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Numero do processo: 12898.000229/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
A compensação considerada não declarada, nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430/96, é punida com a multa prevista no art. 44, I do mesmo diploma, quando não constatada sonegação, fraude ou conluio (arts. 72, 73 e 74 da Lei nº 4.502/64), consoante disposto no art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/03.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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(NOVA RAZÃO SOCIAL DE HAMBRE DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A compensação considerada não declarada, nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430/96, é punida com a multa prevista no art. 44, I do mesmo diploma, quando não constatada sonegação, fraude ou conluio (arts. 72, 73 e 74 da Lei nº 4.502/64), consoante disposto no art. 18, § 4º da Lei nº 10.833/03. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 02 29 /2 00 9- 12Fl. 128DF CARF MF 2 Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Albergam estes autos lançamento para exigência de multa isolada, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/03, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), decorrente de compensação considerada não declarada, por inexistência de direito creditório. Em impugnação o contribuinte sustentou que desistira das compensações e parcelara o débito respectivo espontaneamente, antes da análise das declarações enviadas; que as inúmeras alterações legais e a falta de precisão da descrição dos fatos seriam causa de nulidade da autuação; e, que, diante do parcelamento, a exigência da multa seria descabida. A DRJ Juiz de Fora/MG deu parcial provimento para afastar a multa em relação à DCOMP transmitida em 07/10/2005, por ausência de previsão legal, em decisão assim ementada: “NORMAS PROCESSUAIS. ACÓRDÃO. CORREÇÃO. ERRO MATERIAL. É de se proferir novo acórdão para a correção de lapso manifesto e de erro material, identificados em acórdão anterior. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O auto de infração contém todos os requisitos legais, especialmente a descrição dos fatos e menção aos dispositivos que fundamentam a infração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada, de que trata o art. 18 da Lei no 10.833/2003 e alterações, é aplicável aos casos de compensação indevida em que a compensação tenha sido considerada ‘NÃO DECLARADA’. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do art. 106 do CTN, aplicase retroativamente aos casos não definitivamente julgados o disposto no art. 25 da Lei nº 11.051/2004, que ao dar nova redação ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, deixou de aplicar a multa isolada de 75%.” O recurso voluntário assevera que houve desistência das compensações e parcelamento dos valores (PA 15471.001579/200733), antes do início de qualquer procedimento fiscal, de maneira que, inexistindo débito na data de análise das declarações de compensação transmitidas não havia que se falar em “compensação” e tampouco não declaração, sendo descabida a multa isolada. É o relatório. Voto Fl. 129DF CARF MF Processo nº 12898.000229/200912 Acórdão n.º 3401004.368 S3C4T1 Fl. 11 3 Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Respeitante à alegação de parcelamento dos débitos antes da lavratura do auto de infração e conseqüente perda do objeto da declaração de compensação não declarada, valhome do disposto no art. 57, § 3º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15), na redação dada pela Portaria MF 329/17, e, concordando integralmente com as razões estampadas na decisão recorrida, adoto os seus fundamentos na composição desse voto, verbis: “Em sua defesa a impugnante aduz que antes da análise da compensação pela autoridade competente, DERAT/RJ, a contribuinte já havia delas desistido e requerido parcelamento dos débitos objeto do lançamento ora impugnado. Contudo, a interessada não trouxe qualquer comprovação do alegado, não logrando assim afastar a afirmação da autoridade fiscal, à fl. 24, de que os débitos compensados por meio das Dcomp, consideradas não declaradas, não estavam informados no processo de parcelamento nº 15471.001.579/200733, mencionado na peça de defesa. Consoante pesquisas aos sistemas informatizados da RFB, especificamente aqueles que tratam das declarações de compensação, não foram transmitidos pedidos de cancelamentos, descartandose a afirmação da autuada de que as Dcomp, relacionadas no TCF, já haviam sido canceladas em virtude da desistência, antes da análise da compensação pela DERAT/RJ. As Dcomp ora examinadas foram tratadas manualmente, ensejando o Despacho Decisório, cópia às fls. 22 a 29, por meio do qual foram consideradas não declaradas uma vez que o crédito indicado nas Dcomp não se refere a tributos e contribuições administrados pela RFB. Quanto ao parcelamento, que alegou ter realizado, a leitura do art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/2003 (incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) deixa claro que o fato gerador da multa isolada é a compensação indevida considerada não declarada, e não a falta de extinção do débito indevidamente compensado ou a sua extinção parcial. A previsão da penalidade busca coibir o uso indevido ou fraudulento da compensação, uma vez que ao transmitir a Declaração de Compensação, o crédito tributário é extinto sob condição resolutória de ulterior homologação. Ressaltase que o processo citado no TCF encontrase arquivado e a interessada não contestou o fato de as Fl. 130DF CARF MF 4 compensações terem sido consideradas não declaradas. Pelo contrário, alegou ter desistido da Dcomp e ter efetuado parcelamento a fim de quitar os débitos levados à compensação. Entretanto, isso só vem a confirmar a pertinência da multa isolada, à medida que reconhecem que a compensação foi indevida e não extinguiu os débitos que se pretendeu parcelar posteriormente. E mais, tratando de multa regulamentar cobrada isoladamente e decorrente do fato de o contribuinte ter infringido a legislação ao apresentar declaração de compensação de crédito indevido com débitos (já declarados), somente o efetivo cancelamento das Dcomp, antes do Despacho Decisório, e não o pagamento ou parcelamento dos débitos indevidamente compensados, afastaria a aplicação da multa isolada.” Com efeito, considerando que a declaração de compensação, uma vez transmitida, deflagra imediatamente os efeitos jurídicos a ela inerentes, dentre os quais a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória, até a manifestação conclusiva da Administração Tributária, não há como reconhecer que o simples pagamento/parcelamento dos débitos correspondentes torne ineficazes as declarações de compensação transmitidas e não canceladas oportunamente. Como se verifica, ainda que o recorrente afirme que “desistiu” das compensações, não houve cancelamento formal das declarações de compensação transmitidas, além do que, não há prova do efetivo parcelamento do débito, acentuando a unidade de jurisdição que tais débitos não foram incluídos no PA 15471.001579/200733, como informou o recorrente. Demais disso, essa discussão deveria ter sido travada no bojo do processo administrativo que examinou a compensação – PA 15374.001142/200889 –, não nestes autos, que é mera decorrência daquele. Assim, temse que a compensação aviada, precedente da multa em debate, foi considerada não declarada, sendo essa conduta punida com a multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/03: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 131DF CARF MF Processo nº 12898.000229/200912 Acórdão n.º 3401004.368 S3C4T1 Fl. 12 5 § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” (destacado) Como se vê, diferentemente do que prega o recorrente, a multa imposta não decorre do descumprimento da obrigação tributária, mas da não declaração de compensação, consoante se extrai do parágrafo quarto acima transcrito. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721498/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las.
NULIDADE DO LANÇAMENTO POR PRECARIEDADE NA DESCRIÇÃO DOS FATOS AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO ENTRE OS PAGAMENTOS AUTUADOS E OS RESPECTIVOS INSTRUMENTOS COLETIVOS PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA FACE A INSUBSISTÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO.
Não pode subsistir a alegação de que os Autos de Infrações lançados são nulos se na descrição dos fatos há uma substanciosa enumeração de fato gerador da contribuição previdenciária.
No caso em tela não houve uma indicação genérica dos fatos, mas minuciosa da fiscalização, como foi feito, criando-se uma certeza do lançamento.
INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INEXISTÊNCIA
O cerceamento de defesa NÃO pode ser considerado em razão da alegação de fragilidade na fundamentação do lançamento e na medida em que não seria No caso em tela não ocorreu desta forma, eis que não se observa acusação desmedida e tão pouco desfundamentada, não havendo acusação sem prova e tão pouco exigência de demonstração de idoneidade.
DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
PLR COM BASE NA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO.
A PLR que realizada em CCT não há como negar a presença do Sindicato.
No caso em tela, em não havendo configurado outras anomalias apontadas pela Fiscalização, tal como ausência de isonomia nos pagamentos de PLR, há de ser reconhecida como legal a PLR realizada em CCT.
PAGAMENTO FORA DA DETERMINAÇÃO LEGAL. MAIS DE UM PAGAMENTO NO SEMESTRE.
Havendo mais de um PLR e ocorrendo em mais de um pagamento no semestre, há de se reconhecer a agressão legal, desfigurando ao menos um dos PLR's.
No caso em tela, com exceção o PLR da CCT, os demais foram considerados ilegais, mormente pela questão do pagamento em mais de uma vez no semestre.
ISONOMIA NOS PAGAMENTOS DE PLR. NÃO CONFIGURA MOTIVAÇÃO PARA LANÇAMENTO.
O pagamento de PLR onde há previsão no instrumento de negociação a diferença de metas e resultados, com previsão de distinção de tratamento entre os funcionários no que diz respeito ao PLR, não afeta o programa, porque não fere a lei de regência.
REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INEXISTÊNCIA
A descrição Fiscal de inexistência de regras claras e objetivas, onde não dá para entender as cláusula que determinam as regras, porque inexiste percentual a ser pago pelo empregador ao empregado, de acordo com o lucro, sendo que a estipulação de tal percentual caracterizaria um critério, atendendo, portanto, ao menos um dos requisitos previstos na legislação aplicável.
Também não se tem como considerar as regras claras e objetivas, como ocorre no caso, quando o direito substantivo for baseado no resultado, há necessidade de estabelecimento de metas, e na hipótese do direito substantivo exigir apenas o lucro, não é necessária a estipulação de metas. Mas há de se definir se o PLR está tão somente arraigado no lucro e ou no resultado, ou nos dois, o que não ficou bem claro no plano apresentado, corroborado pela peça recursiva que fala, momento num e momento noutro.
DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAR TOTALMENTE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. REGULARIDADE
PLR originário da CCT 2006/2007 não questionado pela Autoridade Lançadora, há de ser reconhecido sua regularidade. Como ocorre no caso em julgamento.
Assim, há de ser reconhecido como válido e, portanto, excluído da base de cálculo os pagamentos de PLR realizado em Convenção Coletiva de Trabalho.
AUSÊNCIA DO SINDICATO. PLR INADMISSÍVEL. IRREGULARIDADE. AFRONTA A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
Artigo 2º da Lei nº 10.101/00 CONSIDERA QUE "a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante i) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (GN), ii) por convenção ou acordo coletivo.
DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2006 E 2007 A UM NOVO PPR
Acordo pré-existente, onde há reuniões anuais com os representantes das partes, com fim de discussão e eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem ser equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho que teriam substituídos o PPR.
Não havendo revogação da PPR pré-existente, ajustando as adequações, válido está o plano antes elaborado.
DATA DAS ASSINATURAS DO ACORDOS COLETIVOS.
A Lei n.º 10.101/2000 estabelece expressamente que os programas de metas, resultados e prazos devem ser previamente pactuados, mediante a celebração de instrumentos de negociação entre as partes, ou seja, comissão escolhida entre as partes ou acordo coletivo.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.. LIMITE. APLICAÇÃO A LEGISLAÇÃO EM VIGOR NA DATA DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal, sofrendo o valor do limite, por competência, atualização por ato normativo vigente à época da lavratura do Auto de Infração (AI).
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto entre a penalidade prevista no art. 44, inciso I,da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades aplicadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, a saber: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes do art. 32, §§ 4º a 6º, da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do art. 35, inciso II, desta mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento.
Numero da decisão: 2301-005.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.315, de 11/02/2015, alterar a decisão para: por maioria de votos, acolher a decadência até a competência 11/2007 (inclusive), relativamente aos AI/Debcad nºs 37.011.490-6 e 37.333.676-4 (descumprimento de obrigação principal), vencidos os Conselheiros Wesley Rocha e Marcelo Freitas de Souza Costa, que acolheram a decadência integralmente; nas demais questões de mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desconsiderar a equiparação das reuniões ocorridas nos anos de 2006 e 2007 a um novo PPR (em relação ao Banco ABN AMRO), vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento integral ao recurso, e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deu provimento parcial em maior extensão. Manifestou o interesse de apresentar declaração de voto o Conselheiro João Maurício Vital, não o tendo feito até a formalização do acórdão.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
EDITADO EM: 02/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.315, de 11/02/2015, alterar a decisão para: por maioria de votos, acolher a decadência até a competência 11/2007 (inclusive), relativamente aos AI/Debcad nºs 37.011.490-6 e 37.333.676-4 (descumprimento de obrigação principal), vencidos os Conselheiros Wesley Rocha e Marcelo Freitas de Souza Costa, que acolheram a decadência integralmente; nas demais questões de mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desconsiderar a equiparação das reuniões ocorridas nos anos de 2006 e 2007 a um novo PPR (em relação ao Banco ABN AMRO), vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento integral ao recurso, e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deu provimento parcial em maior extensão. Manifestou o interesse de apresentar declaração de voto o Conselheiro João Maurício Vital, não o tendo feito até a formalização do acórdão. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora EDITADO EM: 02/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR PRECARIEDADE NA DESCRIÇÃO DOS FATOS AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO ENTRE OS PAGAMENTOS AUTUADOS E OS RESPECTIVOS INSTRUMENTOS COLETIVOS PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA FACE A INSUBSISTÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. Não pode subsistir a alegação de que os Autos de Infrações lançados são nulos se na descrição dos fatos há uma substanciosa enumeração de fato gerador da contribuição previdenciária. No caso em tela não houve uma indicação genérica dos fatos, mas minuciosa da fiscalização, como foi feito, criando-se uma certeza do lançamento. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INEXISTÊNCIA O cerceamento de defesa NÃO pode ser considerado em razão da alegação de fragilidade na fundamentação do lançamento e na medida em que não seria No caso em tela não ocorreu desta forma, eis que não se observa acusação desmedida e tão pouco desfundamentada, não havendo acusação sem prova e tão pouco exigência de demonstração de idoneidade. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. PLR COM BASE NA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. A PLR que realizada em CCT não há como negar a presença do Sindicato. No caso em tela, em não havendo configurado outras anomalias apontadas pela Fiscalização, tal como ausência de isonomia nos pagamentos de PLR, há de ser reconhecida como legal a PLR realizada em CCT. PAGAMENTO FORA DA DETERMINAÇÃO LEGAL. MAIS DE UM PAGAMENTO NO SEMESTRE. Havendo mais de um PLR e ocorrendo em mais de um pagamento no semestre, há de se reconhecer a agressão legal, desfigurando ao menos um dos PLR's. No caso em tela, com exceção o PLR da CCT, os demais foram considerados ilegais, mormente pela questão do pagamento em mais de uma vez no semestre. ISONOMIA NOS PAGAMENTOS DE PLR. NÃO CONFIGURA MOTIVAÇÃO PARA LANÇAMENTO. O pagamento de PLR onde há previsão no instrumento de negociação a diferença de metas e resultados, com previsão de distinção de tratamento entre os funcionários no que diz respeito ao PLR, não afeta o programa, porque não fere a lei de regência. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INEXISTÊNCIA A descrição Fiscal de inexistência de regras claras e objetivas, onde não dá para entender as cláusula que determinam as regras, porque inexiste percentual a ser pago pelo empregador ao empregado, de acordo com o lucro, sendo que a estipulação de tal percentual caracterizaria um critério, atendendo, portanto, ao menos um dos requisitos previstos na legislação aplicável. Também não se tem como considerar as regras claras e objetivas, como ocorre no caso, quando o direito substantivo for baseado no resultado, há necessidade de estabelecimento de metas, e na hipótese do direito substantivo exigir apenas o lucro, não é necessária a estipulação de metas. Mas há de se definir se o PLR está tão somente arraigado no lucro e ou no resultado, ou nos dois, o que não ficou bem claro no plano apresentado, corroborado pela peça recursiva que fala, momento num e momento noutro. DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAR TOTALMENTE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. REGULARIDADE PLR originário da CCT 2006/2007 não questionado pela Autoridade Lançadora, há de ser reconhecido sua regularidade. Como ocorre no caso em julgamento. Assim, há de ser reconhecido como válido e, portanto, excluído da base de cálculo os pagamentos de PLR realizado em Convenção Coletiva de Trabalho. AUSÊNCIA DO SINDICATO. PLR INADMISSÍVEL. IRREGULARIDADE. AFRONTA A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Artigo 2º da Lei nº 10.101/00 CONSIDERA QUE "a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante i) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (GN), ii) por convenção ou acordo coletivo. DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2006 E 2007 A UM NOVO PPR Acordo pré-existente, onde há reuniões anuais com os representantes das partes, com fim de discussão e eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem ser equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho que teriam substituídos o PPR. Não havendo revogação da PPR pré-existente, ajustando as adequações, válido está o plano antes elaborado. DATA DAS ASSINATURAS DO ACORDOS COLETIVOS. A Lei n.º 10.101/2000 estabelece expressamente que os programas de metas, resultados e prazos devem ser previamente pactuados, mediante a celebração de instrumentos de negociação entre as partes, ou seja, comissão escolhida entre as partes ou acordo coletivo. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.. LIMITE. APLICAÇÃO A LEGISLAÇÃO EM VIGOR NA DATA DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal, sofrendo o valor do limite, por competência, atualização por ato normativo vigente à época da lavratura do Auto de Infração (AI). MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto entre a penalidade prevista no art. 44, inciso I,da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades aplicadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, a saber: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes do art. 32, §§ 4º a 6º, da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do art. 35, inciso II, desta mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento.
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a sanálas. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR PRECARIEDADE NA DESCRIÇÃO DOS FATOS AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO ENTRE OS PAGAMENTOS AUTUADOS E OS RESPECTIVOS INSTRUMENTOS COLETIVOS PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA FACE A INSUBSISTÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. Não pode subsistir a alegação de que os Autos de Infrações lançados são nulos se na descrição dos fatos há uma substanciosa enumeração de fato gerador da contribuição previdenciária. No caso em tela não houve uma indicação genérica dos fatos, mas minuciosa da fiscalização, como foi feito, criandose uma certeza do lançamento. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INEXISTÊNCIA O cerceamento de defesa NÃO pode ser considerado em razão da alegação de fragilidade na fundamentação do lançamento e na medida em que não seria No caso em tela não ocorreu desta forma, eis que não se observa acusação desmedida e tão pouco desfundamentada, não havendo acusação sem prova e tão pouco exigência de demonstração de idoneidade. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 98 /2 01 2- 47 Fl. 1272DF CARF MF 2 recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. PLR COM BASE NA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. A PLR que realizada em CCT não há como negar a presença do Sindicato. No caso em tela, em não havendo configurado outras anomalias apontadas pela Fiscalização, tal como ausência de isonomia nos pagamentos de PLR, há de ser reconhecida como legal a PLR realizada em CCT. PAGAMENTO FORA DA DETERMINAÇÃO LEGAL. MAIS DE UM PAGAMENTO NO SEMESTRE. Havendo mais de um PLR e ocorrendo em mais de um pagamento no semestre, há de se reconhecer a agressão legal, desfigurando ao menos um dos PLR's. No caso em tela, com exceção o PLR da CCT, os demais foram considerados ilegais, mormente pela questão do pagamento em mais de uma vez no semestre. ISONOMIA NOS PAGAMENTOS DE PLR. NÃO CONFIGURA MOTIVAÇÃO PARA LANÇAMENTO. O pagamento de PLR onde há previsão no instrumento de negociação a diferença de metas e resultados, com previsão de distinção de tratamento entre os funcionários no que diz respeito ao PLR, não afeta o programa, porque não fere a lei de regência. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INEXISTÊNCIA A descrição Fiscal de inexistência de regras claras e objetivas, onde não dá para entender as cláusula que determinam as regras, porque inexiste percentual a ser pago pelo empregador ao empregado, de acordo com o lucro, sendo que a estipulação de tal percentual caracterizaria um critério, atendendo, portanto, ao menos um dos requisitos previstos na legislação aplicável. Também não se tem como considerar as regras claras e objetivas, como ocorre no caso, quando o direito substantivo for baseado no resultado, há necessidade de estabelecimento de metas, e na hipótese do direito substantivo exigir apenas o lucro, não é necessária a estipulação de metas. Mas há de se definir se o PLR está tão somente arraigado no lucro e ou no resultado, ou nos dois, o que não ficou bem claro no plano apresentado, corroborado pela peça recursiva que fala, momento num e momento noutro. DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAR TOTALMENTE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. REGULARIDADE PLR originário da CCT 2006/2007 não questionado pela Autoridade Lançadora, há de ser reconhecido sua regularidade. Como ocorre no caso em julgamento. Assim, há de ser reconhecido como válido e, portanto, excluído da base de cálculo os pagamentos de PLR realizado em Convenção Coletiva de Trabalho. AUSÊNCIA DO SINDICATO. PLR INADMISSÍVEL. IRREGULARIDADE. AFRONTA A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301005.191 S2C3T1 Fl. 1.273 3 Artigo 2º da Lei nº 10.101/00 CONSIDERA QUE "a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante i) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (GN), ii) por convenção ou acordo coletivo. DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2006 E 2007 A UM “NOVO PPR” Acordo préexistente, onde há reuniões anuais com os representantes das partes, com fim de discussão e eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem ser equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho que teriam substituídos o PPR. Não havendo revogação da PPR préexistente, ajustando as adequações, válido está o plano antes elaborado. DATA DAS ASSINATURAS DO ACORDOS COLETIVOS. A Lei n.º 10.101/2000 estabelece expressamente que os programas de metas, resultados e prazos devem ser previamente pactuados, mediante a celebração de instrumentos de negociação entre as partes, ou seja, comissão escolhida entre as partes ou acordo coletivo. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.. LIMITE. APLICAÇÃO A LEGISLAÇÃO EM VIGOR NA DATA DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal, sofrendo o valor do limite, por competência, atualização por ato normativo vigente à época da lavratura do Auto de Infração (AI). MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto entre a penalidade prevista no art. 44, inciso I,da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades aplicadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, a saber: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes do art. 32, §§ 4º a 6º, da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do art. 35, inciso II, desta mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios Fl. 1274DF CARF MF 4 apontados no Acórdão nº 2301004.315, de 11/02/2015, alterar a decisão para: por maioria de votos, acolher a decadência até a competência 11/2007 (inclusive), relativamente aos AI/Debcad nºs 37.011.4906 e 37.333.6764 (descumprimento de obrigação principal), vencidos os Conselheiros Wesley Rocha e Marcelo Freitas de Souza Costa, que acolheram a decadência integralmente; nas demais questões de mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desconsiderar a equiparação das reuniões ocorridas nos anos de 2006 e 2007 a um novo PPR (em relação ao Banco ABN AMRO), vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento integral ao recurso, e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deu provimento parcial em maior extensão. Manifestou o interesse de apresentar declaração de voto o Conselheiro João Maurício Vital, não o tendo feito até a formalização do acórdão. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora EDITADO EM: 02/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Relatório Tratase de embargos de declaração, fls. 1.1731.214, opostos por Banco Santander (Brasil) S.A em face do acórdão nº 2301004.315, fls. 1.1301.153, proferido pela 1ª Turma de 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em sessão de 11/02/2015, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Autos de Infração DEBCAD’s sob nºs 37.011.4906, 37.333.6764 e 37.011.4892 Consolidados em 18/12/2012 EMENTA PLR COM BASE NA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301005.191 S2C3T1 Fl. 1.274 5 A PLR que realizada em CCT não há como negar a presença do Sindicato. No caso em tela, em não havendo configurado outras anomalias apontadas pela Fiscalização, tal como ausência de isonomia nos pagamentos de PLR, há de ser reconhecida como legal a PLR realizada em CCT. PAGAMENTO FORA DA DETERMINAÇÃO LEGAL. MAIS DE UM PAGAMENTO NO SEMESTRE. Havendo mais de um PLR e ocorrendo em mais de um pagamento no semestre, há de se reconhecer a agressão legal, desfigurando ao menos um dos PLR's. No caso em tela, com exceção o PLR da CCT, os demais foram considerados ilegais, mormente pela questão do pagamento em mais de uma vez no semestre. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INEXISTÊNCIA O cerceamento de defesa NÃO pode ser considerado em razão da alegação de fragilidade na fundamentação do lançamento e na medida em que não seria No caso em tela não ocorreu desta forma, eis que não se observa acusação desmedida e tão pouco desfundamentada, não havendo acusação sem prova e tão pouco exigência de demonstração de idoneidade. ISONOMIA NOS PAGAMENTOS DE PLR. NÃO CONFIGURA MOTIVAÇÃO PARA LANÇAMENTO. O pagamento de PLR onde há previsão no instrumento de negociação a diferença de metas e resultados, com previsão de distinção de tratamento entre os funcionários no que diz respeito ao PLR, não afeta o programa, porque não fere a lei de regência. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR PRECARIEDADE NA DESCRIÇÃO DOS FATOS AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO ENTRE OS PAGAMENTOS AUTUADOS E OS RESPECTIVOS INSTRUMENTOS COLETIVOS PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA FACE A INSUBSISTÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. Não pode subsistir a alegação de que os Autos de Infrações lançados são nulos se na descrição dos fatos há uma substanciosa enumeração de fato gerador da contribuição previdenciária. No caso em tela não houve uma indicação genérica dos fatos, mas minuciosa da fiscalização, como foi feito, criandose uma certeza do lançamento. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INEXISTÊNCIA A descrição Fiscal de inexistência de regras claras e objetivas, onde não dá para entender as cláusula que determinam as Fl. 1276DF CARF MF 6 regras, porque inexiste percentual a ser pago pelo empregador ao empregado, de acordo com o lucro, sendo que a estipulação de tal percentual caracterizaria um critério, atendendo, portanto, ao menos um dos requisitos previstos na legislação aplicável. Também não se tem como considerar as regras claras e objetivas, como ocorre no caso, quando o direito substantivo for baseado no resultado, há necessidade de estabelecimento de metas, e na hipótese do direito substantivo exigir apenas o lucro, não é necessária a estipulação de metas. Mas há de se definir se o PLR está tão somente arraigado no lucro e ou no resultado, ou nos dois, o que não ficou bem claro no plano apresentado, corroborado pela peça recursiva que fala, momento num e momento noutro. DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAR TOTALMENTE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. REGULARIDADE PLR originário da CCT 2006/2007 não questionado pela Autoridade Lançadora, há de ser reconhecido sua regularidade. Como ocorre no caso em julgamento. Assim, há de ser reconhecido como válido e, portanto, excluído da base de cálculo os pagamentos de PLR realizado em Convenção Coletiva de Trabalho. AUSÊNCIA DO SINDICATO. PLR INADMISSÍVEL. IRREGULARIDADE. AFRONTA A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Artigo 2º da Lei nº 10.101/00 CONSIDERA QUE "a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante i) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (GN), ii) por convenção ou acordo coletivo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto entre a penalidade prevista no art. 44, inciso I,da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades aplicadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, a saber: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes do art. 32, §§ 4º a 6º, da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do art. 35, inciso II, desta mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal. A parte dispositiva foi assim redigida: Acordam os membros do colegiado em: DECISÃO: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, com a manutenção parcial do crédito, para excluir do lançamento as contribuições oriundas da convenção coletiva que Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301005.191 S2C3T1 Fl. 1.275 7 trata de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, para exclusão do motivo de ausência de isonomia nos pagamentos relativos ao pagamento da verba PLR, no plano específico da contribuinte, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, na questão da aplicação da multa de ofício, a fim de que se verifique, na execução do julgado, para efeitos do Art. 106, do CTN, com a aplicação do cálculo mais benéfico, as penalidades que o sujeito passivo poderia sofrer na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória falta de declaração e nos de declaração inexata e principal), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória falta de declaração e nos de declaração inexata e principal), nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, e o Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que limitava a presente multa a 75% (setenta e cinco por cento); b) em negar provimento, com a conseqüente manutenção integral do crédito, em relação às exigências de contribuições oriundas de pagamento de PLR por plano específico, pela ausência de participação de entidade sindical na elaboração e manutenção dos programas de PLR, nos termos do voto do Relator; Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos, Cleberson Alex Friess e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, com a manutenção integral do crédito, em relação às exigências de contribuições oriundas de pagamento de PLR por plano específico, na questão relativa à ausência de regras claras e objetivas, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que dava provimento ao recurso nesta questão. Sustentação oral: Luiz Eduardo de Castilho Girotto. OAB: 124.071/SP. Redator: Cleberson Alex Friess. Sustenta, a Embargante, que existem omissões no v. acórdão, uma vez que a Turma Julgadora deixou de se manifestar a respeito dos seguintes pontos do Recurso Voluntário: a) decadência do direito de o Fisco lançar as contribuições até 11/2007, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; b) improcedência da autuação, em vista da correta observância da Lei n° 10.101/00 quanto à totalidade dos pagamentos de PLR autuados, sendo: i) em relação ao Banco ABN, i.a) a legitimidade dos signatários do PPR ABN; Fl. 1278DF CARF MF 8 i.b) a participação da entidade sindical na celebração do PPR ABN; i.c) a existência de regras claras e objetivas no PPR ABN; e i.d) o descabimento da equiparação das reuniões ocorridas em 2006 e 2007 a um "Novo PPR ABN"; ii) em relação ao Banco Santander: ii.a) a higidez dos ACTs também quanto à data de formalização; ii.b) a existência de regras claras e objetivas nos ACTs; e ii.c) a higidez da PLR paga com base no Plano Específico — PEX; c) inocorrência dos "problemas gerais" alegados pela Fiscalização quanto aos pagamentos baseados nos Planos Próprios e na CCT 2006/2007, relativamente à observância da periodicidade estabelecida na lei n° 10.101/00; d) redução da penalidade com base nas Portarias MPS vigentes à época dos fatos geradores autuados; e e) descabimento de juros de mora sobre a multa de ofício. O despacho de admissibilidade dos embargos não delimitou a matéria a ser analisada em sede de embargos, concluindo pela sua procedência nos seguintes termos (fl. 1270): Ademais, a interessada apontou, objetivamente, as omissões contidas no acórdão, cuja análise da efetiva existência ou não do vício é matéria de mérito. Portanto, estão presentes os pressupostos para admissibilidade dos declaratórios opostos, de modo que proponho submetêlos à deliberação da Turma, na forma de praxe. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Confrontando a decisão embargada (efls. 1130/1153) com o Recurso Voluntário interposto (efls. 963/1033), constatase que assiste parcial razão à embargante, conforme a seguir demonstrado: i) decadência parcial até 11/2007, pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN; assiste razão à embargante, pois a matéria não foi tratada no Acórdão, sendo alegada no recurso interposto (item II.1.4. Da Decadência Parcial efls. 980 e ss) ; ii) improcedência da autuação, em vista da correta observância da Lei nº 10.101/00 quanto à totalidade dos pagamentos de PLR autuados, sendo: Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301005.191 S2C3T1 Fl. 1.276 9 ii.1) em relação ao Banco ABN: a) a legitimidade dos signatários do PPR ABN; sem razão à embargante; tópico tratado às efls. 1144/1145 no voto do relator, verbis: DO ENQUADRAMENTO DA PLR PAGA PELO BANCO ABN Diz a Recorrente que a PLR paga pelo Banco ABN com base no PPR ABN, a fiscalização teria alegado que não teria sido comprovada a legitimidade dos representantes da empresa signatários do referido acordo, quais sejam, os Srs. Fabio Colleti Barbosa, Lílian Maria F. Guimarães, Nelson Pasini, Pedro Paulo Longuini e Valério João Mugnol, pelo que tal plano estaria em desacordo com os requisitos estabelecidos na Lei n.° 10.101/00. Diz que a legislação de regência não determina e tão pouco explicita qual o tipo de exigência em relação ao tipo de representação da empresa. De mais a mais, segundo a Recorrente o Sr. Fabio Colleti Barbosa era presidente do Banco ABN desde 1998, e seus poderes de representação para firmar o PPR ABN seriam inquestionáveis. Segundo a Recorrente a comissão de representantes da empresa era formada por pessoas com plenos poderes para representála e que todos os representantes escolhidos eram gerentes, ao menos, com capacidade inquestionável para a assunção dos ônus decorrentes das condições discutidas pela comissão de representantes. Destaca que todos os representantes eleitos por ela não apenas detinham cargos hierarquicamente iguais ou superiores a gerência, como também eram ligados a áreas dentro da sua estrutura organizacional diretamente relacionadas ao pagamento e cumprimento das obrigações assumidas no PPR, fato este desconsiderado pela fiscalização e que infirmaria por completo a motivação apontada em seu relatório. E conclui que restaria afastada a alegação do suposto vício de representatividade e demonstrada a legitimidade do PPR ABN nesse aspecto, pelo que deveria ser reconhecida a improcedência da autuação em questão. Todavia, admitir tal comportamento é como realizar um contrato de compra e venda sem que seja qualificada as partes. De mais a mais, se não fosse assaz a ausência de qualificação dos representantes, há ausência do representante sindical que desnuda todo o programa. E, neste sentido, nem se diga que o carimbo ou cópia de carimbo aposto no presente recurso serve para comprovar a efetiva participação do sindicato. Não houve dita participação, ao menos para este Julgador. Fl. 1280DF CARF MF 10 Sem razão. (Grifamos) b) a participação da entidade sindical na celebração do PPR ABN: sem razão à embargante; tópico tratado às efls. 1144/1145 no voto do relator, verbis: DO ENQUADRAMENTO DA PLR PAGA PELO BANCO ABN ... De mais a mais, se não fosse assaz a ausência de qualificação dos representantes, há ausência do representante sindical que desnuda todo o programa. E, neste sentido, nem se diga que o carimbo ou cópia de carimbo aposto no presente recurso serve para comprovar a efetiva participação do sindicato. Não houve dita participação, ao menos para este Julgador. Sem razão. (Grifamos) c) a existência de regras claras e objetivas no PPR ABN: sem razão à embargante; tópico tratado às efls. 1145 no voto do relator, verbis: DA EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. A Recorrente considera injusta a alegação Fiscal de inexistência de regras claras e objetivas, isto porque a cláusula quarta do programa de PLR previa que o plano de participação nos resultados seria aferido de acordo com o lucro líquido publicado no balanço patrimonial anual, a avaliação quantitativa e qualitativa do desempenho do empregado e o alcance de metas préestabelecidas para sua área e a área hierarquicamente superior a sua. Entretanto, destaco, não dá para entendermos que a mencionada cláusula é suficiente para determinar regras claras e objetivas, até porque inexiste percentual a ser pago pelo empregador ao empregado, de acordo com o lucro, sendo que a estipulação de tal percentual caracterizaria um critério, atendendo, portanto, ao menos um dos requisitos previstos na legislação aplicável. Mas, não é só, eis que somandose ao argumento anterior o direito substantivo referese a normas que calculam o valor e a regra adjetiva está relacionada ao procedimento, ou seja, o modo como é demonstrado. Dessa forma, quando o direito substantivo for baseado no resultado, há necessidade de estabelecimento de metas, e na hipótese do direito substantivo exigir apenas o lucro, não é necessária a estipulação de metas. Mas há de se definir se o PLR está tão somente arraigado no lucro e ou no resultado, ou nos dois, o que não ficou bem claro no plano apresentado, corroborado pela peça recursiva que fala, momento num e momento noutro. Sem razão a Recorrente. (Grifamos) d) o descabimento da equiparação das reuniões ocorridas em 2006 e 2007 a um "Novo PPR ABN": assiste razão à embargante, pois a matéria não foi tratada no Acórdão, sendo alegada no recurso interposto (item II.2.1.1. Do Enquadramento da PLR paga pelo Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301005.191 S2C3T1 Fl. 1.277 11 Banco ABN na Lei nº 10.101/00 Do Descabimento da Equiparação das Reuniões ocorridas em 2006 e 2007 a um "Novo PPR ABN" efls. 993/995) ; ii.2) em relação ao Banco Santander: a) a higidez dos ACT's também quanto à data de formalização: assiste razão à embargante, pois a matéria não foi tratada no Acórdão, sendo alegada no recurso interposto (item II.2.1.2. Do Enquadramento da PLR paga pelo Banco Santander na Lei nº 10.101/00 Da data da Formalização dos ACTS efls. 996/1002); b) a existência de regras claras e objetivas nos ACT's: sem razão à embargante; tópico tratado às efls. 1145/1146, verbis: DO ENQUADRAMENTO DA PLR PAGA PELO BANCO SANTANDER DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAR TOTALMENTE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR NOS PPR'S ... O Contribuinte, em seu recurso, alegou que os acordos coletivos de PLR possuem regras claras e objetivas, que todos os requisitos da Lei nº 10.101/2000 foram devidamente cumpridos, uma vez que pactuou previamente com os funcionários as metas necessárias aos pagamentos a título de PLR. Compulsando os autos, quanto as regras claras já posicionei, mas quanto a diferença de percentual afetaria a isonomia, como diz a Fiscalização, pareceme excesso de zelo ou interpretação, como alhures dito, não há na lei nada que não permita tal diferenciação. (Grifamos) c) a higidez da PLR paga com base no Plano Específico PEX: sem razão à embargante; tópico tratado às efls. 1145 a 1147, verbis: DO ENQUADRAMENTO DA PLR PAGA PELO BANCO SANTANDER DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAR TOTALMENTE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR NOS PPR'S Na peça acusatória a Fiscalização considerou que os pagamentos de PLR planos próprios dos Bancos Santander e ABN, em verdade, consistia em remuneração disfarçada, em razão da discrepância dos valores pagos a diferentes empregados. Recorrendose a legislação de regência não encontramos nenhum óbice para que ocorra diferentes pagamentos a diferentes empregados, ainda que não represente um mesmo percentual. Devemos considerar que os planos e as metas podem ser diferenciadas, o que não causaria nenhuma anomalia ao PLR, por que não impedido na legislação, eis que, tendo em vista que as metas atribuídas aos funcionários, gerentes e a alta Fl. 1282DF CARF MF 12 administração não seriam iguais, bem como houve pagamentos apenas para determinados empregados. ... Em verdade há de sertido que o CARF vem reconhecendo a possibilidade de distinção de tratamento entre os funcionários no que diz respeito ao PLR, desde que ela esteja expressamente prevista no instrumento de negociação da PLR, evitando que a natureza do pagamento seja desqualificada. Vejo com razão a Recorrente, neste quesito. (Grifamos) ii.3) a inocorrência dos "problemas gerais" alegados pela D. Fiscalização quanto aos pagamentos baseados nos Planos Próprios e na CCT 2006/2007, relativamente à observância da periodicidade estabelecida na lei nº 10.101/00: sem razão à embargante; tópico tratado às efls. 1145 a 1147, verbis: DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAR TOTALMENTE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR ... Seguindo a inteligência da tese defensiva e compulsando atentamente os autos, sobretudo o Relatório Fiscal, vejo que o PLR que teve nascedouro na CCT não foi, de fato, hostilizado pela Fiscalização. E, levando ainda em consideração o fato de que todos PLR’s que têm origem em Convenção Coletiva de Trabalho do setor bancário visa, em regra, somente o lucro. E, considerando ainda que, no caso em tela o lucro foi demonstrado, não vejo como desconsiderar este instrumento. Por outro lado a Decisão de piso alega que todos instrumentos estavam incorretos, contrário a lei de regência, sobretudo porque havia mais de um pagamento no mesmo exercício. Veja: (...) Cabe, aqui, ressaltar que a fiscalização agiu corretamente ao efetuar o lançamento sobre a totalidade dos pagamentos realizados a título de PLR, uma vez tendo sido encontrados problemas envolvendo todos os instrumentos de negociação – quais sejam Convenções Coletivas de PLR, Acordos Coletivos de PLR e Programa Próprio de PLR – como informado no Relatório Fiscal, de fls. 286 a 315, entre os quais se pode destacar o desrespeito ao disposto no artigo 3º, parágrafo 2º da Lei n.° 10.101/00, tendo sido realizado, para o mesmo beneficiário, no mesmo ano civil, três e até quatro pagamentos de PLR, conforme demonstrativo PLR Múltiplos Pagamentos 2007. (...) Compulsando os autos observei que, quanto a PLR oriunda de CCT, o que recai sobre ela é pagamentos no mesmo semestre, mas, por certo em função de haver mais de dos (sic) programas em ação no período autuado. Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301005.191 S2C3T1 Fl. 1.278 13 Como não está demonstrado nos autos que a existência de mais de um pagamento no mesmo exercício é oriundo de um mesmo plano, penso que não há de ser desconsiderado o PLR nascido da CCT. Também penso que não há de considerar nos PLR's ausência de isonomia nos pagamentos relativos ao pagamento da verba PLR, no plano específico da Recorrente, eis que não há nos autos demonstração cabal que a mesma não tenha observado isonomia no PPR. Com razão a Recorrente. (Grifamos) iii) a necessária redução da penalidade com base nas Portarias MPS vigentes à época dos fatos geradores autuados: assiste razão à embargante, tal matéria não foi tratada no acórdão embargado, apesar de constante das alegações em Recurso Voluntário (item Do equívoco quanto ao ValorBase da Multa Imposta efl. 1023) iv) o descabimento de juros de mora sobre a multa de ofício: assiste razão à embargante, tal matéria não foi tratada no acórdão embargado, apesar de constante das alegações em Recurso Voluntário (item Subsidiariamente: Do descabimento da aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício fl. 1029) Assim, delimitado o alcance dos embargos de declaração opostos, para reconhecer a omissão do julgado apenas quanto às alegações do recurso voluntário a seguir analisadas. I) DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO LANÇAR AS CONTRIBUIÇÕES ATÉ 11/2007, NOS TERMOS DO ART. 150, § 4º, DO CTN Verificase que não há qualquer menção à preliminar de decadência no acórdão embargado, entretanto, em seu recurso, foi aventada a ocorrência da decadência pelo art. 150, § 4º do CTN, incluindo assim, as competências lançadas até 11/2007 (inclusive). Omitindose a turma na análise de questão trazida em sede recursal, cabe o saneamento por via de embargos. Para fins de determinar a regra decadencial aplicável ao caso concreto (especialmente a Súmula CARF nº 99) fazse necessária a comprovação da existência de pagamentos de contribuições previdenciárias pelo recorrente. Constatase que foram juntadas com a impugnação cópias das Guias de Previdência Social recolhidas pelas empresas (Banco ABN AMRO e Banco Santander) referente ao período de janeiro a dezembro de 2007 (efls. 615 a 637, 882 e 883). Havendo a comprovação nos autos dos recolhimentos por parte do recorrente cabível a aplicação do art. 150, § 4º do CTN e a Súmula CARF nº 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do Fl. 1284DF CARF MF 14 fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ocorrida a ciência dos AI em 18/12/2012 (efls. 263, 264 e 275), consideram se decaídos os lançamentos até a competência 11/2007 (inclusive), por força do disposto no art. 150, § 4º do CTN, em relação aos AI Debcad nº 37.011.4906 e n.º 37.333.6764 (descumprimento de obrigação principal). Com relação à autuação por descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN, tampouco da Súmula CARF nº 99, por impossibilidade da ocorrência de antecipação do pagamento. Aplicandose o art. 173, I, do CTN, não se verifica a decadência para as competências 01 a 12/2007 incluídas no lançamento DEBCAD nº 37.011.4906 Portanto, assiste, em parte, razão à recorrente (ora embargante). II) EM RELAÇÃO AO BANCO ABN: II.a) DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2006 E 2007 A UM "NOVO PPR ABN" Verificase que no acórdão embargado não consta qualquer menção à análise da alegação acima, portanto, flagrante a omissão suscitada. Omitindose a turma na análise de questão trazida em sede recursal, cabe o saneamento por via de embargos. Alega o recorrente em seu recurso voluntário (efls. 993 e ss) que a fiscalização considerou as reuniões periódicas ocorridas nos anos de 2006 e 2007, para avaliação e discussão das adequações necessárias no Plano Próprio de PLR de 2001 do Banco ABN, como se novos PPR fossem. Por conseguinte a fiscalização alegou que as reuniões conteriam os mesmos vícios do PPR ABN, notadamente no que diz respeito à legitimidade dos representantes do Banco ABN, participação da entidade sindical e existência de regras claras e objetivas. Também contestou o fato de as reuniões terem ocorrido no curso do anocalendário a que se referiam. Entende o recorrente que tal equiparação é totalmente improcedente e infundada, uma vez que em momento algum foi deliberada a revogação do PPR ABN anterior (2001). O Relatório Fiscal assim se manifesta sobre a matéria (efls. 299/300) 5.44 Como já visto anteriormente, o Plano Próprio de PLR do Grupo ABN AMRO Real prevê sua prorrogação automática até a existência de um novo acordo sobre o mesmo tema, o que não aconteceu até o final do exercício de 2007. Em conseqüência das prorrogações ocorridas, foram realizadas reuniões periódicas para avaliação e discussão das adequações necessárias para cada exercício. Tais reuniões, devido a seu caráter delibertório (sic) e poder de mudança do conteúdo do plano original, adquirem caráter de legítimos instrumentos de negociação de PLR e serão analisadas a seguir. 5.45 Durante o exercício de 2007 houve pagamentos relacionados aos períodosbase de 2006 e 2007. Desta forma, trataremos aqui das reuniões relativas a tais anosbase. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301005.191 S2C3T1 Fl. 1.279 15 5.46 Para o anobase de 2006, foi realizada, em 06 de julho de 2006, uma reunião entre a Comissão de Representantes dos Empregados e da Empresa. Ressaltamos que, da mesma forma que em relação ao Plano Orginal (sic) de 2001, não foram apresentadas durante a auditoria as procurações dos representantes da Empresa signatários da ata da reunião. 5.47 Em momento algum da ata de tal reunião consta explicitamente a aprovação da manutenção do plano original de 2001. Falase somente em propostas de adequação de tal plano. Logo, não houve comprovação da aprovação das adequações propostas durante a reunião pela comissão de empregados e empregadores, com a participação do sindicato. 5.48 Consta ainda da ata em apreço que as propostas específicas trazidas pelos sindicatos serão analisadas em posterior reunião específica a ser promovida entre a'área de Relações Sindicais e representantes do sindicato. Ora, se haverão ainda propostas a serem discutidas em separado, não há de se falar que a reunião , ocorrida em julho de 2006 aprovou a manutenção do plano de 2001 e suas adequações para o exercício de 2006, nem há que se comprovar a participação do sindicato nas negociações. 5.49 Lembramos ainda que na ata da reunião em tela ficou consignado que o Banco deveria providenciar a divulgação ampla do funcionamento do Programa de Participação nos Lucros e Resultados, seja através de Cartilhas Explicativas e/ou através da sua Rede de Intranet. 5.50 Salientamos que, apesar de assinarem a Lista de Presença da citada reunião, os representantes sindicais não assinaram a ata resultante desta, o que foi feito pelos representantes dos empregados e das empresas. 5.51 Para o anobase de 2007, foram realizadas, em 19 de julho de 2007, em 07 de agosto de 2007, e em 21 de setembro de 2007, reuniões entre a Comissão de Representantes dos Empregados e da Empresa. Ressaltamos que, da mesma forma que em relação ao Plano Orginal de 2001, não foram apresentadas durante a auditoria as procurações dos representantes da Empresa signatários das atas das reuniões. 5.52 A reunião de 19 de julho de 2007 aprovou a manutenção do acordo de 2001 com suas adequações. Em sua ata ficou consignado que o Banco deveria providenciar a divulgação ampla acerca do funcionamento do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados, seja através de Cartilhas Explicativas e/ou através da sua Rede de Intranet. 5.53 Salientamos que não existe assinatura dos representantes sindicais na ata resultante desta reunião, o que foi feito pelos representantes dos empregados e das empresas. 5.54 As reuniões de 07 de agosto e de 21 de setembro de 2007 novamente aprovaram a manutenção do acordo de 2001 com Fl. 1286DF CARF MF 16 suas adequações e em suas atas não consta igualmente a assinatura dos representantes sindicais. 5.55 Ao analisar as "reuniõesacordo" realizadas para os anos base de 2006 e 2007 observamos a falta de atendimento a diversos dos requisitos previstos na Lei n° 10.101/2000. Dentre eles podemos destacar a não comprovação dos poderes de representação dos representantes da empresa nessas negociações. (Grifamos.) Em pesquisa no sítio do Carf, encontramos o Acórdão nº 2301004.320, exarado pela mesma Turma do CARF, relatado pelo mesmo conselheiro e na mesma sessão de julgamento do acórdão embargado portanto com a mesma composição da Turma que ao analisar PLR idêntico (de outro banco) assim decidiu acerca da mesma alegação: Ementa: DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2007 E 2008 A UM “NOVO PPR”/ BEM COMO DA INTIMAÇÃO AO SINDICATO EM TODAS ESTAS REUNIÕES E O SEU NÃO COMPARECIMENTO Acordo préexistente, onde há reuniões para anual com os representantes das partes, com fim de discussão e eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem serem equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho que teriam substituídos o PPR. Não havendo revogação da PPR préexistente, ajustando as adequações, em valia está o plano antes elaborado Excerto do voto do relator: DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2007 E 2008 A UM “NOVO PPR”/ BEM COMO DA INTIMAÇÃO AO SINDICATO EM TODAS ESTAS REUNIÕES E O SEU NÃO COMPAREIMENTO Importante registrar que as reuniões realizadas em 06/07/2006, 19/07/2007, 07/08/2007, 21/09/2007, 23/03/2008, 16/07/2008 e 26/11/2008, entre os representantes da Recorrente e os representantes de seus funcionários, para a discussão da necessidade de eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem ser equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho que teriam substituídos o PPR. E notável verificar que não se constituíram em novos planos de PLR, sendo mantido aquele originalmente fixado entre empregador e empregados, com a participação do sindicato, em 2001. No que pese, para amparar tal argumentação, é importante ressaltar que, em momento algum, foi deliberado nessas reuniões a revogação do PPR seja parcial ou integral. A própria D. Autoridade Julgadora reconhece que o PPR não foi alterado pelas supracitadas reuniões conforme acórdão recorrido no qual peço vênia para transcrever: Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301005.191 S2C3T1 Fl. 1.280 17 “(..) Não importa que não tenham sido introduzidas alterações no acordo de 2001.” Ademais, ainda que se entenda que seria necessário a participação do Sindicato nas referidas reuniões, conforme documentação juntada na Impugnação, a Recorrente enviou Notificações solicitando a participação do Sindicato restando todas elas infrutíferas. A convocação do sindicato para a participação da negociação das regras do PPR foi, inclusive, reconhecida no próprio Relatório Fiscal, cujo trecho segue abaixo transcrito: (...) Está nas palavras do Senhor Renato Franco Correa da Costa que disse que manteve contato com os Representantes do Sindicato, informando sobre o teor da primeira reunião, renovou o convite para a participação(...) Em que pese constar indicação de que a Recorrente intimou por várias vezes o sindicato da categoria e este não compareceu nas reuniões definidoras de PLR, deveria ter usado meios mais eficazes para fazer valer a lei de regência. Os indicativos de intimação constante nos autos não são assazes para autorizar a realização de reunião de PLR sem a participação do sindicato, porque outros meios, poderiam ser utilizados, tais como denuncia na DRT, MPFT e outros órgãos, que não o fez, não se desincumbindo de sua responsabilidade. Entendo sem razão a Recorrente. Feitas as devidas adaptações ao caso concreto, podese concluir que a turma naquela ocasião assim firmou entendimento: a) de que as reuniões não se tratavam de um novo PLR; e b) apesar de não serem "novos PLR" necessária a participação do sindicato nas reuniões. Portanto a ementa e voto do relator para o caso concreto podem ser assim deduzidos: DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2006 E 2007 A UM “NOVO PPR” Acordo préexistente, onde há reuniões anuais com os representantes das partes, com fim de discussão e eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem ser equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho que teriam substituídos o PPR. Não havendo revogação da PPR préexistente, ajustando as adequações, válido está o plano antes elaborado. Voto do relator: DESCABIMENTO DA EQUIPARAÇÃO DAS REUNIÕES OCORRIDAS EM 2006 E 2007 A UM “NOVO PPR” Fl. 1288DF CARF MF 18 Importante registrar que as reuniões realizadas em 06/07/2006, 19/07/2007, 07/08/2007 e 21/09/2007, entre os representantes da Recorrente e os representantes de seus empregados, para a discussão da necessidade de eventuais adequações do PPR aos exercícios em questão, não podem ser equiparados a novos Acordos Coletivos de Trabalho que teriam substituídos o PPR. E notável verificar que não se constituíram em novos planos de PLR, sendo mantido aquele originalmente fixado entre empregador e empregados, com a participação do sindicato, em 2001. No que pese, para amparar tal argumentação, é importante ressaltar que, em momento algum, foi deliberado nessas reuniões a revogação do PPR seja parcial ou integral. A própria D. Autoridade Julgadora reconhece que o PPR não foi alterado pelas supracitadas reuniões conforme acórdão recorrido no qual peço vênia para transcrever: “(..) não importa que não tenham sido introduzidas alterações no acordo de 2001.”(efl. 940) III) EM RELAÇÃO AO BANCO SANTANDER III. a) A HIGIDEZ DOS ACT'S TAMBÉM QUANTO À DATA DE FORMALIZAÇÃO Verificase que no acórdão embargado não consta qualquer menção à análise da alegação acima, portanto, flagrante a omissão suscitada. Omitindose a turma na análise de questão trazida em sede recursal, cabe o saneamento por via de embargos. A recorrente sustenta (efls. 996 e ss) que, embora os ACT tenham sido assinados no término dos exercícios a que se referiam (13/10/2006 e 27/12/2007), as metas para recebimento da PLR já eram de amplo conhecimento dos funcionários do Banco, uma vez que os acordos próprios de PLR celebrados pelo Banco no período autuado continham metas e disposições absolutamente semelhantes àquelas definidas em acordos próprios de anos anteriores. Com relação à essa matéria, filiome à posição adotada pelo julgador de primeira instância e adoto seu entendimento como razão para o decisum, amparada pelo art. 57, § 3º do RICARF, com alteração pela Portaria MF 329, de 2017: Da questão da data de formalização dos ACT’s: Não merece acolhida, aqui, a alegação da impugnante no sentido de que os empregados teriam tido prévio conhecimento das condições para o recebimento da PLR decorrente dos Acordos Coletivos de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados (PPR), celebrados em 2006 e 2007, por terem tais instrumentos, segundo ela, apenas renovado as disposições do PPR Santander 2004/2005, não havendo que se falar em cancelamento integral dos AI’s em tela. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301005.191 S2C3T1 Fl. 1.281 19 É de se ressaltar, no caso, que, conforme o Relatório Fiscal de fls. 286 a 315, e os documentos comprobatórios anexados pela fiscalização, às fls. 180 a 208, os acordos relativos aos exercícios de 2006 e 2007 foram assinados apenas em 13/10/2006 e 27/12/2007, respectivamente, portanto, após decorrido mais de 75% do período aquisitivo correspondente. Cabe observar, assim, que os referidos acordos não foram prévios, ou seja, não foram elaborados antes do início dos períodos a que se referiam os lucros ou resultados, tendo sido assinados apenas no 4º trimestre dos respectivos anos, contrariando o artigo 2º, “caput” e parágrafo 1º, inciso II da Lei n.º 10.101/00, que estabelecem a necessidade de negociação prévia entre empresa e empregados, e não servindo como incentivo à produtividade, nos termos do artigo 1º desta mesma lei, uma vez que as regras aí estabelecidas não eram de conhecimento dos empregados previamente. A empresa sustenta que as metas previstas nos ACT’s em tela, referentes aos anos de 2006 e 2007, seriam praticamente idênticas àquelas estabelecidas no PPR Santander 2004/2005, tendo os funcionários prévio conhecimento das metas a serem atingidas. Ocorre que este acordo assinado em 23/12/2004 teve vigência apenas até 31/12/2005, conforme sua cláusula décima, conforme se pode verificar da cópia juntada às fls. 869 a 875, pela própria impugnante, de modo que, até 13/10/2006, data da assinatura do novo acordo próprio, os trabalhadores da empresa não sabiam o que deveriam fazer para ter direito ao recebimento da Participação nos Lucros ou Resultados referente ao ano de 2006, não tendo estes como prever se as condições anteriormente estabelecidas seriam ou não mantidas. A mesma situação é constatada com relação ao ACT firmado em 27/12/2007, ou seja, até esta data, os empregados não tinham conhecimento do que deveriam realizar para fazer jus ao recebimento da PLR, não sendo possível saber se haveria a manutenção das condições estabelecidas em acordos anteriores. Cumpre destacar, que, ao contrário do que entende a impugnante, era relevante que os acordos de PLR tivessem sido celebrados antes da apuração do lucro/resultado a ser compartilhado, assinados antes dos períodos em referência, para que os empregados pudessem estar cientes do que precisariam realizar para serem agraciados com essa participação nos lucros ou resultados, e pudessem servir como incentivo à produtividade, nos termos do artigo 1º da Lei n.º 10.101/2000. Não há como se aceitar, aqui, o argumento de que o único requisito temporal relacionado à data de celebração de acordos de PLR seria que estes fossem firmados antes da distribuição dos valores que lhe seriam objeto. É de se salientar, no caso, que a Lei n.º 10.101/2000 estabelece expressamente que os programas de metas, resultados e prazos deveriam ser previamente pactuados, mediante a celebração de instrumentos de Fl. 1290DF CARF MF 20 negociação entre as partes, ou seja, comissão escolhida entre as partes ou acordo coletivo. Não procede, desta forma, a afirmação da impugnante de que a fiscalização teria descaracterizado os pagamentos de PLR efetuados pelo Banco Santander com base em condição não estabelecida pela Lei n.° 10.101/00. Não assiste razão à recorrente. IV) A NECESSÁRIA REDUÇÃO DA PENALIDADE COM BASE NAS PORTARIAS MPS VIGENTES À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES AUTUADOS Verificase que no acórdão embargado não consta qualquer menção à análise da alegação acima., portanto, flagrante a omissão suscitada. Omitindose a turma na análise de questão trazida em sede recursal, cabe o saneamento por via de embargos. Alega a recorrente que a multa aplicada teria sido apurada com equívoco em relação ao seu valorbase, a fiscalização teria utilizado o valor estipulado na Portaria MPS/MF nº 06/2012 (R$ 1.617,12), norma posterior a todos os supostos fatos geradores relacionados (anocalendário 2007), configurando multa excessiva. Ao utilizar uma Portaria posterior à ocorrência dos fatos geradores, a autoridade fiscal teria infringido os arts. 105 e 106, do CTN (princípio da irretroatividade das leis). Também aqui, filiome à posição do julgador de primeira instância e adoto seu entendimento como razão para decidir, amparada pelo art. 57, § 3º do RICARF, com redação dada pela Portaria MF 329, de 2017: Da questão do equívoco quanto ao valorbase da multa imposta: Não merece acolhida, aqui, a alegação da impugnante de que a multa do Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória teria sido apurada com equívoco em relação ao valor base adotado para o cálculo do limite por competência. Cumpre mencionar que a multa relativa à infração de omissão de fatos geradores em GFIP estava prevista nos artigos 284, inciso II, e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, e no artigo 32, parágrafo 5º da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.528/97, devendo ser observado o limite por competência em função do número de segurados, previsto no artigo 32, parágrafo 4º da Lei n.º 8.212/91, a seguir reproduzido, com atualização por Portaria do Ministério da Previdência Social / Ministério da Fazenda (MPS/MF). Lei 8.212/91: Art. 32. (...) (...) § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301005.191 S2C3T1 Fl. 1.282 21 abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50x o valor mínimo (...) No que diz respeito à questão da atualização do valor mínimo, é de se observar o disposto no artigo 102 da Lei n.º 8.212/91, no artigo 373 do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, e no artigo 479 da Instrução Normativa (IN) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) n.º 971, de 13/11/2009, a seguir transcritos, aos quais a autoridade lançadora e os julgadores administrativos se encontram vinculados. Lei 8.212/91: Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001) (...) (grifos nossos) RPS aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. (grifos nossos) IN RFB n.º 971/2009: Art. 479. O valorbase da multa aplicada por infração a dispositivo da legislação previdenciária deverá ser o vigente na data da lavratura do Auto de Infração ou da Notificação de Lançamento, observados os critérios de sua gradação nos termos do art. 292 do RPS, se for o caso. Fl. 1292DF CARF MF 22 (grifos nossos) No caso, a atualização do valor mínimo, prevista na legislação previdenciária, se deu, conforme informado no Relatório Fiscal, de fls. 286 a 315, pela Portaria MPS/MF n.º 02, de 06/01/2012, vigente à época da lavratura do AI por descumprimento de obrigação acessória, sendo dela transcritos alguns trechos a seguir. Dispõe sobre o reajuste dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos demais valores constantes do Regulamento da Previdência Social (RPS). (...) Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 2012: (...) IV o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada no art. 283 do RPS, varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.617,12 (um mil, seiscentos e dezessete reais e doze centavos) a R$ 161.710,08 (cento e sessenta e um mil, setecentos e dez reais e oito centavos); (...) (grifos nossos) E, assim, resta demonstrado que não houve equívoco na adoção do valorbase adotado, pela fiscalização, para fins de cálculo do limite, por competência, no referido AI por descumprimento de obrigação acessória, não havendo que se falar em sua nulidade e seu cancelamento. (Grifos no original.) Portanto, aqui também não assiste razão à recorrente. V) O DESCABIMENTO DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Verificase que no acórdão embargado não consta qualquer menção à análise da alegação acima., portanto, flagrante a omissão suscitada. Omitindose a turma na análise de questão trazida em sede recursal, cabe o saneamento por via de embargos, dandolhe efeitos infringentes. Alega o recorrente que a legislação ordinária autoriza a incidência de juros de mora somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada. Também aqui, filiome à posição adotada pelo julgador de primeira instância e adoto seu entendimento como razão para decidir, amparada pelo art. 57, § 3º do RICARF, com alteração pela Portaria MF 329, de 2017: Da alegação do descabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício: Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301005.191 S2C3T1 Fl. 1.283 23 Cabe destacar, aqui, que, ao contrário do que entende a impugnante, a legislação autoriza a cobrança de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. É de se registrar, que, a teor das disposições contidas nos artigos 113, § 1º, e 139 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzidas, se depreende que a penalidade pecuniária, a despeito de não ser tributo, faz parte do crédito tributário. Por conseguinte, temse que a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pela legislação ao crédito tributário. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (grifos nossos) Ressaltese que a fundamentação para a futura cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício é sustentada nos seguintes dispositivos legais: Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) Lei n.º 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (grifos nossos) Fl. 1294DF CARF MF 24 Dessa forma, se verifica que, ao contrário do que alega a impugnante, o CTN admite a incidência de juros de mora sobre as multas lançadas de ofício, cumprindo esclarecer que a expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”, constante no seu art. 161, apenas reforça a idéia de que juros e multa não são excludentes entre si. Cabe reiterar, no caso, que o conceito de crédito tributário abrange a multa de ofício, de forma que, não efetuado o pagamento no prazo legal, o contribuinte caracterizase em débito para com a União, incidindo juros de mora sobre o principal e a multa de ofício. Nesse sentido, já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do Ministério da Fazenda: Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional,sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso não provido. (...) Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. (...) Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. (...) O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. (...) Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301005.191 S2C3T1 Fl. 1.284 25 caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9439/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. (...) (grifos nossos) Também no âmbito judicial, há decisões no sentido de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal punitiva, sob o fundamento de que esta integra o crédito tributário, sendo uma destas parcialmente transcrita a seguir. TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (...) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. (STJ/ 2ª Turma; REsp nº 1.129.990/PR; Relator Ministro Castro Meira; DJe de 14/09/09) Além disso, também não cabe razão ao argumento apresentado pela interessada no sentido de que o parágrafo único do artigo 43 da Lei nº. 9.430/96, por referirse a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente, estaria a confirmar que a multa de ofício não estaria contemplada no caput do artigo 61 da Lei n.º 9.430/1996. Ora, o artigo 43 deixa claro que o auto de infração pode conter tributo, multa e juros de mora, ou quaisquer dessas parcelas, isolada ou conjuntamente, e, ainda, que os juros de mora incidirão sobre o crédito tributário assim constituído (inclusive sobre a multa de ofício lançada isoladamente). Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 1296DF CARF MF 26 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. É de se ressaltar, portanto, no caso, que a cobrança de juros sobre a multa de ofício está devidamente amparada pelo Código Tributário Nacional. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher em parte os embargos de declaração, para, dandolhes efeitos infringentes: 1) acolher parcialmente a preliminar de decadência até a competência 11/2007 (inclusive) com relação aos AI Debcad nº nº 37.011.4906 e n.º 37.333.6764 (descumprimento de obrigação principal); 2) no mérito: 2.1) dar provimento ao recurso voluntário para desconsiderar a equiparação das reuniões ocorridas nos anos de 2006 e 2007 a um novo PPR (em relação ao Banco ABN AMRO); 2.2) negar provimento ao recurso voluntário em relação às seguintes alegações: 2.2.1) data de formalização dos acordos de convenção coletiva (Banco Santander); 2.2.2) equívoco quanto ao valorbase da multa imposta; 2.2.3) descabimento de incidência de juros de mora sobre multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301005.191 S2C3T1 Fl. 1.285 27 Fl. 1298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.016578/99-69
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2004
Ementa: POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA TEMPESTIVIDADE - EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Havendo a decisão anterior sido proferida com base em informação
errada quanto ao prazo do apelo voluntário, pode ela ser corrigida
por meio de embargos de declaração, com efeitos infringentes e com
o conseqüente reconhecimento da intempestividade do recurso.
Embargos de declaração providos
Numero da decisão: 301-30.832
Decisão: DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração para anular o acórdão embargado e não tomar conhecimento do recurso por intempestividade, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Carlos Henrique Klaser Filho
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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-30.832 Processo N° 10880.016578/99-69 Recurso N° 125.997 Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Embargada Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA TEMPESTIVIDADE - EFEITOS INFRINGENTES DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Havendo a decisão anterior sido proferida com base em informação errada quanto ao prazo do apelo voluntário, pode ela ser corrigida por meio de embargos de declaração, com efeitos infringentes e com o conseqüente reconhecimento da intempestividade do recurso. Embargos de declaração providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interpostos por: PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração para anular o acórdão embargado e não tomar conhecimento do recurso por intempestividade, nos termos do voto do Relator. Brasília-DF, em 21 de outubro de 2004 O FILHO Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARlA RIBEIRO ARAGÃO, ATALINA RODRIGUES ALVES, JOSÉ LENCE CARLUCI, JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARl, LUIZ ROBERTO DOMINGO e VALMAR FONSECA DE MENEZES. HF/I 'i MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-30.832 Processo N° 10880.016578/99-69 Recurso N° 125.997 Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, visando sanar suposta omissão relativa à tempestividade do recurso voluntário. Alega a Fazenda que o contribuinte foi intimado dia 19 de outubro de 2001, numa sexta-feira, e que o prazo para interposição do recurso voluntário se iniciou na segunda-feira, dia 22 de outubro, terminando dia 20 de novembro. Conseqüentemente, a interposição do apelo no dia 22 de novembro resultaria na sua intempestividade. Às fls. 148 solicitamos que a 8a. DRF-SP esclarecesse o despacho de fls. 134 que declarou a tempestividade do recurso voluntário. Em resposta, às fls. 152, aquela DRF reconheceu o erro na contagem de prazo, tornando sem efeito o despacho de fls: 134 e declarando perempto o recurso voluntário. Esclareço, desde logo, que sou daqueles que reconhece efeitos infringentes ao recurso de Embargos de declaração na hipótese de a correção da falha apontada resultar necessariamente na alteração da conclusão do julgado. Ocorre que, em que. pese o erro do acórdão embargado relativamente à tempestividade, não se trata de omissão eis que está declarada com todas as letras, às fls. 141, na primeira linha do voto a tempestividade, declaração esta fundamentada no despacho de fls. 134, agora corrigido pelo despacho de fls. 152. Assim, estando corrigida e identificada pelo despacho de fls. 152 a intempestividade do recurso voluntário, entendo que os embargos devem ser acolhidos. É o relatório. r;f 2 , , . iJ MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-30.832 Processo N° 10880.016578/99-69 Recurso N° 125.997 VOTO Tendo sido acolhidos os embargos, conforme despacho de admissibilidade de fi. 152, passo à apreciação da pertinência ou não do seu provimento. Resta plenamente comprovado pela documentação acostada aos autos, conforme consta do despacho, que o recurso, de fato, foi atingido pela intempestividade, embora a Delegacia de origem tenha prestado informação equivocada que induziu este Colegiado a proferir o acórdão embargado, conhecendo do recurso interposto. o -RelatorC Diante do exposto, voto no sentido de que sejam acolhidos os embargos, para anular o acórdão embargado e, em conseqüência da intempestividade, não conhecer do recurso interposto. 3 • I ri 00000001 00000002 00000003
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011333/2006-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
Embargos de Declaração. Falta de Manifestação acerca da Multa e dos Juros. Cabimento.
Cabem embargos declaratórios para eliminar omissão, quando o acórdão embargado, embora devendo se manifestar sobre a multa e os juros de mora, deixa de fazê-lo.
Numero da decisão: 1301-002.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar omissão, sem efeitos infringentes, e ratificar o decidido no Acórdão 1802-002.561, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelson Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 Embargos de Declaração. Falta de Manifestação acerca da Multa e dos Juros. Cabimento. Cabem embargos declaratórios para eliminar omissão, quando o acórdão embargado, embora devendo se manifestar sobre a multa e os juros de mora, deixa de fazê-lo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar omissão, sem efeitos infringentes, e ratificar o decidido no Acórdão 1802-002.561, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelson Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FALTA DE MANIFESTAÇÃO ACERCA DA MULTA E DOS JUROS. CABIMENTO. Cabem embargos declaratórios para eliminar omissão, quando o acórdão embargado, embora devendo se manifestar sobre a multa e os juros de mora, deixa de fazêlo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar omissão, sem efeitos infringentes, e ratificar o decidido no Acórdão 1802002.561, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelson Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 13 33 /2 00 6- 25 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10980.011333/200625 Acórdão n.º 1301002.731 S1C3T1 Fl. 278 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por ALTERNATIVA EDITORIAL LTDA., já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1802002.561 (fls. 174 a 180), a fim de eliminar contradição e omissões no acórdão embargado. Alegou a embargante que a contradição reside nos fundamentos adotados para distinguir a atividade de venda e a de prestação de serviços, para fins de apuração do lucro presumido. Já as omissões seriam duas a ensejar os embargos declaratórios. A primeira se refere aos critérios para a definição do coeficiente adotado na apuração do lucro presumido. A segunda consiste na ausência de exame pelo acórdão embargado das alegações de que a multa seria ilegal, abusiva e confiscatória. Os embargos foram parcialmente admitidos no despacho de fls. 252 a 262, no qual se encontram os seguintes fundamentos: Contradição O Sujeito Passivo argui que houve contradição eis que ao tempo em que a fiscalização reconhece que as receitas da embargante decorrem da venda de espaços publicitários, isto é, venda de bem incorpóreo, entende também que se caracteriza como prestadora de serviços, pelo singelo argumento de que emite notas fiscais de serviço, sujeitandose ao coeficiente de 32% para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido. (...) A situação de contradição não está apontada objetivamente. No interior da própria decisão não restou caracterizado esse vício, ou seja, não ficou evidenciada a desconformidade interna da decisão jurisdicional, pois a motivação está clara, expressa e congruente no sentido de que a atividade é de prestação serviço de locação de espaços e não de venda. Omissão O Sujeito Passivo argui que houve omissão, (a) no que concerne à fiscalização realizada em setembro de 2002 a qual homologou a aplicação do coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ e de 12% para a apuração da CSLL, a partir de 2002, bem como (b) no que se refere à inexigibilidade da multa de 75% e juros de mora, em decorrência da boafé, o que se faz em observância ao princípio da equidade. (...) No que concerne (a) à fiscalização realizada em setembro de 2002 a qual homologou a aplicação do coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ e de 12% para a apuração da CSLL, a partir de 2002, a situação de omissão não está apontada objetivamente. Houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir. No que se refere (b) à inexigibilidade da multa de 75% e juros de mora, a situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10980.011333/200625 Acórdão n.º 1301002.731 S1C3T1 Fl. 279 3 expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir. Conclusão Por todo o exposto, ADMITO PARCIALMENTE os embargos de declaração interpostos, quanto à omissão do item "(b) à inexigibilidade da multa de 75% e juros de mora" e não admito as demais alegações. É o que basta relatar. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Relator Conforme consta do despacho de admissibilidade, cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. No caso em exame, os embargos, na parte admitida, foram motivados por omissão. O acórdão embargado deixou de se manifestar sobre a multa. Contra a multa e os juros foram levantados os seguintes óbices: efeito confiscatório, ilegalidade e abusividade. Ademais, considerando a boafé, pleiteouse a aplicação da equidade. As infrações tributárias, em regra, têm natureza objetiva, ou seja, são punidas independentemente de culpa, como se depreende do art. 136 do CTN. Já a aplicação da equidade exige lei que previamente indique a autoridade competente para tanto, bem como as hipótese em que seja cabível. Portanto, não havendo lei que defina a autoridade competente e delimite os casos passíveis de equidade, ela não pode ser aplicada. Já o exame do alegado efeito confiscatório da multa e da falta de razoabilidade implica o controle de constitucionalidade de lei, o que é vedado ao CARF, pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, além de contrariar o enunciado da Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à exigência de juros de mora com base na taxa Selic, o CARF tem jurisprudência firmada, como se constata pelo enunciado da Súmula 4, abaixo reproduzido: Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10980.011333/200625 Acórdão n.º 1301002.731 S1C3T1 Fl. 280 4 Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos declaratórios, suprindo a omissão, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900319/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2005
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/02/2005 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2005 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 19 /2 01 2- 62 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10865.900319/201262 Acórdão n.º 3301004.204 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.739. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900319/201262 Acórdão n.º 3301004.204 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900319/201262 Acórdão n.º 3301004.204 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.905940/2008-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.027
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo Relatório Despacho Decisório 790541672 Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 09504.64740.301204.1.3.04-6805, o direito à compensação ficou limitado ao valor do crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP. De acordo com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.905940/2008-26 Resolução nº 3001-000.027 S3-C0T1 Fl. 115 2 débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por esta razão, não se homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Foi arguido, pela recorrente, que em determinado momentos passou por dificuldades financeiras, acarretando no atraso no pagamento de tributos, sendo que, nesta ocorrência, teria recolhido com juros e multa, mesmo antes da entrega da DCTF. Pagamento Indevido Conforme seu entendimento, esses pagamentos seriam indevidos, pois configurariam o instituto da Denúncia Espontânea. Fundamento da Glosa O fundamento da glosa, conforme o mencionado despacho, seria a ausência de crédito, ressaltando a recorrente que a Fazenda assim o fez sem solicitar ao contribuinte nenhum documento capaz de comprovar a existência do crédito. Sustenta que se porventura a autoridade fazendária houvesse solicitado tais documentos, teria tido acesso à planilha de apuração e teria verificado a regularidade do encontro de contas. Segundo os documentos acostados aos autos, verifica-se que o pagamento deu- se fora do prazo, mas que, no entanto, anterior à entrega da DCTF DRJ/POA A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 10-40.748 - 2ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA - PAGAMENTO A DESTEMPO -Não constitui denúncia espontânea o pagamento de tributos em atraso desacompanhado da devida multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido pela DRF Porto Alegre relativo ao aproveitamento de indébito de Pis mediante exame de declaração de compensação transmitida pela interessada, no qual não foi confirmada a existência do crédito informado, uma vez que o pagamento (localizado) foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados em dcomp. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que em algumas oportunidades teve Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11080.905940/2008-26 Resolução nº 3001-000.027 S3-C0T1 Fl. 116 3 dificuldades em recolher pontualmente os tributos. Sempre que ocorreram tais fatos, o contribuinte acabou efetuando o pagamento do débito, acrescido de multa e juros, antes mesmo da apresentação da DCTF. Conforme art. 138 CTN, as multas recolhidas nas situações acima são indevidas, e, ao tomar conhecimento de tal fato, o contribuinte alegou que mensurou o crédito e procedeu a compensação na forma da legislação em vigor. Alega que se a autoridade fiscal tivesse cumprido com seu dever de solicitar a prova dos créditos, teria acesso às planilhas de apuração e verificaria a regularidade do encontro de contas efetuado, além de constatar o pagamento dos tributos espontaneamente, portanto, inexigível sendo a multa. Requer que se anule o despacho decisório em questão, apurando a existência do crédito utilizado pelo contribuinte nas compensações glosadas. A motivação para a não homologação da compensação foi devidamente explicitada pela administração ao apontar que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp”. A base legal citada e a fundamentação fática são suficientes para convalidar o indeferimento do pleito, sendo plenamente justificável que a administração Tributária tenha considerado dispensável qualquer esclarecimento adicional, pela via da intimação ao contribuinte, uma vez que seus controles de conta corrente já indicavam a alocação para outro débito do suposto crédito oponível. pela interessada, sendo suficiente tais elementos para a tomada de decisão. Assim sendo, ao acolher a alegação de nulidade do despacho decisório, corretamente exarado pela DRFB jurisdicionante, estaríamos respaldando irregularidades no procedimento de compensação interposto pela interessada. A interessada apresentou declaração de compensação alegando a existência de direito creditório oriundo do recolhimento de multa de mora pelo pagamento a destempo da Cofins/Pis. Argumenta que não seria devida a multa de mora tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Não tem amparo a tese sustentada pela impugnante, no sentido de a denúncia espontânea da infração à legislação tributária, com o recolhimento do tributo devido, desobrigar o contribuinte do pagamento da multa de mora.. Na verdade, está o contribuinte dando interpretação equivocada ao disposto no art. 138 do CTN, não podendo, pois, prosperarem seus argumentos. A denúncia espontânea de uma infração à legislação tributária exclui a responsabilidade pelo ilícito praticado, afastando a aplicação das penalidades cabíveis, nos precisos termos do CTN, art. 138. Isso, contudo, não autoriza a interpretação de que é indevido o pagamento da multa moratória exigida pela Secretaria da Receita Federal em recolhimentos de tributos fora do prazo legal. A espontaneidade exclui apenas as penalidades de natureza punitiva, resultantes da responsabilidade quanto a crime, contravenção ou delito tributário, não podendo ser aplicada às de natureza moratória, derivada do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11080.905940/2008-26 Resolução nº 3001-000.027 S3-C0T1 Fl. 117 4 regularmente constituída, que não possuem vinculo direto com o fato gerador do tributo. No caso, o não pagamento da exação não constitui infração, e sim, mora ou inadimplência. A multa por atraso no pagamento de tributos tem finalidade de coagir o contribuinte ao recolhimento dos tributos e contribuições dentro do prazo legal. Se desconsiderássemos o recolhimento da multa decorrente da impontualidade do sujeito passivo da obrigação tributária, simplesmente pelo pagamento espontâneo, estaríamos diante de uma afronta ao contribuinte responsável e cumpridor de suas obrigações e sua imposição legal seria inócua. Pelo contrário: os valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco. Portanto, inexistindo direito creditório passível de compensação, não há como homologar o encontro de contas declarado. Recurso Voluntário Segundo a recorrente, foram apresentados diversos pedidos de compensação de crédito cuja origem ter-se-ia dado em recolhimentos indevidos de multa, que, posteriormente, teriam sido utilizados para compensação de débitos de Pis e Cofins. Denúncia Espontânea A tese defendida pela Recorrente vale-se do argumento no qual reside sorte a seu racicíonio, qual seja, a possibilidade de aplicação do artigo 138 do CTN, quando o pagamento espontâneo ocorre após o vencimento do tributo, mas antes da entrega da DCTF. É o Relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila - Relator Trata-se de Recurso Voluntário cuja pretensão escora-se em legitimar a compensação de valores pagos a título de multa de mora. Argumenta pela aplicação de jurisprudência do STJ, indicando estar submetida aos requisitos do precedente judicial apontado. Origem do Crédito pagamento indevido por recolhimento de multa de mora ausência de procedimento fiscalizatório Ao analisar a Perd Dcomp acostada a estes autos percebe-se que se trata de pagamento ocorrido a destempo, com recolhimento de multa. Pleiteia a devolução do crédito, pago a título de multa, pois entende estar submetido à denúncia espontânea, vez que o recolhimento se deu ante a ausência de procedimento de fiscalização. Débito compensado sem recolhimento de multa de mora Já o débito compensado, no caso em análise, há que confrontá-lo com a data do pedido de Compensação, ocorrido em 27 de janeiro de 2005 , conforme imagem do carimbo Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.905940/2008-26 Resolução nº 3001-000.027 S3-C0T1 Fl. 118 5 aposto em e-fls. 02. Neste caso, falta à análise, a DCTF correspondente, para sacar as dúvidas quanto à aplicação do conteúdo prescrito no Resp nº 1.149.022/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11080.905940/2008-26 Resolução nº 3001-000.027 S3-C0T1 Fl. 119 6 resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) De acordo com o precedente judicial, seguiu-se a orientação aos julgados deste CARF, conforme se depreende: Acórdão nº 3302-004.451 Ano calendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO Entende-se por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Realizado o pagamento antes do ato fiscalizatório a multa de mora deve ser excluída (Resp nº 1.149.022/SP). Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Neste cenário, evidenciase que a exigência de multa de mora quando de recolhimento em atraso consiste na regra geral a ser observada, em obediência aos dispositivos legais citados, sem prejuízo de outros que também a prevêem. Por outro lado, há causa excludente de penalidade prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Compulsando os autos, verifica-se que no preenchimento da PER/DCOMP em análise, entregue em 17.11.2004 (fls. 0204), a Recorrente informou débitos de PIS, código de receita 6912 (PISNão Cumulativo), relativos ao mês de março de 2003, sem considerar as multas de mora. Consultando a DCTF entregue pela Recorrente em 15.05.2003 (fls.8182), constata-se que o débito de PIS, código de receita 6912, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11080.905940/2008-26 Resolução nº 3001-000.027 S3-C0T1 Fl. 120 7 relativo ao mês de março de 2003, não havia sido declarado quando foi objeto de pedido de compensação por meio da Dcomp. Adicionalmente, não há notícia de nenhum procedimento fiscal com relação ao débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de março de 2003 informado na Declaração de Compensação, o qual, conforme já mencionado, também não havia sido previamente confessado por meio de DCTF. Assim, considerando que a Recorrente efetuou o pagamento do débito não declarado antes de qualquer procedimento fiscalizatório e, com base no entendimento proferido pelo Ministro Luiz Fux no RESP anteriormente citado, reconheço o benefício da denúncia espontânea, descabendo a exigência de multa de mora em relação ao débito sob análise. Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp, e, para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF, e; não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este requisito, a meu ver, satisifeito. Ausência de declaração em DCTF A recorrente argumenta, tanto em manifestação de inconformidade, como em seu recurso voluntário, que o recolhimento da multa de mora, em decorrência do atraso em seu pagamento, se deu antes da entrega da DCTF, o que, por via de consequência, poder-se-ia inferir a ausência desta informação na declaração referenciada. Entretanto, compulsando os autos, não localizo a DCTF, mas tão somente, a Per Dcomp, tornando-se inviável a análise da existência das condições para fruição da Denúncia Espontânea prevista no artigo 138 do CTN e com aplicação referendada pelo (REsp 1.149.022) Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11080.905940/2008-26 Resolução nº 3001-000.027 S3-C0T1 Fl. 121 8 (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.007764/2007-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Numero da decisão: 1002-000.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vice-presidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins - Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vice-presidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 6 1 5 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.007764/200713 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.011 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 6 de fevereiro de 2018 Matéria IRPJ. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente SOCIEDADE AGRO PASTORIL ROSINA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 77 64 /2 00 7- 13 Fl. 80DF CARF MF 2 Julio Lima Souza Martins Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira (vicepresidente), Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 29 à 37) interposto contra o Acórdão n° 0627.259, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 23 à 25), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: DCTF. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. RESPONSABILIDADE ACESSÓRIA AUTÔNOMA. As infrações por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com a existência de fato gerador de tributo, não são elididas por denúncia espontânea. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeitase à multa estabelecida na legislação de regência. APRESENTAÇÕES DE DCTF EM ATRASO. INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO CONTINUADA. As apresentações de DCTF em atraso são fatos independentes, não constituindo infração continuada, uma vez que cada DCTF que deixa de ser enviada, ou que é enviada após o prazo estabelecido, representa uma infração a ser punida através do lançamento da multa isolada correspondente. DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade pela infração tributária é objetiva, independe sua ocorrência da intenção do agente ou de prejuízo dos cofres públicos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário. Neste, a Contribuinte requer a declaração de total improcedência e Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10935.007764/200713 Acórdão n.º 1002000.011 S1C0T2 Fl. 7 3 inexigibilidade do crédito tributário consignado no auto de infração. Utiliza como fundamentos a inaplicabilidade da multa em face da denúncia espontânea, e a inexistência de prejuízo ao erário, em virtude do descumprimento de obrigação acessória. É o relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Os pleitos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, haja vista ter entregue a declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Sustenta, ainda, a inocorrência de prejuízo ao erário, por ter havido tão somente o descumprimento da obrigação acessória (oriunda do atraso na entrega da DCTF), de modo que o tributo declarado foi efetivamente recolhido. Contudo, não vejo como acolher os pleitos da Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: A respeito da entrega espontânea, o entendimento da interessada sobre a matéria não pode ser levado em consideração. Ocorre, que a exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, hipótese que encontra previsão no art. 138 do CTN, não se aplica ao presente caso, pois a multa em discussão é decorrente da satisfação extemporânea de uma obrigação acessória (entrega de declaração) à qual, frisese, estão sujeitos todos os contribuintes, e obrigações dessa espécie, pelo simples fato de sua inobservância, convertemse em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3 1 do CTN). Os esclarecimentos a seguir transcritos, formulados no Projeto Integrado de Aperfeiçoamento da Cobrança do Crédito Tributário, por Aldemário Araújo Castro, Procurador da Fazenda Nacional, demonstram a inaplicabilidade do instituto ela denúncia espontânea na hipótese de descumprimento de obrigação acessória, in verbis: "Com efeito, o objetivo da denúncia espontânea, conforme explicita previsão legal, é afastar a responsabilidade por infração contida na composição do crédito tributário impago. Quando o tributo não é pago em tempo hábil gera um crédito com, pelo menos, os seguintes componentes: Fl. 82DF CARF MF 4 PRINCIPAL tributo, MULTA penalidade pecuniária e JUROS DE MORA. A denúncia espontânea afasta justamente a parte punitiva e mantém, com toda sua intensidade quantitativa, o PRINCIPAL tributo. Esta estrutura de débito, a única referida no citado art. 138 do CTN, obviamente só existe no caso de descumprimento de obrigação tributária principal. O descumprimento de obrigação tributária acessória, não contemplado explicitamente no art. 138 do CTN, gera um débito com a seguinte estrutura: PRINCIPAL multa (penalidade pecuniária) e MULTA inexistente. Assim, não há como afastar a parte punitiva do crédito simplesmente porque ela não existe. Em suma, a denúncia espontânea não afeta o PRINCIPAL do débito, e este, na obrigação principal decorrente do descumprimento de obrigação acessória é justamente a multa. Uma única ponderação parece ratificar estas considerações. Admitir a denúncia espontânea para o descumprimento de obrigação acessória significa negar, em regra, a obrigatoriedade do adimplemento da obrigação de fazer ou não fazer, isto porque a sanção decorrente poderia ser afastada, a qualquer tempo, justamente a partir da realização daquela ação originalmente com praza certo. O raciocínio seria o seguinte: apresento a declaração quando quiser, sendo, em princípio, irrelevante o marco temporal legal, porque a apresentação depois do prazo seria denúncia espontânea e afastaria a multa, única conseqüência da intempestividade, salvo ação fiscal extremamente improvável. De toda sorte, as multas moratórias são sempre devidas, com ou sem, denúncia espontânea, porquanto fixadas em lei e de natureza indenizatória, nitidamente apartada das penalidades pecuniárias. ". Portanto, a multa legalmente prevista para a entrega a destempo das DCTF é plenamente exigível, pois se trata de responsabilidade acessória autônoma não alcançada pelo instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN. (...) É de se observar que o lançamento em lide preenche os requisitos do art. 142 da Lei 5.172/66 (CTN), assim como sua formalização atende ao disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 (PAF).A imposição de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias independe da intenção do sujeito passivo, bem assim, da existência ou não de danos ao Erário. Isto porque consistem em deveres instrumentais tributários acessórios, não revelam dever de pagar tributo em si mesmo, mas prestam informações, ou outros elementos necessários e que induzam ao dever de pagar. Assim, no caso sob análise, não e, por si só, fato gerador da obrigação principal, mas dever obrigatório necessário à fiscalização e à apuração. O CTN, imbuído de tal premissa, dispõe no artigo 136: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10935.007764/200713 Acórdão n.º 1002000.011 S1C0T2 Fl. 8 5 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Não há de se confundir a obrigação de pagar o tributo com as penalidades aplicadas por descumprimento de obrigações acessórias. Alega o Autuado que as obrigações principais foram devidamente cumpridas ao seu tempo. Mas o pagamento destas obrigações principais referese à obrigação principal. A multa aplicada, por sua vez, tem como origem o descumprimento de uma obrigação acessória. Como se pode notar, são haveres de natureza distinta: o primeiro vinculado ao pagamento de tributo; o segundo relativo a uma penalidade aplicada por descumprimento de um dever legal pelo sujeito passivo. De acordo com o art. 157, do CTN, a imposição de penalidade não elide o pagamento integral do crédito tributário. O pagamento do crédito tributário não elide a imposição de penalidade, haja vista ser a obrigação acessória instituída no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2, do CTN). Tendo ou não o contribuinte cumprido a obrigação principal, não fica dispensada do cumprimento das obrigações acessórias, pois que o efetivo cumprimento daquela só pode ser precisado com o em atendimento destas. Ainda, o parágrafo único do art. 175 do CTN, ao tratar da exclusão do crédito tributário, aduz que "a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias, dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüentes ". Portanto, não assiste razão à Autuada em seu inconformismo relativamente à ausência de prejuízo ao erário bem como pelo mero descumprimento de obrigação acessória. No que cinge às ilegalidades levantadas pela recorrente, tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Destaco, ainda, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte se em principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 84DF CARF MF 6 Por fim, o argumento de prejuízo ao erário se esvai quando se analisa a multa tributária sob o aspecto objetivo. Isso porque, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923158/2012-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 19/11/2007
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.858
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 19/11/2007 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 58 /2 01 2- 97 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.923158/201297 Acórdão n.º 3302004.858 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.322. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.923158/201297 Acórdão n.º 3302004.858 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.923158/201297 Acórdão n.º 3302004.858 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.923158/201297 Acórdão n.º 3302004.858 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.923158/201297 Acórdão n.º 3302004.858 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.722901/2012-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 12/07/2007, 12/07/2008
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A Fiscalização pode exigir do contribuinte que apresente documentação comprobatória dos fatos escriturados em sua contabilidade e dos fatos que possam repercutir com efeitos em exercícios futuros, não cabendo a alegação de decadência.
PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS.
O custo de aquisição é considerado igual a zero no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, assim como nos anos de 1994 e 1995.
Numero da decisão: 2401-005.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em exercício e Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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INOCORRÊNCIA. A Fiscalização pode exigir do contribuinte que apresente documentação comprobatória dos fatos escriturados em sua contabilidade e dos fatos que possam repercutir com efeitos em exercícios futuros, não cabendo a alegação de decadência. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS. O custo de aquisição é considerado igual a zero no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, assim como nos anos de 1994 e 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 29 01 /2 01 2- 60 Fl. 1540DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria, negarlhe provimento, vencida a Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em exercício e Redator Designado (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 11065.722901/201260 Acórdão n.º 2401005.224 S2C4T1 Fl. 1.541 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, REJEITOU as preliminares suscitadas e, no mérito, julgou IMPROCEDENTE a Impugnação, conforme ementa do Acórdão nº 0371.016 (fls. 1.449/1.468): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. O contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, assume, por expressa disposição legal, a posição de sujeito passivo da obrigação tributária. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ISENÇÃO. PRAZO DE GUARDA DE DOCUMENTOS. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1º de janeiro de 1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o lucro auferido. O custo de aquisição é considerado igual a zero no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao contribuinte. A prova documental deve ser mantida pelo adquirente enquanto for proprietário dos bens e direitos adquiridos, porquanto a operação de venda não tem por determinação legal que se realizar dentro do prazo decadencial de cinco anos previstos no artigo 173 do Código Tributário Nacional, o que limitaria o exercício do direito de propriedade no tempo. Não há prazo decadencial previsto para averiguação da veracidade de registros, principalmente em relação ao custo de Fl. 1542DF CARF MF 4 aquisição de bens envolvidos em operações que acarretem modificação no patrimônio do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A multa de ofício de 75% é devida nos lançamentos de ofício, nos casos de declaração inexata, incluindo equívocos cometidos pelos contribuintes, independentemente da intenção de fraudar o Fisco. A redução legal da multa de ofício é prevista pela legislação tributária quando ocorrer o pagamento ou o parcelamento do crédito tributário, observados os prazos estabelecidos. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do Auto de Infração – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 1.317/1.345), lavrado contra o Contribuinte em 15/06/2012, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos anoscalendário 2007 e 2008, no valor de R$ 582.549,31, Juros de Mora, calculados até junho de 2012, no valor de R$ 264.321,73 e Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 436.911,99, perfazendo um total de Crédito Tributário no montante de R$ 1.283.783,03. Conforme consta no RELATÓRIO FISCAL RAF (fls. 1.326/1.345) a Fiscalização apurou omissão de ganho de capital em razão de erro cometido pelo Contribuinte na apuração do custo de aquisição das ações que possuía na sociedade Pilar Empreendimentos Imobiliários S/A, vendidas à sociedade Vulcabrás do Nordeste S/A, hoje denominada Vulcabrás Azaleia – CE Calçados e Artigos Esportivos S/A. Os Auditores Fiscais descrevem, no tópico IV – DOS ERROS NA AVALIAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO do RAF (fls. 1.330/1.340), os erros e as irregularidades encontradas nos demonstrativos trazidos pelo Contribuinte para justificar o custo de aquisição das ações da PILAR S/A, vendidas à Vulcabrás do Nordeste S/A, que resultaram em majoração indevida deste custo, em desacordo com a legislação vigente. Já no tópico V DO CÁLCULO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL (fls. 1.340/1.344), os Auditores Fiscais apresentaram um demonstrativo, denominado "Demonstrativo de Cálculo do Custo de Aquisição das Ações Pilar – Ramon Volkart", elaborado para apurar as diferenças no cálculo do custo de aquisição. O demonstrativo elaborado traz na primeira coluna todas as informações prestadas pelo Contribuinte, referidas no tópico III do RAF (fl. 1.330), que representam a apuração do custo de aquisição levada ao "Demonstrativo de Apuração do Ganho de Capital" anexo à DIRPF do exercício de 2008, e, na segunda coluna, a evolução do custo de aquisição das cotas/ações na visão da fiscalização, seguindo a mesma forma adotada pela Contribuinte. Ao final chegam ao seguinte resultado: Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 11065.722901/201260 Acórdão n.º 2401005.224 S2C4T1 Fl. 1.542 5 · Custo apurado pela Contribuinte na DIRPF R$ 22.394.524,90 · Custo apurado pela fiscalização R$ 18.510.862,85 · Diferença passível de tributação R$ 3.883.662,05 A diferença apurada foi considerada passível de tributação, sendo dividida em duas partes, de acordo com a proporção de cada parcela recebida nos anoscalendário 2007 e 2008, conforme quando a seguir: Fato Gerador Valor (R$) Multa (%) 12/07/2007 R$ 2.203.476,88 75 % 12/07/2008 R$ 1.680.185,17 75 % O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração em 23/06/2012, via Correio (AR fl. 1.346). Em 23/07/2012, interpôs impugnação (fls. 1.348/1.387), na qual, em síntese, traz as seguintes alegações: 1. Não incidência/isenção do IR, desde 1970, na incorporação de lucros para aumento de capital; 2. Licitude da utilização dos lucros para aumento de capital social como custo de aquisição; 3. Decadência do direito de lançar sobre operações contábeis declaradas, publicizadas e ocorridas há mais de 10 anos; 4. Aplicação da Lei Tributária vigente no momento da ocorrência do Fato Gerador; 5. A reavaliação da correção monetária aplicada em 1996 não pode ser revista em 2012 face à incidência da decadência do direito de lançar; 6. Ilegitimidade da cessionária para responder sobre qualquer discordância acerca do valor, pois recebeu em 1997 a participação societária exatamente pelo valor declarado pelo cedente (Lauro) em sua declaração de renda; 7. Que o mesmo raciocínio exposto no tópico anterior vale para a aquisição de cotas de capital mediante herança, em razão de sucessão. Salienta que neste caso há participação da Receita Estadual e chancela do Poder Judiciário quanto à valoração efetuada e sua rediscussão em momento futuro caracterizaria a anulação da partilha. Fl. 1544DF CARF MF 6 Finaliza sua impugnação requerendo que seja desconstituído o lançamento, tornando insubsistente a autuação. Subsidiariamente, caso não seja acolhido seu pedido, pugna pelo acolhimento parcial do pedido, “afastando o cálculo apresentado por qualquer dos argumentos apresentados”, bem como reduzindo a multa aplicada para o patamar de 20%. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento, que, através do Acórdão nº 0371.016, decidiu REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, julgar IMPROCEDENTE a Impugnação, resultando na manutenção do imposto a pagar apurado, mais multa de ofício de 75% e juros de mora. Cientificado do Acórdão da DRJ/BSB, via Correio, em 14/06/2016 (AR – fl. 1.473), tempestivamente, em 14/07/2016, a apresenta seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1.482/1.532, onde faz uma síntese do Processo Administrativo e alega que: 1. Não houve equívoco algum a ser corrigido nas declarações prestadas pela contribuinte por ocasião da venda de das suas Ações da Pilar à Vulcabrás do Nordeste S.A.; 2. Ocorreu a decadência do direito de lançar sobre operações contábeis declaradas, publicizadas e ocorridas a mais de 10 anos; 3. A lei aplicável aos diversos atos e fatos ocorridos ao longo de mais de 30 anos deve ser aquela vigente no momento da ocorrência do fato gerador; 4. Os registros contábeis feitos pela pessoa jurídica, suas respectivas declarações, bem como as declarações de renda da Recorrente foram apresentados em exercícios anteriores e já estão protegidos pela imutabilidade estabelecida pela decadência do direito de lançar; 5. A reavaliação da correção monetária aplicada em 1996 não pode ser revista em 2012 face à incidência da decadência do direito de lançar; 6. Desde 1970 que o lucro utilizado para aumento de capital é considerado como não tributável/isento, por força do art. 3º do DecretoLei nº 1.109/70; 7. Em 2001, ano da capitalização do lucro acumulado, a hipótese legal em vigor é o art. 10, parágrafo único, da Lei nº 9.249/95; 8. Desde 1996, as reservas constituídas com lucros acumulados, quando utilizadas para aumento de capital tinham o condão de agregar valor ao custo de aquisição; 9. É lícita a utilização dos lucros para aumento de capital social como custo de aquisição; 10. Passados mais de 15 anos da doação operada não há razão para se questionar o valor atribuído ao negócio jurídico, razão pela qual deve se reconhecer a decadência por mais este fundamento. Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 11065.722901/201260 Acórdão n.º 2401005.224 S2C4T1 Fl. 1.543 7 Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo seu provimento a fim de desconstituir o Auto de Lançamento, tornando insubsistente a autuação realizada. Subsidiariamente requer o acolhimento parcial do recurso, afastandose a exigência fiscal por qualquer dos argumentos expostos, bem como a redução da multa aplicada no percentual de 75% para o patamar de 20%. É o relatório. Fl. 1546DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Decadência A Recorrente assevera que ocorreu a decadência do direito de lançar com relação às operações contábeis declaradas e publicizadas há mais de dez anos. Afirma que não se discute se o lançamento exarado pelos auditores observou o lapso temporal com relação aos fatos ocorridos em 2007. Sua irresignação consiste na glosa de operações contábeis realizadas no período anterior a cinco anos da ocorrência do fato gerador configurado em julho de 2007 e julho de 2008, não sendo mais permitido ao Fisco o questionamento dessas operações. Pois bem. É certo que a obrigação principal surge com a efetivação do fato gerador que consiste na situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, sendo o dever do agente fiscal proceder ao lançamento com o cálculo do montante do tributo devido, conforme determinado pelo Código Tributário Nacional: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 11065.722901/201260 Acórdão n.º 2401005.224 S2C4T1 Fl. 1.544 9 Nesse diapasão, constatase que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial se inicia da ocorrência do fato gerador, consoante normas positivadas no Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Dessa forma, o lançamento somente poderá ser realizado após a ocorrência do fato gerador, sendo, por conseguinte, obrigação do agente fiscal averiguar todas as circunstâncias que envolvam a obrigação tributária dele correspondente, inclusive com a análise de documentos relacionados a fatos societários e registros contábeis que trazem os respectivos reflexos tributários. No caso concreto, tratase de alienação de ações ocorridas em julho de 2007 e julho de 2008, sendo este (julho/2007 e julho/2008) o marco inicial para contagem do prazo decadencial. Isso porque, com relação ao imposto sobre a renda (inclusive o ganho de capital) devido pela pessoa física é aplicável o regime de caixa e o imposto é devido na medida em que os rendimentos e ganhos são efetivamente percebidos. Nesse sentido são claras as disposições dos artigos 2º e 21 da Lei 7.713/1988: Art. 2º. O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. O prazo decadencial não se inicia com as operações contábeis declaradas se referidas operações não representavam fato gerador do tributo em questão. A simples averiguação da veracidade, legitimidade e idoneidade dos fatos contábeis e societários relacionados ao custo de aquisição das ações adquiridas pela Recorrente ocorreu por força da competência administrativa do fiscal decorrente do dever na constituição do crédito tributário. Fl. 1548DF CARF MF 10 Constatada a ocorrência do fato gerador e encontrandose dentro do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, poderá a fiscalização exigir da contribuinte documentos que comprovem se a obrigação tributária foi cumprida em consonância com a legislação tributária, caso referidos documentos repercutam na apuração do tributo devido (artigo 37 da Lei nº 9.430/96). Ora, no presente caso, a contribuinte utilizou no cálculo de apuração do ganho de capital, informações de anos anteriores que repercutiram no valor do custo de aquisição das ações alienadas em 2007. Referidas informações devem ser analisadas pelo fisco a fim de que possa proceder a correta apuração do Imposto de Renda sobre o ganho de capital. Ou seja, as regras do prazo decadencial previstas no Código Tributário Nacional referemse ao prazo para lançamento a contar da ocorrência do fato gerador e não à verificação dos documentos comprobatórios do resultado apurado. Assim, entendo que a Fiscalização pode exigir da contribuinte que apresente documentação comprobatória dos fatos escriturados em sua contabilidade e dos fatos que possam repercutir com efeitos em exercícios futuros, não cabendo, nesse passo, a alegação de decadência. Portanto, rejeito a preliminar alegada. Custo de aquisição O Recorrente se insurge contra a exigência do Imposto de Renda sobre ganho de capital oriundo de alienação de participação societária da empresa Pilar Empreendimentos Imobiliários S.A. para a empresa Vulcabrás do Nordeste S.A, ocorrida em 12 de julho de 2007. Afirma ser indevida a apuração do valor do custo de aquisição. Segundo a fiscalização, no aumento de capital ocorrido em 2001 o contribuinte majorou indevidamente o custo de aquisição ao incluir a incorporação de lucros de R$ 20.294.543,73 na capitalização, acrescendo em R$ 5.073.635,93 ao custo de aquisição de suas quotas, equivalente ao percentual de participação de 25% aplicado sobre o total de lucros capitalizados. Conforme se observa no Relatório de Ação Fiscal, a fiscalização apurou equívocos na identificação do custo de aquisição quando da apuração do ganho de capital. Dissertou sobre a evolução do valor das quotas na participação societária e constatou a seguinte diferença: Segundo a acusação fiscal, com relação ao aumento de capital ocorrido em 2001, deveria ter sido atribuído custo zero à participação decorrente de capitalização desses lucros, de acordo com o histórico da legislação citada. Por outro lado, o contribuinte afirma que a fiscalização segregou todo o período em que o lucro foi apurado sem considerar a rubrica contábil registrada relativa ao aumento de capital ocorrida em 2001. Assevera que a sociedade privou seus sócios da Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 11065.722901/201260 Acórdão n.º 2401005.224 S2C4T1 Fl. 1.545 11 distribuição do lucro para aumentar o capital, o que deve ser levado em consideração na composição do chamado “custo de aquisição”. Se estes valores já vinham sendo informados nas declarações de renda das pessoas físicas, não se pode alegar agora que houve manobra com o propósito evasivo apenas em 2001 em que os sócios utilizaram esses lucros, tendo como consequência o aumento do custo de aquisição. Destarte, inobstante o entendimento firmado no item anterior de que, diante da constatação da ocorrência do fato gerador, tem o agente fiscal o poder/dever de averiguar os lançamentos contábeis que repercutam na apuração do tributo devido, não se verificando a decadência, cabe nesse ponto destacar que de acordo com o artigo 923 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), a escrituração contábil faz prova a favor do contribuinte quando esteja lastreada em documentos hábeis e idôneos: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Ressaltese que a fiscalização verificou o custo de aquisição estipulado pelo contribuinte a partir da análise dos lançamentos contábeis, devidamente respaldados nos documentos de alterações societárias. O contribuinte apresentou toda a documentação de suporte destacada nos lançamentos contábeis. Não houve desconsideração da contabilidade do Recorrente e nem mesmo qualquer indício de fraude ou simulação, conforme assentado em Relatório Fiscal. O ganho de capital foi apurado pelo contribuinte e o Imposto de Renda devidamente recolhido. Compulsando os autos, constatase que os fatos apresentados foram efetivamente lançados na contabilidade e encontramse respaldados por documentos hígidos atestados pelo agente fiscal que em nenhum momento os desconsiderou. O conjunto probatório ora analisado carreia à conclusão da idoneidade dos lançamentos contábeis efetuados e documentos apresentados. A partir de tal constatação da veracidade dos dados apresentados e que não ocorreu fraude ou simulação por parte da contribuinte, necessário a análise do ponto fulcral do lançamento que se consubstancia na glosa do acréscimo ao custo de aquisição do montante relativo ao aumento de capital respectivo. As afirmações constantes na decisão de piso concernentes à impossibilidade de se computar, como custo de aquisição de participação societária, a capitalização de lucros anteriores a 31/12/1988 e aos anos de 1994 e 1995, não influenciaram no lançamento efetuado, conforme corroborado no próprio Fiscal no Relatório de Autuação. A solução de tal conflito está na interpretação correta do parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n° 3.000, de 1999, tendo em vista que, de forma taxativa, o Auditor Fiscal afirma que em relação ao aumento de capital ocorrido em 2001, deveria ter sido atribuído custo zero à participação decorrente da capitalização desses lucros, o que não se coaduna com a determinação legal. Vejamos os preceitos legais abaixo transcritos: Fl. 1550DF CARF MF 12 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Conforme se constata do dispositivo legal, a partir de 1996, o aumento de capital realizado por uma pessoa jurídica por incorporação de lucros ou de reservas constituídas, implica o aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Isso porque os lucros acumulados e as reservas de lucros são parcelas dos lucros ainda não realizados. Quando se tornam lucros disponíveis, a sua utilização para o aumento de capital tem como contrapartida a bonificação de quotas aos sócios. Conforme esclarecido no próprio Relatório de Fiscalização, as reservas de lucros foram capitalizadas em 2001, o que possibilitou o aumento do custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas que corresponder à participação do sócio, em face de autorização legal. O assunto é tratado no dispositivo do artigo 41 do Decreto 3.000/99 que afasta a incidência do imposto de renda sobre os valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorporação de reservas ou lucros: Art. 41. Não estão sujeitos à incidência do imposto os valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorporação de reservas ou lucros apurados: I de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1992, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XVII, alínea "a"); II no anocalendário de 1993, por pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real (Lei nº 8.383, de 1991, art. 75); III de 1º de janeiro de 1994 a 31 de dezembro de 1995, observado o disposto no art. 3º da Lei nº 8.849, de 1994, com as modificações da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995; IV a partir de 1º de janeiro de 1996, por pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). Parágrafo único. No caso do inciso IV, o lucro a ser incorporado pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado deverá ser apurado em balanço. De acordo com a Solução de Consulta nº 4.016 SRRF04/Disit, de 26 de agosto de 2016, o aumento de capital mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros possibilita o incremento no custo de aquisição da participação Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 11065.722901/201260 Acórdão n.º 2401005.224 S2C4T1 Fl. 1.546 13 societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF REFORMA DA SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF04/DISIT Nº 43, DE 5 DE JUNHO DE 2013, PARA ALINHAMENTO À ORIENTAÇÃO DA COORDENAÇÃO GERAL DE TRIBUTAÇÃO (COSIT) REFERENTE À MATÉRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. Conforme entendimento da Cosit, somente o aumento de capital mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. Portanto, concluise que, na espécie, a incorporação ao capital social de reservas de capital não implica, para o acionista, o benefício do aumento do custo fiscal de aquisição do investimento. Dispositivos Legais: Lei nº 7.713, de 1988, art. 16; Lei nº 9.249, de 1995, art. 10. VINCULAÇÃO À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 10, DE 3 DE FEVEREIRO DE 2016. O custo de aquisição da participação societária informado pelo contribuinte levou em consideração a norma positivada no art. 135 do RIR/99, com a apuração do ganho de capital e o pagamento do Imposto de Renda devido, conforme documento adunado aos autos às fls. 24/25. No entanto, a Fiscalização não considerou o incremento no custo de aquisição decorrente da incorporação de lucros, conforme disposição legal já mencionada, o que levou a equivocada conclusão de que ocorreu insuficiência de pagamento de ganho de capital. Vêse, portanto, que no lançamento efetuado não foi aplicada a sistemática correta para a apuração do ganho de capital em face do equívoco na mensuração da base de cálculo apurada, no tocante ao custo de aquisição. Dessa forma, entendo que assiste razão ao Recorrente, devendo ser cancelado o lançamento. Em face do entendimento supra, tenho por prejudicado o pleito recursal pertinente à redução da multa de ofício. Fl. 1552DF CARF MF 14 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, afastando a exigência contida no lançamento. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 11065.722901/201260 Acórdão n.º 2401005.224 S2C4T1 Fl. 1.547 15 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia para divergir do voto da I. Relatora no que tange à utilização de lucros e reservas de lucros acumulados para fins de cômputo no custo de aquisição das participações societárias alienadas. Antes da análise da matéria de mérito, deixo consignado que acompanhei a rejeição da preliminar em que o recorrente alegou o impedimento de revisão por parte do Fisco das operações contábeis e capitalizações que resultaram ao longo do tempo em acréscimo do custo de aquisição da participação societária, porque protegidas pela imutabilidade do término do prazo decadencial. O ganho de capital equivale à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo custo de aquisição. No caso dos autos, o marco temporal do fato gerador referente ao ganho de capital ocorre no momento da alienação da participação societária, que se deu em 2007 e 2008. Enquanto não decaído o direito de a Fazenda lançar o crédito tributário, o agente fiscal poderá exigir os documentos comprobatórios do cumprimento da obrigação tributária, inclusive procedendo à reavaliação do custo de aquisição atribuído à operação pelo contribuinte, quando for o caso. Quanto à questão de fundo, a fiscalização detectou no curso do procedimento a majoração indevida do custo das quotas detidas pelo contribuinte na empresa LCR Participações Societárias Ltda, por ocasião do aumento de capital ocorrido em 01/07/2001. Segundo o Relatório Fiscal, os lucros incorporados ao capital social nessa data tinham a seguinte composição (fls. 1.340): No cômputo do custo de aquisição, o contribuinte utilizou indevidamente reserva de lucros cuja incorporação ao capital não pode refletir aumento de custo para o acionista/quotista, especificamente quanto aos lucros apurados até o ano de 1988 e nos anos calendário de 1994 e 1995. A capitalização de lucros de 1989 a 1993 foi aceita pelo agente fazendário. Fl. 1554DF CARF MF 16 De maneira didática, o Relatório Fiscal faz um histórico detalhado a respeito da evolução da legislação aplicável ao incremento do custo de aquisição na hipótese de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reserva de lucros. Ao final, o agente lançador consolida a sua exposição por meio de um resumo, que copio na sequência (fls. 1.338/1.339): A interpretação fiscal não merece reparos, estando devidamente justificada em face da legislação atinente aos fatos ocorridos. Advoga o recorrente, entretanto, que no momento do aumento do capital efetivado no ano de 2001, pela utilização dos lucros acumulados para efeitos de capitalização, incidia no caso concreto o art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: 1 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. (SUBLINHEI) 1 A Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, acrescentou novos parágrafos ao art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, passando o parágrafo único para o § 1º, porém sem alteração de conteúdo. Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 11065.722901/201260 Acórdão n.º 2401005.224 S2C4T1 Fl. 1.548 17 Qualquer interpretação do texto legal deve guardar compatibilidade com a norma jurídica abarcada pela "cabeça" do artigo, que trata de resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, dada a íntima conexão com os respectivos parágrafos do dispositivo de lei. Conforme a redação do então parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, permitiuse, com relação às pessoas físicas e jurídicas, a atualização do custo da aquisição de participação societária decorrente de aumento de capital social mediante incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros. Nada obstante, é requisito inafastável, segundo o preceptivo de lei, que tanto os lucros apurados, ou as reservas constituídas com os lucros, digam respeito a resultados ocorridos a partir do ano de 1996, o que afasta, a toda a evidência, a sua aplicação para as capitalizações com lucros apurados até o ano de 1995 (ou, dito de outra forma, antes de 01/01/1996). No que tange às capitalizações com lucros apurados em exercícios anteriores ao ano de 1996, como foi detalhado pelo agente fazendário, a possibilidade ou não de agregação de custo à participação societária mantém relação com a legislação pertinente ao regime de tributação da distribuição/capitalização de lucros estabelecida à época da apuração dos resultados, o que contribui, sem dúvida, para a segurança jurídica na aplicação da lei tributária. Inclusive, o procedimento fiscal que atribuiu o custo zero para as capitalizações de lucros apurados até o ano de 1988 e nos anos de 1994 e 1995 está amparado expressamente no inciso I do § 2º do art. 130 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), com matriz legal no § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 130. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 2º). § 1º No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, ou apurados no ano de 1993, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 3º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 75). § 2º O custo é considerado igual a zero (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 4º): I no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995; (...) (SUBLINHEI) Fl. 1556DF CARF MF 18 Prosseguindo com a análise dos argumentos de defesa trazidos pelo recurso voluntário, complemento com as seguintes considerações. O art. 3º do DecretoLei nº 1.109, de 26 de junho de 1970, bem como o art. 63 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, referemse à não incidência do imposto sobre a renda, extensível aos sócios beneficiários das quotas, quando do aumento de capital das pessoas jurídicas mediante incorporação de lucros ou reservas. Semelhante dispositivo integra o art. 3º da Lei nº 8.849, de 28 de janeiro de 1994, concebido para os lucros apurados nos anos de 1994 e 1995. Em um e outro caso, porém, não cuidam de custo de aquisição de participação detida pelo sócio, com repercussão em eventual apuração de ganho de capital na alienação da participação societária, mas sim de isenção na operação de capitalização de lucros ou reservas de lucros. A declaração parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do chamado Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL), previsto no art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, não tem relevância para o deslinde do processo administrativo em apreço. Com efeito, a tributação na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, vigorou apenas no período compreendido entre os anos de 1989 a 1992, tendo sido revogada, a partir de 1993, pelo art. 75 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, que determinou a não incidência do imposto sobre os lucros apurados naquele ano calendário. Como ressaltado linhas acima, a autoridade fiscal responsável pelo lançamento manteve intacta a parcela capitalizada correspondente ao sócio quanto aos lucros apurados nos anos de 1989 a 1993. No que diz respeito ao valor inicial do custo atribuído pelo contribuinte, a autoridade fazendária detalhou os motivos pelos quais a reavaliação de 1994 para 1995 consistiu em procedimento desprovido de amparo legal (fls. 1.330/1.331). O art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995, autorizou a correção monetária até 31 de dezembro de 1995, com base no valor da Unidade Fiscal de Referência (UFIR), para as participações societárias cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995. A legislação infraconstitucional não ultrapassou os limites estabelecidos pela lei. Com efeito, a variação da UFIR durante o ano 1995 alcançou a cifra de 22,46% (Jan/1995: 0,6767 e Jan/1996: 0,8287), exatamente o mesmo valor indicado, na forma de multiplicador, pelo art. 20 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 31, de 22 de maio de 1996: Art. 20. Para as participações societárias adquiridas até 1994, o custo de cada aquisição será o valor em Reais constante da declaração relativa ao exercício de 1996, anocalendário 1995, atualizado até 1º de janeiro de 1996, mediante sua multiplicação por 1,2246. (...) Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 11065.722901/201260 Acórdão n.º 2401005.224 S2C4T1 Fl. 1.549 19 Por sua vez, segundo o 6º da IN SRF nº 69, de 28 de dezembro de 1995, o valor das participações societárias adquiridas até 1994 constante da declaração relativa ao exercício de 1996, anocalendário de 1995, deveria corresponder à conversão para Reais mediante a multiplicação da quantidade de UFIR por R$ 0,6767: Art. 6º A pessoa física sujeita à apresentação da Declaração de Ajuste Anual fica obrigada a apresentar relação pormenorizada dos bens e direitos que, no País ou no exterior, constituam, em 31 de dezembro de 1995, seu patrimônio e o de seus dependentes. § 1º Os bens e direitos serão expressos em Reais. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os valores dos bens e direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1994, declarados em UFIR, serão convertidos para Reais mediante a multiplicação da quantidade de UFIR por R$ 0,6767. (...) A sistemática estabelecida significava que o valor dos bens em 31/12/1995 deveria ser igual ao valor de 31/12/1994, corrigindose o custo das participações societárias, até 1º de janeiro de 1996, no montante da variação da UFIR em 1995 (22,46%). Dessa feita, equivocouse o contribuinte quando utilizou o índice de 1,2246 sobre o valor reavaliado pela correção monetária de 1994 para 1995. Por derradeiro, no tocante ao custo de aquisição de participação societária por ocasião da doação de quotas efetuada pelo pai do recorrente, a fiscalização não criou óbice ao valor atribuído na doação/cessão com base na declaração de bens do doador (fls. 1.331/1.332). Além do mais, cabe assinalar que a doação efetivouse em 01/10/1997, portanto antes do advento do art. 23 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1558DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.728447/2015-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à unidade de origem, para determinar que: 1. seja intimado o Sr. Leonardo de Castro Franca a apresentar certidão de inteiro teor atualizada do processo ao qual se refere a documentação de fls. 80 a 85 onde conste todos os detalhes do processo e a sua situação em 2013/2014, informando inclusive sobre os termos e a vigência do acordo no que tange à pensão alimentícia; 2. seja informado se a senhora Yara Orsini de Castro França, ex-esposa do recorrente, declarou o recebimento do valor de R$ 38.274,95, na sua DIRPF do ano-calendário 2013, conforme informado no recibo de fls. 29 e 77. A seguir, cientifique-se o contribuinte para, querendo, manifestar-se no prazo de 30 dias, e retorne-se os autos ao Carf para prosseguimento do feito. Vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que entendeu não ser necessária a conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1992; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 95 1 94 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.728447/201561 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2002000.001 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Data 28 de fevereiro de 2018 Assunto IRPF PREVIDÊNCIA, DESPESAS MÉDICAS E PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente LEONARDO DE CASTRO FRANCA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à unidade de origem, para determinar que: 1. seja intimado o Sr. Leonardo de Castro Franca a apresentar certidão de inteiro teor atualizada do processo ao qual se refere a documentação de fls. 80 a 85 onde conste todos os detalhes do processo e a sua situação em 2013/2014, informando inclusive sobre os termos e a vigência do acordo no que tange à pensão alimentícia; 2. seja informado se a senhora Yara Orsini de Castro França, exesposa do recorrente, declarou o recebimento do valor de R$ 38.274,95, na sua DIRPF do anocalendário 2013, conforme informado no recibo de fls. 29 e 77. A seguir, cientifiquese o contribuinte para, querendo, manifestarse no prazo de 30 dias1, e retornese os autos ao Carf para prosseguimento do feito. Vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. 1 Art. 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 28 44 7/ 20 15 -6 1 Fl. 95DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 96 ___________ Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física. De acordo com o relato da fiscalização, o contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual dedução de valores a título de previdência privada e Fapi, pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública e despesas médicas, os quais foram glosados (fl. 8 e ss). De acordo com a descrição dos fatos (fl. 10), a glosa de R$ 3.608,00 de dedução de previdência privada e Fapi se deu por: ... falta de comprovação, ou cujo ônus não tenha sido do contribuinte, ou cujo benefício não tenha sido deste ou de seus dependentes, ou ainda em virtude de adequação do valor da dedução declarada ao limite percentual de 12% dos rendimentos considerados, após alterações, na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. Comprovado valor de R$ 3.582,96, constante dos recibos apresentados (GBOEX). A glosa de R$ 38.274,95 de dedução de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública se deu por (fl. 11): ... falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Não apresentada homologação do acordo, nem desconto em folha de valores referentes à pensão alimentícia. A glosa de R$ 13.653,23 de dedução de despesas médicas ocorreu (fl. 12): ... por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) Não apresentado nenhum comprovante. O somatório das glosas atingiu o valor de R$ 55.536,18 que implicou em lançamento de imposto de renda suplementar de R$ 14.766,24 (fl. 14), além de multa de ofício de 75% e juros de mora (fl. 15) que totalizaram 28.243,38 (fl. 9). Tempestividade da impugnação O prazo para impugnar é de 30 dias2. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 28/09/2015 (fl. 33) e protocolou sua peça no dia 20/10/15 (fl. 2), verificase que a impugnação é tempestiva. Impugnação O sujeito passivo impugnou parcialmente (fl. 2 e ss) o lançamento alegando, em síntese, que: 2 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 12448.728447/201561 Resolução nº 2002000.001 S2C0T2 Fl. 97 3 o valor de R$ 3.608,00 referese a pagamento de contribuição à Previdência Privada ou Fapi efetuado pelo contribuinte em benefício próprio e o montante deduzido a este título não ultrapassa 12% dos rendimentos tributáveis declarados; o contribuinte também efetuou recolhimento, em seu nome, de contribuições para o regime geral de previdência social ou para o regime próprio de previdência social; o valor de R$ 38.274,95 referese a pagamento de pensão alimentícia; os comprovantes das seguintes despesas médicas foram perdidos: · R$ 3.600,00 Glaucia Moreira Tavares; · R$ 900,00 Claudia de Oliveira Spinola; · R$ 750,00 Jetro Fernandes de Carvalho; · R$ 1.750,00 Labs Cardiolab; · R$ 1.290,85 Hospital Daniel Lipp; · R$ 2.062,38 Amico Saúde; concorda com as seguintes glosas de despesas médicas: · R$ 2.700,00 Martha Gonçalves Valente; · R$ 600,00 Clínica da Pele em relação ao GBOEx, foi descontado R$ 3.582,96 no contracheque da Marinha. Entretanto, em razão de não haver margem no contracheque devido à débitos de empréstimos consignados, ainda foram cobrados 5 boletos extras de R$ 61,74, perfazendo um total de R$ 305,70; a comprovação da pensão alimentícia (ofício nº 2086) foi perdida ao longo desses 30 anos com a ocorrência de várias mudanças. Não foi possível tirar uma 2ª via, apesar de várias idas à Vara, que está com dificuldade para encontrála. Através de advogado estou tentando providenciar uma 2ª via. Não há dúvidas quanto a existência desse documento, uma vez que é citado na averbação da certidão de casamento. Este documento já foi, inclusive, apresentado em outra ocasião (1999) à Receita Federal; as comprovações das despesas médicas e os recibos extras de pagamento do GBOEx se perderam em razão de acidente doméstico (fungo, mofo e cupim); diante disso, solicita prazo adicional para apresentar 2ª via da decisão judicial emitida em 02/02/1985; anexa certidão de casamento averbada, recibo de pensão judicial de R$ 38.274,95 relativo ao ano de 2013; Fl. 97DF CARF MF Processo nº 12448.728447/201561 Resolução nº 2002000.001 S2C0T2 Fl. 98 4 cópia de 12 bilhetes de pagamento (contracheques) da Marinha, incluindo o desconto para o GBOEx (Previdência Privada), no total de R$ 3.582,96. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: documento de identidade do sujeito passivo (fl. 7); cópia da notificação de lançamento (fl. 8 e ss); comprovante de rendimentos Marinha (fl. 16 e ss); comprovante de rendimentos Ministério da Fazenda (fl. 18 e ss); comprovante de rendimentos Instituto Duque de Caxias (fl. 20); bilhetes de pagamento Marinha (fl. 21 e ss); certidão de casamento com averbação (fl. 27 e ss); recibo de pensão judicial (fl. 29). Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário (fl. 87 e ss), porque: 1) não foi apresentada decisão ou acordo judicial ou escritura pública que embasasse a pensão alimentícia; 2) não foram apresentados os comprovantes das despesas médicas e 3) quanto à previdência privada também não trouxe provas que pudesse ilidir o lançamento. Segue a ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS (PARCIAL). Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS (PARCIAL).FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa a manutenção da glosa. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 12448.728447/201561 Resolução nº 2002000.001 S2C0T2 Fl. 99 5 São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. NÃO COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis, da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física, os pagamentos de Contribuições para entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social, comprovados mediante documentos hábeis e idôneos e obedecido o limite legal. Tempestividade do recurso voluntário O prazo para recorrer é de 30 dias3. Considerando que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 07/10/2016 (fl. 72) e protocolou sua peça no dia 20/10/2016 (fl. 75), verificase que o recurso voluntário é tempestivo. Recurso Voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 75 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que considera como reduções válidas: · Contribuição Previdenciária Privada / FAPI no valor de R$ 3.582,96 + 5 x R$ 61,74 (R$ 308,70) = R$ 3.891,66; · Despesas médicas: Gláucia Moreira Tavares (CPF 007.382.66779) R$ 3.600,00 e AMICO Saúde Ltda (CNPJ 51.722.957/000182) R$ 2.062,38; · Pensão alimentícia judicial: R$ 38.274,95 · Sustenta ainda que embora exista ofício do juiz solicitando o desconto da pensão em folha (fl. 85), isso não foi concretizado porque que sua ex esposa não providenciou a habilitação junto ao órgão pagador. Assim o recorrente realiza o pagamento em espécie. Por fim, requer o acolhimento do recurso. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: recibo de pagamento de R$ 38.274,95 assinado por Yara Orsini de Castro França (fl. 77); certidão de casamento com averbação de separação consensual (fl. 78 e ss); petição de homologação de separação consensual (fl. 80 e ss); 3 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 12448.728447/201561 Resolução nº 2002000.001 S2C0T2 Fl. 100 6 homologação de separação consensual (fl. 84); ofício do juízo à Marinha solicitando o desconto mensal na folha de pagamento do recorrente de 20% dos seus vencimentos em favor de Yara Orsini de Castro França (fl. 85); comprovante de pagamentos de contribuições de plano de pecúlio e de seguros GBOEX de 2013 e 2014 (fl. 86 e ss); Darf de 401,29 mais multa e juros pago (fl. 89). Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 76) e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Mérito Pensão alimentícia A decisão da DRJ julgou improcedente a impugnação, nesta parte, por não haver o contribuinte apresentado a decisão ou acordo judicial. Em sede de recurso voluntário, o contribuinte sanou esta questão apresentando o referido documento que passo agora a analisar. A homologação de separação consensual com acordo de pensão para a ex esposa (fl. 82) apresentada pelo recorrente, data de 1985. O ofício ordenando o desconto da pensão em folha (fl. 85), ao que parece também é de 1985. Segundo o recorrente, este ofício nunca foi cumprido por falta de habilitação da exesposa junto à Marinha, mas, segundo ele, os valores foram pagos em espécie. Para comprovar sua alegação, apresenta recibo único no valor de R$ 38.274,95, datado de 27/04/2014, mesma data da entrega da declaração de imposto de renda pessoa física DIRPF . Diante deste cenário, considerando que: os documentos trazidos aos autos são de 1985 e o débito referese a fatos de 2013; não foram descontados os valores da pensão em folha de pagamento conforme ordenado judicialmente; foi apresentado recibo único assinado pela exesposa do recorrente no exato valor da dedução glosada; Fazse necessária a conversão do julgamento em diligência para que sejam carreados aos autos certidão de inteiro teor atualizada do processo judicial e para que seja informado se a senhora Yara Orsini de Castro França, exesposa do recorrente, declarou em seu IRPF o recebimento do valor de R$ 38.274,95, conforme informado no recibo apresentado. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 12448.728447/201561 Resolução nº 2002000.001 S2C0T2 Fl. 101 7 Os demais assuntos serão analisados quando do retorno da diligência. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para determinar que a unidade de origem, DRF/RJ I Rio de Janeiro: 1. intime o Sr. Leonardo de Castro Franca a apresentar certidão de inteiro teor atualizada do processo ao qual se refere a documentação de fls. 80 a 85 onde conste todos os detalhes do processo e a sua situação em 2013/2014, informando inclusive sobre os termos e a vigência do acordo no que tange à pensão alimentícia; 2. informe se a senhora Yara Orsini de Castro França, exesposa do recorrente, declarou o recebimento do valor de R$ 38.274,95, na sua DIRPF do anocalendário 2013, conforme informado no recibo de fls. 29 e 77. A seguir, cientifiquese o contribuinte para, querendo, manifestarse no prazo de 30 dias4, e retornese os autos ao Carf para prosseguimento do feito. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo 4 Art. 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Fl. 101DF CARF MF
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