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Numero do processo: 13851.000845/2001-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000
SALDO NEGATIVO. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. DOCUMENTO HÁBIL. RECONHECIMENTO.
Ao final do período de apuração pode ser compensado o imposto de renda retido na fonte devidamente atestado mediante comprovante de retenção emitido em nome do requerente pela fonte pagadora, salvo se houver prova nos autos de que tal documento não retratou a realidade.
Numero da decisão: 1103-000.730
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento PARCIAL ao recurso, para reconhecer o direito creditório adicional de R$38.762,54 (valor original) e homologar as compensações até tal limite, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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COMPROVANTE DE RETENÇÃO. DOCUMENTO HÁBIL. RECONHECIMENTO. Ao final do período de apuração pode ser compensado o imposto de renda retido na fonte devidamente atestado mediante comprovante de retenção emitido em nome do requerente pela fonte pagadora, salvo se houver prova nos autos de que tal documento não retratou a realidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento PARCIAL ao recurso, para reconhecer o direito creditório adicional de R$38.762,54 (valor original) e homologar as compensações até tal limite, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.000845/200115 Acórdão n.º 110300.730 S1C1T3 Fl. 641 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição (fl.01), protocolizado em 31/07/01, cujo crédito seria oriundo de “IRPJ pago a maior referente DIPJ 2001, Ano Calendário 2000” (saldo negativo, conforme DIPJ – fl.23), no valor originário de R$1.107.253,37. Posteriormente, foram anexados aos autos Pedidos de Compensação (fls.78/94, 353/399, 402/408) e PER/DCOMP (fls.410/419, 451/474). A autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil deferiu parcialmente o direito creditório, no valor originário de R$1.067.167,34, e homologou as compensações até tal limite, bem como reconheceu a homologação tácita daquelas declaradas há mais de cinco anos da ciência (28/11/07 – fl.476) do despacho decisório (fls.478/485). Na oportunidade, não foi aceita a integralidade do imposto de renda retido por duas fontes pagadoras. In verbis: “No tocante aos valores informados pela fonte pagadora ITAPARICA S/A EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS (CNPJ nº 13.575.295/000176) verificase que, além de não existir nos sistemas informatizados da RFB a DIRF referente a estes valores, não se constata a liquidez e certeza dos valores pleiteados, eis que efetuando o cotejamento dos valores de IRRF do informe de rendimentos de fl.62 e os valores existentes na escrituração contábil constatase uma série de divergências (...). Em relação aos valores pleiteados referentes às retenções efetuadas pela fonte pagadora CEMIG, CNPJ 17.155.730/0001 64, a empresa juntou apenas o informe de rendimentos de f1.67, o qual apresenta, para o anocalendário 2000, a retenção de R$203,48 no mês de junho de 2000. Tal valor não se ampara nos valores que o contribuinte informou na DIPJ e, menos ainda, com os valore informados à RFB pela fonte pagadora, através da DIRF de fl.429.” Em 28/12/07, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.486/488), nos seguintes termos: “Em relação à empresa Itaparica S/A Empreendimentos Turísticos, esta empresa, conforme DECLARAÇÃO em anexo, informa e comprova através de seus documentos contábeis (cópia do Diário Geral), que realizou declaração e pagamento de Juros sobre o Capital Próprio no período acima compreendido, bem como realizou as devidas retenções e recolhimentos do IRRF sobre as declarações. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.000845/200115 Acórdão n.º 110300.730 S1C1T3 Fl. 642 3 Em contrapartida, a empresa Brasil Warrant Administração de Bens e Empresas S/A. por ser beneficiária de parte dos referidos Juros sobre o Capital Próprio, contabilizou e tributou a referida receita, conforme demonstrado em sua DIPJ, e portanto, tem o direito de compensar o respectivo IRRF incidente sobre tal receita. Dessa forma, o Despacho Decisório ora impugnado deve ser parcialmente reformado e, assim, deferida a restituição do crédito requerido pela Requerente, no valor de R$ 1.105.922,68 (valor total de R$ 1.107.253,37 () R$ 1.330,69 de IRRF da empresa CEMIG, sem comprovação). Diante do exposto, requerse seja a presente manifestação de inconformidade julgada procedente, para o fim de que, reformado parcialmente o Despacho Decisório, seja deferida também a restituição do valor de R$ 1.105.922,68, e, com a conseqüente homologação das compensações incidental mente realizadas, por imperativo dos principias da estrita legalidade e da verdade material.” A Quinta Turma da DRJ – Ribeirão Preto (SP) indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do acórdão nº 1419.833, que recebeu a seguinte ementa (fl.559): DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. IRFON RETIDO E NÃO RECOLHIDO. A indisponibilidade dos bens públicos e o principio do interesse público autorizam objetar restituição de quantias tidas como retidas de pessoa jurídica, a titulo de imposto de renda retido na fonte incidentes sobre juros sobre o capital próprio, e não recolhidas ao Erário pela sociedade retentora, quando restar caracterizado que ambas são administradas pelos mesmos gestores, ou uma administre outra, ainda que a dívida se encontre confessada, em processo de parcelamento ou objeto de pedido ou de declaração de compensação, pois ainda não resolvida, definitivamente, a extinção do crédito tributário cuja repetição se almeja. No recurso voluntário (fls.598/608), sustentase: a) no acórdão recorrido haveria diversas ilações que não dizem respeito à efetividade do direito creditório, a exemplo de a Itaparica S/A Empreendimentos Turísticos ser sua coligada ou controlada ou os procuradores de ambas as sociedades serem os mesmos, estando alicerçadas em suposições e argumentos de ordem subjetiva; b) o IRRF, referente a juros sobre o capital próprio pago pela Itaparica S/A Empreendimentos Turísticos, teria sido contabilizado e constaria de sua DIPJ, bem como do informe de rendimentos fornecido por aquela sociedade, que atestaria o montante de R$258.417,01 de rendimentos a título de juros sobre o capital próprio, e R$38.762,54 de IRRF; Fl. 823DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.000845/200115 Acórdão n.º 110300.730 S1C1T3 Fl. 643 4 c) o art.55 da Lei nº 7.450/85 exigiria, para possibilitar a compensação do imposto de renda retido na fonte, apenas comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora dos rendimentos; d) o fato de o informe de rendimentos ter sido emitido em uma data próxima ao pedido de restituição não comprometeria a veracidade das informações nele prestadas. “Quando muito, tal fato poderia sujeitar a fonte pagadora ao pagamento de multa, nos termos do artigo 6º da Instrução Normativa SRF n. 698, de 20.12.2008, por atraso na entrega do comprovante de retenção, mas não destituir de validade o documento fornecido a destempo”; e) na DIPJ (Ficha 6, Linha 23) constaria declaração de R$ 258.416,91 a título de rendimentos de juros sobre o capital próprio pagos pela Itaparica S/A Empreendimentos Turísticos; f) no livro Razão teriam sido escrituradas, nas contas contábeis 22.004 e 22.019, as retenções realizadas pela Itaparica S/A Empreendimentos Turísticos, no total de R$ 38.762,54; g) o livro Diário da Itaparica S/A Empreendimentos Turísticos também indicaria os montantes de juros sobre capital próprio pagos à recorrente; h) decisões do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes reafirmariam que as retenções podem ser demonstradas por qualquer meio de prova, e sua utilização independeria da comprovação do respectivo recolhimento ou de correção de DIRF, pela fonte pagadora; i) a sua obrigação, para fins de comprovação da retenção, limitarseia à apresentação do informe de rendimentos, não do DARF comprobatório do recolhimento do tributo; j) decisões administrativas infirmariam o emprego de argumentos subjetivos por parte do Fisco. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Inicialmente, acerca da tempestividade do recurso, cabem breves considerações. Não obstante o Aviso de Recebimento – AR, relativo ao envio do acórdão recorrido, indicar aparentemente como data de entrega 05/11/08 (fl.595) a grafia não permite afirmar tal fato com a segurança necessária , pesquisa no site dos Correios na internet (fl.619) indica que a entrega efetivouse em 06/11/08 (quintafeira). Acrescentese que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil ao enviar o processo a este Conselho não opôs objeção relacionada à tempestividade. Dessa forma, considerandose aquela última data, poderia o contribuinte ter interposto o recurso voluntário até 06/12/08. Como tal dia foi um sábado, nos termos do art.5º do Decreto nº 70.235/72, o vencimento do prazo ocorreu na segundafeira (08/12/08), “primeiro dia de expediente normal no órgão em que corra o processo”, quando o recurso foi protocolizado (fl.598). Fl. 824DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.000845/200115 Acórdão n.º 110300.730 S1C1T3 Fl. 644 5 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário, e passase ao seu exame. Como relatado, a importância de R$38.762,54 a título de retenção na fonte por Itaparica S/A Empreendimentos Turísticos, não foi aceita por duas razões. A primeira, por inexistir DIRF. A segunda, por divergências constatadas entre os valores constantes do informe de rendimentos (fl.62) e da escrituração (fls.132/150). Da tabela confeccionada no despacho decisório, abaixo reproduzida, verifica se que os totais anuais de IRRF informados pela fonte pagadora e escriturado são idênticos, de onde se depreende que a conclusão acima resulta de uma análise mês a mês, quando de fato percebese alguma inconsistência: Mês IRRF (Informe de rendimentos) IRRF (Escrituração) Fevereiro 4.854,15 Março 2.525,13 8.208,33 Abril 3.312,36 3.584,26 Maio 1.137,07 1.446,13 Junho 3.576,95 3.910,93 Julho 3.261,12 3.495,59 Agosto 3.807,52 4.085,15 Setembro 1.442,69 1.614,70 Outubro 3.734,02 4.070,38 Novembro 6.871,86 7.145,59 Dezembro 4.239,67 1.201,48 Total 38.762,54 38.762,54 Conforme legislação de regência e instruções contempladas no Manual do Imposto de Renda Pessoa Jurídica de 2001 – Majur, o documento hábil a comprovar a retenção do imposto na fonte, para fins de compensação pelo beneficiário dos respectivos rendimentos, é o comprovante de retenção. Vejamos: Lei nº 8.981, de 20/01/95 Art. 34. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto apurado no mês, o imposto de renda pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente (arts. 28 ou 29), bem como os incentivos de dedução do imposto, relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, ValeTransporte, Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas e Atividade Audiovisual, observados os limites e prazos previstos na legislação vigente. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário ou na data da extinção. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.000845/200115 Acórdão n.º 110300.730 S1C1T3 Fl. 645 6 ..... § 3º Para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: ..... c) do Imposto de Renda pago ou retido na fonte, incidentes sobre receitas computadas na determinação do lucro real; Decreto nº 3.000, de 26/03/99 Art.942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano calendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Art.943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). ..... §2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§1º e 2º do art. 7º, e no §1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Lei nº 7.450, de 23/12/85 Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Majur 2001 Linha 12A/13 — Imposto de Renda Retido na Fonte Indicar o valor correspondente ao imposto de renda retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto devido. Informar, também, o valor do imposto pago ou retido na fonte no período, a titulo de antecipação, correspondente a rendimentos ou receitas que integram o lucro real, inclusive o retido sobre rendimentos auferidos em operações day trade. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.000845/200115 Acórdão n.º 110300.730 S1C1T3 Fl. 646 7 Atenção: 1) No caso de apuração anual do imposto, não deverão ser incluídos os valores do imposto retido ou pago durante o ano calendário e que tenham sido deduzidos nos recolhimentos mensais do imposto. 2) Os valores excedentes de imposto de renda retido na fonte não utilizados na apuração do imposto de renda mensal, no transcorrer do anocalendário, deverão ser informados nesta linha, independentemente de limite. 3) Não há limite de dedução do imposto de renda na fonte para as pessoas jurídicas que apuram o imposto de renda trimestral. Imposto Compensável: Nesta linha poderá ser indicado o valor do imposto pago ou retido na fonte sobre: (...) e) rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa ou de ganhos líquidos mensais de renda variável, inclusive o retido sobre rendimentos auferidos em operações day trade; f) os juros remuneratórios de capital de que trata o art. 9° da Lei n° 9.249, de 1995; (...) Atenção: 2) O imposto retido na fonte somente poderá ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Postos os dispositivos normativos que regem a matéria, observase, no caso concreto, que a Secretaria da Receita Federal do Brasil não questionou o oferecimento à tributação dos rendimentos pagos por Itaparica S/A Empreendimentos Turísticos. A propósito, em primeira instância, por exemplo, ao analisar a documentação acostada aos autos, o ilustre Julgador da DRJ – Ribeirão Preto (SP), relator do acórdão, concluiu: “Como visto, o tema encontrase restrito ao imposto de renda que teria sido retido pela fonte pagadora, qual seja, a empresa Itaparica S/A Empreendimentos Turísticos. Assim, a defesa busca o reconhecimento do direito creditório do valor de R$38.762,54 tomando por base o comprovante anual de rendimentos encartado à fl.62, ratificado pela declaração de fl.489 e documentos de fls.515/556, enquanto o despacho decisório houve por desconsiderar a alegada retenção em face da inexistência da DIRF noticiando a cifra pretendida e pelas divergências entre os valores mensais constantes na escrituração com aqueles enunciados pelo referido comprovante anual. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.000845/200115 Acórdão n.º 110300.730 S1C1T3 Fl. 647 8 O lucro real informado na linha 46 da Ficha 09A da Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), na ordem de R$112.106,78, encontrase expresso na página 13 do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), presente à fl.223, como também, no Demonstrativo de Resultados do Exercício transcrito na fl. 172 do Livro "Diário” e encartado à fl.246 do processo. Desta cifra decorre o imposto de renda anual na importância de R$16.816,02, declarado na linha 01 da Ficha 12A da DIPJ, fruto da aplicação da alíquota legal de 15% (quinze por cento). Atendida a condição da identidade das cifras, é dizer, observado que a contribuinte busca a repetição do saldo negativo do imposto de renda, assim aflorado em razão do cômputo do imposto de renda retido na fonte, lastreada nos resultados registrados em sua contabilidade comercial e fiscal, e não apenas com base na Declaração de Rendimentos, resta analisar o cumprimento dos demais requisitos para o reconhecimento do direito creditório contra a Fazenda Nacional. Dentre eles, notadamente, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções, em face do artigo 37, §3º, "c” da Lei n° 8.981, de 20/01/1995 e a constatação das retenções. A copia do livro "Razão” às fls.171, 175, 179, 183, 187, 192, 196, 200 e 207 trata dos juros recebidos da empresa Itaparica S/A. Empreendimentos Turísticos e registra o cômputo de receitas na ordem de R$258.416,91, levadas à conta de resultado juntamente com juros sobre capital próprio recebidos de outras fontes, fl.207. Consta, também, o demonstrativo de fls.153/154 onde a contribuinte expressa que ditos juros, somados a outros de idêntica natureza, recebidos de Cemig, Petrobrás, Telepar, Units, Unibanco, Embraer, Bradesco, Brasil Telecom, Sabesp e Copel perfazem os R$2.126.873,97 inseridos na linha 23 da Ficha 06A da DIPJ. Creio atendido, portanto, este requisito. No que toca à efetividade das retenções do imposto há o documento de fl.62 que, a ver pelo artigo 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, daria por atendido também esse requisito.” (destaquei) Ressaltese, também, que de acordo com a DIPJ, não houve dedução de IRRF no cálculo das estimativas de janeiro a novembro (fls.19/22), haja vista a inexistência de base de cálculo, nos termos de balancetes supostamente levantados. Sendo assim, considerando o informe de fl.62 e o oferecimento à tributação dos rendimentos ali informados, foram atendidos os requisitos para o aproveitamento dos valores retidos na fonte que compuseram o saldo negativo apurado ao final do anocalendário 2000. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13851.000845/200115 Acórdão n.º 110300.730 S1C1T3 Fl. 648 9 Com a devida vênia aos Julgadores de primeira instância, a legislação de regência não impõe qualquer outro requisito para o aproveitamento do imposto de renda retido na fonte pelo beneficiário, de forma que não se constituem em razão impeditiva os seguintes fatos: a emissão do comprovante de retenção em data próxima à protocolização do pedido de restituição; ser a fonte pagadora sociedade controlada ou coligada da beneficiária dos rendimentos; haver identidade entre os procuradores das sociedades; não se identificarem nos registros contábeis da fonte pagadora os valores pagos e retidos em nome da beneficiária; e a fonte pagadora não ter apresentado DIRF ou recolhido o tributo retido. Isso não quer dizer que os dados de um informe de rendimentos não possam ser contestados e infirmados. Tal possibilidade é perfeitamente válida, desde que comprovada com elementos hábeis. A Quinta Turma da DRJ – Ribeirão Preto (SP) apenas atestou uma relação societária entre a recorrente e a Itaparica S/A Empreendimentos Turísticos, bem como impropriedades na escrituração desta fonte pagadora e suposta ausência de cumprimento de obrigação tributária quanto ao recolhimento aos cofres públicos dos tributos retidos. Mesmo quando considerados em conjunto, não podem impedir, à luz da legislação de regência, o aproveitamento das retenções pelo recorrente, mormente porque os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação. Apesar da declaração de fl.489, da Itaparica S/A Empreendimentos Turísticos, que atestaria uma retenção no montante de R$38.768,54, o documento hábil a comprovar a retenção é o informe de rendimentos emitido por aquela sociedade, em que se indicou um total de R$38.762,54. Por fim, quanto ao imposto supostamente retido pela CEMIG, o recorrente continuou sem apresentar qualquer comprovação, razão pela qual não pode ser reconhecido. Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para reconhecer o direito creditório adicional de R$38.762,54 (trinta e oito mil, setecentos e sessenta e dois reais e cinquenta e quatro centavos), valor original, e homologar as compensações até tal limite. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 829DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 16327.000857/2010-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 28/12/2007, 30/04/2008
RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. FATURAMENTO. TRIBUTAÇÃO.
Constitui receita própria da atividade da Recorrente a aquisição, para posterior revenda, de ações. A receita assim auferida é igual a faturamento e integra a base de cálculo do PIS e da Cofins.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao CARF apreciá-la.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas apresentarão declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 25/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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FATURAMENTO. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a aquisição, para posterior revenda, de ações. A receita assim auferida é igual a faturamento e integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao CARF apreciála. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 28/12/2007, 30/04/2008 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. FATURAMENTO. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a aquisição, para posterior revenda, de ações. A receita assim auferida é igual a faturamento e integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao CARF apreciála. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 57 /2 01 0- 67 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 3302001.838 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas apresentarão declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 25/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a ING CORRETORA DE CÂMBIO E TÍTULOS S/A foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativos a fatos geradores ocorridos nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007 e abril de 2008, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a autuada adquiriu, com compromisso de alienar (e efetivamente alienou), ações da Bovespa e da BM&F e as contabilizou no ativo permanente, quando deveria contabilizar no seu ativo circulante. Em conseqüência, ao vendar as ações a Recorrente classificou a receita como sendo receita de venda de bens do ativo permanente, excluindoa da base de cálculo do PIS e da Cofins. A Fiscalização, considerando (i) que a Recorrente tem como objeto social comprar e vender, por conta própria, títulos e valores mobiliários; (ii) que quando da aquisição das ações da Bovespa e da BM&F havia prévio compromisso de alienar parte das mesmas; e (iii) que na operação de aquisição, e posterior revenda, das ações da Bovespa e da BM&F, a receita auferida classificase como receita operacional tributada pelo PIS e pela Cofins. Constato a falta de tributação dessa receita, a Fiscalização lavrou os autos de infração controlados neste processo. Inconformada com as autuações a empresa interessada impugnou os lançamentos, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 8a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo I julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1629.350, de 03/02/2011 fls. 230/244. Ciente desta decisão em 28/02/2011 (fl. 246), a interessada ingressou, no dia 29/03/2011, com o recurso voluntário de fls. 248/274, no qual renova seus argumentos sobre os seguintes temas: Fl. 449DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 3302001.838 S3C3T2 Fl. 4 3 1 o processo de desmutualização das bolsas de valores (Bovespa e BM&F); 2 a classificação contábil da participação societária nas empresas Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, que entende correta no ativo permanente; 3 o equívoco no cálculo do montante integral ao deixar de ser descontado o valor atualizado da participação societária. A Recorrente inova seus argumentos ao trazer as seguintes alegações, não aduzidas na impugnação: 1 o presente lançamento está abarcado pelo decisum de primeira instância proferido no Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0105908, impetrado pela Recorrente perante a Justiça Federal de São Paulo (5ª Vara). O referido mandado de segurança trata do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovido pela Lei nº 9.718/98. 2 o crédito tributário lançado está com a exigibilidade suspensa, por força de sentença parcialmente provida no mandado de segurança acima referido, sendo improcedente o lançamento da multa de ofício. A União (Fazenda Nacional) apresentou contrarazões às fls. 366/391 para sustentar que: 1 faz parte do objeto social comprar e vender, por conta própria, títulos e valores mobiliários. Portanto, a atividade de subscrever títulos e valores mobiliários e depois revendêlos consiste em operação afeta ao objeto social da recorrente. Tal operação, por determinação legal e regulamentar (Lei nº 6.404/76 e Circular BACEN nº 1.273/87), deve ser contabilizada no ativo circulante da Recorrente; 2 está sobejamente provado nos autos que parte das ações adquiridas pela Recorrente destinavamse à venda compromissada previamente. Nestas condições, a aquisição, e posterior alienação, deve ser contabilizada no ativo circulante porque a receita auferida decorre da atividade própria do campo empresarial da Recorrente, ou seja, é renda ou receita operacional. É o Relatório. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 3302001.838 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa Recorrente trocou quotas que detinha nas sociedades civis sem fins lucrativos Bovespa e BM&F, integrantes do seu ativo permanente, por ações das empresas Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, se comprometendo, no dia 31/08/2007, alienar 35% (trinta e cinco por cento) das ações recebidas na transação, tendo escriturado esta operação no ativo permanente (alienação de participação na Bovespa e na BM&F e a aquisição de ações das empresas Bovespa Holding S/A e BM&F S/A). Entre outubro de 2007 e abril de 2008, a Recorrente cumpriu o compromisso assumido anteriormente e alienou parte das ações adquiridas, registrando a receita da venda como sendo receita da venda de bens do ativo permanente, excluindoa da base de cálculo do PIS e da Cofins. Três fatos são determinantes para o deslinde da questão: primeiro, a empresa Recorrente tem como objeto social, dentre outros, a compra e venda, por conta própria, de títulos e valores mobiliários; segundo, a empresa Recorrente adquiriu ações de terceiros com o compromisso irrevogável de posterior alienação de 35% (trinta e cinco por cento) da quantidade adquirida, conforme Termo firmado em 31/08/2007 (fle 138); terceiro, a empresa Recorrente cumpriu o compromisso e, efetivamente, vendeu as ações no mesmo exercício de sua aquisição (2007) e no exercício seguinte (2008). Estes fatos são absolutamente irrefutáveis. Também é irrefutável que a aquisição de títulos e valores mobiliários, para posterior revenda, pelas corretoras de títulos e valores mobiliários, deve ser contabilizado no ativo circulante, por força de disposições da Lei nº 6.404/76 e do COSIF, instituído pela Circular BACEN nº 1.273/87. Como bem disse a autoridade lançadora, a BOVESPA orientou seus associados sobre a forma de contabilizar a operação, nos seguintes termos (flse. 121/122): Os detentores de títulos patrimoniais da BOVESPA deverão promover a baixa do valor convertido em ações da BOVESPA Holding S.A. do Ativo Permanente (Títulos Patrimoniais de Bolsa de Valores Conta COSIF nº 2.1.4.10). Em contrapartida, à sua opção: >Registrar o correspondente valor no Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta do COSIF nº 1.2.1.20), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo “títulos disponíveis para negociação ou venda”, ou >Manter esse valor no Ativo Permanente, em substituição específica da conta Ações e Cotas (conta do COSF nº Fl. 451DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 3302001.838 S3C3T2 Fl. 6 5 2.1.5.10), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como investimento. Vêse, portanto, que das ações adquiridas pela Recorrente, 35% (trinta e cinco por cento) estavam previamente destinadas à venda e, por esta razão, deveriam ser registradas no Ativo Circulante. Portanto, não cabe razão à recorrente em seus argumentos quanto à classificação contábil das ações adquiridas no processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F, por absoluta falta de amparo legal e por não corresponder à realidade dos fatos efetivamente ocorridos. Quanto ao suposto erro de cálculo no montante tributável, também não tem razão a Recorrente pelas razões aduzidas na decisão recorrida, que ratifico e adoto integramente. No lançamento não há erros de apuração da base de cálculo e, mesmo que existisse, o mesmo não ensejaria a nulidade do lançamento e seria corrigido por iniciativa do Fisco ou do contribuinte. Por último, devo analisar duas questões levantadas pela recorrente: o alcance da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0105908 e a inaplicabilidade da multa de ofício. A impugnação estabelece a fase litigiosa do procedimento e o momento de sua apresentação é aquele estabelecido no art. 15 do Decreto no 70.235/72. Estabelece, também, o art. 17 deste mesmo diploma legal, que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Na impugnação a recorrente não alegou que a sentença proferida no Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0105908 alcança o lançamento objeto deste processo e que o débito lançado está com a exigibilidade suspensa e, em conseqüência, não procede o lançamento da multa de ofício. Em assim sendo, sobre estas matérias não há litígio e nem foi objeto de apreciação pelo julgador de primeira instância. Não tendo sido objeto de julgamento pela DRJ, o CARF não tem competência para apreciála (art. 1º do Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 256/09), além de estarem preclusas. Apenas para fins de esclarecimento, o referido mandado de segurança trata do alargamento da base de cálculo do PIS, promovido pela Lei nº 9.718/98, e a receita tributada no presente processo não é uma daquelas incluídas na base de cálculos do PIS pelo diploma legal atacado no writ. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000857/201067 Acórdão n.º 3302001.838 S3C3T2 Fl. 7 6 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Declaração de Voto Os conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas ficaram de apresentar declaração de voto. No entanto, até a data da edição deste acórdão, não o fizeram, razão pela qual suas declarações de voto deixam de integrar o acórdão, nos termos do § 7º, do art. 63, do Regimento Interno do CARF2. 2 Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. [...] § 7° As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11543.100053/2005-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITOS. DESCONTOS. INSUMOS. Os custos e despesas incorridos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações para transporte de celulose; com óleos lubrificantes, agentes de limpeza e outros produtos utilizados na retifica de faca e manutenção de máquinas; com transporte, inclusive, fretes marítimos, ferroviários e rodoviários para a movimentação de mercadorias (produtos acabados) comercializadas, constituem insumos e geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada no mês e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral. CRÉDITOS. DESCONTOS. INSUMOS. NÃO TRIBUTADOS. ALÍQUOTA ZERO Os custos com aquisições de insumos não tributados e/ ou tributados à alíquota zero não geram créditos, como se devido fossem, para desconto da contribuição apurada mensalmente e/ ou ressarcimento de saldo trimestral. CRÉDITOS. DESCONTOS. CUSTOS E DESPESAS PRESCINDÍVEIS AO PROCESSO PRODUTIVO. Os custos e despesas incorridos com aquisições de bens e serviços prescindíveis ao processo produtivo do produto fabricado e comercializado não constituem insumos e não geram créditos dedutíveis da contribuição apurada no mês nem ressarcimento trimestral. FLORESTAS. FORMAÇÃO. CUSTEIO Os custos inerentes à produção de toras (madeira), ou seja, o custeio agrícola, incluindo, correção de solo, adubação e fertilizantes, tratos culturais, etc., são contabilizados no ativo permanente e, portanto, não geram créditos de Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 343 DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Data do fato gerador: 04/10/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento suplementar de parte do crédito financeiro declarado no respectivo Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (Per/Dcomp) implica homologação da compensação de parte do débito declarado até o limite reconhecido. RECURSO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3301-001.470
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martinez Lopez que permitiam a dedução da base tributável em maior extensão. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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DESCONTOS. INSUMOS. Os custos e despesas incorridos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações para transporte de celulose; com óleos lubrificantes, agentes de limpeza e outros produtos utilizados na retifica de faca e manutenção de máquinas; com transporte, inclusive, fretes marítimos, ferroviários e rodoviários para a movimentação de mercadorias (produtos acabados) comercializadas, constituem insumos e geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada no mês e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral. CRÉDITOS. DESCONTOS. INSUMOS. NÃO TRIBUTADOS. ALÍQUOTA ZERO Os custos com aquisições de insumos não tributados e/ ou tributados à alíquota zero não geram créditos, como se devido fossem, para desconto da contribuição apurada mensalmente e/ ou ressarcimento de saldo trimestral. CRÉDITOS. DESCONTOS. CUSTOS E DESPESAS PRESCINDÍVEIS AO PROCESSO PRODUTIVO. Os custos e despesas incorridos com aquisições de bens e serviços prescindíveis ao processo produtivo do produto fabricado e comercializado não constituem insumos e não geram créditos dedutíveis da contribuição apurada no mês nem ressarcimento trimestral. FLORESTAS. FORMAÇÃO. CUSTEIO Os custos inerentes à produção de toras (madeira), ou seja, o custeio agrícola, incluindo, correção de solo, adubação e fertilizantes, tratos culturais, etc., são contabilizados no ativo permanente e, portanto, não geram créditos de Cofins. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 343DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Data do fato gerador: 04/10/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO O reconhecimento suplementar de parte do crédito financeiro declarado no respectivo Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (Per/Dcomp) implica homologação da compensação de parte do débito declarado até o limite reconhecido. RECURSO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martinez Lopez que permitiam a dedução da base tributável em maior extensão. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Amauri Amora Câmara Júnior, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martinez López e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou parcialmente a compensação do débito fiscal vencido em 04/10/2006, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 45/48, transmitida em 04/10/2006, com saldo credor de Cofins não cumulativa, apurado no segundo trimestre de 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória glosou os valores do ressarcimento pleiteado e apurado sobre os custos de aquisições de bens e custos/despesas incorridos com: a) combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações para transporte de papel e celulose; b) insumos utilizados na operação florestal, tributados à alíquota zero; c) carvão mineral também tributado à alíquota zero; d) óleos lubrificantes, agente de limpeza e outros produtos utilizados na retífica de facas do picador de cavacos e na limpeza das máquinas do processo produtivo; e) insumos importados sob o regime de drawback; f) serviços relacionados às áreas de centro de custos, apoio, administração e pesquisa e silvicultura; g) centros de custos descritos como “Ações Sociais”, “Comunicação Interna”, “Conselheiros”, “Contabilidade”, “Contingências”, “Demais Investimentos”, “Desenvolvimento Engenharia”, “Desenvolvimento Operacional Florestal”, “Diretoria”, “Estudos”, “Estudos Engenharia”, “Informática”, “Jurídica”, “Licenciamento e Certificação Ambiental”, “Lubrificação”, “Meio Ambiente – Industrial”, “Prevenção e Combate a Incêndios”, “Qualidade”, “Recursos Fl. 344DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11543.100053/200521 Acórdão n.º 330101.470 S3C3T1 Fl. 344 3 Humanos”, “Reforma do Restaurante – Manutenção”, “Reforma e Ampliação de Viveiro – Guaíba”, “Relações Públicas Assessoria de Comunicação”, “Restaurante”, “Segurança Industrial”, “Segurança do Trabalho e Riscos do Processo”, “Serviços Administrativos”, “Serviços Gerais”, “Serviços Técnicos e Meio Ambiente Industrial”, “Substituição da Chaminé da CA BMAN”, “Tecnologia” e “Tecnologia da Informação”; h) serviços vinculados às contas do livro Razão intituladas: “Serviços de Limpeza (323411)”, “Serviços de Reprografia (323418)”, “Serviços Profissionais Ambientais (323412)”, “Serviços Profissionais Apoio em Recursos Humanos (323423)”, “Serviços Profissionais Auditorias (323409)”, “Serviços Profissionais Consultorias (323401)”, “Serviços Profissionais Informática (323410)”, “Serviços Profissionais Técnicas (323402)”, “Serviços Profissionais de Pesquisas (323426)”, “Topografia (323309)”, “Tratamento de Resíduos (323421)” e “Vigilância (323406)”; i) custos com manutenção/abertura de estradas, serviços topográficos e cartográficos, inventário florestal, vigilância, construção e manutenção de cercas e viveiros, coleta de dados, confecção de porteiras e torres de vigilância; j) outros serviços, tais como: apoio, análise, assistência técnica, assessoria, atendimento, coleta de dados, consultoria, diagnósticos, engenharia, inspeções, instalação (mobiliário e informática), levantamentos, mapeamentos, monitoramentos, confecção de projetos, pesquisas e supervisão; l) despesas com empilhadeiras, retroescavadeiras, guinchos (“munck”) e guindastes; m) custos de manutenção civil, pintura, hidrojateamento e limpeza; n) despesas de manutenção de elevadores, com segurança, meio ambiente, remoção de resíduos e cascas, aterros e serviços administrativos (confecção de placas, carteiras, diagramação, “folders”, reprografia, desenhos, despesas de viagem); o) despesas com transporte e movimentação de mercadorias, inclusive, fretes marítimos, ferroviários e rodoviários; p) despesas de consultoria sobre mercado livre de energia, contribuições para a ABRACE e taxas de fiscalização de serviços de energia pagas à ANEEL; q) despesas de locação de ambulâncias e de arrendamento de veículos para transporte de pessoal; e, r) e outras despesas tais como: tais como: hospedagem de empregados, material de escritório, proteção ao trabalhador, manutenção de móveis e utensílios, programa de formação profissional, materiais de escritório e propaganda e publicidade, conforme Parecer e Despacho Decisório às fls. 135/160. Inconformada com aquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 170/182), insistindo no deferimento integral do ressarcimento pleiteado e na compensação do débito declarado, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a) o conceito de insumo deve ser entendido como toda e qualquer matéria prima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, sendo que, no ciclo produtivo do impugnante, as mudas são selecionadas e enviadas para o plantio no campo, e, após o tempo de maturação, as árvores são cortadas e colhidas, processos estes realizados através de diversas atividades (roçada précorte; corte e processamento manual e corte e processamento mecanizado), sendo que, durante toda a fase de silvicultura e de colheita, ocorre o consumo de combustíveis em veículos, máquinas e equipamentos próprios e arrendados ou locados, ou ainda de propriedade e operados por terceiros, que são contratados para a prestação de serviços intrinsecamente ligados à produção, além do que todos os itens ligados a peças de manutenção, itens de reposição e os imprescindíveis equipamentos de segurança são consumidos em significativo valor durante todo o processo produtivo da empresa; b) o combustível, bem como as peças de reposição e de manutenção adquiridos pelo impugnante são totalmente consumidos em máquinas e veículos próprios, locados, arrendados e de propriedade de terceiros quando da execução dos serviços contratados na área do impugnante e exclusivamente para o Fl. 345DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 impugnante, sendo que, sem eles não há como produzir a celulose, revestindo dessa forma não apenas o combustível, mas também todos os demais insumos equivocadamente glosados pela fiscalização, de indiscutível essencialidade no processo produtivo da empresa, conforme entendimento das: Solução de Consulta n° 260, de 26/09/2008; Solução de Consulta n° 85, de 07/04/2008; Solução de Consulta n° 72, de 04/09/2006; c) também não há que se falar em glosa de créditos de COFINS, decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas [nãotributadas] pela COFINS pela sistemática da cumulatividade, conforme entendimento do STJ para fins de crédito presumido de IPI (cf. Resp n° 1008021/CE; Resp n° 617.733/CE; Resp n° 813.280/SC), conceito posto para insumo que o impugnante pega emprestado para a apuração da COFINS; d) ante o exposto, requerse a reforma do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES n° 1.529/2009, para que seja homologado todo o ressarcimento de crédito de COFINS constante deste processo nº 11543.100053/200521, assim como homologada a compensação do processo de cobrança (anexo) n° 10783.721263/200996 (v. fls. 154/158), ou, caso não seja esse o entendimento, que o referido processo seja convertido em diligência, para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1331.266, datado de 03/09/2010, às fls. 227/242, sob as seguintes ementas: “COFINS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Na aquisição de bens e serviços, não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de produtos destinados à venda, ou na prestação de serviços, é cabível a manutenção da glosa promovida na base de cálculo de créditos da COFINS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O transporte de insumos, produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da COFINS com incidência nãocumulativa. COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÕES SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. FERTILIZANTES E CONGÊNERES. CARVÃO MINERAL. A partir do advento da Lei n° 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei n° 10.833, de 2003, não mais se poderá apropriar créditos relativos à COFINS, decorrentes de aquisições de mercadorias não sujeitas ao pagamento da contribuição, inclusive quando adquiridas com alíquota zero, utilizadas na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências que considerar prescindíveis ou impraticáveis, Fl. 346DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11543.100053/200521 Acórdão n.º 330101.470 S3C3T1 Fl. 345 5 fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (256/270) requerendo a sua reforma a fim que se reconheça, na íntegra, seu direito aos créditos da Cofins declarado no Per/Dcomp e homologue a compensação do débito declarado, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. No Parecer Seort/DRF/VIT/ES às fls. 135/159 e na decisão recorrida, estão discriminados detalhadamente as rubricas dos custos e despesas cujos créditos da Cofins não cumulativa foram glosadas pela autoridade administrativa sob o fundamento de que: a) despesas de fretes não relacionadas com operação de venda não geram créditos; b) insumos não tributados pela Cofins não geram créditos; c) insumos importados sob o regime de drawback, também não geram créditos; e, d) os demais custos e despesas não estão relacionados diretamente com o processo produtivo e, portanto, não geram créditos. Em seu recurso voluntário, a recorrente se limitou a repetir os argumentos expendidos na manifestação de conformidade, ou seja, afirmando de forma genérica que todos custos/despesas sobre os quais apurou o ressarcimento pleiteado constituem insumos utilizados no seu processo produtivo, sem, contudo demonstrar tal alegação, destacando os custos e despesas com o custeio agrícola da madeira (matériaprima), os custos com peças de reposição e equipamentos de segurança, despesas com manutenção e custos com combustíveis e, ainda, a sustentando que fato de a contribuição não ter incidido nas aquisições de bens e serviços não impede o crédito do seu valor, como se devido fosse. A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que instituiu a Cofins com incidência não cumulativa assim dispõe quanto aos créditos passiveis de descontos da contribuição apurado no mês /e ou de ressarcimento do saldo credor trimestral: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 347DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...). § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 348DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11543.100053/200521 Acórdão n.º 330101.470 S3C3T1 Fl. 346 7 (...). § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...).” Segundo estes dispositivos legais, dão direito a créditos os bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes e as despesas com armazenagem e frete na operação de venda. Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Já o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação, aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. Dessa forma, devem ser mantidas as glosas efetuadas sobre os custos e despesas com: I) aquisições de insumos não tributados pela Cofins, inclusive tributados à alíquota zero, discriminados nos itens “b” e “c” do relatório deste processo; II) insumos importados, item “e” do relatório; III) os serviços discriminados no item “f” do relatório; IV) os serviços discriminados no item “g” do relatório; V) os serviços discriminados no item “h” do relatório; VI) os serviços discriminados no item “i” do relatório; VII) os serviços discriminados no item “j” do relatório; VIII) os serviços discriminados no item “m” do relatório; IX) com os serviços discriminados no item “n” do relatório; X) os serviços de consultaria e taxas, discriminados no item “p” do relatório; XI) locação de ambulância e arrendamento de veículos para transporte de pessoas, discriminados no item “q” do relatório; XII) outras despesas; e, ainda, as despesas com restroescavadeiras, todos por não serem imprescindíveis ao processo de produção da recorrente. Embora sejam necessários à atividade da empresa, não constituem insumos utilizados no seu processo produtivo nem imprescindíveis à produção de celulose, produto fabricado pela recorrente. Também, com fundamento no referido dispositivo legal, deverão ser restabelecidos os valores das glosas sobre os custos e despesas com: I) combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações para transporte de celulose, item “a” do relatório deste processo; II) óleos lubrificantes, agentes de limpeza e outros produtos utilizados na retifica de faca e manutenção de máquinas, item “d” do relatório; III) empilhadeiras, guinchos “munck” e guindastes; e, IV) transporte e movimentação de mercadorias, e fretes, item “o” do relatório; todos por serem imprescindíveis ao processo de produção da recorrente e na operação de venda de seu produto, enquadrandose no art. 3º, incisos II e IX, citados e transcritos anteriormente. Já em relação aos custos/despesas para formação de florestas, ou seja, para o custeio da produção de toras (madeira) para fabricação de celulose, embora estejam relacionados diretamente ao processo produtivo da recorrente, não geram créditos de Cofins porque são contabilizados ativo permanente, mais especificamente no ativo imobilizado sob a rubrica “Florestas” e/ ou “Formação de Florestas”. Assim, a medida em que são incorridos são incorporados àquele ativo e contabilizados no imobilizado, nos termos da Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, que assim dispõe: “Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a Fl. 349DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. § 1º No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos: a) ativo circulante; b) ativo realizável a longo prazo; c) ativo permanente, dividido em investimentos, ativo imobilizado e ativo diferido. (...). Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...); IV no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial; (...). Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...). V – os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; (...). § 2º A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (...). c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração.” Ora, segundo estes dispositivos legais, florestas representam um bem do ativo imobilizado e o valor da sua aquisição ou formação jamais será computado como despesa ou custo de produção e sim a despesa/custo de sua amortização/exaustão. Dessa forma, segundo o inciso III do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente, no caso de bens do ativo imobilizado, florestas e/ ou formação de florestas, o custo a ser considerado, para se apurar créditos de Cofins a serem descontados da contribuição, apurada mensalmente, o valor da amortização/exaustão mensal, calculada sobre o valor contábil do bem e de seu ciclo produtivo, e não valor dos custos e despesas incorridos para sua formação. A título de informação, em julgamento sobre esta mesma matéria, créditos de Cofins sobre custos com formação de florestas, a Segunda Turma da Primeira Câmara desta Fl. 350DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11543.100053/200521 Acórdão n.º 330101.470 S3C3T1 Fl. 347 9 Terceira Seção do Carf, teve este mesmo entendimento, nos termos do acórdão nº 310201.148, datado de 09/08/2011, assim ementado: “FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos inerentes ao plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computados como despesa.” Quanto à homologação da compensação de débito fiscal vencido com créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a transmissão de Dcomp, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). “§ 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”.(Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Redação dada pela MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002). (...).” Conforme se verifica deste dispositivo legal, a compensação, mediante a entrega e/ ou transmissão de Dcomp, assim como a sua homologação, depende da certeza e liquidez dos créditos financeiros nela declarados. No presente caso, a recorrente faz jus ao ressarcimento suplementar de parte do crédito financeiro declarado nas Dcomp em discussão. Assim, deve ser homologada a compensação de parte do débito declarado até o limite do crédito suplementar reconhecido. Em face de todo o exposto e de tudo o mais que conta dos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos de Cofins sobre: a) combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações para transporte de papel e celulose; b) óleos lubrificantes, agentes de limpeza e outros produtos utilizados na retífica de facas do picador de cavacos e na limpeza das máquinas do processo produtivo; c) despesas com transporte e movimentação de mercadorias, inclusive, fretes marítimos, ferroviários e rodoviários; e, d) despesas com serviços de empilhadeiras, guinchos e guindastes; mantendo as glosas sobre os demais custos e despesas, cabendo à autoridade administrativa competente restabelecer os valores glosados sobre estes itens, apurar o valor do ressarcimento suplementar e homologar a compensação do débito tributário declarado até o limite apurado, exigindose o saldo nãoextinto pela homologação ora determinada. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 352DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10882.000776/2007-80
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS. OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA NA MODALIDADE TOTAL.
O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na prestação de serviços, em geral, inclusive obras de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão-de-obra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, não sendo assim considerados os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra.
Numero da decisão: 1801-001.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, João Carlos de Figueiredo Neto e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira acompanham pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS. OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA NA MODALIDADE TOTAL. O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na prestação de serviços, em geral, inclusive obras de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão-de-obra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, não sendo assim considerados os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS. OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA NA MODALIDADE TOTAL. O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na prestação de serviços, em geral, inclusive obras de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, não sendo assim considerados os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, João Carlos de Figueiredo Neto e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira acompanham pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 07 76 /2 00 7- 80 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0528.464/07 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, fls. 297 a 308, que decidiu julgar procedente em parte o lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2002, por aplicação indevida de coeficiente de determinação do Lucro Presumido, incidente sobre a receita bruta, no valor de R$ 717.544,02, incluídos os acréscimos legais regulares. Argumenta a fiscalização que sobre a receita auferida da prestação de serviços o coeficiente correto é 32%, e não 8%, utilizado pela contribuinte ao apurar o Lucro Presumido. O auditor fiscal explica no Termo de Verificações, parte integrante do Auto de Infração, fls. 100 a 102, que a empresa foi intimada a esclarecer o porquê de se enquadrar em “ramo auxiliar da construção civil”, em vista dos documentos apresentados no curso da ação fiscal. Mediante a apresentação dos documentos solicitados – tabela de discriminação de custos, contratos de prestação de serviços, NF de locação e de materiais – e esclarecimentos prestados pela fiscalizada, concluiuse que a empresa não pertence ao ramo auxiliar da construção civil, havendo se valido do percentual de 8% para apurar o Lucro Presumido de forma indevida. Elaborouse, então, planilhas de recomposição das bases de cálculo para apuração do IRPJ relativo ao anocalendário de 2002 e foi lavrado o Auto de Infração ora contestado. A empresa apresenta a impugnação, fls. 113 a 136, argüindo, em preliminar, decadência do 1º trimestre de 2002. No mérito, defende que não basta o fato de a receita bruta advir de prestação de serviços, para aplicar o coeficiente de 32%, mas é necessário verificarse a rentabilidade da atividade, ou seja, quanto maior o custo, menor o coeficiente a ser aplicado na apuração do Lucro Presumido. Esclarece que o custo incorrido pela empresa no ano em questão foi da ordem de R$ 3.629.798,20, enquanto a receita pela prestação de serviços montou em R$ 4.739.571,12, e o lucro líquido importou 13,17%, inadmitindose a aplicação do coeficiente de 32% e não de 8%. Alega que o coeficiente de 32% é próprio para as empresas que auferem receitas da atividade intelectual e que, no seu caso, o maior custo incorrido é a utilização de mãodeobra não intelectual (47,17% dos custos). No Contrato Social o objeto da empresa está determinado: "Cláusula 3° A sociedade tem como objetivo a prestação de serviços auxiliares da construção civil por empreitada, com emprego de materiais, por conta própria e de terceiros, em especial aos relacionados com técnicas de contenção de solos em cortes e aterros nos sistemas viários e áreas industriais, com revestimento vegetal pelo processo de hidrossenteadura, bem como a prestação de outros serviços complementares e da mesma natureza; conservação rodoferroviárias; recuperações ambientais e limpeza de rotina dos elementos que compõem o sistema rodoviário ". Discrimina os objetos dos contratos firmados no intuito de comprovar que “...os serviços prestados pela requerente são específicos e intimamente ligados à manutenção e conservação de construção de custos elevados...”. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.000776/200780 Acórdão n.º 1801001.349 S1TE01 Fl. 3 3 Contesta a aplicação dos juros à taxa Selic. A Turma Julgadora acatou a preliminar de decadência do 1º trimestre do ano calendário de 2002, em vista da ciência da autuação haver ocorrido em 12/04/2007. No que respeita ao mérito, após transcrever os artigos 518 e 519 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99) e o artigo 3º da Instrução Normativa (IN) SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, concluiu que: “De imediato, vêse que a prestação de serviços gerais, de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas e de serviços de construção civil, este último quando houver emprego unicamente de mãodeobra, enseja a aplicação da alíquota de 32% (trinta e dois por cento). Especificamente no caso de construção civil, a alíquota aplicável será de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra (Ato Declaratório Normativo COSIT n° 06, de 1997).” (grifos pertencem ao original) Após valerse dos conceitos inseridos na IN SRF nº 480/04 sobre serviços prestados com emprego de materiais, e na IN INSS/DC nº 69/02, a respeito de cessão de mão de obra, construção civil e serviço de construção civil, urbanismo, limpeza e conservação, mantidos na IN RFB nº 971/09, parcialmente transcrita, conclui: “Dos conceitos acima transcritos, vêse que o serviço de limpeza, conservação e zeladoria de rodovias e vias públicas, os quais se constituem em varrição, lavagem, enceramento ou outros serviços destinados a manter a higiene, não se confunde com o serviço de construção civil, o qual envolve a construção, demolição, reforma ou acréscimo de edificações ou de qualquer benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo ou obras complementares que se integrem a esse conjunto. Vêse, também, que, no caso de construção civil, a empreitada total requer seja celebrada, exclusivamente, com empresa construtora, assim definida a pessoa jurídica legalmente constituída, cujo objeto social seja a indústria de construção civil, com registro no Crea, na forma do art. 59 da Lei n° 5.194, de 24 de dezembro de 1966, sendo esta condição, portanto, juntamente com o fornecimento de materiais, necessária para caracterizar a hipótese da aplicação da alíquota de 8% na presunção do lucro presumido, consoante esclarece o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 6, de 1997.” (grifos pertencem ao original) Esclarece, ainda, quanto às empresas cujas atividades são aquelas inerentes às profissões legalmente regulamentadas (IN SRF nº 23/86) para analisar a possibilidade de aplicação do coeficiente de 16% preceituado nos §§ 4º e 5º do art. 519 do RIR/99: “Como visto do Parecer Normativo CST n° 8, de 1986, as obras de construção em geral, constituem exceção à profissão de Engenharia, listada na Instrução Normativa SRF n° 23, de 1986, que define as profissões legalmente regulamentadas. A atividade mencionada no parágrafo anterior, portanto, não sendo caracterizada como decorrente de profissões legalmente regulamentadas e enquadrandose no conceito de prestação de serviço geral, admite a aplicação do Fl. 371DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 percentual reduzido, de 16% (dezesseis por cento), quando a receita bruta anual não ultrapassar a cento e vinte mil reais. Já o serviço de recomposição vegetal e limpeza de canais, em que pese enquadrarse no ramo de construção civil, conceituase especificamente como urbanização, como visto da legislação transcrita (IN RFB n° 971, de 2009, art. 322, =VIII), a qual caracteriza atividade profissional legalmente regulamentada (urbanismo), nos termos do Parecer Normativo CST n° 8, de 1986, sujeita, portanto, ao percentual de 32%, na determinação do lucro presumido.” (grifos pertencem ao original) Cita diversas consultas administrativas a respeito da questão. Discrimina as atividades prestadas pela empresa em cada contrato pertinente à autuação e as resume em “...terraplanagem, de recomposição vegetal, de limpeza de canais, de remoção de lixo e conservação do sistema rodoviário.” Explica analiticamente o porquê de defender a aplicação do coeficiente de 32% a cada uma destas atividades – v. fls. 307 e vº. Por fim, afasta a contestação sobre os juros calculados à taxa Selic e as argüições de inconstitucionalidade, por serem matérias já sumuladas por este Conselho – Carf. A empresa interpôs tempestivamente (AR – 26/04/10, fls 311; Recurso – 24/05/10, fls. 313) o Recurso de fls. 313 a 336, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: 1) não contesta a legalidade dos artigos 518 e 519 do RIR/99, mas o IRPJ tem por princípio a tributação da renda, ou seja, aquela parcela que restou do faturamento após a dedução de custos e despesas; tributar valor diferente deste resultado caracteriza confisco, não permitido pela legislação; 2) em nenhum momento da impugnação foi aventado pela recorrente ser uma sociedade civil de profissão legalmente regulamentada ou foi cogitado o direito de se aplicar o percentual de 16% na determinação do Lucro Presumido; 3) a empresa presta serviços de construção civil e por esta razão o coeficiente a ser aplicado é de 8%; 4) a alínea “c” do artigo 1º da Lei nº 5.194/66 que regula o exercício das profissões de engenheiro, arquiteto e engenheiroagrônomo, comporta o termo edificações (grifado), o que exige a presença de um engenheiro responsável, não implicando necessariamente que os serviços prestados pela empresa devam ser caracterizados como de atividade profissional legalmente regulamentada; a inscrição da empresa no CREA também não comprova esta natureza de atividades; 5) rejeita a aplicação dos conceitos inseridos na IN RFB nº 971/2009, utilizados para afastar a recorrente do conceito de empreiteira na modalidade total, mormente o conceito de urbanização – como execução de obras e serviços de infraestrutura na área urbana, porque não presta serviços na área urbana, e os fatos do processo são anteriores à sua edição; 6) “remoção de lixo” e “coleta de lixo e varrição de vias públicas” são atividades diversas; a recorrente não “coleta lixo” e a atividade de remoção do lixo não foi realizada de forma isolada, fato que afasta a aplicação da consulta utilizada no acórdão vergastado; 7) “terraplanagem” – a transcrição parcial do contrato ADJ nº 238/02, no voto condutor, faz concluir que à própria construção civil deve ser aplicado o coeficiente de 32%; esta atividade também não foi praticada isoladamente, mas o contrato também prevê “...prestação de serviços de manutenção dos Dispositivos de Drenagem, Elementos de Segurança, Terraplanagem, Limpeza e Remoção de Lixo...”. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.000776/200780 Acórdão n.º 1801001.349 S1TE01 Fl. 4 5 É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Cuida o presente litígio de estabelecerse se a recorrente faz jus à aplicação do coeficiente de 8% na apuração do Lucro Presumido, como praticava, ou deve ser aplicado o coeficiente de 32%, bem como, necessariamente, decidirse se as atividades realizadas pela empresa são inerentes à construção civil, em sua modalidade total, com o emprego de todo o material por sua conta. A empresa, pois, se qualificou como prestadora de serviços no ramo da construção civil e por esta razão entende estar correto o coeficiente de 8%. Mas, primeiramente, cumpre abordar a questão trazida na peça recursal sobre a impossibilidade tributária de incidência do tributo diretamente sobre o faturamento, e não propriamente sobre o lucro líquido. Esta questão força esclarecimentos quanto às formas de apuração do lucro pelos contribuintes. Ressaltese, como constou no acórdão recorrido, que as normas concernentes a este assunto não foram consideradas inconstitucionais, estando em vigência plena e que não cabe às autoridades administrativas de julgamento fazer incursões sobre a sua constitucionalidade, ou não. A legislação tributária prevê algumas modalidades de apuração de lucro e incidência de tributos – pelo Lucro Real, pelo Lucro Presumido, pelo Lucro Arbitrado, pelo Simples Nacional. Os diversos regimes de tributação estão regrados, precipuamente, nos artigos 220 a 247, 516 a 520, 530 e 531 e na Lei Complementar nº 123/07, respectivamente. A legislação tributária impõe regras que permitem, ou não, os contribuintes optarem pelo regime que melhor se adapta a sua realidade negocial. No presente caso, a recorrente fez a sua opção explícita pela apuração do Lucro Presumido. O raciocínio esposado no recurso, faturamento menos custos e deduções, igual ao lucro a ser tributado, consiste, em simples modo de falar, na apuração do Lucro Real, regime de tributação que poderia ter sido escolhido pela recorrente, mas não foi. Feita a opção pelo regime do Lucro Presumido, deve se sujeitar às regras estabelecidas nas normas para esta modalidade de apuração. Se os custos da recorrente comprometem o lucro da empresa, o regime de tributação a ser escolhido deveria ser a apuração Real do lucro e não a forma Presumida; mas a Administração Tributária não pode interferir na opção feita pela recorrente, ou alterála. A própria norma tributária veda a modificação do regime de tributação da forma Presumida para a forma Real – art. 516, §§ 1º, 3º e 4º, RIR/99: Fl. 373DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 § 1 º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei n º 9.718, de 1998, art. 13, § 1 º ). [...] § 3 º A pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido. § 4 º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei n º 9.430, de 1996, art. 26, § 1 º ). Superada esta questão, há que se debater sobre o coeficiente a ser aplicado à receita bruta da empresa para apurarse o Lucro Presumido. Não custa retranscrever os artigos pertinentes à forma de apuração do Lucro Presumido – RIR/99: Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei n º 9.718, de 1998, art. 13). Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Dispõe o artigo 519: Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1 º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º): [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] § 3 o No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 2º). Conceito legal tributário de “receita bruta”: Fl. 374DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.000776/200780 Acórdão n.º 1801001.349 S1TE01 Fl. 5 7 Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n º 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei n º 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Esta é a legislação básica que regra o regime de tributação de apuração do Lucro Presumido. Notase que a respeito dos coeficientes, a tese defendida pela recorrente de que o coeficiente a ser aplicado deve atender à relação custo versus faturamento, e rentabilidade da empresa, não tem respaldo legal. Nem é defendida de forma uníssona pela jurisprudência administrativa, razões pelas quais, afastase de plano. Observo nos autos que a recorrente, a despeito do que dita a norma acima transcrita, ao prestar serviços de diversas naturezas, gerais, não cuidou de segregar as receitas provenientes dos serviços gerais propriamente ditos daqueles que podem ser considerados de obra de construção civil. Antes, a recorrente considerou todos os serviços prestados como englobados na construção civil. Este procedimento é inadmissível. As prestações de serviços realizadas pela empresa e destacadas são remoção de lixo, limpeza de canais, conservação do sistema rodoviário, terraplanagem e recomposição vegetal. Ora, a remoção de lixo pode não se confundir com a coleta de lixo e varrição de vias públicas, como contesta a recorrente, mas tampouco pode ser considerada atividade de construção civil, bem como as atividades de limpeza de canais, conservação do sistema rodoviário e terraplanagem (acomodação de terras). Em nenhuma destas atividades há obra de construção civil em qualquer de suas modalidades, ou seja, construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo1 IN INSS/DC nº 69/02. A recorrente limitase a atacar o acórdão recorrido instando que o coeficiente a ser aplicado é de 8%, mas não justifica o porquê de tais serviços serem enquadrados como obras de construção civil, o que poderia justificar a aplicação deste coeficiente. Contesta as Soluções de Consultas citadas no acórdão combatido. As Soluções não constituem normas infralegais erga omnes, mas serviram para nortear a convicção da turma julgadora, por aplicáveis ou pronunciadas em casos análogos ao litígio proposto, não comportando críticas que invalidem a decisão colegiada. O julgador é livre para formar a sua convicção (art. 29 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF). O acórdão recorrido fundamentouse, ainda, nas disposições da IN SRF nº 93/97 (art. 3º, § 1º, IV, “a”, “d” e “f”), IN SRF nº 480/04, ADN Cosit nº 06/97, IN INSS/DC nº 69/02. Observo que a indignação pelo uso dos conceitos inseridos na IN RFB nº 971/2009 não devem prevalecer, visto que as instruções normativas restringemse a interpretar o que a norma 1 Obra de construção civil: é a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. http://www.receita.fazenda.gov.br/previdencia/constrcivil.htm Fl. 375DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 tributária dispõe, e, por ter natureza interpretativa, não constitutiva, seus efeitos são ex tunc, ou seja, retroagem à data do ato normativo. Ademais, como explicitado no votocondutor, esta IN reproduziu os termos já inseridos na IN INSS/DC nº 69/02, vigente à época dos fatos. No que respeita à obra de recomposição vegetal, entendo ser cabível a discussão do seu enquadramento, ou não, no conceito de obra de construção civil, visto comportar uma benfeitoria agregada ao solo. Ou considerar mera prestação de serviço de jardinagem. Pela redação do artigo 1º, §7º, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 480/04, depreendese que o conceito de construção civil, na modalidade total, o empreeiteiro fornece todos os materiais indispensáveis à sua execução sendo incorporados à obra, o que não inclui os instrumentos de trabalho e materiais utilizados nesta execução (§9º): [...] § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: [...] II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. O Ato Declaratório Normativo nº 06, de 19972, que versa sobre o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada, declara: INa atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a)8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b)32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. No inciso II deste ADE, foi ressalvado: 2 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIIIIRPJLucroPresumido2011.pdf Fl. 376DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10882.000776/200780 Acórdão n.º 1801001.349 S1TE01 Fl. 6 9 I I As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. No entanto, em um estudo mais acurado, salientese que a vedação é para as pessoas jurídicas que exercem as atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis, as quais não poderão optar pelo lucro presumido enquanto não concluídas as operações imobiliárias para as quais haja registro de custo orçado (IN SRF nº25, de 1999, art. 2º). Concluo que há certa contradição entre as orientações inseridas na Instrução Normativa RFB nº 971/09 e as disposições do ADN retro transcrito (cujos termos estão publicados no “Perguntas e Respostas” – DIPJ/11), e na IN SRF nº 480/04, no tocante ao conceito sobre obra de construção civil na modalidade total, defendida no acórdão guerreado como sendo a empreitada total, os contratos exclusivamente celebrados com empresa construtora, e, por isso, estaria excluída a possibilidade da recorrente usufruir do coeficiente mais benéfico. Divirjo neste ponto do raciocínio esposado da turma julgadora, não por faltar fundamentação bem colhida na razão de decidir, mas por causa da ausência de norma interpretativa, ou mesmo normativa, mais clara e específica para o tema. Destarte, no entendimento ora tecido, os únicos serviços prestados pela recorrente que podem ser admitidos como obra de construção civil é a recomposição vegetal nos serviços prestados de conservação das rodovias. Mas, a questão não pode estancar somente neste aspecto. Há que se verificar se os valores recebidos pela recorrente, por esta prestação de serviço determinada, foram dissociados dos demais serviços gerais prestados nos contratos firmados e se o custo das plantas utilizadas no reflorestamento foram arcadas pela recorrente, em sua totalidade, sob o risco de se desqualificar do conceito de empreitada, na modalidade total – segundo o ADN RFB nº 06/97 e os §§ 7º, II, e 9º da IN SRF nº 480/04 (quando o empreiteiro fornece todo o material necessário ao cumprimento do contrato, além daqueles normalmente utilizados na execução da obra). Se houve repasse dos valores das mercadorias empregadas no reflorestamento, tratase de prestação de serviços de jardinagem. O contrato “CB – 003 – P/2001”, comprova, neste diapasão, a prestação de serviço com emprego de materiais, sujeita a receita ao coeficiente de 8%, nos termos da legislação ora adotada – reproduzo os termos do próprio acórdão recorrido: CB — 003P/2001: "1.1. O presente. contrato tens como objeto o fornecimento de materiais, equipamentos, insumos e a prestação de serviços de recomposição vegetal do trecho do prolongamento da Rodovia dos Bandeirantes, SP348, (..). 2.1 Os serviços objeto deste Contrato serão realizados através de recomposição florestal heterogênea, com espécies nativas, compreendendo o fornecimento de mudas, repasse de plantio, fornecimento e aplicação de adubo, calcário e herbicida, proteção contra formigas, sulcamento para plantio de mudas, repasse de plantio e rega após o plantio, numa área (..). " (grifos não pertencem ao original) Por curioso, já diferentemente no contrato “ADJ – 170/99”, a prestação de serviços de “Poda Mecanizada e Manual”, não pode ser aplicado o coeficiente de 8%, adotado Fl. 377DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 para as empreitadas, na modalidade total, ou seja, com o fornecimento de todo o material necessário ao cumprimento do contrato, além daqueles normalmente utilizados na execução da obra. De semelhante forma, as receitas auferidas pela prestação de serviços de limpeza de canais, drenagem, limpeza e remoção de lixo, conservação em geral das rodovias, mera manutenção de revestimento vegetal, poda, terraplanagem, não estão sujeitas à aplicação do coeficiente de 8%, mas sim de 32%, estando correta a fiscalização neste procedimento. Em que pese, ser ônus da recorrente dissociar as receitas quando auferidas de atividades diversas, pela natureza imperativa da norma tributária que define os coeficientes e por estarem as receitas, no presente caso, vinculadas a um só contrato, de forma específica, voto pela reforma do acórdão recorrido e exclusão dos valores destas receitas da aplicação do coeficiente de 32% para a apuração do Lucro Presumido, devendo ser mantido o coeficiente originalmente aplicado pela recorrente, em 8%. Voto pelo provimento parcial do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 378DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001031/2008-52
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 19.000,00, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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DESPESAS MÉDICAS. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 19.000,00, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcao Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/RJ2/RJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 10 31 /2 00 8- 52 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.001031/200852 Acórdão n.º 2801002.854 S2TE01 Fl. 61 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Tratase de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em 30/01/2008, contra a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (fls.04/07), da qual o contribuinte foi cientificado em 15/01/2008, que apurou o crédito tributário de R$ 14.175,32, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2005, anocalendário de 2004. De acordo com o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento (fl. 05), foi apurada a Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 24.250,39 pelo(s) motivo(s) a seguir transcrito (s): “DOCUMENTOS APRESENTADOS NÃO PREENCHEM OS REQUISITOS FORMAIS PREVISTOS NO ART. 80, § 1°, ITENS 1, 2 e 3 DO RIR/99. RECIBOS INDEVIDOS: VALORES. R$ 3900,00ROBERTO R$ 3000,00ROSALIA R$ 4000,00 ANTONIO R$ 3000,00 PAOLA R$ 9000,00 EDSON DESPESAS COM PESSOAS NÃO DEPENDENTES NA DECLARAÇÃO BRADESCO SAÚDE R$857,49 ANGELA SANTOS PEREIRA R$492,90 ANTONIO CARLOS C NETO” Alegou o Impugnante, em síntese, que: reconhece o erro, não proposital, relativo à inclusão de sua esposa e enteado na despesa com o Saúde Bradesco, chamando atenção para o fato de que, apesar do AuditorFiscal informar que valor glosado referente a Ângela Santos Ferreira (esposa) foi de R$ 857,49, o valor correto é de R$ 657,49, conforme documento em anexo; segue em anexo a cópia do Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) de R$ 556,47 relativo à parte da glosa do Bradesco Saúde; apresenta novamente os recibos apresentados e refutados pelo Auditor Fiscal, acrescidos dos endereços atualizados dos emitentes, sanando, assim a irregularidade apontada.” Fl. 61DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.001031/200852 Acórdão n.º 2801002.854 S2TE01 Fl. 62 3 A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 36/40, para dar razão ao impugnante quanto à sua alegação de que o valor pago referente à segurada Ângela Santos Ferreira corresponde a R$ 657,49 e não aos R$ 857,49 informados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 18/07/2011 (AR fl. 44), o interessado interpôs o recurso de fls. 46/47, em 08/08/2011. Em sua defesa, requer o restabelecimento da despesas médicas, tendo em vista as declarações ora apresentadas, referentes aos profissionais Antônio C P Sarmento, Edson Gomes de Souza, Rosália Maria Guedes Thomsen e Paola Pantoja Accorsi. Quanto à profissional Roberta de Azevedo Sanches Moraes, informa que não juntou a declaração porque não conseguiu localizar a referida profissional que se mudou de endereço. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à glosa de despesas médicas, referentes aos profissionais Antônio C P Sarmento (R$ 4.000,00), Edson Gomes de Souza (R$ 9.000,00), Rosália Maria Guedes Thomsen (R$ 3.000,00), Paola Pantoja Accorsi (R$ 3.000,00) e Roberta de Azevedo Sanches Moraes (R$ 3.900,00), que foi motivada pelo fato de os recibos apresentados não preencherem os requisitos formais previstos no art. 8º, § 1°, itens 1, 2 e 3 do RIR/99. A decisão recorrida manteve a glosa, uma vez que os recibos apresentados não informam o paciente beneficiário dos serviços realizados. O recorrente apresenta, às fls. 48, 51, 53 e 55, declaração dos profissionais Antônio C P Sarmento, Edson Gomes de Souza, Rosália Maria Guedes Thomsen e Paola Pantoja Accorsi confirmando o recebimento e referindose ao ora recorrente ou a sua dependente (Bruna) como beneficiários dos tratamentos. Neste ponto, portanto, restou suprida a falta apontada, devendo serem restabelecidas as correspondentes deduções que montam R$ 19.000,00. Quanto à falta verificada no recibo emitido por Roberta de Azevedo Sanches Moraes (beneficiário dos serviços prestados), não foi anexado documento que suprisse a falta verificada pelo Fisco. Conforme expressa previsão legal (art. 8º , § 2o , II, da Lei 9.250/95), a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Por este motivo, além da identificação de quem arcou com a despesa, é imprescindível que esteja identificado quem foi o beneficiário do tratamento. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da motivação da glosa, apresentar documentos outros (laudos ou declarações dos profissionais, retificação dos recibos) no sentido de sanar o vício formal nos comprovantes apresentados. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10730.001031/200852 Acórdão n.º 2801002.854 S2TE01 Fl. 63 4 Assim, considero que os recibos de fl. 17 não atenderam às exigências apontadas pela autoridade fiscal, devendo ser mantida a glosa das correspondentes despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer despesas médicas no montante de R$ 19.000,00. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10675.904321/2009-42
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
DECISÃO DEFINITIVA
É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para o recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Numero da decisão: 1801-001.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: RF06 - A03 - Fazendária - Restituição PJ Demais
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 43 21 /2 00 9- 42 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.904321/200942 Acórdão n.º 1801001.341 S1TE01 Fl. 271 2 A Recorrente formalizou o Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 19.07.2005, retificado em 14.03.2007, fls. 0103 e 0610, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$625.020,53 referente ao anocalendário de 2004 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 11, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido, oportunidade em que foi reconhecido o valor de R$192.685,16. A Recorrente foi cientificada em 19.05.2009, fl. 11, e apresentou a manifestação de inconformidade em 18.06.2009, fls. 1830, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita ter o direito creditório integral indicado na Per/Dcomp, tendo em vista o valor total de R$607.587,01 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), que alega estar comprovado, tendo em vista a reorganização societária por cisão total. Discorda do fato de que este valor tenha sido desconsiderado pela RFB. Indica pormenorizadamente todos os valores que entende corretos. Aponta a legislação que fundamenta seu direito creditório e ressalta a necessidade de emissão de um Termo de Intimação prévio. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Desta forma, não pode prevalecer a alegação do julgador monocrático, visto que restou exaustivamente comprovada a existência de crédito legitimo em razão da apuração de saldo negativo de IRPJ do período, bem como o direito à sua compensação pela Manifestante. [...] Isto posto, importante se torna valorizar a verdade real/ material demonstrada nos presentes autos, no sentido de que não ocorreu a imputação aviada pelo despacho decisório, ou seja, efetivamente havia crédito para a compensação realizada pelo contribuinte. [...] Requer que seja revogado o referido Despacho Decisório, para reconhecer o direito creditórió da contribuinte com a conseqüente homologação total das compensações realizadas nos PER/DCOMP de ns. 15595.78047.181005.1.3.020898 42821.95539.100105.1.7.023023. Requer, ainda, a produção posterior de provas, notadamente a juntada de prova documental e perícia contábil, caso assim se faça necessário. Nestes Termos, Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0936.851, de 15.09.2011, fls. 203205:“Manifestação de Inconformidade Procedente em Fl. 271DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.904321/200942 Acórdão n.º 1801001.341 S1TE01 Fl. 272 3 Parte”, para recongecer o direito cresitório referendo ao saldo negativo do anocalendário de 2004 no valor de R$375.078,07. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 CISÃO. IRRF. SALDO NEGATIVO. A empresa que recebe os créditos da cindida, pode usar o IRRF que não foi usado por esta na composição do seu saldo negativo. Notificada em 07.11.2011, fl. 222, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 16.12.2011, fls. 224237, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que foi notificada do ato contrstado em 18.11.2011 e por esta razão o prazo para interposição do recurso findouse somente em 20.12.2011. Conclui Em face do exposto, requer i. recebimento do presente Recurso Voluntário, já que cabível e tempestivo; ii. a reforma do r. Acórdão da 2ª Turma da DRJ/JFApara que sejam confirmadas todas as retenções que foram consideradas na composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 ora comprovadas por meio dos informes de rendimentos e DIRF, bem como sejam integralmente homologadas as DCOMP’s objeto do processo em epígtafe, determinandose a desconstituição do débito objeto do processo de nº 10675.904745/200915. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Em preliminar tem cabimento o exame da alegação da Recorrente de que apresentou o recurso voluntário tempestivamente. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Quando resultar improfícuo este meio, a intimação poderá ser feita por edital publicado na dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, caso em que se considera efetivada 15 (quinze) dias após a Fl. 272DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.904321/200942 Acórdão n.º 1801001.341 S1TE01 Fl. 273 4 publicação do edital, se este for o meio utilizado. No caso de a compensação não ser homolgada, a autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do Despacho Decisório, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. É facultado à Recorrente, no prazo referido apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. Ainda contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Este prazo legal é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considera se definitivo o ato decisório de primeira instância, no caso de esgotado o prazo legal sem que a peça de defesa tenha sido interposta1. Verificase no presente caso que a Recorrente foi notificada em 07.11.2011, fl. 222, e apresentou o recurso voluntário em 16.12.2011, fls. 224237. Essa informação ratificada expressamente no Despacho, fl. 268 A empresa acima apresentou Recurso Voluntário de fls. 224 a 267, em 16/12/2011, fora do prazo de 30 (trinta) dias da ciência do Acórdão n° 0936.851 2ª Turma da DRJ/JFA. Logo, restando evidenciada a apresentação intempestiva da petição, a decisão de primeira instância tornouse definitiva, caso em que o procedimento considerase findo na esfera administrativa. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723677/2010-73
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Quando do confronto das informações prestadas pelo contribuinte e pelas fontes pagadoras restar constatada a omissão de rendimentos, e não havendo elemento de prova que a descaracterize, cabível a exigência de ofício do crédito tributário apurado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Quando do confronto das informações prestadas pelo contribuinte e pelas fontes pagadoras restar constatada a omissão de rendimentos, e não havendo elemento de prova que a descaracterize, cabível a exigência de ofício do crédito tributário apurado. Recurso Voluntário Negado.
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INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO CONTRÁRIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Quando do confronto das informações prestadas pelo contribuinte e pelas fontes pagadoras restar constatada a omissão de rendimentos, e não havendo elemento de prova que a descaracterize, cabível a exigência de ofício do crédito tributário apurado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 77 /2 01 0- 73 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11080.723677/201073 Acórdão n.º 2801002.909 S2TE01 Fl. 85 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/POA/RS. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “O interessado acima qualificado recebeu a notificação de lançamento em que foi lhe exigido o imposto suplementar no valor de R$ 10.378,37, relativo ao anocalendário 2007, em virtude da apuração de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal(fls. 07 a 10) O contribuinte, à fl. 02, impugna total e tempestivamente o lançamento, juntando documentos, e fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. Omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas jurídicas. A imobiliária forneceu o comprovante anual, informando como fonte pagadora a empresa Trimarino Restaurante Ltda, CNPJ 04.430.366/000151. No entanto, apresentou a DIMOB, informando que a fonte pagadora é La Pizza Mia Ltda, CNPJ 05.420.030/000170. Foi declarado pelo contribuinte, tendo como fonte pagadora Trimarino Restaurante Ltda, o valor de R$ 21.184,50, e na declaração do cônjuge Fani T. Schroder, o valor de R$ 18.265,14, líquido da comissão da imobiliária. Somando os valores declarados pelo contribuinte e pelo cônjuge, Fani T. Schroder, resta uma diferença de R$ 4.677,08. O contribuinte solicita prioridade no julgamento, com base no Estatuto do Idoso.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 51/53, que restou assim ementado: RENDIMENTOS DE BENS COMUNS. Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de cem por cento dos que lhes forem próprios e cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO. Constatandose que o contribuinte tenha mais de 60 anos, concedese a ele o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), que assegura prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11080.723677/201073 Acórdão n.º 2801002.909 S2TE01 Fl. 86 3 que figure como parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 10/08/2011 (AR fl. 57), o interessado interpôs o recurso de fls. 59/60, em 02/09/2011. Em sua defesa, aduz que a decisão recorrida cancelou apenas 50% do imposto suplementar pelo fato de não terem sido juntados elementos aos autos que comprovassem que a outra parte foi tributada pelo Cônjuge – Fani Terezinha Schroder. Assim, junta aos autos a DIRPF do Cônjuge pretendendo seja cancelado o crédito tributário remanescente. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente entendeu, equivocadamente, que a decisão recorrida manteve parcialmente o lançamento pelo fato de não ter sido comprovado que 50% dos rendimentos tidos como omitidos foi tributada pelo Cônjuge – Fani Terezinha Schroder. Observese que a decisão de primeira instância concluiu que apenas 50% dos rendimentos considerado omitidos devem ser levados a efeito no presente caso, tendo em vista que o contribuinte tributou 50% dos rendimentos produzidos pelos bens comuns em sua declaração, na forma do que dispõe o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), em seu artigo 6°. Entretanto, ficou decidido no acórdão recorrido que os elementos constantes dos autos não permitem concluir que a fonte pagadora La Pizza Mia Ltda., CNPJ 05.420.030/000170, é a mesma fonte pagadora declarada Trimarino Restaurante Ltda, CNPJ 04.430.366/00151, da qual tributou o valor de R$ 21.184,50, líquido da comissão da imobiliária, à razão de 50% dos rendimentos produzidos por bem comum. De fato, examinando os documentos de fls. 30/48, não merece acolhida a justificativa do contribuinte, mormente considerando os termos do “Aditivo Contratual” datado de 10/06/2009, à fl. 48”, a seguir transcritos: “As partes, de um lado, como LOCADOS, JOEL SCHRODER, representado por sua procuradora Locatto Assessoria Imobiliária Ltda, com sede nesta capital, na Av. Otávio Rocha, 22, conj. 107, e de outro, como LOCATÁRIA, TRIMARINO RESTAURANTE LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n° 04.430.366/000151 resolvem o que segue, no tocante à locação do imóvel localizado na Rua João Alfredo, 208, em Porto AlegreRS: “1 A locatária em razão de sucessivas alterações de sócios e alterações da sociedade, resolvem alterar o nome da locatária para M M C PIZZAS LTDA, CNPJ 10.320.712/000141, Fl. 86DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 11080.723677/201073 Acórdão n.º 2801002.909 S2TE01 Fl. 87 4 representada pelos sócios Celomar Walter Sehwain e Miguel Angel Marino Rossignuolo, sendo que o sócio da antiga locatária, hoje inativa, TRIMARINO RESATAURANTE LTDA, Sr. Firmo Wilson Alvarez Braga concorda com a referida alteração. 2 Permanecem inalteradas as demais cláusulas do contrato de locação, inclusive os mesmos fiadores instituídos em 26/05/04, que aqui anuem e lançam suas assinaturas.”(grifos acrescidos) Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 87DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/02/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.001659/2010-23
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2009
ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO COMPROVAÇÃO
É devida a contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, a qualquer título, na forma da Lei n.° 8.212/91, pelas entidades que não comprovem o pleno atendimento aos requisitos necessários à isenção de contribuições para a seguridade social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2009 ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO COMPROVAÇÃO É devida a contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, a qualquer título, na forma da Lei n.° 8.212/91, pelas entidades que não comprovem o pleno atendimento aos requisitos necessários à isenção de contribuições para a seguridade social. Recurso Voluntário Negado
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NÃO COMPROVAÇÃO É devida a contribuição previdenciária patronal sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, a qualquer título, na forma da Lei n.° 8.212/91, pelas entidades que não comprovem o pleno atendimento aos requisitos necessários à isenção de contribuições para a seguridade social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 16 59 /2 01 0- 23 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11634.001659/201023 Acórdão n.º 2803002.051 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11634.001659/201023 Acórdão n.º 2803002.051 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a segurados empregados, apuradas em razão da comprovação de que a empresa não se enquadrava como isenta, não possuindo o Certificado de Entidade de Beneficente de Assistência Social (CEAS). O auto se refere a parte de terceiros. O r. acórdão – fls 71 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Equivocase o INSS, sendo que o Hospital São Vicente de Paula presta atendimento ao público carente há mais de 70 anos, sempre foi entidade filantrópica atendendo ao público, especialmente hoje no sistema de SUS, sempre teve Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), e nunca recolheu a contribuição social patronal. Por isso, é imune ao pagamento da cota patronal, conforme determina o artigo 14 do Código Tributário Nacional. · No momento o Hospital não possui o Certificado de Entidade de Beneficente de Assistência Social (CEAS), mas possui a Certidão de Utilidade Pública Federal, mas a Diretoria do Hospital está providenciando toda a documentação, além da que se junta nesta oportunidade, os quais comprovam de que a entidade é filantrópica e reúne todos os requisitos, aplicação do dinheiro recebido de verbas de subvenções pública dentro do hospital e uma contabilidade correta. · Requer seja deferido um prazo de 60 dias para a regularidade de apresentação da CEAS, sendo mérito a nulidade do auto de infração, por ser medida de inteira Justiça. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11634.001659/201023 Acórdão n.º 2803002.051 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A recorrente foi autuada em razão da falta de recolhimento da parcela devido a terceiros, em razão dos pagamentos aos seus empregados, uma vez que entendia se enquadrar como entidade beneficente de assistência social em gozo de isenção previdenciária, mas não possuía os requisitos para tal, senão vejamos. Temos como fato incontroverso, reconhecido pela recorrente, a ausência do Certificado de Entidade de Beneficente de Assistência Social (CEAS), um dos documentos necessários à configuração de entidade beneficente isenta, conforme art 55 da lei 8212/91, vigente à época dos fatos geradores 01/04/2006 a 31/12/2006, 01/06/2007 a 30/11/2008, reproduzimos. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação alterada pela MP n°2.1296, de 23/02/01, reeditada até a MP n°2.18713 de 24/08/01, em tramitação na forma da EC n° 32/01) ... § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Diante este quadro, reconhece a falha e requer um prazo para sua regularização, o que não encontra respaldo no ordenamento jurídico vigente, devendo ser indeferido o que solicitado. Fica assim demonstrado que o contribuinte não trouxe elementos e nem apresentou provas que desconstituísse o que confirmado pela decisão de primeiro grau e, uma vez não comprovado o direito à isenção previdenciária, temos a procedência da autuação. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 11634.001659/201023 Acórdão n.º 2803002.051 S2TE03 Fl. 6 5 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720068/2011-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2007, 2008, 2009
ERRO DO CONTADOR. INOPONIBILIDADE AO FISCO
Se o contador da empresa incorreu em erro na escrituração do contribuinte, poderá responder perante a entidade profissional e também perante o Poder Judiciário, pelos danos causados. No entanto, o descumprimento da relação contratual existente entre a empresa e o profissional contabilista não é oponível ao Fisco, mormente num caso em que a empresa reconhece a existência do contador como tendo sido o profissional livremente escolhido
por ela. A Recorrente é responsável pelas escolhas que realiza, inclusive com relação ao profissional que contrata para cuidar de área tão importante do seu negócio.
ALTERAÇÃO DO REGIME FISCAL IMPOSSIBILIDADE.
Não pode o auditor fiscal, quando da lavratura do auto de infração, alterar o regime de opção do contribuinte para aplicar outro regime, salvo nas hipóteses impostas pela lei.
OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES VULTOSOS. REITERAÇÃO. INTUITO DOLOSO. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
A prática de omissão de receitas em valores vultosos em relação às receitas declaradas, de maneira reiterada e com o claro objetivo de evitar o pagamento de tributos federais, configura o dolo da contribuinte e enseja a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 1401-000.743
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos parcialmente os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator) e Maurício Pereira Faro que reduziam a multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor no tocante a multa qualificada o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2007, 2008, 2009 ERRO DO CONTADOR. INOPONIBILIDADE AO FISCO Se o contador da empresa incorreu em erro na escrituração do contribuinte, poderá responder perante a entidade profissional e também perante o Poder Judiciário, pelos danos causados. No entanto, o descumprimento da relação contratual existente entre a empresa e o profissional contabilista não é oponível ao Fisco, mormente num caso em que a empresa reconhece a existência do contador como tendo sido o profissional livremente escolhido por ela. A Recorrente é responsável pelas escolhas que realiza, inclusive com relação ao profissional que contrata para cuidar de área tão importante do seu negócio. ALTERAÇÃO DO REGIME FISCAL IMPOSSIBILIDADE. Não pode o auditor fiscal, quando da lavratura do auto de infração, alterar o regime de opção do contribuinte para aplicar outro regime, salvo nas hipóteses impostas pela lei. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES VULTOSOS. REITERAÇÃO. INTUITO DOLOSO. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A prática de omissão de receitas em valores vultosos em relação às receitas declaradas, de maneira reiterada e com o claro objetivo de evitar o pagamento de tributos federais, configura o dolo da contribuinte e enseja a qualificação da multa de ofício.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2208; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.720068/201130 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 140100.743 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2012 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente D P A DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS AUTOMOTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ERRO DO CONTADOR. INOPONIBILIDADE AO FISCO Se o contador da empresa incorreu em erro na escrituração do contribuinte, poderá responder perante a entidade profissional e também perante o Poder Judiciário, pelos danos causados. No entanto, o descumprimento da relação contratual existente entre a empresa e o profissional contabilista não é oponível ao Fisco, mormente num caso em que a empresa reconhece a existência do contador como tendo sido o profissional livremente escolhido por ela. A Recorrente é responsável pelas escolhas que realiza, inclusive com relação ao profissional que contrata para cuidar de área tão importante do seu negócio. ALTERAÇÃO DO REGIME FISCAL IMPOSSIBILIDADE. Não pode o auditor fiscal, quando da lavratura do auto de infração, alterar o regime de opção do contribuinte para aplicar outro regime, salvo nas hipóteses impostas pela lei. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES VULTOSOS. REITERAÇÃO. INTUITO DOLOSO. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A prática de omissão de receitas em valores vultosos em relação às receitas declaradas, de maneira reiterada e com o claro objetivo de evitar o pagamento de tributos federais, configura o dolo da contribuinte e enseja a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 2 ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos parcialmente os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator) e Maurício Pereira Faro que reduziam a multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor no tocante a multa qualificada o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire Da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos, João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 390DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11634.720068/201130 Acórdão n.º 140100.743 S1C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente feito de auto de infração decorrente da constatação de omissão de receitas por parte da Recorrente nos anoscalendário 2006 a 2008, em que se cobram diferenças dos tributos recolhidos na sistemática do Simples (até 30 de junho de 2006) e na sistemática do lucro presumido (de julho de 2006 a dezembro de 2008), acrescidos de multa qualificada e juros apurados pela Selic. Por razões de praticidade, adoto o relatório constante da decisão proferida ela DRJ de Curitiba, in verbis: 2. Os autos de infração no Simples são os seguintes: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ –Simples, págs. 139/145, no valor de R$ 9.996,15, devido a: a. omissão de receitas da atividade registradas no livro Registro de Apuração do ICMS, não declaradas, nos meses 01 a 06/2007; base legal no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, a, 5º, 7º, § 1º, 18 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998; arts. 186, 188 e 199 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); b. insuficiência de recolhimento, devido às diferenças de percentuais resultantes da omissão de receitas; base legal no art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998 e arts. 186 e 188 do RIR de 1999; b) contribuição ao Programa de Integração Social – PIS – Simples, págs. 147/152, no valor de R$ 7.362,58, relativos à insuficiência de recolhimentos nos períodos de 02 a 06/2007; base legal no art. 3º, b da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970, c/c o art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973; arts. 2º, I, 3º, 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, e suas reedições; art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Simples, págs. 153/160, no valor de R$ 11.237,43, relativamente a: a. omissão de receitas da atividade registradas no livro Registro de Apuração do ICMS, não declaradas, nos meses 01 a 06/2007; base legal art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de Fl. 391DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 4 dezembro de 1988; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, c, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; b. insuficiência de recolhimento, devido às diferenças de percentuais resultantes da omissão de receitas, relativos aos meses 01 a 06/2007; base legal art. 1º da Lei nº 7.689, de 1988; art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Simples, págs. 161/168, no valor de R$ 33.413,90, relativamente a: a. omissão de receitas da atividade registradas no livro Registro de Apuração do ICMS, não declaradas, nos meses 01 a 06/2007; base legal art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, arts. 2º, § 2º, 3º, 1º, d, 5º, 7º, § 1º, 18 da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; b. insuficiência de recolhimento, devido às diferenças de percentuais resultantes da omissão de receitas, relativos aos meses 01 a 06/2007; base legal art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; e) Contribuição para a Seguridade Social – INSS Simples, págs. 169/176, no valor de R$ 93.015,06, relativamente a: a. omissão de receitas da atividade registradas no livro Registro de Apuração do ICMS, não declaradas, nos meses 01 a 06/2007; base legal arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, f, 5º, 7º, § 1º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732 , de 1998; b. insuficiência de recolhimento, devido às diferenças de percentuais resultantes da omissão de receitas, relativos aos meses 01 a 06/2007; base legal art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732 , de 1998. 3. Sobre os impostos e contribuições devidos por insuficiência de recolhimento exigese a multa de 75% do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação do art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, e da Lei nº 11.488 de 15 de junho de 2007, c/c o art. 19 da Lei nº 9.317, de 1996; sobre a infração de omissão de receitas, a multa foi de 150% do art. 44, I, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488 de 2007; e ainda juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. 4. Às págs. 128/131, encontramse demonstrados pela fiscalização os percentuais aplicáveis sobre a receita bruta apurada do art. 23, II, da Lei nº 9.317, de 1996, com a redação da Medida Provisória nº 275, de 29 de dezembro de 2005, convertida na Lei nº 11.307, de 19 de maio de 2006; às págs. 132/135, demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos e às págs. 136/139, apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11634.720068/201130 Acórdão n.º 140100.743 S1C4T1 Fl. 3 5 5. Ao autos de infração relativos ao 2º semestre de 2007 e aos anocalendário 2008 e 2009, na sistemática do lucro presumido, são os seguintes: f) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ – Simples, págs. 177/191, no valor de R$ 115.377,70, devido a omissão de receitas da atividade registradas no livro Registro de Apuração do ICMS, não declaradas, fatos geradores em 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009; base legal no art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); g) contribuição ao Programa de Integração Social – PIS – Simples, págs. 192/204, no valor de R$ 54.551,15, relativamente aos meses de 07/2007 a 10/2009 e mesma infração descrita; base legal nos arts. 1º e 3º, da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970, art. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; h) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Simples, págs. 205/216, no valor de R$ 91.230,64, devido a omissão de receitas da atividade registradas no livro Registro de Apuração do ICMS, não declaradas, fatos geradores em 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009; base legal art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 24, § 2º da Lei nº 9.249, de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; art. 3º da Lei nº 7.689, de 1988, com as alterações pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008; i) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Simples, págs. 217/230, no valor de R$ 251.775,17, relativa à mesma infração; fatos geradores mensais de 31/07/2007 a 31/12/2009; base legal no art. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002. 6. Sobre os impostos e contribuições devidos exigese a multa de 150% do art. 44, I, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007; e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. 7. Às págs. 118/126, no Termo de Verificação e Encerramento de Fiscal, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação. 8. Cientificada em 08/04/2011, pág. 234, a interessada apresentou a impugnação tempestiva em 09/05/2011, págs. 235/263, acompanhada dos documentos de págs. 264/273. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 6 9. Questiona por que o autuante não lhe concedeu a oportunidade de refazer a contabilidade, porque o responsável pelas deficiências de declaração foi o contador, o qual já foi substituído, tendo a empresa oferecido denúncia contra ele ao Conselho Federal de Contabilidade – CFC e afirma que a culpa é do Poder Público que não fiscaliza o exercício dessa profissão; também reclama da complexidade da legislação o que a torna incompreensível, tal o emaranhado de regulações, e afirma que mesmo o autuante se enganou porque capitulou a multa de ofício de 150% no art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996, que já havia sido alterado há 4 (quatro) anos para 75%, sendo que também o art. 19 da Lei nº 9.317, de 1996, havia sido revogado inteiramente, assim como esta lei; que tampouco o fiscal atentou para as especificidades do negócio operado pelo contribuinte e, por fim, foi incongruente ao afirmar que o contribuinte agiu como dolo, dado que reconheceu que apesar de não ter o litigante declarado os débitos, efetuou recolhimentos de tributos no lucro presumido. 10. Acusa a autuação de confiscatória, porque o autuante não levou em consideração que grande parte da mercadoria comercializada pelo contribuinte são combustíveis, enquadrados no regime de substituição tributária e sendo que o percentual de lucro presumido na revenda de combustíveis é de apenas 1,6% (art. 223, do RIR de 1999), o que leva à conclusão de que, no período de 01 a 07/2007, em vez de declarar pelo Simples, era muito mais vantajoso declarar pelo lucro presumido. 11. Além disso, declarar pelo lucro real teria sido ainda mais vantajoso, porque, afirma, nesse regime, a base de cálculo é o lucro contábil ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, podendo ser deduzidas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário, que é o caso do IPI e ICMS Substituição Tributária; e que o contribuinte pode se retirar voluntariamente do lucro presumido e optar pelo lucro real com estimativas mensais mediante o pagamento nessa sistemática relativamente ao primeiro período de apuração do ano calendário seguinte. 12. Afirma que esses fatos evidenciam a incompetência do contador e o despreparo e intransigência do fiscal autuante, que não levou em conta tais fatos, devolveu uma justificativa apresentada pelo contador, quando deveria ter reaberto prazo para que a empresa pudesse se adequar, mas, em vez disso, lavrou as autuações no Simples e no lucro presumido. 13. Disserta acerca das sanções e incapacidade contributiva, transcrevendo textos de diversos autores e citando jurisprudência e exemplos de outros países: que o dever advindo da norma tributária classificase em principal e acessório; as infrações tributárias se classificam em substanciais ou materiais, relativas a não pagamento de tributos, e formais; as sanções tributárias se submetem a limites quantitativo (vedação constitucional do confisco) e qualitativo (só podem ser pecuniárias e observar o princípio do contraditório e ampla defesa, legalidade, tipicidade e motivação, e ainda o da Fl. 394DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11634.720068/201130 Acórdão n.º 140100.743 S1C4T1 Fl. 4 7 capacidade contributiva); a capacidade contributiva é o critério balizados no tratamento a integrantes de uma mesma categoria; que a capacidade econômica é condição necessária, mas não suficiente para a configuração da capacidade contributiva, sendo que deve ser considerada a dedução de todos os gastos e elementos passivos que influem na situação econômica da pessoa jurídica; que deve prevalecer o critério da capacidade contributiva; que é necessária a graduação da exação em conformidade com as possibilidades econômicas do sujeito passivo e o respeito aos limites máximos além dos quais a exação passa a ser confiscatória; que as sanções tributárias derivam do jus tributandi e não do jus puniendi; e conclui que, como decorrência direta da observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, ao mesmo tempo em que estão vedadas sanções fiscais que impliquem o desrespeito do mínimo existencial, que comprometam o desempenho regular de atividades econômicas e que signifiquem a superação do referido limite do razoável, impõese a graduação dessas penalidades segundo as diferentes capacidades econômicas dos infratores, de modo a realçar a própria função punitiva a elas intrínseca. 14. Acerca da penalidade aplicada, além de revogado o texto que definia como de 150% a multa de ofício do art. 44, II da Lei nº 9.430, de 1996, assim como o art. 19 da Lei nº 9.317, de 1996, tal artigo previa a multa qualificada apenas se comprovada a existência de evidente intuito de fraude, conforme definido nos arts. 70 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, que seria, conforme jurisprudência administrativa, a utilização de documentos inidôneos ou falsos para comprovar despesas, por exemplo, mas não para os casos de mera falta de recolhimento de tributos decorrente de divergência de critérios na interpretação de sentença judicial, no exame de documentos e dos elementos necessários para o lançamento, ou nos casos em que as operações estavam claramente explicitadas em contratos, mas que foram imprópria ou irregularmente contabilizadas; tampouco no caso de omissão de receitas identificada por depósitos bancários de origem não comprovada e mesmo nos negócios jurídicos simulados, contratados a fim de tirar proveito de regime tributário mais benéfico; por isso, requer a revisão da legislação capitulada e as condições para a qualificação da multa, mesmo porque, também têm como consequência a elaboração de representação fiscal para fins penais ao Ministério Público e conseqüente abertura de processo criminal contra o contribuinte. 15. Disserta sobre as hipóteses de qualificação da multa de ofício, concluindo que o ponto comum das três modalidades caracterizadoras, que são a sonegação, a fraude e o conluio, é o dolo, definido conforme art. 145 do Código Civil como um típico vício de consentimento que consiste na utilização de artifícios enganosos por uma parte, a fim de induzir a outra parte a erro. Na realização de negócio jurídico, é um vício de vontade de uma das partes; mas que no direito penal, é conceituado como a vontade ou a intenção do agente de praticar o ato previsto como crime. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 8 16. Entende que o dolo a que se refere ao art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, é o penal, portanto se refere a falsificação de documento, emissão de nota fiscal calçada ou espelhada, prestação de informações falsas à autoridade fiscal, venda de mercadorias sem documentação fiscal, etc; e se refere também ao art. 71 da mesma lei, citando como exemplos de dolo a omissão de rendimentos, a ocultação de bens, a declaração falsa, a não contabilização de negócios jurídicos. 17. Por último, destaca que, se somente é cabível a aplicação de multa agravada nos casos de sonegação, fraude ou conluio, independente de outras penalidades administrativas, então ela se aplica somente nos casos em que esteja presente a conduta criminosa e procedimentos realizados pelo contribuinte que gerem dúvidas sobre o regime jurídicotributário aplicável, ainda que possam ser caracterizados como simulados, não bastam para a aplicação de tal multa, pois não são crime. 18. Requer a anulação da autuação e o afastamento da multa de 150% e que o processo seja convertido em diligência, reabrindo se o prazo para que a empresa possa ajustar sua contabilidade da forma correta, dado que não foi apresentada ao fiscal somente devido à incapacidade técnica do então contador da empresa. Em análise às razões apresentadas pela Recorrente, a DRJ de Curitiba negou provimento à impugnação, tendo a decisão sido ementada conforme se segue, in litteris: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. A exação deve ser constituída de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a infração. DILIGÊNCIA DESNECESSÁRIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência desprovida de motivação e prescindível. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE. O sujeito passivo da obrigação principal é o contribuinte (a empresa), pois tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador; a responsabilização de um terceiro, no caso o contador, só seria possível se a litigante Fl. 396DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11634.720068/201130 Acórdão n.º 140100.743 S1C4T1 Fl. 5 9 provasse que este era mandatário ou preposto seu e praticou atos com excesso de poderes ou infração à lei. MULTA DE OFÍCIO. CAPITULAÇÃO LEGAL. LEI POSTERIORMENTE MODIFICADA OU REVOGADA. Correta a capitulação legal da multa aplicada, que se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, regida pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. Aplica se multa qualificada à exigência de impostos e contribuições sonegados, estando caracterizado o dolo. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 SIMPLES. OPÇÃO. Submetese ao regime de tributação do Simples a empresa que efetuou esta opção quando da sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, efetuou recolhimentos e declarou na sistemática, sendo a opção definitiva para cada ano calendário, até a extinção deste regime. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PISSimples, CSLLSimples, COFINSSimples e INSS Simples. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal, relativo ao IRPJSimples. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 REGIME DE TRIBUTAÇÃO. A opção pelo regime de tributação do lucro real trimestral ou anual, ou presumido, deve ser manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou do início da atividade e cada uma dessas opções é irretratável para todo o ano calendário. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 10 REGIME DE TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO. Descabe a pretensão de ser autuada pelo lucro real, da empresa que, além de não ter apresentado a escrituração quando intimada, efetuou os recolhimentos e apresentou declarações no regime do lucro presumido, manifestado assim a opção por este regime. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. LUCRO PRESUMIDO. RECEITA OMITIDA. PERCENTUAL. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. LANÇAMENTOS REFLEXOS, PIS, CSLL, COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal, relativo ao IRPJ. Inconformada com a a improcedência de sua impugnação, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em que argumenta o seguinte: a) Que nunca houve o intuito de fraude ou sonegação fiscal, tendo a autuação sido decorrente de erro do contador da empresa; b) Que a atividade que desenvolve, qual seja, revenda de lubrificantes e combustíveis não possui a margem de lucratividade suficiente para permitir a adoção de outra forma de apuração dos tributos que não a do lucro real; c) Que “se o contador tivesse a capacidade de fazer uma simulação dos cálculos previamente, jamais teria optado pelo regime do lucro presumido, e consequentemente a empresa não estaria passando por este constrangimento”; d) Que a cobrança dos tributos na sistemática do lucro presumido torna a tributação confiscatória, pois “o que a receita Federal exige da empresa é um valor muito superior ao seu patrimônio, e portanto impagável”; e) Que dada a falta de conhecimento do empresário e a complexidade da legislação tributária brasileira, a opção da forma de tributação acaba sendo feita, na prática, pelo contador, pelo que “a conduta do contribuinte pode ser vista como “inexigibilidade de conduta diversa”; f) Aduz que apresentou denúncia junto ao Conselho Regional de Contabilidade do Paraná, que instaurou investigação contra o então contador da empresa; g) Tece considerações acerca da forma de apuração do imposto de renda pelo lucro real e pelo lucro presumido, como forma de demonstrar que lhe seria mais favorável a adoção da sistemática do lucro real; Fl. 398DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11634.720068/201130 Acórdão n.º 140100.743 S1C4T1 Fl. 6 11 h) Tece considerações acerca dos conceitos de dolo e fraude, para afirmar que não estão presentes os requisitos necessários para a qualificação da multa aplicada; i) Transcreve o artigo de Celso Antônio Bandeira de Melo – O Princípio do Enriquecimento sem Causa em Direito Administrativo, para falar acerca do enriquecimento ilícito do Estado com a manutenção do presente auto de infração. É o relatório. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 12 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmm Teixeira O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos legais, dele conheço. Conforme se extrai do relatório supra, as razões de recurso podem ser condensadas nas seguintes alegações: (1) O auto de infração decorre de erro do então contador da empresa, pelo que a mesma não pode ser responsabilizada pelos equívocos praticados por profissional sujeito à regulamentação e fiscalização estatal; (2) Que deveria ter sido dada a possibilidade de a Recorrente refazer a sua escrita fiscal, de forma a permitir o seu enquadramento no regime mais favorável, que indica como sendo o do lucro real; (3) Que não estão presentes o dolo e a fraude suficientes para a qualificação da multa de ofício; (4) Mantido o auto de infração, ocorrerá locupletamento ilícito do Estado. Ressaltese que a Recorrente não se opõe ao cerne do auto de infração, qual seja, a imputação de omissão de receitas, fundamento único e exclusivo para a lavratura do auto de infração. De toda sorte, passo à análise das razões do recurso. ERRO DO CONTADOR DA EMPRESA. INOPONIBILIDADE AO FISCO Nas suas razões de recurso, aduz, o Recorrente, que o contador da empresa errou ao optar pela apuração dos tributos pelo lucro presumido, o que passou a ser feito a partir do segundo semestre do anocalendário 2007, e mantido nos anos calendário 2008 e 2009. Permissa venia, se referido erro de fato ocorreu, não pode o mesmo ser oposto ao Fisco. A atividade de contabilista deve ser exercida por profissionais devidamente habilitados perante as entidades de controle, por se tratar de profissão legalmente regulamentada. Neste sentido, o exercício da atividade demanda o preenchimento, pelo profissional, o cumprimento de uma série de requisitos disposto s na lei. Por outro lado, sendo uma vez habilitado pela entidade de controle, o profissional deverá se submeter às regulamentações existentes para o exercício da referida atividade. Assim, o advogado, o médico, o odontólogo, o contabilista, o fisioterapeuta etc. dependem, para que possam legalmente exercer suas atividades, atentar para as regulamentações legais e da entidade a que estão vinculados. No entanto, o Estado não assumiu, ao exigir o cumprimento dessas regulamentações específicas, a coresponsabilidade pelos atos praticados por estes Fl. 400DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11634.720068/201130 Acórdão n.º 140100.743 S1C4T1 Fl. 7 13 profissionais. Não se está, aqui, diante da hipótese de prestação de serviço público, mas sim de serviços particulares por profissionais previamente habilitados. Se, por hipótese, o contador da empresa incorreu em erro perante a Recorrente, poderá responder perante a entidade profissional e também perante o Poder Judiciário, pelos danos causados. No entanto, o descumprimento da relação contratual existente entre a empresa e o profissional contabilista não é oponível ao Fisco, mormente num caso em que a empresa reconhece a existência do contador como tendo sido o profissional livremente escolhido por ela. A Recorrente é responsável pelas escolhas que realiza, inclusive com relação ao profissional que contrata para cuidar de área tão importante do seu negócio. E não se diga, como pretendeu o Recorrente, que o fato de ser empresário dispensa sua atenção acerca da contabilidade da empresa. Ao dizêlo, o Recorrente confessa sua culpa. Isso porque, o empresário atento e cuidadoso com o seu negócio cuida para que a sua empresa mantenhase sempre regular e busque alcançar o seu fim, qual seja, o lucro. E isso demanda redobrada atenção na seara contábil, mormente em uma área de negócios em que, como argumento o Recorrente, a margem de lucro é tão reduzida. Diante do exposto, rejeito o argumento. ALTERAÇÃO DO REGIME FISCAL. IMPOSSIBILIDADE Aduz, ainda, a Recorrente, que a Autoridade Fiscal teria sido pouco razoável, ao não lhe permitir refazer a sua escrita fiscal segundo um regime de apuração mais favorável do que aquele utilizado para fins de lançamento. Segundo o parágrafo único do art. 142, “a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Ao dizer isso, a lei está impondo que a atuação do Auditor Fiscal na lavratura do auto de infração deva ser vinculada à lei, nos estreitos limites em que esta prescreve, pelo que não existe discricionariedade no exercício da atividade de lançamento. Assim, ainda que o Auditor Fiscal quisesse permitir ao Recorrente refazer a sua escrituração fiscal segundo um novo regime de apuração, diverso daqueles pelos quais oportunamente optou, não poderia fazêlo, sob pena de responsabilidade funcional. Isso porque a opção do contribuinte acerca do regime de apuração é irretratável durante o mesmo anocalendário. De fato, segundo expresso na decisão recorrida, in verbis: Conforme o art. 516, e §§ 1º, 4º e 5º do RIR de 1999; art. 13 e § 1º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; arts. 1º, 25 26, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica não obrigada ao lucro real, pode optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido, opção esta definitiva em relação a todo o ano calendário, e que será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto correspondente ao primeiro Fl. 401DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 14 período de apuração de cada anocalendário, sendo que tais períodos são trimestrais. Assim, não há como se realizar o lançamento de forma diversa daquela optada pelo contribuinte, conforme o disposto no art. 288 do RIR/99, que diz o seguinte: Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão Assim, diante do exposto, rejeito o argumento. Ressalto, apenas para fins de coerência, que a Recorrente foi excluída do Simples a partir do segundo semestre de 2007, tendo optado pela apuração dos tributos, a partir daí, pela sistemática do lucro presumido, permitindo a coexistência de dois regimes no mesmo anocalendário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A imputação feita pela Autoridade Fiscal para a qualificação da multa de ofício é que a “a empresa informava valores inferiores ao Fisco Federal e exclusivamente, com a finalidade de não pagar os tributos devidos, ficando caracterizado evidente intuito de fraude, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64”. Não entendo que este argumento seja suficiente para a aplicação da dobra prevista na lei nº 9.430/96. Na verdade, quando a lei exige, para a qualificação da multa de ofício, a constatação do “evidente intuito de fraude”, demanda que seja comprovada a ação dolosa do contribuinte em fugir ao pagamento do tributo. Na verdade, se o contribuinte tivesse informado os valores corretos ao Fisco Federal, como pede a Autoridade Fiscal, sequer lançamento haveria, posto que a DCTF constitui confissão de dívida suficiente para inscrição do débito em dívida ativa. Tenho, a princípio, entendimento de que a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas gravosas que denotem o evidente intuito de fraude, deva ser apenada com a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela situação específica. É que a multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96, já tem como pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que não o entrega à tributação. Em verdade, se não houvesse a referida omissão, não haveria a lavratura do auto de infração. A sua postura, nesta situação, é meramente omissiva – e não próativa. Situação diversa, no meu entendimento, é a daquele contribuinte que, dolosamente, pratica atos com o objetivo de fraudar a incidência do tributo, ou seja, que porta se ativamente na ocultação da ocorrência do fato imponível. Nesta hipótese, quando o contribuinte agrega à sua omissão (pressuposto), uma ação dolosa para dissimular referida omissão, aí sim estaria o mesmo sujeito a qualificação da penalidade. Tal divergência fica clara na contraposição do disposto nos art. 44, inciso I, da lei nº 9.430/96, com o disposto nos arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, ambas com a redação dada pela lei nº 11.488/2007. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11634.720068/201130 Acórdão n.º 140100.743 S1C4T1 Fl. 8 15 Dispõe, o art. 44 da lei nº 9.430/96, o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (sem grifos no original). Já os arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, tomados como base da qualificação da multa pelo indigitado parágrafo primeiro, dispõe o seguinte: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da contraposição da “falta de declaração ou declaração inexata” constante do inciso I do art. 44 da lei nº 9.430/96, com a “omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente”, o conhecimento do fato gerador, constante do art. 71 da lei nº 4.502/64, entendo que, para a segunda hipótese, a lei demanda a presença de dolo específico, mediante “ação ou omissão dolosa”, que deve ser especificamente provada na investigação administrativa, com fito à aplicação da multa majorada. Assim, a omissão desqualificada de uma ação tendente à dissimular referida omissão, deve ser enquadrada no disposto no art. 44, I, da lei n 9.430/96. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste 1º Conselho de Contribuintes, quando entende que “a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação” Fl. 403DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 16 (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso nº 134.875, acórdão nº 10613722). Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). Diante do exposto, por não entender estar presente o dolo necessário para a caracterização do evidente intuito de fraude, voto por dar provimento ao recurso, nesse particular, e retirar a qualificação da multa de oficio, reduzindo a mesma para o percentual de 75%. ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DO ESTADO No que toca à transcrição da obra do professor Celso Antônio Bandeira de Melo – O Princípio do Enriquecimento sem Causa em Direito Administrativo, ainda que sem as aspas e ressalvas como recomenda a boa técnica, concordo plenamente com o que foi dito pelo Eminente professor; mas afirmo que referida escrita não foi feita para este caso e a ele não se aplica. Isso porque o pressuposto de toda a fala do nobre administrativista é a legalidade. No caso dos autos, como já dito, a Recorrente não refuta a ocorrência de omissão de receita e, conforme supra demonstrado, a legalidade exige que o lançamento seja realizado segundo o regime fiscal de apuração escolhido pelo contribuinte. DISPOSITIVO Pelo exposto, entendo deva ser dado parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para reduzir a multa para o percentual de 75%, mantendo os demais termos da autuação. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 404DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11634.720068/201130 Acórdão n.º 140100.743 S1C4T1 Fl. 9 17 Voto Vencedor O presente voto vencedor referese exclusivamente à manutenção da multa de ofício qualificada. No “Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal”, as autoridades autuantes apresentaram tabelas comparativas, mês a mês, das receitas declaradas pela contribuinte ao Fisco Estadual e ao Fisco Federal, aolongo dos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. A tabela a seguir consolida os dados levantados pelo Fisco, em bases anuais: Ano calendário Receita declarada ao Fisco Estadual (A) Receita declarada ao Fisco Federal (B) Diferença (A – B) 2007 3.763.625,62 298.056,17 3.465.569,45 2008 3.793.455,77 335.633,12 3.457.822,65 2009 3.591.659,83 0,00 3.591.659,83 Total 11.148.741,22 633.689,29 10.515.051,93 Como facilmente se percebe, ao longo do triênio 20072009, a contribuinte declarou ao Fisco Federal menos de 6% da receita bruta efetivamente auferida (declarada ao Fisco Estadual). Tendo em vista a omissão de vultoso montante de receita pelo sujeito passivo ao longo de três anoscalendários subsequentes, as autoridades fiscais consideraram evidenciada a intenção dolosa do sujeito passivo em não declarar o seu real faturamento, com o claro intuito de evitar o recolhimento de tributos federais. Por esta razão, a fiscalização qualificou a multa de oficio, aplicando o percentual de 150%, conforme previsto pelo art. 44 da Lei n° 9.430/96. Para maior clareza, transcrevo o seguinte trecho do “Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal” (grifado no original): [...] verificamos que a empresa declarava valores inferiores ao Fisco Federal, tendo em vista o já citado Convênio de Cooperação Técnica firmado em 01/10/1998 entre a Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaroa da Receita Estadual do Estado do Paraná (Instrução Normativa SRF nº 20/98). Intimada a se manifestar sobre as divergências apuradas, a empresa não se manifestou. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 18 A empresa possui Livros Registro de Apuração do ICMS devidamente escriturados, tendo informado ao Fisco Estadual valores compatíveis com os escriturados no referido livro. Considerando o exposto, concluímos que a empresa informava valores inferiores ao Fisco Federal, única e exclusivamente com a finalidade de não pagar os tributos devidos, ficando caracterizado evidente intuito de fraude, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Assim sendo, a multa de ofício correspondente ao imposto decorrente da omissão de receitas operacionais, nos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, será de 150%, conforme determina o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 c/c artigo 19 da Lei nº 9.317/96. Analisandose os fatos concretos, entendo que agiram corretamente as autoridades autuantes. Afinal, realmente estão presentes no caso dois fatores, que revelam o evidente intuito doloso por parte da contribuinte: a) vultoso montante de receita omitida (declarou menos de 6% da receita efetiva); b) reiteração da omissão de receitas (ao longo de três anoscalendário consecutivos). Sobre o tema, existe abundante jurisprudência nesse Colegiado: MULTA QUALIFICADA A prática reiterada de omissão de receitas em valores vultosos em relação às receitas declaradas caracteriza o dolo de esconder do fisco o fato gerador. (Acórdão 110300.314, 09 de novembro de 2010, unânime). COFINS MULTA DE OFÍCIO MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL — SITUAÇÃO QUALIFICATIVA FRAUDE – O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores menores que os devidos, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei n° 4.502/64. A omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. E, em havendo infração, cabível a imposição de caráter punitivo, pelo que, pertinente a infligência da penalidade inscrita no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. (Acórdão nº 20214.693, de 15 de abril de 2003, unânime em relação a esta matéria). SONEGAÇÃO FISCAL, DOLO CONDUTA REITERADA. MULTA QUALIFICADA, A omissão de receita pela apresentação sistemática de declarações com receitas irrisórias, visando a assegurar tributação como microempresa, impedindo ou retardando o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, caracteriza fraude em sentido amplo, pela configuração do dolo específico de sonegação fiscal, (Acórdão 180200.643, 01 de setembro de 2010, unânime) Fl. 406DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11634.720068/201130 Acórdão n.º 140100.743 S1C4T1 Fl. 10 19 Assim sendo, considero claramente evidenciado o dolo da contribuinte em omitir receitas em montante vultoso e de forma reiterada, com o claro intuito de evitar o recolhimento de tributos federais. Considero, pois, que deve ser mantida a exigência da multa qualificada, no percentual de 150%. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Redator Designado Fl. 407DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 0/07/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUI Z GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 13808.004727/00-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/09/1997 a 31/01/1999 MULTA DE MORA. A interposição da ação judicial interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.185
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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A interposição da ação judicial interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. EDITADO EM: 06/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Luciano Pontes de Maya Gomes e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Fl. 477DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/03/2 013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6ª Turma da DRJ São Paulo I SP, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1620.057, proferido em 14 de janeiro de 2009. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: 4. O litígio em exame versa sobre lançamento de ofício realizado pela DRF/São Paulo em 18/12/2000 com o objetivo de prevenir a decadência de débitos de Cofins da contribuinte relativos ao período de 09/1997 a 01/1999, cuja exigibilidade estava suspensa por força de tutela antecipada concedida nos autos da ação ordinária n° 97.00364798, conforme registram o Termo de Verificação e Constatação (fls. 223/226) e o auto de infração (fl. 231), cujos demonstrativos se acham nas fls. 227/230. 5. O crédito tributário, lançado à alíquota de 2%, compõese do principal, multa de ofício e de juros de mora calculados até 30/11/2000, perfazendo o montante de R$ 635.485,79. 6. lrresignada, a contribuinte impugnou o feito por meio do arrazoado anexo às fls. 235/256, no qual expõe os seguintes argumentos: a) Começa por afirmar que a autuação é "totalmente equivocada", visto que a empresa estava amparada por antecipação de tutela que lhe garantia o direito de não recolher a Cofins incidente sobre receitas advindas da venda de bens imóveis; b) Acrescenta que, em face do disposto no art. 62 do Decreto n°70.235/72, transcrito na fl. 238, é vedado à Administração, sob pena de flagrante ilegalidade, não só lançar o tributo como também exigir multa e juros; c) Observando que a imposição de multa punitiva evidencia claramente a arbitrariedade da autuação, reproduz nas fls. 239 algumas ementas de julgados do Conselho de Contribuintes com o fito de demonstrar que "não cabe a aplicação de multa de mora sobre tributos que estão sendo questionados judicialmente"; d) Conclui daí que o "ato administrativo é nulo de pleno direito"; e) Apoiandose em alguns acórdãos do Conselho de Contribuintes cujas ementas reproduz nas fls. 241/242, afirma que a formalização do lançamento após a propositura de ação judicial abre à impugnante a possibilidade de rediscutir na esfera administrativa toda a matéria discutida judicialmente; f) Após tecer alguns comentários sobre o fato gerador da Cofins, passa a discorrer longamente sobre os conceitos de mercadoria e faturamento com o objetivo de demonstrar que essa contribuição não pode incidir sobre as receitas oriundas da venda de imóveis, invocando inclusive jurisprudência do STJ nas fls.254/255. g) Encerrando o arrazoado, requer o encaminhamento de eventuais notificações ou intimações ao domicílio dos patronos da contribuinte, que menciona na fl. 256, e protesta por todos os tipos de provas admitidas em direito. 7. Posteriormente, a autoridade preparadora, em despacho exarado na fl. 304, prestou algumas informações a respeito do andamento da ação ordinária já citada, bem como acerca de outra ação judicial proposta pela contribuinte. A DRJ se manifesta esclarecendo que o lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, já que a matéria é objeto de discussão judicial, existindo concomitância, o que implica em renúncia da análise da impugnação pela instância administrativa. E exclui o Fl. 478DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/03/2 013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 13808.004727/0041 Acórdão n.º 310201.185 S3C1T2 Fl. 446 3 lançamento da multa de ofício, do art. 44, inciso I, da Lei nº 9430/96, conforme preceitua o art. 63 da mesma norma legal, por a exigibilidade do crédito tributário estar suspensa judicialmente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1997 a 31/01/1999 LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR A DECADÊNCIA. O crédito tributário não declarado que seja objeto de discussão judicial ainda não superada por decisão definitiva deve ser lançado de oficio a fim de prevenir a decadência. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto, antes ou posteriormente à autuação, implica renúncia à instância administrativa. Quando forem diferentes o objeto do processo judicial e o do administrativo, este último terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. TUTELA ANTECIPADA. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe imposição de multa de ofício quando a exigibilidade do crédito tributário estiver suspensa por tutela antecipada, na forma do art. 151, V, do CTN, consoante dispõe o art. 63 da lei n° 9.430/96. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto n° 70.235/72. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. A existência de processo judicial não transitado em julgado, com ou sem medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não impede o lançamento de ofício, cuja obrigatoriedade decorre do caráter vinculado do ato administrativo, consoante dispõe o art. 142 do CTN. ALCANCE DA REGRA INSCRITA NO ART. 62 DO PAF. Segundo a melhor exegese, respaldada no art. 63 da lei n° 9.430/96, o art. 62 do Decreto n° 70.235/72 (PAF) não veda a formalização do lançamento de débitos com exigibilidade suspensa por medida judicial, limitandose a proibirlhes a cobrança enquanto vigorar a ordem de suspensão. ENCAMINHAMENTO DE INTIMAÇÕES. As intimações por via postal devem ser encaminhadas ao domicílio tributário do sujeito passivo, consoante dispõe o art. 23, II, do Decreto n c' 70.235/72 (PAF). PROTESTO PELA PRODUÇÃO DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. As provas admitidas no processo administrativo fiscal dividemse em diligência, perícia e prova documental. No caso concreto, as duas primeiras são Fl. 479DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/03/2 013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 prescindíveis e não há notícia da juntada de novos documentos após a impugnação. Lançamento Procedente em Parte A recorrente apresenta recurso voluntário, fls. 330 e sgs, onde restringe sua solicitação ao pedido de cancelamento da cobrança de multa de mora constante da intimação nº 2209/2009 da DERAT/SP. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso é tempestivo, conforme disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. A recorrente apresenta recurso voluntário se insurgindo contra a cobrança da multa de mora constante da intimação nº 2209/2009 da DERAT/SP, enviada juntamente com a intimação para ciência do acórdão da DRJ SPO I. A multa de mora está prevista no art. 61 da Lei nº 9430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...) Entretanto, conforme termo de intimação a multa somente deverá ser paga se a decisão judicial considerar devido o tributo: 3. Ressaltese que, em caso de pagamento, a multa de mora deve ser recolhida se decorridos mais de 30 dias da data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição, nos termos do art. 63 § 2o. da Lei nº 9430/96. Exatamente de acordo com os dizeres do art. 63 § 2o. da Lei nº 9430/96: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) Fl. 480DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/03/2 013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 13808.004727/0041 Acórdão n.º 310201.185 S3C1T2 Fl. 447 5 § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, fl. 367 e sgs., encaminhou ofício nº 92/2009, de 3 de novembro de 2009, onde cientifica a DRF São Paulo SP sobre o trânsito em julgado da Ação Ordinária nº 97.00364798, ajuizada pela recorrente, em que foi negado provimento à apelação. A Constituição da República Federativa do Brasil dispõe no seu art. 5o. inciso XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito, definindo no Brasil a unicidade da jurisdição e a definitividade das decisões judiciais. Sendo assim, por ter o processo judicial transitado em julgado, deverá ser acatada a decisão judicial, já que ela definitiva, sobrepondo qualquer argumentação no âmbito administrativo atinente à matéria. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir a multa de mora constante da intimação nº 2209/2009 da DERAT/SP, ressalvado o direito de cobrança da multa, após a aplicação da decisão judicial, se for cabível. Mara Cristina Sifuentes Fl. 481DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2013 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/03/2 013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/01/2013 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
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