-se de contrato em favor de terceiro (arts. 1098 a 1100 do Código Civil ), e não contrato com esse terceiro; 3- não tendo a autuante logrado demonstrar a obrigação de pagar ou a existência de tal pagamento ao atleta, ainda que de forma indireta, não há fato gerador que possa servir de fundamento para a exigência constituída no Auto de Infração, nem lhe servem de esteio as alegadas nulidades ou a suposta ineficácia perante o fisco dos contratos firmados entre as partes; 4- quanto aos pagamentos efetuados, afirma que não realizou qualquer crédito ou remessa para o exterior, onde, conforme relatório fiscal, residia o atleta e nenhum documento cambial foi apresentado para afirmar a remessa, nem qualquer prova se trouxe sobre possível remessa ilegal. Ao impugnante não cabe produzir prova negativa, sendo a exigência fiscal carente de supedâneo probatório; 5-o fato de a obrigação convencionada somente poderia ser cumprida pelo atleta Romário, já que se tratava de desempenho artístico a realizar-se por ato determinado, contrato intuitu personae, não deflui que o jogador-ator fosse parte e o beneficiário dos pagamentos, já que a firma R.S.F. Promoções Ltda. contratou em nome próprio, prometendo ato de terceiro. O fato de ser uma avença intuitu personae não impede terceiro o faça, tal hipótese é prevista no art. 929 do Código Civil e na doutrina, o fato de terceiro (posar para 3 (1, -VA:a MINISTÉRIO DA FAZENDA •=51;Nit . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '>44t,":" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001362199-14 Acórdão n°. : 104-17.836 fotos, apresentar-se como ator, etc.) prometido pela firma não significa que o beneficiário do pagamento seja esse terceiro (Romário). Se houve pagamento a ele pela contratada, a essa relação o contratante (Fischer & Justus) é alheio, e com maior razão a Brahma que nem contratante foi; 6 - se, em decorrência dos serviços de que tratam os aludidos contratos, alguma remessa foi feita ao atleta-artista, o imposto por essa remessa não seria de responsabilidade da empresa de publicidade ou da Brahma, mas de quem a tiver efetuado. Os contratos em si não atraem esta responsabilidade para os contratantes ou terceiros em cujo favor se estipula a avença. É de notório saber que os pactos particulares não podem alterar as relações de direito público, como são as relações tributárias, se o direito público não o permite e os pactos particulares não o quiseram, como admitir tal assunção de responsabilidade tributária; 7- para argumentar em favor da inexistência de relação jurídica entre a Brahma (ou sua empresa de publicidade) e a R.S.F. Promoções Ltda., a autuante afirma ter o contrato objeto impossível: os direitos de personalidade não podem ser alienados, transferido a terceiros, para serem explorados da maneira como melhor lhes aprouver, porém, a legislação permite a cessão, conforme previsto nos artigos 49 e 92 da Lei 9.610/1998, que altera a legislação de direitos autorais, portanto, esse argumento não tem poder de convencimento quanto à invalidade do contrato, porque a lei, além de não favorecer o argumento de inacessibilidade dos direitos de autor de obra artística (representação cênica), ainda expressamente afirma que tais direitos podem ser cedidos; 8- o relatório fiscal, com o propósito de negar validade ao contrato, alega que este não observou o estabelecido no arr. 135 do Código Civil, o qual prevê que os efeitos dos contratos de cessão de direitos não se operam a respeito de terceiros antes de transcrito no Registro Público. È de se admirar que se pretenda negar. validade ao contrato 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA•-4c; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001362/99-14 Acórdão n°. : 104-17.836 que justifica os pagamentos pelos serviços prestados e, ao mesmo tempo, beneficiar-se do imposto supostamente incidente sobre esses mesmos pagamentos, sob o argumento que o direito de recebê-los os contratos o davam ao atleta (interveniente nos contratos). Se não existissem os contratos, o pagamento a uma pessoa jurídica poderia ser considerado pagamento sem causa, jamais poderia ser desnaturado, pois pagamento a pessoa jurídica, com causa ou sem ela, não é pagamento a pessoa física. A eventual falta de causa pode fazer supor que o pagamento seja um ato de liberalidade, mas não que a firma recebedora seja considerada pessoa física para o fim de se cobrar imposto de renda na fonte; e, além disso, a invocação de relações jurídicas oriundas de contratos, para a cobrança de imposto, pressupõe que esses contratos sejam válidos; 9 - os instrumentos de contrato, cuja validade perante a Brahma, que é terceira pessoa, foi contestada em face do art. 135 do Código Civil, são na verdade válidos e eficazes, pois o parágrafo único do mesmo artigo dispõe que: " a prova do instrumento particular pode suprir-se pelas outras de caráter legal.". Ora, não existe melhor prova de que o instrumento particular continha a manifestação de vontade que nele se declarava do que a própria execução do contrato, contudo , nem esta prova de validade daqueles documentos particulares é necessária pela singela razão de que o art. 135 do Código Civil não se aplica aos comerciantes. Logo, não se aplicaria à Brahma, sociedade Comercial; .10 - o atleta Romário de Souza Faria não é parte dos contratos originadores dos pagamentos questionados, só porque figurou como interveniente, o interveniente não é parte, ele só intervém porque é terceiro, não se obrigou a nada perante o contratante ou o contratado, a sua interveniência lhe gera responsabilidades, pois não pode alegar ignorância de promessa de fato seu, feita pela firma R.S.F. Promoções Ltda.. De todo modo, como o fato gerador, no caso do imposto de renda na fonte, não é um negócio jurídico, mas a transferência da disponibilidade de renda, o importante não é estabelecer, de acordo com o contrato, quem tinha a obrigação de pagar e quem tinha o direito de receber. O importante é 5 "ft MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001362/99-14 Acórdão n°. : 104-17.836 estabelecer quem recebeu. Se o pagamento foi efetuado à pessoa jurídica, evidentemente a norma relativa ao imposto de renda devido na fonte sobre pagamentos efetuados à pessoa física não tem incidência. Se houvesse havido pagamento à pessoa física por parte da firma R.S.F. Promoções Ltda., aí haveria a incidência, mas o sujeito passivo obrigado à retenção seria outro, não a autuada. Conclui solicitando seja julgada a improcedência da ação fiscal. A i. autoridade julgadora de primeira instância, ao apreciar as razões de defesa da impugnante, manifesta-se conforme excertos a seguir transcritos: "O lançamento do crédito tributário, conforme descrito no auto de infração, originou-se da falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre rendimentos do trabalho sem vínculo de emprego e sobre rendimentos pagos a residente no exterior, decorrentes da prestação de serviços artísticos pelo atleta profissional Romário de Souza Faria e concessão de uso de som de sua voz e imagem, cujos pagamentos foram efetuados pela interessada à empresa R.S.F. Promoções. A autuante apontou a existência de irregularidades nos contratos firmados entre a empresa de publicidade Fischer, Justus Comunicações Ltda., representando a Companhia Cervejaria Brahma e a empresa R.S.F. Promoções, de propriedade dos pais do supracitado atleta, tais como: ter objeto impossível, pois os direitos de personalidade não podem ser alienados, e não ter o contrato transcrito no registro Público, conforme relatório fiscal de fls.62163. Em razão destas irregularidades, afirma que a interessada infringiu as normas relativas ao Imposto de Renda na Fonte, na qualidade de fonte pagadora dos rendimentos pagos à R.S.F. Promoções, pois não poderia deixar de proceder à retenção na fonte e ao posterior recolhimento do imposto devido sobre estes rendimentos, aceitando um contrato particular eivado de erros e, ainda por cima, sem registro, o qual tinha como conseqüência principal mudar o beneficiário dos rendimentos, ou seja, alterar a relação jurídica. Inicialmente, é de se esclarecer que os bens inalienáveis por constituírem direta irradiação da personalidade humana são, entre outros, a vida, a honra, 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA •.a9L#42,5 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001362/99-14 Acórdão n°. : 104-17.836 a liberdade e o nome civil. Os direitos de uso de som de voz e imagem, apesar de também constituírem direitos da personalidade, distinguem-se daqueles outros pela sua disponibilidade, pois é possível auferir deles proveito econômico pela concessão do direito de uso mediante contratos firmados para este fim. Tais direitos têm a mesma natureza dos direitos conexos aos autorais, como o são os direitos dos artistas, intérpretes e executantes de obra audiovisual, estando reconhecidos na legislação que trata dos direitos autorais (Lei 5988/1973, alterada pela Lei 9.610/1998) e no artigo 5°, incisos X e XXVIII, "a" da Carta Magna de 1988, No caso em análise, a cláusula quinta do contrato de cessão de direitos de uso de imagem e som de voz, às fls. 42, prevê que a pessoa física cedente não receberá nenhuma remuneração pelas obrigações contraídas, sendo a vinculação a título gratuito, não existindo qualquer elemento nos autos que prove o contrário. Não obstante, cumpre ressaltar que os fatos geradores dos impostos são fatos econômicos, reveladores de capacidade contributiva, aos quais a lei atribuiu relevância jurídica para o fim de instaurarem obrigações fiscais, e que estes independem da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes. A respeito deste assunto, o artigo 118 do Código Tributário Nacional (CTN) adota a chamada interpretação econômica do fato gerador, ao dispor que : "A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se : I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou de seus efeitos; .. Segundo ensinamento do mestre Aliomar Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense): "O ato jurídico pode ser nulo ou vir a ser anulado, nos casos previstos em lei. O C.C., no art. 145, declara nulo o ato jurídico quando praticado por pessoa absolutamente incapaz; quando ilícito, ou impossível, o seu objeto; quando não revestir a forma prescrita em lei; quando preterida solenidade essencial à sua validade; enfim, quando a lei taxativamente o declarar nulo ou negar-lhe efeito, 7 le--Art MINISTÉRIO DA FAZENDA 24:6731` . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001362/99-14 Acórdão n°. : 104-17.836 Outras vezes os atos não são nulos, mas podem ser anulados, valendo enquanto essa anulação não for pronunciada pelo juiz ou autoridade competente. A .validade, invalidada, nulidade, anulabilidade ou mesmo anulação já decretada do ato jurídico são irrelevantes para o Direito Tributário." Portanto, concluímos que as irregularidades alegadas pela autuante quanto ao contrato ou à falta de seu registro são irrelevantes para inferir a ocorrência do fato gerador do imposto retido na fonte, sendo justamente a falta de sua comprovação, o argumento básico da defesa. De acordo com o art. .142 do CTN, o lançamento tributário tem por objetivo formalizar o crédito tributário correspondente a uma obrigação preexistente. Para tal o Fisco verifica a ocorrência do fato gerador da respectiva obrigação e apura quantitativamente a matéria tributável, tomando-a líquida, em condições de exigibilidade. A verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a observância da legislação de regência do tributo. Desta forma, a vinculação é uma das características essenciais do lançamento tributário, que só é eficaz se realizado nos estritos ternos em que a lei o admite, presidido pelo principio da legalidade e pela situação de fato preexistente. Tratando-se da incidência de imposto de renda na fonte sobre rendimentos pagos sobre trabalho sem vínculo de emprego e pagos a residentes no exterior por pessoas jurídicas a pessoas físicas, o fato gerador é o pagamento ou percepção dos rendimentos (art. 7°, inciso II, da Lei '7.713/1988, c/c art. 97, "a", do Decreto-lei 5.844/1943). No Auto de Infração em análise, a tributação incidente na fonte refere-se à remuneração prevista nos contratos às fls. 41/49 e 51/57. Confrontando-se com os elementos com os elementos de prova (recibos de pagamento e notas fiscais) constantes dos autos 05/40, verifica-se que todos os pagamentos foram efetuados em favor da empresa R.S.F. Promoções Ltda., não havendo qualquer elemento que comprove a ocorrência de qualquer pagamento à pessoa física interveniente no contrato, Romário de Souza Faria; aliás, a própria autuante reconhece no relatório, às fls. 63, que os pagamentos foram feitos à pessoa jurídica antes mencionada. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDAf 's!_,..fitit PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '1•%a:$7.:-.. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001362/99-14 Acórdão n°. : 104-17.836 Por conseguinte, verifica-se que não está comprovada a materialização da hipótese de incidência definida em lei, pois não há elementos que comprovem o pagamento ou percepção de rendimentos, ainda que indiretamente, pela pessoa física executante dos serviços, logo, não existe fato imponível que justifique a manutenção da exigência fiscal." Desse decisório, interpõe recurso de oficio. r:7't É o Relatório. 9 iça -• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001362/99-14 Acórdão n°. : 104-17.836 VOTO Conselheira LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, Relatora Conforme anteriormente relatado, em julgamento recurso de ofício interposto pela i. autoridade julgadora de primeira instância, que julgou improcedente a exigência formalizada no lançamento de fls., quando se exigiu da autuada imposto de renda a título de incidência na fonte sobre rendimentos pagos a pessoa física em decorrência de prestação de trabalho sem vínculo empregatício e rendimentos pagos a residente no exterior. Como anteriormente relatado, a i. autoridade julgadora de primeira instância entendeu improcedente o lançamento sob o fundamento de não estar comprovado nos autos qualquer pagamento ao beneficiário pessoa física ou a residente no exterior, não se materializando, pois, a hipótese de incidência para a constituição do alegado crédito tributário. Compulsando os autos, não há qualquer dúvida quanto à veracidade de tais contratos, sendo que os pagamentos levados a efeito pela autuada se efetivaram junto a pessoa jurídica, sendo essa situada no País. Logo, não há que se falar em rendimento pago a pessoa física, a titulo de prestação de serviço sem vínculo enripregatício ou a pagamento realizado a beneficiário residente no exterior. p lo A. - 'or MINISTÉRIO DA FAZENDA 41c,W ..0" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4:::342;:tr. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 15374.001362/99-14 Acórdão n°. : 104-17.836 Em assim sendo, não materializada a hipótese de incidência, não merece reparo a decisão proferida em singelo grau. Logo, NEGO provimento ao recurso de ofício interposto. É o meu voto. Sala das Sessões - DF, em 24 de janeiro de 2001 irtrrie— cfrt LE MAR A SCHERRER LEITÃO 11 Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1

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Numero do processo: 13971.002982/2003-90
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2006
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 Ementa: ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de utilização limitada para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente da sua prévia averbação no cartório competente, bem como é inadmissível a autuação fiscal baseada tão somente na não comprovação da área de preservação permanente através da apresentação do Ato Declaratório Ambiental, uma vez que seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas inclusive a sua averbação à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente, procedida em data posterior à ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 303-33.266
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maria Regina Godinho de Carvalho (suplente) e Tarásio Campelo Borges, relator, que negavam provimento. Designada para redigir o voto a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges

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ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de utilização limitada para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente da sua prévia averbação no cartório competente, bem como é inadmissível a autuação fiscal baseada tão somente na não comprovação da área de preservação permanente através da apresentação do Ato Declaratório Ambiental, uma vez que seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas inclusive a sua averbação à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente, procedida em data posterior à ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maria Regina Godinho de Carvalho (suplente) e Tarásio Campeio Borges, relator, que negavam provimento. Designada para redigir o voto a Conselheira Nanci Gama. rree Processo n.° 13971.002982t2003-90 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-33.266 Fls. 156 1115 ANELISE DAUDT PRI& Presidente Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvio Marcos • Barcelos Fiúza, Zenaldo Loibman, Marciel Eder Costa e Nilton Luiz Bartoli. 1 - Processo n.° 13971.002982/2003-90 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-33.266 Fls. 157 Relatório Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Primeira Turma da DRJ Campo Grande (MS) que julgou procedente o lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) relativo ao fato gerador ocorrido no dia 1° de janeiro de 1999, bem como juros de mora equivalentes à taxa Selic e multa proporcional (75%, passível de redução), inerentes ao imóvel denominado Condomínio, NIRF 4.720.552-0, localizado no município de Taió (SC). Segundo a denúncia fiscal (folhas 27 e 33 a 36), a exigência decorre da glosa da área de utilização limitada declarada e não comprovada mediante a apresentação da matrícula do imóvel com a tempestiva averbação' da reserva legal nem exibição do Ato Declaratório Ambiental (ADA) do Ibama. Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório com as razões de folhas 38 a 65, assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: 4.1 A autoridade fiscal, sem tecer quaisquer considerações acerca dos documentos apresentados, simplesmente glosou a área declarada como de utilização limitada, sem descrição dos fatos; 4.2 Não ficou clara a razão da glosa, através da leitura da descrição dos fatos ensejadores da autuação, apenas pode imaginar, como hipótese, que o seu fundamento estaria na falta dos atos declaratórios expedidos pelo IBAMA; 4.3 O lançamento é nulo, devido a ausência de fundamentação; 4.4 O art. 142 do CTN diz que o lançamento é um ato administrativo, vinculado, que visa a estrita aplicação da lei tributária nos casos em que estão devidamente configurados os fatos previstos na hipótese de incidência; 4.5 Para o ato administrativo ser válido será necessário que a autoridade administrativa fundamente e demonstre a ocorrência de seus pressupostos, que são 111 requisitos para a autuação estatal; 4.6 A Lei 9.393/1996, destaca que a declaração para fins de isenção do ITR não está sujeita a prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multas previstos nesta lei, caso fique comprovado que sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis; 4.7 A autoridade fiscal desconsiderou os documentos apresentados bem como as informações contidas na DIAT/1999, afrontando assim, a legislação pátria, a qual exige que o ato administrativo de lançamento seja devidamente fundamentado, sob pena de nulidade; 4.8 O art. 10 da Lei n° 9.393/1996, com a redação dada pela Medida Provisória n° 1.959-54/2000, reza que: A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a", e "d" do inciso II, § 1 0, do referido artigo, não está Data da averbação da reserva legal: 21 de junho de 2000. CCO3/CO3 Fls. 158 sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, este apenas, fica responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos em lei, caso fique comprovado informações inexatas, inveridicas, sem prejuízo de outras sanções; 4.9 Está privado da utilização da área em questão desde a emissão das leis ambientais de proteção da mata atlântica, sob pena de ser autuado pelo órgão competente, ocorre que veio a registrar (proceder a averbação) no ano de 2000. Não se pode privilegiar o acessório em detrimento do principal, ou seja, ter uma simples formalidade (averbação) como o fato principal e ignorar a realidade fática [sie] 4.10 Além de não fundamentar o ato administrativo de lançamento e não comprovar a ocorrência dos pressupostos de fato configuradores da obrigação tributária indevidamente exigida, a autoridade fiscal simplesmente ignorou os princípios de legalidade e da verdade real. Ao glosar, simplesmente presumiu (sem corroborar) em total afronta a lei, que a área de 1.063,60 hectares é aproveitável e desprovida de benfeitorias, sem, no entanto, juntar qualquer elemento comprobatório. E, pior, além disso, presumiu que o grau de utilização da mesma é • de 0,0%, tributando o imóvel rural pela alíquota máxima; 4.11 Não está aproveitando e explorando o imóvel rural por estar impedido pelo poder público federal, não é justo nem moral que este mesmo poder venha cobrar tributo por um fato (não aproveitamento) por ele mesmo provocado; 4.12 Cita ementas do Conselho referentes à isenção do ITR de áreas de preservação permanente e de reserva legal; 4.13 A legislação ambiental diz que é proibido o corte na mata atlântica, bem como do código florestal; 4.14 Foi considerado o laudo para a área de preservação permanente e ignorado para a reserva legal; 4.15 A exigência do Ato Declaratório Ambiental tem um histórico bastante confuso e sua exigência é totalmente ilegal; • 411 4.16 A exigência da averbação da reserva legal é considerada outra intromissão descabida, matéria disciplinada no Código Florestal e sua execução racional já foi prevista num dispositivo especial da lei agrícola: o proprietário rural que não pretende desmatar, explorar a floresta ou, de qualquer modo, suprimir vegetação nativa, não está obrigado a proceder a averbação para usufruir a isenção do ITR, 1 haja vista que a reserva legal já existe no plano fático, devendo assim o beneficio da isenção ser concedido como medida de estimulo; 4.17 A multa aplicada tem caráter confiscatório, devido ao seu elevado percentual, com manifesta ofensa ao artigo 150, V, da Constituição Federal, portanto, não há como subsistir, devendo ser excluída do auto, ou, então, alternativamente, reduzida, na pior das hipóteses, a 2%; 4.18 Houve inclusão de um significativo valor a título de juros de mora, tendo sido estes calculados mediante a aplicação da taxa Selic, de conformidade com a determinação do artigo 61, parágrafo 3 0, da lei n° 9.430/96, porém, estes não dl( poderão ser mantidos, devido ao caráter remuneratório e não moratório; _ Processo n.° 13971.002982/2003-90 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-33.266 Fls. 159 4.19 Diante da ilegalidade do lançamento fiscal, que além de infundado, está desprovido de prova e motivação, não resta ao eminente julgador da presente impugnação outra alternativa, senão anular e/ou julgar improcedente a notificação fiscal; 4.20 Requer que a impugnação seja recebida e considerada provada, para efeito de ser cancelado o auto de infração, ou, alternativamente, reduzida a área tributável, com a conseqüente aplicação da alíquota correspondente em função do grau de utilização, e/ou, ainda, ser reduzida a multa e excluída a taxa Selic [sic] 4.21 Requer, ainda, caso não sejam acolhidas as alegações a realização de perícia técnica, com o intuito de comprovar a impossibilidade legal e administrativa de utilização de fração do imóvel considerada pela autoridade notificante como área aproveitável; bem como avaliar o real valor da terra nua; 4.22 A prova pericial, de natureza técnica florestal, destina-se à comprovação da exatidão das declarações prestadas pela impugnante, corroborando o laudo técnico já realizado, além do reconhecimento de que as áreas de reserva legal e de utilização • limitada estão cobertas por vegetação que integra a mata atlântica [sic] 4.23 Por último, requer, a produção de todas as provas em direito admitidas, principalmente a documental, relativas a documentação do imóvel em questão que se encontra junto ao MAMA. Instruem a peça impugnativa: laudo técnico e respectiva ART, ambos por fotocópia com autenticidade aferida por tabelião de notas. Os fundamentos do voto . condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1999 Ementa: PROVA PERICIAL • A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, somente, quando entendê-la necessárias, indeferindo asque considerar prescindíveis ou impraticáveis. Constitucionalidade de Lei As autoridades e órgãos administrativos não possuem competência para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA — ÁREA DE RESERVA LEGAL Para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar devidamente averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental — ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado, o qual tem como requisito básico a referida averbação. Processo n.° 13971.002982/2003-90 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-33.266 Fls. 160 ÔNUS DA PROVA — DECLARAÇÃO Ônus da prova de informação constante de declaração apresentada cabe ao declarante. MULTA DE OFÍCIO — JUROS — TAXA SELIC A obrigatoriedade da aplicação da multa de oficio, nos casos de informação inexata na declaração, e os acréscimos do imposto com juros de mora equivalentes à taxa referencial do SistemaEspecial de Liquidação e Custódia — SELIC decorrem de lei. Lançamento Procedente Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Campo Grande (MS), recurso voluntário é interposto às folhas 100 a 131. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. Instrui o recurso voluntário, dentre outros documentos, o arrolamento de bem • imóvel de folhas 147 e 148. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou os autos para este Conselho de Contribuintes no despacho de folha 153. Os autos foram distribuídos a este conselheiro em único volume, processado com 154 folhas. É o Relatório. \k\K"-' Processo n.° 13971.002982/2003-90 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-33.266 Fls. 161 Voto Vencido Conselheiro TARÁSIO CAMPELO BORGES, Relator Conheço o recurso voluntário interposto às folhas 100 a 131, porque tempestivo e com a instância garantida mediante arrolamento de bem imóvel que presumo suficiente em face do despacho de folha 153, originário do órgão preparador, sem manifestação em sentido contrário à suficiência da garantia oferecida. No mérito, conforme relatado, a lide é restrita à glosa da área de utilização limitada (reserva legal), matéria dependente da produção de prova documental. É certo que a Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, no seu artigo 10, § 1°, inciso II, alínea "a", permite excluir da área total do imóvel as áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de apuração do ITR. Contudo, vincula ao Código Florestal2 tudo o quanto diga respeito a tais áreas excluídas. Inicialmente vale lembrar que na vigência da Lei 9.393, de 1996, o contribuinte do tributo está obrigado a apurar e a promover o pagamento do valor devido, subordinado o lançamento à posterior homologação pela Receita Federal. Mas é exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributária o ônus da prova da veracidade de suas declarações enquanto não consumada a homologação. Logo, no caso concreto, ocorrido o fato gerador do ITR, sendo exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributária, enquanto não consumada a homologação, o ônus da prova da veracidade de suas declarações, sempre que provocado pela administração tributária deve o contribuinte comprovar a existência da dita área de reserva legal para dela afastar a incidência do tributo. Buscarei, então, identificar o instrumento necessário para tornar evidente a existência da área de reserva legal declarada e controvertida. A solução, no meu sentir, está contida no Código Florestal, mais precisamente no § 2° do artigo 16, introduzido pela Lei 7.803, de 18 de julho de 1989, ao determinar expressamente: "a reserva legal [...] deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente [...]". É cediço que o Código Florestal não fixou prazo para o proprietário agir, creio, no entanto, que definiu a averbação como Única forma de vincular o titular do imóvel às restrições impostas para a utilização da área de reserva legal. Ora, se determinado beneficio é oferecido e como contrapartida exige a instituição de uma área de reserva legal ou se o Estado nacional desonera a tributação da área de reserva legal dos imóveis rurais, indubitavelmente nenhum dos supostos direitos pode ser reivindicado sem a prévia averbação da área à margem da matrícula. • 2 Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965. Processo n.° 13971.002982/2003-90 CCO3/CO3 • Acórdão n.° 303-33.266 Fls. 162 Conseqüentemente, tenho por certo que a matrícula com a dita área averbada previamente à ocorrência do fato gerador do tributo é imprescindível para demonstrar a legitimidade da área de reserva legal declarada. Isso porque assim como inexiste propriedade imobiliária 3 sem a prévia matrícula no cartório de registro de imóveis, não há que se falar em reserva legal sem a prévia averbação da área à margem daquela matrícula. Essa é a lógica da definição de reserva legal contida do Código Florestal, exposta neste voto. Muito mais do que preservação do meio ambiente por mera liberalidade do proprietário ou possuidor do imóvel rural, o aspecto teleológico da reserva legal, situação jurídica, é a garantia da preservação inclusive nos casos de transmissão do domínio ou desmembramento do imóvel rural. • • Reserva legal é uma espécie do gênero preservação do meio ambiente. Antes da averbação à margem da matrícula pode existir preservação Mas não existe a reserva legal. Esta • é hipótese de não-incidência do ITR; aquela somente será excluída da tributação se enquadrada no conceito e atender às restrições de outras das espécies4 enumeradas no inciso II do § 1° do artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Com respeito ao § 70 do artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, introduzido ao texto legal pela Medida Provisória 1.956-50, de 2000, e convalidado pela Medida Provisória 2.166-67, de 2001, ele deve ser interpretado em consonância com o artigo 144 do CTN, segundo o qual: "o lançamento reporta-se à data da 'ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". Ora, se o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador, somente influi na apuração do tributo situações fáticas presentes na ocasião ou situações jurídicas definitivamente constituídas naquela data. Como entendo que a reserva legal é uma situação jurídica, ela somente pode ser excluída da área tributável se definitivamente constituída, yale dizer, averbada à margem da • matrícula do imóvel rural, na data da ocorrência do fato gerador. Por conseqüência, interpreto o citado § 70 do artigo 10 da Lei 9.393, de 1996, como dispensa de prévia comprovação das áreas no ato da declaração do tributo 5 . Todavia, por imposição das regras traçadas no Código Tributário Nacional, para exercer influência na apuração do tributo, não pode haver dispensa de comprovação da veracidade dos fatos nem da constituição definitiva das situações jurídicas na data da ocorrência do fato gerador. 3 Propriedade imobiliária no sentido de direito de propriedade. Qualquer outro sentido atribuído à expressão distorce a racionalidade do pensamento exposto. 4 Área de preservação permanente, área de interesse ecológico para a proteção de ecossistemas etc. 5 Lei 9.393, de 1996, artigo 10, § 7 0: A declaração [...] não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente[...] caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira [...]. (NR). \( Processo n.° 13971.00298212003-90 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-33.266 Fls. 163 Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. • , . • • ...• Sala das Sessões, em 20 de junho de 2006 n OÇ"'Ro"t5 TARÁSIO CAMPELO BORGES - Relator • 110 1 Processo n.° 13971.002982/2003-90 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-33.266 Fls. 164 Voto Vencedor O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, portanto, dele tomo conhecimento. A questão central cinge-se ao não reconhecimento pela DRJ de Campo Grande - MS da área de utilização limitada/reserva legal declarada, sob o argumento de que não foi comprovado o cumprimento da exigência legal de apresentação do ADA junto ao IBAMA e da averbação da referida área. Inicialmente, cumpre-me ressaltar que a exigência fiscal pauta-se no Princípio da Verdade Material, que deve necessariamente informar a atuação da Receita Federal nos procedimentos de lançamento, bem como o próprio processo administrativo fiscal, em todas as • suas instâncias. Assim, deve ser considerada válida a comprovação da existência de área de reserva legal por meio de Laudo Técnico ou de outras provas documentais, inclusive a sua averbação à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente, mesmo q_ue procedida em data posterior à ocorrência da fato gerador. A referendar o que ora se afirma, transcreve-se as seguintes ementas deste Terceiro Conselho de Contribuintes: "EMENTA: rfR EXERCÍCIO 1997. ÁREA DE RESERVA LEGAL. Havendo a necessária averbação à margem da inscrição da matrícula no registro de imóveis competente da reserva legal mesmo a destempo, faz jus o contribuinte à isenção decorrente de lei e com base no princípio da verdade material. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." (Terceiro Conselho de Contribuintes, Primeira Câmara, Recurso Voluntário 126061, sessão de 11/11/04) • ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL) A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento por meio de ADA e de prévia averbação à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente, uma vez que sua efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Terceiro conselho de contribuinte, Primeira Câmara, Recurso Voluntário 133125, sessão de 19/10/06 — grifou-se) "ITR/1997. PROTOCOLO DO ADA. AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. A inusitada pretensão das IN SRF 47/97 E 67/97 de erigir o protocolo de requerimento de ADA perante o IBAMA, como comprovação da exigência da área de uso limitado, é execrável, primeiro porque nada comprova, segundo porque do requerimento constam tão-somente as informações prestadas pelo interessado, que não tem maior relevância do que a declaração prestada à SRF via DITR. • Processo n.° 13971.002982/2003-90 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-33.266 Fls. 165 A glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal pela fiscalização não se deu porque duvidasse da sua efetiva existência na data do fato gerador do ITR/97 ou mesmo antes dessa data, mas simplesmente porque o requerimento do ADA ao IBAMA se deu após o prazo especificado pela SRF, bem como a área de reserva legal não se encontrava averbada no Cartório de Registro de Imóveis na data da ocorrência do fato gerador do tributo. Não há sustentação legal para exigir nem uma coisa nem outra como condição ao reconhecimento dessas áreas isentas de tributação pelo ITR Não se admite sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definição na Lei 4.771/65 (Código Florestal). O reconhecimento de isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de imóveis. No caso concreto foi demonstrado a • existência da área de reserva legal e da área de preservação permanente por meio de Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, Termo de Compromisso perante o IBA11,1A EM 1996 e outras provas documentais, inclusive a obtenção de ALIA em 1998 e a averbação à margem da matrícula do imóvel procedida em 2002. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." (Terceiro conselho de Contribuinte, Terceira Câmara, Recurso Voluntário 127540, sessão de 11/11/04— grifou-se) No caso em tela, o contribuinte para comprovar a existência da área de reserva legal declarada apresentou as Certidões dos imóveis devidamente registrados e Laudo Técnico assinado por engenheiro devidamente inscrito no CREA, com ART e averbação à margem da matrícula do imóvel de referida área, realizada em julho de 2000. A exigência fiscal constituída contra o contribuinte decorreria tão somente do fato do mesmo não encontrar-se em dia, no momento da autuação, com as obrigações formais relativas à área glosada. Não há embasamento legal que justifique a cobrança de imposto por 4111 rejeição das áreas isentas de tributação declaradas pelo contribuinte, devido a ausência de documentos que declarem sua existência, não obstante a fiscalização reconhecê-las materialmente. • Nesse sentido, o contribuinte apresentou elementos probatórios sólidos o suficiente para comprovar que a área objeto de "glosa" se enquadraria como sendo de utilização limitada/reserva legal, razão pela qual torna-se imperiosa a procedência do recurso ora em análise. Por todo o exposto, tendo por fundamento os argumentos apresentados, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para reformar a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande - MS, excluindo a "glosa" da área declarada como sendo de reserva legal, para efeito de apuração do crédito tributário suplementar. &\.< Processo n.° 13971.002982/2003-90 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-33.266 Fls. 166 É como voto. Sala das Sessões, em 20 de junho de 2006 N CI — Relatora Designada • 410 Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1

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Numero do processo: 13906.000074/2002-64
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2003
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN - O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindo-se o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito . Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcaldo em situação fática não ligiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL. O termo inicial de contagem da decadência/prescrição para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados, mas com o do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade que retirou do ordenamento jurídico, com efeito ex tunc, a lei declarada inconstitucional. Prejudicial acatada, em parte. PIS - COMPENSAÇÃO - Com a declaração de inconstitucionalidade da parte final do artigo 18 da Lei nº 9.715/1998, os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes da Medida Provisória nº 1.212/95 e de suas reedições, no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, devem ser calculados observando-se que a alíquota era de 0,75% incidente sobre a base de cálculo, assim considerada o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. A partir de 1º de março de 1996, passou a viger com eficácia plena as modificações introduziadas na legislação do PIS por essa Medida Provisória e suas reedições. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. BASE DE CÁLCULO. A partir de 01 de março de 1996, devem ser consideradas as alterações introduzidas pela MP nº 1.212/95, e suas reedições, na base de cálculo do PIS. Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 202-14956
Decisão: I) Por maioria de votos, acolheu-se em parte o pedido de pleiteado. Vencidos os Conselheiros Eduardo da Rocha Schmidt, Gustavo Kelly Alencar e Adriene Maria de Miranda (Suplente); e II) por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Nayra Bastos Manatta

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COSTA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida : DRJ em Curitiba - PR NORMAS PROCESSUAIS - RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN O prazo para pleitear a restituição ou cómpensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (4nco) anos, distinguindo-se o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge ida iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a cclimpensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL. O termo inicial de contagem da decadência/presciição para solicitação de restituição/compensação de valores pa4os a maior não coincide com o dos pagamentos realizados, mat,com o do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade que retirou do ordenamento jurídico, com efeito ex tune, a le declarada inconstitucional. Prejudicial acatada, em parte. PIS — COMPENSAÇÃO - Com a declaração de inconstitu- cionalidade da parte final do artigo 18 da Lei n°9.715/1998, os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes da Medida Provisória n° 1.212/1995 e de suas reedições, no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, devem ser calculados observando-se que a aliquota era de 0,75% incidente sobre a base de cálculo, assim considerada o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária A partir de 1° de inarço de 1996, passou a viger com eficácia plena as modificações introduzidas na legislação do PIS por essa Medida Provisória e suas reedições. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, eve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4 *, da Lei n° 9.250/95. BASE DE CÁLCULO. A partir de 01 de março de 199 , devem ser consideradas as alterações introduzidas pela MP n° 1 212/95, e suas reedições, na base de cálculo do PIS. Recurso Provido em Parte. 1 • o. „„_• CC-MF _ Ministério da Fazenda Fl. --4,ft Segundo Conselho de Contribuintes 4S '&4 'IÇ'No`" Processo ng- : 13906.000074/2002-64 Recurso n9 : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: G. COSTA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: I) por maioria de votos, em acolher em parte o pedido de decadência. Vencidos os Conselheiros Eduardo da Rocha Schmidt, Gustavo Kelly Alencar i e Adriene Maria de Miranda (Suplente). II) por unanimidade de votos, em dar provimento p rcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Sala das Sessões, em 02 de julho de 2003 Hennque Pinheiro Torres Presidente QXL NanBastos anatta Relat ra Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Ana Neyle Olímpio Holanda e Raimar da Silva Aguiar. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. cl/opr 2 $ s • 4 •i-41. 'br 2 C Ministério da Fazenda Fl. ',:n;:-.t-M,!' Segundo Conselho de Contribuintes ... _ . Processo 119 : 13906.000074/2002-64 Recurso n9- : 122.609 Acórdão 112 : 202-14.956 Recorrente : G. COSTA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. RELATÓRIO Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que a seguir transcrevo: "Trata o processo de pedido de restituição da contribuição ao Programa de Integração Social - PIS, no valor de R$ 382.278,99, atinente ao período de 11/1995 a 02/1999, protocolizado em 30/04/2002, fl. 01. 2. Às fls. 2/7, a interessada fundamenta seu pedido na declaração de inconstitucionalidade da "retroatividade do fato gerador do PIS a 01/10/1995", do art. 18 da Lei n°9.715, de 25 de novembro de 1998, na Ação Direta de Inconstitucionalidade 1.417-0 DF, de 02/08 1.(1999, publicado em 13/08/1999, bem como do art. 17 da Medida Provisória ri° 1.212 de 28 de novembro de 1995, e reedições; conseqüentemente, aduz, ter-se-ia tornado "inexistente o fato gerador do período considerado inconstitucional", isto é, no período de 01/10/1995 até a publicação da Lei n°9.715, àe 1998, ou seja, até 25/11/1998. 3. Às fls. 89/91, planilha demonstrativa dos valores pleiteados; às fls. 43/88, DARF originais de recolhimento códigos 3845 — PIS/Receita operacional, 8109— Pis/Faturamento, cópias de DARF e documentos atinentes1 a parcelamento pago, sendo que a última data de pagamento foi em 30/04/1999, fl. 84. 4. Instruem ainda o processo as declarações de que não possui ação judicial e de que não utilizou os créditos pleiteados parampensação de • outros débitos, fls. 8/9; documentos da empresa e sócio, fls. 38/39, 41/42; icópias de jurisprudência e da legislação que considera pertinentes, Lei n° 9.715, de 1998, e da ADIn n° 1.417-0 DF, fls. 11/36; de partes das declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, anos-calendário 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999, fls. 92/121. 5. A DRF em Londrina/PR, fls. 125/135, indefv-iu o pedido por decurso do prazo decadencial em pleitear a restituição dos pagamentos ao Pis efetuados antes de maio de 1997 e, quanto aos demais pagamentos, no mérito, tpela não comprovação de recolhimentos indevidos, uma v z que o PIS é exigível a partir de 1° de março de 1996, com base na MP n° 1.212, de 1995, convertida na Lei n°9.715, de 1998, esclarecendo que o Sufremo Tribunal Federal — STF declarou a inconstitucionalidade apenas da expressão "aplicando-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995", no art. 18 da Lei n° 9.715, de 1998, na ADIn n° 1.417 O DE 3 ( - • • • • • . 9- = Ministério da Fazenda 2 CC-MF Fl. ••.4 Segundo Conselho de Contribuintes:14 Processo nst : 13906.000074/2002-64 Recurso n2 : 122.609 Acórdão n9- : 202-14.956 6. A contribuinte foi cientificada em 20/09/2002 fl. 137, e apresentou tempestivamente, em 08/10/2002, a manife istaç'do de inconformidade de fls. 138/160, por intermédio de seu representante legal, procuração à fl. 10, sintetizada a seguir. 7. Alega ter havido equívoco no indeferimento de seu pedido, por não se tratar de prazo decadencial o relativo ao seu pleito, mas sim prescricional; diz, também, que pleiteou a compensação e não a restituição de valores pagos indevidamente e salienta que o equívoco talvez t4zha nascido com a protocolizaçã o do pedido de compensação, o qual, por exigência da SRF, é precedido de um pedido de restituição. 8. Em relação ao prazo para repetição ou compfnsação dos pagamentos havidos, que ressalta ser de prescrição, argumenta qáe o Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou o entendimento de que, nas ações que versem sobre tributos lançados por homologação, o prazo é de 10 (dez) anos, correspondentes aos 5 (cinco) anos de que dispõe a Fazenda para homologação (art. 150, § 4° do CM, acrescidos de 5 (cinco) an s relativos à prescrição do direito (art. 168, 1, do C7'N). 9. Aduz que o prazo de 10 (dez) anos previsto parc a prescrição da cobrança da contribuição para o PIS do art. 10 do Decreto-1e( n°2.052, de 3 de agosto de 1983, aplica-se, mutatis mutandis, à repetição/compensação, à semelhança da previsão do art. 122 do Regulamento da Contribuição para o Fundo de Investimento Social — Recofis, aprovado pelo Decreto n° 92.698, de 21 de maio de 1986, em face do art. 9° do Decreto-lei n°2.049, d 1° de agosto de 1983, circunstância que argumenta ser pacifica no ST1 10. Quanto ao direito à compensação, traitando-se de contribuição sujeita a lançamento por homologação, defende ser procedimento de sua iniciativa, independente de prévia manifestação do f'isco, ao qual compete a fiscalização por eventuais diferenças não pagas, as quais alega não ocorrerem no caso em questão; cita como fundamento o art. 66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, regulamentado pelo Decreto n°2.138, de 29 de janeiro de 1997, e princípios constitucionais como o da lFidadania, da justiça, da isonomia, da propriedade e da moralidade, sobre os quais discorre. 11. Na seqüência, tece considerações teóricas acerca das diferenças entre decadência e prescrição e conclui que, tant l uma quanto outra, são causas extintivas de direito e se destinam a evitar qi e se eternizem situações dependência, nas quais alguém tem direito, mas não exercita; que • são institutos jurídicos distintos e funcionam como instrumentos de realização dos princz'pios da segurança e da certeza no direito. 12. • Discorre sobre os institutos da decadência e da prescrição, distinguindo-os, relacionando o primeiro aos direitos potestati vos que, ( 4 "V ., • inb. . '....• . 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. -!..:i'kji-,;.;..,, Segundo Conselho de Contribuintes '-;',U3.V-i.•,-.. Processo na : 13906.000074/2002-64 Recurso na : 122.609 Acórdão na : 202-14.956 tendentes à modificação do estado jurídico existente, são exercitados mediante simples declaração de vontade de seu titular, independentemente de apelo às vias judiciais e sem o concurso da vontade daquele que sofre a sujeição, e o1 segundo, aos direitos de uma prestação, tendentes a um bem dfi vida a conseguir-se mediante a prestação positiva ou negativa dos outrf) s; nesse sentido, transcreve doutrina de Agnelo Amorim Filho e conclui que, ao contrário do alegado pela DRF, seu pedido de restituição/compensação não foi alcançado pela decadência. 13. Assevera inexistir fato gerador no período que alega ter sido considerado inconstitucional, desde 01/10/1995 até 25/11/1998, data da publicação da Lei n°9.715, de 1998, uma vez que a MP n°1.212 (fie 1995 e reedições, teria tido o objetivo de normatizar o PIS após a declaração da inconstitucionalidade dos Decretos-leis n°2.445, de 29 de junho de l988, e n° 2.449, de 21 de julho de 1988, e que, devido ao receio de vacatio legis, não se respeitou o prazo nona gesimal, pois as seguidas reedições, a cada 30 (trinta) dias da medida provisória, impediam a obtenção referido prazo; que foi considerado inconstitucional em parte, no que se refere à retroati ádade do fato gerador, o art. 18 da Lei n°9.715, de 1998. 14. Afirma que, até o momento, não foi editada lei complementar conforme determina a CF, de 1988, que viesse a recriar ou normatizar o PIS; cita o autor Dr. Edvaldo Brito, no sentido de que a definição dos elámentos de hipótese do fato gerador da obrigação de pagar contribuições sociais somente seria possível pela via da lei complementar, segundo os arts. 149 á o 146, IIIi da CF, de 1988, tendo em vista que o PIS, criado pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, teve sua recepção constitucional no art. 239 da CF, de 1988; que a medida provisória, tendo trâmite e quorum de aprovação diferentes dos da lei complementar, só é cabível onde couber lei Jordinária, mas não em matéria própria da lei complementar e, ademais, que as contribuições sociais são tributos. 15. Alega que são atos nulos os pagamentos efetuado f com base em normas declaradas inconstitucionais pelo STF, sendo esse o caso dos valores recolhidos no período pleiteado, efetuados com base "no fato gerador retroativo a 01/10/1995, previsto no art. 18 da Lei 9715/98, cuja eficácia da aplicação foi suprimida," e assim, constituem-se tais valores "em crédito restituível ou compensável." _ 16. Afirma que o mesmo vale para os débitos oriundos de recolhimentos de PIS não efetivados no referido período, 01)10/1995 a 01/11/1998, assim, como acréscimos legais de multas, juros Selic correções monetárias e juros de mora aplicados sobre esses valores originários que devem ser imediatamente baixados, caso existam, assim como quaisquer autuações de oficio e inscrições no Cadin. 5 . • 29- CC-MF _ Ministério da Fazenda , Fl. --44 Segundo Conselho de Contribuintes—Led Processo n2 : 13906.00007412002-64 Recurso n2 : 122.609 Acórdão n2. : 202-14.956 17. Discorda que se aplicasse a LC n° 7, de 1970 ao período de 10/1995 a 02/1996, argumentando quanto à impossibilidade de vigência simultânea de duas leis tratando da mesma matéria, pois entende que a .A/h° n° 1.212, de 1995, convertida na Lei n°9.715, de 1998, não foi revogada pela ADIn n° 1.417-0 DF, e possuía eficácia, mas, em função da inconstitucionalidade parcial do art. 18 da Lei n°9.715, de 1999, não havia hipótese de incidência para embasar a cobrança, portanto, vacatio legis no período de 10/1995 a 10/1998. 18. Alega que não está argüindo inconstitucionalid de, mas está pleiteando os efeitos dessa inconstitucionalidade sobre os recolhimentos efetuados. 19. Afirma que com a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 6, de 19 de janeiro de 2000, a SRF pretendeu epristinar a LC n° 7, de 1970, revogada, uma vez que dispõe que essa se aplica aos períodos de 10/1995 a 02/1996; afirma que tal repristinaçã o nO pode se dar por meio de instrução normativa, e que, tal disposição significar I ia que o PIS seria calculado com a alíquota de 0,75%, "calculando as difèreftças de base de cálculo e de prazo para pagamento, que na época eram diferentes da Lei atual, haja visto que, na época o recolhimento era realizado após seis meses da ocorrência do fato gerador." 20. Pede a homologação do pedido de compensaçâ'r.". A autoridade julgadora de primeira instância manifestou-se por meio do Acórdão DRJ/CTA n° 2.573, de 20/11/2002, fls. 162/174, indeferindo a solicitação, ementando sua decisão nos seguintes termos: `Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1995 a 31/03/1997 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1997 a 28/02/1999 Ementa: BASE LEGAL A partir de 1° de março de 1996, a contribuição ao PIS é exigível com base na LC n° 7, de 1970, com as alterações iniroduzidas pela MP n01.212, de 1995, e reedições, convalidadas pela Lei n°9.715, de 1998. 6 (0 • CC-MF . Ministério da Fazenda 70,-..:1-.0!". Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n2 : 13906.000074/2002-64 Recurso n2 : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 Solicitação Indeferida". A contribuinte tomou ciência do teor do referido Acórdão em 17/12/20102, fl. 177, e, inconformada com o julgamento proferido interpôs, em 08/01/2003, recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, fls. 178/208, no qual reitera suas razões apresentadas na inicial. É o relatório. 7 ít' , '.. -.. 22 CC-MF -, - Ministério da Fazenda Fl. - Segundo Conselho de Contribuintes Processo rtg : 13906.000074/2002-64 Recurso 112 : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA ' NAYRA BASTOS MANATTA O recurso interposto encontra-se revestido das formalidades le • ais cabíveis merecendo ser apreciado. Preliminarmente há de ser analisada a questão da decadência, q e, no caso presente, cinge-se a duas hipóteses: a primeira, relativa ao período de 01/11/1995 a 29/02/1996, e a segunda, ao período de 01/03/1996 a 31/03/1997. No que diz respeito ao período compreendido entre 01/11/1995 a 29/02/1996 é de bom alvitre esclarecer que, muito embora exista divergência doutrinária quanto à natureza do prazo para repetição do indébito - se decadencial ou prescricional - para o deslind9 da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevância, razão pela qual no será aqui abordado. A autoridade singular deferiu em parte o pleito da recorrente por considerar caduco o direito pretendido, vez que, o pedido de repetição do indébito fora feito após • transcorridos cinco anos da extinção do crédito pelo pagamento. A propósito, essa questão da decadência foi muito bem enfrentada pelo Conselheiro Renato Scalco Isquierdo, no voto proferido quando do julgamento do Recurso Voluntário n° 116.520, consubstanciado no acórdão n° 203-07.487, no qual me baseio para retirar as razões acerca da contagem de prazo decadencial em situações jurídicas conflituosas. "A apreciação que se pretende nesta assentada diz respeito ao prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o exercício do direito de pleitear a restituição de indébitos tributários, previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional -- CTN, que fundamentou o indeferimento do pleito pela autoridade julgadora monocrática. A propósito, entendo que o prazo contido no citado dispositivo do CTN iznão se aplica ao presente caso, primeiro porque, no momento do recol imento, a legislação então vigente e a própria Administração Tributária que, de forma correta, diga-se de passagem, porquanto em obediência a determinaç o legal em pleno vigor, não permitia outra alternativa para que a recorrente viss cumprida sua obrigação de pagar e, segundo, porque, em nome da segurança juirídica, não se pode admitir a hipótese de que a contagem de prazo prescricion0, para o exercício de um direito, tenha início antes da data de sua aquisição, o qual somente foi personificado, de forma efetiva..." , mediante o julgamentd da ADIN 1417-0/DF, em 02/08/1999. Somente a partir da edição da referida ADIN é que restou pacificado o entendimento de que a cobrança da Contribuição para o PIS deveria limitar-se aos parâmetros da Lei Complementar n° 07/70, até 29/02/1996, data em que passou a viger as terações introduzidas pela MP n° 1.212/95 e suas edições. 8 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 13906.00007412002-64 Recurso n2 : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 A jurisprudência emanada dos Conselhos de Coptribuintes caminha nessa direção, conforme se pode verificar, por exempl4 do julgado cujos excertos, com a devida vênia, passo a transcrever, constantes doAcórdão n.° 108- 05.791, Sessão de 13/07/99, da lavra do i. Conselheiro Dr. José Antonio Minarei, que adoto como razões de decidir: Voltando, agora, para o tema ,acerca do prazo 1e decadência para pleitear a restituição ou compensação de valores indevidamente pagos, à falta de disciplina em normas tributárias federais ,kle escalão inferior, tenho como norte o comando inserto no art. 168 do CódigoTributário Nacional, que prevê expressamente: "Art. 168— O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1— nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da dçzta da extinção do crédito tributário. — na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou r scindido a decisão condenatória." Veja-se que o prazo é sempre de 5 (cinco) anos, sendo certo que a distinção sobre o inicio da sua contagem está assentada nas diferentes situações que possam exteriorizar o indébito tributário, situações esta elencadas, com caráter exemplificativo e didático, pelos incisos do referido art. 165 do C7N, nos seguintes termos: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo,\seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo 4 * do art. 162, nos seguintes casos: 1— cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indelido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, oif da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ororrido; II — erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao. pagamento; .ur - reforma, anulação, revogação ou rescisao de decisão condenatória." O direito de repetir independe dessa enumeração das diferentes situações que exteriorizam o indébito tributário, uma vez que é irrelevante que o pagamento a maior tenha ocorrido por erro de interpretação da legislação ou por 9 • • CC-MF 7-• _ Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes --- - Processo n2 : 13906.000074/2002-64 Recurso n2 : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 erro na elaboração do documento, posto que qualquer valor pago além do efetivamente devido será sempre indevido, na linha do princípio c?nsagrado em direito que determina que "todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir", conforme previsão expressa contida no art. 964 do Código Longe de tipificar numerus clausus, resta a função meramente didática para as hipóteses ali enumeradas, sendo certo que os incisos I e lido mencionado artigo 165 do C7N voltam-se mais para as constatações de erros Onsumados em situação fática não litigiosa, tanto que aferidos unilateralmente pela iniciativa do sujeito passivo, enquanto que o inciso III trata de indébito que vm à tona por deliberação de autoridade incumbida de dirimir situação jurídica conflituosa, daí referir-se a "reforma, anulação, revogação ou rescisã de decisão condenatória". Na primeira hipótese (incisos I e II) estão contemplados s pagamentos havidos por erro, quer seja ele de fato ou de direito, em que o juizo do indébito opera-se unilateralmente no estreito círculo do próprio sujeito passivo, sem a participação de qualquer terceiro, seja a administração tributária ou o Poder Judiciário, daí a pertinência da regra que fixa o prazo para desconstituir a indevida incidência já a partir da data do efetivo pagamento, ou da "data da extinção do crédito tributário ", para usar a linguagem do art. 168, I, do próprio C7N. Assim, quando o indébito é exteriorizado em situação fátictf não litigiosa, parece adequado que o prazo para exercício do direito à restituição ou compensação possa fluir imediatamente, pela inexistência de qualquer óbice ou condição obstativa da postulação pelo sujeito passivo. O mesmo não se pode dizer quando o indébito é exteriorizado no contexto da solução jurídica conflituosa, uma vez que o direito dei repetir o valor indevidamente pago só nasce para o sujeito passivo com a de isã o definitiva daquele conflito, sendo certo que ninguém poderá estar perdendo direito que não possa exercitá-lo. Aqui, está coerente a regra que fixa o prazo de áecadência par pleitear a restituição ou compensação só a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a dpcisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória (art. 168, II, do C77V)." Pela estreita similitude, o mesmo tratamento deve ser dispensado aos casos de soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, como acontece na hipótes de julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade declarando inconstitucional norma jurídica, com efeito ex tunc. Esse parece ser, a meu juízo, o único critério lógico que permite harmonizar as diferentes regras de contagem de prazo previstas no Estatuto Complementar (C77V). Nessa mesma linha também já se pronunciou a Suprema 1 10 • -0'; n;ns, 9- _ Ministério da Fazenda 2 CC-MF -,‘",n;.::.t-,.,:n4“t Segundo Conselho de Contribuintes - Processo n2 : 13906.00007412002-64 Recurso na : 122.609 Acórdão na : 202-14.956 Corte, no julgamento do RE .° 141.331-0 em que foi relator o Ministro Francisco Resek, em julgado assim ementado: "Declarada a inconstitucionalidade das normas instituidoras do depósito compulsório incidente na aquisição de aut móveis (RE 121.136), surge para o contribuinte o direito à repetição do indébito, independentemente do exercício financeiro em que se deu ç pagamento indevido." (Apud OSWALDO OTHON DE PONTES SARAIrA FILHO — In "Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tribui ' rio" —pág. 290 — Editora Dialética — 1.999)" Nessa linha de raciocínio, pode-se dizer que, no presente caso, o in ébito restou exteriorizado por situação jurídica conflituosa, hipótese em que o pedido de restituição tem assento no inciso III do art. 165 do CTN, contando-se o prazo de prescrição a partii da data em que foi publicado o resultado do julgamento da ADIN n° 1417-0/DF declarando a inconstitucionalidade da norma até então vigente, reconhecendo a impertinência \ da exação tributária anteriormente exigida O resultado do julgamento dessa ADIN foi publicado no Diário da Justiça (edição extra) que circulou em 16/08/1999. Desta feita, o termo inicial do prazo extintivo do direito de repetir o indébito objeto do presente processo começou a fluir nessa data (16/08/1999) e completar-se-á em 16/08/2004. Assim, com fundamento nos argumentos acima expostos, concluo pão haver ocorrido a perda do direito de a recorrente pleitear a repetição do indébito, cujo pedido foi protocolizado em 01 de abril de 2002, antes de transcorrido o prazo quinqüenal contado da data da publicação do julgamento da ADIN n° 1417-0/DF, que declarou a inconstitucionalidade do art. 18 da Lei n° 9.715/98, que autorizava a aplicação da MP n° 1.212/95 (posteriormente convertida na referida lei) a partir de outubro/95, passando, portanto, a referida medida provisória, a viger a partir de 29/02/1996. Desta sorte, o prazo para pedido de restituição de indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nas normas legais declaradas inconstitucionais é, pois, a data da publicação do resultado do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade que assim as declarou, retirando-as do ordenamento jurídico do País, com efeito ex tunc, já. que ante 'ormente não havia respaldo em mandamento jurisdicional que amparasse pleito de restituição. Com efeito, para o período de 01/11/95 a 29/02/96, o prazo decadencial começou a fluir em 16/08/1999 — data da publicação do resultado do julgamento da ÀDIN n° 1417-0/DF, e como o pleito de restituição foi formulado em 30/04/2002, constata-se no haver decaído o direito de a contribuinte requerer a repetição do indébito correspondente a este período. No que diz respeito aos períodos compreendidos entre 01/03/1 í 996 a 31/03/1997, a contagem do prazo decadencial difere da primeira situação por não se tratar de situação jurídica conflituosa, recaindo, assim, na hipótese prevista no art. 168, inciso I, d que assim dispõe: "Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decu so do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 11f .. ' • - , • .'P.4.,;te 22 CC-MF ".4. :::: -17,-, Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. ... - Processo n2 : 13906.000074/2002-64 Recurso n2 : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 -- . I- nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinçãp do crédito tributário." O caso concreto enquadra-se, exatamente, na hipótese prevista no inciso I do art. 165 do CTN, que trata do "pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstancias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido". 1 Sendo o PIS contribuição cujo lançamento dar-se por homologação é de se aplicar, por expressa determinação legal, o disposto no art. 150 do CTN, no que liz respeito à extinção do crédito. "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quant aos tributoscf cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste arigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento." i Da interpretação integrada dos três artigos acima citados do CTN depreende-se que a data para pleitear restituição de tributo pago a maior, no caso de lançamento por homologação, extingue-se com o decurso de prazo de cinco anos contados da datada extinção do crédito tributário, que é a data do pagamento antecipado (art. 150, § 1°, do CTN). Assim sendo, no caso em análise, quando o pedido de repetição do indébito foi formulado (30/04/2002) o direito de a contribuinte formular tal pleito já encontrava-se decaído por haver transcorrido mais de cinco anos da data do pagamento. 1 Ademais, como se verá na análise do mérito, não havia cré ito passível de restituição, no período analisado. Findas as preliminares, passemos ao mérito. , Quando do julgamento da ADIN 1407-0/DF apenas o art. 18 é que foi declarado inconstitucional, no que tange à aplicação retroativa a outubro/95 da IviP n° 1.212/95. Primeiramente vale pequena explanação acerca da diferença entre as sentenças declaratórias e as constitutivas, apenas no que diz respeito ao interesse da matéria ora tratada — declaração de inconstitucionalidade. 1 A pura declaração, cuja finalidade é restabelecer o direito objetivo, acabando com a incerteza, quando o faz, declará nulos desde o início os atos praticado, de forma a não poderem produzir efeitos jurídicos; já a sentença constitutiva, admitindo o vício, anula-o, isto é, o ato pode ser nulo, mas esta nulidade deve ser reconhecida pelo juiz e, após t iál decisão, opera- se uma modificação do estado anterior, produzindo, portanto, efeitos ex nunc, segundo i( 12 4-4h, 2 Ministério da Fazenda 2 CC-MF Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n9- : 13906.000074/2002-64 Recurso irg : 122.609 Acórdão n : 202-14.956 entendimento esposado por Giuseppe Chiovenda in Instituciones de Derecho Procesal Civil, r edição, Editora Madri. A sentença proferida, no caso de declaração de inconstitucionalidade, é declaratória cuja pretensão é obter a certeza jurídica, saber se o direito existe, excluindo, desta forma, toda dúvida sobre a sua existência, não tem virtude de criar o direito, mas, apen , declarar o direito existente, e, por isso mesmo, produz efeitos ex tune. A declaração de inconstitucionalidade não revoga a lei, mas a toma nula, co4io se esta nunca tivesse existido. Segundo Alfredo Buzaid in Da Ação Direta de Declaração de Inconstitucionafidade no Direito Brasileiro, Editora Saraiva, 1958, a norma inconstituciona é absolutamente nula, e não simplesmente anulável, considerando que a inconstitucionalidade a fere ab initio, e que ela não chegou a viver, nasceu morta, não tendo, portanto, nenhum momento de validade e, conseqüentemente nenhuma eficácia desde o seu berço. Carlos Espósito vai mais além quando afirma que atribuir às leis inconstitucionais uma eficácia temporária até o seu julgamento seria privar a Constituição de uma parte de sua eficácia em beneficio das leis ordinárias e que, no conflito entre as duas, deve sempre preponderar aquela. Aceitar que a lei inconstitucional possa ter validade, ainda temporária, seria o mesmo que aceitar que, durante este período, esteve suspensa a eficácid da Constituição. . Nascendo morta a lei ou, no caso presente, parte de dispositivo nela contido, a lei anterior que regulava a matéria nunca foi revogada, já que a revogadora jamais teve efic cia em face da sua inconstitucionalidade. Assim sendo não há como se dizer que houve repristinação da Lei Complementar n° 07/1970, no período de outubro/95 a fevereiro/96, uma vez que o art. 18 da MP n° 1.212/95 foi declarado inconstitucional em ação direta de inconstitucionalidade pelo TF, tendo esta declaração efeitos ex tunc. O principio da anterioridade nonagesirnal, previsto no art. 195, § 6°, da C /88, argüido pela recorrente, não se aplica, em absoluto às medidas provisórias que sucederam a de n° 1.212/95.As alterações da contribuição para o PIS foram introduzidas no ordenamento jurídico do país por meio da MP n° 1.212/95. Sendo assim, o prazo nonagesimal deveria ser aph:ado apenas à MP n° 1.212/95, como de fato o foi. No que diz respeito ao argumento de que tendo sido criada por lei complementar a contribuição para o PIS apenas poderia ser alterada por este instrumento legal, adoto, nesta matéria o entendimento do ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres consubstanciado no RV n° 117.415, que a seguir transcrevo: "Primeiramente, é preciso ter presente, no confronto entre leis complementares e leis ordinárias, qual a matéria a que se está examinando. Lei complementar é aquela que, dispondo sobre matéria, expressa ou ( 13 , e • • • .1*irbe,•>rCC-MF - Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 13906.000074/2002-64 Recurso n2 : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 implicitamente, prevista na redação constitucional, está submetida ao quorum qualificado pela maioria absoluta nas duas Casas do Congresso Nacional. Não raros são argumentos de que as leis complementares desfrutam de supremacia hierárquica relativamente às leis ordinárias, quer pela posição que ocupam na lista do artigo 59, CF/88, situando-se logo após as Emendas à Constituição, quer pelo regime de aprovação mais severo a que se r ifporta o artigo 69 da Carta Magna. Nada mais falso, pois não existe hierarquia alguma entre lei complementar e lei ordinária, o que há são âmbitos Materiais diversos atribuídos pela Constituição a cada qual destas espécies normativas, como ensina Michel Temer': Hierarquia, para o Direito, é a circunstância de uma norma encontrar sua nascente, sua fonte geradora, seu ser, seu engate lógico, seu fundamento de validade numa norma superior. (...) Não há hierarquia alguma entre o lei complementar e a lei ordinária. O que há são âmbitos materiais diversos atribuídos pela Constituição a cada qual destas espécies normativas." Em resumo, não é o fato de a lei complementar estar sujeita a um rito legislativo mais rígido que lhe dará a precedência sobre uma lei ordinária, mas sim a matéria nela contida, constitucionalmente reservada àquele ente legislativo. Dessa forma, por não estarem expressamente enum+dos no artigo 146 da Constituição Federal de 1988, as alterações acerca da contribuição para o PIS podem ser efetuadas por lei ordinária. Ademais, o Código Tributário Nacional foi recepcionado pela Carta Política de 1988, a teor do § 5° do artigo 34 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, com a hierarquia atribuída pela Constituição vigente à matérias tratadas na legislação recepcionada. Isto significa que tem efic4ia de lei complementar na matéria que a Carta Cidadã exige lei de coro qualificado, e de lei ordinária nas matérias em que a Constituição não restrin 1 ge à lei complementar. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 146, inciso III, exige lei complementar para estabelecer normas gerais em matéria tributária, portanto, nesse ponto, o CTN foi recepcionado com força de lei complementar. Todavia, nas matérias que versem sobre matérias específicas (não normas gerais), o Código é apenas mais uma lei ordinária. Assim, quando alude et' base de cálculo, alíquota e prazo de recolhimento da contribuição, por exemplo, não está tratando de norma geral e, por conseguinte, tal dispositivo pode ser alterado por lei ordinária. Esse entendimento é dado pelo STF, como comprova o excerto de pronunciamento do pleno Supremo Tribunal Federal, abaixo transcrito: 'TEMER, Michel. Elementos de Direito Constitucional. 1993, p, 140 e 142. Ir 14 . . , . 22 CC-MF Ministério da Fazenda • Fl. Segundo Conselho de Contribuintes --- -, Processo 112 : 13906.000074/2002-64 Recurso n9- : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 "A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional n° 1/69 - e a constituição atual não alterou esse sistema - se firm+ino sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência, e, se porvenura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado ten4a sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Cada Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivo que tratam dela se têm com dispositivos de lei ordinária. (STF, Pleno, ADC 1-DF, Rel. Min. Moreira 4ves)". Em assim sendo, é de se reconhecer que a competência legislativa sobre base de cálculo, allquota e prazo de recolhimento da contribui, para o PIS é ordinária, isto é, não exige coro qualificado de lei complementar." Quanto à inexistência de fato gerador para o PIS, no período de outubro/95 a novembro/98, adoto o entendimento esposado pelo ilustre Conselheiro e Presidente Henrique Pinheiro Torres, quando do julgamento, proferido no RV n° 122.792. Tfanscrevo, pois, integralmente, na parte coincidente com a matéria aqui tratada, as razões apresentadas naquele voto: "A meu sentir, a tese de defesa não merece ser acolhida pois, como se pode verificar do inteiro teor do voto do relator da ADIN, Ministro Octávio Gallotti, a inconstitucionalidade reconhecida pelo STF restringiu-se, tão-somente, à parte final do artigo 18 da Lei n° 9.715/1998, sendo que os1 demais dispositivos da Lei foram mantidos integralmente. Esse artigo correspondia ao art. 15 da Medida Provisória n° 1.212/1995,publicada em 29 de novembro de 1995, que já trazia a expressão-" aplica do-se aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995". E a única mácula lencontrada na lei, que resultou da conversão dessa medida provisória e de suas reedições, foi justamente essa expressão que feriu o princípio da irretroatividade da lei, haja vista que a Medida Provisória fora editada em 29 de novembro daquele ano e os seus efeitos retroagiam a li ° de outubro do mesmo ano. Assim, decidiu por bem o Guardião da Constitui 0o suspender, já em sede de liminar, a parte final do artigo 17 da Medida Provisória n° 1.325/1996, que correspondia à parte final do artigo 15 da 11)1P n°1.212/1995 e que deu origem ao artigo 18 da Lei 9.715/1998. Com isso, ái artigo 17 da MP n° 1.325/1995 passou a viger com a seguinte redação i' Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Como essa MD representa a reedição da MP n°1.212/1995,. o artigo desta Orrespondente ao art. 17 da MP n°1.305/1996, também passou a viger com a mesma redação acima transcrita. Em outras palavras, com a declaração de inconstitucionalidade da expressão "aplicando-se aos ratos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995" a MP n° 11.212/1995, suas reedições e a Lei n° 9.715/1998 passaram também a viger na data de sua publicação. Por outro lado, a Medida Provisória n° 1.212/1995, reeditada inúmeras vezes, teve a última de suas reedições convertida em lei, o ir 15 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 13906.000074/2002-64 Recurso n2 : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 que tornou definitiva a vigência, com eficácia ex tunc sem solu ão de continuidade, desde a primeira publicação, in casu, desde 29 de noverr izbro de 1995, preservada a identidade originária de seu conteúdo normativo. Em resumo, o conteúdo normativo da Medida Provisória n° 1.212/1995 p igssou a viger desde 29/11/1995, e tornou-se definitivo com a Lei n° 9.71 /1998. Todavia, por versar sobre contribuição social, somente produziu efeitos após o transcurso do prazo de noventa dias, contados de sua publicação, em respeito à anterioridade nonagesimal das contribuições sociais. Daí, que aié 29 de 4 4fevereiro de 1996, vigeu para o PIS, a Lei n° 7/70 e suas alterações. partir de 1° de março de 1996, passou então a vigorar, plenamente, a nor trazida pela MP n° 1.212/1996, suas reedições e, posteriormente a lei de conversão (Lei n°9.715/1998). I Diante disso, é de se reconhecer a total improcedência da' tese de defesa, segundo a qual, no período compreendido entre 1° .çl . outubro de 1995 e 25 de novembro de 1998 inexistiu fato gerador da contribuição para o PIS. Por oportuno, registro aqui o posicionamento d4 Supremo Tribunal Federal, expendido no julgamento do 2RE 168.421-6, rel. Mm. Marco, Aurélio, que versava sobre questão semelhante à aqui discutida. "(...) uma vez convertida a medida provisória em lei, no prazo previsto no parágrafo único do art. 62i da Carta Política da República, conta-se a partir da yeiculação da primeira o período de noventa dias de que cogita o § 6° do art. 195, também da Constituição FederaL A circunstância de a lei de conversão haver sido publicada após os trinta dias não prejudica a contagem, considerado como termo inicial a data em que divulgada a medida provisória." Por fim, cabe reforçar que, com a dec araç'do de inconstitucionalidade da parte final do artigo 18 da Lei n° 9.715/1998, que • suprimia a • anterioridade nona gesimal da contribuição, as i alterações introduzidas na Contribuição para o PIS pela MP n° 1.212/1995;passaram a surtir efeitos a partir de março de 1996; anteriormente a essa data, aplicava- se o disposto na Lei Complementar n° 7/1970, onde a base de cálculo era o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador (semestralidade do PIS) e a alíquota era de 0,75% iNo tocante à semestralidade da contribuição, i questão foi magistralmente enfrentada pelo Conselheiro Natanael Marqns, no voto proferido quando do julgamento do Recurso Voluntário n°11.004, originário da 7" Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Rendend homenagem 2 Informativo do STF n° 104, p. 4. if 16 - • •• : • • • CC-MF _ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes ri. Processo n2 : 13906.000074/2002-64 Recurso n2 : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 ao brilhante pronunciamento do insigne relator, transcrevo excerto desse voto para fundamentar minha decisão: "As autoridades administrativas, como visto no presente caso, promoveram o lançamento com Ose na Lei Complementar n° 07/70, justamente a que a reclamante traz à baila para demonstrar a impropriedade do ato administrativo levado a efeito. É que, na sistemática da Lei Complementar n° 07/70, a contribuição devida em cada mês, a teor do dispOto no parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar n° 07/70, a seguir transcrito, deve ser calculada coin base • no faturamento verificado no sexto mês anterior: 'Art. 6° - A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea '13' do artigo 3° será processada mensalmente a parir de 1° de julho de 1971. Parágrafo único. A contribuição de julho será calculada • com base no faturamento de janeiro; a de agdsto com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente'. (grifou-se). Não se trata, à evidência, como crê o Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC n° 56/95, bem co o a r. Decisão de fls. 110/113, de mera regra de prazo, mas, sim, de regra ínsita na própria materialidade da hipótese da incidência, na medida em que estipula a própria base imponível da contribuição. I Neste sentido é o pensamento de Mitsuo Narahashi, externado em estudo inédito que realizou pouFo após a edição da Lei Complementar n°07/70: 'Decorre, no texto acima transcrito, que a empresa não está recolhendo a contribuição de seis meses atrás. Recolhe a contribuição do próprio mês. base de cálculo é que se reporta ao faturamento de seis meses atrás. O fato gerador (elemento temporal)ocorre no próprio mês em que se vence o prazo de re olhimento. Uma empresa que inicia suas atividade não tem débitos para com o PIS, com base no faturamento, durante os seis primeiros meses de atividade, ainda que já se tenha formado a base de cálculo dessa obrigação. Da mesma forma, uma empresa que 17 ) •11, —,. • • . , • CC-MF _ Munsterto da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 4#"_- Processo n2 : 13906.000074/2002-64 Recurso na : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 encerra suas atividades agora, não recolherá a contribuição calculada sobre o fatu mento dos últimos seis meses, pois, quando se completar o fato gerador, terá deixado de existir'. • Outro não é o entendimento de Carlos Mário Velloso, Ministro do Supremo Tribunal Federa: com a declaração de inconstitucionalidade desses dois decretos-leis, parece-me qdp o correto é considerar o faturamento ocorrido seis meses• anteriores ao cálculo que vai ser\ pago. Exemplo, calcula-se hoje o que se vai pagar em outubro. Então, vamos apanhar o faturamento ocorrido seis messes anteriores a esta data' (Mesa de Debates do VIII Congresso Brasileiro de Direito Tributário, Revista de Direito Tributário n° 64, pg.149, Malriros Editores). Geraldo Ataliba, de inesquecível memória, e J. A. Lima Gonçalves, em parecer inédito sobre a matéria, espancando qualquer dúvida ainda existente, asseveraram: 'O PIS é obrigação tributária cujo nascimento ocorre mensalmente. O fato 'faturar' é instantàeo e renova-se a cada mês, enquanto operante a empresa. A materialidade de sua hipótese de in4lência é o ato de 'faturar', e a perspectiva dimensível desta materialidade — vale dizer, a base de cálculo do tributo — é o volume do faturamento. O período a ser considerado — por expressa disposição legal - para 'medir' o referido faturamentd conforme já assinalado, é mensaL Mas não é — e nem poderia ser— aleatoriamente escolhido pelo intérprete ou aplicador da lei. A própria Lei Complementar n° 7/70 determina que o faturamento a ser considerado, para a quantificação da obrigação tributária em questão, é o dd sexto mês anterior ao da ocorrência do respectivo fato imponíveL Dispõe o transcrito parágrafo único do artigo 6°: 18 ` •ft ,,b. 22 CC-MF _ Ministério da Fazenda Fl Segundo Conselho de Contribuintes Processo n : 13906.000074/2002-64 Recurso n9- : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 'A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente.' Não há como tergiversar diante da clareza da previsão. Este é um caso em que — ex vi de explícita disposição legal — o autolançamento deve tomar em consideração não a base do próprio momento do nascimento da obrigação, mas, sim, a base de um momento divers (e anterior). Ordinariamente, há coincidência entre os aspectos temporal (momento do nascimento da obrigação) e aspecto material. No caso, porém, o artigo 6° da Lei Complementar n° 7/70 é explícito: a aplicação da alíquota legal (essência substancial do lançamento) far- se-á sobre base seis meses anterior, isso configura exceção (só possível porque legalmente estabelecida) à regra geral mencionada. A análise da seqüência de atos normativos editados a partir da Lei Complementar n° 7/70 evidencia que nenhum deles... com exceção dos já declarados inconstitucionais Decretos-Leis n°s 2.445/88 e 2.44p/88 — trata da definição da base de cálculo do PIS e respectivo lançamento (no caso, autolançamento). Deveras, há disposição acerca (I) do prazo de recolhimento do tributo e (II) da correção monetária do débito tributário. Nada foi disposto, todavia, sobre a correção • monetária da base de cálculo do triputo • (faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do respectivo fato imponível). Conseqüentemente, esse é o único cnté rio juridicamente aplicável. Se se tratasse de mera regra de prazo, a Lei • Completar, à evidência, não usaria a expressão `a contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente', mas simplesmente diria: 'o prazo de recolhimento da contribuição sobre o faturamento, devido mensalm nte, será o último dia do sexto mês posterior'. 19 CC-MF • Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo dt : 13906.000074/2002-64 Recurso n2 : 122.609 Acórdão n : 202-14.956 Com razão, pois, a jurisprudência da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, vem assim se expressando: Acórdão n° 101-87.950: PIS/FATURAMENTO — CONTRIBUIÇÕES NÃO RECOLHIDAS - Procede o lançamento ex-o lfficio das contribuições não recolhidas, considerando-s, na base de cálculo, todavia, o faturamento da empres, de seis meses atrás, vez que as alterações introduzidas na Lei Complementar n° 07/70 pelos Dec.-leis n c's 2.245/88 e 2.449/88 foram considerados inconstitucior1ais pelo Tribunal Excelso (RE- 148754-2).' Acórdão n° 101-88.969: PIS/ FATURAMENTO — Na forma do disposto na Lei Complementar n° 07, de 07/09/70, e Lei Complementar n° 17, de 12/12/73, a contribuição para o PIS/Faturamento tem como fato gerador o fat ramento e como base de cálculo o faturamento de seis meses atrás, sendo apurado mediante a aplicação dà aliquota de 0,75%. Alterações introduzidas pelos Dec tos-Leis nt's 2.445/88 e 2.449/88, não acolhidas pelas Suprema Corte'. Resta registrar que o STJ, através das la e 2a, Turmas da 1° Seção de Direito Público, já pacifiCou este entendimento. Merece ainda ser aqui citado o entendimento do Conselheiro Jorge Olmiro Freire sobre matéria idêntica a aqui em análise, externado no voto proferid quando do julgamento do Recurso Voluntário n° 116.000, 1 consubstanciado no Acórdão n° 201-75.390: 'E, neste último sentido, veio tornar-se consentânea a jurisprudência da CSRF 3 e também do ST4. Assim, calcado nas decisões destas Cortes, dob ei-me à 3 O Acórdão CSRF/02-0.871 3 também adotou o mesmo entendimento firmado pelo STJ. Também nos n's 203- 0.293 e 203-0.334, j. em 09/02/2001, em sua maioria, a CSRF esposou o entendimento de que a base dc cálculo do PIS refere-se ao faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador (Acórdãos ainda não formalizados). E o RD n° 203-0.3000 (Processo n° 11080.001223/96-38), votado em Sessóes de junho do concilie ano, teve votação unânime nesse sentido. s7f1 20 s• , • ,0" . CC-MF _ Mmisterto da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo 112 : 13906.000074/2002-64 Recurso n2 : 122.609 Acórdão 119- : 202-14.956 argumentação de que deve prevalecer a estrita', legalidade, no sentido que, resguardar a segurança' jurídica do contribuinte, mesmo que para isso tenha-se como afrontada a melhor técnica tributária, a qual entende despropositada a disjunção de fato gerador e base de cálculo. É a aplicação do princípio da proporcionalidade, prevalecendo o direito que mais resguarde o ordenamento jurídico como um todo.' E agora o Superior Tribunal de Justiça, através de sua Primeira Seção, 4 veio tornar pacífico o entendimento postulado pela recorrente, consoante depreende-se da ementa a seguir transcrita: 'TRIBUTÁRIO — PIS — SEMESTRALIDADE — BASE DE CÁLCULO — CORREÇÃO MONETÁRIA. O PIS semestral, estabelecido na LC 074"O, diferentemente do PIS REPIQUE — art. 32, letra 'a' da mesma lei — tem como fato gerador o faturameinto mensal. Em benefício do contribuinte, estabeleceu o legislador como base de cálculo, entendendo-se como tal a base numérica sobre a qual incide a alíquota do tribut:o, o faturamento, de seis meses anteriores à ocorrência do fato gerador— art. 6 ,parágrafo único da LC 07/70. A incidência da correção monetária, segundo po ição jurisprudencial, só pode ser calculada a partir do' fato gerador. Corrigir-se a base de cálculo do PIS é prática que não se alinha à previsão da lei e à posiçã l da jurisprudência. Recurso Especial improvido.' 1 1 Portanto, até a edição da MP n 2 1.212195, convertida na Lei rf 9.715/98, é de ser dado provimento ao recurso para que os cálculos sejam feitos considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, tend como prazos de recolhimento aquele da lei (Leis rf--s 7.691/88; 8.019/90; 8.218/91; 8.383/91; 8.850/94; e 9.069/95 e 4 Resp n° 144.708, rel. Ministra Eliana Calmon, j. em 29/05/2001, acórdão não formalizado. 21 r 4.` • . 22 CC-MF -••• _ Ministério da Fazenda FI Segundo Conselho de Contribuintes - Processo 112 : 13906.00007412002-64 Recurso n2. : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 MP n2 812/94) do momento da ocorrência do fato gerador." Desta forma, não há como negar que a base de cálculo do PIS deve ser calculada com base no faturamento do sexto mês anterior ao 4a ocorrência do fato gerador dessa contribuição, entre os períodos de outubro de 1995 e fevereiro de 1996, a partir de março de 1996, quando passaram viger as alterações introduzidas pela lkfl' n° 1.212/95, suas reedições, e, posteriormente, a Lei n°9.715/1998, o PIS deve ser exigido nos exatos termos dessa nova legislação. No tocante à atualização dos valores do indébito, deve-s i observar os índices estabelecidos nas normas legais da espécie, porquanto a correção monetária, em matéria fiscal, depende sempre de lei que a preveja. Desse modo, a correção monetária dos indébitos, até 31.12.1995, deverá ater-se aos índices formadores dos coeficientes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSARe 08, de 27.06.97, que correspondem àqueles previstos nas normas legais da espécie, bem como aos admitidos pela Administração, com base nos pressupostos do Parecer AGU n° 01/96, para os períodos anteriores à vigência da Lei n° 8.383/91, quando não havia previsão legal expressa para a correção monetária de indébitos. A partir de 01.01.96, sobre os indébitos passa a incidir, exclusivamente, juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de 1%, relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, por força do art. 39, § 4°, da Lei n.° 9.250/95. Em resumo, é de se admitir o direito da Recorrente a eventuais indébitos do PIS, recolhidos, no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, nos moldes da Medida Provisória n° 1.212/1995 e reedições, considerando como base de cálculo, nesse período, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador e a alíquota de 0,75%. Esses indébitos devem ser corrigidos segundo os índices formadores dos coeficientes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR N° 08, de 27.06.97 até 31.12.1995, sendo que, a partir dessa data, passa a incidir, exclusivamente, juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - smc para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de 1%, relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Os indébitos assim calculados, depois de aferida a certeza e • liquidez dos mesmos pela administração tributária, poderão ser compensados 22 ,) • 22 CC-MF - Ministério da Fazenda tA Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n9 : 13906.000074/2002-64 Recurso irg. : 122.609 Acórdão n2 : 202-14.956 com parcelas de outros tributos e contribuições administrados pela SRF, observados os critérios estabelecidos na Instrução Normativa SRF n° 21, de 10.03.97, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa RF n° 73, de 15.09.97." Diante do exposto, acato, em parte, a prejudicial de decadência, no que diz respeito aos períodos de 01/11/95 a 29/02/96, e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso, para determinar a observância da semestralidade do PIS, entre os períodos de outubro/1995 a fevereiro/1996. É como voto. Sala das Sessões, em 02 de julho de 2003 NAA BSTOS MANATTA • 23

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Numero do processo: 15165.000037/2003-83
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2005
Ementa: Processo administrativo fiscal. Julgamento em duas instâncias. Nulidade. É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Por cerceamento do direito de defesa, são nulas as decisões que não enfrentam toda a matéria objeto da lide. Processo que se declara nulo a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Numero da decisão: 303-32.360
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do processo a partir da decisão recorrida, inclusive, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges

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materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)

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TERCEIRA CÂMARAIre Processo n° : 15165.000037/2003-83 Recurso n° : 129.060 Acórdão n° : 303-32.360 Sessão de : 12 de setembro de 2005 Recorrente : LOVER IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MÁQUINAS LTDA. Recorrida : DRJ-PORTO ALEGRE-RS Processo administrativo fiscal. Julgamento em duas instâncias. Nulidade. É direito do contribuinte submeter o exame da matéria litigiosa às duas instâncias administrativas. Por cerceamento do direito de edefesa, são nulas as decisões que não enfrentam toda a matéria objeto da lide. Processo que se declara nulo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do processo a partir da decisão recorrida, inclusive, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , . s ANELISE • AUDT PRIE O Presidente o 0)17».S€ • TARASIO CAMPELO BORGES Relator Formalizado em: 22 NOV 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa e Nilton Luiz Bartoli. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional Rubens Carlos Vieira. DM Processo n° : 15165.000037/2003-83 Acórdão n° : 303-32.360 RELATÓRIO Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão da DRJ Porto Alegre (RS) que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de decadência e de nulidade por incompetência do autuante e por preterição do direito de defesa e, no mérito, julgou procedente o lançamento ex officio de multa igual ao valor comercial da mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no país ou importada irregular ou fraudulentamente, com fundamento na Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, artigo 83, inciso 1, com a redação dada pelo Decreto-lei 400, de 30 de dezembro de 1968. A denúncia fiscal contida na folha 2 tem o seguinte teor: • O importador consumiu ou entregou a consumo produtos de procedência estrangeira importados irregular ou fraudulentamente. Resultado da análise fiscal efetuada na DI 98/0 108889- 3, registrada pela autuada em 04/02/1998, e na respectiva Declaração de Trânsito Aduaneiro (DTA) 00063, documento que permitiu o transporte do container das mercadorias do Porto de Paranaguá para a Estação Aduaneira Interior (EADI) — Armazéns Gerais Colúmbia S/A, em Curitiba, indica a ocorrência de importação irregular ou fraudulenta. Fazendo-se o cotejo entre a DTA e a respectiva DI, observa-se haver grande divergência entre suas informações, principalmente no que se refere à espécie, ao valor e à quantidade das mercadorias. A fatura comercial n.° 1001 (fl. 11), [sic] que instruiu a DI 98/0108889-3 não corresponde à fatura comercial n.° 1001 (fls. 18 a 25), • [sic] que instruiu a DTA 00063. Na fatura do trânsito aduaneiro consta [sic] 222 itens de mercadorias diversas, em geral eletro-eletrônicos, no valor CIF de US$ 32.777,45, resultando numa diferença de US$ 25.132,13 para mais em relação ao valor CIF de US$ 7.645,32 dos 03 itens declarados na DI 98/0108889-3, cujo despacho foi parametrizado para o canal vermelho. A empresa Armazéns Gerais Colúmbia S/A informou (fl. 15) que não houve desova do respectivo container até o momento de sua saída daquele recinto. Os produtos relacionados na fatura comercial que instruiu a DTA 00063, caso encontrados, estão sujeitos à aplicação da pena de perdimento, tendo em vista a ocorrência de entrada irregular de mercadoria estrangeira em território nacional mediante uso de artificio doloso para o pagamento a menor dos tributos aduaneiros. Em função do tempo transcorrido, da diversidade de itens e da espécie dos produtos (eletro-eletrônicos sem informações de número de série e outros itens de uso pessoal), toma-se pouco eficaz empreender busca e apreensão dessa mercadoria. Neste caso, há 2 Processo n° : 15165.000037/2003-83 Acórdão n° : 303-32.360 dispositivo legal que estabelece multa igual ao valor comercial da mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País [sie) ou importada irregular ou fraudulentamente, sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 83, inciso!, e Decreto-Lei n.° 400, de 1968, art. 1°, alteração 2'). O valor da multa aplicada corresponde ao valor total CIF em reais das mercadorias, conforme declarado na DTA 00063, fixando como a data da ocorrência do ilícito o dia do desembaraço da DI 98/0108889-3, documento por meio do qual se efetuou a entrada irregular dos produtos em zona secundária. Para descrever a lide instaurada, transcrevo a parte final do relatório (folhas 75 e 76) que compõe o acórdão recorrido correspondente à síntese das razões da impugnação tempestivamente oferecida às folhas 49 a 68: • 5.1 O lançamento é inválido, porque foi formalizado por servidor incompetente, visto que o autuante não foi designado por Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), documento obrigatório, no caso. 5.2 O lançamento também é nulo, por preterição do direito de defesa, porque na fl. 1 consta a existência de um termo, denominado MPF, do qual o impugnante conhece apenas o número, não constando do auto de infração, nem tendo sido cientificado a respeito. Além disso, consta que foi apensado ao presente o processo no 15165.00003912003-72, que não é do conhecimento do impugnante e cuja ciência lhe foi negada, impedindo a sua defesa. 5.3 Outra nulidade se deve à discrepância entre a descrição dos fatos e o enquadramento legal efetuado, bem como à falta de clareza no cumprimento dessas formalidades. 5.4 Sustenta o impugnante a impossibilidade de reexame do despacho aduaneiro, cuja Dl tenha sido selecionada para o canal vermelho de conferência aduaneira. 5.5 O prazo para imposição da multa lançada é de cinco anos, a contar da data da suposta infração, que teria ocorrido na data da entrada do veículo transportador no porto, estando decaído o direito de exigir a penalidade. 5.6 No mérito, alega o irnpugnante que o fisco se baseia em um confronto de documentos: de um lado os documentos do estabelecimento, devidamente registrados e confirmados, e, de outro lado, cópias de documentos sem origem e não autenticados, apócrifos. 5.7 A fiscalização não se desincumbiu do ônus de comprovar a operação irregular, no momento do desembaraço aduaneiro. Há, no processo, apenas presunções e indícios. A falta de provas não pode ser suprida pela autoridade julgadora. 3 Processo n° : 15165.000037/2003-83 Acórdão n° : 303-32.360 5.8 O impugnante realizou a operação comercial que lhe cabia, baseada na fatura de fl. 11, não reconhecendo a fatura de fls. 18 a 25 e as mercadorias relacionadas. 5.9 Pede, afinal, o cancelamento do auto de infração. O Acórdão 2.461, de 22 de maio de 2003, da Terceira Turma da DRJ Porto Alegre (RS) 1 , tem a seguinte ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados Data do fato gerador: 04/02/1998 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. • São descabidas as alegações de nulidade por incompetência do autuante e preterição do direito de defesa quando tais circunstâncias não se verificam no processo. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. É válida a revisão aduaneira concluída em 23 de janeiro de 2003, com respeito à declaração de importação registrada em 4 de fevereiro de 1998. Não está atingido pela decadência o lançamento de multa isolada, prevista na legislação do IPI, cuja intimação da exigência respectiva ocorreu em 23 de janeiro de 2003, com respeito à infração ocorrida em 4 de fevereiro de 1998. MULTA. • O importador que entregou a consumo ou consumiu produtos de procedência estrangeira, importados irregular ou fraudulentamente, fica sujeito à multa igual ao valor comercial dessas mercadorias. Lançamento Procedente Conforme documentos de folhas 81 a 85, a ciência do inteiro teor da decisão de primeira instância se deu por via postal no dia 17 de junho de 2003, termo de perempção foi lavrado no dia 6 de agosto e carta cobrança foi expedida em 7 de agosto do mesmo ano. Ciente da cobrança administrativa em 15 de agosto de 2003 2, o arrazoado de folhas 86 a 88 é protocolizado em 5 de setembro de 2003 pedindo seja I Folhas 73 a 79. 2 Aviso de Recebimento (AR) dos Correios acostado à folha 85. 4 Processo n° : 15165.000037/2003-83 Acórdão n° : 303-32.360 anulado o termo de perempção e os atos administrativos a ele subseqüentes sob o argumento de tempestiva interposição do recurso voluntário em 17 de junho de 2003. Fotocópia da peça que alega ter sido formalmente apresentada à DRF Curitiba (PR) — desprovida de autenticação, seja por tabelião de notas, seja pelo servidor público que a recepcionou —, com carimbo de recepção aposto na primeira folha, é acostada às folhas 89 a 98. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas e acrescentados os motivos de insatisfação quanto aos fundamentos do acórdão recorrido. Em 11 de setembro de 2003, o Inspetor da IRF Curitiba (PR) acatou a proposta adiante transcrita para anular o termo de perempção e dar prosseguimento ao recurso voluntário: • O presente processo encontra-se na fase de Cobrança Final no Sistema Profisc, uma vez que tendo o contribuinte recebido o Acórdão do Senhor Delegado da Receita Federal de Julgamento em dezessete de junho do presente ano (fls. 81) não apresentou Recurso Voluntário, no prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do decreto [sic] 70235/72. Desse modo, em 06/08/2003 foi lavrado o Termo de Perempção e enviada a Carta Cobrança para a Empresa supracitada. Porém, após receber a Carta Cobrança, o advogado da Empresa, Sr. Alexey Moser, compareceu a esta Inspetoria, na Seção de Administração Tributária, comunicando que o Recurso Voluntário havia sido entregue no CAC/PORTÃO/DRF/CTA e apresentando a sua cópia com o protocolo assinado (fls. 86 a 106). Em ligação telefônica para o CAC/PORTÃO/DRF/CTA, confirmei com o Sr. Cícero que o Recurso Voluntário foi recebido por ele e encaminhado ao Terceiro Conselho de 110 Contribuintes/Brasília. Sendo assim, proponho a anulação do Termo de Perempção e prosseguimento do Recurso Voluntário, tendo que, para isto, retomar a situação do processo no Sistema Profisc. Intimado à folha 109 para apresentar a relação de bens e direitos a serem arrolados para seguimento do recurso voluntário, a recorrente aduz, em 15 de outubro de 2003, encontrar-se inativa desde 2001 e sem ativo permanente 3 , fatos não controvertidos pela autoridade preparadora em sua manifestação de folha 122. Representação fiscal para fins penais foi autuada sob o número 15165.000039/2003-72, com setenta e duas folhas, e apensada aos autos do presente processo. É o relatório. 3 Folha 113, segundo e último parágrafos. 5 Processo n° : 15165.000037/2003-83 Acórdão n° : 303-32.360 VOTO Conselheiro Tarásio Campelo Borges, Relator Conheço o recurso voluntário interposto em 17 de julho de 2003, conforme fotocópias de folhas 89 a 98, porque tempestivo e com a garantia de instância dispensada por motivo da inexistência de ativo permanente da interessada. É certo que as fotocópias de folhas 89 a 98 estão desprovidas de autenticação, seja por tabelião de notas, seja pelo servidor público que as recepcionou, mas entendo superado esse vício pelo despacho da autoridade preparadora à folha 108, no qual declara nulo o termo de perempção e determina o prosseguimento do • recurso voluntário. A propósito da garantia de instância, vale destacar que a admissibilidade do recurso voluntário tem como um dos pressupostos o arrolamento de "bens e direitos de valor equivalente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão, limitado o arrolamento, sem prejuízo do seguimento do recurso, ao total do ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa fisica"4, facultada ao recorrente a opção por depósito de igual valor. No caso presente, intimada às folhas 109 e 110, a ora recorrente alega encontrar-se inativa desde 2001 e sem ativo permanente s, fatos não contraditados pela autoridade preparadora no despacho de folha 122. Feitos esses esclarecimentos, passo ao exame do recurso. Segundo a denúncia fiscal, as mercadorias vinculadas à DI • 98/0108889-3 — parametrizada para o canal vermelho de conferência aduaneira e instruída com a fatura comercial de folha 11 6 —, foram descarregadas no porto de Paranaguá e removidas para a Eadi Curitiba 7 em regime de trânsito aduaneiro (DTA 63), instruído com a fatura comercial de folhas 18 a 258. A despeito de consignar na descrição dos fatos informação prestada pela administração da Eadi Curitiba de "que não houve desova do respectivo container até o momento de sua saída daquele recinto" 9, o autuante nada diz a respeito da verificação da mercadoria pelo auditor-fiscal que promoveu o desembaraço 4 Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, artigo 33, § 2°, acrescido pela Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. 3 Folha 113, segundo e último parágrafos. Mercadorias: lajotas de mármore crema marfil (270 unidades), espreguiçadeiras em metal (5 peças) e sofá-cama de madeira (4 jogos). 7 Armazéns Gerais Colúmbia S.A. Mercadorias: eletro-eletrônicos sem informações de número de série e outros itens de uso pessoal. 9 Auto de infração, descrição dos fatos, folha 2, quarto parágrafo, in fine. P 6 • Processo n0 : 15165.000037/2003-83 Acórdão n° : 303-32.360 aduaneiro, a impugnante assevera ter havido o "procedimento destinado a identificar e quantificar a mercadoria, bem como determinar sua origem e classificação fiscal"1°, mas o acórdão recorrido não enfrenta esse tema. Igualmente não enfrentadas pelo órgão julgador a quo duas outras questões alegadas na inauguração da lide: a) nulidade do procedimento que promoveu o segundo exame de fatos inerentes a despacho selecionado para o canal vermelho de conferência aduaneira"; b) documentos registrados e confirmados pelo fisco teriam sido rejeitados pelo autuante depois de confrontados com fotocópias sem origem e não autenticadas (apócrifas), sem materialização de nenhuma vinculação entre estas e • aquelesI2. A impugnante afirma ter realizado operação comercial baseada na fatura de folha 11 e não reconhece a fatura de folhas 18 a 25 nem as mercadorias nela relacionadas13. Portanto, com essas considerações e em respeito ao princípio do duplo grau de jurisdição, preliminarmente, voto no sentido de declarar nulo o processo a partir do acórdão recorrido, inclusive, para que o órgão julgador a quo profira nova decisão com o enfrentamento de todas as alegações formadoras do litígio, mormente os três temas expressamente citados nos quatro parágrafos imediatamente precedentes. Sala das Sessões, em 12 de setembro de 2005 • n TannSIO CAMPELO B ORGES - Relator '° Impugnação da exigência, folha 64, alínea"!". II Impugnação da exigência, folhas 62 a 64; e recurso voluntário, folha 97, primeiro parágrafo. 12 Impugnação da exigência, folha 67, parágrafos segundo e seguintes; e recurso voluntário, folha 96, penúltimo parágrafo. " Impugnação da exigência, folha 68, segundo parágrafo. 7 Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1

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Numero do processo: 15374.001334/99-89
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IRPJ – DESPESAS OPERACIONAIS – NECESSIDADE E USUALIDADE – Comprovado nos autos que as despesas glosadas, relativas a estímulo de vendas são normais e usuais ao ramo de atividade improcedente o lançamento afastado pela decisão de primeiro grau. Negado provimento ao recurso de ofício. Publicado no D.O.U. nº 188 de 29/09/05.
Numero da decisão: 103-21970
Decisão: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso ex officio.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Márcio Machado Caldeira

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Negado provimento ao recurso de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA/DF. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso ex officio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. tra 74111, 4< fg-i :teci: : e er' S N UB R ciar MÁRCIO MACHADOMACHADO CALDEIRA RELATOR FORMALIZADO EM: 1 4 SET 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PER'CINIO DA SILVA, MAURICIO PRADO DE ALMEIDA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, FLÁVIO ffiANCO CORRÊA e VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE. Acas31/01I/05 *. MINISTÉRIO DA FAZENDA-• • . 4. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n°. :15734.001334/99-89 Acórdão n° :103-21.970 Recurso n°. : 140.238 Rexorrente : 2a TURMA/DRJ-BRASILIA/DF. RELATÓRIO A r TURMA DA DRJ EM BRASÍLIA/DF, recorre de oficio a este Conselho de Contribuintes, de sua decisão que exonerou a contribuinte DART DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., já qualificada nos autos, de crédito tributário superior a seu limite de alçada, na forma do estabelecido no art. 34, inciso I do Decreto n° 70.235/72 com a redação dada pela Lei n° 9.532/77 (art. 67) e Portaria MF n° 333/97. O processo mereceu o seguinte relato pela recorrente: "No encerramento de ação fiscal levada a efeito contra o sujeito passivo qualificado no preâmbulo foram lavrados Autos de Infração de IRPJ, CSLL e IRF no montante de R$ 6.523.399,12. O lançamento decorreu de glosa de despesas de vanguard• desenvolvimento de novas dealers, início de atividade e brindes tendo em vista que os documentos apresentados não comprovam a legalidade das despesas contabilizadas, conforme preceitua o artigo 242 do decreto n° 1.041/94 (RIR) e seus parágrafos 1° e 2°. Cientificada do lançamento, a Contribuinte apresentou impugnação de fls. 476 a 494, onde expõem as razões de sua defesa, na qual discorre sobre as seguintes alegações. a) A principal forma de vender seus produtos é a venda direta ao consumidor por meio de uma rede de distribuidores credenciados, que possuem na ponta da cadeia vendedores, pessoas físicas, que fazem a venda domiciliar ou de "porta a porta" (designadas como "executivas"); b) As despesas ou gastos glosados pela autoridade autuante se referem às Campanhas Promocionais e de Incentivo às Vendas desenvolvidas pela DART, juntamente com os seus Distribuidores credenciados (doc. 03 e 04). São fruto, justamente, desse esforço comum para motivar a 'força de venda' a sempre vender um maior número de produtos. Tais incentivos são baseaduos em metas de ven4a, • 2 "MINISTÉRIO DA FAZENDA- . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES-,nn ,;;;14 t, e TERCEIRA CÂMARA Processo n°. :15734.001334/99-89 Acórdão n° :103-21.970 previamente estabelecidos e comunicadas aos Distribuidores Credenciados pela DART, por um documento intitulado de 'Comunicação' (um exemplo, no caso do VANGUARD, encontra-se identificado como doc. 05). c) A DART não possui relação jurídica com as chamadas 'executivas', isto é as vendedoras varejistas, que vendem a consumidores finais os produtos por ela fabricados). d) A DART não se serve de representantes comerciais, mas sim, de distribuidores, pessoas jurídicas regularrnente constituídas. A representação se distingue da distribuição precisamente porque representante não compra os produtos do representado, apenas angaria compras, que são realizadas entre o representado e o terceiro cuja proposta de compra ele, representante, angaria. Já o distribuidor necessariamente compra do produtor para revender. Dai que, enquanto a remuneração do representante consiste numa comissão (percentual do preço de venda, ou quantia fixa por venda realizada), a do distribuidor reside na diferença entre o preço de compra e o de revenda. e) Não havendo relação jurídica entre a DART e as revendedoras executivas, mas apenas entre ela e os distribuidores, perde totalmente o sentido a exigência de comprovação de pagamento de prêmios de incentivos de venda às revendedoras executivas. Os pagamentos apenas foram feitos aos Distribuidores Credenciados. o A bonificação do revendedor é o principal elemento propulsor da comercialização de seus produtos. É inexorável que a sua produção só irá auferir rendimentos na medida em que houver uma produtividade por parte das "executivas". Quanto maior o volume de vendas "executivas", maior será a demanda por produtos da impugnante; g) A despesa é necessária quando paga ou incorrida para a realização de qualquer negócio exigido pela atividade do contribuinte e que produza rendimentos. É considerada como normal, quando usual ou costumeira no seu ramo de atividade. No • caso, não só tais despesas são necessárias, mas também normais, usuais e costumeiras, pois delas dependem o sucesso de seu negócio; h) A comprovação das despesas não foi objeto de contestação pelos autuantes; i) Por fim, permanecendo dúvidas, solicita realização de perícia, indicando o perito e formulando quesitos." A decisão recorrida entendeu improcedente o lançamento ante as razões de defesa e provas apresentadas e restou com a seguinte ementa: 3 ;t4 ** -' MINISTÉRIO DA FAZENDA 3 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n°. :15734.001334/99-89 Acórdão n° : 103-21.970 "Ano-calendário: 1995, 1996. • DESPESAS NECESSÁRIAS - As despesas realizadas possuem o caráter de necessidade para a atividade da empresa, sendo normais e usuais. Não foram discutidas pela autoridade lançadora a efetividade das despesas e a identificação dos beneficiários das bonificações. Lançamento Improcedente? As razões de decidir foram assim alinhadas pelo condutor do voto: "A impugnação é tempestiva e atende a todas as formalidades legais, razão pela qual tomo conhecimento da mesma. O art. 242 do RIR/94, cuja base legal é o art. 47 da Lei no. 4.506/64, define assim despesas necessárias: Art. 242. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. "§10. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. §20 . As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa? O argumento base da autoridade lançadora para justificar a glosa das despesas efetuadas foi o de que as mesmas ocorreram em virtude de liberalidade do sujeito passivo, haja vista que eram necessárias apenas aos distribuidores credenciados, responsáveis pela seleção, fiscalização, orientação e estimulo dos revendedores. Reconhece que todas as despesas contabilizadas referem-se a despesas de incentivo à atividade dos revendedores domiciliares, mas enfatiza o fato de que esses revendedores são vinculados aos distribuidores credenciados e não ao sujeito passivo. Permito-me discordar do entendimento da autoridade lançadora, haja vista que qualquer política de bonificação, a revendedores, ainda que não diretamente vinculados à empresa, acarreta-lhes um estímulo adicional para que se empenhem ainda mais em seu trabalho e, por conseqüência, acarreta um aumento das vendas ao consumidor, aumentando as vendas e a produção do sujeito passivo. Além disso, a promoção de eventos de recrutamento de vendedores e distribuidores está intimamente ligada à ampliação da força de trabalho e à divulgação dos produtos e suas utilidades. Não se trata de liberalidade, mas sim de visão empresarial. A meu ver esse tipo de iniciativa é imprescindível para a modalidade de vendas de produtos adotada pelo sujeito passivo, qual seja a de reuniões domiciliares, onde são demonstradas as vantagens e usos dos seus IxochA e s m que pese car aos 4 4s , 1.,44 V. . -e:. MINISTÉRIO DA FAZENDA `„'..*-::. jPRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARAa,;,,z1,,,;:‘ n-•-, - •• Processo n°. :15734.001334/99-89 Acórdão n° :103-21.970 distribuidores o trabalho "direto" com os revendedores domiciliares, ou seja, o trabalho de seleção, fiscalização, orientação e recebimento das encomendas, não se pode questionar que o estimulo dos revendedores acarreta um incremento direto na • produção do sujeito passivo. Sendo, portanto, necessárias à atividade do sujeito passivo, incrementando suas transações e o seu setor produtivo, bem assim normais ao tipo de operação por ele utilizada, considero devida a sua dedução como despesa operacional. Ressalte-se que não restou comprovada nos autos a efetividade das despesas, tendo sido anexados apenas os lançamentos contábeis. Contudo, a autoridade lançadora não questionou em momento algum tal fato, não cabendo a essa DRJ inovar em relação à matéria do lançamento. Registre-se, também, que as despesas com bonificações só são dedutiveis quando os beneficiários dos rendimentos puderem ser individualizados (art. 247 do RIR194). Também não houve anexação de documentos que servissem para essa finalidade, contudo saliento novamente que não cabe à instância julgadora inovar em relação à matéria do lançamento, sua descrição ou enquadramento. A autoridade lançadora não capitulou a infração nesse dispositivo e não tomou qualquer providência no sentido de obter do sujeito passivo ou de seus distribuidores a identifica a5dos beneficiários? ,--- É o Relatório. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n°. :15734.001334/99-89 Acórdão n° :103-21.970 VOTO Conselheiro MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, Relator O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme posto em relatório, trata-se de glosa de despesas operacionais que o fisco entendeu como não necessárias às atividades da recorrida, com enquadramento legal no artigo 242 do RIR/94. Tratam-se de despesas denominadas de vanguard , desenvolvimento de novas dealers, inicio de atividade e brindes, justificadas pelo sujeito passivo como despesas com campanhas promocionais e incentivo de vendas, consistindo num esforço destinado a motivar as vendas, baseados em metas previamente estabelecidas a seus distribuidores. O fisco entendeu da necessidade das despesas realizadas, mas que eram inerentes aos distribuidores e não à recorrida, visto que os revendedores são • vinculados ao distribuidor, que efetua seleção, recrutamento e seleção. A decisão recorrida não partilhou desse posicionamento e bem decidiu ao afastar a exigência, considerando que os gastos realizados são inerentes à recorrida, como incentivo às suas vendas, ainda mais considerando que os distribuidores são apenas comissionados e não revendedores dos produtos, que são efetuados pelos revendedores. Assim, não havendo questionamento, neste particular, com o decidido em primeiro grau, deve ser mantida a decisão recorrida. (/ted"." 6 Is • , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n°. :15734.001334/99-89 Acórdão n° : 103-21.970 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio. Sala das Sessões - DF, em 19 de maio de 2005 , - M CIO MACHADO CALDEIRA 7 Page 1 _0058300.PDF Page 1 _0058500.PDF Page 1 _0058700.PDF Page 1 _0058900.PDF Page 1 _0059100.PDF Page 1 _0059300.PDF Page 1

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