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Numero do processo: 13334.000163/95-61
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CORREÇÃO DE INSTÂNCIA - O julgamento da manifestação de inconformidade do contribuinte com a decisão do Delegado da Receita Federal que declarar procedente o Aviso de Cobrança é do Delegado da Receita federal de julgamento, ainda que manifestada sob a forma de recurso ao Conselho de Contribuintes, impondo-se, em face disso, o não conhecimento do apelo e a correção da instância.
Numero da decisão: 107-04529
Decisão: P.U.V, ENCAMINHAR OS AUTOS À DRJ EM FORTALEZA-CE, PARA QUE A PETIÇÃO SEJA APRECIADA COMO IMPUGNAÇÃO.
Nome do relator: Carlos Alberto Gonçalves Nunes
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score : 1.0
Numero do processo: 13119.000224/95-16
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2000
Ementa: ITR- IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ERRO NO PREENCHIMENTO.
Diante da constatação de erro com relação ao VTN declarado e com base no princípio da verdade material e da oficialidade, deve ser adotado o VTNm fixado na IN SRF 16/95 para o município do imóvel em questão.
MULTA DE MORA.
Inexigível, em face da impugnação tempestiva do lançamento, bem como de recurso regular que suspendem a exigibilidade do crédito.
JUROS DE MORA.
São devidos, por não se tratar de Solicitação de Retificação de Lançamento (ADN nº 5/94), nem de penalidade, não existindo previsão legal para sua dispensa.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 301-29501
Decisão: Por maioria de votos, deu-se provimento parcial ao recurso nos termos do voto da conselheira relatora. Vencidos os conselheiros Moacyr Eloy de Medeiros e Paulo Lucena de Menezes, que davam provimento integral.
Nome do relator: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO
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ementa_s : ITR- IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ERRO NO PREENCHIMENTO. Diante da constatação de erro com relação ao VTN declarado e com base no princípio da verdade material e da oficialidade, deve ser adotado o VTNm fixado na IN SRF 16/95 para o município do imóvel em questão. MULTA DE MORA. Inexigível, em face da impugnação tempestiva do lançamento, bem como de recurso regular que suspendem a exigibilidade do crédito. JUROS DE MORA. São devidos, por não se tratar de Solicitação de Retificação de Lançamento (ADN nº 5/94), nem de penalidade, não existindo previsão legal para sua dispensa. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
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Diante da constatação de erro com relação ao VTN declarado e com base no principio da verdade material e da oficialidade, deve ser adotado o VTNm fixado na IN SRF 16/95 para o município do imóvel em questão. MULTA DE MORA. Inexigível, em face da impugnação tempestiva do lançamento, bem como de recurso regular que suspendem a exigibilidade do crédito. JUROS DE MORA. São devidos, por não se tratar de Solicitação de Retificação de Lançamento (ADN n° 5/94), nem de penalidade, não existindo previsão legal para sua dispensa. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Moacyr Eloy de Medeiros e Paulo Lucena de Menezes que davam provimento integral. Brasília-DF, em 05 de dezembro de 2000 M • - OY DE MEDEIROS Presidente .7.0b€41:1 ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO Relatora 05 NOV 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: LEDA RUIZ DAMASCENO, FRANCISCO JOSÉ PINTO DE BARROS, LUIZ SÉRGIO FONSECA SOARES, CARLOS HENRIQUE ICLASER FILHO e MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ Ime MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.960 ACÓRDÃO N° : 301-29.501 RECORRENTE : MANOEL DE LIMA XAVIER • RECORRIDA : DM/BRASÍLIA/DF RELATOR(A) : ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO RELATÓRIO Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento (fls. 02) para exigência do Imposto sobre a Propriedade Territorial ORural (ITR) e contribuições sindicais do empregador, exercício de 1994, no montante de 3.200,18 UFIR. Inconformado com o valor exigido, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 01), anexando os documento de fls. 02 a 18, e alegou valor elevado do VTN na declaração de informação do ITR 94: A Autoridade de Primeira Instância julgou procedente a ação fiscal, conforme ementa a seguir descrita: "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL EXERCÍCIO 1994. Só é admissivel a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, antes de notificado o lançamento § 1°, do art. 147, da Lei n°5.172/66." O Irresignado, o contribuinte anexou ao recurso laudo do engenheiro agrónomo segundo o qual o Valor da Terra Nua é de 219.851,65 UFIR e alegou: - a autoridade julgadora de primeira instância laborou em equívoco. O contribuinte não apresentou declaração retificadora, serviu-se de instrumento processual adequado para instaurar a lide, conforme o art. 14, do Decreto n° 70.235/72; - a impugnação é uma das hipóteses elencadas no art. 145 para alterar administrativamente o lançamento. Em restando ai provado elemento desconhecido, inexato ou omitido no lançamento, imperiosa a alteração da exigência pela autoridade incumbida da administração tributária ou do julgamento da lide; - exigir imposto, portanto, em situação que foge à realidade imponível, como é o caso de dados erroneamente declarados, fere frontalmente o princípio da legalidade, estabelecido no inciso II, do art. 5° e no inciso 1, do art. 150, da Constituiçãont_ 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° 120.960 ACÓRDÃO N° : 301-29.501 Federal, e art. 97, inciso II combinado com o § 1 0 do Código Tributário Nacional; - o Ato Declaratório (Normativo) n° 5, estabelece critério diverso para contribuintes em situação idêntica; então por que o tratamento discriminatório a contribuintes que optam pela impugnação? - de acordo com os dizeres dos artigos 151, III e 161, do Código CO Tributário Nacional, depreende-se que só são devidos juros e penalidades após o vencimento do crédito tributário, isto é, sua aplicação só é possível estando o contribuinte inadimplente; - no ITR, diferentemente do Imposto sobre a Renda, a inadimplência somente ocorre após 30 dias contados da data em que o contribuinte tenha sido notificado do lançamento; - seja acatado como base de cálculo do imposto, o Valor da Terra Nua diminuído do montante isento, apurados segundo os elementos constantes do Laudo Técnico; - para o cálculo da porcentagem de utilização, com vistas à determinação da aliquota incidente, seja considerada a área total do imóvel de 1.735,00 hectares e as áreas apuradas no Laudo Técnico: de preservação permanente, de pastagens nativas, de opastagens plantadas/melhoradas, de culturas temporárias e ocupadas com benfeitorias; - Como indevidos os juros de mora e a multa de mora que a Administração enseja cobrar. É o relatório. 3C 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.960 ACÓRDÃO N° : 301-29.501 VOTO O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O processo trata de exigência de ITII, por ter o contribuinte declarado o VTN de 1.048.621,30 UFIR, enquanto que o VTN tributado foi de 1.048.621,16 o É importante ressaltar que o valor declarado é maior do que 461.995,80 UFIR, equivalente ao VTNm fixado na IN 16/95 para o município de Crixás de 266,28 UFIR/ha X 1.735 ha. É importante esclarecer que as razões do recurso se baseiam no laudo de avaliação apresentado somente na fase recursal. Inicialmente,cumpre observar o disposto no § 4°, do art. 3°, da Lei n° 8.847/94. "§ 4°. A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional habilitado o Valor da Terra Nua mínimo - VTNm, que vier a ser questionado pelo contribuinte." Conforme se verifica, a autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo - VTNm, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou profissional devidamente habilitado, elaborado nos moldes da NBR 8.799 da ABNT. Temos que o laudo em questão, no que se refere á pesquisa de valores atribui um valor aleatório a cada parte identificada, sem nenhuma comprovação de como se chegou àqueles valores, não servindo como prova documental o Valor da Terra Nua de 219.851,65 UFIR, apresentado no laudo, para fins de revisão do VTN mínimo. No caso, apesar de o laudo apresentado (fls. 50/69) ter sido emitido por profissional habilitado (engenheiro agrônomo), não atende aos requisitos legais, especificados na NBR 8.799/85, ou seja, o laudo está incompleto por não constar a pesquisa de valores, determinada no item 10. 2 letra "g" nem o anexo da referida pesquisa também determinada na letra "n" da NBR 8.799/85. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.960 ACÓRDÃO N° : 301-29.501 Por outro lado, constata-se que a base de cálculo por hectare na notificação de lançamento, em questão, é muito superior ao VTN mínimo fixado pela INS/RF 16/95, para os imóveis situados no município de Crixas/GO. Sobre esta mesma questão, convém destacar que o Conselho de Contribuintes tem anulado as decisões de primeira instância que não apreciam as razões de impugnação, mas as fortes razões apresentadas pelo Ilustre Conselheiro Luiz Sérgio Fonseca Soares, no recurso de n° 121.246 me convenceram a adotar o mesmo posicionamento, que transcrevo a seguir: "Mas pelo princípio da economia processual, pelo disposto no § 3 0, inciso II, do art. 59, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pela Lei 8.748/93, e pela razões a seguir expostas, passo à análise do mérito da lide. Não há no processo, elementos que justifiquem a valoração do imóvel em quantidade tão superior ao valor fixado na norma legal, sendo essa discrepância exagerada, por si só, prova de que o valor declarado, que serviu de base para o lançamento, estava errado. Constatado o erro no preenchimento da declaração, é obrigação da autoridade administrativa rever o lançamento de forma a adequá-lo aos elementos faticos reais." Desta forma, entendo que diante da constatação de erro com relação ao VTN declarado e com base no princípio da verdade material e da oficialidade, deve ser adotado o VTNm fixado na IN SRF 16/95 para o município do imóvel em questão. CS Com relação aos juros de mora. No caso dos juros, de acordo com o Ato Declaratório Normativo n° 5/94, a suspensão do crédito tributário em razão de Solicitação de Retificação de Lançamento - SRL, somente incide a atualização monetária, enquanto que a suspensão através de impugnação, incide juros de mora sobre o valor atualizado. Este entendimento está correto, uma vez que admite-se a Solicitação de Retificação de Lançamento somente quando decorre de erro de fato, para as situações relacionadas na Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT n° 01, de 1995, baseado em documentos hábeis, ou seja quando não existe discussão e o erro foi comprovado sem necessidade do litígio. Conforme se verifica, não se trata de erro de fato, pois não existe nenhuma das situações relacionadas na referida norma de execução, trata-se portanto, de processo de impugnação, em que a discussão existe e se instaura a fase litigiosa para o julgamento de primeira instância, no qual incidirá os juros de mora sobre o valor atualizado. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 120.960 ACÓRDÃO N° : 301-29.501 Por sua vez, o art. 161, do Código Tributário Nacional, assim estabelece: "O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta... (grifo nosso)". Com relação à multa de mora. É importante destacar que já é pacífico o entendimento de que a multa moratória é indevida por ocasião da cobrança do ITR, cuja exigibilidade encontrava-se suspensa, por força do disposto no inciso III, do art. 151, do Código Tributário Nacional no Acórdão CSRF/02.751, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Desta forma, entendo que só serão devidos os juros de mora. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para que seja recalculado o valor do ITR e os juros de mora, com base no Valor da Terra Nua mínimo fixado na IN 16/95, para o município de Crixás, e que se exclua a multa de mora. Sala das Sessões, em 05 dezembro de 2000 o Pcbeit tri it ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO - Relatora 6 ./a-i MINISTÉRIO DA FAZENDA !!. -t Y''' TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '41413:9",' PRIMEIRA CÂMARA- ,...- Processo tf: 13119.000224/95-16 Recurso n°: 120.960 TERMO DE INTIMAÇÃO e Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Primeira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 301.29.501. Brasília-DF, 1ZSET 2001' Atenciosamente, _ oy de Medeiros Presidente da Primeira Câmara P Ciente em g) 1! 0, n3i / - - - ), Atei to puir Inutnj(./ . . Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13608.000202/99-50
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2002
Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. SEMESTRALIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. COMPENSAÇÃO. OUTROS TRIBUTOS. O prazo prescricional para a restituição de tributos considerados inconstitucionais tem por termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da lei em que se fundamentou o gravame. Até o advento da Medida Provisória nº 1.212/95, a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. A atualização monetária, até 31/12/95 dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR Nº 8, DE 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. É possível a compensação de valores recolhidos a título de PIS com as demais exações administradas pela SRF. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 202-14325
Decisão: I) Por unanimidade de votos: a) acolher a preliminar para afastar a decadência; b) deu-se provimento parcial ao recurso, quanto à semestralidade, nos termos do voto do relator; e II) pelo voto de qualidade negou-se provimento ao recurso, quanto aos expurgos. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar (relator), Eduardo da Rocaha Schmidt, Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Designado o Conselheiro Antônio Carlos Bueno Ribeiro para redigir o Acórdão.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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Segundo Conselho de Contribuintes •-,--, . -• Processo n° : 13608.000202/99-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 Recorrente : INDÚSTRIAL, SÃO SEBASTIÃO S/A Recorrida : DRJ em Belo Horizonte - MG PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. SEMESTRALIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. COMPENSAÇÃO. OUTROS 1 TRIBUTOS. O prazo prescriciortal para a restituição de tributos considerados inconstitucionais tem por termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da lei em que se fundamentou o gravame. Até o advento da Medida Provisória n° 1.212/95, a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 8, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95. É possível a compensação de valores recolhidos a titulo de PIS com as demais exações administradas pela SRF. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: INDÚSTRIAL SÃO SEBASTIMI) S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: I) por unanimidade de votos: a) em acolher a preliminar para afastar a decadência; b) em dar provimento parcial ao recurso, quanto a semestralidade, nos termos do voto do Relator; e II) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto aos expurgos. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar (Relator), Eduardo da Rocha Schmidt, Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Designado o Conselheiro Antônio Carlos Bueno Ribeiro para redigir o acórdão. Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2002 41;,, (2_, e -'------- enrique Pinheiro orres Presidente ...„„,,e------ AntLit,..-(..,.- ._ „... -. ... u - no •• - • eiro • ..Itor-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Adolfo Montelo e Ana Neyle Olímpio Holanda. cl/opr 1 • r CC-MFMinistério da Fazendait. Fl.Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13608..000202199-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 Recorrente : INDÚSTRIAL SÃO SEBASTIÃO S/A RELATÓRIO Apresentou o Recorrente em 26/07/1999 pedido administrativo de compensação de valores relativos à Contribuição para o PIS com débitos relativos às demais contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, decorrentes de recolhimentos tributários a maior para o período de 02/1989 a 1 1 /1 995. Encaminhado seu pedido ã Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte - MG, restou ali decidido que: - os valores relativos a períodos anteriores a 26/07/1994, ou seja, cinco anos anteriores à protocolização do pedido, estariam alcançados pela decadência, não podendo, em qualquer caso, ser ressarcidos; - a LC 7/70 tem, neste caso, aplicação até o período de apuração correspondente ao mês de setembro de 1995. A partir de outubro de 1995, passa a viger a IVIP n° 1.212/95; - dos dois itens anteriores temos que são passíveis de análise: o pedido compreendido entre julho de 1 994(pagamento efetuado em agosto de 1994); e o mês de setembro de 1 995(pagamento efetuado me outubro de 1995). A alíquota a considerar no período é de 0,75%. Face o exposto, restou indeferido seu pedido, o que ensejou a apresentação da manifestação de inconformidade de fls. 165/179, na qual alega a contribuinte acerca da sistemática da semestralidade do PIS e tece comentários acerca da decadência e prescrição do crédito tributário. Os autos são então remetidos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, onde é prolatada a decisão que segue assim ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/1989 a 30/04/1999 Ementa: BASE DE CÁLCULO — LEGISLAÇÃO POSTERIOR AOS DECRETOS-LEI 2.445/88 E 2.449/88 — PRAZO DE VENCIMENTO. Os atos legais relacionados com o PIS, interpretados em consonância com a Lei Complementar n° 07, de 1970, independentemente da data em que tenham sido expedidos, continuam plenamente em vigor, sendo incabível a interpretação de que tal contribuição deva ser calculada com base no !aturamento do sexto mês anterior. 2 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13608.000202/99-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14325 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1989 a 30/06/1994 Ementa: DECADÉNCL4. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA". Ainda, a decisão da DRJ repele a aplicação de índices de correção que não os da Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR n° 08/97. Irresignada, recorre a contribuinte a este Egrégio Conselho. É o relatório. 5 II 3 2° CC-MF ••• Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes -; • Cr. Processo n° : 13608.000202/99-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão no : 202-14.325 VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO-RELATOR GUSTAVO 10ELLY ALENCAR Verifico, ah initio, que o presente recurso é tempestivo e trata de matéria de competência deste Egrégio Conselho. Logo, do mesmo conheço. Cinge-se a questão aqui tratada à metodologia legal de apuração do PIS à luz da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n"s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e à sistemática relativa à prescrição, à decadência de créditos tributários. Vejamos. DO PRAZO DE PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA PARA A REPETIÇÃO DO INDÉBITO DE TRIBUTOS PAGOS INDEVIDAMENTE Por tratar-se de questão prejudicial às demais questões aqui em discussão, cumpre analisar a mesma em primeiro lugar. O indébito aqui tratado decorre de declaração de inconstitucionalidade, ocorrida em caráter erga omnes, de dispositivos legais que modificaram significativamente a sistemática de apuração e recolhimento da contribuição para o Programa de interação Social - PIS. Ao considerar prescritos todos os recolhimentos efetuados pela contribuinte anteriormente aos cinco anos anteriores à protocolização do pedido de restituição via compensação -, a decisão recorrida fu.ndarnentou-se principalmente no Ato Declaratório SRF n° 096/99, que considera como dies a guo do prazo prescricional relativo a pedidos de restituição de tributos pagos indevidamente, com base em lei posteriormente declarada inconstitucional, a data de extinção do crédito tributário, nos termos dos artigos 165, I e 1 68, I, do CTN. Contudo, tal entendimento vai de encontro não só aos efeitos práticos da declaração de inconstitucionalidade das normas, mas também ao próprio conceito de "extinção do crédito tributário". Vejamos: Quando a Suprema Corte declara a inconstitucionalidade de determinada norma está, por assim dizer, agindo como autêntico legislador negativo. Em sua obra Direito Constitucional e Teoria da Constituição', assim assevera J.J. Gomes Canotilho: "...no caso de sentenças judiciais de inconstitucionalidade estamos perante sentenças judiciais com força de lei (Richterrecht mil Gesetzeskraft)." O Ilustre Jurista Marco Aurélio Greco, em novel obra recém publicada, assim dispõe sobre a declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Supremo Tribunal Federal: CANOTILHO, J.J. Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição, 4 Edição. Almedina : Coimbra 2000, p. 994 4 J9.5" CC-MF -r• . Ministério da Fazenda s., • Segundo Conselho de Contribuintes Fl. 4s-ktelne "S4--1.&1.• Processo n° 13608.000202/99-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 "(..)Isto pois a pronúncia de invctlidade constitucional de uma norma tem, como regra geral, efeito constitutivo retroativo, vale dizer, é juizo que retira a presunção de validade da norma ou reconhece a sua invalidade de forma definitiva, fazendo retroagir os efeitos de tal decisão até o momento de edição da norma, no sentido de reparar todos os atos praticados sob a sua égide, desde que lesivos a direitos individuais, já que a inconstitucionalidade de uma norma não pode servir para beneficiar o próprio Estado que produziu tal norma. Esta, aliás, é a linha jurisprudencial adotada pelo Supremo Tribunal Federal para amainar o efeito retroativo das declarações de inconstitu- cionalidade. O efeito retroativo não se dirige à existência da norma, mas à sua validade. Ou seja, a declaração de inconstitucionalidade não implica afirmar que a norma nunca existiu. Pelo contrário, esta decisão, em si, já é o expresso reconhecimento de que a norma existiu até o momento em que teve sua validade retirada pelo Supremo Tribunal .Federal. (..r2 Isto posto, ainda que à primeira análise tenha-se a - válida, ressalte-se - idéia de se vincular a repetição do indébito tributário estritamente às normas do Código Tributário Nacional, como pretende a decisão recorrida, amparada pela orientação Fazendária, fazê-lo é um contra-senso à realidade prática, vez que as normas gerais de direito tributário previstas no referido dispositivo prevêem sua aplicação a normas acessórias válidas e plenamente eficazes, o que não ocorre no caso de dispositivos declaradamente inconstitucionais. Desta forma, a aplicação hermética e singular do disposto nos artigos 165 e 168 do CTN à repetição do indébito tributário decorrente de declaração de inconstitucionalidade se mostra incabível na espécie. Deve-se, ao contrário, analisar-se a natureza jurídica do referido indébito, qual seja, a própria declaração de inconstitucionalidade, a fim de que se obtenha a correta aplicação da realidade jurídica à realidade fática. Para tal, há que se verificar dois momentos, quais sejam, o pagamento em si, e o instante em que o mesmo se toma indevido, vez que, ao ser realizado, em observância formal e material à legislação vigente á época, o mesmo era estritarnente legal e produziu efeitos no mundo jurídico, vindo a perder este status somente após a decisão que retirou a validade da norma que o regia. E ajurisprudência administrativa não se posiciona de forma diversa: "Em matéria de tributos declarados inconstitucionais, o termo inicial de contagem da decadência não coincide com o dos pagamentos, devendo tomá- lo, no caso concreto, a partir da Resolução n° 11. de 04 de abril de 1995, do Senado Federal, que deu efeitos — erga omnes - à declaração dei 2 GRECO, Marc Aurélio - Inconstitucionalidade da Lei Tributária - Repetição do indébito. São Paulo : Dialética, 2002. p. 33 5 J (1-6 r CC-MF Ministério da Fazenda tt Segundo Conselho de Contribuintes Fl. ^ , Processo n° : 13608.000202/99-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 inconstitucionalidade da pela Suprema Corte no controle difuso de constitucionalidade." Primeiro Conselho de Contribuintes — Ac. N° 107-05962, Rel. Cons. Natanael Martins, DOU, 23/10/2000, p. 9. E, por fim, a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Decadência. Pedido de Restituição. Termo Inicial Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIn; b) da Resolução do Senado que confere efeito 'erga omnes ' à decisão proferida 'inter partes' em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária." Ac. CSRF/01-03.239, sessão de 19 de março de 2001. Tal posição inclusive é amparada pela própria Secretaria da Receita Federal, através do Parecer Cosit n° 58/98, o qual afirma: "25. Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável: que, no caso, o crédito(restituição) seja exigível. Assim, antes da lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, até então, por presunção, eram a lei constitucional e os pagamentos efetuados efetivamente devidos." Assim, parece-nos confirmada nossa posição no sentido de que não se deve ater-se somente aos elementos contidos no CTN, devendo-se observar também os elementos acima elencados quando da verificação do termo inicial do prazo para pleitear-se a restituição de tributos pagos indevidamente. Outrossim, ainda que se desconsiderasse o termo inicial da perda de eficácia da norma inconstitucional, analisando-se somente a questão pelo segundo prisma citado — o conceito de "extinção do crédito tributário" -, verificar-se-ia que, no caso de tributos lançados por homologação, o pagamento por si só não extingue o crédito, pois o mesmo ainda depende de homologação, expressa ou tácita, por parte do ente arrecadador, para que produza efeitos no mundo jurídico. 6 • CCMF Ministério da Fazenda Fl.-;Or Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13608.000202199-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 Vê-se então que o próprio CTI•1 não dá validade à alegação fazendária de que o prazo consiste em "cinco anos contados do pagamento indevido", remetendo-nos novamente à unicidade do entendimento jurisprudencial que dispõe sobre o prazo para se pleitear a restituição de tributos pagos indevidamente. DA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO PIS A contribuição para o PIS foi instituída pela Lei Complementar n° 7, de 1970, sob a égide da Constituição de 1967 com a Emenda Constitucional de 69. A referida Lei em seu artigo 60 prevê que: "A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea "h " do artigo 3° será processada mensalmente a partir de 1° de julho de 1971. Parágrafo único — A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente." Entretanto, com o surgimento dos Decretos-Leis n's 2.445 e 2.449, ambos de 1988, modificou-se sensivelmente a sistemática de apuração e recolhimento da referida contribuição para as empresas em geral, que passa a ter como base de cálculo o valor da receita bruta operacional no mês anterior, com alíquota inicial de 0,65%. Posteriormente, com a declaração formal de inconstitucionalidade dos mesmos e a suspensão de sua execução determinada pelo Senado Federal, voltou a viger a sistemática anterior, regulada pela citada Lei Complementar n° 7/70 — sobre isto não resta divergência. Contudo, como o legislador ordinário por diversas vezes editou dispositivos que teriam, em tese, alterado os elementos do tributo individualizados pela Lei complementar n° 7/70, aqueceu-se a celeuma acerca da contribuição para o PIS, vindo a esfriar somente após a Edição, em 29 de novembro de 1995, da Medida Provisória n° 1.2 12/95, que assim dispõe em seu artigo 2°: "A Contribuição para o P1S/Pasep será apurada mensalmente: 1 - pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhe são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês." A controvérsia então compreende o período de outubro de 1988 a novembro de 1995, período no qual incidem os valores recolhidos pela contribuinte, e que são objeto do pedido de restituição via compensação ora em exame. Vejamos: De acordo com o entendimento fazendário, expressado precipujmente pelo Parecer PGFN/CAT n°437/98, deve a matéria ser regulada da seguinte forma: 7 _ _ J98' CC-MF Ministério da Fazenda Fl. ',.tr--1,-n4 Segundo Conselho de Contribuintes - • Processo n° : 13608.000202/99-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 10. A suspensão da execução dos Decretos-leis em pauta em nada afeta a permanência do vigor pleno da Lei Complementar n° 7/70. (.) 7. É certo que o artigo 239 da Constituição de 1988 restaurou a vigência da Lei Complementar n° 07/70, mas, quando da elaboração do Parecer PGFV/N° 1185/95 (novembro de 1995), o sistema de cálculo da contribuição para o PIS, disposto no parágrafo único do art. 6° da citada Lei Complementar, já fora alterado, primeiramente pela Lei n° 7.691, de 15/12/88, e depois, sucessivamente, pela Leis es 7.799, de 10/07/89, 8.218, de 29/08/91, e 8.383, de 30/12/91. Portanto, a cobrança da contribuição deve obedecer à legislação vigente na época da ocorrência do respectivo fato gerador e não mais ao disposto na LC n°7/70. 46. Por todo o exposto, podemos concluir que: 1— a Lei 7.691/88 revogou o parágrafo único do art. 6° da LC n° 07/70; não sobreviveu portanto, a partir dai, o prazo de seis meses, entre o fato gerador e o pagamento da contribuição, como originariamente determinara o referido dispositivo; — não havia, e não há, impedimento constitucional á alteração da matéria por lei ordinária, porque o PIS, contribuição para a seguridade social que é, prevista na própria Constituição, não se enquadra na exigência do § 4° do art. 195 da CF, e assim, dispensa lei complementar para a sua regulamentação; (-) — em decorrência de todo o exposto, impõe-se tornar sem efeito o Parecer PGFN/n° 1185/95." Em que pese o entendimento da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, discordo de seu teor quanto à alegada revogação do parágrafo único do artigo 6° da LC n° 7/70 trazida pela Lei n° 7.691/88, e para isto transcrevo trecho do voto vencedor emitido pela Ilma. Conselheira Maria Teresa Martinez López, Relatora do Recurso RD/201-0.337, da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 05 de junho de 2000, ao qual fora dado provimento por unanimidade, entendimento este que ora adoto: " (..) Em primeiro lugar, ao analisar a citada Lei n° 7.691/88, verifico a inexistência de qualquer preceito legal dispondo sobre a mencionada revogação. Em segundo lugar, a Lei n° 7.691/88 tratou de matéria referente à correção monetária, bem distinta da que supostamente teria revogado, ou seja, ir 8 9 r CC-MF -• ;- Ministério da Fazenda Fl. !r̀ ir,':.3t? Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13608.000202/99-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 "base de cálculo" da contribuição. Além do que, em terceiro lugar, quando da publicação da Lei n° 7.691/88, de 15/12/88, estavam vigente, sem nenhuma suspeita de ilegalidade, os Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88, não havendo como se pretender que estaria sendo revogado o dispositivo da lei complementar que cuidava da base de cálculo da exação, até porque, à época, se tinha por inteiramente revogado a referida lei complementar, por força dos famigerados decretos-leis, somente posteriormente julgados inconstitucionais. O mesmo aconteceu com as leis que vieram após, citadas pela respeitável Procuradoria(n's 7.799/89, 8.218/91 e 8.383/91), ao estabelecerem novos prazos de recolhimento, não guardando correspondência com os valores de suas bases de cálculo. A bem da única verdade, tenho comigo que a base de cálculo do PIS somente foi alterada, passando a ser o faturamento do mês anterior, quando da vigência da Medida Provisória n° 1.212/95, retromencionada. Por outro lado, sustenta a Fazenda Nacional que o Legislador, através da Lei Complementar n°07/70, não teria tratado da base de cálculo da exação, e sim, exclusivamente, do prazo para seu recolhimento. Com efeito, verifica-se, pela leitura do artigo 6° da Lei Complementar n°07/70, anteriormente reproduzido, que o mesmo não está cuidando do prazo de recolhimento e, sim, da base de cálculo. Aliás, tanto é verdade que o prazo de recolhimento da contribuição só veio a ser fixado com o advento da Norma de Serviço CEF-PIS n° 2, de 27 de maio de 1971, a qual, em seu artigo 3°, expressamente dispunha o seguinte: "3 — Para fins da contribuição prevista na alínea "b", do § 1°, do artigo 4° do Regulamento anexo à Resolução n° 174 do Banco Central do Brasil, entende-se por faturamento o valor definido na legislação do imposto de renda, como receita bruta operacional (artigo 157, do Regulamento do Imposto de Renda), sobre o qual incidam ou não impostos de qualquer natureza. 3.2 — As contribuições previstas neste item serão efetuadas de acordo com o §1 0 do artigo 7°, do Regulamento anexo à Resolução n° 174, do Banco Central do Brasil, isto é, a contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro e assim sucessivamente. 3.3 - As contribuições de que trata este item deverão ser recolhidas à rede bancária autorizada até o dia 10(dez) de cada mês." Claro está, pelo acima exposto, que, enquanto o item 3.2 da Norma de Serviços cuidou da base de cálculo da exação, nos exatos termos do artigo 6° da Lei Complementar n°07/70, o item 3.3 cuidou, ele sim, especificamente do prazo para seu recolhimento." 9 0200 • CC-MF -• e- ;e Ministério da Fazenda A f•tir Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n° : 13608.000202/99-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 Não bastasse a exposição supratranscrita, que esgota por si só o tema, a jurisprudência da Corte Superior também já se posicionou acerca da matéria inúmeras vezes, em decisões similares ao trecho de ementa abaixo transcrito: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. LC N°07/70. CORREÇÃO MONETÁRIA. LEI 7.691/88. ÔNUS SUCUMBENCLUS. RECIPROCIDADE E PROPORCIONALIDADE. INTELIGÉNCIA DO ART. 21, CAPUZ: DO CPC. 1 - A I° Turma, desta Corte, por meio do Recurso Especial n° 240.938/RS, cujo acórdão foi publicado no DJU de 10/05/2000, reconheceu que, sob o regime da LC 07/70, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador do PIS constitui a base de cálculo da incidência. 2 - A base de cálculo do PIS não pode sofrer atualização monetária sem que haja previsão legal para tanto. A incidência de correção monetária da base de cálculo do PIS, no regime semestral, não tem amparo legal. A determinação de sua exigência é sempre dependente de lei expressa, de forma que não é dado ao Poder Judiciário aplicá-la, uma vez que não é legislador positivo, sob pena de determinar obrigação para o contribuinte ao arrepio do ordenamento jurídico-tributário. Ao apreciar o SS n° 1853/DF, o Ermo. Sr. Ministro Carlos Velloso, Presidente do STF, ressaltou que "A jurisprudência do STF tem-se posicionado no sentido de que a correção monetária, em matéria fiscal, é sempre dependente de lei que a preveja , não sendo facultado ao Poder Judiciário aplicá-la onde a lei não determina, sob pena de substituir-se ao legislador (V: RE n° 234003/RS, Rd Min. Mauricio Corrêa: DJ 19.05.2000)". 3 - A opção do legislador de fixar a base de cálculo do PIS como sendo o valor do faturamento ocorrido no sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador é uma opção política que visa, com absoluta clareza, beneficiar o contribuinte, especialmente, em regime inflacionário. 4 — A 1° Seção, deste Superior Tribunal de Justiça, em data de 29/05/01, concluiu o julgamento do REsp n° 144.708/RS, da relatoria da em. Ministra Eliana Calmon (seguido dos Resps 248.893/SC e 258.651/SC), firmando posicionamento pelo reconhecimento da característica da semestralidade da base de cálculo da contribuição para o PIS, sem a incidência de correção monetária. 5 — Tendo cada um dos litigantes sido em parte vencedor e vencido, devem ser recíproca e proporcionalmente distribuídos e compensados entre eles os honorários e despesas processuais, na medida da sucumbência experimentada. Inteligência do art. 21, caput, do CPC. 6 - Recurso especial parcialmente provido." 10 NaCi- 2° CC-MF Ministério da Fazenda ith 13) -1 *N4 Segundo Conselho de Contribuintes Fl. -•;41CN-;0- -. Processo n° : 13608.000202/99-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 Resp 336.1 62/SC - STJ 1 a Turma - Julgado em 25.02.2002. Entendimento acompanhado pela própria jurisprudência deste Egrégio Conselho: "PIS - SEMESTRALIDADE - A base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador(precedentes do STJ - Recursos Especiais n t's 240.938/RS e 255.520/RS - e CSRF - Acórdãos CSRF/02-0.871, de 05/06/2000). Recurso voluntário a que se dá provimento." RECURSO 114349, Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, julgado em 24.01.2001 - DPU. DA CORREÇÃO MONETÁRIA Segundo informa a contribuinte, seu crédito foi calculado levando em conta os índices de correção monetária expurgados durante os diversos planos econômicos instaurados pelo Governo Federal. Tal planilha, acolhendo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, determina a aplicação do 1PC como índice de correção monetária dos meses de janeiro (42,72%), fevereiro (10,14%), março, abril e maio de 1990. O IPC calculado pelo IBGE para aqueles meses, de fato, é o utilizado pela recorrente. É manso e pacífico na jurisprudência (REsp. n° 43.055-0, REsp n° 51.007-1, REsp. n° 40.600-SP, entre outros) o entendimento de que a correção monetária constitui mera atualização de valor, visando garantir o equilíbrio das relações e evitando o enriquecimento sem causa, independentemente de qualquer lei que a institua. A própria Advocacia Geral da União, fundamentada em abundante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal- STF, em seu parecer AGU/MF n° 01/96 exarou o seguinte entendimento: "Na repetição de indébito tributário, é devida atualização monetária, calculada desde a data do pagamento ou do recolhimento indevido até a data do efetivo recebimento da importância reclamada". Dessa forma, a atualização dos valores pagos indevidamente ou a maior não decorre de qualquer regime jurídico não tendo, portanto, qualquer relevância indagações acerca de eventual direito adquirido e/ou previsão normativa expressa, haja vista que o direito à correção monetária de indébito é mais do que obediência a qualquer regime legal constituindo-se em verdadeira forma de evitar o enriquecimento sem causa. Assim, o relativamente recente Acórdão do STF (RE n° 226.855-7), em matéria de correção monetária das contas do FGTS não deve ser interpretado como prejudicial à atualização de indébitos tributários. O que se decidiu naqueles autos não foi propriamente acerca da correção monetária enquanto meio de resguardar o poder aquisitivo da moeda, mas sim da correção monetária decorrente de regime estatutário. 11 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. C1r Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13608..000202/99-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 Após esse breve intróito, deve-se fazer urna análise dos índices a serem utilizados para efetuar a atualização monetária. A UFIR somente foi instituída, sendo utilizada para atualizar inclusive indébitos tributários, pela Lei n° 8.383 1 91, prestando-se para atualizar valores a partir de janeiro de 1992, até dezembro de 1995. A partir de então a Taxa SELIC passou a ser utilizada para atualização nos pedidos de ressarcimento/restituição (Lei n° 9.250/95 c/c 9.532/97). Ocorre que no período anterior a 1992 não existia norma legal expressa a esse respeito, dessa forma tanto jurisprudência quanto administração pública foram forçadas a aplicar de forma análoga certos índices para que o direito dos contribuintes não restasse prejudicado. A Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97 veio uniformizar os índices a serem aplicados pela Secretaria da Receita Federal Em suma os índices utilizados são: IPC/IBGE no período compreendido entre jan/8 8 e fev/90 (excetuando-se o mês de jan./90 cujo índice foi expurgado), ETN no período compreendido entre mar/90 a jan/91 e INPC de fev/9 1 a dez/91. Deve-se então analisar a correção dos índices adotados. De fevereiro de 1986 até dezembro de 1988 o índice utilizado oficialmente para medir a inflação era a OTN, que, por sua vez, era calculada com base no IPC/IBGE. Pode- se dizer, portanto, que o IPC/BGE era o índice oficial. A °TN, contudo, foi extinta com o advento do "Plano Verão", implementado pela Medida Provisória n° 32/89, posteriormente convertida na Lei n° 7.730/89. O valor da OTN foi, então, congelado em NCz5 6,17, valor esse que computava a inflação ocorrida no mês de dezembro de 1988, mas não a de janeiro de 1989. A partir de fevereiro o IPC/IBGE passou a ser utilizado diretamente como indicador oficial da inflação. A inflação do mês de janeiro, dessa forma, não seria levada em conta. Essa a lógica contemplada pela Norma de Execução Conjunta SRF COSIT/COSAR n° 08/97, haja vista que o mês de jan/89 não apresenta qualquer índice de inflação. Portanto, apesar de a Norma utilizar o IPC a partir de 1988 — pois este era o verdadeiro indicador da inflação já que a OTN era corrigida de acordo com ele — no mês de jan/89 nenhum índice foi considerado. Obviamente, tal sistemática não merece prosperar, como acertadamente decide reiterada jurisprudência do STJ (REsp. n° 23.095-7, REsp. n° 1 7.829-0, entre outros). A inflação expurgada referente ao mês de janeiro deve, portanto, ser considerada para fins de atualização monetária. O IPC divulgado, relativo ao mês de janeiro de 1989, foi de 70,28%. Todavia, esse índice não refletiu a inflação ocorrida no mês de janeiro, mas sim a inflação ocorrida no período compreendido entre 30 de novembro (média estatística entre os dias 15 de novembro e 15 de dezembro) e 20 de janeiro (média estatística entre os dias 17 e 23 de janeiro). 12 620 ? • 2QCC-MFMinistério da Fazenda ‘' Segundo Conselho de Contribuintes Fl. - Processo n° : 13608.000202199-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 Como o IPC referente ao mês de jan/89 computou, na verdade, a inflação ocorrida em 51 dias, o STJ entendeu que o índice expurgado seria de 42,72%, obtido pelo cálculo proporcional a 31 dias. Referente ao mês de fevereiro, o IPC/BGE divulgado foi de 3,6%. No entanto, tal índice refletiu tão-somente a inflação ocorrida em 11 dias (período compreendido entre 20 de janeiro — média de 17 a 23 de janeiro, e 31 de janeiro — média de 15 de janeiro a 15 de fevereiro). Proporcionalizando-se tal índice para 31 dias o STJ entendeu aplicável o índice de 10,14%, considerando que teria havido um expurgo de 6,54%. No período compreendido entre março de 1989 e fevereiro de 1990, deve ser utilizado o IPC/BGE, pois este foi o índice oficial adotado para medir a inflação, como, aliás, a própria Norma de Execução Conjunta n° 08/97 reconhece. Nos meses de março a janeiro de 1991 o índice a ser aplicado, segundo a R. Sentença, é o IPC/IBGE Em inúmeros julgados o STJ já firmou entendimento de ser aplicável o índice de 84,32% para o mês de março de 1990 (REsp n° 81.859, REsp. n° 17.829-0, entre outros). A Norma de Execução Conjunta n° 08/97, contudo, utiliza-se do BTN de 41,28% para proceder à atualização monetária. O mesmo ocorre com os meses de abril e maio de 1990, quando os índices do IPC, respectivamente de 44,80% e 7,87%, não são levados em conta pela NEC n° 08/97, que se vale do BTN de 0,0% e 5,38%. O STJ, também em referência a estes meses tem decidido que devem prevalecer os valores do IPC (REsp. n° 159.484, REsp. n° 158.998, REsp n° 175.498, entre outros). Ocorre que o BTN, a par de ser índice oficial de correção monetária, foi seguidamente manipulado e falseado pelos constantes planos econômicos tomando-se totalmente imprestável para aferir a inflação. Dessa forma, a Norma de Execução Conjunta n° 08/97, nesse particular, não merece ser aplicada, pois se estar-se-ia permitindo o enriquecimento sem causa exatamente de quem (Governo) tinha o poder de manipular a informação (índices), mas não a inflação. Deve, portanto, ser aplicado o IPC/IBGE e não a variação medida pelo BTN. De fevereiro a dezembro de 1991 deve ser utilizado o INPC/IBGE, pois este é o sucedâneo do IPC reconhecido pelo STJ (REsp n° 50.555-0). Ademais, a própria Norma de Execução Conjunta utiliza este índice. Quanto à aplicação da Taxa SELIC desde o pagamento até o mês da compensação, o art. 39 da Lei n° 9.250/95 é bastante claro ao dispor que os juros à Taxa SELIC só incidem a partir de 1° de janeiro de 1996 nos valores a serem compensados ou restituídos. Dessa forma, a atualização monetária da restituição do indébito deve ser aplicada com base nos seguintes índices: 1°) IPC de fev/86 a jan/91 (considerando jan/89 42,72%, fev/89 10,14%, mar/90 84,32%, abr/90 44,80% e maio/90 7,87%); 2°) INPC de fev/91 a dez/91; 3°) UFIR de jan/92 a dez/95; e 4°) SELIC de jan/96 em diante. 13 L2-10 li r CC-MF "'" -̀ts.: of Ministério da Fazendaz4a :.---. .0. t----..er Segundo Conselho de Contribuintes Fl. w,---14,̂-l-n ; Processo n° : 13608.000202/99-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 Os indébitos assim calculados, depois de aferida a certeza e liquidez dos mesmos pela administração tributária, poderão ser compensados com parcelas de outros tributos e contribuições administrados pela SRF, como pleiteia a contribuinte em sua exordial, observados os critérios estabelecidos na Instrução Normativa SRF n° 21, de 10.03.97, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa SRF n° 072, de 15.09.97. Neste sentido, dou parcial provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 05 de novembro de 2002 GU 1)6(..V0 I\ L ALENCARji\Sk' il 14 - r CC-MF ;ri Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n° : 13608.000202/99-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 VOTO DO CONSELHEIRO ANTÓNIO CARLOS BUENO RIBEIRO RELATOR-DESIGNADO Neste voto restrigir-me-ei exclusivamente à matéria na qual o relator originário foi vencido, devendo, portanto, serem consideradas aqui incorporadas as razões de decidir atinentes às demais matérias, tão bem articuladas no voto da lavra do Ilustre Conselheiro Gustavo Kelly Alencar. Entendo não admissivel a proposição de corrigir monetariamente os indébitos de que a recorrente é titular, com índices superiores aos estabelecidos nas normas legais da espécie, porquanto falece a este Colegiado competência para admitir tal procedimento, uma vez que não é legislador positivo. Ao apreciar a SS n.° 1853/DF, o Exmo. Sr. Ministro Carlos Velloso ressaltou que "A jurisprudência do STF tem-se posicionado no sentido de que a correção monetária, em matéria fiscal, é sempre dependente de lei que a preveja, não sendo facultado ao Poder Judiciário aplicá-la onde a lei não determina, sob pena de substituir-se o legislador (V: RE n.° 234.003/RS, Rel. Ministro Mauricio Correa, DJ 19.05.2000)". Desse modo, a correção monetária dos indébitos, até 31.12.1 995, deverá se ater aos índices formadores dos coeficientes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR N° 08, de 27.06.97, que correspondem àqueles previstos nas normas legais da espécie, bem como aos admitidos pela Administração, com base nos pressupostos do Parecer AGU n° 01/96, para os períodos anteriores à vigência da Lei n° 8.383/91, quando não havia previsão legal expressa para a correção monetária de indébitos. A partir de 01.01.96, sobre os indébitos passam a incidir exclusivamente juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, por força do art. 39, § 4 0, da Lei n° 9.250/95. Em resumo, é de se admitir o direito da recorrente aos indébitos do PIS, recolhidos com base nos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88, considerando como base de cálculo, até o mês de fevereiro de 1.996, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, indébitos esses corrigidos segundo os índices formadores dos coeficientes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR N° 08, de 27.06.97 até 31.12.1995, sendo que a partir dessa data passam a incidir exclusivamente os juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Os indébitos assim calculados, depois de aferida a certeza e liquidez dos mesmos pela administração tributária, poderão ser compensados com parcelas de outros tributos e contribuições administrados pela SRF, observados os critérios estabelecidos na Ins :o 15 02o €, • ..e?k: a., 22 CC-MF ••• -4.---. '10. , Ministério da Fazenda Fl. V./,'Rt Segundo Conselho de Contribuintes i Processo n° : 13608.000202/99-50 Recurso n° : 117.544 Acórdão n° : 202-14.325 Normativa SRF n° 21, de 10.03.97, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa SRF n°073, de 15.09.97. Nestes termos, dou provimento parcial ao recurso. Is"----Sala das Sessões, _ •-• :..w e. : .. - bro de 2002 7 t . :. ..r., é- 1 I: E : e // ,,-- 16
score : 1.0
Numero do processo: 13606.000189/99-77
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS DA PESSOA JURÍDICA - DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS - LUCRO PRESUMIDO - também poderá ser distribuída sem a incidência do imposto a parcela dos lucros ou dividendos que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeito a pessoa jurídica, quando demonstrado, através de escrituração contábil feita em observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, lucro presumido ou arbitrado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 106-15.402
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do
relatório e voto que passam integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Luiz Antonio de Paula
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MINISTÉRIO DA FAZENDA = PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES p SEXTA CÂMARA "z-t- Processo n°. : 13606.000189/99-77 Recurso n°. : 136.987 Matéria : IRPF - Ex(s): 1997 Recorrente : HÉLIO HOMEM DE FARIA (ESPÓLIO) Recorrida : 5° TURMA/DRJ em BELO HORIZONTE - MG Sessão de : 22 DE MARÇO DE 2006 Acórdão n°. : 106-15.402 RENDIMENTOS RECEBIDOS DA PESSOA JURÍDICA — DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS — LUCRO PRESUMIDO — também poderá ser distribuida sem a incidência do imposto a parcela dos lucros ou dividendos que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeito a pessoa jurídica, quando demonstrado, através de escrituração contábil feita em observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, lucro presumido ou arbitrado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HÉLIO HOMEM DE FARIA (ESPÓLIO). ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que pass a integrar o presente julgado. ( JOSÉ BAMA BARROS PENHA PRESIDENTE LUIZ ANTONIO DE PAULA RELATOR FORMALIZADO EM: 28 ABR 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, GONÇALO BONET ALLAGE, JOSÉ CARLOS DA MATTA RIVITTI, ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. , MINISTÉRIO DA FAZENDA• ;‘• k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CAMARA 1 Processo n° : 13606.000189/99-77 Acórdão n° : 106-15.402 Recurso n° : 136.987 Recorrente : HÉLIO HOMEM DE FARIA (ESPÓLIO) • RELATÓRIO Trata o presente de retomo de diligência, aprovada por este Colegiado, nos termos de Resolução n° 106-01.245, de 14 de abril de 2004, acostada ás fls. 175-183. O fundamento da lide já foi objeto do relatório naquela Resolução, que leio em sessão, acrescentando-lhe os desdobramentos seqüenciais. A Relatora do voto condutor do julgamento de Primeira Instância entendeu que por não ter o autuado trazido para os autos a escrituração contábil da empresa Bazar Faria Ltda, CNPJ n° 21.519.012/0001-05, no sentido de demonstrar que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para a apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, no caso lucro presumido, somente poderia ser considerado como rendimentos isentos a parcela de R$ 1.824,26 e não R$ 22.447,85, como declarada pelo contribuinte. O Recorrente em grau de recurso, carreou para os autos cópias, não autenticadas, dos referidos registros contábeis, fls. 100-168, além de outros documentos. Assim, no sentido de confirmar a autenticidade das mesmas é que os Membros desta Câmara, na sessão de 14 de abril de 2004, acordaram em converter o julgamento em diligência (Resolução n° 106-01.245 — fls. 175-183). Em cumprimento da referida diligência, foi emitido, em 15/07/2006, o Termo de Diligência e Intimação Fiscal de n° 01, fl. 187, no sentido do contribuinte apresentar os Livros Diários de n° 04 e 05 da empresa Bazar Farias Ltda. "P 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA • lz PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESwp " SEXTA CÂMARA Processo n° : 13606.000189/99-77 Acórdão n° : 106-15.402 E, à fl. 189, consta despacho administrativo da autoridade lançadora confirmando a autenticidade dos documentos de fls. 100-168, (Livros Diários), inclusive o Termo de Abertura, fl. 88. É o Relatório. n 4d 1 • 3 • • • .0 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES tfr :\s•-• SEXTA CÂMARA Processo n° : 13606.000189/99-77 Acórdão n° : 106-15.402 VOTO Conselheiro LUIZ ANTONIO DE PAULA, Relator O presente Recurso Voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos no art. 33 do Decreto n° 70.235/72, inclusive quanto à tempestividade e garantia de instância, portanto, deve ser conhecido por esta Câmara. Conforme já anteriormente relatado, o presente tem por objeto reformar o Acórdão DRJ/BHE n° 03.341, de 11 de abril de 2003, fls. 67-73, prolatado pelos Membros da 5° Turma, que julgaram procedente em parte o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 04-07. De inicio, cabe analisar o litígio proveniente da distribuição de lucros de resultado apurados pela empresa Bazar Faria Ltda, CNPJ n° 21.519.012/0001- 05, no valor de R$ 22.447,85, declarado pelo contribuinte como rendimentos isentos e não-tributáveis (fl. 27), no ano-calendário de 1996 e reclassificados pela fiscalização como tributáveis. As autoridades julgadoras de Primeira Instância acataram como parcela isenta apenas o valor de R$ 1.824,26, como demonstrado à fl. 70, por entenderem que o autuado, por intermédio do inventariante, "não trouxe aos autos a escrituração contábil feita com observância da lei comercial exigida, demonstrando que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para a apuração da base de cálculo imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido". Em grau de recurso, o inventariante, carreou para os autos cópias dos Livros Diários n° 04 e 05 da empresa Bazar Faria Ltda, as quais foram autenticadas pela autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte — MG (fl. 189), no sentido de comprovar a existência de lucro efetivo maior, conseqüentemente, a não incidência do imposto de renda na sua distribuição. 4 • • • • •bk 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES (PI> SEXTA CÂMARA , Processo n° : 13606.000189/99-77 Acórdão n° : 106-15.402 A respeito da fundamentação legal para o caso em questão, as próprias autoridades julgadoras a quo já fundamentaram nas exigências contidas na Lei n° 9.249, de 1995, art. 10 e a Instrução Normativa SRF n° 11, de 21 de fevereiro de 1996, art. 51, § 2°, ou seja: " ...que no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a parcela dos lucros ou dividendos que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, também poderá ser distribuída sem a incidência do imposto, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado". Entretanto, com a apresentação da cópia do Livro Diário da empresa Bazar Faria Ltda, fls. 100-168, fica evidenciado que foi cumprida a exigência fiscal, em especial às fls. 166-167 dos presentes autos, de que a referida empresa obteve o lucro contábil no valor de R$ 69.959,19, ou seja, o lucro efetivo era maior que o determinado. Desta forma, não resta outra decisão a não ser considerar o valor de R$ 22.447,85 como rendimentos isentos/não-tributáveis, como declarado pelo contribuinte. Assim, é de se excluir o valor R$ 20.623,59 da parcela de distribuição de lucro mantida pela autoridade julgadora de Primeira Instância. E, conseqüentemente, alterando os rendimentos isentos para o valor de R$ 35.128,85, que corresponde ao somatório de R$ 22.447,85, acima mencionado, acrescida da parcela de R$ 981,00 referentes aos rendimentos de poupança; R$ 10.800,00 do limite de isenção anual para declarantes maiores de 65 anos e R$ 900,00 do limite de isenção referente ao 13° salário também para os maiores de 65 anos. A respeito da alteração do valor do imposto de renda retido na fonte de R$ 1.868,74 para R$ 1.982,21, ratifico entendimento da autoridade julgadora. 5 . : . . -.. JJ MINISTÉRIO DA FAZENDA az-je."-trit PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4:M"kl;,k5 SEXTA CÂMARA Processo n° : 13606.000189/99-77 Acórdão n° : 106-15.402 Em relação à suposta omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes acima de 65 anos, a autoridade julgadora a quo já concluiu que não deve prosperar o lançamento já que os valores declarados foram superiores ao correto, como demonstrado à fl. 71. Do exposto, voto em DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 22 de março de 2006. ‘2214/A— I(LUIZ AO DE PAULA • 6 Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1
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Numero do processo: 15885.000188/2008-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2002 a 31/01/2004
NORMAS PROCESSUAIS — CAPITULAÇÃO LEGAL - NULIDADE INEXISTENTE.
Não existe prejuízo à defesa ou nulidade do lançamento quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldam-se perfeitamente As infrações imputadas A. empresa fiscalizada, permitindo o entendimento da infração.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.262
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a nulidade declarada e determinar o retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais matérias do recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo
Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães Oliveira.
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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Não existe prejuízo à defesa ou nulidade do lançamento quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldam-se perfeitamente As infrações imputadas A. empresa fiscalizada, permitindo o entendimento da infração. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a nulidade declarada e determinar o retomo dos autos A. Camara de origem para análise das demais matérias do recur oi—Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães Oliveira. C.----- i Gusta0o Lian H dad - Relator EDITADO EM: 04/04/2011 - Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido (Presidente-Substituto), Susy Gomes Hofffilann (Vice-Presidente), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Instituição Toledo de Ensino foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Debito — NFLD de fls. 01/19, objetivando a exigência de contribuições devidas ao INSS, destinadas A. Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, e as destinadas aos terceiros (INCRA, SESC, SEBRAE e Salário Educação), no período compreendido entre 02/2002 a 01/2004. A Quarta Câmara da Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 2401-00.238, que se encontra As fls. 172/178 e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2002 a 31/01/2004 CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DESCARACTERIZAÇÃO DE VINCULO PACTUADO — AFERIÇÃO INDIRETA - AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. - Uma vez que houve aferição indireta pela apresentação deficiente de documentos, deveria constar no relatório fiscal a menção ao dispositivo do art. 33, § 3° da Lei n ° 8.212/1991. Ausência de fundamento legal é causa de nulidade da NFLD. PROCESSO ANULADO." A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara , por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso para anular, por vicio formal, a NFLD. Intimada pessoalmente do acórdão em 22/09/2009 (fls. 179) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 182/187, em que sustenta, em apertada síntese, divergência entre o v. acórdão e os acórdãos CSRF/02-02.301 e CSRF/01-04.780. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, confbrme Despacho n° 2400-392, de 05 de outubro de 2009 (fls. 195/196). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte deixou de apresentou suas contra-razões. o Relatório. 2 Processo n° 15885.000188/2008-11 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.262 Fl. 2 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, se o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Trata-se de lançamento de contribuições previdencidrias devidas ao INSS e terceiros relativamente ao período de 02/2002 a 01/2004. O acórdão recorrido (Acórdão no 303-35.545), exarado pela C. Quarta Câmara da Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem anular o lançamento pela falta de indicação na NFLD do fundamento legal para o arbitramento da base de cálculo por aferição indireta. Visando a rediscussão da matéria a recorrente indicou como paradigmas para demonstrar a divergência de interpretação os Acórdãos nos CSRF/02-02.301 e CSRF/01- 04.780. Os acórdãos citados como paradigmas pela Procuradoria da Fazenda Nacional claramente externam entendimento segundo o qual a capitulação errônea ou imprecisa do auto de infração, ou a ausência precisa de enquadramento legal, não são causas suficientes para ensj ear a nulidade do lançamento, como se verifica das ementas abaixo transcritas: Acórdão: CSRF/02-02.301 "NORMAS PROCESSUAIS — CAPITULAÇÃO LEGAL NULIDADE INEXISTENTE. 0 estabelecimento autuado defende-se dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Não existe prejuízo a defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldam-se perfeitamente as infrações imputadas a empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo. IPI — MULTA DE OFICIO PELA FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DECRÉDITO - A mera falta de lançamento do imposto nas notas fiscais respectivas, é suporte fcitico suficiente para a aplicação da multa de lançamento de oficio, mesmo nos casos em que o período de apuração apresente saldo credor na escrita fiscal. Recurso especial provido". Acórdão: CSRF/01 -04.780 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL — IMPRECISÃO — CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — NULIDADE — PROCESSO REFLEXIVO — DECORRÊNCIA PROCESSUAL: Tendo a peça impositiva procedido a perfeita descrição dos fatos, possibilita ao contribuinte seu amplo direito de defesa, 3 ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, mas com perfeito enquadramento do tipo fiscal, não conduzindo a efetiva confusão nos argumentos de defesa, não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento. Sendo processo reflexivo, pelo principio da decorrência processual, é de se adotar a mesma decisão prolatada no processo principal". Entendo assim caracterizada a divergência de interpretação em relação ao entendimento consagrado no acórdão paradigma, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. No mérito entendo que assiste razão h. Recorrente. Como muito bem apontado nas razões recursais da Procuradoria da Fazenda Nacional a jurisprudência da CSRF firmou clara orientação no sentido de que não devem ser declaradas nulidades quando não existir prejuízo a defesa por amoldarem-se os fatos narrados e documentados nos autos às infrações imputadas ao sujeito passivo. Tal conclusão decorrente da moderna teoria do direito administrativo segundo a qual os procedimentos formais são instrumentos A. consecução de determinado objetivo, sendo seu descumprimento relevante para fins de declaração de nulidade apenas quando tenham causado prejuízo h parte. No presente caso essa é exatamente a situação. Considerou o acórdão recorrido que a NFLD é nula por vicio formal ante a ausência de menção ao art. 33, parágrafo 3o da Lei n 8.212/91, que assim estabelece: "Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil, compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, à fiscalização, à arrecadação, ã cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a titulo de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (.) 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de oficio a importância devida. " Pela leitura da NFLD e do relatório fiscal considero que, ainda que tenha havido falha formal decorrente da não menção ao dispositivo acima, foram atendidas as exigências de demonstração da infração e do critério de arbitramento por aferição indireta, não havendo prejuízo a defesa para o correto entendimento do que lhe foi imputado. 0 artigo 33, parágrafo 3° da Lei n. 8.212/1991, cuja não citação pela NFLD seria no entender do acórdão recorrido causa de nulidade, prevê a possibilidade de a autoridade previdencidria lançar de oficio as importâncias devidas e apuradas quando houver indícios de que não merecem fé as informações prestadas pela sujeito passivo. Trata-se de previsão quase intuitiva, que decorre da lógica do sistema e tem inclusive guarida no art. 148 do CTN, não estabelecendo critério especifico cuja não menção prejudicou a defesa. 4 Processo n°15885.000188/2008-11 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.262 Fl. 3 Logo, entendo que deve ser reformada a r. decisão, afastando a nulidade e determinando o retorno dos autos h. câmara recorrida para julgamento do mérito do Recurso Voluntário. Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO par afastar a nulidade declarada e determinar que_ os autos sejam remetidos h. Camara de origem para análise das demais matérias do recurso. Gusvo LicaNaddad 5
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Numero do processo: 13211.000024/99-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1995
ITR. VALOR DA TERRA NUA. VALOR MÍNIMO ESTABELECIDO ATRAVÉS DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. PREVISÃO LEGAL.
Nos termos do disposto no art. 3º da Lei nº 8.847/1994, caberia à Secretaria da Receita Federal apontar, com base em dados do Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agricultura dos Estados respectivos, os valores mínimos para o VTN em cada localidade brasileira. Ainda de acordo com a referida norma, caberia ao
contribuinte a apresentação de laudo que refutasse os valores apurados desta forma, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido.
Numero da decisão: 2102-001.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995 ITR. VALOR DA TERRA NUA. VALOR MÍNIMO ESTABELECIDO ATRAVÉS DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. PREVISÃO LEGAL. Nos termos do disposto no art. 3º da Lei nº 8.847/1994, caberia à Secretaria da Receita Federal apontar, com base em dados do Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agricultura dos Estados respectivos, os valores mínimos para o VTN em cada localidade brasileira. Ainda de acordo com a referida norma, caberia ao contribuinte a apresentação de laudo que refutasse os valores apurados desta forma, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido.
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Recorrida DRJ em RECIFEPE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995 ITR. VALOR DA TERRA NUA. VALOR MÍNIMO ESTABELECIDO ATRAVÉS DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. PREVISÃO LEGAL. Nos termos do disposto no art. 3º da Lei nº 8.847/1994, caberia à Secretaria da Receita Federal apontar, com base em dados do Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agricultura dos Estados respectivos, os valores mínimos para o VTN em cada localidade brasileira. Ainda de acordo com a referida norma, caberia ao contribuinte a apresentação de laudo que refutasse os valores apurados desta forma, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 24/08/2011 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 06, para exigência do ITR do Exercício 1995, no valor de R$ 4.963,15, incidente sobre o imóvel denominado “Fazenda da Santa Cruz”. Ciente do lançamento em 24.03.1999, e inconformada com tal cobrança, a Interessada apresenta a Impugnação de fls. 01/02, por meio da qual alega erro no preenchimento do item 05 da sua DITR (em razão da omissão de declaração de uma área de 770 hectares de pastagem plantada), bem como do item 08 do mesmo documento, no qual deixou de fazer consignar que o número total de animais que possuía era de 1.825 (diferente dos 512 animais de pequeno porte e 213 de médio porte declarados). Discordou ainda do valor considerado pela Receita Federal como sendo da Terra Nua do seu imóvel. Requereu a retificação de sua DITR originalmente apresentada, a revisão do VTN constante do lançamento e a alteração no prazo de vencimento da exigência, já que este prazo deveria ser uma data posterior à do lançamento, a fim de que não lhe fossem exigidos quaisquer acréscimos legais. Foram anexados à Impugnação os documentos de fls. 03/07 (laudo de avaliação, notificação de lançamento e DITR Retificadora, entregue à SRF em 20.04.1999. Na análise desta Impugnação, os membros da DRJ em Recife decidiram pela integral manutenção do lançamento. Ainda não se conformando, a Interessada interpõe o Recurso Voluntário de fls. 54/55, por meio do qual reitera os argumentos expostos em sua Impugnação e afirma que não poderia ter sido considerado o VTN contido na Instrução Normativa nº 58/96, pois o mesmo não espelha a realidade. Requereu que fosse acolhido o seu pleito (que chamou de “Manifestação de Inconformidade”), com o reconhecimento da improcedência do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 22.09.2008. O Recurso Voluntário foi interposto em 01.10.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Tratase de processo no qual se discute Notificação para lançamento do ITR devido para o exercício de 1995. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13211.000024/9975 Acórdão n.º 210201.508 S2C1T2 Fl. 62 3 À época da ocorrência do fato gerador aqui em exame (1995) vigia o disposto no art. 3º da Lei nº 8.847/94, quando a Declaração de ITR não era anualmente apresentada, sendo que a declaração relativa ao ano de 1994 serviria como base para os anos de 1995 e 1996. Somente era apresentada uma nova declaração nos anos de 1995 e 1996 caso houvesse qualquer alteração nos dados declarados para o ano de 1994. A Declaração originalmente apresentada pela Recorrente para o Exercício de 1994 não consta dos autos. Porém, constam os extratos de fls. 15/18, dos quais é possível extrair que a referida Declaração fora apresentada em 26.10.1994, e dela constavam as seguintes informações (para os fins que interessam a este julgado): i) VTN (em UFIR): 58.285,60; e ii) animais: 612 de grande porte e 213 de médio porte (totalizando 825). A Notificação de Lançamento de fls. 06 foi então expedida para alterar o valor do VTN declarado pela Recorrente de R$ 38.573,42 para R$ 197.444,16. Nenhum outro dado da DITR apresentada sofreu qualquer alteração. Pois bem, cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou, juntamente com sua Impugnação, DITR Retificadora para os Exercícios de 1994 (fls. 14) e 1995 (fls. 07), por meio das quais alterou a quantidade de animais existente em sua propriedade, majorando os de 825 para 1.825. Pretendeu assim demonstrar que cometera equívoco na DITR originalmente apresentada e que esta quantidade de animais deveria ser considerada pelas autoridades fiscais para fins de cálculo do ITR devido para o Exercício de 1995. A discussão aqui travada diz respeito então à alteração do valor do VTN declarado, bem como à possibilidade de acolhimento dos dados constantes das Declarações Retificadoras apresentadas pela Recorrente. No que diz respeito ao VTN utilizado na Notificação de Lançamento, cabe ressaltar, aqui, que à época da ocorrência do fato gerador aqui em exame, estava em vigor o art. 3º da Lei nº 8.847/1994, que assim dispunha: Art. 3º A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua VTN, apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. § 1º O VTN é o valor do imóvel, excluído o valor dos seguintes bens incorporados ao imóvel: I Construções, instalações e benfeitorias; II Culturas permanentes e temporárias; III Pastagens cultivadas e melhoradas; IV Florestas plantadas. § 2º O Valor da Terra Nua mínimo VTNm por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços do hectare da terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no Município. § 3º O VTN aceito será convertido em quantidade de Unidade Fiscal de ReferênciaUFIR pelo valor desta no mês de janeiro do exercício da ocorrência do fato gerador. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 4 § 4º A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo VTNm, que vier a ser questionado pelo contribuinte. Assim, a cada ano eram fornecidos pela SRF os valores dos VTN mínimos a serem utilizados para cada área do Brasil. Estes eram os valores que seriam tomados como base em caso de revisão da DITR apresentada. No caso do Exercício 1995 – objeto destes autos – o valor do VTN estava previsto no anexo à Instrução Normativa nº 59, de 19.12.1995. Ademais, a própria lei já previa que, em caso de discordância do contribuinte com aquele valor utilizado pela fiscalização, caberia pedido de revisão, para a qual seria necessária a apresentação de laudo emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou por profissionais devidamente habilitados. No caso em exame, pretende a Recorrente desconstituir o VTN constante da Notificação de Lançamento por meio do laudo de fls. 03/04. Tal laudo, porém, como bem salientado pela decisão recorrida, não preenche os requisitos legais para tanto. Não consta dele a data em que foi expedido, e nem tampouco maiores esclarecimentos acerca da forma utilizada pelo profissional signatário para alcançar o VTN lá proposto. Os parcos esclarecimentos constantes às fls. 04 não são suficientes a convencer estes julgadores de que os valores apontados no laudo correspondem à realidade e devem ser tomados em substituição ao valor do VTN encontrado pela SRF para aquela região. Por fim, quanto à pretensão da Recorrente de proceder à retificação dos dados constantes de sua Declaração, insta salientar que a mesma não merece acolhida. É assente neste Conselho o entendimento de que não cabe a retificação da Declaração após o início de qualquer procedimento fiscal, principalmente quando já foi expedida Notificação de Lançamento. Foi por isso que foi editada a Súmula CARF nº 33,segundo a qual: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Por isso, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, não se pode dar às Declarações Retificadoras apresentadas pela Recorrente o efeito pretendido. Ademais, os alegados equívocos cometidos no preenchimento da DITR somente poderiam ser reconhecidos (e consequentemente alterado o lançamento) caso a Recorrente demonstrasse de forma inconteste que se equivocara quanto aos números declarados. No entanto, esta prova não foi feita, sendo certo que o único documento trazido aos autos para corroborar suas alegações foi o laudo de fls. 03/04, o qual, como já dito, não se presta ao fim pretendido. Diante de todo o exposto, deve ser mantido o lançamento, da forma como foi efetuado. Por isso, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado digitalmente Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13211.000024/9975 Acórdão n.º 210201.508 S2C1T2 Fl. 63 5 Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13896.003155/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE
ARBITRAMENTO.
Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua
regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são
devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA
TRIBUTÁVEL. NULIDADE POR DEFICIÊNCIA NOS ESCLARECIMENTOS AO CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra deficiência de informações ao contribuinte, quando as
peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao
pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE.
IMPOSSIBILIDADE.
Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido
das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito
de defesa do sujeito passivo.
REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de diligência quando esta não se mostrar útil
para a solução da lide.
ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO.
Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e
baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações
do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios
consistentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.144
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade; II) indeferir os pedidos para a realização de diligência e juntada de documentos; e III) no mérito, por negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. NULIDADE POR DEFICIÊNCIA NOS ESCLARECIMENTOS AO CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra deficiência de informações ao contribuinte, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito de defesa do sujeito passivo. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. NULIDADE POR DEFICIÊNCIA NOS ESCLARECIMENTOS AO CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra deficiência de informações ao contribuinte, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito de defesa do sujeito passivo. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Quando utilizadas para afastar fatos apresentadas pela autoridade fiscal e baseadas em documentos disponibilizados durante a auditoria, as alegações do sujeito passivo deverão estar lastreadas em elementos probatórios consistentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de nulidade; II) indeferir os pedidos para a realização de diligência e juntada de documentos; e III) no mérito, por negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003155/200878 Acórdão n.º 240102.144 S2C4T1 Fl. 47 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.182.7574, no qual são exigidas contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. De acordo com o Relatório Fiscal, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais e não declaradas em GFIP. Os valores em questão, segundo o Fisco, foram obtidos da diferença entre as remunerações informadas na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF e aquelas registradas nas GFIP e folhas de pagamento. Sustenta a Auditoria que a empresa apresentou a DIRF para o anocalendário 2004 com beneficiários não informados nas folhas de pagamento nem nas GFIP, os quais foram considerados como segurados empregados (0561 — IRRF — Rendimento do Trabalho Assalariado) e como contribuintes individuais (0588 — IRRF — Rendimento do Trabalho sem Vinculo Empregatício). Diante dessa constatação, o Fisco concluiu que a documentação do sujeito passivo não registrava a remuneração de todos os segurados a seu serviço, ou apresentava valores inferiores aos efetivamente pagos, além de que a contabilidade não espelhava a realidade da situação econômicofinanceira da empresa. Em razão disso, afirma o Auditor, foi lavrado Auto de Infração para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de apresentar os documentos e livros de acordo com as formalidades legais e com informações que retratem a realidade, além de que os fatos narrados propiciariam a aferição indireta das contribuições lançadas. Informase, ainda, que foi ainda lavrado Auto de Infração decorrente da falta de declaração de fatos geradores na GFIP. O Fisco faz menção a tabelas em que são apresentados todas os dados que deram ensejo ao presente AI. O processo de que tratamos foi apensado AI n.º 37.182.7558 (processo n.º 13896.003153/200889), o que também ocorreu com o de n.º 37.182.7566 (processo n.º 13896.003154/200823), relativos aos mesmos fatos geradores e que incluem, respectivamente, a contribuição da empresa para a Seguridade Social e as contribuição dos segurados. A empresa apresentou impugnação para os três AI, tendo a DRJ em Campinas exarado o acórdão n.º 0526.510, no qual ficou decidido pela procedência dos três créditos envolvidos. Foram interpostos os recursos voluntários contra os três AI, nos quais a empresa apresenta idênticos argumentos, tendo alegado, em apertada síntese, que: Fl. 49DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 a) o AI foi edificado sobre falsas premissas, sem análise apropriada dos documentos apresentados pela empresa, fato que o torna nulo; b) não foi posta no lançamento a devida e correta fundamentação legal, nem os motivos de fato que justificassem a sua lavratura; c) apurouse na “Planilha I” contribuições sobre valores lançados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, os quais dizem respeito a pagamento de aluguéis a pessoas físicas, que, fora de dúvida, não têm natureza de salário; d) no que diz respeito à “Planilha II”, saneou a irregularidade apontada, declarando na GFIP as remunerações dos segurados Charles Lagana Putz, Claudio Baumann e Roberto José Maxis de Medeiros e efetuando os recolhimentos decorrentes; e) também juntou aos autos as GPS que comprovam o recolhimento da contribuição previdenciária sobre as remunerações pagas a Hércio Rodrigues, Marcos Duarte da Silva, Vladmir Oliani e Edgard Hoffmann Junior, todos contribuintes individuais indicados na “Planilha II”; f) a Taxa SELIC não pode ser utilizada para fins tributários. Ao final pede: a) o reconhecimento das preliminares com nulificação do AI; b) o reconhecimento da improcedência do AI; c) a realização de diligência e juntada de documentos para comprovar a correção das falhas apontadas. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003155/200878 Acórdão n.º 240102.144 S2C4T1 Fl. 48 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da nulidade dos AI Em seus recursos, a empresa alega que os AI são nulos em razão da falta de exposição clara das circunstâncias que deram ensejo à lavratura. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito, verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. Sobre essa faceta do lançamento, ao me deparar com os relatos da Auditoria, pude constatar que os mesmos apontam que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais. Na seqüência, indicam expressamente as evidências que culminaram com a conclusão acerca da concretização das hipóteses de incidência tributária. Nas palavras da Autoridade Fiscal, a comprovação do pagamento de remuneração por serviços prestados à empresa, que é o fato gerador dos tributos lançados, foi obtida com esteio na documentação fornecida pela notificada no decorrer da auditoria, mormente as DIRF, as GFIP e as folhas de pagamento. Nesse sentido, vejo que os AI e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo às exigências fiscais, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar à reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. As bases de cálculo também se encontram bem apresentadas, tanto nas planilhas colacionadas, quanto nos Relatórios de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura dos Discriminativos Analíticos do Débitos – DAD. Fl. 51DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Vejase que o Fisco indicou a fonte de dados que o levou a concluir pela ocorrência dos fatos geradores e discriminou todos os valores envolvidos no procedimento de apuração. Os relatórios Fundamentos Legais do Débito trazem a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição dos créditos previdenciários. Vale lembrar que a apuração se deu em razões de divergências entre os valores declarados na DIRF e aqueles constantes em GFIP e folhas de pagamento. Os valores declarados na informação sobre o Imposto de Renda de Pessoa Física retido na fonte apresentou informações para as fichas “0561 — IRRF — Rendimento do Trabalho Assalariado” e “0588 — IRRF — Rendimento do Trabalho sem Vinculo Empregatício”, as quais não constavam nas GFIP e folhas de pagamento. Diante dessa constatação, o Fisco tributou tais verbas e demonstrou em planilhas e relatórios a origem dos valores lançados. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito, não indica como as supostas omissões acarretaram prejuízo ao seu direito de defesa. Foi feliz o órgão a quo quando assinalou que os termos da defesa permitem inferir que o sujeito passivo teve plena compreensão de todos os passos seguidos pelo Fisco para a confecção do lançamento, não se verificando pontos obscuros no relato fiscal que tenham arranhado o inteligibilidade do procedimento. Assim, não há o que se falar em nulidade do ato administrativo de lançamento se inexistiu prejuízo aparente ou implícito para o administrado. Não há nulidade sem prejuízo. É desnecessário, do ponto de vista prático, anularse ou decretarse a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte. A doutrina tem chamado de princípio da transcendência àquele originário da regra segundo a qual, para que a nulidade seja declarada, é necessária a produção de prejuízo. Do contrário, não se deve declarar a nulidade. Assim, por entender que o Fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa e que a alegação de nulidade não se funda em provas convincentes, afasto essas preliminares. Aferição indireta da base de cálculo O cabimento da aplicação do arbitramento da contribuição devida na espécie para mim é inquestionável. O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo justificativa quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo Fl. 52DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003155/200878 Acórdão n.º 240102.144 S2C4T1 Fl. 49 7 Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o Fisco demonstrou que a empresa não registrava em sua documentação a totalidade das remunerações pagas a segurados a seu serviço, ao omitir nas folhas de pagamento e GFIP valores pagos por trabalho remunerado, conforme declarado na DIRF. Por outro lado, a escrita contábil não possibilitou à Auditoria identificar e individualizar tais valores. Assim, diante dessa apresentação deficiente de informações, justificase a apuração da base de cálculo por aferição indireta, com esteio nos valores de remuneração declarados na DIRF. Tal procedimento encontra guarida nos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991. Vejo, então, que a auditoria fiscal não se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, as quais foram oportunamente mencionadas tanto no relatório da NFLD, quanto no anexo Fundamentos Legais do Débito. Pagamento de aluguéis O argumento de que o Fisco incluiu na base de cálculo valores pagos a título de aluguéis, os quais teriam sido obtidos da DIRF carece de base probatória suficiente. Analisando os anexos que acompanham o AI, pude verificar que a apuração foi dividida em remuneração paga a segurados empregados (Planilha I) e remuneração paga a segurados contribuintes individuais (Planilha II). Sobre os valores lançados na “Planilha II”, a recorrente não se contrapôs, ao contrário, juntou as GFIP que supostamente saneariam a falta de declaração dos valores correspondentes. único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 53DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Quanto aos valores pagos aos segurados empregados, que a empresa alega serem destinados a despesas de locação de imóveis, não há nenhum documento acostado na defesa ou no recurso que comprove tal afirmação. Para solução desse ponto do recurso, já alegado em sede de defesa, é preciso que se analise a distribuição do ônus de provar no processo administrativo fiscal. Cabe ao Fisco indicar os elementos em que se baseou para efetuar a apuração do montante devido. Na espécie, verifico que esse dever foi cumprido, quando o fisco mencionou os elementos analisados que o levaram a concluir pela existência das diferenças apuradas, os quais, digase de passagem, foram os documentos apresentados pelo contribuinte. Esse, por sua vez, alega que foram incluídas na base de cálculo parcelas não sujeitas à incidência previdenciária, as quais dizem respeito ao pagamento de aluguéis. Todavia, nada foi juntado para fazer prova dessa alegação. Sobre essa questão vale trazer à baila o que dispõe Decreto n. 70.235/1972, ao tratar da questão: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Nesse sentido, nítido é o ônus do contribuinte de fazer prova dos fatos que articula. No caso em tela, verifico que poderiam ter sido acostados os contratos de locação ou os recibos de pagamento, dentre outros. Nada, porém, foi oferecido ao órgão de julgamento. O ônus de provar os fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito de quem acusa é da parte adversa, conforme se infere do disposto no art. 333 do CPC, in verbis: Art.333.O ônus da prova incumbe: Iao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; IIao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Diante disso, entendo que não deva ser acatado o argumento de que foram lançadas contribuições sobre valores pagos a pessoas físicas a título de aluguéis, por absoluta falta de comprovação documental. Guias de pagamento colacionadas As guias de pagamento acostadas, que supostamente quitariam as contribuições relativas ás remunerações constates da “Planilha II”, foram todas consideradas na apuração do crédito, conforme atesta o Relatório de Documentos Apresentados – RDA. Assim, não procede o inconformismo da empresa quanto à falta de cômputo das referidas guias na apuração fiscal. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13896.003155/200878 Acórdão n.º 240102.144 S2C4T1 Fl. 50 9 Taxa de Juros Quanto a inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, em consonância com a jurisprudência sedimentada do CARF, afasto a alegação de ilegalidade na aplicação da taxa SELIC. Pedido de Diligência Fiscal e juntada de documentos Quanto ao pedido de novas dilações probatórias, mediante a realização de Diligência Fiscal, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Não tenho como deixar de reconhecer que o relato do Fisco e os documentos colacionados permitem uma análise consistente da lide tributária, sendo descabido o pedido para realização de Diligência Fiscal. Do mesmo modo também não há de se acatar o pedido para a juntada de novos documentos, eis que os elementos presentes nos autos já permitem que se chegue a uma conclusão segura sobre o destino dos lançamentos. Além de que esse não é o momento próprio para a produção de prova documental pelo contribuinte, visto que o § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972 estabelece que esta prerrogativa processual preclui após o prazo para impugnar. Conclusão Diante das ponderações acima, voto por conhecer do recurso, por afastar a preliminar de nulidade, por indeferir os pedidos para a realização de diligência e juntada de documentos e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 55DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Fl. 56DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 35570.004620/2005-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/06/2005
NORMAS PROCESSUAIS. PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para interposição do recurso especial é de 15 dias da data da ciência da decisão de segunda instância. Não observado o preceito, não se conhece do recurso por intempestivo.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.625
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por intempestivo.
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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PRAZOS. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para interposição do recurso especial é de 15 dias da data da ciência da decisão de segunda instância. Não observado o preceito, não se conhece do recurso por intempestivo. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 610DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 21/06/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente – Substituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Elias Sampaio Freire, Alexandre Naoki Nishioka, Giovanni Christian Nunes Campos, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte em epígrafe, com fulcro no inciso II do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovdo pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. O lançamento, cujo período abrange as competências 01/09/2001 a 30/06/2005, referese às contribuições previdenciárias devidas pelo empregador no tocante às remunerações pagas aos segurados empregados a título vale transporte pago em desacordo com a legislação regente, circunstância que faz a rubrica integrar o salário de contribuição A 5ª Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade, negou provimento ao recurso. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 20501.382: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/09/2001 a 30/06/2005 VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. PARCELA INTEGRANTE. O valetransporte, quando concedido em desacordo com a legislação que rege sua concessão, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte interpôs o recurso especial, alegando dissídio jurisprudencial, fls. 446/460, no tocante ao fato de a decisão recorrida ter considerado como remuneração as parcelas pagas a título de vale transporte apesar de esta rubrica ser classificada como indenizatória e ser concedida para o trabalho, indicando como paradigma o acórdão proferido pela Sexta Câmara do antigo Conselho de Contribuintes (Acórdão 20600.475) cuja ementa transcrevo: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2004 Ementa: CUSTEIO CONTRIBUIÇÃOPREV1DENCIÁRIA — TRANSPORTE GRATUITO — NÃO INCIDÊNCIA. A utilidade fornecida sem caráter contraprestacional, mas apenas como instrumento de trabalho, ou para o trabalho, não se caracteriza salárioutilidade, eis que meramente instrumental para o desempenho das finiSes do empregado, não devendo, Fl. 611DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 21/06/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 35570.004620/200551 Acórdão n.º 920201.625 CSRFT2 Fl. 2 3 portanto, ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido. O recurso foi admitido por meio de despacho às fls. 483/485. Instada a pronunciarse, fls. 489/512, a Procuradoria da Fazenda Nacional pugna pelo não conhecimento do recurso por intempestividade, bem como ausência de comprovação de divergência, tendo em vista o acórdão recorrido e o paradigma tratarem de situações distintas. No mérito sustenta a necessidade de manutenção da decisão guerreada tendo em vista o pagamento do vale transporte em desacordo com a legislação implicar na consideração da parcela como salário de contribuição, conforme determina a alínea “f” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. É o relatório. Fl. 612DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 21/06/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator Não obstante as alegações do contribuinte entendo que o presente recurso não pode ser conhecido. Consoante o disposto no artigo 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25/06/2009, o prazo para interposição de recurso especial é de 15 dias: Art. 68. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data da ciência da decisão. Analisando os autos, verifico que o contribuinte foi cientificado da decisão recorrida em 29/06/2009, segundafeira, de acordo com o Aviso de Recebimento – AR à fl. 444, iniciando o prazo para o recurso no dia 30/06/2009 e expirando no dia 15/07/2009, segundafeira também. O Recurso Especial, por sua vez, foi interposto em 24/07/2009, conforme protocolo à fl. 446. Verificase, portanto, que a interposição do recurso se deu após o prazo estabelecido pelo Regimento Interno, concluindose, portanto, pela intempestividade do ato processual praticado pelo contribuinte. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial em razão de sua apresentação fora do prazo regimental. Francisco Assis de Oliveira Júnior (Assinado digitalmente) Fl. 613DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 21/06/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 35570.004620/200551 Acórdão n.º 920201.625 CSRFT2 Fl. 3 5 Fl. 614DF CARF MF Emitido em 27/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 21/06/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002839/2005-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DCTF.
Período de apuração: 4° trimestre de 2004.
EMENTA: ATRASO NA ENTREGA DA DCTF REFERENTE AO 4° TRIMESTRE DE 2004. PROBLEMAS NO SISTEMA ELETRÔNICO DA RECEITA FEDERAL. NÃO EXCLUSÃO DA MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA, SE NÃO OBSERVADO O ADE N° 24/2005.
Os problemas ocorridos no sistema eletrônico da Receita Federal no dia do termo final do prazo para a entrega da DCTF não exclui a imposição da multa pelo atraso na entrega, se esta não ocorreu até o dia 18 de fevereiro,prazo final prorrogado pelo ADE n° 24/2005.
Numero da decisão: 9101-000.884
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco Sales Ribeiro de Queiroz.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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Período de apuração: 4° trimestre de 2004. EMENTA: ATRASO NA ENTREGA DA DCTF REFERENTE AO 4° TRIMESTRE DE 2004. PROBLEMAS NO SISTEMA ELETRÔNICO DA RECEITA FEDERAL. NÃO EXCLUSÃO DA MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA, SE NÃO OBSERVADO O ADE N° 24/2005. Os problemas ocorridos no sistema eletrônico da Receita Federal no dia do termo final do prazo para a entrega da DCTF não exclui a imposição da multa pelo atraso na entrega, se esta não ocorreu até o dia 18 de fevereiro,prazo final prorrogado pelo ADE n° 24/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco Sales Ribeiro de Queiroz. (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido Presidente (assinado digitalmente) Fl. 84DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10950.002839/200510 Acórdão n.º 9101000.884 CSRFT1 Fl. 2 2 Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Candido, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Claudemir Rodrigues Malaquias, Leonardo de Andrade Couto, Antonio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte para a exigência de crédito tributário no valor de R$ 200,00, referente a multa por atraso na entrega da DCTF, relativa ao quarto trimestre de 2004. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 01/02). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento, sob o entendimento de que o atraso na entrega da DCTF acarreta ao contribuinte a imposição de multa (fls. 19/23). O contribuinte, no entanto, interpôs recurso voluntário (fls. 27/30). A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: “Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. ATRASO NA ENTREGA. PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Tendo em vista o Ato Declaratório SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, que prorrogou o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004, considerando válidas as declarações entregues até 18/02/2005 e, tendo a publicidade do ato somente ocorrida no dia 12/04/2005, deve ser considerada tempestiva a entrega da DCTF no dia 28/02/2005. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Fl. 85DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10950.002839/200510 Acórdão n.º 9101000.884 CSRFT1 Fl. 3 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial de divergência (fls. 49/59). A recorrente alegou que o contribuinte não produziu qualquer prova no sentido de que o atraso na entrega deuse por obstrução perpetrada pela Administração Tributária. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Tratase de se definir se é legítima a imposição da multa por atraso na entrega da DCTF referente ao quarto trimestre do ano de 2004, em face das circunstâncias peculiares que cercam o caso. Temse o seguinte panorama: o termo final do prazo para a entrega da DCTF era o dia 15/02/2005. Sucede que houve problemas no sistema eletrônico da Receita Federal, o que acarretou a impossibilidade de entrega da declaração. O contribuinte efetuou a entrega no dia 28/02/2005. No dia 12/04/2005, foi publicado o Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, estabelecendo como tempestivas as entregas ocorridos até o dia 18/02/2005. Já enfrentei essa celeuma anteriormente, quando integrante da antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Entendo que se a Administração, diante dos problemas ocorridos em seu sistema, regulou a situação, ampliando o prazo para o dia 18 de fevereiro de 2005, essa a data que se deve ter como termo final correto para a entrega da DCTF. De modo que a entrega Fl. 86DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10950.002839/200510 Acórdão n.º 9101000.884 CSRFT1 Fl. 4 4 ocorrida posteriormente deve ser considerada em atraso, ensejadora, desta forma, da imposição da multa prevista na Lei n° nº. 10.426, de 24 de abril de 2002, em seu artigo 7º, que dispõe no seguinte sentido: Art. 7º. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal – SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º; II – de dois por cento ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIR, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º”. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº. 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (grifado) Não há que se abrir concessão, aqui, em cada caso concreto, às hipóteses de entrega ocorrente entre o dia 18 de fevereiro e o dia da publicação do Ato Declaratório, o que se deu em 12/04/2005, sob pena de se ir de encontro ao ato normativo em questão. Isto não se Fl. 87DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10950.002839/200510 Acórdão n.º 9101000.884 CSRFT1 Fl. 5 5 pode admitir neste Tribunal Administrativo, que deve se pautar pelo princípio da legalidade em suas decisões. Convém trazer à tona o texto do Ato Declaratório Executivo SRF n° 24/2005: Dispõe sobre o prazo de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao 4º trimestre de 2004. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, e considerando os problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações, declara: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4º trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. Conforme se observa, o Ato Declaratório é expresso na sua motivação: “considerando os problemas técnicos ocorridos em 15 de fevereiro de 2005”. Ato administrativo que é, é dotado de presunção de legitimidade e de veracidade. E esta presunção abrange os motivos acima exteriorizados. Diante disso, caberia ao contribuinte comprovar que os problemas técnicos ocorridos no sistema eletrônico não se restringiram ao dia quinze, restando impossível a entrega também nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro, ou que lhe foi negada a entrega pessoal nesses dias. Não se tendo comprovado esses fatores, é de se manter a multa que se discute nos autos, em vista do atraso na entrega da DCTF. Ademais, em termos de prazos, se o Ato Normativo estabelece um determinado, não se pode discutir sobre a sua incidência ou não em sede de processo administrativo. Isso implicaria ingerência indevida na competência exercida pela Receita Federal do Brasil. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de se restabelecer a multa por atraso na entrega da DCTF concernente ao quarto trimestre do ano de 2004. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10950.002839/200510 Acórdão n.º 9101000.884 CSRFT1 Fl. 6 6 Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2011. 23 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 89DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 09/03/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.029847/97-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 30/11/1992
HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL EFETUADO A DESTEMPO. EFEITOS.
A homologação expressa é ato administrativo formal, específico e solene, e, como tal, deve obedecer a liturgia própria desse tipo de manifestação de vontade da administração, com observância das formalidades inerentes, tais como a motivação e a declaração expressa da homologação do lançamento, e, também, da extinção do respectivo crédito tributário. O simples fato de se informar em um termo de encerramento de diligência que o sujeito passivo
efetuou depósito judicial tempestivo, e no montante que satisfaria o crédito tributário em aberto, nem de longe se amolda à figura da homologação expressa prevista no CTN.
Depósitos judiciais efetuados a destempo. A mora na realização do depósito judicial do montante integral, quando da conversão em renda em favor da Fazenda Pública, produz efeitos análogos aos do pagamento em atraso, quais sejam, o surgimento de multa e de juros moratórios, os quais devem ser quitados antes do principal, na sistemática conhecida como imputação.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.361
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/1992 HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL EFETUADO A DESTEMPO. EFEITOS. A homologação expressa é ato administrativo formal, específico e solene, e, como tal, deve obedecer a liturgia própria desse tipo de manifestação de vontade da administração, com observância das formalidades inerentes, tais como a motivação e a declaração expressa da homologação do lançamento, e, também, da extinção do respectivo crédito tributário. O simples fato de se informar em um termo de encerramento de diligência que o sujeito passivo efetuou depósito judicial tempestivo, e no montante que satisfaria o crédito tributário em aberto, nem de longe se amolda à figura da homologação expressa prevista no CTN. Depósitos judiciais efetuados a destempo. A mora na realização do depósito judicial do montante integral, quando da conversão em renda em favor da Fazenda Pública, produz efeitos análogos aos do pagamento em atraso, quais sejam, o surgimento de multa e de juros moratórios, os quais devem ser quitados antes do principal, na sistemática conhecida como imputação. Recurso Especial do Procurador Provido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/1992 HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL EFETUADO A DESTEMPO. EFEITOS. A homologação expressa é ato administrativo formal, específico e solene, e, como tal, deve obedecer a liturgia própria desse tipo de manifestação de vontade da administração, com observância das formalidades inerentes, tais como a motivação e a declaração expressa da homologação do lançamento, e, também, da extinção do respectivo crédito tributário. O simples fato de se informar em um termo de encerramento de diligência que o sujeito passivo efetuou depósito judicial tempestivo, e no montante que satisfaria o crédito tributário em aberto, nem de longe se amolda à figura da homologação expressa prevista no CTN. Depósitos judiciais efetuados a destempo. A mora na realização do depósito judicial do montante integral, quando da conversão em renda em favor da Fazenda Pública, produz efeitos análogos aos do pagamento em atraso, quais sejam, o surgimento de multa e de juros moratórios, os quais devem ser quitados antes do principal, na sistemática conhecida como imputação. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Relator e Presidente Substituto Fl. 226DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López, Rodrigo Cardozo Miranda, Antonio Carlos Atulim e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Os fatos foram assim descritos pela decisão de primeira instância: Trata o presente de lançamento de COFINS relativo a novembro de 1992 (fls. 08/09), resultante de ação fiscal instaurada para verificar a satisfação dos créditos tributários discutidos nos autos do Mandado de Segurança nº 92.00640044, o qual fora impetrado para discutir a exigibilidade da COFINS nos termos da Lei Complementar nº 70/91. 2.O valor total apurado, composto pela contribuição, pela multa proporcional e pelos juros de mora, calculados até a data da autuação, perfaz o total de R$ 25.397,55 (vinte e cinco mil, trezentos e noventa e sete reais e cincoenta e cinco centavos). 3.No “Termo de verificação fiscal” de fls. 02/03, a autoridade fiscal esclarece que o valor depositado em 07/01/93, relativo ao período de apuração de novembro de 1992, mostrouse insuficiente, por ter sido efetuado após o vencimento da contribuição (21/12/92) fixado pelo Ato Declaratório COSAR nº 23/92, sem acréscimo de juros e multa de mora, esses exigidos mediante a lavratura do Auto de Infração. 4.Irresignado com o lançamento mencionado, o contribuinte protocolizou, em 22.10.1997, a impugnação de fls. 14 a 23, acompanhada pelos documentos de fls. 24 a 79, na qual deduz, em síntese, as razões abaixo discriminadas: O atraso na realização do depósito judicial relativo a novembro de 1992, que fora efetuado somente em 07/01/93, deuse em razão de o cartório da 15ª Vara Federal, na qual tramitaram os autos da ação correspondente, não ter expedido a guia para depósito em tempo hábil, por conta do recesso forense, embora tenha o impetrante apresentado requerimento ao cartório judicial em 08/12/1992. O valor constituído no Auto de Infração não estaria “em aberto” se os depósitos judiciais houvessem sido convertidos em renda da União, tal como determinado pela autoridade judicial em decisão que homologou a desistência da Impugnante nos autos do Mandado de Segurança nº 92.00640044 (fl. 54). Não sendo a Impugnante responsável pelo fato de os autos terem sido arquivados antes da conversão dos depósitos, mostrase incabível o Auto de Infração. Além disso, a aplicação da alíquota de 2% sobre a base de cálculo de Cr$ 35.780.887.156,46, resultante no valor de Cr$ 715.617.743,13, foi “devidamente atualizado” até a data do Fl. 227DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.029847/9740 Acórdão n.º 930301.361 CSRFT3 Fl. 214 3 efetivo depósito judicial, para Cr$ 913.796.653,08 (fl. 22), não remanescendo saldo a depositar ou a pagar. A exigência de juros e multa de mora é incabível, visto que o vencimento da contribuição deuse durante o recesso forense. O Auto de Infração configura novo lançamento sobre um mesmo período, tendo sido lavrado em procedimento de revisão de ofício, sem que houvesse ocorrido qualquer das hipóteses previstas no art. 145 do CTN, combinado com o art. 149, do mesmo diploma. Em 06/08/97, a autoridade fiscal lavrou “Termo de Encerramento de Diligência” (fls. 59/60), certificando que os depósitos judiciais efetuados nos autos do Mandado de Segurança nº 92.00640044, da 15ª Vara Federal em São Paulo, satisfaziam seus respectivos créditos, dando por encerrado o procedimento que o art. 142 do CTN denomina “lançamento” que, no caso, o é por homologação. “Não obstante, em diligência datada de 24 de setembro de 1997, o Sr. Auditor Fiscal, realizando nova fiscalização junto à empresa, acabou por proceder a uma revisão da conclusão alcançada por ocasião da confecção do Termo de encerramento de diligência datado de 06 de agosto de 1997, lavrando o presente Auto de Infração, com fundamento em suposto recolhimento intempestivo da contribuição à Seguridade Social/COFINS, relativa ao mês de novembro/92” (fl. 17). A revisão de ofício só é permitida quando houver “erro de fato”, sendo inadmissível quando se tratar de erro de direito, ou seja, erro na “valoração jurídica errônea das circunstâncias de fato”, tal como constatado no procedimento em comento. Portanto, é nula a revisão fiscal realizada pela autoridade autuante, bem como, é insubsistente o lançamento de valores correspondentes a juros e multa de mora não incorrida pela Impugnante. Examinando o feito, a turma julgadora de primeira instnacia manteve o lançamento fiscal, em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/11/1992 Ementa: COFINS. Auto de Infração. Lei Complementar nº 70/91. DEPÓSITOS JUDICIAIS – Os valores de contribuições e tributos depositados judicialmente fora do prazo legal de seu vencimento deverão ser acrescidos dos correspondentes encargos legais, nos termos da legislação aplicável (Lei nº 8.383/91). Crédito tributário relativo a insuficiência de depósito judicial. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 O lançamento por homologação configura condição resolutória de pagamento efetuado pelo sujeito passivo; a ausência de pagamento impossibilita a homologação. Não configuração de revisão de lançamento. Lançamento procedente. Irresignada, a autuada apresentou recurso voluntário que foi provido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos da ementa a seguir transcrita. COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Com a homologação expressa do lançamento por parte da autoridade administrativa, extinguese definitivamente o crédito tributário e o prazo para revisão do lançamento. Recurso provido. A representante da Fazenda Nacional, não concordando com a posição adota pela câmara recorrida, apresentou recurso especial por contrariedade à lei, onde postula a reforma do acórdão vergastado para que seja restabelecida a decisão de primeira instância. Por meio do despacho de fl. 192, o presidente da câmara recorrida deu seguimento ao apelo fazendário. Regularmente cientificada do despacho que admitiu o especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 198 a 208, na qual defende a manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão trazida a debate versa sobre auto de infração lavrado para constituir diferença de crédito tributário referente a recolhimento a menor da Cofins. Predita diferença surgiu da imputação de pagamento relativos a depósitos judiciais efetuados pela autuada intempestivamente. Na conversão do depósito em renda, verificouse que o vencimento originário da contribuição deuse em 21 de dezembro de 1992 e que, somente em 07 de janeiro de 1993 é que foi realizado o depósito judicial, sem os encargos legais devidos pela mora. Diante disso, a fiscalização imputou o valor depositado aos débitos da contribuição e os consectários legais decorrentes da mora multa e juros. Como o sujeito passivo depositou somente o valor referente ao principal, ao se realizar a imputação dos encargos, restou configurado pagamento a menor, o que levou a fiscalização a exigir, de oficio, a diferença entre o devido e o montante convertido em renda. Todavia, a Câmara a quo, entendeu que, no caso dos autos, houve homologação expressa do lançamento, e, por conseguinte, a extinção definitiva do crédito tributário. Segundo entendeu o Colegiado recorrido, a informação constante do Termo de Diligência, à fl. 59, Conforme Termo de verificação fiscal e retenção de esclarecimentos, lavrado Fl. 229DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.029847/9740 Acórdão n.º 930301.361 CSRFT3 Fl. 215 5 em 31/07/97, a empresa depositou, tempestivamente, em juízo, os valores da contribuição para o financiamento da Seguridade Social/ COFINS, cujos montante satisfazem (sic) os créditos a que se referem. – configuraria homologação expressa do lançamento fiscal. A meu sentir, o colegiado a quo, ao afirmar que a informação transcrita linhas acima configuraria homologação expressa do lançamento, equivocouse bisonhamente, pois, a homologação expressa, figura raríssima na administração tributária federal consiste na quitação dada ao sujeito passivo pela autoridade administrativa, lavrada a termo, onde conste, expressa e inequivocamente, que o lançamento fiscal referente a determinada obrigação tributária está homologado e o crédito a ela referente está definitivamente extinto. A homologação expressa é ato administrativo formal, específico e solene, e, como tal, deve obedecer a liturgia própria desse tipo de manifestação de vontade da administração, com observância das formalidades inerentes, tais como a motivação e a declaração expressa da homologação do lançamento, e, também, da extinção do respectivo crédito tributário. O simples fato de se informar em um termo de encerramento de diligência que o sujeito passivo efetuou depósito judicial tempestivo, e no montante que satisfaria o crédito, nem de longe se amolda à figura da homologação expressa prevista no CTN. Demais disso, o Termo de Verificação Fiscal, lavrado pelo mesmo servidor que realizara dias antes a aludida diligência, declara que o referido depósito fora efetuado intempestivamente, sem os acréscimos decorrentes da mora, e está estribado em documentação que demonstra, inequivocamente, a intempestividade do depósito judicial objeto a que se refere a acusação fiscal. Por último, trago ainda, como arrimo do aqui exposto, excerto da decisão de primeira instância sobre a suposta homologação expressa que teria havido nestes autos. 10.4.Entretanto, não pode a Impugnante considerar que o termo apresentado a fls. 59/60 consubstancia verdadeira homologação de lançamento, haja visto a inexistência do objeto da homologação, qual seja, o pagamento. Nem se poderia sustentar que o ato configura “homologação dos depósitos judiciais”, figura que não encontra qualquer previsão legal. 10.5.Ora, se pagamento não houve, não há falar em sua homologação tácita ou, menos ainda, expressa. O depósito judicial não se confunde com o pagamento, sendo este causa de extinção do crédito tributário (art. 156, I) e aquele, hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário (art. 151, II). Por consegüinte, se lançamento não houve, não há que se falar em sua alteração, que estaria condicionada às prescrições dos arts. 145 e 149 do CTN. Diante do exposto, não há como manter a equivocada decisão do Colegiado recorrido, posto que a situação dos autos não corrobora, mesmo para aqueles menos avisados, a existência de homologação expressa do lançamento fiscal. Ao contrário, evidencia, a toda prova, ao realização extemporânea do depósito judicial realizado pelo sujeito passivo, sem os acréscimos legais pertinentes à mora. De outro lado, mora na realização do depósito judicial do montante integral, quando da conversão em renda em favor da Fazenda Pública, produz efeitos análogos aos do pagamento em atraso, quais sejam, o surgimento de multa e de juros moratórios, os quais Fl. 230DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 devem ser quitados antes do principal, na sistemática conhecida como imputação. Assim, se por exemplo o principal era $ 100,00, a multa $ 10,00 e os juros $ 5,00, o montante a ser depositado equivalia a $ 115,00. Todavia, se só se depositasse $ 100,00, a extinção do crédito darseia na seguinte forma: Os $ 10,00 relativos à multa, os $ 5,00, aos juros e $ 85,00 restantes quitariam parte do principal. Na hipótese, Restariam $ 15,00 do principal em aberto. Estes $ 15,00 a fiscalização exigiria, de ofício, com acréscimo de multa de ofício e de juros de mora. Exatamente, como procedeu a fiscalização no caso sob exame. Assim, correto o lançamento fiscal. Com essas considerações, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer a exação fiscal em sua inteireza. Henrique Pinheiro Torres Fl. 231DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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