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Numero do processo: 10435.720949/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITOS DE IPI EM DEVOLUÇÃO E RETORNO DE PRODUTOS TRIBUTADOS. CRÉDITOS NÃO RESSARCÍVEIS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Por absoluta falta de previsão legal, os créditos básicos de IPI escriturados em razão da devolução de devolução e retorno de produtos tributados, não são passíveis de ressarcimento, podendo apenas compor o saldo credor de IPI para dedução, ao final do período de apuração, do saldo do imposto a pagar, em absoluta obediência ao Princípio da Não Cumulatividade, insculpido no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988 e no artigo 49 do Código Tributário Nacional ( Lei nº 5.172/1966)e, no caso específico, no artigo 163 do Regulamento do IPI / 2002 e seus parágrafos (Decreto nº 4.544/2002)
Numero da decisão: 3301-004.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira- Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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CRÉDITOS NÃO RESSARCÍVEIS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Por absoluta falta de previsão legal, os créditos básicos de IPI escriturados em razão da devolução de devolução e retorno de produtos tributados, não são passíveis de ressarcimento, podendo apenas compor o saldo credor de IPI para dedução, ao final do período de apuração, do saldo do imposto a pagar, em absoluta obediência ao Princípio da Não Cumulatividade, insculpido no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988 e no artigo 49 do Código Tributário Nacional ( Lei nº 5.172/1966)e, no caso específico, no artigo 163 do Regulamento do IPI / 2002 e seus parágrafos (Decreto nº 4.544/2002) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 09 49 /2 01 0- 53 Fl. 285DF CARF MF 2 Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Adoto, por bem narrados os fatos, o relatório do Acórdão nº 1439.327, exarado pela 2ª Turma da DRJ/RIBEIRÃO PRETO, objeto do Recurso Voluntário : Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que parcialmente reconheceu o direito creditório apresentado, em razão da reclassificação dos créditos relativos a operações de devoluções ou retorno como não ressarcíveis. A manifestante, invocando a legislação e julgados, alega, basicamente, que tais créditos seriam ressarcíveis, mormente por serem, apenas, a recomposição de créditos decorrentes de matérias primas, produtos intermediários e embalagem. 2. Assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/RPO : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS NÃO RESSARCÍVEIS. RESSARCIMENTO NÃO ADMITIDO PARA OS CRÉDITOS CONCERNENTES A DEVOLUÇÕES DE VENDAS. São insuscetíveis de ressarcimento, ou seja, não ressarcíveis, os créditos do imposto destacado em notas fiscais com CFOP correspondente a devoluções de vendas, vale dizer, uma situação que não implica o emprego de insumos na industrialização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Inconformada com a decisão, a empresa, após ter ciência do Acórdão em 12/12/2012 conforme Histórico de Objeto postado, ás fls. 282 dos autos digitais, apresenta Recurso Voluntário, tempestivamente, aos 16/01/2013,conforme Termo de Solicitação de Juntada, ás fls. 236 dos autos digitais, onde alega, após narrar os fatos envolvendo a transmissão do Pedido de Ressarcimento (PER) e as Declarações de Compensação (DCOMPs) e as glosas efetuadas pela Fiscalização da DRF/SOROCABA : I – Dos fatos : mesmo glosando parte das compensações realizadas, a informação fiscal reconhece que os valores utilizados para realizar as compensações são, de fato e de direito créditos de IPI, no entanto, classificaos como não ressarcíveis, por referiremse a devoluções de produtos, transferências para comercialização e retorno de mercadoria justificando seu entendimento por suposta “falta de previsão legal”. Necessário verificar que os créditos são, na realidade, a recomposição de saldo credor decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e embalagem logo, passíveis de ressarcimento. Ou seja, se houve uma devolução ou estorno qualquer, antes ocorreu um débito do imposto que reduziu o saldo credor, Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10435.720949/201053 Acórdão n.º 3301004.784 S3C3T1 Fl. 286 3 ou seja, com a anulação da operação que o ensejou, recompõese o mesmo saldo anterior, nos moldes do inciso I do § 3º do artigo 21 do RIPI/2010 (Decreto nº 7.212/2010) sendo que tais créditos, por legalmente previstos, pode se objeto de utilização no Programa PER/DCOMP, conforme estabelece o artigo 21 da IN RFB nº 900/2008; o Acórdão DRJ/RPO equivocouse em abandonar a verdade de que os créditos em questão são a recomposição de saldo credor decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e embalagem, logo possíveis de ressarcimento; II – Das preliminares : II.A – Tempestividade do Recurso Voluntário : discorre a recorrente que foi cientificada do Acórdão DRJ/RPO em 12/12/2012 e apresentou o se Recurso Voluntário em prazo inferior aos trinta dias previsto no Decreto nº 70.235/1972. II.B : Da suspensão da exigibilidade dos valores compensados não homologados : requer a imediata paralisação de qualquer procedimento tendente a cobrança dos débitos albergados no presente processo, em função da expressa determinação da suspensão da exigibilidade dos créditos referenciados. III – Mérito III.A – Operações de devolução e retorno diversos, passíveis de ressarcimento por se tratarem de recomposição de saldo credor decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e embalagem : alega que tais devoluções e retornos, como o próprio nome da natureza da operação propõe, são nada mais nada menos do que recomposição de saldo credor decorrente exatamente de matériasprimas, produtos intermediários e embalagem, sendo passíveis de ressarcimento, por ter havido cancelamento da operação anterior, ou seja, a de venda, por conseguinte o crédito anterior é recomposto. III.B – Da existência de previsão legal para apresentação de PER/DCOMP de ressarcimento dos créditos de IPI referentes á transferência, devolução e retorno de mercadorias entre estabelecimentos de uma mesma empresa : entende ser infundada a reclassificação feita pela Fiscalização com relação ás Notas Fiscais de saída referentes á devolução e retorno de mercadoria, pois teria visto a permissão legal contida nos artigos 229, 231, 233 e 234 do RIPI/2010. Verificase, portanto, que os valores utilizados pela recorrente, para compensação, são créditos de IPI adquiridos em operações de devolução e retorno de mercadorias, não sendo senão recomposição de saldo credor de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, sendo, portanto, possível seu ressarcimento e sua utilização para compensação IV – Do pedido : requer, ao final, em sede preliminar que seja determinada a imediata paralisação de quaisquer procedimentos tendentes á cobrança dos débitos albergados no presente processo de restituição, face á determinação de suspensão dos créditos referenciados nas DCOMP de nºs 34531.15120 e 08038.93557; no mérito, requer sejam considerados ressarcíveis os créditos de IPI utilizados, que haja homologação integral das compensações, para que seja afastada a glosa no valor de R$ 127.385,96 e que, os créditos e suas respectivas compensações sejam homologadas em sua totalidade. 4. O processo veio a mim distribuído para relatar. Fl. 287DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini Relator 5. O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do Acórdão DRJ/RPO em 12/12/2012, conforme Histórico de Objeto postado, ás fls. 282 dos autos digitais, apresentação do Recurso Voluntário, tempestivamente, aos 16/01/2013, conforme Termo de Solicitação de Juntada, ás fls. 236 dos autos digitais), atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. 6. Passemos a analisar as razões recursais. 7. Em atenção ás razões preliminares, restam elas atendidas por expressa disposição legal, pois o § 11 do artigo 74 da lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, assim determina : Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão ( Redação dada pela Lei nr. 10.637, de 2002).. …………………………... § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do HYPERLINK ""Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nª 10.833, de 2003) 8. O Decreto nº 70.235/1972 dispõe sobre o processo administrativo fiscal e o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional ( Lei nº 5.172/1966) determina que suspendem a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladores do processo tributário administrativo. 9. Assim, reconhecida a tempestividade da apresentação do Recurso Voluntário e estando os débitos objeto de compensação, por DCOMP transmitida pelo Programa PER/DCOMP, com sua exigibilidade suspensa, em razão da discussão administrativa, atendidas as preliminares suscitadas. 10. Passemos as razões de mérito apresentadas. 11. Preliminarmente, esclareçase que o Regulamento do IPI vigente á época da transmissão do PER – Pedido Eletrônico de Ressarcimento era o RIPI / 2002, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002, o qual será a base para esse relatório e voto, e não o Decreto nº 7.212/2010 ( RIPI/2010) citado pelo recorrente. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10435.720949/201053 Acórdão n.º 3301004.784 S3C3T1 Fl. 287 5 12. A Informação Fiscal de fls. 147/149 nos traz a seguinte notícia, ás fls. 148 que originou a glosa de créditos, para os quais foi solicitado o ressarcimento (PER) e ao qual foram vinculadas compensações de débitos (DCOMPs) : e) é permitido ao estabelecimento industrial creditarse do IPI relativo às devoluções (art.167 do RIPI/2002), desde que satisfeitas as condições estabelecidas nos arts. 169, 170 e 172 do mesmo RIPI/2002. Todavia, o art.ll da Lei no 9.779, de 19/01/1999, combinado com o art.2° da IN/SRF n° 033, de 04/03/1999 asseguram o direito ao ressarcimento apenas às aquisições de insumos (matériaprima, material de embalagem e produto intermediário) e não às devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria. Em face da falta de previsão legal, o referido crédito de IPI atinente aos CFOP's 1201, 1912, 1913, 1949, 2201, 2913 e 2949 demonstrados na seguinte tabela não pode ser ressarcido, devendo ser, pois, reclassificado como crédito não ressarcível: MÊS CFO P DESCRIÇÃO DO CFOP VALOR DO IPI CREDITADO JULHO 1201 Devolução de venda de produção de estabelecimento R$ 2.174,90 JULHO 1912 Entrada de mercadoria ou bem recebido para demonstração R$ 100,00 JULHO 1913 Retorno de mercadoria ou bem remetido para demonstração R$ 40,67 JULHO 1949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 238,14 JULHO 2201 Devolução de venda de produção do estabelecimento R$ 8.671,70 JULHO 2949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 431,76 Valor do IPI creditado (a ser reclassificado) – JULHO R$ 11.657,17 AGOSTO 1201 Devolução de venda de produção de estabelecimento R$ 68.748,57 AGOSTO 1913 Retorno de mercadoria ou bem remetido para demonstração R$ 1.946,22 AGOSTO 1949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 161,13 AGOSTO 2201 Devolução de venda de produção do estabelecimento R$ 8.981,13 AGOSTO 2913 Retorno de mercadoria ou bem remetido para demonstração R$ 296,47 Valor do IPI creditado (a ser reclassificado) AGOSTO R$ 80.133,52 SETEMBRO 1201 Devolução de venda de produção de estabelecimento R$ 20.882,46 SETEMBRO 1913 Retorno de mercadoria ou bem remetido para demonstração R$ 994,82 SETEMBRO 1949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 2.281,08 SETEMBRO 2201 Devolução de venda de produção do estabelecimento R$ 10.941,23 SETEMBRO 2949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 495,68 Valor do IPI creditado (a ser reclassificado)SETEMBRO R$ 35.595,27 VALOR DO IPI creditado (a ser reclassificado) 3º TRIM. DE 2007 R$ 127.385,96 Considerando o acima exposto, a empresa, relativamente ao 3° trimestre de 2007, através da PERD/COMP 10046.95469.280410.1.5.016299, faz jus somente ao ressarcimento de IPI no valor de R$ 94.575,55: Fl. 289DF CARF MF 6 Valor utilizado no PER/DCOMP Valor reclassificado Valor deferido R$ R$ R$ 221.961,51 127.385,96 94.575,55 13. A não cumulatividade adotada para o IPI está claramente expressa nos seguintes dispositivos : Constituição Federal / 1988 Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1972) Imposto sobre Produtos Industrializados Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10435.720949/201053 Acórdão n.º 3301004.784 S3C3T1 Fl. 288 7 II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 47. A base de cálculo do imposto é: I o preço normal, como definido no inciso II do artigo 20, acrescido do montante: a) do imposto sobre a importação; b) das taxas exigidas para entrada do produto no País; c) dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis; II no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; III no caso do inciso III do artigo anterior, o preço da arrematação. Art. 48. O imposto é seletivo em função da essencialidade dos produtos. Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes. Regulamento do IPI / 2002 (Decreto nº 4.544/2002) (vigente á época da transmissão do Pedido Eletrônico de Ressarcimento) CAPÍTULO X DOS CRÉDITOS Seção I Fl. 291DF CARF MF 8 Disposições Preliminares NãoCumulatividade do Imposto Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2º Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178. 14. Dos excertos citados, está claro que o sistema de não cumulatividade adotado para o IPI é a chamada não cumulatividade clássica, onde a sistemática adotada é de abatimento/compensação do imposto devido referente aos produtos que derem saída do estabelecimento industrial dos valores de imposto pago nos insumos que entrarem no estabelecimento, ou seja, nos temos do estabelecido no Regulamento do IPI, a não cumulatividade (para o IPI) é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. 15. Portanto, o sistema de não cumulatividade adotado para o IPI é de imposto contra imposto, sendo que o imposto pago na entrada de insumos gera valores de créditos, a serem acumulados, gerando um saldo credor acumulado, em determinado período para, ao final deste período, ser utilizado para abatimento / compensação com o imposto devido na saída de produtos do estabelecimento industrial. 16. O Regulamento do IPI de 2002, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002, vigente á época da transmissão do Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER), especifica os créditos básicos, nos seus artigos 164 e 165, admitindo, ainda, como crédito básico, o crédito relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno parcial ou total, entretanto, para os créditos relativos a devolução ou estorno, existem requisitos a serem cumpridos, para que tais créditos possam ser aproveitados como componente do saldo credor a ser abatido do imposto devido ao final do período de apuração. 17. Ainda se mencionam os créditos básicos oriundos de incentivos fiscais, como os incentivos relativos á ADENE (área de desenvolvimento do Nordeste) e á ADA (área de desenvolvimento da Amazônia) (RIPI/2002, artigo 174), os créditos oriundos de aquisições de insumos adquiridos da Amazônia Ocidental (RIPI /2002, artigo 175), os créditos oriundos de insumos adquiridos para industrialização de produtos destinados á exportação, saídos com imunidade (RIPI/2002, artigo 176), os créditos oriundos da aquisição de insumos adquiridos para industrialização de produtos saídos com suspensão do imposto em casos especificados (RIPI /2002, artigo 177), créditos oriundos de cancelamento da nota fiscal antes da saída do produto, no caso de imposto já escriturado (RIPI/2002, artigo 178, I) e créditos oriundos da diferença de imposto em virtude de redução de alíquota nos casos especificados (RIPI/2002, artigo 178, II ). Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10435.720949/201053 Acórdão n.º 3301004.784 S3C3T1 Fl. 289 9 18. Como se percebe, os créditos, obedecendo ao sistema da não cumulatividade, somente podem ser aproveitados para abatimento do imposto devido, ao final do período de apuração. 19. Existem, entretanto, exceções á regra, e, como exceções, caracterizamse como verdadeiro benefício fiscal, pois, ao não estarem sujeitas á regra da não cumulatividade adotada, precisam de autorização legal para serem aproveitadas. 20. Nesse diapasão, o artigo 74 da Lei nº 9.430 / 1996, assim dispõe : Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 21. O próprio texto legal é claro ao especificar que apenas os créditos passíveis de restituição ou ressarcimento é que podem ser objeto de compensação. Claro fica que apenas os créditos que receberam a chancela de ressarcível, pela legislação, é que podem ser objeto tanto de ressarcimento, por óbvio, e objeto de compensação com outros tributos. 22. Bem disse o julgador, no Acórdão DRJ/RPO, no excerto que reproduzimos, por não merecer reparos : É importante também esclarecer que a legislação do IPI não permite o ressarcimento de todos os créditos lançados na escrita do contribuinte, mas apenas daqueles para os quais essa modalidade (ressarcimento) é expressamente autorizada, como é o caso, por exemplo, do art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, abaixo transcrito, e do crédito presumido de IPI para ressarcimento das contribuições do PIS/PASEP e da COFINS, na forma prevista nas Leis nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e nº 10.276, de 10 de setembro de 2001: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima,produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda”. (g.m.) Os créditos não passíveis de ressarcimento de IPI, aqueles decorrentes de outras aquisições/entradas do estabelecimento detentor de crédito, distintas daquelas que dão direito a créditos passíveis de ressarcimento, em que pese não poderem ser ressarcidos/compensados, na forma do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 Fl. 293DF CARF MF 10 de dezembro de 1996, podem ser mantidos na escrita fiscal do IPI, para dedução dos débitos pelas saídas futuras. Incluemse nessa condição, por exemplo, as seguintes situações: aquisição de mercadorias para revenda tributada, devolução e retorno de mercadorias, crédito presumido previsto nas Leis nº 9.363, de 1996, e 10.276, de 2001e recebido em transferência da matriz pelos estabelecimentos filiais. São considerados também como créditos não ressarcíveis os saldos credores ressarcíveis acumulados em trimestrescalendários anteriores mantidos na escrita. 23. A título de informação, além do citado artigo 11 da Lei nº 9.779/ 1999, que dispõe sobre o aproveitamento de certos créditos básicos, a Lei nº 9.363/ 1996 , dispõe sobre a instituição de crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor da PIS/PASEP e da COFINS nos casos que especifica, e a Lei nº 10.276/2001 dispõe sobre o ressarcimento das Contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados á exportação. 24. Estes dispositivos foram incorporados ao Regulamento do IPI de 2002, nos artigos 179 a 186. 25. Ainda podem ser citados, como ressarcíveis, os créditos de IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF nº 87/1989 (6. O estabelecimento industrial que der saída para filial atacadista, com, suspensão do imposto (RIPI/82, artigo 36 inc. XVII), a produtos incluídos no regime previsto nos artigos 1º e 3º da Lei nº 7.798/89, poderá transferir para a mesma o crédito do tributo relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na industrialização desses produtos transferidos, desde que tenha condições de demonstrar a equivalência entre a quantidade desses produtos remetidos e o valor do crédito correspondente aos insumos adquiridos, empregados na industrialização dos produtos assim remetidos. 6.1. Na transferência do crédito o estabelecimento industrial emitirá notafiscal, com indicação deste ato e da expressão "SEM VALOR PARA ACOMPANHAR O PRODUTO". ) e os créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o artigo 1º da Portaria MF nº 134/1992. 26. Claro está que, apenas os créditos admitidos como ressarcíveis, pela legislação, poderão ser objeto de Pedido Eletrônico de Ressarcimento e de Declaração de Compensação, nos termos do artigo 74 da lei nº 9.430/1996. 27. Disciplinando a operacionalização de tais ressarcimentos, a Secretaria da Receita Federal expediu Instruções Normativas, á época da transmissão do Pedido de Ressarcimento estava em vigor a IN SRF nº 600 / 2005. 28. A IN SRF nº 600/2005, vigente á época da transmissão do PER, objeto destes autos, assim disciplinava o ressarcimento de créditos do IPI : Ressarcimento de créditos do IPI Art. 16. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10435.720949/201053 Acórdão n.º 3301004.784 S3C3T1 Fl. 290 11 mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: I créditos presumidos do IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstos na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001; II créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1º da Portaria MF nº 134, de 18 de fevereiro de 1992; e III créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item "6" da Instrução Normativa SRF nº 87/89, de 21 de agosto de 1989. § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. § 3º O pedido de ressarcimento e a compensação previstos no § 2º serão efetuados mediante utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 4º Somente são passíveis de ressarcimento: I os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do § 1º, escriturados no trimestrecalendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz; II os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestrecalendário; e III os créditos presumidos do IPI de que trata o art. 2º da Lei nº 6.542, de 28 de junho de 1978, escriturados no trimestrecalendário. § 5º Os créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1º somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem como serem utilizados na forma prevista no art. 26, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, do(a): I Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) do trimestre calendário de apuração, na hipótese de créditos escriturados após o terceiro trimestrecalendário de 2002; ou II Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do trimestrecalendário de apuração, na hipótese de créditos escriturados até o terceiro trimestrecalendário de 2002. § 6º O disposto no § 2º não se aplica aos créditos do IPI existentes na escrituração fiscal do estabelecimento em 31 de dezembro de 1998, para os quais não havia previsão de manutenção e utilização na legislação vigente àquela data. 29. Todos os outros créditos, que não tiverem seu ressarcimento autorizado por dispositivo legal, enquadramse na regra geral da não cumulatividade do IPI, de abatimento do saldo credor do imposto contra o valor do imposto devido ao final do período de apuração. Fl. 295DF CARF MF 12 30. É o caso dos créditos referentes á devolução e retorno de produtos, caso do PER objeto destes autos, apesar de garantido o crédito pelo artigo 167 do RIPI/2002 ( “ Art. 167. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 30), tal crédito não está elencado entre os créditos ressarcíveis, não podendo, portanto, ser objeto de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação. 31. Como bem colocado pelo Auditor Fiscal responsável pelas informações que subsidiaram o Despacho Decisório da DRF/SOROCABA/SP : e) é permitido ao estabelecimento industrial creditarse do IPI relativo às devoluções (art.167 do RIPI/2002), desde que satisfeitas as condições estabelecidas nos arts. 169, 170 e 172 do mesmo RIPI/2002. Todavia, o art.ll da Lei no 9.779, de 19/01/1999, combinado com o art.2° da IN/SRF n° 033, de 04/03/1999, asseguram o direito ao ressarcimento apenas às aquisições de insumos (matériaprima, material de embalagem e produto intermediário) e não às devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria. Em face da falta de previsão legal, o referido crédito de IPI atinente aos CFOP's 1201, 1912, 1913, 1949, 2201, 2913 e 2949 demonstrados na seguinte tabela não pode ser ressarcido, devendo ser, pois, reclassificado como crédito não ressarcível. 32. Quanto as alegações da recorrente, de que os créditos referentes á devolução e retorno são mera recomposição do saldo credor do IPI, enganase o recorrente pois os insumos que deram origem ao produto devolvido ou objeto de retorno já geraram, individualmente, o crédito a compor o saldo credor, o produto devolvido não mais se decomporá para que tais créditos sejam recompostos, por tal motivo, novo crédito é gerado na devolução do produto ou no seu retorno ao estabelecimento produtor. São créditos distintos que, juntos, comporão o saldo credor do IPI a ser apurado ao final do período para abatimento do saldo devedor do imposto. 33. Por todo o exposto, corretos o Despacho Decisório da DRF/Sorocaba/SP e o Acórdão DRJ/Ribeirão Preto/SP, os quais mantenho na íntegra. Conclusão 34. Concluise, portanto, que, por absoluta falta de previsão legal, os créditos básicos de IPI escriturados em razão da devolução de vendas de produtos tributados, não são passíveis de ressarcimento, podendo apenas compor o saldo credor de IPI para dedução, ao final do período de apuração, do saldo do imposto a pagar, em absoluta obediência ao Princípio da Não Cumulatividade, insculpido no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988 e no artigo 49 do Código Tributário Nacional ( Lei nº 5.172/1966)e, no caso específico, no artigo 163 do Regulamento do IPI / 2002 e seus parágrafos (Decreto nº 4.544/2002). 35. Voto, diante das razões descritas, por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo as glosas dos créditos de ressarcimento de IPI, no valor total de R$ 127.385,96, conforme demonstrativo anexo á informação fiscal, por se classificarem como não ressarcíveis. É o meu voto. Assinado digitalmente Conselheiro Ari Vendramini Relator Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10435.720949/201053 Acórdão n.º 3301004.784 S3C3T1 Fl. 291 13 Fl. 297DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000312/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000312/200969 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.884 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente SYNGENTA PROTECAO DE CULTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NÃOCUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 12 /2 00 9- 69 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 320DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10046.559, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 334DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.936641/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
QUITAÇÃO DE ESTIMATIVAS POR MEIO DE COMPENSAÇÃO.
Quando o contribuinte promove compensação para extinção de sua obrigação de pagar estimativas, o Fisco deve se limitar à confirmação de que foi promovida a regular declaração no montante e prazos devidos, bem como que se trata de créditos passíveis de compensação. Feitas tais verificações e confirmada a extinção do crédito tributário das estimativas via compensação (art. 156, II, do CTN), o valor quitado forma o saldo negativo do período, passível de ser compensado. Caso eventualmente a compensação das estimativas não seja homologada, o respectivo débito será objeto de cobrança imediata eis que confessado.
Numero da decisão: 1401-002.915
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes, dando parcial provimento ao recurso voluntário, de forma a reconhecer a homologação das compensações efetuadas para quitação das estimativas de fevereiro, março e abril de 2005.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 QUITAÇÃO DE ESTIMATIVAS POR MEIO DE COMPENSAÇÃO. Quando o contribuinte promove compensação para extinção de sua obrigação de pagar estimativas, o Fisco deve se limitar à confirmação de que foi promovida a regular declaração no montante e prazos devidos, bem como que se trata de créditos passíveis de compensação. Feitas tais verificações e confirmada a extinção do crédito tributário das estimativas via compensação (art. 156, II, do CTN), o valor quitado forma o saldo negativo do período, passível de ser compensado. Caso eventualmente a compensação das estimativas não seja homologada, o respectivo débito será objeto de cobrança imediata eis que confessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes, dando parcial provimento ao recurso voluntário, de forma a reconhecer a homologação das compensações efetuadas para quitação das estimativas de fevereiro, março e abril de 2005. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 66 41 /2 01 0- 70 Fl. 665DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração tempestivamente interpostos e recebidos nos termos do art. 64, inciso I, do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF. O Embargante alega omissão e contradição, em face do Acórdão nº 1401 001.988, de 25 de julho de 2017, proferido por este Colegiado, sob os seguintes fundamentos: a) no último ponto analisado no acórdão embargando, tocante às “estimativas com compensações não homologadas”, verifica se que a turma julgadora incorreu em contradição, ao não conhecer do recurso por suposta preclusão da matéria; b) a matéria acerca das estimativas compensadas que foram desconsideradas no cômputo do crédito foi, sim, devidamente levada à discussão na manifestação de inconformidade; c) tanto é verdade que a DRJ, no relatório do acórdão proferido nestes autos [...], ratificou que o Embargante defendeu o ponto das estimativas compensadas não homologadas em sede de manifestação de inconformidade; d) mostrase imprescindível o pronunciamento dessa Turma Julgadora sobre a necessidade da baixa do presente processo em diligência, para aguardar o julgamento definitivo dos PA nº 10880.904121/200964 [...] e 10880.904120/200910; e) havendo o reconhecimento do crédito discutido naqueles autos, os valores por certo deverão compor o saldo negativo em apreço; e f) o sobrestamento do processo, em situação como a presente, é admitida pelo CARF, o que pode ser verificado em seu próprio Regimento Interno. O despacho de admissibilidade de fls. 660663, de 2 de fevereiro de 2018, admitiu os embargos nos seguintes termos: (...) Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10880.936641/201070 Acórdão n.º 1401002.915 S1C4T1 Fl. 666 3 4. A decisão embargada assim se manifestou a respeito (destaques do original): Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face da homologação PARCIAL das compensações solicitadas no presente processo, todas fundadas no suposto saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005 (valor pleiteado de R$ 134.102.309,14). A homologação parcial das compensações mencionadas no parágrafo precedente (R$ 86.339.926,19) fundouse, em síntese, nas seguintes constatações deduzidas no Despacho Decisório exarado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SPO (fl. 108/110): [...]. • Utilização de saldo negativo de exercícios anteriores cujas DCOMP não foram homologadas integralmente. Inconformada com a decisão da Autoridade Administrativa, da qual tomou ciência em 16/06/2010 (fl. 111), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/09/2010 (fls.112/117), com as seguintes alegações: [...]. • A Manifestante acosta aos autos farta e robusta documentação comprobatória da liquidez e certeza do saldo negativo de IRPJ e CSLL — anocalendário 2004, no importe de R$ 71.776.004,44 (IRPJ) e R$ 10.305.647,34 (CSLL), utilizado para compensar as estimativas ora desconsideradas pelo decisum combatido (doc. 09); [...]. Da decisão de primeiro grau A Delegacia de Julgamento negou provimento à manifestação de inconformidade (fls. 398406) por considerar, em relação ao IRRF e ao IR pago no exterior, que os elementos probatórios carreados pela defesa não comprovam as suas alegações e, em relação às estimativas, que estas foram objeto de compensações não homologadas. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 409 a 418, em que basicamente reiterou as razões de defesa apresentadas na impugnação com mais minúcias, conforme abaixo reproduzimos: [...] e) estimativas objeto de compensação não homologadas Na hipótese de não homologação, as estimativas são cobradas. Fl. 667DF CARF MF 4 [...]. Estimativas com compensações não homologadas No recurso voluntário, o contribuinte questiona as estimativas que foram desconsideradas para a aferição do saldo negativo em razão da compensação não homologada a que estavam sujeitas. Nada obstante, esse ponto não fez parte da manifestação de inconformidade e, portanto, não foi tratada pela DRJ. Tratase, pois, de matéria preclusa, que não deve ser conhecida por este colegiado. 5. Como visto, entendeu a decisão embargada que, no recurso voluntário, o contribuinte questiona as estimativas que foram desconsideradas para a aferição do saldo negativo em razão da compensação não homologada a que estavam sujeitas. E que esse ponto não fez parte da manifestação de inconformidade e, portanto, não foi tratada pela DRJ. 6. Sucede, porém, que, embora não tenha empregado especificamente o argumento de que “na hipótese de não homologação, as estimativas são cobradas”, a matéria relativa a “estimativas com compensações não homologadas” foi devidamente impugnada, ao argumento de que existentes os saldos negativos de IRPJ e CSLL utilizados para compensar as estimativas não homologadas, como consta do próprio relatório da decisão embargada (grifei): Inconformada com a decisão da Autoridade Administrativa, da qual tomou ciência em 16/06/2010 (fl. 111), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/09/2010 (fls. 112/117), com as seguintes alegações: [...]. • A Manifestante acosta aos autos farta e robusta documentação comprobatória da liquidez e certeza do saldo negativo de IRPJ e CSLL — anocalendário 2004, no importe de R$ 71.776.004,44 (IRPJ) e R$ 10.305.647,34 (CSLL), utilizado para compensar as estimativas ora desconsideradas pelo decisum combatido (doc. 09); 7. Esse argumento, aliás, foi objeto de exame pela decisão de primeiro grau, conforme consta do próprio relatório da decisão embargada (sublinhei): A Delegacia de Julgamento negou provimento à manifestação de inconformidade (fls. 398406) por considerar, em relação ao IRRF e ao IR pago no exterior, que os elementos probatórios carreados pela defesa não comprovam as suas alegações e, em relação às estimativas, que estas foram objeto de compensações não homologadas. 8. Portanto, parece natural que a Embargante contrapusesse a essa razão da decisão de primeiro grau — de que as estimativas teriam sido objeto de compensações não homologadas —, que, “na hipótese de não homologação, as estimativas são cobradas”. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10880.936641/201070 Acórdão n.º 1401002.915 S1C4T1 Fl. 667 5 Recebi o processo em distribuição realizada em 25 de julho de 2018. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Sobre a matéria embargada (estimativas compensadas não homologadas), a contribuinte alegou, em seu recurso voluntário: (...) Fl. 669DF CARF MF 6 Como bem ressaltou o despacho de admissibilidade, a matéria foi devidamente questionada, tendo assim constando da manifestação de inconformidade (fl. 116): A.2) DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CREDITO DECORRENTE DAS ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE ANOS ANTERIORES Verificouse que a Autoridade Fiscal logrou glosar também as estimativas mensais outrora extintas por meio de compensação com crédito de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL de anos anteriores — anocalendário 2004 (R$ 607.041,17 — janeiro/05; R$ 447.088,76 — fevereiro/05; e R$ 568.647,28 — março/OS), sob o argumento de que a "DCOMP" não foi homologada. Contudo, esclarece o Manifestante que até o presente momento não foi cientificado de que referidas compensações foram indeferidas. Ademais e sem prejuízo disso, o Manifestante acosta aos autos farta e robusta documentação comprobatória da liquidez e certeza do o saldo negativo de IRPJ e CSLL — anocalendário 2004, no importe de R$ 71.776.004,44 (IRPJ) e R$ 10.305.647,34 (CSLL), utilizado para compensar as estimativas ora desconsideradas pelo decisum combatido (doc 09). O que demonstra, inarredavelmente, o desacerto da Despacho Decisório vergastado, sendo de rigor a sua integral reforma. Neste sentido, é de se reconhecer a contradição do acórdão embargado quando este afirma que houve preclusão sobre a matéria. Passo, assim, a analisála. Este CARF já reconheceu que o débito de estimativa, uma vez confessado pelo contribuinte, caracteriza crédito tributário imediatamente exigível, tanto que, por meio da Súmula CARF n. 84, declara que "Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação". É verdade que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional tem entendimento diverso, expressado por meio do Parecer PGFN/CAT nº 88/2014. A análise dessa questão foi cuidadosamente realizada pelo Conselheiro Claudio de Andrade Camerano, desta Turma, em voto cujo trecho me permito transcrever abaixo (acórdão 1401002.876 processo 10880.938664/201612 julgado em 16 de agosto de 2018): Um breve resumo da evolução desta discussão fazse necessária, para podermos compreender, pelo menos, como anda este imbróglio. Vejo que esta discussão provocada neste Parecer tem suas origens em consulta formulada pela Receita Federal (Nota Técnica Cosit nº15/2011), para fins de consolidação de débitos (de estimativas) em parcelamento do REFIS, ocasião em que a PGFN proferiu o Parecer PGFN/CAT 1.658/2011, onde, em apertada síntese, entendeu que as estimativas de IRPJ e de CSLL não recolhidas ou oriundas de compensação não homologada, não podem ser inscritas em dívida ativa. E também lá consta que "ainda que a Dcomp se preste à confissão de dívida, tal confissão não tem o poder de transformar a antecipação do tributo (estimativa) em crédito tributário." Novamente, em face deste parecer, a RFB promoveu nova consulta, por meio da Nota Técnica Cosit nº 34, de 2012, questionando tais entendimentos, pois ensejaria "a necessidade de alteração, pela SRFB, de vários entendimentos e rotinas na compensação, no parcelamento, na cobrança e no julgamento de compensação..." Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10880.936641/201070 Acórdão n.º 1401002.915 S1C4T1 Fl. 668 7 Como resposta, a PGFN proferiu o Parecer PGFN/CAT 193/2013, onde ratificou os termos do Parecer PGFN/CAT 1.658/2011. Por meio de outra nota, agora a Nota Técnica Cosit 31, de 20/11/2013, a SRFB solicitou novos esclarecimentos, onde "a RFB propugna pela revisão do entendimento exarado nos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658, de 2011 e nº 193, de 2013..." Por fim, veio a tona o Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, transcrito em parte na decisão recorrida, a qual dele se utilizou para detonar as estimativas (de janeiro de 2012) cuja compensação não fora homologada, não reconhecendo a sua inclusão no saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2012. Reproduzo o entendimento deste Parecer, em sua parte final: O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, razão pela qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. III CONCLUSÃO Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Submeto à apreciação superior. COORDENAÇÃOGERAL DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS, em 22 de janeiro de 2014. ÊNIO ALEXANDRE GOMES BEZERRA Procurador da Fazenda Nacional Fl. 671DF CARF MF 8 De acordo. À consideração do Senhor ProcuradorGeral Adjunto da Fazenda Nacional. COORDENAÇÃOGERAL DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS, em 23 de janeiro de 2014. RONALDO AFFONSO NUNES LOPES BAPTISTA CoordenadorGeral de Assuntos Tributários Aprovo. Encaminhese este parecer à Secretaria da Receita Federal do Brasil. PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, em 23 de janeiro de 2014. FABRÍCIO DA SOLLER Sem participar desta discussão, que, entendo, não cabe a este Colegiado enfrentar/discutir as questões trazidas de ambos os órgãos, pelo menos neste estágio, não se pode ignorar que há uma divergência de interpretação na questão tratada. Entretanto, ao meu sentir, pelas tratativas entre os órgãos supra, o tratamento até então dado ao tema em debate permanece o mesmo que já vem sendo observado nas instâncias administrativas julgadoras, ou seja, pela legitimidade de cobrança de valores que foram objeto de compensação não homologada oriundos de estimativa. (...) Assim, este Colegiado tem entendido que o disposto no § 6º do artigo 74 da Lei 9.430/1996, segundo o qual a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos indevidamente compensados, é plenamente aplicável também às estimativas, é dizer, os débitos de estimativa cuja compensação não seja homologada em processo anterior podem ser de pronto exigidos pelas autoridades fiscais, eis que confessados. Nesses termos, quando o contribuinte promove compensação para extinção de sua obrigação de pagar estimativas, a fiscalização deve se limitar à confirmação de que foi promovida a regular declaração no montante e prazos devidos, bem como que se trata de créditos passíveis de compensação (ou seja, créditos não vedados expressamente por lei). Feitas tais verificações e confirmada a extinção do crédito tributário das estimativas via compensação (art. 156, II, do CTN), o valor quitado forma o saldo negativo do período, passível de ser compensado. Se porventura a compensação das estimativas não for homologada, o respectivo débito poderá ser objeto de cobrança imediata com base naquelas DCOMPs, porque já confessado. Por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. No caso em questão, é certo que os valores não reconhecidos como saldo negativo no anocalendário de 2004 correspondem a débitos de estimativa que foram objeto de compensação, bem como que tais compensações foram regularmente apresentadas. Dessa forma, é de se concluir pela regularidade do saldo negativo pleiteado, devendo ser homologadas as compensações efetuadas para quitação das estimativas de fevereiro, março e abril de 2005. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10880.936641/201070 Acórdão n.º 1401002.915 S1C4T1 Fl. 669 9 Dispositivo Desse modo, voto por acolher os embargos com efeitos infringentes, dando parcial provimento ao recurso voluntário, de forma a reconhecer a homologação das compensações efetuadas para quitação das estimativas de fevereiro, março e abril de 2005. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 673DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000639/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM DESACORDO COM LEI. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AOS TERCEIROS - INCRA, INCIDENTE SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS.
Entende-se por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades (art. 28, I da Lei n° 8.212/91).
Nos termos do art. 28, § 9°, j da Lei 8.212/1991 e art. 214, § 9°, inciso X e § 10 do RPS, aprovado- pelo Decreto 3048/99, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei nº 10.101/2000.
Devida contribuição social destinada aos Terceiros - INCRA, a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços, nos termos dos artigos 2° e 3° da Lei n° 11457/07 e legislação complementar.
Numero da decisão: 2201-004.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM DESACORDO COM LEI. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AOS TERCEIROS INCRA, INCIDENTE SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. Entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades (art. 28, I da Lei n° 8.212/91). Nos termos do art. 28, § 9°, “j” da Lei 8.212/1991 e art. 214, § 9°, inciso X e § 10 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. Devida contribuição social destinada aos Terceiros INCRA, a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços, nos termos dos artigos 2° e 3° da Lei n° 11457/07 e legislação complementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 39 /2 00 8- 15 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 363 2 Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 255/273 do EFLS, por bem relatar os fatos ora questionados. Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização, AI DEBCAD 37.179.4293, consolidado em 24/11/2008, contra o contribuinte acima identificado, relativo às contribuições sociais devidas e não recolhidas à Seguridade Social, destinadas a Outras Entidades/Terceiros (INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados, no valor consolidado de R$ 16.349,89 (dezesseis mil e trezentos e quarenta e nove reais e oitenta e nove centavos) nas seguintes competências: 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 80/88 e anexos, temos que: 2.1. Neste AI foram lançados valores referentes às contribuições para Outras Entidades e Fundos INCRA, 'incidentes sobre rendimentos pagos a segurados empregados a título de PLR Participação' nos Lucros e Resultados da empresa sem observância do contido na alínea “j”, § 9°, art. 28=da Lei 8.212/91 e inciso X do § 9° e § 10 do art. 214 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, vigente à época da ocorrência do fato gerador; 2.2. A empresa foi enquadrada no *código FPAS 736 (código de Terceiros 0003), que tem alíquota de 2,7%, sendo que 0,2% referemse às contribuições ao INCRA; Fl. 363DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 364 3 2.3. Quanto as normas relativas ao PLR, cita o art 7°, inciso XI da Constituição Federal, a Medida provisória 794/94, convertida na Lei 10101/2000, assim como a legislação apontada no item 2.1 acima, na qual se embasou para efetuar o lançamento; 2.4. Quanto a situação Fática, a auditora informa que na análise das Folhas de Pagamento e dos lançamentos contábeis efetuados na conta de resultado n° 392112 Desp.c/partic. Lucros e Resultados Empregados foi detectado a ocorrência de pagamentos a título de PLR, mais de duas vezes no mesmo ano civil em desobediência ao estabelecido no an. 3°, § 2° da Lei 10.101/2000. Tais pagamentos foram efetuados de duas formas: a) na folha de pagamento: adiantamento em 01/2004, complemento em 02/2004, e nova parcela em 08/2004 e alguns poucos pagamentos em 03/2004 e 09/2004; b) por meio de previdência privada PGBL em O2/2004 e O8/2004 por opção do funcionário. 2.5. Os segurados empregados que receberam PLR de acordo com a lei, não foram incluídos no lançamento; 2.6. Considerando a situação fática a Auditora Fiscal conclui que os valores desembolsados mais de duas vezes no mesmo ano civil são fatos geradores para incidência de contribuições previdenciárias. DA IMPUGNAÇÃO 3. Inconformada a empresa apresentou impugnação de fls.12S/152 onde alega em síntese: 3.1. Da tempestividade; 3.2. Da iiiexigibilidade da contribuição ao INCRA: 3.2.1. Daextinção da contribuição ao INCRA pela Lei n° 7.787/89; 3.2.2. Da ausência de previsão da contribuição ao INCRA nas Leis n° 8.212/91 e 8.213/91; 3.2.3. Da impossibilidade de caracterização da contribuição ao INCRA como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3.3. Da participação nos Lucros, tendo em vista que a base de cálculo das contribuições ao INCRA é vinculada ao conceito de salário de contribuição: 3.3.1. Quanto aos fatos destaca que a fiscalização não alegou objetivo de remunerar ou “camuflar” salários, sendo verificado que os valores decorrem do seu lucro mas que “deve ser integrado à base de cálculo da contribuição previdenciária pelo Fl. 364DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 365 4 simples fato de não ter observado a peridiocidade prevista na legislação previdenciária”. 3.3.2. Quanto as previsões legais entende que o disposto no art 7°, inciso XI da Constituição Federal não deixa espaço para o legislador ,dispor de forma diferente quanto a impossibilidade de integração da participação nos lucros ao salário do trabalhador. Considera o disposto na alínea “j”, § 9°, an. 28 da Lei 8.212/91 restritivo do alcance da norma constitucional. Cita a Lei 10101/00 como regulamentadora e uniforrnizadora de procedimentos, concluindo que “a impugnante não desvirtuou o instituto da participação nos lucros, sendo indevida a cobrança das contribuições previdenciárias ...” 3.3.3. Aponta que de acordo com Convenção Coletiva de Trabalho celebrada entre o Sindicato das Empresas de Seguros Privados, de Capitalização e de Resseguros no Estado do Rio de Janeiro, ao qual a impugnante está vinculada e 0 Sindicato dos Securitários do Estado do Rio de Janeiro, de 14/01/2004, referente especificamente a participação nos lucros e resultados, temse que: a) Pagamento de duas parcelas no ano de 2004, em janeiro e julho, a título de participação nos lucros, sendo a primeira de “cunho obrigato'rio.” b) A segunda parcela em julho só seria devida para aquelas empresas que não possuíssem programa próprio de distribuição de lucros. c) A impugnante optou por fonnalizar um programa próprio, “com regras mais benéficas, conforme facultado pelo art. 2", I, da Lei n" 10.101/00.” _ d) Atenta para o fato de que seu programa observou todas as regras referentes a participação nos lucros, sendo estipulado os meses de fevereiro e agosto para distribuiçao. e) Observa que estava vinculada a dois instrumentos de negociação coletiva válidos, optando por efetuar a distribuição de acordo com o disposto em ambas as negociações: janeiro, fevereiro e agosto. Í) Aponta o disposto no art. 7°, inciso XXVI, referente aos direitos dos trabalhadores quanto ao reconhecimento das convenções e acordos coletivos, assim como o art. 611 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe acerca da obrigatoriedade do cumprimento das normas pelas partes celebrantes. Entende que_ a Lei 10101/O0 se encontra no mesmo patamar hierárquico da Convenção Coletiva. g) Cita decisões da Justiça do Trabalho acerca da matéria e conclui que o pagamento “se deu com amparo no art. Z”, inciso XXVI da Constituição Federal, o que deve prevalecer ante à alegada ofensa à Leiri” 10.101/00.” Fl. 365DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 366 5 3.3.4. A impugr1aif1te'¡discorre sobre a vedação constitucional à tributação da participação nos lucros e resultados: Entende que a Constituição Federal já regulamentava a participação nos lucros e que somente 'a gestão da empresa deveria se remeter á regulamentação da lei. Ressalva porém_ _que_ mesmo que a regulamentação estivesse se estendido a participação nos lucros, o disposto na alínea “j”, § 9°, art. 28 da Lei 8.212/91 não poderia alterar sua condição de parcela não integrante do salário de contribuição, uma vez que o dispositivo constitucional trata de imunidade de tributação. 3.3.5. Discorre ainda acerca do estímulo constitucional às empresas, referente à distribuição de lucros, entendendo que“\a.r'igida'interpretação da Lei 10101/00 viola o art. 218, § 4° da Constituição Federal. 3.3.6. Cita decisões dos Tribunais Superiores e dos Tribunais Regionais Federais para embasar suas razões. 3.4 Requer a procedência da presente impugnação com declaração de insubsistência do Auto de Infração. 2 – A decisão da DRJ julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: Fl. 366DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 367 6 3 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte fls. 308/342 do EFls. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 – O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – A principal matéria de fundo tratase da periodicidade do pagamento do PLR paga pelo contribuinte sendo que a acusação fiscal é no sentido de que os valores pagos estão fora da regra de isenção da Lei 10.101/2000 por esse motivo. Essa turma já teve oportunidade de tratar do tema em outras oportunidades, em assuntos de relatoria da Conselheira DIONE JESABEL WASILEWSKI nos AC. 2201004.461 j. em 08/05/2018 e AC nº 2201003.796 j. em 08/08/2017, abaixo ementados, sem grifos no original: Ementa(s) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Anocalendário: 2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS. PERIODICIDADE SEMESTRAL.É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade da verba paga a título de participação nos lucros ou resultados. PLR. PAGAMENTO. ADIANTAMENTOS. CORREÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Deve ser excluída da base de cálculo sujeita à tributação os valores que, embora constantes da folha de pagamentos, correspondem a adiantamentos pagos em outras competências. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE. Devem ser excluídas do pólo passivo as pessoas a quem foi atribuída responsabilidade solidária, quando a fiscalização não apresenta fundamentos suficientes para essa caracterização. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 368 7 Ementa(s) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2011 PLR. PAGAMENTO EM MAIS DE DUAS PARCELAS NO ANO CIVIL. PERIODICIDADE MENSAL. DESCARACTERIZAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCLUSÃO. Os valores pagos a título de PLR em mais de duas parcelas no mesmo ano civil e em periodicidade mensal devem ser integralmente incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias, inclusive para outras entidades e fundos. 6 – Em vista do quanto acima exposto, por entender da mesma forma que a I. Relatora dos leading cases acima indicados e julgados por essa C. Turma e por economia processual, com a devida vênia faço como minha as palavras abaixo como razões de decidir no presente caso no Ac. 2201004.461: “A autoridade fiscal fundamentou o lançamento no descumprimento da regra constante do § 2º do art. 3º, da Lei nº 10.101, de 2000, que estabeleceria uma periodicidade para essa modalidade de pagamento. Para verificar a correção desse proceder, tomo a liberdade de transcrever trecho do voto proferido pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, no Acórdão nº 2201 003.417, sessão de 07 de fevereiro de 2017, que estabelece as balizas para a correta análise dos fatos trazidos à colação nesse processo: Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurada obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: Fl. 368DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 369 8 “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (Grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos Fl. 369DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 370 9 semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por Fl. 370DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 371 10 esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições préestabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 372 11 Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria Fl. 372DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 373 12 existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 374 13 Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de Fl. 374DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 375 14 aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Entre as premissas estabelecidas por esse texto, destaco aquela que estabelece a natureza na norma em análise como isentiva. Daí decorre a obrigatoriedade de adoção do método literal de interpretação do texto legal, de forma que apenas os programas que atenderem integralmente a norma mencionada, dentro do limite imposto pela investigação sintática de seu conteúdo, estariam excluídos da tributação. Neste processo, a controvérsia ficou restrita à observância da seguinte condição: a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Vejamos o que dizia o texto legal, à época dos pagamentos realizados: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A legislação previa expressamente ser "vedado" o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Ou seja, tratandose de PLR que se pretende acobertado pelo disposto na Lei nº 10.101, de 2000, essa forma de pagamento recebe o modal deôntico "proibido". A taxatividade do texto não condiz com a interpretação conferida a ele pela recorrente. Com efeito, ao se afirmar que o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil ensejará a desconsideração de apenas parte deles, não se está aplicando a norma com razoabilidade, mas legislando, porque não há espaço no texto legal para essa interpretação. A razoabilidade na leitura desse comando residiria na aceitação de pagamentos em desconformidade com a periodicidade/número de parcelas estabelecidos pela lei para, por exemplo, corrigir eventuais erros de apuração do valor já pago. Mas desde que resulte de erro eventual. Ou, ainda, em caso de desligamento do empregado, que faria jus ao recebimento proporcional do valor ajustado no instrumento de negociação. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 376 15 Se o programa de participação nos lucros é composto por mais de um instrumento, como relata a recorrente, cabe à empresa, cuja vontade é elemento integrante na constituição deles, laborar para que haja observância da periodicidade estipulada por lei. O entendimento aqui esposado está de acordo com a jurisprudência recente da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do que servem de exemplo os Acórdãos 9202004.543, 9202004.347, 9202004.342. Deste último, transcrevo abaixo parte da ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 30/11/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. PERIODICIDADE SEMESTRAL. É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade da verba paga a título de participação nos lucros ou resultados. No caso, restou comprovado descumprimento do critério da periodicidade para alguns dos empregados. E do voto, de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Reparase da leitura acima, que não estamos tratando de limite de verba não tributada, mas sim de condição para fixação de sua natureza. Ora, o pagamento em menor periodicidade do que aquela definida em lei, tem o condão de dar natureza de complementação salarial à verba pretensamente paga a título de PLR. Por esse motivo, entendo que, para cada empregado, pagamentos sem respeito à periodicidade mínimima legalmente estabelecida, desconfiguram o programa e, portanto, todas as verbas a ele pagas a título de PLR devem compor o salário de contribuição. Isto posto, em relação à descaracterização dos pagamentos realizados pela empresa fiscalizada nas competências 02/2010, 08/2010 e 11/2010 como PLR, entendo que está correta a fiscalização ao afirmar que não foram observadas as exigências estabelecidas pela lei no que diz respeito à periodicidade e ao número de parcelas.” Fl. 376DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 377 16 7 – Na mesma esteira de entendimento a decisão no Ac. 2302002.844 da C. 2ª TO 3ª CAM dessa Seção julgado em 19/11/13 relator Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, em aresto assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. PERIODICIDADE. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O pagamento de PLR em mais de duas vezes no ano afronta o disposto na Lei n° 10.101/2000. É até intuitiva a construção lógica pela qual, quando não ocorre a exceção, incide a regra. Assim, se há o descumprimento fático de um pressuposto normativo da regra excepcional, não se pode afirmar que não há consequência ou sanção prevista em lei. A consequência ou sanção é exatamente a incidência da regra geral, no caso, a vinculação do pagamento à remuneração (artigo 28, I, da Lei n° 8.212/91). A descaracterização do plano de participação nos lucros ou resultados atinge todas as regras e pagamentos a ele relativos. Não se pode cindilo para se considerar parte dos pagamentos como cobertos pelo exceção legal e parte não. Não podem ser aproveitadas apenas as condições ou pagamentos que, isoladamente, estejam de acordo com a Lei n° 10.101/2000. Assim, descumprido algum dos pressupostos legais, a descaracterização reportase ao somatório do plano. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitandose aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 378 17 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte (sem grifos no original) 8 A recorrente confirma em seu recurso nos autos do PAF 19740000637200826 (processo principal) que efetuou o pagamento a título de PLR em mais de uma vez no semestre verbis: 9 Portanto, nada a ser provido de acordo com as razões acima expostas. 10 – Quanto ao pedido de redução da multa em virtude das alterações introduzidas na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/09 nada a ser conhecido ou a ser deferido em razão do lançamento apenas ter constituído o crédito previdenciário sob a rubrica de PLR terceiros não havendo aplicação de multa com base nos artigos indicados no recurso. Conclusão 11 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito, lhe NEGO PROVIMENTO. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 19740.000639/200815 Acórdão n.º 2201004.671 S2C2T1 Fl. 379 18 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 379DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.002722/2005-45
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 01/01/2002
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO, REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PERMANÊNCIA NO REGIME SIMPLIFICADO DE TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 57 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Numero da decisão: 1001-000.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 01/01/2002 SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO, REPARAÇÃO E MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. PERMANÊNCIA NO REGIME SIMPLIFICADO DE TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 57 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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PERMANÊNCIA NO REGIME SIMPLIFICADO DE TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 57 “A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 27 22 /2 00 5- 45 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10860.002722/200545 Acórdão n.º 1001000.763 S1C0T1 Fl. 293 2 Relatório A recorrente postula pela reforma da decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Campinas (SP), mediante o Acórdão nº 1418.814, de 05/07/2007 (efls. 15/17). Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Cuidase de manifestação de inconformidade dirigida contra decisão da DRF de origem que negou acolhimento à Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples SRS antes formalizada (fls. 14, 60, verso). Desta última decisão teve dela ciência o Contribuinte em 01/08/2005 (fl. 61). Protocolada dita insurgência em 31/08/2005 (fls. 01/07), os autos foram recebidos nesta DRJ em Campinas/SP em 11/10/2006 (conforme protocolo de capa). Argúi o Contribuinte: a) Prescindiria, para o exercício de sua atividade, do domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia e/ou assemelhado. Junta julgado administrativo que prestigiaria dita inteligência. b) Equívoco na anotação do CNAEfiscal. c) A sua exclusão do Simples não respeitaria o comando constitucional concessivo de tratamento favorecido às micro e pequenas (art. 179 da Constituição). d) A exclusão não poderia operar efeitos retroativos à data de expedição/ciência do respectivo ato. e) Suspensão dos efeitos do ato de exclusão à vista da presente manifestação de inconformidade. Igualmente, postula o efeito devolutivo. Em tempo, o Ato Declaratório Executivo (ADE) que excluíra o Contribuinte do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, consigna a data de 09/11/2000 como a de ocorrência do evento impeditivo, e foi sumariamente motivado nos termos seguintes: "atividade econômica vedada: 29696/02 Instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso específico" (fls. 13, 59). A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10860.002722/200545 Acórdão n.º 1001000.763 S1C0T1 Fl. 294 3 engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE. A exclusão do Simples pode operar efeitos retroativos à data da situação impeditiva. ART. 179 DA CONSTITUIÇÃO. TRATAMENTO FAVORECIDO. LEI 9.317/96. O art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, é norma infraconstitucional que vem ofertar, justamente, eficácia jurídica ao que consignado no art. 179, in fine, da Constituição, que é norma constitucional de eficácia limitada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 25/08/2008, conforme Aviso de Recebimento à efl. 91, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 23/09/2008 (efls. 92/101), conforme carimbo aposto à efl. 92. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso voluntário, o recorrente reitera os argumentos já trazidos em sede de primeira instância, ou seja que a atividade econômica efetivamente pela recorrente não demanda conhecimento técnico de nível superior; que não possui em seus quadros de funcionários nenhum com habilitação em engenharia e cita as notas fiscais de prestação de serviços anexadas na impugnação e que serviriam de prova do não exercício da atividade vedada. Faz outras alegações e solicitações, mas o ponto principal do litígio referese à possibilidade (ou não) de a empresa optar pelo SIMPLES devido à atividade atrelada ao CNAEfiscal de "Instalação, reparação e manutenção outras maquinas e equipamentos de uso específico", conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 559.946, de 02/08/2004 (efl. 19) O relator do acórdão recorrido transcreve as atividades econômicas relacionadas nos contratos sociais, “Comércio de painéis elétricos, montagem e manutenção industrial, mecânica, hidráulica, caldeiraria e pneumática e outras atividades pertinentes ao ramo”, e alega que a mesma "exerce/exerceu, no que interessa como critério decisivo ao pleito e à época em que indicada como de ocorrência do evento impeditivo". Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10860.002722/200545 Acórdão n.º 1001000.763 S1C0T1 Fl. 295 4 E conclui que "não é possível dizer, peremptoriamente, que o Contribuinte, ao exercer sua atividade, prescinde de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional de engenharia (Lei n° 9.317/96, art. 9°, inciso XIII)." Data vênia, discordo da conclusão do relator. As atividades descritas tanto no contrato social quanto no CNAE não são de competência privativa da área de engenharia, nem tampouco se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. É o que se depreende da Súmula CARF nº 57, verbis: "Súmula CARF nº 57: A instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal." Sendo de adoção obrigatória pelos membros do CARF, a Súmula acima mencionada se aplica perfeitamente à questão em discussão, desta forma, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada quanto ao ponto alegado pela recorrente. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário cancelandose a exclusão da empresa do Simples. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.902376/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/BHE, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 40 .9 02 37 6/ 20 12 -4 2 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11040.902376/201242 Resolução nº 3401001.479 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 24885.38933.130911.1.3.041593 a compensação de débito de IRPJ (cód.2362) do período de apuração 05/2011 no valor de R$ 3.301,12 acrescido de multa e juros, totalizando R$ 4.061,69 com crédito de COFINS (cód.5856) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 38.800,00 do período de apuração 12/2010, arrecadado na data de 25/01/2011. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 3.775,16. Do Despacho Decisório A DRF de Pelotas/RS em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 03/01/2013, rastreamento nº 041975024 (efls.7), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da COFINS do Período de Apuração 31/12/2010. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.10), solicitando que seja revisado seu pedido porque o valor informado na DCTF original estava incorreto, razão pela qual retificou a DCTF do mês de dezembro de 2010, conforme segue, dando origem ao crédito declarado na PER/DCOMP: Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/BHE, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em sessão de 01 de dezembro de 2014, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.29) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que em matéria tributária, a verdade material sobrepõe a eventuais declarações incorretas feitas pelo contribuinte, a luz dos princípios da legalidade e da tipicidade e por óbvio, o erro de preenchimento de uma declaração não tem o efeito de deflagrar o nascimento de obrigação tributária; (b) que a própria legislação admite a retificação da DCTF, passando essa a ter a mesma natureza da declaração originalmente apresentada (art.11, § 1º da INSRF nº 903/08); (c) o fato do débito ter sido Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11040.902376/201242 Resolução nº 3401001.479 S3C4T1 Fl. 4 3 declarado em DCTF não configura qualquer óbice à abertura na via administrativa à discussão de questões verificadas posteriormente a declaração do débito. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte demonstrou via DACON e DCTF retificadoras, que o débito declarado de COFINS para o mês 12/2010 estava incorreto e tratou de corrigilo, porém, o fez em data posterior a cientificação do Despacho Decisório, sendo essa a razão da não homologação da compensação pleiteada. A autoridade julgadora de primeiro grau demonstrou conhecimento da ação da interessada e contempla em seu voto (efls.22/23): Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11040.902376/201242 Resolução nº 3401001.479 S3C4T1 Fl. 5 4 Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (INRFB nº 1.110/2010). Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da declaração de compensação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O CARF não é órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008, bem como das IN que a sucederam: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11040.902376/201242 Resolução nº 3401001.479 S3C4T1 Fl. 6 5 administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade por preterição do direito de defesa (art. 59, II do PAF Decreto nº 70.235/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, como exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303 005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. Também, a administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11040.902376/201242 Resolução nº 3401001.479 S3C4T1 Fl. 7 6 A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000356/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-004.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, devem prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 03 56 /2 00 7- 63 Fl. 405DF CARF MF Processo nº 17546.000356/200763 Acórdão n.º 2201004.637 S2C2T1 Fl. 406 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra Decisão Notificação da então Secretaria da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento do crédito tributário. O lançamento é referente a contribuições devidas à Previdência Social, incidentes sobre valores pagos a empresa prestadora de serviço da área da saúde, devidos em razão da Solidariedade da empresa (Hospital e Maternidade Albert Sabin S/B Ltda) pela cessão de mão de obra colocada à sua disposição, correspondente à parte do empregado, da empresa (quota patronal), e contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O débito da notificada, lançado na presente NFLD, referese ao período de 03/1998; 05/1998; 07/1998; 09/1998; 11/1998 anteriores à implantação da GFIP e 01/1999 dispensado de declarar em GFIP. A decisão de primeira instância julgou procedente o lançamento (fls. 182/195), nos termos da seguinte ementa: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AFERIÇÃO. A empresa e obrigada a apresentar todos os documentos e livros relacionados com as contribuiões previdenciárias, ocorrendo recusa, sonegaciio ou apresentaciio deficiente dos mesmos, a SRP Secretaria da Receita Previdenciária tem o poder de inscrever de oficio a importdncia que reputar devida, na forma da Lei. GRUPO ECONOMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econtimico de qualquer natureza respondem solidariamente entre si, na forma da lei. SOLIDARIEDADE. A empresa tomadora dos serviços responde solidariamente com a prestadora pelas contribuicoes previdenciarias. Cientificado da decisão de primeira instância em 05/12/2007, o sujeito passivo e os responsáveis solidários apresentaram recurso voluntário, tempestivamente, em 21/12/2007, data da postagem nos Correios, alegando, em síntese: A decadência do direito de o Fisco lançar o crédito tributário, uma vez que a ciência do lançamento se deu em 06/07/2005, data da ciência da NFLD, estando decadentes os fatos geradores ocorridos nas competências entre 01/1998 a 01/1999, aplicandose a regra do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Não há crédito tributário, posto que todos os valores descontados dos empregados foram recolhidos. Em face da exiguidade do prazo para apresentação de defesa e Fl. 406DF CARF MF Processo nº 17546.000356/200763 Acórdão n.º 2201004.637 S2C2T1 Fl. 407 3 da grande quantidade de documentos, deixa de apresentar a comprovação dos pagamentos nesse momento, prometendo fazêlo em momento oportuno. A inconstitucionalidade de aplicação da taxa Selic. Pleiteia a juntada posterior de documentos. Por fim, requer seja dado provimento ao presente recurso, sendo anulado o presente Auto de Infração. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Decadência O recorrente alega a prescrição e a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. No que tange à prescrição, que é a perda do direito de ação, não há de se cogitar, uma vez que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa com o protocolo da impugnação. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.2i2, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada Fl. 407DF CARF MF Processo nº 17546.000356/200763 Acórdão n.º 2201004.637 S2C2T1 Fl. 408 4 inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5°do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1°do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 17546.000356/200763 Acórdão n.º 2201004.637 S2C2T1 Fl. 409 5 O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Este CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial. De acordo com a Súmula n° 99, considerase que houve pagamento parcial quando os recolhimentos efetuados se referem à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF n° 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Destarte, no presente caso, temos que o lançamento se perfectibilizou com a ciência pessoal ocorrida em 06/07/2005 (fl.67/69). Verificouse que não há nos autos prova de que houve antecipação do pagamento relativa ao crédito tributário lançado. Desse modo, aplicase a regra inserta no art. 173, § 1º, do CTN. Estão atingidas pela decadência, pois, todas as competências do presente lançamento, eis que o crédito tributário lançado é referente ao período de 01/1998 a 01/1999. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 409DF CARF MF Processo nº 17546.000356/200763 Acórdão n.º 2201004.637 S2C2T1 Fl. 410 6 Fl. 410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905329/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2001
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO.
Se o sujeito passivo, embora não tenha retificado a DCTF, demonstrar, por meio de prova cabal, a existência do crédito alegado, a referida formalidade pode ser relevada.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98. REPERCUSSÃO GERAL. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
Nos julgamentos no âmbito do CARF é obrigatória a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC/1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015.
Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral no RE 585.235/MG, é inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições de PIS/Pasep e Cofins efetuada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso voluntário provido em parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3402-005.574
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos votaram pelas conclusões quanto às bonificações e aos descontos incondicionais, por não serem objeto do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2001 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO. Se o sujeito passivo, embora não tenha retificado a DCTF, demonstrar, por meio de prova cabal, a existência do crédito alegado, a referida formalidade pode ser relevada. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98. REPERCUSSÃO GERAL. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. Nos julgamentos no âmbito do CARF é obrigatória a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC/1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015. Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral no RE 585.235/MG, é inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições de PIS/Pasep e Cofins efetuada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso voluntário provido em parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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secao_s : Terceira Seção De Julgamento
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos votaram pelas conclusões quanto às bonificações e aos descontos incondicionais, por não serem objeto do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-10-17T15:22:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-10-17T15:22:13Z; Last-Modified: 2018-10-17T15:22:13Z; dcterms:modified: 2018-10-17T15:22:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:5ea62d07-de92-41db-a5c4-7ed5679c38b1; Last-Save-Date: 2018-10-17T15:22:13Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-10-17T15:22:13Z; meta:save-date: 2018-10-17T15:22:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-10-17T15:22:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-10-17T15:22:13Z; created: 2018-10-17T15:22:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2018-10-17T15:22:13Z; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-10-17T15:22:13Z | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.905329/201184 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.574 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria PIS Recorrente BELEM DIESEL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2001 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO. Se o sujeito passivo, embora não tenha retificado a DCTF, demonstrar, por meio de prova cabal, a existência do crédito alegado, a referida formalidade pode ser relevada. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98. REPERCUSSÃO GERAL. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. Nos julgamentos no âmbito do CARF é obrigatória a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015. Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral no RE 585.235/MG, é inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições de PIS/Pasep e Cofins efetuada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso voluntário provido em parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 53 29 /2 01 1- 84 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10280.905329/201184 Acórdão n.º 3402005.574 S3C4T2 Fl. 0 2 e Cynthia Elena de Campos votaram pelas conclusões quanto às bonificações e aos descontos incondicionais, por não serem objeto do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de PIS,o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235 com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: Inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718 pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10280.905329/201184 Acórdão n.º 3402005.574 S3C4T2 Fl. 0 3 a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nessas receitas destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Mediante a Resolução nº 3402001.082– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, este Colegiado determinou a realização de diligência para que a Unidade de Origem verificasse a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerasse pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Na diligência concluiu a fiscalização que houve recolhimento a maior, sendo possível o reconhecimento do direito creditório para a compensação pleiteada. Intimada a manifestarse em face do resultado da diligência, a recorrente nada acrescentou aos autos. É o relatório. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10280.905329/201184 Acórdão n.º 3402005.574 S3C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.569, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.569): "A admissibilidade do recurso voluntário já foi aferida na conversão do julgamento em diligência, ocasião em que ele foi conhecido. Quanto ao pedido da recorrente de reunião de processos, tendo em vista que se referem a diversos períodos de apuração e, portanto, a fatos jurídicos tributários diferentes, não há obrigatoriedade de vinculação por conexão. Não obstante isso, o recurso de que trata o presente processo foi definido como paradigma, representativo da controvérsia para múltiplos recursos com fundamento em idêntica questão de direito, tendo a recorrente sido atendida, se não em tudo, em parte de seu pleito. No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, deve aqui ser aplicado o mesmo entendimento adotado no Acórdão nº 3302004.623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no interesse da contribuinte em situação semelhante, nestes termos: "(...) ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre por meio de prova cabal a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. No caso em análise, com a baixa do processo à unidade para que se verificasse a base de cálculo sob o novo prisma do reconhecimento da inconstitucionalidade, entendese que a referida argumentação foi superada". Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10280.905329/201184 Acórdão n.º 3402005.574 S3C4T2 Fl. 0 5 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10280.905329/201184 Acórdão n.º 3402005.574 S3C4T2 Fl. 0 6 operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10280.905329/201184 Acórdão n.º 3402005.574 S3C4T2 Fl. 0 7 Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. (...) Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10280.905329/201184 Acórdão n.º 3402005.574 S3C4T2 Fl. 0 8 certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 354DF CARF MF
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Numero do processo: 12963.000142/2007-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara de origem, para complementação do exame de admissibilidade, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandes), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara de origem, para complementação do exame de admissibilidade, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandes), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1601; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 209 1 208 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12963.000142/200752 Recurso nº Especial do Procurador Resolução nº 9202000.206 – 2ª Turma Data 25 de setembro de 2018 Assunto PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FAZENDA BELA VISTA LTDA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara de origem, para complementação do exame de admissibilidade, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandes), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Auto de Infração a título de sanção por desobediência ao art. 32, IV, §3º, da Lei n. 8.212/1991, por não ter a empresa informado o INSS por GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, ensejando a aplicação da multa do art. 32, IV, §5º, da mesma lei. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 29 63 .0 00 14 2/ 20 07 -5 2 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 12963.000142/200752 Resolução nº 9202000.206 CSRFT2 Fl. 210 2 Houve a relevação da multa pois no lapso de impugnação, houve nova transmissão da GFIP. A ocorrência dos eventos sobre os quais incidiu a norma de imposição tributária se deu nas competências de 11/2005, sendo o lançamento cientificado no dia 08.08.2007 (fls.01). Em seu recurso voluntário, a contribuinte alegou não ocorrência do fato tipificado, bem como equívoco da fiscalização em demonstrar o ocorrido. A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n° 280300.655, proferido pela 3 a Turma Especial da 2 a Seção em 14/04/2011 (fls. 141/142), cuja ementa diz: "Fulcro nos artigos 33, da Lei n° 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como a descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN." Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: Traz os seguintes paradigmas não há vício: Acórdão 10808499 Acórdão 204 01231. Se houver vício que seja considerado vício formal: Acórdão 30131801, Acórdão n°. 30333365: Na hipótese dos autos, o voto do acórdão guerreado decidiu por anular o auto de infração, sustentando a ausência de motivação do lançamento, vez que não houve descrição clara dos fatos geradores. Sucede que a descrição dos fatos, bem como a metodologia utilizada para cálculo do crédito tributário encontramse satisfatoriamente postas nos relatórios de fls. 74 a 76 e nos demais termos que acompanham o procedimento fiscal. Todos os elementos essenciais à autuação estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Exame de admissibilidade atevese, tãosomente com a anulação do Auto de Infração por vício material, enquanto em eu pedido a Fazenda insurgese e requer o conhecimento e o provimento do recurso para: a) reformar a decisão recorrida que anulou o lançamento; ou caso assim não entenda, b) anular o Auto de Infração, porém por vício formal. Assim, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência à câmara de origem, para complementação do exame de admissibilidade, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Fl. 210DF CARF MF Processo nº 12963.000142/200752 Resolução nº 9202000.206 CSRFT2 Fl. 211 3 Patrícia da Silva Fl. 211DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.909312/2009-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. DARF. ERRO COMPROVADO.
O Per/Dcomp deve ser retificado pelo sujeito passivo caso encontre-se pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser aplacada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em mero equívoco de informação entrem o respectivo Per/Dcomp e o Darf nele indicado como prova do direito creditório pleiteado, erro este consistente, tão somente, quanto à indicação do Código de Receita do tributo recolhido a maior, uma vez que dúvida não há quanto ao efetivo recolhimento do respectivo tributo.
Numero da decisão: 3001-000.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. DARF. ERRO COMPROVADO. O Per/Dcomp deve ser retificado pelo sujeito passivo caso encontre-se pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser aplacada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em mero equívoco de informação entrem o respectivo Per/Dcomp e o Darf nele indicado como prova do direito creditório pleiteado, erro este consistente, tão somente, quanto à indicação do Código de Receita do tributo recolhido a maior, uma vez que dúvida não há quanto ao efetivo recolhimento do respectivo tributo.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. DARF. ERRO COMPROVADO. O Per/Dcomp deve ser retificado pelo sujeito passivo caso encontrese pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser aplacada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em mero equívoco de informação entrem o respectivo Per/Dcomp e o Darf nele indicado como prova do direito creditório pleiteado, erro este consistente, tão somente, quanto à indicação do Código de Receita do tributo recolhido a maior, uma vez que dúvida não há quanto ao efetivo recolhimento do respectivo tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0733.495, da 4ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC DRJ/FNS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 93 12 /2 00 9- 12 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.909312/200912 Acórdão n.º 3001000.510 S3C0T1 Fl. 136 2 que, na sessão de julgamento realizada em 29.11.2013 (efls. 99 a 103), que não reconheceu o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação Per/Dcomp 34021.04193.180105.1.3.040744. Da ementa do acórdão recorrido A 4ª Turma da DRJ/FNS, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. ESPÉCIE DE PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. LIMITES DA APRECIAÇÃO EM SEDE ADMINISTRATIVA. No âmbito das compensações declaradas pelos contribuintes, a apreciação administrativa da regularidade do procedimento do contribuinte se limita à aferição da existência de crédito contra a Fazenda Nacional estritamente declarado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Adotase, para o acompanhamento inicial dos fatos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito, verbis: Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica, transmitida em 18 de janeiro de 2005, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito que teria sido indevidamente recolhido a título de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep), mediante Darf código 8109, em 14 de setembro de 2000, no valor de R$ 7.893,22, relativo ao período de apuração de outubro de 2000. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo DERAT SP pela não Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.909312/200912 Acórdão n.º 3001000.510 S3C0T1 Fl. 137 3 homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 5, emitido em 18 de fevereiro de 2009, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, discriminado na Dcomp, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual expõe suas razões de contestação. No tópico A Prova da Existência do DARF informado no PER/DCOMP, a contribuinte alega a existência do documento de arrecadação informado na Declaração de Compensação, conforme documento que anexa (folha 33). Ressalta a contribuinte que as informações do Darf correspondem àquelas informadas na Dcomp. A fim de confirmar o pagamento a contribuinte afirma que a Procuradoria da Fazenda Nacional, com referência à inscrição em dívida 80.7.00.00346637, que informa a extinção dos correspondentes créditos tributários, indica na primeira linha Informações sobre os pagamentos efetuados exatamente o pagamento informado na Dcomp (v. folha 36 ). Em A Correção da Compensação Realizada, a contribuinte passa a alegar que o pagamento realizado por Darf se constitui em crédito a seu favor, por ser pagamento indevido. Em síntese, a contribuinte explica que o crédito tem origem em pagamento de PIS, relativo aos três primeiros trimestres de 1997, cujos débitos foram indevidamente inscritos em dívida ativa. A contribuinte esclarece que pagou tais débitos em duplicidade, a fim de evitar transtornos inerentes à pendência de débitos inscritos em dívida ativa. A contribuinte argumenta que todas as informações expostas na manifestação de inconformidade encontramse devidamente espelhadas em suas declarações DCTF, conforme cópia trazida aos autos. Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 107 a 132), para reprisar os argumentos de defesa apresentados em sua manifestação de inconformidade, que sintetizo, que: (i) o Darf e o extrato emitido pela PFN, coligidos aos autos indiscutivelmente atestam a existência do documento de arrecadação informado no Per/Dcomp em questão; (ii) transmitiu respectivas DCTF para fins de constituição e pagamento dos créditos tributários de PIS, referentes aos três primeiro trimestres de 1997 e de IRRF, referente a junho do mesmo ano; Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.909312/200912 Acórdão n.º 3001000.510 S3C0T1 Fl. 138 4 (iii) não obstante a verificada extinção dos débitos declarados nas referidas DCTF, foi surpreendida com o Aviso de Cobrança que informoulhe a inscrição em dívida ativa dos referidos tributos, conforme depreendese das Certidões de Dívida Ativa anexadas aos presentes autos, mas que mesmo sabendo indevidos, procedeu, uma vez mais, ao pagamento destes créditos tributários, a fim de evitar os percalços inerentes à pendência de débitos inscritos em dívida ativa, conforme faz prova os Darf e os extratos emitidos pela PFN em 04.10.2005; (iv) evidenciado o pagamento em duplicidade dos referidos créditos tributários, é plenamente cabível sua compensação, no valor nominal de R$ 35.949,08; (v) apurou, para o período de 08/2000, Cofins no valor de R$ 15.028,82, conforme depreendese das respectivas DCTF (original e retificadora); (vi) no intuito de extinguir o crédito tributário decorrente da Cofins devida no referido período, vinculou um Darf no valor de R$ 1.135,60, numa primeira compensação objeto de outro processo a presente compensação, no valor de R$ 7.893,22; (vii) todas as informações até aqui prestadas encontramse demonstradas em suas declarações, bem assim no Per/Dcomp em comento, o que torna induvidoso a extinção do valor devido a título de Cofins do período de apuração de 08/2000; (viii) restando plenamente demonstrada não só a existência do darf indicado na Per/Dcomp, como também da origem e validade do crédito a que faz jus, é inadmissível que desconsiderese todos esses fatos em razão de terse identificado mero erro de preenchimento da referida Per/Dcomp, na medida em que apontou o código 8109, quando o correto seria o código 0810; (ix) em prestígio do princípio da verdade material, cuja aplicação é indeclinável para a administração pública, o incontestável fato de que possui créditos suficientes para extinguir todos os débitos compensados, sob pena de nulidade, por representar enriquecimento ilícito do Fisco, conforme já decidiu esta instância de julgamento; Nestes termos, requer seja julgado procedente o presente recurso voluntário, para fins de reforma do acórdão recorrido, a fim de que seja reconhecida a integralidade dos créditos informados e, por decorrência, das suas compensações. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 18.03.2015 (efl. 134), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.909312/200912 Acórdão n.º 3001000.510 S3C0T1 Fl. 139 5 Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 14.02.2014, conforme depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 133), depois da ciência ocorrida em 16.01.2014, conforme informa o "Aviso de Recebimento AR", que trata da entrega da "Intimação nº 35/2014", expedido pela DERAT/DIORT/EODIC/SPO (efls. 104/105), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Do fundamento do despacho decisório Do campo três do Despacho Decisório rastreamento 821102293, emitido em 18.02.2009, intitulado "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", colhese o que segue: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 7.893,22. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Das questões não controvertidas Dúvida não há que a motivação para a não homologação da compensação restringese a não confirmação, após consultas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, quanto a existência do crédito informado no Per/Dcomp 34021.04193.180105.1.3.040744, transmitido em 18.01.2005, uma vez que o Darf nele discriminado não foi localizado. Também é pacífico que as informações acerca do Darf indicado no Per/Dcomp em análise (página 3) e reproduzido no despacho decisório diverge, tão somente ao que tange o "Código de Receita", da guia de recolhimento, qual seja o próprio Darf, que o recorrente apresentada como prova do direito creditório pleiteado. Per/Dcomp 34021.04193.180105.1.3.040744 (fl. 27): Período de Apuração: 31/10/2000 CNPJ: 56.530.108/000140 código da Receita: 8109 Nº da Referência: 8070000346637 Data de Vencimento: 31/10/2000 Valor do Principal 3.685,57 Valor da Multa 737,10 Valor dos Juros 3.470,55 Valor Total do Darf 7.893,22 Data de Arrecadação: 14/09/2000 Darf (fl. 30) Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.909312/200912 Acórdão n.º 3001000.510 S3C0T1 Fl. 140 6 02 PERÍODO DE APURAÇÃO 31/10/2000 03 NUMERO DO CPF OU CNPJ 56.530.108/000140 04 CÓDIGO DA RECEITA 0810 05 NÚMERO DE REFERENCIA 80 7 08 00346637 06 DATA DE VENCIMENTO 31/10/2000 07 VALOR DO PRINCIPAL 3.685,57 08 VALOR DA MULTA 737,10 09 VALOR DOS JUROS E/OU ENCARGOS DL 1.025/69 3.470,55 10 VALOR TOTAL 7.893,22 Do litígio propriamente dito Portanto, o inconformismo do recorrente assentase na hipótese de que mero erro de preenchimento da referida Per/Dcomp, ao indicar o código 8109, quando o correto seria o código 0810, não pode ser motivo suficiente para denegarlhe o direto ao suposto crédito e, por consequência, a extinção, por compensação, dos débitos nela declarados. Dos fundamentos desta decisão De plano, temos a hodierna tendência de mitigarse os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, a qual a muito comungo, para o fim de acolher provas apresentadas nas instâncias recursais. No entanto, para que seja aplacada tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante; para tanto, uma vez ciente dos motivos pelos quais seu pleito não foi atendido, entendo ser seu o dever de envidar esforço no sentido de elucidar os pontos controvertidos apontados pela decisão denegatória, por exemplo, mediante a apresentação de robustos elementos de prova do direito vindicado. De outra forma dizendo, deve o interessado agir de proativamente, empenhandose para comprovar o direito que alega possuir, para que tornese, inclusive possível aventar o novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo Novo Código de Processo Civil Lei 13.105 de 16.03.2015, cujo artigo 6º afirma que todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Feito este breve intróito, passemos para a análise fática do presente feito. Compulsando os autos verificase que o pedido de compensação foi indeferido, uma vez que a autoridade fiscal, após exame dos sistemas informatizados da RFB, não localizou o Darf discriminado no presente Per/Dcomp, não restando, por conseguinte, crédito disponível para a compensação dos débitos nele informados. Observase também que (i) o recorrente foi intimado (efls. 97/98) a conferir as informações prestadas na Dcomp, uma vez que o Darf não foi localizado; (ii) que no "Termo de Intimação" a autoridade fiscal esclarece que, havendo erro no preenchimento o contribuinte disporia de prazo para retificar sua Per/Dcomp, conforme dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1717, de 17.07.2017, que, tal como as normas anteriores, em seu CAPÍTULO VI DA RETIFICAÇÃO E DO CANCELAMENTO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DO PEDIDO DE REEMBOLSO E DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, estabelece as regras atinente à retificação de pedidos como o do presente caso; (iii) e que não consta destes autos informação de que o interessado tenha procedido à Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.909312/200912 Acórdão n.º 3001000.510 S3C0T1 Fl. 141 7 retificação da Per/Dcomp em questão, a fim de corrigir, no que tange à origem do crédito tributário, o Darf para fazer constar o "Código de Receita" correto, qual seja "0810 Receita Dívida Ativa PIS". Esclareçase que não inexiste dúvida que o valor expresso no Darf colacionado aos autos pelo contribuinte, para evidenciar a existência de crédito que pretende utilizar na compensação dos débitos declarados no Per/Dcomp em testilha, foi objeto de efetivo recolhimento ao Erário Federal, é o que depreendese da tela do sistema "SINAL08,1RPE (CONSULTA PAGAMENTO) (efls. 96). Não se discute que efetivamente cabia ao contribuinte requer a retificação do Per/Dcomp 34021.04193.180105.1.3.040744, em face de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento, por meio do respectivo documento retificador. Em apertada em síntese, conforme o excerto a seguir reproduzido, foi este o fundamento do voto condutor do acórdão recorrido para concluir pela improcedência da manifestação de inconformidade e, por seu turno, pelo não reconhecimento do direito creditório. Vejamos: Diante deste quadro, não há, portanto, como acatar, em sede de recurso administrativo, o pleito da contribuinte. É que ao suprimir na Dcomp informação essencial à identificação da origem de seu pretenso crédito, a contribuinte subtraiu à DRF de origem a correta identificação do objeto do pleito, como já dito. Com isso, não se pode, em sede recursal, apreciar originariamente questão não submetida à apreciação de quem tem competência, em instância inicial, para deferir ou não o crédito pretendido. E não há como sanear processualmente tal incidente, pois na medida em que o despacho decisório foi prolatado com estrita consonância com o conteúdo da Dcomp apresentada, inovar nos limites do litígio em sede recursal seria indevido. Entretanto, em que pese o bem fundamentado acórdão recorrido, divirjo de suas conclusões, pois a atento à novel tendência de se mitigar a rigidez das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, e por entender que o sujeito passivo agiu de forma proativa, acolho como suficiente as inúmeras provas apresentadas em sua manifestação de inconformidade, para, considerando demonstrada a existência do Darf indicado na Per/Dcomp em questão, posto que os documentos coligidos confirma que no caso sob exame tratarse de simples equívoco de preenchimento da referida Per/Dcomp, ao indicar o código 8109, quando deveria ter mencionado o código 0810, reconhecer a origem e validade do crédito pleiteado e, por seu turno, extinguir o débito originário de Cofins devido, referente ao período de apuração de 08/2000. Da conclusão Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, deferindose as compensações indicadas no Per/Dcomp objeto deste processo. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.909312/200912 Acórdão n.º 3001000.510 S3C0T1 Fl. 142 8 Fl. 142DF CARF MF
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