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Numero do processo: 10976.000155/2010-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 28/02/2005 a 31/12/2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS. TAXA SELIC. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMUNIDADE. EMULSÕES ASFÁLTICAS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.
A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia à discussão, nas instâncias administrativas, do mérito relativo à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto.
IPI. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DESONERADAS.
O princípio da não-cumulatividade do IPI é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condiciona-se a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto.
MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO.
É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo créditos para abater parcela do imposto não lançado.
IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SAÍDAS TRIBUTADAS.
Os produtos das posições 2713.20.00 e 2715.00.00 encontravam na TIPI, no período de apuração objeto dos autos, respectivamente, as alíquotas de quatro e cinco por cento, motivo pelo qual sua saída do estabelecimento industrial não poderia efetivar-se sem o lançamento do imposto devido.
IPI VALOR TRIBUTÁVEL. DESCONTOS INCONDICIONAIS.
Os descontos concedidos pelo estabelecimento industrial por qualquer razão não podem ser deduzidos da base de cálculo do IPI.
Numero da decisão: 3401-005.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araúujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 28/02/2005 a 31/12/2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS. TAXA SELIC. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMUNIDADE. EMULSÕES ASFÁLTICAS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia à discussão, nas instâncias administrativas, do mérito relativo à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. IPI. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DESONERADAS. O princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 01 55 /2 01 0- 52 Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 10976.000155/201052 Acórdão n.º 3401005.229 S3C4T1 Fl. 2.123 2 É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo créditos para abater parcela do imposto não lançado. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SAÍDAS TRIBUTADAS. Os produtos das posições 2713.20.00 e 2715.00.00 encontravam na TIPI, no período de apuração objeto dos autos, respectivamente, as alíquotas de quatro e cinco por cento, motivo pelo qual sua saída do estabelecimento industrial não poderia efetivarse sem o lançamento do imposto devido. IPI VALOR TRIBUTÁVEL. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Os descontos concedidos pelo estabelecimento industrial por qualquer razão não podem ser deduzidos da base de cálculo do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araúujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase de autos de infração, sendo (i) o primeiro situado às fls. 05 a 24, lavrado com o objetivo de formalizar a cobrança referente a saída de produtos do estabelecimento industrial sem lançamento do IPI devido nas respectivas notas fiscais, e relativo, ainda, a multa de IPI não lançado com cobertura de crédito, e (ii) o segundo situado às fls. 138 a 150, lavrado com o objetivo de formalizar a cobrança referente a saída de produtos do estabelecimento industrial sem lançamento do IPI devido nas respectivas notas fiscais, falta de lançamento de imposto na saída do estabelecimento industrial, de matéria prima (CAP) adquirida de terceiros e falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota, em relação aos produtos ECOFLEX, BETUMIG Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 10976.000155/201052 Acórdão n.º 3401005.229 S3C4T1 Fl. 2.124 3 C e BETUFLEX, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 3.024.324,25. 2. A contribuinte, intimada em 26/04/2010, apresentou, em 25/05/2010, a impugnação, situada às fls. 527 a 583, na qual argumentou, em síntese: (i) nulidade dos lançamentos por encerramento parcial da fiscalização para a lavratura dos autos de infração discutidos no presente processo por ofensa ao princípio da segurança jurídica; (ii) ser indevida a multa de 75%¨sobre o crédito por ser incompreensível pelo fato de ter sido alocada nas competências de 10/2006 a 01/2007 em dissonância com o demonstrativo de diferenças a cobrar; (iii) imunidade do derivado de petróleo, (iv) impossibilidade do Fisco exigir o estorno no valor de R$ 248.286,40 devido à imunidade; (v) necessidade de considerar o crédito das entradas de CAP face ao princípio da nãocumulatividade do IPI, (vi) não terem sido excluídos da base de cálculo do IPI os valores referentes aos descontos incondicionados concedidos nas saídas para o DER, autarquia estadual isenta de ICMS; (vii) os produtos ECOFLEX, BETUMIGC e BETUFLEX devem ser enquadrados no Código NCM nº 2713.20.00 da TIPI; (viii) a não incidência de IPI sobre as operações de revenda de CAP, uma vez que a contribuinte não é equiparada a industrial, uma vez que o CAP é revendido como produto final/acabado e não como matériaprima; (ix) subsidiariamente, ainda que se considere que a saída de CAP se deu como matériaprima, o que implicaria a equiparação da autuada a industrial, tampouco haveria incidência do IPI, uma vez que a saída física não configura saída jurídica uma vez que não há transferência de titularidade, já que se trata de deslocamento de produto entre estabelecimentos do mesmo proprietário, uma vez que a GRECA DISTRIBUIDORA DE ASFALTOS LTDA., doravante denominada simplesmente GRECA, incorporou a FÁBRICA DE EMULSÕES ASFÁLTICAS DE MINAS GERAIS LTDA., doravante denominada simplesmente FEAMIG, antes dos fatos geradores em apreço, havendo, portanto, mera transferência entre estabelecimentos; (x) foi constatado, pela análise das notas fiscais de entrada, mediante Auditoria Contábil especializada, que algumas se referem a devolução de mercadorias, sendo que tais créditos deveriam ter sido observados no momento do lançamento; (xi) a multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito ofende a nãocumulatividade; (xii) caráter confiscatório e inconstitucional da multa aplicada; (xiii) inaplicabilidade da Selic sobre créditos de natureza tributária; e (xiii) a necessidade de realização de perícia técnica para retificar os vícios do auto de infração. 3. Em 29/08/2013, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0127.004, situado às fls. 1993 a 2027, de relatoria do AuditorFiscal Manoel de Jesus Estumano Gonçalves, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação para exonerar exclusivamente o valor de R$ 162.606,13 relativo a multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 28/02/2005 a 31/12/2007 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 10976.000155/201052 Acórdão n.º 3401005.229 S3C4T1 Fl. 2.125 4 As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese os pedidos de perícia, por prescindíveis, quando a matéria técnica passível de análise em tal procedimento, não interferir nas questões de direito que determinaram a convicção do julgador, bem como na formação de seu juízo valorativo acerca do litígio. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMUNIDADE. EMULSÕES ASFÁLTICAS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia à discussão, nas instâncias administrativas, do mérito relativo à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. IPI. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DESONERADAS. O princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo créditos para abater parcela do imposto não lançado. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SAÍDAS TRIBUTADAS. Os produtos das posições 2713.20.00 e 2715.00.00 encontravam na TIPI, no período de apuração objeto dos autos, respectivamente, as alíquotas de quatro e cinco por cento, motivo pelo qual sua saída do estabelecimento industrial não poderia efetivarse sem o lançamento do imposto devido. IPI VALOR TRIBUTÁVEL. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Os descontos concedidos pelo estabelecimento industrial por qualquer razão não podem ser deduzidos da base de cálculo do IPI. MULTA DE OFÍCIO CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 10976.000155/201052 Acórdão n.º 3401005.229 S3C4T1 Fl. 2.126 5 A aplicação da MULTA de ofício de 75% decorre de dispositivo legal vigente, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo analisar a sua constitucionalidade, matéria da competência exclusiva do Poder judiciário. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte foi intimada via postal em 07/08/2015, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 2035 e, em 04/09/2015, em conformidade com carimbo de protocolo aposto pela unidade local, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 2042 a 2098, no qual reiterou as razões de sua impugnação quanto à imunidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento, com a ressalva da matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário e da matéria de índole eminentemente constitucional, como se desenvolverá a seguir. 5. Em primeiro lugar, (i) a alegação de nulidade em decorrência de encerramento parcial dos exames de verificação, informado pela Autoridade Fiscal no termo de verificação fiscal, não deve prosperar, pois presentes todos os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e não configurada qualquer das hipóteses do art. 59 da prefalada norma. Não se vislumbra preterição do direito de defesa no encerramento parcial do procedimento fiscalizatório e subsequente lançamento de ofício, e tampouco se vislumbra qualquer fundamento para se proferir a nulidade do demonstrativo de multa unicamente por ter a autoridade fiscal concentrado os valores em alguns períodos de apuração ao invés de lançar cada valor no seu respectivo período. 6. Quanto ao mérito, cabe analisar, (ii) a existência ou não de concomitância entre o presente processo administrativo e o Processo nº 2006.34.00.0192504 Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 10976.000155/201052 Acórdão n.º 3401005.229 S3C4T1 Fl. 2.127 6 (Processo nº 001901647.2006.4.01.3400), que tramita no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com decisão todavia não transitada em julgado: Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 10976.000155/201052 Acórdão n.º 3401005.229 S3C4T1 Fl. 2.128 7 7. A contribuinte, conforme informação situada à fl. 127, fabrica e comercializa os seguintes produtos: (i) emulsões asfálticas (RR1C, RR2C, RL1C, RM1C, RR2CEP, RL1CEP), classificadas no Código NCM nº 2715.00.00; (ii) asfalto modificado pela adição de pó de pneus (Ecoflex B), classificado pela contribuinte no Código NCM nº 2713.20.00; (iii) asfalto modificado pela adição de polímero SBS (Flexpave 50/65, 55/75, 60/85, e 65/90), classificado pela contribuinte no Código NCM nº 2713.20.00; e (iv) aditivo GBond, um melhorador de desempenho. 8. Os seguintes produtos foram classificados pela contribuinte no Código NCM nº 2713.20.00, com alíquota de IPI de 4%, sendo reputada como correta pela autoridade fiscal a classificação no Código NCM nº 2715.00.00, com alíquota de IPI de 5%: (i) Asfalto Betumig C: asfalto modificado polímero tipo SBS, composto de CAP 50/70 (96,5%) e polímero SBS (3,5%); (ii) Ecoflex B: asfalto de borracha, asfalto modificado pela adição de pó de pneus, sendo composto de CAP 50/70 (73% a 78%), pó de borracha (no mínimo de 15%) e emulsificantes (1% a 5%); (iii) Betuflex B: produto adquirido da Ipiranga Asfaltos S/A, não industrializado pela empresa. 9. A empresa GRECA, ora recorrente, aduz que apenas se tornou estabelecimento industrial a partir do ano de 2006 e que, anteriormente a esta data, apenas comercializava os asfaltos modificados e as emulsões asfálticas. 10. Verificase, a partir da análise das peças constantes dos presentes autos, que o processo judicial em referência trata especificamente de "emulsões asfálticas" (RR1C, RR2C, RL1C, RM1C, RR2CEP, RL1CEP), classificadas no Código NCM nº 2715.00.00 pela contribuinte, restando tal matéria, portanto, ocluída do conhecimento administrativo, em virtude da aplicação da Súmula CARF nº 01. Neste sentido, correta a decisão recorrida: "Parcela do lançamento de ofício decorre da saída do estabelecimento industrial de emulsões asfálticas (RR1C, RR2C, RL1C, RM1C, RR2CEP, RL1CEP) classificadas na posição fiscal 2715.00.00, sem lançamento do IPI devido, embora, no período objeto de apuração, houvesse a previsão da incidência da alíquota de cinco por cento sobre tais produtos. Notese que o próprio sujeito passivo apontou tais produtos como pertencentes à posição 2715.00.00 da TIPI (correspondente a: “Misturas betuminosas à base de asfalto ou de betume naturais, de betume de petróleo, de alcatrão mineral ou de breu de alcatrão mineral – por exemplo, mástiques betuminosos e cutbacks”), inexistindo controvérsia quanto à classificação fiscal, inclusive porque, induvidosamente, as “emulsões asfálticas” recebem tal classificação. A impugnação alega, contudo, que a imunidade das emulsões asfálticas decorre da Constituição Federal e consta da Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 10976.000155/201052 Acórdão n.º 3401005.229 S3C4T1 Fl. 2.129 8 legislação infraconstitucional, indicando que seja pela sua natureza química seja pelo processo de que decorre sua obtenção, as mesmas correspondem a produtos derivados do petróleo, fato este que já haveria sido reconhecido pelo Departamento Nacional de Combustível (DNC). Contudo, a despeito de emulsões asfálticas não resultarem de qualquer processo definido como de refino do petróleo (e, portanto, não poderem ser classificadas como “produtos derivados do petróleo”), a discussão acerca do conceito de derivados de petróleo e da natureza das emulsões asfálticas, bem como da sua alegada imunidade, representam matérias cujo mérito foi submetido à apreciação judicial por intermédio ação ordinária nº 2006.34.00.0192504. Neste passo, à Administração fica obstada a discussão do mérito de tais alegações, haja vista que o contribuinte, ao submeter a análise das mesmas ao poder judiciário, vinculouse ao deslinde do feito a ser proferido pelo órgão judicante. É que o art. 5º, XXXV, da Constituição Federal de 1988 atribui ao poder judiciário o monopólio estatal de dizer o direito no caso concreto, em última palavra, infirmando a competência administrativa para decidir de modo diverso. Com efeito, nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 3, de 14 de fevereiro de 1996, a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia às instâncias administrativas quanto à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. Logo, a existência de ação judicial visando à confirmação de suas teses, como já referido, obsta a discussão do tema em sede administrativa, em face do princípio da inafastabilidade ou unicidade da jurisdição, o qual orienta nosso sistema. A opção pela via judicial, por qualquer modalidade de ação, antes ou concomitante à esfera administrativa, torna completamente estéril, pois, a discussão em âmbito não jurisdicional. Desta feita, não pode ser conhecida a impugnação quanto ao mérito das referidas matérias. Assinalese, ainda, que a ação ordinária nº 2006.34.00.0192504 já recebeu sentença de primeiro grau a qual julgou improcedente o pedido que objetivava a declaração de não sujeição dos produtos asfálticos ao Imposto sobre Produtos Industrializados, em perfeita correspondência para com o lançamento de ofício que, na esfera administrativa, tornase definitivo quanto ao presente aspecto" (seleção e grifos nossos). 11. Em que pese se referir à idêntica ação judicial, diversos, portanto, os produtos tratados no Acórdão CARF nº 3401003.855, de minha relatoria, em que figurou como recorrente a contribuinte BETUNEL INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, litisconsorte ativa da GRECA no processo judicial acima retratado. Naquela ocasião, em sessão de 24/07/2017, em que restei vencido no colegiado, o objeto da discussão se voltou a tratar dos seguintes produtos: Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 10976.000155/201052 Acórdão n.º 3401005.229 S3C4T1 Fl. 2.130 9 asfalto diluído e o cimento asfáltico. Foi, ao fim, designado redator o Conselheiro Robson José Bayerl, tendo decidido a turma nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 2008, 2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de normas, aí incluídas aquelas veiculadas por decreto, havendo expressa vedação legal inserta no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/09. IMUNIDADE OBJETIVA. IPI. DERIVADOS DE PETRÓLEO. RIPI.Nos termos do art. 18, IV e § 3º do Decreto nº 4.544/02, que regulamenta o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, são imunes do imposto os derivados de petróleo, assim entendidos os produtos decorrentes da transformação do petróleo, por meio de conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação, classificados quimicamente como hidrocarbonetos, não englobando o asfalto diluído e o cimento asfáltico, obtidos em etapas subseqüentes da cadeia produtiva, a partir da mistura de diversos componentes e substâncias. 12. Em (iii) terceiro lugar, necessário se analisar a alegação da recorrente quanto ao estorno no valor de R$ 248.286,40, decorrente de ter a autoridade fiscal desconsiderado créditos apurados quando da aquisição de insumos para a produção dos asfaltos, observase, da leitura do termo de verificação, que foram considerados integralmente os créditos referentes ao IPI pago nas aquisições de insumos em que houve destaque do imposto e que, como aponta a decisão a quo, permitir a manutenção de tais créditos na escrita fiscal do contribuinte seria permitir a utilização em duplicidade, sendo, portanto, improcedente o recurso voluntário neste particular. 13. Em (iv) quarto lugar, quanto à necessidade de se considerarem os créditos das entradas de CAP em função da nãocumulatividade, apenas geram créditos de IPI as operações de compras de insumos em que foi pago o imposto, com destaque do tributo na nota fiscal. Se as operações são desoneradas do imposto, não ocorre o direito creditório, sendo esta a posição adotada pelo Supremo Tribunal Federal como no Recurso Extraordinário nº 353657/PR e no Recurso Extraordinário nº 370682/SC, sendo, portanto, improcedente o recurso voluntário neste particular. 14. Em (v) quinto lugar, quanto aos descontos comerciais incondicionados e das saídas para DER, correta a não exclusão do valor tributável dos descontos incondicionalmente concedidos pelo industrial nas saídas de produtos tributados e do valor do ICMS cuja isenção foi concedida pelo fisco estadual, em virtude de inexistência de previsão legal para que se proceda a tais exclusões: Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 10976.000155/201052 Acórdão n.º 3401005.229 S3C4T1 Fl. 2.131 10 “RIPI Art. 118. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: (...) II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. § 1º O valor da operação referido nos incisos I, alínea 'b' e II, compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. § 2º Será também considerado como cobrado ou debitado pelo contribuinte, ao comprador ou destinatário, para efeitos do disposto no parágrafo anterior, o valor do frete, quando o transporte for realizado ou cobrado por firma coligada, controlada ou controladora ou interligada do estabelecimento contribuinte ou por firma com a qual este tenha relação de interdependência, mesmo quando o frete seja subcontratado. § 3º Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente” 15. Assim, após a edição da Lei n.º 7.789/89, cujo art. 15 alterou a redação do art. 14 da Lei n.º 4.502/64, os descontos incondicionais devem ser incluídos na base de cálculo do IPI, sendo, portanto, improcedente o recurso voluntário neste particular. 16. Em (vi) sexto lugar, quanto à classificação fiscal do asfalto modificado, correta a decisão recorrida, uma vez que os produtos em apreço, como misturas de CAP, devem ser classificadas na Posição 2715, uma vez que a Posição 2713, utilizada pela contribuinte, referese especificamente a betume de petróleo: "A empresa questiona a classificação na posição 2715.00.00 (alíquota 5%) de parte de seus produtos (asfaltos modificados ECOFLEX, o asfalto BETUMIG C e BETUFLEX), alegando ser a classificação correta a da posição 2713.2000 (alíquota 4%)., pois a base de tais produtos é o CAP – cimento asfáltico de petróleo, que via de regra, corresponde a mais de 90% do peso do asfalto modificado. Cabe esclarecer que justamente por serem misturas de CAP, ou seja, misturas betuminosas à base de asfalto ou de betume naturais, de betume de petróleo, de alcatrão mineral ou de breu de alcatrão mineral – por exemplo, mástiques betuminosos e cutbacks é que os produtos ECOFLEX BETUMIG C e BETUFLEX são classificados na posição 2715, já que a posição 2713 referese a betume de petróleo" (seleção e grifos nossos). 17. Assim, improcedente o recurso voluntário neste particular. Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 10976.000155/201052 Acórdão n.º 3401005.229 S3C4T1 Fl. 2.132 11 18. Em (vii) sétimo lugar, quanto à impossibilidade de incidência do IPI sobre a revenda, uma vez que o lançamento alcança a saída de insumos classificados na posição fiscal 2713.20.00 (CAP 50/70), recebidos para industrialização e posteriormente remetidos para outros estabelecimentos industriais sem lançamento do IPI devido, e considerando que não há controvérsia instaurada com relação à classificação fiscal das matérias primas a que deu saída, as alegações questionam o fato gerador do IPI. Neste sentido, correta a decisão recorrida: O contribuinte não nega, em nenhum momento, que tanto adquiria CAP para industrialização como para revenda, pois bem, dispõe o § 4º do artigo 9º do RIPI/02: § 4º Os estabelecimentos industriais quando derem saída a MP, PI e ME , adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção e obrigatoriamente equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª). O texto é claro e não deveria deixar margem a dúvidas, entretanto, insiste, o autor da peça impugnatória, que ao adquirir o CAP para revenda este não pode ser considerado como matéria prima, porém tal argumento é mera falácia, o que caracteriza um bem como matéria prima é a sua possibilidade de emprego no processo produtivo e não se está destinado à revenda, aliás, tão falacioso é o argumento que o texto perde seu sentido, pois basta alegar que se adquiriu o bem para a revenda que ele deixaria de ser matéria prima, portanto jamais poderia ser empregado no processo industrial. Portanto, de acordo com a legislação, indubitavelmente a empresa é obrigatoriamente equiparada a estabelecimento industrial nas indigitadas operações, nas quais deveria ter sido lançado o IPI, nas respectivas notas fiscais. Pois bem, como já visto, a empresa em questão é contribuinte do IPI nas revendas de mercadorias que também são passíveis de serem empregadas como matéria prima em seu processo industrial. Destarte, não pairam dúvidas que, nessas operações, o contribuinte está caracterizado como estabelecimento comercial atacadista de bens de produção, obrigatoriamente equiparado a estabelecimento industrial, conseqüentemente, com ocorrência do fato gerador do IPI. 19. Em (viii) oitavo lugar, quanto à transferência entre estabelecimentos (FEAMIG) em virtude de não haver fato gerador, apontase que o fato gerador do IPI é a saída e, segundo os arts. 34 e 38 do RIPI, de 2002, o IPI é devido sejam quais forem as finalidades a Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 10976.000155/201052 Acórdão n.º 3401005.229 S3C4T1 Fl. 2.133 12 que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor (Lei no 4.502, de 1964, art. 2o, § 2o). 20. Desta feita, uma vez que a autoridade fiscal apresentou provas hábeis buscadas na própria escrituração, caberia à contribuinte, ora recorrente, apresentar provas para tornar controversos os fatos contra ela imputados, não se encontrando desincumbida de fazêlo. 21. Em (ix) nono lugar, quanto à operações com devolução, opera a carência probatória. A contribuinte alega que os créditos de IPI relativos às devoluções de vendas não foram considerados para fins de abatimento no montante de IPI supostamente devido por ela, mas anexou cópia de apenas duas notas fiscais para comprovar o seu direito. Nos termos do art. 30 da Lei nº 4.502/1964, a devolução deve ser comprovada nos termos do RIPI, e somente nesta hipótese o estabelecimento poderá se creditar do imposto que sobre ele incidiu quando da sua saída. Em igual sentido, o art. 169 RIPI ao exigir a escrituração correspondente da ocorrência: “Art. 30. Ocorrendo devolução do produto ao estabelecimento produtor, devidamente comprovada, nos termos que estabelecer o regulamento, o contribuinte poderá creditarse pelo valor do imposto que sobre ele incidiu quando da sua saída” (grifei). O RIPI, de 2002, assim determina: “Art. 167. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial.” “Art. 169. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências (Lei nº 4.502, de 1964, art. 27, § 4º): I .............................. II pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: a) menção do fato nas vias das notas fiscais originárias conservadas em seus arquivos; b) escrituração das notas fiscais recebidas, nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388; c) prova, pelos registros contábeis e demais elementos de sua escrita, do ressarcimento do valor dos produtos devolvidos, mediante crédito ou restituição do mesmo, ou substituição do produto, salvo se a operação tiver sido feita a título gratuito.” 22. Tal fato não passa despercebido da decisão do julgador de primeiro piso, que assevera nos seguintes termos: "A aplicação da norma ao caso concreto, não poderia resultar tratamento diferente da desconsideração dos referidos créditos por tratarse não de mero descumprimento de obrigação acessória, mas sim de não cumprimento de condições eleitas Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 10976.000155/201052 Acórdão n.º 3401005.229 S3C4T1 Fl. 2.134 13 pelo legislador para o direito ao crédito do imposto. Não satisfeitos os requisitos, inexiste o direito ao crédito. A forma de comprovação da reentrada dos produtos não pode depender da vontade do contribuinte nem da vontade da administração, mas deve pautarse no disposto em lei. Se a Lei nº 4.502/1964 determinou que as regras para comprovação do reingresso do produto são fixadas em regulamento, devese adotar tais regras. Desviarse deste mandamento significaria desrespeitar o princípio da legalidade que rege a administração tributária. Portanto, a simples anexação de cópia de duas notas fiscais não mostram suficientes para comprovar o direito reclamado" (seleção e grifos nossos). 23. Em (x) décimo lugar, quanto à multa sobre o IPI não lançado com cobertura crédito, assentese com o fato de que a multa deve ser infligida nas hipóteses de falta de lançamento do imposto nas saídas de produtos tributados. Correta, portanto, a decisão a quo: Pode haver casos em que a falta de lançamento do imposto não implique em equivalente falta de recolhimento. Isso ocorre quando o estabelecimento tem créditos capazes de absorver parte do imposto que deixou de ser lançado. Nesta hipótese, mediante a reconstituição da escrita fiscal, cobrase apenas o imposto não absorvido pelos créditos, mas a multa de ofício é aplicada sobre todo o imposto que deixou de ser lançado, ficando a multa dividida em duas partes, aquela referente ao imposto a ser cobrado, e aquela referente ao imposto não lançado acobertado por créditos. Em outras palavras, a infração é caracterizada tão somente pela falta de destaque do valor, total ou parcial do imposto na respectiva nota fiscal, independentemente do contribuinte possuir créditos na escrita fiscal suficientes para compensar os débitos assim apurados. Tendo sido constatada a saída de produtos em operações tributadas sem o destaque do imposto ou em destaque a menor, é dever do agente fiscal a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor que deixou de ser lançado na nota. Sobre o assunto, cabe destacar ementa do Parecer Normativo CST nº 39, de 1976, publicado no Diário Oficial da União em 23/06/1976 Portanto, correta a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o montante total de IPI não lançado pela contribuinte. 24. Em (xi) décimoprimeiro lugar, quanto à Caráter Confiscatório da Multa Aplicada, aplicase a Súmula CARF nº 2, não devendo ser conhecido o recurso voluntário neste particular. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 10976.000155/201052 Acórdão n.º 3401005.229 S3C4T1 Fl. 2.135 14 25. Em (xii) décimosegundo lugar, quanto à impossibilidade de aplicação da taxa Selic, aplicase a Súmula CARF nº 4, sendo, portanto, improcedente o recurso voluntário neste particular. “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais 26. Em (xiii) décimoterceiro lugar, quanto ao pedido de perícia, nos termos dos arts. 18 e 28 do Decreto n° 70.235/1972, considerase desnecessária a perícia proposta pela interessada, por dispensável para o deslinde do presente julgamento, devendo, portanto, ser indeferido o pedido formulado. 27. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 2135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001130/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo ESPÓLIO DE ARMANDO ESPASANDIN GERPE, contra decisão de primeiro grau que deu provimento parcial à impugnação apresentada pelo contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 13 0/ 20 07 -6 3 Fl. 948DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 3 2 Contra o Contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 720/726 em virtude da apuração da seguinte infração: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, constatandose excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados e comprovados, nos meses de novembro e dezembro de 2002 e abril, maio, agosto e dezembro de 2003, conforme Termo de Verificação, Constatação e de Encerramento de Fiscalização de fls. 700/719 e demonstrativos de fls. 698 e 699. Enquadramento legal: artigos 1° a 3°, e §§, da Lei n° 7.713, de 1988, arts. 10 e 2° da Lei n° 8.134, de 1990, arts. 55, XIII, e parágrafo único, 806 e 807 do RIR/1999, art. 1° da Medida Provisória n°22, de 2002, convertida na Lei n° 10.451, de 2002. Sobre o imposto apurado, no valor de R$ 1.179.872,74, foram aplicados multa qualificada de 150% e juros de mora regulamentares, com fulcro nos dispositivos legais de fl. 662, perfazendo um total de R$ 3.598.536,77. Devidamente cientificado do Auto de Infração, Termo de Verificação e demonstrativos em referência, em 17/09/2007 (fl. 731), o Contribuinte apresentou em 11/10/2007 a impugnação de fls. 733/771, argumentando, em síntese: 1) o impugnante não teria conhecimento de alteração contratual arquivada em 15/05/2003 sob o n° 548181, relativa à empresa Hoteleira Tropical Tourist Ltda.; 2) o Contribuinte adquiriu 55% das quotas de capital da empresa Hoteleira Tropical Tourist Ltda., porém tal operação não teria ocorrido em dezembro de 2002, como o Fisco considerou indevidamente na presente autuação; 3) é absurda a alegação do Fisco de que o Contribuinte constava como sócio representante da mencionada empresa na DIPJ do anocalendário 2002, pois quem lá constava como representante era o Sr. José Orlando de Alvarenga Gandara, restando comprovado que em 2002 o Impugnante ainda não participava da Tropical Tourist Ltda.; 4) para o Fisco, o documento que respalda a transação comercial relativa a alienação das quotas em questão é o Instrumento Particular de Compra e Venda registrado em 15/05/2003 no cartório do 5° Oficio do Rio de Janeiro — Títulos e Documentos, documento esse que não esta datado; 5) se o documento que a Fiscalização usa como principal elemento de prova não possuía data, não caberia ao Fisco atribuir uma data, ainda mais partindo de conjecturas e ilações infundadas, haja vista que a Fiscalização não poderia promover lançamento do IRPF sem elementos suficientes, sob pena de ferir os princípios da estrita legalidade tributaria e tipicidade cerrada; 6) o Fiscal Autuante teria considerado como valor da operação o constante em um instrumento particular de compra e venda, sem data, registrado em 15 de maio de 2003, no Cartório do 5° Oficio do Rio de Janeiro — Títulos e Documentos; 7) o que de fato o Impugnante teria pago em relação a aquisição das quotas da Empresa Hoteleira Tropical Tourist Ltda. em 2002 e 2003 teria sido o valor de R$ 27.500,00 (55% de R$ 50.000,00) em 2003; Fl. 949DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 4 3 8) o instrumento particular determinava que caberia ao Impugnante arcar com 55% de R$ 1.6000.000,00, em moeda corrente, e R$ 3.033.000,00 e R$ 1.000.000,00, em notas promissórias, no entanto, nenhum pagamento a esse titulo foi efetuado pelo Autuado, não tendo sido paga nenhuma nota promissória; 9) em momento algum, o Fiscal Autuante provou que as notas promissórias foram efetivamente quitadas, isto 6, que houve o pagamento por parte dos adquirentes e, consequentemente, o recebimento por parte dos alienantes, tendo simplesmente considerado como datas dos efetivos pagamentos aquelas constantes no Instrumento Particular de Compra e Venda; 10) quer fazer crer a Fiscalização que uma vez assumida uma divida, para fins fiscais, deve ser ela, obrigatoriamente, considerada como paga no seu vencimento, desconsiderando, assim, a existência da mora em dividas contraídas, bem como o regime de apuração imposto ao Contribuinte pessoa física, o que seria um absurdo; 11) a Fiscalização afrontaria o Direito Pátrio ao querer que o Contribuinte produza prova negativa de fato, ao impor que o Autuado comprove que não pagou as suas dividas nas datas preliminarmente acordadas; 12) caberia ao Fisco provar que o Impugnante efetivamente realizou aqueles pagamentos nas datas consideradas no lançamento tributário, porém o Fisco jamais logrou fazêlo uma vez que tanto o devedor quanto o credor atestam a inexistência dos pagamentos; 13) os valores de R$ 880.000,00, R$ 1.668.150,00 e R$ 550.000,00 devem ser desconsiderados como aplicação no mapa de apuração do acréscimo patrimonial apresentado pela Fiscalização; 14) com relação à aquisição do apartamento 402 da Av. Vieira Souto, n° 712, o Impugnante pagou os R$ 500.000,00 relativos ao sinal em novembro de 2002, porém não quitou a duplicata do valor restante de R$ 500.000,00 em 2003; 15) o Fiscal Autuante em momento algum provou que a duplicata teria sido quitada pelo Interessado em 15/05/2003, uma vez que ela efetivamente não foi quitada nessa data; 16) o valor de R$ 500.000,00 deve também ser desconsiderado como aplicação no mapa de acréscimo patrimonial; 17) o Fiscal Autuante perpetrou mais uma flagrante arbitrariedade ao considerar o desconto simplificado/padrão de 20% sobre os rendimentos tributáveis nos anos calendário de 2002 e 2003 como renda presumidamente consumida pelo Impugnante; 18) o fato de o desconto simplificado ou padrão ser um abatimento legalmente admitido não significa que o Contribuinte tenha incorrido em despesas de igual montante e, consequentemente, não poderia, em hipótese alguma, ser presumidamente considerado como aplicação em fluxo de caixa, nos termos de vasta jurisprudência administrativa; 19) a Fiscalização arbitrariamente teria desconsiderado como origem os rendimentos isentos a titulo de lucros nos anoscalendário de 2002 e 2003; Fl. 950DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 5 4 20) o Impugnante faz questão de listar todas as irregularidades supostamente cometidas pelas empresas distribuidoras dos lucros, mencionadas pelo agente do Fisco, para demonstrar que, mesmo se todas fossem verdadeiras, ainda assim em nada impediria as distribuições dos lucros, ou seja, as distribuições de lucros em questão estariam perfeitamente em conformidade com a legislação pertinente, ainda mais por se tratar de um direito liquido e certo do Impugnante; 21) se a pessoa jurídica cometeu algum tipo de irregularidade que resulte em alguma sanção tributária, que ela seja punida e não o beneficiário dos rendimentos; 22) o que efetivamente deve ser observado é se as empresas possuíam lucros ou reservas de lucros a serem distribuídas e se foram registrados os pagamentos desses lucros aos beneficiários, não importando, de forma alguma, se esses recursos foram pagos via caixa ou banco, se o Diário ou Razão foram escriturados em partidas mensais e assim por diante; 23) não há determinação legal que proíba a utilização de valores em espécie nas transações comerciais no Brasil e nem ha presunção legal a favor do Fisco nesses casos, visto que a presunção em questão trata do acréscimo patrimonial a descoberto e não da inexistência de operações realizadas em espécie, sendo do Fisco o ônus de provar a inexistência das operações em espécie declaradas e confirmadas através de documentação; 24) em momento algum o Fisco provou que os lucros não foram distribuídos, que inexistia lucro a distribuir, que não foi registrada a saída desses recursos das pessoas jurídicas correspondentes, que esses recursos não ingressaram no patrimônio do Impugnante, em suma, jamais teria comprovado qualquer coisa que justificasse a não aceitação dos lucros distribuídos como origem no fluxo de caixa do Impugnante, se limitando a meras banalidades que, na realidade, não teriam nenhuma ligação direta com a matéria em questão; 25) para maior clareza, o Impugnante aproveita para anexar cópia dos balanços patrimoniais das empresas distribuidoras dos lucros, ressaltando, também, que todas possuíam lucros a serem distribuídos, estando devidamente contabilizadas suas respectivas saídas para o Impugnante; 26) no caso vertente, os lucros existiam, foram efetivamente distribuídos e declarados, e devem ser considerados como rendimentos isentos na declaração do Impugnante e consequentemente como origem na apuração de sua variação patrimonial; 27) o Fisco aponta um acréscimo patrimonial na declaração do exercício de 2004, constando o valor de R$ 47.500,00 na coluna 31/12/2003 que segundo o Fisco seria R$ 27.500,00 e mais R$ 20.000,00 não explicados; 28) reconhece o Impugnante que teria se equivocado ao colocar o valor de R$ 47.500,00 em sua declaração de rendimentos, porém, o que de fato ocorreu foi um simples erro de digitação que não trouxe nenhum prejuízo ao erário, não podendo o Interessado ser penalizado com base em conjecturas infundadas; 29) tendo em vista que a Fiscalização não conseguiu provar que realmente teria havido o desembolso por parte do Impugnante do valor de R$ 20.000,00 a titulo de aquisição de direitos societários em dezembro de 2002, até porque ele efetivamente nunca teria acontecido, deve este valor ser desconsiderado como aplicação no demonstrativo de origens e aplicações dos recursos do Impugnante; Fl. 951DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 6 5 30) o Fisco indevidamente considerou como pago o valor de R$ 27.500,00 referente à parte do preço da aquisição das quotas da empresa Hoteleira Tropical Tourist Ltda., conforme 10ª alteração contratual; 31) o Fisco considerou, de forma incoerente, tanto o valor de R$ 27.500,00, constante da 10a alteração contratual, quanto o valor de R$ 880.000,00 constante do instrumento particular de compra e venda, apesar de que, durante todo o procedimento fiscal relacionado A aquisição de quotas, tenha se baseado apenas no instrumento particular de compra e venda, que seria, de acordo com o Fisco, o documento que ampararia toda a transação comercial; 32) as diferenças de R$ 40.808,50 (anocalendário 2002) e R$ 15.043,20 (anocalendário 2003) teriam que ser consideradas como origem no demonstrativo elaborado pela Fiscalização e, inexplicavelmente, não o foram; 33) depois da 10a alteração contratual da empresa Hoteleira Tropical Tourist Ltda. foi celebrado o contrato "instrumento particular de compra e venda", do qual o Interessado não recorda a data, esta tampouco consta do mesmo documento em razão de uma falha; 34) as partes pretendiam fazer um instrumento de novação que alteraria o valor pactuado através daquela alteração contratual; 35) em julho ou agosto de 2003 foi celebrado um novo instrumento particular de novação de compra e venda, devido a novos entendimentos entre as partes, onde, inadvertidamente, acabou constando a data de 6 de janeiro de 2003, quando o correto seria julho ou agosto de 2003; 36) o único desembolso efetuado pelo Impugnante nos anoscalendário de 2002 e 2003, em relação à aquisição das quotas de capital da empresa Hoteleira Tropical Tourist Ltda. foi o valor de R$ 27.500,00 lançado em sua declaração de rendimentos referente ao anocalendário de 2003, não existindo comprovação de pagamento de qualquer outro valor; 37) quanto A colocação do ilustre auditor de que, de forma inusitada, já se tinha conhecimento da alteração contratual da empresa Toledo Copacabana Hotel Ltda. de n° 1341829, em 31/07/2003, tendo em vista que o pacto contratual fora firmado em janeiro de 2003, esclarece o Impugnante que a data constante do documento (06/01/2003) estaria errada, uma vez que, na verdade tal contrato não se deu em janeiro, mas sim em julho ou agosto, bastando, para comprovar esse fato, verificar a data dos reconhecimentos das firmas, por semelhança, constantes do próprio documento ou até mesmo confirmar junto aos alienantes; 38) o pacto em questão não teria sido assinado em janeiro de 2003, mas sim em julho ou agosto, desse modo, na data da real assinatura o Sr. José Orlando já não pertencia mais ao quadro societário da empresa e a Sra. Regina Célia de Oliveira Gandara tinha todas as condições de representalo; 39) em relação à alegação do Fisco de que Cannem Regina Alvarenga Gandara Correa da Costa não estava autorizada a representar a empresa ORG, em razão de a Ata da Assembléia Geral de 06/06/2002 não ter sido objeto de transcrição e arquivamento junto A JUCESP, reconhece o Impugnante não ter conhecimento a respeito e lamenta não ter tido tempo de se aprofundar em suas averiguações, porém não acredita que tal formalidade possa Fl. 952DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 7 6 ser motivo suficiente para tornar o documento imprestável, o que seria uma arbitrariedade sem precedentes; 40) independentemente do fato de que o documento em questão não trouxera modificações na apuração do fluxo financeiro do Impugnante, tendo em vista que não houve pagamentos dos valores pactuados nos contratos, com exceção dos R$ 27.500,00, como já mencionado anteriormente, o que de fato importaria é que, se o Impugnante tivesse montado o referido documento com objetivo de ludibriar o Fisco, nunca a data do reconhecimento de firma poderia ter sido anterior ao inicio da ação fiscal; 41) seria inaceitável o entendimento da Fiscalização de que teria havido dolo que justificasse a aplicação da multa de 150%; 42) a imposição da multa qualificada representou conclusão precipitada e ideia preconcebida do Fiscal Autuante que, sem nenhuma prova material que demonstrasse ter ocorrido o evidente intuito de fraude, pretendeu, por convicção pessoal, sem nenhum amparo na legislação, atribuir vestimenta dolosa à alegada irregularidade; 43) a CoordenaçãoGeral de Fiscalização — COFIS ao emitir a Nota n° 205/00142, trata da desnecessidade da formalização da representação fiscal para fins penais quando a apuração de crédito tributário resultar de mera aplicação de presunções legais, sendo inadmissível a aplicação da multa qualificada (150%) sobre infrações decorrentes de presunção legal, como no presente caso (acréscimo patrimonial a descoberto); 44) o Fiscal Autuante teria aplicado a multa de 150% sobre infrações que ele próprio não considerou como sujeitas a tal penalidade; 45) se o Autuante considerou como sujeito à multa qualificada a operação relativa à aquisição das quotas de capital, caberia a ele aplicar a multa qualificada sobre os valores a ela pertinentes, promovendo a autuação separadamente, aplicando as multas de 75% e 150% de forma correta e individualizada; 46) deveria ser descaracterizada a qualificação da multa, pelo menos sobre os valores que não se referem à operação de compra das quotas de capital; 47) a Súmula n° 14 do 1° Conselho de Contribuintes vedaria a aplicação de multa qualificada nos casos de simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos. Ao final de sua impugnação, o Contribuinte protesta por todos os meios de prova em Direito admitidos e solicita o cancelamento da exigência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1331.970 da 2ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 804/818, julgando procedente em parte a Impugnação apresentada, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Fl. 953DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 8 7 São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO SIMPLIFICADO. DISPÊNDIO. O desconto simplificado substitui as deduções legais cabíveis do modelo completo de declaração de ajuste anual, sendo, por conseguinte, considerado dispêndio e lançado como tal no demonstrativo, não podendo esse valor justificar acréscimo patrimonial. LUCROS DISTRIBUÍDOS. COMPROVAÇÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A alegação de recebimento de valores a titulo de distribuição de lucros não é suficiente para justificar acréscimo patrimonial, sem a comprovação da efetiva transferência do valor distribuído por meio de provas inequívocas. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do Contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento de fatos geradores por parte do Fisco a fim de se eximir da cobrança do imposto de renda. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Procedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte” Devidamente intimado (fls. 820), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 823/862), sustentando o que segue: “O Recorrente vem insurgirse de forma veemente contra a presente decisão, onde fica demonstrado, alias, de forma evidente, que a D. Autoridade Julgadora de 1º grau no afã de sustentar o lançamento levado a efeito pela fiscalização, optou por desconsiderar grande parte das razões arguidas na impugnação que se prestavam a comprovar, de forma inconteste, a inconsistência do auto de infração lavrado. Consoante se pode observar, suas alegações para considerar como procedente em parte o presente lançamento, de modo geral, partem de má interpretação da peça impugnatória ou de conjecturas indevidas, como a seguir demonstraremos: III.1 Da Eleição Indevida da Data de Compra das Quotas de Capital O Recorrente sustentou em sua impugnação e mais uma vez afirma, é que a operação em foco efetivamente aconteceu no anocalendário de 2003, como devidamente declarada em sua DIRPF, e não em 2002 conforme conclusão totalmente equivocada da Fl. 954DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 9 8 autoridade julgadora de 1º grau. Ademais, não existe previsão legal para a afirmação da d. autoridade julgadora de que o valor da alienação constante da referida alteração contratual não é condizente com a realidade econômica da operação. Como já afirmado na peça impugnatória e nunca é demais repetir, o Recorrente não tem conhecimento de alteração contratual arquivada em 15/05/2003 sob o nº. 548181. Por conseguinte, de pronto, qualquer sustentação com base nessa alteração contratual não pode, em hipótese nenhuma, prosperar. Desta forma, a afirmação de que o Recorrente constava como sócio representante da Empresa Hoteleira Tropical Tourist Ltda. na DIPJ relativa ao anocalendário de 2002 é completamente incabível. Aliás, não se consegue entender como se chegou a essa conclusão, pois basta uma análise superficial na ficha 03 da DIPJ( Inativa), já acostada ao processo, que se constatará que na verdade quem constava como representante da empresa era o Sr. José Orlando de Alvarenga Gandara. Portanto, o que efetivamente resta totalmente comprovado, é que em 2002 o Recorrente ainda não participava da empresa em questão. [...] Com a devida vênia, o lançamento tributário não comporta esse tipo de imprecisão. Ao contrario, o art. 142 do CTN é claro quando define o lançamento como procedimento administrativo "tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido". Isto é, verificar a ocorrência do fato gerador, e não insinuar, dar a entender, presumir. A fiscalização, como atividade plenamente vinculada, não pode promover lançamento do IRPF sem elementos suficientes, sob pena de ferir os princípios da estrita legalidade tributária e tipicidade cerrada. No caso vertente, o documento que a Fiscalização utiliza como principal elemento de prova não possui data, ou seja, efetivamente não se sabe quando foi criado e, como já mencionado, não cabe a ela atribuir uma data, ''ainda mais partindo de conjecturas e ilações infundadas. Face ao exposto, resta plenamente caracterizado, que a Fiscalização incorreu em erro insuperável. Tratase de ofensa aos arts. 142 e 144 do Código Tributário Nacional. "Verbis": [...] Pela exegese dos artigos antes colacionados depreendese, com fundamento no principio da tipicidade cerrada, que a atividade fiscal é vinculada e deve se reportar à data da ocorrência do fato gerador. É assente, de forma inconteste, que os rendimentos das pessoas físicas, desde o anocalendário de 1992 (arts. 4°, 6°,10 e outros da Lei n°. 8.383, de 30.12.1991), se submetem ao regime de tributação e apuração mensais. O lançamento de oficio é regido por lei, implicando vinculo indissociável do Agente lançador à temporalidade da ocorrência do fator jurígeno. É abominável qualquer poder Fl. 955DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 10 9 discricionário atribuível ao Fisco, sob pena de se subverter toda ordem jurídica instalada, com exacerbada insegurança às partes intervenientes. Dessa forma incorre o Fisco em erro substancial ao olvidar a legislação de regência, transmudando segundo a sua conveniência e oportunidade a data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária em ofensa, reiterase, frontal à Lei Complementar n°. 5.172/66. No que se refere a este tópico, incumbe destacar a seguinte afirmativa da d. Autoridade Julgadora de 1º Grau: "Com relação aos valores de aquisição das quotas em questão, cabe desconsiderar o instrumento particular de novação de compra e venda, datado de 06/01/2003, que, além de conter um valor muito inferior à realidade económica da operação, possui uma série de impropriedades formais, conforme descrito no Termo de Verificação, Constatação e de Encerramento de Fiscalização de ils.637 a 656. Os elementos fornecidos pelo Ministério Público Federal (fls. 489 a 589) sustentam que os valores reais da opera cão de aquisição de quotas da Tropical Tourist Ltda. Foram os constantes do instrumento particular de compra e venda de jls. 556 a 567. Isso Posto, devem constar como aplicações no demonstrativo de variação patrimonial os pagamentos relativos à aquisição das quotas da empresa Tropical Tourist Ltda., nos lermos tratados no instrumento particular de compra e venda de fls. 556 a 557." (grifamos) III.2 – Do Valor Efetivamente Pago Pela Transação [...] Uma vez mais os comentários da d. Delegacia de Julgamento denotam claramente uma predisposição indisfarçada de acatar e repetir de forma simplória o entendimento da fiscalização sem preocuparse em analisar atentamente os fatos com a isenção e imparcialidade que seria de se esperar. Ora, afirmar que o instrumento particular de novação de compra e venda contém um valor muito inferior à realidade econômica da operação e que os elementos fornecidos pelo Ministério Público Federal sustentam que os valores reais da operação foram os constantes do instrumento particular de compra e venda tratamse de meras afirmações levianas e opiniões desprovidas de qualquer fundamento legal. Em qual critério poderia basear se a autoridade julgadora de 1° grau para chegar a esta conclusão? Como estabelecer o valor correto de uma transação deste tipo? Como determinar e mensurar a motivação das partes envolvidas na transação? Ademais, não se pode deixar de levar em consideração na composição do preço da transação as pesadas verbas constantes do passivo tributário da empresa. Como já explicitado na pega impugnatória, o auditor autuante decidiu a seu bel prazer estabelecer como valor da operação o constante de um Instrumento Particular de Compra e Venda, sem data, registrado em 15 de maio de 2003, no Cartório do 5° Oficio do Rio de Janeiro Títulos e Documentos. Mesmo considerando tal instrumento particular como o que respalda a operação comercial, hipótese que só se admitiria por amor ao debate, cabe esclarecer que, Fl. 956DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 11 10 ainda assim, não houve omissão de receita, como pretende, equivocadamente, caracterizar o ilustre agente do Fisco. Se não vejamos: O que realmente tem relevância no tipo de tributação imposta é quanto o Recorrente desembolsou, isto é, quando e quanto efetivamente pagou pela aquisição das quotas. Exemplificando: Se um contribuinte adquiriu determinado número de quotas de uma empresa por R$ 10.000.000,00 e não efetuou o pagamento, para efeito de apuração do acréscimo patrimonial o resultado é "zero", ou seja, não há valor a ser considerado como dispêndio/aplicação. No caso vertente, o que de fato o Recorrente desembolsou pela aquisição das quotas da Empresa Hoteleira Tropical Tourist Ltda., em 2002 e 2003 foi a importância de R$ 27.500,00 (55% de 50.000,00) no ano calendário 2003. Como já explicitado acima, o instrumento particular determina que caberia ao Recorrente arcar com 55% (cinquenta e cinco por cento) dos seguintes valores: R$ 1.600.000,00 em moeda corrente e R$ 3.033.000,00 e R$ 1.000.000,00 em notas promissórias com vencimentos para 15/04/2003 e 15/08/2003, que representam R$ 880.000,00, R$ 1.668.150,00 e R$ 550.000,00 respectivamente. Todavia, não é demais repetir que o Recorrente, efetivamente, não efetuou, absolutamente, nenhum pagamento relativamente a esses valores, repitase, NENHUM. As premissas alegadas pela fiscalização partem de fundamentos absolutamente errôneos, inconsistentes e em desacordo com a legislação fiscal. Vejam ilustres conselheiros: a começar pelas notas promissórias, o Fiscal autuante, em momento algum prova que elas efetivamente foram quitadas, que houve o pagamento por parte dos adquirentes e, consequentemente, o recebimento por parte dos alienantes. O agente do fisco, por sua conta, considerou como datas dos efetivos pagamentos aquelas constantes do Instrumento Particular de Compra e Venda, o que se trata apenas de uma hipótese, sem nenhuma prova concreta de sua efetivação. Desta forma, resta evidente que tal entendimento não pode, em absoluto, prevalecer. Em primeiro lugar porque as notas promissórias não foram quitadas nem nas datas de vencimento e nem em outra data qualquer. Em suma, as notas promissórias efetivamente não foram pagas. Neste contexto, cabe a seguinte indagação: Onde está a comprovação da liquidação das citadas notas promissórias? O ilustre auditor autuante incorre ainda em flagrante desrespeito legal ao desconsiderar a imposição da própria legislação fiscal quanto ao regime de tributação da pessoa física. A lei 7.713/88 impõe que a tributação das pessoas físicas seja realizada pelo regime de caixa, isto 6, todos os recebimentos e todos os dispêndios/aplicações devem ser considerados nos meses de suas efetivações. O equivocado entendimento do Sr. Agente do fisco ao considerar os valores das promissórias a vencer constantes do Instrumento Particular nos meses preliminarmente Fl. 957DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 12 11 acordados pelas partes, impõe o regime de competência fiscal ao contribuinte, contrariando frontalmente a legislação em vigor. Ademais, inova ao criar o instituto da "inexistência da inadimplência" no Brasil. Neste talante, pretende fazer crer que, uma vez assumida uma divida para fins fiscais, deve ser ela, obrigatoriamente, considerada como paga no seu vencimento, ou seja, esta inovação, sem respaldo legal, desconsidera a existência da mora em dividas contraídas bem como o regime de apuração imposto ao contribuinte pessoa física, o que é um verdadeiro absurdo. Além disso, afronta toda a legislação do Direito Pátrio ao pretender que o contribuinte produza prova negativa de fato, ou seja, impor que o autuado comprove que não pagou as suas dividas nas datas preliminarmente acordadas. Esta afronta legal de modo algum pode prevalecer. Ora, cabe obviamente a quem alega, no caso o Auditor Fiscal, provar que o Recorrente, efetivamente, realizou aqueles pagamentos nas datas consideradas no lançamento tributário. Se tanto o devedor, quanto o credor, atestam a inexistência dos pagamentos, como a fiscalização poderia comprovar, a existência de qualquer cheque, ordem de débito, transferência bancária ou qualquer outro meio que pudesse demonstrar a efetividade da entrega dos recursos objetivando saldar as parcelas daquelas dividas? A situação em tela nos conduz à seguinte conclusão: O Fisco jamais conseguiu comprovar o pagamento das notas promissórias em pauta, até porque elas, efetivamente, não foram quitadas. Por conseguinte, face a todo o exposto e sem o menor resquício de dúvida, os valores de R$ 1.668.150,00 e R$ 550.000,00 devem ser desconsiderados como aplicação no mapa de apuração do acréscimo patrimonial apresentado pela Fiscalização. A mesma sorte e pelos mesmos motivos acima mencionados deve ter a importância de R$ 880.000,00 correspondente a 55% (cinquenta e cinco por cento) de R$ 1.600.000,00. O Recorrente insiste uma vez mais que este valor jamais foi pago. Ademais, os Srs. ilustres conselheiros podem facilmente observar que também não existe nenhuma prova de sua quitação. Caso a intenção do Fisco tenha sido de considerar como pago o valor acima devido conforme Instrumento Particular, cabe ressaltar que tal argumento não pode prosperar pois, como veremos, não consta no documento que o valor de R$ 1.600.000,00 tenha sido, efetivamente, pago. Independentemente da consideração indevida, por parte do fisco, da data de ocorrência da transação comercial (dezembro de 2002), como já exaustivamente esclarecido, e que por si só já torna o lançamento improcedente, o que pretende o Recorrente é demonstrar que não houve o pagamento da importância em questão. Neste contexto, é de suma importância observar o que dispõe o citado Instrumento Particular: "O saldo do preço é pago da seguinte forma: R$ 1.600.000,00 (hum milhão e seiscentos mi reais) em moeda corrente" Fl. 958DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 13 12 Notese que em momento algum foi mencionado quando a importância efetivamente foi paga. Simplesmente consta do documento que o saldo do preço é pago em meda corrente. Observem que o verbo não foi utilizado no passado de forma que se pudesse registrar o acontecimento e que tampouco consta a expressão "RECEBIDO NESTE ATO" ou outra correspondente. Releva acrescentar ademais, que tanto o adquirente quanto os alienantes confirmam que não houve pagamento, e em nenhum momento o auditor autuante comprova, a existência de qualquer cheque, ordem de débito, transferência bancária ou qualquer outro meio de pagamento, tampouco a efetividade da entrega dos recursos com vistas a saldar as parcelas daquelas dividas. Em síntese, o que deve ficar registrado de forma clara é que jamais ficou comprovado o pagamento do valor de R$ 880.000,00, até porque ele efetivamente não aconteceu. Vejam ilustres julgadores, o Fisco não pode efetuar lançamentos com base em conjecturas, assim sendo, nunca o fiscal autuante poderia ter executado a tributação da forma como foi feita, com base em puras ilações e não em fatos concretos e claramente comprovados como deveria basear seu procedimento. Face a todo o exposto, e sem o menor resquício de dúvida, o valor de R$ 880.000,00 deve ser desconsiderado como aplicação no mapa de apuração do acréscimo Patrimonial. III.3 Do Valor Efetivamente Desembolsado pela Aquisição do Aptº 402 da Av. VieiraSouto O Recorrente, uma vez mais, vem contestar com veemência o equivocado entendimento do ilustre julgador de 1ª instância, com as alegações transcritas a seguir, no que tange à consideração como aplicação, no mês de maio de 2003, da importância de R$ 500.000,00 que teria sido paga por conta da aquisição do imóvel em tela, como segue: [...] Ilustres Srs. Conselheiros: A autoridade julgadora de 1º grau limitase a repetir de forma simplória o mesmo absurdo entendimento da fiscalização já amplamente contestado no tópico anterior, servindose dos mesmos argumentos e insistindo em presumir ao seu talante e sem nenhuma comprovação ou base legal, tanto o valor de uma transação imobiliária, como também a data de sua efetivação. A Realidade é que o Recorrente adquiriu o imóvel em tela em 08/11/2002 pelo preço de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais) sendo R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) de sinal e uma promissória "pro soluto" vencível em 15/05/2003, conforme escritura pública lavrada no Cartório do 18° Oficio de Notas da Cidade do Rio de Janeiro (RJ). O que de fato ocorreu é que, efetivamente, pagou o valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) relativos ao sinal em novembro de 2002 e, por razões que não vem ao caso discutir no momento, não efetuou a quitação do montante restante no decorrer do ano calendário 2003. Fl. 959DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 14 13 Num procedimento eivado de impropriedades o ilustre Auditor responsável pela ação fiscal optou por considerar como ocorrido o dispêndio no valor de R$ 500.000,00 em maio de 2003, abolindo, uma vez mais, o instituto da inadimplência e estabelecendo o regime de competência para um contribuinte pessoa física. Tal situação configurase, realmente, como uma grande loucura! Como já amplamente demonstrado, jamais houve qualquer tipo de prova de que tal pagamento tenha sido efetuado. Ao contrário do que afirma em suas elucubrações caberia à fiscalização provar através de documentação hábil e idônea que este pagamento teria se efetivado nesta data, e não ao Recorrente comprovar que não efetuou tal desembolso. Não cabe, em nenhuma hipótese, ao Recorrente provar que determinado fato não aconteceu. É assente de forma inconteste que pagamento não se presume, tem que ser comprovado de forma efetiva e concreta. A fiscalização simplesmente afirma que houve omissão de R$ 500.000,00 na declaração de rendimentos do anocalendário de 2003. Ora, é óbvio que o Recorrente só declarou a parcela paga à vista no ano de 2002 pois, se em 2003 não efetivou a quitação da duplicata, o que poderia declarar? Qual a irregularidade cometida em não declarar um pagamento que não existiu? Se o Recorrente somente quitou a duplicata em questão em exercício posterior, como poderia declarar seu pagamento no anocalendário de 2003? Mesmo sendo repetitivo, releva relembrar o que já foi trazido à baila anteriormente, ou seja, de que o que realmente tem relevância no tipo de tributação imposta é se, efetivamente, houve o pagamento da duplicata em maio de 2003. As premissas alegadas pela fiscalização partem de fundamentos absolutamente errôneos, inconsistentes e em total desacordo com a legislação tributária. Ora r. Conselheiros: em momento algum houve prova de que esta parcela tenha sido quitada, de que houve o pagamento por parte do adquirente e, consequentemente, o recebimento por parte do alienante em 15/05/2003. Neste contexto perguntase: onde está a comprovação da liquidação da duplicata em 15/05/2003? Fica evidente outro flagrante desrespeito legal ao desconsiderar a imposição da própria legislação fiscal quanto ao regime de tributação da pessoa física. Cabe lembrar uma vez mais, que a Lei 7.713/88 impõe que a tributação das pessoas físicas seja realizada pelo regime de caixa, isto é, todos os recebimentos e todos os dispêndios/aplicações devem ser considerados nos meses de suas efetivações. Com este obtuso entendimento, a autoridade julgadora de 1ª instância pretende fazer crer que, uma vez assumida uma divida, para fins fiscais esta deve ser, obrigatoriamente, considerada como paga no seu vencimento. Esta inovação sem nenhum respaldo legal desconsidera a existência da mora em dividas contraídas, bem como o regime de apuração imposto ao contribuinte pessoa física, o que é um verdadeiro absurdo. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 15 14 No caso vertente, não se pode atribuir ao contribuinte a obrigatoriedade pela apresentação de documentos ou informações relevantes. Na verdade tal procedimento jamais poderia ter sido adotado pela fiscalização, uma vez que a situação está claramente definida em lei, já que a partir do anocalendário de 1989 o Imposto de Renda das pessoas físicas passou a ser devido mensalmente, na medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos (art. 2º. Da Lei n°. 7.713/1988). Ademais, tal situação configura afronta à legislação do Direito Pátrio ao pretender que o contribuinte produza prova negativa de fato, ao exigir que o fiscalizado comprove que não pagou as suas dividas nas datas preliminarmente acordadas. Esta afronta legal de modo algum pode prevalecer. Não se pode olvidar que cabe obviamente a quem alega, no caso o Auditor Fiscal, provar de forma cabal que o pagamento foi efetivado na data considerada no lançamento tributário. Aqui, mais uma vez, tanto o devedor, quanto o credor, confirmam que não houve qualquer pagamento na data alegada, em maio de 2003 e, a fiscalização, por sua vez, jamais conseguiu comprovar a existência de qualquer cheque, ordem de débito, transferência bancária, tampouco a efetividade da entrega dos recursos naquela data. Frisese uma vez mais: O Fisco jamais conseguiu comprovar o pagamento da duplicata em pauta em maio de 2003, até porque ela efetivamente não foi quitada nessa data. Por conseguinte, tendo em vista os fatos relatados que demonstram a total impropriedade do lançamento levado a efeito, deve também o valor de R$ 500.000,00 ser desconsiderado como aplicação no mapa de apuração do acréscimo patrimonial. III.4 Da Indevida Consideração do Desconto Simplificado Como Aplicação de Recursos Mais uma flagrante arbitrariedade perpetrada pelo ilustre auditor autuante ao considerar o desconto simplificado/padrão de 20% (vinte por cento) sobre os rendimentos tributáveis nos anoscalendários de 2002 e 2003 como renda presumidamente consumida é corroborada pela autoridade julgadora, valendose do seguinte pífio argumento: [...] Ora, é totalmente inconcebível presumirse o desconto simplificado como renda consumida. O desconto simplificado é apenas uma alternativa ao contribuinte para apuração de sua base de cálculo não podendo, sob nenhuma hipótese, ser considerado como um dispêndio efetivo. Tratase tão somente de uma autorização legal visando a redução da base de cálculo anual do tributo, não havendo base legal para que seja computado como dispêndio efetivo na planilha Demonstrativo de Origens e Aplicações dos Recursos. Deste modo, resta evidente que TAL PRESUNÇÃO É, SEM NENHUMA DÚVIDA, ILEGAL E INADMISSÍVEL. Para efeito da apuração do inconsistente acréscimo patrimonial mês a mês, o ilustre auditor optou por alocar o valor do desconto simplificado, (R$ 9.400,00), proporcionalmente aos rendimentos durante os meses do ano, lançando os valores na rubrica "Despesas" do mapa "Demonstrativo de Origem e Aplicações de Recursos". Desta forma, Fl. 961DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 16 15 foram considerados indevidamente como dispêndios / aplicações os valores abaixo discriminados que transportamos do quadro demonstrativo acima mencionado: [...] Repitase à exaustão, se preciso for, que o fato de o desconto simplificado ser um abatimento legalmente admitido não significa que o contribuinte tenha incorrido em despesas de igual montante e, consequentemente, não pode, em hipótese alguma, ser presumidamente considerado como aplicação / dispêndio em fluxo de caixa. Corroborando todo o aqui exposto, o Recorrente traz à colação vasta jurisprudência administrativa que vem autenticar este entendimento: [...] Tendo em vista os fatos acima relatados, resulta claro que os valores alocados no quadro demonstrativo acima referentes ao desconto simplificado devem ser desconsiderados na apuração do fluxo de caixa. III.5 Dos Lucros Distribuídos não Levados em Consideração pelo Fisco Com relação a este item de autuação, fica claramente evidenciada a total arbitrariedade e parcialidade que nortearam os procedimentos do fiscal autuante. Conforme já detalhadamente explicitado em sua pega impugnatória, o Recorrente e sua esposa apresentaram declaração em conjunto onde consta a percepção de rendimentos isentos a titulo de lucros nos anoscalendários de 2002 e 2003, que foram totalmente desconsiderados pelo fiscal autuante, nos seguintes montantes: [...] Para sustentar seu procedimento, o agente do Fisco elencou supostas incorreções formais na escrituração das empresas distribuidoras dos lucros, bem como alguns critérios contábeis utilizados pelas mesmas. Visando a integral manutenção do lançamento efetuado, a autoridade julgadora de 1° grau valeuse dos inconsistentes argumentos abaixo transcritos, que devem ser completamente repudiados, como segue: [...] Ora r. Conselheiros: não da para entender o que a autoridade julgadora pretende sustentar quando se refere a "uma perigosa brecha para que rendimentos sujeitos à tributação pudessem ser declarados como isentos, burlando, assim, a cobrança do imposto". A autoridade "a quo" parece esquecerse que o acréscimo patrimonial pode ser justificado tanto pelos rendimentos isentos ou não tributáveis como também pelos rendimentos tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte. Neste sentido, também impressiona a capacidade do ilustre Auditor autuante em descrever, de forma minuciosa, uma quantidade de situações que em nada têm a ver com a irregularidade que pretende imputar. Fl. 962DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 17 16 O que importa destacar é que, ainda que as irregularidades supostamente cometidas pelas empresas distribuidoras dos lucros mencionadas pelo agente do Fisco fossem verdadeiras, isto em nada impediria a distribuição dos lucros, ou seja, as distribuições de lucro em questão estão perfeitamente em conformidade com a legislação pertinente, ainda mais por tratarse de um direito liquido e certo do contribuinte. No caso vertente, como é facilmente comprovado, os lucros existiam, foram efetivamente distribuídos e declarados, e devem ser considerados como rendimentos isentos na declaração do Impugnante e, consequentemente, como origem na apuração de sua variação patrimonial. Não se pode pretender que o Recorrente seja penalizado pelo fato de as empresas distribuidoras dos rendimentos não autenticarem seus livros, deixarem de apresenta los à Fiscalização, possuir os versos de algumas folhas dos livros em branco, efetuarem a escrituração em partidas mensais, efetuarem os pagamentos do lucro via caixa, ou até mesmo se algum balanço trimestral não foi assinado pelo contador. Na situação em tela ficou patente que o ilustre Auditor realmente extrapolou os limites da legalidade, de modo a tentar justificar a lavratura do presente auto de infração, ultrapassando o bom senso, a imparcialidade e, acima de tudo, a própria legislação de regência. Ora R. Julgadores, se a Pessoa Jurídica cometeu algum tipo de irregularidade que resulte em alguma sanção tributária, que ela seja punida e não o beneficiário dos rendimentos. No caso em questão, o que efetivamente deve ser observado é se as empresas possuíam lucros ou reserva de lucros a serem distribuídas e se foram registrados os pagamentos desses lucros aos beneficiários, não importando, de forma alguma, se esses recursos foram pagos via caixa ou banco, se o Diário ou Razão foram escriturados em partidas mensais e assim por diante. Até porque, se compactuarmos com o raciocínio do Fisco de não ser aceita distribuição de lucros em moeda corrente, os contribuintes estariam sempre obrigados a executor suas transações comerciais através de instituições financeiras, sob pena de sofrer um dia algum tipo de sanção fiscal. Caso este entendimento fosse adotado, talvez fosse mais acertado acabar com a moeda corrente no País e instituirse outro tipo qualquer de sistema. Sem dúvida estaríamos diante de uma grande insanidade! Nunca é demais acrescentar que não há determinação legal que proíba a utilização de valores em espécie nas transações comerciais no Brasil e nem há presunção legal a favor do Fisco nesses casos, visto que a presunção em questão trata do acréscimo patrimonial a descoberto e não da inexistência de operações realizadas em espécie. É do Fisco o ônus de provar a inexistência das operações em espécie declaradas e confirmadas através de documentação. [...] Face a todo o acima explicitado, propugna o Recorrente pela consideração na integra dos valores relativos a lucros efetivamente distribuídos como origem na apuração de sua evolução patrimonial. Fl. 963DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 18 17 III.6 Dos R$ 27.500,00 Considerados Indevidamente como Custo de Aquisição de Quotas Como já explicitado em tópico anterior, a Fiscalização em seu Quadro Demonstrativo de Origens e Aplicações dos Recursos imputa como aquisição de direitos societárias, em dezembro de 2002, o valor de R$ 927.500,00, que representa R$ 880.000,00 (0,55 x 1.600.000,00) referente ao valor do sinal supostamente pago conforme instrumento particular de compra e venda, R$ 27.500,00 (0,55 x 50.000,00) referente ao prego constante da 10° alteração contratual e R$ 20.000,00 relativo a um acréscimo patrimonial constante na declaração de rendimentos do Impugnante não explicado. O que releva discutir no momento em relação aos R$ 27.500,00 é que o agente do fisco considerou tal valor como pago como parte do prego da aquisição das quotas da empresa Hoteleira Tropical Tourist Ltda., conforme 10ª alteração contratual. Vejam ilustres Conselheiros: todo o procedimento fiscal relacionado à aquisição das quotas baseouse no Instrumento Particular de Compra e Venda, documento que o Fisco elege como base para por amparar a transação comercial em questão, ou seja, segundo o Fisco o documento que vale é o Instrumento Particular de Compra e Venda. Abstraindose o fato da concordância ou não quanto a este posicionamento do Fisco, o que de fato importa é que, se o ilustre auditor considera determinado documento como válido, é dele que tem que ser extraídos os valores, o que significa dizer que, se entende que a alteração contratual não tem legalidade, o mesmo tratamento deve ser dado ao valor de R$ 27.500,00. Independentemente da legalidade ou validade de um ou outro documento, o que jamais poderia ter acontecido é ter sido considerado a soma dos valores dos dois documentos. Ora, ou o Fisco considera o Instrumento Particular de Compra e Venda ou a 10ª alteração contratual, ou considera o valor de R$ 880.000,00 ou R$ 27.500,00. NUNCA, JAMAIS, a soma dos dois. Tal procedimento encerra uma incoerência sem precedentes. Vale lembrar que o valor de R$ 880.000,00 já foi objeto de contestação anteriormente. Desta forma, propugna o Recorrente, mesmo seguindo os procedimentos equivocados do Fisco, pela desconsideração do valor de R$ 27.500,00 como dispêndio do Impugnante. III.7 Dos Rendimentos Efetivamente Recebidos Mais uma vez, o ilustre Auditor autuante, na sua notável voracidade fiscal, incorre em claro equivoco ao desconsiderar, de forma arbitrária e inexplicável, os valores recebidos pelo Recorrente a titulo de lucros e devidamente declarados como rendimentos isentos e não tributáveis em suas Declarações de Ajuste Anuais relativas aos anoscalendário 2002 e 2003, sendo vejamos: Às fls. 13 do seu Termo de Verificação, Constatação e de Encerramento de Fiscalização, o Sr. Exator determina a seu bel prazer que sejam excluídos desta rubrica os seguintes valores: a) No ano calendário 2002 Fl. 964DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 19 18 Os valores de R$ 73.708,62, relativo ao lucro distribuído pela empresa Atlantis Copacabana Hotel Ltda e R$ 112.000,00 relativamente ao lucro distribuído pela empresa Royalty Copacabana Hotel, perfazendo um somatório de R$ 185.708,62; b) No ano calendário 2003 Os valores de R$ 90.000,00, relativo ao lucro distribuído pela empresa Hotel Royalty Barra Ltda, R$ 139.669,15 relativamente ao lucro distribuído pela empresa Atlantis Copacabana Hotel Ltda, R$ 105.250,70, relativamente ao lucro distribuído pela empresa Royalty Copacabana Hotel Ltda., e R$ 20.000,00 correspondente ao lucro distribuído pela empresa Copacabana Mar Hotel Ltda., perfazendo um somatório de R$ 354.919,85. Ora r. Conselheiros: Se observarmos que os totais constantes das declarações de rendimentos apresentadas pelo Recorrente como Rendimentos Isentos e não Tributáveis relativamente aos lucros recebidos nestes 2 anoscalendário foram, respectivamente, de R$ 226.517,12 em 2002, e R$ 369.963,05 em 2003, ainda assim, mesmo se, por absurdo, considerássemos válida a tese desenvolvida pelo autuante, teríamos uma diferença de R$ 40.808,50 (226.517,12 185.708,62) no anocalendário 2002, e de R$ 15.043,20 (369.963,05 354.919,85) no anocalendário 2003, que teriam que ser consideradas como origem no demonstrativo elaborado pela fiscalização e, inexplicavelmente, não o foram. Isto posto, resta cristalino que, mesmo em se considerando válido o entendimento totalmente equivocado do Fiscal autuante ao desprezar, de forma totalmente absurda os valores comprovadamente recebidos pelo Recorrente a titulo de lucros, ainda assim devem ser considerados como origem os valores acima demonstrados. III.8 Do Instrumento Particular de Novação de Compra e Venda Preliminarmente, o Recorrente gostaria de esclarecer e ao mesmo tempo reconhecer alguns equívocos que acabaram por levar o Fisco a interpretações indevidas. Contudo, é de se ressaltar que tais enganos não resultaram em prejuízo ao Tesouro Nacional. Vejamos a seguir um breve relato da situação: Posteriormente ao evento da 10ª alteração contratual da empresa Hoteleira Tropical Tourist Ltda. foi celebrado o contrato "Instrumento Particular de Compra e Venda". O Recorrente não se recorda exatamente da data, e, além disso por um lapso, esta não consta do documento. Na realidade, o que se pretendia naquela época era fazer um instrumento de novação que, em função do entendimento entre as partes, alteraria o valor pactuado através daquela alteração contratual. Todavia, como já sabido, acabouse por elaborar o "Instrumento Particular de Compra e Venda" que apesar do nome e formatação inadequada, o efeito prático seria o mesmo. Mais adiante, em julho ou agosto de 2003 foi celebrado um novo Instrumento Particular de Novação de Compra e Venda devido a novos entendimentos entre as partes. Ocorre que, inadvertidamente, colocouse a data de 06 de janeiro de 2003 neste novo contrato, quando o certo seria, pelo que se recorda o Recorrente, em julho ou agosto de 2003. Fl. 965DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 20 19 Esses são, efetivamente, os fatos verdadeiros. Neste plano, insiste e ratifica o Recorrente que o único desembolso por ele efetuado nos anoscalendários de 2002 e 2003 em relação à aquisição das quotas de capital da empresa Hoteleira Tropical Tourist Ltda. foi o valor de R$ 27.500,00 lançado em sua declaração de rendimentos referente ao anocalendário de 2003. Nunca é demais recordar que não existe nenhuma comprovação de pagamento de qualquer outro valor, até por que efetivamente não aconteceu. Portanto, o que tem realmente relevância neste momento é demonstrar as inconsistências apontadas pelo agente do Fisco em relação ao Instrumento Particular de Novação de Compra e Venda, bem como a postura de parcialidade e avidez que nortearam toda sua conduta no decorrer da ação fiscal com objetivo claro de promover o lançamento a qualquer prego, independentemente da busca pela verdade e justiça. Quanto à colocação do ilustre Auditor de que, de forma inusitada, já se tinha conhecimento da alteração contratual da empresa Toledo Copacabana Hotel Ltda., de n°. 1341829, em 31/07/2003 tendo em vista que o pacto contratual fora firmado em janeiro de 2003, deve ser esclarecido que a data constante do documento (06/01/2003) é que esta errada. Na verdade, deveria ser algum dia de julho ou agosto, pelo que se recorda o Recorrente. Em apoio a esta sustentação basta verificar a data dos reconhecimentos das firmas, por semelhança, constantes do próprio documento ou até mesmo confirmar junto aos alienantes. Afirma o ilustre auditor que a cláusula 5ª do Instrumento Particular de Novação de Compra e Venda “não presta reverência à veracidade dos fatos, pois em 16 de janeiro de 2003 o indigitado senhor participava, ainda, na condição de sócio da empresa alienada", tendo em vista que somente em 12/03/2003, (JUCERJA n°. 1307486) que a saída do Sr. Jose Orlando do quadro societário da empresa se efetivou. Assevera ainda, que "melhor sorte também não assiste à presença da Sra. Regina Celia de Oliveira Gandara que assina o instrumento de novação, conforme deixa clara a alteração datada de 16/12/2002, registrada na JUCERJA em 12/03/2003, sob o n°. 1307486" haja vista que "não poderia a citada senhora assinar um instrumento particular que fora fixado em 06/01/2003, quando ainda não representava a empresa." Em primeiro lugar relembra o Recorrente que o pacto em questão não foi assinado em janeiro de 2003, mas sim em julho ou agosto como já comentado anteriormente, portanto, na data real da assinatura o Sr. José Orlando já não pertencia mais ao quadro societário da empresa e a Sra. Regina Célia de Oliveira Gandara tinha todas as condições de representalo. Em segundo lugar, vale atentar, uma vez mais para a incoerência que acompanhou o agente do Fisco durante toda a ação fiscal. Vejam ilustres Conselheiros: quando foi do interesse do senhor Auditor argumentar que o Sr. José Orlando ainda participava da empresa ele sustentou que a data da operação referente à alteração n°. 1307486 foi 12/03/2003 (data do arquivamento). Quando foi de seu interesse sustentar que a Sra. Regina Célia ainda não representava a empresa cita como data da operação, referente a mesma alteração contratual, 06/12/2002. A verdade é uma só, quando da assinatura do Instrumento Particular de Novação de Compra e venda o Sr. José Orlando de Alvarenga Gandara já não participava da Fl. 966DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 21 20 empresa enquanto que a Sra. Regina Célia de Oliveira Gandara já tinha condições de representálo, e nada do que foi escrito pelo fiscal autuante o contrário. Em mais uma tentativa de desacreditar o documento em pauta, argumenta o Fiscal autuante que a Sra. Carmen Regina de Alvarenga Gandara Correa da Costa não estava autorizada a representar a empresa ORG, tendo em vista que a Ata da Assembléia Geral de 06/06/2002 não fora objeto de transcrição e arquivamento junto à JUCESP, não podendo, pois, surtir efeitos. Em relação à afirmação acima, reconhece o Recorrente não ter conhecimento a respeito, entretanto não acredita que tal formalidade possa ser motivo suficiente par tornar o documento imprestável, o que seria, realmente, uma arbitrariedade sem precedentes. Como se já não bastasse toda sua dedução fantasiosa, desta feita perdese em acusações levianas ao afirmar que o Instrumento Particular de Novação "tratase de uma GROSSEIRA MONTAGEM, com objetivo de promover uma inclusão, 'a posterior', para fazer valer o novo preço da transação e o registro da exclusão do sócio José Orlando." Para sustentar sua absurda afirmação, alega que a "segunda folha é uma cópia travestida de original", que "o instrumento contratual falece de homogeneidade", que "a qualificação da assistente Maria Rita Gandara é reproduzida na terceira página numa tentativa clara de uma 'conta de chegada", ou seja, para se fechar espaços, faz menção ao número de rubricas por páginas, observação que o Impugnante não conseguiu entender o que o Sr. Auditor quis insinuar e, por fim, para fechar com "chave de ouro" afirma que "o Sr. José Orlando rubricou a primeira página e que sua rubrica seria ( 5ª ) em sentido antihorário." É de Surpreender a ousadia coragem do Sr. Auditor em registrar essas levianas colocações, verdadeiras aleivosias que poderiam, inclusive, motivar futuras medidas reparatórias. A verdade é que o Recorrente não consegue perceber a relevância quanto à falta de homogeneidade, se a quantidade de rubricas nas folhas está correta ou se foi "colado" equivocadamente em duas folhas a qualificação de assistente. O que, efetivamente, deve ser questionado é o seguinte: Adquirentes e alienantes têm conhecimento do instrumento particular em questão? Assinaram o referido documento? Se a resposta para os questionamentos acima é afirmativa, toda a suspeição do Fisco cai por terra, posto que a alegada "montagem" não faria o menor sentido, a não ser com objetivo de diminuir o trabalho de digitação. Afinal de contas, sempre é importante lembrar que a qualquer momento, estando as partes de acordo, poderiam elaborar o documento conforme seus interesses. Para se colocar uma pá de cal na ideia absurda do Fisco quanto à montagem, basta verificar a data de reconhecimento das firmas, 03 de setembro de 2003. No entender do Fisco, foi produzida a "montagem" com o objetivo de evadir se de sanções tributárias. Este, sem duvida, é o posicionamento do Sr. Auditor. Independentemente do fato de que o documento em questão não trouxera modificações na apuração do fluxo financeiro tendo em vista que não houve pagamentos dos Fl. 967DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 22 21 valores pactuados nos contratos com exceção dos 27.500,00, como já mencionado anteriormente, o que de fato importa é que, se o Recorrente tivesse montado o referido documento com objetivo de ludibriar o Fisco, nunca a data do reconhecimento de firma poderia ter sido anterior ao inicio da ação fiscal. A não ser que o Recorrente tivesse o poder de prever o futuro e, com base nele, se antecipasse ação do Fisco. Ora, se o documento fosse montado, a data do reconhecimento das firmas seria posterior ao inicio da ação fiscal. Vale ressaltar ainda a afirmação do Sr. Auditor que o Sr. José Orlando rubricou a primeira página do Instrumento Particular de Novação. Vejam ilustres Julgadores, o Recorrente afirma categoricamente que não é verdadeira a alegação do Fisco, ou seja, o Sr. Jose Orlando não rubricou o documento. Superase, uma vez mais o Sr. Auditor, pois além de desempenhar suas funções como agente público da Receita Federal ainda exerce as atribuições de Perito, uma vez que somente tal profissional poderia afirmar, de forma categórica, que um certo documento foi "montado" ou que uma determinada rubrica pertence a uma determinada pessoa. Por derradeiro, o Recorrente reafirma que todo o acima exposto é a pura expresso° da verdade, devidamente comprovada, caracterizando, dessa forma, a improcedência total das conjecturas do Fisco, o que consequentemente corrobora a improcedência do presente auto de infração. III.9 Da Multa Qualificada Por Evidente Intuito de Fraude É realmente motivo de total estranheza para o Recorrente a forma com que foi conduzido o julgamento de primeiro grau, pois se igual tratamento for dispensado a outros contribuintes mantendose o lançamento a qualquer prego, podese afirmar sem medo de errar que suprimiuse a primeira instância dos julgamentos referentes a processos administrativos decorrentes de lavratura de auto de infração. Observem ilustres Conselheiros: a d. Autoridade julgadora de 1ª instância, sem o menor constrangimento, mantêm o lançamento referente a aplicação da multa qualificada sob as seguintes inócuas justificativas: [...] Diante das cômodas e simplórias alegações da autoridade julgadora para corroborar o arbitrário entendimento da autoridade exatora, cabe, de pronto a seguinte indagação: Qual foi a intenção fraudulenta do Recorrente em ocultar fatos jurídico tributários para eximirse do pagamento de tributos descrita pela d. Autoridade Julgadora e minuciosamente Justificada e comprovada nos autos? Ora R. Conselheiros, se essa forma de julgamento totalmente desprovida de qualquer critério vier porventura a prevalecer, daqui para frente os contribuintes estarão completamente sujeitos a qualquer tipo de arbitrariedade. Imaginese os acórdãos elaborados dessa forma, por exemplo: "justificase plenamente a multa qualificada de 150% sobre o imposto apurado tendo em vista que o Contribuinte forneceu informações inexatas e trouxe Fl. 968DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 23 22 documentos com valores muito inferiores aos efetivamente acordados na operação de aquisição das quotas da Tropical Tourist Ltda.", etc., etc. Assim, cabe mais uma indagação: Em que momento a d. Autoridade Julgadora referiuse aos argumentos do Recorrente contra a aplicação absurda da multa qualificada? Nesta vertente, e para demonstrar de forma cristalina a improcedência do critério adotado, o Recorrente apresentará três impedimentos para a aplicação indevida e absurda da multa qualificada de 150%, sendo vejamos: 1 — Da Inexistência do Dolo, do Evidente Intuito de Fraude; [...] 2 Da Multa Qualificada Sobre Presunções de Omissão De Receita; [...] 3 Da Multa Aplicada Sobre o Valor Englobado [...] Discorre acerca dos temas acima identificados, e ao final pede o cancelamento integral da qualificação da multa aplicada. IV – Do Pedido Face ao todo exposto, consideradas todas as razões de fato e de direito produzidas, requer o Recorrente seja dado provimento ao presente Recurso para que seja anulada integralmente a decisão da d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), pelos motivos de fato e de direito até aqui relatados”. Em seguida, o Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte foi apreciado por esta 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a qual manifestouse através da Resolução nº 2401000.593 de 08 de junho de 2017, fls. 905/931 e converteu o julgamento em diligência com o objetivo de esclarecer alguns pontos, da seguinte forma: “[...] Impende salientar que a presente ação fiscal decorre de requisição do Ministério Público Federal no Estado do Rio de Janeiro, conforme se verifica do oficio/PR/RJ/GAB/RT n° 143/2005, de 21 de novembro de 2005 (fls. 505), que também trouxe para os autos o Instrumento Particular de Compra e Venda celebrado entre os sócios pessoas físicas das empresas alienantes e das pessoas físicas dos compradores, decorrente de notícia crime levada ao Ministério Público pelo Sr. Rogério Baptista Schrago (fls.506), com base na Notificação Extrajudicial, de 12 de maio de 2003, elaborada pela advogada Dra. Rosane Aparecida Duque Ramos — OAB/RJ, n° 84.210, e devidamente registrada no mesmo cartório, em 15 de maio de 2003, sob o n° Fl. 969DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 24 23 548181, e endereçada aos adquirentes, Srs. Armando Espasandin Gerpe e Manuel Espasandin Gerpe (fls. 542/547), para apuração da prática, em tese, de crime de sonegação fiscal e outros eventuais ilícitos praticados, por parte dos representantes da Empresa Hotelaria Tropical Tourist Ltda. Sr. Armando Espasadim Gerpe e Manuel Espasadim Gerpe, quando da aquisição por parte desses dois últimos da totalidade de cotas da empresa mencionada pela controvérsia em relação ao valor excessivamente superior ao constante na alteração contratual de 16 de dezembro de 2002 (R$ 50.000,00), já que o valor estipulado no Instrumento Particular de Compra e Venda, celebrado entre as mesmas partes, foi de R$ 9.950.000,00 (nove milhões, novecentos e cinquenta mil reais). Assim, considero necessário ao deslinde da controvérsia dos presentes autos, solicitar que a Delegacia de origem diligencie sobre o andamento e eventual resultado da investigação em curso perante a Procuradoria da República do Estado do Rio de Janeiro, juntandoos aos presentes autos, abrindo prazo para o espólio do Contribuinte manifestarse sobre o que for juntado, com posterior envio a este Colegiado.” (sublinhei) Em seguida, sobreveio a Informação Fiscal de fls. 936/937 sugerindo que se oficie a Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro solicitando informações acerca do Expediente Criminal nº 1.30.01.1..003155/200416. Dessa forma, fora expedido o Ofício nº 2531/2017/DRF/RJI (fl. 938) visando cumprir a diligência solicitada por este colegiado. Em resposta, a Procuradoria da República no Rio de Janeiro, por intermédio do Ilustre Procurador, Doutor Paulo Henrique Ferreira Brito, informou que os autos do Inquérito Policial que investigava a suposta prática de crime previsto no artigo 1º da Lei nº 8.137/1990, em razão de ilegalidades perpetradas pelos representantes do grupo empresarial GANDARA, em sua escrituração fiscal e contábil, relativas às empresas do aludido grupo – EMPRESA HOTELARIA TROPICAL TOURIST LTDA e outros, foi arquivado, uma vez que os créditos tributários dos contribuintes investigados estão parcelados e com a exigibilidade suspensa (Ofício nº 84/2018 – fl. 942). Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O recurso encontrase tempestivo conforme já analisado pela Resolução nº 2401000.593 de 08 de junho de 2017. 2. DO MÉRITO Fl. 970DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 25 24 2.1 Da necessidade de diligência Conforme relatado, em 08 de junho de 2017 este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, se manifestouse através da Resolução nº 2401000.593 (fls. 905/931) e converteu o julgamento em diligência com o objetivo de esclarecer alguns pontos, da seguinte forma: “[...] Impende salientar que a presente ação fiscal decorre de requisição do Ministério Público Federal no Estado do Rio de Janeiro, conforme se verifica do oficio/PR/RJ/GAB/RT n° 143/2005, de 21 de novembro de 2005 (fls. 505), que também trouxe para os autos o Instrumento Particular de Compra e Venda celebrado entre os sócios pessoas físicas das empresas alienantes e das pessoas físicas dos compradores, decorrente de notícia crime levada ao Ministério Público pelo Sr. Rogério Baptista Schrago (fls.506), com base na Notificação Extrajudicial, de 12 de maio de 2003, elaborada pela advogada Dra. Rosane Aparecida Duque Ramos — OAB/RJ, n° 84.210, e devidamente registrada no mesmo cartório, em 15 de maio de 2003, sob o n° 548181, e endereçada aos adquirentes, Srs. Armando Espasandin Gerpe e Manuel Espasandin Gerpe (fls. 542/547), para apuração da prática, em tese, de crime de sonegação fiscal e outros eventuais ilícitos praticados, por parte dos representantes da Empresa Hotelaria Tropical Tourist Ltda. Sr. Armando Espasadim Gerpe e Manuel Espasadim Gerpe, quando da aquisição por parte desses dois últimos da totalidade de cotas da empresa mencionada pela controvérsia em relação ao valor excessivamente superior ao constante na alteração contratual de 16 de dezembro de 2002 (R$ 50.000,00), já que o valor estipulado no Instrumento Particular de Compra e Venda, celebrado entre as mesmas partes, foi de R$ 9.950.000,00 (nove milhões, novecentos e cinquenta mil reais). Assim, considero necessário ao deslinde da controvérsia dos presentes autos, solicitar que a Delegacia de origem diligencie sobre o andamento e eventual resultado da investigação em curso perante a Procuradoria da República do Estado do Rio de Janeiro, juntandoos aos presentes autos, abrindo prazo para o espólio do Contribuinte manifestarse sobre o que for juntado, com posterior envio a este Colegiado.” (sublinhei) Em resposta à solicitação supra, a Procuradoria da República no Rio de Janeiro (vide Ofício nº 84/2018 – fl. 942), por intermédio do Ilustre Procurador, Doutor Paulo Henrique Ferreira Brito, informou que os autos do Inquérito Policial que investigava a suposta prática de crime previsto no artigo 1º da Lei nº 8.137/1990, em razão de ilegalidades perpetradas pelos representantes do grupo empresarial GANDARA, em sua escrituração fiscal e contábil, relativas às empresas do aludido grupo – EMPRESA HOTELARIA TROPICAL TOURIST LTDA e outros, foi arquivado, uma vez que os créditos tributários dos contribuintes investigados estão parcelados e com a exigibilidade suspensa. Informou, ainda, o arquivamento Fl. 971DF CARF MF Processo nº 18471.001130/200763 Resolução nº 2401000.678 S2C4T1 Fl. 26 25 dos autos do Inquérito Policial nº 331/06, em razão de bis in idem com os referidos autos, por decisão proferida pelo Juízo da 2ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. Assim, tendo em vista a notícia de eventual parcelamento do crédito tributário, para que não paire dúvida acerca do tema, converto novamente o julgamento em diligência, determinando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I junte aos autos o pedido de parcelamento do contribuinte, específico para o crédito tributário que compõe a presente lide. Por fim, tendo em vista que a parte final da Resolução nº 2401000.593 não foi atendida, reitero seja intimado o espólio do Contribuinte para, querendo, manifestarse sobre o que for juntado, com posterior envio a este Colegiado. É como voto. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 972DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.901668/2010-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAC¸A~O. DENU´NCIA ESPONTA^NEA. COMPENSAC¸A~O.
A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário.
Numero da decisão: 9101-003.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Nelso Kichel (suplente convocado) e Rafael Vidal de Arau´jo, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Lui´s Fla´vio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Fla´vio Franco Corre^a.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Nelso Kichel (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 16 68 /2 01 0- 82 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10380.901668/201082 Acórdão n.º 9101003.690 CSRFT1 Fl. 301 2 convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em que figura como interessado M DIAS BRANCO S.A. INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS (doravante “contribuinte” ou “recorrido”). O recurso especial versa sobre a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, por meio de compensação tributária. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATO DECLARATÓRIO PGFN N° 04/2011. ATO DECLARATÓRIO PGFN N° 08/2011. ABRANGÊNCIA. AUSÊNCIA DE DISPOSIÇÃO SOBRE COMPENSAÇÃO. Os Atos Declaratórios PGFN n° 04/2011 e n° 08/2011 autorizam a dispensa de contestação em ações judiciais envolvendo a denúncia espontânea, sendo que o primeiro ato define que a multa de mora deve ser afastada e o segundo ato esclarece que caracteriza a denúncia espontânea o pagamento, concomitante a ̀ retificacã̧o da declaracã̧o, da diferença de deb́ito declarado a menor, mas ambos os atos nada dispõem sobre se a compensaçaõ configura ou não o instituto do art. 138 do CTN. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃOEQUIPARAÇAÕ A PAGAMENTO. Para efeito da caracterização da denúncia espontan̂ea a compensaçaõ não se equipara ao pagamento, já que possuem efeitos distintos, pois este extingue o débito, instantaneamente, dispensando qualquer outra providência posterior, e aquele sujeitase a uma condição resolutória de decisão de nãohomologação, que pode retonar o débito à condica̧õ de nãoextinto. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTAN̂EA. NOTA TÉCNICA COSIT N° 1, DE 18/01/2012. REVOGAÇÃO PELA NOTA TÉCNICA COSIT N° 19, DE 2/06/2012. A Nota Técnica Cosit n° 1, de 18/01/2012, que dava orientação no sentido da equiparacã̧o da compensação ao pagamento para fins da caracterização da denúncia espontan̂ea, foi revogada pela Nota Tećnica Cosit n° 19, de 12/06/2012, que dispõe que não se considera ocorrida a denúncia espontânea quando o contribuinte compensa o débito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DO PROCURADOR. MATÉRIA DISCIPLINADA NO PAF. FALTA DE PREVISÃO. De acordo com a disciplina instituída no PAF, as intimações devem ser encaminhadas ao endereço do sujeito passivo, sem previsão para o envio de correspondências para o endereço do procurador da empresa. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10380.901668/201082 Acórdão n.º 9101003.690 CSRFT1 Fl. 302 3 CONEXÃO. COINCIDÊNCIA DE DESPACHO DECISÓRIO. PROCESSOS SEPARADOS. ADOÇÃO DA MESMA DECISÃO. Em caso de Per/Dcomps analisados pelo mesmo despacho decisório, preparados em processos separados, impõese adotar a mesma decisão já proferida em um deles, para evitar contradição, ainda que dela se discorde. A PFN opôs embargos de declaração (efls. 149 e seg.), os quais foram rejeitados por acórdão assim ementado (efls. 166 e seg.): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradicã̧o entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No aludido acórdão de embargos, restou consignado o quanto segue: “A razão dos embargos é a alegada contradição entre os fundamentos e a conclusão da decisão. Não assiste razão ao embargante. Embora o relator tenha consignado no voto sua posição pessoal em dar tratamento diferenciado para as compensações, afastando a denúncia espontânea, ele registra que conduziria o voto para dar provimento ao recurso, em homenagem à coeren̂cia de resultados com outros processos conexos, já julgados a favor do contribuinte, conforme a seguinte transcrição (fl. 136): Como o ato atacado é o mesmo, não há sentido algum em proferir decisões diferentes e sobretudo conflitantes, o que resultaria em evidente contradição. Dessa forma, ainda que eu divirja do acórdão n° 1402001.424, entendo que a adoção da mesma decisão é imperiosa. Por isso, voto pelo provimento do recurso voluntário, para afastar a incidência da multa e homologar as compensações até o limite do crédito. Apesar da decisão favorável, considerando que houve discussão na sessão passada, que inclusive resultou em pedido de vista, e levando em conta a natureza controvertida da matéria, entendo conveniente manter o conteúdo da apreciação do mérito na redação do presente voto. Assim, uma leitura mais detida do acórdão afasta a aparente contradição. Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração”. A PFN, então, interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação quanto à possibilidade de configuração de denúncia espontânea por meio de compesanção tributária (efls. 178 e seg.), o qual foi admitido por despacho (efls. 189 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial, em que, embora não se oponha ao conhecimento do recurso especial, requer lhe seja negado provimento (efls. 199 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10380.901668/201082 Acórdão n.º 9101003.690 CSRFT1 Fl. 303 4 Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. O presente caso exige que se compreenda a hipótese de incidência do art. 138 do CTN, especialmente quanto à exigência de extinção do crédito tributário por meio de “pagamento” ou de “compensação”. O art. 138 do CTN possui a seguinte redação: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontan̂ea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infracã̧o. O núcleo da presente discussão consiste em saber se o termo “pagamento”, adotado pelo art. 138 do CTN (acima sublinhado), tem o sentido restritíssimo de “quitação em dinheiro” ou se contempla acepcã̧o mais ampla de adimplemento, abarcando, no caso, a compensação tributária. De início, é necessário observar que o legislador nem sempre utiliza o vocábulo “pagamento” no sentido de quitação em dinheiro, valendose deste em sua acepção mais ampla de adimplemento. É o que se verifica em variados exemplos colhidos tanto de leis ordinárias como de leis complementares, conforme se passa a analisar antes de adentrar ao mérito em si do art. 138 do CTN. Primeiramente, notese a redação do art. 150 do CTN: Art. 150. O lanca̧mento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Notese que o CTN utilizou a dicçaõ “antecipar o pagamento” no sentido de antecipar o adimplemento sem prévio exame da autoridade administrativa. Não há dúvidas que o contribuinte, mediante declaracã̧o e compensacã̧o regularmente levadas a termo, irá consumar o típico “lançamento por homologação” tutelado pelo art. 150 do CTN. Nesse sentido, merecem destaque os seguintes julgados, proferidos pela Primeira e Segunda Turma do STJ, que consideram indiferente o adimplemento darse mediante pagamento em dinheiro ou compensação tributária para a incidência do art. 150 do CTN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ART. 74 DA LEI 9.430/96. MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS: LEI 10.637/02 E LEI 10.833/03. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NOV/1998. INDEFERIMENTO ADMINISTRATIVO DA COMPENSAÇÃO. MAI/05. TRANSCURSO DE PRAZO SUPERIOR AO QUINQUÊNIO LEGAL. ART. 150, §4o, DO CTN. HOMOLOGAÇAÕ TÁCITA. PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10380.901668/201082 Acórdão n.º 9101003.690 CSRFT1 Fl. 304 5 1. No caso concreto, o crédito tributário foi constituído na data do protocolo do pedido de compensaca̧õ (10/11/1998), por força do §4o do art. 74 da Lei n. 9.430/96. Logo, como até maio de 2005, a Administração não havia se manifestado sobre o referido pleito, ocorreu a homologação tácita prevista no §4o do art. 150 do CTN. 2. Recurso especial provido. (STJ, REsp 1320994/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/10/2014, DJe 22/10/2014) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. CREDITAMENTO INDEVIDO. PAGAMENTO PARCIAL. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. ART. 150, § 4o, DO CTN. 1. O prazo decadencial para o lanca̧mento suplementar de tributo sujeito a homologação recolhido a menor em face de creditamento indevido é de cinco anos contados do fato gerador, conforme a regra prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Precedentes: AgRg nos EREsp 1.199.262/MG, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seçaõ, DJe 07/11/2011; AgRg no REsp 1.238.000/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, SEGUNDA TURMA, DJe 29/06/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1318020/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/08/2013, DJe 27/08/2013) Prosseguindo a análise ora empreendida, verificase que o mesmo se verifica, por exemplo, em relação ao art. 9o, § 2º, da Lei n. 9.532/97. Esse enunciado prescritivo estabelece, em seu caput, que, “à opção da pessoa jurídica, o saldo do lucro inflacionário acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, poderá ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento”. Para que essa opção fosse exercida, o legislador requereu a sua manifestação mediante o adimplemento do tributo correspondente, em quota única. Não há sinais de que o legislador procurou se referir a quitação em dinheiro, mas sim às hipóteses que legitimamente conduzam ao adimplemento da obrigaçaõ, como é o caso da compensação. Esse foi precisamente o entendimento adotado por esta 1ª Turma da CSRF, em julgamento recente sobre o tema: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2004 SALDO ACUMULADO DE LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INTEGRAL EM COTA ÚNICA. COMPENSAÇÃO. À opção da pessoa jurídica, o saldo do lucro inflacionário acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, poderia ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento (Lei n. 9.532/1997, art. 9º). Exercício da opção mediante o adimplemento do valor correspondente. A regular compensação, assim como a regular quitação em dinheiro, era meio hábil para o exercício da opção. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF n. 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização. (CSRF, 9101002.352, 14/06/2016) Adentrando no mérito do presente recurso, verificase que, tal como se dá com os outros dispositivos citados, incluindo o art. 150 do CTN, embora o art. 138 do CTN, Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10380.901668/201082 Acórdão n.º 9101003.690 CSRFT1 Fl. 305 6 textualmente adote o termo “pagamento”, não procura restringir o instituto da denúncia espontânea às hipóteses de quitação em dinheiro, requerendo o adimplemento em sentido amplo, o que inclui a compensação tributária. A Nota Técnica n. 1 COSIT, de 18.01.2012, posteriormente cancelada pela Nota Técnica no 1 COSIT, de 12.06.2012, chegou a reconhecer de ofício, com o propósito de colocar fim aos litígios sobre a matéria, o sentido amplo de “pagamento”, para abrager hipóteses de adimplemento como a “compensacã̧o”, in verbis: “18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontan̂ea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensacã̧o se equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como consequen̂cia, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. 18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, ao dar nova redaçaõ ao art. 6° da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento dado ao pagamento para efeito de redução das multas de lançamento de ofício. 18.2 Essa equiparaca̧õ do pagamento e compensação na denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista como método de integraçaõ da legislação pelo art. 108, I, do CTN. 18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras h e i do item 3 desta Nota Técnica: a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar concomitantes, aplicasse o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN” O entendimento esposado pela Nota Técnica n. 1 COSIT, de 18.01.2012 não merece reparo. Vale observar que a compensação efetuada pelo contribuinte possui efeito de pagamento, sob condição resolutória. Significa dizer que, se porventura a compensação não vier a ser homologada, perderá a eficácia a denúncia espontânea, com a exigência do débito tributário com a multa. Não obstante tratarse de matéria controversa, seja neste Conselho ou no e. STJ, é importante observar as decisões deste Tribunal que se alinham ao entendimento que acolho no presente voto. A Primeira e a Segunda Turma do STJ apresentam precedentes em que aplicam a norma do art. 138 do CTN de forma que o termo “pagamento” assuma a acepção de “adimplemento”. Conforme a interpretação levada a termo nos julgados a seguir, há denúncia espontânea mediante o adimplemento integral do débito tributário antes da ação fiscal, independentemente deste se dar mediante pagamento em dinheiro ou compensação: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PRESENÇA DE OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇAÕ ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO. TRIBUTO PAGO SEM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO ANTERIOR E ANTES DA ENTREGA DA DCTF REFERENTE AO IMPOSTO DEVIDO. 1. A decisão embargada afastou o instituto da denúncia espontânea, contudo se omitiu para o fato de que a hipótese dos autos, tratada pelas instan̂cias Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10380.901668/201082 Acórdão n.º 9101003.690 CSRFT1 Fl. 306 7 ordinárias, referese a tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo os ora embargantes recolhido o imposto no prazo, antes de qualquer procedimento fiscalizatório administrativo. 2. Verificase estar caracterizada a denúncia espontânea, pois não houve constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos. Ademais, a compensacã̧o efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar algum erro na operação de compensação. Nesse sentido, o seguinte precedente: AgRg no REsp 1.136.372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, DJe 18/5/2010. 3. Ademais, inexistindo prévia declaração tributária e havendo o pagamento do tributo antes de qualquer procedimento administrativo, cabível a exclusão das multas moratórias e punitivas. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (STJ, EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 11/09/2015) AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇAÕ. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido. (STJ, AgRg no REsp 1136372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/05/2010, DJe 18/05/2010, O mesmo entendimento tem sido adotado por este Tribunal administrativo, como se observa desta recente decisão da 1ª Turma Ordinaŕia da 4ª Câmara da 3a Seçaõ: CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF . Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, Crédito tributário antes não declarado à administraçaõ tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretaçaõ do Superior Tribunal de Justica̧ em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF. (Acórdão 3401002.706, Sessão de 21/08/2014) Nesse cenário, a norma do art. 138 do CTN não se aplica apenas às hipóteses de pagamento em dinheiro: a norma de denúncia espontânea incide igualmente em face de outras hipóteses em que haja equivalente adimplemento, como é o caso da regular compensação tributária. Não se trata de interpretaçaõ ampliativa ou restrintiva, mas de Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10380.901668/201082 Acórdão n.º 9101003.690 CSRFT1 Fl. 307 8 reconhecimento do âmbito de incidência prescrito pelo legislador. Não há que se falar, por conseguinte, em ofensa ao art. 111 do CTN. Por todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 238DF CARF MF
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Numero do processo: 15758.000009/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006, 2007
CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ART. 59 DECRETO Nº 70.235/1972.
O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário.
MULTA EM DUPLICIDADE. CARÊNCIA PROBATÓRIA.
Nenhuma prova se tem nos autos da incidência de multa de ofício nas transferências de mercadorias entre a matriz e a filial da empresa.
Numero da decisão: 3401-005.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2006, 2007 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ART. 59 DECRETO Nº 70.235/1972. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. MULTA EM DUPLICIDADE. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Nenhuma prova se tem nos autos da incidência de multa de ofício nas transferências de mercadorias entre a matriz e a filial da empresa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006, 2007 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ART. 59 DECRETO Nº 70.235/1972. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. MULTA EM DUPLICIDADE. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Nenhuma prova se tem nos autos da incidência de multa de ofício nas transferências de mercadorias entre a matriz e a filial da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 00 09 /2 01 1- 04 Fl. 858DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 859 2 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos. Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 681 a 699, lavrado em razão da falta de recolhimento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de produtos tributados de estabelecimento equiparado a industrial, referente ao período de apuração compreendido entre 01/01/2006 e 31/12/2007, acrescido de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 3.608.542,60. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 671 a 680, narra a autoridade fiscal que o procedimento constatou que o estabelecimento em destaque é distribuidor/comercializador de produtos transferidos da matriz, que, por seu turno, é importadora de produtos de procedência estrangeira, sendo o estabelecimento filial equiparado a estabelecimento industrial, conforme artigo 9°, inciso III, do Decreto n° 4.544/2002 e, dessa forma, também contribuinte do IPI por ocasião da posterior saída dessas mercadorias do seu estabelecimento (art. 24, inciso III, do Decreto n° 4.544/2002). No entanto, apesar de ser contribuinte do imposto, não destacou o IPI devido em nenhuma de suas notas fiscais de saída emitidas durante os anosbase de 2006 e 2007, conforme os documentos que apresentou e também conforme várias declarações prestadas, por se considerar contribuinte monofásico. 3. A contribuinte apresentou impugnação na qual argumentou, em síntese: (i) o direito de que seja excluído do valor da operação, para fins de cálculo do imposto devido, o valor do IPI pago no desembaraço aduaneiro e que se encontra incluído no preço de venda dos produtos; (ii) a necessidade de ser cancelada a multa calculada sobre o valor do imposto não destacado nas notas fiscais ou, ao menos, deduzido o valor já lançado, a esse mesmo título, no auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federa do Brasil em Brasília; e (iii) que fosse recalculada a multa de lançamento de ofício, em razão da alteração da base de cálculo do imposto devido, tal como requerido no item (i). 4. Em 2010, a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n° 000010460.2010.4.01.3400/DF, visando impedir novas autuações em relação às operações realizadas a partir de 2008, tendo por fundamento jurídico a impossibilidade legal de nova incidência de IPI sobre produtos importados, quando da revenda no mercado interno sob o argumento de que tais produtos não foram submetidos, no Brasil, após o regular desembaraço aduaneiro, a qualquer das operações definidas na legislação do IPI como industrialização e que, sem nova operação de industrialização não há novo fato gerador do imposto. 5. Em 08/10/2015, foi juntado aos autos Memorando contendo cópias do mandado de citação/intimação, petição inicial e decisão em tutela antecipada concedida pelo Fl. 859DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 860 3 MM. Juiz Federal da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, nos autos da Ação Ordinária nº 5694769.2015.4.01.3400 proposta pela empresa em Ação Anulatória de Débito Fiscal, com o intuito de obter provimento jurisdicional para determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário cobrado no presente processo até decisão final dos autos judiciais, tendo sido a tutela antecipada nos seguintes termos: "Forte em tais razões, DEFIRO a antecipação dos efeitos da tutela jurídica para determinar a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários cobrados a título de IPI da autora, nos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 15758.000009/201104, incidente na saída dos produtos importados do seu estabelecimento filial para comercialização/revenda, até o julgamento final desta ação. Intimese a ré, com urgência, para ciência desta decisão, devendo comprovar nos autos o seu imediato cumprimento ou expor os motivos que a impediram de cumprir, no prazo de 05 dias, sob pena de multa". 6. Referida ação foi distribuída por dependência à Ação Ordinária nº 00330130.2015.4.01.3400, que tramita perante a 3ª Vara Federal de Brasília e que questiona o crédito tributário de IPI decorrente do auto de infração (PA 10166.722457/200986) referente à matriz no qual o imposto é exigido sobre operações de comercialização, no mercado interno, de produtos de procedência estrangeira, regularmente importados e revendidos, sem que tivessem sido submetidos, no Brasil, a qualquer das operações de industrialização definidas na legislação do IPI, sendo incontroverso que o objeto e a causa de pedir de ambas ações são idênticos, conforme se recorta da petição inicial: "declarar a inexistência de relação jurídica que obrigue a requerente a pagar IPI sobre revenda de mercadorias regularmente importadas, haja vista que, depois do desembaraço aduaneiro, tais mercadorias não se submeteram, no Brasil, a nenhuma operação de industrialização, o IPI devido na importação foi regularmente pago no desembaraço aduaneiro". 7. Em 10/05/2016, a 08ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1460.488, situado às fls. 799 a 818, de relatoria da AuditoraFiscal Marcela Cheffer Bianchini, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações Fl. 860DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 861 4 imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. MULTA EM DUPLICIDADE. Nenhuma prova se tem nos autos da incidência de multa de ofício nas transferências de mercadorias entre a matriz e a filial da empresa. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, além de não obstaculizar a formalização do lançamento, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, da questão de mérito submetida ao Poder Judiciário, as quais ficam vinculadas ao teor do provimento judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 8. A contribuinte foi intimada via postal em 29/09/2016, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 846 e, em 17/10/2016, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 847, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 848 a 855, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 9. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 10. Em primeiro lugar, não se vislumbra a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 ensejadoras de nulidade, ou tampouco descumprimento ao requisito do inciso IV do art. 10 do diploma normativo. Fl. 861DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 862 5 11. De um lado, porque no quadro “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” situado às fls. 683 a 685 do auto de infração, verificase satisfatoriamente demonstrada a infração imputada à recorrente: "Falta de lançamento de imposto na(s) saída(s) de produtos tributados de estabelecimento caracterizado como equiparado a industrial" e, conseqüentemente, falta de declaração/pagamento do imposto devido, bem como os dispositivos infringidos, tais como o Decreto nº 4.544, de 2002, arts. 9º, I a X; 24, I e III; 34, II; 122; 123, I, “b” e II, “c”; 127; 131, I, “b”; II, 199 e parágrafo único, 200, IV, 2002, III, que tem como matriz legal a Lei nº 4.502, de 1964. Também as penalidades aplicadas foram indicadas, multa de ofício e multa regulamentar, bem como o fundamento legal de suas exigências, art. 80, I, da Lei 4.502, de 30/11/1964. 12. Por outro lado, apesar de os dispositivos da Lei n°4.502/1964, não estarem indicados no campo do auto de infração denominado "enquadramento legal", eles são expressamente citados no TVF, que também é parte integrante do auto de infração. Ademais, no Regulamento do IPI (RIPI/2002), a redação dos seus dispositivos normativos indica, ao final, a respectiva matriz legal, a exemplo não só do supracitado art. 9° do Decreto n° 4.544, de 2002, mas também de todos os dispositivos relacionados no auto de infração em apreço, tanto no campo denominado "enquadramento legal" quanto no relatório de verificação fiscal. 13. De fato, todos os elementos integrantes do auto de infração, incluindose o relatório de verificação fiscal e seu anexo, envidam esforços para esclarecer as "circunstâncias, cálculos, parâmetros, constatações e conclusões, tanto no âmbito fático quanto jurídico, que deram ensejo ao lançamento de oficio pela Fazenda Pública (...) exatamente para que não houvesse cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo". Nesse contexto, verificase que nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do aludido Decreto no 70.235/1972, com a redação da Lei n° 8.748/1993, estão configuradas. 14. Em segundo lugar, quanto ao mérito, três são as questões devolvidas ao conhecimento deste colegiado: (i) não incidência do IPI nas vendas internas de produtos importados cujo imposto foi pago no desembaraço aduaneiro, alegando que a venda de produto que não sofreu qualquer processo de industrialização disposto na lei não pode ser fato gerador do IPI; (ii) a exclusão do valor do IPI pago no desembaraço aduaneiro da base de cálculo do imposto lançado de ofício; e (iii) a duplicidade de multas de ofício. 15. Observase, no entanto, que as mesmas questões estão sendo questionadas nos autos da Ação Ordinária nº 00330130.2015.4.01.3400 e da Ação Ordinária nº 5694769.2015.4.01.3400: 1. PRODUTO IMPORTADO. IPI. FATO GERADOR. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. REVENDA NO MERCADO INTERNO. INOCORRÊNCIA DE NOVA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA Não incide IPI nas vendas internas de produtos importados cujo imposto foi pago no desembaraço aduaneiro, pois o produto não sofreu qualquer um dos processos de industrialização dispostos na lei, não podendo se constituir fato gerador do IPI; 2. PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE: EXCLUSÃO DO IPI DA PRÓPRIA BASE DE CÁLCULO – solicita a exclusão do valor do IPI pago no desembaraço aduaneiro da base de cálculo do Fl. 862DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 863 6 imposto lançado nos autos e · MULTA POR FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO NAS NOTAS FISCAIS. 3. APLICAÇÃO DUAS VEZES SOBRE UMA MESMA BASE DE CALCULO – alega a existência de duplicidade de multas de ofício. 16. Neste sentido, correta a apreciação do julgador a quo nos seguintes termos: "Assim, pelas alegações da empresa tanto nos autos administrativos como judiciais, resta evidente que a matéria tratada no processo administrativo (possibilidade de tributação do IPI sobre as vendas internas de produtos importados cujo imposto foi pago no desembaraço aduaneiro, exclusão do IPI pago na importação da base de cálculo e lançamento da multa de ofício) está contida na aludida ação judicial e que o contribuinte busca concomitantemente perante o Poder Judiciário e à Administração Tributária a análise da mesma matéria. Há que se asseverar que a propositura pelo interessado de ação judicial versando sobre matéria tributável relacionada ao lançamento efetuado, mesmo após a lavratura dos autos, importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto, conforme estabelece o Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º, § 2º. Também, a Lei n.º 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38, parágrafo único, estabeleceu que a propositura de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida de depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos, importa, igualmente, em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Tal sistemática se justifica, pois não faz sentido a administração julgar matéria sub judice já que a sua decisão não tem nenhum valor perante decisão final do Poder Judiciário. A via judicial é uma opção adotada pela contribuinte no seu livre exercício de escolha. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988, art. 5º, XXXV, declara que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Porém, o ordenamento jurídico brasileiro não contempla o instituto da dualidade de jurisdição, não podendo haver, sob nenhuma hipótese, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial. Somente ao Poder Judiciário é dada a capacidade de examinar as questões a ele submetidas de forma definitiva, com efeito de coisa julgada. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 864 7 Consagrase, assim, o monopólio da jurisdição ao Poder Judiciário e o direito de invocar a atividade jurisdicional como direito público subjetivo" (seleção e grifos nossos). 17. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 18. Em terceiro lugar, por fim, que, quando da transferência das mercadorias da matriz para a filial, não destacou o IPI nas notas fiscais e que, por essa suposta infração, foi aplicada multa por falta de destaque. E, agora, por ocasião da venda das mercadorias, pela filial, também aplicou a mesma multa por falta de destaque do imposto nas notas fiscais de venda. Conquanto o IPI seja apurado por estabelecimento, a atividade econômica realizada foi uma só, em que pese em duas etapas, uma intermediária e uma final, sem que qualquer delas configure processo de industrialização. Assim, aplicar a multa por falta de destaque do imposto, em duas operações da mesma natureza, acaba por transformar uma multa de 75% em multa de 150%, sem que a lei a tanto autorize 19. Tampouco aqui assiste razão à contribuinte recorrente, que tampouco faz prova do quanto alegado, pois, quanto à alegada multa, o Termo de Verificação Fiscal, apurou única e exclusivamente as operações de saídas tributadas (vendas) da Matriz, tomando o cuidado de especificar, ademais, que em relação à apuração dos débitos de IPI incidentes sobre as saídas de mercadorias foram excluídas as notas fiscais referentes às transferências de mercadorias da matriz para a filial: "Dessa maneira, com base nos valores totais das notas fiscais de saídas escrituradas nos Livros de Registro de Saídas, diminuídos dos valores lançados a título de "ICMS Substituição", assim como também nas alíquotas aplicadas aos produtos constantes em cada nota fiscal emitida, foi elaborado um demonstrativo de apuração do IPI incidente sobre as vendas realizadas pela contribuinte durante os anosbase de 2005, 2006 e 2007. Esse demonstrativo, constante do Anexo I do presente Relatório de Verificação Fiscal, consolidou, por mês e por classificação fiscal da mercadoria, o valor total da base de cálculo e do débito do IPI incidente sobre os produtos vendidos pelo estabelecimento matriz importador durante o período fiscalizado. (...) Ainda em relação à apuração dos débitos do IPI incidente sobre as saídas de mercadorias do estabelecimento matriz Fl. 864DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 865 8 importador (equiparado a industrial), convém ressaltar os seguintes pontos: • Não foram escrituradas, nos Livros de Registro de Saídas do IPI dos anosbase de 2005 e 2006, as notas fiscais de saída de números 4829 (R$ 347.724,54) e 5161 (R$ 392.160,68), emitidas, respectivamente, em 28/12/2005 e em 14/06/2006. Essas duas notas fiscais referemse a transferências de mercadorias da matriz para a filial da pessoa jurídica. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n" 002, o sujeito passivo confirmou a não escrituração dessas duas notas fiscais em seus Livros de Registro de Saídas do IPI da matriz. (...) Sobre o valor do imposto que deixou de ser destacado nas notas fiscais de saída emitidas pela contribuinte durante os anosbase de 2005, 2006 e 2007 foi aplicada a multa de ofício de 75% prevista no art. 80 da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007. É importante esclarecer que essa multa é aplicável sempre que ficar caracterizada a falta de lançamento do imposto na respectiva nota fiscal de saída. Dai imporse a cobrança da penalidade sobre o valor total do imposto não destacado naquelas notas, independentemente de estar ele, em determinado período de apuração, coberto (total ou parcialmente) por eventuais créditos. Para fins de aplicação da multa de ofício, o que importa é a infração cometida pelo sujeito passivo, qual seja, a falta de lançamento do imposto devido em suas notas fiscais de saída. Logo, a base de cálculo da aludida multa é o valor do imposto que deixou de ser destacado nas notas fiscais, ainda que existam créditos suficientes para amortizar esse valor do imposto. (...) Era face de todo o anteriormente exposto, efetuase o presente lançamento, mediante Auto de Infração, do IPI devido durante os anosbase.de 2005, 2006 e 2007, em virtude do não lançamento do imposto nas notas fiscais de saída emitidas no respectivo período. Também está sendo objeto de lançamento, no presente Auto de Infração, a multa de oficio incidente sobre o valor do IPI não destacado/lançado nas mencionadas notas fiscais com cobertura de crédito" (seleção e grifos nossos). 20. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 866 9 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 866DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.900721/2008-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2003
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento.
JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS. PRELIMINAR. CABIMENTO.
Há conexão entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos (inc. I, do §1º, do art. 6º, do Anexo II, do RICARF/2015).
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2003
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. CRÉDITO INEXISTENTE.
Procedente a homologação parcial da compensação com valor a maior inferior ao pleiteado, se o crédito informado como suporte para a compensação declarada não foi confirmado.
Numero da decisão: 1001-000.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar parcialmente a preliminar de pedido de conexão com os processos nº 10935.900697/2008-99 e 10935.900727/2008-67, não cabendo o mesmo para o processo nº 10935900741/2008-61, pois está arquivado. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao Recurso. Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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M. INDÚSTRIA DE CONFECÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2003 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento. JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS. PRELIMINAR. CABIMENTO. Há conexão entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos (inc. I, do §1º, do art. 6º, do Anexo II, do RICARF/2015). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. CRÉDITO INEXISTENTE. Procedente a homologação parcial da compensação com valor a maior inferior ao pleiteado, se o crédito informado como suporte para a compensação declarada não foi confirmado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar parcialmente a preliminar de pedido de conexão com os processos nº 10935.900697/200899 e 10935.900727/200867, não cabendo o mesmo para o processo nº 10935900741/200861, pois está AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 07 21 /2 00 8- 90 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10935.900721/200890 Acórdão n.º 1001000.814 S1C0T1 Fl. 80 2 arquivado. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao Recurso. Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba/PR mediante o Acórdão nº 0629.903, de 14/01/2011 (efls. 38/42), que não reconheceu o direito creditório pleiteado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (destaques no original) Trata o processo da Declaração de CompensaçãoPer/Dcomp original n° 23713.95436.070704.1.3.011960, fls. 29/33, relativa à compensação de débito(s) 5625 IRPJ LUCRO ARBITRADO, referente ao período de apuração 4º trimestre/2003, com utilização do direito creditório pagamento indevido ou a maior de 2372 CSLL PJ optante pela apuração com base no lucro presumido ou arbitrado, do 41 trimestre 2004, recolhido em 30/03/2004, no valor original de R$ 715,77. 2. A DRF em Cascavel/PR, por meio do Despacho Decisório proferido em 09/05/2008, n° de rastreamento 759952442 (fls. 24/28), não homologou a compensação declarada porque, tendo sido localizado o pagamento, foi utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível; apurou o saldo devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/05/2008, no valor do principal de R$ 748,98, acrescido de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificada por via postal (AR recebido em 23/05/2008), a contribuinte apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 1/18, acompanhada dos documentos de fls. 19/24. 4. Destaca que o valor do crédito na data da transmissão da Dcomp era de R$748,98, recolhidos indevidamente. 5. Que recolheu via Darf, espontaneamente, antes o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, em 30/03/2004, o valor de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10935.900721/200890 Acórdão n.º 1001000.814 S1C0T1 Fl. 81 3 R$ 7.230,02 de 2372 CSLL PJ optante pela apuração com base no lucro presumido ou arbitrado, do 4° trimestre 2003, adicionado de R$ 715,77 de multa de mora, a qual há tempo vem sendo contestada com base no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966; a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF trimestral correspondente foi entregue em 14/11/2003; portanto, restou caracterizada a denúncia espontânea, na qual descabe a multa de mora; transcreve acórdão do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda — CCMF e julgados da Câmara Superior de Recursos Ficais — CSRF e Superior Tribunal de Justiça — STJ. 6. Destacando que somente a lei pode estabelecer penalidades tributárias e ser obedecida pelo Fisco, disserta sobre as multas moratória e punitiva; argumenta, em síntese, ser impossível a exigência de multa moratória sobre débitos tributários pagos espontaneamente, defende que a multa de mora tem o caráter de sanção, que o pagamento do tributo antes de qualquer ato da administração pública configura o instituto da denúncia espontânea, conforme o art. 138 do CTN, e aduz que os valores recolhidos indevidamente devem ser corrigidos monetariamente através da aplicação da juros equivalentes à taxa Selic. 7. Ao final, solicita: o acolhimento da manifestação com efeito suspensivo para a decisão atacada; a reforma da decisão a quo, deferindose o ressarcimento ou restituição dos valores recolhidos indevidamente ou a maior, com a conseqüente homologação da compensação efetuada, a incidência dos juros equivalentes à Taxa Selic, acumulada mensalmente, sobre os valores pagos indevidamente, e a intimação da pauta de julgamento e das decisões deste processo na pessoa do procurador para fins de sustentação oral. O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2003 MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO COM ATRASO. É devida a multa de mora no recolhimento de impostos e contribuições com atraso, mesmo se espontâneo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. CRÉDITO INEXISTENTE. Procedente a homologação parcial da compensação com valor a maior inferior ao pleiteado, se o crédito informado como suporte para a compensação declarada não foi confirmado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 03/02/2011, conforme Aviso de Recebimento à efl. 45, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 28/02/2011 (efls. 49/60), conforme carimbo aposto na fls. 49. É o Relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10935.900721/200890 Acórdão n.º 1001000.814 S1C0T1 Fl. 82 4 Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Da preliminar Como preliminar, a recorrente suscita a reunião de 03 (três) processos, abaixo relacionados, para que tramitem conjuntamente com o presente, por trataremse de matéria conexa, com base no art. 47 do RICARF. PAF Período de Apuração 10935.900741/200861 CSLL PJ 4° Trimestre/2003 10935.900727/200867 CSLL PJ 3º Trimestre/2003 10935.900721/200890 CSLL PJ 4° Trimestre/2004 O artigo art. 47 do RICARF, citado pela recorrente, trata exclusivamente da forma de distribuição, com menção de que os processos conexos devem ser encaminhados ao mesmo relator. Vejamos: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observando a competência e a tramitação prevista no art. 46. (grifei) Conforme pesquisa aos processos citados, todos eles se referem a PER/DCOMP de períodos de apuração de 2003 e 2004 e tratam de matéria conexa, cujas lides se referem a incidência ou não da multa de mora em denúncia espontânea para tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte. Considerando que 2 (dois) processos, os de nºs 10935.900727/200867 e 10935.900721/200890, encontravamse no CARF e ainda não tinham sido distribuídos, na qualidade de Conselheiro prevento e com base no Art. 6º, do Anexo II, do RICARF/2015, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, os mesmos foram distribuídos para este mesmo relator após solicitação. Quanto ao processo de nº 10935.900741/200861, cumpre informar que o mesmo foi arquivado e, assim, não cabe o pedido da recorrente. Neste sentido, voto por ACATAR A PRELIMINAR de pedido de conexão do processo, para tramitação conjunta apenas com os processos de nºs 10935.900727/200867 e 10935.900721/200890, não cabendo o mesmo para o processo de nº 10935.900741/200861, conforme as razões esposadas acima. Do mérito No recurso interposto, a recorrente repete todos os argumentos apresentados em sede de primeira instância, na verdade, apenas altera o primeiro parágrafo quando se dirige ao órgão julgador, agora o CARF. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10935.900721/200890 Acórdão n.º 1001000.814 S1C0T1 Fl. 83 5 Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância. Por concordar com todos os seus termos e conclusões, peço vênia para transcrever os excertos a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, completantoo ao final: (grifos não constam no original) 8. A contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, defende um valor maior de crédito de pagamento indevido ou a maior argumentando sobre a impossibilidade de exigência de multa de mora sobre débitos tributários pagos espontaneamente e o crédito pleiteado na Dcomp diz respeito à multa de mora incidente sobre débito que recolheu com atraso, espontaneamente; argumenta que referida a multa de mora tem o caráter de multa punitiva e que o pagamento do tributo antes de qualquer ato da administração pública configura o instituto da denúncia espontânea, conforme o art. 138, do CTN. 9. Primeiramente, o art. 161, do CTN dispõe que o crédito não integralmente pago no vencimento deverá ser acrescido dos juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. Inserese no rol das penalidades a multa de mora; o próprio CTN, no art. 134, parágrafo único, adota esse entendimento, ao dispor, nos casos em que especifica, em matéria de penalidades, a aplicação tãosomente das de caráter moratório. 10. Assim, constituindo o CTN um conjunto de normas gerais, visando, de modo precípuo, o legislador ordinário e não ao sujeito passivo, admitir a literal aplicação do art. 138 ao caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada; além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação tributária que cuida de sua aplicação. 11. Ademais, o referido dispositivo do CTN dispõe que, verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 12. Uma leitura mais atenta do art. 138 evidencia que o seu conteúdo encontrase adstrito à exclusão da penalidade de cunho punitivo. 13. Já a multa de mora não se destina a imputar falta ao sujeito passivo, mas diversamente, a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no recebimento de receita previamente determinada, portanto é de natureza exclusivamente indenizatória. 14. Ademais, por se tratar de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o fato de a contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10935.900721/200890 Acórdão n.º 1001000.814 S1C0T1 Fl. 84 6 intempestivamente, como no presente caso em que o crédito mencionado no Per/Dcomp referese à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo. 15. Tal entendimento, aliás, já foi pacificado inclusive no âmbito do Superior Tribunal de Justiça — STJ; é o que se extrai da Súmula n° 360, a seguir transcrita: O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. 16. A relevância da multa moratória foi inclusive reafirmada pelo legislador, quando estipulou sua incidência no caso de recolhimento em atraso de tributos e contribuições, nos seguintes termos do art. 61 da Lei n° 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 ° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifouse) §1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não são do original) 17. Com efeito, estando a multa de mora expressamente prevista na legislação e submetendose a administração tributária ao princípio constitucional da legalidade, princípio basilar e norteador de toda a administração pública, não tem a autoridade tributária competência para afastar os efeitos de lei inquestionavelmente em vigor. 18. Desse modo, com esteio nas normas legais pertinentes podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher o tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruções da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. 19. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso, não sendo possível, portanto, reconhecer a existência de crédito, relativamente à multa de mora recolhida quando do pagamento com atraso. 20. A questão da aplicação da Taxa Selic fica prejudicada em virtude da impossibilidade do reconhecimento do direito ao crédito. 21. Por fim, o pedido para que o procurador seja intimado da pauta de julgamento e das decisões para o fim de realizar a sustentação oral da defesa deve ser indeferido, em virtude da inexistência de previsão legal para a realização de 18 sustentação oral Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10935.900721/200890 Acórdão n.º 1001000.814 S1C0T1 Fl. 85 7 durante o julgamento administrativo de primeira instância, realizado nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento — DRJ. Conclusão. À vista do exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a exigência de R$ 748,98, acrescida de multa e juros de mora. Neste sentido, voto por ACATAR PARCIALMENTE a PRELIMINAR de pedido de conexão do processo, para tramitação conjunta com os processos de nºs 10935.900727/200867 e 10935.900697/200899, não cabendo o mesmo para o processo de nº 10935.900741/200861, pois está arquivado e, no mérito, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.901224/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados na DIPJ e na escrituração contábil. Não se presta como prova as declarações elaboradas pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1302-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
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PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados na DIPJ e na escrituração contábil. Não se presta como prova as declarações elaboradas pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 12 24 /2 00 9- 72 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.901224/200972 Acórdão n.º 1302003.068 S1C3T2 Fl. 3 2 Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão nº 1635.202, da 5ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 27/07/2007 DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples alegação da contribuinte de que teria efetuado recolhimento a maior que o devido, sem apresentar justificativa e muito menos juntar aos autos documentos comprobatórios, não é suficiente para desconstituir a confissão do débito em DCTF, que presumese líquido e certo, e caracterizar a ocorrência de pagamento a maior. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende compensar pagamento indevido/a maior de IRPJ. A declaração não foi homologada pela DERAT/São Paulo, pois o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. Na manifestação de inconformidade, foi alegado que o crédito existe pelo fato de o contribuinte ter recolhido, de forma indevida, valor maior de IRPJ apurado no 2º trimestre de 2007, conforme demonstra a DIPJ/2008, os comprovantes de pagamento e a DCTF apresentada. O acórdão da DRJ/SP1 não acatou as alegações, pois o DARF indicado como origem do crédito corresponde exatamente ao débito confessado da DCTF, inexistindo, a principio, pagamento indevido. A DIPJ/2008 e a DCTF retificadora, esta última apresentada após a ciência da decisão da DERAT/São Paulo, não seriam suficientes para comprovação do recolhimento a maior. Da análise das declarações, verificouse que, na DIPJ/2008, a base de cálculo do tributo foi apurado com a aplicação do percentual de 8%, enquanto que na DCTF original foi aplicado o percentual de 32%. Entretanto, não foi apresentado nenhuma documentação que pudesse demonstrar a natureza das atividades da empresa, sendo que em seu contrato social constam, como objeto social, as seguintes atividades: (1) administração de bens próprios, (2) participação em empreendimentos imobiliários e (3) a participação em outras sociedades como sócia ou acionista. A ciência do Acórdão da DRJ ocorreu em 03/02/2012, e o recurso voluntário foi apresentado em 01/03/2012, com as seguintes alegações: afirma que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade demonstram e esclarecem a atividade por ela exercida, de empreendimentos imobiliários, e os motivos que a levaram ao cálculo da base de cálculo do tributo, adotando o percentual de 8% em vez de 32 %. pelo Princípio da Verdade Material, é oportuno esclarecer que a recorrente atua no ramo de empreendimentos imobiliários e tem sua tributação na forma do Lucro Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.901224/200972 Acórdão n.º 1302003.068 S1C3T2 Fl. 4 3 Presumido, aplicando sobre as receitas tributáveis decorrentes das vendas de imóveis próprios o percentual de 8% para apurar a base de cálculo dos tributos. em 2007 obteve receitas oriundas exclusivamente da venda de imóveis próprios, ensejando a aplicação do percentual de 8%, nos termos do artigo 15, caput, c/c §4º da Lei nº 9.249/95, bem como do artigo 3º, §7º da IN SRF n° 93/97. houve erro de fato no cálculo de IRPJ da recorrente no período de 2007, com a utilização de alíquota de 32%, que acabou interferindo diretamente no valor final do tributo, resultando em recolhimento a maior. andou mal a decisão recorrida quando da avaliação do contrato social, pois não se trata da simples leitura para deduzir a atividade da recorrente como colocado, mas sim da leitura aliada à atividade e cálculos do tributo, devidamente demonstrado na DIPJ. demonstrada a atividade exercida pela recorrente, não se pode utilizar de presunção para tributar o sujeito passivo, nos termos do artigo 118, caput, c/c inciso II do CTN. agiu de boa fé, fornecendo todos os elementos para análise e devida homologação da compensação, inclusive cuidando de retificar a DCTF para que não pairassem dúvidas quanto aos valores corretos dos tributos. a DCTF, como instrumento de confissão de dívida, comporta prova em contrário, sob pena de a Administração Pública locupletarse à custa do sujeito passivo. o artigo 16 da Lei nº 9.779/99 delega à SRF a competência para dispor sobre obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições, tendo por finalidade amenizar o rigor da norma invocada, haja vista as inúmeras situações que podem levar o contribuinte a ter o seu débito declarado de maneira incorreta, em virtude de erro de fato que, via de conseqüência, pode acarretar indevida confissão de débito tributário por erro na declaração. não pode prevalecer o entendimento de que a DCTF apresentada, com erro, constitui confissão absoluta de dívida. restou demonstrado que houve erro de fato na DCTF original, com o preenchimento de IRPJ com valor superior ao que de fato e de direito era devido, ao aplicar a alíquota de 32% em vez de 8%. a MP nº 2.18849/2001, em seu artigo 18, permite a retificação das declarações dos tributos administrados pela SRF, nas hipóteses permitidas, possuindo a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. ao tempo da publicação do Despacho Decisório denegatório, estava vigente IN SRF nº 974/2009, que dispunha em seu artigo 9º, § 3º, sobre a possibilidade de retificação de DCTF nos casos em que houvesse prova inequívoca do erro de fato da DCTF. nestes termos, não há como subsistir o entendimento posto no acórdão recorrido no sentido de que a DCTF apresentada após o início de qualquer procedimento fiscal não produz efeitos. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.901224/200972 Acórdão n.º 1302003.068 S1C3T2 Fl. 5 4 a decisão recorrida incorreu em contradição quando afirmou que débito espontaneamente confessado em DCTF tem presunção de liquidez e certeza, mas que poderia ser desconstituído se apresentadas provas contundentes de que a verdade material é outra. ocorre que as provas foram apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, mas que a turma da DRJ/SP1, ausente o Princípio da Razoabilidade, entendeu que não surtiram seus efeitos jurídicos característicos e válidas, razão pela qual deve ser reformado acórdão recorrido. consta no acórdão recorrido que, nos termos do artigo 16, §4º do Decreto nº 70.235/72, a prova documental deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade, fato que ocorreu com a apresentação da DIPJ/2008, DCTF e pagamentos, que dão suporte ao direito creditório a que faz jus, sempre agindo de boafé, não podendo ser penalizada tendo indeferido seu pedido de compensação. Junto com o recurso voluntário, a recorrente apresentou o Livro Diário e o Laudo de Avaliação de Créditos. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.901224/200972 Acórdão n.º 1302003.068 S1C3T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.057, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.681715/2009 91, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.057): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim dele eu conheço. A lide neste processo se concentra na questão da prova da atividade exercida pela recorrente. Isto porque não há dúvidas que, no caso do Lucro Presumido, a alíquota a ser aplicada para determinação da base de cálculo dos tributos é de 8% quando a receita financeira decorre da exploração de atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (artigo 15, §4º da Lei nº 9.249/95, incluído pela Lei nº 11.196/2005) A recorrente afirma que incorreu em erro de fato no preenchimento da DCTF original quando aplicou o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinar o lucro presumido, base de cálculo dos tributos. Aduz que sua receita decorre exclusivamente da atividade de venda de imóveis próprios, ensejando a aplicação do percentual de 8%. E entende que a comprovação do erro de fato se deu com a apresentação, junto com a manifestação de inconformidade, da DIPJ/2008, das DCTF retificadas e dos pagamentos. Aduz que faltou razoabilidade por parte da 5ª Turma da DRJ quando da análise dos citados documentos. Na apresentação do recurso voluntário, além das declarações já mencionadas, a recorrente apresentou cópia do Livro Diário Geral de Contabilidade e Laudo de Avaliação de Créditos. Passo a me pronunciar. Discordo da recorrente quando alega que faltou razoabilidade quando análise dos documentos. Como bem ressaltou o voto condutor da decisão recorrida, não há qualquer explicação quanto aos valores discrepantes informados entre a Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.901224/200972 Acórdão n.º 1302003.068 S1C3T2 Fl. 7 6 DCTF original e a DIPJ/2008. E esta explicação era devida, já que, de acordo com o contrato social, a recorrente exerce 3 (três) atividades econômicas, sendo que nem todas permitem a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta. De fato, as atividades que constam no contrato social seriam: (1) a administração de bens próprios; (2) a participação em empreendimentos imobiliários; e (3) a participação em outras sociedades como sócia ou acionista. A recorrente informa, na DIPJ/2008, como Código da Atividade Econômica (CNAE fiscal) o 64.620/00 Holdings de Instituições não financeiras. Para tessas atividades econômicas o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, para determinação da base de cálculo dos tributos, é de 32%. A exceção poderia ser, talvez, a participação em empreendimentos imobiliários, para a qual a recorrente deveria comprovar a venda de imóveis próprios. As declarações fiscais apresentadas DIPJ/2008 e DCTF retificadas, são suficientes para comprovar que as receitas decorrem exclusivamente da atividade de venda de imóveis próprios ? Entendo que não, uma vez que as declarações são preenchidas pela própria recorrente, que é parte interessada na presente demanda, fato enfraquece a força probante dos documentos. É preciso esclarecer que as declarações devem refletir a escrituração do contribuinte, seus registros contábeis e resultados apurados. O artigo 923 do RIR/99 dispõe que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. E é com base neste artigo que devemos analisar se o Livro Diário Geral e o Laudo de Avaliação de Créditos, apresentados juntamente com o recurso voluntário, seriam suficientes para comprovar que a totalidade da receita auferida no anocalendário de 2007 seria exclusivamente decorrente de venda de imóveis próprios. O Laudo de Avaliação de Crédito tão somente descreve as atividades da recorrente, afirmando que, de acordo com sua operação de administração e vendas de bens próprios, tem a opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Consta a afirmação de que a empresa utilizou indevidamente o coeficiente de 32%. Ao final, elabora uma tabela com os valores que teria a compensar: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.901224/200972 Acórdão n.º 1302003.068 S1C3T2 Fl. 8 7 Ocorre que, ainda que o laudo tenha sido elaborado por contador, a afirmação sem a devida comprovação não faz prova a favor do pleito. Estão ausentes os documentos que comprovem que as receitas são decorrentes exclusivamente da venda de imóveis próprios. O mesmo raciocínio se aplica ao Livro Diário Geral. Em pese a tentativa de demonstrar que as receitas seriam todas decorrentes de vendas, considerando os históricos dos lançamentos contábeis "venda de unidades" em destaque, faltou a comprovação com documentação hábil, requisito necessário nos termos do artigo 923 do RIR/99. É preciso lembrar que a aplicação do percentual de 8% será sobre a comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato (§4º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95). Na ausência destes elementos, entendo que não houve a prova de que a receita teria origem exclusivamente na venda de imóveis próprios, não sendo possível afirmar que a alíquota a ser aplicada, para determinação da base tributável dos tributos, seria de 8%. Nestes termos, não é possível reconhecer o direito creditório pela ausência de certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do CTN, motivo pelo qual a decisão recorrida deve ser mantido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001844/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/10/2006
CONHECIMENTO DO RECURSO. MATÉRIA SUBMETIDA A APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DISCRICIONARIEDADE DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA.
O auto de infração e a notificação de lançamento são instrumentos igualmente hábeis para a constituição do crédito tributário. O uso de um ou de outro meio não está relacionado à matéria fática, mas à conveniência da administração tributária.
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
JUROS E MULTA DE MORA. CRITÉRIOS A SEREM ANALISADOS QUANDO DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação da da pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Numero da decisão: 2301-005.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.062, de 15/05/2014, rerratificar o acórdão embargado e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/10/2006 CONHECIMENTO DO RECURSO. MATÉRIA SUBMETIDA A APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DISCRICIONARIEDADE DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. O auto de infração e a notificação de lançamento são instrumentos igualmente hábeis para a constituição do crédito tributário. O uso de um ou de outro meio não está relacionado à matéria fática, mas à conveniência da administração tributária. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS E MULTA DE MORA. CRITÉRIOS A SEREM ANALISADOS QUANDO DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 44 /2 00 8- 91 Fl. 418DF CARF MF 2 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação da da pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 004.062, de 15/05/2014, rerratificar o acórdão embargado e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratamse de embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo em face do Acórdão nº 2301004.062, de 15 de maio de 2014. O embargante alega omissão do colegiado que, sob o argumento que deveria ser aplicada Súmula Carf nº 1 por haver concomitância entre as esferas administrativa e judicial, deixou de apreciar matéria impugnada e que constou do acórdão recorrido e do recurso. Segundo o embargante, a alegação de que não caberia a utilização de auto de infração para a constituição do crédito tributário não foi abordada no acórdão embargado. O presidente desta turma corroborou o entendimento do embargante e acolheu os embargos. É o relatório suficiente. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 16327.001844/200891 Acórdão n.º 2301005.563 S2C3T1 Fl. 419 3 Verifico a omissão apontada e passo, então, a analisar a matéria que não constou do acórdão embargado. O recorrente alegou que o lançamento é nulo porque deveria ter sido consubstanciado em notificação de lançamento, ao invés de auto de infração. Sustentou que a utilização de auto de infração só se justifica quando da necessidade de aplicação de penalidades e, por estarem com a exigibilidade suspensa, os créditos tributários deveriam ter sido objeto de notificação de lançamento, pois o contribuinte não teria cometido nenhuma falta. De fato, como explicado pelo recorrente, o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em seu art. 9º, estabelece que a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, o § 4º daquele artigo determina a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento inclusive quando, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. Os arts. 10 e 11 relacionam os requisitos obrigatórios do auto de infração e da notificação de lançamento, respectivamente. Talvez o recorrente não tenha se atentado para os detalhes do auto de infração, mas ali consta claramente que, ao pagar o abono único aos seus empregados sem a incidência da contribuição previdenciária, o sujeito passivo teria infringido os seguintes dispositivos da legislação tributária (efl. 22): 400 CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO _ 400.05 Competências : 10/2005 a 11/2005 Constituição Federal, art. 212, parágrafo 5., combinado com o art. 34, caput, das Disposições Constitucionais Transitórias; Lei n. 9.424, de 26.12.96, art. 15, caput; MP n. 1.565, de 09.01.97 e reedições ate a MP n. 1.607, de 11.12.97, e reedições ate a MP n. 1.607›24, de 19.11.98, convertidas na Lei n. 9.766, de 16.12.98; Lei n. 9.601, de 21.01 .98, art. 2; Decreto n. 3.142, de 16.08.99, art. 1., 2., 6., inciso II parágrafo 1.; MP n. 222, de 04.10.2004, art. 3., posteriormente convertida na Lei n. 11.098, de 13.01.2005, artigo 3., Decreto n. 87.043, de 22.03.82, artigos 1., 2., 3., I, parágrafos 1., 2., 4., 5. e art. 13; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I. A PARTIR DE 01.01.2007: Constituição Federal, art. 212, parágrafo 5., combinado com o art .34. caput, das Disposições Constitucionais Transitórias; Lei n. 9.424, de 26.12.96, art. 15, caput; Lei n. 9.766, de 18..12.98, art. 1.; Decreto n. 6003, de 28.12.06, artigo 1., parágrafo 1. e artigos 10 e 11. 405 TERCEIROS INCRA 405.04 Competências : 10/2005 a 11/2005 Lei n. 2.613, de 23.09.55, art. 6., parágrafo 4., art. 35, parágrafo 2., VIII (com as alterações da Lei n. 4.863, de 29.11.65); Decretolei n. 1.146, de 31.12.70, art. 1., I, item 2, artigos 3. e 4.; Lei complementar n. 11, de 25.05.71, art. 15, II; Decretolei n. 2.318, de 30.12.86, art. 3.; MP n. 222, de 04.10.2004, art. 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I. Por conta disso, além da contribuição devida, foi também lançada a multa, nos termos da legislação seguinte (efls. 22 e 23): Fl. 420DF CARF MF 4 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, I1, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, 111, a , b e c , parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242 , parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265 , de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação ; 14%, no mês seguinte ; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação;40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa , sendo ambos tempestivos , ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto nao inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CRÉDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcela mento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). Ora, a Autoridade Lançadora entendeu ter havido a infração à legislação tributária e, como determina o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, lavrou o auto de infração para a constituição do crédito tributário correspondente, composto do tributo e da penalidade pecuniária. E o auto de infração lavrado contém todos os elementos previstos no art. 10 da norma processual tributária. Ao contrário do que afirma o recorrente, os dois instrumentos, auto de infração e notificação de lançamento, se equivalem. Essencialmente, eles se diferenciam quanto à autoridade que os expede. O auto de infração é lavrado pelo servidor competente que, no caso, é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. A notificação de lançamento, que possui menos requisitos do que o auto de infração, pode ser expedida pelo órgão que administra o tributo, é instrumento muito utilizado para infrações mais singelas, apuradas em grandes lotes, nas quais os elementos de fato e de direito, bem como as provas, são comuns e, por essa razão, prescindem até mesmo de assinatura quando emitidas por processamento eletrônico. A definição de qual modo será utilizado não está relacionado às questões fáticas que geraram a infração. Os artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, são normas instrumentais, dirigidas à administração tributária, que estabelecem alternativas à forma de constituição do crédito tributário e devem ser aplicadas de acordo com a conveniência e a oportunidade do poder público, no exercício do poder discricionário, observados os princípios da primazia do interesse público, da razoabilidade e da legalidade. Cabe, pois, à administração Fl. 421DF CARF MF Processo nº 16327.001844/200891 Acórdão n.º 2301005.563 S2C3T1 Fl. 420 5 tributária escolher o meio para consubstanciar o lançamento, sendo ambos equivalentes, desde que obedecidos os requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. Confesso que procurei, procurei, procurei e não consegui descobrir de onde o recorrente teria extraído a exótica, criativa e pitoresca tese de que não se aplica auto de infração para a constituição de crédito tributário, ainda que não houvesse penalidade, o que nem é o caso, porquanto houve a aplicação de multa de ofício. Voto, pois, por acatar os embargos, sem efeitos infringentes, rerratificar o acórdão embargado e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto à inadequação do meio utilizado, mantendo as decisões do acórdão embargado nas demais matérias. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Fl. 422DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003720/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO.
Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a omissão no acórdão embargado, mediante o complemento dos fundamentos para a exclusão da multa de mora incidente sobre a compensação indevida do imposto de renda retido na fonte depositado em juízo.
Numero da decisão: 2401-005.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado, mediante o complemento das razões para a exclusão da multa de mora sobre o imposto retido na fonte depositado em juízo.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a omissão no acórdão embargado, mediante o complemento dos fundamentos para a exclusão da multa de mora incidente sobre a compensação indevida do imposto de renda retido na fonte depositado em juízo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado, mediante o complemento das razões para a exclusão da multa de mora sobre o imposto retido na fonte depositado em juízo. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
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OMISSÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. Acolhemse os embargos de declaração para sanar a omissão no acórdão embargado, mediante o complemento dos fundamentos para a exclusão da multa de mora incidente sobre a compensação indevida do imposto de renda retido na fonte depositado em juízo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado, mediante o complemento das razões para a exclusão da multa de mora sobre o imposto retido na fonte depositado em juízo. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 37 20 /2 00 8- 71 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11543.003720/200871 Acórdão n.º 2401005.744 S2C4T1 Fl. 57 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, conforme fls. 49/50, contra o Acórdão nº 2102003.087, de 09/09/2014, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 43/47. Alega a embargante a existência de contradição/omissão no acórdão que excluiu a multa de mora lançada pela fiscalização, tendo em conta que a fundamentação referiuse à multa de ofício. A Procuradoria da Fazenda Nacional ainda registra que o colegiado não abordou a tempestividade do depósito judicial, ou seja, se foi realizado até a data do vencimento da obrigação tributária. Os autos foram recepcionados pela Procuradoria da Fazenda Nacional em 24/10/2014, que interpôs os embargos de declaração em 07/11/2014 (fls. 48 e 50). Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção. Os aclaratórios foram admitidos por despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento, exclusivamente com relação ao alegado defeito de fundamentação para o cancelamento da multa de mora, determinando a inclusão do processo em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, com vistas ao saneamento do vício apontado pela Fazenda Nacional (fls. 53/55). É o relatório Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Cingese a análise dos embargos opostos pela Fazenda Nacional à alegação de omissão/contradição no julgado quanto à fundamentação para exclusão da multa de mora, na medida em que o prequestionamento pela embargante quanto à tempestividade do depósito judicial foi rejeitado, em caráter definitivo, pelo Presidente da 2ª Seção de Julgamento (fls. 53/55). Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11543.003720/200871 Acórdão n.º 2401005.744 S2C4T1 Fl. 58 3 Na parte devolvida a exame do colegiado, uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 Pois bem. Tratase, na origem, de notificação de lançamento decorrente de compensação indevida do imposto de renda retido na fonte, acrescido de juros e multa de mora (fls. 05/09). A fonte pagadora não recolheu o imposto retido da contribuinte, mas sim depositou em juízo nos autos do Processo nº 2000.00.0064454. Em que pese mantida a decisão de piso no que diz respeito à impossibilidade de aproveitamento do imposto de renda depositado em juízo na declaração de ajuste anual da pessoa física, o acórdão embargado excluiu do lançamento a multa de mora, com a seguinte justificativa (fls. 46): (...) No entanto, o recurso merece ser conhecido em parte, apenas para que se exclua do lançamento a exigência da multa de mora a ele aplicada, em obediência ao que determina o Enunciado nº 17 da Súmula deste CARF: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (...) Com efeito, assiste razão à embargante, pois o acórdão deu provimento parcial para excluir a multa de mora, conquanto fez referência ao enunciado da Súmula nº 17 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que diz respeito à exigência da multa de ofício, sem explicar o motivo pelo qual o caso concreto se amolda aos fundamentos do enunciado de súmula. Assim sendo, cabe a integração da decisão recorrida, mediante a complementação das razões para a exclusão da multa de mora. Ao longo do tempo sempre houve controvérsias a respeito da natureza da multa moratória na seara tributária, tendo o acórdão embargado assumido que a multa de mora, assim como a multa de ofício, são dotadas de um caráter de sanção ao contribuinte. No caso da multa de mora, uma sanção pelo atraso no cumprimento da obrigação tributária principal. Na mesma linha de compreensão da multa de ofício, não se poderá exigir a multa de mora, em prejuízo do contribuinte, quando estiver amparado por decisão judicial válida que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, proferida antes do início do procedimento fiscal. Eis porque o votocondutor do acórdão embargado utilizou a analogia com o verbete sumulado nº 17. 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11543.003720/200871 Acórdão n.º 2401005.744 S2C4T1 Fl. 59 4 É de se assinalar que a fonte pagadora efetuava o depósito judicial de 100% do imposto de renda retido mensalmente dos proventos da contribuinte, valores glosados pelo agente fazendário (fls. 40). Por sua vez, o depósito do montante do imposto retido pela fonte pagadora até a data do vencimento do tributo não se revestiu de matéria controvertida nos autos, sequer foi cogitado tal debate pelo agente fiscal. Os dados constantes do processo administrativo indicam que o Poder Judiciário deferiu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em 21/03/2000, antes da data de vencimento do imposto retido, relativamente ao anocalendário de 2005, não havendo que se falar, por esse motivo, em atraso no recolhimento do tributo na hipótese de depósito judicial tempestivo do imposto de renda (fls. 07). O depósito judicial tempestivo satisfaz integralmente o crédito tributário até o valor por ele coberto, quando é repassado à Conta Única do Tesouro Nacional, ficando disponível para o credor enquanto perdurar a ação judicial, pelo que não é razoável configurar a mora nessa hipótese (Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998). Logo, também sob tal ótica de raciocínio, a exigência de multa de mora se mostrou indevida, no presente lançamento fiscal. Em suma, então, cumpre acolher os declaratórios com função integrativa, para completar a lacuna existente na decisão recorrida, na forma acima mencionada, contudo sem alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário, que afastou a multa de mora do lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos, na parte admitida pelo despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento e, no mérito, ACOLHO os aclaratórios, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado pela Fazenda Nacional no Acórdão nº 2102003.087, de 09/09/2014, mediante o complemento das razões para a exclusão da multa de mora sobre o imposto retido na fonte depositado em juízo. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.003523/00-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa.
CUSTOS. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a efetividade da operação, mediante a apresentação de cópia autenticada da nota fiscal correspondente, constitui-se
dedulível o valor de seu custo.
BAIXA DE ESTOQUE. ESTORNO.
Reputa-se válido o estorno a débito de conta de resultado, quando resta demonstrada a contabilização original correspondente.
VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. ESTORNO DE RECEITAS.
Nas situações em que o sujeito passivo promove o estorno das variações monetárias ativas em decorrência de obediência a mandamento legal que determina o expurgo inflacionário dos valores representados pela atualização monetária dos pagamentos efetuados com atraso pela administração pública, prevalece a norma específica em detrimento do disposto no art. 320 do RIR/94, ainda que a quitação e a extinção de dívidas ocorra por meio do instituto da compensação, uma vez que o estorno c a única forma contábil de se atender à referida lei.
PROVISÃO PARA FÉRIAS E ENCARGOS. DEDUTIBILIDADE.
Considera-se inválida a glosa de despesa quando o valor adicionado no LALUR e declarado em DIRPJ supera o montante de despesa provisionada, a qual consiste na diferença entre o saldo final e o saldo inicial da correspondente conta de provisão, cm determinado ano-calendário.
PROVISÃO DE CUSTOS FORNECEDORES E SUBCONTRATOS.
Os valores contabilizados em contas de provisão não autorizadas, quando não acompanhados de documentação que comprove tratar-se
de custos 165 DRJ/BSB Fls. 2.361 incorridos, devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real.
PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS. CORREÇÃO MONETÁRIA DE PROVISÃO INDEDUTÍVEL. CABIMENTO.
A correção monetária de provisão indedutível, nos períodos de apuração subseqüentes à sua constituição, neutraliza os efeitos da falta de despesa de correção monetária do patrimônio líquido, decorrente de sua constituição, sendo, pois, dedutível para efeito de tributação, como exclusão do lucro líquido para apuração do lucro real.
RETENÇÕES A PAGAR. PASSIVO.
Demonstrada que a natureza da conta é de obrigação, uma vez que representa uma garantia da empresa de reter o pagamento aos empreiteiros ou fornecedores de bens e somente efetuá-lo
no término da obra ou na entrega do bem, não há que se falar em glosa de despesas para constituição de provisão.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. PRECLUSÃO
Matéria não impugnada não pode ser conhecida em sede de recurso
voluntário.
Numero da decisão: 1302-000.830
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa. CUSTOS. COMPROVAÇÃO. Comprovada a efetividade da operação, mediante a apresentação de cópia autenticada da nota fiscal correspondente, constitui-se dedulível o valor de seu custo. BAIXA DE ESTOQUE. ESTORNO. Reputa-se válido o estorno a débito de conta de resultado, quando resta demonstrada a contabilização original correspondente. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. ESTORNO DE RECEITAS. Nas situações em que o sujeito passivo promove o estorno das variações monetárias ativas em decorrência de obediência a mandamento legal que determina o expurgo inflacionário dos valores representados pela atualização monetária dos pagamentos efetuados com atraso pela administração pública, prevalece a norma específica em detrimento do disposto no art. 320 do RIR/94, ainda que a quitação e a extinção de dívidas ocorra por meio do instituto da compensação, uma vez que o estorno c a única forma contábil de se atender à referida lei. PROVISÃO PARA FÉRIAS E ENCARGOS. DEDUTIBILIDADE. Considera-se inválida a glosa de despesa quando o valor adicionado no LALUR e declarado em DIRPJ supera o montante de despesa provisionada, a qual consiste na diferença entre o saldo final e o saldo inicial da correspondente conta de provisão, cm determinado ano-calendário. PROVISÃO DE CUSTOS FORNECEDORES E SUBCONTRATOS. Os valores contabilizados em contas de provisão não autorizadas, quando não acompanhados de documentação que comprove tratar-se de custos 165 DRJ/BSB Fls. 2.361 incorridos, devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real. PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS. CORREÇÃO MONETÁRIA DE PROVISÃO INDEDUTÍVEL. CABIMENTO. A correção monetária de provisão indedutível, nos períodos de apuração subseqüentes à sua constituição, neutraliza os efeitos da falta de despesa de correção monetária do patrimônio líquido, decorrente de sua constituição, sendo, pois, dedutível para efeito de tributação, como exclusão do lucro líquido para apuração do lucro real. RETENÇÕES A PAGAR. PASSIVO. Demonstrada que a natureza da conta é de obrigação, uma vez que representa uma garantia da empresa de reter o pagamento aos empreiteiros ou fornecedores de bens e somente efetuá-lo no término da obra ou na entrega do bem, não há que se falar em glosa de despesas para constituição de provisão. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. PRECLUSÃO Matéria não impugnada não pode ser conhecida em sede de recurso voluntário.
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CUSTOS. COMPROVAÇÃO. Comprovada a efetividade da operação, mediante a apresentação de cópia autenticada da nota fiscal correspondente, constituise dedulível o valor de seu custo. BAIXA DE ESTOQUE. ESTORNO. Reputase válido o estorno a débito de conta de resultado, quando resta demonstrada a contabilização original correspondente. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. ESTORNO DE RECEITAS. Nas situações em que o sujeito passivo promove o estorno das variações monetárias ativas em decorrência de obediência a mandamento legal que determina o expurgo inflacionário dos valores representados pela atualização monetária dos pagamentos efetuados com atraso pela administração pública, prevalece a norma específica em detrimento do disposto no art. 320 do RIR/94, ainda que a quitação e a extinção dc dívidas ocorra por meio do instituto da compensação, uma vez que o estorno c a única forma contábil de se atender à referida lei. PROVISÃO PARA FÉRIAS E ENCARGOS. DEDUTIBILIDADE. Considerase inválida a glosa de despesa quando o valor adicionado no LALUR e declarado em DIRPJ supera o montante de despesa provisionada, a qual consiste na diferença entre o saldo final e o saldo inicial da correspondente conta de provisão, cm determinado anocalendário. PROVISÃO DE CUSTOS FORNECEDORES E SUBCONTRATOS. Os valores contabilizados em contas de provisão não autorizadas, quando não acompanhados de documentação que comprove tratarse de custos 165 DRJ/BSB Fl. 2504DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Fls. 2.361 incorridos, devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real. PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS. CORREÇÃO MONETÁRIA DE PROVISÃO INDEDUTÍVEL. CABIMENTO. A correção monetária de provisão indedutível, nos períodos de apuração subseqüentes à sua constituição, neutraliza os efeitos da falta de despesa de correção monetária do patrimônio líquido, decorrente de sua constituição, sendo, pois, dedutível para efeito de tributação, como exclusão do lucro líquido para apuração do lucro real. RETENÇÕES A PAGAR. PASSIVO. Demonstrada que a natureza da conta é de obrigação, uma vez que representa uma garantia da empresa de reter o pagamento aos empreiteiros ou fornecedores de bens e somente efetuálo no término da obra ou na entrega do bem, não há que se falar em glosa de despesas para constituição de provisão. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. PRECLUSÃO Matéria não impugnada não pode ser conhecida em sede de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello. Relatório Tratam os autos de recursos de ofício e voluntário em relação ao acórdão DRJ de fls. 2360 e seguintes, que manteve parcialmente o lançamento tributário lavrado em função das seguintes infrações : Dedução de custos não comprovados; Dedução de custos para os quais não foram apresentados documentos originais ou autenticados; Fl. 2505DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 2 3 Dedução de custos para os quais não houve comprovação da destinação dos materiais, sua qualificação ou quantificação; Falta de adição de despesas relativas à constituição de provisões não autorizadas pela legislação; Dedução indevida de provisões referentes a 13º salário, férias e encargos, haja vista que não foi apresentado individualmente a quantificação e qualificação de cada provisão, e tampouco a comprovação da observância às limitações legais; Estorno indevido de variações monetárias ativas. A DRJ decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica I R P J Anocalendário: 1995 MPF. EMISSÃO POR AUTORIDADE COMPETENTE. Reputase válido o MPF assinado por chefe de divisão de fiscalização, quando existente o documento de delegação correspondente. CUSTOS. COMPROVAÇÃO. Comprovada a efetividade da operação, mediante a apresentação de cópia autenticada da nota fiscal correspondente, constituise dedulível o valor de seu custo. BAIXA DE ESTOQUE. ESTORNO. Reputase válido o estorno a débito de conta de resultado, quando resta demonstrada a contabilização original correspondente. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. ESTORNO DE RECEITAS. Nas situações em que o sujeito passivo promove o estorno das variações monetárias ativas em decorrência de obediência a mandamento legal que determina o expurgo inflacionário dos valores representados pela atualização monetária dos pagamentos efetuados com atraso pela administração pública, prevalece a norma específica em detrimento do disposto no art. 320 do RIR/94, ainda que a quitação e a extinção dc dívidas ocorra por meio do instituto da compensação, uma vez que o estorno c a única forma contábil de se atender à referida lei. PROVISÃO PARA FÉRIAS E ENCARGOS. DEDUTIBILIDADE. Considerase inválida a glosa de despesa quando o valor adicionado no LALUR e declarado em DIRPJ supera o montante de despesa provisionada, a qual consiste na diferença entre o saldo final e o saldo inicial da correspondente conta de provisão, cm determinado anocalendário. PROVISÃO DE CUSTOS FORNECEDORES E SUBCONTRATOS. Os valores contabilizados em contas de provisão não autorizadas, quando não acompanhados de documentação que comprove tratarse de custos 165 DRJ/BSB Fls. 2.361 incorridos, devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real. Fl. 2506DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS. CORREÇÃO MONETÁRIA DE PROVISÃO INDEDUTÍVEL. CABIMENTO. A correção monetária de provisão indedutível, nos períodos de apuração subseqüentes à sua constituição, neutraliza os efeitos da falta de despesa de correção monetária do patrimônio líquido, decorrente de sua constituição, sendo, pois, dedutível para efeito de tributação, como exclusão do lucro líquido para apuração do lucro real. RETENÇÕES A PAGAR. PASSIVO. Demonstrada que a natureza da conta é de obrigação, uma vez que representa uma garantia da empresa de reter o pagamento aos empreiteiros ou fornecedores de bens e somente efetuálo no término da obra ou na entrega do bem, não há que se falar em glosa de despesas para constituição de provisão. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar argüições de ilegalidade ou inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a taxa de juros Selic sobre os valores de tributos devidos e não pagos no vencimento, em conformidade com a legislação vigente. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A perícia é cabível nas situações em que a averiguação de fatos depende de conhecimentos especializados, sendo desnecessária, portanto, quando tais fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO C S L L Anocalendário: 1995 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS / PASEP Anocalendário: 1995 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE I R R F Anocalendário: 1995 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2507DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 3 5 Destacase no voto condutor do acórdão: GLOSA DE CUSTOS. Do exposto, vêse que, em relação às Notas Fiscais n° 0086, 0026 e 00221, assiste razão à requerente, uma vez que, além de restar comprovada a efetividade da operação, tais despesas são usuais e necessárias, devendo ser consideradas dedutíveis. No que concerne à Nota Fiscal 2027, entretanto, há que se registrar que, conforme consta do recibo de honorários médicos à 11. 636, tratase de serviços médicos prestados pelai equipe neurocirúrgica do Dr. Flávio Settani ao Sr. José Jaime Cláudio Rabeya Sanchez internado no Hospital São Luiz no período de 11 a 21 de janeiro de 1995. O RIR/94 sinaliza, por meio de seu art. 242, §2°, que as despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Já as despesas médicas, odontológicas, farmacêuticas e sociais são consideradas despesas operacionais dedutíveis na apuração do lucro real, desde que destinadas indistintamente a todos os funcionários da pessoa jurídica, consoante estiplta o art. 300 do RIR/94. Porém, o que se verifica no caso em tela é que a impugnante não trouxe nenhuma informação a esse respeito, nem relativa à identificação do vínculo empregacional com o paciente, e tampouco relativa ao oferecimento de tais serviços a todos os seus funcionários. Destarte, não há como acolher a argumentação da requerente, no que se refere a essa Nota Fiscal, em específico. Quanto à Nota Fiscal da Plastireal, cumpre observar que, embora a autuação e a impugnação façam referência ao número 02182, foi anexada aos autos cópia autenticada da NF n° 02181, que, não obstante, tem como emitente a Plastireal Indústria c Comércio de Plásticos Ltda e como valor total a importância de R$ 15.548,00. Além disso, consta à fl. 620, a ordem de compra correspondente, o que autoriza a conclusão de que se trata de mero erro de fato, e que a despesa contabilizada referese, em verdade, à Nota Fiscal n° 02181, cuja cópia autenticada foi apresentada como elemento comprobatório da despesa. BAIXA DE ESTOQUE. Relata a Fiscalização que a empresa promoveu, em 31/12/95, a baixa da conta estoque (10108001001611), Fl. 2508DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 creditando esta e debitando a conta material de consumo/custo (50304001004000), cujo histórico apresentado é: Reclas. Estoq. Encer. 12/95, no valor de R$ 184.943,80, sem, contudo, comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a destinação dos materiais. Afirma, ainda, que sequer houve a apresentação de qualquer documento ou, ao menos, controles internos qualificando e quantificando tais materiais de consumo. Por conseguinte, procedeu à glosa de (ai valor, como custo não comprovado devidamente. A autuada, em sua defesa, assevera que, em 31/05/95, tal valor foi debitado a conta de estoque e creditado a conta de resultado e que, posteriormente, percebeu que esse ingresso de materiais em "estoques" de fato não existiu, razão pela qual procedeu ao estorno, em 31/12/95. Acrescenta que o mencionado estorno pode ser verificado pelas cópias do Livro Diário em que tais lançamentos contábeis foram registrados. Tais cópias, , autenticadas, constam das fls. 595 a 599. Acerca dessa matéria, o RIR/94, em seu art. 214, dispõe que: " Art. 214. A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente., nacionais, em forma mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens (Decretolei n."486/69, art. 2"). §1º É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, desde que estes constem de livro próprio, revestido das formalidades estabelecidas em lei (Decretolei n."486/69, art. 2º§1º) § 2º Os erros cometidos serão corrigidos por meio de lançamento de estorno, transferência ou complementação (Decretolei n." 486/69, art. 2", • §2"). Logo, comprovado o erro, deve este ser corrigido por meio de lançamento de estorno, transferência ou complementação. No presente caso, o que houve foi o estorno de uma contabilização efetuada inicialmente a débito de materiais e crédito de receita (sobressalentes e acessórios), em 31/05/95, conforme cópias autenticadas no Livro Diário às fls. 595 e 599. Apesar de a interessada limitarse a afirmar que "esse ingresso de materiais em estoque de fato não existiu", sem detalhar o motivo pelo qual ocorreu o erro, houve a comprovação de que o estorno se refere a uma contabilização anterior incorreta. Fl. 2509DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 4 7 Assim, não houve uma redução indevida da receita, como deduzido inicialmente pela Fiscalização. Destarte, há que se acolher a alegação da impugnante neste ponto. DESPESAS COM ESTORNO DE RECEITAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. Tratase de contrato de longo prazo firmado entre a empresa e entidade governamental, a CESP Cia. Energética de São Paulo, que prevê a correção monetária por atraso de pagamento. Conforme relata a Fiscalização, em 1994, a empresa apropriouse de variação monetária ativa, a título de correção monetária sobre o valor dos serviços prestados, faturados e não pagos nos respectivos vencimentos, conforme cópia de documento emitido pela fiscalizada à CESP, cm 26/09/95, escrituração da conta clientes (11002100000620) no Livro Razão de 1994. Em 30/09/95, promoveu a baixa de clientes, creditando a conta (10103001001620 houve mudança no plano de contas) e debitando a conta Variação monetária ativa (50506004002002), a título de Est.V.M. p/Atraso Pagto. Fat. Acrescenta o Fisco, ainda, que a receita de variação monetária foi auferida pela fiscalizada pro rata tempore, considerando o tempo de atraso dos respectivos pagamentos pela CESP. Dessa forma, sob o entendimento de que, independente do efetivo recebimento da receita, a empresa adquiriu a capacidade econômica, a Fiscalização procedeu à autuação correspondente. Afirma, nesse sentido, que a fiscalizada abstevese de percorrer os caminhos legais para a efetivação da receita e que a retificação de lançamento é um processo técnico de correção e um registro realizado com erro na escrituração contábil das entidades, o qual, de, deve ser corrigido por meio de lançamentos de estorno A impugnante contradita essa exigência alegando que teria agido em atenção a dispositivos legais e contratuais, os quais lhe garantiam a dedutibilidade. Nesse sentido, afirma que, por força do disposto no art. 23 da Lei n° 9.069/95, que dispunha sobre a repactuação dos contratos cm razão da expectativa inflacionária neles embutida, houve a necessidade de se recalcular os valores devidos por uma e outra. Logo após, considerando que ambas eram credoras e devedoras recíprocas, decidiram pela compensação. de suas dívidas, a qual ficou Fl. 2510DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 formalizada na Ata de Reunião EE/002/96 e no1 , "Instrumento Particular de Quitação de Dívida, Outras Avenças e Dação em Pagamento". Apresenta os seguintes esclarecimentos sobre os fatos: Nos anos de 1994 e 1995, tornouse devedora da CESP, no montante de R$ 1.917.406,33, devido a expurgo monetário/financeiro apurado em contrato celebrado entre as partes, por força do disposto no art. 23 da Lei n"9.069/95. Essa dívida correspondia a 330.091,78 UFESPS. No ano de 1994, a CESP atrasou o pagamento de faturas emitidas pela Impugnante, causando um direito a receber "para TECHINT" de correção monetária atualizada pela UFESP. (...) Essa correção é de R$ 1.080.806,00. [•••]O departamento contábil comparou a dívida que a Impugnante tinha com a CESP, que no caso correspondia a 330.091,78 UFESP com os direitos a receber em função dos atrasos no pagamento de ^ faturas que incorria em 215.729,74 UFESPS. Observouse que a dívida que a Impugnante tinha com a CESP na época era superior aos créditos a receber dessa empresa por atraso no pagamento de faturas. Sendo assim, a Impugnante estornou o valor a receber no ano de 1995 (R$ 1.080.806,00), que já tinha sido tributado com base no regime de competência no anobase de 1994, pois esse valor já havia sido indiretamente recebido e oferecido à tributação, já que a dívida decorrente do expurgo financeiro anteriormente citada é proveniente de expectativa de inflação incorporada ao contrato original que não se consumou em função do "Plano Real". [...]No dia 1" de abril de 1997 as empresas contratantes resolveram acertar seus débitos/créditos. Nesse período, a Impugnante já possuía um direito: de receber da CESP no valor de R$ 3.604.006,25 correspondente a,w .mi i 1 i 454.477 UFESP por atraso no pagamento de faturas. A CESP por sua vez possuía crédito (...), que correspondia às 330.091,78 UFESP anteriormente mencionadas, que naquele momento representavam • R$ 2.617.627,81. A diferença a favor da Impugnante foi então paga pela CESP, em um total de RS 983.463,00, mediante entrega de Debêntures no valor de R$ 983.463,00, bem como de dinheiro o valor de R$ 2.915,44. A Lei 8.880, de 1994, assim preconizava: Fl. 2511DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 5 9 Art. 15 Os contratos para aquisição ou produção de bens para entrega futura, execução de obras, prestação de serviços, locação, uso e arrendamento, vigentes em 1" de abril de 1994, em que forem contratantes órgãos e entidades da Administração Pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, seus fundos especiais, autarquias, inclusive as especiais, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista e. demais entidades por ela controladas direta ou indiretamente, serão repactuados e terão seus valores convertidos em URV, nos termos estabelecidos neste artigo, observado o disposto nos arts. 11, 12 e 16. § 5º Na conversão para URV dos contratos que não contiverem cláusula de atualização monetária entre a data final do período de adimplemento da obrigação e a data da exigibilidade do pagamento, adicionalmente ao previsto no § 2" deste artigo, será expurgada a expectativa de inflação considerada explícita ou implicitamente no contrato relativamente a este prazo, devendo, quando o contrato não mencionar explicitamente a expectativa inf acionária, ser adotada para o expurgo a variação do índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGP/DI, da Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês de apresentação da proposta ou do orçamento a que esta se referir, aplicado pro rata relativamente ao prazo previsto para o pagamento. § 6º Nos casos em que houver cláusula de atualização monetária decorrente de atraso de pagamento, corrigido também o período decorrido entre a data do adimplemento da obrigação e de exigibilidade do pagamento, aplicase a este período o expurgo referido no parágrafo anterior, segundo os critérios nele estabelecidos. § 7º É facultada ao contratado a não repactuação prevista neste artigo, podendo nesta hipótese, a Administração Pública rescindir ou modificar unilateralmente o contrato nos termos dos arts. . 58, inciso I e § 2", 78, inciso XII, e 79, inciso I e §2" da Lei n"8.666, de 21 de junho de 1993. § 8º As alterações contratuais decorrentes da aplicação desta Lei serão formalizadas por intermédio de termo aditivo ao contrato original, retroagindo seus efeitos financeiros a 1" de abril de 1994, inclusive às parcelas não quitadas até aquela data relativas a março de 1994 c meses anteriores se, neste último caso, os contratos originais previrem cláusula de atualização monetária. Assim, de fato, a empresa agiu em atenção a dispositivos legais e contratuais, uma vez que o art. 15 da referida lei determinou o Fl. 2512DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 expurgo, causa do estorno não aceito, e estabeleceu como termo inicial o dia 1704/1994. Porém, entendeu a Fiscalização que o estorno efetuado a débito de receita no exercício seguinte, no valor de R$ 1.080.806,00, contrariou o RIR/94, em seu art. 320, o qual estabelece que: Art. 320. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (Decretolei n." 1.598/77, art. I8). Da leitura de tal dispositivo, depreendese que a atualização dos créditos por ocasião do encerramento do períodobase não é uma faculdade do contribuinte, mas uma obrigação, pois o art. 320 acima transcrito usa a expressão "deverão ser incluídas". 0 art. 323 do RI R/94, por sua vez, preconiza que o disposto no art. 320 se aplica também nas situações em que há compensação ou dação em pagamento, verbis: Art. 323. Compreendemse nas disposições dos arts.' 320 e 321 as variações monetárias apuradas mediante: 1 compra ou venda de moeda ou valores expressos em moeda estrangeira, desde que efetuada de acordo com a legislação sobre câmbio; II conversão do crédito ou da obrigação para moeda nacional, ou novação dessa obrigação, ou sua extinção, total ou parcial, em virtude de capitalização, dação em pagamento, compensação, ou qualquer outro modo, desde que observadas as condições fixadas pelo Banco Central do Brasil; III atualização dos créditos ou obrigações em moeda estrangeira, registrada em qualquer data e apurada no encerramento do períodobase em função da taxa vigente. No presente caso, conforme demonstrativos dc apuração acostados aos autos, às fls. 513 e 514, e o Instrumento Particular de Quitação de Dívidas, à lis. 515 a 524, o que ocorreu foi um encontro de contas, uma vez que CESP era devedora da TECH1NT no importe de R$ 3.604.006,25 e a TECHINT devedora da CESP no montante de R$ 2.617.627,81. O instrumento de quitação, portanto, viabilizou a extinção de tais dívidas mediante os institutos da compensação, da dação em pagamento, por meio de debêntures, e do pagamento do valor residual. Fl. 2513DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 6 11 Dessa forma, em princípio, o ato praticado enquadrarseia no disposto no inciso II do art. 323, o que acarretaria a necessidade de obediência ao estabelecido no art. 320, o qual determina que a contrapartida das variações monetárias ativas devem ser computadas na determinação do lucro operacional. Entretanto, o disposto nos arts. 320 e 323 acima transcritos aplicase a uma situação geral, em que há deliberação entre as partes de compensar ou efetuar a dação em pagamento para a quitação de dívidas existentes entre si, com a conseqüente liquidação dos débitos. No caso concreto, o que se constata é a existência de um cenário muito particular, em que a autoridade pública decidiu pela extinção dos efeitos da expectativa inflacionária e pela publicação de lei nesse sentido, determinando a exclusão dessa expectativa em todos os contratos firmados com a administração pública, o que incluía aqueles que continham cláusula de atualização monetária decorrente de atraso de pagamento, que é o caso da impugnante. Tal lei, publicada posteriormente à matriz legal dos referidos artigos do RIR, veio regular uma situação bem específica, no intuito de conter o persistente processo inflacionário. A requerente, frente ao contexto, agiu em estrita observância ao disposto no mandamento legal: procedeu ao expurgo mediante a assinatura do documento legal explicitado e promoveu o respectivo estorno do lançamento, que é a única forma contábil de se excluir o valor correspondente ao expurgo inflacionário de sua escrituração. O que se vislumbra, no caso em tela, é um aparente conflito de normas, visto que a observância da disposição legal relativa ao expurgo inflacionário implica o descumprimento do estabelecido no RIR. Contudo, tal aparente antinomia pode ser resolvida mediante o critério da especialidade, o qual preconiza que, havendo norma geral e especial sobre a mesma matéria, prevalece a especial. Dessa forma, considerando que a aludida lei consistiu em uma norma especial, concebida para regular um momento histórico determinado, com vistas ao controle do processo inflacionário, há de se aplicála ao caso concreto, em detrimento do disposto na norma geral, constante do RIR. Por conseguinte, é de se reformar o lançamento neste aspecto. Fl. 2514DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 12 DESPESAS COM A CONSTITUIÇÃO DE PROVISÃO DE 13º SALÁRIO, FÉRIAS E ENCARGOS. O lançamento foi efetuado com base nos arts. 195, 1, 197, parágrafo único, 242, e, mais especificamente, nos arts. 276, 279 e 281, do RIR/94, abaixo reproduzidos: Art. 276. Na determinação do lucro real somente serão dedutíveis as provisões expressamente autorizadas neste Regulamento (Decretolei nº 1.730/79, art. 3"). Parágrafo único. O Ministro da Fazenda poderá autorizar a dedutibilidade de outras provisões, para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (Decretolei n." 2.341/87, art. 31). Art. 279. O contribuinte poderá deduzir, como custo ou despesa operacional, em cada períodobase, importância destinada a constituir provisão para pagamento de remuneração correspondente a férias de seus empregados (Decretolei n." 1.730/79, art. 4"). § 1º O limite do saldo da provisão será determinado com base na remuneração mensal do empregado e no número de dias de férias a (pie já tiver direito na época do balanço (Decretolei nº 1.730/79, art. 4º) § 2º As importâncias pagas serão debitadas à provisão, até o limite do valor provisionado (Decretolei n."1.730/79, art. 4", §2º). § 3º A provisão a que se refere este artigo contempla a inclusão dos gastos incorridos com a remuneração de férias proporcionais e dos encargos sociais, cujo ônus cabe à empresa. Art. 281. O contribuinte poderá deduzir, como custo ou despesa operacional, em cada períodobase de apuração mensal, importância destinada a constituir provisão para pagamento de remuneração correspondente ao 13º salário de seus empregados. Parágrafo único. O valor a ser provisionado corresponderá a 1/12 da remuneração, acrescido dos encargos sociais cujo ônus cabe à empresa. Assim, a legislação fiscal permite a dedução da formação tanto da provisão para as férias quanto para o 13" salário, inclusive considerando a parcela proporcional dc férias, o terço constitucional e os encargos sociais correspondentes. No que tange a tal contabilização, efetuada em obediência ao princípio de competência, cumpre registrar que o montante da provisão para pagamento de remuneração de férias e dos encargos sociais incidentes sobre referida Fl. 2515DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 7 13 remuneração é debitado em conta de custos ou despesas operacionais no momento de sua constituição. Se a provisão se referir a empregados vinculados à produção de mercadorias ou serviços, a provisão é debitada à conta de custos. Caso se refira a empregados da área administrativa, é debitado à conta de despesa operacional. No período seguinte, a conta de provisão, classificada no passivo circulante, é debitada, até o limite provisionado, pelos valores pagos a qualquer beneficiário cujas férias ali tenham sido incluídas. Caso não haja saldo suficiente na conta de provisão, o excedente é debitado diretamente a custos ou despesas operacionais. No final do exercício, deve ser efetuada a reversão do saldo remanescente, se houver, e constituída nova provisão. Ou, alternativamente, esse valor pode apenas ser complementado. No caso em tela, a impugnante esclarece que não havia apresentado o detalhamento da conta à fiscalização por estarem as informações em relatórios extracontábeis, o que dificultou sua localização. Além disso, do exame desses relatórios, concluise que a empresa somente procedeu à contabilização de provisão para férias. Os relatórios extracontábeis anexados às fls. 391 a 458, intitulados "Resumo Geral Provisão Férias Dezembro/95", serviram de base para a elaboração da seguinte planilha de cálculo resumida (fl. 390): Fl. 2516DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 14 Fl. 2517DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 8 15 Do exame dos autos, verificase que, de fato, os valores listados na coluna "Saldo em 31/12/94" coincidem com as quantias constantes das contas "Prov.Enc.Sociais" constantes do Balancete Geral em 31/01/95 (fl. 180), o que autoriza a conclusão de que o saldo no final de 1994 era realmente R$ 894.208,00. Assim, considerando que o saldo da provisão era dc R$ 2.218.962,00 em 31/12/95 e R$ 894.208,00, no final de 2004, o valor provisionado no ano foi, de fato, a diferença entre tais quantias: R$ 1.324.754,00. De outro lado, conforme ressalva a Fiscalização, a empresa procedeu à adição, na DIRPJ/96, de parcelas não dedutíveis relativas a encargos sociais, no montante de R$1.590.257,00, conforme segue Fl. 2518DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 16 Destarte, como a recorrente logrou êxito em demonstrar que o saldo inicial era de R$ 894.208,00 e considerando a adição acima mencionada de R$ 1.590.257,00, é de se concluir que o valor adicionado superou o montante provisionado (R$ 1.324.754,00), motivo pelo qual há que se proceder à alteração no lançamento. Quanto ao reconhecimento do crédito pleiteado pela contribuinte, cumpre esclarecer que não é possível a inovação em sede de contencioso. De acordo com os cálculos apresentados pela requerente, e reproduzidos anteriormente, o montante de despesa relativa a férias, nesse período, deveria ser R$ 1.495.656,00. Porém, os cálculos efetuados e apresentados em planilha elaborada pela própria empresa, desacompanhada da documentação comprobatória correspondente, não devem ser aceitos como hábeis e idôneos. Além disso, no demonstrativo apresentado pela impugnante, para apurar o valor da despesa dedutível, ela deduziu o saldo de 1994 (R$ 894.208,00) do montante da despesa calculada extracontabilmente (R$ 1.495.656,31), quando deveria ter deduzido do montante do saldo da conta em 31/12/95 (R$ 2.218.962,16). Neste ponto, cumpre destacar que, em 23/02/2011, a impugnante requereu a juntada de cópias dos livros contendo a Relação Anual de Informações Sociais RAIS (11.811 e seguintes), referentes ao anocalendário dc 1995, no intuito de demonstrar a quantificação e individualização das despesas com a constituição de provisão a título de 13° Fl. 2519DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 9 17 salário, férias e demais encargos trabalhistas de cada funcionário e dos valores correspondentes. Entretanto, o art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/72, estabelece que as provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da apresentação da impugnação. Caso as provas não sejam apresentadas nessa ocasião, essa faculdade processual fica preclusa. As únicas exceções admitidas ocorrem nos casos em que o contribuinte demonstra, irrefutavelmente, a impossibilidade de apresentação das provas por ocasião da impugnação, por motivo de força maior, ou por se referir a fato ou a direito superveniente, ou ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Caberia, portanto, ao sujeito passivo, demonstrar a ocorrência de qualquer uma das hipóteses descritas acima, para justificar a não apresentação de provas na ocasião da entrega da impugnação. Da análise dos autos, constatase que a requerente não comprovou nenhum dos motivos previstos na legislação que impediriam a apresentação de quaisquer provas, quando da apresentação da peça impugnatória do lançamento fiscal. Por conseguinte, em relação a novas juntadas de provas na primeira instância de julgamento, entendese que já ocorreu a preclusão processual, nos termos do art.16, §4°, do PAF. Isso não obstante, é de se ressaltar que a análise de tal documentação é prescindível à solução da lide, uma vez que o cômputo do saldo inicial da conta já é suficiente para elidir a glosa efetuada pela Fiscalização. Por fim, cumpre registrar que, apesar de a Fiscalização fazer constar do Termo de Verificação Fiscal a necessidade de glosa de R$ 628.705,16 (fl. 29), ao fazer a transcrição para o Valor Tributável (fl. 30), comete um erro material, pois cita o valor dc R$ 692.803,81, valor este que foi utilizado para os cálculos no auto de infração correspondente. Isso posto, concluise que assiste razão à autuada relativamente ao assunto, devendo o lançamento ser reformado neste ponto. DESPESAS COM A CONSTITUIÇÃO DE "PROVISÃO" DE CUSTOS FORNECEDORES E SUBCONTRATOS. Destaca a Fiscalização que somente são dedutíveis as provisões expressamente autorizadas pela legislação e que Fl. 2520DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 18 as Provisões de CustosFornecedores e Custos Subcontratos não estão entre estas. Assim, considerando que os valores adicionados na apuração do lucro real não contemplaram as despesas das respectivas provisões, foram computadas, no lucro líquido, as parcelas não adicionadas referentes às despesas geradas cm 1995 com provisões constituídas e não revertidas. Alega a interessada que, embora as contas glosadas tenham sido registradas no passivo da sociedade sob a rubrica "provisão de custos fornecedores" c "provisão dc custos subcontratos", ao se fazer uma análise aprofundada da natureza dessas contas, verificase que se trata dc "contas a pagar", representativas de despesas dedutíveis, uma vez que se constituem em despesas necessárias, usuais e normais à atividade da empresa. No tocante à contabilização, explica que, em atenção aos princípios contábeis, à medida que o engenheiro fornecia os gastos incorridos na obra, estes eram registrados no passivo da empresa, como "contas a pagar", na rubrica "provisões". Nesse sentido, aduz que a contrapartida no resultado era um débito cm despesa incorrida e não paga. Cita, ainda, o Parecer Normativo CST n" 347/70, para justificar a correção do procedimento contábil adotado. Como suporte às suas alegações, acosta planilha, à fl. 480, nos seguintes termos: Como visto, assevera a impugnante que tais registros referemse a contas a pagar e que eram computados no passivo da empresa, na rubrica "provisões" à medida que os custos eram considerados incorridos, pelo engenheiro. Ocorre que, no que tange a contratos de longo prazo, existem dois critérios de apropriação de receitas, conforme Fl. 2521DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 10 19 dispõe a Instrução Normativa n" 21, de 13 de março de 1979: a) segundo a percentagem que a execução física, avaliada em laudo técnico de medição subscrito por um ou mais profissionais, com ou sem vínculo empregatício com a empresa, habilitados na área específica de conhecimento, representar sobre a execução contratada; b) segundo a percentagem que o custo incorrido no períodobase representar sobre o custo total orçado ou estimado, reajustado. A opção pelo critério de avaliação de andamento é exercida em relação a cada contraio, mas o critério escolhido deve ser praticado uniformemente durante tda a execução do contrato. No caso em tela, como declarado pela interessada, houve a opção pelo segundo critério, uma vez que os custos incorridos eram acompanhados por engenheiro. Entretanto, não foi apresentado nenhum documento assinado por qualquer engenheiro ou profissional habilitado, que comprovasse que tais contas constituem obrigações já definidas e suportadas por documentação que explicita seu valor c a data de pagamento. Como prova, foram apresentadas apenas cópias autenticadas do Livro Razão, demonstrativos elaborados pela própria requerente, bem como outros documentos não autenticados, os quais não estão claramente correlacionados com a movimentação ocorrida cm tais contas, e tampouco estão respaldados por documentação que comprove tratarse de contas a pagar. Ressaltese, em relação ao Livro Razão, que o histórico das citadas movimentações cita apenas a "transferência entre contas". Em relação à cópia de contrato de câmbio acostado às fls. 487 a 488, cumpre ressaltar que, além de não estar evidenciado a que conta ele se refere, seu * 'cancelamento (fls. 499 c 500) enseja a conclusão que não há pagamento a ele relacionado. Constatase, portanto, que a empresa, embora alegue tratarse de contas a pagar, não apresentou os documentos que suportam esse passivo, como os contratos firmados e as notas fiscais relativas aos gastos incorridos na obra. Assim, é dc se concluir pela manutenção da classificação de tais contas como de provisão, conforme o plano de contas da contribuinte e a autuação fiscal. Fl. 2522DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 20 Entretanto, no tocante à conta 2.01.02.001.003.620, relativa à ORD/620, a interessada apresentou cópia autenticada do Livro Razão (fl. 504), em que consta o saldo inicial no importe de R$ 955.106,33 e a movimentação a débito, cm 19/01/1996, na quantia dc R$ 233.142,01. Conforme documentação constante das fls. 506 a 510, esse valor debitado referese aos serviços executados pela Mendes Júnior Engenharia SA, no mês de dezembro dc 1995, conforme medição n" 086 e subcontrato C072/90, faturados em 16/01/96 c pagos em janeiro de 1996. Ou seja, especificamente em relação a esse valor, há que se reconhecer que se tratava de contas a pagar, o que implica a necessidade de rever o lançamento correspondente. Sob outro prisma, defende que, em não sendo acolhidas as alegações anteriores, há que se dar o tratamento da postergação do pagamento de tributos, conforme estabelecido pelo Parecer Normativo CST n" 2/96, uma vez que o resultado auferido com o estorno dessas contas foi oferecido à tributação no anobasc dc 1996. Nesse sentido, aduz que aufere o seu resultado pela avaliação do andamento das obras com base nos custos incorridos, consoante previsto no item " 9 " da IN SRF n" 21/79, e que tal fórmula implica o seguinte resultado: se os custos incorridos no períodobase diminuírem, o valor do resultado tributável diminui na mesma proporção. Ou seja, se aplicado o entendimento da fiscalização, teria havido uma antecipação de receita, com o oferecimento de lucro maior à tributação. Entretanto, o que não está provado é justamente que tal contabilização referese a contas a pagar. E dizer, tratandose de provisão, as despesas com sua constituição foram contabilizadas no ano anterior e as movimentações ocorridas no ano seguinte apenas refletem o pagamento da despesa já computada. De concluirse, portanto, que deve ser mantido o lançamento neste aspecto, à exceção do valor dc R$ 233.142,01 relativo à obra 620, o qual deve ser exonerado. GLOSA DE DESPESAS COM ATUALIZAÇÃO DA CONTA DE PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS. As despesas geradas em 1995 com provisões para contingências constituídas e não revertidas foram glosadas pela Fiscalização, com a fundamentação de que somente são dedutíveis na apuração do lucro real as provisões expressamente autorizadas pela legislação, as quais não incluem a formação de provisão para contingências. Destaquese que, conforme Balanço Geral consolidado à fl. Fl. 2523DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 11 21 184, tais valores referemse a movimentações na conta de"provisão para causas em juízo (INPS/FGTS Adic. Transf. Pessoal e IOFImp.Operações Financeiras). A interessada contradita a exigência afirmando que os valores glosados referemse a despesas com a variação monetária do saldo existente em 31/12/91 e que, relativamente ao assunto, o Parecer Normativo CST n° 7/85 já teria definido que a despesa com atualização, no períodobase seguinte, de provisão indedutível é despesa dedutível, uma vez que no períodobase de constituição dessa provisão, o patrimônio da empresa ficou reduzido no mesmo valor. Com efeito, a provisão indedutível, no ano em que constituída, reduz o patrimônio líquido, base da correção monetária de balanço, não porém o lucro tributável, em face da respectiva adição ao lucro líquido para apuração do lucro real. Dessa forma, a correção monetária de provisão indedutível, nos períodos de apuração subseqüntes à sua constituição, neutraliza os efeitos da falta de despesa dc correção monetária do patrimônio líquido, decorrente de sua constituição. Analisando os efeitos da correção monetária da Provisão para Perdas Prováveis na Realização dc Investimentos, a Secretaria da Receita Federal, por meio do Parecer Normativo CST n 2 7, de 1985, manifesta o entendimento de que "a pessoa jurídica que constituir provisão para perdas prováveis na realização de investimentos, indedutível para efeitos do lucro real, somente poderá deduzir sua correção monetária a partir do períodobase subseqüente àquele em que a mesma for constituída". Tal entendimento, embora se refira à provisão para perdas prováveis na realização de investimentos, tem como fundamento a diminuição do patrimônio líquido, sendo, pois, válido para qualquer caso de provisão indedutível. Diante disso, não c razoável a cobrança dc imposto de renda sobre a correção monetária, calculada no Lalur no ano subseqüente, sobre a provisão indedutível constituída no encerramento do períodobase anterior, tendo em vista que, ao proceder ao registro contábil desta, o patrimônio líquido fica reduzido por idêntico valor e, cm conseqüência, também se reduz a despesa de correção monetária das demonstrações financeiras, no mesmo valor daquele que se pretende excluir na apuração do lucro real (Lalur). Fl. 2524DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 22 Portanto, considerando que os valores relativos à movimentação da conta Provisão para Contingência são decorrentes de sua atualização monetária c que tais valores, consoante Parecer Normativo CST n" 7/85, são considerados como dedutíveis, há que se reformar o lançamento quanto ao presente item. RETENÇÕES A PAGAR. Relata a Fiscalização que somente são dedutíveis as provisões:expressamente autorizadas pela legislação e que as provisões relativas a Retenções a Pagar não estão entre estas. Assim, considerando que os valores adicionados na apuração do lucro real não contemplaram as despesas das respectivas provisões, foram computadas, no lucro líquido, as parcelas não adicionadas referentes às despesas geradas em 1995 com provisões constituídas e não revertidas. Afirma a impugnante, em contraposição, que os registros em Retenções a Pagar originamse do fato de que, ao assinar contrato com fornecedor ou subcontratado, obrigandose ao pagamento de um preço pelo serviço ou material fornecido, é pactuada uma cláusula denominada cláusula de retenção, mediante a qual parte do valor a ser pago é retido a título de garantia para a execução futura da obra. Esclarece que, após a execução do serviço ou entrega de mercadorias, este valor retido é entregue ao prestador ou fornecedor e que, isso não obstante, o valor é deduzido como despesa incorrida (totalmente dedutível, por ser necessária, usual e normal) antes do pagamento efetivo. Aduz, por fim, que, quando do pagamento, ocorre o débito dessa conta do passivo tendo como contrapartida um crédito em disponibilidades, sem transitar por resultado. Com efeito, consoante cópias autenticadas do Balancete Geral em 31/12/95 c do Livro Razão, às fls. 602 a 604, tais valores estão classificados na Conta "Dívidas Comerciais — Fornecedor". Além disso, da análise dos demais documentos apresentados pela requerente, tais como notas fiscais e boletins dc medição, vêse que tal é a prática adotada pela empresa. Sendo assim, assiste razão à recorrente, motivo pelo qual se faz necessária a reforma do lançamento neste ponto. :Tendo sido o valor exonerado superior a R$ 1.000.000,00 a DRJ recorreu de ofício de sua decisão. Cientificada do acórdão DRJ em 19/08/2011, a recorrente apresentou recurso em 19/09/2011. Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 12 23 Em seu recurso alega: Despesas com a constituição de provisão de custos – fornecedores e subcontratos: que a recorrente é empresa que se dedica à atividade de construção civil, direcionada para a execução de grandes obras de infraestrutura, tais como a construção de gasodutos, usinas hidroelétricas, estradas, pontes e rodovias; que as despesas despendidas com as obras são incorridas na proporção em que estas obras vão sendo realizadas e a recorrente realiza uma estimativa dos custos e despesas nos quais incorrerá durante a obra, como forma de observar adequadamente as regras da boa prática contábil, e especificamente o regime de competência, como aquele mediante o qual “as receitas e despesas são apropriadas em função da ocorrência e da vinculação da despesa à receita, independentemente de seus reflexos no caixa.”; o resultado do orçamento realizado por um engenheiro contratado, é apresentado em um documento “Boletim de Medição”, no qual são descritas todas as despesas que, segundo cálculo do engenheiro são necessárias para a execução e conclusão da obra; que o referido documento possui a função de apurar o montante de despesas que deve ser reconhecido com base no regime de competência e na proporção em que a obra vai se realizando, possibilitando o confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis em que elas se verificam; que as despesas por ela incorridas eram registradas contabilmente em conta com a rubrica “Provisões” e somente após a realização da obra é que eram transferidas para a conta de rubrica “contas a pagar”; que a turma julgadora entendeu que a conta “Provisão Custos/Fornecedor” não teria a natureza de contas a pagar, já que, supostamente, a Recorrente não teria apresentado os documentos que suportam o passivo de contas a pagar; que, muito embora registrados em conta contábil que possui a rubrica provisão, os valores registrados possuem a natureza de contas a pagar, representativa das despesas totalmente dedutíveis, por serem necessárias, usuais e normais às atividades da Recorrente; Apresenta quadro da movimentação da cona de provisão: Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 24 Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 13 25 Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 26 que o procedimento acima descrito evidencia que a recorrente registra na conta de provisão valores que representam um contas a pagar, motivo pelo qual, são estornados em momento oportuno para que seja feita a retificação decorrente da apropriação no correto período de competência; que incorrida uma despesa, independentemente de seu pagamento esta deveria ser registrada na contabilidade da sociedade e foi isso que fez a recorrente, à medida em que o engenheiro ia fornecendo os gastos incorridos na obra, era registrado em seu passivo este “contas a pagar”, sob a rubrica de provisões; Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 14 27 Finaliza: Ad argumentandum, afirma que se considere irregular o procedimento adotado, os lançamentos seriam nulos por não considerarem o efeito de postergação de pagamento. Da dedutibilidade da despesa relativa à NF 2027. entende que a despesa comprovada com a citada nota fiscal é dedutível pois o gasto com despesa médica de seus funcionários é um investimento essencial para a manutenção de sua força produtiva. Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Que não há previsão legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício. Voto O valor exonerado é superior a R$ 1.000.000,00 devendo ser conhecido o recurso de ofício. O recurso voluntário é tempestivo e também deve ser conhecido. Inicio pela análise do recurso de ofício. GLOSA DE CUSTOS. Afirma o voto condutor do acórdão recorrido sobre a matéria: Do exposto, vêse que, em relação às Notas Fiscais n° 0086, 0026 e 00221, assiste razão à requerente, uma vez que, além de restar comprovada a efetividade da operação, tais despesas são usuais e necessárias, devendo ser consideradas dedutíveis. Não há reparo a fazer ao decidido, pois no termo de verificação fiscal de fls. 26 a fiscalização afirma que tendo sido intimada a apresentar os documentos comprobatórios que deram suporta à escrituração, conta 50401002001000, a título de custos com subcontratos, a fiscalizada apresentou apenas cópias de notas fiscais emitidas pela Empresa Cenpla, motivo Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 28 pelo qual os valores constantes nas NF nº 0701, 0706 e 0717 foram glosados como custo sem comprovação. Na impugnação a recorrente informa que teve dificuldades para acessar as citadas notas fiscais por terem sido recebidas por filiais, mas que todas foram encontradas, bem como os contratos de subempreitada e os correspondentes boletins de medição que deram origem a elas. Também foram anexadas cópias dos cheques e comprovantes de pagamentos a elas relacionadas. Diante da comprovação acima citada, a DRJ deu provimento parcial à impugnação apresentada, decisão que entendo não merecer qualquer reparo. Provada pela apresentação das notas fiscais, contratos e comprovantes de pagamento a existência dos custos e não tendo sido questionada sua necessidade e usualidade, entendo que não pode ser mantida a glosa, devendo ser mantida a decisão DRJ. Baixa de estoque. Afirma o voto condutor do acórdão recorrido sobre a matéria Relata a Fiscalização que a empresa promoveu, em 31/12/95, a baixa da conta estoque (10108001001611), creditando esta e debitando a conta material de consumo/custo (50304001004000), cujo histórico apresentado é: Reclas. Estoq. Encer. 12/95, no valor de R$ 184.943,80, sem, contudo, comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a destinação dos materiais. Afirma, ainda, que sequer houve a apresentação de qualquer documento ou, ao menos, controles internos qualificando e quantificando tais materiais de consumo. Por conseguinte, procedeu à glosa de (ai valor, como custo não comprovado devidamente. A autuada, em sua defesa, assevera que, em 31/05/95, tal valor foi debitado a conta de estoque e creditado a conta de resultado e que, posteriormente, percebeu 'que esse ingresso de materiais em "estoques" de fato não existiu, razão pela qual procedeu ao estorno, em 31/12/95. Acrescenta que o mencionado estorno pode ser verificado pelas cópias do Livro Diário em que tais lançamentos contábeis foram registrados. Tais cópias, autenticadas, constam das fls. 595 a 599. Acerca dessa matéria, o RIR/94, em seu art. 214, dispõe que: " Art. 214. A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente., nacionais, em forma mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano,sem intervalos em branco, nem entrelinhas,borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens (Decretolei n.º486/69, art. 2º). § 1º É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, desde que estes constem de livro próprio, revestido das formalidades estabelecidas em lei (Decretolei n.º 486/69, art. 2º) § 2" Os erros cometidos serão corrigidos por meio de lançamento de estorno, transferência ou complementação (Decretolei n.º 486/69, art. 2º, §2º). Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 15 29 Logo, comprovado o erro, deve este ser corrigido por meio de lançamento de estorno, transferência ou complementação. No presente caso, o que houve foi o estorno de uma contabilização efetuada inicialmente a débito de materiais e crédito de receita (sobressalentes e acessórios), em 31/05/95, conforme cópias autenticadas no Livro Diário às fls. 595 e 599. Apesar de a interessada limitarse a afirmar que "esse ingresso de materiais em estoque de fato não existiu", sem detalhar o motivo pelo qual ocorreu o erro, houve a comprovação de que o estorno se refere a uma contabilização anterior incorreta. Assim, não houve uma redução indevida da receita, como deduzido inicialmente pela Fiscalização. Destarte, há que se acolher a alegação da impugnante neste ponto. Entendo não merecer reparo a decisão recorrida também em relação a esta matéria. Tempestivamente a interessada retificou sua escrita através de lançamento de estorno, conforme lhe permitia a legislação de regência acima reproduzida, sendo permitido à fiscalização, se entendesse necessário prosseguir na investigação fiscal para apurar se havia falsidade dessa retificação de lançamento.. Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofíio também nesta matéria. Despesas com estorno de receitas de variações monetárias ativas. Sobre a matéria manifestou a DRJ: No presente caso, conforme demonstrativos dc apuração acostados aos autos, às fls. 513 e 514, e o Instrumento Particular de Quitação de Dívidas, à lis. 515 a 524, o que ocorreu foi um encontro de contas, uma vez que CESP era deveora da TECH1NT no importe de R$ 3.604.006,25 e a TECHINT devedora da CESP no montante de R$ 2.617.627,81. O instrumento de quitação, portanto, viabilizou a extinção de tais dívidas mediante os institutos da compensação, da dação em pagamento, por meio de debêntures, e do pagamento do valor residual. Dessa forma, em princípio, o ato praticado enquadrarseia no disposto no inciso II do art. 323, o que acarretaria a necessidade de obediência ao estabelecido no art. 320, o qual determina que a contrapartida das variações monetárias ativas devem ser computadas na determinação do lucro operacional. Entretanto, o disposto nos arts. 320 e 323 acima transcritos aplicase a uma situação geral, em que há deliberação entre as partes de compensar ou efetuar a dação em pagamento para a Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 30 quitação de dívidas existentes entre si, com a conseqüente liquidação dos débitos. No caso concreto, o que se constata é a existência de um cenário muito particular, em que a autoridade pública decidiu pela extinção dos efeitos da expectativa inflacionária e pela publicação de lei nesse sentido, determinando a exclusão dessa expectativa em todos os contratos firmados com a administração pública, o que incluía aqueles que continham cláusula de atualização monetária decorrente de atraso de pagamento, que é o caso da impugnante. Tal lei, publicada posteriormente à matriz legal dos referidos artigos do RIR, veio regular uma situação bem específica, no intuito de conter o persistente processo inflacionário. A requerente, frente ao contexto, agiu em estrita observância ao disposto no mandamento legal: procedeu ao expurgo mediante a assinatura do documento legal explicitado e promoveu o respectivo estorno do lançamento, que é a única forma contábil de se excluir o valor correspondente ao expurgo inflacionário de sua escrituração. O que se vislumbra, no caso em tela, é um aparente conflito de normas, visto que a observância da disposição legal relativa ao expurgo inflacionário implica o descumprimento do estabelecido no RIR. Contudo, tal aparente antinomia pode ser resolvida mediante o critério da especialidade, o qual preconiza que, havendo norma geral e especial sobre a mesma matéria, prevalece a especial. Dessa forma, considerando que a aludida lei consistiu em uma norma especial, concebida para regular um momento histórico determinado, com vistas ao controle do processo inflacionário, há de se aplicála ao caso concreto, em detrimento do disposto na norma geral, constante do RIR. Por conseguinte, é de se reformar o lançamento neste aspecto. Também nesta matéria não tenho reparo a fazer ao decido em 1ª instância.. A legislação que introduziu o Plano Real, com a finalidade de controlar a inflação, excepcionou a legislação vigente em diversas áreas e não apenas a financeira. Concordo com a posição exposta pelo DRJ de que também a legislação tributária foi excepcionada, o que se verifica no caso destes autos. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso de ofício interposto. DESPESAS COM A CONSTITUIÇÃO DE PROVISÃO DE 13º SALÁRIO, FÉRIAS E ENCARGOS. Afirma a decisão recorrida: Do exame dos autos, verificase que, de fato, os valores listados na coluna "Saldo em 31/12/94" coincidem com as quantias constantes das contas "Prov.Enc.Sociais" constantes do Balancete Geral em 31/01/95 (fl. 180), o que autoriza a conclusão de que o saldo no final de 1994 era realmente R$ 894.208,00. Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 16 31 Assim, considerando que o saldo da provisão era dc R$ 2.218.962,00 em 31/12/95 e R$ 894.208,00, no final de 2004, o valor provisionado no ano foi, de fato, a diferença entre tais quantias: R$ 1.324.754,00. De outro lado, conforme ressalva a Fiscalização, a empresa procedeu à adição, na DIRPJ/96, de parcelas não dedutíveis relativas a encargos sociais, no montante de R$1.590.257,00, conforme segue Destarte, como a recorrente logrou êxito em demonstrar que o saldo inicial era de R$ 894.208,00 e considerando a adição acima mencionada de R$ 1.590.257,00, é de se concluir que o valor adicionado superou o montante provisionado (R$ 1.324.754,00), motivo pelo qual há que se proceder à alteração no lançamento. Isso posto, concluise que assiste razão à autuada relativamente ao assunto, devendo o lançamento ser reformado neste ponto. Independentemente do fato de documentos que a então impugnante trouxe aos autos, após a apresentação da impugnação, não terem sido aceitos pela decisão recorrida, o voto condutor do acórdão concluiu que o lançamento deveria ser exonerado tendo em vista que o valor adicionado superou o valor provisionado, sendo incabível o lançamento. Não tenho reparo a fazer ao decidido em 1ª instância, pois, mesmo que não tenha sido demonstrado devidamente os valores de férias e 13º, isso se tornou irrelevante em função do erro praticado pela recorrente e utilizado pela fiscalização para realizar o lançamento. Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 32 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício também em relação a esta matéria. Valor de R$ 233.142,01 Sobre a matéria dispôs a DRJ: Entretanto, no tocante à conta 2.01.02.001.003.620, relativa à ORD/620, a interessada apresentou cópia autenticada do Livro Razão (fl. 504), em que consta o saldo inicial no importe de R$ 955.106,33 e a movimentação a débito, cm 19/01/1996, na quantia dc R$ 233.142,01. Conforme documentação constante das fls. 506 a 510, esse valor debitado referese aos serviços executados pela Mendes Júnior Engenharia S.A, no mês de dezembro dc 1995, conforme medição nº 086 e subcontrato C 072/90, faturados em 16/01/96 c pagos em janeiro de 1996. Ou seja, especificamente em relação a esse valor, há que se reconhecer que se tratava de contas a pagar, o que implica a necessidade de rever o lançamento correspondente. Demonstrada a ocorrência da despesa e não tendo sido contestada sua necessidade e usualidade, correta a decisão DRJ. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Passo a análise do recurso voluntário. Afirma a decisão recorrida: Nota fiscal 2027 – Despesa Médica No que concerne à Nota Fiscal 2027, entretanto, há que se registrar que,conforme consta do recibo de honorários médicos à fls. 636, tratase de serviços médicos prestados pela equipe neurocirúrgica do Dr. Flávio Settani ao Sr. José Jaime Cláudio Rabeya Sanchez internado no Hospital São Luiz no período de 11 a 21 de janeiro de 1995. O RIR/94 sinaliza, por meio de seu art. 242, §2°, que as despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Já as despesas médicas, odontológicas, farmacêuticas e sociais são consideradas despesas operacionais dedutíveis na apuração do lucro real, desde que destinadas indistintamente a todos os funcionários da pessoa jurídica, consoante estipula o art. 300 do RIR/94. Porém, o que se verifica no caso em tela é que a impugnante não trouxe nenhuma informação a esse respeito, nem relativa à identificação do vínculo empregacional com o paciente, e tampouco relativa ao oferecimento de tais serviços a todos os seus funcionários. A recorrente não traz, mesmo em sede de recurso, qualquer indício de que o citado paciente tenha sido empregado da mesma. Mesmo que se considere que o art. 242, § 2º Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 17 33 do RIR/94 não possuía fundamento legal, que apenas foi introduzido com o art. 13, inciso V da Lei 9.249 de 1995, ainda não vigente à época dos fatos, a recorrente teria, ao menos de demonstrar o vínculo do paciente com a empresa, o que não o fez. Assim sendo, tal despesa deve ser considerada desnecessária ao auferimento das receitas e, assim sendo, indedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso nesta matéria. DESPESAS COM A CONSTITUIÇÃO DE "PROVISÃO" DE CUSTOS FORNECEDORES E SUBCONTRATOS. Destaca a Fiscalização que somente são dedutíveis as provisões expressamente autorizadas pela legislação e que as Provisões de CustosFornecedores e CustosSubcontratos não estão entre estas. Assim, considerando que os valores adicionados na apuração do lucro real não contemplaram as despesas das respectivas provisões, foram computadas, no lucro líquido, as parcelas não adicionadas referentes às despesas geradas cm 1995 com provisões constituídas e não revertidas. Alega a interessada que, embora as contas glosadas tenham sido registradas no passivo da sociedade sob a rubrica "provisão de custos fornecedores" e "provisão de custos subcontratos", ao se fazer uma análise aprofundada da natureza dessas contas, verificase que se trata de "contas a pagar", representativas de despesas dedutíveis, uma vez que se constituem em despesas necessárias, usuais e normais à atividade da empresa. No tocante à contabilização, explica que, em atenção aos princípios contábeis, à medida que o engenheiro fornecia os gastos incorridos na obra, estes eram registrados no passivo da empresa, como "contas a pagar", na rubrica "provisões". Nesse sentido, aduz que a contrapartida no resultado era um débito cm despesa incorrida e não paga. Cita, ainda, o Parecer Normativo CST n" 347/70, para justificar a correção do procedimento contábil adotado. Afirma a decisão recorrida: Como visto, assevera a impugnante que tais registros referemse a contas a pagar e que eram computados no passivo da empresa, na rubrica "provisões" à medida que os custos eram considerados incorridos, pelo engenheiro. Ocorre que, no que tange a contratos de longo prazo, existem dois critérios de apropriação de receitas, conforme dispõe a Instrução Normativa n" 21, de 13 de março de 1979: a) segundo a percentagem que a execução física, avaliada em laudo técnico de medição subscrito por um ou mais profissionais, com ou sem vínculo empregatício com a empresa, habilitados na área específica de conhecimento, representar sobre a execução contratada; b) segundo a percentagem que o custo incorrido no períodobase representar sobre o custo total orçado ou estimado, reajustado. Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 34 A opção pelo critério de avaliação de andamento é exercida em relação a cada contraio, mas o critério escolhido deve ser praticado uniformemente durante toda a execução do contrato. No caso em tela, como declarado pela interessada, houve a opção pelo segundo critério, uma vez que os custos incorridos eram acompanhados por engenheiro. Entretanto, não foi apresentado nenhum documento assinado por qualquer engenheiro ou profissional habilitado, que comprovasse que tais contas constituem obrigações já definidas e suportadas por documentação que explicita seu valor c a data de pagamento. Como prova, foram apresentadas apenas cópias autenticadas do Livro Razão, demonstrativos elaborados pela própria requerente, bem como outros documentos não autenticados, os quais não estão claramente correlacionados com a movimentação ocorrida cm tais contas, e tampouco estão respaldados por documentação que comprove tratarse de contas a pagar. Ressaltese, em relação ao Livro Razão, que o histórico das citadas movimentações cita apenas a "transferência entre contas". Em relação à cópia de contrato de câmbio acostado às fls. 487 a 488, cumpre ressaltar que, além de não estar evidenciado a que conta ele se refere, seu cancelamento (fls. 499 e 500) enseja a conclusão que não há pagamento a ele relacionado. Constatase, portanto, que a empresa, embora alegue tratarse de contas a pagar, não apresentou os documentos que suportam esse passivo, como os contratos firmados e as notas fiscais relativas aos gastos incorridos na obra. Assim, é de se concluir pela manutenção da classificação de tais contas como de provisão, conforme o plano de contas da contribuinte e a autuação fiscal. Sob outro prisma, defende que, em não sendo acolhidas as alegações anteriores, há que se dar o tratamento da postergação do pagamento de tributos, conforme estabelecido pelo Parecer Normativo CST n" 2/96, uma vez que o resultado auferido com o estorno dessas contas foi oferecido à tributação no anobase dc 1996. Nesse sentido, aduz que aufere o seu resultado pela avaliação do andamento das obras com base nos custos incorridos, consoante previsto no item " 9 " da IN SRF n" 21/79, e que tal fórmula implica o seguinte resultado: se os custos incorridos no período base diminuírem, o valor do resultado tributável diminui na mesma proporção. Ou seja, se aplicado o entendimento da fiscalização, teria havido uma antecipação de receita, com o oferecimento de lucro maior à tributação. Entretanto, o que não está provado é justamente que tal contabilização referese a contas a pagar. E dizer, tratandose de provisão, as despesas com sua constituição foram contabilizadas no ano anterior e as movimentações ocorridas no Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 18 35 ano seguinte apenas refletem o pagamento da despesa já computada. Já a recorrente afirma: Já em sede de impugnação, afirmou a contribuinte: A Impugnante, conforme já se falou, é pessoa jurídica que se dedica à atividade de construção civil. Antes mesmo de iniciar uma obra, ou durante o curso da execução desta, a Impugnante faz um orçamento das despesas que serão incorridas para conclusão desta obra. Tal orçamento é sempre feito por um engenheiro (engenheiro responsável pela obra) que envia à Impugnante um documento chamado Boletim de Medição (doc. anexo), no qual descrevemse todas as despesas que, segundo o cálculo do engenheiro, serão incorridas pela Impugnante para a realização da obra. Com base neste Boletim de Medição, para respeitar o princípio da competência dos exercícios, vez que se tratam de despesas que são incorridas em um exercício, mas que podem eventualmente ser pagas em exercício posterior, imediatamente após o recebimento deste a Impugnante registra em seu passivo este "contas a pagar", sob a rubrica de "provisões". Em outro momento da impugnação: Por sua vez, no anobase de 1996, novos foram preparados e o mesmo procedimento adotado. Boletins de Medição. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 36 Desde a impugnação a contribuinte embasa sua defesa na existência de boletins de medição, onde estariam registradas as despesas, que segundo cálculo de engenheiro, serão incorridas pela recorrente para a realização da obra. No entanto, não traz nenhum documento em sua impugnação que possa ser semelhante ao descrito documento. A DRJ ressalta esse fato: Entretanto, não foi apresentado nenhum documento assinado por qualquer engenheiro ou profissional habilitado, que comprovasse que tais contas constituem obrigações já definidas e suportadas por documentação que explicita seu valor c a data de pagamento. Mesmo alertado pela DRJ, a recorrente afirma em seu recurso: Poderia nesse momento, mesmo que isso pudesse ser contestado, identificar onde estava esse documento nos autos, mas não o fez. Entendo que não o fez, porque não seria possível, pois não há esse documento nos autos. Percorri toda a impugnação, em especial as fls. 488 a 511, onde a recorrente informe estarem os documentos referentes a esta matéria e não há qualquer documento emitido por engenheiro ou outro profissional que possa ser entendido com boletim de medição. Diante do exposto, pela ausência de prova do afirmado pela recorrente, voto por negar provimento ao recurso. Quanto à alegação de que deveria ser dado o tratamento de postergação ao caso, acompanho integralmente o decidido pela DRJ sobre a matéria: Sob outro prisma, defende que, em não sendo acolhidas as alegações anteriores, há que se dar o tratamento da postergação do pagamento de tributos, conforme estabelecido pelo Parecer Normativo CST n" 2/96, uma vez que o resultado auferido com o estorno dessas contas foi oferecido à tributação no anobase de 1996. Nesse sentido, aduz que aufere o seu resultado pela avaliação do andamento das obras com base nos custos incorridos, consoante previsto no item " 9 " da IN SRF n" 21/79, e que tal fórmula implica o seguinte resultado: se os custos incorridos no período base diminuírem, o valor do resultado tributável diminui na mesma proporção. Ou seja, se aplicado o entendimento da fiscalização, teria havido uma antecipação de receita, com o oferecimento de lucro maior à tributação. Entretanto, o que não está provado é justamente que tal contabilização referese a contas a pagar. E dizer, tratandose de provisão, as despesas com sua constituição foram contabilizadas no ano anterior e as movimentações ocorridas no Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 19 37 ano seguinte apenas refletem o pagamento da despesa já computada. Quanto ao contrato de câmbio apresentado em sede de impugnação a fls.487 a 498, embora não tenha sido confirmado seu cancelamento, não ficou evidenciado a que conta contábil se referem e, portanto, se interferiram no valor lançado neste processo. A recorrente afirma referirse à obra 692, mas tanto na impugnação como no recurso, não há nenhuma evidência que confirme tal assertiva e, por conseqüência, não há vínculo entre o contrato de câmbio e referidas invoices e notas fiscais com o custo glosado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste item do lançamento. Quanto à utilização da taxa selic aplicada sobre a multa de ofício, observo que houve alteração do pedido em relação à impugnação, tratandose, portanto, de matéria não impugnada, que também não pode ser conhecida em sede de recurso, pois não se trata de matéria de ordem pública. Diante de todo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e também negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 18471.001807/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003
Ementa:
DESPESAS OPERACIONAIS COMUNS. RATEIO. RECEITA BRUTA.
PROCEDÊNCIA.
A identificação nos autos de elementos capazes de demonstrar a apropriação de dispêndios que contribuíram para a formação do resultado de mais de uma pessoa jurídica, autoriza a efetivação, de ofício, do rateio correspondente, devendo-se considerar como não necessários os gastos que não beneficiaram, diretamente, a empresa fiscalizada. No caso vertente, em que se observa ausência de utilização de qualquer método de rateio por parte da contribuinte e em que sessenta e quatro empresas encontram-se ocupando um espaço de mil e quinhentos metros quadrados, a utilização do faturamento como critério para determinação da parcela de dispêndios que deveria ter sido apropriada por cada uma das beneficiárias dos gastos comuns, revela-se razoável e racional.
Numero da decisão: 1302-000.436
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Sustentação oral pelo Dr. Gabriel Lacerda Troianelli, OAB/RJ 78.656.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 Ementa: DESPESAS OPERACIONAIS COMUNS. RATEIO. RECEITA BRUTA. PROCEDÊNCIA. A identificação nos autos de elementos capazes de demonstrar a apropriação de dispêndios que contribuíram para a formação do resultado de mais de uma pessoa jurídica, autoriza a efetivação, de ofício, do rateio correspondente, devendo-se considerar como não necessários os gastos que não beneficiaram, diretamente, a empresa fiscalizada. No caso vertente, em que se observa ausência de utilização de qualquer método de rateio por parte da contribuinte e em que sessenta e quatro empresas encontram-se ocupando um espaço de mil e quinhentos metros quadrados, a utilização do faturamento como critério para determinação da parcela de dispêndios que deveria ter sido apropriada por cada uma das beneficiárias dos gastos comuns, revela-se razoável e racional.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-06T16:56:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2466828_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-06T16:56:11Z; Last-Modified: 2011-01-06T16:56:11Z; dcterms:modified: 2011-01-06T16:56:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2466828_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:66f539e5-d042-4d81-9a6a-a021666a09f2; Last-Save-Date: 2011-01-06T16:56:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-06T16:56:11Z; meta:save-date: 2011-01-06T16:56:11Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2466828_0.doc; modified: 2011-01-06T16:56:11Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-06T16:56:11Z; created: 2011-01-06T16:56:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2011-01-06T16:56:11Z; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2011-01-06T16:56:11Z | Conteúdo => S1-C3T2 Fl. 1 1 S1-C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001807/2007-63 Recurso nº 416.592 De Ofício Acórdão nº 1302-00.436 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de dezembro de 2010 Matéria IRPJ - GLOSA DE DESPESAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado OPPORTUNITY GESTORA DE RECURSOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 Ementa: DESPESAS OPERACIONAIS COMUNS. RATEIO. RECEITA BRUTA. PROCEDÊNCIA. A identificação nos autos de elementos capazes de demonstrar a apropriação de dispêndios que contribuíram para a formação do resultado de mais de uma pessoa jurídica, autoriza a efetivação, de ofício, do rateio correspondente, devendo-se considerar como não necessários os gastos que não beneficiaram, diretamente, a empresa fiscalizada. No caso vertente, em que se observa ausência de utilização de qualquer método de rateio por parte da contribuinte e em que sessenta e quatro empresas encontram-se ocupando um espaço de mil e quinhentos metros quadrados, a utilização do faturamento como critério para determinação da parcela de dispêndios que deveria ter sido apropriada por cada uma das beneficiárias dos gastos comuns, revela-se razoável e racional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Sustentação oral pelo Dr. Gabriel Lacerda Troianelli, OAB/RJ 78.656. Marcos Rodrigues de Mello - Presidente. Wilson Fernandes Guimarães - Relator. EDITADO EM: Fl. 644DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 645DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001807/2007-63 Acórdão n.º 1302-00.436 S1-C3T2 Fl. 2 3 Relatório A 2ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, tendo exonerado parte do crédito tributário constituído em desfavor de OPPORTUNITY GESTORA DE RECURSOS LTDA, recorre de ofício a este Colegiado administrativo, amparada nas disposições da Portaria MF nº. 3, de 2008. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao ano-calendário de 2002, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) dedução indevida de despesas operacionais não necessárias; b) falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, de despesas tidas como indedutíveis. Apreciando os argumentos expendidos pela autuada em sede de impugnação, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio do acórdão nº. 12-23.750, de 16 de abril de 2009, julgou parcialmente procedente os lançamentos tributários efetivados. O referido julgado foi assim ementado: GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. PROVA DA DESNECESSIDADE DOS GASTOS. A prova da desnecessidade do gasto compete à fiscalização. Em havendo gastos que poderiam ser rateados com outras empresas, a fiscalização deve indicar cada um, promovendo a divisão mediante critério adequado à natureza dos valores. DESPESAS DE DECORAÇÕES E ORNAMENTAÇÕES. INFRAÇÃO CONFESSADA. Diante da confissão da infração, mantém-se o lançamento. LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos ou argumentos novos, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido em relação ao lançamento principal. Por relevante, transcrevo, abaixo, excerto do voto condutor da decisão em referência. ... 7- Despesas operacionais não necessárias. 8- As disposições do art. 299 do RIR/1999, que tratam de despesas necessárias, não dão margens a presunções por parte da fiscalização. O ato administrativo de lançamento da glosa das despesas por desnecessidade requer a produção da prova inequívoca da subsunção do fato à norma jurídica. A fundamentação da glosa de despesas operacionais realizadas e Fl. 646DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 contabilizadas pelo interessado há que ser acompanhada de elemento probatório, produzido pela fiscalização, de que os gastos não são necessários à atividade ou manutenção da fonte produtora. 9- No caso, a fiscalização arrola valores que seriam provenientes de outras despesas operacionais, salários/benefícios e aluguel/condomínio, que totalizam R$ 3.467.584,29, para rateá-los entre as empresas que possuem o mesmo endereço do interessado, tendo como fator a receita bruta de cada empresa. 10- Primeiro, não se sabe de onde vieram os valores arrolados. De que se compõe cada rubrica indicada? Segundo, não foi analisado se cada uma das empresas obteve algum proveito com as despesas. Terceiro, o critério de rateio não é razoável. Qual a relação da receita bruta de cada empresa com as rubricas? No que se refere ao aluguel/condomínio o razoável seria o rateio proporcional ao espaço ocupado. É o Relatório. Fl. 647DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001807/2007-63 Acórdão n.º 1302-00.436 S1-C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao ano-calendário de 2002, formalizadas em virtude da imputação das seguintes infrações: a) apropriação de despesas não necessárias, no montante de R$ 3.215.812,47; e b) falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro do real, de despesas indedutíveis no montante de R$ 5.002,62. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 472/473), relativamente às despesas tidas como não necessárias, a autoridade fiscal, a partir da constatação de que no domicílio fiscal da fiscalizada encontravam-se instaladas também outras sessenta e três empresas, a intimou a prestar esclarecimentos acerca do critério utilizado para rateio das despesas que, a seu ver, eram comuns. Diante da ausência de resposta, a referida autoridade promoveu o rateio tomando por base as receitas declaradas por cada uma das ocupantes do domicílio da fiscalizada. Nessa linha, foram objeto de rateio os seguintes dispêndios 1 (planilha de fls. 515) : Registradas como OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS na DIPJ: Despesas com Energia 161.328,60 Despesas de Comunicações Postais 23.507,72 Despesas de Comunicações Gerais 186.127,41 Despesas de Comunicações - Telefones 307.554,56 Reparos, Conservação e Limpeza 167.904,96 Material de Expediente 70.278,51 Material de Limpeza e Higiene 23.626,68 Despesas com Vale-Transporte 38.534,27 1 Valores em R$. Fl. 648DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Manutenção de Sistemas 60.139,62 Licença de uso de Sistemas 2.892,12 Autenticações, Reproduções e Cópias 11.174,07 Despesas com Grafias 14.849,55 Despesas de Condução 29.485,44 Viagem Pessoal Adm. 15.380,94 Assinaturas de Jornais e Revistas 11.199,35 Despesas de Copa e Cozinha 118.478,99 Mensalidade Sindical 214,00 Emolumentos Judiciais e Cartorários 2.139,02 Despesas de Lanches e Refeições 724,15 Despesas de Cont. P/Associações de Classe 344,13 Livros e Boletins Legislativos 1.613,33 Despesas de Armazenagem 642,96 TOTAL 1.248.140,38 Gastos com MÃO DE OBRA Salários 715.501,14 Encargos Sociais 305.565,82 Despesas com Alimentação 150.109,76 Assistência Médica 159.029,10 Provisão P/Férias e 13º Salário 158.081,98 TOTAL 1.488.287,80 Aluguéis Aluguel 582.808,21 Condomínio 148.347,90 TOTAL 731.156,11 A partir de tais montantes, a autoridade fiscal, levando em consideração a receita declarada pelas pessoas jurídicas que ocupavam o mesmo domicílio da autuada, determinou a matéria tributável, conforme demonstrativo abaixo (vide planilha de fls. 474). Fl. 649DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001807/2007-63 Acórdão n.º 1302-00.436 S1-C3T2 Fl. 4 7 DISPÊNDIOS SUBMETIDOS AO RATEIO ESPECIFICAÇÃO PARCELA DEDUTÍVEL PARCELA INDEDUTÍVEL (MATÉRIA TRIBUTÁVEL) OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS (1.248.140,38) 90.624,06 1.157.516,32 MÃO DE OBRA (1.488.287,80) 108.060,51 1.380.227,29 ALUGUÉIS (731.156,11) 53.087,25 678.068,86 TOTAL 3.215.812,47 VALORES EM R$ Em sede de impugnação, a contribuinte apresentou contestação, fundamentada, basicamente, nos seguintes aspectos: 1. ausência de comprovação, pela autoridade fiscal, de que as despesas rateadas não estariam relacionadas com as suas atividades, correspondendo, pois, a gastos de outras empresas; 2. utilização de critério equivocado para o rateio das despesas; e 3. necessidade de reconhecimento do direito das empresas que sublocavam o espaço à dedutibilidade das despesas rateadas. A contribuinte não ofereceu contestação quanto à falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro do real, de despesas indedutíveis no montante de R$ 5.002,62. A autoridade julgadora de primeira instância, apreciando os argumentos expendidos pela contribuinte, decidiu pela improcedência dos lançamentos. Nessa linha, resta consignado no voto condutor da referida decisão: ... 10- Primeiro, não se sabe de onde vieram os valores arrolados. De que se compõe cada rubrica indicada? Segundo, não foi analisado se cada uma das empresas obteve algum proveito com as despesas. Terceiro, o critério de rateio não é razoável. Qual a relação da receita bruta de cada empresa com as rubricas? No que se refere ao aluguel/condomínio o razoável seria o rateio proporcional ao espaço ocupado. 11- O lançamento, no entender de Aliomar Balleeiro (Direito Tributário Brasileiro. Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, p. 786 e 788), é: Fl. 650DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 "... um ato jurídico de aplicação da lei ao caso concreto, norma individual e pessoal de realização do Direito cujo conteúdo se manifesta na constatação, formalmente declarada, da ocorrência do fato jurídico, como tal aquele fato acontecido no tempo e no espaço, do qual se forma um conceito individual que se subsume ao conceito abstrato e genérico da hipótese normativa tributária, descrita em lei; O lançamento, como ato da Administração, configura o acertamento da pretensão fazendária, apto a torná-lo, certo e exigível." (destaquei) 12- A contrário senso do texto acima, o lançamento realizado não foi acertado, tornando-o inapto e incerto, ocasionando, portanto, sua inexigibilidade. Com o devido respeito, não vejo da mesma forma. Com efeito, a própria descrição dos fatos apurados pela autoridade autuante já oferece resposta ao primeiro quesito apontado na instância a quo, eis que, como se viu, os “valores arrolados” derivam de despesas apropriadas no resultado contábil apurado pela fiscalizada que, no entendimento da autoridade fiscal, parte pertenciam a outras empresas. Cuidou a autoridade fiscal de apontar cada uma das rubricas glosadas, esclarecendo, inclusive, que os valores correspondentes foram extraídos da declaração de informações (DIPJ) apresentada pela contribuinte à Receita Federal. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 472/473) e as planilhas de fls. 474 e 515, revelam, de forma clara, a origem e o montante de cada glosa efetuada, tanto que, quanto a isso, nenhuma reclamação foi feita por parte da contribuinte autuada. Antes de apreciar as demais questões trazidas pela autoridade julgadora de primeira instância, creio que seja oportuno analisar se, considerado os elementos carreados aos autos, encontram-se presentes circunstâncias que autorizem concluir que, de fato, a contribuinte fiscalizada suportou gastos que não contribuíram para a formação do seu resultado. Como já visto, na visão da Fiscalização, considerada a Declaração de Informações (DIPJ) apresentada à Receita Federal, parcela significativa dos dispêndios registrados em OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, nas linhas correspondentes a gastos com MÃO DE OBRA (salários, encargos sociais, despesas com alimentação, assistência médica, provisão para férias e décimo terceiro salário) e a ALUGUÉIS, deveriam ter sido objeto de rateio, visto que pertencentes ao conjunto de empresas ocupantes do espaço comum. Perscrutando os autos, não identifico, de fato, qualquer indicação, ainda que indireta, de que os gastos efetuados com PESSOAL tenha contemplado obrigação de pessoa jurídica diversa da fiscalizada. Diante de tal lacuna, entendo, na mesma linha da autoridade julgadora de primeiro grau, que a Fiscalização serviu-se de presunção para glosar as despesas apropriadas pela contribuinte. Não obstante, no que diz respeito a determinados gastos registrados em OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS e aos relacionados aos aluguéis, creio existir elementos nos autos capazes de dar suporte à imputação feita pela Fiscalização, senão vejamos: Fl. 651DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001807/2007-63 Acórdão n.º 1302-00.436 S1-C3T2 Fl. 5 9 - o domicílio da contribuinte (Av. Presidente Wilson nº. 231, 28º andar, PARTE), em conformidade com o documento de fls. 67/69, está representado por salões comerciais, cuja a área total alcança 1.511,57 metros quadrados; - de acordo ainda com o documento de fls. 67/69, o aluguel mensal devido pela contribuinte foi fixado em R$ 54.416,52, correspondendo a R$ 36,00 por metro quadrado; - às fls. 76, consta relação das empresas com sede no mesmo endereço da fiscalizada (sessenta e três empresas); - dos contratos de sublocação juntados ao processo (fls. 78/307), releva evidenciar os seguintes aspectos: em praticamente todos, inexiste indicação da área objeto de sublocação (em regra, a referida área é indicada como FRAÇÃO do imóvel); a sublocação abrangeu toda a estrutura existente, especialmente, telefone, divisórias, ar condicionado, estrutura elétrica e rede de computadores; os preços dos aluguéis podem ser considerados simbólicos (em média, R$ 100,00); a sublocadora (a fiscalizada) ficou obrigada a pagar as taxas de condomínio, de luz e de limpeza pública, ficando a sublocatária obrigada a reembolsar tais despesas juntamente com o aluguel; - a fiscalizada, livremente, abriu mão de receber os valores que lhe seriam devidos em razão das sublocações acima referenciadas, bem como do direito de propositura de qualquer ação judicial de cobrança, conforme documentos de fls. 308/366. Creio, pois, em divergência com o decidido na instância a quo, que encontram-se reunidos no presente processo elementos caracterizadores de gastos, apropriados pela empresa fiscalizada, que, por representarem despesas comuns às empresas que, juntamente com ela, ocupavam idêntico espaço, deveriam ter sido objeto de rateio. Nesse diapasão, identifico como de natureza comum as despesas relativas aos ALUGUÉIS PAGOS e, no que tange às registradas na DIPJ no item OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, as correspondentes aos gastos com ENERGIA; TELEFONES; REPAROS, CONSERVAÇÃO E LIMPEZA, MATERIAL DE LIMPEZA E HIGIENE; MANUTENÇÃO DE SISTEMAS; e LICENÇA DE USO DE SISTEMAS. Sustenta a autoridade julgadora de primeira instância que não foi analisado se cada uma das empresas obteve algum proveito com as despesas. Creio que a resposta a essa questão só poderia ser dada se os gastos comuns tivessem sido apropriados pelo denominado método direto de rateio, isto é, se tivesse sido possível mensurar quanto cada unidade monetária despendida concorreu, efetivamente, para a formação do resultado de cada uma dessas empresas. Não tendo sido elaborado pela contribuinte rateio de qualquer espécie, pois, apesar de intimada (fls. 469), nada foi apresentado, restou à autoridade fiscalizadora eleger um critério para determinar o montante que caberia a cada uma das empresas beneficiárias dos serviços custeados, na íntegra, pela OPPORTUNITY GESTORA DE RECURSOS LTDA. Tendo a autoridade fiscal adotado como critério a receita bruta declarada, sustenta a decisão de primeira instância que tal critério não é razoável. Nessa linha, indaga qual a relação da receita bruta de cada empresa com as rubricas. Adita que, em relação ao aluguel e ao condomínio, o razoável seria fazer o rateio proporcional ao espaço ocupado. Fl. 652DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Pedindo licença mais uma vez, acredito que a utilização do espaço ocupado por cada uma das empresas, ao contrário do sustentado, revelaria critério absolutamente impróprio, vez que, ainda que se desconsidere o fato de que esse dado não estava disponível (como já foi dito, a quase totalidade dos contratos de sublocação não indica a área ocupada pelos sublocatários), a instalação de sessenta e quatro empresas em uma área de mil e quinhentos metros quadrados deixa clara a utilização de um mesmo espaço por mais de uma dessas empresas. Esse fato, inclusive, qual seja, uma área de mil e quinhentos metros quadrados servindo de sede para sessenta e quatro empresas, constitui elemento adicional de comprovação da utilização de serviços comuns. Tratando-se de despesas operacionais normais e usuais (aluguéis, energia, telefone, etc.), resta fora de dúvida a sua indissociabilidade com as fontes produtoras de rendimentos das empresas envolvidas, sendo imprópria, portanto, a indagação feita pela autoridade julgadora de primeira instância. Quanto ao critério utilizado (receita bruta), na mesma linha do discorrido pela contribuinte autuada em sua peça de defesa, é cediço que, inexistentes meios que possibilite promover o rateio pelo critério direto, deve-se buscar alternativas que possibilitem mensurar o ônus efetivo de cada uma das empresas envolvidas. Releva destacar que a utilização do faturamento como meio para imputação e repartição de gastos comuns, constitui método usualmente aplicado, sendo, inclusive, reiteradamente mencionado na literatura autorizada. Com efeito, Edmar Oliveira Andrade Filho 2 , abordando a matéria, esclarece: ... É comum que empresas de um mesmo grupo ou conglomerado econômico compartilhem bens e serviços adquiridos de terceiros. Em tais circunstâncias uma empresa, normalmente uma sociedade holding, adquire bens e serviços que beneficiam a si e a outras empresas, de modo que estas efetuam o ressarcimento do valor suportado por aquela. Em tais circunstâncias, as despesas, se necessárias, normais e usuais, são perfeitamente dedutíveis, desde que o critério de rateio seja razoável. Esses critérios de rateio podem ser feitos de forma direta, isto é, com base em tempo de utilização de recursos humanos e materiais etc., e podem levar em conta critérios indiretos, como o faturamento, o patrimônio líquido etc. (GRIFEI) Alberto Xavier 3 , por sua vez, indica, como métodos de rateio, os seguintes: ... a) O método da repartição de custos, que consiste na imputação e repartição dos custos entre as empresas associadas com base numa estimativa das vantagens decorrentes, para cada uma, de tais despesas; 2 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Imposto de Renda das Empresas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p. 161. 3 XAVIER, Alberto Pinheiro. Aspectos Fiscais de "coast-sharing agreement". Revista Dialética de Direito Tributário, nº 23, p. 8, ago. 1997. Fl. 653DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001807/2007-63 Acórdão n.º 1302-00.436 S1-C3T2 Fl. 6 11 b) O método de financiamento do custo ou da fórmula fixa de repartição, que consiste na imputação e repartição dos custos entre as empresas associadas com base num elemento de natureza geral de atividade das empresas interessadas, via de regra, o volume de negócios ou faturamento; c) O método da margem de lucro consistente em aplicar uma margem de lucro, quem inclua as despesas centrais, ao preço dos produtos vendidos pela Sociedade-Mãe às afiliadas. (GRIFEI) Nas circunstâncias retratadas nos autos, em que se observa ausência de utilização de qualquer método de rateio por parte da empresa fiscalizada e em que sessenta e quatro empresas encontram-se ocupando um espaço de mil e quinhentos metros quadrados, a utilização do faturamento como critério para determinação da parcela de dispêndios que deveria ter sido apropriada por cada uma das beneficiárias dos gastos comuns, revela-se, a meu ver, razoável e racional. Cabe notar, ainda, que a autuação aqui tratada teve por objeto glosa de despesas que, por terem sido consideradas como de natureza comum, isto é, por terem beneficiado, além da empresa fiscalizada, outras sessenta e três empresas, deveriam ter sido rateadas com todos os que delas se aproveitaram. Nessa linha, definido, de ofício, o critério de rateio e quantificados os valores que efetivamente a empresa fiscalizada poderia apropriar na apuração do seu resultado, as diferenças (representativas das glosas efetuadas pela autoridade fiscal) revelam-se, indubitavelmente, despesas não necessárias, cuja dedutibilidade é vedada pela legislação tributária. Nesse diapasão, descabe discutir, ao menos no presente processo, a eventual dedução, por parte das demais empresas, das despesas operacionais glosadas. Assim, servindo-me, por meio de proporção, dos percentuais de faturamento indicados na planilha de fls. 474, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para manter os lançamentos tributários sobre as parcelas abaixo descritas, devendo-se promover, para a apuração dos montantes devidos, a compensação de eventuais saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa. R$ 670.919,07 – OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS R$ 678.068,86 – ALUGUÉIS Wilson Fernandes Guimarães - Relator Fl. 654DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Fl. 655DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 06/01/2011 14:55:26. Documento autenticado digitalmente por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 06/01/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 06/01/2011 e WILSON FERNANDES GUIMARAES em 06/01/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1018.10023.CBOS Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 00DE6B152E0F8F118D137C2ECD9EC03079F97952 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18471.001807/2007-63. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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