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Numero do processo: 13002.001065/2008-60
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1999 a 28/02/2000
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado posteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, deve-se manter o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento indevido.
Numero da decisão: 9303-006.763
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Recorrente CENTRO CLÍNICO CANOAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1999 a 28/02/2000 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado posteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, devese manter o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 10 65 /2 00 8- 60 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13002.001065/200860 Acórdão n.º 9303006.763 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 380200.325 da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que negou provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo julgou prescrito o direito do contribuinte à restituição pleiteada, considerando o prazo quinquenal contado a partir da data do pagamento indevido. No caso, o pedido foi apresentado pelo contribuinte em 17/06/2008, amparado em pagamentos efetuados entre 16/09/1999 e 17/03/2000. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, argumentando, em síntese, que: · o acórdão recorrido afirma que o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é a data do pagamento (aplicou o prazo de 5 anos); · há entendimento pacífico do STJ que considera que quando não houver homologação expressa, o direito à compensação ou restituição dos valores pagos indevidamente extinguese após o decurso do prazo de 5 anos, a partir da ocorrência do fato gerador, cujo termo final consubstanciase no prazo para homologação tácita do crédito pelo fisco. E somente após o decurso desse prazo, contase mais 5 anos para preclusão do direito de o sujeito passivo pleitear a restituição/compensação do indébito. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que argumentou terse operado a decadência, uma vez transcorridos mais de 5 anos entre a data do recolhimento e a da apresentação do pedido de restituição/compensação. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13002.001065/200860 Acórdão n.º 9303006.763 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.758, de 16/05/2018, proferido no julgamento do processo 13002.000094/200812, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.758): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67, § 12, inciso II, do RICARF/2015. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria havia sido objeto de decisão do STJ em sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13002.001065/200860 Acórdão n.º 9303006.763 CSRFT3 Fl. 5 4 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito da LC 118 – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis o decidido: “RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13002.001065/200860 Acórdão n.º 9303006.763 CSRFT3 Fl. 6 5 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis a Súmula 91: Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13002.001065/200860 Acórdão n.º 9303006.763 CSRFT3 Fl. 7 6 “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Em vista de todo o exposto, temse que, no caso vertente, o pedido de foi protocolado em 15.1.08 relativo a créditos oriundos de recolhimentos a maior de Cofins efetuados em 9.4.99. Sendo o pedido posterior a 9.6.05, devese manter a aplicação do prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado, conforme art. 3º da LC 118/05. Sendo assim, nego provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o pedido de restituição foi protocolado em 17/06/2008, amparado em créditos oriundos de recolhimentos a maior efetuados entre 16/09/1999 e 17/03/2000. Portanto, sendo o pedido posterior a 09/06/2005, aplicável o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado, conforme art. 3º da LC 118/05. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.900421/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS (NT).
O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não-tributadas (N/T) pelo imposto.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.113
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não-tributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 90 04 21 /2 01 1- 11 Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10315.900421/201111 Acórdão n.º 3301004.113 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos declarados. A autoridade competente, por meio de Despacho Decisório, indeferiu o pedido em razão do produto que a empresa produz e comercializa ser, exclusivamente, água mineral natural (sem gás) classificada como NT (nãotributado) na TIPI, não podendo portanto creditarse do IPI referente a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem empregados na produção de tal produto. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou, em síntese, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§ 3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. A DRJ em Ribeirão Preto/SP, em primeira Decisão, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Ao apreciar Recurso Voluntário, o Colegiado do Carf, em primeira assentada, deliberou por anular a decisão de primeiro grau, nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. O processo retornou à primeira instância. A manifestação de inconformidade foi reapreciada e novamente julgada improcedente, como segue: RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10315.900421/201111 Acórdão n.º 3301004.113 S3C3T1 Fl. 4 3 Novo recurso voluntário foi interposto, contendo, resumidamente, o seguinte: i) o direito ao crédito está fundado na princípio constitucional da não cumulatividade, não podendo ser limitado por normas infraconsitucionais, tais como a Lei n° 9.779/99 e a IN n° 31/99, que a regulamentou; ii) o texto constitucional restringiu os créditos de ICMS, não admitindo o aproveitamento, quando a operação subsequente for beneficiada por isenção ou não incidência, o que não ocorreu com o IPI; e iii) a Lei n° 9.779/99 não prevê qualquer ressalva ao direito à manutenção dos créditos, em razão de saídas de produtos não tributados, e, ao contrário do que aduziu a decisão da DRJ, não instituiu crédito presumido em favor de industriais, porém disciplinou a utilização do saldo credor do IPI, inclusive em casos de produtos isentos ou alíquota zero. É o relatório, na essência do que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.105, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10315.900419/201134, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.105): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A contenda resumese à pretenso direito aos créditos previstos na Lei nº 9779, de 1999, art. 11, pelas entradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (MP, PI e ME), utilizados na produção de mercadorias nãotributadas (NT) pelo IPI. 1. Do Crédito de IPI Produto NT Assim dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.788, de 30 de dezembro de 1998: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10315.900421/201111 Acórdão n.º 3301004.113 S3C3T1 Fl. 5 4 Em atenção à prerrogativa disposta no final do art. 11, suso transcrito, a RFB, então SRF, publicou a IN SRF nº 33, de 1999, disciplinando a apuração e a utilização de créditos do IPI, na espécie. Posteriormente o Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) consolidou e ratificou o entendimento constante da IN/SRF nº 33/99, no sentido de que, a partir de 01/01/1999, os estabelecimentos industriais passaram a ter direito ao crédito do IPI relativo às MP, PI e ME empregados na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, excetuandose somente os produtos nãotributados. E mais, o mesmo RIPI de 2002, art. 164, inciso I, replicado no Decreto nº 7212/2010 (RIPI/2010), art. 226, inciso I, estabeleceu duas condições para o creditamento do IPI, relativamente a MP, PI e ME: (i) deter a natureza de estabelecimento industrial ou equiparado e (ii) o produto resultante da industrialização deve ser tributado: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse: I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Do trabalho fiscal realizado, consubstanciado em informações colhidas relativas aos anos de 2006 a 2009, restou concluso que a atividade da empresa é a produção exclusivamente de água mineral, sem gás, classificada na TIPI como "NT". Isso é incontroverso. A própria recorrente declarou que os produtos de sua fabricação limitamse a quatro itens, todos referentes a água mineral natural, sem gás: (i) Garrafão de 20 L. (ii) Garrafão de 10 L, (iii) Garrafas de 500 ML e (iv) Garrafas de 1.500 ML. Ademais, à exceção dos Garrafões (10L e 20L) que são incorporados ao Ativo Permanente da empresa, os demais produtos adquiridos com incidência de IPI são utilizados como insumos na fabricação de água mineral natural. Portanto, resta concluso que a recorrente não atende às condições necessárias para o creditamento, posto que os "insumos" são integralmente destinados a fabricação de produtos "NT". Assim, se a recorrente sequer realiza operação com tributação do IPI não poderá apurar creditamento do imposto, por óbvio. Não por outra razão, dispõe o Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), art. 251, § 1º, repetindo o texto constante do Decreto nº 4.544/2002, art. 190, § 1º: Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: [...]. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10315.900421/201111 Acórdão n.º 3301004.113 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1o Não deverão ser escriturados créditos relativos a matéria prima, produto intermediário e material de embalagem que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados compreendidos aqueles com notação “NT” na TIPI, os imunes, e os que resultem de operação excluída do conceito de industrialização ou saídos com suspensão, cujo estorno seja determinado por disposição legal. [...] Por derradeiro, pondo uma pá de cal na celeuma, o Carf publicou a Súmula CARF n° 20, nos seguintes termos: "Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." 2. Constitucionalidade de Lei Sustenta a recorrente, em exaustivas divagações, que o indeferimento de seu direito aos créditos de IPI, além de fundamentarse em Decreto que entende inconstitucional, afronta aos princípios constitucionais da não cumulatividade, seletividade e isonomia. Já pacificado em nossa jurisprudência, as alegações e os pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da legalidade, da razoabilidade e do não confisco, não podem ser analisadas no julgamento do processo administrativo fiscal. Nessa sede não se julgam argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação. Tratase, na verdade, de entendimento há tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, já sumulada nesse conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais o Regimento Interno do Carf, art. 62, veda ao conselheiro afastar a aplicação de Lei ou Decreto, conforme tenta impingir o recorrente. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mais, o Acórdão recorrido deve ser integralmente preservado, sejam pelos fundamentos suso expostos ou por seus próprios fundamentos, nos termos da Portaria MF nº 343, de 2015 (Ricarf), art. 27, § 3º, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. 3. Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10315.900421/201111 Acórdão n.º 3301004.113 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000130/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E ELEMENTOS DO FATO GERADOR. CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa.
Ademais,se o sujeito passivo e os responsáveis solidários revelam conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas,rebatendo-as,umaauma,deformameticulosa,mediantedefesa,abrangendonãosó questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº9.430/96,ART.42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem (a causa) dos recursos utilizados nessas operações.
Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) basta o fisco comprovar a ocorrência do fato indiciário, mediante a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem (a causa) dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária.
A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando).
A presunção legal de omissão de receitas tem caráter relativo e inverte o ônus da prova.
O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo, que poderá afastá-la mediante produção de prova hábil, idônea e cabal.
BIS IN IDEM. BASE DE CÁLCULO. AJUSTE.
Não restando comprovado pela fiscalização de que os valores de receita bruta informados na declaração do Simples Federal não passaram pelas contas bancárias da autuada no período considerado, é cabível a subtração -, do montante da receita bruta de origem não comprovada -, do valor da receita informada na declaração do Simples Federal.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INFRAÇÃO REFLEXA.
A insuficiência de recolhimento enseja lançamento de ofício
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALDADE DE DISPOSITIVO DE LEI VIGENTE. LEI Nº 9.430/96. ART. 42.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02).
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. DOLO, SONEGAÇÃO FISCAL, FRAUDE.
Comprovado o dolo, sonegação fiscal, fraude, cabível a qualificação da multa de ofício.
LANÇAMENTOS REFLEXOS
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO.
Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
Numero da decisão: 1301-002.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito: (i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo infração omissão de receitas para R$ 244.516,00; (ii) negar provimento ao recurso do coobrigado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Jose Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E ELEMENTOS DO FATO GERADOR. CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais,se o sujeito passivo e os responsáveis solidários revelam conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas,rebatendo-as,umaauma,deformameticulosa,mediantedefesa,abrangendonãosó questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº9.430/96,ART.42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem (a causa) dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) basta o fisco comprovar a ocorrência do fato indiciário, mediante a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem (a causa) dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando). A presunção legal de omissão de receitas tem caráter relativo e inverte o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo, que poderá afastá-la mediante produção de prova hábil, idônea e cabal. BIS IN IDEM. BASE DE CÁLCULO. AJUSTE. Não restando comprovado pela fiscalização de que os valores de receita bruta informados na declaração do Simples Federal não passaram pelas contas bancárias da autuada no período considerado, é cabível a subtração -, do montante da receita bruta de origem não comprovada -, do valor da receita informada na declaração do Simples Federal. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INFRAÇÃO REFLEXA. A insuficiência de recolhimento enseja lançamento de ofício ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALDADE DE DISPOSITIVO DE LEI VIGENTE. LEI Nº 9.430/96. ART. 42. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. DOLO, SONEGAÇÃO FISCAL, FRAUDE. Comprovado o dolo, sonegação fiscal, fraude, cabível a qualificação da multa de ofício. LANÇAMENTOS REFLEXOS Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito: (i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo infração omissão de receitas para R$ 244.516,00; (ii) negar provimento ao recurso do coobrigado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil- Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Jose Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 561 1 560 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000130/200999 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.979 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente TRANSPORTADORA SULERA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E ELEMENTOS DO FATO GERADOR. CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais,se o sujeito passivo e os responsáveis solidários revelam conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas,rebatendo as,umaauma,deformameticulosa,mediantedefesa,abrangendonãosó questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº9.430/96,ART.42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem (a causa) dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) basta o fisco comprovar a ocorrência do fato indiciário, mediante a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 01 30 /2 00 9- 99 Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 562 2 financeira não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem (a causa) dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) presumese a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando). A presunção legal de omissão de receitas tem caráter relativo e inverte o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo, que poderá afastála mediante produção de prova hábil, idônea e cabal. BIS IN IDEM. BASE DE CÁLCULO. AJUSTE. Não restando comprovado pela fiscalização de que os valores de receita bruta informados na declaração do Simples Federal não passaram pelas contas bancárias da autuada no período considerado, é cabível a subtração , do montante da receita bruta de origem não comprovada , do valor da receita informada na declaração do Simples Federal. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INFRAÇÃO REFLEXA. A insuficiência de recolhimento enseja lançamento de ofício ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALDADE DE DISPOSITIVO DE LEI VIGENTE. LEI Nº 9.430/96. ART. 42. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. DOLO, SONEGAÇÃO FISCAL, FRAUDE. Comprovado o dolo, sonegação fiscal, fraude, cabível a qualificação da multa de ofício. LANÇAMENTOS REFLEXOS Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito: (i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 563 3 base de cálculo infração omissão de receitas para R$ 244.516,00; (ii) negar provimento ao recurso do coobrigado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Jose Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado). Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 564 4 Relatório Cuidase do Recurso Voluntário do sujeito passivo TRANSPORTADORA SULERA LTDA ME e do Recurso Voluntário do responsável solidário SR. JOSE ROBERTO DE SOUZA (efls. 482/553) em face da decisão da DRJ/Ribeirão Preto (1ª Turma) que julgou a impugnação improcedente, mantendo os Autos de Infração do Simples Federal do ano calendário 2005 e a sujeição passiva solidária (efls. 456/466). Quantos aos fatos, consta dos autos: que a Receita Federal, especificamente a DRF/São José do Rio Preto, por intermédio da Fiscalização, em 03/04/2009 lavrou Autos de Infração no âmbito da legislação do Simples Federal (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição para Seguridade Social INSS), fatos geradores do anocalendário 2005 (efls. 265/311), imputando as seguintes infrações: (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS E DEMAIS CRÉDITOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado conforme TERMO DE CONSTATAÇÃO E DESCRIÇÃO DOS FATOS DE FLS. 254 a 262 e Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 252 e 253. (...) ENQUADRAMENTQ LEGAL: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "a", 5°, 7°, § 1°, 18, da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96.; Art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. (...) 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme TERMO DE CONSTATAÇÃO E DESCRIÇÃO DOS FATOS DE FLS. 254 a 262 e Termo de Sujeiçäo Passiva Solidária de fls. 252 e 253. (...) ENQUADRAMENTQ LEGAL: Art. 5° da Lei 9.317/96 c/c art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186 e 188, do RIR/99. (...) Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 565 5 Valor Tributável das infrações imputadas: Receita Bruta Mensal Declarada Diferença Apurada Omissão de Receitas Receita Bruta Acumulada 05/2005 47.666,66 47.666,66 06/2005 9.950,09 57.616,98 07/2005 62.383,02 119.999,77 07/2005 12.273,13 132.273,13 08/2005 8.500,00 15.597,99 156.371,12 09/2005 8.950,00 124.768,88 290.090,00 10/2005 9.120,00 39,00 299.249,00 11/2005 9.370,00 13.077,00 321.696,00 12/2005 10.300,00 5.000,00 336.996,00 Totais 46.240,00 290.756,00 336.996,00 Obs: Acerca da diferença de receita bruta apurada omissão de receitas o fisco qualificou a multa de ofício (150%). Já quanto à receita declarada, a infração reflexa insuficiência de pagamento, a multa imputada foi de 75%. Quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, qualificação da multa de ofício e sujeição passiva solidária, consta do Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, de 02/04/2009, parte integrante dos Autos de Infração (efls. 257/264), in verbis: (...) TERMO DE CONSTATAÇÃO E DESCRIÇÃO DOS FATOS A ação fiscal foi iniciada tendo em vista que o principal sócio da empresa Transportadora Sulera Ltda, Sr. José Roberto de Souza, é um dos sócios de fato do Grupo Econômico que comanda o Frigorífico Ouroeste e suas empresas paralelas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda e SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, todas investigadas pela Polícia Federal, Receita Federal do Brasil, Ministério Público e Justiça Federal, dentro da Operação denominada Grandes Lagos. Segundo a “Nota à Imprensa" divulgada pela Delegacia de Polícia Federal em Jales (SP) em outubro de 2006, compunham a estrutura da organização criminosa 159 empresas, incluindo suas filiais e 173 pessoas que já haviam sido identificadas, das quais foram decretadas as prisões de 109 investigados. As funções de cada um no grupo variavam: havia os "cabeças", os "laranjas", os "gerentes", os servidores públicos, os "facilitadores" e os "taxistas". Foram necessários cerca de 700 policiais federais, entre agentes, escrivães e delegados, para cumprir 109 mandados de prisão e 143 mandados de busca e apreensão. As buscas foram realizadas nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Minas Gerais e Goiás, em dezenas de cidades diferentes. Os valores das movimentações Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 566 6 financeiras das empresas sem pagamento de tributos ultrapassam 5 bilhões de reais. Diante disso, a Justiça Federal demandou à Receita Federal a execução de muitas Fiscalizações, porque muitas eram as pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Posteriormente, a Justiça Federal, a pedido da Receita Federal, decidiu pela quebra do sigilo bancário de todas as pessoas físicas e jurídicas (matriz e filiais) envolvidas na operação, determinando às instituições financeiras que fornecessem, diretamente à Delegacia da Receita Federal, as informações e documentos requisitados por meio de Requisição de Movimentação Financeira RMF. Foi nesse contexto então que foi determinada e aberta fiscalização nas empresas acima citadas e várias empresas e pessoas físicas relacionadas com àquelas. Os trabalhos foram iniciados em 21.05.2008, através de intimação por via postal com Aviso de Recebimento "AR", tendo em vista que em diligência ao local declarado para RFB, constatamos que é o mesmo da residência do sócio Odécio Carlos Bazeia de Souza e que segundo informação da empregada doméstica, somente é encontrado à noite. Na citada intimação foram requeridos todos os livros e documentos contábeis e fiscais da empresa do período de 2005 a 2007, fls 02 e 04. Em resposta datada de 09.06.2008, o sócio Odécio Carlos Bazeia de Souza, alega que embora figure como sócio administrador nunca praticou qualquer ato de gestão e jamais teve qualquer participação em eventuais operações efetuadas em nome da sociedade. Argumenta, ainda, que nunca recebeu qualquer benefício da empresa, tais como próIabore ou participação em resultados dos negócios efetuados e que para ele a empresa estaria “sem movimento", fls. 05 e 06. Anexa, também, uma declaração do Sr. José Roberto de Souza, com os seguintes dizeres: “Declara que não obstante o contrato social da empresa Transportadora Sulera Ltda ME, dar poderes para ambos os sócios representarem a sociedade que, verdadeiramente, Odécio Carlos Bazeia de Souza, não teve qualquer participação deliberativa ou executiva nas operações realizadas pela citada empresa, as quais ficaram sob a minha exclusiva responsabilidade", fls. O7. (...) Analisando os documentos entregues, verificase que a empresa não apresenta os extratos bancários do período, apesar de constar no sistema interno da RFB informação de movimentação financeira relevante. Nos livros Caixas apresentados, também, não há qualquer menção da citada movimentação bancária. Como o contribuinte não apresentou os extratos, foi solicitada a instituição financeira onde a empresa Transportora Sulera Ltda possuía conta, Banco Nossa Caixa S/A, as informações necessárias, conforme RMF Requisição Sobre Movimentação Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 567 7 Financeira de fls. 121 e 122. A instituição financeira encaminhou os documentos de fls. 123 a 210. Da analise dos documentos apresentados, especialmente os extratos bancários, elaboramos em 06.10.2008, uma intimação específica para que a empresa Transportadora Sulera Ltda justificasse com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos ingressados em suas contas correntes, relativo aos anos calendários de 2005 a 2007, nos seguintes valores: a) Ano calendário de 2005 = R$ 290.756,00; b) Ano calendário de 2006 = R$ 4.152.462,99; c) Ano calendário de 2007 = R$ 237.211,67. (...) Como até a presente data, mesmo após decorrido mais de 170 dias da intimação inicial, não houve atendimento por parte da empresa Transportadora Sulera Ltda, não resta outra alternativa que não tributar os valores ingressados em suas contas correntes como omissão de rendimentos nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, PARCIALMENTE SOMENTE EM RELAÇÃO AO ANO CALENDARIO DE 2005,(...). (...) Como a empresa, era optante pelo simples como microempresa, conforme Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES, fls. 230 a 247, está será a forma de tributação adotada. (...) Do agravamento da multa de ofício; Tendo em vista o fato de o contribuinte ter declarado à Receita Federal valores irrisórios em comparação com a movimentação financeira encontrada, (...) e a constatação que o proveito foi revertido ao grupo que comanda o Frigorífico Ouoreste Ltda, conforme demonstrativo de fls. 251, entre eles o sócio da empresa fiscalizada (Transportadora Sulera Ltda), Sr. José Roberto de Souza, restou flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no citado art. 44, II, da Lei n° 9.430 de 1996,(...). (...) Cumpre lembrar que a Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, alterou a redação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96,(...). (...) Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 568 8 Entretanto, a base legal para a qualificação da multa continuam sendo os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 1964, (...). Ressaltese que qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. Da Sujeição passiva solidária; (...) Conforme citado neste termo, a empresa Frigorífico Ouroeste Ltda tem como proprietários Edson García de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Antonio Maitucci, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, Oswaldo Antonio Arantes, José Ribeiro Junqueira Neto e João Francisco Naves Junqueira, tendo como empresas paralelas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda e SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda. Analisando, por amostragem, os extratos bancários da empresa, fls. 251, verificase um fluxo financeiro em direção as empresas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, De Souza e Lima Ltda, Frigorífico Ouroeste Ltda, SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados (todas com participação de direito e de fato do Sr. José Roberto de Souza) e ao próprio citado sócio da empresa fiscalizada. Concluise, portanto, que o Sr. José Roberto de Souza tem interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, obtendo vantagens financeiras, sendo, portanto, solidariamente obrigados ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos 121 e 124, inciso I, do CTN. (...) Destarte, efetuamos o termo de sujeição passiva solidária de fls. 252 e 253, o qual será encaminhado ao Sr. José Roberto de Souza, juntamente com a cópia do auto de infração e deste termo, para ciência. (...) Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 569 9 Do Auto de Infração . Face a todo o exposto no presente termo, lavramos o competente Auto de Infração (do qual este Termo de Constatação e Descrição dos Fatos é parte integrante), em 02 (DUAS) de igual forma e teor, sendo uma delas remetida ao representante legal da fiscalizada e outra remetida ao sujeito passivo solidário (JOSE ROBERTO DE SOUZA), todas por via postal, com aviso de recebimento (AR), de acordo com o disposto no artigo 23, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. (...) Crédito tributário lançado de ofício, no âmbito do Simples Federal (Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e INSS), anocalendário 2005, no montante de R$ 45.799,97, assim especificado: AC 2005 Principal Juros de Mora (calculados até 31/03/2009) Multa de ofício Total IRPJSimples 460,02 195,68 650,80 1.306,50 PISSimples 460,02 195,68 650,80 1.306,50 Cofins Simples 6.139,82 2.725,24 8.879,76 17.744,82 CSLLSimples 2.551,36 1.109,81 3.662,03 7.323,20 INSS Simples 6.289,49 2.767,46 9.062,00 18.118,95 Total 45.799,97 Ciente do lançamento fiscal, a contribuinte apresentou impugnação, cujas razões estão resumidas no relatório da decisão recorrida que, nessa parte, transcrevo, in verbis: (...) Foram declaradas receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte no valor de R$ 46.240,00, sobre as quais foram recolhidos os tributos devidos. A exigência de tributos sobre depósitos bancários de origem não comprovada somente poderia ocorrer sobre a diferença entre os depósitos e as receitas declaradas. Porém, a autoridade autuante somou a totalidade dos depósitos bancários às receitas já declaradas, apurando uma receita irreal de R$ 336.996,00 e exigindo os tributos sobre esta receita. Ao assim proceder, houve bi tributação sobre as receitas já declaradas. Os valores declarados foram carreados ao banco, de modo que devem necessariamente ser deduzidos. A autoridade autuante não especificou de que conta contábil ou outro documento constante da escrituração contábil do contribuinte ou de terceiras empresas foram extraídas as importâncias lançadas. A autoridade deixou consignado que houve fluxo financeiro em direção às empresas CONTINENTAL OUROESTE CARNES E FRIOS LTDA, DE SOUZA E LIMA Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 570 10 LTDA, FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA, SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS e ao Sr. José Roberto de Souza. Assim, a movimentação contida nos extratos bancários não se refere a faturamento da SULERA, mas mera circulação de valores entre empresas que integram um mesmo grupo econômico, conforme reconhece a própria autoridade autuante. Não foram identificados quais depósitos bancários decorrem do exercício da atividade de transporte de cargas. Não há menção a quais cargas foram transportadas, para quais contribuintes, quem foram os supostos tomadores dos serviços, quais foram os Conhecimentos de Transportes Rodoviário de Cargas CTRC que não foram escriturados, contabilizados ou omitidos. Em suma, não houve vinculação dos valores depositados nas contas bancárias com a atividade de transporte, de modo que os autos de infração lavrados carecem de clareza e precisão, violando o direito de defesa e causando a nulidade do ato administrativo. O lançamento não pode ter por fundamento meras presunções, devendo basearse em fatos concretos, susceptíveis de comprovação. Invoca o impugnante várias citações doutrinárias e jurisprudência em abono a seus argumentos. Tece o contribuinte extensas considerações acerca das presunções e de sua classificação. Os depósitos bancários que, por presunção, foram reputados receitas omitidas são provenientes das empresas CONTINENTAL OUROESTE CARNES E DERIVADOS LTDA, DE SOUZA & LIMA LTDA, FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA, SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. Não são remuneração decorrente da prestação de serviços de transporte, tendo origem nas operações comerciais destas empresas. Este fato é reconhecido no processo administrativo 16004001643/200836, no qual o interessado é a empresa DE SOUZA & LIMA LTDA. A autoridade reconhece, neste processo administrativo, o fiuxo de recursos entre as empresas referidas, reconhecendo expressamente inclusive que a SULERA recebeu recursos da DE SOUZA & LIMA LTDA e transferiu recursos ao Sr. José Roberto de Souza. No processo administrativo 16004000050/200933, no qual o interessado é o FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA, a autoridade afirmou que diversos cheques emitidos por esta empresa foram sacados no caixa e os recursos foram utilizados para pagamento de despesas de outras empresas, dentre as quais a SULERA. Reconheceu, ainda, que a SULERA esteve envolvida, direta ou indiretamente, na fraude apurada e obteve vantagens diretas ou indiretas com suas condutas. No presente processo administrativo, a autoridade não produziu provas que corroborassem a presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 571 11 Não buscou certidões do DETRAN demonstrando a quantidade de veículos utilizados na atividade de transporte, não demonstrou a existência de motoristas, mecânicos e outros empregados na atividade, não juntou Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC, não demonstrou que os cheques depositados correspondem a pagamento por serviços de transporte prestados e não buscou confirmação da prestação de tais serviços junto aos emitentes dos cheques. Além disso, ao comparecer à sede da empresa, constatou a autoridade que não havia estabelecimento no local, confirmando que os valores não correspondem a faturamento pelo transporte de cargas. Foram lançados tributos em valores vultosos contra o FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA, compreendendo compras e vendas representadas pelos depósitos e cheques registrados na conta bancária da SULERA, de modo que não procede a presunção de que tais valores são provenientes de operações não declaradas de transporte. As receitas provenientes de operações de transporte de cargas foram devidamente declaradas. Os depósitos bancários, por sua vez, pertencem à empresa CONTINENTAL OUROESTE LTDA de quem já foram cobrados os tributos. O impugnante discorre longamente sobre o conceito de renda e sobre a utilização de presunções, em especial a presunção de omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada, concluindo que sua utilização viola o princípio da prevalência da verdade material e viola o conceito de renda, por não haver acréscimo patrimonial tributável. Afirma o contribuinte que há créditos decorrentes de empréstimos e de cheques devolvidos, bem como provenientes de fluxo entre empresas, empresas essas sobre as quais não tem ingerência, de modo que não pode dispor da contabilidade delas para produzir as provas necessárias. O arbitramento a partir de extratos bancários somente pode ser realizado quando motivado na legislação de regência. Na situação de que trata o presente processo administrativo não houve motivação para o arbitramento. A lei exige a constatação de vícios ou omissões na escrituração capazes de comprometêla e somente pode ser utilizado em situações extremas. A multa de 150% é descabida, pois não houve fraude, conluio ou falsificação de documentos. Se irregularidade existe quanto às operações da CONTINENTAL OUROESTE LTDA, esta já foi penalizada por isso. Fraude não se presume, sendo incompatível a aplicação de multa de 150% quando o tributo foi lançado com base em presunção. A aplicação da multa de 150% exige a comprovação de que o sujeito passivo agiu com (...) intenção prédeterminada e dirigida no sentido de obter determinado resultado contrário à ordem jurídica. Mais que isso, o intuito de fraude deve ser evidente. Por fim, pede o contribuinte que seja acolhida a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa e por não atender aos pressupostos legais. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 572 12 Sucessivamente, pede o acolhimento das razões de mérito e, caso assim não se entenda, requer que seja afastada a multa de 150%. O Sr. José Roberto de Souza, a quem foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos de ofício, apresentou a impugnação de fls. 383 430, na qual reproduz as alegações trazidas no recurso protocolizado pela SULERA. No tocante à responsabilidade a ele atribuída, alega que sua condição de sócio não basta para tanto, já que deve ser provada a autoria da prática de ato ilícito. Aduz que a alegação de que o administrador ou sócio agiu de acordo com o art. 135 ou com o art. 137 do CTN há de ser devidamente provada. Argumenta que o lançamento teve por base presunção, de modo que não há prova dos ilícitos imputados. Por fim, pede o responsável solidário que seja acolhida a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa e por não atender aos pressupostos legais. Sucessivamente, pede o acolhimento das razões de mérito, especialmente para decretar sua exclusão como sujeito passivo solidário, e, caso assim não se entenda, requer que seja afastada a multa de l50%. (...) A DRJ/Ribeirão Preto (1ª Turma), enfrentando as questões suscitadas, julgou a impugnação improcedente do sujeito passivo e do responsável solidário. Transcrevo, a seguir, a ementa e a parte dispositiva do Acórdão, in verbis: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 OMISSÃo DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Cabe ao contribuinte a prova da origem dos depósitos constatados em suas contas bancárias.. Caso não apresente comprovação da origem, presumese que tais valores correspondem a receita omitida, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Procede a aplicação de multa qualificada quando ficar comprovada a ocorrência de infração dolosa. É cabível a atribuição de responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado àquele que tiver interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária. Impugnação Improcedente Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 573 13 Crédito Tributário Mantido (...) Acordam os membros da 1* Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente as impugnações. (...) Ciente dessa decisão em 29/11/2010segundafeira (efl. 480), a contribuinte e o responsável solidário Sr. José Roberto de Souza apresentaram Recurso Voluntário, respectivamente (efls.482/524) e (efls. 527/553), via postal, carimbo aposto pela ECT (recepção) em 29/12/2010 quartafeira (efl. 481). Nas razões do recurso, a contribuinte e o responsável solidário, em suma, buscam rediscutir as mesma questões já suscitadas na instância a quo e já enfrentadas pela decisão recorrida, alegando: 1 Preliminar de nulidade do lançamento fiscal, por cerceamento do direito de defesa: a) exigência bis in idem (...) Como o próprio fisco informou no Relatório, o contribuinte declarou rendimento decorrente da prestação de serviços de transportes no valor de R$.46.240,00, sobre os quais recolheu os tributos devidos pelo SIMPLES. Ora, se o fisco constatou que os depósitos bancários ocorridos se deram por valor maior que os declarados pelo contribuinte, justo que exigisse os tributos apenas sobre a DIFERENÇA APURADA. (...) b) falta de clareza, precisão, quanto à determinação da base de cálculo da infração omissão de receitas: (...) O Fiscal autuante não explicou em seu Termo de Constatação especificadamente de que conta contábil ou outro documento constante da escrituração contábil da contribuinte ou terceiras empresas, foram extraídas as importâncias ora lançadas. (...) c) mera circulação de valores econômicos pela conta bancária não é faturamento ou renda (acréscimo patrimonial): (...) Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 574 14 Ora, tratandose de empresa transportadora, com atividade voltada exclusivamente para o transporte de cargas, a autoridade fiscal não elencou no auto de infração quais seriam os depósitos voltados estritamente para essa atividade (TRANSPORTES). Até porque, repitase, mencionou não se tratar de faturamento de transportes, mas mera movimentação (fluxo) de valores entre contas de um mesmo titular (ou interessado). (...) Quanto ao mérito: que o lançamento atividade vinculada não pode se apoiar em SUPOSIÇÕES, CONJECTURAS e muito menos em PRESUNÇÕES, como se extrai da redação do artigo 142 do CTN; deve estar fundamentado em fatos concretos, demonstrados, comprovados; que, no caso vertente, o ilustre AudirFiscal autuante promoveu a apuração dos valores ora lançados, a partir de depósitos a crédito em contas bancárias, que não são, de nenhuma forma, rendimentos de transporte (mero fluxo de caixa, entre empresas do mesmo grupo familiar); que, em verdade, tratase de fluxo de depósitos bancários provenientes de outras empresas, a titulo de empréstimos, como constatado pela fiscalização, ou seja, depósitos procedidos pelas empresas Continental Ouroeste Carnes e Derivados Ltda., De Souza e Lima Ltda., Frigorífico Ouroeste Ltda., SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda. e a ela retornados, em pagamento, mas de nenhuma forma de rendimento de operações de transportes; que não se trata de faturamento de transportes de cargas, mas mera troca de cheques entre empresas do mesmo grupo familiar; que a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda. foi regularmente fiscalizada com lavratura de Auto de Infração no Mandado de Procedimento Fiscal 0810700/00377/08, cuja cópia está nos autos, no qual restou consignado que os depósitos em nome da Transportadora Sulera Ltda. provieram daquela empresa, em transferência, como mero fluxo de caixa, sem representar operação de transporte; que o fisco federal exigiu do Frigorífico Ouroeste Ltda todo o crédito tributário devido por todas as operações realizadas em nome do suposto grupo econômico, incluindo as operações representativas dos depósitos bancários havidos em nome da “transportadora Sulera Ltda”, da “De Souza & Lima Ltda.” e da “Continental Ouroeste Ltda; que não há como prevalecer a inversão do ônus da prova, eis que, data venia, em regra, o ônus da prova incumbe a quem alega (CPC, art. 373, I) e aqui quem alega é o fisco, além do mais a Constituição Federal e a própria Declaração Universal dos Direitos dos Homens estabelecem que se presume a inocência, sendo referida regra válida também em relação às questões de natureza tributária; Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 575 15 que os depósitos existentes não significaram acréscimo patrimonial, eis que existiram créditos decorrentes de empréstimos e de cheques devolvidos, bem como provenientes de fluxo entre as empresas; que a multa qualificada não pode prosperar, pois não há certeza sequer do lançamento; que o lançamento em sua essência fora levado a efeito com base em suposições, conjecturas e presunções, precário portanto; que não houve fraude, não houve conluio e não houve falsificação de documentos. A contribuinte realizou suas operações comerciais de forma absolutamente regular; transportou e registrou a receita desse transporte. Se irregularidade existe quanto às operações da empresa Continental Ouroeste Ltda, essa já foi penalizada, está arcando com a responsabilidade que lhe foi atribuída pelo fisco; que a fraude não se presume, se prova. E a prova cabe a quem alega, no caso, o fisco. Na hipótese dos autos, em momento algum a fiscalização produziu qualquer prova neste sentido; que a fiscalização presumiu omissão de receitas com base nos depósitos bancários, quando verdadeiramente não são receitas; não se pode cogitar de omissão de receita, de sonegação de tributos, sem provas. Em suma, a contribuinte pediu: a) preliminarmente, seja decretada a nulidade do auto de infração/lançamento, pelo evidente cerceamento pleno ao direito de defesa, por não atender ao pressupostos legais; b) no mérito, caso não seja acolhida a preliminar de nulidade do lançamento fiscal, que seja deferido o seu recurso. Caso ainda não seja deferida a sua pretensão quanto ao mérito, o que se admite apenas por amor a argumentação, que seja afastada a qualificadora da multa, por absoluta ausência da prova do crime. Da responsabilidade Tributária do Sr. José Roberto de Souza: que o fato de ser sócio ou acionista de empresa de responsabilidade limitada não o leva a ser responsável pelo débito, sem qualquer prova de autoria da prática do ato ilícito; que a disposição do art. 124, I, do CTN veio para alcançar as pessoas que não são sócias, mas que “tem interesse comum na situação que constitua o fato gerador do imposto; que não se aplica aos sócios reconhecidos pelo contrato social; que a responsabilidade pessoal se encontra limitada apenas aos casos em que a obrigação tributária tenha decorrido de atos praticados, comprovadamente pelo sócio, com excesso de poderes ou infração de 1ei, contrato social ou estatutos, hipótese que, igualmente, de forma alguma, encontrase tipificado no caso em questão; Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 576 16 que, sob qualquer enfoque que se aborde a questão, a inclusão do Sr. JOSÉ ROBERTO QE SOUZA no pólo passivo da obrigação tributária em comento encontrase em total afronta às normas que regulamentam a matéria, especialmente os artigo 134 e 135, do Códex Tributário, e bem assim à norma Constitucional que garante o devido processo legal nas instâncias administrativa e judicial; que a pessoa física encimada foi, como se vê, incluída no pólo passivo da relação tributária sub examine sem qualquer causa, sendo, porém, parte absolutamente ilegítima para o presente feito, a demandar a imediata exclusão do mesmo, o que se requer expressamente aos eméritos julgadores deste Colegiado; que a fiscalização não teve o cuidado de comprovar a responsabilidade tributária da TRANSPORTADORA SULERA LTDA em relação aos eventuais depósitos bancários procedidos pelas empresas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda., Frigorífico Ouroeste Ltda. e SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda., já que, como alegou o Auditor Fiscal, os cheques de uma empresa eram comumente depositados nas contas das outras empresas, o que demonstrava, por si só, a troca de cheques (“borboletas”) para suprimento de caixa, para despesas imediatas, mas que não representavam faturamento; que o único procedimento que não poderia ter sido levado a efeito foi justamente aquele utilizado pelo fisco no caso sob análise, de atribuir a JOSÉ ROBERTO DE SOUZA a responsabilidade solidária pelos tributos devidos pela empresa TRANSPORTADORA SULERA LTDA., exigindo do solidário os eventuais tributos devidos por aquelas empresas, a partir das trocas de cheques procedidos entre elas, amparando referida conduta em dispositivo legal que não produz efeitos no mundo jurídico; que, por fim, requer sua exclusão como responsável solidário, uma vez que é sócio e não se lhe aplica o artigo 124, I, do CTN. Por outro lado, sendo sócio, não se lhe aplica a solidariedade prevista no art. 135 e 137 do CTN, por não se fazerem presentes os pressupostos legais. É o relatório. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 577 17 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Os Recursos Voluntários, apresentados pela TRANSPORTADORA SULERA LTDA ME (sujeito passivo) e pelo Sr.JOSÉ ROBERTO DE SOUZA (sujeição passiva solidária imputada), são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade. Por isso, tomo conhecimento dos recursos. O crédito tributário exigido nestes autos está restrito aos fatos geradores do anocalendário 2005, no âmbito da legislação do Simples Federal. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL A recorrente suscitou preliminar de nulidade de nulidade do lançamento fiscal, alegando suposta existência de vícios, como: a) bis in idem: que a fiscalização imputou a infração omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada sem subtrair as receitas informadas na Declaração do Simples Federal 2006, anocalendário 2005; que a omissão de receitas seria apenas a diferença entre os depósitos bancários de origem não comprovada e as receitas declaradas; que, assim, falta de clareza, precisão, do lançamento fiscal quanto à base de cálculo da infração omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada. b) mera circulação de recursos financeiros (depósitos a crédito) pela conta bancária não configuraria faturamento, nem renda (acréscimo patrimonial): que não houve vinculação dos valores depositados nas contas bancárias com a atividade de transporte da empresa; que, por presunção legal, foram reputados receitas omitidas são provenientes das empresas CONTINENTAL OUROESTE CARNES E DERIVADOS LTDA, DE SOUZA & LIMA LTDA, FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA, SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. Não são remuneração decorrente da prestação de serviços de transporte, tendo origem nas operações comerciais destas empresas que os depósitos bancários, por sua vez, pertencem à empresa CONTINENTAL OUROESTE LTDA de quem já foram cobrados os tributos; que há créditos decorrentes de empréstimos e de cheques devolvidos, bem como provenientes de fluxo entre empresas, empresas essas sobre as quais não tem ingerência, de modo que não pode dispor da contabilidade delas para produzir as provas necessárias. De plano, constatase que as matérias suscitadas dizem respeito ao mérito propriamente dito, ou seja, não questões para serem enfrentadas, dirimidas, em sede de Fl. 577DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 578 18 preliminar (dizem respeito a elementos de prova). Por isso, essas matérias serão enfrentadas, oportunamente, mais adiante, quando da análise do mérito da lide. Ajustes na base de cálculo podem ser efetuadas pelo julgador, sem prejuízo para a validade do lançamento fiscal. Diversamente do alegado pela recorrente, não se vislumbra a existência de vício no lançamento fiscal que pudesse inquinálo de nulidade, por cerceamento do direito de defesa. As infrações imputadas OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS e INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO (infração reflexa) estão adequadamente narradas, descritas, com os elementos fundamentais (fato imponível) pessoal, material, temporal, espacial e quantitativo devidamente identificados, apurados, caracterizados, com fundamentação legal, e com demonstrativos, conforme Autos de Infração e Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, de 02/04/2009, parte integrante dos Autos de Infração (efls. 257/264 e 265/310), atendendo ao disposto no art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Quanto ao elemento quantitativo (valor da base de cálculo da infração omissão de receitas), por envolver elemento de prova (matéria de mérito), e caso exista eventualmente alguma discrepância, isso não tem o condão de macular o lançamento fiscal de nulidade, pois a divergência de valor da base de cálculo, como já dito, caso existente, configura vício sanável, pode ser ajustada, corrigida pelo Órgão julgador quando da análise do mérito. Logo, não tem plausibilidade jurídica a alegação de prejuízo à defesa. Ainda, apenas a falta ou insuficiente descrição dos fatos e a falta de enquadramento legal da infração imputada têm o condão de nulificar o lançamento fiscal, por cerceamento do direito de defesa, que não é caso; pois, os autos de infração apresentam adequada descrição, narrativa dos fatos, possuem matéria tributável, demonstrativos, e respectivo enquadramento legal. A jurisprudência deste CARF é pacífica quanto à inexistência de vício de nulidade do lançamento fiscal, quando apresenta descrição dos fatos, matéria tributável, demonstrativos, e enquadramento legal, por não configurar cerceamento ou prejuízo à defesa. Nesse sentido, transcrevo ementas de precedentes jurisprudenciais deste Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). Fl. 578DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 579 19 AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 108 06.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 102 48.141, sessão de 25/01/2007). Nesse sentido, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Portanto, ante a inexistência de vício que pudesse macular de nulidade o lançamento fiscal, rejeito a preliminar suscitada. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 580 20 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. BASE DE CÁLCULO. Houve imputação pelo fisco da infração omissão de receitas, anocalendário 2005, no âmbito da legislação do Simples Federal (Lei.9317/96 c/c art. 42 da Lei 9.430/96). Nesse sentido, consta do Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, de 02/04/2009, parte integrante dos Autos de Infração, a descrição dos fatos que implicou a imputação da infração omissão de receitas (efls. 257/264), in verbis: (...) TERMO DE CONSTATAÇÃO E DESCRIÇÃO DOS FATOS A ação fiscal foi iniciada tendo em vista que o principal sócio da empresa Transportadora Sulera Ltda, Sr. José Roberto de Souza, é um dos sócios de fato do Grupo Econômico que comanda o Frigorífico Ouroeste e suas empresas paralelas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda e SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, todas investigadas pela Polícia Federal, Receita Federal do Brasil, Ministério Público e Justiça Federal, dentro da Operação denominada Grandes Lagos. Segundo a “Nota à Imprensa" divulgada pela Delegacia de Polícia Federal em Jales (SP) em outubro de 2006, compunham a estrutura da organização criminosa 159 empresas, incluindo suas filiais e 173 pessoas que já haviam sido identificadas, das quais foram decretadas as prisões de 109 investigados. As funções de cada um no grupo variavam: havia os "cabeças", os "laranjas", os "gerentes", os servidores públicos, os "facilitadores" e os "taxistas". Foram necessários cerca de 700 policiais federais, entre agentes, escrivães e delegados, para cumprir 109 mandados de prisão e 143 mandados de busca e apreensão. As buscas foram realizadas nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia, Minas Gerais e Goiás, em dezenas de cidades diferentes. Os valores das movimentações financeiras das empresas sem pagamento de tributos ultrapassam 5 bilhões de reais. Diante disso, a Justiça Federal demandou à Receita Federal a execução de muitas Fiscalizações, porque muitas eram as pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Posteriormente, a Justiça Federal, a pedido da Receita Federal, decidiu pela quebra do sigilo bancário de todas as pessoas físicas e jurídicas (matriz e filiais) envolvidas na operação, determinando às instituições financeiras que fornecessem, diretamente à Delegacia da Receita Federal, as informações e documentos requisitados por meio de Requisição de Movimentação Financeira RMF. Foi nesse contexto então que foi determinada e aberta fiscalização nas empresas acima citadas e várias empresas e pessoas físicas relacionadas com àquelas. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 581 21 Os trabalhos foram iniciados em 21.05.2008, através de intimação por via postal com Aviso de Recebimento "AR", tendo em vista que em diligência ao local declarado para RFB, constatamos que é o mesmo da residência do sócio Odécio Carlos Bazeia de Souza e que segundo informação da empregada doméstica, somente é encontrado à noite. Na citada intimação foram requeridos todos os livros e documentos contábeis e fiscais da empresa do período de 2005 a 2007, fls 02 e 04. Em resposta datada de 09.06.2008, o sócio Odécio Carlos Bazeia de Souza, alega que embora figure como sócio administrador nunca praticou qualquer ato de gestão e jamais teve qualquer participação em eventuais operações efetuadas em nome da sociedade. Argumenta, ainda, que nunca recebeu qualquer benefício da empresa, tais como próIabore ou participação em resultados dos negócios efetuados e que para ele a empresa estaria “sem movimento", fls. 05 e 06. Anexa, também, uma declaração do Sr. José Roberto de Souza, com os seguintes dizeres: “Declara que não obstante o contrato social da empresa Transportadora Sulera Ltda ME, dar poderes para ambos os sócios representarem a sociedade que, verdadeiramente, Odécio Carlos Bazeia de Souza, não teve qualquer participação deliberativa ou executiva nas operações realizadas pela citada empresa, as quais ficaram sob a minha exclusiva responsabilidade", fls. O7. (...) Analisando os documentos entregues, verificase que a empresa não apresenta os extratos bancários do período, apesar de constar no sistema interno da RFB informação de movimentação financeira relevante. Nos livros Caixas apresentados, também, não há qualquer menção da citada movimentação bancária. Como o contribuinte não apresentou os extratos, foi solicitada a instituição financeira onde a empresa Transportora Sulera Ltda possuía conta, Banco Nossa Caixa S/A, as informações necessárias, conforme RMF Requisição Sobre Movimentação Financeira de fls. 121 e 122. A instituição financeira encaminhou os documentos de fls. 123 a 210. Da analise dos documentos apresentados, especialmente os extratos bancários, elaboramos em 06.10.2008, uma intimação específica para que a empresa Transportadora Sulera Ltda justificasse com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos ingressados em suas contas correntes, relativo aos anos calendários de 2005 a 2007, nos seguintes valores: a) Ano calendário de 2005 = R$ 290.756,00; b) Ano calendário de 2006 = R$ 4.152.462,99; c) Ano calendário de 2007 = R$ 237.211,67. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 582 22 A intimação acima foi recebida por via postal, com Aviso de Recebimento "AR", em 08.10.2008, fls. 211 a 222. Em 31.10.2008, foi concedida prorrogação por mais 30 dias para atendimento da intimação, conforme solicitação de fls. 223 e 224. Como não houve atendimento, mesmo após a prorrogação do prazo inicial, em 24.12.2008, reintimamos a empresa Transportadora Sulera Ltda para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos créditos ingressados em suas contas correntes no Banco Nossa Caixa S/A, conforme valores acima discriminados, fls. 225 a 227. A intimação foi recebida em 05.01.2009. Em 21.01.2009, a empresa vem, novamente, solicitar prorrogação de prazo, alegando que a instituição financeira, Banco Nossa Caixa S/A, não forneceu os comprovantes dos créditos ocorridos nas conta da empresa, anexando cópia de um suposto pedido de cópia de documento endereçado ao citado Banco, datado de 19.01.2009. Como até a presente data, mesmo após decorrido mais de 170 dias da intimação inicial, não houve atendimento por parte da empresa Transportadora Sulera Ltda, não resta outra alternativa que não tributar os valores ingressados em suas contas correntes como omissão de rendimentos nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, PARCIALMENTE SOMENTE EM RELAÇÃO AO ANO CALENDÁRIO DE 2005,(...). (...) Como visto, o sujeito passivo foi intimado pelo fisco, por duas vezes, na forma do art. 42 da Lei 9.430/96 para comprovar a origem dos depósitos bancários a crédito em sua conta corrente bancária, quanto ao anocalendário 2005. Entretanto, a contribuinte não se desincumbiu desse ônus probatório, mantendose silente, inerte, após a fiscalização ter deferido mais prazo para que ela pudesse produzir provas, reunir elementos de prova, e assim afastar a presunção legal de omissão de receitas. O Demonstrativo dos depósitos a crédito na corrente bancária, individualizados, instituição financeira, Agência, valor e data, do anocalendário 2005, no montante de R$ 290.756,00 para que a contribuinte pudesse comprovar a origem, de cada um deles, durante o procedimento de fiscalização, na forma do art. 42 da Lei 9.430/96, constam anexo às intimações fiscais de 06/10/2008 (efls.213/223) e de 24/12/2008 (efls. 227/229), que transcrevo, aqui: Relação dos créditos de origem não comprovada: Banco Conta Agência Data Mês Ano Valor D/C Histórico Documento 151 540 14858 09/05/2005 5 2005 RS 47.666,89 C CR.DES.AUT 084008 5 Total RS 47.666,89 151 540 14858 08/06/2005 6 2005 RS 3.000,00 C DEPOSITO 022225 151 540 14858 09/06/2005 6 2005 RS 348,09 C LIB.CH.BL 925000 151 540 14858 09/06/2005 6 2005 RS 1.695,00 C CRED.COBR. 000131 151 540 14858 10/06/2005 6 2005 R$ 50,00 C LIB.CH.BL 925000 Fl. 582DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 583 23 151 540 14858 15/06/2005 6 2005 R$ 1.120,00 C LIB.CH.BL 925000 151 540 14858 22/06/2005 6 2005 R$ 1.308,50 C CRED.COBR. 000131 151 540 14858 28/06/2005 6 2005 R$ 2.428,50 C LIB.CH.BL 925000 6 Total R$ 9.950,09 151 540 14858 13/07/2005 7 2005 R$ 63.415,72 C CR.DES.AUT 076007 151 540 14858 21/07/2005 7 2005 RS 11.240,43 C CR.DES.AUT 076006 7 Total R$ 74.656,15 151 540 14858 12/08/2005 8 2005 RS 518,17 C LIB.CH.BL 925000 151 540 14858 19/08/2005 8 2005 RS 285,00 C LIB.CH.BL 925000 151 540 14858 24/08/2005 8 2005 RS 52,23 C DEP.CH.BNC 022047 151 540 14858 24/08/2005 8 2005 RS 57,88 c DEP.CH.BNC 022049 151 540 14858 25/08/2005 8 2005. RS 14.083,01 c LIB.CH.BL 925000 151 540 14858 26/08/2005 8 2005 R$ 549,40 c LIB.CH.BL 925000 151 540 14858 31/08/2005 8 2005 R$ 52,30 c LIB.CH.BL 925000 8 Total R$ 15.597,99 151 540 14858 15/09/2005 9 2005 R$ 81.732,38 c CR.DES.AUT 084008 151 540 14858 19/09/2005 9 2005 R$ 36,50 c LIB.CH.BL 925000 151 540 14858 22/09/2005 9 2005 R$ 43.000,00 c TED 114000 9 Total R$ 124.768,88 151 540 14858 06/10/2005 10 2005 R$ 39,00 c LIB.CH.BL 925000 10 Total R$ 39,00 151 540 14858 03/11/2005 11 2005 R$ 9.051,84 c CR.DES.AUT 088007 151 540 14858 10/11/2005 11 2005 RS 4.025,16 c DEPOSITO 022456 11 Total RS 13.077,00 151 540 14858 14/12/2005 12 2005 RS 5.000,00 c TRANSF.CTA 015706 12 Total RS 5.000,00 Total Global RS 290.756,00 Agora, nas razões do recurso, a recorrente e o responsáveL solidário objetaram que a mera circulação de recursos financeiros (depósitos a crédito) pela conta bancária não configuraria faturamento, nem renda (acréscimo patrimonial). Não procede a alegação dos recorrentes. Como visto, a contribuinte, embora intimada diversas vezes, não comprovou a origem desses depósitos a crédito na sua conta corrente bancária, na instituição financeira Nossa Caixa, quanto ao anocalendário 2005. Ora, não comprovada pela contribuinte a origem dos depósitos bancários a crédito em suas contas correntes bancárias embora intimada a fazêlo, o fisco, por presunção legal, então, imputou a infração Omissão de Receitas, quanto aos depósitos bancários a crédito de origem não comprovada (Lei nº 9.430/96, art. 42). O ônus da prova de que não houve omissão de receitas é da recorrente sim, pois o art. 42 da Lei nº 9.430/96 encerra presunção legal relativa, que tem a função de inverter o ônus probatório. Existente presunção legal, o ônus probatório, por conseguinte, não é de quem acusa a existência de infração tributária, mais sim do acusado que deverá fazer prova de que não cometera a infração omissão de receitas. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 584 24 No caso, o lançamento da omissão de receitas não se deu exclusivamente em depósitos bancários (extratos bancários). O fisco cotejou a escrituração contábil e fiscal, constatou que os depósitos bancários não foram escriturados nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, e lançou a titulo de omissão de receitas apenas a diferença entre as receitas escrituradas e os valores dos depósitos bancários a crédito não escriturados e de origem não escriturada. Para fisco compete, assim, comprovar, mediante extratos bancários, a existência de depósitos bancários não registrados na escrituração contábil/fiscal e, ainda, que efetuada a intimação do contribuinte para fazer a comprovação da origem desses depósitos a crédito em suas contas, restou não comprovada a origem desses recursos. Tratase de fatos conhecidos (indiciários) que autorizam, por presunção legal, a tributação do fato probando (omissão de receitas). Assim, o fisco pode presumir a omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada), quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprove através de documentos hábeis e idôneos a origem dos depósitos a crédito em suas contas bancárias (depósitos não escriturados na sua contabilidade e não oferecidos à tributação), uma vez que não mais se aplica a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e, também, não se aplicam os precedentes jurisprudenciais invocados, pois calcados em legislação revogada. Isto porque existem duas situações distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira bancária para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Vejamos: Lei n° 8.021/1990: "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações." [revogado] Lei n° 9.430/1996 : "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regular mente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com base nos dispositivos acima transcritos, verificase que o que distingue uma situação da outra é que a partir de 01/01/1997 entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 a existência de depósitos não escriturados ou de origem não comprovada tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar às outras já Fl. 584DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 585 25 existentes no ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, mediante extratos bancários, para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão legal para depósitos bancários inexistia e, com isso, o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza, renda consumida e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196. Esse diploma legal, como já dito alhures, encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova. O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos, portanto, é da contribuinte. Não há que se falar em necessidade de sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada por este Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como demonstrado, o depósito bancário de origem não comprovada é rendimento tributável, por presunção legal. Esse entendimento encontrase, também, pacificado no âmbito deste Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujos precedentes transcrevo (ementas de julgamento), in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 108 Fl. 585DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 586 26 09.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza). ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano calendário: 2002 a 2004. Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 101 97.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA—PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 105 17.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício. 2000, 2001, 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.(Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura). Fl. 586DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 587 27 Assunto: SIMPLES NACIONAL. EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão nº 19500.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). Reiterese, o lançamento da infração omissão de receitas não se deu exclusivamente em depósitos bancários (extratos bancários). O fisco cotejou a escrituração contábil e fiscal, constatou que os depósitos bancários não foram escriturados nos anos calendário 2005. Ainda na fase de fiscalização, conforme consta do Termo de Constatação Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal, a contribuinte fora intimada em duas ocasiões a comprovar a origem dos depósitos bancários, porém não se desincumbiu desse ônus probatório para elidir a omissão de receitas (art. 42 da Lei 9.430/96). Frisese que eventual antinomia ou inconstitucionalidade do art. 42 da Lei 9.430/96 em relação aos arts. 43 e 44 do CTN e a Constituição Federal somente compete ao Poder Judiciário. Não cabe ao CARF deixar de aplicar norma vigente no ordenamento jurídico, nem conhecer de inconstitucionalidade suscitada, conforme matéria já sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconsti tucionalidade de lei tributária. Portanto, não comprovada pela contribuinte a origem dos depósitos bancários a crédito em suas contas correntes bancárias embora intimada a fazêlo, presumese a omissão de receitas, conforme apurado pela fiscalização demonstrativo já transcrito alhures. BIS IN IDEM. AJUSTE NA BASE DE CÁLCULO DA INFRAÇÃO OMISSÃO DE RECEITAS: Na fase processual, primeiramente na instância a quo, os recorrentes questionaram o valor tributável ou base de cálculo da omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada, porém se juntar provas para sua alegações; alegaram na instância a quo: Fl. 587DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 588 28 que não houve vinculação dos valores depositados nas contas bancárias com a atividade de transporte; que, por presunção legal, foram reputados receitas omitidas são provenientes das empresas CONTINENTAL OUROESTE CARNES E DERIVADOS LTDA, DE SOUZA & LIMA LTDA, FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA, SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. Não são remuneração decorrente da prestação de serviços de transporte, tendo origem nas operações comerciais destas empresas que os depósitos bancários, por sua vez, pertencem à empresa CONTINENTAL OUROESTE LTDA de quem já foram cobrados os tributos; que há créditos decorrentes de empréstimos e de cheques devolvidos, bem como provenientes de fluxo entre empresas, empresas essas sobre as quais não tem ingerência, de modo que não pode dispor da contabilidade delas para produzir as provas necessárias; Alegar e não provar, significa não alegar. Então, a infração omissão de receitas, assim como imputada pela fiscalização, restou mantida pela decisão recorrida, conforme fundamentação do voto condutor que transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Tratandose de presunção legal, o legislador pode se guiar, ao elaborála, por um juízo deontológico, vale dizer, a presunção pode ser criada com o objetivo de proteger um interesse na relação jurídica. Para tanto, o legislador, diante da prova de um fato (fatobase da presunção), admite a fixação no processo de outro fato (fato presumido), até que se prove o contrário, de modo que no âmbito do processo o interesse especialmente valorado é protegido. No caso de que trata os autos, foi aplicada a presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei 9.430/96, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta'de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais O titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Intimado a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias, o contribuinte limitouse a pleitear sucessivas prorrogações de prazos e nada de concreto apresentou. Sequer em seu recurso foram apresentadas provas. Tendo em vista a ausência de comprovação da origem dos créditos em conta bancária, concluiuse que houve omissão de receitas. (...) Fl. 588DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 589 29 O contribuinte afirma que há créditos decorrentes de empréstimos e de cheques devolvidos, bem como provenientes de fluxo entre empresas, empresas essas sobre as quais não tem ingerência, de modo que não pode dispor da contabilidade delas para produzir as provas necessárias. Não apresenta qualquer prova de que há depósitos cuja origem são empréstimos e cheques devolvidos. Quanto aos valores que são provenientes de outras empresas do mesmo grupo econômico, reitere~se que cabe ao contribuinte a prova da origem dos depósitos bancários, prova esta que não foi apresentada em nenhum momento. Finalmente, a prova da origem dos depósitos não deve ser buscada na contabilidade de terceiros. Cabe ao contribuinte a prova da causa do ingresso de recursos em suas contas bancárias. As alegações relacionadas ao arbitramento estão fora de lugar, já que no presente processo administrativo não houve arbitramento do lucro. Com efeito, os tributos foram apurados consoante a sistemática do SIMPLES, que incidiu sobre a totalidade das receitas, vale dizer, sobre as receitas declaradas e sobre as receitas omitidas. (...) Nesta instância recursal ordinária do CARF, novamente os recorrentes voltaram a fazer as mesma alegações já deduzidas na instância a quo contra o lançamento da omissão de recitas depósitos bancários de origem não comprovada e, novamente, sem juntar provas. Ora, quem tem quer fazer prova da origem dos créditos depositados em suas contas correntes é a autuada (sujeito passivo), pois a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que trata de presunção legal, implicou inversão do ônus da prova. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação por presunção legal a omissão de receitas (fato probando) basta ao fisco comprovar a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) presumese a ocorrência ou existência de omissão de receitas. A presunção legal de omissão de receitas tem caráter relativo e inverte o ônus da prova. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 590 30 O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo, que poderá afastála mediante produção de prova hábil, idônea e cabal. O sujeito passivo, em momento algum, jamais conseguiu comprovar, nos autos, a origem dos depósitos a crédito em sua conta corrente bancária no objeto da autuação. A mera alegação de que receitas omitidas são provenientes de fluxo financeiro das empresas CONTINENTAL OUROESTE CARNES E DERIVADOS LTDA, DE SOUZA & LIMA LTDA, FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA, SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA não comprova nada nos autos, pois é necessário comprovar a origem (como foram geradas essas receitas). Cabe ao contribuinte a prova da causa do ingresso de recursos em suas contas bancárias. A alegação dos recorrentes de que haveria créditos decorrentes de empréstimos e de cheques devolvidos, também, não procede, pois os recorrentes não conseguiram desincumbirse desse ônus probatório. Como visto, não há ajuste a fazer no valor tributável da omissão de receitas, a título de empréstimos e de cheques devolvidos. Pois, não há expurgos a fazer a título de empréstimos e de cheques devolvidos. Por último, cabe analisar a questão do bis in idem (duplicidade de exigência sobre a mesma base de cálculo). O sujeito passivo argumentou, nas razões do recurso: que a fiscalização imputou a infração omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada sem subtrair as receitas declaradas; que a omissão de receitas seria apenas a diferença entre os depósitos bancários de origem não comprovada e as receitas declaradas. Quanto ao bis in idem alegado, entendo que procede a irresignação dos recorrentes. Como já demonstrado, o fisco, por presunção legal (art. 42 da Lei 9.430/96), apurou omissão de receitas no montante de R$ 290.756,00 que corresponde, exatamente, ao valor dos depósitos bancários de origem não comprovada do anocalendário 2005. Demonstrativo do valor tributável da infração imputada omissão de receitas, por valor mensal, durante o anocalendário 2005: Receita Bruta Mensal Declarada Diferença Apurada Omissão de Receitas Receita Bruta Acumulada 05/2005 47.666,66 47.666,66 06/2005 9.950,09 57.616,98 07/2005 62.383,02 119.999,77 07/2005 12.273,13 132.273,13 08/2005 8.500,00 15.597,99 156.371,12 09/2005 8.950,00 124.768,88 290.090,00 10/2005 9.120,00 39,00 299.249,00 Fl. 590DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 591 31 11/2005 9.370,00 13.077,00 321.696,00 12/2005 10.300,00 5.000,00 336.996,00 Totais 46.240,00 290.756,00 336.996,00 No caso, a fiscalização não justificou no lançamento fiscal pelo qual não subtraiu , do montante de depósitos bancários de origem não comprovada R$ 290.756,00 , o valor declarado ao fisco (Declaração do Simples 2006, anocalendário 2005), valor de R$ 46.240,00. É plausível que a receita declarada espontaneamente no Simples (Declaração do Simples 2006, anocalendário 2005) compusera o montante dos créditos depositados a crédito nas contas correntes da autuada. A fiscalização, quando da descrição da infração omissão de receitas, não consignou que as receitas declaradas no Simples não passaram pelo sistema bancário, não foram depositadas nas contas correntes da empresa autuada (recorrente). Por isso, sem delongas, entendo que a receita declarada de R$ 46.240,00 deve ser subtraída do montante de omissão de receitas de R$ 290.756,00 para afastar o bis in idem. Assim, a base de cálculo da infração omissão de receitas (receita tributável) deve ser reduzida de R$ 290.756,00 para R$ 244.516,00. Conforme planilha acima, os ajustes devem ser feitos a partir do PA 08/2005 até 12/2005, meses em que houve receitas declaradas na Declaração do Simples 2006, ano calendário 2005. Por conseguinte, a unidade de origem da Receita Federal, no caso a DRJ/São José do Rio Preto, deve ajustar o lançamento fiscal (Autos de Infração do IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição Previdenciária INSS) quanto à infração OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA e, também, a infração reflexa INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, se for o caso. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os recorrentes, em síntese, alegaram: que não houve fraude, não houve conluio e não houve falsificação de documentos; que a contribuinte realizou suas operações comerciais de forma absolutamente regular; transportou e registrou a receita desse transporte. Se irregularidade existe quanto às operações da empresa Continental Ouroeste Ltda, essa já foi penalizada, está arcando com a responsabilidade que lhe foi atribuída pelo fisco; que a fraude não se presume, se prova. E a prova cabe a quem alega, no caso, o fisco. Na hipótese dos autos, alegam os recorrentes, em momento algum a fiscalização produziu qualquer prova neste sentido. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 592 32 Quanto à multa qualificada, consta do Termo de Constatação e Apuração dos fatos a seguinte narrativa, descrição dos fatos, in verbis: (...) Do agravamento da multa de ofício; Tendo em vista o fato de o contribuinte ter declarado à Receita Federal valores irrisórios em comparação com a movimentação financeira encontrada, conforme abaixo demonstrado e a constatação que o proveito foi revertido ao grupo que comanda o Frigorífico Ouoreste Ltda, conforme demonstrativo de fls. 251, entre eles o sócio da empresa fiscalizada (Transportadora Sulera Ltda), Sr. José Roberto de Souza, restou flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no citado art. 44, II, da Lei n° 9.430 de 1996,(...) (...) Ressaltese que qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. (...) Mas não é só isso. Conduta dos sócios na gestão da empresa autuada: A empresa, no âmbito do Simples, foi administrada com intuito deliberado de fraudar o fisco, de ocultar a movimentação financeira bancária do anocalendário 2005 e seguintes. Embora os presentes autos só tratem do lançamento do anocalendário 2005, mas a empresa, também, foi autuada quanto aos anoscalendário seguintes, em outro processo. 1) Intimação do sócio Odécio Carlos Bazeia de Souza: Em resposta datada de 09.06.2008, o sócio Odécio Carlos Bazeia de Souza, informou ao fisco que embora figure como sócio administrador nunca praticou qualquer ato de gestão e jamais teve qualquer participação em eventuais operações efetuadas em nome da sociedade. Argumenta, ainda, que nunca recebeu qualquer benefício da empresa, tais como prólabore ou participação em resultados dos negócios efetuados e que para ele a empresa estaria “sem movimento", fls. 05 e 06. Anexa, também, uma declaração do Sr. José Roberto de Souza, com os seguintes dizeres: Fl. 592DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 593 33 “Declara que não obstante o contrato social da empresa Transportadora Sulera Ltda ME, dar poderes para ambos os sócios representarem a sociedade que, verdadeiramente, Odécio Carlos Bazeia de Souza, não teve qualquer participação deliberativa ou executiva nas operações realizadas pela citada empresa, as quais ficaram sob a minha exclusiva responsabilidade", (fls. 07) Consta ainda dos autos que o proveito econômico pela gestão fraudulenta foi revertido ao grupo que comanda o FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA, entre eles o Sr. José Roberto de Souza, conforme Demonstrativo de Transferências de recursos efetuadas para empresas do mesmo grupo econômico, a partir da empresa autuada, pelo Sr. JOSE ROBERTO DE SOUZA (fl. 251 ou efl. 253). Como visto, o sócio José Roberto de Souza, na verdade, fez a gestão da empresa autuada, de forma fraudulenta, utilizou a empresa que estando inativa (sem atividade operacional), aproveitou as contas correntes para receber depósitos de outras empresas do grupo econômico, ocultando a movimentação financeira bancária do fisco, suprimindo os tributos do Simples do anocalendário 2005, período objeto destes autos. Ainda, como razão de decidir, adoto a fundamentação constante do voto condutor da decisão recorrida, in verbis: (...) O contribuinte aduz que a multa de 150% é descabida, pois não houve fraude, conluio ou falsificação de documentos. Alega que, se irregularidade existe quanto às operações da CONTINENTAL OUROESTE LTDA, esta já foi penalizada por isso. Argumenta que fraude não se presume, sendo incompatível a aplicação de multa de 150% quando o tributo foi lançado com base em presunção. Assevera que a aplicação da multa de 150% exige a comprovação de que o sujeito passivo agiu com urna intenção prédeterminada e dirigida no sentido de obter determinado resultado contrário à ordem jurídica e que o intuito de fraude deve ser evidente. O impugnante se insurge contra a aplicação de multa qualificada quando o crédito tributário lançado foi apurado com base em presunção legal, especialmente com base na presunção de omissão de receitas decorrente da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada. (...) A intenção de fraudar restou demonstrada por diversos elementos. O Sr. Odécio Carlos Bazeia de Souza afirmou que jamais teve qualquer participação em eventuais operações efetuadas pela SULERA, a despeito de constar como sócio administrador da empresa. Asseverou, ainda, que jamais recebeu qualquer beneficio da empresa e que acreditar que esta estaria “sem movimento”. O Sr. José Roberto de Souza confirmou que o Sr. Odécio não teve qualquer participação na administração da Fl. 593DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 594 34 SULERA. Ressaltese que estranhamente o endereço cadastral da empresa é o mesmo da residência do Sr. Odécio. O contribuinte não escriturou sua movimentação bancária, a despeito dos vultosos valores envolvidos, muito superiores às receitas declaradas. Além disso, constatouse que o proveito econômico das omissões perpetradas foi revertido ao grupo que comanda o FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA, entre eles o Sr. José Roberto de Souza.. (...) Todos estes elementos somados, e conjugados com o entendimento já fixado anteriormente no sentido de que a omissão reiterada de receitas caracteriza evidente intuito de fraude, conduzem à conclusão segura de que é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% na hipótese de que trata mos autos. (...) Portanto, devese manter a multa qualificada. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA O recorrente, Sr. José Roberto de Souza (Termo de Sujeição Passiva Solidária, art. 124, I, do CTN) (fls. 252 e 253) alega, em síntese: que a fiscalização não teve o cuidado de comprovar a responsabilidade tributária da TRANSPORTADORA SULERA LTDA em relação aos eventuais depósitos bancários procedidos pelas empresas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda., Frigorífico Ouroeste Ltda. e SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda., já que, como alegou o Auditor Fiscal, os cheques de uma empresa eram comumente depositados nas contas das outras empresas, o que demonstrava, por si só, a troca de cheques (“borboletas”) para suprimento de caixa, para despesas imediatas, mas que não representavam faturamento; que o único procedimento que não poderia ter sido levado a efeito foi justamente aquele utilizado pelo fisco no caso sob análise, de atribuir a JOSÉ ROBERTO DE SOUZA a responsabilidade solidária pelos tributos devidos pela empresa TRANSPORTADORA SULERA LTDA., exigindo do solidário os eventuais tributos devidos por aquelas empresas, a partir das trocas de cheques procedidos entre elas, amparando referida conduta em dispositivo legal que não produz efeitos no mundo jurídico; que, por fim, requer sua exclusão como responsável solidário, uma vez que é sócio e não se lhe aplica o artigo 124, I, do CTN. Por outro lado, sendo sócio, não se lhe aplica a solidariedade prevista no art. 135 e 137 do CTN, por não se fazerem presentes os pressupostos legais. Não procede a pretensão do recorrente. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 595 35 O fisco imputou a responsabilidade solidária do Sr. José Roberto de Souza, (art. 124, I, do CTN), conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária (efls. 254/255), in verbis: (...) No exercício das funções de AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, no curso da ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte TRANSPORTADORA SULERA LTDA, CNPJ 07.206.112/000142, constatamos que o Sr. JOSE ROBERTO DE SOUZA é o sócio administrador e principal beneficiário pelas fraudes praticadas, notadamente pela transferência de valores da citada empresa diretamente para sua contas correntes e/ou para as contas correntes das empresas da qual é sócio de direito e de fato (Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, Frigorífico Ouroeste Ltda, De Souza e Lima Ltda e SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda), conforme restou devidamente comprovado no Termo de Constatação e Descrição dos Fatos anexo ao Auto de Infração lavrado. Ante o exposto, restou devidamente caracterizada a sujeição passiva solidária por interesse comum na situação que constitui o fato gerador da Obrigação tributária nos termos do art. 124, inciso I, da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional). Fica o sujeito passivo solidário supracitado CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata o Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo suprareferido, do qual recebe uma cópia, E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 2 (duas) vias de igual forma e teor, assinado pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, sendo uma das vias remetida ao sujeito passivo solidário, juntamente com a cópia do Auto de Infração e do Termo de Constatação e Descrição dos Fatos (integrante do Auto de Infração), por via postal,mediante Aviso de Recebimento (AR), nos termos do artigo 23, inciso II, do Decreto 70.235/72. (...) Demonstrativo de transferências de recursos efetuadas para empresas do mesmo grupo econômico, a partir da empresa autuada, pelo Sr. JOSE ROBERTO DE SOUZA (fl. 251 ou efl. 253). Ainda, consta do Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, parte integrante do lançamento fiscal (efls. 256/264), in verbis: (...) Conforme citado neste termo, a empresa Frigorífico Ouroeste Ltda tem como proprietários Edson García de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Antonio Maitucci, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, Oswaldo Antonio Arantes, José Ribeiro Junqueira Neto e João Francisco Naves Junqueira, tendo como empresas paralelas Continental Ouroeste Carnes e Fl. 595DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 596 36 Frios Ltda e SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda. Analisando, por amostragem, os extratos bancários da empresa, fls.251, verificase um fluxo financeiro em direção as empresas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, De Souza e Lima Ltda, Frigorífico Ouroeste Ltda, SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados (todas com participação de direito e de fato do Sr. José Roberto de Souza) e ao próprio citado sócio da empresa fiscalizada. Concluise, portanto, que o Sr. José Roberto de Souza tem interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, obtendo vantagens financeiras, sendo, portanto, solidariamente obrigados ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos 121 e 124, inciso I, do CTN. (...) Destarte, efetuamos o termo de sujeição passiva solidária de fls. 252 e 253, o qual será encaminhado ao Sr. José Roberto de Souza, juntamente com a cópia do auto de infração e deste termo, para ciência. (...) Os recorrentes não conseguiram comprovar nos autos, quanto a esse fluxo financeiro de recursos, a origem (a causa) desses recursos depositados nas contas correntes bancárias da autuada. Consta dos autos que o outro sócio da autuada, o Sr. Odécio Carlos Bazeia de Souza, afirmou que jamais teve qualquer participação em eventuais operações efetuadas pela SULERA, a despeito de constar como sócioadministrador da empresa. Asseverou, ainda, que jamais recebeu qualquer beneficio da empresa e que acreditar que esta estaria “sem movimento”. O Sr. José Roberto de Souza confirmou que o Sr. Odécio não teve qualquer participação na administração da SULERA. Ressaltese que estranhamente o endereço cadastral da empresa é o mesmo da residência do Sr. Odécio. Além disso, constatouse que o proveito econômico das omissões perpetradas foi revertido ao grupo que comanda o FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA, entre eles o Sr. José Roberto de Souza. Ademais, como razão de decidir, adoto a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida, in verbis: (...) De início, é preciso esclarecer que a atribuição de responsabilidade ao Sr. José Roberto de Souza não se deu com base no art. 135 ou no ar. 137 do CTN. O fundamento legal foi o art. 124, I, deste diploma normativo, vale dizer, considerouse que ele tinha interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores apurados. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 597 37 Conforme ressaltou a autoridade autuante, chegouse a essa conclusão pelo fato de que o Sr. José Roberto de Souza e sócio administrador e principal beneficiário das fraudes praticadas, notadamente pela transferência de valores da citada empresa diretamente para suas contas correntes e/ou para as contas correntes das empresas da qual é sócio de direito e de fato (CONTINENTAL OUROESTE CARNES E FRIOS LTDA, FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA, DE SOUZA E LIMA LTDA e SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA). Conforme já ressaltado, o fato de as receitas omitidas terem sido apuradas com base em presunção não significa que não houve prova dos ilícitos imputados. Pelas razões já expostas, há elementos suficientes nos autos para concluir que de fato os ilícitos foram adrede praticados pela empresa, liderada pelo Sr. Jose Roberto de Souza. (...) Como visto, o sócio José Roberto de Souza, na verdade, fez a gestão da empresa autuada, de forma fraudulenta, utilizou a empresa do Simples Federal que estando inativa (sem atividade operacional), aproveitou as contas correntes para depositar, receber depósitos de outras empresas do grupo econômico, ocultando a movimentação financeira bancária do fisco, suprimindo os tributos do Simples do anocalendário 2005, período objeto destes autos. Assim, diversamente do alegado pelo recorrente nas razões do recurso, está demonstrada e comprovada nos autos a sujeição passiva solidária do Sr.José Roberto de Souza, e em consonância com os precedentes jurisprudenciais deste CARF, in verbis: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2010, 2011 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR DE FATO. ART. 135, III. CABIMENTO. NATUREZA DA RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. EXCLUSÃO DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE.A jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que a responsabilidade dos sócios, gerentes ou administradores (sejam formais ou de fato), prevista no art. 135, III é solidária e não exclui do pólo passivo a pessoa jurídica administrada. Sendo notória a ascendência do sujeito apontado como o administrador de fato das empresas pertencentes ao seu grupo familiar revela se indiscutivelmente este que era o responsável de fato pela gestão dos negócios da empresa indicada no pólo passivo da autuação. (...). (Acórdão 1302002.549 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 20/02/2018, Relator e Presidente Luiz Tadeu Matosinho Machado). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o Fl. 597DF CARF MF Processo nº 16004.000130/200999 Acórdão n.º 1301002.979 S1C3T1 Fl. 598 38 responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III. DOLO. PODERES DE GERÊNCIA. Os administradores são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, desde que cabalmente provado o dolo. (Acórdão nº 3301003.159–3ª Câmara/1ªTurma Ordinária, Sessão de 27/01/2017, Relatora Semíramis de Oliveira Duro). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.(Acórdão nº 1302001.962–3ª Câmara/2ªTurma Ordinária, Sessão de 11/08/2016, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa Redator designado) Portanto, deve ser mantida a sujeição passiva do Sr.José Roberto de Souza. Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito: (i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo infração omissão de receitas para R$ 244.516,00; (ii) negar provimento ao recurso do coobrigado. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 598DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721337/2013-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PAGAMENTO OU CRÉDITO. PL DE ANOS-CALENDÁRIO ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. VIOLAÇÃO.
Os juros sobre o capital próprio, calculados sobre o patrimônio líquido de anos-calendário anteriores ao pagamento ou crédito dessa remuneração, constituem violação ao regime de competência.
DESMUTUALIZAÇÃO DA CETIP. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. CISÃO COM VERSÃO DO PATRIMÔNIO PARA SOCIEDADE ANÔNIMA. IMPOSSIBILIDADE.
Não se pode admitir a tese defensiva que sustenta a realização de cisão com a versão de parte do patrimônio da associação para uma sociedade anônima. Vale considerar que a finalidade institucional, sempre de índole não lucrativa, justifica os benefícios e as vantagens concedidos pelo Poder Público e por particulares, que acabam redundando em aumento do patrimônio das associações. Por isso, o Direito não admite a distribuição do patrimônio da associação aos associados, já que as contribuições destes, bem como os privilégios, regalias e benesses proporcionados por terceiros objetivam, em última instância, a realização dos fins almejados pela associação. Coerentemente com tal concepção, o artigo 61, caput, do Código Civil de 2002 prevê que, "em caso de dissolução da associação, o remanescente do patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais do patrimônio relativas aos associados contribuintes, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes."
DESMUTUALIZAÇÃO DA CETIP. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. CISÃO COM VERSÃO DO PATRIMÔNIO PARA SOCIEDADE ANÔNIMA. TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL.
Não se pode cogitar de aplicação do MEP aos títulos patrimoniais das associações, porque sequer inexiste investimento do associado. Este contribuiu para formar o capital da associação sem qualquer interesse econômico. Porém, ao fim e ao cabo, essa associação isenta acumulou superávits ao longo dos anos. Posteriormente, em decorrência da extinção dessa entidade sem fins lucrativos, uma vez convertida em sociedade anônima, os associados tornaram-se acionistas, auferindo um acréscimo de seu patrimônio em razão da aquisição do direito aos resultados não tributados da entidade isenta, obtidos antes de se transformar em sociedade anônima. Esses resultados foram adicionados ao valor patrimonial dos títulos de cada associado, refletindo-se no valor das ações recebidas da pessoa jurídica com fins lucrativos então criada, o que não é compatível com a pretensão do recorrente de se livrar do crédito tributário correspondente ao ganho auferido.
Numero da decisão: 9101-003.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento (i) por maioria de votos, em relação à desmutualização, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) por voto de qualidade, em relação aos Juros sobre Capital Próprio (JCP), vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PAGAMENTO OU CRÉDITO. PL DE ANOS-CALENDÁRIO ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. VIOLAÇÃO. Os juros sobre o capital próprio, calculados sobre o patrimônio líquido de anos-calendário anteriores ao pagamento ou crédito dessa remuneração, constituem violação ao regime de competência. DESMUTUALIZAÇÃO DA CETIP. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. CISÃO COM VERSÃO DO PATRIMÔNIO PARA SOCIEDADE ANÔNIMA. IMPOSSIBILIDADE. Não se pode admitir a tese defensiva que sustenta a realização de cisão com a versão de parte do patrimônio da associação para uma sociedade anônima. Vale considerar que a finalidade institucional, sempre de índole não lucrativa, justifica os benefícios e as vantagens concedidos pelo Poder Público e por particulares, que acabam redundando em aumento do patrimônio das associações. Por isso, o Direito não admite a distribuição do patrimônio da associação aos associados, já que as contribuições destes, bem como os privilégios, regalias e benesses proporcionados por terceiros objetivam, em última instância, a realização dos fins almejados pela associação. Coerentemente com tal concepção, o artigo 61, caput, do Código Civil de 2002 prevê que, "em caso de dissolução da associação, o remanescente do patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais do patrimônio relativas aos associados contribuintes, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes." DESMUTUALIZAÇÃO DA CETIP. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. CISÃO COM VERSÃO DO PATRIMÔNIO PARA SOCIEDADE ANÔNIMA. TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. Não se pode cogitar de aplicação do MEP aos títulos patrimoniais das associações, porque sequer inexiste investimento do associado. Este contribuiu para formar o capital da associação sem qualquer interesse econômico. Porém, ao fim e ao cabo, essa associação isenta acumulou superávits ao longo dos anos. Posteriormente, em decorrência da extinção dessa entidade sem fins lucrativos, uma vez convertida em sociedade anônima, os associados tornaram-se acionistas, auferindo um acréscimo de seu patrimônio em razão da aquisição do direito aos resultados não tributados da entidade isenta, obtidos antes de se transformar em sociedade anônima. Esses resultados foram adicionados ao valor patrimonial dos títulos de cada associado, refletindo-se no valor das ações recebidas da pessoa jurídica com fins lucrativos então criada, o que não é compatível com a pretensão do recorrente de se livrar do crédito tributário correspondente ao ganho auferido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento (i) por maioria de votos, em relação à desmutualização, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) por voto de qualidade, em relação aos Juros sobre Capital Próprio (JCP), vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Re^go - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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PAGAMENTO OU CRÉDITO. PL DE ANOSCALENDÁRIO ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. VIOLAÇÃO. Os juros sobre o capital próprio, calculados sobre o patrimônio líquido de anoscalendário anteriores ao pagamento ou crédito dessa remuneração, constituem violação ao regime de competência. DESMUTUALIZAÇÃO DA CETIP. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. CISÃO COM VERSÃO DO PATRIMÔNIO PARA SOCIEDADE ANÔNIMA. IMPOSSIBILIDADE. Não se pode admitir a tese defensiva que sustenta a realização de cisão com a versão de parte do patrimônio da associação para uma sociedade anônima. Vale considerar que a finalidade institucional, sempre de índole não lucrativa, justifica os benefícios e as vantagens concedidos pelo Poder Público e por particulares, que acabam redundando em aumento do patrimônio das associações. Por isso, o Direito não admite a distribuição do patrimônio da associação aos associados, já que as contribuições destes, bem como os privilégios, regalias e benesses proporcionados por terceiros objetivam, em última instância, a realização dos fins almejados pela associação. Coerentemente com tal concepção, o artigo 61, caput, do Código Civil de 2002 prevê que, "em caso de dissolução da associação, o remanescente do patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais do patrimônio relativas aos associados contribuintes, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes." AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 37 /2 01 3- 34 Fl. 9947DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.948 2 DESMUTUALIZAÇÃO DA CETIP. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. CISÃO COM VERSÃO DO PATRIMÔNIO PARA SOCIEDADE ANÔNIMA. TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. Não se pode cogitar de aplicação do MEP aos títulos patrimoniais das associações, porque sequer inexiste investimento do associado. Este contribuiu para formar o capital da associação sem qualquer interesse econômico. Porém, ao fim e ao cabo, essa associação isenta acumulou superávits ao longo dos anos. Posteriormente, em decorrência da extinção dessa entidade sem fins lucrativos, uma vez convertida em sociedade anônima, os associados tornaramse acionistas, auferindo um acréscimo de seu patrimônio em razão da aquisição do direito aos resultados não tributados da entidade isenta, obtidos antes de se transformar em sociedade anônima. Esses resultados foram adicionados ao valor patrimonial dos títulos de cada associado, refletindose no valor das ações recebidas da pessoa jurídica com fins lucrativos então criada, o que não é compatível com a pretensão do recorrente de se livrar do crédito tributário correspondente ao ganho auferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento (i) por maioria de votos, em relação à desmutualização, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) por voto de qualidade, em relação aos Juros sobre Capital Próprio (JCP), vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS S/A em face do acórdão nº 1402002.216, assim ementado: Fl. 9948DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.949 3 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. DESMUTUALIZAÇÃO DA CETIP. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. AVALIAÇÃO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A operação de desmutualização sob a forma de cisão parcial seguida de incorporação, não se faz possível, em razão do disposto no art. 61 do Código Civil de 2002, que veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa. PERDAS COM CRÉDITOS INCOBRÁVEIS. DESCONTOS DE DUPLICATAS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO COM GARANTIA REAL. A dedução com perdas referentes a créditos incobráveis decorrente de operações de descontos de duplicatas, cujas operações são inferiores a R$ 30.000,00, não exigem o início de qualquer procedimento judicial por parte da credora, uma vez que as duplicatas são utilizadas para quitação dos mútuos, e não como garantia das operações." O voto condutor do acórdão recorrido baseouse nos seguintes argumentos: 1) quanto à dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio: a) como qualquer outra despesa, o pagamento e a contabilização dos juros devem estar atrelados a fatos considerados no mesmo período. Situações outras que, mesmo guardando alguma relação com a matéria, tenham ocorrido em períodos de apuração anteriores ou posteriores, não podem influenciar a despesa incorrida; b) no caso dos juros sobre capital próprio, a despesa é considerada incorrida quando ocorre a deliberação pelo pagamento ou crédito, nos termos da legislação. Os limites de dedução devem ter como escopo esse mesmo momento. Em outras palavras, a base de cálculo e a taxa percentual devem ser apuradas com base nas informações correspondentes, exclusivamente, ao período em que a despesa foi incorrida; c) como a despesa somente será considerada incorrida quando houver a deliberação, é incompatível defender a aplicação de TJLP sobre o saldo de contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores, quando já houve manifestação societária sobre o assunto e ficou decidido pelo pagamento da despesa abaixo do limite dedutível. O direito aos juros sobre o capital próprio nasce a partir da decisão societária, não sendo autorizado Fl. 9949DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.950 4 recuperar a dedutibilidade de despesa que, por determinação da própria empresa, não foi suportada em anos anteriores; d) sob a ótica societária, a deliberação acerca da destinação dos lucros referentes aos anos pretéritos é um ato jurídico perfeito. Cabe à empresa apenas cumprir as determinações constantes da assembléia, quando houve a aprovação das demonstrações financeiras e ficou decidido sobre o tratamento a ser dado ao lucro apurado no período. Eventual modificação dependeria de alteração do balanço e a prova de algum vício no tocante à manifestação de vontade. Como já se deliberou sobre a destinação do lucro do período, não pode a pessoa jurídica simplesmente ignorar a deliberação e, em períodos posteriores, determinar o pagamento de JCP; e) a impossibilidade de cômputo dos lucros apurados no balanço do primeiro semestre, no valor dos lucros acumulados, decorre do próprio texto legal. O limite de dedução dos juros sobre o capital próprio é calculado sobre duas grandezas distintas e independentes (para efeito dessa apuração): lucro do exercício ou lucros acumulados e reserva de lucros. A pessoa jurídica deve escolher uma delas e não adicionálas. No que tange à superação do limite legal, o sujeito passivo parte de premissas equivocadas, como exposto no voto. 2) quanto à desmutualização: a) a questão pode ser resumida de maneira simples: uma entidade isenta de imposto de renda acumulou durante inúmeros períodos superávits; ao fim e ao cabo, seja sob o entendimento de que houve extinção da entidade sem fins lucrativos, seja sob a ótica de transformação e cisão, desejam os então associados da entidade sem fins lucrativos, posteriormente guindados a acionistas da empresa, não submeter os ganhos da entidade, anteriormente não tributados, ao crivo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido; b) tais ganhos foram adicionados ao valor patrimonial dos títulos de cada associado, refletindo no valor das ações recebidas da empresa com fins lucrativos criada. Ou seja, se assistisse razão à recorrente, os ganhos não tributados da entidade sem fins lucrativos teriam se transformado em custo das ações posteriormente pertencentes aos acionistas da sociedade anônima criada; c) os institutos da fusão, cisão e incorporação aplicamse tão somente às sociedades empresárias. Logo, não podem as associações utilizar tais mecanismos de reestruturação societária. Isso porque o artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, que tratam desses institutos societários, estão inseridos em livro específico do Estatuto Civil aplicável exclusivamente às sociedades empresárias; d) nos termos do artigo 17, caput c/c §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.532/1997, a associação civil que atende aos requisitos legais e destina seu superávit integralmente à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, está isenta dos tributos incidentes sobre o lucro. Caso esta associação devolva bens e direitos à pessoa jurídica que contribuiu para a formação de seu patrimônio, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e d a CSLL; e) o Código Civil de 2002 somente cogita da destinação do patrimônio de uma associação em caso de dissolução, fixando que esta deve beneficiar entidade de fins não econômicos ou os associados que contribuiram para a formação daquele patrimônio; Fl. 9950DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.951 5 f) a dissolução da associação civil sem fins lucrativos deve resultar na destinação de seu patrimônio à entidade de fins não econômicos, idênticos ou semelhantes aos seus, ou favorecer os associados que contribuíram para a formação de seu patrimônio. E, caso bens e direitos sejam devolvidos à pessoa que contribuiu para formação do patrimônio da associação civil, haverá a incidência tributária prevista no artigo 17 da Lei n° 9.532/1997; g) estas regras aplicamse, inclusive, em caso de dissolução parcial da associação civil, devendo o parágrafo único do art. 16 da Lei n° 9.532/1997 ser interpretado à luz do Código Civil de 2002, que somente permite a transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica de fins não econômicos; h) inexistindo a possibilidade de cisão da associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio à entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu os títulos patrimoniais que a recorrente possuía em ações negociáveis em Bolsa de Valores somente pode ser tratado como dissolução parcial da associação sem fins lucrativos, com devolução de patrimônio a associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima referida. Em tais circunstâncias, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ; i) o método da equivalência patrimonial, introduzido pela Lei nº 6.404/1976, não é aplicável às associações sem fins lucrativos; j)não se pode admitir que o poder regulamentar conferido à CVM, pela Lei n° 6.404 de 1976, possa servir para autorizar a extensão do MEP às Bolsas de Valores constituídas sob a forma de associação civil. Isso porque o artigo 4° da citada lei deixa claro que as normas expedidas pela CVM sujeitam apenas as companhias abertas; k) se o Ofício Circular CVM n° 325/1979 e a Circular do Banco Central do Brasil n° 1.273/1987 conferiram tal prerrogativa às corretoras, fizeramnos em desrespeito ao artigo 248 da Lei n° 6.404/1976, porquanto o aludido dispositivo legal restringe a aplicação do MEP à avaliação de investimentos em sociedades coligadas ou controladas. O contribuinte foi cientificado do aresto recorrido em 04/05/2017, à efl. 9.554. Recurso Especial de Divergência interposto às efls. 9.557/9.653, em 19/05/2017, conforme efl. 9.555, alegando divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos paradigmas: a) nº 10708.941, no tocante à dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio; b) nº 1401000.902, no tocante à inobservância ao regime de competência e à preclusão; c) nº 1103001.047 e 3402003.819, no tocante à desmutualização. Nessa oportunidade, a recorrente aduz o seguinte, quanto ao mérito: 1) da dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio: Fl. 9951DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.952 6 a legislação previu apenas as consequências fiscais do pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio (tributação na fonte à alíquota de 15%, na data do pagamento ou crédito, dedução da despesa respectiva para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, desde que observados os limites materiais e requisitos formais previstos na lei), não cuidando de permissões ou vedações desse pagamento, nem da época em que deverão ou poderão ser deliberados, creditados e/ou pagos, o que fica a critério da pesoa jurídica; a remuneração do capital dos sócios ou acionistas, mediante pagamento ou crédito de juros, é uma faculdade que depende apenas de decisão formal nesse sentido (deliberação), tomada em assembléia de acionistas ou reunião de quotistas, ou em virtude de cláusula do estatuto ou do contrato social, momento em que surge a despesa a eles relativa; na ausência de previsão legal que determine sejam as deliberações, os pagamentos ou os créditos feitos em cada ano calendário, ou de dispositivo que vede o pagamento de juros sobre o capital próprio calculado sobre o patrimônio líquido de exercícios já encerrados, a pessoa jurídica tem absoluta liberdade para deliberar, no futuro, e efetuar o pagamento de valores relativos a juros sobre capital que já poderia ter deliberado em exercícios passados; atendidos os limites e condições previstos no artigo 9º da Lei nº 9.249/1995, nada mais pode ser exigido do recorrente para justificar a validade da dedução dos juros pagos, muito menos que efetuasse o pagamento ou crédito dos referidos juros no mesmo ano calendário em que foram calculados; uma coisa é o limite previsto no caput do artigo 9º da Lei nº 9.240/1995, pelo qual os juros sobre capital próprio só são dedutíveis, “para a apuração do lucro real, até a variação pro rata die, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP”; limite este que se vincula, portanto, a um evento específico: a apuração do lucro real; outra coisa são as condições para o pagamento dos juros sobre capital próprio, que só pode ser feito até o montante de metade do lucro líquido do exercício antes da dedução dos juros sobre capital próprio, ou metade do somatório de lucros acumulados e reserva de lucros, o que for maior; condições estas que se vinculam, portanto, a um outro evento específico: o pagamento dos JCP; caso prevalecesse o equivocado entendimento da autoridade fiscal e do acórdão recorrido, não poderia o § 1° do artigo 9° da Lei n° 9.249/1995 aludir aos "lucros acumulados", que necessariamente se referem a períodos de apuração passados; o entendimento do acórdão recorrido, além de não encontrar guarida na letra do caput do artigo 9º da Lei n° 9.249/1995, também vai contra sua finalidade, expressa na exposição de motivos EM n° 325/MF, relativa ao Projeto de Lei n° 913/1995, que resultou na Lei n° 9.249/1995; o fato de o contribuinte, mesmo podendo ter distribuído juros sobre capital próprio nos anos de 2006 e 2007 (conf. fls. 521/523), não têlo feito naqueles anos, resultando, assim, em elevação do nível de capitalização (que, de outra forma, seria reduzido pelos pagamentos de juros sobre capital próprio, naqueles anos), não pode fazer com que, em 2008, quando efetivamente veio a pagar os juros sobre capital próprio relativos aos anos de 2006 e 2007, seja ele "punido" com a indedutibilidade dos juros relativos a tal período, “justamente por ter melhor [sic] cumprido os objetivos da regra do artigo 9° da Lei n° 9.249/1995”; Fl. 9952DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.953 7 2) inobservância ao regime de competência: o regime de competência está umbilicalmente ligado ao conceito de "despesa incorrida" e a despesa só se torna incorrida no momento em que é formada a relação jurídica, em razão da qual a pessoa jurídica se torna devedora dos juros e o seu beneficiário passa a poder exigir o pagamento dos juros como direito seu; no caso dos juros sobre capital próprio, a pessoa jurídica se torna devedora e o sócio ou acionista pode exigir o pagamento do valor respectivo apenas após a deliberação da sociedade. Antes da deliberação societária no sentido de que se efetue o pagamento de juros sobre o capital próprio, não há de se falar em direito subjetivo dos sócios ou acionistas ao seu recebimento, nem em despesa incorrida. Ou seja, não se pode cogitar, antes disso, em observância ao regime de competência, posto que não há ato jurídico que tenha tornado a pessoa jurídica devedora dos referidos juros; no caso concreto, o recorrente deliberou efetuar o pagamento de juros sobre capital próprio em 2008, tomando por base os patrimônios líquidos de 2006 e 2007, atendidas as condições e os limites previstos na Lei n° 9.249/1995. A despesa correspondente ao pagamento desses juros, portanto, somente surgiu para o recorrente em 2008; tendo em vista que, somente em 2008, ocorreu a deliberação sobre o pagamento/crédito dos valores desses juros, somente nesse anocalendário a despesa a eles relativa tornouse incorrida, ou seja, o pagamento desses valores tornouse obrigação da empresa e direito dos acionistas, afetando o resultado; 3) preclusão ou renúncia: é princípio básico do direito que inexiste renúncia implícita ou presumida a direito, e a prova de que, no caso, jamais se pretendeu renunciar ao direito à remuneração por seus acionistas consiste na própria deliberação nesse sentido, ocorrida em 2008; ainda que para argumentar se admitisse, como entendeu o acórdão recorrido, que a despesa de JCP deve ser lançada e deduzida no exercício dentro do qual foi incorrida, não sendo dedutível em períodos posteriores, estaria a ocorrer mera postergação de despesas, que, no caso concreto, jamais poderia ter ocasionado o lançamento sem a prova de que teria gerado, daí, prejuízo do Fisco; o artigo 73 da Lei nº 12.973/2014 infirma por completo a tese sustentada pela Fazenda Nacional, pois somente na hipótese de sua total improcedência poderia fazer sentido que uma regra produzida em 2014 dispusesse sobre o cálculo do limite de dedução de juros sobre capital , relativos a exercícios anteriores; 4) desmutualização: mesmo antes do atual Código Civil, sob a égide da Lei das Sociedades Anônimas, doutrina e jurisprudência sempre entenderam que as operações de cisão e incorporação, não obstante disciplinadas no bojo de legislação específica para sociedades anônimas, aplicavamse a todos os tipos de sociedade, inclusive associações sem fins lucrativos, como bem reconhecido pelo acórdão paradigma; Fl. 9953DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.954 8 esse também sempre foi o entendimento que prevaleceu nos diversos órgãos responsáveis pelo registro das pessoas jurídicas na esfera civil e comercial Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas e Juntas Comerciais de modo que essas operações são corriqueiramente efetuadas por todos os tipos de sociedade, sem qualquer oposição dos órgãos fiscalizadores; com o advento do atual Código Civil, previsões semelhantes às da Lei das S/A constam de seus artigos 1.113 a 1.122; não bastasse isso, o legislador deixou claro, no artigo 2.033 do Código Civil vigente, que tais operações transformação, incorporação, cisão e fusão são aplicáveis a todas as pessoas jurídicas associações, sociedades e fundações; também não procede a alegação de que a cisão e a incorporação não podem ser aplicadas às sociedades civis por força do artigo 23 da Instrução Normativa nc 88/01, do Departamento Nacional de Registro do Comércio DNRC; também o artigo 16 da Lei nº 9.532/1997 admite a cisão de entidades isentas e a transferência de bens e diretos de seu patrimônio para outra pessoa jurídica; ademais, o artigo 17 da Lei nº 9.532/1997 também não se aplica ao caso por várias razões: (i) aqui não ocorreu devolução de patrimônio aos associados, mas mera substituição permuta de títulos patrimoniais por ações em decorrência de operação de cisão; (ii) estáse cuidando de situação em que o investimento é avaliado a valor contábil custo de aquisição corrigido e os títulos patrimoniais, no caso, eram avaliados por equivalência patrimonial valor de patrimônio líquido da CETIP; (iii) as atualizações dos títulos patrimoniais em causa decorreram de lucros e reservas capitalizados compulsoriamente pela CETIP e mantidos pelas associadas em conta de reserva de capitalização, sem terem sido distribuídos, hipótese que sempre foi contemplada com isenção prevista no Decretolei 1.109/70, artigo 3o; DecretoLei 1.598/77, artigo 63; Lei 8.849/94, artigo 3o; assentado que a operação de cisão da CETIP é lícita, legítima e perfeitamente admitida pelo ordenamento jurídico, os efeitos jurídicos dela decorrentes, inclusive no campo tributário, são os efeitos próprios da operação de cisão, que não se confunde com a extinção de sociedade com devolução de patrimônio aos sócios que, de resto, não ocorreu; é da essência da operação de cisão que os antigos sócios/acionistas da sociedade cindida recebam, em substituição da participação societária anterior, participação societária nova, na sociedade que absorveu o patrimônio da cindida; não houve qualquer devolução de patrimônio da sociedade cindida para os seus sócios, como sustenta o Fisco no caso concreto, porque esse patrimônio foi vertido para a sociedade resultante da cisão ou já existente, que o absorveu; para que houvesse devolução do patrimônio da cindida aos sócios, estes deveriam receber (ou ter a faculdade de receber) dinheiro ou bens e direitos constantes do ativo da cindida, jamais quotas/ações da outra sociedade, que ficou com o dinheiro ou os bens e direitos, eventualmente existentes; Fl. 9954DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.955 9 a própria Receita Federal, ao analisar a operação de cisão por força da qual foram substituídos títulos patrimoniais da Bovespa por ações da Clearing S/A (atual CBLC), não só a entendeu legítima, como atribuiulhe os efeitos permutativos que lhe são próprios, ou seja, concluiu ter havido mera troca dos títulos patrimoniais da associação por ações da empresa, sem qualquer ganho de capital naquele momento; afora o exposto, o artigo 22 da Lei 9.249/1995 dispõe que, na hipótese de devolução de capital/patrimônio ao sócios, o ganho de capital, se houver, é da pessoa jurídica que promove a devolução, o que faz com que, nesta hipótese e nesse momento, quem obtém ganho de capital e sofre a tributação é a pessoa jurídica que está devolvendo participação societária em bens e direitos; o sócio, acionista ou titular somente será tributado quando da alienação desses bens e direitos e caso venha a apurar ganho de capital; de fato, a permuta, enquanto não alienado o bem recebido, não implica acréscimo patrimonial, não podendo, assim, justificar a exigência de imposto de renda; nesse sentido são inúmeras as manifestações da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial, valendo ressaltar que os atos editados pela própria Receita Federal confirmam que operações com natureza permutativa não resultam em acréscimos patrimoniais tributáveis pelo IRPJ ou pela CSLL; tal entendimento foi vigorosamente defendido pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em parecer aprovado pelo então ProcuradorGeral (Parecer PGFN n° 970, de 23 de setembro de 1991), Tércio Sampaio Ferraz Júnior (cuidando, inclusive, de situação fática praticamente idêntica à presente), posteriormente aprovado pelo então Ministro da Economia, Fazenda e Planejamento, Marcílio Marques Moreira; , registrese que a consequência para o desatendimento das condições legalmente previstas para gozo da isenção é a perda do benefício tributário, relativamente aos anoscalendário em que ocorrer a violação à legislação, nos termos dos artigos 13 e 14 da Lei nº 9.532/1997; portanto, no caso concreto, se o Fisco entendeu que a entidade isenta descumpriu a norma de isenção porque teria devolvido capital aos associados, então deveria ter aplicado as normas legais acima, suspendendo a isenção relativamente ao exercício social em que tal violação ocorreu, em vez de transmudar operação de cisão legítima em extinção com devolução de patrimônio, tudo com o objetivo de tributar nos associados o valor das atualizações dos títulos patrimoniais ocorridas ao longo de mais de vinte anos; uma vez assentado que as consequências fiscais da operação de cisão em causa só podem atingir as pessoas jurídicas envolvidas, para o recorrente, as consequências fiscais dessa operação de cisão são as mesmas que sofreriam os sócios de qualquer outra sociedade tributada: a) cujos investimentos são avaliados pelo método da equivalência patrimonial não incidência sobre os resultados positivos; e b) que não receberam lucros e dividendos, porque estes foram capitalizados ao longo do tempo; o que pretendem a autoridade fiscal e o acórdão recorrido é simplesmente desconsiderar totalmente, no caso concreto, os efeitos da Portaria MF nº 785/1977, sendo certo que o tratamento tributário da matéria evidencia que, desde 1977, referidos Títulos Fl. 9955DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.956 10 Patrimoniais já eram avaliados em função das mutações patrimoniais das Bolsas de Valores, sem efeitos fiscais, mesmo tratamento contábil e fiscal dispensado às variações positivas das participações societárias avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, conforme artigo 248 da Lei 6.404/1976, artigo 23 do Decretolei 1.598/1977 e artigo 1o, inciso IV, do Decreto Lei 1.648/1978; considerando que, nos termos das Leis nº 4.595/1964 e 6.385/1976, e de manifestações fiscais pacíficas, o CMN, Banco Central do Brasil e a CVM têm competência para normatizar a contabilidade das empresas por eles fiscalizadas, inclusive determinando a adoção da equivalência patrimonial o Ofício Circular nº 325/1979, da CVM, e a Circular nº 1.273/1987, do Banco Central do Brasil (pela qual foi baixado o COSIF), determinaram que os títulos patrimoniais das bolsas fossem avaliados pelo método da equivalência patrimonial; sob os pontos de vista contábil e fiscal, os valores creditados na conta de reserva de atualização de títulos patrimoniais não representam qualquer acréscimo patrimonial tributável pelo IRPJ e CSLL, não podendo ser tributados, seja no momento da desmutualização das Bolsas, seja no momento da alienação das ações; a avaliação de investimento pelo valor de patrimônio da investida (no caso, o aumento de valor dos títulos da CETIP em função da variação do seu patrimônio) é neutra, para fins fiscais, porque não representa efetivo ganho das investidoras, enquanto e se as investidas não distribuírem lucros ou dividendos ou devolverem patrimônio aos sócios. A só avaliação não implica fato gerador do IRPJ e da CSLL, porque não implica aquisição de renda ou lucro, mas mera expectativa; com base nisso, forçoso é concluir que não sofre tributação, pelo imposto de renda, o valor das atualizações dos títulos patrimoniais da CETIP, efetuadas pelo método da equivalência patrimonial, mantidos em reserva, até porque, em face do registro contábil diretamente no Patrimônio Líquido, sem trânsito por conta de resultado, ou pelo patrimônio líquido do exercício, para que a tributação dessa atualização fosse possível seria necessário a existência de previsão legal expressa que determinasse sua adição ao lucro real e à base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro; o valor da atualização patrimonial dos títulos da CETIP compõe o valor do ativo permanente de investimento em títulos patrimoniais e, assim, compõe o respectivo custo para todos os fins, inclusive para futura apuração de ganho de capital; ainda que tais acréscimos transitassem por conta de resultado, eles não seriam alcançados pela tributação porque, ao longo do tempo, sempre houve norma de isenção específica, determinando, expressamente, sua exclusão na apuração do valor que serviria de base de cálculo do imposto de renda; a Portaria MF nº 785/1977, editada em época anterior à instituição do COSIF, portanto, quando o acréscimo do valor dos títulos patrimoniais transitava por conta de resultado, determinou sua exclusão do lucro real; considerando que a CETIP, por força das normas contábeis, societárias e fiscais, acima citadas, de um lado, não distribuía lucros e, de outro, estava obrigada anualmente a atualizar o valor nominal dos títulos, e informar esses valores às suas associadas, promovendo verdadeira "capitalização" compulsória dos acréscimos decorrentes de sua valorização patrimonial, deduzse, pois, que estas se subsumiam perfeitamente à norma de Fl. 9956DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.957 11 isenção prevista no artigo 3o, caput, do Decretolei n° 1.109/1970, estendendose essa não incidência aos sócios, acionistas e titulares beneficiários, pessoas físicas ou jurídicas, conforme previsto no § 1o do mesmo dispositivo legal, desde que não distribuídos (poderiam capitalizar tais valores sem tributação, mas, no caso, sempre foram mantidos em reserva para futura capitalização); essa disciplina legal foi reproduzida no artigo 63 do Decretolei 1.598/1977; com o advento da Lei nº 7.713/1988, esse benefício ficou limitado a 31/12/1988, tendo sido novamente previsto no artigo 3o da Lei 8.849/1994, com redação alterada pela Lei nº 9.064/1995 (texto em parte consolidado no artigo 658 do Decreto 3.000/99, RIR/99); a partir de 1996, a distribuição de lucros ou dividendos passou a não se sujeitar à tributação na fonte ou na declaração, para o sócio, acionista ou titular do investimento, por força do artigo 10 da Lei nº 9.249/1996; desde então, temse por revogada a norma de isenção prevista na Lei nº 8.849/1994, que só se aplicaria ao imposto de renda na fonte por ocasião da distribuição de lucros apurados nos anos de 1994 e 1995. Ou seja, estariam isentos dessa tributação na fonte os lucros originados em 1994 e 1995 e capitalizados conforme o previsto na Lei nº 8.849/94; contudo, o art. 10 da Lei nº 9.249/1996 não torna prejudicado o inteiro teor do artigo 3o da Lei nº 8.849/1994, porque exclui da tributação a distribuição de dividendos calculados sobre lucros apurados pelas empresas tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado, sendo mais restrito em face do artigo 3o da Lei nº 8.849/1994, que é mais amplo, tratando de quaisquer lucros apurados por qualquer pessoa jurídica, mesmo aqueles não tributados; além disso, a Lei nº 8.849/94 não cuida apenas de imposto de renda na fonte, porque prevê expressamente que "os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de lucros ou reservas não sofrerão tributação do imposto sobre a renda", mesmo que os "lucros" ... não tenham sido submetidos à tributação" (artigo 3o, § 1"), estendendo essa isenção aos sócios beneficiários de ações, quotas ou quinhões resultantes do aumento de capital, sem distinguir entre o investidor pessoa física ou jurídica (§ 2o); estando em vigor essa isenção, por força do artigo 3o da Lei nº 8.849/1994, que foi prevista pela primeira vez no artigo 3° do DL 1.109/1970, expressamente referido na Portaria MF nº 785/1977 do Ministério da Fazenda, não há dúvida de que ela é aplicável aos títulos da CETIP, ou seja, o acréscimo patrimonial percebido pelos associados da CETIP, originário do aumento do valor nominal dos títulos patrimoniais da CETIP está, e sempre esteve, fora do âmbito de incidência do imposto de renda, porque jamais ocorreram os fatos previstos no parágrafo 4o do artigo 3o da Lei devolução de capital/patrimônio aos sócios/associados no prazo de 5 (cinco) anos a contar da capitalização dos lucros e reservas. Tratase de condição resolutiva que, enquanto não ocorrida, mantém os efeitos da isenção tributária, para todos os fins de direito (artigo 128 do Código Civil); tanto a cisão não implica redução do capital/extinção da sociedade com devolução de capital aos sócios, mas continuidade das entidades cindidas, e sua ocorrência não acarreta perda da isenção, que a própria Lei nº 8.849/1994 no artigo 3o, § 8o, regula a espécie, prevendo que as sociedades resultantes da cisão sucedem às cindidas, na contagem do prazo de Fl. 9957DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.958 12 cinco anos, sem solução de continuidade, para observância da condição resolutiva prevista no § 4o; ou seja, em face das disposições da Lei nº 8.849/199, e considerando que a CETIP, quando apura superávit/lucro, é obrigada a capitalizálos anualmente, informando a valorização dos títulos patrimoniais a seus associados, o valor do aumento de capital só poderá ser, um dia, no futuro, considerado rendimento tributável (lucros distribuídos) para os associados, se a associação (ou a sociedade que a sucedeu na cisão), nos cinco anos seguintes à capitalização dos "lucros ou reservas", reduzir capital ou se extinguir com devolução de capital/patrimônio aos associados.; como no caso concreto essa situação de fato não ocorreu, porque nem a CETIP, a CETIP S/A e o recorrente jamais sofreram redução de capital ou foram extintos com devolução de patrimônio aos sócios o patrimônio das entidades continua a pertencer integralmente às sociedades anônimas nas quais se transformaram então aquela isenção tornouse definitiva para os aumentos dos valores dos títulos capitalizados (ou mantidos em reserva para esse fim) ao menos até 2004; não obstante todo o acima exposto, a partir da interpretação histórica, sistemática e literal das normas legais e regulamentares que disciplinam a não incidência de tributos sobre os resultados positivos da avaliação de investimentos pelo método da equivalência patrimonial, bem como das normas legais que instituíram isenção na distribuição de lucros que foram capitalizados há mais de 5 (cinco) anos, que os aumentos de valor incorporados aos títulos patrimoniais da CETIP compõem o seu valor contábil, não podendo sofrer tributação pelo IRPJ e pela CSLL; a única diferença entre as pessoas jurídicas sem fins lucrativos, no caso, a CETIP, e as com fins lucrativos, é que as primeiras capitalizam seus resultados compulsoriamente, por exigência de normas do BACEN, enquanto as demais o fazem voluntariamente. Contudo, uma vez capitalizados os resultados, o regime jurídico aplicável é exatamente o mesmo; assentado que as atualizações dos títulos patrimoniais da CETIP integram o valor do ativo, fica evidenciada a improcedência dos autos de infração lavrados. Ante o exposto, pede seja admitido e provido o presente Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido de modo a reconhecer a flagrante improcedência do lançamento, quanto às matérias objeto deste apelo. Despacho de encaminhamento à PGFN no dia 14/09/2017, à efl. 9915. Contrarrazões apresentadas no dia mesmo dia, à efl. 9945. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo. No entanto, não pode ser admitido em relação aos temas "inobservância do regime de competência" e "preclusão/renúncia", na Fl. 9958DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.959 13 forma do artigo 67, § 15, do vigente RICARFAnexo II, introduzido pela Portaria MF nº 329/2016. Isso porque o apelo a esta instância especial foi interposto no dia 19/05/2017, posteriormente à data de 06/04/2017, quando esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deliberou para reformar o acórdão paradigma nº 1401000.902, proferindo o acórdão nº 9101002.778. Assim, remanescem as questões trazidas ao debate desta Turma quanto aos juros sobre o capital próprio e à desmutualização, que devem ser conhecidas, em consonância com o Despacho de Admissibilidade às efls. 9.834/9.878. Inicialmente, apreciase a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. Como é cediço, a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio é regida pelo artigo 9º e §§ da Lei nº 9.249/1995, com a seguinte redação, ao tempo da lavratura do auto de infração: “Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, Fl. 9959DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.960 14 exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido.” Para a devida compreensão dos fatos, revelase necessário transcrever o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal, às efls. 8.929/8.958, onde a Fiscalização registrou a auditoria e as conclusões do trabalho: "No anocalendário de 2008, o UNIBANCO deduziu na apuração do Lucro Real despesas de juros sobre capital próprio no montante de RS 860.997.499,85 (oitocentos sessenta milhões novecentos noventa sete mil quatrocentos noventa nove reais e(oitenta e cinco centavos), conforme informado em sua DIPJ/2009 Ano Calendário 2008 ND 1678381 linha 49 da ficha 06B. No entanto, com base nas informações apresentadas em sua DIPJ/2009, verificouse, em uma análise inicial, que o contribuinte não teria preenchido os requisitos referentes ao limites previstos no art. 9o da Lei n° 9.249/95, sendo assim imprescindível uma análise pormenorizada sobre esta operação do contribuinte. Inicialmente, foram solicitadas informações sobre o cálculo de juros sobre capital próprio, com a apresentação dos documentos contábeis pertinentes, conforme itens 2,"3 e 6. do Termo de Intimação FiscalTIFn° 01, de 12 de janeiro de 2012. Em expedienteresposta recepcionado nesta DEINF em 13 de março de 2012, o UNIBANCO apresenta cópia do razão analítico da conta n° 8195500001 "DESPESAS COM JUROS AO CAPITAL", planilhas com demonstrativo de apuração dos JCP com base na TJLP do período e observância dos limites de dedutibilidade com datas base em 31 de março, 31 de julho, 30 de setembro e 30 de novembro de 2008 e informou o embasamento legal que justificasse sua dedutibilidade, conforme segue: [...] A deliberação societária a respeito da remuneração aos acionistas do UNIBANCO no anocalendário 2008 se deu através de juros a título de remuneração sobre o capital próprio, na forma de distribuições trimestrais, e constou das Atas Sumárias da Reunião do Conselho de Administração do UNIBANCO datadas de 27 de março, 21 de julho, 25 de setembro e 21 de novembro de 2008, sendo estes valores imputados ao valor do dividendo obrigatório referente ao ano de 2008. Estas deliberações administrativas foram ratificadas conforme item 2 da Ata Sumária da Assembléia Geral Ordinária dos acionistas do UNIBANCO realizada em 30 de abril de 2009, no montante de R$ 860.997.499,85. O quadro a seguir apresenta a execução desta despesa com o resumo dos valores contábeis e a respectiva conciliação com a DIPJ; [...] Análise preliminar dos cálculos relativos à observância dos limites de dedutibilidade apresentados em resposta ao TIF n° 01 identificou inconsistência entre o valor deduzido de R$ 860.997.499,85 e o limite calculado pelo UNIBANCO, no montante de R$ 685.336.734,62, pelo que solicitamos esclarecimentos e documentação adicionais, itens 5 e 6 do Termo de Intimação Fiscal n° 02, de 14 de maio de 2012. Fl. 9960DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.961 15 Em expedienteresposta recepcionado nesta DEINF em 01 de agosto de 2012, o UNIBANCO informou que o pagamento de JCP se baseou em saldos de exercícios anteriores, conforme segue: "Em relação à dedução de JCP relativo ao anocalendário 2008, o valor total pago no ano é de RS 860.997.499,85, sendo que este valor é composto pela somatória de RS 342.442.142,18 e de RS 518.555.126,07, correspondente ao saldo de JCP não utilizada respectivamente em 2006 e 2007. O limite de cada ano é o produto da aplicação da TJLP prorata dia sobre o Patrimônio Líquido, nos termos da legislação vigente. " Tendo em vista a informação acima de utilização de valores relativos a exercícios anteriores solicitamos novos esclarecimentos, Termo de Intimação Fiscal de n° 13 de 18 de fevereiro de 2013, atendido conforme expediente resposta recepcionado nesta DEINF em 27 de março de 2013, onde informa "Sendo assim, vêse que: o limite de R$ 685.336.734,62, correspondente a aplicação da TJLP sobre o Patrimônio Líquido do anocalendário de 2008, não foi utilizado, visto ter sido constatado valores de exercícios anteriores que não tinham sido efetivamente pagos; o limite de dedutibilidade corresponde ao maior valor entre a) 50% do lucro acumulado; e b) 50% do lucro do exercício corrente, conforme quadro abaixo: [...] Na resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 01, o UNIBANCO apresenta demonstrativo com o cálculo dos limites de JCP com data base de 30 de novembro de 2008: questionado item 1 do Termo de Intimação Fiscal nº 14 de 24 de maio de 2013 a apresentar o enquadramento legal que justificasse a utilização desta data e não a de encerramento do exercício social 31 de dezembro de 2008, informou através de expedienteresposta recepcionado nesta DEINF em 14 de junho de 2013 o que segue: "O pagamento ocorreu em 31.11.2008 (sic) por deliberação do Conselho de Administração, conforme Ata Sumária da Reunião do Conselho de Administração do Unibanco União de Bancos Brasileiros S.A., realizada no dia 21.11.2008." No mesmo expedienteresposta de 14 de junho de 2013 apresenta quadro denominado "JCP Utilização de forma retroativa em 2008" onde indicada sob a forma de um "contacorrente" desde o anocalendário de 2002 os limites para distribuição, a utilização no próprio ano, o estoque e os valores efetivamente utilizados nos anoscalendário 2007 e 2008, anexando documentação societária atas de assembléias gerais ordinárias e extraordinárias de 2003 a 2007 e informa ainda que " o pagamento de JCP ocorrido no anocalendário de 2007 encontrase controlado no Processo Administrativo 16327.720115/201213, atualmente aguardando o resultado do Recurso Voluntário de Fazenda." (sic) Em resumo, o procedimento do UNIBANCO implicou na [sic] dedução no ano calendário 2008 de despesas de JCP no montante total de R$ 860.997.499,85, Fl. 9961DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.962 16 montante este creditado aos acionistas em quatro parcelas não idênticas, março, julho, setembro e novembro de 2008 e imputado aos dividendos obrigatórios do ano calendário 2008. 2.2 DO DIREITO APLICADO [...] Além das condições acima citadas, para efeito de apuração do lucro real e da contribuição social sobre o lucro líquido, a dedutibilidade dos juros remuneratórios deve ainda atender a outras condições previstas na IN/SRF 11/96: observar o regime de competência, ser pago/creditado individualmente a titular, respeitar o limite da variação da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido. Juros Sobre o Capital Próprio "Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas,a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio liquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1 º A opção da pessoa jurídica, o valor dos juros a que se refere este artigo poderá ser incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital. • §2° Para os fins do cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado, salvo se adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, valor: 1) da reserva de reavaliação de bens e direitos da pessoa jurídica; 2) da reserva especial de trata o art. 428 do RIPJ94; 3) da reserva de reavaliação capitalizada nos termos dos arts. 384 e 385 do RIPJ94, em relação às parcelas não realizadas. § 3o O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por cento de um dos seguintes valores: a) do lucro liquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b)dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores, (grifos nossos) A instrução normativa SRF 41/98, com o objetivo de elucidar a aplicabilidade do art. 9º da Lei n° 9.249, de 1995, esclareceu considerarse creditado, individualizadamente, o valor dos juros sobre o capital próprio, quando a despesa for registrada na escrituração contábil da pessoa jurídica em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio. 1N SRF n° 41/98 "Dispõe sobre os Juros remuneratórios do capital próprio. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, .no uso de suas atribuições, resolve: Art. 1º. Para efeito do disposto no art. 9o da Fl. 9962DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.963 17 Lei No 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considerase creditado, individualizadamente, o valor dos juros sobre o capital próprio, quando a despesa for.registrada, na escrituração contábil da pessoa jurídica, eM contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio ou acionista da sociedade ou do titular da empresa individual. Art. 4o Na hipótese de beneficiário pessoa jurídica, o valor dos juros creditados ou pagos deve ser escriturado comoreceita, observado o regime de competência dos exercícios. (Grifos nossos)" Com isso, se verifica que as Instruções Normativas n°s 11/96 e 41/98, respectivamente, nos artigos 29° e 4°, impõem expressamente uma limitação temporal nA determinação dos juros sobre o capital próprio (JCP), quando fazem referência ao regime de competência dos exercícios. Ademais, não custa aqui "reiterar que a necessidade de observância do regime de competência pára as Sociedades Anônimas está prevista no caput do Art. 177 da Lei n° 6.404/76 [...] Ou seja, resta claro que o regime de competência deve ser obedecido pela empresa na apuração do lucro real, considerando que, em se tratando de Sociedade Anônima, a expressa previsão legal encontrase no art. 177 da Lei 6.404/76. [...] Ou seja, as contas do exercício só têm existência jurídica quando sobre elas tiver recaído deliberação homologatória da Assembléia dos acionistas. E uma vez aprovadas, são atos jurídicos perfeitos e acabados, #só cabendo ser retificadas nos casos de erro, dolo ou simulação. A aprovação das demonstrações implica em verificar as operações realizadas pela administração, os lançamentos contábeis e documentos que o embasam, bem como os dados do balanço patrimonial e de resultado econômico. Cabendo, inclusive, deliberação sobre a destinação do lucro do exercício, se existente. Por. outro lado, do ponto de vista econômico, temos que a aprovação das demonstrações financeiras reflete um interesse público. Perante terceiros, as contas do exercício quando aprovadas se revestem de um ato jurídico perfeito, e tornamse uma ferramenta essencial para que seja avaliada a situação financeira e os resultados da empresa, indispensável para que os interessados em realizar negócios com esta possam tomar suas decisões respaldados em informações certas e verificadas. Neste cenário, permitir que deliberações no futuro gerem despesas referentes a exercícios passados além de ocasionar uma atmosfera de insegurança jurídico econômica aos usuários dos balanços publicados, vai frontalmente de encontro às normas legais então vigentes. Tal entendimento, encontra respaldo nas palavras do jurista Edmar Oliveira Andrade Filho1 que aborda o. tema nos seguintes termos: [...] 'Andrade Filho, Edmar Oliveira. Imposto de Renda das Empresas 6a Edição. São Paulo:AAtlas, 2009, p. 268 ' Fl. 9963DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.964 18 Logo, podemos concluir que para haver dedutibilidade das despesas de JCP necessário se faz que tenha se materializado o fato gerador correspondente, ou seja, a deliberação social tomada no devido tempo, e que a empresa tenha observado as condições previstas na lei 9.249/95, ou seja, o pagamento ou creditamento, em favor dos sócios/acionistas com o devido registro contábil no ano de competência, além de obedecer os limites previstos na lei. E importante destacar que os juros sobre o capital constituem uma remuneração dos acionistas em razão dos investimentos realizados na sociedade pagadora dos juros. Contudo, devese segregar as implicações dos juros sobre o capital próprio no âmbito da legislação societária e no âmbito das normas que regulam a dedutibilidade fiscal. Nesse sentido, mais uma vez, o magistério de Edmar Oliveira Andrade Filho2 é preciso, in verbis: [...] No caso, o não exercício da faculdade em questão, prevista no art. 9o da Lei n° 9.249/1995, ensejou a preclusão consumativa do direito de fazêlo; uma vez que o UNIBANCO optou por exercer apenas parcialmente a referida faculdade nos anoscalendário de 2002 a 2006. Todavia, estas possíveis sobras de JCP destes anos anteriores não exercidas foram consideradas para pagamento e dedução de JCP na apuração do ucro real do anocalendário de 2007. Devese ainda esclarecer, que o não exercício puro e simples da faculdade em questão enseja a preclusão temporal, por decurso do prazo concedido para seu exercício. Na hipótese de exercício integral da faculdade, ou mesmo parcial, sendo esta a hipótese deste procedimento de fiscalização, ocorre a preclusão consumativa, significando que o UNIBANCO já consumou o ato de'utilização da faculdade. O limite concedido não necessariamente deve ser integralmente exaurido para que se configure o exercício da faculdade. Em conseqüência, não cabe cogitarse de "direito adquirido" para utilização da parte não exercida, em anos posteriores, resultando em renúncia por parte do UNIBANCO, destes valores excedentes de despesas de JCP. [...] 2.3 DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO O Ato Declaratório Normativo COSIT n° 13, de 27/05/1996, DOU de 28/05/1996 dispõe: "O limite, para fins de dedutibilidade, como despesa financeira, do valor dos juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, a título de remuneração de capital próprio, será de cinquenta por cento do lucro líquido correspondente ao períodobase do seu pagamento ou crédito, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros, ou dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores, o que for maior." Pois bem, para o critério de lucro líquido do exercício se verifica a inexistência de lastro que suporte a dedução de despesas de JCP no anocalendário 2008 conforme quadro a seguir: 2Andrade Filho, Edmar Oliveira. Imposto de Renda das Empresas 6a Edição. São Paulo: Atlas, 2009, p. 266 ' ' ■ Fl. 9964DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.965 19 Cabe ressaltar a tentativa do fiscalizado em antecipar o pagamento de JCP do quarto trimestre de 2008, de 31 de dezembro para 20 de novembro, de forma a atender o limite para dedutibilidade pelo critério do lucro líquido do exercício, ao contrário do inicialmente determinado pela deliberação social de março de. 2008 que previa pagamentos trimestrais, procedimento este indicativo de já haver previsão de alteração significativa no resultado do exercício, de lucro para prejuízo, em função da associação com o Itaú, como de fato ocorreu Pelo critério de lucros acumulados se faz necessário ajustar o saldo existente em 31 de dezembro de 2008 em função da dedução dos próprios JCP relativos a 2008 contra esta rubrica, conforme Demonstração de Mutações do Patrimônio Líquido resumida a seguir: Diante disto, apuramos a glosa parcial de JCP pagos/creditados no ano calendário de 2008, a ser adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL de ofício, no montante de RS 634.208.481.05. montante este objeto do presente lançamento de oficio." (grifos no original) Assim postos os fatos, impõemse as seguintes razões, na solução da questão examinada. A remuneração dos juros sobre capital próprio é uma faculdade que os sócios/acionistas podem exercer, desde que exista deliberação nesse sentido, aprovada em assembleia de acionistas ou reunião de quotistas. Portanto, não há que se falar na dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio se não houver deliberação dos próprios sócios ou acionistas, a respeito do pagamento ou crédito dessa remuneração. Fl. 9965DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.966 20 A dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio está sujeita a regras que estabelecem limites quantitativos. Uma dessas regras se refere ao limite de dedutibilidade que é função da taxa de juros fixada no caput do artigo 9º da Lei nº 9.249/1995. A outra regra estipula o limite de dedutibilidade que é função dos lucros acumulados e da reserva de lucros, conforme o § 1º do artigo 9º da Lei nº 9.249/1995. Os juros sobre o capital próprio também estão sujeitos a regras jurídicas que estatuíram a observância ao regime de competência. Com efeito, os artigo 177 e 187 da Lei nº 6.404/1976 preceituam a observância ao regime de competência, assim como os §§ 4º a 7º do artigo 6º do Decretolei nº 1.598/1977. O artigo 9º da Lei nº 9.249/1995 não instituiu regra de exceção ao regime de competência, quanto à dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. O período de competência dos juros sobre o capital próprio é aquele em que ocorreu a deliberação dos sócios para pagamento ou crédito dessa remuneração, afinal a sociedade não está obrigada a reconhecer esse encargo antes da aprovação dos sócios ou acionistas. Estes também não têm o direito de exigila sem a prévia edição do ato jurídico que corporifica a decisão que aprova o pagamento ou crédito dos juros sobre o capital próprio. Se não houve deliberação a favor do pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio, não há como se exigir tal remuneração. Nessas circunstâncias, inferese que os sócios ou acionistas deliberaram no sentido de não se efetuar o crédito ou o pagamento, em reverência à própria autonomia. Se sócios ou acionistas podiam estabelecer o pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio e renunciaram o direito de deliberar nesse sentido, as demonstrações financeiras são aprovadas sem a dedução dessa remuneração. Não aprovando o pagamento ou crédito dos juros sobre o capital próprio, a sociedade deixou de reservar qualquer montante do resultado do exercício para pagamento ou crédito dessa remuneração. A recorrida efetuou o pagamento, em 2008, de juros sobre o capital próprio calculados sobre o patrimônio líquido dos anoscalendário de 2006 e 2007. Essa conduta implica violação ao regime de competência, por deduzir do resultado tributável do ano calendário de 2008 encargos com juros incidentes sobre o patrimônio líquido dos anos calendário de 2006 e 2007. Anotese, ainda, que os sócios ou acionistas não aprovaram a remuneração a título de juros sobre o capital, no encerramento dos anoscalendário de 2006 e 2007. Sabendo se que os juros sobre o capital próprio são remunerações incidentes sobre o patrimônio líquido de determinado anocalendário, não podem ser deduzidas do resultado do tributável de outros períodos de apuração. Isso porque a apuração do IRPJ e da CSLL é atrelada ao princípio da competência que está implícito no § 1º do artigo 187 da Lei nº 6.404/1976, segundo a qual as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente de sua realização em moeda, devem ser computados no resultado do exercício juntamente com os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes da essas receitas e rendimentos. Também a disciplina do § 4º do artigo 6º do Decretolei nº 1.598/1977 traduz a relevância do princípio da competência, ao determinar a alocação de valores que reduzem o resultado tributável ao períodobase a que competir. Na linha do que se defende neste voto, citese o acórdão 9101002.180, sessão de 19/01/2016, relator Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: Fl. 9966DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.967 21 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1 O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2 As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3 A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, 4 Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente.” Ressalta a recorrente que, caso não se entenda que a despesa não é referente ao anocalendário da deliberação do pagamento dos juros sobre o capital próprio (2008), seria forçoso concluir que ocorreu mera postergação de despesa. Essa conclusão, todavia, não se sustenta. Os Formulários de Apuração do Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa da CSLL (efls. 8.959/8.960), o Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (efl. 8.903), o Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL (efl. 8.911) e o demonstrativo de compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL elaborado pela Fiscalização (efl. 8.957) evidenciam que os valores de despesas de juros relativas ao patrimônio líquido de 2006 e 2007, indevidamente apropriados aos resultados tributáveis de 2008, não implicaram pagamento de tributo a maior em 2008, considerando que, nesse ano, a recorrida apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, que foram ajustados pela Fiscalização, com a glosa dos juros apropriados pelo contribuinte no referido anocalendário. Aqui, é preciso enfatizar que tais ajustes sequer reverteram o prejuízo fiscal para lucro real, como também não foram suficientes para transformar a base de cálculo negativa de CSLL em base positiva. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial do contribuinte, no tocante à dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio. No passo seguinte, a questão relacionada à desmutualização. Fl. 9967DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.968 22 Em primeiro plano, reportase ao relato da Fiscalização, consignado no Termo de Verificação Fiscal, à efls. 8.839/8.944: "Segue pequeno histórico da CETIP Associação, extraído do documento intitulado "Formulário de Referência" disponível no site cetip.infoinvest.com.br: "A CETIP Associação foi constituída em 1984, de acordo com as leis vigentes no Brasil como uma entidade sem fins lucrativos por participantes do mercado de renda fixa privado com o apoio do Banco Central. As atividades da Companhia se iniciaram em 6 de março de 1986, através da constituição em 1984 de uma entidade sem fins lucrativos por participantes do mercado de renda fixa privada com o apoio do Banco Central. O objeto social da CETIP Associação era oferecer serviços integrados de custódia, negociação eletrônica, registro de negócios e liquidação financeira para Ativos de Renda Fixa e Derivativos de Balcão. Iniciamos as nossas operações em 6 de março de 1986. A história da CETIP Associação foi marcada por adaptações estruturais e tecnológicas em razão de um cenário macroeconômico em transformação. Durante as duas décadas que se seguiram ao inicio de nossas operações foram implementados diferentes planos econômicos (Plano Bresser, Plano Verão, Plano Collor,; Plano Collor II e Plano Real) e ocorreram quatro trocas de moedas (Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro, Cruzeiro Real e Real), além de importantes redirecionamentos políticoinstitucionais, crises econômicas internacionais, implementação do SPB, intensificação do processo de globalização financeira e, finalmente, o ciclo de desmutualização, abertura de capital e consolidação dos mercados de bolsa e de balcão organizado. Em 1988, foi celebrado um acordo com a ANDIMA para operar o SND e , a partir de 2003, a CETIP Associação passou a receber 19% da receita gerada pelo referido sistema. Em 29 de maio de 2008, foi aprovada a Desmutualização da CETIP Associação que passou a ter efeitos a partir de 1° de julho de 2008. Em conexão com o processo de Desmutualização e através da incorporação da ANDIMA SND, nos tornamos os únicos, detentores dos direitos sobre o SND (inclusive contratos e ativos intangíveis, notadamente marcas e direitos sobre os sistemas e softwares com vidas [úteis indefinidas) e da marca "SDT", passando a auferir a totalidade da receita gerada pelo SND. Por meio da Desmutualização, os direitos patrimoniais dos antigos associados foram desvinculados dos Direitos de Acesso, e convertidos em participações acionárias. Assim, desde a Desmutualização, as atividades da CETIP passaram a ser desenvolvidas por uma sociedade por ações com fins lucrativos. " (grifo. nosso)." O objetivo da desmutualização da CETIP Associação, consubstanciada através de cisão parcial de seu patrimônio e simultânea subscrição de ações da CETIP S.A., foi o de transferir as atividades compreendidas no objeto social da associação civil sem fins lucrativos CETIP, para outra entidade, organizada sob a forma de sociedade anônima, a CETIP S.A. É certo que os títulos patrimoniais da CETIP detidos pelos associados apresentavam dois aspectos distintos. O primeiro, de conteúdo patrimonial, refletia o valor da participação dos associados no capital da CETIP. Fl. 9968DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.969 23 O segundo, de natureza operacional, permitia a eles o chamado "Direito de Acesso", ou seja, davalhes o direito de operar na CETIP. Conforme acima indicado, "Por meio da Desmutualização, os direitos patrimoniais dos antigos associados foram desvinculados dos Direitos de Acesso, e convertidos em participações acionárias. Assim, desde a Desmutualização, as atividades da CETIP passaram a ser desenvolvidas por uma sociedade por ações com fins lucrativos." (grifo nosso)." Com a desmutualização, ocorreu a separação entre o conteúdo operacional do título e os direitos patrimoniais, que passaram a estar corporificados em ações da CETIP S. A. As condições iniciais para a desmutualização foram estabelecidas em documento societário "Instrumento de Protocolo e Justificativa da Operação de Cisão Parcial da CETIP CÂMARA DE CUSTÓDIA E LIQUIDAÇÃO" lavrado em 14 de Abril de 2008. Caberia a cada detentor de título representativo do patrimônio da CETIP, a subscrição de um número de ações de emissão da CETIP S/A. Por sua vez, este número de ações foi determinado com base nos valores patrimoniais contábeis de cada título patrimonial, apurado no balancete de 31 de março de 2008 da CETIP, conforme item "V" do referido Protocolo, assim transcrito: QUANTIDADE DE TÍTULOS NA CETIP ASSOCIAÇÃO VALOR PATRIMONIAL CINDIDO (R$) POR TÍTULO NUMERO DE AÇÕES NA CETIP S/A POR TÍTULO 496 406.650,00 406.650 Regularmente intimada Termos de Intimação Fiscal n° 04 de 17 de maio de 2012 e 08 de 17 de outubro de 2012 solicitou prorrogação de prazo e apresentou, através de expedientesresposta recepcionados nesta DEINF em 25 de junho de 2012 e 13 de novembro de 2012, documentação que, em síntese, indica que à época da desmutualização era detentora de 02 títulos de associado da CETIP Associação: o primeiro, de número 0232, adquirido pelo próprio UNIBANCO em 19/02/1986 pelo valor de Cr$ 106.400,00 e o segundo, de número 0360, havido por absorção em 31/10/2001 de patrimônio de sociedade cindida Banco Bandeirantes de Investimento S/A BBI S/A. Este segunda título, adquirido pelo BBI S/A junto à CETIP em 09 de junho de 1987, conforme certificado, foi registrado no ativo do UNIBANCO apenas em 16 de maio 2008 pelo valor de R$ 379.504,81, conforme razão contábil da conta 21410300001 CETIP, havendo apenas informação de que constou em balancete do BBI S/A com data base em 30/09/2001 o valor de R$ 5.734,62 na conta 215101008 EMPRESAS LIQ. E CUST. VINC. BOLSAS. No ato da desmutualização o UNIBANCO efetivamente subscreveu 406.650 (quatrocentos e seis mil seiscentos e cinquenta) ações da CETIP S.A. para cada título patrimonial, perfazendo um total de 813.300 ações, ações estas reclassificadas em 30/03/2009 em seu Ativo Permanente na conta 2151020002 AÇÕES & COTAS CETIP pelo custo de R$ 759.009,62. em contrapartida à conta também do ativo permanente 2.1.4.10.3018 INVESTIMENTOS TÍTULOS DA CETIP S.A. Em função de evento de Cisão Parcial, estas ações foram incorporadas ao patrimônio do contribuinte ITAU UNIBANCO S.A. CNPJ 60.701.190/000104. Fl. 9969DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.970 24 Em relação ao cômputo na apuração do Lucro Real do ganho de capital decorrente do momento da desmutualização informou: "Não ocorreu a tributação no momento da desespiritualização (conversão de títulos em ações CETIP), devido ao fato de não haver o entendimento (interpretação) de "devolução de capital". Houve a apuração de ganho de capital somente em 2011 quando da alienação registrado na empresa sucessora Itaú Unibanco S.A., conforme demonstrado no (doc. 8) acima. " O procedimento de não oferecimento do ganho de capital à tributação bem como a indicação do custo de R$ 379.504,81 como valor atualizado do título da CETIP no momento da desmutualização são julgados incorretos por esta fiscalização, conforme demonstrado a seguir. 3.2 DO DIREITO APLICADO , 3.2.1 Da natureza jurídica do processo de desmutualização Preliminarmente cabe ressaltar que toda a operação decorrente do processo de desmutualização se deu por "subscrição" de ações de sociedades anônimas de capital aberto, mediante recursos provenientes da devolução de patrimônio de instituição isenta. A Receita Federal do Brasil se manifestou, por meio da Solução de. Consulta n° 10/07 — Cosit (ementa publicada no DOU de 30.10.2007) proposta pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores, acerca das repercussões tributárias advindas do processo de desmutualização. Na citada Solução de consulta, fica claro que se aplica, ao processo de desmutualização, a tributação prevista no artigo 17 da Lei 9.532/97, que dispõe: [...] O citado artigo determina que deve ser computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens recebidos a título de devolução de patrimônio de instituição isenta e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos entregues para a formação do patrimônio, no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real. Portanto, o entendimento da Receita Federal do Brasil é de que, no processo de desmutualização, houve a devolução do patrimônio da CETIP Associação para os seus associados, com a subsequente subscrição de ações da CETIP S.A. Isto porque, ao serem subscritas as ações da nova sociedade, a JPMORGAN [digo Unibanco] deixa de se qualificar como associado à CETIP e passa a ser sócio da CETIP S.A., empresa que ostenta finalidade de lucro. Dessa forma, a associação CETIP, efetivamente devolve a parte cindida de seu patrimônio aos associados, na forma de ações da CETIP S.A. O valor a ser tributado, é, portanto, o representado pela diferença entre o valor recebido pelo UNIBANCO, na forma de ações da CETIP S. A. e o valor por ela entregue para a formação do patrimônio da CETIP Associação, ou seja, o acréscimo patrimonial decorrente de um ativo mantido pela sociedade empresarial e que se Fl. 9970DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.971 25 realiza com a desmutualização, evidenciando renda tributável a teor do artigo 43 do Código Tributário Nacional CTN. 3.2.2 Da Forma de Atualização do Valor dos Títulos Patrimoniais O artigo 9o do Anexo à Resolução CMN (BACEN) n° 2.690, de 28.01.2000, determina que, ao término de cada exercício social, deve haver a apuração do valor do patrimônio social da bolsa de valores e assemelhados com base nas demonstrações financeiras, adotandose os mesmos procedimentos e critérios usados pelas sociedades anônimas. Pois bem, o valor do patrimônio, apurado anualmente, era dividido pelo número de títulos patrimoniais existentes, chegandose, assim, ao valor nominal atualizado dos Títulos Patrimoniais. 3 Da Forma de Contabilização dos Títulos Patrimoniais A forma de contabilização dos títulos patrimoniais esta prevista no Capítulo 1, item 11, subitem 3, parágrafo 3o do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro NacionalCOSIF: 3. Outros Investimentos (...) 3 Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, e da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos CETIP são atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: (Circ. 1273) a) se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil na database do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; b) se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil na database do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS até o limite do seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS. (...) A conta COSIF utilizada para registro de Títulos Patrimoniais está classificada no Ativo Permanente — Investimentos com a denominação 2.1.4.10.20 8. Já a conta COSIF para registro da Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais está classificada no Patrimônio Líquido Reserva de Capital com a denominação 6.1.3.70.009. Vale observar que a contabilização da atualização dos Títulos Patrimoniais não afetava o resultado do exercício, uma vez que a contrapartida da atualização do valor era registrada em conta de Reserva de Capital. Assim, esta mais valia jamais foi tributada anteriormente. Fl. 9971DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.972 26 A previsão legal para a não tributação desse acréscimo patrimonial dos títulos ao longo do tempo, não distribuído e incorporado ao capital de seus associados, foi dada pela Portaria MF n° 785, de 20.12.19773. Destaquese, entretanto, que a citada Portaria trata do evento "constituição de reserva com acréscimos no valor nominal dos títulos", o que não se confunde com o evento ora tributado "devolução do patrimônio das bolsas às suas associadas", alcançado pelo artigo 17 da Lei n° 9.532/97, conforme mencionado anteriormente. 3.2.4. Da Forma, Valores de Aquisição, Atualização e Realização dos Títulos Patrimoniais CETIP Associação Para operar na CETIP, o UNIBANCO estava obrigado a deter título patrimonial da referida entidade, entidade esta que, na ocasião da aquisição dos títulos, era constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos. Como já acima descrito o UNIBANCO era detentor de duas cotas patrimoniais representadas pelos Títulos de Associado de n° 0232 e 0360, sendo que pelo lapso temporal, diversas alterações da moeda e falta de informações não há como imputar aos mesmos qualquer valor a título de custo de aquisição. Cabe ressaltar que esta atualização monetária não se deve confundir com a atualização do valor patrimonial do título lançada em contrapartida a conta de reserva e sujeita a tributação por ocasião de sua realização. Conforme já acima exposto, em 31 de março de 2008, o valor patrimonial de cada título patrimonial da CETIP Associação era de R$ 406.650,00: ocorre que no Protocolo de Justificação firmado em 14 de abril de 2008, em seu itens 3.1.1 e 3.1.2 (transcritos abaixo), já havia sido esclarecido que a variação patrimonial positiva no período entre a aprovação e a efetiva cisão seria objeto de repartição no mesmo percentual da cisão entre as parcelas cindida e a cindenda; 3.1.1. Os resultados das variações patrimoniais ocorridas na CETÍP ASSOCIAÇÃO a partir de 01 de abril de 2008 até 30 de junho de 2008, em relação a parcela não cindida, nela permanecerão. 3.1.2 A partir de 1º de julho de 2008, as variações patrimoniais correspondentes à parcela cindida da CETIP ASSOCIAÇÃO ocorridas desde 01 de abril de 2008 serão registradas integralmente na CETIP S.A. Dando efetividade ao processo realizaramse em 29 de maio de 2008 Assembléias Gerais Extraordinárias tanto na CETIP Associação como na CETIP S.A., corroborandose os termos do Protocolo bem como a data de 1° de julho de 2008 para a desmutualização. Ocorre que entre a data do balanço do Protocolo 31 de março de 2008 e efetivação da cisão 01 de julho de 2008 a Associação continuou suas atividades normais, tendo o patrimônio sofrido variação positiva nesse período. Conforme demonstrativos CETIP ASSOCIAÇÃO KPMG Demonstrações Financeiras 30.06.08 e 2007 ver página 28, último parágrafo e CETIP S.A. KPMG Demonstrações Financeiras 01.07.08 — ver Demonstrações das Mutações do Patrimônio Liquido, pág. 5 se verifica que a devolução de capital — que coincide com o patrimônio inicial da CETIP S.A foi de R$ 220.452.594,00 R$ 201.698.400,00 mais R$ 18.754.194,'00 , que por sua vez dá um valor individual para cada um dos 496 associados igual a RS 444.460,67. Fl. 9972DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.973 27 Este valor de R$ 444.460,67 foi o efetivamente auferido pelo UNIBANCO por cada título patrimonial em 01 de julho de 2008 e não R$ 379.504,81 conforme indicado em seus registros contábeis. 3.3 Da Apuração da Base de Cálculo do Lançamento A não apuração de ganho de capital por ocasião da desmutualização configura infração à legislação tributária, pelo que se lavra a presente autuação, decorrente da não tributação do ganho de capital originado pela devolução de patrimônio de entidade isenta CETIP, embasada nas razões de direito apresentadas no item 3.2 deste Termo de Verificação. Resultou não tributado, portanto, o ganho de capital auferido relativo aos dois títulos patrimoniais detidos pelo UNIBANCO no valor individual de R$ 444.460,67 auferido quando da devolução de capital de sociedade isenta, ou seja, R$ 888.921,34, com efeitos em 01 de julho de 2008." Como bem resumiu a DRJ, o recorrente era titular de duas quotas patrimoniais de associação sem fins lucrativos Cetip Associação , cujos associados decidiram transferir parte das atividades da associação para uma sociedade organizada sob a forma de sociedade anônima, de fins lucrativos, de capital aberto – a Cetip S/A –, na qual cada associado subscreveria um determinado número de ações. No entendimento da Fiscalização, cada um dos associados subscreveu ações da sociedade anônima mediante recursos provenientes da devolução de patrimônio de instituição isenta. O lançamento tributário em exame está fundamentado na existência de acréscimo patrimonial gerado no ato da devolução, acréscimo este resultante da diferença entre o valor recebido a título de restituição do patrimônio da associação sem fins lucrativos e o valor que fora, no passado, entregue para a formação desse patrimônio. Já a recorrente defende que só houve ganho de capital em 2011, quando da alienação registrada na pessoa jurídica sucessora, Itaú Unibanco S/A. A teor do Termo de Verificação Fiscal, o ganho apurado no recebimento de ações subscritas no capital em Cetip S/A deve ser tributado na forma do artigo 17 da Lei nº 9.532/1997: "Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. (...) § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; Fl. 9973DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.974 28 b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos." O recorrente pondera que não houve extinção de associação com devolução de capital aos associados e, sim, uma cisão da associação sem fins lucrativos, cujo patrimônio foi vertido para a sociedade resultante da cisão. Em outras palavras, o patrimônio teria migrado da associação para a sociedade; já os antigos associados apenas permutaram títulos patrimoniais da associação por ações da nova pessoa jurídica. Em primeiro lugar, não se pode admitir a tese defensiva que sustenta a realização de cisão com a versão de parte do patrimônio da associação para uma sociedade anônima. Registrese que, nos termos do artigo 53 do vigente Código Civil, "constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos". Essa redação mereceu a crítica que deu lugar ao Enunciado nº 534 do Conselho da Justiça Federal, segundo o qual "as associações podem desenvolver atividade econômica, desde que não haja finalidade lucrativa." Vale considerar que a finalidade institucional, sempre de índole não lucrativa, justifica os benefícios e as vantagens que acabam redundando em aumento do patrimônio das associações. Como é cediço, certos propósitos associativos mobilizam o Poder Público e particulares a conceder benesses, regalias e privilégios como forma de estímulo ou apoio à consecução dos fins que motivaram a constituição das associações. O Direito não admite a distribuição do patrimônio da associação aos associados, já que as contribuições destes, bem como os benefícios e as vantagens proporcionados por terceiros, inclusive pelo Poder Público, objetivam, em última instância, a realização dos fins almejados pela associação. Coerentemente com tal concepção, o artigo 61, caput, do Código Civil de 2002 prevê que, "em caso de dissolução da associação, o remanescente do patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais do patrimônio relativas aos associados contribuintes, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes." Percebase que a lei de modo algum autoriza a destinação do remanescente do patrimônio líquido para entidade que não tenha fins idênticos ou semelhantes ao da associação dissolvida. Em consonância com o artigo 61, § 2º, do Código Civil/2002, caso inexista no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição com fins idênticos ou semelhantes, o que remanescer de seu patrimônio deverá ser transferido à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. À vista do regramento civil das associações, é inquestionável a proibição da versão do patrimônio de uma associação para uma sociedade anônima, contrariamente ao salientado no Recurso Especial. Também é inquestionável que as associações não se sujeitam à cisão, instituto do Direito específico das sociedades. Para tal conclusão, basta rememorar que o Livro II do Código Civil/2002 cuida do Direito das Empresas, dividido em Títulos. Ao Título II cabem as regras referentes às sociedades, iniciandose com o conceito de contrato de sociedade estipulado em seu artigo 981: "celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados." (grifei) Aqui já se verifica uma distinção essencial: a sociedade persegue o lucro, ao passo que a associação, não. Continuando a exploração topográfica do Título II, dividido em capítulos: justamente o capítulo X trata da transformação, incorporação, fusão e cisão de sociedades. Óbvio, pois, que não há espaço à afirmação de que se aplicam as regras relativas à cisão às Fl. 9974DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.975 29 associações. Por essa razão, a disciplina do parágrafo único do artigo 16 da Lei nº 9.532/1997 não é aplicável às associações, conforme se depreende do texto do mencionado dispositivo legal: "Art. 16. Aplicamse à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação." Segundo o artigo 44 do Código Civil em vigor, são pessoas jurídicas de direito privado: as associações, as sociedades, as fundações, as organizações religiosas (incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003), os partidos políticos (incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) e as empresas individuais de responsabilidade limitada (incluído pela Lei nº 12.441, de 2011). A partir desse dispositivo legal, inferese que o parágrafo único do artigo 16 da Lei nº 9.532/1997 não incide na transferência de bens e direitos de entidades isentas para o patrimônio de qualquer pessoa jurídica, uma vez que as associações não podem ser objeto de incorporação, fusão ou cisão. Há, entretanto, pessoas jurídicas isentas que não têm a natureza de associação. Desde que estas estejam autorizadas a se submeter a operações de incorporação, fusão ou cisão, serão regidas pela regra do parágrafo único do artigo 16 citado, quando transferirem bens e direitos para o patrimônio de outras pessoas jurídicas, em decorrência daquelas operações, exceto se houver norma especial que determine de outro modo. No mesmo rumo, não se pode dizer que o artigo 2.033 do vigente Código Civil estabelece que toda e qualquer pessoa jurídica pode realizar operação de transformação, incorporação, cisão ou fusão, verbis: "Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código." Definitivamente, tal dispositivo remete ao próprio Código, salvo nos casos previstos em lei especial, os atos constitutivos das pessoas jurídicas e as operações de transformação, incorporação, cisão ou fusão. Ora, é o próprio Código Civil que não autoriza as associações a se submeter a tais operações. Tratandose das sociedades anônimas, a regulação dos atos constitutivos e das operações de transformação, incorporação, cisão ou fusão está abarcada pela nº 6.404/1976. Reiterando o que se adiantou, não há norma no Código Civil ou em lei especial que preveja a operação de transformação, incorporação, cisão ou fusão para associações. O próprio conceito legal de associação permite a conclusão de que a exploração de atividade lucrativa por pessoa jurídica que anteriormente gozava de vantagens e benefícios por não perseguir o lucro, implica dissolução desta. Com razão a Fazenda Nacional, contudo, ao expor que, "ainda que admitíssemos a aplicação de institutos como a transformação, cisão e incorporação de sociedades empresárias ao presente caso, apenas para se evitar eventual solução de continuidade das atividades desenvolvidas pelas Bolsas, ainda assim, dada a nítida disparidade de regimes, não há como fugir à conclusão (como manda a lei) de que os associados receberam de volta patrimônio e, ato contínuo, ainda que na mesma folha de papel, utilizaramse do mesmo para a integralização de ações em sociedade anônima." Fl. 9975DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.976 30 A recorrente reclama que, em atendimento ao disposto no artigo 22, § 1º, da Lei nº 9.249/1995, o sujeito passivo da obrigação tributária em exame é a pessoa jurídica que transferiu bens e direitos, e não aquela que recebeu. Reparese no dispositivo legal apontado: "Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. § 1º No caso de a devolução realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado." Inevitável que se anote a singularidade dos dispositivos suprarreferidos caput e § 1º do artigo 22 da Lei nº 9.249/1995: são aplicáveis a pessoas jurídicas que tenham sócio ou acionista. Também incide sobre a empresa individual, em razão da referência a "titular". Logo, não é o caso das associações. Ademais, importa atentar para o tratamento tributário distinto, comparando a regra precedentemente destacada e aquela do artigo 17 da Lei nº 9.532/1997. Neste, a tributação recai sobre o associado que obteve o acréscimo patrimonial, enquanto a tributação do artigo 22, § 1º, da Lei nº 9.249/1995 se desloca para a pessoa jurídica que efetuou a devolução dos bens e direitos, embora o ganho de capital tenha sido auferido por sócio, acionista ou titular da empresa individual. A distinção supra ressalta que a tributação do artigo 17, § 3º, da Lei nº 9.532/1997 segue o que a legislação contempla ordinariamente: a tributação do imposto de renda e da CSLL recai sobre aquele que efetivamente obteve o acréscimo patrimonial. Já o artigo 22, § 1º, da Lei nº 9.249/1995 transfere a incidência tributária para a pessoa jurídica destinatária do investimento do sócio, acionista ou titular. São consequências distintas para incidências tributárias também distintas. Assim, não há fundamento para imputar, no presente caso, a responsabilidade tributária à Cetip associação, com o suposto supedâneo do artigo 22, § 1º, da Lei nº 9.249/1995. Esta não almejava lucro e era despida do quadro de sócios ou acionistas. Esclareçase, ainda, que não é verdade que houve permuta de títulos patrimoniais por ações. Concebese o contrato de permuta ou troca como um contrato bilateral comutativo, já que as obrigações dos contraentes devem equivalerse, juridicamente. Assim, se houvesse permuta, haveria outra parte que deveria arcar com obrigações contrapostas às obrigações dos antigos associados. Nesse tópico, perguntase: se o associado recebeu ações, o que se comprometeu a dar em troca, e para quem, com o fito de receber as ações? Que obrigação foi assumida pelo associado, em sinalagma? A resposta é simples: nenhuma; não havia outrem com quem tivesse permutado algo. O caráter sinalagmático da permuta decorre do cerne intencional em torno da compensação de um bem por outro, com equilíbrio econômico entre as prestações. Desse contrato surgem obrigações correlativas de entregar uma coisa pela outra, pois a pretensão de obter uma coisa é o que motiva a transferência do domínio da outra. Consignese que, "assim como na compra e venda, em que um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, ou seja, é contrato que engendra exclusivamente uma obrigação de dar (rem pro Fl. 9976DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.977 31 pretium), mas não uma obrigação de fazer (Washington de Barros Monteiro, Curso de Direito Civil, Direito das obrigações, São Paulo: Saraiva, 1959, vol. 2, p. 91), igualmente na permuta não há troca de coisa por uma obrigação de fazer (do ut facias), mas exclusivamente uma rem pro re (Barros Monteiro, op. cit., p. 129)." 3 A alegação do recorrente sugere que os associados deixaram de ter títulos patrimoniais representativos do capital da associação "em troca" de ações. Se o associado celebrou a troca antedita, deveria haver outra pessoa para quem entregou os títulos patrimoniais e de quem recebeu as ações. Contudo, nada disso ocorreu, pois o antigo associado recebeu ações emitidas pela sociedade anônima destinatária do patrimônio da associação, sem assumir a obrigação de lhe entregar, de forma comutativa, coisa alguma. Também é preciso elucidar que a Portaria MF nº 787/1977 não favorece à recorrente. Vejase: "Portaria nº 785, de 20 de dezembro de 1977 O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições e, com, fundamento no que dispõe o art. 223, ‘m’, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186/75: Resolve: I. Os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decreto Lei nº 1.109/70, art. 3º, § 3º (RIR, art. 237)." Não se deve perder de vista que a aludida Portaria foi editada para regulamentar a alínea "m" do artigo 223 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 76.186/1975. Significa dizer que a Portaria n° 785/1977 não determinou que se aplicassem as normas da Lei nº 6.404/1976 disciplinadoras do método da equivalência patrimonial. Na verdade, a alínea “m” do artigo 223 do RIR/1975 referiase a quinhões ou frações ideais recebidas pelos associados em decorrência de meros aumentos de capital da Bolsa de Valores. Ora, um dispositivo do RIR/1975 não pode ter conexão com o método da equivalência patrimonial (MEP), instituído posteriormente pela Lei nº 6.404/1976. Nesse ponto, impende colocar em evidência o indigitado dispositivo do RIR/1975: "Art. 223. – Serão excluídos do lucro real para os efeitos de tributação (...): m) o valor das ações, quotas ou quinhões de capital, recebidos em decorrência dos aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos 3 Revista de Direito Privado, vol. 62 (abriljunho de 2015). Da permuta no direito brasileiro. Editora Revista dos Tribuanais Ltda. Tércio Sampaio Ferraz Júnior. <http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:jYB7k0icWHQJ:professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente /admin/arquivosUpload/13374/material/Da%2520permuta%2520no%2520direito%2520brasileiro%2520 %2520Tercio%2520Sampaio.PDF+&cd=3&hl=ptBR&ct=clnk&gl=br&client=firefoxb>. Acesso em 01/04/2018. Fl. 9977DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.978 32 197, §§ 6º e 9º, 223, alínea l, 223, § 31, 236, 243, alínea d, 250, 254, § 3º, 283, 297, 577, 578 e 583 (Decretolei nº 1.096/70, art. 1º, §§ 6º e 7º, Lei nº 4.862/65, art. 49, Decretolei nº 1.260/73, art. 4º, Decretolei nº 1.109/70, art. 3º e § 1º, Lei nº 4.357/64, art. 3º, § 6º, Decretolei nº 756/69, art. 25, Decretolei nº 1.338/74, art. 15, § 4º, Decretolei nº 1.191/71, art. 9º, § único, Decretolei nº 221/67, art. 80, § 4º, Lei nº 5.508/68, art. 36, Decretolei nº 756/69, art. 24, § 4º, Decretolei nº 1.346/74, arts. 6º, § 3º, e 11, e Decretolei nº 1.370/74, art. 2º, § 3º)." (grifei) Perante o cenário em relevo, constatase que a Portaria MF nº 787/1977 simplesmente autorizava a postergação da tributação das sociedades corretoras, incidente sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das quotas ou frações ideais, decorrentes de alteração do patrimônio das associações (Bolsas de Valores), desde que a corretora associada houvesse constituído reserva para futura incorporação ao capital. Implementada a mencionada condição para a postergação, a tributação em referência deveria ocorrer no momento da distribuição do valor acrescido, ou, dentro de cinco anos do aumento de capital com a citada reserva, quando da redução desse capital ou da extinção da pessoa jurídica associada, como previa o artigo 237 do RIR/1975: "Art. 237 Ocorrendo a redução do capital ou a extinção da pessoa jurídica nos 5 (cinco) anos subseqüentes, o valor das reservas e dos lucros em suspenso que tenham sido aproveitados em aumento de capital com isenção do imposto será tributado na pessoa jurídica, como lucro distribuído, ficando os sócios, acionistas ou o titular, sujeitos ao imposto na declaração de rendimentos ou na fonte, no ano em que ocorrer a extinção ou redução (Decretolei nº 1.109/70, art. 3º, § 3º)." (grifei) Seja como for, não se pode perder de vista que, na vigência do artigo 17 da Lei nº 9.532/1997, devese tributar a devolução do patrimônio da associação pela diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos dessa entidade isenta e o valor em dinheiro ou o valor dos bens que foram entregues para a formação do patrimônio da associação. O recorrente afirma que, em lugar da tributação da pessoa jurídica associada, a associação que desatendeu os requisitos para o gozo da isenção deveria perder o benefício fiscal, ao rigor dos artigos 13 e 14 da Lei nº 9.532/1997. Só que o caso em apreço não diz respeito a eventual descumprimento das normas concessivas da isenção. Revelase patente que são situações distintas. Todavia, se a associação cometeu qualquer infração que justifica a perda da isenção, isso não derrui a conjuntura fática caracterizadora da aquisição do acréscimo patrimonial por parte da associada, consumada no ato de receber ações emitidas pela sociedade anônima que absorveu o patrimônio da associação. Devese destacar que, em face dos elementos fáticos aqui descritos, não há dúvida da subsunção ao disposto no artigo 17, caput e § 3º, da Lei nº 9.532/1997. Cumpre reforçar a rejeição ao argumento de que os acréscimos antes aduzidos resultam da equivalência patrimonial, o que obstaria sua sujeição à tributação, em consonância com artigos 225 e 388 RIR/99. Embora já tenha sido delineado, de forma breve, que a Portaria MF nº 787/1977 não se refere à aplicação do método da equivalência patrimonial, convém transcrever o seguinte trecho do acórdão nº 9101002.462, da lavra do Conselheiro André Mendes de Moura: "Defende a Contribuinte que cabe a atualização no valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos nos moldes do Fl. 9978DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.979 33 MEP, conforme metodologia imposta pelos princípios contábeis e pelo BACEN e a CVM, e o tratamento disciplinado na área fiscal pela Portaria MF nº 758/77. Ocorre que o MEP é instituto previsto na mencionada Lei nº 6.404, de 1976, que não trata de associações, mas sim de sociedade por ações que visam o lucro. É método de atualização de investimentos da controladora em controladas e coligadas. Ou seja, a investidora reflete, no seu patrimônio líquido, as variações positivas ou negativas do patrimônio líquido de suas investidas. Eventual variação positiva no investimento da investidora não é submetida à tributação, porque se trata de reflexo dos lucros das investidas destinados ao aumento do seu capital social, que já foram tributados nas próprias investidas (coligadas ou controladas). Por outro lado, as associações civis, enquanto se mantiverem nessa condição, e a quem pretende a recorrente equiparar às controladas ou coligadas, são isentas de tributação. Ou seja, não se tributa nem a investida (associação sem fins lucrativos), nem o investidor (detentor do título patrimonial). Por isso, o contexto em que insere a Portaria MF nº 785, de 1977 é o de conferir transparência à evolução patrimonial das bolsas, que eram associações sem fins lucrativos. Resta evidente, portanto, a distorção ao se pretender equiparar a variação de investimento prevista por meio do MEP à atualização de títulos patrimoniais decorrentes de variações no patrimônio das bolsas de valores prevista na mencionada portaria ministerial. Ademais, analisandose como a lei societária conceitua as sociedades controladas e coligadas (art. 243 da Lei nº 6.404, de 1976), tornase ainda mais improvável compreender que os detentores dos títulos patrimoniais de uma associação sem fins lucrativos possam ser assemelhados a investidores com poder de decisão sobre a administração da investida, vez que não são detentores de um investimento relevante e tampouco exercem influência significativa. Os arts. 116 e 243 da Lei nº 6.404, de 1976, deixam claro o vetor que direciona a relação entre as empresas do grupo: o poder de deliberar sobre o destino da empresa. (...) Como se pode observar, a equiparação entre os proprietários de títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos a controladoras de uma sociedade empresária por ações, com fins lucrativos (controlada ou coligada) não encontra nenhuma sustentação jurídica. A propriedade de títulos patrimoniais não confere nenhum poder sobre os destinos da associação, os associados não tem direitos e obrigações recíprocos, o fim colimado não é o proveito comum dos sócios, mas sim o ideal da associação. Por outro lado, o MEP reflete a valorização de ações que a empresa possui, de participações societárias de empresas controladas ou coligadas, sobre as quais exerce poder de decisão. Propriedade de títulos patrimoniais X propriedade de ações de empresas controladas e coligadas são situações que não se comunicam, sob qualquer enfoque que se analise a questão, tanto no direito empresarial (Código Civil), quanto no direito contábil (Lei nº 6.404, de 1976) ou no direito tributário." (grifos no original) Fl. 9979DF CARF MF Processo nº 16327.721337/201334 Acórdão n.º 9101003.535 CSRFT1 Fl. 9.980 34 Em síntese, não se pode cogitar de aplicação do MEP aos títulos patrimoniais das associações, porque sequer inexiste investimento do associado. Este contribuiu para formar o capital da associação sem qualquer interesse econômico. Porém, ao fim e ao cabo, essa associação isenta acumulou superávits ao longo dos anos. Posteriormente, em decorrência da extinção dessa entidade sem fins lucrativos, uma vez convertida em sociedade anônima, os associados tornaramse acionistas de uma sociedade anônima. No entanto, um dos associados não quer que se reconheça o acréscimo de seu patrimônio, em razão da aquisição do direito aos resultados não tributados da entidade isenta, obtidos antes de se transformar em sociedade anônima. Esses resultados foram adicionados ao valor patrimonial dos títulos de cada associado, refletindose no valor das ações recebidas da pessoa jurídica com fins lucrativos então criada, o que não é compatível com a pretensão do recorrente de se livrar do crédito tributário correspondente ao ganho auferido. À luz de tais fundamentos, nego provimento ao Recurso Especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 9980DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.010512/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. VICIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional.
É de cinco anos, contado da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o prazo para que a Fazenda Pública constitua, mediante lançamento, o crédito tributário.
Numero da decisão: 2201-004.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. VICIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional. É de cinco anos, contado da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o prazo para que a Fazenda Pública constitua, mediante lançamento, o crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. VICIO FORMAL. NOVO LANÇAMENTO. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional. É de cinco anos, contado da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o prazo para que a Fazenda Pública constitua, mediante lançamento, o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 05 12 /2 00 7- 91 Fl. 366DF CARF MF 2 O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, NFLD 37.114.4175, fls. 05 a 85, referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, parte patronal, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho e aquelas destinadas a outras entidades ou fundos, Terceiros. O Relatório Fiscal consta de fl. 99. A notificação em tela é substitutiva do DEBCAD nº 37.009.8102, declarado nulo, por vício formal, em 30/06/2006, em razão de ter sido formalizado quando o prazo do Mandado de Procedimento Fiscal encontravase expirado. O valor lançado, no montante originário de R$ 69.304,30, é relativo ao período de apuração de setembro de 2001 a agosto de 2004. Do mesmo procedimento fiscal resultaram o Auto de Infração 37.114.4183 (processo 19647.010520/200738 arquivado) e a NFLD 37.114.4167 (processo 19647.010513/200736, já julgado em 2ª Instância, Acórdão 2302002.556). Ciente do lançamento em 24 de setembro de 2007, conforme fl. 5 e 95, inconformado, o contribuinte formalizou a impugnação de fl. 133/157, na qual limitou seus argumentos à decadência dos débitos lançados até o período de apuração agosto de 2002. Em relação aos débitos posteriores, 09/2002 a 08/2004, os quais classificou como incontroversos, o contribuinte solicitou o seu desmembramento para "pagamento", via compensação com supostos créditos provenientes de retenções sofridas por tomadores de serviço. Na análise da impugnação, fl. 199/205 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE considerou procedente o lançamento, lastreada nas conclusões abaixo resumidas: (...) Ocorre que o lançamento ora em discussão objetivou substituir a NFLD 37.009.8102, que foi tornada nula em virtude de falha formal, havendo, nesse sentido, decisão administrativa, datada de 28/11/2006 (conforme extrato a fl. 97). (...) Em conseqüência, tendo a decisão, que anulou a NFLD anterior, sido exarada em 28/11/2006 e não constando interposição de recurso administrativo à mesma, havendo o presente lançamento se constituído em 24/09/2007, consoante fl. 01 dos autos, não há que se falar quer em decadência ou, muito menos, em prescrição, dado que se observou, in casu, o prazo legal para a feitura do crédito tributário, NÃO havendo, assim, como prosperar a irresignação do impugnante no pertinente à. referida matéria. Ainda que, por hipótese, não considerássemos o acima exposto, terseia por válido o lançamento, dado que o prazo fixado no art. 45, da Lei n.° 8.212/91 continua vigente e cogente, porque não declarado inconstitucional pelo STF e as decisões judiciais, arroladas pelo impugnante, só têm efeito interpartes, não amparando, assim, os que nelas não figuram, como é o caso do contribuinte em tela. No que concerne ao pedido de compensação entabulado pelo impugnante, cabe esclarecer que todas as GPS, em nome da empresa em tela, constantes dos sistemas informatizados deste Fl. 367DF CARF MF Processo nº 19647.010512/200791 Acórdão n.º 2201004.483 S2C2T1 Fl. 367 3 órgão (extrato que fazemos juntar a fls. 92/95), inclusive aquelas com o código de pagamento 2631, que é o pertinente à retenção de contribuições sociais em decorrência de prestação de serviços nos moldes do art. 31, da Lei n.° 8.212/91, foram consideradas pelo Fisco na ocasião da constituição da presente NFLD, consoante se observa a fls. 23/25 (relatório de documentos apresentados) e fls. 26/35 (relatório de apropriação de documentos apresentados). Grifouse. Ciente do Acórdão da DRJ em 05 de maio de 2008, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 215/241, em 29 de maio de 2008, no qual reiterou os mesmos argumentos e pedidos expressos na impugnação. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, a 3ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, resolveu converter o julgamento em diligência para que fossem juntados aos autos documentos capazes de evidenciar a data da lavratura da Notificação anulada, bem assim de sua ciência, nos termos da Resolução de fl. 283 a 285. Em atendimento à diligência, foram juntados aos autos as telas de fl. 291 e 292, nas quais constam informações registradas no SICOB de que a ciência do lançamento objeto da NFLD 37.009.8102 teria ocorrido em 21/07/2006. Novamente submetido ao Colegiado de 2ª Instância, o feito foi, mais uma vez, convertido em diligência, para que fosse verificado pedido de parcelamento e, se fosse o caso, complementação da diligência anterior. Após considerar cumprida a diligência, a unidade responsável pela administração do tributo encaminhou os autos a este Conselho com as informações de fl. 308, as quais, tendo sido considerada insuficiente, mais uma vez, resultou em nova conversão do julgamento em diligência, Resolução de fl. 309 a 312. Finalmente, foram juntados aos autos cópia de peças processuais contidas nos autos nº 19647.010531/200718, relativas ao DEBCAD 37.009.8102, fls. 317/362. bem assim prestada a informação de que o contribuinte em tela não consolidou o parcelamento objeto da Lei 12.865/13. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator Por ser tempestivo e por atender os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Após breve relato dos fatos, o contribuinte direciona seu inconformismo exclusivamente aos débitos lançados até o período de apuração de agosto de 2002, restando incontroversos os débitos lançados para os demais períodos de apuração. Em síntese, os argumentos recursais são de que a exigência fiscal para o período controverso estaria alcançada pela decadência, em particular após decisão exarada pelo Fl. 368DF CARF MF 4 Supremo Tribunal Federal que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91, que assim dispõe: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, o prazo decadencial teria início na data em que se tornou definitiva a decisão que cancelou o lançamento julgado nulo por vício formal. Entretanto, por não ter sido juntado aos autos os elementos que pudessem indicar a data efetiva em que esta se tornou definitiva, há que se considerar, como início do prazo decadencial, a data em que foi exarada a decisão definitiva que fulminou o lançamento original, 28 de novembro de 2006, fl. 197, já que este seria o melhor cenário possível para o contribuinte e que, em razão do caso concreto, como se verá adiante, mostrase dispensável instruir o processo com a data efetiva da ciência de tal decisão que anulou o lançamento originário. Assim, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigente na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 369DF CARF MF Processo nº 19647.010512/200791 Acórdão n.º 2201004.483 S2C2T1 Fl. 368 5 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Grifouse Em razão da especificidade do art. 173 do CTN, é incontestável que, em regra, o prazo de que a Fazenda pública dispõe para constituir o lançamento inicia sua contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Contudo, no caso específico tratado pelo art. 150 do CTN, de fato, há uma exceção à regra geral, segundo à qual, nos casos de lançamentos por homologação, esse prazo começa a fluir com a ocorrência do fato gerador. Para a aplicação da contagem do prazo decadencial, este Conselho adota o entendimento do STJ, expresso no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, e, portando, de observância obrigatória neste julgamento administrativo. Desta forma, o prazo decadencial inicia sua fluência com a ocorrência do fato gerador quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o contribuinte não antecipa o pagamento devido, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Feitas tais considerações, há que se verificar a ocorrência da decadência em relação a cada um dos lançamentos, o originário e o substitutivo. A análise do Discriminativo Sintético de Débitos de fls. 331 a 334 evidencia que os débitos originalmente lançados contemplavam o período de apuração de 06/2001 a 08/2004. Portanto, considerando que a ciência do lançamento originário foi formalizada em 21/07/2006 e considerando, ainda, o Relatório de Documentos Apresentados, fls. 342/343, que indica os meses em que houve antecipação do pagamento, temse que, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, o débito originalmente lançado para o período de apuração de julho de 2001 teria sido alcançado pela decadência, já que o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário mediante lançamento expirou em 30/06/2006. Entretanto, tal período de apuração não foi objeto do lançamento substitutivo, NFLD DEBCAD nº 37.114.4175, que contemplou o período de apuração de setembro de 2001 a agosto de 2004. Em relação ao citado lançamento substitutivo, este sim objeto da presente lide administrativa, considerando a data da prolação de decisão definitiva, que anulou o lançamento por vício formal, como termo inicial para contagem do prazo decadencial, 28/11/2006, em cotejo com a data da ciência do novo lançamento, 27/09/2007, não há que se falar em decadência, já que, nos termos do inciso II do art. 173 do CTN, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário somente se expirou em 28/11/2011. Fl. 370DF CARF MF 6 Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000674/2004-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002
IRPF. DIVIDENDOS PAGOS POR SOCIEDADES ESTRANGEIRAS. TRIBUTAÇÃO.
Apenas os dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas situadas no Brasil e apurados com base no lucro real, presumido ou arbitrado, são isentos do imposto de renda.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI 9.430/96.
Se o ônus da prova for atribuído ao contribuinte por presunção legal, caberá a ele a prova da origem dos depósitos bancários em conta de sua titularidade.
CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA.
Incabível a aplicação de multa isolada pelo não recolhimento de carnê-leão concomitantemente com a penalidade de ofício, quando a autuação se refere a períodos de apuração anteriores a 2006, inclusive.
Numero da decisão: 2201-004.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir exigência fiscal relativa à multa exigida isoladamente.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir exigência fiscal relativa à multa exigida isoladamente.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002 IRPF. DIVIDENDOS PAGOS POR SOCIEDADES ESTRANGEIRAS. TRIBUTAÇÃO. Apenas os dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas situadas no Brasil e apurados com base no lucro real, presumido ou arbitrado, são isentos do imposto de renda. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. Se o ônus da prova for atribuído ao contribuinte por presunção legal, caberá a ele a prova da origem dos depósitos bancários em conta de sua titularidade. CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação de multa isolada pelo não recolhimento de carnê-leão concomitantemente com a penalidade de ofício, quando a autuação se refere a períodos de apuração anteriores a 2006, inclusive.
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DIVIDENDOS PAGOS POR SOCIEDADES ESTRANGEIRAS. TRIBUTAÇÃO. Apenas os dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas situadas no Brasil e apurados com base no lucro real, presumido ou arbitrado, são isentos do imposto de renda. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. Se o ônus da prova for atribuído ao contribuinte por presunção legal, caberá a ele a prova da origem dos depósitos bancários em conta de sua titularidade. CARNÊLEÃO. MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação de multa isolada pelo não recolhimento de carnêleão concomitantemente com a penalidade de ofício, quando a autuação se refere a períodos de apuração anteriores a 2006, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir exigência fiscal relativa à multa exigida isoladamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 74 /2 00 4- 65 Fl. 621DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 622 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir exigência fiscal relativa à multa exigida isoladamente. Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão da DRJ de fls. 528/547 por bem relatar os fatos ora questionados. “Trata o presente processo de impugnação contra o crédito tributário constituído mediante Auto de Infração (fls. 338 a 359) lavrado contra a pessoa física em epígrafe relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercícios 2000, 2001, 2002 e 2003, que apurou imposto suplementar de R$ 384.430,49, que acrescido de multa de ofício no percentual de 75%, multa isolada pelo não pagamento de carnêleão e juros de mora perfaz crédito da ordem de R$ 936.364,33. Foi instaurado procedimento fiscal mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 07.1.90.002003025025 (fls. 01, 03 a 05), datado de 24/10/2003, o qual delimitou a atuação fiscal em relação ao imposto sobre a renda relativo ao período compreendido entre 01/1998 a 12/2002. As Declarações de Ajuste Anual entregues encontramse apensas às fls. 06 a 25. Dando seqüência ao procedimento instaurado, foi lavrada Intimação Fiscal com escopo de obter os extratos bancários de contas correntes ou de investimentos mantidas em instituições financeiras pelo contribuinte (fl 26). Em outros cinco Fl. 622DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 623 3 momentos foi repetido tal proceder (fls 30, 31, 100, 101, 154, 155, 187, 188, 254 e 255), com vistas a reiterar a solicitação anteriormente exposta, como também requerer elementos de prova hábeis a atestarem a obtenção ou pagamento de empréstimos; a percepção de rendimentos, inclusive em moeda estrangeira; a locação de imóveis; a aquisição ou alienação de bens ou a dedutibilidade de despesas. Diante dos elementos de prova colecionados (fls 3299, 105154, 156186, 191 253, 256302), a Fiscalização lavrou Auto de Infração relativo aos anos calendário de 1999 a 2002, consubstanciado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 335 a 337, em virtude de apuração das seguintes infrações: Cientificado na pessoa de seu procurador em 01/07/2004, a parte apresentou impugnação de fls. 361 a 378 em 28/07/2004, na qual defende a revisão do lançamento mediante a seguinte argumentação: 1. A autuação por omissão de rendimentos percebidos da empresa STRATUS INVESTMENT A N D SERVICES CORP, fonte pagadora situada no exterior, não deve prosperar, pois o enquadramento legal que a fundamenta não espelha perfeita subsunção ao caso concreto. Logo, seria aplicável a norma do art 662 do Decreto n 2 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR), que defere aos rendimentos pagos na forma de dividendos natureza isenta ou não tributável; 2. No que toca à glosa de despesa médica, reconhece que o pagamento foi levado a efeito em anocalendário anterior ao fiscalizado, no entanto, requer sua improcedência por entender não ter havido prejuízo aos cofres públicos, na medida que não se aproveitou do dispêndio naquele ano. Adita ainda que: Fl. 623DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 624 4 3. Quanto à tributação de depósitos bancários de origem não comprovada, primeiramente a rechaça por entender estar atrelada à exteriorização de sinais de riqueza incompatíveis com a renda do fiscalizado, situação esta não verificada em seu caso. Em suma, acredita ser necessária a esta forma de tributação a apuração de evolução patrimonial, discorrendo pormenorizadamente sobre a relação de saldos em moeda mantidos sob guarda dos contribuintes e a aquisição de bens. 4. Em relação ao mérito dos depósitos considerados não identificados, defende que os depósitos em espécie têm origem em saques efetuados em contascorrente de sua titularidade em mesma data daqueles ou em data anterior, segundo explicita carta de esclarecimento (fls 382 a 384) não recebida pelo Ente Fiscal, fato que se configuraria em afronta ao seu direito constitucional à ampla defesa. Com base nesta premissa, diz restar comprovada a origem de R$ 116.659,36 no ano calendário de 1999; de R$ 155.982,14 no anocalendário de 2000; e R$ 25.204,34 no anocalendário de 2002. 5. Também no tocante ao mérito dos depósitos bancários, aduz certas particularidades correlatas aos anoscalendário, sobre as quais passamos a discorrer: AnoCalendário 1999 a) Defende que duas aplicações financeiras realizadas em 25/03/1999 (R$ 259,85 e R$ 109.740,15) em montante total de R$ 110.000,00 mantidas no Banco CCF BRASIL S/A, podem ser justificadas pela compensação de cheque n 168.085.016 de igual valor no dia anterior. b) Sobre as aplicações financeiras, aduz ainda que a relação anexa às fls 416 a 419 seria instrumento hábil a demonstrar que as demais aplicações financeiras não se constituem em nova renda, mas sim remanescem de resgates e aplicações seqüenciais; c) Que os depósitos nos valores de R$ 550,00 e R$ 1.062,00 ocorridos em conta corrente ITAÚ S/A constituem reembolso de despesas médicas pela empresa OMINT ASSISTENCIAL SERVIÇOS DE SAÚDE S/C LTDA como comprova documento à fl 426; Fl. 624DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 625 5 d) Por fim, consagra a necessidade de abatimento "... das rendas formalizadas nos exercícios correspondentes, que deverão obrigatoriamente ser deduzidas dos depósitos tributados no AUTO, independentemente de sua corelação com os depósitos, haja vista que a Douta fiscalização não logrou identificar suas origens e estes certamente figuraram na movimentação financeira do RECLAMANTE, direito este consagrado pelas doutrinas fiscais, sob pena de ser praticada a bitributação de valores " AnoCalendário 2000 a) Defende que o resgate do saldo de aplicação financeira em 31/12/1999 mantida na instituição CCF BRASIL S/A no valor de R$ 24.325,54, constante de informe de rendimentos anexo à fl 428, originou os depósitos abaixo relacionados em conta corrente do ITAÚ S/A. b) Solicita a exclusão de depósito ocorrido em 21/02/2000 em montante igual a R$ 4.297,50 em virtude da não compensação dos cheques que lhe deram origem como atesta extrato à fl 52 verso; Fl. 625DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 626 6 c) Solicita a exclusão de depósito ocorrido em 12/05/2000 em montante igual a R$ 387,53 em virtude da comprovação de que sua origem relacionase à locação do imóvel de sua propriedade, como atesta declaração emitida pela empresa JB ANDRADE CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA, responsável pela administração do bem mencionado (fl 429). Ano Calendário 2001 a) Solicita a exclusão de depósito ocorrido em 03/01/2001 em montante igual a R$ 61.500,00 por referirse ao estorno de cheque administrativo n 2 708.3270 emitido em 28/12/2000, segundo atestam extratos às fls 431 e 432; b) Solicita a exclusão de depósitos em montante igual a R$ 11.688,62 em virtude da comprovação de que sua origem relacionase à locação do imóvel de sua propriedade, constituindose em renda já devidamente tributada. Ano Calendário 2002 a) Solicita a exclusão de depósito ocorrido em 02/01/2002 em montante igual a R$ 143.000,00 por referirse ao estorno de cheque administrativo n 2 709.659 emitido em 28/12/2001 segundo atestam extratos às fls 434 e 435; b) Solicita a exclusão de depósitos em montante igual a R$ 12.879,55 em virtude da comprovação de que sua origem relacionase à locação do imóvel de sua propriedade como atesta declaração emitida pela empresa JB ANDRADE CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA, responsável pela administração do bem mencionado (fl 437), constituindose em renda já devidamente tributada; c) Requer a exclusão de R$ 17.533,38 dos depósitos tributados em virtude de constituírem reembolso de despesas médicas levado a efeito pela empresa OMINT ASSISTENCIAL SERVIÇOS DE SAÚDE S/C LTDA como comprova documento à fl 439. Em assim sendo, espera que seja revisto o lançamento em tela com fim de restar tributado, pela via de depósitos bancários, os saldos de R$ 89.442,51 para o ano calendário de 1999; R$ 140.792,01 para o anocalendário de 2000; de R$ Fl. 626DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 627 7 23.950,02 para o anocalendário de 2001, e de R$ 44.030,05 para o ano calendário de 2002. 6. Argüi a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento de carnê leão correlacionada aos rendimentos percebidos de fontes situadas no exterior por ser esta incompatível com a aplicação simultânea de multa de ofício prevista no inciso I do art 42 da Lei n 2 9.430, de 1996, devendo prevalecer esta última. Ancorase em entendimento manifestado pelo Conselho de Contribuintes em acórdãos n 2 10204.584 e 10613.786.” 2 A decisão da DRJ julgou procedente em parte a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002 IRPF. DIVIDENDOS PAGOS POR SOCIEDADES ESTRANGEIRAS. TRIBUTAÇÃO. Apenas os dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas situadas no Brasil e apurados com base no lucro real, presumido ou arbitrado, são isentos do imposto de renda. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova for atribuído ao contribuinte por presunção legal, caberá a ele a prova da origem dos depósitos bancários em conta de sua titularidade. MULTA ISOLADA SOBRE CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. SIMULTANEIDADE. E cabível o lançamento da multa isolada sobre carne leão não recolhido concomitante à multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração inexata, visto que se trata de infrações distintas. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 628 8 MULTA ISOLADA. NOVO PERCENTUAL. REVISÃO DO LANÇAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em função do princípio da retroatividade benigna, impositiva se torna a revisão do lançamento correlato à multa isolada com vistas a adequálo ao novo disciplinamento legal. Lançamento Procedente em Parte 3 Cientificado da decisão de piso o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. (1.554/1581) mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer o provimento do recurso com o cancelamento do auto de infração. 4 – É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 – O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. 6 – Os assuntos serão tratados na forma como foram apresentados no recurso. Resta informar que às fls. 615/616 existe petição do contribuinte informando a adesão a parcelamento da Lei 11.941/09 e desistindo de forma parcial do recurso informando que está recolhendo o débito de: Fl. 628DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 629 9 7 Após verificação na autuação esse Relator não conseguiu verificar de forma clara a qual débito nesse valor o contribuinte está parcelando, e portanto, haverá o julgamento na totalidade do recurso ficando a cargo posteriormente da unidade preparadora a verificação de tal fato. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS REFERENTES A DIVIDENDOS RECEBIDOS DE FONTE NO EXTERIOR 8 Após reflexão acerca dos pontos indicados em recurso, em que alguns entendo pertinentes colocados pelo contribuinte, em relação a questão como normas complementares dos manuais no qual entendo ser possível, contudo, no mérito, entendo que não há razão ao contribuinte nesse ponto do recurso vejamos. 9 – A decisão da DRJ traz de forma clara e objetiva entendimento desse Relator a respeito desse assunto e portanto reproduzo como razões de decidir nesse voto os pontos adotados na decisão de piso: “Na presente autuação, foram tributados rendimentos pagos ao impugnante pela sociedade STRATUS INVESTMENT AND SERVICES CORP, fonte pagadora situada no exterior, a título de dividendos, com fulcro no seguinte enquadramento legal: Arts. 1º, 2º, 3º e §§, e 8º, da Lei nº 7.713/88; Arts. 1º a 4º da Lei nº 8.134/90; Art. 6º da Lei nº 9.250/95; Arts 55, inciso VII e 995, do RIR/99; Art. 1º da Lei n 2 9.887/99. O recorrente opõese à propriedade da base legal supracitada, que no seu entender, não discrimina como fidelidade o fato gerador da obrigação tributária, e, na ausência de tipicidade legal, defende a aplicação do art 662 do Decreto n 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR). Fl. 629DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 630 10 Concordamos com o recorrente sobre a generalidade das normas elencadas como base legal do auto de infração. Todavia, é preciso denotar que outro caráter não se esperaria de normas que visem à tributação, pois, em geral, estas definem situações abrangentes, ou seja, pretendem ser regras gerais, seja pela dificuldade do legislador prever todas as situações jurídicas possíveis, seja pela finalidade de custeio do Estado pretender abarcar o maior número de situações. O caráter geral da norma, que emana de forma explícita, por exemplo, dos termos do art 1º da Lei n 7.713, de 22 de dezembro de 1988, tem por escopo abarcar todos os rendimentos e ganhos de capital. Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Aqui, fazse ressalva necessária às isenções e nãoincidências tributárias, que, na qualidade de exceções, estas sim devem ser esmiuçadas legalmente, nos exatos termos do art 176 da Lei n 5.172, 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), que, inclusive, vai exigir do intérprete aplicação restrita dos dispositivos legais. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 631 11 N o mais, é imperioso dizer que o art 662 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), regulamenta o art. 10 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transladado: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Da análise desta norma, é possível concluir pela isenção de dividendos distribuídos por pessoas jurídicas, mas, tão somente, quando estas pessoas jurídicas são tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, sistemáticas fiscais peculiares à legislação brasileira e de cumprimento obrigatória pelas pessoas jurídicas em nosso país situadas. As pessoas jurídicas situadas em outros países cumprem regramentos próprios destas nações, pois a legislação brasileira, via de regra, não ultrapassa suas fronteiras territoriais em respeito à soberania de outros países, tal como consigna o art 1 do DecretoLei n^ 4.657, de 4 de setembro de 1942 Lei de Introdução ao Código Civil (LICC). ‘Omissis’ Logo, fácil concluir que os dividendos isentados pela legislação são aqueles distribuídos pelas empresas situadas em nosso país, ainda que recebidos por pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas aqui ou não. A tributação de dividendos pagos por sociedades internacionais é retratada pelas ementas do Colendo Conselho de Contribuintes a seguir reproduzidas:” Fl. 631DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 632 12 10 – Com efeito, não é possível dar a interpretação a essa questão, na forma como pretende o contribuinte, de isenção tributária sobre dividendos do exterior à pessoa física residente no país, aumentando o alcance da norma do art. 10 da Lei 9.249/95 sem contrariar o disposto artigo 111 do CTN. 11 – O art. 10 da lei 9.249/95 ao dispor sobre o regime tributário e especificando que somente os dividendos distribuídos por pessoas jurídicas que possuem tais regimes ali descritos, por si só, exclui a interpretação de que rendimentos de lucros ou dividendos do exterior de outras pessoas jurídicas pudessem ser isentas do IRPF quando pagas a residentes no Brasil. 12 – Pelo exposto, nesse ponto nego provimento ao recurso voluntário. A NULIDADE DA MULTA ISOLADA PELO NÃO RECOLHIMENTO DO CARNELEÃO SOBRE OS DIVIDENDOS DECLARADOS PELO RECORRENTE COMO ISENTOS E NÃO TRIBUTÁVEIS 13 Nessa matéria o período de apuração são do Ano Calendário 1999, 2000, 2001 e 2002 e foi aplicado multa isolada relativa ao não recolhimento do imposto devido no carnêleão. 14 No caso essa turma tem entendimento que a multa isolada aplicável em anos anteriores a 2006 em conjunto com a de ofício deve ser afasta. Vide Ac. 2201003.931 da lavra do Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo j. 14/07/2017: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 632DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 633 13 Exercício: 2001, 2002, 2003 CARNÊLEÃO. MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação de multa isolada pelo não recolhimento de carnêleão concomitantemente com a penalidade de ofício, quando a autuação se refere a períodos de apuração anteriores a 2006, inclusive. 15 Insiro trechos da decisão a qual filio do I. Conselheiro a respeito desse tema quando do julgamento por essa Turma tomando como razões de decidir para afastar a aplicação da multa isolada nesse caso, verbis: "Contudo, a despeito dos argumentos acima expostos, que guardam relação com a legislação atualmente em vigor e que serviu lastro para redução da penalidade no julgamento de 1ª instância, o fato é que o caso sobre o qual estamos debruçados remonta aos anos de 2001 e 2002, sendo, portanto, necessário rememorar os preceitos então vigentes da mesma lei 9.430/96, os quais foram utilizados na fundamentação da exigência de fl. 12. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) Fl. 633DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 634 14 III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Como se vê, a matéria sofreu profunda alteração em 2007, em particular com a edição da MP 351/2007 e da Lei 11.488/2007. No texto anterior, não havia duas penalidades. Apenas uma. Portanto, à época da ocorrência dos fatos geradores em discussão, 2003, a concomitância das penalidades isoladas e de ofício não encontrava lastro no texto então vigente do art. 44 da lei 9430/96, em razão de sua clara previsão de que as multas previstas no artigo seriam exigidas, no caso de não recolhimento do carnêleão, isoladamente. Assim, temos as seguintes situações: 1) no caso de lançamento exclusivamente de multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão, independentemente do período a que se refere, devese aplicar a penalidade nova (50%), em homenagem à retroatividade benigna de que trata alínea "c", inciso II do art. 106 da lei 5172/66 (CTN); 2) no caso de lançamento de multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão concomitantemente com a exigência de ofício incidente sobre a diferença apurada de IRPF, devese excluir a penalidade isolada se o lançamento se refere a períodos de apuração até 2006, mantendose a exigência de ofício. Caso se refiram a períodos de apuração de 2007 e posteriores, é devida a manutenção concomitante das penalidades isoladas e de ofício." 16 Nesse ponto dou provimento ao recurso voluntário para excluir na forma da fundamentação acima a multa isolada aplicada. DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA MÉDICA Fl. 634DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 635 15 17 Quanto a esse tópico nada a prover uma vez que ficou claro que o contribuinte tenta deduzir em exercício diverso a despesa médica de outro exercício em contrariedade à legislação de regência, tal como bem julgado e justificado pela decisão de piso. Portanto nada a prover. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADO POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA 18 Nesse tópico, existe a presunção do art. 42 da Lei 9.430/96 invertendo o ônus da prova ao contribuinte em identificar a natureza dos depósitos. A fiscalização agiu de acordo com a Lei ao exigir do contribuinte e lhe dar a oportunidade de identificar de forma individual cada depósito e através de provas em sua conta, sendo que diversos valores foram considerados durante a fiscalização e o julgamento de primeiro grau. 19 Quanto aos demais subtópicos relacionados aos depósitos em espécie e dos anos calendários de 1999 a 2002 relacionado a aplicações financeiras, exclusões de despesas médicas, o contribuinte traz muitos argumentos, inclusive vários já devidamente analisados pela decisão de piso, mas não identifica de forma clara e precisa as provas que invalidam tal conclusão da decisão de piso e como chegou aos valores indicados, chegando a fazer nos casos dos depósitos em espécie de perguntas retóricas mas sem qualquer objetividade para o deslinde eficaz do presente caso. 20 Pelo exposto, nego provimento ao recurso nesse tópico, inclusive. Conclusão Fl. 635DF CARF MF Processo nº 18471.000674/200465 Acórdão n.º 2201004.458 S2C2T1 Fl. 636 16 21 – Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação os valores relativos a multa isolada. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 636DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.017746/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA.
Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos constituídos.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida, consideradas as arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-003.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos constituídos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida, consideradas as arguições especificas e elementos de prova distintos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
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ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE CONJUNTO PROBATÓRIO HÁBIL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. Diante da legítima constatação de omissão de receitas tributáveis, cabe ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos constituídos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida, consideradas as arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 77 46 /2 00 5- 17 Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10680.017746/200517 Acórdão n.º 1402003.002 S1C4T2 Fl. 835 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10680.017746/200517 Acórdão n.º 1402003.002 S1C4T2 Fl. 836 3 Relatório Tratase de redistribuição do feito, após a prolatação do v. Acórdão nº 9101 000.946, pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 487 a 493), que deu provimento ao Recurso Especial manejado pela Fazenda Nacional, determinando, ao final, o retorno dos autos à Turma de origem, nos seguintes termos: Em face da extinção da C. 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 1ª Seção deste E. CARF, que julgou o Recursos Voluntário (fls. 392 a 430) parcialmente procedente, reconhecendo a ocorrência da decadência para cancelar as exigências do lançamento de ofício com fatos geradores ocorridos até 30/09/2000, por meio do v. Acórdão nº 180200.222, os autos foram sorteados a este Conselheiro. Em resumo, o presente processo trata de Autos de Infração de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2000, exigidos sob a acusação de omissão de receitas, materialmente constatadas pela Fiscalização, em face da Contribuinte não ter ofertado a tributação receita percebida pela exportação de bens para a Argentina, conforme registrado no SISCOMEX (Infração 01), bem como não ter, deliberadamente, incluído no cálculo do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL receita de prestação de serviços, informada na DIPJ e ofertada apenas à tributação pela Contribuição ao PIS e pela COFINS. Constatado que a Contribuinte não mantinha escrituração, procedeuse ao arbitramento do lucro, nos termos do art. 530 do RIR/99. Tendo em vista já ter havido apreciação anterior do feito por C. Turma deste E. CARF, adoto, a seguir, o completo relatório do I. Conselheiro João Francisco Bianco, evitandose repetições: Tratam os presentes autos de exigência de IRPJ e de CSLL por omissão dereceita, cobrados através de dois itens do auto de infração (fls 3). No item 1 a omissão é dovalor da receita de Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10680.017746/200517 Acórdão n.º 1402003.002 S1C4T2 Fl. 837 4 venda de mercadorias para o exterior; no item 2 a omissão é do valor dereceita da prestação de serviços. No Termo de Verificação Fiscal (fls 15) o Agente Autuante esclarece que aomissão de receita de venda de mercadorias para o exterior (item 1) foi identificada pelosistema Siscomex, onde foi constatado que a recorrente exportou mercadorias para a Argentina,sem que tenha sido comprovado o ingresso de recursos no País. Como a recorrente, depois de intimada, deixou de apresentar os documentos solicitados, a fiscalização apurou o valor da receita de exportação pelo sistema Siscomex ecalculou o valor do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro arbitrado. Por outro lado, a omissão de receita de prestação de serviços (item 2) foi verificada através de exame da DIPJ entregue pela recorrente, onde consta o valor do seu faturamento nos meses de janeiro a março de 2000, nos campos próprios para a apuração do Pis e da Cofins, sem que tenham sido apurados os valores correspondentes ao IRPJ e à CSLL. Pelo mesmo motivo visto acima, os tributos sobre a omissão de receitas de prestação de serviços foram calculados pelo regime do lucro arbitrado. A recorrente apresentou sua impugnação (fls. 104) alegando, inicialmente, que os lançamentos cujos fatos geradores ocorreram antes de 20.12.2000 estariam decaídos. Isso porque o auto de infração foi lavrado em 20.12.2005 e o prazo para a constitutição do crédito tributário é de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme previsto no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN. Quanto ao mérito relativo ao item 1, reconheceu que as vendas existiram, mas que as mesmas não foram oferecidas à tributação pelo fato de a recorrente estar submetidas ao regime de tributação pelo lucro presumido, regime esse que admite a apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime de caixa. E como até aquela data as receitas da exportação ainda não haviam sido recebidas, não poderiam ser dela exigidos os tributos correspondentes. A DRJ manteve integralmente o trabalho fiscal (fls.227). A decadência foi afastada sob o argumento de que, no caso dos autos, a matéria seria regida pelo artigo 173 do CTN e não pelo artigo 150, tendo em vista que não havia sido pago qualquer valor a título de IRPJ e de CSLL no período, não havendo, portanto, pagamento a ser homologado. Ainda sobre o tema, a DRJ sustentou que o prazo decadencial aplicável às contribuições sociais é de 10 anos, conforme previsto no artigo Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10680.017746/200517 Acórdão n.º 1402003.002 S1C4T2 Fl. 838 5 45 da Lei n. 8212, afastando assim a argüição da recorrente também para a CSLL. No tocante ao mérito do item 1, a DRJ não acatou o argumento de que a recorrente estaria submetida ao regime do lucro presumido, uma vez demonstrado pela DIPJ relativa ao exercício de 2001 (fls. 49) que a mesma estava sujeita à apuração pelo lucro real. O mérito relativo ao item 2 não foi impugnado. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 243) reiterando os termos da sua impugnação, mas adicionando insurgência contra a cobrança de juros de mora e contra a aplicação da variação da taxa SELIC sobre o valor do crédito tributário. É o relatório. (fls. 435 a 436) Como mencionada, o referido C. Órgão de Julgamento extinto proferiu o v. Acórdão nº 180200.222, cancelando parcialmente o lançamento de ofício pelo reconhecimento da decadência, ementado e decidido nos seguintes termos: DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, nos tributos cujo lançamento se dá por homologação, é regido pelo parágrafo 4° do artigo 150 do CTN. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/09/2000, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel (Suplente Convocado) que rejeitava a preliminar de decadência. (...) Feito esse esclarecimento inicial, volto ao exame do caso dos autos. A fiscalização lavrou auto de infração em 20.12.2005 para exigir tributo cujos fatos geradores ocorreram em março, junho, setembro e dezembro de 2000. Parece claro, à luz do que foi acima exposto, que o direito à constituição dos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram em março, junho e setembro de 2000 já estava decaído. Os únicos ainda não decaídos foram os créditos cujos fatos geradores ocorreram em 31.12.2000. Devem estes, portanto, ser mantidos e os demais cancelados. (...) Examino agora o mérito da exigência relativa ao item 1 do auto de infração. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10680.017746/200517 Acórdão n.º 1402003.002 S1C4T2 Fl. 839 6 Sustenta a recorrente que deixou de oferecer a receita de venda de mercadorias ao exterior por estar submetida ao regime do lucro presumido, regime esse que admite o reconhecimento das receitas pelo regime de caixa. A alegação não procede, conforme bem anotado pela DRJ. A DIPJ juntada aos autos (fis 49) evidencia que o regime de tributação adotado pela recorrente no anocalendário de 2000 foi o do lucro real. Desse modo, deve ser mantida a exigência fiscal, nesse ponto. No que diz respeito ao item 2, deixo de apreciar a questão de mérito, tendo em vista que a exigência fiscal também foi alcançada pela decadência. Por fim, esclareço que o débito tributário é devido com o acréscimo de juros, calculados segundo a variação da taxa Selic, conforme jurisprudência já sumulada deste colegiado (Súmula n. 4 do 1° Conselho de Contribuintes). Diante do exposto, voto no sentido de dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para acolher a decadência dos créditos tributários dos dois itens do auto de infração, cujos fatos gerado es ocorreram em 31.03.2000, 30.06.2000 e 30.09.2000. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 447 a 461), requerendo a reforma de tal Julgado, demonstrando divergência acerca do entendimento jurisprudencial sobre o cômputo do prazo decadencial. Distribuído o processo ao I. Relator, Antonio Carlos Guidoni Filho, foi conhecido e provido o apelo fazendário, entendendo pela inocorrência da caducidade dos créditos tributários sob exigência (fls. 487 a 493). Ao final, como mencionado, determinase o retorno dos autos ao Colegiado a quo para o exame das demais razões de mérito sucitadas pelo Contribuinte. Uma vez certificada a extinção do N. Colegiado que primeiro apreciou o Recurso Voluntário, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10680.017746/200517 Acórdão n.º 1402003.002 S1C4T2 Fl. 840 7 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Ainda que o presente processo, originalmente, tenha sido objeto de conhecimento e deliberação por outro Colegiado, em face da sua extinção e término do mandato do I. Conselheiro Relator anterior, o julgamento meritório por essa C. 2ª Turma Ordinária não representa afronta ao disposto no RICARF/MF vigente. Como relatado, por determinação expressa, retornaram os autos a esta instância para a apreciação das demais razões de mérito alegadas pela Contribuinte. Inicialmente, devese ponderar que o reconhecimento da decadência da maioria das exigências fiscais pela C. 2ª Turma Especial apenas ensejou o provimento parcial do Recurso Voluntário, cancelando parcialmente o Item 1 e integralmente o Item 2 da exação sob análise. Contudo, em relação ao Item 1 (acusação que foi parcialmente prejudicada pelo provimento da preliminar) o I. Relator anterior do feito nessa Instância, chegou a abordar o mérito, ainda que brevemente, e, em relação ao Item 02, não houve seu combate meritório específico pela Contribuinte. Confirase: No tocante ao mérito do item 1, a DRJ não acatou o argumento de que a recorrente estaria submetida ao regime do lucro presumido, uma vez demonstrado pela DIPJ relativa ao exercício de 2001 (fls. 49) que a mesma estava sujeita à apuração pelo lucro real. O mérito relativo ao item 2 não foi impugnado. (Relatório Acórdão 180200.222 fls. 435) (...) Examino agora o mérito da exigência relativa ao item 1 do auto de infração. Sustenta a recorrente que deixou de oferecer a receita de venda de mercadorias ao exterior por estar submetida ao regime do lucro presumido, regime esse que admite o reconhecimento das receitas pelo regime de caixa. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10680.017746/200517 Acórdão n.º 1402003.002 S1C4T2 Fl. 841 8 A alegação não procede, conforme bem anotado pela DRJ. A DIPJ juntada aos autos (fis 49) evidencia que o regime de tributação adotado pela recorrente no anocalendário de 2000 foi o do lucro real. Desse modo, deve ser mantida a exigência fiscal, nesse ponto. No que diz respeito ao item 2, deixo de apreciar a questão de mérito, tendo em vista que a exigência fiscal também foi alcançada pela decadência. Por fim, esclareço que o débito tributário é devido com o acréscimo de juros, calculados segundo a variação da taxa Selic, conforme jurisprudência já sumulada deste colegiado (Súmula n. 4 do 1° Conselho de Contribuintes). (Voto Acórdão nº 180200.222 fls. 442 destacamos) Analisando tais trechos do v. Acórdão em referência e considerando seus efeitos processuais, poderseia até defender, data maxima venia, ter sido desnecessário o retorno dos autos para o presente julgamento. Ocorre que a distribuição deste feito deuse após deliberação da C. CSRF e por determinação expressa registrada no v. Acórdão 910100.946, que tampouco foi objeto de Embargos de Declaração. Posto isso, este Conselheiro não se furtará ao cumprimento de tal decisão, procedendo novamente ao julgamento da matéria meritória questionada no Recurso Voluntário. Oportuno aqui registrar, inclusive como garantia de serenidade e higidez processual que, coincidentemente, concordase com o posicionamento manifestado pelo I. Relator anterior sobre as matéria agora sob análise, fato este que neutraliza os efeitos e resultados práticos de qualquer debate (e divergência) sob a efetiva necessidade ou não de retorno dos autos para novo julgamento meritório. Assim, os temas agora sob apreciação são as alegações da Recorrente que justificariam não ter ofertado os valores das exportações procedidas a tributação, bem como a impossibilidade da adoção da Taxa SELIC para a correção dos crédito tributários (juros moratórios). Em relação à Infração 01, no mérito, a Recorrente apenas afirma que as vendas para a empresa da Argentina realmente existiram, porém a recorrente nada recebeu pelas mesmas até a presente data, por isso não informou tais valores em suas declarações. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10680.017746/200517 Acórdão n.º 1402003.002 S1C4T2 Fl. 842 9 E acrescenta, explicando que as empresas submetidas ao regime de tributação pelo lucro presumido, como a recorrente, adotam o regime de caixa para apurar o IRPJ e CSSL, ou seja, somente devem oferecer as receitas à tributação, quando efetivamente recebidas. Notase que há o reconhecimento da ocorrência das operações de exportações (conforme a Fiscalização também registrou trazendo telas do sistema SISCOMEX, fazendo prova cabal da transação vide fls. 85 a 92). A única a alegação de defesa é de que a Contribuinte seria optante pela dinâmica de apuração do lucro presumido. Conforme já registrado nestes autos e comprovado desde o lançamento de ofício (vide fls. 42 a 78), a Recorrente, de fato, é optante pelo Lucro Real, revelandose tal afirmação inverídica, não podendo proceder à apuração de suas receitas tributáveis pelo regime de caixa. Posto isso, resta afastada tal alegação, devendo prevalecer o lançamento referente ao Item 01 do lançamento de ofício. Em relação ao Item 02, já fora certificado e registrado nos autos (sem qualquer manifestação contrária da Contribuinte) que tal matéria não foi especificamente impugnada no mérito, operandose a preclusão. Assim, afastada a decadência pela C. CSRF, essa outra fração da exação fiscal sob análise também mostrase plenamente procedente no mérito. No que tange à ilegalidade taxa adotada, incide no caso o claro teor da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10680.017746/200517 Acórdão n.º 1402003.002 S1C4T2 Fl. 843 10 O mesmo entendimento foi professado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.073.846/SP, de 25/09/2009, de relatoria do Exmo. Min. Luiz Fux, sob a dinâmica do art. 543C do Código de Processo Civil vigente à época. Sem necessidade de maiores aprofundamentos em relação a esse tema específico, mas ilustrando e motivando tal posição, confirase trecho da ementa do recente Acórdão nº 9101003.222, da C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como voto vencedor do I. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, publicado em 05/03/2018: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão da DRJ a quo recorrido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 512DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13842.720318/2015-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada.
Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave.
A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento.
Numero da decisão: 2001-000.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 90 1 89 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13842.720318/201535 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.358 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 22 de março de 2018 Matéria IRPF MOLÉSTIA GRAVE Recorrente CARLOS ROBERTO RODRIGUES DE LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira – Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 2. 72 03 18 /2 01 5- 35 Fl. 90DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por omissão à tributação de rendimentos considerados isentos pelo Recorrente em razão da alegada moléstia grave no período. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 1.389,48, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta a falta de comprovação suficiente para justificar a não aceitação da isenção, nos moldes que entende devam ser atendidos os requisitos legais, com a apresentação de elementos de forte comprovação da ocorrência da moléstia alegada no espaço temporal da utilização do benefício fiscal da isenção. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que os comprovantes não se enquadram nas exigências da legislação em vigor à época da ocorrência, como a seguir dispõe: (...) Tratase de notificação de lançamento de fls. 22/25, que apurou, em face do Contribuinte acima identificado, o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar de R$ 1.389,48, mais Multa de Ofício e Juros de Mora, relativo ao anocalendário de 2012, exercício 2013. (...) A legislação tributária, ao tratar da isenção do imposto de renda sobre rendimentos percebidos por portadores de doenças graves, assim preceitua: Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) Da leitura dos dispositivos legais acima transcritos, depreendese que, para fazer jus à isenção pleiteada, é necessário que sejam observados determinados critérios, entre os quais: 1) acometimento de moléstia grave relacionada em lei atestada por laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados ou Município; 2) que os rendimentos percebidos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma. No caso em tela, contudo, em que pese a juntada da documentação de fls. 10/20, não foi apresentado pela defesa, conforme apontado pela Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13842.720318/201535 Acórdão n.º 2001000.358 S2C0T1 Fl. 91 3 Autoridade Revisora, laudo médico oficial que estabelecesse o enquadramento nas doenças previstas em lei como fazendo jus à isenção do Imposto de Renda. Em face do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação. Assim, ao final, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, pelo não reconhecimento do direito à isenção pleiteada referente período. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) (...) Fl. 92DF CARF MF 4 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13842.720318/201535 Acórdão n.º 2001000.358 S2C0T1 Fl. 92 5 É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de reconhecimento ou não ao direito à isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para portadores de moléstia grave prevista em lei, devendo para isso preencher os requisitos básicos, cumulativamente, no mesmo período, de recebimento de rendimentos de aposentaria, reforma, reserva remunerada ou pensão com a existência da enfermidade que permite a isenção do imposto. O de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifei) Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores Fl. 94DF CARF MF 6 de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Outro, o de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, fulcro do objeto da lide. Assim, os elementos comprobatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser o contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13842.720318/201535 Acórdão n.º 2001000.358 S2C0T1 Fl. 93 7 2 – Ser o contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor o contribuinte de Laudo que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, a situação fática e legal de enquadramento do Recorrente. O Contribuinte efetuou sua declaração do Imposto de Renda considerando os rendimentos de aposentadoria no item específico que isenta do tributo com base no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e inciso XXXIII, do art. 39, do Decreto nº 3.000/99, e por essa providência usufruir do benefício fiscal da isenção em razão da existência de sua moléstia considerada grave. A lide aponta de maneira fulcral para a questão da prova e data da constatação da moléstia e da data de início da efetiva causalidade do pressuposto básico e definidor do direito ao benefício da isenção com base nos dispositivos legais antes citados, em relação aos rendimentos oriundos de reforma ou reserva remunerada do Contribuinte. Consta do processo fls. 9 a 11, documento oficial do Instituto Nacional do Seguro Social – Previdência Social que atesta a concessão da aposentadoria por invalidez, com vigência a partir de 24.02.2012. O Recorrente junta aos autos, em primeiro plano, atestado médico datado de 31/10/2011, emitido pela Dra. Ana Flávia Pincerno Pouza, do Hospital do Servidor Público Estadual Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual da Secretaria de Gestão Pública do Estado de São Paulo, em que afirma que os efeitos definidores da doença grave já se faziam presentes na pessoa do Contribuinte desde aquela data passada, nos termos em que se apresenta a seguir (fl.13): Fl. 96DF CARF MF 8 Da mesma forma, em 24/08/2011, a Dra. Debora Cesar Barroso, da mesma instituição pública Estadual emite atestado com o seguinte conteúdo (fl.12): Outros relatórios médicos particulares que atestam a doença e o tratamento foram juntados ao processo fl. 15 a 20, datados respectivamente de 22/04/2013, 07/12/2012, 27/08/2013, 18/02/2014, este apontando a data de início da moléstia em 18/08/2011. Todos abordam a questão da moléstia em estágio avançado e relatam a gravidade do quadro da doença de forma continuada e irreversível. Em complementação documental o Recorrente fez juntar aos autos a comprovação oficial de sua APOSENTADORIA POR INVALIDEZ, a contar de 24/02/2012 (fl.09), que atesta sua condição de aposentado desde aquela data, o que completa os requisitos da legislação para obtenção do benefício. A decisão do Acórdão de piso passou ao largo da observação dos documentos acostados ao processo potencializando a interpretação restritiva para enquadramento na lei isentiva, conforme disposto no art. 111 do CTN, para obtenção do benefício da isenção do imposto de renda no caso de ocorrência de moléstia grave. Da mesma forma não se sustenta a negativa de aceitação dos relatórios médico sob alegação de que ali não estava expresso que a patologia sofrida pelo Contribuinte não se fazia relacionar entre aquelas arroladas no inciso XXXIII, do art. 39, do RIR/1999, de vez que mesmo o leigo em questões de medicina constata que os termos definidores da moléstia apontados pelos profissionais da saúde correspondem ao estado de paraplegia contida no termo legal “paralisia irreversível e incapacitante”. Nesse sentido, descabe qualquer ponderação que desabone os referidos documentos. Assim, em razão dos relatórios e documentos médicos de instituições oficiais terem sido firmados considerando que os efeitos definidores da doença grave estão presentes na pessoa do Contribuinte corroborados com firmeza por exames juntados ao presente processo, somados aos particulares, que reportam o estágio permanente da enfermidade no ano de 2011, constatase o direito ao beneficio fiscal pleiteado do aproveitamento da isenção do Imposto sobre a Renda, ao amparo dos termos da legislação pertinente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria como constante na declaração do Imposto sobre a Renda. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13842.720318/201535 Acórdão n.º 2001000.358 S2C0T1 Fl. 94 9 Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.005558/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. ÔNUS DA PROVA. SUMULA CARF Nº 38
Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
A presunção legal de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem e a natureza de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco.
Numero da decisão: 2201-004.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. ÔNUS DA PROVA. SUMULA CARF Nº 38 Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. A presunção legal de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem e a natureza de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. ÔNUS DA PROVA. SUMULA CARF Nº 38 Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. A presunção legal de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte aclarar a origem e a natureza de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 55 58 /2 00 7- 96 Fl. 284DF CARF MF 2 Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, fl. 144 a 149, em que foi exigido do recorrente crédito tributário no valor de R$ 187.312,54, consolidado em dezembro de 2007. O Termo de Verificação Fiscal de fl. 150 a 167 relaciona os motivos que formaram a convicção da Autoridade Fiscal quanto à ocorrência das seguintes infrações à legislação tributária: Infração 001 Ganhos de capital na alienação de bens e direitos (Omissão de ganhos capital na alienação de bens e direitos), fl. 152; A Autoridade Fiscal identificou que o ganho de capital auferido na alienação de um apartamento localizado no Edifício Maria Eduarda não foi oferecido à tributação. O valor de venda foi desmembrado em duas parcelas. Uma quitada na assinatura do contrato, 13/02/2002, no valor de R$ 325.000,00, e outra que seria quitada em até 12 meses, devidamente corrigida, a qual, por não ter sido identificada a efetiva data de quitação, foi considerada pela fiscalização como recebida em dezembro de 2002, sob argumento de que seria esta a medida mais benéfica ao contribuinte. Quanto ao custo de aquisição, em razão de se tratar de imóvel contribuído em condomínio, considerando que não havia na escritura o valor efetivamente gasto na obra, foi considerado o valor de avaliação da Prefeitura de Balneário Camburiú/SC. A partir daí, seguiramse os cálculos para se apurar o ganho de capital, bem assim o seu diferimento, em razão do recebimento parcelado, tendo sido aplicada multa qualificada (150%). Infração 002 Omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários com origem não comprovada, fl. 155. Sustenta a Autoridade Fiscal que, a despeito de devidamente intimado, o contribuinte não comprovou a origem da maioria dos valores depositados em sua conta bancária, alegando, sem apresentar qualquer comprovante, que os créditos se referiam a ajuda de custo de alimentação e transporte fornecido pelo empregador. Os únicos valores que foram comprovados foram aqueles recebidos, em fevereiro de 2002, pela venda do apartamento citado na infração precedente. Ciente do lançamento em 14/12/2007, conforme AR de fl. 169, inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente a impugnação de fl. 172 a 187, na qual lastreou sua defesa em considerações sobre decadência e em alegações sobre a origem dos valores creditados em sua conta bancária, que estariam relacionados à movimentação do numerário recebido pela venda do apartamento. Ademais, asseverou que o valor final de R$ 60.000,00, devido ainda pela venda do imóvel, foi recebido em parcelas de R$ 5.000,00 entre os meses de fevereiro de 2002 e janeiro de 2003 e contestou a qualificação da penalidade de ofício. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10909.005558/200796 Acórdão n.º 2201004.456 S2C2T1 Fl. 284 3 A análise da impugnação deu origem ao Acórdão de fl. 230 a 238, em que Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC concluiu: que o interessado não discorda da parcela do lançamento de R$ 399,30 referente à omissão do ganho de capital lançada para dezembro de 2002, o que atribui a este valor caráter de definitividade; que o lançamento relativo ao ganho de capital apurado para fevereiro de 2002 teria o prazo decadencial contado a partir da ocorrência do fato gerador, restando alcançado pela decadência, já que a ciência do lançamento ocorreu em 14 de dezembro de 2007; que o lançamento relativo ao valor de R$ 60.000,00, parcela final da venda do imóvel, não demonstrou adequadamente os critérios que levaram o Agente Fiscal a concluir que seria mais benéfico para o contribuinte considerar que tal valor foi recebido em dezembro de 2002, razão pela qual mantevese apenas o tributo no valor de R$ 399,30) incidente sobre o valor que o contribuinte concorda ter recebido em dezembro de 2002, R$ 5.000,00; que o lançamento relativo ao Imposto de Renda devido sobre os valores de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, neste caso aqueles cujas origens não foram comprovadas, não foi alcançado pela decadência, já que, neste caso, o prazo decadencial inicia sua contagem em 31 de dezembro de 2002; que o contribuinte não estabeleceu qualquer vínculo entre os depósitos bancários e os valores que recebeu pela venda do apartamento, não configurando, o contrato de alienação do imóvel, em instrumento hábil a comprovar que os valores depositados se referem aos pagamentos do valor que teria sido parcelado; que não restou demonstrada qualquer conduta dolosa do contribuinte que justificasse a qualificação da penalidade. Assim, devida sua redução ao percentual de 75%. Objetivando dar ciência ao contribuinte do resultado do julgamento em 1ª instância, foi exarada a intimação de fl. 245, a qual foi devolvida pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (fl. 247), o que teria motivado a promoção da ciência pelo Edital de fl. 248, afixado em 18 de fevereiro de 2009. Em 10 de junho de 2009, foi juntado aos autos o recurso voluntário, fl. 249/264. Em fl. 266, consta Aviso de Recebimento de nova intimação encaminhada ao contribuinte em 13 de maio de 2009, recebida na mesma data. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, o julgamento foi convertido em diligência para a unidade responsável pela administração do tributo manifestarse acerca da validade da ciência promovida pelo citado edital, bem assim para que inclua nos autos o complemento do AR de fl. 247 (face que identifica o destinatário e a devolução pelos Correios). Concluída parcialmente a diligência, foi juntado aos autos à complementação do AR, fl 280/281, onde se verifica que a correspondência teria sido encaminhada ao endereço Fl. 286DF CARF MF 4 constante do Cadastro de Pessoas Físicas, fl. 05, tendo sido devolvida por inexistência do número indicado. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Inicialmente, há de se ressaltar que, embora aparentemente regular a intimação por edital que justificou a conversão do julgamento em diligência, já que se deu após frustrada intimação postal encaminhada ao domicílio tributário do contribuinte, tudo em conformidade com o art. 23 do Decreto 70.235/72, a Autoridade lançadora deixou expressa, em seu Termo de Verificação Fiscal, fl. 151, a desatualização do endereço constante dos sistemas da Receita Federal do Brasil, assim, tendo em vista que a correção do Cadastro não é atribuição exclusiva do contribuinte, podendo também ocorrer de ofício, não tendo sido promovida, tenho como tempestivo o Recurso Voluntário formalizado após encaminhamento de intimação ao endereço considerado correto pelo Agente Fiscal. Desta forma, preenchidas as demais condições de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Da decadência: omissão de rendimentos depósitos bancários sem origem comprovada. Insurgese o Recorrente contra a conclusão do Julgador de 1ª Instância que considerou o fato gerador relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, ocorrido em 31 de dezembro de 2002. Entende a defesa que este prazo deveria começar a fluir a partir do mês dos respectivos créditos, o que demandaria o reconhecimento de que o direito do fisco estaria decaído para os meses de janeiro a novembro de 2002. O tema em questão não merece maiores considerações, pois sobre ele este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Desta forma, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida, razão pela qual rejeito a preliminar. Valores depositados na conta bancária do impugnante Alienação do apartamento Sustenta o recorrente que parte dos valores relativos à alienação do apartamento, no montante de R$ 97.000,00, teria sido recebida em espécie, no ato da assinatura Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10909.005558/200796 Acórdão n.º 2201004.456 S2C2T1 Fl. 285 5 do contrato de compra e venda, e que tais valores foram sendo depositados, pelo próprio beneficiário, em conta corrente, à medida de suas necessidades. Alega que, diante da comprovação da origem de R$ 385.000,00 relacionada à venda do apartamento, restaria cabalmente comprovada a origem de R$ 71.118,48, depositados em conta, em dinheiro, conforme planilha em que indica quais dos valores depositados teriam origem na alienação imobiliária. Aduz, além das considerações anteriores, que tais depósitos variam de R$ 170,00 a R$ 9.000,00, perfazendo um total de R$ 71.118,48, o que justificaria sua desconsideração integral por corresponderem a depósitos inferiores a R$ 12.000,00 que não ultrapassam o montante de R$ 80.000,00. Em síntese, são estes os argumentos da defesa. O lançamento em tela decorre de presunção legal de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Não há nos autos nenhuma documentação hábil e idônea que corrobore os argumentos do contribuinte de que parte dos depósitos considerados como não comprovados no lançamento estejam vinculados aos valores recebidos em espécie pela venda de seu imóvel. Ao contrário, inicialmente, o próprio autuado alegou que, com exceção aos valores depositados em 14 e 20 de fevereiro de 2002, cujas origens foram consideradas Fl. 288DF CARF MF 6 devidamente comprovadas no lançamento, os demais depósitos descritos no termo de intimação referiamse a ajuda de custo de alimentação e transporte (fl. 133), sem, contudo, apresentar qualquer documento que corroborasse tal afirmação. A planilha apresentada na impugnação e no recurso voluntário não tem o condão de, por si só, demonstrar a origem dos valores nela elencados, já que se apresenta desacompanhada de outros elementos probatórios. O perfil dos créditos bancários em dinheiro está longe de apresentar alguma compatibilidade com a alegação de que foram efetuados, à medida da necessidade, para fazer face às obrigações do recorrente, pois, a título de exemplo, não seria crível que um cidadão, ao precisar suprir uma obrigação de R$ 375,05 em 21/11/2002, procurasse uma agência bancária e efetuasse três depósitos distintos, nos valores de R$ 100,00, R$ 100,05 e R$ 175,00. Notase que, no dia 27 mesmo mês, mais duas visitas ao mesmo agente financeiro para efetuar mais dois depósitos, um no valor de R$ 500,00 e outro no valor de R$ 311,92. Neste sentido, muitos outras são as ocorrências verificadas. No caso ora sob análise, o que se tem é que os créditos em conta bancária identificados não tiveram sua origem devidamente demonstrada pelo seu beneficiário, sendo, portando, aplicável os termos da presunção legal do citado art. 42 da Lei 9.430/96, que, nos casos de movimentação financeira de origem não comprovada, inverteu o ônus da prova, cabendo, portanto, exclusivamente ao contribuinte aclarar a origem e a natureza de tais valores mediante a comprovação de fatos modificativos, extintivos ou impeditivos do direito de crédito constituído pelo Fisco. O que não foi feito. Por outro lado, inaplicável ao caso concreto o preceito legal supracitado que prevê que, na determinação da receita omitida devem ser desconsiderados os créditos de valor individual inferior a R$ 12.000,00, já que, ao contrário do que afirma o recorrente, o somatório apurado no lançamento não está restrito aos R$ 71.118,48 relativos aos depósitos efetuados em dinheiro, mas ao valor de R$ 129.073,69, que corresponde a todos os depósitos, ressaltese inferiores a R$ 12.000,00, que não tiveram sua origem comprovada. Portanto, não identifico motivos que justifiquem a alteração do lançamento e da decisão recorrida, razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário, com sugestão para que a unidade responsável pela administração do tributo avalie a pertinência da atualização do endereço do contribuinte no CPF, nos termos do § único do art. 2º e inciso I e § 1º do art. 9º da IN RFB nº 1.548/15. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10909.005558/200796 Acórdão n.º 2201004.456 S2C2T1 Fl. 286 7 Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.915387/2009-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 53 87 /2 00 9- 02 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.915387/200902 Acórdão n.º 9303006.808 CSRFT3 Fl. 144 2 Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivo interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 64, II e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão no 330201.498, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa transcreve se a seguir: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo conseqüência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Acórdão nº 330201.406 sessão de 26/01/2012. Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial, aponta dissídio interpretativo em relação aos Acórdãos nºs 120200.532 e 280300.109. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, conforme se extrai do exame de admissibilidade, ás fls. 101/104. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 111/125. No essencial é o Relatório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.915387/200902 Acórdão n.º 9303006.808 CSRFT3 Fl. 145 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. A controvérsia suscitada pela Fazenda Nacional referese aos efeitos da DCTF retificadora, entregue após despacho decisório de nãohomologação de declaração de compensação, ou seja, se este documento apresentado após o despacho é hábil para proceder à revisão do direito creditório. In caso, tratase de PER/DCOMP transmitido em 24/06/2008 (fls. 16), no qual é pretendida a compensação de IOF no valor de R$88.431,14, com vencimento em 25/06/2008, cujo crédito teria se originado de recolhimento indevido de CPMF. Através do Despacho Decisório Eletrônico de fls. 14, a DRF de origem denegou a compensação pleiteada, considerando que o alegado direito creditório já fora utilizado para a quitação de débito da requerente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão recorrida deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para determinar a apuração da liquidez e certeza do crédito do interessado pela autoridade fiscal, submetendose a homologação das compensações a novo despacho decisório. Vejamos fragmentos do aresto: Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.915387/200902 Acórdão n.º 9303006.808 CSRFT3 Fl. 146 4 "Consta às fls. 22/23 dos autos que em 02/09/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data anterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$145.095.368,72, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$144.490.798,08 e mais R$604.570,36 mediante compensação. A esse propósito, peço vênia para transcrever o voto proferido pelo i. Conselheiro José Antonio Francisco no Acórdão nº 330201.406, julgado na sessão desta 3ª Turma Ordinária em 26/01/2012, da qual participei como membro do Colegiado, que com muita precisão soube equacionar o caso e delinear a solução mais adequada, a cujos fundamentos me filio e adoto como razões de decidir: Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar a compensação". Para comprovar a divergência jurisprudencial, a Fazenda Nacional apresentou os paradigmas de nº 120200.532 e nº 280300.109. Vejamos: Acórdão nº 120200.532 proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Para melhor esclarecer, transcrevese parte do trecho do voto condutor do primeiro paradigma indicado: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.915387/200902 Acórdão n.º 9303006.808 CSRFT3 Fl. 147 5 Além disso, a DCTF retificadora não produz efeito quando a contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme dispõe o art. § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, abaixo transcrito: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) Pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e o excerto do voto condutor do primeiro paradigma, não se comprova divergência. Consta às fls. 22/23 dos autos que em 02/09/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data anterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$145.095.368,72, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$144.490.798,08 e mais R$604.570,36 mediante compensação. Como se vê, o acórdão paradigma, entendeu que a compensação não pode ser homologada sob o fundamento de que a Contribuinte havia transmitido DCTF retificadora em momento posterior à emissão do despacho decisório e de que teria demonstrado a existência do crédito. Portanto, quanto ao primeiro acórdão paradigma apontado, não resta comprovada divergência, tendo em vista que a Contribuinte transmitiu a DCTF retificadora em 02/09/2009, e o despacho decisório foi proferido em 07/10/2009. Acórdão nº 280300.109: Com efeito, do exame de admissibilidade efetuado, sequer foi falado sobre o acórdão paradigma nº 280300.109, além disso, não esta colacionado junto aos autos cópia integral dos acórdãos paradigmas. Neste sentido, a Portaria MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) nos termos do artigo 67, dispõe sobre as condições de interposição de Recurso Especial. In verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.915387/200902 Acórdão n.º 9303006.808 CSRFT3 Fl. 148 6 § 2º Para efeito da aplicação do caput, entendese que todas as Turmas e Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF são distintas das Turmas e Câmaras instituídas a partir do presente Regimento Interno. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. Em que pese estar sempre vencido quanto as minhas convicções referente aos requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, entendo que esta E. Câmara Superior deve seguir o que preceitua o Regimento Interno deste Conselho. Nos últimos meses, venho verificando que alguns contribuintes que não manejam de modo correto a interposição de recurso, buscam tutela no poder judiciário, para invalidar análise técnica feita por este Conselho, em detrimento do devido processo legal. Por outra banda, os Recursos da Fazenda Nacional em via de regra não contém qualquer cotejo analítico ou demonstração clara de qual dispositivo esta sendo interpretado de modo divergente. Portanto, minha convicção pessoal é no sentido de que se deve observar na estrita legalidade os requisitos de interposição de Recurso Especial, para que se tenha um Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.915387/200902 Acórdão n.º 9303006.808 CSRFT3 Fl. 149 7 julgamento apto a pacificar a jurisprudência, missão esta da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. No que tange a divergência do acórdão paradigma 280300.109, pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor, não se comprova divergência. Vejamos trecho que interessa do voto condutor do paradigma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O DESPACHO DECISÓRIO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao recorrente a prova do erro no preenchimento da DCTF, segundo o sistema de distribuição do ônus probatório adotado no processo administrativo federal. Recurso negado.” Conforme consta nas razões de decidir da decisão recorrida, o Colegiado delimitou a lide no seguinte sentido: "Do acima exposto, entendo que, nesta assentada, a questão básica a ser enfrentada por este Colegiado diz respeito à possibilidade de validação da DCTF retificadora, para efeito da comprovação da real existência do indébito fiscal que gerador do questionado direito creditório. Neste passo, entendo que não houve comprovação de divergência, a decisão recorrida delimitou o julgado no sentido da possibilidade ou não de validação da DCTF retificadora, ao passo que o acórdão paradigma adotou em suas razões de decidir questões relacionadas ao ônus da prova. Como bem delimitado pelo Colegiado recorrido, a questão enfrentada diz respeito a validade ou não de DCTF retificadora, por sua vez, o acórdão paradigma nada fala sobre essa discussão. Considerando ainda, que a Contribuinte transmitiu DCTF retificadora, antes do despacho decisório, portanto, patente ausência de divergência entre decisão recorrida e o paradigma. Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.915387/200902 Acórdão n.º 9303006.808 CSRFT3 Fl. 150 8 identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Diante de tudo que foi exposto, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução de divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Fl. 150DF CARF MF
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