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Numero do processo: 18471.000315/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/06/2001
OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO.
Inexistindo omissão, obscuridade ou contradição na decisão, descabe o acolhimento de embargos declaratórios.
ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. EMBARGOS. SANEAMENTO.
Existindo erro material na decisão, apontado em embargos, estes devem ser acolhidos e saneada a decisão.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. MESMOS FUNDAMENTOS LEGAIS. AUTORIDADE LANÇADORA. ÓRGÃO JULGADOR.
Inocorre mudança de critério jurídico quando o órgão julgador da impugnação profere decisão adotando como razão de decidir os mesmos fundamentos legais adotados pela autoridade lançadora.
Numero da decisão: 2402-007.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos apresentados contra o Acórdão nº 2402-006.243, na parte admitida, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material presente na indicação do período de apuração, bem como o erro material apontado na sua ementa e o erro material identificado de ofício em seu dispositivo.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2000 a 30/06/2001 OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO. Inexistindo omissão, obscuridade ou contradição na decisão, descabe o acolhimento de embargos declaratórios. ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. EMBARGOS. SANEAMENTO. Existindo erro material na decisão, apontado em embargos, estes devem ser acolhidos e saneada a decisão. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. MESMOS FUNDAMENTOS LEGAIS. AUTORIDADE LANÇADORA. ÓRGÃO JULGADOR. Inocorre mudança de critério jurídico quando o órgão julgador da impugnação profere decisão adotando como razão de decidir os mesmos fundamentos legais adotados pela autoridade lançadora.
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OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO. Inexistindo omissão, obscuridade ou contradição na decisão, descabe o acolhimento de embargos declaratórios. ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. EMBARGOS. SANEAMENTO. Existindo erro material na decisão, apontado em embargos, estes devem ser acolhidos e saneada a decisão. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. MESMOS FUNDAMENTOS LEGAIS. AUTORIDADE LANÇADORA. ÓRGÃO JULGADOR. Inocorre mudança de critério jurídico quando o órgão julgador da impugnação profere decisão adotando como razão de decidir os mesmos fundamentos legais adotados pela autoridade lançadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos apresentados contra o Acórdão nº 2402006.243, na parte admitida, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material presente na indicação do período de apuração, bem como o erro material apontado na sua ementa e o erro material identificado de ofício em seu dispositivo. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 03 15 /2 00 8- 31 Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402007.220 S2C4T2 Fl. 1.557 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado). Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte em face do Acórdão nº 2402006.243, fls. 1.438 a 1.465, cuja ementa e dispositivo restaram assim consignados na decisão: CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INÍCIO. TÉRMINO. REINÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO. O contencioso administrativo se inicia com a impugnação e termina com a última decisão administrativa em relação a qual não cabe mais recurso, não havendo qualquer previsão de reinício. LANÇAMENTO FISCAL. TEMPO LEGAL. NÃO ANULADO POR VÍCIO MATERIAL. PRAZO DECADENCIAL. NÃO SUJEIÇÃO. O lançamento fiscal realizado no tempo legalmente permitido e não anulado por vício material, não está mais sujeito a prazo decadencial. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES. BENEFÍCIO DE ORDEM. AUSÊNCIA. O proprietário de obra de construção civil responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, sem benefício de ordem. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 88. A Relação de CoResponsáveis, o Relatório de Representantes Legais e a Relação de Vínculos que acompanham o lançamento fiscal não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. Sendo nessa linha a Súmula CARF nº 88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402007.220 S2C4T2 Fl. 1.558 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Cientificada da decisão, em 19/12/18, segundo o Termo de Ciência de fl. 1.479, a contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 1.522 a 1.533), apresentou os embargos de declaração de fls. 1.484 a 1.493, em 21/12/18, alegando, em síntese: Erro material no período indicado na ementa do acórdão, relatando que, segundo o Termo de Notificação do Lançamento e da decisão da DRJ, o período correto da Notificação de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD n° 35.496.3716 seria de "01/09/2000 a 30/6/2001"; Contradição no voto vencedor, uma vez que acompanhou o Relator quanto ao reconhecimento da decadência e, no momento seguinte, decidiu por negar o provimento; Contradição relacionada ao trâmite processual, pois, no entendimento do Embargante, o voto vencedor reconheceu a decisão da CSRF que teria determinado a nulidade de todo o processo administrativo, porém, concluiu que o processo administrativo não teria sido concluído; Obscuridade quanto à inexistência de reinício do processo, defendida pela decisão embargada, uma vez que, segundo a Recorrente, haveria prova nos autos do encerramento do processo e seu reinício; Erro material em parte da ementa do acórdão, uma vez que a ementa sobre mudança de critério jurídico não está consoante com a conclusão proferida no voto vencedor; Em exame prévio de admissibilidade, conforme despacho de fls. 1.817 a 1.821, restaram rejeitadas as contradições e a obscuridade alegadas, nos termos do art. 65, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9/6/15, sendo admitido os embargos apenas em relação ao erro material na indicação do período de apuração e em relação ao erro material constatado na ementa. No exame de admissibilidade também se constatou um erro material no dispositivo da decisão, que deixou de informar o processo paradigma em relação ao qual a presente decisão restou vinculada, sendo embargado de ofício o acórdão em relação esse erro. É o relatório. Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402007.220 S2C4T2 Fl. 1.559 4 Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator Conhecimento Os embargos de declaração são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento. Do escopo do presente julgamento Como visto no relatório acima, no exame de admissibilidade foram rejeitadas as contradições e a obscuridade alegadas. Sendo assim, o presente julgamento limitarseá ao erro material apontado na indicação do período de apuração, ao erro material na ementa e ao erro material identificado no dispositivo da decisão. Do erro material na indicação do período de apuração Segundo o Embargante, a indicação do período de apuração estaria eivada de erro material, uma vez que teria indicado período de apuração diverso daquele que consta na NFLD. Pois bem, compulsando os autos, constatase que o período de apuração constante do acórdão embargado é "01/01/1999 a 31/12/2005", porém, segundo consta do Discriminativo Analítico de Débito de fls. 3 a 5, de fato, o período de apuração correto é "01/09/2000 a 30/6/2001". Sendo assim, temse por evidenciado o erro material no período de apuração indicado no Acórdão nº 2402006.243, que deverá ser substituído por: "01/09/2000 a 30/6/2001". Do erro material apontado na ementa Segundo a Embargante, o voto vencedor teria defendido que a aplicação do Enunciado 30 do CRPS não configuraria mudança de critério jurídico, porém, a ementa do acórdão atestaria posicionamento contrário. De fato, nos termos do voto vencedor, a decisão de primeira instância não incorreu em mudança de critério jurídico, nos seguintes termos: Da alegada revisão do lançamento com mudança de critério jurídico Segundo alegação ventilada no recurso voluntário e acolhida pelo Relator, a decisão de primeira instância teria promovido uma revisão do lançamento ao manter o crédito lançado com base em novo entendimento do CRPS acerca da responsabilidade solidária, constante do Enunciado nº 30, de Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402007.220 S2C4T2 Fl. 1.560 5 31/1/07, o que representaria uma mudança de critério jurídico, porém, não comungamos desse entendimento. Primeiramente, devemos observar que a decisão recorrida utilizou os mesmos fundamentos adotados pela fiscalização, quais sejam, o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, o art. 124 do CTN5, a Ordem de Serviço INSS/DAF nº 165 de 11/7/1997 e a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 11/5/2000, dentre outros, e que a menção ao Enunciado nº 30 serviu apenas como um reforço à tese defendida, uma vez que diz exatamente o que a fiscalização fez. Lembrando que tal enunciado sequer chegou a ser mencionado no voto condutor do acórdão recorrido. Também não vemos qualquer óbice quanto à citação a esse enunciado, pois, nos termos do art. 63, § 1º, do Regimento Interno do CRPS6, a interpretação dada pelo enunciado se aplica a casos não definitivamente julgados e, como visto, este processo ainda não foi concluído em definitivo. Portanto, temse por afastada a alegação de que a decisão de primeira instância teria revisado o lançamento e com mudança de critério jurídico. Todavia, consta no acórdão embargado a seguinte ementa: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. DECISÃO. FUNDAMENTO JURÍDICO. LANÇAMENTO. Incorre em mudança de critério jurídico a decisão que mantém o lançamento fiscal adotando fundamento jurídico distinto daquele empregado pela fiscalização. Portanto, resta demonstrado o erro material quanto a essa ementa, a qual, originalmente, buscou espelhar o voto vencido e, por lapso manifesto, não foi substituída quando da inclusão do voto vencedor, no acórdão. Logo, para saneamento do erro material demonstrado, a ementa em questão deverá ser substituída pela seguinte ementa: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. MESMOS FUNDAMENTOS LEGAIS. AUTORIDADE LANÇADORA. ÓRGÃO JULGADOR. Inocorre mudança de critério jurídico quando o órgão julgador da impugnação profere decisão adotando os mesmos fundamentos legais empregados pela Autoridade Lançadora. Do erro material identificado no dispositivo Conforme identificado no exame prévio de admissibilidade, a decisão embargada também deixou de informar, em seu dispositivo, a vinculação do presente processo ao processo paradigma (18471.001856/200887), nos seguintes termos: Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 18471.000315/200831 Acórdão n.º 2402007.220 S2C4T2 Fl. 1.561 6 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Dessa forma, no lugar do dispositivo acima, deverá constar o seguinte dispositivo, que foi, inclusive, o que constou da ata da sessão de julgamento: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, afastar a prejudicial de mérito e a decadência, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior; e, no mérito, por maioria de votos, negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza. Votaram pelas conclusões, com o relator, em relação às prejudiciais de mérito, e, com a divergência, quanto impossibilidade de revisão de lançamento, os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 18471.001856/200887, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Conclusão Isso posto, voto por acolher os embargos apresentados contra o Acórdão nº 2402006.243, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material presente na indicação do período de apuração, bem como o erro apontado na sua ementa, e para sanar o erro material identificado de ofício em seu dispositivo. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1561DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003760/2007-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003
CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
Ausente a demonstração de divergência, não se conhece de recurso especial, nos termos do Regimento Interno do CARF.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003
COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA. PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.858-6, DE 30/06/1999.
Antes da MP nº 1.858-6, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.858-6 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF.
Numero da decisão: 9101-004.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à matéria "compensação de base negativa de CSLL pela sucessora" e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003 CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. Ausente a demonstração de divergência, não se conhece de recurso especial, nos termos do Regimento Interno do CARF. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002, 2003 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA. PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.858-6, DE 30/06/1999. Antes da MP nº 1.858-6, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.858-6 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF.
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BASE NEGATIVA DE CSLL. INCORPORADA. COMPENSAÇÃO Recorrente CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. Ausente a demonstração de divergência, não se conhece de recurso especial, nos termos do Regimento Interno do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA. PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.8586, DE 30/06/1999. Antes da MP nº 1.8586, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.8586 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 60 /2 00 7- 81 Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.761 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à matéria "compensação de base negativa de CSLL pela sucessora" e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial (efls. 1.569/1.698), contra o acórdão de nº 110300.716 (efls. 1.483/1.502), proferido pela 3ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, em sessão de julgamento realizada em 3/7/2012, pelo qual a turma, por voto de qualidade, negou provimento ao seu Recurso Voluntário, mantendo a exigência de CSLL sobre compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores apurada por empresa incorporada. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003 DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE EMPRESA INCORPORADA. MOMENTO DA VEDAÇÃO ANO CALENDÁRIO DE 1999. O art. 33 do DecretoLei 2.341/1987 deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação. Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.762 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares, e no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. O conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou pelas conclusões e fará declaração de voto. O contribuinte tomou ciência dessa decisão e contra ela interpôs Embargos de Declaração (efls. 1.510/1.517), que foi julgado pelo colegiado em sessão realizada em 10/7/2013, negandolhe provimento nos termos do Acórdão em Embargos nº 1103000.893 (e fls. 1.554/1.560): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. Os embargos de declaração não são cabíveis para reexaminar matéria já devidamente equacionada. As alegações de defesa devem ser trazidas desde a impugnação, sob pena de preclusão, não servindo os embargos para possibilitar a apreciação de matérias veiculadas apenas no recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em admitir parcialmente os embargos de declaração para, no mérito, negarlhes provimento, ratificandose o dispositivo do Acórdão nº 110300.716/2012. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator, no mérito, pelas conclusões. A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada de ambas as decisões e optou por não apresentar recurso (efls. 1.562). O contribuinte também foi cientificado do acórdão em embargos e, tempestivamente, apresentou recurso especial (efls. 1.569/1.698). Nas razões de defesa sustenta que não merece prosperar o acórdão recorrido, no que tange às seguintes matérias, por conter entendimento diverso daqueles contidos nos (i) Acórdãos Paradigmas n°s 10197.084 e 10706.572, proferido pela antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e pela antiga Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sobre a "impossibilidade de revisão de registros contábeis fulminados pela decadência"; (ii) Acórdão Paradigma n° 1201000.764, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sobre a "inexistência de vedação à compensação de base de cálculo negativa de CSLL pela empresa sucessora antes da vigência da MP n° 1.8586". No mérito, em relação à decadência da formação da base de cálculo negativa (matéria 1), afirma que a fiscalização não poderia questionar a formação da base de cálculo Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.763 4 negativa da CSLL de empresa incorporada por ter transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre os fatos que propiciaram o surgimento da base negativa (1989 e 1996) e a lavratura dos autos de infração de que trata o presente processo (novembro/2007). Reitera que não poderia o Fisco efetuar os lançamentos de ofício sobre fatos pretéritos, já consumados no tempo em razão do decurso do prazo decadencial para alcançar os efeitos decorrentes desses fatos, em períodos subsequentes, como ocorreu com as compensações realizadas nos anos de 2002 e 2003. Entende que para glosar os efeitos fiscais ocorridos em 2002 e 2003, decorrentes daquele ato pretérito (formação da base de cálculo negativa e a sua contabilização), mister seria que o lançamento tributário ocorresse dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Quanto à impossibilidade de compensação de saldo de base de cálculo negativa da CSLL advindo de empresa sucedida (tema 2), aduz que quando adquiriu, em 31/03/99, parcela cindida da CESP e, com isso, adquiriu o direito, proporcional à parcela cindida, ao saldo de base de cálculo negativa da CSLL anteriormente detido pela sucedida, não havia qualquer vedação expressa na legislação então vigente que proibisse a compensação dessa parcela da base de cálculo negativa advinda de incorporada. Essa vedação somente teria sido inserida no ordenamento jurídico posteriormente, com a edição da Medida Provisória n° 1.8586, em 30/06/99. Por fim, requer, a reforma do acórdão recorrido e o consequente cancelamento integral dos débitos objeto do processo administrativo. O Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, pelo despacho de exame de admissibilidade de efls. 1.701/1.707, deu seguimento ao Recurso Especial nas duas matérias. Notificada da admissibilidade do recurso especial do contribuinte, a PFN apresentou contrarrazões (efls. 1.709/1.721), em que sustenta que, no que toca ao tema da decadência, não havendo fatos geradores tributários, não haveria que se falar em transcurso do prazo decadencial e, ainda, que o prazo decadencial para o lançamento deve ser contado a partir do tributo apurado pelo sujeito passivo, não do registro da rubrica que será utilizada no futuro como benefício fiscal. Cita trecho do voto vista da Min. Ellen Gracie no RE nº 344.994 0/PR que, ao reconhecer a constitucionalidade da limitação imposta pelo artigo 42 da Lei nº 8.981/95, a maioria dos Ministros da Suprema Corte ressaltou que os prejuízos fiscais (que possuem a mesma natureza das bases de cálculo negativas), constituindo meros benefícios fiscais, não poderiam ser considerados como fato gerador de nenhum tributo". Mesmo entendimento teria sido exarado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região no AMS 200270000395534 e pelo TRF da 3ª Região no julgamento do APELREE 200561100072202. No que importa ao segundo tema divergente, entende que, por força do comando contido no art. 57 da Lei nº 8.981/95, aplicarseiam à CSLL (instituída pela Lei nº 7.689/88), as mesmas normas de apuração de pagamento estabelecidas para o IRPJ, inclusive, no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alteração introduzidas por lei. Nesse contexto, a regra disposta no art. 16 da Lei nº 9.065/95, só permitiria exclusões ou compensações previstas na legislação da CSLL e, como não há previsão legal para a empresa compensar base de cálculo negativa e/ou prejuízos fiscais de empresa incorporada, referido dispositivo teria sido indiscutivelmente Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.764 5 infringido pelo contribuinte, daí porque a vedação a compensação de base negativa da CSLL, pela empresa incorporadora, estabelecida somente com a publicação da Medida Provisória n° 1.8786, de 30/06/99, também merece ser rechaçada. Colaciona jurisprudência administrativa. Sustenta ainda: (i) que mesmo antes da expressa proibição legal, já não comportava a compensação dos prejuízos fiscais, nem das bases negativas da CSLL apurados pela empresa sucedida na incorporação; (ii) que o art. 20 da Medida Provisória nº 18586/99 disciplina a compensação tributária, fazendo referência à incorporação somente para esclarecer em que hipótese não se pode compensar as bases negativas da CSLL e (iii) que a compensação é regida pela legislação vigente à época de efetivação do encontro de contas. Pede, ao final, o não provimento do apelo especial. Posteriormente, através da Resolução nº 9101000.030, da 1ª Turma da CSRF, prolatada em sessão datada de 10/8/2017 (efls. 1.741/1.747), foi determinada a complementação do exame de admissibilidade do referido apelo especial para que fosse analisado o segundo paradigma indicado para o tema "1" decadência do direito de rever a formação da base de cálculo negativa". O Presidente da Câmara deu seguimento também em relação ao segundo paradigma, através do despacho complementar de admissibilidade de efls. 1.750/1.752. Em seguida, os autos foram sorteados a esta conselheira, uma vez que a relatora original deixou de compor o colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Conhecimento Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF (art. 67 e §§ do Anexo II do RICARF). A primeira discussão versa sobre a conclusão do recorrido de que a análise da decadência do direito de o Fisco questionar a compensação de base de cálculo negativa deve contarse a partir do momento em que tal compensação foi feita, e não da data de apuração das bases negativas de CSLL. Como relatado, em relação à matéria decadência do direito de discutir a composição da base de cálculo negativa compensada, inicialmente, efetuouse a admissibilidade apenas pela análise do primeiro paradigma, nos termos do despacho de efls. 1.701/1.707. Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.765 6 Vejase que o referido acórdão trouxe a seguinte ementa: Acórdão nº 10197.084 IRPJ — DECADÊNCIA — Uma vez expirado o prazo previsto no art 150 § 4º, a Fiscalização não está autorizada a promover revisão dos fatos ocorridos e registrados anteriormente, pois que alcançados pelo instituto da decadência. Não prevalece a exigência em relação aos valores submetidos à tributação como conseqüência da inobservância da regra que tornara imutáveis os fatos espelhados nos registros contábeis mantidos Do voto condutor do paradigma se extrai o seguinte relato e conclusões: Voto "No presente caso, segundo a documentação juntada aos autos, o sujeito passivo procedeu, em dezembro de 1995, a uma incorporação de investimento em controlada cujo valor contábil era registrado por ágio no valor de R$ 45.405.360,00, ágio esse que restou amortizado no processo de incorporação. O valor correspondente a tal ágio fora quitado mediante assunção de dívida parcelada em seis prestações anuais de sete milhões e oitocentos mil dólares (americanos) cada uma, vencíveis nos meses de dezembro dos anos subsequentes. Em consequência de a obrigação estar expressa em moeda estrangeira, os saldos remanescentes da obrigação produziram, nos anos de 1996 a 2001, as variações cambiais passivas que foram glosadas. As operações de aquisição do investimento, bem como de sua incorporação, foram devidamente contabilizadas, na forma como realizadas, tendo sido informadas nas Declarações prestadas à Receita Federal. Nos seis anoscalendários subsequentes, não houve qualquer restrição, por parte da Fiscalização, aos procedimentos adotados pelo sujeito passivo. Assim, a escrituração das operações realizadas, por não terem sido inquinadas de irregulares pela Fiscalização no prazo decadencial, consolida, para efeitos fiscais, a normalidade das operações realizadas pelo sujeito passivo, na exata forma como foram contabilizadas, como se depreende do teor do art. 8o do Decretolei 486, de 3 de março de 1969, a saber: [...] (...) Em síntese, transcorrido o prazo decadencial para constituição de crédito tributário sobre as operações realizadas, mantêmse, elas, incólumes na forma e natureza como foram realizadas e contabilizadas. Impõese, então, respeitar os efeitos próprios de tais operações, mantidas a forma e a natureza com que foram realizadas e contabilizadas. Pois, inatingíveis por qualquer revisão de ofício, não há como se lhes atribuir efeitos diversos daqueles que lhe são próprios, sob pena de desobediência do disposto no parágrafo único do art. 149 do CTN. (...) Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.766 7 Por essas razões entendo que, estando decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário sobre determinado ato ou negócio jurídico, há que se considerar decaído, também, o direito de se constituir crédito tributário sobre os efeitos de tal ato ou negócio jurídico, mesmo que tais efeitos venham a se manifestar em anoscalendário posteriores ao ano em que tenha sido realizado o ato ou negócio jurídico." (grifouse) Da leitura do trecho acima resta evidenciado que se trata de situação distinta do presente caso e, mais ainda, de situação que se enquadra exatamente na hipótese descrita na Súmula CARF nº 116: Súmula CARF nº 116 Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Como a conclusão do Acórdão nº 10197.084 contraria o disposto na referida súmula, é certo que este não se presta como paradigma, consoante o disposto no art. 67, §12, inciso III, do Anexo II do RICARF. Ocorre que, posteriormente, o Presidente da Câmara recorrida efetuou o despacho de admissibilidade complementar (efls. 1.750/1.752), pelo qual admitiu o recurso na mesma matéria pelo segundo paradigma: Acórdão nº 10706.572 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECADÊNCIA CSLL — A Contribuição Social sobre o Lucro, à semelhança do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, desde o anocalendário de 1992, está sob a égide do lançamento por homologação, nos precisos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional. Assim, o direito do fisco de efetuar lançamento de ofício decai com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador. CSLL — BASE NEGATIVA — AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA DECADÊNCIA — Adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Vedação. Os fundamentos foram apresentados consoante o seguinte excerto do paradigma em questão: No caso presente, o auto de infração foi lavrado em 24/06/99, portanto, em princípio o último período passível de ser alcançado por lançamento de ofício seria o períodobase encerrado em 31/05/94. Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.767 8 Embora as exigências refiramse a fatos geradores a partir de outubro de 1994, tiveram origem em despesas indedutíveis de empresa incorporada, relatadas pelo fisco como falta de adição à base de cálculo da CSLL nos meses de fevereiro a novembro de 1993 de depósitos judiciais da COFINS, nos termos do art. 8º da Lei n° 8.541/92. A redução indevida, ou falta de adição do lucro líquido, no dizer do fisco, não originou exigências tributárias nos períodos em que ocorridas, por ter a empresa, até setembro de 1994, saldo anterior de bases negativas da CSLL que foram aproveitadas de ofício. Sobre esse tema fatos que nascem ou se formam em um período e repercutem em períodos subseqüentes já expressei minha opinião em voto que proferi nesta Câmara que deu origem ao Acórdão 10706061. Lá como aqui, é preciso terse presente que adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, equivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Com efeito, a redução do resultado negativo de um período, ou o aumento do resultado positivo, pela adição de despesa, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não do dispêndio apropriado, inserindose, portanto, no campo de lançamento de ofício. A situação seria outra se as diferenças tivessem origem nas compensações já apropriadas ou até se vinculadas a erro de correção de resultados negativos. Portanto, deve ser acolhida a preliminar de decadência em relação às adições ao lucro líquido efetuadas pelo fisco na Veículos e Serviços Marumbi S/A, de 02/93 a 11/93. (grifouse) Neste ponto, divirjo do despacho de admissibilidade que concluiu que a recorrente logrou êxito ao demonstrar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial. No recorrido, entendeuse que a análise da decadência do direito de o Fisco questionar a compensação de base de cálculo negativa deve se contar a partir do momento em que tal compensação foi feita, e não da data de apuração das bases negativas de CSLL. O paradigma, por sua vez, trata de caso de adição de valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa e, além disso, é expresso ao ressalvar a hipótese de compensação, indicando que a situação seria outra se "as diferenças tivessem origem nas compensações já apropriadas". Vejase que a defesa do contribuinte, no mérito, reforça essa distinção, ao sustentar que a fiscalização não poderia questionar a formação da base de cálculo negativa da CSLL de empresa incorporada por ter transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre os fatos que propiciaram o surgimento da base negativa (1989 e 1996) que deram origem às Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.768 9 compensações realizadas nos anos de 2002 e 2003 e a lavratura dos autos de infração de que trata o presente processo (novembro/2007). No presente processo, não se verifica a diminuição do saldo de base negativa a partir de adições tidas como indedutíveis em períodos anteriores, mas de glosa da própria compensação efetuada, segundo a acusação fiscal, em afronta a vedação legal. Ou seja, a discussão no presente processo referese ao próprio direito à compensação e não à recomposição de saldo negativo utilizado nessa compensação (o que não ocorreu no caso). Situações fáticas distintas deram ensejo a discussões distintas. Logo, as conclusões do referido paradigma não seriam suficientes para alterar o julgamento do recorrido. Assim, entendo que não deve ser conhecido o recurso especial do contribuinte na matéria decadência, com base no segundo paradigma, por ausência de comprovação da divergência, em descumprimento ao disposto no art. 67, caput, do Anexo II do RICARF. Sobre a segunda matéria, "inaplicabilidade, ao caso, da vedação a compensação de base negativa da CSLL, pela empresa incorporadora, estabelecida somente com a publicação da Medida Provisória n° 1.8786, de 30/06/1999", o contribuinte recorrente apresentou como paradigma o acórdão nº 1201000.764, que tem a seguinte ementa: Acórdão nº 1201000.764 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQU IDO CSLL Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DA CSLL PEL EMPRESA INCORPORADORA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.8586, DE 29/06/1999. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. RECONHECIMENTO. No momento da operação de incorporação, em 20/12/1998, não havia nenhuma vedação para o aproveitamento da base negativa da empresa incorporada. A transmissão da base negativa da CSLL de uma empresa para outra ocorreu antes da vedação legal, ou seja, se materializou o direito da utilização e passou a fazer parte da composição de direitos e obrigações do incorporador em 1998. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. MULTA FISCAL PUNITIVA APÓS A INCORPORAÇÃO. A responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do Código Tributário Nacional e da lei ordinária (Decreto nº 1.598/1977, art. 5º) restringese aos tributos não pagos pela sucedida. A transferência de responsabilidade sobre multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, porque, neste caso, tratase de um passivo da sociedade incorporada, assumido pela sucessora. Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.769 10 [...] Enquanto o paradigma entendeu que "no momento da operação de incorporação, em 20/12/1998, não havia nenhuma vedação para o aproveitamento da base negativa da empresa incorporada", o acórdão recorrido, refere que "o art. 33 do DecretoLei 2.341/1987 deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação", que, no caso dos autos, ocorreu em 2002/2003 (embora a incorporação tenha ocorrido em 31/03/99). Tratamse, pois, de distintas interpretações de situações fáticas similares diante do mesmo arcabouço jurídico. Configurada a divergência jurisprudencial, conheço do recurso especial do contribuinte nessa matéria. Mérito Quanto à matéria admitida a julgamento, que trata da alegação de inaplicabilidade, ao presente caso, da vedação à compensação de base negativa da CSLL, pela empresa incorporadora, a qual, segundo a recorrente, teria sido estabelecida somente com a publicação da Medida Provisória n° 1.8786, de 30/06/99, podendo alcançar apenas incorporações posteriores, entendo que não assiste razão ao recorrente. A norma do art. 20 da Medida Provisória nº 1.8586/99, publicada no DOU de 30/06/99, repetida nas reedições dessa Medida Provisória e que, hoje, consta do art. 22 da MPV 2.15835, de 2001, estendeu a aplicação do art. 33 do DL 2.341/87 à CSLL, dispondo: Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987. O referido decreto, por sua vez, dispõe: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Considerandose que a sistemática de tributação adotada pela sucedida, ora recorrente, nos anos calendário de 2002 e 2003 foi o lucro real anual, por certo que o fato gerador da CSLL, denominado "fato gerador complexivo", só se aperfeiçoou em 31 de dezembro de 2002 e em 31 de dezembro de 2003. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal, quando, então ocorre o fato gerador. Assim, na data da apuração das bases de cálculo da CSLL (31/12/2002 e 31/12/2003) já vigia a Medida Provisória nº 1.8586/99, podendose concluir que a compensação ocorreu de forma ilegal. O contribuinte, contudo, sustenta que o fato da incorporação ter ocorrido em momento anterior à vedação expressa lhe garantiu o direito adquirido à futura compensação da base de cálculo negativa da CSLL oriunda da empresa incorporada. Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.770 11 Ocorre que, quanto à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, antes do encerramento do exercício, quando ocorre o fato gerador, o contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. Entendo que seria mesmo indiferente ao deslinde do caso se a incorporação ocorreu antes da edição da MP n° 1.8586/99, pois a legislação apenas explicitou a proibição da compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela incorporada com a base de cálculo de CSLL apurada pela incorporadora. O disposto no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, no âmbito do IRPJ, justificavase em razão do permissivo legal que concedia aquele aproveitamento quando da apuração do IRPJ. Como para a CSLL nunca foi concedido explicitamente o aproveitamento, não se fazia necessária a sua vedação. Nesse sentido, adoto como razão de decidir a fundamentação contida no voto do conselheiro Antônio Bezerra Neto, proferido no acórdão unânime nº 140100262, de 09/07/2010, o qual foi acompanhado à época por esta relatora no exercício da presidência da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, consoante trecho abaixo transcrito: O argumento principal trazido pela recorrente no argumento empírico de que somente com o advento da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, é que passou a existir impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela sucedida. Entretanto alega que nem mesmo o advento da Medida Provisória que estendeu a vedação prevista no art. 33 do Decretolei n° 2.341/87 à base de cálculo negativa da CSLL, seria óbice para o aproveitamento das bases negativas apuradas pela sociedade incorporada, posto que referida MP somente passou a vigorar em 28/09/1999, sendo que a incorporação da empresa Geral do Comércio Empreendimentos Ltda pela recorrente ocorreu alguns dias antes da entrada em vigor da legislação em comento, 20/09/1999. Por consequência invoca ainda que está sendo ferido o princípio da irretroatividade, uma vez que tal princípio deve ser norteado pelo momento em que as base negativas foram apuradas, época em que a legislação não vedava o seu aproveitamento pela sociedade incorporadora. A referida MP tendo em vista seu caráter prospectivo, aplicase apenas quanto às bases negativas apuradas a partir de sua vigência. Tive oportunidade de analisar essa mesma questão enquanto presidente da 5ª Turma da DRJRecife, através do Acórdão nº 7.709, de 26/04/2002, de minha relatoria, que foi assim ementado: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL Anocalendário: 1995 Ementa: BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. CISÃO PARCIAL Inexiste previsão legal que permita à sucessora, no caso de cisão parcial, compensar a base de cálculo negativa apurada pela sucedida." Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.771 12 Naquela ocasião constatei que é indiferente ao deslinde de tais casos se a incorporação ocorreu antes da edição da MP n° 1.8586/99 ou depois dela, dado que cheguei à conclusão que legislação apenas explicitou uma proibição apurada pela incorporada que já era ínseta ao ordenamento. É que a necessidade de vedação do art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, no âmbito do IRPJ, só faz sentido se analisada em paralelo com outro permissivo legal do IRPJ que concedia aquele aproveitamento em tais casos. Ora, como para a CSLL nunca foi concedido explicitamente tais aproveitamentos também não se fazia necessário a sua vedação. Mantenho ainda esse mesmo entendimento, a despeito de jurisprudência contrária, e vou demonstrar agora de forma mais analítica tal raciocínio. Quanto a essa questão, a princípio, cabe esclarecer que a base de cálculo da CSLL é a estabelecida pelo art. 2° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com suas alterações posteriores, que prevêem expressamente seus ajustes para mais ou para menos. O art. 44 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu, in verbis: "Art. 44 — Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n.º 7.689, de1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei n.º 7.713, de 1988, art. 35) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único — Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real." O parágrafo único acima transcrito permitiu às pessoas jurídicas compensarem as suas próprias bases negativas e não as de terceiro ou as de empresas por ela incorporadas. Como se observa, não há no dispositivo reproduzido, qualquer autorização para que as sociedades incorporadoras pudessem compensar as bases negativas de CSLL de suas incorporadas, ao contrário do que fez expressamente o Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, ao tratar de compensação de prejuízos fiscais, corno se observa a seguir : "Seção VI Compensação de Prejuízos Art. 64 — A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes. ........................................ § 5º A sociedade resultante de fusão e a que incorporar outra sucedem as sociedades extintas no seu direito de compensar prejuízos no prazo previsto neste artigo. Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.772 13 ....” O parágrafo 5º acima reproduzido foi posteriormente revogado expressamente pelo art. 1°, inciso IX, do Decretolei n° 1.730, de 17 de outubro de 1979, para evitar a evasão ou postergação no pagamento do Imposto sobre a Renda que a cisão e a incorporação ensejavam. A partir de então, por falta de permissão legal, as sociedades resultantes de fusão e as que incorporassem outra pessoa jurídica ou parte do patrimônio de sociedade cindida não tiveram mais o direito de compensar os prejuízos das sociedades extintas, ainda que tal proibição só viesse a constar expressamente no art.33 do Decretolei n° 1341, de 29 de junho de 1987, para eliminar definitivamente qualquer dúvida em relação à matéria, O que ocorreu com a compensação de prejuízos fiscais é ilustrativo, no sentido de comprovar que os ajustes da base de cálculo da CSLL (adições, exclusões e compensações) têm de estar previstos na lei tributária para que o contribuinte possa efetuálos. Assim, o fato de não existir lei que proíba determinada exclusão da base de cálculo de um tributo não autoriza o contribuinte a fazêla. Ao contrário, se a lei indica como base de cálculo da contribuição o valor do resultado do exercício, antes da provisão do Imposto sobre a Renda, com ajustes expressamente nela previstos, não poderia o contribuinte retirar da base de cálculo determinado valor por compensação sem previsão legal expressa para fazêlo. A permissão legal restringiuse à compensação de base de cálculo negativa apurada pela própria interessada, a partir de 01 de janeiro de 1992, não sendo admissível a dedução da base de cálculo negativa proveniente de outra pessoa jurídica, mesmo que tenha sido por ela incorporada. Da mesma forma que o art. 33 do Decretolei n° 2.341, de 1987, para afastar qualquer dúvida que pudesse existir em relação à matéria, fez constar de modo expresso a proibição em relação à compensação de prejuízos de empresa incorporada ou cindida, também o art. 20 da MP n.° 1.8586, de 1999, e suas reedições fizeram constar expressamente a proibição da compensação da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela incorporada com a base de cálculo de CSLL apurada pela incorporadora, para afastar qualquer dúvida que pudesse haver em relação à matéria. Novamente, repitase, como para a CSLL nunca foi concedido explicitamente tais aproveitamentos também não se fazia necessário a sua vedação, tendo vindo apenas para ficar de forma expressa e assim não pairar qualquer dúvida a respeito dessa proibição. Nessa perspectiva, considero que não havia previsão legal para que a interessada incorporasse a base de cálculo da CSLL oriunda de empresa incorporada. Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.773 14 Dessa forma, os argumentos de irretroatividade e de direito adquirido levantados pela recorrente são totalmente impertinentes. De qualquer forma, acrescentese aquilo que a DRJ muito bem colocou e que faço minhas as suas palavras: "De qualquer forma, no anocalendário de 1999, a impugnante foi tributada pelo Lucro Real anual, tendo 31/12/1999 como a data do .fato gerador', tanto do IRR1, como da CSLL. Assim, quando da apuração de seus resultados pela declaração de ajuste anual, já estava em vigor a MP nº 1.8586, de 30/06/1999, que passou a produzir efeitos em relação à CSLL em 28/09/1999 (princípio da anterioridade nonagesimal para as contribuições)." Ainda no contexto do que foi exposto no parágrafo anterior, ou seja, mesmo para aqueles que possam não concordar com a tese aqui sustentada, ou seja, para aqueles que porventura adotam a tese da CSRF, que abraçam o entendimento de que havia previsão legal para o aproveitamento da base negativa da CSLL até o advento da referida MP que trouxe a vedação, os argumentos trazidos à baila pela recorrente em relação à direito adquirido e irretroatividade não se sustentam, é que a referida vedação do Decreto se dá no momento da compensação e não da apuração. É de se ver. Decretolei 2.341/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, .fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. (grifei) O art. 33 do Decreto deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação e, se dúvidas ainda restam, o art. 32 do mesmo diploma legal e abarcando ainda o mesmo contexto, embora não trate de incorporação, fusão ou cisão, dá o verdadeiro tom da interpretação finalística que aqui deve ser adotada, deixando mais claro ainda que se o evento ocorrer depois da apuração, mas antes da compensação a vedação permanece. No caso dos autos, a situação é exatamente a mesma daquele processo. No momento da compensação, era plenamente vigente a norma proibitiva. Diante disso, a compensação não pode ser homologada e resta prejudicada a apreciação da juntada de documentos após o recurso. Neste ponto, portanto, votase por negar provimento ao recurso. (grifos no original) Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.774 15 O acórdão referido, julgado pela 1ª Turma ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 09 de julho de 2010, teve a seguinte ementa: Acórdão 140100262 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE EMPRESA INCORPORADA PELA EMPRESA INCORPORADORA, IMPOSSIBILIDADE, Conforme a legislação tributária pertinente, somente há previsão legal para deduzir da base de cálculo da CSLL, a base negativa apurada pela própria pessoa jurídica em período anterior. Nos caso de incorporação, a sociedade sucessora não pode compensar a base de cálculo negativa de CSLL apurada pela sucedida. Antes de 1999, a proibição era extraída da análise sistemática da legislação tributária atinente à matéria. A partir de 1999, como é o caso, com o advento da Medida Provisória n° 1.8586, a vedação passou a ser por expressa determinação legal COMPENSAÇÃO — BASE NEGATIVA — EMPRESA INCORPORADA. MOMENTO DA VEDAÇÃO — ANO CALENDÁRIO DE 1999. O art. 33 do Decretolei 2.341/1987 deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação e, se dúvidas ainda restam, o art. 32 do mesmo diploma legal e abarcando ainda o mesmo contexto, embora não trate de incorporação, fusão ou cisão, dá o verdadeiro tom da interpretação finalística que aqui deve ser adotada, deixando mais claro ainda que se o evento ocorrer depois da apuração, mas antes da compensação a vedação permanece. No mesmo sentido, cito ainda, jurisprudência desta 1ª Turma da CSRF (Acórdão nº 9101002.586, julgado na sessão de 14 de março de 2017): COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA. PROIBIÇÃO. INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.8586, DE 30/06/1999. Antes da MP nº 1.8586, de 30/06/99, não havia nem mesmo autorização legal para que se compensasse base negativa de CSLL apurada por terceiros (empresas incorporadas). A lei apenas autorizava a compensação de base negativa própria. Mas ainda que se considere que a MP nº 1.8586 trouxe realmente uma inovação no sistema jurídico, vedando o que antes era permitido, não há dúvida de que essa vedação deve ser aplicada às compensações ocorridas depois de 28/09/1999 (data da vigência da referida MP), mesmo que o evento de Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 9101004.107 CSRFT1 Fl. 1.775 16 incorporação tenha ocorrido antes dessa data. No que toca à compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Na ocorrência do fato gerador anual de CSLL 31/12/2000, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP nº 1.8586, e, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de empresa sucedida. Acrescento, por fim, que, em se tratando de benefício inserido no ordenamento jurídico tributário, como é a compensação de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa de CSLL, sua interpretação não pode fugir à regra disposta no art. 111 do CTN quanto à literalidade da norma. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente, apenas em relação à matéria "compensação de base negativa de CSLL pela sucessora" e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1775DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001554/2007-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/03/2006
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE OMISSÕES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não padece de nulidade a decisão de primeira instância que deixa de se manifestar sobre alegações que não foram trazidas pelo sujeito passivo em sua Impugnação.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/03/2006
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. CRÉDITOS QUE NÃO SE REFEREM A TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS ORIUNDOS DE DECISÃO JUDICIAL NÃO HABILITADOS. INFORMAÇÕES FALSAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA
Cabível a imposição da multa isolada qualificada em virtude da apresentação de Declaração de Compensação, quando comprovada a conduta dolosa, mediante fraude, por parte da pessoa jurídica, consistente na compensação de créditos de terceiros, não relacionados com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, oriundos de decisão judicial que não envolve a União e sem prévia habilitação do crédito, e por meio da inserção de informações falsas.
Numero da decisão: 1302-003.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2005 a 31/03/2006 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE OMISSÕES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não padece de nulidade a decisão de primeira instância que deixa de se manifestar sobre alegações que não foram trazidas pelo sujeito passivo em sua Impugnação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2005 a 31/03/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. CRÉDITOS QUE NÃO SE REFEREM A TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS ORIUNDOS DE DECISÃO JUDICIAL NÃO HABILITADOS. INFORMAÇÕES FALSAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA Cabível a imposição da multa isolada qualificada em virtude da apresentação de Declaração de Compensação, quando comprovada a conduta dolosa, mediante fraude, por parte da pessoa jurídica, consistente na compensação de créditos de terceiros, não relacionados com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, oriundos de decisão judicial que não envolve a União e sem prévia habilitação do crédito, e por meio da inserção de informações falsas.
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AUSÊNCIA DE OMISSÕES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não padece de nulidade a decisão de primeira instância que deixa de se manifestar sobre alegações que não foram trazidas pelo sujeito passivo em sua Impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 31/03/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. CRÉDITOS QUE NÃO SE REFEREM A TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS ORIUNDOS DE DECISÃO JUDICIAL NÃO HABILITADOS. INFORMAÇÕES FALSAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA Cabível a imposição da multa isolada qualificada em virtude da apresentação de Declaração de Compensação, quando comprovada a conduta dolosa, mediante fraude, por parte da pessoa jurídica, consistente na compensação de créditos de terceiros, não relacionados com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, oriundos de decisão judicial que não envolve a União e sem prévia habilitação do crédito, e por meio da inserção de informações falsas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 15 54 /2 00 7- 78 Fl. 766DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em relação ao Acórdão nº 18 10.054, de 11 de dezembro de 2008, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS (fls. 664 a 690), que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 31/03/2006 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Considerada no declarada a compensação, cabível a exigência da multa isolada sobre o valor total do debito indevidamente compensado. LANÇAMENTO. MULTA ISOLADA. DÉBITO INEXISTENTE. CANCELAMENTO. Verificada a inexistência de débito contido em DComp, deve ser cancelada a multa isolada na parte que lhe corresponda, excluindose tal parcela do montante exigível." O presente processo diz respeito a auto de infração lavrado contra a Recorrente (fls. 07 a 17), para a imposição de multa isolada pela realização de compensação indevida, com fulcro no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pelas Leis n°s 11.051, de 2004 e 11.196, de 2005. Conforme descrição contida no próprio documento de lançamento, o sujeito passivo apresentou Declarações de Compensação (DComp), por meio das quais compensava débitos de sua responsabilidade com créditos de terceiros e não relacionados a tributos ou contribuições administradas pela Receita Federal do Brasil, de modo que as referidas compensações foram consideradas como não declaradas, nos autos do processo administrativo nº 11030.001323/200683. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 11030.001554/200778 Acórdão n.º 1302003.498 S1C3T2 Fl. 767 3 Deste modo, foi lançada a referida penalidade, no percentual de 150%, uma vez que teria ficado configurado o evidente intuito de fraude. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou a Impugnação de fls. 508 a 566, na qual, essencialmente, sustenta: (i) que os débitos declarados nas DComp em pauta foram extintos por pagamento, com os devidos acréscimos legais; (ii) que a conduta tida por irregular não se amolda ao elemento subjetivo "dolo", que integra o núcleo do fato típico "fraude", conforme art. 72, da Lei nº 4.506, de 1964; (viii) que a utilização de "créditos de terceiros" de natureza "nãotributária" não configuraria fraude, de acordo com a definição trazida no citado dispositivo legal; (ix) a dupla incidência de multa isolada sobre débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), que já embasaram lançamento a tal título nos autos do processo administrativo nº 11030.001649/200791; (x) a necessidade de aplicação do art. 112 do CTN. A decisão de primeira instância entendeu irrazoável que o sujeito passivo desconhecesse os diversos dispositivos legais em que a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, bem como a compensação com a utilização de créditos que não se referem a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, são procedimentos amplamente rechaçados. Registra, inclusive, que, anteriormente, a contribuinte já havia, no âmbito do processo administrativo nº 11030.002837/200494, tido a pretensão de realizar semelhante compensação não aceita pela administração tributária. Além disso, o processo de habilitação de crédito indicado pelo sujeito passivo como base para a realização das compensações não tinha qualquer decisão, à época da apresentação das DComp. Deste modo, concluíram os julgadores que a "exigência decorre de compensações indevidas. consideradas nãodeclaradas, com caracterização de evidente intuito de fraude em razão de informações falsas inseridas em DCOMPs apresentadas em meio eletrônico. sendo que inserir informações falsas nas declarações, a fim de possibilitar o seu envio e dar aparência de regularidade à utilização de supostos créditos existentes, demonstra a falsidade e o evidente intuito de fraude, devendo o lançamento de multa isolada qualificada ser mantido no percentual de 150%". Em relação à alegação relativa ao débito de IRRF, período de apuração 1ª semana de janeiro de 2006, entendeu a decisão que deveria ser cancelada a penalidade, uma vez que o débito informado na DComp seria inexistente. Após a ciência da decisão, o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 698 a 758, no qual ataca o Acórdão recorrido, que seria nulo, por não apreciar a ilegalidade ou inconstitucionalidade dos atos fiscais questionados; e repisa as alegações já trazidas na Impugnação, exceto aquelas relativas à parcela do crédito exonerado na primeira instância julgadora. Fl. 768DF CARF MF 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 12 de janeiro de 2009 (fl. 696), tendo apresentado Recurso Voluntário em 10 de fevereiro de 2009, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado pelo responsável legal pela pessoa jurídica. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Da preliminar de nulidade da decisão de primeira instância A Recorrente invoca a nulidade do Acórdão recorrido, uma vez que não teriam sido apreciadas as alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade dos atos fiscais questionados. A leitura da Impugnação apresentada, contudo, revela que inexiste, ali, qualquer argumentação expressa a respeito de suposta violação a preceitos constitucionais. Deste modo, apesar da ressalva realizada pelo julgador a quo (que guarda consonância com o entendimento deste Conselho, enunciado na Súmula CARF nº 2), tal afirmação é inócua ao julgamento. De outra parte, apesar de enunciar a sua incompetência para a apreciação de alegações de ilegalidade, o que a decisão realizou foi exatamente o exame da legalidade do ato administrativo praticado. Inexiste qualquer omissão ou cerceamento do direito de defesa no Acórdão recorrido. Isto posto, rejeito a preliminar de nulidade. 3. Da multa isolada pela compensação considerada nãodeclarada, com fraude, sonegação ou conluio A multa aplicada nos autos de infração de fl. 7 a 17 tem por base legal, para a maioria dos fatos geradores, o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pelas Leis nº 11.051, de 2004, e 11.196, de 2005: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não Fl. 769DF CARF MF Processo nº 11030.001554/200778 Acórdão n.º 1302003.498 S1C3T2 Fl. 768 5 homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)" O referido dispositivo ganhou nova redação, por meio da Lei nº 11.488, de 2007, aplicável à compensação realizada em 31/07/2007: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) " O dispositivo da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, referido na norma acima transcrita, por sua vez, possui o seguinte conteúdo: "Art.90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Fl. 770DF CARF MF 6 Já as hipóteses em que a compensação deve ser considerada não declarada são trazidas pelo §12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: "Art. 74 (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004)" (Destacouse) Como se percebe, ao contrário do alegado pela Recorrente, a nova redação conferida pela Lei nº 11.488, de 2007, não deixa de cominar a penalidade, inclusive no percentual qualificado, para as compensações consideradas não declaradas. A modificação se restringe à adequação da Lei nº 10.833, de 2003, às alterações sofridas pela Lei nº 9.430, de 1996, quando a previsão da multa qualificada do inciso II do art. 44 passou para o §1º do mesmo dispositivo, conforme se constata a seguir: "Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" No caso sob análise, o Auto de Infração justifica a aplicação da penalidade, nos seguintes termos: "Desta forma, conforme determinação legal, efetuamos o lançamento de oficio dos créditos tributários e da multa isolada, Fl. 771DF CARF MF Processo nº 11030.001554/200778 Acórdão n.º 1302003.498 S1C3T2 Fl. 769 7 conforme o caso, sendo a multa isolada lançada no percentual de 150% sobre os valores das compensações consideradas não declaradas, tendo em vista ter ficado caracterizado o evidente intuito de fraude quando a contribuinte utilizou de créditos de terceiros e não relacionados a tributos ou contribuições administrados pela RFB." De fato, o exame dos autos, em especial do Despacho Decisório exarado no processo administrativo nº 11030.001323/200683 (fls. 408 a 420), revela que: (i) a Recorrente apresentou as DComp analisadas naquele processo compensando débitos de sua responsabilidade com supostos créditos decorrentes do processo administrativo nº 10768.004344/200592; (ii) apesar de o referido processo administrativo tratar de Pedido de Habilitação de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, a Recorrente informou nas DComp que o crédito compensado não dizia respeito a ação judicial; (iii) não havia à data da apresentação das DComp qualquer decisão de habilitação do crédito, no processo administrativo nº 10768.004344/200592, conforme exigido pelo art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 517, de 2005, e art. 51 da Instrução Normativa RFB nº 600, de 2005; (iv) o direito pleiteado no referido processo administrativo se refere a crédito adquirido junto à pessoa jurídica CDM Consultoria e Desenvolvimento de Minas Ltda, "oriundo do processo judicial n.° 1.059/57, que versa sobre Incidente de Atentado contra o Estado do Paraná e que tramitou na 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Curitiba/ PR, cujo acórdão proferido no Recurso Especial — RESP n.° 37.056 transitou em julgado em 09/06/99"; (v) a Recorrente já havia apresentado DComp baseada no mesmo crédito, no âmbito do processo administrativo nº 11030.002837/200494, cujo Despacho de indeferimento lhe havia sido cientificado antes da apresentação das DComp que deram fundamento ao lançamento da multa isolada. Como se constata, portanto, a inovação legislativa não produz efeitos em relação ao caso sob análise, uma vez que as condutas praticadas pelo Recorrente, conforme a descrição realizada pela autoridade fiscal, enquadram em ambas as redações do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, acima transcritas. Não se pode concordar com o Recorrente ao afirmar que as suas condutas não se amoldam ao elemento dolo, integrante do núcleo do fato típico "fraude", ou, ainda, que a utilização de créditos de terceiros e de natureza não tributária não tipificaria fraude. Como bem pontuado pela decisão recorrida: "Diante dos fatos verificados e do contexto legal, normativo e da jurisprudência administrativa, prevalece a constatação de que o interessado buscou esquivarse dos controles prévios adotados pela Administração Tributária, instituídos com o intuito de evitar a ocorrência de compensações contrárias à lei. Agiu conscientemente em busca do propósito de diferir o pagamento Fl. 772DF CARF MF 8 de tributos, ou mesmo evitálo, na medida em que a análise da declaração de compensação na forma eletrônica seria apenas urna possibilidade, dentro dos 5 (cinco) anos subseqüentes, após o que poderia se pretender a homologação tácita da compensação. Fazer declaração falsa é o ato de prestar informação ao Fisco, em cumprimento de um dever instrumental, cujo conteúdo consista em simulação da ocorrência de um fato (ou de suas características) , consignada em um documento. O instrumento mediante o qual se efetiva a declaração, que serve de base material ou probante para sua realização, pode ser um documento verdadeiro ou materialmente falso (decorrente de ilegal elaboração por meio de informações falsas em seu conteúdo). Não é demais lembrar que fraude é o ardil utilizado por um agente a fim de simular a ocorrência de um fato inexistente ou a dissimulação de suas características, que no caso em tela visa a induzir os agentes do Fisco em erro mediante a apresentação de informação (DCOMP) de um contexto fático irreal. Por isso, é indubitável que a inserção de informações cujas características não estão de acordo com a legalidade que ampararia o direito de compensação de créditos junto ao Fisco tipifica a conduta do agente que deliberadamente inseriu a informação com o fim de se eximir da obrigação de recolhimento de tributos." De fato, as condutas praticadas pelo Recorrente nas compensações são tipificadas como fraude, conforme a definição trazida pelo art. 72 da citada Lei. In verbis: "Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Não é verídica a afirmativa do Recorrente de que a imposição da multa qualificada teria derivado diretamente, e tãosomente, do fato de as compensações terem sido consideradas não declaradas. A fraude por parte do Recorrente restou caracterizada pelas condutas de protocolar processo com supostos crédito sabidamente inadmissível para a compensação de tributos perante a Receita Federal, seja pela expressa vedação legal à compensação com créditos de terceiros e com créditos que não sejam relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB; seja porque a decisão judicial em que se embasava os supostos créditos adquiridos pela Recorrente não envolvia a União, o que, obviamente, não geraria qualquer direito de compensação contra esta (inclusive, após ter sido cientificado de decisão da Receita Federal que o advertia neste sentido); seja, por fim, porque não observada a necessidade de prévia habilitação do crédito e inserida informação nas DComp, para burlar tal exigência. As alegações e jurisprudência que se referem a mera declaração inexata, para defender a aplicação da multa no percentual de 75%, não socorrem o Recorrente. No caso, Fl. 773DF CARF MF Processo nº 11030.001554/200778 Acórdão n.º 1302003.498 S1C3T2 Fl. 770 9 como fartamente narrado, as condutas do contribuinte estão muito além disso, merecendo a reprimenda prevista para a hipótese de fraude. Também é, absolutamente inaplicável ao caso, o art. 112 do CTN, que trata de situações em que há presença de dúvidas quanto a elementos do fato gerador ou da penalidade aplicável. Na situação dos autos, não há qualquer dúvida: o sujeito passivo compensou seus débitos com créditos sabidamente inoponíveis, por meio de ardis fraudulentos e inserção de informações inverídicas. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente as penalidades aplicadas. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 774DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720077/2010-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.896
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento, relativo a crédito de contribuição não cumulativa. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 20 07 7/ 20 10 -5 3 Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11080.720077/201053 Resolução nº 3402001.896 S3C4T2 Fl. 3 2 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização admitiu apenas parte dos créditos vindicados pela recorrente. 4. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 5. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 6. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 7. Não obstante, em janeiro de 2019, a recorrente apresentou a petição em que requisitou o julgamento do processo em epígrafe com outros vários processos do mesmo contribuinte e que deveriam ser aqui reunidos em razão de uma conexão. 8. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.890, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.001078/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.890): "I. Preliminarmente: da reunião dos processos indicados pelo contribuinte 9. Conforme já destacado alhures, o contribuinte pede a reunião de vários processos com o aqui tratado para que sejam julgados conjuntamente, o que faz ao fundamento da conexão entre tais casos. Os processos que o contribuinte pretende ver julgados em conjunto são os seguintes: Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11080.720077/201053 Resolução nº 3402001.896 S3C4T2 Fl. 4 3 10. Importante destacar que os processos acima listados já se encontram para julgamento desta Turma julgadora, por intermédio do mecanismo da repetitividade, capitulado no art. 47, § 1º do RICARF. Para ser mais preciso, foram formados 03 (três) lotes de paradigmas, tendo como recursos paradigmas o presente processo, bem como os autos n. 11080.720182/201173 e 11080.906181/201386. Este último processo está sob relatoria da I. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, enquanto que os demais estão sob a minha relatoria. 11. Não obstante, conforme se observa da petição do contribuinte (fls. 890/893), o objetivo primordial com esta reunião seria o de evitar decisões materialmente contraditórias para casos análogos, de modo a garantir uma unicidade de tratamento e, por conseguinte, uma segurança jurídica de índole material. 12. Nesse sentido, é possível afirmar que, como os 03 lotes de processo estão sujeitos ao julgamento da mesmíssima Turma julgadora, a pretensão do contribuinte, ainda que por uma via transversa, foi atingida, motivo pelo qual é desnecessária a reunião de tais processos paradigmáticos em face de um único Relator. II. Da conversão do presente julgamento em diligência 13. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 14. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica Fl. 655DF CARF MF Processo nº 11080.720077/201053 Resolução nº 3402001.896 S3C4T2 Fl. 5 4 como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11080.720077/201053 Resolução nº 3402001.896 S3C4T2 Fl. 6 5 15. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 16. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 17. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás (fls. 136/212); (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. 18. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 19. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11080.720077/201053 Resolução nº 3402001.896 S3C4T2 Fl. 7 6 20. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 21. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 22. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 23. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11080.720077/201053 Resolução nº 3402001.896 S3C4T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. Ato contínuo, deverá a fiscalização: (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) deverá: (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal: (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem4 com a atividade 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 4 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11080.720077/201053 Resolução nº 3402001.896 S3C4T2 Fl. 9 8 judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência: (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal: (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 660DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.935083/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
Numero da decisão: 1302-003.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
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ESTIMATIVA. PARADIGMA Recorrente NOVELIS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/200914, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 50 83 /2 00 9- 91 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.935083/200991 Acórdão n.º 1302003.332 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face a acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, registrandose a seguinte ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS A edição da IN SRE n° 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10 que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensações como pagamentos a maior ou indevidos. A IN SRF n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, reproduziu essa proibição no seu exato teor e no mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou Declaração de Compensação, indicando como crédito pagamento indevido ou a maior. A fiscalização concluiu pela improcedência do crédito, por tratarse de pagamento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. As decisões foram fundamentadas nas disposições das IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. Apresentouse DARF para demonstrar a origem do crédito. A DCOMP não foi homologada e resultou em lançamento. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, tempestivamente. Defende que, a fiscalização e a DRJ se equivocaram. Pois, o valor compensado no mês subsequente ao do recolhimento, referese a valor que pagou além do valor apurado como sendo o valor devido de estimativa. Alega, assim, que "as antecipações devidas pelo contribuinte e posteriormente transformadas em crédito, por conta do IRPJ e/ou da CSLL apurados a menor, por ocasião do ajuste, somente podem ser compensadas a partir do mês de abril do ano subsequente, ao passo que as antecipações recolhidas indevidamente ou a maior pelo contribuinte, ou seja, aquelas recolhidas em valor maior que o apurado com base na estimativa, como ocorre no presente caso, configurariam créditos que poderiam ser compensados já no mês subsequente ao do recolhimento indevido." Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.935083/200991 Acórdão n.º 1302003.332 S1C3T2 Fl. 4 3 Fundamentou seu entendimento nas disposições dos arts. 2º e 6º, da Lei nº 9.430/96; art. 74 da Lei nº 9.430/96. Também colacionou ementas de julgados do CARF. Sustentou que o regramento contido no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, replicado na Instrução Normativa n° 600/2005, tratava apenas do recolhimento do que efetivamente devido a título de antecipação de IRPJ e CSLL, não abrangendo recolhimentos a maior ou indevidos. Do contrário, contrariaria o citado art. 74 da Lei n° 9.430/96. No intuito de demonstrar o valor devido estimado para recolhimento antecipado de IRPJ, a Recorrente apresentou a DCOMP, Darfs, DCTFs retificadoras. Não há informação sobre o motivo pelo qual a Recorrente teria apurado, no primeiro momento, o referido valor devido de IRPJ por estimativa e no momento seguinte retificou DCTF e DIPJ para indicar outro valor como sendo correto. A Recorrente não informou o erro ou o equívoco cometido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.319, de 22/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.935088/2009 14, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.319): Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento ao demais pressupostos de admissibilidade previstos no Dec. nº 70.235/72. A questão, portanto, reside em verificar se a Recorrente teria crédito de IRPJ e CSLL, relativo a pagamento, indevido ou a maior, além da estimativa, e se estaria autorizada a utilizar o suposto crédito, já no mês subsequente. Como visto, o acórdão recorrido ratificou o entendimento da fiscalização, no sentido de que, no caso (empresa optante pelo lucro real e estimativas mensais, com base em balancete de suspensão ou redução) somente no ajuste anual seria possível apurar pagamento de valor indevido ou a maior de estimativa mensal. Antes do ajuste anual, não haveria pagamento indevido ou a maior, nem mesmo a possibilidade de compensação no mês subsequente. Esse foi o entendimento que a fiscalização e a DRJ extraíram da IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. De outro modo, a Recorrente refuta tal entendimento, colacionando acórdãos do CARF, que concluíram pela possibilidade de se utilizar, para fins de Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.935083/200991 Acórdão n.º 1302003.332 S1C3T2 Fl. 5 4 compensação, já no mês subsequente, os recolhimentos realizados em valor superior à quantia regularmente apurada, como sendo a estimativa mensal devida. A controvérsia quanto à possibilidade de compensação de pagamentos indevidos ou a maior de estimativas foi solucionada pela Solução de Consulta Interna da Cosit SCI n° 19, de 05/12/2011, de cuja ementa se extrai: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja ela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1° de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2° e 74; IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. Este entendimento também foi consolidado na jurisprudência deste conselho por meio da Súmula CARF n° 84, verbis: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Nesse ponto específico, portanto, assiste razão à recorrente. Não obstante, quanto ao mérito do reconhecimento do direito creditório pleiteado e da respectiva compensação, não é possível a este colegiado adentrar no seu exame, posto que a autoridade administrativa competente ainda não se pronunciou sobre tal matéria. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.935083/200991 Acórdão n.º 1302003.332 S1C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720298/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGAS A DIRETORES NÃO EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A participação nos lucros e resultados paga a diretores não empregados tem a natureza de retribuição pelos serviços prestados à pessoa jurídica, ensejando a incidência de contribuição previdenciária, por não estar abrigada nos termos da Lei nº 10.101/00.
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. CARÁTER INFORMATIVO. SÚMULA CARF Nº 88.
A "Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO AO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 2202-005.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial para excluir do lançamento os valores referentes à PLR.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Recorrente BANCO INDUSVAL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGAS A DIRETORES NÃO EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A participação nos lucros e resultados paga a diretores não empregados tem a natureza de retribuição pelos serviços prestados à pessoa jurídica, ensejando a incidência de contribuição previdenciária, por não estar abrigada nos termos da Lei nº 10.101/00. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. CARÁTER INFORMATIVO. SÚMULA CARF Nº 88. A "Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO AO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 98 /2 01 2- 77 Fl. 205DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto, que deu provimento parcial para excluir do lançamento os valores referentes à PLR. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente autos de infração (fls. 2/33): DEBCAD 37.346.3316, referente às contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre valores pagos a título de Participação nos Lucros aos administradores não empregados, e para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (na competência 06/2007, relativa à diferença entre a alíquota declarada e recolhida pelo contribuinte (1%) e o determinado pela legislação (3%); e na competência 09/2007, relativa à diferença apurada sobre o valor depositado judicialmente pelo contribuinte, por ser parte no Processo Judicial nº 2007.03.00.0871106, com origem no Processo 2007.61.00.0200148); e também o DEBCAD 37.346.3324 (CFL 68), auto de infração de obrigação acessória lavrado por ter a empresa apresentado as GFIPs das competências 02/2008 e 08/2008, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A exigência foi impugnada (fls. 93/105), porém restou integralmente mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 162/172), nos termos sintetizados na seguinte ementa: RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. O anexo Relatório de Vínculos tem finalidade meramente informativa, não atribui responsabilidade tributária às pessoas nele indicadas e nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Fica suspensa a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN, relativo à matéria discutida judicialmente e cujos valores lançados foram objeto de depósitos judiciais na respectiva ação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PREVISÃO CONSTITUCIONAL. O dispositivo constitucional que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros e resultados desvinculada da remuneração é de eficácia limitada, eis que expressamente prevê Fl. 206DF CARF MF Processo nº 16327.720298/201277 Acórdão n.º 2202005.187 S2C2T2 Fl. 206 3 regulamentação por meio de lei ordinária, em conseqüência, a citada verba só deixou de integrar a base de contribuição a partir da edição da norma infraconstitucional e desde que em cumprimento da mesma. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. O pagamento ou crédito de participação nos lucros a diretores não empregados integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por falta de previsão legal de nãoincidência. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. JUROS. TAXA SELIC. É lícita a incidência dos juros com base na taxa SELIC nos débitos com a União decorrentes das contribuições sociais não recolhidas nos prazos previstos na legislação previdenciária. PRODUÇÃO DE PROVAS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O recurso voluntário foi interposto em 26/02/2016 (fls. 176/186), demandando o contribuinte o cancelamento da autuação. Com tal fito, após esclarecer que a discussão relativa a alíquota do RAT está sendo objeto de medida judicial, aduz, em síntese, que: o art. 7º da CF, em seu inciso XI, assegurou aos trabalhadores em sentido largo a participação nos lucros, então a Lei nº 10.101/00 tem de ser interpretada sob esse enfoque, de modo que tal participação abranja não só empregados, mas também diretores estatutários, e nessa esteira assim deve ser compreendida também a alínea 'j' do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sendo esse o entendimento de vários acórdãos do CARF, dos quais traz ilustrações; Fl. 207DF CARF MF 4 devem ser excluídas as pessoas listadas no relatório de vínculos, por ser esse instrumento que tem o condão de instruir eventual título executivo; cabe aplicar a retroatividade benigna no cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória, a qual resultaria na utilização da norma contida na Lei nº 11.941/09. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Esclareçase desde já que este voto cingirseá a abordar as questões afeitas à PLR, ao relatório de vínculos e ao auto de multa por descumprimento obrigação acessória, dado que a discussão relativa a alíquota do RAT está sendo objeto de medida judicial, conforme admitido pelo recorrente. O inciso XI do art. 7º da Constituição Federal (CF) preconiza que dentre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, temse a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Essa norma está inserta no Capítulo II da Carta Maior, denominado "Dos Direitos Sociais", e visa à proteção não de qualquer trabalhador, mas sim daquele que apresenta vínculo de subordinação, como ressaltam Canotilho e Vital Moreira1: (...) a individualização de uma categoria de direitos e garantias dos trabalhadores, ao lado dos de caráter pessoas e político, reveste um particular significado constitucional, do ponto em que ela traduz o abandono de uma concepção tradicional dos direitos, liberdades e garantias como direitos do homem ou do cidadão genéricos e abstractos, fazendo intervir também o trabalhador (exactamete: o trabalhador subordinado) como titular de direitos de igual dignidade. Ressaltese que os direitos dos trabalhadores explicitados nos incisos do art. 7º da CF não contemplam sem restrições, todos os trabalhadores. A quase totalidade deles, tais como o décimo terceiro salário e a licençapaternidade é voltada aos trabalhadores com vínculo de subordinação, sem que seja sequer cogitada 'discriminação' pelos não alcançados pelas normas ali contidas, como profissionais liberais, para citarse apenas um dentre os vários exemplos possíveis. Também o § 4º do art. 218 da CF reforça a compreensão de que a participação nos lucros e resultados é dirigida ao trabalhador subordinado. Esse parágrafo veicula previsão de participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade, regrando que a lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem 1 CANOTILHO, J.J. Gomes, MOREIRA, Vital. Constituição dirigente e vinculação do legislador. Coimbra: Coimbra Editora, 1994, p. 285. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16327.720298/201277 Acórdão n.º 2202005.187 S2C2T2 Fl. 207 5 sistemas de remuneração que assegurem ao empregado e não ao trabalhador não subordinado desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Diante desse quadro, descortinase, como decorrência de caráter constitucional, que diretores não empregados não estão sob o alcance do instituto regrado pelo inciso XI do art. 7º, norma de eficácia limitada que passou a adquirir seus contornos mais definitivos com o advento da MP nº 794/94. Por sua vez, o art. 2º da Lei nº 10.101/00, que a partir de sua edição passou a regrar a participação nos lucros e resultados constitucionalmente prevista, restringe claramente, em consonância com o acima explicado, esse benefício apenas aos empregados. Atentese que a lei não faculta, como parecem entender alguns, a negociação entre empresa e seus empregados, mas determina "será' que ela seja realizada para que se possa falar em acordo sobre lucros ou resultados. Ou seja, o legislador previu, como não poderia deixar de ser, como pressuposto lógico, que existam partes a princípio contrapostas, mas que procuram negociar e por meio de tal negociação atinjam um patamar de colaboração e integração, com a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa. Não existe negociação consigo mesmo, salvo, talvez, na esfera íntima do indivíduo. A redação desse artigo, aliás, evidencia muito claramente ser o empregado o destinatário da norma, pois como defender que o diretor estatutário, representante do poder de da empresa que subordina, poderia participar de negociação sob as vestes simultâneas de empregador/empregado (trabalhador ou empregado em sentido amplo, caso assim se admita)? Curioso seria imaginar, por exemplo, uma comissão paritária formada por representantes dos diretores estatutários/trabalhadores diretores também, por suposto que fossem negociar PLR com os outros diretores estatutários, ou ainda, com eles mesmos, só que aí assumindo os papéis de representantes dos empregadores. Tudo isso, sob as vistas de um representante indicado pelo sindicato, algo despiciendo na insólita situação criada. A prosperar tal tese, o comando da empresa, composto por diretores nessa condição alçados pelo estatuto, poderia, a seu talante, concederse aumentos indiscriminados a título de premiação, e, alegando "autonegociação", a propósito, buscar granjear as benesses tributárias correspondentes, em prejuízo da seguridade social. Com a devida vênia, carece de razoabilidade tal exegese. Não há, assim, qualquer inconstitucionalidade a distinguir trabalhadores em razão de sua ocupação ou função, mas sim de aplicação plena do princípio da legalidade, diferenciando os desiguais na medida da desigualdade, em observância ao primado dos direitos sociais tal como insculpidos em sede constitucional. À luz dessas constatações, e a par delas, deve ser lembrado que diretores não empregados são segurados obrigatórios da previdência social, na categoria de contribuintes individuais, a teor da alínea "a" do inciso I do art. 195 da CF, c/c a alínea "f" do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Fl. 209DF CARF MF 6 Nessa qualidade, o correspondente saláriodecontribuição é a remuneração auferida durante o mês, sendo a contribuição a cargo da empresa calculada com base no total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, forte nos incisos III dos arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/91, não lhes sendo aplicável o benefício previsto na alínea "j" do § 9º do art. 28 desse diploma, tendo em vista ser a lei específica requerida nesse dispositivo a Lei nº 10.101/00, a qual, conforme explanado, não contempla trabalhadores não empregados. Registrese, como remate, que a Lei n° 6.404/76, que dispõe sobre as sociedades por ações, em nenhuma parte de seu texto tratou da tributação das contribuições previdenciárias em relação a remuneração dos segurados contribuintes individuais por parte das empresas, e nem o poderia fazer, pois a instituição e o regramento de contribuições para a seguridade social requer lei ordinária específica, competência essa exercida pela União com a edição da Lei nº 8.212/91. Essa lei, em seu artigo 152 e parágrafos, estabeleceu somente normas sobre a forma de remuneração dos administradores das Sociedades por Ações, não versando, assim, sobre a incidência das contribuições em comento. Cumpre lembrar, aliás, que o RE nº 569.441/RS, j. 30/10/2014, firmou a Tese de Repercussão Geral nº 344 (de observância obrigatória para este Colegiado por força do art. 62 do RICARF): Incide contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros no período que antecede a entrada em vigor da Medida Provisória 794/1994, que regulamentou o art. 7º, XI, da Constituição Federal de 1988. Temse, então, que a lei regulamentadora da participação nos lucros ou resultados prevista constitucionalmente é a Lei nº 10.101/00 (conversão da MP nº 794/94), conforme já assentado pelo STF, em compreensão partilhada também pelo STJ no AgRg no AREsp nº 95.339/PA, j. 20/11/2012. Portanto, não há reforma a realizar na decisão contestada, nesse aspecto. Noutro giro, deve ser observado que não foi lavrado qualquer termo processual mediante o qual tenha sido imputada responsabilidade aos sócios do contribuinte; de sua parte, o relatório de vínculos combatido tem caráter meramente informativo, consoante entendimento aprovado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 10/12/2012: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sendo tal enunciado de observância obrigatória para este Colegiado, por força do art. 72 do Anexo II do RICARF, não há como acatar as razões recursais. No que tange à multa por descumprimento de obrigação acessória, o contribuinte defende deva ser aplicada ao lançamento a multa de mora regrada pela Lei nº 11.941/09 (conversão em lei da MP 449/08), a qual teria sido mais benéfica do que a imposta pela fiscalização. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 16327.720298/201277 Acórdão n.º 2202005.187 S2C2T2 Fl. 208 7 A respeito do tema, contudo, este Colegiado deve aterse, por força do já mencionado art. 72 do Anexo II do RICARF, à verificar a aderência do lançamento ao enunciado sumular a seguir: Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Ou seja, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, havendo lançamento conjunto de obrigação principal e acessória, devem ser somadas a multa relativa à obrigação principal (art. 35, inciso II da Lei nº 8.212/91) com a multa por descumprimento da obrigação acessória conexa (art. 32, inciso IV, § 4º ou § 5º da Lei nº 8.212/91), conforme previstas antes da vigência da MP nº 449/08, sendo o resultado comparado com a multa regrada no art. 44 da Lei nº 9.430/96, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, de acordo com o disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91. Tais são as orientações, necessário observar, contidas na Portaria PGFN/RFB nº 14/09. Na espécie, temse que, consoante discriminado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 09 e ss), foi esse, precisamente, o procedimento da fiscalização, que realizou o comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, e aplicou a multa mais benéfica ao contribuinte. Inexiste, assim, reforma a realizar no lançamento nesse ponto. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 211DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.721559/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/07/2011
RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA RECONHECIDA PELA DRJ.
A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Aplicação da Súmula do CARF nº1.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE NÃO CONFIGURADA.
O MPF-Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração.
MULTA DE OFICIO E MULTAS ADUANEIRAS. PREVISÃO LEGAL CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula do CARF nº 2.
Numero da decisão: 3402-006.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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CONCOMITÂNCIA RECONHECIDA PELA DRJ. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia à esfera administrativa. Aplicação da Súmula do CARF nº1. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. O MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. MULTA DE OFICIO E MULTAS ADUANEIRAS. PREVISÃO LEGAL CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula do CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 15 59 /2 01 1- 68 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10909.721559/201168 Acórdão n.º 3402006.583 S3C4T2 Fl. 273 2 Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Por bem retratar o caso em questão adoto o relatório desenvolvido pela DRJ Florianópolis até aquela fase: Versa o presente processo sobre os autos de infração lavrados, às fls.08/39, para constituição do crédito tributário no valor de R$ 72.896,14, relativo à falta/insuficiência de recolhimento do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), acrescidos de juros de mora e da multa de ofício, incidentes sobre a importação de mercadoria estrangeira, através da Declaração de Importação (DI) nº. 11/13105374, registrada em 15/07/2011. O importador adotou a classificação fiscal da Nomenclatura Comum do Mercosul no código 4901.99.00 e utilizou a imunidade como regime de tributação, para as mercadorias descritas como: "CHILDREN'S BOOKS: TEDDY DOCTOR KIT A MALETA DO DOUTORZINHO LIVRO PARA CRIANCAS” e “CHILDREN'S BOOKS: TEDDY BEAR PICNIC KIT O PEQUINIQUE DOS URSINHOS – LIVRO PARA CRIANCAS". Entretanto, a auditoriafiscal considerou os artigos como “sortido composto de brinquedo e livro” e, em obediência à regra 3.b, com aplicação "mutatis mutandis" da regra geral nº 6 e RGC n° 1, classificouos no código NCM 9503.00.80. Ressalta que, mesmo que os produtos fossem igualmente relevantes e não determinassem característica essencial para fins de aplicação da regra 3.b, teriase que aplicar a regra 3.c, classificando a mercadoria na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração, ou seja, no mesmo código 9503.00.80. Igualmente, como consequência da reclassificação, é consubstanciada a multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, conforme anteriormente exposto, nos termos do art. 711 do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), com base no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n°2.15835/01 c/c arts. 69 e 81, inciso IV da Lei n° 10.833/03. Ainda, é exigida a multa do controle administrativo das importações, de 30% do valor aduaneiro, por mercadoria importada ao desamparo de Licença de Importação, nos termos do art. 707 do Decreto 6.759/2009, pois os brinquedos estão sujeitos a licenciamento não automático de importação a ser analisado pelo DECEX e INMETRO (Portaria Inmetro 376/07 e Portaria Secex n° 23/2011, item III do Anexo IV), de acordo com a tabela Tratamento Administrativo do Siscomex disponível no endereço eletrônico do MDIC. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10909.721559/201168 Acórdão n.º 3402006.583 S3C4T2 Fl. 274 3 Regularmente cientificada (fl. 72), a autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 85/102), na qual, em síntese: Alega que os produtos se tratam, na verdade, de livros e que a criança acompanhará a leitura utilizando os brinquedos como recursos pedagógicos lúdicos. Entender que se tratam de brinquedos, com incidência de impostos, representaria um atentado à modernização do ensino brasileiro, à democratização da cultura e à aquisição dos ensinamentos. Fazse necessário reconhecer a finalidade dos produtos que é de transmitir conhecimentos, como todo e qualquer livro. Além disto, são vendidos em livrarias (e não em lojas de brinquedo), as quais não destacam o imposto em notas fiscais, bem como diretamente nas escolas de Ensinos Médio e Básico do país, onde são utilizados pelos professores em disciplinas como Educação Artística. Destaca que não é possível a venda retalhada dos brinquedos que acompanham o livro, sob pena de perder o objeto para o qual se propõe o produto, qual seja, de transmitir os conhecimentos lançados no livro. Argui que os produtos sob análise possuem número do ISBN International Standard Book Number (sistema internacional padronizado que identifica numericamente os livros), estando todas as editoras/importadoras sujeitas às mesmas isenções. Aduz acerca da nulidade do auto de infração por falta da disposição legal infringida, uma vez que o enquadramento legal apontado pela autoridade fiscal está baseado somente em decretos (Regulamentos), os quais não possuem força de lei, bem como por falta de competência da autoridade fiscal, haja vista a inexistência de MPFF específico para revisão aduaneira. Alega que a mercadoria deve ser enquadrada nos mesmos moldes da Decisão n° 51, de 30.06.1997, expedida pela Divisão de Tributação da 9a. RF, permitindose a retificação da descrição, sendo devida somente a multa de 1% sobre o valor aduaneiro. Argui que a multa no percentual de 75% sobre o imposto exigido é manifestamente excessiva e desproporcional, burlando o dispositivo constitucional que proíbe o confisco. Portanto, no caso de manutenção do lançamento, urge sejam reduzidas todas as multas para patamares não superiores a 20% (vinte por cento) sobre o valor do imposto a ser recolhido. Argumenta que a discussão da natureza jurídica é objeto da Ação Ordinária nº 500903140.2011.404.7205/SC. Logo, fazse mister a suspensão do presente processo administrativo até o trânsito em julgado daquela ação judicial. Requer seja reconhecida correta a classificação (NCM 4901.99.00), atribuída à mercadoria importada, com o reconhecimento da imunidade tributária elencada no art. 150, VI, '"d" da CF para os livros ora importados; ou, ainda e sucessivamente: a nulidade do Auto de Infração; o enquadramento da mercadoria nos mesmos moldes da Decisão n.° 51, de 30.06.1997, expedida pela Divisão de Tributação da 9a RF; o recolhimento proporcional conforme o valor do item dentro do conjunto, dos impostos, com os reflexos nas penalidades; e a redução de todas as multas para patamares não superiores a 20% (vinte por cento) sobre o valor do imposto a ser recolhido. Protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a prova documental a ser ainda produzida, em especial um parecer da Câmara Brasileira do Livro já solicitado. Por meio do acórdão nº 0729.790 de 24 de agosto de 2012 (fls. 183 a 194), a 2ª Turma da DRJ Florianópolis, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, não conheceu de parte da impugnação, no tocante à matéria levada à apreciação do judiciário e, Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10909.721559/201168 Acórdão n.º 3402006.583 S3C4T2 Fl. 275 4 quanto às demais, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário apurado. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/07/2011 ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à mesma matéria objeto de apreciação pelo Poder Judiciário, porque a decisão judicial sobrepõe se à decisão administrativa. MULTA DE OFÍCIO. Cabível a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9. 430/96, pela falta de pagamento dos impostos devidos na data prevista na form a da legislação de regência. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO. Cabível a multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória 2.158 35/2001 se o importador não logrou classificar corretamente a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. É cabível a penalidade administrativa quando o produto for importado ao desa mparo do licenciamento exigido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls.217 a 234), alegando, em síntese: (i) Preliminarmente, a nulidade do lançamento por ausência de MPF; (ii) A não configuração da concomitância; e (iii) O caráter confiscatório das multas aplicadas. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Considerando a tempestividade do recurso voluntário, passo a análise do preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade. A Recorrente ajuizou a ação ordinária nº 500903140.2011.404.7205/SC, com pedido de antecipação de tutela, com o seguinte objeto (inicial às fls. 160 a 174): (a) sobrestar o processo de perdimento das mercadorias enquanto perdura a presente discussão e (b) reconhecer como correta a classificação por ela adotada às mercadorias (Livro, NCM 4901.99.00). Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10909.721559/201168 Acórdão n.º 3402006.583 S3C4T2 Fl. 276 5 A decisão liminar (fls. 175 a 176) foi apenas no sentido de sobrestar o processo de perdimento das mercadorias, até ulterior deliberação. A sentença foi proferida em 16/04/2012 (fls. 177 a 181), que julgou improcedente o pedido inicial. Houve recurso ao TRF4, que manteve a classificação adotada pela autoridade fiscal nos seguintes termos: “Destarte, se a mercadoria principal importada é brinquedo, tenho que correta (ou a mais correta) se mostra a classificação como tal, justamente aquela adotada pelo Fisco, ou seja, como brinquedos (NCM 9503), razão pela qual, desmerece guarida a pretensão inaugural (fls. 250/251).” A questão subiu ao STJ, que negou seguimento ao recurso especial. Como um dos fundamentos apresentados pela requerente era de cunho constitucional, a imunidade de livros, a questão está sendo apreciada pelo STF, com recente decisão monocrática da lavra do Ministro Edson Fachin (RE 1.183.690/RS), que negou seguimento ao recurso extraordinário, mantendo a decisão do TRF4. Foram opostos embargos de declaração em 27/02/2019. Portanto, a questão acerca da correta classificação fiscal dos itens importados está sendo discutida no Poder Judiciário. A Recorrente alega a não configuração da concomitância, por entender que não seria objeto da contestação judicial a incidência ou não dos impostos de importação e multas, mas tão somente a correção ou não da classificação atribuída à mercadoria importada. Não assiste razão à Recorrente. Está sendo contestada no poder judiciário a classificação fiscal do item importado, matéria coincidente com a discussão administrativa. A diferença cobrada dos tributos incidentes na importação decorre da classificação adotada. É ponto pacífico que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Isso porque a coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10909.721559/201168 Acórdão n.º 3402006.583 S3C4T2 Fl. 277 6 Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Concluise que a matéria coincidente se refere ao mérito da classificação fiscal do item importado, confirmando a decisão recorrida que não conheceu da impugnação, por estar configurada a concomitância. Da preliminar de nulidade por ausência do MPF Preliminarmente, a Recorrente alega a irregularidade do procedimento fiscal, pela inexistência de Mandado de Procedimento Fiscal específico para a Revisão Aduaneira. As questões acerca de possíveis irregularidades na emissão do MPF não tornam nulo o procedimento fiscal em questão, por se tratar o Mandado de Procedimento Fiscal de um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não mais do que isso. A jurisprudência deste Conselho pacificou entendimento segundo o qual eventuais irregularidades na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem à nulidade, vez que o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPFMandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. (Acórdão 3102001.669, 1a Câmara, 3a Seção, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, unanimidade, Sessão de 27.nov.2012) NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração. (Acórdão 9101001.798, Rel. Cons. Marcos Aurélio Pereira Valadão, maioria, Sessão de 19.nov.2013) Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10909.721559/201168 Acórdão n.º 3402006.583 S3C4T2 Fl. 278 7 O Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pelo Decreto n. 3.969/2001, é apenas um instrumento de natureza jurídica administrativa, que não afeta o ato de lançamento lavrado por autoridade competente. A autoridade competente para efetuar o lançamento do crédito tributário é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, conforme disposto no artigo 142 do CTN e no artigo 5º da Lei nº 13.464, de 10 de julho de 2017. Ressaltase o fato de que os atos do processo administrativo tributário federal, somente serão nulos nos casos estabelecidos no art. 59, do Decreto n. 70.235/72, em especial quando há prejuízo à defesa e contraditório do contribuinte. Improcedente, assim, a alegação de nulidade por irregularidades no MPF. Das multas aplicadas Quanto às multas aplicadas, o único argumento pela Recorrente foi seu caráter confiscatório, e a ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer sua redução ao percentual de 20%. Entretanto, tais questões encontram óbice no artigo 62 do RICARF. Segundo a previsão regimental, os membros das turmas de julgamento do CARF não podem afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. As multas lançadas estão perfeitamente capituladas nos seguintes dispositivos legais: multa de ofício, artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996; multas aduaneiras, artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, e artigo 169, incido II, do DecretoLei nº 37/66. Dessa forma, não cabe a este colegiado afastar sua aplicação sob o argumento de violação a princípios constitucionais. Dispositivo Ante o exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003515/2007-25
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente), José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que davalhe provimento. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 35 15 /2 00 7- 25 Fl. 68DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente), José Alfredo Duarte Filho. Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 20056, anocalendário de 2004, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$11.110,57 calculado e atualizado até setembro de 2007. Foram constatadas as seguintes irregularidades, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$19.240,00. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que juntou todos os documentos comprobatórios de suas despesas médicas, para os quais afirma atenderem os requisitos legais. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => no que se refere às despesas médicas, em que pese o argumento da contribuinte de que teria ocorrido erro na glosa do valor de R$19.240,00, em verdade verifica se que foi aceito somente R$ 3.571,39 a titulo de despesas médicas, R$ 14.240,00 não foram aceitos mesmo com a apresentação de recibos (por entender que não teriam sido suficiente para comprovar a efetividade das despesas) e RS 5.000,00 foram glosados por falta de apresentação de documentação comprobatória das despesas. Portanto, não houve erro na totalização do valor glosado. => ultrapassada esta questão, foram analisados os documentos juntados aos autos, quais sejam as declarações emitidas por Adriana Salezze Fraga (informando que a contribuinte esteve em tratamento de 08/01/2004 a 29/12/2004, e que o montante recebido foi R$ 6.240,00) e por Fabiano Cardoso de Sá (informando que a contribuinte esteve sob seus tratamentos em 2004, totalizando RS 8.000,00). Assim, restabelecemse as despesas medicas no valor de RS 14.240,00. Quanto ao saldo da glosa de R$5.000,00, manteve a DRJ a mesma por entender que de fato não foi apresentada documentação comprobatória com relação a elas. Em sede de Recurso Voluntário, a contribuinte volta a apresentar suas razões para o reconhecimento das despesas médicas, sustenta que não tem não tem obrigação legal de apresentar mais nenhuma informação e que não pode ser penalizada por exigências que vão além do quanto estabelecido em lei. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11543.003515/200725 Acórdão n.º 2001001.223 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Fl. 70DF CARF MF 4 A Recorrente apresentou despesas que geraram dúvidas nas autoridades fiscais, dentro do seu dever legal de fiscalização. Ademais, merece ser ratificado no tocante ao saldo das despesas médicas sobre o qual foi mantida a glosa (R$5.000,00), entendo que de fato não há nos autos nenhuma documentação comprobatória da existência efetiva de tais despesas, a despeito da mera alegação da Contribuinte de que estariam comprovadas. A Contribuinte, ao invés de demonstrar sua boa fé e atitude colaborativa em efetivamente comprovar a existência das despesas (poderia, por exemplo, ter solicitado declarações aos profissionais acerca do serviço prestado), não trouxe nenhum elemento aos autos como prova de que os serviços e as despesas com o profissional foram efetivamente prestadas e pagas. Ao reverso, apenas refuta a notificação com argumentos extensos e protelatórios. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11543.003515/200725 Acórdão n.º 2001001.223 S2C0T1 Fl. 4 5 Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação clara e objetiva apresentada tanto pelas autoridades fiscais como na decisão da DRJ, somada com a ausência de prova de efetivo pagamento pela Recorrente, ou ao menos a apresentação de declarações com informações completas do serviço médico, ausência de postura colaborativa e apenas refuto com base em argumentações e colação de jurisprudência, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantida a glosa das despesas médicas em análise, no valor de R$5.000,00. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.722058/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
EMBARGOS.OMISSÃO. CABIMENTO.
Cabível o acolhimento de embargos relativo à omissão do acórdão recorrido. Supre-se a omissão pela decisão formalização de decisão no sentido de suprir a omissão apontada.
PEDIDO DE PERÍCIA PARA APURAÇÃO DO VALOR VENAL DE IMÓVEL. DESNECESSIDADE.
Descabe a realização de perícia para definir o valor de imóvel objeto de venda pelo contribuinte quando o valor utilizado pela fiscalização foi estabelecido pelo próprio contribuinte e pelo respectivo adquirente em escritura de compra-e-venda do bem em questão que abrangeu a integralidade do imóvel.
Numero da decisão: 1401-003.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, suprindo a omissão levantada, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS.OMISSÃO. CABIMENTO. Cabível o acolhimento de embargos relativo à omissão do acórdão recorrido. Supre-se a omissão pela decisão formalização de decisão no sentido de suprir a omissão apontada. PEDIDO DE PERÍCIA PARA APURAÇÃO DO VALOR VENAL DE IMÓVEL. DESNECESSIDADE. Descabe a realização de perícia para definir o valor de imóvel objeto de venda pelo contribuinte quando o valor utilizado pela fiscalização foi estabelecido pelo próprio contribuinte e pelo respectivo adquirente em escritura de compra-e-venda do bem em questão que abrangeu a integralidade do imóvel.
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CABIMENTO. Cabível o acolhimento de embargos relativo à omissão do acórdão recorrido. Suprese a omissão pela decisão formalização de decisão no sentido de suprir a omissão apontada. PEDIDO DE PERÍCIA PARA APURAÇÃO DO VALOR VENAL DE IMÓVEL. DESNECESSIDADE. Descabe a realização de perícia para definir o valor de imóvel objeto de venda pelo contribuinte quando o valor utilizado pela fiscalização foi estabelecido pelo próprio contribuinte e pelo respectivo adquirente em escritura de compraevenda do bem em questão que abrangeu a integralidade do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, suprindo a omissão levantada, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 20 58 /2 01 2- 04 Fl. 5603DF CARF MF Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401003.409 S1C4T1 Fl. 5.604 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de auto de infração relativo a ganho de capital da alienação de imóvel. Após o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo autuado e os responsáveis solidários foram apresentados embargos por parte do autuado e dos sujeitos passivos solidários. Da análise da admissibilidade dos embargos apresentados foram adotas as seguintes determinações: 1 Não se conheceu dos embargos apresentados pelo recorrente BIOPAR S/ por serem intempestivos; 2 Com relação aos embargos apresentados pelos sujeitos passivos solidários Eduardo Antônio Pereira Sá, Agropecuária Seival Ltda. e Gado Bravo Administração e Participação Ltda, estes se referiam a petições idênticas, razão pela qual foram analisados em conjunto. Estes se referiam a uma alegação de contradição e duas de omissão, todos os argumentos foram rejeitados no despacho de admissibilidade por serem manifestamente improcedentes na forma do art. 65, § 3º, do Regimento Interno do CARF; 3 Finalmente, com relação aos embargos apresentados pelo responsável solidário Luís Carlos Echeverria Piva, este apresentou diversos pontos que considerava vício da decisão que se baseavam em contradições e omissões. Da análise destes pontos o despacho de admissibilidade considerou que: Bem como dito anteriormente, a contradição que autoriza o manejo de embargos declaratórios é aquela havida entre a decisão (parte dispositiva do acórdão) e os seus respectivos fundamentos. No caso, nenhuma das alegadas contradições apontadas pelo embargante se verificou entre a decisão e seus respectivos fundamentos, daí porque incabíveis embargos com vistas a sanálas (art. 65, § 3º). Quanto às omissões apontadas, é de se dizer que, com exceção da que cuida do pedido de perícia, todas as demais, ao contrário do que alega o embargante, foram sim objeto de apreciação por parte da Turma. Isso pode ser verificado, inclusive, no próprio texto dos embargos, onde o ora embargante, apesar de alegar omissão, descreve partes do acórdão onde as respectivas matérias foram tratadas pela Turma (art. 65, § 3º). O pedido de perícia, por sua vez, consta do item 6.5 do recurso voluntário do ora embargante (efl. 5169), mas realmente não foi objeto de apreciação por Fl. 5604DF CARF MF Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401003.409 S1C4T1 Fl. 5.605 3 parte da Turma, daí porque entendo que restou demonstrada a omissão questionada. Tendo em vista todo o exposto, e nos termos do art. 65, §§ 1º e 3º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, ADMITO PARCIALMENTE os presentes embargos a fim de que: a) não se conheça dos embargos opostos pela contribuinte Biopar S/A, por intempestivos; b) seja submetida a apreciação da Turma a alegação de omissão quanto à apreciação do pedido de perícia feito pelo responsável tributário Luís Carlos Echeverria Piva; c) seja negado seguimento, em caráter definitivo, a todas as demais alegações de contradição e omissão suscitadas pelos responsáveis tributários. Assim, consoante o despacho de admissibilidade acima identificado, a análise dos presentes embargos prendese, unicamente, à alegação de omissão da turma julgadora quanto à apreciação do pedido de perícia. Cientificada do despacho de admissibilidade que considerou em embargos intempestivos, o contribuinte apresentou petição suscitando a nulidade da intimação por edital. O julgamento foi então convertido em diligência para análise da petição do contribuinte. Da análise da petição, foi prolatado novo despacho mantendo o mesmo entendimento anterior e considerando intempestivos os embargos do recorrente. Assim, a análise dos presentes embargos ocorrerá apenas em relação ao pedido de diligência não analisado na decisão embargada. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Os embargos são tempestivos e preenchem os requisitos legais, assim deles tomo conhecimento. Da análise dos embargos Iniciando a análise dos presentes embargos verificamos que, no próprio relatório da decisão atacada, consta, entre os pedidos dos interessados, o de realização de perícia. Fl. 5605DF CARF MF Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401003.409 S1C4T1 Fl. 5.606 4 Eis o pedido constante do relatório: 5) requer, ainda, o deferimento da prova pericial para fins de aferição do valor real da área de terras da Fazenda Gado Bravo, conforme fundamentação, com resposta aos seguintes quesitos: a) qual o valor do hectare de terras na Fazenda Gado Bravo, considerando o valor da terra nua, ou seja, sem benfeitorias e sem o Projeto Greenfield e as outorgas d'água?; b) qual o valor do hectare de terra na região onde está situada a Fazenda Gado Bravo?; c) quantos hectares de terras faziam parte da Fazenda Gado Bravo, na época em que de propriedade da Impugnante?; d) que área da Fazenda Gado Bravo era explorada comercialmente pela Agropecuária Seival, antes de sua alienação?; e) que tipo de utilização era dada às terras da Fazenda Gado Bravo, antes da alienação?; f) considerando o valor do hectare de terra da Fazenda Gado Bravo e o total de área, qual o valor total da Fazenda?; 6) Indica como Assistente Técnico o Sr. Carlos Alberto Garcia Machado, CRC/RS 51892, com endereço profissional na Rua Tobias da Silva, 253/301, Moinhos de Vento, Porto Alegre RS. Por derradeiro, requer sejam as intimações feitas no nome do procurador Cléber Reis de Oliveira, OAB/RS 38.314, com endereço profissional na Rua Barão do Triunfo, 419/402, Menino Deus, Porto Alegre, RS. CEP: 90.130101. ......... o cerne da questão reside no fato de que, sendo ato vinculado, não haveria margem à escolha feita pelos AuditoresFiscais, que importou em substancial aumento da base de cálculo. Caso, por mera hipótese, pudesse ser considerada sanável a nulidade apontada, caberia perícia para avaliar o valor da Fazenda Gado Bravo, transferida para a Biopar, caso não seja considerado o valor de R$ 21.780.000,00, mas, mesmo assim, a perícia seria necessária para avaliar o valor das outorgas d'água (de titularidade de Eduardo Sá), que integraram o preço do contrato de compra e venda firmado com a Agrícola Xingu, como expressamente reconhecido no Auto de Infração. Assim, o valor da presente autuação deveria levar em conta a diminuição do ganho de capital pretendido, à vista de todos esses fatores; Vejamos o que foi alegado pela fiscalização para o levantamento do valor da alienação para fins de apuração do ganho de capital: Fl. 5606DF CARF MF Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401003.409 S1C4T1 Fl. 5.607 5 Tendo em vista que o Acórdão da impugnação já tratou do assunto do pedido de perícia, aproveitamos para apresentas a análise da Delegacia de Julgamento a respeito do pedido idêntico formulado na impugnação. Em seguida, a Impugnante reclama que o Fisco teria errado, quando da apuração do ganho de capital, dizendo que nunca existiu avaliação da Fazenda Gado Bravo por R$21.780.000,00, e que seu valor real era de Fl. 5607DF CARF MF Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401003.409 S1C4T1 Fl. 5.608 6 R$529.243,00, pelo qual foi integralizada na Biopar, ou, no máximo, de R$1.452.006,00, conforme o laudo de avaliação para efeito de incorporação. Diz que se o raciocínio do Fisco estivesse correto, a operação a ser tributada seria a integralização de capital feita pela Agropecuária Seival na Biopar, com a entrega da Fazenda Gado Bravo por valor subestimado. Assim, o Auditor deveria realizar o ganho de capital na Agropecuária Seival, que detinha a Fazenda Gado Bravo por R$529.243,00 e a estaria alienando por R$21.780.000,00, obtendo um ganho de capital de R$21.250.757,00. Só a diferença entre esse valor e o da venda para a Agrícola Xingu poderia ser tributada na Biopar. Acrescenta ainda a Requerente que, no cálculo do ganho de capital que teria sido auferido pela Biopar, o Fisco desconsiderou o valor do projeto industrial e das outorgas d’água, que agregaram significativo valor ao negócio, tanto assim que os compradores exigiram que na escritura de venda e compra da Fazenda Gado Bravo constasse que as outorgas d’água estavam integradas ao preço. Por fim, solicita a Impugnante a realização de perícia, para se apurar o real valor da Fazenda Gado Bravo e de outros bens alienados, com fins de aferição do ganho de capital, pois certamente não equivale ao valor total do negócio. A respeito da solicitação de perícia formalizada pela Impugnante, indefiro sua realização por considerála desnecessária, já que o processo contém elementos suficientes para a formação da livre convicção do julgador, conforme o disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). A alegada inexistência de avaliação da Fazenda Gado Bravo pelo valor de R$21.780.000,00 não se sustenta. Basta examinar a versão preliminar do Plano de Negócio para implantação da Biopar, de abril de 2007 (Agro empreendimento Etanol 1ª e 2ª Fases – Oeste da Bahia), elaborado pela empresa de consultoria “Sucrana”, às fls. 1.659 a 1.691, na qual consta expressamente que o referido montante equivale ao valor de mercado daquelas terras, cuja área superficial é de 12.100 hectares, ou seja, o valor corresponde a R$1.800,00 por hectare, bastante inferior ao preço de terras nos Estados de São Paulo, Alagoas, Mato Grosso do Sul e Goiás, citados no Plano, para fins comparativos. Além da aludida avaliação, outra avaliação das mesmas terras foi realizada pela empresa “Alterna BioCapital” (Avaliação de Projetos Greenfield), às fls. 1.550 a 1.552, que estimou seu valor em R$3.500,00 por hectare, que representa quase o dobro da avaliação anterior e importaria em um valor Fl. 5608DF CARF MF Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401003.409 S1C4T1 Fl. 5.609 7 total de R$42.350.000,00, bem mais aproximado daquele pelo qual a Fazenda Gado Bravo foi alienada para a Agrícola Xingu (R$38.115.000,00). A Impugnante reclama também que o Fisco desconsiderou o valor do projeto industrial (Projeto Greenfield) e das outorgas d’água, no cálculo do ganho de capital que teria sido auferido pela Biopar. Quanto ao projeto, ressaltese que ele sequer foi mencionado na Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, registrada em cartório de imóveis, de fls. 112 a 127, relativa à negociação da Fazenda Gado Bravo, não havendo razão para atribuirlhe um valor hipotético a ser abatido do preço de venda do imóvel rural, para efeito de cálculo do ganho de capital, como pretende a Autuada. No caso das outorgas d’água, vale salientar que elas foram concedidas, como declarou a própria Autuada, ao Sr. Eduardo Sá, sócio da Biopar, pela Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) do Estado da Bahia, objeto da Portaria nº 941/06 – DG, de 2006, para a construção de barragem no Rio Grande, bem como de autorização para perfuração de oito poços tubulares na Fazenda Gado Bravo, nos termos do Ofício da mesma SRH, sob o nº 1.293/06 – DG, de 20/12/2006, e foram transferidas para a Agrícola Xingu, conforme consta na mesma Escritura Pública de Promessa de Compra Venda, ou seja, integrou o negócio pactuado entre as partes, que previa autorização ou procuração a ser outorgada pelo Sr. Eduardo Sá, detentor da concessão. Portanto, observase que, da mesma forma que o Sr. Eduardo Sá, sócio da Biopar, foi contemplado com o direito de utilização das aludidas outorgas d’água, concedido, sem qualquer custo, pela SRH do Estado da Bahia, ele repassou tal direito, também sem custo algum, para a Agrícola Xingu, consoante assentado no mesmo instrumento que formalizou a negociação da Fazenda Gado Bravo, entre a Biopar e a Agrícola Xingu. Se, de um lado, as outorgas d’água teriam agregado valor ao negócio, como argumenta a Impugnante, valor este não quantificado e destacado na operação de venda da Fazenda Gado Bravo, por outro lado, isoladamente, elas nada valeriam, visto que vinculadas à exploração dos recursos hídricos existentes no subsolo do imóvel rural negociado, tanto que o próprio Sr. Eduardo Sá aceitou incluílas na transação, sem qualquer ônus adicional para a empresa adquirente, como se comprova na resposta a Termo de Intimação dada pelo citado sócio, datada de 18/11/2011 e recepcionada em 23/11/2011, da qual se transcrevem os trechos abaixo: “3.3.1 A cessão e transferência de direitos de outorga foi efetivada como condição de negócio para realização da transação entre BIOPAR S/A e AGRÍCOLA XINGU S/A, sem ônus, nos exatos termos constantes da Escritura Pública de Compra e Venda firmada em 09/07/2008;” “3.2.2 Como a cessão foi realizada sem ônus, não foi firmado contrato específico, a transferência de direitos se deu nos termos constantes da escritura de Compra e Venda firmada em 09/07/2008...” Fl. 5609DF CARF MF Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401003.409 S1C4T1 Fl. 5.610 8 Ressaltese que logo após a operação de venda da Fazenda Gado Bravo, a Biopar distribuiu para seus sócios os lucros oriundos da negociação, proporcionalmente à participação societária de cada um deles na empresa, não vindo o Sr. Eduardo Sá a receber qualquer importância a mais pelo fato de que detinha, pessoalmente, o direito de usufruto dos recursos hídricos ali existentes, transferindoo para a empresa compradora juntamente com as terras negociadas. Desse modo, descabe a pretensão da Autuada de deduzir do preço total recebido pela Biopar, da Agrícola Xingu, qualquer quantia, a título de valor correspondente às outorgas d’água, para fins de apuração do ganho de capital decorrente da alienação da Fazenda Gado Bravo. Ora, além da fundamentada decisão da Delegacia de Julgamento na qual decidiu pelo indeferimento do pedido de perícia em face de sua desnecessidade, havemos de destacar que nos autos do processo constam, às fls. 112/127, as cópias da escritura de compra evenda do referido imóvel onde consta, em negrito do original, que o preço da operação foi de R$ 38.115.000,00. Vejamos o trecho que trata do preço da operação. Assim, diante do acima apresentado, verificase que o preço da operação que foi utilizado pela fiscalização para a composição da base de cálculo do ganho de capital foi estabelecido pela própria BIOPAR S/A em contrato particular de compraevenda. Desnecessário se faz a realização de perícia no caso em tela quando se constata que o valor considerado da operação não foi atribuído ao belprazer da autoridade fiscal, mas sim, baseouse em documento formal da operação que identifica claramente o valor do preço pactuado entre as partes. Tal documento foi produzido e apresentado pelo próprio recorrente ou com sua interveniência. Fl. 5610DF CARF MF Processo nº 10540.722058/201204 Acórdão n.º 1401003.409 S1C4T1 Fl. 5.611 9 Não é cabível a realização de perícia na conformidade e do modo pretendido pelos recorrentes quando a aferição do valor da operação não decorra de nenhuma avaliação por parte da fiscalização, mas sim, única e exclusivamente, pelo valor atribuído pelas partes em sua escritura de promessa de compraevenda. Em vista do exposto, em análise dos presentes embargos no que tange à omissão por parte do acórdão recorrido quanto à apreciação do pedido de perícia voto no sentido acolher os embargos a fim de suprir a omissão e, assim, rejeitar o pedido de perícia, na forma do art. 18, do Decreto nº 70.235/72, por se demonstrar desnecessário em razão de o valor da operação utilizado pela fiscalização ter decorrido, exclusivamente, do valor definido pelas partes em escritura de promessa de compraevenda firmado sem qualquer interveniência da fiscalização em sua fixação. É como voto. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 5611DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.914494/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 44 94 /2 01 4- 19 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.914494/201419 Acórdão n.º 3301005.893 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02070.633, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.914494/201419 Acórdão n.º 3301005.893 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.914494/201419 Acórdão n.º 3301005.893 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.914494/201419 Acórdão n.º 3301005.893 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 83DF CARF MF
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